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<p>Seção 01</p><p>Seção 1</p><p>SUA PETIÇÃO</p><p>DIREITO</p><p>CIVIL</p><p>2</p><p>A proposta, por meio de uma problematização casuística, é conhecer o enfrentamento da atividade</p><p>jurídica e promover o amoldamento da norma material à situação prático-processual, o que lhe</p><p>tornará pronto para o desafio do exame da OAB. Agora que entende a importância deste conteúdo,</p><p>convido você para a resolução do caso. Posso contar com você? Então, vamos lá!</p><p>Na condição de advogado, você foi procurado pelo Sr. Flávio Dutra, um cidadão brasileiro, que recém</p><p>completou 51 anos. Flávio vive há muitos anos na Rua dos Lestrigões Épicos, 725, apartamento 42,</p><p>na cidade de Serraville, no estado do Rio Grande do Sul. Atualmente, está desempregado e não</p><p>possui qualquer fonte de renda.</p><p>Flávio alega que, em 15 de março de 2023, enquanto dirigia seu veículo particular por uma rua</p><p>movimentada da cidade, foi vítima de um acidente de trânsito causado por uma figura conhecida da</p><p>cidade, a Sra. Joana Bradiburgo Dumont, empresária e dona da maior rede de supermercados do</p><p>município. Ainda nervoso com a situação, Flávio aponta que procurou a Sra. Bradiburgo em sua</p><p>residência, na Rua das Margaridas, 34, no Condomínio Vale Verde, localizado no sul da cidade,</p><p>porém ela se recusou a atendê-lo.</p><p>Questionado sobre como se deram os fatos, descreveu que Joana estava dirigindo seu carro de</p><p>forma negligente e, como resultado, colidiu violentamente com seu veículo, causando-lhe lesões</p><p>físicas e danos morais graves. Flávio afirma que, no momento do acidente, ele seguia todas as regras</p><p>de trânsito, respeitando os limites de velocidade e mantendo a devida distância do veículo à sua</p><p>frente. Por outro lado, Joana teria sido negligente ao dirigir em alta velocidade, fazer uma</p><p>ultrapassagem perigosa e, finalmente, colidir com seu veículo, causando-lhe prejuízo material na</p><p>monta de R$ 72.000,00 (setenta e dois mil reais).</p><p>Como consequência do acidente, Flávio sofreu várias lesões físicas, incluindo fraturas ósseas,</p><p>contusões e ferimentos que o obrigaram a ser hospitalizado e a passar por procedimentos cirúrgicos.</p><p>Além disso, afirma que desenvolveu quadros de ansiedade e depressão severos devido ao trauma</p><p>emocional causado pelo acidente. Ele alega que esses danos morais impactaram significativamente</p><p>sua qualidade de vida, relacionamentos e capacidade de trabalho, razão pela qual requer medidas</p><p>para ser devidamente indenizado, considerando R$ 5.000,00 (cinco mil reais) um valor justo pelo</p><p>dano moral causado.</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Sua causa!</p><p>3</p><p>Com as informações prestadas por Flávio, analise o direito que lhe assiste, elaborando a peça</p><p>adequada, demonstrando a pretensão jurídica do interessado e buscando a satisfatividade</p><p>processual que o caso reclama junto ao Poder Judiciário.</p><p>O caso refere-se claramente ao instituto da Responsabilidade Civil, enquanto medida apta a buscar</p><p>a reparação de danos causados, sejam eles materiais ou morais, devendo-se observar, para tanto,</p><p>as disposições do art. 927 e seguintes do Código Civil.</p><p>Na exteriorização do direito material, é imperioso que tenha noção da utilização das ferramentas</p><p>processuais, verificando as regras aplicáveis ao processo de conhecimento.</p><p>PEÇA PROCESSUAL</p><p>Caro estudante, de posse das informações, é necessário, primeiro, identificar o endereçamento a</p><p>qual juízo se destina, analisando a regra de jurisdição e competência para ação que recaia sobre</p><p>direito pessoal (vide art. 46 do CPC).</p><p>O Poder Judiciário não atua de forma autônoma, dependendo da provocação de um indivíduo para</p><p>solucionar conflitos e, assim, desencadear o devido processo. Esse princípio é conhecido como</p><p>"inércia da jurisdição", conforme estabelecido no art. 2º do Código de Processo Civil, que dispõe: "O</p><p>processo tem início por iniciativa da parte e é conduzido por impulso oficial, exceto nos casos</p><p>previstos em lei" (Brasil, 2015, [s. p.]).</p><p>Em conformidade com esse princípio, é evidente que a petição inicial assume um papel de destaque,</p><p>sendo um dos instrumentos mais relevantes. Nela, as alegações do interessado devem ser sólidas</p><p>e convincentes, demonstrando ao juiz a sustentabilidade de seus fundamentos e sua adaptação à</p><p>situação concreta.</p><p>O interesse de agir deverá estar demonstrado, assim como a legitimidade para o ingresso da ação.</p><p>Em se tratando de obrigação de indenizar, é importante lembrar que não deve haver desproporção</p><p>entre a gravidade da culpa e o dano (art. 944, parágrafo único, do Código Civil).</p><p>O art. 319 ao art. 321, ambos do CPC, nos orientam que a petição inicial indicará o juízo, a</p><p>qualificação das partes, os fatos, os fundamentos jurídicos, o pedido e o valor da causa (vide art. 291</p><p>do CPC).</p><p>O cabeçalho é a indicação para onde a petição inicial está sendo dirigida, o endereçamento é feito a</p><p>determinado órgão jurisdicional detentor da competência para apreciar o direito material alegado (e</p><p>não o nome da autoridade que ocupa o cargo).</p><p>Quanto à questão da competência, é importante destacar que sua definição pode ocorrer com base</p><p>em diversos critérios, tais como o valor da causa, a localização geográfica, a matéria em questão ou</p><p>a função específica dos órgãos que compõem o Poder Judiciário, sejam eles estaduais ou federais.</p><p>Além disso, vale ressaltar a relevância da competência originária, que se configura quando a ação</p><p>deve ser diretamente apresentada perante um juízo ou tribunal específico, conforme disposto nos</p><p>artigos 42 a 53 do Código de Processo Civil.</p><p>Fundamentando!</p><p>4</p><p>Não é somente o CPC que carrega normas de competência, a Constituição Federal, por excelência,</p><p>o faz com maestria, tratando da matéria como norma materialmente constitucional (eficácia plena de</p><p>aplicabilidade imediata). Da mesma forma, faz as Normas de Organização Judiciária de cada estado.</p><p>A qualificação das partes é requisito indispensável para a petição inicial, a fim de promover a perfeita</p><p>identificação, evitando homônimos (nome, prenome, estado civil, casado/união estável, RG, CPF,</p><p>CNPJ, e-mail, domicílio e residência). O atual CPC trouxe inovação quando obriga a parte a apontar</p><p>a existência de união estável e informar o e-mail.</p><p>Todas essas ferramentas auxiliam na localização das partes, todavia, não dispondo o autor de</p><p>maiores informações, poderá requerer judicialmente diligências, na forma do §1º do art. 319 do CPC.</p><p>Desta forma, mesmo faltando estas identificações do inciso II do art. 319 do CPC, o juiz não indeferirá</p><p>a petição inicial (§2º do art. 319 do CPC).</p><p>Dentro da normatividade do Código de Processo Civil não basta que o autor sustente que é o titular</p><p>do direito alegado, sendo necessário explicar os fatos que se somaram à formação daquele direito.</p><p>É o princípio da consubstanciação, em que se exige a motivação da fundamentação jurídica,</p><p>referindo-se à causa de pedir próxima (os fatos) e a remota (consequências jurídicas).</p><p>Já o pedido precisa ser concatenado com os fatos e fundamentos relatados na petição inicial. É</p><p>apresentado depois dos fatos e do direito apresentado, em que se requer providências judiciais</p><p>(sentença de procedência, declaratória, condenatória ou constitutiva) e medidas para restabelecer o</p><p>bem jurídico tutelado.</p><p>Nesse sentido, o pedido deve ser certo (vide art. 322 e art. 324 do CPC), expresso, identificando o</p><p>gênero de forma clara. O §1º do mesmo artigo afirma que se compreende no principal os juros legal,</p><p>a correção monetária e as verbas sucumbenciais, até mesmo os honorários advocatícios.</p><p>A interpretação do pedido deve considerar o conjunto da postulação e observar o princípio da boa-</p><p>fé (vide §2º do art. 322 do CPC) e, havendo por objeto o cumprimento de obrigação em prestações</p><p>sucessivas, essas serão consideradas incluídas no pedido, mesmo que o autor não as tenham</p><p>postulado, ou que o juiz não as tenham informado na sentença.</p><p>O valor da causa deve constar da inicial, pois é exigido um valor certo, ainda que não tenha conteúdo</p><p>econômico aferível, por exemplo, em ações de interdição, em que se discute a capacidade da</p><p>pessoa, e não os bens que serão administrados (vide art. 291 do CPC), ou ainda, no caso de um</p><p>eventual despejo, há regra especial para definição do valor da causa no art. 58, III, da Lei Federal nº</p><p>8.245/91. O valor da causa serve também para identificar e determinar a competência das ações</p><p>julgadas pelo juizado especial nas causas de até 40 salários-mínimos. Até mesmo para estipulação</p><p>dos honorários advocatícios, o valor da causa é essencial (vide arts. 291 a 293 do CPC).</p><p>As provas devem ser indicadas pelo autor ao magistrado, a fim de demonstrar os fatos para o</p><p>surgimento do seu direito (vide art. 319, VI, do CPC). É requisito essencial na petição inicial, na qual</p><p>auxilia até mesmo o réu no contraditório e na ampla defesa. Entretanto, há outros momentos</p><p>processuais em que o magistrado poderá ser instado sem prejuízo.</p><p>A Lei nº 13.105/15, que deu nova estrutura ao Código de Processo Civil, afirmou, no seu art. 318,</p><p>que se aplica a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário, inclusive</p><p>subsidiariamente aos procedimentos especiais e os de execução.</p><p>5</p><p>Quanto à forma, a petição inicial deve ser escrita (ressalvadas as hipóteses da Lei nº 9.099/95),</p><p>fazendo remissão a data e deixando espaço para assinatura, como se real fosse a pretensão, tal</p><p>como exigido para o exame da OAB, evitando a identificação do candidato (Ex.: “Por fim, o</p><p>fechamento, com a indicação de local, data, assinatura e inscrição OAB).</p><p>Lembrando que nenhuma informação é perdida no texto, sempre estará lá para orientá-lo ou</p><p>confundi-lo. Daí a importância de verificar a idade das partes, o local onde se encontram, entre outras</p><p>informações.</p><p>Em havendo dificuldades econômicas, poderá pedir gratuidade da justiça (que não se confunde com</p><p>a assistência judiciária da defensoria pública e convênio com a OAB). O CPC, reconhecido como é</p><p>pelo seu conteúdo normativo em conformidade constitucional, traz o tema dentre os artigos 98 a 102</p><p>c/c art. 5º, LXXIV, da CRFB.</p><p>Quanto à citação, o Código de Processo Civil traz, no art. 238/259, todas as formas contempladas,</p><p>entretanto o examinador sempre dará uma dica no texto, ou uma especialidade que lhe reportará na</p><p>identificação correta, cabendo, ainda, a observação das regras e dos prazos descritos no art. 829 do</p><p>CPC.</p><p>De posse das informações, elabore a peça processual adequada à defesa dos interesses de Flávio</p><p>Dutra.</p><p>Ao tratar de obrigação de indenizar, o art. 945 do Código Civil é didático</p><p>ao definir que, se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento</p><p>danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade</p><p>de sua culpa em confronto com a do autor do dano.</p><p>PONTO DE ATENÇÃO</p><p>Vamos peticionar!</p>

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