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CONTABILIDADE GERAL 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Alison Martins Meurer 
 
 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Anteriormente, abordamos toda a parte sobre adiantamentos, 
empréstimos e depósitos judiciais. Nesta aula, iremos aprender sobre provisões 
e passivos contingentes e aposto que você vai se surpreender com a extensão 
e a aplicabilidade correta desses conceitos. 
CONTEXTUALIZANDO 
O termo provisão durante muito tempo foi empregado de forma incorreta 
no Brasil. Após a harmonização junto às normas internacionais de contabilidade, 
tivemos novos direcionamentos para o tratamento conceitual desta 
nomenclatura. O CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos 
Contingentes e a Norma Brasileira de Contabilidade equivalente trouxeram luz 
para o uso desse conceito. 
Nesta aula, vamos aprender mais sobre esse tema, juntamente com os 
passivos contingentes. Você verá como uma diferença sutil na probabilidade de 
ocorrência de determinados eventos pode impactar o tratamento e o valor 
divulgado e/ou reconhecido de uma operação. Veremos também que há 
inúmeros tipos e origens para as provisões e os passivos contingentes. 
TEMA 1 – PROVISÕES E PASSIVOS CONTINGENTES 
As obrigações presentes que uma entidade possui são representadas 
pelo passivo. Normalmente, esses elementos são suportados por 
documentações e obedecem a critérios que implicam a baixa incerteza quanto à 
definição de seus valores, bem como dos prazos para a sua liquidação. Por 
exemplo, se a empresa Petter Pão S. A. vier a adquirir um determinado lote de 
mercadorias a prazo por R$ 100.000, com vencimento para 30 dias, possuirá 
domínio do valor (R$ 100.000) e do prazo (30 dias) para a liquidação desta 
obrigação. Logo, não há muitas incertezas nessa operação. 
Essa objetividade pode ser notada ao examinar o conceito de passivo, 
exposto no CPC 00 (R2) – Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro e na 
sua Norma Brasileira de Contabilidade equivalente (NBC TG Estrutura 
Conceitual para Relatório Financeiro), os quais delimitam a aplicabilidade 
conceitual desse elemento. Nesse sentido, o passivo é conceituado como: 
 
 
3 
4.26 Passivo é uma obrigação presente da entidade de transferir um 
recurso econômico como resultado de eventos passados. 
4.27 Para que exista passivo, três critérios devem ser satisfeitos: 
a. a entidade tem uma obrigação; 
b. a obrigação é de transferir um recurso econômico; e 
c. a obrigação é uma obrigação presente que existe como resultado de 
eventos passados (CPC, 2019). 
Será que o valor a ser pago ao fornecedor da Petter Pão S. A., derivado 
da aquisição de mercadorias a prazo, atende a esse conceito de passivo? Pois 
bem, note que a Petter Pão S. A. possui uma obrigação com o seu fornecedor, 
visto que terá que liquidar em algum momento os R$ 100.000, sendo atendido o 
item “a” contido na definição do CPC 00 (CPC, 2019). Além disso, essa 
obrigação é de transferir um recurso econômico, nesse caso os R$ 100.000, 
atendendo ao item “b”. Por fim, essa obrigação resulta de um evento passado, 
alcançando o item “c”, pois se hoje a empresa possui uma obrigação com o seu 
fornecedor, é porque no passado realizou uma aquisição de mercadorias a 
prazo. Até aqui não há muitos mistérios para o reconhecimento do passivo. 
 Entretanto, há passivos que devem ser registrados mesmo não sendo 
conhecida a data exata para a sua liquidação ou até mesmo os seus valores. 
Esses passivos, por representarem uma obrigação presente da entidade, são 
denominados de provisões, que, conforme o item 10 do CPC 25 – Provisões, 
Passivos Contingentes e Ativos Contingentes, “são passivos de prazo ou de 
valor incerto” (CPC, 2009a). 
Portanto, apesar de historicamente o termo provisão ser empregado no 
Brasil para denominar contas redutoras do ativo como “provisão para créditos de 
liquidação duvidosa” ou para representar passivos advindos de despesas 
reconhecidas pelo regime de competência, tais como passivos denominados de 
provisão para 13° salário, provisão para férias, provisão para tributos, entre 
outros, tal emprego é incorreto e está desalinhado ao conceito de provisão do 
CPC 25 (CPC, 2009a) e, portanto, não deve ser utilizado. 
Nesse sentido, as perdas no valor esperado advindas de recebimentos 
devem ser denominadas de perdas estimadas. Assim, o expressão correta é 
perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa em vez de provisão para 
créditos de liquidação duvidosa, visto que uma provisão não pode figurar no 
grupo de contas do ativo. Já os passivos oriundos das despesas reconhecidas 
pelo regime de competência não devem receber a nomenclatura de provisão, à 
medida que não há grande incerteza relacionada ao valor a ser pago ou até 
mesmo referente a data de quitação, sendo mais apropriado o uso da expressão 
 
 
4 
a pagar, tais como 13° salário a pagar (em vez de provisão para 13° salário), 
férias a pagar (em vez de provisão para férias) e tributos a recolher (e não 
provisão para tributos). 
Essa definição conceitual é necessária, visto que o objetivo do CPC 25 é 
distinguir os passivos que possuem maior grau de incerteza e subjetividade 
perante o seu valor e prazo. Mas então quais são os exemplos de provisão que 
temos? Alguns exemplos desse tipo de montante podem ser identificados nas 
contas de provisão para riscos trabalhistas, tributários e cíveis em que há um 
provável desembolso de recursos para liquidar estas obrigações. 
Por exemplo, imagine que a Petter Pão S. A. seja alvo de uma ação 
trabalhista de R$ 20.000 movida por um ex-funcionário. Se for provável que a 
Petter Pão S. A. perca essa ação e que o valor da ação não sofra grandes 
modificações, então uma provisão trabalhista deverá ser reconhecida, ou seja, 
lançada na contabilidade. Veja que a palavra provável é muito importante para o 
conceito de provisão. Vamos analisar o porquê disso. 
Primeiramente é necessário compreender que, de acordo com o CPC 25 
(CPC, 2009a), somente é reconhecida uma provisão quando três requisitos 
fundamentais são atendidos, os quais são apresentados na Figura 1. 
Figura 1 – Balanço patrimonial – Ativo – Grendene em 2020 
 
Fonte: CPC, 2009. 
Quando um desses itens não é atendido, então nenhum reconhecimento 
deverá ser realizado e não estaremos diante de uma provisão sob a ótica do 
CPC 25. Referente ao requisito 1, destaca-se que uma obrigação presente se 
origina de obrigações legais ou não formalizadas que resultam das práticas, 
políticas e declarações da empresa. Como assim? Imagine que uma empresa 
realize a venda de aparelhos televisores e, por força legal ou por política da 
empresa, esses televisores tenham uma garantia de 12 meses contra possíveis 
defeitos. Como foi criada uma expectativa no consumidor de que se o produto 
apresentar defeito em até 12 meses, haverá a troca ou o conserto deste, logo a 
empresa possui uma obrigação presente de arcar com esses possíveis defeitos. 
 
 
5 
Vamos continuar a nossa análise para ver se os demais requisitos são atendidos 
a fim de realizar o reconhecimento de uma provisão. 
Por sua vez, o requisito 2 de provável saída de recursos é definida no item 
23 do CPC 25 como se “o evento for mais provável que sim do que não de 
ocorrer, isto é, se a probabilidade de que o evento ocorra é maior do que a 
probabilidade de não ocorrer” (CPC, 2009a). Logo, quando há mais de 50% de 
chances de ocorrência de uma saída de recursos, o critério de provável saída de 
recursos será atendido. Por exemplo, se a empresa que realizou anteriormente 
a venda dos televisores, com base em dados históricos, verificar que 
provavelmente uma parcela dos televisores apresentará defeitos dentro do prazo 
de garantia, então esse requisito também será atendido. 
Por fim, o requisito 3 expõe que uma provisão somente deve ser 
reconhecida quando é possível realizar uma estimativa confiável de seus 
valores. As estimativas dos valores deprovisões são previstas nas normas de 
contabilidade e, normalmente, são realizadas com base no histórico de 
operações da empresa. Assim, a empresa do nosso exemplo pode estimar o 
percentual de televisores que historicamente apresentam defeitos e a partir disso 
calcular o valor da provisão a ser realizada. 
Se, em determinado mês, a empresa realizar a venda de 100 aparelhos 
televisores e com base em dados históricos verificar que é provável que 5% dos 
aparelhos (5 unidades) venham a apresentar defeitos, sendo que o valor de 
conserto médio é de R$ 100 por aparelho, então uma provisão deverá ser 
reconhecida. Essa decisão de realizar o reconhecimento se deve ao fato de a 
empresa ter atendido aos três requisitos elencados. Logo, o valor da provisão 
será de R$ 500 (R$ 100 de conserto por aparelho x 5 unidades). 
Em termos de contabilização, deverá ser realizado o seguinte lançamento 
contábil: 
1 – Pelo reconhecimento da provisão 
D - Constituição de Provisão para Garantia de Produtos (resultado) R$ 500 
C - Provisão para Garantia de Produtos (passivo circulante) R$ 500 
Suponha que a empresa tenha um parceiro terceirizado que realiza o 
conserto dos aparelhos. Caso realmente a estimativa de desembolso de R$ 500 
se confirmar, então o seguinte lançamento será realizado: 
2 – Pela baixa da provisão no passivo 
D – Provisão para Garantia de Produtos (Passivo Circulante) R$ 500 
C – Caixa (ativo) R$ 500 
 
 
6 
Tabela 1 – Razonetes 
 
Legenda: si representa o saldo inicial da conta. 
Cabe destacar que o lançamento a crédito pode ter inúmeras formas, uma 
vez que depende da origem do recurso utilizado para quitar as obrigações. 
Agora, vamos observar alguns exemplos de provisões lançadas no Balanço 
Patrimonial da Grendene, bem como as notas explicativas desses valores. 
Figura 2 – Balanço patrimonial – Passivo – Grendene em 2020 
 
Fonte: Grendene, 2020. 
Quando a empresa identifica que uma obrigação é provável, derivada de 
eventos passados, e consegue mensurar com confiabilidade os recursos 
econômicos que serão desembolsados para quitar essa obrigação, é necessário 
detalhar esses montantes em notas explicativas, além do reconhecimento nas 
demonstrações contábeis. 
É evidente que há incertezas quanto aos valores e à probabilidade de 
ocorrência das provisões, por isso é necessário que, de maneira tempestiva, os 
gestores acompanhem e reconheçam qualquer alteração que possa ocorrer na 
 
 
7 
classificação das provisões, mensuração e no atendimento aos critérios de 
reconhecimento. 
Quando algum dos critérios não é atendido, então estaremos diante de 
um passivo contingente, o qual não é reconhecido nas demonstrações 
contábeis, mas a depender do caso deve ser divulgado em notas explicativas. 
Tal tratamento se deve ao fato de que no CPC 25 a palavra contingente possui 
uma função específica: a de representar passivos e ativos que não são 
reconhecidos nas demonstrações contábeis pelo fato da sua existência 
depender de eventos futuros que não são totalmente controlados pela entidade 
(CPC, 2009a). 
Referente aos passivos contingentes, o CPC 25 esclarece que, se a 
entidade possui uma obrigação possível ou que não possa ser estimada de 
forma confiável, então esses valores não devem ser reconhecidos nas 
demonstrações contábeis, mas devem ser divulgados em notas explicativas 
(CP)C, 2009). Esse tipo de divulgação acerca de passivos contingentes pode ser 
observado na Figura 3. 
Figura 3 – Notas explicativas – Passivo contingente – Grendene em 2020 
 
Fonte: Grendene, 2020. 
 
 
8 
Note que a empresa divulgou que possui processos trabalhistas, fiscais e 
cíveis em tramitação, mas não reconheceu esses valores nas demonstrações 
contábeis, visto que ainda não é provável, mas sim possível que ocorra um 
desembolso financeiro. Por sua vez, se essa obrigação advir de uma 
possibilidade remota de saída de recursos financeiros para a sua liquidação, 
então esses valores não são reconhecidos nem divulgados em notas 
explicativas, apesar de a entidade poder optar por divulgar de maneira voluntária 
os seus passivos contingentes em notas explicativas. 
Vamos recapitular! Se um processo trabalhista ainda está em fase inicial, 
e o departamento jurídico da empresa avalia como sendo possível o desembolso 
de recursos, esse montante é classificado como passivo contingente. Se, no 
decorrer da ação, o departamento jurídico identificar que é provável que a 
empresa perca a ação, então esses valores passam a ser considerados como 
uma provisão e é realizado o reconhecimento nas demonstrações contábeis. 
Agora, se o departamento jurídico vier a considerar como remota a possibilidade 
de saída de recursos, então a empresa não reconhecerá o valor nas 
demonstrações contábeis e poderá divulgar de forma voluntária (não obrigatória) 
em notas explicativas. 
Na Figura 4, é apresentado um resumo dessas tratativas. 
Figura 4 – Mapa mental da probabilidade de ocorrência e tratamento contábil 
 
De forma geral, uma vez compreendidos os critérios para o 
reconhecimento das provisões, pode-se concluir que os passivos contingentes 
são aquelas obrigações que não atendem aos critérios de reconhecimento por 
não serem uma obrigação presente, por não ser provável que haja uma saída de 
recurso e/ou por não ser possível estimar os seus valores com confiabilidade. Já 
 
 
9 
as provisões são passivos de valor ou data incerta e atendem aos critérios de 
reconhecimento. 
Como podemos assimilar essas diferentes possibilidades de ocorrência 
de forma mais otimizada? Vamos analisar um recurso que poderá auxiliá-lo. 
Saiba mais 
Uma forma interessante de assimilar esse conteúdo é pensar que, ao 
analisar um caso que exige o julgamento das probabilidades de ocorrência, você 
deve PROPOR algo. A palavra propor, nesse caso, está dividida da seguinte 
forma: 
PRO vem de provável. 
PO vem de possível. 
R vem de remoto. 
Então, quando você estiver diante de uma questão relacionada ao CPC 
25 ou NBC TG 25, pense que você deve PROPOR algo. O pro da provisão exige 
o reconhecimento contábil e a divulgação em nota explicativa, o po de possível 
exige a divulgação dos valores e categorias das obrigações em notas 
explicativas, e o r de remoto não exige a divulgação em notas explicativas nem 
o reconhecimento contábil. 
Portanto, os julgamentos que envolvem as provisões e os passivos 
contingentes envolvem análises por parte da administração da entidade e, 
principalmente, o uso da subjetividade responsável para que os critérios de 
julgamento para a definição da mensuração, reconhecimento e evidenciação 
desses valores reflitam de forma fidedigna e relevante a realidade da empresa. 
Saiba mais 
Vamos verificar como este assunto é abordado nas provas do Exame de 
Suficiência do CFC. 
 (Exame de Suficiência – CFC – Consulplan – Prova 2019.2) A Cia Gama 
foi acionada judicialmente por um antigo empregado, que reclama não ter 
recebido os valores devidos relativos a férias e pede R$ 20.000,00 da empresa. 
O advogado da Cia Gama julga que o risco de perda na Justiça é provável. 
Assinale o tratamento contábil nesse caso, com base na NBC TG 25 (R2) – 
Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. 
 
 
 
10 
a. Reconhecimento de ativo contingente. 
b. Reconhecimento de passivo contingente. 
c. Reconhecimento de reserva para contingência. 
d. Reconhecimento de provisão para contingência. 
Como é provável que ocorra uma saída de recursos derivada de uma ação 
aberta por um empregado (evento passado) e que pode ser mensurada com 
certa confiabilidade (R$ 20.000,00), então deverá ser reconhecida uma provisão. 
Portanto, o gabarito é a alternativa D. 
 
Saiba mais 
Para maiores detalhamento sobre a temática sugiro a leitura do CPC 25 - 
Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes ou NBC TG 25 (R2) – 
Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. 
CPC – Comitêde Pronunciamentos Contábeis. CPC 25 – Provisões, 
Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. CVM, n. 594, 26 jun. 2009. 
Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=56>. Acesso em: 1 jul. 2021. 
CFC – Conselho Federal de Contabilidade. NBC TG 25 (R2) – Provisões, 
Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 22 dez. 2017. 
TEMA 2 – PROVISÕES PARA PASSIVOS TRABALHISTAS, TRIBUTÁRIOS E 
CIVIS 
Há diversos tipos de provisões que podem se originar de diferentes 
formas. Entre os grupos mais comuns temos: 
1. Provisões trabalhistas – são os derivados de ações trabalhistas movidas 
pelos empregados e/ou por alguma autoridade legal; 
2. Provisões tributárias – derivadas de processos/autuações movidos pelo 
Fisco para o recolhimento de tributos; e 
3. Provisões civis – oriundas do relacionamento da empresa com diferentes 
atores da organização, como por exemplo, ações de indenização movidas 
por clientes. 
 
 
11 
 Quando a equipe jurídica da empresa considerar que seja provável que 
algum desses tipos de reclamações e processos venha a ocasionar um 
desembolso de recursos econômicos no futuro e desde que todos os demais 
requisitos do CPC 25 sejam atendidos, então será necessário realizar o 
reconhecimento de uma provisão. 
Mas como definir o valor adequado para o reconhecimento de uma 
provisão quando o processo ainda está em trâmite? O CPC 25 esclarece que há 
inúmeras formas de determinar o valor a ser reconhecido como uma provisão, 
sendo que deve ser adotado o método que seja considerado como a melhor 
estimativa do desembolso exigido para liquidar a obrigação presente na data do 
balanço (CPC, 2009a). 
Um exemplo que pode ser observado é quando há diversos itens de uma 
mesma natureza para serem avaliados ou quando há diversas possibilidades de 
desfecho desses casos. Por exemplo, suponha que seja provável que a empresa 
venha a perder um processo trabalhista. Sabe-se que há 25% de chances da 
empresa ter que desembolsar R$ 10.000, 25% de chances de desembolsar R$ 
20.000, 25% de chances de desembolsar R$ 30.000 e, por fim, na pior das 
hipóteses há 25% de chances de ter que desembolsar R$ 40.000. Nesse caso, 
como a probabilidade de ocorrência dos quatro cenários é a mesma, então a 
empresa deverá provisionar R$ 25.000, que é a média dos quatro valores (R$ 
10.000 + R$ 20.000 + R$ 30.000 + R$ 40.000 = R$ 100.000 / 4 cenários = R$ 
25.000). 
Mas o que acontecerá se a probabilidade de ocorrência de cada desfecho 
for diferente? Nesse caso, será necessário realizar uma ponderação entre os 
valores e a probabilidade de ocorrência de cada cenário, ou seja, na composição 
do valor da provisão, o cenário com maior probabilidade terá um peso maior. 
Se, no caso anterior, houvesse 10% de chances de a empresa ter que 
desembolsar R$ 10.000, 20% de chances de desembolsar R$ 20.000, 30% de 
chances de desembolsar R$ 30.000 e, por fim, na pior das hipóteses 40% de 
chances de ter que desembolsar R$ 40.000, então o valor seria calculado da 
seguinte forma: 
 
 
 
12 
Tabela 2 – Cálculo da provisão ponderando os valores pela probabilidade de 
ocorrência 
Cenário Valor 
Probabilidade de 
ocorrência 
Valor considerando a 
probabilidade 
Cenário 1 R$ 10.000 10% R$ 1.000 
Cenário 2 R$ 20.000 20% R$ 4.000 
Cenário 3 R$ 30.000 30% R$ 9.000 
Cenário 4 R$ 40.000 40% R$ 16.000 
Valor da provisão R$ 30.000 
Veja que, ao calcular o valor da provisão considerando a probabilidade de 
ocorrência de cada cenário, tem-se uma forma mais acurada de mensuração. 
Saiba mais 
O termo usado para o método estatístico de estimativa que considera a 
probabilidade de ocorrência de cada cenário é valor esperado. 
Um exemplo de uso deste método é apresentado nas notas explicativas 
da Itaú Unibanco Holding S.A. no ano de 2021, conforme Figura 5. 
Figura 5 – Notas explicativas – Itaú Unibanco Holding em 2020 
 
Fonte: Itaú Unibanco Holding S.A., S.d. 
Nota-se, portanto, que o uso de métodos estatísticos é essencial para uma 
correta definição dos valores de provisão divulgados e reconhecidos nas 
demonstrações financeiras da organização. 
Saiba mais 
Por fim, vamos verificar como essa temática tem sido abordada em 
concursos públicos: 
(Técnico Tributário da Receita Estadual – Secretaria de Estado de 
Fazenda do Rio Grande do Sul (SEFAZ-RS) – CESPE – 2018) Um técnico 
tributário, ao analisar ações judiciais nas quais a empresa XYZ S.A. figura como 
ré, identificou um processo decorrente de uma autuação fiscal no valor total de 
 
 
13 
R$ 1.000.000 e cujo julgamento final estava próximo. Considerando que a perda 
do processo pela XYZ S.A. era provável, os advogados da empresa e peritos 
independentes estimaram quatro cenários de probabilidades de desembolsos 
futuros, como mostra o quadro seguinte. 
Tabela 3 – Relação entre cenário, desembolso e probabilidade (1) 
Cenário Desembolso Probabilidade 
1 R$ 1.000.000 5% 
2 R$ 800.000 70% 
3 R$ 500.000 10% 
4 R$ 300.000 15% 
 
Nesse caso, a empresa XYZ S.A. deverá reconhecer uma provisão de 
a. R$ 300.000. 
b. R$ 500.000. 
c. R$ 705.000. 
d. R$ 800.000. 
e. R$ 1.000.000. 
Resposta: 
Perceba que é provável que a empresa XYZ S. A. venha a ter um 
desembolso com a autuação fiscal. Como há diferentes cenários vinculados ao 
valor da autuação, visto que o processo está em andamento, então será 
necessário ponderar esses valores, conforme a probabilidade de ocorrência. 
Tabela 4 – Relação entre cenário, desembolso e probabilidade (2) 
Cenário Desembolso Probabilidade 
Valor 
considerando a 
probabilidade 
1 R$ 1.000.000 5% R$ 50.000 
2 R$ 800.000 70% R$ 560.000 
3 R$ 500.000 10% R$ 50.000 
4 R$ 300.000 15% R$ 45.000 
Valor da provisão R$ 705.000 
 
Veja que o valor da provisão considera a probabilidade de ocorrência de 
cada cenário. Portanto, o gabarito é a alternativa C. 
 
 
 
14 
TEMA 3 – PROVISÃO PARA DANOS AMBIENTAIS 
Vimos que sempre que for provável que a empresa venha a desembolsar 
algum valor no futuro que seja derivado de um evento passado e que possa ser 
mensurado com confiabilidade, há a necessidade de reconhecer uma provisão. 
Por sua vez, as provisões podem originar-se de diferentes circunstâncias, 
inclusive de questões ambientais. 
Nesse contexto, as empresas que exploram recursos ambientais estão 
expostas a uma infinidade de fontes que podem ocasionar a necessidade de 
reconhecimento de provisão para passivos ambientais. Por exemplo, o 
cumprimento de exigências legais devido a penalidades por infração à legislação 
ambiental, a recuperação de áreas degradadas, a indenização por prejuízos 
causados a terceiros, como os danos a determinada área oriundos do uso de 
produtos químicos, são algumas formas que originam as provisões relacionadas 
aos aspectos ambientais. 
Além dessas obrigações legais, uma entidade pode vir a criar obrigações 
não formalizadas. Por exemplo, quando uma entidade adota como padrão uma 
política de recuperação ambiental ou publica uma política ou declaração que cria 
expectativas na sociedade de que assumirá tal responsabilidade, então a 
entidade estará criando uma expectativa válida que poderá implicar a 
necessidade de reconhecimento de uma provisão para esses valores, pois há 
um evento passado que subsidia essa responsabilidade. 
Assim, é cada vez mais comum as empresas se anteciparem a esses 
gastos e incluírem esses valores no fluxo econômico de suas atividades. Vamos 
pensar no caso de uma empresa que venha a instalar uma determinada máquina 
para realizar a exploração de ouro nos próximos 10 anos em um garimpo no 
sudoeste do estado do Pará e se comprometa em recuperar ao final da 
exploração a área ocupada pela máquina a um custo estimado em R$ 100.000. 
Essa máquina foi adquirida por R$ 1.000.000, incluindo os custos de instalação. 
Nesse caso, a provisão será reconhecidano momento da instalação da 
máquina, visto que os requisitos para o reconhecimento de uma provisão foram 
atendidos. Assim, é importante observar também o CPC 27 – Ativo Imobilizado, 
que cita no item 16 que os valores de desmontagem, remoção ou restauração 
do local onde o imobilizado estava instalado também compõe o seu custo, 
conforme apresentado a seguir: 
 
 
15 
c. a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item 
e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. Tais 
custos representam a obrigação em que a entidade incorre quando o 
item é adquirido ou como consequência de usá-lo durante determinado 
período para finalidades diferentes da produção de estoque durante 
esse período. (CPC 2009b). 
Logo, o lançamento contábil a ser efetuado será o seguinte: 
1 – Pelo reconhecimento da aquisição do ativo imobilizado 
D – Máquinas e equipamentos (ativo imobilizado) R$ 1.000.000 
C – Caixa e equivalentes (ativo circulante) R$ 1.000.000 
 
2 – Pelo reconhecimento da provisão de recuperação da área ocupada 
D – Máquinas e equipamentos (ativo imobilizado) R$ 100.000 
C – Provisão com recuperação de meio ambiente (passivo não circulante) R$ 100.000 
Tabela 5 – Razonetes 
 
Legenda: si representa o saldo inicial da conta. 
Nesse caso, o custo de recuperação do local irá compor o custo do 
imobilizado e será transferido para o resultado conforme o item for sendo 
depreciado. Já a provisão ficará no passivo não circulante, sendo baixada ao 
final dos 10 anos contra a conta que originou os recursos para recuperar o local 
onde a máquina estava instalada. 
Na Figura 6 é possível verificar um exemplo de evidenciação de provisão 
para recuperação e compensação socioambiental nas demonstrações 
financeiras da Vale S. A. 
 
 
 
16 
Figura 6 – Notas explicativas – Vale em 2020 
 
Fonte: Vale, 2020. 
Saiba mais 
Vamos verificar como essa temática de provisões por danos ambientais é 
cobrada em provas. 
(Exame de Suficiência – CFC – FCC – Prova 2017.2) Uma Sociedade 
Empresária tem uma política ambiental extensamente conhecida, na qual realiza 
a limpeza de toda a contaminação que venha a causar. Sabe-se que essa 
Sociedade Empresária apresenta boa reputação quanto ao cumprimento dessa 
política. Não há nenhuma legislação ambiental na jurisdição que determine 
responsabilidade em caso de danos ambientais. Durante uma atividade naval 
desenvolvida pela Sociedade Empresária, uma embarcação foi danificada e 
derramou uma quantidade substancial de óleo no mar. A Sociedade Empresária 
concorda em pagar pelos custos da limpeza imediata e os custos contínuos de 
monitoramento e assistência aos pássaros e animais marinhos. No momento, a 
Sociedade Empresária não consegue programar a data exata em que serão 
desembolsados os custos mencionados, mas consegue estimá-los com 
confiabilidade. 
Considerando-se apenas as informações apresentadas e o que dispõe a 
NBC TG 25 (R1) – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes 
(Brasil, 2017), assinale a alternativa que indica a atitude correta que a Sociedade 
Empresária deve tomar em relação ao registro contábil do dano ambiental por 
ela causado. 
a. Sociedade Empresária deve reconhecer um passivo contingente, uma vez 
que existe uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas 
 
 
17 
que não pode ser reconhecida porque o valor da obrigação não pode ser 
mensurado com suficiente confiabilidade e não existe uma obrigação legal 
ou contratual formalizada. 
b. A Sociedade Empresária deve reconhecer um passivo contingente, uma 
vez que existe uma obrigação presente que resulta de eventos passados, 
mas que não pode ser reconhecida porque não é provável que uma saída 
de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para 
liquidar a obrigação. 
c. A Sociedade Empresária deve reconhecer uma provisão, pois sua 
reputação cria para ela uma obrigação não formalizada quanto ao 
cumprimento de sua política. 
d. A Sociedade Empresária não deve reconhecer uma provisão em função 
de não existir nenhuma obrigação formalizada em contratos ou leis ou 
acordos escritos. 
Resposta: 
Como a empresa criou, mesmo que de forma informal, uma expectativa 
na sociedade de que a mesma realizará a recuperação dos danos ambientais. 
Somado ao fato de que a empresa não possui uma data específica para o 
desembolso de tais valores, mas consegue estimá-los com certa confiabilidade. 
Então, será reconhecida uma provisão, visto que, além dos requisitos anteriores, 
é provável que a empresa venha a desembolsar estes valores. 
Portanto, o gabarito é a alternativa C. 
TEMA 4 – PROVISÃO PARA COMPENSAÇÕES OU PENALIDADES PARA 
QUEBRA DE CONTRATO 
A provisão para compensações ou penalidades para quebra de contrato 
são aplicadas para o caso de contratos onerosos, que é um acordo no qual os 
custos inevitáveis do contrato são maiores do que os benefícios econômicos 
gerados por ele ao longo do tempo. Nesse sentido, a empresa pode optar por 
realizar a quebra do contrato e reconhecer uma provisão do custo inevitável do 
contrato envolvido nesta interrupção de acordo. 
O custo inevitável de um contrato é resultante do menor valor entre o custo 
de cumprir o contrato até o final ou o custo pago como forma de penalidade pelo 
não cumprimento do acordo. Por exemplo, a Petter Pão S. A. em janeiro de 20X2 
 
 
18 
opta por não utilizar mais o imóvel alugado até dezembro de 20X2 para a 
fabricação de pães, sendo que este contrato prevê uma multa de R$ 13.000 pela 
quebra de contrato e o valor do aluguel mensal é de R$ 1.000. Nesse caso, o 
contrato é oneroso e a empresa pode optar por continuar pagando o aluguel de 
R$ 1.000 até o final do período, visto que o valor total dos aluguéis (R$ 1.000 x 
12 meses faltantes) é menor que o valor da multa pela rescisão (R$ 13.000), 
sendo reconhecida uma provisão de R$ 12.000. 
Entretanto, se o valor total dos aluguéis até o final do período for de R$ 
24.000, então a Petter Pão S. A. irá reconhecer uma provisão de R$ 13.000, que 
é o menor valor entre o custo de cumprir o contrato até o final e o custo de arcar 
com a multa pela quebra de contrato. Vamos utilizar este último caso para 
apresentar os lançamentos contábeis que devem ser realizados: 
1 – Pelo reconhecimento da provisão do contrato oneroso 
D – Despesa com provisão de quebra de contrato (resultado) R$ 13.000 
C – Provisão para quebra de contrato (passivo circulante) R$ 13.000 
 
2 – Pelo pagamento da multa do contrato oneroso 
D – Provisão para quebra de contrato (passivo circulante) R$ 13.000 
C – Caixa (ativo circulante) R$ 13.000 
 
Tabela 6 – Razonetes 
 
Legenda: si representa o saldo inicial da conta. 
Mas se esse contrato não estabelecesse nenhuma multa ou custo pelo 
seu não cumprimento, então nenhuma provisão deverá ser reconhecida, visto 
que não há uma obrigação de realizar uma compensação financeira pelo não 
cumprimento do contrato. 
Essa árvore de decisão pode ser observada na Figura 7. 
 
 
 
 
 
19 
Figura 7 – Árvore de decisão para o reconhecimento de provisão de contratos 
onerosos 
 
Saiba mais 
Vamos verificar mais um exemplo de como as provisões têm sido 
abordadas nas avaliações de concursos. 
(Adaptada do INAZ do Pará - Contador – CORE SP – 2019) A Entidade 
empresarial Veículo dos Sonhos anunciou um recall de veículos modelos de 
2017 a 2019, com motorização a diesel. De acordo com a montadora, o motivo 
é uma falha na trava das portas dianteiras e traseiras, que podem ocasionar 
prováveis acidentes. Segundo os engenheiros da montadora, essa falha pode 
acontecer em provavelmente 70% dos veículos comercializados no período de 
2017 e 2018. 
Com base no Apêndice A do Pronunciamento Técnico CPC 25 – 
Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes (CPC, 2009a) e de 
acordo com o exemplo hipotético, assinalea alternativa correta quanto ao 
tratamento contábil do fato apresentado. 
a. Não haverá necessidade de divulgação em notas explicativas. 
b. A entidade deverá fazer o reconhecimento do passivo contingente. 
c. A impossibilidade de mensuração por se tratar de uma estimativa 
improvável. 
 
 
20 
d. De acordo com os motivos apresentados pela montadora será 
reconhecida uma Provisão para garantias de produtos, mercadorias e 
serviços e divulgado maiores detalhamentos em nota explicativa; 
e. Deverá reconhecer uma Provisão para compensações ou penalidades por 
quebra de contratos (contratos onerosos). 
Note que provavelmente ocorrerá um defeito em 70%. Portanto, o gabarito 
é a alternativa D. 
TEMA 5 – PROVISÃO PARA BENEFÍCIOS A EMPREGADOS (CPC 33) 
Um empregado pode ter uma série de benefícios advindos do vínculo 
empregatício que possui, tais como os salários, as bonificações, as licenças, as 
participações nos lucros, as contribuições para a previdência social, entre outros. 
Esses benefícios podem ser obtidos de diferentes formas, por exemplo, a 
prestação de serviços no curso normal de suas atividades contratuais até 
benefícios de longo prazo pelo término ou rescisão de contrato. 
Em grandes empresas e, principalmente em cargos de alto escalão, é 
comum esse tipo de benefício, os quais são denominados de benefícios pós-
emprego. Por exemplo, há casos em que o empregado, ao ser desligado da 
empresa, ganha concessões de benefícios rescisórios. Há também casos de 
Planos de Desligamento Voluntário (PDV, nos quais é oferecida uma série de 
benefícios para que os empregados solicitem o desligamento da organização a 
fim de enxugar a folha salarial. 
No caso de benefícios obtidos pelo curso normal da prestação de serviços 
pelas atividades dos empregados no curto prazo, como os salários, não há 
muitas dúvidas acerca do reconhecimento desses valores. Conforme o 
empregado presta o seu serviço durante o período contábil, uma despesa será 
reconhecida em contrapartida ao reconhecimento do passivo desta operação. 
Por sua vez, no caso de benefícios de longo prazo ou de benefícios pós-
emprego, o reconhecimento ocorrerá quando: 
a entidade não puder mais cancelar o oferecimento desses benefícios 
ou então quando a entidade reconhecer custos de reestruturação no 
alcance do Pronunciamento CPC 25 [...] e envolverem o pagamento de 
benefícios rescisórios. (Gelbcke et al. (2018, p. 374). 
Por exemplo, suponha que em 01/04/20X2 uma determinada empresa 
anuncia um Programa de Demissão Voluntária pagando um bônus de R$ 30.000 
 
 
21 
para cada empregado que aderir a esse plano. Em 06/06/20X2, ao término do 
período de adesão, 100 empregados aderiram ao PDV. Portanto, uma provisão 
de benefícios a empregados será reconhecida no valor de R$ 3.000.000 (R$ 
30.000 x 100 empregados), conforme mostrado a seguir: 
1 – Pelo reconhecimento da provisão benefícios concedidos no PDV 
D – Despesa com provisão de benefícios concedidos no PDV (resultado) R$ 3.000.000 
C – Provisão para benefícios concedidos no PDV (passivo circulante) R$ 3.000.000 
Se após dois meses a empresa quitar os benefícios concedidos aos 
empregados, então o seguinte lançamento será realizado: 
2 – Pelo pagamento dos benefícios concedidos no PDV 
D – Provisão para benefícios concedidos no PDV (passivo circulante) R$ 3.000.000 
C – Caixa (ativo circulante) R$ 3.000.000 
Tabela 7 – Razonetes 
 
Legenda: si representa o saldo inicial da conta. 
Na Figura 8, é apresentado o detalhamento da provisão do Plano de 
Desligamento Voluntário da Petrobrás S. A. em 2019. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
Figura 8 – Detalhamento de provisão do Plano de Desligamento Voluntário da 
Petrobrás - 2019 
 
Fonte: Petrobrás, 2021. 
Note que no caso da Petrobrás o reconhecimento da provisão com o PDV 
ocorre quando os empregados realizam a adesão a este, ou seja, quando a 
entidade não pode mais realizar o cancelamento da oferta desses benefícios. 
Saiba mais 
Por fim, vamos verificar como a temática pode ser abordada em concursos 
públicos. 
(Adaptada de Quadrix – CRP - 17ª Região (RN) - Contador – 2018) 
Distinguem-se as provisões propriamente ditas daquelas derivadas de 
apropriações por competência, pois estas são genuinamente obrigações. Desse 
modo, caracteriza-se essencialmente como provisão o valor referente: 
a. aos benefícios que serão concedidos aos empregados que aderiram a um 
programa de demissão voluntária. 
b. as férias a serem pagas. 
c. aos dividendos mínimos obrigatórios propostos. 
d. as participações devidas aos empregados. 
e. as gratificações aos diretores pelas metas alcançadas. 
As férias, os dividendos, as participações e as gratificações são passivos 
natos, com pouca ou nenhuma incerteza em relação a sua data de ocorrência e 
ao seu valor e derivam do curso normal das atividades da empresa. Já os 
 
 
23 
benefícios que serão concedidos aos empregados em um PDV, estes são 
benefícios rescisórios não vinculados à prestação de serviço por parte da 
entidade, sendo necessário o reconhecimento de uma provisão. Portanto, o 
gabarito é a alternativa A. 
TROCANDO IDEIAS 
Estudamos nesta aula os elementos que permeiam o reconhecimento e a 
divulgação de provisões e passivos contingentes. Vimos que alguns requisitos 
são fundamentais para distinguir esses elementos, tais como a identificação de 
uma provável, possível ou remota probabilidade de ocorrência, bem como uma 
estimativa confiável dos valores e a ocorrência de evento passado que origine 
tal obrigação. Nesse sentido, desafio você a selecionar duas empresas listadas 
na bolsa de valores e identificar em suas notas explicativas dois tipos diferentes 
de provisões que são divulgadas pela organização. 
NA PRÁTICA 
1. A grupo de gastronomia Churrasic Park Ltda. está respondendo a uma 
ação trabalhista movida por um ex-churrasqueiro que era empregado do grupo. 
A perda do processo é provável, e a probabilidade de ocorrência dos 
desembolsos foi apresentada pelos advogados conforme a tabela: 
Tabela 8 – Relação entre cenários, custo estimado e probabilidade 
 
Cenários Custo Estimado 
R$ 
Probabilidade 
A 150,00 35% 
B 90,00 40% 
C 70,00 25% 
 
Assinale o valor da provisão a ser constituída para o processo pelo 
método do “valor esperado” (ponderando a probabilidade de ocorrência pelo 
valor). 
a. R$ 90. 
b. R$ 106. 
c. R$ 150. 
d. R$ 263. 
 
 
24 
Justificativa/Gabarito 
O método do valor esperado considera uma ponderação entre a 
probabilidade de ocorrência de cada cenário e o seu referido valor. Assim, 
teremos uma provisão de R$ 106, conforme mostrado a seguir: 
Tabela 9 – Solução da questão 1 
Cenário Cálculo Resultado em R$ 
A R$ 150 x 35% R$ 52,50 
B R$ 90 x 40% R$ 36,00 
C R$ 70 x 25% R$ 17,50 
Total R$ 106,00 
Portanto, o gabarito é a Letra B. 
2. A Cia. Vovorola S. A. fabrica smartphones e oferece no ato da venda 
garantias aos seus clientes. Contratualmente, a Vovorola S. A. se compromete 
a consertar ou substituir produtos que apresentem defeitos pelo prazo máximo 
de um ano da data da emissão da nota fiscal. Devido a estimativas e históricos 
passados da empresa, é provável que haverá algumas reclamações que estão 
cobertas pelas garantias oferecidas aos clientes. Nesse sentido, assinale a 
alternativa correta acerca das práticas contábeis da empresa frente a essa 
situação. 
a. Nenhuma provisão deverá ser constituída, pois os aparelhos ainda não 
apresentaram defeitos. 
b. Nenhuma provisão deverá ser constituída, mas é necessária a divulgação 
de um passivo contingente em nota explicativa 
c. É necessário constituir uma provisão e detalhar em notas explicativas a 
natureza desses valores 
d. A entidade deve divulgar um passivo contingente, pois é provável que 
ocorra os desembolsos com garantia 
Justificativa/Gabarito 
Houve um evento passado (venda do produto) que criou a expectativa nos 
clientes e deuorigem a uma obrigação presente para a empresa. Como é 
provável uma saída de recursos para a liquidação da dívida com as garantias 
como um todo, então é necessário reconhecer uma provisão. Sendo o gabarito 
a letra C. 
 
 
25 
3. A rede de acessórios caninos Kilate Ltda., localizada na cidade de 
Curitiba – Paraná, recebeu um auto de infração no montante de R$ 120.000. Tal 
auto é devido ao fato de ter se creditado de ICMS em certas compras de 
materiais de uso e consumo indevidamente nos livros fiscais em 2017. Para 
tanto, o Fisco alega que o art. 26 do Regulamento de ICMS/PR é claro quanto a 
vedação de tal creditamento. 
Art. 24. Para a compensação a que se refere o art. 23 deste 
Regulamento, é assegurado ao contribuinte o direito de creditar-se do 
imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado 
a entrada de mercadoria, real ou simbólica, no estabelecimento, 
inclusive a destinada ao seu uso ou consumo ou ao ativo permanente, 
ou o recebimento de serviços de transporte interestadual e 
intermunicipal ou de comunicação (Paraná, 1996). 
A administração da Kilate Ltda., assessorada pelos seus consultores 
jurídicos, entende que essa perda é considerada provável, tendo em vista que 
naquela época o pessoal do setor de tributos da Kilate Ltda. interpretou de uma 
forma questionável a legislação. A expectativa da administração da Kilate Ltda. 
é que o desembolso dos recursos desse processo será a longo prazo e no valor 
de R$ 90.000,00. 
Questão: qual é o registro contábil a ser realizado? 
 
Justificativa/Gabarito 
Quadro 1 – Solução da questão 3 
D – Constituição de provisões fiscais, previdenciárias, trabalhistas e cíveis 
(DRE – Despesas Operacionais – Administrativas) 
C – Provisões fiscais, previdenciárias, trabalhistas e cíveis (BP – Passivo Não 
Circulante – Provisões) 
Valor: R$ 90.000,00 
 
FINALIZANDO 
Vimos neste encontro que uma provisão é um passivo de data e/ou de 
valor incerto, mas que pode ser estimado com confiabilidade e que possui uma 
provável probabilidade de ocorrência. Logo, as provisões devem ser 
reconhecidas nas demonstrações contábeis e divulgadas em notas explicativas. 
Vimos também que os passivos contingentes possuem uma possível ou 
remota probabilidade de ocorrência. No caso de ser possível, devem ser 
divulgados em notas explicativas, mas não são reconhecidos nas 
 
 
26 
demonstrações contábeis. Para aqueles cuja probabilidade é remota, não há o 
reconhecimento, nem a divulgação desses valores. 
Além disso, pudemos notar que há inúmeras formas e tipos de provisões 
e passivos contingentes. Espero que você consiga ter assimilado o conteúdo e 
que possa aplicá-lo no dia a dia da melhor forma possível. 
 
 
 
 
27 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. CFC – Conselho Federal de Contabilidade. NBC TG 25 (R2) – 
Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. Diário Oficial da 
União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 22 dez. 2017. 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 00 (R2) – Estrutura 
Conceitual para Relatório Financeiro. CVM, n. 835, 1 nov. 2019. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=80>. Acesso em: 1 jul. 2021. 
_____. CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. 
CVM, n. 594, 26 jun. 2009a. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=56>. Acesso em: 1 jul. 2021. 
_____. CPC 27 - Ativo Imobilizado. CVM, n. 583, 26 jun. 2009b. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=58>. Acesso em: 1 jul. 2021. 
_____. CPC 33 (R1) - Benefícios a Empregados. CVM, n. 695, 7 dez. 2012. 
Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=64>. Acesso em: 1 jul. 2021. 
GELBECK, E. R. et al. Manual de Contabilidade Societária. São Paulo: 
Gen/Atlas, 2018. 
GRENDENE. Demonstrações financeiras. Grandene, 2020. Disponível em: 
<http://ri.grendene.com.br/PT/Informacoes-Financeiras/Demonstracoes-
Financeiras>. Acesso em: 1 jul. 2021. 
ITAÚ UNIBANCO Holding S. A. Relações com os Investidores – Central de 
resultados. Itaú Unibanco Holding, S.d. Disponível em: 
<https://www.itau.com.br/relacoes-com-
investidores/show.aspx?idCanal=Z2AYdEX2jdshfT3Lm16i7w==&linguagem=pt
>. Acesso em: 1 jul. 2021. 
PARANÁ. Lei n. 11580 de 14 nov. 1996. Diário Oficial do Estado do Paraná, 
14 nov. 1996. 
PETROBRÁS. Apresentações, Relatórios e Eventos – Relatórios anuais. 
Petrobrás, 2021. Disponível em: 
 
 
28 
<https://www.investidorpetrobras.com.br/apresentacoes-relatorios-e-
eventos/relatorios-anuais/>. Acesso em: 1 jul. 2021. 
VALE. Demonstrações financeiras. Vale, 2020. Disponível em: 
<http://www.vale.com/brasil/pt/investors/information-market/financial-
statements/paginas/default.aspx>. Acesso em: 1 jul. 2021.

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