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<p>Seção 01</p><p>Seção 2</p><p>SUA PETIÇÃO</p><p>DIREITO</p><p>CIVIL</p><p>2</p><p>Na primeira seção, foi elaborada petição inicial em atendimento à pretensão do Sr. Flávio Dutra,</p><p>promovendo ação de responsabilidade civil por danos morais e materiais, em face de Joana Bradiburgo</p><p>Dumont, em decorrência de acidente de trânsito, cujos prejuízos materiais alcançam a monta de R$</p><p>72.000,00 (setenta e dois mil reais), enquanto os danos morais foram requeridos no valor de R$</p><p>5.000,00 (cinco mil reais).</p><p>No requerimento inicial, houve pedido de gratuidade pelo autor sob o fundamento de que está</p><p>desempregado e não tem qualquer fonte de renda.</p><p>Ao receber a petição protocolada, o magistrado da 62ª Vara Cível de Serraville/RS, em seu primeiro</p><p>contato com os autos, negou o pedido de gratuidade de justiça, determinando o recolhimento das custas</p><p>iniciais, sob a alegação de que, mesmo desempregado, o valor do veículo do autor faz com que não</p><p>seja crível que este não tenha condições de arcar com as despesas processuais.</p><p>O Sr. Flavio Dutra ficou profundamente abalado com a situação, até porque foi claro ao lhe informar que</p><p>não tem qualquer fonte de renda, desde que ficou desempregado, e vem passando por sérias</p><p>dificuldades.</p><p>O autor informa ainda que, em que pese o valor de seu veículo, este foi adquirido na época em que</p><p>estava trabalhando e, após o acidente, o referido veículo está danificado e praticamente inservível, não</p><p>sendo possível, portanto, arcar com as mencionadas custas sem prejuízo de seu próprio sustento (que</p><p>está sendo provido com doações de moradores do bairro onde vive).</p><p>A fim de corroborar com as alegações, o autor lhe entrega cópia de seus extratos bancários,</p><p>demonstrando não haver saldo em conta, a última de declaração de imposto de renda e sua carteira de</p><p>trabalho.</p><p>Lembramos que o autor é brasileiro e reside na Rua dos Lestrigões Épicos, 725, apartamento 42, na</p><p>cidade de Serraville, no estado do Rio Grande do Sul.</p><p>Ante a tais fatos, o autor lhe pede que interponha o recurso cabível, visando garantir seu acesso à</p><p>justiça.</p><p>Sua causa!</p><p>Seção 2</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>3</p><p>Antes de tudo, o estudante deve identificar o recurso cabível contra a decisão proferida que negou o</p><p>benefício de gratuidade de justiça, assim, é fundamental conhecer as espécies de pronunciamento</p><p>do juiz, possibilitando a correta identificação da medida a ser adotada.</p><p>1. PRONUNCIAMENTOS DO JUIZ</p><p>O art. 203 do Código de Processo Civil é cristalino ao definir que os pronunciamentos do juiz</p><p>consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos, especificando em cada um de seus</p><p>parágrafos cada tipo de pronunciamento.</p><p>1.1. SENTENÇAS</p><p>O parágrafo primeiro do art. 203 do Código de Processo Civil é didático ao definir que sentença é o</p><p>pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva</p><p>do procedimento comum, bem como extingue a execução.</p><p>No art. 485 do Código de Processo Civil, temos as hipóteses de extinção do processo judicial sem a</p><p>efetiva resolução do mérito, sendo estas enumeradas nos incisos I a X, in verbis:</p><p>Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:</p><p>I - indeferir a petição inicial;</p><p>II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes;</p><p>III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a</p><p>causa por mais de 30 (trinta) dias;</p><p>IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido</p><p>e regular do processo;</p><p>V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;</p><p>VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;</p><p>VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo</p><p>arbitral reconhecer sua competência;</p><p>VIII - homologar a desistência da ação;</p><p>IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição</p><p>legal; e</p><p>X - nos demais casos prescritos neste Código. (Brasil, 2015, [s. p.])</p><p>O mencionado art. 487, por sua vez, trata das hipóteses de extinção do feito com a resolução do</p><p>mérito, quando o magistrado acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção;</p><p>decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; ainda, quando</p><p>Fundamentando!</p><p>4</p><p>homologar o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; a</p><p>transação ou a renúncia.</p><p>É importante lembrar que o art. 204 do Código de Processo Civil define como Acordão as decisões</p><p>proferidas por órgãos colegiados, ou seja, é a denominação do julgamento dos Tribunais.</p><p>1.2. DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS</p><p>As decisões interlocutórias, à luz do parágrafo segundo do art. 203 do Código de Processo Civil, são</p><p>todos os pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte.</p><p>Como o próprio nome indica, as decisões interlocutórias diferem-se das sentenças por serem</p><p>proferidas durante o decurso processual, sem finalizá-lo, por isso, diz-se que possuem caráter</p><p>interlocutório.</p><p>1.3. DESPACHOS DE MERO EXPEDIENTE</p><p>Despacho de mero expediente são, como define o parágrafo terceiro do Código de Processo Civil,</p><p>todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da</p><p>parte, diferindo-se das decisões interlocutórias por não ter conteúdo decisório, não possuindo aptidão</p><p>de trazer qualquer prejuízo as partes.</p><p>2. RECURSOS CABÍVEIS</p><p>As decisões e sentenças proferidas podem ser objeto de recurso pela parte interessada, sendo que,</p><p>dependendo da espécie do pronunciamento, cabem diferentes espécies de recursos, como apelação,</p><p>agravo de instrumento e embargos de declaração, daí a importância de identificar corretamente a</p><p>espécie de pronunciamento.</p><p>2.1. APELAÇÃO</p><p>Em se tratando de sentenças, ou seja, pronunciamento que põe fim à fase cognitiva do procedimento</p><p>comum ou que extingue a execução, o recurso cabível é a apelação.</p><p>Para que o recurso de apelação seja conhecido, deve-se preencher alguns requisitos gerais de</p><p>admissibilidade, como o prazo de interposição (15 dias) e o recolhimento do preparo. Quanto ao seu</p><p>aspecto formal, o art. 1.010 do Código de Processo Civil traz uma série de exigências, in verbis:</p><p>5</p><p>Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau,</p><p>conterá:</p><p>I - os nomes e a qualificação das partes;</p><p>II - a exposição do fato e do direito;</p><p>III - as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade;</p><p>IV - o pedido de nova decisão. (Brasil, 2015, [s. p.])</p><p>2.2. AGRAVO DE INSTRUMENTO</p><p>Ao tratarmos de decisões interlocutórias, ou seja, aquelas que não põe fim ao curso processual, o</p><p>recurso cabível é o Agravo de Instrumento.</p><p>É importante ressaltar que somente as matérias elencadas no art. 1.015 do Código de Processo Civil</p><p>podem ser objeto de Agravo de Instrumento, sendo que, para matérias não constantes do rol, a parte</p><p>prejudicada pode se valer de alegação preliminar em recurso de apelação, posto que as decisões</p><p>não recorríveis em separado também não estão sujeitas à preclusão.</p><p>Os requisitos formais do Agravo de Instrumento constam do art. 1.016 do Código de Processo Civil,</p><p>e seu prazo é de 15 dias.</p><p>2.3. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO</p><p>Com previsão no art. 994 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração podem ser</p><p>classificados como o recurso contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade ou</p><p>O Código de Processo Civil anterior (Lei nº 5.869/1973) previa a figura do</p><p>Agravo Retido, cujo intuito era de atacar decisões interlocutórias em sede</p><p>de apelação, e não de forma imediata, como o Agravo de Instrumento. O</p><p>Código de Processo Civil de 2015, visando dar celeridade à marcha</p><p>processual, extinguiu tal figura, sendo que, caso a parte pretenda atacar</p><p>decisões interlocutórias não constantes do rol do art. 1.015, pode se fazer</p><p>valer de preliminares no próprio recurso de Apelação.</p><p>PONTO DE ATENÇÃO</p><p>6</p><p>eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de</p><p>ofício ou a requerimento, ou corrigir erro material.</p><p>Diferente dos outros recursos, seu prazo de oposição é de cinco dias, em petição dirigida ao juiz,</p><p>com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo, conforme</p><p>disposição expressa do art. 1.023 do Código de Processo Civil.</p><p>É importante lembrar que a oposição de Embargos de Declaração interrompe o prazo para</p><p>apresentação dos demais recursos, tanto para a parte interessada quanto para os demais litigantes.</p><p>Visando dar continuidade à apresentação de soluções, é importante que se identifique a espécie de</p><p>pronunciamento realizado, elaborando, desta forma, o recurso cabível para defesa dos interesses do</p><p>Sr. Flávio Dutra.</p><p>Vamos peticionar!</p>