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<p>Direito processual penal - Ação penal</p><p>Aula 1- Teoria geral do processo</p><p>Teorias do Processo</p><p>Bulow – Viu o processo como relação jurídica</p><p>Efeito:</p><p>Reconhecimentos do réu que passa a ser sujeito e não objeto do processo</p><p>James Goldschmit – processo com situação jurídica</p><p>Não há direitos e deveres, há encargos, ônus e faculdades</p><p>***Obs: O processo completa sua formação com a citação do réu</p><p>A relação jurídica processual seria triangular, envolvendo autor, juiz e réu</p><p>Parece mais correto ver o processo como situação e o exercício do direito de ação como um relação jurídica.</p><p>Pretenção e lide</p><p>Carnelutti – lide é um conflito de interesses qualificado por um pretensão resistida</p><p>Problema no D. Proc Penal – “interesses” “pretensão resistida”</p><p>Pretensão punitiva</p><p>Pretensão de condenar e impor sanção penal ao autor.</p><p>Pretenção</p><p>Exigência de subordinação do interesse alheio ao próprio</p><p>Jus puniendi</p><p>Direito de punir que pertence sempre e sem nenhuma exceção ao Estado</p><p>Teorias da ação</p><p>Teoria imanentista do direito de ação</p><p>Ação vista como o aspecto saliente do próprio direito material</p><p>Problemas</p><p>Declaratória</p><p>Ação julgada improcedente – Não existe nem o direito material nem o direito de ação</p><p>Teorias autonomistas:</p><p>Teoria abstrata</p><p>Bulow/ depois sistematizada por Degenkolb e Plósz 1877</p><p>Teses:</p><p>A existência ou não do direito material é irrelevante à ação, a ação nunca é improcedente, o que é improcedente é o pedido.</p><p>Direito de provocar o Estado pela Tutela jurisdicional</p><p>Natureza:</p><p>Direito subjetivo de natureza pública porque em face do Estado.</p><p>Direito Potestativo</p><p>Chiovenda 1903</p><p>Teoria concreta</p><p>Adolph Wach 1885</p><p>Teoria abstrata de liebman – Cria distinção entre o direito de petição e o de ação</p><p>Direito de ação – abstratamente assegurado a todos à provocação da jurisdição</p><p>Abstrata – é abstrata pois o D. De ação independe da obtenção do resultado favorável</p><p>• ≠ entre direito de petição e ação</p><p>Não se pode confundir com o direito subjetivo, público e abstrato de ação ou direito de petição.</p><p>Isso porque, peticionar qualquer um pode, porém para ajuizar uma ação há um critério restritivo:</p><p>Condições da ação</p><p>1. Legitimidade de partes</p><p>2. Possibilidade jurídica do pedido</p><p>3. Interesse de agir</p><p>E, especificamente no processo penal, há um outro critério:</p><p>4. Justa Causa prova da infração e indícios de autoria.</p><p>• Justa causa</p><p>Prova da infração e suficiente indícios da autoria</p><p>Núcleo central do qual decorrem todas as demais condições da ação.</p><p>Lastro probatório mínimo do qual depende a análise de todas as condições da ação e impede a acusação temerária.</p><p>- Inserida positivamente na legislação somente em 2008</p><p>Correntes relacionadas à natureza da justa causa</p><p>-5 correntes:</p><p>1. Requisito - para o exercício do direito de ação, é requisito do qual se verificará a análise de outras</p><p>Art. 395 – argumento (inciso separado e não nas condições da ação);</p><p>2. Subcondição – Tourinho – Justa causa está dentro do interesse de agir</p><p>3. Condição – quarta condição da qual as demais são dependentes;</p><p>4. Justa causa é a prova da ação, suficientes indícios de autoria e ausência de excludente – minoritária.</p><p>5. Justa causa dentro dos critérios de proporcionalidade e razoabilidade constitucionais.</p><p>Art. 648 - Habeas corpus quando faltar justa causa, porém a justa causa aqui esta justa causa deve ser entendida como falta de justo motivo.</p><p>• Visão das outras condições da ação de acordo com a estrutura do processo penal</p><p>• Legitimidade de partes</p><p>Ações condenatórias</p><p>Ativa - O Estado tem a legitimidade ativa em regra, já que é ele o titular do direito de punir.</p><p>Art. 129 CF – MP, mas, apesar de uno e indivisível não quer dizer que qualquer órgão do MP possa validamente postular (há divisão da competência)</p><p>Só o MPF tem legitimidade para oficiar nos Tribunais Superiores e nos recursos destas decisões (HC nº 80.463/DF Rel. Min. Maurício Corrêa)</p><p>CF: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:</p><p>§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.</p><p>Política nacional de drogas:</p><p>Art. 70. O processo e o julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional, são da competência da Justiça Federal.</p><p>Parágrafo único. Os crimes praticados nos Municípios que não sejam sede de vara federal serão processados e julgados na vara federal da circunscrição respectiva.</p><p>Revoga assim disposição da lei anterior:</p><p>Hoje: já que justiça federal MPF</p><p>Passiva – O réu, o autor do fato é o sujeito com legitimidade passiva.</p><p>Ações não condenatórias (habeas corpus, revisão criminal...)</p><p>A legitimidade passiva não tem grande importância</p><p>Ação penal pública condicionada ou incondicionada</p><p>1º A legitimidade ativa é sempre do MP Não só como regra do sistema acusatório</p><p>2º Imposição constitucional art. 129</p><p>Ação penal privada e privada subsidiária</p><p>O particular que é o legitimado.</p><p>***Obs:</p><p>A justa causa é relevante à legitimidade de partes porque:</p><p>Ativa – Só a partir da definição do crime é que se pode determinar se é uma ação de iniciativa publica condicionada, incondicionada ou ainda uma ação de iniciativa privada.</p><p>Passiva – Verificar se o réu tem suficiente indícios de autoria que justifiquem sua posição.</p><p>• Possibilidade jurídica do pedido</p><p>Processo civil:</p><p>Essa condição impõe que se verifique se o pedido é vedado pelo direito.</p><p>Processo penal:</p><p>Se vincula a possibilidade jurídica do pedido à tipicidade.</p><p>Porém, principalmente Verificar se a pena pedida é possível.</p><p>Se a pena é impossível – Emendatio libelli art. 383</p><p>Pacelli defende que não pode extinguir por impossibilidade se a pena é impossível</p><p>A atipicidade da conduta segundo o art. 397 – reforma de 2008 passou a ser tratada como mérito possibilitando a absolvição do condenado</p><p>Localização da Possibilidade Jurídica Pedido</p><p>O pedido se divide em:</p><p>1º pedido imediato – contra o Estado que se refere a tutela jurisdicional; e</p><p>2º o pedido mediato contra o réu.</p><p>A possibilidade jurídica do pedido diz respeito ao pedido imediato e portanto ao processo Humberto Theodoro</p><p>***Obs.</p><p>A justa causa é relevante à possibilidade jurídica porque:</p><p>Se o réu é inocente não é possível pedir pena nenhuma e mesmo que não o seja, é necessário haver delimitação da acusação para que haja delimitação da pena.</p><p>Lei 9.430 – Discussão sobre a natureza da representação tributária e a declaração de inexistência de tributo para fins de persecução penal</p><p>STF – suspensão da prescrição enquanto não transita em julgado, Ellen Gracie</p><p>Problema – se vinculasse o MP se estaria vinculando sua atuação à de um instância administrativa e tirando sua competência na valoração da conduta opinio delictis.</p><p>Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168-A e 337-A do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)</p><p>• Interesse de agir</p><p>Processo Civil:</p><p>Análise pelos critérios da necessidade, utilidade e adequação.</p><p>Necessidade Esgotamento prévio das possibilidades de autocomposição</p><p>Processo Penal:</p><p>Necessidade Sempre há necessidade, pois não há pena sem processo.</p><p>Utilidade proveitoso no penal (mínimo de viabilidade de satisfação futura da pretensão).</p><p>Da utilidade saí a verificação da extinção da punibilidade</p><p>Adequação Ajustamento da providência pedida à solução do conflito</p><p>Não tem utilidade no proc penal art. 383</p><p>Sempre que o Estado</p><p>tem o direito de punir ao menos aparente o processo é necessário, útil e adequado.</p><p>Nas ações não condenatórias funciona de maneira muito mais próxima ao proc. Civil.</p><p>Motivos pelos quais o interesse de agir está sempre presente:</p><p>1 – Não há outro meio de solução do conflito; e</p><p>2 – O contraditório e a ampla defesa só podem ser satisfeitos com o início do processo.</p><p>No processo penal a adequação é feita da seguinte maneira:</p><p>1º Há adequação aparente de uma conduta ao tipo penal?</p><p>Se sim, o Estado tem o direito de punir.</p><p>2º Houve alguma causa extintiva da punibilidade</p><p>Se há, então há interesse da agir e o judiciário deve e pode ser provocado pela parte</p><p>***Obs:</p><p>1- A justa causa é relevante ao interesse de agir pois para verificação se a conduta se adéqua a algum tipo penal; e</p><p>2- Para se verificar se o fato está ou não prescrito é necessário saber a pena cominada.</p><p>Condições de procedibilidade ou condições específicas da ação penal</p><p>Condições específicas para o exercício da ação penal exigidas pela lei em determinadas situações</p><p>Natureza</p><p>Podem ser inseridas dentro da possibilidade jurídica do pedido</p><p>-Representação (autorização do ofendido ou outro legitimado)</p><p>-Requisição do Ministro da justiça</p><p>Art. 7º, §3º, b CP</p><p>Art. 145 CP – crime contra a honra do presidente ou chefe de governo estrangeiro</p><p>-Corpo de Delito</p><p>525 e 526 – nos crimes contra a propriedade intelectual</p><p>-Sentença judicial</p><p>Art. 187 – 11.101/05 – outro a vem como condição objetiva de punibilidade</p><p>Aula 2 – Classificações das ações penais</p><p>Classificações das ações penais</p><p>No processo penal assim como no civil há processos cautelares, processos de conhecimento e processos de execução.</p><p>Classificação das ações penais conforme a pretensão deduzida</p><p>Ações Penais condenatórias – Mais importantes</p><p>Ações Penais declaratórias</p><p>Ações penais constitutivas</p><p>Classificação das ações penal condenatórias</p><p>Razão de ser da divisão quanto à legitimidade</p><p>Opção do legislador</p><p>Direito de punir – Sempre Estatal</p><p>Legitimidade – Capacidade processual – Nem sempre é o MP</p><p>O direito de agir é, em alguns casos do ofendido, o de punir permanece sendo do Estado.</p><p>Ação penal pública de iniciativa pública</p><p>O MP presenta o Estado e é o legitimado</p><p>Art. 129, I</p><p>• Classificação das ações penais de iniciativa pública</p><p>- Públicas incondicionadas - O MP para exercício do direito de ação só precisa I. Legitimidade de partes; II. Interesse de agir; III. Possibilidade jurídica do pedido; e o requisito da Justa Causa.</p><p>- Públicas condicionadas – O MP para agir precisa, além do requisito da justa causa e das condições da ação depende ainda da condição específica de procedibilidade.</p><p>Normalmente essa condição específica é a iniciativa da vítima.</p><p>Ex: Em alguns casos como na ameaça é necessária manifestação inequívoca de vontade da vítima.</p><p>• Classificação da ação penal publica condicionada</p><p>- Condicionada à iniciativa da vítima</p><p>- Condicionada a requisição do ministro da justiça</p><p>Ex: injúria contra o presidente da república</p><p>Ação penal pública de iniciativa privada</p><p>Relacionado a idéia de que a publicidade processual pode acarretar a vítima um prejuízo maior que o causado pela conduta infratora.</p><p>Ex: injúria</p><p>• Classificação das ações penais de iniciativa privada</p><p>- Ação penal privada propriamente dita ou exclusiva</p><p>- Ação penal privada personalíssima</p><p>- Ação penal privada subsidiária</p><p>Art. 100 do CP –</p><p>- Ação penal privada propriamente dita ou exclusiva: Esse crime somente se processa mediante da iniciativa do ofendido ou seu representante legal</p><p>- Ação penal privada personalíssima – somente a vítima pode ter a iniciativa</p><p>Até 2005 adultério (art. 240 CP) hoje abolido, ainda temos o Induzimento a erro essencial (art. 236) ou ocultação de impedimento para o casamento.</p><p>- Ação penal privada subsidiária – não existe crime de ação penal pública subsidiária ela decorre do princípio da obrigatoriedade que rege a ação penal de iniciativa privada.</p><p>É uma sanção ao MP desidioso. A vítima passa a ter legitimidade a partir da inércia do MP.</p><p>Art. 5º, LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;</p><p>***Obs:</p><p>Essa classificação se dá a partir da legitimidade</p><p>Expressões importantes no Processo Penal</p><p>• Legitimidade ordinária:</p><p>Pode decorrer da própria lei ou da inércia do MP neste caso é a do próprio MP se a ação for de iniciativa pública ou o ofendido se ação penal privada.</p><p>No processo civil o raciocínio se baseia na disponibilidade ou não do direito.</p><p>• Legitimidade extraordinária:</p><p>Ofendido, vítima em razão das ações penais privadas.</p><p>• Legitimidade concorrente:</p><p>Dois titulares existem concomitantemente o ordinário e o extraordinário.</p><p>Ex: MP (extraordinário) e pai e filho (ordinário).</p><p>***Obs: No processo penal a existência de legitimidade extraordinário implica na inexistência de legitimidade ordinária, ou seja, a legitimidade extraordinária excluí a ordinária.</p><p>É diferente no Processo Civil</p><p>Exceção à regra Ação penal privada subsidiária da pública!!!!</p><p>O MP tem prazo de 5 ou 15 dias art. 46 do CPP, porém esse prazo é impróprio (não preclui), portanto a partir de 6 meses da inércia do MP a vítima passa a ter legitimidade concorrente.</p><p>Súmula 714 - Legitimidade Concorrente - Ação Penal por Crime Contra a Honra de Servidor Público - Exercício de Suas Funções</p><p>“É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.</p><p>• Substituição processual:</p><p>É o ofendido nas ações penais privadas que oferecendo a queixa crime vai buscar pretensão que pertence na verdade ao Estado.</p><p>• Representante legal</p><p>No processo civil é aquele que em nome alheio pede direito alheio, no direito penal o representante pede em nome alheio (do menor) direito que é sempre do Estado.</p><p>• Representante legal subsidiário</p><p>Art. 34 CPP – juiz nomeará curador legal – representante legal para quem não tem</p><p>Um exemplo comum é o caso do estupro praticado pelo responsável legal contra o menor.</p><p>Caso prático - Menor emancipado - No processo penal o critério adota o critério cronológico e o critério biopsicológico.</p><p>2 alternativas:</p><p>I – Se nomeia curador legal (representante legal subsidiário);</p><p>II – espera completar todas as condições da ação para só depois correr o prazo (neste caso ainda não haveria legitimidade).</p><p>• Sucessor processual</p><p>• Art. 31.</p><p>No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará</p><p>1º ao cônjuge;</p><p>2º ascendente;</p><p>3º descendente; ou</p><p>4º irmão..</p><p>• Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa com direito de queixa, terá preferência o cônjuge, e, em seguida, o parente mais próximo na ordem de enumeração constante do art. 31, podendo, entretanto, qualquer delas prosseguir na ação, caso o querelante desista da instância ou a abandone.</p>