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Principais paradigmas

Aula sobre os principais paradigmas das ciências da natureza. Aborda História e Filosofia da Ciência e epistemologia, construção do conhecimento (revolução cognitiva, Revolução Agrícola, domesticação, explicações místicas), alquimia e filósofos gregos, formação da ciência moderna.

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<p>OS PRINCIPAIS PARADIGMAS</p><p>DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA</p><p>AULA 2</p><p>Prof.ª Tamara Dias Domiciano</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nos dias atuais, grande parte da sociedade tornou-se dependente do uso</p><p>de produtos científicos e tecnológicos, tornando árdua a tarefa de determinar a</p><p>importância dos conhecimentos científicos. De modo que a inclusão da palavra</p><p>“científico” em algumas afirmações ou propagandas é suficiente para se crer que</p><p>se trata de algo real, confiável (Chalmers, 1993). Mas, como os conhecimentos</p><p>científicos são produzidos? E, principalmente, o que a sociedade entende por</p><p>ciência?</p><p>Ao longo dos próximos conteúdos, abordaremos alguns aspectos que</p><p>caracterizam a ciência e os conhecimentos derivados da sua atividade,</p><p>ressaltando algumas das principais correntes filosóficas do campo. Trata-se de</p><p>um resgate da História e Filosofia da Ciência, com especial atenção aos</p><p>principais epistemólogos e suas proposições sobre a construção do</p><p>conhecimento e, consequentemente, sobre a percepção do mundo natural.</p><p>Nesta abordagem, realizamos um resgate da história da humanidade e</p><p>sua incansável busca pela explicação dos fenômenos naturais, que transita entre</p><p>a necessidade de sobrevivência e a vontade de dominação da natureza. Na</p><p>sequência, nós nos debruçamos sobre uma explicação aproximada do que é</p><p>ciência, sabendo que uma definição única, imutável e absoluta não é possível.</p><p>Seguimos nosso estudo, abordando aspectos gerais da formação da</p><p>ciência moderna e sua dominação sobre os demais campos do saber, para, ao</p><p>fim desta abordagem, tratarmos dos objetos de estudo das ciências naturais,</p><p>finalizando com uma breve introdução ao estudo da natureza da ciência.</p><p>TEMA 1 – A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE A NATUREZA</p><p>Desde os primórdios da humanidade, o ser humano busca explicações</p><p>para os fenômenos da natureza. Inclusive, a evolução da nossa espécie está</p><p>intimamente ligada à capacidade de raciocínio. A sobrevivência do Homo</p><p>sapiens às adversidades impostas pelo planeta Terra só foi possível devido à</p><p>revolução cognitiva, que nos permitiu reconhecer padrões e explicar fenômenos</p><p>(Harari, 2015).</p><p>Cerca de 10 mil anos atrás, a Revolução Agrícola se tornou a primeira</p><p>forma de dominação do homem sobre a natureza. Sabia-se que os alimentos</p><p>nasciam de sementes e quais alimentos eram ou não nocivos, logo, colher essas</p><p>3</p><p>sementes e espalhá-las em um lugar específico forneceria um número maior de</p><p>alimentos sem o esforço de buscá-los floresta adentro. Pouco tempo depois, a</p><p>humanidade domesticou espécies animais e passou a criá-las em ambientes</p><p>fechados, para também reduzir a necessidade da caça (Harari, 2015).</p><p>Há uma crença de que foi a Revolução Agrícola que propiciou um salto</p><p>evolutivo e tornou o ser humano mais inteligente. Mas há discordâncias que</p><p>apontam que o homem já era dotado de inteligência e já dominava a natureza</p><p>antes disso. Já sabia o período do ano mais propício para a caça e quais plantas</p><p>eram venenosas, pois sua sobrevivência dependia desse conhecimento (Harari,</p><p>2015).</p><p>De qualquer forma, foi a agricultura que possibilitou o crescimento da</p><p>humanidade, a formação de comunidades mais ou menos estáveis. Mas, para o</p><p>sucesso de uma colheita, a natureza precisava colaborar com alguns fatores,</p><p>como a chuva e o clima ameno. Ao ser humano, cabia olhar o horizonte na</p><p>esperança de ver uma nuvem de chuva. Mas, e quando a chuva não viesse? O</p><p>que era responsável pela formação da chuva? Como fazer chuva? Foi nesse</p><p>momento que as explicações para fenômenos naturais passaram a se entrelaçar</p><p>com o misticismo.</p><p>Havia o deus da chuva, o deus do Sol, o deus do vento. Para todo e</p><p>qualquer efeito natural, havia uma divindade. Por vezes, esse deus tomava a</p><p>forma humana e ordenava presentes e sacrifícios para retribuir os pedidos dos</p><p>camponeses. Assim, surgiram os regimes políticos e econômicos, nos quais</p><p>sempre havia um sujeito acima de todos, geralmente uma divindade, que recebia</p><p>os excedentes da produção agrícola em troca de “fazer chover” (Harari, 2015).</p><p>Em outras sociedades, havia aqueles que buscavam respostas para a</p><p>formação dos elementos. A Alquimia toma corpo na Grécia, no século VI a.C.</p><p>Tales de Mileto, Heráclito, Anaximandro, Platão e tantos outros filósofos</p><p>buscavam a resposta para a questão: seriam eles originados de uma substância</p><p>primária universal? Que elemento seria esse?</p><p>Desde sempre, o ser humano busca entender a natureza. Entretanto, a</p><p>finalidade dessa compreensão foi modificada com o tempo. Nos primórdios, o</p><p>entendimento da natureza auxiliaria na sobrevivência e adaptação do homem</p><p>aos fenômenos naturais. Atualmente, entendemos a natureza para melhor</p><p>dominá-la e adaptá-la a nossa vontade e conforto.</p><p>Mas, afinal, o que é ciência? Sobre isso, trataremos a seguir.</p><p>4</p><p>TEMA 2 – O QUE É CIÊNCIA?</p><p>A frase “cientificamente comprovado” tem força inquestionável na</p><p>sociedade atual, quase como um dogma religioso. Tudo o que carrega esse selo</p><p>é bom e ponto final. Mas o que significa ser cientificamente comprovado?</p><p>Comprovado por qual ciência? Ou ainda, o que é ciência?</p><p>Se olharmos do ponto de vista da etimologia da palavra, scientia, em latim,</p><p>significa conhecimento. Levando apenas isso em consideração, todo e qualquer</p><p>conhecimento seria considerado uma ciência. Entretanto, a definição do que é</p><p>ciência é um pouco mais profunda que isso (Pacheco e Pacheco, 2008).</p><p>Ao longo de toda a trajetória da humanidade, observamos diversos</p><p>esforços no sentido de delimitar o que é ciência e, principalmente, o que não é.</p><p>Uma das formas de compreendê-la é por meio de sua ramificação em quatro</p><p>tipos de conhecimento:</p><p>• Conhecimento popular: não sistematizado, cotidiano e subjetivo, diz</p><p>respeito aos saberes da experiência pessoal e em comunidade,</p><p>geralmente passados de geração para geração por meio da oralidade.</p><p>• Conhecimento religioso: apesar de sistematizado, não permite</p><p>questionamentos e verificação de sua validade. Entrelaçado</p><p>profundamente com valores morais, espiritualidade e a crença em uma</p><p>figura onipotente, livre de erros humanos.</p><p>• Conhecimento filosófico: parte principalmente da racionalidade</p><p>humana, do ato de pensar, interpretar e atribuir significados a coisas e</p><p>fenômenos. É um conhecimento sistematizado que, em algumas</p><p>situações, não permite a verificação e universalização por seu caráter</p><p>contextual e subjetivo.</p><p>• Conhecimento científico: sistematizado e passível de verificação por</p><p>meio de experiências, seja de laboratório ou de observação, o</p><p>conhecimento científico lida com a explicação de fatos naturais. Todavia</p><p>é falível, não se tratando de um saber verdadeiro e absoluto, e sim com</p><p>caráter evolutivo (Pacheco e Pacheco, 2008).</p><p>Atualmente, a linha entre saber científico e saber filosófico está dissipada,</p><p>consolidando as diversas áreas do saber. No Brasil, a Coordenação de</p><p>Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES avalia cursos de ensino</p><p>superior e pós-graduação das grandes áreas do saber, que são:</p><p>5</p><p>Figura 1 – Diferentes áreas das ciências</p><p>Créditos: Tamara Dias Domiciano, 2022.</p><p>Todavia, essa compreensão da coexistência de diversas ciências só foi</p><p>possibilitada após um longo período de estudos sobre história e filosofia da</p><p>ciência e sobre epistemologia. Por muito tempo, permaneceu uma visão de</p><p>ciência rígida e infalível que impedia que qualquer conhecimento recebesse o</p><p>título de ciência.</p><p>Ao longo desta abordagem, vamos resgatar os principais paradigmas que</p><p>foram moldando a ciência que chamamos de moderna.</p><p>Leitura complementar</p><p>MIRANDA, L. F. S. de. Introdução histórica à filosofia das ciências.</p><p>Curitiba: Intersaberes, 2016.</p><p>Esse livro oferece aos estudantes uma introdução à filosofia da ciência,</p><p>que pode ser um guia neste denso e complexo universo. Considerando que a</p><p>filosofia se faz com base em problemas filosóficos e que se apoia</p><p>em sua própria</p><p>história, são apresentados seus princípios, seus principais pensadores e a</p><p>constituição de seu trajeto ao longo dos tempos.</p><p>TEMA 3 – A CIÊNCIA MODERNA</p><p>“Os últimos quinhentos anos testemunharam um crescimento fenomenal</p><p>e sem precedentes no poderio humano” (Harari, 2015, p. 257). Tanto em número</p><p>Ciência</p><p>s</p><p>Biológicas</p><p>Humanas</p><p>Sociais</p><p>Aplicadas</p><p>Exatas e da</p><p>Terra</p><p>Agrárias</p><p>da saúde</p><p>Linguística,</p><p>Letras e Artes</p><p>Engenharias</p><p>6</p><p>de população quanto em domínio territorial, científico e tecnológico, os últimos</p><p>séculos foram cenário do crescimento do poder do ser humano sobre a Terra.</p><p>A Revolução Científica marcou a inversão dos acontecimentos no planeta:</p><p>antes, a natureza dominava o homem, agora o homem curva a natureza à sua</p><p>vontade. Nesse período, a humanidade aumentou seus esforços e investimentos</p><p>na produção de conhecimentos científicos, com a finalidade única de promover</p><p>o progresso e o bem-estar social.</p><p>O salto epistemológico de tal revolução foi a compreensão possibilitada</p><p>pelos estudos de Galileu Galilei de que o Sol não gira ao redor da Terra, e sim o</p><p>contrário. Galileu, ao solucionar o problema do Sistema Solar, elevou a ciência</p><p>a outro patamar, empregando a matemática para a comprovação de teorias das</p><p>ciências da natureza. Seguindo Galileu, outros cientistas passaram a utilizar a</p><p>matemática em suas previsões e para explicações sobre a natureza,</p><p>estabelecendo leis e teorias sobre o universo.</p><p>Vídeo</p><p>Documentário: Galileu luta pelo céu. Tv Cultura. Baseado no livro da filha</p><p>de Galileu, esse programa revela faces do cientista antes desconhecidas,</p><p>abordando a trajetória da pesquisa que levou a confirmar que a Terra não é o</p><p>centro do Sistema Solar. Link: https://www.youtube.com/watch?v=rc41n4YEYdo</p><p>De acordo com Harari (2015), a Revolução Científica está ligada à</p><p>compreensão de que o ser humano ainda não tem resposta para todas as</p><p>perguntas, nem conhece tudo o que se tem para conhecer. A busca pelo</p><p>conhecimento, com o tempo, tornou-se uma busca pela dominação, sobre a</p><p>natureza e sobre outras sociedades. Logo inicia-se a corrida desenvolvimentista,</p><p>que consistiu na busca pela modernização, crescimento econômico e acúmulo</p><p>de produtos tecnológicos.</p><p>A ascensão da ciência moderna trouxe consigo o estabelecimento de</p><p>disciplinas novas, como Biologia, Física e Química. Além destas, também foi</p><p>nesse período que se institucionalizaram as pesquisas sobre Paleontologia,</p><p>Sociologia, Antropologia. A teoria da evolução, antes tão polêmica diante da</p><p>predominância religiosa nas diretrizes da sociedade, foi confirmada e tomou seu</p><p>lugar em detrimento do criacionismo (Santos, 2010).</p><p>7</p><p>A ciência rompe sua subordinação à religião, passando ao predomínio do</p><p>pensamento laico e da separação entre Estado e fé. O reconhecimento da</p><p>função social do desenvolvimento da ciência resultou em incentivos para a</p><p>formação de novos cientistas. Por fim, como consequência do reconhecimento</p><p>da ciência, os investimentos na construção de institutos, laboratórios e</p><p>universidades, com financiamento público e privado, institucionalizaram a</p><p>produção científica como política pública.</p><p>Sendo um modelo global, a nova racionalidade científica é também um</p><p>modelo totalitário, na medida em que nega o caráter racional a todas</p><p>as formas de conhecimento que se não pautarem pelos seus princípios</p><p>epistemológicos e pelas suas regras metodológicas. É esta a sua</p><p>característica fundamental e a que melhor simboliza a ruptura do novo</p><p>paradigma científico com os que o precedem. Está consubstanciada,</p><p>com crescente definição, na teoria heliocêntrica do movimento dos</p><p>planetas de Copérnico, nas leis de Kepler sobre as órbitas dos</p><p>planetas, nas leis de Galileu sobre a queda dos corpos, na grande</p><p>síntese da ordem cósmica de Newton e finalmente na consciência</p><p>filosófica que lhe conferem Bacon e sobretudo Descartes (Santos,</p><p>2010, p. 48).</p><p>Apesar de a ciência moderna nascer na Europa, todo o globo precisou se</p><p>adequar a suas novas normas, que implicaram novas configurações sociais,</p><p>políticas e econômicas, conforme apontado por Santos (2010). Junto a isso, todo</p><p>conhecimento produzido de outra forma, que não a hegemônica, passou a ser</p><p>considerado vulgar e ilusório.</p><p>A Figura 2 ilustra o salto de compreensão da ciência moderna em</p><p>comparação com a ciência antiga.</p><p>Figura 2 – Diferenças entre ciência antiga e ciência moderna</p><p>Créditos: Tamara Dias Domiciano, 2022.</p><p>C</p><p>iê</p><p>n</p><p>c</p><p>ia</p><p>a</p><p>n</p><p>ti</p><p>g</p><p>a •Ciência e filosofia</p><p>caminhavam lado a</p><p>lado;</p><p>•Baseada na</p><p>observação pura dos</p><p>fenômenos;</p><p>•Caráter qualitativo e</p><p>racional;</p><p>•Buscava explicações</p><p>teóricas para os</p><p>fenômenos.</p><p>C</p><p>iê</p><p>n</p><p>c</p><p>ia</p><p>m</p><p>o</p><p>d</p><p>e</p><p>rn</p><p>a •Separação entre</p><p>ciência e não ciência;</p><p>•Prevê experimentação</p><p>para comprovação;</p><p>•Caráter quantitativo e</p><p>lógico;</p><p>•Busca aplicações</p><p>práticas do</p><p>conhecimento</p><p>produzido sobre os</p><p>fenômenos.</p><p>8</p><p>Nos próximos tópicos, exploraremos o objeto de estudo das ciências da</p><p>natureza.</p><p>Leituras complementares</p><p>DAMIÃO, a. P. O renascimento e as origens da ciência moderna: Interfaces</p><p>históricas e epistemológicas. História da ciência e ensino, v. 17, p. 22-49, 2018.</p><p>Disponível em:</p><p><https://revistas.pucsp.br/index.php/hcensino/article/view/34411>. Acesso em 5</p><p>dez. 2022.</p><p>ALBERGARIA, Danilo. O legado de Galileu para a ciência moderna.</p><p>Comciência, Campinas, n. 112, 2009. Disponível em:</p><p><http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s1519-</p><p>76542009000800002&lng=es&nrm=iso>. Acesso em 5 dez. 2022.</p><p>GUEDES, J. de A. A crise da ciência moderna e a busca de uma superação.</p><p>Revista Geotemas, v. 2, n. 2, p. 121–130, 2012. Disponível em:</p><p><http://periodicos.apps.uern.br/index.php/geotemas/article/view/374>. Acesso</p><p>em 5 dez. 2022.</p><p>TEMA 4 – AS SUBÁREAS DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA</p><p>Com o advento da ciência moderna, diversas disciplinas tomaram forma,</p><p>cada qual com seu objeto de estudo específico, mas todas compartilhando do</p><p>mesmo método de pesquisa, sobre o qual dedicaremos um maior tempo de</p><p>estudo no próximo conteúdo. No rol de subáreas das ciências da natureza, temos</p><p>uma série de disciplinas especializadas, cada qual com um objeto de estudo</p><p>específico.</p><p>Figura 3 – Subáreas da Química</p><p>9</p><p>Figura 4 – Subáreas da Biologia</p><p>Além da Biologia e da Química, as ciências naturais ainda abarcam os</p><p>estudos de Biodiversidade, Botânica, Ecologia, Oceanografia e Zoologia. Cada</p><p>uma dessas ramificações desempenha papel fundamental na compreensão dos</p><p>fenômenos da natureza. Nessa rede, algumas disciplinas possuem</p><p>semelhanças, estudando objetos similares com olhares múltiplos. Entretanto, há</p><p>também pesquisas com pouco diálogo, pela distância entre os interesses.</p><p>Um aspecto relevante compartilhado por esses campos é o caráter</p><p>experimental da pesquisa. Além da observação, fortemente presente, os estudos</p><p>das ciências naturais perpassam a experimentação, seja laboratorial ou na</p><p>natureza, com a finalidade de verificar hipóteses e teorias, verificar variantes e,</p><p>até mesmo, sintetizar novos elementos químicos ou biológicos.</p><p>TEMA 5 – NATUREZA DA CIÊNCIA</p><p>Juntamente com o avanço da ciência, estudos da sociologia da ciência</p><p>ganharam força, na intenção de compreender as estruturas internas da</p><p>construção do conhecimento científico. Essa linha investigativa ficou conhecida</p><p>como estudos sobre Natureza da Ciência – NdC.</p><p>Quando se fala em compreensão da natureza da ciência, isso implica uma</p><p>análise crítica frente à construção do conhecimento científico, aliada à</p><p>necessidade de apropriação dessa compreensão por parte dos cidadãos, para</p><p>10</p><p>que se posicionem de forma fundamentada diante de processos de tomada de</p><p>decisão.</p><p>A NdC é compreendida como os elementos constitutivos dos processos</p><p>de construção e organização do conhecimento científico e tecnológico,</p><p>considerando questões internas e externas à produção científica (Moura, 2014).</p><p>Deve-se destacar que não há</p><p>uma definição única para natureza da ciência, mas</p><p>concorda-se com Moura (2014, p. 33) quando coloca que:</p><p>De uma perspectiva bem ampla e geral, podemos dizer que a natureza</p><p>da ciência envolve um arcabouço de saberes sobre as bases</p><p>epistemológicas, filosóficas, históricas e culturais da ciência.</p><p>Compreender a natureza da ciência significa saber do que ela é feita,</p><p>como elaborá-la, o que e por que ela influencia e é influenciada.</p><p>Nessa perspectiva, toda e qualquer investigação científica deveria levar</p><p>em conta aspectos pouco discutidos sobre a construção do conhecimento</p><p>científico. Ao contrário disso, o que se percebe são pesquisas que divulgam</p><p>apenas os produtos da ciência sem relatar a trajetória da construção desse</p><p>conhecimento, disseminando uma visão de ciência ingênua e distante do real.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Ao longo de toda a história, alguns acontecimentos impactaram</p><p>fortemente a sociedade. Dentre eles, a atualidade sofreu com a pandemia de</p><p>Covid-19. Desde o surgimento dos primeiros casos da doença, todo o mundo</p><p>voltou sua preocupação para os efeitos que o novo vírus teria, tanto na saúde da</p><p>população quanto no convívio social.</p><p>No meio acadêmico, os pesquisadores voltaram sua atenção para a</p><p>investigação do vírus, desde seu genoma, mutação, até os efeitos da doença no</p><p>corpo, melhores tratamentos, formas de prevenção e vacinas. Esses avanços só</p><p>foram possíveis devido ao advento da ciência moderna e dos métodos de</p><p>pesquisa. Foram os avanços da medicina, da investigação em biologia, que</p><p>possibilitaram o combate à pandemia.</p><p>• Como seria o combate à pandemia sem pesquisa científica?</p><p>• Quais outras contribuições das ciências da natureza para o</p><p>enfrentamento de crises de saúde pública você percebe?</p><p>A pesquisa em ciência e tecnologia, que será discutida minuciosamente</p><p>mais adiante, possui papel fundamental na atualidade. Entretanto, algumas</p><p>11</p><p>concepções distorcidas sobre o que é ciência e sobre como ocorrem os</p><p>processos de construção do conhecimento deturpam as compreensões sociais</p><p>do fazer científico. Esse fato resulta, de um lado, em uma crença cega na ciência</p><p>e em seu poder de salvar o mundo e, de outro, em desconfiança e negação da</p><p>ciência. É possível encontrar um meio-termo?</p><p>Saiba mais</p><p>PODCAST: O papel da Universidade no combate à pandemia. Fórum. Nesse</p><p>episódio é abordada a importância da produção científica em tempos de</p><p>pandemia. Disponível em: <https://abre.ai/cienciaepandemia>. Acesso em 5 dez.</p><p>2022.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Partindo da afirmação de Sagan (2006, p. 45): “A ciência está longe de</p><p>ser um instrumento perfeito de conhecimento. É apenas o melhor que temos”,</p><p>nesta abordagem, buscamos entender melhor sobre de que ciência estamos</p><p>falando.</p><p>A história da consolidação da ciência se entrelaça com a história da</p><p>humanidade, iniciada com a Revolução Cognitiva, 70 mil anos atrás. De lá para</p><p>cá, o homem esteve em busca de respostas e explicações para os fenômenos</p><p>que observa na natureza. Tais compreensões possibilitaram o reconhecimento</p><p>de padrões, que auxiliou na sobrevivência da espécie por um período e, hoje,</p><p>permite à sociedade adaptar a natureza à sua vontade.</p><p>Os conhecimentos produzidos pela humanidade, atualmente, ramificam-</p><p>se em diversos campos das ciências, como percebemos no tópico 2 desta</p><p>abordagem. Dentre esses ramos, encontramos as ciências da natureza, que</p><p>abarcam uma teia de saberes especializados que lhe é própria.</p><p>Acompanhando a trajetória histórica da ciência, chegamos à discussão da</p><p>consolidação da ciência moderna, que molda hoje as estruturas sociais, políticas</p><p>e econômicas de todo o globo. Finalizamos nossa conversa, abordando</p><p>brevemente os estudos sobre a natureza da ciência, que se ocupa de</p><p>compreender como os conhecimentos científicos são construídos, disseminando</p><p>percepções mais apropriadas sobre a atividade científica.</p><p>Mais adiante, percorreremos o caminho da história e filosofia da ciência,</p><p>para compreender sua natureza epistemológica e paradigmas de cada época.</p><p>12</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CHALMERS, A. F. O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.</p><p>HARARI, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Tradução J.</p><p>Marcoantonio. São Paulo: L&PM Editores, 2015.</p><p>MOURA, B. A. O que é natureza da Ciência e qual sua relação com a História e</p><p>Filosofia da Ciência? Revista Brasileira de História da Ciência, Rio de Janeiro,</p><p>v. 7, n. 1, p. 32-46, 2014.</p><p>PACHECO, R. L.; PACHECO, L. H. M. O que é ciência? Uma abordagem para</p><p>cursos tecnológicos. In: International Conference on Engineering and</p><p>Technology Education, 2008, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: Intertech, 2008.</p><p>SAGAN, C. O mundo assombrado pelos demônios. Tradução Rosaura</p><p>Eichemberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.</p><p>SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. 7. ed. São Paulo: Cortez,</p><p>2010.</p>

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