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Linguística Textual: Estudo e Análise

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<p>Direção:</p><p>Diagramação e capa:</p><p>Revisão:</p><p>Imagem da capa:</p><p>Andréia Custódio</p><p>Telma Custódio</p><p>Karina Mota</p><p>Tovovan / 1 2 3 RF Imagens</p><p>CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE</p><p>SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ</p><p>O texto e seus conceitos / organização Ronaldo de Oliveira Batista. -</p><p>1. ed. - São Paulo : Parábola Editorial, 2016.</p><p>144 p. ; 23 cm. (Lingua[gem]; 70)</p><p>Inclui bibliografia e índice</p><p>ISBN 978-85-7934-111-3</p><p>1. Língua portuguesa - Composição e exercícios. 2. Análise do discurso.</p><p>3. Leitura - Estudo e ensino. 4. Linguística. I. Batista, Ronaldo de Oliveira.</p><p>II. Título. III. Série.</p><p>Direitos reservados à</p><p>PARÁBOLA EDITORIAL</p><p>Rua Dr. Mário Vicente, 394 - Ipiranga</p><p>04270-000 São Paulo, SP</p><p>pabx: [11] 5061 -9262 | 5061 -8075 | fax: [11] 2589-9263</p><p>home page: www.parabolaeditorial.com.br</p><p>e-mail: parabola@parabolaeditorial.com.br</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reprodu­</p><p>zida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou</p><p>mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema</p><p>ou banco de dados sem permissão por escrito da Parábola Editorial Ltda.</p><p>ISBN: 978-85-7934-111-3</p><p>© do texto: Ronaldo de Oliveira Batista, 2016</p><p>© da edição: Parábola Editorial, São Paulo, abril de 2016</p><p>T336</p><p>15-29275 CDD: 469.8</p><p>CDU: 811.134.3'27</p><p>http://www.parabolaeditorial.com.br</p><p>mailto:parabola@parabolaeditorial.com.br</p><p>0 texto na linguística textual</p><p>Ingeclore Grunfeld Villaça Koch (Unicamp)</p><p>Vanda Maria Elias (puc-sp)</p><p>O texto é originado por uma multiplicidade de operações cognitivas</p><p>interligadas, “um documento de procedimentos de decisão, seleção e</p><p>combinação”, de modo que caberia à linguística textual desenvolver modelos</p><p>procedurais de descrição textual, capazes de dar conta dos processos cognitivos</p><p>que permitem a integração dos diversos sistemas de conhecimento dos</p><p>parceiros da comunicação, na descrição e na descoberta de procedimentos</p><p>para sua atualização e tratamento no quadro das motivações e estratégias da</p><p>produção e compreensão de textos (Marcuschi, 2007).</p><p>3.1. Introduçãocom origem na Europa Central, principalmente na Alemanha,</p><p>na segunda metade da década de 1960 e chegada ao Brasil nos</p><p>anos 1980, a linguística de texto (LT) se constituiu como uma</p><p>disciplina cujo objeto de investigação — o texto — foi concebido</p><p>de diferentes maneiras à medida que se ampliavam as perspectivas de estudo.</p><p>Da compreensão de texto como unidade mais alta do sistema linguístico, estudiosos</p><p>passaram a entender o texto como unidade básica da comunicação</p><p>e interação humana e, dessa concepção, a uma outra que focalizou o texto</p><p>como resultado de uma multiplicidade de operações cognitivas interligadas até</p><p>chegarem à compreensão de texto como uma “entidade multifacetada”, “fruto</p><p>de um processo extremamente complexo de interação social e de construção</p><p>social de sujeitos, conhecimento e linguagem” (Koch, 2004: 175).</p><p>No Brasil, um estudo acurado da trajetória da LT e, no seu interior, das concep-</p><p>ções de texto, já foi realizado por Marcuschi (1983), Koch e Fávero (1983)</p><p>e Koch (2004), obras cuja leitura recomendamos. Por essa razão, voltaremos o</p><p>olhar e a atenção para o texto como forma de cognição social, concepção que</p><p>na atualidade orienta as investigações, no campo da LT.</p><p>O TEXTO NA LINGUÍSTICA TEXTUAL « 31</p><p>C A P Í T U L O 3</p><p>Dividiremos o capítulo em duas seções: na primeira, discutiremos a</p><p>concepção de texto que considera na sua constituição aspectos linguísticos,</p><p>cognitivos, sociais e interacionais, bem como alguns tópicos que ganharam/</p><p>vêm ganhando saliência nesse quadro; na segunda, perspectivas futuras para</p><p>os estudos do texto.</p><p>3.2. O TEXTO COMO OBJETO MULTIFACETADO:</p><p>CONHECIMENTOS E INTERAÇÃO</p><p>Na abordagem interacional de base sociocognitiva, o texto é uma realização</p><p>que envolve sujeitos, seus objetivos e conhecimentos com propósito interacional.</p><p>Considerando que esses sujeitos são situados sócio-histórica e culturalmente e</p><p>que os conhecimentos que mobilizam são muitos e variados, é fácil supor que</p><p>o texto “esconde” muito mais do que revela a sua materialidade linguística. O</p><p>texto (1) serve a essa exemplificação.</p><p>Texto (1)</p><p>Fonte: Folha de S.Paulo. Quarta-feira, 29 de outubro de 2014. Ilustrada, E5.</p><p>32 ■ Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Vanda Maria Elias</p><p>Do ponto de vista de seu processamento, o texto (1) solicita:</p><p>• identificação do intertexto</p><p>conexão entre o intertexto e a parte do texto</p><p>• reconhecimento do modelo textual (anúncio) a que se recorre com um</p><p>propósito comunicativo (divulgar o programa Globo de Ouro Palco Viva)</p><p>• conexão entre texto e conhecimento de mundo:</p><p>— Globo de Ouro, artistas apresentadores; alguns artistas convidados;</p><p>— meio de veiculação do anúncio (mídia impressa) e modo de leitura;</p><p>— meio para se obter mais informação sobre o evento (mídia digital) e</p><p>de como fazê-lo numa</p><p>estreita demonstração de complementariedade entre linguagens e</p><p>mídias (Elias, 2012).</p><p>Como observado, para o processamento do texto (1), concorrem conhe-</p><p>cimentos de textos, das coisas do mundo e de interação, além do linguístico,</p><p>numa indicação de que a intersubjetividade e o compartilhamento de conhe-</p><p>cimentos e modelos mentais estão na base de sua constituição, mesmo levando</p><p>em conta, como o faz Dascal (1999: 122-123), que</p><p>(...) não se compartilha com o outro todo o seu contexto mental, embora haja</p><p>uma tentativa de compartilhar o suficiente para tornar a comunicação possível em</p><p>situações específicas. É bem verdade que não podemos ver o mundo com olhos</p><p>O TEXTO NA LINGUÍSTICA TEXTUAL ■ 33</p><p>alheios, mas podemos ― e fazemos isso ― coordenar os nossos olhares para que</p><p>possamos perceber mais ou menos os mesmos objetos nas redondezas imediatas.</p><p>Dessa visão de texto como entidade multifacetada, depreende-se que o</p><p>linguístico é condição necessária, mas não suficiente, para o processamento</p><p>textual, visto que, em uma visão interacionista da língua, as formas não são</p><p>analisadas per se, mas como fontes para as interações (Marcuschi, 2003: 253).</p><p>Assim, metaforicamente, o texto pode ser entendido como “a ponta de um ice-</p><p>berg — uma pequena porção da matéria e da energia dentro da qual uma enorme</p><p>quantidade de informação foi condensada’ por um falante ou escritor e está</p><p>pronta para ser ‘amplificada’ por um ouvinte ou leitor” (Beaugrande, 1997: 16).</p><p>3.3. Texto e princípio de conectividade</p><p>Independentemente de sua extensão ou suporte, cada texto se conecta a</p><p>conhecimentos diversos (de língua, de textos, de interação, do mundo), razão</p><p>pela qual os princípios de textualidade (coesão, coerência, intencionalidade, aceitabili-</p><p>dade, informatividade, situacionalidade e intertextualidade) são compreendidos</p><p>por Beaugrande (1997) como as mais importantes formas de conectividade,</p><p>que possibilitam múltiplas conexões não só dentro de um texto, mas também</p><p>entre o texto e os contextos humanos nos quais ele ocorre, determinando que</p><p>conexões são relevantes.</p><p>Se o texto é texto à medida que o vemos como tal, é porque nesse processo</p><p>estabelecemos conexões entre texto, sujeitos e sociedade. O princípio de conectividade</p><p>evidencia, portanto, que o texto não resulta apenas do conhecimento</p><p>da língua, tampouco somente das intenções de quem o produz ou das interpretações</p><p>de quem o lê (ouve), mas da complexidade dos aspectos envolvidos</p><p>nas relações intersubjetivas constituídas de forma situada.</p><p>Alinhada a essa perspectiva teórica, Koch (2004: 170) afirma que as formas</p><p>de conectividade são condições para uma ação linguística, cognitiva e social,</p><p>ou seja, “condições que conduzem sociocognitivamente à produção de eventos</p><p>interativamente comunicativos”.</p><p>Nesse quadro teórico, a textualidade não é um conjunto de propriedades</p><p>inerentes ao texto enquanto produto mas, sim, um modo de processamento</p><p>(Marcuschi, 2007) ou, na concepção mesma de Beaugrande (1997: 30), uma</p><p>qualidade de todos os textos, mas também “um empreendimento humano</p><p>quando o texto é textualizado”, isto é, quando um artefato de sons ou marcas</p><p>escritas é produzido ou recebido como um texto. Assim sendo, preconiza-se uma</p><p>34 ■ Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Vanda Maria Elias</p><p>concepção de textualidade que não só se aplica a modelos fixos de comunicação,</p><p>como também recobre modelos não canônicos de textos, como os produzidos</p><p>nas mídias sociais nesses tempos de cultura digital.</p><p>Assumindo uma concepção pragmático-cognitiva de textualidade, Koch</p><p>(2004) defende que:</p><p>(i) todos os princípios estão centrados simultaneamente no texto e em seus</p><p>usuários, portanto não se justifica a divisão entre princípios “centrados</p><p>no texto” e “centrados no usuário” (Beaugrande & Dressler, 1981) nem</p><p>concebê-los como características encerradas no texto ou critérios para se</p><p>avaliar se determinado produto linguístico é ou não coeso, coerente etc.</p><p>(Marcuschi, 2007);</p><p>(ii) a coerência não é apenas um critério de textualidade entre os demais, mas</p><p>constitui o resultado da confluência de todos os demais fatores, aliados a</p><p>estratégias e processos de ordem cognitiva, como o conhecimento enciclo-</p><p>pédico, o conhecimento compartilhado, o conhecimento procedural etc.</p><p>Como os textos são muito incompletos ou implícitos, visto que a maior</p><p>parte do conhecimento compartilhado não precisa ser explicitado, a coerência</p><p>é uma construção “situada” dos interlocutores (Koch, 2004: 47). Esse processo</p><p>se desenvolve com base nas pistas existentes no interior do próprio texto que</p><p>funcionam como instruções de como o texto deve ser lido/entendido, e revela</p><p>“a capacidade metalinguística do texto de qualificar e regular sua própria in-</p><p>terpretação” (Hanks, 2008: 138).</p><p>Na continuidade de nossa discussão, focalizaremos a coerência e o contexto,</p><p>porque quando pensamos em texto pensamos em sentidos e não existem</p><p>sentidos sem contexto.</p><p>3.4. Texto e construção de sentido</p><p>De acordo com o que vem sendo postulado nos estudos do texto de base so-</p><p>ciocognitiva e interacional, a coerência não é uma propriedade textual que possa</p><p>ser localizada ou apontada no texto. É, sim, o fruto de uma atividade de pro-</p><p>cessamento cognitivo altamente complexo e colaborativamente construído, como</p><p>afirma Marcuschi (2007). Ainda segundo o autor, trata-se de “algo dinâmico que</p><p>se encontra mais na mente que no texto” e, sendo assim, “mais do que analisar o</p><p>sentido que um texto pode fazer para seus usuários, trata-se de observar o sentido</p><p>que os usuários constroem ou podem construir para suas falas” (ou escritas).</p><p>O TEXTO NA LINGUÍSTICA TEXTUAL ■ 35</p><p>Para exemplificação desse modo de conceber a coerência, selecionamos o</p><p>texto (2) a seguir.</p><p>Texto (2)</p><p>Fonte: Folha de S.Paulo. Sexta-feira, 21 de novembro de 2014. Mundo, A14.</p><p>Como nós, leitores, construímos um sentido para o texto (2)? A coerência</p><p>do texto se constrói quando estabelecemos conexão entre as suas partes; entre</p><p>36 ■ Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Vanda Maria Elias</p><p>"Um mais um é igual a dois. Mas a soma de uma idéia mais uma</p><p>idéia não são duas idéias, e sim milhares delas."</p><p>"Quanto maior o problema, maior a oportunidade."</p><p>"É importante entender o que o outro precisa para viver e ser feliz."</p><p>"Ninguém tem direito de tirar nada do outro.</p><p>Muito menos a liberdade."</p><p>"É preciso viver e deixar os outros viverem também."</p><p>"Cresci junto com o Brasil. Não fiquei parado vendo o País crescer."</p><p>"Quanto mais Deus manda, mais eu distribuo."</p><p>"A maior luta do homem não é conquistar, e sim preservar aquilo</p><p>que ele adquiriu na vida."</p><p>"Confio no ser humano, caso contrário não abriria as portas</p><p>da minha loja todos os dias. O que ajuda a me manter vivo</p><p>é a confiança que tenho no próximo."</p><p>"Eu não vendo fantasia. Vendo produto que é útil para o Brasil</p><p>inteiro."</p><p>"O Brasil vai crescer, vai estudar, vai aprender."</p><p>"De um bom namoro sai um bom casamento; da boa conversa,</p><p>sai um bom negócio."</p><p>"É necessário negociar com o coração nas mãos, e não com a</p><p>espada."</p><p>"Deus foi muito generoso comigo. Deu-me uma estrela que não</p><p>para de brilhar."</p><p>o texto, conhecimentos de mundo e de como as práticas comunicativas nele</p><p>se configuram e funcionam.</p><p>Na leitura do texto, podemos distinguir quatro partes:</p><p>• a primeira é constituída por um conjunto de enunciados entre aspas que</p><p>solicita do leitor a identificação da fonte, da autoria:</p><p>"Um mais um é igual a dois. Mas a soma de uma idéia mais uma</p><p>idéia não são duas idéias, e sim milhares delas."</p><p>"Quanto maior o problema, maior a oportunidade."</p><p>"É importante entender o que o outro precisa para viver e ser feliz."</p><p>"Ninguém tem direito de tirar nada do outro.</p><p>Muito menos a liberdade."</p><p>"É preciso viver e deixar os outros viverem também."</p><p>"Cresci junto com o Brasil. Não fiquei parado vendo o País crescer."</p><p>"Quanto mais Deus manda, mais eu distribuo."</p><p>"A maior luta do homem não é conquistar, e sim preservar aquilo</p><p>que ele adquiriu na vida."</p><p>"Confio no ser humano, caso contrário não abriria as portas</p><p>da minha loja todos os dias. O que ajuda a me manter vivo</p><p>é a confiança que tenho no próximo."</p><p>"Eu não vendo fantasia. Vendo produto que é útil para o Brasil</p><p>inteiro."</p><p>"O Brasil vai crescer, vai estudar, vai aprender."</p><p>"De um bom namoro sai um bom casamento; da boa conversa,</p><p>sai um bom negócio."</p><p>"É necessário negociar com o coração nas mãos, e não com a</p><p>espada."</p><p>"Deus foi muito generoso comigo. Deu-me uma estrela que não</p><p>para de brilhar."</p><p>• A segunda parte é composta pelo segmento textual que contém um voca-</p><p>tivo, um agradecimento e as razões do agradecimento:</p><p>Samuel Klein,</p><p>nosso agradecimento por tudo o que disse,</p><p>por tudo o que fez,</p><p>por tudo o que nos ensinou.</p><p>• A terceira parte é formada por uma sequência descritiva cujo objeto de</p><p>descrição é reforçado pela linguagem não verbal (foto):</p><p>• A quarta parte apresenta apenas quem assina o agradecimento:</p><p>O TEXTO NA LINGUÍSTICA TEXTUAL ■ 37</p><p>Samuel Klein</p><p>Fundador da Casas Bahia</p><p>1923 - 2014</p><p>Na construção do sentido do texto, solicita-se do leitor que não apenas</p><p>identifique essas partes como também estabeleça conexão entre elas, observando</p><p>orientações contidas no texto como, por exemplo:</p><p>(i) o segmento textual tudo o que disse, tudo o que fez, tudo o que nos ensinou</p><p>remete à primeira parte do texto de forma resumitiva ou encapsuladora;</p><p>(ii) quem disse, quem fez, quem ensinou é apresentado ao leitor como àquele</p><p>a quem é dirigido o agradecimento, pista reforçada pelo componente</p><p>verbal (substantivo próprio) e pelo componente não verbal (foto), como</p><p>o fundador das Casas Bahia.</p><p>Além disso, o processamento textual demanda do leitor ativação de conhe-</p><p>cimentos metagenéricos, enciclopédicos e interacionais: o texto em questão é</p><p>um anúncio publicado em um jornal de grande circulação por ocasião do fale-</p><p>cimento do fundador das Casas Bahia, uma popular rede de varejo de móveis</p><p>e eletrodomésticos do Brasil. A coerência do texto depende, portanto, da nossa</p><p>bagagem cognitiva, da qual o linguístico é apenas um dos componentes. Em</p><p>uma larga acepção, essa bagagem é constitutiva do contexto concebido sob o</p><p>prisma da sociocognição.</p><p>3.5. Texto, contexto e sentido</p><p>Ao texto concebido como uma entidade multifacetada cuja construção envol-</p><p>ve, além do linguístico, conhecimentos outros pressupostamente compartilha-</p><p>dos, subjaz uma concepção de contexto que põe em saliência o que os sujeitos</p><p>possuem como modelos mentais ativados na interação, considerando que esses</p><p>modelos dizem respeito a como essas representações ocorrem no plano das</p><p>relações entre os sujeitos social, histórica e culturalmente situados.</p><p>Assim, o contexto não se restringe ao contexto linguístico entendido como</p><p>o que antecede ou sucede determinada fração textual; também não se limita ao</p><p>que se concebe como situação imediata ou mediata pensada em termos de uma</p><p>micro ou macrossociologia, respectivamente, nem se trata apenas do que os su-</p><p>jeitos armazenam na memória como resultado de suas experiências, abstraindo-se</p><p>os traços sociais e culturais, mas, sim, de uma conjunção de elementos de ordem</p><p>linguística, cognitiva e social (Koch, 2002; Koch & Elias, 2006; Elias,</p><p>2014).</p><p>Longe de apontar para aspectos objetivos, é o cognitivo, pensado de forma situ-</p><p>ada nas relações entre os sujeitos, o traço saliente em estudos atuais sobre o contexto</p><p>realizados por pesquisadores como, por exemplo, Kerbrat-Orecchioni (2006) e Van</p><p>Dijk (2012). Na explicação de Kerbrat-Orecchioni, trata-se de representações que os</p><p>38 * Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Vanda Maria Elias</p><p>interlocutores têm do contexto e, portanto, dados de natureza cognitiva mobilizados</p><p>pelos interlocutores no processo interacional. Nas palavras de Van Dijk (2012: 11),</p><p>contextos são “constructos (inter)subjetivos concebidos passo a passo e atualizados</p><p>na interação pelos participantes enquanto membros de grupos de comunidades”. Na</p><p>defesa dessa tese, argumenta o autor que uma sequência de sentenças de um texto</p><p>é coerente se os usuários da língua forem capazes de construir modelos mentais</p><p>dos eventos ou fatos sobre os quais estão falando ou ouvindo, se forem capazes de</p><p>relacionar entre si os eventos ou fatos presentes nesses modelos.</p><p>Com base no texto (3) ilustraremos essa concepção de contexto que se</p><p>(re)configura de acordo com as interpretações feitas pelos interlocutores no</p><p>processo interacional:</p><p>Texto (3)</p><p>Estadão</p><p>26 de novembro de 2014 -</p><p>Paul McCartney embalou milhares de corações em sua segunda</p><p>apresentação em SP; veja como foi o show http://oesta.do/1th8mPW</p><p>Foto: José Patrício/Estadão</p><p>Gilberto Morais, Saasha Kathleen, Milena Ivanov Petrillo e Principais comentários *</p><p>outras 3.403 pessoas curtiram isso.</p><p>■ 139 compartilhamentos</p><p>O TEXTO NA LINGUÍSTICA TEXTUAL ■ 39</p><p>http://oesta.do/1th8mPW</p><p>Fonte: https://www.facebook.com/estadao/posts/1076954478986280?comment_id=</p><p>1076960188985709&offset=0&total_comments=55 Data de acesso: 04/02/2016</p><p>Na representação do quadro contextual do texto (3) entram em</p><p>jogo conhecimentos sobre suporte e modo de escrita e leitura na mídia social</p><p>Facebook, bem como dinâmica da interação (postagem de um texto para ser</p><p>comentado, curtido ou compartilhado pelos usuários da mídia e, nesse sentido,</p><p>tantos quantos quiserem poderão fazê-lo).</p><p>40 Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Vanda Maria Elias</p><p>https://www.facebook.com/estadao/posts/107695447898628CPcomment_icU</p><p>A matéria que serve de fonte para os comentários tem como tema</p><p>o show de Paul McCartney na cidade de São Paulo em novembro 2014 e,</p><p>de acordo com o conhecimento que se tem do que é e de como funciona o</p><p>Facebook, de como nessa mídia se configuram as práticas comunicativas e</p><p>interacionais, são esperados comentários dos leitores sobre o tema da matéria</p><p>postada pelo jornal.</p><p>Analiticamente, observamos que os usuários, mobilizando modelos men-</p><p>tais e conhecimentos sobre mídia social e formas de interação, gêneros textuais</p><p>(notícia e comentários), o tópico em questão, o uso da língua e de recursos</p><p>próprios nessa situação de interação, produzem comentários em torno do texto</p><p>fonte e nessa atividade se destaca a estratégia de manutenção, de forma explí-</p><p>cita ou não, dos referentes compreendidos como objetos de discurso que foram</p><p>introduzidos no título da matéria do jornal: Paul McCartney e o show.</p><p>Contudo, o contexto que vinha sendo construído foi alterado por co-</p><p>mentários que introduziram novos tópicos:</p><p>• a lei PLN 36/2014</p><p>Congresso, os governistas não conseguiram colocar em votação o PLN</p><p>36/2014, que altera a meta fiscal. A votação desse e, pelo menos, outros</p><p>quatro projetos ficou para a próxima terça-feira (3) às 12 horas</p><p>26 de novembro de 2014 às 18:09</p><p>Diogo Lemos lugar errado amigao</p><p>2 • 26 de novembro de 2014 às 18:10</p><p>Anderson Castro certissímo!!</p><p>26 de novembro de 2014 às 18:11</p><p>Ver mais respostas</p><p>Anderson Castro Vamos nos manifestar contra oque realmente</p><p>importa,contra essa lei!!Mesmo com manobras que ferem o regimento do</p><p>• um grande sonho</p><p>Humor no Face Sei que ninguém vai ler aqui, Mais eu tenho uma grande sonho</p><p>que é ter uma página de 100mil Fãs estou determinada a conseguir, se você leu</p><p>isso me ajude, é só curti minha página e já estará me ajudando a realizar meu</p><p>sonho, Muito Obrigado.</p><p>26 de novembro de 2014 às 16:12</p><p>Ambos os comentários são sinalizadores de que os usuários não apenas</p><p>fazem uma interpretação do contexto levando em conta a situação, os sujeitos</p><p>envolvidos e seus objetivos como também recorrem a essa representação para</p><p>avaliar as ações linguísticas em curso, no quadro de uma atividade negociada</p><p>de produção de sentidos.</p><p>O TEXTO NA LINGUÍSTICA TEXTUAL ■ 41</p><p>É o que indica, por exemplo, o comentário lugar errado amigao em</p><p>resposta ao usuário cujo comentário fugiu ao tema em andamento, e é o que</p><p>faz um outro usuário ciente de que seu comentário foge ao tema, quando</p><p>enuncia Sei que ninguém vai ler aqui.</p><p>O contexto é indispensável para a coerência textual. Englobando o lin-</p><p>guístico, a situação de interação imediata, o entorno sócio-político-cultural e</p><p>a bagagem cognitiva dos interlocutores — este último na verdade subsume os</p><p>demais —, o contexto assume várias funções: avaliar o que é adequado ou não</p><p>numa interação, justificar algo que foi dito (não foi dito) ou que será dito (não</p><p>será dito), desambiguizar enunciados, alterar o que se diz e preencher lacunas</p><p>no texto como aquelas originadas pela introdução de referentes no texto com</p><p>GANHAMOS 0 TOP OF MIND.</p><p>AGORA SÓ FALTA FAZER CHOVER.</p><p>Para o Greenpeace, o Top of Mind é motivo de festa.</p><p>Mas é, também, estimulo para continuar</p><p>promovendo campanhas criativas, pacíficas</p><p>e eficientes.</p><p>Como o Desmatamento Zero.</p><p>As florestas regulam nosso clima e ajudam</p><p>a manter estável o ciclo de chuvas.</p><p>Em outras palavras: floresta é sinônimo</p><p>de água na torneira.</p><p>Infelizmente, nos últimos 50 anos já perdemos - só na</p><p>Amazônia brasileira - 720.000 km2 de florestas.</p><p>Por isso pedimos que você assine agora</p><p>a petição para criar o Projeto de Lei</p><p>de Iniciativa Popular que institui o</p><p>Desmatamento Zero em nosso País.</p><p>Já estamos esperando uma chuva de</p><p>e-mails e SMSs para que a gente possa</p><p>barrar o desmatamento na Amazônia e no Brasil.</p><p>Acesse agora: www.GREENPEACE.ORG.BR ou envie um SMS com a palavra #F0LHA + seu nome para 27800 e saiba mais!</p><p>Precisamos de 1 Milhão e 400 mil assinaturas.</p><p>Já temos 1 Milhão e 30 Mil assinaturas. Só faltam 370 mil.</p><p>Assine agora. Compartilhe.</p><p>Fonte: Folha de S.Paulo. Terça-feira, 28 de outubro de 2014. Mundo, A19.</p><p>42 ■ Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Vanda Maria Elias</p><p>http://www.GREENPEACE.ORG.BR</p><p>base nos princípios de compartilhamento de conhecimentos e conectividade,</p><p>em foco na exemplificação feita com o texto (4).</p><p>No texto (4), observamos que referentes como, por exemplo, o Top of Mind,</p><p>o Greenpace, são introduzidos no texto sob a capa do conhecido, apostando-se</p><p>que faça parte da bagagem cognitiva do leitor o conhecimento de que:</p><p>• Top of Mind é um termo da área de marketing empresarial aplicado para</p><p>a identificação das marcas mais populares na mente dos consumidores;</p><p>• Greenpeace é uma organização global que atua para proteger o meio am-</p><p>biente, promover a paz e inspirar mudanças de atitudes que garantam um</p><p>futuro mais verde e limpo para esta e para as futuras gerações.</p><p>Esses referentes constituem um caso especial de anáforas. Na visão tradicio-</p><p>nal, explica-nos Schwarz-Friesel (2007), a anáfora é usada para continuar uma</p><p>referência preestabelecida no texto e, como tal, aponta para um antecedente</p><p>específico no mundo textual para manter o foco atual, razão pela qual tem</p><p>como função principal a continuidade tópica. A respeito disso, ainda segundo</p><p>a autora, anáforas têm sido descritas como meras sugestões de “recuperação”</p><p>ou “ecos semânticos de seus antecedentes”.</p><p>Mas, no caso do nosso exemplo, as expressões nominais definidas constituem</p><p>referentes que aparecem no texto como entidades “dadas e novas”, entendendo-se</p><p>por “dado” que o referente é mentalmente acessível no modelo de mundo textual,</p><p>e por “novo” que ele não se enquadra nesse caso. Trata-se, portanto, do fenô-</p><p>meno denominado na literatura como anáforas indiretas (Schwarz-Friesel, 2007).</p><p>Na configuração linguística da anáfora indireta, o artigo definido assume</p><p>a função de sinalizar a acessibilidade do referente. Como na materialidade do</p><p>texto não é encontrado antecedente explícito, exige-se algum processo de anco-</p><p>ragem no texto para a sua interpretação. Em geral, as condições de ancoragem</p><p>de referentes para anáforas indiretas podem ser formuladas da seguinte maneira,</p><p>segundo Schwarz-Friesel (2007): o referente de uma anáfora indireta deve ser</p><p>uma parte identificável da estrutura semântica das sentenças precedentes ou</p><p>deve ser um valor predeterminado de um frame ou script específico ou deve</p><p>ser inferível pelo conhecimento de mundo.</p><p>Como meio para estabelecer a coerência, as anáforas indiretas são ele-</p><p>mentos sinalizadores de uma noção de contexto e de sentido situado que se dá</p><p>na relação interativa, dinâmica e reflexa com alta participação de suposições</p><p>cognitivas e partilhamento de regras e conteúdos (linguísticos ou não), como</p><p>afirma Marcuschi.</p><p>O TEXTO NA LINGUÍSTICA TEXTUAL ■ 43</p><p>3.6. Estudos do texto: perspectivas futuras</p><p>Em suas reflexões, Koch (2002, 2004) aponta para um conjunto de temas</p><p>que, sob o viés da sociocognição, vem se constituindo em foco de interesse</p><p>para estudiosos do texto. Como objetos de investigação contidos nesse conjunto</p><p>destacam-se a referenciação, a topicalização, a coerência, o contexto, o balancea-</p><p>mento entre dado e novo, a hibridização oralidade — escrita, a multimodalidade,</p><p>a hipertextualização. Três desses temas foram objeto de nossa atenção neste</p><p>capítulo no espaço em que nos foi permitido fazê-lo.</p><p>Em se tratando especificamente da hipertextualização, desde os anos 1990,</p><p>linguistas de texto na Alemanha vêm providenciando conceitos e métodos para</p><p>a análise de textos cada vez mais complexos (Blühdhorn & Andrade, 2009).</p><p>Também a partir dessa década, no Brasil, Marcuschi e Koch, sugerindo que o</p><p>hipertexto fosse inserido na agenda de estudos da linguística textual, realizaram</p><p>os primeiros estudos sobre esse texto formado por links e nós e com caracterís-</p><p>ticas peculiares ao contexto no qual é produzido, veiculado e lido.</p><p>De lá para cá, segundo Elias (2012, 2014, 2015), as pesquisas sobre o</p><p>hipertexto vêm focalizando aspectos como traços característicos desse modo</p><p>de produção e leitura, suporte, imbricação fala/escrita, emergência de novas</p><p>práticas comunicativas e convergência de linguagens e mídias. Isso porque,</p><p>segundo argumenta a autora, as práticas hipertextuais vêm influenciando prá-</p><p>ticas textuais no papel de modo mais acentuado ou menos acentuado, em uma</p><p>perspectiva que, longe da oposição, aponta para a bidirecionalidade marcada</p><p>nos movimentos “do texto para o hipertexto” e “do hipertexto para o texto” ou</p><p>para o intercambiamento entre práticas textuais no papel e nas mídias digitais.</p><p>Esse processo de complexificação exige dos linguistas de texto o desenvolvi-</p><p>mento de modelos teórico-analíticos para o tratamento de fenômenos linguísticos</p><p>e textuais que, constituídos no contexto da cultura digital, requerem a (re)ela-</p><p>boração de conceitos e a descoberta de procedimentos capazes de dar conta dos</p><p>muitos aspectos envolvidos nos processos de produção e compreensão de textos.</p><p>44 ■ Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Vanda Maria Elias</p>

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