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<p>Janeiro a março de 2024</p><p>DIREITO</p><p>CONSTITUCIONAL</p><p>E-book de transcrições</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 2</p><p>Sumário</p><p>1 CONSTITUCIONALISMO ANTIGO ...................................................................... 14</p><p>1.1 INFLUÊNCIA JUDAICO-CRISTÃ .................................................................................... 15</p><p>1.2 INFLUÊNCIA DA GRÉCIA ........................................................................................... 16</p><p>1.3 INFLUÊNCIA DE ROMA ............................................................................................. 17</p><p>2 CONSTITUCIONALISMO MEDIEVAL .................................................................. 17</p><p>3 CONSTITUCIONALISMO MODERNO .................................................................. 18</p><p>3.1 CONSTITUCIONALISMO AMERICANO ........................................................................... 18</p><p>3.2 CONSTITUCIONALISMO FRANCÊS ................................................................................ 21</p><p>3.3 ASPECTO CENTRAL DO CONSTITUCIONALISMO MODERNO ................................................. 22</p><p>3.4 ACEPÇÕES ............................................................................................................ 22</p><p>4 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CONSTITUCIONALISMO MODERNO .................................... 23</p><p>5 TIPOLOGIA / FASES DO CONSTITUCIONALISMO ................................................ 25</p><p>5.1 CONSTITUCIONALISMO LIBERAL ................................................................................. 25</p><p>5.2 CONSTITUCIONALISMO SOCIAL .................................................................................. 25</p><p>5.3 CONSTITUCIONALISMO CONTEMPORÂNEO ................................................................... 26</p><p>5.4 CONSTITUCIONALISMO DO FUTURO OU DO PORVIR (JOSÉ ROBERTO DROMI) ........................ 28</p><p>5.5 CONSTITUCIONALISMO INTERNACIONAL OU GLOBALIZADO ............................................... 28</p><p>6 CONSTITUCIONALISMO TERMIDORIANO (WHIG) OU CONSTITUCIONALISMO</p><p>EVOLUTIVO ............................................................................................................ 29</p><p>7 QUESTÃO DE CONCURSO ................................................................................. 30</p><p>8 NEOCONSTITUCIONALISMO ............................................................................ 30</p><p>8.1 ABERTURA PARA OS INFLUXOS DA MORALIDADE E REAPROXIMAÇÃO DO DIREITO COM A MORAL</p><p>30</p><p>8.2 RECONHECIMENTO DE FORÇA NORMATIVA À CONSTITUIÇÃO ............................................ 33</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 3</p><p>8.3 DESENVOLVIMENTO DE NOVA DOGMÁTICA DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL ................. 34</p><p>8.4 PASSAGEM DO ESTADO LEGICÊNTRICO PARA A CENTRALIDADE DA CONSTITUIÇÃO .................. 34</p><p>9 NEOCONSTITUCIONALISMO – MARCOS ............................................................ 35</p><p>10 NEOCONSTITUCIONALISMO – ANTES E DEPOIS ............................................. 36</p><p>11 TRANSCONSTITUCIONALISMO ..................................................................... 38</p><p>12 INTERCONSTITUCIONALISMO ...................................................................... 41</p><p>13 NOVO CONSTITUCIONALISMO DEMOCRÁTICO LATINO-AMERICANO (ANDINO), TAMBÉM</p><p>CHAMADO DE CONSTITUCIONALISMO PLURALISTA OU PLURINACIONAL. ..................................... 42</p><p>14 ESTADO CONSTITUCIONAL COOPERATIVO .................................................... 44</p><p>15 PANCONSTITUCIONALISMO ......................................................................... 45</p><p>16 PATRIOTISMO CONSTITUCIONAL ................................................................. 45</p><p>17 CONSTITUCIONALIZAÇÃO SIMBÓLICA .......................................................... 46</p><p>18 CONSTITUCIONALISMO NEGRO .................................................................... 47</p><p>18.1 CONSTITUCIONALISMO NEGRO E A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA .......................................... 49</p><p>19 CONSTITUCIONALISMO FEMINISTA .............................................................. 49</p><p>20 QUESTÕES DE CONCURSO ............................................................................ 51</p><p>20.1 QUESTÃO 1 ........................................................................................................ 51</p><p>20.2. QUESTÃO 2 .................................................................................................... 52</p><p>21 RESUMO DO TEMA ...................................................................................... 53</p><p>22. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES ........................................................... 58</p><p>22.1. QUANTO AO CONTEÚDO ................................................................................ 58</p><p>22.2. QUANTO À FORMA ........................................................................................ 59</p><p>22.3. QUANTO À IDEOLOGIA PREDOMINANTE (CONTEÚDO IDEOLÓGICO) ................ 60</p><p>22.4. QUANTO À IDEOLOGIA ................................................................................... 61</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 4</p><p>22.5. QUANTO À ORIGEM ....................................................................................... 61</p><p>22.6. QUANTO À ESTRUTURAÇÃO ........................................................................... 62</p><p>22.7. QUANTO À UNICIDADE DOCUMENTAL OU SISTEMÁTICA ................................. 63</p><p>22.8. QUANTO À ELABORAÇÃO ............................................................................... 63</p><p>23. QUANTO À FINALIDADE OU EXTENSÃO ........................................................ 65</p><p>23.1. CLASSIFICAÇÃO DE KARL LOEWENSTEIN (ONTOLÓGICA OU QUANTO À</p><p>EFETIVIDADE OU QUANTO À CORRESPONDÊNCIA COM A REALIDADE) ............................. 65</p><p>23.2. QUANTO À INTERPRETAÇÃO .......................................................................... 66</p><p>23.3. QUANTO AO SISTEMA .................................................................................... 66</p><p>23.4. QUANTO AO LOCAL DE DECRETAÇÃO ............................................................. 67</p><p>23.5. CONSTITUIÇÕES PLÁSTICAS ............................................................................ 67</p><p>24. ELEMENTOS DAS CONSTITUIÇÕES ................................................................ 67</p><p>24.1. ELEMENTOS ORGÂNICOS ............................................................................... 68</p><p>24.2. ELEMENTOS LIMITATIVOS .............................................................................. 68</p><p>24.3. ELEMENTOS SOCIOIDEOLÓGICOS ................................................................... 68</p><p>24.4. ELEMENTOS DE ESTABILIZAÇÃO CONSTITUCIONAL .......................................... 68</p><p>24.5. ELEMENTOS FORMAIS DE APLICABILIDADE ..................................................... 68</p><p>25. QUESTÕES DE CONCURSO ............................................................................</p><p>Passamos para o positivismo. O positivismo, com toda a sua busca pela ciência, se</p><p>manifesta de várias formas diferentes.</p><p>Norberto Bobbio, por exemplo, subdivide o positivismo em positivismo como método,</p><p>positivismo como teoria e positivismo como ideologia. E todos os três modelos de</p><p>positivismo são independentes um do outro. Então, o tema é super complexo. Eu não</p><p>tenho condição, dentro de uma aula de constitucional, de entrar tanto nisso. Isso tem</p><p>mais a ver com humanística.</p><p>Mas, o que é a essência do positivismo que nos interessa agora?</p><p>É, sobretudo, o positivismo como método que se coloca como uma oposição ao</p><p>naturalismo. Então, se o naturalismo busca a legitimação do Direito em algum fenômeno</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 32</p><p>que preexiste ao próprio Direito, o positivismo vai buscar uma compreensão do Direito</p><p>e uma legitimação do Direito dentro do próprio Direito. Então, a gente não pode buscar,</p><p>fora do Direito, elementos que legitimam ou que expliquem ou que interpretem o</p><p>Direito. O Direito deve ser interpretado, compreendido e legitimado dentro dele próprio</p><p>como uma ciência autônoma. Então, a característica de uma ciência autônoma é a</p><p>existência de princípios e características que são exclusivamente delas.</p><p>Logo, o positivismo leva a uma espécie de assepsia, uma separação, uma busca da</p><p>descontaminação do Direito com qualquer coisa que seja externa. Então, eu não posso,</p><p>por exemplo, dentro de uma perspectiva positivista clássica, dizer, por exemplo, que</p><p>uma norma é justa ou injusta. Porque dizer que uma norma é justa ou injusta levaria a</p><p>uma valoração moral da norma. Dizer que uma norma é boa ou má, ou dizer que uma</p><p>norma é ética ou não é ética, implica uma valoração. Uma valoração moral, uma</p><p>valoração axiológica. Eu vou valorar a norma, ok? Então, eu vou avaliar a norma a partir</p><p>de um parâmetro, de um paradigma moral, de um paradigma axiológico. Isso, para o</p><p>positivismo, não deve acontecer.</p><p>Então, como é que o Direito se explica e se legitima?</p><p>É o que a gente chama de autopoiese. Autopoiese significa "com apoio, com</p><p>fundamento, com validação em si mesmo". Então, o direito é autopoiético. É</p><p>autopoiético. Ele se fundamenta, se legitima em si mesmo.</p><p>Então, como é que eu vou interpretar uma norma?</p><p>A partir de outras normas.</p><p>E aí surge uma ideia de hierarquia das normas em que nós temos, por exemplo, uma</p><p>portaria, que se fundamenta no decreto, que se fundamenta numa lei, que se</p><p>fundamenta na Constituição. Então, se a portaria está de acordo com o decreto, que</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 33</p><p>está de acordo com a lei, que está de acordo com a Constituição, tudo é obrigatório.</p><p>Tudo é obrigatório, ok?</p><p>Só que isso levou a absurdos, como, por exemplo, o nacional-socialismo, o nazismo. O</p><p>nacional-socialismo, então, ele leva a certas barbáries que a gente sabe, o massacre dos</p><p>judeus, a tentativa de genocídio dos judeus e outros grupos. Essa barbárie do nazismo</p><p>foi legitimada pelo Direito alemão.</p><p>Então, quando vários nazistas foram levados a julgamento no Tribunal de Nuremberg e</p><p>outros japoneses, lá dentro da realidade japonesa, foram levados a julgamento no</p><p>Tribunal de Tóquio, muitos deles se defenderam dizendo que tudo o que eles fizeram,</p><p>eles fizeram com base nas próprias leis. Lei é lei e deve ser cumprida. Ordens são ordens</p><p>e devem ser cumpridas.</p><p>Então, a humanidade, naquele momento, entendeu o seguinte: "Calma aí. Se o Direito</p><p>positivo não foi violado, alguma coisa fora do Direito foi violada."</p><p>O que foi violado, fora do Direito?</p><p>A moral. E aí é essa abertura, essa permeabilidade do Direito para a moral. Então, há</p><p>uma aproximação do Direito e moral.</p><p>8.2 RECONHECIMENTO DE FORÇA NORMATIVA À CONSTITUIÇÃO</p><p>Essa aproximação do direito e moral leva a várias consequências, como, por exemplo, o</p><p>reconhecimento da força normativa da Constituição. Se a Constituição é o depósito</p><p>principal dos valores morais, então ela tem que ser obrigatória e não apenas obrigatória,</p><p>ela tem que produzir efeitos concretos. É a ideia de efetividade, de força normativa. A</p><p>Constituição se impõe. A Constituição não é apenas uma norma abstrata, ideal, que é</p><p>um mero protocolo de intenções. A Constituição é mais do que isso. A Constituição tem</p><p>efetividade.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 34</p><p>8.3 DESENVOLVIMENTO DE NOVA DOGMÁTICA DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL</p><p>Isso nos leva ao desenvolvimento de nova dogmática de interpretação constitucional,</p><p>ou, simplesmente, falar em nova hermenêutica constitucional. Porque eu saio de um</p><p>paradigma positivista, em que eu não posso usar a moral para analisar o Direito, e o</p><p>Direito tem que ser analisado dentro do próprio Direito. Agora a gente passa a uma</p><p>outra perspectiva, em que a gente vai analisar o Direito a partir do valor de morais.</p><p>E aí a gente tem uma revalorização das ideias de Kant, quando Kant dizia que o homem</p><p>é um fim em si mesmo. Então, trazendo isso para cá, a gente passou a dizer que o Estado</p><p>não é um fim em si mesmo. O Direito não é um fim em si mesmo. O fim do Direito, ou</p><p>seja, a finalidade do Direito, é o ser humano. Há uma mudança aqui de perspectiva. Essa</p><p>mudança de perspectiva é o que a gente vai chamar de virada kantiana do Direito, em</p><p>que o ser humano passou a ser considerado como o ponto tanto de origem quanto de</p><p>finalidade. Então, o ser humano passa a ser o fundamento e o fim do próprio Direito. O</p><p>fundamento e o fim do próprio Direito.</p><p>Se você quiser colocar isso em termos mais elegantes, você poderia botar o seguinte: O</p><p>ser humano é o fundamento teleológico do Direito. Então, quando você encontrar essa</p><p>expressão, "fundamento teleológico", essa expressão significa que aquela coisa, seja lá</p><p>o que estiver sendo falado, porque essa expressão, "fundamento teleológico", pode ser</p><p>usada em vários contextos. Então, fundamento teleológico é você dizer o seguinte: "Isso</p><p>aqui é o fundamento teleológico, ou seja, isso aqui é tanto a origem quanto o fim. É</p><p>tanto o princípio quanto o fim." Então, é uma ideia humanista.</p><p>8.4 PASSAGEM DO ESTADO LEGICÊNTRICO PARA A CENTRALIDADE DA CONSTITUIÇÃO</p><p>A passagem do Estado legicêntrico para a centralidade da Constituição. Então, é a</p><p>passagem do Estado legicêntrico, ou seja, o Estado centralizado na lei, para o Estado</p><p>centralizado na Constituição, tá bom? O Estado centralizado, então, na Constituição.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 35</p><p>9 NEOCONSTITUCIONALISMO – MARCOS</p><p>Dando sequência aqui. Marcos do neoconstitucionalismo.</p><p>O marco histórico foi o pós- Segunda Guerra Mundial. O marco</p><p>filosófico foi o pós-</p><p>positivismo e o surgimento das várias correntes pós-positivistas. O marco teórico, então,</p><p>e aí eu vou repetir alguns que eu já falei. É a força normativa da Constituição. A</p><p>centralidade dos direitos fundamentais. Porque o ser humano passa a ser o epicentro</p><p>do próprio ordenamento.</p><p>Olha, esse ponto aqui é muito importante. Nivelamento formal e hierarquia axiológica</p><p>das normas constitucionais. Isso é muito importante. "Nivelamento formal" significa</p><p>dizer que as normas da Constituição, no plano do texto constitucional, têm a mesma</p><p>hierarquia. Mas em termos de valor, a gente pode encontrar uma hierarquia diferente.</p><p>Então, por exemplo, a norma que protege a vida, tem a mesma hierarquia na forma do</p><p>que a norma do Colégio Pedro II. Mas, axiologicamente falando, é inegável que a norma</p><p>da vida é superior do que a norma do Colégio Pedro II.</p><p>A nova hermenêutica constitucional, como eu já havia falado, é a necessidade de criação</p><p>de novos métodos de interpretação da Constituição, uma vez que a Constituição passa</p><p>a ser compreendida de uma forma diferente.</p><p>Protagonismo judicial, judicialização da política e ativismo judicial. A judicialização da</p><p>política significa que, cada vez mais, demandas de natureza política são levadas para a</p><p>solução do Judiciário. E isso termina estimulando o Judiciário a adotar uma posição</p><p>proativa e criativa na solução de questões políticas. Então, ativismo judicial e</p><p>judicialização da política terminam sendo elementos que se retroalimentam. Uma coisa</p><p>alimenta a outra. Não existiria um ativismo judicial se o Judiciário não fosse demandado,</p><p>porque o Poder Judiciário atua mediante o princípio da inércia. Pelo menos deveria atuar</p><p>mediante o princípio da inércia.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 36</p><p>Então, quando você leva para o Judiciário matéria política, você estimula ou permite que</p><p>o Judiciário se torne cada vez mais criativo na solução dessas controvérsias políticas. Isso</p><p>nos leva a uma ampliação não só do próprio Judiciário, mas uma ampliação da própria</p><p>jurisdição constitucional, como sendo aquele conjunto de órgãos ou órgão responsável</p><p>pela interpretação da Constituição e pelo controle de constitucionalidade. Por</p><p>Por fim, o marco teórico é a constitucionalização do Direito, que é essa eficácia</p><p>irradiante, essa eficácia expansiva da Constituição. Ou seja, a Constituição irradia para</p><p>toda a ordem jurídica, o que significa dizer que todo o Direito deve ser interpretado pela</p><p>perspectiva da Constituição.</p><p>10 NEOCONSTITUCIONALISMO – ANTES E DEPOIS</p><p>Então, fiz aqui uma tabelinha comparando o antes e o depois. Antes do</p><p>neoconstitucionalismo, positivismo como fundamento filosófico. Depois, pós-</p><p>positivismo como fundamento filosófico. Antes, Direito como fim em si mesmo. Depois,</p><p>ser humano como fim do Direito. Antes, Estado legislativo de Direito. Depois, Estado</p><p>constitucional de Direito.</p><p>"Ah, professor, você quer dizer então que não havia Constituição antes do</p><p>neoconstitucionalismo?"</p><p>Havia Constituição antes do neoconstitucionalismo, mas não com a força, com a</p><p>efetividade que o neoconstitucionalismo dá à Constituição na prática. Então, antes do</p><p>neoconstitucionalismo, que é pós- Segunda Guerra Mundial, antes do</p><p>neoconstitucionalismo existiam constituições, mas elas estavam longe de ter a</p><p>relevância, a importância e o peso que elas têm hoje.</p><p>Então, antes, legicentrismo. Depois, centralidade da Constituição. Antes, princípio da</p><p>legalidade. Hoje, princípio da constitucionalidade. Antes, formalismo, formalismo</p><p>hermenêutico. Hoje, a gente encontra a força normativa dos princípios. Os princípios,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 37</p><p>que são valores morais, têm força efetiva na Constituição e no Direito como um todo.</p><p>Antes, o caráter meramente retórico da Constituição. Hoje, a gente fala em efetividade</p><p>da Constituição. Antes, Constituição como mera declaração. Hoje, a gente fala em</p><p>constitucionalização do direito.</p><p>Antes, separação do Direito e da moral. Hoje, conexão entre Direito e moral. Eu não falei</p><p>"superposição", porque Direito e moral não se confundem, são coisas diferentes, mas</p><p>estão conectados. Antes, uma hermenêutica clássica, um formalismo hermenêutico.</p><p>Hoje, nova hermenêutica constitucional. Antes, juiz era a mera boca da lei. O juiz não</p><p>podia influenciar na interpretação da lei. Hoje, o juiz tem um papel criativo no Direito,</p><p>papel de criação do Direito. Antes, esvaziamento do Judiciário. Hoje, fortalecimento do</p><p>Judiciário. Antes, a jurisdição constitucional ou era ausente ou restrita, diminuída. Hoje,</p><p>ela foi ampliada. Antes, falava-se só em direitos individuais. Talvez alguma coisa de</p><p>direitos sociais, mas basicamente direitos individuais. Hoje, expansão dos direitos</p><p>individuais, sociais, coletivos e por aí vai.</p><p>Ontem, o Código Civil. Hoje, a Constituição. Na prática, antes, o Código Civil era a lei</p><p>mais importante. Tanto é que, se você for parar a pensar na Lei de Introdução às Normas</p><p>do Direito Brasileiro, ela foi formulada dentro de uma concepção não</p><p>neoconstitucionalista. Ela, na verdade, antes, se chamava Lei de Introdução ao Código</p><p>Civil. Depois, mudou para Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro.</p><p>Por quê?</p><p>Porque o Código Civil e os estudiosos do Código Civil estudavam o Direito como um todo.</p><p>Então, o Código Civil tinha uma centralidade na prática. Hoje, isso passou a ser a</p><p>Constituição.</p><p>Então, antes, se falava num direito civil patrimonializado. Hoje, a gente fala numa</p><p>despatrimonialização do direito civil, com base na ideia humanística de o ser humano</p><p>como centro do próprio Direito. Beleza?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 38</p><p>11 TRANSCONSTITUCIONALISMO</p><p>Vamos avançar. Vamos falar de outros conceitos.</p><p>Transconstitucionalismo e interconstitucionalismo são conceitos diferentes.</p><p>O transconstitucionalismo é o entrelaçamento de ordens jurídicas diversas, tanto</p><p>estatais como transnacionais, internacionais e supranacionais, em torno dos mesmos</p><p>problemas de natureza constitucional.</p><p>Vou dar um exemplo. Vou dar um exemplo do que é o transconstitucionalismo. Por</p><p>exemplo, galera, nós tivemos a ditadura militar no Brasil. Para o fechamento da ditadura</p><p>militar e a redemocratização, foi feita uma série de acordos políticos. Dentre esses</p><p>diversos acordos políticos, muitos deles foram cristalizados na forma de uma anistia.</p><p>Então, foi criada uma lei de anistia ampla, geral e irrestrita.</p><p>Eu sei que hoje existe muita gente que critica a anistia, mas você precisa pensar. A</p><p>anistia, e não estou falando só do fenômeno brasileiro, e eu não quero ideologizar nem</p><p>politizar a aula. Eu quero só que você entenda a lógica jurídica por trás da anistia. A</p><p>anistia, como você fala, de uma passagem da ditadura para a democracia, esse</p><p>fenômeno aconteceu no Brasil e aconteceu em outros países da América Latina. Em</p><p>muitos países da África, a anistia é um mecanismo de</p><p>pacificação social.</p><p>Então, você tem um grupo que detém o poder e um grupo que pressiona para a</p><p>retomada do poder, para a redemocratização. E aí, poderia se conseguir essa transição</p><p>através de um embate cada vez mais severo até o momento que um deles ganhe. Ou os</p><p>ditadores continuem no governo, ou os libertadores consigam libertar a ditadura para a</p><p>democracia. Isso tem um embate. Só que esse embate, você não tem garantia de quem</p><p>vai ganhar, nem quanto tempo isso vai durar, ou quais são as consequências</p><p>econômicas, sociais que isso pode gerar.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 39</p><p>Então, em muitos casos, no curso desse debate, melhor dizendo, no curso desse embate,</p><p>as partes terminam sentando e fazendo um acordo. E aí, nesse acordo, pode ser o</p><p>seguinte. Eu estou simplificando, tá, gente? O acordo pode ser o seguinte. Eu sou o</p><p>libertador, você é o ditador. Eu chego para você, tem o seu grupo, eu tenho o meu grupo.</p><p>Você, ditador, vira para mim e fala o seguinte: "Vamos fazer o seguinte. Vamos acabar</p><p>com isso aqui. Eu transmito o governo para você. Eu estou vendo que estou perdendo</p><p>cada vez mais força, mas eu ainda tenho alguma força. Ainda posso causar muito</p><p>trabalho para você. Mas vamos fazer um acordo. Eu transfiro o governo para você, desde</p><p>que você faça um acordo comigo de que você não vai correr atrás de mim para me punir</p><p>ou ao meu grupo, para me punir." Ou seja, é uma anistia.</p><p>Em contrapartida, eu sou o libertador. Você falou isso para mim. Eu posso virar para</p><p>você e falar o seguinte: "Tudo bem. Eu concordo que eu não vou atrás do teu grupo para</p><p>ficar punindo vocês pelo que vocês fizeram no passado. Por mais absurdo que seja. Mas,</p><p>em contrapartida, o meu grupo aqui, que também, de repente, praticou alguns atos</p><p>absurdos na guerra, nessa guerrilha, nessa briga, o meu grupo aqui também vai ser</p><p>anistiado."</p><p>Então, é uma anistia geral, ampla e irrestrita. Tanto o grupo anterior quanto o novo</p><p>grupo, todos eles praticaram as suas coisas, uns mais graves do que outros, mas todos</p><p>eles praticaram os seus erros. Todo mundo vai ser anistiado como uma forma de</p><p>pacificação social. Entendeu?</p><p>Essa lei de anistia, no caso do Brasil, eu botei de forma muito simples o que é a lógica</p><p>de uma lei de anistia. Existe, no âmbito do direito internacional, um debate profundo,</p><p>por exemplo, sobre justiça e paz. Justiça e paz podem andar juntos, podem andar... Há</p><p>situações que elas andam juntas ou andam separadas. Há situações que, para você</p><p>buscar uma pacificação, você abre mão de promover a justiça extrema para todas as</p><p>pessoas. Por outro lado, se você promete levar todo mundo a uma responsabilização</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 40</p><p>extrema por todos os seus atos, isso pode excitar os ânimos e o embate e a guerra</p><p>voltarem a acontecer.</p><p>Então, existe um embate: Justiça e paz podem andar juntos, elas andam separadas?</p><p>Há quem defenda que não há justiça sem paz e não há paz sem justiça, porque se você</p><p>promover uma pacificação social sem uma justiça, essa pacificação social é superficial,</p><p>é artificial e não gera cura da sociedade. Então, para gerar cura da sociedade, você</p><p>precisa promover a justiça profundamente.</p><p>É um debate muito complexo e muito extenso. Mas a anistia está dentro desse debate.</p><p>É uma escolha. Não estou julgando se é melhor ou se é pior. É uma escolha. Você</p><p>prestigia a pacificação em detrimento da justiça.</p><p>E aí, você tem a Lei de Anistia do Brasil. Galera, essa Lei de Anistia do Brasil foi analisada</p><p>pelo Supremo, foi analisada pela Justiça Internacional. E eu não vou ficar aqui discutindo</p><p>qual foi a decisão de um ou de outro, qual foi a melhor decisão, teve mudança... Não</p><p>vou discutir isso. Eu quero só dizer o seguinte. O mesmo problema jurídico, que era a</p><p>questão da anistia, foi debatido em dois campos completamente diferentes. Um campo</p><p>era o direito constitucional brasileiro interno e outro campo foi a Justiça Interamericana</p><p>dos Direitos Humanos.</p><p>Então, o transconstitucionalismo é exatamente isso. Quando o mesmo problema, uma</p><p>mesma situação jurídica, uma mesma situação jurídico-constitucional, o mesmo</p><p>problema de natureza constitucional, repercute em esferas jurídicas ou em ordens</p><p>jurídicas diferentes, podendo levar a soluções diferentes. O Supremo já teve</p><p>posicionamento, a Justiça Interamericana, outro, completamente diferente.</p><p>Quando você olha para a realidade da União Europeia e do Sistema Europeu, na Europa</p><p>é mais complicado ainda, porque você tem o direito constitucional dos Estados, você</p><p>tem o Sistema Europeu de Direitos Humanos e a União Europeia, tudo coexistindo ali. E,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 41</p><p>às vezes, você tem o mesmo problema que repercute no tribunal interno, mas também</p><p>no tribunal europeu, mas também no tribunal da União Europeia.</p><p>Enfim, você tem situações complexas. Isso é o que a gente chama de</p><p>transconstitucionalismo. Lembra de transatlântico, que é o que atravessa o Atlântico?</p><p>Então, transconstitucionalismo é o que atravessa diversas ordens constitucionais.</p><p>Aliás, só um parêntese aqui rápido. Esse tema que eu falei sobre amnistia, que eu falei</p><p>de forma muito simples para vocês, está dentro de uma matéria, que é uma matéria</p><p>própria de direitos humanos, ou direito internacional dos direitos humanos, que é a</p><p>chamada justiça transicional. É uma matéria que vale a pena estudar para direitos</p><p>humanos e até humanística, porque envolve direitos humanos, humanística, enfim.</p><p>Então, fica aí a sugestão para o estudo dentro dos direitos humanos.</p><p>12 INTERCONSTITUCIONALISMO</p><p>Interconstitucionalismo. Está aí. É a relação entre diversas constituições em um mesmo</p><p>espaço político, havendo a concorrência, a convergência, a justaposição e conflitos de</p><p>várias constituições e poderes constituintes.</p><p>"Não parece com o ponto anterior?"</p><p>Parece, mas é diferente. O interconstitucionalismo é a coexistência de duas ou mais</p><p>constituições no mesmo espaço geográfico. Então, eu vou dar um exemplo que é simples</p><p>e depois vou dar um exemplo que é complicado.</p><p>Um exemplo que é simples. Um exemplo que é simples. É o caso do Brasil e dos estados</p><p>brasileiros. Você tem a Constituição da República e você tem a Constituição Estadual.</p><p>Então, pensa aí no seu estado. Qual é o seu estado? Bahia? São Paulo? Rio Grande do</p><p>Sul? Pará?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 42</p><p>Não sei. Você tem aí o seu estado. O seu estado tem uma constituição. Dentro do espaço</p><p>geográfico do seu estado, duas constituições coexistem ali dentro, que é a Constituição</p><p>da República e a Constituição</p><p>Estadual.</p><p>"Ah, professor, mas a Constituição da República é superior à Estadual."</p><p>Legal, mas não deixa de ser verdadeiro o fato de que existem duas constituições</p><p>coexistindo.</p><p>Quando você vai no âmbito, por exemplo, da União Europeia, você tem as constituições</p><p>de cada Estado coexistindo com as normas próprias do direito comunitário europeu. E</p><p>algumas dessas normas você pode até discutir uma certa natureza até constitucional,</p><p>como a Carta de Direitos Fundamentais, já se falou sobre esse assunto.</p><p>Então, você tem ali a coexistência de normas jurídicas emanadas de fontes diferentes</p><p>coexistindo dentro do mesmo espaço político e geográfico. Isso é o</p><p>interconstitucionalismo.</p><p>13 NOVO CONSTITUCIONALISMO DEMOCRÁTICO LATINO-AMERICANO (ANDINO), TAMBÉM</p><p>CHAMADO DE CONSTITUCIONALISMO PLURALISTA OU PLURINACIONAL.</p><p>Novo constitucionalismo latino-americano, também chamado andino, ou</p><p>constitucionalismo pluralista ou plurinacional. A</p><p>A definição que eu botei aqui. Nova institucionalização do Estado, o chamado Estado</p><p>plurinacional, baseado em novas autonomias, no pluralismo jurídico, em um novo</p><p>regime político calcado na democracia intercultural e em novas individualidades,</p><p>particulares e coletivas. Galera, esse constitucionalismo alguns chamam de</p><p>constitucionalismo bolivariano, até num sentido talvez mais crítico. Porque é uma</p><p>realidade própria aqui da América Latina, sobretudo países que foram para esse veio,</p><p>como Equador, Venezuela, Bolívia, enfim.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 43</p><p>Quando fala de uma nova institucionalização do Estado é uma nova forma de pensar o</p><p>Estado enquanto instituição jurídica. Esse novo Estado institucionalizado,</p><p>institucionalizado como? Como Estado plurinacional.</p><p>O que é um Estado plurinacional?</p><p>É um Estado que admite que dentro dele existem e coexistem diversas nações</p><p>diferentes. O termo "nação" aqui é um termo problemático, porque a gente usa o termo</p><p>"nação" em dois sentidos completamente diferentes. Às vezes a gente usa o termo</p><p>nação no sentido político, então nesse caso, "nação" equivale ao Estado, o Estado</p><p>brasileiro, a nação brasileira. Mas o termo "nação" também tem um sentido não político,</p><p>tem um sentido sociológico.</p><p>Nesse caso, "nação" no sentido sociológico é um determinado grupo, uma coletividade</p><p>que possui uma identidade comum, possui uma mesma identidade gregária. Identidade</p><p>gregária é a identidade do coletivo. Essa identidade gregária se manifesta normalmente</p><p>no mesmo dialeto, na mesma língua, na mesma formação étnica ou na mesma origem</p><p>cultural, origem histórica, até mesmo na mesma religião, na mesma formação religiosa.</p><p>Então, você tem um grupo que a gente vai chamar de uma nação, no sentido sociológico</p><p>do termo.</p><p>O Estado plurinacional não apenas admite que existem grupos étnicos ou culturais</p><p>próprios, como entende que esses grupos étnicos, culturais próprios, eles têm a sua</p><p>própria ordem normativa que deve ser respeitada. Então, esses grupos, eles têm uma</p><p>autonomia, olha o que está escrito aí, né? Baseado em novas autonomias. Então, esses</p><p>grupos têm autonomia, baseado no pluralismo jurídico, que significa dizer que duas</p><p>ordens jurídicas ou normativas coexistem, ou seja, o Direito desses grupos, como grupos</p><p>indígenas, o Direito deles tem o mesmo valor do Direito estatal. O Brasil não admite isso</p><p>não, tá, gente? O novo regime político calcado numa democracia intercultural.</p><p>O que é uma democracia intercultural?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 44</p><p>É a democracia em que os representantes eleitos, obrigatoriamente, devem vir dos</p><p>diversos grupos diferentes da sociedade.</p><p>Então, por exemplo, no Brasil a gente pode eleger um índio?</p><p>Pode.</p><p>Mas existe uma reserva mínima de quantidade de deputados ou senadores que tem que</p><p>ser origem indígena?</p><p>Não.</p><p>Numa democracia intercultural tem que ter, entendeu? Então, a gente não é uma</p><p>democracia intercultural, a gente não é um Estado plurinacional, nesse sentido, ok? A</p><p>gente vai falar que nós somos um Estado multicultural, a gente admite essa pluralidade</p><p>de culturas, de grupos étnicos diferentes, que devem ser protegidos, respeitados,</p><p>quilombolas, indígenas, as populações tradicionais, os povos tradicionais, comunidades</p><p>tradicionais, os ribeirinhos, enfim. Mas não existe uma normatividade, ou seja, uma</p><p>ordem normativa própria deles que coexiste à ordem estatal, entendeu?</p><p>Novas individualidades particulares e coletivas, porque se entende que o indivíduo,</p><p>dentro desse Estado, ele só tem uma existência, ele não tem uma autoexistência senão</p><p>dentro da própria coletividade, ou seja, aí é uma questão filosófica, o indivíduo é</p><p>indivíduo enquanto participante daquela coletividade, então ele não é um ser</p><p>autoexistente, ele é um ser existente dentro da coletividade que ele integra, então é</p><p>uma visão muito mais comunitária da vida do que uma concepção individualista da vida,</p><p>ok? Beleza? Deixa eu apagar aqui os meus riscos.</p><p>14 ESTADO CONSTITUCIONAL COOPERATIVO</p><p>Vamos adiante aqui então. Estado constitucional cooperativo, pensamento aqui de</p><p>Peter Häberle, é o Estado aberto ao entrelaçamento das relações internacionais e</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 45</p><p>supranacionais, cooperação, responsabilidade internacional e solidariedade. Então o</p><p>Estado constitucional cooperativo é aquele modelo de Estado em que...</p><p>A gente poderia falar em três grandes relações ou formas de relação dos Estados entre</p><p>si, a gente poderia falar num Estado de competição, os Estados competem entre si por</p><p>determinada coisa, podemos falar no Estado de concorrência, em que se os Estados</p><p>concorrem em relação a mesma coisa, aquela coisa, ou o Estado de cooperação, em que</p><p>os Estados cooperam ao invés de concorrer ou competir, os Estados cooperam, então</p><p>eles atuam juntos para, juntos, alcançarem aquelas finalidades, enfim, beleza?</p><p>Então no atual estágio da evolução dos Estados constitucionais, Peter Häberle diz que a</p><p>relação não deve ser uma relação nem de competição, nem de concorrência, mas de</p><p>cooperação.</p><p>15 PANCONSTITUCIONALISMO</p><p>Panconstitucionalismo é uma expressão crítica à constitucionalização excessiva, aquilo</p><p>que eu chamei de totalitarismo constitucional, a uma constitucionalização excessiva, à</p><p>normatização de temas e matérias que poderiam perfeitamente ser objeto de regulação</p><p>infraconstitucional, então é uma constituição inchada, é uma constituição muito</p><p>detalhista, esse “pan”, lembra que o termo "pan" é aquilo que se espalha, então você</p><p>fala em panamericano, ou seja, todos os americanos, todos os Estados americanos,</p><p>então panconstitucionalismo, tudo tem que estar na Constituição.</p><p>16 PATRIOTISMO CONSTITUCIONAL</p><p>Patriotismo constitucional é o sentimento constitucional universal, que surgiu com o</p><p>neoconstitucionalismo, então é o comprometimento com o Estado constitucional e</p><p>democrático, é o sentimento de pertencimento a uma coletividade, a uma comunidade,</p><p>a partir</p><p>do reconhecimento e aceitação de valores constitucionais.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 46</p><p>A ideia de patriotismo constitucional, galera, surgiu e foi desenvolvida sobretudo na</p><p>Alemanha, e por que na Alemanha?</p><p>Surgiu na Alemanha como uma reação ao nacional-socialismo, o nacional-socialismo</p><p>defendia, ele estimulava, ele propagava uma ideia de um nacionalismo étnico, ou seja,</p><p>nós somos de uma determinada etnia, essa etnia é superior a todas as demais etnias,</p><p>então a ideia de uma etnia superior, e essa etnia formando um mesmo Estado, uma</p><p>mesma comunidade, então é um nacionalismo étnico.</p><p>Como essa ideia de você fazer parte de algo maior dentro da comunidade é uma ideia</p><p>importante para a humanidade e para a formação alemã, os pensadores alemães, e</p><p>diversos deles, começaram a mudar a tônica desse senso de pertencimento de uma</p><p>comunidade, então ao invés de eu ter o orgulho e o sentimento de participar de uma</p><p>comunidade que é étnica, a gente agora vai participar de uma comunidade de valores</p><p>constitucionais. Então se nós defendemos os mesmos valores constitucionais,</p><p>humanistas, humanísticos, nós então fazemos parte dessa mesma comunidade, então o</p><p>vínculo da comunidade não é a etnia, o vínculo da comunidade são valores</p><p>constitucionais morais. Então, ao invés de falar em nacionalismo étnico, a gente fala</p><p>num patriotismo constitucional.</p><p>17 CONSTITUCIONALIZAÇÃO SIMBÓLICA</p><p>Constitucionalização simbólica é o predomínio ou a hipertrofia da função simbólica da</p><p>Constituição, ou seja, essencialmente político-ideológica, em detrimento da função</p><p>jurídico-instrumental, que é o caráter normativo.</p><p>Constituição simbólica, galera, vamos pensar aqui no termo mais óbvio possível, a</p><p>Constituição é simbólica, ela é só um símbolo, ela não tem um valor efetivo, ela não se</p><p>presta a transformar a sociedade, ou seja, ela é uma máscara, ela é uma aparência, é</p><p>quase uma hipocrisia, a gente coloca ali uma Constituição que tem apenas mais de um</p><p>valor referencial, abstrato, sem nenhuma concretização real.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 47</p><p>Então "constitucionalização simbólica" pode ter dois sentidos, constitucionalização</p><p>simbólica como um déficit de concretização jurídico-normativa do texto constitucional,</p><p>então a gente vai usar o termo "constitucionalização simbólica" para mostrar que a</p><p>Constituição tem esse déficit, essa falta de concretização e o termo também serve para</p><p>encobrir, mascarar problemas sociais, obstruindo transformações efetivas na</p><p>Constituição. Ou seja, a gente coloca lá, vamos pensar aqui um problema social, o</p><p>analfabetismo, a gente coloca lá na Constituição o seguinte: "A educação é direito de</p><p>todos, enfim, todos têm direito à educação assim..." Se não houver nada concreto para</p><p>transformar isso numa realidade, a gente vai dizer que isso ali é uma</p><p>constitucionalização simbólica de um direito fundamental, ou seja, é "para inglês ver",</p><p>literalmente é isso, é "para inglês ver", é só uma aparência.</p><p>18 CONSTITUCIONALISMO NEGRO</p><p>Constitucionalismo negro, vamos falar aqui do constitucionalismo negro, construído a</p><p>partir da influência do pensamento emancipatório, decolonial e inclusivo.</p><p>Então vamos lá, a gente pode pensar, no sentido mais amplo, no último tópico aqui, que</p><p>eu botei, que é esse constitucionalismo emancipador. Então a gente pode falar a partir</p><p>de um constitucionalismo emancipador em diversas subdivisões, ou diversas</p><p>ramificações desse constitucionalismo emancipador.</p><p>Basicamente, e esse é um ponto muito sensível da aula, porque ele termina tocando um</p><p>pouco em ideologia, enfim, e isso sempre é complicado, então eu não quero polemizar</p><p>a aula, mas, basicamente, o constitucionalismo emancipador está dentro de um</p><p>pensamento progressista, está dentro de um pensamento, e quando eu falo</p><p>"progressista" ou "progressismo", a gente está falando basicamente o que</p><p>popularmente se fala de esquerda. Então basicamente um pensamento progressista, em</p><p>que a ideia de emancipação está muito vinculada à libertação de um grupo opresso,</p><p>então você tem um grupo opressor e um grupo opresso, você tem a vítima e você tem</p><p>o detrator, você tem a vítima e você tem o algoz, então isso se traduz numa linguagem,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 48</p><p>que é a famosa luta de classes, que no primeiro momento se pensava numa luta de</p><p>classes como sendo algo no campo econômico, onde você tem o burguês e o</p><p>proletariado, enfim, mas, depois, essas lutas de classes começaram a se transbordar</p><p>para não só a questão das relações trabalhistas e econômicas, mas indo além disso.</p><p>Então a gente começou a olhar para determinados grupos e enxergar que determinado</p><p>grupo era um grupo vulnerável, era um grupo que historicamente foi vitimizado em</p><p>algum contexto, e que portanto esse grupo vulnerável e que historicamente foi</p><p>vitimizado, é hoje detentor de direitos de emancipação, para busca de uma igualdade</p><p>com um outro grupo que é o grupo não discriminado, que é o grupo não prejudicado.</p><p>Então, no caso, a gente poderia falar entre brancos e negros, ou mulheres e homens,</p><p>homens e mulheres, enfim.</p><p>Então o constitucionalismo emancipador é um guarda-chuva grande que cabe dentro</p><p>dele o constitucionalismo negro, o constitucionalismo feminista, são os dois que eu</p><p>coloquei aqui, mas há quem fale também no constitucionalismo queer ou LGBTQIA +. E</p><p>aí você vai falando em várias subdivisões desse constitucionalismo. Basicamente, a ideia</p><p>central de todos eles está vinculada a uma ideia progressista, em que há um grupo, que</p><p>foi e é vítima e se tornou vulnerável a partir de uma opressão histórica, e esse grupo</p><p>agora luta pela sua emancipação, luta pela sua emancipação.</p><p>Enfim, então entendida essa lógica, você pega essa lógica de pensamento, enquadra em</p><p>cada uma dessas subdivisões, eu trouxe duas aqui: o constitucionalismo negro e o</p><p>constitucionalismo feminista.</p><p>Então construído o constitucionalismo negro, construído a partir da influência do</p><p>pensamento emancipador, já falei. Valores aqui são os ideais plurais, ideias de</p><p>pluralismo, fraterno e sociedade democraticamente aberta, diversidade, igualdade,</p><p>justiça social e humanismo. Cada um desses valores a gente poderia ficar aqui horas</p><p>falando sobre cada um deles. O constitucionalismo negro atenta para as relações raciais</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 49</p><p>e a dominação social, o objetivo é a inclusão dos negros, aqui a gente está usando o</p><p>termo "negro" no sentido abrangente, tanto dos pretos e pardos.</p><p>Então a gente fala, eu sei que para algumas pessoas que não estão muito acostumadas</p><p>com essa temática, ouvir o termo "população preta" pode parecer estranho, mas hoje é</p><p>amplamente aceito pelo próprio movimento negro, o próprio movimento negro usa e</p><p>tem orgulho de usar esse termo, então a gente está legitimado para usar o termo,</p><p>porque ele é um termo hoje consolidado. Então a gente fala "negro", e aí você pode ter</p><p>ali dentro pretos e pardos.</p><p>18.1 CONSTITUCIONALISMO NEGRO E A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA</p><p>Então o objetivo é a inclusão dos negros, então esse é o constitucionalismo negro e</p><p>dentro da realidade a gente vai encontrar, na Constituição Brasileira, diversos artigos</p><p>que fundamentariam isso, como, por exemplo, quando se fala em promover o bem sem</p><p>preconceito de origem, raça, sexo, cor, raça e cor.</p><p>Nas relações internacionais, quando fala do repúdio ao racismo. No art. 5º fala de novo</p><p>que a prática do racismo é crime inafiançável.</p><p>O art. 215 fala de diversidade cultural, citando claramente a questão das populações</p><p>afro-brasileiras. Os quilombos, que é a proteção dessas comunidades remanescentes,</p><p>dos quilombolas.</p><p>19 CONSTITUCIONALISMO FEMINISTA</p><p>E aí chegamos ao constitucionalismo feminista, peguei aqui um pequeno trecho do</p><p>Dirley da Cunha, que é juiz federal e examinador também de concurso da magistratura</p><p>federal, em que ele coloca lá:</p><p>“Movimento histórico, político e social de reivindicação do reconhecimento e afirmação</p><p>dos direitos das mulheres e, em especial, a constitucionalização desses direitos, como</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 50</p><p>condição para a superação da supremacia masculina e para a construção de uma</p><p>sociedade parametrizada por relações de gênero simétricas e substancialmente iguais.”</p><p>Então essa é a ideia central do constitucionalismo feminista. De novo, se você pegar a</p><p>ideia central que eu falei de emancipação de um grupo que historicamente se encontra</p><p>vulnerável ou vulnerabilizado, eu sei que o termo "vitimizado", "vítima", é um termo</p><p>hoje que caiu de certa forma numa espécie de termo maldito, as pessoas terminam</p><p>fugindo dessa expressão, já foi uma expressão muito mais utilizada, atualmente,</p><p>inclusive em uma prova discursiva, eu sugiro que você não use a expressão "vítima",</p><p>nem "vitimização", mas quando eu usei, eu quis usar no sentido não contaminado do</p><p>termo. Eu quis usar no sentido de alguém que foi alvo de uma violência, seja uma</p><p>violência de uma opressão social, cultural, histórica, seja a escravidão, seja a exclusão</p><p>de direitos, então a pessoa foi alvo de uma violência, seja física, seja psicológica, seja</p><p>social, enfim, e essa condição de violência colocou essa pessoa ou essas pessoas, o grupo</p><p>dessas pessoas, numa situação de vulnerabilidade social. O que caracteriza uma relação</p><p>de desigualdade entre o grupo considerado dominante e o grupo considerado</p><p>dominado.</p><p>Coloquei então para vocês, só um minuto, coloquei então para vocês diversos</p><p>dispositivos da Constituição que falam claramente a questão de ou gênero ou homem e</p><p>mulher, ou sexo, enfim, não vou ler todos eles, fica aqui para sua consulta, e também</p><p>coloquei algumas leis que tratam disso, como a famosa Lei Maria da Penha, do</p><p>Feminicídio, cotas para as eleições, fui colocando então diversos, alguns, enfim, estão aí</p><p>dentro.</p><p>Quando eu falei do constitucionalismo queer ou LGBTQIA +, há quem coloque isso</p><p>dentro do constitucionalismo feminista, e aí expandir o constitucionalismo feminista</p><p>para uma questão de gênero, e aí entendendo gênero não apenas como homem e</p><p>mulher, mas gênero como a identificação que pode ultrapassar homem e mulher, para</p><p>quem defende essa linha de pensamento, enfim.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 51</p><p>Então, o constitucionalismo feminista pode abarcar todas as questões de gênero ou ficar</p><p>restrito às mulheres, e aí a gente pensa numa vertente própria, que seria esse</p><p>constitucionalismo queer, que aí abarca todos os outros. Essa expressão, queer, é uma</p><p>expressão que termina abarcando quase todas as outras expressões.</p><p>20 QUESTÕES DE CONCURSO</p><p>20.1 QUESTÃO 1</p><p>Questão aqui de prova, galera, trouxe uma questão aqui do Ministério Público, que diz</p><p>lá:</p><p>MINISTÉRIO PÚBLICO/RN</p><p>Acerca do constitucionalismo, assinale a opção incorreta.</p><p>Galera, eu vou colocar aqui primeiro as alternativas, você vai olhando, você vai lendo</p><p>junto comigo, anota a sua alternativa, depois eu coloco o gabarito, tá bom? Então vamos</p><p>lá.</p><p>A. origem do constitucionalismo remonta à antiguidade</p><p>clássica, especificamente ao povo hebreu, do qual partiram as primeiras</p><p>manifestações desse movimento constitucional em busca de uma</p><p>organização política fundada na limitação do poder absoluto.</p><p>B. O neoconstitucionalismo é caracterizado por um</p><p>conjunto de transformações no Estado e no direito constitucional, entre</p><p>as quais se destaca a prevalência do positivismo jurídico, com a clara</p><p>separação entre direito e valores substantivos, como ética, moral e</p><p>justiça.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 52</p><p>C. O constitucionalismo moderno representa uma técnica</p><p>específica de limitação do poder com fins garantidores.</p><p>D. O neoconstitucionalismo caracteriza-se pela mudança</p><p>de paradigma, de Estado Legislativo de Direito para Estado Constitucional</p><p>de Direito, em que a Constituição passa a ocupar o centro de todo o</p><p>sistema jurídico.</p><p>E. As constituições do pós-guerra promoveram inovações</p><p>por meio da incorporação explícita, em seus textos, de anseios políticos,</p><p>como a redução de desigualdades sociais, e de valores como a promoção</p><p>da dignidade humana e dos direitos fundamentais.</p><p>20.2. QUESTÃO 2</p><p>Procurador da República.</p><p>Procurador da República</p><p>Para o neoconstitucionalismo, todas as disposições</p><p>constitucionais são normas jurídicas, e a Constituição, além de estar em</p><p>posição formalmente superior sobre o restante da ordem jurídica,</p><p>determina a compreensão e interpretação de todos os ramos do Direito.</p><p>Então vamos lá galera, na primeira questão ele quer a alternativa errada, ele quer a</p><p>opção incorreta. E a opção incorreta qual é? E aqui a de Procurador da República, está</p><p>certo ou está errado?</p><p>Então tá aí o gabarito. A resposta na anterior é a letra B.</p><p>É o oposto, é uma prevalência ou é uma superação do positivismo entre a prevalência</p><p>do pós-positivismo e a reaproximação dos direitos e valores.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 53</p><p>A letra A, galera, quando fala do povo hebreu e fala de uma organização política fundada</p><p>na limitação do poder, eu até vou comentar sobre isso quando a gente entrar em</p><p>controle de constitucionalidade, tem um autor alemão, chamado Karl Loewenstein, que</p><p>entende que</p><p>o embrião do controle de constitucionalidade vem na história do povo</p><p>hebreu, que lá no povo hebreu você tinha a figura da Lei Mosaica ou da Torá, da lei</p><p>divina, que seria a lei central, e o governo, os reis de Israel estariam sujeitos a essa Torá</p><p>e, portanto, eles deveriam obediência à lei, à lei divina.</p><p>Então, claramente, faz uma divisão entre atos de governo e uma lei superior. Se esse</p><p>governo estivesse em contrariedade à lei divina, haveria uma terceira figura, que não é</p><p>parte do governo, é uma figura destacada, que eram os profetas. Os profetas de Israel,</p><p>então, eles eram responsáveis por denunciar, por acusar, para mostrar que o rei e que</p><p>o próprio povo estaria agindo em contrariedade à lei divina, em contrariedade à Torá.</p><p>Então, isso mostra a ideia de um poder que não é absoluto, é um poder limitado a partir</p><p>de uma organização política em que há uma lei como centro e como fonte de limitação</p><p>do próprio poder. Bem interessante.</p><p>O restante está tranquilo. Essa aqui também está correta, quando fala lá que todas as</p><p>normas são jurídicas, porque todas as normas são efetivas, a Constituição está numa</p><p>posição superior a todo o restante e ela determina a compreensão e interpretação de</p><p>todo o restante do Direito. Portanto, é o que eu chamei aqui de constitucionalização do</p><p>Direito.</p><p>Tranquilo? Fechamos esse ponto aqui? Bacana.</p><p>21 RESUMO DO TEMA</p><p>Então, resumo. Constitucionalismo antigo e medieval, primeiras formas de limitação do</p><p>poder. Constitucionalismo moderno, limitação do poder com a finalidade de proteção</p><p>das liberdades individuais. Neoconstitucionalismo, abertura do Direito para os influxos</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 54</p><p>da moral. Transconstitucionalismo, problemas jurídico-constitucionais que repercutem</p><p>em diversas ordens constitucionais. Interconstitucionalismo, redes de constituições no</p><p>mesmo espaço político. Constitucionalismo latino-americano, Estado plurinacional com</p><p>regiões com autonomia política e pluralismo jurídico. Eu sintetizei não tudo, de tudo,</p><p>mas os principais pontos.</p><p>Tranquilo, galera? Fechamos?</p><p>Então, vamos lá. O Davi perguntou aqui: "O art. 3º é norma programática?"</p><p>De forma geral, sim, Davi, porque o art. 3º traz objetivos fundamentais da república,</p><p>muitos deles, quase todos eles com caráter social, então tem sim um grau de</p><p>programaticidade bastante elevado nesse dispositivo. Tá bom?</p><p>O Rodrigo perguntou aqui: "Onde o positivismo entra no constitucionalismo mesmo?"</p><p>Rodrigo, o constitucionalismo, antes da Segunda Guerra Mundial, ele era permeado por</p><p>uma concepção positivista de Direito. Por exemplo, Kelsen vai pensar a Constituição</p><p>numa perspectiva positivista, então eu diria que o Constitucionalismo sofre a influência</p><p>do positivismo no período anterior à Segunda Guerra Mundial.</p><p>"Em quantos dias a transcrição fica pronta?"</p><p>Eu não sei exato, mas a gente faz uma transição automática, depois manda para um</p><p>grupo de pessoas que faz a revisão, o ajuste da transcrição, enfim, é um processo que</p><p>leva algum tempo.</p><p>"Patriotismo constitucional de Jürgen Habermas."</p><p>Habermas é um dos caras que fala sobre patriotismo constitucional, Glauber mandou</p><p>bem aqui, eu não havia citado o nome especificamente dele, mas ele é um dos caras que</p><p>fala.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 55</p><p>Vocês vão ver, pessoal, que não apenas aqui, mas em outros momentos eu vou terminar</p><p>tocando em assuntos que são muito sensíveis, muito politizados e muito ideologizados,</p><p>enfim. Então, eu vou sempre procurar entrar nesses assuntos pisando em ovos, mas</p><p>trazer para vocês os pontos sempre de todos os lados, beleza?</p><p>O Rodrigo perguntou aqui: "Bibliografia indicada para história e fases? Seria possível</p><p>deixar indicações?"</p><p>Vamos lá. Bibliografia, de forma geral, eu sou muito cauteloso. Essa parte introdutória,</p><p>se você pegar ali, por exemplo, a maior parte dos livros concurseiros, como o Pedro</p><p>Lenza, a Nathalia Masson, Marcelo Novelino, Dirley da Cunha, todos eles vão trazer uma</p><p>parte histórica, essa evolução de forma bem razoável.</p><p>Óbvio que aí é minha função, numa aula, às vezes, convergir, na aula, às vezes pontos</p><p>de que um fala melhor, outro não fala, às vezes um fala, o outro não fala nada, enfim.</p><p>Constitucionalismo negro e constitucionalismo feminista, por exemplo, você não vai</p><p>encontrar em todos eles. Então, eu vou inserindo aqui. Então, eu procuro fazer de forma</p><p>até mais ampla. Mas a maior parte desses livros são bem razoáveis.</p><p>Um estudo um pouco mais, sobretudo na parte de neoconstitucionalismo, por exemplo,</p><p>o Barroso, um cara que fala muito sobre o neoconstitucionalismo no livro dele.</p><p>Enfim, quem quiser, para o MPF, para o MPF, especificamente para o MPF, e aí quiser</p><p>um estudo ainda mais denso na parte teórica, histórica, sobretudo na parte teórica, aí</p><p>galera, você tem que ir para o Daniel Sarmento. Então, o Daniel Sarmento vai trazer aqui</p><p>uma profundidade maior. Gente, fugiu o nome do segundo autor aqui, eu falo sobre ele</p><p>direto, tem vários outros livros dele, enfim. Enfim, é o Daniel Sarmento, que é um livro</p><p>sobre teoria da Constituição. Então, para o MPF, só para o MPF, vale a pena.</p><p>Repito, pelo amor de Deus, só para o MPF. Não vai cair no erro de querer: "Ah, vou</p><p>estudar aqui o Canotilho, o Daniel Sarmento..." Galera, estudo tem que ser objetivo,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 56</p><p>veja a minha aula de estudo. Se você cair numa tentação de querer ler os livros, galera,</p><p>se você pensar que cada matéria tem entre 1.500 a 2.000 páginas, eu já fiz a conta. 15</p><p>matérias x 1.500 páginas são 22.500 páginas. Se você traduzir isso, eu já fiz a conta, se</p><p>você botar três horas por dia só para ler todos os livros, você vai levar três anos. Basta</p><p>dizer isso. Três anos só para ler, sem fazer questão, sem ler jurisprudência, sem ler lei,</p><p>sem fazer revisão, sem fazer nada, só lendo. Então, galera, cuidado com essa tentação</p><p>de querer ser perfeccionista e estudar só por livro, tá bom?</p><p>A aula fica disponível imediatamente, o material da aula fica disponível imediatamente,</p><p>e a transcrição leva ali alguns dias para ser concluída, e logo depois ela é colocada na</p><p>plataforma, beleza?</p><p>"Professor, o julgamento dos nazistas no Tribunal de Nuremberg já foi explorado em</p><p>concurso de constitucional ou humanidades, humanísticas, né?"</p><p>Sim, Célio. Eu não trouxe nenhuma questão especificamente, mas sim, já foi explorado.</p><p>Quando se explora isso aqui, normalmente vai de uma forma não muito profunda.</p><p>Então, nunca se foi explorado, por exemplo, uma questão sobre o teor das decisões ou</p><p>sobre o estudo de casos, a jurisprudência. Não. Sempre uma visão um pouco mais</p><p>abrangente sobre o contexto histórico, filosófico em que os tribunais foram</p><p>constituídos, né? São tribunais, o debate, por exemplo, se são tribunais de exceção ou</p><p>não, são tribunais que foram compostos depois do fato, são tribunais que foram</p><p>compostos pelos vencedores, para</p><p>julgar os vencidos. Então, isso gera aí, nosso</p><p>internacionalista aqui, o Cássio, sabe disso muito bem, né? Então, esses tribunais, eles</p><p>têm as suas críticas também, apesar de serem amplamente aceitos, mas também têm</p><p>seus pontos de crítica, tá bom?</p><p>Beleza, deixa eu ver aqui, vamos lá. Eu botei poucas questões agora, eu botei duas</p><p>questões, mas eu poderia ter colocado muito mais. Isso tem uma incidência razoável em</p><p>prova, tá bom, galera?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 57</p><p>E aqui, deixa eu só fazer, a pergunta foi muito boa, porque eu vi que teve mais de uma</p><p>pessoa que ficou perguntando sobre a incidência disso em prova. Eu quero fazer dois</p><p>comentários sobre essa parte aqui, rapidamente, com vocês, tá bom? Eu sei que é o</p><p>nosso primeiro encontro, enfim, mas eu quero fazer dois comentários importantes aqui.</p><p>Primeiro, o tema em si, ele, propriamente, é um tema de incidência em prova, ok? Então,</p><p>cai bastante em prova, o tema propriamente dito.</p><p>Além disso, esse tipo de abordagem, e a abordagem que eu fiz aqui com vocês, ela tem</p><p>um outro papel que também é tão importante quanto a incidência direta, que é te dar</p><p>a capacidade de raciocinar e entender a lógica do direito constitucional, ou do Direito,</p><p>ou da evolução do Direito.</p><p>Eu já tive diversos alunos, não foram poucos, diversos alunos chegaram para mim e</p><p>falaram assim: "João, caiu uma questão assim e assim que não é exatamente a</p><p>literalidade de como você deu em aula, mas a base teórica ou a argumentação que você</p><p>desenvolveu me ajudou a resolver a questão e sair dessa questão."</p><p>Por exemplo, eu tive um aluno meu, o Kleber, ele tirou 10 na prova oral do MPF. Quando</p><p>saiu o resultado, no dia que saiu o resultado, ele me ligou para me falar, ele tinha meu</p><p>telefone, me ligou e falou: "João, você não acredita, eu tirei 10."</p><p>E o que eu achei engraçado, e fiquei muito honrado, é que ele falou assim: "João, você</p><p>é a primeira pessoa a quem eu estou ligando, eu não liguei nem para minha noiva." Ele</p><p>era noivo na época, hoje é casado. "Nem para minha noiva, nem para minha mãe." E eu</p><p>conheci a mãe dele, porque a mãe dele também tinha estudado no Ênfase.</p><p>E eu fiquei honrado, mas fiquei surpreso, por quê?</p><p>Ele falou: "Cara, porque eu tirei 10 em constitucional."</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 58</p><p>E aí, uma vez ele falou para mim assim: "João, aquelas aulas teóricas todas, elas me</p><p>tornaram mais inteligente, então elas me ajudaram a raciocinar melhor, e aí você sai de</p><p>algumas questões, sobretudo as questões um pouco mais teóricas, de forma muito</p><p>melhor, né?"</p><p>Então, por exemplo, eu tangenciei muito rapidamente aqui a questão de judicialização</p><p>da política. E eu vou voltar a tocar nesse assunto quando eu falar de direitos</p><p>fundamentais, por exemplo, e quando eu falar sobre justiciabilidade de direitos</p><p>fundamentais. Isso já caiu em prova de segunda fase. Prova discursiva já caiu algumas</p><p>vezes.</p><p>Ah, o pessoal está mandando nome aqui de Ingo Sarlet, de Mitidiero, né? O Ingo Sarlet,</p><p>o Mitidiero e o Marinoni têm um livro de constitucional grande, enfim. Beleza.</p><p>Cláudio Souza! Eu estava aqui tentando lembrar, eu me lembrava do Souza, estava</p><p>esquecendo do nome. O Cláudio Pereira de Souza Neto, a gente normalmente fala</p><p>Cláudio Souza, enfim, obrigado. Daniel Sarmento e Cláudio Souza. Beleza?</p><p>CLASSIFICAÇÃO E CONCEPÇÕES DAS CONSTITUIÇÕES</p><p>22. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES</p><p>Então, classificação das constituições.</p><p>22.1. QUANTO AO CONTEÚDO</p><p>Então, quanto ao conteúdo, constituição formal e constituição material. Constituição</p><p>formal é o texto propriamente dito.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 59</p><p>Constituição material são as normas que tratam dos assuntos materialmente</p><p>constitucionais, ou seja, assuntos que são essencialmente constitucionais.</p><p>Quais são os três assuntos essencialmente constitucionais? Os três assuntos</p><p>essencialmente constitucionais são Organização do Estado, Organização dos Poderes e</p><p>Direitos Fundamentais. Organização do Estado, Organização dos Poderes e Direitos</p><p>Fundamentais. Ok?</p><p>Então, são os temas essencialmente constitucionais. Então, exemplo básico, óbvio,</p><p>rápido e fácil.</p><p>A norma do Colégio Pedro II, galera, é uma norma formalmente constitucional, porque</p><p>está no texto constitucional, mas não é uma norma materialmente constitucional,</p><p>porque ela não trata de um tema essencial da Constituição.</p><p>A nossa Constituição é uma constituição formal.</p><p>Por quê? Porque ela trata dos temas essenciais, mas ela vai além. Então, é uma</p><p>constituição formal.</p><p>22.2. QUANTO À FORMA</p><p>Quanto à forma, a constituição é escrita ou não escrita.</p><p>Então, é meio óbvio. A constituição escrita pode ser escrita em um único documento e</p><p>não escrita, ela pode ser em leis esparsas e o costume, a jurisprudência, os valores, a</p><p>história. Tranquilo?</p><p>QUANTO À ESTABILIDADE/MUTABILIDADE/RIGIDEZ/CONSISTÊNCIA</p><p>Quanto à estabilidade, também chamada quanto à mutabilidade, quanto à rigidez,</p><p>consistência.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 60</p><p>Então, temos a constituição imutável, granítica, permanente, intocável. É a constituição</p><p>que não pode ser alterada. Ela pode ser substituída, mas não alterada.</p><p>A constituição rígida, já, já falo da superrígida, a constituição rígida é aquela que pode</p><p>ser alterada. Mas ela precisará de um processo de alteração mais rigoroso do que o da</p><p>lei ordinária. Isso diferencia da flexível. A flexível pode ser alterada pelo mesmo processo</p><p>das leis comuns.</p><p>Então, qual a diferença da rígida para a flexível? Ambas podem ser alteradas. A rígida</p><p>pode ser alterada por um processo mais rigoroso do que o das leis e a flexível é o mesmo</p><p>processo das leis, ou seja, qualquer lei pode alterar a constituição.</p><p>Com base nisso, a gente entende o restante. Então, a superrígida é aquela constituição</p><p>que em parte é rígida, em parte é imutável.</p><p>A constituição semi-rígida ou semi-flexível. Parte é rígida, parte é flexível.</p><p>E a constituição transitoriamente flexível é aquela constituição que durante um período</p><p>de tempo é flexível, passado esse período, ela se torna rígida.</p><p>Ok? Então, são conceitos tranquilos. O conceito principal, galera, é a rígida e flexível e</p><p>imutável. Desses três, derivam os outros todos.</p><p>22.3. QUANTO À IDEOLOGIA PREDOMINANTE (CONTEÚDO IDEOLÓGICO)</p><p>Quanto à ideologia predominante ou quanto ao conteúdo ideológico. A gente vai falar</p><p>de uma constituição que é liberal ou essencialmente liberal e a constituição social</p><p>essencialmente social. Ou seja, prevalece o liberalismo ou prevalece o socialismo.</p><p>"Socialismo" não é uma boa expressão</p><p>para esse caso, para não confundir. Ou a</p><p>constituição social, o Estado social. Porque você pode ter um Estado Social, um Estado</p><p>de Bem-Estar Social, que não é exatamente socialista. Enfim, então eu não vou entrar</p><p>nesse debate agora.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 61</p><p>Então, concepção liberal ou social. Liberal, Estado mínimo, liberdade individual é o que</p><p>prevalece. Constituição social, Estado interventor e ideia de igualdade material e justiça</p><p>social.</p><p>22.4. QUANTO À IDEOLOGIA</p><p>Quanto à ideologia, aí a gente vai falar em ortodoxa ou heterodoxa, também chamada</p><p>eclética ou pragmática.</p><p>Ortodoxa é aquela que tem uma linha ideológica bem definida. Por exemplo, uma</p><p>Constituição liberal ortodoxa, só liberalismo. Constituição social ortodoxa, é uma</p><p>Constituição que só prevê a ideia de justiça social.</p><p>A constituição heterodoxa mistura. Então, por exemplo, a nossa Constituição é</p><p>heterodoxa. Por quê?</p><p>Porque ela vai dizer no art. 1º, inciso IV, se eu não me engano, fala lá dos fundamentos</p><p>da república, fala dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. Então, valores</p><p>sociais do trabalho é claramente uma concepção social. Livre iniciativa é claramente</p><p>uma concepção liberal. E aí a gente tem uma convergência.</p><p>Então, por exemplo, nos princípios da ordem econômica, vai falar lá, por exemplo, na</p><p>livre iniciativa, na liberdade econômica. Mas vai falar no mínimo existencial, ou melhor,</p><p>na existência digna, como uma limitação da liberdade econômica.</p><p>Então, você vai combinando fatores que são próprios de uma concepção liberal com</p><p>fatores que são próprios de uma concepção social.</p><p>22.5. QUANTO À ORIGEM</p><p>Quanto à origem, a constituição pode ser democrática, promulgada ou popular.</p><p>Constituição que é feita a partir da vontade do povo.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 62</p><p>Constituição outorgada é aquela constituição imposta por um governo. E aí eu já</p><p>coloquei na história brasileira o que é o quê.</p><p>Constituição cesarista ou bonapartista é aquela constituição que, uma vez promulgada,</p><p>ela passa por uma consulta popular. Então, o povo é chamado às urnas para aprovar ou</p><p>reprovar a Constituição.</p><p>Constituição pactuada é um pacto, o exemplo seria a Magna Carta, para aqueles que</p><p>defendem que a Magna Carta já é uma constituição.</p><p>22.6. QUANTO À ESTRUTURAÇÃO</p><p>Quanto à estruturação, quanto à função ou quanto à finalidade.</p><p>Então, quanto às estruturações, tem a constituição garantia, dirigente e balanço.</p><p>A constituição garantia é uma constituição basicamente liberal. Ou também chamada</p><p>negativa, é sinônimo. Constituição liberal, constituição negativa é a mesma coisa. É</p><p>aquela constituição cuja finalidade é proteger, é garantir o indivíduo contra o arbítrio</p><p>estatal.</p><p>A constituição dirigente é aquela que coloca para o Estado obrigações de promover</p><p>direitos sociais. Então, ela tem um conteúdo ideológico que é o conteúdo social.</p><p>Então, a constituição liberal é uma constituição garantia, uma constituição social é uma</p><p>constituição dirigente.</p><p>Constituição balanço é aquela constituição que, inspirada em Lassalle, é um autor que a</p><p>gente vai falar no futuro sobre ele, é aquela constituição que pretende ser apenas um</p><p>reflexo da realidade social, da realidade social e da realidade política. Ou seja, ela faz um</p><p>balanço da história, pensa assim. Então, ela apenas reflete a realidade social e a</p><p>realidade política daquele momento histórico.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 63</p><p>A gente até costuma dizer o seguinte, a constituição dirigente está sempre olhando para</p><p>o futuro, o que a gente quer alcançar. A constituição balanço está sempre olhando para</p><p>o passado, porque uma vez que ela reflete uma realidade histórica, essa realidade</p><p>rapidamente muda, mas ela não muda. A constituição escrita continua refletindo uma</p><p>coisa passada. Então, uma olha para o futuro, a outra está olhando para o passado.</p><p>22.7. QUANTO À UNICIDADE DOCUMENTAL OU SISTEMÁTICA</p><p>Quanto à unicidade documental ou sistemática. Então, a gente vai falar em constituição</p><p>orgânica ou unitextual ou codificada ou reduzida. É aquela constituição que está num</p><p>único documento, como é a nossa Constituição Brasileira.</p><p>Constituição inorgânica, pluritextual ou constituições legais ou variadas. É aquela</p><p>realidade em que existem leis esparsas que juntas formam a constituição, como é o caso</p><p>da Inglaterra. Então, na Inglaterra não tem uma constituição só, você tem várias leis</p><p>esparsas. Tem o costume também, enfim. Então, há quem diga que ela é parcialmente</p><p>escrita, porque são leis esparsas, e parcialmente não escrita.</p><p>22.8. QUANTO À ELABORAÇÃO</p><p>Quanto à elaboração, constituição histórica e dogmática. Constituição histórica é aquela</p><p>constituição que é elaborada ao longo de um processo histórico, como é o caso da</p><p>Constituição Inglesa.</p><p>A constituição dogmática é aquela constituição que é elaborada em um determinado</p><p>momento histórico, de acordo com os valores e os dogmas daquele momento histórico.</p><p>De acordo com aqueles valores dogmáticos daquele momento histórico.</p><p>Então, por exemplo, a Constituição Inglesa é uma constituição histórica. Ela é uma</p><p>constituição não escrita ou parcialmente não escrita e parcialmente escrita. Ela é uma</p><p>constituição flexível, porque não tem um processo rigoroso de alteração.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 64</p><p>A Constituição Brasileira é uma constituição dogmática. Ela é uma constituição</p><p>unitextual ou constituição escrita. Ela é uma constituição rígida.</p><p>Só que aí há quem faça uma análise seguinte. Uma constituição histórica, o que eu vou</p><p>falar não é difícil, galera. Não é difícil. Só gera uma confusão terminológica. Então, se</p><p>você não prestar atenção e perder o fio da meada, você vai ficar boiando. Mas não é</p><p>difícil, preste atenção. A constituição histórica normalmente não é escrita ou é</p><p>parcialmente escrita e não escrita, como é o caso da inglesa. E normalmente ela é</p><p>flexível, no seu texto. Ou seja, qualquer lei pode alterar essa constituição. No entanto,</p><p>na prática, é muito difícil essa constituição ser alterada. Na prática. Por quê? Porque os</p><p>valores constitucionais chegam a esse status de constitucional por causa de um longo</p><p>processo histórico, que está muito enraizado na cultura política daquele Estado.</p><p>Então, por exemplo, vamos dar um exemplo prático. Em tese, a monarquia na Inglaterra</p><p>poderia acabar com uma simples lei. Poderia ter uma lei comum acabando com a</p><p>monarquia.</p><p>Qual é a chance de uma lei acabar com a monarquia na Inglaterra?</p><p>Nenhuma. Ou quase nula.</p><p>Então, alguns vão falar o seguinte. Olha, as constituições</p><p>históricas, elas, na forma, ou</p><p>seja, no seu texto, elas são flexíveis. Elas tradicionalmente são flexíveis. Mas em termos</p><p>sociológicos, em termos culturais, elas são muito mais rígidas do que as Constituições</p><p>consideradas rígidas na forma. Então, a Constituição na Inglaterra é muito mais rígida</p><p>no seu conteúdo do que na forma. Na forma, ela é flexível. Mas no seu conteúdo ela é</p><p>muito rígida.</p><p>Comparando com a brasileira, a nossa Constituição é rígida na forma, mas ela não é nada</p><p>rígida no seu conteúdo. Nós temos mais de 120 emendas à Constituição Brasileira em</p><p>pouco mais de 30 anos de história. Pelo amor de Deus.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 65</p><p>Então, vocês estão percebendo o que eu estou falando? São relações inversamente</p><p>proporcionais. A histórica, ela, na forma, normalmente é flexível, mas no seu conteúdo</p><p>ela é muito rígida. Difícil de alterar. As constituições dogmáticas, elas, normalmente, na</p><p>forma, são rígidas, mas o seu conteúdo não é tão rígido assim, normalmente elas são</p><p>muito alteradas, como o caso brasileiro.</p><p>23. QUANTO À FINALIDADE OU EXTENSÃO</p><p>Ok? Quanto à finalidade ou extensão, constituição sintética, tópica, breve, curta,</p><p>concisa, como é o caso da Constituição Americana, 7 artigos só.</p><p>Ou analítica, longa, prolixa, detalhista, como é o caso da brasileira. Aí é autoexplicativo.</p><p>23.1. CLASSIFICAÇÃO DE KARL LOEWENSTEIN (ONTOLÓGICA OU QUANTO À</p><p>EFETIVIDADE OU QUANTO À CORRESPONDÊNCIA COM A REALIDADE)</p><p>Classificação de Karl Loewenstein, também chamada de ontológica, quanto à</p><p>efetividade, quanto à correspondência, quanto à realidade.</p><p>Então nós temos normativa, nominal ou nominalista, e semântica.</p><p>Constituição normativa. É a constituição efetiva, concreta, ela produz efeitos, ela se</p><p>impõe sobre a realidade.</p><p>Constituição Nominal. Ela é nominal, ou seja, ela quer ser efetiva, mas ela não produz</p><p>os efeitos reais.</p><p>Constituição Semântica. Seria a constituição simbólica. É aquela Constituição que sequer</p><p>quer ser efetiva, ela é só uma aparência.</p><p>Então a Constituição de 1988, por exemplo, ela hoje é mais uma constituição normativa</p><p>do que nominal. Ela não é semântica.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 66</p><p>Alguns até falavam que era uma constituição nominal, não é normativa. Um ponto ou</p><p>outro da Constituição, ela precisa ainda ser mais efetivada, questões sociais, por</p><p>exemplo. Tudo bem, mas no geral ela é uma constituição normativa.</p><p>23.2. QUANTO À INTERPRETAÇÃO</p><p>Quanto à interpretação. Constituição nominalista e semântica. Temos um problema.</p><p>Houston, we've got a problem. Temos um problema.</p><p>Por quê?</p><p>Porque vocês estão vendo aí na tela que eu estou usando a mesma expressão,</p><p>"nominalista" e "semântica", da classificação anterior. Só que num sentido</p><p>completamente diferente. Você sabe que, infelizmente, isso acontece no Direito. Então</p><p>aqui a gente vai usar a mesma expressão, mas não tem nada a ver uma coisa com a</p><p>outra.</p><p>Aqui, “nominalista” significa uma constituição precisa, clara. A interpretação literal é</p><p>suficiente.</p><p>Constituição semântica é aquela constituição que precisa de muitos métodos de</p><p>interpretação. Ela tem uma linguagem que é uma linguagem volátil. Eu vou falar melhor</p><p>sobre isso na aula de Interpretação Constitucional.</p><p>23.3. QUANTO AO SISTEMA</p><p>Quanto ao sistema, constituição principiológica, predominam os princípios. Tem regras</p><p>também, mas predomina os princípios.</p><p>Constituição preceitual é a constituição que predomina as regras e menos os princípios.</p><p>A nossa Constituição é mais uma constituição principiológica do que preceitual. Tem</p><p>muitas regras na nossa Constituição, mas os princípios dominam.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 67</p><p>23.4. QUANTO AO LOCAL DE DECRETAÇÃO</p><p>Quanto ao local de decretação, heteroconstituição ou constituição heterônoma,</p><p>autoconstituição ou constituição autônoma.</p><p>A heteroconstituição é a constituição que vem de fora. Normalmente em situações de</p><p>guerra, galera. Quando o Estado vencedor impõe ao Estado vencido uma Constituição.</p><p>Ou a metrópole dá a independência para a colônia, mas impõe uma Constituição.</p><p>Já teve esse fenômeno na própria Alemanha, na pós- Segunda Guerra Mundial. Os</p><p>Estados vencidos impondo a Lei Fundamental, mais ou menos. Só uma visão geral. No</p><p>continente africano, várias metrópoles, quando deram a independência para esses</p><p>países, foram impondo constituições. Então são Constituições que vêm de fora.</p><p>Constituições heterônomas.</p><p>Autoconstituição ou constituição autônoma, o próprio Estado faz a constituição. O caso</p><p>da Constituição Brasileira.</p><p>23.5. CONSTITUIÇÕES PLÁSTICAS</p><p>Constituições plásticas. Constituições dotadas de maleabilidade, pois são influenciadas</p><p>pelos influxos da realidade social, política, economia, educação, jurisprudência.</p><p>Permitem novas interpretações de seu texto à luz das novas realidades sociais.</p><p>Constituição plástica pode ser flexível ou rígida.</p><p>A Constituição plástica, por exemplo, uma constituição principiológica é uma</p><p>constituição plástica, porque ela é maleável, ela pode mudar de sentido ao longo do</p><p>tempo. A nossa Constituição, apesar de ela ter muitas regras rígidas, que foram sendo</p><p>alteradas pelas emendas, mas na parte principiológica da nossa Constituição, ela é uma</p><p>Constituição Plástica.</p><p>24. ELEMENTOS DAS CONSTITUIÇÕES</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 68</p><p>Terminando, galera, elementos das Constituições. Essa parte eu estou indo mais rápido,</p><p>porque ela é básica mesmo, ela é uma parte fácil da matéria.</p><p>24.1. ELEMENTOS ORGÂNICOS</p><p>Elementos orgânicos. Tudo aquilo que trata da estrutura do Estado. Então, quando fala</p><p>que nós temos três Poderes, quando fala, por exemplo, do Ministério Público, do</p><p>Tribunal de Contas, da AGU, da Defensoria Pública, quando estabelece que nós temos</p><p>uma União, Estado, Município e Distrito Federal, o que é a competência de cada um,</p><p>quando diz que a reparação tributária é assim o assado, o repasse tributário é assim o</p><p>assado, tudo isso é a parte orgânica da Constituição, é a organização do Estado.</p><p>24.2. ELEMENTOS LIMITATIVOS</p><p>Elementos limitativos, é tudo aquilo que limita o Estado, de forma direta, como os</p><p>direitos fundamentais, direitos e garantias fundamentais.</p><p>24.3. ELEMENTOS SOCIOIDEOLÓGICOS</p><p>Os elementos socioideológicos, isso é uma Constituição mais liberal, individualista ou</p><p>social, intervencionista, ou até mesmo eclético, como eu falei, mas isso não muda o fato</p><p>de que a nossa Constituição é eclética, mas tem lá elementos que são claramente</p><p>liberais, elementos que claramente são sociais.</p><p>24.4. ELEMENTOS DE ESTABILIZAÇÃO CONSTITUCIONAL</p><p>69</p><p>25.1. QUESTÃO 1 .................................................................................................... 69</p><p>25.2. QUESTÃO 2 .................................................................................................... 69</p><p>25.3. QUESTÃO 3 .................................................................................................... 70</p><p>25.4. QUESTÃO 4 .................................................................................................... 70</p><p>25.5. QUESTÃO 5 .................................................................................................... 70</p><p>25.6. QUESTÃO 6 .................................................................................................... 71</p><p>26. RESUMO DO TEMA ...................................................................................... 72</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 5</p><p>27 CONCEPÇÕES DA CONSTITUIÇÃO ........................................................................... 78</p><p>27.1 CONCEPÇÃO POLÍTICA ............................................................................................. 83</p><p>27.2 CONCEPÇÃO SOCIOLÓGICA ....................................................................................... 84</p><p>27.3 CONCEPÇÃO CONCRETISTA OU CONCRETIZADORA .......................................................... 85</p><p>27.4 CONCEPÇÃO AXIOLÓGICA/TEORIA SUBSTANTIVA........................................................... 87</p><p>27.5 TEORIA DA CONSTITUIÇÃO DIRIGENTE ......................................................................... 88</p><p>28 QUESTÃO DE CONCURSO .................................................................................... 91</p><p>29 RESUMO DO TEMA ........................................................................................... 93</p><p>30. FORMAÇÃO CONSTITUCIONAL DO BRASIL ................................................................ 94</p><p>30.1. CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DO BRAZIL (DE 25 DE MARÇO DE 1824) ................. 94</p><p>30.2. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 24 DE FEVEREIRO DE</p><p>1891) 95</p><p>30.3. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 16 DE JULHO DE 1934)</p><p>97</p><p>30.4. CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 10 DE NOVEMBRO DE</p><p>1937) 98</p><p>30.5. CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 18 DE SETEMBRO DE 1946)</p><p>98</p><p>30.6. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (DE 24 DE JANEIRO DE</p><p>1967) 100</p><p>30.7. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 .................... 102</p><p>31. QUESTÃO DE CONCURSO ........................................................................... 103</p><p>32. RESUMO DO TEMA .................................................................................... 103</p><p>33. PODER CONSTITUINTE ............................................................................... 108</p><p>33.1. TIPOLOGIA DO PODER CONSTITUINTE .......................................................... 108</p><p>33.2. NATUREZA DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO ....................................... 109</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 6</p><p>33.3. TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO ................................. 110</p><p>33.4. EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO........................................ 111</p><p>33.5. CARACTERÍSTICAS DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO ............................ 111</p><p>33.6. LIMITES AO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO............................................ 113</p><p>33.7. FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO ............ 118</p><p>33.8. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO E DIREITO ADQUIRIDO ........................... 119</p><p>34. QUESTÃO DE CONCURSO ........................................................................... 120</p><p>35. RESUMO DO TEMA .................................................................................... 124</p><p>36 PODER CONSTITUINTE REFORMADOR ........................................................ 125</p><p>36.1 LIMITES ÀS EMENDAS CONSTITUCIONAIS ......................................................... 126</p><p>36.1.1 LIMITES PROCEDIMENTAIS OU FORMAIS ................................................................... 126</p><p>36.1.2 LIMITES CIRCUNSTANCIAIS ......................................................................................... 128</p><p>36.1.3 LIMITES MATERIAIS EXPLÍCITOS (CLÁUSULAS PÉTREAS EXPLÍCITAS) ........................ 129</p><p>36.1.4 LIMITES MATERIAIS IMPLÍCITOS (CLÁUSULAS PÉTREAS IMPLÍCITAS) ....................... 136</p><p>36.2 EMENDAS CONSTITUCIONAIS E CLÁUSULAS PÉTREAS ........................................ 139</p><p>36.3 PODER REFORMADOR E DIREITO ADQUIRIDO ................................................... 144</p><p>36.4 REVISÃO CONSTITUCIONAL .............................................................................. 144</p><p>37 PODER CONSTITUINTE DECORRENTE .......................................................... 145</p><p>37.1 TIPOS .............................................................................................................. 145</p><p>37.2 CARACTERÍSTICAS ............................................................................................ 145</p><p>37.3 CASOS ESPECÍFICOS ......................................................................................... 146</p><p>38 QUESTÕES DE CONCURSO .......................................................................... 146</p><p>38.1 QUESTÃO 1 ...................................................................................................... 146</p><p>38.2 QUESTÃO 2 ...................................................................................................... 147</p><p>38.3 QUESTÃO 3 ...................................................................................................... 147</p><p>39 RESUMO DO TEMA .................................................................................... 148</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 7</p><p>40 PODER CONSTITUINTE DIFUSO ................................................................... 149</p><p>40.1 DEFINIÇÃO ...................................................................................................... 149</p><p>40.2 NATUREZA ...................................................................................................... 150</p><p>40.3 CARACTERÍSTICAS ............................................................................................ 150</p><p>40.4 LIMITES ........................................................................................................... 151</p><p>40.5 MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL ........................................................................... 151</p><p>41 QUESTÕES DE CONCURSO .......................................................................... 152</p><p>42 RESUMO DO TEMA .................................................................................... 155</p><p>43. NORMA JURÍDICA ...................................................................................... 156</p><p>43.1. NORMAS CONSTITUCIONAIS ........................................................................</p><p>Elementos de estabilização constitucional, ou seja, elementos que visam a proteger a</p><p>própria Constituição, então está falando da defesa da Constituição com a jurisdição</p><p>constitucional, o controle de constitucionalidade. A intervenção federal e a intervenção</p><p>dos municípios, é uma forma de proteger a federação brasileira. A defesa do Estado e</p><p>das instituições democráticas, as Forças Armadas, o estado de defesa, o estado de sítio,</p><p>todos esses elementos são mecanismos diferentes, mas todos com uma finalidade,</p><p>proteger a Constituição, proteger a Federação, proteger o Estado como um todo.</p><p>24.5. ELEMENTOS FORMAIS DE APLICABILIDADE</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 69</p><p>E elementos formais de aplicabilidade são normas que tratam de aplicação de outras</p><p>normas, todo o ADCT e o art. 5º, § 1º, por exemplo, quando fala da aplicabilidade direta</p><p>e imediata dos direitos fundamentais. Beleza?</p><p>25. QUESTÕES DE CONCURSO</p><p>Questão. De novo, galera, você vai botando aí na sua tela, no seu papel, certo ou errado,</p><p>depois você me diz como é que foi o seu desempenho.</p><p>25.1. QUESTÃO 1</p><p>TRF 5 – Juiz Federal</p><p>A constituição dirigente é aquela que, além de legitimar e limitar o poder</p><p>estatal em face da sociedade, define metas para o futuro mediante a</p><p>instituição de normas programáticas, exigindo, todavia, vinculação dos</p><p>poderes públicos à sua realização.</p><p>Foi quando a gente falou de quanto à estrutura, não lembra? A constituição garantia, a</p><p>constituição dirigente, também constituição programática, a constituição balanço. Certo</p><p>ou errado, galera?</p><p>Por acaso, galera, eu trouxe só o juiz federal, mas foi só uma coincidência. Tanto que no</p><p>tema anterior eu trouxe MP Estadual e MP Federal. Mas essa aqui, por acaso, foi só o</p><p>juiz federal.</p><p>25.2. QUESTÃO 2</p><p>TRF1 – Juiz Federal</p><p>A respeito da ordem constitucional brasileira, assinale a opção correta.</p><p>Quanto ao modo de elaboração, a CF é uma Constituição dogmática, na</p><p>medida em que se apresenta como produto escrito e sistematizado por</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 70</p><p>um órgão constituinte, a partir de valores predominantes em</p><p>determinado momento histórico.</p><p>25.3. QUESTÃO 3</p><p>TRF5 – Juiz Federal</p><p>Acerca do conceito, dos elementos e da classificação das Constituições,</p><p>assinale a opção correta.</p><p>As Constituições classificadas, quanto ao modo de elaboração, como</p><p>Constituições históricas, apesar de serem juridicamente flexíveis, são,</p><p>normalmente, politicamente rígidas.</p><p>Certo ou errado?</p><p>25.4. QUESTÃO 4</p><p>TRF1 – Juiz Federal</p><p>Assinale a opção correta acerca do conceito, da classificação e dos</p><p>elementos da constituição.</p><p>Segundo a doutrina, os elementos orgânicos da constituição são aqueles</p><p>que limitam a ação dos poderes estatais, estabelecem as balizas do</p><p>estado de direito e consubstanciam o rol dos direitos fundamentais.</p><p>25.5. QUESTÃO 5</p><p>TRF5 – Juiz Federal</p><p>Acerca do conceito, dos elementos e da classificação das Constituições,</p><p>assinale a opção correta.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 71</p><p>São denominados elementos limitativos das Constituições aqueles que</p><p>visam assegurar a defesa da Constituição e do estado democrático de</p><p>direito.</p><p>25.6. QUESTÃO 6</p><p>TRF1 – Juiz Federal</p><p>Acerca do poder constituinte, da CF e do ADCT, assinale a opção correta.</p><p>O ADCT não tem natureza de norma constitucional, na medida em que</p><p>dispõe sobre situações excepcionais e temporárias.</p><p>E aí, galera, como é que foi o seu desempenho? A ordem é da esquerda, de uma coluna</p><p>para a outra. Então, da coluna que está abaixo do gabarito, então é 1, 2, 3, depois a</p><p>outra coluna é 4, 5, 6.</p><p>Então, constituição dirigente é isso aqui mesmo, metas para o futuro, normas</p><p>programáticas, o poder público deve cumprir a constituição, obviamente.</p><p>Constituição dogmática, perfeito, ela é elaborada num momento histórico, de acordo</p><p>com os valores dogmáticos daquele momento.</p><p>Olha aquilo que eu falei, a constituição histórica é juridicamente flexível, formalmente</p><p>flexível, mas no seu conteúdo tende a ser rígida, ou seja, politicamente rígida. É difícil</p><p>mudar uma constituição histórica.</p><p>Elementos orgânicos limitam a ação do Estado. Aí ficou fácil, porque não é elemento</p><p>orgânico, é elemento limitativo que limita.</p><p>Então, esse aqui é elemento limitativo, aí não, são os elementos de estabilização da</p><p>constituição, que fala da defesa da constituição.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 72</p><p>O ADCT não tem natureza de norma? o ADCT é norma constitucional. Ela é temporária,</p><p>enfim, mas é constitucional.</p><p>Tranquilo, galera? Pegaram?</p><p>26. RESUMO DO TEMA</p><p>Então, vamos lá. O resumo está aqui, a nossa condição é formal, escrita, rígida, social,</p><p>heterodoxa, promulgada, dirigente, dogmática, analítica, normativa e plástica. Beleza?</p><p>Tema para a próxima aula, concepções das Constituições. Terminou que eu até tinha</p><p>intenção, mas terminei não entrando nesse tema. Fica para a próxima aula, você já está</p><p>com o tema da próxima aula, já está nas suas mãos. Beleza?</p><p>Olhando aqui para o chat, vamos lá. Galera, vamos lá. Dúvida sobre plataforma, que eu</p><p>vi que tem aqui. Eu vou pedir essa parte mais tecnológica, vou pedir para vocês</p><p>mandarem a dúvida pela própria plataforma, que o pessoal vai explicar bem para vocês.</p><p>Tá bom?</p><p>Uma dúvida sobre pós-graduação, vou pedir para mandar também na plataforma, mas</p><p>basicamente, a pós-graduação de Direito Constitucional e Administrativo aproveita boa</p><p>parte das aulas, mas tem algumas poucas aulas a mais lá, poucas coisas, mas aproveita</p><p>o mesmo conteúdo, para otimizar o seu estudo. Ok?</p><p>Galera, incidência de temas. Vamos lá. De forma geral, vou falar de geral, depois de</p><p>alguns concursos. De forma geral, galera, os três temas que mais caem são, no geral,</p><p>controle de constitucionalidade, repartição de competências e processo legislativo. No</p><p>geral, controle de constitucionalidade, repartição de competências e processo</p><p>legislativo. Ok? Obviamente, isso pode mudar de figura para figura, de estado para</p><p>estado, de concurso para concurso, né?</p><p>Advocacia Pública. Aí eu vou dar muita atenção para a repartição de competências, ok?</p><p>Porque isso é muito sensível para a Advocacia Pública. Ok? Então, vou manter controle</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 73</p><p>de constitucionalidade, processo legislativo, repartição de competências, mas, na</p><p>Advocacia Pública, repartição de competências se torna bem importante, né? Porque</p><p>você tem que diferenciar o que é do estado, o que é do município, o que é da União, o</p><p>que é concorrente, enfim.</p><p>MPF tem um perfil um pouco mais diferente. MPF, aí eu vou dar uma ênfase bem</p><p>grande, você tem que dar uma ênfase bem grande em teoria da Constituição e</p><p>interpretação constitucional. Então, parte mais da filosofia constitucional cai bastante.</p><p>Ok? e direitos fundamentais. Aí, direitos fundamentais, para o MPF, passa a ter um</p><p>relevo bem significativo. Defensorias.</p><p>Direitos fundamentais, também entra bastante aqui.</p><p>Mais o quê? Trabalhista, magistratura do trabalho. As provas não costumam ser muito</p><p>complicadas, então eu não vejo nada muito diferente, de forma geral.</p><p>MPT não. MPT não chega a ser tanto quanto o MPF, mas o MPT tem uma pegada de</p><p>constitucional um pouco mais profunda, um pouco mais teórica, né? Enfim. E aí eu</p><p>também, em teoria, hermenêutica, teoria da Constituição, hermenêutica constitucional,</p><p>botaria ali uma ênfase para isso aqui.</p><p>Beleza? Alguém botou aqui o tripé: questões, lei seca e jurisprudência. Perfeito.</p><p>Mapeamento de temas pela carreira. Beleza. Tem como eu fazer isso, eu vou</p><p>providenciar e vou colocar na plataforma para vocês, tá bom?</p><p>Houve uma pergunta aqui que eu vou expandir. "Material do Ênfase é um material</p><p>suficiente?"</p><p>Eu vou pegar essa pergunta e vou fazer essa pergunta para outras realidades. Um livro</p><p>de constitucional do Pedro Lenza é suficiente? Vou pegar o de constitucional, que é a</p><p>minha matéria. Um livro de Dirley da Cunha é suficiente? Olhando aqui para o lado. O</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 74</p><p>livro da Nathalia Masson é suficiente? O livro do Bernardo Gonçalves é suficiente? O</p><p>Ênfase é suficiente? Outros cursos aí, nós temos bons relacionamentos com todos os</p><p>cursos, enfim, são suficientes?</p><p>Essa é uma pergunta que eu sei que a gente quer ter uma resposta muito objetiva, né?</p><p>É uma pergunta semelhante do tipo assim: "Se eu estudar 3 horas por dia, quanto tempo</p><p>eu levo a passar?"</p><p>Muita gente me pergunta: "Se eu estudar 3 horas, 4 horas por dia, quanto tempo eu</p><p>levo a passar?"</p><p>Como se fosse uma matemática, né? A questão é que não é tão matemática assim. Por</p><p>quê? E eu estou falando agora do material. Por quê? Porque depende muito da sua</p><p>capacidade e absorção da matéria. Depende muito de quantas vezes você vai rever essa</p><p>aula. Depende da sua concentração, do seu foco, da sua capacidade de memorização.</p><p>Depende da base de conteúdo que você já carrega para chegar nesta aula.</p><p>Eu sei que na aula de hoje, que não foi uma das aulas mais teóricas nem mais profundas,</p><p>mas eu sei que na aula de hoje tem gente que nadou de braçada comigo aqui. Tem gente</p><p>que ele eventualmente pode ter considerado básica, quase que uma revisãozona geral,</p><p>mas eu sei que para muita gente foi uma aula complexa. Não dá para dizer que o mesmo</p><p>conteúdo foi absorvido da mesma forma, com a mesma intensidade, o mesmo nível de</p><p>aproveitamento para todas as pessoas, entendeu?</p><p>Então, talvez, para uns, a aula de hoje vai ser supersuficiente. Para outros ela vai ser</p><p>insuficiente. Em que medida? Na medida da própria base de formação educacional que</p><p>a pessoa carrega em si.</p><p>Então o que eu vou dizer é o seguinte. O material do Ênfase vai ser uma base segura sim</p><p>para você passar, sim. Some-se a isso as suas características pessoais, quanto tempo</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 75</p><p>você vai estudar por dia, quantas revisões você vai fazer, quantas questões você vai</p><p>fazer. Existe um outro lado da moeda, que é você.</p><p>A lei seca. A aula de lei seca não é uma aula que eu estou dando aqui agora. Então a lei</p><p>seca tem que ser lida, em paralelo ao curso. Você tem que ir acompanhando a</p><p>jurisprudência, então, assim, existe uma soma de fatores que te levam à aprovação.</p><p>Mas, te respondendo de forma segura, o material do Ênfase é a base, vai ser a cama, a</p><p>estrutura segura para você ir bem na prova?</p><p>Sim.</p><p>O que você deve acrescentar a isso?</p><p>Lei seca e jurisprudência, em termos de conteúdo. Porque é uma coisa que você vai ter</p><p>que fazer constantemente. Em termos de estudo, você vai ter que fazer muitas</p><p>questões, ou por dia, ou por semana, não importa. Mas eu sugiro que você se organize</p><p>para fazer, pelo menos, 2.500 questões por ano. No mínimo, 2.500 questões por ano,</p><p>eu estou falando de mais ou menos 200 questões por mês, 210, 220 questões por mês.</p><p>Se você botar uma média, vamos botar 240 questões por mês, só para arredondar a</p><p>conta, você está falando ali de 60 questões por semana.</p><p>Cara, pelo amor de Deus, dá para fazer 60 questões numa semana? Dá. Com boa</p><p>vontade, o mínimo de organização, dá.</p><p>Beleza? Aí se você fizer 240 questões por mês, vezes 12, você está falando 2.400, mais</p><p>480, 2.880 questões no ano. Em dois anos, você vai ter feito quase 6.000 questões.</p><p>Galera, minha experiência, depois que você fizer mais 5.000, 6.000 questões, você</p><p>começa a estar bem bom para passar na primeira fase, começar a beliscar a segunda</p><p>fase e aprovar. Tranquilo?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 76</p><p>Vamos lá. Passar as questões novamente. Vai estar no material.</p><p>"Qual a diferença de Organização do Estado e Organização dos Poderes?"</p><p>Organização do Estado trata da federação, Estado, União, Município, Distrito Federal,</p><p>repartição de competências. Organização dos Poderes, os três Poderes mais as funções</p><p>essenciais da Justiça, Executivo, Legislativo e Judiciário, e as funções essenciais,</p><p>Ministério Público, Defensoria Pública etc. Basicamente é isso.</p><p>Beleza, os três temas: controle de constitucionalidade, processo legislativo, repartição</p><p>de competências.</p><p>Zuleika, eu falei 2.500 no geral, tá? 2.500 para todas as matérias no ano, mínimo, tá?</p><p>Mínimo, se eu fizer uma programação de fazer aqui 100 questões por semana, você está</p><p>falando de 400 questões por mês, vezes 12, você está falando de 4.800 questões por</p><p>ano, né? Ou até mais na verdade, porque o ano acho que são 52 semanas, se não me</p><p>engano.</p><p>Enfim, beleza, material vai estar disponível, o material que eu usei vai estar disponível,</p><p>beleza? Vou botar aqui meu número de novo, para quem não pegou: 21 995932227,</p><p>beleza?</p><p>Galera, vamos lá, assiste às aulas que eu botei lá no Comece Aqui, gente, tem simulado,</p><p>tá? A gente tem simulado, todo mês vai ter simulado, tem simulados temáticos,</p><p>simulados gerais, enfim, tem curso de informativo para vocês também, que a gente faz</p><p>de tempo em tempo. Este ano o curso de informativos vai ser de 3 em 3 meses, a cada</p><p>3 meses a gente faz umas aulas de informativos, então tem bastante coisa, tem a aula,</p><p>tem a transcrição da aula, tem o material da aula, mas não só, tem o curso de</p><p>informativos, tem simulados, então fica de olho aí, qualquer dúvida, manda para a</p><p>plataforma, beleza?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 77</p><p>Gente, eu já passei muito do meu horário, eu quero pedir desculpas por ter passado</p><p>tanto, um beijo para vocês, muito grande, e até a próxima aula, valeu, galera, tchau,</p><p>tchau.</p><p>CONCEPÇÕES DAS CONSTITUIÇÕES</p><p>Fala, meu povo, tranquilo? Como é que vocês estão? Estão vendo já minha tela aí? Como</p><p>é que está?</p><p>Tranquilo? Legal. Olha que interessante, galera. Hoje de manhã um amigo meu, que é</p><p>médico, infectologista.</p><p>Aí ele me mandou uma pergunta assim, "João, eu estou com uma dúvida aqui, que eu</p><p>acho que você vai ser a melhor pessoa para me responder. Qual é a ligação entre moral</p><p>e Direito, moral e lei na visão do Direito?" Nossa, imagina essa pergunta às oito horas</p><p>da manhã, um médico te fazendo uma pergunta dessa. Você faz o quê?</p><p>Você não sabe se você ri, se você chora por ele, porque você vai ter que falar sobre</p><p>algumas coisas, enfim. E eu acordei dessa maneira, qual é a conexão entre o Direito, ele</p><p>não falou Direito, ele falou entre a lei, entre a moral e a lei, aí tive que falar o que é</p><p>moral, falar que lei, que lei não é Direito, lei é um instrumento do Direito, a gente trocou</p><p>mensagens durante meia hora ali, tinha que ser infectologista, não sei o que significa,</p><p>Rodrigo, mas tudo bem, então estou falando isso porque eu já estou pensando no que</p><p>a gente vai falar na aula de hoje e eu sei que a gente vai terminar tocando alguns pontos</p><p>bem interessantes.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 78</p><p>Então, galera, vamos lá. Na aula passada nós falamos sobre Constitucionalismo,</p><p>Neoconstitucionalismo e alguns tipos de Constitucionalismo.</p><p>E falamos também sobre classificação das constituições, elementos das constituições. E</p><p>a gente vai entrar agora nas Concepções das Constituições. Hoje o nosso foco é falar</p><p>Concepções das Constituições, formação constitucional brasileira, ou seja, um breve</p><p>histórico das constituições brasileiras e depois falar de poder constituinte. Então tem</p><p>bastante assunto para nós falarmos hoje.</p><p>Então vamos em frente.</p><p>27 CONCEPÇÕES DA CONSTITUIÇÃO</p><p>Quando a gente fala em Concepções da Constituição, galera, a pergunta básica que a</p><p>gente tem que fazer é a seguinte. Na verdade, concepções procura responder uma</p><p>pergunta, que pergunta é essa? "O que é Constituição?" Então, quando você fala "o que</p><p>é a Constituição", a gente tem aqui perspectivas diferentes para olhar o fenômeno</p><p>chamado Constituição.</p><p>Então, se você disser que Constituição é uma lei superior, isso é uma forma de entender</p><p>a Constituição. Se você disser que a Constituição é um conjunto de valores morais, isso</p><p>é uma outra forma de entender a Constituição. Então, quando a gente fala em diversas</p><p>concepções, a gente está falando de formas diferentes de compreender o que é a</p><p>Constituição. De forma geral, existem três perguntas quando se fala de compreensão da</p><p>Constituição ou do fenômeno constitucional, que são as seguintes perguntas</p><p>importantes.</p><p>Primeiro, "interpretar o que", "quem interpreta", "interpretar como". Então, interpretar</p><p>o que? É a Constituição, mas o que é a Constituição? É a primeira pergunta. Interpretar</p><p>como? A gente fala dos métodos de interpretação que vai ser objeto de uma aula</p><p>específica, que é a chamada propriamente hermenêutica constitucional.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 79</p><p>Interpretar quem? O "quem interpreta". Então, nesse caso, a gente está falando do</p><p>intérprete constitucional e temos vários intérpretes constitucionais, beleza? Então,</p><p>concepção está dentro dessa primeira pergunta, "interpretar o quê"? E essa é a resposta</p><p>das Concepções.</p><p>Então, vamos lá. Deixa eu botar. Primeira Concepção, galera, é a Concepção Jurídica de</p><p>Hans Kelsen. Eu coloquei a famosa pirâmide que é atribuída a Kelsen, como se ele tivesse</p><p>pensado o ordenamento e a melhor representação gráfica desse ordenamento fosse</p><p>uma pirâmide, em que na parte de cima desse ordenamento jurídico nós teremos a</p><p>Constituição e acima da própria Constituição a norma hipotética fundamental ou</p><p>simplesmente norma fundamental.</p><p>A norma fundamental é o sentido lógico-jurídico de constituição, é uma norma</p><p>pressuposta, não é a norma posta, não é Direito posto, não é Direito positivado, é Direito</p><p>pressuposto, é norma pressuposta, é o fundamento último de validade desse</p><p>ordenamento normativo. A gente vai falar um pouco melhor sobre essa norma</p><p>fundamental já, já. Abaixo da norma fundamental, que tem um sentido lógico-jurídico</p><p>de Constituição, nós temos a Constituição positivada propriamente dita, que é o sentido</p><p>jurídico-positivo de Constituição. Então, aqui Constituição, nesse sentido jurídico-</p><p>positivo, é a lei fundamental do Estado.</p><p>Se eu não tiver muito tempo para desenvolver e se eu tivesse que resolver essa</p><p>Concepção Jurídica em uma única frase, eu terei que colocar o seguinte, "Constituição é</p><p>a lei superior e fundamental do Estado". Abaixo da Constituição, nós temos o</p><p>ordenamento normativo, todo o ordenamento normativo. Eu quero que você imagine</p><p>esse ordenamento normativo em uma espécie de escada, em que na escada você pode</p><p>verificar assim, pensa em uma escada, você tem o primeiro ato normativo chamado</p><p>portaria, depois você tem um decreto, depois você tem uma lei e depois você tem a</p><p>Constituição. Nesse meu exemplo aqui de quatro pontos, aqui o que a gente verifica é o</p><p>seguinte, portaria, decreto, lei e Constituição.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 80</p><p>Você verifica o seguinte, muito importante isso agora, qual é a validade da portaria? A</p><p>portaria é válida se ela estiver de acordo com o decreto. Qual é a validade do decreto?</p><p>O decreto é válido se estiver de acordo com a lei.</p><p>Qual é a validade da lei? A lei é válida se ela estiver de acordo com a Constituição. Ou</p><p>seja, cada norma busca o seu fundamento de validade na norma imediatamente</p><p>superior. A esse fenômeno a gente vai chamar de teoria escalonada ou escalonamento</p><p>do ordenamento normativo. É uma teoria escalonada ou escalonamento do</p><p>ordenamento normativo.</p><p>Tendo entendido isso, a gente parte para um outro ponto, que é o seguinte. Se o</p><p>fundamento de validade de uma norma é a norma imediatamente superior, a lógica que</p><p>está por trás disso é um entendimento próprio do positivismo, no sentido de que não</p><p>há uma conexão entre Direito e moral, ou seja, Direito e moral seriam campos de</p><p>conhecimento distintos, não caberia ao intérprete ou aplicador de uma norma fazer uma</p><p>valoração moral dessa norma. Quando eu falo valoração moral de uma norma, o que a</p><p>gente está falando, basicamente, é um juízo de valor</p><p>se a norma é boa ou se ela é má,</p><p>se ela é correta ou errada, se é certo ou errado, se é justo ou injusto. Então, quando</p><p>você diz que essa norma é injusta ou incorreta, não é a coisa certa a ser feita, a gente</p><p>está fazendo um juízo de valor moral sobre essa norma. Então, nesse caso de um juízo</p><p>moral sobre a norma, não caberia ao intérprete fazer esse tipo de valoração a ponto de</p><p>julgar moralmente a norma, cabe ao intérprete apenas aplicar a norma.</p><p>Então, galera, a lógica aqui é a seguinte, se há um comando normativo e esse comando</p><p>normativo é válido, o intérprete, o aplicador da norma, tem que simplesmente aplicá-</p><p>la. Então, você tem a portaria, no meu exemplo, ela é válida porque está de acordo com</p><p>um decreto, que é válido de acordo com a lei, que é válida de acordo com a Constituição.</p><p>Então, se essa cadeia de validade, se esse escalonamento de validade estiver atendido,</p><p>cabe ao intérprete, ao aplicador, simplesmente aplicar aquela portaria, aquele decreto,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 81</p><p>aquela lei. Ponto final. Não caberia ao intérprete fazer uma valoração moral sobre a</p><p>norma ou sobre o fato previsto naquela norma ou sobre qual norma vai incidir.</p><p>Então, essa perspectiva ou essa Concepção Jurídica é própria do positivismo, que vai</p><p>defender uma separação entre Direito e moral. O tema positivismo, que não é objeto da</p><p>nossa análise aqui, eu não estou focando em positivismo, isso está mais dentro de</p><p>Humanística, mas positivismo pode ser entendido de várias formas, a gente pode pensar</p><p>no positivismo como um método, o positivismo como uma ideologia, o positivismo</p><p>como uma reação ao jusnaturalismo, existem várias formas de enxergar e compreender</p><p>o positivismo e dentro do próprio positivismo existem variações ou linhas diferentes de</p><p>desdobramento dentro do positivismo. O que eu quero colocar como cerne aqui é</p><p>exatamente essa separação entre Direito e moral. Estou explicando tudo isso para</p><p>chegar aonde eu vou chegar agora.</p><p>Eu mostrei uma escada para vocês, portaria, decreto, lei, a lei e a Constituição. Você</p><p>olha para a Constituição e fala o seguinte, qual é o fundamento de validade da própria</p><p>Constituição? O fundamento de validade da própria Constituição seria uma norma</p><p>fundamental, que não é Direito posto, é Direito pressuposto, não é um Direito</p><p>positivado, é um Direito acima do Direito positivado. Quando eu falo Direito positivado,</p><p>é o Direito escrito, legislado, criado pelo legislador constituinte ou pelo legislador</p><p>ordinário, não importa, é o Direito legislado.</p><p>Então, acima da Constituição teria uma norma fundamental. Essa norma fundamental,</p><p>então, seria o ponto e o fundamento de validade da construção e, consequentemente,</p><p>todo o ordenamento normativo. E o que diz a norma fundamental?</p><p>Se eu fizer essa pergunta para você aqui, se você não conhece muito bem a matéria,</p><p>usando a lógica que a gente tem hoje dominante no Direito, talvez você caísse em uma</p><p>tentação de dizer que a norma fundamental seria a dignidade da pessoa humana, por</p><p>exemplo. Eu já fiz essa pergunta muitas vezes e muita gente responde que a norma</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 82</p><p>fundamental é a dignidade da pessoa humana. Só que a pessoa, quando responde isso,</p><p>está pensando na cabeça de hoje, e está errado.</p><p>Por que está errado? Porque se eu digo que a dignidade da pessoa humana é a norma</p><p>fundamental, isso significa que eu estou atribuindo à dignidade da pessoa humana um</p><p>valor maior a qualquer outra norma. Isso seria uma valoração, e, portanto, uma negativa</p><p>do próprio positivismo. Então, a norma fundamental tende a ser algum comando,</p><p>porque isso é próprio do Direito, tende a ser algum comando destituído de conteúdo</p><p>valorativo próprio, destituído de um conteúdo próprio.</p><p>Que comando seria esse? É uma ordem. Cumpra-se a Constituição. Então, cumpra-se a</p><p>Constituição.</p><p>O que foi acordado tem que ser cumprido, o que foi definido tem que ser cumprido.</p><p>Então, cumpra-se a Constituição. A Constituição diz A, tem que ser feito A. A lei está de</p><p>acordo com a Constituição, o decreto está de acordo com a lei A, então tem que ser</p><p>cumprido.</p><p>Beleza? Então, sintetizando, a Concepção Jurídica entende que a Constituição é a lei</p><p>fundamental do Estado. Dentro dessa concepção, a Constituição está no ápice do</p><p>ordenamento normativo que é o fundamento de validade de todo ordenamento</p><p>normativo. Porém, a própria Constituição retira a sua validade e a sua autoridade de</p><p>uma norma fundamental, que é Direito pressuposto, é uma norma pressuposta, cujo</p><p>conteúdo é apenas um comando de cumprimento.</p><p>Cumpra-se a Constituição, ou cumpra-se o Direito, cumpra-se a lei. Então, é isso. Ora, se</p><p>eu adoto uma perspectiva positivista e o Direito diz "faça A" e eu faço A, eu agi</p><p>corretamente. Se o Direito diz "não faça B" e eu não fiz B, eu agi corretamente, ponto.</p><p>Não importa se aquele comando A que o Direito colocou, que a norma colocou, é uma</p><p>coisa absurda, não importa. Se a norma diz e eu fiz, está tudo bem. Por que eu estou</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 83</p><p>falando isso? Exatamente porque o ápice do positivismo foi na primeira metade do</p><p>século XX e essa argumentação foi usada pelos nazistas que foram levados a julgamento</p><p>no Tribunal de Nuremberg. Inclusive vem dali uma seguinte frase, "ordens são ordens".</p><p>O que significa isso? Ordens são ordens, então se há uma ordem, eu tenho que cumprir</p><p>essa ordem e ponto final. E fazendo essa reconstrução de que ordens são ordens, você</p><p>chega até o próprio Direito, a própria norma, que terminou validando em termos legais</p><p>toda a prática que os nazistas fizeram. E naquele momento histórico, a gente chegou à</p><p>seguinte conclusão, "calma aí, se o Direito positivado não foi violado, alguma coisa além</p><p>do Direito foi violada”. Nesse caso, há uma reabertura do Direito para a moral. A</p><p>Segunda Guerra Mundial representou ao mesmo tempo o ápice do positivismo e o</p><p>declínio do positivismo.</p><p>É a partir desse contexto que a gente chega no que é chamado de pós-positivismo, e o</p><p>pós-positivismo é o marco filosófico que dá sustentação ao neoconstitucionalismo. Está</p><p>aí a Concepção Jurídica dentro dessa perspectiva positivista. Vamos lá.</p><p>27.1 CONCEPÇÃO POLÍTICA</p><p>Concepção de Carl Schmitt, que entende que a Constituição é fruto de uma decisão de</p><p>um poder constituinte. Essa Concepção Política entende que a Constituição é o conjunto</p><p>das decisões políticas fundamentais. Então, essa Concepção Política vai entender que a</p><p>Constituição é o conjunto das decisões políticas fundamentais, olha aqui essa parte aqui,</p><p>ok? Então, o que é a Constituição? A Constituição é o conjunto das decisões políticas</p><p>fundamentais.</p><p>Isso nós vamos chamar de Constituição Material. São três os temas que as decisões</p><p>políticas fundamentais envolvem. É a organização do Estado, a organização dos poderes</p><p>e os direitos fundamentais. Quando eu falo organização do Estado, por exemplo, vamos</p><p>olhar para a Constituição Brasileira.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 84</p><p>Dizer que, por exemplo, nós somos uma república, uma federação, nós não somos uma</p><p>monarquia, nós não somos parlamentaristas, somos presidencialistas, isso é</p><p>organização do Estado. Falar que nós temos três poderes, são autônomos,</p><p>independentes entre si, Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, isso é organização dos</p><p>poderes. Direitos fundamentais, pronto, você já sabe o que é. Então, são três os temas</p><p>principais que compreendem as decisões políticas fundamentais.</p><p>Agora, pode ser que no texto constitucional a gente encontre outras normas que não</p><p>são decisões políticas fundamentais e, portanto, essas outras normas nós vamos chamar</p><p>de Lei Constitucional ou Constituição Formal. Se eu tiver que diferenciar qual é a</p><p>diferença entre Constituição Material e Constituição Formal, a diferença é que</p><p>Constituição Material é o conjunto das decisões políticas fundamentais que</p><p>compreendem a organização do Estado, dos poderes e dos direitos fundamentais. E a</p><p>Constituição Formal são todos os outros dispositivos do texto constitucional. E aí, nesse</p><p>caso, eu posso ter uma norma que estaria aqui no meio do caminho. É uma norma que</p><p>seria tanto... Estaria exatamente aqui.</p><p>Ela seria tanto uma norma de organização de Estado ou de organização de poder, ou</p><p>seja, seria uma norma materialmente constitucional, e também uma norma</p><p>formalmente constitucional. Então, por exemplo, quando a nossa condição de lá, no</p><p>artigo segundo, que são poderes independentes e harmônicos entre o poder legislativo,</p><p>o poder executivo e o poder judiciário, nós temos ali um texto da Constituição, portanto</p><p>uma norma formal, mas também temos ali uma decisão política fundamental, portanto,</p><p>é uma norma material, uma norma formalmente constitucional e materialmente</p><p>constitucional. Agora, vou dar o exemplo clássico que você já ouviu, a norma do Colégio</p><p>Pedro II, é uma norma apenas formalmente constitucional. Então, essa é a visão de Carl</p><p>Schmitt, que a Constituição é resultado de uma decisão do poder constituinte e a</p><p>Constituição Material é o conjunto das decisões políticas fundamentais.</p><p>27.2 CONCEPÇÃO SOCIOLÓGICA</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 85</p><p>Concepção Sociológica, a Concepção de Lassalle, vai entender que a Constituição é a</p><p>soma dos fatores reais de poder.</p><p>Está exatamente aqui a definição da essência da Constituição para Lassalle, é a</p><p>Constituição Real, é a soma dos fatores reais de poder. E o que é essa soma dos fatores</p><p>reais de poder? Está aqui embaixo. É o conjunto de forças políticas, sociais e econômicas</p><p>que estabelece uma realidade.</p><p>Ou, em termos mais simples ainda, é a vida como ela é, é a sociedade como de fato ela</p><p>é, é a organização política como de fato ela é. Então, a Constituição Escrita, que é</p><p>chamada Constituição Jurídica, é uma mera folha de papel. Qual o dever da Constituição</p><p>Escrita? Está aqui. É converter os fatores reais de poder, ou seja, esses fatores reais de</p><p>poder aqui, converter os fatores reais de poder em instituições jurídicas, ou seja, o papel</p><p>da Constituição Escrita, a função da Constituição Escrita é transformar a realidade como</p><p>de fato ela é, a realidade social e política como de fato ela é, em um registro escrito, um</p><p>registro escrito no papel, que é a Constituição. E se a Constituição Escrita não refletir a</p><p>realidade como ela é?</p><p>A gente vai dizer que a Constituição é mera folha de papel, não tem maior valor. Por isso</p><p>que a gente vai chamar de Concepção Sociológica, porque está olhando para a realidade</p><p>social e política como, de fato, ela é. Então, Concepção Sociológica, a gente já entendeu.</p><p>27.3 CONCEPÇÃO CONCRETISTA OU CONCRETIZADORA</p><p>Próxima Concepção, Concepção Concretista ou Concretizadora ou Hermenêutico-</p><p>Concretizadora.</p><p>Essa concepção de Konrad Hesse, também chamada de Concepção Normativa ou</p><p>Concepção da Força Normativa, ou Concretista, Concretizadora e por aí vai. Preste</p><p>atenção agora, a Concepção Jurídica de Kelsen vai olhar para a condição apenas como</p><p>sendo uma norma. A Concepção Sociológica de Lassalle vai olhar para a condição como</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 86</p><p>se fosse apenas um fato, ok? Então, a condição é norma, só norma, perspectiva só</p><p>normativa, é a Concepção Jurídica de Kelsen.</p><p>A condição é a realidade apenas, é a Concepção de Lassalle, ok? Agora, o que Konrad</p><p>Hesse vai fazer é entender o seguinte, "calma aí, existe uma comunicação entre norma</p><p>e fato". Então, pensa aqui, galera, é como se eu tivesse um movimento cíclico. Eu parto</p><p>da norma para o fato e parto do fato para a norma. Então, a esse fenômeno, norma-</p><p>fato, fato-norma, a gente vai chamar de círculo hermenêutico.</p><p>Então, está aqui a norma, está aqui o fato. Está meio esquisito porque eu estou fazendo</p><p>no mouse. Então, eu venho da norma para o fato, ou seja, para entender a realidade eu</p><p>parto da norma, mas eu não entendo, eu não consigo compreender a norma sem o fato.</p><p>Então, existe uma comunicação norma-fato-fato-norma, é o chamado círculo</p><p>hermenêutico.</p><p>Tá bom? Beleza? Então, essa é a Concepção. Quando eu for falar sobre os métodos de</p><p>interpretação, a gente vai voltar a falar sobre ele nessa Concepção Hermenêutica</p><p>Concretizadora.</p><p>Beleza? Peguei aqui o trecho de um julgado que diz o seguinte:</p><p>Hoje não há como negar a “comunicação entre norma e</p><p>fato”, que, como ressaltado, constitui condição da própria interpretação</p><p>constitucional. É que o processo de conhecimento aqui envolve a</p><p>investigação integrada de elementos fáticos e jurídicos. (ADI 2548/PR, Rel</p><p>Ministro Gilmar Mendes)</p><p>Então, vamos dar um exemplo aqui, quando olhamos para o princípio da igualdade, a</p><p>gente verifica, por exemplo, que há coisas que para a mulher deve ser de um jeito, para</p><p>o homem de outro jeito. Por quê?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 87</p><p>Porque existem diferenças fisiológicas, existem diferenças em como o homem e a</p><p>mulher foram tratados historicamente, ou seja, existem situações da vida real, ou seja,</p><p>do mundo dos fatos, que influenciam a forma como a gente compreende um princípio</p><p>jurídico, essa é a Concepção Concretizadora de Konrad Hesse.</p><p>27.4 CONCEPÇÃO AXIOLÓGICA/TEORIA SUBSTANTIVA</p><p>Concepção Axiológica ou Teoria Substantiva da Constituição, a gente vai usar como uma</p><p>das referências para isso, Ronald Dworkin, em que ele entendia que a Constituição é um</p><p>sistema objetivo de valores. Então, vamos dissecar isso aqui. Quando eu falo sistema,</p><p>todo sistema é um conjunto de diversos elementos.</p><p>Então, um sistema tem várias coisas dentro</p><p>dele. É um sistema de quê? De valores. Só</p><p>que esses valores são objetivos e não subjetivos, então não são valores subjetivos, ou</p><p>seja, do sujeito que fez a função ou dos constituintes, não são valores subjetivos do</p><p>intérprete, são valores objetivos.</p><p>Então, como eu consigo compreender objetivamente os valores da Constituição? Estes</p><p>valores são revelados através dos princípios, então os princípios são a revelação desses</p><p>valores morais. Logo, a interpretação deve se dar por argumentos de princípios. E esse</p><p>argumento de princípios nos leva a uma leitura moral da Constituição. O que é uma</p><p>leitura moral da Constituição?</p><p>A leitura moral da Constituição é olhar para a Constituição pela ótica moral, então eu</p><p>vou analisar se aquilo é certo ou não, se é justo ou injusto, então quando eu falo de</p><p>valores morais, eu estou falando de valores de justiça, valores de ética, valores da</p><p>moralidade, moralidade essa que é uma moralidade racional, moralidade crítica. Não é</p><p>uma moralidade, por exemplo, subjetiva ou uma moralidade religiosa. É uma</p><p>moralidade que é racionalmente justificada. Então, quando eu falo moralidade crítica,</p><p>entenda esse termo crítico aqui de crítica aqui, não no sentido de que alguém está</p><p>criticando alguém, mas no sentido de que é uma moralidade que se justifica</p><p>racionalmente, tá tranquilo galera, beleza?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 88</p><p>Então, a leitura moral da Constituição é olhar para a condição pela ótica, pelos óculos</p><p>da moral, e aí eu posso falar em valores morais ou valores substantivos.</p><p>27.5 TEORIA DA CONSTITUIÇÃO DIRIGENTE</p><p>A Teoria da Constituição Dirigente entende a Constituição como mecanismo de</p><p>dirigismo, no sentido de direção estatal com fins de transformação social e</p><p>implementação de políticas públicas na ordem socioeconômica. Nós temos aqui alguns</p><p>nomes para isso, mas um dos principais nomes é Canotilho. Canotilho tinha lá um livro</p><p>bem tradicional, foi escrito no início dos anos 80, que é sobre a Constituição Dirigente.</p><p>É uma teoria que, em muitos aspectos, já está um pouco ultrapassada, mas não deixa</p><p>de ter o seu valor histórico e até as suas mudanças. A teoria original já foi mudando em</p><p>várias outras formas, mas, no geral, a essência da teoria da Constituição Dirigente é</p><p>compreender que a Constituição tem uma função de direção do Estado. Se é direção,</p><p>toda direção tem um objetivo, um lugar a alcançar. Eu estou em um movimento no</p><p>sentido de alcançar algum ponto. O que é isso?</p><p>Normalmente esse ponto lá na frente são desenvolvimentos ou alcançar objetivos de</p><p>cunho social. Então tem muito essa perspectiva socioeconômica, por exemplo,</p><p>promover a igualdade, levar a educação, moradia, saúde, lazer, tudo isso são objetivos</p><p>de conteúdo socioeconômica a serem alcançados. É dentro dessa Constituição Dirigente</p><p>que surgem as normas chamadas programáticas. Constituição como um processo</p><p>público entende, então, que a Constituição é resultado temporário historicamente</p><p>condicionado de um processo de interpretação conduzido à luz da publicidade.</p><p>Constituição é resultado da interpretação social conforme o contexto histórico. Essa</p><p>concepção é bem interessante e eu quero que você preste atenção no que eu vou falar.</p><p>Deixa eu tentar falar de uma forma bem simples, até quase simplória. Se você pensar na</p><p>condição como o livro físico, que tem o texto constitucional, se você pega esse texto</p><p>constitucional e coloca em cima do armário e nunca mais abre, ele não é nada, o texto</p><p>pelo texto não é nada, o texto só é alguma coisa quando ele é interpretado.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 89</p><p>E quando essa interpretação traz o sentido, extrai do texto um sentido e traz isso para a</p><p>vida real, então, esse fenômeno, esse movimento de você pegar um texto, extrair desse</p><p>texto ou atribuir a esse texto um determinado sentido e trazer isso para a realidade é o</p><p>fenômeno hermenêutico, é a própria interpretação. Então, a Constituição é a</p><p>interpretação dela própria, parece estranho, mas ela é a sua interpretação, a</p><p>Constituição tem um sentido que foi dado a ela, que é a interpretação. Por isso que a</p><p>gente diz que a Constituição é resultado temporário historicamente condicionado. Toma</p><p>aí, por que temporário e historicamente condicionado?</p><p>Porque hoje, em 2024, se nós olharmos para a Constituição para procurar entendê-la,</p><p>nós vamos atribuir sentidos que, há 50 anos atrás, a gente não ia pensar, ou talvez daqui</p><p>a 100 anos vão ter sentidos que a gente sequer hoje imagina. Então, veja só, quando o</p><p>Código Penal foi feito na década de 40 e usava o termo mulher honesta. Gente, eu</p><p>cheguei para os meus filhos, eu tenho um casal de filhos, meu filho vai fazer 18 anos</p><p>agora, daqui a duas semanas, minha filha vai fazer 20 anos daqui a um mês. Então, estou</p><p>ali 18 e 20 anos.</p><p>Cheguei para os meus filhos, não tem muito tempo, já tem um tempo, mas não muito</p><p>tempo, e cheguei para isso assim. O que vocês acham que significa a expressão mulher</p><p>honesta? Os dois tranquilo e calmamente falaram que mulher honesta é uma mulher</p><p>íntegra, é uma pessoa que não é corrupta, que faz as coisas corretamente, que não</p><p>rouba, que não faz nada e não toma o que é seu, definiram a ideia de honestidade. E aí</p><p>eu comentei com eles que nos anos 40 a ideia de mulher honesta tinha a ver com a</p><p>conduta sexual dela.</p><p>Então, se uma mulher tivesse uma conduta sexual mais fechada, mais reservada, mulher</p><p>honesta. Se ela não tivesse essa conduta mais reservada, não era, mulher não honesta.</p><p>Ele olhava, mas que loucura, né? Então, o termo "mulher honesta" hoje tem um sentido</p><p>completamente dissociado do que tinha 80 anos atrás, 60, 50, 100 anos atrás.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 90</p><p>Então, quando a gente fala que a Constituição é resultado temporário, historicamente</p><p>condicionado, é porque você vai ter os intérpretes dando à Constituição um sentido, e</p><p>eles são fruto daquele momento histórico. Tranquilo? E esse processo de interpretação</p><p>deve ser feito de forma pública. Por isso que Peter Häberle vai defender a ideia de uma</p><p>sociedade aberta de intérpretes, ou seja, os intérpretes da condição não são só e apenas</p><p>aqueles intérpretes formais, o juiz, o legislador e o administrador, mas toda a sociedade</p><p>compõe os intérpretes da condição, a sociedade aberta de intérpretes, beleza?</p><p>Tranquilo?</p><p>Então, vamos lá. Perguntaram aqui, "o artigo terceiro da condição é uma norma</p><p>programática?" Sim, em muitos sentidos, sim.</p><p>Ana Luísa: "nem precisamos de tanto tempo para ver as diferenças de valores. Sou 10</p><p>anos mais velha que as minhas irmãs e já sinto que muita coisa mudou". É verdade. Eu</p><p>dei o exemplo da década de 40 para ficar muito evidente, mas da minha geração para</p><p>os meus filhos já tem muita diferença.</p><p>10 anos já tem muita diferença hoje em dia, até porque as transformações sociais têm</p><p>uma aceleração muito grande. Eu hoje já ouço a minha filha de 20 anos de idade, olha</p><p>isso,</p><p>virar para mim e falar assim, "Na minha época não tinha celular". Olha isso, ela tem</p><p>20 anos de idade, gente, mas a infância dela, o celular não era o que é hoje. E ela passou</p><p>boa parte da infância dela sem celular, então ela viveu uma infância de rua, de descer e</p><p>ficar brincando o dia inteiro.</p><p>Tinha aula e brincava, então foi outra infância, hoje em dia as crianças ficam ali no</p><p>celular. Enfim, outra realidade.</p><p>"A mutação constitucional tem base na Concepção Normativa de Hesse?" Calma,</p><p>Glauber, eu vou falar sobre mutação constitucional quando a gente for falar sobre poder</p><p>constituinte difuso, deixa para aquele momento lá, beleza?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 91</p><p>28 QUESTÃO DE CONCURSO</p><p>Vamos lá. Então, questão aqui, pessoal. Essa questão eu vou ler e você vai me dizer, você</p><p>vai anotar aí qual é a resposta dessa questão.</p><p>Questão aqui de Procurador do Tribunal de Contas de Goiás. MP de Contas é Ministério</p><p>Público, de Contas é o Ministério Público que atua junto ao Tribunal de Contas, está</p><p>bom? Então, vamos lá.</p><p>MP de Contas - GO</p><p>É necessário falar da Constituição como uma unidade e</p><p>conservar, entretanto, um sentido absoluto de Constituição. Ao mesmo</p><p>tempo, é preciso não desconhecer a relatividade das distintas leis</p><p>constitucionais. A distinção entre Constituição e lei constitucional só é</p><p>possível, sem dúvida, porque a essência da Constituição não está contida</p><p>numa lei ou numa norma. No fundo de toda a normatividade reside uma</p><p>decisão política do titular do poder constituinte, ou seja, do povo na</p><p>democracia e do monarca na monarquia autêntica.</p><p>Apesar de eu não ter falado alguns detalhes que estão nesse texto aqui, dá para a gente</p><p>responder com base no que eu expliquei. Então, qual é?</p><p>a) Karl Loewenstein</p><p>b) Carl Schmitt</p><p>c) Konrad Hesse</p><p>d) Peter Häberle</p><p>e) Ferdinand Lassalle</p><p>E aí, galera, anota, daqui a pouco a gente fala sobre isso.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 92</p><p>O Cássio botou aqui uma pergunta, deixa eu ler. O Cássio está fazendo um comentário</p><p>aqui, que o Guilherme Nucci, quando escreve um texto sobre dignidade sexual, cita</p><p>Nelson Hungria, que é old school, falecido, Nelson Hungria, e aí ele fala que chega a ser</p><p>engraçado ler o texto daquela época, a forma como de fazer uma referência à ideia de</p><p>mulher honesta.</p><p>Anotou a anterior? Vamos para a próxima.</p><p>VUNESP / TJ-MS – Juiz de Direito</p><p>Considerando os diferentes conceitos de Constituição,</p><p>abordados sob a ótica peculiar de diversos doutrinadores, analise as</p><p>seguintes manifestações sobre o tema:</p><p>I. Constituição é a soma dos fatores reais de poder que</p><p>regem uma determinada nação.</p><p>II. Constituição é a decisão política fundamental sem a qual</p><p>não se organiza ou funda um Estado.</p><p>Assim, é correto afirmar que os conceitos I e II podem ser</p><p>atribuídos, respectivamente, a</p><p>a) Ferdinand Lassale e Hans Kelsen.</p><p>b) Hans Kelsen e Konrad Hesse.</p><p>c) Konrad Hesse e Carl Schimitt.</p><p>d) Ferdinand Lassale e Carl Schimitt.</p><p>e) J.J. Canotilho e Hans Kelsen.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 93</p><p>E aí, qual das letras? Nessa aqui eu peguei só a alternativa que interessava.</p><p>PGE-PA / Procurador do Estado</p><p>e) em relação à força normativa da Constituição, Konrad</p><p>Hesse esclarece que a Constituição real e Constituição jurídica estão em</p><p>uma relação de coordenação. Elas condicionam-se mutuamente, mas não</p><p>dependem, pura e simplesmente, uma da outra. Ainda que não de forma</p><p>absoluta, a Constituição jurídica tem significado próprio. Sua pretensão</p><p>de eficácia apresenta-se como elemento autônomo no campo de forças</p><p>do qual resulta a realidade do Estado. A Constituição adquire força</p><p>normativa na medida em que logra realizar essa pretensão de eficácia.</p><p>Condição real, fato, Constituição jurídica, norma.</p><p>Está aí a resposta. No MP de contas, a letra B de bola, então, Carl Schmitt.</p><p>Aqui foi Ferdinand Lassale e Carl Schimitt.</p><p>E aqui está correto quando ele fala de norma ou Constituição Real, Constituição Jurídica,</p><p>fato. Lembra que eu falei que se fosse só fato seria aquela ideia de Constituição Real de</p><p>Ferdinand Lassale, se fosse só norma seria aquela Concepção Jurídica de Kelsen, na</p><p>verdade ele coloca ali uma relação, eu não usei esse termo, "relação de coordenação",</p><p>eu usei o termo "uma relação de comunicação entre uma coisa e outra", beleza? Vamos</p><p>lá.</p><p>Mas é aquilo que eu falei, no método hermenêutico concretizador, lá em hermenêutica,</p><p>eu vou voltar esse assunto e lá a gente vai aprofundar um pouco mais.</p><p>29 RESUMO DO TEMA</p><p>Então, no resumo, Concepção Jurídica, Constituição como lei fundamental do Estado,</p><p>Concepção Política, Constituição como conjunto de decisões políticas fundamentais,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 94</p><p>Concepção Sociológica, Constituição como a soma de fatores reais de poder, Concepção</p><p>Concretista, Constituição como ordem jurídica fundamental, material aberto e</p><p>determinado à Constituição, Concepção Axiológica, Constituição como ordem objetiva</p><p>de valores.</p><p>Desculpa, Mariane, foi rápido demais, é por causa do nosso tempo, mas, de qualquer</p><p>forma, o material está disponível para vocês e depois vocês podem olhar com mais</p><p>calma, está bom, querida?</p><p>FORMAÇÃO CONSTITUCIONAL DO BRASIL</p><p>30. FORMAÇÃO CONSTITUCIONAL DO BRASIL</p><p>Formação Constitucional do Brasil, aqui a gente vai falar uma breve história das</p><p>constituições no Brasil. Galera, basicamente nós temos essas constituições aqui. A gente</p><p>pode falar em sete ou oito constituições, vou explicar o porquê.</p><p>30.1. CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DO BRAZIL (DE 25 DE MARÇO DE 1824)</p><p>A primeira é a Constituição Política do Império do Brazil, está escrito desse jeito, com Z,</p><p>porque era a redação da época, era a grafia própria daquela época. Aqui eu vou fazer</p><p>comentários rápidos, esse tema da aula não é um tema muito longo, a gente vai fazer</p><p>comentários sobre as principais características de cada constituição. A Constituição</p><p>Política do Império do Brazil é uma constituição outorgada, foi imposta pelo imperador,</p><p>a gente está falando de Dom Pedro I. A forma como a Constituição foi elaborada,</p><p>primeiro tinha uma Assembleia Constituinte para elaborar, só que o texto da</p><p>Constituição ou do projeto de Constituição estava sendo um pouco contrário aos</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA</p><p>AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 95</p><p>interesses de Dom Pedro I, ele dissolve, compõe um novo conselho que vai elaborar a</p><p>Constituição nos moldes que ele queria.</p><p>A gente tem uma Constituição que tem um conteúdo mais liberal para aquela época,</p><p>com uma influência francesa, liberal nesse sentido, estamos falando do início do século</p><p>XIX, liberal no sentido de proteger as liberdades individuais, mas com uma característica</p><p>de salvar para o imperador muitos poderes. O modelo do Estado adotado é um Estado</p><p>Unitário, hoje a gente é uma federação, na época era um Estado Unitário, era uma</p><p>monarquia que, em um primeiro momento, tinha uma característica mais centralizadora</p><p>no imperador, por isso inclusive foi adotada a tese de Benjamin Constant, que era a tese</p><p>dos quatro poderes, onde você teria o Poder Executivo, Legislativo, Judiciário e um</p><p>quarto poder que faria uma moderação, um equilíbrio entre os outros três poderes,</p><p>chamado de Poder Moderador, e então o Poder Moderador era exercido pelo próprio</p><p>imperador. E o imperador prevalecia naquela época a tese do "The King Can Do No</p><p>Wrong", que é a da irresponsabilidade política do rei. O rei não erra, o rei não pode ser</p><p>responsabilizado.</p><p>Em uma visão geral, monarquia, quatro poderes, a figura do Poder Moderador, Estado</p><p>Unitário, um grau de centralização grande no imperador, uma condição outorgada, ou</p><p>seja, uma condição imposta, e a influência era francesa. A gente vai começar, o controle</p><p>de constitucionalidade vai ser o próximo módulo, mas lá eu volto a falar do histórico na</p><p>perspectiva do controle, mas basicamente a condição de 1824 não tinha nenhum</p><p>mecanismo de controle de constitucionalidade.</p><p>30.2. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 24 DE FEVEREIRO DE</p><p>1891)</p><p>Aí nós temos a Constituição de 1891. Veja que interessante, galera, a Constituição de</p><p>1824 é a Constituição mais longa da nossa história, pelo menos até agora.</p><p>Então é a Constituição mais longa da nossa história, em 1891 temos a Constituição da</p><p>República dos Estados Unidos do Brasil. Então vamos lá, qual é o contexto histórico? A</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 96</p><p>gente teve dois anos antes, mais ou menos, em 1889, nós tivemos a Proclamação da</p><p>República, e juntamente com a Proclamação da República, a instituição da federação,</p><p>tanto é que, por exemplo, o tribunal máximo do nosso estado brasileiro, no império, era</p><p>o Supremo Tribunal de Justiça, que não tem nada a ver com o Superior Tribunal de</p><p>Justiça de hoje. O Supremo Tribunal de Justiça da época, com a Proclamação da</p><p>República, com a federação, passa a ser chamado Supremo Tribunal Federal, é a partir</p><p>daí que passa a ter esse nome, Supremo Tribunal Federal.</p><p>É feito um decreto na Proclamação da República, para muitos esse decreto tem uma</p><p>natureza constitucional, apesar de ser um decreto, ele teria uma força constitucional,</p><p>porque ele muda questões constitucionais importantes, como a República e como a</p><p>federação, mas, na verdade, ele preparou o caminho para a Constituição de 1891. Ela é</p><p>uma Constituição considerada promulgada, uma Constituição democrática, nós temos a</p><p>mudança de monarquia para a República, de um Estado Unitário para uma federação,</p><p>nós temos a adoção de um modelo presidencialista, que não era o óbvio, o óbvio para a</p><p>história brasileira seria, naquele momento, adotar mais um parlamentarismo do que um</p><p>presidencialista. Por que eu explico isso? Porque, no período do Império, quando a</p><p>gente tem ali, no período do Império, Dom Pedro I, tem o período da Regência e depois</p><p>tem Dom Pedro II.</p><p>Dom Pedro II, que era um cara muito inteligente, muito culto, um intelectual, ele era</p><p>mais um acadêmico, tinha mais um perfil acadêmico do que, propriamente, o perfil de</p><p>um monarca. Tanto é que ele atuava como árbitro em várias questões internacionais,</p><p>era um cara, realmente, muito acima da média e até muito à frente do seu próprio</p><p>tempo, no seu pensamento. Dom Pedro I adota uma prática parlamentarista, é o</p><p>chamado parlamentarismo às avessas no Brasil, estou falando no período do Império</p><p>ainda. Por que o parlamentarismo às avessas?</p><p>Porque, normalmente, o parlamentarismo é assim, o Parlamento escolhe um gabinete</p><p>de ministros e o primeiro-ministro. No nosso modelo era chamado parlamentarismo às</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 97</p><p>avessas porque era o imperador que escolhia o primeiro-ministro e, consequentemente,</p><p>o gabinete. Então, era um parlamentarismo às avessas, todo cheio de adaptação para a</p><p>realidade brasileira, mas não deixa de ser uma prática parlamentarista. Por exemplo, eu</p><p>já vi ser cobrado em prova.</p><p>No Brasil, nós já tivemos períodos parlamentaristas? Já tivemos dois períodos, um foi</p><p>esse e o outro eu vou falar mais adiante. Naquele momento que a República é</p><p>promulgada, a gente vem a reboque, depois da promulgação da República com a</p><p>Constituição de 1891, a gente dá três mudanças profundas. A primeira é a própria</p><p>República, sai de monarquia para a República. A segunda é que sai de um estado unitário</p><p>para um estado federado, para uma federação.</p><p>E a terceira mudança profunda, sai de um modelo parlamentarista, na prática de uma</p><p>prática parlamentarista, para o modelo de presidencialismo. Tudo isso muito por força</p><p>da influência dos Estados Unidos, influência essa que fica até evidente no próprio nome,</p><p>República dos Estados Unidos do Brasil. E essa ideia de Estados Unidos é forte por quê?</p><p>Óbvio que tem influência dos Estados Unidos da América, mas por quê? Porque lá é uma</p><p>federação, a gente passa a ser uma federação, lá é uma república, a gente vira república,</p><p>lá é presidencialismo, a gente vira presidencialismo, lá tinha controle de</p><p>constitucionalidade, a gente adota, é a partir da Constituição de 1891 que a gente</p><p>começa a adotar o controle de constitucionalidade igual os Estados Unidos, controle</p><p>difuso e concreto, vou falar isso lá em controle, mas é a partir desse momento,</p><p>tranquilo?</p><p>30.3. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 16 DE JULHO DE</p><p>1934)</p><p>A Constituição da República de 1934 também é uma Constituição promulgada, também</p><p>é uma Constituição considerada popular, democrática, ela é fruto dos anseios da</p><p>sociedade da época, muito como resposta à Política do Café com Leite, você deve</p><p>lembrar, a chamada República Velha, Política do Café com Leite, que você tinha ali uma</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 98</p><p>alternância de poder entre Minas e São Paulo, ora um presidente São Paulo, café, e ora</p><p>um presidente de Minas, o leite, então Política do Café com Leite, São Paulo e Minas.</p><p>Então nós tivemos ali na década de 1930, início dos anos 30, uma revolução</p><p>constitucionalista, um anseio pela nova Constituição, é feita essa nova Constituição em</p><p>1934, Vargas chega ao poder, mas essa Constituição, apesar de ter vários avanços,</p><p>alguns deles no controle de constitucionalidade que</p><p>vamos detalhar em um momento</p><p>oportuno, apesar disso ela dura muito pouco tempo, porque em 1937 ela é substituída</p><p>por uma nova Constituição.</p><p>30.4. CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 10 DE NOVEMBRO DE</p><p>1937)</p><p>E essa nova Constituição é uma Constituição outorgada, que é uma Constituição de</p><p>Vargas, é chamada de Constituição Polaca, por causa da influência da Constituição</p><p>Polonesa, Constituição Polonesa essa que tinha um caráter ditatorial e fascista, e Vargas</p><p>tinha algumas características mais próprias para o fascismo do que qualquer outra coisa,</p><p>enfim, Vargas fica no poder durante muitos anos.</p><p>30.5. CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 18 DE SETEMBRO DE</p><p>1946)</p><p>Até que em 1946 a gente tem uma nova Constituição que representa a</p><p>redemocratização do país, nós temos a queda do Estado Novo, a queda de Vargas e com</p><p>essa queda vem a Constituição do Brasil, foi nesse período, inclusive, teve um período</p><p>de alguns meses que o Brasil foi presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal,</p><p>José Linhares, teve um período desse sentido, enfim, mas sem a curiosidade, isso não</p><p>vai cair na prova não. Então, a Constituição de 1946 representa a redemocratização do</p><p>país.</p><p>Em 1964 a gente sabe que nós tivemos aquele movimento militar de tomada do poder,</p><p>que a grande maioria vai qualificar esse movimento como movimento de golpe, então</p><p>chama de Golpe Militar de 1964, a grande maioria, o termo, a expressão, como todo o</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 99</p><p>movimento é conhecido é de Golpe Militar de 1964, uma minoria entende que não foi</p><p>golpe, uma minoria entende que foi uma revolução e a diferença básica de golpe e</p><p>revolução, tanto o golpe quanto a revolução são movimentos contrários ao direito</p><p>estabelecido, tanto a revolução quanto o golpe são movimentos de tomada do poder, a</p><p>diferença da revolução e do golpe é a legitimidade popular, a revolução tem uma</p><p>legitimidade popular enquanto o golpe não tem apoio popular. E por que alguns, uma</p><p>minoria, mas por que essa minoria entende que 1964 não foi um golpe, mas foi uma</p><p>revolução? Porque a sociedade brasileira vinha muito dividida, lembra que estamos</p><p>falando do ápice da Guerra Fria, o mundo bipolarizado, você tem ali o bloco socialista, o</p><p>bloco capitalista, União Soviética de um lado, Estados Unidos de outro lado, as tensões</p><p>próprias da Guerra Fria, temos uma sociedade que está dividida nesse sentido e o</p><p>presidente João Goulart exerce um período de governo conturbado, por quê?</p><p>Porque foi assim, preste atenção, em 1961, Jânio Quadros é eleito presidente da</p><p>República, João Goulart é vice-presidente, Jânio Quadros renuncia rapidamente,</p><p>alegando que ele estava sofrendo a pressão de forças ocultas, enfim, e aí ele renuncia,</p><p>João Goulart assume, João Goulart estava em uma viagem para a China, China</p><p>comunista, e aí isso deixou todo mundo aqui de cabelo em pé. O que o Parlamento fez,</p><p>o que o Congresso Nacional fez? O Congresso Nacional fez uma mudança, alterando a</p><p>nossa política de presidencialismo para o parlamentarismo, estou falando ali de 1962</p><p>para 1963, um período que durou mais ou menos um ano e meio, não chegou a ser dois</p><p>anos, então o parlamentarismo é instituído no Brasil naquele momento com a finalidade</p><p>prática de esvaziar o poder do presidente da República, que é João Goulart. Até que é</p><p>feito um plebiscito, nesse plebiscito o povo é chamado para escolher entre</p><p>presidencialismo e parlamentarismo, e o povo escolheu, com ampla maioria, escolheu</p><p>o presidencialismo, então é restaurado o presidencialismo no Brasil, mas a essa altura,</p><p>se já havia uma rachadura entre o Legislativo e o presidente da República, essa</p><p>rachadura ficou ainda maior, o Brasil ficou ingovernável praticamente. Some a isso o</p><p>fato de que, de um lado, você tem um presidente que é mais à esquerda, mais ligado ao</p><p>socialismo, uma parcela do funcionalismo público aderindo a essa linha de pensamento,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 100</p><p>por outro lado, você tem os três principais governadores do país, que eram Rio, São</p><p>Paulo e Minas, todos os três mais de direita, à época a polícia militar tinha armamento</p><p>próprio das forças armadas federais, digamos assim, então havia uma tensão muito</p><p>grande, inclusive uma certa ameaça no ar de uma guerra civil, de um conflito armado</p><p>interno, João Goulart no Rio de Janeiro, porque Rio de Janeiro até pouco tempo antes</p><p>tinha sido a capital federal, então o Rio de Janeiro sempre foi muito politizado nesse</p><p>sentido, então João Goulart faz uma passeata no Rio de Janeiro com milhares de pessoas</p><p>a favor do governo federal, e pouco tempo depois é feita uma outra passeata lá em São</p><p>Paulo contra o governo, uma passeata ainda maior contra o governo, então diante de</p><p>todo esse caos político que o Brasil vivia, os militares, juntamente com autoridades civis,</p><p>com alguns representantes da sociedade civil, eles compõem uma coalizão e eles tomam</p><p>o poder em uma revolução que não é sangrenta, porque não teve derramamento, não</p><p>teve conflito, o presidente simplesmente fugiu e o poder foi tomado, uma revolução não</p><p>precisa ser sangrenta para ser considerada revolução, e aí é tomado o poder, eles fazem</p><p>o ato institucional número um, é muito legal historicamente você ler o preâmbulo do</p><p>ato institucional número um, porque ele é uma aula, porque eles vão ali explicar, isso</p><p>está disponível na internet, eles vão explicar o porquê eles se consideram</p><p>revolucionários, eles definem o que é uma revolução e o que é um golpe, e definem</p><p>então por que eles se consideram revolucionários e qual é a finalidade disso.</p><p>Enfim, não estou querendo politizar, nem ideologizar nossa aula, só estou mostrando o</p><p>porquê existe quem entende que é golpe e por que existe quem entende que é uma</p><p>revolução. Nesse primeiro momento, galera, o movimento militar não é exclusivamente</p><p>militar, ele tem parcela da sociedade, ele foi acolhido por parcela significativa da</p><p>sociedade e os militares, junto com outros civis, compõem uma coalizão de governo,</p><p>cuja finalidade original era, passado aquele momento mais crítico, devolver o governo</p><p>para a sociedade civil, tanto é que o golpe ou revolução, o movimento é de 64 e em 67</p><p>é feita uma nova constituição.</p><p>30.6. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (DE 24 DE JANEIRO</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 101</p><p>DE 1967)</p><p>Essa nova Constituição é outorgada, era de certa forma imposta, há quem diga que ela</p><p>é semi-promulgada, porque ela foi promulgada pelo congresso, mas debaixo das ordens</p><p>dos militares, enfim, mas para todos os efeitos era considerada outorgada, só que o que</p><p>acontece é que nós temos 68, o presidente Costa e Silva adoece, os militares moderados</p><p>se enfraquecem e os militares mais radicais terminam assumindo a direção de tudo, em</p><p>68 há o famoso AI-5, que é a radicalização dos militares.</p><p>E aí, galera, em 68 nós temos uma situação curiosa, porque você pode dizer</p><p>o seguinte</p><p>olha, se em 68 nós tivemos um golpe dentro da revolução ou um golpe dentro do golpe,</p><p>está entendendo? Se você entender que 64 é um golpe, 68 foi um golpe dentro do</p><p>próprio golpe, se você entender que 64 foi uma revolução, você vai entender que em 68</p><p>foi um golpe dentro da revolução, mas uma coisa parece clara, em 68 foi um golpe,</p><p>porque nos bastidores foi uma tomada de poder dos militares radicais e de 68 em diante</p><p>começam efetivamente os anos de chumbo. Óbvio que eu não estou defendendo o</p><p>movimento, eu não estou politizando a aula, não estou ideologizando a aula, estou</p><p>botando situações, fatos, até porque muitas coisas são desconhecidas da grande maioria</p><p>das pessoas, eu só estou colocando para vocês, entre 64 e 67 ou 68 nós tivemos algumas</p><p>medidas que não são tipicamente democráticas, é verdade, por isso que a maioria</p><p>entende que realmente foi um golpe, mas parece fora de dúvida também que a partir</p><p>de 68 é que a coisa toma um novo nível em termos de um movimento mais ditatorial, aí</p><p>efetivamente começa uma ditadura. Quando eu falo efetivamente, repito, não estou</p><p>dizendo que não houve ditadura antes, estou dizendo o seguinte, que entre 64 e 68,</p><p>ainda que seja uma parcela minoritária, existe uma parcela que entende que na verdade</p><p>teve algum grau de legitimidade ali, depois em 68 realmente você passa a ter um</p><p>movimento que é golpista, e aí vem todos os militares, todo o período militar, então por</p><p>que eu estou explicando tudo isso? Para você entender, por que nós temos o golpe de</p><p>64 ou a revolução, o movimento de 64, em 67 uma condição nova, mas em 69, portanto,</p><p>pouco tempo depois da própria Constituição e, portanto, também depois do AI-5, que é</p><p>de 68, em 69 nós tivemos a Emenda Constitucional número 1, e essa emenda</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 102</p><p>Constitucional número 1 muda praticamente toda a Constituição de 67, então, galera, a</p><p>gente vai falar que a emenda Constitucional número 1 de 69 é, na prática, uma nova</p><p>Constituição, na forma ela é uma emenda, no conteúdo ela equivale a uma Constituição</p><p>nova, na forma é uma emenda, no conteúdo equivale a uma Constituição nova, fez</p><p>sentido, galera, tranquilo, beleza? Por isso que a gente normalmente fala assim,</p><p>Constituição de 67 barra 69, por quê?</p><p>Porque, na prática, é uma Constituição nova, e a Emenda 7/77 termina criando, também</p><p>que eu não falei, deixa eu só voltar um pouquinho aqui na história, repito, 64, golpe</p><p>militar, 67 é a Constituição nova, só que no meio do caminho, em 65, vocês estão vendo</p><p>aqui, nós tivemos, em 65, a gente teve uma emenda Constitucional à Constituição de</p><p>46, que criou a representação de inconstitucionalidade, que é o controle abstrato, eu</p><p>vou falar sobre isso lá na aula de controle. Então, a lógica é, em 64, a gente tem o golpe</p><p>militar, em 65, a gente tem a criação da representação de inconstitucionalidade, em 67,</p><p>a gente tem a Constituição, em 69, nós temos a Emenda Constitucional número 1, que</p><p>altera praticamente a Constituição toda, e é considerada, na fórmula, uma emenda no</p><p>conteúdo de uma Constituição nova, e em 77, são criados novos mecanismos de</p><p>controle, é permitido a cautelar na representação de inconstitucionalidade, repito, lá na</p><p>aula de controle, a gente vai aprofundar.</p><p>30.7. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988</p><p>Aí chegamos à nossa Constituição de 88, que é uma Constituição promulgada, a</p><p>Constituição promulgada é uma Constituição democrática, é considerada a Constituição</p><p>mais democrática da história brasileira, porque ela, de fato, teve ampla participação</p><p>social, ampla participação do povo, nós vemos milhares de emendas populares, do povo</p><p>apresentando emendas, todas elas foram catalogadas, você pode ver que tudo isso está</p><p>aberto na internet, você pode ter acesso a isso, foram catalogadas, analisadas, enfim, é</p><p>uma Constituição muito democrática, ela amplia muito, é uma Constituição muito</p><p>detalhista, ela amplia os direitos fundamentais, na verdade, ela inova ao chamar o rol</p><p>de direitos de direitos fundamentais, e não apenas declaração de direitos ou direitos</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 103</p><p>individuais. Direitos fundamentais, então, passa a ter ali um campo grande, direitos</p><p>individuais, coletivos, direitos sociais, direitos econômicos, enfim, amplia-se muito, nós</p><p>temos a primeira, a segunda e a terceira geração de direitos fundamentais, beleza?</p><p>No controle de constitucionalidade, ela provocou uma revolução no controle de</p><p>constitucionalidade, a gente também vai aprofundar isso lá na aula de controle. Beleza,</p><p>galera? Então, sobre a história constitucional brasileira, é isso aqui.</p><p>31. QUESTÃO DE CONCURSO</p><p>Então, vamos lá ver uma questão, eu trouxe pelo menos uma questão para vocês.</p><p>TRF4- JUIZ FEDERAL</p><p>Assinale a alternativa correta. O controle de constitucionalidade na</p><p>modalidade concentrada foi introduzido no Brasil pela:</p><p>Emenda, isso eu vou responder direto, gente, pela emenda 16 de 65, como eu falei, foi</p><p>a representação de inconstitucionalidade, beleza? Fechou?</p><p>32. RESUMO DO TEMA</p><p>Então, resumo aqui, outorgada, monarquia, 24, 1891, promulgada, república e</p><p>federação, poderia ter colocado aqui presidencialismo também, gente, 34, promulgada,</p><p>e aí teve uma expansão no controle de constitucionalidade, 37, ela foi outorgada</p><p>ditatorial, polaca, 46, promulgada, redemocratização, 67 e 69 são constituições</p><p>outorgadas, conteúdo ditatorial e 88, promulgada, Constituição Cidadã, beleza? Fez</p><p>sentido?</p><p>Então, se você for olhar em termos, fazendo aqui um jogo de palavras, a gente pode</p><p>falar aqui em "O", "P", "P", "O", ou seja, outorgada, promulgada, promulgada,</p><p>outorgada, e depois o contrário, "P", "O", "O", "P", ou seja, promulgada de 46, as duas,</p><p>67 e 69, outorgada e outorgada, e a de 88, promulgada, então, entenderam? "OPPO",</p><p>"POOP", para quem gosta desses joguinhos mnemônicos, fechou?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 104</p><p>Bacana, então, deixa eu ver aqui os comentários rapidamente, então, vamos lá, só os</p><p>comentários aqui, "tomara que a atual bata o recorde, a Constituição de 88", o Luiz</p><p>Freitas botou aqui "Rui Barbosa em 1891", exatamente, o grande artífice da Constituição</p><p>de 1891 foi Rui Barbosa, o grande nome, para quem se interessar, o Taric botou aqui um</p><p>link, deve ser alguma coisa do Planalto, deve ser alguma coisa ligada ao ato institucional,</p><p>enfim, estou vendo aqui, Ato Institucional Número 1, tem o trecho lá, e o Cassio copiou</p><p>e botou aqui, olha só esse trecho que o Cassio separou aqui:</p><p>A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este</p><p>se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais</p><p>expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução</p><p>vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma. Ela destitui</p><p>o governo anterior e tem a capacidade de constituir o novo governo. Nela</p><p>se contém a força normativa,</p><p>157</p><p>43.2. CARACTERÍSTICAS ........................................................................................ 157</p><p>43.2.1. Hierarquia superior ..................................................................................................... 157</p><p>43.2.2. Plasticidade da linguagem .......................................................................................... 158</p><p>43.2.3. CONTEÚDO POLÍTICO .................................................................................................. 158</p><p>44. TEXTO CONSTITUCIONAL (CONJUNTO NORMATIVO CONSTITUCIONAL)....... 158</p><p>45. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO CONTEÚDO ................................................... 159</p><p>46. NORMAS MATERIALMENTE CONSTITUCIONAIS .......................................... 159</p><p>47. NORMAS FORMALMENTE CONSTITUCIONAIS ............................................. 160</p><p>48. QUANTO À IMPERATIVIDADE ..................................................................... 161</p><p>49. QUANTO AO CONTEÚDO E FINALIDADE PREDOMINANTES (LUÍS ROBERTO</p><p>BARROSO) ............................................................................................................ 162</p><p>50. CLASSIFICAÇÕES QUANTO À EFICÁCIA E APLICABILIDADE ............................ 162</p><p>51. CLASSIFICAÇÃO BIPARTIDA ........................................................................ 162</p><p>52. CLASSIFICAÇÃO TRIPARTIDA ...................................................................... 164</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 8</p><p>53. CLASSIFICAÇÃO QUADRIPARTIDA E CLASSIFICAÇÃO DE UADI LAMMÊGO BULOS</p><p>167</p><p>54. QUANTO À ESTRUTURA ............................................................................. 168</p><p>55. EFETIVIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS .......................................... 169</p><p>55.1. MECANISMOS DA EFETIVIDADE .................................................................... 169</p><p>56. BIPOLARIDADE EFICACIAL DAS NORMAS .................................................... 170</p><p>57. PREÂMBULO ............................................................................................. 172</p><p>58. QUESTÕES DE CONCURSO .......................................................................... 172</p><p>58.1. QUESTÃO 1 .................................................................................................. 172</p><p>58.2. QUESTÃO 2 .................................................................................................. 173</p><p>58.3. QUESTÃO 3 .................................................................................................. 173</p><p>58.4. QUESTÃO 4 .................................................................................................. 173</p><p>58.5. QUESTÃO 5 .................................................................................................. 174</p><p>58.6. QUESTÃO 6 .................................................................................................. 174</p><p>59. RESUMO DO TEMA .................................................................................... 176</p><p>60. ROTEIRO DA AULA ..................................................................................... 179</p><p>61. INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL ........................................................... 179</p><p>61.1. DEFINIÇÃO .................................................................................................. 179</p><p>61.2. EXTRAÇÃO X ATRIBUIÇÃO DE SENTIDO ......................................................... 180</p><p>62. REPRODUÇÃO X PRODUÇÃO ...................................................................... 180</p><p>62.1.1. Texto normativo e norma ........................................................................................... 182</p><p>62.2. FASES .......................................................................................................... 183</p><p>62.3. INTERPRETAÇÃO E HERMENÊUTICA .............................................................. 183</p><p>62.4. INTERPRETAÇÃO E CONCRETIZAÇÃO CONSTITUCIONAL ................................. 184</p><p>62.5. PERGUNTAS CENTRAIS DA INTERPRETAÇÃO ................................................. 186</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 9</p><p>62.6. ESPECIFICIDADES DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ...................................... 187</p><p>62.6.1. POSIÇÃO HIERÁRQUICA SUPERIOR............................................................................. 187</p><p>62.6.2. TEXTURA ABERTA DA LINGUAGEM CONSTITUCIONAL .............................................. 187</p><p>62.6.3. OBJETO/CONTEÚDO ESPECÍFICO ................................................................................ 188</p><p>62.6.4. CARÁTER EMINENTEMENTE POLÍTICO ....................................................................... 188</p><p>62.7. METÓDICA CONSTITUCIONAL ....................................................................... 189</p><p>62.8. DIFICULDADES METÓDICAS .......................................................................... 189</p><p>62.8.1. TEXTURA ABERTA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ..................................... 190</p><p>62.8.2. DIMENSÃO POLÍTICA ................................................................................................... 190</p><p>62.8.3. TEORETICISMO ............................................................................................................ 190</p><p>62.8.4. EPIGONISMO POSITIVISTA .......................................................................................... 190</p><p>63. QUESTÃO DE CONCURSO ........................................................................... 191</p><p>64. RESUMO DO TEMA .................................................................................... 192</p><p>65 PRINCÍPIOS E REGRAS ................................................................................ 192</p><p>66. QUESTÕES DE CONCURSO .......................................................................... 206</p><p>66.1 QUESTÃO 1 ...................................................................................................... 206</p><p>66.2 QUESTÃO 2 ...................................................................................................... 206</p><p>66.3 QUESTÃO 3 ...................................................................................................... 207</p><p>66.4 QUESTÃO 4 ...................................................................................................... 207</p><p>67 MÉTODO JURÍDICO OU MÉTODO HERMENÊUTICO CLÁSSICO ...................... 209</p><p>68 MÉTODO TÓPICO-PROBLEMÁTICO (OU TÓPICA) – THEODOR VIEHWEG ....... 210</p><p>69 MÉTODO CIENTÍFICO-ESPIRITUAL (OU MÉTODO VALORATIVO, OU</p><p>SOCIOLÓGICO) – RUDOLF SMEND .......................................................................... 213</p><p>70 MÉTODO HERMENÊUTICO-CONCRETIZADOR – KONRAD HESSE ................... 214</p><p>71 MÉTODO NORMATIVO-ESTRUTURANTE ..................................................... 218</p><p>72 MÉTODO COMPARATIVO (INTERPRETAÇÃO COMPARATIVA) ...................... 219</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 10</p><p>73 MÉTODO CONCRETISTA</p><p>inerente ao Poder Constituinte. Ela edita</p><p>normas jurídicas sem que nisto seja limitada pela normatividade anterior</p><p>à sua vitória.</p><p>Galera, conceitualmente está perfeito, por isso que eu falei que o preâmbulo do ato</p><p>institucional número 1 é uma aula, uma aula muito boa, inclusive, isso não quer dizer</p><p>que quando eles se declaram revolucionários esteja correto, aí você tem a controvérsia,</p><p>mas se eu fosse ler isso aqui como se fosse um texto de uma aula, definindo o texto,</p><p>estaria correto, está bom, gente?</p><p>Botando aqui, "a história do Brasil não é para amadores", diz aqui a Girliane, "o que</p><p>chama a atenção é a presença dos militares em todos os momentos de ruptura no Brasil,</p><p>o primeiro presidente da recém-instaurada ditadura militar", exatamente, a passagem</p><p>da monarquia para a República, nós tivemos ali Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto,</p><p>todos eles ali militares. E aí, em 64, nós tivemos a presença militar novamente, enfim,</p><p>de forma mais intensa. "Professor, quando Eros Grau diz que a Constituição é o que o</p><p>STF diz ser, ele está se valendo da concepção do processo público ou é só uma crítica</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 105</p><p>mesmo?" Genevaldo, Eros Grau não foi originário nisso aqui, original, originário nisso</p><p>aqui, na verdade, há um juiz americano da Justiça da Suprema Corte Americana já há</p><p>muitas décadas, no início do século XX, em que ele falava exatamente isso, que a</p><p>Constituição é o que nós, juízes da Suprema Corte, dissermos que ela é.</p><p>Aqui, não necessariamente está ligado ao processo público, porque o processo público</p><p>não é só compreender a Constituição como resultado da interpretação, mas que essa</p><p>interpretação deve se dar através de um processo público, aquilo que eu falei da</p><p>abertura do debate constitucional, e nem sempre é assim, enfim, mas também não</p><p>necessariamente é uma crítica, Genevaldo, você pode falar isso, que a Constituição é o</p><p>que nós, juízes da Suprema Corte, dissermos que ela é, tanto criticando quanto</p><p>elogiando, você pode achar isso bom ou ruim, aí é uma valoração moral que cabe a cada</p><p>um, enfim, mas o ponto de contato com a concepção do processo público é essa</p><p>compreensão de que um texto constitucional ou um texto normativo, na verdade, só é</p><p>aquilo que de fato ele for interpretado como sendo, essa frase é meio bizarra, mas é</p><p>exatamente isso.</p><p>"É uma aula de Direito Constitucional, por mais horrível que tenha sido a ditadura",</p><p>exatamente, o Cassio está entendendo aqui que o que eu falei não foi uma defesa de</p><p>um lado nem de outro, foi apenas uma explicação. Então, vamos lá, "sou de Angra e</p><p>durante a ditadura os prefeitos daqui eram indicados a justificar essa prática</p><p>internacional da usina nuclear", não só os prefeitos, mas governadores também, Vargas</p><p>tinha origem militar sim, se o professor permitir, gostaria de indicar aos colegas que</p><p>queiram se aprofundar na história constitucional o livro do Paulo Bonavides, que é um</p><p>calhamaço gigante sobre história constitucional brasileira, muito bom, vale a pena, livro</p><p>muito legal. "Professor, seria uma boa fórmula de comparação afirmar que, nas</p><p>condições ditatoriais, há uma supremacia do Executivo e que, na Constituição Federal,</p><p>trata-se de uma ordem de equilíbrio entre poderes?" De forma geral, nos modelos</p><p>ditatoriais, a gente tem realmente a proeminência de uma figura ou um grupo, e</p><p>normalmente essa figura ou esse grupo vai estar alocado mais no Poder Executivo,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 106</p><p>então, nesse sentido, sim, a gente poderia falar em uma proeminência maior do Poder</p><p>Executivo.</p><p>"Professor, em 1885, a eleição foi indireta para presidente e, ainda assim, a Constituição</p><p>de 1888 é promulgada, o que caracteriza a Constituição ser outorgada ou promulgada?"</p><p>Veja, Ana Paula, a eleição para o presidente da República não tem nada a ver com a</p><p>Constituição, a eleição para o presidente é a eleição para a composição de um poder</p><p>constituído, de um poder instituído que é o poder executivo. A convocação de uma</p><p>Assembleia Constituinte é parte de um clamor popular, o povo elege os parlamentares,</p><p>deputados e senadores que vão compor a Assembleia Constituinte e essa Assembleia</p><p>Constituinte, independente do presidente da República, ela vai elaborar a Constituição,</p><p>tanto é que, a gente sabe, Tancredo é eleito, ele não toma posse, quem toma posse é</p><p>José Sarney, José Sarney compõe uma comissão de notáveis, uma comissão de juristas</p><p>notáveis, que virou a chamada Comissão Afonso Arinos, que apresenta o projeto, só que</p><p>esse projeto foi ignorado, foi desconsiderado exatamente porque eles queriam criar</p><p>uma comissão que não tivesse nenhum vínculo de nenhuma forma com o poder</p><p>executivo, são fenômenos que acontecem no mesmo contexto histórico, mas são</p><p>fenômenos diferentes. Fez sentido aqui, Ana Paula?</p><p>"Pergunta muito interessante, nunca tinha pensado nisso", disse aqui a Débora, foi</p><p>tranquilo, então resolvemos aqui toda essa questão. A aula de história, a gente não</p><p>conhece, a verdade é que um povo que não conhece a sua história é um povo que fica</p><p>fadado às cegueiras da racionalidade, porque se você não conhece a sua própria história,</p><p>a gente precisa conhecer a nossa história, é muito legal, a nossa história é muito legal e</p><p>o muito triste, o mais triste de tudo de não conhecer a nossa história é que a nossa</p><p>história, de certa maneira, é demonizada para nós. Tanto pela forma como ela é</p><p>apresentada, quando a gente estudou, ela é muito maçante, é uma história muito</p><p>factual, muito baseada em fatos, é muito maçante e a gente não tem heróis, o Brasil,</p><p>uma vez eu li uma crítica de um filósofo falando assim que o Brasil é o único país que</p><p>devora os seus próprios heróis, o Brasil não consegue ter heróis, por exemplo, eu já li a</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 107</p><p>história dos Estados Unidos, eu já li bastante sobre a história do Brasil e já li a história</p><p>dos Estados Unidos também, os Estados Unidos, e eu morei lá um período, eles têm os</p><p>seus heróis, eles conseguem revelar os erros, mas têm figuras que são heroicas para</p><p>eles, heróis políticos, isso é muito legal e eles valorizam muito isso, só para vocês terem</p><p>uma ideia, meus filhos estudaram lá durante três anos, eles tinham aula de matéria de</p><p>história, eles tinham lá US History, na história dos Estados Unidos, eles estudavam a</p><p>Constituição, a minha filha sabe, até pouco tempo atrás, ela sabia de cabeça, de cor, as</p><p>10 primeiras emendas da Constituição Americana, que é o Bill of Rights, ela sabia a</p><p>origem das 10 emendas, ela sabia o que cada uma significava, os desdobramentos disso,</p><p>ela sabia a história dos presidentes, é muito legal e eles valorizam isso, então eles têm</p><p>um senso de amor à pátria, eu sei que falar patriotismo é uma coisa meio demonizada</p><p>também, mas eles têm um senso de pertencimento a uma nação muito mais forte do</p><p>que nós temos, enfim, beleza? Não à toa, uma das matérias lá, Jarli,</p><p>era Civics, em Civics,</p><p>que não tem nada a ver com o nosso moral e cívica, Civics, eles estudavam exatamente</p><p>questão de governo, a estrutura do poder, do governo, como é que as coisas funcionam,</p><p>a Constituição, estudar as leis, é muito legal, enfim.</p><p>Cassio botou aqui, "é uma verdadeira religião ao Estado, presidentes antigos, tratados</p><p>como santos, a Constituição é tratada quase como uma bíblia, dada a importância",</p><p>exatamente. "Um professor meu disse que a Constituição Federal foi projetada para o</p><p>modelo parlamentarista e que se exemplifica por previsões como as dos conselhos da</p><p>República e Defesa, e isso procede, professor?" Glauber, procede, talvez o maior</p><p>exemplo não seja nem só os conselhos, mas seja a própria medida provisória, medida</p><p>provisória foi criada por inspiração da Itália, e lá na Itália a medida provisória é um</p><p>mecanismo parlamentarista, então a nossa Constituição foi escrita sempre para o</p><p>modelo parlamentarista, houve uma virada de jogo no apagar das luzes e a Constituição</p><p>teve que ser readequada para o modelo, e na prática ela virou uma Constituição meio</p><p>esquisita, porque você tem um governo que não governa, um legislador que não legisla,</p><p>um governo que interfere no legislador e um legislador que vive às custas de jogo, é uma</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 108</p><p>loucura tudo isso por causa dessa coisa meio esquisita que a nossa Constituição foi</p><p>elaborada, beleza?</p><p>PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO</p><p>33. PODER CONSTITUINTE</p><p>O poder constituinte é o nosso ponto a partir de agora.</p><p>Respira fundo e vem comigo, vamos dar aquele gole na água e vamos lá.</p><p>33.1. TIPOLOGIA DO PODER CONSTITUINTE</p><p>Então olha aqui a tipologia do Poder Constituinte.</p><p>A gente fala em Poder Constituinte Originário, a gente fala em Poder Constituinte</p><p>Derivado, o Derivado se subdivide em Derivado Reformador e Derivado Decorrente e</p><p>Poder Constituinte Difuso.</p><p>Galera, o Poder Constituinte Originário é o poder para elaborar uma Constituição nova,</p><p>obviamente.</p><p>O Poder Constituinte Derivado Reformador é o poder para alterar a Constituição que o</p><p>Originário fez, para alterar a Constituição.</p><p>O Poder Constituinte Decorrente é o poder que os estados-membros têm para elaborar</p><p>as suas próprias constituições e o Poder Constituinte Difuso é o poder para realizar a</p><p>chamada mutação constitucional, ok? Então, para realizar a chamada mutação</p><p>constitucional, a letra ficou bem pequenininha, mas acho que vai dar para vocês</p><p>entenderem pelo menos aqui, é a mutação constitucional.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 109</p><p>Está aqui a visão geral.</p><p>Galera, atenção, não está errado se eu fizesse a seguinte esquematização, um</p><p>pouquinho diferente do que está aqui na sua tela, olha para o quadro.</p><p>Então, vou imaginar aqui, eu tenho o Poder Constituinte, aí eu tenho o Originário, o</p><p>Poder Constituinte Derivado Reformador, vou botar "DR", Poder Constituinte</p><p>Decorrente, vou botar "DE", para vocês entenderem, e Poder Constituinte Difuso, ok?</p><p>Poder Constituinte Difuso. Ou seja, eu estou dizendo que eu posso colocar o Reformador</p><p>direto aqui, ligado ao Poder Constituinte, direto ligado ao Poder Constituinte, e o</p><p>Decorrente também direto ligado ao Constituinte, suprimindo essa palavra Derivado</p><p>aqui, entendeu o que eu estou dizendo?</p><p>Não tem erro nenhum fazer do jeito que eu fiz originalmente ou fazer dessa forma aqui,</p><p>não tem erro nenhum.</p><p>É só uma questão de organização da matéria, beleza?</p><p>Tanto é, galera, que o chamado Poder Constituinte Derivado Reformador nem sempre</p><p>vai ser usado essa expressão grande, Poder Constituinte Derivado Reformador, às vezes</p><p>a gente fala simplesmente Poder Constituinte Reformador, ou simplesmente Poder</p><p>Reformador, está tudo certo, ou Poder de Reforma, tranquilo?</p><p>Então, só uma questão aqui de nomenclatura e de organização da matéria.</p><p>33.2. NATUREZA DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO</p><p>Poder Constituinte Originário, galera, ele tem essas três correntes com o Poder de</p><p>Direito, o Poder de Fato e o Poder Político.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 110</p><p>Eu vou direto para a corrente que hoje predomina, entendendo que é um Poder de Fato,</p><p>ou seja, é um poder de fato, é um poder suprapositivo, como você está vendo aqui na</p><p>tela em negrito no julgado.</p><p>Então, o Poder de Fato é um poder suprapositivo no sentido que ele é superior e anterior</p><p>ao próprio Direito, à própria constituição, ao próprio Estado, tranquilo?</p><p>Então, das três correntes, aqui prevalece um Poder de Fato.</p><p>33.3. TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO</p><p>Titularidade do Poder Constituinte, três correntes, entendemos que a titularidade é</p><p>divina, o poder emana de Deus, o poder emana da nação, que tem a ver com a</p><p>coletividade e o poder emana do povo.</p><p>Qual é a diferença entre nação e povo?</p><p>Nação, no sentido sociológico, tem a ver com um grupo que tem uma mesma identidade</p><p>de origem, ou seja, é um grupo, por exemplo, que tem a mesma etnia ou tem a mesma</p><p>formação histórico-cultural.</p><p>Nesse sentido, por exemplo, podemos falar que os judeus formam uma nação, em</p><p>termos de formação histórica daquele povo, daquela coletividade.</p><p>Os ciganos, podemos falar que formam uma nação, nesse sentido.</p><p>E povo?</p><p>O povo também é uma coletividade, só que, nessa coletividade, cada indivíduo tem a</p><p>sua própria identidade, independente do pertencimento ao grupo.</p><p>Então, são conceitos ligeiramente diferentes e, hoje, entendemos que a titularidade não</p><p>é da nação nem de Deus, a gente entende que a titularidade é do povo.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 111</p><p>33.4. EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO</p><p>Exercício do Poder Constituinte Originário, a gente vai separar quanto ao órgão e quanto</p><p>ao procedimento.</p><p>Então, quanto ao órgão, a gente pode dizer que o Poder Constituinte Originário é</p><p>monocrático, quando a Constituição for elaborada por uma única pessoa, o rei vai lá,</p><p>elabora e entrega a Constituição. Ou policrático, ou coletivo, quando ele é elaborado</p><p>por um conjunto de representantes do povo.</p><p>Beleza?</p><p>O procedimento pode ser o próprio povo fazendo a Constituição, que seria uma</p><p>manifestação direta, o que não é o comum, ou indireta, ou semidireta, indireta é quando</p><p>o povo escolhe representantes e os representantes fazem a Constituição, ou semidireta,</p><p>o povo escolhe representantes, os representantes fazem a Constituição e, depois, o</p><p>próprio povo tem que referendar essa Constituição.</p><p>Então, você pode ter um procedimento direto, ou indireto, ou semidireto.</p><p>Beleza?</p><p>33.5. CARACTERÍSTICAS DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO</p><p>Características do Poder</p><p>Constituinte Originário, a gente vai falar em três grandes</p><p>características, ou as três principais características.</p><p>Inicial, ilimitado e incondicionado.</p><p>Inicial significa que o Poder Constituinte inaugura uma nova Constituição.</p><p>Ele inaugura uma nova Constituição.</p><p>Ilimitado significa que ele não está sujeito a nenhuma limitação jurídica, como diz aqui</p><p>o trecho do julgado que eu separei para vocês.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 112</p><p>O Poder Constituinte Originário é ilimitado, não está sujeito a nenhuma norma jurídica</p><p>pré-existente.</p><p>Esse julgado é do Ministro Carlos Ayres Britto e ele tem um livrinho que já há quase 20</p><p>anos que eu cito esse livro dele e, por coincidência, caiu ano passado em uma prova,</p><p>exatamente esse texto do livro dele e já caiu em prova.</p><p>O Cássio já me ouviu falando sobre isso e já caiu em prova.</p><p>Eu me lembro que tiveram alguns alunos que já me acompanham há um tempo que</p><p>falaram assim, "professor, eu não acredito que caiu".</p><p>E o texto, o Cássio botou aqui e falou que ouviu a minha voz na hora da prova.</p><p>Mas o texto é muito legal, porque ele começa dizendo o seguinte, que o filho dele, o</p><p>filho dele de cinco anos, chamado Marcel, chegou para ele e perguntou o seguinte, "pai,</p><p>Deus tudo pode?"</p><p>E ele respondeu para o filho, "sim filho, Deus tudo pode".</p><p>"Pai, se Deus tudo pode, então Deus pode se matar".</p><p>E o Carlos Ayres Britto respondeu para ele assim, "filho, a sua resposta, a sua pergunta</p><p>me fez reavaliar a minha resposta".</p><p>E ele continua dizendo o seguinte, "Deus tudo pode é certo, mas apenas continuando</p><p>sendo aquele que tudo pode, ele não pode se limitar.</p><p>Então, ele tudo pode, menos deixar de tudo poder.</p><p>Então, quando ele diz “Deus tudo pode, menos deixar de tudo poder", ele está dizendo</p><p>o seguinte, o poder de Deus é tão soberano que ele próprio não pode se impor o limite</p><p>de deixar de poder tudo.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 113</p><p>Porque somente sendo aquele que tudo pode, ele continuará sendo aquele que tudo</p><p>pode.</p><p>É a maior viagem isso, mas é muito legal.</p><p>Então, ele responde isso para o filho, "Deus tudo pode, menos deixar de tudo poder,</p><p>porque somente assim ele continuará sendo Deus".</p><p>E aí ele não completa o diálogo, mas eu, na minha imaginação, fico imaginando o filho</p><p>dele de cinco anos virando para ele e falar o seguinte, "elementar, pai". Já viu se o garoto</p><p>responde isso? Elementar, enfim.</p><p>Mas aí ele pega essa história para falar do Poder Constituinte, ele diz o seguinte, “o</p><p>Poder Constituinte tudo pode, menos deixar de tudo poder”.</p><p>Ou seja, ele não está sujeito a nenhum limite jurídico.</p><p>Há controvérsias, eu vou falar sobre isso já, já, mas ele é considerado ilimitado.</p><p>Talita botou aqui que o garoto é Nietzsche, a Eliane botou que caiu também na prova</p><p>de residentes do TJ, enfim, recentemente caiu umas duas, três vezes.</p><p>Vamos lá.</p><p>Incondicionado significa que ele não está sujeito a formalidades pré-estabelecidas, ou</p><p>seja, a aprovação vai ser por dois terços, um terço, dois quintos, três quintos, quatro</p><p>quintos, maioria absoluta? Como é que vai ser o procedimento? Quem define isso é o</p><p>próprio constituinte.</p><p>33.6. LIMITES AO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO</p><p>Um dos limites que a gente pode falar, eu vou botar dois pontos aqui.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 114</p><p>Um é a tese ou a teoria dos limites extrajurídicos e a teoria das normas constitucionais</p><p>inconstitucionais.</p><p>Não tente ler o julgado que está na sua tela, preste atenção aqui em mim, por favor, em</p><p>primeiro lugar.</p><p>Quando a gente fala que o Poder Constituinte Originário é ilimitado, a gente está falando</p><p>que ele é ilimitado no sentido jurídico, ou seja, ele não está sujeito a normas jurídicas</p><p>pré-existentes.</p><p>Porém, há quem defenda, e isso hoje tem sido relativamente bem aceito, que existem</p><p>limites para fora do Direito.</p><p>São chamados limites extrajurídicos.</p><p>Que limites extrajurídicos são esses?</p><p>Anote aí, limites institucionais, limites ideológicos e limites substantivos.</p><p>Começando pelo ideológico.</p><p>Eu vou dar um exemplo extremo e entenda que eu não quero politizar algo, não eu</p><p>quero ideologizar, não entendo isso como uma crítica, é só um exemplo que é extremo.</p><p>Vamos imaginar que hoje, em 2024, a gente fosse fazer uma Constituição nova no Brasil</p><p>e o constituinte resolve fazer uma Constituição adotando o comunismo no seu sentido</p><p>pleno e extremo, ou seja, não tem mais nenhuma propriedade privada, tudo é do</p><p>Estado, enfim, comunismo pleno.</p><p>Primeira pergunta, pode o constituinte adotar um comunismo absoluto no Brasil hoje?</p><p>Ele teria esse poder, sim ou não?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 115</p><p>Se você pensar em sentido jurídico, sim, ele pode tudo, mas a minha pergunta é, existe</p><p>alguma chance real, uma chance concreta de a sociedade brasileira hoje, em 2024,</p><p>adotar isso, tipo assim, vamos acabar com a propriedade privada?</p><p>Existe alguma chance real nesse sentido?</p><p>Não, não existe.</p><p>Eu não estou falando aqui de uma teoria mais à direita, um pouco mais à esquerda, eu</p><p>estou pegando o extremo. Vamos imaginar que, vamos pegar o oposto, que o Brasil</p><p>adotasse hoje, fosse fazer uma Constituição adotando um capitalismo clássico absoluto</p><p>de nenhuma intervenção do Estado em nada, todo mundo por si mesmo, o Estado</p><p>protege só a vida, a privacidade, o básico, também não se chegaria a isso, enfim, é uma</p><p>questão ideológica, ou seja, existem certas questões ideológicas que a sociedade</p><p>brasileira não vai abrir mão, está entendendo?</p><p>É um limite que está fora do Direito, limite institucional, tem a ver com a organização</p><p>institucional do Estado, então, vou imaginar que hoje fosse feita uma Constituição e se</p><p>quisesse colocar, por exemplo, uma monarquia absolutista, não estou nem falando em</p><p>monarquia parlamentarista, estou falando em monarquia absolutista, nenhuma chance,</p><p>então, há um limite institucional, ou seja, é um modelo institucional que simplesmente</p><p>a gente não admite no Brasil e não vai admitir, entendeu?</p><p>Limites substantivos têm a ver com valores transcendentes de dignidade da pessoa</p><p>humana, enfim, até as próprias relações internacionais, qual é a chance do Brasil hoje,</p><p>por exemplo, fazer uma nova Constituição rompendo e adotando um isolacionismo</p><p>absoluto nas relações internacionais, rompendo com todos os tratados, todos os</p><p>acordos, todos os contratos, tudo, Brasil se isola. Tem alguma chance disso acontecendo</p><p>na prática?</p><p>Não, ok?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 116</p><p>O Brasil resolve fazer uma nova Constituição abolindo direitos fundamentais, não existe</p><p>mais direito fundamental, ninguém mais tem direito à vida? Também não, ou seja, tem</p><p>valores de dignidade da pessoa humana, de compromissos internacionais que</p><p>simplesmente não vão ser violados, não vão ser suplantados, ainda que você diga que o</p><p>poder constituinte é ilimitado, são limites extrajurídicos, a gente pode falar a mesma</p><p>coisa em uma linguagem diferente, são limites sociológicos, são limites culturais, são</p><p>limites que transcendem o Direito, tá bom?</p><p>Ana Paula perguntou aqui qual é o nome do livro do Ayres Britto, se chama Teoria da</p><p>Constituição, mas não vale a pena ler, Ana Paula, não vale a pena ler, isso aqui é só uma</p><p>referência, assim, não é um livro para o concurso público, você não tem tempo para ler</p><p>um livro extra, enfim, é legal, respeito, bacana, se tem, mas não vale a pena ler, tá bom?</p><p>Não é nem grosso, ele é até pequeno, mas enfim, não vale a pena, já o Cassio está</p><p>falando aqui, que é o nosso internacionalista, ele diz o seguinte, "já li muito em Direito</p><p>Internacional sobre o Direito Internacional ser o próprio limite à existência de uma</p><p>ordem jurídica estatal". O Estado só tem como existir se houver um ordenamento que</p><p>diga que ele pode existir, no caso, o próprio reconhecimento pelos demais estados,</p><p>então é aquela perspectiva da comunidade de estados como sendo a fonte de legislação</p><p>da existência do próprio Estado, e, consequentemente, a legislação da própria</p><p>Constituição.</p><p>Então, entendemos aqui, Teoria das Normas Constitucionais Inconstitucionais de Otto</p><p>Bachof, galera, ele vai defender a tese de que existem certos valores suprapositivos que</p><p>a Constituição deveria respeitar e se, por acaso, o texto da norma constitucional estiver</p><p>em contrariedade a esses valores suprapositivos, essa norma da Constituição seria</p><p>inválida e aí ele faz um jogo de palavras, seria uma norma constitucional</p><p>inconstitucional, é uma norma da Constituição que é contrária aos valores superiores à</p><p>própria Constituição, então, norma constitucional inconstitucional, ok?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 117</p><p>Então, ele vai dizer que existem valores suprapositivos e o que não são valores</p><p>suprapositivos está dentro da liberdade de conformação do legislador constituinte, ou</p><p>seja, o legislador constituinte pode fazer como ele bem quiser, é uma zona de liberdade.</p><p>Agora, tem assuntos que não estão na liberdade do constituinte, tem assuntos que o</p><p>constituinte tem que respeitar, são esses valores suprapositivos, ok?</p><p>Essa tese já foi levada ao Supremo e o Supremo não admitiu. A tese que foi levada ao</p><p>Supremo defendeu o argumento de que as nossas cláusulas pétreas, ou seja, o artigo</p><p>60, parágrafo 4º, eles seriam os dispositivos ali do 60, parágrafo 4º, seriam exatamente</p><p>esses valores suprapositivos e a tese, isso já chegou duas vezes ao Supremo em</p><p>situações diferentes, com textos diferentes, mas a tese é "se alguma norma do próprio</p><p>texto constitucional, de alguma forma, violar os princípios previstos nas cláusulas</p><p>pétreas, essa norma do texto constitucional, ainda que seja uma norma constitucional</p><p>originária, seria considerada inconstitucional."</p><p>O argumento aqui, os exemplos são os seguintes, vou tentar botar de forma muito</p><p>rápida, a Constituição diz que a Câmara dos Deputados é composta de, no mínimo, 8</p><p>deputados e, no máximo, 70.</p><p>Se você for fazer uma conta matemática para ver quantos deputados um estado vai</p><p>eleger, alguns estados deveriam eleger menos de 8, talvez 2 ou 3, mas menos de 8, então</p><p>significa que, nesses estados muito pequenos, você conquistar uma vaga de deputado é</p><p>mais fácil do que nos estados maiores, consequentemente, é como se o voto nesse</p><p>estado valesse mais do que o voto nos outros, isso violaria o princípio da igualdade dos</p><p>votos e, violando o princípio da igualdade dos votos, isso viola o próprio princípio da</p><p>igualdade que é um direito fundamental, que é uma cláusula pétrea, portanto, seria</p><p>inconstitucional.</p><p>O Supremo não admitiu essa tese, o Supremo disse que cláusula pétrea não são valores</p><p>suprapositivos, cláusulas pétreas são limites ao Poder Constituinte Reformador, que ele,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 118</p><p>Supremo, não é fiscal do Poder Constituinte Originário, ele, Supremo, é fiscal do Poder</p><p>Constituído, ou seja, dos demais poderes e não do Constituinte Originário, tranquilo?</p><p>Vamos lá.</p><p>33.7. FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO</p><p>Formas de manifestação do Poder Constituinte Originário por meio de rupturas</p><p>abruptas, como a revolução e golpe, na aula anterior, que a gente falou aqui sobre a</p><p>história da Constituição brasileira, a diferença entre revolução e golpe, basicamente,</p><p>revolução e golpe são movimentos antijurídicos, ou seja, são movimentos contrários ao</p><p>Direito estabelecido, são movimentos de tomada do poder, só que a revolução é</p><p>legítima e o golpe é ilegítimo.</p><p>Nós podemos ter uma ruptura jurídica, quando, por exemplo, ao invés de fazer uma</p><p>tomada de poder, é eleita uma nova Assembleia Constituinte que vai elaborar uma nova</p><p>Constituição, então há uma ruptura porque a gente passa de uma ordem constitucional</p><p>anterior para uma nova ordem constitucional, então você está rompendo com a anterior</p><p>e criando uma nova, mas é uma ruptura não social, não política, econômica, é uma</p><p>ruptura apenas jurídica, foi o que aconteceu em 88.</p><p>88 não foi revolução.</p><p>Nem golpe, em 88 foi uma ruptura jurídica, ou seja, uma passagem de um modelo</p><p>constitucional anterior para um novo modelo constitucional.</p><p>Poder alienígena são as heteroconstituições ou condições heterônomas, lembra que</p><p>hétero é o que é diferente, homo é o que é igual, então heteroconstituição é uma</p><p>Constituição que vem desse caso diferente no sentido que vem de fora, não é o próprio</p><p>Estado colocando para si mesmo, não é uma condição feita por si próprio, mas vem de</p><p>fora.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 119</p><p>Isso é muito comum em situações de guerra, onde o Estado vencedor impõe ao Estado</p><p>vencido uma condição, isso aconteceu na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, em</p><p>relação à Alemanha, ou em situações de descolonização, quando a metrópole dá</p><p>independência para a colônia, mas impõe uma condição nova, é uma</p><p>heteroconstituição.</p><p>O Estado, esse poder externo que impõe, pode escrever a Constituição inteira e dizer,</p><p>está aqui a Constituição, ou fazer o seguinte, você vai fazer a Constituição, mas você vai</p><p>fazer a Constituição de acordo com as diretrizes que eu vou mandar você obedecer.</p><p>A heteroconstituição pode ser no sentido radical, a Constituição inteira é feita por esse</p><p>poder externo,</p><p>ou no sentido mais soft, em que essa Constituição é feita pelo Estado</p><p>interno, porém de acordo com as diretrizes estabelecidas por esse poder externo. Ou</p><p>por um poder supranacional.</p><p>Poder supranacional em que nós temos a composição de uma entidade supranacional,</p><p>ou seja, uma entidade que é composta por um conjunto de estados formando uma nova</p><p>realidade política internacional, você tem o maior exemplo de todos é a União Europeia,</p><p>que tem todas as suas peculiaridades, tem uma Carta dos Direitos Fundamentais na</p><p>União Europeia, enfim, tem muitas questões peculiares, mas ali seria a manifestação de</p><p>um poder supranacional.</p><p>33.8. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO E DIREITO ADQUIRIDO</p><p>Poder Constituinte Originário e Direito Adquirido, galera, vou só ler o julgado.</p><p>A supremacia jurídica das normas inscritas na Carta Federal não permite,</p><p>ressalvadas as eventuais exceções proclamadas no próprio texto</p><p>constitucional, que contra elas seja invocado o direito adquirido. (ADI 248,</p><p>Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 18-11-93, DJ de 8-4-94)</p><p>Então não há direito adquirido contra norma constitucional originária.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 120</p><p>34. QUESTÃO DE CONCURSO</p><p>TRF - 3ª REGIÃO / Juiz Federal Substituto</p><p>Analise as proposições abaixo e assinale a alternativa certa:</p><p>I. Sob o aspecto democrático, a titularidade do Poder Constituinte é do</p><p>Estado, mas é o povo que o exerce.</p><p>Certo ou errado?</p><p>Anote aí no seu caderno, na sua folha.</p><p>Eu peguei só duas alternativas, a gente vai botar certo ou errado para elas:</p><p>PGR / Procurador da República</p><p>ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:</p><p>a) O caráter ilimitado e incondicionado do poder constituinte originário</p><p>precisa ser visto com temperamentos, pois esse poder não pode ser</p><p>entendido sem referenda aos valores éticos e culturais de uma</p><p>comunidade política e tampouco resultar em decisões caprichosas e</p><p>totalitárias.</p><p>Certo ou errado?</p><p>c) O princípio da identidade ou da não contradição impede que no interior</p><p>de uma Constituição originária possam surgir normas inconstitucionais,</p><p>razão por que o STF não conheceu de ADI em que se impugnava</p><p>dispositivo constitucional que estabelecia a inelegibilidade do analfabeto.</p><p>Não falei do caso da inelegibilidade do analfabeto, mas dá para entender a lógica da</p><p>questão, você consegue resolver, daqui a pouco eu explico. Aqui outra.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 121</p><p>VUNESP / TJ-RJ / Juiz Substituto</p><p>No que se refere à Teoria das Normas Constitucionais Inconstitucionais, é</p><p>correto afirmar, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, que</p><p>a) há [existe, né] hierarquia e contradição entre normas constitucionais</p><p>advindas do Poder Constituinte Originário, o que legitima o controle de</p><p>constitucionalidade de normas constitucionais, produto do trabalho do</p><p>Poder Constituinte Originário.</p><p>b) é possível a verificação de norma constitucional inconstitucional sob o</p><p>fundamento de que em todo e qualquer documento constitucional, como</p><p>em toda e qualquer lei, podem distinguir-se preceitos fundamentais e</p><p>menos importantes.</p><p>c) se admite apenas no controle concentrado a verificação da</p><p>constitucionalidade de normas produzidas pelo Poder Constituinte</p><p>Originário, sob o fundamento da sociedade aberta dos intérpretes da</p><p>Constituição, com a última palavra pelo Tribunal Constitucional.</p><p>d) não há hierarquia entre normas constitucionais do Poder Constituinte</p><p>Originário, tendo em vista o princípio da unidade hierárquico-normativa</p><p>e caráter rígido da Constituição.</p><p>e) a tese de que há hierarquia entre normas constitucionais originárias</p><p>dando azo [dando causa] à declaração de inconstitucionalidade de umas</p><p>em face das outras é compatível com o sistema de Constituição Rígida.</p><p>Eu não falei sobre o princípio da Unidade da Constituição, que é um princípio de</p><p>interpretação constitucional, mas com o que eu falei, você consegue resolver essa</p><p>questão tranquilamente.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 122</p><p>Defensor da Bahia, anotou a questão, galera?</p><p>Letra qual?</p><p>Anotou aí?</p><p>A, B, C, D ou E?</p><p>Defensor Público – Bahia</p><p>O denominado poder constituinte supranacional tem capacidade para</p><p>submeter as diversas constituições nacionais ao seu poder supremo,</p><p>distinguindo-se do ordenamento jurídico positivo interno assim como do</p><p>direito internacional.</p><p>MPE-AM - Promotor de Justiça</p><p>I Historicamente, o poder constituinte originário representa a ocorrência</p><p>de fato anormal no funcionamento das instituições estatais, geralmente</p><p>associado a um processo violento, de natureza revolucionária, ou a um</p><p>golpe de estado.</p><p>II O poder constituinte originário é inicial, autônomo e incondicionado.</p><p>III O poder constituinte originário retira o seu fundamento de validade de</p><p>um diploma jurídico que lhe é superior e prévio.IV O poder de reforma é</p><p>criado pelo poder constituinte originário, que lhe estabelece o [cortou,</p><p>galera].</p><p>V Quem tenta romper a ordem constitucional para instaurar outra e não</p><p>obtém adesão ou sucesso na empreitada não exerce poder constituinte</p><p>originário e pode vir a se submeter a processo criminal pela prática de</p><p>crime.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 123</p><p>A quantidade de itens corretos é a é letra D, são quatro itens, o item três está errado.</p><p>Quando diz lá que o poder constituinte originário retira o seu fundamento de validade</p><p>de um diploma, não, ele é ilimitado.</p><p>Está aí o gabarito das outras questões, vamos lá.</p><p>Juiz Federal, errado, Procurador da República, as duas estão corretas.</p><p>Juiz do Rio, letra D.</p><p>Bahia, correto, letra C, da Bahia é C de correto e a de Amazônia eu já tinha falado.</p><p>Esse negócio aqui da inelegibilidade, a letra C aqui no finalzinho, é a mesma lógica que</p><p>eu já tinha falado lá do deputado, o argumento foi feito em uma ADI argumentando que,</p><p>quando a Constituição determina a inelegibilidade do analfabeto, estaria retirando do</p><p>povo um direito que lhe é fundamental, então seria contrário à titularidade universal</p><p>dos direitos fundamentais e o direito político de ser eleito seria um direito fundamental.</p><p>Essa tese foi levada ao Supremo e o Supremo não admitiu, está bom?</p><p>Vamos lá, nessa aqui de juiz, a resposta é a letra D, que diz lá que não há hierarquia</p><p>entre as normas da Constituição, porque todas as outras alternativas admitem o</p><p>controle de constitucionalidade, uma norma constitucional originária em face de outra</p><p>norma constitucional originária, ou seja, uma norma constitucional inconstitucional e eu</p><p>já falei que não, que não se admite.</p><p>Essa aqui, talvez tenha sido a que eu não citei exatamente, nem</p><p>dei pista sobre o</p><p>sentido, mas está correta, que de fato é uma questão de lógica, eu terminei não falando</p><p>exatamente isso, mas é uma questão de lógica.</p><p>Se o Poder Constituinte ele é supranacional, e uma entidade supranacional se compõe</p><p>de estados, isso significa que os Constituições Estatais desses estados se submetem à</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 124</p><p>Constituição supranacional e aí, por exemplo, surge o que a gente vai chamar de Direito</p><p>Comunitário, Direito né, Cássio?</p><p>O Direito Comunitário já não é visto como Direito Internacional, apesar de ser, mas não</p><p>é, no sentido de que ele é um ramo científico próprio, é um ramo próprio de uma ciência,</p><p>então você tem ali o Direito Nacional, Direito Doméstico, Direito Internacional e Direito</p><p>Comunitário.</p><p>Por exemplo, o Cássio, estou falando do Cássio, Cássio é doutor pela USP, professor de</p><p>Internacional, enfim, o Direito Comunitário tem características, inclusive princípios</p><p>regentes próprios, "é, mas não é", tem até uma certa rivalidade entre internacionalistas</p><p>e supranacionalistas, enfim, exatamente.</p><p>Então, por exemplo, Direito Comunitário, quando dentro de uma entidade</p><p>supranacional é feita uma diretriz, uma diretiva, como eles chamam lá na Europa, isso</p><p>passa a ter eficácia interna e validade interna e aplicabilidade imediata sem precisar</p><p>passar por um processo de incorporação, enfim, o Direito Comunitário tem</p><p>características muito peculiares, legal?</p><p>35. RESUMO DO TEMA</p><p>Então, resumo galera, o Poder Constituinte Originário é o Poder do Povo, fático, inicial,</p><p>ilimitado e incondicionado para criar uma nova Constituição, com possibilidade de</p><p>limites extrajurídicos (culturais, sociais, éticos, políticos e por aí vai), a partir de</p><p>manifestações como ruptura jurídicas e sociais, poder externo ou poder supranacional,</p><p>beleza?</p><p>PODER CONSTITUINTE REFORMADOR E DECORRENTE</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 125</p><p>Fala, galera, tudo bem? Buenas. E aí, pessoal, como é que vocês estão? Tranquilo?</p><p>Foi aqui que nós paramos na aula passada. A gente falou de poder constituinte.</p><p>E aí, então, a gente não entrou em poder constituinte reformador e o poder constituinte</p><p>decorrente. A gente vai começar isso agora. Então, a nossa ideia é terminarmos poder</p><p>constituinte, entrarmos e terminarmos normas constitucionais e depois, então, a gente</p><p>entrar em interpretação constitucional.</p><p>Então vamos adiante, a partir de agora eu não vou conseguir visualizar o chat,</p><p>exatamente para que eu possa ter a tela livre para poder projetar e ver aqui com vocês,</p><p>e a gente começa com tudo.</p><p>O poder constituinte originário foi o tópico que nós falamos na aula passada, Poder</p><p>constituinte reformador e decorrente é o tópico atual, só relembrando basicamente que</p><p>eu falei que o poder constituinte originário institui a Constituição, depois nós temos o</p><p>constituinte derivado, e o derivado se subdivide em derivado reformador e derivado</p><p>decorrente. Então, derivado reformador, derivado decorrente.</p><p>Tem gente que usa a expressão “poder constituinte derivado” somente em relação ao</p><p>reformador e coloca depois o poder constituinte decorrente. Não tem nenhum erro</p><p>nisso. A gente pode colocar quatro, originário, derivado reformador, decorrente e</p><p>difuso. Ou a gente pode colocar três, originário, derivado reformador e decorrente e</p><p>depois o difuso. Eu expliquei para vocês lá no início da outra aula que é possível fazer</p><p>uma organização classificatória diferente, não tem nenhum erro nisso.</p><p>36 PODER CONSTITUINTE REFORMADOR</p><p>Dito isso, vamos lá, o poder constituinte reformador é o poder para alterar o texto</p><p>Constitucional, então o poder reformador muda o texto, a parte escrita da Constituição.</p><p>Isso pode se dar através de uma emenda à Constituição ou através de uma revisão</p><p>constitucional. Emenda à Constituição e revisão constitucional é a manifestação do</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 126</p><p>poder constituinte reformador, ou seja, são os instrumentos pelos quais a Constituição</p><p>pode ser alterada.</p><p>As características do constituinte reformador são opostas às características do poder</p><p>originário. O poder reformador é limitado, ou seja, ele está sujeito aos limites que o</p><p>próprio constituinte originário estabeleceu. Ele é condicionado, o que significa dizer que</p><p>ele segue as formalidades que o constituinte originário estabeleceu, e ele não é inicial</p><p>porque ele não inaugura uma Constituição nova, apenas altera a Constituição que já</p><p>existe. O originário é ilimitado, incondicionado, inicial. O reformador é limitado,</p><p>condicionado, não inicial.</p><p>36.1 LIMITES ÀS EMENDAS CONSTITUCIONAIS</p><p>Ok? Vejamos então as emendas à Constituição. As emendas à Constituição estão sujeitas</p><p>aos limites, que são esses que aparecem na sua tela. A gente fala em limites</p><p>procedimentais ou formais, limites circunstanciais e os limites materiais explícitos e</p><p>materiais implícitos, ou simplesmente também chamados de cláusulas pétreas explícitas</p><p>e cláusulas pétreas implícitas.</p><p>Está aí na sua tela um texto de julgado que diz assim:</p><p>Já as normas produzidas pelo poder reformador, essas têm</p><p>sua validez e eficácia condicionadas à legitimação que recebam da ordem</p><p>constitucional. Daí a necessária obediência das emendas constitucionais</p><p>às chamadas cláusulas pétreas. [ADI 2.356 MC e ADI 2.362 MC, red. do</p><p>ac. min. Ayres Britto, j. 25-11-2010, P, DJE de 19-5-2011.]</p><p>São os limites, e eu vou explicar, obviamente, cada um desses limites para vocês, beleza?</p><p>36.1.1 LIMITES PROCEDIMENTAIS OU FORMAIS</p><p>Quais são os limites? Está aqui a lista, vamos falar sobre cada um deles. Os limites</p><p>procedimentais ou também chamados de limites formais, anote aí no seu material.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 127</p><p>São aqueles que estão no art. 60, incisos I, II e III, § 2º, § 3º, § 5º. Então, o art. 60, incisos</p><p>I, II e III, é o que a gente vai chamar de iniciativa restrita, ou seja, a PEC, a proposta de</p><p>emenda à Constituição, tem um rol de legitimados que podem apresentar a PEC e</p><p>somente esses legitimados.</p><p>Então fala lá o presidente da República, fala lá um terço dos membros do Senado, um</p><p>terço dos membros da Câmara, fala lá na maioria das mesas das Assembleias Legislativas</p><p>estaduais, enfim, só aquelas pessoas ou aquelas entidades previstas ali no art. 60, incisos</p><p>I, II e III, é que podem apresentar uma proposta de emenda à Constituição. Então, o</p><p>primeiro limite procedimental, iniciativa restrita.</p><p>Pula o § 1º, aí vem o § 2º e o § 3º, que têm a ver com o próprio processo legislativo.</p><p>Então, nos §§ 2º e 3º, nós vamos encontrar o quórum, a</p><p>emenda vai ser considerada</p><p>aprovada, se for aprovada por três quintos dos membros de cada Casa. Esses três</p><p>quintos devem ser obtidos em duas sessões. Então, faz duas sessões na Casa iniciadora,</p><p>depois duas sessões na Casa revisora. Como nós temos duas Casas Legislativas, o projeto</p><p>de lei ou a PEC sempre vai começar numa e depois vai para outra. A Casa que começa é</p><p>a Casa iniciadora, a Casa que termina é a Casa revisora. Então, são duas sessões na Casa</p><p>iniciadora, aprovou? Vai para Casa revisora, duas sessões de novo, três quintos em cada</p><p>sessão.</p><p>Depois diz ainda, galera, que, uma vez aprovada a PEC, ela se converte em emenda e ela</p><p>será promulgada pelas Mesas das Casas. Quando falo “Mesas das Casas”, é a Mesa</p><p>inteira do Senado e a Mesa inteira da Câmara. Então, se você pegar uma emenda e for</p><p>olhar o texto da própria emenda, você vai ver, no final, uma lista a Mesa inteira do</p><p>Senado e a Mesa inteira da Câmara.</p><p>Veja que uma emenda à Constituição não passa, uma PEC, melhor dizendo, não passa</p><p>pela sanção presidencial, então não há que falar em sanção ou veto do presidente da</p><p>República quando se diz respeito a uma PEC.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 128</p><p>E o § 5º do art. 60 trata do princípio da irrepetibilidade. Diz lá o § 5º:</p><p>Art. 60. [...]</p><p>§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada</p><p>ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na</p><p>mesma sessão legislativa.</p><p>Ou, a contrario sensu, uma matéria constante de uma PEC que foi prejudicada ou foi</p><p>rejeitada, essa matéria só pode ser objeto de uma nova PEC na sessão legislativa</p><p>seguinte. Sessão legislativa não é sessão do dia, é aquela do ano. Uma sessão legislativa</p><p>começa no dia 2 de fevereiro e vai até o dia 22 de dezembro, tem um recesso no meio,</p><p>mas esse é o período completo, os dois períodos completos, o primeiro período e o</p><p>segundo período, é uma sessão inteira.</p><p>Então, se na sessão legislativa agora, de 2024, tem uma PEC sobre o tema X, e essa PEC</p><p>foi rejeitada ou prejudicada, uma nova PEC sobre o mesmo tema X só na sessão</p><p>legislativa do ano que vem, de 2025. Para dar um exemplo prático. Se for uma PEC sobre</p><p>um tema Y que não tem nada a ver com o tema X, está tudo bem, pode, o que o princípio</p><p>da irrepetibilidade é sobre a mesma matéria.</p><p>Então, limites procedimentais, nós temos a iniciativa restrita, art. 60 nos seus incisos,</p><p>Nós temos o próprio processo legislativo, § 2º e § 3º, e depois o princípio da</p><p>irrepetibilidade, § 5º.</p><p>36.1.2 LIMITES CIRCUNSTANCIAIS</p><p>Limites circunstanciais, está aí na sua tela, art. 60, § 1º. Então diz a Constituição que não</p><p>pode haver PEC, não pode haver uma emenda à Constituição durante a existência de</p><p>três situações, que são o que nós chamamos de situações excepcionais de crise, ou</p><p>estados de crise. Estamos falando da intervenção federal, estado de defesa, estado de</p><p>sítio. Então, durante a intervenção federal, durante o estado de defesa, durante o</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 129</p><p>estado de sítio, não pode haver emenda à Constituição, simples assim. Então, é um</p><p>limite circunstancial, contingencial, por causa dessa situação, dessa circunstância.</p><p>36.1.3 LIMITES MATERIAIS EXPLÍCITOS (CLÁUSULAS PÉTREAS EXPLÍCITAS)</p><p>E aí chegamos de limites materiais, as chamadas cláusulas pétreas, que as cláusulas</p><p>pétreas explícitas estão no próprio art. 60, § 4º, diz lá assim:</p><p>Art. 60. [...]</p><p>§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda</p><p>tendente a abolir:</p><p>I - a forma federativa de Estado;</p><p>II - o voto direto, secreto, universal e periódico;</p><p>III - a separação dos Poderes;</p><p>IV - os direitos e garantias individuais.</p><p>São cláusulas pétreas explícitas, vamos falar um pouco sobre elas.</p><p>Eu tenho que fatiar o § 4º em vários pedacinhos para a gente poder analisar o que cada</p><p>pedaço significa.</p><p>Diz que não será objeto de deliberação. Quando diz “não será objeto de deliberação”,</p><p>entenda-se aqui a palavra “deliberação” como sendo o próprio processo legislativo da</p><p>PEC.</p><p>Então, o que essa parte está dizendo é que, se uma PEC for tendente a abolir qualquer</p><p>um daqueles temas, essa PEC não pode ser objeto de deliberação, ou seja, essa PEC não</p><p>pode ser objeto do próprio processo legislativo, está errado. Não pode sequer ter o</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 130</p><p>processo legislativo envolvendo uma PEC sobre essas matérias. Isso significa, na prática,</p><p>que se, de fato, houver uma PEC sobre essas matérias, ela tem que ser arquivada,</p><p>rejeitada e arquivada.</p><p>“E se não for? E se ainda assim o Poder Legislativo quiser continuar com essa PEC?”</p><p>Não deveria. Mas e se ele quiser continuar com essa PEC?</p><p>Nesse caso, qualquer parlamentar, qualquer deputado, qualquer senador, qualquer</p><p>parlamentar, poderá impetrar um mandado de segurança contra a Mesa diretora da</p><p>Casa Legislativa para bloquear, trancar esse processo legislativo. É um mandado de</p><p>segurança.</p><p>Quem impetra? O parlamentar. Contra quem? Contra a Mesa da Casa diretora, porque</p><p>a Mesa da Casa diretora tinha a responsabilidade de não deliberar essa PEC, porque ela</p><p>não pode ser objeto de deliberação, mas a mesa da Casa Diretora deu sequência à PEC.</p><p>Não deveria, mas deu sequência à PEC. Então, o parlamentar impetra o mandado de</p><p>segurança contra a Mesa diretora para bloquear essa PEC.</p><p>Essa hipótese é uma hipótese de controle de constitucionalidade preventivo, porque o</p><p>controle de constitucionalidade, que é uma exceção, o controle de constitucionalidade</p><p>normalmente ele incide sobre a norma quando a norma já existe. Só que aqui está</p><p>entrando com um controle de constitucionalidade antes de a norma existir, por isso ele</p><p>chamado de controle de constitucionalidade judicial, porque é feito pelo Supremo,</p><p>preventivo.</p><p>Então, mandado de segurança do parlamentar contra a Mesa diretora da Casa para</p><p>bloquear o processo legislativo de uma PEC que é tendente a abolir uma cláusula pétrea,</p><p>controle judicial preventivo. Está bom?</p><p>Esse é o primeiro passo, então quando diz lá que não será objeto de deliberação, a gente</p><p>já entendeu. Aí a segunda parte diz assim: “proposta tendente a abolir”. Quando fala</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 131</p><p>“tendente a abolir”, a primeira coisa óbvia que vem à nossa mente é que não pode</p><p>abolir, não pode extinguir. Agora, quando diz “tendente a abolir”, a gente tem que</p><p>interpretar isso aqui com cautela. Por quê?</p><p>Porque o que o Supremo hoje interpreta, a doutrina hoje interpreta é o seguinte. Pensa</p><p>aqui na forma federativa de Estado. Na forma federativa de Estado, nós temos a</p><p>repartição de competências entre</p><p>os entes da Federação. Essa repartição de</p><p>competências entre os entes da Federação é uma das características da própria forma</p><p>federativa de Estado.</p><p>Então, não poderia haver uma emenda à Constituição que acabasse, por exemplo, com</p><p>a competência estadual, passando todas essas competências para a União, ou seja,</p><p>acabando, na prática, com o Estado federativo e passando para um Estado unitário. Não</p><p>poderia. Por quê? Porque seria tendente a abolir.</p><p>Então, isso, eu estou dando um exemplo extremo. Uma emenda acaba com a</p><p>competência do estado, por exemplo, para legislar de forma concorrente sobre</p><p>consumidor. Não pode, porque estaria tirando do estado uma parcela de sua</p><p>autonomia.</p><p>Agora, se isso, por um lado, é verdade, por outro lado, o que a Constituição não está</p><p>fazendo? Ela não impede uma emenda sobre aquela matéria. Pode uma emenda ser</p><p>feita tocando no tema da forma federativa ou tocando no tema da separação de</p><p>Poderes?</p><p>Pode, desde que o núcleo essencial da forma federativa, do voto e da separação de</p><p>Poderes, dos direitos, desde que o núcleo essencial não seja violado.</p><p>Então, conclusão, uma emenda à Constituição pode tocar em um dos temas de cláusula</p><p>pétrea desde que o núcleo essencial não seja violado, ok?</p><p>“Professor, me dá um exemplo?”</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 132</p><p>Dou. Quando, por exemplo, a emenda à Constituição tirou a competência da União para</p><p>organizar e manter a defensoria pública do Distrito Federal e passou essa função para o</p><p>próprio Distrito Federal, no caso aqui, a emenda tirou uma competência da União e</p><p>passou para o DF.</p><p>Só que isso não viola a essência da autonomia da União, por quê?</p><p>Porque, afinal de contas, a União estava cuidando de um assunto que não é</p><p>propriamente federal, era um assunto do próprio DF. O constituinte originário, lá atrás,</p><p>entendeu que o DF não tinha fôlego financeiro nem administrativo para ter a sua própria</p><p>defensoria pública.</p><p>Décadas depois, o reformador olhou e falou assim: “Não, o DF tem condições de cuidar</p><p>da sua própria defensoria pública. Então, vamos tirar essa competência da União e</p><p>passar para o próprio DF. Não é o estado que organiza e mantém a sua própria</p><p>defensoria pública? Então o DF também vai organizar e manter a sua própria defensoria</p><p>pública.”</p><p>Então, veja que, nesse caso, houve uma alteração na competência federativa, sim, mas</p><p>essa alteração não violou a essência do pacto federativo, da autonomia dos entes da</p><p>Federação, portanto não violou cláusula pétrea.</p><p>Outro exemplo, quando uma emenda à Constituição criou a ação declaratória de</p><p>constitucionalidade, foi a Emenda nº 3/1993, algumas pessoas alegaram que essa</p><p>emenda estaria ampliando o poder do STF sobre os outros Poderes no que diz respeito</p><p>ao controle de constitucionalidade. E ao ampliar o poder do STF sobre os outros</p><p>poderes, estaria criando um desequilíbrio na relação entre os Poderes e, portanto,</p><p>violaria a cláusula pétrea de separação de Poderes. Entendeu o argumento?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 133</p><p>O Supremo não concordou com esse argumento, porque ele entendeu que a ADC, a ação</p><p>declaratória de constitucionalidade, nada mais, nada menos é do que uma ação direta</p><p>de inconstitucionalidade invertida.</p><p>Ela equivale a uma ADI, uma ADC equivale a uma ADI e vice-versa. Então, o argumento</p><p>do próprio Supremo é que ele não passou a ter uma competência maior do que ele já</p><p>tinha. O Supremo continuou tendo a mesma competência que ele sempre teve, que o</p><p>constituinte originário estabeleceu. A criação da ADC nada mais, nada menos é do que</p><p>criar mais um canal para provocar o Supremo para ele exercer a competência que ele já</p><p>tinha.</p><p>Então, não violou a separação de Poderes, não aumentou o poder do Supremo sobre os</p><p>outros Poderes, não gerou nenhum desequilíbrio, apenas ampliou a forma de acesso ao</p><p>STF, entendeu?</p><p>Então, não violou o núcleo essencial do que é a separação de Poderes. Então, uma</p><p>cláusula pétrea pode ser objeto de uma emenda desde que o núcleo essencial dela não</p><p>seja violado, tudo bem? Então entendemos o § 4º.</p><p>Aí vêm os incisos.</p><p>Eu vou fazer alguns comentários rápidos sobre cada um desses incisos. O primeiro fala</p><p>da forma federativa de Estado.</p><p>Galera, a federação é cláusula pétrea. A forma de governo e o sistema de governo não</p><p>são cláusula pétrea.</p><p>O que é forma de governo?</p><p>A república ou a monarquia. No nosso caso, a república. A república não é cláusula</p><p>pétrea explícita.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 134</p><p>Há um debate, que não tem conclusão, se a república seria uma cláusula pétrea</p><p>implícita. Há um debate, que não tem uma conclusão na doutrina, se a república seria</p><p>cláusula pétrea implícita. Não há nenhuma jurisprudência, nenhuma decisão do</p><p>Supremo, nem que sim, nem que não. Então, é um tema aberto.</p><p>Quando a república cai em prova, em relação à cláusula pétrea, as bancas normalmente</p><p>colocam assim: “a república ou a forma republicana de governo é uma cláusula pétrea</p><p>explícita”.</p><p>Está errado, não é cláusula pétrea explícita. A dúvida é seria implícita, mas é uma dúvida</p><p>não respondida porque não tem jurisprudência nem maioria nesse assunto. Por isso que</p><p>nenhuma banca entra nesse vespeiro.</p><p>Então, forma federativa de Estado não é a forma de governo, república e monarquia não</p><p>são cláusula pétrea.</p><p>Sistema de governo é presidencialismo e parlamentarismo, também não é cláusula</p><p>pétrea, nem o presidencialismo, nem o parlamentarismo, ou seja, a gente é</p><p>presidencialista, então não é o presidencialismo cláusula pétrea.</p><p>Poderia mudar para parlamentarismo? Em tese, sim.</p><p>Voto secreto, direto, periódico, universal. Veja que não diz que o voto é cláusula pétrea,</p><p>diz que o voto secreto, direto, periódico, universal. São essas quatro características que</p><p>são cláusula pétrea, secreto, direto, periódico, universal.</p><p>O que não está aqui dentro?</p><p>O voto obrigatório. Então, veja que a Constituição não diz que a obrigatoriedade do voto</p><p>é cláusula pétrea. Então, em tese, uma emenda poderia tirar o voto obrigatório e passar</p><p>para o voto facultativo? Em tese, sim.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 135</p><p>Separação de Poderes, eu já dei exemplo, enfim, aquilo não tem muito mistério em</p><p>termos de polêmica</p><p>E os direitos e garantias individuais, é o inciso IV. Hoje a doutrina tem maioria, e o</p><p>Supremo também, para entender que quando a Constituição fala direitos e garantias</p><p>individuais, ela disse menos do que pretendeu. Leia-se “direitos e garantias individuais”</p><p>como direitos fundamentais como um todo.</p><p>Os direitos fundamentais são cláusulas pétreas,</p><p>o que inclui os direitos sociais e também</p><p>os direitos coletivos, os direitos fundamentais sociais e os direitos fundamentais</p><p>coletivos.</p><p>Por exemplo, a educação é um direito fundamental social, você não poderia abolir o</p><p>direito à educação da Constituição.</p><p>Tudo bem, galera? Então, entendemos aqui, o Cássio botou aqui: “Tem doutrina que</p><p>fala que a forma republicana de governo foi escolhida no plebiscito e se tornou causa</p><p>pétrea.”</p><p>É vespeiro. Verdade, o Cássio está certo, por isso que eu falei que existe a polêmica. Há</p><p>quem entenda que depois do plebiscito não poderia mais mudar a república. Ou alguns</p><p>dizem: “Olha, se o plebiscito aprovou a república lá em 1993, só o novo plebiscito é que</p><p>poderia mudar a república.” Há quem diga que não, ali foi só uma escolha do povo</p><p>momentânea, não é cláusula pétrea, enfim. É vespeiro, tanto que em prova não se</p><p>pergunta, nunca vi nenhuma prova perguntando se a república é uma cláusula pétrea</p><p>implícita, não, o máximo é se é ou não cláusula pétrea explícita, e aí não tem nenhuma</p><p>dúvida, não é cláusula pétrea explícita.</p><p>Emendas constitucionais e controle de constitucionalidade. É plenamente possível,</p><p>galera, que uma emenda à Constituição seja objeto de controle. Está aí claramente o</p><p>julgado:</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 136</p><p>O STF já assentou o entendimento de que é admissível a</p><p>ação direta de inconstitucionalidade de emenda constitucional, quando</p><p>se alega, na inicial, que esta contraria princípios imutáveis ou as</p><p>chamadas cláusulas pétreas da Constituição originária (art. 60, § 4º, da</p><p>CF). Precedente: ADI 939 (RTJ 151/755). [ADI 1.946 MC, rel. min. Sydney</p><p>Sanches, j. 29-4-1999, P, DJ de 14-9-2001.]</p><p>Beleza, então está cabível.</p><p>36.1.4 LIMITES MATERIAIS IMPLÍCITOS (CLÁUSULAS PÉTREAS IMPLÍCITAS)</p><p>Desculpa, eu vou pedir desculpa para vocês, eu preciso voltar um slide. Eu pulei, foi mal,</p><p>gente, eu pulei os limites materiais implícitos, as cláusulas pétreas implícitas.</p><p>Desculpa, deixa eu voltar aqui para fechar esse tópico. Então, as cláusulas pétreas</p><p>implícitas são aquelas consideradas a partir da lógica do sistema.</p><p>E quais são essas cláusulas pétreas implícitas?</p><p>Primeiro, a titularidade do poder. O poder é do povo e permanece com o povo. Então,</p><p>não poderia se acabar com essa titularidade do poder.</p><p>Art. 1º [...]</p><p>Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o</p><p>exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos</p><p>desta Constituição.</p><p>Segunda cláusula pétrea implícita, aqui é um jogo de palavras, e eu vou precisar da sua</p><p>atenção. Eu sei que talvez agora você esteja cansado, e a cabeça já não funciona direito,</p><p>mas eu preciso da sua atenção agora, preste atenção.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 137</p><p>Deixa eu até tentar pegar uma canetinha aqui para a gente mostrar isso aqui. Então,</p><p>olha só, esses limites aqui que eu estou circulando, esses limites todos aqui, são limites</p><p>explícitos, concorda?</p><p>Então, nós temos os limites procedimentais, são limites explícitos, estão lá no art. 60,</p><p>incisos I, II e III, §§ 2º, 3º e 5º. Os limites circunstanciais são limites explícitos, e as</p><p>cláusulas pétreas explícitas está autoexplicado, autoexplicativo, art. 60, § 4º.</p><p>Todos esses limites, todos eles, galera, todos eles não podem ser objeto de uma emenda</p><p>à Constituição, então eu não posso fazer uma emenda à Constituição alterando o</p><p>quórum de três quintos do § 2º para maioria simples ou maioria absoluta, por exemplo.</p><p>Não posso. Eu não posso tirar a forma federativa de Estado, que é uma cláusula pétrea</p><p>explícita, e acabar com essa linha da cláusula pétrea. A forma federativa de estado deixa</p><p>de ser uma cláusula pétrea. Não posso.</p><p>Então, o jogo de palavras que eu vou fazer é o seguinte, os limites explícitos, que são</p><p>todos esses aqui, os limites explícitos são, eles próprios, limites implícitos. Faz sentido</p><p>ou não?</p><p>Os limites explícitos são eles próprios cláusulas pétreas implícitas, na medida em que</p><p>eles próprios não podem ser abolidos por uma emenda.</p><p>O curioso é que o art. 60, § 4º, não diz, por exemplo, que o próprio art. 60 não possa ser</p><p>alterado. Mas é uma questão de lógica, ele não pode ser alterado.</p><p>Porque, se eu viro para um filho meu, vou imaginar que eu tenho um filho aqui de cinco</p><p>anos, meus filhos já são bem mais velhos, eu vou imaginar que eu tenho um filho de</p><p>cinco anos agora, chego para ele e falo assim: “Filho, você não pode fazer tal coisa.” Ou</p><p>seja, eu coloquei um limite para ele. E eu digo para ele assim: “Filho, você não pode fazer</p><p>tal coisa, mas se você achar que você pode, então você pode.”</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 138</p><p>Ou seja, se eu coloco um limite para a pessoa, mas essa pessoa pode mudar esse limite</p><p>a qualquer momento, é a mesma coisa de dizer que não tem limite algum.</p><p>Então, os limites operados pelo poder originário não podem ser tirados pelo poder</p><p>reformador. Ficou claro? Então, todos os limites explícitos ao poder de reforma são eles</p><p>todos também cláusulas pétreas implícitas.</p><p>O que nos leva à chamada vedação à dupla reforma ou dupla revisão. O que é isso?</p><p>Você não pode fazer uma emenda para tirar uma cláusula pétrea agora para depois fazer</p><p>uma nova emenda alterando aquilo que antes não era possível, entendeu?</p><p>Ou seja, nada diz na Constituição que a forma federativa de Estado não possa ser tirada</p><p>da cláusula pétrea, então eu vou lá, hipoteticamente, faço uma emenda, mudando ou</p><p>revogando o § 4º, inciso I, ou seja, a forma federativa de Estado deixa de ser uma lista</p><p>de cláusula pétrea, não é mais cláusula pétrea. Aí depois eu faço uma segunda da</p><p>emenda acabando com a federação brasileira e convertendo para um Estado unitário.</p><p>Não pode, isso seria dupla reforma, dupla revisão, ou seja, eu mudo um limite ao poder</p><p>de reforma hoje para amanhã mudar aquilo que antes não era possível ser mudado,</p><p>entendeu o jogo de palavras?</p><p>Então, os limites ao poder de reforma estabelecidos pelo poder constituinte originário,</p><p>eles próprios são cláusulas pétreas. Fez sentido ou não, galera?</p><p>O Glauber perguntou aqui: “Os estados podem estabelecer quórum mais rígido para a</p><p>aprovação das emendas à Constituição?”</p><p>Glauber, isso tem a ver com a aula de processo legislativo, enfim. Mas não, não pode. O</p><p>processo legislativo estadual tem que ser idêntico ao processo legislativo federal com</p><p>algumas adaptações, mas a lógica tem que ser sempre igual, tá bom?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 139</p><p>Então, a Elaine botou aqui: “É como se a posição estivesse limitando não somente os</p><p>parlamentares, os titulares desse</p><p>poder formador, mas nem mesmo os assuntos podem</p><p>ser revistos.”</p><p>Vamos lá, primeiro, o titular não é o parlamentar, o parlamentar é um agente do poder,</p><p>o poder pertence ao povo, primeira correção, tá, Eliane?</p><p>O poder é do povo, o parlamentar é um agente, o Congresso é um agente, beleza?</p><p>Segundo, eles têm esse limite, mas os próprios assuntos não podem ser revisados</p><p>duplamente, perfeito.</p><p>Então, vamos lá. Ficou clara a resposta, todo mundo entendeu.</p><p>36.2 EMENDAS CONSTITUCIONAIS E CLÁUSULAS PÉTREAS</p><p>Então, entendemos os limites. Vamos continuar aqui, eu botei aqui que a emenda pode</p><p>ser objeto de controle, lembra que eu falei que uma cláusula pétrea pode até ser objeto</p><p>de uma emenda desde que não viole o núcleo essencial?</p><p>Então, diz lá, a cláusula pétrea, olha o que está em negrito:</p><p>[...] não significam a intangibilidade literal da respectiva</p><p>disciplina na Constituição originária, mas apenas a proteção do núcleo</p><p>essencial [...]</p><p>(ADI 2.024-MC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 01/12/00)</p><p>É o julgado que eu tinha mostrado para vocês. Não precisa ler o julgado não, preste</p><p>atenção agora que eu vou trazer um outro assunto mais complicado, ok?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 140</p><p>Vamos lá, preste atenção, por favor, não é super difícil o que eu vou falar, mas também</p><p>não é tão básico o que eu vou falar, então vamos lá.</p><p>Uma emenda à Constituição pode ampliar o rol de direitos fundamentais? Uma emenda</p><p>à Constituição pode acrescentar novos direitos fundamentais? Sim ou não?</p><p>Sim, uma emenda à Constituição pode, sim, acrescentar novos direitos fundamentais.</p><p>Então esse é o primeiro ponto, aí em cima dessa pergunta vem a segunda pergunta.</p><p>Então eu tenho um direito X, esse direito fundamental foi inserido por uma emenda à</p><p>Constituição. Esse direito fundamental que foi inserido por emenda à Constituição vira</p><p>cláusula pétrea? Sim ou não? Então, o novo direito, que foi inserido por emenda à</p><p>Constituição, ele próprio é uma cláusula pétrea? Sim ou não?</p><p>Então, a maior parte está dizendo que sim, alguns aqui, o Genivaldo e o Wellington estão</p><p>dizendo que não. Então, vamos lá.</p><p>Preste atenção, pessoal. A primeira, não tem nenhuma dúvida, o novo direito pode ser</p><p>inserido por emenda, não tem nenhuma dúvida. Agora, a segunda pergunta tem uma</p><p>polêmica.</p><p>Esse direito que foi inserido por emenda vira uma cláusula pétrea?</p><p>Então, nós temos duas linhas de raciocínio. Uma que diz que, sim, eu vou chamar de</p><p>“novo direito”. Quando eu falar “novo direito”, entenda que eu estou falando do direito</p><p>inserido pela emenda.</p><p>Esse novo direito vira cláusula pétrea, uma vez que o originário protegeu todos os</p><p>direitos fundamentais, não importa se estava falando dos originários ou dos direitos</p><p>posteriores, dos novos direitos. Segundo, a vedação de retrocesso. Não poderia se</p><p>retroceder para uma situação pior. Por esse raciocínio, esse novo direito inserido por</p><p>emenda vira uma cláusula pedra.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 141</p><p>Uma segunda corrente vai dizer que não, que esse novo direito não vira cláusula pedra,</p><p>uma vez que o poder constituinte reformador não pode criar novos limites para o</p><p>próprio poder constituinte reformador.</p><p>Quando o poder reformador atua, ele atua debaixo da autoridade de quem?</p><p>Ele atua debaixo da autoridade do originário. Ora, se ele atua debaixo da autoridade do</p><p>poder constituinte originário, ele não pode ser limitado por outro poder a não ser o</p><p>próprio originário.</p><p>Então, o poder reformador de hoje não pode criar novos limites para o poder</p><p>reformador de amanhã. Ou o poder reformador de hoje não pode ser limitado por um</p><p>limite que o poder reformador de ontem criou, mas que o originário não previu.</p><p>Isso seria impor ao reformador o limite que o originário não quis impor, entendeu?</p><p>Então, existem duas linhas de raciocínio no que diz respeito aos direitos individuais.</p><p>Então, eu fiz uma primeira pergunta que não tem polêmica. Novos direitos podem ser</p><p>inseridos por emenda?</p><p>Sim.</p><p>Eu fiz uma segunda pergunta, que é uma polêmica. Esse novo direito inserido por</p><p>emenda vira cláusula pétrea?</p><p>Sim ou não? Tem controvérsia.</p><p>Qual prepondera? Na doutrina, as duas correntes são debatidas e não tem</p><p>jurisprudência sobre o assunto.</p><p>A gente não tem uma posição claramente vencedora ou dominante, tanto é assim que</p><p>quando essa questão caiu em uma prova de advogado da União, não a última, mas</p><p>provas anteriores, a questão foi anulada. Quando a banca anulou a questão, ela</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 142</p><p>respondeu o seguinte: “O tema enseja dupla interpretação na doutrina.” Foi o</p><p>argumento de anulação da banca. E é verdade, porque tem a corrente que diz que vira</p><p>cláusula pétrea e tem a corrente que diz que não vira cláusula pétrea. Tranquilo até</p><p>aqui? Beleza? Então não tem dominância aqui, está bom?</p><p>Eu vou agora trazer uma terceira situação. Não tenta pensar a terceira situação de</p><p>acordo com a cabeça das duas primeiras, a terceira é a seguinte.</p><p>Pode o poder reformador, ou seja, pode uma emenda à Constituição ampliar as</p><p>cláusulas pétreas, sim ou não? Pode o poder reformador ampliar as cláusulas pétreas,</p><p>sim ou não?</p><p>Nesse ponto eu vou dizer que não. Galera, nesse ponto eu vou dizer que não, porque</p><p>quando eu pergunto se o poder reformador pode ampliar a cláusula pétrea, a pergunta</p><p>é o seguinte, o poder informador estaria criando uma nova categoria de cláusula pétrea.</p><p>Então eu tenho quatro: forma federativa de Estado; voto secreto, direito, periódico,</p><p>universal; separação de Poderes; direitos e garantias individuais. Aí vem uma emenda e</p><p>cria uma quinta cláusula pétrea. Não pode, uma emenda não pode aumentar o rol das</p><p>cláusulas pétreas, isso aí não tem polêmica, pelo menos é amplamente dominante esse</p><p>posicionamento, entendeu?</p><p>Aí você vai falar assim: “Professor, mas o ponto que você falou que era polêmico em</p><p>relação aos direitos individuais?”</p><p>O que eu falei que era polêmico em relação aos direitos individuais é sobre os direitos</p><p>individuais apenas, ok?</p><p>Então, até porque, na pergunta anterior, a emenda não está criando uma quinta cláusula</p><p>pétrea. A emenda estaria pegando uma cláusula pétrea, que já é cláusula pétrea, direitos</p><p>e garantias individuais, e aumentando ali dentro. A pergunta é se esse aumento aqui</p><p>dentro é cláusula pétrea ou não. Eu falei que tem uma polêmica, entenderam?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 143</p><p>Agora, criar uma quinta cláusula pétrea, uma quinta categoria de cláusula pétrea, não</p><p>pode, beleza?</p><p>Então, sintetizando, galera, a emenda pode ampliar os direitos</p><p>DA ABERTURA DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL</p><p>220</p><p>74 INTERPRETATIVISMO (EUA) ....................................................................... 221</p><p>75 NÃO INTERPRETATIVISMO (EUA) ............................................................... 222</p><p>76 QUESTÃO DE CONCURSO ........................................................................... 224</p><p>77 RESUMO DO TEMA .................................................................................... 225</p><p>78. INTRODUÇÃO ............................................................................................ 228</p><p>78.1. DISTINÇÃO ENTRE PRINCÍPIOS MATERIAIS E PRINCÍPIOS INSTRUMENTAIS ..... 228</p><p>78.2. TIPOLOGIA .................................................................................................. 229</p><p>79. PRINCÍPIOS INSTRUMENTAIS ..................................................................... 230</p><p>79.1. PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO ............................................ 230</p><p>79.1.1. Tipos de supremacia ................................................................................................... 230</p><p>79.1.2. Princípios correlacionados .......................................................................................... 231</p><p>79.2. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE ................................ 231</p><p>79.2.1. Fundamentos ............................................................................................................... 232</p><p>79.2.2. Consequência .............................................................................................................. 233</p><p>79.2.3. Implicações no controle de constitucionalidade ........................................................ 236</p><p>79.3. PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO ...................... 237</p><p>79.3.1. Fundamento ................................................................................................................ 237</p><p>79.3.2. Pressuposto ................................................................................................................. 237</p><p>79.4. INTERPRETAÇÃO CONFORME COMO PRINCÍPIO INSTRUMENTAL ................... 238</p><p>79.4.1. Interpretação conforme em sentido lato e em sentido estrito ................................. 238</p><p>79.4.2. Objeto da interpretação conforme ............................................................................. 239</p><p>79.5. INTERPRETAÇÃO CONFORME E CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ......... 240</p><p>Declaração sem redução de texto e interpretação conforme ......................................................... 240</p><p>79.5.1. Duas linhas: fenômenos distintos ou convergentes .................................................. 240</p><p>79.5.2. Princípios correlacionados .......................................................................................... 247</p><p>79.5.3. Princípio da interpretação da Constituição conforme as leis? .................................. 249</p><p>Limites à interpretação conforme a Constituição ........................................................................... 250</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 11</p><p>79.6. PRINCÍPIO DA FORÇA NORMATIVA ............................................................... 251</p><p>79.7. PRINCÍPIO DA EFETIVIDADE DA CONSTITUIÇÃO (OU DA MÁXIMA EFETIVIDADE)</p><p>OU DA EFICIÊNCIA ........................................................................................................ 252</p><p>79.8. PRINCÍPIO DA UNIDADE DA CONSTITUIÇÃO .................................................. 254</p><p>79.9. PRINCÍPIO DO EFEITO INTEGRADOR .............................................................. 255</p><p>79.10. PRINCÍPIO DA CONCORDÂNCIA PRÁTICA OU DA HARMONIZAÇÃO................. 255</p><p>79.11. PRINCÍPIO (TEORIA) DOS PODERES IMPLÍCITOS ............................................. 256</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 12</p><p>CONSTITUCIONALISMO E NEOCONSTITUCIONALISMO</p><p>Pessoal, mais uma vez, boa noite, legal, prazer estar com vocês. Para quem não me</p><p>conhece, meu nome é João Mendes, eu sou um dos sócios, sou um dos professores,</p><p>coordenadores do Ênfase. Estou nessa estrada aí já há alguns bons anos.</p><p>Galera, eu vou começar a matéria já, já. Mas, antes, eu quero só fazer algumas</p><p>observações iniciais. Você vai verificar. Coisa rápida, tá, gente? Eu não posso perder</p><p>muito tempo da aula falando sobre plataforma, mas eu quero só dar algumas</p><p>orientações básicas.</p><p>Quando você entra na plataforma e clica em Meus Cursos, você tem lá, vocês já viram,</p><p>né? Tem lá um box que é só para as aulas ao vivo e tem um box que é do curso regular.</p><p>Quando você clica no box do curso regular, você vai ver um boxzinho, numa cor bem</p><p>chamativa, escrito assim: Comece Aqui. Nesse boxzinho chamado Comece Aqui, você</p><p>vai encontrar algumas coisas ali para te ajudar.</p><p>Então, tem um vídeo que eu falo sobre a plataforma e tem dois vídeos muito</p><p>importantes e úteis sobre técnica de estudo, técnica de estudo e planejamento de</p><p>estudo. Então, assistam a essa aula. A gente vai colocar ali algumas orientações, tem um</p><p>planner, tudo para te ajudar a você se organizar, você se estruturar melhor nessa</p><p>jornada para concurso público, tá bom? Então, vá lá no Comece Aqui, assista a isso,</p><p>beleza?</p><p>Em relação às matérias, a gente fez alguns ajustezinhos para quem estava no Ênfase no</p><p>ano passado, a gente fez alguns ajustezinhos, e tem um ponto muito importante que a</p><p>gente considera que é uma melhora para a organização de vocês, que é a seguinte.</p><p>Quando você entra na disciplina Direito Constitucional, você já vai ver a lista completa</p><p>de todos os temas que vão ser dados, ok? Isso é bom exatamente para você saber a</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 13</p><p>sequência dos temas. Então, hoje a gente vai falar sobre Constitucionalismo, depois vai</p><p>ter Normas Constitucionais, Hermenêutica, enfim, tem Controle de Constitucionalidade,</p><p>são várias aulas de Controle de Constitucionalidade, então, já em todas as matérias,</p><p>você já consegue ver a lista completa dos futuros temas que vão ser dados nas aulas ao</p><p>vivo, beleza? A mesma coisa vale para as matérias que são gravadas.</p><p>As matérias que são ao vivo, nós chamamos de disciplinas fundamentais, as outras</p><p>matérias que são gravadas, a gente chamou de disciplinas complementares, é só para</p><p>diferenciar, ao vivo, disciplinas fundamentais, gravada, disciplinas complementares,</p><p>beleza? Além disso, tem lá as matérias de segunda fase e por aí vai, segunda fase, temas</p><p>específicos, enfim, beleza? De qualquer forma, assistam lá à aula em que eu falo sobre</p><p>a plataforma, tá bom?</p><p>Então, galera, sem mais delongas, não vou prestar tanta atenção no chat, a gente já fez</p><p>muitas experiências em termos de aula ao vivo, permitindo interrupção durante a aula</p><p>para tirar dúvida ou concentrando as dúvidas mais ao final, enfim, e não dá para agradar</p><p>100% das pessoas, sempre tem gente que prefere de um jeito, prefere</p><p>individuais? Os direitos</p><p>fundamentais? Pode. Novo direito fundamental inserido por emenda vira cláusula</p><p>pétrea? Sim ou não? Controvérsia. Quem diz que vira cláusula pétrea usa o argumento</p><p>da vedação de retrocesso. Quem diz que não vira cláusula pétrea usa o argumento de</p><p>que o poder reformador não pode criar novos limites ao próprio poder reformador.</p><p>Terceira pergunta. O poder reformador pode criar novas cláusulas pétreas? Não. Por</p><p>quê? Aí vale o argumento. O poder reformador de hoje não pode criar novos limites ao</p><p>poder reformador de amanhã.</p><p>Fez sentido isso aqui, galera? Tranquilo? Então, sintetizei para você entender o nível de</p><p>polêmica.</p><p>Já caiu em uma prova, por exemplo, de Ministério Público Federal, uma questão que a</p><p>redação dela... Eu não sei se eu trouxe essa questão aqui, mas enfim, a redação dela é</p><p>uma redação mais sofisticada, mas que ela diz que o poder reformador, de alteração da</p><p>Constituição, não pode agir de modo a suprimir as escolhas que as gerações futuras</p><p>teriam.</p><p>Olha a pergunta, o poder reformador não poderia alterar a Constituição de modo a</p><p>suprimir as escolhas que as futuras gerações teriam. Certo ou errado, galera?</p><p>Está certo, o que ele está falando aqui com outras palavras é que o poder reformador</p><p>de hoje não pode tirar do poder futuro de amanhã, do poder reformador de amanhã, as</p><p>decisões que ele teria. Ou seja, o poder reformador de amanhã vai poder fazer suas</p><p>próprias decisões, sendo limitado apenas pelo constituinte originário e ponto.</p><p>Então seria correto afirmar que a cláusula pétrea deriva necessariamente do poder</p><p>originário, sim.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 144</p><p>Plínio, o efeito cliquet é a vedação a retrocesso, tá bom? Eu não entendi onde você quis</p><p>aplicar aqui. O efeito cliquet ou a vedação de retrocesso se aplicaria naquela corrente</p><p>que entende que o novo direito fundamental inserido por emenda violaria cláusula</p><p>pétrea por causa da vedação de retrocesso ou do efeito cliquet, tá bom?</p><p>Então, o Bruno perguntou aqui: “Poderia uma emenda modificar o que é cláusula</p><p>pétrea, mas sem abolir?”</p><p>Aí depende, foi aquilo que eu já expliquei, Bruno. Uma emenda pode tocar naquele</p><p>assunto, desde que não viole o núcleo essencial. Aí definir o que o núcleo essencial é um</p><p>tema de interpretação em que cabe um longo debate.</p><p>36.3 PODER REFORMADOR E DIREITO ADQUIRIDO</p><p>Poder reformador e direito adquirido, galera. Não há direito adquirido perante o poder</p><p>constituinte originário, mas o poder reformador deve respeitar o direito adquirido, mas</p><p>lembre-se de que não há direito adquirido a regime jurídico. Então, se há um direito</p><p>adquirido propriamente dito, tem que ser respeitado. Agora, regime jurídico não gera</p><p>direito adquirido, por isso que, se a pessoa entrou hoje, ela não adquiriu ainda o direito</p><p>à aposentadoria, mas tem um regime jurídico, e uma emenda muda o regime jurídico</p><p>da aposentadoria, mas ele não tem esse direito adquirido ainda, a emenda vai mudar o</p><p>regime jurídico e isso vai afetá-lo, porque não há direito adquirido ainda.</p><p>36.4 REVISÃO CONSTITUCIONAL</p><p>Revisão constitucional, galera, o procedimento da revisão constitucional está no art. 3º</p><p>do ADCT. Essa revisão constitucional, como características, é única, então ela foi uma</p><p>única revisão constitucional, não pode haver mais de uma, ela tem de respeitar as</p><p>cláusulas pétreas do art. 60, § 4º, e ela não está vinculada ao plebiscito do art. 2º.</p><p>O art. 2º do ADCT fala do plebiscito de república, monarquia, presidencialismo e</p><p>parlamentarismo. Tinha gente que defendia que a revisão constitucional do art. 3º só</p><p>caberia se o plebiscito do art. 2º mudasse o nosso modelo político. O Supremo falou que</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 145</p><p>não tem nada a ver uma coisa com a outra, se o plebiscito mudasse ou não mudasse,</p><p>como de fato não mudou, a revisão constitucional poderia acontecer da mesma forma,</p><p>então não tem nenhum problema. Nova revisão constitucional não pode ser instituída.</p><p>Então, a revisão tem diferença da emenda. A revisão é aprovada por maioria absoluta,</p><p>a emenda, quórum de 3/5. A revisão, sessão unicameral, emenda, dois turnos em cada</p><p>Casa. A revisão, cinco anos após a promulgação. A emenda à Constituição não tem limite</p><p>temporal.</p><p>37 PODER CONSTITUINTE DECORRENTE</p><p>Falamos do poder constituinte reformador, vamos falar do poder constituinte</p><p>decorrente.</p><p>37.1 TIPOS</p><p>O poder constituinte decorrente é o poder que os estados têm para fazerem suas</p><p>próprias constituições. Então, nós temos esse poder constituinte se subdividindo em</p><p>poder constituinte decorrente institucionalizador, que é a criação da constituição, e o</p><p>poder constituinte reformador, que é alteração da própria constituição.</p><p>Então, o institucionalizador cria a Constituição Estadual, e o reformador altera a</p><p>Constituição Estadual. O poder constituinte decorrente reformador deve seguir os</p><p>mesmos parâmetros do constituinte reformador da Constituição Federal, ou seja, três</p><p>quintos, em duas sessões. Só que lá no âmbito federal tem duas Casas, no âmbito federal</p><p>é uma Casa só, então, óbvio, você faz essa pequena adaptação, mas tem que seguir o</p><p>modelo federal.</p><p>37.2 CARACTERÍSTICAS</p><p>Características.</p><p>Por simetria? Sim, por simetria, perguntou o Samir aqui. Norma de reprodução</p><p>obrigatória, simetria, é a mesma lógica.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 146</p><p>Então, o constituinte decorrente é limitado, ele é condicionado e ele não é inicial, ou</p><p>seja, ele não é originário, ele está limitado pela Constituição Federal, ele é condicionado</p><p>pela Constituição Federal e ele não inaugura uma nova ordem jurídica, ele inaugura uma</p><p>Constituição no âmbito estadual, mas não é uma nova ordem jurídica como um todo.</p><p>37.3 CASOS ESPECÍFICOS</p><p>Em casos específicos, galera, tanto o Distrito Federal quanto o município têm lei</p><p>orgânica. A diferença, galera, é que a lei orgânica do Distrito Federal tem natureza</p><p>constitucional, a lei orgânica do município não tem natureza constitucional. Portanto, a</p><p>lei orgânica do município não é fruto do poder constituinte, tranquilo? Já a lei orgânica</p><p>do Distrito Federal é, sim, fruto de um poder constituinte.</p><p>38 QUESTÕES DE CONCURSO</p><p>Então, fechamos aqui o poder constituinte decorrente. Questões aqui.</p><p>38.1 QUESTÃO 1</p><p>DPE-PI - Defensor Público</p><p>Considerando a doutrina tradicional a respeito do poder</p><p>constituinte derivado, assinale a opção correta.</p><p>A) São características do poder constituinte derivado a</p><p>inicialidade, a incondicionalidade e a limitação.</p><p>B) A Constituição Federal não possui limitações materiais</p><p>explícitas ao poder constituinte derivado.</p><p>C) O poder constituinte derivado é inerente às constituições</p><p>rígidas.</p><p>D) No âmbito judicial, não se admite o controle de</p><p>constitucionalidade formal do poder constituinte derivado.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE</p><p>SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 147</p><p>E) A Constituição Federal possui limites temporais ao poder</p><p>constituinte derivado, mas não prevê limites circunstanciais.</p><p>Então, qual é a resposta? A, B, C, D ou E?</p><p>Anote aí.</p><p>38.2 QUESTÃO 2</p><p>MPF – Procurador da República</p><p>2. ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:</p><p>d) ( ) é entendimento consolidado do STF de que o Estado-</p><p>membro não pode criar procedimento mais rigoroso do que o previsto na</p><p>Constituição Federal para a emenda de suas Constituições.</p><p>Certo ou errado?</p><p>38.3 QUESTÃO 3</p><p>TRF1 – Juiz Federal</p><p>QUESTÃO 1</p><p>Acerca do poder constituinte, da CF e do ADCT, assinale a</p><p>opção correta.</p><p>E) Segundo disposição literal da CF, os estados e municípios</p><p>dispõem do chamado poder constituinte derivado decorrente, que deve</p><p>ser exercido de acordo com os princípios e regras dessa Carta.</p><p>Certo ou errado?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 148</p><p>Então, vamos lá. Resposta da primeira é a letra C, o poder constituinte derivado é</p><p>inerente às constituições rígidas. Por quê? Porque, nas constituições rígidas, o processo</p><p>de alteração da Constituição é mais rigoroso do que o processo de elaboração de uma</p><p>lei. Então, se a Constituição é flexível, ela pode ser alterada por qualquer lei, então não</p><p>existe poder constituinte derivado, porque qualquer lei pode alterar a Constituição, não</p><p>é o caso das constituições rígidas. Então a resposta, apesar de eu não ter falado isso</p><p>explicitamente agora, mas isso está casando com o que a gente já tinha estudado lá</p><p>atrás, sobre as classificações das constituições.</p><p>Aqui, o estado não pode criar procedimento mais rigoroso que o previsto na</p><p>Constituição Federal. Está certo, é isso mesmo, não pode, é simetria, é reprodução</p><p>obrigatória.</p><p>E está errado aqui porque o município não exerce poder constituinte decorrente,</p><p>somente os estados e o Distrito Federal, está bom? Então resolvemos isso aqui.</p><p>39 RESUMO DO TEMA</p><p>Resumo aqui, galera, o poder de alteração do texto constitucional, caracterizado pela</p><p>limitação, não inicialidade e condicionalidade.</p><p>Então, tem lá a iniciativa restrita, o quórum, o trâmite, promulgação, o princípio da</p><p>irrepetibilidade.</p><p>E o poder constituinte decorrente, poder para alteração, edição e alteração da</p><p>Constituição Estadual, caracterizada pela subordinação à Constituição Federal. Beleza?</p><p>PODER CONSTITUINTE DIFUSO</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 149</p><p>40 PODER CONSTITUINTE DIFUSO</p><p>Poder constituinte difuso é o nosso tema. Respira fundo, dá aquele gole na água e vamos</p><p>comigo, galera. Vamos lá comigo.</p><p>Poder constituinte difuso, aqui no slide eu coloquei bem objetivo só o tópico para a</p><p>gente falar, a gente não vai gastar tanto tempo aqui.</p><p>40.1 DEFINIÇÃO</p><p>Então, o que é a definição do poder constituinte difuso? É o poder do povo para alterar</p><p>o sentido da Constituição sem alterar o texto da Constituição. Então, é o poder do povo</p><p>para alterar o sentido, isso eu estou falando da interpretação, o sentido da Constituição</p><p>sem alterar o texto da Constituição.</p><p>Então, o poder constituinte difuso é diferente do reformador, porque no poder</p><p>reformador a gente altera o texto da Constituição. No poder constituinte difuso, o texto</p><p>permanece o mesmo, mas o sentido dado àquele texto se altera.</p><p>Sem querer e sem poder aprofundar tanto em interpretação, mas a gente sabe que as</p><p>palavras mudam de sentido ao longo do tempo. Vou dar exemplos muito simples aqui</p><p>para vocês. Se você pensar na palavra “medíocre”, que hoje tem um sentido claramente</p><p>pejorativo, significava, no seu sentido original, uma pessoa mediana. Portanto,</p><p>medíocre não é uma coisa sem valor ou ruim, pejorativo, medíocre é uma pessoa</p><p>mediana. Então, você fala que aquela pessoa é uma pessoa normal, mediana, é uma</p><p>pessoa medíocre, para a gente hoje não é a mesma coisa, mas na época era isso. Então,</p><p>a palavra medíocre assumiu um sentido diferente.</p><p>O termo “mulher honesta”, que usava -se lá no Código Penal. Na década de 40, ter</p><p>mulher honesta tinha uma conotação que era vinculada ao comportamento sexual das</p><p>mulheres. Hoje, quando você fala em “mulher honesta”, se você chegar para um jovem</p><p>hoje e usar o termo “mulher honesta”, claramente ele não vai conectar com nenhum</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 150</p><p>aspecto de conduta sexual da mulher. E vai até achar um absurdo se você falar como</p><p>era há anos, há décadas atrás. Isso significa que os sentidos mudaram.</p><p>Então, com o tempo, determinadas práticas ou valores da sociedade podem mudar,</p><p>desde situações mais simples até situações que, em um determinado momento, eram</p><p>polêmicas, depois deixam de ser. Por exemplo, a união homoafetiva, se você pensar</p><p>nisso há muitas décadas atrás, seria algo impensável de se legitimar juridicamente.</p><p>Passadas décadas depois, o Supremo foi lá e validou. Isso mostra que a sociedade sofre</p><p>as suas transformações e que, portanto, essas transformações podem mudar o sentido,</p><p>ou seja, o significado atribuído à Constituição.</p><p>40.2 NATUREZA</p><p>O poder constituinte, galera, difuso, a natureza dele é um poder de fato, ele não é um</p><p>poder institucionalizado. O poder constituinte reformador é exercido pelo poder</p><p>legislativo, pelo Congresso Nacional. O poder constituinte difuso tem essa natureza</p><p>difusa porque ele não é institucionalizado, portanto, é um poder informal.</p><p>“Posso usar esse termo?”</p><p>Pode, é um poder informal.</p><p>40.3 CARACTERÍSTICAS</p><p>Características, ele não é inicial, ele não é incondicionado, ele não é ilimitado. Na</p><p>verdade, ele é condicionado e limitado pelo próprio poder constituinte originário.</p><p>Por exemplo, eu não posso interpretar a Constituição atribuindo um novo sentido à</p><p>Constituição que seja um sentido contrário à literalidade do que o texto constitucional</p><p>diz. Eu posso interpretar o termo, por exemplo, vou interpretar a palavra “preto” aqui.</p><p>Não estou falando de raça, estou falando da cor preta. Eu posso olhar e dizer que pode</p><p>ter variação de tons aqui de preto, preto perolado, preto fosco, preto brilhante, enfim,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 151</p><p>mas eu jamais posso pensar no preto e atribuir à palavra preto algo que é branco, ou</p><p>que é vermelho, ou que é amarelo.</p><p>Por quê? Porque a palavra preto comporta, em si, algumas variações. As palavras, igual</p><p>a uma cor, a cor tem os seus tons. A palavra pode ter tons diferentes, ela pode ter</p><p>algumas variações de significado, mas você não pode atribuir a uma palavra um</p><p>significado que é oposto ou é contrário ao que ela permite.</p><p>40.4 LIMITES</p><p>O poder constituinte difuso tem esse limite. Terminei dando uma pulada e indo para o</p><p>último tópico, que são os limites. Quais são os limites ao poder constituinte difuso?</p><p>O poder constituinte difuso não pode atribuir um significado que é, primeiro, contrário</p><p>à literalidade da Constituição e, dois, contrário ao sistema constitucional. Ou seja,</p><p>quando eu falo de sistema constitucional, é a lógica da Constituição como todo, são os</p><p>limites ao poder constituinte difuso. Nem a literalidade pode ser violada, nem o sistema</p><p>constitucional como todo, nem a lógica, o regime, a lógica constitucional como todo.</p><p>40.5 MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL</p><p>Mutação constitucional, galera, é o resultado da atuação do poder constituinte difuso.</p><p>Então, quando a gente diz que o poder constituinte agiu, a gente está dizendo que houve</p><p>ou foi operada uma mutação constitucional.</p><p>O que é a mutação constitucional?</p><p>É a mudança informal da Constituição, ou seja, é a mudança do sentido do texto, mas</p><p>não do próprio texto. Tá bom? Isso é a mutação constitucional.</p><p>Então, galera, fique atento às expressões que podem aparecer aqui. Pode aparecer</p><p>processo informal de alteração da Constituição, é a mutação constitucional. Alteração</p><p>informal da Constituição, é a mutação constitucional. Pode aparecer a expressão</p><p>“reforma informal”, não é tão comum, porque se você usa o termo “reforma informal”,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 152</p><p>isso pode confundir com a reforma lá do poder reformador, então geraria ali uma certa</p><p>confusão semântica, enfim, uma confusão terminológica, melhor dizendo. Mas, em</p><p>tese, é uma reforma no sentido da alteração e informal, então você teria uma reforma</p><p>formal e uma reforma informal, enfim. Não é tão comum usar essa expressão, mas estou</p><p>falando para você ficar protegido aqui. Processo informal, mudança informal, mutação</p><p>informal, ou podemos falar não formal, processo não formal, dá no mesmo. Tranquilo,</p><p>galera? E os limites, eu já falei.</p><p>41 QUESTÕES DE CONCURSO</p><p>Questão.</p><p>MPT – Procurador do Trabalho</p><p>Analise as assertivas abaixo:</p><p>I - A mutação constitucional fundamenta-se na</p><p>possibilidade de se permitir a quebra da ordem constitucional e a</p><p>interpretação contra disposição constitucional expressa, ao conceber a</p><p>Constituição como organismo vivo.</p><p>II - Nos mecanismos informais de mudança da</p><p>Constituição, também conhecidos como mutações constitucionais ou</p><p>mudanças tácitas, não há alteração no texto da norma, mas na</p><p>interpretação e aplicação concreta de seu conteúdo.</p><p>Então, a I está certa ou está errada, a II está certa ou está errada?</p><p>Outra questão aqui:</p><p>FCC – DPE-PR – Defensor Público</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 153</p><p>A modificação constitucional em que não há vontade de</p><p>alterar o texto, mas é reflexo da sociedade sobre a qual este incide, é</p><p>conhecida como</p><p>A) reforma constitucional.</p><p>B) concordância prática constitucional.</p><p>C) revisão constitucional.</p><p>D) mutação constitucional.</p><p>E) interpretação constitucional.</p><p>MPF agora:</p><p>MPF – Procurador da República</p><p>DENTRE OS ENUNCIADOS ABAIXO, ESTÃO CORRETOS:</p><p>I – a possibilidade de mutação constitucional resulta da</p><p>dissociação entre norma e texto;</p><p>II – a mutação constitucional encontra limites nas cláusulas</p><p>pétreas, as quais não se abrem a processos informais de mudança da</p><p>Constituição;</p><p>I está certo ou errado, II está certo ou errado?</p><p>Então, vamos lá, MPF, errado e correto. Defensor, letra D. Procurador da República,</p><p>correto, errado.</p><p>I - A mutação constitucional fundamenta-se na</p><p>possibilidade de se permitir a quebra da ordem constitucional e a</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 154</p><p>interpretação contra disposição constitucional expressa, ao conceber a</p><p>Constituição como organismo vivo.</p><p>Está errado, porque a mutação constitucional não é inicial, ela não inicia uma nova</p><p>ordem constitucional. Segundo, a interpretação contra a disposição constitucional, está</p><p>errado, eu falei que você não pode fazer uma mutação constitucional contra a própria</p><p>literalidade da Constituição. Quando eu falei de literalidade da Constituição, é a mesma</p><p>coisa de dizer “disposição constitucional expressa”, está errado.</p><p>E a 2 está correta, quando diz lá:</p><p>II - Nos mecanismos informais de mudança da</p><p>Constituição, também conhecidos como mutações constitucionais ou</p><p>mudanças tácitas, não há alteração no texto da norma, mas na</p><p>interpretação e aplicação concreta de seu conteúdo.</p><p>Essa, de defensor, foi a mais fácil, mutação constitucional, a resposta certa.</p><p>I – a possibilidade de mutação constitucional resulta da</p><p>dissociação entre norma e texto;</p><p>Está correto, porque o texto são as disposições constitucionais, é o enunciado</p><p>linguístico, a norma é a interpretação dada a esse enunciado, então a norma é o</p><p>resultado da interpretação. Eu tenho um texto escrito, eu vou interpretar, e a</p><p>interpretação que eu der a esse texto é a norma. Então a mutação constitucional existe</p><p>porque eu posso interpretar o texto de uma forma diferente do que no passado, isso</p><p>pode gerar uma nova norma no sentido de uma nova interpretação daquele texto.</p><p>II – a mutação constitucional encontra limites nas cláusulas</p><p>pétreas, as quais não se abrem a processos informais de mudança da</p><p>Constituição;</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 155</p><p>Errado, porque as próprias cláusulas pétreas elas mesmas podem ser objeto de mutação</p><p>constitucional, então quando eu falei, por exemplo, que os direitos e garantias</p><p>individuais são cláusulas pétreas, hoje se interpreta isso como sendo os direitos</p><p>fundamentais como um todo e não só os individuais propriamente ditos.</p><p>42 RESUMO DO TEMA</p><p>Mutação constitucional é “a revisão informal do compromisso político formalmente</p><p>plasmado na constituição sem alteração do texto constitucional. Em termos incisivos:</p><p>muda o sentido sem mudar o texto”. Vai dizer Canotilho, tranquilo?</p><p>Então vamos lá, perguntas aqui.</p><p>“A Constituição Estadual poderia conferir legitimidade ao cidadão para a propor emenda</p><p>à Constituição?”</p><p>Não, porque tem que seguir o modelo federal.</p><p>“Ditadura também mudou de sentido”, vai dizer o Jackson, “de Roma para hoje”.</p><p>Perfeito, mudou de sentido completamente.</p><p>Welder botou aqui: “Quando se fala que o povo é titular do difuso, quer dizer que isso</p><p>tem a capacidade de tornar a Constituição de normativa para nominal e vice-versa?”</p><p>Não, quando eu falo que o povo é titular do poder é porque todo poder emana</p><p>do povo,</p><p>então não importa se é originário, se é reformador, se é decorrente, se é difuso, todo</p><p>poder emana do povo, é nesse sentido.</p><p>Então, no material novo, eu começo com as normas constitucionais.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 156</p><p>A Mariana perguntou se os slides foram disponibilizados. Foram sim, Mariana, tá bom?</p><p>Eu botei dois arquivos, e esses dois arquivos eu não vou completá-los hoje, a gente vai</p><p>marcar aqui uma aula extra, eu vou ver aqui com o curso quando a gente faz essa aula</p><p>extra.</p><p>NORMAS CONSTITUCIONAIS</p><p>Pessoal, normas constitucionais é o nosso tema de agora. Normas constitucionais é o</p><p>nosso tema de agora.</p><p>43. NORMA JURÍDICA</p><p>Normas constitucionais, pessoal, são, antes de mais nada, normas jurídicas. Você está</p><p>vendo aí que o primeiro tópico é de normas jurídicas, exatamente porque a norma</p><p>constitucional é uma norma jurídica, portanto, ela é um comando emanado de uma</p><p>fonte oficial dotado de imperatividade, gerando como consequência uma sanção.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 157</p><p>Então, uma norma, normalmente, tem esses elementos. Ela emana de uma fonte</p><p>específica, uma fonte oficial, no caso de uma norma jurídica comum, é o próprio Estado,</p><p>ela é dotada de imperatividade, ou seja, ela se impõe, e a violação da norma gera uma</p><p>sanção. Normalmente, são algumas características básicas de uma norma jurídica. A</p><p>norma constitucional não deixa de ser uma norma jurídica, ela emana de uma fonte</p><p>específica, nesse caso, o poder constituinte originário, é dotada de imperatividade, e a</p><p>sua violação gera consequências, seja a nulidade de uma outra lei, seja uma sanção, não</p><p>importa, ela gera uma consequência.</p><p>43.1. NORMAS CONSTITUCIONAIS</p><p>43.2. CARACTERÍSTICAS</p><p>No entanto, a norma constitucional tem características próprias. Então, quais são as</p><p>características próprias das normas constitucionais?</p><p>43.2.1. Hierarquia superior</p><p>Primeiro, a norma constitucional tem uma hierarquia superior. A norma constitucional</p><p>está acima de qualquer outra norma jurídica. Isso gera uma consequência prática na</p><p>interpretação constitucional.</p><p>Por quê?</p><p>Porque, se eu vou interpretar uma norma do Código Civil, eu uso como referência para</p><p>a interpretação da norma do Código Civil, eu uso como referência uma norma</p><p>constitucional. Agora, quando eu vou interpretar a norma constitucional, eu não tenho</p><p>acima dela nenhuma outra norma superior, ok?</p><p>Então, não existe acima da norma constitucional nenhuma norma jurídica superior</p><p>estabelecida que sirva de referência. Então, veja que essa característica de</p><p>superioridade hierárquica gera uma consequência prática na interpretação</p><p>constitucional.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 158</p><p>43.2.2. Plasticidade da linguagem</p><p>Segunda característica das normas constitucionais é que elas têm uma linguagem</p><p>plástica, é a plasticidade da linguagem. Quando a gente fala de plasticidade da</p><p>linguagem, a gente está falando de uma linguagem que é volátil, ela é volúvel, ela é</p><p>maleável. A gente pode usar o termo, e eu quero que vocês escrevam essa expressão aí,</p><p>é a ductilidade da norma. Ductilidade, esse termo significa maleabilidade, então a norma</p><p>tem o conteúdo maleável, flexível. Flexível não no sentido de constituição flexível, no</p><p>sentido de que são termos voláteis, ou falando de outra maneira, a norma é vaga.</p><p>Então, o que significa igualdade?</p><p>Uma pessoa que for de um espectro ideológico mais conservador, por exemplo, vai</p><p>entender a liberdade ou a igualdade de um jeito, uma pessoa que for de um espectro</p><p>mais progressista vai entender a igualdade de um outro jeito. Então é vago, são todas</p><p>expressões equivalentes, a gente pode falar de plasticidade, vagueza, vaguidão,</p><p>ductilidade, porosidade, maleabilidade, permeabilidade, textura aberta. Todas essas</p><p>expressões são a mesma coisa. Todas as expressões significam que o conteúdo do texto,</p><p>da linguagem, é um conteúdo maleável, é um conteúdo que pode ser interpretado de</p><p>formas completamente diferentes.</p><p>43.2.3. CONTEÚDO POLÍTICO</p><p>E o conteúdo político da norma é porque a norma constitucional define o modelo de</p><p>organização política que nós vamos adotar, que é o próprio modelo do Estado.</p><p>44. TEXTO CONSTITUCIONAL (CONJUNTO NORMATIVO CONSTITUCIONAL)</p><p>Texto constitucional, galera, o texto constitucional é o conjunto normativo da</p><p>Constituição.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 159</p><p>No caso do Brasil, o texto constitucional compreende três elementos, que é o próprio</p><p>texto permanente, que a gente chama de texto ou corpo principal da Constituição, que</p><p>é o art. 1º, art. 2º até o art. 250.</p><p>Depois nós temos o texto provisório, que aí nós temos o ato das disposições</p><p>constitucionais transitórias, então temos o texto permanente, o texto provisório, não</p><p>está escrita essa expressão aí, mas você pode anotar, o texto permanente, o texto</p><p>provisório e temos as emendas à Constituição.</p><p>Porque, galera, as emendas à Constituição, elas podem alterar o texto permanente, elas</p><p>podem alterar o texto provisório, elas podem não alterar o texto permanente, não</p><p>alterar o texto provisório, elas podem, elas próprias, trazer normas específicas que não</p><p>vão ser incorporadas nem no texto permanente, nem no texto provisório.</p><p>Me foge o número agora, mas a emenda que trata da covid, da pandemia, foi uma</p><p>emenda que trouxe diversos dispositivos sobre aquela condição, sobre aquela situação</p><p>específica, mas ela não alterou em nada o texto principal, o texto permanente.</p><p>Entendemos o que é o texto, quando falamos de texto constitucional estamos falando</p><p>das três coisas. Uma emenda constitucional, mesmo que ela não mude nada, ela é uma</p><p>emenda autônoma, destacada, tem um texto próprio destacado, ainda assim ela é texto</p><p>constitucional. Ainda assim ela é texto constitucional, sem problema nenhum.</p><p>45. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO CONTEÚDO</p><p>Vamos lá. Classificação quanto ao conteúdo. Normas materialmente constitucionais e</p><p>normas formalmente constitucionais.</p><p>46. NORMAS MATERIALMENTE CONSTITUCIONAIS</p><p>Normas materialmente constitucionais são aquelas que tratam de temas</p><p>especificamente constitucionais. Que temas são esses?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 160</p><p>São três, anote aí. Quais são os temas especificamente constitucionais</p><p>que caracterizam</p><p>as normas materialmente constitucionais?</p><p>Um segundo, gente. É a Emenda nº 106 mesmo, a que eu estava me referindo é a</p><p>Emenda nº 106 de forma específica. Se você abrir o conteúdo da Emenda nº 106, que é</p><p>o exemplo que eu queria dar, ela traz os seus dispositivos que não são incorporados nem</p><p>no texto permanente, nem no texto provisório.</p><p>A Emenda nº 126, que o pessoal sugeriu aqui, que trata também sobre questões de</p><p>despesas, enfim, ela é uma emenda normal, ela muda a Constituição, ela muda lá o art.</p><p>155, eu estou abrindo aqui só para ter certeza de que a gente fez a referência correta,</p><p>está bom?</p><p>Então, no exemplo, eu não estou discutindo o tema das emendas, bom, gente, o meu</p><p>objetivo não é discutir o tema, mas é o exemplo prático, uma emenda que não alterou</p><p>nenhum texto principal, nem alterou o texto provisório, é uma emenda que traz um</p><p>conteúdo próprio, exclusivo dela, a Emenda nº 106 é o meu exemplo.</p><p>Normas materialmente constitucionais, organização do Estado, organização dos</p><p>Poderes e direitos fundamentais são os três temas essencialmente constitucionais.</p><p>Quando você fala de normas materialmente constitucionais, normas essencialmente</p><p>constitucionais, normas ontologicamente constitucionais, são esses três temas.</p><p>47. NORMAS FORMALMENTE CONSTITUCIONAIS</p><p>Normas formalmente constitucionais são aquelas normas que estão no texto</p><p>constitucional. Por exemplo, a gente pode pensar aqui da seguinte maneira, nós temos</p><p>as normas materialmente constitucionais, vou botar aqui um M, que trata desses</p><p>assuntos. E nós temos uma norma formalmente constitucional.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 161</p><p>Por exemplo, o art. 1º da Constituição traz lá os fundamentos da República. É uma</p><p>norma materialmente constitucional. A norma do Colégio Pedro II é uma norma</p><p>formalmente constitucional, mas não é materialmente.</p><p>Então, tem normas que são materialmente constitucionais e que também são</p><p>formalmente constitucionais e tem normas que são apenas formalmente</p><p>constitucionais, está bom?</p><p>“Ah, professor, poderia existir, no caso brasileiro, normas materialmente constitucionais</p><p>que estariam fora do texto constitucional?”</p><p>Então, nós teremos esse seguinte esquema. Então, nós teremos normas materialmente</p><p>constitucionais de um lado, normas formalmente constitucionais do outro, ou seja, tem</p><p>normas, como a do Colégio Pedro II, que são formalmente constitucionais, está aqui na</p><p>ponta, mas não são materialmente constitucionais. Normas como o art. 1º, art. 2º, art.</p><p>5º, que são materialmente constitucionais e também são formalmente constitucionais.</p><p>Aí a pergunta é: Tem normas que são materialmente constitucionais e que estariam fora</p><p>do texto constitucional?</p><p>Isso é um tema polêmico na realidade brasileira. Hoje a gente poderia até falar nos</p><p>princípios constitucionais implícitos. Os tratados internacionais de direitos humanos são</p><p>normas formalmente constitucionais, porque eles têm equivalência como emenda à</p><p>Constituição. Então, aqui nessa hipótese seriam os princípios implícitos, perfeito?</p><p>48. QUANTO À IMPERATIVIDADE</p><p>Beleza. Quanto à imperatividade, o Direito americano vai falar em normas</p><p>autoaplicáveis e normas não autoaplicáveis. Self-executing ou not self-executing, então</p><p>são normas que se autoaplicam ou não. Vou falar melhor sobre isso daqui a pouco.</p><p>Na doutrina italiana, eles falam em normas mandatórias, normas permissivas, mas não</p><p>chega a ser uma classificação tão relevante.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 162</p><p>49. QUANTO AO CONTEÚDO E FINALIDADE PREDOMINANTES (LUÍS ROBERTO</p><p>BARROSO)</p><p>Quanto a conteúdo de finalidade predominante, segundo Barroso, o Barroso vai colocar</p><p>normas constitucionais de organização, normas definidoras de direitos e normas</p><p>programáticas.</p><p>Normas constitucionais de organização, o tema é autoexplicativo, tratam da organização</p><p>do Estado, Federação, competência do estado, competência do município, da União.</p><p>Organização dos Poderes, Poder Judiciário, Poder Executivo, Poder Legislativo, são</p><p>normas organizatórias.</p><p>Normas definidoras de direitos, sejam os direitos fundamentais, outros que não sejam</p><p>fundamentais, mas que estejam na Constituição, ou seja, normas que conferem ao</p><p>indivíduo a titularidade de uma posição ou jurídica de vantagem.</p><p>E normas programáticas são normas que estabelecem objetivos, fins, alvos a serem</p><p>alcançados de conteúdo social, de conteúdo socioeconômico. Promover a erradicação</p><p>da miséria, por exemplo, ou da pobreza, é uma norma programática, levar a educação a</p><p>todos, alfabetização a todos, é uma norma programática, tranquilo?</p><p>50. CLASSIFICAÇÕES QUANTO À EFICÁCIA E APLICABILIDADE</p><p>Quanto à eficácia e aplicabilidade, então, nós temos uma classificação que se subdivide</p><p>em bipartida, tripartida, quadripartida e quinquipartida, 2, 3, 4, 5.</p><p>51. CLASSIFICAÇÃO BIPARTIDA</p><p>A classificação bipartida vai falar normas autoaplicáveis e não autoaplicáveis, também</p><p>chamadas de bastantes em si mesma, self-executing, self-acting, self-enforcing</p><p>provisions. São normas que se bastam, são autossuficientes, ou seja, elas compreendem</p><p>todos os componentes necessários para a sua aplicação. Então, elas têm todos os</p><p>componentes necessários para serem aplicadas.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 163</p><p>Normas não autoaplicáveis são normas que, ao contrário, não têm os componentes</p><p>necessários para serem aplicadas e, portanto, elas dependem de alguma coisa para só</p><p>então serem aplicadas. Ok? Então, normas autoaplicáveis e não autoaplicáveis.</p><p>Crítica às normas não autoaplicáveis. Qual é a crítica que a doutrina mais atual faz?</p><p>A crítica é que não existe norma que seja 100% destituída de aplicabilidade. Então, toda</p><p>a norma tem aplicabilidade, ainda que seja em um grau reduzido, mas tem</p><p>aplicabilidade. Então, é o que a gente vai chamar de crítica à tese do grau zero, ou seja,</p><p>é como se a norma tivesse grau zero de aplicabilidade, é a norma não autoaplicável, só</p><p>que a crítica vai dizer o seguinte: “Toda norma tem algum grau de aplicabilidade. Pode</p><p>não ser completo ainda, mas tem algum grau de aplicabilidade.”</p><p>E o que seria essa aplicabilidade?</p><p>A gente vai falar que toda norma tem três efeitos mínimos. Anote aí, galera. Efeitos</p><p>mínimos das normas constitucionais.</p><p>Então, a norma constitucional tem um efeito revogatório, então isso significa que a</p><p>norma constitucional revoga as disposições anteriores que sejam contrárias, ok? Então,</p><p>efeito mínimo, efeito revogatório.</p><p>São três efeitos mínimos, tá? Um, efeito revogatório, dois, efeito inibitório, o efeito</p><p>revogatório significa que a norma revoga as disposições anteriores que sejam contrárias,</p><p>efeito inibitório é para frente, então a norma constitucional impede que atos ou outras</p><p>normas sejam elaboradas ou praticadas contra ela própria, contra a própria norma,</p><p>entendeu? Efeito inibitório. Então, efeito revogatório é para trás, revoga o que ficou</p><p>para trás.</p><p>Inibitório é que impede para frente que atos sejam praticados contra a própria</p><p>norma.</p><p>Então, efeito revogatório, efeito inibitório. Por exemplo, o efeito inibitório é o</p><p>fundamento do controle de constitucionalidade. Então, se eu tenho uma norma, mesmo</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 164</p><p>que ela não tenha autoaplicabilidade, mas a norma tem esse efeito inibitório, se o poder</p><p>público pratica um ato contrário a essa norma, esse ato é nulo, cabe o controle de</p><p>condicionalidade, efeito inibitório, fez sentido?</p><p>E o terceiro efeito, efeito interpretativo. Então, a norma constitucional serve como</p><p>parâmetro de interpretação do ordenamento normativo. Então, toda norma</p><p>constitucional é composta de alguns efeitos mínimos, revogatório, inibitório e</p><p>interpretativo.</p><p>Beleza, galera, vamos que vamos. Então já fizemos a crítica aqui.</p><p>52. CLASSIFICAÇÃO TRIPARTIDA</p><p>Classificação tripartida. Classificação tripartida, galera. Então vai falar de norma de</p><p>eficácia plena, eficácia contida, eficácia limitada.</p><p>Norma de eficácia plena, galera, são ou equivalem às normas autoaplicáveis. São as</p><p>normas que compõem todos os elementos, elas compreendem todos os elementos para</p><p>serem aplicadas, eficácia plena, então elas têm aplicabilidade imediata e eficácia plena.</p><p>A norma de eficácia contida também tem aplicabilidade imediata, a diferença, galera, é</p><p>que a norma de eficácia contida pode sofrer uma restrição, ela pode sofrer uma</p><p>contenção, daí o nome contida. Alguns até criticam esse termo e preferem usar o termo</p><p>“norma de eficácia contível” ou “norma de eficácia restringível”, contível, restringível ou</p><p>contida, mas elas têm aplicabilidade imediata.</p><p>Então, veja o exemplo. É livre o exercício qualquer trabalho, profissão ou ofício,</p><p>atendidas as qualificações que a lei estabelecer. Então, vamos lá, surge uma nova</p><p>demanda no mercado. Então o cara resolve trabalhar com marketing digital, ele se</p><p>especializa em gestor de tráfego, ou seja, é aquela pessoa responsável por fazer os</p><p>anúncios, pagar os anúncios, comprar os ads no Google, no YouTube, no Facebook, no</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 165</p><p>Instagram, então ele faz o tráfego pago, que a gente chama de tráfego pago, é pagar</p><p>propaganda para aparecer na internet, esse é o tráfego pago.</p><p>Cara, isso é uma atividade nova que hoje demanda uma especialização tão grande que</p><p>tem gente que ficou focada nisso, é gestor de tráfego, ponto. Galera, tem lei</p><p>regulamentando isso?</p><p>Não. Então, qualquer um pode ser?</p><p>Qualquer um pode ser. Você hoje fala assim: “Acabei com o Direito, desistir, estou</p><p>desiludido, você é gestor de tráfego pago na internet.”</p><p>Beleza. Você vai lá, vai estudar, vai fazer alguns cursos qualquer, vai estudar por conta</p><p>própria, vai meter a mão na massa, daqui a pouco você se especializou e vai trabalhar,</p><p>beleza.</p><p>Então, beleza, você vai ser gestor de tráfego. Não tem regulamentação. Agora, vamos</p><p>imaginar que surge uma lei dizendo assim: “A partir de agora, o gestor de tráfego tem</p><p>que ser formado em marketing, tem que ser formado em TI...” E vai botando requisitos.</p><p>No momento em que surgiu a lei, a liberdade de exercer aquela atividade profissional</p><p>ficou limitada.</p><p>Eficácia limitada são aquelas normas que equivalem às não autoaplicáveis, ou seja, elas</p><p>não têm todos os elementos. Elas têm uma eficácia mínima, como eu já falei, por isso é</p><p>chamada de eficácia limitada, mas não é plena ainda, então não tem aplicabilidade</p><p>ainda.</p><p>Essas normas de eficácia limitada, galera, elas se subdividem em dois tipos, anota aí.</p><p>Normas de eficácia limitada de princípio institutivo, normas de eficácia limitada de</p><p>princípio institutivo ou organizatório, e normas de eficácia limitada de princípio</p><p>programático, ok?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 166</p><p>As normas de eficácia limitada de princípio institutivo, como o nome já diz, criam</p><p>instituições ou organizações. Por exemplo, a Constituição criou a AGU. No dia seguinte</p><p>à promulgação da Constituição, dia 6 de outubro, a Constituição é do dia 5. No dia 6 de</p><p>outubro de 1988, a AGU não existe. Então foi necessário fazer uma lei, estabelecer uma</p><p>sede física, fazer concurso público, aí sim, agora a AGU existe, entendeu?</p><p>Norma programática ou de eficácia limitada de princípio programático, como já falei,</p><p>são normas que estabelecem objetivos, alvos a serem alcançados.</p><p>Então, a Ana Paula perguntou: “Normas programáticas são autoaplicáveis ou não</p><p>autoaplicáveis?”</p><p>Está respondida, concorda, Ana Paula, a sua pergunta? Porque a norma de eficácia</p><p>limitada ela equivale a uma norma não autoaplicável, ok? Então, vamos lá, fechou.</p><p>Esse trecho desse julgado é uma crítica às normas programáticas, então vamos lá.</p><p>Então, foi o trecho desse voto aqui do ministro Eros Grau. Então, o que ele</p><p>está dizendo aqui é o seguinte, é que o termo “normas programáticas” foi</p><p>deturpado para retirar da norma constitucional a sua efetividade, como</p><p>se a norma constitucional fosse vazia e dependesse da lei para ser</p><p>efetivada.</p><p>E mais: já é mesmo tempo de abandonarmos o uso da expressão “normas</p><p>programáticas”, que aparece nos autos, não no voto de Vossa Excelência,</p><p>porque essa expressão porta em si vícios ideológicos perniciosos.</p><p>Seguidamente pergunto-me por que terá sido esquecida a lição do</p><p>Tribunal Constitucional da República Federal da Alemanha, que, em</p><p>acórdão já de 29 janeiro de 1969, assumiu, em síntese, o seguinte</p><p>entendimento:</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 167</p><p>a) quando a teoria sobre normas constitucionais programáticas pretende</p><p>que na ausência de lei expressamente reguladora da norma esta não</p><p>tenha eficácia, desenvolve uma estratégia mal expressada de não</p><p>vigência (da norma constitucional), visto que, a fim de justificar-se uma</p><p>orientação de política legislativa --- que levou à omissão do Legislativo --</p><p>- vulnera-se a hierarquia máxima normativa da Constituição;</p><p>b) o argumento de que a norma programática só opera seus efeitos</p><p>quando editada a lei ordinária que a implemente implica, em última</p><p>instância, a transferência de função constituinte ao Poder Legislativo.</p><p>Manifestação do Min. Eros Grau no RE 407.688</p><p>Então, foi o trecho desse voto aqui do ministro Eros Grau. Então, o que ele está dizendo</p><p>aqui é o seguinte, é que o termo “normas programáticas” foi deturpado para retirar da</p><p>norma constitucional a sua efetividade, como se a norma constitucional fosse vazia e</p><p>dependesse da lei para ser efetivada.</p><p>Isso significa que termina esvaziando a norma e termina transferindo do constituinte</p><p>para o legislador a definição do</p><p>que é a norma constitucional. Está errado. Essa é a crítica</p><p>às normas constitucionais programáticas.</p><p>53. CLASSIFICAÇÃO QUADRIPARTIDA E CLASSIFICAÇÃO DE UADI LAMMÊGO BULOS</p><p>Classificação quadripartida. Eficácia absoluta, eficácia plena, eficácia relativa</p><p>restringível, eficácia complementar. E vou falar da classificação do Uadi Lammêgo Bulos</p><p>junto, para vocês entenderem.</p><p>Então, olha só, eficácia plena, relativa restringível e relativa complementável é a mesma</p><p>que a gente já estudou antes, ou seja, é a eficácia plena, eficácia contida e eficácia</p><p>limitada. Aqui é igual àquela classificação tripartida. Lembra da classificação tripartida?</p><p>Então, eficácia plena, contida e limitada.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 168</p><p>Eficácia contida, ele vai chamar de relativa restringível, eficácia limitada vai chamar de</p><p>relativa complementar. Tudo bem, até aqui mesma coisa, mesma classificação.</p><p>Só que a classificação quadripartida acrescenta uma quarta classificação, que é a eficácia</p><p>absoluta, que seria o seguinte. Norma de eficácia absoluta é a norma que limita o poder</p><p>constituinte reformador, ou seja, seriam as cláusulas pétreas. Então, a norma de eficácia</p><p>absoluta limita o poder constituinte reformador, ela tem o efeito de bloquear a ação do</p><p>reformador, tranquilo?</p><p>Norma de eficácia absoluta aqui embaixo, do Uadi Lammêgo Bulos, é a mesma coisa.</p><p>Então, aqui, nesse ponto aqui, estou falando da mesma coisa. Fez sentido ou não,</p><p>galera? E aí o Uadi Lammêgo Bulos vai trazer uma outra classificação, que são as normas</p><p>de eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada.</p><p>O que é essa classificação que ele traz?</p><p>Como o nome indica, norma de eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada é a norma</p><p>que já produziu seu efeito e não tem mais novos efeitos a serem produzidos. Então,</p><p>exemplo, o art. 2º do ADCT, que traz o plebiscito para escolher entre república e</p><p>monarquia, presidencialismo e parlamentarismo, esse artigo já produziu seu efeito, já</p><p>teve o plebiscito, acabou. É uma norma que exauriu seus defeitos, aplicabilidade</p><p>esgotada. Então é isso.</p><p>Então, a quadripartida e a quinquipartida falam de absoluta, você já entendeu, e a</p><p>quinquipartida acrescenta essa norma de eficácia exaurida, aplicabilidade esgotada.</p><p>Foi? Bacana, então fechamos essas duas classificações aqui também.</p><p>54. QUANTO À ESTRUTURA</p><p>Classificação quanto à estrutura, regras e princípios. Esse tema eu não vou aprofundar,</p><p>porque na aula de interpretação eu vou dedicar um ponto só sobre isso, só para falar de</p><p>regras e princípios.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 169</p><p>Então, basicamente, a regra define uma conduta e uma consequência. Eu vou só dar um</p><p>conceito básico por enquanto. Ela define uma conduta e uma consequência. Matar</p><p>alguém, pena de tanto a tanto, é uma regra.</p><p>“Professor, dá exemplo de uma regra constitucional.”</p><p>Se você tiver tanto tempo de contribuição ou X anos de idade, você vai ter direito a uma</p><p>aposentadoria integral. Isso é uma regra, uma conduta ou uma situação, um fato e a</p><p>consequência dessa conduta, da situação desse fato.</p><p>Princípios, não tem conduta nem fato e a consequência, princípios revelam valores,</p><p>princípios revelam valores. Ficou claro ou não?</p><p>55. EFETIVIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS</p><p>Vamos lá, vamos adiante. Efetividade das normas constitucionais.</p><p>55.1. MECANISMOS DA EFETIVIDADE</p><p>Quais são os mecanismos de efetividade das normas constitucionais?</p><p>A gente pode falar de vários mecanismos, a gente pode falar da clareza da norma,</p><p>quanto mais clara é a norma, maior é a potencialidade de efetividade, maior potencial</p><p>de ser efetiva, então a clareza da norma.</p><p>A gente pode falar na própria razoabilidade da norma, se a norma for uma norma</p><p>absurda, teratológica, ela tende a não ser efetiva.</p><p>Mecanismos de controle ou de defesa da norma, então, se a norma for violada, a</p><p>violação à norma tem que gerar uma consequência, porque se a norma for violada e isso</p><p>não gerar consequência alguma, não haverá nenhum estímulo para a norma ser</p><p>obedecida.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 170</p><p>Então é a sanção, a violação da norma deve gerar uma sanção. No caso da violação de</p><p>uma norma constitucional, a sanção ou a consequência é a inconstitucionalidade, ou</p><p>seja, a nulidade do ato, o ato é nulo, tá bom?</p><p>E um outro mecanismo de efetividade é a tutela jurisdicional. Se uma norma não puder</p><p>ser perseguida judicialmente, no sentido de se buscar judicialmente a proteção ou a</p><p>concretização dessa norma, ela vai cair no campo apenas de um ideal vazio.</p><p>Então, a norma, para ser efetiva, tem que ter uma tutela jurisdicional, ela tem que ter</p><p>justiciabilidade.</p><p>56. BIPOLARIDADE EFICACIAL DAS NORMAS</p><p>Bipolaridade eficacial das normas constitucionais. Já ouviram falar nisso, galera? Já</p><p>ouviram falar em bipolaridade eficacial?</p><p>Aí você ouviu e falou assim: “Professor, eu agora fiquei sabendo que a norma pode ser</p><p>bipolar, até a norma constitucional pode ser bipolar, meu Deus do céu, que pesadelo.”</p><p>Pois é, o que é a bipolaridade eficacial da norma?</p><p>Todas as normas constitucionais apresentam tanto uma eficácia positiva quanto uma</p><p>eficácia negativa. Todas as normas constitucionais apresentam eficácia positiva e</p><p>eficácia negativa.</p><p>O que é a eficácia positiva, galera?</p><p>A eficácia positiva é uma obrigação de fazer. A norma constitucional gera uma obrigação</p><p>de fazer ao poder público. Ela gera uma obrigação de fazer ao poder público, o poder</p><p>público é obrigado a agir.</p><p>Eficácia negativa é uma obrigação de não fazer. Então, vamos dar um exemplo prático.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 171</p><p>Um direito individual, direito fundamental individual, direito de primeira geração,</p><p>normalmente, ele tem uma eficácia negativa, por exemplo, é livre a manifestação de</p><p>pensamento.</p><p>Eu não preciso do poder público para manifestar o meu pensamento, eu faço um post</p><p>no Instagram, gravo um vídeo qualquer e manifesto a minha posição política, religiosa,</p><p>ideológica, filosófica e por aí vai.</p><p>Agora, se a minha liberdade de manifestação de pensamento for violada, eu posso</p><p>entrar com uma ação pedindo ao poder público que ele atue de forma concreta a</p><p>proteger a minha liberdade.</p><p>Então, a minha liberdade de manifestação de pensamento tem uma eficácia negativa,</p><p>ou seja, impede que o poder público viole a minha liberdade, o poder público não pode</p><p>impedir a minha liberdade, mas se a minha liberdade for impedida por alguém, eu posso</p><p>exigir do poder público que ele atue concretamente, ou seja, que ele atue positivamente</p><p>na proteção da minha liberdade, entendeu? Então,</p><p>tem uma eficácia tanto negativa</p><p>quanto positiva.</p><p>Vou dar outro exemplo, agora de um direito social, de um direito de segunda geração,</p><p>os direitos sociais, normalmente a gente fala que eles têm uma eficácia positiva. Então</p><p>pensa na saúde, eu estou com um problema médico, preciso de um tratamento, um</p><p>medicamento, vou pedir ao poder público que ele forneça o medicamento, ou seja, uma</p><p>eficácia positiva, estou exigindo ao poder público uma obrigação de fazer. Mas vamos</p><p>imaginar o seguinte, que eu preciso de medicamento, o SUS fornece o medicamento,</p><p>mas eu não quero esperar, não quero ficar na fila do SUS, não quero ter esse trabalho,</p><p>eu tenho dinheiro e vou comprar por conta própria. O poder público pode me impedir?</p><p>Não. Então, a eficácia negativa impõe o poder público com a obrigação de não fazer.</p><p>Tranquilo? Obrigação de não fazer.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 172</p><p>O Guilherme perguntou, e a pergunta é muito boa: “A eficácia é positiva e negativa é</p><p>exigível apenas perante o poder público ou poderia ser exigida diante de outros</p><p>particulares?”</p><p>Guilherme, a sua pergunta, na verdade, nos leva a um outro ponto da matéria, que é a</p><p>chamada eficácia horizontal dos direitos fundamentais, e aí a gente teria que dedicar</p><p>um tempo para entender esse assunto na aula de direitos fundamentais, a gente vai</p><p>tocar nesse assunto, mas, para quem defende eficácia horizontal, e hoje é a maioria,</p><p>sim, poderia ser exigida no âmbito das relações privadas também, ou seja, entre</p><p>particulares. Mas, óbvio, esse é o tema mais complexo, mais extenso, que demanda uma</p><p>outra análise.</p><p>57. PREÂMBULO</p><p>Galera, falando de normas constitucionais, vamos falar do preâmbulo.</p><p>O preâmbulo, eu estou falando aqui dentro desse tema, mas ele não é uma norma</p><p>constitucional. O preâmbulo tem natureza de protocolo de intenções, ele é uma</p><p>declaração política, então ele não tem força normativa, logo, o preâmbulo, anote aí, não</p><p>é norma de reprodução obrigatória no âmbito da Constituição Estadual, não precisa</p><p>repetir o modelo federal.</p><p>E o preâmbulo não pode servir como parâmetro para o controle de constitucionalidade,</p><p>ok? Não pode, o preâmbulo não é parâmetro para o controle de constitucionalidade.</p><p>58. QUESTÕES DE CONCURSO</p><p>Foi? Questão, vamos lá, questões de prova.</p><p>58.1. QUESTÃO 1</p><p>TRF1 - Juiz Federal</p><p>A respeito da ordem constitucional brasileira, assinale a opção correta.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 173</p><p>e) As normas presentes no ato das disposições constitucionais</p><p>transitórias, pelo seu caráter temporário, são dispositivos</p><p>hierarquicamente inferiores às normas constantes do corpo principal da</p><p>CF.</p><p>Certo ou errado?</p><p>58.2. QUESTÃO 2</p><p>AGU - Advogado da União</p><p>Em decorrência da supremacia das normas constitucionais, qualquer</p><p>norma a ser integrada ao ordenamento jurídico somente será válida caso</p><p>esteja em conformidade com a Constituição, razão por que se afirma que</p><p>todas as normas constitucionais detêm eficácia.</p><p>Certo ou errado, galera? E aí? Certo ou errado?</p><p>58.3. QUESTÃO 3</p><p>MPE-SC - Promotor de Justiça</p><p>Normas constitucionais de eficácia limitada são aquelas que apresentam</p><p>aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque só incidem totalmente</p><p>sobre esses interesses, após uma normatividade ulterior que lhes</p><p>desenvolva a aplicabilidade.</p><p>58.4. QUESTÃO 4</p><p>Próxima, TJ da Paraíba.</p><p>TJ-PB – Juiz de Direito</p><p>Acerca dos princípios constitucionais e da classificação e interpretação</p><p>das normas constitucionais, assinale a opção correta.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 174</p><p>d) As normas constitucionais programáticas cingem-se a estipular</p><p>princípios ou programas que devem ser perseguidos pelos poderes</p><p>públicos, não possuindo eficácia vinculante nem sendo capazes de gerar</p><p>direitos subjetivos na sua versão positiva ou negativa, embora impeçam</p><p>a produção de normas que contrariem o direito nelas inserido.</p><p>58.5. QUESTÃO 5</p><p>TJ da Paraíba, de novo.</p><p>Acerca dos princípios constitucionais e da classificação e interpretação</p><p>das normas constitucionais, assinale a opção correta.</p><p>b) Entre as modalidades de eficácia dos princípios constitucionais inclui-</p><p>se a eficácia negativa, que implica a paralisação de qualquer norma ou</p><p>ato jurídico que contrarie um princípio.</p><p>58.6. QUESTÃO 6</p><p>DPE-MS - Defensor Público</p><p>No que se refere à interpretação da natureza jurídica do preâmbulo da</p><p>Constituição, segundo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é</p><p>correto afirmar que:</p><p>a) o preâmbulo da Constituição é normativo, apresentando a mesma</p><p>natureza do articulado da Constituição e, consequentemente, serve como</p><p>paradigma para a declaração de inconstitucionalidade.</p><p>b) o preâmbulo da Constituição não constitui norma central, não tendo</p><p>força normativa e, consequentemente, não servindo como paradigma</p><p>para a declaração de inconstitucionalidade.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 175</p><p>c) o preâmbulo da Constituição possui natureza histórica e política,</p><p>entretanto, se situa no âmbito dogmático e, consequentemente, serve</p><p>como paradigma para a declaração de inconstitucionalidade.</p><p>d) o preâmbulo da Constituição possui natureza interpretativa ou</p><p>unificadora e traz sentido às categorias jurídicas da Constituição e,</p><p>portanto, trata-se de norma de reprodução obrigatória nas Constituições</p><p>estaduais.</p><p>E aí, galera, resposta, anota aí, vamos lá.</p><p>Juiz, errado.</p><p>AGU, correto.</p><p>MP Santa Catarina, correto.</p><p>TJ Paraíba, errado.</p><p>TJ Paraíba, correto.</p><p>E a última, letra B. Quem acertou, galera?</p><p>Então vamos repetir aqui rapidinho?</p><p>Então vamos lá.</p><p>Não, são normas constitucionais como qualquer outras.</p><p>Perfeito, isso aqui é especificamente eficácia inibitória, lembra? Significa que todas as</p><p>demais normas futuras têm que ser de acordo com a norma constitucional.</p><p>Perfeito.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 176</p><p>Errado. A letra D da Paraíba está errada.</p><p>Correto, falamos sobre eficácia negativa, obrigação de não fazer. Obrigação de não fazer</p><p>significa que o poder público está obrigado a não agir contra a própria norma, não fazer,</p><p>não agir, e não violar a própria norma.</p><p>E aqui, sobre o preâmbulo, é a letra B. O preâmbulo não é norma central, não tem força</p><p>normativa, não serve como parâmetro.</p><p>Fez sentido, galera?</p><p>59. RESUMO DO TEMA</p><p>Então, aqui está um resumo para vocês, não preciso ler o resumo, o resumo é mais para</p><p>vocês depois terem como referência. Como é que vocês estão aí?</p><p>O Weld perguntou se não seria efeito inibitório a penúltima, vamos lá, qual é a</p><p>penúltima aqui? Essa daqui?</p><p>Boa pergunta, Weld, desculpe, boa pergunta. Por que boa pergunta?</p><p>Preste atenção, galera, a pergunta dele foi muito boa, essa explicação que eu falei de</p><p>efeito inibitório, revogatório e efeito interpretativo é uma classificação sobre os efeitos</p><p>mínimos das normas constitucionais que é paralela àquela outra análise de eficácia</p><p>positiva e negativa, ou seja, são classificações que coexistem independentemente uma</p><p>da outra e elas podem se misturar.</p><p>Então, por exemplo, o efeito inibitório impede que o poder público atue contra a norma</p><p>constitucional e, se ele atuar, esse ato é nulo.</p><p>O efeito inibitório é um efeito negativo, é uma eficácia negativa. Então, falar uma coisa</p><p>ou outra não está errado, entendeu, Weld?</p><p>Porque o efeito inibitório é que o poder público não pode agir contra. Esse efeito</p><p>inibitório, paralelamente, é uma eficácia negativa, porque é uma obrigação de não fazer.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 177</p><p>Já o efeito interpretativo, o efeito hermenêutico, significa que o poder público deve agir</p><p>ou deve interpretar as normas de acordo com a norma constitucional, esse efeito</p><p>interpretativo, por sua vez, também é um efeito positivo, porque obriga o poder público</p><p>a agir de determinada maneira, entendeu?</p><p>Então, falar de eficácia positiva e negativa é uma classificação. Falar de eficácia inibitória,</p><p>revogatória e interpretativa é outra.</p><p>E essas duas classificações podem conversar entre si. Fez sentido?</p><p>Foi boa a colocação que ele fez. Beleza? Foi?</p><p>“Beleza, é igual a falar da constituição concretizadora, interpretação normativa, são</p><p>assuntos iguais em campos diversos?”</p><p>Sim. Só que aí você trouxe um outro assunto para trazer para cá, que fica complexo fazer</p><p>essa análise. Mas eu entendi a tua lógica, são perspectivas diferentes para olhar o</p><p>mesmo fenômeno, mas perspectivas diferentes, beleza.</p><p>Então, as normas de eficácia limitada são aquelas que apresentam aplicabilidade</p><p>indireta, mediata e reduzida. Por quê? Porque elas não produzem seus efeitos</p><p>imediatamente, elas têm uma eficácia mínima, mas essa eficácia mínima é de qualquer</p><p>norma.</p><p>Por isso que a gente chama de eficácia mínima, então limitada, porque ela não produz</p><p>a plenitude dos seus efeitos. Beleza? Fez sentido? Legal.</p><p>Na aula passada eu tinha comentado, de repente, de a gente estender um pouco mais</p><p>para poder dar um pouco mais de tema, mas não vai ser necessário.</p><p>Por quê? Porque eu tenho todo o tema de interpretação para dar para vocês, e aí eu</p><p>vou fazer o seguinte, eu vou dar uma aula extra, tá bom?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 178</p><p>Vou dar uma aula extra, aí eu fico com duas horas só para dar a interpretação, o material</p><p>de interpretação já está definido para vocês, já está entregue para vocês, foi colocado</p><p>para vocês.</p><p>Então, a gente vai ter duas horas para se dedicar à interpretação. Eu vou ver aqui, com</p><p>a organização prática do curso, quando a gente faz isso.</p><p>É possível que essa aula extra caia em uma quinta-feira, é possível. Exatamente por</p><p>causa da programação, mas eu vou ver com eles como fica. Se dá para botar, se tem</p><p>alguma segunda, terça e quarta livre que dê para encaixar, se tem espaço para encaixar,</p><p>mas aí a gente vai precisar se organizar. De qualquer forma, a aula vai ser ao vivo, mas</p><p>quem não puder assistir ao vivo, depois fica gravado.</p><p>Então, pessoal, fechamos. Foi mais uma vez uma noite maravilhosa estar com vocês.</p><p>Sempre um prazer estar aqui com vocês. Isso me deixa bastante feliz.</p><p>Galera, fechamos. Aguardem notícias sobre isso aí.</p><p>O Cássio é que costuma dizer o seguinte, controle de constitucionalidade antes era um</p><p>pesadelo, depois passa a ser uma felicidade. Eu espero que Constitucional passe a ser</p><p>uma felicidade para vocês também, como é para mim. Beleza?</p><p>Galera, beijo para vocês, até a próxima, fiquem com Deus, bom descanso.</p><p>INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL</p><p>Então, vamos lá, pessoal.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 179</p><p>Galera, boa noite para todo mundo. Galera, aperta o cinto mesmo para valer, não aquele</p><p>de cintura, aquele de três pontas assim, porque a gente vai ter que viajar agora, então</p><p>a gente vai ter que andar rápido.</p><p>60. ROTEIRO DA AULA</p><p>Galera, o nosso tema hoje é interpretação constitucional, a gente precisa aqui viajar,</p><p>tem muita coisa para a gente falar, vai anotando, esse material é o material que eu já</p><p>tinha disponibilizado desde a aula passada, então já estava no seu portal, vá anotando,</p><p>se ficar com alguma dúvida, escreve do lado, para depois a gente tentar no final</p><p>compensar, porque eu tenho muita coisa para falar aqui com vocês hoje, então vamos</p><p>lá.</p><p>Primeiro ponto, primeiro tema é a introdução, propriamente dita, à interpretação</p><p>constitucional.</p><p>61. INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL</p><p>61.1. DEFINIÇÃO</p><p>Então, começando, vamos botar aqui definição, interpretar é a atividade intelectual</p><p>destinada a atribuir o sentido e o alcance de um texto. Então, é a atividade intelectual</p><p>definida para atribuir o sentido e o alcance de um texto, não apenas texto, eu estou</p><p>falando que é uma atividade intelectual destinada a atribuir um sentido e o alcance a</p><p>um texto, porque a gente lida, o nosso objeto de interpretação é um texto normativo,</p><p>seja o texto da Constituição, seja o texto de uma norma infraconstitucional, mas a ideia</p><p>de interpretação vale para praticamente tudo na vida.</p><p>Então, você interpreta símbolos, você interpreta ações que as pessoas fazem, você</p><p>interpreta aparência, você interpreta cores, você interpreta uma pintura, você</p><p>interpreta uma música, você interpreta uma porção de coisas, ou seja, a interpretação</p><p>é uma atribuição de sentido.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 180</p><p>61.2. EXTRAÇÃO X ATRIBUIÇÃO DE SENTIDO</p><p>E aqui eu já começo com um conflito entre duas palavras que são utilizadas no âmbito</p><p>da interpretação, que são as palavras “extração” e “atribuição”.</p><p>62. REPRODUÇÃO X PRODUÇÃO</p><p>Se você pegar termos ou livros, autores mais antigos ou clássicos, vão falar que a</p><p>interpretação é extrair do texto o seu sentido e o seu alcance, extrair do texto, é a ideia</p><p>de que o texto em si tem um significado e você vai apenas lá naquele significado e vai</p><p>coletar aquele significado, vai extrair.</p><p>Só que a doutrina mais atual já avançou para entender que</p><p>não existe extrair do texto</p><p>um significado. Na verdade, o intérprete atribui a um texto um significado.</p><p>Então, se eu chegar aqui para você e falar que o pássaro é azul, a palavra, essa frase, o</p><p>pássaro é azul, nós todos aqui, que falamos a língua portuguesa, entendemos.</p><p>Se eu falar the bird is blue, o pássaro é azul, em inglês, quase todo mundo aqui entendeu,</p><p>mas se eu chegar e falar “o pássaro é azul” em mandarim ou em russo, acho que</p><p>ninguém aqui vai entender, muito poucas pessoas aqui vão entender.</p><p>Por quê?</p><p>Porque a palavra ou aqueles símbolos linguísticos não têm um significado em si mesmo,</p><p>tem um significado que está no próprio intérprete.</p><p>Então, quando eu leio a frase “o pássaro é azul”, esse conjunto de letras, que nós vamos</p><p>chamar de símbolos linguísticos, esse conjunto de símbolos linguísticos formam um</p><p>sentido a partir do que o intérprete sabe. Se o intérprete não tem conhecimento prévio</p><p>algum sobre aqueles símbolos linguísticos, eles não vão significar nada para aquele</p><p>intérprete.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 181</p><p>Então, ninguém sabe ler hieroglifo, imagino que ninguém saiba. Então, a gente vai ver</p><p>aqueles desenhos lá, não vão significar nada para a gente. Agora, quem sabe, quem tem</p><p>uma base de conhecimento, vai atribuir um significado.</p><p>Então, hoje o sentido, ou melhor, o termo mais utilizado é atribuir um sentido e um</p><p>alcance da norma, é atribuir.</p><p>In claris cessat interpretativo</p><p>Então, quando a gente usa o termo em latim, essa expressão em latim, in claris cessat</p><p>interpretatio, essa expressão em latim significa que quando a norma é clara, não há</p><p>interpretação, ou seja, in claris, ou na clareza, cessat, cessa, interpretatio, a</p><p>interpretação. Então, quando a norma é clara, cessa a interpretação, não há que falar</p><p>em interpretação.</p><p>Essa é uma expressão em latim tradicional, clássica, mas hoje em dia ela já se considera</p><p>ultrapassada. Por quê?</p><p>Porque o simples fato de eu ler um texto normativo e entender que o sentido daquele</p><p>texto é um sentido claro, isso já demandou por parte do intérprete uma atividade</p><p>intelectual destinada a compreender o texto, isso já é interpretação. Então, não existe</p><p>texto que não seja objeto de interpretação, por mais óbvio que ele possa parecer, não</p><p>existe o texto que não seja objeto de interpretação.</p><p>Então, quando alguém chega para você, a partir de agora, e fala assim: “Isso aqui é óbvio,</p><p>é o que o texto está dizendo, não estou nem interpretando o texto, não precisa nem de</p><p>interpretação, é óbvio.” Você, de repente, não vai falar nada para não se dar o trabalho</p><p>de entrar em um debate que, talvez, a pessoa não vá nem entender, mas você, na sua</p><p>cabeça, vai pensar consigo, você vai rir para você mesmo e falar assim: “Pobre mortal,</p><p>não entende nada de interpretação, não sabe que só o fato de ele dizer que o texto é</p><p>claro já demandou uma interpretação, pobre mortal.”</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 182</p><p>Então, você vai ali zoar a pessoa com você mesmo, na sua própria cabeça, vai ficar</p><p>quieto, mas você vai perceber que a pessoa não entende o mínimo de interpretação,</p><p>por quê?</p><p>Eu estou brincando, gente, é óbvio que isso é muito mais comum, as pessoas falam</p><p>muito isso. Só uma brincadeira.</p><p>Então, a norma clara é uma norma interpretada, tudo bem? Então, sempre há uma</p><p>interpretação, beleza?</p><p>62.1.1. Texto normativo e norma</p><p>Texto normativo e norma.</p><p>Texto normativo é o conjunto do enunciado linguístico, é o enunciado, é o conjunto dos</p><p>símbolos linguísticos, são as letras que, ordenadas de determinada forma, elas podem</p><p>compreender um sentido.</p><p>Enfim, e você sabe que as palavras podem ter sentidos diferentes, as palavras podem</p><p>mudar de sentido ao longo do tempo. Então, quando eu falo o seguinte: “Eu comi uma</p><p>manga e sujei minha manga, e você não vai mangar de mim.”</p><p>Manga, fruta, manga, camisa e manga ou mangar no sentido de zoar, de brincar com a</p><p>pessoa, entendeu? Não sei nem quem conhecia essa expressão “mangar”, o fulano</p><p>manga do outro, está mangando do outro.</p><p>Então, veja que aquele símbolo linguístico, manga, pode ter sentidos diferentes,</p><p>palavras podem mudar de sentido ao longo do tempo.</p><p>A gente hoje fala que uma pessoa é medíocre, é um sentido claramente pejorativo. No</p><p>passado, “medíocre” significava uma pessoa mediana, uma pessoa normal, então as</p><p>palavras mudam de sentido.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 183</p><p>E por que eu estou falando isso agora?</p><p>Porque o texto normativo é o enunciado que tem um conjunto de símbolos linguísticos,</p><p>a norma é o sentido que nós vamos dar ao texto. Então, eu posso ter um texto normativo</p><p>que hoje significa uma coisa e, passados 5, 10, 15, 20, 30, 50 anos, esse mesmo texto</p><p>pode significar uma coisa diferente.</p><p>O João botou aqui: “‘Mangar’ é uma expressão muito comum em Pernambuco, aqui no</p><p>Rio de Janeiro é incomum.”</p><p>Eu sei disso. Então, assim, no Nordeste, de forma geral, a expressão é muito comum, é</p><p>muito utilizada.</p><p>Então, nós já entendemos a diferença entre extração e atribuição. Entendemos que</p><p>extração é uma reprodução e atribuição é uma produção. Então, a atribuição demanda</p><p>uma atividade criativa do intérprete, o intérprete, de alguma forma, ele cria junto com</p><p>a interpretação.</p><p>Beleza?</p><p>Entendemos que essa expressão in claris cessat interpretatio hoje é ultrapassada, que</p><p>texto normativo é o enunciado com os símbolos linguísticos e a norma é o sentido dado</p><p>ao texto.</p><p>62.2. FASES</p><p>Fases da interpretação.</p><p>A primeira fase é compreender ou conhecer, interpretar, propriamente dito, que é o dar</p><p>o sentido, e aplicar. Então, compreensão, interpretação e aplicação, são fases desse</p><p>processo cognitivo.</p><p>62.3. INTERPRETAÇÃO E HERMENÊUTICA</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 184</p><p>Vamos falar sobre as expressões “interpretação” e “hermenêutica”. Veja que essas duas</p><p>expressões, elas, ora, são usadas como sinônimos, ora, ou para alguns autores, como</p><p>Miguel Reale fala que a diferença entre as duas expressões é irrelevante. E quem faz a</p><p>diferença vai falar que interpretação se dá no caso concreto, aplicando as regras</p><p>construídas na ciência hermenêutica, interpretação é a aplicação dos cânones</p><p>hermenêuticos.</p><p>Então, assim, a interpretação é a atividade intelectual para atribuir o sentido à norma, a</p><p>hermenêutica seria a ciência por trás disso, ou seja, seria o estudo dos métodos, das</p><p>técnicas utilizadas para interpretar.</p><p>Então, quando você fala nos métodos clássicos, interpretação literal, histórica,</p><p>sistemática, isso seria hermenêutica, que é o estudo dos métodos, e a interpretação</p><p>de outro, mas a</p><p>nossa experiência, em termos de otimização do tempo e do conteúdo para vocês, é a</p><p>gente dar aula e concentrar as perguntas um pouco mais para o final, ok? Porque aí evita</p><p>interrupções, a aula flui e você guarda a sua pergunta para o final, ok?</p><p>Então, vamos lá? Então, já apareceu para vocês a tela, então, o tema está aqui:</p><p>Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo é o tema que a gente vai abordar a partir</p><p>de agora, vão ser duas horas de aula, a gente vai quebrar essas duas horas de aula em</p><p>vários subtópicos. Em cada tópico, a gente apresenta a matéria, depois algumas poucas</p><p>questões só para ilustrar e no final um resumozinho e aí a gente vai para o próximo</p><p>tópico, beleza?</p><p>Quero dizer também, galera, que é muito importante você ter consciência, é muito</p><p>importante você ter consciência do que eu vou falar agora, nós somos um curso regular</p><p>em que durante o período de um ano, a gente pretende apresentar todo o conteúdo</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 14</p><p>que é importante para sua aprovação, então, a gente tem que pegar o conteúdo que</p><p>você viu durante cinco anos de faculdade e condensar em um ano, óbvio, a gente faz</p><p>uma seleção dos temas que são mais importantes e dá uma profundidade que é</p><p>adequada, então, é óbvio que tem temas que eu vou falar muito mais rápido porque</p><p>tem uma profundidade, uma complexidade menor, e outros temas que eu vou falar de</p><p>forma muito mais detida, né? Então, por exemplo, controle de constitucionalidade é um</p><p>desses temas, se não me engano, são cinco aulas de duas horas só de controle de</p><p>constitucionalidade, são dez horas de aula só de controle de constitucionalidade, então,</p><p>é importante você ter essa consciência, a gente não pode ter aqui uma pretensão de</p><p>esgotamento de todos os pontos de edital, até porque são muitos editais, então, esgotar</p><p>todos os tópicos. Aqui a gente faz uma seleção de modo que a gente veja a matéria de</p><p>início ao fim, mas enfatizando, de fato, aquilo que pode fazer a diferença na sua</p><p>aprovação, que são os temas de maior incidência, beleza?</p><p>Dito isso, vamos lá, Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo é o nosso ponto,</p><p>começando aqui, esse é um tema essencialmente doutrinário, então, não tem, nesse</p><p>ponto, lei ou artigo da Constituição ou uma lei específica ou muitos julgados para a gente</p><p>tratar, no final, a gente faz questão e resumo.</p><p>Começando, então, sem mais dialogas, vamos lá, respira fundo, aperta o cinto e vamos</p><p>comigo, galera. Constitucionalismo, primeiro ponto, evolução histórica do</p><p>constitucionalismo, a gente separa a evolução histórica do constitucionalismo em várias</p><p>etapas, as três primeiras etapas, que são da construção do constitucionalismo, a gente</p><p>vai separar em constitucionalismo antigo, medieval e moderno, depois tem outros</p><p>modelos, mas vamos falar primeiro desses três.</p><p>1 CONSTITUCIONALISMO ANTIGO</p><p>Constitucionalismo antigo, galera, não é o constitucionalismo como nós o conhecemos</p><p>hoje, em que há uma Constituição escrita como um documento jurídico superior, o</p><p>constitucionalismo antigo, na verdade, é uma série de influências que vão se somar para</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 15</p><p>a formação do constitucionalismo moderno, que é o constitucionalismo que nós</p><p>conhecemos hoje, sobretudo a partir da Constituição americana.</p><p>E quais são esses valores, quais são esses pontos ou essas influências que vão formar o</p><p>constitucionalismo moderno, que vão formar, na verdade, a nossa cultura ocidental?</p><p>Quando a gente fala do constitucionalismo moderno, a gente está falando, basicamente,</p><p>de um modelo de constitucionalismo ocidental.</p><p>Então, nós temos três influências, a influência judaico-cristã, a influência da Grécia e a</p><p>influência romana.</p><p>1.1 INFLUÊNCIA JUDAICO-CRISTÃ</p><p>A influência judaico-cristã se verifica na ideia de dignidade da pessoa humana e valores</p><p>morais. De onde a gente extrai essa ideia de dignidade e valores morais?</p><p>Primeiro, galera, o imago Dei, é uma expressão em latim, significa "a imagem de Deus",</p><p>o homem e o ser humano, a mulher, eles foram criados à imagem e semelhança de Deus.</p><p>Nós somos, então, o ápice da criação divina, nós somos a coroa da criação e, portanto,</p><p>nós somos detentores de uma dignidade diferente do restante da criação, o que mostra,</p><p>por exemplo, valores morais que são próprios do judaísmo e do cristianismo, como a</p><p>ideia de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Então, a</p><p>ideia de amor ao próximo, a ideia de respeito ao próximo, de honra ao próximo, a ideia</p><p>de igualdade, de que Deus não faz acepção de pessoas.</p><p>Então, todos esses valores judaico-cristãos, que para a gente hoje são valores tão óbvios,</p><p>eles não eram tão óbvios naquele contexto histórico. Em um estado de barbárie, esses</p><p>valores foram revolucionários. Então, quero lembrar, só a termos curiosidade para</p><p>vocês, que, por exemplo, na época de Roma, era comum as famílias rejeitarem seus</p><p>filhos e jogarem seus filhos para morrer na rua. E os cristãos, por exemplo, eles</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 16</p><p>adotavam, porque tanto o judaísmo quanto o cristianismo têm uma ideia importante de</p><p>acolher o órfão, acolher a viúva, abraçar os desprotegidos.</p><p>Isso começou a mudar a sociedade, e os valores cristãos, os valores morais, que para a</p><p>gente hoje são tão preciosos e muitos de nós até secularizam esses valores,</p><p>desconectam esses valores do cristianismo, mas são valores que nasceram lá e</p><p>formaram a nossa sociedade ocidental.</p><p>1.2 INFLUÊNCIA DA GRÉCIA</p><p>Na influência grega, nós temos filosofia e democracia. Então, todo debate filosófico e</p><p>seus diversos ramos, e a ideia de democracia, sobretudo a democracia ateniense, onde</p><p>o povo é responsável para tomar suas próprias decisões, isso é uma ruptura também</p><p>muito importante, porque ao invés de admitirmos uma ideia de uma entidade mística</p><p>superior ou diversas entidades, como no caso da mitologia grega, governarem o ser</p><p>humano, o ser humano é capaz de se autogovernar a partir de suas próprias escolhas,</p><p>das suas próprias decisões. Então, a ideia de democracia.</p><p>E a filosofia, como eu já falei, em todos os seus ramos, ela causa um impacto significativo</p><p>na forma de pensar o mundo, de pensar a si mesmo, de pensar a realidade. Dentro da</p><p>filosofia grega, a gente encontra, por exemplo, os estoicos. E os estoicos têm uma</p><p>formulação muito importante, que é a ideia de dignidade também, a ideia de igualdade.</p><p>Protágoras, por exemplo, um outro filósofo bastante importante, ele dizia o seguinte, se</p><p>você puder anotar essa frase, ele dizia o seguinte: "O homem é a medida de todas as</p><p>coisas." Quando diz que o homem é a medida, isso quer dizer o seguinte, olha, qual é a</p><p>régua que eu vou usar para avaliar o resto das coisas? É o homem. Então, o homem é</p><p>uma espécie de régua, é uma espécie de modelo de comparação, é uma referência.</p><p>Então, o homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são,</p><p>é a</p><p>atividade propriamente dita.</p><p>Na prática, hoje, as duas expressões são utilizadas como sinônimo, então, na prática,</p><p>hoje, você vai encontrar autores que vão criticar isso, que vão ser mais puristas, enfim,</p><p>mas, naturalmente, as duas expressões terminam sendo utilizadas como equivalentes,</p><p>tranquilo?</p><p>62.4. INTERPRETAÇÃO E CONCRETIZAÇÃO CONSTITUCIONAL</p><p>Então, interpretação e hermenêutica já foi. Interpretação e concretização</p><p>constitucional. A interpretação e a concretização constitucional são categorias distintas,</p><p>mas associadas, ou seja, que não podem ser desassociadas.</p><p>Interpretação consiste em atribuir um significado a um ou vários símbolos linguísticos</p><p>na Constituição, vai dizer o Canotilho, conforme eu vim explicando para vocês até agora.</p><p>Concretização é a construção de uma norma jurídica mediante um processo de</p><p>densificação, vou explicar o que é isso, de princípios e regras constitucionais a partir do</p><p>texto, ou seja, do enunciado, para uma norma jurídica concreta, processo que se</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 185</p><p>completa apenas quando da descoberta da norma de decisão que dá a solução aos</p><p>casos, ou seja, aos problemas jurídico-constitucionais.</p><p>Interpretação é aquilo que eu já vinha explicando, atribuir um significado. Concretização</p><p>é trazer esse significado para o mundo dos fatos, para a realidade concreta.</p><p>Então, quando a gente fala em densificar, essa é uma expressão que a gente vai usar em</p><p>outros momentos, densificar significa dar mais... Pensa em condensar, o que é</p><p>condensar?</p><p>Você pega uma coisa que é um vapor e você vai condensar no líquido, ou seja, você vai</p><p>colocar mais elementos em menor espaço, então você tem muita coisa no menor</p><p>espaço. Densificar a norma é pegar algo do vazio ou algo vago e comprimi-la para uma</p><p>situação concreta, ou seja, a densificação de uma norma é compactar essa norma, ou</p><p>seja, os elementos dessa norma. Estou tentando trazer para um recurso visual para</p><p>vocês poderem entender o conceito. E compactar os elementos constitutivos da norma</p><p>em uma situação real, em uma situação concreta.</p><p>Então, quanto mais vaga, mais abstrata é a norma, menor densidade ela tem, quanto</p><p>mais específica é a norma, maior a densidade ela tem. Então, uma norma, vamos lá,</p><p>matar alguém, pena de tanto a tanto, isso tem um nível de abstração, então, matar</p><p>alguém, pena de tanto a tanto, não é tão abstrato quanto, por exemplo, dizer que todos</p><p>são iguais perante a lei, a igualdade é mais abstrata do que a regra do homicídio.</p><p>Quando eu pego esse “matar alguém”, que é abstrato, mas não é muito, mas é abstrato,</p><p>e digo o seguinte, o fulano matou o Beltrano e, por isso, o fulano vai sofrer uma pena de</p><p>tanto a tanto, e isso vem em uma decisão, eu trouxe essa norma do campo do abstrato</p><p>para o campo do concreto, ou seja, tem ainda maior densidade. É você trazer algo vago</p><p>para algo concreto, é você trazer algo muito abstrato para um campo menor de</p><p>abstração até um ponto concreto, isso é a ideia de densificação.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 186</p><p>Entendemos a diferença entre interpretar e concretizar a norma, óbvio que uma coisa</p><p>não existe sem a outra, uma coisa leva à outra.</p><p>62.5. PERGUNTAS CENTRAIS DA INTERPRETAÇÃO</p><p>Perguntas centrais da interpretação, são três grandes perguntas que a interpretação</p><p>tem que fazer, é interpretar o quê, interpretar como e quem interpreta. Cada uma</p><p>dessas três perguntas, galera, é um ramo próprio do conhecimento dentro da</p><p>hermenêutica.</p><p>Então quando você fala em interpretar o quê, você pode falar o seguinte: “Professor,</p><p>essa resposta é fácil, se eu estou falando de interpretação constitucional, interpretar o</p><p>quê? A Constituição, óbvio.”</p><p>Legal, aí eu pergunto para você, o que é a Constituição?</p><p>Se você disser para mim que a Constituição é um documento jurídico dotado de</p><p>hierarquia superior sobre toda a ordem normativa, eu vou falar: “Legal, esse é um</p><p>conceito de Constituição, só que é um conceito positivista, normativista, tem gente que</p><p>entende que a Constituição é muito mais do que o texto, a Constituição é um conjunto</p><p>de valores morais, tem gente que entende que a Constituição é um conjunto de decisões</p><p>políticas.”</p><p>E aí nós entramos nas concepções das constituições, então veja que responder a</p><p>pergunta sobre interpretar o quê não é uma pergunta fácil.</p><p>Interpretar como?</p><p>Aí nós estamos falando dos métodos de interpretação, que é o foco do nosso tema aqui</p><p>hoje.</p><p>E quem interpreta, ou seja, quem é o intérprete constitucional?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 187</p><p>Nesse caso a gente vai falar que nós temos a sociedade ou nós temos o juiz</p><p>constitucional, quem é o juiz constitucional? Qualquer órgão do Poder Judiciário ou tem</p><p>um órgão específico? Isso tem a ver com a jurisdição constitucional, e a jurisdição</p><p>constitucional tem uma série de temas de problemas e temas complexos.</p><p>Então perceba que a interpretação envolve três grandes perguntas, interpretar o quê,</p><p>interpretar como e quem interpreta, o nosso foco vai ser no “interpretar como”, pelo</p><p>menos nesta aula.</p><p>62.6. ESPECIFICIDADES DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS</p><p>Especificidades das normas constitucionais, se nós vamos interpretar normas</p><p>constitucionais, a norma constitucional é uma norma jurídica, só que é uma norma</p><p>jurídica dotada de algumas características próprias.</p><p>Quais são essas características próprias das normas constitucionais?</p><p>62.6.1. POSIÇÃO HIERÁRQUICA SUPERIOR</p><p>Então nós temos, primeiro, a posição hierárquica superior. A norma constitucional é</p><p>uma norma jurídica, porém dotada de supremacia, então, quando eu interpreto uma</p><p>norma do Código Civil, eu tenho como referência superior uma norma constitucional,</p><p>mas quando eu interpreto a norma constitucional, eu não tenho nenhuma referência</p><p>superior que sirva de parâmetro para aquela norma constitucional. Então uma coisa é</p><p>interpretar uma norma infraconstitucional, outra coisa é interpretar a própria norma</p><p>constitucional, porque a norma infraconstitucional tem uma referência superior, a</p><p>norma constitucional não tem referência superior alguma, pelo menos não no sentido</p><p>de uma norma jurídica positivada.</p><p>62.6.2. TEXTURA ABERTA DA LINGUAGEM CONSTITUCIONAL</p><p>Segunda característica, especificidade. A norma constitucional é dotada de uma textura</p><p>aberta na sua linguagem, textura aberta, galera, é uma expressão que significa que a</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 188</p><p>norma é vaga, então falar, por exemplo, dignidade da pessoa humana, isso é muito vago,</p><p>falar em mínimo existencial ou existência digna, falar em igualdade,</p><p>das que não</p><p>são enquanto não são. Então, o ser e o não ser são definidos a partir do ser humano.</p><p>Essa é uma ideia antropocêntrica e, portanto, vai ser uma ideia fundamental no</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 17</p><p>iluminismo, séculos mais tarde. Então, influência judaica e cristã, influência da Grécia e</p><p>influência de Roma.</p><p>1.3 INFLUÊNCIA DE ROMA</p><p>A influência de Roma, nós encontramos a própria formulação da política, com a ideia de</p><p>república, de senado, o desenvolvimento político e o próprio Direito romano, como nós</p><p>o conhecemos.</p><p>Então, galera, esse caldo cultural em que nós vivemos hoje, ele tem esse tripé, valores</p><p>morais e de dignidade humana, que a gente extrai num histórico vindo do judaísmo e</p><p>do cristianismo, valores extraídos da filosofia e da democracia e valores extraídos da</p><p>política e do Direito, Grécia e Roma, ok?</p><p>2 CONSTITUCIONALISMO MEDIEVAL</p><p>Evoluindo, a gente chega no constitucionalismo medieval, onde nós encontramos um</p><p>fenômeno, que é o pacto entre rei e nobreza. Nesse pacto entre rei e nobreza, era</p><p>comum o rei, para obter o apoio da nobreza, admitir um conjunto de direitos para essa</p><p>nobreza, direitos esses que limitariam o próprio rei. Então, era um pacto, era um acordo</p><p>mesmo. Eu, rei, vou ceder para vocês alguns direitos ou privilégios, e vocês, nobres de</p><p>contrapartida, vão me apoiar financeiramente, me apoiar nas guerras. Então, há uma</p><p>troca aqui.</p><p>E esse fenômeno tem como seu exemplo maior a Magna Carta Libertatum de 1215, na</p><p>Inglaterra, ou a Grande Carta das Liberdades da Inglaterra. Nessa Magna Carta, por</p><p>exemplo, a gente extrai alguns princípios, algumas ideias que são importantes até hoje,</p><p>como, por exemplo, a ideia de proporcionalidade da pena, por exemplo. Então, a pessoa</p><p>só vai responder por um crime na medida ou na proporção da gravidade desse crime.</p><p>Ou seja, por um crime mais grave, uma pena mais grave, ou por um crime menos grave,</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 18</p><p>uma pena menos grave. Então, a proporcionalidade da pena em relação à gravidade do</p><p>crime já vem lá na Magna Carta.</p><p>A ideia, por exemplo, de que ninguém poderia ser processado e julgado, senão de</p><p>acordo com a lei da terra. Essa "lei da terra", em inglês é the law of the land, é o que</p><p>fundamenta o due process of law, o devido processo legal, lá nos Estados Unidos, alguns</p><p>séculos mais tarde. Então, estou dando só alguns exemplos de como a Magna Carta vai</p><p>trazer impactos no mundo do Direito que valem ainda hoje. Dei dois exemplos, mas</p><p>teriam vários outros.</p><p>3 CONSTITUCIONALISMO MODERNO</p><p>Chegamos no constitucionalismo moderno. No constitucionalismo moderno, a gente</p><p>tem duas contribuições importantes, os Estados Unidos e a França. Veja, galera, antes</p><p>de eu entrar nos Estados Unidos, perceba o seguinte. Eu já falei da Magna Carta</p><p>Libertatum, que é na Inglaterra, que alguns chamam de constituição, ou alguns dizem</p><p>que é um embrião de uma constituição. Eu vou preferir ficar com essa ideia de que é um</p><p>embrião de uma constituição moderna. Ainda não é a constituição moderna que nós a</p><p>conhecemos, mas é o embrião dessa constituição moderna.</p><p>Galera, é impossível a gente estudar o constitucionalismo sem passar por esses três</p><p>grandes países, esses três grandes modelos, Inglaterra, Estados Unidos e França. Então,</p><p>já falamos da Inglaterra, vamos para os Estados Unidos.</p><p>3.1 CONSTITUCIONALISMO AMERICANO</p><p>Nos Estados Unidos, a gente tem primeiro a Declaração de Virgínia, ou a Declaração de</p><p>Direitos da Virgínia. Eu fiz questão de colocar a data, que é 12 de junho de 1776, porque</p><p>essa Declaração de Direitos da Virgínia é anterior à própria Declaração de</p><p>Independência. A Declaração de Independência é o famoso 4th of July, é o 4 de julho.</p><p>Então, é depois da própria Declaração de Virgínia.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 19</p><p>A Declaração de Independência, então, vem em 1776, em 4 de julho de 1776, e a</p><p>Declaração de Independência vai trazer algumas coisas interessantes, como, por</p><p>exemplo, a ideia de que os homens são criados livres e iguais. Essa ideia de created,</p><p>criados, equal, iguais. Essa ideia de criados iguais, olha a ideia de criados. Ou seja, existe</p><p>um criador, isso mostra a influência cristã bem forte ainda ali no constitucionalismo</p><p>americano. Então, os homens foram criados livres e iguais.</p><p>Fala em pursuit of happiness, que é a procura, a busca da felicidade, o direito à busca da</p><p>felicidade. Então, consagra valores essenciais como a liberdade, a liberdade econômica,</p><p>a liberdade religiosa. A liberdade religiosa era um valor fundamental na formulação, na</p><p>formação da sociedade americana, porque boa parte dos colonos ingleses que vieram</p><p>da Inglaterra para colonizar o Novo Mundo, é assim como eles chamavam o Novo</p><p>Mundo nas Américas, boa parte desses colonos eram, na verdade, religiosos, que</p><p>estavam fugindo de uma perseguição religiosa na própria Inglaterra.</p><p>Você lembra que a Inglaterra tinha uma igreja protestante oficial, que é a Igreja</p><p>Anglicana, mas tinha outras igrejas protestantes não oficiais, como, por exemplo, o</p><p>grupo dos puritanos. E os puritanos, que não se adequavam ao modelo da igreja oficial,</p><p>eles terminavam, durante alguns períodos, sendo perseguidos. E muitos deles e diversos</p><p>outros grupos religiosos foram para o Novo Mundo à busca da felicidade, à busca de</p><p>poder se dirigir pelos seus valores religiosos, sem a opressão do Estado, à liberdade,</p><p>inclusive, de criar uma sociedade firmada nesses valores. Então, muitas comunidades</p><p>foram criadas a partir de valores e ideias que são próprias do protestantismo inglês.</p><p>Então, a liberdade religiosa, a liberdade individual, a liberdade tributária, a liberdade</p><p>para você ter a sua própria propriedade. Então, liberdade e propriedade andam muito</p><p>juntos, propriedade privada.</p><p>Depois disso, nós temos os Artigos da Confederação, de 1781.</p><p>E chegamos à Constituição Americana de 1787. A famosa Constituição Americana, que</p><p>é a constituição que está válida até hoje. É interessante notar, galera, isso é muito</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 20</p><p>importante, que a Constituição Americana não prevê, originalmente, uma lista de</p><p>direitos. Uma lista de direitos, como a nossa. A nossa não tem lá? Art. 5º, vem lá os</p><p>direitos individuais, fundamentais, enfim. A Constituição Americana, originalmente, não</p><p>previu.</p><p>Isso fez com que, logo depois da Constituição Americana, fossem elaboradas 10</p><p>emendas, em que essas 10 emendas apresentam uma lista de direitos individuais. E o</p><p>conjunto dessas 10 emendas nós vamos chamar de Bill of Rights. Galera, muita</p><p>atenção</p><p>para essa expressão, bill of rights. Essa é uma expressão que hoje foi generalizada, ela</p><p>foi universalizada. A expressão bill of rights, ela pode significar, no sentido muito</p><p>genérico e abrangente, ela pode significar declaração de direitos. Então, nesse sentido,</p><p>eu poderia dizer aqui, sem nenhum problema, eu poderia dizer aqui, tranquilamente</p><p>para vocês, que o nosso art. 5º é uma bill of rights. É a nossa Bill of Rights, é a nossa</p><p>declaração, nosso catálogo de direitos.</p><p>Mas o termo bill of rights pode ser usado de forma específica. Então, por exemplo, lá na</p><p>Inglaterra, um século antes, em 1689, olha só, um século antes, em 1689, eles</p><p>elaboraram lá uma bill of rights. E o nome do documento era Bill of Rights, uma</p><p>declaração de direitos. E aqui, essas 10 primeiras emendas à Constituição Americana,</p><p>nós vamos chamar de Bill of Rights. Vamos chamar de Declaração de Direitos. Essas 10</p><p>primeiras emendas são elaboradas em 1789 e elas foram ratificadas em 1791.</p><p>Uma emenda à Constituição Americana é muito diferente da Constituição Brasileira.</p><p>Porque lá, uma vez que a emenda foi elaborada e foi aprovada no âmbito do Poder</p><p>Legislativo Federal, essa emenda precisa ser ratificada por uma quantidade mínima de</p><p>estados.</p><p>Só depois que essa emenda é ratificada por uma quantidade mínima de estados, é que</p><p>ela entra em vigor. Então, entre a aprovação e a entrada em vigor, nós podemos ter</p><p>alguns anos. Nesse caso aqui, foi ali um pouco mais de dois anos, mas pode ser muito</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 21</p><p>mais. Então, elas são elaboradas em 1789, elas entram em vigor, são ratificadas e</p><p>entram em vigor em 1791.</p><p>"Professor, qual dos dois anos a gente vai considerar como sendo o ano marcante, o ano</p><p>central dessas emendas?"</p><p>1791. Então, se a gente quiser simplificar, a gente vai dizer que a Bill of Rights, ou seja,</p><p>as dez primeiras emendas à Constituição Americana, é de 1791, que é o ano em que elas</p><p>entram em vigor e elas passam a efetivamente valer.</p><p>Essas dez emendas, galera, se você pegar para ler, você vai verificar que elas são muito</p><p>pequenas. Na técnica legislativa brasileira, ou seja, se hoje nós fôssemos fazer isso, hoje</p><p>a gente faria uma emenda com dez artigos, entendeu? Só que lá, ao invés de fazer uma</p><p>emenda com dez artigos, eles fizeram de cada artigo uma emenda. Então, as emendas</p><p>são muito pequenininhas, elas são muito focadas. Então, tem emenda que fala</p><p>especificamente sobre liberdade, sobre porte de arma. Tem emenda que fala</p><p>especificamente sobre o devido processo legal. A famosa quinta emenda que vocês já</p><p>ouviram tanto falar em filmes americanos, ninguém pode ser obrigado a produzir prova</p><p>contra si mesmo, ninguém será privado da sua vida, liberdade, propriedade, sem o</p><p>devido processo legal, o due process of law. Então, tudo isso está lá na quinta emenda e</p><p>tantas outras emendas. Tudo bem, galera?</p><p>3.2 CONSTITUCIONALISMO FRANCÊS</p><p>Beleza? Chegamos no constitucionalismo francês. No constitucionalismo francês, a</p><p>gente tem dois marcos centrais. Primeiro, a Declaração de Direitos do Homem e do</p><p>Cidadão, de 1789, beleza? E depois, a Constituição Francesa, de 1791.</p><p>Então, veja, nos Estados Unidos, primeiro foi elaborada uma Constituição, em 1787, e</p><p>depois a Bill of Rights, em 1791. Na França, primeiro foi feita uma declaração de direitos,</p><p>em 1789, e depois foi feita a Constituição francesa, em 1791.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 22</p><p>Interessante notar, galera, que na história da França, a gente já passou por várias</p><p>constituições. Então, essa daí, de 1791, ela foi revogada por uma outra, que foi revogada</p><p>por outra, enfim. Mas, olha que legal, a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão,</p><p>na França, continua em vigor até hoje. Então, entra Constituição, sai Constituição, entra</p><p>Constituição, sai Constituição, então, a Declaração francesa dos Direitos do Homem e</p><p>do Cidadão continua valendo. Todas as constituições terminam acolhendo a Declaração</p><p>e se adequando à própria Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão. Isso é tão</p><p>forte a ponto de Canotilho dizer que, na França, a Declaração de Direitos do Homem e</p><p>do Cidadão é uma norma supraconstitucional, porque está acima das próprias</p><p>constituições. Historicamente falando, está acima das próprias constituições.</p><p>3.3 ASPECTO CENTRAL DO CONSTITUCIONALISMO MODERNO</p><p>Chegamos ao aspecto central do constitucionalismo moderno, a essência do</p><p>constitucionalismo moderno, e aí eu peguei uma frase famosa do Canotilho, que diz o</p><p>seguinte, é uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos.</p><p>Então, qual é o objetivo do constitucionalismo moderno?</p><p>Limitar o poder político.</p><p>Com que finalidade?</p><p>Com a finalidade de proteger o indivíduo.</p><p>Então, quando fala "fins garantísticos" ou "fins garantidores", é a proteção da liberdade</p><p>individual.</p><p>3.4 ACEPÇÕES</p><p>Acepções do constitucionalismo moderno. Então, quais são as acepções que a gente</p><p>pode dizer que o constitucionalismo moderno assume hoje em dia?</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 23</p><p>Então, a gente vai entender o constitucionalismo moderno como um movimento</p><p>político-social, que nesse caso, a finalidade é a limitação do poder político ou do poder</p><p>político arbitrário.</p><p>Uma segunda acepção é do constitucionalismo como um movimento de imposição de</p><p>cartas constitucionais escritas, como aconteceu nos Estados Unidos, na França.</p><p>O terceiro momento, ou uma terceira acepção, é o do constitucionalismo como</p><p>indicação dos propósitos da sociedade.</p><p>E constitucionalismo como evolução histórico-constitucional do Estado. Ou seja, o</p><p>Estado vai evoluindo até chegar a um ponto que é a adoção das constituições, quando</p><p>surge propriamente o constitucionalismo.</p><p>Então, são quatro acepções que o termo constitucionalismo pode adotar.</p><p>4 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CONSTITUCIONALISMO MODERNO</p><p>Princípios fundamentais, então, desse constitucionalismo moderno.</p><p>A gente vai falar em supremacia da Constituição, a Constituição como norma superior a</p><p>todas as demais normas.</p><p>Efetividade das normas constitucionais, e, quando eu falo de efetividade, a gente está</p><p>falando da real produção de efeitos concretos das normas constitucionais. Essa ideia de</p><p>efetividade, ela, no primeiro momento, não era tão forte, e essa ideia de efetividade vai</p><p>se tornando cada vez mais forte, sobretudo a partir do neoconstitucionalismo, a gente</p><p>ainda vai falar sobre ele. A gente ainda vai falar sobre o neoconstitucionalismo, ok?</p><p>A função promocional das constituições modernas. Então, as constituições modernas</p><p>têm uma função de promover certos valores, não apenas declarar aquilo que já existe,</p><p>mas promover algo. Ou seja, buscar uma situação ideal. É o dever-ser.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 24</p><p>Soberania popular, todo o poder emana é do povo.</p><p>Direitos fundamentais. No primeiro momento não se falava em direitos fundamentais,</p><p>como a gente fala hoje, como direitos sociais, coletivos, tão amplos, mas falava-se de</p><p>direitos fundamentais, naquele contexto histórico, como direitos meramente</p><p>individuais.</p><p>Legitimação do governo pelo consentimento de governados, pela via da democracia</p><p>representativa, o que deriva da soberania popular. Então, se o poder é do povo, os</p><p>governantes devem ser legitimados pelo povo. Como? Através da eleição.</p><p>Postulado de governo limitado, então o poder é limitado. Dessa ideia deriva três pontos.</p><p>O princípio da separação de Poderes.</p><p>O que a separação de Poderes tem a ver com a limitação, galera?</p><p>Veja a lógica. A separação de Poderes evita a concentração de poderes nas mãos de um</p><p>único órgão. Então, quando você diz que existem três órgãos, ou até mais, tem modelos</p><p>que adotam mais de três Poderes. Quando você diz que tem alguns Poderes e que</p><p>nenhum deles é maior do que o outro, então há um sistema de autocontrole interno e</p><p>de controle recíproco. Então, isso evita o abuso.</p><p>Derivado da separação de Poderes, nós temos o princípio da independência do</p><p>Judiciário, que é fundamental numa democracia constitucional.</p><p>E, óbvio, a responsabilidade dos governantes, diferente da monarquia. Na monarquia</p><p>absolutista, os governantes não eram responsáveis, ou seja, eles não respondiam pelos</p><p>seus erros. É aquela teoria da irresponsabilidade. Então, é aquela máxima que você já</p><p>deve ter ouvido falar, the king can do no wrong. O rei não erra. Se ele não erra, ele não</p><p>pode ser responsabilizado.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 25</p><p>Temos também o federalismo, que é uma realidade americana e não francesa, nem</p><p>inglesa. Mas o federalismo, nos Estados Unidos, tem uma ideia de limitação do poder</p><p>de outra maneira, diferente da separação de Poderes. Porque na separação de Poderes,</p><p>nós temos uma divisão funcional do poder. Então, a gente divide o poder em funções</p><p>diferentes, de modo a evitar a concentração do poder num único órgão. O federalismo</p><p>é uma divisão espacial do Poder. Então, a gente divide o poder num órgão central, mas</p><p>os estados ou os órgãos, os governos locais também têm uma parcela de poder. Então,</p><p>existe um governo central, existem governos locais. Essa divisão espacial do poder é</p><p>uma forma de limitação do poder. Então, se eu tiver que comparar em poucas palavras,</p><p>separação de Poderes é uma divisão funcional do poder. Federalismo é uma divisão</p><p>espacial do poder.</p><p>5 TIPOLOGIA / FASES DO CONSTITUCIONALISMO</p><p>Vista essa evolução, vamos ver a tipologia, ou as fases do constitucionalismo que nós</p><p>encontramos.</p><p>5.1 CONSTITUCIONALISMO LIBERAL</p><p>Então, o constitucionalismo moderno é basicamente um constitucionalismo liberal, que</p><p>é a primeira opção que está aí, o primeiro tópico. O constitucionalismo liberal é típico</p><p>da ideia do liberalismo econômico, especialmente, uma ideia de Estado mínimo. E o</p><p>valor central desse constitucionalismo liberal é a liberdade do indivíduo contra a</p><p>ingerência ou o abuso dos poderes do Estado. Então, a liberdade individual protegida</p><p>contra os abusos do poder político.</p><p>5.2 CONSTITUCIONALISMO SOCIAL</p><p>O constitucionalismo social, que surge ali já no início do século XX, no século final do</p><p>século XIX, início do século XX, nós temos uma busca pela limitação do poder econômico.</p><p>Então, o constitucionalismo liberal é uma reação aos abusos do poder político com a</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 26</p><p>finalidade de proteger o indivíduo. O constitucionalismo social também quer proteger o</p><p>indivíduo, mas o indivíduo aqui dentro de uma perspectiva diferente. Então, a gente</p><p>olha para o indivíduo como membro de uma sociedade. E essa sociedade, ou esse grupo</p><p>de indivíduos, está sendo massacrado, sofrendo uma opressão vinda de um outro tipo</p><p>de poder, que agora não é só o poder político, é o poder econômico.</p><p>Então, o constitucionalismo social é uma reação aos abusos do poder econômico, com</p><p>a finalidade de proteger a igualdade do indivíduo. Então, todos são livres, mas também</p><p>são iguais.</p><p>Então, qual é o valor central do constitucionalismo liberal?</p><p>É a liberdade.</p><p>Qual é o valor central do constitucionalismo social?</p><p>É a igualdade material, a igualdade efetiva, a igualdade real, a igualdade concreta.</p><p>O constitucionalismo liberal pretende a limitação do poder político.</p><p>O constitucionalismo social pretende a limitação do poder econômico.</p><p>5.3 CONSTITUCIONALISMO CONTEMPORÂNEO</p><p>Passamos e chegamos ao constitucionalismo contemporâneo, que é após a Segunda</p><p>Guerra Mundial, especialmente depois dos anos 1970. A Constituição Brasileira foi</p><p>elaborada dentro dessa realidade, constitucionalismo contemporâneo, em 1988.</p><p>O constitucionalismo contemporâneo agrega o que o constitucionalismo liberal trouxe,</p><p>limitação do Estado e proteção da liberdade, mas também o constitucionalismo social.</p><p>Portanto, no constitucionalismo social, o Estado agora é um pouco mais forte, para</p><p>poder limitar o poder econômico em favor da igualdade. Ele traz isso, só que ele vai</p><p>além.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 27</p><p>O constitucionalismo contemporâneo traz também normas programáticas. Normas</p><p>programáticas são normas que estabelecem um objetivo, uma finalidade, um ideal,</p><p>normalmente de conteúdo social, ok? Então, são normas que estabelecem políticas</p><p>públicas, né? O ideal, por exemplo, a nossa Constituição quando fala que o salário</p><p>mínimo deve atender às necessidades vitais básicas, tais como moradia, lazer,</p><p>transporte e tal, alimentação. Então, isso é o ideal, normalmente o ideal de cunho social,</p><p>né?</p><p>O constitucionalismo contemporâneo, além das normas programáticas, essa ideia de</p><p>dirigismo constitucional, o Estado é um Estado que dirige a sociedade, né? Dirige a</p><p>sociedade na busca desses valores sociais. Além disso, nós temos constituições que são</p><p>extremamente detalhistas.</p><p>Por quê?</p><p>Porque, no constitucionalismo contemporâneo, se adotou uma premissa de que a</p><p>Constituição deveria abarcar toda a realidade, tanto a realidade política, mas também a</p><p>realidade social e por aí vai. Então, são constituições muito grandes, como a Constituição</p><p>Brasileira, que tem 250 artigos, mais o ADCT e por aí vai, né?</p><p>Então, constituições muito detalhistas, o que alguns chamam de totalitarismo</p><p>constitucional. Totalitarismo, quando você olha isso na teoria política, a gente define o</p><p>totalitarismo numa frase pequena para simplificar, que é dizer o seguinte, lá na política</p><p>a gente diz que totalitarismo significa que é tudo pelo Estado, tudo no Estado e nada</p><p>contra o Estado, né? Se você trouxer essa ideia para a Constituição, a gente vai dizer que</p><p>é tudo na Constituição,</p><p>tudo pela Constituição, nada fora da Constituição. Então, a</p><p>Constituição tem que abarcar tudo, é o totalitarismo constitucional. Alguns chamam isso</p><p>de ubiquidade. Ubiquidade. Ubiquidade é a capacidade de estar presente em vários</p><p>lugares ao mesmo tempo, é quase que uma espécie de onipresença, né? Então,</p><p>ubiquidade.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 28</p><p>5.4 CONSTITUCIONALISMO DO FUTURO OU DO PORVIR (JOSÉ ROBERTO DROMI)</p><p>O constitucionalismo do futuro, o constitucionalismo do porvir, desse autor argentino,</p><p>ele vai manter tudo o que as fases anteriores defendiam, a produção da liberdade, a</p><p>igualdade como justiça social, o constitucionalismo contemporâneo, a ideia de dirigismo</p><p>constitucional, de dirigismo estatal, mas o constitucionalismo do futuro quer superar</p><p>alguns problemas do Constitucionalismo contemporâneo. Então, um dos valores do</p><p>Constitucionalismo do futuro é a veracidade.</p><p>Como assim?</p><p>A ideia é a seguinte, se a posição apresenta uma promessa de característica social, e</p><p>essa promessa é tão maravilhosa, tão extraordinária, que se torna irrealizável, essa</p><p>promessa irrealizável se transforma numa espécie de "mentira constitucional", e essa</p><p>mentira constitucional, por sua vez, leva a um descrédito da própria Constituição, e esse</p><p>descrédito da Constituição termina fazendo com que ela perca a sua força, né?</p><p>Então, o constitucionalismo do futuro quer superar esse problema. Então, a Constituição</p><p>não pode trazer promessas irrealizáveis, ela tem que ser verídica, ou seja, tem que trazer</p><p>coisas que estão dentro da possibilidade real.</p><p>O constitucionalismo do futuro defende a ideia de universalidade dos direitos humanos.</p><p>Então, é um constitucionalismo centrado nos direitos humanos, sobretudo nos direitos</p><p>humanos internacionais.</p><p>Defende também a ideia de integracionalidade. Integracionalidade é a ideia de</p><p>integração dos povos a partir do princípio da solidariedade. Então, integracionalidade é</p><p>a integração dos povos a partir da ideia de solidariedade. Então, essa ideia de</p><p>integracionalidade leva a uma globalização. Como, por exemplo, o movimento da União</p><p>Europeia, do Mercosul e por aí vai.</p><p>5.5 CONSTITUCIONALISMO INTERNACIONAL OU GLOBALIZADO</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 29</p><p>Terminamos com constitucionalismo internacional ou globalizado, que seria o</p><p>constitucionalismo baseado nos direitos humanos internacionais. Quando a gente fala</p><p>em direitos humanos internacionais, nós temos o principal marco, que é a Declaração</p><p>Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Mas, além dessa Declaração Universal, que é</p><p>uma espécie de ponto culminante, nós temos outros dois tratados centrais, que são o</p><p>Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos</p><p>Econômicos, Sociais e Culturais, da década de 1960.</p><p>Esses três documentos, Declaração Universal e os dois pactos, formam uma espécie de</p><p>tripé do direito internacional dos direitos humanos. Existem muitos outros tratados</p><p>internacionais, temáticos, outras convenções internacionais, temáticos, regionais,</p><p>enfim, a coisa proliferou. Mas a base central desse constitucionalismo internacional,</p><p>globalizado ou universal, seriam os direitos humanos universais e os direitos humanos</p><p>internacionais.</p><p>Então, entendemos aqui essas fases. Vamos agora começar a ver outras variações de</p><p>constitucionalismo.</p><p>6 CONSTITUCIONALISMO TERMIDORIANO (WHIG) OU CONSTITUCIONALISMO</p><p>EVOLUTIVO</p><p>Uma variação de constitucionalismo é o constitucionalismo evolutivo ou termidoriano,</p><p>o constitucionalismo whig, que é próprio lá. O termo "termidoriano" vem lá da França,</p><p>de Termidor, foi um mês lá no calendário francês. "Whig" vem da Inglaterra ou hoje tem-</p><p>se usado mais o termo constitucionalismo evolutivo.</p><p>Esse constitucionalismo configura um processo de mudança de regime político-</p><p>constitucional lento e evolutivo, não revolucionário nem radical. Então, uma revolução</p><p>é uma mudança, é uma transformação abrupta, pode ser violenta ou não, mas ela é</p><p>sempre abrupta e radical. O constitucionalismo evolutivo defende a ideia de evoluções</p><p>gradativas ao longo do tempo, daí o nome "evolutivo".</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 30</p><p>7 QUESTÃO DE CONCURSO</p><p>Então, a questão do MPF: o</p><p>Procurador da República:</p><p>É verdadeira a seguinte sentença: (...)</p><p>d) O constitucionalismo whig (ou termidoriano) defende</p><p>mudanças constitucionais bruscas ou revolucionárias.</p><p>Não, é exatamente o contrário, o constitucionalismo whig ou termidoriano é um</p><p>constitucionalismo evolutivo.</p><p>8 NEOCONSTITUCIONALISMO</p><p>Vamos entrar agora no neoconstitucionalismo. Chegamos, então, ao</p><p>neoconstitucionalismo.</p><p>8.1 ABERTURA PARA OS INFLUXOS DA MORALIDADE E REAPROXIMAÇÃO DO DIREITO COM A MORAL</p><p>O neoconstitucionalismo, galera, vai ter aqui algumas bases centrais. E o principal é a</p><p>abertura para os influxos da moralidade, ou seja, é a reaproximação do Direito com a</p><p>moral. Vamos ficar nesses dois tópicos. Esses dois tópicos, galera, na verdade, eles estão</p><p>dizendo a mesma coisa, é falar a mesma coisa de forma diferente. Primeiro, vamos ficar</p><p>nesses dois tópicos e depois eu desenvolvo o restante. Então, preste atenção aqui</p><p>comigo.</p><p>Veja só, galera, quando a gente chega no pós- Segunda Guerra Mundial, qual é o</p><p>contexto que a gente está vivendo dentro do Direito? Pensando o Direito como</p><p>fenômeno mundial, sobretudo no contexto europeu.</p><p>MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790 MILENA AFONSO DE SOUZA 14362798790</p><p>cursoenfase.com.br 31</p><p>A gente passa na evolução do Direito de um modelo de jusnaturalismo, ou simplesmente</p><p>de naturalismo. O naturalismo busca a legitimação do Direito fora do próprio Direito, a</p><p>partir de elementos empíricos ou metafísicos. Quando falo em elementos empíricos ou</p><p>metafísicos, o naturalismo, existem muitas variações dentro do naturalismo, mas você</p><p>pode ter o naturalismo teológico, por exemplo, que entende que toda fonte de</p><p>legitimação do Direito é a lei divina. O naturalismo teológico. Tem o naturalismo</p><p>humanista, que entende que toda fonte de legitimação do Direito vem da natureza do</p><p>ser humano, da essência do que é ser humano. Tem o naturalismo coletivo, que olha</p><p>para a coletividade, não para o ser humano como indivíduo.</p><p>Então, existem variações de naturalismo, mas a essência de todos eles é a busca pela</p><p>legitimação do Direito a partir de algum fenômeno que preexiste ao próprio Direito.</p><p>Que fenômeno é esse que preexiste ao próprio Direito?</p><p>Seja a lei divina, seja a essência da natureza humana, seja a própria sociedade, não</p><p>importa. Então, são elementos empíricos ou metafísicos que preexistem ao próprio</p><p>Direito. Isso é o naturalismo.</p>

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