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<p>1</p><p>Aula 1 – Introdução à cosmetologia</p><p>2</p><p>Neste capítulo, introduziremos conceitos sobre a cosmetologia e os cosméticos,</p><p>permitindo que o aluno inicie sua trilha de aprendizado sobre o universo das</p><p>ferramentas essenciais que regulam a química da beleza, os cosméticos.</p><p>Iniciaremos com uma visão ampla da área que é de interesse de muitos</p><p>profissionais, entre os quais se encontram o profissional em estética, para depois</p><p>levar ao aprofundamento dos temas que são os mais relevantes para o uso dessas</p><p>ferramentas no dia a dia de suas profissões.</p><p>Sabemos que hoje a área da Cosmetologia é multiprofissional e constituída de</p><p>ciências e tecnologias de vários segmentos da química, da biologia, da física, da</p><p>botânica e outras áreas afins que convergem na ciência cosmetológica.</p><p>Da mesma forma, sabemos que a população vem aumentando sua expectativa de</p><p>vida com o desenvolvimento da medicina, da tecnologia farmacêutica, dos exames e</p><p>diagnósticos precoces, o que vem postergando o envelhecimento. Essa população</p><p>vem cultivando a consciência de que quer viver com qualidade, saúde e bem-estar.</p><p>Dessa forma, dedica muito mais tempo e recursos a uma existência mais saudável e</p><p>aparência física que corresponda aos seus esforços.</p><p>Vamos procurar entender como o cosmético e a cosmetologia podem proporcionar</p><p>alternativas de manutenção da beleza, combate ao envelhecimento, correções,</p><p>prevenções e reparações necessárias tanto à estética como também à saúde.</p><p>O panorama do setor dos cosméticos no mundo coloca o Brasil em posição de</p><p>destaque. A indústria de cosméticos tornou-se de extrema importância na economia</p><p>de muitos países, inclusive o nosso. Esse setor mostra que há espaço para grandes</p><p>multinacionais ao lado de pequenas empresas, contribuindo para a geração de</p><p>empregos e a redução de desigualdades em todo o território nacional. Vemos o</p><p>surgimento de várias frentes de pesquisa na busca de diferentes ingredientes,</p><p>naturais e competitivos e de processos de formulação inovadores.</p><p>Vemos também a introdução de novas tecnologias que vem transformando os</p><p>cosméticos em tratamentos cada vez mais eficazes com resultados cada vez mais</p><p>promissores.</p><p>Em suma, os resultados produzidos pela cosmetologia e pelos cosméticos fazem</p><p>parte do cotidiano das pessoas e dos rituais de manutenção da beleza.</p><p>3</p><p>Nessa primeira aula, serão oferecidas informações básicas sobre o assunto para</p><p>que possa servir como referência, proporcionando uma visão introdutória, porém</p><p>global, dos cosméticos, desde as matérias-primas até a sua aplicação.</p><p>Definições importantes</p><p>Cosmetologia</p><p>A cosmetologia é a ciência que estuda os cosméticos, visando conhecer aplicações,</p><p>efeitos e propriedades. É de sua competência o estudo, a pesquisa e o</p><p>desenvolvimento de novos produtos e o aperfeiçoamento de fórmulas já existentes.</p><p>Além disso, a responsabilidade de testar e analisar cada cosmético para conhecer</p><p>possíveis riscos e precauções que devem ser tomadas com relação à saúde</p><p>daqueles que os utilizarão.</p><p>Uma das muitas definições da palavra cosmetologia é: área da ciência farmacêutica</p><p>dedicada a desenvolver, elaborar, produzir e acompanhar os efeitos e resultados de</p><p>produtos cosméticos, além de realizar pesquisas e análises sobre esses produtos.</p><p>Essa ciência estuda as diferentes formas e possibilidades de ação, aplicação e</p><p>efeitos dos cosméticos, além de analisar como a matéria-prima e seus componentes,</p><p>de origem natural ou sintética, podem ser utilizados em tratamentos. Alguns</p><p>estudiosos sobre o tema classificam a cosmetologia nas seguintes divisões:</p><p> Cosmetologia estética: promove cuidado ou aperfeiçoamento na aparência da</p><p>região onde o produto cosmético é aplicado;</p><p> Cosmetologia conservadora: proteção da pele em relação aos efeitos da radiação</p><p>solar, umidade, calor, frio dentre outras variáveis físicas;</p><p> Cosmetologia corretiva: utilização de produtos cosméticos para corrigir</p><p>imperfeições da pele e equilibrar pequenas disfunções fisiológicas.</p><p>Cosméticos</p><p>São formulações preparadas em geral por misturas de substâncias (ou matérias-</p><p>primas) que podem ser naturais (dos reinos da natureza como animal, vegetal e</p><p>mineral) ou sintéticas (feitas em um laboratório).</p><p>No Brasil, os cosméticos são controlados e regulamentados pela Agência Nacional</p><p>de Vigilância Sanitária (ANVISA), que é uma autarquia responsável por regular todos</p><p>4</p><p>os setores relacionados a serviços e produtos que possam afetar a saúde da</p><p>população brasileira. Assim, a Anvisa está vinculada ao Ministério da Saúde e ao</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS). Ela é responsável pelo setor de cosméticos,</p><p>alimentos, medicamentos, insumos farmacêuticos, produtos para a saúde,</p><p>saneantes, agrotóxicos, além de materiais como sangue, tecidos e órgãos.</p><p>Segundo a Anvisa em sua Resolução RDC n. 211, de 14 de julho de 2005, a</p><p>definição oficial de cosméticos compreende todos os produtos de uso pessoal e</p><p>perfumes que sejam constituídos por substâncias naturais ou sintéticas para uso</p><p>externo nas diversas partes do corpo humano – pele, sistema capilar, unhas, lábios,</p><p>órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral – com o</p><p>objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência,</p><p>corrigir odores corporais, protegê-los e/ou mantê-los em bom estado.</p><p>História da cosmetologia</p><p>A palavra cosmético é de origem grega. Ao escrevê-la em português, ficaria mais ou</p><p>menos assim: kosmetikós – e ao traduzi-la, entendemos que significa aquilo que se</p><p>refere a enfeitar ou adornar. Em que kosmos significa ordem. Resumindo, a</p><p>tradução da palavra cosmético é aquilo que tem como ordem (ou objetivo) adornar.</p><p>Existem evidências arqueológicas do uso de cosméticos para embelezamento e</p><p>higiene pessoal desde 4000 a.C. Os primeiros registros tratam dos egípcios, que</p><p>pintavam os olhos. Para proteger sua pele das altas temperaturas e do clima</p><p>extremamente seco da região, usavam gordura animal e vegetal como óleos de oliva</p><p>e sésamo. Também recorriam à cera de abelhas, mel e leite no preparo de cremes</p><p>para a pele. Existem registros de historiadores romanos relatando que a rainha</p><p>Cleópatra frequentemente se banhava com leite de cabra para manter a pele e os</p><p>cabelos hidratados.</p><p>Os gregos e os romanos foram os primeiros povos a produzir sabões, que eram</p><p>preparados a partir de extratos vegetais muito comuns no Mediterrâneo, como o</p><p>azeite de oliva e o óleo de pinho, e também a partir de minerais alcalinos obtidos a</p><p>partir da moagem de rochas. Atores do teatro romano eram grandes usuários de</p><p>maquiagem para poderem incorporar diferentes personagens ao seu repertório.</p><p>Pastas eram produzidas misturando óleos com pigmentos naturais extraídos de</p><p>vegetais (açafrão ou mostarda) ou de rochas.</p><p>5</p><p>Como não havia conhecimento das matérias-primas como temos hoje, ocorria</p><p>intoxicações e até mortes entre os atores, pois muitos dos pigmentos minerais da</p><p>época continham chumbo ou mercúrio em sua composição, elementos altamente</p><p>tóxicos.</p><p>No século X, os cabelos eram lavados não com água, mas com misturas de ervas e</p><p>argilas, que limpavam, matavam piolhos e combatiam outras infestações do couro</p><p>cabeludo. No século XIII, com a epidemia de peste negra, os banhos foram</p><p>proibidos, pois a medicina da época e o radicalismo religioso pregavam que a água</p><p>quente, ao abrir os poros, permitia a entrada da peste no corpo. Durante os 400</p><p>anos seguintes, os europeus evitaram os banhos, e a água era somente usada para</p><p>matar a sede. Lavar o corpo por completo era considerado um sacrilégio e o banho</p><p>era associado a práticas lascivas. Mãos, rosto e partes íntimas eram limpas com</p><p>pastas ou com perfumes, e as práticas de higiene eram mínimas, o que contribuiu</p><p>muito para o crescimento do uso da maquiagem e dos perfumes.</p><p>Quando a Europa entrou na Idade Média, que também é conhecida como a Idade</p><p>das Trevas (do século</p><p>de substâncias, garantindo uma série de funções para esses</p><p>tensoativos. De acordo com a função principal, o tensoativo é classificado como</p><p>36</p><p>emulsionante, detergente, agente espumante ou antiespumante, agente</p><p>condicionador, antiestático, bactericida, umectante, emoliente, dispersante,</p><p>solubilizante, entre outros.</p><p>Veículo</p><p>O veículo, também chamado de excipiente, constitui a base na qual o produto é</p><p>formulado como água, álcool, óleo, propilenoglicol, gel, sérum, suspensão, emulsão</p><p>ou pó. Pode-se dizer que é o meio utilizado para carrear (ou carregar) os demais</p><p>componentes de um cosmético para a pele. Qualquer veículo cosmético deve</p><p>apresentar composição química constante e estável; não deve apresentar</p><p>propriedades tóxicas, irritantes ou sensibilizantes; não deve ter propriedades</p><p>organolépticas desagradáveis nem reagir com os demais componentes da</p><p>formulação. Deve ainda ter afinidade com a pele, pH adequado, toque agradável e</p><p>liberar os princípios ativos gradualmente.</p><p>A partir do conhecimento dos componentes cosméticos e suas funções na</p><p>formulação, ficará mais fácil o entendimento da estrutura do cosmético e mais</p><p>simples fazer a análise do rótulo.</p><p>Aula 9 - Formas de apresentação cosméticas</p><p>O que são formas cosméticas? São as formas de apresentação final dos produtos</p><p>cosméticos depois de prontos, embalados, rotulados, ou seja, aquela que estará nos</p><p>pontos de vendas pronta para uso. Também são chamadas de formas físicas. É</p><p>importante conhecer as diversas formas de apresentação disponíveis para escolher</p><p>a mais adequada para cada uso. São determinadas pelo fabricante que leva em</p><p>consideração vários fatores para a escolha da melhor forma de apresentação para</p><p>cada produto: praticidade de uso, higiene, objetivos do produto e custos de</p><p>fabricação (matérias-primas e embalagem). Considerando as matérias-primas</p><p>disponíveis no mercado cosmético e a consistência do produto final, temos formas</p><p>sólidas, líquidas, gasosas e semissólidas.</p><p> Formas sólidas: apresentam várias vantagens: são mais fáceis de transportar do</p><p>que os líquidos, pois são menos propensos a vazamentos e não necessitam de</p><p>recipientes especiais. São mais duradouros que os cosméticos líquidos, pois, por</p><p>37</p><p>não conterem água, permanecem por mais tempo estáveis (sem alterações</p><p>químicas e microbiológicas que são comuns em presença da água). Exemplos de</p><p>cosméticos sólidos: cosméticos em pó, tal como talcos, sais de banho, máscaras</p><p>argilosas, maquiagem (pó compacto, sombras etc.);</p><p> Formas líquidas: são resultantes do uso de veículos como água, álcool,</p><p>propilenoglicol e/ou óleo. Como exemplos, podemos citar: loções aquosas – loção</p><p>tônica, loções hidroalcoólicas (loção de limpeza, que é uma mistura de água e</p><p>álcool), líquidos oleosos como, por exemplo, óleo de banho e uma forma muito</p><p>especial que são os séruns. A palavra sérum quer dizer forma cosmética em soro.</p><p>Caracteriza-se por elevada concentração de princípios ativos. Possui alto teor de</p><p>água e baixo de óleo, que são uma característica que pode favorecer a</p><p>permeação do produto na pele. Por esse motivo, é uma forma de apresentação</p><p>de escolha em cosméticos de tratamento. Apresentam ótima espalhabilidade</p><p>sobre a pele e podem ser usados em todos os tipos cutâneos;</p><p> Formas gasosas: pode ser representada pelo cosmético em aerossol. Consiste na</p><p>dispersão de um líquido ou um sólido em um gás (propelente) com o auxílio de</p><p>uma válvula. A propulsão é feita através da embalagem, pois o produto é feito</p><p>com um envase sob pressão. Ao acionar a válvula, o gás propelente desce e</p><p>pressiona o produto a sair da embalagem. Quando sai, é em forma de</p><p>microgotículas, dispersando-se no ambiente. Portanto, é a embalagem que torna</p><p>o líquido ou sólido contido em spray. Como exemplos temos os desodorantes e</p><p>sprays de fixação capilar;</p><p> Forma semissólida: apresenta característica de pasta consistente. Em geral, têm</p><p>grandes quantidades de cera na sua composição. Representam uma fatia</p><p>considerável do mercado cosmético com muitas apresentações e um grande</p><p>volume de vendas. Na forma semissólida, podemos ter o formato conhecido como</p><p>stick (bastão) como, por exemplo, batons, desodorantes, lapiseiras de maquiagem</p><p>e outros produtos. Os mais importantes veículos cosméticos estão nessa forma e</p><p>são representados pelos cremes (emulsões) e géis;</p><p> Embalagens: um item muito importante que dá acabamento e participa da</p><p>funcionalidade das formas cosméticas são as embalagens. Elas garantem</p><p>praticidade, conforto, economia e higiene aos produtos. Como pudemos observar,</p><p>as formas cosméticas são variadas, assim, as embalagens devem oferecer</p><p>38</p><p>armazenamento coerente com cada forma cosmética. Dessa forma, os</p><p>cosméticos líquidos, por exemplo, geralmente são envasados em frascos</p><p>transparentes, verticais e com tampas que permitam o controle do fluxo de</p><p>passagem do produto, dando praticidade. Já os cremes, são acondicionados em</p><p>potes e bisnagas para facilitar a retirada da porção desejada. Enquanto isso, os</p><p>sólidos devem ser acondicionados em potes que facilitem a dispersão do pó. Os</p><p>séruns vêm geralmente com válvula gotejadora ou conta-gotas para não haver</p><p>desperdício do produto, que é utilizado em porções muito pequenas. Mousses e</p><p>sprays devem ser acondicionados em embalagens que promovam formação de</p><p>jato ou a dispersão correta do produto. Podemos, então, perceber que as</p><p>embalagens são de extrema importância no acabamento e na comercialização do</p><p>produto. Um produto envasado em uma embalagem errada acaba se tornando um</p><p>fracasso comercial. As embalagens também têm a função de promover o</p><p>marketing do produto e torná-lo mais atrativo ao consumidor, pois são pensadas e</p><p>elaboradas para seduzir. Muitas vezes, compramos o cosmético por causa da</p><p>embalagem e não necessariamente preocupados com a qualidade do produto que</p><p>está dentro dela. A embalagem fica associada de maneira permanente à marca,</p><p>de uma forma que não precisamos nem ler o rótulo para saber qual é o produto</p><p>que ali está.</p><p>Aula 10 - Veículos cosméticos</p><p>Veículos são também chamados excipientes ou ainda bases cosméticas. Quando</p><p>dizemos que um produto é uma base, isso significa que este sustentará a presença</p><p>de outros. Este é justamente o papel das bases. Podemos dizer ainda que a base é</p><p>aquilo que você vê quando olha para um cosmético. Ela estará visível e dará a forma</p><p>ao cosmético. Todos os demais ingredientes que o cosmético possa ter estarão</p><p>incorporados à base. De maneira geral, como estão dissolvidos, na maioria das</p><p>vezes, é impossível visualizá-los. Ainda podemos fazer uma alusão ao veículo como</p><p>algo que transporta coisas, produtos, pessoas de um lugar até o outro. Os veículos</p><p>cosméticos de maneira semelhante, muitas vezes, são usados para transportar os</p><p>ativos até as regiões onde exercerá o seu efeito. Um exemplo disso é um</p><p>dermocosmético que tem um veículo capaz de permear as barreiras da superfície da</p><p>39</p><p>pele (estrato córneo), levando os ativos que carrega até a derme. Duas das bases</p><p>mais importantes usadas na cosmetologia são os cremes e os géis.</p><p>CREMES (EMULSÕES)</p><p>Os cremes são os produtos mais utilizados em cosmetologia. Eles recebem o nome</p><p>técnico de emulsão, que é um sistema formado de duas fases que são imiscíveis</p><p>entre si, ou seja, que não se misturam. Uma das fases se encontra fragmentada</p><p>(dispersa) dentro de uma outra (a que chamamos de fase contínua). Um exemplo de</p><p>líquidos imiscíveis são a água e o óleo e veremos, ao longo das explicações, que</p><p>essas duas matérias-primas são de suma importância para a formação das</p><p>emulsões.</p><p>Uma das características mais marcantes das emulsões é que elas são opacas</p><p>(leitosas). São veículos muito importantes, pois são responsáveis por carrear ou</p><p>carregar ativos a elas incorporados. No entanto, mesmo que uma emulsão não</p><p>carregue ativos, por si só já são consideradas como ótimos cosméticos,</p><p>pois tem</p><p>propriedades hidratantes. Isso se deve ao fato de serem constituídas com óleos e</p><p>água, substâncias que a pele necessita para se manter hidratada.</p><p>Preparo de emulsões</p><p>As emulsões são compostos instáveis, isso quer dizer que não se formam de</p><p>maneira espontânea e também não se mantêm sem o auxílio de outras substâncias</p><p>químicas.</p><p>Quando iniciamos o processo de produção de emulsões, temos dois líquidos</p><p>separados por uma película natural a que chamamos tensão superficial. Essa tensão</p><p>é que não deixa com que o óleo e a água se misturem, mantendo-os separados.</p><p>Assim temos duas fases a que chamamos de fase aquosa (contendo a água que</p><p>também pode conter outras substâncias solubilizadas nela como, por exemplo,</p><p>aditivos) e fase oleosa (contendo um óleo ou cera ou manteiga, podendo ter outras</p><p>substâncias solubilizadas nela como, por exemplo, um princípio ativo).</p><p>Em primeiro lugar, para haver a formação da emulsão, é necessário misturar as</p><p>fases aquosa e oleosa. Para isso, teremos que aplicar algum tipo de energia como,</p><p>por exemplo, agitação e calor. Esses fatores vencem a tensão superficial entre a</p><p>água e o óleo, mas é um processo temporário. Se a energia cessar, as duas fases</p><p>40</p><p>se separarão novamente. Daí somente com o fornecimento de energia você</p><p>consegue preparar uma emulsão, mas não consegue mantê-la por muito tempo por</p><p>causa da sua instabilidade. Volta a se formar a tensão superficial entre a água e o</p><p>óleo que se repelirão mantendo-se separados. Um bom exemplo disso é o dos</p><p>demaquilantes bifásicos que devem ser agitados no momento do uso. Quando você</p><p>os agita, a fase aquosa se mistura momentaneamente à fase oleosa e o</p><p>demaquilante fica com a aparência opaca. Naquele momento você formou uma</p><p>emulsão. Se você cessar a agitação e deixar a mistura em repouso, após algum</p><p>tempo, as duas fases se separarão e o demaquilante volta a ter o seu aspecto</p><p>original.</p><p>Dessa forma, entendemos que se quisermos uma emulsão estável, que permaneça</p><p>como emulsão ao longo do tempo, devemos adicionar a ela uma terceira substância</p><p>que manterá as fases imiscíveis unidas. Essa substância recebe a denominação de</p><p>agente emulsificante, emulsionante ou ainda agente tensoativo.</p><p>Os tensoativos são formados por uma estrutura dupla com duas partes distintas:</p><p>uma que se dissolve na água e outra que se dissolve no óleo. Quando essas</p><p>substâncias com afinidades diferentes por água e óleo são colocadas em uma</p><p>emulsão, ligam-se cada parte da estrutura à substância de afinidade, formando o</p><p>que chamamos de micela. A estrutura micelar prende a água ao óleo e garante que</p><p>permaneçam unidas.</p><p>A estrutura micelar que vemos nas emulsões é a mesma utilizada no processo de</p><p>limpeza por meio dos sabões. Estes envolvem e aprisionam as gotículas de gordura</p><p>até soltá-las da superfície onde estão aderidas, permitindo que sejam removidas.</p><p>Esse processo é utilizado para todos os detergentes, desde sabões para lavar a</p><p>louça até sabonetes, xampus, loções de limpeza, entre outros. Um bom exemplo é a</p><p>própria água micelar que usamos para a remoção da maquiagem.</p><p>Apesar de naturalmente as duas fases da emulsão não se misturarem facilmente,</p><p>existem exemplos de emulsões que ocorrem na natureza com a ajuda de alguma</p><p>41</p><p>substância natural, fazendo o papel do agente emulsionante. Um exemplo de</p><p>alimento emulsionado é o leite, que ocorre naturalmente. Outros alimentos que</p><p>também representam emulsões são o sorvete e a maionese, na qual a gema de ovo</p><p>contém o fosfolipídeo lecitina que estabiliza a emulsão do azeite na água, agindo</p><p>como tensoativo.</p><p>Classificação das emulsões</p><p>As emulsões podem ser classificadas de acordo com o teor de água e óleo que</p><p>constituem o produto e também de acordo com a sua viscosidade.</p><p>Classificação segundo à viscosidade:</p><p> Creme → emulsão consistente;</p><p> Loção → menos consistente que o creme;</p><p> Leite → emulsão fluida;</p><p> Espuma → (mousse) emulsão bifásica = fase interna (ar ou outro gás) e fase</p><p>externa (sólido ou líquido).</p><p>Classificação segundo o teor de água e óleo:</p><p> A/O → água em óleo;</p><p> O/A → óleo em água;</p><p>Nessa classificação, as letras A representa a água, e O, o óleo, presentes na</p><p>emulsão. A emulsão água em óleo (A/O) quer dizer que há um teor pequeno de</p><p>água disperso em um teor maior de óleo. Ou seja, a fase dispersa é a água e a fase</p><p>contínua é o óleo. Ocorre o inverso quando temos a emulsão óleo em água (O/A).</p><p>Esses dois tipos de emulsões terão características diferentes e indicações distintas.</p><p>Assim sendo, emulsão A/O tem um sensorial (sensação em contato com a pele)</p><p>oleoso e secagem demorada. É uma emulsão indicada para produtos de massagem,</p><p>42</p><p>removedores de maquiagem e cosméticos com função oclusiva (hidratantes). As</p><p>emulsões O/A apresentam secagem rápida e sensorial de toque seco. São muito</p><p>usadas em produtos para mãos e pés e produtos corporais por não deixarem</p><p>resíduos que impeçam os movimentos.</p><p>GÉIS</p><p>Um gel é um sistema bifásico, ou seja, tem duas fases (com duas substâncias)</p><p>distintas. Uma das fases é constituída por uma substância que possui uma rede de</p><p>moléculas muito grandes (macromoléculas). Essa rede aprisiona e retém nas suas</p><p>malhas a outra substância que é líquida, mantendo-a dentro desse enredado. Tudo</p><p>isso ocorre em nível molecular, por isso, não conseguimos visualizar a olho nu e</p><p>somente ao microscópio. Quando esse processo ocorre ,o que conseguimos</p><p>visualizar é a formação de uma consistência gelatinosa.</p><p>Esse sistema é definido quimicamente como dispersão coloidal. O que é uma</p><p>dispersão coloidal? Vamos imaginar que misturamos duas substâncias diferentes</p><p>como, por exemplo, para fazer uma gelatina. Temos o pó da gelatina, que é sólido, e</p><p>a água. Aquele pó sólido é constituído por moléculas muito grandes com uma</p><p>estrutura tridimensional que forma um desenho como se fosse uma malha. Quando</p><p>adicionamos a água, ela atua molhando a substância sólida e depois entrando</p><p>dentro da estrutura tridimensional onde fica retida. Como resultado, teremos um</p><p>aumento de volume (como se fosse um inchaço do material) e ganho de</p><p>consistência, ou seja, aumento de viscosidade. Por isso que os géis são viscosos e</p><p>a gelatina torna-se durinha.</p><p>Um exemplo de formação de gel ocorre no nosso intestino quando nos alimentamos</p><p>com fibras. As fibras alimentares são macromoléculas ricas em celulose que, além</p><p>de não serem digeridas por humanos, aprisionam a água presente no trato</p><p>gastrointestinal. Ao fazer isso, incham e aumentam o volume da massa fecal, o que</p><p>facilita a eliminação das fezes em um processo muito saudável.</p><p>Os géis podem ser transparentes ou opacos. Quanto menores forem os tamanhos</p><p>das partículas sólidas, mais transparentes elas serão.</p><p>Características dos géis cosméticos</p><p> Alta viscosidade;</p><p>43</p><p> Deixa película invisível ao secar;</p><p> Forma um filme sobre a pele;</p><p> Isentos de óleo.</p><p>Podem apresentar como vantagem serem bem tolerados por peles lipídicas e</p><p>acneicas. Sua maior desvantagem é o fato de serem pegajosos. Esse fato levava à</p><p>rejeição de produtos em forma de géis por muitos consumidores. Contudo, a</p><p>tecnologia cosmética ajustou a formulação para diminuir a pegajosidade e assim</p><p>nasceram os tipos de géis:</p><p> Aquoso → composto por água, um formador de gel (carbômero – polímero ou</p><p>hidroxietilcelulose). Tende a ser bastante pegajoso;</p><p> Gel-creme → composto por uma fase aquosa, composta de um formador de gel</p><p>(carbômero – polímero ou hidroxietilcelulose) e uma fase oleosa composta de</p><p>ceras, óleos e emolientes leves. Diminui a pegajosidade. Nesse tipo, temos um</p><p>formato muito semelhante à emulsão, porém com muito menos fase oleosa.</p><p>Substâncias que formam géis - produtos cosméticos em gel</p><p>Os polímeros carboxivinílicos são amplamente utilizados na área cosmética. No</p><p>mercado, existem atualmente o copolímero do ácido sulfônico acriloil-dimetil-taurato</p><p>e o ácido vinilpirrolidona neutralizado. Esses dois polímeros formam géis</p><p>transparentes com sensorial agradável.</p><p>Em se tratando de polímeros naturais, existem alguns polissacarídeos, como a goma</p><p>sclerotium, que têm propriedade biodegradável obtida por biotecnologia com base</p><p>nas culturas de Sclerotium rolfsii, espécie de fungo, que apresenta propriedades</p><p>gelificantes, espessantes, emulsionantes, suspensoras e formadoras de filme. A</p><p>goma sclerotium possui vantagens importantes como a capacidade de formar géis</p><p>aquosos estáveis em condições extremas, pois é estável em uma faixa de pH</p><p>bastante ampla, na presença de sais e eletrólitos, álcool e solventes orgânicos.</p><p>A goma xantana é um polímero bastante utilizado na área cosmética, pois mantém</p><p>sua viscosidade em ampla faixa de pH e em meio eletrolítico.</p><p>O amido de milho modificado (INCI: Hydroxypropyl starch phosphate) é um polímero</p><p>natural modificado e pré-gelatinizado, que promove a formação de gel a frio, com</p><p>44</p><p>sensorial leve, reduz o brilho e confere boa espalhabilidade em formulações para</p><p>pele e cabelos.</p><p>A hidroxietilcelulose, a propilcelulose e a propilmetilcelulose também são</p><p>amplamente utilizadas e, quando estão na concentração adequada e são aquecidas,</p><p>formam géis de consistência média. São utilizadas em cremes, loções, géis,</p><p>condicionadores de cabelo, xampu etc.</p><p>A carboximetilcelulose de sódio é muito utilizada em cremes e géis dentais.</p><p>As argilas e as bentonitas, componentes naturais de silicato de alumínio e magnésio,</p><p>fornecem soluções opacas, são utilizadas em cremes e loções e são dotadas de</p><p>grande capacidade de absorção de água.</p><p>Há ainda as sílicas pirogênicas, que têm alto poder de absorção de água ou de óleo</p><p>e formam géis transparentes ou translúcidos, proporcionando propriedades</p><p>tixotrópicas às formulações.</p><p>Os géis têm sido muito utilizados em produtos cosméticos e como base</p><p>dermatológica, pois têm boa espalhabilidade, não são gordurosos e podem veicular</p><p>princípios ativos hidrossolúveis ou lipossomas. Em produtos para os cabelos, eles</p><p>são utilizados como géis modeladores ou como espessantes, em xampus, géis de</p><p>banho, géis para barbear e géis pós-barba. Outra aplicação dos géis é no</p><p>desenvolvimento de cremes dentais na forma de gel.</p><p>Aula 11 - Hidratação</p><p>A água é um dos componentes mais importantes para o bom funcionamento dos</p><p>tecidos e para a sobrevivência das espécies. A pele humana hidratada apresenta-se</p><p>suave ao toque, macia e uniforme. A pele desidratada perde a suavidade e tem sua</p><p>função de órgão de proteção comprometida.</p><p>Perdemos constantemente água através da pele para o meio ambiente. Trata-se de</p><p>um processo fisiológico denominado perda transepidérmica ou transepidermal</p><p>representada pela sigla em inglês TEWL (Transepidermal Water Loss). Embora</p><p>aconteça essa transferência de água passivamente e de forma natural da pele para</p><p>o meio ambiente, ela não pode ser excessiva. Caso isso aconteça, a integridade da</p><p>pele será afetada e será comprometida a sua função de barreira de proteção. Não</p><p>podemos nos esquecer de que a principal função da pele é proteger o corpo de</p><p>45</p><p>substâncias externas, impedindo a sua entrada no organismo. Além disso, ela</p><p>também forma uma capa de proteção para manter a umidade no interior do</p><p>organismo. Se a pele estiver danificada pela desidratação, a sua capacidade de</p><p>barreira cutânea estará diminuída, permitindo que agentes nocivos possam invadir o</p><p>corpo bem como redobrará a quantidade de água perdida (aumentando a</p><p>porcentagem de TEWL). Esse fato poderá causar ainda mais desidratação.</p><p>Felizmente a água perdida através da pele pode ser reposta. As quantidades</p><p>perdidas e repostas devem ser proporcionais, mantendo-se um equilíbrio que é</p><p>fundamental para assegurar sua hidratação e consequentemente a função de</p><p>proteção, saúde e beleza. A pele pode apresentar diferentes graus de hidratação.</p><p>A hidratação entre as camadas dérmica e epidérmica é diferente, sendo que a</p><p>camada dérmica é sempre mais hidratada que a camada epidérmica (estrato</p><p>córneo). Isso se deve à vascularização dérmica. Essa parte da pele é irrigada pela</p><p>circulação sanguínea e, portanto, recebe suprimento de água constante proveniente</p><p>do plasma que deixa o capilar sanguíneo e irriga o tecido. Já o grau de hidratação</p><p>da camada córnea é muito menor, pois esta não é vascularizada. O seu grau de</p><p>hidratação depende da água que chega até ela por intermédio de duas vias: a via</p><p>endógena que é representada pela água que passa da derme para a epiderme; e a</p><p>via exógena que é representada pela água que chega através da umidade do meio</p><p>ambiente, assim como pela aplicação de cosméticos hidratantes na superfície.</p><p>Lembrando que a água endógena pode ser definida como aquela que ingerimos, é</p><p>transportada pelo sangue para todo o organismo, inclusive para a derme que depois</p><p>a passa para a epiderme através de um mecanismo chamado difusão.</p><p>A água exógena é a captada do meio ambiente, conforme a umidade relativa do ar,</p><p>ou por meio da aplicação de cosméticos.</p><p>É importante entendermos que a hidratação dérmica é constante e não é afetada por</p><p>fatores externos, ao contrário da hidratação epidérmica cujo grau de hidratação pode</p><p>ser muito variável, pois é decorrente de um equilíbrio entre o fornecimento e as</p><p>perdas por evaporação. Portanto, quando falamos em pele hidratada ou desidratada,</p><p>estamos, na maioria das vezes, nos referindo à epiderme.</p><p>Vários fatores podem alterar o grau de hidratação da epiderme:</p><p> Grau de umidade externa - dias mais secos e dias úmidos;</p><p> Quantidade de água transportada a partir da camada dérmica para a superfície;</p><p>46</p><p> Qualidade do MHL (manto hidrolipídico - emulsão natural formada entre a água</p><p>proveniente do suor e a gordura proveniente das glândulas sebáceas; o MHL é</p><p>responsável em parte pela proteção epidérmica);</p><p> Hidratação geral do indivíduo (água endógena, ou seja, o quanto de água circula</p><p>no organismo que, por sua vez, depende de quanto de água o indivíduo ingere</p><p>entre outros fatores).</p><p>Outros fatores que podem produzir carência de água na epiderme são:</p><p> Genéticos;</p><p> Ambientais;</p><p> Comportamentais (hábito de fumar, beber);</p><p> Estresse;</p><p> Idade;</p><p> Sexo;</p><p> Detergentes (sabonetes e agentes de limpeza);</p><p> Banhos muito quentes;</p><p> Doenças;</p><p> Além do hábito de ingerir pouca água.</p><p>Como discutimos até aqui, o termo hidratação está diretamente relacionado à</p><p>presença de água. Portanto, um cosmético com ação hidratante deve ser capaz de</p><p>melhorar o teor hídrico da pele. Para melhorar esse teor, existem três formas válidas</p><p>de hidratação.</p><p>Tipos de hidratação</p><p> Oclusão;</p><p> Umectação;</p><p> Hidratação ativa.</p><p>A hidratação por oclusão é aquela na qual um ativo oclusivo formará um filme sobre</p><p>a superfície cutânea, impedindo a sua evaporação e garantindo a permanência de</p><p>água na pele. São substâncias com a capacidade de formar uma barreira superficial</p><p>– filme de óleo (filme lipofílico), que evita a evaporação de água. A água fica retida</p><p>47</p><p>entre o filme lipofílico (cosmético) e a camada córnea, mantendo-se na pele. Além</p><p>de hidratar, os óleos conferem maciez (emoliência) e suavidade à pele. A hidratação</p><p>por oclusão também pode ser chamada de hidratação por emoliência. O óleo é</p><p>componente tanto das emulsões cosméticas como também do MHL. Esse ativo é</p><p>responsável pelo toque final do produto cosmético. Assim, quando se utiliza um</p><p>emoliente de qualidade, o toque final é extremamente agradável com características</p><p>de toque aveludado. Exemplos de ativos que agem por oclusão: silicones, óleos</p><p>vegetais, vitamina E, vitamina A, álcoois graxos como o álcool de lanolina, ácidos</p><p>graxos como o ácido esteárico, vaselina, óleo mineral, parafina, squalene, ceras de</p><p>abelha, carnaúba e jojoba, gorduras animais como a de ema e a lanolina e</p><p>manteigas vegetais como cupuaçu, manga, cacau e karité.</p><p>Com a hidratação</p><p>por umectação, o ativo umectante também formará um filme na</p><p>superfície do estrato córneo. No entanto, esse filme umectante tem afinidade por</p><p>água (filme hidrofílico), ou seja, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente</p><p>e das camadas mais profundas e transferir essa água para a superfície da pele,</p><p>deixando-a com um toque final molhado. A capacidade de atrair água do ar é</p><p>chamada de higroscopia. As substâncias que agem por esse mecanismo são, na</p><p>sua maioria, de grande peso molecular (não permeiam a camada córnea) como</p><p>açúcares (sacarídeos), polímeros e proteínas. Exemplos de ativos que agem por</p><p>umectação: glicerina, sorbitol e propilenoglicol, alantoína, gluconolactona, papaia,</p><p>ureia, algas, Hidroviton, alfa-hidroxiácidos, queratina, ácido hialurônico, colágeno,</p><p>glicose e xilitol, caviar, trehalose, geleia real, PEG 600 (polietilenoglicol), lactato de</p><p>amônio e PCA.</p><p>A hidratação ou higroscopia ativa é um mecanismo de hidratação que se destaca</p><p>por não produzir nenhum tipo de filme sobre a pele. Atua profundamente no nível</p><p>celular. São considerados os hidratantes mais avançados e, por isso, chamados de</p><p>terceira geração. Temos proteínas naturais na pele, que se estruturam para formar</p><p>pequenos canais nas membranas celulares chamadas de aquaporinas. Esses</p><p>48</p><p>canais são proteínas transmembranárias responsáveis pelo transporte de água de</p><p>fora para dentro da célula, ligando o interior da célula com o exterior e mantendo a</p><p>hidratação no seu interior. Através das aquaporinas, a água presente em</p><p>abundância na derme pode fluir para hidratar a epiderme. Como nas peles jovens há</p><p>uma grande expressão (quantidade) de aquaporinas, elas são naturalmente mais</p><p>hidratadas. No entanto, o envelhecimento e a exposição solar vão reduzindo a</p><p>expressão de aquaporinas, o que também reduz a hidratação natural. Existem ativos</p><p>cosméticos capazes de normalizar o metabolismo aumentando a produção das</p><p>aquaporinas e consequentemente um fluxo mais equilibrado de água da derme para</p><p>a epiderme. Os ativos fomentadores de aquaporinas foram patenteados e batizados</p><p>com os nomes:</p><p> Aquaporine active - AQP3 → derivado do ácido glutâmico com silanestriol trealose</p><p>(extraído de plantas do deserto);</p><p> Amiporine → extraído da romã (Punica granatum);</p><p> Aquafiline → extraído do amor perfeito (Viola tricolor);</p><p> Aquasense → extraído de angico-branco (Piptadenia colubrina).</p><p>Qual é o tipo de hidratante ideal para cada tipo de pele? O profissional deve</p><p>conhecer a diferença entre os três tipos de ação e a pele do seu cliente. A partir daí,</p><p>pode definir a melhor estratégia de hidratação. Em geral, as indicações podem ser</p><p>resumidas no que segue:</p><p> Hidratantes oclusivos → indicados para peles alípicas, envelhecidas e finas</p><p>devido ao fato de que esse tipo cutâneo produz pouco ou nenhum óleo. Também</p><p>usados para hidratantes corporais;</p><p> Hidratantes por umectação → indicadas para peles oleosas e acneicas devido ao</p><p>fato de que os indivíduos portadores de peles lipídicas produzem um alto grau de</p><p>oleosidade, o que resulta na não tolerância de cosméticos oleosos;</p><p> Hidratação ativa → peles envelhecidas e sensíveis. Esse tipo de hidratação</p><p>poderá ser usado por qualquer tipo de pele desde que o veículo seja adequado,</p><p>49</p><p>mas é especialmente recomendado para as peles envelhecidas com o objetivo de</p><p>tratar e recuperar os canais de aquaporinas.</p><p>Esses ativos podem ser acrescentados em diferentes formas cosméticas: de gel a</p><p>creme. Portanto, o conceito de que não existe hidratante para pele lipídica, visto que</p><p>os hidratantes são oleosos, é um mito. A indústria cosmética é capaz de formular</p><p>géis hidratantes sem nenhum teor de óleo ou, ainda, séruns hidratantes com toque</p><p>extrasseco.</p><p>Nota: as aquaporinas foram descobertas pela primeira vez em 1974, quando foram</p><p>visualizadas através da microscopia eletrônica, mas foram caracterizadas em 1991</p><p>por Peter Agre, que recebeu o prêmio Nobel de Química em 2003 por este trabalho.</p><p>Aula 12 - Permeabilidade cutânea</p><p>Entre as diversas funções que a pele apresenta, a principal é a de proteção,</p><p>desempenhando uma importante função de barreira cutânea. Essa barreira deve ser</p><p>bem estruturada para se evitar a perda de água e a entrada de organismos e</p><p>substâncias nocivas. Uma pele saudável apresenta uma função de barreira íntegra e</p><p>funcional. Contudo, essa mesma barreira protetora acaba por limitar a entrada dos</p><p>ativos cosméticos.</p><p>Permeabilidade cutânea é a capacidade que a pele possui de deixar passar,</p><p>seletivamente, determinadas substâncias de acordo com a sua natureza bioquímica</p><p>ou determinados fatores. Em capítulos anteriores, vimos que os cosméticos são</p><p>formulações para uso tópico, sem penetração sistêmica, destinados a higienizar e</p><p>embelezar a pele, prevenindo, mantendo e melhorando suas características básicas.</p><p>Sabe-se também que a epiderme tem como função principal a proteção do corpo</p><p>humano contra a ação de agentes externos. Essa função de barreira da epiderme a</p><p>torna quase totalmente impermeável às substâncias não gasosas. Dessa forma, um</p><p>dos grandes desafios da indústria cosmética é formular produtos que consigam</p><p>vencer essa barreira e sejam aproveitados nas camadas cutâneas mais internas.</p><p>Alguns cosméticos, dependendo de suas propriedades físico-químicas, conseguem</p><p>atravessar a barreira da epiderme e ser aproveitados pela pele.</p><p>50</p><p>Locais ou sítios de ação</p><p>São os locais onde os ativos devem atuar para a obtenção do resultado cosmético</p><p>desejado. A maior parte desses alvos de ação dos cosméticos está abaixo da</p><p>epiderme, na derme e no tecido subcutâneo (ou hipoderme). Dessa forma, os ativos</p><p>devem transpor a barreira superficial e chegar até esses locais para poderem</p><p>exercer sua ação. Por exemplo:</p><p> Tratamento de combate à flacidez e rugas → derme;</p><p> Tratamento de celulite → tecido subcutâneo;</p><p> Tratamentos das discromias → derme.</p><p>Os cosméticos que têm, necessariamente, que permear a epiderme são os de</p><p>tratamento, os dermocosméticos (cosmecêuticos). Eles podem conter várias</p><p>tecnologias para ultrapassar os obstáculos oferecidos pelo estrato córneo e facilitar</p><p>a sua entrada:</p><p> Nanotecnologia (nanoesferas ou nanocápsulas, lipossomas, ciclodextrinas);</p><p> Bases biocompatíveis (bases que se assemelham ao MHL).</p><p>Nanotecnologia: podem abrigar em sua estrutura os ativos que seguem protegidos</p><p>das degradações enzimáticas que ocorrem durante o processo de permeação.</p><p>Permitem a vetorização do ativo, ou seja, que ele atinja realmente os locais</p><p>desejados para o tratamento sem se perder pelo caminho. Prolongam a liberação do</p><p>ativo, fazendo com que seja gradual e mantida durante um período, o que produzirá</p><p>efeitos mais promissores ao tratamento. Ver nota no fim da aula (*).</p><p>Bases biocompatíveis: bases cosméticas como cremes e géis com estrutura</p><p>semelhante ao manto hidrolipídico - MHL. Para isso, devem possuir semelhanças</p><p>com a estrutura do manto (conter óleo e água) e ser livres de substâncias irritantes.</p><p>Quanto mais semelhante, maior será a permeação e a capacidade de carreação de</p><p>ativos (veiculação e entrega nos locais desejados).</p><p>Tipos de permeabilidade cutânea</p><p>A permeabilidade cutânea é classificada em três tipos, de acordo com a capacidade</p><p>de permeação:</p><p>51</p><p> Substâncias permeáveis: maior capacidade de permeação (essas substâncias</p><p>abrangem os gases (principalmente O2 e CO2), etanol, água, moléculas com</p><p>menos de 0,8 nm (8.10–10 m), substâncias hidrossolúveis e substâncias</p><p>lipossolúveis de baixo peso molecular. Os filamentos de queratina presentes na</p><p>pele permitem a passagem das substâncias hidrossolúveis, ao passo que os</p><p>lipídios existentes entre os filamentos de queratina permitem a passagem das</p><p>substâncias lipossolúveis. Uma boa hidratação cutânea facilita a entrada de ativos</p><p>hidrossolúveis. Os lipossolúveis devem ter baixa volatilidade e viscosidade para</p><p>que a entrada</p><p>na pele seja eficaz;</p><p> Substâncias semipermeáveis: mediana capacidade de permeação. Englobam</p><p>aminoácidos, glicose, nucleotídeos, íons (Ca2+, Na+, K+, Cl–), vitaminas D e,</p><p>hormônios, anestésicos, resorcina e hidroquinona;</p><p> Substâncias impermeáveis: sem capacidade de permeação. Incluem eletrólitos,</p><p>proteínas e carboidratos. A entrada dos eletrólitos só é considerável se eles</p><p>estiverem ionizados. Proteínas e carboidratos são impermeáveis em razão de seu</p><p>tamanho e de sua baixa lipossolubilidade. O colágeno e a elastina, nas suas</p><p>formas naturais, são utilizados em cosméticos por sua propriedade de</p><p>umectância. Entretanto, não conseguem agir em camadas mais profundas. Essa</p><p>dificuldade pode ser minimizada se o peso molecular for reduzido por meio de</p><p>hidrólise e consequente ionização.</p><p>Vias de entrada dos cosméticos na pele</p><p>Ao imaginar por onde um cosmético entra na nossa pele, um dos primeiros locais</p><p>que nos vêm à mente são os poros. No entanto, serão apresentadas outras vias de</p><p>entrada que, muitas vezes, mostram-se mais eficientes que a entrada pelos poros.</p><p> Transepidérmica: pode ser inter ou intracelular (transcelular). Na via intercelular, o</p><p>cosmético entra pelos espaços vazios existentes entre as células. Na intracelular,</p><p>o cosmético penetra na pele atravessando as células. A entrada transepidérmica,</p><p>embora muito lenta, é considerada a mais importante em virtude da grande</p><p>extensão da pele. Dessa forma, pode-se afirmar que os homens apresentam</p><p>melhor aproveitamento dos cosméticos que as mulheres, uma vez que</p><p>geralmente têm maior superfície corporal;</p><p>52</p><p> Transfolicular (ou via transanexial): cosmético entrará pelos orifícios</p><p>pilossebáceos (óstios) e pelos canais excretores das glândulas sudoríparas</p><p>(poros). Essa via é responsável por aproximadamente 1% da entrada dos</p><p>cosméticos na pele. Como parte da entrada dos produtos ocorre pelos folículos</p><p>pilosos, uma região com maior quantidade de pelos terá maior absorção cutânea.</p><p>Fatores que afetam a permeabilidade cutânea</p><p>Fatores biológicos. Dividem-se em:</p><p> Espessura da epiderme: a hiperqueratinização dificulta a permeabilidade cutânea;</p><p> Idade: com o avanço da idade, ocorre redução da hidratação natural, o que</p><p>favorece o espessamento do estrato córneo e dificulta a entrada dos cosméticos</p><p>na pele;</p><p> Região anatômica: mucosas, regiões com grande número de orifícios</p><p>pilossebáceos ou áreas mais vascularizadas têm maior permeabilidade cutânea;</p><p>Fatores fisiológicos. Dividem-se em:</p><p> Fluxo sanguíneo: aumento do fluxo sanguíneo provoca hiperemia, tornando a pele</p><p>mais permeável;</p><p> Hidratação: peles hidratadas apresentam maior permeabilidade cutânea;</p><p> Tipo de pele: peles lipídicas e/ou acneicas dificultam a entrada de cosméticos por</p><p>causa da obstrução dos óstios (orifícios pilossebáceos). Peles alípicas também</p><p>demonstram menor permeabilidade em decorrência do baixo número ou ausência</p><p>de folículos pilossebáceos em algumas regiões;</p><p> pH da pele: o pH fisiológico é aproximadamente 5,0 (ácido). O pH alcalino eleva a</p><p>permeabilidade.</p><p>Fatores cosmetológicos. Podem ser resumidos em:</p><p> Peso molecular baixo: quanto menor a molécula, mais fácil sua entrada na pele;</p><p> Concentração: quanto maior a concentração do princípio ativo no cosmético,</p><p>maior a sua permeabilidade em vista da capacidade de difusão das substâncias;</p><p> Solubilidade: a permeabilidade aumenta com a lipossolubilidade do cosmético;</p><p> Deve-se destacar que emulsões do tipo O/A demonstram melhor permeabilidade</p><p>cutânea quando comparadas a emulsões A/O, ou seja, o excesso de óleo pode</p><p>53</p><p>dificultar a entrada do cosmético, ao passo que uma pequena quantidade pode</p><p>auxiliar;</p><p> Substâncias iônicas: atravessam a pele com maior facilidade. A entrada desses</p><p>ativos, que ocorre pelo folículo pilossebáceo, é influenciada pela intensidade e</p><p>pelo tempo de passagem da corrente elétrica. Ativos ou substâncias ionizadas</p><p>mais utilizadas são colágenos, placenta, fator natural de hidratação cutânea</p><p>(NMF), salicilato de sódio e ureia;</p><p> Tempo de exposição: quanto maior o tempo de exposição, maior a</p><p>permeabilidade cutânea;</p><p> pH do cosmético: deve estar de acordo com a sua finalidade. Geralmente</p><p>encontra-se ácido. No entanto, para resultar em elevada permeabilidade, o pH</p><p>pode apresentar-se alcalino;</p><p> Veículos: veículos vetoriais como lipossomas, nanoesferas, ciclodextrinas e</p><p>fitossomas facilitam a permeabilidade até camadas mais profundas.</p><p>Procedimentos estéticos que facilitam a permeabilidade cutânea</p><p>Há uma série de procedimentos estéticos capazes de auxiliar a permeabilidade</p><p>cutânea. Esse auxílio se deve a alterações nos fatores biológicos e fisiológicos da</p><p>pele provocados por esses procedimentos, que vão desde procedimentos básicos,</p><p>como higienização, esfoliação, tonificação, hidratação e massagem, até</p><p>procedimentos mais elaborados, como limpeza de pele, peeling, alcalinização</p><p>cutânea, iontoforese, aplicação de cosmético hiperemiante (que causam</p><p>avermelhamento na pele por ativação circulatória), uso de equipamentos a vapor e</p><p>de alta frequência.</p><p> Higienização: primeira etapa de qualquer tratamento estético. Visa retirar as</p><p>impurezas acumuladas na superfície da pele;</p><p> Esfoliação: esfoliantes físicos, químicos ou biológicos são capazes de remover</p><p>impurezas e células mortas do estrato córneo;</p><p> Tonificação: procedimento capaz de corrigir o pH cutâneo e ainda remover as</p><p>impurezas que não foram retiradas nas etapas anteriores;</p><p> Hidratação: pele hidratada tem melhor permeabilidade cutânea;</p><p> Massagem: procedimento que melhora o fluxo sanguíneo e aumenta a</p><p>temperatura corporal local, facilitando a entrada do cosmético na pele;</p><p>54</p><p> Limpeza de pele profunda: promove a desobstrução dos óstios, facilitando a</p><p>entrada dos cosméticos pela via transanexial;</p><p> Peeling: peelings físicos, químicos ou biológicos reduzem a espessura do estrato</p><p>córneo, ou seja, diminuem a hiperqueratinização. Peelings químicos e biológicos</p><p>também amolecem o cimento que une as células de queratina, facilitando a</p><p>entrada dos ativos pela via intercelular;</p><p> Alteração de pH: peles com pH alcalino demonstram maior permeabilidade</p><p>cutânea. Procedimentos como aplicação de trietanolamina (substância</p><p>quimicamente básica) com vapor de ozônio (O3) ou com alta frequência durante 3</p><p>a 5 minutos tornam a pele mais alcalina;</p><p> Iontoforese: processo pelo qual se realiza a introdução de cosméticos por meio de</p><p>corrente galvânica;</p><p> Cosméticos hiperemiantes: promovem vasodilatação local, aumentando o fluxo</p><p>sanguíneo e a temperatura corporal local, melhorando a permeabilidade da pele;</p><p> Equipamentos a vapor: promovem a dilatação dos orifícios da pele e uma</p><p>vasodilatação, facilitando a entrada dos ativos cosmetológicos por meio da</p><p>epiderme e dos anexos cutâneos;</p><p> Equipamentos de alta frequência: geram gás O3 na superfície da pele e, ao</p><p>mesmo tempo em que apresentam ação bactericida, bacteriostática, fungicida e</p><p>cicatrizante, provocam aumento de temperatura ao atravessar o organismo.</p><p>Consequentemente, ocorre vasodilatação periférica local, o que aumenta o fluxo</p><p>sanguíneo e, assim, o aporte de oxigênio, melhorando a oxigenação e o</p><p>metabolismo celular.</p><p>De acordo com o local de ação na pele (epiderme, derme ou tecido subcutâneo),</p><p>devem ser utilizados diferentes termos para se referir ao alcance do cosmético.</p><p>Assim sendo, temos os termos penetração, permeação e absorção.</p><p> Penetração: ocorre quando as substâncias atingem a camada córnea/epiderme</p><p>(ação cosmética superficial, não são dermocosméticos) como exemplos podemos</p><p>citar os hidratantes;</p><p> Permeação: ocorre quando as substâncias atingem a derme e hipoderme (tecido</p><p>subcutâneo) que é o que ocorre quando usamos dermocosméticos. Quando isso</p><p>ocorre, pode haver absorção, porém esse fato é indesejável na utilização de</p><p>55</p><p>cosméticos, pois desejamos apenas o seu</p><p>efeito local, ou seja, no local onde foi</p><p>aplicado;</p><p> Absorção: substâncias que atingem a corrente sanguínea (dermocosméticos e</p><p>medicamentos).</p><p>A absorção ocorre quando o ativo que permeou a epiderme e chegou até a derme</p><p>difunde-se para a corrente sanguínea. Isso ocorre porque a derme é vascularizada.</p><p>Os ativos, tendo contato com os capilares sanguíneos, atravessam para estes por</p><p>um mecanismo chamado difusão. Não é uma situação desejada na cosmetologia e</p><p>deve ser evitada. O termo é utilizado mais acertadamente para designar o efeito de</p><p>medicamentos de ação sistêmica no organismo (absorção transcutânea).</p><p>*Nota: A entrada dos componentes de um cosmético na pele sempre foi algo muito</p><p>questionado tanto por profissionais quanto por leigos na área. Após muitos</p><p>acreditarem que as substâncias não penetram na pele, um grupo de pesquisadores</p><p>investiu em estudos para conhecer o comportamento da pele e, assim, encontrar</p><p>meios para minimizar os efeitos de barreira que a pele oferece aos produtos</p><p>cosméticos. Dessa forma, descobriram carreadores específicos, capazes de levar as</p><p>substâncias cosméticas até a sua camada de atuação. Essas substâncias foram</p><p>chamadas de veículos vetoriais, que são estruturas que podem levar o princípio</p><p>ativo hidrossolúvel ou lipossolúvel para dentro da epiderme. Os carreadores</p><p>usualmente empregados na cosmética são lipossomas, Thalasphere®, Naosferas®,</p><p>ciclodextrinas, fitossomas e silanóis.</p><p> Lipossomas: estruturas uni ou multilamelares com grande afinidade pelos</p><p>fosfolipídios cutâneos, pois geralmente são constituídas de fosfolipídios (como a</p><p>fosfatidilcolina com ou sem colesterol), mas também podem ser feitas com éteres</p><p>de poliglicerol ou ceramidas. Esses veículos vetoriais podem transportar ativos de</p><p>diferentes finalidades (extratos vegetais, vitaminas, enzimas, filtros solares, entre</p><p>outros) ao se depararem com a membrana da célula. Os lipossomas liberam os</p><p>ativos contidos em seu interior;</p><p> Thalasphere®: macroesferas de colágeno marinho recobertas por uma película de</p><p>GAGs (carboidrato da classe dos glicosaminoglicanos). Esses lipossomas podem</p><p>ser degradados pelas enzimas da pele;</p><p>56</p><p> Nanosferas®: esferas poliméricas microporosas de polietileno que possuem</p><p>elevada estabilidade em formulações com tensoativos. Esses veículos liberam</p><p>gradualmente os princípios ativos contidos em seu interior;</p><p> Ciclodextrinas: carboidratos complexos compostos de unidades de glicose (α-D-</p><p>glicopiranose) unidas por ligações tipo α-1,4, com estrutura semelhante a um</p><p>tronco de cone;</p><p> Fitossomas: lipossomas com extratos vegetais. São obtidas pela dissolução do</p><p>extrato concentrado da planta ou de outro princípio ativo, em solução ácida com</p><p>quitosana. A partir do gel formado nessa dissolução, produzem-se as</p><p>microesferas;</p><p> Silanóis: compostos à base de silício orgânico que, por ter grande afinidade com a</p><p>pele, possui alta capacidade de penetração e permeação cutânea. O silício atua</p><p>ainda como antioxidante e estimula a síntese proteica. É fundamental para a</p><p>formação do colágeno.</p><p>Aula 13 - Tipos de pele e suas necessidades cosméticas</p><p>A pele pode ser classificada com base em vários parâmetros diferentes como:</p><p>fototipo, sensibilidade, grau de hidratação em que se encontra, capacidade de</p><p>produção de gordura, tônus, turgor, alterações da pigmentação, flacidez, entre</p><p>outros. Nesta aula, daremos ênfase à classificação da pele no tocante à sua</p><p>capacidade de formação de óleo (ou sebo).</p><p>Classificação da pele segundo o grau de oleosidade</p><p>Podemos classificar a pele dependendo da sua produção de óleo (intensa, média ou</p><p>fraca). Essa condição interfere diretamente com a escolha dos cosméticos de</p><p>utilização. Somente após a avaliação do tipo de pele quanto ao grau de oleosidade,</p><p>o profissional da área de estética estará apto a selecionar quais os produtos</p><p>cosméticos compatíveis e adequados ao uso para aquele biotipo.</p><p>A estrutura responsável pela produção de óleo na pele é a glândula sebácea.</p><p>Encontram-se normalmente anexas ao folículo piloso e utilizam o canal de saída do</p><p>pelo para exteriorizar o conteúdo de óleo produzido. Uma vez na superfície, o óleo</p><p>se espalha e, encontrando a água proveniente da perda transepidermal, formará o</p><p>57</p><p>manto hidrolipídico (MHL). O sebo é composto por lipídios e se constituem em</p><p>triglicerídeos, colesterol, ésteres de colesterol e ácidos graxos, além de porções da</p><p>célula secretora. De acordo com a quantidade de sebo produzido, a pele pode então</p><p>ser classificada em quatro tipos:</p><p> Oleosa ou lipídica;</p><p> Mista;</p><p> Normal ou eudérmica;</p><p> Seca ou alípica.</p><p>Cada um desses tipos apresenta características próprias.</p><p>A pele seca - alípica tem como características principais a presença de óstios muito</p><p>finos e delicados, quase imperceptíveis. Sua espessura também é fina com</p><p>tendência a apresentar-se com aparência envelhecida. Esse tipo de pele reage</p><p>significativamente às diferenciações climáticas, o que torna bastante comum a</p><p>presença de alterações. Podemos citar, por exemplo, que, em estações frias e com</p><p>umidade ambiente reduzida, a pele alípica tende a apresentar descamação e</p><p>asperezas com sensação de repuxamento. A glândula sebácea desse tipo cutâneo</p><p>não produz a quantidade necessária de lipídios para a proteção adequada pelo</p><p>manto hidrolipídico com consequente perda de água transepidermal de forma</p><p>abundante e frequente desidratação. Tendo em vista esses fatores, verifica-se a</p><p>necessidade de correção para mantê-la saudável. As necessidades de hidratação</p><p>são grandes, além de adequada proteção solar. Recomenda-se hidratação com</p><p>cosméticos que atuam através dos três mecanismos de hidratação – oclusivos,</p><p>umectantes e também por hidratação ativa. A nutrição também é recomendada</p><p>através de ativos como vitaminas, agentes antioxidantes e estimuladores de</p><p>produção de colágeno e elastina. Raramente deve ser realizada a limpeza de pele,</p><p>pois não há tendência à formação de comedões. Os veículos cosméticos</p><p>recomendados são aqueles que trazem óleo em sua formulação como as emulsões</p><p>do tipo A/O. A nutrição pode ser obtida pela utilização de séruns de tratamento. Uma</p><p>observação importante a ser feita é que embora a desidratação seja uma</p><p>característica comum para as pessoas portadoras de pele seca, ela não deixa de</p><p>estar presente em todos os outros tipos de pele. Alguns ativos que podem ser muito</p><p>bem aproveitados por esse tipo de pele são: hidratantes por umectação como PCA-</p><p>58</p><p>Na, óleos vegetais e minerais, ureia, ácido hialurônico, alantoína, extrato glicólico de</p><p>mel, aloe vera, algas marinhas, glicerina, entre outros.</p><p>A pele normal - eudérmica apresenta como características a presença de óstios</p><p>finos e delicados, espessura normal, textura normal e brilho natural. Em resumo,</p><p>encontra-se equilibrada e raramente é afetada por fatores climáticos. Suas</p><p>necessidades de reparação são mínimas. Somente a manutenção da hidratação e</p><p>cuidados preventivos como a proteção solar já são suficientes para mantê-la em</p><p>bom estado. A hidratação pode ser feita por meio de qualquer um dos mecanismos</p><p>de ação hidratantes. A limpeza de pele é um cuidado que raramente é necessário.</p><p>Por ser uma pele naturalmente resistente, tolera e se beneficia de todos os tipos de</p><p>cosméticos nas diversas formas como emulsões, géis, séruns entre outras.</p><p>A pele oleosa - lipídica tem como características a presença de óstios profundos e</p><p>visíveis na maior parte da face. Devido à grande atividade das glândulas sebáceas,</p><p>há a profusão de oleosidade na superfície, tendo como consequência um brilho</p><p>intenso e tendência à formação de acne. Embora possa apresentar-se desidratada</p><p>ocasionalmente, essa condição é mais rara nas peles oleosas, assim como a</p><p>aparência envelhecida. Os lipídios conferem hidratação natural e também corrigem</p><p>possíveis fatores que levam ao aparecimento de rugas de maneira precoce. Diante</p><p>desse quadro, podemos notar que a pele lipídica tem grandes necessidades de</p><p>correção cosmética. Requer mais limpeza e esfoliação que os outros tipos cutâneos</p><p>e cuidado na escolha dos veículos cosméticos. Devem ser evitados cosméticos que</p><p>tenham muito óleo ou substâncias comedogênicas na formulação, sendo</p><p>recomendados veículos a base de água tais como géis, séruns e, eventualmente,</p><p>frente à necessidade momentânea de hidratação, são recomendadas as emulsões</p><p>O/A com ativos umectantes. Outra classe de produtos cosméticos que são</p><p>recomendados é a dos controladores de oleosidade, também chamados de</p><p>seborreguladores ou sebonormalizadores. Eles são formulados com ativos que</p><p>procuram normalizar a síntese de sebo, além de terem propriedades antibacterianas.</p><p>Esses fatores se somam para evitar a escalada da pele lipídica para a acneica.</p><p>Alguns exemplos de ativos sebo-normalizadores são os desenvolvidos e batizados</p><p>pelo mercado como Sebonormine (extrato da planta Spiraea), derivados de</p><p>melaleuca (Epicutin - complexo de melaleuca e ciclodextrinas que reduz o odor,</p><p>aprimorando as propriedades antibacterianas da planta), azeloglicina (derivado do</p><p>59</p><p>ácido azelaico com ações seborreguladora, antibacteriana, anti-inflamatória e</p><p>despigmentante) e argila branca (propriedades adsorventes da oleosidade). Uma</p><p>observação importante sobre as peles lipídicas é que não devem ser higienizadas</p><p>em excesso, mais do que duas vezes ao dia, em função do chamado efeito rebote.</p><p>O que é efeito rebote? O organismo sempre trabalha no sentido de repor aquilo que</p><p>é retirado, assim sendo, quanto mais o óleo for retirado da superfície cutânea por</p><p>meio de higienizações frequentes, mais estimulada a glândula sebácea será,</p><p>resultando no aumento da produção de sebo. No tocante a veículos, o mais</p><p>adequado para esse tipo de pele é o gel. Os géis são produtos formulados à base de</p><p>água sem conteúdo de óleo ou com conteúdo reduzido dessa matéria-prima. O</p><p>mercado cosmético produz três variedades muito importantes para o uso nas peles</p><p>lipídicas que são o gel toque seco, o toque limpo e o efeito mate, que reduz o brilho</p><p>causado pelo excesso de óleo. Os ativos mais recomendados, além dos</p><p>seborreguladores, são vários tipos de ácidos como bórico, glicólico, lactobiônico,</p><p>lático, mandélico, salicílico, entre outros; ativos como azuleno, própolis, Seboryl,</p><p>Sulfato de Zinco, Triclosan, enxofre, gluconolactona, calamina (minério de Zn),</p><p>bardana , betaglucan, calêndula, camomila, entre outros.</p><p>A pele mista tem como características apresentar-se por regiões distintas na face.</p><p>Lateralmente tem tendência à normalidade (por vezes seca). A área mediana,</p><p>também chamada de zona T, tem tendência à oleosidade e características</p><p>semelhantes à pele lipídica. A região mediana apresenta óstios profundos e visíveis</p><p>que se tornam escassos e pouco visíveis no restante da face. O brilho é normal nas</p><p>regiões de contorno e se torna mais intenso na zona T. Esses diferenciais indicam</p><p>que essa pele precisa ser equilibrada. As necessidades cosméticas de esse tipo são</p><p>invulgares, uma vez que necessita de ativos e protocolos diferentes para cada</p><p>região. Podemos usar basicamente os mesmos ativos empregues nas peles oleosas</p><p>na região de zona T desde que respeitemos as áreas secas, utilizando os ativos</p><p>adequados para este outro tipo. A esfoliação deve ser regular, especialmente nas</p><p>regiões oleosas, com os devidos cuidados nas regiões secas. A limpeza de pele</p><p>deve ser periódica e os veículos recomendados são as emulsões O/A e géis. É o</p><p>tipo de pele mais frequente na população brasileira.</p><p>Aula 14 - Procedimentos básicos para cuidados faciais</p><p>60</p><p>Procedimentos básicos são aqueles que destinam-se à higienização, esfoliação,</p><p>tonificação e hidratação da pele. Utilizados principalmente nos cuidados faciais, mas</p><p>também podem ser aproveitados nas práticas corporais. Podem ser utilizados em</p><p>todos os tipos cutâneos e devem ser realizados antes do início de qualquer</p><p>tratamento estético. Também devem ser adotados nas práticas de home care como</p><p>cuidados diários.</p><p>Higienização</p><p>A higienização representa a primeira etapa de qualquer tratamento estético. Seu</p><p>objetivo é remover a sujidade depositada e/ou acumulada na superfície do estrato</p><p>córneo, visto que essa sujidade tende a dificultar a entrada do cosmético na pele do</p><p>cliente. Caso o cliente esteja maquiado, deve-se remover primeiramente a</p><p>maquiagem utilizando demaquilante ou outros produtos destinados a esse benefício</p><p>e, então, proceder à higienização. Muitos higienizantes são indicados para também</p><p>remover a maquiagem. A sujidade depositada e/ou acumulada sobre a pele pode ter</p><p>as seguintes procedências:</p><p> Próprio metabolismo: gorduras insaturadas produzidas e excretadas pelas</p><p>glândulas sebáceas e outras substâncias como sais minerais e ureia,</p><p>provenientes do suor produzido e excretado pelas glândulas sudoríparas. Tanto a</p><p>gordura quanto outras substâncias podem dificultar a entrada dos cosméticos na</p><p>pele, visto que obstruem os óstios e os poros da pele, minimizando principalmente</p><p>a entrada pela via transfolicular. As células mortas no estrato córneo também</p><p>representam um material gerado pelo próprio metabolismo e o seu acúmulo na</p><p>superfície cutânea tende a dificultar a permeabilidade, já que constitui uma</p><p>barreira sobre a pele.</p><p> Meio externo: os resíduos de produtos cosméticos constituem os principais vilões</p><p>entre as substâncias provenientes do meio externo capazes de dificultar a</p><p>permeabilidade. Esses resíduos podem ser de maquiagem, hidratantes,</p><p>protetores solares, enfim, de cosméticos que foram aplicados sobre a pele, mas</p><p>não foram removidos corretamente. Além dos cosméticos, considerar ainda a</p><p>poeira, a poluição ambiental e os próprios micro-organismos que habitam nossa</p><p>epiderme.</p><p>61</p><p>Para a remoção das sujidades, que poderão ter características hidrofílicas ou</p><p>lipofílicas, são utilizados nos cosméticos higienizantes, agentes tensoativos que</p><p>atendam a essas duas características. O tensoativo deve ser capaz de solubilizar</p><p>essas sujidades para que seja possível sua remoção. O mercado cosmético oferece</p><p>uma variedade de produtos com ação higienizante. Essa variedade envolve não</p><p>apenas o uso de diferentes princípios ativos, mas também diversas formas de</p><p>apresentação. Isso permite que o profissional tenha várias opções de escolha. A</p><p>seleção deverá ser baseada, principalmente, nos ativos presentes no produto e no</p><p>teor de óleo da formulação, ou seja, um gel higienizante é isento de óleo, ao passo</p><p>que o leite de limpeza pode conter substâncias graxas. Independentemente da</p><p>forma de apresentação do higienizante, nenhum cosmético para tal benefício deve</p><p>ser utilizado mais de duas vezes ao dia. Vale lembrar que, ao remover a sujidade,</p><p>removemos também o manto hidrolipídico da superfície do estrato córneo. Quando</p><p>esse manto é retirado de forma intensa, ocorre um estímulo das glândulas</p><p>sebáceas, tornando a pele mais oleosa (efeito rebote) e, consequentemente, com</p><p>pH alcalino. Esse pH favorece a proliferação de micro-organismos, induzindo ao</p><p>aparecimento de lesões acneicas inflamatórias. Nos cuidados básicos diários, em</p><p>home care, a higienização deve ser seguida pela tonificação. No entanto, nos</p><p>cuidados básicos em protocolos de tratamentos estéticos, a higienização geralmente</p><p>é seguida pela esfoliação. Por reduzir a espessura da epiderme, a esfoliação</p><p>contribui com a melhora da permeabilidade cutânea.</p><p>Esfoliação</p><p>A esfoliação não deve ser realizada diariamente, visto que esse procedimento reduz</p><p>a espessura da epiderme por remover células mortas do estrato córneo de forma</p><p>mais intensa e homogênea, quando comparada à etapa anterior da higienização.</p><p>Como a pele se renova em uma média de 28 dias, sugere-se que seja respeitado</p><p>esse intervalo de tempo entre as esfoliações. No entanto, o profissional deve</p><p>analisar as condições</p><p>cutâneas de seu cliente, já que, em alguns casos, a indicação</p><p>poderá ter um intervalo de tempo menor. Os esfoliantes podem ter ação mecânica,</p><p>química ou biológica, de acordo com o agente utilizado.</p><p>62</p><p> Agentes físicos: promovem a esfoliação por um efeito mecânico com ação</p><p>abrasiva. Podem ser de baixa, média ou alta abrasão, dependendo da</p><p>agressividade do agente esfoliante. Em geral, recomenda-se baixa e média</p><p>abrasão para protocolos faciais e alta abrasão para protocolos corporais (é</p><p>necessário avaliar a condição cutânea de cada cliente e sua necessidade);</p><p> Agentes químicos: possuem agentes capazes de promover a chamada esfoliação</p><p>cutânea. A ação química desses agentes reduz a coesão entre os queratinócitos,</p><p>acelerando o processo de descamação da pele, o que resulta em renovação</p><p>celular. Esses agentes são ácidos como o cítrico, láctico, glicólico, málico,</p><p>mandélico, retinoico (proibido para cosméticos comercializados), salicílico,</p><p>tartárico e tricloroacético (proibido para cosméticos comercializados);</p><p> Agentes biológicos: também são conhecidos como esfoliantes enzimáticos, visto</p><p>que o efeito da retirada de células mortas é resultante da ação de enzimas</p><p>proteolíticas (também conhecidas como proteases). Essas enzimas são capazes</p><p>de transformar proteínas indesejáveis em aminoácidos por meio da quebra das</p><p>ligações peptídicas das proteínas. Como os aminoácidos possuem moléculas</p><p>menores, são facilmente eliminados. As enzimas proteolíticas mais utilizadas pela</p><p>cosmetologia são a papaína (mamão), a bromelina (abacaxi) e a ficina (figo).</p><p>Esses esfoliantes apresentam maior segurança e reduzida irritabilidade quando</p><p>comparados aos esfoliantes químicos e até mesmo aos físicos. Não é</p><p>aconselhável esfoliar ao redor dos olhos e os seios (região areolar), pois são</p><p>áreas extremamente sensíveis. Também não se recomenda esfoliar a pele após a</p><p>depilação ou antes de exposição ao sol;</p><p> Gomagem: forma de esfoliação mecânica suave, cuja aplicação e remoção são</p><p>diferentes dos esfoliantes tradicionais, embora a função do cosmético seja igual.</p><p>Tonificação</p><p>A tonificação é a etapa dos cuidados básicos responsável pelo equilíbrio do pH da</p><p>pele e pela remoção da sujidade remanescente na superfície cutânea. Deve ser</p><p>realizada duas vezes ao dia, após a higienização com o agente de limpeza. Esse</p><p>cosmético costuma estar disponível na forma de líquido aquoso ou hidroalcoólico. O</p><p>pH da pele encontra-se em torno de 5,5, variando nas diferentes regiões do corpo.</p><p>63</p><p>Considerando a tendência dos cosméticos multifuncionais, os tônicos podem</p><p>apresentar funções que vão além das citadas anteriormente. Eles podem ser</p><p>adstringentes, matificantes, calmantes, hidratantes, entre outras ações, de acordo</p><p>com os ativos presentes na formulação. No entanto, deve ficar claro que,</p><p>independentemente da função extra que um tônico possa ter, a principal função de</p><p>todos eles é a correção do pH cutâneo.</p><p>Hidratação</p><p>O termo hidratação está diretamente relacionado à água. Portanto, um cosmético</p><p>com ação hidratante deve ser capaz de melhorar o teor hídrico da pele. Para</p><p>melhorar esse teor, existem três formas válidas de hidratação: por oclusão ou</p><p>emoliência, por umectação e a de última geração que é chamada de hidratação ativa</p><p>(voltar à aula de hidratação para mais detalhes). Em linhas gerais, deve ser utilizada</p><p>diariamente.</p><p> Peles normais → utilizar 2 a 3 vezes ao dia;</p><p> Peles alípicas → usar quantas vezes ao dia for necessário para restabelecer e/ou</p><p>manter a hidratação;</p><p> Peles lipídicas e mistas → deve ser usada à medida das necessidades. Havendo</p><p>uso exagerado, pode levar a complicações como o aparecimento de acne. Dessa</p><p>forma, deve sempre ser feita com as orientações e acompanhamento do</p><p>profissional em estética.</p><p>Aula 15 - Fotoproteção</p><p>Os fotoprotetores são os protetores solares, cosméticos indispensáveis quando se</p><p>trata de proteção da pele e dos cabelos contra as radiações do tipo ultravioleta (UV).</p><p>Embora também proporcionem benefícios para os seres vivos, os danos que essas</p><p>radiações podem provocar variam de acordo com a intensidade da radiação. Por</p><p>isso, a cosmetologia criou ativos capazes de minimizar esses danos. Nesta aula,</p><p>vamos aprender o que são e como agem esses ativos, compreendendo de forma</p><p>detalhada as especificações dos rótulos dos protetores solares.</p><p>Antes de discutirmos os danos que podem ser ocasionados pela exposição intensa</p><p>ao sol sem proteção solar, é importante que se saiba que o sol proporciona muitos</p><p>64</p><p>benefícios para a saúde do ser humano. É imprescindível citar que a radiação UV,</p><p>especialmente do tipo UVB, é precursora da vitamina D, que auxilia na fixação de</p><p>cálcio nos ossos, podendo evitar doenças como osteoporose e raquitismo. Além</p><p>disso, essa vitamina contribui para reduzir os níveis de colesterol, a pressão arterial</p><p>e minimizar as dores de reumatismo. Outro benefício da exposição às radiações UV</p><p>está associado ao sono e ao humor. Estudou-se a influência do sol em depressões</p><p>sazonais, tendo ele se mostrado benéfico ao tratamento.</p><p>A radiação UV atua na produção de melatonina, hormônio que contribui com a</p><p>qualidade do sono e previne transtornos mentais como a depressão. Pode-se citar,</p><p>ainda, que esse tipo de radiação pode trazer benefícios para o sistema imunológico.</p><p>A pele bronzeada e fotoprotetores</p><p>A pele bronzeada era sinônimo de saúde há poucas décadas, ao passo que a pele</p><p>pálida significava saúde precária. No início do século XX, os banhos de sol</p><p>começaram a ser utilizados como atividade recreativa, chamados de terapia do sol.</p><p>Nessa época, entretanto, os pesquisadores ainda desconheciam os efeitos da</p><p>radiação solar.</p><p>O salicilato de benzila e o cinamato de benzila, duas das primeiras matérias-primas</p><p>descobertas com ação fotoprotetora, começaram a ser utilizados no início da década</p><p>de 1920, em produtos que permitiam alta exposição ao sol. O banho de sol para</p><p>bebês popularizou-se na década de 1930 e, mesmo tendo seus benefícios</p><p>questionados por especialistas em décadas seguintes, o hábito de expor os bebês</p><p>ao sol manteve-se, assim como a busca pela pele bronzeada. Essa pele bronzeada</p><p>chegou a indicar posição social elevada, já que as pessoas de classe social alta</p><p>tinham tempo para realizar banhos de sol, ao contrário da maioria da população, que</p><p>trabalhava muito em ambientes fechados.</p><p>Esse padrão de bronzeado foi ainda mais reforçado quando pessoas representativas</p><p>da sociedade começaram a adotar essa tonalidade em sua pele como ocorreu com</p><p>a estilista Coco Chanel. Dessa forma, aumentou o uso de óleos bronzeadores. No</p><p>entanto, esses óleos bronzeadores favoreciam apenas as queimaduras solares, sem</p><p>qualquer efeito de proteção. Esse cuidado com a proteção só surgiu em decorrência</p><p>de queimaduras graves que ocorreram na época, e não por questões associadas ao</p><p>câncer de pele e/ou fotoenvelhecimento, que são conhecimentos relativamente</p><p>65</p><p>atuais. Um estudo feito com camundongos, demonstrando a possibilidade de câncer</p><p>de pele decorrente da exposição à radiação UV, foi um dos motivos que despertou</p><p>na população certo receio quanto à exposição ao sol sem nenhuma proteção.</p><p>Dessa forma, as pessoas começaram a ter consciência sobre a fotoproteção, o que</p><p>promoveu a busca por protetores solares.</p><p>Efeitos da radiação ultravioleta na pele</p><p>Antes de apresentarmos as características do protetor solar, devemos compreender</p><p>as ações dos raios solares na pele. As radiações UV estimulam os melanócitos</p><p>(células responsáveis pela produção de melanina), provocando sua divisão mitótica.</p><p>Pode-se considerar que a melanina é o filtro natural presente na pele, uma vez que</p><p>é capaz de absorver e refletir parte da radiação solar recebida. Ao absorver a</p><p>radiação, a melanina a transforma em calor e utiliza a energia gerada para</p><p>estabilizar os radicais livres originados na pele. O efeito protetor</p><p>da melanina ainda é</p><p>muito questionado pelos cientistas, mas eles admitem que a sua quantidade na pele</p><p>e a forma como as suas moléculas estão distribuídas são responsáveis pelos</p><p>resultados de uma exposição ao sol.</p><p>A exposição solar gera diversas reações químicas na pele, muitas das quais tendo</p><p>características danosas. Em curto prazo, podem-se citar as queimaduras solares, ou</p><p>seja, edemas provocados pela radiação UVB. Essa radiação provoca vasodilatação,</p><p>o que resulta em aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade cutânea. É</p><p>importante saber que essa vasodilatação ocorre não por um efeito da temperatura,</p><p>mas sim pelos danos na membrana celular, alterações na síntese proteica e</p><p>distúrbios dos ácidos desoxirribonucleico (DNA) e ribonucleico (RNA) provocados</p><p>pela radiação UV, que promoveu a liberação de citotoxinas e mediadores</p><p>inflamatórios.</p><p>Em longo prazo, as radiações UV poderão ter efeito cumulativo, induzindo ao câncer</p><p>de pele e ao fotoenvelhecimento.</p><p>Quanto ao câncer de pele, há evidências de que a radiação UV promove alterações</p><p>no sistema imunológico, fazendo com que ele não seja capaz de reconhecer</p><p>antígenos tumorais e/ou destruir células malignas. A radiação UV também provoca</p><p>diversas lesões no DNA celular. A radiação UVB tem relação mais direta com os</p><p>66</p><p>danos do câncer de pele que a radiação UVA, visto que a porção UVB é mais</p><p>energética (promove danos aos cromossomos, com posteriores mutações).</p><p>Em relação ao fotoenvelhecimento, que é o envelhecimento cutâneo de forma</p><p>precoce induzido por fatores externos como exposição a radiações do tipo UV, nota-</p><p>se que a radiação UVA é a principal responsável (relacionada com a desintegração</p><p>da vitamina A e das fibras de colágeno). Nesse caso, os danos ocorrem na derme,</p><p>em virtude do comprimento de onda dessa radiação. Existe também a radiação do</p><p>tipo UVC. A maioria dos pesquisadores afirma que essa radiação é completamente</p><p>absorvida, na estratosfera, pela camada de ozônio. Essa radiação é germicida e</p><p>pode ser considerada a mais danosa para os seres vivos, pelas suas características</p><p>penetrantes e por provocar severas queimaduras e ações mutagênicas.</p><p>Efeitos da radiação ultravioleta nos cabelos</p><p>Muito se fala sobre os danos da radiação UV na pele, mas essa radiação também</p><p>atinge os cabelos. Logo, faz-se necessário o estudo da ação dessas radiações na</p><p>fibra capilar. A radiação UV é capaz de degradar a fibra capilar em decorrência de</p><p>alterações fotoquímicas principalmente na cutícula dos cabelos, resultando em cisão</p><p>homolítica das pontes de dissulfeto presentes nessa cutícula.</p><p>Essas alterações são oriundas da geração de radicais livres decorrentes de resíduos</p><p>de elementos como cistina, fenilalanina, tirosina e triptofano, que absorveram a</p><p>radiação ultravioleta.</p><p>Da mesma forma que existe a melanina da pele, protegendo-a dos efeitos da</p><p>radiação UV, existe também a melanina nos cabelos, protegendo-os. A melanina</p><p>absorverá parte da radiação ultravioleta, minimizando a formação dos radicais livres</p><p>e, consequentemente, reduzindo o número de quebras das pontes de dissulfeto.</p><p>Outro aspecto a destacar é que, assim como as peles negras estão mais protegidas</p><p>que as peles brancas, isso pode ser considerado para os cabelos. Nota-se que</p><p>cabelos claros são mais propensos a danos decorrentes dos efeitos da radiação UV,</p><p>visto que apresentam menor concentração de melanina e, logo, menor proteção</p><p>natural.</p><p>As alterações macroscópicas na fibra capilar podem abranger o clareamento do fio,</p><p>a alteração ou eliminação celular da cutícula, a perda de resistência do fio, o</p><p>67</p><p>aparecimento de um toque áspero e uma significativa abertura das escamas</p><p>capilares, resultando em maior número das chamadas pontas duplas.</p><p>Protetor solar cosmético</p><p>O protetor solar é um cosmético cujos ativos são os chamados filtros solares. Sua</p><p>ação se concentra em minimizar os efeitos das radiações UV à medida que reduz,</p><p>por princípios de absorção, reflexão ou espalhamento, a entrada dessas radiações</p><p>nos locais em que o cosmético é aplicado, seja pele, lábios ou cabelos. O filtro ideal</p><p>deve ter inércia química, fotoquímica e térmica, e não deve ser sensibilizante,</p><p>irritante, tóxico, mutagênico ou volátil. Não pode ser absorvido pela pele, sofrer</p><p>alteração colorimétrica nem manchar pele ou roupas. Deve ser compatível com os</p><p>demais componentes da formulação e com o material da embalagem. De nada</p><p>adiantam essas características se o filtro solar não apresentar amplo espectro de</p><p>absorção, reflexão e/ou espalhamento para determinada radiação ultravioleta. Para</p><p>essa ação, podem ser utilizados filtros solares químicos e/ou físicos.</p><p> Filtro solar físico: protege a pele graças aos fenômenos físicos de reflexão e</p><p>espalhamento. Esses fenômenos são possíveis graças à ação de substâncias</p><p>químicas inorgânicas como os óxidos metálicos. O tamanho da partícula dessa</p><p>substância determinará o comprimento de onda específico de reflexão e</p><p>espalhamento da radiação UV. Quanto menor o tamanho da partícula, maior a</p><p>capacidade de reflexão e espalhamento homogêneo. Por isso, a indústria</p><p>cosmetológica desenvolveu filtros físicos com partícula de tamanho extremamente</p><p>reduzido, chegando a obter até mesmo o aspecto transparente, diferente daquele</p><p>aspecto esbranquiçado da maioria dos protetores solares de antigamente. Os</p><p>ativos mais utilizados são o óxido de zinco e o dióxido de titânio. Como alguns</p><p>filtros químicos tendem a irritar a pele, os filtros físicos são indicados para</p><p>crianças e pessoas com peles sensíveis, visto que não atravessam a pele. Ficam</p><p>apenas na superfície como uma barreira, refletindo e dispersando (espalhando) a</p><p>radiação;</p><p> Filtro solar químico: totalmente diferente do físico, tanto pelo aspecto molecular</p><p>quanto pelo mecanismo de ação fotoprotetora. As moléculas do filtro químico são</p><p>orgânicas, geralmente com cadeia aromática. Essas moléculas são capazes de</p><p>absorver a radiação UV, transformando-a em outra radiação menos energética e</p><p>68</p><p>não danosa. De acordo com a molécula, pode-se ter a absorção da radiação UVA</p><p>e/ou UVB.</p><p>Fator de proteção solar</p><p>Para que o usuário do protetor solar tenha conhecimento da capacidade de proteção</p><p>do seu cosmético, constam nos rótulos desses produtos alguns dados que nem</p><p>sempre são corretamente interpretados. No item anterior, viu-se que existem filtros</p><p>químicos para as radiações no comprimento UVA e no comprimento UVB. Portanto,</p><p>nos rótulos, também aparecerão informações quanto à capacidade de proteção do</p><p>produto em relação a essas radiações.</p><p> Proteção contra UVB: foi a primeira a ser utilizada nos produtos cosméticos. Essa</p><p>proteção é identificada nos rótulos por meio da sigla FPS (fator de proteção solar).</p><p>O valor numérico que acompanha essa sigla indica quantas vezes mais, em</p><p>relação ao tempo, o usuário com esse cosmético sobre a pele está protegido, ou</p><p>seja, um protetor com FPS 10 indica que seu usuário estará 10 vezes mais</p><p>protegido, em relação ao tempo, do que se estivesse sem protetor. Esse tempo</p><p>existe porque cada pessoa tem um tempo de proteção natural, resultante da ação</p><p>da melanina. Apenas depois desse tempo é que começamos a sofrer os danos da</p><p>exposição ao sol. Então, considerando uma pessoa cujo tempo de proteção</p><p>natural é de 12 minutos, caso ela utilize um protetor FPS 10, ficará protegida</p><p>durante 120 minutos (12x10). Teoricamente, somente depois desse tempo seria</p><p>necessária a reaplicação do produto. A indústria cosmética determina o FPS dos</p><p>produtos seguindo o modelo internacional proposto pela FDA em 1978. De acordo</p><p>com a metodologia, deve-se aplicar o protetor solar a ser testado em uma área da</p><p>pele de voluntários na concentração de 2 mg/cm2. Esses voluntários serão</p><p>submetidos a doses progressivas de radiação ultravioleta de luz artificial e, após</p><p>16 a 24 horas de exposição, realiza-se a leitura da dose eritematosa mínima</p><p>(DEM) da área com protetor solar e de uma área sem protetor solar. Assim, faz-se</p><p>para cada voluntário a razão entre a DEM com proteção e a DEM sem proteção.</p><p>O FPS do cosmético deve ser calculado com base em uma média de resultados</p><p>encontrados na análise de 10 a 20 voluntários. Note que, com base na fórmula e</p><p>conhecendo a sua DEM sem protetor solar, ou seja, o tempo em que a sua pele</p><p>começa a apresentar eritema (sinais de queima) sem protetor solar, é possível</p><p>69</p><p>calcular o tempo pelo qual a sua pele permanecerá protegida do efeito da</p><p>radiação UV utilizando determinado protetor com FPS conhecido. Tendo</p><p>compreendido que os valores de FPS estão relacionados ao tempo, você pode</p><p>estar se perguntando por que já ouviu que os protetores com FPS acima de 30</p><p>são todos iguais. Essa consideração é feita por conta da capacidade de proteção</p><p>dos protetores solares de acordo com a quantidade de filtros utilizados e,</p><p>consequentemente, o FPS. A porcentagem de proteção oferecida por um FPS 15</p><p>é 93,3% e a de um FPS 30 é 96,6%. Portanto, mesmo duplicando o valor do FPS</p><p>(ou seja, duplicando o tempo de proteção), a capacidade de proteção aumenta</p><p>pouco. Assim, ao utilizar um cosmético com FPS 15, teremos cerca de 6,7% de</p><p>radiação UVB entrando na nossa epiderme, ao passo que, ao utilizar FPS 30,</p><p>teremos cerca de 3,4% de radiação UVB entrando na nossa epiderme. Como</p><p>essa diferença tende a ser cada vez menor à medida que aumentamos o valor do</p><p>FPS, generaliza-se que acima de 30 são todos iguais. Logo, considera-se a</p><p>porcentagem de radiação UVB que entrará na pele, mas não o tempo de duração</p><p>do protetor solar sobre ela. É importante saber que esses valores de tempo levam</p><p>em consideração o produto realmente sobre o local a ser protegido (pele, cabelos,</p><p>lábios). À medida que o usuário transpire ou faça qualquer atividade que possa</p><p>remover esse produto do local de proteção, esse valor não será igual. Por isso, é</p><p>muito importante o retoque do produto não apenas após o tempo de ação do</p><p>produto, mas também sempre que se perceba que algo possa tê-lo removido. O</p><p>conceito de FPS foi desenvolvido pelo professor Franz J. Greiter, tendo sido</p><p>adotado em 1978 pela FDA e mantido até hoje;</p><p> Proteção contra UVA: da mesma forma que discutimos a sigla FPS para indicar a</p><p>proteção contra a radiação UVB, discutiremos a sigla PPD para indicar a proteção</p><p>contra a radiação UVA. A sigla PPD significa: persistent pigment darkening, já que</p><p>a radiação UVA é pigmentógena, sendo a responsável pela pigmentação tardia</p><p>e/ou persistente que aparece na pele, horas após a exposição ao sol. O teste</p><p>para a determinação do PPD de um produto cosmético é muito semelhante ao</p><p>teste de determinação do FPS. No entanto, para FPS, a análise do eritema é feita</p><p>imediatamente após o término do tempo da exposição à radiação UVB da luz</p><p>artificial. Para a determinação do PPD, por sua vez, espera-se de 2 a 4 horas</p><p>após o término do teste, para verificar o efeito pigmentógeno provocado pela</p><p>70</p><p>exposição à radiação UVA da luz artificial. Segundo a Comunidade Europeia, o</p><p>valor mínimo para o PPD deve ser de um terço do valor do FPS. No entanto, para</p><p>a radiação UVA, existem outras formas de indicar a proteção nos rótulos dos</p><p>protetores solares. Há empresas que adotam a indicação por porcentagem; outras</p><p>adotam a representação com cruz (+). A porcentagem é um entendimento direto,</p><p>ou seja, 97% de proteção UVA indica que apenas 3% de radiação UVA está</p><p>alcançando a nossa derme. Já a representação com a cruz não indica um valor</p><p>específico e sim um nível de proteção. Como a radiação UVA também é danosa à</p><p>pele, o desenvolvimento de fotoprotetores atuais visa à obtenção de produtos com</p><p>proteção UVA e UVB. Assim, é comum encontrar fotoprotetores que atendam a</p><p>essas duas necessidades de proteção.</p><p>Formas de apresentação</p><p>Considerando que a função principal de um protetor solar é proteger a pele por meio</p><p>da ação dos filtros solares químicos e/ou físicos, conclui-se que os filtros são os</p><p>ativos da formulação dos protetores solares. Já os veículos serão responsáveis por</p><p>distribuir esses ativos na superfície cutânea e ainda determinarão a forma de</p><p>apresentação desse cosmético. Embora diversos veículos sejam utilizados na</p><p>formulação dos protetores solares, alguns são elaborados com maior frequência</p><p>como as soluções hidroalcoólicas, as emulsões e os géis.</p><p>As soluções hidroalcoólicas são compostas, basicamente, de água e álcool,</p><p>apresentando ótima espalhabilidade e secagem rápida, deixando apenas os filtros</p><p>sobre a pele. As emulsões geralmente não apresentam o toque seco, visto que</p><p>apresentam componentes oleosos na formulação. Em contrapartida, permitem</p><p>melhor associação de filtros, visto que poderão conter filtros hidro e lipossolúveis. O</p><p>gel é uma forma de apresentação com características hidrofílicas, logo, permite a</p><p>utilização de filtros com polaridade polar (hidrossolúveis).</p><p>É importante citar ainda que, com o advento dos cosméticos multifuncionais, há uma</p><p>variedade de cosméticos fotoprotetores com outros benefícios cosméticos como</p><p>hidratação, ação antioxidante, controlador de oleosidade, firmador e maquiagem.</p><p>Dessa forma, sempre será possível encontrar um produto que atenda às</p><p>necessidades do seu cliente e até mesmo supere as suas expectativas.</p><p>71</p><p>Aula 16 - Argiloterapia</p><p>A argila é um produto do tempo, isto é, do envelhecimento natural dos cristais das</p><p>rochas. Formam-se a partir da degradação e decomposição da rocha, devido à</p><p>exposição a vento, água, apodrecimento de vegetação e agentes químicos ao longo</p><p>dos anos, que causam alterações no mineral. É encontrada em diversas</p><p>profundidades em jazidas a céu aberto e são encaminhadas para a indústria para</p><p>processamento. Após sua extração, são retirados compostos indesejáveis (como</p><p>pedras, insetos e outros contaminantes). A extração de argilas é finita, vem de</p><p>reservas naturais e provoca impactos negativos no meio ambiente, por isso, devem</p><p>ser utilizadas de forma consciente. São empregadas em cosméticos como</p><p>excipientes ou como ativos, devem ser seguras para a utilização apresentando</p><p>pureza e sendo livres de metais pesados como chumbo e arsênio por exemplo.</p><p>As antigas civilizações utilizaram intensamente. Os egípcios utilizaram para</p><p>purificação dos corpos, porque conheciam seus princípios purificadores. Foram uma</p><p>das primeiras formas de medicina natural conhecidas pela humanidade e eram</p><p>utilizadas pelas civilizações antigas como medicamento, principalmente para</p><p>ferimentos. O uso da argila para tratamentos ficou conhecido como argiloterapia ou</p><p>geoterapia. Os minerais contidos nas argilas são chamados de oligoelementos.</p><p>Limpeza</p><p>São feitos exames microbiológicos para verificar se há presença de fungos,</p><p>leveduras e bactérias. Passam por uma área de secagem e são tratadas para</p><p>descontaminação que podem ser com dois tipos de procedimentos: raios gama ou</p><p>ozônio (que conserva bem mais suas propriedades).</p><p>Características e composição</p><p>As cores das argilas são naturais, isto é, não são coloridas artificialmente com</p><p>pigmentos e corantes. As quantidades de óxido de ferro (limonita) presentes é que</p><p>determinam a coloração da argila. Podendo variar de amarela, marrom, roxa,</p><p>vermelha, ocre, cinza, branca, rosa etc. A qualidade e a composição da argila</p><p>dependem muito da região em que cada tipo é extraído. Cada tipo apresenta uma</p><p>composição de minerais diferentes e é essa composição diversificada que confere</p><p>72</p><p>às argilas diversas propriedades e aplicações. Por isso, torna-se muito importante</p><p>conhecer a composição antes de usá-la.</p><p>Os minerais encontrados nas argilas são derivados de compostos de oxigênio,</p><p>silício, alumínio, ferro, cálcio, sódio, potássio, magnésio, hidrogênio, titânio, cloro,</p><p>fósforo, carbono, magnésio e enxofre. Os minerais mais abundantes na argila são o</p><p>caulim e a bentonita que são formados a</p><p>V ao X), os cuidados cosméticos foram completamente</p><p>abandonados. Somente as pessoas que viajavam entre a Europa e os países do</p><p>Oriente (China, Japão, Índia etc.) é que tinham acesso a essas preparações.</p><p>A Índia e os países árabes se desenvolveram muito em relação à Europa e</p><p>cultivaram os cuidados com a higiene, que eram extensamente praticados por esses</p><p>povos se comparados aos europeus. Desenvolveram e aprimoraram métodos de</p><p>destilação e, com isso, obtiveram um grande número de drogas e ingredientes. O</p><p>médico Avicena se especializou na destilação de essências de flores. A</p><p>cosmetologia acompanhou o desenvolvimento da medicina.</p><p>No século XI, o Império Islâmico começou a diminuir. O conhecimento e a ciência</p><p>voltaram a ser exercidos na Europa, especialmente na França, na Itália e na</p><p>Espanha, que se beneficiaram dos trabalhos e conhecimentos que tinham sido</p><p>desenvolvidos pelos árabes. Havia maior compreensão sobre o preparo e a</p><p>identificação de fármacos e ativos e a primeira farmacopeia foi autenticada.</p><p>Com o retorno do conhecimento para as mãos dos europeus, o universo dos</p><p>cosméticos foi grandemente impulsionado. Seu uso foi disseminado pelas cortes e</p><p>aristocracias europeias. Os populares plebeus queriam imitar os reis e as rainhas e</p><p>começou-se a popularizar maquiagens, uso de perucas (que aliás eram usadas</p><p>6</p><p>pelos aristocratas, pois estragaram seus cabelos naturais testando diferentes</p><p>composições químicas para descolorir ou cachear os cabelos). Um creme da planta</p><p>– primavera (Primula veris) usado pela rainha Elizabeth foi apontado como um artigo</p><p>de moda muito cobiçado por todos. A esse creme, eram atribuídos efeitos de</p><p>preservar, embelezar e clarear a pele, além de impedir o surgimento de rugas. Virou</p><p>um grande alvoroço e objeto de desejo de muitos.</p><p>Nos séculos XVII e XVIII, os cosméticos foram usados para envenenar pessoas com</p><p>preparados e loções contendo arsênico. Muitos maridos foram mortos naquela</p><p>época por suas esposas.</p><p>Com o passar do tempo, os cosméticos passaram a ser produzidos artesanalmente</p><p>por aqueles que entendiam de ervas, drogas e substâncias químicas, os boticários –</p><p>protótipo dos farmacêuticos e das farmácias de manipulação de hoje em dia. Eram</p><p>produzidos para um número restrito de pessoas mais abastadas em pequenos</p><p>estabelecimentos denominados boticas.</p><p>Quando aconteceu a revolução industrial no século XIX, tudo mudou. Essa época</p><p>trouxe muito desenvolvimento que atingiu a todos os setores e também a</p><p>cosmetologia. Deu-se início à produção de novas matérias-primas para a fabricação</p><p>de cosméticos que passaram a ser mais variados e mais baratos. Os cosméticos</p><p>passaram a ser produzidos em escala industrial, podendo ser consumidos por um</p><p>maior número de pessoas. Grandes nomes da indústria cosmética no século XX</p><p>começaram a surgir principalmente nos EUA. Personalidades como Helena</p><p>Rubinstein, Elizabeth Arden, Cheesebrough-Ponds, Charles Revson (Révlon), Max</p><p>Factor, Procter e Gamble, Roger e Gallet tornaram-se referências.</p><p>Em 1910, Helena Rubinstein abriu em Londres o primeiro salão de beleza do</p><p>mundo. Por isso, é considerada como a primeira esteticista do mundo. Esse fato</p><p>histórico é retratado no livro A mulher que inventou a beleza da autora Michele</p><p>Fitoussi.</p><p>7</p><p>Vários tipos de produtos cosméticos começaram a aparecer em profusão. Eles eram</p><p>vendidos aos consumidores em campanhas publicitárias nas formas mais variadas,</p><p>com embalagens e rótulos chamativos. Em 1921, o primeiro batom foi colocado em</p><p>um tubo e começou a ser vendido nesse formato.</p><p>Esse mercado não parou de crescer desde então e, no Brasil, ganhou muita energia</p><p>devido ao tamanho e interesse da população. Hoje, a indústria cosmética é</p><p>considerada uma das mais fortes do cenário nacional, movimentando milhões e</p><p>produzindo muitos postos de trabalho.</p><p>Aulas 2 e 3 - Legislação dos cosméticos e nomenclatura cosmética</p><p>LEGISLAÇÃO COSMÉTICA</p><p>Os cosméticos fazem parte do rol de produtos de consumo humano e, por essa</p><p>razão, podem afetar diretamente a saúde dos consumidores. Para garantir a</p><p>utilização segura, evitando riscos aos usuários, a legislação dos cosméticos foi</p><p>estabelecida. São várias as razões que fundamentam a necessidade de uma</p><p>legislação específica:</p><p> Crescimento do setor com aumento da produção, comercialização, exportação e</p><p>importação de produtos;</p><p> Número crescente de usuários;</p><p> Interface cada vez mais estreita entre cosméticos e medicamentos.</p><p>8</p><p>Todas elas levaram a Anvisa a produzir um conjunto de regras – a legislação dos</p><p>cosméticos, que contempla a interação dos cosméticos com a população,</p><p>resguardando sua segurança. Cada uma das fases que compõem a concepção do</p><p>cosmético, desde desenvolvimento, produção, comercialização e utilização no</p><p>organismo, é regulamentada. As regras elaboradas são expressas em documentos</p><p>que estão disponíveis ao acesso público no site da Anvisa e se denominam</p><p>Resoluções Diretivas Colegiadas (RDC).</p><p>Objetivo</p><p>O desenvolvimento dos cosméticos acompanhou o desenvolvimento tecnológico.</p><p>Isso permitiu resultados e potência muito maiores nos cosméticos. Os atuais tendem</p><p>a ter ações farmacológicas semelhantes aos medicamentos e atuam em camadas</p><p>profundas da pele como a derme e tecido subcutâneo. Como esses tecidos são</p><p>vascularizados, permitem que parte do cosmético seja absorvida pelo sangue e</p><p>distribuída sistematicamente no organismo. Isso pode constituir um risco à saúde do</p><p>utilizador mesmo que a absorção seja pequena.</p><p>A Anvisa viu a necessidade de criar normas claras e precisas, visando deixar o</p><p>consumidor mais seguro ao utilizar produtos cosméticos. Essas regras abrangem</p><p>vários aspectos como utilização correta, classificação conforme a funcionalidade,</p><p>especificações precisas em rótulos e embalagens, bem como a classificação que</p><p>visa definir os graus ou níveis de risco à saúde .</p><p>Portanto, segundo RDC 79, de 28 de agosto de 2000, e RDG211, de 14 de julho de</p><p>2005, a Anvisa definiu os cosméticos da seguinte forma:</p><p>Cosméticos, produtos de higiene e perfumes são preparações constituídas por substâncias</p><p>naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano – pele, sistema</p><p>capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade</p><p>oral – com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência</p><p>e/ou corrigir odores corporais e/ou protegê-los e mantê-los em bom estado.</p><p>Análise da definição</p><p> Do local de uso: nota-se que a definição é clara quanto ao local de aplicação dos</p><p>produtos cosméticos, ou seja, a parte externa do organismo. Portanto conceitos</p><p>como nutricosméticos, aliméticos e outros ficam à parte da definição, sendo</p><p>considerados como itens de suplementação e não cosméticos;</p><p> Da composição: outro ponto a destacar refere-se à composição dos cosméticos.</p><p>Observe que, na definição, diz-se “por substâncias naturais ou sintéticas”, mas</p><p>9</p><p>não se especifica quais são essas substâncias. Isso se deve à infinidade de</p><p>substâncias existentes, logo, não seria possível citá-las em uma definição. No</p><p>entanto, as substâncias proibidas ou restritas para a composição dos cosméticos</p><p>encontram-se nos anexos da RDC 79, além de resoluções como a RDC 161, de</p><p>11 de setembro de 2001 (ou RDC 47/06), que contém a lista de filtros ultravioletas</p><p>permitidos, e a RDC 162, de 11 de setembro de 2001, que contém as substâncias</p><p>permitidas com ação conservante;</p><p> Do objetivo: a definição deixa claro quais são os objetivos que os cosméticos</p><p>devem ter: limpar, perfumar, alterar a aparência e/ou corrigir odores corporais</p><p>e/ou proteger e manter em bom estado.</p><p>Rotulagem</p><p>Outra preocupação da Anvisa refere-se à rotulagem. A agência permite o uso de</p><p>embalagem primária (aquela que fica em contato direto com o produto) e de</p><p>embalagem secundária (aquela que poderá conter a embalagem primária).</p><p>partir do silício e do alumínio. A bentonita é</p><p>adsorvente, ou seja, retira substâncias que ficam aprisionadas no seu interior. Uma</p><p>vez adsorvidas, essas substâncias não retornam à pele. Com isso, consegue</p><p>capturar as moléculas de toxinas e impurezas produzindo o efeito purificante.</p><p>Tipos de argilas (segundo a cor)</p><p> Amarela: rica em silício, age estimulando a produção do colágeno,</p><p>proporcionando maior elasticidade à pele, reduzindo a aparência de rugas.</p><p>Produz clareamento e é cicatrizante. Nos cabelos, auxilia na reposição de</p><p>queratina. As principais indicações: peles sensíveis, maduras e secas;</p><p> Verde: a coloração deve-se à presença de óxido de ferro. Possui grande poder de</p><p>adsorção, promovendo uma limpeza profunda da pele, removendo toxinas e</p><p>impurezas. É antisséptica, bactericida, analgésica e cicatrizante. Pode ser</p><p>aplicada no rosto, corpo e couro cabeludo. Indicação: peles oleosas e acneicas,</p><p>tratamento de acne, caspa e seborreia;</p><p> Vermelha: rica em óxido de ferro e cobre, auxilia na respiração das células,</p><p>prevenindo o envelhecimento da pele. Estimula a produção de colágeno,</p><p>reduzindo rugas e linhas de expressão. Pode ser aplicada na face e no corpo.</p><p>Indicação: complementação da drenagem linfática, peles maduras;</p><p> Negra: também conhecida como lama vulcânica, é retirada de grandes</p><p>profundidades. Rica em silício, alumínio. Tratamento de flacidez, rugas, manchas,</p><p>ativação da circulação. Indicação: pele oleosa;</p><p> Branca: também chamada caulim, é proveniente das alterações sofridas pelas</p><p>rochas quando lavadas pelas águas das chuvas. Clareia a pele, retira a</p><p>oleosidade, reduz sinais de expressão. Clareadora, cicatrizante. Repõe queratina</p><p>dos cabelos, fortalece os fios danificados e tratados quimicamente. Indicação:</p><p>peles sensíveis e acneicas;</p><p>73</p><p> Rosa: é uma mistura entre as argilas branca e vermelha. Menos absorvente e</p><p>mais suave que a argila verde. Na pele, seu efeito principal é antioxidante e</p><p>calmante. Indicação: peles secas e sensíveis;</p><p> Roxa: é uma mistura de argila marrom com rosa. Rica em silício e magnésio.</p><p>Auxilia na síntese de colágeno. Na estética facial, é muito usada para a nutrição</p><p>celular e, na estética corporal, pode ser usada para a eliminação de toxinas.</p><p>Indicação: peles secas e sensíveis;</p><p> Do Mar Morto: é composta por diversos minerais. Ativa a circulação, inclusive em</p><p>áreas afetadas por doenças articulares. Também usada para desintoxicar a pele.</p><p>Têm propriedades medicinais. Pode ser usada no corpo inteiro. Nas praias do Mar</p><p>Morto, entre a Jordânia e Israel, existem balneários e spas que tratam seus</p><p>clientes somente com essa lama em banheiras. Indicação: tratamento de</p><p>dermatites e eczemas.</p><p>Outro elemento muito utilizado e que frequentemente é confundido com argilas é o</p><p>carvão ativado. Este, no entanto, não é mineral e sim de origem vegetal. Suas ações</p><p>na pele são as de limpar, purificar, reduzir manchas, eliminar toxinas. O carvão é um</p><p>dos componentes mais atuais em produtos para o rosto. Formado por partículas</p><p>porosas que adsorve impurezas, óleo, sujeira, produtos químicos e outras partículas.</p><p>Indicação: peles oleosas e acneicas.</p><p>Formas de apresentação das argilas</p><p>Pode ser apresentada seca (em pó) ou pastosas (já hidratadas). As máscaras em</p><p>pós devem ser misturadas com soluções líquidas no momento do uso. A água</p><p>mineral ou destilada pode ser usada normalmente, mas existem outras sugestões de</p><p>líquidos para preparar as máscaras que podem acrescentar componentes, deixando-</p><p>as ainda mais ricas. Exemplos são o soro fisiológico, a água termal, a água de coco,</p><p>os chás de plantas medicinais como o de camomila fria.</p><p>Aula 17 - Ativos especiais</p><p>A indústria de cosméticos é cíclica, ou seja, ela utiliza em série produtos que</p><p>estejam fazendo sucesso e sendo solicitados pelos consumidores. Como resultado</p><p>74</p><p>disso, você já pode ter notado, temos ativos que se repetem em diversos produtos</p><p>cosméticos. À medida que novos ativos vão sendo desenvolvidos pelo mercado e</p><p>caem no gosto popular ou de especialistas, acabam substituindo os anteriores e se</p><p>tornando o produto da moda. Os antigos acabam caindo no esquecimento do público</p><p>e, após algum tempo, as pessoas nem se lembram mais que existiram um dia. Os</p><p>ativos mais usados do mercado na atualidade são ureia, ácido hialurônico, colágeno</p><p>e vitamina C.</p><p>Matriz extracelular (MEC)</p><p>Um pré-requisito para que possamos compreender melhor a ação dos ativos é</p><p>entender a matriz extracelular (MEC), que faz parte do interstício presente em todos</p><p>os órgãos e tecidos do corpo. Ela se caracteriza por uma rede de substâncias</p><p>macromoleculares. Essa matriz é capaz de modular mecanismos de crescimento e</p><p>forma dos tecidos durante o desenvolvimento do embrião. Da mesma forma, é</p><p>responsável por executar o reparo e a manutenção da estrutura e da organização</p><p>dos diversos tecidos corporais, ou seja, dos tecidos conjuntivos em si (conjuntivo</p><p>propriamente dito, adiposo, cartilaginoso, ósseo, sanguíneo, hematopoético) e os</p><p>dos órgãos constituintes dos vários sistemas do organismo, inclusive a pele.</p><p>Seus componentes são sintetizados pelas células estromais (fibroblastos, osteócitos,</p><p>osteoblastos, condrócitos, condroblastos, células endoteliais, adipócitos,</p><p>macrófagos, etc) e parenquimais, epiteliais e não epiteliais, e caracterizam-se,</p><p>basicamente, por variadas proteínas colagênicas e não colagênicas (glicoproteínas),</p><p>glicosaminoglicanas e proteoglicanas, e pelo sistema elástico. Esses componentes</p><p>variam de acordo com os diversos tipos de tecidos e órgãos, interagem entre si e</p><p>com moléculas de adesão do tipo integrinas (proteínas da membrana celular, que</p><p>promovem a adesão intercelular e das células com a MEC), modulando, as funções</p><p>das diversas células presentes nos tecidos.</p><p>UREIA</p><p>A ureia é uma substância natural do corpo humano, produzida no fígado a partir da</p><p>amônia, resultado do metabolismo das proteínas. Como ela é eliminada na urina,</p><p>vem daí o estranhamento quando citamos seu uso em produtos cosméticos. Entre</p><p>todos os agentes hidratantes disponíveis no mercado, é sem dúvida um dos mais</p><p>75</p><p>utilizados em todo o mundo. Possui alta capacidade de permeação na pele e tem</p><p>como ações imediatas a hidratação por meio do mecanismo de umectação. Além</p><p>dessa ação, a ureia também pode ser queratolítica (solubiliza e desnatura proteínas</p><p>como a queratina) e antibacteriana. Outra ação importante é ser promotora de</p><p>permeação percutânea. Uma vez usada em associação com outros ativos,</p><p>proporciona o aumento da sua permeação na pele, resultando em melhor efeito</p><p>desses ativos. Produz resultados em algumas horas no caso de formulações a 10%.</p><p>Em alguns dias, pode-se observar melhoras na textura (adelgaçamento da epiderme</p><p>e redução da aspereza), além de uma pronunciada diminuição do ressecamento e</p><p>das fissuras na pele (especialmente nas mãos e pés). Como se trata de um</p><p>composto orgânico, pode ser facilmente sintetizada em laboratórios. É produzida</p><p>industrialmente a partir de CO2 (gás carbônico) e NH3 (amônia). Esses dois materiais</p><p>são combinados sob altas pressões e temperaturas elevadas para formar carbamato</p><p>de amônio, que então se decompõe a pressões muito mais baixas para produzir</p><p>ureia e água. Além da ação cosmética, há vários outros usos comerciais como</p><p>produção de chuva artificial, produção de fertilizantes agrícolas, na alimentação do</p><p>gado, como estabilizador de explosivos e na produção de resinas e medicamentos</p><p>(sedativos, hipnóticos etc.).</p><p> Aplicações nos cosméticos: hidratantes corporais, formulações para o tratamento</p><p>da psoríase e ictiose, cremes para as mãos e pés. Concentração usual: 2 a 40%.</p><p>o Até 10% cosmético: hidratante;</p><p>o De 10-20% medicamento: tratamento da hiperqueratose (ação queratolítica);</p><p>o De 20-40% medicamento: tratamento da psoríase e xerose (ação queratolítica).</p><p>As concentrações permitidas pela Anvisa</p><p>na fabricação de dermocosméticos variam</p><p>entre 3% e 10%.</p><p>Precauções: manter fora do alcance das crianças. Manter sempre fechado, em lugar</p><p>fresco e ao abrigo da luz. Pode ser alergênico ou desencadear reações de irritação</p><p>para peles sensíveis. Uso na gravidez: como permeia profundamente a pele e os</p><p>vasos sanguíneos, pode ultrapassar a barreira placentária. Assim, a Anvisa</p><p>determina que produtos com ureia em concentração de 10% sejam proibidos para</p><p>gestantes e aqueles que contém concentração acima de 3% tenham a inscrição:</p><p>Não utilizar durante a gravidez.</p><p>76</p><p>ÁCIDO HIALURÔNICO</p><p>O ácido hialurônico é um componente natural do organismo. Não está presente</p><p>somente na pele, ao contrário do que muitas pessoas pensam. Faz parte da</p><p>composição de importantes líquidos do corpo como, por exemplo, o líquido sinovial</p><p>nas articulações e o humor vítreo, líquido viscoso do olho. Sua função principal na</p><p>pele é a de produzir hidratação com volume, sustentação, tonicidade e elasticidade.</p><p>É produzido naturalmente pelo nosso organismo como um polissacarídeo, ou seja,</p><p>uma molécula do grupo dos carboidratos (um açúcar), sintetizado pelos fibroblastos</p><p>(células do tecido conjuntivo). Está na categoria de glicosaminoglicano - um dos</p><p>principais componentes da matriz extracelular, que permite que as células se</p><p>organizem em tecidos. Mais de 50% do ácido hialurônico do organismo está</p><p>localizado na pele. Em peles jovens, é encontrado em maiores quantidades. Com o</p><p>envelhecimento, há uma deficiência na sua produção, tornando-o mais escasso.</p><p>Como resultado, aparecem flacidez, rugas e sulcos e baixa hidratação.</p><p>Como o ácido hialurônico é obtido para ser usado nas formulações cosméticas? As</p><p>primeiras fontes de obtenção de ácido hialurônico foram de origem animal,</p><p>principalmente do cordão umbilical e da crista de galo. Atualmente a principal fonte</p><p>de obtenção é pela fermentação de micro-organismos (por biotecnologia). Essa</p><p>fonte é seguramente a mais adequada, pois não usa produtos de origem animal,</p><p>apresenta maior rendimento, melhor controle e otimização do processo, resultando</p><p>em um produto de maior qualidade. A bactéria usada é o Streptococcus</p><p>zooepidemicus.</p><p>Utilização cosmética do ácido hialurônico</p><p>Tem dois objetivos principais:</p><p> Preenchimento da pele por meio da formação de volume: age aprisionando água</p><p>em sua estrutura (capacidade higroscópica esponja de água) e sofre expansão</p><p>por ter uma propriedade chamada viscoelasticidade. Resulta no aplainamento da</p><p>superfície da pele, recuperando pequenos sulcos e linhas de expressão;</p><p> Hidratação: tem grande capacidade higroscópica (atrai e aprisiona a água),</p><p>propriedade que corresponde a sua ampla utilização como ativo hidratante por</p><p>77</p><p>intermédio do mecanismo de umectação (aula Hidratação), podendo se ligar até</p><p>1000 vezes o seu peso em moléculas de água.</p><p>Embora alguns cosméticos tragam escrito no rótulo contém ácido hialurônico, na</p><p>verdade, a forma usada na formulação é o hialuronato de sódio, um sal do ácido</p><p>hialurônico. Existem diversas formas de hialuronato de sódio, mas basicamente</p><p>podemos classificá-los em moléculas de:</p><p> Alto peso molecular: somente hidratação superficial atuando como ativo de</p><p>umectação;</p><p> Baixo peso molecular: maior penetração e hidratação mais profunda.</p><p>Essa diferença e possibilidade de comercialização desses dois produtos se deve às</p><p>moléculas com alto peso molecular não conseguirem penetrar na pele em função do</p><p>seu tamanho muito grande, permanecendo na superfície e agindo como hidratantes</p><p>de superfície por mecanismo de umectação. Já as formas menores, de baixo peso</p><p>molecular, por terem tamanho reduzido, contam com uma maior permeação,</p><p>conseguindo chegar às proximidades da derme. Uma vez permeadas, expandem-se,</p><p>aumentando seu volume, e fornecem essa complementação de volume à pele.</p><p>Os produtos com moléculas de baixo peso molecular proporcionam os seguintes</p><p>efeitos:</p><p> Regeneração de tecidos com o estímulo à síntese de colagénio tipo I na derme e</p><p>aumentam a proliferação de fibroblastos que, por sua vez, aumentam a produção</p><p>do próprio ácido hialurônico. Essa ação promove a redensificação da pele com</p><p>mais tonicidade e suavização de rugas;</p><p> Hidratação com estímulo à síntese de proteínas que formam junções estreitas (de</p><p>oclusão), que impedem a perda transepidérmica de água. Além disso, o ácido</p><p>hialurônico é uma molécula capaz de reter a água, pois, por si só, aumenta a</p><p>hidratação natural da pele;</p><p> Alisamento: atua na melhora significativa da cicatrização da pele por reativação</p><p>da reepitelização, regula a proliferação e migração celular e atenua a rugosidade</p><p>da epiderme recém-formada. Promove a cura, estimulando a adesão e a</p><p>proliferação celular. Os tecidos reparados são de melhor qualidade e as cicatrizes</p><p>são menos visíveis.</p><p>78</p><p>Além da utilização cosmética em formulações tópicas, também é comercializado</p><p>como injetáveis. Usado em procedimentos para preencher sulcos, rugas e dar</p><p>volume através da injeção intradérmica - na camada média ou profunda da pele</p><p>(procedimento realizado por profissionais habilitados).</p><p>Tem ótima segurança e biocompatibilidade, já que é reconhecido pelo organismo,</p><p>tratando-se de um ácido reabsorvível de forma natural, logo raramente causando</p><p>alergia, edemas ou reações adversas.</p><p>Atualmente há uma variada gama de cosméticos formulados com esse ácido no</p><p>mercado como hidratantes (capilares, corporais, faciais e labiais), séruns, géis,</p><p>cremes anti-idade, higienizantes (xampus, condicionadores), maquiagens e outros</p><p>produtos cosméticos.</p><p>COLÁGENO</p><p>O colágeno é uma proteína fibrosa constituída por aminoácidos, que representa de</p><p>25-30% das proteínas totais do organismo, portanto, muito abundante no corpo</p><p>humano. Apresenta-se como uma fibra elástica de tripla hélice. Suas funções no</p><p>organismo são de contribuir com a integridade estrutural da matriz extracelular,</p><p>resistência, coesão e elasticidade dos tecidos em que está presente. Também</p><p>apresenta papel importante na cicatrização e regeneração.</p><p>Com o envelhecimento, a síntese de colágeno diminui, as fibras tornam-se</p><p>deformadas e menos flexíveis. O suporte estrutural determinado por essas fibras na</p><p>derme vai se perdendo, fazendo com que a pele se torne menos elástica,</p><p>culminando com o aparecimento de rugas.</p><p>Por que isso acontece? Na derme estão presentes várias enzimas chamadas</p><p>metaloproteinases (MMP) responsáveis pela degradação de proteínas. Elas têm um</p><p>importante papel no processo de cicatrização e remodelação do tecido, mas são</p><p>também responsáveis pela degradação de várias substâncias, entre elas, o</p><p>colágeno (principalmente a enzima colagenase).</p><p>Como age o colágeno dos cosméticos na pele? Há uma crença popular criada pela</p><p>indústria cosmética de que cremes e outros produtos cosméticos com colágeno</p><p>permeiam a pele e fomentam a reestruturação e firmeza. Embora o colágeno seja</p><p>estruturalmente importante para a integridade da pele, essa molécula proteica é</p><p>79</p><p>muito grande para passar pela barreira da pele. Ela é impermeável (aula de</p><p>Permeabilidade). Fica retida na parte externa.</p><p>Como não é incorporado à pele, não substitui o colágeno que está sendo perdido ao</p><p>longo da vida. Qual é o seu mecanismo de ação? Age formando uma película que</p><p>preenche instantaneamente as rugas finas da pele e dá uma aparência mais</p><p>uniforme. Ou seja, tem um efeito muito parecido ao do ácido hialurônico. No entanto,</p><p>esse é um efeito visual e de superfície e não influencia a composição ou as</p><p>propriedades da pele. Muitos especialistas afirmam que a ingestão de colágenos</p><p>não funciona para aumentar a fibra onde necessitamos como na pele, por exemplo.</p><p>Isso porque a molécula de colágeno, por ser grande, também não passa através das</p><p>vilosidades intestinais (assim como na pele), sendo quebrada em aminoácidos para</p><p>poder ser absorvida. Os aminoácidos são aproveitados nutricionalmente.</p><p>Para</p><p>aumentar o nível de colágeno na pele, o mais eficaz é estimular o fibroblasto para</p><p>que este produza o colágeno ou mesmo que previna a sua degradação. Alguns</p><p>ativos que podem estimular a síntese de colágeno são: vitamina C e outros agentes</p><p>antioxidantes, elemento silício, peptídeos colagênicos (aminoácidos), o próprio ácido</p><p>hialurônico e procedimentos como esfoliação com ácidos por estimular a renovação</p><p>celular. Esses e outros ativos e procedimentos podem atuar na promoção da</p><p>melhora da constituição do colágeno.</p><p>Como é obtido o colágeno que utilizamos em formulações? Assim como o ácido</p><p>hialurônico, o colágeno é produzido nas células chamadas fibroblastos situadas na</p><p>derme, mas a sua obtenção comercial é por meio da utilização de subprodutos da</p><p>indústria de carne (pele e carne de porco e ossos e cartilagem bovina).</p><p>VITAMINA C</p><p>Vitamina C ou ácido ascórbico é uma vitamina do grupo hidrossolúvel, isto é, são</p><p>solúveis em água. São facilmente assimiladas no organismo mediante a alimentação</p><p>e seu excesso é eliminado na urina. Ações em benefício da estética e saúde:</p><p> Potente antioxidante;</p><p> Indispensável para a formação de colágeno;</p><p> Atua no sistema imunológico, aumentando as defesas do organismo e prevenindo</p><p>doenças degenerativas;</p><p>80</p><p> Atua no processo de cicatrização dos tecidos, favorecendo a circulação e a</p><p>oxigenação;</p><p>Ações específicas na pele:</p><p> Efeito clareador;</p><p> Regenerador celular;</p><p> Antirradicais livres → antioxidante.</p><p>É largamente utilizada na indústria cosmética em formulações anti-idade,</p><p>clareadoras, produtos hidratantes, produtos nutritivos e regeneradores para a pele.</p><p>Uma das principais ações da vitamina C na pele é o efeito antioxidante. Para</p><p>entender o efeito antioxidante ou antirradicais livres, em primeiro lugar, temos que</p><p>entender o que é um radical livre e o que ele causa nas nossas células.</p><p>Radicais livres são moléculas liberadas pelo metabolismo do corpo com elétrons</p><p>altamente instáveis e reativos. Esse processo ocorre naturalmente no organismo</p><p>pela presença do oxigênio (gás oxidante e faz as nossas células oxidarem, mas</p><p>necessitamos dele para sobreviver). Quando estão presentes em grande</p><p>quantidade, podem provocar grandes danos como o envelhecimento precoce e</p><p>doenças como Parkinson, Alzheimer, entre outras. Em diversas situações podem</p><p>estar aumentados no organismo como, por exemplo, excesso de exercícios físicos</p><p>de grande intensidade, exposição ao sol em exagero, fumar ou ingerir alimentos com</p><p>muita fritura e refinados, estresse, pouco sono e outros. Os antioxidantes são</p><p>substâncias que protegem as células e o material genético da oxidação, mantendo</p><p>as células em bom estado. A ingestão de antioxidantes e o uso em cosméticos</p><p>previne a degradação dos radicais livres e consequentemente retarda o processo do</p><p>envelhecimento. Eles agem neutralizando os radicais livres e não deixando com que</p><p>promovam a sua ação destrutiva sobre as células.</p><p>A vitamina C é encontrada principalmente em frutas cítricas (laranja, limão, acerola e</p><p>kiwi) e frutas vermelhas (morango, framboesa, amora e mirtilo). O uso de</p><p>nutracêuticos e nutricosméticos colabora com a ingestão de vitamina C. São</p><p>encontrados na forma de cápsulas ou comprimidos administradas por via oral.</p><p>Podem ser comprados industrializados ou manipulados.</p><p>81</p><p>A vitamina C é encontrada em diversas apresentações cosméticas como creme,</p><p>sérum, gel e xampu, entretanto, as mais consumidas são os cremes e séruns. A</p><p>concentração ideal de vitamina C nas formulações cosméticas é entre 5% a 15%.</p><p>Quando as preparações de vitamina C são expostas aos raios UV ou ao ar, a</p><p>molécula rapidamente se oxida e se torna inativa, inutilizando a preparação. Com</p><p>isso, o maior problema das formulações com ácido ascórbico é sua instabilidade, o</p><p>que as torna inativas horas após a abertura do frasco. Algumas medidas podem ser</p><p>adotadas para a prevenção do escurecimento dos cosméticos contendo vitamina C:</p><p> Limpar a ponta do frasco com um lenço de papel;</p><p> Manter em local seco, fresco e ao abrigo da luz;</p><p> Não deixar o frasco aberto por muito tempo;</p><p> Alternativamente guardar na geladeira.</p><p>A melhor forma de proteção é quando os fabricantes armazenam o produto em</p><p>frascos escuros que evitam a exposição à luz.</p><p>Aula 18 - Peelings cosméticos</p><p>As células que compõem a superfície da nossa pele estão em constante</p><p>descamação. Esse processo é chamado de renovação celular ou turn over celular,</p><p>que consiste na substituição de células mortas da superfície cutânea que ocorre de</p><p>maneira espontânea contínua e lenta. A renovação celular propicia que células</p><p>novas substituam as velhas, produzindo a melhora da aparência da pele.</p><p>Como ocorre a renovação celular? A camada basal da pele, também chamada</p><p>camada germinativa, é dotada de uma intensa atividade mitótica (capacidade de</p><p>multiplicação celular), produzindo novas células que migram para a superfície.</p><p>Dessa forma, a camada basal é a responsável pela renovação da epiderme.</p><p>Quanto tempo leva para ocorrer a renovação celular? Esse tempo é variável para</p><p>cada indivíduo e um dos fatores mais importante é a idade. Peles jovens, em que a</p><p>camada basal está muito ativa, promovem a multiplicação celular em períodos curtos</p><p>de tempo: em torno de 21 a 28 dias. O inverso ocorre nas peles maduras com o</p><p>declínio da atividade da camada basal. Naturalmente, demora mais tempo para</p><p>realizar a renovação celular. A esteticista deve ter isso em mente quando planejar a</p><p>82</p><p>frequência de protocolos esfoliantes. Isso ocorre porque, com o envelhecimento, há</p><p>uma atrofia das estruturas cutâneas, decréscimo de densidade na derme e alteração</p><p>na junção dermoepidérmica (JDE), tornando a superfície de contato entre as duas</p><p>camadas mais frouxas. Esse afrouxamento acarreta na diminuição de afluxo de</p><p>nutrientes oferecidos pela derme, gerando o enfraquecimento do processo de</p><p>produção de novas células, reduzindo a renovação celular.</p><p>Na renovação celular, as células geradas na camada basal vão migrando para a</p><p>superfície - estrato córneo de maneira lenta. À medida que vão se exteriorizando, vai</p><p>havendo a deposição de queratina pelos queratinócitos (células dotadas da</p><p>capacidade de produzir essa proteína). A queratina é uma proteína que tem como</p><p>característica principal a de impermeabilizar o extrato córneo e tornar as células</p><p>mais coesas entre si. No fim do período de migração, as células estão repletas de</p><p>queratina, formando uma espécie de couraça na parte mais superficial da pele. Isso</p><p>causa como efeito a aspereza na superfície e favorece o aparecimento de</p><p>comedões, manchas, entre outras manifestações inestéticas.</p><p>Ao eliminar esses acúmulos de células queratinizadas, a pele fica com um melhor</p><p>aspecto e qualidade. Como esse processo natural é lento, podemos acelerá-lo com</p><p>o uso de cosméticos, que auxiliam a retirada de grandes quantidades de células</p><p>mortas e queratina de uma só vez. Isso propicia uma melhora acentuada das</p><p>condições de beleza da superfície cutânea.</p><p>Esfoliação química</p><p>O processo de eliminação de células e queratina pelo uso de cosméticos é chamado</p><p>de esfoliação, que pode ser física (mecânica), biológica e também química pela ação</p><p>de agentes ácidos. A utilização de ácidos é chamada de peelings químicos,</p><p>esfoliação química ou somente peelings. O peeling químico consiste em uma forma</p><p>acelerada de renovação celular. Agem por meio da redução do pH, promovendo um</p><p>processo inflamatório local e a redução da coesão entre as células pelo rompimento</p><p>das ligações de queratina (efeito queratolítico). As células ficam mais soltas e</p><p>propensas a descamar. O organismo se vê obrigado a substituir as células que</p><p>descamam, acelerando a renovação celular.</p><p>Classificação dos peelings</p><p>83</p><p>Podem ser classificados por sua profundidade:</p><p> Muito superficial;</p><p> Superficial;</p><p> Médio;</p><p> Profundo.</p><p>Podem</p><p>variar em função:</p><p> Do ativo ou da substância utilizada;</p><p> Da concentração desse ativo na formulação;</p><p> Do pH que atinge.</p><p>Os peelings químicos suaves, realizados com ativos em baixas concentrações, são</p><p>os mais indicados para serem aplicados por esteticistas porque os riscos de efeitos</p><p>adversos que podem apresentar são mínimos. O profissional de estética só deve</p><p>realizar procedimentos dentro da classificação muito superficial e superficial.</p><p>Profundidade da descamação</p><p>Em geral, os ácidos com pH entre 3,8 e 4,2 são mais adequados e de baixo risco. As</p><p>concentrações em geral não devem ultrapassar os 10%. Protocolos: superficiais em</p><p>série, realizados com pequenos intervalos de tempo (variável dependendo de fatores</p><p>como o tipo de pele e idade).</p><p>Ação queratolítica e queratoplástica</p><p>Podemos afirmar que os ácidos suaves proporcionam, muitas vezes, a hidratação da</p><p>pele ao invés de esfoliação. Essa afirmação pode causar surpresa, contudo, isso</p><p>ocorre pela ação queratoplástica que exercem. Outras vezes, eles podem produzir</p><p>leve ação queratolítica. O que é ação queratolítica e queratoplástica?</p><p> Ação queratolítica: dissolução da queratina pelo efeito ácido, resultando na</p><p>diminuição da coesão dos corneócitos (células da camada córnea),</p><p>proporcionando descamação e redução da espessura da camada córnea. Nesse</p><p>caso, ocorre a esfoliação;</p><p> Ação queratoplástica: processo inverso em que se observa a intensificação da</p><p>formação de queratina (a queratinização do epitélio), promovendo a regeneração</p><p>84</p><p>da camada córnea. Nesse caso, ocorre a hidratação pela melhora das qualidades</p><p>da pele.</p><p>Profundidade da descamação: depende de muitas variáveis como, por exemplo:</p><p> Tipo de substância esfoliante;</p><p> Concentração e pH a que chegam</p><p> Número de camadas aplicadas;</p><p> Técnica de aplicação;</p><p> Tempo de contato do produto com a pele;</p><p> Biotipo cutâneo.</p><p>Todas essas variáveis implicam na profundidade que um peeling terá, mesmo se</p><p>tratando de um mesmo ativo esfoliante. Dessa forma, para usar com segurança,</p><p>devemos padronizar a aplicação, não importando o agente utilizado. Essa</p><p>padronização começa pelo preparo da pele antes da aplicação e também após o</p><p>procedimento. Para melhor padronizar o atendimento deve-se considerar os</p><p>seguintes fatores: a anamnese do cliente deve ser feita de maneira organizada e</p><p>clara, anotando-se todas as informações para auxiliar a seleção do esfoliante mais</p><p>adequado. A higienização deve ser cuidadosa, removendo o máximo de resíduos da</p><p>pele antes do procedimento. O tempo de contato deve ser adotado rigorosamente</p><p>segundo orientações do fabricante com a neutralização e/ou remoção do produto</p><p>feita de forma precisa após o tempo de exposição indicado.</p><p>Agentes químicos esfoliantes</p><p>Os principais encontrados na área médica e estética são:</p><p> Solução Jessner;</p><p> Resorcinol;</p><p> Ácido tricloroacético (TCA);</p><p> Alfacetoácido (ácido pirúvico);</p><p> Fenol;</p><p> Hidroxiácidos.</p><p>85</p><p>Somente os hidroxiácidos são agentes que podem ser utilizados pelo profissional</p><p>esteticista e, mesmo assim, dependendo do pH e concentração que possuam. Os</p><p>demais são restritos para uso médico.</p><p>Os hidroxiácidos são divididos ou classificados em cinco grupos químicos distintos:</p><p> Alfa-hidroxiácidos (AHA);</p><p> Beta hidroxiácidos (BHA);</p><p> Poli-hidroxiácidos (PHA);</p><p> Ácidos biônicos;</p><p> Hidroxiácidos aromáticos.</p><p>Destes, somente os AHA, os BHA e os PHA são usados para finalidades estéticas</p><p>nos procedimentos de esfoliação química.</p><p>Alfa-hidroxiácidos (AHA)</p><p>São ácidos orgânicos considerados muito adequados para a função esfoliativa</p><p>cosmética. São obtidos de produtos naturais como, por exemplo, o ácido lático</p><p>(obtido a partir do leite), o ácido málico (maçãs), o ácido mandélico (amêndoas</p><p>amargas), o ácido glicólico (cana-de-açúcar ou glicose), o ácido cítrico (frutas</p><p>cítricas) e o ácido tartárico (uvas). Como já observado, a sua ação dependerá da</p><p>concentração e do veículo utilizado na formulação em que será usado na pele.</p><p>Como formas ou mecanismos de ação, os AHA podem diminuir a coesão entre os</p><p>queratinócitos, facilitando a descamação, além disso, estimulam a síntese de</p><p>colágeno, elastina e glicosaminoglicana na derme, contribuindo para a melhora da</p><p>aparência e também têm a capacidade de aumentar a retenção de água na</p><p>superfície epidérmica, contribuindo para sua hidratação. Por esses benefícios, são</p><p>indicados para os tratamentos de hiperqueratinização e queratoses seborreicas,</p><p>quando ocorre um espessamento da camada córnea, podendo haver o entupimento</p><p>do ducto das glândulas sebáceas, favorecendo a produção de acne. Além disso,</p><p>também são indicados para peles secas (alípicas) pelo efeito queratoplástico que</p><p>possuem e para o tratamento de melhora de condições para peles envelhecidas,</p><p>peles com rugas e fotodanificadas, contribuindo para aumentar a flexibilidade e</p><p>plasticidade do estrato córneo.</p><p>86</p><p>Um dos AHA mais utilizado é o glicólico. Produz excelentes resultados porque sua</p><p>molécula é muito pequena, o que facilita a sua permeação, além de não ser</p><p>fotossensível, permitindo seu uso em produtos diurnos. É indicado, principalmente,</p><p>para tratar melasma e acne. No tratamento do melasma, reduz a pigmentação</p><p>excessiva na área acometida sem afetar diretamente a melanina. No uso cosmético,</p><p>a concentração varia entre 2 a 10%.</p><p>Beta hidroxiácidos (BHA)</p><p>O BHA é um ácido solúvel em gordura (lipossolúveis). Possui propriedades</p><p>esfoliantes e seborreguladoras, diminuindo a espessura da pele, promovendo a</p><p>renovação celular e controlando o excesso de oleosidade. Destaca-se o ácido</p><p>salicílico, que é um BHA, com propriedades semelhantes aos AHA. Também tem</p><p>propriedades antimicrobianas e, por isso, é muito indicado para as peles acneicas e</p><p>seborreicas, pois soma às ações seborreguladoras e antimicrobianas, tornando-o</p><p>um ácido especialmente valioso para o controle desse subtipo cutâneo. Na sua ação</p><p>seborreguladora, age diretamente no folículo piloso, onde se encontra a glândula</p><p>sebácea, controlando o excesso de produção de sebo. Possui mecanismo de ação</p><p>queratolítico e queratoplástico, dependendo da concentração em que se encontra na</p><p>formulação. Até 2% de concentração, tem efeito queratoplástico e, acima de 2%,</p><p>tem ação queratolítica. Para uso médico, são usadas concentrações de 10 a 20%.</p><p>Em home care, é usado de 1 a 5%. Deve-se ter cuidado ao utilizar o ácido salicílico</p><p>para alguns indivíduos, pois pode induzir a reações alérgicas a pessoas sensíveis</p><p>aos salicilatos (por exemplo, a aspirina).</p><p>Poli-hidroxiácidos (PHA)</p><p>São muito semelhantes aos AHA nas suas propriedades sobre a pele, porém</p><p>proporcionam efeitos com menor potencial irritativo. Dessa forma, são considerados</p><p>mais para fins de hidratação do que para esfoliação. Possuem forte atividade</p><p>antioxidante e hidratante (por umectação). Segundo alguns autores, pode ser usado</p><p>em pessoas de pele sensível e com rosácea. Os PHA mais comuns são a</p><p>gluconolactona (composto derivado do açúcar) e o ácido lactobiônico.</p><p>Ácido retinoico</p><p>87</p><p>Devido à sua grande utilização, mencionamos o ácido retinoico, mas é necessário</p><p>observar que esse ácido não é permitido para uso em protocolos pelo profissional de</p><p>estética. É um derivado da vitamina A. Age inibindo a comedogênese e</p><p>consequentemente diminuindo as lesões inflamatórias da acne, sendo muito</p><p>utilizado no tratamento e em todos os estágios da acne vulgar. Também é usado em</p><p>produtos anti-idade para suavizar sinais do envelhecimento pelos efeitos esfoliativos</p><p>e estimulantes sobre o colágeno. Em cosméticos para home care, são encontrados</p><p>na concentração de 0,01 a 0,05% e tem seu uso permitido em cosméticos somente</p><p>quando formulados nessas concentrações. São usados por indicações médicas na</p><p>maioria das vezes.</p><p>Ácidos usados nos tratamentos de discromias</p><p>As discromias ou desordens de pigmentação</p><p>afetam um grande número de pessoas.</p><p>Alguns ácidos são indicados como ativos despigmentantes (clareadores da pele,</p><p>reduzindo ou atenuando as manchas). Eles podem agir por mecanismos de ação</p><p>diferentes conforme a substância usada. Por exemplo, o ácido kójico é considerado</p><p>um potente despigmentante agindo por meio da inibição da melanogênese</p><p>(processo de produção do pigmento melanina), já o ácido glicólico consegue atuar</p><p>através de seu efeito esfoliativo, reduzindo a pigmentação excessiva na área</p><p>tratada, mas sem afetar diretamente a produção de melanina. Dessa forma, além de</p><p>melhorar condições da pele como firmeza, tonicidade e hidratação, os ácidos</p><p>também auxiliam na uniformização da coloração, auxiliando e conduzindo</p><p>igualmente à obtenção de uma pele com aspecto mais jovem. Alguns exemplos de</p><p>ácidos que são rotineiramente utilizados para os procedimentos de despigmentação</p><p>são:</p><p> Ácido azelaico;</p><p> Ácido kójico (obtido da fermentação do arroz);</p><p> Ácido glicólico (AHA);</p><p> Ácido lático (AHA);</p><p> Ácido ascórbico (vitamina C);</p><p> Ácido retinoico (derivado da vitamina A);</p><p> Ácido fítico;</p><p> Ácido alfalipoico;</p><p>88</p><p> Ácido ferúlico;</p><p> Ácido elágico.</p><p>Indicações para a utilização de peelings</p><p>A utilização de protocolos e outros cuidados cosméticos com peelings produz uma</p><p>série de benefícios como a revitalização da pele, retardando o processo de</p><p>envelhecimento (como, por exemplo, o tratamento de rugas finas e linhas de</p><p>expressão), o tratamento de acne e suas cicatrizes, o tratamento da</p><p>hiperqueratinização (aspereza) e o tratamento de discromias. Além desses</p><p>benefícios, sua utilização é recomendada em situações em que é necessária uma</p><p>pré-preparação da pele com remoção das estruturas córneas antes da aplicação de</p><p>cosméticos de tratamento para proporcionar sua melhor permeação e</p><p>aproveitamento. No entanto, existem situações em que os peelings devem ser</p><p>evitados como, por exemplo, gravidez, pele bronzeada (bronzeados recentes com</p><p>visível agressão do sol), lesões como eczemas e dermatites, herpes e outras</p><p>doenças da pele e também naqueles indivíduos que se apresentam sensíveis e</p><p>reativos ao uso de procedimentos e cosméticos mais agressivos.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABIHPEC. Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e</p><p>Cosméticos. INCI. Ele protege o consumidor. Disponível em:</p><p>https://www.abihpec.org.br/conteudo/material/artigo_inci-jul2005.pdf. Acessado em:</p><p>out. 2022.</p><p>ABIHPEC. Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e</p><p>Cosméticos. Panorama do setor 2023. Disponível em:</p><p>https://abihpec.org.br/publicacao/panorama-do-setor/. Acessado em: out. 2023.</p><p>ALAM, M.; TUNG, R. C. Dermatologia cosmética. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.</p><p>AMVÏ. Cosméticos Naturais. Entre a pele. Disponível em:</p><p>https://www.entreapele.com.br. Acessado em out. 2023.</p><p>ANÁLISE COSMÉTICA. Ingredientes cosméticos. Disponível em:</p><p>https://analisecosmetica.pt/ingredientes-cosmeticos/. Acessado em: out. 2023.</p><p>ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. INCI.</p><p>www.anvisa.gov.br/cosmeticos/inci.htm. Acessado em: out. 2022.</p><p>https://abihpec.org.br/publicacao/panorama-do-setor/</p><p>https://www.entreapele.com.br/</p><p>89</p><p>AVRAM, M. R. et al. Atlas colorido de dermatologia estética. Rio de Janeiro:</p><p>McGraw-Hill, 2009.</p><p>BORGES, B. E. Fisiopatologia da pele. São Paulo: Contentus, 2021.</p><p>BRASIL. INCQS. Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde – Fiocruz.</p><p>Composição de produtos de higiene pessoal e cosméticos deverá constar em</p><p>português na rotulagem. Disponível em: https://www.incqs.fiocruz.br/index.</p><p>php?option=com_content&view=article&id=2332:composicao-de-produtos-de-higiene</p><p>-pessoal-e-cosmeticos-devera-constar-em-portugues-na-</p><p>rotulagem&catid=42&Itemid=132. Acessado em: out. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução</p><p>da Diretoria Colegiada. RDC n. 07, de 10 de fevereiro de 2015. Disponível em:</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2867685/RDC_07_2015_.pdf/c2a1078c</p><p>46cf-4c4b-888a-092f3058a7c7. Acessado em: out. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Anvisa. RDC n. 432, de 04 de novembro de 2020.</p><p>Disponível em:</p><p>http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/2959455/RDC_432_2020_.pdf/3f06238</p><p>9-7d5a-4717-8112-b1139c62c43d. Acessado em: out. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. ANVISA. Cosméticos. https://www.gov.br/anvisa/pt-</p><p>br/assuntos/cosmeticos. Acessado em : out. 2023.</p><p>CONTACT DERMATITIS. Cutaneous allergy environmental and occupational</p><p>dermatitis. Amsterdã: Wiley, 1975. Disponível em: https://onlinelibrary.</p><p>wiley.com/loi/16000536/year/2021. Acesso em: 27 dez. 2023.</p><p>CORRÊA, M. A. Cosmetologia: ciência e técnica. São Paulo: Medfarma, 2012.</p><p>COSMÉTICA EM FOCO. História dos cosméticos da antiguidade ao século XXI.</p><p>Disponível em: https://cosmeticaemfoco.com.br/artigos/historia-dos-cosmeticos-da-</p><p>antiguidade-ao-seculo-xxi/. Acessado em: out. 2023.</p><p>COSMETOGUIA. Matérias-primas. Disponível em: https://cosmetoguia.com.</p><p>br/material/login_required/. Acessado em: out. 2023.</p><p>DAUDT, R. M. et al. A nanotecnologia como estratégia para o desenvolvimento de</p><p>cosméticos. 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Tipos de cosméticos & ativos cosmetológicos. Módulo</p><p>VII, Curso Especialização em Cosmetologia Faculdades Oswaldo Cruz.</p><p>HERNANDEZ, M.; MERCIER-FRESNEL, M. M. Manual de cosmetologia. 3. ed. Rio</p><p>de Janeiro: Revinter, 1999.</p><p>IBD. Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento. Diretrizes para a certificação de</p><p>produtos de saúde e beleza orgânicos e naturais e para ingredientes orgânicos</p><p>e naturais. 5. ed. São Paulo: IBD, 2014.</p><p>KEDE, M. P. V.; SABATOVICH, O. Dermatologia estética. 3. ed. São Paulo:</p><p>Atheneu, 2015.</p><p>MARUTA, C. W.; SANTI, C. G. Dermatoses bolhosas autoimunes. São Paulo:</p><p>Atheneu, 2016.</p><p>NEVES, K. Formulação verde. Cosmetics & Toiletries Brasil. 21(2):23 2009.</p><p>REBELLO, T. Guia de produtos cosméticos. 9. ed. São Paulo: Senac, 2004.</p><p>https://fisiosale.com.br/assets/9no%C3%A7%C3%B5es-de-cosmetologia-2210.pdf</p><p>91</p><p>RIBEIRO, C. J. Cosmetologia aplicada a dermoestética. 2. ed. São Paulo:</p><p>Pharmabooks, 2010.</p><p>SANTOS, A. L. et al. Cosmetologia (Estética). São Caetano do Sul: Difusão, 2013.</p><p>SCHUTZ, C. P.; SCHAEFER, M. M.; FRANÇA,</p><p>A. J. B. D. V. Linha do tempo: a</p><p>história da higiene e do embelezamento. Monografia (Graduação em Cosmetologia e</p><p>Estética) - Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, 2011.</p><p>SILVA, M. B. et al. Nanotecnologia aplicada aos cosméticos. Etic - Encontro de</p><p>Iniciação Científica 13(13), 2017.</p><p>SOPHIM. The INCI, an international nomenclature for cosmetic ingredients.</p><p>Disponível em: https://www.sophim.com/en/inci/. Acessado em: out. 2023.</p><p>SOUZA, V. M.; ANTUNES JUNIOR, D. Ativos dermatológicos: dermocosméticos e</p><p>nutracêuticos. São Paulo: Cia Farmacêutica, 2019. v. 10.</p><p>TOZZO, M.; BERTONCELLO, L.; BENDER, S. Biocosmético ou cosmético orgânico:</p><p>revisão de literatura. Revista Thêma et Scientia 2(1), 2012.</p><p>TREVISAN, C. A. História dos cosméticos. Disponível em:</p><p>https://www.crq4.org.br/historiadoscosmeticosquimicaviva. Acessado em: out. 2022.</p><p>A Anvisa permite, ainda, o uso de folhetos anexos para descrever modo de uso,</p><p>restrições e advertências. Entretanto, solicita a impressão da informação “ver folheto</p><p>interno” nas embalagens primárias.</p><p>Devem constar no rótulo do produto cosmético, informações como:</p><p> Composição;</p><p> Registro no Ministério da Saúde;</p><p> Responsável técnico;</p><p> Modo de uso;</p><p> Restrições (quando aplicáveis);</p><p> Advertências (quando aplicáveis);</p><p>10</p><p> Validade;</p><p> Quantidade;</p><p> Outras.</p><p>O registro no Ministério da Saúde/Anvisa somente é obtido pelo fabricante quando</p><p>este demonstra a segurança de seu produto. Quando o produto cosmético pretende</p><p>produzir um resultado ou efeito específico, ou seja, indica que sua utilização pode</p><p>trazer melhorias como o que ocorre com os tratamentos medicamentosos, o</p><p>fabricante deverá, além de comprovar a segurança, também comprovar a eficácia do</p><p>produto. Essa comprovação é feita por meio de testes pré-clínicos e clínicos e todas</p><p>as etapas envolvidas na pesquisa e desenvolvimento do novo produto.</p><p>Além das informações obrigatórias, são comuns alguns termos que também podem</p><p>assegurar o usuário quanto à escolha do produto ou ao menos informá-lo sobre</p><p>algumas de suas características. Logo, é importante que o leitor tenha conhecimento</p><p>sobre eles.</p><p> Produto infantil: destinado ao consumidor infantil, pode ser utilizado em pele,</p><p>cabelos e mucosas infantis;</p><p> Produto para pele sensível: pode ser utilizado em pessoas com esse subtipo de</p><p>pele;</p><p> Hipoalergênico: produto com baixa possibilidade de provocar reações alérgicas.</p><p>Esse termo não é recomendado pela Food and Drug Administration (FDA), visto</p><p>que os cosméticos em geral não devem ter potencial sensibilizante;</p><p> Alergênico: produto que não provoca reações alérgicas;</p><p> Clinicamente testado: produto testado em humanos para verificar o potencial de</p><p>reações. Esse teste ocorre sob o controle de dermatologistas e, eventualmente,</p><p>outro especialista;</p><p> Dermatologicamente testado: produto testado, sob o controle de dermatologistas,</p><p>em humanos para verificar potencial de reações cutâneas;</p><p> Oftalmologicamente testado: produto testado, sob o controle de oftalmologistas,</p><p>em humanos para verificar o potencial de reações oftálmicas;</p><p> Não comedogênico: produto que não favorece a formação de comedões. Testado</p><p>em humanos;</p><p>11</p><p> Não acnegênico: produto que não apresenta potencial para agravar ou formar</p><p>pápulas, pústulas ou outras lesões acneicas. Testado em humanos.</p><p>Classificações dos produtos cosméticos</p><p>Os cosméticos foram classificados pela Anvisa de acordo com a classe a que</p><p>pertencem, a função básica que o produto oferece, o risco sanitário e a forma de</p><p>apresentação.</p><p>Segundo os artigos 49 e 50 do Decreto no 79.094/77, os produtos cosméticos foram</p><p>organizados em produto de higiene, quando a finalidade principal é higienizar;</p><p>produto de uso infantil, quando se destina ao público infantil; perfume, quando a</p><p>finalidade geral é perfumar; e cosmético, para as demais finalidades gerais que</p><p>excluem a higienização, o ato de perfumar e não são destinadas a um público</p><p>infantil.</p><p>Considerando-se a sua função principal, um produto também pode receber outra</p><p>classificação. Assim, um produto pode higienizar, conservar/proteger, reparar/corrigir</p><p>e maquilar/enfeitar.</p><p>Com base nessa classificação, surgiram os produtos multifuncionais no século XX:</p><p>um mesmo produto cosmético pode ter mais de uma função principal. Atualmente, é</p><p>comum uma maquiagem, como um BB cream, por exemplo, uniformizar o tom da</p><p>pele, por meio de pigmento de maquiagem, e ao mesmo tempo ter a capacidade de</p><p>proteção solar, hidratação e até mesmo reparação de algum dano provocado pelo</p><p>envelhecimento. Da mesma forma, um higienizante, ao mesmo tempo em que</p><p>higieniza a pele, pode ter efeito antioxidante e protetor.</p><p>O risco sanitário indica o grau do risco que um produto pode oferecer ao usuário,</p><p>quando utilizado de forma incorreta. Entende-se por forma incorreta motivos</p><p>propositais ou não. Para exemplificar: deixar um xampu entrar em contato com os</p><p>olhos, ingerir um perfume, deixar um alisante capilar entrar em contato com a pele,</p><p>introduzir um sabonete no genital interno, entre outros exemplos. Com base nas</p><p>consequências que esse produto pode ocasionar ao usuário, a Anvisa organizou os</p><p>produtos em graus 1 e 2.</p><p>O grau 1 indica risco mínimo. São desse grau os produtos com propriedades</p><p>básicas, sem necessidade de comprovação de eficácia pelo fabricante e que não</p><p>precisam conter em seus rótulos informações detalhadas quanto ao modo e</p><p>12</p><p>restrições de uso. Exemplos de cosméticos com grau de risco 1 são sabonetes,</p><p>xampus, cremes hidratantes, óleos, perfumes e maquiagens sem proteção solar e</p><p>sem ações específicas como efeito antisséptico, antiacne e antienvelhecimento.</p><p>O grau 2 indica risco máximo ou potencial. Pertencem a esse grau os produtos com</p><p>indicações específicas, indicando quais os tratamentos para que são indicados. Por</p><p>exemplo, produto despigmentante da pele, sabonete antiacne, xampu anticaspa.</p><p>Nos produtos de grau de risco 2, o fabricante deverá comprovar a eficácia e</p><p>segurança do seu produto por meio da apresentação de resultados de testes em</p><p>uma extensa pesquisa. O rótulo deve conter informações mais detalhadas quanto a</p><p>modo e restrições de uso. Exemplos de cosméticos com esse grau de risco são</p><p>xampus tonalizantes, xampus anticaspa, protetores solares, desodorantes</p><p>antiperspirantes, esfoliantes químicos, tinturas capilares, clareadores faciais,</p><p>cosméticos antienvelhecimento e produtos infantis.</p><p>A maioria dos alunos estranha o fato de os produtos infantis estarem classificados</p><p>como produtos de grau de risco 2. No entanto, um dos fatores utilizados para essa</p><p>classificação é o usuário do produto. No caso do produto infantil, seus usuários,</p><p>além de mais sensíveis, tendem a utilizá-lo de forma adversa. Por isso, esses</p><p>produtos são considerados de risco máximo. Dessa forma, a Anvisa exige registros,</p><p>testes e indicações mais específicas, priorizando a saúde das crianças.</p><p>NOMENCLATURA COSMÉTICA</p><p>É importante a identificação da(s) substância(s) química(s) que compõem e vêm</p><p>especificadas nos rótulos dos cosméticos. Como são produzidos em muitos países,</p><p>exportados e importados, é essencial que, em qualquer lugar do mundo,</p><p>independentemente do idioma, dos caracteres e do alfabeto utilizado, seus</p><p>componentes possam ser identificados. Para isso, utiliza-se uma padronização dos</p><p>nomes dos componentes (também chamados ingredientes) utilizados em produtos</p><p>cosméticos. Podemos destacar que o objetivo principal em identificar os</p><p>componentes são o fato de eles poderem ser nocivos ou alergênicos para algumas</p><p>pessoas. No entanto, também é importante essa identificação, pois podem estar em</p><p>conflito com a filosofia e as escolhas de vida de alguns clientes (por exemplo, no</p><p>caso de um cosmético tradicional e pessoas veganas) ou mesmo pelo fato de</p><p>poderem não apresentar exatamente os efeitos desejados.</p><p>13</p><p>A Anvisa segue a nomenclatura chamada International Nomenclature of Cosmetic</p><p>Ingredient (INCI) que, em português, é traduzido como Nomenclatura Internacional</p><p>de Ingredientes Cosméticos. Essa mesma lista é utilizada por países como Estados</p><p>Unidos, Canadá, países da Europa, entre outros.</p><p>Ficou convencionado, em nível global, que todos os mercados produtores e</p><p>consumidores de cosméticos a utilizassem por questões de padronização e</p><p>segurança, visando simplificar a designação dos ingredientes cosméticos, visto que</p><p>existem mais de 12 mil substâncias utilizadas na cosmetologia que, além do nome</p><p>químico, muitas vezes, possuem mais de um nome comercial.</p><p>As normas INCI definem regras para dar nome à substância. Esse comitê</p><p>internacional foi formado pela FDA, Comissão Europeia, Ministério da Saúde do</p><p>Canadá e do Japão.</p><p>Mesmo com a adoção da nomenclatura atual, havia muitas dificuldades</p><p>na leitura e</p><p>interpretação dos rótulos contendo as informações sobre os ingredientes como, por</p><p>exemplo, a presença de muitos nomes, o fato de serem escritos em inglês, latim e</p><p>outras línguas e, por vezes, em letras muito pequenas, tornando difícil o seu</p><p>entendimento. Com o objetivo de tornar mais fácil o seu entendimento pelos</p><p>consumidores, a legislação foi realizando várias adequações como, por exemplo, a</p><p>Resolução n. 432, de 4 de novembro de 2020, que incluiu a obrigatoriedade de</p><p>contemplar a composição de ingredientes em língua portuguesa.</p><p>Aula 4 – Termos cosméticos</p><p>Termos cosméticos:</p><p> Aromacologia;</p><p> Aromaterapia;</p><p> Biotecnologia;</p><p> Fitoterapia;</p><p> Nanotecnologia;</p><p> Alimético;</p><p> Cosmecêutico (dermocosmético);</p><p> Fitocosmético;</p><p> Nanocosmético;</p><p>14</p><p> Neurocosmético;</p><p> Fonocosmético;</p><p> Nutricosmético;</p><p> Cosméticos multifuncionais;</p><p> Cosméticos naturais;</p><p> Cosméticos orgânicos;</p><p> Cosméticos veganos.</p><p>Termos cosméticos</p><p>Com a evolução da cosmetologia e das demais ciências da pele e da saúde, as</p><p>inovações tecnológicas foram sendo incorporadas aos produtos cosméticos, dando a</p><p>eles especificidade. Tais condições tornaram necessárias denominações especiais</p><p>que fossem capazes de explicar, até certo ponto, a forma de ação e funcionalidades</p><p>dos novos cosméticos. Estes novos termos têm como objetivo discriminar os vários</p><p>tipos de cosméticos disponíveis no mercado na atualidade e orientar melhor o</p><p>usuário sobre as características do cosmético que deseja utilizar.</p><p> Aromaterapia: proposta terapêutica alternativa que se propõe a cuidar da saúde</p><p>física e mental, tendo como ferramenta a aplicação tópica e/ou inalação de óleos</p><p>essenciais. O termo foi utilizado pela primeira vez em 1928, pelo perfumista René</p><p>M. Gattefossé. Os óleos essenciais são produtos naturais extraídos de plantas</p><p>contendo vários ativos que possuem propriedades diversas;</p><p> Biotecnologia: consiste em uma tecnologia que desenvolve produtos com base</p><p>em organismos vivos (leveduras, por exemplo) que produzem, por fermentação,</p><p>matérias-primas importantes. Essa tecnologia vem desenvolvendo um número</p><p>crescente de matérias-primas de uso cosmético, tendo se tornado um campo de</p><p>grande importância para a cosmetologia;</p><p> Fitoterapia: forma terapêutica baseada na ação das plantas (phiton = vegetal). As</p><p>plantas produzem substâncias que têm ação medicamentosa, podendo também</p><p>ser aproveitadas nas formulações cosméticas pelas variadas propriedades que</p><p>possuem;</p><p> Nanotecnologia: tecnologia que trabalha com partículas de tamanho</p><p>extremamente reduzido. O prefixo nano corresponde à bilionésima parte de</p><p>alguma grandeza (1 nm = 10–9 m), ou seja, as partículas nanométricas são dessa</p><p>15</p><p>ordem de tamanho. A indústria cosmética desenvolveu técnicas de fabricação de</p><p>partículas que possuem dimensão inferior a 100 nanômetros para poder utilizar</p><p>essa tecnologia nos produtos;</p><p> Alimético: produto alimentício que, quando ingerido, pode auxiliar em algum</p><p>benefício estético, influenciando a saúde e a beleza da pele, dos cabelos e das</p><p>unhas. Esses benefícios se devem à presença de substâncias como zinco,</p><p>selênio, cálcio, colágeno, taurina, carotenoides e vitaminas A, B1, B2, B3, B6, B7,</p><p>B8, B9, B12, C, D, E e H. Não se enquadram na classe dos cosméticos</p><p>propriamente dita, pois, de acordo com a Anvisa, cosméticos são formas de</p><p>utilização somente para uso externo;</p><p> Cosmecêutico: o dermatologista norte-americano Albert Kligman criou esse termo</p><p>na década de 1980 para definir produtos cosméticos que possuem em sua</p><p>formulação princípios ativos com propriedades terapêuticas, porém em</p><p>concentrações menores que as utilizadas em medicamentos. Portanto, esses</p><p>produtos podem ser entendidos como formulações que possuem substâncias</p><p>farmacologicamente ativas apropriadas para diversos tipos de tratamentos na</p><p>pele. Esse diferencial torna-os mais eficazes que os cosméticos tradicionais,</p><p>porém devemos lembrar que não se tratam de medicamentos e, sim, cosméticos</p><p>mais potentes. Atualmente, esses produtos são chamados de dermocosméticos e</p><p>essa denominação mudou em função da propriedade fundamental desses</p><p>produtos de fazer com que os seus ativos possam ultrapassar a barreira</p><p>epidérmica, indo até a camada dérmica para exercer seus efeitos. Assim, dermo</p><p>(camada dérmica) - cosmético significa aquele cosmético que leva os seus</p><p>princípios ativos além da epiderme;</p><p> Fitocosmético: são cosméticos formulados com matérias-primas oriundas de</p><p>plantas. São retirados óleos, manteigas e outras matérias-primas desses vegetais</p><p>e utilizados na preparação dos cosméticos. Além disso, com as plantas</p><p>medicinais (ou seja, que têm princípios ativos que podem beneficiar à saúde), são</p><p>elaborados extratos que são concentrados dos ativos botânicos ou bioativos,</p><p>como também são chamados. Deve-se destacar que apesar do termo</p><p>fitocosmético ser relativamente recente, o uso de matérias-primas e ativos</p><p>vegetais para fins de embelezamento vem sendo usado desde o início do</p><p>16</p><p>desenvolvimento da humanidade pelos povos primitivos. Possui registros</p><p>arqueológicos de mais de 5 mil anos;</p><p> Nanocosmético: são produtos cosméticos que possuem em sua formulação</p><p>nanopartículas, ou seja, partículas de tamanho molecular muito reduzido, da</p><p>ordem dos nanômetros. O objetivo do uso dessa tecnologia foi criar um cosmético</p><p>com maior facilidade para atravessar barreiras da pele e do sistema capilar,</p><p>quando comparado aos cosméticos sem essa tecnologia. Em função dessa</p><p>facilidade, consegue produzir um nível maior de ação. Esses ativos agirão</p><p>exatamente nas estruturas biológicas internas responsáveis por importantes</p><p>mecanismos de produção e manutenção da beleza, proporcionando resultados</p><p>mais eficazes;</p><p> Neurocosmético: cosméticos com ação no sistema nervoso central. De forma</p><p>mais detalhada, é capaz de estimular as terminações nervosas da pele, enviando</p><p>estímulos ao hipotálamo (centro nervoso que regula, entre outras coisas, humor,</p><p>sensações de bem-estar e prazer). Esse efeito teria o papel de desencadear a</p><p>liberação de substâncias por esse centro cerebral que, em última análise,</p><p>melhorariam o aspecto geral da pele. Para isso, os ativos utilizados são</p><p>específicos, como as chamadas fitoendorfinas (fito = vegetais; endorfinas =</p><p>neurotransmissor ligado ao bem-estar e prazer) ou ativos que estimulam a</p><p>liberação de endorfinas. Os ativos neurocosméticos mais comuns são o</p><p>Endorphin®, o Neuroxyl® , além das fitoendorfinas. Não há comprovações</p><p>científicas robustas que corroborem essa forma de ação;</p><p> Fonocosmético: produto cosmético contendo pó de opala (pedra semipreciosa)</p><p>que é utilizado em conjunto com o aparelho de ultrassom. Após ser aplicado, é</p><p>ativado pelas ondas ultrassônicas que promoveriam aumento de movimentação</p><p>celular – movimento browniano que seriam capazes de estimular células como os</p><p>fibroblastos (responsáveis pela formação do colágeno) e os queratinócitos</p><p>(envolvidos com a proteção da pele). Também não é comprovado por estudos</p><p>científicos que legitimam essas afirmações;</p><p> Nutricosmético: da mesma forma que os aliméticos, os nutricosméticos não se</p><p>enquadram na classe dos cosméticos propriamente dita, pois, de acordo com a</p><p>Anvisa, cosméticos são formas de utilização somente para uso externo. Os</p><p>nutricosméticos alegam promover benefícios estéticos, podendo ser considerados</p><p>17</p><p>suplementos nutricionais compostos de vitaminas, aminoácidos, proteínas e/ou</p><p>ativos botânicos antioxidantes. Sua principal utilização é como retardante do</p><p>processo de envelhecimento da pele;</p><p> Cosmético multifuncional: exerce mais de uma função ao mesmo tempo (por</p><p>exemplo, os atuais BB creams). Geralmente hidratam, tonalizam a pele e</p><p>protegem das radiações ultravioleta (UV);</p><p> Cosmético natural: recebe essa classificação quando contém, pelo menos, 5% de</p><p>matérias-primas orgânicas certificadas (100%</p><p>natural). O restante pode ser água,</p><p>matérias-primas naturais não certificadas ou permitidas para formulações</p><p>naturais;</p><p> Cosmético orgânico: contém 95% de matérias-primas certificadas orgânicas</p><p>(100% orgânica). O restante pode ser água, matérias-primas naturais não</p><p>certificadas ou permitidas para formulações orgânicas;</p><p> Cosmético sustentável: produtos com embalagens biodegradáveis e/ou recicladas</p><p>e matérias-primas que não provoquem danos ao meio ambiente. Além dessa</p><p>questão ambiental, devem ser social e economicamente viáveis;</p><p> Cosmético vegano: não utilizam ingredientes de origem animal, como a cera de</p><p>abelha, lanolina e carmim, e não testam os produtos em animais;</p><p> Observação: os quatro últimos termos são produtos definidos e regulados não</p><p>pela Anvisa, mas por organismos certificadores parecidos com ongs. Um dos</p><p>maiores é internacional, chamado Ecocert. É aclamada como a maior agência</p><p>certificadora de produtos orgânicos do mundo. Além deste, há outras instituições</p><p>parecidas que atuam inspecionando e certificando produtos alimentícios,</p><p>cosméticos e outros. Têm o propósito de estabelecer requisitos mínimos comuns</p><p>e harmonizar as regras de certificação de cosméticos naturais e orgânicos em</p><p>todo o mundo. Assim, definem quais são as matérias-primas que podem estar ou</p><p>não presentes nas formulações cosméticas. Se um fabricante pretende produzir</p><p>um cosmético dessa classe, deverá seguir as determinações desses organismos.</p><p>Dentre estas tecnologias e termos comentados, os mais importantes na atualidade</p><p>são sem dúvida a biotecnologia, a nanotecnologia e a fitocosmética por sua</p><p>relevância na eficácia dos produtos cosméticos.</p><p>18</p><p>Aula 5 – Reações dermatológicas aos cosméticos</p><p>Muitos indivíduos podem apresentar uma ou mais reações de sensibilidade a certos</p><p>componentes de produtos cosméticos. Essas reações podem variar desde eritema</p><p>leve à dermatite alérgica. Existem muitos fatores envolvidos nesse processo: a</p><p>composição do produto, as concentrações dos seus componentes individuais, o uso</p><p>de substâncias com penetração aumentada, o local de aplicação, a condição e o tipo</p><p>de pele, o tempo de contato com o produto cosmético, a frequência de aplicação e</p><p>os efeitos cumulativos.</p><p>Definição de alergia</p><p>É uma reação anormal do organismo após sensibilização por uma substância</p><p>estranha. Substância esta que não gera problemas na maioria dos indivíduos. A</p><p>alergia é uma reação específica de cada organismo.</p><p>Tipos de reações dermatológicas</p><p>Nem todas as reações dermatológicas são alérgicas, ou seja, para ser uma reação</p><p>alérgica, deve necessariamente envolver o sistema imunológico. Muitas vezes,</p><p>dependendo da constituição do indivíduo, ele pode desenvolver uma sensibilidade</p><p>muito grande ao uso de um determinado cosmético com reações semelhantes a</p><p>uma alergia, mas que não envolva o sistema de defesa do seu organismo (sistema</p><p>imunológico).</p><p>Assim sendo, para existir uma reação que seja classificada como alérgica, o</p><p>organismo passará por um processo diferente de uma reação de hipersensibilidade</p><p>ou baixa tolerância ao cosmético.</p><p>Para que uma reação alérgica aconteça, o organismo precisa passar por uma fase</p><p>inicial a que chamamos de sensibilização. Quando esta ocorre, que é o primeiro</p><p>19</p><p>contato com a substância (a que chamamos de alérgeno), o organismo daquele</p><p>indivíduo passa a produzir umas proteínas especiais chamadas de anticorpos, só</p><p>depois dessas proteínas prontas e organizadas no corpo é que pode ocorrer o</p><p>desencadeamento da reação alérgica, se o indivíduo entrar em contato novamente</p><p>com aquela substância.</p><p>Então, imagine a seguinte situação: uma pessoa é alérgica a uma substância A,</p><p>porém não sabe disso, pois nunca entrou em contato com ela. Um belo dia, resolve</p><p>usar um creme facial, um sabonete, uma maquiagem ou outro produto cosmético</p><p>que tenha a substância A em sua formulação. Ao ter esse primeiro contato, os</p><p>anticorpos começam a ser produzidos em seu organismo (fase de sensibilização) de</p><p>forma silenciosa, sem dor, sem que qualquer reação aconteça. Depois de um tempo,</p><p>essa pessoa resolve usar novamente o cosmético com a substância A, então,</p><p>somente nesse momento, depois que os anticorpos já foram produzidos, ocorrerá</p><p>uma reação deles contra a substância A, produzindo sinais e sintomas da alergia.</p><p>Não é muito fácil identificar se uma reação é alérgica ou de sensibilidade, por isso,</p><p>quando falamos que alguém teve uma reação ao cosmético, dizemos que esta teve</p><p>uma reação dermatológica. Na maioria dos casos, a reação que a pele produz frente</p><p>à exposição a um cosmético não é de base alérgica e sim de hipersensibilidade.</p><p>Usando os termos técnicos temos:</p><p> Dermatite de contato irritativa (DCI);</p><p> Dermatite de contato alérgica (DCA).</p><p>Repare que as duas formas de reações têm um ponto em comum – a dermatite de</p><p>contato, que é uma condição caracterizada por áreas de inflamação (eritema, prurido</p><p>e edema), que se formam depois de uma substância entrar em contato com sua</p><p>pele.</p><p> DCI é mais comum do que a dermatite de contato alérgica e pode ocorrer em</p><p>qualquer pessoa. Desenvolve-se quando uma substância irritante ou agressiva</p><p>interfere na integridade da pele. A DCI geralmente começa como manchas de</p><p>prurido, pele escamosa ou uma erupção vermelha, mas pode evoluir para bolhas</p><p>que aumentam, especialmente se a pele está mais irritada pelo ato de coçar. Ela</p><p>ocorre normalmente no local de contato com a substância irritante. Também pode</p><p>ser conhecida como pele sensível ou hipersensível;</p><p>20</p><p> DCA ocorre em pessoas que são de fato alérgicas e, portanto, envolvem o</p><p>processamento de reações mediadas pelo sistema imunológico, uma fase de</p><p>sensibilização e, após a reexposição ao produto, pode ser desencadeada a</p><p>reação alérgica. Essa reação pode ser determinada pelo contato a um ou vários</p><p>ingredientes em um produto específico;</p><p> Manifestações alérgicas mais comuns:</p><p>o Urticárias (pode existir não alérgica também, causada por frio, calor etc.);</p><p>o Dermatite atópica (base hereditária);</p><p>o Dermatite de contato (contato com substâncias como metais, cosméticos,</p><p>tintas);</p><p>o Manifestações não alérgicas:</p><p> Hipersensibilidade (pele sensível);</p><p> Fotodermatite (reação ao cosmético em conjunto com a exposição solar).</p><p>A fotodermatite (ou fototoxicidade) é um termo amplo que contempla a fotoirritação</p><p>aguda, a fotoalergia a longo prazo, a fotogenotoxicidade, a fotomutagenicidade e</p><p>fotocarcinogenicidade. A fotodermatose é utilizada por dermatologistas para</p><p>descrever qualquer processo patológico induzido pela luz (em especial a do sol) e</p><p>que ocorre na pele.</p><p>Os produtos cosméticos mais comumente envolvidos com eventos adversos são:</p><p>tintura de cabelos, esmaltes, maquiagem em geral (batom, sombra, delineadores</p><p>etc.), cremes hidratantes e perfumes. Os produtos para a limpeza da pele, tais como</p><p>sabonetes, xampus e desodorantes, são os que marcadamente causam irritação na</p><p>pele em consequência do uso continuado e cumulativo. Os ingredientes de produtos</p><p>cosméticos que mais causam efeitos adversos são os componentes de fragrâncias.</p><p>Produtos altamente perfumados geralmente causam maior sensibilização.</p><p>Devido a esse fato, a legislação atual da Anvisa exige que todos os produtos que</p><p>tenham potencial de produzir reações dermatológicas, os ditos produtos alergênicos,</p><p>devam ser declarados na rotulagem dos produtos cosméticos que os contém.</p><p>Outro grupo de matérias-primas que é potencialmente causador de efeitos adversos</p><p>é o de conservantes, que são alergênicos amplamente presentes em vários tipos de</p><p>formulações cosméticas. Isotiazolinonas, formaldeído e liberadores de formaldeído,</p><p>metildibromo glutaronitrila são exemplos desses conservantes. Os produtos</p><p>21</p><p>capilares corantes como a fenilenodiamina e seus derivados também são frequentes</p><p>causadores de reações, assim como alguns componentes de filtros solares</p><p>como o</p><p>4-isopropil dibenzoilmetano e a benzofenona-3. Além destes, que são sintéticos, os</p><p>ingredientes naturais como extratos de plantas e ervas também podem ser</p><p>responsáveis pelas dermatites de contato.</p><p>Testes de irritação cutânea</p><p>Na eventual necessidade de se averiguar a compatibilidade de algum produto</p><p>cosmético presente na formulação com o seu usuário, o teste mais aceito é o Patch-</p><p>Test, também conhecido como teste de contato.</p><p>Sinais e sintomas</p><p>Na maioria das reações dermatológicas, independentemente da origem, prevalecem</p><p>sinais e sintomas semelhantes aos de uma reação inflamatória: eritema</p><p>(avermelhamento do local), edema (inchaço), dor e desconforto. Além destes, é</p><p>possível a formação de pápulas (bolhas), secreção, prurido (coceira), ardência e</p><p>ressecamento.</p><p>Nessa típica reação inflamatória, desenvolve-se uma reação denominada</p><p>quimiotaxia (que é um tipo de sinalização para atrair as células de defesa para o</p><p>local com o objetivo de protegê-lo). Também ocorre vasodilatação (dilatação dos</p><p>vasos sanguíneos), levando a um aumento da permeabilidade dos capilares, o que</p><p>permite que as células de defesa possam atravessar as suas paredes e ficarem</p><p>livres para agir no local. Consequentemente a isso, também ocorre edema (inchaço),</p><p>dor e aumento de temperatura.</p><p>Muitas vezes, é muito difícil para o profissional determinar se a causa da reação</p><p>dermatológica tem fonte imunológica ou não. No entanto, frente a uma ocorrência</p><p>dermatológica, mais interessa iniciar medidas de contenção e abrandamento da</p><p>reação do que definir de que tipo de reação se trata.</p><p>Prevenção e cuidados paliativos</p><p>Não é possível prevenir 100% das reações dermatológicas a cosméticos, porém é</p><p>possível, na prática de atendimento, evitar muitas delas. Para isso, o profissional de</p><p>estética que utilizará o cosmético deve atuar de maneira organizada e criteriosa.</p><p>22</p><p>É fundamental buscar informações prévias sobre o cliente, entendendo se tem</p><p>possíveis predisposições a desenvolver uma reação dermatológica. Para isso, o</p><p>levantamento do histórico completo e detalhado, em que o cliente poderá fazer</p><p>referências a episódios de reações anteriores, pode ser muito útil para a definição da</p><p>conduta a ser adotada. Os protocolos de prevenção podem evitar situações de risco</p><p>para aqueles clientes que apontarem maior suscetibilidade.</p><p>Caso a reação dermatológica ocorra apesar dos cuidados prévios, devem ser</p><p>adotados os cuidados paliativos que envolvem em primeiro lugar a remoção</p><p>imediata do produto.</p><p>Quando a reação dermatológica ocorre, duas situações distintas podem ser</p><p>observadas: uma quando os sinais e sintomas aparecem durante o procedimento, e</p><p>outra quando ocorre após o término do procedimento. Quando a reação ocorre</p><p>durante o protocolo cosmético que está em andamento, denominamos de reação</p><p>imediata. Quando a reação se manifesta após o término do protocolo, tendo ocorrido</p><p>horas ou dias após a exposição, chamados de tardia. Para cada uma das</p><p>ocorrências, o profissional deve sempre se mostrar acessível, fornecendo</p><p>orientações e recomendações ao cliente. Em casos em que o cliente demonstre</p><p>preocupação extrema, pode ser sugerido um acompanhamento com o clínico</p><p>dermatologista.</p><p>Condutas que podem ser adotadas para clientes com maior risco de reações</p><p>dermatológicas:</p><p> Evitar cosméticos e procedimentos potencialmente agressivos;</p><p> Evitar aquecimento demasiado;</p><p> Hidratar bem a pele antes de qualquer procedimento;</p><p> Procurar usar cosméticos mais suaves como, por exemplo, hipoalergênicos ou</p><p>alergênicos;</p><p>O profissional em estética deve ter em consideração sempre:</p><p> Trabalhar com cosméticos dentro do prazo de validade, observando o modo de</p><p>uso recomendado pelo fabricante;</p><p> Trabalhar com cosméticos com registro válido pela Anvisa.</p><p>Aula 6 e 7 – Bioquímica</p><p>23</p><p>A cosmetologia é uma ciência multidisciplinar, dependente de ciências como</p><p>química, física, biologia, anatomia, entre outras. A química é a base da vida. Tudo é</p><p>formado pela combinação de elementos químicos. Nesta aula, serão definidos uma</p><p>série de termos químicos que poderão auxiliar o estudo da cosmetologia, pois</p><p>nossos cosméticos são formados de substâncias químicas, naturais ou não.</p><p>Matéria</p><p>Toda a matéria que existe é formada por átomos. O átomo é a unidade fundamental</p><p>da matéria e também pode ser chamado de elemento químico. Existem diversos</p><p>desses elementos na natureza e alguns podem ser sintéticos (fabricados em</p><p>laboratório). Todos os elementos químicos conhecidos estão apresentados com</p><p>suas características particulares na tabela periódica dos elementos:</p><p>Esses elementos podem se combinar entre si formando as moléculas. Tudo que</p><p>vemos e até o que não vemos, como o ar atmosférico que respiramos, é formado</p><p>por moléculas. O nosso corpo, as plantas, os animais, a terra e os materiais mais</p><p>comuns do nosso dia a dia, como a nossa comida, a água que bebemos, a garrafa</p><p>que usamos para guardar a água, a mesa, a tela da TV e todo o resto dos materiais</p><p>que nos rodeiam são compostos por moléculas. Por exemplo: o ar é formado por</p><p>oxigênio e outros gases. O oxigênio do ar atmosférico é uma molécula resultante da</p><p>união de dois átomos de oxigênio, representados pela fórmula O2. Existem</p><p>moléculas muito simples como a do oxigênio do ar respirável, da água, do gás</p><p>24</p><p>carbônico que emitimos ao expirar, mas também existem outras moléculas mais</p><p>complexas, ou seja, que, para serem formadas, necessitam de grandes cadeias de</p><p>átomos ligados entre si como, por exemplo, as moléculas das proteínas. Um</p><p>exemplo disso é a molécula do colágeno:</p><p>Também existem muitas substâncias e matérias formadas por uma ligação</p><p>diferenciada a que chamamos de ligações iônicas, que é um tipo de ligação química</p><p>que se caracteriza pela atração eletrostática (com eletricidade) entre elementos com</p><p>diferentes tipos de cargas elétricas, cátions (elementos de cargas positivas) e ânions</p><p>(elementos de cargas negativas). Esses elementos acabam se ligando, pois essas</p><p>cargas opostas acabam se atraindo. Um exemplo de substância iônica é o sal de</p><p>cozinha feito de cloreto de sódio. Existe o sódio que é um cátion e o cloro que é um</p><p>ânion, formando uma ligação entre eles e consequentemente um composto. Então, a</p><p>ligação iônica é um tipo de ligação química caracterizada pela interação eletrostática</p><p>de íons de cargas opostas.</p><p>Saber sobre a química das substâncias traz muito conhecimento que pode ser</p><p>utilizado para a aplicação na estética. Por exemplo, essa situação dos compostos</p><p>formados por cargas elétricas (iônicos) pode ser utilizada com cosméticos que</p><p>tenham essa constituição e um aparelho que usa exatamente esse tipo de</p><p>substância para facilitar a entrada delas na pele. Trata-se de uma técnica não</p><p>25</p><p>invasiva, chamada de iontoforese e que é baseada na aplicação de corrente elétrica</p><p>de baixa intensidade aliada a um cosmético iônico. Essa corrente elétrica é capaz de</p><p>mobilizar as cargas das substâncias na forma iônica, repelindo íons da mesma</p><p>polaridade e permitindo que entrem na pele com mais facilidade. O resultado disso é</p><p>que a utilização de fluidos ionizáveis (cosméticos dessa forma) pode melhorar sua</p><p>permeação na pele e aumentar sua eficácia.</p><p>Para estudar a química, normalmente a dividimos em orgânica (estuda os</p><p>compostos formados predominantemente por carbono e hidrogênio e suas</p><p>estruturas) e inorgânica (estuda os compostos que não contêm carbono como</p><p>principal elemento). Em ambas, encontramos substâncias com algumas funções</p><p>características, a qual chamamos de função química, que é um agrupamento de</p><p>substâncias que apresentam propriedades semelhantes. Essas propriedades são</p><p>chamadas de funcionais, pois determinam o comportamento das substâncias. As</p><p>principais funções químicas são: ácidos, bases, sais e óxidos.</p><p>Todas elas são importantes para a cosmetologia e a estética, pois</p><p>nossos</p><p>cosméticos são formados de matérias-primas que podem ser de uma ou mais</p><p>dessas substâncias. Por exemplo, o uso dos ácidos é muito conhecido na estética</p><p>com um papel fundamental no processo de embelezamento da pele. Contudo, o que</p><p>são ácidos? São substâncias que se ionizam em meio aquoso (na água) e são bons</p><p>condutores de energia. Pode-se aferir a acidez de uma substância por meio de</p><p>técnicas de medição do potencial hidrogeniônico (pH) de uma solução. Podemos</p><p>saber se uma substância é ácida medindo o seu pH. O pH das substâncias pode ser</p><p>definido em valores numéricos. Outras substâncias que não sejam ácidas terão</p><p>valores numéricos diferentes, como é o caso das substâncias neutras e básicas (ou</p><p>alcalinas). Na escala abaixo, são determinados os números que demonstram se</p><p>uma substância é ácida, básica ou neutra. Se a substância medida tiver o pH entre</p><p>zero e o número até 7, ela será considerada ácida. Se tiver o número 7, será neutra,</p><p>e de 7 até 14, será alcalina. O ácido é o oposto de alcalino, e neutro significa que</p><p>não é nem ácido nem alcalino.</p><p>26</p><p>Para exemplificar, observemos o pH de algumas substâncias ácidas: o limão tem pH</p><p>em torno de 2; o vinagre, 2,5; o tomate, 4,5. Existem na cosmetologia estética vários</p><p>tipos de ácidos que são utilizados para rejuvenescimento da pele como, por</p><p>exemplo, o ácido glicólico, lático, kójico, entre outros. Já a água tem pH de 7, ou</p><p>seja, neutro, ou que não é nem ácido nem básico, por isso, está bem no meio da</p><p>escala de pH. Alguns exemplos de substâncias básicas ou alcalinas são o</p><p>bicarbonato de sódio, a água sanitária, os detergentes ou sabões/sabonetes (é</p><p>importante termos esse conhecimento das características dos sabões largamente</p><p>utilizados na cosmetologia). Também é possível medir o pH da pele. O pH natural da</p><p>pele humana encontra-se entre 4,7 e 5,75, ou seja, é ligeiramente ácido. Sabendo</p><p>disso, podemos entender porque os sabões, que são alcalinos, podem modificar</p><p>temporariamente o pH da pele e produzir ressecamento.</p><p>Continuando a entender as funções químicas, temos, por exemplo, a função sal.</p><p>Normalmente eles se formam como resultado de reações químicas entre</p><p>substâncias ácidas e substâncias básicas (reação de neutralização entre um ácido e</p><p>uma base). São muito usados nos cosméticos como espessantes (que auxiliam a</p><p>formulação de um cosmético adquirir a espessura desejada pelo formulador) como</p><p>adstringentes (para o controle da oleosidade) antissépticos (para o controle de</p><p>micro-organismos), entre outras ações.</p><p>Assim como alguns sais, outro exemplo de substâncias usadas na cosmetologia são</p><p>os óxidos. Este é todo composto com oxigênio. Os óxidos básicos são fruto de</p><p>elementos metálicos que, ao reagirem com água, formam bases chamadas</p><p>hidróxidos (OH-) muito usados em cosméticos para o alisamento capilar. Os óxidos</p><p>mais usados na cosmetologia são o óxido de zinco (ZnO) e o dióxido de titânio</p><p>(TiO2), muito comuns como pigmentos em cosméticos e como filtros físicos em</p><p>protetores solares, respectivamente.</p><p>27</p><p>A química orgânica é o ramo da química que estuda os compostos químicos que</p><p>possuem átomos de carbono em cadeias junto com outros átomos diferentes. O</p><p>carbono pode se ligar a muitos outros elementos e formar uma infinidade de</p><p>compostos diferentes. Essa variedade de compostos resulta em propriedades</p><p>diversificadas e muito úteis para a elaboração de produtos cosméticos.</p><p>Como na química inorgânica, a química orgânica também possui ácidos. Os ácidos</p><p>orgânicos são muito mais utilizados em cosmetologia do que os ácidos inorgânicos,</p><p>uma vez que são mais fracos e sua ação é mais suave sobre a pele. O principal</p><p>exemplo é o dos alfa-hidroxiácidos. São ácidos naturais, derivados de substâncias</p><p>como plantas, leite, entre outras. Os mais comuns são: ácido lático (derivados</p><p>fermentados do leite), ácido cítrico (frutas cítricas), ácido málico (maçã), ácido</p><p>mandélico (amêndoas amargas), ácido tartárico (uvas) e o ácido glicólico (cana de</p><p>açúcar).</p><p>Outros compostos estudados pela química orgânica são os carboidratos, os lipídios,</p><p>as proteínas (aminoácidos e enzimas) e os ácidos nucleicos. Os carboidratos estão</p><p>presentes no nosso organismo em vários locais e também necessitamos deles para</p><p>a nossa nutrição. Representam uma fonte de alimento para o organismo de energia</p><p>para rápida utilização. São os açúcares como o amido e a glicose. No entanto, se</p><p>consumirmos em demasia, passam a ser armazenados em forma de gordura. A</p><p>ingestão de carboidratos em excesso está relacionada às indesejáveis reações de</p><p>glicação que levam, segundo alguns autores, ao aceleramento do processo de</p><p>envelhecimento. Na cosmetologia, são muito empregados como, por exemplo, o</p><p>amido (agente espessante), a agarose (ativo hidratante em nutricosméticos), o mel</p><p>(ativo hidratante e cicatrizante), o ácido glicólico (processo de renovação celular e</p><p>rejuvenescimento cutâneo). Uma substância que é muito utilizada nos cosméticos da</p><p>atualidade e que também é um carboidrato é o ácido hialurônico (ativo hidratante e</p><p>preenchedor cutâneo).</p><p>Os lipídios também são conhecidos como gorduras e estão presentes na</p><p>constituição do nosso organismo assim como na formulação dos cosméticos.</p><p>Podemos afirmar que é uma das classes de matérias-primas mais usadas para a</p><p>formulação de cosméticos. Suas funções no organismo são: fazem parte da</p><p>estrutura da membrana celular, fornecem energia para o organismo, formam uma</p><p>barreira de proteção para os órgãos vitais e têm funções hormonais. Nos</p><p>28</p><p>cosméticos, são muito úteis como hidratantes, emolientes (o que confere maciez à</p><p>pele) e emulsificantes (produtos utilizados para o preparo das emulsões cosméticas</p><p>– cremes, loções cremosas, sabonetes, entre outras). Algumas matérias-primas</p><p>muito utilizadas são os óleos como, por exemplo, o de abacate, amêndoas, girassol,</p><p>semente de uva, argan; as manteigas de cupuaçu, karité, murumuru, cacau; as</p><p>ceras como de abelha, de carnaúba. Entretanto, nem todos os lipídios são de fontes</p><p>naturais. Podemos ter lipídios sintéticos como óleos sintéticos (ou minerais,</p><p>silicones).</p><p>As proteínas são macromoléculas (ou seja, moléculas de grande tamanho, formadas</p><p>por muitos átomos organizados em cadeias). São chamadas de polímeros e são</p><p>formados por nanômetros (unidades do polímero). Os nanômetros formadores de</p><p>proteínas são chamados aminoácidos. Formam toda a estrutura dos tecidos, a</p><p>membrana celular, os ossos, os músculos, as cartilagens. As proteínas exercem</p><p>várias funções muito importantes no nosso corpo como a defesa no organismo,</p><p>formando os anticorpos no transporte de substâncias, como é o caso da</p><p>hemoglobina, que transporta o oxigênio no nosso sangue, tem funções enzimáticas</p><p>com as enzimas que são proteínas que servem para metabolizar outras proteínas,</p><p>mas também carboidratos, lipídios, entre outras substâncias que necessitam ser</p><p>alteradas nos processos bioquímicos. Além disso, as proteínas têm função hormonal</p><p>como insulina, glucagon e função estrutural formando pele, unha, cabelos, queratina,</p><p>colágeno. A queratina é uma proteína muito importante para o estudo da estética.</p><p>Ela é sintetizada pelos queratinócitos, células diferenciadas da epiderme. Têm</p><p>estrutura tridimensional, com propriedades como impermeabilidade à água, alto nível</p><p>de resistência e elasticidade. Sua presença na pele é essencial para a proteção que</p><p>esta exerce no nosso organismo. O colágeno é outra proteína extremamente</p><p>importante. Ele está presente em vários tecidos que estruturam o corpo como tecido</p><p>ósseo, cartilagens, veias e vários outros. Destaca-se a sua importância como</p><p>integrante da pele humana, mantendo a sua firmeza e elasticidade.</p><p>Como as proteínas são usadas em cosméticos? O colágeno é muito utilizado para a</p><p>hidratação e umectação de pele e cabelos. A queratina, por sua vez, auxilia na</p><p>hidratação e restauração (principalmente cabelos) quando fazem</p><p>parte da</p><p>composição de xampus, condicionadores, cremes, esmaltes, alisantes capilares,</p><p>restauradores capilares e produtos de higiene corporal. Já as proteínas de catálise</p><p>29</p><p>(enzimas) são usadas com diferentes finalidades em produtos capilares e para a</p><p>pele. Na pele, podemos ressaltar o uso de enzimas em esfoliantes biológicos,</p><p>também chamados enzimáticos. Além disso, são muito utilizadas com funções</p><p>antioxidantes em cremes anti-idade. Entre as enzimas mais utilizadas em</p><p>cosméticos estão a papaína (ação emoliente, queratolítica, clareadora e renovadora</p><p>cutânea); a bromelina (aumenta a permeabilidade cutânea); a coenzima Q10 (ação</p><p>antioxidante); e a hialuronidase (combate o edema, muito comum na</p><p>hidrolipodistrofia ginoide = popular celulite). As enzimas esfoliativas têm</p><p>propriedades queratolíticas, que é caracterizada pela capacidade de agir</p><p>dissolvendo a queratina, rompendo-a. Como resultado dessa ação, promove o</p><p>afinamento da pele, efeito esfoliativo. Como efeito antioxidante, destacamos a</p><p>Coenzima Q10 - também denominada ubidecarenona ou ubiquinona. Muito utilizada</p><p>em formulações cosméticas para tratamentos anti-idade. Age diretamente nos</p><p>fibroblastos, combatendo a formação de radicais livres e, logo, prevenindo o</p><p>envelhecimento.</p><p>Como foi dito, as proteínas são formadas por aminoácidos, que são compostos</p><p>orgânicos com moléculas muito pequenas. São as unidades das proteínas (cadeias</p><p>com 70 ou mais aminoácidos). O organismo humano possui 20 aminoácidos</p><p>formadores de proteínas. Desse montante, 9 são chamados essenciais, ou seja, o</p><p>organismo não consegue produzir em quantidade suficiente, então, temos que os</p><p>obter por meio da dieta. Os demais são naturais, ou seja, o nosso organismo produz.</p><p>Alguns aminoácidos empregados na cosmetologia são: lisina (manutenção da cor</p><p>dos cabelos); treonina (redensificação da fibra capilar); leucina, fenilalanina e prolina</p><p>(ação hidratante); hidroxiprolina (participa da molécula do colágeno). Também</p><p>podem ser muito usados em cosméticos tensores da musculatura superficial em</p><p>cosméticos conhecidos como de lifting facial que, por sua vez, combatem rugas e</p><p>linhas de expressão.</p><p>Além dos quatro grupos de biomoléculas já mencionados, abrimos espaço para falar</p><p>sobre as vitaminas, agentes com papel de regulação da bioquímica corporal. Estas</p><p>são compostos orgânicos não sintetizados pelo organismo, sendo incorporados por</p><p>intermédio da alimentação. Elas são essenciais para o funcionamento de</p><p>importantes processos bioquímicos do organismo, especialmente como</p><p>catalisadoras de reações químicas. Nosso corpo necessita em pequenas</p><p>30</p><p>quantidades. Não são digeridas, mas são absorvidas pelo intestino e distribuídas</p><p>pelo sangue. A falta de vitaminas é chamada de avitaminose ou hipovitaminose, e o</p><p>excesso, de hipervitaminose. Tanto uma como outra condição pode gerar problemas</p><p>de saúde. Os danos provocados dependem do tipo de vitamina, mas a pele e os</p><p>cabelos são muito afetados e podem se tornar um bom indicador de que falta ou de</p><p>que alguma vitamina pode estar em excesso no organismo. As alterações mais</p><p>frequentes que demonstram são ressecamento cutâneo e queda de cabelos.</p><p>Podemos dividir as vitaminas em duas classes distintas: as lipossolúveis (solúveis</p><p>em gordura) e as hidrossolúveis (solúveis em água). Vitaminas hidrossolúveis são as</p><p>do complexo B, vitamina P, vitamina C. As vitaminas lipossolúveis são</p><p>representadas pela A, D, E e K.</p><p>Complexo B</p><p> Vitamina B2 ou riboflavina: ação antioxidante, regeneradora de mucosas, pele,</p><p>unhas e cabelos. Sua carência pode provocar dermatites e descamações labiais.</p><p>Muito usadas em cosméticos aceleradores de bronzeamento;</p><p> Vitamina B3 ou nicotinamida ou niacina: tem ação anti-inflamatória e antioxidante,</p><p>agindo como regeneradora da pele, das unhas e dos cabelos;</p><p> Vitamina B5 ou ácido pantotênico: possui ação bactericida e fungicida, atua na</p><p>cicatrização da pele, previne e trata alergias e dermatites, conserva a umidade</p><p>natural da epiderme e auxilia na redução do eritema solar. Na forma alcoólica, é</p><p>conhecida como pantenol, exercendo ação protetora na pele e nos cabelos;</p><p> Vitamina B6 ou piridoxina: é responsável pela elasticidade do colágeno e sua</p><p>deficiência pode causar dermatites e interrupção do crescimento. Atua no sistema</p><p>imunológico e na prevenção do envelhecimento celular;</p><p> Vitamina B7 ou biotina ou vitamina h: participa da formação dos tecidos, incluindo</p><p>a pele. A biotina atua na epiderme, favorecendo a penetração das vitaminas do</p><p>complexo B. Na pele, auxilia no processo de cicatrização e no tratamento de</p><p>dermatites. Nos cabelos, previne a queda e o embranquecimento dos fios;</p><p> Vitamina B9 ou ácido fólico: tem ação regeneradora para a pele; nos cabelos,</p><p>previne o embranquecimento;</p><p> Vitamina B12 ou cobalamina ou cianocobalamina: na pele, previne doenças e o</p><p>envelhecimento precoce;</p><p>31</p><p> Vitamina P ou rutina ou citrina: é a vitamina da permeabilidade. É capaz de</p><p>aumentar a absorção da vitamina C no organismo, melhorando a imunidade e</p><p>combatendo os radicais livres. Além disso, possui ação antibiótica, anti-</p><p>inflamatória, anti-hemorrágica e protetora dos vasos sanguíneos;</p><p> Vitamina C ou ácido ascórbico: potente antioxidante. Indispensável para a</p><p>formação de colágeno. Atua no sistema imunológico, aumentando as defesas do</p><p>organismo e prevenindo doenças degenerativas e câncer. Atua no processo de</p><p>cicatrização dos tecidos e favorece a circulação e a oxigenação das células,</p><p>prevenindo coágulos. Seu uso em cosméticos para a pele produz efeito clareador,</p><p>regenerador celular e combate aos antirradicais livres, atuando como potentes</p><p>antioxidantes. É largamente utilizada na indústria cosmética em formulações anti-</p><p>idade, clareadoras e em produtos hidratantes, nutritivos e regeneradores para a</p><p>pele;</p><p> Vitamina A ou retinol: os carotenoides (pró-vitamina A) são compostos que, dentro</p><p>do organismo humano, transformam-se em vitamina A. Na cosmetologia, é</p><p>importante tanto em produtos para o tratamento de pele acneica e produtos com</p><p>ação antienvelhecimento, devido às suas propriedades hidratantes, anti-</p><p>inflamatórias, queratolíticas e de renovação celular. O ácido retinoico ou</p><p>tretinoína, muito utilizados em cosmetologia, é a forma ácida da vitamina A. Tem</p><p>efeitos anti-inflamatórios, queratolíticas e de renovação celular;</p><p> Vitamina D ou calciferol: é produzida ou fixada no organismo humano por meio da</p><p>radiação ultravioleta. Age, principalmente, como um hormônio que mantém o teor</p><p>de cálcio e fósforo no organismo. É importante para o crescimento e a formação</p><p>dos ossos. Está relacionada, ainda, à utilização correta de energia, ao</p><p>crescimento celular, ao funcionamento correto dos nervos e músculos. Na pele, a</p><p>vitamina D tem ação regeneradora e cicatrizante, sendo associada às vitaminas</p><p>A, C e E;</p><p> Vitamina E ou tocoferol: tem ação antioxidante no organismo, sendo empregada</p><p>em larga escala na indústria cosmética nos produtos antienvelhecimento;</p><p> Vitamina K: tem 3 origens diferentes: a menaquinona, quando de origem animal; a</p><p>filoquinona, quando de origem vegetal; e a menadiona, quando de origem</p><p>sintética. Tem ação protetora nos vasos sanguíneos, prevenindo as doenças</p><p>causadas pelas gorduras saturadas. Tem forte ação anti-hemorrágica, sendo</p><p>32</p><p>conhecida como a vitamina da coagulação. Embora já tenha sido bastante</p><p>empregada na indústria cosmética em formulações para atenuação de olheiras,</p><p>atualmente o seu uso em produtos cosméticos está proibido pela Anvisa;</p><p> Vitamina F: pertencente ao grupo dos ácidos graxos essenciais, é encontrada nos</p><p>alimentos de origem vegetal como ácido linolênico e nos óleos de origem animal</p><p>como ácido araquidônico. Além de apresentarem ação restauradora da</p><p>membrana celular e anti-inflamatória, aumentam a coesão entre as células, o que</p><p>impede a perda de água pela pele e sua desidratação, além</p><p>de incrementarem a</p><p>função de barreira da epiderme. São os ômegas: ômega 3, ômega 6.</p><p>Complementado o estudo das vitaminas, também precisamos mencionar que, seja</p><p>na química orgânica como na inorgânica, os elementos químicos em geral são muito</p><p>importantes na regulação do nosso corpo, a nossa bioquímica. Dessa forma, alguns</p><p>elementos químicos são muito utilizados em cosméticos para favorecer reações do</p><p>organismo no sentido de protegê-lo e fazer com que esteja regulado, gerando menor</p><p>desgaste, assim sendo, são muito empregados em formulações cosméticas</p><p>principalmente com funções antienvelhecimento. São eles: cálcio, cloro, enxofre,</p><p>silício, fósforo, magnésio, manganês, entre outros. Cada um deles apresenta</p><p>propriedades específicas e atua de diversas maneiras no organismo. Destacamos</p><p>alguns desses elementos e suas principais propriedades:</p><p> Cálcio: auxilia a permeabilidade cutânea/muito empregado em cosméticos</p><p>ionizáveis;</p><p> Cloro: deficiência pode causar queda de cabelos e dentes;</p><p> Cobre: síntese de colágeno e pigmentos que dão proteção à pele e aos cabelos;</p><p> Enxofre: participa da estrutura de unhas, pele e cabelos;</p><p> Estanho: previne alopécia;</p><p> Fósforo: regeneração do tecido;</p><p> Magnésio: participa da síntese do colágeno;</p><p> Manganês: faz parte do fator de hidratação natural da pele (NMF);</p><p> Potássio: auxilia na hidratação da pele e no processo de cicatrização;</p><p> Selênio: ação antioxidante/preservação do colágeno;</p><p> Silício: estimula a síntese proteica, o que auxilia na síntese do colágeno; carência</p><p>gera problemas em pele, cabelos e unhas;</p><p>33</p><p> Zinco: participa da síntese do colágeno, aproveitamento da vitamina A,</p><p>cicatrizante, seborregulador, anti-inflamatório.</p><p>Aula 8 - Componentes cosméticos</p><p>Componentes ou ingredientes são substâncias que fazem parte da formulação de</p><p>um cosmético. Elas se combinam entre si para compor o que chamamos de</p><p>formulação, que pode ser simples ou complexa, sendo definida pela soma e</p><p>interação de muitos componentes, que podem ser naturais ou sintéticos. Cada um</p><p>deles tem uma função definida na formulação.</p><p>Qual a razão pela qual devo conhecer os componentes de um cosmético? Para</p><p>conhecer a tecnologia, as indicações e saber o que esperar de um determinado</p><p>produto. Para evitar ou prevenir reações alérgicas e irritativas causadas por</p><p>determinadas substâncias em indivíduos sensíveis. Assim, é necessário buscar</p><p>entender sobre as características e propriedades dos produtos que consumimos e</p><p>que utilizamos em nosso trabalho.</p><p>Embora exista uma gama de componentes químicos utilizados em cosméticos, eles</p><p>podem ser organizados, de forma geral, em quatro grupos: ativos, aditivos, produtos</p><p>de correção (ou ajustamento) e veículos (ou excipientes). Assim, os produtos</p><p>cosméticos podem ser formulados com até quatro tipos básicos de matérias-primas.</p><p>Princípio ativo</p><p>Em qualquer formulação, seja ela cosmética ou medicamentosa, o princípio ativo é a</p><p>substância que tem efeito mais acentuado ou a substância que confere ao produto a</p><p>ação final a que se destina. Uma formulação cosmética pode conter mais de um</p><p>princípio ativo, cada um com sua finalidade principal. Os ativos podem ser naturais</p><p>ou sintéticos. Considerando os ativos naturais, estes podem ser de origem animal,</p><p>vegetal e mineral ou até mesmo sintetizados por micro-organismos. No entanto,</p><p>devem ser extraídos de forma direta da natureza. Os ativos sintéticos são</p><p>elaborados em laboratório. Alguns desses ativos tentam copiar a ação dos ativos</p><p>naturais. Muitas vezes, o pesquisador alcança resultados mais eficazes com a</p><p>molécula sintética que com a natural. Logo, não se pode acreditar que todas as</p><p>moléculas de origem natural sejam melhores que as sintéticas, visto que, em alguns</p><p>34</p><p>casos, isso não é verdade, não somente por uma questão de eficácia, mas também</p><p>por estabilidade, custos e preservação ambiental, por exemplo. Enfim, o formulador</p><p>deve avaliar cautelosamente qual a melhor escolha quando tiver a opção de utilizar</p><p>um ativo natural ou sintético.</p><p>Bioativos</p><p>Os biomateriais podem ter determinada bioatividade de acordo com sua capacidade</p><p>de participar de reações biológicas específicas. Com base nessa capacidade, os</p><p>materiais podem ser bioinertes, biorreativos e bioativos. Os bioinertes têm menor</p><p>possibilidade de reação em virtude da altíssima estabilidade química. Já os</p><p>biorreativos adquirem bioatividade após ativação da superfície de seu material. Os</p><p>bioativos apresentam alta capacidade de participar de reações biológicas, portanto,</p><p>são muito úteis para a cosmetologia, pois podem participar de reações como lipólise,</p><p>lipogênese, melanogênese e reparação tecidual, entre tantas outras. No entanto,</p><p>essas reações biológicas devem ser favoráveis ao benefício estético, motivo pelo</p><p>qual são muito estudadas. Como esses bioativos possuem considerável ação</p><p>cosmetológica, pode-se dizer que têm leve ação medicamentosa. Por isso, esses</p><p>ativos estão presentes nos chamados cosmecêuticos (ou dermocosméticos).</p><p>Aditivos</p><p>São substâncias que complementam a formulação cosmética, contribuindo com o</p><p>marketing do produto e/ou aumentando seu tempo de vida útil. Como aditivos</p><p>cosméticos são utilizados:</p><p> Corantes e pigmentos: de origem natural ou sintética, produzem sensações</p><p>visuais ao usuário. Nas formulações, é comum a representação CI, que significa</p><p>color index. A nomenclatura CI é a forma utilizada para a padronização efetiva</p><p>das cores, independentemente do local em que elas foram produzidas. Assim, um</p><p>determinado tom de verde, com seu CI especificado, terá esse mesmo tom em</p><p>qualquer lugar do mundo.;</p><p> Fragrâncias: combinação de diversos compostos aromáticos naturais ou sintéticos</p><p>capazes de impressionar as vias olfativas;</p><p> Conservantes: protegem o cosmético de contaminações microbianas e de</p><p>oxidações indesejáveis, assegurando seu prazo de validade e oferecendo</p><p>35</p><p>segurança ao usuário. Podem ser classificados em bactericidas, fungicidas ou</p><p>oxidantes.</p><p>Produtos de correção</p><p>São matérias-primas que corrigem ou ajustam alguma característica da formulação</p><p>cosmética de acordo com os padrões esperados. Considerando suas finalidades, os</p><p>produtos de correção (ou produtos de ajustamento) são classificados em:</p><p> Corretor de pH: corrige o pH da formulação, deixando-o adequado ao uso do</p><p>produto e seu local de aplicação;</p><p> Emoliente: evita ou atenua o ressecamento da pele e dos cabelos. O emoliente é</p><p>responsável pelo toque final do produto cosmético</p><p> Emulsionante: promove a mistura entre as fases aquosa e oleosa. A molécula do</p><p>emulsionante possui em sua estrutura grupos com afinidade pela água</p><p>(hidrofílicos) e grupos com afinidade pelos lipídios (lipofílicos); por isso, realiza a</p><p>união dessas fases</p><p> Espessante ou estabilizante: impede a mobilidade da fase aquosa, alterando a</p><p>sua viscosidade e auxiliando o emulsionante, impedindo o rompimento da</p><p>emulsão;</p><p> Sequestrante ou quelante: retira os íons indesejáveis da formulação. Essa</p><p>matéria-prima é capaz de complexar íons metálicos polivalentes como cálcio e</p><p>ferro. Os sequestrantes são muito importantes, por exemplo, em formulações de</p><p>xampus, pois evitam que a presença do íon cálcio dificulte a formação de espuma</p><p> Solubilizante: promove a solubilização de uma substância em meio a um</p><p>dispersante. Muito utilizado para dissolver corantes e conservantes</p><p> Umectante: capaz de reter a água na formulação cosmética, ao mesmo tempo em</p><p>que mantém a superfície da pele umedecida. Apresenta propriedade higroscópica</p><p>(absorve a água do meio ambiente);</p><p> Tensoativos: essa matéria-prima possui em suas moléculas um agrupamento com</p><p>características polares (o que a faz ter afinidade por substâncias como a água) e</p><p>um agrupamento com características apolares (o que a faz ter afinidade com</p><p>substâncias como os óleos). Por essa razão, modifica a tensão superficial e</p><p>interfacial</p>

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