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<p>Introdução</p><p>Terminologia e classificação</p><p>Estruturas básicas e numeração</p><p>Biossíntese</p><p>Ocorrência e distribuição</p><p>Atividades biológicas e farmacológicas</p><p>Propriedades, obtenção e análise</p><p>Drogas vegetais mais importantes</p><p>Pontos-chave deste capítulo</p><p>Referências</p><p>Leituras sugeridas</p><p>Introdução</p><p>As ligninas são substâncias que se depositam nas paredes das células vegetais, conferindo-lhes</p><p>notável rigidez. Formam de 15 a 35% da matéria seca dos troncos das gimnospermas e</p><p>angiospermas arborescentes, além de serem constituintes de paredes celulares de tecidos</p><p>associados a caules, folhas e raízes de todas as plantas vasculares, inclusive herbáceas. A</p><p>quantidade de ligninas existente na superfície da Terra é imensa, inferior apenas à quantidade de</p><p>carboidratos. Em função de sua importância, pode-se facilmente compreender os motivos pelos</p><p>quais as ligninas recebem tanta atenção.</p><p>As ligninas são macromoléculas, polímeros de unidades básicas C6-C3, em geral abrangendo</p><p>muitas unidades fenilpropânicas. Neste capítulo são abordadas as micromoléculas mais simples</p><p>– as lignanas, neolignanas e seus análogos, produtos do metabolismo secundário e responsáveis,</p><p>inclusive, por uma gama de atividades biológicas interessantes. Para uma visão mais abrangente</p><p>sobre ligninas, consultar Beckham e colaboradores1 e Zhao.2</p><p>Terminologia e classificação</p><p>Lignoide é uma designação genérica que caracteriza micromoléculas cujo esqueleto é formado</p><p>exclusivamente pelo grupo fenilpropânico (C6-C3)n, sendo n restrito a poucas unidades, 1, 2, 3,</p><p>etc. Os lignoides subdividem-se nos grupos a seguir relacionados, cujas moléculas citadas e</p><p>numeradas encontram-se na Figura 14.1.</p><p>Figura 14.1 Exemplos de estruturas de lignanas (1), neolignanas (2), alolignanas (3), norlignanas</p><p>(4) , oligolignoides (5, 6) e heterolignoides (7, 8).</p><p>a. Lignanas (do latim lignum = madeira, lenho). São dímeros formados pelo acoplamento</p><p>oxidativo de álcoois cinamílicos entre si ou destes com ácidos cinâmicos. Este termo,</p><p>criado em 1942 por Haworth,3 prestava-se muito bem para as poucas substâncias descritas</p><p>até aquela época. Estruturalmente, os dois resíduos n-propilbenzênicos apresentam o</p><p>carbono gama (C-9) oxigenado, como, por exemplo, ciclolaricirresinol 1 isolado de</p><p>Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze (pinheiro-do-paraná).</p><p>b. Neolignanas (do grego néos = novo). Por causa da crescente variabilidade estrutural, a</p><p>definição de Haworth ficou limitada, o que levou Otto Gottlieb, em 1978,4 a criar o grupo</p><p>das neolignanas, que são dímeros oxidativos de alilfenóis e de propenilfenóis, entre si ou</p><p>cruzados e sem o C-γ oxigenado, como, por exemplo, otobafenol 2 isolado de</p><p>Osteophloeum platyspermum (Spruce ex A.DC.) Warb. (ucuubarana).</p><p>c. Alolignanas (do grego állos = um outro). São dímeros mistos de arilpropanoides, ou seja,</p><p>um dos monômeros apresenta o C-γ oxigenado, e o outro, não. O termo alolignana não</p><p>possui conotação biossintética, sendo uma designação meramente estrutural, visto que o</p><p>dímero que apresenta um dos C-γ oxigenado não necessariamente apresenta acoplamento</p><p>cruzado entre alil ou propenilfenóis com álcoois cinamílicos ou ácidos cinâmicos, pois tais</p><p>substâncias poderiam ser formadas pela oxidação seletiva de uma neolignana, ou pela</p><p>redução seletiva de uma lignana, como, por exemplo, furoguaiacidina 3 isolada de</p><p>Guaiacum officinale L. (guaiaco).</p><p>d. Norlignanas (nor = prefixo comumente usado na nomenclatura química para indicar a</p><p>remoção de um átomo de carbono de um esqueleto bem definido). São quaisquer</p><p>substâncias pertencentes a um dos grupos anteriores, com um átomo de carbono a menos</p><p>em um dos precursores primários, como, por exemplo, rataniafenol I 4 isolado de Krameria</p><p>lappacea (Dombey) Burdet & B.B.Simpson (sin. K. triandra Ruiz & Pav.) (ratânia).</p><p>e. Oligolignoides (do grego olígos = pouco). São os oligômeros de lignoides, ou seja, os</p><p>produtos resultantes da condensação de três a cinco unidades fenilpropanoídicas, como, por</p><p>exemplo, o trímero herpetetradiona 5 e o tetrâmero herpetetrol 6, ambos isolados de</p><p>Herpetospermum pedunculosum (Ser.) C.B.Clarke (sin. H. caudigerum Wall. ex Chakrav.)</p><p>(se-ji-mei-duo, linda-flor-auspiciosa).</p><p>f. Heterolignoides (do grego héteros = diferente). São constituídos de moléculas de estruturas</p><p>diversas, por exemplo, um lignoide acoplado a outra classe de metabólitos naturais, como</p><p>propacina 7 isolada de Protium opacum Swart (breeira-da-folha-graúda), um</p><p>cumarinolignoide; e o complexo lignana-iridoide-glicosilado 8 isolado de Buddleja davidii</p><p>Franch. (arbusto-das-borboletas).</p><p>Estruturas básicas e numeração</p><p>Mais de 1.000 lignoides estão relatados na literatura; desse total, 80% pertencem ao grupo das</p><p>lignanas e neolignanas, e pelo menos quatro dezenas de esqueletos carbônicos diferentes são</p><p>conhecidos. A Figura 14.2 mostra os tipos estruturais mais representativos. Eles são assim</p><p>denominados: diarilbutano (8.8’) ou, quando apresentam um grupo lactona, diarilbutanolido</p><p>(8.8’,9.0.9’), ariltetralina (8.8’,6.7’ e 8.8’,9.0.9’,6.7’) dibenzocicloctano (2.2’,8.8’ e</p><p>2.2’,8.8’,9.0.9’), tetraidrofurano (7.0.7’,8.8’), furofurano (7.0.7’,8.8’,9.0.9’ e</p><p>7.0.9’,8.8’,9.0.7’), benzofurano (7.0.2’,8.1’ e 7.0.4’,8.3’), futoenona (8.1’,7.9’,6’.0.8’), di-</p><p>hidrodieugenol (3.3’), diarilciclobutano (7.7’,8.8’), ariloxiarilpropano (8.0.4’), benzodioxano</p><p>(7.0.3’,8.0.4’) e bicicloctano (8.1’,7.5’).</p><p>Figura 14.2 Esqueletos mais representativos de lignanas e neolignanas.</p><p>Biossíntese</p><p>Um esquema geral de biossíntese dos lignoides é mostrado na Figura 14.3, envolvendo os</p><p>metabólitos primários finais da via metabólica do chiquimato.</p><p>Figura 14.3 Derivação biossintética de vários grupos de lignoides.</p><p>O caminho biossintético dos arilpropanoides, precursores primários dos lignoides, desenvolve-</p><p>se a partir da fenilalanina ou da tirosina pela via redutora, que envolve a formação de ácidos</p><p>cinâmicos, aldeídos cinâmicos e álcoois cinamílicos. Se o álcool for convertido a pirofosfato, o</p><p>éter resultante será altamente suscetível ao ataque nucleofílico, fato conhecido em muitas</p><p>reduções biológicas. A ação enzimática de NADP conduziria aos alil e propenilfenóis. Portanto,</p><p>quatro monômeros estão envolvidos no acoplamento oxidativo do processo biogenético dos</p><p>lignoides: ácido cinâmico, álcool cinamílico, propenilfenóis e alilfenóis. Essas unidades</p><p>precursoras são distribuídas em dois grupos, de acordo com a estrutura e ocorrência:</p><p>Grupo A – ácido cinâmico (a) e álcool cinamílico</p><p>(a’) Grupo B – propenilfenóis (b) e alilfenóis (b’)</p><p>A análise estrutural dos homolignoides, derivados do acoplamento oxidativo dos monômeros</p><p>envolvidos no processo biogenético, revela a existência de produtos formados pelo acoplamento</p><p>de (a+a, a+a’, a’+a’), (b+b, b+b’, b’+b’) ou deles cruzados (a+b, a+b’, a’+b, a’+b’), resultando</p><p>em lignanas, neolignanas e alolignanas, respectivamente.</p><p>A biogênese dos lignoides, principalmente das lignanas e neolignanas, que formam a grande</p><p>maioria das substâncias conhecidas, pode ser explicada pelo acoplamento oxidativo entre</p><p>unidades monoméricas radicalares. Esses radicais podem apresentar várias estruturas canônicas</p><p>de ressonância, e dependendo do acoplamento deles nas diferentes posições possíveis, origina-se</p><p>um lignoide de determinado tipo estrutural. Assim, o acoplamento oxidativo entre esses radicais</p><p>(p. ex., propenila, alila, cinamoila e cinamila), seguido da adição de um ou dois íons hidretos, da</p><p>adição de íon hidreto mais hidroxila inter ou intramolecular, além de ciclização e aromatização,</p><p>conduzem a vários tipos de neolignanas e lignanas.</p><p>Para maiores detalhes sobre biossíntese e reatividade de lignanas e neolignanas, consultar</p><p>revisões de Pan e colaboradores5 e de Teponno e colaboradores.6</p><p>Ocorrência e distribuição</p><p>Os lignoides são amplamente distribuídos no reino vegetal. Se de um lado as plantas lenhosas</p><p>são mais ricas em lignanas, nos arbustos predominam as neolignanas. Por outro lado, se</p><p>considerados os produtos resultantes do acoplamento oxidativo dos monômeros do grupo A</p><p>(biossíntese apoiada nos álcoois</p><p>cinamílicos, que dão origem às lignanas), verifica-se que estes</p><p>são de vasta distribuição no reino vegetal e foram detectados em 75 famílias. Estão bem</p><p>representados em angiospermas e em poucas gimnospermas. Já os metabólitos derivados do</p><p>grupo B (propenilfenóis e alilfenóis, que dão origem às neolignanas) têm se concentrado em</p><p>poucos taxa morfologicamente aparentados como Magnoliales, Laurales e Piperales, embora não</p><p>signifique que sejam restritos a esses taxa.</p><p>No Brasil, o grupo de pesquisa liderado pelo Prof. Otto Gottlieb contribuiu significativamente</p><p>para o conhecimento da química das neolignanas. A família Lauraceae foi a mais estudada,</p><p>sobretudo os gêneros Aniba, Licaria, Nectandra e Ocotea, com quase duas centenas de</p><p>substâncias inéditas registradas na literatura. Para maiores informações sobre ocorrência e</p><p>distribuição de lignoides no reino vegetal, consultar as revisões de Ward7-10 e Teponno e</p><p>colaboradores.6</p><p>Atividades biológicas e farmacológicas</p><p>O elevado número de lignanas e neolignanas existentes no reino vegetal leva à suposição de que</p><p>suas propriedades biológicas sejam essenciais ao desenvolvimento do próprio vegetal e ao</p><p>controle sobre a vida circunjacente. Por isso, não é de se admirar que essas substâncias também</p><p>possam ser aproveitadas diretamente pelo homem ou possam servir de modelo para a síntese de</p><p>fármacos. Nesse sentido, há vários relatos na literatura sobre atividades biológicas e</p><p>farmacológicas desse grupo, e um pequeno resumo é aqui apresentado.</p><p>Com base em fitoquímica comparada, Gottlieb11 mostrou que os lignoides são indicadores do</p><p>processo evolutivo em angiospermas e desempenham um papel na adaptação ecológica. Há</p><p>evidências de que esse grupo de substâncias esteja envolvido em interações de plantas com</p><p>fungos, insetos ou outras plantas.</p><p>Sabe-se que as neolignanas se acumulam em madeiras como resposta a ferimentos mecânicos</p><p>ou ao ataque de microrganismos e que exibem propriedades de defesa contra insetos. Tem sido</p><p>demonstrado, também, que a lignificação faz parte da reação de plantas a patógenos, como a</p><p>formação de lignina em folhas de Coffea arabica L. (cafeeiro), em resposta à inoculação do</p><p>fungo Hemileia vastatrix (ferrugem do café).</p><p>As investigações concernentes às atividades biológicas de neolignanas se concentraram,</p><p>inicialmente, no ácido nordi-hidroguaiarético (NDGA), utilizado amplamente como antioxidante</p><p>em produtos alimentícios.</p><p>Como atividades farmacológicas já comprovadas para neolignanas e lignanas, destacam-se as</p><p>propriedades anti-inflamatória, antioxidante, antifúngica, antiviral, antitumoral,</p><p>imunossupressora, anti-hepatotóxica, relaxante muscular, cercaricida, anticonvulsivante,</p><p>antiespasmódica, antialérgica, entre outras.</p><p>Como fonte de fármacos, destaca-se a lignana podofilotoxina, extraída de espécies de</p><p>Podophyllum (ver no item “Drogas vegetais mais importantes”).</p><p>Para maiores informações sobre propriedades farmacológicas dos lignoides, podem ser</p><p>consultadas as revisões de Teponno e colaboradores,6 Saleem e colaboradores,12 Ayres e Loike,13</p><p>Ionkova14 e Zhang e colaboradores.15</p><p>Propriedades, obtenção e análise</p><p>Não existem reações químicas gerais, de coloração ou de precipitação, para detectar lignoides</p><p>em extratos vegetais. Quanto à sua polaridade, pode-se generalizar e dizer que seus precursores</p><p>biogenéticos são bons indicadores do comportamento dessas substâncias frente aos solventes</p><p>orgânicos usuais. Assim, as neolignanas, que são dímeros fenilpropanoídicos, são solúveis em</p><p>solventes apolares, principalmente se a porção do anel aromático estiver metoxilada, como</p><p>acontece na maioria das vezes. As neolignanas em geral se apresentam como óleos de alta</p><p>viscosidade. As lignanas são sólidos incolores cujo ponto de fusão varia de 60 a 300o C e, por</p><p>apresentarem o carbono gama oxigenado (carboxila ou hidroxila livre), são de polaridade</p><p>intermediária. Já as lignanas glicosiladas, os oligolignoides e os heterolignoides são extraídos</p><p>efetivamente com álcoois. A existência de hidroxila fenólica em algumas lignanas confere-lhes</p><p>solubilidade em soluções aquosas diluídas de hidróxidos alcalinos. Quando se utilizam essas</p><p>soluções muito concentradas, os derivados butanolídeos dissolvem-se no reagente, mas, em</p><p>consequência da abertura do anel lactônico e formação de sais alcalinos, tornam-se solúveis na</p><p>água.</p><p>As raízes e rizomas de Sinopodophyllum hexandrum (Royle) T.S.Ying (sin. Podophyllum</p><p>hexandrum Royle) produzem quantidades comerciais de podofilotoxina, com rendimento que</p><p>varia de 1,5 a 4,0% do peso seco, mas que dependerá da idade da planta. De Piper cubeba L.f. se</p><p>extrai a lignana cubebina, usada como antisséptico urinário. Resinas de árvores costumam ser</p><p>boas fontes de lignanas. No Quadro 14.1 são apresentadas algumas resinas obtidas</p><p>comercialmente.</p><p>Quadro 14.1 Resinas como fontes comerciais de lignanas</p><p>Lignoides Fonte Rendimento (%)</p><p>Matairresinol Podocarpus spicatus R.Br.* 50</p><p>Olivil Olea europaea L. 45</p><p>Pinorresinol Pinus sp., Picea sp. 35</p><p>Ácido guaiarético Guaiacum officinale L. 12</p><p>Eudesmina Eucalyptus hemiphloia F.Muell. ex Benth.** 10</p><p>*Hoje Prumnopitys taxifolia (Sol. ex D.Don) de Laub.</p><p>**Hoje Eucalyptus mollucanaWall. ex Roxb.</p><p>Atenção crescente tem sido dispensada à padronização de métodos de análises de lignanas e</p><p>neolignanas, não apenas para extratos de plantas como também para fluidos biológicos. Além</p><p>dos métodos tradicionais de separação envolvendo cromatografia em coluna com gel de sílica,</p><p>são empregadas cromatografia a gás e cromatografia a líquido acopladas a espectrometria de</p><p>massas</p><p>(CG-EM e CL-EM, respectivamente) e cromatografia a líquido de alta eficiência (CLAE). Para</p><p>maiores informações sobre obtenção, purificação e caracterização de lignoides, consultar as</p><p>revisões de Ayres e Loike,13 Apers e colaboradores16 e Calvo-Flores e colaboradores.17</p><p>Drogas vegetais mais importantes</p><p>Podofilo</p><p>Nome científico: Podophyllum peltatum L. e Sinopodophyllum hexandrum (Royle) T.S.Ying</p><p>(sin. Podophyllum hexandrum Royle) Família botânica: Berberidaceae Parte utilizada: rizomas e</p><p>raízes dessecadas Podophyllum peltatum L. é uma erva perene, nativa dos Estados Unidos e do</p><p>Canadá empregada antigamente pelos índios e pelos primeiros colonizadores como agente</p><p>cáustico para retirar verrugas, eliminar vermes e causar vômito. Desta planta prepara-se a</p><p>“resina de podofilo”, da qual são extraídas diversas lignanas com propriedades antineoplásicas,</p><p>sendo a mais conhecida a podofilotoxina 9.</p><p>Sinopodophyllum hexandrum (Royle) T.S.Ying (sin. Podophyllum hexandrum Royle e P.</p><p>emodi Wall. ex Hook.f. & Thomson) é uma espécie nativa da Índia que produz 12% de resina e</p><p>contém quase o dobro de podofilotoxina 9 em relação à espécie norte-americana.</p><p>Constituintes químicos</p><p>As substâncias presentes em espécies dos gêneros Podophyllum, Dysosma e Sinopodophyllum</p><p>são lignanas do tipo ariltetralinas, na forma livre ou como glicosídeos, e já foram detectadas em</p><p>Sinopodophyllum hexandrum (sin. P. hexandrum), P. peltatum, Dysosma versipellis (Hance)</p><p>M.Sheng (sin. P. versipelle Hance) e Dysosma aurantiocaulis (Hand.-Mazz) Hu (sin. P.</p><p>sikkimense R.Chartterjee & Mukerjee). Com exceção da última espécie, nas outras ocorrem as</p><p>seguintes lignanas: podofilotoxina, α-peltatina, β-peltaltina, demetilpodofilotoxina,</p><p>desoxipodofilotoxina e podofilotoxona.</p><p>Emprego farmacêutico</p><p>A utilização terapêutica sistêmica de preparações elaboradas com podofilotoxina não é aceitável</p><p>devido à sua elevada toxicidade, que inclui distúrbios gastrintestinais, renais, hepáticos e do</p><p>sistema nervoso central. Por outro lado, em tratamentos tópicos o extrato alcoólico da resina de</p><p>podofilo é usado no tratamento de condilomas externos pequenos, ou como queratolítico.</p><p>Contudo, a aplicação tópica não deve abranger os tecidos sãos, em razão da elevada ação</p><p>irritante sobre pele, olhos e mucosas. A ação antitumoral da podofilotoxina é devida à inibição</p><p>da polimerização da tubulina em microtúbulos e, portanto, ao bloqueio da divisão celular no</p><p>início da metáfase.</p><p>Uma série de modificações</p><p>químicas foi realizada com a podofilotoxina e levou ao</p><p>desenvolvimento de diversos derivados semissintéticos, mas somente dois deles, etoposídeo 10 e</p><p>teniposídeo 11, que são acetais cíclicos, são usados terapeuticamente no tratamento de alguns</p><p>tipos de câncer. Eles atuam por meio de outro mecanismo de ação, especificamente, por inibição</p><p>das topoisomerases II, estabilizando o complexo enzima-DNA e impedindo a proliferação das</p><p>células tumorais. As indicações clínicas do etoposídeo são, sobretudo, no tratamento do câncer</p><p>de brônquios e de tumores embrionários de testículos. O teniposídeo é indicado no tratamento de</p><p>alguns linfomas e tumores cerebrais.18</p><p>Guaiaco</p><p>Nome científico: Guaiacum officinale L.e G. sanctum L.</p><p>Família botânica: Zygophyllaceae Parte utilizada: resina obtida do lenho Da resina de guaiaco se</p><p>prepara um reativo químico clássico usado para a pesquisa de oxidases e peroxidases e outras</p><p>substâncias oxidantes, que determinam o aparecimento de cor azul devido à oxidação do ácido α-</p><p>guaiacônico em azul de guaiaco. O guaiaco é também conhecido como pau-santo e usado</p><p>popularmente no tratamento do reumatismo e para evitar gota e artrite reumatoide, mas não foram</p><p>encontrados estudos científicos confirmando essas propriedades.</p><p>Constituintes químicos</p><p>A resina (15 a 20%) contém ácido guaiarético 12, ácido di-hidroguaiarético 13, guaiacina 14,</p><p>isoguaiacina 15, furoguaiacidina 16, tetraidrofuroguaiacina A 17 e furoguaiaoxidina 18. Um dos</p><p>constituintes mais importantes dessa resina é o ácido α-guaiacônico (=furoguaiacina) 19, que é</p><p>uma neolignana do tipo furano. Foi descrita ainda a presença de β-sitosterol, ácido oleanólico e</p><p>saponinas.19</p><p>Cardo-santo</p><p>Nome científico: Silybum marianum (L.) Gaertn.</p><p>Família botânica: Asteraceae Parte utilizada: frutos maduros O cardo-santo, também conhecido</p><p>popularmente por cardo-de-leite ou cardo-maria, é uma erva bianual, originária da Europa e</p><p>ambientada no Brasil, sendo cultivada como planta ornamental no sul do país e utilizada também</p><p>em saladas.</p><p>Constituintes químicos</p><p>Os frutos acumulam grande quantidade de lipídeos (20 a 30%), além de proteínas, carboidratos e</p><p>alguns flavonoides. Eles contêm, também, uma mistura de substâncias denominada silimarina</p><p>(1,5 a 3%), que é constituída por várias flavolignanas, sendo seu constituinte majoritário a</p><p>silibina (=silibinina) 20, acompanhada de outros isômeros. A silibina é um heterolignoide de</p><p>núcleo</p><p>benzodioxano formado pela adição do álcool coniferílico à taxifolina. Os outros constituintes da</p><p>silimarina são taxifolina 21, silidianina 22 e silicristina 23.</p><p>Emprego farmacêutico</p><p>Doenças hepáticas agudas e crônicas são consideradas de difícil tratamento, sendo poucos os</p><p>medicamentos existentes para tal finalidade. Por outro lado, o cardo-santo é uma droga vegetal</p><p>com uso tradicional no tratamento de distúrbios hepáticos.</p><p>Existem extratos padronizados elaborados com a mistura de flavolignanas, a silimarina,</p><p>indicados no tratamento de disfunções hepáticas. Para a silimarina, foi demonstrada ação</p><p>benéfica em diversos modelos animais de lesão hepática, tendo sido também demonstrado efeito</p><p>protetor quando administrada anteriormente a substâncias hepatotóxicas, como o tetracloreto de</p><p>carbono. Nesse contexto, destaca-se a ação protetora da silimarina frente às toxinas do cogumelo</p><p>Amanita phalloides, razão pela qual ela tem sido preconizada como antídoto nessas</p><p>intoxicações. No entanto, seu benefício em lesões hepáticas já estabelecidas em humanos tem</p><p>sido questionado, tendo em vista que, na maior parte dos estudos em animais, o produto</p><p>hepatoprotetor é administrado anteriormente ou concomitantemente ao agente hepatotóxico, e</p><p>muitas vezes usando a via intravenosa ou intraperitoneal, o que inviabiliza a extrapolação desses</p><p>resultados para seres humanos, tratados por via oral. Especificamente em relação a produtos</p><p>padronizados contendo silimarina, já existem ensaios clínicos em pacientes com lesões hepáticas</p><p>decorrentes do uso abusivo de álcool, a causa mais frequente de doenças hepáticas crônicas,</p><p>indicando aumento da taxa de sobrevivência e boa tolerância. Para aprofundamentos dessas</p><p>questões, consultar</p><p>Morazzoni e Bombardelli,20 Blumenthal21 e informativo da World Health Organization.22</p><p>Pontos-chave deste capítulo</p><p>Os lignoides pertencem a uma classe de metabólitos secundários cujo esqueleto é formado</p><p>exclusivamente pelo grupo fenilpropânico (C6-C3)n, sendo n restrito a poucas unidades.</p><p>Biogeneticamente, os lignoides subdividem-se da seguinte forma:</p><p>1. Lignanas são dímeros formados pelo acoplamento oxidativo de álcoois cinamílicos entre si</p><p>ou destes com ácidos cinâmicos; nelas, cada monômero n-propilbenzênico apresenta o</p><p>carbono gama (C-9) oxigenado.</p><p>2. Neolignanas são dímeros oxidativos de alilfenóis e de propenilfenóis, entre si ou cruzados,</p><p>e não apresentam o carbono gama oxigenado.</p><p>3. Alolignanas são dímeros mistos de arilpropanoides, ou seja, um dos monômeros apresenta</p><p>o C-γ oxigenado, e o outro, não.</p><p>4. Norlignanas são quaisquer substâncias pertencentes a um dos grupos anteriores, com um</p><p>átomo de carbono a menos em um dos precursores primários.</p><p>5. Oligolignoides são os oligômeros de lignoides, ou seja, os produtos resultantes da</p><p>condensação de três a cinco unidades fenilpropanoídicas.</p><p>6. Heterolignoides são constituídos de moléculas de estruturas diversas, como, por exemplo,</p><p>um lignoide acoplado a outra classe de produtos naturais.</p><p>Os lignoides são amplamente distribuídos no reino vegetal. As plantas lenhosas são mais ricas</p><p>em lignanas, ao passo que nos arbustos predominam as neolignanas. Estão bem representados</p><p>em angiospermas e em poucas gimnospermas. Nas dicotiledôneas têm se concentrado em poucos</p><p>taxa morfologicamente aparentados como Magnoliales, Laurales e Piperales, o que não</p><p>significa, no entanto, que sejam restritos a eles.</p><p>Não existem reações químicas gerais, de coloração ou de precipitação, para detectar lignoides</p><p>em extratos vegetais. Quanto à polaridade deles, pode-se generalizar e dizer que seus</p><p>precursores biogenéticos são bons indicadores do comportamento dessas substâncias junto aos</p><p>solventes orgânicos usuais. Assim, as neolignanas são solúveis em solventes apolares e</p><p>costumam se apresentar como óleos de alta viscosidade. As lignanas são sólidos incolores cujo</p><p>ponto de fusão</p><p>varia de 60 a 300o C e, por apresentarem o carbono gama oxigenado, são de polaridade</p><p>intermediária. Já as lignanas glicosiladas, os oligolignoides e os heterolignoides são extraídos</p><p>efetivamente com álcoois.</p><p>Atenção crescente tem sido dispensada para a padronização de métodos de análise de lignanas</p><p>e neolignanas, não somente para extratos de plantas, mas também para fluidos biológicos. Além</p><p>dos métodos tradicionais de separação envolvendo cromatografia em coluna, são empregadas</p><p>CG-EM, CL-EM e CLAE.</p><p>Os lignoides apresentam um amplo espectro de atividades farmacológicas, como ações</p><p>antitumoral, antifúngica, antiviral, antiprotozoária, antiplaquetária, antioxidante,</p><p>anti-inflamatória, anti-hepatotóxica, entre outras, que vêm sendo investigadas nos últimos anos.</p><p>Referências</p><p>1. Beckham GT, Johnson CW, Karp EM, Salvachúa D, Vardon DR. Opportunities and</p><p>challenges in biological lignin valorization. Curr Opin Biotechnol. 2016;42:40-53.</p><p>2. Zhao Q. Lignification: flexibility, biosynthesis and regulation. 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Medrado HHS, David JM, David JP, Brandão HN. Distribuição, atividade biológica,</p><p>síntese e métodos de purificação de podofilotoxina e seus derivados. Quím Nova.</p><p>2015;38(2): 243-58.</p><p>19. Newall CA, Anderson LA, Phillipson JD. Herbal medicines, a guide for health-care</p><p>professionals. London: Pharmaceutical; 1996.</p><p>20. Morazzoni P, Bombardelli E. Silybum marianum (Cardus marianus). Fitoterapia. 1995;</p><p>66(1):3-42.</p><p>21. Blumenthal M, Milk Thistle fruit. In: Blumenthal M, editor. The complete German</p><p>Commission E monographs: therapeutic guide to herbal medicines. Austin: American</p><p>Botanical Council; 1998. p. 169-70, 350, 563-5.</p><p>22. World Health Organization. Essential medicines and health products information portal:</p><p>fructus silybi mariae [Internet]. Geneva: WHO; c2016 [capturado em 05 jun. 2016].</p><p>Disponível em: http://apps.who.int/medicinedocs/en/d/Js4927e/29.html#Js4927e.29.</p><p>http://apps.who.int/medicinedocs/en/d/Js4927e/29.html#Js4927e.29</p><p>Leituras sugeridas</p><p>Gottlieb OR, Yoshida M. Lignoides, com atenção especial à química das neolignanas. Quím</p><p>Nova. 1984;7(4):250-73.</p><p>Kumar R, Silakari O, Kaur M. Lignans as anticancer agents: recent advances in the discovery</p><p>and development of lignans as anticancer agents. Saarbrücken: Lambert Academic; 2012.</p><p>Massanet GM, Pando E, Rodriguez-Luis F, Zubia E. Lignans: a review. Fitoterapia.</p><p>1989;60(1):3-35.</p>

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