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<p>SUMÁRIO</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>SITUAÇÃO DA CULTURA DO ARROZ NO MUNDO E NO BRASIL.</p><p>Isabel H. Vernetti Azambuja , Ariano M. de Magalhães Jr. , Francisco de J. Vernetti</p><p>Jr. . ..................................... ..............................................................................................</p><p>01</p><p>1.1 Introdução................................................................................................... 01</p><p>1.2 O arroz no Mundo............... ....................................................................... 02</p><p>1.3 O arroz no Brasil........................................................................................ 07</p><p>1.3.1 Histórico........................................... ................................................. 07</p><p>1.3.2 Regiões Produtoras ........................................................................... 08</p><p>1.3.3 Sistemas de Cultivo no Brasil................................................ ........... 09</p><p>1.3.4 Tipos de grãos consumidos no Brasil................................................ 10</p><p>1.3.5 Área, Produção e Produtividade do arroz no Brasil.......................... 10</p><p>1.4 Bibliografia consultada................... ............................................................ 12</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>O ARROZ IRRIGADO NO RIO GRANDE DO SUL: SOLO, ÁREA,</p><p>PRODUÇÃO, PRODUTIVIDADE E PERFIL DO PRODUTOR. Algenor da</p><p>Silva Gomes, Arlei Laerte Terres, Isabel H. Vernetti Azambuja... ................................</p><p>13</p><p>2.1 Introdução.................................................................................................... 13</p><p>2.2 Características gerais dos solos cultivados com arroz irrigado.................. 15</p><p>2.3 Reg iões orizícolas...................................................................................... 17</p><p>2.4 Área cultivada, produção e produtividade do arroz irrigado...................... 18</p><p>2.5 Perfil do produtor de arroz irrigado.................... ......................................... 22</p><p>2.6 Bibliografia consultada............................................................................... 23</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>EVOLUÇÃO DA PRODUTIVIDADE DO ARROZ IRRIGADO NO RS E</p><p>MEIOS PARA SUA CONTINUIDADE. Ariano M. de Magalhães Júnior, André</p><p>Andres , Isabel H. Vernetti Azambuja............................................................................</p><p>24</p><p>3.1 Introdução..................................................................................... ............... 24</p><p>3.2 Impacto das cultivares................................................................................. 26</p><p>3.3 Pesquisa em melhoramento genético do arroz irrigado.............................. 29</p><p>3.4 Processo de difusão das cultiv ares.............................................................. 31</p><p>3.5 Pesquisa em manejo da cultura do arroz irrigado....................................... 32</p><p>3.6 Bibliografia consultada .............................................................. ................ 37</p><p>CAPÍTULO 4</p><p>A PESQUISA COM ARROZ IRRIGADO NO RIO GRANDE DO SUL.</p><p>Arlei Laerte Terres, Cley Donizeti Martins Nunes...........................................</p><p>39</p><p>4.1 Introução........................................................... ........................................... 39</p><p>4.2 Histórico da pesquisa com arroz irrigado no Rio Grande do Sul................ 40</p><p>4.3 Cultivares comerciais introduzidas ou lançadas conjuntamente (ou</p><p>separadamente) pela Embrapa e Irga no Rio Grande do Sul......................</p><p>45</p><p>4.3.1 Cultivares do tipo “tradicional”.......................................................... 45</p><p>4.3.2 Cultivares do tipo “intermediário”..................................................... 47</p><p>4.3.3 Cultivares do tipo “semi -anão filipino............................................... 48</p><p>4.3.4 Cultivares do tipo “moderno -americano”.......................................... 57</p><p>4.4 Bibliografia consultada................................. ............................................. 58</p><p>CAPÍTULO 5</p><p>SITUAÇÃO ATUAL DO ARROZ IRRIGADO NO RIO GRANDE DO</p><p>SUL E PERSPECTIVAS FUTURAS. José Alberto Petrini, Isabel H. Vernetti</p><p>Azambuja, Algenor da S. Gomes, Ariano M. de Magalhães Jr.......... ............................</p><p>59</p><p>5.1 O setor orizícola no RS: situação atual....................................................... 59</p><p>5.2 Perspectivas futuras do setor orizícola no RS............................................. 60</p><p>5.3 Evoluções tecno lógicas para o cultivo de áreas de várzea no RS.............. 62</p><p>5.3.1 Rotação de culturas em áreas de várzea............................................. 64</p><p>5.4 Bibliografia consultada.............................................................. ................. 65</p><p>Formatação Eletrônica – Sérgio Ilmar Vergara dos Santos</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>SITUAÇÃO DA CULTURA DO ARROZ NO MUNDO E NO BRASIL</p><p>Isabel H. Vernetti Azambuja 1</p><p>Ariano M. de Ma galhães Jr. 1</p><p>Francisco de J. Vernetti Jr. 1</p><p>1.1 Introdução</p><p>O arroz, cuja exploração ocorre em todos os continentes,</p><p>destaca-se por fazer parte da dieta básica da população mundial,</p><p>ocupando a terceira posição em produção e área de cultivo.</p><p>O continente asiático concentra 90% da produção e consumo,</p><p>realiza 5% das importações e 62% das exportações mundiais. Dos 15</p><p>maiores produtores, 12 localizam -se neste continente.</p><p>O continente Sul -americano é o segundo maior produtor e o</p><p>terceiro em termos de con sumo de arroz, sendo o Brasil o maior</p><p>produtor, responsável por 54% da produção, seguido da Colômbia,</p><p>com 9,4%.</p><p>No mundo, anualmente, o arroz ocupa uma área de cerca de</p><p>150 milhões de hectares, produzindo 577,9 milhões de toneladas,</p><p>1 Pesquisadores da Embrapa Clima Temperado. Cx P 403. CEP 96.001 -970. Pelotas,</p><p>RS.</p><p>sendo que mais de 5 0% desta produção é oriunda do sistema de</p><p>cultivo irrigado.</p><p>No Brasil, 62% da produção de arroz provêm do sistema</p><p>irrigado, sendo o Rio Grande do Sul o maior produtor, considerado</p><p>estabilizador da safra nacional por apresentar produções estáveis.</p><p>1.2 O arroz no Mundo</p><p>Cultivado em todo mundo, o arroz desempenha papel</p><p>importante, como alimento básico da população mundial,</p><p>principalmente no continente asiático. Entre os principais grãos</p><p>cultivados no mundo apresenta -se como o terceiro em volume</p><p>produzido e área cultivada, perdendo apenas para o trigo e milho.</p><p>No entanto, é o cereal consumido com menor agregação de</p><p>valores.</p><p>Do total da produção mundial de arroz, apenas 4 -5% é</p><p>comercializado em nível internacional, tornando o mercado sensível.</p><p>Pequenas os cilações de produção ou de consumo, podem acarretar</p><p>grandes mudanças na disponibilidade de exportação ou necessidade de</p><p>importação, e consequentemente variações de preços. No entanto, nos</p><p>principais países consumidores, a demanda é pouco sensível à</p><p>variação dos preços.</p><p>Os países importadores podem ser enquadrados em dois</p><p>grandes grupos. No primeiro encontram -se aqueles que realizam</p><p>regularmente importações de arroz, devido a produção não ser</p><p>suficiente para atender a sua demanda interna. No segundo grupo,</p><p>enquadram -se os países que efetuam importações quando há quebra da</p><p>safra interna. No primeiro grupo destacam -se os países do hemisfério</p><p>ocidental (exceto EUA, Argentina, Uruguai, Suriname e Guiana);</p><p>países da Europa Ocidental e da África Subsaariana, sendo que o</p><p>Canadá , a Europa Ocidental, a Arábia Saudita e a África do Sul,</p><p>importam, exclusivamente, grãos do tipo longo e de alta qualidade. Os</p><p>países da América do Sul e Caribe, são mais sensíveis às oscilações de</p><p>preços, realizando importações de grãos de a lta</p><p>de qualidade do arroz e</p><p>incentivo a exportação para os mercados mais exigentes. Nesta ansiedade de</p><p>mudanças foi criado o Sindicato dos Arrozeiros do RS em 1926 e, em 1938, foi</p><p>instituído o Instituto Rio Grandense do Arroz – Irga. Em 1939, surgiu a Estação</p><p>Experimental do Arroz – EEA no atual município de Cacho erinha – ex -Gravatai. O</p><p>Irga, autarguia administrativa do Governo Estadual, visava incentivar, coordenar e</p><p>superintender a defesa da produção, da indústria e do comércio do arroz, produzido</p><p>no Rio Grande do Sul.</p><p>Em meados de 1943, por iniciativa federal, f oi criado o Instituto</p><p>Agronômico do Sul (IAS), através do decreto -Lei 6155, de 30 de dezembro daquele</p><p>ano. A sede provisória do IAS ficou sendo na Estação Experimental (atualmente da</p><p>Cascata), através da Portaria nº 368, de 10/05/1944, do Ministério da A gricultura,</p><p>até que fossem adequadas as instalações na área da Fazenda da Baronesa, adquirida</p><p>em setembro de 1943 pela União Federal, e inaugurada em 16 de outubro de 1945.</p><p>Esta instituição era encarregada da execução da pesquisa agropecuária no Rio</p><p>Grand e do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. A pesquisa com arroz irrigado no</p><p>IAS teve inicio em 1949.</p><p>Em razão desses fatos, a lavoura gaúcha experimentou, até por volta de</p><p>1959, essencialmente, dois tipos de arroz: as cultivares de grão curto, japonês típic o,</p><p>e as de grão médio – japonês oblongo. Nas safras de 1945 e 1948, esses tipos de</p><p>grãos chegaram a ocupar cerca de 76% da área de arroz irrigado do Estado.</p><p>Dentre as cultivares de grão “japonês” , destacaram -se na lavoura: Japonês</p><p>Comum ou Branco; Japon ês de Pragana (ou Kataiama); Japonês Mútico, Japonês</p><p>Gigante; Japonês Chumbinho ou Cachinho; Japonês Meia Pragana; Japonês Roxo;</p><p>Chinês Originário (Originária, Original ou Chinesa).</p><p>As cultivares de grão “japonês oblongo” foram cultivadas a partir de</p><p>190 5, chegando atingir quase 64% da área de arroz irrigado do Estado em 1954,</p><p>destacando -se entre essas, as cultivares “Piemonte”, Rexoro, Colusa, Blue -Rose</p><p>(Blue Rose ou BlueRose), Mazurka, Ranghino ou Rouginho, Caloro, Blue Rose –</p><p>seleção 388 (“Seleção 388” , Blue Rose 388 ou Gaúcha Seleção 388), Farroupilha,</p><p>EEA 301, EEA 302, EEA 303, EEA 304, IAS 12 -8 Palmar, “Early Prolific”,</p><p>Seleção 140, “Zenith”, e Rizoto (ou Rizotto).</p><p>No início da década de 60, o Instituto Agronômico do Sul amplia a sua área</p><p>de atua ção e muda de nome, passando a ser denominado Instituto de Pesquisas e</p><p>Experimentação Agropecuárias do Sul, IPEAS, vinculado ao Departamento</p><p>Nacional de Pesquisa Agrícola - DNPEA, do Ministério da Agricultura.</p><p>As cultivares Seleção “Stirpe” (ou “Stirp”), Reetz, Brazos, “1001” e ªJ.,</p><p>também de grãos medianos, entraram na lavoura orizícola sulina no início dos anos</p><p>60.</p><p>Nesta época, outras cultivares de grão japônico como: Saveiro, Tapes,</p><p>Guaíba, EEA 201, Bengué, EEA 202 foram lançadas, porém o seu cultivo não</p><p>abrangeu áreas expressivas. Mais tarde, em 1972, a cultivar de grão curto IAS 12 -9</p><p>Formosa ou ”Formosa” foi liberada, tendo mais destaque que as anteriores,</p><p>principalmente em relação à qualidade de grão.</p><p>As cultivares de grão longo da subespécie ou g rupo indica, entre 1912 e</p><p>1954 apresentavam índices insignificantes na lavoura orizícola do Rio Grande do</p><p>Sul. Somente à partir da safra de 1954, tais cultivares tiveram preferência pelo</p><p>orizicultor gaúcho, chegando a ocupar no período de 1969 a 1973, cer ca de 76% da</p><p>área arrozeira do Estado. Até a primeira metade da década de 70, as cultivares de</p><p>grão longo usadas nas lavouras eram: Carolina; Agulha; Fortuna ou Arkansas -</p><p>Fortuna (lançada em 1948 nos EUA); EEA 401; EEA 402; EEA 404 (1961);</p><p>Agulha Precoce (1961); EEA 405 (1965); EEA 406 (1966); Agulhão (1968); Bico</p><p>Torto ou Agulha Bico Torto (1969); Maravilha e Agulha Fronteira (“Fronteira”).</p><p>Dessas, apenas a EEA 404 e EEA 406 ainda são utilizadas na lavoura orizícola em</p><p>pequena escala.</p><p>O sistema de pesquis a agrícola, ligado ao Ministério da Agricultura sofre</p><p>alterações em 1973. É extinto o Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuária e</p><p>em seu lugar surge a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma</p><p>sociedade de economia mista, cujo modelo fundamentou -se em coordenar e executar</p><p>projetos de pesquisa, através de Centros Nacionais de Produtos e Recursos. Em</p><p>março de 1975 surge a UEPAE de Pelotas, criada pela Deliberação 15/75, com as</p><p>mesmas atividades de pesquisa anteriores, notadamente na ár ea de melhoramento</p><p>genético de arroz irrigado. Nessa época, à partir da assinatura de um convênio entre</p><p>a Embrapa e a Universidade Federal de Pelotas, começam as atividades de parceria</p><p>entre pesquisa e ensino. (FOTO 01)</p><p>Por volta de 1970 entraram na pesqu isa e depois na lavoura de arroz</p><p>irrigado, cultivares americanas com o grão tipo “agulhinha” ou “patna” (longo</p><p>fino e cilíndrico). Até então desconhecido do orizicultor gaúcho, o grão “agulhinha”</p><p>começou a alcançar notoriedade no Estado somente a partir da safra 1973 e</p><p>rapidamente conquistou a preferência do consumidor brasileiro, sendo ainda hoje, o</p><p>tipo preferido no mercado nacional de arroz.</p><p>As cultivares americanas Bluebelle (Blue Belle) (introduzida em 1970),</p><p>Belle Patna (1970), Dawn (1970), Lebonnet ( 1970), Labelle, Bonnet 73 e</p><p>Bluebonnet 50, de grão longo fino, tiveram grande expressão na orizicultura gaúcha</p><p>entre 1974 e 1984. Somente a cultivar Bluebelle chegou, em 1980, a ocupar mais de</p><p>75% da área orizícola do Estado gaúcho. Entre 1972 e 1975 entr aram na pesquisa e,</p><p>posteriormente na lavoura gaúcha, as primeiras cultivares de arroz irrigado de</p><p>arquitetura semi -anã, também de grão do tipo “agulhinha” como: IR 8, Cica 4</p><p>(1973 -RS) e Irga 408 (1975).</p><p>Em março de 1985, é criado o Centro de Pesquisas Agropecuárias de Terras</p><p>Baixas (CPATB), pela Deliberação nº 007/85 à partir da UEPAE -Pelotas, .</p><p>Nos anos de 1985 a 1989 as cultivares tipo moderna, Br - Irga 409 e Br - Irga</p><p>410 ultrapassavam 90% da área arrozeira gaúcha.</p><p>O RS teve observou o maior incremen to de produtividade e área plantada</p><p>(3122 para 5099 kg/há e 578 para 816 mil hectares, respectivamente), nas safras</p><p>1978/79 a 1988/89, com as cultivares Br -Irga 409 (1979) e Br - Irga 410 (1980)</p><p>lançadas em convênio da Embrapa com o Irga.</p><p>A técnica de “cu ltura de tecidos” foi no introduzida em 1980, como uma</p><p>nova ferramenta do programa de melhoramento de arroz irrigado da UEPAE de</p><p>Pelotas. A realização dos primeiros trabalhos, através do convênio Embrapa/UFPel,</p><p>visou redução do tempo necessário para a obt enção de uma nova cultivar, com maior</p><p>uniformidade genética e redução dos custos de manipulação do material de campo.</p><p>Em 1983, através da técnica de cultura de anteras “in vitro”, obtiveram -se as</p><p>primeiras plantas de arroz.. Na safra 1992/93, o CPATB, mo ntou seu próprio</p><p>laboratório que, desde então, tem processado milhares de anteras para auxiliar o</p><p>programa de melhoramento de arroz irrigado.</p><p>No período de 1985 a 1991 foram lançadas na seqüência cronológica as</p><p>cultivares, BR -IRGA 411 (1985), BR -IRGA 412, BR-IRGA 413 (em 1986), BR -</p><p>IRGA 414(1987), BR -IRGA 415 (1989) e BRS 7 “ Taim”, IRGA 416 e BRS 6</p><p>“Chui”(em 1991).</p><p>Em 1986, os estudos com as plantas daninhas ao arroz cultivado, como</p><p>arroz vermelho e preto, cuja infestação crescente nas várzeas gaúchas se co nstitui</p><p>num dos maiores, se não o maior problema da orizicultura neste Estado, elucidaram</p><p>uma série de fenômenos, que possibilitaram o equacionamento do problema, sem</p><p>fundamentá -lo em falsas premissas, entre as quais a de tipificá -lo e, de obter</p><p>importantes informações para o melhoramento, como a resistência às doenças.</p><p>Em março de 1993, os dois Centros de Pesquisas (CPATB e CNPFT) com</p><p>atuações diferenciadas, coexistindo na mesma região geográfica, passam a se</p><p>constituir no Centro de Pesquisa Agropecuária d e Clima Temperado (CPACT),</p><p>através da Deliberação 008/93 da Diretoria da Embrapa. A fusão ocorre por</p><p>questões</p><p>de racionalização de recursos materiais e humanos. As linhas de</p><p>pesquisas, as áreas de abrangência e os produtos são diferentes, mas os serviç os</p><p>administrativos e de infraestrutura poderiam ser comuns.</p><p>À partir dos anos 90, as empresas privadas como Quatro Irmãos S.ª</p><p>(atualmente Aventis) competente no mercado gaúcho com suas cultivares. Nesta</p><p>época foram lançadodas as cultivares: Brs Ligeirinho (1995) , Irga 417 (1995), Brs</p><p>Agrisul (1995), Brs Bojuru – grão curto (1997), Supremo 1 (1996), Brs Atalanta</p><p>(1999), Brs Firmeza (1999), Irga 418 (1999), Irga 419 (1999) e Irga 420 (1999).</p><p>Na safra de 1998/99 destaca -se na lavoura do RS, o plantio das c ultivares</p><p>de grão agulhinha: Br - Irga 410 com 13,0 %; Br - Irga 409, com 11,0 %; Irga 417,</p><p>com 20,1%; Irga 416, com 5,4%; Brs Chuí, com 5,5%; BRS Taim, com 9,6%; Br -</p><p>Irga 414, com 1,3%, e a uruguaia El Paso L 144, que ocupou 24,3% da área total. As</p><p>cultivares EEA 406 de grão longo -oblongo e a IAS 12 -9 Formosa, de grão curto</p><p>ocuparam uma pequena parte da área total de arroz irrigado no Estado.</p><p>4.3 Cultivares comerciais introduzidas ou lançadas conjuntamente (ou</p><p>separadamente) pela Embrapa e Irga no Rio Grande do Sul</p><p>As principais cultivares em uso no Rio Grande do Sul, são classificadas</p><p>empíricamente em quatro tipos de arquitetura de plantas, que serão descritas de</p><p>forma reduzida.</p><p>4.3.1 Cultivares do tipo “tradicional”</p><p>As plantas de arquitetura do tipo “t radicional” (ou “gaúcha”), apresentam</p><p>em geral, porte superior a 105 cm, baixa capacidade de perfilhamento, folhas longas</p><p>decumbentes e pilosas; rusticidade e, conseqüentemente, menos exigentes quanto às</p><p>condições de cultivo, embora possam responder favora velmente em produtividade,</p><p>quando conduzidas com as tecnologias recomendadas; suscetibilidade à brusone em</p><p>semeaduras tardias e/ou sob alta fertilidade (nitrogênio); ciclo biológico médio ou</p><p>semi -tardio; toleram melhor lâmina de água desuniforme (terreno n ão aplainado) em</p><p>razão do porte alto; boa resistência às doenças de importância econômica</p><p>secundária, Rizoctonioses por exemplo; grãos curtos, médios e longos, de secção</p><p>transversal elipsóide, de casca pilosa e clara. Dado o alto vigor, possuem boa</p><p>capac idade competitiva em relação às plantas invasoras, mas normalmente acamam</p><p>sob alta fertilidade natural, ou quando recebem doses acima de 40 kg/ha de</p><p>nitrogênio.</p><p>Caloro</p><p>Pela origem japônica e a aclimatação que as plantas sofreram, esta cultivar</p><p>é tida como tolerante ao frio na fase reprodutiva. Introduzida no Estado em 1938,</p><p>vinda de Crowley - Louisiana/USA, é oriunda de uma seleção de “Early</p><p>Wataribune”. As plantas possuem ciclo ao redor de 135 dias da emergência à</p><p>maturação completa, grãos médios com casc a pilosa de cor clara e aristadas,</p><p>notadamente nas espiguetas do terço superior da panícula. Em solo com alta</p><p>fertilidade, as plantas tendem a acamar e tornam -se sensíveis ao ataque de brusone.</p><p>Possuem altura média de 115 cm.</p><p>EEA -406</p><p>Devido ao seu vigor inicial, essa cultivar apresenta boa tolerância ao frio</p><p>no início da fase vegetativa, porém, torna -se sensível ao acamamento e ao ataque de</p><p>brusone em condições de alta fertilidade do solo. Os efeitos danosos, sob forma de</p><p>espiguetas estéreis, resultantes do binômio frio/brusone, são mais evidentes quando</p><p>é semeada tardiamente (dezembro). Ela é originária do estado do Rio Grande do Sul,</p><p>obtida pelo IRGA -EEA a partir do cruzamento entre Zenith e Maravilha I e liberada</p><p>em 1966. Tem o ciclo biológico médio de 140 dias, da emergência à maturação,</p><p>grãos longos, de casca pilosa -clara e sem aristas. As plantas possuem altura média</p><p>de 120 cm, com facilidade de acamamento e maior adaptação à colheita manual, tal</p><p>como a EEA 404.</p><p>IAS l2 -9 Formosa</p><p>Também conhecida po r “Formosa”, pertence como a Caloro, à subespécie</p><p>japônica. Possui tolerância às baixas temperaturas do ar que ocorrem principalmente</p><p>na zona sul do RS, durante o período reprodutivo das plantas. Em Taiwan, de onde é</p><p>originária, ela é denominada de Kaoshiu ng 21. A “Formosa” foi introduzida pelo</p><p>Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Sul do Ministério da</p><p>Agricultura (Atual Embrapa Clima Temperado) e liberada, em 1972, para o cultivo</p><p>no Estado. Possui ciclo ao redor de 135 dias, da emergência à maturação, grãos</p><p>curtos e vítreos, com casca pilosa -clara e sem arista. A “Formosa” tem a altura</p><p>média de 105 cm e, por isso, é sensível ao acamamento, quando cultivada em solo</p><p>de alta fertilidade.</p><p>4.3.2 Cultivares do tipo “intermediário”</p><p>As plantas desse grupo, em geral, possuem o porte “intermediário” (ou</p><p>“americano”) ao redor de 100 cm, folhas curtas, estreitas, semi -eretas e lisas e baixa</p><p>capacidade de perfilhamento.</p><p>Bluebelle</p><p>Oriunda do Texas, USA, procede do cruzamento múltiplo entre C.I. 9122,</p><p>Century Patna 231 e C.I. 9214. Esta cultivar foi introduzida na lavoura comercial,</p><p>por volta de 1969, através de produtores gaúchos que trouxeram grande quantidade</p><p>de sementes do Uruguai. Bluebelle caracteriza -se por ter ciclo biológico ao redor de</p><p>115 di as da emergência à completa maturação, grão do tipo “patna” ou agulhinha, de</p><p>casca lisa e cor dourado, sem arista e com apículos de cor púrpura na floração.</p><p>Devido à coloração dourada da casca, Bluebelle não se adapta à parboilização dos</p><p>grãos, pois durant e este processo difunde essa cor para o pericarpo o qual é rejeitado</p><p>pelo consumidor. As folhas são de cor verde -azulada, lisas e com face interna da</p><p>bainha de coloração púrpura. No Estado, a cultivar Bluebelle tem melhor</p><p>desempenho produtivo em semeaduras entre 5 e 20 de novembro, quando as</p><p>condições climáticas são favoráveis a uma boa emergência. Por sua adaptação,</p><p>precocidade e qualidade de grãos, ela ocupou, no fins dos anos 70, mais de 80% da</p><p>área de arroz irrigado. A altura média das plantas da culti var Bluebelle é de 100 cm.</p><p>BRS Bojuru</p><p>Essa cultivar pertence à subespécie japônica, possui tolerância ao frio, na</p><p>fase reprodutiva, e à condição média de salinidade do ambiente litorâneo do estado</p><p>do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “Bojuru” descende d e uma planta</p><p>selecionada pela Embrapa Clima Temperado em 1986/87, sendo oriunda de</p><p>alogamia natural entre a variedade japonesa TY 12 e um pai desconhecido, sendo</p><p>liberada para cultivo em 1997. Possui ciclo biológico médio de 135 dias da</p><p>emergência à matu ração completa dos grãos e produtividade média, a nível</p><p>experimental, de 6.200 kg/ha de grão com casca, com 13% de umidade. Apresenta</p><p>grãos curtos, com casca clara -pilosa, vítreos, com rendimento industrial superior a</p><p>68% de grãos inteiros quando polidos. Essa cultivar tem baixo conteúdo de amilose</p><p>18-20%, o que lhe dá o carácter pegajoso, molhado ou empapado dos grãos quando</p><p>cozidos, condição fundamental para as exigências do consumidor oriental. “Bojuru”</p><p>apresenta tipo arquitetônico de planta de porte in termediário com folhas semi -eretas</p><p>de superfície pilosa e colmos finos. Nos testes de avaliação, mostrou reação médio -</p><p>resistente às raças predominantes de brusone. Por ter difícil degranação, ela pode</p><p>permanecer mais tempo na lavoura sem grande perda por d ebulha e por ataque de</p><p>pássaros, pois é menos preferida por esses. Sua altura média é de 100 cm e sob alta</p><p>fertilidade, as plantas demonstram sensibilidade ao acamamento.</p><p>4.3.3 Cultivares do tipo “semi -anão filipino</p><p>As cultivares são de porte baixo ou “ semi -anã” (ou “moderno - filipino”),</p><p>inferior a 100 cm, de folhas curtas e eretas, pilosas ou lisas, alta capacidade de</p><p>perfilhamento, o que proporciona potencial de produzir mais grãos que as cultivares</p><p>dos grupos antes relatados. Nessas cultivares, gera lmente, as plantas possuem</p><p>colmos fortes e baixos e, por isso, toleram níveis mais elevados de nitrogênio sem</p><p>acamarem. O ciclo biológico vai de precoce a tardio e os grãos são do tipo “patna”,</p><p>de casca pilosa ou lisa.</p><p>Br-Irga 409</p><p>Procedente da Colômbia</p><p>-CIAT, foi introduzida no Rio</p><p>Grande do Sul, pela pesquisa gaúcha, como P 790 -B4-4-1T (IR 930 -</p><p>2/IR 665-31-2-4). Apresenta plantas com ciclo médio de 130 dias da</p><p>emergência à maturação, grão “patna”, de casca pilosa -clara e com</p><p>arista apical predominante n a população. Foi recomendada a partir de</p><p>1979, têm plantas com folhas curtas, eretas e pilosas e, ainda, podem</p><p>apresentar coloração amarelo -alaranjada (sintoma de sensibilidade à</p><p>toxicidade por ferro) durante a fase vegetativa predominantemente. A</p><p>extremidade das folhas, no final do ciclo, freqüentemente, torna -se</p><p>seca, porém mantem -se ereta, o que dificulta o ataque de pássaros. Na</p><p>população da BR -IRGA 409, existem plantas com variações de ciclo,</p><p>tipo de grão, pilosidade e reação à toxicidade por ferro, indicando</p><p>heterogeneidade da mesma. Tendo em vista o seu ciclo de 130 dias e</p><p>a sensibilidade ao frio na fase reprodutiva, devido a sua origem</p><p>tropical, essa cultivar deve ser semeada exclusivamente dentro do</p><p>período ideal de semeadura da região. Por sua capacidade produtiva e</p><p>adaptação, principalmente na região da Fronteira -Oeste foi precursora</p><p>da elevação do nível de produtividade de arroz no Estado. Com</p><p>relação a qualidade de grão, tem rendimento industrial superior a 60%</p><p>de grãos inteiros quando polid os, baixa temperatura de gelatinização e</p><p>conteúdo de amilose acima de 26%, entretanto, podem aparecer</p><p>plantas na população com teores menores de amilose. A altura média</p><p>da população de plantas é de 80 cm.</p><p>Br-Irga 410</p><p>Introduzida do CIAT -Colômbia e avali ada pela pesquisa gaúcha (Irga -EEA</p><p>e Embrapa -Pelotas, convênio Embrapa/UFPel), como P798 -B4 -4-1T (IR 930 -53/ IR</p><p>665 -3 -1-2-4) foi liberada para cultivo no Estado em 1980. Possui o ciclo ao redor de</p><p>125 dias, grãos do tipo agulhinha, de casca pilosa, cor cl ara, com alta predominância</p><p>de espiguetas sem aristas - alguns grãos, podem apresentar arista apical. Esta última</p><p>característica, entretanto, não deve ser usada como parâmetro diferencial da cultivar</p><p>BR-IRGA 409, especialmente a nível de laboratório de an álise de sementes. As</p><p>folhas são curtas, eretas e pilosas, por vezes podem ter, durante o perfilhamento</p><p>máximo, coloração amarelo -alaranjada, embora não tão acentuada como na “409”.</p><p>Apesar da origem tropical, as plantas dessa cultivar sofreram aclimataçã o e têm</p><p>suportado medianamente os danos do frio na fase reprodutiva, cujo efeito é notado,</p><p>principalmente, pela esterilidade das espiguetas e pela casca do grão manchada de</p><p>marrom. A sua alta produtividade e adaptação, inicialmente demonstrada nas</p><p>lavoura s na região sul do Estado (Santa Vitória do Palmar), levaram -na a ocupar o</p><p>primeiro lugar, no final da década de 80, em área cultivada no Estado. A</p><p>extremidade das folhas ao final do ciclo, freqüentemente torna -se seca, ocasionada</p><p>pela doença denominada e scaldadura ( Rhynchosporium Oryzae Hash & Ike), porém</p><p>mantém -se ereta, o que dificulta o ataque de pássaros. Tem reação de resistência ao</p><p>ataque da bicheira da raiz. Na sua população, ocasionalmente, podem surgir plantas</p><p>atípicas, principalmente com relaçã o ao ciclo, tipo e qualidade de grão e pilosidade.</p><p>Em termos de qualidade, tem rendimento industrial superior a 60% de grãos inteiros</p><p>quando polidos, baixa temperatura de gelatinização e conteúdo de amilose acima de</p><p>26%. A altura média das plantas na matu ridade é de aproximadamente 85 cm.</p><p>BRS 6 “Chuí” (ex -Embrapa 6 -Chuí)</p><p>É oriunda da seleção de uma planta lisa de ciclo precoce realizada na</p><p>Embrapa Clima Temperado, na cultivar BR -IRGA 410, originalmente pilosa. A</p><p>cultivar “Chuí”, recomendada em 1991, pos sui ciclo médio de 110 dias, da</p><p>emergência à maturação, grão “patna”, de casca lisa e clara e sem arista. As reações</p><p>à brusone e toxicidade por ferro, também são muito similares às da BR -IRGA 410 e,</p><p>apesar do ciclo curto, tem boa capacidade produtiva, ent re 9 e 10 t/ha. Quanto à</p><p>reação ao frio, “Chuí” é sensível, porém, os efeitos desse fator climático sobre a</p><p>casca do grão (manchas de cor marrom) não são tão intensos como nas demais</p><p>cultivares deste tipo de planta de arquitetura moderna. Em razão do cic lo precoce,</p><p>admite ser semeada mais tarde com possibilidade da fase reprodutiva das plantas</p><p>escapar do frio. Por outro lado, se semeada bem no cedo, ela pode proporcionar ao</p><p>orizicultor uma segunda colheita (“soca”), ou seja: as plantas rebrotam novamente,</p><p>florescem e maturam no mesmo ano, possibilitando um ganho extra. Com relação à</p><p>qualidade, o Chuí tem rendimento industrial superior a 63% de grãos inteiros</p><p>quando polidos, baixa temperatura de gelatinização e conteúdo de amilose acima de</p><p>26%. Tem o peso de mil sementes ao redor de 23,00 g. As plantas da BRS Chuí</p><p>possuem altura média de 80 cm. Esta cultivar atualmente, está sendo bastante</p><p>cultivada no estado do Pará e, também, na província de Corrientes, na Argentina.</p><p>BRS 7 “Taim” (ex -Embrapa 7 -Taim)</p><p>É originária de um cruzamento realizado na Embrapa Clima Temperado</p><p>que envolveu genes da cultivar Tetep, cuja reação de resistência à brusone é</p><p>mundialmente conhecida. Na fase experimental, foi denominada, a partir de</p><p>1984/85, de CL Seleção 107.</p><p>As plan tas da “Taim”, lançada em 1991, possuem ciclo biológico ao redor</p><p>de 130 dias, da emergência à maturação; grãos do tipo “patna”, de casca lisa -clara,</p><p>sem arista e alta capacidade produtiva entre 8,6 a 10,2 t/ha. Em comparação com as</p><p>demais cultivares, apre senta a melhor reação às raças de brusone, atualmente</p><p>predominantes no Estado. Suas plantas possuem reação moderadamente tolerante à</p><p>toxicidade por ferro e, segundo dados da Embrapa Clima Temperado, apresentam</p><p>bom vigor inicial nos sistemas de cultivo de semeadura direta e cultivo mínimo. Por</p><p>outro lado, dada a sensibilidade ao frio e ao ciclo semi -tardio, a “Taim” não admite</p><p>semeaduras do tarde, principalmente naquelas regiões sujeitas à ocorrência de baixas</p><p>temperaturas na fase reprodutiva das plantas. Em relação à qualidade, tem</p><p>rendimento industrial superior a 64% de grãos inteiros quando polidos, temperatura</p><p>intermediária de gelatinização e conteúdo de amilose ao redor de 25%.</p><p>Essa cultivar tem 24,38 g de peso médio de mil sementes e a altura médi a</p><p>das plantas é de 80 cm. A cultivar “Taim”, é cultivada, atualmente, em cerca de 30</p><p>mil ha no estado de Mato Grosso do Sul, o que representa 50% da área total de arroz</p><p>irrigado e, também, numa expressiva área da província de Corrientes, na Argentina.</p><p>Irga 416</p><p>É resultante do cruzamento realizado pelo IRGA -EEA entre</p><p>IR 841 -67-1-1 e BR-IRGA 409. Foi liberada para cultivo em 1991,</p><p>possui ciclo médio de 115 dias, da emergência à maturação, grão</p><p>“patna”(agulhinha), de alta qualidade industrial, de casca pilosa -clara</p><p>e semi -aristado. É suscetível ao frio na fase reprodutiva; é</p><p>moderadamente sensível à toxicidade por ferro e moderadamente</p><p>suscetível à brusone e à escaldadura da folha. Por outro lado, é</p><p>moderadamente resistente à mancha parda e mancha das espigu etas ou</p><p>das glumas. A altura média das plantas é de 80 cm.</p><p>Irga 417</p><p>Originária do cruzamento múltiplo realizado pelo IRGA -EEA de</p><p>Newrex/IR 19743 -25 -2-2//BR -IRGA 409, em 1983, foi liberada para cultivo</p><p>comercial em 1995. Possui ciclo médio de 115 dias da emergência à maturação,</p><p>grão “patna” (agulhinha), de casca clara e pilosa, podendo apresentar pequenas</p><p>aristas e plantas de tipo moderno com folhas eretas e pilosas. Tem comprimento</p><p>médio do grão polido de 7,22 mm, relação comprimento/largura de 3.54, alt o teor de</p><p>amilose, baixa temperatura de gelatinização. O peso médio de 1000 grãos com</p><p>casca é de 27,6 g e o rendimento industrial é de 62% de grãos inteiros quando</p><p>polidos. Possui sensibilidade média à toxicidade por ferro, bem como ao frio na fase</p><p>reprodutiva das plantas. Tem reação médio -resistente à brusone e à mancha dos</p><p>grãos. Sua produtividade média, a nível experimental, é de 7.500 kg/ha de grão com</p><p>casca com 13</p><p>% de umidade. A altura média das plantas é de 79 cm.</p><p>BRS Ligeirinho (ex-Embrapa 38 -Li geirinho)</p><p>Esta cultivar foi desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado a partir da</p><p>seleção de uma planta -lisa, encontrada em uma população segregante de P 798 -B4 -</p><p>4-1T, atual BR -IRGA 410. A cultivar “Ligeirinho”, recomendada em 1995, tem</p><p>como destaque o cic lo super -precoce, ao redor de 100 dias da emergência à</p><p>completa maturação. Apresenta folhas e espiguetas com superfície lisa, grãos tipo</p><p>“patna” e bom rendimento industrial. Seu ciclo curto proporciona aos produtores as</p><p>seguintes vantagens: obtenção de pre ços de venda mais elevado, similar da</p><p>entressafra; com melhor otimização da área (diversificação com outras espécies na</p><p>mesma safra); controle da população de arroz “daninho” (vermelho e preto) em</p><p>lavouras altamente infestadas por ser colhida antes da matu ração da invasora;</p><p>redução de custos de produção; escape da lavoura aos danos do frio em semeaduras</p><p>tardias. Contudo deve -se salientar que esta cultivar tem menor teto produtivo do que</p><p>as demais do tipo moderno. Em termos de qualidade, “Ligeirinho” tem ren dimento</p><p>industrial superior a 63% de grãos inteiros quando polidos, baixa temperatura de</p><p>gelatinização e conteúdo de amilose acima de 26%. A população de plantas da</p><p>“Ligeirinho” tem a estatura média de 76 cm.</p><p>BRS AGRISUL (ex -Embrapa 39 -Agrisul) - É oriun da de cruzamento</p><p>controlado entre as linhagens CL Seleção 62a (“Ligeirinho”) e CL Seleção 49 -2,</p><p>ambas do programa de melhoramento genético da Embrapa Clima Temperado. A</p><p>“Agrisul”, liberada em 1995, destaca -se das demais cultivares por apresentar</p><p>resistênc ia à toxicidade por ferro e grão longo e fino. Seu ciclo biológico é de 127</p><p>dias da emergência à completa maturação. As plantas têm as folhas e espiguetas</p><p>lisas e possuem grande capacidade de emissão de perfilhos. Tem excelente</p><p>qualidade de grão, com rend imento industrial ao redor de 63% de grãos inteiros</p><p>quando polidos, temperatura de gelatinização intermediária e 26 % de teor de</p><p>amilose. O peso médio de mil grãos com casca é de 23,28 g e a altura média das</p><p>plantas é 81 cm.</p><p>BRS Atalanta</p><p>A BRS Atalanta é um produto de cruzamento múltiplo, realizado na</p><p>Embrapa Clima Temperado, entre a cultivar americana Dawn e a japonesa Hayayuki</p><p>(1981/82), que originou o híbrido TF 60 (F 1 ), o qual, foi cruzado com BR -Irga 410</p><p>(1982/83), formando o TF 174 (F 1 ). O híbrido T F 174 foi hibridizado com a cultivar</p><p>Colômbia 1(1983/84), dando origem ao TF 231 (F 1) que após ciclos de seleções, em</p><p>“bulk” e genealógica, resultou na linhagem TF 231 -13-1M -8B -6-5.</p><p>A cultivar BRS Atalanta foi lançado em 1999, é constituída de plantas do</p><p>tipo “moderno -filipino” de folhas lisas, tem ciclo biológico ao redor de 100 dias,</p><p>variando de 90 a 110 dias. A produtividade média de quatro safras (1995/99) foi de</p><p>6.800 kg/ha (136 scs./ha – 50 kg), com variações entre 6.000 e 8.980 kg/ha. O</p><p>rendimento industrial (engenho de provas – “Suzuki”) é superior a 62% de grãos</p><p>inteiros -polidos, variando de 58 a 65%.</p><p>O grão da cv. BRS Atalanta é classificado como grão longo -fino</p><p>(“agulhinha”) de casca lisa -clara. No município do Capão do Leão – RS, apresenta</p><p>o grão polido com as seguintes dimensões médias: comprimento de 6,7 mm (5,5 a</p><p>7,5 mm); a largura de 1,8mm (1,7 mm a 2,2 mm); espessura de 1,55 mm (1,5 a 1,6</p><p>mm); e a relação comprimento/largura de 3.71, podendo variar entre 3,37 e 4,13. A</p><p>cv. tem normalme nte em torno de 22% de esterilidade, variando de 16 a 28%.</p><p>Durante a fase experimental (Capão do Leão – RS), a cv. apresentou um número</p><p>médio de 115 grãos por panícula, variando de 94 a 140, com 24 cm de comprimento</p><p>de panícula, oscilando de 24,1 a 26,8 cm. O peso médio de mil sementes com casca,</p><p>a 13% de umidade, é de 25,06 gramas. O grão da cv. Atalanta apresentou, nos teste</p><p>indiretos de qualidade culinária, um conteúdo de amilose classificado como alto, ao</p><p>redor de 27% e intermediária temperatura d e gelatinização. Quanto à reação aos</p><p>estresses abióticos e bióticos, nos testes experimentais no município do Capão do</p><p>Leão, apresentou reação intermediária de resistência à brusone ( Pyricularia grisea ) e</p><p>à bicheira da raiz do arroz de cultivo. Pode mostr ar reações de suscetibilidade à</p><p>toxicidade por ferro, na fase vegetativa, e ao frio na fase reprodutiva das plantas.</p><p>Irga 418</p><p>Esta cultivar é a dominação comercial da linhagem IRGA 284 -1-18-2 -2-2,</p><p>proveniente de seleção genealógica realizada em progênie, d o cruzamento ente</p><p>planta F1 de BR -Irga 412/CICA 9 com a cultivar BR -Irga 409, realizado pelo IRGA</p><p>em Cachoeirinha.</p><p>A cultivar Irga 418, lançada em 1999, apresenta plantas de porte baixo,</p><p>folhas curtas, eretas e pilosas, panículas protegidas pela folha band eira, grãos</p><p>longos, finos e pilosos, casca de coloração amarelo -palha, estatura média de 84 cm,</p><p>resistente ao acamamento no sistema de plantio convencional e alta capacidade de</p><p>afilhamento, ciclo biológico 115 dias (até completa maturação das sementes),</p><p>resistência intermediária a degranação, com produtividade entre 7,0 a 8,6 t/ha.</p><p>Quanto aos estresses bióticos e abioticos apresenta reação intermediária à</p><p>toxidez de ferro, reação mediana à baixas temperaturas e reação médio resistente à</p><p>brusone e médio sus cetível à mancha dos grãos.</p><p>As características físico -quimicas dos grãos apresentam comprimento de</p><p>6,43 mm, largura de 2,04mm, espessura de 1,75 mm e relação comprimento/largura</p><p>de 3,15, classificando -os como longo/fino. O teor de amilose do grão é alto, com</p><p>aparência vítrea, temperatura de gelatinização baixa e peso de 1000 grãos com casca</p><p>de 26,5g. O rendimento industrial é de 63% de grãos inteiros e farelo ente 8 e 9%.</p><p>Irga 419</p><p>A cultivar é procedente de seleção genealógica realizada em progênie do</p><p>cruzamento entre as cultivares Oryzica 1 e BR -IRGA 409, realizado pelo IRGA em</p><p>1984, em Cachoeirinha dando origem a cultivar comercial IRGA 369 -31 -2-3F-A1-1 .</p><p>A cultivar IRGA 419 lançada em 1999 possui plantas com características de</p><p>porte baixo, folhas curta s, eretas e sem pilosidade, panículas protegidas pela folha</p><p>bandeira, grãos longos, finos e sem pilosidade, de casca de coloração amarelo -palha.</p><p>As plantas tem as seguintes características agronômicas: vigor inicial alto,</p><p>estatura média de 82 cm, resist ente ao acamamento, alta capacidade de</p><p>perfilhamento, ciclo biológico de 120 dias (até a maturação), esterilidade em torno</p><p>de 17%, resistência intermediária à degranação, com produtividade entre 7,0 e 9,3</p><p>t/ha.</p><p>Quanto aos estresses bióticos e abióticos apresenta reação médio resistente</p><p>à toxidez de ferro, reação sensível à baixas temperaturas e reação médio resistente à</p><p>brusone e médio suscetível à mancha dos grãos.</p><p>Os grãos polidos possuem dimensões de 6,83 mm, 2,19 mm de largura,</p><p>1,71 mm de espessura, 3,12 de relação comprimento/largura, classificando -os como</p><p>longo/fino. As características fisíco -químicas do grão são: aparência vítrea, alto</p><p>teor de amilose, baixa temperatura de gelatinização e peso de 1000 grãos de 26,4g.</p><p>O comportamento industrial é de 63% de grãos inteiros, 8 a 9% de farelo e 22 a 23</p><p>% de casca.</p><p>Irga 420</p><p>A cultivar é a denominação da linhagem IRGA 370 -42-1-1F-C1, resultante</p><p>de seleção genealógica realizada em progênie do cruzamento entre as cultivares</p><p>Oryzica 1 e BR -Irga 412, real izado pelo IRGA em 1984, em Cachoeirinha.</p><p>A cultivara IRGA 420 lançada em 1999, possui características de porte</p><p>baixo, folhas curtas, eretas e sem pilosidade, panículas protegidas pela folha</p><p>bandeira, grãos longos, finos e sem pilosidade, de casca de color ação amarelo -palha,</p><p>com uma produtividade entre 7,4 e 9,5 t/ha.</p><p>As plantas tem as seguintes características agronômicas: vigor inicial alto,</p><p>estatura média de 81 cm, resistente ao acamamento, alta capacidade de</p><p>perfilhamento, ciclo biológico de 120 dias (até a maturação), esterilidade em torno</p><p>de 17%, resistência</p><p>intermediária à degranação.</p><p>Quanto aos estresses bióticos e abióticos apresenta reação médio resistente</p><p>à toxidez de ferro, reação sensível à baixas temperaturas e reação médio resistente à</p><p>brusone e médio suscetível à mancha dos grãos.</p><p>Os grãos polidos possuem dimensões de 6,58 mm, 2,18 mm de largura,</p><p>1,71 mm de espessura, 3,01 de relação comprimento/largura, classificando -os como</p><p>longo/fino. As características fisíco -químicas do grão são: aparência vítrea, alto</p><p>teor de amilose, baixa temperatura de gelatinização e peso de 1000 grãos de 27,0 g.</p><p>O comportamento industrial é de 62% de grãos inteiros, 8 a 9% de farelo e 22 a 23</p><p>% de casca.</p><p>4.3.4 Cultivares do tipo “moderno -americano”</p><p>Incl ui todas as cultivares de porte baixo, inferior a 100 cm, com colmos</p><p>fortes e robustos, folhas curtas e eretas (pilosas ou lisas) e de baixa capacidade de</p><p>perfilhamento. Os colmos fortes e baixos dessas cultivares conferem tolerância ao</p><p>acamamento na prese nça de níveis elevados de nitrogênio. O ciclo predominante</p><p>desse tipo, nas condições do Rio Grande do Sul, é mediano (125 dias) e os grãos são</p><p>do tipo “patna” ou longo e de casca lisa.</p><p>BRS Firmeza</p><p>A cultivar foi originada do cruzamento múltiplo, realizado na Embrapa</p><p>Clima Temperado entre a cultivar gaúcha BR -Irga 411 e a americana Bluebelle</p><p>(C.I.9122//Century Patna 231/C.I.9214), resultando no híbrido do cruzamento com a</p><p>cultivar americana Lemont (Lebonnet//C.I.9881/PI331581). Após ciclos de seleção</p><p>em “ bulk” e plantas individuais, surgiu a linhagem codificada como CL 78 -84-1M-</p><p>26M.</p><p>A cultivar BRS Firmeza, lançada em 1999, apresenta ciclo biológico semi -</p><p>precoce de 120 dias, oscilando entre 115 e 125 dias da emergência à completa</p><p>maturação dos grãos. A pla nta é do tipo moderno com colmos vigorosos e fortes, de</p><p>pouco perfilhamento, com altura variando entre 66 e 86cm. A produtividade média,</p><p>na rede de ensaios experimentais, em seis safras (1993/99), foi de 7.450 kg/ha (149</p><p>scs./ha – 50 kg), com variações e ntre 5.600 e 10.800 kg/ha. Neste período a</p><p>esterilidade média foi de 11%, oscilando entre 6 e 21%.</p><p>A cultivar tem certo grau de tolerância genética ao frio na fase reprodutiva.</p><p>Em função desta característica, pode ser usada como alternativa na necessida de de</p><p>semeadura tardia (cerca de 10 dias além da época ideal de cada região orizícola) no</p><p>Rio Grande do sul. A sua baixa degranação permite ao orizicultor retardar um</p><p>pouco a colheita.</p><p>Os grãos da cultivar Firmeza são do tipo “agulhinha”, de casca lisa -cl ara,</p><p>de apículo de cor púrpura. O seu rendimento industrial é superior a 65% de grãos</p><p>inteiros -polidos com renda total de 71%. O grão polido da BRS Firmeza tem as</p><p>seguintes dimensões médias: comprimento de 6,8mm (6,5 a 7,1 mm); largura de</p><p>1,98 mm (1,7 a 2,0 mm); espessura de 1,58mm (1,5 a 1,6 mm) e relação</p><p>comprimento/largura de 3,4 (3,1 a 3,8). O peso médio de mil sementes, à 13% de</p><p>umidade é de 28,67 gramas, com extremos entre 27,26 e 29,61 gramas. (FOTO 04</p><p>e 05)</p><p>4.4 Bibliografia consultada</p><p>PETERS , J.A.; BORSOI, L.S.; TERRES, A.L.S. Cultura de</p><p>anteras de cinco híbridos F1 de arroz. . RENIÃO DA</p><p>CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 14, 1985, Pelotas.</p><p>Anais... Pelotas: Embrapa CPATB, 1985. p.48 -55.</p><p>SILVEIRA, E. P. Melhoramento genético: outro fator dec isivo na produtividade do</p><p>arroz gaúcho. . Lavoura arrozeira , Porto Alegre, v.38, n. 357, p.3 -12, 1985.</p><p>TERRES A.L.; GALLI,J.; FAGUNDES, P.R.R.; MACHADO, M.</p><p>O.; MAGALHÃES, Jr., A.M. MARTINS, J.F.; NUNES,</p><p>C.D.M.; FRANCO, D.F.; AZAMBUJA, I.H. Arroz irrigado no</p><p>Rio Grande do Sul: generalidades e cultivares . Pelotas: Embrapa</p><p>Clima Temperado, 1998. 58p. (Embrapa Clima Temperado.</p><p>Circular Técnica, 14).</p><p>TERRES, A. L.; MACHADO, M.O.; FAGUNDES, P.R.R.; MAGALHÃES Jr., A.</p><p>M.; MARTINS, J.F. da S.; FRANCO, D. F.; FRAN CO, J.C.; NUNES, C.D.M.</p><p>Melhoramento genético de arroz irrigado na Embrapa Clima Temperado: 10.</p><p>BRS Firmeza e BRS Atalanta, novas cultivares para a orizicultura gaúcha. In:</p><p>1º CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO; REUNIÃO DA</p><p>CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 23ª. 1999, Pelotas. Anais... Pelotas:</p><p>Embrapa Clima Temperado, 1999. p. 158 -161.</p><p>TERRES, A.L.S.; PETERS, J.A. Cultura “In vitro” de tecidos no melhoramento</p><p>genético de arroz irrigado no Rio Grande do Sul. In: RENIÃO DA CULTURA</p><p>DO ARROZ IRRIGADO, 14 . 1985, Pelotas. Anais... Pelotas: Embrapa</p><p>CPATB, 1985. p. 56 -60.</p><p>CAPÍTULO 5</p><p>SITUAÇÃO ATUAL DO ARROZ IRRIGADO NO RIO GRANDE DO SUL E</p><p>PERSPECTIVAS FUTURAS</p><p>José Alberto Petrini 3</p><p>Isabel H. Vernetti Azambuja 1</p><p>Algenor da S. Gomes 1</p><p>Ariano M. de Magalhães Jr. 1</p><p>5.1 O setor orizícola no RS: situação atual</p><p>A pesquisa em arroz irrigado desenvolvida no Rio Grande</p><p>do Sul, trouxe reflexos positivos à conjuntura econômica do</p><p>estado. Dados da Fundação de Economia e Estatística do Estado</p><p>(FEE), mostram que o arroz que era responsável por pouco mais</p><p>de 20% do total de grãos colhidos no Estado, em 1990, dobrou</p><p>sua importância e atinge, em 1999, 40% do total da agricultura</p><p>gaúcha. Atualmente , o Valor Bruto da Produção de arroz de R$</p><p>2,5 bilhões, representa 3,1% do PIB Rio -grandense, estimado em</p><p>R$ 80,6 bilhões, e gera cerca de R$ 175 milhões na arrecadação de</p><p>ICMS.</p><p>Apesar da contribuição que o arroz irrigado tem trazido ao</p><p>RS, observa-se, ainda hoje, nas áreas de várzea, a prática de uma</p><p>agropecuária baseada numa matriz com poucas variações,</p><p>contribuindo para o empobrecimento das regiões orizícolas.</p><p>3 Pesquisadores da Embrapa Clima temperado E -mail: petrini@cpact.embrapa.br</p><p>Assim, no ecossistema terras baixas do RS, os sistemas de</p><p>produção agrícola têm com o componente principal e quase único,</p><p>o arroz. Produto que atinge, no Brasil, um consumo per</p><p>capita/ano em torno de 45 kg (grãos industrializados), sendo a</p><p>mais importante fonte de carboidratos das camadas menos</p><p>favorecidas da população brasileira.</p><p>Os produtores gaúchos são responsáveis por cerca de 45%</p><p>da produção nacional, que na safra 99/00, atingiu 11,58 milhões de</p><p>toneladas. A produtividade da cultura, graças aos esforços</p><p>conjuntos das instituições de pesquisa e dos produtores, tem</p><p>aumentado, 1000 k g/ha, por década, desde o início dos anos 70.</p><p>Todo o esforço desenvolvido, entretanto, não está se</p><p>refletindo em rentabilidade compensadora, fazendo com que</p><p>muitos produtores tenham de reduzir ou até mesmo abandonar</p><p>suas atividades. Como resultado observa -se o desemprego e o</p><p>êxodo rural. Este êxodo rural, por sua vez, tem levado à</p><p>marginalidade urbana a população originária do campo,</p><p>aumentando a probabilidade de conflitos sociais.</p><p>A reversão do processo de empobrecimento dos</p><p>orizicultores do RS deve ser uma questão prioritária, não só para</p><p>o governo do Estado, mas também para o governo brasileiro. Em</p><p>termos gerais, ao governo caberia a definição de uma política</p><p>agrícola estável e compatível com o setor, enquanto que à</p><p>pesquisa caberia o desenvolvimento de tecnologias que viabilizem</p><p>um aumento da rentabilidade do sistema de produção que compõe</p><p>o setor orizícola, de modo a torná -lo competitivo no mercado</p><p>nacional e mundial, gerando, concomitantemente, novas</p><p>oportunidades de emprego.</p><p>5.2 Perspectivas fut uras do setor orizícola no RS</p><p>De modo geral, aponta -se dois caminhos como mais</p><p>promissores para melhorar a rentabilidade do setor orizícola: o</p><p>aumento da eficiência da própria lavoura do arroz e a introdução</p><p>de espécies alternativas, produtoras de grãos, em rotação ao arroz</p><p>irrigado. A forma mais efetiva para alcançar tais objetivos</p><p>dependerá dos avanços tecnológicos gerados pela pesquisa, tanto</p><p>na cultura do arroz, como na sua alternância de plantio com</p><p>outras espécies de sequeiro (rotação de culturas) , e pela difusão</p><p>dos seus resultados. Estes avanços deverão concentrar -se no</p><p>desenvolvimento de material genético que apresente,</p><p>principalmente, alta produtividade e em tecnologias de irrigação e</p><p>manejo nos diferentes sistemas de cultivo, a fim de que as novas</p><p>cultivares expressem todo o seu potencial produtivo.</p><p>A rotação de culturas deverá ser um dos principais focos</p><p>da pesquisa de suporte ao arroz irrigado, utilizando as culturas de</p><p>milho, soja e sorgo. Para o desenvolvimento destas ações serão</p><p>necessários concentrar esforços em dois aspectos fundamentais:</p><p>material genético com tolerância ao estresse hídrico e um melhor</p><p>desenvolvimento de práticas de manejo de solo de várzea,</p><p>envolvendo sistematização, drenagem e irrigação.</p><p>O desenvolvimento de materia l genético de soja, milho e</p><p>sorgo tolerantes ao estresse hídrico do solo, possibilitará uma</p><p>maior rentabilidade da lavoura orizícola, visto que a obtenção</p><p>deste material viabilizará a mudança do modelo produtivo, o que</p><p>concorrerá para recuperação das áreas de várzeas, e</p><p>consequentemente, da produção de arroz irrigado,</p><p>proporcionando maior rentabilidade ao setor. Na atualidade, já</p><p>existem alternativas tecnológicas capazes de proporcionar</p><p>melhoria em setor orizícola. Todavia, deve -se reconhecer que estas</p><p>necessitam ser aperfeiçoadas e ter sua oferta ampliada.</p><p>Atualmente, a falta de uma política agrícola no Brasil, de</p><p>médio e longo prazo, com regras bem definidas quanto à</p><p>comercialização e financiamento da produção, que estimulem o</p><p>produtor a plantar e perman ecer na atividade com segurança, não</p><p>tem permitido a este, compatibilizar boas produtividades com</p><p>preços compensatórios. Enquanto não se dispor de uma política</p><p>agrícola adequada, fica o produtor gaúcho de arroz irrigado</p><p>penalizado e a mercê da instabilida de, independentemente da</p><p>maior ou menor produtividade ou da maior ou menor área de</p><p>cultivo com arroz no RS.</p><p>A persistência deste quadro tem dificultado o investimento</p><p>em tecnologia, levando o orizicultor a reduzir o nível tecnológico</p><p>de sua lavoura. Como conseqüência, a produtividade média</p><p>estadual não deverá apresentar variações significativas, bem</p><p>como a área total cultivada com arroz deverá permanecer</p><p>estabilizada entre 900 mil e 1 milhão de hectares.</p><p>Atualmente, a produção mundial de arroz encontra -se em</p><p>577,9 milhões de toneladas. Estima -se, segundo Hossain (1995),</p><p>citado por Sanint (1997), que a produção mundial de arroz com</p><p>casca, em 2025, deverá atingir 975 milhões de toneladas, sendo</p><p>necessário portanto a produção de um incremento adicional da</p><p>ordem de 400 milhões de toneladas deste cereal para atender a</p><p>demanda decorrente do crescimento populacional e do aumento</p><p>de consumo per capita. Neste contexto, o RS como maior produtor</p><p>nacional de arroz, com área passíveis de expansão e excelentes</p><p>condiçõ es de cultivo (clima, solo e mananciais de água), assume</p><p>papel decisivo para o abastecimento do mercado interno, podendo</p><p>vir a pleitear mercados emergentes na Europa Oriental e na Ásia.</p><p>A geração de novas tecnologias é preceito estabelecido na</p><p>Embrapa Cli ma Temperado, o qual inclui os princípios da</p><p>sustentabilidade em sua forma mais abrangente, preconizando o</p><p>desenvolvimento com a manutenção ou melhoria das condições</p><p>ambientais, de forma que os recursos naturais possam ser</p><p>utilizados, sem maiores proble mas, pelas gerações futuras. Desta</p><p>forma, os trabalhos previstos têm em seu escopo, a determinação</p><p>do impacto ambiental que as novas tecnologias poderão produzir.</p><p>5.3 Evoluções tecnológicas para o cultivo de áreas de várzea no RS</p><p>As instituições de pesquisa que trabalham com a cultura do</p><p>arroz irrigado no RS, frente ao quadro atualmente vivenciado</p><p>pelo setor orizícola do estado, devem, em termos gerais, segundo</p><p>o entendimento de pesquisadores da Embrapa Clima Temperado,</p><p>desenvolver tecnologias que vi abilizem o aumento continuado de</p><p>produtividade, com estabilidade e melhor qualidade de grãos,</p><p>que possibilitem o uso de forma mais racional dos recursos</p><p>naturais, com menor poluição ambiental, e que reduzam os custos</p><p>de produção.</p><p>O aumento do potencial produtivo da cultura dos arroz via</p><p>melhoramento genético está relacionado ao aumento de resistência dos</p><p>genótipos a estresses bióticos, como a doenças e a insetos pragas, e à</p><p>tolerância a estresses abióticos, como ao frio, à salinidade, à toxicidez</p><p>pelo f erro e à menor sensibilidade a herbicidas. Estas características</p><p>podem ser introduzidas aos genótipos a partir do emprego de</p><p>metodologias avançadas, como a biotecnologia (cultura de anteras,</p><p>variação somaclonal, marcadores moleculares e engenharia genética );</p><p>o desenvolvimento de arroz híbrido; e seleção recorrente, visando a</p><p>ampliação da base genética, maior poder de recombinação e aumento</p><p>da freqüência de genes favoráveis.</p><p>Outro caminho que pode alavancar a produtividade da lavoura</p><p>orizícola do RS, está na utilização de manejos mais eficientes, tanto</p><p>da cultura como do solo. Neste contexto, devem ser considerados</p><p>aspectos relacionados à adoção de sistemas de plantio mais</p><p>adequados, como plantio direto, cultivo mínimo e pré -germinado; à</p><p>correção da fert ilidade e acidez do solo, segundo as recomendações</p><p>vigentes; à semeadura em épocas favoráveis; ao controle mais</p><p>eficiente de doenças, pragas e plantas daninhas; ao uso de um manejo</p><p>de água mais adequado, em termos produtivo e econômico; à adoção</p><p>de rotaçã o de culturas; e à colheita e pós -colheita. (FOTO 03)</p><p>Para que a rotação de culturas, em solos de várzea, alcance o</p><p>mesmo sucesso que em outras regiões, além da utilização de cultivares</p><p>mais adaptadas a estas condições, deve -se estabelecer um adequado</p><p>manejo das culturas, considerando, principalmente, a dificuldade de</p><p>drenagem dos solos hidromórficos, a ocorrência de doenças, insetos -</p><p>pragas e plantas daninhas, além da degradação física, química e</p><p>biológica dos solos de várzea.</p><p>Assim, as instituições de p esquisa e de extensão devem</p><p>desenvolver esforços no sentido de difundir as tecnologias geradas,</p><p>auxiliando no aumento do nível de conhecimento de técnicos e,</p><p>consequentemente, dos produtores, concorrendo para melhoria do</p><p>sistema produtivo do agroecossistem a de várzea no RS.</p><p>5.3.1 Rotação de culturas em áreas de várzea</p><p>Os solos de várzea, encontrados nas planícies de rios e</p><p>lagoas, apresentam como característica comum, a formação em</p><p>condições variadas de deficiência de drenagem (hidromorfismo).</p><p>No RS ocu pam extensas áreas, com relevo variando de plano a</p><p>suavemente ondulado, sendo encontrados principalmente nas</p><p>regiões do Litoral, Encosta da Serra do sudeste, Depressão</p><p>Central, Campanha e Campanha/Missões, abrangendo uma área</p><p>de aproximadamente 5,4 milhões de hectares (Pinto et al., 1999).</p><p>A rotação de culturas nos solos hidromórficos proporciona</p><p>a recuperação da capacidade produtiva destes solos, em função,</p><p>principalmente, da redução significativa da infestação das áreas</p><p>com arroz vermelho, o que possibi lita, em conseqüência, maior</p><p>estabilidade na produção de arroz, diversificação do uso do solo, e</p><p>diminuição dos custos operacionais. As espécies, até o momento,</p><p>que vêm se mostrando mais promissoras para rotação de verão</p><p>em áreas de pousio do arroz irrigad o são o sorgo, o milho e a soja.</p><p>Os principais obstáculos para o estabelecimento de sistemas de</p><p>rotação em áreas de arroz, viáveis técnica e economicamente,</p><p>estão relacionados à baixa tolerância dos genótipos disponíveis ao</p><p>estresse hídrico no solo, à difi culdade de se estabelecer um manejo</p><p>de solo considerado adequado as culturas de sequeiro, levando em</p><p>consideração à pouca drenagem que estes solos apresentam, à</p><p>ocorrência de doenças, insetos -pragas e plantas daninhas, além da</p><p>degradação física, química e biológica do solo. (FOTO 11 e 12)</p><p>Atualmente, projeções consideradas conservadoras, estimam</p><p>que a adoção de práticas adequadas de controle do arroz vermelho,</p><p>como a rotação de culturas, concorreriam</p><p>para um incremento de 20%</p><p>na produtividade de arroz irr igado no RS, o que equivaleria a um</p><p>acréscimo de 400 a 800.000 t na produção de arroz do estado (Petrini</p><p>et al., 1999) e um incremento da ordem de US$ 10,94 milhões anuais,</p><p>na arrecadação de ICMS. Esta constatação serve para ilustrar o grande</p><p>avanço, em te rmos econômicos, que poderá ser obtido, pela solução</p><p>de um dos problemas considerados mais importantes, atualmente, da</p><p>lavoura orizícola gaúcha: a alta infestação com arroz daninho</p><p>(vermelho e preto) em áreas cultivadas com arroz comercial. Ademais,</p><p>o cont role do arroz daninho permitirá o aumento da percentagem de</p><p>grãos inteiros polidos e representará benefícios à indústria pelo</p><p>acréscimo de 1 a 2% em peso de arroz beneficiado.</p><p>Outro exemplo significativo, com a adoção da rotação de</p><p>culturas em áreas de v árzea, poderá ser alcançado com o cultivo do</p><p>milho. Considerando a produção do Rio Grande do Sul, estima -se que</p><p>com a incorporação da cultura do milho em um quarto da área de</p><p>várzeas, que anualmente permanece com pecuária de corte ou em</p><p>pousio, e projetan do um rendimento médio de 3000 kg/ha com esta</p><p>cultura, ter -se-ia um volume adicional estimado em 1 milhão e 350</p><p>mil toneladas, o que viria a cobrir o déficit observado, na produção de</p><p>milho, na grande maioria dos anos. Perspectivas semelhantes podem</p><p>ser esperados com as culturas de soja e sorgo, incorporadas ao sistema</p><p>de produção em áreas de várzea.</p><p>5.4 Bibliografia consultada</p><p>FÜRSTENAU, V. Alguns aspectos do comportamento da</p><p>agricultura brasileira e da gaúcha na década de 90. In:</p><p>INDICADORES ECONÔMICOS FEE, Porto Alegre, v.27,</p><p>n.4, p.59 -76, mar. 2000.</p><p>PETRINI, J. A.; VERNETTI Jr, F. de J.; RAUPP, A. A. A.;</p><p>FRANCO, D. F.; AZAMBUJA, I. H. V.; SILVA, C. A. S. da;</p><p>REIS, J. C. L.; PARFITT, J. M. B.;GASTAL, M. F. da C.; SILVA,</p><p>G. F. dos S. Manejo do sistema produtivo de solos de várzea no</p><p>controle do arroz daninho. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE</p><p>ARROZ IRRIGADO, 1; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ</p><p>IRRIGADO, 23., 1999, Pelotas. Anais. Pelotas: Embrapa Clima</p><p>Temperado, 1999. p.299 -301.</p><p>PINTO, L. F. S.; PAULETTO, E. A.; GOMES, A. da S.; SOUSA, R.</p><p>O. de. Caracterização de solos de várzea. In: GOMES, A. da S.;</p><p>PAULETTO, E. A. Manejo do solo e da água em áreas de</p><p>várzea. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 1999. p.11 -36.</p><p>PLANETA ARROZ – DOCUMENTO 2000. Arroz, o grão</p><p>universal. Jornal do Povo Especial, 2000. 74 p.</p><p>SANINT, L. R. Evolución tecnológica, perspectivas futuras y</p><p>situación mundial del arroz. In: REUNIÃO DA CULTURA DO</p><p>ARROZ IRRIGADO, 22., 1997, Balneário Camburiú, SC. Palestras .</p><p>Itajaí: EPAGRI, 1997. p.7-35.</p><p>ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL</p><p>ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA</p><p>Mesa Diretora</p><p>Presidente: Deputado Sérgio Zambiasi</p><p>1º-Vice-Presidente: Deputado Valdir Andres</p><p>2º-Vice-Presidente: Deputada Maria do Rosário</p><p>1º-Secretário: Deputado Alexandre Postal</p><p>2º-Secretário: Deputado Kalil Sehbe</p><p>3º-Secretário: Deputado Manoel Maria</p><p>4º-Secretário: Deputado Marco Peixoto</p><p>2002</p><p>ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO</p><p>ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL</p><p>COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA E COOPERATIVISMO</p><p>Presidente</p><p>Deputado Frederico Antunes – PPB</p><p>Vice -Presidente</p><p>Deputado Adolfo Brito – PPB</p><p>Deputados Titulares Deputados Suplentes</p><p>Frederico Antunes - PPB Érico Ribeiro - PPB</p><p>Adolfo Brito – PPB Maria do Carmo Bueno - PPB</p><p>Dionilso Marcon – PT Cecilia Hypolito - PT</p><p>Elvino Bohn Gass – PT Roque Grazziotin - PT</p><p>Ivar Pavan – PT Abílio dos Santos - PTB</p><p>Aloísio Classmann – PTB Edemar Vargas - PTB</p><p>Osmar Severo – PTB José Ivo Sartori - PMDB</p><p>Alexandre Postal – PMDB Elmar Schneider – PMD B</p><p>Mario Bernd – PPS Paulo Odone - PPS</p><p>Berfran Rosado – PPS Adroaldo Loureiro - PDT</p><p>Giovani Cherini – PDT Paulo Azeredo – PDT</p><p>qualidade quando os</p><p>preços estão em baixa. A Europa Ocidental produz e exporta arroz do</p><p>tipo médio, importando os do tipo longo de alta qualidade, para</p><p>consumo interno. No segundo grupo enquadram -se países como</p><p>Indonésia, Japão, Filipinas e Coréia do Sul.</p><p>O comércio mundial de arroz é segmentado conforme as</p><p>preferências de qualidade e tipo de grão, definidas pelos países</p><p>importadores. Atualmente, predomina o comércio de grãos longos.</p><p>A média do consumo mundial per capita/ano de arroz base</p><p>casca é de 87 kg, sendo que a Ásia apresenta o maior consumo, 130</p><p>kg per capita/ano e a Europa o menor, 5,9 kg per capita/ano. (Tabela</p><p>1.1)</p><p>Os maiores produtores são China, Índia e Indonésia, que</p><p>produzem, respectivamente, 34,7%, 22,1% e 8,5% do total mundial</p><p>(Tabela 1.2), e juntos, representam cerca de 65% do consumo</p><p>mundial.</p><p>Tabela 1.1. Consumo mundial per capita/ano, 1995 - 1998.</p><p>Consumo kg per capita/ano</p><p>Especificação 1995 1996 1997 1998</p><p>Mundo 87.1 87.0 86.9 87.0</p><p>África 24.5 25.3 26.5 27.2</p><p>América No rte 12.4 12.0 12.6 13.2</p><p>América Central 21.0 23.4 23.5 22.1</p><p>América do Sul 44.5 48.4 44.6 43.7</p><p>Ásia 131.1 130.1 129.8 129.9</p><p>Europa 5.1 5.7 5.9 5.9</p><p>Oceania 21.6 19.8 20.3 23.8</p><p>Fonte: Dados compilados de FAO – FAOSTAT Database Results.</p><p>http://www.apps1.fao.org/servelet . (08/06/2000), adaptados pelos autores</p><p>Com relação aos países importadores, tem -se a Indonésia como</p><p>principal, seguida por Bangladesh, Brasil, Irã, Filipinas, Arábia,</p><p>Nigéria e Japão. Os exportadores que se destacam são Tailândia,</p><p>Vietnan, Estados Unidos da América (EUA), Índia, China e Paquistão</p><p>(Tabela 1.3).</p><p>Tabela 1.2. Produção e consumo de arroz , base casca, nos principais países, 1998.</p><p>Países Produção</p><p>(milhões t)</p><p>Participação</p><p>(%) no total</p><p>Consumo</p><p>(milhões t)</p><p>Participação</p><p>(%) no total</p><p>China 200,5 34,7 197,5 34,2</p><p>Índia 127,5 22,1 127,0 22,0</p><p>Indonésia 49,2 8,5 51,0 8,8</p><p>Vietnã 29,1 5,0 22,7 3,9</p><p>Bangladesh 28,3 4,9 30,3 5,2</p><p>Tailândia 22,8 4,0 13,2 2,3</p><p>Mayamar 16,7 2,9 16,5 2,9</p><p>Brasil 8,5 1,5 11,6 2,0</p><p>Japão 11,2 1,9 13,6 2,4</p><p>Filipinas 10,2 1,8 11,5 2,0</p><p>EUA 8,5 1,5 5,6 1,0</p><p>Fonte: Dados compilados de FAO – FAOSTAT Database Results.</p><p>http://www.apps1.fao.org/servelet . (08/06/2000), e Agromercados</p><p>Consultoria Agroeconômica, 2000, e adaptados pelos autores.</p><p>Tabela 1.3. Principais importadores e exportadores de arroz beneficiado, 1999.</p><p>EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO</p><p>Países Milhões t. Países Milhões t.</p><p>Tailândia 6,7 Indonésia 4,0</p><p>Vietnã 4,6 Bangladesh 1,6</p><p>E. Unidos 2,8 Filipinas 1,2</p><p>Índia 2,6 Brasil 1,0</p><p>China 2,7 Irã 1,0</p><p>Paquistão 1,8 Nigéria 0,9</p><p>Uruguai 0,8 Arábia Saudita 0,9</p><p>Austrália 0,7 Japão 0,7</p><p>Outros 2,3 Outros 13,7</p><p>Total Mundial 25,0 Total Mundial 25,0</p><p>Fonte: Dados compilado s de FAO – FAOSTAT Database Results.</p><p>http://www.apps1.fao.org/servelet . (08/06/2000), e Agromercados</p><p>Consultoria Agroeconômica, 2000, adaptados pelos autores</p><p>A evolução da produção mundial de arroz, nos ú ltimos 20</p><p>anos, apresentou um crescimento 49,6%, passando de 267,8 milhões</p><p>de toneladas em 1980/81 para 400,7 milhões de toneladas de arroz</p><p>beneficiado, em 1999/00 . O crescimento da área de cultivo foi de</p><p>5,5%, passando de 145,3 milhões de hectares em 1981 , para 153</p><p>milhões de hectares em 1999/00, significando que a produtividade</p><p>média foi a maior responsável pelo aumento de produção verificado</p><p>no período.</p><p>O consumo, no período considerado, aumentou 42,6%,</p><p>passando de 273 milhões de toneladas base benef iciado, em 1980/81,</p><p>para 398,4 milhões de toneladas, em 1999/00.(Figura 1.1)</p><p>Contudo, o volume negociado no comércio internacional</p><p>obteve um incremento de cerca de 90%. Nos anos de 1998 e 1999, o</p><p>volume comercializado dobrou em relação à 1981, atingindo 27,3</p><p>milhões de toneladas e 25 milhões de toneladas,</p><p>respectivamente.(Figura 1.2)</p><p>273,0</p><p>398,4</p><p>267,8</p><p>400,7</p><p>-</p><p>50,0</p><p>100,0</p><p>150,0</p><p>200,0</p><p>250,0</p><p>300,0</p><p>350,0</p><p>400,0</p><p>450,0</p><p>M</p><p>ilh</p><p>õe</p><p>s</p><p>de</p><p>to</p><p>ne</p><p>la</p><p>da</p><p>s</p><p>19</p><p>80</p><p>/81</p><p>19</p><p>81</p><p>/82</p><p>19</p><p>82</p><p>/83</p><p>19</p><p>83</p><p>/84</p><p>19</p><p>84</p><p>/85</p><p>19</p><p>85</p><p>/86</p><p>19</p><p>86</p><p>/87</p><p>19</p><p>87</p><p>/88</p><p>19</p><p>88</p><p>/89</p><p>19</p><p>89</p><p>/90</p><p>19</p><p>90</p><p>/91</p><p>19</p><p>91</p><p>/92</p><p>19</p><p>92</p><p>/93</p><p>19</p><p>93</p><p>/94</p><p>19</p><p>94</p><p>/95</p><p>19</p><p>95</p><p>/96</p><p>19</p><p>96</p><p>/97</p><p>19</p><p>97</p><p>/98</p><p>19</p><p>98</p><p>/99</p><p>19</p><p>99</p><p>/00</p><p>Produção</p><p>Consumo</p><p>Período</p><p>Fig. 1.1. Evolução da Produção e Consumo Mundial de arroz base beneficiado.</p><p>Período 1980 – 2000.</p><p>Fonte: Dados compilados de FAO – FAOSTAT Databa se Results.</p><p>http://www.apps1.fao.org/servelet . (08/06/2000), e Agromercados</p><p>Consultoria Agroeconômica, 2000, adaptados pelos autores.</p><p>12</p><p>,0</p><p>10</p><p>,8</p><p>11</p><p>,0</p><p>11</p><p>,5</p><p>10</p><p>,7 11</p><p>,7 12</p><p>,8</p><p>11</p><p>,2 13</p><p>,9</p><p>11</p><p>,7</p><p>12</p><p>,1 14</p><p>,1</p><p>22</p><p>,325</p><p>,027</p><p>,3</p><p>18</p><p>,819</p><p>,6</p><p>21</p><p>,0</p><p>16</p><p>,5</p><p>14</p><p>,9</p><p>-</p><p>5 ,0</p><p>10 ,0</p><p>15 ,0</p><p>20 ,0</p><p>25 ,0</p><p>30 ,0</p><p>19</p><p>80</p><p>/81</p><p>19</p><p>81</p><p>/82</p><p>19</p><p>82</p><p>/83</p><p>19</p><p>83</p><p>/84</p><p>19</p><p>84</p><p>/85</p><p>19</p><p>85</p><p>/86</p><p>19</p><p>86</p><p>/87</p><p>19</p><p>87</p><p>/88</p><p>19</p><p>88</p><p>/89</p><p>19</p><p>89</p><p>/90</p><p>19</p><p>90</p><p>/91</p><p>19</p><p>91</p><p>/92</p><p>19</p><p>92</p><p>/93</p><p>19</p><p>93</p><p>/94</p><p>19</p><p>94</p><p>/95</p><p>19</p><p>95</p><p>/96</p><p>19</p><p>96</p><p>/97</p><p>19</p><p>97</p><p>/98</p><p>19</p><p>98</p><p>/99</p><p>19</p><p>99</p><p>/00</p><p>Pe r íodo</p><p>M</p><p>ilh</p><p>õe</p><p>s</p><p>de</p><p>to</p><p>ne</p><p>la</p><p>da</p><p>s</p><p>Fig. 1.2. Comércio mundial de arroz. Períod o 1980 – 2000.</p><p>Fonte: Dados compilados de FAO – FAOSTAT Database Results.</p><p>http://www.apps1.fao.org/servelet . (08/06/2000), e Agromercados</p><p>Consultoria Agroeconômica, 2000, adaptados pelos autores.</p><p>Os preços praticados no mercado internacional de arroz,</p><p>apresentam -se em queda, desde 1996, atualmente atingem níveis</p><p>abaixo dos praticados em 1993 (Figura 1.3 ).</p><p>100,00</p><p>150,00</p><p>200,00</p><p>250,00</p><p>300,00</p><p>350,00</p><p>400,00</p><p>450,00</p><p>19</p><p>92</p><p>19</p><p>93</p><p>19</p><p>94</p><p>19</p><p>95</p><p>19</p><p>96</p><p>19</p><p>97</p><p>19</p><p>98</p><p>19</p><p>99</p><p>Ja</p><p>n/0</p><p>0</p><p>Fe</p><p>v/0</p><p>0</p><p>Mar/</p><p>00</p><p>Abr/</p><p>00</p><p>Mai/0</p><p>0</p><p>Período</p><p>U</p><p>S$</p><p>/to</p><p>ne</p><p>la</p><p>da</p><p>EUA 2,4%</p><p>TAIL 100% FOB</p><p>Fig. 1.3 . Preço (US$/t) do arroz no mercado internacional.</p><p>Fonte: FAO – Perspectivas alimentarias marzo/abril 1996, Perspectivas</p><p>alimentarias 1/97, Perspectivas alimentarias Nº 3, Junio 2000. http://</p><p>www.fao.org/giews . (27/07/2000)., adaptadas pelos autores.</p><p>O arroz, uma cultur a extremamente versátil, que adapta -se a</p><p>diferentes condições de solo e clima, fornecendo 20% da energia e</p><p>15% da proteína per capita necessária ao homem, é considerada a</p><p>espécie com maior potencial para aumento de produção e para o</p><p>combate da fome no mu ndo. Existem atualmente no mundo, 800</p><p>milhões de pessoas com carência alimentar, e o objetivo das Nações</p><p>Unidas – FAO, é de, até 2.025, diminuir este número pela metade.</p><p>Para os próximos cinco anos, as projeções da FAO, são de que</p><p>o crescimento da produç ão se dará a uma taxa de 1,4% ao ano,</p><p>atingindo 422 milhões de toneladas beneficiadas, sendo que parte do</p><p>aumento se dará através de incrementos de produtividade, pela adoção</p><p>progressiva de variedades de alto rendimento, resistente a pragas e</p><p>pela adoção do arroz híbrido. A área de cultivo, apresentará aumentos</p><p>marginais, menos de 0,2% durante o período, devido a maior</p><p>competição na obtenção de água e terras, além da competição com</p><p>outros cultivos. A demanda mundial acompanhará o crescimento</p><p>populacional, mantendo o consumo médio per capita em 59 kg/hab,</p><p>base beneficiado. Com relação ao mercado mundial, as previsões são</p><p>de crescimento na demanda de importação de arroz de qualidade</p><p>média e alta, principalmente do arroz aromático de alta qualidade, o</p><p>qual de verá superar a oferta.</p><p>1.3 O arroz no Brasil</p><p>1.3.1 Histórico</p><p>Na América do Sul, o arroz foi introduzido pelos espanhóis e,</p><p>no Brasil, pelos portugueses por volta do século XVI, como cultivo</p><p>destinado a subsistência dos escravos e colonos que trabalha vam nas</p><p>grandes fazendas. Posteriormente, com o desenvolvimento da cultura</p><p>e geração de excedentes de produção no campo, o arroz passou a ser</p><p>comercializado nas vilas e povoados, passando a fazer parte da dieta</p><p>básica da população em geral.</p><p>Com a chegada ao Brasil de imigrantes europeus, o arroz</p><p>passou a ser cultivado não só para subsistência, mas como</p><p>atividade</p><p>voltada para o mercado.</p><p>A produção de arroz no Brasil, até o final do século XIX, foi</p><p>oriunda, exclusivamente, de lavouras de sequeiro. Na ú ltima década</p><p>do século, paralelamente, surgiram as primeiras lavouras com cultivo</p><p>de arroz irrigado, principalmente no Sul do Brasil, as quais mostraram</p><p>sensível ganho de produtividade em relação ao cultivo de sequeiro.</p><p>1.3.2 Regiões Produtoras</p><p>O arro z é uma cultura que está presente em todas as regiões</p><p>brasileiras e é consumida por todas as classes sociais, ocupando</p><p>posição de destaque do ponto de vista econômico e social, sendo</p><p>responsável por suprir a população brasileira com um considerável</p><p>aporte de calorias e proteínas na sua dieta básica.</p><p>O cultivo de arroz no Brasil concentra -se na Região Sul,</p><p>responsável por 53,6% da produção nacional, seguida das regiões</p><p>Centro-Oeste, com 20,7%, Nordeste, 11,3%, Norte, 10,4% e Sudeste,</p><p>3,9%.</p><p>Em termos de consumo per capita, a região Centro -Oeste é a</p><p>que se destaca com 97,18 kg/hab/ano. As demais regiões apresentam</p><p>o seguinte consumo: região Sudeste, 90,47 kg/hab/ano; região Sul,</p><p>68,12 kg/hab/ano; região Norte, 55,27 kg/hab/ano e região Nordeste,</p><p>49,64 k g/hab/ano. Entre os Estados, Tocantins e Goiás são os que</p><p>apresentam maior consumo médio – 101,57 kg/hab/ano, enquanto que</p><p>Pernambuco e Bahia apresentam os índices mais baixos, 33,9</p><p>kg/hab/ano e 34,22 kg/hab/ano, respectivamente. Tanto a Região Sul</p><p>(RS, SC e PR) como a região Centro -Oeste (Tabela 1.4), são auto -</p><p>suficientes na produção e exportadoras para outras regiões do país. A</p><p>região Sudeste é a que apresenta maior déficit na produção em relação</p><p>ao consumo interno.</p><p>Tabela 1.4. Área, produção e produtividade média de arroz, na safra 1999/00.</p><p>Estados</p><p>Área</p><p>(1000 ha)</p><p>Produção</p><p>(1000 t)</p><p>Participação (%)</p><p>na prod. nacional</p><p>Prod. média</p><p>(kg/ha)</p><p>Reg. Norte 636,4 1.206,4 10,4 1.896</p><p>Reg.</p><p>Nordeste</p><p>801,3 1.312,0 11,3 1.637</p><p>Reg. Sul 1.169,5 6.211,3 53,6 5.311</p><p>Reg. Sudeste 214,1 456,1 3,9 2.130</p><p>Reg. C.Oeste 888,8 2.394,5 20,7 2.694</p><p>Total Brasil 3.710,1 11.580,3 100,0 3.121</p><p>Fonte: CONAB, Comparativo de área, produção e produtividade, safras 1998/1999 e</p><p>1999/2000. http://www.conab.gov.br/Politica _Agrícola/safra/arroz/cfm.</p><p>(28/9/2000), adaptados pelos autores.</p><p>1.3.3 Sistemas de Cultivo no Brasil</p><p>O arroz produzido no Brasil provêm tanto do sistema de</p><p>cultivo em terras altas (sequeiro) como em várzeas (irrigado) .</p><p>O arroz produzido em terras altas (sequeiro), até meados da</p><p>década de 80 representava a maior parte da produção brasileira, cerca</p><p>de 60% do total, ocupando 71% da área de cultivo de arroz no Brasil.</p><p>Este sistema desempenhou papel importante no desbravame nto do</p><p>cerrado, incentivado pela abertura de novas fronteiras agrícolas no</p><p>Brasil Central, para posterior introdução de culturas como a soja, o</p><p>milho e o algodão. Utilizando -se de pouca tecnologia e apresentando</p><p>baixa produtividade, o sistema que chegou a ocupar cerca de 5</p><p>milhões de hectares, com o passar do tempo, reduziu a área de cultivo,</p><p>e hoje ocupa 2,4 milhões de hectares, produzindo cerca de 4,5 milhões</p><p>de toneladas (38% do total). Este sistema de cultivo predomina na</p><p>região Centro -Oeste, seguida d a região Nordeste e Norte. A</p><p>produtividade média brasileira alcançada por este sistema de cultivo é</p><p>de cerca de 1.847 kg/ha.</p><p>O cultivo do arroz tradicionalmente utilizado na região Sul do</p><p>Brasil, se faz com a inundação permanente da lavoura e alta</p><p>tecnologia, assegurando produções altas e estáveis. A produtividade</p><p>média do sistema no Brasil, atinge 5.500 kg/ha. Este tipo de cultivo,</p><p>tem maior produção na região Sul, que representa 90% do total de</p><p>arroz produzido sob este sistema. Outras regiões que ut ilizam este</p><p>sistema são, em ordem de importância, região Norte, Nordeste,</p><p>Centro-Oeste e Sudeste. (Tabela 1.5)</p><p>Tabela 1.5. Participação das regiões na produção brasileira de arroz, por sistema de</p><p>cultivo. Safra 1998/99.</p><p>Participação (%) da p rodução</p><p>Regiões</p><p>Sist. Várzeas</p><p>Sist. Terras</p><p>Altas</p><p>Sist. Várzea</p><p>Úmida</p><p>Total</p><p>Norte 4.5 17.4 - 9.5</p><p>Nordeste 2.4 22.2 6.1 10.1</p><p>Sudeste 1.3 5.7 89.9 3.0</p><p>Sul 90.3 3.5 - 56.5</p><p>Centro Oeste 1.5 51.2 4.0 20.9</p><p>Total 100.0 100.0 100.0 100.0</p><p>Fonte: Dados compilados de IBGE - Levantamento Sistemático da Produção Agrícola ( v.12,</p><p>n.12, 1999), Rio de Janeiro, adaptados pelos autores</p><p>1.3.4 Tipos de grãos consumidos no Brasil</p><p>Com relação ao tipo de grão consumido no Brasil, o mercado</p><p>aponta uma migra ção do arroz Tipo 2 para o Tipo 1 e Parboilizado. O</p><p>arroz do Tipo 1 representa 70 a 80% do mercado e o Parboilizado,</p><p>22% (1,5 milhões de toneladas) da demanda de arroz beneficiado.</p><p>Existe um nicho de mercado crescente, que é o do consumo de</p><p>arroz tipo japô nico ou cateto. Este mercado está localizado na região</p><p>Sudeste, onde há concentração da população de orientais -brasileiros.</p><p>O preço deste tipo de arroz, pago ao produtor, chega a atingir de 1,8 a</p><p>2,0 vezes o valor pago ao produto tipo agulhinha -longo fino.</p><p>Atualmente, grande parte deste mercado é abastecido por produto</p><p>importado da Ásia, dos Estados Unidos e do Uruguai.</p><p>1.3.5 Área, Produção e Produtividade do arroz no Brasil</p><p>Numa série histórica de 20 anos sobre o cultivo do arroz no</p><p>Brasil, pode-se observar qu e a produção apresentou incrementos</p><p>significativos, apesar da queda da área plantada.</p><p>Em 1980/81, foi cultivado no Brasil 6,6 milhões de hectares</p><p>de arroz, com uma produção de 8,8 milhões de toneladas,</p><p>apresentando uma produtividade média de 1,3 tonela das/hectare. De</p><p>1980/81 até a última safra, a área de cultivo apresentou uma queda de</p><p>cerca de 50%, atingindo em 1999/00, 3,7 milhões de hectares (Figura</p><p>1.4), contudo, a produção atingiu um volume recorde da década, 11,6</p><p>milhões de toneladas.</p><p>O aumento de produção verificado no período, é decorrência</p><p>dos incrementos significativos verificados na produtividade média</p><p>(135% em relação a 1980/81). A produtividade média passou de 1,3</p><p>t/hectare, em 1981, para 3 t/hectare, em 2000.</p><p>0</p><p>2000</p><p>4000</p><p>6000</p><p>8000</p><p>10000</p><p>12000</p><p>14000</p><p>80</p><p>/81</p><p>81</p><p>/82</p><p>82</p><p>/83</p><p>83</p><p>/84</p><p>84</p><p>/85</p><p>85</p><p>/86</p><p>86</p><p>/87</p><p>87</p><p>/88</p><p>88</p><p>/89</p><p>89</p><p>/90</p><p>90</p><p>/91</p><p>91</p><p>/92</p><p>92</p><p>/93</p><p>93</p><p>/94</p><p>94</p><p>/95</p><p>95</p><p>/96</p><p>96</p><p>/97</p><p>97</p><p>/98</p><p>98</p><p>/99</p><p>99</p><p>/00</p><p>Safras</p><p>Á</p><p>re</p><p>a</p><p>e</p><p>Pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>Area (1000 ha) Produção (1000 t) Consumo (1000 t)</p><p>Fig. 1.4. Evolução da produção, área de cultivo e consumo de arroz no Brasil.</p><p>1980/81 a 1999/00.</p><p>Fonte: Dados compilados de Agromercados Consultoria Agroeconômica,</p><p>2000, adaptados pelos autores.</p><p>A demanda brasileira de arroz, cresceu durante o per íodo</p><p>analisado, cerca de 30%, passando de 9 milhões para 11,7 milhões de</p><p>toneladas, sendo que desde 1996, o consumo estabilizou -se em torno</p><p>das 11,7 milhões de toneladas.</p><p>Como pode -se observar, nas últimas duas safras, as produções</p><p>brasileiras de arroz e stiveram próximas a demanda, demonstrando a</p><p>potencialidade do Brasil para atingir a auto -suficiência. No entanto,</p><p>para que isto se concretize, serão necessárias modificações nas</p><p>políticas governamentais vigentes. Atualmente, medidas adotadas pelo</p><p>governo c omo as aquisições públicas do produto e as importações</p><p>realizadas, têm desestabilizado o mercado de arroz, não permitindo</p><p>projeções futuras do mesmo, desestimulando o produtor e trazendo</p><p>insegurança quanto a comercialização do produto.</p><p>1.4 Bibliografi a Consultada</p><p>COGO, C.H. Arroz: perfil setorial e tendências para safra 1999/2000</p><p>no Brasil, no Mercosul e no Mundo. Dados Estatísticos. 2000.</p><p>(Consultoria Agroeconômica prestada a Embrapa Clima</p><p>Temperado).</p><p>CONAB, Comparativo de área, produção e produtivi dade, safras</p><p>1998/1999 e 1999/2000. Disponível: site CONAB.</p><p>http://www.conab.gov.br/Politica_Agricola/safra/arroz/cfm.</p><p>Consultado em 28 de set. 2000.</p><p>FAO. Faostat</p><p>database results. Disponível : site FAO.</p><p>http://www.apps1.fao.org/servelet Consultado em 8 de jun. 2000.</p><p>LEVANTAMENTO SISTEMÁTICO DA PRODUÇÃO</p><p>AGRÍCOLA. IBGE. Rio de Janeiro. v.11, n.12, 1999 .</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>O ARROZ IRRIGADO NO RIO GRAN DE DO SUL: SOLO,</p><p>ÁREA, PRODUÇÃO, PRODUTIVIDADE E PERFIL DO</p><p>PRODUTOR</p><p>Algenor da Silva Gomes 1</p><p>Arlei Laerte Terres 1</p><p>Isabel H. Vernetti Azambuja 1</p><p>2.1 Introdução</p><p>O arroz, no Rio Grande do Sul (RS) teve seu</p><p>desenvolvimento a partir da introdução do sistema de cultivo</p><p>irrigado e com a mecanização da irrigação que ocorreu a partir</p><p>de 1903. Existem referências anteriores no Estado, datada de</p><p>1832, do cultivo do arroz de “montanha” ou arroz de sequeiro,</p><p>em áreas de coxilhas com razoável altitude. Às margens do</p><p>Arroio Pelotas, no município de mesmo nome, Maximiliano</p><p>Saenger, de origem austríaca, e os irmãos Frederico Carlos e</p><p>Ernesto Carlos Lang, de origem alemã, foram os pioneiros no</p><p>1 Pesquisadores da Embrapa Clima temperado. Cx. P. 403, CEP 96001 – 970. Pelotas,</p><p>RS. E - mail: algenor@cpact.embrapa.br;</p><p>cultivo do arroz utilizando o bombeamento forçado de água.</p><p>Posteriormente, em 1 905, foram implantadas,</p><p>simultaneamente, lavouras irrigadas de arroz por</p><p>bombeamento mecânico de água em Gravataí, no atual</p><p>município de Cachoeirinha, e Cachoeira do Sul (Terres et al.,</p><p>1999).</p><p>Segundo Terres et al. (1999), a partir da safra 1907/08, o arro z irrigado</p><p>passa, pela primeira vez, no RS, a ser visto de forma</p><p>empresarial. Nesta safra o Coronel Pedro Luiz da Rocha</p><p>Osório, assim como os irmãos Manuel Luiz e Joaquim Luiz</p><p>Osório, instalam, também em Pelotas, lavouras de arroz onde</p><p>foram considerados um conjunto de aspectos tecnológicos,</p><p>como nivelamento do terreno, cultivares mais adaptadas,</p><p>época de semeadura, adubação, beneficiamento do grão,</p><p>entre outros.</p><p>A despeito de constantes crises por que tem passado o setor orizícola do</p><p>estado do RS, ao lon go dos seus quase 100 anos de</p><p>existência, a área cultivada com arroz irrigado, assim com a</p><p>produtividade, vêm apresentando crescimentos ao longo dos</p><p>anos. Isto se deve, entre outras razões, ao espírito</p><p>empreendedor do orizicultor gaúcho, à adoção de novas</p><p>tecnologias, como cultivares mais adaptadas às condições de</p><p>clima e de solos do Estado, com características de grãos que</p><p>atendem as exigências de mercado, manejo integrado de</p><p>pragas e manejo mais adequado da cultura e do solo.</p><p>A produção de arroz do RS, da da à sua estabilidade, ao seu volume e à sua</p><p>qualidade, assume importância estratégica, em termos</p><p>alimentares, para o Brasil. Tem contribuído, anualmente, com</p><p>percentuais normalmente superiores a 40% do total da</p><p>produção brasileira de arroz, colocando o E stado como o</p><p>maior produtor deste cereal no país. Também se reveste de</p><p>grande importância econômica e social visto que o Estado</p><p>contribui com cerca de 30% da safra de grãos, e envolve</p><p>anualmente um contingente expressivo de recursos humanos.</p><p>Segundo o SIND ARROZ (1999), citado por Terres et al.</p><p>(1999) esse contingente em 1978 era de cerca de 110 mil</p><p>empregados, em 1995, aproximadamente 215 mil ( 192 mil</p><p>diretamente na produção e 23 mil no setor industrial) e</p><p>atualmente, em torno de 240 mil.</p><p>2.2 Caracterís ticas gerais dos solos cultivados com arroz irrigado</p><p>A cultura do arroz irrigado em função de suas</p><p>características estabeleceu -se e desenvolveu -se no RS, como</p><p>em outras regiões do mundo, sobre os denominados solos de</p><p>várzea, encontrados nas planícies d e rios e lagoas, que</p><p>apresentam como característica comum, a formação em</p><p>condições variadas de deficiência de drenagem</p><p>(hidromorfismo). No Estado , ocupam extensas áreas, com</p><p>relevo variando de plano a suave ondulado, sendo encontrados</p><p>principalmente nas r egiões Litoral, Encosta do Sudeste,</p><p>Depressão Central, Campanha e Campanha/Missões,</p><p>abrangendo uma área de aproximadamente 5,4 milhões de</p><p>hectares, o que representa 20% da área total do RS (Figura</p><p>2.1).</p><p>Associados aos aspectos de má drenagem, os solos d e várzea ou</p><p>hidromórficos apresentam ainda, em sua maioria, densidade</p><p>naturalmente elevada, relação micro/macroporos muito alta e</p><p>baixa capacidade de armazenamento de água na camada</p><p>superficial, principalmente os que apresentam horizonte</p><p>superficial A raso , de textura predominantemente franco -</p><p>arenosa. Essas características, em alguns casos associadas</p><p>a uma fertilidade natural de média à baixa, dificultam a</p><p>utilização de uma agricultura diversificada. Assim, em tais</p><p>condições, desenvolveu -se a cultura do arr oz irrigado, que no</p><p>RS é utilizada juntamente com a pecuária de corte extensiva</p><p>(Pinto et al.,1999).</p><p>(FOTO 02)</p><p>ARG</p><p>ENT IN</p><p>A</p><p>U R U G U A I</p><p>S A N T A C A T A R I N A</p><p>O C E A N O</p><p>A T L Â N T I C O</p><p>L A</p><p>G</p><p>U</p><p>N</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>P</p><p>A</p><p>T O</p><p>S</p><p>L.</p><p>M</p><p>IR</p><p>IM</p><p>P e l o t a s</p><p>P . A l e g r e</p><p>B a g é</p><p>U r u g u a i a n a</p><p>I t a q u i</p><p>C a c h o e i r a</p><p>d o S u lA l e g r e t e</p><p>S ã o B o r j a</p><p>S ã o G a b r i e l</p><p>D o m P e d r i t o</p><p>M o s t a r d a s</p><p>Á r e a s d e o c o r r ê n c i a</p><p>d e s o l o s d e v á r z e a</p><p>57</p><p>o 50</p><p>o</p><p>33</p><p>o</p><p>28</p><p>o</p><p>57</p><p>o</p><p>50</p><p>o</p><p>33 o</p><p>28</p><p>o</p><p>Rio Quaraí</p><p>Rio</p><p>Uru</p><p>gu</p><p>ai</p><p>Rio Ibicuí</p><p>Rio S. M</p><p>aria</p><p>Rio Jaguarão</p><p>Ri</p><p>o N</p><p>eg</p><p>ro</p><p>Rio Vacacaí Rio Jacuí</p><p>Ri</p><p>o T</p><p>aq</p><p>ua</p><p>ri</p><p>Rio Caí</p><p>Rio dos Sinos</p><p>Fig. 2.1. Áreas de ocorrência dos solos de várzea no Rio Grande do Sul.</p><p>Fonte: Pinto et al. (1999). Dados adaptados de IBGE,198 6.</p><p>Os solos de várzea, em função da heterogeneidade do material de origem e</p><p>dos diferentes graus de hidromorfismo, apresentam grande</p><p>variação nas características morfológicas, físicas, químicas e</p><p>mineralógicas, fazendo com que sejam agrupados em</p><p>diferent es classes, com diferentes limitações e aptidões de</p><p>uso. As principais classes em que estão incluídos os solos de</p><p>várzea, segundo a nova nomenclatura (Embrapa, 1999), são:</p><p>Planossolos, Gleissolos, Chernossolos Ebânicos e</p><p>Chernossolos Argilúvicos, Plintosso los, Vertissolos e</p><p>Neossolos Flúvicos e Neossolos Quartzarênicos</p><p>Hidromórficos. A classe dos Planossolos (incluídos Gleissolos</p><p>associados) é a que representa a maior área (56%),</p><p>seguindo -se, em ordem decrescente, as classes dos</p><p>Chernossolos (16,1%), Neoss olos (11,6%), Plintossolos</p><p>(8,3%), Gleissolos (7,1%) e Vertissolos (0,9%).</p><p>2.3 Regiões orizícolas</p><p>As áreas cultivadas com arroz irrigado no RS, em função de suas</p><p>características diferenciadas, principalmente, relacionadas ao</p><p>clima, solo, topografia, recursos hídricos e energéticos,</p><p>tamanho do módulo rural e aspectos sociais, econômicos e</p><p>culturais, são classificadas em regiões orizícolas. Até 1990</p><p>esta classificação compreendia cinco zonas ou regiões:</p><p>Fronteira Oeste, que abrange a região do baixo rio Uruguai;</p><p>Zona Sul, que compreende o Litoral Sul ou Litoral Atlântico</p><p>Sul; Depressão Central, que engloba o vale do rio Jacuí;</p><p>Litoral Norte, abrangida pela Planície Costeira situada no</p><p>Norte do Estado, e Campanha.</p><p>Na atualidade (Terres et al., 1999), a s áreas de cultivo de arroz</p><p>irrigado no Estado, são classificadas em seis regiões: Fronteira Oeste,</p><p>Litoral Sul (Zona Sul), Depressão Central, Planície Costeira externa à</p><p>Lagoa dos Patos, Planície Costeira interna à Lagoa dos Patos (ou</p><p>Centro Sul) e Campan ha (Figura 2.2). Do total da área cultivada com</p><p>arroz irrigado no RS na safra 99/00 (952.539 ha), a região da Fronteira</p><p>Oeste cultivou 27,3%, sendo a maior produtora, seguida da Litoral Sul</p><p>com 18,6%, da Campanha com 16,8%, da Depressão Central com</p><p>13,9%, da Planície Costeira Interna à lagoa dos Patos com 11,7% e da</p><p>Planície Costeira Externa à lagoa dos Patos com 11,6%.</p><p>A = REG. FRONTEIRA OESTE; B = REG. LITORAL SUL</p><p>C = REG. DEPRESSÃO CENTRAL ; D = REG. CAMPANHA</p><p>E = REG. PLANÍCIE COSTEIRA F = REG. PLANÍCIE COSTEIRA</p><p>INTERNA</p><p>57º 56º 55º 54º 53º 52º 51º 50º</p><p>28º 28º</p><p>29º 29º</p><p>30º 30º</p><p>31º 31º</p><p>32º 32º</p><p>33º 33º</p><p>57º 56º 55º 54º 53º 52º 51º 50º</p><p>B</p><p>A C</p><p>E</p><p>F</p><p>D</p><p>EXTERNA</p><p>Fig. 2.2. Regiões orizícolas do Rio Grande do Sul – 1999.</p><p>Fonte: Terres et al. (1999)</p><p>2.4 Área cultivada, produção e produtividade do arroz irrigado</p><p>Na safra 80/81, o Brasil cultivou 6,6 milhões de hectares de</p><p>arroz, incluindo os cultivos de sequeiro e irrigado. Na última safra,</p><p>99/00, a área de cultivo de arroz foi de 3,7 milhões de hec tares, mas</p><p>havia recuado para 3,2 milhões de hectare na safra 97/98, a menor</p><p>superfície plantada desde a década de 60. Este declínio da área</p><p>cultivada com arroz deve -se exclusivamente à redução do cultivo do</p><p>arroz de sequeiro. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde</p><p>predomina o cultivo do arroz irrigado, a área de cultivo tem</p><p>manifestado constantes incrementos, principalmente neste último</p><p>Estado.</p><p>Na Figura 2.3 encontra -se a relação estabelecida entre o</p><p>crescimento da área cultivada com arroz irrigado no RS e o tempo, a</p><p>partir da safra 1919/20 até a 1999/00. A função quadrática Y = 75,957</p><p>+ 0,625X + 0,129X 2 é a que melhor expressa a relação entre a área</p><p>em hectare (Y) e o tempo em anos (X). Neste período a área cultivada</p><p>com arroz irrigado passou de 60 m il hectares para 952,5 mil hectares,</p><p>com um incremento em 80 anos da ordem de 1587,5%. Verifica -se, da</p><p>análise da Figura 2., que os incrementos de área foram maiores a partir</p><p>do início da década de 70, o que deve estar associado, entre outros</p><p>fatores, ao incentivo decorrente da introdução nas lavouras de arroz</p><p>do Estado das cultivares americanas com grão tipo “agulhinha” ou</p><p>“patna”, como a Blubelle, a Belle Patna e a Lebonnet, entre outras.</p><p>Y = 75,957 + 0,625X + 0,129X 2</p><p>R2 = 0,98</p><p>0</p><p>200</p><p>400</p><p>600</p><p>800</p><p>1000</p><p>1200</p><p>19/20 23/24 27/28 31/32 35/36 39/40 43/44 47/48 51/52 55/56 59/60 63/64 67/68 71/72 75/76 79/80 83/84 87/88 91/92 95/96 99/00</p><p>Safra agrícola</p><p>Áre</p><p>a,</p><p>mil</p><p>ha</p><p>Fig. 2.3. Evolução da área cultivad a com arroz irrigado no RS no período de</p><p>1919/20 a 1999/00.</p><p>Fonte: IRGA. DCI – Série histórica 1920 - 2000. Dados adaptados</p><p>A produção brasileira de arroz irrigado na safra 80/81, quando foi</p><p>cultivada a maior área com arroz no país, alcançou 8,8 milhões de toneladas.</p><p>Nesta mesma safra, o Rio Grande do Sul participou com 27% deste total. Na</p><p>safra 99/00, embora a acentuada redução da área cultivada com arroz, em nível</p><p>nacional, a produção deste cereal atingiu 11,6 milhões de toneladas, sendo que a</p><p>contribui ção do RS correspondeu a 45,3%. A produção de arroz no país</p><p>apresentou, em termos gerais, consideráveis aumentos, sendo estes mais</p><p>expressivos no RS. A evolução da produção total de arroz irrigado no RS está</p><p>expressa na Figura 2.4. A função que melhor r epresenta esta relação também é</p><p>uma quadrática, onde Y = 451,160 - 35,986X + 1,138X 2 .</p><p>Y = 451,57 - 35,986X + 1,138X 2</p><p>R2 = 0,96</p><p>0</p><p>1000</p><p>2000</p><p>3000</p><p>4000</p><p>5000</p><p>6000</p><p>19/</p><p>20</p><p>23</p><p>/24</p><p>27/</p><p>28</p><p>31/</p><p>32</p><p>35/</p><p>36</p><p>39/</p><p>40</p><p>43</p><p>/44</p><p>47/</p><p>48</p><p>51/</p><p>52</p><p>55/</p><p>56</p><p>59/</p><p>60</p><p>63</p><p>/64</p><p>67/</p><p>68</p><p>71/</p><p>72</p><p>75/</p><p>76</p><p>79/</p><p>80</p><p>83</p><p>/84</p><p>87/</p><p>88</p><p>91/</p><p>92</p><p>95/</p><p>96</p><p>99/</p><p>00</p><p>Safra agrícola</p><p>Pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>, e</p><p>m</p><p>m</p><p>il</p><p>t</p><p>Fig. 2.4. Evolução da produção de arroz irrigado no RS no período de 1919/20 a</p><p>1999/00.</p><p>Fonte: IRGA. DCI – Série histórica 1920 - 2000. Dados adaptados.</p><p>A produtivi dade média de grãos de arroz no Brasil, ao</p><p>contrário do que vem ocorrendo com a área de cultivo, tem</p><p>manifestado significativos aumentos. Na safra 80/81, foi de 1,3</p><p>toneladas por hectare, subindo para 3,0 toneladas por hectare na safra</p><p>99/00, sofrendo um i ncremento médio de 135 % em relação à média</p><p>obtida em 1980. No RS, também se observa esta tendência. Em 1920,</p><p>a produtividade média do arroz foi de 2,2 toneladas por hectare, em</p><p>1970 de 3,5, atingindo 5,3 toneladas por hectare na safra 99/00. No</p><p>primeiro período, que compreende 50 anos, verificou -se um</p><p>incremento na produtividade média do Estado da ordem de 62,8%,</p><p>enquanto que no segundo período, que corresponde a 20 anos, o</p><p>incremento foi de 64,8%, sendo superior ao obtido em um tempo bem</p><p>mais longo. Na Figura 2.5, encontra -se representada a relação</p><p>produtividade em quilogramas por hectare (Y) e o tempo em número</p><p>de anos (X), sendo a função quadrática Y = 2243,1 - 13,358X +</p><p>0,668X 2 a que melhor representa esta relação.</p><p>Y = 2243,1 - 13,358X + 0,668X 2</p><p>R2 = 0,92</p><p>0</p><p>1000</p><p>2000</p><p>3000</p><p>4000</p><p>5000</p><p>6000</p><p>19</p><p>/20</p><p>23</p><p>/24</p><p>27</p><p>/28</p><p>31</p><p>/32</p><p>35/</p><p>36</p><p>39</p><p>/40</p><p>43</p><p>/44</p><p>47</p><p>/48</p><p>51</p><p>/52</p><p>55</p><p>/56</p><p>59</p><p>/60</p><p>63/</p><p>64</p><p>67</p><p>/68</p><p>71</p><p>/72</p><p>75</p><p>/76</p><p>79</p><p>/80</p><p>83</p><p>/84</p><p>87</p><p>/88</p><p>91</p><p>/92</p><p>95</p><p>/96</p><p>99/</p><p>00</p><p>Safra agrícola</p><p>Pr</p><p>od</p><p>ut</p><p>iv</p><p>id</p><p>ad</p><p>e,</p><p>k</p><p>g</p><p>ha</p><p>-1</p><p>Fig. 2.5. Evolução da produtivi dade média do arroz irrigado no RS no período de</p><p>1919/20 a 1999/00.</p><p>Fonte: Fonte: IRGA. DCI – Série histórica 1920 - 2000. Dados adaptados.</p><p>A despeito das repetidas crises por que tem passado a orizicultura</p><p>gaúcha ao longo do tempo, vários aspectos v êm contribuindo para que a</p><p>mesma manifeste constantes incrementos de área, de produção e de</p><p>produtividade, entre os quais, devem ser ressaltados o espírito inovador do</p><p>orizicultor gaúcho que tem buscado, incessantemente, novas tecnologias para</p><p>sua lavoura e o desempenho da pesquisa que tem procurado atender às</p><p>demandas dos produtores. Neste sentido, por exemplo, desenvolvendo</p><p>cultivares mais adaptadas às condições de clima e de solo, com características</p><p>de grão que atendam às exigências do mercado, desenvol vendo práticas de</p><p>manejo integrado para controle de pragas, doenças e plantas daninhas, mais</p><p>econômicas e ambientalmente mais corretas, e técnicas de manejo de solo que</p><p>não só favorecem a cultura do arroz, como também têm viabilizado a rotação</p><p>de culturas nas áreas cultivadas com este cereal.</p><p>2.5 Perfil do produtor de arroz irrigado</p><p>Segundo o Relatório “Lavoura Arrozeira Gaúcha – Perfil do</p><p>sistema produtivo” (IRGA, 1993) o estado do Rio Grande do Sul</p><p>possuía à época um número de 10.385 produtores de ar roz, distribuída</p><p>pelas cinco regiões orizícolas de então: Litoral Sul, Litoral Norte,</p><p>Depressão Central, Fronteira Oeste e Campanha. Mais de 50% dos</p><p>produtores de arroz do Estado encontram -se na Depressão Central</p><p>(6195), onde mais de 96% das lavouras sã o áreas de até 100 hectares,</p><p>sendo que 33,8% estão entre 0 e 10 hectares. De modo geral,</p><p>predominam no RS lavouras de arroz com área igual ou menor que</p><p>100 hectares (87,8%), conforme pode se observar a partir da análise</p><p>da Tabela 2.1. Por outro lado, as m aiores áreas cultivadas com arroz</p><p>no Estado encontram -se nas regiões da Fronteira Oeste e Litoral Sul.</p><p>Tabela 2.1. Número de propriedades por estrato de área para cada região</p><p>orizícola do estado do Rio Grande do Sul</p><p>Estrato de</p><p>área (ha)</p><p>Litoral</p><p>Sul</p><p>Lito ral</p><p>Norte</p><p>Depressão</p><p>Central</p><p>Fronteira</p><p>Oeste</p><p>Campanha Propriedade</p><p>/ estrato</p><p>0-10 79 865 3512 79 20 4555</p><p>10-30 217 184 1482 177 82 2142</p><p>30-60 10 186 619 246 142 1405</p><p>60-100 194 122 357 252 91 1016</p><p>100 -200 172 117 185 246 84 804</p><p>200 -500 115 55 39 146 20 375</p><p>500 -1000 14 12 1 35 1 63</p><p>>1000 11 2 0 11 1 25</p><p>N.º Propr. 1012 1543 6195 1194 441 10385</p><p>Fonte: IRGA (1993)</p><p>De acordo com Cogo, (2000), atualmente ex istem 10.000 produtores de</p><p>arroz no Rio Grande do Sul, com uma área média de 96</p><p>hectares, um pouco acima daquela verificada em 92/93, que</p><p>foi em torno de 90 hectares. Ainda, segundo Cogo (2000),</p><p>65% da área cultivada com arroz no Estado é arrendada.</p><p>Segund o relatório do IRGA (1993), em termos médios,</p><p>78,71% desta área cultivada com arroz utilizava o sistema</p><p>convencional de cultivo, 20,11% utilizava os sistemas plantio</p><p>direto e cultivo mínimo, 0,78% o pré -germinado e 0,4% outros</p><p>tipos de sistemas. Na atualid ade, estima -se que os sistemas</p><p>plantio direto e cultivo mínimo sejam utilizados em 25% da</p><p>área cultivada, o pré -germinado em 9,5% e o transplante de</p><p>mudas, em 1,9%, sendo o restante da área cultivada com o</p><p>sistema convencional.</p><p>2.6 Bibliografia Consulta da</p><p>COGO, C. Arroz: perfil setorial e tendências para safra 1999/2000 no Brasil,</p><p>no Mercosul e no mundo. Dados Estatísticos. 2000.. (Consultoria</p><p>Agropecuária prestada a Embrapa Clima Temperado).</p><p>EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro,</p><p>RJ). Sistema brasileiro de classificação de solos. Rio de Janeiro,</p><p>1999. 412p.</p><p>IRGA. Lavoura Arrozeira Gaúcha – perfil do sistema produtivo.</p><p>Relatório Estatístico do Convênio: IRGA/UFRGS -IEPE. Porto</p><p>alegre – RS, 1993. 41p.</p><p>IRGA.DCI. Equipe de P olítica Setorial. Arroz irrigado no RS: área,</p><p>produção e rendimento. Porto Alegre (Série histórica – 1920 a</p><p>2000).</p><p>PINTO, L. F. S.; PAULETTO, E. A.; GOMES, A. da S.; SOUSA, R.</p><p>O. Caracterização de solos de várzea. In: GOMES, A. da S.;</p><p>PAULETTO, E. A. Manejo do solo e da água em áreas de</p><p>várzea. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 1999. p.11 -35.</p><p>TERRES, A. L.; GALLI, J.; FAGUNDES, P. R. R.; MACHADO, M.</p><p>O.; M. JÚNIOR. A.M. de; MARTINS, J. F.; NUNES,C. D. M.;</p><p>FRANCO, D. F.; AZAMBUJA, I. H. V.; Arroz irrig ado no Rio</p><p>Grande do Sul: generalidades e cultivares. Pelotas; Embrapa Clima</p><p>Temperado, 1999. 58. (Embrapa Clima Temperado. Circular</p><p>Técnica, 14)</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>EVOLUÇÃO DA PRODUTIVIDADE DO ARR OZ IRRIGADO</p><p>NO RS E MEIOS PARA SUA CONTINUIDADE</p><p>Ariano M. de Magalhães Júnior 1</p><p>André Andres 1</p><p>Isabel H. Vernetti Azambuja 1</p><p>3.1 Introdução</p><p>O arroz irrigado é um dos principais alimentos consumidos</p><p>mundialmente. No Rio Grande do Sul, é uma das culturas mais</p><p>tecnificadas, com grande investimento por unidade de área plantada.</p><p>Nos últimos anos, importantes aumentos ocorreram na produção de</p><p>arroz irrigado devido, principalmente, à adoção, em larga escala, de</p><p>cultivares semi -anãs de alta produtividade, e outr as tecnologias de</p><p>manejo melhoradas. A produção mundial de arroz duplicou de 257</p><p>milhões de toneladas, em 1965, para 520 milhões, em 1990. No</p><p>entanto, a produção de arroz está diminuindo e, se essa tendência não</p><p>1 Pesquisadores da Embrapa Clima Temperado. Cx P 403. CEP 96.001 -970. Pelotas,</p><p>RS.</p><p>for revertida, uma severa falta de alimentos ocorrerá no próximo</p><p>século. Assim sendo, existem dois caminhos a seguir: aumento da</p><p>área cultivada ou aumento de produtividade das lavouras. É pouco</p><p>provável que ocorra aumento significativo na área plantada com</p><p>arroz, dada a estabilidade observada a níve l mundial, desde 1980. Na</p><p>verdade, essa área poderá diminuir, porque terras de boa qualidade</p><p>para o cultivo de arroz estão sofrendo pressão da urbanização e</p><p>industrialização. A crescente demanda por arroz deverá ser atendida</p><p>com menos área, água, quantidad e de mão -de-obra e de pesticidas.</p><p>Desse modo, para atingir os objetivos de aumento da produção de</p><p>arroz, são necessárias cultivares de arroz com potencial de</p><p>produtividade mais elevado e melhores práticas de manejo. As</p><p>pesquisas mundiais revelam que o teto produtivo das variedades</p><p>atuais de arroz é limitado e pode ser alcançado com manejo adequado</p><p>das lavouras. O potencial médio de produtividade das atuais</p><p>cultivares de arroz irrigado, de porte semi -anão, é cerca de 10 t/ha.</p><p>Incrementos significativos n o potencial de produtividade das plantas</p><p>cultivadas têm sido, de uma maneira geral, obtidos através de</p><p>modificações no tipo de planta. Uma nova arquitetura de planta</p><p>permitiu que o potencial de produtividade do arroz duplicasse no final</p><p>da década de 70, co m os lançamentos das cultivares BR IRGA 409 e</p><p>BR IRGA 410, no Rio Grande do Sul. Esse novo tipo de planta</p><p>caracterizou-se pela baixa estatura, alto perfilhamento, colmos fortes</p><p>e folhas eretas e verde -escuras, características estas, extremamente</p><p>efetivas no aumento da produtividade das áreas cultivadas com arroz.</p><p>Atualmente, mais de 60 % da área mundial é coberta por cultivares</p><p>semi-anãs. Durante os últimos anos somente incrementos marginais</p><p>ocorreram no potencial de produtividade do arroz.</p><p>A lavoura orizíc ola gaúcha tem apresentado uma produtividade em torno de 5.000</p><p>kg/ha, variando de 4.400 kg/ha, na safra 1997/98 a 5.350 kg/ha, em</p><p>1998/99.</p><p>A evolução positiva da produtividade no Rio Grande do Sul,</p><p>pode ser atribuída ao desenvolvimento e recomendação de novas</p><p>cultivares, que atendem às exigências de mercado e apresentam alta</p><p>produtividade; boa qualidade de grão; estabilidade de produção, do</p><p>ponto de vista de melhor reação aos estresses bióticos (doenças -</p><p>brusone) e abióticos (toxidez por ferro, salini dade e frio); resistência</p><p>às principais pragas e doenças, e adaptação às condições</p><p>edafoclimáticas predominantes em cada região de cultivo, bem como</p><p>a melhoria do manejo da cultura, em função da pesquisa séria e</p><p>competente estabelecida.</p><p>(FOTO 06)</p><p>3.2 Im pacto das cultivares</p><p>Partindo-se da década de 70, quando teve início, o</p><p>predomínio na lavoura de arroz irrigado do Rio Grande do Sul (RS),</p><p>de cultivares (cvs.) introduzidas do sul dos Estados Unidos, com a</p><p>liderança da Bluebelle, que proporcionou produt ividades médias de</p><p>3.700 kg/ha, pode ser dito hoje, que o panorama da cultura em</p><p>termos de produtividade é bem diferente e favorável ao RS.</p><p>A redução drástica no subsídio à agricultura determinou um</p><p>novo paradigma aos orizicultores gaúchos, “o aumento d a</p><p>produtividade de grãos com redução de custos”. Neste cenário, em</p><p>1979, a pesquisa em arroz no RS, conduzida pela Embrapa Clima</p><p>Temperado e o Instituto Riograndense do Arroz, começou a</p><p>desenvolver cultivares adaptadas para o Estado. Dos investimentos</p><p>feitos nestas entidades, especialmente a partir do final da década de</p><p>70, o desenvolvimento de novas cultivares proporcionaram um</p><p>resultado altamente significativo no desenvolvimento do setor</p><p>orizícola, considerando -se o aumento do rendimento obtido por área</p><p>plantada. A tradução deste trabalho pode ser vista ao comparar -se a</p><p>produtividade média no RS em 1973/74, de 3.551 kg/ha, com a de</p><p>1998/99, de 5.350 kg/ha (Tabela 3.1). Este acréscimo de 56% deve -se</p><p>fundamentalmente à adoção de cultivares de porte “moderno ” (com</p><p>alta capacidade de emitir perfilhos, colmos robustos e curtos, e folhas</p><p>eretas) como a</p><p>BR -IRGA 409 e BR -IRGA 410, lançadas em 1979 e</p><p>1980, respectivamente, as quais constituíram -se nas primeiras com</p><p>estas características.</p><p>Tabela 3.1. Produtivid ade média do arroz irrigado no Rio Grande do Sul</p><p>(1973/74 a l999/00)</p><p>SAFRA PRODUTIVIDADE (kg/ha)</p><p>73/74 3 550</p><p>74/75 3 849</p><p>75/76 3 656</p><p>76/77 3 551</p><p>77/78 3 621</p><p>78/79 3 095</p><p>79/80 3 776</p><p>80/81 4 082</p><p>81/82 4 583</p><p>82/83 4 171</p><p>83/84 4 665</p><p>84/85 4 913</p><p>85/86 4 572</p><p>86/87 4 547</p><p>87/88 4 937</p><p>88/89 5 099</p><p>89/90 4 995</p><p>90/91 4 953</p><p>91/92 5 265</p><p>92/93 5 187</p><p>93/94 4 469</p><p>94/95 5 250</p><p>95/96 5 130</p><p>96/97 5 232</p><p>97/98 4 416</p><p>98/99 5 350</p><p>99/00 5 259</p><p>Fonte: IRGA</p><p>A resposta da pesquisa continuou com a li beração, em 1986,</p><p>das cultivares BR -IRGA 412 e BR -IRGA 413, que mantiveram o teto</p><p>produtivo porém com grãos de casca lisa, o que diminuiu a</p><p>abrasividade do produto junto aos equipamentos de colheita e pós -</p><p>colheita.</p><p>A busca por soluções rápidas continuou c om o lançamento da</p><p>BR-IRGA 414, em 1987, de ciclo precoce (115 dias), cujo objetivo</p><p>primordial foi a diminuição do uso de água na lavoura, um dos custos</p><p>mais altos da orizicultura irrigada. A tolerância à toxicidade por</p><p>ferro, problema comum nas lavouras da região Fronteira Oeste, é</p><p>outra característica da cv. BR -IRGA 414, que tem minimizado os</p><p>danos deste estresse ambiental sobre a produção de arroz no RS.</p><p>Em 1991 foram lançadas no mercado, as cultivares BRS 6</p><p>“Chuí” e BRS 7 “Taim”, pela Embrapa Clima Tem perado, e IRGA</p><p>416, pelo Irga, que apresentam como característica principal o alto</p><p>teto produtivo - podendo chegar à 10.000 kg/há, em lavouras bem</p><p>conduzidas e sob ambiente favorável (luminosidade, temperatura e</p><p>nutrientes). A cv. BRS 7 “Taim” também apr esenta excelente reação</p><p>à brusone, pois em sua constituição genética foram introduzidos</p><p>genes de resistência da cultivar asiática Te -Tep.</p><p>Em 1995, a Embrapa Clima Temperado lançou mais duas</p><p>cultivares de arroz irrigado, BRS Ligeirinho, tendo como</p><p>caracte rística principal o ciclo ao redor de 100 dias e BRS Agrisul,</p><p>que aliou as características produtividade e qualidade de grão. O Irga,</p><p>também em 1995, lançou a cv. IRGA 417, que apresenta como</p><p>características principais a alta produtividade, qualidade de gr ão e, em</p><p>especial, a alta resistência a brusone.</p><p>A cultivar BRS Bojuru, de grão curto, lançada em 1997, tem a</p><p>finalidade de, juntamente com a cv IAS 12 -9 FORMOSA, atender</p><p>um nicho de mercado constituído por consumidores orientais,</p><p>principalmente do Brasi l. Esta foi a primeira cultivar do tipo japônica</p><p>lançada pela Embrapa.</p><p>Em 1999, a Embrapa lançou duas novas cultivares</p><p>denominadas BRS Atalanta, com característica predominante de</p><p>precocidade e BRS Firmeza, que apresenta tipo americano de planta,</p><p>com colm os fortes. No mesmo ano o Irga lançou as cultivares IRGA</p><p>418, IRGA 419 e Irga 420.</p><p>Em 2000 a Embrapa lançou a cultivar BRS Pelota com</p><p>excelente teto produtivo e qualidade de grãos.</p><p>As principais características das cultivares relacionadas acima</p><p>são apresen tadas na Tabela 3.2.</p><p>3.3 Pesquisa em melhoramento genético do arroz irrigado</p><p>Os objetivos do programa de melhoramento genético de</p><p>arroz irrigado da Embrapa Clima Temperado, são:</p><p>a) Aumento da produtividade;</p><p>b) Aumento da variabilidade genética;</p><p>c) Estabilidade produtiva;</p><p>d) Alta qualidade de grão (industrial e culinária);</p><p>e) Resistência/tolerância à estresses abióticos;</p><p>• frio</p><p>• salinidade do solo e da água</p><p>• toxicidade a ferro</p><p>• toxicidade a herbicidas</p><p>f) Resistência/tolerância a estresses bióticos;</p><p>• Doenças</p><p>* brusone ( Pyricularia grisea )</p><p>* queima da baínha ( Rhizoctonia solani )</p><p>• Insetos</p><p>* bicheira da raíz ou gorgulho aquático</p><p>(Oryzophagus oryzae)</p><p>g) Abastecimento de nichos de mercados e mercados</p><p>emergentes.</p><p>Tabela 3.2. Características das cultivares de arroz irrigado desenvolvidas pela</p><p>Embrapa e IRGA, a partir da década de 70, para o Rio Grande</p><p>do Sul.</p><p>CULTIVAR ANO CICLO</p><p>BIOLÓGICO</p><p>PRINCIPAIS</p><p>CARACTERÍSTICAS</p><p>INSTITUIÇÃO</p><p>RESPONSÁVEL</p><p>BR -IRGA 409 1979 Médio Produtividade/adaptação Embrapa/Irga</p><p>BR -IRGA 410 1980 Médio Produtividade/adaptação Embrapa/Irga</p><p>BR -IRGA 411 1985 Médio Alto vigor inicial Embrapa/Irga</p><p>BR -IRGA 412 1986 Semi -tardio Qualidade de grão Embrapa/Irga</p><p>BR -IRGA 413 1986 Médio Alto vigor inicial/ resist.</p><p>gorgulho aquático</p><p>Embrapa/Irga</p><p>BR -IRGA 414 1987 Precoce Qualidade de grão Embrapa/Irga</p><p>BR -IRGA 415 1989 Prec oce Tolerância à toxicidade</p><p>por ferro</p><p>Embrapa/Irga</p><p>IRGA 416 1991 Precoce Precocidade Irga</p><p>BRS 6 (“CHUÍ”) 1991 Precoce Maior tolerância ao frio Embrapa -Pelotas</p><p>BRS 7 (“TAIM”) 1991 Médio Produtividade/resistência</p><p>à brusone</p><p>Embrapa -Pelotas</p><p>IRGA 417 1995 Precoce Qualidade de grão Irga</p><p>BRS LIGEIRINHO 1995 Super -precoce Precocidade Embrapa -</p><p>Pelotas BRS AGRISUL 1995 Médio Tolerância à toxicidade</p><p>por ferro</p><p>Embrapa -Pelotas</p><p>BRS BOJURU 1997 Semi -tardio Maior tolerância ao frio</p><p>- grão japônico</p><p>Embrapa -Pelotas</p><p>IRGA 418 1999 Precoce Qualidade de grão Irga</p><p>IRGA 419 1999 Precoce Qualidade de grão Irga</p><p>IRGA 420 1999 Precoce Qualidade de grão Irga</p><p>BRS ATALANTA 1999 Super -precoce Precocidade Embrapa -Pelotas</p><p>BRS FIRMEZA 1999 Precoce Colmos vigorosos/ grupo</p><p>moderno -americano</p><p>Embrapa -Pelotas</p><p>BRS PELOTA 2000 Médio Produtividade e</p><p>qualidade de grãos</p><p>Embrapa -Pelotas</p><p>Fonte: Embrapa Clima Temperado</p><p>Visando atingir os objetivos propostos via melhoramento</p><p>genético são priorizados trabalhos que contemplam as seguintes</p><p>linhas de pesquisa:</p><p>a) Melhoramento genético via métodos convencionais</p><p>(Introdução, seleção, hibridação);</p><p>b) Melhoramento genético via seleção recorrente;</p><p>c) Biotecnologia</p><p>• Transformação de plantas</p><p>(transgenia)</p><p>• Variação somaclonal (mutação</p><p>induzida)</p><p>• Marcadores molecul ares</p><p>• Cultura de tecidos (anteras)</p><p>3.4 Processo de difusão das cultivares</p><p>Em geral, a adoção de qualquer cultivar gerada através do</p><p>Projeto de Melhoramento Genético da Embrapa Clima Temperado,</p><p>dependerá da qualidade da difusão e do efeito de melhoria no sistema</p><p>produtivo. (FOTO 09)</p><p>A adoção de novas cultivares pelos produtores deverá ser uma</p><p>conseqüência natural de todo o processo, se não houver fatores</p><p>inibidores, de natureza sócio -econômicos.</p><p>O papel da Embrapa Clima Temperado e do Irga no contexto</p><p>de lançamento de cultivares mais produtivas tem sido preponderante.</p><p>Conforme a Tabela 3.3, as cultivares desenvolvidas em conjunto, ou</p><p>individualmente, pelas duas instituições, ocuparam, na safra 1998/99,</p><p>66,2 % do total da área cultivada com arroz no RS. Est es dados</p><p>revelam de forma clara e insofismável a aceitação destas cultivares</p><p>por parte do segmento produtivo, atestando a eficiência dos programas</p><p>de melhoramento desenvolvidos por ambas as instituições. É</p><p>importante ressaltar a adoção de algumas destas cu ltivares além das</p><p>divisas do RS, podendo ser encontradas em estados como o Pará,</p><p>Roraima e Rio de Janeiro, e em países do Mercosul. Neste aspecto</p><p>destaca-se a cultivar BRS 7 “Taim”, amplamente cultivada na</p><p>Argentina. (FOTO 07)</p><p>Tabela 3.3. Área ocupa da pelas cultivares de arroz irrigado, no Rio Grande do Sul,</p><p>em 1998/99.</p><p>CULTIVAR TOTAL</p><p>ha %</p><p>BR-IRGA 409 104.774 11,07</p><p>BR-IRGA 410 123.799 13,07</p><p>BR-IRGA 412 1. 277 0,13</p><p>BR-IRGA 414 12. 271 1,30</p><p>IRGA 416 51. 318 5,42</p><p>IRGA 417 190.366 20,11</p><p>BRS 7 “TAIM”</p><p>91. 207 9,63</p><p>BRS 6 “CHUÍ” 52 . 063 5,50</p><p>OUTRAS 319. 670 33,77</p><p>TOTAL 946 .745 100,00</p><p>Fonte: IRGA</p><p>3.5 Pesquisa em manejo da cultura do arroz irrigado</p><p>A produtividade média da cultura do arr oz no Rio Grande do</p><p>Sul aproxima -se das obtidas em outros países tradicionais no cultivo</p><p>do arroz irrigado, ficando pouco abaixo das obtidas por produtores</p><p>dos EUA (Califórnia), Australia e Japão. Contudo, problemas como</p><p>o alto custo de implantaç ão da lavoura, a crescente infestação com</p><p>arroz-daninho (vermelho/preto), a ocorrência de fatores abióticos,</p><p>principalmente de frio na fase de floração, que restringem a</p><p>exploração do potencial produtivo, em torno de 10 t/ha, das cultivares</p><p>atualmente utilizadas na lavoura, induzem a repensar o sistema</p><p>produtivo do arroz irrigado na região. O projeto Melhoria dos</p><p>Sistema de Produção de Arroz Irrigado na Região de Clima</p><p>Temperado realizado pela Embrapa, tem como objetivo geral,</p><p>elevar a economicidade da cultura do arroz irrigado, através da</p><p>identificação de práticas de manejo que propiciem o maior</p><p>aproveitamento do potencial produtivo das cultivares disponíveis, com</p><p>melhorias dos sistemas de produção em áreas de várzeas, incluind o o</p><p>uso mais frequente do solo com arroz e a preservação dos</p><p>recursos naturais. Para tanto, inúmeros trabalhos de pesquisa estão</p><p>sendo realizados envolvendo as áreas de sistemas de cultivo;</p><p>nutrição de plantas, com ênfase no estudo da d inâmica do nitrogênio,</p><p>proveniente de fontes orgânicas e minerais, no sistema solo -água-</p><p>planta; manejo integrado de pragas, principalmente insetos, doenças</p><p>e moluscos, que causam prejuízos de grande monta ao setor; controle</p><p>de arroz vermelho e comportamento ambiental de pesticidas nas</p><p>lavouras de arroz irrigado.</p><p>A geração de tecnologias visando a recuperação e melhoria</p><p>produtiva de solos do agrossistema Terras Baixas, poderá contribuir</p><p>para minimizar os problemas hoje enfrentados no sistema produtivo</p><p>da cultura do arroz irrigado. Dentre alguns problemas, pode -se citar o</p><p>mais importante, ou seja, a presença do arroz -vermelho nas lavouras</p><p>do RS. Atualmente é a planta daninha mais importante</p><p>economicamente, tendo inviabilizado áreas de várzea para o cultivo</p><p>do arroz irrigado. No RS, por exemplo, estima -se uma perda de 20%</p><p>na produção do arroz comercial, ocasionando um prejuízo anual de</p><p>800 mil toneladas de arroz. Considerando -se o valor comercial de R$</p><p>15,00/sc, este prejuízo equivale a R$ 240 milhões. Sua infestação às</p><p>lavouras já comprometeu cerca de 30% da área para cultivo do</p><p>arroz irrigado, o que representa, aproximadamente, 250 mil hectares.</p><p>Esta situação tem levado a pesquisa e os produtores a buscarem</p><p>alternativas para o controle desta invasora. (FOTO 10) Apesar dos</p><p>esforços empreendidos até o momento, nenhuma medida isolada tem</p><p>tido sucesso. As duas principais razões que explicam a dificuldade</p><p>do seu controle são a de que o arroz -vermelho p ertence à mesma</p><p>espécie do arroz cultivado, e, também, à baixa qualidade da semente</p><p>utilizada, ou seja, nas sementes comercializadas encontram -se</p><p>sementes de arroz vermelho. Estes dois aspectos, associados a</p><p>outras características desta planta, como a dormência / quiescência de</p><p>suas sementes, faz com que o banco de sementes no solo aumente</p><p>ou mantenha -se elevado, dificultando o manejo da área. Resultados</p><p>de pesquisa têm mostrado que em áreas com alta infestação de</p><p>arroz-vermelho , a redução do banco de sementes no solo é o principal</p><p>caminho a ser perseguido para se obter uma utilização mais segura</p><p>destas áreas. Neste sentido é muito importante estabelecer ações de</p><p>fácil utilização, que evitem reinfestações de sementes de arroz-</p><p>vermelho no solo, e/ou que reduzam o banco de sementes presente nas</p><p>áreas já infestadas. Deve -se salientar que, paralelamente, o</p><p>produtor deve utilizar, em sua lavoura, sementes isentas de arroz -</p><p>vermelho.</p><p>O sistema tradicional ou convenc ional de cultivo do arroz</p><p>irrigado no RS, por suas características peculiares, tem contribuído</p><p>para, além de onerar os custos de produção, disseminar nas lavouras,</p><p>sementes de plantas daninhas e degradar, ainda mais, o já</p><p>naturalmente precário e stado físico dos solos de várzeas. Esta</p><p>degradação física do solo, sem dúvida nenhuma, tem dificultado a</p><p>introdução de culturas de sequeiros em rotação ou sucessão com arroz</p><p>irrigado. A partir destas constatações, surgiu o interesse dos</p><p>orizicultores ga úchos em utilizarem novas alternativas, que fossem</p><p>ao mesmo tempo, mais eficientes no controle do arroz -vermelho,</p><p>economicamente mais viáveis e capazes de manterem ou mesmo</p><p>recuperarem o estado físico do solo. Entre as novas tecnologias vem</p><p>se destacando o uso de sistemas de cultivo alternativos ao sistema</p><p>convencional, denominados de cultivo mínimo, semeadura direta,</p><p>pré-germinado, transplantio e mais recentemente o mix, além de</p><p>culturas alternativas ao arroz, as quais pel os resultados da pesquisa</p><p>tem comprovadamente sido eficientes na redução do banco de</p><p>sementes de arroz daninho, em áreas comprometidas por esta</p><p>invasora. (FOTO 08)</p><p>Aspectos relativos à fertilidade do solo e nutrição da cultura,</p><p>por possibilitarem ganhos e xpressivos em produção, também</p><p>desempenham um papel preponderante. São prioritários, estudos da</p><p>dinâmica e de diversificação de fontes de nitrogênio para a cultura do</p><p>arroz irrigado, especialmente, por fornecerem subsídios para a</p><p>elevação da eficiência de utilização de N dos fertilizantes minerais e</p><p>reduzirem a dependência desses insumos para a produção, diminuindo</p><p>os custos de produção e os riscos de poluição ambiental.</p><p>Insetos, doenças e moluscos, enquadram -se atualmente entre as</p><p>principais pragas que af etam a economicidade da cultura do arroz</p><p>irrigado no Rio Grande do Sul, por impedirem melhor</p><p>aproveitamento do potencial produtivo das cultivares utilizadas em</p><p>cerca de 900.000 ha, distribuídos nas cinco regiões orizícolas do</p><p>Estado (Litoral Sul e Nort e, Depressão Central, Campanha e Fronteira</p><p>Oeste). Os insetos, anualmente, ocorrem em 25% da área orizícola</p><p>(207.500 ha), reduzindo em 10% a produtividade (500 kg de</p><p>grãos/ha). Conforme estimativas, as perdas econômicas são de</p><p>R$150,00/ha, resultando em perda total de R$ 31 milhões nos</p><p>207.500 ha infestados a cada ano. Alterações tecnológicas no sistema</p><p>de produção, como a expansão do plantio direto e do arroz pré -</p><p>germinado tem modificado a situação de insetos -pragas nos arrozais.</p><p>A praga de maior importância é sem dúvida o gorgulho -aquático</p><p>(Oryzophagus oryzae ).</p><p>A ocorrência anual de doenças, em 10% da área orizícola</p><p>do Estado, está fortemente associada a práticas inadequadas de</p><p>manejo da cultura, provocando perda s de produtividade que oscilam</p><p>de 10 a 15%. Os principais prejuízos são causados pela brusone</p><p>(Pyricularia grizea ), que em situações epidêmicas causa perda total</p><p>da produção de grãos. Contudo, não devem ser desconsiderados os</p><p>prejuízos causados p or doenças de importância secundária como a</p><p>mancha das bainhas ( Rhizoctonia oryzae ), queima das bainhas ( R.</p><p>solani), mancha parda ( Helminthosporium oryzae ), mancha estreita</p><p>(Cercospora oryzae ), podridão do colmo ( Sclerotium oryzae ),</p><p>carie (Thiletia barclayana ), escaldadura da folha ( Rhynchosporium</p><p>oryzae) e manchas de glumas, causada por vários fungos.</p><p>O controle de plantas invasoras , é indispensável para garantir</p><p>uma lavoura economicamente rentável. Os herbicidas e</p><p>inseticidas cont ribuem de forma significativa para a manuntenção</p><p>da boa produtividade das lavouras orizícolas. Assim</p><p>sendo, estão</p><p>sendo conduzidos estudos para avaliar o destino dos herbicidas e</p><p>inseticidas no ambiente. Estes estudos de impacto ambiental são de</p><p>fundamental importância para a manutenção de uma orizicultura</p><p>sustentável.</p><p>A produtividade da lavoura orizícola do RS, embora no mesmo</p><p>patamar atingido por países mais desenvolvidos, ainda está bastante</p><p>abaixo do potencial produtivo das cultivares uti lizadas no Estado,</p><p>lançadas pela Embrapa Clima Temperado e pelo Irga. Prova disso são</p><p>os dados obtidos em grandes áreas de cultivo comercial no RS, que</p><p>apontam produtividades de cerca de 10.000 kg/ha, de algumas das</p><p>cultivares recomendadas pelas instituiçõ es oficiais de pesquisa</p><p>(Tabela 3.4). Consequentemente, através de um emprego maior e mais</p><p>qualificado de tecnologias para manejo da cultura do arroz, já</p><p>disponibilizadas pelas instituições de pesquisa, é possível atingir</p><p>produtividades ainda superiores àq uelas alcançadas pelos</p><p>orizicultores que utilizam as novas cultivares. Neste contexto, há</p><p>como provar que a produtividade média atual da cultura do arroz no</p><p>RS ( ± 5.300 kg/ha) é aproximadamente 40% menor que o potencial</p><p>produtivo (10.500 kg/ha) das cultiv ares mais recentemente lançadas</p><p>pelas instituições oficiais de pesquisa.</p><p>Tabela 3.4. Potencial produtivo de algumas cultivares de arroz irrigado em</p><p>condições de lavoura comercial do Rio Grande do Sul e de países do</p><p>Mercosul, no perí odo 1988/1997 (a)</p><p>CULTIVAR LOCAL SAFRA</p><p>AGRÍCOLA ÁREA (ha) PRODUÇÃO DE</p><p>GRÃOS* (t/ha)</p><p>BR -IRGA 409 Alegrete (b) 1988/90 150 9.2</p><p>BR -IRGA 410 Sta.Vit.Palmar (c) 1988/89 150 9.5</p><p>BR -IRGA 410 Sta.Vit.Palmar (c) 1988/89 80 9.7</p><p>BR -IRGA 410 Ar. Grande (c) 1988 /89 25 10.7</p><p>BR -IRGA 412 Rio Grande (c) 1988/89 125 9.7</p><p>BR -IRGA 413 Alegrete (b) 1989/90 500 7.5</p><p>BR -IRGA 414 Sta.Vit.Palmar (c) 1988/89 10 10.0</p><p>BR -IRGA 414 Jaguarão (c) 1988/89 136 9.4 (úmido)</p><p>BRS 6 (“CHUÍ”) Agudo (d) 1995/96 40 10.2</p><p>BRS 6 (“CHUÍ”) Argentina 1995/96 60 9.0</p><p>BRS 7 (“TAIM”) Uruguaiana (b) 1995/96 54 9.5</p><p>BRS 7 (“TAIM”) Cacequi (d) 1995/96 51 8.6</p><p>BRS 7 (“TAIM”) D. Pedrito (e) 1995/96 28 9.4</p><p>BRS 7 (“TAIM”) Argentina 1995/96 110 10.2</p><p>BRS 7 (“TAIM”) Uruguaiana (b) 1996/97 350 10.0</p><p>BRS 7 (“TAIM”) Uruguai 1996/97 30 10.1</p><p>BRS AGRISUL Uruguaiana (b) 1995/96 4 8.9</p><p>BRS AGRISUL Uruguaiana (b) 1996/97 55 8.4</p><p>* Grão com casca e seco a 13% de umidade; (a) Levantamento realizado pela Embrapa Clima</p><p>Temperado junto ao orizicultor; (b) Região or izícola fronteira oeste; (c) Região orizícola zona sul; (d)</p><p>Região orizícola depressão central; (e) Região orizícola campanha.</p><p>Fonte: Embrapa Clima Temperado</p><p>3.6 Bibliografia consultada</p><p>IRRI-International Rice Research Institute. Rice growth and</p><p>producti on. Los Baños, Philippines, 1993. p.11 -16. (IRRI Rice</p><p>Almanac)</p><p>JENNINGS, P. R. ; COFFMAN. W.R.; KAUFFMAN, H.E. Breeding</p><p>for agronomic and morphological characteristics. In: IRRI. Rice</p><p>Improvemente . Los Banõs, Philippines: IRRI, 1979. p.91 -94.</p><p>PESKE, S.T .; NEDEL, J.L.; BARROS, A.C.S.A. Produção de arroz</p><p>irrigado . Pelotas: Editora e Gráfica Universitária –UFPel, 1998.</p><p>659p.</p><p>TERRES, A.L.; GALLI, J.; FAGUNDES, P.R.R.; MACHADO, M.O.;</p><p>MAGALHÃES JR., A.M. DE; MARTINS, J.F.; NUNES, C.D.M.;</p><p>FRANCO, D.F.; AZAMBUJA , I.H.V. Arroz irrigado no Rio</p><p>Grande do Sul: generalidades e cultivares. Pelotas: Embrapa</p><p>Clima Temperado, 1998. 58p. (Embrapa Clima Temperado.</p><p>Circular Técnica, 14).</p><p>CAPÍTULO 4</p><p>A PE SQUISA COM ARROZ IRRIGADO NO RIO GRANDE DO SUL.</p><p>Cley Donizeti Martins Nunes 1</p><p>Arlei Laerte Terres 2</p><p>4.1 Introdução</p><p>O Rio Grande do Sul tem um histórico de desenvolvimento da lavoura</p><p>arrozeira, em termos de área e produtividade nos últimos 100 anos, muit o importante</p><p>para o Brasil. Neste contexto, a contribuição da pesquisa foi fundamental ao</p><p>incremento de produtividade com lançamentos de cultivares de arroz irrigado.</p><p>Este aumento é marcante a partir da década de 80, com o lançamento das</p><p>cultivares BR -Irga 409 e BR -Irga 410 que, de 1985 a 1989, ultrapassaram 90% da</p><p>área arrozeira do Estado. Neste período a produtividade passou de 3,5t/ha para 5,0</p><p>t/ha.. Cabe ressaltar que junto ao desenvolvimento das cultivares desenvolveu -se um</p><p>trabalho de manejo da cu ltura que auxiliou o aumento de rendimento de grãos das</p><p>mesmas.</p><p>Este ganho de produtividade refletiu -se no aumento da área semeada no</p><p>Estado, na redução do custo de produção, no volume de vendas de máquinas,</p><p>equipamentos, insumos e principalmente na arreca dação de impostos e geração de</p><p>empregos.</p><p>O potencial produtivo das cultivares gaúchas estão no mesmo patamar das</p><p>melhores do mundo. Dados levantados junto às regiões orizícolas do estado do Rio</p><p>Grande do Sul, da Argentina e do Uruguai, comprovam que lav ouras conduzidas</p><p>dentro de um manejo recomendado e sob boas condições climáticas, podem produzir</p><p>rendimentos superiores a 10 t/ha de grãos com casca.</p><p>2 Eng. Agr. M.Sc ., Embrapa Clima Temperado. Cx P 403. CEP 96.001 -970. Pelotas,</p><p>RS.</p><p>Na safra agrícola de 1999/00, foram cultivados 952.539 ha de arroz irrigado</p><p>no Estado, com a produtivida de média de 5.260 Kg/ha de grãos com casca, superior</p><p>a média da safra 1997/98 (4095 kg/ha) e um pouco inferior a de 1998/99 (5.833</p><p>kg/ha) - ano do fenômeno “La Niña” que favoreceu essa safra.</p><p>A orizicultura irrigada é revestida de grande importância econôm ica e</p><p>social para o Rio Grande do Sul, contribuindo atualmente com cerca de 40% da</p><p>safra gaúcha de grãos.</p><p>A área de cultivo de arroz no RS em 1999/00 foi cerca de 25 % da cultivada</p><p>no Brasil, representando 48% do total do cereal produzido no país. Cerca de 80% do</p><p>arroz “agulhinha” comercializado no Brasil foram produzidos no RS.</p><p>As cultivares gaúchas de arroz irrigado têm contribuído, significativamente,</p><p>na produção brasileira do cereal. Alguns países do Mercosul, como Argentina e</p><p>Uruguai, também, têm s ido beneficiados com o uso destas cultivares.</p><p>4.2 Histórico da pesquisa com arroz irrigado no Rio Grande do Sul</p><p>Nos primeiros anos do século XX cultivavam -se no RS, pequenas áreas</p><p>com arroz de sequeiro – “cultivo de montanha” – em áreas de coxilhas de razoá vel</p><p>altitude. O incremento da lavoura de arroz começou com o uso da irrigação por</p><p>bombeamento forçado em 1903/04 em Pelotas. Por volta de 1905 eram usadas as</p><p>cultivares Carolina (Madagascar/USA; de grão longo) e “Piemonte” (ou Nero di</p><p>Vialone; Itália, de g rão médio) introduzidas pelos próprios orizicultores gaúchos.</p><p>A cultura do arroz irrigado começou a ser explorada de forma empresarial,</p><p>no município de Pelotas nos anos 1907/08, pelo Coronel Pedro Luís da Rocha</p><p>Osório. Nesta época já se procuravam tecnolo gias para aumento de produtividade da</p><p>lavoura através de introdução/seleção de cultivares mais adaptadas, pelo uso de</p><p>adubação, época de semeadura e nivelamento do solo.</p><p>A partir de 1918, foram introduzidas na orizicultura gaúcha, notadamente</p><p>no Litoral e na Depressão Central, substituindo integralmente a Carolina e Piemonte,</p><p>as cultivares japonesas (nome genérico de japonês) de grão curto, por serem mais</p><p>produtivas e rústicas. A cultivar Carolina era um tipo de arroz que vinha sendo</p><p>cultivado nas condiçõ es de sequeiro do RS e em outras regiões do Brasil. Depois da</p><p>Carolina, a cultivar Agulha permaneceu na lavoura orizícola gaúcha por longo</p><p>tempo na Depressão Central.</p><p>A euforia produzida pelo aumento da produtividade do arroz, alcançada</p><p>com o uso da irrig ação das lavouras, associada às novas cultivares introduzidas, fez</p><p>surgir a necessidade dos produtores se organizarem em associações de classe na</p><p>defesa de seus interesses, procurando uma padronização</p>

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