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INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!
INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!
BEHAVIORISMOS: 
REFLEXÕES HISTÓRICAS E 
CONCEITUAIS
DIEGO ZI LIO 
KESTER CARRARA
organizadores
VOLUME 1
INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Behaviorismos: reflexões históricas e conceituais, volume I / Diego Zilio, 
Kester Carrara (organizadores). - São Paulo : Paradigma Centro de Ciências e 
Tecnologia do Comportamento, 2016.
Vários autores
ISBN 978-85-69475-02-6
1. Behaviorismo (Psicologia)l
2. Psicologia - Filosofia
3. Psicologia - História I. Zilio, Diego. II. Carrara, Kester.
16-06338 CDD-150.9
índices para catálogo sistemático:
1. Behaviorismos: Psicologia : História 150.9
editor
projeto gráfico e diagramação
Paradigma Centro de Ciências e 
Tecnologia do Comportamento
Mila Santoro
Agosto de 2016
INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!
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AUTORES
Alexandre Dittrich
Professor Associado da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Doutor em 
Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Graduado em Psicologia 
pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB).
Bruno Angelo Strapasson
Professor Adjunto da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Doutor em Psicologia 
Experimental pela Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo. Mestre em Psicologia 
do Desenvolvimento e Aprendizagem pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) - 
Bauru. Graduado em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Diego Zilio
Professor Adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Doutor em 
Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo. Mestre 
em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Marília. Graduado em 
Psicologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Bauru.
Emilio Ribes Inesta
Professor do Centro de Estudos e Investigações sobre Conhecimento e 
Aprendizagem Humana da Universidade Veracruzana. Doutor em Filosofia pela 
Universidade Nacional Autônoma do México. Mestre em Psicologia Experimental 
pela Universidade de Toronto. Graduado em Psicologia pela Universidade Nacional 
Autônoma do México.
Isaias Pessotti
Professor Titular da Universidade de São Paulo (USP) - Ribeirão Preto. Doutor em 
Ciência (Psicologia) pela Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo. Mestre em 
Filosofia da Ciência pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) - São Paulo. 
Graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo.
Jay Moore
Professor Emérito da Universidade de Wisconsin-Milwaukee. Doutorem Psicologia 
Experimental pela Universidade da Califórnia - San Diego. Mestre em Psicologia 
Experimental pela Universidade de Western Michigan. Graduado em Psicologia pelo 
Kenyon College.
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John C. Malone
Professor da Universidade do Tennessee - Knoxville. Doutor em Psicologia 
Experimental pela Universidade de Duke. Graduado em Psicologia pela Universidade 
Estadual de Nova York (5UNY) - Albany.
José Antônio Damásio Abib
Professor Adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Doutor em 
Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo. Mestre em 
Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo. Graduado 
em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB).
Kester Carrara
Professor Livre-Docente da Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Bauru. 
Doutor em Educação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Marília. Mestre 
em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. 
Graduado em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Bauru. Bolsista 
de Produtividade em Pesquisa do CNPq.
Maria do Carmo Guedes
Professora Titular da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Doutora 
em Ciências Humanas - Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de 
São Paulo. Especialista em Psicologia Social e Experimental pela Universidade de São 
Paulo (USP) - São Paulo. Graduada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) 
- São Paulo.
Renato Ferreira de Souza
Professor Adjunto da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Doutor em Psicologia 
Social pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Mestre em Psicologia 
Social pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Graduado em 
Psicologia pelo Centro Universitário Newton Paiva.
Ricardo Pérez-Almonacid
Professor do Centro de Estudos e Investigações sobre Conhecimento e 
Aprendizagem Humana da Universidade Veracruzana. Doutor em Ciências do 
Comportamento pela Universidade de Guadalajara. Mestre em Psicologia pela 
Universidade Nacional da Colômbia. Graduado em Psicologia pela Universidade 
Nacional da Colômbia.
Robert H. Wozniak
Professor do Bryn Mawr College. Doutor em Psicologia do Desenvolvimento pela 
Universidade de Michigan. Graduado em Psicologia pelo College of the Holy Cross.
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SUMÁRIO
PREFÁCIO
APRESENTAÇÃO
1 O ESSENCIAL EM B. F. SKINNER (1904-1990)
Kester Carrara
2 I. M. SECHENOV (1829-1905) E OS "REFLEXOS DO 
CÉREBRO"
Isaias Pessotti
3 I. P. PAVLOV (1849-1936): DO REFLEXO SALIVAR ÀS 
ATIVIDADES NERVOSAS SUPERIORES
Diego Zilio
4 J. LOEB (1859-1924): O COMPORTAMENTO 
DOS ORGANISMOS NA PRÉ-HISTÓRIA DO 
BEHAVIORISMO
Alexandre Dittrich
5 E. LTHORNDIKE (1874-1949): REVOLUÇÃO E 
CONTRARREVOLUÇÃO
José Antônio Damásio Abib
6 O BEHAVIORISMO CLÁSSICO DE J. B. WATSON
(1878-1958)
Bruno Angelo Strapasson
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7 A. P. WEISS (1879-1931): A THEORETICAL BASIS OF 
HUMAN BEHAVIOR
Robert H. Wozniak
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8 G. H. MEAD (1863-1931): UM AUTOR, DIVERSAS
POSSIBILIDADES
Renoto Ferreira de Souza 
Maria do Carmo Guedes
9 E. R. GUTHRIE (1886-1959): A BEHAVIORISM FOR 
EVERYONE
John C. Malone
10 THE NEOBEHAVIORISM OF K. W. SPENCE 
(1907-1967)
Jay Moore
11 LA PSICOLOGIA INTERCONDUCTUAL DE
J.R. KANTOR (1888-1984)
Emilio Ribes Ihesta 
Ricardo Pérez-Almonacid
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PREFÁCIO
Conta a lenda que Newton, o físico, sugeria que suas importantes descobertas 
haviam acontecido porque seus conhecimentos encontravam-se "em pé" sobre 
ombros de gigantes. Essa ideia foi literalmente trazida para o campo da Análise do 
Comportamento por Skinner, na afirmação de uma ciência capaz de dar conta do 
Comportamento Humano (Skinner, 1953, Capítulo 2). Esses gigantes a quem eles - 
Newton e Skinner - faziam referência eram outros cientistas que tinham olhado para 
a realidade e feito sobre ela algumas declarações a partir do método científico. Tais 
declarações, reunidas em obras, ocupariam o papel de ombros, e ao mesmo tempo 
de base, para que a visibilidade atual do objeto de estudo de qualquer ciência fosse 
mais ampla no horizonte científico.
Anteriormente, o próprio Skinner (1945) já havia afirmado que a Ciência não 
era uma declaração da verdade: ela nada mais é do que o comportamento verbal 
dos cientistas. Um comportamento verbal que "se dá" possível em seu tempo de 
ocorrência, registrado por uma série de declarações permitidas ao cientista por seu 
método de estudo. Declarações estas que poderiam ser melhores ou piores sobre a 
realidade, segundo alguns critérios, mas certamente sempre parciais e
acumulativas. 
O que Skinner propõe é uma análise científica do comportamento verbal, inclusive do 
próprio cientista, para que possamos entender o avanço do conhecimento científico.
Behoviorismos é uma obra brilhantemente organizada por Diego Zilio e Kester 
Carrara que cumpre exatamente essas funções. Em um tempo, nos dá plena 
consciência de qual é nossa base, ou seja, sobre quais ombros nosso conhecimento 
atual sobre o comportamento científico repousa. Faz-nos parar momentaneamente 
de olhar os horizontes do nosso objeto de estudo - o comportamento - e passa a 
fazer-nos conhecer nossas raízes do conhecimento. A sensação resultante da leitura 
do livro é a de que agora podemos seguir em frente, em nossa busca de novas 
declarações, com firmeza!
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Em outro tempo, Behaviorismos apresenta uma análise muito mais do que 
histórica ou filosófica de toda a trajetória e vida dos gigantes-autores que nos 
permitiram olhar o horizonte mais ao longe e além. Destaca ainda as grandes 
contribuições e pinça as declarações verbais mais importantes desses autores 
primordiais. Projeta, a partir do crescimento do conhecimento construído até então, 
melhores direções e melhores focos para onde movimentarmos e inquietarmos 
nosso olhar.
Para essa tarefa, os organizadores reuniram uma plêiade de autores experts 
em outros autores, que nos arremessam, por meio da leitura deste livro, em uma 
verdadeira Terra de Gigantes estudiosos do comportamento. Conseguem fazer-nos 
olhar para as bases e argumentam o quanto as raízes do nosso conhecimento estão 
fincadas numa terra firme à qual alguns denominaram um dia de Ciência Natural, 
e dentro dela um território que nos é tão caro chamado por muitos de Psicologia. 
Analisam, destrincham e interpretam com uma nova e surpreendente metabase 
aquilo que já foi projetado como cânone de interpretação do comportamento 
humano - neste caso especial, o comportamento verbal daqueles cientistas que 
construíram os behaviorismos.
O livro é aberto por um texto de Kester Carrara sobre B. F. Skinner (Capítulo 1). É 
o prenúncio de qual é a Roma a que todos os caminhos irão levar: os capítulos de 
Behaviorismos argumentam sobre os ombros de quem Skinner fincou suas bases e de 
quem alçou voo a partir de seus ombros.
Tomando impulso na análise do papel de fisiólogos, e apontando tanto para a 
delimitação do objeto de estudo quanto para o desenvolvimento de conceitos e 
métodos de conhecimento sobre o comportamento, Isaías Pessotti e Diego Zilio 
apresentam e analisam as obras de Sechenov (Capítulo 2) e Pavlov (Capítulo 3), 
respectivamente. Na mesma linha, mostrando a importância da "exploração das 
fronteiras entre fisiologia e psicologia", Alexandre Dittrich apresenta a vida e a obra de 
Loeb (Capítulo 4). Este teria exercido uma importante influência na obra de Skinner 
além de ter sido um orientador intelectual importante para Watson (Capítulo 6), que 
tem sua história contada para nós por Bruno Strapasson. Watson, ao declarar seu 
Manifesto Behaviorista, causou impacto e estabeleceu as bases de compromisso com 
que parte significativa dos autores abordados neste livro estariam comprometidos 
em suas obras.
Nesse caminho para localizar e firmar a psicologia entre as ciências naturais, outro 
autor relevante é trazido para o foco: contemporâneo de Watson, Weiss (Capítulo 7)
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nos é apresentado via sua busca de encontrar, conforme Robert H.Wozniak,"a relação 
entre as bases fisiológicas e a relevância social do comportamento".
O momento histórico contado até aqui já tem o behaviorismo declarado. 
No entanto, histórias paralelas de chegada a pontos semelhantes são então 
desdobradas. Inspirado em elementos históricos "próximos, mas distantes" do 
behaviorismo de Watson, José Antonio Damásio Abib se ocupou da trajetória 
"inovadora e revolucionária" de Thorndike (Capítulo 5). Este teria chegado mais 
claramente ao estudo do comportamento humano via Darwin, propondo a 
interpretação do comportamento instrumental e da Lei do Efeito. Conduzido pelo 
mesmo caminho darwinista, Mead (Capítulo 8) tem suas propostas de interpretações 
de se/f social mente construído analisadas neste livro por Renato Ferreira de Souza e 
Maria do Carmo Guedes.
Em seguida, algumas outras bases do behaviorismo - podemos dizer, 
compartilhadas com o behaviorismo radical - poderão ser encontradas nas propostas 
de Guthrie (Capítulo 9), com sua predileção pela matemática, sua concepção sobre 
aprendizagem e a psicopatologia vista como normal. Este autor teve sua obra 
traçada neste livro por John Malone, que ainda ressalta os contornos contextualistas 
de sua obra.
A história de Behaviorismos aqui contada segue em frente retomando a veia 
respondente do behaviorismo. A linha watsoniana, via Hull, é representada aqui pelo 
neo-behaviorismo de Spence (Capítulo 10). Jay Moore esmiúça as contribuições 
desse autor, especialmente, por meio dos conceitos de transposição no controle de 
estímulos e da redução de drive, tanto nas interpretações sobre o comportamento 
respondente quanto no instrumental positivo e negativo.
Fechando este volume, Emilio Ribes lhesta e Ricardo Pérez-Almonacid apresentam 
o interbehaviorismo de Kantor (Capítulo 11), um autor reconhecido pelo próprio 
Skinner como uma influência em sua obra, mas que se afasta dele, segundo os 
autores, por rupturas marcantes. Uma delas, de caráter lógico, quando Kantor rompe 
com o modelo de análise e explicação molecular do comportamento e propõe a 
lógica de campo, que identifica todo fenômeno psicológico como um campo de 
relações interdependentes dos elementos que o compõem.
Como pode ser depreendido da leitura até aqui, Behaviorismos é mais que uma 
obra de filosofia ou de história de parte da Ciência Psicológica; trata-se de uma 
verdadeira árvore genealógica de pensamentos. Explica e delineia nossas origens. 
Esclarece e sossega e a partir da sua leitura podemos dizer "de onde viemos". E nos
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assegura de que estamos incorporados em uma cultura que prioriza um "olhar 
especial"para o comportamento que leva a um conhecimento nunca antes alcançado 
sobre o outro e sobre nós mesmos.
Roberto Alves Banaco
Inverno de 2016
Referencias
Skinner, B. F. (1945). The operational analysis of psychological terms. Psychological 
Review, 52,270-277.
Skinner, B. F. (1953). Science and human behavior. New York: MacMillan.
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APRESENTAÇÃO
A proposta de publicação deste livro decorre do convívio acadêmico dos 
organizadores com a identificação, debate e desenvolvimento de pressupostos, 
princípios e conceitos que contextualizaram o surgimento da versão skinneriana 
da filosofia de ciência behaviorista e da própria ciência consolidada como Análise 
do Comportamento. Pelo menos uma razão compatível com a sólida formação de 
analistas do comportamento justifica a apresentação do conteúdo subsequente, 
qual seja a impossibilidade concreta da compreensão de grande parte da proposta 
behaviorista radical sem um razoável contato com o espírito de época que 
acompanhou o desenvolvimento histórico antecedente à formulação da proposta 
do behaviorismo atual.
É compreensível que na maioria dos conteúdos curriculares oferecidos nos 
cursos de Psicologia não estejam detalhadamente presentes as construções teórico- 
epistemológicas que historicamente embasaram abordagens e escolas psicológicas, 
incluídas as que pereceram, as que sobreviveram e aquelas que deixaram suas 
indeléveis marcas no cenário contemporâneo dos principais debates científico-
filosóficos acerca das atividades dos organismos vivos. Inevitavelmente, o estudante 
e o estudioso de Psicologia, ao optarem e se empenharem no domínio de uma das 
mediações teóricas à sua escolha, são confrontados com a irrenunciável tarefa de 
recuperar influências, estudar trajetórias e compreender em maior profundidade 
tanto as transformações gradativas quanto as mudanças radicais derivadas do caráter 
dinâmico do entorno científico, acadêmico e social de sua área de interesse.
Não foi diferente com o behaviorismo. Não se formularam repentinamente e 
isentas de importantes influências as propostas de Watson e Skinner, do mesmo 
modo como não tiveram origem única em Hume ou Mach algumas das mais 
importantes reflexões sobre o fazer ciência. Em adição, para além de Skinner, 
seguramente o autor behaviorista mais lido e discutido (especialmente na literatura 
analítico-comportamental brasileira), são vários e variados os autores que foram
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relevantes para a construção e o estabelecimento das práticas culturais behavioristas 
no contexto geral da psicologia científica. Pode-se dizer que não há apenas uma 
configuração possível de behaviorismo. Existem behaviorismos.
Isso posto, e cientes de que sempre serão inesgotáveis e múltiplas as fontes 
marcadamente indispensáveis para uma compreensão consistente do behaviorismo 
contemporâneo, reunimos neste volume parte relevante das influências e 
convivências conceituais associadas à formulação e consolidação da Análise 
do Comportamento através da apresentação de alguns autores historicamente 
importantes, cujas obras foram aqui descritas e analisadas sucintamente por 
profissionais referenciados na literatura da área.
Este primeiro volume inicia-se com capítulo de Kester Corraro dedicado a B. 
F. Skinner, no qual é ressaltado o desafio de discorrer sobre a personagem mais 
celebrada e polêmica do movimento behaviorista a fim de delimitar os possíveis 
elementos centrais de seu behaviorismo radical.
Em seguida, Isoios Pessotti escreve sobre I. M. Sechenov, fisiólogo russo responsável 
por criar um dos primeiros modelos sistemáticos de explicação do comportamento a 
partir do conceito de reflexo.
Considerado o precursor do estudo fisiológico do comportamento na Rússia, 
Sechenov foi influência notável na formação de I. P. Povlov, foco de análise de Diego 
Zilio. Em seu capítulo, são traçadas algumas das principais características da proposta 
pavloviana tendo como pano de fundo considerações de Skinner sobre Pavlov, haja 
vista que o segundo foi uma das principais influências na formação do primeiro.
Alexandre Dittrich, por seu turno, dedica capítulo a J. Loeb. Tendo sido professor 
de Watson e influência direta (através de seus escritos) e indireta (pela mediação 
de W. J. Crozier) na formação de Skinner, Loeb é peça central para compreender o 
behaviorismo enquanto proposta de ciência natural do comportamento.
E. L Thorndike é outro autor cuja relevância para o desenvolvimento da ciência 
do comportamento é costumeiramente negligenciada. José Antônio Damásio 
Ablb reflete em seu capítulo sobre o legado de Thorndike e o seu lugar entre os 
comportamentalistas, fazendo contraponto entre o aspecto revolucionário de sua 
lei do efeito e de sua metodologia de pesquisa experimental e as características 
conservadoras e ideológicas de sua filosofia social e projeto educacional.
Bruno Angelo Strapasson, por sua vez, discorre sobre J. B. Watson. Considerado por 
alguns como o fundador do behaviorismo, Watson talvez seja um dos autores mais 
citados da Psicologia, ainda que se possa conjecturar que ele, ao mesmo tempo, seja
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também um dos autores menos lidos apropriadamente. Nesse contexto, o capítulo 
dedicado ao autor cumpre a função de apresentar os principais elementos filosóficos, 
conceituais e metodológicos do behaviorismo clássico de Watson.
Robert H. Wozniak aborda em seu capítulo o behaviorismo de A R Weiss. 
Contemporâneo de Watson, Weiss talvez seja um dos principais (senão o principal) 
proponentes do behaviorismo que, nos estágios iniciais do movimento, dedicou parte 
considerável de sua obra aos desdobramentos filosóficos de sua adoção na Psicologia.
Renato Ferreira de Souza e Maria do Carmo Guedes tratam de outro autor usualmente 
associado ao behaviorismo, mas cuja importância é majoritariamente reconhecida 
apenas em textos de história da psicologia social: G. H. Mead. Considerado um dos 
fundadores da psicologia social norte-americana, Mead é um daqueles autores difíceis 
de classificar: Seria behaviorista? Pragmatista? Interacionista simbólico? Diante dessa 
situação, o capítulo de Souza e Guedes pretende apresentar elementos históricos, 
biográficos e conceituais da teoria meadiana a fim de prover um ponto inicial de 
contato com a sua obra.
E. R. Guthrie é o autor abordado no capítulo de John C. Malone. Caracterizada 
como uma forma elegante (pela sua simplicidade) e sofisticada (pelo seu alcance 
explanatório) de associacionismo, a teoria da aprendizagem de Guthrie é apresentada 
em seus detalhes por Malone, que também dá atenção especial à sua aplicação em 
diversas dimensões da análise do comportamento.
O neobehaviorismo de K. W. Spence é o tema do capítulo de JayMoore. De modo 
geral, o neobehaviorismo é caracterizado pelo uso de explicações que incluem 
eventos mediacionais hipotéticos para além das relações observadas entre estímulos 
e respostas. Os neobehavioristas mais conhecidos são L. Hull, E. C.Tolman e Spence 
(os dois primeiros serão tratados no segundo volume deste projeto). Ao lado de Hull, 
Spence foi responsável por desenvolver modelos teóricos sobre aprendizagem e 
motivação que ainda hoje são utilizados em análises comportamentais.
O presente volume é finalizado com capítulo de Emilio Ribes lhesta e Ricardo 
Pérez-Almonacid dedicado a J. R. Kantor. Outro contemporâneo de Skinner, sua 
obra abrange estudos minuciosos da história da psicologia, epistemologia, lógica, 
gramática, cultura, fisiologia e, até mesmo, a tragédia humana (como fenômeno 
artístico, social e natural).
Aproveitamos para agradecer a todos os colaboradores que gentilmente acederam 
ao convite para escrever sobre a trajetória histórica do comportamentalismo. 
Agradecemos também ao Núcleo Paradigma - Centro de Ciências e Tecnologia do
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Comportamento; especialmente a Roberto Banaco, por ter acreditado no projeto 
quando ainda era um breve rascunho com os nomes dos"behavioristas"e dos possíveis 
colaboradores que participariam, e a Roberta Kovac, responsável pela editora do 
Núcleo Paradigma, que conduziu o processo editorial de maneira exemplar, sempre 
cuidadosa e atenciosa.
Por fim, gostaríamos de dedicar este livro a todos aqueles que, no passado, 
contribuíram para a criação e manutenção das contingências sociais fomentadoras 
da prática cultural científica analítico-comportamental.
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INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!
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1 O ESSENCIAL EM B. F. SKINNER (1904-1990)
Kester Carrara
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Ocupa-me a responsabilidade de escrever sobre o mais polêmico quanto 
celebrado dos behavioristas. Fazê-lo implica um trânsito cuidadoso entre minúcias 
de sua extensa obra e dimensões contextuais imprescindíveis a uma interpretação 
criteriosa dos pressupostos básicos de seu pensamento científico.
De muitas maneiras se pode escrever e já se escreveu
sobre B. F. Skinner, seja 
recuperando sua biografia, destacando as polêmicas ensejadas por sua obra e seu 
posicionamento teórico diante delas, resenhando ou analisando seus achados 
científicos. Entretanto, este ensaio, por sua própria finalidade e movido pela existência 
de ampla e consistente literatura sobre os aspectos já mencionados, tenciona explicitar 
dimensões essenciais e irrenunciáveis do Behaviorismo Radical e da Análise do 
Comportamento, apenas incidentalmente se detendo em detalhes de sua trajetória 
histórica. O leitor não encontrará nele sequer um breve sinal dos intrincados detalhes 
que por vezes atravessam sua obra. Não se trata, naturalmente, de uma exposição de 
princípios comportamentais, o que já foi feito, desde Keller e Schoenfeld (1950), de 
modo bastante competente por outros analistas. Além disso, o cenário histórico que 
precedeu, e por vezes ensejou o aparecimento do Behaviorismo Radical de Skinner, é 
descrito de modo preciso nos próximos capítulos por colegas altamente qualificados. 
O que poderá, então, o leitor encontrar na sequência, senão apenas as impressões de 
um profissional interessado, desde 1969, pela obra de Skinner? Que critérios, ademais, 
poderiam remeter ao que é imprescindível em seu trabalho?
Para conduzir uma análise do que se constitua indispensável sem, contudo, 
transformar este ensaio em reunião de escolhas pessoais, adotarei um roteiro que, 
embora arbitrário, destaca ofundamental da obra Skinner segundo algumas categorias 
formuladas no âmbito geral da avaliação de matrizes conceituais da Psicologia: 
pressupostos filosóficos; formulações conceituais; aplicações; implicações políticas, 
éticas e ideológicas do Behaviorismo Radical e da Análise do Comportamento. 
Adotadas essas categorias, a organização do texto distribui sistematicamente o 
conjunto da obra skinneriana em aspectos considerados fundamentais no contexto 
desta coletânea, ao mesmo tempo em que facilita ao leitor o acesso crítico à agreste 
tarefa de examinar tão extensa e valiosa obra com a responsabilidade de proceder à 
escolha do que seja menos ou mais relevante.
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"Critérios" para escolha de conceitos seminais
Evidentennente, nãoéa frequência de ocorrência determos e conceitos em sua obra 
que, necessariamente, delimita o que é mais importante no contexto paradigmático 
da proposta de Skinner. De todo modo, um contraexemplo no mínimo coincidente 
pode ser encontrado tomando-se Science and Human Behavior (1953) como texto 
representativo do conjunto produzido pelo autor: ali, encontramos 1145 repetições 
de control e suas variantes; 156 de contingencies; 72 de functional; 56 de relations; 662 
de reinforcement; 208 de consequences e mais de 2000 de behavior. Curiosamente, 
entretanto, apenas nove de selection e nenhuma de radical ou de behaviorism.
Se, por um lado, o critério de frequência de ocorrência não parece ser decisivo 
para considerar quais palavras sugerem diretamente o centro das reflexões 
skinnerianas, tais termos ensejam chegar a expressões ou arranjos sistemáticos 
de formulações organizadas de tal modo a expressar princípios indispensáveis 
da Análise do Comportamento construída com apoio filosófico do Behaviorismo 
Radical. Naturalmente, tal como ocorre com a maioria dos grandes nomes da Ciência, 
Skinner fez contato, durante toda a extensão de sua formação, com amplo (mas, a um 
só tempo, seletivo) grupo de autores. Listar as influências intelectuais que recebeu 
passaria pela inclusão de Francis Bacon, David Hume, Ivan Pavlov, William James, Ernst 
Mach e inúmeros outros, sem que o rol pudesse algum dia ser considerado completo, 
já que seus textos revelam um domínio importante de História, Antropologia, Filosofia, 
Psicologia, Biologia e Literatura, passando pelos gregos e por nomes e interesses 
intelectuais tão variados quanto os representados por Bronisfaw Malinowski, 
Ludwig Wittgenstein, John B. Watson, Charles Darwin e mesmo Johann W. Gõethe 
e William Shakespeare. Entretanto, tome-se em conta que sua leitura seletiva é, aqui, 
instrumentalmente orientada pela finalidade de construção de uma ciência (natural) 
do comportamento. Mesmo quando se considera o físico austríaco Mach como 
uma das influências mais decisivas para a formulação conceitual-epistemológica 
comportamentalista de Skinner, parece necessário contextualizá-la e considerá-la no 
âmbito de finalidades e características de uma ciência suigeneris como a sua Análise 
do Comportamento.
É nesse cenário que Skinner escreve vários artigos desde a conclusão de sua tese 
de doutorado (1930/31) até a publicação de seu primeiro livro (1938). Neste, aparecem 
alguns conceitos que serão mais adiante retocados ou abandonados por ele (drive 
e força do reflexo são exemplos memoráveis). No entanto, embora seja possível 
polemizar frequentemente sobre algumas formulações fundamentais de Skinner (as
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noções de comportamento, cultura e sobrevivência da cultura, por exemplo), é notável 
a consistência interna dos princípios básicos (propriamente derivados de uma análise 
experimental) entre si e destes em relação a conceitos desenvolvidos indiretamente 
com auxílio de reflexões teóricas (como em Verbal Behavior, 1957).
Essa coerência conceitual-experimental majoritária em Skinner adquire uma 
importância adicional quando se considera que sua obra não deriva, simplesmente, 
de mero somatório de influências múltiplas de outros pensadores na história da 
Ciência. Resulta, diferentemente, de uma articulação profícua e rigorosa, durante 
aproximadamente 60 anos de trabalho (1930-1990), das relações entre pesquisa 
empírica e desenvolvimento teórico, o que, na metade final desse período, já suscitava 
o interesse e dedicação adicionais de muitos pesquisadores sensibilizados com os 
prognósticos de um promissor futuro para a Análise do Comportamento.
O cenário em que se revela a importância da obra skinneriana, portanto, tem 
características únicas, especialmente no âmbito da Psicologia. Diferencia-se em 
relação a outras (relevantes) abordagens, justamente, por fazer avançar suas bases 
para além de uma estrita tarefa conceituai ou de uma descontextualizada tarefa 
experimental, reunindo-as sob acurada análise de coerência e compatibilidades.
Terá sido em parte por essas razões que Skinner, ao ser apontado nos anos 
quarenta como ateórico e anti-teórico, esclarece, pacientemente, em artigo de 1950 
{Are theories oflearning necessary?), as exatas condições sob as quais admitirá "teorizar". 
Como explicitamos em outra ocasião:
Skinner inicialmente recupera alguns conceitos acerca da questão para 
explicar que o termo teoria a que se refere [e desaprova em suas críticas] é 
o que inclui em seu significado a explicação de um fato observado com 
apelo a ações que ocorrem noutro lugar, noutro nível de observação e cuja 
mensuração se faz em conformidade com outras dimensões que não as 
derivadas da própria situação e do próprio comportamento envolvidos. É 
essencialmente a esse tipo de teoria que ele faz as restrições que justificam 
o título de seu controvertido artigo. É nessa perspectiva que Skinner objeta a 
três tipos de teorias: as neurofisiológicas, as mentalistas e as conceituais que, 
respectivamente, ou (1) apelam à explicação do comportamento com base 
numa concepção não empírica de funcionamento do sistema nervoso central, 
ou (2) fazem referência a causas do comportamento localizadas na mente (para 
ele um constructo hipotético constantemente associado a razões teleológicas
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para o comportamento) ou, finalmente, (3) movem-se num campo onde não 
há fatos observáveis diretamente.
(Carrara, 1994, p. 43)
Já nessa época, as objeções de Skinner sinalizam sua segurança em relação à 
possibilidade de consolidar sua proposta conceituai em bases que não aceitavam o 
apelo a estruturas hipotéticas destinadas à explicação das atividades dos organismos 
em suas interações com o ambiente. Nesse aspecto, o Behaviorismo Radical enseja 
um conjunto de pressupostos, de regramento lógico e de condições sine qua non 
ao projeto empírico da Análise do Comportamento que, embora possam vir a ser 
remodelados por esta, não os distorce, deles não desvia, não infringe regras no 
âmbito da filosofia de ciência escolhida. O liame entre filosofia de ciência e ciência 
é claro o suficiente para garantir consistência interna entre o que explicar e como 
fazê-lo. O que explicar não é o comportamento (no sentido rigoroso de que não 
propõe uma ciência do comportamento, mas uma ciência interessada nas relações 
entre organismo e ambiente). Todavia, explicar necessita uma sistematização 
que, embora orientada filosófica e teoricamente, só pode ser construída e 
testada empiricamente. Para tal, o experimento é a escolha típica da Análise do 
Comportamento skinneriana. Mas o que revelam os experimentos? Uma resposta 
à tradicional pergunta sobre "o que é"ou "por que existe"certo fenômeno natural? 
Skinner segue lógica diversa e opta, coerentemente, pela alternativa dada pela 
questão sobre "como" ocorrem os fatos (transformados metodologicamente em 
variáveis) e compreende, com Mach, que descrevê-los nas suas relações é a mais 
legítima estratégia para responder a tal pergunta.
Consolidar a lógica e as estratégias de desenvolvimento que lhe seriam 
correspondentes não constituiu, certamente, uma história linear, razão pela qual 
Skinner é recorrente, em toda a sua obra, na discussão de vários conceitos que segue 
formulando, incluindo o de comportamento (1938, p. 6 e ss.). Isso se dá não somente 
porque o escopo temático é complexo, mas porque a comunidade de analistas 
se amplia e há uma crescente retroação discursivo-explicativa sobre os conceitos 
emitidos por Skinner. Além disso, e sobretudo, porque ciência não consiste em 
mero acúmulo indiscriminado de achados, mas em acúmulo que ora descarta, ora 
incorpora novos princípios e resultados empíricos.
Assim, não há drástica ou grave incoerência, por exemplo, quando nosso autor 
pontua inicialmente os conceitos de drive e força do reflexo e, mais tarde, praticamente
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os abandone. 0 pesquisador, via de regra, vê-se à frente de questões para as quais 
utiliza a lógica explicativa, cuja tradição conviveu ou tem convivido academicamente. 
Só o tempo e a experiência proporcionam confrontos com a descoberta acidental e 
com aquelas decorrentes do esforço de estudo intenso das relações funcionais entre 
fenômenos por vezes tão aparentemente complexos.
Não há, também, que se argumentar sobre as possíveis "falhas conceituais” 
de Skinner ao longo da construção de seu edifício teórico. Por exemplo, aos que 
minuciosamente procuram diminuir a importância do autor porque ele teria 
tido uma compreensão distorcida do fenômeno da deriva continental (quando 
da explicação da evolução das espécies), resta o convite para que, a despeito das 
distorções interpretativas que incidentalmente se apresentem no caminho agreste 
do fazer científico, reflitam parcimoniosamente sobre a relevância do conjunto da 
obra e suas contribuições para a compreensão do mundo fenomênico. Skinner teria 
se equivocado (à luz das explicações contemporâneas sobre a evolução das espécies) 
em relação a uma precisa e desejável elaboração dos seus três "níveis” de variação 
e seleção, que suscitam a aparência de processos entre si distintos. Além disso, é 
certo que deixou lacunas diversas sobre a lógica de articulação entre a ontogenia do 
operante e as transmissões filogenética e cultural. No entanto, a meu ver, conquanto 
a parceria com a biologia evolutiva possa contribuir para novas modulações teóricas 
e ajustes de precisão conceituai, seria seguramente injusto diminuir a contribuição 
de Skinner em função desses e outros episódios incidentais tão comuns nas nossas 
reflexões em busca de conhecimento confiável. A importância de Skinner, como de 
Pavlov, Mach e Watson, segue para muito além de seus conhecimentos substantivos 
sobre certos meandros do fazer científico, do mesmo modo que transcende (como no 
caso de Malinowski) uma avaliação simplesmente idiossincrática (em contraposição 
a histórica) de valores ético-morais adotados por muitos dos mais importantes 
personagens da ciência e da filosofia.
Isto posto, seguimos para um arbitrário rol e um aligeirado e superficial conjunto 
de comentários sobre os ingredientes essenciais da Análise do Comportamento 
como ciência estabelecida com apoio nos pressupostos do Behaviorismo Radical. 
0 objetivo é justamente este: identificar os princípios e pressupostos centrais e 
imprescindíveis que agregam a proposta skinneriana. Os pormenores de tal proposta 
já não pertencem mais unicamente a Skinner, mas a seus contemporâneos e ao 
domínio público, de modo que podem, hoje, ser consultados em milhares de artigos 
de seus comentadores.
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Convicções irrenunciáveis
Está próximo do possível poder aquilatar com relativa segurança alguns 
enunciados, princípios, pressupostos, talvez certos cânones da obra skinneriana. 
Escolhemos dez, embora seja possível expandi-los para centenas ou reduzi- 
los radicalmente a apenas um (por exemplo, a seleção pelas consequências), a 
depender de nossas finalidades. Serão eles examinados (superficialmente) na 
sequência. Para Skinner:
1. Torna-se crucial que uma ciência do comportamento interessada em mudar 
o leme da história da Psicologia, conduzindo-a ao âmbito das ciências 
naturais, considere o determinismo como pano de fundo para inserção de 
sentenças afirmativas sobre a maneira pela qual se podem explicar fatos da 
natureza humana. Skinner toma o cuidado de que esse determinismo seja 
probabilístico e não outro qualquer. Vez que lidará com o mundo empírico do 
comportamento e do ambiente, o autor adota o pressuposto de um cenário 
indizível mediante verdades absolutas. O probabilismo, especialmente no que 
respeita às formulações conceituais derivadas da experimentação, é um dos 
fatores de correção para o que antes se buscava enquanto realidade das ações 
humanas explicada em razão de estruturas (quer físicas ou conceituais, porém 
sempre intraorganísmicas) postuladas até o início do século XX. Aduz-se a essa 
lógica a consideração de que a dimensão substantiva do empírico se restringe 
apenas à condição monista e acrescenta-se igualmente a ela a compreensão 
de que as explicações buscadas excluem certas formulações hipotéticas 
(mente, intencionalidade, propósito) e privilegiam observação direta (embora 
não se excluam os estudos teóricos) de relações funcionais entre variáveis.
2. Restaura a introspecção não como método, procedimento ou estratégia de 
investigação, mas como forma de reconhecer o mundo privado das atividades 
humanas, colocando-as no mesmo patamar de funcionalidade em que 
situou o operante e as demais modalidades de comportamento aberto. Em 
1945, no Simpósio sobre Operacionismo (Skinner, 1945a; 1945b) ele próprio 
nomeia a
diferença contundente do seu Behaviorismo Radical em relação ao 
Behaviorismo Metodológico atribuído a Edwin G. Boring e Stanley S. Stevens. 
Embora faça ressalvas quanto ao status de dado científico atribuído aos 
relatos verbais, reconhece-os como fonte que pode levar a um conhecimento 
aproximado (literalmente, uma abordagem) do pensar e dos repertórios
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comportamentais sob domínio das pessoas (não como algo "depositado" em 
um arquivo mnemónico, mas como alterações na forma com que o corpo 
responde a mudanças do ambiente que atuaram e funcionaram como alguma 
consequência efetiva nas ações dos indivíduos).
3. Ocupa-se de manter aberta uma janela de discussões sobre vários dos 
conceitos que propõe, dentre eles o de comportamento, proposto sobre 
bases relacionais desde 1938. Nesse sentido, a Análise do Comportamento 
não se constitui pautada pela finalidade de estudar o comportamento em si 
(seja como evento, atributo ou, ainda menos, objeto físico que se aloja nas 
entranhas de um sistema nervoso complexo), mas o comportamento no 
âmbito das relações entre o organismo e seu ambiente. O caráter aberto 
das formulações skinnerianas, contudo, não pode ser entendido como um 
sinal de fragilidade do sistema, porque há uma característica inalienável 
na evolução do Behaviorismo Radical e da Análise do Comportamento, 
compreendida pelo estilo de elaboração, desenvolvimento e consolidação 
de conhecimento seguro nessa seara. Skinner se comprometeu, no início de 
sua carreira, a verticalizar inicialmente estudos experimentais para, só depois, 
arriscar-se em discussões teóricas e desdobramentos conceituais complexos 
e, adicionalmente, retardar aplicações dos seus achados. Naturalmente, a 
história revela que nem sempre isso se pôde cumprir, uma vez que, via de 
regra, grandes e inevitáveis debates, seja na comunidade científica ou na 
imprensa, exigiram respostas decisivas do autor.
4. Sob esses pressupostos, talvez a pedra angular de sua obra se constitua no 
processo de seleção pelas consequências, que para alguns é limitadamente 
descrito em seu artigo de 1981. No entanto, ali, com um texto telegráfico, 
mas correto, Skinner explicita a essência dos conceitos de contingências de 
reforçamento (em metáfora que inclui as quatro operações fundamentais 
da consequenciação) e de sobrevivência. Herança parcial de Darwin, a 
seleção pelas consequências inclui a dimensão ontogênica do operante, 
que Skinner considera um "retrato" pormenorizado do que acontece em 
milhares de anos de evolução filogenética e em dezenas de anos de evolução 
cultural. O que há de novo e importante na proposta do operante sob essa 
perspectiva é justamente a possibilidade de que as atividades humanas não 
sejam mais "explicadas" em termos de dimensões iniciadoras demarcadas 
por uma mente impalpável, mas por relações com o ambiente que podem
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ser claramente descritas e mensuradas. Incidentalmente, o fato de que 
Skinner tenha escolhido o delineamento de sujeito único (com status que 
permita replicações) não pode ser entendido, sequer por analistas, como 
uma característica distintiva que identifica os profissionais da área. A escolha 
do tipo de delineamento não torna ninguém um analista. Skinner fez essa 
escolha, certamente (como ele próprio informa), pelo fato de que as medidas 
de tendência central (as médias, modas, medianas) dizem pouco ou quase 
nada sobre o comportamento individual. Também a fez em função de que o 
indivíduo que mais se parece consigo mesmo é o próprio indivíduo e, nesse 
sentido, compará-lo a partir de condições anteriores e posteriores à introdução 
de algum procedimento fornece medidas bastante precisas sobre os efeitos 
de variáveis independentes a serem avaliadas. Adicionalmente, note-se que 
Skinner aponta uma justa e oportuna conveniência para escolher organismos 
simples e criar um aparato experimental razoavelmente livre de muitas das 
variáveis estranhas disponíveis no ambiente natural. Fosse Skinner buscar o 
desenvolvimento de todos os princípios que produziu experimentalmente 
mediante pesquisas em situação natural, é provável que não tivesse 
produzido um décimo do que conseguiu, seja sozinho ou em colaboração 
com Ferster (1957) e tantos outros. Para exemplificar, vez mais, que a essência 
da proposta de Skinner não está, evidentemente no modelo de delineamento 
que prioritariamente se adota, basta buscar em periódicos qualificados, como 
JABA e JEAB, experimentos realizados por analistas usando outros formatos 
de procedimentos de pesquisa, que incluem o uso de estatística inferencial 
para análise de dados. O que Skinner traz, bastante mais relevante que uma 
forma econômica e funcional de pesquisar, é uma lógica central subjacente 
e aplicável a quaisquer instâncias onde comportamento e ambiente estejam 
ligados por um nexo designado como relações funcionais. Compreender e 
exercer atividades sob essa compreensão lógica da natureza é o que torna o 
profissional um analista do comportamento.
5. A esse cenário contextualizador de sua obra, Skinner acrescenta outras 
tonalidades. Dentre elas, sua convicção de que uma ciência do comportamento 
tal como a que propõe deve estar baseada em alguma viabilidade funcional. 
Aos poucos, a aplicabilidade dos princípios que formula vai se tornando mais 
reconhecida (embora jamais tacitamente aceita), de modo que o autor declara 
compartilhar com a escolha ética de uma ciência que não apenas descreva
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regularidades, mas que permita certo otimismo quanto à resolução de 
questões relevantes tanto na dimensão clínica individual quanto na dimensão 
cultural que afeta comunidades inteiras. Assume, assim, um pragmatismo 
moderado, embora a ideia do successful working aparentemente o torne 
desconfortável diante da lentidão de mudanças sociais por ele esperadas com 
maior celeridade e apontadas em várias entrevistas. Tem sido informalmente 
sugerido, em contrapartida, que a Análise do Comportamento se apresenta 
como uma ciência otimista (ou "para cima", como por vezes se veicula), 
em contrapartida a uma ciência psicológica "do conflito", que partiria de 
pressupostos frequentemente apoiados em variáveis individuais ou coletivas 
que caracterizariam um mal-estar inerente à vida social a ser superado com 
necessário sofrimento. Todavia, tais ponderações não parecem se apoiar em 
quaisquer dados concretos, senão em impressões ou vieses fortuitos.
6 . Demarcados seus principais pressupostos, Skinner inscreve no cenário central 
de sua obra, em construção ágil, o que se conhece por princípios básicos da 
análise comportamental (são 60 anos de publicações, o que até mesmo pode 
ser considerado um período curtode tempo-não para a pessoa do pesquisador 
- quando se estima a vida de uma nova ciência; nesse período, consistente 
e ampla construção de conhecimento foi alcançada, fundamentalmente por 
conta da sólida formação de Skinner e de suas características de excelente 
planejador experimental). Por Skinner (1935; 1937), acordada com Jerzy 
Konorski e Stefan Miller, surge a confirmação da existência de um novo tipo 
de condicionamento além do respondente. O operante é revelado e passa a 
ser o foco principal das investigações do autor. Experimentação é cabalmente 
a vida científica de Skinner nesse momento, culminando com a publicação 
do denso Schedules of Reinforcement (1957), com Charles B. Ferster. O texto 
revela em minúcias as manipulações diferenciais dos dois pesquisadores em 
relação às variáveis
de tempo e frequência de ocorrência como decisivamente 
influentes na caracterização dos esquemas de reforçamento em intervalo 
e razão, fixo ou variável. Reconhecer e descrever os inúmeros esquemas, 
compreender de que maneira a privação e outras operações antecedentes 
alteram a probabilidade do responder e examinar criteriosamente os diversos 
procedimentos de extinção passam a ser tarefas imprescindíveis rumo à 
consolidação da Análise do Comportamento enquanto sistema em busca de
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respostas para os principais quesitos da funcionalidade das relações entre 
comportamento e ambiente.
7. A essa altura, a seminal constituição do paradigma (stricto sensu) da 
contingência de três termos já se tornara mais um dentre os mais caros 
conceitos sobejamente testados em situação experimental. Sob condições 
antecedentes (contextuais) específicas, uma resposta é seguida por alguma 
consequência. A mudança que suas similares futuras eventualmente exibem 
sinaliza o tipo de consequência recebida, dentre aquelas tipicamente possíveis 
no quadrante dos procedimentos de reforçamento positivo e negativo e 
punição por apresentação de reforço negativo ou retirada de reforço positivo. O 
repertório alterado do organismo que se comporta diante de um dos múltiplos 
arranjos possíveis dessas condições é avaliado em termos de um continuum 
(generalização-discriminação), cuja racional é aplicada a inúmeras situações 
da vida cotidiana, independentemente de qual espécie de organismo vivo 
ali esteja e corroborando as características comportamentais em situações 
parecidas ou diferentes daquelas em que se instalou a resposta original.
8. Em diversas passagens, inclusive naquelas que dizem respeito à preservação e 
generalidade aplicativa do paradigma da contingência de três termos, Skinner 
assevera que não lhe parecia necessária a criação de novos conceitos no 
âmbito de seu sistema. De fato, em seus exercícios de análise de questões 
sociais várias e das agências de controle, de modo geral, o autor dá conta, 
com muita competência, da descrição funcional das práticas culturais típicas 
de seu tempo (Skinner, 1953).
9. Permeou a evolução dos conceitos essenciais uma série de outros agora 
consolidados: modelagem ou reforçamento diferencial por aproximações 
sucessivas, modelação, noção de cultura sob o viés comportamental, práticas 
culturais, planejamento ou delineamento cultural, comportamento social, 
comportamento verbal (mando, tacto, intraverbal, autoclítico, etc.) e inúmeros 
outros. Os achados e princípios derivados do ramo central da obra de Skinner 
podem ser localizados a partir de listas de referência como as de Carrara (1992) 
e Epstein (1995).
10. O Behaviorismo Radical e a Análise do Comportamento, portanto, se por um 
lado derivam a experiência de seu proponente principal em parte da influência 
de sólida literatura por este absorvida, por outro lhe devem tributo por duas
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virtudes especiais: sua competência como exímio pesquisador experimental; 
sua capacidade como intelectual consistente e seguro da sistematização que 
deu ao conjunto de conceitos que torna completo e coerente o nexo entre 
filosofia de ciência e a própria ciência comportamentalista.
Como se pode notar, Skinner construiu um legado considerável, a respeito do qual 
se pode manter dissensões profundasou compartilhamento teoricamente sustentável. 
Todavia, se por um lado concordâncias ou discordâncias são perfeitamente possíveis 
e naturais, parece inadmissível ignorar Skinner como um dos relevantes artífices da 
Psicologia como ciência.
Referências
Carrara, K. (1992). Acesso a Skinner pela sua própria obra: publicações de 1930 a 1990. 
Didática, 28 ,195-212.
Carrara, K. (1994). Implicações dos conceitos de teoria e pesquisa na Análise do 
Comportamento. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 100), 41 -47.
Epstein, R. (1995). An updated bibliography of B. F. Skinner's works. In J. T. Todd & E. 
K. Morris (Eds.), Modern perspectives on B. F. Skinner and contemporary behaviorism. 
Westport: Greenwood Press.
Ferster, C. B.( & Skinner, B. F. (1957). Schedules of reinforcement. New York: Appleton- 
Century-Crofts.
Keller, F. S., & Schoenfeld, W. N. (1950). Principles of psychology: A systematic text in the 
science of behavior. New York: Appleton-Century-Crofts.
Skinner, B. F. (1935). Two types of conditioned reflex and a pseudo type. Journal of 
General Psychology, 12,66-77.
Skinner, B. F. (1937). Two types of conditioned reflex: a reply to Konorski and Miller. 
Journal of General Psychology, 16, 272-279.
Skinner, B. F. (1938). The behavior of organisms: An experimental analysis. New York: 
Appleton-Century-Crofts.
Skinner, B. F. (1945a) The operational analysis of psychological terms. Psychological 
Review, 52, 270-277.
Skinner, B. F. (1945b). Rejoinders and second thoughts. Psychological Review, 52, 291- 
294.
Skinner, B. F. (1950). Are theories of learning necessary? Psychological Review, 57(4), 
193-216.
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Skinner, B. F. (1953). Science and human behavior. New York: MacMillan. 
Skinner, B. F. (1957). Verbal behavior. New York: Appleton-Century Crofts. 
Skinner, B. F. (1981). Selection by consequences. Science, 273(4507), 501-504.
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2 I. M . . SECHENOV (1829-1905) E OS 
"REFLEXOS DO CÉREBRO"1
Isaias Pessotti
1 Capítulo publicado originalmente no livro Pré-história do condicionamento. São Paulo: Hucitec-Edusp, 
1976.
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Em 1849, ano do nascimento de Ivan Pavlov, morria um importante especialista 
em fisiologia experimental, Alexei M. Filomafitsky, cujo nome está ligado à história de 
Pavlov por três motivos: a) por ter sido professor de Rabbi A. Bossov, autor da primeira 
fístula estomacal, isto é, da primeira abertura feita no estômago de um animal para 
observar in vivo processos fisiológicos em curso; b) por ter sido professor de Evgueni 
S. Botkine, companheiro de pesquisas de Ivan M. Sechenov em Paris e o primeiro 
a oferecer um trabalho "permanente" a Pavlov; c) por ter sido contemporâneo de 
Orlovsky e de Inotzentzev, especialistas em atividades tróficas do sistema nervoso, 
que convidaram Sechenov a participar de seus programas de pesquisas em fisiologia 
nervosa. O primeiro trabalho publicado por Sechenov foi executado na clínica de 
Inotzentzev.
Quando Filomafitsky morreu, Sechenov, nascido na antiga província de Simbirsk 
(hoje Ulyanovsk) em 1829, tinha vinte anos e estava procurando seu caminho, 
primeiro como militar na Escola de Engenharia Militar de Petrogrado e, depois, como 
aluno da Faculdade de Medicina da Universidade de Moscou.
Tendo-se diplomado, aos trinta anos de idade, Sechenov pôs-se a viajar pela 
Europa em companhia de dois famosos personagens do tempo: o compositor 
Aleksandr P. Borodin, autor de Príncipe Igor, e o químico Dmitri I. Mendeleiev (futuro 
mestre de Pavlov que, nesse tempo, tinha apenas sete anos e estudava russo com 
uma senhora "exigente"de Riazan).
Em 1860, foi publicada a tese de Sechenov com o título Dados para a Futura 
Fisiologia da Intoxicação Alcoólica. Nesse trabalho, seu pensamento já começa
a 
maturar-se ao redor da ideia de uma fisiologia que explique o funcionamento do 
organismo como parte de uma unidade maior, incluindo o próprio organismo e as 
forças ambientais que operam sobre ele (Sechenov, 1860/1960a).
Esse princípio ficou formulado mais claramente no ano seguinte, na sua Primeira 
Aula publicada pela Meditzinsky Vestnik (1861/1960b):"O organismo não pode existir 
sem o ambiente externo que o mantém; por consequência, uma definição científica 
do organismo deveria incluir também o ambiente que atua sobre ele" (p. 242).
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Os ulteriores efeitos dessa ideia se encontrarão mais abertamente na idealização, 
por parte de Pavlov, do “método crônico" para o estudo da fisiologia da digestão, 
como veremos adiante.
Koshtoyants (1956/1960), em uma biografia de Sechenov, afirma: "este postulado 
está na base de suas descobertas em fisiologia. Em todos os seus experimentos, ele 
partia do pressuposto da decisiva importância da percepção dos estímulos externos, 
através de elementos sensoriais definidos, para a atividade reflexa do sistema nervoso 
central" (p.11).
Em 1856, Sechenov realizou novas descobertas no famoso laboratório de Claude 
Bernard em Paris, onde, além de se beneficiar da valiosa influência deste, entrou em 
contato com Botkine; os dois cientistas exerceram, com o seu empenho experimental, 
uma influência decisiva nas atividades futuras de Sechenov.
Nesse tempo, o livro de Spencer 4s BGses do Psicologia (julho de 1855) já havia 
sido publicado e suas ideias sobre as relações entre evolução e origem da faculdade 
psíquica impressionaram Sechenov (Frolov, 1937/1965).
Em 1862, ele voltou ao laboratório de Claude Bernard, três anos após a publicação 
revolucionária de Darwin /I Origem das Espécies. Nessa segunda estadia em Paris, 
estudou os centros nervosos que inibem os movimentos reflexos.
É nesse período que Sechenov descobre a inibição de determinados movimentos 
reflexos em rãs espinais com a aplicação de cristais de sal ou corrente elétrica no 
cérebro médio. É a partir desses estudos, da influência de Claude Bernard, Hermann 
Helmholtz e Botkine, da leitura de Darwin e do conhecimento dos escritos de John 
Locke, ao qual o seu trabalho se refere mais de uma vez, que Sechenov dá forma à sua 
publicação de 1863: Os Reflexos do Cérebro (Sechenov, 1863/1960c).
Locke, já em 1690, no seu An Essay Concerning Eluman Understanding, havia 
formulado o princípio das "associações" para explicar uma extrema variedade de 
comportamentos nos quais, ainda que não expressa como princípio de aprendizagem, 
encontra-se já a substituição dos estímulos como origem de gostos, desgostos, desejos 
e outros aspectos constitutivos da assim dita "vida psíquica" (Locke, 1690/1948).
O primeiro título do trabalho de Sechenov, mais adaptado ao seu estilo de 
pesquisa e de vida e substituído por exigência da censura governamental, era: 
Uma Tentativa de Estabelecer as Bases Fisiológicas dos Processos Psíquicos. Esse título 
mostra que Sechenov, longe da Rússia por vários anos e todo compenetrado nas 
suas pesquisas, não tinha calculado quanto de provocação continha sua obra para a
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igreja-estado russa de então, e quanto era difícil opor-se à doutrina oficial da época 
que considerava a alma como princípio único para explicação da "vida psíquica".
Nessa época, o número de cientistas expulsos do país era considerável; as 
agitações populares contra o estado czarista eram frequentes e o controle das 
publicações tornou-se, como consequência, mais severo. Daí surgiu, para Sechenov, 
uma notável dificuldade para divulgar as ideias que desejava "comunicar ao mundo".
A censura estatal, na verdade, impôs não somente que o título da publicação 
fosse trocado, mas também que fosse impressa como parte de uma revista médica 
especializada e, portanto, não acessível ao povo, em forma de livro barato, conforme 
era intenção do autor.
O trabalho foi publicado em fascículos semanais na Meditzinsky Vestnik, com 
o título Os Reflexos do Cérebro, no ano de 1863. Mais tarde, apareceu em um único 
volume, em 1866, e se atinha na forma de exposição ao Discurso Sobre o Método, de 
René Descartes (Frolov, 1937/1965). O trabalho versava sobre pesquisas e estudos 
feitos por Sechenov já em 1860 e expostos na sua tese de doutoramento sobre a qual 
comentou:
A dissertação que eu escrevi para o meu doutorado em 1860 continha as 
seguintes duas teses: 'Todos os movimentos conhecidos em fisiologia como 
movimentos voluntários são movimentos reflexos no sentido estrito da palavra', 
e 'o aspecto mais geral da atividade normal do cérebro (expressa em forma 
de movimento) é a desproporção entre a excitação e o efeito (movimento) 
gerado por ela. A primeira destas duas teses é bastante clara e a outra requer 
alguma explicação. Na falta de qualquer influência do cérebro, as estimulações 
sensoriais e os movimentos reflexos provocados por elas, correspondem 
um ao outro quanto à intensidade, ou seja, estimulações suaves provocam 
movimentos débeis e vice-versa. Todavia, dada a influência do cérebro, tal 
conformidade não se observa: uma fraca estimulação pode provocar um 
movimento muito forte (por exemplo, todo o corpo que se agita por causa 
de um pequeno golpe) e, inversamente, um estímulo muito forte pode não 
provocar nenhum movimento (como no caso de um indivíduo que, por causa 
de um grande medo, fica imóvel). (Sechenov, 1860/1960a, p. 579)
Em outro texto, continuou Sechenov:
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Se a isso se acrescenta que, nesse tempo, eu preparava minha dissertação 
e podia não ter presente os três elementos que compreendem os outros 
reflexos, não obstante o significado psicológico dos elementos intermediários 
dos atos que terminam em movimentos voluntários, aparece claro que a 
ideia de determinar o substrato fisiológico dos fenômenos psíquicos no que 
concerne ao mecanismo da sua formação veio-me à mente já no tempo de 
minha permanência no exterior. Não há dúvida de que conceitos deste gênero 
amadureciam na minha mente também durante a minha estadia em Paris, 
porque lá eu estava ocupado em experiências que envolviam diretamente atos 
de consciência e de vontade. (Sechenov, 1945/1952, p. 113)
O conceito principal do livro de Sechenov era que a "vida psíquica"e a psiquê não 
são independentes do corpo, mas somente uma função do sistema nervoso central, 
principalmente do cérebro.
O plano geral do livro procurava demonstrar que a "vida psíquica" não era senão 
um arco reflexo muito complexo, compreendendo estimulações, processos centrais 
e efetuação de respostas.
Sechenov sustenta que todas as atividades (voluntárias ou não) dos organismos, 
não são senão movimentos musculares de respostas, independentemente do 
"conteúdo psíquico"que os acompanha. Assim, por exemplo,
(...) o sorriso de uma criança ao contemplar um brinquedo, ou o sorriso de 
Garibaldi, quando perseguido pelo excessivo amor à sua pátria, ou o tremor de 
uma donzela ao primeiro pensamento de amor, ou ainda Newton ao idealizar 
as suas leis universais e ao escrevê-las sobre as folhas, o fato último é, em todos 
os casos, o movimento muscular. (Sechenov, 1863/1960c)
Doutra parte, todas essas respostas musculares são os
resultados finais de 
processos nervosos centrais que, por sua vez, têm origem nos órgãos sensoriais. 
Portanto, todas as atividades humanas têm início em ocorrências percebidas pelos 
órgãos dos sentidos e as mesmas atividades cerebrais têm, por sua vez, a sua origem 
na estimulação de receptores internos ou externos.
No campo da fisiologia dos órgãos sensitivos, Sechenov se valia da sua grande 
experiência adquirida com a ajuda de Helmholtz, por ele definido como "o maior 
fisiologista deste século", referindo-se à sua obra de óptica fisiológica. Não somente
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sensações simples dão origem ao arco reflexo que corresponde aos atos psíquicos, 
mas também associações de sensações produzidas por diversos receptores. Frolov 
(1937/1965) afirma, referindo-se a esse ponto:
Sechenov prestou um imenso serviço à ciência com a sua teoria sobre o 
funcionamento da atividade associada dos órgãos sensoriais, na formação 
dos assim chamados conceitos superiores de espaço e de tempo, sob a forma 
de particulares estímulos complexos, dado que muitos sentidos participam 
contemporaneamente na formação de tais reações, (p. 13)
Além da influência de Helmholtz, nota-se também a de Locke, que aparece 
nitidamente na afirmação de que não existe pensamento ou emoção que não 
derive de uma estimulação sensorial (de órgãos receptores). Assim, o pensamento 
e a emoção são os processos intermediários entre as estimulações sensoriais e os 
movimentos musculares de efetuação motora ou verbal.
Sechenov desenvolve brilhantemente as primeiras duas partes do seu modelo, 
isto é, a ilustração da natureza muscular dos comportamentos que revelam a "vida 
psíquica"e a lúcida exposição da origem sensorial de pensamentos e emoções. No que 
interessa ao terceiro problema, ou seja, a explicação do pensamento e das emoções 
como processos intermediários entre as sensações e as respostas musculares, a 
segurança de Sechenov é menor, seja porque somente alguns anos mais tarde Pavlov 
demonstrará experimentalmente a atividade reflexa do córtex cerebral, ou também 
porque, como faz notar Frolov (1937/1965), as pesquisas de Sechenov se "apoiavam 
sobre bases metodológicas ainda muito incertas".
Contudo, a solução teórica de Sechenov é digna de admiração, dada a clareza com 
que é formulada: a emoção seria um processo de excitação da atividade muscular, 
enquanto o pensamento seria um processo de inibição de algumas atividades. Esse 
esquema teórico inclui dois princípios desenvolvidos precedentemente pelo mesmo 
Sechenov: a inibição do córtex e os "traços ocultos de estímulos" (Frolov, 1937/1965).
A solução, muito avançada, não foi, todavia, construída de todo especulativamente, 
porque, algum tempo antes, no laboratório de Claude Bernard, Sechenov se dedicara 
a estudos sobre a atividade dos centros nervosos, principalmente daqueles que 
inibem os movimentos reflexos. Com efeito, Sechenov, em 1863 "descobriu (...) um 
fato novo sobre a atividade cerebral dos animais, a inibição de certos movimentos 
reflexos (...) a assim chamada inibição central" (Frolov, 1937/1965).
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O pensamento é justamente um processo central que priva o arco reflexo da 
sua parte final. O pensamento corresponde, então, a um "reflexo inibido", como diz 
Frolov. Mas a vida psíquica não se refere somente à inibição dos reflexos originários de 
sensações imediatas:"Não se deve subestimar, com efeito, a excepcional contribuição 
de Sechenov por haver trazido à luz os assim chamados troços ocultos de estímulo nas 
regiões superiores do sistema nervoso humano" (Frolov, 1937/1965). Continuando 
com Frolov (1937/1965): "Sechenov considerava esses traços como um fator que 
regula o nosso sistema superior do reflexo (ele interpretava neste modo toda a 
vida psíquica humana) em um mesmo nível com os estímulos externos efetivos e 
concretos" (p. 13). Essa afirmação amplia muito o esquema de Sechenov, porque 
permite explicar também as respostas motoras ou verbais não correlacionadas a uma 
particular excitação presente em qualquer órgão sensorial.
No seu trabalho de 1878, publicado na Vestnik Evropy, sob o título Os Elementos do 
Pensamento, Sechenov dedica cerca de 150 páginas a analisar o pensamento como 
processo do sistema nervoso central, intermediário entre a sensação (imediata ou sob 
a forma de troços de estímulo) e o efeito motor ou verbal submetido a processos de 
inibição mais ou menos duráveis (Sechenov, 1878/1960d).
O que expusemos não tem o escopo de resumir os conceitos fundamentais de Os 
Reflexos do Cérebro, mas quer simplesmente sublinhar como Sechenov via no reflexo 
uma unidade mínima de comportamento, válida ao mesmo tempo como unidade de 
análise experimental e como instrumento metodológico para explicar unidades de 
comportamento mais complexas. Ele mesmo, reconhecendo quanto de hipotético 
sua obra ainda contivesse, não quis descuidar das vantagens metodológicas que 
implicava, como também as sugestivas possibilidades de controle experimental das 
hipóteses propostas.
Deixemos o próprio Sechenov (1863/1960c) resumir os conceitos do seu trabalho:
Em todo caso, por ocasião do meu retomo de Paris a Petrogrado, estas ideias 
tomaram forma nas seguintes proposições, em parte provadas e em parte 
hipotéticas: em sua vida consciente ou inconsciente de todo o dia, o homem 
jamais é livre das influências sensoriais devidas ao ambiente e levadas a ele 
através dos seus órgãos sensoriais, e nem mesmo das sensações que partem do 
seu próprio organismo (os seus próprios sentimentos); são estes os fatores que 
mantêm íntegra a sua vida psíquica com todas as respectivas manifestações 
motoras, pois a vida psíquica não é concebível quando os sentidos estão
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perdidos (esta observação foi confirmada faz vinte anos, através da observação, 
em casos muito raros, de pacientes que haviam perdido quase todos os seus 
sentidos), (p. 580)
Nesse trecho de Sechenov está resumida a sua teoria relativa à primeira parte do 
arco reflexo aplicado às atividades ditas psíquicas. O autor deixa entender claramente 
que o primeiro elemento do reflexo não é necessariamente a sensação produzida por 
estímulos externos; esses estímulos fazem disparar processos reflexos que terminam 
em movimentos; mas também os desejos funcionam como excitantes internos com 
respeito à vida psíquica.
Diz a propósito Sechenov (1863/1960c): "Assim como os movimentos do homem 
são determinados pelas indicações dos órgãos sensoriais, também o modo de 
comportar-se na sua vida psíquica é determinado por seus desejos e suas aspirações" 
(p. 580); e "O início do reflexo é sempre causado por uma certa influência sensorial 
externa; o mesmo se verifica, muitas vezes imperceptivelmente, em toda a nossa 
vida psíquica (dado que na ausência das influências sensoriais a vida psíquica é 
impossível)" (p. 580).
Quanto ao terceiro elemento do reflexo aplicado aos atos da vida psíquica, a 
efetuação final, mais ou menos manifesta, Sechenov (1863/1960c) não é menos claro:
Na maior parte dos casos, os reflexos terminam em movimentos: existem, 
porém, também reflexos que se concluem com a supressão do movimento; 
a mesma coisa se pode observar nos atos psíquicos: a maior parte deles se 
exterioriza através de manifestações mímicas e ações, mas, em muitíssimos 
casos a sua parte final é suprimida, com o resultado de que, em lugar de três 
elementos, o ato é representado somente por dois; o lado meditativo da vida 
tem,
portanto, esta forma. (p. 580)
Nessa passagem se resume não só a aguda intuição de Sechenov, mas também a 
sua preocupação em utilizar o reflexo como um instrumento de análise mais que de 
descrição da vida psíquica, por simples analogia com os movimentos reflexos.
Pode-se dizer, segundo a teoria acima descrita, que o pensamento é um reflexo 
inibido. Falta, porém, a explicação da emoção, outro processo intermediário entre a 
excitação e a resposta. Sechenov (1863/1960c) a explica do modo seguinte:
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As emoções são fundamentadas, direta ou indiretamente, sobre os assim ditos 
sentidos sistêmicos, que podem desenvolver-se em fortes desejos (sensações 
de fome, instintos de autopreservação, desejo sexual, etc.) e que são expressos 
em ações impetuosas; por esta razão esses podem ser incluídos na categoria 
dos reflexos com uma terminação intensificada, (p. 580)
As emoções são, portanto, também elas, uma "categoria de reflexos". Era necessário 
um perfeito conhecimento da fisiologia nervosa e uma boa dose de coragem para 
publicar essas ideias na Rússia de 1863, controlada atentamente pela igreja-estado 
czarista.
Como o primeiro título do trabalho, Uma Tentativa de Estabelecer as Bases 
Fisiológicas dos Processos Psíquicos, devia ser substituído por imposição do 
Departamento de Censura, Sechenov (1863/1960c) o trocou e declarou a respeito; 
"Assim eu troquei o título para Os Reflexos do Cérebro. Fui acusado de ser um 
involuntário propagador de imoralidade e de princípios de filosofia niilista"(p. 580). 
E ainda:
Os meus mais acérrimos opositores podem de fato acusar-me de afirmar que 
qualquer ação, independentemente do seu conteúdo, é pré-determinada pela 
natureza de um dado indivíduo; qualquer ação é causada por um determinado 
estímulo externo, por vezes insignificante; a ação em si mesma é inevitável 
e, sendo assim, também o pior criminoso não é responsável pelos seus atos.
Podem sustentar, ainda, que os meus ensinamentos dão caminho livre a 
atividades vergonhosas enquanto persuadem pessoas depravadas de que não 
são responsáveis por seus atos. (Sechenov, 1863/1960c, p. 580)
Muito mais tarde, Skinner (1955/1961), referindo-se a algumas declarações de 
Dean Acheson e outros opositores da análise experimental do comportamento, 
afirmará;
Isto não é outra coisa senão a remanescência da posição assumida por outras 
instituições empenhadas no controle dos homens, para as quais, determinadas 
formas de conhecimento são um mal em si mesmas. (...) Chegamos assim tão 
longe somente para concluir que pessoas bem intencionadas não podem
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estudar o comportamento humano sem se tomarem tiranos ou que pessoas 
informadas não podem dar prova de boa vontade? (p. 17)
Em outro trabalho, Skinner (1956) escreveu:
Se o advento de uma poderosa ciência do comportamento causa incômodo, 
isto não será devido a ser a ciência uma inimiga, em si mesma, do bem-estar 
humano, mas a que as velhas concepções não são facilmente superadas. Nós 
esperamos resistências à aplicação das novas técnicas de controle por parte 
daqueles que fizeram ingente investimento nas antigas, mas não temos razão 
nenhuma em ajudá-los a preservar uma série de princípios que não são fins em 
si mesmos, mas meios, já fora de moda, para um objetivo, (p. 32)
Não é, pois, de se estranhar que na Rússia czarista da segunda meta do século XIX, 
as afirmações de Sechenov sobre o determinismo do comportamento provocassem 
resistências.
Na sua autobiografia (1945/1952), Sechenov assim escreve:
Não havia necessidade alguma de discutir no meu tratado o problema do bem 
e do mal; o meu objetivo consistia em analisar as ações em geral e o meu ponto 
de vista era que, dadas determinadas condições, não só as ações, mas também 
a sua inibição são inevitáveis, e obedecem à lei da causa e do efeito. Seria isto 
uma apologia da imoralidade? (p. 116)
Após ter publicado a sua obra na revista semanal Meditzinsky Vestnik, em 1863, 
Sechenov foi denunciado perante o procurador local de censura. A denúncia, datada 
de 9 de junho de 1866, julga Os Reflexos do Cérebro deste modo:
Esta teoria materialista reduz até o que há de melhor nos homens ao nível 
de uma máquina privada de autoconsciência e de livre vontade e que age 
automaticamente. Esta teoria elimina o bem e o mal, a responsabilidade 
moral, o mérito das boas obras e a responsabilidade das más ações: arruina 
profundamente os alicerces morais da sociedade e, com a sua ação, tende 
a destruir a doutrina religiosa da existência ultraterrena; é uma teoria que
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contrasta com o Cristianismo e com o código penal e, por consequência, 
conduz à corrupção de toda moral. (p. 581)
A luta travada por Sechenov não foi inútil e são numerosos os grandes nomes 
da cultura e da ciência que reconheceram a grande influência recebida de sua obra. 
Entre eles estão llya I. Mechnikov, KlimentTmiriatzev, Nicolai E. Wedensky, Aleksandr 
F. Samoilov e, sobretudo, Ivã Petrovich Pavlov. Gellerstein (1960), numa nota de 
comentários sobre Os Reflexos do Cérebro, diz que a sua publicação teve um efeito 
formidável nos círculos progressistas da sociedade russa: "Tornou-se o manual das 
pessoas jovens nos anos que seguiram a 1866 (...) e foi assunto de vivas discussões; 
e enquanto conquistava muitos apreciadores, atraía a inimizade no ambiente dos 
idealistas reacionários"(p.581).
É nesse campo que Pavlov, por sua vez, encontrará as maiores resistências. Para 
esclarecer melhor o quanto a obra de Sechenov penetrou no campo da explicação 
do comportamento voluntário, a partir do conceito de reflexo, examinemos ainda 
alguns trechos de Os Reflexos do Cérebro:
O homem de elevados princípios (...) age como age somente porque é guiado 
por nobres princípios por ele adquiridos no decurso da vida; acostumado a tais 
princípios, ele não pode agir de outra maneira: a sua atividade é o resultado 
inevitável de tais princípios. (Sechenov, 1863/1960c, p. 136)
Esse exemplo poderia muito bem ser incluído em trabalhos de Skinner pós 1950 
para ilustrar o conceito de"história de reforço", tão grande é a perspicácia de Sechenov.
A atitude antimetafísica de Sechenov representa o nascimento de um pensamento 
materialístico na explicação do comportamento, que já então é considerado como 
produto das experiências anteriores dos organismos ou, mais exatamente, de 
processos de inter-relações entre as condições de vida impostas pelo ambiente 
externo agindo sobre a estrutura do organismo.
A psicologia, para Sechenov, é a análise experimental de tais processos: mas 
ele, como fisiologista, vê na fisiologia nervosa o caminho para a explicação do 
comportamento, admitindo, contudo, que a origem primária de toda atividade, 
"aberta" ou interna, traduzida ou não em ação muscular, é sempre a estimulação 
externa ao organismo.
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Com efeito, as condições internas que ele admite como determinantes do 
comportamento "voluntário" têm sempre um ponto de partida na estimulação 
sensorial. Essas condições internas dependem sempre quer das meras sensações 
captadas pelos órgãos periféricos ou pelos receptores internos, os assim chamados
"órgãos do sentido muscular", quer dos vestígios resultantes da excitação (desses 
diversos receptores) no sistema nervoso central.
Essa proposição fica mais clara à luz de outra afirmação de Os Reflexos do Cérebro:
Repito: do ponto de vista do procedimento, não há diferença nenhuma 
entre uma efetiva impressão com suas próprias consequências e a memória. 
Essencialmente, esta é um só e mesmo reflexo psíquico, com um idêntico 
conteúdo psíquico, mas provocado por estímulos diferentes. Eu vejo um 
homem enquanto a sua imagem é efetivamente focalizada na retina do meu 
olho eeuo lembro porque na minha mente está impressa a imagem da porta 
ante a qual ele estivera. (Sechenov, 1863/1960c, p. 108)
Para Sechenov, a experiência passada, implicada no referido exemplo do homem 
de elevados princípios morais, é um sinônimo de repetição de atos e de sensações.
Os princípios morais por ele adquiridos revelam-se, em última análise, como 
repetição de comportamentos e experiências sensoriais: "O leitor pode agora 
ter uma ideia da importância da repetição frequente de um mesmo ato sobre 
o desenvolvimento psíquico: a repetição é a mãe da aprendizagem" (Sechenov, 
1863/1960c). É esse o significado que se deve atribuir às afirmações feitas mais 
adiante:
Dadas as mesmas condições internas e externas, a atividade do homem será 
semelhante. A escolha entre um ou outro dos muitos completamentos possíveis 
de um determinado reflexo psíquico é absolutamente impossível: a aparente 
possibilidade de escolha é somente uma ilusão da autoconsciência. A essência 
deste ato complexo é que evidentemente um mesmo reflexo, com o mesmo 
conteúdo psíquico, é reproduzido na consciência do homem em forma de 
pensamento; acontece, porém, que este reflexo se apresenta em condições 
mais ou menos diferentes e é, por conseguinte, explicitado em diferentes 
formas. Se um dos seus completamentos é de natureza mais emocional, você 
agirá em conformidade. (Sechenov, 1863/1960c, pp. 135-136)
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Em outras palavras, esse trecho pode ser interpretado assim: dada uma certa 
excitação, desenvolve-se no sistema nervoso central um processo de análise dessa 
mesma estimulação, e uma simultânea combinação com as outras que chegam (ao 
mesmo tempo) dos receptores periféricos ou internos; uma tal elaboração central da 
excitação é grandemente influenciada pelos vestígios precedentemente fixados no 
sistema nervoso central, de maneira que, das muitas respostas possíveis à estimulação 
inicial, efetuar-se-á uma ou outra como efeito reflexo necessário desta complexa 
elaboração central: a resposta é portanto inevitável.
Sechenov (1863/1960c) prossegue: "Se ao invés surge na vossa mente uma 
imagem mais forte, mas menos emocional, que vos impele para a direção oposta (isto 
é, para a não efetuação da resposta) o reflexo terá um completamento diferente no 
vosso pensamento" (p. 136). Pode-se assim ver como aqui a ideia central é a natureza 
reflexa das ações voluntárias: o curso do reflexo só teoricamente é múltiplo, em nível 
central; se em tal nível intervém um processo emotivo, o curso da ação é determinado 
por este último. Na prática,
(...) nós vemos que, na metade dos casos, não agimos segundo as nossas 
intenções. Mesmo os que acreditam firmemente na voz da autoconsciência, 
dizem nestes casos que se perdeu o controle das condições externas. Mas 
segundo a nossa opinião, isto demonstra claramente que a causa inicial de 
toda atividade humana reside fora do homem. (Sechenov, 1863/1960c, p.l 36)
É fácil perceber como essas ideias tiveram influência notável nos estudos de 
Pavlov; com efeito, vemos nelas o impulso para uma profunda investigação das 
atividades reflexas do córtex, a ênfase sobre a repetição como determinante das 
respostas reflexas, a insistência sobre a ação dos estímulos também após o seu 
desaparecimento físico, sobre o processo de inibição central das respostas reflexas 
e sobre a existência de respostas resultantes do efeito combinado da excitação 
simultânea de diversos receptores periféricos ou da associação entre estímulos 
presentes e traços de estímulos precedentes.
O que acabamos de expor permite ver como Sechenov tinha desenvolvido já no 
seu primeiro grande trabalho, Os Reflexos do Cérebro, as bases metodológicas para uma 
análise experimental do comportamento, simples ou complexo, animal ou humano: 
uma análise que tem o reflexo quer como instrumento operativo, quer como unidade 
última da decomposição experimental.
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Como bom fisiologista, Sechenov considera reflexo o que, do ponto de vista da 
psicologia experimental, é definido "arco reflexo", conforme a distinção de Skinner 
(1931) e de Keller e Schoenfeld (1950).
Os esquemas teóricos de Sechenov não são consequência de mera intuição, mas 
encontram apoio nos seus estudos sobre a fisiologia do sistema nervoso central, o 
que lhe permitia interpretar o cérebro como um verdadeiro centro de conservação 
e de organização do múltiplo e contínuo fluxo de impulsos aferentes; e, ainda, como 
sede de processos de elaboração da reação eferente entendida em dois aspectos: 
resposta muscular periférica ou interna e inibição do impulso eferente.
Para Sechenov, a fisiologia pode muito bem chegar a explicar não só os 
movimentos voluntários (como Pavlov em seguida também sustentará), através de 
uma análise cuja unidade elementar é o reflexo, mas está também em condição de 
justificar porque tal análise e tal unidade seriam também aplicáveis aos atos psíquicos 
que não são movimentos como, por exemplo, as emoções e os pensamentos.
O esquema de Sechenov é, em sua maior parte, fruto de hipóteses, mas os 
fundamentos experimentais disponíveis são, no quadro geral, perfeitamente 
aproveitados.
Entre essas fontes experimentais estão seus estudos Os Órgãos da Sensação 
Muscular e Os Órgãos da Memória, referidos em O Aspecto Fisiológico do Pensamento 
Sobre Objetos (1894/1960e, pp. 464-465), nos quais são explorados exaustivamente os 
dados referentes aos traços de estímulos relativos às sensações visuais e táteis.
Examinemos agora o que entende Sechenov por órgãos da sensação muscular 
e da memória. Estes correspondem, em substância, a um tipo mais sutil que os da 
sensação muscular. O assunto foi tratado numa conferência sobre O Aspecto Fisiológico 
do Pensamento Sobre Objetos, publicado pela primeira vez na Ruskaya Mysl (Sechenov, 
1894/1960e). O autor (1894/1960e) afirma:
Desde os tempos de Kant, difundiu-se a ideia de que o homem tem um órgão 
especial, uma espécie de vista interna apta a perceber as relações espaciais 
e as relações de sucessão, um órgão que fornece à consciência as relações 
supramencionadas. Essa ideia parece, num certo sentido, justificável porque 
de fato existe tal órgão, podendo ser definido como o órgão da sensação 
muscular, (p. 462)
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Sechenov (1894/1960e) prossegue com um exemplo referente à sua área predileta, 
a da percepção visual em que se havia especializado no laboratório de Helmholtz 
muitos anos antes:
Qualquer pessoa sabe por experiência pessoal que (...) (na observação de um 
objeto em movimento e de um objeto parado) os movimentos dos olhos e da 
cabeça enviam diretamente à consciência informações
sobre a posição de um 
ponto observado em relação a outro ponto observado anteriormente, isto é, 
indicam se ele está mais alto ou mais baixo, à direita ou à esquerda, mais longe 
ou mais perto de quem observa. Por isso, devido aos movimentos dos olhos 
e da cabeça, a imagem visual complexa é dividida em componentes que são 
postos em relação por meio de relações espaciais; é o sentido muscular que 
une todos os elementos num único grupo espacial. Os músculos dos olhos e da 
cabeça que intervêm nos atos da visão desenvolvem o papel de goniómetros, 
capazes de fornecer à consciência os diversos índices goniométricos com base 
na localização de um dado ponto no espaço, ou — o que é a mesma coisa — 
com base na direção e na extensão dos movimentos da cabeça e dos olhos 
(...) fornecem também indicações sensoriais a respeito da velocidade dele.
(1894/1960e, p. 462)
Quando seguimos com os olhos o voo de um pássaro, tomamos conhecimento 
de sua direção graças às indicações goniométricas fornecidas pelos sentidos 
musculares e (tomamos consciência) da velocidade do voo em virtude do 
ritmo com o qual os nossos olhos e a nossa cabeça se deslocam para seguir o 
voo. (1894/1960e, p. 462)
Não é difícil reconhecer nesse trecho a síntese do que Frolov (1937/1965) define: 
"A função da atividade associada dos órgãos sensoriais na formação dos supracitados 
conceitos superiores de espaço e de tempo" (p. 13). É verdadeiramente excelente a 
explicação da função proprioceptiva dos movimentos dos olhos e a subsequente 
combinação, em nível central, das indicações goniométricas daqueles movimentos. 
Em outras palavras, a organização perceptual das sensações múltiplas produzidas por 
um objeto em movimento, ou por objetos complexos, é totalmente dependente das 
sensações produzidas pelos movimentos supra-acenados, ou seja, pela intervenção 
dos "órgãos do sentido muscular". Tais órgãos seriam chamados muito mais tarde de
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receptores proprioceptivos e a sua análise experimental era muito limitada no tempo 
de Sechenov, como ele mesmo admitia em 1863, na primeira e hostilizada edição de 
Os Reflexos do Cérebro.
Há também entre os órgãos da sensação muscular os que são atualmente definidos 
como receptores cinestésicos e os da "sensibilidade subjetiva". Essa expressão não 
implica nenhuma referência a conceitos metafísicos, como observa Gellerstein 
(1960) numa nota especial: "Sechenov considera subjetivas as sensações que são 
causadas pela ação exercida sobre os órgãos sensoriais por estímulos localizados no 
nosso organismo ou pelas mudanças que se verificam no interior dele (as sensações 
conhecidas no presente como interoceptivas e proprioceptivas)"(p. 585).
Sechenov, portanto, inclui as sensações musculares na categoria das sensações 
subjetivas. Para ele, as sensações visuais e auditivas são objetivas porque os estímulos 
que as determinam são objetos situados fora do organismo (na terminologia 
moderna, essas sensações são definidas como"exteroceptivas").
"Deve-se lembrar", afirma Sechenov (1863/1960c), "que as sensações musculares 
acompanham sempre o processo de contração de um músculo assim como o estado 
contraído dele" e é desse modo que tais sensações musculares efetuam no nível 
central uma síntese entre as sucessivas sensações proprioceptivas discretas.
A ligação cortical entre sensações isoladas no tempo ou no espaço (segundo 
o particular receptor periférico que é considerado) é, portanto, assegurada pelas 
sensações musculares que chegam ao sistema nervoso central também nos intervalos 
entre uma estimulação sensorial e a sucessiva. A esse liame, Sechenov chama 
de troço e é justamente com as funções de traços que os órgãos da sensibilidade 
muscular contribuem (ao lado do efeito da repetição das sensações periféricas) para 
a explicação da memória e do pensamento, bem como, da organização perceptual.
De fato, é nessa última função que se baseia a validade da aplicação de um 
modelo tão simples como o arco reflexo à análise de comportamentos complexos.
Passemos agora a examinar, brevemente, as ideias fundamentais de 
Sechenov acerca da memória na sua tentativa de estender a análise científica aos 
comportamentos voluntários, aqueles cuja estimulação inicial parece partir de algum 
misterioso fundo, ao contrário do que ocorre com as respostas reflexas típicas, mais 
elementares.
Antes de tudo é preciso ter presente que o conceito de traço da estimulação 
tem para Sechenov o caráter de fenômeno material que persiste no cérebro 
como resultado da ação do estímulo no aparelho sensorial. Esse esclarecimento é
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importante, como fez notar Gellerstein (1960), pois "a teoria dos traços ou dos assim 
chamados engramas era usada também pelos psicólogos idealistas, gue distinguem 
os processos de traços das mudanças no substrato material que acompanham cada 
sensação".
Sechenov (1863/1960c) tenta nesse campo apoiar-se nas evidências experimentais 
disponíveis "sobre esta capacidade, existente na fisiologia dos nervos" (p. 99) e 
descreve um exemplo expressivo do seu campo preferido, a percepção visual:
(...) qualquer estimulação do nervo óptico obtida pela luz, não importa de 
qual duração, deixa sempre um vestígio bem pronunciado que persiste sob 
forma de uma sensação real por um período mais ou menos longo, conforme 
a duração e intensidade da estimulação efetiva, (p. 99)
Esse efeito será em seguida utilizado pelos "gestaltistas" para demonstrar 
a propriedade de "forma", sob o nome de post-imagem, enquanto Sechenov 
(1863/1960c) o utilizará para explicar a memória das imagens visuais que "se formam 
na consciência dos homens sem a participação das imagens e sons correspondentes 
do mundo externo".
Se os homens, como é sabido, "pensam por imagens, palavras ou outras 
sensações" (p. 101), a capacidade de pensar através destas imagens e sons mesmo 
depois do desaparecimento dos estímulos efetivos visuais ou auditivos constitui o 
problema fundamental na explicação do pensamento e da memória. A análise de 
Sechenov (1863/1960c) concentra-se, por conseguinte, sobre o objetivo de elucidar o 
pensamento realizado através de imagens e sons sem os correspondentes substratos 
externos, porque é na análise desse fenômeno que, para ele, deve ser procurada a 
explicação da "capacidade de reproduziras sensações": "Como o início da lembrança 
é a própria preservação das citadas imagens e sons'em estado latente no aparelho 
nervoso', daí provém que não haveria nada a ser lembrado se, uma vez afastado o 
substrato externo, acabasse também a sensação" (Sechenov, 1863/1960c, p. 78).
Sechenov insiste muitas vezes sobre a natureza nervosa dos traços entendida 
como persistência da "excitação do nervo" mesmo depois do desaparecimento da 
sensação:
Os traços, uma vez estabelecidos, sofrem um processo de consolidação e 
aperfeiçoamento devido à frequência com que se repete a efetiva excitação
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do receptor periférico. Essas repetições permitem durações mais longas dos 
traços graças ao fato de que elas tornam mais clara a sensação. (Sechenov,
1863/1960c; p. 101)
É justamente em virtude desse processo de consolidação e aperfeiçoamento que 
'uma estimulação externa muito insignificante é suficiente para reproduzir a sensação 
original" (Sechenov, 1863/1960c, p. 101)
Em seguida, Sechenov procura estender o conceito de um modo que lembra as 
eis menores de Edward Thorndike, que seriam publicadas algumas décadas mais 
tarde. De fato, descontada
a ênfase sobre a repetição como causa da consolidação 
dos traços, Sechenov (1863/1960c) afirma que "uma sensação forte produz traços 
mais marcados que uma sensação mais fraca"e, além disso, que "quanto mais recente 
é uma sensação tanto mais forte será a memorização da mesma" (p. 101).
Diversamente de Thorndike, que nasceria oito anos mais tarde, Sechenov 
apresenta uma exposição que visa demonstrar como essas duas variáveis da 
memória encontram fundamento na capacidade fisiológica do aparelho nervoso 
aferente, neste caso o nervo óptico. Ele apresenta também um exemplo de traços 
relativos à excitação do tato em uma rã decapitada, capaz de apresentar por certo 
tempo a flexão reflexa de uma pata, eliciada por contato feito sobre a pele: "a flexão 
desaparece só gradualmente no espaço de uma hora, o que nos indica claramente 
que todo o reflexo da pele ao músculo é conservado como traço na medula espinal" 
(Sechenov, 1863/1960c, p. 103).
É mesmo notável a importância dessas ideias de Sechenov para a neurofisiologia 
dos anos subsequentes. Na leitura dos seus trabalhos podemos entrever os 
fundamentos das investigações que ocuparão, mais tarde, Pavlov, Vladimir Bechterew 
e os seus discípulos, já munidos de recursos metodológicos mais refinados para uma 
análise experimental das hipóteses apresentadas por Sechenov e reconhecidas como 
tais na conclusão de Os Reflexos do Cérebro (1863/1960c):
Para os naturalistas não há nada de incomum nestas hipóteses dos traços 
latentes da excitação nervosa, especialmente porque os fenômenos da 
memória, assim como os temos apresentados, são, na maior parte, estritamente 
semelhantes aos dos traços perceptuais da luz que aparecem depois de 
qualquer verdadeira estimulação óptica.
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Ainda sobre o conceito de traço, em Os Elementos do Pensamento, Sechenov 
esclarece dois termos que mencionamos nas páginas precedentes:
O termo estabilidade se refere aqui à capacidade do traço de ficar na mente 
(...): na forma de pensamento através de imagens, palavras ou outras sensações 
(...) por um longo tempo, enquanto clareza indica a capacidade da imaginação 
sensorial de tornar-se mais definida como resultado de repetições da sensação. 
(Sechenov, 1878/1960d, p. 292)
Para explicar em termos de neurofisiologia essas afirmações, o autor chega 
praticamente a definir os reflexos incondicionados com termos que fazem pensar 
imediatamente em ConditionedReflexes, de Pavlov (1927). Diz Sechenov (1878/1960d): 
"Não é difícil expressar isto em termos de excitação nervosa se, como fazem os 
fisiologistas, admitimos que em correspondência a uma sensação verifica-se um 
processo de excitação nervosa no sistema nervoso, que se irradia ao longo de vias 
inatas [Inborn pathways]".
Sechenov (1878/1960d) nos oferece, ainda em Os Elementos do Pensamento, uma 
síntese da sua teoria da memória e do pensamento:
Qualquer objeto ou fenômeno externo é fixado na memória e reproduzido na 
consciência nas seguintes três direções principais: como membro de um grupo 
espacial, como membro de uma cadeia de (elementos em) sucessão e, enfim, 
como membro de uma cadeia de (elementos) semelhantes, (p. 328)
Para concluir esta sumária exposição das geniais intuições de Sechenov 
(1894/1960e), é significativa sua referência aos órgãos da memória:"Eu digo os órgãos 
da memória e não o órgão, porque do ponto de vista fisiológico o conceito inclui os 
aparelhos acessórios centrais dos órgãos dos sentidos e de todos os movimentos 
complexos adquiridos".
Abre assim Sechenov o caminho para a análise experimental desses "aparelhos 
centrais"aos quais são transmitidas as excitações dos órgãos periféricos dos sentidos, 
bem como as que têm origem em atividades complexas não inatas.
O estudo experimental de tais "aparelhos centrais acessórios" e das suas funções 
deverá, todavia, ser adiado até o princípio do século XX, quando aparecerá na cena da 
fisiologia dos centros nervosos, Pavlov.
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Referências
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Editrice Universitária. (Obra original publicada em 1937).
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Selected physiological and psychological works. Moscow: Foreign Languages 
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Skinner, B. F. (1931). The concept of the reflex in the description of behavior. Journal of 
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Skinner, B. F. (1956). Some issues concerning the control of human behavior. Science, 
New Series, 724(3231), 1057-1066.
Skinner, B. F. (1961) Freedom and the control of men. In B. F. Skinner. Cumulative record 
(2a. ed.,pp. 3-18). New York: Appleton-Century-Crofts. (Obra original publicada em 
1955).
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3 I. P. PAVLOV (1849-1936): DO REFLEXO 
SALIVAR ÀS ATIVIDADES NERVOSAS 
SUPERIORES
Diego Zilio
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Aprenda o ABC da ciência antes de tentar escalar os seus picos. Nunca 
embarque no que vem depois antes de dominar o que vem antes. Nunca tente 
esconder as lacunas do seu conhecimento, até mesmo com as hipóteses e 
presunções mais audaciosas. Não importa o quanto essa bolha possa deleitar 
os olhos
com a sua profusão de cores, ela está fadada a estourar, e você ficará 
com nada além de confusão. (Pavlov, 1955a, p. 54)
Não há, provavelmente, autor que tenha recebido mais reconhecimento por 
parte de B. F Skinner do que Ivan Pavlov. Seu livro, Conditioned Reflexes, em conjunto 
com Philosophy de Bertrand Russell e Behaviorism de John B. Watson, serviu de base 
preparatória para a carreira em Psicologia que Skinner estava por iniciar em Harvard 
(Skinner, 1979). Logo no início de seus estudos, Skinner presenciou o "Congresso 
Internacional de Fisiologia", do qual Pavlov fora o convidado especial. Na ocasião, 
adquiriu uma foto autografada do fisiologista russo que o acompanharia pelo 
resto de sua carreira, em suas salas nas Universidades de Indiana e Harvard e, por 
fim, em sua própria casa, ao lado de fotos da família (Skinner, 1979). Catania e Laties 
(1999) afirmam que "para o jovem Skinner, Ivan Petrovich Pavlov não foi apenas uma 
influência: Pavlov foi o seu herói" (p. 455).
Pavlov é também o autor mais citado no primeiro livro de Skinner (1938/1966b), 
The Behovior ofOrgonisms, contando 44 menções. À guisa de comparação, Charles 
S. Sherrington, o segundo mais citado, é mencionado apenas 14 vezes (Catania 
& Laties, 1999). Talvez não seja de modo algum exagerado afirmar, embora nos 
faltem evidências concretas para isso, que a própria estrutura do livro de Skinner 
(1938/1966b) deixa transparecer a influência da obra de Pavlov (1927/1960). Ambos 
os livros possuem organização semelhante: são iniciados por um capítulo acerca 
dos conceitos e dos fundamentos metacientíficos do trabalho; em seguida ambos 
descrevem minuciosamente as técnicas e os aparatos utilizados nas pesquisas; e, por 
fim, há uma extensa, quase exaustiva, apresentação de dados empíricos.
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A influência de Pavlov é indiscutível, principalmente, no que concerne 
ao posicionamento metodológico defendido por Skinner em sua ciência do 
comportamento. Nas palavras do próprio autor (1966a):
Provavelmente a lição mais importante que aprendi com ele [o livro Conditioned 
Reflexes], sendo uma facilmente ignorada, foi o respeito pelo fato. Em 15 de 
dezembro de 1911, exatamente à 1 h55 da tarde, um cão secretou nove gotas 
de saliva. Acatar esse fato com seriedade, e fazer com que os leitores também o 
acatassem com seriedade, não foi realização pequena.Também foi importante 
que se tratava de fato sobre um organismo único. A psicologia animal naquele 
tempo estava primariamente preocupada com o comportamento do rato 
normal [average rat]. As curvas de aprendizagem que apareciam em livros- 
texto eram geradas por grandes grupos de organismos. Pavlov estava falando 
do comportamento de um organismo por vez. Ele também enfatizou as 
condições de controle. Seu laboratório à prova de som, cuja imagem aparece 
no livro, impressionou-me significativamente, e o primeiro aparato que construí 
consistiu em uma câmara à prova de som e uma caixa-de-saída silenciosa. (...) O 
lema desta sociedade é extraído de Pavlov: "Observação e observação". Pavlov 
quis dizer, claro, observação da natureza, e não de algo que alguém escreveu 
sobre a natureza, (p. 76)
Algumas das principais características da filosofia da ciência proposta por Skinner 
já estavam em Pavlov. Os autores compartilhavam o respeito pelos fatos, mesmo que 
estes parecessem, à primeira vista, irrelevantes ao planejamento da pesquisa. Skinner 
(1956) sustenta que as descobertas por puro acaso, por "serendipity", constituiriam 
um dos principais fatores no desenvolvimento científico. O caso de Pavlov é um 
exemplo claro. Fisiologista de formação, Pavlov não possuía nenhuma relação com a 
Psicologia (Konorski, 1970). Grande parte de sua carreira fora dedicada ao estudo da 
digestão, até que, um dia, um fato curioso chamou a sua atenção: os cães utilizados 
nos experimentos sobre digestão salivavam na presença de estímulos associados, 
por conta da própria rotina de atividades no laboratório, à comida. Mesmo não 
fazendo parte de sua agenda de pesquisa, Pavlov não ignorou o fato e logo se viu 
estudando o que seria denominado, no início, de salivação "psíquica" (Babkin, 1949). 
Outra característica do modelo pavloviano que também influenciou o modo de 
se fazer pesquisa na análise do comportamento foi o estudo com sujeito único,
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em detrimento das análises estatísticas com grande amostragem que poderiam 
ocultar nuances do comportamento individual em favor do sujeito ideal "normal" 
(Sidman, 1960). Em adição, assim como Pavlov, Skinner era bastante preocupado 
com o controle experimental das variáveis independentes e do próprio ambiente 
laboratorial. Utilizava aparatos mecânicos, tendo criado inclusive alguns deles, 
sendo os principais o registro cumulativo e a caixa-problema que, posteriormente, 
levaria seu nome (Skinner, 1979). Finalmente, Skinner (1966a) afirma que Pavlov 
também foi responsável por ensiná-lo sobre a importância da observação direta da 
natureza. Caberia aos fatos observados na natureza, e não à atividade racionalista 
pura, responder as grandes questões científicas. Konorski (1970) afirma que uma das 
frases mais repetidas por Pavlov durante a sua vida foi: "O Senhor Fato resolve todos 
os nossos argumentos e ele é o mestre que devemos servir e obedecer" (p. 242).
É nesse último ponto, o respeito pelo "Senhor Fato" observado na natureza, 
que encontramos a principal crítica de Skinner a Pavlov. Para Skinner, a teoria 
neurológica de Pavlov não era "fatual" pois o autor não havia estudado aspectos 
fisiológicos do comportamento, mas sim o comportamento em si mesmo. A extensa 
quantidade de dados presentes em seu ConditionedReflexes dizia respeito às relações 
comportamentais, e era a esse "Senhor Fato" que Pavlov deveria prestar contas. Dar 
à obra o subtítulo An Investigation of the Physiological Activity ofthe Cerebral Córtex 
não tornaria os dados menos comportamentais ou mais fisiológicos. Para Skinner 
0 938/1966b), Pavlov estudava comportamento e não fisiologia:"Os dados fornecidos 
[por Pavlov] eram obviamente acerca do comportamento de cães praticamente 
intactos, e o único sistema nervoso sobre o qual ele discorreu era conceituai" (p. 426). 
Apenas três dos capítulos de seu Conditioned Reflexes mencionavam manipulações 
fisiológicas, especificamente, lesões ou extirpações completas de áreas do córtex 
do cão a fim de avaliar seus efeitos na formação de reflexos. Ainda assim, Pavlov 
(1927/1960) mostrou-se cauteloso ao ressaltar a simplicidade e limitação do método:
Esse método naturalmente sofre de desvantagens fundamentais, já que 
ele envolve as formas mais rudimentares de interferência mecânica e o 
desmembramento grosseiro de um órgão cuja estrutura e função são das 
mais intrincadas. Imagine que tenhamos que acessar a atividade de uma 
máquina incomparavelmente mais simples criada pelas mãos humanas 
e que, desconhecendo as suas partes distintas, ao invés de desmontá-la 
cuidadosamente, nós pegamos uma serra e cortamos fora um ou outro pedaço
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dela, esperando obter conhecimento exato do seu funcionamento mecânico!
(p. 320)
A partir do estudo sistemático das relações entre estímulos e respostas, Pavlov 
inferiu toda uma teoria da dinâmica cerebral; teoria essa que não seria derivável 
apenas de estudos simples com lesões cerebrais. São dois os critérios principais, e 
complementares, na caracterização do sistema nervoso conceituai (Zilio, 2015). O 
primeiro é a observação: Pavlov não observou o sistema nervoso "real", isto é, não 
estudou diretamente o seu funcionamento ainda que tenha realizado estudo com 
lesões ou extirpações. Tais estudos apontavam apenas correlações entre a ocorrência 
de reflexos específicos e tais lesões ou extirpações. A dinâmica fisiológica dos 
processos neurais superiores não foi estudada. O segundo é o objeto de estudo: Pavlov 
não estudou a fisiologia do organismo, mas as relações entre estímulos ambientais 
e respostas reflexas. Por meio do estudo do reflexo condicional (objeto de estudo 
não-fisiológico), Pavlov desenvolveu uma teoria neurológica que não era amparada 
por fatos da neurofisiologia "real" (e observável) do organismo, mas consistia em 
inferências derivadas da observação do comportamento do organismo.
Aos olhos de Skinner (1966a), Pavlov era acima de tudo um cientista do 
comportamento e não um fisiologista. Ao que parece, para Skinner, é o objeto 
de estudo, e não propriamente os métodos herdados de suas pesquisas iniciais 
em fisiologia, o que definiria a área na qual se enquadraria o cientista Pavlov. Ao 
mudar o foco de estudo dos mecanismos relacionados à digestão para a análise 
da salivação "psíquica", Pavlov saíra da fisiologia e entrara no campo da ciência do 
comportamento. É justamente no bojo da tese de que Pavlov estaria praticando 
ciência do comportamento e não fisiologia que outra crítica de Skinner se forma:
(...) para fortalecer sua afirmação de que a psicologia era uma ciência, e para 
preencher o seu livro-texto, [Watson] recorreu à anatomia e fisiologia, e 
Pavlov tomou o mesmo caminho ao insistir que seus experimentos sobre o 
comportamento eram na verdade "uma investigação da atividade fisiológica 
do córtex cerebral", ainda que nenhum deles pudesse apontar para qualquer
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observação direta do sistema nervoso que lançou luz sobre o comportamento. 
(Skinner, 1974, p. 6 )1
Pavlov teria falhado em vislumbrar a possibilidade de uma ciência do 
comportamento autônoma e livre da fisiologia. Pelo contrário, ele teria recorrido 
à fisiologia, sua área de atuação nas pesquisas sobre digestão, para validar 
cientificamente o estudo da salivação "psíquica". Skinner (1966a), assim como Boakes 
(1984) e Pessotti (1979), pondera que essa posição seria um produto do materialismo 
vigente na Rússia do século XIX. Nas palavras do autor (1966a):
Uma forma diferente de materialismo surgiu na história quando os soviéticos 
fizeram de Pavlov um herói nacional. Não há dúvidas de que o sistema nervoso 
é material; quando decompõe, ele cheira mal, e poderia alguém pedir por 
melhor prova? O comportamento, por outro lado, é evanescente. Falar sobre 
ele sem mencionar o sistema nervoso é correr o risco de ser acusado de 
idealista, (p. 77)
Nas seções que se seguem, as considerações críticas de Skinner sobre Pavlov 
serão utilizadas como pedra de toque para a discussão da obra pavloviana.
Monismo materialista e método mecanicista
À luz da crítica de Skinner segundo a qual Pavlov teria recorrido à fisiologia para 
validar sua prática como científica, ao invés de assumir a possibilidade de uma ciência 
do comportamento autônoma, consideremos o que Pavlov escreveu sobre a questão 
logo no início de ConditionedReflexes:
Que atitude deve o fisiologista adotar? Talvez ele deva antes de tudo estudar 
os métodos dessa ciência da psicologia e, só depois, esperar estudar os 
mecanismos fisiológicos dos hemisférios? Isso envolve uma dificuldade séria.
É lógico que, em suas análises das várias atividades da matéria viva, a fisiologia 
deva basear-se nas ciências mais avançadas e exatas - Física e Química. No
1 Nota-se aqui que Skinner também dialoga com Watson e este é também alvo da mesma crítica 
dirigida a Pavlov: recorrer à fisiologia, mesmo que conceituai, para validar cientificamente a psicologia 
(Zilio, 2016).
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entanto, se tentarmos a abordagem dessa ciência da psicologia ao problema 
que confrontamos, nós iremos construir nossa superestrutura tendo como 
base uma ciência que não tem nenhuma pretensão de exatidão, até mesmo 
se comparada à fisiologia. Na verdade, ainda está aberto à discussão se a 
psicologia é uma ciência natural ou se ela pode ser considerada, de fato, 
uma ciência. (...) Até mesmo os defensores da psicologia não olham para a 
sua ciência como sendo em qualquer sentido exata. O eminente psicólogo 
americano William James recentemente referiu-se à psicologia não como uma 
ciência, mas como uma promessa de ciência. Outro exemplo claro é oferecido 
por Wundt (...). Pouco antes da Guerra (1913), na ocasião da discussão sobre a 
divisão das cátedras de Filosofia e Psicologia na Alemanha, Wundt se opôs à 
separação, um de seus argumentos sendo a impossibilidade de se estabelecer 
uma agenda de pesquisa comum na psicologia, já que cada professor tinha 
uma ideia própria sobre o que seria realmente a psicologia. Tais testemunhos 
mostram claramente que a psicologia não pode assumir o status de ciência 
exata. Se é esse o caso, não há motivo para o fnsiologista ter que recorrer à 
psicologia. (1927/ 1960, pp. 3-4)
O primeiro ponto a ser ressaltado nessa passagem diz respeito a qual "Psicologia" 
Pavlov se opunha. O autor cita James e Wundt como autores da Psicologia que, 
mesmo sendo da área, não a classificavam necessariamente como "ciência". Dessa 
forma, Pavlov não negava necessariamente a possibilidade de uma ciência do 
comportamento autônoma, tal como a desenvolvida posteriormente nos moldes 
behavioristas por Skinner. Pavlov era crítico da Psicologia de sua época - introspectiva 
e mentalista (García-Hoz, 2004). Diz o autor (1909/1955c) sobre a psicologia do 
mundo "interno": "A psicologia como o conhecimento do mundo interno ainda está 
em busca de seus próprios métodos reais" (p. 208).
Precisamente, Pavlov era contra qualquer tipo de explicação que apelasse para 
eventos mentais, sobrenaturais ou místicos, e que fossem impassíveis de verificação 
experimental (Boakes, 1984; Fearing, 1930; Konorski, 1970; Pessotti, 1976, 1979). 
Pavlov era, acima de tudo, um monista materialista (Windholz, 1997) e estendeu essa 
perspectiva filosófica ao estudo da salivação "psíquica". Fearing (1930) situa Pavlov no 
contexto da fisiologia mecanicista, ao lado de Jacques Loeb,Theodor Beer, Albrecht 
Bethe e Jakob J. von Uexküll. O mecanicismo de Pavlov é evidente em sua obra, como 
é possível notar nesta passagem:
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0 homem é claramente um sistema, - a grosso modo, uma máquina - como 
qualquer outro sistema na natureza sujeito às uniformes e inescapáveis leis da 
natureza. (...) Nessa perspectiva, o método de investigação do sistema homem 
é precisamente o mesmo de qualquer outro sistema. (1932, pp. 126-127)
O homem é uma máquina e, como qualquer outra máquina, está fadado a curvar- 
se às leis da natureza. Não há espaço para qualquer tipo de explicação
não natural 
do comportamento do homem-máquina. Além disso, não há motivos para crer que 
o método de estudo dessa máquina deva ser diferente do método de estudo de 
qualquer outra:"(...) decomposição em partes, estudo do significado de cada parte, 
da conexão entre as partes, das relações com o ambiente e, finalmente, a partir disso, 
a interpretação de suas atividades gerais e administrativas, se isso estiver dentro das 
capacidades do homem"(Pavlov, 1932, pp. 127).
É correto supor que o posicionamento de Pavlov acerca da Psicologia de sua época, 
e o ponto de vista monista materialista inerente à sua abordagem metodológica 
mecanicista, seriam compatíveis com o movimento behaviorista norte-americano. 
Ora, tal movimento foi uma reação às psicologias da "consciência" - estruturalistas e 
funcionalistas - que utilizavam a introspecção como método de estudo (O'Donnell, 
1985). Essa sintonia de ideias, provavelmente, contribuiu para a adoção, pelos 
behavioristas, do modelo pavloviano do reflexo condicional como unidade básica na 
formação de"associações"(Fearing, 1930; Malone, 1991). Porém, talvez termine aqui as 
concordâncias entre as agendas de pesquisa do movimento behaviorista e de Pavlov.
Estudo do reflexo condicional: meio para um fim
A influência de Pavlov na psicologia experimental de língua inglesa foi restrita aos 
âmbitos metodológico e metacientífico (Boakes, 2003; Ruiz, Sánchez & de la Casa, 
2003). Entretanto, mesmo nesse caso, não podemos dizer que Pavlov foi uma figura 
essencial para o surgimento do movimento behaviorista. O manifesto de Watson 
(1913), visto como a obra fundacionai do movimento, não faz menção a Pavlov. 
Watson trabalhou a questão da aprendizagem essencialmente a partir da ideia de 
formação de hábitos. Apenas mais tarde, quando o conceito de hábito se mostrou 
obscuro, o autor passou a adotar a perspectiva pavloviana (Brozek & McPherson, 
1973). Em resumo, a influência de Pavlov na psicologia da aprendizagem, incluindo 
o movimento behaviorista, é seletiva, abarcando seus métodos de estudo do reflexo
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condicional e o seu arcabouço conceituai na descrição do fenômeno. A sua teoria 
neurológica foi amplamente ignorada (Ruiz, Sánchez & de la Casa, 2003).
Nesse ponto,encontramos oquetalvezseja a principal diferença entrea abordagem 
de Pavlov e a da psicologia da aprendizagem americana que havia adotado o modelo 
do reflexo condicional: Pavlov via o estudo do reflexo condicional como um meio 
para desvendar o funcionamento do "sistema nervoso superior". Por outro lado, para 
a psicologia da aprendizagem, o estudo do reflexo condicional era um fim em si 
mesmo. Malone (1991) afirma que"(...) a resposta condicional significava muito mais 
para Pavlov do que isso. Era a chave para desvendar os segredos do cérebro; não era 
ela mesma o segredo" (p. 56). Konorski (1970), em texto retrospectivo sobre Pavlov, diz 
que"(...) o estudo experimental dos reflexos condicionais era totalmente subordinado 
ao problema do que poderíamos aprender sobre os processos correspondentes 
no cérebro a partir de tal resposta comportamental" (p. 245). O próprio Pavlov 
(1934/1955g) assume explicitamente essa distinção ao criticar os experimentalistas 
que se detinham no estudo do reflexo sem levar adiante as investigações para o nível 
fisiológico:
(...) tal fenômeno [o reflexo condicional] há muito tem sido observado por 
numerosos pesquisadores (...), mas por uma razão ou outra eles pararam 
o estudo em seu início e não utilizaram o conhecimento desse fenômeno 
para o propósito de elaborar um método fundamental de estudo fisiológico 
sistemático das atividades superiores no organismo animal, (p. 247)
Assim, a crítica de Skinner sobre a prática científica de Pavlov não deve ser aceita 
sem uma análise cuidadosa. A questão não é tão simples. Não podemos assumir que 
Pavlov recorreu à fisiologia e, por extensão, ao sistema nervoso conceituai, como forma 
de validação da sua teoria. Essa crítica de Skinner faz sentido se direcionada às teorias 
mentalistas, que assumem a existência de algo (a "mente", "cognição", "consciência"), 
estudam esse algo a partir de métodos próprios (e.g., introspecção), mas também 
supõem que esse algo é um produto do "cérebro". Pavlov, por outro lado, está mais 
próximo de uma visão eliminativista, de acordo com a qual não existe a "mente"como 
algo distinto da substância física. O homem é uma máquina fisiológica que, enquanto 
tal, deve ser estudado pelos métodos da fisiologia. Resta-nos, então, analisar por que 
Pavlov parecia não concordar com o estudo do reflexo como um fim em si mesmo, 
isto é, com a possibilidade de uma ciência do comportamento autônoma.
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A resposta mais simples e talvez verdadeira para essa questão é fornecida por 
Konorski (1970): "Pavlov foi um biólogo e um fisiologista e não tinha nenhuma 
ligação com a psicologia" (p. 244). O contato acadêmico de Pavlov com a fisiologia 
teve início na Academia Médico-Cirúrgica (renomeada, posteriormente, de "Militar- 
Médica") da Universidade de São Petersburgo, na qual se graduou em 1879 e, logo 
em seguida, iniciou seus estudos de pós-graduação entre os anos de 1880 e 1884 
(Babkin, 1949). Sua tese de doutorado foi sobre o sistema cardiovascular, tema que 
seria o foco de suas pesquisas por mais de dez anos (Babkin, 1949). Mas foram seus 
trabalhos sobre o sistema digestivo que lhe renderam reconhecimento no campo 
da fisiologia, inclusive com o seu prêmio máximo, o Nobel de Fisiologia ou Medicina, 
com o qual Pavlov foi agraciado em 1904 (Babkin, 1949). Em poucas palavras, Pavlov 
era fisiologista de formação e, por isso, estava distante do contexto da Psicologia. Essa 
formação em fisiologia é essencial para entendermos a sua proposta de estudo do 
reflexo condicional em termos fisiológicos.
Nesse contexto, Pessotti (1976) apresenta algumas condições essenciais para 
entendermos a estratégia de Pavlov no estudo do reflexo quando ele se deparou 
com o fenômeno da salivação "psíquica" que deturpava seus experimentos sobre 
digestão. Em primeiro lugar, Pavlov possuía uma extensa experiência técnica em 
pesquisa fisiológica, fruto de seus trabalhos sobre os sistemas cardiovascular e 
digestivo. Era inclusive, e esse é o nosso segundo ponto, especialista no método 
"crônico". Em contraposição ao método "agudo", que consistia no estudo de partes 
do órgão digestivo preparadas post mortem ou da observação do processo em 
animais anestesiados ou mutilados, o método "crônico" permitia estudar as funções 
fisiológicas do organismo vivo sem afetar, pelo menos não de modo drástico, a sua 
condição de integridade (Pessotti, 1976). No caso do estudo da digestão, o método 
crônico envolvia uma técnica dominada com maestria por Pavlov: a das "fístulas" ou 
"janelas" abertas no corpo dos animais. Essa técnica permitia a retirada de fluídos 
corporais (como suco gástrico ou saliva) e a observação direta da atividade fisiológica 
do organismo vivo. Outro ponto ressaltado por Pessotti (1976) diz respeito à manifesta 
influência da teoria de Ivan Sechenov na obra de Pavlov. Anos antes da própria teoria 
neurológica de Pavlov, Sechenov (1863/1965) propôs um modelo de explicação da 
atividade "psíquica" ou "mental" baseada, essencialmente, na teoria reflexa. Para o 
autor, os processos mentais não passariam de reflexos cerebrais. Finalmente, Pessotti 
(1976) também apresenta a posição monista materialista
defendida por Pavlov, e
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sobre a qual discutimos anteriormente, como fator essencial no entendimento de 
sua estratégia para o estudo do reflexo.
Em síntese, temos um fisiologista de formação, com vasto conhecimento técnico 
de sua área, principalmente no que diz respeito ao método "crônico" de estudo do 
organismo vivo e integral, que defende posição metacientífica monista materialista, 
o que o leva a classificar como inadequado qualquer tipo de explicação que recorra 
a fenômenos inobserváveis e/ou não físicos, e que, por fim, está familiarizado com as 
teorias reflexas do sistema nervoso. É esse o Pavlov que se depara, durante os estudos 
sobre a digestão, com o fenômeno da salivação "psíquica".
A fisiologia das atividades nervosas superiores
Tendo em vista o conjunto de condições descrito anteriormente, não é difícil de 
entender por que Pavlov percorreu o caminho fisiológico em suas pesquisas sobre o 
reflexo condicional; caminho esse que levou, nas palavras do autor (1934/1955g), à"(...) 
criação de um novo campo na fisiologia dos animais - a fisiologia da atividade nervosa 
superior"(p. 245). A teoria neurológica de Pavlov é, sem sombra de dúvidas, o aspecto 
de sua obra menos explorado. Textos de história da Psicologia e da Fisiologia, quando 
falam de Pavlov, invariavelmente apresentam o seu método e a sua teoria do reflexo 
condicional (e.g., Boakes, 1984; Boring, 1929/1950; Fearing, 1930; Finger, 1994, 2000; 
Ochs, 2004; Pessotti, 1976)2, deixando intocadas as suas hipóteses sobre a atividade 
nervosa superior. Contudo, se para Pavlov os estudos sobre reflexo condicional era 
apenas um meio para se chegar ao conhecimento do sistema nervoso superior, e 
Skinner criticou justamente essa estratégia quando atribuiu à teoria pavloviana 
o status de sistema nervoso conceituai, então parece-nos apropriado tomar esse 
caminho em nossa exposição. Para tanto, cabe iniciarmos com as ideias de Pavlov 
acerca da relação entre o organismo e o ambiente, pois é nela que encontramos a 
principal função do reflexo:
O organismo animal, enquanto sistema, existe na natureza que o cerca graças à 
equilibração contínua desse sistema com o ambiente, i.e., por conta das reações 
definidas do sistema vivo às estimulações que o atingem de fora, o que, em 
animais superiores, é efetuado principalmente através do sistema nervoso na 
forma de reflexos. Essa equilibração e, consequentemente, a integridade tanto
2 Uma exceção é Malone (1991), que faz uma análise da teoria neurológica de Pavlov.
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do organismo quanto de sua espécie, são asseguradas primeiramente pelos 
mais simples reflexos incondicionais (...). No entanto, o equilíbrio alcançado por 
esses reflexos é completo apenas quando há constância absoluta do ambiente 
externo. Porém, uma vez que o último é altamente variável e está sempre 
flutuando, as conexões incondicionais ou constantes não são suficientes; elas 
precisam ser suplantadas pelos reflexos condicionais ou conexões temporárias.
(1934/1955g, p. 249)
Pavlov (1909/1955c) também afirma que"(...) a vida como um todo, dos organismos 
mais simples aos mais complexos, incluindo, obviamente, o homem, é uma longa 
série de equilibrações com o ambiente" (p. 218). Para Pavlov, o homem é uma 
máquina, um sistema que interage com o ambiente, e essa interação acaba por afetar 
o seu estado de equilíbrio. 0"equilíbrio"descrito por Pavlov pode ser associado à ideia 
de milieu intérieur proposta por Claude Bernard que, por sua vez, foi desenvolvida 
por Walter Cannon sob o nome de"homeostase"(Babkin, 1949). A impossibilidade de 
manutenção do estado de equilíbrio de um organismo resulta em sua deterioração. 
O organismo vive em constante adaptação às mudanças ocorridas no ambiente ao 
seu redor. O organismo responde às mudanças ambientais e, assim, o seu equilíbrio 
interno é restabelecido, e essas respostas são, para Pavlov, reflexas.
Há um conjunto de respostas reflexas inatas, constantes, que auxiliam o organismo 
na manutenção de seu equilíbrio. No entanto, essas respostas só são úteis na medida 
em que o ambiente permanecer constante. Como esse não é caso, já que o ambiente 
está em estado perpétuo de mudança, o que exige do organismo respostas e 
adaptações sempre diferentes, outro tipo de mecanismo adaptativo se faz necessário. 
Esse mecanismo, para Pavlov, é o do reflexo condicional ou, em sua terminologia 
neurológica, o das conexões temporárias. Nas palavras do autor (1932/1955f):
A função fisiológica básica dos hemisférios cerebrais durante toda a vida 
individual consiste na adição constante de vários estímulos condicionais 
sinalizadores ao limitado número inicial de estímulos incondicionais inatos, 
em outras palavras, a complementação constante dos reflexos incondicionais 
pelos reflexos condicionais, (p. 273)
Há duas considerações dignas de nota. A primeira é que Skinner (1971, 
1984) se valeu de argumento semelhante quando discutiu sobre o valor seletivo
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do condicionamento operante. Para o autor, o condicionamento operante é 
extremamente útil à sobrevivência do organismo quando este vive em um ambiente 
instável, sempre em estado de mudança, e que, por isso, demanda flexibilidade 
comportamental de sua parte. Pavlov, por sua vez, atribuiu - corretamente, diga-se - 
a mesma função aos reflexos condicionais. A outra é que Pavlov, assim como Skinner 
(1953/1965), também parece aceitar a ideia de que as relações entre organismo e 
ambiente ocorram em fluxo contínuo. As mudanças ambientais e as respostas 
adaptativas do sistema-organismo estão em constante e ininterrupta interação em 
uma dinâmica de equilíbrio-desequilíbrio que só cessará quando o organismo morrer.
É a partir dessa perspectiva mecanicista e adaptativa que Pavlov analisa a função 
do reflexo condicional e do sistema nervoso que, então, fundem-se como um só 
mecanismo adaptativo. A definição de reflexo proposta pelo autor (1927/1960) já 
indica essa característica:
Nosso ponto de partida tem sido a ideia de Descartes de reflexo nervoso. Essa 
é uma concepção científica genuína, pois implica necessidade. Ela pode ser 
resumida da seguinte maneira: um estímulo interno ou externo atinge algum 
receptor nervoso e dá início ao impulso nervoso; esse impulso nervoso é 
transmitido ao longo das fibras nervosas até o sistema nervoso central e, ali, 
em função das conexões nervosas existentes, ele dá início a um novo impulso 
que percorre as fibras nervosas eferentes até o órgão ativo, onde excita uma 
atividade especial das estruturas celulares. Assim, parece haver conexão 
necessária do estímulo a uma resposta definida, como causa e efeito, (p. 7)
Sob influência cartesiana, Pavlov descreve o reflexo como uma sequência de 
eventos causalmente interconectados iniciada pela ocorrência de um estímulo 
interno ou externo ao organismo que afeta algum nervo receptor e dá início ao 
impulso neural. O impulso é transmitido pelas fibras neurais até o sistema nervoso 
central, originando ali novos impulsos neurais
eferentes que, eventualmente, irão 
excitar áreas musculares e/ou dos órgãos do organismo, causando, assim, as suas 
atividades. Não há lacunas nessa cadeia causal e os elementos que a constituem 
estão conectados por uma relação de necessidade. Por conta desse fato, as relações 
entre os elos iniciais e terminais da cadeia, isto é, as relações estímulo-resposta, são do 
tipo causa-efeito. É essa característica, segundo Pavlov, que dá ao conceito de reflexo 
a sua cientificidade. Nota-se também que, na definição de Pavlov, os elementos
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comportamentais (estímulos e respostas) e os fisiológicos (nervos receptores, fibras 
nervosas, etc.) são imanentes. Não há definição de reflexo sem o aspecto fisiológico, 
pois é a fisiologia que estabelece a conexão necessária entre estímulo e resposta.
Não há novidade na definição fisiológica de reflexo descrita por Pavlov, já que 
essa era adotada por diversos estudiosos do chamado "arco reflexo", tais como Charles 
Sherrington e Otto Magnus (Fearing, 1930; Pavlov, 1927/1960; Skinner, 1931/1961). 
Pavlov, no entanto, amplia a função do conceito ao utilizá-lo, provavelmente a 
exemplo de Sechenov, nas explicações da atividade nervosa "superior". Esse passo 
essencial da teoria neurológica pavloviana fica evidente nesta passagem do autor 
(1917/1955d):
Como se sabe, a rota completa percorrida pela excitação nervosa em um 
reflexo incondicional inato é chamada de arco reflexo. Três partes desse arco 
são corretamente distinguidas no sistema nervoso central inferior: o receptor 
(aparato de recepção), o condutor (aparato de condução) e o efetor (aparato 
de efetivação da ação). Se adicionarmos ao "receptor" o termo "analisador"
(o aparato decompositor) e ao "condutor" o termo "contactor" (o aparato de 
acoplamento), temos um substrato anatômico similar para as duas funções 
básicas da parte superior do sistema nervoso central, (p. 222)
A distinção entre os sistemas nervosos "inferior" e "superior" está no fato de 
que o primeiro não envolveria as atividades dos hemisférios superiores, isto é, do 
córtex cerebral (Pavlov, 1934/1955g). Pavlov também descreve nessa passagem 
quais seriam as duas principais funções dos hemisférios superiores. A primeira seria 
a função dos mecanismos "analisadores", encarregados de receber e decompor as 
estimulações ambientais. Nas palavras de Pavlov (1909/1955c): "Um analisador é um 
mecanismo nervoso complexo que tem início em um aparato receptor externo e 
termina no cérebro, tanto em sua parte inferior quanto em sua parte superior" (p. 
215). Além do aparato receptor, os sistemas analisadores também envolveriam 
"(...) a decomposição pelo organismo da complexidade do ambiente externo em 
seus elementos separados" (1917/1955d, p. 221). A lógica de Pavlov é a seguinte: o 
ambiente é complexo, composto por elementos diversificados, mas nem todos esses 
elementos atuam como estímulos eliciadores de respostas reflexas. Os mecanismos 
analisadores são responsáveis pela decomposição do ambiente em seus elementos 
constitutivos básicos. Em suma, os mecanismos analisadores seriam os órgãos dos
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"sentidos". Entretanto, Pavlov optou por denominá-los de "analisadores" para evitar 
qualquer aspecto mentalista que poderia estar presente nessa descrição psicológica.
Em seu turno, a segunda principal função do sistema nervoso superior seria 
estabelecer novos caminhos neurais através de conexões temporárias: "(...) uma 
conexão temporária dos caminhos condutores entre o fenômeno do mundo externo 
e as respostas de reação do organismo animal"(Pavlov, 1909/1955c, p. 209). A formação 
de novas conexões seria condição essencial para o surgimento de respostas reflexas 
condicionais. Mas como ocorreria o processo? Tomemos o reflexo salivar como 
exemplo. A estimulação externa da glândula salivar causaria impulsos nervosos que, 
por sua vez, percorreriam as fibras neurais até chegar à medula, resultando, por fim, 
na resposta reflexa incondicional. Os circuitos neurais pré-estabelecidos, a exemplo 
do reflexo salivar, seriam responsáveis pelos reflexos inatos e, por isso, incondicionais. 
Estímulos neutros, para adquirirem função eliciadora, precisariam antes construir 
seus caminhos através do sistema nervoso superior. Primeiramente, eles deveriam 
passar pelos centros receptores - os mecanismos analisadores. Pavlov acreditava que 
para cada sistema receptor (olfato, tato, visão, audição, paladar) haveria um centro 
correspondente no córtex. Após a passagem pelos mecanismos analisadores, o 
próximo passo seria a construção de novos caminhos neurais até a glândula salivar 
para que os estímulos fossem, então, capazes de eliciar respostas condicionais de 
salivação. A questão central, nesse ponto, se torna a seguinte: como as conexões são 
construídas? Deixemos Pavlov (1917/1955e) responder:
Com eu disse antes, o reflexo comum é formado da seguinte forma: há um 
caminho nervoso definido através do qual a estimulação proveniente da 
parte periférica é conduzida ao órgão efetor, neste caso, a glândula salivar.
Esse caminho de condução é, por assim dizer, um circuito elétrico. Mas o que 
acontece nesse caso? Aqui devemos adicionar que o sistema nervoso não é 
apenas um aparato de condução, como é geralmente assumido, mas também 
um aparato de conexão, (p. 398)
O sistema nervoso, para Pavlov, não seria apenas um mero mecanismo de 
condução de impulsos neurais. Além de condução, há também a função conectiva: 
o sistema nervoso é responsável pelo estabelecimento de novos caminhos de 
condução. Pavlov (1927/1960, 1934/1955g) associa tal processo ao conceito de 
Bohnung, termo alemão cujo significado, no contexto de sua fisiologia, diz respeito à
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formação e consolidação de novos caminhos neurais através da sua própria ativação 
constante. Nesse ponto, Pavlov defende a existência de um princípio da atividade 
neurológica: o princípio de conexão. No entanto, postular a sua existência é apenas o 
ponto de partida para o desenvolvimento da teoria pavloviana da dinâmica cerebral. 
Dando continuidade às suas reflexões fisiológicas:
Como se forma a conexão temporária ou reflexo condicional? Para que 
isso ocorra, é necessário que novo agente externo indiferente coincida 
temporalmente uma ou mais de uma vez com a ação do agente já conectado 
ao organismo, i.e., que faz surgir no organismo esta ou aquela atividade. Dada 
esta coincidência, o novo agente penetra na mesma conexão e se manifesta 
na mesma atividade que o já conectado. No sistema nervoso superior, 
onde o processo de formação de reflexos condicionais ocorre, o seguinte 
procedimento tem seu lugar: se um novo estímulo, previamente indiferente, 
ao entrar nos hemisférios cerebrais, encontrar no sistema nervoso um foco de 
excitação forte, ele passa a se concentrar em direção a este foco e daí para o 
órgão correspondente; assim ele se torna um estímulo para aquele órgão. Por 
outro lado, quando não há tal foco, ele [o estímulo] se dispersa nas massas 
dos hemisférios cerebrais sem produzir nenhum efeito pronunciado. Esta é, 
então, a formulação da lei fundamental da parte superior do sistema nervoso.
(1909/1955c, p.211)
No primeiro momento, Pavlov descreve o processo de condicionamento 
respondente. O estímulo neutro deve ser pareado ao estímulo incondicional para 
que, posteriormente, adquira
função eliciadora. Para Pavlov, o estímulo, antes neutro 
ou, em suas palavras, "indiferente" passa a fazer parte das mesmas "conexões" que 
o estímulo incondicional. O autor, então, prossegue com a sua descrição, focando 
agora as ocorrências no sistema nervoso superior, o lugar onde ocorreria a formação 
de reflexos condicionais.
As excitações geradas pelas estimulações podem ou irradiar pelo córtex 
ou se concentrar em centros corticais específicos. Os princípios de irradiação e 
concentração fundamentam toda a dinâmica da atividade neurofisiológica (Pavlov, 
1909/1955c, 1917/1955d, 1927/1960, 1932, 1934/1955g). As estimulações causam 
a excitação dos centros receptores corticais divididos de acordo com a natureza 
do estímulo. A ocorrência do estímulo neutro gera excitação no centro do córtex
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correspondente à sua recepção, mas essa excitação logo se dispersa ou, nos termos 
de Pavlov, "irradia" pela massa cortical, já que não haveria caminhos neurais a 
serem percorridos entre a estimulação e as respostas reflexas. Dessa forma, não há 
manifestação de resposta reflexa associada ao estímulo neutro. Porém, quando há a 
ocorrência pareada do estímulo incondicional, um forte foco de excitação no centro 
cortical correspondente à sua recepção é gerado. Esse foco de excitação acaba por 
atrair os impulsos neurais correspondentes à excitação gerada pelo estímulo neutro, 
que, então, ao invés de dispersarem, concentram-se em direção ao caminho neural 
que, por fim, resultará na resposta reflexa. A cada passo em que esse processo se 
repete, a excitação gerada pelo estímulo se torna cada vez mais concentrada em um 
centro específico e o caminho entre estímulo neutro e resposta reflexa incondicional 
se fortalece. Ao final, um novo caminho é construído e o estímulo e a resposta deixam 
de ser, respectivamente, neutro e incondicional, tornando-se, enfim, condicionais. No 
processo de formação do reflexo condicional, diz Pavlov (1932),"(...) a passagem de 
uma onda de excitação da célula cortical correspondente ao centro de concentração 
do estímulo incondicional é exatamente a condição fundamental que firma o padrão 
de um ponto ao outro"(p. 93).
Pavlov descreveu com mais detalhes quais seriam os princípios da atividade 
neurofisiológica que tornariam possível a consolidação de novas relações reflexas. As 
atividades neurais seriam fundamentalmente de dois tipos: excitatórias e inibitórias 
(Pavlov, 1909/1955c, 1917/1955d, 1927/1960, 1932, 1934/1955g). Essas atividades 
ocorreriam no córtex através da irradiação e da concentração. O processo de 
estabelecimento de novas conexões - de novos reflexos condicionais - descrito 
acima envolveu atividades excitatórias que, primeiramente, irradiavam pelo córtex 
e, em seguida, concentravam-se em centros específicos. Logo, resta-nos descrever a 
atividade cortical inibitória.
De acordo com Pavlov, a função das atividades corticais inibitórias seria justamente 
a de auxiliar no processo de seleção de reflexos. Nas palavras do autor (1909/1955c):
(...) já que o centro dos reflexos condicionais está localizado na parte superior do 
sistema nervoso, onde a colisão de inumeráveis influências do mundo externo 
está sempre ocorrendo, é compreensível que uma luta interminável entre os 
vários reflexos condicionais ocorra, ou a seleção deles a qualquer momento. 
Consequentemente - casos constantes de inibição desses reflexos, (p. 213)
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É a partir de um exemplo experimental descrito por Pavlov (1927/1960) que 
podemos observar claramente a lógica argumentativa que levou o autor a inferir a 
existência de atividades corticais inibitórias. Cinco aparatos de estimulação tátil foram 
arranjados em localizações distintas da pata (região após a munheca, onde estão as 
falanges) e da perna (região que engloba coxa, joelho, jarrete e boleto) posteriores 
de um cão. O primeiro foi colocado sobre a pata e os restantes na perna, com as 
respectivas distâncias de 3, 9, 15 e 22 centímetros em relação ao aparato colocado 
na pata. A estimulação tátil das áreas da perna foi pareada com a apresentação de 
comida, o estímulo incondicional, enquanto que a estimulação tátil da pata não era 
pareada com o estímulo incondicional. Assim, de acordo com Pavlov (1927/1960), as 
estimulações das áreas da perna adquiriam função excitatória, já que resultavam em 
resposta reflexa condicionada, ao passo que a estimulação da pata adquiriu função 
inibitória. Mas por que assumir que a estimulação da pata adquiriu tal função? Afinal, 
tendo em vista a própria teoria pavloviana, não poderíamos supor que não houve a 
criação de um caminho neural entre o centro cortical relacionado à estimulação da 
pata e o centro que gera a resposta de salivação, visto que não houve pareamento 
entre estímulos?
Pavlov (1927/1960) infere a aquisição de propriedades inibitórias ao analisar 
os efeitos da estimulação da pata não pareada com o estímulo incondicional 
sobre as propriedades eliciadoras dos outros estímulos condicionais localizados 
na perna. Estimulações nos quatro lugares da perna produziam, após o período 
de condicionamento, respostas reflexas de salivação de magnitudes semelhantes 
(medidas pela quantidade secretada de saliva). No entanto, estimulações 
prévias, sucessivas e não reforçadas3 da pata foram suficientes para influenciar as 
características excitatórias das estimulações nas áreas da perna que, como dissemos, 
foram alocadas a 3, 9,15 e 22 centímetros em relação à área estimulada da pata.Tais 
mudanças ocorreram em ordem inversamente proporcional à distância entre os locais 
estimulados na perna e na pata: quanto menor a distância entre as áreas estimuladas, 
maior foi o efeito inibitório. Dessa forma, a estimulação da área da perna que estava a 
3 centímetros da área estimulada da pata não eliciou nenhuma resposta de salivação, 
havendo, assim, inibição total do reflexo condicional por conta da estimulação prévia 
da pata. A estimulação da perna no lugar posicionado a 9 centímetros da pata eliciou
3 Pavlov (1927/1960) utiliza o termo "reforço" para indicar os estímulos incondicionais que, no caso, 
reforçariam os caminhos neurais entre estímulos e respostas.
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apenas parcialmente as respostas de salivação - cerca de metade da quantidade de 
saliva secretada se comparada à situação sem exposição prévia à estimulação da 
pata. Os lugares posicionados a 15 e 22 centímetros da pata, por sua vez, quando 
estimulados, mantiveram o mesmo poder de eliciação. Ou seja, a estimulação prévia 
da pata não afetou a capacidade excitatória dessas áreas.
Portanto, para Pavlov (1927/1960), a estimulação não reforçada da pata não teria 
apenas uma consequência negativa, a saber, o não fortalecimento do caminho neural 
entre o centro cortical receptor relacionado à pata e os centros relacionados à resposta 
de salivação. Haveria, também, uma consequência positiva: a estimulação não 
reforçada acabaria por desencadear processos inibitórios no córtex cerebral. O autor 
(1927/1960)
apresenta da seguinte maneira os desdobramentos neurofisiológicos 
desse experimento:
A importância deste experimento é clara. Deve-se considerar que os diferentes 
locais sensoriais na pele são projetados para áreas correspondentes no córtex 
dos hemisférios. Dessa forma, é razoável supor que o processo inibitório, 
iniciado em um ponto específico do córtex pela estimulação tátil dos locais 
inibitórios, irradia à área ao seu redor, produzindo um efeito inibitório menor 
com o aumento da distância do ponto inibitório e tornando-se indistinguível 
nos pontos mais distantes, (p. 154)
A estimulação não reforçada da pata desencadeia atividades inibitórias no córtex 
cerebral.Tendo como ponto inicial o centro receptor responsável pela área estimulada, 
essa atividade é irradiada pelo córtex, dissipando-se até acabar por completo. Nesse 
processo de irradiação/dissipação, a sua força inibitória se torna cada vez menor à 
medida que se distancia do centro de origem. Em adendo, Pavlov também acredita 
que áreas de estimulação próximas possuem centros corticais receptores próximos. 
Sendo assim, as áreas da perna localizadas a 3 e 9 centímetros da pata possuem 
centros receptores mais próximos do centro receptor da estimulação, enquanto os 
centros receptores relacionados às áreas localizadas a 15 e 22 centímetros da pata 
estão mais distantes. Quando há estimulação prévia e não reforçada da pata, forças 
inibitórias originam-se em seu centro receptor cortical. Essas forças são irradiadas 
pelo córtex, atingindo os centros receptores relativos às áreas da perna localizadas 
a 3 e 9 centímetros da pata. Como consequência, há o efeito comportamental 
observado por Pavlov: a ausência completa da resposta de salivação (estimulação
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a 3 centímetros) e diminuição significativa da magnitude da resposta (estimulação 
a 9 centímetros). Por outro lado, graças a maior distância entre os centros receptores 
das áreas da perna localizadas a 15 e 22 centímetros da pata e o centro no qual se 
originou a atividade inibitória, as respostas reflexas de salivação não são afetadas, 
já que a força inibitória durante o processo de irradiação é dissipada, tornando-se 
insuficiente para inibir a atividade excitatória.
Para Pavlov (1909/1955c, 1917/1955d, 1927/1960, 1932/1955f, 1934/1955g), os 
centros correspondentes aos reflexos inatos e, por isso, incondicionais possuiriam 
força de atração e excitação mais forte. É justamente por isso que os reflexos 
condicionais são estabelecidos com a "ajuda" dos incondicionais. Entretanto, além 
do aspecto hierárquico de organização dos centros corticais, Pavlov também foi 
capaz de discernir a existência de características e predisposições inatas que davam 
a cada sistema nervoso uma dinâmica própria. Essas características inatas foram 
divididas de acordo com três categorias classificatórias: (a) Força: a predisposição 
para atividades corticais excitatórias e inibitórias - sujeitos com sistemas nervosos 
com predisposição para atividades excitatórias seriam "fortes" enquanto os com 
predisposições para atividades inibitórias seriam "fracos"; (b) Equilíbrio: a interrelação 
das atividades excitatórias e inibitórias - quando há atividade equivalente de ambas 
o sujeito é "equilibrado"e, quanto não há, "desequilibrado"; (c) Mobilidade: o alcance e 
a velocidade de dissipação dos processos inibitórios e excitatórios através do sistema 
nervoso - pouco alcance resultaria em sujeitos"quietos"e grande alcance em sujeitos 
"vívidos". Para Pavlov (1932/1955f, 1934/1955g, 1938/1955h), essas características 
inatas seriam responsáveis pelos traços de temperamento ou, em termos mais atuais, 
de "personalidade" dos sujeitos.
Haveria quatro tipos de personalidade ou temperamentos (Pavlov, 1938/1955h). 
Sistemas nervosos fracos estariam associados à personalidade melancólica. Tipos 
fortes e desequilibrados resultariam em personalidade colérica. Fortes, equilibrados e 
quietos produziriam temperamentos fleumáticos. Fortes, equilibrados e vívidos, por 
fim, estariam associados às personalidades sanguíneas. Como é possível notar, Pavlov 
associou a sua teoria da personalidade às ideias de Hipócrates. Em sua descrição:
O estudo dos reflexos condicionais em cães levou gradualmente à ideia de 
diferentes sistemas nervosos em diferentes animais até que, finalmente, 
dados suficientes foram coletados para sistematizar o sistema nervoso a 
partir de algumas de suas propriedades básicas. Provou-se existir três dessas
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propriedades: a força dos processos neurais básicos (excitatórios e inibitórios), 
seu equilíbrio e sua mobilidade. As combinações existentes entre essas três 
propriedades produzem quatro tipos de sistemas nervosos mais ou menos 
pronunciados fortemente. A depender da força, os animais são divididos entre 
tipos fortes e fracos; no quesito equilíbrio, os animais fortes são divididos entre 
equilibrados e desequilibrados; e os animais fortes e equilibrados são divididos 
entre vívidos e quietos. Essa [classificação] coincide aproximadamente com 
a clássica sistematização dos temperamentos. Assim, há animais fortes, mas 
desequilibrados, nos quais ambos os processos nervosos são fortes, embora 
o processo excitatório seja mais predominante sobre o inibitório; este é o tipo 
excitável, impetuoso, ou colérico, de acordo com Hipócrates. Em adição, há 
animais fortes, razoavelmente equilibrados, mas inertes; este é o tipo quieto, 
preguiçoso ou fleumático, de acordo com a classificação de Hipócrates. Então, 
temos os animais fortes, razoavelmente equilibrados, mas lábeis: este é tipo 
ativo, vívido ou sanguíneo para Hipócrates. Finalmente, há o tipo fraco, que é 
equivalente ao tipo melancólico de Hipócrates; a característica mais comum 
e predominante desse tipo é rápida inibição devido à inibição interna, que 
é sempre fraca e erradia facilmente, e especialmente à inibição externa sob 
a ação de vários, até mesmo insignificantes, estímulos externos secundários.
(1934/1955g, pp. 259-260)
Para Pavlov (1938/1955h), a concordância entre a sua proposta, baseada em 
estudos sobre reflexo condicional em cães, e a de Hipócrates, direcionada aos seres 
humanos, seria evidência de sua veracidade: "Parece-me que essa coincidência de 
tipos em animais e seres humanos é prova convincente de que tal sistematização está 
de acordo com a realidade"(p. 482). Essa suposta evidência, por sua vez, seria relevante 
para a sua agenda de pesquisa em psicopatologia experimental, posto que sugeria 
certa continuidade entre espécies acerca de suas atividades nervosas superiores 
e traços de personalidade (Pavlov, 1938/1955h). O desarranjo das características 
dinâmicas do sistema nervoso que levam às personalidades distintas seria o principal 
fator causal dos problemas psicopatológicos. A partir dessa ideia, Pavlov iniciou um 
programa de pesquisa em psicopatologia cujo propósito era desenvolver quadros 
patológicos em animais a partir do manejo de contingências reflexas a fim de criar 
traços de temperamentos usualmente associados às psicopatologias (Dews, 1981; 
Pavlov, 1935/1955b).
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Considerações finais
Pavlov iniciou suas pesquisas fisiológicas tendo como objetos de estudo o coração 
e, principalmente, o sistema digestivo. Durante a sua trajetória, o autor se deparou 
com o fenômeno da salivação "psíquica"e
passou a estudá-lo. Pavlov queria, em certa 
medida, dar continuidade às ideias de Sechenov: desenvolver uma teoria materialista 
do sistema nervoso superior e, consequentemente, dos processos ditos "mentais", 
baseada na concepção de reflexo. Mas, ao contrário de Sechenov, Pavlov possuía 
o programa de pesquisa que o levaria a essa teoria, o da investigação dos reflexos 
condicionais. A partir desse programa, o autor desenvolveu a sua teoria neurológica.
O sistema nervoso superior possuiria mecanismos analisadores e conectores, 
não sendo apenas uma via condutora de impulsos neurais. Suas atividades seriam 
excitatórias e inibitórias, e a propagação dos impulsos neurais seguiria a dinâmica 
da irradiação e concentração. Pavlov, até mesmo, propôs uma tipologia neurológica 
a partir de sua teoria; tipologia que servia de explicação para as diferenças de 
temperamento (ou "personalidade") dos sujeitos. E mais, o autor teorizou que o 
desequilíbrio entre os aspectos da atividade neurológica que serviu de base para 
as categorias classificatórias de sua tipologia seria a principal causa das patologias 
psiquiátricas. Nota-se que Pavlov percorreu um longo caminho desde os estudos dos 
processos digestivos até a sua "patologia experimental"do sistema nervoso superior.
Iniciamos este capítulo apresentando brevemente os comentários críticos 
de Skinner à teoria neurológica pavloviana. A principal delas é a de que Pavlov 
desenvolveu uma teoria "conceituai" do sistema nervoso, já que o autor não estudou 
processos fisiológicos propriamente ditos. Pavlov inferiu não só a dinâmica (fisiologia) 
da atividade neurofisiológica, mas também uma anatomia do sistema nervoso 
superior baseado em seus dados experimentais sobre o reflexo condicional. Skinner 
não é o único a ressaltar essa característica da teoria pavloviana. Grimsley e Windholz 
(2000) chegaram à mesma conclusão: "A teoria de Pavlov da atividade nervosa 
superior pode ser considerada uma teoria neurofisiológica conceituai, derivada do 
comportamento de sujeitos animais em situações controladas"(p. 154).
As explicações neurológicas de Pavlov ofuscaram a linha divisória entre o que 
de fato se sabia, e o que não se sabia, acerca do sistema nervoso. Pavlov ofereceu 
uma lógica argumentativa bastante perspicaz. Todavia, o juízo final sobre a validade 
de uma teoria não seria dado pelo "Senhor Pavlov", mas sim pelo "Senhor Fato", e 
Pavlov parecia insensível aos fatos quando o assunto era a sua teoria do sistema 
nervoso superior. Aqui, encontramos talvez uma contradição em sua trajetória: de
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um lado, temos a importância dada ao fato e ao método de análise experimental 
que influenciou diretamente Skinner e sua análise experimental do comportamento; 
de outro lado, temos a teoria neurológica pavloviana, criada a partir de estudos 
sobre reflexo condicional, mas incompatível com os fatos da fisiologia real (i.e., não 
conceituai). Que elementos contribuíram para essa insensibilidade aos fatos no 
campo fisiológico? Só podemos conjecturar. Talvez as contingências do ambiente 
científico do qual Pavlov era figura central possam ter contribuído:"(...) existia um tipo 
de servilismo em relação a Palvov entre os seus colegas de trabalho. Era dado como 
certo que Pavlov estava correto e as pessoas tentavam compreender as suas ideias ao 
invés de criticá-las"(Konorski, 1970, p. 243). Ou seja, priorizava-se o"Senhor Pavlov"em 
detrimento do "Senhor Fato". Porém, a ausência de interlocutores críticos não pode 
ser vista como único fator relevante. Novamente com Konorski (1970):
Devemos nos lembrar que Pavlov foi um fisiologista geral e nunca um 
neurofisiologista. Em 1906, quando o famoso livro de Sherrington, Integrative 
Action of Nervous System, foi publicado, este livro já continha todas as ideias 
essenciais da neurofisiologia moderna que poderiam servir de base para os 
conceitos de Pavlov. Infelizmente, Pavlov não assimilou essas ideias e, assim, 
desenvolveu a sua própria teoria dos processos corticais completamente 
não relacionada aos já conhecidos conceitos sobre a organização do sistema 
nervoso. (...) A meu ver, a negligência de Pavlov dos princípios dos processos 
nervosos foi uma tragédia para o desenvolvimento posterior da fisiologia da 
atividade nervosa superior, (p. 246)
Ao que parece, a teoria neurológica de Pavlov já nasceu ameaçada por dados 
neurofisiológicos reais que a contradiziam e que foram negligenciados pelo autor. 
Talvez essa seja uma das razões pela quais ela seja amplamente ignorada, até mesmo 
em livros de história da fisiologia (Finger, 1994, 2000; Ochs, 2004; Shepherd, 1991, 
2010). No entanto, não podemos avaliar a importância de Pavlov apenas pela sua 
teoria neurológica, ainda que o próprio autor visse nela a sua principal realização. 
Pavlov deve também ser lembrado e celebrado, talvez a seu contragosto, pelas suas 
contribuições metodológicas e conceituais para o estudo do comportamento. Nas 
palavras de Boakes (1984):"(...) ainda que tenha sempre insistido em chamar a si 
mesmo de fisiologista, a maior conquista de Pavlov foi no campo da psicologia, ao 
descobrir muitos dos princípios básicos da aprendizagem" (p. 110).
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4 J. LOEB (1859-1924): O
COMPORTAMENTO DOS ORGANISMOS 
NA PRÉ-HISTÓRIA DO BEHAVIORISMO
Alexandre Dittrich
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0 biólogo e fisiólogo Jacques Loeb foi um cientista inovador, defensor infatigável 
da experimentação e explorador das fronteiras entre fisiologia e psicologia. Seus 
experimentos formaram "a base da moderna biologia do desenvolvimento, tanto 
no laboratório (...) quanto na clínica" (Weissmann, 2006, p. 1031), e são considerados 
precursores da engenharia genética, do Projeto Genoma Humano e da medicina 
regenerativa (Maienschein, 2009, p. 222). Pesquisador enérgico e prolífico, Loeb 
publicou mais de 400 artigos e livros entre 1884 e 1924.1 Suas realizações científicas lhe 
renderam várias indicações ao prêmio Nobel - embora jamais tenha sido agraciado.
Loeb também exerceu notória influência no desenvolvimento do behaviorismo, 
tanto diretamente (foi professor de John. B. Watson) quanto indiretamente (B. F. 
Skinner reconheceu a importância da leitura das obras de Loeb em sua formação, 
e foi profundamente influenciado por W. J. Crozier - este, por sua vez, tendo sido 
influenciado por Loeb). Embora fosse biólogo e físiólogo, seus experimentos 
frequentemente abordavam fenômenos comportamentais.
Breve biografia
Loeb nasceu em 7 de abril de 1859 na pequena cidade alemã de Mayen. 
Primogênito de uma família judaica, perdeu os pais bastante cedo - tinha 13 anos 
quando sua mãe, Barbara, faleceu em decorrência de uma pneumonia, e 16 quando 
seu pai, Benedict, sucumbiu à tuberculose. Após a morte do pai, começou a trabalhar 
em um banco de propriedade de um tio em Berlim, a fim de garantir
seu sustento. 
Nascido Isaak, "secularizou" seu nome aos 20 anos, abandonando publicamente a 
herança judaica. No mesmo período, entrou para a Universidade de Berlim, na qual 
se formou em Medicina, dedicando-se especialmente aos estudos sobre a fisiologia 
cerebral (Pauly, 1987). A formação científica de Loeb se deu em um momento de 
efervescência das ciências fisiológicas na Europa, particularmente na Alemanha. 
Sob a influência de lideranças científicas como Claude Bernard e Johannes Müller,
1 Uma lista completa desses trabalhos encontra-se em Osterhout (1930).
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jovens estudantes dedicavam-se entusiasticamente ao campo da pesquisa, e novas 
descobertas aconteciam com frequência.
Em 1886, Loeb tornou-se assistente de Adolf Fick no instituto de Fisiologia da 
Universidade de Wurzburgo. Ali, tomou contato com o fisiólogo Julius von Sachs, que 
então estudava um fenômeno que impressionou o jovem Loeb: os tropismos - isto é, 
o crescimento ou movimento de um organismo em direção a um estímulo ambiental. 
Em 1888, transferiu-se para a Universidade de Estrasburgo, tornando-se assistente do 
fisiólogo Friedrich Goltz. Participou das pesquisas de Goltz sobre a fisiologia cerebral 
em cães, que consistiam na extirpação de partes do cérebro dos animais com a 
posterior observação de seus efeitos. A longa controvérsia sobre a localização das 
funções cerebrais surgiu com intensidade nesse período, e Loeb - seguindo os passos 
de Goltz-tornou-se um"anti-localizacionista"resoluto, apresentando uma"concepção 
dinâmica"da fisiologia cerebral (Loeb, 1900; Wozniak, 1993).
Em 1890, durante uma visita à casa do fisiólogo Justus Gaule, na Suíça, Loeb 
conheceu a jovem estadunidense Anne Leonard, que há pouco havia obtido 
doutorado em filologia pela Universidade de Zurique. Jacques e Anne se casariam 
em outubro do mesmo ano. O casamento precipitou uma decisão que Loeb já 
considerava há algum tempo: mudar-se da Alemanha para os Estados Unidos. Os 
motivos para isso eram tanto científicos quanto políticos. Loeb sentia que seu pendor 
para a experimentação não se ajustava ao"estilo morfológico prevalecente na Biologia 
alemã" (Fangerau, 2007, p. 728), e que "não podia viver em um regime de opressão tal 
como Bismarck havia criado"(Rasmussen &Tilman, 1998, p. 44).
Loeb chegou aos Estados Unidos em 1891 - apenas um entre os mais de 113 
mil alemães que emigraram para o país somente naquele ano (Fangerau & Müller, 
2005). Inicialmente, trabalhou por um breve período como instrutor no Bryn Mawr 
College, na Pensilvânia, sendo convidado no ano seguinte para atuar na Universidade 
de Chicago como professor de fisiologia e biologia experimental. Em 1902, atraído 
pelo "clima ameno e pela possibilidade de trabalhar com material marinho durante 
todo o ano"(Osterhout, 1930, p. 324), aceitou convite para atuar na Universidade da 
Califórnia, em Berkeley. Por fim, em 1910, foi convidado pelo patologista Simon Flexner 
para estabelecer um laboratório de biologia experimental no Rockefeller Institute for 
Medicai Research, em Nova York. Lá teve, de acordo com Maienschein (2009), "o que 
muitos considerariam um trabalho de sonho [dream job], sem responsabilidades de 
ensino e com a permissão explícita para conduzir qualquer pesquisa que quisesse. A 
única pressão era para ser inovador e produzir algum tipo de resultado" (p. 221). Loeb
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aproveitou a oportunidade, ajudando a elevar o Instituto a uma posição de destaque 
no cenário científico estadunidense. Em 1918, fundou o Journal of General Physiology, 
até hoje publicado (Andersen, 2005). Loeb atuou no Rockefeller Institute até falecer, 
vítima de problemas cardíacos, em 11 de fevereiro de 1924, aos 64 anos. Em seu 
túmulo está gravado o seguinte dito de Louis Pasteur: "Heureux celui quiporte en soi 
un dieu, un idea! de beaute, et qui lui obéit" ("Felizes daqueles que carregam em si um 
deus, um ideal de beleza, e que o obedecem"). Que tais palavras encerrem a trajetória 
de Loeb guarda certa ironia, dado seu declarado ateísmo e sua objeção a explicações 
internalistas para fenômenos fisiológicos e comportamentais.
A postura científica de Loeb: A experimentação como 
método de controle dos fenômenos naturais
A trajetória de Loeb foi marcada pela defesa da experimentação - não apenas 
enquanto um método importante para a ciência, mas como o único verdadeiramente 
científico. Loeb foi um experimentador dedicado e rigoroso, disposto a repetir e variar 
seus experimentos sempre que houvesse necessidade: "Ele eliminava erros devidos 
à variação em organismos executando numerosos experimentos com inumeráveis 
controles, repetindo de novo e de novo, até que a possibilidade de erro parecesse 
eliminada" (Osterhout, 1930, p. 364). A concepção de Loeb sobre o assunto fica clara 
em uma carta enviada à revista TheNation em 1918:
Há hoje apenas um método conhecido na ciência pelo qual o conhecimento 
pode aumentar, que é o método da experimentação quantitativa, usado 
geralmente por físicos e químicos, usado ocasionalmente na ciência natural e 
na psicologia, e ao conhecimento deste que escreve não usado em absoluto 
na antropologia. (Rasmussen &Tilman, 1998, p. 30)
Por esse critério, para Loeb, "psico-análise" e "teorias da evolução" por exemplo, 
não poderiam ser consideradas "acréscimos ao nosso conhecimento" (Rasmussen 
& Tilman, 1998, p. 30). A desconfiança em relação aos métodos não experimentais 
levou Loeb (1916) a apresentar reservas, inclusive, em relação à teoria darwiniana 
da evolução das espécies: "Não podemos considerar provada qualquer teoria da 
evolução a não ser que nos permita transformar como desejarmos uma espécie em 
outra, e isso ainda não foi feito" (p. 6). Essa passagem aponta para outra característica 
importante da concepção de Loeb sobre o método experimental: compreender
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um processo natural via experimentação significa adquirir controle sobre ele. Esse 
foi um aspecto marcante da postura de Loeb: para ele, a Biologia deveria ser uma 
ciência que permitisse a manipulação dos fenômenos naturais - uma posição que se 
opunha à tradição da Biologia europeia, mais voltada para a descrição e classificação 
de tais fenômenos. Enquanto experimentador, Loeb (1903) via a si mesmo como um 
engenheiro, cujo objetivo era controlar os processos que estudava: "Não podemos 
permitir qualquer barreira no caminho de nosso completo controle, e portanto 
compreensão dos fenômenos da vida. (...) O controle dos fenômenos naturais 
[constitui] o problema essencial da pesquisa científica" (p. 25). Conforme aponta 
Pauly (1987), "o programa de Loeb não era ciência aplicada. Era um redirecionamento 
da própria investigação biológica para o que Loeb concebia como a atividade do 
engenheiro" (p. 51). A ciência, para Loeb, era tecnologia. Em carta enviada para Ernst 
Mach em 1890, Loeb expressa seu ideal científico de forma arrojada:
Paira agora diante de mim a ideia de que o próprio homem
pode agir como 
um criador até mesmo na natureza viva, formando-a por fim de acordo com 
sua própria vontade. O homem pode ao menos ser bem sucedido em uma 
tecnologia da substância viva {einerTechnikder lebenden Wesen).
(Pauly, 1987, p. 51)
O trabalho com os tropismos deu a Loeb a primeira grande oportunidade 
para demonstrar sua engenhosidade enquanto experimentador e sua capacidade 
de controlar processos biológicos. Inicialmente inclinado para a Filosofia, Loeb 
rapidamente concluiu que esta disciplina não poderia responder a questão 
fundamental que o acompanhou durante toda a vida, e em grande medida definiu 
sua carreira: existe a "vontade livre"? (Osterhout, 1930, p. 319). Loeb viu nos tropismos 
a possibilidade de atacar o problema cientificamente. O conceito de tropismo era, 
inicialmente, restrito ao campo da botânica. As pesquisas de Sachs, professor de Loeb 
na Universidade de Wurzburgo, eram realizadas apenas com vegetais. Sachs havia 
demonstrado poder controlar os movimentos de plantas alterando certos estímulos 
em seu ambiente. Seria possível fazer o mesmo com animais?
Em seus experimentos iniciais, Loeb demonstrou a existência de fototropismo 
em larvas de traças. As larvas rastejavam até o topo das árvores, onde é mais fácil 
encontrar alimento, e tal habilidade era às vezes atribuída à sua "inteligência", ou 
mesmo ao "desejo da traça pelas estrelas". Com técnicas experimentais simples,
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Loeb demonstrou que as larvas seguiam as fontes de luz automaticamente, 
mesmo quando havia alimento disponível perto delas. Em suma, as larvas eram 
"máquinas fotoquímicas", cujo comportamento podia ser facilmente controlado pelo 
experimentador. Para Loeb, tal descoberta punha em xeque a distinção estrita entre 
"instinto" e "inteligência" (Osterhout, 1930).
A progressiva capacidade de controlar o comportamento de animais em seus 
experimentos confirmava, para Loeb, uma concepção determinista, que se coadunava 
com seu perfil enquanto experimentador:
Onde quer que eu tenha até agora investigado a causa de tais movimentos 
"voluntários''ou"instintivos"em animais eu descobri, sem exceção, circunstâncias 
em ação, assim como são conhecidas na natureza inanimada, determinando os 
movimentos. Com a ajuda de tais causas é possível controlar os movimentos 
"voluntários" de um animal vivo tão seguramente e inequivocamente quanto 
um engenheiro tem sido capaz de controlar os movimentos da natureza 
inanimada. (Loeb, 1905/2013, p. 107)
O propósito maior de Loeb no controle dos processos vitais era a própria criação 
da vida por meios experimentais. Era preciso "determinar se podemos ou não produzir 
matéria viva artificialmente" (Pauly, 1987, p. 92).
Experimentador com postura de engenheiro, sempre buscando controlar os 
processos que estudava, Loeb também via nos resultados de seus experimentos a 
comprovação de sua posição mecanicista em relação aos fenômenos naturais. O 
problema da "vontade livre"tinha uma solução científica, que consistia em "encontrar 
as forças que determinam os movimentos dos animais, e descobrir as leis de acordo 
com as quais essas forças agem" (Loeb, 1912, p. 36). Para Loeb (1906), "organismos 
vivos podem ser chamados de máquinas químicas" (p. 1). As explicações para todos 
os fenômenos naturais deveriam ser mecânicas, e restritas a processos materiais. Em 
carta ao físico sueco Svante Arrhenius, datada de 1917, Loeb afirma que "todos os 
fenômenos da vida são determinados por leis rígidas, e (...) tais leis podem ter uma 
expressão matemática" (Rasmussen &Tilman, 1998, p. 37). Loeb combatia qualquer 
sugestão de que fosse necessário invocar processos "metafísicos" ou "místicos" para 
explicar os fenômenos naturais. Osterhout (1930), amigo e colega de trabalho de 
Loeb, observou que ele tinha "fé" e "convicção" na explicação estritamente mecânica
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de qualquer processo natural, uma "causa para a qual consagrou sua vida" e que 
"chegou quase a um dogma"(p. 365).
No livro The Orgonism as a Whole: From a Physicochemical Viewpoint (1916), 
Loeb aponta que, embora a explicação puramente físico-química de processos 
biológicos individuais (metabolismo, digestão, contração muscular) já fosse 
comumente aceita por fisiólogos, a situação era diferente no que concernia às 
"ações do organismo como um todo". Muitos fisiólogos (Loeb menciona Bernard, 
Hans Driesch e, especialmente, Jakob von Uexküll) ainda achavam necessário 
explicar tais ações como "a expressão de agentes não físicos" (pp. 1-2). O livro foi 
escrito em contraposição a esses autores, aos quais Loeb chamava de "vitalistas"2. 
Tais autores argumentavam que processos aparentemente teleológicos (por 
exemplo, a transformação de um ovo em um animal, a regeneração dos 
organismos, diversas ações instintivas, a origem da vida e a ocorrência da 
morte) de fato eram orientados para certas finalidades, e não poderiam ser 
compreendidos exclusivamente de um ponto de vista físico-químico. A fim de 
explicar tais processos, esses autores mencionavam "propósitos", "forças diretivas", 
"vontade", "enteléquia", etc. O livro de Loeb, como sugere seu título, propunha-se a 
demonstrar, por meio de experimentos (muitos realizados pelo próprio Loeb), que 
mesmo esses fenômenos poderiam ser explicados por processos físico-químicos. 
Tratava-se, portanto, de substituir explicações teleológicas por físico-químicas: "As 
reações e estruturas dos animais são consequências de forças químicas e físicas, 
que não servem um propósito mais do que as forças responsáveis pelos sistemas 
solares" (p. 319).
Como vimos até aqui, Loeb buscava produzir explicações para os fenômenos 
naturais em termos materiais e mecânicos, afirmando que tais fenômenos eram 
estritamente determinados - e, mais do que isso, que sua explicação deveria 
ser progressivamente reduzida ao nível físico-químico e expressa através de leis 
quantitativas para que pudesse de fato ser considerada científica. O termo "ambiente", 
que Loeb considerava vago, deveria ser compreendido a partir das "forças físicas e 
químicas individuais" que o constituem, e a descrição da influência dessas forças 
sobre os organismos deveria se dar por meio de "leis físico-químicas simples" 
(1916, p. 286). A ciência deve explicar fenômenos complexos analisando-os desde
2 Rasmussen eTilman (1998) apontam o filósofo francês Henri Bergson, muito famoso à época e"o 
principal expoente europeu do vitalismo", como o acadêmico a quem Loeb se opunha de forma mais 
veemente: "Loeb via Bergson como um místico e, pior, um charlatão"(p. 25).
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os fenômenos mais simples que os compõem, e a explicação científica "consiste 
somente na apresentação de um fenômeno como uma função inequívoca das 
variáveis pelas quais é determinado" (p. 58). Com isso, não restaria qualquer espaço 
para a "interferência de uma'força diretiva' do vitalista" (p. 317).
No livro The Mechanistic Conception of Life (1912), Loeb apresenta exemplos de 
explicações físico-químicas com o objetivo declarado de convencer os leitores de 
que "a soma de todos os fenômenos da vida" poderia ser"inequivocamente explicada" 
nesses termos (p. 3). A vida e a morte, por exemplo, deveriam ser compreendidas de 
acordo com essa forma de explicação. A humanidade, em seu período "pré-científico", 
adotou várias explicações "antropomórficas"
para tais fenômenos; por exemplo, a 
vida começaria quando um "princípio de vida" adentrasse o corpo, e a morte nada 
mais seria do que a partida de tal princípio. Loeb aponta, porém, que do ponto de 
vista científico a vida possivelmente começa "com a aceleração da taxa de oxidação 
no óvulo”, e termina "quando cessa a oxidação no corpo". O início e o fim da vida, 
portanto, são problemas "físico-quimicamente claros" (pp. 14-15).
Loeb e o estudo de fenômenos psicológicos
Vários dos estudos e especulações de Jacques Loeb lidavam diretamente com 
processos comportamentais. Loeb sabia que seus estudos tinham interesse direto 
para o campo psicológico. A palavra "psicologia" surge explicitamente no título de 
Comparative Physiology of the Brain and Comparative Psychology (1900), e um dos 
capítulos de The Mechanistic Conception ofLife (1912) é dedicado à "significância dos 
tropismos para a Psicologia". Loeb acreditava que mesmo comportamentos humanos 
complexos poderiam ser explicados por meio dos tropismos. Como os tropismos, por 
sua vez, poderiam ser explicados em termos físico-químicos, isso completaria a tarefa 
de compreender cientiftcamente o comportamento humano.
Para Loeb (1900), havia pouca distinção entre reflexos, tropismos e instintos: todas 
as palavras descrevem reações dos organismos diante de certos estímulos (externos 
ou internos), variando apenas em sua complexidade. Reflexos descrevem reações 
envolvendo apenas partes do organismo, enquanto tropismos envolvem reações 
do organismo como um todo, que podem ser compreendidas como conjuntos 
coordenados de reflexos. Os comportamentos ditos instintuais, em última análise, 
poderiam ser compreendidos como tropismos: "Se a teoria dos tropismos sobre a 
conduta animal se justifica deve ser possível mostrar que instintos são reações 
tropísticas" (Loeb, 1918, p. 156). Os tropismos descrevem os movimentos dos animais
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em relação a vários estímulos: luz (fototropismo), temperatura (termotropismo), 
eletricidade (galvanotropismo), substâncias químicas (quimiotropismo), gravidade 
(geotropismo), etc. Os instintos, por sua vez, são descritos por suas consequências 
funcionais: alimentação, reprodução, proteção, etc. Embora Loeb reconhecesse que 
os instintos podiam sofrer a ação da aprendizagem, ele "parecia confiante de que 
nada mais do que a física e a química comuns poderiam lidar com tais complicações" 
(Herrnstein, 1972/1998, p. 79).
Loeb sempre buscou compreender os processos psicológicos mais complexos 
(designados por palavras como consciência, memória, inteligência, etc.) a partir de 
processos psicológicos mais simples (reflexos e tropismos). Esse seria, porém, apenas 
um passo inicial na tarefa reducionista da ciência. Loeb era otimista em relação à 
possibilidade - que ele admitia estar ainda distante - de explicar todos os fenômenos 
"psíquicos" (incluindo nossa "vida interior") de uma maneira estritamente físico- 
química, dado que alguns fenômenos comportamentais, como os tropismos, já 
podiam ser explicados dessa forma:
Nossos desejos e esperanças, desapontamentos e sofrimentos, têm sua fonte 
em instintos que são comparáveis ao instinto de luz dos animais heliotrópicos.
A necessidade e a luta por alimento, o instinto sexual com sua poesia e 
sua cadeia de consequências, os instintos maternais com a felicidade e o 
sofrimento causados por eles, o instinto de trabalho [workmanship], e alguns 
outros instintos são as raízes a partir das quais nossa vida interior se desenvolve.
Para alguns desses instintos a base química está pelo menos suficientemente 
indicada para despertar a esperança de que sua análise, de um ponto de vista 
mecânico, é apenas uma questão de tempo. (Loeb, 1912, p. 30)
Alguns experimentos envolvendo os processos usualmente chamados de 
"conscientes" apontariam direções promissoras para sua compreensão. Segundo 
Loeb (1900), a consciência se resume à "memória associativa" (ou simplesmente 
"associação"), e a presença desta é verificada quanto um organismo é capaz de 
aprender:"Se um animal pode ser treinado, se ele pode aprender, ele possui memória 
associativa" (p. 12). Por exemplo, se um animal "responde ao ouvir seu nome ser 
chamado"ou"pode ser treinado a ir para o local no qual é usualmente alimentado ao 
ouvir um certo som", ele apresenta memória associativa (p. 218). Como exemplo de 
memória associativa em humanos, Loeb (1918) comenta que "a imagem e o odor de
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uma rosa podem invocar a memória de pessoas ou situações que estavam presentes 
em uma ocasião anterior quando a imagem ou o odor da rosa nos afetou" (p. 165). 
Desvendar os mecanismos físico-químicos da memória associativa é, portanto, a 
principal tarefa da fisiologia cerebral e da psicologia - um problema cuja solução, 
Loeb ressalta (1900), "provavelmente será encontrada no campo da físico-química" 
(p. 214)3.
Loeb descreve os experimentos de Pavlov sobre reflexos condicionados (1918, cap. 
19), e afirma que o método utilizado é o único até então que "satisfaz as demandas 
da ciência quantitativa" para estudar os efeitos das "associações de memória" (p. 
165). Ele utiliza o termo "imagem de memória" para designar estímulos internos que 
supostamente direcionariam o comportamento dos organismos capazes de realizar 
tais associações - mas faz questão de ressaltar que a "influência de uma memória 
associativa" é mensurável, e que "o que chamamos de uma imagem de memória não 
é um agente 'espiritual', mas físico" (p. 167). Por exemplo: uma vespa cava um buraco 
ao qual posteriormente retornará. Como ela consegue reencontrar o buraco? Loeb 
classifica tal comportamento como "o efeito tropístico ou orientador da imagem de 
memória do local desse buraco, significando, portanto, que a imagem de memória 
do local do buraco faz o animal retornar ao local" (p. 169). Além disso, acrescenta:
Não basta dizer que o animal possui memória associativa e retorna ao buraco; 
devemos acrescentar que a imagem cerebral4 da região do buraco torna- 
se a fonte de uma orientação forçada do animal - de um tropismo especial
3 Mesmo admitindo que em sua época o"mecanismo de ação do cérebro"era "inteiramente 
desconhecido", pois ainda não era possível "olhar dentro do cérebro ativo" (1912, p. 79), Loeb não se 
furtava a levantar hipóteses analógicas sobre o assunto. Tentando explicar a memória associativa,
Loeb (1900) comenta que processos que ocorrem no sistema nervoso central deixam nele "uma 
impressão ou traço", e que dois processos que "ocorram simultaneamente ou em rápida sucessão 
deixarão traços que se fundem, de modo que se posteriormente um dos processos se repete, o outro 
vai necessariamente se repetir também" (p. 213). Loeb observa também que, após os experimentos 
de Pavlov com o condicionamento de reflexos,"não parece mais estranho para nós que aquilo
que o filósofo chama uma'ideia'seja um processo que pode causar mudanças químicas no corpo" 
(1912, p. 62). Em outro momento, contudo, Loeb (1900) ataca o "peculiar híbrido entre metafísica e 
anatomia"contido na hipótese de que"imagens de memória"são depositadas em células ganglionares 
"vazias": "Essa concepção trata a imagem de memória como se ela fosse algo substancial, /. e., algo 
caracterizado por massa" (p. 277).
4 É curioso salientar, nesse exemplo, que Loeb utiliza o termo "imagem cerebral", aparentemente de 
forma intercambiável com o termo "imagem de memória" utilizado
no restante do livro.
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adicionado - compelindo o animal a retornar à região correspondente à 
imagem, (p. 170)
O fenômeno da "memória associativa" acaba sendo incorporado por Loeb (1918) 
na classe dos tropismos, sugerindo a existência de "tropismos condicionados": "Não 
devemos, portanto, nos surpreender em descobrir que tais imagens de memória ou 
'reflexos condicionados' podem variar e multiplicar o número das reações tropísticas 
possíveis" (p. 167).
Loeb combatia com veemência o uso de certos tipos de explicação do 
comportamento que considerava antropomórficas, ou típicas do "psicólogo 
introspectivo", e que não seriam compreensíveis de um ponto de vista físico e 
experimental. Tentativa e erro, "estados fisiológicos" vagos, entidades mentais (prazer 
e dor, curiosidade, propósito) - todas essas formas de explicação são condenadas por 
Loeb (1918, pp. 16-18). Verifica-se que insetos, por exemplo, depositam seus ovos em 
materiais nutritivos para a prole que em breve nascerá, e nesse caso o quimiotropismo 
que explica tal comportamento substitui "o aspecto místico do cuidado instintivo dos 
insetos pelas futuras gerações" (1918, p. 160).
É possível encontrar na obra de Loeb vários outros exemplos de sua objeção a 
explicações de fenômenos fisiológicos e comportamentais em termos de entidades 
internas inferidas. À sua própria maneira, Loeb combatia o que um behaviorista 
contemporâneo chamaria genericamente de "mentalismo" na explicação de tais 
fenômenos. Para Loeb (1916), seria "tanto injustificado quanto desnecessário" tentar 
explicar os tropismos como produtos de emoções ou sentimentos hipotéticos (pp. 
284-285). Por exemplo, Loeb era um especialista no estudo do fototropismo5, que 
ocorre em várias plantas e insetos. O fototropismo, argumenta Loeb (1916), pode ser 
compreendido em termos puramente físico-químicos: ele seria, "em última análise, a 
expressão da lei Bunsen-Roscoe de reações químicas"6. No entanto, como apontou 
Loeb,"a'atração'ou'repulsão'deanimais pela luztem sido explicada pelos biólogos de
5 Embora o termo genérico "fototropismo" já fosse comum na literatura da época, Loeb preferia o 
Termo "heliotropismo" para designar o movimento de organismos em direção a qualquer fonte de 
luz. Contemporaneamente, costuma-se reservar o termo "heliotropismo" para os movimentos de 
organismos orientados em relação ao sol. Os tropismos podem ser positivos (o organismo se move em 
direção ao estímulo) ou negativos (o organismo se move em direção contrária ao estímulo).
6 Lei proposta por dois químicos, o alemão Robert Bunsen e o inglês Henry Roscoe, segundo a qual "a 
reação de qualquer pigmento sensível à luz, incluindo um pigmento visual na retina do olho, é uma 
função multiplicativa da intensidade da exposição à luz e sua duração"(Colman, 2009, p. 107).
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jma maneira antropomórfica, ao atribuir-se aos animais uma 'afeição' [fondness] por 
:uz ou por escuridão" (p. 256). Loeb (1912) comenta que alguns cientistas no campo 
da botânica buscam explicar reações tropísticas em plantas por meio de analogias 
com o comportamento de animais, afirmando que elas possuiriam "órgãos dos 
sentidos" ["sense-organs"], ou mesmo uma "alma" ou "inteligência" - quando deveriam 
derivar tal explicação "tão diretamente quanto possível da lei de ação das massas ou 
da lei de Bunsen e Roscoe"(p. 58). Para Loeb (1900), as"concepções metafísicas"(alma, 
vontade, consciência), dificultam a tarefa de compreensão de fenômenos biológicos, 
e deveriam ser substituídas por "processos fisiológicos reais" (p. V).
A possibilidade de estender a teoria dos tropismos para explicar comportamentos 
humanos permitiria também compreender por que humanos e animais superiores 
"parecem possuir liberdade de vontade":
Os efeitos tropísticos das imagens de memória e a modificação e inibição de 
tropismos pelas imagens de memória7 tornam o número de reações possíveis 
tão grande que a previsão se torna quase impossível, e é sobretudo esta 
impossibilidade que dá origem à doutrina do livre-arbítrio. (1918, p. 171 )
Essa doutrina, de acordo com Loeb (1918), não é sustentada por físicos, mas por 
"verbalistas" (p. 171). Tanto as ações ditas instintivas quanto aquelas ditas livres são 
determinadas; a diferença é que, no primeiro caso, podemos identificar claramente 
as fontes do controle, o que não ocorre no segundo: "A palavra 'vontade animal' 
[ianimal wilí] era apenas a expressão de nossa ignorância sobre as forças que 
prescrevem aos animais a direção de seus movimentos aparentemente espontâneos 
tão inequivocamente quanto a gravidade prescreve os movimentos dos planetas" 
(Loeb, 1912, p. 36). Concebemos que os humanos têm livre-arbítrio, porque nosso 
conhecimento das forças que determinam o comportamento é incompleto, e isso se 
deve "puramente ao infinito número de possíveis combinações e inibições mútuas do 
efeito orientador de imagens de memória individuais" (1918, p. 172).
A despeito da complexidade dos processos envolvidos, porém, o problema da 
"vontade livre" é suscetível ao tratamento experimental. É preciso identificar as 
variáveis que determinam o comportamento, manipulá-las e, assim, demonstrar
7 É digno de nota que Loeb tenha eximido o conceito de imagem de memória de sua própria crítica 
contra as explicações baseadas em eventos mentais hipotéticos.
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controle sobre ele. Ao argumentar nessa direção, Loeb expõe sua postura determinista 
de forma austera e exigente:
Experimentalmente, a solução do problema da vontade deve consistir em 
forçar, por agentes externos, qualquer número de indivíduos de um certo 
tipo de animais a mover-se em uma direção definida por meio de seu aparato 
locomotor. Apenas se conseguirmos isso teremos o direito de assumir que 
sabemos a força que, sob certas condições, parece ao leigo ser a vontade do 
animal. Mas se apenas uma parte dos animais se move nessa direção definida 
e a outra não, nós não conseguimos encontrar a força que inequivocamente 
determina a direção de seu movimento. (1912, p. 36)
Uma carta de Loeb endereçada ao filósofo e psicólogo William James, datada 
de 1888, é bastante reveladora da postura reducionista de Loeb em relação aos 
fenômenos psicológicos:"Qualquer coisa que nos apareça como inovações, sensações, 
fenômenos psíquicos, como são chamados, eu procuro conceber reduzindo-os 
- no sentido da física moderna - à estrutura molecular e atômica do protoplasma" 
(Rasmussen &Tilman, 1998, p. 5). Ao final do capítulo no qual explica a "significância 
dos tropismos para a Psicologia", Loeb (1912) declara: "Para mim é uma questão de 
tornar os fatos da psicologia acessíveis à análise por meio da físico-química" (p. 61). 
Além disso, sugere que o desenvolvimento da "psicologia comparativa" caberá mais 
aos "biólogos treinados em físico-química do que aos especialistas em psicologia ou 
zoologia, pois em geral é difícil esperar que zoólogos e psicólogos, que não têm um
treinamento físico-químico, se sentirão atraídos ao tema dos tropismos" (pp. 61-62).
As interpretações de Loeb sobre as implicações de seus experimentos para o 
comportamento dos seres humanos, eventualmente, avançavam sobre questões 
éticas e políticas, assumindo até mesmo um caráter prescritivo. Há uma clara 
continuidade entre a engenharia biológica pretendida por Loeb e suas esperanças 
de uma reforma social cientificamente fundamentada. Para Loeb (1912), caso a 
explicação dos fenômenos vitais em termos físico-químicos fosse de fato possível, 
"nossa vida social e ética terá que ser posta em uma base científica e nossas regras 
de conduta precisarão ser colocadas em harmonia com os resultados da biologia 
científica" (p. 3). A base da explicação do comportamento ético dos seres humanos 
estaria nos instintos, que seriam "tão hereditários quanto a forma de nosso corpo". 
Os seres humanos são "apenas mecanismos químicos", que "comem, bebem e se
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reproduzem não porque a humanidade tenha chegado a um acordo de que isso 
é desejável, mas porque, como máquinas [machine-like], somos compelidos a isso" 
por "processos em nosso sistema nervoso central". Instintos explicam também 
porque somos ativos ("instinto de trabalho") e porque mães cuidam de seus filhos 
("instinto de cuidar dos jovens"); buscamos a companhia de outros seres humanos e 
lutamos pela justiça e pela verdade, "porque somos instintivamente compelidos a ver 
nossos semelhantes felizes". Eventualmente, podem surgir "mutantes" nos quais "um 
ou outro instinto desejável se perca"; caso a prole desses mutantes seja "numerosa 
o bastante", ela pode "reduzir o status ético de uma comunidade" (p. 31). Como 
vimos, porém, Loeb reconhecia que a aprendizagem tinha um papel importante no 
comportamento humano. Para ele, isso significava que reflexos e instintos poderiam 
ser modificados pela ação da "memória associativa", devendo haver um equilíbrio 
entre a manutenção de certos instintos e a inibição de outros. Comportamentos 
antiéticos seriam produzidos por "condições econômicas, sociais e políticas" ou por 
"ignorância e superstição", que teriam o efeito de inibir ou deformar nossos instintos 
virtuosos (1912, p. 31).
Embora não admitisse "livre-arbítrio [free-wilf] metafísico", Loeb (1900) não negava 
a "responsabilidade pessoal". Atos eticamente reprováveis são produto ou de uma 
"deficiência orgânica"ou de uma "educação insuficiente". A educação ética dos jovens 
é uma tarefa social indispensável: «Podemos encher a memória da nova geração com 
associações que venham a prevenir as más ações ou o desregramento». A punição, 
por produzir «associações inibitórias», seria «talvez justificável», mas não deveria ser 
exagerada ou cruel (p. 234).
Embora reconhecesse que a ciência ainda precisaria avançar muito para subsidiar 
com segurança decisões governamentais, Loeb via nela o único caminho para a 
solução dos problemas sociais, éticos e políticos da humanidade:"As descobertas das 
ciências poderiam ser aplicadas aos problemas humanos por um corpo educado de 
experts que fariam decisões sociais cotidianas com base no conhecimento científico" 
(Rasmussen &Tilman, 1998, p. 165). Loeb considerava a educação científica essencial 
para vencer a superstição e o misticismo, para gerar riquezas e orientar a política e 
a economia. De acordo com Loeb, "a riqueza das nações modernas (...) não se deve 
aos seus homens de estado ou às suas guerras, mas às realizações dos cientistas" 
(Fangerau, 2007, p. 728). Não apenas as massas, mas também políticos e legisladores 
deveriam aprender sobre a ciência. Em carta enviada ao presidente americano 
Theodore Roosevelt, em 1909, Loeb afirmou que"a transição da gestão estatal passada
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para a moderna é marcada pela substituição da burocracia e jurisprudência estéril, ou 
dos horizontes limitados dos homens de negócios, pela ciência fértil" (Rasmussen & 
Tilman, 1998, p. 86).
Loeb e a filosofia da ciência
Loeb manteve uma relação ambígua com a filosofia da ciência. Seus escritos 
demonstram claramente seu enfado em relação às discussões conceituais e filosóficas: 
ele frequentemente as considerava vazias e inúteis, contrapondo-lhes a precisão e a 
segurança da ciência e atacando "metafísicos" e "especuladores". Seria preciso evitar 
"os erros do metafísico", buscando explicações baseadas "em fatos, não em palavras" 
(1900, p. 12). Ao comentar um texto que discutia se animais possuem inteligência, 
Loeb (1900) observa de forma desdenhosa que "a resposta a tais questões varia com a 
definiçãoda palavra inteligência,e portantotaisdiscussões resultam em uma discussão 
de palavras e definições". Tais discussões teriam caráter "escolástico", servindo apenas 
para defender "dogmas" e "opiniões". Desde Galileo Galilei, contudo, a ciência teria 
se livrado desse "estéril método escolástico": "O objetivo da biologia moderna não 
é mais discutir palavras, mas controlar os fenômenos da vida"(p. 287). Loeb acusava 
"teólogos, filósofos e o resto dos escritores não-científicos"de dificultar para o público 
comum a distinção entre verbalismo especulativo e fatos experimentais - ou entre 
"certeza e mero discurso vago"(Rasmussen &Tilman, 1998, p. 29). Ao contrário do que 
ocorreria em "algumas ciências mentais", nas quais "tudo se apoia na argumentação 
ou na retórica", e em "ciências descritivas como paleontologia e zoologia", nas quais 
as teorias se sucedem uma após a outra, a Biologia contemporânea seria uma ciência 
"fundamentalmente experimental" e não "descritiva" ou "retórica", produzindo assim 
verdades mais sólidas (Loeb, 1912, pp. 3-4). A ciência, para Loeb (1916),"não é o campo 
das definições, mas de previsão e controle"(p. 349). Em suma, como aponta Pauly,"ele 
buscou uma abordagem da ciência que o libertasse da complexidade de argumentar 
sobre problemas que pareciam sem solução. Sua identificação com o engenheiro o 
permitiu ignorar o processo de debate teórico que parecia a ele sem sentido"(p. 53).
Embora seja possível identificar com razoável clareza as posições epistemológicas 
de Loeb, ele frequentemente negava que seu trabalho tivesse qualquer relação 
com a Filosofia. Em certa ocasião, Loeb leu o rascunho de um texto biográfico a seu 
respeito, que afirmava que alguns de seus escritos tratavam de problemas filosóficos 
e psicológicos. Em uma carta datada de 1922, ele objetou fortemente contra 
essa caracterização, alegando que suas contribuições consistiam "puramente em
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experimentos físico-químicos. Eu nunca me prestei a escritos filosóficos".Tentativas de 
explicar fenômenos naturais em termos psicológicos e filosóficos eram "antiquadas, 
puramente especulativas", e deveriam ser substituídas pela experimentação científica. 
Não se trava mais, assim, de lidar com questões psicológicas ou filosóficas, mas com 
fatos "físico-químicos" (Rasmussen &Tilman, 1998, p. 9).
A despeito de tais demonstrações de rejeição à Filosofia, Loeb encontrou em 
Mach algo como um porto seguro, que lhe provia toda a fundamentação que ele 
considerava necessária para seu trabalho científico. Nesse caso, é certamente 
revelador o fato de Mach ter sido, antes de filósofo, um físico. Ele falava a "linguagem" 
dos cientistas:"Mach apresentou seus livros como discussões de temas gerais escritos 
por um
cientista praticante para outros cientistas, independente das complexidades 
da filosofia acadêmica" (Pauly, 1987, p. 42).
Loeb manteve extensa correspondência com figuras importantes da ciência 
em sua época - entre elas, os físicos Albert Einstein e Svante Arrhenius, o filósofo 
e psicólogo William James e o economista e sociólogo Thorstein Veblen. Mach era 
um de seus interlocutores mais frequentes, embora nunca tenham se encontrado 
pessoalmente. Em sua correspondência com Mach, Loeb sentia-se à vontade para 
tratar de "questões estratégicas, filosóficas e epistemológicas" (Fangerau & Müller, 
2005, p. 207). Mais do que apenas um colega cientista, Mach era para Loeb um 
ídolo intelectual. Por ocasião da publicação de Comporotive Physiology of the Brain 
and Comparative Psychology, Loeb dedicou seu livro ao físico. E assim como Mach, 
via a ciência e a tecnologia como aspectos contínuos e integrados de um mesmo 
empreendimento. A ciência tem como objetivo prever e controlar experimentalmente 
os fenômenos que estuda, e com isso permitir o domínio dos fenômenos naturais a 
fim de satisfazer as necessidades humanas. A ciência, em suma, confere poder. Se 
Loeb é hoje reconhecido como um pioneiro em conceber a biologia como uma 
"engenharia da vida" (Pauly, 1987; Maienschein, 2009; Weissmann, 2006), certamente 
isso se deve em grande medida à influência de Mach.
Para Loeb, assim como para Mach, descobrir as variáveis que controlam um 
fenômeno equivale a explicá-lo cientificamente. Seria necessário, de acordo com 
Loeb (1907), "controlar as reações do animal antes de explicá-las, dado que apenas o 
controle das reações oferece um teste suficiente para a correção de nossa análise" (p. 
152). Loeb tratava tanto os reflexos quanto os tropismos como relações de controle 
observáveis entre estímulos e respostas, como sugeria a noção de relação funcional 
de Mach. Além disso, seguindo o exemplo de Mach, Loeb evitava o apelo a entidades
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hipotéticas internas na explicação dos fenômenos fisiológicos e psicológicos. Ele 
considerava problemáticas não apenas explicações que apelavam para entidades 
mentais (vontade, inteligência, instinto, etc), mas também aquelas que recorriam 
a mecanismos neurais hipotéticos - e o motivo principal para isso era de ordem 
prática: a inacessibilidade de tais entidades impossibilitava o controle experimental. 
Como apontou Pauly (1987), "Loeb sustentou explicitamente que o critério para a 
acessibilidade era se 'um engenheiro' poderia 'fazer uso de tais causas no mundo 
físico"'(p. 47).
Loeb e a manipulação da vida sob o olhar público
Em sua época, Loeb tornou-se um dos mais famosos cientistas dos Estados Unidos, 
aparecendo com regularidade em matérias de jornais e revistas populares. Ele foi uma 
das primeiras celebridades científicas, um dos símbolos de uma ciência que, ao se 
traduzir em tecnologia e manipular a vida, tornou-se objeto de controvérsia pública 
- fazendo lembrar a polêmica hoje suscitada por técnicas de clonagem e engenharia 
genética. De fato, aplicações científicas como a fertilização in vitro e os contraceptivos 
orais derivam das pesquisas pioneiras de Loeb (Pauly, 1987).
A demonstração experimental da partenogênese artificial é sem dúvida a 
realização científica mais conhecida de Loeb, e foi o estopim para as controvérsias 
envolvendo seu trabalho. Durante vários anos, Loeb frequentou o Marine Biological 
Laboratory, em Woods Hole, Massachusetts, realizando experimentos variados com 
invertebrados marinhos. Desde sua fundação, em 1888, o laboratório promovia 
programas de pesquisa em biologia reprodutiva. Foi ali que Loeb produziu 
"artificialmente" a partenogênese - isto é, o desenvolvimento de embriões sem a 
necessidade de fertilização. No experimento de Loeb (1899), óvulos de ouriços-do- 
mar progrediram para o estado larval sem a presença de esperma, por meio tão- 
somente da introdução de soluções de sal inorgânico na água que envolvia os óvulos.
Com a partenogênese artificial, a ciência demonstrava, de maneira eloquente, sua 
capacidade de manipular a vida - e Loeb, experimentador-engenheiro, não se furtava 
a defender publicamente sua concepção de ciência como tecnologia e a confirmar 
seu potencial. Durante o anúncio de sua realização, em outubro de 1899, Loeb sugeriu 
a possibilidade de reproduzir a partenogênese em "mamíferos" - e mesmo que não 
tenha mencionado diretamente a espécie humana, a opinião pública compreendeu 
imediatamente o alcance da descoberta; dúvidas, previsões e preocupações se 
multiplicaram. Diversos jornais anunciaram o feito. O Boston Herald, por exemplo,
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trouxe a seguinte manchete: "Criação da Vida. Espantosa Descoberta do Prof. Loeb. 
Animais Inferiores Produzidos por Meios Químicos. Processo Pode se Aplicar à Espécie 
Humana. Concepção Imaculada Explicada. Experimentos Maravilhosos Conduzidos 
em Woods Hole" (Pauly, 1987, p. 100). Especulava-se sobre as consequências da 
possibilidade de que mulheres gerassem filhos sem a participação dos homens. A 
expressão "concepção imaculada", que havia sido utilizada pelo próprio Loeb, produziu 
uma interpretação previsível, mas que o desagradou profundamente: a concepção de 
Jesus pela Virgem Maria poderia ser cientificamente explicada. Comentários irônicos 
davam conta de que "donzelas" estariam evitando banhos de mar após a descoberta 
de Loeb, a fim de prevenir a gravidez (Pauly, 1987).
Em uma entrevista concedida para a McClure's Magazine em 1902, Loeb 
expressou-se da seguinte forma:
Eu quis tomar a vida em minhas mãos e jogar [play] com ela (...). Eu quis 
manipulá-la em meu laboratório como faria com qualquer outra reação 
química - iniciá-la, pará-la, variá-la, estudá-la sob cada condição, direcioná-la de 
acordo com a minha vontade! (Pauly, 1987, p. 102)
Ainda hoje tais palavras soam fortes e ousadas. No início do século 20, o impacto 
conjunto das descobertas e das declarações de Loeb sobre a opinião pública foi 
extraordinário. Em tom dramático, Loeb foi comparado a Fausto e a Frankenstein 
(Pauly, 1987), e acusado de "transgredir os limites da ciência (...). Bebês sem pais 
violavam a lei natural, o plano divino havia sido rompido, e Loeb foi acusado de 
propor a'hipótese ateista'de que a vida teve uma origem físico-química"(Weissmann, 
2006, p. 1032).
A influência de Loeb sobre o behaviorismo
Loeb foi uma importante referência intelectual para diversos cientistas - entre 
eles, os dois behavioristas mais conhecidos: John B. Watson e B. F. Skinner. É possível 
notar várias similaridades filosóficas e metodológicas entre a biologia de Loeb e 
as de Watson e Skinner: a opção pelo "organismo como um todo" como objeto de 
estudo, a importância do controle experimental, a busca por variáveis independentes 
manipuláveis, a tendência ao determinismo, a precedência dos dados em relação 
à teorização, a concepção de integração entre ciência e tecnologia, a pretensão 
de construir uma tecnologia do comportamento, a sugestão de reformas sociais
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fundamentadas nessa tecnologia e, por fim, a oposição ao dualismo. Osterhout 
(1930) aponta, além disso, que as obras de Loeb "deram um enorme ímpeto ao 
estudo experimental do comportamento animal e encorajaram a expectativa de que 
ele poderia ser posto sob controle do experimentador"(p. 334).
Loeb e Watson
Loeb foi professor de fisiologia e biologia experimental na Universidade de 
Chicago durante dez anos, entre 1892 e 1902. O jovem Watson ingressou como 
aluno na mesma universidade em 1900, aos 22 anos, e ficou impressionado com as 
aulas e experimentos de Loeb. À época, Loeb estava interessado na aprendizagem 
por "memória associativa", e realizava experimentos com cães. Watson chegou a 
considerar a possibilidade de realizar sua dissertação para a obtenção do título de 
Ph.D. sob orientação de Loeb, mas foi dissuadido pelo psicólogo James Angell e pelo 
neurologista Henry Donaldson, que acabaram por orientá-lo conjuntamente. Watson 
(1936) relatou que Angell e Donaldson não achavam que Loeb fosse "um homem 
muito'seguro'para um candidato novato ao Ph.D."(p. 273).
De acordo com Buckley (1989), Watson "sentiu que sua ideia do reflexo e a 
noção de Loeb do tropismo eram conceitos similares" (p. 203). Watson certamente 
conferiu à interação dos organismos com o ambiente uma importância muito 
maior do que aquela concedida por Loeb, e viria mesmo a rejeitar o conceito de 
instinto (Watson, 1925). Contudo, cabe notar que os instintos assumem um papel 
proeminente no primeiro livro de Watson (1914), e são tratados como "uma série de 
reflexos concatenados" (p. 106), lembrando a definição de Loeb para os tropismos 
como conjuntos coordenados de reflexos. A concepção de Loeb de que o controle 
dos processos naturais sob estudo deveria ser o objetivo final da pesquisa foi 
completamente absorvida por Watson (Buckley, 1989, p. 41), e a proposição do 
behaviorismo como um "ramo puramente objetivo e experimental da ciência 
natural", rejeitando a "interpretação em termos de consciência" e a noção de uma 
"linha divisória entre homens e animais"(Watson, 1913/1995, p. 24) certamente deve 
muito a Loeb.
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Também é possível identificar em Watson um mecanicismo semelhante àquele 
presente na obra de Loeb8 Se para Loeb (1906) os organismos eram "máquinas 
químicas" (p. 1), Watson (1914) se expressou em termos igualmente claros: "Que 
o organismo é uma máquina é tomado como certo em nosso trabalho" (p. 52). 
Contudo, Watson não subscrevia o que considerava um reducionismo exacerbado 
de Loeb em sua tentativa de explicar os processos comportamentais apenas em 
termos físico-químicos. Em uma resenha do livro The Dynamics of Living Matter, de 
Loeb, Watson (1907) nota que o autor"em todos os seus artigos está constantemente 
atacando o psicólogo, que ele chama de metafísico" (p. 291), e que ele "ainda 
falha em compreender o princípio fundamental da psicologia - isto é, que uma 
descrição físico-química do comportamento nunca pode interferir com, nem 
substituir uma descrição psicológica" (p. 293). Watson (1914, pp. 52-55) identifica 
uma "forte tendência da parte de muitos biólogos em assumir que os mecanismos 
[do comportamento] são excepcionalmente simples", e menciona diretamente 
a partenogênese artificial ao afirmar que "estudos físico-químicos" não oferecem 
prejuízo à investigação do comportamento. Embora declare que "ninguém acredita 
de modo mais pleno na completa natureza físico-química de todas as respostas" do 
que ele próprio, Watson observa que os biólogos, quando descrevem respostas que 
ocorrem sem a necessidade de aprendizagem, eventualmente podem concluir "que 
a mecânica da resposta foi explicada por uma simples base físico-química, que não 
há mais nenhuma necessidade premente de estudar as reações dos animais". Se há 
um reducionismo em Watson, ele se restringe ao nível comportamental. Para Watson, 
a análise dos processos comportamentais tem como fim "a redução de formas de 
resposta complexas, congênitas (instinto) e adquiridas (hábito), a reflexos simples"; 
tal análise, contudo, deve ser complementada por uma síntese que permita "a 
construção de hábitos a partir de reflexos simples". Watson defendia a independência 
da ciência do comportamento em relação à zoologia, fisiologia e física e, ao mesmo 
tempo, conclamava ao "constante intercâmbio" entre tais ciências.
Sabe-se, por fim, que Watson foi uma figura pública importante, que buscava levar 
o conhecimento científico para além dos círculos acadêmicos, impulsionado pela 
perspectiva de sua aplicação para a resolução de problemas sociais. Também nesse 
aspecto é possível reconhecer em Loeb um predecessor relevante. Buckley (1989),
8 Hackenberg (1996) aponta, contudo, que "chamar-se um mecanicista nos tempos de Loeb era 
chamar-se um cientista. ( . ..) O termo mecanicista nos tempos de Loeb era honorífico, não o termo tão 
vilipendiado que se tornou em alguns círculos atuais” (p. 300).
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por exemplo, afirma que "sem dúvida o sucesso de Loeb em escrever sobre ciência na 
imprensa popular inspirou os posteriores esforços similares de Watson"(p. 41).
Loeb e Skinner
Skinner reconheceu em diversas ocasiões a importância de Loeb no 
desenvolvimento de seu repertório científico, citando-o extensivamente em sua 
autobiografia. Durante seus estudos no Hamilton College, Skinner, por recomendação 
de seu professor de Biologia, leu duas obras de Loeb: ComparativePhysiologyoftheBrain 
and Comparative Psychologyi 1900) e The Organism as a Whole: From a Physicochemical 
Viewpoint (1916). Além disso, Skinner foi aluno e amigo de W. J. Crozier em Harvard 
- este, por sua vez, tendo sido influenciado por Loeb, cuja concepção de ciência 
defendeu dedicadamente9
Embora a leitura dos livros de Loeb o tenha deixado, de início, "impressionado 
pelo conceito de tropismo10" (Skinner, 1976/1984, p. 295), Skinner logo viria a notar 
as limitações do conceito para a explicação do comportamento de organismos 
complexos: "O ambiente estimulador que me importava pouco poderia ser descrito 
como um campo de força, ou o comportamento simplesmente como orientação ou 
movimento" (1979/1984, pp. 45-46; ver também Skinner, 1938, p. 435). Os reflexos 
pareciam constituir um campo de estudos mais promissor. Contudo, vários aspectos 
da postura de Loeb enquanto pesquisador, em grande medida reproduzidos por 
Crozier, tiveram um importante impacto sobre Skinner.
Crozier chefiou o Departamento de Fisiologia da Universidade de Harvard a partir 
de 1925, estendendo as pesquisas sobre tropismos dos "animais inferiores" para 
os mamíferos. Em 1928, aos 24 anos, Skinner passou a frequentar o laboratório de 
Crozier - que, de acordo com Bjork (1997), "no fim dos anos 20 e início dos anos 30 
(...) se tornou uma meca para pesquisadores das ciências biológicas" (p. 77). Crozier 
era um "forte defensor da metodologia de pesquisa intra-sujeito, com sua ênfase
9 A afirmação genérica de que Crozier foi "estudante"ou "discípulo” de Loeb é frequente na literatura. 
Contudo, conforme aponta Morris (2016),"Crozier não foi literalmente estudante de Loeb, mas ele foi 
estudante de Loeb figurativamente". Embora Crozier tenha sido significativamente influenciado por 
seu trabalho, não há evidências de que tenha sido formalmente ensinado ou orientado por Loeb. 
Morris atribui o problema
a uma reprodução de afirmações equivocadas inicialmente feitas por Skinner 
- especialmente sua asserção de que Crozier "estudou sob Loeb [hadstudied under Loeb]" (Skinner, 
1956/1972, p. 103).
10 Vale lembrar que a primeira publicação de Skinner (Barnes & Skinner, 1930) relatou experimentos com 
geotropismo em formigas, realizados no laboratório de Crozier.
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no controle experimental ao invés de estatístico" (Hackenberg, 1995, p. 228) - uma 
característica que Skinner viria a assimilar. No laboratório de Crozier, Skinner pôde 
realizar experimentos com reflexos, produzindo-os "no organismo intacto ao invés de 
em um músculo ou glândula cirurgicamente isolado, como faziam os behavioristas 
pavlovianos" (Bjork, 1997, p. 78). Como aponta Hernnstein (1972/1998), o problema 
da variabilidade comportamental interessava tanto a Crozier quanto a Skinner:"Como 
explicar a variabilidade em comportamento que presumivelmente era puramente 
reflexo?" (p. 100). Tratamentos estatísticos da variabilidade não constituíam uma 
solução adequada, apenas retardando a busca por variáveis que permitissem sua 
previsão e controle.
Skinner relata que Crozier o auxiliou de várias formas durante sua carreira 
acadêmica, e transmitiu a ele "a concepção de Jacques Loeb do organismo como um 
todo e a possibilidade de estudar seu comportamento à parte do resto de sua fisiologia" 
(1983/1984, p. 91; ver também Skinner, 1977/1980, p. 192). As reservas de Skinner em 
relação à utilização do sistema nervoso como forma de explicação do comportamento, 
certamente, podem ser traçadas à influência de Loeb e Crozier. Skinner afirma que 
ambos, em seus estudos do "organismo como um todo", "ressentiam-se do sistema 
nervoso"(1979/1984, p. 45), e"falavam sobre comportamento animal sem mencionar 
o sistema nervoso. (...) Eles eliminaram a teorização fisiológica de Pavlov e Sherrington 
e assim clarificaram o que restava do trabalho desses homens como os princípios 
de uma ciência independente do comportamento" (1956/1972, p. 104). Com Loeb e 
Crozier, portanto, Skinner (1983/1984) aprendeu a "analisar o comportamento por seu 
próprio direito" (p. 367). Skinner (1987/1989b) aponta também que Loeb, ao estudar 
organismos de pequeno porte que exibiam respostas simples, foi um pioneiro não 
apenas em pesquisar o comportamento de organismos integrais, mas em abdicar 
as "explicações internas" para o mesmo (p. 61). Ao comentar o processo de redação 
do livro The Behavior of Organisms (1938) por ocasião dos 50 anos de sua publicação, 
Skinner identificou Loeb como uma das "fontes" de sua posição teórica no livro, 
destacando especificamente que, como Loeb, ele queria "evitar referências ao sistema 
nervoso" e comentando:
Eu não acredito que eu tenha cunhado o termo behoviorismo radical, mas 
quando perguntado o que queria dizer com ele, eu sempre disse, "a filosofia de 
uma ciência do comportamento tratado como objeto em seu próprio direito, 
independente de explicações internas, mentais ou fisiológicas’'. (1989a, p. 122)
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Herrnstein (1972/1998) descreve a biologia loebiana, conforme ensinada por 
Crozier, como "mais ocupada com o comportamento como comportamento ao invés 
de como uma manifestação de algo além (como um sistema nervoso)", e afirma 
gue"a linha de descendência behaviorista no que concerne à pesquisa passa mais 
conspicuamente de Loeb via Crozier para Skinner, do que via Watson"(p. 99). Para seu 
biógrafo Daniel Bjork (1997), Skinner relatou, em 1990, que "sua própria genealogia 
intelectual podia ser traçada de Mach para Loeb para o fisiologista de Harvard William 
Crozier" (p. 65). Bjork (1997) observa ainda que "para Skinner, assim como para Crozier 
e Loeb, o controle tornava a ciência científica" (p. 87).
Dada a reconhecida influência do "positivismo descritivo, indutivo, não lógico" 
(Smith, 1995, pp. 39-40) de Mach sobre Skinner (Bjork, 1997; Day, 1980; Smith, 1986, 
1995; Skinner, 1989a), não surpreende que Loeb compartilhe com Skinner diversas 
posições que certamente derivam de Mach. Smith (1995) menciona, entre as 
características machianas da postura científica de Skinner, a importância do método 
experimental como fundamento da teorização, a economia conceituai na descrição 
dos dados experimentais, a rejeição à postulação de entidades internas hipotéticas, a 
inadequação do vocabulário popular na fundamentação da linguagem científica e a 
proximidade entre ciência e tecnologia - todas elas facilmente identificáveis também 
em Loeb". Assim como Smith (1995), Hackenberg (1995) nota que tanto Loeb 
quanto Skinner representam uma tradição científica que pode ser traçada até Francis 
Bacon, "preocupada com conhecimento produtivo, adquirido ativamente por meio 
de observação e experimentação, ao invés de com conhecimento contemplativo, 
adquirido passivamente por meio de classificação e descrição" (p. 231 )11 12. Skinner 
(1976/1984) sugere inclusive que Loeb o teria feito perceber a "possiblidade de 
aplicações tecnológicas" de uma ciência do comportamento (p. 299).
Não surpreende que cientistas que descendam dessa tradição se lancem também 
na realização de prescrições sociais, éticas e políticas, como ambos fizeram. Em
11 Essa identificação não parece tão simples em relação à outra proposta de Mach adotada por 
Skinner: a substituição da noção de causa pela de relações funcionais entre classes de eventos, e a 
identificação da explicação científica com a descrição de tais relações. Como aponta Blackmore (1972), 
embora o próprio Loeb tenha afirmado que "toda 'explicação'consiste somente na apresentação de 
um fenômeno como uma função inequívoca das variáveis pelas quais é determinado", vários outros 
trechos de sua obra tornam sua posição "inconsistente" em relação esse tema (p. 131).
12 Moxley (1992) nota, porém, que Loeb discordava da oposição de Mach sobre o mecanicismo, e que 
embora Skinner credite ambos como influências, ele não parecia estar ciente do "conflito fundamental" 
(p. 1302) entre o mecanicismo de Loeb e o funcionalismo de Mach.
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Skinner, contudo, tais prescrições surgem de modo consideravelmente mais explícito 
e articulado (e. g., 1948/1976, 1971, 1978, 1987), a despeito de qualquer julgamento 
que se possa fazer sobre sua pertinência. Loeb limitava-se a fazer observações 
genéricas sobre a necessidade de aplicar o conhecimento científico aos problemas 
humanos, eventualmente sugerindo de forma vaga os contornos básicos de tal 
aplicação. Em ambos, porém, percebe-se claramente a confiança de que os valores e 
as descobertas da ciência poderiam contribuir dramaticamente para o enfrentamento 
dos problemas humanos.
Embora as semelhanças entre Loeb e Skinner sejam notáveis, também há, é 
claro, diferenças relevantes. Há que se considerar, inicialmente, as transformações no 
posicionamento dos dois cientistas ao longo do tempo. Moxley (1996) argumenta 
que as semelhanças entre Loeb e Skinner dizem respeito, em especial, à fase inicial 
de suas carreiras, e que as diferenças são mais facilmente identificáveis conforme se 
acompanha seus avanços. Por exemplo, Moxley nota que Loeb, que inicialmente via 
o controle dos processos naturais como o único objetivo da biologia experimental, 
posteriormente assumiu uma postura mais contemplativa. Tal perspectiva é 
confirmada por Pauly (1987),
para quem a visão de Loeb sobre a ciência sofreu uma 
gradual transformação entre 1910 e 1918:"Ele não via mais os cientistas como líderes 
na transformação do mundo, mas como figuras solitárias, afastadas da sociedade, 
buscando conhecimento puro"(p. 130). No que Pauly (1987) chama de"único ensaio 
explicitamente filosófico de sua carreira", Loeb "rejeitou publicamente as concepções 
de seu ídolo intelectual, Ernst Mach, concernentes à natureza e propósito da ciência" 
(p. 130): "É a tarefa da ciência proporcionar uma visualização correta e completa 
de todos os fenômenos naturais, dado que são todos aparentemente mecânicos 
em seu caráter" (Loeb, 1915, p. 769). É um contraste notável em relação ao cientista 
que antes via como único objetivo da ciência o controle dos fenômenos naturais. 
Embora importante, tal controle não se mostrava mais suficiente na produção de 
explicações científicas.
Loeb, contudo, parece ter sido consistente, ao longo de sua carreira, em relação 
ao mecanicismo e ao determinismo. Se é possível detectar indícios de mecanicismo 
no início da carreira de Skinner, sua permanência posterior é no mínimo discutível, 
para não dizer duvidosa. Moxley (1996) sugere que o gradual desenvolvimento de 
uma visão pragmatista e selecionista por parte de Skinner viria a eliminar qualquer 
necessidade de apelo ao mecanicismo. No seminal artigo Seleção por Consequências, 
por exemplo, Skinner (1981/2007) afirma que o modelo que propõe "substitui
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explicações baseadas nos modos causais da Mecânica Clássica"(p. 129). Moxley (1996) 
sustenta, além disso, que embora Skinner tenha "feito afirmações que sugerem que 
ele aceitou o determinismo científico ou mecanicista como central e fundamental, 
este determinismo se tornou progressivamente periférico, mesmo não tendo 
desaparecido completamente" (p. 295). Além disso, afirma que para Loeb o controle 
experimental implicava "necessidade inequívoca", enquanto para Skinner tratava-se 
apenas de "uma mudança empírica na probabilidade" (p. 295). Por fim, como talvez já 
seja evidente, a obra de Skinner, quando comparada à de Loeb, apresenta notáveis 
progressos nas possibilidades de explicação dos fenômenos comportamentais. Vistas 
hoje, as explicações de Loeb, em especial ao tratar do comportamento humano, soam 
simplistas, eventualmente expressando um reducionismo biológico que percorre 
toda a sua obra. Variáveis filogenéticas ganham uma importância exagerada, e a ação 
das variáveis ambientais ontogenéticas e culturais é tratada de forma rudimentar.
A despeito de tais diferenças, não restam dúvidas sobre a importância de Loeb 
na formação do repertório científico de Skinner - e, por extensão, da análise do 
comportamento. É razoável afirmar que uma parte considerável das características do 
behaviorismo radical e da análise do comportamento se deve à influência de Loeb.
Destacamos, anteriormente, o impacto de Loeb sobre a percepção pública da 
ciência nos Estados Unidos. Menciona-se corriqueiramente como demonstração 
desse impacto o fato de que o personagem Max Gottlieb, presente no romance 
Arrowsmith (1925), escrito pelo ganhador do prêmio Nobel de Literatura Harry Sinclair 
Lewis, foi inspirado em Loeb. Curiosamente, Skinner não apenas leu o romance, como 
o apontou como decisivo para sua escolha profissional, mencionando Gottlieb - um 
cientista experimental, assim como Loeb - como seu personagem favorito na trama. 
A leitura do livro ocorreu quando Skinner enfrentava uma difícil escolha profissional. 
Seu pai havia lhe oferecido um emprego bem remunerado como gerente de um 
escritório de seguros, que Skinner acabou por recusar. Dois anos depois, ele entraria 
em Harvard como estudante de Psicologia. Em uma carta para Arthur Saunders, 
datada de 1926 (Bjork, 1997, p. 64), Skinner comenta sobre a importância do romance 
em sua escolha: "E se não tivesse Sinclair Lewis captado tão bem a inevitável batalha 
para escolher entre uma vida convencional razoavelmente complacente e a estrada 
caótica para ser HONESTO consigo mesmo?".
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5 E. LTH O R N D IKE (1874-1949):
REVOLUÇÃO E CONTRARREVOLUÇÃO
José Antônio Damásio Abib
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Edward Lee Thorndike (1874-1949) mudou radicalmente a visão dos psicólogos 
experimentais sobre o estudo do comportamento animal. Por esse motivo é 
considerado um psicólogo inovador e até mesmo revolucionário (Chance, 1999; 
Dewsbury, 1998; Galef, 1998). Por outro lado, há os que afirmam que, na verdade, ele 
não tinha muitas ideias originais (Postman, 1947;Tomlinson, 1997).
Inicialmente, Thorndike se interessou pela literatura e não pela ciência, mas, 
depois, redirecionou seus interesses para a psicologia ao ler alguns capítulos dos 
Princípios de psicologia de William James e assistir um curso dele (Boring, 1950; 
Woodworth, 1953). Mas não se sabe muito bem quais foram as razões que o levaram 
a se interessar pelo estudo do comportamento animal (Goodwin, 2005). Goodwin 
aventa a hipótese dele ter assistido às palestras não só de James, sobre a psicologia 
humana e animal de Wilhelm Wundt, mas também, talvez, as de Lloyd Morgan sobre 
psicologia comparada.
O estudo do comportamento animal ganhara um novo alento no período de 
1882 a 1901, sob influência da teoria evolucionária, quando Thorndike defendeu sua 
famosa tese de doutorado em 1898 na qual apresentava o que já seria o coração da lei 
do efeito (Mackenzie, 1977; Postman, 1947). Na verdade, quando Thorndike defendeu 
sua monografia, o cerne da lei do efeito não só já estava em voga na psicologia inglesa, 
como também revelava seus vínculos com um contexto fascinante de discussão 
teórica, centrado na teoria evolucionária, no associacionismo e no hedonismo (Bolles, 
1979; Postman, 1947).
A inserção da lei do efeito nesse contexto teórico afigura-se como um convite para 
ser revisitá-lo com vistas a compreender o âmago da lei em seu ambiente original. 
Visitaremos brevemente esse contexto e, em seguida, examinaremos o programa de 
pesquisa e o legado de Thorndike (1898/1971,1898/1998,1911/1971,1914).
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O contexto teórico
A teoria evolucionária finca suas raízes na obra de Charles Darwin. Foi uma 
revolução, pois o cientista inglês defendeu, em sua famosa teoria, a continuidade 
das espécies, desferindo desse modo um duro golpe em uma das mais acalentadas 
crenças do ser humano: o livre-arbítrio. Desde então, o homem foi deslocado de seu 
lugar privilegiado na natureza, passando a ocupar
um assento bem mais próximo 
dos animais, dessas"máquinas biológicas, simples autômatos, cujo comportamento é 
controlado por reflexos e instintos" (Bolles, 1979, p. 4).
Os defensores da tese da continuidade não só travaram um debate com os 
defensores da tese da descontinuidade como também se envolveram internamente 
com duas estratégias distintas de investigação: a de brutalizar os humanos e a de 
humanizar os animais (Bolles, 1979). De um lado, os humanos passaram a ser vistos 
como máquinas biológicas, e de outro, os animais passaram a ser dotados de atributos 
humanos, como inteligência e senso moral.
A teoria hedonista finca suas raízes na filosofia grega, nas obras de Platão 
(s.d./1986), Aristóteles (s.d./1985) e Epicuro (s.d./1997). Platão reconhecia que as ações 
humanas são motivadas por prazer, e embora não tivesse maior apreço por essa ideia, 
dedicou-lhe um longo diálogo: Filebo, oudoprozer. Aristóteles, em seu clássico Ético a 
Nicômacos, chegou a aproximar o prazer do bem supremo. O filósofo com a palavra: 
"Realmente, o fato de todos os seres - tanto os animais irracionais quanto as criaturas 
humanas - buscarem o prazer é um indício de que ele é de algum modo o bem 
supremo" (p. 149). Epicuro, em sua Corta sobre o felicidade (o Meneceu), escreveu que 
"o prazer é o início e o fim de uma vida feliz"(p. 37).
Segundo Postman (1947), a elaboração mais sistemática do hedonismo encontra- 
se na doutrina do utilitarismo de Jeremy Bentham. Com efeito, Bentham (1789/1984) 
escreveu que "a natureza colocou o gênero humano sob o domínio de dois senhores 
soberanos: a dor e o prazer. Somente a eles compete apontar o que devemos fazer" (p. 
3). E o que devemos fazer? Bentham com a palavra: "Oprincipio de utilidade reconhece 
esta sujeição e a coloca como fundamento desse sistema, cujo objetivo consiste em 
construir o edifício da felicidade através da razão e da lei" (p. 3). Em outras palavras, 
devemos fazer o que contribuir para o "edifício da felicidade".
Uma teoria que relaciona o prazer não só com a motivação da ação humana, mas 
também com o bem supremo e a felicidade, encontra na relevância de sua temática 
a razão, talvez, de sua perenidade, independentemente do valor das respostas
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conhecidas até agora. Uma coisa parece certa até então, como James expressou 
em seu estilo inimitável no capítulo sobre teoria do autômato de seus Princípios de 
Psicologia: "Mas se prazeres e dores não têm eficácia, não se vê (...) porque os atos 
mais nocivos, como se queimar, não poderiam dar frêmitos de deleite, e os mais 
necessários, tais como respirar, causar agonia" (1890/1950, p. 144). James reconheceu 
que "as exceções à lei são numerosas", mas observou que elas "são relacionadas a 
experiências que ou não são vitais ou não são universais" (p. 144).
A teoria associacionista também finca suas raízes na filosofia grega. Aristóteles 
(s.d./l 984) disse, em Sobre a memória, que "atos de recordar devem-se ao fato de que 
um movimento [pensamento] tem por natureza outro ato que o sucede" (p. 717). 
Disse ainda que de dois movimentos assim conectados, a experiência do anterior 
será acompanhada da experiência do posterior. E elas são conectadas pelas três leis 
básicas da associação: contigüidade, semelhança e contraste.
Em Aristóteles (s.d./l 985), o associacionismo é uma teoria da memória que 
só adquire o sentido mais amplo de teoria do conhecimento com a chegada dos 
filósofos modernos (Abbagnano, 2000; Mora, 1986; Herrnstein & Boring, 1971). Os 
filósofos modernos argumentam que a mente consiste em um entrelaçamento 
complexo de ideias sustentado pelas leis de associação, que são, por sua vez, 
derivadas da experiência. A teoria associacionista é baseada, portanto, no empirismo, 
representado por autores como John Locke, George Berkeley, David Hume, David 
Hartley, James Mill, John Stuar Mill e Alexander Bain (Abbagnano, 2000; Mora, 1986; 
Herrnstein & Boring, 1971).
A título de ilustração do funcionamento da mente sob a perspectiva da teoria 
associacionista, mais especificamente da doutrina de associação de idéias de Locke 
(1700/1971), apresentamos este elucidativo texto do filósofo inglês:
Um homem recebe uma injúria considerável de outro, pensa repetidamente 
no homem e nessa ação, e, pelo fato de repeti-las fortemente, ou muito, 
em sua mente, liga de tal forma essas duas ideias, que quase as transforma 
numa só; nunca pensa no homem sem que com ele venham à sua mente a 
dor e o desgosto que sofreu, de forma que dificilmente as distingue, e tem 
tanta aversão a uma quanto à outra. Assim os ódios são frequentemente 
engendrados em situações leves e quase inocentes, e as disputas se propagam 
e continuam no mundo. (p. 415)
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Postman (1947) disse que as teorias evolucionária, associacionista e hedonista 
convergiam nas análises de Herbert Spencer para o que em substância já seria a lei do 
efeito. Realmente, segundo Spencer (1872/1971), prazer correlaciona-se com ações 
que são benéficas para as espécies e para os organismos; e dor correlaciona-se com 
ações que são prejudiciais às espécies e aos organismos. Na verdade, a argumentação 
de Spencer é mais radical: prazer é responsável pela existência e dor é responsável 
pela extinção das espécies e dos organismos. Por exemplo, espécies e organismos 
que insistirem não só em ações danosas, mas também em evitar ações benéficas, 
desaparecerão. A associação acontece entre ações prazerosas e sobrevivência e entre 
ações dolorosas e extinção.
O programa de pesquisa
Esse contexto teórico impregnou o programa de pesquisa de Thorndike 
(1898/1971, 1898/1998, 1911/1971). Em sua tese de doutorado, ele disse que seu 
objeto de estudo consistia nos processos associativos tais "como estão presentes nas 
mentes dos animais e tais como são revelados em seus atos" (1898/1998, p. 1125). E 
prosseguiu dizendo que"o principal propósito do estudo da mente animal é conhecer 
o desenvolvimento da vida mental no sentido descendente através do filo (phylum) 
para traçar em particular a origem da faculdade humana" (p. 1125). Disse ainda que 
para explicar "a origem e o desenvolvimento da faculdade humana devemos olhar 
para os processos de associação nos animais inferiores" (p. 1125). E esclareceu, então, 
a expressão faculdade humana: Dos "processos associativos surgiu de algum modo a 
consciência humana com suas ciências, artes e religiões" (p. 1125).
À medida que desenvolveu seu programa de pesquisa, Thorndike (1898/1998) 
teceu sua crítica à psicologia comparada. Os focos de sua diatribe foram o método 
anedótico e o panegírico (eulogy). O método anedótico narra histórias breves, curiosas, 
jocosas, anedotas sobre o comportamento maravilhoso e inteligente dos animais. De 
acordo com Thorndike, trata-se de testemunhos imprecisos e preconceituosos não 
somente de terceiros, mas também de psicólogos, testemunhos de primeira mão, 
que não contribuíam significativamente para corrigi-los. Eis aqui alguns exemplos: 
"Aranhas são aficionadas por música (...) escorpiões se suicidam quando cercados 
pelo fogo (...) pássaros são dotados de solidariedade e fidelidade conjugal (...) castores 
demonstram (...) apreciação intelectual pelos princípios arquitetônicos da construção 
de represas" (Goodwin, 2005, pp. 163-164).
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Esses exemplos, que Goodwin retirou de George Romanes, ilustram como os 
animais são maravilhosos e inteligentes. Mas são narrativas
preconceituosas, porque 
não dizem nada sobre a estupidez animal. Referindo-se a livros de psicologia animal, 
Thorndike comentou que a maioria deles "não nos dá uma psicologia do animal, mas 
um panegírico (...) todos têm sido sobre inteligência animal, nunca sobre estupidez 
animal" (pp. 1125-1126).Thorndike exemplificou:"Gães perdem-se centenas de vezes 
e ninguém percebe ou envia uma apreciação para uma revista cientifica. Mas suponha 
que ele encontre seu caminho do Brooklyn a Yonkers e o fato torna-se imediatamente 
uma anedota circulante" (p. 1126).
O método anedótico não somente atribui qualidades humanas aos animais, 
como também envolve os processos associativos com essas qualidades de um 
modo inespecífico, pois não diz com clareza quais são os conteúdos mentais que 
são associados (Thorndike, 1898/1998). Thorndike comentou que para o senso 
comum é suficiente dizer que o gatinho associa o som 'gatinho','gatinho'com leite, 
sem especificar, contudo, os conteúdos mentais que supostamente são associados. 
Passando-lhe a palavra: "O gato sente, som da chamada, imagem-memória do leite em 
um pires, pensamento de correr para dentro da casa, um sentimento, finalmente, de 'Eu 
correrei'?" (p. 1125). Thorndike perguntou: "Talvez ele sinta somente o som da sineta 
e um impulso para correr?" (p. 1125), e concluiu: "É evidente a importância para a 
psicologia comparada, em geral, de uma apreciação mais científica dos processos 
de associação em animais" (p. 1125). Thorndike, então, fechou o cerco à psicologia 
comparada apontando-lhe em sua diatribe mais três defeitos: ela estuda somente 
um caso, a observação não é repetida e a história prévia do animal não é conhecida. 
A crítica de Thorndike à psicologia comparada é demolidora, haja vista que, para ele, 
não se trata de uma psicologia, mas de um panegírico. Em uma leitura radical, isso 
equivale a dizer que depois de sua crítica, a psicologia animal teria aparentemente 
retornado ao marco zero. Seria necessário começar de novo.
O ponto de partida desse novo início seria a sua famosa tese de doutorado, 
intitulada Inteligência Animal: Um Estudo Experimental dos Processos Associativos nos 
Animais, publicada em 1898. Ao modo dos psicólogos comparatistas, Thorndike 
(1898/1998) estava interessado no estudo dos processos associativos dos animais. Até 
aí não havia muita novidade. Mas seu método de pesquisa, o método experimental, 
era, argumentava Thorndike, radicalmente superior ao anedótico.
Thorndike (1898/1998) seguia a cartilha da retórica deliberativa que permeia os 
debates científicos (Czubaroff, 1989). Seguir à risca essa cartilha contribuiria para
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evitar incompetência retórica em tais debates. Thorndike não só dirigiu uma crítica 
sólida ao programa de pesquisa da psicologia comparada, como também apresentou 
um programa de pesquisa alternativo, exaltando suas virtudes superiores em relação 
ao programa vigente.
É chegada a hora de descrever brevemente o estudo experimental dos processos 
associativos realizado por Thorndike (1898/1998). Seguimos aqui a descrição que 
ele chamou de seu método geral e que consistia em colocar animais privados de 
alimento - gatos, por exemplo - em uma caixa de onde eles podiam ver o alimento 
colocado do lado de fora, e o qual podiam acessar com um ato simples como puxar 
um laço de corda, pisar em uma plataforma, pressionar uma alavanca, abrir uma porta 
e escapar da caixa. Thorndike registrava o tempo que o animal ficava na caixa até 
realizar o ato bem sucedido. Esse procedimento era repetido: o animal era recolocado 
na caixa após cada ato bem sucedido até que "tivesse formado uma associação 
perfeita (...) quando a associação era assim perfeita, o tempo tomado para escapar 
era, naturalmente, praticamente constante e muito curto" (p. 1127).
A associação perfeita à qual Thorndike (1898/1998) se referia ocorre "entre a 
impressão sensorial do interior da caixa e o impulso que conduz ao movimento bem- 
sucedido" (p. 1127). Thorndike (1898/1971) esclareceu:
O ponto de partida para a formação de qualquer associação é, nesses casos, o 
conjunto de atividades instintivas que são provocadas quando um gato não 
se sente bem na caixa, seja por causa do aprisionamento, seja por causa de 
um desejo de alimento. Esse mal estar, mais a impressão dos sentidos de uma 
parede circundante e limitadora, se exprime, antes de qualquer experiência, 
por gritos, patadas, mordidas. Entre esses movimentos, um é escolhido pelo 
seu êxito. (p. 667)
Em outro trecho, Thorndike (1898/1998) afirmou que as associações "significam 
simplesmente a conexão de certo ato com certa situação e o prazer resultante" {p. 1127, 
grifo nosso). Aparentemente, a linguagem de Thorndike mudou: de associação entre 
impressão sensorial e impulso, ele passou a falar de associação entre situação e ato. 
Além disso, o resultado bem-sucedido (escapar da caixa e comer o alimento) envolve 
o prazer resultante, que seria a causa do fortalecimento de atos bem-sucedidos. Nas 
palavras de Thorndike: "A causa de tal fortalecimento e enfraquecimento é o prazer 
resultante em um caso e o desconforto nos outros" (Catania, 1999, p. 427).
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Esses são os componentes da lei do efeito, mostrando que as associações 
envolvem situações, atos, resultados bem ou mal sucedidos, prazeres e desconfortos. 
O conteúdo do que é associado não envolve, portanto, ideias. Referindo-se à lei do 
efeito, ainda sem nome no texto de 1898, Cumming (1999) comenta que "ideias 
não foram associadas, mas antes um 'impulso' (leia 'resposta') foi associado com uma 
situação" (p. 430).
Segundo Cumming (1999), Thorndike só nomeou a lei que pesquisava com a 
expressão'lei do efeito'em 1905. Passando-lhe a palavra: "Postman (1947) cita o livro 
Inteligência Animo! (1911) de Thorndike como a declaração inicial da lei do efeito. 
Realmente, uma lei com esse nome 'efeito'já havia sido declarada em 1905 nos 
Elementos de Psicologia de Thorndike" (p. 432).
A lei do efeito implícita na monografia de 1898 envolve tanto o associacionismo 
quanto o hedonismo. Mas em 1911 ocorre uma mudança. Eis como Thorndike 
(1911/1971) formulou a lei do efeito:
Das várias respostas que ocorrem na mesma situação, aquelas que são 
acompanhadas ou seguidas de perto pela satisfação do animal serão, sendo os 
outros fatores iguais, mais estreitamente conectadas com a situação, de modo 
que, quando essa situação voltar a se apresentar, elas terão mais probabilidade 
de voltar a ocorrer; as que são acompanhadas ou seguidas de perto pelo 
desconforto do animal terão, sendo os outros fatores iguais, suas conexões 
àquela situação enfraquecida, de modo que, quando essa situação voltar a se 
apresentar, elas terão menos probabilidade de voltar a ocorrer. Quanto maior 
a satisfação ou o desconforto, maior o fortalecimento ou enfraquecimento do 
vínculo, (p. 143)
Thorndike (1911/1971) definiu um estado satisfatório e um estado de desconforto 
em termos de comportamento, o primeiro como um estado de coisas que o animal 
não só nada faz para evitar, como também tenta alcançar e preservar; o segundo 
como um estado de coisas que o animal tenta não só evitar, como também 
abandonar. Thorndike comentou que, embora estados satisfatórios e estados de 
desconforto sejam, respectivamente, favoráveis e desfavoráveis à vida das espécies e 
das pessoas, não são sinônimos. De fato, condições que não favorecem a vida podem 
ser satisfatórias (por exemplo, drogas, álcool, cigarro, sedentarismo, açúcar, excessos
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alimentares etc) e condições que favorecem a vida podem não ser satisfatórias (por 
exemplo, uma vida dedicada exclusivamente à aquisição de bens materiais).
Thorndike (1911/1971) referiu-se a estado satisfatório e estado de desconforto: a 
linguagem hedonista foi ignorada. Segundo Bolles (1979),Thorndike raramente usava 
a linguagem hedonista, bem como tentava substituí-la por uma mais objetiva. Uma 
linguagem comportamental. Segundo Postman (1947), Thorndike comprometeu-se 
inicialmente com o hedonismo, rejeitando-o posteriormente.
Thorndike (1898/1998) recusou a estratégia de humanizar os animais e acolheu 
a de brutalizar os humanos. Aceitou que os humanos são máquinas biológicas; que 
"a consciência humana com suas ciências, artes e religiões surgiu dos processos 
associativos" (p. 1125); que desses processos surgiram a "imaginação, a memória, a 
abstração, a generalização, o julgamento, a inferência"(p. 1125); que"a consciência tem 
se modificado não somente em quantidade, mas também em qualidade" (p. 1125).
Donahoe (1999) comenta que "Thorndike acreditava que comportamentos 
complexos poderiam ser compreendidos como um produto emergente da ação 
cumulativa de processos relativamente simples" (p. 451, grifo nosso). O termo 
emergente refere-se à teoria da evolução emergente, que afirma que cada nível do 
ser, matéria, vida, consciência, tem uma qualidade irredutível com respeito ao nível 
anterior (Mora, 1986).
Lattal (1998) comenta queThorndike dizia, à contracorrente da teoria dominante, 
quer na psicologia, quer na biologia evolucionária, que a inteligência humana é 
diferente da animal. Segundo Lattal, Thorndike investigou se humanos e animais 
solucionavam problemas de acordo com processos comportamentais similares. Se, 
por um lado, a resposta fosse positiva, as diferenças de inteligência seriam mais de 
ordem quantitativa do que qualitativa; e, por outro, se a resposta fosse negativa, as 
diferenças de inteligências seriam mais de ordem qualitativa do que quantitativa. 
Lattal comenta os resultados deThorndike:"Seus encontros consistentes favoráveis 
à aprendizagem por tentativa-e-erro e não por raciocínio e imitação forneceram 
credenciais à afirmação de que há diferenças essenciais entre o comportamento 
humano e o comportamento animal"(p. 329). Os comportamentos dos humanos e 
dos animais parecem similares, mas os processos comportamentais são diferentes. 
Lattal observa, no entanto, que Thorndike não foi rigoroso em suas comparações, 
pois se, por um lado, fez experimentos sistemáticos sobre aprendizagem animal, 
por outro,
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(...) a suposição de que raciocínio e processos relacionados eram necessários 
na apreciação do comportamento humano não foi submetida porThorndike 
ao mesmo escrutínio meticuloso como foram os processos pelos quais o 
comportamento animal foi avaliado. Ao invés disso, ele simplesmente assumiu 
que esses processos foram essenciais à aprendizagem e inteligência humana.
(p. 329)
O legado revolucionário
A lei do efeito é reconhecida pelos psicólogos experimentais como o principal 
legado deThorndike. Não se trata, entretanto, de uma herança sem atribulações, pois 
ao longo de sua história, foi diversas vezes submetida ao crivo de severas críticas. Uma 
das mais incômodas questionou a lógica da retroação do efeito: a ação do efeito sobre 
uma conexão que já aconteceu (Postman, 1947). Em um texto intitulado Teoria da ação 
do pós-efeito de uma conexão sobre ela própria, Thorndike (1933) explicou como isso é 
possível. Dito brevemente, ele afirmou que uma conexão entre uma situação e uma 
ação seria acompanhada de um equivalente fisiológico que continuaria presente por 
ocasião da ocorrência do efeito. Logo, o efeito agiria sobre o equivalente fisiológico, 
fortalecendo, consequentemente, a conexão. Postman comentou que o pós-efeito 
fisiológico fecharia o vazio temporal entre a conexão e o efeito.
Há também uma segunda crítica que se referiu ao caráter subjetivo da lei do efeito 
(Garrett, 1959). Garrett comentou que a lei do efeito é uma lei da aprendizagem por 
tentativa e erro que, ao se desvincular do hedonismo, tornou-se menos suscetível 
à crítica de psicólogos experimentais que enxergavam no princípio prazer-dor a 
presença de um elemento subjetivo. De qualquer modo, a refutação do princípio 
prazer-dor não teria sido suficiente para eliminar completamente os vestígios 
subjetivos da lei do efeito, haja vista que os psicólogos experimentais continuaram a 
acusar a presença de um elemento subjetivo nos termos estado satisfatório e estado 
de desconforto.
Uma terceira crítica envolveu controvérsias no campo das teorias da aprendizagem: 
teorias cognitivas versus teorias estímulo-resposta. Uma crítica famosa argumentou 
que a aprendizagem pode ocorrer sem a necessidade do efeito. Os experimentos 
sobre aprendizagem latente fornecem evidências para esse argumento. Tolman e 
Honzik (1930/1965) mostraram que a experiência prévia de contato com o labirinto 
(aprendizagem "latente") resulta em aprendizagem mais rápida em ocasião posterior, 
onde há prêmios contingentes ao comportamento alvo.
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Outra crítica famosa argumentou que os animais aprendem por insight e não por 
tentativa e erro. Os experimentos de Köhler (1925/1977) fornecem evidências para 
esse argumento. Köhler mostrou que a aprendizagem consiste na percepção súbita 
de relações envolvendo problemas e soluções.
O legado de Thorndike (1898/1998) não se resume à lei do efeito nem às 
polêmicas que a acompanham no âmbito da lógica, da tensão objetivo-subjetivo e 
das controvérsias em torno das teorias da aprendizagem. Um legado que contribuiu 
para conferir credibilidade empírica à lei do efeito é de ordem metodológica. De 
acordo com Galef (1998), Thorndike introduziu o método experimental no estudo 
do comportamento animal e revolucionou não somente a psicologia comparada, 
mas também o estudo do comportamento em geral. De acordo com Chance (1999), 
o ponto de partida da análise experimentai do comportamento foi o ano em que 
Thorndike defendeu sua dissertação doutoral: 1898. E, de acordo com Lattal (1998), os 
métodos de pesquisa e a lei do efeito são um legado para a análise do comportamento.
Tais vínculos teóricos e metodológicos, não só com a análise experimental do 
comportamento, mas também com a análise do comportamento, estimularam 
a pergunta sobre qual seria o lugar de Thorndike (1898/1998) na história do 
comportamentalismo. Alguns autores aproximam claramente Thorndike do 
comportamentalismo. Cumming (1999) comenta que Herrnstein estranhou que 
chamemos Watson de comportamentalista e não façamos o mesmo com Thorndike. 
Bolles (1979) escreveu que "Thorndike era relativamente cuidadoso em proteger seu 
comportamentalismo de conceitos ou explicações mentalistas" (p. 10, grifo nosso). 
Bolles refere-se aos esforços de Thorndike para desvincular o hedonismo da lei do 
efeito. Nas palavras de Bolles: "Em última análise, para Thorndike, a explicação do 
comporta mento encontra-se na regularidade do comportamento e não em conceitos 
mentalistas como prazer edor"(p. 10). Mas, prossegue Bolles, comoThorndike assumiu 
explicações
fisiológicas, não pode ser considerado um "comportamentalista puro" (p. 
11). Smith (1986) afirma que os antecedentes intelectuais do comportamentalismo 
consistem na pesquisa de Thorndike sobre aprendizagem por temtativa e erro, na 
investigação de Pavlov sobre reflexos condicionados e no polêmico Manifesto de 
Watson em defesa do comportamentalismo. Mackenzie (1997) vai mais longe e 
afirma que essas três publicações ou pesquisas "podem ser tomadas conjuntamente 
como fundação do comportamentalismo" (p. 5).
Esses comentários que aproximam Thorndike (1898/1971,1898/1998,1011/1971) 
do comportamentalismo, ou que até mesmo já o definem como sendo um
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comportamentalista, ganharam relevo em um simpósio que celebrou o centenário 
da monografia deThorndike no ano de 1998 em São Francisco (Catania, 1999). Alguns 
textos desse simpósio foram utilizados neste trabalho e, realmente, chama à atenção o 
contraste com relação a alguns textos sobre história do conceito de comportamento. A 
título de ilustração vejamos dois exemplos. Danziger (1997) explica que o conceito de 
comportamento tem cinco camadas de formação e desenvolvimento, representadas 
pela psicologia comparada, pela psicologia de McDougall, pelo comportamentalismo 
de Watson, pelos neocomportamentalismos e, enfim, pelo uso generalizado da 
expressão ciência do comportamento. O que chama a atenção nessa explicação é que 
o nome deThorndike não aparece em nenhuma dessas camadas, nem mesmo na 
mais antiga, a da psicologia comparada. E Leary (2004), em seu exame da história 
do conceito de comportamento, refere-se rapidamente a Thorndike no contexto 
da psicologia comparada. As reflexões mais recentes que foram apresentadas no 
simpósio comemorativo dos cem anos da Inteligência animal, bem como algumas 
leituras mais antigas, aproximandoThorndike do comportamentalismo, representam, 
certamente, um forte apelo para reservar um lugar de destaque para Thorndike como 
um dos fundadores do comportamentalismo.
O legado contrarrevolucionário
Há, enfim, o legado que revela a fisionomia conservadora deThorndike (Beatty, 
1998; Danziger, 1994; Thorndike, 1914; Tomlinson, 1997). Certamente, parece 
haver uma contradição entre essa afirmação e o perfil do psicólogo revolucionário 
que esboçamos acima. Porém, essa impressão se desfaz quando verificamos que 
Thorndike é revolucionário em sua pesquisa experimental do comportamento animal 
e conservador no campo da filosofia.
A filosofia social de Thorndike (1914) tem fundamento na eugenia. Em sua 
contribuição para uma coletânea de textos sobre o assunto, Thorndike afirmou 
que os seres humanos diferem por natureza. Ele reconheceu que as circunstâncias 
ambientais, bem como a maturidade, desempenhavam algum papel no campo 
das diferenças individuais, mas atribuiu-lhes pouca importância. Boa parte de sua 
argumentação baseou-se em evidências experimentais, mostrando que os efeitos 
da equalização de oportunidade, bem como de treinamento, são insignificantes 
no sentido de atenuar as diferenças individuais. Em suas palavras:"Descobre-se por 
experimentos que tais equalizações as reduzem muito pouco, se é que o fazem" 
(p. 323). Ele disse ainda que, ao contrário, os indivíduos superiores em algum traço,
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tornam-se ainda melhores. Baseado em evidências desse tipo, ele escreveu que: 
"Se igualdade de oportunidade não tem efeito equalizador em um traço alterável 
tão facilmente, como rapidez na operação de adição, seguramente tem pouco 
poder em traços como energia, estabilidade, poder intelectual geral, coragem e 
generosidade" (p. 324).
Se Thorndike (1914) tivesse se limitado a apreciar e comentar a dicotomia 'inato- 
aprendido', ele não poderia, evidentemente, ser acusado de ser defensor da eugenia. 
Mas Thorndike deu um passo adicional e disse como o gênero humano poderia ser 
melhorado. De acordo com Tomlinson (1997), Thorndike herdou a filosofia social 
de Francis Galton: herdou não só a "eugenia positiva", mas também a negativa. Ele 
não só estimulou a reprodução dos "mais talentosos", como também desestimulou a 
reprodução dos "intelectualmente inferiores". Thorndike com a palavra:
Pela seleção de linhagens em ambientes adequados podemos ter um mundo 
em que todos os homens alcançarão igualmente o topo em vez dos dez por 
cento atuais. Um serviço seguro do capaz e bom é procriar e cuidar da prole 
e outro serviço seguro (quase o único) que o inferior e vicioso pode realizar é 
impedir que seus genes sobrevivam. (Tomlinson, 1997, p. 370)
Cabe registrar ainda que as evidências experimentais de Thorndike (1914) 
contrárias à importância do ambiente foram obtidas sob a falsa pressuposição de que 
equalizar oportunidades para desiguais produz igualdade. Na verdade, trata-se do 
contrário, equalizar oportunidades para desiguais reproduz a desigualdade. Um teste 
experimental adequado teria sido tratar desigualmente os desiguais porque é nisso 
em que consiste a igualdade, propiciando mais oportunidades e mais treinamento 
para os mais necessitados ou desfavorecidos. Na ausência de testes que tratem 
desigualmente os desiguais, as conclusões de Thorndike não são verdadeiras, não 
têm uma base científica: é ideologia.
De acordo com Beatty (1998), a filosofia social de Thorndike tem também um 
fundamento antidemocrático. Beaty afirma que a meritocracia levou Thorndike a 
reverenciar a ciência contra a democracia. A ciência, escreveu Thorndike, "rebela-se 
contra contar os votos de imbecis e ignorantes. Que não conhecem o que é para 
seu próprio bem, e muito menos o que é para o bem dos outros" (Beatty, 1998, p. 
1150). De acordo com Tomlinson (1997), a história da educação nos Estados Unidos 
no século XX só pode ser compreendida quando se constata que o projeto para a
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educação de John Dewey foi derrotado pelo projeto deThorndike. Um projeto para 
a educação como o de Dewey, que tentava conciliar a ciência com a democracia, foi 
derrotado por um projeto antidemocrático que relacionava a ciência com a eugenia 
e a meritocracia.
Segundo Danziger (1994), um projeto educacional como o de Thorndike 
desenvolveu-se na contramão dos grandes projetos para a educação que estavam 
em curso nos Estados Unidos. Danziger comenta com mais detalhes, dizendo que um 
projeto como o deThorndike representa
(...) uma ruptura decisiva com o tipo de psicologia educacional que fora 
imaginada pelos gigantes pioneiros da psicologia americana, por James, 
Baldwin, Hall e Dewey. A visão mais ampla desses pioneiros foi substituída 
por uma concepção muito mais estreita e puramente instrumental do que a 
psicologia poderia realizar, (pp. 104-105)
Conclusão
Thorndike descontinuou duas vezes sua prática de pesquisa com relação às que já 
estavam em curso na psicologia. São duas rupturas, uma progressiva, outra regressiva; 
uma revolucionária, outra contrarrevolucionária.
A primeira ruptura ocorreu na esfera da metodologia e refere-se à aplicação 
sistemática e cuidadosa do método experimental no estudo do comportamento 
animal. Essa guinada representa uma verdadeira revolução ao abandonar a 
subjetividade do método anedótico e acolher a objetividade do método experimental. 
Thorndike continuou alinhado ao associacionismo (apesar de criticá-lo), vinculando 
desse modo a revolução que operou no campo metodológico com uma visão de 
mundo mecanicista e uma epistemologia determinista, reducionista e atomista 
(Abbagnano,
2000; Bolles, 1979; Pepper, 1942/1970).
A segunda ruptura ocorreu na esfera do projeto educacional e refere-se a uma 
prática psicológica carregada de ideias conservadoras, para não dizer reacionárias, 
que derrotaram os projetos educacionais progressistas de filósofos e psicólogos 
pragmatistas. Há nessa guinada uma verdadeira contrarrevolução que não só 
interrompeu ocursode projetos educacionais democráticos, como também contribuiu 
durante todo o século XX para a formação de uma sociedade comprometida com 
ideais e valores reacionários.
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Não deixa de ser impressionante verificar a prática generalizada de responsabilizar 
o pragmatismo pela formação da cultura norte-americana, quando o projeto 
educacional pragmatista foi derrotado no século XX por um projeto eugenista e 
antidemocrático. Mas os projetos educacionais dos gigantes pioneiros norte- 
americanos estão aí, prontos para serem retomados, com William James, por 
exemplo, com suas palestras (1899/1983) para professores e estudantes sobre alguns 
ideais da vida.
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6 O BEHAVIORISMO CLÁSSICO DE
J. B. WATSON (1878-1958)
Bruno Angelo Strapasson
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Indicado por alguns como o fundador do behaviorismo (e.g., Bergmann, 1956; 
Buckley, 1989) e por outros criticado como uma figura que mais atrapalhou do 
que ajudou o desenvolvimento desse movimento (e.g., Marr, 2013), John Broadus 
Watson foi, certamente, uma figura marcante na história do movimento behaviorista 
em específico e da psicologia em geral. Buckley (1994) sugere que Watson, 
provavelmente, foi o psicólogo mais influente de sua geração. Aos 36 anos, Watson 
era chefe do departamento de psicologia de uma das mais prestigiadas universidades 
estadunidenses, a Johns Hopkins University, foi eleito presidente da American 
Psychological Association e tinha sido editor de alguns dos mais importantes jornais 
de psicologia da época, como Animai Behavior, Psychological Bulletin e Psychological 
Review (em 1915, ele também fundaria o Journal of Experimental Psychology). A 
essa altura, Watson havia publicado mais de 65 textos em periódicos científicos 
renomados e revistas de divulgação (Morris &Todd, 1999), dentre eles aquele que 
ficou conhecido como manifesto behaviorista, considerado o artigo mais importante 
publicado nos primeiros 50 anos da Psychological Review (Langfeld, 1994). Além 
disso, Korn, Davis e Davis (1991), entrevistando historiadores da psicologia e chefes 
de departamento de universidades estadunidenses, encontraram indicações de 
que Watson estaria entre os cinco psicólogos mais importantes de toda a história 
da psicologia e, a partir de uma revisão de citações em periódicos acadêmicos, 
citações em livros texto de psicologia e mais de 1700 entrevistas com psicólogos, 
Haggblom et al. (2002) elencaram Watson na 17a posição entre os psicólogos mais 
importantes de todo o século 20 (ver também Tortosa, Pérez-Delgado, Carbonell, & 
López-Latorre, 1991). Hoje, dificilmente alguém conseguirá encontrar um livro de 
história da psicologia mundial que não dedique algumas páginas a apresentar o 
behaviorismo clássico de Watson.
Apesar de sua reconhecida importância, o behaviorismo clássico ainda é muito 
mal caracterizado tanto na literatura leiga como nos livros de introdução e de história 
da psicologia. São diversos os erros presentes na literatura no que diz respeito à 
caracterização do behaviorismo de Watson ou à descrição e interpretação de seus
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estudos específicos. Neste capítulo não analisaremos esses erros. O que se propõe 
aqui é apenas uma apresentação de Watson que evite tais erros. O leitor interessado 
em conhecer os problemas de caracterização mencionados poderá recorrer à 
literatura especializada (Strapasson & Carrara, 2008; Morris &Todd, 1992;Todd, 1994; 
Tortosa, Calatayud, & Pérez-Garrido, 1996). Cabe ressaltar, também, que este texto 
não tem a pretensão de constituir avaliação historiográfica sobre o desenvolvimento 
do movimento behaviorista em geral ou do behaviorismo clássico em específico. 
Tal empreendimento exigiria acesso a fontes de informação (e.g., cartas, entrevistas 
com pessoas relevantes, etc.) hoje inacessíveis ao autor. O que se propõe é apenas a 
apresentação do behaviorismo clássico e da obra de Watson tomando como base 
informações advindas dos próprios escritos de Watson e do trabalho de historiadores 
que se dedicaram ao tema.
John B. Watson: Biografia
John Broadus Watson era filho de Emma e Pickens Watson e nasceu em 9 de 
Janeiro de 1878, em uma área rural isolada de Greenville, na Carolina do Sul. Quando 
Watson tinha perto de 12 anos, sua mãe vendeu a pequena fazenda que tinha e a 
família se mudou para a área urbana, em uma cidade que vivia a franca expansão do 
"novo sul" estadunidense. Aos 16 anos, Watson tornou-se sub-freshman da Furman 
University, ainda em Greenville, e, em 1899, aos 21 anos, se formou mestre em filosofia 
na mesma universidade. Sua adolescência se passou numa cidade que passava por 
um rápido processo de industrialização, e a experiência na Furman University mostrou 
a Watson o universo de possibilidades que se criou nos Estados Unidos da América 
da virada do século: um universo que valorizava a ambição por reconhecimento e 
sucesso individuais. Watson, tal como muitos em sua geração, ajustou-se facilmente 
a esses ideais (Buckley, 1989).
Três semanas após a morte de sua mãe e depois de um ano atuando como diretor 
de uma pequena escola do interior da Carolina do Sul, Watson se vê insatisfeito 
com as oportunidades que sua vida trazia e decide investir em sua formação numa 
grande universidade. Por meio da intervenção do reitor da Furman University, Watson 
consegue uma bolsa de estudos e se muda para Illinois, para estudar na University 
of Chicago sob orientação de James Angell (1869-1949). Em Chicago, Watson estuda 
filosofia com John Dewey (1859-1952) e, seguindo um conselho de Angell, obtém 
um minor degree em neurologia sob orientação de Henry Donaldson (1857-1938) e 
Jacques Loeb (1859-1924) (Buckley, 1989; Morris & Todd, 1999).
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INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!
Em 1903, Watson defende sua tese de doutorado na qual avalia a relação entre 
o desenvolvimento neurológico de ratos brancos e a aprendizagem associativa 
(Watson, 1903). Watson permanece mais cinco anos nessa universidade como 
assistente de pesquisa de Angell. Nesse período, casou-se com Mary Amélia Ickes 
(1885-1973), com quem teve dois filhos.
Em 1908, James M. Baldwin (1861-1934) o convida para trabalhar como full 
professor da Johns Hopkins University e Watson se muda para Baltimore. Durante 
os anos como professor assistente em Chicago, Watson estuda exclusivamente
0 comportamento animal. Como um grande defensor da utilização do método 
experimental na psicologia (e.g., Watson, 1904, 1905), Watson desenvolve estudos 
em psicologia comparada (Watson, 1903), percepção (Carr & Watson, 1908; Watson, 
1907a, 1907b) e psicofísica (Watson & Watson, 1913; Watson, 1909; Yerkes & Watson, 
1911), além de realizar estudos típicos do que seria conhecido futuramente como 
etologia (Watson, 1907c, 1910a, 1910b).
Watson descreve as propostas de psicologia dessa época, em especial o 
estruturalismo de E. B. Titchener (1867-1927) e o funcionalismo americano, como 
psicologias mentalistas, que em última instância tomavam a consciência como objeto 
de estudo, adotavam a introspeção como método e eram comprometidas com 
alguma espécie de dualismo, mais especificamente com variações do paralelismo 
psicofísico1. Tais tradições seriam problemáticas, porque não era possível o acordo 
entre observadores em seus experimentos; apenas o próprio sujeito teria acesso à 
própria consciência, e as replicações seriam incapazes de reproduzir resultados, 
sendo julgadas a partir da diferença no treinamento dos sujeitos. As pesquisas de 
Watson, por outro lado, ocorreram de forma bastante indutiva e o modo descritivo 
com que apresentou seus estudos e resultados o permitiu evitar subjetivismos 
desnecessários (Boakes, 1994; Dewsbury, 2013; Morris &Todd, 1999;Todd & Morris, 
1986). Estudando animais, Watson encontrou respostas cientificamente consistentes
para perguntas similares àquelas que alguns dos psicólogos introspeccionistas faziam, 
mas sem precisar recorrer à introspecção ou ao subjetivismo. Em sua autobiografia, 
ele descreve o efeito desses estudos sobre ele: "cada vez mais eu me perguntava 'será 
que, observando seu comportamento [dos animais], não posso descobrir tudo aquilo 
que meus colegas estão descobrindo quando usam [sujeitos humanos]?'" (Watson,
1 A avaliação de Watson era, na verdade, demasiado generalizada. Parte da pesquisa dos funcionalistas 
não dependia da introspeção e James (1904), por exemplo, havia defendido que a consciência não 
existia.
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1936, p. 274). Sua confiança na possibilidade de se produzir uma ciência objetiva do 
comportamento (Buckley, 1989) e seu conhecimento de diversas críticas publicadas 
a respeito da psicologia introspeccionista, incentivaram Watson (1913) a publicar o 
artigo Psychology as the Behaviorist Views It, que ficou conhecido como o manifesto 
behaviorista (Woodworth, 1959). O manifesto foi, na verdade, a transcrição editada 
da primeira de uma série de conferências ministrada na Columbia University poucos 
meses antes da sua publicação. Nele, Watson defendeu uma psicologia objetiva, 
empiricista, antimentalista, que negava a introspecção como método confiável para 
produção de conhecimento e que seria parte das ciências naturais. A publicação do 
manifesto, em 1913, tem sido indicada como o marco histórico do surgimento do 
behaviorismo2. Com ele Watson tornou públicas as bases de sua proposta para uma 
psicologia científica.
As proposições apresentadas no artigo de 1913 eram, entretanto, essencialmente 
especulativas, de modo que ainda era necessária a demonstração de que elas 
eram viáveis na produção de uma psicologia científica. À época, Watson já havia 
desenvolvido com êxito pesquisas comportamentais com animais não humanos, 
demonstrando que descrições objetivas de preparações experimentais poderiam 
explicar aspectos complexos do comportamento animal. Entretanto, nas primeiras 
décadas do século XX, nos Estados Unidos, a psicologia buscava sua autonomia 
em relação à filosofia e à fisiologia, e encontrou na aplicação do conhecimento 
psicológico uma via importante para demarcar essa autonomia (O'Donnell, 1985). 
Nesse contexto, era natural que Watson dedicasse os anos seguintes na Johns 
Hopkins University à busca de demonstrações de que a psicologia científica poderia 
incluir diversos aspectos da vida humana. Na tentativa de validar sua teoria, Watson se 
engaja em uma série de estudos envolvendo o comportamento humano. Em 1913, 
publica um estudo em coautoria com Karl S. Lashley (1890-1958) sobre o efeito do 
treino sobre performance em arco e flecha (Lashley & Watson, 1913). Watson iniciou 
também uma série de estudos sobre desenvolvimento infantil na Phipps Clinic 
da Johns Hopkins (e.g., Watson & Morgan, 1917) que culminou na publicação do
2 A proposição de qualquer marco histórico é uma ação arbitrária do historiador e, portanto, suscetível 
a debates e controvérsias (cf. Malone, 2014; Marr, 2013). Não desenvolveremos uma análise dessas 
controvérsias, mas é importante que o leitor tenha claro que sua ocorrência não é nem definitiva (no 
sentido de identificar um marco inequívoco) nem revolucionária (no sentido de ser independente 
de outros acontecimentos anteriores que poderiam igualmente ser indicados como marcos de 
surgimento do behaviorismo).
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famoso estudo do "pequeno Albert" sobre condicionamento de emoções (Watson & 
Rayner, 1920). Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), mais especificamente 
entre 1917 e 1918, Watson trabalhou como major na divisão de inteligência do U.5. 
Army Signal Corps, onde desenvolveu atividades de recrutamento de pessoas e 
treinamento de pessoal (Buckley, 1989; Woodworth, 1959). Lá, ele realizou pesquisas 
sobre o efeito da privação de oxigênio no desempenho da escrita (Watson, 1918) 
e sobre a relação entre filmes a respeito de doenças venéreas e educação sexual 
(Lashley & Watson, 1920; Watson & Lashley, 1920). Esse conjunto de pesquisas não 
foi suficiente para fundamentar inequivocamente seu projeto científico, mas Watson 
não teve a oportunidade de desenvolver melhor o suporte empírico de sua teoria em 
razão de problemas pessoais.
No ano de 1920, a então esposa de Watson, Mary Ickes, descobre que sue marido 
está tendo um caso com uma de suas alunas, Rosalie Rayner (1898-1935). Rayner, 
além de uma aluna da universidade, era neta de um dos maiores benfeitores da 
Johns Hopkins University, e a esposa de Watson era irmã de um advogado e político 
conhecido, que viria a ser secretário do interior no governo Roosevelt. O potencial 
escândalo que decorreria da publicização do caso levou Frank Goodnow (1859- 
1939), o então presidente da Johns Hopkins University, a pedir, em meados de 1920, 
que Watson se demitisse (Buckley, 1989, 1994). Watson deixa então a Johns Hopkins 
University, e em novembro de 1920, o caso de seu divórcio (e traição) tornam-se 
públicos, de modo que Watson não consegue novas posições para trabalho integral 
no meio acadêmico.
Watson recorre, então, a um antigo conhecido, William I. Thomas (1863-1947), 
que conseguiu contatos na J. Walter Thompson, uma das maiores multinacionais 
americanas da área do marketing, o que garantiu sua nova carreira profissional. 
Watson trabalhou em diversos setores da J. Walter Thompson e tornou-se vice- 
presidente da empresa em 1924. Durante essa época, as únicas ligações de Watson 
com a academia parecem ter sido uma série de palestras na New School for Social 
Research de Nova York e a supervisão do estudo em que Mary Cover Jones (1897- 
1987) "descondicionou" o medo de coelhos do pequeno Peter (Jones, 1924/1991), 
estudo esse que ficou conhecido como um dos pioneiros na terapia comportamental. 
Em 1935, após a morte de Rayner, Watson deixa a J. Walter Thompson e ingressa na 
William Esty Company, outra empresa de publicidade, de onde saiu apenas para se 
aposentarem 1945.
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Apesar do distanciamento da academia e, em especial, a despeito de não ter 
produzido novos dados que sustentassem suas proposições teóricas, foi depois de 
sair da Johns Hopkins University que Watson escreveu a maior parte dos seus textos 
sobre behaviorismo. Nesse período, publicou as duas edições do livro Behaviorism 
(Watson, 1924, 1930), a segunda edição de Psychology From the Standpoint of a 
Behaviorist (Watson, 1919), urn debate feito com McDougall e publicado em livro 
como The Battle of Behaviorism: An Exposition and an Exposure (Watson, 1929a), urn 
livro sobre como cuidar de crianças (Watson & Watson, 1928) e uma coletânea de 
textos de sua autoria sobre variados tópicos no behaviorismo (Watson, 1928). Além 
disso, publicou pelo menos dez artigos em revistas acadêmicas, quase 40 em revistas 
de divulgação (como a The Nation, Scientific Monthly, Dial e Harper's Magazine) e sua 
autobiografia (Todd, Dewsbury, Logue, & Dryden, 1994).
As publicações de Watson após 1920 tornaram-se, entretanto, cada vez mais 
polêmicas e menos baseadas em dados, especialmente aquelas direcionadas ao 
público leigo (Logue, 1994). Watson defendeu, por exemplo, que os pais não deveriam 
mimar seus filhos para não
criar adultos manhosos e dependentes, que o contato 
físico entre mãe e criança deveria se resumir a procedimentos de higiene, apertos 
de mão, tapinhas nas costas e, em casos extremos, um beijo na testa antes de dormir 
(Watson & Watson, 1928). Afirmou também que a vida no mundo dos negócios 
tornaria a mulher inapta para o casamento, que seria tolo por parte dela gastar seus 
melhores anos no escritório "afiando" seu cérebro quando essas habilidades seriam 
pouco úteis em sua vida emocional (Watson, 1927); e que antes da década de 1940, 
"homens e mulheres perceberão que (...) o casamento é obsoleto e desperdiça nossos 
poucos anos de felicidade" (Watson, 1929b, p. 106). Alegações como essas foram 
frequentemente apresentadas por Watson como contribuições valiosas da ciência do 
comportamento, mas não havia qualquer suporte empírico para fundamentar tais 
prescrições. Adicionalmente, o estilo agressivo da escrita de Watson, que se acentuou 
com sua saída da academia, vem sendo descrito pelos seus comentadores como 
sendo messiânico (Buckley, 1989), inflamado (Logue, 1994), propagandista (Buckley, 
1989), polemicista e extravagante (O'Donnell, 1985), com a função última de se 
manter presente aos olhos do público (Buckley, 1989, 1994; Logue, 1994). Watson 
parecia estar consciente das limitações de suas proposições. Em Behaviorism (Watson, 
1924), pondera sobre sua fundamentação: "permita ao behaviorista interpor uma 
palavra de cautela. Todas as suas conclusões são agora baseadas em poucos casos e 
alguns poucos experimentos". Em sua autobiografia, Watson admitiu que sua escrita
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foi programada para impactar seus leitores, e afirmou se arrepender de escrever 
seu livro sobre criação de filhos porque "não sabia o suficiente para escrever o livro 
que eu queria escrever" (Watson, 1936, p. 280). Em uma análise das duas edições de 
Behaviorism, Carpinteiro (2004) sugere que
Behaviorism, como tem sido frequentemente indicado, foi mais um bestseller 
popular que uma monografia científica. Seu autor já estava profundamente 
envolvido com a prática da publicidade e o efeito de tais procedimentos, 
interesses sociais e pressões podem ser detectados [no livro] ( .. .) Behaviorism 
não é meramente uma contribuição conceituai em ciência, mas um produto 
da retórica, (p.l 99)
O estilo provocativo de Watson, a falta de fundamentação empírica para muitas 
de suas proposições (especialmente aquelas feitas no período pós 1920) e o 
radicalismo com que foram propostos seus compromissos teóricos (apresentados 
mais adiante neste capítulo) acabaram produzindo mais críticas do que acolhimento 
na comunidade acadêmica (Samelson, 1981). O'Donnell (1985) sugere que"na década 
de 1920, Watson manteve apenas um punhado de seguidores (...) obviamente, seus 
contemporâneos percebiam a distinção entre Watsonismo e Behaviorismo"(p. 207). 
O behaviorismo clássico, entretanto, serviu de base para o surgimento de diversas 
novas formas de behaviorismo (O'Donohue & Kitchener, 1999 e os demais capítulos 
deste livro). Nenhuma delas, contudo, comprometida com todos os princípios básicos 
defendidos por Watson. No prefácio do seu último livro, publicado dez anos após 
ele deixar a academia, Watson se mostra sensível à situação: "apesar de tudo, ainda 
que o behaviorismo não tenha sido aceito abertamente, sua influência foi profunda" 
(Watson, 1930, p. x)3. Ainda que o behaviorismo clássico de Watson não tenha se 
consolidado como forma de behaviorismo, sua influência na psicologia americana é 
inquestionável, seja na popularização da possibilidade de uma psicologia científica 
que tenha o comportamento como objeto de estudo, seja no desenvolvimento de
3 Boring (1950) e Schoenfeld (1983) sugerem que, em algum momento, toda a psicologia americana se 
tornou behaviorista depois deWatson. Isso não significa uma adoção imediata da teoria (verColeman, 
1988; Samelson, 1981) e nem que a psicologia se tornou um behaviorismo watsoniano, mas os 
princípios do movimento behaviorista tornaram-se largamente disseminados na cultura acadêmica da 
psicologia norte-americana.
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uma base conceituai em relação a qual iriam se desenvolver - e em muitos casos se 
contrapor - as demais formas de behaviorismo.
O behaviorismo clássico e o estudo do comportamento
Como não poderia deixar de ser, em uma ciência behaviorista, o objeto de estudo 
que Watson propõe é o comportamento. Em Behoviorism (Watson, 1930) ele afirma 
que "o objeto de estudo da psicologia humana é o comportamento do ser humano" 
(p. 2, itálico do original), e uma ciência que tem o comportamento como objeto tem 
como tarefa principal identificar as leis que determinam o funcionamento desse 
objeto: "como uma ciência, a psicologia coloca diante de si a tarefa de revelar os 
fatores envolvidos no desenvolvimento e regulação do comportamento humano, 
desde sua infância até a velhice" (Watson, 1917, p. 336).
No behaviorismo clássico, o comportamento deveria ser entendido como objeto 
próprio de estudo e não como um meio para se acessar outros eventos, os conteúdos 
mentais:
(...) parece razoavelmente claro que algum tipo de compromisso precisa ser 
estabelecido: ou a psicologia precisa mudar seu ponto de vista para assimilar 
os fatos do comportamento, tendo eles relevância ou não para os problemas 
da 'consciência', ou o comportamento deve se estabelecer sozinho como uma 
ciência completamente separada e independente. (Watson, 1913, p. 159)
Das opções apresentadas, Watson optou pela transformação da psicologia 
e não pela criação de uma ciência alternativa. Watson achava que a psicologia 
introspecionista e o estudo da consciência constituíam um erro, e não uma 
perspectiva viável alternativa à sua. Partindo dessa concepção, Watson incluiu na 
noção de comportamento também os eventos internos e privados:
Por que não fazemos do que podemos observar o real campo da psicologia?
Vamos nos limitar às coisas que podemos observar, e formular leis sobre 
apenas essas coisas. Agora, o que podemos observar? Bem, podemos observar 
comportamento - aquilo que o organismo faz ou fala. E permita-me propor o 
ponto fundamental de uma só vez: que faiar é fazer - isso é, comportar-se.
Falar abertamente ou para nós mesmos (pensamento) é apenas um tipo de
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comportamento tão objetivo quanto beisebol. (Watson, 1930, p. 6, itálico do 
original)
O comportamento, para Watson, é um evento físico e se refere ao ajuste ou 
adaptação do organismo ao seu ambiente. Apesar disso o conceito foi proposto de 
modo a garantir certa independência entre o behaviorismo e as ciências biológicas:
O trabalho do behaviorista, ainda que intimamente relacionado ao do zoólogo 
e do fisiólogo é, apesar disso, independente (...). É pouco provável que os 
estudos físico-químicos possam minar nossa obra sobre a formação de hábitos, 
sobre a eficácia de métodos de aprendizagem ou sobre as relações mútuas 
entre seres humanos (problemas éticos etc). (Watson, 1914, pp. 30,52)
Sendo o behaviorismo "um ramo experimental puramente objetivo das 
ciências naturais (...) [tem como] seu objetivo teórico (...) a previsão e controle do 
comportamento" (Watson, 1913, p. 158). Alinhado com o pragmatismo americano, 
Watson estabelece e modifica gradativamente sua proposição sobre previsão 
e controle ao longo de sua obra. Inicialmente, ele parece se referir à investigação 
sistemática dos fenômenos comportamentais e à manipulação deles em ambiente
controlado. Ao avançar em sua carreira, entretanto, ele passa a indicar que esses 
termos se referem também à previsão e ao controle do comportamento humano 
em ambiente aplicado, desenvolvendo uma espécie de engenharia social (Morris, 
Todd, & Midgley, 1993). À época em que Watson reivindica a previsão e o controle 
como objetivos da psicologia, tais noções já eram comuns em outras ciências e já 
apareciam veladas na própria psicologia (Marr, 2013), mas Samelson (1981) atribui a 
Watson o mérito de ser o primeiro a explicitar e defender tais objetivos na psicologia 
estadunidense. A despeito do debate sobre sua originalidade na defesa da previsão 
e controle do comportamento como objetivos de sua ciência, esses objetivos se 
expressam muito claramente na obra de Watson, de modo que ele foi considerado 
um crítico da sociedade americana de sua época (Gondra, 2014) e insistiu em 
defender o que ele considerava serem soluções que a psicologia poderia dar para a 
vida cotidiana. Previsão e controle, tomados como objetivos, tornaram-se também 
parâmetros para a avaliação do desenvolvimento do behaviorismo: "o psicólogo (...) 
tendo escolhido o comportamento humano como seu material, sente que progride 
apenas na medida em que consegue manipulá-lo e controlá-lo" (Watson, 1924).
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Idealmente, em "um sistema psicológico totalmente elaborado, dada uma resposta 
o estímulo pode ser predito; dado o estímulo a resposta pode ser predita" (Watson, 
1913, p. 167).
A metafísica do behaviorismo clássico
Aplicar um projeto como esse implicou um distanciamento radical da psicologia 
introspeccionista. O apelo para se tomar o comportamento como objeto veio 
acompanhado de uma postura antimentalista e materialista que se consolidou 
ao longo da carreira acadêmica de Watson. O antimentalismo watsoniano, que 
consistia na negação da mente e da consciência como objetos de estudo4, é uma das 
características mais ressaltadas do seu sistema teórico (e.g., Bergmann, 1956). Skinner 
(1959) sugere que uma das principais contribuições de Watson foi aplicara psicologia 
humana as noções de que somos animais, e que nossos processos mentais podem 
ser explicados sem recorrer à mente enquanto entidade. No manifesto, Watson 
apresenta sua crítica: "parece ter chegado a hora em que a psicologia deve descartar 
toda referência à consciência; de deixar de se iludir pensando que está fazendo dos 
estados mentais o objeto de observação" (Watson, 1913, p. 163) e em The Battleof 
Behaviorism ele complementa:
Nunca houve uma descoberta na psicologia subjetiva; houve apenas 
especulação medieval. O behaviorista inicia sua formulação do problema da 
psicologia varrendo de lado toda concepção medieval. O behaviorista retira 
do seu vocabulário científico todos os temos subjetivos como sensação, 
percepção, imagem, desejo, propósito, e mesmo pensamento e emoção tal 
como eles foram definidos originalmente. (Watson, 1929a, p. 17)
É importante notar, entretanto, que "descartar" ou "abandonar" termos subjetivos 
não significa que os processos aos quais tais palavras se referem foram ignorados. 
É o caráter mental e cientificamente inacessível deles que é questionado. Watson 
inclui em seus textos explicações sobre as emoções, o pensamento, a imaginação, 
o "planejamento mental", ideação suicida, desejos sexuais e outros. A título de 
exemplo, vejamos como Watson tratava o pensamento. Em Is Thinklng Merely the 
Action of Longuage Mechonism? (Watson, 1920, p. 10), ele sugere que pensamento
4 Para Watson, esses termos eram ficções explanatórias (Watson, 1913,1919,1924,1929a).
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"é em grande medida um processo verbal; ocasionalmente movimentos expressivos 
são substituíveis por movimentos verbais (gestos, atitudes, etc.) que entram como 
partes do fluxo geral de atividade implícita". Além de afastar o status misterioso e 
mental do pensamento, Watson o circunscreve como um evento comportamental e 
físico, o que remete a outra característica de sua metafísica: o compromisso com um 
fisicalismo materalista.
Watson, por diversas vezes, evitou definir seus compromissos metafísicos. Em 
sua autobiografia (Watson, 1936), admite certa aversão à filosofia e, no mesmo 
texto em que discute sua compreensão do pensamento, pede uma concessão 
ao leitor: "o behaviorista gostaria de apresentar [suas premissas], sem discutir suas 
muitas implicações metafísicas" (Watson, 1920, p. 94). Ainda que Watson tenha sido 
reticente em assumir o fisicalismo (cf. 1913, p. 175,1914, p. 26,1920, pp. 93-94,1926b, 
p. 723), ele acaba admitindo esse compromisso, e em Behoviorism afirma que "toda 
a psicologia exceto o behaviorismo é dualista" (Watson, 1924, p. 4), deixando claro 
que sua rejeição à mente e à consciência não é apenas um apelo metodológico 
(relacionado a uma eventual inacessibilidade direta desses fenômenos), mas também 
um apelo metafísico: a mente, como entidade imaterial, não existe para Watson, ele 
rechaça toda espécie de dualismo de substâncias.
A explicitação tardia de seus compromissos metafísicos é um aspecto da 
obra de Watson que parece ter contribuído para a disseminação das polêmicas 
a respeito de sua teoria (Morris & Todd, 1999; Strapasson, 2012), mas tanto seus 
contemporâneos (e.g., Lashley, 1923; Pepper, 1923; Pratt, 1922; Weiss, 1920) quanto 
alguns historiadores da psicologia (e.g., Bergmann, 1956; Marx & Hillix, 1978) 
sugerem que o fisicalismo adotado por Watson, em especial do modo efusivo 
como foi proposto, foi uma das características de sua teoria que mais a tornou 
polêmica e radical (Schneider & Morris, 1987).
O desafio metodológico do behaviorismo clássico
Ao fim da primeira década do século passado, Watson já havia se estabelecido 
como um grande nome da psicologia animal nos Estados Unidos (Buckley, 1989), e os 
primórdios de uma psicologia objetiva já estavam expressos em seus experimentos 
com animais. Em Studying theMindof Animais, Watson deixa claro como o cientista 
deve lidar com os com porta mentos implícitos:"se nós pensarmos cu idadosamente 
sobre descobrir o que os [animais] estão pensando, não podemos deixar de ficar 
impressionados com o fato de que o nosso único método para a obtenção de
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tais informações é observar seu comportamento" (Watson, 1907d, p. 421). À 
época do manifesto, entretanto, ele ainda não havia desenvolvido um programa 
consistente de pesquisa com humanos que o permitisse ir, nesse âmbito, além 
de um apelo genérico pelo abandono da introspeção, que não estaria gerando 
condições para um conhecimento científico, e pelo desenvolvimento de 
estratégias objetivas de estudo do comportamento. Tais estratégias, contudo, 
variavam em suas diferentes publicações.
Em quase todos os seus livros (1914,1919,1924a, 1924b, 1930), Watson inclui uma 
seção para discussão dos métodos apropriados no estudo do comportamento. As 
estratégias específicas para esse estudo, contudo, variam ao longo da sua obra. Dentre 
elas estão o uso de labirintos e de caixas problema, o método da discriminação, o 
condicionamento pavloviano de respostas motoras ou viscerais, o uso de testes 
psicológicos como forma de se obter relatos verbais, o arranjo de condições sociais 
específicas e verificação das respostas produzidas
por essas situações (experimentação 
social) e a observação do comportamento no ambiente natural. O que há de comum 
nesses métodos específicos é o seu embasamento na observação direta, além de 
certa preferência por arranjos experimentais.
A variedade de métodos adotados é coerente com interesses amplos no 
estudo do comportamento. Afinal, o behaviorismo clássico incluía a ambiciosa 
pretensão de "revelar os fatores envolvidos no desenvolvimento e regulação do 
comportamento humano, desde sua infância até a velhice" (Watson, 1917, p. 336). 
Watson não restringiu seu programa de pesquisas, por exemplo, a análises molares 
ou moleculares do comportamento. Ainda que por vezes tenha sugerido que os 
estímulos seriam eventos fisiológicos simples, como a excitação de ondas de luz 
ou de contato táctil, e que situações complexas "poderiam ser decompostas em 
um grupo complexo de estímulos" (Watson, 1917, p. 338), ele também indicou que 
apenas em situações experimentais artificias conseguimos isolar esses estímulos. No 
cotidiano, por outro lado, a estimulação é extremamente complexa, e temos que lidar 
com "a massa total de fatores estimulantes que levam o homem a se comportar como 
uma totalidade" (Watson, 1917, p. 339); para ele, "o behoviorista está interessado na 
integração e na atividade total do indivíduo" (Watson, 1919, p. 40, itálico do original). 
Watson complementa que o nível de análise deve ser decidido a partir dos objetivos 
de quem analisa:
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[Na análise de] ocupações e atividades nós geralmente não paramos para 
reduzir a atividade total ao movimento de músculos. Nós podemos fazê-lo se 
necessário e o fazemos quando se torna necessário estudar a reação das várias 
partes (...) [mas] a psicologia objetiva pode estudar a alvenaria, a construção de 
casas, o jogar jogos, o casamento e a atividade emocional sem ser acusada de 
reduzir tudo a movimentos dos músculos ou secreções das glândulas.
(Watson, 1919, p. 40)
A análise de padrões tão amplos como aqueles que chamamos de personalidade, 
por exemplo, implica a investigação não apenas dos conjuntos complexos dos 
eventos em curso, mas também da história de vida do indivíduo, e Watson não 
negava essa possibilidade. Na análise das possíveis origens de "problemas de atitude", 
Watson sugere que "estudando a história de vida de qualquer pessoa, nós podemos 
ver como elas têm muitas vezes favorecido ou dificultado sua carreira e perturbado 
seu equilíbrio pessoal" (Watson, 1919). Watson era, portanto, relativamente eclético 
do ponto de vista metodológico. Qualquer estratégia não-mentalista que permitisse 
acordo entre observadores, independente de essas estratégias fazerem referência 
a eventos molares ou moleculares, de exigirem ou não a referência à história do 
indivíduo ou de sua espécie, ou apenas a referência ao ambiente imediato, poderia 
ser usada na busca da compreensão de como os organismos se adaptam.
Behaviorismo clássico, adaptação e hábito
Gondra (1991) sugere que o behaviorismo de Watson se estabelece como um 
meio termo entre o funcionalismo americano e o estruturalismo de Titchener. No 
funcionalismo, Watson teria se inspirado para buscar a compreensão da adaptação 
do organismo ao ambiente; e do estruturalismo ele teria emprestado o interesse 
pela descoberta das unidades básicas que permitem essa adaptação, no seu caso 
representadas pelas noções de estímulo, resposta e reflexo - que, por sua vez, 
explicariam a formação de hábitos. Contudo, ambos, funcionalismo e estruturalismo, 
foram rejeitados por Watson em razão do uso da introspecção e pela análise mentalista 
e dualista dos fenômenos.
Tal como muitos dos aspectos do seu sistema teórico, a teoria sobre a formação 
de hábitos de Watson foi modificada durante sua carreira (Gondra, 1994). O hábito era, 
para Watson (1924), uma espécie de integração de reflexos em sistemas complexos 
de ação, que constituiria a maior parte do repertório do ser humano. Inicialmente,
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Watson (1914) entendia que as ações humanas eram divididas em hábitos e instintos. 
Esses tipos de comportamento diferiam quanto à sua origem: instintos eram herdados 
e hábitos eram aprendidos. Em ambos os casos, entretanto, tratava-se de conjuntos 
coordenados de estímulos e respostas: reflexos. Porém, os instintos ganharam 
progressivamente menos importância em sua obra (Watson, 1912,1930) enquanto a 
formação de hábitos foi entendida como "provavelmente o tema mais importante no 
estudo do comportamento" (Watson, 1914).
Para Watson, os animais são equipados com uma série de reflexos aleatórios 
que pela ação do ambiente se organizam e se estabelecem como hábitos 
simples. A integração destes produziria os hábitos complexos, que caracterizam o 
comportamento humano. Para explicar comportamentos complexos seria necessário, 
portanto, identificar como uma série de reflexos aleatórios se consolida em um hábito 
que adapta o sujeito ao seu ambiente. Watson conhecia as proposições anteriores 
sobre aprendizagem (de Angell, Pillsbury e Thorndike, por exemplo), mas discordava 
delas pelo caráter mentalista que apresentavam. Na sua primeira formulação, Watson 
sugere que os hábitos se formavam por meio de procedimentos de tentativa e 
erro, que se consolidavam em função das características de recência e frequência 
das respostas apresentadas pelo organismo. Para ilustrar sua proposição, Watson 
(1914) oferece o exemplo de um animal tentando abrir uma caixa problema. Pede 
ele que suponhamos que 50 diferentes respostas poderiam ser apresentadas tendo 
a caixa como estímulo, mas apenas uma abriria a caixa. Em uma situação como 
essa é provável que o animal apresente as diferentes respostas disponíveis até que 
consiga abrir a caixa. A cada tentativa, o animal emitiria uma série diferente de 
respostas, finalizando a com a resposta efetiva. Presumivelmente, ao se continuarem 
as tentativas, a série de respostas emitidas mudaria e se tornaria mais curta; o animal 
apresentaria progressivamente menos respostas para abrir a caixa novamente, até 
que com apenas uma ele a abriria5. Nesse procedimento, a resposta efetiva, aquela 
que abre a caixa, seria a única que estaria presente em todas as tentativas e, portanto, 
a mais frequente. Além disso, ela seria a que está temporalmente mais próxima da 
solução do problema, ou seja, a resposta mais recente emitida em relação à solução. 
Para Watson, frequência e recência caracterizam o processo "pelo qual certos reflexos 
são selecionados dentre muitos outros reflexos possíveis" (Watson, 1924).
5 A similaridade do exemplo com as caixas problema de Thorndike não é fortuita. Trata-se de uma 
tentativa explicita de propor um modelo explicativo alternativo que não recorra a conceitos mentais 
como satisfação ou semelhantes (Gondra, 1994).
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Os hábitos, como conjuntos complexos e organizados de reflexos, formariam-se 
com a mudança das relações entre estímulo e resposta produzidas pela recorrência 
dos reflexos em ordem e contexto semelhantes. O exemplo usado porWatson (1919) 
para ilustrar esse processo é o de uma pessoa que aprende a usar uma máquina 
de escrever. Inicialmente, ela olha para a série de letras a ser digitada, vê a primeira 
letra, busca a tecla correspondente, pressiona a tecla e verifica se o resultado foi 
correto; então, ela olha a segunda letra, busca novamente a tecla correspondente 
e a pressiona, seguindo o processo até terminar a escrita desejada. Com a repetição
dessa atividade, entretanto, não precisamos mais olhar cada letra a ser digitada, 
pois a repetição formaria cadeias de resposta, de modo que o mesmo movimento 
que constitui a resposta de teclar a primeira letra se estabelece como estímulo para 
pressionar a letra seguinte. Assim, o reflexo que antes precisava ser produzido por um 
estímulo visual, passa agora a ser produzido por um estímulo cinestésico.
Em sua proposta explicativa, Watson (1914) assumia que os princípios de recência 
e frequência não eram os únicos a explicar o comportamento. À época, ele já conhecia 
os experimentos sobre condicionamento clássico6, mas ainda considerava o"método 
de condicionamento pavloviano" menos geral que sua proposta, pois, segundo 
ele, era aplicável apenas a poucos tipos de animais e porque não era tão preciso 
como consideravam os estudantes de Pavlov. Sua noção de hábito, até então, era 
essencialmente uma versão modificada daquela proposta por William James (1890; 
Rilling, 2000, ver também Gondra, 1990,1994). Gradativamente, entretanto, o reflexo 
condicionado ganhou posição central em seu sistema teórico. No pronunciamento 
como presidente da American Psychological Association, feito em dezembro de 1915, 
sugere que
(...) se lembrarmos que o método do reflexo pode ser usado sobre o homem, 
sem modificações (...) nós devemos admitir, creio eu, que ele tomará um lugar 
muito importante entre os métodos psicológicos. (...) Ainda que aqui eu não 
possa entrar na amplitude da aplicação do método, estou certo de que é um 
campo mais amplo do que eu havia indicado. (Watson, 1916, p. 105)
6 O primeiro texto que apresenta Pavlov nos Estados Unidos da América foi um artigo de Yerkes e 
Morgulis em 1909. Yerkes foi um dos colaboradores de Watson durante sua carreira acadêmica e o 
artigo mencionado foi publicado no mesmo ano em que Watson passa a editorar o Psychological 
Bulletin, de modo que ele conhecia esse texto.
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Em Psychology From theStandpointofa Behaviorist, Watson (1919) ainda menciona 
os princípios de frequência e recência, mas em sua última versão de Behaviorism, o 
reflexo condicionado domina como princípio explicativo da formação de hábito:
(...) a relação teórica entre os casos mais simples de condicionamento que 
viemos estudando e as mais complexas, integradas e ordenadas, espacial e 
temporalmente, parece ser bastante simples. Aparentemente é a que se dá 
entre a parte e o todo. Isso é, que o reflexo condicionado é a unidade da qual é 
formada o todo do hábito. (Watson, 1930, p. 207)
É interessante notar que Watson, mesmo tendo contato com a proposta 
de Thorndike que incluía o efeito das consequências na determinação do 
comportamento, e que partia não do funcionalismo introspecionista, mas do estudo 
experimental do comportamento de animais, tenha negado essa teoria na explicação 
do comportamento. Aparentemente, a rejeição ao mentalismo e ao hedonismo (que 
para Watson tinha ares de antropomorfismo) da proposta de Thorndike pesaram 
mais do que as eventuais contribuições que sua teoria poderia trazer. A proposta de 
avaliação de reflexos condicionados de Pavlov, por outro lado, não compartilhava 
dessas características e ainda proporcionava um mecanismo explicativo que foi útil a 
Watson (Gewirtz, 2001).
Ao tomar o comportamento como objeto de estudo, Watson incluiu tanto 
comportamentos imediatamente observáveis, explícitos, como potencialmente 
observáveis, implícitos. Para estudar os comportamentos implícitos seria 
necessário usar instrumentos especiais (disponíveis ou a serem desenvolvidos) 
(Watson, 1917). Dentre os comportamentos implícitos estariam tanto a secreção 
de glândulas e movimentos viscerais, como o pensamento, a imaginação e as 
demais atividades cognitivas dos seres humanos. Watson, portanto incluía o 
pensamento e a linguagem em seu sistema teórico, e o modo como ele explicava 
esses fenômenos ilustra bem uma característica marcante de seu behaviorismo, 
que tem sido chamada de periferalismo.
Para Watson, a linguagem é um das características que nos diferencia dos demais 
animais. Essa diferença ocorre não por qualquer natureza diferenciada da linguagem, 
mas porque o ambiente humano (cultural) é mais complexo:
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[a fala e o pensamento compõem] um grande campo de atividades aprendidas 
em que o bruto não consegue nem entrar, muito menos competir nele.
Esse é o campo dos hábitos de linguagem - hábitos que, quando exercidos 
implicitamente, por trás das portas fechadas dos lábios, nós chamamos de 
pensamento. (Watson, 1930, p. 225)
Como um hábito, a fala seria aprendida da mesma forma que os demais 
comportamentos, e envolveria as mesmas estruturas físicas (Watson, 1920). Watson 
achava que todo comportamento implícito era executado por meio da movimentação 
em pequena escala (imperceptível ao observador externo) do aparelho motor ou 
visceral envolvido no mesmo comportamento explícito correspondente. Nesse 
sentido, se o pensamento fosse verbal, o aparelho fonador estaria em movimento; se 
o sujeito estivesse imaginando a si mesmo jogando golfe, a musculatura usualmente 
utilizada para se jogar golfe estaria em movimento; e se o sujeito estivesse sentindo 
uma tristeza privadamente, sem demonstrá-la a um observador externo, as vísceras 
e os músculos envolvidos na expressão explícita dessa tristeza estariam também em 
movimento, ainda que em dimensões ínfimas. Nesses exemplos há certa ênfase em 
alguns grupos musculares ou viscerais, mas como em todo comportamento "nós 
pensamos e planejamos com o corpo todo" (Watson, 1930, p. 200). A concepção 
de Watson do pensamento como atividade corporal foi o modo que ele encontrou 
para explicar fenômenos humanos complexos sem abandonar seu fisicalismo e seu 
compromisso com o acordo entre observadores na produção de conhecimento. Sua 
insistência, entretanto, em vincular os comportamentos implícitos aos movimentos 
dos músculos e das glândulas, e não ao sistema nervoso central - seu periferalismo -, 
parece ter se dado em razão de que em sua época conhecia-se pouco sobre o cérebro, 
e as referências a ele consistiam em inferências tão especulativas quanto aquelas 
feitas sobre a mente (Watson, 1926a). Para Watson, pareceu mais razoável sugerir que, 
no estágio de desenvolvimento da ciência da época, acessaríamos eventos como 
o pensamento apenas indiretamente, mas que no futuro, com o desenvolvimento 
de novas tecnologias e instrumentos, teríamos uma melhor compreensão desse 
fenômeno:
Se algum dia formos aprender mais sobre a natureza íntima do pensamento 
para além do que pode ser obtido observando seus resultados finais - isso 
é, observando o comportamento expresso abertamente e verbalmente ou
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as ações corporais abertas que se seguiram - nós teremos que recorrer à 
instrumentação. O tempo em que isso será possível parece longe. Enquanto 
espera, o behaviorista tem muito com o que se ocupar.
(Watson, 1920, p. 97)
O behaviorismo clássico, portanto, é uma proposta de psicologia fisicalista, 
antimentalista, que assume o comportamento como objeto legítimo de estudo e a 
previsão e o controle desse comportamento como objetivos. Para este behaviorismo 
tornar-se completo, deveríamos compreender como os
organismos se adaptam ao 
seu ambiente - como formam reflexos e hábitos - e só conseguiríamos fazer isso 
cientificamente adotando métodos objetivos de estudo, que permitissem acordo 
entre observadores. Os eventos subjetivos, privados ou cognitivos, não seriam 
misteriosos. Enquanto aos conjuntos de eventos corporais, poderíamos estudá- 
los indiretamente por meio dos comportamentos expressos aos quais eles estão 
associados ou desenvolver instrumentos para acessá-los diretamente.
Decorrências culturais do behaviorismo clássico
O behaviorismo de Watson ficou bastante conhecido na comunidade acadêmica 
e leiga nos Estados Unidos da América. A maior parte de suas proposições, entretanto, 
não eram originais. Como bem demonstram O'Donnell (1985), Marr (2013) e Samelson 
(1981), as características mais marcantes do behaviorismo clássico de Watson (como 
o apelo por uma psicologia objetiva, pelo abandono da introspecção como método, 
pela adoção do comportamento como objeto de estudo, por uma defesa de que 
comportamento é essencialmente reflexo e pela adoção da previsão e controle como 
objetivos teóricos e práticos) já estavam presentes na literatura acadêmica antes 
da publicação do manifesto. O behaviorismo de Watson parece ter se consolidado 
mais porque era coerente com o Zeitgeist da época do que por ter provocado uma 
revolução científica na psicologia (Carrara, 2005; Leahey, 1992; O'Donnell, 1985). É 
nesse sentido que Leahey (2000) apresenta sua opinião sobre o papel de Watson e do 
manifesto no desenvolvimento do movimento behaviorista:
Watson não foi um pensador original, mas, como bem demonstrado em 
sua carreira na publicidade, ele foi um porta-voz efetivo. Quando se separa a 
retórica de Watson das suas propostas substantivas [percebe-se] que ele disse 
pouco de novo, mas o disse poderosamente. (...) [o] manifesto de Watson (...)
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simplesmente marca o momento em que o behaviorismo se torna ascendente 
e autoconsciente criando para os behavioristas ulteriores um'mito da origem'.
(p. 400)
As abordagens críticas da contribuição de Watson para o desenvolvimento do 
behaviorismo têm sugerido que as afirmações mais ofensivas e menos baseadas em 
dados (especialmente aquelas produzidas durantes seus anos como profissional do 
marketing) foram em grande parte responsáveis pelos preconceitos que existem em 
relação a todo o movimento behaviorista ainda hoje. Logue (1994), por exemplo, 
sugere que
(...) nós nunca saberemos se, caso Watson nunca tivesse feito suas afirmações 
mais ultrajantes, o behaviorismo ainda teria perdido sua popularidade 
(...) em qualquer caso, as publicações de Watson, o primeiro behaviorista, 
são certamente uma mina de ouro para aqueles que querem criticar o 
behaviorismo. (p. 122)
Marr (2013) é ainda mais incisivo em sua avaliação crítica: "todos os behaviorismos 
científicos modernos - metodológico, radical, teleológico - quaisquer que sejam, 
de fato, pouco devem, metodologicamente, empiricamente ou conceitualmente a 
Watson e, provavelmente, seriam algo próximo do que são hoje - e seriam melhor 
vistos - se Watson nunca tivesse existido" (p. 35). Por outro lado, independente 
de Watson ter ou não sido caracterizado corretamente como o fundador do 
behaviorismo, e dos eventuais efeitos nefastos que sua retórica particular podem 
ter exercido no desenvolvimento histórico do movimento, é inegável que a posição 
em que ele se encontrava deu grande visibilidade para as reivindicações sobre a 
necessidade de uma psicologia objetiva que tomasse o comportamento como seu 
objeto legítimo de estudo e que abandonasse o mentalismo em benefício de uma 
avaliação funcional do seu objeto. Além disso, foi ele que uniu as características que 
constituem o behaviorismo clássico sob o mesmo rótulo. Nesse sentido, Watson 
parece ter sido um "catalisador" do movimento behaviorista (Tortosa, Pérez, Civera, & 
Pastor, 2001). Ainda que possamos concordar com a afirmação de Skinner de que "as 
insuficiências da proposta de Watson [são]... de interesse principalmente histórico" 
(Skinner, 1974, p. 5), no sentido de que não há behavioristas watsonianos hoje (Pérez- 
Garrido, Calatayud, & Pastor, 1998), é preciso notar que ser de interesse histórico não
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é pouco. O leitor familiarizado com o movimento behaviorista, ou que tenha lido os 
demais capítulos deste volume, perceberá facilmente que há muitas semelhanças 
entre as propostas específicas de Watson e as demais formas de behaviorismo; e 
de certo modo, após a proposição do behaviorismo clássico e sua disseminação na 
cultura norte-americana, todos os behaviorismos foram obrigados a se pronunciar 
sobre ele, concordando ou não com suas proposições, mesmo que nem sempre 
assumindo-o como fonte de inspiração. Uma compreensão mais clara das propostas 
de John B. Watson e do seu behaviorismo clássico podem ajudar a compreender os 
limites e as inovações dos behaviorismos subsequentes, bem como as representações 
do behaviorismo no contexto cultural mais amplo, ontem e hoje.
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7 A. P. WEISS U 879-193 IJ: A
THEORETICAL BASIS OF HUM AN 
BEHAVIOR1
Robert H. Wozniak
1 Capítulo publicado originalmente como introdução ao livro A Theoretical Basis o f Human Behavior, de A. 
P. Weiss, em edição organizada por R. Wozniak (Londres: Routledge/Thoemmes Press, 1994).
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Born in Steingrund, Schlesien, Germany in 1879, Albert P. Weiss (1879-1931) was 
brought to America as an infant2. His parents, German Lutherans, settled in St. Louis 
where his father worked as an architect. Little else is known about either his family 
or his early years beyond a report that he came from a happy and affectionate home 
whose members participated actively in the German/American cultural life of St. 
Louis. Indeed, as a young man, Weiss himself belonged to a club that met to discuss 
philosophy (Esper, 1968). Perhaps this early philosophical interest was one factor that 
led to his dissatisfaction with an engraving career and decision, at a relatively late age 
(approximately 27), to enroll in the University of Missouri.
At Missouri, he studied physics, mathematics, and philosophy before turning 
to coursework in psychology. His encounter with psychology occurred literally by 
chance. One day he happened into a room in which Max F. Meyer (1873-1967) was 
unsuccessfully attempting to adjust a complex piece of apparatus. When Weiss 
succeeded in making the adjustment, Meyer hired him as his laboratory assistant, a 
position he retained throughout his work for the A. B. (artium baccalaureus or Bachelor 
of Arts, in 1910) and M. A. (Master of Arts, in 1912) degrees. After 1912, when Weiss 
accepted a position as laboratory instructor under George Frederick Arps (1874-1939) 
at Ohio State, he continued to return to Missouri at periodic intervals to complete 
his doctoral work under Meyer. In 1916, he became Meyer's first and only doctoral 
student with a dissertation entitled Apparatus and Experiments on Sound Intensity 
(Weiss, 1916).
2 Biographical details are drawn primarily from: Bloomfield (1931), Elliott (1931) and Renshaw (1932).
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Formative years: Meyer's influence on Weiss
Meyer had arrived at Missouri in 19003 after studying with Carl Stumpf and 
Herman Ebbinghaus in Berlin. Like Stumpf, Meyer concentrated much of his research 
in audition. He published important theoretical papers on the psychology of music 
(Meyer, 1900b) and on the nature of cochlear function in hearing (Meyer, 1899,1900a, 
1900c), and pursued experimental studies on the aesthetics of final tones, musical 
intonations, and quartertone music (Meyer, 1903). Although Weiss also worked for a 
time in this area, it was not primarily Meyer's research, but his theoretical orientation 
— his objectivism, physiological reductionism, concern with the objective translation 
of subjective terms, emphasis on the social significance of behavior, and analysis of 
language and thinking - that was to exert a lasting influence on Weiss. As Erwin Esper 
summed up the relationship between the two men:
There were strong bonds between Meyer and Weiss: Weiss had been born in 
Germany and (...) spoke German in the home of his parents; his personality 
was most engaging: honorable, unassuming (...) eager in interest in all matters 
of scientific and humane import, humorous; well trained in physics, chemistry, 
biology, mathematics, and philosophy - subjects in which Meyer found most 
of his American students deficient; ingenious in devising and constructing 
apparatus. In his early publications Weiss followed Meyer in research on tonal 
intensity and'vocality,'and in applying Meyer's hydraulic theories of the ear and of 
the nervous system to sensory discrimination and learning. In his later publications 
he enlarged upon Meyer's two main philosophical - or rather, methodological, 
doctrines: that psychology should deal only with objective data and only with 
behavior having social import. Meyer has said,'I have had very little - almost no 
- influence on American psychology directly, but perhaps a good deal through 
mediation by students ofWeiss.'Meyer produced one doctor of philosophy: Weiss;
Weiss produced twenty-five. (Esper, 1967, pp. 113-114)
3 A position he was to retain until
1929. In 1929, however, a questionnaire assessing attitudes toward 
extramarital sexual relations had been distributed to students with Meyer's tacit approval. Public outcry 
over the questionnaire led to Meyer's receiving a one-year, unpaid suspension from the University. In 
1930, upon his return, Meyer had the poor judgment to engage in public criticism of the members 
of the University Board of Curators who had been responsible for his suspension. As a result, he was 
summarily dismissed from the University and never again held a regular faculty appointment. For an 
informative discussion of the entire affair see Esper (1967).
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In 1909, Meyer was one of America's most consistent, most radical objectivists. 
Under the influence of Max Planck (1858-1947), who had assumed the Chair in 
Theoretical Physics at Berlin in 1889 and who served on Meyer's dissertation 
committee, Meyer drew a sharp distinction between the internal and the external 
points of view. While the internal, psychological point of view may yield direct, 
personal knowledge of psychological states, these states are accessible to others only 
through external manifestations in action. From the external, physiological point of 
view, a satisfactory understanding of behavior can be obtained in terms of neural 
processes without postulating the intervention of any particular mental force (Planck, 
1950, pp. 59-75).
This objectivism and commitment to seeking the fundamental explanation of 
human behavior in properties of the nervous system served as cornerstones of Meyer's 
psychology. In 1909, when Weiss stumbled upon Meyer and into psychology, Meyer 
was incorporating these ideas into the manuscript for an introductory textbook, The 
Fundamental Laws of Human Behavior, which was to appear in 1911. In its conception, 
The Fundamental Laws is a remarkable book (Wozniak, 1993). Appearing two years 
before John Broadus Watson (1878-1958) issued his famous "behaviorist manifesto," 
(Watson, 1913) it has been called the first "completely behavioristic explanation of 
human action" (Pillsbury, 1929, p. 290) and to some extent it was.
Meyer rejects the explanatory use of mental states except as shorthand for the 
operation of complex nervous processes, emphasizes the importance of behavior, 
and limits the scientific value of introspection solely to "the fact that it aids us in 
discovering the laws of nervous function" (Meyer, 1911, p. 239). With such views 
Meyer's objectivism was both more and less extreme than the behaviorism that 
Watson was to make famous. On the one hand, unlike Watson, Meyer was an 
uncompromising neurophysiological reductionist. For Meyer, the explanation of 
behavior depends directly on what goes on in the organism - on nervous processes 
that link stimuli to behaviors and that correlate with mental states. His "behaviorism," 
therefore, was not that of the Watsonian prediction/control, stimulus/response, 
empty organism variety that was eventually carried to its logical extreme by B. F. 
Skinner (1904-1990) (Skinner, 1938).
On the other hand, despite his explanatory objectivism, Meyer retained the 
descriptive use of mental terms, at least if they could be given an objective denotation. 
One of the best statements of Meyer's position in this regard appeared in an attack 
on William McDougall's (1871-1938) Body and Mind: A History and a Defense of Animism
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(McDougall, 1911). Criticizing McDougall for reintroducing consciousness as an 
unknown in the equation relating stimulation to behavior, Meyer (1912) argued that:
We need to establish definite relations between our subjective and our 
objective terms, so that, instead of mixing them up, we can translate the one 
into the other. Then only will it be possible to utilize the advances made at 
the present time (...) for the advancement of an objective science of human 
behavior. We must try to establish definite nervous correlates for all the specific 
mental states and mental functions which are used in and seemingly can 
not be spared from our descriptions of human life in the mental and social 
sciences, (p. 371)
Psychology, in other words, retains a descriptive use of mental terms, despite its 
need to find objective explanation in the nervous system, because psychology deals 
with human life - human life as it is described in the mental and the social sciences. 
Here, in embryo, is another critical component of Meyer's overall view, one that would 
be worked out in greater detail between 1911 and 1921, when he published another 
introductory text, Psychology of the Other-One (Meyer, 1921). This component involves 
Meyer's strong belief that psychology deals with behavioral phenomena in both their 
physiological and their social significance. As Meyer (1921) himself put it:
We psychologists must often hear the (unjustified) reproach that our 
psychology is nothing but physiology or neurology (...). But we psychologists 
have no difficulty in distinguishing our interests from those of other biological 
departments. We study the organism as an organism, it is true, but only in so far 
as its functions have distinctly social significance, (p. 405)4
Of all such functions, the one with greatest"social significance" is that by which one 
organism signals to another. In human beings, this generally takes the form of speech. 
As a young man, Meyer had read and been influenced by Lazarus Geiger's (1829- 
1870) Der Ursprung der Sprache. Following Geiger, Meyer had developed the view 
that all thinking (including abstraction and generalization) involved "innere Sprache
4 Esper (1968) suggests that the "social significance" criterion may have been worked out, at least in part, 
in the running scientific correspondence between Meyer and Weiss.
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['internal speech'] (...) that speaking had its origin in the necessity for human beings 
to cooperate in muscular activity (...) [and that] since all skeletal muscular activity is 
governed neurologically (...), all thinking is governed neurologically by mediation 
of speech" (Esper, 1968, p. 344). At the same time, however, speech and thinking 
clearly also have social significance. Abstractions and generalizations formed in inner 
speech by one individual can be communicated in oral or written speech to others. 
In this way, the behavior of one individual can be influenced by the "thoughtfulness" 
of another.
These are powerful ideas and each was taken to heart by the young A. P. Weiss. 
Indeed, Weiss's A Theoretical Basis of Human Behavior, published in 1925, and by far 
the most iconoclastic text in the literature of early behaviorism (the works of Meyer 
excepted), can easily be read as an extension of Meyer's views. This is not, of course, 
to belittle the importance of Weiss's contribution. In Weiss, ideas barely sketched 
out by Meyer (e.g., continuity between psychology and the other natural sciences, 
the relation between the physiological basis and social significance of behavior, the 
need to provide objective denotations for subjective terms, and the social import of 
language as a mechanism of both thought and reciprocal stimulation) receive careful, 
systematic attention.
A Theoretical Basis of Human Behavior
A Theoretical Basis of Human Behavior is divided into three large sections prefaced 
by an introduction. In the introduction, Weiss defines behaviorism and indicates 
the overall
problematic in terms reminiscent of Meyer. "Behaviorism at present," he 
suggests, "is merely a convenient term which more or less definitely separates those 
psychologists who believe that the so-called mental states cannot be classified as 
physical states, from those psychologists who believe that they can" (1925, p. 5). "If 
awareness, mind, will, desire, are not to be regarded as a form of energy which in 
some way exerts a selective action upon the situation with which I am confronted and 
upon my responses to them, what is the behavioristic eguivalent of the conditions 
for which these terms stand?" (p. 7). Behaviorism in the Meyer/Weiss mode, in other 
words, recognizes the existence of conditions for which mental terms are employed 
but strives to represent these conditions in terms of their objective equivalents.
The introduction is followed by six chapters (slightly more than one-third 
of the book) elaborating the fundamental principles and postulates underlying the 
Meyer/Weiss vision. The first two chapters are devoted to establishing physicalism
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- the basis for continuity between psychology and the physical sciences - and the 
essence of this foundational view is nicely summarized by Esper (1968):
From electrons and protons organized into atoms to cells organized into men to 
men organized, ultimately, into a league of nations, the universe is to be viewed 
as a continuously evolving series of more and more complex and complete 
integrations (...) the phenomena studied by psychology are complications of 
those studied by physics, chemistry, and biology; the principle of determinism 
applies in psychology as in the other natural sciences; the phenomena studied 
by psychology depend upon the properties of the human nervous system in its 
interactions with the environment; the principle of evolutionary development 
applies not only to biological phylogenesis but to the history of individuals and 
of social institutions; the data of psychological research are responses to sense- 
organ stimulation, or to the aftereffects of such stimulation - responses which 
are observable, recordable, and - ideally - quantifiable, (pp. 175-176)
The following four chapters are then concerned with characterizing psychology's 
specific place among the natural and social sciences, a characterization that Weiss 
grounds in a novel distinction between the biophysical and the biosocial. Weiss writes:
Behavioristic psychology occupies an intermediate position [between the 
physical and social sciences], on the one hand investigating the effect of 
physical conditions on sensori-motor functions, and on the other, the effects 
of sensori-motor function on social organization (...) Thus there arise two 
criteria with respect to which human movements may be classified: (a) as 
neuromuscular effects of preceding movements, (b) as neuromuscular causes 
of subsequent movements. I have differentiated these two classes by the terms 
biophysical and biosocial. (Weiss, 1925, pp. 55-56)
Biophysically, responses are equivalent when, "as neuromuscular effects (...) 
the physiological conditions of sensitivity, conductivity, and contractility (...) in 
corresponding receptors, neurons, and effectors" (Weiss, 1925, p. 79) are equivalent. 
Biosocially, responses are equivalent when they serve in similar ways as stimuli 
for other individuals or for the self. On this analysis, it should be evident that two 
biophysically equivalent responses (e.g., identical movements of the facial muscles;
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may differ biosocially and that one and the same biosocial effect can be produced by 
responses differing biophysically (e.g., writing and speaking the same message). "If 
the study of human behavior is to achieve a scientific status,"Weiss (1925) argues,"(...) 
both the biophysical and biosocial properties must be studied" (p. 80).
This is a very significant analysis. In suggesting that movement enters into two 
different sets of constitutive relationships - as neuromuscular effect and as social 
stimulus - Weiss is, in effect, distinguishing levels of theoretical discourse. Although 
every biosocially relevant response (i.e., response serving as a stimulus for others) is 
also a neuromuscular effect (i.e., can and must also be viewed biophysically), biosocial 
analysis cannot be reduced to the biophysical. Suppose, Weiss (1925) asks,
(. . .) that instead of the recent discovery of the undisturbed tomb ofTut-Ankh- 
amen and its contents, we had found a complete set of neuro-myograms 
of representative Egyptians of this period (...). Would this type of record be 
regarded (...) as an adequate substitute for the contents of the tomb as a means 
for revealing the behavior or cultural history of this period? (...) I do not believe 
that any neurological insight alone will enable us to determine what the 
stimulating effects of a given neuro-muscular configuration will be upon other 
individuals, (pp. 81-82)
Here, in short, we have psychology clearly and systematically distinguished from 
physiology in terms of variation in level of discourse introduced by psychology's need 
to focus on movements both as neuromuscular effect and as social stimulus. Indeed, 
for Weiss (1925), when behavior is viewed from the biosocial perspective,
(. . .) the neuro-muscular character of a response is relatively unimportant as 
compared with its effect as a stimulus for other individuals (...) [and] physical 
units of measurements... are relatively inadequate to measure this stimulating 
effect (...) the individual is [therefore] classified not on the basis of physical or 
physiological properties but on the basis of his co-operative status in the social 
organization of which he is a unit. (p. 142)
This is a theoretically sophisticated view. The second large section of Weiss's text 
also consists of six chapters and takes up about one third of the book. The first four 
chapters reintroduce and reemphasize the possibility of analyzing human response
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either into its anatomico-physiological elements (Weiss devotes a chapter to a 
fairly standard, peripheralist account of receptor, effector, and central conducting 
mechanisms) or its stimulating effect on others (classified as "educational, vocational, 
administrative, recreational, and personal (...) in accordance with their resemblances 
for producing similar behavior in others" [Weiss, 1925, pp. 191-192]). The final two 
chapters, one on"consciousness,"the other on "mind," are designed to set the stage for 
analyses of specific response categories that constitute the final section of the book.
In discussing consciousness, Weiss follows Watson in asserting that psychology 
defined as a science of consciousness is in trouble. "In natural science," he points 
out, "controversy tends to establish agreement" (1925, p. 228). In psychology it has 
led to ever greater disagreement over the nature and status of consciousness and 
even the validity of its introspective technique. As Weiss (1925) puts it, "Such terms as 
consciousness, mind, mentality, etc., are used with great liberality by everyone except
those who have tried to understand what they mean"(p. 248). Certainly, if psychology 
wishes to be a science, it must eschew any conception of consciousness as "some 
kind of non-material force or entity, which has no physical properties but which 
nevertheless acts on the nervous system of man in some unknown way, so as to 
control his behavior in conformity with some teleological plan" (Weiss, 1925, p. 230).
Unlike Watson, however, Weiss does not entirely reject either the term or the fact 
of "consciousness" itself. Rather, he retains that which is of value in "consciousness" by 
redefining it."The behaviorist,"he (1925) writes,"concludes, that if mental or conscious 
processes are regarded as particular types of chemical or physical processes of as 
yet unknown composition then only one entity or one system of events need be 
assumed" (1925, p. 234). Consciousness is simply "a series of speech habits that one 
learns in a psychological laboratory" (p. 240). When taken in this limited sense, as 
"an indirect function of the unrealizable stimulation of obscure receptors [implicit 
reactions] and not [as] a description of a psychical process" (p. 241), introspective 
consciousness has a role to play in scientific research: "At the present time the type of 
terminology and the technique of the introspective method may help to localize and 
describe obscure stimuli and sensori-motor conditions more effectively than through 
the use of the precision instruments of the physicists" (p. 245).
Indeed, for Weiss, it is just these "obscure stimuli and sensorimotor conditions" 
for which one might also employ the term "mind.""Stimuli acting on sense organs", 
he notes,
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(. . .) initiate sensori-motor processes which not only terminate in the effectors 
of observable biophysical or biosocial responses but also in many other internal 
effector systems which are obscure in the sense that they cannot be localized 
by the self-observer nor recorded by an observer (...). The implicit response is 
primarily a residual effect of sensori-motor variations that have occurred at 
some earlier time as biosocial responses. (Weiss, 1925, pp. 260-261)
"No matter how complex and involved human achievements may become," in 
other words, for Weiss (1925),"they are in the last analysis the functioning of contractile 
elements in the individual's body"(p. 282).
Weiss's Theoretical Basis concludes with a final section (five chapters) analyzing 
specific response categories and summarizing his behaviorist postulates. Accepting 
the challenge implicit in Meyer's doctrine of the translatability of subjective into 
objective terms and ever mindful of the need to operate at both the biophysical and 
biosocial levels of analysis, Weiss first provides a behavioristic analysis of the explicit 
and implicit language response in their biosocial import. He then attempts to redefine 
traditional categories of mental analysis (e.g., thinking, purpose, motive) in terms of 
the biosocial outcomes of implicit response and subvocal speech. So consistent is 
his application of this approach that, as he tells us, "implicit reactions and subvocal 
speech seem to explain everything" (Weiss, 1925, p. 253).
The language reaction, for Weiss, involves the production of particular sounds or 
written characters that: a) are both a response to a stimulus (frequently implicit) and 
a stimulus to a response (for others and for the self); and b) provide the mechanism 
underlying abstraction and generalization. "The actual muscles that produce the 
sounds, characters, or symbols", in other words, "are relatively unimportant" (Weiss, 
1925, p. 288). "Because the word response is independent of the sensory nature of the 
stimulus," in his view,
(. . .) many different stimuli may release the same word reaction. This form of 
behavior is known as generalization, and the process may be described as the 
generalizing function of language. As a behavior category generalization is a 
type of sensori-motor mechanism in which many different receptor patterns 
representative of many different sensory situations and relations, are connected 
to the same language response and through this common path the individual 
may react in a specific manner to all the objects, situations, and relations thus
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connected, even though there is very little sensory similarity between them.
(Weiss, 1925, p. 297)
Thinking makes use of such generalizations. Indeed, much of what takes place 
in thinking involves subvocal, language reactions. This is not, however, what defines 
"thinking" for Weiss. Thinking, from his perspective, is a relatively standardized 
response, or more properly series of responses, to a problem situation yielding a 
relatively conventionalized outcome. Thinking, in other words, is defined in terms 
of the biosocial nature of the problem solution. As he puts it, "The individual 
stimulus-response series is constantly being standardized by the teacher, parents, 
colleagues. As a result, the biosocial stimulating conditions under which we live 
establish conventionalized and standardized responses (...) which are more or 
less common to many members of the community" (Weiss, 1925, pp. 324-325). 
Fundamentally, therefore, thinking is a biosocial process yielding a biosocial 
product with a biosocial meaning.
Purpose is similarly defined by Weiss in terms of both implicit response and 
biosocial outcome: "Purpose or purposive behavior refers to the fact that (...) there 
is (...) an organization between the various response series belonging to a given 
individual, which conforms to a traditional or conventional sequence" (Weiss, 1925, 
p. 346). Thus, for example, doctors or lawyers act in a purposeful fashion when they 
act in accordance with the routines that are appropriate to doctors or lawyers. Such 
"sequences form parts of longer behavior life history series. The terminal responses of 
the sequences (...) are designated as the purpose or aim of the antecedent activities" 
(Weiss, 1925, p. 352).
Finally, motives are also biosocially defined:
The behavioristic conception of motivated behavior reduces itself to the 
following biophysical and biosocial conditions: (a) a complex stimulating 
condition, which (b) releases alternative implicit behavior series, (c) the 
intensification of one specific series which is an essential antecedent of (d) the 
biosocial category that has been intensified (...). The so-called motive is the 
behavior which is arbitrarily designated as the end result.
(Weiss, 1925, pp. 365-367)
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It is interesting to note that on this account it is almost impossible to distinguish 
among thinking reactions, purposive behaviors, and motivated responses. Human 
action, for Weiss, is a complex biosocial stimulus for others precisely because it is 
purposive, motivated, and thoughtful. Truly, as he indicates, "implicit reactions and 
subvocal speech seem to explain everything"(Weiss, 1925, p. 253).
In 1929, Weiss reissued A Theoretical Basis in a second, revised edition. Treatment 
of the relationship between behaviorism and metaphysics, the distinction between 
the biophysical and biosocial, the nature of the human response and of language 
reactions were all expanded in response to "the many criticisms directed against 
the 1925 edition" (Weiss, 1929, p. ix). Despite revision, however, the fundamental 
problematic
remains the same. Criticizing those who attempt to give both a 
mentalistic and a behaviorist account, Weiss once again asks whether"the concept of 
mind or consciousness is a necessary concept in the scientific investigation of human 
behavior and human achievement?" (Weiss, 1929, p. ix). And once again, his answer 
is the same:
If an attempt were made to define the term mental as carefully as the term 
behavior is defined, there would be no objection. But this is not done. Such 
terms as mind, mental process, consciousness, image, etc. suddenly appear 
in the context of psychological writing without any attempt at definition. It 
is assumed that the reader knows exactly what the writer means by these 
terms. Is this a safe and scientific assumption to make? I do not think we can 
evade this question by referring it to philosophy or metaphysics. It is a purely 
psychological problem and requires that we formulate the fundamental 
postulates upon which our science rests. As long as we do not undertake the 
task, psychology will be designated a pseudoscience. (Weiss, 1929, pp. ix-x)
Two years later, Albert Paul Weiss was dead at the age of 51. During the final years 
of his life, he had been bedridden with a degenerative heart ailment (Bloomfield, 
1931, p. 221). His premature death deprived the Meyer/Weiss perspective of its most 
articulate spokesman; it deprived behaviorism of one of its most systematic, most 
philosophically sophisticated adherents; and it deprived psychology of a leading 
proponent of the objective, biosocial definition (rather than abandonment) of mental
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terms. One wonders what the future of behaviorism might have been like had Weiss 
lived to continue this work5.
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5 It is, of course, important to note in this regard that the objective definition of mental terms (albeit 
via operations of measurement rather than specification of the nature of implicit response) remained 
a central feature of behaviorism - see, for example, the purposive, neobehaviorist analyses of Tolman 
(1932).
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G. H. MEAD (1863-1931): UM AUTOR, 
DIVERSAS POSSIBILIDADES
Renoto Ferreiro de Souzo 
Maria do Carmo Guedes
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Sempre que se menciona George Herbert Mead, algumas dúvidas costumam 
povoar a reflexão dos interlocutores que versam sobre o autor. Está-se a falar de um 
filósofo, sociólogo ou psicólogo? Mead foi um psicólogo social ou um behaviorista? 
O que se entende ao considera-lo representante do pragmatismo filosófico norte- 
americano? É um precursor do Interacionismo Simbólico? E mais, em quais áreas 
das ciências sociais e humanas seus conhecimentos e reflexões tornaram-se 
fundamentações teóricas que contribuíram para a sistematização e corroboração 
epistemológica das mesmas?
Em todo caso, para quem tem esse tipo de dúvidas, supõe-se um prévio 
conhecimento sobre o autor e sua proficuidade teórica. No entanto, o quadro agrava- 
se quando se percebe que, por vezes, a própria história da psicologia negligencia a 
vida, a obra e o trabalho do autor, perpetuando assim essa confusão.
O presente capítulo, portanto, intenta debruçar-se sobre a biografia e os principais 
pontos da teoria meadiana, além de apontar as inserções profissionais que fizeram de 
George Herbert Mead um autor, de certa forma, incógnito na história da Psicologia.
Cabe ressaltar, como em todo trabalho que se pretende histórico, que as 
informações aqui descritas não objetivam abarcar todas as nuances e detalhes 
da vida e obra do autor. O recorte aqui produzido é intencional e conta com 
um viés ideológico e científico condizente com as pressuposições teóricas e 
analíticas dos seus autores. Com isso, alerta-se que a história sempre deverá 
ser (re)contada e (re)construída na tessitura de distintas narrativas; pois é aqui 
compreendida enquanto produção humana coletiva que se processa objetiva e 
dinamicamente no fluxo do tempo.
Para Antunes (1998), esse modo abrangente e cauteloso de compreender a 
pesquisa histórica é útil, pois explicita as bases metodológicas que permitem uma 
maneira de se fazer a análise histórica considerando as múltiplas determinações que 
o movimento da sociedade, em suas épocas, traz à psicologia. Não se encontram as 
psicologias, seus produtores e reprodutores isolados no tempo e no espaço, nem 
estão acima das ideias e práticas que permeiam a sociedade da qual fazem

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