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<p>1</p><p>Resumo-- Este artigo descreve a modelagem de uma subestação</p><p>de 13,8 kV do tipo aérea fazendo uso do sistema BIM – Modelagem</p><p>da Informação da Construção (do acrônimo em inglês Building</p><p>Information Modeling). É mostrado que a etapa de construção da</p><p>tabela de quantitativo de material é totalmente automatizada</p><p>através das ferramentas Revit e Dynamo, bem como a</p><p>documentação pode ser gerada de forma simples após a criação do</p><p>modelo 3D. São descritas as principais etapas da modelagem, além</p><p>de destacar as potencialidades do sistema BIM para projetos de</p><p>subestações de força com diferentes configurações e níveis de</p><p>tensão.</p><p>Palavras chaves—Projeto, Revit, Sistema BIM, Subestação de</p><p>Força.</p><p>I. INTRODUÇÃO</p><p>M um projeto de uma subestação de força, consideram-se</p><p>diversos equipamentos tais como, transformadores de</p><p>potência, cabos, barramentos, chaves seccionadoras,</p><p>disjuntores, fusíveis, relés, entre outros, com a função de</p><p>modificar as características de grandezas elétricas (tensão e</p><p>corrente, por exemplo) a fim de transmitir e distribuir de forma</p><p>eficiente e com qualidade energia elétrica aos consumidores</p><p>(residenciais, comerciais e industriais). É recomendado que os</p><p>critérios definidos em projeto estejam disponíveis e</p><p>documentados no memorial descritivo da obra para registros, e</p><p>também para eventual futura utilização para fins de expansão.</p><p>Vale ressaltar que estes critérios devem atender às normas</p><p>nacionais e aos exigidos pela concessionária local. Focando</p><p>nesses aspectos, o atual artigo descreve o uso do sistema BIM -</p><p>Modelagem da Informação da Construção (do acrônimo em</p><p>inglês Building Information Modeling) no projeto de uma</p><p>subestação de força real de 13,8 kV do tipo aérea. Este sistema</p><p>é uma plataforma compartilhada de dados e de conhecimentos</p><p>para todas as partes envolvidas no projeto, oferecendo uma base</p><p>para a tomada de decisões durante todo o ciclo de vida da</p><p>instalação. Além disso, beneficia várias partes em diferentes</p><p>fases do ciclo de vida de uma instalação – é possível adicionar,</p><p>consultar ou editar informações no modelo de informações da</p><p>construção para apoiar sua própria função e compartilhar essas</p><p>informações com terceiros. Em resumo, o BIM é um processo</p><p>de criação e gerenciamento de informações sobre um projeto de</p><p>construção ao longo de todo o seu ciclo de vida. Neste contexto,</p><p>'construção' refere-se aos dados e processos de construção em</p><p>que o BIM é um modelo digital que representa as características</p><p>físicas, técnicas e funcionais da instalação [1 - 4]. É importante</p><p>realçar que o sistema BIM passou a ser usado recentemente</p><p>pelos engenheiros elétricos, principalmente em projetos de</p><p>instalações, mas pouco tem sido feito no Brasil na área de</p><p>projetos de subestações de força, independentemente do nível</p><p>de tensão. No entanto, a comunidade de sistemas de potência já</p><p>tem disponível referências sobre o tema [5 - 8], mas de acordo</p><p>com pesquisa na literatura, nada foi encontrado em relação ao</p><p>que está sendo apresentado aqui.</p><p>A elaboração de projetos de subestações utilizando a</p><p>metodologia BIM é extremamente vantajosa, uma vez que</p><p>permite que o projeto seja feito com um maior nível de</p><p>detalhamento com menos dificuldade do que metodologias</p><p>existentes, como a CAD - Desenho Auxiliado por Computador</p><p>(do acrônimo em inglês Computer-Aided Design). No sistema</p><p>BIM, são definidas algumas etapas para a execução do projeto</p><p>de subestação: concepção, modelagem, montagem de tabelas de</p><p>quantitativo e documentação. Inicialmente, é feita a concepção</p><p>com base no cálculo da demanda do consumidor, analisando em</p><p>seguida a situação da rede local para saber como seria a</p><p>subestação aérea. Após a definição do tipo de subestação e da</p><p>sua configuração, é feita a modelagem completa no software</p><p>Revit. Algumas tabelas são criadas e configuradas para gerarem</p><p>automaticamente o quantitativo com a modelagem em conjunto</p><p>com rotinas no software Dynamo. Ficam como contribuições as</p><p>configurações de tabelas e famílias do sistema BIM que podem</p><p>ser aproveitadas para projetos de outros tipos de subestações. O</p><p>compartilhamento de informações é o que torna essa ferramenta</p><p>tão eficaz na área de projetos de engenharia.</p><p>Como informações conceituais e técnicas sobre subestações</p><p>de força estão disponíveis na literatura [9 - 13], apenas assuntos</p><p>associados ao projeto da subestação de interesse são abordados</p><p>nesse artigo. Com base nisso, o documento é distribuído nas</p><p>seguintes seções: 2 - Introdução ao BIM, Revit e Dynamo, 3 –</p><p>são apresentados os passos da modelagem da subestação no</p><p>Revit, é analisado um caso real de projeto de um determinado</p><p>consumidor, com também a situação da rede local para definir</p><p>os equipamentos utilizados na subestação, e por fim na 4 são</p><p>apresentadas as Conclusões.</p><p>II. MODELAGEM DA INFORMAÇÃO DA CONSTRUÇÃO</p><p>Segundo [2], o BIM é uma ferramenta utilizada na indústria</p><p>para projetar, documentar e atuar como um veículo para</p><p>melhorar a comunicação entre todas as partes interessadas no</p><p>projeto. O BIM não é um software, mas uma metodologia</p><p>utilizada no mercado de projetos e construção para acelerar e</p><p>Gilberto J. G. S. Mourão, José E. O. Pessanha (jeo.pessanha@ufma.br)</p><p>Universidade Federal do Maranhão – Departamento de Engenharia Elétrica</p><p>Av. dos Portugueses 1966, Bacanga - CEP 65080-805 São Luís – MA, Brasil</p><p>Projeto de uma Subestação de 13,8 kV do tipo</p><p>Aérea usando Sistema BIM</p><p>E</p><p>2</p><p>melhorar a qualidade dos trabalhos de engenheiros e arquitetos.</p><p>Em um software que utiliza a metodologia BIM, os elementos</p><p>possuem representação em três dimensões e parâmetros</p><p>(geométricos ou não). É possível citar como exemplo um</p><p>equipamento elétrico, onde no BIM seria um elemento</p><p>tridimensional com parâmetros como tensão de operação,</p><p>corrente nominal, fator de potência, etc. Alguns softwares</p><p>possuem a habilidade de representar geometricamente os</p><p>objetos de uma construção, como é o caso do AutoCAD, da</p><p>Autodesk, que usa o fluxo CAD para auxiliar o usuário a criar</p><p>desenhos. No entanto, por ser apenas um desenho, objetos no</p><p>AutoCAD são apenas uma representação geométrica. A</p><p>evolução da tecnologia do CAD ao BIM deu à comunidade de</p><p>projetistas a habilidade de observar não somente os elementos</p><p>dentro do projeto, mas o que cada elemento realmente</p><p>representa [4].</p><p>A. Software Revit</p><p>A aplicação da metodologia BIM requer softwares</p><p>especializados, como o Revit, da Autodesk, permitindo a</p><p>parametrização de diversos elementos, chamados de famílias,</p><p>divididas como: Carregáveis (arquivos que podem ser</p><p>carregados no projeto), do Sistema (elementos definidos</p><p>internamente no software), Locais (objetos modelados em um</p><p>determinado local dentro do projeto, e atendem a uma situação</p><p>bem específica), de Vistas (permitem visualizar o modelo 3D</p><p>de diferentes formas), e de Anotação (notas no projeto que</p><p>podem se referir a outras famílias). De forma geral, uma família</p><p>é um conjunto de elementos com propriedades em comum e</p><p>uma representação gráfica relacionada. Por exemplo, um</p><p>quadro de distribuição pode ser uma família composta por uma</p><p>caixa, barramentos, disjuntores e outros dispositivos de</p><p>proteção.</p><p>Por serem totalmente parametrizadas, as famílias no Revit</p><p>podem interagir entre si, e com alguns recursos existentes no</p><p>software, com destaque para a criação de tabelas contendo</p><p>informações de projeto, do seu quantitativo, ou outras</p><p>informações pertinentes. É possível apresentar várias famílias</p><p>nas linhas de uma tabela, onde cada linha corresponderá a uma</p><p>família, e cada coluna a um parâmetro. Dessa forma, ao realizar</p><p>uma alteração nas famílias presentes no modelo, a mudança</p><p>será automaticamente refletida nas tabelas.</p><p>B. Etapas de um projeto BIM no Revit</p><p>É fundamental que sejam estabelecidas etapas para que o</p><p>projeto seja desenvolvido utilizando a metodologia BIM. Na</p><p>primeira etapa, chamada de</p><p>concepção, o projetista analisa a</p><p>edificação e os projetos a ele encaminhados. É neste momento</p><p>que são feitas algumas perguntas: Como é a estrutura da</p><p>edificação? Como é a instalação elétrica existente ou que será</p><p>executada na mesma? Qual é a demanda da instalação? É</p><p>necessário conectá-la à rede de média tensão através de um</p><p>transformador particular? Se sim, qual será o tipo de</p><p>subestação? Qual a potência do transformador necessária para</p><p>alimentar a instalação como um todo? Onde a subestação ficará</p><p>localizada? Geralmente é nesta etapa que surgem dúvidas</p><p>relacionadas ao projeto arquitetônico e costumam ser feitas</p><p>reuniões de alinhamento entre as equipes de engenharia e</p><p>arquitetura.</p><p>Após a concepção do projeto, é iniciada a fase de operação</p><p>onde ocorre a modelagem dos componentes utilizados no</p><p>projeto. No Revit, tais componentes costumam ser modelados</p><p>como famílias carregáveis, visando a reutilização em projetos</p><p>futuros. Como o Revit permite que elementos sejam modelados</p><p>com certa precisão, pode ocorrer do usuário modelar certos</p><p>aspectos que são inúteis para o projeto deixando o modelo mais</p><p>complexo, logo difícil de ser manipulado. Por exemplo, ao</p><p>modelar um transformador, é desnecessário incluir a parte</p><p>interna do equipamento como núcleo, enrolamentos ou óleo. A</p><p>modelagem da parte externa é mais do que suficiente para a</p><p>representação do transformador.</p><p>Com a etapa modelagem concluída, a próxima abrange</p><p>montagem de tabelas. No Revit é possível configurar as tabelas</p><p>para que contemplem apenas as informações desejadas, como</p><p>comentários relacionados a uma família. É a partir desta etapa</p><p>que o quantitativo de material que será utilizado é extraído.</p><p>Finalizada esta fase, a próxima envolve a documentação do</p><p>projeto, como a montagem de pranchas, escrita do memorial</p><p>descritivo e orçamentação para conhecimento do cliente.</p><p>C. Dynamo</p><p>Na fase de operação, existem etapas que podem ser</p><p>automatizadas, mas para isso é preciso que haja um software</p><p>capaz de se comunicar com o projeto em desenvolvimento. O</p><p>Revit apresenta um plugin de programação visual chamado</p><p>Dynamo. É possível interagir com as famílias através de blocos</p><p>já existentes no plugin alterando parâmetros ou mesmo</p><p>inserindo famílias no modelo. A Autodesk possui uma</p><p>biblioteca de funções responsáveis pela comunicação entre o</p><p>Dynamo e o Revit.</p><p>III. PROJETO DA SUBESTAÇÃO DE 13.8 KV DO TIPO AÉREA</p><p>São apresentadas aqui as etapas de projeto de uma subestação</p><p>real do tipo aérea de 13,8 kV no Revit, com base nas descrições</p><p>apresentadas na seção anterior. Inicia-se com a concepção do</p><p>projeto, analisando as cargas supridas em baixa tensão.</p><p>Verificada a necessidade da instalação de uma subestação</p><p>através do cálculo da demanda, é determinado o seu tipo e sua</p><p>localização de acordo com a planta de situação. Antes da</p><p>modelagem de seus componentes, são dimensionados os cabos</p><p>do transformador, da proteção e do aterramento. Após a</p><p>realização de todos os cálculos, é feita a modelagem completa</p><p>da subestação utilizando a metodologia BIM, com o</p><p>quantitativo de material gerado automaticamente com o auxílio</p><p>do Dynamo.</p><p>A. Concepção</p><p>O projeto da subestação se destina a uma clínica</p><p>especializada. Foram calculadas as demandas por tipo de carga</p><p>como segue, iluminação e tomadas de uso geral (TUGs),</p><p>equipamentos de uso específico, aparelhos de ar-condicionado,</p><p>motores elétricos e equipamentos especiais, resultando numa</p><p>demanda total de 251,09 kVA.</p><p>3</p><p>B. Tipo de Subestação</p><p>Uma vez que o valor da demanda total é inferior a 300 kVA,</p><p>a norma técnica da concessionária local sobre o fornecimento</p><p>de energia elétrica em média tensão permite que a subestação</p><p>seja do tipo aérea com transformador de distribuição em líquido</p><p>isolante ao tempo em poste, cuja opção foi um de 300 kVA. O</p><p>próximo passo determina os outros equipamentos da</p><p>subestação. Através do Google Maps, foram identificados os</p><p>postes próximos à clínica, estabelecendo suas coordenadas de</p><p>acordo com o sistema Universal Transversa de Mercator</p><p>(exigência da concessionária). Pela configuração da rede local,</p><p>foi definida a configuração da subestação do tipo N3-TR com</p><p>um transformador - poste com estrutura tipo N3 (Fig. 1). A</p><p>própria concessionária estabelece os materiais utilizados nos</p><p>diversos tipos de estruturas para passagem da rede de média</p><p>tensão, facilitando o desenvolvimento do projeto via BIM.</p><p>Fig. 1. Rede de média tensão com estrutura N3</p><p>O próximo passo é dimensionar de acordo com as normas da</p><p>concessionária local os elos fusíveis, cabos de alimentação,</p><p>aterramento e disjuntor. Por se tratar de uma subestação com</p><p>transformador de 300 kVA, o elo fusível escolhido é do tipo</p><p>15K, a alimentação por dois cabos de 95 mm² por fase e um</p><p>cabo de 95 mm² no neutro. O disjuntor empregado para</p><p>proteção em baixa tensão é do tipo tripolar termomagnético de</p><p>500 A, e a bitola do condutor de aterramento é de 50 mm. O</p><p>eletroduto escolhido para alimentação foi de PVC (policloreto</p><p>de vinil) rígido de 4 polegadas. Esse eletroduto é utilizado na</p><p>descida dos cabos conectados ao secundário do transformador</p><p>quando a distância da subestação para orla marítima for inferior</p><p>a 2 quilômetros, como é o caso da subestação de interesse.</p><p>C. Modelagem da Subestação</p><p>A etapa de modelagem considera as normas e especificações</p><p>técnicas da concessionária local, e envolve diversos</p><p>procedimentos, iniciando-se pelo transformador, e em seguida</p><p>os elementos presentes na estrutura N3, para-raios de média</p><p>tensão, e dos sistemas de medição, proteção e aterramento. Por</p><p>último, os cabos e eletrodutos são representados como famílias</p><p>do sistema. O modelo de projeto utilizado na modelagem da</p><p>subestação é o modelo elétrico padrão do Revit.</p><p>A família de transformador utilizada segue as dimensões de</p><p>transformadores fabricados por fornecedores homologados pela</p><p>concessionária. A Fig. 2(a) mostra a família totalmente</p><p>parametrizada, com dimensões que variam de acordo com a</p><p>classe de tensão e potência. Já a 2(b) com uma alteração na</p><p>família, onde modelam-se e adicionam-se terminais de</p><p>compressão de cobre estanhado com dois furos, uma vez que a</p><p>conexão do transformador em questão é feita dessa forma. A</p><p>família é tratada como compartilhada, ou seja, ainda que esteja</p><p>dentro da família do transformador, é carregada como uma</p><p>família separada no projeto. Foram criadas duas famílias de</p><p>terminais identificando o Neutro e os Fase, ajudando a criar um</p><p>quantitativo mais preciso, uma vez que os cabos de fase e neutro</p><p>podem ter bitolas diferentes.</p><p>a) Família de transformador de distribuição até 300</p><p>kVA</p><p>b) Famílias de conectores na saída de baixa tensão do</p><p>transformador</p><p>Fig. 2. Modelagem 3D do transformador de 300 kVA</p><p>As Figuras 3 - 7 ilustram as famílias da estrutura tipo N3, do</p><p>para-raios, medição e proteção, e aterramento. O Revit não</p><p>apresenta uma família de cabos, recorrendo-se a tubulações</p><p>flexíveis para representar os cabos de baixa e média tensão,</p><p>assim como o condutor de aterramento. A Figura 8 mostra os</p><p>novos tipos de sistemas de tubulação criados (toda tubulação</p><p>está associada a um sistema, que também é uma família). Após</p><p>a criação de novos tipos e sistemas de tubulação, são criados</p><p>novos tipos de eletrodutos, que o Revit identifica por conduite</p><p>com conexões (Figura 9).</p><p>A partir dos tipos e sistemas criados, são programados filtros</p><p>de vista para configurar a visibilidade dos cabos e eletrodutos</p><p>no projeto. A Figura 10 mostra os conectores inseridos na</p><p>família do transformador (95 mm2 – baixa tensão, 50 mm2</p><p>média tensão e aterramento).</p><p>4</p><p>Fig. 3. Famílias utilizadas para poste de estrutura tipo N3</p><p>Fig. 4. Para-raios de distribuição modelado no Revit</p><p>Fig. 5. Famílias de mureta, caixa metálica e disjuntor</p><p>Fig. 6. Modelo de mureta de medição de subestação padrão</p><p>concessionária</p><p>em poste com medidas em milímetros</p><p>Fig. 7. Famílias do sistema de aterramento</p><p>Fig. 8. Tipos de sistema de tubulação criados</p><p>Fig. 9. Tipo de eletroduto PVC rígido criado</p><p>Fig. 10. Conectores inseridos no transformador</p><p>Além do transformador, foram inseridos conectores para</p><p>cabos de 50 mm² nas famílias de para-raios de distribuição, alça</p><p>pré-formada de alumínio e chave fusível (Figura 11).</p><p>5</p><p>Fig. 11. Conectores inseridos nas demais famílias</p><p>D. Criação do Modelo</p><p>Com as famílias definidas e o software configurado, basta</p><p>unir os elementos arrastando-os como blocos. Entre as</p><p>conexões criadas, são inseridas tubulações flexíveis que</p><p>representam os cabos utilizados. Durante a criação do modelo,</p><p>verificou-se a necessidade da criação de algumas famílias</p><p>(Figura 12). A perspectiva isométrica do modelo 3D está</p><p>ilustrada na Figura 13 e a vista frontal na 14.</p><p>Fig. 12. Famílias necessárias para o projeto da subestação</p><p>Fig. 13. Perspectiva isométrica da subestação</p><p>Fig. 14. Vista frontal da subestação</p><p>E. Tabelas de Quantitativo e Documentação Final</p><p>No Revit, a extração do quantitativo pode ser feita de maneira</p><p>automática. Para isso, basta criar tabelas com as configurações</p><p>desejadas. Neste projeto, foram criadas três tabelas e duas</p><p>rotinas no Dynamo para gerar a tabela final de quantitativo de</p><p>maneira automática. Uma tabela pode englobar todas as</p><p>famílias existentes no projeto, ou somente a que o usuário</p><p>desejar. As que foram criadas no projeto estão na Figura 15. Por</p><p>fim, a lista corrigida gerada é transformada em uma planilha no</p><p>Excel utilizando apenas blocos existentes no Dynamo.</p><p>Fig. 15. Tabelas de quantitativo geradas no Revit</p><p>Realizadas as etapas de modelagem e criação de tabelas para</p><p>extração do quantitativo de material, o projeto é concluído com</p><p>a criação da documentação, composta por folhas ou pranchas</p><p>com as vistas referentes à subestação, detalhes de projeto e</p><p>diagrama unifilar. Uma vez finalizado o modelo 3D da</p><p>subestação, não é necessário fazer mais desenhos, uma vez que</p><p>o projetista já tem detalhes importantes e basta criar novas</p><p>vistas e manipula-las de acordo com seu interesse.</p><p>6</p><p>A Figura 16 mostra uma vista frontal (em metros) com tags</p><p>de Marca identificando alguns elementos presentes no projeto.</p><p>Além disso, no Revit, vistas 3D possuem uma caixa de corte</p><p>para controle de visibilidade, permitindo que somente a parte</p><p>da subestação de interesse seja mostrada, como o transformador</p><p>(Figura 17). O diagrama unifilar está ilustrado na Figura 18.</p><p>Fig. 16. Vista frontal da subestação com tags de Marca</p><p>Fig. 17. Detalhes do transformador gerados no Revit</p><p>Fig. 18. Diagrama unifilar da subestação</p><p>IV. CONCLUSÕES</p><p>Este artigo abordou o uso do sistema BIM (Modelagem da</p><p>Informação da Construção) no projeto de uma subestação real</p><p>de 13.8 kV do tipo aérea, ainda pouco explorado no Brasil para</p><p>tal fim. Este sistema é formado por um conjunto de softwares</p><p>(como o Revite e Dynamo usados aqui) que possibilitam a</p><p>visualização de uma ideia de projeto com dimensões realistas</p><p>de vários ângulos em uma visualização virtual, além de detectar</p><p>e corrigir automaticamente quaisquer erros iniciais em um</p><p>projeto contratado, antes que a obra seja executada. Antes do</p><p>BIM, projetos desta natureza eram dominados pelo CAD. Uma</p><p>grande diferença entre estas ferramentas é a interatividade das</p><p>diferentes dimensões durante o processo de edição. No BIM,</p><p>como mostrado aqui, as dimensões que compõem um objeto</p><p>estão interligadas, sendo que qualquer ajuste pode ser feito em</p><p>uma única edição. Para projetos de subestações de força, o BIM</p><p>pode facilitar um fluxo de tarefas de forma mais eficiente, pois</p><p>o sistema foi projetado para editar dimensões complexas em</p><p>poucas etapas. Dessa forma, todas as partes envolvidas na</p><p>construção podem revisar informações e propor sugestões ou</p><p>edições antes da data de início da construção.</p><p>V. REFERÊNCIAS</p><p>[1] C. Eastman, P. Teicholz R. Sacks, K. Liston, BIM</p><p>Handbook: A Guide to Building Information</p><p>Modeling for Owners, Managers, Designers,</p><p>Engineers and Contractors. 2 ed. New Jersey: John</p><p>Wiley & Sons, 2011.</p><p>[2] E. Krygiel, B. Nies, Green BIM: Successful</p><p>Sustainable Design with Building Information</p><p>Modeling. 1 ed. Indianapolis: Wiley Publishing, 2008.</p><p>[3] Z. Wang, J. Liu, Seven-Dimensional Building</p><p>Information Model for the Improvement of</p><p>Construction Efficiency. Advances in Civil</p><p>Engineering, vol. 2020. Disponível em:</p><p>https://www.hindawi.com/journals/ace/2020/8842475</p><p>/. Acesso em 13 dez. 2021.</p><p>Concessionária</p><p>Concessionária</p><p>7</p><p>[4] R. S. Weygant BIM Content Development. Standards,</p><p>Strategies and Best Practices. New Jersey: John Wiley</p><p>& Sons, 2011.</p><p>[5] I. C. do Santos Peres, A. Cardoso, E. Lamounier, G.</p><p>Lima, M. Miranda and I. Moraes, "BIM practices to</p><p>operation and maintenances for electrical substations,"</p><p>2017 XLIII Latin American Computer Conference</p><p>(CLEI), 2017, pp. 1-7, doi:</p><p>10.1109/CLEI.2017.8226462.</p><p>[6] X. Luo, H. Mao, F. Wang, Y. Li, H. Ji and H. Meng,</p><p>"Development and application of three-dimensional</p><p>visualization system for substation construction</p><p>control based on “BIM+ Smart site” technology,"</p><p>2021 4th International Symposium on Traffic</p><p>Transportation and Civil Architecture (ISTTCA),</p><p>2021, pp. 410-417, doi:</p><p>10.1109/ISTTCA53489.2021.9654628.</p><p>[7] A. Moncada and E. Henao, "Implementation of BIM</p><p>aproach for the design of high and extra high voltage</p><p>electrical substations," 2019 FISE-IEEE/CIGRE</p><p>Conference - Living the energy Transition</p><p>(FISE/CIGRE), 2019, pp. 1-5, doi:</p><p>10.1109/FISECIGRE48012.2019.8984961.</p><p>[8] M. Kokorus, W. Eyrich and R. Zacharias, "Innovative</p><p>approach to the substation design using Building</p><p>Information Modeling (BIM) technology," 2016</p><p>IEEE/PES Transmission and Distribution Conference</p><p>and Exposition (T&D), 2016, pp. 1-5, doi:</p><p>10.1109/TDC.2016.7519983.</p><p>[9] J. M. Filho, Manual de Equipamentos Elétricos. 4. ed.</p><p>Rio de Janeiro: LTC, 2013.</p><p>[10] J. M. Filho, Subestações de Alta Tensão. 1. ed. Rio de</p><p>Janeiro: LTC, 2021.</p><p>[11] B. F. Barros; R. L. Gedra, Cabine Primária:</p><p>Subestações de Alta Tensão de Consumidor. 1. ed. São</p><p>Paulo: Érica, 2010.</p><p>[12] J. D. McDonald, Electric Power Substations</p><p>Engineering. 3. ed. New York: CRC Press, 2012.</p><p>[13] The IDC Engineers. Power Systems Protection, Power</p><p>Quality and Substation Automation. 3. ed. West Perth:</p><p>IDC Techbooks, 2001.</p>