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<p>See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/330601111</p><p>ANATOMIA DA GENITÁLIA FEMININA: CONCEPÇÕES, TABUS E</p><p>SUBJETIVIDADES</p><p>Chapter · January 2017</p><p>CITATION</p><p>1</p><p>READS</p><p>38,531</p><p>2 authors, including:</p><p>Jalsi Tacon Arruda</p><p>Universidade Evangélica de Goiás</p><p>248 PUBLICATIONS   529 CITATIONS</p><p>SEE PROFILE</p><p>All content following this page was uploaded by Jalsi Tacon Arruda on 24 January 2019.</p><p>The user has requested enhancement of the downloaded file.</p><p>https://www.researchgate.net/publication/330601111_ANATOMIA_DA_GENITALIA_FEMININA_CONCEPCOES_TABUS_E_SUBJETIVIDADES?enrichId=rgreq-f8d9b1b69917ff5ce41ce9b97f7aee95-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzMzMDYwMTExMTtBUzo3MTg2ODEwNTUxOTUxMzZAMTU0ODM1ODMyNDE3Mg%3D%3D&el=1_x_2&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/publication/330601111_ANATOMIA_DA_GENITALIA_FEMININA_CONCEPCOES_TABUS_E_SUBJETIVIDADES?enrichId=rgreq-f8d9b1b69917ff5ce41ce9b97f7aee95-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzMzMDYwMTExMTtBUzo3MTg2ODEwNTUxOTUxMzZAMTU0ODM1ODMyNDE3Mg%3D%3D&el=1_x_3&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/?enrichId=rgreq-f8d9b1b69917ff5ce41ce9b97f7aee95-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzMzMDYwMTExMTtBUzo3MTg2ODEwNTUxOTUxMzZAMTU0ODM1ODMyNDE3Mg%3D%3D&el=1_x_1&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/profile/Jalsi-Arruda?enrichId=rgreq-f8d9b1b69917ff5ce41ce9b97f7aee95-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzMzMDYwMTExMTtBUzo3MTg2ODEwNTUxOTUxMzZAMTU0ODM1ODMyNDE3Mg%3D%3D&el=1_x_4&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/profile/Jalsi-Arruda?enrichId=rgreq-f8d9b1b69917ff5ce41ce9b97f7aee95-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzMzMDYwMTExMTtBUzo3MTg2ODEwNTUxOTUxMzZAMTU0ODM1ODMyNDE3Mg%3D%3D&el=1_x_5&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/profile/Jalsi-Arruda?enrichId=rgreq-f8d9b1b69917ff5ce41ce9b97f7aee95-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzMzMDYwMTExMTtBUzo3MTg2ODEwNTUxOTUxMzZAMTU0ODM1ODMyNDE3Mg%3D%3D&el=1_x_7&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/profile/Jalsi-Arruda?enrichId=rgreq-f8d9b1b69917ff5ce41ce9b97f7aee95-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzMzMDYwMTExMTtBUzo3MTg2ODEwNTUxOTUxMzZAMTU0ODM1ODMyNDE3Mg%3D%3D&el=1_x_10&_esc=publicationCoverPdf</p><p>FACULDADE ARAGUAIA</p><p>CIÊNCIAS BIOLÓGICAS</p><p>HERMÍNIO PEREIRA DA SILVA</p><p>ANATOMIA DA GENITÁLIA FEMININA:</p><p>CONCEPÇÕES, TABUS E SUBJETIVIDADES</p><p>GOIÂNIA – GO</p><p>2017</p><p>FACULDADE ARAGUAIA</p><p>CIÊNCIAS BIOLÓGICAS</p><p>HERMÍNIO PEREIRA DA SILVA</p><p>ANATOMIA DA GENITÁLIA FEMININA:</p><p>CONCEPÇÕES, TABUS E SUBJETIVIDADES</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso</p><p>apresentado à Faculdade Araguaia, como</p><p>parte dos requisitos para a obtenção do</p><p>título de Licenciado em Ciências Biológicas</p><p>Orientadora: Prof.ª Dra. Jalsi Tacon Arruda</p><p>GOIÂNIA – GO</p><p>2017</p><p>FACULDADE ARAGUAIA</p><p>CIÊNCIAS BIOLÓGICAS</p><p>HERMÍNIO PEREIRA DA SILVA</p><p>ANATOMIA DA GENITÁLIA FEMININA:</p><p>CONCEPÇÕES, TABUS E SUBJETIVIDADES</p><p>BANCA EXAMINADORA</p><p>____________________________</p><p>Profa. Dra. Jalsi Tacon Arruda</p><p>Orientadora</p><p>____________________________</p><p>Profa. Ma. Rafaella Rodrigues Santos</p><p>Professora da Instituição</p><p>____________________________</p><p>Prof. Me. Lucas Carlos Gomes Pereira</p><p>Professor Convidado</p><p>RESUMO</p><p>A falta de informação é o fator responsável por alterações do estado de saúde do</p><p>indivíduo, o que pode levar à doença e até mesmo ao óbito. No que se refere à</p><p>anatomia e fisiologia básicas, a maioria das mulheres em nossa sociedade, possuem</p><p>pouco conhecimento. Provavelmente em decorrência de variados tabus acerca do</p><p>corpo feminino, que ainda exercem influência marcante na sociedade contemporânea.</p><p>Tal condição social era decorrente da cultura local, onde a mesma se manifestava</p><p>através da conduta das pessoas que a compõem. À medida que a mulher foi</p><p>ganhando espaço na sociedade através de lutas, transformações culturais, a</p><p>subjetividade feminina e seu corpo conseguiram acompanhar todo esse processo</p><p>histórico. Dessa forma, tabus foram sendo esquecidos, permitindo uma contínua e</p><p>acelerada exploração da sexualidade feminina. No entanto, o autoconhecimento</p><p>feminino ainda enfrenta uma cultura tradicionalista que impõe certo controle na</p><p>educação sexual, acarretando prejuízos ao bem-estar da mulher. Visando mostrar a</p><p>relevância do tema, o presente trabalho usou como estratégia metodológica uma</p><p>pesquisa de revisão bibliográfica através de artigos científicos, monografias, capítulos</p><p>de livros, teses, dissertações, revisões, revistas, entre outros meios disponíveis na</p><p>internet. Para tal, foram usadas as seguintes ferramentas de busca na internet: Google</p><p>acadêmico, SciElo, revistas eletrônicas, CAPES, além de livros disponíveis. Os</p><p>critérios de seleção do material encontrado, se limita a publicações nacionais com</p><p>foco nas questões éticas e culturais acerca da sexualidade feminina. Os termos</p><p>utilizados na busca serão na língua portuguesa, sem restrição de ano de publicação.</p><p>Em um segundo momento, houve a aplicação de um questionário com as acadêmicas</p><p>do curso de biologia, Educação Física e Pedagogia. O período para a coleta de dados</p><p>foram os meses de setembro e outubro de 2017, na Faculdade Araguaia, nas</p><p>unidades do setor Bueno e centro. As perguntas são pertinentes à anatomia feminina.</p><p>Foi uma pesquisa de campo de natureza básica e abordagem quantitativa, onde a</p><p>mesma envolveu a participação de acadêmicas, no período noturno, dos cursos de</p><p>biologia, pedagogia e educação física. O questionário é composto por 10 questões,</p><p>cujas respostas são diretas e objetivas, de única escolha, elaboradas a partir de</p><p>pesquisas relacionadas à temática abordada. Após a aplicação, os questionários</p><p>respondidos foram recolhidos para análise dos dados. As variáveis obtidas foram</p><p>analisadas de acordo com as diferenças quantitativas apresentadas no curso</p><p>abordado. Os dados foram mensurados através de gráficos estatísticos, permitindo</p><p>uma análise descritiva.</p><p>Palavras-chave: clitóris, feminino, sexualidade.</p><p>ABSTRACT</p><p>Lack of information is the factor responsible for changes in the individual's health</p><p>status, which can lead to illness and even death. With regard to basic anatomy and</p><p>physiology, the majority of women in our society have little knowledge. Probably due</p><p>to various taboos about the female body, which still exert a marked influence in</p><p>contemporary society. Such a social condition was due to the local culture, where it</p><p>manifested itself through the conduct of the people who compose it. As the woman</p><p>gained space in society through struggles, cultural transformations, the feminine</p><p>subjectivity and her body managed to follow this whole historical process. In this way,</p><p>taboos were forgotten, allowing a continuous and accelerated exploration of female</p><p>sexuality. However, female self-knowledge still faces a traditionalist culture that</p><p>imposes some control on sex education, causing harm to the well-being of women.</p><p>Aiming to show the relevance of the theme, the present work used as a methodological</p><p>strategy a bibliographical review research through scientific articles, monographs,</p><p>book chapters, theses, dissertations, reviews, magazines, among other means</p><p>available on the internet. For this, the following Internet search tools were used: Google</p><p>academic, SciElo, electronic journals, CAPES, as well as available books. The criteria</p><p>for selecting the material found are limited to national publications focusing on ethical</p><p>and cultural issues about female sexuality. The terms used in the search will be in</p><p>Portuguese language, without restriction of year of publication. In a second moment,</p><p>there was the application of a questionnaire with the academics of the course of</p><p>biology, Physical Education and Pedagogy. The data collection period was September</p><p>and October 2017, at Faculdade Araguaia, in the units of the Bueno and Center sector.</p><p>The questions are pertinent to the female anatomy. It was a field research of a basic</p><p>nature and a quantitative approach, where it involved the participation of academics,</p><p>in the evening, of biology, pedagogy and physical education courses. The</p><p>questionnaire consists of 10 questions, whose answers are direct and objective, of only</p><p>choice, elaborated from research related to the subject matter. After the application,</p><p>the questionnaires answered were collected for data analysis. The variables obtained</p><p>were analyzed according to the quantitative differences presented in the course. The</p><p>data were measured through statistical graphs, allowing a descriptive analysis.</p><p>Key words: clitoris, female, sexuality.</p><p>SUMÁRIO</p><p>Página</p><p>RESUMO ..................................................................................................... 04</p><p>1. INTRODUÇÃO ......................................................................................... 07</p><p>2. REFERÊNCIAL TEÓRICO........................................................................ 09</p><p>2.1 Concepções Culturais sobre o Corpo Feminino ...................................... 09</p><p>2.2 O Corpo Feminino e a Medicina do Passado .......................................... 11</p><p>2.3 Subjetividade Feminina e a Influência da Mídia ...................................... 12</p><p>2.4 Anatomia da Genitália Feminina ............................................................. 13</p><p>2.4.1 Órgãos Reprodutores Internos ............................................................ 13</p><p>2.4.2 Órgãos e Estruturas Externas ............................................................. 17</p><p>3. OBJETIVOS ............................................................................................. 21</p><p>3.1 Objetivo Geral......................................................................................... 21</p><p>3.2 Objetivos Especificos.............................................................................. 21</p><p>4. METODOLOGIA ...................................................................................... 22</p><p>5. RESULTADOS E DISCUSSÂO ................................................................ 23</p><p>6. CONCLUSÃO .......................................................................................... 37</p><p>Referências .................................................................................................. 39</p><p>Apêndice: Questionário ................................................................................ 41</p><p>7</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>A falta de informação é o fator responsável por alterações do estado de saúde</p><p>do indivíduo, o que pode levar a doença e até mesmo ao óbito. Por outro lado, existem</p><p>inúmeras campanhas veiculadas na imprensa que tendem a suprir a falta de</p><p>informação, visto que o conhecimento sobre o próprio corpo assume papel primordial</p><p>na qualidade de vida do indivíduo. A ocorrência de doenças é um fato indesejado</p><p>pelas pessoas, e que consequentemente ocasiona perdas irreparáveis tanto para o</p><p>próprio indivíduo, quanto para familiares (ABDO, 2008).</p><p>A baixa familiaridade da mulher com a própria anatomia é evidenciada pelo fato</p><p>do universo feminino não apreciar a visualização do órgão feminino, gerando</p><p>insatisfação generalizada. Para muitas mulheres, tal evidência reforça o fato de ser</p><p>uma visão desagradável, o da imagem externa do órgão reprodutor em um espelho</p><p>(ABDO, 2008).</p><p>É comum as pessoas, mesmo as mulheres, se referirem a vulva, utilizando a</p><p>palavra vagina. Ou ainda, acreditarem que a urina é expelida pelo organismo através</p><p>da vagina. Essa confusão é oriunda da existência de tabus entre as mulheres, como</p><p>demonstra a pesquisa “Mosaico Brasil”. Essa pesquisa afirma que “53% das</p><p>brasileiras solteiras, entre 18 e 25 anos, nunca se masturbaram” (ABDO, 2008). Tal</p><p>fato contribui para a falta de conhecimento da mulher em relação à própria anatomia.</p><p>O nível de conhecimento da mulher sobre o próprio corpo não aumentou</p><p>significativamente, quando comparado com a evolução crescente da participação da</p><p>mulher na sociedade, o que não reflete um patamar sociocultural (LOPES, 2008a). Há</p><p>uma possível relação entre tal desconhecimento com problemas como ausência de</p><p>prazer durante a atividade sexual. Visto que ainda faltam informações básicas e</p><p>esclarecedoras, o assunto “anatomia genital feminina” é ainda uma questão a ser</p><p>esclarecida. Fato que se reflete no aumento de plásticas genitais em decorrência de</p><p>um parâmetro inexistente de beleza em relação a vulva (LOPES, 2008a).</p><p>Em relação a esses dados, não há modelo específico de vulva que seja</p><p>considerada certa, errada, bonita ou feia. Há sim, um padrão mais procurado que</p><p>remete a genitália jovem, rejuvenescida com dimensões maiores. Enquanto o universo</p><p>feminino procura estabelecer meios de padronizar a própria genitália através de</p><p>cirurgias decorrentes da busca pelo belo, aspectos inerentes à anatomia feminina são</p><p>passados despercebidos. Como o fato de que a mulher possui dois orifícios (uretra e</p><p>8</p><p>vagina). O que não é tão divulgado, causando um pensamento comum e incorreto de</p><p>que a urina é expelida pelo canal vaginal (ABDO, 2008).</p><p>No que se refere à anatomia e fisiológica básicas, a maioria das mulheres na</p><p>sociedade, possuem pouco conhecimento. O que exerce influência direta no seu</p><p>comportamento, seja na vida pública, seja na vida íntima. Variados conceitos acerca</p><p>do corpo feminino, internalizados desde períodos mais remotos, ainda exercem</p><p>influência marcante na sociedade contemporânea. No entanto, muitos desses</p><p>conceitos mudaram ao longo do tempo em decorrência de mudanças culturais,</p><p>históricas, econômicas e políticas, mas ainda deixando grande influência (BORIS;</p><p>CESÍDIO, 2007).</p><p>Apesar da existência de tais influências, a mulher passou a vivenciar um ponto</p><p>de vista cada vez mais diferente sobre seu corpo em decorrência das transformações</p><p>pelas quais as sociedades passaram e passam ao longo de sua história. Dessa forma,</p><p>o próprio universo feminino conquistou espaços quebrando tabus, permitindo assim</p><p>sua presença e opinião em áreas antes dominadas completamente pelo universo</p><p>masculino. Desta forma, segundo Boris; Cesídio (2007, p. 453) “o corpo e a</p><p>subjetividade são construídos historicamente [...]”.</p><p>9</p><p>2. REFERENCIAL TEÓRICO</p><p>2.1 Concepções Culturais sobre o Corpo Feminino</p><p>A definição do que é cultura não pode ser expressa com exatidão através de</p><p>um conceito definitivo. A própria cultura de uma sociedade, seja ela qual for,</p><p>demonstra um sentido amplo, universal, pois hábitos e costumes de uma determinada</p><p>região, muitas vezes tem origem em outras sociedades que apresentam culturas</p><p>diferentes. Ou seja, para uma compreensão satisfatória do que é cultura, exige-se que</p><p>“[...] se pense nos diversos povos, [...] porque eles estão em interação” (SANTOS,</p><p>2004, p. 9).</p><p>Mas, segundo o mesmo autor, há diversas maneiras de abordar o conceito de</p><p>cultura para fins de caracterizar uma sociedade em particular através de seus</p><p>costumes, hábitos e conceitos sociais. Dentre elas é a de que cultura “[...] refere-se</p><p>mais especificamente ao conhecimento, às ideias e crenças de um povo” (SANTOS,</p><p>2004, p. 23).</p><p>A cultura é manifestada quando uma comunidade, população ou indivíduo</p><p>promove a manifestação de opinião, crenças e de conhecimentos através de</p><p>comportamentos e palavras, expondo as características da cultura internalizada.</p><p>Portanto, cultura “[...] é o modo como os indivíduos se comportam [...] em um</p><p>determinado período histórico” (BORIS; CESÍDIO, 2007, p. 454). Onde a mesma se</p><p>manifesta através de “[...] modos de vida de qualquer sociedade, cujos costumes de</p><p>conduta, comportamentos e formas de pensar são compartilhados e transmitidos</p><p>pelas pessoas que a compõem e passados de uma geração a outra” (BORIS;</p><p>CESÍDIO, 2007, p.</p><p>455).</p><p>Nesse sentido, a própria cultura registra as mudanças sociais de uma</p><p>sociedade através de sua evolução ao longo de um período de tempo, no qual fatos</p><p>são responsáveis pelo surgimento de novos costumes, pelo término de outros ou pela</p><p>simples modificação de hábitos que, apesar de terem sido alterados, continuam</p><p>trazendo consigo traços de ideologias tradicionais. Ou seja, “a cultura expressa as</p><p>transformações sociais, históricas, políticas e econômicas que a sociedade sofre”</p><p>(BORIS; CESÍDIO, 2007, p. 455).</p><p>Para uma compreensão adequada de tais transformações culturais ao longo da</p><p>história, se faz necessário entender a posição do gênero feminino durante todo o</p><p>10</p><p>período cultural da sociedade. Na sociedade patriarcal, que se instalou no Brasil no</p><p>século XVI, “as mulheres não passavam de seres insignificantes [...], as mulheres tudo</p><p>era proibido, a não ser o que se destinasse à procriação de filhos” (BORIS; CESÍDIO,</p><p>2007, p.457). A procriação de filhos era destinada às mulheres brancas, escolhidas</p><p>para casamento, enquanto as mulatas serviam aos interesses e aventuras sexuais</p><p>dos chefes de família:</p><p>Enquanto a mulher branca era literalmente abafada nas casas senhoriais,</p><p>pois seu universo restringia-se apenas à família e à criadagem doméstica,</p><p>criavam-se os mitos de exaltação sexual dos tipos mestiços, ordinariamente</p><p>destinados ao prazer do senhor [...]. (BORIS; CESÍDIO, 2007, p. 460).</p><p>Assim, o corpo ideal, com beleza feminina ditada pela sociedade foi conduzido</p><p>pelo sistema capitalista com fins de aumentar gradativamente sua produção e ao</p><p>mesmo tempo o sistema reprimia os anseios e emoções femininas, fazendo do mesmo</p><p>um objeto manipulável:</p><p>Para o capitalismo, o corpo e a sexualidade devem ser controlados para que</p><p>se forme um operário dócil, que se submete à sua disciplina. Portanto, seu</p><p>corpo passou a ser usado como um meio para atingir um fim – a produção</p><p>industrial -, tornando-se submisso ao sistema vigente. (BORIS; CESÍDIO,</p><p>2007, p.460).</p><p>Partindo desse contexto, é possível notar que as transformações culturais em</p><p>relação ao universo feminino eram para além da busca de direitos iguais, “mas,</p><p>também, para a libertação do sofrimento psíquico devido à sua marginalização na</p><p>sociedade, incluindo seu corpo e seus desejos” (BORIS; CESÍDIO, 2007, p.460). No</p><p>entanto, Boris; Cesídio (2007, p. 460) afirmam que “[...] ainda vigoram algumas</p><p>características patriarcais mantidas pela cultura”.</p><p>À medida que a mulher foi ganhando espaço na sociedade através de lutas,</p><p>transformações culturais, e assim conquistas exprimíveis, a subjetividade feminina e</p><p>seu corpo conseguiram acompanhar todo esse processo histórico pelo qual o universo</p><p>feminino passou em nossa sociedade (BORIS; CESÍDIO, 2007). Dessa forma, tabus</p><p>foram sendo esquecidos, tais como:</p><p>[...] na educação sexual das moças que lhes era negado o direito de adquirir</p><p>conhecimentos acerca da sexualidade antes do casamento. Devido a esse</p><p>tabu, a primeira experiência sexual era vivenciada com culpa e vergonha.</p><p>(BORIS; CESÍDIO, 2007, p. 461).</p><p>11</p><p>Ainda, as mulheres eram impedidas o estudo visto que não poderiam</p><p>desenvolver o intelecto, pois haveria risco de seus filhos nascerem com deformações</p><p>físicas em decorrência da atividade mental forçada durante a gestação. Segundo a</p><p>comunidade médica do final do século XIX e início do século XX, que seria possível</p><p>devido à “[...] uma conexão entre o útero e o sistema nervoso central [...]”, segundo</p><p>Boris; Cesídio (2007, p. 461).</p><p>2.2 O Corpo Feminino e a Medicina do Passado</p><p>A partir do final do século XVIII, a comunidade médica iniciou um processo de</p><p>releitura do corpo feminino, surgindo novos conceitos, levando a uma</p><p>dessexualização. Dessa forma, o universo feminino “perdeu” as características</p><p>fisiológicas próprias do seu sexo, visto que as interpretações médicas sobre o corpo</p><p>feminino, ainda no século XVIII, traziam informações equivocadas. Para Rago (1997),</p><p>o discurso médico do século XIX entendia e fundamentava tais ideias em:</p><p>[...] bases científicas, mostrando que o crânio feminino, assim como toda a</p><p>sua constituição biológica, fixava o destino da mulher: ser mãe e viver no lar,</p><p>abnegadamente cuidando da família. Muitos repetiam convictos os</p><p>argumentos do médico italiano Cesare Lombroso: ‘O amor da mulher pelo</p><p>homem não é um sentimento de origem sexual, mas uma forma destes</p><p>devotamentos que se desenvolvem entre um ser inferior e um ser superior.</p><p>(RAGO, 1997, p. 592).</p><p>Tais informações eram influenciadas por tabus e por conceitos infundáveis de</p><p>uma sociedade que acreditava que sem o clitóris, as mulheres “[...] não teriam desejo,</p><p>nem prazer e nem nunca poderiam conceber” (RAGO, 2002, p. 183). Assim, o</p><p>orgasmo feminino perde a importância no contexto, o que antes tinha com a ciência</p><p>médica. Da mesma forma, acreditava-se que os órgãos reprodutivos da mulher eram</p><p>os mesmos do homem, “[...] com a diferença de estarem dentro e não fora” (RAGO,</p><p>2002, p. 183). Após essa dessexualização no final do século XVIII, passou-se</p><p>acreditar “[...] que não apenas os sexos são diferentes, mas são diferentes em todos</p><p>os domínios do corpo e da alma, em cada aspecto moral e físico” (RAGO, 2002, p.</p><p>184).</p><p>12</p><p>2.3 Subjetividade Feminina e a Influência da Mídia</p><p>Com o advento do Iluminismo e da Revolução Francesa, a sociedade passou</p><p>por uma revolução nos costumes da época, permitindo à subjetividade feminina</p><p>ganhar espaço com direitos que amenizaria as diferenças culturais entre a mulher e o</p><p>homem. Tal enfatiza que as diferenças hierárquicas entre a mulher e o homem, não</p><p>são de ordem natural e sim algo estabelecido pela sociedade (BEAUVOIR, 2009).</p><p>Essa nova forma de como a mulher se coloca no mundo, passou a valorizar a</p><p>beleza feminina, em toda a sua estética. Assim, contribuiu para a criação de novos</p><p>conceitos quanto à posição da mulher nas diferentes sociedades e fortalecendo a</p><p>própria influência feminina nessa nova configuração social. No entanto, segundo</p><p>Boris; Cesídio (2007):</p><p>[...] tal valorização foi tão reforçada pelos meios de comunicação que, a partir</p><p>do século XX, ocorreu uma banalização do corpo da mulher, pois a mídia o</p><p>expôs em propagandas, revistas, jornais, programas de TV etc., a fim de</p><p>estabelecer um padrão de corpo feminino. Resumidamente, assim podemos</p><p>perceber as mudanças do modelo de subjetividade e de corpo feminino em</p><p>relação aos dois períodos culturais (patriarcado e século XX): de um lado,</p><p>uma mulher pura e recatada, virgem quando solteira, e, quando casada,</p><p>devotada e dependente financeiramente do esposo; e, de outro, uma mulher</p><p>sensual e provocante, estável profissional e financeiramente, mas submetida</p><p>às imposições da mídia. (BORIS; CESÍDIO, 2007, p. 462).</p><p>Portanto, na sua busca por prazer, por igualdade, a subjetividade feminina que</p><p>antes sofria com “[...] os limites impostos pela cultura e pela sociedade [...]”, [agora</p><p>enfrenta o], “[...] corpo que produz força de trabalho e parece se adequar aos</p><p>interesses capitalistas: o lucro e a mão-de-obra do trabalhador” (BORIS; CESÍDIO,</p><p>2007, p. 462). Segundo Boris; Cesídio (2007, p. 462), “o sistema capitalista cria</p><p>padrões de comportamento e educa a classe operária segundo a sua própria visão do</p><p>mundo, fazendo com que o corpo [feminino] produza e consuma produtos vinculados</p><p>aos desejos da mulher”. Niemeyer (2017, p. 2), completa, afirmando que:</p><p>[...] a submissão das mulheres e o controle sobre os seus corpos e o seu</p><p>conhecimento tradicional foi condição fundamental para o florescimento do</p><p>capitalismo, desde a sua gênese até os dias atuais. (NIEMEYER, 2017, p. 2).</p><p>Dessa forma, o sistema capitalista de reger a presente ordem é a de controlar</p><p>e direcionar o corpo feminino em parceria com a exploração da sexualidade da mulher</p><p>13</p><p>dentro no universo masculino, estabelecendo uma operária submissa à disciplina</p><p>capitalista. Portanto,</p><p>a mulher passou a ser usada como meio para atingir lucros cada</p><p>vez maiores no comércio, na industrial ou em qualquer meio que se deseje oferecer</p><p>algo (BORIS; CESÍDIO, 2007).</p><p>2.4 Anatomia da Genitália Feminina</p><p>Um estudo feito com 999 brasileiras constata que seus parceiros conhecem</p><p>mais do que elas próprias, no que se refere a anatomia feminina (LOPES, 2008b). O</p><p>autoconhecimento enfrenta uma cultura tradicionalista que impõe certo controle na</p><p>educação sexual dada a indivíduos do sexo feminino. O que vem a trazer sérios</p><p>prejuízos ao bem-estar da mulher, os quais são decorrentes da falta de conhecimento</p><p>que somente é adquirido parcialmente em consultas médicas.</p><p>Portanto, é frequente o fato da mulher passar a conhecer sua genitália após os</p><p>65 anos de idade, ocasião em que a mesma começa a apresentar problemas de</p><p>incontinência urinária, necessitando de auxílio médico. Nesse momento, ela descobre</p><p>a uretra e como trabalhar a musculatura do assoalho pélvico para fortalecer os</p><p>músculos do canal por onde passa a urina (LOPES, 2008b).</p><p>Os órgãos que compõem o sistema genital das mulheres são os ovários, as</p><p>tubas uterinas, o útero, a vagina e o conjunto dos órgãos genitais externos, a saber o</p><p>monte do púbis, lábios maiores, lábios menores, hímen, prepúcio do clitóris, clitóris,</p><p>óstio externo da uretra, óstio externo da vagina. Os órgãos externos e o ânus formam</p><p>o períneo. Anexados aos órgãos externos, encontramos outros órgãos, como</p><p>glândulas e bulbos. As glândulas mamárias também fazem parte do sistema genital,</p><p>no entanto, não será abordada nesse trabalho (TORTORA, 2007; TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>2.4.1 Órgãos Reprodutores Internos</p><p>Ovários</p><p>Os ovários são glândulas pares, localizadas paralelamente ao útero (um de</p><p>cada lado), sendo sustentadas por ligamentos (mesovário, ligamento útero-ovárico e</p><p>ligamento suspensor do ovário) que os prendem ao útero e à parede da pelve. As</p><p>estruturas que o compõe são: epitélio germinativo, túnica albugínea, córtex do ovário,</p><p>14</p><p>medula do ovário, folículos ováricos, folículo maduro e corpo lúteo. Tem a função de</p><p>formar gametas (processo chamado ovogênese) femininos (TORTORA, 2007). Veja</p><p>figuras 1, 2 e 3.</p><p>Tubas Uterinas</p><p>As duas tubas uterinas existentes no corpo feminino se estendem paralelamente a</p><p>partir do útero até os ovários. Dessa forma, é possível o transporte do ovócito</p><p>secundário até a tuba uterina (caso encontre um gameta masculino). Caso contrário</p><p>haverá a degeneração do ovócito secundário. As tubas uterinas dividem-se em</p><p>infundíbulo, fímbrias, ampola e istmo (TORTORA, 2007; TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016). Veja figuras 1, 2 e 3.</p><p>Útero</p><p>Localizado entre a bexiga e o reto, esse órgão apresenta tamanhos diferentes</p><p>em consequência do período gestacional (crescimento do órgão) ou na menopausa</p><p>(atrofiado em relação ao período antes da primeira gravidez). No entanto, segue um</p><p>padrão de tamanho aproximado em mulheres que nunca engravidaram (TORTORA,</p><p>2007). Veja figuras 1, 2 e 3.</p><p>Apresenta as seguintes subdivisões: fundo do útero, corpo do útero e colo do</p><p>útero. Sendo que o fundo do útero é localizado acima das tubas uterinas, o colo do</p><p>útero sendo uma parte estreita que se abre na vagina e o corpo do útero posicionado</p><p>entre o fundo e o colo. Essas subdivisões que formam o útero são mantidas por</p><p>ligamentos (largos, retouterinos, transversos do colo, redondos) que conseguem</p><p>manter a posição do útero (TORTORA, 2007). Sobre tais ligamentos:</p><p>Diversos ligamentos, que são extensões do peritônio parietal ou dos</p><p>fascículos fibromusculares, mantêm a posição do útero. [...] estendem-se a</p><p>partir de um ponto no útero, logo abaixo das tubas uterinas até uma parte dos</p><p>lábios maiores dos órgãos genitais externos. (TORTORA, 2007, p. 911).</p><p>Vagina</p><p>A vagina é um órgão interno, sendo frequentemente confundida com a parte</p><p>externa da genitália, especificamente a região dos lábios (maiores e/ou menores).</p><p>Possui forma longa e cilíndrica, revestida por uma camada longitudinal externa e uma</p><p>camada circular interna de músculo liso, chegando a cerca de 10 cm de comprimento.</p><p>15</p><p>Essas camadas possuem características elásticas que podem acomodar o pênis</p><p>durante a relação sexual e um recém-nascido durante o nascimento. Também serve</p><p>de passagem para o fluxo menstrual (TORTORA, 2007).</p><p>Está localizada entre o colo do útero e o exterior do corpo feminino, tendo como</p><p>limite o óstio da vagina. Sendo que o óstio é coberto por uma fina membrana chamada</p><p>hímen. O que ajuda a vagina quanto a sua posição anatômica, são os tecidos</p><p>conjuntivos areolares, responsáveis pela fixação da mesma aos órgãos adjacentes</p><p>(uretra, bexiga, reto e canal anal) (TORTORA, 2007; TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016). Veja figuras 1, 2 e 3.</p><p>Figura 1. Ilustração dos órgãos reprodutores internos em plano sagital, que compreendem: ovários,</p><p>tubas uterinas, útero e vagina.</p><p>Fonte: TORTORA, 2013.</p><p>16</p><p>Figura 2. Ilustração dos órgãos reprodutores internos. Relação das tubas uterinas com os ovários, o</p><p>útero e as estruturas associadas.</p><p>Fonte: TORTORA, 2013.</p><p>Figura 3. Ilustração dos órgãos reprodutores internos. Vista posterior dos órgãos genitais femininos</p><p>internos. Corte de uma janela triangular na parede posterior do útero. A parede posterior da vagina foi</p><p>cortada no plano mediano e aberta.</p><p>Fonte: LAROSA, 2016.</p><p>17</p><p>2.4.2 Órgãos e Estruturas Externas</p><p>Vulva ou Pudendo</p><p>Ao conjunto dos órgãos genitais externos, dá-se o nome de vulva ou pudendo.</p><p>São eles: monte do púbis, lábios maiores, lábios menores, vestíbulo (óstio da vagina,</p><p>óstio externo da uretra e hímen), clitóris, prepúcio do clitóris, e bulbos do vestíbulo.</p><p>(TORTORA, 2007). Veja figura 5.</p><p>Monte do Púbis</p><p>Localizado na parte anterior “[...] ao óstio da vagina e da uretra encontra-se o</p><p>monte do púbis, uma elevação de tecido adiposo, recoberta por pele e pelos púbicos</p><p>espessos, que protege a sínfise púbica” (TORTORA, 2007, p. 914).</p><p>Lábio Maior</p><p>“A partir do monte do púbis, duas pregas longitudinais de pele, [...] estendem-</p><p>se para baixo e para trás. [...] são recobertos por pelos púbicos, e contêm tecido</p><p>adiposo em abundância [...]” (TORTORA, 2007, p. 914).</p><p>Lábio Menor</p><p>“Medialmente aos lábios maiores encontram-se duas pregas menores de pele,</p><p>chamadas lábios menores. [...] são destituídos de pelos púbicos e de gordura”</p><p>(TORTORA, 2007, p. 916).</p><p>Vestíbulo</p><p>“A região entre os lábios menores é o vestíbulo. Dentro do vestíbulo estão o</p><p>hímen (se ainda presente), o óstio da vagina, o óstio externo da uretra e as aberturas</p><p>dos ductos de diversas glândulas” (TORTORA, 2007, p. 916).</p><p>Clitóris</p><p>“[...] pequena massa cilíndrica de tecido erétil e nervos, localizada na junção</p><p>anterior dos lábios menores. [...] A parte exposta do clitóris é a glande. [...] é capaz de</p><p>aumento por meio da estimulação tátil” (TORTORA, 2007, p. 916).</p><p>18</p><p>Prepúcio do Clitóris</p><p>“Uma camada de pele, [...] formada no ponto onde os lábios menores se unem</p><p>e recobrem o corpo do clitóris” (TORTORA, 2007, p. 916).</p><p>Bulbo do Vestíbulo</p><p>“Consistem em duas massas alongadas de tecido erétil, imediatamente abaixo</p><p>dos lábios maiores, em ambos os lados do óstio da vagina” (TORTORA, 2007, p. 916).</p><p>Veja figura 6.</p><p>Períneo</p><p>“O períneo é uma área losângica medial às coxas e às nádegas. [...] contém os</p><p>órgãos genitais externos e o ânus. O períneo é limitado anteriormente pela sínfise</p><p>púbica, lateralmente pelos túberes isquiáticos, e posteriormente pelo cóccix”</p><p>(TORTORA, 2007, p. 917). Veja figura 4 e 7.</p><p>Figura 4. Ilustração da vulva mostrando as estruturas genitais externas.</p><p>Fonte: TORTORA, 2013.</p><p>19</p><p>Figura 5. Ilustração da vulva. Vista inferior dos órgãos genitais femininos externos de uma virgem (A)</p><p>e após defloramento (B).</p><p>Fonte: LAROSA, 2016.</p><p>20</p><p>Figura 6. Vista inferior do óstio da vagina e do corpo cavernoso do</p><p>clitóris.</p><p>Fonte: LAROSA, 2016.</p><p>Figura 7. Ilustração do períneo, uma área em formato de losango medial as coxas e nadegas que</p><p>contém os órgãos genitais externos e o ânus</p><p>Fonte: TORTORA, 2013.</p><p>21</p><p>3. OBJETIVOS</p><p>3.1 OBJETIVO GERAL</p><p>Verificar os conhecimentos de acadêmicas e docentes da Faculdade Araguaia,</p><p>sobre a anatomia feminina e sua sexualidade em relação a tabus e outras</p><p>subjetividades do corpo feminino.</p><p>3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS</p><p>• Descrever os conceitos sobre o corpo feminino em momentos históricos da</p><p>sociedade humana e a forma como tais concepções fazem parte do dia-a-dia da</p><p>mulher moderna.</p><p>• Verificar os conhecimentos das acadêmicas dos cursos de graduação (biologia,</p><p>educação física e pedagogia da Faculdade Araguaia) sobre a anatomia da genitália</p><p>feminina.</p><p>• Examinar o conhecimento de parte das docentes sobre a mesma temática.</p><p>• Comparar os dados obtidos entre acadêmicas, docente e entre os cursos</p><p>entrevistados, os quais foram escolhidos por terem a disciplina de anatomia (biologia</p><p>e educação física) e por possuírem grande quantidade de mulheres matriculadas (no</p><p>caso de pedagogia).</p><p>• Analisar o interesse das pessoas sobre o tema – anatomia feminina.</p><p>22</p><p>4. METODOLOGIA</p><p>Foi realizado um levantamento bibliográfico, por meio de buscas por estudos</p><p>científicos sobre o tema, realizadas nas bibliotecas digitais: SciELO (Scientific</p><p>Electronic Library Online), Google acadêmico e bancos de dissertações e teses</p><p>disponíveis online. Foram utilizados os seguintes termos nas buscas: “anatomia</p><p>feminina, genitália feminina, tabu feminino, clitóris, sexualidade feminina”. Foram</p><p>selecionados os estudos que abordaram a temática e que foram realizados no Brasil,</p><p>publicados em português sem restrição de ano da publicação.</p><p>Na segunda etapa foi desenvolvido um questionário estruturado (Apêndice)).</p><p>Este foi aplicado às acadêmicas e docentes dos cursos de biologia, educação física e</p><p>pedagogia, da Faculdade Araguaia. Para identificar o nível de conhecimento sobre a</p><p>anatomia feminina, o questionário foi composto por 10 questões. Para verificar os</p><p>conhecimentos sobre a genitália feminina foram 9 perguntas objetivas. Para verificar</p><p>a opinião da avaliada sobre como a sociedade aborda tal assunto, uma questão</p><p>discursiva foi aplicada. As perguntas de 1 a 6 visavam compreender o nível de</p><p>conhecimento, enquanto que as questões de 7 a 10 buscavam a opinião sobre o</p><p>assunto em questão.</p><p>As mulheres foram convidadas a participar, após um esclarecimento quanto ao</p><p>assunto abordado e a importância da pesquisa. Permaneceram anônimas, apenas</p><p>identificando o curso e idade. A aplicação transcorreu durante os meses de setembro</p><p>e outubro de 2017, dentro dos domínios da faculdade. As análises foram realizadas</p><p>tendo como o curso como critério de distinção, e a classificação discente ou docente.</p><p>A amostra foi definida pelo critério de acessibilidade (VERGARA, 2009), para</p><p>facilitar a coleta dos dados. Foi estabelecida uma quantidade mínima de 110</p><p>questionários respondidos. Após as aplicações, foram obtidos 138 questionários</p><p>respondidos por acadêmicas e 16 por docentes, perfazendo um total de 154</p><p>questionários respondidos de forma voluntária.</p><p>A partir dos dados dos questionários, foi realizada a análise por estatística</p><p>descritiva. Os resultados obtidos foram plotados em gráficos para facilitar a</p><p>compreensão. Foram consideradas as diferenças observadas entre as áreas de</p><p>atuação dos cursos de graduação (biologia, educação física e pedagogia, além do</p><p>corpo docente).</p><p>23</p><p>5. RESULTADOS E DISCUSSÃO</p><p>Por se tratar de algo particular do universo feminino, houve grande interesse</p><p>na participação da pesquisa, ocorrendo até mesmo interação entre pesquisador e</p><p>entrevistada, em alguns casos. O fato do pesquisador que aplicou os questionários</p><p>ser do sexo masculino não provocou inibição ou recusa quanto a participação (com</p><p>algumas exceções entre as acadêmicas do curso de pedagogia). Durante a pesquisa,</p><p>apenas 2 acadêmicas optaram por não participar da pesquisa, sendo que as demais</p><p>participaram e agradeceram a oportunidade de aprendizado.</p><p>As entrevistadas do corpo docente participaram da pesquisa sem apresentar</p><p>objeções. Nenhuma docente abordada se recusou em participar, e todas</p><p>demonstraram interesse pelo tema abordado. Algumas questionaram como surgiu a</p><p>ideia sobre a abordagem desse tema, que teve origem durante um seminário da</p><p>disciplina de anatomia, no curso de biologia.</p><p>No curso de biologia foram entrevistadas 40 mulheres, na educação física</p><p>foram 47, na pedagogia foram 51 alunas, e entre as docentes foram 16 mulheres</p><p>entrevistadas. Durante a pesquisa, a receptividade quanto a participação em</p><p>responder o questionário foi satisfatória.</p><p>Figura 8. Gráfico da distribuição das idades das entrevistadas.</p><p>A maioria das entrevistadas estão na faixa etária de até 25 anos de idade</p><p>(47,4%). Sendo que apenas 1 professora (6,2%) do total de 16, está incluída nesse</p><p>25</p><p>10</p><p>3 2</p><p>33</p><p>8</p><p>5</p><p>1</p><p>14 13</p><p>18</p><p>6</p><p>1 1</p><p>8 6</p><p>73</p><p>32 34</p><p>15</p><p>0</p><p>10</p><p>20</p><p>30</p><p>40</p><p>50</p><p>60</p><p>70</p><p>80</p><p>Até 25 ANOS 26 A 30 ANOS 31 A 40 ANOS 41 ANOS EM DIANTE</p><p>IDADE DAS ENTREVISTADAS</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>24</p><p>patamar. Na outra extremidade, entrevistadas na faixa de ≥41 anos é o menor grupo</p><p>com 15 participantes (9,7% do total de entrevistadas), que representa menos de 25%</p><p>da soma dos outros dois grupos intermediários.</p><p>Nos cursos de biologia e educação física, o número de entrevistadas mais</p><p>jovens (até 25 anos) é maior. Educação física, por exemplo, nota-se uma queda de</p><p>20% em relação ao total em cada grupo (grupo de “25 anos” para o grupo de “26 a 30</p><p>anos”). O mesmo ocorre com a biologia, mas com proporções menores (diferença de</p><p>apenas 3,2%).</p><p>Essas diferenças ainda caem drasticamente quando o terceiro grupo (31 a 40</p><p>anos) é inserido: 8,8% para biologia e 14% para educação física e no quarto grupo</p><p>(41 anos em diante) vemos um aumento de entrevistadas para 13% no curso de</p><p>biologia, enquanto no curso de educação física o índice cai para 6,6%. Os dados</p><p>mostram uma porcentagem maior de pessoas com mais idade, tendo leve diminuição</p><p>apenas quando chega os dados do grupo de “41 anos” (mesma porcentagem do grupo</p><p>de “26 a 30 anos”).</p><p>Já o corpo docente apresentou o esperado: maioria da faixa etária está acima</p><p>dos 30 anos, em especial no grupo de “31 a 40 anos”. A informação não esperada é</p><p>a presença de uma professora no grupo de “até 25 anos” (Figura 8).</p><p>Figura 9. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 1.</p><p>22</p><p>5</p><p>1</p><p>11</p><p>1</p><p>22</p><p>17</p><p>1</p><p>4 3</p><p>19 20</p><p>0</p><p>8</p><p>4</p><p>10</p><p>1 0</p><p>4</p><p>1</p><p>73</p><p>43</p><p>2</p><p>27</p><p>9</p><p>0</p><p>10</p><p>20</p><p>30</p><p>40</p><p>50</p><p>60</p><p>70</p><p>80</p><p>A) Clitóris B) Clítoris C) Clitoris D) Clitóris e/ou</p><p>Clítoris</p><p>E) Não sei a</p><p>resposta</p><p>QUESTÃO 1: Qual a forma correta de escrita?</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>25</p><p>A primeira questão referia a escrita de uma palavra da anatomia externa</p><p>feminina com 5 opções de respostas, sendo que a resposta correta é a opção “B”.</p><p>Entre todas as entrevistadas 47,4% responderam que o termo correto é “clitóris”. E</p><p>27,9% responderam a opção “clítoris” quanto a forma correta de escrita. No entanto,</p><p>as duas formas estão corretas, visto que a gramática da Língua Portuguesa descreve</p><p>tal palavra como sendo de dupla grafia, permitindo que seja escrito “clitóris” e/ou</p><p>“clítoris”.</p><p>Portanto, apenas 17,5% responderam corretamente, marcando a opção “D”</p><p>que continha as 2 formas. As acadêmicas de pedagogia acertaram mais (15,6%) do</p><p>que as de educação física (8,5%), considerando que as porcentagens se referem ao</p><p>total de cada curso. (Veja figura 9).</p><p>Figura 10. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 2.</p><p>Na questão 2, que tratava sobre a nomenclatura para a genitália externa</p><p>feminina, havia 3 opções de respostas, sendo que a opção correta</p><p>é a letra “B” (vulva).</p><p>Observou-se que 40,2% acertaram a resposta, sendo que o grupo que apresentou</p><p>maior acerto foi as acadêmicas de biologia (60%), seguidas pelas docentes (56,2%),</p><p>pedagogia (33,3%), e por fim, educação física (25%). Entre as entrevistadas no curso</p><p>de educação física 65,9% optaram pela resposta “A”, enquanto que as acadêmicas</p><p>de pedagogia (que não possui a disciplina de anatomia na grade curricular) foram</p><p>54,9%, enquanto que biologia foram 37,5% e docentes também com 37,5%, indicando</p><p>15</p><p>24</p><p>0 1</p><p>31</p><p>12</p><p>2 2</p><p>28</p><p>17</p><p>6</p><p>0</p><p>6 9</p><p>0 1</p><p>80</p><p>62</p><p>8</p><p>4</p><p>0</p><p>10</p><p>20</p><p>30</p><p>40</p><p>50</p><p>60</p><p>70</p><p>80</p><p>90</p><p>A) Vagina B) Vulva C) Não sei a resposta Nula / Branco</p><p>Questão 2: Qual o nome da genitália externa feminina?</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>26</p><p>uma possível confusão com os nomes destinados às partes internas e externas da</p><p>genitália feminina. (Veja figura 10).</p><p>Figura 11. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 3.</p><p>Na questão 3, a resposta correta é a opção “A”, sendo que das entrevistadas,</p><p>53,2% responderam corretamente. As acadêmicas que obtiveram maior êxito foram</p><p>as do curso de biologia com 82,5%, seguidas pelas docentes com 62,5%, pedagogia</p><p>(50,9%), e educação física com 27,6%.</p><p>No entanto, entre as entrevistadas, 40,9% responderam que a urina é expelida</p><p>pela vagina (opção incorreta). As acadêmicas do curso de educação física tiveram</p><p>uma grande margem de erro para essa questão, com 65,9% de erro, enquanto que os</p><p>demais grupos apresentam os seguintes dados: pedagogia (41,1%), docentes (25%)</p><p>e biologia (17,5%). (Veja figura 11).</p><p>33</p><p>7</p><p>0 0</p><p>13</p><p>31</p><p>1 2</p><p>26</p><p>21</p><p>4</p><p>0</p><p>10</p><p>4 2 0</p><p>82</p><p>63</p><p>7</p><p>2</p><p>0</p><p>10</p><p>20</p><p>30</p><p>40</p><p>50</p><p>60</p><p>70</p><p>80</p><p>90</p><p>A) Canal</p><p>próprio/específico</p><p>B) Canal vaginal C) Não sei a resposta Nulo / Branco</p><p>Questão 3: A urina é expelida através do:</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>27</p><p>Figura 12. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 4.</p><p>Na questão 4, onde a resposta correta é a letra “B”, 68,1% das entrevistadas</p><p>marcaram corretamente a resposta. No entanto, esses dados contrastam com a</p><p>porcentagem mostrada na questão 2, opção “A”, onde 51,9% das entrevistadas</p><p>acreditam erroneamente que a vagina é o nome da genitália externa feminina. Visto</p><p>que os dados (em números reais) das acadêmicas dos cursos de educação física e</p><p>pedagogia (nas questões 2, opção “A” e questão 4, opção “B”), estão relativamente</p><p>próximos, tal contraste pode ser um indicativo de que o pensamento acerca da</p><p>genitália feminina é de que a palavra “vagina” engloba toda a anatomia íntima</p><p>feminina, seja interna e/ou externa.</p><p>Ainda sobre a opção correta da questão 4 (letra “B”), há uma pequena diferença</p><p>entre as acadêmicas de pedagogia e educação física (56,8% e 61,7% de acertos,</p><p>respectivamente), enquanto que biologia e docentes, a porcentagem de acertos sobe,</p><p>respectivamente para 85% e 81,2%.</p><p>Apesar da porcentagem elevada de acerto nos grupos de docentes e</p><p>acadêmicas de biologia, essa questão chama atenção também para aquelas que não</p><p>sabem dizer o que é realmente a vagina: se é uma glândula ou se é um canal. Esse</p><p>grupo abrange 24 entrevistadas que marcaram a opção “C”, com destaque para as 14</p><p>acadêmicas do curso de pedagogia que sozinhas representam 27,4% das que cursam</p><p>pedagogia.</p><p>Outro grupo que merece destaque são as 10 acadêmicas de educação física</p><p>que acreditam que a vagina seja uma glândula. Esse número representa metade de</p><p>3</p><p>34</p><p>3 0</p><p>10</p><p>29</p><p>5 36</p><p>29</p><p>14</p><p>21</p><p>13</p><p>2 0</p><p>20</p><p>105</p><p>24</p><p>5</p><p>0</p><p>20</p><p>40</p><p>60</p><p>80</p><p>100</p><p>120</p><p>A) Glândula B) Canal C) Não sei a</p><p>resposta</p><p>Nulo / Branco</p><p>Questão 4: A vagina é:</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>28</p><p>todas as entrevistadas que marcaram equivocadamente a opção “A”, e 21,2% das</p><p>acadêmicas de educação física. (veja figura 12).</p><p>Figura 13. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 5.</p><p>A questão 5 tem como resposta certa a opção “A” (vulva) e pergunta sobre o</p><p>que é o “pudendo”, com 11 opções de respostas. Tal palavra se mostrou estranha</p><p>para a maioria das entrevistadas. Apenas 8,4% acertaram a questão, enquanto que</p><p>72,7% optaram por marcar a opção “não sei a resposta”. A resposta certa foi mais</p><p>selecionada pelo corpo docente, com 31,2%, seguida por biologia com 7,5%,</p><p>pedagogia com 5,8% e educação física com 4,2%. (veja figura 13).</p><p>Figura 14. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 6.</p><p>3 1 1 0</p><p>7</p><p>0</p><p>28</p><p>02 2 0 0 1 1</p><p>35</p><p>63 3 0 1 2 0</p><p>42</p><p>0</p><p>5</p><p>0 0 1 2 0</p><p>7</p><p>1</p><p>13</p><p>6</p><p>1 2</p><p>12</p><p>1</p><p>112</p><p>7</p><p>0</p><p>20</p><p>40</p><p>60</p><p>80</p><p>100</p><p>120</p><p>Vulva G. Lábios P. Lábios Vagina Púbis Virilha Não sei a</p><p>Resposta</p><p>Nulo /</p><p>Branco</p><p>Questão 5: O que você acha que seja o pudendo?</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>3</p><p>10</p><p>21</p><p>0</p><p>6</p><p>0</p><p>5 9</p><p>26</p><p>0</p><p>5 23</p><p>12</p><p>22</p><p>1</p><p>13</p><p>02 3</p><p>10</p><p>0 1 0</p><p>13</p><p>34</p><p>79</p><p>1</p><p>25</p><p>2</p><p>0</p><p>10</p><p>20</p><p>30</p><p>40</p><p>50</p><p>60</p><p>70</p><p>80</p><p>90</p><p>A) B) C) D) Não sei o</p><p>que é clitóris</p><p>E) Não sei</p><p>definir a</p><p>forma do</p><p>clitóris.</p><p>Nulo / Branco</p><p>Questão 6: Dos desenhos abaixo, qual você acha que representa o</p><p>clitóris?</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>29</p><p>A questão 6 traz a opção “C” como resposta certa. É a única questão que</p><p>procurou simbolizar uma determinada parte da anatomia feminina através de figuras.</p><p>Havia representações esquemáticas do clitóris, com 3 ilustrações que lembram o</p><p>formato dessa estrutura em sua totalidade, e mais 2 opções de resposta.</p><p>Cada opção mostrou respostas equilibradas entre as entrevistadas. 51,2% do</p><p>total das entrevistadas selecionaram a opção correta. Destaque para o corpo docente</p><p>com 62,5%, seguido pelas acadêmicas do curso de educação física (55,3%), biologia</p><p>(52,5%), e pedagogia (43,1%). Ainda assim, 25 entrevistadas (16,2%) afirmaram que</p><p>“não sabem definir a forma do clitóris”, sendo mais da metade dessas respostas</p><p>pertencentes às acadêmicas de pedagogia (13 acadêmicas de pedagogia optaram</p><p>por essa resposta, o que representam 27,6% de todas as entrevistadas do curso de</p><p>pedagogia). Veja figura 14.</p><p>Uma das entrevistadas relatou que encontrou dificuldades em relação ao</p><p>enunciado da questão 6 e as respectivas figuras apresentadas. Relatou que não ficou</p><p>claro o enunciado e que as figuras não estavam proporcionais, levando a entender</p><p>que a provável resposta se referia à parte externa (visível) do órgão, ou seja, a opção</p><p>“A”.</p><p>Figura 15. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 7.</p><p>Com resposta pessoal, a sétima questão abordava se a entrevistada conhecia</p><p>a própria anatomia e se saberia identificar os locais de prazer, com 3 opções de</p><p>36</p><p>1 3</p><p>40</p><p>4 3</p><p>33</p><p>8 1015</p><p>0 1</p><p>124</p><p>13 17</p><p>0</p><p>20</p><p>40</p><p>60</p><p>80</p><p>100</p><p>120</p><p>140</p><p>A) Sim B) Não C) Nunca pensei nisso</p><p>Questão 7: Você conhece a sua anatomia? Sabe identificar quais locais</p><p>da sua genitália te dão prazer?</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>30</p><p>respostas. Das entrevistadas 80,5% declararam que conhecem a própria anatomia, a</p><p>ponto de identificar quais locais dão prazer. Outras 19,4% marcaram a opção “B” ou</p><p>“C”, e se considerarmos mais 25 entrevistadas (da opção “não sabem definir a forma</p><p>do clitóris” da questão anterior), faz o percentual subir para 35,7%. Portanto, o</p><p>percentual de 80,5% cairia, demonstrando que o nível de conhecimento é mais baixo</p><p>do que o apresentado pelas próprias entrevistadas.</p><p>Entre as entrevistadas 8,4% afirmaram não conhecer o próprio corpo no que se</p><p>refere aos locais que proporcionam prazer. As acadêmicas de pedagogia que</p><p>marcaram tal opção representa a maioria (15,6%), 8,51% das acadêmicas de</p><p>educação física, enquanto no curso de biologia apenas 2,5% fizeram a mesma</p><p>afirmação. Já em relação ao corpo docente, a maioria (93,7%) afirma conhecer o</p><p>próprio corpo e os outros 6,25% afirmaram que “nunca pensaram nisso”, opção “C”</p><p>(veja figura 15).</p><p>No entanto, dentre todas as entrevistadas 51,9% erraram a questão número 2,</p><p>e outras 5,19% afirmaram que não sabem a resposta. Já na quarta</p><p>questão, 12,9%</p><p>das entrevistadas erraram ao dizer que a vagina é uma glândula (metade desse</p><p>percentual são respostas de acadêmicas do curso de educação física), enquanto que</p><p>15,5% não sabiam a resposta da questão.</p><p>Figura 16. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 8.</p><p>A oitava questão tratava sobre a vergonha em relação a própria genitália, com</p><p>3 opções de respostas. E, observou-se que 16,8% das entrevistadas responderam</p><p>6</p><p>32</p><p>24</p><p>38</p><p>5</p><p>14</p><p>30</p><p>7</p><p>2</p><p>13</p><p>1</p><p>26</p><p>113</p><p>15</p><p>0</p><p>20</p><p>40</p><p>60</p><p>80</p><p>100</p><p>120</p><p>A) Sim B) Não C) Nunca pensei nisso</p><p>Questão 8: Você tem vergonha de falar sobre a genitália feminina?</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>31</p><p>que possuem vergonha de falar a respeito do assunto, sendo que a maioria dessas</p><p>entrevistadas pertencem ao grupo de acadêmicas de pedagogia. Ainda, 73,37% das</p><p>entrevistadas afirmaram não terem vergonha do assunto, sendo que no grupo das</p><p>acadêmicas de educação física esse percentual é de 80,8%, no grupo de biologia</p><p>80%, pedagogia 58,8% e corpo docente 81,2%. (veja figura 16).</p><p>Figura 17. Gráfico das porcentagens observadas para a questão 9.</p><p>A questão 9 perguntava se a entrevistada gostaria de conhecer mais sobre a</p><p>anatomia feminina e a sexualidade, com 3 opções de respostas. Nesse item, 78,5%</p><p>responderam que desejam conhecer mais sobre o próprio corpo, o que representa</p><p>121 entrevistadas em um universo de 154 acadêmicas entrevistadas. Os números</p><p>referentes às acadêmicas entrevistadas são similares na opção “A”, sendo 85%</p><p>(biologia), 78,7% (educação física) e 76,4% (pedagogia), em relação ao total de</p><p>entrevistadas de cada grupo. As 11 entrevistadas do corpo docente que responderam</p><p>afirmativamente, representam 68,7% em relação ao total de docentes entrevistadas.</p><p>(Figura 17).</p><p>A décima questão foi do tipo discursiva, permitindo a entrevistada expressar</p><p>suas concepções sobre sexualidade e tabus em relação a genitália feminina. As</p><p>respostas mais relevantes foram transcritas de maneira fiel a seguir, conservando os</p><p>erros de gramática e concordância verbal. Tal se justifica para preservar na íntegra a</p><p>intenção da entrevistada de expressar sua resposta.</p><p>34</p><p>1 5</p><p>37</p><p>2</p><p>8</p><p>39</p><p>6 611</p><p>3 2</p><p>121</p><p>12</p><p>21</p><p>0</p><p>20</p><p>40</p><p>60</p><p>80</p><p>100</p><p>120</p><p>140</p><p>A) Sim B) Não C) Nunca pensei nisso</p><p>Questão 9: Você gostaria de conhecer mais sobre a anatomia feminina</p><p>e sexualidade?</p><p>BIOLOGIA</p><p>ED FISICA</p><p>PEDAGOGIA</p><p>DOCENTES</p><p>TOTAL</p><p>32</p><p>As frases selecionadas, em especial as palavras destacadas, são trechos de</p><p>opiniões femininas que sustentam a teoria apresentada nesse trabalho. São opiniões</p><p>que revelam um conhecimento superficial, associado a realidade de que o universo</p><p>feminino ainda está fortemente influenciado por culturas tradicionalistas e específicas.</p><p>Culturas que impedem que a mulher conheça o próprio corpo no sentido de conhecer</p><p>possíveis sintomas de doenças que venham acometer o indivíduo.</p><p>Há ainda opiniões que se referem à genitália feminina de forma pejorativa,</p><p>motivo pelo qual não está relacionada junto com as demais frases. Considerando que</p><p>são futuras docentes, há a tendência de repassar tais conceitos para as gerações</p><p>subsequentes, perpetuando assim opiniões que não tem nada para contribuir na</p><p>construção de uma sociedade em que predomine o respeito entre indivíduos.</p><p>“Ainda acredito ser um tabu, pois ainda nem eu mesma me conheço direito. Namoro</p><p>há anos e não sei nada ou quase nada sobre meus prazeres” [destaque nosso].</p><p>“Um assunto que ainda gera um pouco de vergonha, ao ser tratado. Mais que deveria</p><p>ser mais discutido, fazendo com que as mulheres tenham a cultura de se conhecer”</p><p>[destaque nosso].</p><p>“A vagina é algo que devemos ter cuidados, desde criança sempre escutamos sobre</p><p>isto, às vezes nem é dito nada, pois sexualidade é proibido” [destaque nosso].</p><p>“É um tema que envolve muita polêmica ainda, pois existe a possibilidade de mudança</p><p>do sexo masculino para o feminino”.</p><p>“A vagina é um órgão sexual, usado para o prazer e para procriação, o corpo feminino</p><p>deve ser respeitado e amado”.</p><p>“São assuntos que deveríamos discutir e conhecer mais, porém dependendo das</p><p>pessoas, eu tenho vergonha de fazer comentários, talvez pela cultura da família, mas</p><p>tenho muita vontade até mesmo de conhecer meu próprio corpo” [destaque nosso].</p><p>“Tabus da sexualidade está na educação familiar. A sexualidade deve ser discutida</p><p>com filhos desde crianças com muita clareza, para evitar dúvidas quando na</p><p>adolescência. Embora, hoje os jovens estão começando sua vida sexual muito mais</p><p>cedo. Em um estágio de outra universidade, fiz uma pesquisa sobre sexualidade, as</p><p>crianças de 9 anos já tinha contato sexual e nem pensavam em usar preservativos,</p><p>podendo adquirir doenças sexualmente transmissíveis (DSTS). Como por exemplo:</p><p>HPV, HIV, cancro mole, gonorreia, etc. Deveria haver mais esclarecimentos dentro da</p><p>33</p><p>família, nas escolas e as autoridades competentes, divulgar melhor o risco de começar</p><p>a sexualidade precocemente”.</p><p>“A genitália ainda é um tabu na sociedade, porém a masculina é um assunto em que</p><p>todos falam abertamente, ainda há muita resistência acerca desse assunto”.</p><p>“Pessoas tem preconceito e medo de falar sobre o assunto, mas devia ser um assunto</p><p>tão aberto quanto qualquer outro” [destaque nosso].</p><p>“Ainda ocorre preconceito em relação a mulher conhecer a sua genitália, tanto para a</p><p>saúde ou prazer”.</p><p>“É algo que tem que ser abordado diariamente, pois muitas pessoas não tem muita</p><p>informação ou não conhece. Como eu mesma, tive dificuldade por não conhecer</p><p>minha genitália” [destaque nosso].</p><p>“Que muitas pessoas tem receio de falar sobre o assunto mais penso eu que sim teria</p><p>que ser mais discutido” [destaque nosso].</p><p>“A genitália feminina é um mistério, pois ao responder o questionário, podemos</p><p>observar que ainda temos muito o que descobrir sobre tal”.</p><p>“No decorrer da história o culto ao corpo sempre foi mais condenado pelo feminino. A</p><p>mulher é sinônimo de pecado, semelhante a Eva. Próprias questões culturais e</p><p>religiosas somam para que a mulher seja condenada a sentir prazer”.</p><p>“Gostaria de saber a real verdade de como se faz uma mulher gozar”.</p><p>“A genitália feminina é uma caixa de surpresas, melhor dizendo, um quebra-cabeça.</p><p>Precisa muito de ser tocada, para descobrir quais são seus pontos de prazer. Por ser</p><p>um músculo deve ser trabalhado. A vagina deve ser tocada para que a mulher saiba</p><p>quais são os teus pontos excitantes. O corpo é o segredo de um bom orgasmo”.</p><p>“O maior problema é que a grande maioria das mulheres têm vergonha de se tocar,</p><p>de se conhecer e falar o que gosta que o parceiro faça, salvo que a maioria não chega</p><p>ao orgasmo por vergonha ou pelo simples fato de não se conhecer”.</p><p>“Bom, hoje em dia, muitas mulheres, não sabe exatamente como sentir prazer. Devido</p><p>os tabus da vida, as culturas conservadora, onde a mulher não tem o mesmo direito</p><p>de expressão igual os homens”.</p><p>“Cada mulher possui sua genitália, são todas diferentes”.</p><p>“Conhecer o próprio corpo é a melhor maneira de descobrir a sexualidade”.</p><p>“Na minha opinião, a sexualidade e tabus em relação a genitália feminina são temas</p><p>que deveria ser mais comentados em aberto dentro das escolas, já que envolve</p><p>doenças e formas de prevenção”.</p><p>34</p><p>“Acredito que hoje em dia já há uma comunicação melhor do que antigamente onde</p><p>as pessoas não tem dificuldade em falar sobre isso”.</p><p>“Devido questões sociais, religiosas, familiares, as pessoas sentem receio acerca</p><p>desse assunto, por isso, as pessoas tem pouco conhecimento sobre o assunto e isso</p><p>pode ser prejudicial para o indivíduo” [destaque nosso].</p><p>“Acho necessário falar sobre o assunto nas escolas, pois muitas crianças não sabem</p><p>nem como lidar com a puberdade”.</p><p>“A maioria das mulheres não conhecem a anatomia da vagina e por isso nunca tiveram</p><p>um orgasmo. A sexualidade é um tabu, ainda principalmente quando pensamos na</p><p>mulher” [destaque nosso].</p><p>“Os tabus relacionados</p><p>à genitália feminina e ou ao sexo precisam ser cada vez mais</p><p>debatidos, pois é importante para a saúde e a sociedade”.</p><p>“Algo considerado difícil de aprender para minha época, mas hoje alguns tabus foram</p><p>quebrados”.</p><p>“A sexualidade é tratada ainda como algo sujo ou proibido, é necessário abordagens</p><p>como essa para que pessoas entendam seu próprio corpo e trate com naturalidade</p><p>um assunto que faz parte do ciclo biológico do ser humano” [destaque nosso].</p><p>“Sexualidade é a forma na qual aprendemos sobre nosso próprio corpo e desta</p><p>maneira nos conhecemos mais. Com referência aos tabus, pode-se dizer que seja o</p><p>oposto da sexualidade. Neste sentido, tabus seria uma falta de informação em relação</p><p>ao nosso próprio corpo”.</p><p>“A maioria das mulheres não conhecem seu corpo e deixam de sentir prazer, por falta</p><p>desse conhecimento anatômico e até mesmo por vergonha de expor suas dúvidas”.</p><p>“Ainda existe tabu sobre esse assunto, pois as pessoas tem vergonha de falar, e</p><p>muitas vezes nem conhece sobre o seu próprio corpo”.</p><p>“Acredito que devido ao machismo da nossa cultura, onde o prazer sexual é somente</p><p>do homem, muitas mulheres não conhecem seu corpo e nunca permitiram se tocar</p><p>para autoconhecimento, seja ele para cuidado/higiene ou para o prazer sexual”</p><p>[destaque nosso].</p><p>“A sociedade ainda vê isso como um assunto muito complexo de se falar e</p><p>vergonhoso, um tabu muito grande por conta da religião. Não pode comentar nada em</p><p>casa, só pode ser tratado na escola, em nenhum outro lugar. Um assunto delicado”.</p><p>35</p><p>“Hoje quando se fala sobre sexualidade há muitas dúvidas, pois nem sempre os pais</p><p>conversam sobre esse assunto com as filhas. É onde surge muitas dúvidas e muitos</p><p>tabus. Deveria ter um estudo sobre esse assunto” [destaque nosso].</p><p>“A sexualidade feminina é considerada um tabu por muitas mulheres, por vergonha</p><p>de não saberem, ou até mesmo por achar inadequada e vulgar” [destaque nosso].</p><p>“Muitas mulheres sentem vergonhadas para falar do sistema reprodutor feminino, e</p><p>mal conhecem o próprio corpo. Na escola onde leciono, as alunas nem sabem quais</p><p>são os órgãos internos e externos” [destaque nosso].</p><p>“Nem todas as mulheres se conhecem totalmente, eu sei as regiões que proporciona</p><p>prazer mais, confundo os nomes”.</p><p>“Acredito eu que para a maioria das mulheres falar sobre sexualidade ainda seja um</p><p>tabu. Muitas não conhecem a forma de sua genitália e nem os locais que mais dão</p><p>prazer à ela. Poucas ou quase nenhuma falam sobre masturbação. Nós mulheres</p><p>deveríamos nos olhar mais no espelho, ter mais curiosidade sobre nosso corpo e com</p><p>certeza ter menos pudor ao falar desses assuntos” [destaque nosso].</p><p>“Minha concepção sobre sexualidade feminina, reflete muito o comportamento de uma</p><p>sociedade hipócrita e preconceituosa, que apesar, das diversas mudanças ocorridas</p><p>no desenvolvimento da sexualidade feminina/educação sexual desta, percebe-se que,</p><p>o que ainda prevalece são formas veladas de independência, e a busca pelo seu pleno</p><p>desempenho e prazer sexual ainda parece estar muito longe de se concretizar, pois</p><p>as mulheres ainda são rotuladas de promiscuas e amoral quando tentam ser feliz</p><p>sexualmente, o que para mulher é uma vergonha, pro homens ainda hoje é sinônimo</p><p>de virilidade”.</p><p>“O conhecimento do próprio corpo auxilia na saúde da mulher e própria sexualidade.</p><p>Permitindo que tabus sejam esclarecidos” [destaque nosso].</p><p>“A mulher é historicamente reprimida e consequentemente, se torna um tabu falar de</p><p>sexualidade feminina. Acho que a genitália feminina ainda fica muito exposta à</p><p>pornografia e isto impede a muitas pessoas bem intencionadas à falarem mais sobre</p><p>o assunto” [destaque nosso].</p><p>“Mulher sofre muito preconceito em todos os sentidos principalmente com relação à</p><p>sexualidade” [destaque nosso].</p><p>“Não tenho tabus em relação à minha genitália. A respeito da concepção, penso que</p><p>sempre há o que se explorar no que diz respeito ao prazer”.</p><p>36</p><p>“A minha preocupação sempre foi saber onde ficava o “ponto g”, não era muito ligada</p><p>no que era clitóris. Na minha época não se comentava muita coisa a respeito do</p><p>clitóris”.</p><p>“Considero a sexualidade não apenas importante, mas fundamental para nossa</p><p>concepção como seres humanos complexos, mas confesso que pouco converso</p><p>sobre a genitália feminina e, por isso, pouco sei a respeito”.</p><p>“A genitália feminina sempre foi escondida, negada, reprimida. Enquanto que a</p><p>genitália masculina é motivo de orgulho e estímulo externo. Talvez isso explique o fato</p><p>de as mulheres não conhecerem o próprio corpo e terem dificuldade de ter prazer”</p><p>[destaque nosso].</p><p>“Esse assunto deveria ser tratado pelas mulheres com a mesma naturalidade que é</p><p>tratado pelos homens. Porém, por se tratar de uma questão cultural relacionada à</p><p>sociedade machista em que vivemos, essa mudança tem ocorrido de forma gradual e</p><p>muito lenta. Espera-se um dia que não haja mais tabu nesse assunto, tanto para</p><p>homens quanto para mulheres; já que se trata de uma questão natural, biológica do</p><p>indivíduo, não há motivos para sentir vergonha”.</p><p>“A sexualidade feminina é realmente um tabu para muitas mulheres, ainda no século</p><p>XXI, especialmente devido às diversas tradições que [palavra ilegível] familiar. É muito</p><p>importante que a mulher conheça seu corpo e inclui a genitália feminina” [destaque</p><p>nosso].</p><p>“Acho que deve ter mais palestras, pois nem todas as mulheres conhece seu órgão e</p><p>é preciso quebrar essa vergonha que as pessoas tem em falar sobre a sexualidade”.</p><p>“A realidade brasileira com relação à educação sexual ainda é bastante retrógrada e</p><p>apresenta muitos tabus e carregada de pudores. Isso colabora para que nós não</p><p>conheçamos o próprio corpo”.</p><p>“Mulheres tem vergonha de expor sobre sua sexualidade. Existe preconceito em</p><p>relação a mulher. Para o homem é visto como vantagem. Para mulher é visto como</p><p>vulgar” [destaque nosso].</p><p>“Este assunto é um pouco meio constrangedor, eu nunca tive vontade em saber os</p><p>nomes próprio de cada parte da genitália” [destaque nosso].</p><p>“Sobre a sexualidade e tabus envolvendo a genitália feminina, em minha concepção</p><p>é pouco falada, as informações teriam que ser mais claras, para que as mulheres que</p><p>não têem oportunidades de saber e ou pesquisar sobre esses assuntos” [destaque</p><p>nosso].</p><p>37</p><p>“As concepções em relação a genitália feminina acontece com a maturidade e os</p><p>tabus varia de pessoa para pessoa”.</p><p>“Existe ainda muito tabu envolvido na sexualidade feminina, embora no século XXI</p><p>tenha mudado bastante”.</p><p>“Nos dias de hoje, está mais liberal e ainda existe muitos tabus com relação a esse</p><p>assunto de sexualidade, mesmo sendo discutida nas salas de aula, televisão e pelos</p><p>próprios colegas. Na sociedade a mulher esta conquistando o seu espaço e se</p><p>vulgarizando” [destaque nosso].</p><p>6. CONCLUSÃO</p><p>A falta de informação em decorrência até mesmo pela falta de interesse, não</p><p>importando o grau de escolaridade do indivíduo, se demonstra como responsável por</p><p>alterações do estado de saúde do indivíduo. No que se refere à anatomia e fisiologia</p><p>básicas, a maioria das mulheres em nossa sociedade, possuem pouco conhecimento,</p><p>o que afeta diretamente sua saúde.</p><p>Fato esse que, provavelmente é em decorrência de variados tabus que</p><p>envolvem o corpo feminino, e que ainda exercem influência marcante na sociedade</p><p>contemporânea. Tal condição social é decorrente devido à influência da cultura, onde</p><p>a mesma se manifesta através da conduta das pessoas que a compõem. Cultura essa</p><p>que foi passando por transformações, à medida que a mulher foi ganhando espaço na</p><p>sociedade, permitindo que a subjetividade feminina acompanhasse todo esse</p><p>processo histórico, sendo que o mesmo não aconteceu em relação ao corpo feminino,</p><p>no mesmo ritmo.</p><p>Dessa forma, tabus foram sendo esquecidos e/ou transformados, abrindo</p><p>espaço para uma intermitente e acelerada exploração da sexualidade feminina. No</p><p>entanto, o conhecimento feminino sobre o próprio corpo</p><p>não acompanhou tal processo</p><p>com a mesma velocidade, enfrentando ainda uma cultura tradicionalista que impõe</p><p>demasiado controle na educação sexual, acarretando prejuízos à qualidade de vida</p><p>da mulher contemporânea.</p><p>A pesquisa realizada no presente trabalho, apresenta um perfil feminino que</p><p>não possui conhecimento expressivo sobre a própria anatomia da genitália feminina.</p><p>Nomes trocados, funções atribuídas à partes que não tem relação com a mesma, são</p><p>exemplos que foram constatados durante a pesquisa. Soma-se o fato do indivíduo</p><p>38</p><p>aprender sobre anatomia no ensino médio, no ensino fundamental II (séries finais) e</p><p>até mesmo no ensino fundamental I, com abordagens superficiais.</p><p>Mesmo um alto nível de escolaridade não foi suficiente para apresentar</p><p>conhecimentos equivalentes ou mesmo que demonstrasse importância significativa</p><p>em relação ao tema abordado. Pesa o fato de serem futuras educadoras, que em</p><p>diversos momentos abordarão o assunto com alunos, e que pela falta de</p><p>conhecimento adequado, repassarão às gerações seguintes o costume de que a</p><p>genitália feminina é um assunto constrangedor.</p><p>A pesquisa revelou que o conhecimento demonstrado não apresenta grandes</p><p>oscilações, quanto a idade e ao semestre cursado. No entanto, quando os dados são</p><p>comparados entre os cursos e o corpo docente, há variações consideráveis. Além</p><p>disso, este instrumento possibilitou identificar o interesse das entrevistadas sobre o</p><p>tema em questão.</p><p>Outros estudos devem ser realizados com essa e outras populações femininas</p><p>para compreender essa transição entre o conhecimento da anatomia da genitália</p><p>externa e os tabus que ainda persistem no meio feminino.</p><p>39</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABDO, C.Pesquisa Mosaico Brasil. FMUSP. Projeto Sexualidade (ProSex) 2008.</p><p>Disponível em <http://www.uai.com.br/app/noticia/saúde/2015/11/25/noticias-</p><p>saude,186696/voce-precisa-conhecer-a-sua-vulva.shtml>. Acesso em: 24/04/2017.</p><p>BEAUVOIR, S. O. Segundo Sexo. Editora: Nova Fronteira. Edição 1. 2009.</p><p>BORIS, G. D. J. B.; CESIDIO, M. de H. Mulher, corpo e subjetividade: uma análise</p><p>desde o patriarcado à contemporaneidade. Revista Mal-Estar</p><p>Subjetividade, Fortaleza, v. 7, n. 2, p. 451-478, set. 2007.</p><p>GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.</p><p>ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgiões Plásticos Estéticos). Pesquisa Mosaico</p><p>Brasil. FMUSP. Projeto Sexualidade (ProSex) 2008. Disponível em</p><p><http://www.uai.com.br/app/noticia/saúde/2015/11/25/noticias-saude,186696/voce-</p><p>precisa-conhecer-a-sua-vulva.shtml>. Acesso em: 24/04/2017.</p><p>LAROSA, P. R. Anatomia Humana - Texto e Atlas. Guanabara Koogan, 2016.</p><p>LOPES, A. Pesquisa Mosaico Brasil. FMUSP. Projeto Sexualidade (ProSex) 2008a.</p><p>Disponível em <http://www.uai.com.br/app/noticia/saúde/2015/11/25/noticias-</p><p>saude,186696/voce-precisa-conhecer-a-sua-vulva.shtml>. Acesso em: 24/04/2017.</p><p>LOPES, G. Pesquisa Mosaico Brasil. FMUSP. Projeto Sexualidade (ProSex) 2008b.</p><p>Disponível em <http://www.uai.com.br/app/noticia/saúde/2015/11/25/noticias-</p><p>saude,186696/voce-precisa-conhecer-a-sua-vulva.shtml>. Acesso em: 24/04/2017.</p><p>NIEMEYER, C. Máquinas de fazer gente. Revista Radis. p. 2, Set/2017.</p><p>PENNA, L. Corpo sofrido e mal-amado: as experiências da mulher com o próprio</p><p>corpo. São Paulo. Summus, 1989.</p><p>RAGO, M.Corpo e Cultura. Revista Projeto História. v. 25 Jul/Dez 2002.</p><p>RAGO, M.Trabalho Feminino e Sexualidade.In: PRIORI, M. Del (Org). História das</p><p>Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 1997. P. 578 a 606.</p><p>RODRIGUES, Paulo Jorge et al. O Trabalho Feminino durante a Revolução</p><p>Industrial. XII Semana da Mulher-Mulheres, Gênero, Violência e Educação. 2015.</p><p>SANTOS, José Luiz dos. O que é Cultura. São Paulo: Brasiliense, 2004.</p><p>TORTORA, G. J. Princípios de anatomia humana. 10ª ed. Guanabara Koogan, Rio de</p><p>Janeiro. 2007.</p><p>TORTORA, G. J. Princípios de anatomia humana. 12ª ed. Guanabara Koogan, Rio de</p><p>Janeiro. 2013.</p><p>40</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia humana. 14ª</p><p>ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. 2016.</p><p>VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 11 ed. São</p><p>Paulo: Atlas, 2009.</p><p>41</p><p>APÊNDICE</p><p>QUESTIONÁRIO APLICADO ÀS ENTREVISTADAS QUE PARTICIPARAM DA</p><p>PESQUISA</p><p>Você NÃO é obrigada a responder. NÃO precisa se identificar. Todos os dados são</p><p>sigilosos e somente o pesquisador terá acesso. Preencha os campos abaixo. Leia a</p><p>questão e responda antes de passar para a próxima questão. Não consulte seu</p><p>colega ou qualquer outro meio. Em caso de dúvidas marque a opção “não sei a</p><p>resposta”. Portanto, não deixe nenhuma questão em branco. Não se preocupe em</p><p>chutar ou marcar uma opção qualquer. Se você fizer isso prejudicará a pesquisa.</p><p>Agradecemos sua participação e colaboração com a ciência.</p><p>Idade: __________________ Curso: _______________________________</p><p>QUESTÕES:</p><p>1. Qual das palavras abaixo você acha que está escrita corretamente:</p><p>A( ) Clitóris;</p><p>B( ) Clítoris;</p><p>C( ) Clitoris;</p><p>D( ) Clitóris e/ou Clítoris;</p><p>E( ) Não sei a resposta.</p><p>2. Qual é o nome da genitália externa feminina:</p><p>A( ) Vagina;</p><p>B( ) Vulva;</p><p>C( ) Não sei a resposta</p><p>3. A urina é expelida através do:</p><p>A( ) Canal próprio/específico;</p><p>B( ) Canal vaginal;</p><p>C( ) Não sei a resposta.</p><p>4. A vagina é:</p><p>A( ) uma glândula;</p><p>B( ) um canal;</p><p>C( ) Não sei a resposta.</p><p>5. O que você acha que seja o pudendo:</p><p>A ( ) Vulva;</p><p>B ( ) Grandes lábios;</p><p>C ( ) Trompas;</p><p>D ( ) Virilha;</p><p>E ( ) Pequenos lábios;</p><p>F ( ) Vagina;</p><p>G ( ) Ovário;</p><p>H ( ) Útero;</p><p>I ( ) Clitóris;</p><p>J ( ) Púbis ou monte de vênus;</p><p>K ( ) Não sei a resposta.</p><p>42</p><p>6. Dos desenhos abaixo, qual você acha que representa o clitóris:</p><p>A( )</p><p>B( )</p><p>C ( )</p><p>D ( ) Não sei o que é CLITÓRIS;</p><p>E ( ) Não sei definir a forma do CLITÓRIS</p><p>7. Você conhece a sua anatomia? Sabe identificar quais locais da sua genitália</p><p>te dão prazer?</p><p>( ) Sim ( ) Não ( ) Nunca pensei nisso</p><p>8. Você tem vergonha de falar sobre a genitália feminina?</p><p>( ) Sim ( ) Não ( ) Nunca pensei nisso</p><p>9. Você gostaria de conhecer mais sobre a anatomia feminina e sexualidade:</p><p>( ) Sim ( ) Não ( ) Nunca pensei nisso</p><p>10. Comente suas concepções sobre sexualidade e tabus em relação a genitália</p><p>feminina (use o verso da folha para responder, caso necessário):</p><p>Concepções sobre a anatomia da genitália feminina: tabus e subjetividades.</p><p>Acadêmico: Hermínio Pereira da Silva. Orientadora: professora Dra. Jalsi Tacon</p><p>Arruda. Dúvidas entre em contato: jalsitacon@gmail.com</p><p>View publication stats</p><p>https://www.researchgate.net/publication/330601111</p>

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