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<p>PARÂMETRO SAÚDE</p><p>SOMATIZAR</p><p>O seu guia para entender os sintomas</p><p>psíquicos no corpo</p><p>GUIA CONCEITUAL E</p><p>ABORDAGEM AO PACIENTE</p><p>SEJA BEM VINDO ALUNO PARÂMETRO</p><p>PARÂMETRO SAÚDE</p><p>SOMATIZAR</p><p>O seu guia para entender os sintomas</p><p>psíquicos no corpo</p><p>sumár i o</p><p>INTRODUÇÃO ........................................................................................... 05</p><p>O QUE É SOMATIZAR .............................................................................. 11</p><p>O CORPO FALA ........................................................................................ 15</p><p>ENFERMIDADES ASSOCIADAS A SOMATIZAÇÃO ............................ 21</p><p>COMO A MENTE AFETA O ESTADO GERAL DO PACIENTE ............ 24</p><p>A HIPOCONDRIA E A SOMATIZAÇÃO .................................................. 27</p><p>COMO IDENTIFICAR A SOMATIZAÇÃO ............................................... 31</p><p>ABORDAGEM DO PACIENTE ................................................................. 33</p><p>COMO EVITAR A SOMATIZAÇÃO .......................................................... 38</p><p>ESTUDOS RELACIONADOS .................................................................... 42</p><p>A DOR E A SOMATIZAÇÃO ..................................................................... 44</p><p>A IMAGEM CORPORAL E A SOMATIZAÇÃO ....................................... 47</p><p>RELAÇÃO DA ANSIEDADE COM SOMATIZAÇÃO .............................. 50</p><p>O CÂNCER ................................................................................................. 53</p><p>TRATAMENTO ........................................................................................... 56</p><p>PREVENÇÃO .............................................................................................. 59</p><p>REFERÊNCIAS ............................................................................................ 61</p><p>AGRADECIMENTOS .................................................................................. 62</p><p>Introdução</p><p>O termo somatização tem origem de outro termo,</p><p>“psicossomática”, no qual este último surgiu a partir do</p><p>século passado. Após muitas atualizações e</p><p>estruturações onde o médico alemão Heinroth criou as</p><p>expressões psicossomática em 1918 e somatopsíquica</p><p>(1928) distinguindo os dois tipos e também trazendo</p><p>contribuições para os estudos da psique e da</p><p>personalidade humana. A “Somatização” foi mais</p><p>utilizada a partir de 1924, após ser criado pelo psiquiatra</p><p>austríaco Wilhelm Stekel (1868-1940), que era ex-</p><p>discípulo de Sigmund Freud (1856-1939), onde teve o</p><p>termo incorporado ao Manual de Diagnóstico e</p><p>Estatístico de Transtornos Mentais, há época o DSM-3,</p><p>da Associação Americana de Psiquiatria.</p><p>Antes o termo original dividia opiniões e inclusive era</p><p>utilizado com hífen psico-somática como uma prova de</p><p>que, ainda, não se considerava a mente e o corpo como</p><p>uma única instância.</p><p>06</p><p>introdução</p><p>O termo passou por muitas mudanças e evoluções</p><p>como a psicanálise que estudava a origem inconsciente</p><p>das enfermidades, depois pelo behaviorismo que</p><p>enxergava a maneira de deixar o tema mais voltado às</p><p>ciências exatas e tendo grande contribuição nos estudos</p><p>sobre estresse, e mais recentemente multidisciplinar</p><p>que, digamos, deixa de lado o hífen e começa a avaliar</p><p>as enfermidades psicossomáticas como oriundas de</p><p>uma mente e corpo de forma mais integral e que, de</p><p>fato, passam a ser estudadas por profissionais de</p><p>diversas áreas. É possível, também, fazer uma correlação</p><p>da importante mudança de paradigma com a qual</p><p>sofreu a “somatização” com o entendimento atual da</p><p>OMS sobre o que é saúde, que incluiu o bem estar</p><p>biopsicossocial como condição para o indivíduo ser</p><p>saudável e gerou um imenso salto na visão sobre a</p><p>integralidade da "mente corpo".</p><p>07</p><p>É importante destacar que os avanços dos estudos e</p><p>dos entendimentos sobre somatização e/ou</p><p>psicossomática passaram a ser avaliadas sobre o campo</p><p>do ensino e da interação médico-paciente, onde gerou o</p><p>que se chama de Psicologia Médica e que, embora seja</p><p>um “braço” psicossomática em sua origem, é mais</p><p>voltada para as questões envolvendo os médicos e</p><p>estudantes de medicina, bem como fenômenos de</p><p>saúde ou das interações entre pessoas e ao adoecer. É</p><p>de bom alvitre entender que vários profissionais da</p><p>saúde estão adotando as práticas da visão</p><p>psicossomática e é importante que todos estejam</p><p>solidários a receber cada um para que haja um olhar</p><p>diferenciado na prática que beneficiará o que</p><p>chamamos de ativo paciente.</p><p>08</p><p>No passado os médicos eram avaliados como um</p><p>empecilho para a prática da união “mente-corpo” (em</p><p>separado para explicar a visão antiga) e se esperava que</p><p>isso só mudaria depois de muitos séculos, no entanto,</p><p>da mesma maneira que a OMS atualizou a sua maneira</p><p>de enxergar a Saúde, os médicos atuais também se</p><p>reencontraram em sua práxis, devido, também, ao fato</p><p>de a cada dia encontrar casos que precisavam ser</p><p>avaliados de uma maneira integral e multidisciplinar.</p><p>Embora semelhantes, os termos psicossomático e</p><p>somatizar são distintos pelo fato de o primeiro ser mais</p><p>entendido como estudos e avaliações das manifestações</p><p>da doença e o segundo, somatizar, é o ato de</p><p>apresentar sintomas no corpo cuja origem seja causas</p><p>emocionais.</p><p>Este livro/e-book, pretende ajudar com um compilado</p><p>de conhecimento o que é SOMATIZAR e ele serve como</p><p>um apoio tanto para profissionais de saúde quanto para</p><p>pessoas que estão interessadas em entender mais</p><p>sobre o tema e que, quiçá, poderá estar passando por</p><p>alguma situação onde é necessário uma visão mais</p><p>abrangente dos mecanismos envolvidos na somatização.</p><p>09</p><p>Quando se pensa em manifestação física de aspectos</p><p>psicológicos não estamos, exatamente dividindo a</p><p>mente do corpo mas demonstrando de que, da mesma</p><p>maneira que o sal, por exemplo, com sua composição de</p><p>sódio pode afetar fisiologicamente os sistemas e causar</p><p>hipertensão, a ansiedade, o estresse, ou qualquer outra</p><p>manifestação psíquica gera sintomas nos sistemas e que</p><p>muitas vezes podem ser ignorados ou desconhecidos</p><p>por alguns profissionais de saúde.</p><p>Ainda há muito o que ser estudado para definir o que é</p><p>Somatização, no entanto, já possuímos na atualidade</p><p>conhecimento suficiente para identificar casos intra e</p><p>extra hospitalares. Embora seja uma tarefa</p><p>aparentemente difícil, este ebook irá te auxiliar com</p><p>conteúdo suficiente, com uma abordagem com</p><p>linguagem de fácil entendimento, sem deixar de lado</p><p>todo o aspecto científico das nomenclaturas envolvidas</p><p>no tema. A ideia é de o leitor concluir este e-book com</p><p>uma nova visão sobre a psique.</p><p>10</p><p>O que é</p><p>Somatizar?</p><p>Durante muitos anos a mente e o corpo foram</p><p>tratados assim, separados. Atualmente apenas</p><p>dividimos as palavras mente e corpo para fins</p><p>didáticos, no afã de explicar e demonstrar a função</p><p>de cada um. Dessa maneira, mentecorpo, fazem parte</p><p>de uma mesma instância e estão mais conectados do</p><p>que muitos imaginam o que faz os conteúdos</p><p>psíquicos interferirem no corpo, vice-versa. Quando</p><p>dizemos que alguém está manifestando algum</p><p>conteúdo psicológico em seu corpo físico através de</p><p>sintomas como dor, febre, desequilíbrio, manchas na</p><p>pele, entre outros, dizemos que está “somatizando”.</p><p>Em meio a tanta controvérsia e abordagens</p><p>diferentes no passado, algumas pessoas se</p><p>acostumaram a lidar com essa dualidade</p><p>(mente/corpo), chegando, inclusive, a negligenciar a</p><p>saúde ao ponto de não enxergar que algumas</p><p>manifestações tinham origem na mente.</p><p>O QUE É SOMATIZAR</p><p>12</p><p>Como foi mencionado na introdução, a história</p><p>envolta da Somatização e das doenças</p><p>psicossomáticas é recente e ainda está em</p><p>construção, talvez por isso ainda há algum descrédito</p><p>em relação aos sintomas que muitos pacientes</p><p>enfrentam e que, por vezes, são estigmatizados por</p><p>não possuírem provas concretas de uma doença</p><p>“física” o que gera desconfiança de alguns</p><p>profissionais que ainda trabalham com enfoque</p><p>unicamente físico, ignorando os aspectos psíquicos</p><p>do adoecer. A boa notícia é que isso está mudando e</p><p>cada vez mais profissionais estão conscientes ou</p><p>buscam conhecer mais</p><p>as várias facetas das</p><p>manifestações mentais no corpo.</p><p>O indivíduo que está somatizando demonstra certo</p><p>desconforto com os sintomas apresentados,</p><p>principalmente quando escuta do médico que o</p><p>exame não apresentou nenhuma alteração. Este</p><p>mesmo paciente sai muitas vezes frustrado pois não</p><p>entende o que está acontecendo com ele, afinal está</p><p>sentindo verdadeiramente aquele desconforto mas</p><p>não sabe a causa.</p><p>13</p><p>Por isso a importância do médico indicar um</p><p>profissional da saúde mental para, juntos, detectarem</p><p>a origem de suas dores ou reações.</p><p>Algumas situações como a ansiedade não controlada</p><p>ocasiona manifestações no corpo como taquicardia,</p><p>dores no corpo, cefaléia, entre outros. Na</p><p>somatização, nosso corpo “somatiza” os nossos</p><p>conflitos.</p><p>Um outro exemplo é no caso das preocupações.</p><p>Quando você se concentra em algum problema para</p><p>resolver e se preocupa com ele, pode ocasionar um</p><p>excesso de manifestações cujo resultado é quase</p><p>sempre somatização. Não importa a causa da</p><p>preocupação, a mente em conflito que é, de maneira</p><p>holística, o corpo, acha uma maneira de se manifestar</p><p>trazendo prejuízos para quem está sofrendo.</p><p>Muitas pessoas carregam para si um peso enorme e</p><p>somatizam por preocupações no emprego, na escola,</p><p>na faculdade, nos relacionamentos ou mesmo com</p><p>conflitos internos subjetivos.</p><p>14</p><p>O profissional de saúde deve entender que a</p><p>somatização está associada a como o corpo interage</p><p>com seus sentimentos e emoções. Desta maneira é</p><p>importantíssimo mencionar os estudos relacionados</p><p>a expressão do corpo. Desde os primórdios da</p><p>humanidade, a comunicação tem sido uma</p><p>ferramenta vital para a sobrevivência e evolução da</p><p>espécie.</p><p>No entanto, nem toda a comunicação ocorre</p><p>através da fala. Na verdade, uma grande parte da</p><p>comunicação humana ocorre através de gestos,</p><p>expressões faciais e posturas corporais. É isso que se</p><p>conhece como comunicação não-verbal, e é através</p><p>dela que o nosso corpo fala.</p><p>15</p><p>O CORPO FALA</p><p>Os estudos sobre a linguagem do corpo remontam</p><p>ao século XIX, quando o psicólogo William James</p><p>cunhou o termo "emoção corporal", referindo-se às</p><p>reações físicas que acompanham as emoções. Desde</p><p>então, a ciência tem avançado significativamente na</p><p>compreensão da linguagem do corpo e de como ela</p><p>pode ser usada para transmitir informações.</p><p>Uma das principais fontes de informação sobre o</p><p>tema é o trabalho do psicólogo Paul Ekman. Ele é</p><p>considerado um dos principais especialistas em</p><p>expressões faciais e emoções, tendo desenvolvido um</p><p>sistema de codificação de expressões faciais</p><p>chamado FACS (Facial Action Coding System). Através</p><p>deste sistema, é possível analisar e interpretar as</p><p>expressões faciais de uma pessoa para entender o</p><p>que ela está sentindo.</p><p>16</p><p>Além das expressões faciais, o corpo como um todo é</p><p>uma fonte de informação valiosa. A postura corporal,</p><p>por exemplo, pode transmitir uma variedade de</p><p>mensagens. Uma pessoa com os ombros caídos e</p><p>cabeça baixa pode indicar tristeza ou submissão,</p><p>enquanto uma pessoa com os ombros para trás e</p><p>peito estufado pode indicar confiança e poder.</p><p>Outra fonte importante de informação sobre a</p><p>linguagem do corpo é o trabalho do psicólogo Albert</p><p>Mehrabian. Ele propôs que apenas 7% da</p><p>comunicação humana ocorre através das palavras,</p><p>enquanto 38% ocorre através da comunicação vocal</p><p>(tom de voz, velocidade da fala, etc.) e 55% ocorre</p><p>através da comunicação não-verbal.</p><p>O conhecimento sobre a linguagem do corpo pode</p><p>ser usado em diversas áreas, como nas relações</p><p>interpessoais, na psicologia clínica, na negociação e</p><p>em outras áreas que envolvem comunicação. Ao</p><p>entender a comunicação não-verbal, é possível obter</p><p>uma visão mais completa e precisa do que as pessoas</p><p>estão realmente querendo dizer.</p><p>17</p><p>Microexpressões: as microexpressões são</p><p>expressões faciais breves e involuntárias que</p><p>ocorrem em resposta a emoções intensas. Elas</p><p>podem ser difíceis de detectar, mas são um sinal</p><p>importante do que a pessoa está realmente</p><p>sentindo. O psicólogo Paul Ekman foi um dos</p><p>primeiros a estudar as microexpressões e</p><p>desenvolveu técnicas para treinar pessoas a</p><p>identificá-las.</p><p>Em resumo, a linguagem do corpo é uma ferramenta</p><p>poderosa para a comunicação humana. Através dela,</p><p>é possível transmitir informações de forma eficaz e</p><p>entender melhor as emoções e intenções dos outros.</p><p>Com o avanço da ciência e da tecnologia, é provável</p><p>que o conhecimento sobre a linguagem do corpo</p><p>continue a crescer e evoluir nos próximos anos.</p><p>Certamente, há muito mais a ser explorado no tema</p><p>da linguagem do corpo. Abaixo, alguns outros</p><p>aspectos que podem ser abordados:</p><p>18</p><p>Poder e dominância: a linguagem do corpo pode</p><p>ser usada para transmitir poder e dominância.</p><p>Por exemplo, um gesto comum entre líderes é o</p><p>de ficar de pé com as mãos na cintura, que</p><p>transmite uma imagem de força e confiança. Por</p><p>outro lado, pessoas que se sentem inseguras ou</p><p>subservientes tendem a encolher os ombros e</p><p>evitar contato visual.</p><p>Cultura e contexto: a linguagem do corpo pode</p><p>variar significativamente de cultura para cultura e</p><p>também depende do contexto em que ocorre.</p><p>Por exemplo, o contato visual direto é</p><p>considerado um sinal de respeito e confiança em</p><p>muitas culturas ocidentais, mas em outras pode</p><p>ser considerado rude ou invasivo.</p><p>Uso da linguagem do corpo na terapia: a</p><p>linguagem do corpo também pode ser usada</p><p>como uma ferramenta na psicoterapia. Técnicas</p><p>como a bioenergética e o psicodrama usam o</p><p>corpo para acessar emoções e traumas</p><p>reprimidos, ajudando o paciente a processá-los</p><p>de forma mais eficaz.</p><p>19</p><p>Limitações da linguagem do corpo: embora a</p><p>linguagem do corpo seja uma ferramenta</p><p>poderosa de comunicação, ela também tem suas</p><p>limitações. Por exemplo, algumas pessoas são</p><p>capazes de controlar suas expressões faciais e</p><p>posturas corporais para ocultar suas verdadeiras</p><p>emoções ou intenções. Além disso, a</p><p>interpretação da linguagem do corpo pode ser</p><p>subjetiva e depende do contexto em que ocorre.</p><p>Através do estudo da comunicação não-verbal, é</p><p>possível obter insights valiosos sobre as</p><p>emoções, intenções e personalidade de outras</p><p>pessoas que poderão ser utilizadas com cautela</p><p>nos atendimentos.</p><p>20</p><p>Enfermidades</p><p>associadas a somatização</p><p>22</p><p>A somatização é um fenômeno complexo que pode</p><p>ter várias causas, incluindo fatores emocionais e</p><p>psicológicos. Abaixo, alguns exemplos de casos reais</p><p>em que a somatização foi um problema significativo:</p><p>Enfermidades e somatização</p><p>Dor crônica:</p><p>A dor crônica é um problema comum que pode ter</p><p>várias causas, incluindo lesões físicas, inflamação e</p><p>problemas de saúde subjacentes. No entanto, em</p><p>alguns casos, a dor crônica pode ser um sintoma de</p><p>somatização. Por exemplo, um estudo publicado no</p><p>Journal of Psychosomatic Research descobriu que</p><p>pacientes com dor crônica eram mais propensos a</p><p>ter transtornos de ansiedade e depressão do que</p><p>aqueles sem dor crônica.</p><p>23</p><p>Síndrome do cólon irritável</p><p>A síndrome do cólon irritável é um distúrbio</p><p>gastrointestinal que causa dor abdominal, inchaço e</p><p>mudanças nos hábitos intestinais. Embora a causa</p><p>exata da síndrome do cólon irritável não seja</p><p>conhecida, acredita-se que fatores psicológicos e</p><p>emocionais possam desempenhar um papel</p><p>importante. Por exemplo, um estudo publicado no</p><p>Journal of Psychiatric Research descobriu que</p><p>pacientes com síndrome do cólon irritável eram mais</p><p>propensos a ter histórico de abuso físico ou sexual na</p><p>infância do que aqueles sem a síndrome.</p><p>Fibromialgia</p><p>fibromialgia é uma condição crônica que causa dor</p><p>musculoesquelética generalizada, fadiga e distúrbios</p><p>do sono. Embora a causa exata da fibromialgia não</p><p>seja conhecida, acredita-se que fatores psicológicos e</p><p>emocionais possam desempenhar um papel</p><p>importante. Por exemplo, um estudo publicado no</p><p>Journal of Rheumatology descobriu que pacientes</p><p>com fibromialgia eram mais propensos a ter</p><p>transtornos de ansiedade e depressão do que</p><p>aqueles sem a condição.</p><p>Como a mente afeta o</p><p>estado geral do</p><p>paciente</p><p>De que maneira a mente afeta o paciente</p><p>Nossa mente tem uma capacidade limitada de</p><p>lidar com muitos sentimentos, emoções e</p><p>pensamentos e desta maneira</p><p>acaba</p><p>sobrecarregando e consequentemente adoecendo o</p><p>corpo, causando sintomas somáticos. Isso acontece</p><p>quase que de maneira automática e tem origem em</p><p>uma série de pensamentos e emoções que</p><p>vivenciamos diariamente.</p><p>Você, por exemplo, já tentou parar de “ouvir” seus</p><p>pensamentos? Imagine como é difícil isso acontecer.</p><p>Imagine, também, um amontoado de estímulos como</p><p>medo, culpa, estresse, ansiedade, raiva, por exemplo,</p><p>presentes na sua mente de uma maneira</p><p>descontrolada. Há quem diga, informalmente, que o</p><p>pensamento é mais rápido que a velocidade da luz.</p><p>Embora isso não seja provado, inferimos que só o</p><p>fato de compararmos a uma das maiores velocidades</p><p>da física (a velocidade da luz), demonstra o tanto de</p><p>estímulos que recebemos em nosso corpo.</p><p>25</p><p>Essa velocidade de pensamentos e emoções acaba</p><p>dificultando o controle e gera conflitos que, se não</p><p>forem bem trabalhados, têm como resultado o</p><p>adoecimento e a um ciclo vicioso que afeta desde o</p><p>sistema nervoso até o sistema imune, resultando em</p><p>somatização ou até mesmo doenças psicossomáticas.</p><p>26</p><p>A Hipocondria</p><p>28</p><p>Quando falamos em somatização alguns podem</p><p>relacionar com hipocondria. Apesar de serem, em</p><p>alguns pontos, aparentemente similares a</p><p>hipocondria não é sinônimo de somatização.</p><p>hipocondria</p><p>A hipocondria, também conhecida como transtorno</p><p>hipocondríaco ou transtorno de ansiedade de</p><p>doença, é um transtorno psicológico caracterizado</p><p>por uma preocupação excessiva e persistente com a</p><p>saúde, acompanhada de um medo irracional de ter</p><p>uma doença grave, apesar da falta de evidência</p><p>médica que a justifique. Pessoas com hipocondria</p><p>frequentemente interpretam sintomas físicos comuns</p><p>de forma exagerada e catastrofizam sobre a</p><p>possibilidade de ter uma doença grave. Esses medos</p><p>podem levar a comportamentos como o evitamento</p><p>de atividades cotidianas, a procura excessiva de</p><p>informações médicas ou a busca constante de</p><p>reassurance sobre a própria saúde.</p><p>29</p><p>A hipocondria é considerada um transtorno de</p><p>ansiedade porque os medos relacionados à saúde</p><p>geram níveis elevados de ansiedade e estresse que</p><p>afetam negativamente a qualidade de vida da pessoa.</p><p>Embora a hipocondria possa afetar qualquer pessoa,</p><p>independentemente do gênero, idade ou status</p><p>socioeconômico, ela é mais comum em adultos</p><p>jovens e em pessoas com histórico familiar de</p><p>transtornos de ansiedade ou depressão.</p><p>Os critérios diagnósticos para hipocondria incluem a</p><p>presença de sintomas físicos leves ou inexistentes</p><p>que são interpretados de forma catastrófica, a</p><p>preocupação persistente e excessiva com a</p><p>possibilidade de ter uma doença grave, a procura</p><p>excessiva de informações médicas e o</p><p>comportamento de evitamento em relação a</p><p>atividades cotidianas. O diagnóstico é feito com base</p><p>na avaliação clínica de um profissional de saúde</p><p>mental, que pode usar questionários padronizados e</p><p>entrevistas clínicas para avaliar a gravidade e a</p><p>natureza dos sintomas.</p><p>30</p><p>A hipocondria pode ser tratada com psicoterapia,</p><p>incluindo terapia cognitivo-comportamental (TCC),</p><p>que ajuda a identificar e desafiar padrões de</p><p>pensamento catastróficos e a desenvolver</p><p>habilidades de enfrentamento saudáveis, e terapia de</p><p>exposição, que ajuda a enfrentar medos específicos</p><p>relacionados à saúde. Em casos graves, medicação</p><p>pode ser prescrita para aliviar sintomas de ansiedade</p><p>e depressão. O tratamento pode ajudar as pessoas</p><p>com hipocondria a lidar com seus medos de saúde, a</p><p>diminuir a ansiedade e a melhorar sua qualidade de</p><p>vida.</p><p>COMO IDENTIFICAR A</p><p>SOMATIZAÇÃO</p><p>Dores no pescoço;</p><p>Sensação de estar com os ombros rígidos;</p><p>Dificuldade para respirar;</p><p>Dificuldade para Dormir;</p><p>Achados dermatológicos;</p><p>Problemas intestinais;</p><p>Dores nas articulações;</p><p>Sistema imunológico comprometido;</p><p>Dor de cabeça, Cefaléia;</p><p>Desconforto no ouvido;</p><p>Enjoos.</p><p>COMO IDENTIFICAR - UM ALERTA</p><p>Enumeramos algumas queixas comuns que indicam</p><p>que os pacientes podem estar somatizando. Se chega</p><p>no “Pronto Socorro”, no consultório, ou simplesmente</p><p>menciona de maneira informal um dos seguintes</p><p>sintomas é importante o profissional estar preparado:</p><p>32</p><p>ABORDAGEM DO PACIENTE</p><p>O QUE FAZER</p><p>A primeira coisa que um profissional de saúde deve</p><p>fazer independente de ser médico, psicólogo,</p><p>enfermeiro, técnico em enfermagem, fisioterapeuta,</p><p>entre outros, é ter empatia.</p><p>Ao iniciar o atendimento, é importante ter em mente</p><p>que você está interagindo com alguém que realmente</p><p>experimenta um desconforto e que pode,</p><p>eventualmente, estar somatizando.</p><p>34</p><p>Entender o lado do outro,</p><p>ter empatia, é o ponto</p><p>principal do atendimento.</p><p>Passado esse momento</p><p>inicial e sempre mantendo a</p><p>postura empática, cada</p><p>profissional de saúde</p><p>específico irá desempenhar</p><p>sua tarefa de forma a</p><p>elucidar o problema.</p><p>Evidentemente estamos falando em ter empatia e um</p><p>olhar mais holístico de cada situação e não</p><p>afirmando que todo paciente está somatizando.</p><p>Ter a visão holística não significa parar o que</p><p>está fazendo ou negligenciar os métodos</p><p>terapêuticos ou medicamentosos. Significa ter</p><p>uma atenção plena suficiente para identificar os</p><p>casos e agir conforme os protocolos.</p><p>Tudo é treino e em pouco tempo o profissional</p><p>de saúde saberá lidar com cada caso de maneira</p><p>quase que automática, porém, sempre de</p><p>maneira humanizada.</p><p>35</p><p>36</p><p>Vale lembrar que cada profissional desempenha</p><p>um papel específico e a competência de cada um</p><p>deles deve ser respeitada, ou seja, um técnico de</p><p>enfermagem ou enfermeiro, por exemplo, não</p><p>irá ser responsável diretamente pelo</p><p>tratamento do paciente somatizando, mas terá</p><p>um papel IMPORTANTÍSSIMO no processo, afinal</p><p>ainda há muito desconhecimento e preconceito</p><p>entre alguns profissionais da saúde em geral ao</p><p>lidar com essas situações, e esse e-book é</p><p>justamente para tentar mudar essa realidade e</p><p>cada um que já entende o papel transformador</p><p>que tem a empatia deverá ser agente</p><p>multiplicador de boas práticas.</p><p>Quem pode diagnosticar uma doença</p><p>psicossomática?</p><p>Quando pacientes relatam sintomas físicos, os</p><p>médicos geralmente investigam uma explicação física</p><p>para a dor, mas o transtorno psicossomático não é</p><p>uma doença física e pode levar à falta de diagnóstico</p><p>e frustração do paciente. É importante que os</p><p>médicos de atenção primária considerem a saúde</p><p>mental do paciente, identifiquem fontes de estresse e</p><p>encaminhem para especialistas em psiquiatria e</p><p>psicologia. O diagnóstico e tratamento são concluídos</p><p>pelo médico psiquiatra, que pode incluir exames</p><p>físicos e laboratoriais e outros especialistas.</p><p>37</p><p>Como evitar a somatização?</p><p>Como evitar a somatização?</p><p>Independentemente de você ser profissional da</p><p>saúde ou esteja na condição de paciente, todos</p><p>devem ter noção de como evitar a somatização, afinal,</p><p>até mesmo os profissionais podem experienciar</p><p>alguns componentes psíquicos “somatizados” no</p><p>corpo.</p><p>Para isso há uma boa e uma má notícia. A má notícia</p><p>é que não existe uma fórmula mágica para solucionar</p><p>a somatização, afinal estamos lidando, como foi</p><p>mencionado, com pensamentos e emoções que por</p><p>vezes são automáticos e em ciclos viciosos. Essas são</p><p>situações inerentes aos seres humanos, no entanto, a</p><p>boa notícia é que, se aprendermos a identificar tais</p><p>conteúdos que geram o adoecimento conseguiremos</p><p>elevar nossa "inteligência somática” ao ponto de</p><p>conectarmos de forma saudável mente e corpo ao</p><p>ponto de entendermos a causa de cada conflito.</p><p>39</p><p>Pode parecer fácil, mas na prática para ter</p><p>inteligência somática são necessárias algumas</p><p>atividades, inclusive buscar ajuda profissional. Tudo</p><p>passa por encontrar um equilíbrio. Práticas como</p><p>atividades físicas, fazer o que gosta, não se cobrar</p><p>muito por coisas que estão fora do nosso controle</p><p>são apenas alguns exemplos de como iniciaremos o</p><p>processo de “evitação da somatização”.</p><p>A busca de profissional qualificado para lidar com</p><p>conflitos é um ponto importantíssimo nesse</p><p>processo, afinal, o psicólogo, psiquiatra, ou terapeuta</p><p>de uma maneira geral, irá possibilitar ao paciente o</p><p>autoconhecimento suficiente para lidar com questões</p><p>da psique.</p><p>40</p><p>41</p><p>É importante ressaltar que a</p><p>somatização é um fenômeno complexo e</p><p>que cada caso é único. Além disso, nem</p><p>toda condição física é um sintoma de</p><p>somatização. É fundamental que o</p><p>diagnóstico e o tratamento sejam feitos</p><p>por profissionais qualificados e que</p><p>considerem todos os aspectos da saúde</p><p>da pessoa.</p><p>Novos Estudos</p><p>43</p><p>A prova de que a somatização é cada vez mais</p><p>compreendida e um achado um tanto frequente na</p><p>prática em saúde é que ela vem sendo abordada pela</p><p>imprensa. Além da imprensa muitos estudos vem</p><p>sendo realizados nas últimas décadas. Podemos citar</p><p>alguns como sugestão de leitura:</p><p>estudos sobre somatização</p><p>https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22753632/</p><p>Este estudo examinou a relação entre somatização,</p><p>ansiedade relacionada à saúde e uso de serviços de</p><p>saúde ao longo do tempo. Os resultados mostraram</p><p>que a somatização e a ansiedade relacionada à saúde</p><p>estavam associadas a um aumento no uso de</p><p>serviços de saúde.</p><p>https://clinmedjournals.org/articles/ianhc/inter</p><p>national-archives-of-nursing-and-health-care-</p><p>ianhc-7-162.php?jid=ianhc</p><p>Investigou a relação entre sintomas somáticos, saúde</p><p>mental e comportamentos relacionados à COVID-19</p><p>em uma amostra de universitários espanhóis.</p><p>A DOR E A SOMATIZAÇÃO</p><p>45</p><p>A dor é uma experiência sensorial e emocional</p><p>desagradável associada a lesões reais ou potenciais</p><p>no corpo. É uma resposta adaptativa do organismo</p><p>que visa alertar o indivíduo para a presença de algum</p><p>estímulo nocivo e induzi-lo a tomar medidas para se</p><p>proteger e se recuperar. A dor pode ser de diferentes</p><p>tipos, intensidades, durações e localizações,</p><p>dependendo da causa subjacente, e pode ser aguda</p><p>ou crônica.</p><p>A dor aguda é uma resposta normal do organismo a</p><p>um dano tecidual e geralmente é de curta duração.</p><p>Ela pode ser desencadeada por lesões traumáticas,</p><p>infecções, inflamações, procedimentos médicos,</p><p>entre outras causas. A dor aguda tem uma função</p><p>protetora, pois ajuda o indivíduo a evitar mais danos</p><p>e a se recuperar rapidamente.</p><p>A dor crônica, por outro lado, é uma dor persistente</p><p>que dura mais de três meses e pode não ter uma</p><p>causa óbvia ou identificável. Ela pode ser resultado</p><p>de lesões antigas, doenças crônicas, alterações</p><p>neuroquímicas, entre outras causas. A dor crônica</p><p>pode ser incapacitante e afetar significativamente a</p><p>qualidade de vida do indivíduo.</p><p>A DOR</p><p>46</p><p>O entendimento da dor tem evoluído ao longo do</p><p>tempo, e atualmente acredita-se que ela seja um</p><p>processo complexo que envolve não apenas o</p><p>sistema nervoso, mas também fatores psicológicos,</p><p>sociais e culturais. A dor é modulada por mecanismos</p><p>neurais que envolvem a medula espinhal, o tronco</p><p>cerebral, o córtex cerebral e outras estruturas</p><p>cerebrais, e pode ser influenciada por fatores como a</p><p>expectativa do indivíduo em relação à dor, o contexto</p><p>em que a dor ocorre e sua experiência anterior com</p><p>a dor.</p><p>O tratamento da dor depende da causa subjacente e</p><p>pode incluir medicamentos, terapia física, terapia</p><p>ocupacional, psicoterapia e intervenções cirúrgicas,</p><p>entre outras abordagens. É importante abordar a dor</p><p>de forma integrada, considerando seus aspectos</p><p>físicos, psicológicos e sociais, para melhorar a</p><p>qualidade de vida do indivíduo.</p><p>IMAGEM CORPORAL</p><p>48</p><p>A imagem corporal refere-se à percepção que o</p><p>indivíduo tem de seu próprio corpo, incluindo sua</p><p>aparência, forma, tamanho e função. Ela é</p><p>influenciada por fatores biológicos, psicológicos e</p><p>sociais, e pode ser afetada por experiências pessoais,</p><p>culturais e ambientais. Quando a imagem corporal é</p><p>negativa, ou seja, quando o indivíduo se sente</p><p>insatisfeito ou desconfortável com seu corpo, pode</p><p>ocorrer somatização.</p><p>A somatização é um processo pelo qual a angústia</p><p>emocional ou o estresse psicológico se manifestam</p><p>como sintomas físicos, sem uma causa médica</p><p>identificável. A somatização pode ocorrer em</p><p>resposta a eventos estressantes, como conflitos</p><p>interpessoais, perdas, traumas ou mudanças</p><p>significativas na vida, e pode envolver uma ampla</p><p>gama de sintomas físicos, como dor, fadiga, náusea,</p><p>tontura, entre outros.</p><p>A relação entre imagem corporal e somatização tem</p><p>sido objeto de estudo em diversas áreas, incluindo a</p><p>psicologia, a psiquiatria e a medicina. Alguns estudos</p><p>têm sugerido que a insatisfação com a imagem</p><p>corporal pode aumentar o risco de somatização,</p><p>especialmente em mulheres.</p><p>IMAGEM CORPORAL</p><p>49</p><p>Por exemplo, um estudo com mulheres brasileiras</p><p>mostrou que aquelas que tinham insatisfação com a</p><p>imagem corporal apresentavam maior tendência à</p><p>somatização do que aquelas que estavam satisfeitas</p><p>com a imagem corporal (Borges et al., 2012).</p><p>Outro estudo com mulheres adolescentes encontrou</p><p>uma associação entre insatisfação com a imagem</p><p>corporal e sintomas somáticos, como dor abdominal,</p><p>dor de cabeça e fadiga (Lukat et al., 2010). Alguns</p><p>estudos também sugerem que a terapia focada na</p><p>imagem corporal pode ajudar a reduzir os sintomas</p><p>somáticos em indivíduos que apresentam</p><p>somatização associada à insatisfação com a imagem</p><p>corporal (Castelnuovo et al., 2018).</p><p>Em resumo, a insatisfação com a imagem corporal</p><p>pode estar associada à somatização, especialmente</p><p>em mulheres, e abordagens terapêuticas que visam</p><p>melhorar a imagem corporal podem ajudar a reduzir</p><p>os sintomas somáticos em indivíduos que</p><p>apresentam somatização.</p><p>ANSIEDADE E SOMATIZAÇÃO</p><p>51</p><p>]A ansiedade é uma emoção normal e adaptativa que</p><p>todos nós experimentamos em diferentes graus em</p><p>determinadas situações, como quando enfrentamos</p><p>um desafio ou situação de perigo. No entanto,</p><p>quando a ansiedade se torna excessiva e persistente,</p><p>ela pode levar a problemas de saúde física e mental,</p><p>incluindo somatização.</p><p>A somatização é um processo no qual a angústia</p><p>emocional ou o estresse psicológico se manifestam</p><p>como sintomas físicos, sem uma causa médica</p><p>identificável. A ansiedade é uma das emoções mais</p><p>frequentemente associadas à somatização, e muitos</p><p>estudos têm investigado a relação entre esses dois</p><p>fenômenos.</p><p>Uma revisão sistemática de estudos sobre a relação</p><p>entre ansiedade e somatização encontrou uma forte</p><p>associação entre esses dois fenômenos, com</p><p>sintomas somáticos sendo frequentemente relatados</p><p>por pessoas com transtornos de ansiedade, como</p><p>transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do</p><p>pânico e transtorno de estresse pós-traumático</p><p>(Barsky et al., 2014).</p><p>ANSIEDADE E SOMATIZAÇÃO</p><p>52</p><p>Além disso, a ansiedade pode estar relacionada a</p><p>uma maior percepção de sintomas físicos, mesmo</p><p>quando eles não estão presentes. Por exemplo, um</p><p>estudo com pacientes com transtorno de ansiedade</p><p>generalizada mostrou que eles relataram mais</p><p>sintomas físicos do que pacientes com transtornos</p><p>médicos físicos, embora não tenham apresentado</p><p>mais sintomas físicos objetivos (Kapfhammer et al.,</p><p>2010). A somatização também pode ser um fator de</p><p>risco para o desenvolvimento de transtornos de</p><p>ansiedade. Um estudo longitudinal com mais de</p><p>1.000 adolescentes encontrou que aqueles que</p><p>relataram sintomas somáticos frequentes</p><p>apresentavam maior risco de desenvolver</p><p>transtornos de ansiedade posteriormente na vida</p><p>(Wu et al., 2016). Em resumo, a ansiedade e a</p><p>somatização estão intimamente relacionadas, com a</p><p>ansiedade sendo frequentemente associada a</p><p>sintomas somáticos e a somatização podendo</p><p>aumentar o risco de desenvolvimento de transtornos.</p><p>Abordagens terapêuticas que visam tanto a</p><p>ansiedade quanto a somatização podem ser</p><p>úteis para ajudar os pacientes a lidar com esses</p><p>problemas.</p><p>ANSIEDADE E SOMATIZAÇÃO</p><p>CÂNCER E SOMATIZAÇÃO</p><p>54</p><p>O câncer é uma doença que pode ter um grande</p><p>impacto emocional nos pacientes e suas famílias.</p><p>Muitos pacientes com câncer experimentam</p><p>sintomas somáticos, como fadiga, dor e problemas</p><p>gastrointestinais. No entanto, a somatização em</p><p>pacientes com câncer pode ser mais complexa do</p><p>que em outras populações.</p><p>Um estudo sobre somatização em pacientes com</p><p>câncer encontrou que muitos pacientes</p><p>experimentam sintomas somáticos como resultado</p><p>direto da doença, tratamento ou outras complicações</p><p>médicas. No entanto, alguns pacientes também</p><p>podem experimentar sintomas somáticos como</p><p>resultado de ansiedade ou depressão relacionadas</p><p>ao câncer (Brown et al., 2013).</p><p>Além disso, a somatização pode</p><p>ser um fator de risco</p><p>para o desenvolvimento de câncer. Um estudo</p><p>encontrou que pacientes com transtornos</p><p>somatoformes, que são caracterizados por sintomas</p><p>somáticos recorrentes sem explicação médica,</p><p>apresentaram um risco aumentado de desenvolver</p><p>câncer de mama, ovário e colo do útero (Coyne et al.,</p><p>2011).</p><p>CÂNCER E SOMATIZAÇÃO</p><p>55</p><p>Outros estudos investigaram a relação entre</p><p>sintomas somáticos e qualidade de vida em pacientes</p><p>com câncer. Um estudo longitudinal com pacientes</p><p>com câncer de mama encontrou que aqueles com</p><p>sintomas somáticos persistentes apresentavam</p><p>piores resultados em termos de qualidade de vida e</p><p>função física (Nicolson et al., 2017).</p><p>Em resumo, a somatização em pacientes com câncer</p><p>pode ser influenciada tanto por sintomas físicos</p><p>diretos da doença e tratamento quanto por fatores</p><p>emocionais, como ansiedade e depressão.</p><p>Abordagens terapêuticas que abordam tanto os</p><p>sintomas físicos quanto os emocionais podem ser</p><p>úteis para ajudar os pacientes a lidar com os efeitos</p><p>do câncer em sua saúde física e emocional.</p><p>TRATAMENTO</p><p>57</p><p>Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): A TCC é</p><p>uma abordagem psicológica que ajuda os</p><p>pacientes a identificar e mudar padrões de</p><p>pensamento e comportamento disfuncionais. A</p><p>TCC tem sido eficaz no tratamento da</p><p>somatização, ajudando os pacientes a entender</p><p>como os pensamentos e emoções podem afetar</p><p>seus sintomas físicos (Kroenke, 2013).</p><p>Terapia Interpessoal (TIP): A TIP é uma</p><p>abordagem psicoterapêutica que se concentra na</p><p>relação entre o paciente e seu ambiente social. A</p><p>TIP tem sido eficaz no tratamento da</p><p>somatização, ajudando os pacientes a identificar</p><p>e resolver conflitos interpessoais que podem</p><p>estar contribuindo para seus sintomas físicos</p><p>(Löwe et al., 2008).</p><p>O tratamento para a somatização depende da causa</p><p>subjacente dos sintomas. Em muitos casos, é</p><p>necessária uma abordagem multidisciplinar que inclui</p><p>intervenções médicas, psicológicas e</p><p>comportamentais. Aqui estão algumas opções de</p><p>tratamento com base em evidências para a</p><p>somatização:</p><p>TRATAMENTO</p><p>58</p><p>Medicamentos: Os antidepressivos e os</p><p>ansiolíticos são frequentemente prescritos para</p><p>tratar sintomas somáticos associados à</p><p>somatização. Esses medicamentos podem ajudar</p><p>a aliviar a ansiedade e a depressão que podem</p><p>estar contribuindo para os sintomas somáticos</p><p>(Smith et al., 2010).</p><p>Terapia Física: A terapia física pode ser útil no</p><p>tratamento de sintomas somáticos como dor e</p><p>fadiga. A terapia física pode incluir exercícios de</p><p>fortalecimento e alongamento, massagem e</p><p>outras técnicas para ajudar a melhorar a função</p><p>física (Smith et al., 2010).</p><p>Mindfulness: A prática da atenção plena pode</p><p>ajudar os pacientes a gerenciar sintomas</p><p>somáticos relacionados ao estresse. A atenção</p><p>plena envolve a prática de prestar atenção aos</p><p>pensamentos, emoções e sensações físicas</p><p>presentes no momento presente, sem</p><p>julgamento (Mehling et al., 2011).</p><p>Em resumo, o tratamento da somatização geralmente</p><p>envolve uma abordagem multidisciplinar que inclui</p><p>intervenções médicas, psicológicas e comportamentais. A</p><p>TCC, a TIP, medicamentos, terapia física e mindfulness são</p><p>algumas das opções de tratamento que podem ajudar a</p><p>aliviar os sintomas somáticos associados à somatização.</p><p>PREVENÇÃO</p><p>60</p><p>Busque ajuda profissional: Se você está</p><p>enfrentando situações de estresse ou ansiedade, é</p><p>importante buscar ajuda profissional de um</p><p>psicólogo ou psiquiatra. Eles podem ajudá-lo a</p><p>identificar os fatores que estão contribuindo para a</p><p>somatização e desenvolver um plano de tratamento.</p><p>Pratique técnicas de relaxamento: Exercícios de</p><p>relaxamento, como respiração profunda, meditação</p><p>e yoga, podem ajudar a aliviar a tensão muscular e</p><p>reduzir os níveis de estresse, prevenindo a</p><p>somatização.</p><p>Mantenha um estilo de vida saudável: Praticar</p><p>exercícios físicos regularmente, seguir uma</p><p>alimentação saudável e manter um sono adequado</p><p>são essenciais para prevenir a somatização.</p><p>Evite o uso excessivo de medicamentos: O uso</p><p>excessivo de medicamentos pode levar a</p><p>somatização. É importante seguir as instruções</p><p>médicas e evitar o uso desnecessário de</p><p>medicamentos.</p><p>Existem algumas estratégias que podem ajudar a</p><p>prevenir a somatização. Algumas delas incluem:</p><p>1.</p><p>2.</p><p>3.</p><p>4.</p><p>PREVENÇÃO</p><p>American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and</p><p>Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-</p><p>5). Washington, DC: American Psychiatric Association.</p><p>Barsky, A. J., & Ahern, D. K. (2004). Cognitive behavior</p><p>therapy for hypochondriasis: A randomized controlled trial.</p><p>JAMA, 291(12), 1464-1470.</p><p>Fink, P., Schröder, A., & Søndergaard, L. (2010). Somatization</p><p>in primary care: Prevalence, health care utilization, and</p><p>general practitioner recognition. Psychosomatics, 51(2), 147-</p><p>154.</p><p>International Association for the Study of Pain. (2017). IASP</p><p>Terminology. Retrieved from https://www.iasp-</p><p>pain.org/terminology</p><p>Treede, R. D., Rief, W., Barke, A., Aziz, Q., Bennett, M. I.,</p><p>Benoliel, R., ... & Craner, J. R. (2015). A classification of chronic</p><p>pain for ICD-11. Pain, 156(6), 1003-1007.</p><p>Turk, D. C., Wilson, H. D., & Cahana, A. (2011). Pain. In A.</p><p>Tasman, J. Kay, & J. A. Lieberman (Eds.), Psychiatry (3rd ed.,</p><p>pp. 1689-1708). John Wiley & Sons.</p><p>Borges, M. B. F., Silva, R. A., Jansen, K., & Souza, L. D. M.</p><p>(2012). Relationship between body image dissatisfaction</p><p>and somatization in women. Revista Brasileira de</p><p>Psiquiatria, 34(4), 429-435.</p><p>Castelnuovo, G., Pietrabissa, G., Manzoni, G. M., Corti, S.,</p><p>Giusti, E. M., Molinari, E., ... & Molinari, E. (2018). Cognitive-</p><p>behavioral therapy to treat non-specific symptoms and</p><p>quality of life in somatizing patients: A randomized</p><p>controlled trial. Psychiatry Research, 264, 114-122.</p><p>Lukat, J., Margraf, J., Lutz, R., van der Veld, W. M., & Becker,</p><p>E. S. (2010). Body dissatisfaction in women: Associations</p><p>with somatoform symptoms. Journal of Psychosomatic</p><p>Barsky, A. J., Orav, E. J., & Bates, D. W. (2014). Somatization</p><p>increases medical utilization and costs independent of</p><p>psychiatric and medical comorbidity. Archives of General</p><p>Psychiatry, 71(9), 862-868.</p><p>Kapfhammer, H. P., Volkmann-Schluck, J., & Rupprecht, R.</p><p>(2010). Somatoform disorders in a university hospital–</p><p>recognition, management and referral patterns. Journal of</p><p>Psychosomatic Research, 68(3), 311-318.</p><p>Wu, P., Abbott, G., & Chaddock, C. (2016). Somatization as a</p><p>predictor of anxiety and depression: a longitudinal study of</p><p>high school students in Chile. Journal of Adolescence, 49,</p><p>184-192.</p><p>referências importantes</p><p>https://www.iasp-pain.org/terminology</p><p>https://www.iasp-pain.org/terminology</p><p>Espero que nosso e-book tenha contribuído</p><p>com sua prática profissional. Temos outros</p><p>cursos e e-books em nossa plataforma. Acesse</p><p>www.parametrosaude.com ou veja nossas</p><p>redes sociais na próxima página.</p><p>PARÂMETRO SAÚDE</p><p>parametrosaude</p><p>parametrosaude</p><p>@parametrosaude</p><p>parametrosaude@gmail.com</p>