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<p>COMPLEXO DOS PERCEVEJOS NO GIRASSOL</p><p>O girassol (Helianthus annuus L., Asteraceae), planta com relatos de origem na América do Norte, tem seu cultivo em cerca de 18 milhões de hectares espalhados por diferentes territórios. É uma cultura que se adapta bem a diversas regiões, devido a sua tolerância a baixas temperaturas na fase inicial de desenvolvimento e pela sua capacidade de resistência a déficits hídricos (GAZZOLA et al., 2012).</p><p>A redução na produção da cultura do girassol, está relacionada a uma série de problemas agronômicos, como as pragas que variam de acordo com os estádios de desenvolvimento da cultura. O combate se torna um problema durante a época de floração, pois a cultura apresenta grande porte em relação à altura e o uso de inseticidas prejudiciais aos polinizadores, especialmente as abelhas, e inimigos naturais, dificultando o manuseio.</p><p>As principais pragas encontradas na cultura do girassol são das ordens; Lepidoptera, Hemiptera, Coleoptera, Diptera, em meio a estes os Inimigos naturais; apresentando um índice alto de pragas compartilhadas, ou seja, pragas também encontradas em outras culturas</p><p>Os principais percevejos (Himiptera)que geram danos à cultura do girassol são:</p><p>PERCEVEJO-MARROM: Euschistus heros (Fabr., 1794)</p><p>Os adultos medem aproximadamente 1 cm de comprimento e têm coloração marrom, inclusive no abdome. No protórax existem dois espinhos laterais e há uma mancha branca em formato de meia-lua no dorso, acima da parte membranosa das asas. As fêmeas depositam os ovos nas folhas e vagens em pequenos grupos e em fileiras, geralmente duas. No início os ovos são bege e, de acordo com o desenvolvimento do embrião, adquirem coloração rósea. As ninfas mais jovens podem ser amareladas, esverdeadas ou cinza e possuem manchas nas bordas e sobre o abdome. As mais velhas são marrons ou cinza, com algumas manchas claras e escuras. O ciclo biológico dura aproximadamente 40 dias.</p><p>PERCEVEJO-VERDE: Nezara viridula (L., 1758): Atacam o caule da planta</p><p>Os adultos são de coloração verde uniforme, com 15 mm de comprimento e antenas marrons. A postura da fêmea é realizada na face abaxial da folha, são aproximadamente 100 ovos por postura dispostos de forma hexagonal. São de coloração branco-amarelada no início e rosada próximo à eclosão. As ninfas são alaranjadas e gregárias ao redor da postura (1º instar). No 2º instar são pretas com manchas brancas no abdome, gregárias (2º instar); dispersas (3º instar), tórax verde, abdome preto com manchas brancas (4º instar); no 5º instar o tórax e abdome são verdes com manchas circulares brancas. O ciclo é de aproximadamente 30 dias.</p><p>PERCEVEJO-VERDE-PEQUENO: Piezodorus guildinii (Westw., 1837): ataca principalmente o capítulo, na fase de frutificação.</p><p>O adulto mede aproximadamente 1 cm de comprimento, sua coloração é verde-clara e há uma faixa transversal marrom, vermelha ou amarelada sobre o protórax. Os ovos, de cor escura, são postos preferencialmente nas vagens, mas também podem ser encontrados em folhas, caule e ramos. As fêmeas geralmente depositam duas fileiras, que variam de 10 a 30 ovos. As ninfas recém-eclodidas possuem abdome avermelhado e cabeça e tórax escuros. Nesse período elas são encontradas em grupos próximos aos ovos. Quando estão mais desenvolvidas, adquirem cor verde com manchas escuras e avermelhadas no tórax e abdome</p><p>PERCEVEJO-CASTANHO: Scaptocoris castânea (Perty, 1839): ataca as raízes, e sugam seiva das raízes, provocando amarelecimento da planta e posterior secamento.</p><p>O adulto mede cerca de 8 mm de comprimento, possui pernas anteriores fossoriais e tíbias medianas com uma área dorsal achatada e glabra. Emite odor característico quando perturbado (indica sua presença durante o preparo do solo). Em épocas secas aprofunda-se no solo e durante as chuvas vem à superfície. Ocorrem revoadas ao entardecer, formando uma nuvem.</p><p>Percevejo-asa-preta-da-soja: Edessa meditabunda (Fabr., 1794):</p><p>Os adultos medem cerca de 1 cm de comprimento. A sua coloração é verde, com exceção das asas, que são escuras, e das antenas e pernas, que podem ser marrons amareladas. As fêmeas geralmente depositam ovos nas folhas, dispostos em grupos com duas fileiras. Eles são verde-claros e eclodem alguns dias após a postura. As ninfas são amareladas com partes esverdeadas e manchas avermelhadas, cinza e pretas sobre o abdome.</p><p>Os principais métodos de controle para as lagartas, besouros e percevejos são inseticidas (fosforados, piretróides, carbamatos) assim como reguladores de crescimento e controle biológico (Bacillus thuringiensis), este último principalmente para as lagartas. A aplicação de inseticidas deve ser feita no período da tarde, pois geralmente durante o período da manhã a planta recebe um maior número de visitas de seus polinizadores e a morte destes pode causar queda na produção (GALLO et. al., 2002). Além disso, deve-se atentar para não eliminar os inimigos naturais das pragas.</p><p>AFONSO, A.P.S., Pragas do girassol. In: REUNIÃO NACIONAL DE PESQUISA DE GIRASSOL, 18., SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE A CULTURA DO GIRASSOL, 6., 2009, Pelotas – RS. Embrapa Anais… Pelotas – RS: Embrapa Clima Temperado, 2009. p. 14 – 25.</p><p>GALLO, D et al., Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920p.</p><p>OLIVEIRA, Ana Claudia Barneche de et al. Manejo da cultura do girassol: uma abordagem técnica de uso prático. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2010. 46 p.</p>