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<p>FUNIBER</p><p>UNiVERSITARIA IBEROAMERCANA</p><p>Disciplina</p><p>METODOLOGIA, INTEPRETAÇÃO</p><p>E ARGUMENTAÇÃO PARA A</p><p>PESQUISA JURÍDICA AVANÇADA</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO umvERSITARIA IBERoakgsicAnut</p><p>FUNIBER</p><p>fljNOAGil .() LJNOIER5ITARIA e-EROAMEFIIC.A. NA</p><p>Sumário</p><p>cc Apresentação da disciplina</p><p>Capitulo 1 •• Metodologia jurídica</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>RV</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>1.1. Introdução 	5</p><p>1.2. A ciência jurídica ou ciência do direito 	7</p><p>1.3. Metodologia e método 	8</p><p>1.3.1. Características do método cientifico 	11</p><p>1.3.2. Métodos da pesquisa jurídica 	12</p><p>1.3.3. Técnica jurídica 	13</p><p>1.3.4. Conhecer o método cientifico jurídico 	14</p><p>1.3.5. Aspectos relevantes das etapas do método cientifico jurídico 	15</p><p>1.4. 0 pesquisador jurídico 	18</p><p>Capitulo 2 •• Pesquisa jurídica</p><p>2.1. Introdução 	23</p><p>2.2. Considerações gerais 	24</p><p>2.2.1. Classificação da pesquisa 	26</p><p>2.2.2. Etapas da pesquisa 	27</p><p>2.3. A pesquisa cientifica no direito 	28</p><p>2.4. A documentação jurídica 	29</p><p>2.4.1. Critérios de avaliação 	32</p><p>2.4.2. Classificação da documentação jurídica 	34</p><p>2.5. 0 direito e a sociedade da informação 	34</p><p>2.5.1. Cibernética jurídica 	36</p><p>2.5.1.1. Jurimetria 	36</p><p>2.5.1.2. Informática jurídica 	37</p><p>2.5.1.3. Modelagem jurídica 	38</p><p>FUNIBER</p><p>FUNCAÇÁOUNIVERSITÁRIA REfTOANIERICANA</p><p>Capitulo 3 •• Interpretação jurídica</p><p>3.1. Introdução 	 41</p><p>3.2. Aspectos gerais 	 42</p><p>3.3. Teorias de interpretação jurídica 	 43</p><p>3.4. Hermenêutica jurídica 	 45</p><p>3.5. Métodos de interpretação jurídica 	 46</p><p>3.6. Escolas de interpretação jurídica 	 47</p><p>3.6.1. Escola da Exegese 	 47</p><p>3.6.2. Método da livre investigação cientifica 	48</p><p>3.6.3. Escola histórica 	48</p><p>3.6.4. Escola do Direito Livre 	49</p><p>3.7. A interpretação jurídica de leis em diferentes sistemas jurídicos 	50</p><p>3.8. A interpretação jurídica e a argumentação jurídica 	 51</p><p>Capitulo 4 •• A argumentação jurídica</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>4.1. Introdução 	 55</p><p>4.2. Considerações gerais 	 56</p><p>4.2.1. A argumentação geral e a argumentação jurídica 	 56</p><p>4.2.2. A argumentação prática e a argumentação jurídica 	 57</p><p>4.3. A abordagem do problema jurídico 	 59</p><p>4.4. A heurística jurídica argumental 	61</p><p>4.4.1. As fontes para a argumentação jurídica 	 61</p><p>4.4.2. Alcançar argumentos legais 	 63</p><p>4.5. A técnica da argumentação jurídica 	 65</p><p>4.5.1. Exemplo da aplicação da técnica argumentativa 	 68</p><p>4.6. A conclusão argumental 	 71</p><p>4.7. Conclusão jurídica 	 73</p><p>4.7.1. Exemplo de conclusão jurídica 	 76</p><p>4.8. Ética no procedimento de argumentação jurídica 	 77</p><p>4.8.1. Ética e o processo da argumentação jurídica 	 78</p><p>4.9. A argumentação moral e o direito 	 79</p><p>II</p><p>FUNIBER</p><p>:FUNDAÇÃO UNIVERSITARA F&ROAMFOANA</p><p>7-,L;;L:1111</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>4.10. A argumentação e a dogmática jurídica 	80</p><p>4.10.1. Funções da dogmática jurídica 	81</p><p>•• Bibliografia</p><p>111</p><p>FUNIBER' :.FUNqAgA0 UNWERSITÁRIA IBEROAMERICAWA •</p><p>Iv</p><p>FUNIBER</p><p>UNAÇO;,;;41VEFISI1ARIA IBEROAM.E.RiCA1•4A</p><p>C</p><p>) T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA</p><p>0 Direito pode ser apreciado de várias perspectivas, como uma faculdade ou poder frente a</p><p>terceiros, como um conjunto de normas que governam as ações dos indivíduos na sociedade ou,</p><p>ainda, como uma ciência. Sendo ciência, deriva, como qualquer outra existente no mundo</p><p>humano, do conhecimento, estando imerso no campo da pesquisa.</p><p>Os pesquisadores jurídicos estão constantemente analisando as normas legais que governam as</p><p>sociedades no mundo de hoje, determinando o impacto do desenvolvimento econômico,</p><p>ambiental e social no comportamento humano.</p><p>0 Direito estará sempre em evolução, porque as condições humanas são mantidas dessa forma,</p><p>não são inertes e estáticas, mas são mantidas em constantes mudanças e modificações,</p><p>portanto, sempre haverá algo para analisar, investigar e estudar a respeito do Direito.</p><p>É necessário reconhecer que o trabalho do advogado, em termos gerais e no exercício</p><p>profissional, envolve uma investigação prévia dos fatos ou circunstâncias para oferecer uma</p><p>solução para o problema.</p><p>Essa investigação ou pesquisa jurídica envolve seguir uma metodologia, se a posição do</p><p>pesquisador é ocupada por um estudante da profissão ou um professor experimentado, para</p><p>pesquisar no campo do Direito é necessária uma compreensão do processo, e a aplicação de um</p><p>método.</p><p>A realização da pesquisa jurídica envolve a aplicação de alguns dos diferentes métodos</p><p>oferecidos pela metodologia jurídica, fazendo uso de técnicas jurídicas e das disciplinas</p><p>auxiliares do Direito, como a Documentação Jurídica. Da mesma forma, é inevitável que o</p><p>pesquisador, independentemente da finalidade, proceda a ordenar as informações coletadas</p><p>levando em consideração os critérios de avaliação das mesmas.</p><p>Quando as informações obtidas da pesquisa jurídica realizada encontrarem-se ordenadas e</p><p>classificadas, continua-se por interpretá-las em sua totalidade, principalmente para identificar o</p><p>significado das normas jurídicas aplicáveis em relação ao caso de investigação ou estudo.</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVESSITARVA IEEiOAMERICANA</p><p>APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA</p><p>2E,</p><p>O capitulo explica o Direito</p><p>como uma ciência, expõe as</p><p>diferenças entre metodologia,</p><p>método e técnica, fornece</p><p>conhecimento sobre os</p><p>procedimentos do método</p><p>cientifico jurídico.</p><p>Conhecer o método</p><p>cientifico jurídico.</p><p>Desenvolver a capacidade</p><p>de aplicar o método</p><p>cientifico jurídico para</p><p>pesquisa jurídica.</p><p>Familiarize-se com a</p><p>metodologia jurídica</p><p>para aplicação na</p><p>pesquisa jurídica.</p><p>A disciplina versa sobre as</p><p>considerações gerais da</p><p>pesquisa jurídica, sua</p><p>classificação, etapas, a</p><p>necessidade de uso dentro</p><p>do exercício profissional e as</p><p>disciplinas a partir das quais</p><p>ela é auxiliada.</p><p>Compreender o processo</p><p>de pesquisa jurídica, seu</p><p>alcance e funcionalidade no</p><p>exercício da profissão.</p><p>Compreender a influência</p><p>da pesquisa jurídica no</p><p>mundo atual.</p><p>Determinar em que</p><p>consiste a pesquisa</p><p>jurídica e sua</p><p>utilidade para o</p><p>Direito.</p><p>Contém os aspectos gerais</p><p>da interpretação jurídica, as</p><p>teorias e métodos de</p><p>aplicação da interpretação</p><p>jurídica para casos</p><p>específicos de estudo ou da</p><p>prática jurídica.</p><p>Desenvolver a capacidade</p><p>de interpretar as regras</p><p>legais A luz do acima</p><p>exposto.</p><p>Conhecer a importância da</p><p>interpretação jurídica para a</p><p>prática profissional do ponto</p><p>de vista do advogado, do</p><p>juiz ou do investigador/</p><p>pesquisador.</p><p>Entenda em que</p><p>consiste a</p><p>interpretação legal e</p><p>como ela se aplica a</p><p>casos específicos.</p><p>ro•</p><p>Capitulo Objetivo especifico Resumo do Capitulo Contribuição e</p><p>resultados</p><p>O último procedimento, grosso modo, consistirá em pôr em funcionamento e atividade este</p><p>trabalho de pesquisa jurídica que foi realizado, aplicando um método e fazendo uso da</p><p>interpretação jurídica. A implementação deste trabalho será feita por meio do uso da</p><p>argumentação jurídica, que, juntamente com os elementos e técnicas oferecidos, permitirão ao</p><p>advogado cumprir o propósito de sua missão: defender a justiça.</p><p>Nesta disciplina são desenvolvidas as ferramentas que permitem ao advogado, ao juiz e ao</p><p>pesquisador, ou seja, aos juristas em geral, o conhecimento e a aprendizagem da Metodologia,</p><p>Interpretação e Argumentação Jurídica, para a Pesquisa Jurídica.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>2</p><p>FUNIBER</p><p>VUNDAÇA0 UNIVEASELOM I5EROAMERIQANA</p><p>Resumo do Capituld</p><p>Contribuição e</p><p>resultados</p><p>Capitulo Objetivo especifico</p><p>O capitulo apresenta as</p><p>principais ferramentas</p><p>exigidas por um advogado</p><p>quando se discute um ponto</p><p>de vista, e qual é o processo</p><p>racional que deve ser</p><p>realizado para se chegar a</p><p>uma conclusão convincente.</p><p>Aplicar a argumentação</p><p>legal no cotidiano do</p><p>profissional, implementando</p><p>as técnicas propostas.</p><p>Fazer uso da</p><p>Jurídicas, Editorial</p><p>Dykinson, S.L., Madri, Espanha 2013. P.69.</p><p>17. Ghersi, Carlos Alberto y Sebastián R. Ghersi; Metodologia de la investigacidn en ciencias jurídicas, Editorial</p><p>Gowa Ediciones Profesionales, Buenos Aires, Argentina, 2007. P. 35.</p><p>33</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>FUNIDAÇÃO UNIVERSITÁRIA 16E, ROAIVRICANIA</p><p>2.4.2. CLASSIFICAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>Existe uma classificação ou tipologia da documentação legal baseada em sua origem, levando</p><p>em conta a pessoa ou a forma como é criada, distingue-se entre os seguintes tipos:</p><p>• Legislativa: a documentação criada pelos órgãos que detêm o poder legislativo, no</p><p>exercício da tarefa de criar as leis que a ordem jurídica exige.</p><p>• Parlamentar: aquele tipo de informação que foi criada no parlamento no desenvolvimento</p><p>ordinário de sua atividade, integrada por projetos, discussões e propostas.</p><p>• Administrativa: é composta por informações criadas no ravel da administração pública em</p><p>entidades públicas, estaduais, autônomas e locais. Geralmente consiste em atos</p><p>administrativos, resoluções, ordens, ofícios ou portarias.</p><p>• Judicial: aquela gerada pelas ações dos juizes no exercício da função.</p><p>• Doutrinária: toda a informação que emana dos estudiosos de Direito durante a existência</p><p>deste, é caracterizada por validade ilimitada, não sendo totalmente estruturada ou</p><p>definida, na medida em que existem vários estudos, escritos, monografias, manuais, livros</p><p>que as contêm. Inclusive, agora, existem plataformas digitais em que os juristas</p><p>expressam sua opinião e expõem os diferentes estudos realizados.</p><p>Na pesquisa jurídica no campo do Direito como ciência, a fonte fundamental de informação por</p><p>excelência é o documento. A informação documental onde se encontram incorporadas as</p><p>opiniões ou os resultados dos estudos, as normas jurídicas ou o desenvolvimento dos princípios</p><p>constitui o primeiro recurso do pesquisador jurídico.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>2.5 0 DIREITO E A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO</p><p>0 mundo atual está imerso em tecnologias que oferecem novas opções todos os dias para</p><p>melhorar a qualidade da vida humana em diferentes aspectos, afetando todas as áreas, razão</p><p>pela qual o conceito de sociedade da informação é mencionado como um substituto para a</p><p>sociedade industrial.</p><p>Em geral, a sociedade da informação refere-se ao desenvolvimento econômico-social que está</p><p>ocorrendo atualmente, no qual a tecnologia facilita a transformação, a comunicação e a</p><p>manipulação da informação. A criação do termo é atribuida ao japonês Yoneji Masudan, famoso</p><p>por seu livro publicado em 1968, chamado "A Sociedade da Informação como sociedade Os-</p><p>industrial". Além disso, sua fama também se deve a todas as contribuições feitas em vida</p><p>tecnologia mundial, com seus diferentes estudos e publicações.</p><p>A Internet é o principal fundamento da sociedade da informação, ao estar entremeada à vida</p><p>social, profissional e cotidiana de todas as pessoas, e afetar o desenvolvimento econômico das</p><p>sociedades, o que provocou uma mudança na forma de pensar do homem médio.</p><p>34</p><p>FUNIBER</p><p>FLiNpA.0,7) UNtVEri5ITARIA 15EROAMERICANA</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>A sociedade da informação fez com que vários conceitos como os de "espaço" e "tempo" fossem</p><p>concebidos diferentemente à sua clássica percepção. Desde a forma de interação das relações</p><p>de casal até a criação do trabalho a distância, o mundo encontra-se hoje influenciado pela</p><p>tecnologia em sua totalidade.</p><p>O que se mostra positivo para a pesquisa em geral e, portanto, para a pesquisa jurídica é o</p><p>processamento da informação e da comunicação da mesma. A tecnologia provocou uma</p><p>ampliação na quantidade de informação a que se tem acesso e na forma como essas</p><p>informações podem ser transmitidas de uma pessoa para outra.</p><p>Estas mudanças, mais notórias da década de 1980, viram-se refletidas no Direito. Em primeiro</p><p>lugar, existe um novo conflito para o Direito em si e sua regulamentação: a territorialidade. 0</p><p>principio de territorialidade da lei, explicando brevemente, consiste em que as leis de um pars se</p><p>aplicam exclusivamente dentro do território desse Estado a todos os que habitam ou transitam</p><p>no mesmo, sem importar sua origem ou nacionalidade.</p><p>O conflito reside no limite que os estados possuem para determinar o território e o campo de</p><p>ação das normas de cada ordenamento jurídico no mundo cibernético.</p><p>o principio de territorialidade das normas jurídicas é o mais vulnerável aos efeitos da tecnologia</p><p>no Direito. Por exemplo, no campo do comércio e do direito mercantil, se as operações</p><p>comerciais mostram-se positivas através da rede, não há qualquer tipo de conflito. Por outro</p><p>lado, se há um problema com um bem comprado em outro pars através da Web ou uma fraude</p><p>na compra ou pagamento de algum objeto, a questão radica em qual norma jurídica ou sob o</p><p>amparo de qual ordenamento jurídico é possível abordar o conflito.</p><p>Existem casos mais extremos, como a pornografia infantil ou o tráfico de pessoas, e como</p><p>sancionar quem exerce esta prática através das redes sociais ou por meio de websites, como</p><p>determinar que legislação penal sancionará esta conduta, e em que medida se tipifica o delito</p><p>quando cometido através de um meio digital.</p><p>Outro exemplo de situação, um pouco menos complicada, mas que igualmente apresenta uma</p><p>provocação, é a situação do teletrabalho ou o trabalho a distância que se dá mediante o uso da</p><p>tecnologia. Como um trabalhador que dispõe seus serviços nessa modalidade poderá fazer valer</p><p>seus direitos ante a legislação de outro pais.</p><p>Todas essas mudanças em cada um dos ramos e subdivisões do Direito estão ocasionando uma</p><p>desregulamentação progressiva e gerando, para os estudiosos e pesquisadores, novos</p><p>problemas a solucionar, novas pesquisa repletas de conhecimentos por descobrir. Inclusive foi</p><p>criado um novo ramo do Direito, chamado Cibernética Jurídica, Direito das Tecnologias da</p><p>Informação e da Comunicação ou Direito Informático.</p><p>35</p><p>'</p><p>FUNIBER</p><p>FUNCAçAO UNIVRISITARIA IsEROAMFACANA</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>A doutrina ainda se encontra sob pesquisa e buscando conceitualizar cada um dos termos</p><p>relacionados com o Direito e a Sociedade da Informação, ainda não existe um critério unificado</p><p>quanto ao alcance destes novos ramos do Direito e suas disciplinas, nem quanto à influências</p><p>que têm no sistema, inclusive sequer possui uma definição concreta.</p><p>2.5.1. CIBERNÉTICA JURÍDICA</p><p>A cibernética é atualmente classificada e considerada como uma ciência que estuda as</p><p>tecnologias de informação e comunicação, cujo objetivo principal é regular automaticamente,</p><p>sistematizar tudo o que diz respeito ao mundo exterior e estudar as conexões entre seres vivos e</p><p>máquinas.</p><p>Uma definição simples de cibernética afirma que essa disciplina "refere-se às mensagens</p><p>usadas entre homem e máquinas, entre máquinas e homens e entre máquinas e máquinas".18</p><p>0 desenvolvimento da cibernética teve seu inicio durante a Segunda Guerra Mundial quando os</p><p>diferentes pesquisadores começaram a desenvolver técnicas de comunicação com armas, para</p><p>que, automaticamente, sem a necessidade de intervenção humana pudesse ser ativada e atacar</p><p>o inimigo, para ajudar a vencer a guerra. 0 termo foi cunhado para dar origem à ciência que visa</p><p>a comunicação e controle entre humanos e máquinas.</p><p>Em geral, a cibernética é uma ciência que faz contribuições a diferentes disciplinas, incluindo o</p><p>Direito. Um termo muito bem recebido para denominar a cibernética aplicada ao Direito é</p><p>"juscibernética" proposto por Mario Lossano em 1968. possível ver a influência da cibernética</p><p>no processamento eletrônico de documentos jurídicos.</p><p>Alguns autores acreditam que uma análise de sentenças pode ser feita para antecipar decisões</p><p>judiciais com base em julgamentos emitidos anteriormente, alguns até mesmo consideram a</p><p>aplicação da lógica matemática ao</p><p>Direito para facilitar a análise da jurisprudência através de</p><p>computadores.</p><p>No campo do que é conhecido como Juscibernética, estão enquadradas outras disciplinas como</p><p>Jurimetria, Informática Jurídica e Modelagem Jurídica.</p><p>2.5.1.1. Jurimetria</p><p>A jurimetria é geralmente uma das disciplinas mais controversas da época, por causa do efeito</p><p>impessoal e possivelmente repleto de falhas que ela propõe. Esta disciplina estuda a</p><p>possibilidade de substituir juizes por computadores que, através da lógica matemática e do</p><p>raciocínio dos computadores, julguem os procedimentos comuns.</p><p>18.Salazar Cano, Edgar; Cibernética y Derecho Procesal civil, Ediciones Técnico Jurídicas. Venezuela, 1979.</p><p>36</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER PESQUISA JURÍDICA</p><p>FUNS...AC:AO UNPIF1-151TARIA 15cc)Amfi,c.ANA</p><p>Talvez um exemplo da jurimetria no presente seja a multa por excesso de velocidade na</p><p>condução de um automóvel imposta pelas autoridades de trânsito. Geralmente o motorista não</p><p>percebe que a multa que foi imposta, porque é imposta por uma máquina que leva video e um</p><p>velocímetro que mede a velocidade na qual o carro é conduzido. Pode-se ver que, neste caso, a</p><p>pena é aplicada não por um juiz, mas por uma máquina. A máquina usa a linguagem dos</p><p>computadores para verificar se a placa é registrada e a infração é imposta ao motorista.</p><p>Existem situações mais complexas no campo do Direito Penal, Civil ou Trabalhista, que não</p><p>podem ser julgadas por uma máquina, pois requerem o uso de julgamento racionalmente</p><p>fundamentado pelo juiz. 0 juiz apresenta sua compreensão e atenção além do que a lei estipula,</p><p>fixando sua inteligência em vários fatos e circunstâncias que cercam o caso concreto, não</p><p>apenas a lei.</p><p>2.5.1.2. Informática jurídica</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>No que diz respeito à Informática Jurídica, refere-se à automatização dos processos inerentes ao</p><p>exercício da função jurisdicional, essa disciplina propõe a criação de sistemas de consulta e</p><p>gestão de informação das fontes do Direito, bem como sistemas de emissão de resoluções</p><p>judiciais e sistemas de organização judicial.</p><p>É claro que, atualmente, a administração da justiça faz uso das Tecnologias da Informação e</p><p>Comunicação para o funcionamento ótimo do organismo judicial. Existem sistemas de</p><p>armazenamento e controle de dados, atribuições aleatórias de novos casos a tribunais</p><p>diferentes e uma série de controles empregando as máquinas e programas de computador mais</p><p>atuais.</p><p>A Informática Jurídica, há vários anos e em muitos parses, é uma disciplina ativa auxiliar da</p><p>administração de justiça e, portanto, do Direito. É necessário fazer a clara distinção entre o que</p><p>é a Informática Jurídica e o Direito da Informática.</p><p>0 Direito da Informática visa regular o comportamento do ser humano no uso das tecnologias da</p><p>informação e comunicação, enquanto a Informática Jurídica é a automação da gestão e</p><p>documentação do Direito.</p><p>No campo desta disciplina é onde é possível ver com mais detalhes a influência da tecnologia no</p><p>Direito, a doutrina atual classifica a informática jurídica da seguinte maneira:</p><p>• Informática jurídica gestão: refere-se à sistematização e automatização do trabalho</p><p>jurídico ordinário nos tribunais, escritórios, registros, notários.</p><p>• Informática jurídica documental: refere-se ao uso da tecnologia no armazenamento,</p><p>tratamento, ordenação e sistematização de todos os documentos jurídico.</p><p>• Informática jurídica decisional: o uso de máquinas e tecnologia para obter decisões legais</p><p>válidas e justas.</p><p>37</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSIIARIA 15EROAMEPICANA</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>.437.t.i.4.11%÷...V.4 	• 	' 	.</p><p>2.5.1.3. Modelagem jurídica</p><p>A modelagem jurídica é uma disciplina auxiliar do Direito que pretende, através dos meios</p><p>tecnológicos, realizar uma ligação e encontrar a relação entre as normas jurídica de um mesmo</p><p>sistema legislativo. Por um lado, pretende auxiliar o juiz, advogado ou pesquisador, e, em geral, o</p><p>jurista, a localizar os regulamentos diretamente relacionados entre si e, por outro lado,</p><p>estabelecer relações jurídicas de normas semelhantes ou antagônicas entre os diferentes</p><p>sistemas jurídicos.</p><p>Em geral, o objetivo da Modelagem Jurídica é auxiliar o juiz a localizar as normas jurídicas que se</p><p>aplicam ao caso especifico, e se houver uma lacuna legal, ela visa ajudar o juiz a localizar uma</p><p>regra em outro ordenamento jurídico, que pode ser utilizado como referência, através do Direito</p><p>Comparado, para sua aplicação no Direito nacional.</p><p>Com o desenvolvimento da tecnologia na criação da sociedade da informação, todos esses</p><p>novos campos estão abertos ao Direito, e há uma diversidade de temas suscetíveis à Pesquisa</p><p>Jurídica.</p><p>Qualquer um desses temas pesquisados no campo jurídico encontrará o significado lógico se o</p><p>pesquisador utilizar no processamento dos dados obtidos na pesquisa a interpretação jurídica. 	0</p><p>Não há possibilidade da existência de um pesquisador jurídico incapaz de aplicar a interpretação</p><p>jurídica. 0 Direito foi criado para ser interpretado e aplicado, portanto no próximo capitulo desta</p><p>disciplina, os olhares se voltarão à Interpretação Jurídica. 	 8</p><p>0</p><p>0 F-</p><p>38</p><p>FUN1BER PESQUISA JURÍDICA</p><p>RJNOAÇÃO UNiVERWARIA IBEROAMEFIICANA</p><p>"47 Resumo</p><p>01111111111</p><p>39</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>FUNIBER It)</p><p>' FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA 1BEROAMER;CANA</p><p>40</p><p>FUNIBER</p><p>. RiNFIAcAoY 	ETÂFA,e:RoAmERcANA</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Capitulo 3</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>OBJETIVOS</p><p>• Expor o tema da Interpretação Jurídica.</p><p>• Compreender o escopo da Interpretação Jurídica.</p><p>• Destacar a importância da Interpretação Jurídica para o Direito em todas as áreas de aplicação.</p><p>• Compreender a relação entre a Interpretação Jurídica e a prática da profissão.</p><p>• Aplicar a Interpretação Jurídica no exercício da profissão.</p><p>3.1. INTRODUÇÃO</p><p>Em grande medida, o conhecimento do Direito é influenciado pela maneira como ele é</p><p>interpretado, o significado e o escopo que é concedido às declarações que estão sendo</p><p>pesquisadas, ou a maneira pela qual uma norma é apreciada e um precedente legal é analisado.</p><p>Após a escolha do método jurídico e a realização da pesquisa, ao pesquisador jurista</p><p>corresponde, consequentemente, a analisar o que pesquisou com o objetivo de chegar às</p><p>conclusões que lhe permitem defender seu ponto de vista.</p><p>Pode ser que a análise do pesquisador se concentre em normas jurídicas e sua aplicabilidade no</p><p>mundo real ou nos diferentes objetos de estudo da pesquisa jurídica, tais como os costumes e a</p><p>jurisprudência, em ambos os casos deve proceder ã correspondente interpretação e análise.</p><p>41</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>-• FUNOAÇÃO UNNERSITM11/4 ISE ROAMERICANA</p><p>0 jurista pesquisador também enfrenta um desafio e tem a obrigação de aplicar a pesquisa</p><p>jurídica de tal maneira que o resultado de seu estudo ou opinião vá se tornar uma fonte formal</p><p>do direito: a doutrina.</p><p>Tendo em vista a importância dos estudos e opiniões que constituem a doutrina, a pesquisa</p><p>jurídica deve ser a conclusão ordenada dos princípios e normas jurídicas aplicáveis à situação,</p><p>portanto a interpretação que dela é feita deve começar na mesma ordem de ideias.</p><p>Um aspecto fundamental da interpretação no Direito é que esta técnica é essencial para dirigir a</p><p>ação daqueles que requerem a ajuda do advogado ou daqueles que ouvem os argumentos dos</p><p>advogados e devem tomar uma decisão. "Para poder aconselhar ou enviar a um terceiro ou a si</p><p>mesmo o que deve ser feito, é necessário conhecer as diferentes possibilidades de</p><p>comportamento e estabelecer qual desses caminhos é o mais adequado para alcançar o</p><p>propósito proposto. Somente quem conhece e valoriza os diferentes meios pode escolher e</p><p>ordenar apropriadamente uma delas".1</p><p>A interpretação jurídica ajuda o conhecimento do Direito para que o pesquisador possa avaliar,</p><p>deliberar e discernir sobre os pressupostos do Direito que serão úteis para o conhecimento do</p><p>que está buscando. Neste capitulo compreende-se a integração da interpretação jurídica na</p><p>ação do advogado como auxiliar da justiça, como juiz, como legislador ou como simples</p><p>pesquisador das ciências jurídicas.</p><p>32. ASPECTOS GERAIS</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>A interpretação jurídica consiste na atribuição e significado dado a um conglomerado de normas</p><p>e princípios jurídicos, ou a uma simples suposição jurídica. É determinar o escopo, a</p><p>representação e as razões das normas jurídicas ou princípios legais vigentes, refletidos em</p><p>documentos ou conteúdos em textos. As vezes é interpretado com o propósito de resolver</p><p>alguma dúvida ou lado obscuro da norma pela necessidade de aplicação em um caso especifico,</p><p>e, em outras oportunidades, é feito a fim de desvendar os conceitos para alcançar o</p><p>conhecimento.</p><p>A interpretação jurídica "como uma atividade intelectual, é uma técnica que visa pesquisar e</p><p>reconstruir um significado dentro do mundo social, buscando um propósito (Ail, de resolução de</p><p>conflitos".2</p><p>A interpretação jurídica é também conhecida como interpretação do Direito, interpretação das</p><p>normas, termos que destacam a atividade de averiguação relacionada a esta ferramenta,</p><p>encontra-se em textos, sejam leis, contratos, regulamentos, testamentos e, portanto,</p><p>principalmente normas jurídicas.</p><p>1. Vigo, Rodolfo L.; interpretación Jurídica, Rubinzal-Culzoni Editores, Buenos Aires, Argentina, 2006. R88.</p><p>2. Diccionario Jurídico Espasa Caine, Fundación Tomas Moro, Madri, Espanha, 2005. P.845.</p><p>42</p><p>FUNIBER</p><p>Psi NWk;', AO UNWERSET.4914 !E.TIOAMERIC.AN.A</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>As normas jurídicas buscam finalidades diferentes, embora com um principio essencial: regular</p><p>o comportamento humano. A norma não nasce por si só, é criada por uma necessidade da</p><p>sociedade que o legislador observou e depende do juiz ou intérprete, através da interpretação</p><p>jurídica a ser aplicada ao caso especifico.</p><p>Na ação do jurista, ele deve indagar sobre a norma aplicável a cada caso concreto, encontrando</p><p>que normas e princípios são aqueles que deve usar para resolver a situação conflitiva que lhe é</p><p>apresentada.</p><p>0 intérprete usará sua experiência e conhecimento como ferramentas para desvendar o</p><p>significado de uma regra ou de um principio, para determinar o escopo dela.</p><p>Em resumo, afirma-se que a interpretação é um instrumento através do qual se encontra o</p><p>sentido e o significado de uma norma, nem sempre clara ou especifica, para a qual o jurista é</p><p>obrigado a analisar e desvendar o objetivo da mesmo por meio da técnica interpretativa.</p><p>Pode-se considerar que a interpretação é uma tarefa puramente judicial, pois o juiz interpreta o</p><p>significado da norma, analisando o escopo, conteúdo e avaliações da mesma para a aplicação</p><p>ao caso especifico. No entanto, não apenas os juizes interpretam as regras, pois, para alguns</p><p>autores, a interpretação jurídica pode ser classificada de acordo com a pessoa que a realiza, de</p><p>acordo com os seguintes tipos:</p><p>• Interpretação autêntica: emana de seu próprio criador, o legislador estabeleceu a maneira</p><p>pela qual a norma jurídica deve ser entendida. E também chamada de interpretação</p><p>legislativa. 0 legislador cria outra norma ou explica na mesma o escopo e a interpretação.</p><p>• Interpretação judicial: refere-se àquela feita pelo juiz a fim de adaptar a regra ao caso</p><p>especifico, além de considerar o texto da norma jurídica, centra-se no espirito da</p><p>instituição a que pertence e até mesmo considera o ordenamento jurídico e a tradição da</p><p>sociedade ou costumes jurídicos para obter uma interpretação correta.</p><p>• Interpretação doutrinal: refere-se à interpretação jurídica que emana dos diferentes</p><p>autores e juristas que estudam o Direito, não tem valor oficial, é apenas uma opinião, mas</p><p>serve de ajuda ao legislador para a criação de normas futuras e é útil ao juiz para ampliar</p><p>seus conhecimentos no campo da interpretação.</p><p>3 	TEORIAS DE INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>No campo da interpretação jurídica, diferentes autores e doutrinários criaram teorias para</p><p>determinar qual é a maneira correta de interpretar normas jurídicas ou suposições do Direito.</p><p>Em primeiro lugar, são estudadas as teorias sobre interpretação jurídica, entendendo a teoria</p><p>como sendo a interpretação, considerando as seguintes propostas de Miguel Carbone113:</p><p>43</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO. UNIVERSITARIFs IBEROAMERICANA</p><p>• A teoria cognitiva da interpretação: também conhecida como formalismo, estipula que a</p><p>interpretação é uma atividade para saber, que interpretar é conhecer o significado objetivo</p><p>das regras e a intenção do legislador 6 baseada no fato de que a busca pela vontade do</p><p>legislador deve ser realizada, não admite mais interpretações além da única vontade do</p><p>legislador. Este modelo assume que não existem lacunas, porque o ordenamento jurídico</p><p>tem, nas normas jurídica, a fórmula para resolver todas as situações sem requerer a</p><p>aplicação de discricionariedade judicial, mas apenas as normas jurídicas em vigor. 0</p><p>Direito é um mundo perfeito em que a interpretação das normas é feita mecanica e</p><p>dedutivamente.</p><p>• A teoria cética da interpretação: estipula que a interpretação é uma atividade de avaliação</p><p>e decisão, sustenta que as palavras podem ser entendidas de acordo com o significado</p><p>que o intérprete lhes dá, de modo que o mesmo texto pode ser entendido de várias</p><p>maneiras. A interpretação deve ser feita pelos juizes ou tribunais que aplicam a norma,</p><p>que podem interpretar a regra de forma ilimitada e livre, sem que seja necessário aplicar</p><p>um sistema.</p><p>• A teoria Intermediária: esta teoria também é conhecida como teoria eclética, acredita que</p><p>a interpretação deve ser realizada usando a razão e a vontade. A interpretação jurídica é</p><p>geralmente uma atividade de conhecimento e implementação da razão, mas, as vezes,</p><p>requer de discrição para determinar o significado.</p><p>Atualmente, e no momento do exercício profissional do Direito, o jurista usa as três teorias</p><p>complementarmente, as vezes busca entender a situação regulatória por meio da razão, mas a</p><p>discrição é imersa por meio de sua experiência, e porque nem todos os casos podem ser</p><p>previstos pelas regras de maneira tão especifica.</p><p>Na Doutrina da atualidade também é possível mencionar outras teorias sobre a interpretação</p><p>juridica4:</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>• Teoria da interpretação literal: as normas jurídicas devem ser interpretadas de acordo com</p><p>o sentido literal das palavras que as integram.</p><p>• Teoria da vontade do legislador: de acordo com esta teoria, no momento de interpretar, o</p><p>jurista deve buscar o espirito da lei, a intenção do legislador.</p><p>• Teoria da vontade da lei: o significado da norma é procurado em nela mesma, embora o</p><p>objetivo do legislador no momento de criá-la tenha sido diferente, a regra é independente</p><p>de seu autor.</p><p>• Teoria dos interesses em jogo: o intérprete leva em conta as circunstâncias sociais e</p><p>politicas que estavam na sociedade no momento da criação da norma. 0 intérprete</p><p>analisa e pondera os interesses reais em conflito e da preferência aos mais importantes.</p><p>3. Carbonell, Miguel; Estudios sobre la interpretación jurídica R13 httos://archivos.juridicas.unam.mx/www/bjy/</p><p>libros/4/1651/3.ocif</p><p>4. Borda, Guillermo; Tratado de Derecho Civil - Parte General Tomo I. Editorial Abeledo-Perrot. Buenos Aires,</p><p>Argentina. 1999 P. 26.</p><p>44</p><p>FUNIBER INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNOAÇÂO UNIVERSIIAMA ip.FRoAmFF1],;,?.•:A. •</p><p>No caso dos juizes, de acordo com essa teoria, o julgamento é atribuído para beneficiar a</p><p>parte processual que manifestou o interesse mais relevante.</p><p>• Teoria do direito livre: a interpretação tem um limite e o restante da aplicação da norma</p><p>jurídica</p><p>está sujeita à discrição do intérprete que deve fazer deduções lógicas e livres para</p><p>interpretar e aplicar a regulamentação. Esta teoria concebe "o juiz como autorizado a</p><p>buscar livremente a solução para o conflito controverso, sem outra orientação que não a</p><p>natureza das coisas e o Direito justo".5 0 juiz, mais que aplicar a norma, pode criá-la.</p><p>3.4. HERMENÊUTICA JURÍDICA</p><p>A hermenêutica jurídica é a ciência que interpreta textos escritos e fixa seu verdadeiro</p><p>significado, é a arte de interpretar os textos legais6. Em um primeiro sentido, a hermenêutica</p><p>consiste na ciência da interpretação para a aplicação de normas jurídicas a casos concretos. 0</p><p>segundo sentido é formado pela interpretação dada pelos juristas pesquisadores à interpretação</p><p>das normas levando em consideração as pessoas, as ideologias, o contexto social e lógicas</p><p>especificas à interpretação.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>T</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>A interpretação difere da hermenêutica porque a interpretação em si tem como objetivo final</p><p>compreender uma norma a fim de aplicá-la, a hermenêutica, por sua vez, visa auxiliar a</p><p>interpretação, estudar as formas de interpretação, explorar a intenção do legislador, encontrar o</p><p>significado, determinar o contexto social em que se aplica, estudar a interpretação dos</p><p>regulamentos.</p><p>A hermenêutica é considerada como a disciplina que analisa e seleciona os diferentes métodos</p><p>criados para a interpretação do Direito, não há um critério uniforme sobre qual método é melhor</p><p>ou mais eficiente, a escolha dependerá do intérprete e do significado que isso dá à lei, bem</p><p>como o que se pretende encontrar na norma.</p><p>Na próxima seção, descrevemos os métodos mais comuns atualmente, "as diferenças entre os</p><p>métodos derivam fundamentalmente da concepção que seus defensores têm sobre o que deve</p><p>ser entendido pelo significado dos textos, bem como as doutrinas que professam sobre o direito</p><p>emgeral".7</p><p>5. Diccionario Jurídico Espasa Ca/pe, Fundación Tomas Moro, Madri, Espanha, 2005. P.845.</p><p>6. Cabanellas de Torres, Guillermo, Diccionario Jurídico Elemental, Editorial Heliasta, Argentina, 18. ed. 1979, 158</p><p>ed. 2001. P. 186.</p><p>7. Garcia Máynez, Eduardo, Introducción al estudio del Derecho, Editorial Porrúa, cidade do México, México.</p><p>2002. P. 139.</p><p>45</p><p>•ROBBER k INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>• - 	 :FuNuAçÂo umvEri§iTiksiA isEaoAtypicANA</p><p>Método gramatical 	 Método. conceitual</p><p>ou literal 	 60 lógico</p><p>Hermenêutica</p><p>Juridica</p><p>Método sistemático 	 Método histórico</p><p>Figura 3.1. Hermenêutica jurídica.</p><p>35. MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>Na prática cotidiana, o intérprete requer maneiras para a interpretação das normas jurídicas,</p><p>geralmente é o juiz que pretende aplicar uma norma a um caso especifico em uma determinada</p><p>resolução. Além das teorias, os métodos interpretativos que existem são os seguintes:</p><p>• Método gramatical ou literal: visa determinar o significado da regra com base unicamente</p><p>no significado das palavras usadas pelo criador da norma na redação da mesma.</p><p>Geralmente, a legislação contempla a premissa de que quando o significado literal da</p><p>norma é claro, não é válido nem necessário avaliar o espirito da norma ou buscar outro</p><p>tipo de interpretação.</p><p>• Método conceitual ou lógico: seu objetivo não é avaliar a exposição literal da norma, mas</p><p>localizar o mandato, a orientação do imperativo da norma. A base desse método está no</p><p>entendimento de que o legislador nem sempre usa palavras em sua verdadeira dimensão</p><p>literária, mas busca captar ideias e nem sempre as palavras se conformam ao que o</p><p>legislador pretendia captar com seus conceitos.</p><p>• Método sistemático: este método é baseado na ideia de que cada regra pertence a um</p><p>conjunto maior de regras, a um sistema organizado de leis, a um sistema legal. As leis</p><p>estão relacionadas a outros preceitos legais do mesmo ordenamento jurídico, portanto,</p><p>para interpretar uma norma jurídica é preciso relacionar com o ordenamento jurídico ao</p><p>qual se integra, garantindo que a interpretação seja harmônica como um todo e em</p><p>relação aos preceitos que a integram.</p><p>• Método histórico ou método causal teleológico: considera que a ação humana está ligada</p><p>a um objetivo final, se o humano age na sociedade ou individualmente, a atividade</p><p>humana envolve uma razão implícita, um porquê e um para quê. As leis não são exceção</p><p>ação humana, e elas têm vários objetivos e um propósito final. 0 método histórico</p><p>pretende que, para a interpretação jurídica, o intérprete deve estabelecer quais eram as</p><p>circunstâncias, fatores ou condições culturais, sociais ou políticas no momento em que a</p><p>norma jurídica foi criada.</p><p>46</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER</p><p>•r-IJN:./AçÃo 1NVRSÍTAMA</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>•</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>3.6. ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>Na história do Direito, vários autores tentaram resolver o problema representado pela</p><p>interpretação legal das normas, tentando encontrar os critérios de interpretação, técnicas e</p><p>formas de realizar essa tarefa da melhor maneira, assim várias escolas surgiram dentro que</p><p>destacam a Escola de Exegese, a Escola Histórica de Savigny e a Escola do Direito Livre.</p><p>Destas escolas descritas abaixo, emergiram os métodos de interpretação jurídica e as teorias de</p><p>interpretação jurídica que foram explicadas acima.</p><p>3.6.1. ESCOLA DA EXEGESE</p><p>A palavra exegese significa explicação8, esta escola tem suas origens na Franga seguindo a</p><p>codificação do século XIX, prestando homenagem à legislação de Napoleão Bonaparte.</p><p>Estipulou-se que qualquer uma das resoluções dos julgamentos deveria ser baseada somente</p><p>nas leis existentes e que a interpretação das leis deveria ser feita sobre essas mesmas leis</p><p>exclusivamente escritas.</p><p>0 objetivo final da Escola de Exegese é obter a intenção do legislador quando a lei foi criada, é</p><p>considerada mais do que a interpretação da lei, fazendo uso dessa filosofia, é mais um</p><p>esclarecimento ou extensão do que está escrito nas leis, que uma interpretação em si. As</p><p>características desta Escola podem ser simplificadas da seguinte forma:</p><p>a) Veneração pelo texto da lei.</p><p>b) A vontade do legislador incorporada na lei é a máxima da interpretação.</p><p>c) A lei escrita é a única e última palavra para a resolução do conflito.</p><p>Desta Escola foram obtidos os métodos de interpretação jurídica gramatical e lógica. A maneira</p><p>pela qual o método gramatical é aplicado é entendendo o significado literal das palavras que</p><p>compõem a norma jurídica, o texto é fundamental e contém o significado pleno e completo da</p><p>lei.</p><p>Quanto ao método lógico, a Escola da Exegese utilizava-o para encontrar a vontade do legislador</p><p>no momento em que elaborou a norma jurídica, considerando necessário pesquisar sua origem</p><p>e sua história para cumprir essa tarefa. Propõe examinar as exposições de motivos e costumes,</p><p>não considerando as fontes formais do Direito, mas apenas para buscar a vontade do criador da</p><p>lei.</p><p>Esta Escola é criticada por impedir a evolução do Direito, na medida em que não permite ao juiz</p><p>incluir na resolução, para além da legislação, o seu próprio raciocínio aplicado ao caso concreto,</p><p>de modo que não pode estar sujeito ao pensamento de um velho legislador.</p><p>8. Dicionário da Real Academia Espanhola. Endereço web: httoi/wwwrae.es</p><p>47</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA FUNIBER</p><p>!UNDAÇÃO UNIVERSITARIA IF3E F1OÃMER CAN A</p><p>3.6.2. MÉTODO METODO DA LIVRE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA</p><p>O autor François Gény é o principal orador desta Escola, no seu trabalho "Métodos de</p><p>interpretação e fontes em dedo positivo", criador do método da livre investigação cientifica.</p><p>Para Gény, o propósito da interpretação é a descoberta do pensamento do legislador e, portanto,</p><p>devemos considerar o momento em que a norma jurídica foi criada, enquanto a lei deve ser</p><p>interpretada de acordo com o significado literal da norma.</p><p>0 desacordo deste autor</p><p>com a Escola de Exegese está em não ser possível considerar apenas a</p><p>lei como uma fonte formal do Direito, porque a lei não pode prover todas as situações legais ou</p><p>oferecer todas as soluções para casos específicos.</p><p>O intérprete deve proceder para determinar o conteúdo, objetivos e justificativa da norma</p><p>jurídica, o trabalho do juiz e o trabalho do legislador é servir à justiça, os princípios que inspiram</p><p>sua atividade devem ser os mesmos.</p><p>Gény não modifica os fundamentos da Escola de Exegese, no entanto, introduz a ideia de que a</p><p>'lei nem sempre é suficiente, acrescentando a possibilidade de o intérprete considerar outros</p><p>aspectos do direito como fontes formais de aplicação da interpretação jurídica.</p><p>3.6.3. ESCOLA HISTÓRICA</p><p>Segundo os autores que propõem as diretrizes da Escola Histórica, a interpretação jurídica deve</p><p>basear-se na evolução histórica da sociedade, levando em conta os costumes que levaram</p><p>criação da norma jurídica.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O defensor máximo desta escola é Friedrich Karl Von Savigny, um jurista alemão, considerado o</p><p>fundador da Escola Histórica, com a sua obra "Da vocação do nosso tempo para a legislação e a</p><p>ciência do Direito".</p><p>Nessa Escola, distinguem-se os seguintes métodos de interpretação da lei:</p><p>a) Gramatical, como exposto, a compreensão da lei pela literalidade das palavras contidas</p><p>nela.</p><p>b) Lógico, entendendo este método como a análise e busca do pensamento do legislador.</p><p>C) Histórico, tentando entender as circunstâncias que cercam o ambiente quando a lei foi</p><p>criada.</p><p>d) Sistemática, verificando a relação existente entre as instituições e as normas legais a</p><p>serem interpretadas, entendendo o ordenamento jurídico como um sistema, do qual as</p><p>normas não podem ser separadas.</p><p>48</p><p>FUNIBER INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>Futqc,AçA0 vNivERS[TAPIA FfOAMTflCANA</p><p>No caso caso da Escola Histórica, a nova abordagem oferecida é a de que quem interpreta a norma</p><p>jurídica deve fazer uma comparação existente entre o Direito anterior e o atual, e incluir a</p><p>análise dos princípios gerais de Direito dentro dos quais é a lei que está sendo interpretada,</p><p>considerando esta lei como parte integrante do sistema legal ao qual ela pertence.</p><p>3.6.4. ESCOLA DO DIREITO LIVRE</p><p>No inicio do século XX, surge a nova corrente na Alemanha, do Direito Livre, para opor-se aos</p><p>postulados da Escola de Exegese, considerando a submissão excessiva do juiz ao que é</p><p>estipulado pelas normas legais. De acordo com esta Escola, o juiz tem a opção de considerar</p><p>outras circunstâncias para aplicar a lei ao caso especifico, não apenas com base na legislação</p><p>positiva em vigor.</p><p>0 juiz, no momento do julgamento, irá basear-se na norma jurídica aplicando-a ao caso concreto,</p><p>mas, no momento da interpretação, pode levar em conta as circunstâncias especificas de cada</p><p>caso especifico, aspirando principalmente a obtenção da justiça. Portanto, em certas ocasiões,</p><p>pode, com base na razões, afastar-se do sentido literal e exato da norma jurídica, porque o</p><p>significado social da justiça é mais importante do que o texto legal em si.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Esta escola tem as seguintes características:</p><p>a) Rechaço ao culto ao texto legal.</p><p>b) A consideração do trabalho do juiz, de maneira integral, deve realizar uma obra de direito</p><p>personificada e criativa.</p><p>c) 0 trabalho do juiz deve abordar cada vez mais o trabalho do legislador. 0 juiz não é</p><p>chamado apenas para aplicar a lei, mas deve, através de seu ato, criar Direito.</p><p>Para essa Escola, as fontes formais da Lei são escassas e insuficientes em alguns casos,</p><p>portanto, o juiz deve ter a possibilidade de exercer sua atividade interpretativa de forma</p><p>independente e livre.</p><p>Dentro dessa Escola do Direito Livre em que diferentes correntes e pensamento emergiram para</p><p>conceder mais liberdade ao juiz no momento da interpretação legal, também surgiu o seguinte:</p><p>a) Escola da Jurisprudência de Interesses: surgiu na Alemanha e seu principal orador é o</p><p>advogado Caspar Rudolf von lhering, que acredita que o Direito visa a proteção de</p><p>determinados interesses sociais, para interpretar a lei, ela deve ser dirigida aos</p><p>interesses que protege. 0 objetivo final de todas as leis é regular de maneira justa as</p><p>relações inter-humanas. 0 intérprete deve ser guiado pelos juizos de valor que a lei</p><p>pretende proteger desde o seu inicio.</p><p>b) Escola da Jurisprudência Sociológica: o principal pais em que se desenvolve esta Escola</p><p>são os Estados Unidos, considerando que a interpretação jurídica das normas está</p><p>vinculada às realidades sociais atuais que são apresentadas no momento da criação da</p><p>49</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>F.UNDAÇAO UNIVESSTARIA IEF,PO,VER'C-ANA</p><p>norma. 0 juiz deve confiar na norma jurídica para interpretar e aplicar o Direito, mas, ao</p><p>mesmo tempo, deve considerar as circunstâncias sociais e os princípios nos quais os</p><p>legisladores se basearam para a criação das normas.</p><p>Um dos famosos escritores do Direito de hoje, o advogado Luis Recaséns Siches, estipula que</p><p>deve haver um único método de interpretação jurídica, baseado na equidade, chamando este</p><p>método de "Logos do Razoável"9, este método também se encaixa dentro a chamada Escola do</p><p>Direito Livre.</p><p>0 logos do razoável ao qual Recaséns se refere significa que, para interpretar a lei, o jurista deve</p><p>ir à razão levando em conta a realidade e o significado dos acontecimentos, entendendo os</p><p>valores e princípios sobre os quais o ordenamento jurídico se inspira e verificar o verdadeiro</p><p>significado e propósito da norma jurídica, levando em consideração o Direito que os juizes</p><p>produziram, desde que esteja em harmonia com o ordenamento jurídico.</p><p>33. A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA DE LEIS EM</p><p>DIFERENTES SISTEMAS JURÍDICOS</p><p>Atualmente, podemos observar a influência das diferentes Escolas Europeias dos séculos XIX e</p><p>XX nos sistemas jurídicos do mundo, bem como os seguintes exemplos:</p><p>• No Código Civil da Espanha é estipulado no artigo 3: "As normas serão interpretadas de</p><p>acordo com o sentido próprio de suas palavras, em relação ao contexto, aos precedentes</p><p>históricos e legislativos e à realidade social da época em que serão aplicadas, levando em</p><p>conta fundamentalmente o espirito e o propósito delas. A equidade terá que ser</p><p>ponderada na aplicação das normas, embora as decisões dos tribunais só possam basear-</p><p>se exclusivamente nela quando a lei expressamente permitir."</p><p>• 0 Código Civil da França, no artigo 1159, estipula a interpretação dos acordos: "As</p><p>ambiguidades devem ser interpretadas de acordo com os costumes do pais em que o</p><p>contrato foi concluído".</p><p>• No Chile, o Código Civil estipula, no artigo 19: "Quando o significado da lei é claro, seu teor</p><p>literal não será ignorado, sob o pretexto de consultar seu espirito. No entanto, é possível</p><p>interpretar uma expressão sombria da lei, recorrer à sua intenção ou espirito, claramente</p><p>manifesto em nela mesma, ou na história confiável de seu estabelecimento".</p><p>• No Código Civil do Uruguai, no Artigo 11: "Quando o significado da lei é claro, seu teor</p><p>literal não será ignorado, sob o pretexto de consultar seu espirito. No entanto, é possível</p><p>interpretar uma expressão sombria da lei, recorrer â sua intenção ou espirito, claramente</p><p>manifesto em nela mesma, ou na história confiável de seu estabelecimento".</p><p>9. Recaséns Siches, Luis; Nueva Filosofia en la interpreted& del Derecho, Editorial Porrúa, México. 1980.</p><p>50</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUN1BER INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>NOM,L40 UNiVER§iTÀFilA fEiEfiC, tifi1C.ANA</p><p>Nessas regulações estipuladas nos sistemas jurídicos de diferentes legislações do mundo, pode-</p><p>se observar a influência das diferentes Escolas, destacando o fato de que o Direito é uma</p><p>ciência integral e, por sua funcionalidade, utiliza várias teorias não sendo só uma a correta, mas</p><p>o conjunto,</p><p>e a aplicação de todas causam a aplicação apropriada das mesmas para o objetivo</p><p>principal: obter justiça, nesse caso, através de interpretação jurídica.</p><p>38. A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA E A</p><p>ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>As resoluções judiciais devem basear-se nas leis aplicáveis ao caso especifico, e como</p><p>fundamento delas está a interpretação jurídica que o juiz concede à lei para aplicar ao caso</p><p>especifico. No entanto, outro elemento essencial é a base do argumento jurídico, os</p><p>pressupostos usados pelas partes para convencer o juiz sobre a posição do cliente.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>No caso das pesquisas jurídicas, a interpretação jurídica serve para aplicar normas jurídicas,</p><p>princípios gerais do Direito, costumes, preceitos e doutrina para a situação sob estudo e</p><p>pesquisa, isto lever-6 a uma conclusão não antes de cruzar o eixo que expõe e explica a opinião</p><p>que está sendo postulada: a argumentação.</p><p>Para argumentar juridicamente, é preciso primeiro interpretar. Os textos do Direito contêm, na</p><p>maioria das situações, modos diferentes de serem interpretados, no entanto, além de</p><p>basearem-se em algumas das fontes do Direito, a interpretação deve mostrar os argumentos</p><p>jurídico para ser válida. Uma pessoa não pode mostrar sua interpretação sem justificá-la, exigirá</p><p>argumentos para mostrar a razão das escolhas que reflete, o estudo, a opinião, a resolução que</p><p>está emitindo e, em geral, qualquer ato jurídico que realize.</p><p>Há uma justificativa que implica basear a interpretação escolhida optando por argumentos</p><p>racionalmente aceitáveis. É impossível argumentar sem interpretar e, inversamente, é</p><p>impossível interpretar sem argumentar. Porque interpretar apenas por fazer não tem sentido na</p><p>produção e criação do Direito.</p><p>Nenhum dos papéis habituais desempenhados pelo ser humano no Direito, interpreta apenas</p><p>por fazer, um juiz interpreta para resolver uma situação que se reflete em argumentos contidos</p><p>na decisão judicial final. Da mesma forma, a lei é interpretada pelo advogado para localizar e</p><p>desvendar os argumentos que as fontes do Direito oferecem para defender e agir em favor da</p><p>posição do cliente.</p><p>Ainda no campo do estudo, o pesquisador interpreta para aplicar o Direito à matéria-objeto do</p><p>estudo e terá que mostrar sua posição usando argumentação jurídica.</p><p>Na figura a seguir, é possível verificar as diferenças essenciais entre a interpretação jurídica e a</p><p>argumentação jurídica.</p><p>51</p><p>Interpretação Jurídica</p><p>• Encontrar o significado do Direito.</p><p>• Entender a ação do Direito.</p><p>Justificar a escolha e a decisão do Direito.</p><p>• Atuar, expor e defender a postura do Direito.</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA FUNIBER</p><p>FUNDAÇÁO UNA/ER:WARM IBEROAMERICANA</p><p>Figura 3.2. Comparação entre interpretação e argumentação.</p><p>A relação entre metodologia, pesquisa e interpretação foi desenvolvida ao longo desta disciplina,</p><p>no próximo capitulo será verificado um dos instrumentos com maior relação com o trabalho do</p><p>jurista, seja como juiz, advogado ou pesquisador: o argumento.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>52</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA</p><p>i'LlNUAÇÃO UNiVER$OAF3.1A IBERQAMERICOJA</p><p>FUNIBER</p><p>Resumo</p><p>53</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>I R</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>INTERPRETAÇÃO JURÍDICA FUNIBER</p><p>c</p><p>ItsaP̀</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICAWt</p><p>54</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUN1BER</p><p>ill,:,)AÇÃO VNIVEFiSITAFIIA fBEROAMERCANA</p><p>Capitulo 4</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>OBJETIVOS</p><p>• Apresentar os conhecimentos básicos da argumentação em geral e da argumentação jurídica.</p><p>• Compreender a utilidade da argumentação jurídica para o Direito.</p><p>• Aplicar o processo de argumentação jurídica na prática.</p><p>4.1. INTRODUÇÃO</p><p>A argumentação jurídica supõe contemplar o direito em ação e não como um conjunto estático</p><p>de normas jurídicas, fazendo referência ao uso das dessas normas como instrumentos de</p><p>solução dos conflitos ou problemas jurídicos que se colocam, sejam eles teóricos ou práticosl.</p><p>A linguagem pode ser usada de duas formas, de forma narrativa e argumentativa. 0 objetivo da</p><p>narrativa é a exposição descritiva da informação considerando a informação como o conjunto de</p><p>dados, fatos ou situações, ocorridos, presentes ou próximos a acontecer. Diferentemente da</p><p>linguagem na forma argumentativa, cujo propósito para o falante não é apenas expor uma</p><p>circunstância, mas persuadir ou justificar um ponto de vista sobre uma questão levantada, a</p><p>narrativa distingue-se da argumentação pelo propósito do falante ao expor as ideias.</p><p>1. Buenaga Ceballos Oscar. Introducción a la Argumentacidn Jurídica, Editorial Tecnos Grupo Anaya S.A. 2016.</p><p>Pág. 10.</p><p>55</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA FUNIBER</p><p>FurmAr,Ao uNtvERsiTÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>A narração dos fatos não supõe encontrar a controvérsia nem torna necessária a defesa de um</p><p>ponto de vista, no entanto, cada pessoa coloca a subjetividade e enfatiza na narração aquilo que</p><p>considera mais importante. Não há nenhum fato controverso quando se conta uma história ou</p><p>uma anedota, a menos que haja alguém que discuta os fatos que o interlocutor esteja narrando.</p><p>Quando a polêmica ou controvérsia surge em uma conversa, recorre-se ao argumento. Um</p><p>sujeito tenta persuadir o outro sobre a exatidão do ponto de vista que propõe, como</p><p>consequência, o sujeito apenas expressa aquelas circunstâncias ou fatos que apoiam a teoria</p><p>ou o argumento que defende, deixando de lado ou escondendo aqueles que não o favorecem.</p><p>No caso da narração, esta situação não ocorre, porque geralmente é expressa objetivamente,</p><p>simplesmente corno informação sobre o que aconteceu.</p><p>A argumentação como Direito em ação, para esta disciplina e para a prática do advogado, juiz</p><p>investigador e jurista pesquisador, constitui o ponto crucial do processo que empreendido,</p><p>aplicando métodos, pesquisando, interpretando, na argumentação é mostrado o bom ou mau</p><p>trabalho realizado nas etapas anteriores do trabalho jurídico.</p><p>Esta argumentação, seja geral ou jurídica, envolve uma série de etapas, uma técnica e alguns</p><p>elementos que serão estudados neste capitulo, para fornecer ao interlocutor ferramentas na</p><p>apresentação e defesa de seu ponto de vista.</p><p>4.2. CONSIDERAÇÕES GERAIS</p><p>4.2.1. A ARGUMENTAÇÃO GERAL E A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA ©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>T</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Argumentação é o conjunto de técnicas e estratégias que são usadas para sustentar ou</p><p>defender uma opinião e tentar convencer o outro a apoiar o ponto proposto. Para o autor,</p><p>Buenaga Ceballos, é composta dos seguintes elementos2:</p><p>• Abordagem da questão: que consiste em descrever o objeto do debate.</p><p>• Heurística de argumentos: obtenção de argumentos e determinação de possíveis fontes</p><p>argumentais.</p><p>• Técnica argumentativa: método de encadear os argumentos obtidos de forma eficiente.</p><p>• Formulação da conclusão do argumento: como deve ser formulada e quando a opinião ou</p><p>decisão sustentada pelo argumento.</p><p>• Ética argumentativa: determinar se existem limites éticos no discurso a ser apresentado.</p><p>2. Buenaga Ceballos Oscar. introducción a la Argumentación Jurídica, Editorial Tecnos Grupo Maya S.A. 2016.</p><p>Pág. 10.</p><p>56</p><p>4".</p><p>.4k4</p><p>FUNIBER</p><p>NDAÇÃO UNIVENS TAMA IBEFt °AMERICANA</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>Z.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>No inicio do argumento em defesa do ponto de vista que se pretende apresentar, as ideias</p><p>devem ser ordenadas, avaliando e descrevendo o objeto do debate. Ao estabelecer o objeto do</p><p>debate, procede-se a obter argumentos e procurar fontes de informação que suportem a</p><p>intenção do argumento.</p><p>Continuando com o link ordenado na exposição, reportando de um ponto a outro, seguindo um</p><p>elo lógico que permite ao ouvinte apreciar a ordem das ideias apresentadas, para concluir com a</p><p>ideia central do argumento que enquadra um fim à apresentação. Nesta</p><p>ação, deve-se notar que</p><p>existem limites à exposição do ponto de vista, como os limites sociais relacionados aos</p><p>comportamentos morais que devem ser apreciados em público.</p><p>A argumentação geral é apoiada pelo senso comum, a capacidade de compreender e apreciar</p><p>situações como a maioria as percebe. 0 sensorial comum é adquirido ao longo dos anos, através</p><p>da experiência e do conhecimento, tornando-se a principal fonte da argumentação geral. Sendo</p><p>o caso que as discussões diárias são frequentemente argumentadas usando o senso comum.</p><p>Além disso, o argumento geral está intimamente ligado à razão ou racionalidade prática, lógica e</p><p>ao conhecimento e compreensão leais. A razão como a capacidade de discursar permite ao</p><p>interlocutor determinar o que fazer ou não fazer, em que informação se estender e qual ocultar.</p><p>Ao contrário da argumentação geral, os argumentos específicos baseiam-se no conhecimento</p><p>sobre um determinado assunto, além de usar o senso comum, o conhecimento do interlocutor</p><p>que foi previamente adquirido no estudo de uma ciência.</p><p>A argumentação jurídica, bem como a confiança no senso comum e na razão, e como a</p><p>argumentação em geral, subtrai o principal eixo de sua função do ordenamento jurídico.</p><p>4.2.2. A ARGUMENTAÇÃO PRATICA E A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>0 argumento jurídica encontra a peculiaridade em um grande desafio: a justiça. A justiga é uma</p><p>questão diária em todas as áreas da vida, as pessoas constantemente falam sobre o que é justo</p><p>e o que não 6. No caso do Direito, as normas jurídicas indicam o caminho do que é justo e do que</p><p>não 6.</p><p>0 campo da argumentação prática centra-se na ideia de justiça, no que as pessoas geralmente</p><p>podem argumentar dentro da rotina diária do que parece justo e do que não, sem</p><p>necessariamente basear-se em normas jurídicas existentes ou ter conhecimento sobre elas.</p><p>A questão a ser colocada é se a argumentação jurídica pode fazer uso das ideias de justiça, dos</p><p>princípios ou da cotidianidade que a argumentação prática usa, ou se ela só pode basear-se no</p><p>direito objetivo existente e focar o discurso na interpretação dessas leis.</p><p>57</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÂO LINIVE.9,§9:ARIA 3.O»1RICAWA</p><p>0 impulso do Direito que se desenvolveu e, refletido no ordenamento jurídico vem da nog-6o de</p><p>justiça, cada norma jurídica que integra o sistema reflete um dever: emanar do que a sociedade</p><p>considera justo.</p><p>Essa estrutura das normas como sistema determina que a argumentação jurídica conte para seu</p><p>funcionamento com um conjunto de leis e princípios derivados da regulação e codificação do</p><p>Direito, que faz com que o interlocutor utilize essas normas para fundamentar os argumentos</p><p>que deve expor ao fundamentar seu ponto de vista, encontrando-se no uso da argumentação</p><p>jurídica, como tal.</p><p>Haverá diferentes soluções para uma situação jurídica a ser resolvida, sob o amparo das</p><p>diferentes leis de cada ordenamento, da interpretação que é feita de tais normas e do uso</p><p>destas como instrumentos. Devemos também considerar a pluralidade de soluções justas a um</p><p>problema jurídico nos complexos sistemas de Direito que existem nas sociedades de hoje, a</p><p>vastidão de regulamentações nacionais e internacionais.</p><p>Todos os itens acima fazem com que a argumentação jurídica se baseie apenas no uso de</p><p>instrumentos e argumentos derivados dessas normas existentes, sem fazer uso da</p><p>argumentação prática, entendida como aspirações ou ideias de justiça. "0 Direito moderno exige</p><p>uma argumentação jurídica objetiva e previsível que rejeite argumentos retóricos, persuasivos</p><p>ou inventivos..."3</p><p>É desnecessário fazer uso da inventividade da argumentação prática quando, em uma</p><p>sociedade, o Direito tenha se desenvolvido com recursos legislativos, como é o caso no mundo</p><p>ocidental, os recursos são suficientes para que seja juridicamente possível argumentar o ponto</p><p>de vista que surge como solução, contrário à prática argumentativa dos princípios fundamentais</p><p>em que se baseiam os Estados Democráticos de Direito, como segurança jurídica, igualdade de</p><p>cidadania ou legalidade, entre outros.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Outro desafio que a argumentação jurídica encontra em relação à prática argumentativa está</p><p>ligado ao uso do raciocínio lógico. A lógica fora do Direito, tem um campo mais amplo do que</p><p>realmente diz respeito à argumentação jurídica: o raciocínio jurídico.</p><p>Certamente há vários casos que, pela sua simplicidade, permitem a aplicação da lógica comum</p><p>para determinar as premissas que levam à solução, no entanto, esses casos são geralmente a</p><p>exceção, e, ao aplicar a lógica legal, chegamos à conclusão mais justa para a solução e, em</p><p>seguida, determinar as premissas que permitem essa conclusão justa. No mesmo caso, o órgão</p><p>jurisdicional com o poder de julgar, pode chegar a conclusões diferentes com o uso do raciocínio</p><p>jurídico.</p><p>•</p><p>3. Buenaga Ceballos Oscar. Introducción a la Argumentaci6n Jurídica, Editorial Tecnos Grupo Anaya S.A. 2016.</p><p>Pág. 23.</p><p>58</p><p>Argumentação geral Argumentação prática Argumentação jurídica</p><p>• Enquadra a vida cotidiana,</p><p>na qual os pontos de vista</p><p>são expostos usando o</p><p>senso comum em tópicos</p><p>gerais.</p><p>• Obtém seus argumentos no</p><p>senso comum.</p><p>• Enquadra a argumentação</p><p>moral baseada na opinião</p><p>pessoal, em ideias de</p><p>justiça ou em ideias sobre</p><p>valores e princípios.</p><p>• Emana de normas e</p><p>princípios jurídicos</p><p>regulamentados, do direito</p><p>objetivo, do ordenamento</p><p>jurídico.</p><p>• Requer o domínio da ciência</p><p>do Direito e o conhecimento</p><p>do ordenamento jurídico.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER ( 	 A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNOAC:',,ÃO UNIVER.SITARIA</p><p>Em relação à argumentação jurídica, três elementos básicos intervêm:</p><p>• A técnica ou uso de argumentos jurídicos derivados do ordenamento jurídico: leis,</p><p>princípios e jurisprudência, para expor a defesa da posição.</p><p>• 0 domínio do Direito, que implica o conhecimento do ordenamento jurídico, incluindo sua</p><p>conformação.</p><p>• 0 conhecimento da justiça para formular uma hipótese teórica ou resolver um caso</p><p>prático.</p><p>Finalmente, ao entender a relação entre argumentação geral, argumentação pratica e</p><p>argumentação legal, é necessário enfatizar as diferenças entre um e outro. Essas diferenças são</p><p>apresentadas na tabela a seguir.</p><p>Tabela 4.1. Diferenças entre a argumentação geral, pratica e jurídica.</p><p>4 	A ABORDAGEM DO PROBLEMA JURÍDICO</p><p>A argumentação tem seu começo em um caso, circunstância ou situação por resolver: um</p><p>problema. Levantando o problema, identifica-se a situação suscetível de debate e as opções ou</p><p>posições a escolher para argumentar no caso. Analisam-se as possíveis soluções que podem ser</p><p>dadas ao caso, formando uma ideia dos argumentos que nos permitem defender essas</p><p>soluções, o que leva â definição de uma posição especifica em relação à situação a ser</p><p>resolvida.</p><p>No caso da argumentação jurídica, os problemas de interesse são aqueles de natureza jurídica</p><p>que fazem uso das regras do Direito. Geralmente, um problema jurídico emana de um conflito</p><p>social, a menos que se encontre em um debate acadêmico ou em uma situação de aprendizado</p><p>e ensino em um determinado fórum.</p><p>Este conflito social requer uma solução. Uma maneira de começar em busca da solução, ocorre</p><p>quando se levanta se o problema jurídico apresentado é regulado pelas regras comuns, se as</p><p>regras existentes solucionam o problema. Se a situação de conflito é estipulada em uma ou</p><p>59</p><p>FUNIBER</p><p>VUNDMAC UNINERSITÁRIA (BF</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>várias leis do sistema legislativo, a próxima questão a ser colocada é definir o tipo de solução</p><p>que, no uso da regulamentação vigente, será colocada em ação.</p><p>Posteriormente realiza-se uma avaliação do componente da regra aplicável ao problema jurídico,</p><p>determinando se contém os elementos de justiça necessários, se se conforma ao ordenamento</p><p>jurídico constitucional, aos princípios fundamentais</p><p>do Direito para o sistema jurídico em que se</p><p>trabalha, para avaliá-lo como uma possível solução.</p><p>O último aspecto para a abordagem do problema 6 apresentar o a norma jurídica selecionada</p><p>como solução, para uma análise da eficácia da mesma. "As normas jurídicas buscam resolver</p><p>conflitos sociais e, nesse sentido, podem estar sujeitas a um controle de efetividade, ou seja, se</p><p>produzem o efeito desejado em relação ao conflito ou problema que motivou sua vigência".4</p><p>No caso do Direito, os problemas jurídicos vêm sozinhos. É parte da gestão de um advogado ou</p><p>um juiz resolver situações de conflito com base nas leis ordinárias existentes no ordenamento</p><p>jurídico, usando a interpretação e aplicação do Direito em particular para cada situação</p><p>especifica.</p><p>Geralmente, o pensamento do jurista concentra-se em enquadrar as questões levantadas em</p><p>um campo de direito, classificando a matéria a qual pertence, se é de natureza penal ou civil, por</p><p>exemplo. Continua a determinar a solução ao definir quais das normas do ramo do Direito</p><p>aplicará e quais possíveis soluções pode oferecer à pessoa comum que busca a ajuda do</p><p>profissional.</p><p>No exercício ordinário do Direito, os problemas fazem parte do trabalho do profissional, por isso</p><p>não constituem um obstáculo para encontrar uma situação de conflito.</p><p>Ao contrário do cotidiano do exercício da profissão vinculado às leis, quando um problema</p><p>jurídico é mencionado do ponto de vista de uma pesquisa jurídica, torna-se necessário levantar o</p><p>problema jurídico, aplicar um método jurídico e proceder com os procedimentos do método</p><p>cientifico.</p><p>0 pesquisador encontra uma ampla gama de preceitos conflitantes ao localizar a jurisprudência</p><p>existente nos sistemas jurídicos, avaliando a aplicação de normas jurídicas positivas e atuais</p><p>para cada caso especifico, geralmente é uma maneira de localizar problemas jurídicos para a</p><p>pesquisa jurídica.</p><p>4. Buenaga Ceballos Oscar. Introducción a la Argumentación Jurídica, Editorial Tecnos Grupo Anaya S.A. 2016.</p><p>Pág. 31.</p><p>60</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNOACAO Um`iFkSITÁRIA I5E.ROAMEHiCANA</p><p>44. A HEURÍSTICA JURÍDICA ARGUMENTAL</p><p>A heurística em geral refere-se â técnica de questionamento e descoberta5 que é usada para um</p><p>fim. Em relação ao tema da argumentação, a heurística consiste na habilidade de localizar, criar</p><p>e obter argumentos que permitam ao interlocutor defender sua posição.</p><p>Ao se referir ao termo de argumentação geral, o raciocínio humano faz uso do conhecimento que</p><p>o sujeito obteve através da experiência da vida, assim como o chamado senso comum ou</p><p>raciocínio geral.</p><p>Como exemplo de argumentação geral: discutir se é apropriado ou desnecessário usar força</p><p>física para corrigir uma criança, em que proporção considerá-la adequada ou excessiva. Este é</p><p>um tema da vida cotidiana que pode ser discutido com base no raciocínio humano e no senso</p><p>comum, cada sujeito defenderá sua posição relacionando-a com suas próprias experiências de</p><p>infância ou criação. Não é nem necessário ter uma posição sobre o assunto, ser pai ou</p><p>especialista no cuidado de bebês.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>T</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Eles enquadram, nesse mesmo exemplo, as questões sobre gostos subjetivos, relacionados</p><p>comida ou à música, uma vez que fazem parte da ação humana, para discutir e defender o que</p><p>parece ser melhor para os próprios gostos e experiências vividas.</p><p>No caso de argumentação jurídica, ou qualquer outro argumento focado em um assunto</p><p>especifico, as condições mudam, a posição não pode ser fundamentada em experiências</p><p>próprias, é obrigatório o uso da ciência ou técnica â qual o conflito se refere. A característica</p><p>essencial da argumentação jurídico contra a argumentação geral e as demais argumentações</p><p>especificas é que ela deve se basear em um conjunto de normas jurídicas obrigatórias.</p><p>4.4.1. AS FONTES PARA A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>A heurística argumental permite ao sujeito localizar e questionar as fontes essenciais da</p><p>argumentação jurídica, para encontrar as premissas que permitem defender a posição. As</p><p>fontes da argumentação jurídica que fornecem argumentos são:</p><p>• As leis ou normas jurídicas.</p><p>• Os princípios jurídicos.</p><p>• Os procedimentos judiciais.</p><p>• Os dogmas jurídicos.</p><p>5. Dicionário da Real Academia Espanhola. Endereço web: http://www.rae.es</p><p>61</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>hz-A.15S</p><p>FLRJOAAOUNRIFFISITAIFtIBE.ROAP=.4EFICANA</p><p>FUNIBER</p><p>0 trabalho do jurista no uso das fontes do Direito para a argumentação jurídica consistirá em</p><p>determinar quais dessas fontes sustentam a posição que ele defende, o que pode servir como</p><p>argumento para a defesa de seu ponto de vista, inclinando a eleição para as fontes que mantêm.</p><p>a posição que argumenta e evitando aquelas que o prejudicam.</p><p>0 direito como ciência reguladora é composto principalmente de normas jurídicas, regras que</p><p>regulamentam e limitam a ação na sociedade, para prevenir um possível conflito ou para dar</p><p>uma solução a uma controvérsia existente emanada da ação.</p><p>Ao falar de normas jurídicas, a referência por tradição é a do campo do Direito objetivo, "a regra</p><p>de conduta exigida na convivência social, com transcendência no direito",6 voltada para</p><p>direcionar a ação no ordenamento social. Para Gierke, a norma jurídica é "aquela regra que, de</p><p>acordo com a convicção declarada de uma comunidade, deve determinar externamente, e</p><p>incondicionalmente, o livre arbítrio humano".</p><p>A argumentação legal consiste em saber como usar as regras, determinando que tipo de regras</p><p>serão usadas daquelas que existem no sistema jurídico em vigor. Não é opcional decidir se as</p><p>normas jurídicas são usadas ou não, o uso das normas como fonte de argumentação legal é</p><p>obrigatório.</p><p>A incapacitação de uma norma ou outra deve ser justificada, encontrando aquela que</p><p>fundamente a posição do interlocutor, inclusive identificando os argumentos para debater</p><p>contra a norma que não favorece a posição. 0 desuso de uma regra aplicável a um caso</p><p>especifico deve ser solidamente justificado, a preferência de uma regra sobre outra que lida com</p><p>a mesma matéria deve ser explicada.</p><p>Em termos de princípios legais, eles são diferenciados das normas por sua natureza abstrata,</p><p>inspiradores de normas legais ou conjuntos de normas e guias para ordenamentos e normas</p><p>jurídicas. Os princípios são "fundamentos ou rudimentos de uma ciência ou arte, o melhor</p><p>guia -.7 Os princípios são o máximo que marcam as diretrizes e a tendência a seguir qualquer</p><p>regulamentação que seja criada na legislação.</p><p>A terceira fonte da argumentação jurídica, os precedentes judiciais, são constituídos por todas</p><p>as resoluções judiciais que foram ditadas no sistema de justiça, não apenas a jurisprudência,</p><p>mas qualquer resolução emitida por um órgão jurisdicional competente.</p><p>Há a relevância e maior importância das resoluções presentes no Tribunal que as emitiu, de</p><p>modo que as resoluções emitidas pelo Tribunal Constitucional serão mais importantes do que as</p><p>emanadas dos tribunais ordinários. Da mesma forma, a existência de várias resoluções no</p><p>mesmo sentido, apoiará com maior firmeza a posição argumentada, se favorecerem a posição.</p><p>Em qualquer caso, para fins de argumentação jurídica, qualquer precedente judicial, do órgão</p><p>6. Diccionario Jurídico Espasa Calpe, Fundación Tomas Moro, Madri, Espanha, 2005. P. 1031.</p><p>7. Cabanellas de Torres, Guillermo, DiccionarioJuriclico Elemental, Editorial Heliasta, Argentina, la. ed. 1979, 158</p><p>ed. 2001. P. 319.</p><p>62</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER</p><p>f,t,`NE)AçÃO UNIVEHSETARIA w,ei3oA4ErlicANA</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>Fontes da</p><p>' Argumentação_</p><p>. Jurídica</p><p>Leis ou normas jurídicas</p><p>Dogmas jurídicos</p><p>Princípios jurídicos</p><p>Precedentes judiciais</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>judicial que seja e sup-6e ou não reiteração com outras</p><p>resoluções anteriores, é utilizável como</p><p>argumento.</p><p>A última das fontes, são os dogmas jurídicos, verdades que são aceitas como tal. No caso dos</p><p>dogmas jurídicos, há princípios que são estabelecidos como certos no Direito, o acervo que</p><p>moldou a dogmática jurídica ao longo do tempo em relação ao Direito.</p><p>Por meio da dogmática jurídica como ciência do Direito, foram construidos os elementos</p><p>necessários, compostos de expressões, linguistica, conceitos que permitem a compreensão do</p><p>Direito como tal, para o estudo e o alcance da justiça, da segurança jurídica, do bem comum,</p><p>entre outros conceitos fundamentais do Direito.</p><p>Na Dogmática Jurídica está a chave para o funcionamento integral dos sistemas jurídicos</p><p>resolvendo a existência de lacunas com a aplicação analógica das normas, por exemplo;</p><p>fornecendo conceitos, classificações, princípios que sustentam o Direito como tal, e que são</p><p>essenciais para a argumentação jurídica, encontrando na heurística argumental jurídica uma</p><p>fonte ilimitada de apoio.</p><p>Figura 4.1. Fontes da argumentação jurídica.</p><p>4.4.2. ALCANÇAR ARGUMENTOS LEGAIS</p><p>Ao conhecer os aspectos dos quais a argumentação jurídica se abastece, assim como as fontes,</p><p>6 agora necessário determinar exatamente como os argumentos legais são obtidos dessas</p><p>fontes.</p><p>A necessidade prevalece quando se trata de buscar argumentos legais para conduzir uma</p><p>pesquisa, algo acadêmico, algo jurídico tal como são as demandas ou os escritos necessários</p><p>63</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>RNOAÇÂO UNIvERSITARA 1BEROAMERCA1A</p><p>para a solução de uma situação, da mesma forma quando se trata de decidir, como no caso das</p><p>resoluções ou sentenças que devem ser emitidas.</p><p>0 problema apresentado direciona a situação para um determinado corpo normativo. Então, por</p><p>exemplo, quando se encontra em uma situação de discussão sobre a propriedade dos herdeiros</p><p>de um imóvel, volta-se ao Direito Civil e ao que é regulamentado pelo sistema jurídico</p><p>relacionado, e provavelmente será necessário recorrer a outros campos do direito, porque, na</p><p>realidade, os problemas não se encaixam perfeita e exclusivamente em um único campo, pelo</p><p>contrário, a solução baseia-se em todas as normas, independentemente da matéria.</p><p>Definidas as regras que se aplicam A situação especifica, tem-se a base dos princípios jurídicos</p><p>aplicáveis, bem como os preceitos judiciais relacionados que podem ser usados, e que parte da</p><p>dogmática jurídica pode ajudar a resolver o problema no sentido de que é pretendido.</p><p>0 interlocutor deve então proceder para obter todos os materiais necessários dessas fontes, os</p><p>argumentos que sustentam a posição que ele defende.</p><p>Depois de recorrer a normas jurídicas, o próximo passo será esgotar os argumentos encontrados</p><p>nos preceitos judiciais. É mais fácil encontrar a solução ou o argumento em uma resolução que</p><p>tenha sido ditada em uma situação semelhante, favorecendo a posição que é mantida naquela</p><p>sentença enquanto argumentos que resolveram um caso particular no sentido que fundamenta</p><p>a posição que se defende.</p><p>Se o precedente judicial é contrário à posição que está sendo defendida, argumentos que</p><p>enfraquecem essa resolução devem ser buscados, pois as resoluções não são normas jurídicas,</p><p>mas uma interpretação e aplicação destas, suscetíveis de serem diferentes.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>A menos que seja uma decisão constitucional, emitida por um Tribunal Constitucional, as</p><p>resoluções em geral são aplicações de regras legais em certos aspectos, para contradizer aquele</p><p>precedente que não favorece a posição que está sendo defendida, será necessário procurar</p><p>outros precedentes que contenham os argumentos que defendam a posição sustentada.</p><p>Na ausência do precedente legal que favorece a posição, procede-se a busca de argumentos</p><p>novamente dentro das normas jurídicas, dos princípios ou da dogmática que demonstram que</p><p>os precedentes judiciais que contradizem a posição a ser defendida, não foram realizados</p><p>corretamente a partir do ponto de vista jurídico. Quando a argumentação jurídica do precedente</p><p>judicial contém legalismo excessivo ao aplicar normas jurídicas estritas, é necessário buscar</p><p>contra-argumentos no sistema por meio de dogmas jurídicos ou recorrer a princípios jurídicos</p><p>que favoreçam a posição Geralmente os precedentes judiciais obviam entre os argumentos que</p><p>a dogmática ou os princípios jurídicos estabelecem.</p><p>Há casos em que o problema levantado não foi resolvido em nenhum precedente judicial, para</p><p>obter argumentos, é necessário recorrer a outras três fontes de argumento, em primeiro lugar,</p><p>atendendo As normas jurídicas resultantes da aplicação, como não existem normas jurídicas</p><p>aplicáveis, recorre-se aos princípios jurídicos e As construções dogmáticas relacionadas A</p><p>64</p><p>FUNIBER A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNPtW ,0 UNIVER-Stlf.flIA IBERQAMgFKANA</p><p>instituição jurídica na qual o problema se encaixa. Assim, a dogmática jurídica é responsável por</p><p>resolver questões que não possuem normas jurídicas, por exemplo, como quando outra norma é</p><p>aplicada por analogia.</p><p>A criação e obtenção de argumentos jurídicos sempre exigem considerar o tipo de problema</p><p>jurídico a ser enfrentado, a fim de determinar para qual fonte do direito recorrer em cada</p><p>situação especifica. A característica de um bom jurista é notada na capacidade de lidar com</p><p>argumentos dogmáticos e argumentos obtidos de princípios legais quando o caso não está</p><p>claramente definido, ou a solução não é facilmente visível.</p><p>4 	A TÉCNICA DA ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>Ao obter os argumentos legais necessários, o proximo estágio da argumentação legal é associar</p><p>esses argumentos a um significado, envolvendo o raciocínio dirigido a várias operações mentais</p><p>usando a lógica e demonstrações verbais de retórica que permitem que o discurso inteiro</p><p>adquira um significado para continuar com a defesa da posição. Chama-se técnica</p><p>argumentativa a disposição, organização das ligações dos argumentos.</p><p>C</p><p>) T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>0 senso comum guia o interlocutor para a ordem em que ele apresentará os argumentos, no</p><p>entanto, ele pode escolher uma ordem diferente ou que seja considerada mais convincente.</p><p>Dois tipos de argumentos são distinguidos, um conjunto de argumentos que são denominados</p><p>como argumentos básicos ou primários, que são aqueles que dão suporte solido à opinião do</p><p>que se pretende argumentar, tendo uma relação direta e imediata com a posição a ser</p><p>defendida. Os outros argumentos que sustentam ou relacionam-se com algum aspecto de cada</p><p>um dos argumentos primários, são chamados de argumentos secundários, e, da mesma forma,</p><p>podem ser obtidos pela obtenção dos argumentos de terceira ordem que sustentam os</p><p>secundários, e assim por diante.</p><p>Os argumentos básicos determinam os fundamentos do argumento, sendo os principais a serem</p><p>usados para justificar a opinião ou ponto de vista que se sustenta, e aqueles que contêm a</p><p>exposição e explicação para que qualquer sujeito possa ouvir o ponto de vista argumentado, a</p><p>fim de conseguir convencê-lo sobre a veracidade e certeza da posição que está sendo</p><p>defendida. Em quase todas as situações em que algo está sendo discutido, é necessário</p><p>estabelecer linhas de argumentação que permitam a ordem na exposição, tanto para o</p><p>interlocutor quanto para o sujeito que ouve a exposição, a fim de alcançar uma maior eficácia</p><p>comunicativa.</p><p>Além da hierarquia dos argumentos, a ligação entre um argumento e outro é a chave para a</p><p>argumentação, pois é necessário especificar o processo de obtenção de cada um dos</p><p>argumentos para que a inter-relação de cada um leve à conclusão de maneira racional e lógica.</p><p>65</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>FUNCMCAO UNIVERSil AMA i'l3F.ROAMEFICK,1A</p><p>Não é suficiente que o interlocutor tenha realizado o processo de heurística jurídica por conta</p><p>própria, já que ele deve explicar</p><p>ao ouvinte como ele obteve os argumentos e como chegou a</p><p>eles, levando em conta os argumentos de todas as categorias, até a conclusão.</p><p>Para o processo na técnica argumentativa, existem duas formas: dedução e indução. A dedução</p><p>é definida pelo Dicionário da Real Academia Espanhola como "extrair uma verdade particular de</p><p>um principio geral".8 Consiste em obter a informação que vem de ideias ou inspirações para</p><p>transformá-la em pontos ou conceitos sólidos e mais concretos.</p><p>Quanto à indução, o processo é o inverso, pois, para a Real Academia Espanhola, induzir</p><p>significa, entre outros, "extrair, a partir de certas observações ou experiências particulares, o</p><p>principio geral implícito nelas".8 Na indução, parte-se de ideias especificas para buscar os</p><p>princípios universais, implica universalizar os conceitos que estão sendo considerados.</p><p>Assim, o interlocutor, e para que o alcance na compreensão de sua posição seja maior,</p><p>hierarquiza os argumentos em ordem de importância e proximidade com a opinião que busca</p><p>defender, vinculando e encadeando cada argumento, enquanto explica a origem de cada um,</p><p>fazendo com que as fontes do mesmo sejam expostas, para mostrar a conclusão a que se</p><p>chegou.</p><p>No campo do Direito, a hierarquia dos argumentos é chamada motivação, argumentação,</p><p>justificação ou fundamentação. A fundação, como tal, reúne o conjunto das operações mentais</p><p>de raciocínio realizadas pelo interlocutor, partindo da abordagem do problema, do conjunto de</p><p>argumentos utilizados e da sua origem, para mostrar a conclusão a que se submete.</p><p>A hierarquização dos argumentos jurídicos para determinar qual contém maior importância não</p><p>esta relacionada de forma alguma à hierarquia das leis do ordenamento jurídico, a maneira pela</p><p>qual as normas jurídicas são usadas para gerar argumentos não esta vinculada à medida</p><p>adotada pelas normas na estrutura do sistema legal.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>TO</p><p>S</p><p>R</p><p>ES</p><p>ER</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>A técnica de argumentação jurídica consiste propriamente na operação que o interlocutor</p><p>realiza, fazendo a escolha dos argumentos entre básicos ou secundários e hierarquizando-os. As</p><p>fontes dos argumentos jurídicos estabelecem a localização de diferentes tipos de argumentos</p><p>para sustentar a posição, enquanto a técnica de argumentação jurídica fornece os mecanismos</p><p>necessários para ordenar os argumentos e, assim, expô-los de uma maneira que reflita a maior</p><p>eficácia comunicativa.</p><p>A argumentação é complexa na vida real, ao apresentar argumentos diante de um Tribunal</p><p>quando se está na defesa da posição de um cliente, vários elementos coexistem, a história das</p><p>partes a respeito dos eventos misturada com as normas jurídicas que se aplicam, a vontade e</p><p>reação das partes perante a situação, os sentimentos, os precedentes judiciais ditados em</p><p>casos semelhantes e outros.</p><p>8. Diccionario de la Real Academia Espanola. Endereço web: ,http://www.rae.es</p><p>9. Diccionario de la Real Academia Espanola. Endereço web: http://wwwrae.es</p><p>66</p><p>FUNIBER A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>RiNeA 	LINNFP 	IL'IEROAMEFliCANA</p><p>Neste caso, teremos que nos organizar no uso da técnica argumentativa para alcançar um</p><p>resultado ordenado. A habilidade do jurista é colocada à prova para superar todas as situações</p><p>externas e apresentar um resultado que permita validar o ponto de vista que o levou</p><p>conclusão.</p><p>Um dos objetivos mais importantes da técnica argumentativa é a clareza, o jurista pode se fazer</p><p>entender e há um nível de compreensão do público diante do qual os argumentos são expostos.</p><p>A falta de clareza na exposição supõe, em muitas ocasiões, que os argumentos perdem força de</p><p>convicção.</p><p>Ao começar dividindo e classificando os argumentos na hierarquia, para determinar quais são os</p><p>mais importantes, duas características são avaliadas, a relevância e a força do argumento.</p><p>A relevância estabelece a importância do argumento mediante a fundamentação que dá</p><p>posição, enquanto a força assume a solidez e invencibilidade, o grau de dificuldade a ser contra-</p><p>argumentado. Esta é a maneira de priorizar os argumentos para determinar a ordem de</p><p>exposição e a relação que terão.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>TO</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Os argumentos básicos são determinados, e a origem de cada um é analisada, qual vem da lei,</p><p>qual vem de princípios legais, precedentes judiciais ou dogmas, e depois vinculá-los. Com a</p><p>técnica da argumentação jurídica, o argumentador estrutura os argumentos de acordo com a</p><p>ordem de importância em relação direta com a posição que ele está defendendo, assim como a</p><p>operação de encadear os argumentos determina os passos racionais que ocorrem entre os</p><p>diferentes argumentos, para explicar a fonte de onde foi extraído, e como estas se tornam raizes</p><p>que fundamentam argumentos subsequentes para chegar à conclusão que sustenta a opinião</p><p>que o interlocutor pretende expor e defender.</p><p>Entre os argumentos básicos, que são os mais importantes, são escolhidos primeiro aqueles que</p><p>são mais fortes, entendendo a força como a característica que reflete a força do argumento, que</p><p>é juridicamente vinculante, e que sua obrigação é indiscutível.</p><p>Nesse sentido, as leis ou normas jurídicas fornecem as diretrizes para os argumentos básicos</p><p>mais importantes, principalmente se o fato em discussão encaixa-se perfeitamente na norma</p><p>escrita. Os outros argumentos que tendem a ser os segundos em importância, são os</p><p>precedentes judiciais que resultam da aplicação das leis do sistema jurídico a casos específicos,</p><p>são os segundos com maior força.</p><p>Se argumentos de normas jurídicas ou precedentes judiciais não foram obtidos, recorre-se aos</p><p>princípios legais e construções dogmáticas. Essas duas fontes são especialmente úteis quando</p><p>uma lei está sendo aplicada por analogia, uma vez que parte da dogmática jurídica envolve</p><p>analogia e outros métodos, de modo que o sistema jurídico funcione sem lacunas.</p><p>Da mesma forma que os argumentos primários, os argumentos secundários devem ser</p><p>esquematizados e classificados de acordo com sua relevância e força. Por exemplo, a pretensão</p><p>na demanda levará imersa uma série de argumentos jurídicos relacionados às normas para</p><p>67</p><p>FUNIBER</p><p>F.U.NDAÇA0.1.1NIVEASITABIA IBEFIOAkir-P,CAt•JA Vrirgitiwv .e</p><p>justificá-la, se essa qualificação e ordem de argumentos usando a técnica argumentativa para</p><p>expor os pontos importantes na demanda não for apropriada, então a pretensão por completo</p><p>pode cair sem atingir o objetivo pretendido.</p><p>Após a hierarquização, como já mencionado, a técnica jurídica argumentativa direciona a</p><p>operação para ao encadeamento dos argumentos, a maneira como eles serão relacionados, a</p><p>exposição sucessiva dos argumentos que sustentam a posição que está sendo defendida.</p><p>Quando a argumentação versa sobre um ponto simples, mostrar a origem das fontes, a</p><p>hierarquia dos argumentos e o vinculo entre cada um deles não é um desafio. 0 desafio ocorre</p><p>quando o argumento é complexo, quando existem diferentes pontos de vista, diferentes fontes</p><p>legais e o assunto apresenta várias opções de realização.</p><p>Quando confrontados com um argumento complexo, o que acontece na maior parte das vezes, o</p><p>importante é começar a exposição do encadeamento de argumentos enumerando os</p><p>argumentos primários e destacando sua conexão com o problema que está sendo resolvido e</p><p>como os argumentos levam A solução apresentada, de uma forma essencialmente dedutiva.</p><p>Os argumentos devidamente relacionados e vinculados, sendo hierarquizados, criarão um firme</p><p>argumento jurídico que dificilmente poderá ser atacado, e com uma grande convicção de inclinar</p><p>a audiência a favor da posição defendida pelo interlocutor.</p><p>45.1. EXEMPLO DA APLICAÇÃO DA TÉCNICA ARGUMENTATIVA</p><p>Para ilustrar a técnica argumentativa, considera-se um caso de pensão alimentícia. A mãe ganha</p><p>dinheiro suficiente para sustentar a alimentação de seus dois filhos e suportar a econômica</p><p>econômico de si mesma, inclusive, com sua renda pode proporcionar</p><p>argumentação</p><p>jurídica para expor os</p><p>resultados obtidos pela</p><p>pesquisa jurídica fazendo</p><p>uso da metodologia e da</p><p>interpretação legal.</p><p>Compreender o</p><p>processo que envolve</p><p>a argumentação</p><p>legal, para efetivar</p><p>sua aplicação no</p><p>exercício da profissão</p><p>do Direito.</p><p>APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Objetivo geral da disciplina</p><p>Esta disciplina tem como objetivo principal a aprendizagem do estudante de direito sobre a</p><p>metodologia, interpretação e argumentação na pesquisa jurídica, uma vez que o advogado ou o</p><p>jurista, no cotidiano de seu trabalho, requer técnicas e procedimentos para realizar a defesa das</p><p>posições dos clientes no exercício profissional ou de sua opinião perante a comunidade</p><p>cientifica, quando o seu trabalho faz parte do estudo do Direito.</p><p>3</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>4</p><p>FUNIBER</p><p>FUNOK.A0 UMVERSITAR1A :REROAKIESCANA</p><p>APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA</p><p>: 	w • :</p><p>FUNIBER</p><p>N:)A9A0 UNIVERSITAPIAIBEROAMERC,</p><p>-</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Capitulo 1</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>OBJEUVOS</p><p>• Apresentar o Direito enquanto ciência.</p><p>• Aproximar o conhecimento da metodologia jurídica.</p><p>• Compreender a diferença entre metodologia, método e técnica.</p><p>• Aprender o procedimento e os fins do método cientifico jurídico.</p><p>1.1. INTRODUÇÃO</p><p>Desde que o ser humano se viu levantando questões sobre sua própria existência, o</p><p>conhecimento tem sido uma necessidade racional para satisfazer a curiosidade e completar o</p><p>exercício mental da busca por respostas.</p><p>Na qualidade dos seres humanos racionais, mantém-se uma atitude com predisposição para</p><p>conhecer, chegando a enquadrar o conhecimento dentro do que é conhecido como ciência. A</p><p>ciência é o "conjunto de conhecimentos obtidos por meio da observação e do raciocínio,</p><p>estruturados sistematicamente e dos quais são deduzidos princípios e leis gerais com</p><p>capacidade preditiva e verificáveis experimentalmente".1</p><p>1. Dicionário da Real Academia Espanhola. Endereço web: httc://www.rae,es</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA FUNIBER</p><p>FUNIMV,0 MP/F.9,511PM 15E1P:Mtv.15111CM</p><p>Assim, para a ciência, existem diferentes classificações dependendo da matéria que estudam ou</p><p>do campo em que são desenvolvidas. 0 Direito encontra-se dentro do que é geralmente</p><p>chamado de Ciências Sociais por sua ocupação, estudo e coleta de conhecimento humano em</p><p>sua atividade social.</p><p>0 conhecimento em geral, é a relação estabelecida entre quem busca conhecer e o objeto a ser</p><p>descoberto, no caso das ciências do Direito, o que busca conhecer são os fatos, as normas</p><p>jurídicas e os valores em geral.</p><p>A ciência do direito completa um sistema de conhecimento que foi obtido ao longo do tempo</p><p>através da observação de diferentes situações que surgem na vida real. A ciência em geral é</p><p>constituída por um conjunto de conhecimentos sobre a realidade na forma de conceitos e</p><p>enunciados.</p><p>São chamadas de teoria as ideias que estão inter-relacionadas umas às outras de modo a</p><p>formar um sistema de conhecimento. "A ciência utiliza o método da pesquisa cientifica, que é o</p><p>que a caracteriza como um procedimento com uma forma de ação na formação dos</p><p>conhecimentos que a compõem."2</p><p>A fim de conhecer o Direito como uma ciência ou para o propósito de sua aplicação no campo da</p><p>vida real, seu significado, conteúdo e escopo são desvendados, uma tarefa que geralmente recai</p><p>sobre os pesquisadores jurídicos que elaboram a doutrina.</p><p>A aplicação do Direito e o conhecimento dele como ciência conferem-lhe, como em toda ciência,</p><p>o uso de métodos racionais para alcançar o fim do conhecimento buscado, escolhendo uma</p><p>técnica adequada.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>A distinção entre conhecimento geral e conhecimento cientifico jurídico é refletida na maneira</p><p>como o conhecimento é obtido, uma vez que a pesquisa geral para obter conhecimentos gerais</p><p>não necessariamente aplica uma estratégia ou estrutura para obtenção, enquanto a pesquisa</p><p>jurídica é condicionada à aplicação de um método cientifico.</p><p>No inicio desta disciplina, verifica-se a metodologia jurídica, isto 6, o conjunto de etapas para a</p><p>pesquisa cientifica da ciência jurídica, que tem como principal objetivo satisfazer essa</p><p>necessidade de conhecimento intrínseco do ser humano.</p><p>2. Gonzalo Quiroga, Marta; Barrado, Castor Miguel Diaz; Sáenz Litipez, Karla Annett Cynthia; Gorján Gómez,</p><p>Francisco Javier, Metodologia para investigaciones de alto impacto en Ias ciencias sociales y juridicas, Editorial</p><p>Dykinson, Madri, 2013. P.10.</p><p>6</p><p>FUNIBER</p><p>FUNIV,QAC: ,..1NNFRZITAri!tilfiEROAMERiCANA</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>11,0ftlErd,I-L721.;7-7 1:4JT-Z.MTZ.Z.171,=,</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>I 2. A CIÊNCIA JURÍDICA OU CIÊNCIA DO DIREITO</p><p>Desde os tempos antigos, entre os estudiosos, houve uma discussão sobre o caráter cientifico</p><p>das chamadas ciências sociais, sobre considerá-las como ciência ou não, porque não é possível</p><p>verificar de forma clara e efetiva a conclusão a que o pesquisador chega, e entre elas se</p><p>encontra o Direito.</p><p>Nas ciências sociais, o pesquisador é influenciado por sua própria carga cultural e social, de</p><p>modo que a pesquisa nessa área carrega um grande fardo de subjetividade. Não é que a</p><p>subjetividade prive o Direito de ser uma ciência, ou retire seu caráter cientifico, mas os</p><p>resultados dos estudos nesse campo serão relativos à perpetuidade, não permanentes, porque</p><p>representam o pensamento de uma época histórica ou de um certo grupo social.</p><p>É válida a abordagem sobre a existência de uma disciplina encarregada do estudo e análise de</p><p>fenômenos jurídicos, especialmente porque, por muito tempo, no mundo da ciência, reinava a</p><p>ideia de que somente podem ser consideradas ciências aquelas que trabalham com base na</p><p>experimentação e podem ser verificadas contra outras. Atualmente, as ciências sociais são</p><p>reconhecidas com a classificação cientifica, principalmente porque aplicam um método para</p><p>obter conhecimento, uma ordem sistematizada dos dados da experiência, e porque chegar a</p><p>uma conclusão cientifica no direito implica aplicar as técnicas que poderiam ser aplicadas a</p><p>outras ciências.</p><p>A ciência jurídica ou ciência do direito visa estudar o Direito. Sua finalidade é analisar o alcance</p><p>das leis em termos de sociedade e expressar os desejos presentes nela para que o legislador os</p><p>formalize através das leis. Seu estudo centra-se na interpretação, pesquisa e sistematização do</p><p>Direito para sua correta aplicação e estudo.</p><p>A ciência do Direito, como todas as ciências, vem de um elemento cultural, algo produzido pela</p><p>ação humana, pela cultura da sociedade, e ao mesmo tempo é duplamente cultural porque o</p><p>objeto de seu estudo tem um caráter cultural. Existe, então, a ciência jurídica como o estudo do</p><p>Direito, das normas, dos princípios, das instituições e de tudo o que ele contém.</p><p>Pode-se considerar a ciência jurídica ou ciência do direito como "o conjunto de conceitos,</p><p>princípios e instituições, generalizados, ordenados e sistematizados no campo do direito".3</p><p>Para a ciência jurídica, é necessário aplicar o método cientifico de pesquisa para alcançar o</p><p>conhecimento que se busca. Requer uma partícula de pesquisa técnica, que pode ser obtida</p><p>através de metodologia jurídica.</p><p>3. Fix-Zamudio, Fléctor; Metodologia, Docencia e Investigación Jurídicas, Universidad Nacional Autónoma de</p><p>México Instituto de Investigaciones Jurídicas, Editorial Porrúa, 1996. P. 389.</p><p>7</p><p>1104Ier</p><p>FUNIBER</p><p>F'ONDAÇÃO UNIVEASITÁRA IRP,ROAMEICANA •</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>1 	METODOLOGIA E MÉTODO</p><p>Chama-se método a série de etapas ordenadas e concatenadas entre si que são necessárias</p><p>para pesquisar, é uma maneira de alcançar o conhecimento. Pesquisar 6, basicamente, fazer</p><p>diligências e atividades para explicar e descobrir uma situação que é ignorada.</p><p>"Consequentemente,</p><p>atividades recreativas para</p><p>seus filhos mais novos. Enquanto o pai dos menores não consegue se sustentar, nem cobrir</p><p>suas próprias despesas porque não trabalha em período integral, vive com amigos e nunca</p><p>mantém seu emprego por mais de alguns meses. No entanto, a mãe trabalha horas extras e</p><p>procura, com todo o esforço, atender As necessidades de seus filhos, a pretensão da mãe é que</p><p>o pai forneça pensão para seus filhos.</p><p>Quando confrontado com um caso prático, o primeiro passo é realizado: a ABORDAGEM DO</p><p>PROBLEMA. Consiste em descrever a situação, condições e circunstâncias.</p><p>Esta situação é de natureza familiar, pertence ao direito da família, a razão para o processo é</p><p>econômico e proteção dos direitos das crianças, o que envolverá a aplicação de leis</p><p>relacionadas ao direito da família. Será determinado se a mãe deve continuar pagando as</p><p>despesas dos filhos sozinha, já que o pai não consegue sequer manter-se, e ela é</p><p>consideravelmente mais bem sucedida; ou se, nesse caso, o pai será forçado a trabalhar mais e</p><p>ser mais produtivo para contribuir com a alimentação dos menores.</p><p>68</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUN BER A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNONAt) VNIVERSITASit, 6EFIOANIERICANA</p><p>Em segundo lugar: OBTER ARGUMENTOS, premissas jurídicas que sustentem a posição que está</p><p>sendo defendida. Fontes legais judiciais são usadas e argumentos são buscados para sustentar</p><p>a posição que é defendida. Nesse caso, recorre-se ao direito da família, às regras que regulam a</p><p>alimentação dos menores, geralmente contidas no Código Civil, também é necessário ver o</p><p>ordenamento que regulamenta a forma de litígio, sob que tipo de julgamento do âmbito civil é</p><p>realizado o processo, e verificar se acabou incorrendo-se em algum tipo de delito penal, ante da</p><p>negação de assistência econômica e alimentar para menores.</p><p>Posteriormente, depois de esgotar as fontes das normas jurídicas, recorre-se à jurisprudência</p><p>que incide sobre questões semelhantes, buscando sentenças e resoluções no sistema de justiça</p><p>que favoreçam a posição que se defende.</p><p>Depois de avaliar a jurisprudência, volta-se aos princípios jurídicos aplicáveis. Nesse caso,</p><p>quando se menciona menores de idade, pode ser feita a referência à aplicação do principio do</p><p>"melhor interesse" do menor. E também pode ser colocado como norma na Convenção sobre os</p><p>Direitos da Criança, no artigo 3: "todas as medidas relativas à criança devem ser baseadas na</p><p>consideração dos melhores interesses dela. Corresponde ao Estado assegurar uma adequada</p><p>proteção e cuidado..."1°</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Os princípios em um litígio ajudam o expositor a convencer o juiz. No caso de as regras serem</p><p>duvidosas, o juiz verifica, no melhor interesse das crianças, para que sua mãe possa passar</p><p>mais tempo de qualidade com elas, e, para que possam manter seu nível e qualidade de vida,</p><p>obriga o pai a comprometer-se a fornecer um certo valor monetário mensal para cobrir com a</p><p>alimentação a qual ele é obrigado a fornecer aos menores.</p><p>Finalmente, recorre-se à dogmática jurídica, que, nesse caso, serve como uma ajuda para a</p><p>contribuição de argumentos relativos às considerações que o sistema de justiça está aplicando</p><p>em relação à família, à alimentação, à obrigação dos pais e o bem-estar dos menores.</p><p>Ao longo desse processo mental, observa-se um método cientifico jurídico, rápido e empírico,</p><p>mas há uma pesquisa jurídica. Essa pesquisa jurídica direciona o advogado a interpretar os</p><p>regulamentos atuais relacionados ao caso, o que lhe permite sustentar argumentos sólidos para</p><p>a defesa da posição.</p><p>Esse conjunto de argumentos levantados no exemplo deixa evidente que reflete a intenção de</p><p>defender a posição da mãe requerente e dos menores, no entanto, é preciso levantar o caso da</p><p>outra posição, buscando argumentos entre as fontes que ajudam na defesa dos argumentos que</p><p>sustentam a posição do pai.</p><p>10.Unicef Comité Espariol, Convención sobre los derechos del nirio, lmprenta Nuevo Siglo, Madri, Espanha, junho</p><p>2006. P. 10.</p><p>69</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNI.V.ERSITARIA taFROM.SERICANA</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>—AOlisolVs9 ' 	.</p><p>Ao representar como advogado a posição do pai, a defesa do melhor interesse da criança será</p><p>deixada de lado e sua dificuldade ou desemprego que prevalece na sociedade será posta em</p><p>primeiro plano, dependendo da abordagem solicitada pelo pai que para o assunto e as razões</p><p>que ele explica por não pagar a pensão.</p><p>Continua-se com a hierarquização e a vinculação dos argumentos, começando por hierarquizá-</p><p>los, aqueles que têm mais força, e os argumentos mais contundentes serão aqueles</p><p>considerados básicos ou principais e assim por diante, como foi exposto no desenvolvimento</p><p>deste texto.</p><p>Essa questão, apresentada como exemplo, foi levantada do ponto de vista de um caso prático,</p><p>no entanto, também pode ser estudada do ponto de vista teórico.</p><p>Estudada como teoria, começa da mesma maneira com a abordagem do problema, descrevendo</p><p>as circunstâncias que enquadram o estudo do caso. No entanto, especifica mais a pesquisa</p><p>jurídica a empreender, e é necessário aplicar em detalhes os métodos científicos jurídicos</p><p>avaliados nesta disciplina no decorrer dos capítulos anteriores.</p><p>A questão talvez incida sobre o principio da igualdade, e questione por que, em certos casos, é o</p><p>pai quem fornece a maior parte da alimentação dos menores e a mãe apenas uma parte deles,</p><p>trabalhando em tempo parcial, apesar de que o pai trabalhe horas extras e faça um esforço</p><p>desmedidos para sustentar as crianças com o melhor de sua capacidade. Porque muitas vezes é</p><p>considerado errado a mãe fornecer mais do que o pai. Essa poderia ser uma abordagem ao</p><p>conduzir o estudo.</p><p>Os argumentos normativos serão obtidos da mesma forma, mas sendo um caso de estudo,</p><p>outras posições podem ser colocadas em avaliação, da mesma forma que os princípios legais e</p><p>dogmas que se relacionam com a abordagem do problema e o enfoque que está sendo</p><p>estudado.</p><p>Na pesquisa, a hierarquização dos argumentos jurídicos pode variar, uma vez que se analisa a</p><p>validade das normas e quais normas possuem maior força normativa, não a força de convicção</p><p>na qual a hierarquia se baseia para casos concretos prático.</p><p>Em estudos teóricos sobre posições possíveis em situações objeto de pesquisa, a doutrina</p><p>encontrada em questões constitucionais também pode ser incluída, e a situação pode ser</p><p>pesquisada e estudada sob diferentes pontos de vista.</p><p>70</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>T</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Abordagem</p><p>do problema</p><p>Obtenção</p><p>de argumentos</p><p>Hierarquização e</p><p>encadeamento dôs</p><p>argumentos</p><p>FUNIBER</p><p>F.UNPilf;ÃOLINIVE:RSIORIAIDEOWERICAtiit</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>Figura 4.2. Técnica argumental.</p><p>4.6. A CONCLUSÃO ARGUMENTAL</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Após ter feito uma análise dos dados coletados, após obter os pontos que fundamentam a</p><p>premissa que se defende, após considerar as informações, tê-las organizadas, chegamos ao</p><p>final, à conclusão do argumento.</p><p>"A conclusão do argumento é a tese ou posição que é mantida como o ponto final de uma cadeia</p><p>de argumentos estabelecida e que resulta racionalmente da consideração de tais</p><p>argumentos."11</p><p>0 argumento, como já mencionado, pode ser muito complexo, especialmente se forem casos</p><p>práticos compostos de vários aspectos, pois você pode escolher entre várias posições e</p><p>defender vários pontos de vista sobre o mesmo problema.</p><p>A ligação que se faz aos argumentos na aplicação da técnica jurídica provoca a existência de</p><p>várias conclusões, que na realidade são subconclusões que, após a análise e com a correta</p><p>tomada de decisões, permitem chegar à conclusão final. Todas as variáveis são consideradas,</p><p>os diferentes resultados obtidos pelo encadeamento dos diferentes argumentos, até chegar</p><p>conclusão principal.</p><p>Ao enquadrar a situação</p><p>dentro do escopo da argumentação geral, a conclusão é obtida a partir</p><p>do vinculo feito para a série de argumentos que são dados, geralmente descritivos da situação</p><p>em discussão.</p><p>11. Buenaga Ceballos, ()scar, Introducción a Ia Argumentación Jurídica, Editorial Tecnos Grupo Anaya S.A., Madri,</p><p>Espanha, 2016. P. 67.</p><p>71</p><p>Conclusão</p><p>Coerência Congruência</p><p>Convicção</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNMFASiTMIIA./E3EFIOAMplICANA</p><p>Sendo meramente descritivos, sem se basear em uma ciência, tornam-se prováveis argumentos,</p><p>suscetíveis de serem facilmente refutáveis, com altas probabilidades de serem discutíveis.</p><p>Quando a argumentação é sobre fatos ou conclusões deduzidas ou induzidas logicamente, os</p><p>argumentos apresentam uma maior solidez.</p><p>A conclusão do argumento deve refletir principalmente a coerência e congruência ligadas</p><p>essencialmente aos argumentos que fundamentaram ou justificaram o ponto de vista do</p><p>expoente. Portanto, sendo coerente e congruente, a conclusão tem a consequência de ser</p><p>convincente, para qualquer ser humano.</p><p>A coerência está relacionada à abordagem do problema, principalmente porque, no inicio da</p><p>análise, o interlocutor avança com as possíveis opções de solução ou conclusão do problema em</p><p>disputa. A coerência na conclusão refere-se ao fato de que a conclusão 6 uma solução para o</p><p>problema e deve obedecer ao propósito de esclarecer os pontos de vista defendidos no discurso</p><p>a rgu mentativo.</p><p>Diferentemente da coerência, a característica de congruência une a conclusão com os</p><p>argumentos apresentados, a conclusão deve emanar da apresentação e da vinculação dos</p><p>diferentes argumentos apresentados.</p><p>Ao obter coerência e congruência como características essenciais da conclusão do argumento,</p><p>estamos garantindo uma solução para o problema e que esta solução apresentada como</p><p>conclusão é convincente.</p><p>A conclusão também inclui o resumo de todo o processo argumentativo, tornando-se o elemento</p><p>principal para a convicção do público em favor do interlocutor. A conclusão deve ser clara e</p><p>breve, refletindo a concatenação entre o problema proposto, os argumentos obtidos e a solução</p><p>que fundamenta a posição.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Figura 4.3. Conclusão argumentative.</p><p>72</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FUNiTAçAo 	9,SIT.491,415.F.ROAMERICANA</p><p>FUNIBER</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>4.7. CONCLUSÃO JURÍDICA</p><p>A conclusão jurídica, como a conclusão argumentativa geral, deve ser crivada de congruência e</p><p>coerência para se conseguir a convicção, seja para uma audiência em um determinado processo</p><p>judicial, seja para a pesquisa quando se trata de um trabalho jurídico.</p><p>Geralmente, no campo do Direito, a conclusão alcançada após o processo de argumentação é</p><p>uma opinião ou uma decisão jurídica, que fornece uma solução para o problema.</p><p>A opinião e a decisão jurídica diferem, pois a opinião é uma estimativa simples, uma solução</p><p>proposta à qual o sujeito chegou depois do estudo do problema, da obtenção dos argumentos e</p><p>das análises pertinentes. A decisão jurídica vem revestida de obrigação, implica o cumprimento</p><p>pelas partes afetadas.</p><p>Na maioria dos sistemas legislativos ocidentais, a congruência, regulada como principio e como</p><p>norma jurídica, pode ser vista como os seguintes exemplos:</p><p>a) A Lei de Processual Civil da Espanha estipula no artigo 218 que "as sentenças devem ser</p><p>claras, precisas e coerentes com as pretensões e com as demais reivindicações das</p><p>artes, deduzidas oportunamente na agão".12</p><p>b) 0 artigo 34 do Código Processual Civil e Comercial da Nação, da República Argentina</p><p>regulamenta como Deveres dos Juizes "constituir toda sentença definitiva ou</p><p>interlocutória, sob pena de nulidade, respeitando a hierarquia das normas vigente e o</p><p>principio da congruência".13</p><p>c) No Código de Processual Civil e Comercial da Guatemala, está regulamentado no Artigo</p><p>26 que "o juiz deve ditar sua decisão de acordo com a demanda e não pode resolver ex</p><p>officio sobre exceções que somente possam ser propostas pelas partes."14</p><p>Poderíamos listar mais exemplos de diferentes legislações pelo mundo, mas com estas já fica</p><p>evidente que a congruência não se aplica apenas à conclusão em si, mas é um princípio jurídico</p><p>regulamentado pela maioria das legislações escritas.</p><p>Entendendo a congruência como principio, em um duplo sentido, por um lado implica que o juiz</p><p>não pode exceder ou ir além do que é solicitado pelas partes, ao mesmo tempo, é proibido</p><p>fundamentar sua decisão final em fatos diferentes daqueles que foram argumentado pelas</p><p>partes.</p><p>12. Ministerio de la Presidencia y Para las Administraciones Estatales, Agencia Estatal Boletfn Oficial del Estado,</p><p>Endereço web: http://www.boe.es</p><p>13.Código Procesal Civil y Comercial de la Nación, Ley 17.454. Buenos Aires, Argentina, 18 agosto 1981.</p><p>14. Código Procesal Civil y Mercantil de Guatemala, Decreto Ley 107, 14 de septiembre de 1963.</p><p>73</p><p>FUNIBER</p><p>F-UWAÇÂO E.INIVE:F1f7ATAFRA 1BEROAMERICAWA</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>O outro aspecto da congruência como principio integra-se pela obrigação dos juízes de decidir</p><p>sobre todos os pontos expostos na controvérsia, na exposição das partes em juizo e quaisquer</p><p>atos que compõem o processo.</p><p>Quando o juiz não cumpre o principio de congruência, o sistema de justiça permite invocar a</p><p>incongruência como base para o recurso da resolução emitida pelo tribunal.</p><p>0 juiz deve ser eminentemente consistente com a conclusão que resulta em uma decisão</p><p>jurídica. Não é o caso dos sujeitos processuais, devido ã obrigatoriedade da lei. Da mesma</p><p>forma, a natureza congruente de uma conclusão que conclui um estudo de pesquisa jurídica não</p><p>é normativamente obrigatório, embora a congruência seja eminentemente necessária para a</p><p>convicção de que, em última análise, é o objetivo final da argumentação jurídica.</p><p>A conclusão jurídica, em termos gerais, deve responder aos aspectos da abordagem do</p><p>problema. Em um julgamento, a abordagem do problema é incorporada na demanda ou na</p><p>resposta à demanda, existindo para um mesmo problema dois ou vários pontos de vista, a razão</p><p>pela qual surge a Litis. Cada parte terá sua versão dos fatos e sustentará sua versão com os</p><p>argumentos que preze.</p><p>O fundamento jurídico básico do escrito que contém a demanda, em que a declaração do</p><p>problema está imersa, está ligada à coerência da conclusão, que deve coincidir com o</p><p>argumento levantado como um problema na demanda. Da mesma forma, a congruência das</p><p>partes deve existir vinculando o problema levantado com a solução defendida em sua posição.</p><p>O juiz é obrigado a decidir sobre as questões solicitadas pelas partes, no entanto, não é obrigado</p><p>a aplicar as mesmas normas jurídicas que foram usadas pelas partes, pode aplicar outras para</p><p>resolver o conflito e chegar ã conclusão de uma das partes, ou misturar ambas as conclusões e</p><p>resolver dessa forma.</p><p>O advogado de cada parte deve ser congruente, porque ser incongruente pode afetar e</p><p>enfraquecer a posição que está defendendo no debate.</p><p>Se é uma opinião emanada de um estudo jurídico, na pesquisa teórica a incongruência acarreta</p><p>sérias consequências, porque as soluções propostas para um problema levantado com um</p><p>argumento racionalmente incorreto transformam toda a pesquisa ou trabalho em algo</p><p>totalmente descartável, sem utilidade real.</p><p>Enfatizando a premissa, a conclusão jurídica será convincente ao combinar as características de</p><p>coerência com o problema jurídico que foi levantado e congruência com o processo</p><p>argumentativo, seja em um caso prático real ou seja um estudo forense ou técnico. A solução</p><p>deve ser obtida racionalmente a partir dos argumentos utilizados e resolver o problema</p><p>proposto.</p><p>74</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>UNAÇÀO .6N1VERSITMIfAlliEROAME,RrANA</p><p>No exercício do Direito, a estrutura da conclusão</p><p>do argumento deve reunir o elemento de</p><p>clareza, se não for possível entender a mensagem claramente declarada, a audiência nunca</p><p>poderá ser convencida.</p><p>Em vista do fato de que, no cotidiano do exercício profissional, o juiz escuta uma pluralidade de</p><p>questões, sendo necessário ser o mais claro e direto possível, chamando sua atenção para dar</p><p>direção especial à resolução do caso que é defendido ante seu oficio. A conclusão cumpre essa</p><p>função essencial, para chamar a atenção do juiz para o assunto.</p><p>Ter simplesmente um argumento sólido não garante que a solução para a declaração do</p><p>problema e a posição exposta seja resolvida em um sentido favorável para o ponto que se</p><p>defende. É a conclusão que apoia e garante um fechamento para a defesa da posição no sentido</p><p>que se busca. 0 caso pode até ocorrer em que toda a argumentação seja sólida e que, sendo a</p><p>conclusão incongruente e incoerente, perca a eficácia, enfraquecendo completamente o</p><p>argumento total. A situação acima acontece especialmente quando se está imerso em</p><p>circunstâncias que levam a argumentos complexos.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>No caso de argumentos complexos, a conclusão também tem a função de se tornar um resumo</p><p>que esclarece a representação verbal ou escrita de todos os argumentos apresentados,</p><p>mencionando os principais. 0 interlocutor escolhe quais aspectos deseja destacar para</p><p>continuar com o objetivo de convencer o público.</p><p>A conclusão inclui aspectos de oratória e retórica, no caso do exercício do Direito é essencial que</p><p>contenha:</p><p>• A função processual das conclusões.</p><p>• A natureza jurídica da exposição.</p><p>Com a função processual da conclusão, o significado é que a lei processual geralmente concebe</p><p>a conclusão durante o processo, de modo que o advogado faça um breve resumo entre os fatos,</p><p>focando-se principalmente nas evidências oferecidas e diligenciadas.</p><p>Não é tanto um resumo de todos os argumentos, pois isso está contido na demanda ou na</p><p>resposta da demanda, conforme o caso. 0 tema principal da exposição na conclusão de um</p><p>entendimento deve concentrar-se na relação com as provas apresentadas.</p><p>Agora, quanto à natureza jurídica da exposição, a ênfase está em argumentar com a lei, por mais</p><p>técnicas e aspectos da argumentação geral sejam utilizados, o ideal é destacar e manejar a</p><p>exposição na conclusão com os argumentos jurídicos obtidos a partir das fontes argumentais.</p><p>É preciso considerá-lo delicado, na conclusão, relacionar os princípios gerais do direito, como o</p><p>principio da justiça, o principio de equidade ou igualdade, entre outros, se não tiverem relação</p><p>direta com os argumentos que sustentaram a posição, pois o resultado será contrário, será</p><p>75</p><p>FUNIBER</p><p>FuNgAÇA0 UNIVEritiitARY, F.I.F.ROMAERICANA</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>. 	vt•f•Eq4/7 	 - •</p><p>negativo antes da apreciação da audiência ou do juiz que ouve, já que a invocação de tais</p><p>princípios inspiradores parecerá falta de argumentos jurídicos sólidos.</p><p>4/.1. EXEMPLO DE CONCLUSÃO JURÍDICA</p><p>0 exemplo simples que se ilustra para a conclusão jurídica concentra-se em um Contrato para a</p><p>Prestação de Serviços Mecânicos Automotivos. 0 mecânico apresentou a queixa porque o</p><p>cliente que contratou seus serviços de mecânica automotiva para seu veiculo não terminou de</p><p>pagar os $ 2.500 restantes dos reparos feitos no veiculo.</p><p>0 cliente apresentou argumentou que o veiculo não estava em boas condições, e teve que</p><p>procurar outro serviço automotivo e pagar $ 3.500 para concluir o reparo do veiculo e deixá-lo</p><p>em um estado bom e ail. Solicita, portanto, o indeferimento da ação e pede indenização pelos</p><p>danos causados pela negligência do mecânico requerente.</p><p>A abordagem do problema está em saber se houve ou não uma violação do contrato de serviços</p><p>mecânicos, sendo a principal prova para esse tipo de processo, que envolve trabalho de obra, as</p><p>evidências periciais.</p><p>Ao contratar um especialista sobre o assunto, determina-se se o dano causado ao veiculo foi</p><p>devido à negligência, se esses danos realmente existiam, ou se é uma violação por parte do</p><p>cliente requerido, porque o trabalho solicitado foi feito no devido tempo.</p><p>Cada uma das partes do litígio apresentará seu perito, neste caso, um mecânico especializado, e</p><p>o relatório ou declaração de que ele faz a respeito. 0 juiz não 6 um especialista e não tem</p><p>experiência em mecânica automotiva, portanto, uma das partes também deve solicitar uma</p><p>perícia judicial. Também será possível apresentar provas documentais, declarações das partes e</p><p>depoimentos de testemunhas. Essas provas direcionarão o juiz para determinar se houve uma</p><p>violação no contrato de serviços de mecânica, ou se, de fato, foi uma quebra no pagamento.</p><p>Os argumentos jurídicos virão das normas jurídicas, do que é regulamentado em termos de</p><p>contratos de serviço e também do contrato concedido pelo cliente e pelo mecânico ao solicitar o</p><p>serviço, também será necessário considerar se existem precedentes judiciais, bem como quais</p><p>são os princípios jurídicos aplicáveis e, se houver necessidade, uso de dogmática jurídica.</p><p>Das provas periciais realizadas, é determinado que o veiculo evidentemente apresentava</p><p>defeitos antes de ser levado a outro mecânico, a quem o cliente requerido teve que pagar</p><p>$ 3.500. No entanto, a prova pericial judicial mostra que alguns defeitos do veiculo foram</p><p>causados por mau serviço automotivo e que existem outros defeitos que não foram causados</p><p>pela negligência do mecânico requerente, mas por um golpe, também é evidenciado por</p><p>testemunhas e por relatório da policia de trânsito.</p><p>76</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER</p><p>.P.JNOAÇÃO kiNIVEH5:17.11A IBEROALW,iliCAF.1A</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>•</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>R</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>É determinado que o cliente requerido passou por um acidente de trânsito, dois dias depois de</p><p>deixar a garagem do mecânico requerente, causando o dano no veiculo pelo qual ele teve que</p><p>pagar os $ 3.500.</p><p>o mecânico requerente defenderá a sua posição, provando que em nenhum momento ele</p><p>entregou o veiculo em más condições, mas o acidente de viação do cliente tem sido a causa dos</p><p>novos defeitos, portanto não há violação do contrato.</p><p>0 cliente requerido argumenta que, independentemente do acidente de trânsito, o veiculo não</p><p>estava nas condições acordadas e que parte das despesas que tiveram que ser pagas ao</p><p>segundo mecânico pelo melhor reparo do veiculo foram causadas pelo serviço negligente do</p><p>mecânico requerente, por isso não incumprimento de pagamentos</p><p>As conclusões devem destacar o argumento jurídico central, que neste exemplo é o</p><p>"incumprimento" e os dados jurídicos essenciais, como quem é responsável pelo incumprimento</p><p>e quanto dano causou este responsável.</p><p>&8. ÉTICA NO PROCEDIMENTO DE ARGUMENTAÇÃO</p><p>JURÍDICA</p><p>Na argumentação, o sujeito que argumenta tem certos limites impostos pela ética,</p><p>independentemente da matéria ou do assunto objeto de exposição ou estudo. Se o tema da</p><p>discussão é se é melhor consumir açúcar mascavo do que qualquer substituto de açúcar, ou se</p><p>a discussão foca-se nas reformas constitucionais de um pais, ou na escolha entre dois</p><p>candidatos para administrar uma sociedade comercial, existem limites éticos para os</p><p>argumentadores.</p><p>A ética no procedimento de argumentação jurídica, refere-se à ação e atitude daqueles que</p><p>estão discutindo diante de um problema particular. Tal ética é entendida em dois sentidos:</p><p>• Somente podem ser utilizados os argumentos permitidos sob um ponto de vista ético.</p><p>• 0 comportamento argumentativo dos sujeitos deve ser ético entre si, respeitando a</p><p>intervenção de cada um dos participantes.</p><p>Essa ética mencionada ao mesmo tempo contempla que quem quer que argumente deve basear</p><p>sua posição, não é possível sustentar um argumento sob a premissa de que é real porque "eu</p><p>acho ou acredito" por nenhuma outra razão a não ser essa.</p><p>Não é que nenhum dos outros</p><p>participantes do debate exija uma explicação ou fundamentação</p><p>dos argumentos, pois pode acontecer que o argumentador esteja escrevendo um documento</p><p>jurídico e não tenha ninguém para contradizê-lo naquele momento, no entanto, por ética, ele</p><p>77</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA FUNIBER</p><p>FUWAG•40 ONIVERSf114111A IBEROAMESCANA</p><p>deve comprovar e fundamentar sua posição. Na ausência justificativa para sua posição, apesar</p><p>do fato de a exposição ser solitária, a totalidade do argumento será considerada inválida.</p><p>0 argumentador também deve mencionar os argumentos relevantes em todos os sentidos, não</p><p>apenas aqueles que favorecem sua posição, mas também aqueles que a contradizem para</p><p>atacá-la, não é possível ignorar a existência desses argumentos fortes e convincentes, mesmo</p><p>que sejam contrários à posição que se sustenta. Faz parte do compartimento ético, não</p><p>esconder a existência desses argumentos.</p><p>Outro aspecto ético do argumento vem da falta de privilégios para as partes envolvidas na</p><p>discussão, todos os que estão intervindo no debate devem ter a oportunidade de discutir e</p><p>contradizer as opiniões diferentes que são apresentadas, todos merecem respeito ético no</p><p>momento de sua apresentação, ser ouvidos e ter tempo suficiente para expor. Além disso, os</p><p>argumentos abordarão o tema em discussão, não sobre questões pessoais ou características</p><p>físicas, coisas que não entram no debate, não é ético mencionar argumentos que desacreditem</p><p>o sujeito como pessoa. Os argumentos apresentados devem ser objetivos e estar relacionados</p><p>defesa da posição especifica sem exceder esse limite.</p><p>O último aspecto ético a considerar, no caso da argumentação em geral, é o fato de que quando</p><p>todos os participantes da discussão já encerraram um tópico por terem concordado sobre um</p><p>certo ponto de vista, nenhum dos participantes poderá retomar o assunto. Isso não seria um</p><p>comportamento correto, porque a discussão foi encerrada quando o todo ou a maioria dos</p><p>participantes concordam com uma certa conclusão.</p><p>4.8.1. ÉTICA E 0 PROCESSO DA ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>No caso da argumentação jurídica e processual envolvida, a ética gira principalmente em torno</p><p>da obrigação do interlocutor de utilizar fontes jurídicas argumentais para sustentar a opinião que</p><p>defende.</p><p>A motivação da posição também se torna um requisito ético, porque deve ser baseada no uso de</p><p>fontes jurídicas como ponto central da opinião no momento de torná-las conhecidas.</p><p>A argumento jurídica em relação à ética acrescenta que, além de estabelecer a origem e a razão</p><p>dos argumentos, o advogado deve explicar a origem dos mesmos, que deve ser eminentemente</p><p>jurídica, encontrado nas regras, princípios, precedentes ou dogmática legal.</p><p>Além disso, a intervenção dos argumentadores, especialmente se for algum tipo de debate</p><p>judicial, não é apenas estabelecida como um comportamento ético, mas também é regulada na</p><p>maioria das legislações, como um principio ou lei de caráter geral, começando com o principio da</p><p>igualdade como tal, nas mesmas condições e circunstâncias, os mesmos direitos para todos</p><p>igualmente.</p><p>78</p><p>FUNIBER</p><p>KINDAÇÃO 	 IBEROAMERCANA</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>€E.7.-Pr7</p><p>Razão prática -Razão teórica</p><p>• 0 conhecimento é obtido para a ação</p><p>humana, para determinar a atividade</p><p>humana.</p><p>• Pretende enquadrar ou indicar a forma do</p><p>comportamento humano.</p><p>• É prescritivo indicar a maneira pela qual o</p><p>humano deve agir.</p><p>• 0 objetivo é obter a verdade, aplicar o motivo</p><p>para obter conhecimento.</p><p>• Pretensões cientificas de estudo e análise.</p><p>• É explicativa e descritiva ao conduzir estudos</p><p>de conhecimento baseados na razão.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Portanto, no caso da intervenção dos sujeitos em qualquer campo prático do Direito, a</p><p>participação de todos os torna-se norma jurídica com caráter obrigatório, não apenas como algo</p><p>ético.</p><p>Mesmo as normas jurídicas transcendem e, nos diferentes processos, elas até regulamentam o</p><p>momento em que cada um dos sujeitos deve intervir respeitando a intervenção do outro, como</p><p>exemplo podemos nomear o que é conhecido como um momento processual oportuno. Não</p><p>poderia, em um debate judicial, pretender-se tomar alguma evidência quando o julgamento está</p><p>na fase de interposição de exceções à demanda.</p><p>49. A ARGUMENTAÇÃO MORAL E O DIREITO</p><p>A relação entre argumentação moral e argumentação legal baseia-se no fato de que ambos</p><p>reivindicam o raciocínio usado para sustentar uma determinada ideia ou posição que se defende</p><p>de qualquer tema. No caso do Direito, há argumentação jurídica, assim como existem outros</p><p>argumentos específicos para um número infinito de outras ciências.</p><p>A argumentação jurídica está relacionada com a moral, razão pela qual estuda o raciocínio</p><p>prático ligado à moral. 0 raciocínio pode ser classificado em razão teórica e razão prática.</p><p>A razão teórica está ligada ao estudo e é aquela usada para obter conhecimento ou a "verdade"</p><p>sobre um determinado assunto, enquanto a razão prática determina o modo humano de agir, a</p><p>razão pela qual a atividade humana é usada a partir da liberdade.</p><p>Tabela 4.2. Razão prática e teórica.</p><p>0 Direito e a moral pertencem à razão prática na medida em que apontam as diretrizes para</p><p>governar o comportamento humano. 0 raciocínio jurídico contém o caráter de obrigação de</p><p>seguir as regras, oferecendo uma penalidade real para aqueles que se afastam de seu</p><p>cumprimento. 0 raciocínio ser jurídico não implica que ele se abstém de conter ou contradizer o</p><p>argumento moral.</p><p>79</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVEPFATAREA iF5EROANIEHiCANik</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>A argumentação moral não pode ser uma base em si mesma para a aplicação do Direito, é</p><p>arbitrário ter certas normas morais para certas questões, porque em cada sociedade há</p><p>geralmente diferentes diretrizes, mesmo na mesma nação existem normas morais diferentes. 0</p><p>argumento moral tem um lugar na argumentação jurídica e na lei, somente se serviu para</p><p>inspirar e está imerso dentro das normas jurídicas.</p><p>0 argumento jurídico visa principalmente usar a lei para resolver casos específicos, da vida real</p><p>ou de estudo hipotético, fornece razões para justificar que as soluções finais sejam justas,</p><p>inspiradas pela justiça como um valor moral universal. Então podemos dizer que o argumento</p><p>jurídico tem um complemento moral porque seu objetivo é alcançar a justiça.</p><p>Nas antigas sociedades na hora de apresentar um conflito para ser resolvido, elementos morais</p><p>eram utilizados no raciocínio e para argumentação jurídica para garantir a solução do conflito.</p><p>Essas soluções morais foram transformadas em normas jurídicas, os fundamentos morais foram</p><p>sendo adotados com caráter obrigatório para todos os habitantes da sociedade dando espaço</p><p>para o Direito como tal.</p><p>Nesses sistemas primitivos as normas jurídicas começaram a ser aplicadas, diante das lacunas</p><p>legais e da falta de analogia devido à escassa existência de normas aplicáveis, o juiz pôde</p><p>recorrer às suas convicções morais para dar uma solução ao conflito proposto.</p><p>Hoje em dia, o argumento moral ajuda o Direito apenas como uma inspiração para a criação de</p><p>normas legais, os princípios morais não poderiam ser aplicados a um tema eminentemente</p><p>jurídico, porque estaria em violação e contradição com o amplo leque de normas jurídicas e</p><p>fontes que o Direito contém hoje para a resolução judicial.</p><p>0 caso de inspiração moral do Direito, por ter um dos objetivos a justiça, só se torna jurídico</p><p>quando é exteriorizado e refletido pela aplicação da lei. A moral só pode servir se inspiração ao</p><p>Direito e, para ver-se refletida, deve ser apresentado através deste último.</p><p>4.10. A ARGUMENTAÇÃO E A DOGMÁTICA JURÍDICA</p><p>A dogmática jurídica é a disciplina do Direito que contém fundamentos da ciência do Direito cujo</p><p>principal objetivo é auxiliar a teoria através do desenvolvimento de conceitos, princípios,</p><p>valores</p><p>para conhecer o Direito, agrupa o conjunto de conceitos fundamentais que compõem o direito</p><p>como ciência</p><p>A integração da dogmática jurídica permanece em atividade constante, ocorre quando os</p><p>juristas aplicam as normas jurídicas a casos específicos, através de resoluções ou nos relatórios,</p><p>opiniões.</p><p>80</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>UNiVER5FIARIP IBEROAMEHCANA</p><p>Nessa ação dos juristas, vai-se criando uma série de fundamentos que ajudam o Direito</p><p>presente e futuro para o discernimento, conceituação, estudo dos elementos do Direito que</p><p>permitem sua aplicação.</p><p>4.10.1 . FUNÇÕES DA DOGMÁTICA JURÍDICA</p><p>A argumentação jurídica dogmática enquadra a atuação do jurista, na qual ele fornece ao Direito</p><p>conceitos, estudos, componentes emanados da aplicação e estudo das normas jurídicas, ou a</p><p>análise de princípios jurídicos. Assim, a Dogmática Jurídica cumpre uma série de funções para o</p><p>Direito:</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>• Função Sistematizadora: implica a purificação das normas jurídica que contradizem os</p><p>princípios fundamentais do sistema jurídico, ou o esforço de que essas normas que</p><p>parecem contraditórias não sejam, assegurando a interpretação adequada. Defendendo o</p><p>sistema, a dogmática jurídica também tem como atividade a integração no ordenamento</p><p>jurídico através da construção e aperfeiçoamento dos mecanismos que existem, para não</p><p>permitir que falhas existam no sistema e não deixar qualquer problema sem resolução.</p><p>Por exemplo, não ser estipulado nas regras (as lacunas legais, por exemplo) ou resolver a</p><p>contradição que possa existir entre normas da mesma categoria.</p><p>• Função Estrutural: afirma-se que a dogmática jurídica contribui para a estruturação do</p><p>Direito pela sistematização normativa e pela criação de instituições, conceitos e princípios</p><p>que emanam das normas jurídicas vigentes, auxiliando na argumentação jurídica para</p><p>utilizar as estruturas explicativas que fornece.</p><p>• Função de Estabilidade e Consolidação: ao categorizar o Direito através de princípios,</p><p>instituições e conceitos relacionados como um sistema, cria-se uma estrutura com maior</p><p>resistência a derrogações e modificações normativas, pois é a estabilidade e consolidação</p><p>proporcionada pela dogmática jurídica ao Direito.</p><p>• Função de Conexão: a dogmática jurídica conecta o principio de justiça com as leis que</p><p>compõem o Direito, é o conector direto entre os dois. A justiça em sua abstração é</p><p>composta de outra série de princípios, como liberdade e igualdade, por si só não pode ser</p><p>aplicada a casos específicos. O dogmático dá a possibilidade de conectar esses princípios</p><p>emanados do campo da moral, com as normas jurídicas, fornecendo conceitos ou</p><p>elementos específicos aplicados a casos reais que permitam sua reflexão nas normas</p><p>jurídica.</p><p>81</p><p>Função sistematizadora</p><p>:unção estrutural</p><p>Função de estabilidade e consolidação</p><p>Função de conexão</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA FUNIBER</p><p>• FUNEMV4T) UNIVEFij1114111A taEFIOARICANA</p><p>Figura 4.4. Funções da dogmática jurídica.</p><p>No caso da dogmático jurídica e da abordagem do problema, geralmente o jurista não está</p><p>diante de um problema concreto da vida real, mas sim de uma situação teórica que tenta</p><p>estudar e analisar, para que, através da argumentação jurídica e esse processo que foi visto</p><p>neste capitulo, pode-se chegar a uma conclusão. A intenção também é geralmente a construção</p><p>de uma categoria jurídica.</p><p>A partir desta disciplina do Direito, são construídas três classes de categorias jurídicas básicas:</p><p>I. As instituições: são construções dogmáticas que agem sobre uma realidade na</p><p>sociedade existente, que já se repetiu várias vezes no tempo, que emanam de alterações</p><p>ou conflitos que ocorrem várias vezes na sociedade e é por isso que o Direito as</p><p>regulamenta. Assim, temos como exemplos: a propriedade, o casamento, o testamento,</p><p>são situações que ocorrem o tempo todo no desenvolvimento da atividade humana,</p><p>independentemente do tempo: morte, pertença, construção de uma família, etc.</p><p>2. Os conceitos: a partir do estudo das ideias obtidas a partir de normas jurídicas, os</p><p>conceitos relacionados são extraídos, a dogmática jurídica é responsável por criar as</p><p>definições para esclarecer os conceitos e ideias do Direito.</p><p>3. Os princípios: são os fundamentos que dão solidez ao Direito e a cada sistema legal de</p><p>cada nação e ao sistema legal internacional, servem de guia para indicar cada norma,</p><p>instituição ou pressuposto jurídico para onde se deve direcionar sua posição para não</p><p>contradizer o ordenamento jurídico.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Na medida em que a dogmática jurídica cumpre suas funções para o Direito e com criação de</p><p>critérios, o Direito beneficia-se de mais maneiras para seu propósito final: obter justiça.</p><p>0 Direito não pode ser separado do seu objetivo, que consiste em resolver casos concretos da</p><p>vida real, e a dogmática jurídica, apesar de basear-se em estudos teóricos, deve ajudar o Direito</p><p>a aplicar normas jurídicas a casos especificos.</p><p>82</p><p>FUNIBER A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>FijNi7..A00 UNIVERSiTARIA (SEROAMEMC,A</p><p>Na heuristica argumental dogmática, observa-se como a dogmática jurídica desvenda e investiga</p><p>em profundidade as normas jurídicas. Estes estudos com seus resultados servem ao Direito para</p><p>resolver casos práticos e servem como argumentos para a construção dogmática.</p><p>A dogmática opera com o que existe no ordenamento jurídico, com o que está em vigor, para</p><p>desmembrá-lo, estudá-lo e acabar por conferir maior força para seu uso.</p><p>A principal contribuição da dogmática jurídica para o Direito é a solução que apresenta para o</p><p>aperfeiçoamento do mesmo, com as lacunas legais, facilitando a criação e aplicação da</p><p>analogia, ao mesmo tempo em que cria conceitos, instituições e extrai os princípios das normas,</p><p>o que gera respostas para a solução de diferentes controvérsias.</p><p>83</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA FUNIBER</p><p>'2'13 	 g=-Pn?.11 	FuNom,-,tio umvuisytÁRIA BE ROAM EFI CANA</p><p>84</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER</p><p>FUNQAÇÃO UNVE 1ARfIFIEROAM,aflICANA</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>V7A414,1111111LIIIZ-L-“'</p><p>esumo</p><p>85</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>R</p><p>U</p><p>M</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>86</p><p>.7T=</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃOUNIVERSITÁRIAISEFTOAMERICANA</p><p>A ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>'FUNIBER</p><p>FuNot,(3,0 UNIVE961TARIA te,P,OANTRiCANA</p><p>Bibliografia</p><p>Referencias bibliográficas</p><p>[1] 	Alvarez Undurraga, Gabriel; Metodologia de la Investigación Jurídica: Hacia una nueva</p><p>perspectiva, Universidad Central de Chile, Facultad de Ciencias Jurídicas y Sociales,</p><p>2002.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>[2] Borda, Guillermo; Tratado de Derecho Civil- Parte General Tomo I. Editorial Abeledo-</p><p>Perrot. Buenos Aires, Argentina. 1999.</p><p>[3] Buenaga Caballos, Oscar, Introducción a la Argumentación Jurídica, Editorial Tecnos</p><p>Grupo Anaya S.A., Madri, Espanha, 2016.</p><p>[4] CabanaIlas de Torres, Guillermo, Diccionario Jurídico Elemental, Editorial Heliasta,</p><p>Argentina, la ed. 1979, 15a ed. 2001.</p><p>[5] Cabanellas, Guillermo; Diccionario Enciclopédico de Derecho Usual, Editorial Heliasta,</p><p>Buenos Aires, Argentina. 2001.</p><p>[6] Diccionario Jurídico Espasa Calpe, Fundación Tomas Moro, Madri, Espanha, 2005.</p><p>[7] Fix-Zamudio, Héctor; Metodologia, Docencia e Investigación Jurídicas, Universidad</p><p>Nacional Autónoma de México, Instituto de Investigaciones Jurídicas, Editorial Porrúa,</p><p>1996.</p><p>[8] Garcia Máynez, Eduardo, Introducción al estudio del Derecho, Editorial Porrúa, Cidade</p><p>do México, México. 2002.</p><p>[9] Ghersi, Carlos Alberto y Sebastian R. Ghersi; Metodologia de la investigación en</p><p>ciencias jurídicas, Editorial Gowa Ediciones</p><p>Profesionales, Buenos Aires, Argentina,</p><p>2007.</p><p>[10] Gonzalo Quiroga, Marta; Barrado, Castor Miguel Diaz; Saenz López, Karla Annett</p><p>Cynthia; Gorján Gómez, Francisco Javier, Metodologia para investigaciones de alto</p><p>impacto en ias ciencias sociales yjuridicas, Editorial Dykinson, Madri, 2013.</p><p>[11] Herrera, Enrique; Practica Metodológica de la Investigación Jurídica, Editorial Astrea,</p><p>Buenos Aires, Argentina 2002.</p><p>[12] Osorio Manuel, Diccionario de Ciencias Politicas, Jurídicas y Sociales, Editorial</p><p>Heliasta, Buenos Aires, Argentina, 2008.</p><p>87</p><p>FUNIBER</p><p>.FUNDAÇÃO UNIVERSITAFHA IKEROAM5FiCANA 1' 	 - Z-r :AlarcEEIM.</p><p>[13] Salas, Minor. Debate sobre la utilidad de la metodologia jurídica: Una reconstrucción</p><p>critica de Ias actua/es corrientes, metodológicas en la teoria del derecho. Revista</p><p>Telemética de Filosofia del Derecho 12, 2009.</p><p>[14] Sierra Bravo, Restituto, Técnicas de Investigación Social, Editorial Paraninfo, Madri,</p><p>Espafia, 1994.</p><p>[15] Vigo, Rodolfo L.; Interpretación Jurídica, Rubinzal-Culzoni Editores, Buenos Aires,</p><p>Argentina, 2006.</p><p>[16] Villasefior Rodriguez Isabel y Juan Antonio Gómez Garcia; Investigación y</p><p>Documenta ción Jurídicas, Editorial Dykinson, S.L., Madri, Espanha 2013.</p><p>[17] Witker, Jorge y R. Larios. Metodologia Jurídica. Editorial Mc Graw Hill. México, 1997.</p><p>Referencias electrónicas</p><p>[1] Carbonell, Miguel; Estudios sobre la interpretaci6n jurídica.</p><p>https://archivos.juridicas.unam.mx/www/bjv/libros/4/1651/3.pdf</p><p>[2] Diccionario de la Real Academia Espariola. http://www.rae.es</p><p>[3] Ministerio de la Presidencia y Para Ias Administraciones Estatales, Agencia Estatal</p><p>Boletín Oficial del Estado, http://www.boe.es</p><p>Referencias legales</p><p>[1] Código Civil da Espanha.</p><p>[2] Código Civil do Peru.</p><p>[3] Código Civil do Uruguai.</p><p>[4] Código Civil Francês.</p><p>[5] Código Processual Civil e Comercial da Nação, Lei 17.454 Buenos Aires, Argentina, 18</p><p>agosto 1981.</p><p>[6] Código Processual Civil e Comercial da Guatemala, Decreto Lei 107, 14 de setembro</p><p>de 1963.</p><p>[7] Lei do Organismo Judicial Decreto 2-89 da Guatemala.</p><p>[8] Unicef Comitê Espanhol, Convenção sobre os direitos da criança, Imprenta Nuevo</p><p>Siglo, Madri, Espanha, junho 2006.</p><p>88</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Impreso en Esparia</p><p>« No está permitida la reproduce& total o parcial de este libro, ni su tratamiento</p><p>informático, ni la transmisión de ninguna forma o por cualquier medio, ya sea</p><p>electrónico, mecdnico, por registro u otros métodos, sin permiso previo y por</p><p>escrito de los titulares».</p><p>Impresso em Espanha</p><p>« Não está permitida a reprodução total ou parcial deste livro, nem seu tratamento</p><p>informático, nem a transmissão de nenhuma forma ou por qualquer meio, seja</p><p>eletrônico, mecânico, por registro ou outros métodos, sem permissão prévia e por</p><p>escrito dos titulares ».</p><p>Printed in Spain</p><p>« It is forbidden the total or partial reproduction of this book, including computer</p><p>processing and reproduction in any form or by any means, electronic, mechanical,</p><p>recording, or otherwise, without the prior and written consent of its holders ».</p><p>Imprimé en Espagne</p><p>« La reproduction totale ou partielle de ce manuel, son traitement informatique, sa</p><p>transmission sous n'importe quelle forme ou moyen de communication que ce</p><p>soit - électronique, mécanique, par enregistrement ou autres m6thodes-, sont</p><p>interdits sauf autorisation préalable et écrite de ses titulaires ».</p><p>ISBN: 978-84-9079-437-1</p><p>Page 1</p><p>Page 2</p><p>Page 3</p><p>Page 4</p><p>Page 5</p><p>Page 6</p><p>Page 7</p><p>Page 8</p><p>Page 9</p><p>Page 10</p><p>Page 11</p><p>Page 12</p><p>Page 13</p><p>Page 14</p><p>Page 15</p><p>Page 16</p><p>Page 17</p><p>Page 18</p><p>Page 19</p><p>Page 20</p><p>Page 21</p><p>Page 22</p><p>Page 23</p><p>Page 24</p><p>Page 25</p><p>Page 26</p><p>Page 27</p><p>Page 28</p><p>Page 29</p><p>Page 30</p><p>Page 31</p><p>Page 32</p><p>Page 33</p><p>Page 34</p><p>Page 35</p><p>Page 36</p><p>Page 37</p><p>Page 38</p><p>Page 39</p><p>Page 40</p><p>Page 41</p><p>Page 42</p><p>Page 43</p><p>Page 44</p><p>Page 45</p><p>Page 46</p><p>Page 47</p><p>Page 48</p><p>Page 49</p><p>Page 50</p><p>Page 51</p><p>Page 52</p><p>Page 53</p><p>Page 54</p><p>Page 55</p><p>Page 56</p><p>Page 57</p><p>Page 58</p><p>Page 59</p><p>Page 60</p><p>Page 61</p><p>Page 62</p><p>Page 63</p><p>Page 64</p><p>Page 65</p><p>Page 66</p><p>Page 67</p><p>Page 68</p><p>Page 69</p><p>Page 70</p><p>Page 71</p><p>Page 72</p><p>Page 73</p><p>Page 74</p><p>Page 75</p><p>Page 76</p><p>Page 77</p><p>Page 78</p><p>Page 79</p><p>Page 80</p><p>Page 81</p><p>Page 82</p><p>Page 83</p><p>Page 84</p><p>Page 85</p><p>Page 86</p><p>Page 87</p><p>Page 88</p><p>Page 89</p><p>Page 90</p><p>Page 91</p><p>Page 92</p><p>Page 93</p><p>Page 94</p><p>Page 95</p><p>Page 96</p><p>pesquisa-se para saber algo que não é conhecido, para o qual devem ser</p><p>determinados a questão, o problema, as perguntas que aparecem, bem como o ponto de partida</p><p>de todo o trabalho deste tipo."4</p><p>Na pesquisa ou investigação, aplicando um método, é possível afirmar que a ciência existe</p><p>quando se apresentam conclusões válidas para que façam parte da doutrina. 0 estudo deve ser</p><p>enquadrado na ciência e, para isso, uma ciência deve ter as características de ser um</p><p>conhecimento racional, ordenado e verificável por outros.</p><p>O método é o conjunto de procedimentos aos quais o pesquisador se ajusta para descobrir os</p><p>aspectos fundamentais de um assunto que ele não conhece. "0 método é o caminho que deve</p><p>ser seguido para o conhecimento cientifico."5 Ao contrário do método, a metodologia é a</p><p>disciplina que estuda os métodos, sua aplicação e operação em cada uma das áreas das</p><p>diferentes ciências.</p><p>O mesmo método não pode ser usado para ciências experimentais, como a Física, e para as</p><p>ciências sociais, como o Direito ou a Política. As conclusões da física enquanto ciência são</p><p>verificáveis e perpétuas em todos os sentidos, no mundo, no tempo, porque se referem a</p><p>números.</p><p>Embora as verificações das conclusões obtidas na pesquisa em ciências sociais estejam</p><p>mudando e não sejam verificáveis em todo o mundo, elas dependerão do grupo social em que a</p><p>pesquisa está sendo realizada, dos valores e propósitos que esse grupo social pretende ou da</p><p>passagem e mudança do tempo.</p><p>As conclusões das ciências sociais, por mais exaustivas que sejam as demonstrações, carecem</p><p>de absoluta certeza, mantêm um valor provisório, enquanto outras pesquisas não chegam a</p><p>contradizê-las.</p><p>O método de conhecimento das ciências naturais 6 a experimentação, por isso também se</p><p>chamam ciências empíricas ou ciências experimentais, no entanto, corresponde ao pesquisador</p><p>determinar quais procedimentos utilizar para obter os resultados desejados. Não é o caso das</p><p>ciências sociais como o Direito, que não são necessariamente experimentais, porque tratam de</p><p>aspectos sociais.</p><p>4. Herrera, Enrique; Practica Metodológica de la Investigación Jurídica, Editorial Astrea, Buenos Aires, Argentina</p><p>2002. P.1.</p><p>5. Villaserior Rodriguez Isabel y Juan Antoni Górnez Garcia; Investigación y Documented& Jurídicas, Editorial</p><p>Dykinson, S.L., Madri, Espanha 2013. R25.</p><p>8</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>. FUNDAÇÃO UNIVERSitiOA iBEROANIER. ICANA</p><p>Dentro das chamadas ciências sociais, todas as ciências responsáveis pelos fatos criados pelo</p><p>ser humano são classificadas em virtude do agir em sociedade, como produto da cultura, isto 6,</p><p>da linguagem, dos costumes, da religião, da moral.</p><p>Nesse caso, o método de conhecimento carrega um fardo de subjetividade, vinculando os</p><p>resultados a serem relativos e temporários, pois são apenas o reflexo de uma posição</p><p>diretamente relacionada ao pesquisador e suas condições presentes e seu tempo.</p><p>Assim, a metodologia define as formas de fazer pesquisa, integradas pela elaboração,</p><p>adaptação e gestão de material cientifico para obter, conferir e ordenar os dados. As ciências em</p><p>geral são identificadas com seu método de obter conhecimento, mas não podem renunciar às</p><p>técnicas para atingir seus objetivos.</p><p>Em resumo, a metodologia refere-se a métodos de pesquisa existentes para as ciência, aos</p><p>conhecimento dos procedimentos e técnicas necessários para pesquisar uma área cientifica,</p><p>que sistematiza métodos e técnicas existentes.</p><p>C</p><p>) T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>A metodologia tem uma função construtiva para descobrir os fundamentos da ciência, seus</p><p>conceitos, instituições, princípios e tudo o que isso implica. A metodologia jurídica é "a disciplina</p><p>que lida com o estudo dos instrumentos técnicos necessários para conhecer, desenvolver,</p><p>aplicar e ensinar aquele objeto de conhecimento que chamamos de lei".6</p><p>Para o jurista Witker7, o método legal se aplica:</p><p>• na criação do direito através do processo de criação das normas jurídicas, isto 6, o</p><p>processo legislativo;</p><p>• ao interpretar a aplicação do Direito, seja usando o método sociológico exegético,</p><p>sistemático ou histórico;</p><p>• no ensino do Direito, através das técnicas de aprendizagem e ensino aplicados;</p><p>• na pesquisa jurídica;</p><p>Na área da metodologia jurídica, duas abordagens para o uso de métodos de pesquisa jurídicas</p><p>são reconhecidas8:</p><p>1. Metodologia Judicial: focada em casos práticos da vida real utilizados por advogados,</p><p>juizes e magistrados no exercício da profissão para apresentar soluções.</p><p>6. Fix-Zamudio, Héctor; Metodologia, Docencia e Investigación Jurídicas, Universidad Nacional Autónoma de</p><p>México Instituto de lnvestigaciones Jurídicas, Editorial Porrúa, 1996.</p><p>7. Witker, Jorge e R. Larios. Metodologia Jurídica. Editorial Mc Graw Hill. México, 1997. P. 178.</p><p>8. Salas, Minor. Debate sobre la utilidad de la metodologia jurídica: Una reconstrucción critica de Ias actuales</p><p>corrientes metodológicas en la teoria del derecho. Revista Telemática de Filosofia del Derecho 12, 2009. P.</p><p>205.</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>ZUNOAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>2. Metodologia Dogmático-acadêmica: trata dos fatos que os juristas pesquisadores</p><p>pretendem analisar e estudar para que, em um sentido acadêmico, criem-se novas</p><p>teorias e conceitos, com o objetivo posterior de se tornar uma doutrina.</p><p>O Fix-Zamundio9 divide os métodos jurídicos ou metodologias em vários setores, da seguinte</p><p>maneira:</p><p>• Metodologia da elaboração do direito: refere-se à forma ou método de funcionamento</p><p>adequado e preciso dos criadores do jurídico, tais como as leis ou normas jurídicas, os</p><p>precedentes judiciais ditados pelos juizes ou pelas mesmas partes em caráter de direito</p><p>privado através da criação de contratos. A forma de criação do Direito em uma sociedade</p><p>abrange inclusive o que é considerado fonte jurídica doutrinária, a partir dos estudos e</p><p>opiniões de juristas e comentadores que explicam o significado das leis ou fornecem</p><p>soluções como sugestões para aquelas questões ainda não legisladas. 0 uso de uma</p><p>metodologia para a elaboração e criação do Direito é inevitável, isto evita que existam</p><p>disposições escuras, contraditórias ou sem sentido, quem legisle ou que aplique uma</p><p>norma deverá ser quem busca um método para fazê-lo.</p><p>• Metodologia no conhecimento do Direito: 6 através da experiência e do evento dos</p><p>fenômenos jurídicos que o Direito é conhecido, mas, ao mesmo tempo, a doutrina é</p><p>importante para se chegar ao conhecimento do Direito. Para obter os dados da</p><p>experiência jurídica, o pesquisador deve confiar na doutrina e, assim, apresentar uma</p><p>coleção de dados ordenados do resultado da pesquisa.</p><p>• Metodologia da aplicação do Direito: é denominada Hermenêutica Jurídica, que se refere</p><p>ao método cientifico aplicado na interpretação das normas jurídicas e na sua aplicação a</p><p>casos específicos.</p><p>• Metodologia no ensino e aprendizagem do Direito: está ligada ao exercício do Direito na</p><p>área da criação de novos juristas, refere-se ao ensino e ao método que se aplica. Há</p><p>discussões a respeito de se a aprendizagem do estudante deve ser obtida através de</p><p>teoria ou da prática, ou se o ensino deve misturar um pouco de ambos os métodos.</p><p>A metodologia jurídica tem o objetivo de examinar as técnicas mais convenientes para a criação,</p><p>pesquisa, aprendizagem e aplicação do Direito, seja para fins acadêmicos, seja para fins de</p><p>aplicação prática na vida real.</p><p>9. Fix-Zamudio, Héctor; Metodologia, Docencia e Investigación Jurídicas, Universidad Nacional Autónoma de</p><p>México Instituto de Investigaciones Jurídicas, Editorial Porrúa, 1996. P. 387.</p><p>10</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>FUNDAÇÃO UNiVERWARIA IBEROAMEDICANA</p><p>1.3.1. CARACTERÍSTICAS DO MÉTODO CIENTÍFICO</p><p>0 método cientifico está</p><p>diretamente relacionado ao processo de conhecimento teórico do ser</p><p>humano na ciência. Em geral caracteriza-se por ser:</p><p>• Claro.</p><p>• Preciso.</p><p>• Ordenado.</p><p>• Sistemático.</p><p>Para aprofundar-se nas características, também é possível dizer que o método cientifico para</p><p>ciências naturais ou ciências sociais é o mesmo, o que varia entre os dois é a possibilidade de</p><p>verificar os resultados. As características especificas do método cientifico são:</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>• Sem aleatoriedade: o método cientifico geralmente não depende do acaso ou da boa</p><p>sorte, é algo que o pesquisador determina ou propõe conhecer. Em algumas ocasiões,</p><p>houve, na historia da humanidade, conhecimentos que foram adquiridos por acaso ou</p><p>acidente. Isso aconteceu em 1895, quando Wilhelm Röntgen experimentava com tubos de</p><p>raios catódicos, enquanto colocava artefatos na frente dos raios, observava como os</p><p>ossos de sua mão eram projetados na parede. Descobria-se, assim, os raios X.</p><p>• Pluralismo Metódico: esta característica se refere a que, sob diferentes métodos, o</p><p>mesmo resultado pode ser alcançado, ou seja, diferentes métodos podem ser aplicados e</p><p>chegar-se à mesma conclusão.</p><p>• Falibilidade: constantemente o método que é aplicado encontra-se submetido a</p><p>reconsideração, a criticas permanentes, e, no decorrer do tempo, é muito provável que</p><p>modificações nas conclusões surjam como resultado de novas descobertas ou técnicas, o</p><p>método se autocorrige.</p><p>• Objetividade: independentemente das crenças religiosas ou aspectos do pesquisador, as</p><p>conclusões a que se chega devem focar a pesquisa e o conhecimento, sendo objetivas e</p><p>alheias à sua opinião e condição. Essa característica do método adquire maior significado</p><p>no campo das ciências naturais, já que, nas ciências sociais, como o direito, na pesquisa e</p><p>na aplicação do método cientifico, o aspecto sociocultural do pesquisador será de grande</p><p>influência. Com base nessas ideias, o pesquisador das ciências sociais está influenciando</p><p>sua pesquisa, por isso nunca deixa de ser subjetiva.</p><p>• Ordenado: o método cientifico direciona o caminho de um estágio para o outro seguindo</p><p>as diretrizes de um sistema ordenado que permite chegar a conclusões.</p><p>• Analítico: cada fase ou estágio do método cientifico está sujeito à avaliação rigorosa do</p><p>pesquisador, uma análise é aplicada para validar a pesquisa.</p><p>11</p><p>FUNIBER</p><p>. FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA iSEPDAt4ERICANA</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>0 método cientifico, como um conjunto de procedimentos para explicar um evento, tem essas</p><p>características mencionadas acima, e, dependendo do campo de estudo em que é aplicado,</p><p>incluirá mais características em relação à ciência que o opera. No caso do Direito, mencionamos</p><p>os métodos da pesquisa jurídica.</p><p>1.3.2. MÉTODOS DA PESQUISA JURÍDICA</p><p>0 conhecimento do Direito e sua aplicação requerem o uso de métodos racionais para alcançar</p><p>o conhecimento. A razão para usar métodos, além da busca por verdade e conhecimento, é que</p><p>a verdade encontrada seja reprodutível, possível de se comunicar, acessível e replicável para o</p><p>alcance de mais pessoas. No curso da história, vários métodos foram desenvolvidos para a</p><p>pesquisa jurídica, os mais importantes para o seu uso constante no estudo das ciências jurídicas</p><p>são os seguintes:</p><p>• Método exegético: no século XIX, na Franga, os juristas de maior prestigio do Direito Civil</p><p>constituíam o que se denomina Escola da Exegese. Essa Escola surgiu como resultado da</p><p>codificação das normas. Tomando como principio que, para o conhecimento do direito, a</p><p>primeira coisa são as leis escritas, das quais se deve partir no estudo das mesmas</p><p>analisando seu texto, se houver alguma dúvida recorre-se à busca pela vontade do</p><p>legislador. 0 método exegético é "aquele utilizado como procedimento de exposição,</p><p>ensino, construção cientifica ou aplicação prática ao estudo de textos positivos, cuja</p><p>interpretação e sistematização busca".10 No método exegético a tarefa do intérprete é</p><p>decifrar o que o legislador pretendia traduzir na norma, a norma é considerada como algo</p><p>imutável, perfeito que já está criada e que deveria ser apenas objeto de estudo.</p><p>• Método dogmático: também conhecido como positivismo lógico, seu principal defensor é</p><p>Hans Kelsen. Conhecido como dogmática jurídica, o método é desenvolvido sobre o direito</p><p>positivo. De acordo com esse método, o Direito deve ser interpretado de acordo com o</p><p>sistema ao qual pertence, uma vez que é conformado por uma ou várias normas</p><p>conectadas que formam um sistema. A dogmática procura localizar os princípios</p><p>fundamentais que alimentam o padrão positivo que foi sancionado pela autoridade</p><p>competente. A dogmática visa agrupar e unificar as disposições legais sobre um principio</p><p>COMUM.</p><p>• Método Histórico-sociológico: baseia-se na consideração de que o Direito é um produto</p><p>social, que vem da história. Segundo este método, o conhecimento do Direito é obtido</p><p>após a comparação entre o direito anterior que forma um sistema fechado e as novas</p><p>normas, a fim de determinar a ação da lei que produziu a mudança que a sociedade exige</p><p>e o legislador formaliza. Os eventos históricos mostram que cada sociedade tem, à sua</p><p>maneira e adequadas à sua realidade, leis que funcionam para a sua cultura, refletindo o</p><p>espirito das pessoas, vindas dos costumes e crenças até se tornarem normas.</p><p>10.Cabanellas de Torres, Guillermo, Diccionario Jurídico Elemental, Editorial Heliasta, Argentina, la. ed. 1979, 15a</p><p>ed. 2001. P. 255.</p><p>12</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>T</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>F11NDAÇA0 LtNiVERSITAPiA IBEROAMERICANA</p><p>• Método sistemático: é a maneira de pesquisar que recorre à interpretação do Direito para</p><p>tipificar a instituição jurídica relacionada à norma que é analisada e para determinar o</p><p>alcance desta norma relacionando-a à mesma instituição.</p><p>Os diferentes métodos dependerão do objeto de estudo escolhido pelo pesquisador e da relação</p><p>entre teoria e prática ou a intenção de realizar a pesquisa.</p><p>1.3.3. TÉCNICA JURÍDICA</p><p>A ciência jurídica precisa recorrer, como outras ciências, a certas ferramentas para obter</p><p>conhecimento, pois é auxiliada pela técnica, que, como a metodologia, tem dois aspectos: o</p><p>teórico e o aplicável à realidade. 0 método é o caminho escolhido pelo pesquisador para obter o</p><p>conhecimento de que precisa, enquanto a técnica é a ferramenta ou instrumento para cumprir o</p><p>propósito do conhecimento.</p><p>Segundo Enrique Herrerall, dependendo do objetivo almejado pelo pesquisador na gestão de</p><p>fontes jurídicas, destacam-se:</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S • Técnica legislativa: como ferramenta para a criação de leis e textos normativos,</p><p>geralmente utilizados pelo legislador ou criador da norma.</p><p>• Técnica jurisdicional: que trata da aplicação do direito a casos específicos para resolvê-los,</p><p>instrumento utilizado por juizes e magistrados na resolução de questões litigiosas</p><p>levantadas perante os órgãos jurisdicionais de cada ordenamento jurídico.</p><p>• Técnica forense: que o advogado aplica na defesa dos interesses de seu cliente perante</p><p>organismos, no momento do desenvolvimento do processo em que se encontra, o que</p><p>implica o manejo da argumentação jurídica.</p><p>• Técnica cientifica: cuja finalidade como instrumento de metodologia jurídica não é</p><p>imediata, mas visa estudar e coletar dados para a melhoria do Direito em qualquer de</p><p>suas áreas.</p><p>Na prática cotidiana, autores como Garcia Máynez também definem que a técnica jurídica é</p><p>aquela que busca a aplicação do direito positivo vigente em casos especificos12.</p><p>0 conhecimento como um processo necessita da metodologia para desvendar uma realidade</p><p>fenomenológica que ocorreu ou está prestes a acontecer, esta metodologia é auxiliada por</p><p>métodos existentes que usam as diferentes técnicas que foram criadas ao mesmo tempo.</p><p>11. Herrera, Enrique; Practica Metodológica de la Investigación</p><p>Jurídica, Editorial Astrea, Buenos Aires, Argentina</p><p>2002. P.14.</p><p>12.García Maynez, Eduardo, Introducción al estudio del Derecho, Editorial Porrúa, cidade do México, México.</p><p>2002. P. 139.</p><p>13</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERStTARtà IDEROAMEDCANA</p><p>Metodologia Jurídica</p><p>O estudo da correta aplicação do diferentes métodos para</p><p>determinar qual é o mais adequados para cada caso.</p><p>Técnica</p><p>O instrumento ou ferramenta utilizada</p><p>para obter conhecimento.</p><p>Método</p><p>A forma escolhida para alcançar o</p><p>conhecimento pretendido.</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>Figura 1.1. Metodologia jurídica.</p><p>1.3.4. CONHECER 0 MÉTODO CIENTÍFICO JURÍDICO</p><p>A comunidade cientifica há vários anos concordou quanto às etapas envolvidas na aplicação do</p><p>método cientifico, em geral elas são:</p><p>• Levantamento da pergunta.</p><p>• Observação.</p><p>• Formulação de hipóteses.</p><p>• Experimentação.</p><p>• Análise de dados.</p><p>• Aceitação ou exclusão da hipótese.</p><p>No campo jurídico, uma vez que a experimentação não existe como tal, por causa dos pontos</p><p>que mencionamos e devido à particularidade das ciências sociais, como o Direito, os</p><p>procedimentos metodológicos variam. Nesse caso, listam-se os propostos por Villasefior</p><p>Rodriguez e Gómez Garcia13, estipulando que os procedimentos metodológicos são os</p><p>seguintes:</p><p>13.Villaseiior Rodriguez Isabel y Juan Antoni Gómez Garcia; Investigación y Documentación Jurídicas, Editorial</p><p>Dykinson, S.L., Madri, Espanha 2013. P. 25.</p><p>14</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÂO 	 IBETiOAMEFICA</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>T</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>• Formulação ou declaração de perguntas formuladas em relação ao objeto da pesquisa.</p><p>• Proposta de conjecturas bem fundamentadas que contrastam com a experiência de</p><p>pesquisa em torno do objeto considerado para resolver as perguntas.</p><p>• Derivação das consequências lógicas das conjecturas iniciais.</p><p>• Aplicação de técnicas para comparar as conjecturas.</p><p>• Comparação e interpretação dos resultados obtidos pelos procedimentos anteriores.</p><p>• Avaliação da utilidade e da pretensão de veracidade das conjecturas e das técnicas</p><p>utilizadas.</p><p>• Determinação das áreas em que as conjecturas e as técnicas utilizadas são</p><p>cientificamente válidas.</p><p>• Formulação dos novos problemas que se originam da pesquisa realizada.</p><p>1.3.5. ASPECTOS RELEVANTES DAS ETAPAS DO MÉTODO CIENTÍFICO JURÍDICO</p><p>Existem diferentes técnicas como ferramentas para a aplicação do método cientifico jurídico,</p><p>algumas delas estão imersas no método de observação. A observação como ação humana,</p><p>como o fato de estarmos olhando com atenção e analisando o que se olha, é a técnica mais</p><p>antiga para adquirir conhecimento.</p><p>As técnicas de observação consistem no fato de que o pesquisador testemunha diretamente o</p><p>fenômeno em estudo. No campo da ciência do Direito, como em outras ciências sociais, faz-se</p><p>referência a uma observação qualitativa. A observação qualitativa é geralmente mais subjetiva,</p><p>e, como já se mencionou a natureza subjetiva da ciência do direito, é usado esse tipo de</p><p>observação que depende da coleta de informações.</p><p>É comum que a observação qualitativa seja considerada como um método e que técnicas como</p><p>entrevistas e enquetes sejam usadas nela. Os juristas dependem da observação qualitativa,</p><p>tendo em vista que muitos dos elementos observados no estudo de um fenômeno legal não são</p><p>mensuráveis de outra maneira.</p><p>Ao formular os enunciados ou perguntas sobre o objeto de pesquisa, o pesquisador deve</p><p>enfrentar um processo de observação, para esta situação podem ser diferenciadas duas formas</p><p>de observação:</p><p>• Observação exógena: a relação entre o pesquisador e o objeto de estudo é estranha, uma</p><p>vez que o observador não participou ou teve contato direto com o objeto ou matéria do</p><p>estudo.</p><p>• Observação endógena: ocorre quando uma pesquisa anterior foi deixada inacabada ou</p><p>requer pesquisa adicional sobre o tema em estudo. Refere-se à continuação feita pelo</p><p>pesquisador sobre algo que foi previamente estudado.</p><p>15</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>*AO' 	'45,1.66Scis,..' FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UN1VER5:F4Fili IDEROAMEq CANA</p><p>Continuando com os procedimentos do método cientifico, no que se refere à formulação da</p><p>hipótese, é necessário especificar mais aspectos sobre ela. A hipótese é em si uma suposição,</p><p>uma afirmação teórica não verificada, mas muito provável. De acordo com o Dicionário da Real</p><p>Academia Espanhola, a hipótese é a "suposição de algo possível ou impossível para extrair uma</p><p>consequência disso".14</p><p>No campo das ciências naturais ou experimentais, a observação e a hipótese lidam com</p><p>elementos, objetos, fenômenos naturals, etc. No caso das ciências sociais, como o Direito, as</p><p>unidades de observação são pessoas, sociedades, diferentes grupos sociais, fenômenos sociais</p><p>em termos de comportamento humano ou a aplicação de leis.</p><p>As hipóteses devem ser caracterizadas pelo seguinte16:</p><p>• Por serem conceitualmente claras e facilmente compreensíveis, não devem conter termos</p><p>elaborados ou ser excessivamente técnicos, a hipótese deve ser compreensível para o</p><p>maior número de pessoas.</p><p>• Os termos usados devem poder ser observados empiricamente.</p><p>• Deve ser suscetível à verificação e ser formulada em termos empíricos, ou seja, implica a</p><p>possibilidade de verificação da hipótese.</p><p>• Deve ser especifica.</p><p>• Estar relacionada com as teorias anteriores.</p><p>A característica mais importante é que as hipóteses devem apresentar uma resposta provável ao</p><p>problema da pesquisa. Para encontrar a hipótese da pesquisa é necessário agudeza,</p><p>experiência e intuição por parte do pesquisador, a primeira das fontes para encontrá-la reside no</p><p>conhecimento vivo e experimental das realidades sociais, bem como na gestão e conhecimento</p><p>que temos sobre a ciência do Direito.</p><p>Segundo Sierra Bravo, que cita o autor C. Javeu16, as seguintes técnicas podem ser</p><p>consideradas para promover o encontro da hipótese:</p><p>• Examinar a literatura existente sobre a matéria para deduzir questões de referência.</p><p>• A reunião das ideias do grupo de pessoas que participam da pesquisa, o que é conhecido</p><p>como brainstorming17.</p><p>• Entrevistar pessoas interessadas na pesquisa do tema.</p><p>14. Dicionário da Real Academia Espanhola. Endereço web: http://www.rae.es</p><p>15.Sierra Bravo, Restituto, Técnicas de Investigación Social, Editorial Paraninfo, Madri, Espanha, 1994. P. 73.</p><p>16.Sierra Bravo, Restituto, Técnicas de investigación Social, Editorial Paraninfo, Madri, Espanha, 1994. P. 81 (C.</p><p>Javeu Enquete par questionnair 1971 P. 11).</p><p>17. Brainstorming ou tempestade de ideias é usado como uma ferramenta na qual um grupo de pessoas propõe</p><p>ideias diferentes. Foi criada em 1919 por Alex Faickney Osborn, um publicitário de Nova York, Estados</p><p>Unidos.</p><p>16</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>TO</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>FUNOAVQ UNiVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>Aplicando a dedução, também é possível encontrar a hipótese, examinando as causas de certos</p><p>efeitos, ou procurando os efeitos das causas. Além disso, é possível aceitar que um principio é</p><p>verdadeiro e partir disso para formular a hipótese, por exemplo: 0 Principio da Igualdade,</p><p>homens e mulheres têm os mesmos direitos e obrigações enquanto cidadãos. A partir desse</p><p>principio pode ser determinado como uma das conclusões que, se homens e mulheres têm os</p><p>mesmos direitos e obrigações enquanto cidadãos, gozam dos mesmos salários quando realizam</p><p>os mesmos trabalhos.</p><p>0 processo indutivo também constitui uma técnica para a elaboração da hipótese, o autor já</p><p>citado Sierra Bravols distingue dois tipos de generalização indutiva:</p><p>• A indução de primeiro grau ou inferência, que resulta de afirmações especificas para</p><p>afirmações gerais.</p><p>• Indução de segundo grau ou generalização de generalizações de primeiro grau.</p><p>Assim, Ghersi19 também estipula que a hipótese é uma tentativa de caracterização e, nesse</p><p>sentido,</p><p>as seguintes especificações podem ser estabelecidas:</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>• Criar uma estrutura gerativa, que se refere ao fato de que a pesquisa pode ser delimitada</p><p>a partir de um campo genérico, escolhendo dentro do direito civil, por exemplo, a</p><p>propriedade.</p><p>• Particular, procedendo a assumir dentro do tema do campo genérico que os subtemas</p><p>foram escolhidos. Por exemplo, no caso da propriedade, usucapião, usufruto, formas de</p><p>aquisição, formas de transferência, etc.</p><p>• Continuar com as variáveis básicas, depois de fazer a particularização, por exemplo, a</p><p>compra-venda de um bem.</p><p>• Considerar uma invariante com várias variáveis, por exemplo, fraude na compra e venda</p><p>de bens de menores.</p><p>• Verificar a fenomenologia ante facto de casos supostos e post facto de sentenças de</p><p>casos ocorridos.</p><p>• Determinar se há uma pesquisa paralela para comparar.</p><p>Em relação à experimentação relacionada ao método cientifico das ciências sociais, assume-se</p><p>que a experimentação é utilizada para verificar a hipótese gerada, uma vez que a hipótese é</p><p>formulada, o pesquisador deve verificar sua veracidade. No caso do Direito, é precisamente esse</p><p>ponto que sempre foi objeto de debate em termos de considerá-lo ciência, pois não se encontrou</p><p>no Direito uma forma de verificar a hipótese.</p><p>18. Sierra Bravo, Restituto, Técnicas de Investigación Social, Editorial Paraninfo, Madri, Espanha, 1994. P. 82.</p><p>19. Ghersi, Carlos Alberto y Sebastian R. Ghersi; Metodologia de /a investigación en ciencias jurídicas, Editorial</p><p>Gowa Ediciones Profesionales, Buenos Aires, Argentina, 2007. P. 38.</p><p>17</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇA0 UNiVERSETARIA IBEROAMERCANA</p><p>No campo das outras ciências sociais, um grande avanço foi possível, assim Economia,</p><p>Psicologia e Sociologia são pioneiras no campo da experimentação. Um dos experimentos mais</p><p>notórios no campo da psicologia 6 o Stanford Prison Experiment, que é um estudo psicológico</p><p>sobre o papel desempenhado pelo cativo e o guarda em uma prisão, no entanto, o experimento</p><p>saiu do controle e foi cancelado seis dias após o inicio.</p><p>0 desafio das ciências sociais, como o Direito, acaba por ser a experimentação, que é dificultada</p><p>pelo fato de ter seres humanos ou seu comportamento como objeto de estudo, o que também</p><p>dificulta a verificação da hipótese ou a realização de experimentos.</p><p>0 que é fácil de detectar no campo do método legal cientifico é a análise de dados, pois</p><p>geralmente as técnicas utilizadas são a coleta de informações através de documentos, enquetes</p><p>e entrevistas.</p><p>Finalmente, o pesquisador deve analisar, considerar e pensar sobre a hipótese da pesquisa para</p><p>determinar se ela é válida e aceitável ou se, ao contrário, é rejeitada e excluída.</p><p>L4. O PESQUISADOR JURÍDICO</p><p>Um dos elementos mais relevantes na aplicação da metodologia jurídica é o pesquisador, sem</p><p>um pesquisador não há intenção de conhecimento, não há curiosidade e, portanto, não será</p><p>necessário aplicar nenhum tipo de método.</p><p>0 pesquisador deve ser autocritico, avaliar e questionar constantemente o trabalho e as</p><p>afirmações que foram formuladas por ele, em cada uma das etapas do método cientifico jurídico</p><p>aplicado. Deve encontrar-se constantemente em um processo de rejeição de informações</p><p>infundadas e na escolha certa das melhores opções disponíveis através do discernimento.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>RV</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>No mundo do Direito, o papel do pesquisador está ligado ao trabalho do juiz e ao exercício da</p><p>profissão do advogado litigante. 0 juiz aplicará a justiça imparcialmente perante os argumentos</p><p>levantados pelo advogado. 0 advogado irá basear os argumentos apresentados em uma</p><p>pesquisa anterior, que ele realizou, aplicando uma certa metodologia, fazendo uso da</p><p>interpretação para entender a aplicabilidade das regras e muito provavelmente levando em</p><p>consideração o trabalho de um pesquisador jurídico.</p><p>Os três papéis buscarão o objetivo final de Direito: a justiça, considerando apenas que o</p><p>advogado refletirá a parcialidade em sua posição, já que seu trabalho é defender os interesses</p><p>da pessoa que o contratou. Enquanto o juiz e o pesquisador optarão por uma posição imparcial,</p><p>um ante a aplicação da legislação ao caso especifico, e o outro ante a pesquisa e verificação da</p><p>hipótese sem forçar o conhecimento para um ponto de vista particular, mas examinando os</p><p>elementos do objeto de estudo, um por um.</p><p>18</p><p>Investigador</p><p>Estuda, investiga e</p><p>analisa. Orienta as</p><p>posições due tanto</p><p>o juiz corno o advogado</p><p>podem utilizar com auxilio</p><p>ao exercício do Direito.</p><p>Busca a verdade para</p><p>encontrar o sentido</p><p>do estudo.</p><p>Juiz</p><p>Decide sobre</p><p>o assunto aplicando</p><p>o Direito.</p><p>Aplica as regras</p><p>processuais para</p><p>encontrar a verdade.</p><p>Advogado</p><p>Apresenta argumentos</p><p>relacionados corn a lei,</p><p>que foram previamente</p><p>nvestigados, para a defesa</p><p>da posição do cliente.</p><p>Constrói a verdade</p><p>• para defender a</p><p>posição do cliente.</p><p>FUNIBER METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>LJNWÇAO UNIVEHSiTAFDA IBEROANTRiÇANA</p><p>Figura 1.2. Papeis do jurista.</p><p>C D</p><p>TO</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Estes três papéis exercidos por estudiosos do Direito não são exclusivos ou permanentes, em</p><p>algumas ocasiões e mais comumente do que parece ser, o juiz torna-se advogado litigante, e</p><p>muitos dos grandes pesquisadores da ciência jurídica são ex-advogados litigantes ou pessoas</p><p>que tiveram a honra e alegria de exercer uma posição judicial, ainda há alguém que, sendo um</p><p>advogado litigante, encontra a oportunidade de se tornar um juiz.</p><p>0 que é relevante sobre a situação do Direito, como uma ciência jurídica em constante</p><p>movimento, ou de sua perspectiva como um conjunto de normas legais que regulam o</p><p>comportamento humano em uma dada sociedade e tempo, é que em todas as áreas de sua</p><p>prática é necessário pesquisa, assunto que sera avaliado no próximo capitulo da disciplina.</p><p>19</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO _UN IVERSOR 19E BOA !.1</p><p>20</p><p>FUNIBER</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA</p><p>i(INIDA,CAOUNIVEREITAPIA tHElliOAMER;C,...4A</p><p>Resumo</p><p>21</p><p>C</p><p>D</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>METODOLOGIA JURÍDICA FUNIBER</p><p>FUNDAÇÂO UNIVERSITASIA i9EROAMER'CANA</p><p>22</p><p>FUNIBER</p><p>FliKIVAÇAD VNIVERSITARIA 18EROAMERICANA</p><p>-Lrf2.:.7.7=E7,:rif=r20L-k-r1-2,7zAKV.V. Z&W.;1.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Capitulo 2</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>OBJETIVOS</p><p>• Determinar em que consiste a pesquisa jut-Mica.</p><p>• Avaliar a utilidade da pesquisa jurídica.</p><p>• Aprender sobre o processo de pesquisa jurídica.</p><p>2.1. INTRODUÇÃO</p><p>0 direito, além de ser um conjunto de normas e princípios legais que regulam e limitam o</p><p>comportamento humano na sociedade, conforme refletido nesta disciplina, possui um caráter</p><p>cientifico, uma essência a ser considerada como uma ciência, parte das ciências sociais.</p><p>0 objeto de estudo do direito é constituído por fontes formais, como a Constituição, as leis, os</p><p>decretos, os regulamentos, as portarias, as instruções e resoluções, a jurisprudência, entre</p><p>outros. Ao mesmo tempo, a eficácia das normas jurídicas sobre os diferentes elementos sociais</p><p>também é objeto de estudo do Direito.</p><p>A intenção da pesquisa é conseguir conhecimento, pesquisar para descobrir e descobrir</p><p>elementos, pressupostos ou coisas que se desconhecem. A prática humana encontra-se em</p><p>constantes descobertas, pesquisando novas formas de agir diante de situações, novas criações</p><p>ou melhorias na tecnologia, novos dados que permitem o entendimento e a compreensão da</p><p>origem humana ou da história e dos costumes de um povo.</p><p>23</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>PtINS*00 UNIVERSITAPIAIBEROAMSICANA</p><p>No estudo desta disciplina, buscou-se analisar a metodologia utilizada pelo Direito para</p><p>pesquisa, após o que se determinará qual interpretação é necessária para a aplicação prática do</p><p>Direito</p><p>e para a aplicação teórica nos diferentes estudos, bem como a utilidade da</p><p>argumentação jurídica. Impossível conceber um advogado que não explique e substancie os</p><p>argumentos, seja perante um tribunal ou perante um grupo de juristas e comentadores do</p><p>Direito.</p><p>Assim, também 6 impossível pensar que a prática profissional do Direito, no campo do</p><p>contencioso ou no campo acadêmico, possa ser bem-sucedida sem exigir algum tipo de</p><p>pesquisa.</p><p>A pesquisa é intrínseca â prática do direito. 0 advogado deve pesquisar as circunstâncias,</p><p>situações, condições em que seu cliente está envolvido, antes de formular os aspectos</p><p>fundamentais da defesa ou atacar na proteção dos interesses do mesmo. 0 advogado irá ler,</p><p>analisar e formular a opinião que merece a situação acadêmica, mas não antes de prosseguir</p><p>com a pesquisa meritória.</p><p>Em seguida, procedemos para determinar o que é necessário para a Pesquisa Jurídica e qual</p><p>seu propósito no campo do Direito.</p><p>2.2. CONSIDERAÇÕES GERAIS</p><p>Desmembrando a composição da expressão "pesquisa juridica", determina-se que a pesquisa é</p><p>a "averiguação, indagação, busca ou questionamento de um fato desconhecido ou algo que se</p><p>quer inventar".1 Para a Real Academia Espanhola em geral, a pesquisa é definida como "a ação</p><p>de pesquisa que visa ampliar o conhecimento cientifico"2.</p><p>A palavra "jurídica", por sua vez, refere-se a "que pertence à lei ou sujeita-se a ela".3 Assim, a</p><p>pesquisa jurídica pode ser definida como a averiguação e apuração do que diz respeito â lei, a</p><p>fim de obter conhecimento de uma situação até então desconhecida.</p><p>A pesquisa jurídica pode ser concebida como a "atividade intelectual que busca descobrir as</p><p>soluções jurídicas adequadas para os problemas colocados pela vida social de nosso tempo,</p><p>cada vez mais dinâmicos e mutáveis, o que implica também a necessidade de aprofundar a</p><p>análise dos ditos problemas, a fim de adaptar o ordenamento jurídico a essas transformações</p><p>sociais".4</p><p>1. Cabanellas de Torres, Guillermo, Diccionario Jurídico Elemental, Editorial Heliasta, Argentina, la. ed. 1979, 15a</p><p>ed. 2001. P. 212.</p><p>2. Dicionário da Real Academia Espanhola. Endereço web: http://www.rae.es</p><p>3. Osorio Manuel, Diccionario de Cienclas Politicas, Jurídicas y Sociales, Editorial Heliasta, Buenos Aires,</p><p>Argentina, 2008. P.509.</p><p>4. Fix-Zamudio, Héctor; Metodologia, Docencia e Investigación Jurídicas, Universidad Nacional Autónoma de</p><p>México Instituto de Investigaciones Jurídicas, Editorial Porrúa, 1996. P.416.</p><p>24</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER PESQUISA JURÍDICA</p><p>FLINO.,Y,3:40 uNivERsrrARIA lEir:naAmEnicANA</p><p>Uma definição atualizada do termo pesquisa jurídica é a de Alvarez Undurraga, referindo-se ao</p><p>fato de que é "o conjunto de procedimentos de caráter reflexivo, sistemático, controlado, critico</p><p>e criativo, cujo objetivo é a pesquisa, apuração e estudo das normas, dos fatos, e dos valores,</p><p>considerando a dinâmica das mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais que ocorrem</p><p>na sociedade".5</p><p>No Direito, a metodologia jurídica enfoca o estudo de diferentes correntes de pensamento</p><p>jurídico para determinar posições doutrinárias. As técnicas são as ferramentas ou instrumentos</p><p>que o método escolhido usa para o objeto de estudo. Toda pesquisa jurídica começa com</p><p>curiosidade e com a necessidade de satisfazer uma determinada questão colocada pelo</p><p>pesquisador.</p><p>Neste caso, o trabalho do jurista no estudo varia do trabalho do jurista na prática. No campo da</p><p>pesquisa jurídica para fins teóricos devem ser fornecidas as condições necessárias para a</p><p>aplicação do método escolhido de pesquisa jurídica, agora, na prática profissional, o advogado</p><p>pesquisa principalmente de uma forma empírica. Ele pode começar aplicando um método e</p><p>avaliando as possibilidades cientificas em relação ao caso especifico que está sendo</p><p>apresentado, no entanto, o ato do advogado não deixará de ser espontâneo, pois a natureza do</p><p>litígio irá envolvê-lo na velocidade das respostas e na prontidão do processo.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Tecnicamente, essa pesquisa jurídica realizada por advogados ou juristas na prática profissional</p><p>e cotidiana do direito, bem como para a aplicação de normas jurídicas que fazem parte da lei</p><p>objetiva, pode ser denominada de pesquisa jurídica empírica, que é "dirigida a buscar uma</p><p>aproximação entre o sistema regulatório e a realidade social, para isso utiliza todos os métodos</p><p>e técnicas da pesquisa social".6</p><p>A pesquisa empírica, de acordo com a Fix Zamudio7, divide-se nas seguintes etapas:</p><p>• Empirismo normativo: como conhecimento empírico de natureza normativa que se refere</p><p>análise das fontes do direito, das fontes existentes no ordenamento jurídico, como as leis,</p><p>a jurisprudência, os costumes jurídicos.</p><p>• Empirismo pragmático: que analisa a aplicação de normas jurídicas em eventos reais, que</p><p>visa determinar a eficácia das leis através da análise direta da aplicação jurídica.</p><p>• Empirismo sociológico: por meio do qual se realiza o exame dos fenômenos sociais</p><p>mediantes os quais se manifestam e evoluem as normas jurídicas.</p><p>5. Alvarez Undurraga, Gabriel; Metodologia de la Investigación Jurídica: Hacia una nueva perspectiva, Universidad</p><p>Central de Chile, Facultad de Ciencias Jurídicas y Sociales, 2002. P.27.</p><p>6. Alvarez Undurraga, Gabriel; Metodologia de la Investigación Jurídica: Hacia una nueva perspectiva, Universidad</p><p>Central de Chile, Facultad de Ciencias Jurídicas y Sociales, 2002. P.31.</p><p>7. Fix-Zamudio, Héctor; Metodologia, Docencia e Investigación Jurídicas, Universidad Nacional Autónoma de</p><p>México Instituto de InvestigacionesJuridicas, Editorial Porrúa, 1996. P. 418.</p><p>25</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVEFiSITARIA tBEROAKIFNA</p><p>Em geral, deve-se notar que o objeto da pesquisa jurídica é constituído pela pesquisa empírica</p><p>ou teórica mediante:</p><p>• As normas jurídicas em termos de conteúdo, aplicação no tempo e no espaço, incluindo os</p><p>valores que buscam.</p><p>• 0 método cientifico de pesquisa jurídica, incluindo o campo em que opera.</p><p>Quanto à pesquisa realizada pelo jurista para fins acadêmicos ou doutrinários, pode ser</p><p>chamada de pesquisa teórica. Neste último tipo de pesquisa, podemos determinar e visualizar</p><p>mais efetivamente o que diz respeito à aplicação da metodologia jurídica, referida no primeiro</p><p>capitulo desta disciplina, bem como a aplicação do método exegético, dogmático, histórico-</p><p>sociológico e sistemático.</p><p>2.2.1. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA</p><p>Além da pesquisa empírica e da pesquisa teórica como os tipos de pesquisa jurídica</p><p>mencionados acima, a pesquisa em geral é classificada da seguinte forma:</p><p>1. De acordo com a finalidade pretendida:</p><p>a) Pesquisa pura: seu objetivo principal é desenvolver teorias sem verificar sua possível</p><p>aplicação na vida prática. "A pesquisa pura ocorre quando o pesquisador realiza sua</p><p>atividade sem se preocupar com a aplicação direta ou imediata dos resultados".8</p><p>b) Pesquisa aplicada: utiliza as teorias da pesquisa pura para tentar dar-lhes uma</p><p>aplicação prática.</p><p>É usual, embora não seja uma regra, que a pesquisa pura seja usada nas ciências</p><p>formais, como a Física, a Matemática e as Ciências Naturais, como a Biologia, enquanto</p><p>a pesquisa aplicada tenda a ser direcionada com mais frequência para as ciências</p><p>sociais, como o Direito e as Ciências Tecnológicas, como a Engenharia ou a Arquitetura.</p><p>2. De acordo com a maneira como as informações são coletadas:</p><p>a) Pesquisa documental: a maneira pela qual há a coleta de informações é através de</p><p>documentos, em qualquer material, incluindo aqueles que são visuais ou sonoros.</p><p>b) Pesquisa de campo: usa entrevistas e questionários para coletar informações, usa a</p><p>observação e a exploração para obter informações. Consiste em observar diretamente</p><p>os acontecimentos, comportamentos e eventos em curso.</p><p>c) Pesquisa experimental: esse tipo de pesquisa ocorre</p><p>quando o pesquisador tem</p><p>controle sobre os eventos do fenômeno que está estudando, com base em</p><p>procedimentos metodológicos para comparar e validar os diferentes resultados.</p><p>8. Villaserior Rodriguez Isabel y Juan Antoni Górinez Garcia; Investigación y Documentación Jurídicas, Editorial</p><p>Dykinson, S.L., Madri, Espanha 2013.</p><p>26</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>De acordo com a finalidade: 	 De acordo com a maneira</p><p>corno a informação é coletada*</p><p>• Pesquisa documental.</p><p>• Pesquisa de campo.</p><p>• Pesquisa experimental.</p><p>• Pesquisa exploratória é</p><p>descritiva.</p><p>• Pesquisa analítica e</p><p>sintética.</p><p>• Pesquisa pura.</p><p>• Pesquisa aplicada.</p><p>FUNIBER PESQUISA JURÍDICA</p><p>kitqpis.f.;,7.0 umyErisi TAMA IBEROAN!ERGANA</p><p>d) Pesquisa exploratória e descritiva: o pesquisador explora preparando e familiarizando-</p><p>se com o objeto de estudo, a fim de selecionar e compilar as informações que serão</p><p>Citeis na pesquisa subsequente. 0 objetivo da pesquisa descritiva é expor o que foi</p><p>estudado e coletado por meio da pesquisa exploratória.</p><p>e) Pesquisa analítica e pesquisa sintética: o objetivo da análise é decompor os</p><p>elementos coletados a partir da informação para estudá-los e analisá-los</p><p>separadamente, enquanto a pesquisa sintética tem como objetivo gerar proposições</p><p>gerais obtidas a partir do resultado do estudo.</p><p>Figura 2.1. Classificação da pesquisa</p><p>2.2.2. ETAPAS DA PESQUISA</p><p>Nesta disciplina foi mencionado o que está relacionado aos procedimentos do método da</p><p>pesquisa jurídica, no capitulo um, sobre a Metodologia Jurídica. No entanto, para vários autores</p><p>a pesquisa jurídica é dividida em etapas, que são as seguintes9:</p><p>• Delimitação do tema e abordagem do problema.</p><p>• Seleção do delineamento metodológico.</p><p>• Coleta dos dados obtidos em fontes documentais.</p><p>• Análise e interpretação dos dados obtidos em fontes documentais.</p><p>• Exposição e apresentação formal do trabalho de pesquisa.</p><p>9. Alvarez Undurraga, Gabriel; Metodologia de la Investigación Jurídica: Hacia una nueva perspectiva, Universidad</p><p>Central de Chile, Facultad de Ciencias Jurídicas y Sociales, 2002. P.35.</p><p>27</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>PESQUISA JURÍDICA FUNIBER</p><p>"31% ke-ritagtfAS&X ' 	•- 	'WW1& e • '</p><p>FuNDAÇÃOUNIVERSITAMAI6EROOERCANA</p><p>No caso da pesquisa jurídica empírica, continuando com o esquema proposto por Alvarez</p><p>Undurraga, as seguintes etapas podem ser identificadas:</p><p>• Delimitação do tema, abordagem, formulação e sistematização do problema. Objetivos</p><p>gerais e específicos, justificativa e limitações.</p><p>• Construção do referencial teórico e da hipótese da pesquisa.</p><p>• Seleção do delineamento metodológico da pesquisa.</p><p>• Coleta de dados através das técnicas e instrumentos utilizados.</p><p>• Processamento, análise e interpretação dos dados obtidos.</p><p>• Síntese e apresentação do trabalho de pesquisa, tradicionalmente por meio de um</p><p>relatório escrito e apresentação oral.</p><p>Estudar o Direito como ciência cria a necessidade de utilizar vários métodos para fazer uso da</p><p>pesquisa jurídica em todas as suas formas e com todas as suas ferramentas. A ideia é</p><p>desenvolver novas teorias, realizar diferentes análises e apresentar resultados substanciados,</p><p>criar novas figuras que forneçam soluções concretas para a sociedade e abordar a justiça que</p><p>essa ciência jurídica busca.</p><p>A pesquisa jurídica também é classificada de acordo com a área a qual pertence o objeto de</p><p>estudo, se é de Direito Privado ou Direito Público, se pertence ao Direito do Trabalho ou ao</p><p>Direito Comercial, etc. A oportunidade de desenvolver um tema de pesquisa jurídica é ampla,</p><p>existem diferentes ramos e as sociedades estão constantemente em busca de mudanças no</p><p>sistema legal, o advogado deve perpetuar a pesquisa jurídica para atender a essa necessidade</p><p>de mudança.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>23. A PESQUISA CIENTÍFICA NO DIREITO</p><p>Diversos autores concordam que, apesar de a lei apresentar complicações enquanto ciência</p><p>para que se aplique integralmente o método cientifico da forma como é aplicada em outras</p><p>ciências, é necessário que, no momento da pesquisa, um método cientifico seja considerado e</p><p>implementado, uma série de etapas que permitem ao jurista pesquisador direcionar seus</p><p>passos para o conhecimento.</p><p>Segundo Villasefior Rodriguez e Gómez Garcial°, toda pesquisa jurídica deve começar com um</p><p>plano de trabalho que o pesquisador deve propor, este plano deve conter pelo menos:</p><p>• A determinação do objeto de pesquisa: nessa fase o pesquisador deve definir o objeto de</p><p>estudo sobre qual versará sua pesquisa, o objeto de estudo deve ser algo complexo, um</p><p>10.Villaserior Rodriguez Isabel y Juan Antoni G6mez Garcia; investigación y Documentación Jurídicas, Editorial</p><p>Dykinson, S.L., Madri, Espanha 2013. P.35.</p><p>28</p><p>FUN1BER</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>vuwiçÃo uNivEFisTrAviA</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>desafio para o pesquisador, algo que ainda não foi descoberto ou sobre o qual falte</p><p>pesquisa suficiente</p><p>• A estratégia de trabalho: após a definição do objeto de estudo, o pesquisador deve</p><p>estruturar a atividade de pesquisa que será realizada, será um esquema dos processos e</p><p>etapas que pretende seguir, mais que algo estrito, deve ser uma ordem cronológica e</p><p>sistemática. 0 plano de trabalho caracteriza-se por:</p><p>— Ser a base da pesquisa quanto às atividades que serão realizadas.</p><p>— Provocar a interdependência entre as atividades da pesquisa a fim de manter uma</p><p>ordem sucessiva.</p><p>— Implementar o ciclo de pesquisa completo, que, de acordo com os autores citados, é</p><p>dividido nos seguintes pontos:</p><p>a) A escolha do tema e do titulo do trabalho.</p><p>b) O índice provisório que serve como guia para o desenvolvimento dos temas.</p><p>c) A documentação.</p><p>d) 0 delineamento da metodologia a ser utilizada.</p><p>e) A geração de novas ideias em relação ao tema.</p><p>f) A redação do trabalho e das conclusões.</p><p>g) A apresentação e defesa do trabalho perante uma banca ou perante a</p><p>comunidade cientifica.</p><p>• 0 Cronograma: é necessário manter as datas e horários, a fim de alcançar o objetivo e</p><p>terminar a pesquisa proposta no tempo estimado.</p><p>2Á. A DOCUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>A documentação é considerada uma disciplina, uma ciência auxiliar que visa processar os dados</p><p>obtidos e cuja função é informar. Para Cabanellas, a documentação é definida como o "cúmulo</p><p>de dados sobre um tema, para ser usada para fins de capacitação própria ou de educação de</p><p>outra pessoa"11. 0 termo documentação refere-se à disciplina e ao conjunto de recursos ou</p><p>fontes de informação obtidas.</p><p>A documentação é considerada uma disciplina auxiliar das ciências, uma vez que exige sempre</p><p>documentação sobre uma questão pertencente a outra ciência social ou ciência natural, não</p><p>subsiste por si s6, a informação que apresenta é sobre outros temas. Esta disciplina deve-se</p><p>principalmente ao documento, entendendo o termo no sentido mais amplo, como o suporte em</p><p>que a informação se fixa, portanto, também é chamada de ciência das fontes de informação.</p><p>11. Cabanellas, Guillermo; Diccionario Enciclopédico de Derecho Usual, Editorial Heliasta, Buenos Aires, Argentina.</p><p>Tomo II. P.769.</p><p>29</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAM UNIVi-:PSTIANA EF.- 110AMEHICANA</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>u4—</p><p>0 documento é definido como "o escrito no qual dados confiáveis são registrados ou suscetíveis</p><p>de serem empregados como tal para provar alguma coisa"12. No sentido mais amplo, um</p><p>documento consiste em tudo que conste por escrito ou gráfico, qualquer material sobre o qual</p><p>se estenda ou figure um elemento, predominando o papel como suporte documental por</p><p>excelência 13</p><p>A documentação legal é um ramo especializado em que seu principal objetivo é auxiliar o Direito,</p><p>tendo como objetivo o estudo dos comportamentos jurídicos e administrativos, verificando e</p><p>avaliando os fatos sociais que são gerados e levando em consideração</p><p>o histórico dos</p><p>comportamentos.</p><p>Em relação ãs fontes de informação estudadas pela documentação, elas são definidas como "os</p><p>recursos necessários para poder acessar informações e conhecimentos em geral, todos aqueles</p><p>instrumentos que servem para satisfazer as necessidades de informação de qualquer pessoa e</p><p>o conhecimento em geral".14</p><p>As fontes de informação são Citeis para qualquer pessoa, incluindo advogados, juizes ou juristas</p><p>pesquisadores. No campo da documentação focada no Direito, ela é chamada Documentação</p><p>Jurídica. A documentação em geral não pode subsistir sem as fontes de informação, é</p><p>necessário obter por meio das fontes da informação os dados que permitam conduzir a pesquisa</p><p>jurídica aplicando o método cientifico para expor e comprovar a hipótese do estudo.</p><p>No caso da Documentação Jurídica, conforme os autores citados Villaserior e Gómez Garcia15,</p><p>reconhece-se a seguinte classificação de fontes de informação:</p><p>• Pela procedência e origem da informação.</p><p>• Pelo canal utilizado para transmitir a informação.</p><p>• Pela cobertura geográfica.</p><p>• Pelo grau de adequação da informação que oferecem.</p><p>• Pelo tipo de informação que oferecem.</p><p>12. Dicionário da Real Academia Espanhola. Endereço web: htto://www.rae.es</p><p>13.Cabanellas de Torres, Guillermo, Diccionario Jurídico Elemental, Editorial Heliasta, Argentina, 1. ed. 1979, 158</p><p>ed. 2001. P. 134.</p><p>14.Villaserior Rodriguez Isabel y Juan Antoni G6mez Garcia; Investigación y Documentación Jurídicas, Editorial</p><p>Dykinson, S.L., Madri, Espanha 2013. P.66.</p><p>15.IBID, P. 66.</p><p>30</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>Pela procedência</p><p>e origerr da</p><p>informação</p><p>Pelo canal dtitizado</p><p>para transmitir::</p><p>a informação</p><p>Fontes</p><p>de informação</p><p>\• Fontes de</p><p>informação e</p><p>de transmissão</p><p>Pela cobertura</p><p>geografica</p><p>Fontes de</p><p>informaçãO</p><p>Internacional, nacional,</p><p>autonômico e regional</p><p>•gre.0 de adequa</p><p>da'Informacão</p><p>•que oferecem</p><p>Fontes de</p><p>informação e</p><p>de adequação</p><p>se</p><p>Total, média,.</p><p>insuficiente</p><p>'Pelo tipo dã</p><p>inforrnação</p><p>due oferecem</p><p>Fontes de</p><p>informação</p><p>Especializada</p><p>e geral</p><p>'7\N</p><p>Pessoais,</p><p>institucionais</p><p>e documentais</p><p>Oral,</p><p>documental</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>',.1,1NDAÇÃO UNkVE-,R5ititRIAI.B:FigAMUIIGANA</p><p>Figura 2.2. Classificação das fontes de informação.</p><p>Nessa classificação, cabe ressaltar a categoria relacionada com a procedência e a origem da</p><p>informação, sendo a principal das fontes da informação em matéria jurídica. As fontes pessoais</p><p>de informação referem-se as pessoas que proporcionam os dados de maneira oral em sua</p><p>maioria, embora ocasionalmente proporcionem-se por meio de documentos.</p><p>Quanto às fontes de informação institucionais, estas se referem às informações obtidas nas</p><p>bibliotecas, nos arquivos ou centros de documentação das entidades que auxiliam na coleta de</p><p>dados, tanto de caráter privado quanto público.</p><p>Nessa categoria de classificação, a última das fontes de informação são as fontes documentais,</p><p>que se referem às informações contidas nos documentos, entendendo o significado do termo</p><p>documento em seu sentido mais amplo, como qualquer suporte usado para o registro de dados.</p><p>Continuando com a classificação dos mesmos autores citados, as fontes documentais são</p><p>subdivididas da seguinte forma:</p><p>• De acordo com o modo como a informação é apresentada:</p><p>a) Fracionada: como no caso de enciclopédias, dicionários e anuários, entre outros.</p><p>b) Continua: apresenta as informações segundo um desenvolvimento sequencial, como</p><p>no caso dos manuais e coleções de texto.</p><p>31</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>VUFW-iiaKiw;</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO LINIVERSITARIA PEW ROAMERICANA</p><p>,mer 	..Arnsw,</p><p>C) Imagens: com gráficos e desenhos que apresentam os dados necessários, como</p><p>mapas e catálogos de museus.</p><p>d) Numérico: os dados são apresentados através de tabelas ou listas, como no caso das</p><p>tabelas matemáticas e estatísticas.</p><p>• Pelo tipo de informação oferecida:</p><p>a) Informação bibliográfica.</p><p>b) Biográfica.</p><p>c) Cronológica.</p><p>d) Legislativa.</p><p>e) De localização.</p><p>f) Geral.</p><p>• Pelo o grau de remissão e originalidade:</p><p>a) Primário: como artigos, revistas e literatura cinzenta.</p><p>b) Secundário: como dicionários.</p><p>c) Terciário: bibliografia de bibliografias, guias ou manuais de fontes de informação.</p><p>Pelo grau de informação que fornecem:</p><p>a) Aquelas que apresentam as informações de forma rápida, com menos detalhes e em</p><p>uma apresentação para serem facilmente verificáveis, como no caso de diretórios.</p><p>b) Aquelas que se referem a outras fontes através de referências textuais, como</p><p>catálogos de bibliotecas.</p><p>Pelo suporte em que são apresentados: pode ser papel, filme ou em qualquer meio</p><p>eletrônico ou informatizado.</p><p>Pela difusão: pode ser para uso público ou privado, ter sido publicadas ou ter um caráter</p><p>não inédito.</p><p>Pelo assunto de que tratam: geral ou especializado.</p><p>Pala cobertura geográfica: internacional, nacional e regional.</p><p>Para cobertura temporal: retrospectivas ou históricas e periódicas ou em andamento.</p><p>Pela ordem dada As informações: ordem alfabética, ordem cronológica, mista.</p><p>2.4.1. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO</p><p>Dadas as muitas fontes de informação disponíveis, é necessário escolher entre as melhores</p><p>fontes e determinar quais satisfarão a necessidade de conhecimento a ser cumprido, portanto, é</p><p>necessário ter certos critérios para a escolha das fontes de informação, uma avaliação deve ser</p><p>realizada.</p><p>32</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>R</p><p>V</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>FUNIBER</p><p>Ft.:Nr*.e,*() uNivEssir...*A lEiE.TIOAMP.Fi!CANA</p><p>PESQUISA JURÍDICA</p><p>• De caráter externo ou formal</p><p>caráter interno -ou de conteúdo</p><p>• Titulo.</p><p>• Formato: papel ou eletrônico, avaliando a</p><p>qualidade, tamanho, peso, conteúdo, etc.</p><p>• Forma de atualização.</p><p>• Alcance.</p><p>• Originalidade</p><p>• Confiabilidade.</p><p>• Autoria</p><p>• Aplicabilidade.</p><p>• Disponibilidade.</p><p>• Criticas recebidas.</p><p>• Estrutura.</p><p>©</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>TO</p><p>S</p><p>R</p><p>E</p><p>SE</p><p>R</p><p>V</p><p>AD</p><p>O</p><p>S</p><p>Por avaliação das fontes de informação, entende-se o processo que permite estimar as</p><p>vantagens, desvantagens, benefícios e deficiências das fontes de informação de acordo com</p><p>determinados critérios.</p><p>No caso de fontes jurídicas documentais, os seguintes critérios de avaliação podem ser</p><p>aplicados16:</p><p>Para Ghersi17, a informação está dispersa no mundo do conhecimento e para que a pesquisa</p><p>seja eficaz, é necessário estabelecer uma ordem e um sistema, para isso, descreve as seguintes</p><p>operações:</p><p>• Descrição: nessa etapa, o pesquisador deve determinar em que material está a</p><p>informação, seja em papel ou em algum meio eletrônico. Também fará uma análise sobre</p><p>o conteúdo que possui e determinará a localização física, as consequências e o grupo</p><p>social afetado, e por que razão essa informação foi criada.</p><p>• Classificação: começa-se por verificar quais elementos de homogeneidade ou</p><p>heterogeneidade a informação coletada possui, ordenando-os em grupos, localizando a</p><p>característica que os une ou aquele que os separa.</p><p>• Explicação e compreensão: essa etapa é usada para determinar como as informações</p><p>obtidas podem ser aplicadas e integradas 6 pesquisa em andamento. Nessa fase,</p><p>pretende-se também esclarecer e elucidar as informações objeto da pesquisa,</p><p>compreendendo totalmente o conteúdo, o escopo e vinculando-as ao objeto de estudo.</p><p>• Inferência: realizar a análise e avaliação das informações com base em todos os pontos</p><p>anteriores como forma de conclusão, para obter o resultado final que será incorporado</p><p>pesquisa.</p><p>Estes são apenas alguns dos pontos que o pesquisador deve considerar ao escolher e classificar</p><p>as informações, existem muitos outros, talvez os critérios de avaliação mais relevantes sejam</p><p>baseados na experiência e na capacidade de análise do pesquisador.</p><p>16.Villaserior Rodriguez Isabel y Juan Antoni Gómez Garcia; Investigacicin y Documentación</p>

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