Prévia do material em texto
<p>UNISUAM</p><p>Instalações Elétricas Prediais</p><p>Prof. Jorge D. Ferreira</p><p>2021</p><p>Proteção contra os Curtos-Circuitos</p><p>A NBR 5410/90 estabelece que: “Devem ser previstos</p><p>dispositivos de proteção para interromper toda corrente de</p><p>curto-circuito nos condutores dos circuitos, antes que os</p><p>efeitos térmicos e mecânicos dessa corrente possam tornar-</p><p>se perigosos aos condutores e suas ligações".</p><p>As correntes presumidas de curto-circuito devem ser</p><p>determinadas em todos os pontos da instalação julgados</p><p>necessários, nos quais serão aplicados os dispositivos de</p><p>proteção.</p><p>Recomendações</p><p> O dispositivo de proteção deve ter capacidade de ruptura compatível</p><p>com a corrente de curto-circuito presumida no ponto de sua</p><p>instalação:</p><p>𝐼𝑅 ≥ 𝐼𝑐𝑠</p><p> O dispositivo de proteção deve ser rápido o suficiente para que os</p><p>condutores do circuito não ultrapassem a temperatura limite:</p><p>𝑇𝑑𝑑 ≤ 𝑡</p><p>Para curtos-circuitos simétricos, ou assimétricos com duração inferior a</p><p>cinco segundos, o tempo limite de atuação do dispositivo de proteção</p><p>pode ser calculado pela expressão:</p><p>𝑡 =</p><p>𝐾2. 𝑆2</p><p>𝐼𝑐𝑠</p><p>2</p><p>sendo:</p><p>IR = corrente de ruptura do dispositivo de proteção;</p><p>Ics = corrente de curto-circuito presumida no ponto da instalação do</p><p>dispositivo;</p><p>Tdd = tempo de disparo do dispositivo de proteção para o valor de Ics;</p><p>t = tempo limite de atuação do dispositivo de proteção, em segundos;</p><p>S = seção do condutor, em mm2;</p><p>K = constante relacionada ao material do condutor e da isolação do</p><p>condutor, conforme NBR5410:</p><p>Curto-circuito Trifásico ou Simétrico</p><p>• Menor Frequência;</p><p>• Fases igualmente</p><p>solicitadas;</p><p>• Cálculo por fase,</p><p>considerando apenas</p><p>o circuito equivalente</p><p>de Sequência Positiva.</p><p>Curto-circuito Fase-Terra:</p><p>Curto-circuito</p><p>assimétrico, isto é,</p><p>desiquilibrado;</p><p>Maior ocorrência;</p><p>Cálculo utilizando</p><p>componentes</p><p>simétricas.</p><p>Curto-circuito Dupla-Fase:</p><p>• Curto-circuito</p><p>assimétrico, isto é,</p><p>desequilibrado;</p><p>• Correntes</p><p>desequilibradas;</p><p>• Cálculo utilizando</p><p>componentes</p><p>simétricas</p><p>Curto-circuito Dupla-Fase-Terra:</p><p>• Curto-circuito</p><p>assimétrico, isto</p><p>é, desequilibrado;</p><p>• Cálculo utilizando</p><p>componentes</p><p>simétricas</p><p>Determinação da Corrente de Curto-Circuito Presumida</p><p>Considerações Preliminares</p><p>Conforme vimos anteriormente, para o correto</p><p>dimensionamento do dispositivo de proteção necessitamos do</p><p>valor de Ics, isto é, o valor da corrente de curto-circuito</p><p>presumida no ponto da instalação do dispositivo.</p><p>No momento de uma falta para o Terra, o valor da corrente</p><p>de curto-circuito depende basicamente da impedância existente</p><p>entre a fonte e o ponto de falta.</p><p>Apresentamos a seguir um procedimento simplificado de</p><p>cálculo que conduz a um resultado com boa aproximação para</p><p>curtos-circuitos em instalações elétricas prediais</p><p>Nesse procedimento, foram consideradas as seguintes hipóteses:</p><p>a. Desprezado o valor da impedância do sistema de energia da concessionária (a</p><p>montante do transformador), isto é, considerada infinita a capacidade do sistema.</p><p>Em cálculos de maior precisão (projetos industriais etc.), as concessionárias</p><p>fornecem a capacidade de ruptura, em kA, ou a potência de curto-circuito simétrico</p><p>do sistema, em MVA, no ponto de entrega;</p><p>b. Desprezada a impedância do circuito de média tensão para a alimentação do</p><p>transformador do consumidor (quando houver);</p><p>c. Desprezadas as impedâncias internas dos dispositivos de proteção e comando;</p><p>d. Considerado curto-circuito direto, desprezando-se a resistência de contato;</p><p>e. Considerado curto-circuito trifásico simétrico (condição mais desfavorável);</p><p>f. Desprezada a contribuição de motores ou geradores em funcionamento na ocasião</p><p>da falta (em instalações industriais, essa contribuição pode ser significativa em</p><p>motores acima de 100 CV e tensão superior a 600 V, que passam a funcionar como</p><p>gerador no instante da falta o que, obviamente, não é o caso das instalações</p><p>prediais).</p><p>OBSERVAÇÃO</p><p>Todas as considerações anteriores, exceto a do item “f”,</p><p>levam-nos a um cálculo em favor da segurança, ou seja,</p><p>podemos encontrar um valor de ICS um pouco superior ao real,</p><p>o que só nos levaria a especificar dispositivos com maior</p><p>capacidade de ruptura.</p><p>Procedimento de Cálculo</p><p>Para determinar o valor da corrente de curto-circuito presumida em</p><p>um ponto de qualquer circuito alimentador trifásico após o</p><p>transformador, teremos:</p><p>Cálculo da impedância até o ponto de falta</p><p>Resistência da linha:</p><p>RL = (r.L/N)</p><p>Impedância da linha:</p><p>XL = (r.L/N)</p><p>Resistência do transformador:</p><p>RE = (1000 . Pcu) I (3 .In</p><p>2)</p><p>Impedância do transformador:</p><p>ZE = (Z% .Uc</p><p>2) I (100 . P)</p><p>Reatância do transformador:</p><p>𝑍𝐸 = 𝑍𝐸</p><p>2 − 𝑅𝐸</p><p>2</p><p>Impedância de curto-circuito:</p><p>𝑍𝑐𝑐 = 𝑅𝐿 + 𝑅𝐸</p><p>2 + 𝑋𝐿 + 𝑋𝐸</p><p>2</p><p>Corrente de curto-circuito presumida</p><p>Ics = (Uc) / ( 3.Zcc )</p><p>Parâmetros de cálculo</p><p>RL = Resistência da linha a montante (mΩ);</p><p>r = Resistência específica da linha, dado tabelado3, (mΩ/m);</p><p>L = Comprimento da linha a montante (entre a fonte e o ponto do</p><p>curto-circuito) (m);</p><p>N = Número de condutores em paralelo em uma mesma fase;</p><p>XL = Retância da linha a montante (mΩ);</p><p>x = Reatância específica da linha, conforme dado tabelado, (mΩ /m);</p><p>RE = Resistência equivalente secundária do transformador (m Ω ):</p><p>Pcu = Perdas no cobre (W), conforme dado tabelado;</p><p>In = Corrente nominal do transformador;</p><p>ZE= Impedância equivalente secundária do transformador (m Ω);</p><p>Uc = Tensão de linha nominal (V);</p><p>Z% = Impedância percentual do transformador;</p><p>P = Potência nominal do transformador (kVA);</p><p>XE= Reatância equivalente secundária do transformador (mΩ);</p><p>Zcc= Impedância total de curto-circuito (mΩ );</p><p>Icc= Corrente de curto-circuito simétrica presumida (kA).</p><p>Impedância dos Condutores</p><p>Dados de Transformadores Trifásicos, 15 kV, 60 Hz, Primário Y ou Δ, Secundário Y.</p><p>OBSERVAÇÃO</p><p>“Caso tenhamos a continuidade do circuito de distribuição,</p><p>com a ramificação de subalimentadores, a impedância total</p><p>até o ponto de falta vai levar em conta a soma das</p><p>impedâncias de todos os circuitos do percurso, desde o</p><p>transformador até o ponto de falta”.</p><p>Exemplo</p><p>Determinar a corrente presumida de curto-circuito nos pontos 1, 2 e 3 do diagrama abaixo.</p><p>Observe que estes serão os valores mínimos da capacidade de ruptura dos disjuntores</p><p>instalados nos barramentos do QGBT, do CM-01 e do QT-01.</p><p>Dados:</p><p>Transformador Trifásico 13.8 kV/220 - 127 V:</p><p>Potência Nominal do Transformador: P = 112,5</p><p>kVA</p><p>Corrente Nominal do Transformador: In = 296 A</p><p>Perdas no Cobre: Pcu = 1650 W, Tab. Slide 18</p><p>Z% = 3,5 %, Tab. Slide 18</p><p>Circuitos:</p><p>Alimentador 1: SI = 3 # 2 x 95 (2 x 95) T 95 mm2 L1 = 50 m</p><p>r1 = 0,236 mΩ/m e x1 = 0,0975 mΩ/m, Tab. Slide 17</p><p>Alimentador 2: S2 = 3 # 35 (35) T 16 mm2 L2 = 10 m</p><p>r2 = 0,841 mΩ/m e X2 = 0,101 mΩ/m, Tab. Slide 17</p><p>Circuito Terminal 3: S3 = #10 (10) T 10 mm2 L3 = 10 m</p><p>r3 = 2,24 mΩ/m e x3 = 0,119 mΩ/m, Tab. Slide 17</p><p>TABELA</p><p>Solução</p><p>a - Cálculo das Resistências e Reatâncias</p><p>RE = (1000 . 1650)/3 . 2962 = 6,277 mΩ</p><p>ZE = (3,5.2202)/100 . 112,5 = 15,057 mΩ</p><p>XE = 13,686 mΩ</p><p>R1 = (0,236 . 50)/2 = 5,9 mΩ</p><p>X1 = (0,0975 . 50)/2 = 2,43 mΩ</p><p>R2 = 8,41 mΩ; X2 = 1,01 mΩ</p><p>R3 = 22,4 mΩ; X3 = 11,9 mΩ</p><p>b - Cálculo da Ics no ponto 1</p><p>Zcc1 = (6,277 +5,9)2 + (13,686 + 2,43)2</p><p>Zcc1 = 21,31 mΩ</p><p>Ics1 = (220) I 3 . 21,31</p><p>lcs1 = 5,96 kA</p><p>c - Cálculo da lcs no ponto 2</p><p>Zcc2 = (20,587)2 + (18,497)2</p><p>20,587 = RE + R1 + R2 = 6,277 + 5,9 + 8,41 ;</p><p>18,497 = ZE + X1 + X2 = 15,057 + 2,43 + 1,01</p><p>Zcs2 = 27,67 mΩ</p><p>Ics2= (220)/ 3 . 27,67</p><p>lcs2 = 4,59 kA</p><p>Critérios para a Elaboração do Projeto de Instalações</p><p>Elétricas</p><p>Na concepção do projeto de instalações elétricas</p><p>prediais, o projetista deve estar atento a pelo</p><p>menos três critérios, no que se refere à</p><p>utilização das instalações projetadas.</p><p>Esses Critérios são:</p><p>• Acessibilidade</p><p>Todos os pontos de utilização projetados, bem como os dispositivos de</p><p>manobra e proteção, devem estar em locais perfeitamente acessíveis,</p><p>que permitam manobra adequada e eventuais manutenções.</p><p>• Flexibilidade e Reserva de Carga</p><p>A instalação</p><p>deve ser projetada de forma a permitir uma certa reserva</p><p>para acréscimos de cargas futuras e alguma flexibilidade para pequenas</p><p>alterações.</p><p>• Confiabilidade</p><p>As instalações devem ser projetadas em estreito atendimento às normas</p><p>técnicas, visando garantir o perfeito funcionamento dos componentes do</p><p>sistema, a integridade física dos seus usuários e a preservação das condições</p><p>locais e ambientais.</p><p>Etapas da Elaboração de um Projeto de Instalações Elétricas</p><p>a - Informações Preliminares</p><p>Esta é uma das etapas de maior importância para o sucesso</p><p>da elaboração de um bom projeto. esta etapa, o projetista</p><p>procura obter das diversas fontes todas as informações</p><p>necessárias para a formação da concepção geral do projeto a</p><p>ser desenvolvido, através de:</p><p>1 - Planta de situação:</p><p>Localização dos acessos ao edifício, bem como da rede de</p><p>energia elétrica da concessionária que atende ao local,</p><p>verificando a existência, tipo de fornecimento, localização em</p><p>relação ao edifício e possíveis pontos de derivação para o</p><p>atendimento.</p><p>2 - Projeto arquitetônico:</p><p>Plantas, cortes, detalhes, fachadas etc. Obtêm-se a partir daí</p><p>todas as dimensões, inclusive pé-direito, de todos os recintos</p><p>e áreas externas, bem como a sua respectiva utilização.</p><p>3 - Projetos complementares:</p><p>Projeto estrutural, projetos de instalações sanitárias, de águas pluviais,</p><p>de combate a incêndio, de sonorização e outros. Neste ponto, devem ser</p><p>observadas possíveis restrições e interferências com vigas, pilares,</p><p>espessura de lajes, cruzamento de tubulações, localização de prumadas e</p><p>quadros. Devemos ter em mente que o projeto de instalações elétricas</p><p>deve ser elaborado em harmonia com os demais projetos de utilidades do</p><p>edifício.</p><p>4 - Informações obtidas com o proprietário, arquiteto ou responsável:</p><p>Localização preferencial dos pontos de utilização conforme as</p><p>necessidades do proprietário; previsão de cargas ou aparelhos especiais</p><p>como de ar-condicionado, aquecedor etc.; previsão de utilização de</p><p>determinadas linhas de materiais e sistemas de instalações; previsão</p><p>para futuros acréscimos de cargas e sistemas; previsão para utilização</p><p>de alimentação elétrica de segurança e/ou de substituição para</p><p>determinadas situações, locais ou cargas.</p><p>b - Quantificação do Sistema</p><p>Com os dados obtidos nas informações preliminares, e de</p><p>posse das normas técnicas aplicáveis, no caso a NBR-5410, o</p><p>projetista estará em condições de fazer um levantamento da</p><p>previsão de cargas do projeto, tanto em termos da quantidade</p><p>de pontos de utilização, quanto da sua potência nominal.</p><p>1 - Previsão de tomadas;</p><p>2 - Previsão de iluminação;</p><p>3 - Previsão de cargas especiais: elevadores, bombas de</p><p>recalque d'água, bombas de drenagem, bombas de combate a</p><p>incêndio etc.</p><p>c - Determinação do Padrão de Atendimento</p><p>Concluída a etapa anterior, e tendo às mãos as normas</p><p>técnicas da concessionária local, o projetista determinará a</p><p>demanda de cada consumidor do edifício e a sua respectiva</p><p>categoria de atendimento conforme os padrões da</p><p>concessionária. Determinará igualmente a Provável Demanda</p><p>do Edifício e o Padrão da Sua Entrada de Serviço.</p><p>1 - Determinação da Demanda e da Categoria de Atendimento</p><p>de cada consumidor;</p><p>2 - Determinação da Provável Demanda do Edifício e</p><p>Classificação da Entrada de Serviço.</p><p>d - Desenho das Plantas</p><p>Esta etapa compreende basicamente:</p><p>1 - Desenho dos pontos de utilização;</p><p>2 - Localização dos Quadros de Distribuição de Luz (QLs) e Quadros de</p><p>Força (QFs);</p><p>3 - Divisão das cargas em circuitos terminais;</p><p>4 - Desenho das tubulações dos circuitos terminais;</p><p>5 - Traçado da fiação dos circuitos terminais;</p><p>6 - Localização das Caixas de Passagem dos Pavimentos e da Prumada;</p><p>7 - Localização do Quadro Geral de Baixa Tensão, Centros de Medidores,</p><p>da Caixa Seccionadora, do Ramal Alimentador e do Ponto de Entrega;</p><p>8 - Desenho das tubulações dos circuitos alimentadores;</p><p>9 - Desenho do Esquema Vertical (Prumada);</p><p>10 - Traçado da fiação dos circuitos alimentadores.</p><p>e – Dimensionamentos</p><p>Nesta etapa, serão feitos os dimensionamentos de todos os</p><p>componentes do projeto, calculados com base nos dados</p><p>registrados nas etapas anteriores, nas normas técnicas</p><p>aplicáveis a cada caso e nas tabelas de fabricantes.</p><p>1 - Dimensionamento dos condutores;</p><p>2 - Dimensionamento das tubulações;</p><p>3 - Dimensionamento dos dispositivos de proteção;</p><p>4 - Dimensionamento dos quadros</p><p>f - Quadros de Distribuição e Diagramas</p><p>Nesta etapa, serão elaborados os Quadros de Distribuição de</p><p>Carga (tabelas), que têm a função de representar a</p><p>distribuição e o dimensionamento dos circuitos.</p><p>1 - Quadros de Distribuição de Carga;</p><p>2 - Diagramas Unifilares (ou multifilares) dos QLs;</p><p>3 - Diagramas de Força e Comando dos Motores (QFs);</p><p>4 - Diagrama Unifilar Geral.</p><p>g - Elaboração dos Detalhes Construtivos</p><p>O objetivo da elaboração dos detalhes construtivos é facilitar</p><p>a interpretação do projeto, permitindo, desta maneira, que ele</p><p>seja fielmente executado. Vale lembrar que quanto melhor</p><p>detalhado estiver um projeto melhor pode ser a sua execução.</p><p>h - Memorial Descritivo</p><p>O memorial descritivo tem por objetivo fazer uma descrição</p><p>sucinta do projeto, justificando, quando necessário, as</p><p>soluções adotadas. Ele é composto basicamente dos seguintes</p><p>itens:</p><p>1 - Dados básicos de identificação do projeto;</p><p>2 - Dados quantitativos do projeto;</p><p>3 - Descrição geral do projeto;</p><p>4 - Documentação do projeto.</p><p>i - Memorial de Cálculo</p><p>Nesse documento é apresentado o resumo dos principais cálculos</p><p>e dimensionamentos:</p><p>1 - Cálculos das previsões de cargas;</p><p>2 - Determinação da provável demanda;</p><p>3 - Dimensionamento de condutores;</p><p>4 - Dimensionamento de eletrodutos;</p><p>5 - Dimensionamento dos dispositivos de proteção.</p><p>j - Elaboração das Especificações Técnicas</p><p>As especificações técnicas detalham os tipos de materiais que</p><p>serão empregados, chegando na especificação do fabricante,</p><p>prevendo, porém, o uso de similares com a mesma</p><p>qualificação técnica. Nesse documento, também, em alguns</p><p>projetos, relacionam-se os serviços a executar, bem como os</p><p>procedimentos de sua execução, com a citação das</p><p>respectivas normas técnicas.</p><p>k - Elaboração da Lista de Material</p><p>Listagem de todos os materiais (equipamentos, componentes,</p><p>consumíveis etc.) que serão empregados na execução do</p><p>projeto, com as suas respectivas especificações e</p><p>quantidades.</p><p>I - ART</p><p>Anotação de Responsabilidade Técnica do Responsável Técnico</p><p>pelo projeto na jurisdição do CREA local.</p><p>m - Primeira Análise da Concessionária</p><p>Análise, pelo órgão técnico da concessionária local, da</p><p>adequação do projeto às normas técnicas e padrões de</p><p>fornecimento. Em geral, essa análise fica limitada ao cálculo</p><p>da demanda, ao padrão de fornecimento, à entrada de serviço</p><p>e à rede de alimentadores até a chegada nos quadros</p><p>terminais (prumada). É importante observar que, em hipótese</p><p>alguma, a análise e posterior aprovação por parte da</p><p>concessionária exime o projetista de sua responsabilidade</p><p>técnica.</p><p>n - Revisão do Projeto (se for necessário)</p><p>Possíveis adequações ou modificações para atender à</p><p>padronização e normas técnicas da concessionária.</p><p>o - Aprovação da Concessionária</p><p>Termo técnico que atesta que o projeto das instalações está</p><p>de acordo com os padrões e normas técnicas da</p><p>concessionária, e com o qual o consumidor pode efetivar o</p><p>pedido de ligação das instalações à rede de distribuição de</p><p>energia.</p><p>Nota Importante</p><p>Os passos descritos anteriormente é em geral seguido por</p><p>uma boa parcela de projetistas. Muitas vezes a ordem pode</p><p>ser alterada, em função da complexidade de cada projeto e</p><p>conforme a composição numérica e qualitativa da equipe que</p><p>o elabora. Conforme a necessidade, algumas etapas podem</p><p>ser acrescidas de outros níveis, suprimidas ou fundidas duas</p><p>ou mais delas em uma só.</p><p>Fluxograma de Elaboração de um Projeto</p><p>Previsão de Cargas da Instalação Elétrica</p><p>Objetivo</p><p>Cada aparelho de utilização (lâmpadas, aparelhos de aquecimento</p><p>d'água, aparelhos eletrodomésticos, motores para máquinas</p><p>diversas) solicita da rede elétrica uma determinada potência. O</p><p>objetivo da Previsão de Cargas é a determinação de todos os</p><p>pontos de utilização de energia elétrica (pontos de consumo ou</p><p>cargas) que farão parte da instalação. Ao final da Previsão de</p><p>Cargas, estarão definidas a potência, a quantidade e a localização</p><p>de todos os pontos de consumo de energia elétrica da instalação.</p><p>Estimativa Preliminar</p><p>Consiste em um dado preliminar que pode ser utilizado para</p><p>consultas prévias às concessionárias e também para subsidiar</p><p>anteprojetos e orçamentos preliminares para definir a viabilidade</p><p>da obra. A Estimativa Preliminar de Cargas é feita com base na</p><p>utilização da instalação (residencial, comercial ou industrial) e na</p><p>densidade de carga (W/m2 ). As Tabelas apresentadas a seguir,</p><p>serão utilizadas para este levantamento preliminar. Os valores</p><p>apresentados nessas Tabelas são estatísticos e referem-se às</p><p>cargas de iluminação e tomadas de uso geral, não incluindo,</p><p>portanto, cargas de uso específico, tais como: chuveiros e</p><p>torneiras elétricas, aparelhos e centrais de ar-condicionado e</p><p>motores diversos (elevadores, bombas de recalque d'água etc.)</p><p>Previsão de Cargas Conforme a NBR·541O</p><p>A Norma Brasileira NBR-5410 estabelece as condições</p><p>mínimas que devem ser adotadas para a quantificação,</p><p>localização e determinação das potências dos pontos de</p><p>iluminação e tomadas em habitações (casas, apartamentos,</p><p>acomodações de hotéis e motéis, flats, apart-hotéis, casas de</p><p>repouso, alojamentos ou similares).</p><p>Iluminação</p><p>a - Condições para estabelecer a quantidade mínima de pontos de luz:</p><p> Prever pelo menos um ponto de luz fixo no teto para cada cômodo ou dependência,</p><p>comandado por interruptor de parede.</p><p> Em hotéis, motéis ou similares pode-se substituir o ponto de luz fixo no teto por</p><p>tomada de corrente com potência mínima de 100 VA, comandada por interruptor de</p><p>parede.</p><p> Admite-se que o ponto de luz fixo no teto seja substituído por ponto na parede em</p><p>espaços sob escada, depósitos, despensas, lavabos e varandas, desde que de pequenas</p><p>dimensões e onde a colocação do ponto no teto seja de difícil execução ou não</p><p>conveniente.</p><p>b - Condições para estabelecer a potência mínima de iluminação:</p><p> Para recintos com área igual ou inferior a 6 m2 , atribuir um mínimo de 100 VA.</p><p> Para recintos com área superior a 6 m2, atribuir um mínimo de 100 VA para os</p><p>primeiros 6 m2, acrescidos de 60 VA para cada aumento de 4 m2 inteiros.</p><p>Tomadas</p><p>a - Condições para estabelecer a quantidade mínima de Tomadas de Uso</p><p>Geral (TUGs):</p><p>Tomadas de Uso Geral são as dedicadas à ligação de aparelhos portáteis de</p><p>iluminação e de eletrodomésticos, tais como: televisores, equipamentos de som,</p><p>enceradeiras, ventiladores, aspiradores de pó, ferro de passar roupa,</p><p>geladeiras, liquidificadores etc.</p><p> Em salas e dormitórios: um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração, de</p><p>perímetro, espaçados tão uniformemente quanto possível.</p><p> Cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, cozinha-área de serviço,</p><p>lavanderias e locais análogos: uma tomada para cada 3,5 m ou fração de</p><p>perímetro, independente da área, sendo que acima da bancada da pia devem</p><p>ser previstas no mínimo duas tomadas de corrente.</p><p> Banheiros: no mínimo uma tomada perto do lavatório, com uma distância</p><p>mínima de 60 cm do box, independente da área.</p><p>Tomadas continuação</p><p>Subsolos, varandas, garagens ou sótãos: no mínimo uma</p><p>tomada, independente da área.</p><p>Em cada um dos demais cômodos e dependências prever no</p><p>mínimo:</p><p>I. Um ponto de tomada, se a área do cômodo ou dependência</p><p>for inferior ou igual a 2,25 m2 (esse ponto pode ser</p><p>posicionado externamente, a até 0,80 m da porta de acesso).</p><p>II. Um ponto de tomada, se a área do cômodo ou dependência</p><p>for superior a 2,25 m2 e igualou inferior a 6 m2.</p><p>III. Um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração de perímetro,</p><p>se a área do cômodo ou dependência for superior a 6 m2.</p><p>Tomadas continuação</p><p>b - Condições para estabelecer a potência mínima de</p><p>Tomadas de Uso Geral (TUGs):</p><p>Banheiros, cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de</p><p>serviço, lavanderias e locais semelhantes: atribuir 600 VA</p><p>por tomada, para as três primeiras tomadas, e 100 VA para</p><p>cada uma das excedentes, considerando cada um dos</p><p>ambientes separadamente.</p><p>Demais cômodos ou dependências: atribuir 100 VA por</p><p>tomada.</p><p>Tomadas continuação</p><p>c - Condições para estabelecer a quantidade de Tomadas de Uso</p><p>Específico (TUEs):</p><p>Tomadas de uso específico são aquelas destinadas à ligação de</p><p>equipamentos fixos ou estacionários, como, por exemplo, chuveiros</p><p>elétricos, torneiras elétricas, aparelhos de ar-condicionado, secadoras e</p><p>lavadoras de roupa, fornos de micro-ondas etc.</p><p>A quantidade de tomadas de uso específico (TUEs) é estabelecida de</p><p>acordo com o número de aparelhos de utilização. Os pontos de TUEs</p><p>devem ser localizados no máximo a 1,5 m do ponto previsto para a</p><p>localização do equipamento.</p><p>d - Condições para estabelecer a potência de Tomadas de Uso</p><p>Específico (TUEs):</p><p> Atribuir, para cada TUE, a potência nominal do equipamento a ser</p><p>alimentado.</p><p>Potências Típicas de Aparelhos Eletrodomésticos</p><p>Exemplo de Cálculo de Previsão de Carga</p><p>A Figura a seguir representa a planta baixa de um pequeno apartamento (as</p><p>dimensões indicadas são as medidas internas de cada recinto, em metros).</p><p>Aplicaremos os conceitos de previsão de cargas definidos na NBR 5410 para</p><p>determinar seus pontos de utilização.</p><p>Cálculos</p><p>Solução</p><p>1-Sala</p><p>Comprimento: 6,00 m</p><p>Largura: 4,00 m</p><p>Área: 6,00 . 4,00 = 24 m2</p><p>Perímetro: (6,00 + 4,00) ·2 = 20,00 m</p><p>Potência de Pontos de Iluminação</p><p>- Primeiros 6m2 : 100VA</p><p>- Subsequ. 4m2 : 60VA</p><p>- 4m2 : 60VA</p><p>- 4m2 : 60VA</p><p>- 4m2 : 60VA</p><p>- 2 m2: - (desconsiderar a fração menor que 4 m2 inteiros)</p><p>- Total: 24m2 : 340 VA</p><p>Continuação</p><p>Quantidade de Pontos de Iluminação</p><p>Visando melhor uniformidade de distribuição do fluxo</p><p>luminoso, podemos dividir a potência de iluminação em dois</p><p>pontos de 200 VA. Cada ponto pode ser composto de duas</p><p>lâmpadas incandescentes de 100 W (observe que usamos um</p><p>total de 400 VA, portanto atendendo ao mínimo de 340 VA).</p><p>Quantidade de Tomadas de Uso Geral</p><p>Conforme a recomendação, aplicamos o perímetro:</p><p>20,00/5 = 4 TUGs</p><p>Continuação</p><p>Potência das Tomadas de Uso Geral</p><p>Para salas e quartos a potência de cada tomada de uso geral</p><p>será de 100 VA.</p><p>Tomadas de Uso Específico</p><p>Não será prevista nenhuma TUE para esse recinto.</p><p>Observação</p><p>As regras de iluminação e tomada serão aplicadas para todos</p><p>os ambientes do apartamento. Para o caso das tomadas de</p><p>uso específico, utilizaremos a Tabela de potências típicas de</p><p>aparelhos eletrodomésticos para definir as suas respectivas</p><p>potências. Os resultados serão registrados no Quadro de</p><p>Previsão de Cargas, conforme mostrado a seguir:</p><p>Previsão de Cargas Especiais</p><p>Será necessário fazer a previsão das diversas cargas especiais</p><p>que atendem aos sistemas de utilidades dos edifícios. Podemos</p><p>citar como exemplos os motores para elevadores, as bombas para</p><p>recalque d'água, bombas para drenagem de águas pluviais e</p><p>esgotos, bombas para combate a incêndio, sistemas de</p><p>aquecimento central etc. Em geral, essas cargas são de uso</p><p>comum e, portanto, chamadas cargas do condomínio.</p><p>A determinação da potência dessas cargas depende de cada caso</p><p>específico e, geralmente, é definida pelos fornecedores</p><p>especializados dos diversos sistemas, cabendo ao projetista</p><p>prever a potência solicitada por eles.</p><p>Como exemplo, podemos citar as cargas especiais que seriam</p><p>empregadas em um prédio típico de apartamentos, com subsolo,</p><p>pavimento térreo e cinco pavimentos tipo, com dois apartamentos</p><p>por andar.</p><p>• Elevadores: dois motores trifásicos de 7,5 CV;</p><p>• Bombas para recalque d'água: dois motores trifásicos de 3 CV</p><p>(um reserva);</p><p>• Bombas para sistema de combate a incêndio: dois motores de 5</p><p>CV (um reserva);</p><p>• Bombas de drenagem de águas pluviais: dois motores de 1 CV</p><p>(um reserva);</p><p>• Portão da garagem: um motor de 0,5 CV.</p><p>Referências</p><p>• Creder, Hélio, 1926-2005</p><p>Instalações</p><p>elétricas – Rio de Janeiro: LTC, 2016</p><p>• Cavalin, Geraldo; Cervelin, Severino Instalações elétricas</p><p>prediais – 23. ed. – São Paulo: Érica. 2017.</p><p>• Lima Filho, Domingos Leite</p><p>Projetos de instalações elétricas prediais – São Paulo:</p><p>Érica 2011</p>