Prévia do material em texto
<p>Resumo do livro “Discurso sobre o Colonialismo – Aimé Cesaire</p><p>Capitulo 1</p><p>O autor iniciar o capítulo 01 argumentando que a civilização “europeia” é incapaz de resolver os dois problemas criados por ela mesma: o problema do proletariado e do problema colonial – A Europa é indefensável.</p><p>Ele aponta que neste momento histórico, pós segunda guerra mundial, a Europa está encurralada, pois os homens surgiram das profundezas da escravidão para se erigir contra a civilização burguesa e europeia. Seus “senhores” estão mentindo.</p><p>Definição de Aimé Cesaire: “É concordar que não é nem evangelização, nem empreendimento filantrópico, nem vontade de empurrar para trás as fronteiras da ignorância, da doença e da tirania, nem expansão de Deus, nem extensão do Direito; é admitir de uma vez por todas, sem recuar ante as consequências, que o gesto decisivo aqui é o aventureiro e do pirata, do merceeiros em geral, do armador, do garimpeiro, do comerciante; do apetite e da força, com a sombra maléfica, por trás, de uma forma de civilização que, em momento a concorrência de sua história, se vê obrigada internamente a estender à escala mundial a concorrência de suas economias antagônicas.” – Colonização não é civilização.</p><p>Apoio do cristianismo a propagar a ideia de cristianismo = civilização e paganismo = selvageria.</p><p>Capítulo 02</p><p>Aimé Cesaire argumenta que os direitos humanos europeu é um pseudo-humanismo: O nazismo não foi gerado apenas na ascensão de Hitler, mas sim muito antes. Em momentos em que, antes de serem vítimas, foram cumplices enquanto tais métodos de assassinato, de tortura e de desumanização foram aplicados a populações não europeias. Sendo assim, o nazismo como ideia já transitava na nação europeia muito antes de 1936. É revelar que ao burguês médio que ele carrega dentro de si um Hitler. “Precisamos nos decidir e dizer, de uma vez por todas, que a burguesia está condenada a ser cada dia mais hostil, mais abertamente feroz, mais desprovida de vergonha, mais sumariamente bárbara; que é uma lei implacável que toda classe decadente se transforme em um receptáculo para o qual fluem todas as águas sujas da história; que é uma lei universal que toda classe, antes de desaparecer, deva primeiro desonrar-se de forma completa, omnilateral, e que, com as cabeças enterradas sob o estrume, as sociedades moribundas emitem seu canto de cisne”. Pag. 55.</p><p>Ademais, a colonização não acontece de forma acidental. Ela é um projeto político e econômico que é imposto através da força e da dominação, que tem por objetivo a negação de civilização até mesmo do homem mais civilizado, “... que ação colonial, o empreendimento colonial, a conquista colonial fundada no desprezo pelo homem nativo e justificada por esse desprezo, inevitavelmente, tende a modificar a pessoa que o empreende; que o colonizador, ao acostumar-se a ver o outro como animal, ao treinar-se para tratá-lo como um animal, tende objetivamente, para tirar o peso da consciência, a se transformar, ele próprio, em animal. É essa ação, esse choque em troca da colonização, que é importante assinalar” (pg. 23). Sendo assim, esta faceta selvagem da sociedade europeia nos mostra que tal sociedade já está doente, que Hitler foi somente a consequência de seus atos. – é importante destacar que sempre que o autor usa a palavra civilização, ele usa a noção europeia de civilização. Então, ao falar que a colonização europeia nega a civilização ao colonizado, ele nega a possibilidade do colonizado se tornar, em termos políticos e econômicos, o colonizador.</p><p>Uma crítica ao pseudo-humanismo: “ter por muito tempo reduzido os direitos humanos, ter ainda uma concepção estreita e fragmentada deles, parcial e tendenciosa e, considerando tudo, sordidamente racista”. Aqui está uma evidência da noção de progresso europeia de Aimé Cesaire. Apesar de ser um crítico do humanismo europeu por ser essencialmente excludente e racista, a sua crítica não está na concepção de direitos humanos burguês, mas sim que esta noção ainda não é capaz de incluir os povos colonizados. Sendo assim Aimé Cesaire não quer repensar a noção direitos humanos, pois ele entende que a noção correta é a europeia. Porém, ainda entrelaçada pelas noções racistas do velho continente.</p><p>Para Aimé Cesaire, o problema não está no contato da continente africano com a Europa em si, mas sim em que momento histórico este contato foi estabelecido. “o grande drama histórico da África foi menos o contato tardio demais com o resto do mundo do que a maneira como esse contato foi feito; que isso no momento em que a Europa caiu nas mãos dos mais inescrupulosos financistas e capitães da indústria; foi quando a Europa se ‘propagou’”. Pag. 26. “que a europeização dos continentes não europeus poderia ter sido feita de maneira diferente e não sob as botas da Europa; que esse movimento de europeização estava em andamento; que ele foi desacelerado; de qualquer forma, foi distorcido pelo domínio da Europa” Pag. 27.</p><p>Capítulo 03</p><p>Para Cesaire, o homem burguês europeu é um hipócrita, pois sendo ele um falsário e torturador, é ele o responsável por levar a ideia de progresso travestida de “virtudes cristãs” para os povos “primitivos”.</p><p>Outro ponto que Aimé Cesaire coloca é que a ideia da eugenia está presente em todas as esferas da vida civil do homem burguês: política, ciência, exército e na literatura. E que o pequeno-burguês não age assim por ignorância, mas pelo contrário. Este ser leu de tudo. Mas, “acontece que seu cérebro funciona como alguns dispositivos digestivos do tipo elementar. Filtra. E o filtro deixa passar apenas o que pode alimentar a boa consciência burguesa”. Pag. 38.</p><p>O último assunto importante abordado por Aimé Cesaire neste capítulo é de que não se pode chamá-lo de reacionário, no sentido de que seu projeto não é um retorno as sociedades pré-coloniais. Para ele é: “E então, me dirão, o verdadeiro problema é voltar atrás. Não, repito. Não somos os homens do ‘ou isso ou aquilo’. Para nós, o problema é uma tentativa utópica e estéril de reduplicação, mas uma superação. Não é uma sociedade morta que queremos reviver. Deixemos isso para os amantes do exotismo. Tampouco é a atual sociedade colonial que queremos prolongar, a mais podre que já apodreceu ao sol. É uma nova sociedade de que precisamos, com a ajuda de todos os nossos irmãos escravos, para criar, rica com todo o poder produtivo moderno, acolhedora com toda a fraternidade antiga”. Pag. 38</p><p>Capitulo 04</p><p>Para Aimé Cesaire, a ideia de progresso durante todo o livro, será guiada pelo que a Europa se tornar naquele momento: tanto em relação na sua organização política, econômica e social. Aqui, neste capítulo, o autor argumenta que todas as pessoas, de boa-fé ou não, que defende a divisão internacional do trabalho e o papel que a África ocupa nesta divisão, está negando o direito ao Progresso para tal continente.</p><p>Ademais, outro ponto que autor debate neste capítulo é como a ideias de dominação e de superioridade racial da burguesia europeia vai mudando, passando de ideias acerca de um direito de conquista e dominação pelo homem branco, para ideias de negação de virtudes dos colonização. Sendo assim, não é o homem branco o violento que toma a força as “terras selvagens”, mas sim o selvagem que clama pela ida do homem branco a sua terra. Uma ressignificação do fardo do homem branco: Primeiro, é a negação de que as sociedades tropicais são incapazes de produzir ciência, pois somente os elementos culturais que se criou em sociedades extratropicais propiciam as condições para que o homem possa produzir ciência. Segundo, é a constatação de que o povo africano não deseja a sua melhoria de condição econômica ou material, mas sim o reconhecimento pelo homem branco, do seu valor humano. Em terceiro, um aspecto psicológico, que pode ser chamado de complexo de dependência que estes grupos são psicologicamente dependentes. São incapazes de chegar à maioridade, a autonomia do ser. E que qualquer gesto de revolta, não é um gesto consciente de busca por libertação, mas sim um sentimento</p><p>de abandono pelo homem branco, o seu protetor.</p><p>Capítulo 05</p><p>Aimé Cesaire argumenta que o crime o mal do racismo não nasceu com Hitler. Ele veio de mais longe. O discurso de que somente o ocidente inventou a ciência, somente o ocidente sabe pensar, que o mundo primitivo é incapaz de ser lógico e racional. Porém, é esquecido “a invenção da aritmética e da geometria pelos egípcios. Ou a descoberta da astronomia pelos assírios. Ou o nascimento da química entre os árabes. Ou a aparição do racionalismo no Islã” pg. 67, numa época pré-lógica.</p><p>“... que a Europa teria feito melhor em tolerar as civilizações vivas, dinâmicas e prosperas, inteiras e não mutiladas, as civilizações extra europeias; que seria melhor deixá-las se desenvolver e se realizar do que permitir admirar, devidamente rotulados, os membros esparsos, os membros mortos. (...) na balança do conhecimento, o peso de todos os museus do mundo nunca será o mesmo de sequer uma centelha de simpatia humana”. Pag. 69</p><p>Capítulo 06</p><p>Neste capítulo Aimé Cesaire traz o conceito de nação, afirmando que de fato este conceito é um fruto da modernidade, um fenômeno burguês. E que, tendo a Europa impedido que outros países tivessem este direito, o direito de nação, ela criou a sua própria morte: A ascensão dos EUA. Significa que, “a salvação da Europa não é questão de uma revolução nos métodos, mas sim da revolução”. A revolução do proletariado.</p>