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Empreendedorismo: Conceitos e História

Aula sobre empreendedorismo (Aula 1 — Da ideia ao plano de negócios) que define empreendedorismo, traça histórico mundial e no Brasil, cita autores e entidades (Aurélio, Novato, Schumpeter, Dornelas, Sebrae, Softex) e descreve características do empreendedor (criatividade, busca de oportunidades).

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<p>AULA 1</p><p>DA IDEIA AO PLANO DE</p><p>NEGÓCIOS</p><p>Profª Silvia Gonçalves</p><p>2</p><p>TEMA 1 – EMPREENDEDORISMO: O QUE É?</p><p>Os perfis de muitas pessoas sofreram mudanças muito significativas em</p><p>termos de empreendedorismo. Antigamente, a principal questão era tentar entrar</p><p>no mercado de trabalho, em empresas de grande nome, conhecidas</p><p>mundialmente, e que trouxessem estabilidade financeira. Já no contexto atual, a</p><p>colocação desejada não envolve mais ter registro em carteira de trabalho, e, sim,</p><p>empreender.</p><p>Mas surgem algumas dúvidas: como empreender? Qualquer pessoa nasce</p><p>empreendedora? Como está o mercado nacional para empreendedores?</p><p>Para começar nossa aula e responder a essas perguntas, temos que</p><p>conhecer um pouco sobre como o empreendedorismo nasceu no mundo e no</p><p>Brasil, e, para isso, nada melhor do que começar pela definição da palavra</p><p>empreendedorismo.</p><p>De acordo com o Dicionário Aurélio Online (S.d.), define-se como</p><p>empreendedorismo “[...] Atitude de quem, por iniciativa própria, realiza ações ou</p><p>idealiza novos métodos com o objetivo de desenvolver e dinamizar serviços,</p><p>produtos ou quaisquer atividades de organização e administração”.</p><p>Podemos dizer que empreender tem tudo a ver com assumir riscos e</p><p>começar algo inovador, diferente e que solucione tanto processos antigos quanto</p><p>novos.</p><p>Figura 1 – Empreendedorismo: ideias inovadoras, criativas</p><p>Fonte: ImageFlow/Shutterstock.</p><p>3</p><p>Por empreendedorismo, segundo Novato (2014), entende-se um estudo</p><p>dedicado ao desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à</p><p>criação. Com isso, é notável o crescimento econômico e, consequentemente, a</p><p>geração de riqueza e sua importância tanto para a economia quanto para o</p><p>desenvolvimento social.</p><p>O empreendedorismo é tão antigo quanto a humanidade. Na verdade, ele</p><p>existe desde a primeira ação inovadora do homem, como a criação de ferramentas</p><p>para caçar e sobreviver na Idade da Pedra. Depois, vieram as grandes civilizações</p><p>antigas, como a dos egípcios e a dos maias, que foram capazes de construir</p><p>pirâmides e evoluir com a criação de técnicas agrícolas e de construção</p><p>(Sosnowski, 2017).</p><p>Na Idade Média, a maior parte da humanidade trabalhava por conta própria</p><p>e, assim, podiam ser denominados empreendedores. Eram agricultores, artesãos,</p><p>escultores, profissionais liberais e clérigos, que ficavam encarregados de</p><p>gerenciar a construção de grandes obras arquitetônicas da Igreja. Mas foi a partir</p><p>do século XV que o empreendedorismo passou a ter contornos econômicos,</p><p>quando surgiu o mercantilismo. Para dar vazão a alimentos e mercadorias</p><p>excedentes, portugueses, holandeses, ingleses e espanhóis passaram a</p><p>desbravar o mundo em grandes navegações e a expandir suas rotas comerciais</p><p>em missões empreendedoras (Sosnowski, 2017).</p><p>Segundo Dornelas (2016), o empreendedorismo no Brasil surgiu nos anos</p><p>1990, com muita força, durante a abertura que o povo teve para a economia. Com</p><p>a entrada de fornecedores estrangeiros, começou a existir competição e controle</p><p>de preços, o que foi uma condição muito importante para que o país voltasse a</p><p>crescer, mas que trouxe problemas para alguns setores que não conseguiram</p><p>competir com os produtos importados por falta de planejamento.</p><p>Apesar de seu surgimento nos anos 1990, o conceito de</p><p>empreendedorismo foi utilizado inicialmente pelo economista Joseph Schumpeter,</p><p>em 1950. O movimento empreendedor no Brasil começou a tomar forma quando</p><p>entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas</p><p>(Sebrae) e a Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro</p><p>(Softex) foram criadas (Dornelas, 2016).</p><p>O empreendedorismo é essencial nas sociedades, pois é por meio dele que</p><p>as empresas buscam a inovação, preocupando-se em transformar conhecimentos</p><p>em novos produtos (Bessant, 2009).</p><p>4</p><p>TEMA 2 – O EMPREENDEDOR</p><p>Para ser um empreendedor não basta apenas ter uma boa ideia e querer</p><p>concretizá-la sem antes dedicar-se muito ao trabalho e aos estudos. Conhecer o</p><p>que você quer é o primeiro passo de um longo caminho.</p><p>Segundo Schneider (2012), o empreendedor tem como característica</p><p>básica o espírito criativo e pesquisador. Ele está constantemente em busca de</p><p>novos caminhos e novas soluções, sempre tendo em vista as necessidades das</p><p>pessoas. A essência do sucesso é a busca de novos negócios e oportunidades,</p><p>além da preocupação com a melhoria de um produto. Empreendedores</p><p>questionam a realidade e fazem acontecer a evolução todos os dias, em todas as</p><p>partes do Brasil e do mundo. Solucionando problemas de outras pessoas, de</p><p>outras empresas ou de toda a sociedade, seus negócios são os grandes</p><p>promotores do desenvolvimento.</p><p>A figura 2 mostra três características já comentadas em nossa aula e que</p><p>são partes fundamentais do empreendedor.</p><p>Figura 2 – O empreendedor</p><p>Fonte: Schneider, 2012.</p><p>Ser empreendedor, segundo o famoso escritor Augusto Cury,</p><p>é executar os sonhos, mesmo que haja riscos. É enfrentar os problemas,</p><p>mesmo não tendo forças. É caminhar por lugares desconhecidos,</p><p>mesmo sem bússola. É tomar atitudes que ninguém tomou. É ter</p><p>consciência de que quem vence sem obstáculos triunfa sem glória. É</p><p>não esperar uma herança, mas construir uma história... Quantos projetos</p><p>você deixou para trás? Quantas vezes seus temores bloquearam seus</p><p>5</p><p>sonhos? Ser um empreendedor não é esperar a felicidade acontecer,</p><p>mas conquistá-la. (Portal MEI, S.d.)</p><p>Para tornar-se um empreendedor é preciso antes de tudo pensar como</p><p>um empreendedor. E para isso, é necessário nos analisar e analisar</p><p>também o ambiente que nos cerca. Ter um autoconhecimento. Saber</p><p>seus pontos fortes, seus pontos vulneráveis. E depois dessa avaliação,</p><p>buscar suprir os pontos fracos e fortalecer ainda mais suas vantagens.</p><p>Enquadrar as características que percebeu sobre si e aperfeiçoá-las</p><p>conforme as características citadas como as de um empreendedor.</p><p>Sempre é possível treinar seus hábitos e características. (Novato, 2016)</p><p>Mário Manhães Mosso (2010), porém, volta à definição original de</p><p>empreendedor, mostrando que o empreendedorismo tem mais chances de</p><p>sucesso por meio do empreender empresarial. Isso quer dizer: não basta o gosto</p><p>por assumir riscos, é importante ter um comportamento de empresário, que</p><p>organiza, planeja e estuda profundamente o assunto para ter uma atividade com</p><p>sucesso consistente.</p><p>Como um investidor, inovador e gestor, o empreendedor logo teve seu</p><p>aspecto expandido no mercado de trabalho, tornando-se um profissional</p><p>real, com intenções variadas e amplos planejamentos. Rumo ao sucesso</p><p>de carreira, o empreendedor se fortaleceu em áreas diversas, tomando</p><p>jovens e adultos numa jornada altamente inventiva e diferenciada</p><p>O empreendedor surge como uma figura independente de capitalistas,</p><p>sendo o profissional que trabalha com seus próprios planos e</p><p>investimentos, sem o dedo de terceiros. Atualmente, o conceito se refere</p><p>ao profissional que dá início a uma organização, tanto em setores</p><p>inovadores quanto tradicionais, mas no início de seu trabalho, o conceito</p><p>era sobre um profissional que possuía habilidades técnicas para</p><p>produzir, colaborando no desenvolvimento econômico com a</p><p>transformação de recursos em negócios lucrativos (IPED, 2018).</p><p>Mais que conhecimentos técnicos, uma pessoa empreendedora possui</p><p>algumas características específicas que o direcionam ao sucesso.</p><p>De acordo com o Endeavor, que é uma referência ao traçar o perfil do</p><p>empreendedor, há alguns traços que todos os empreendedores e</p><p>candidatos a empreendedor precisam ter. Entre elas, estão:</p><p>• Autoconfiança</p><p>• Otimismo</p><p>• Coragem para aceitar riscos</p><p>• Vontade de ser reconhecido</p><p>• Resiliência</p><p>• Perseverança. (Oriente Desenvolvimento Humano, 2018)</p><p>Para Dolabela (2008), autor de O segredo de Luísa, o empreendedor se</p><p>desenvolve a partir do convívio em família, com amigos, no trabalho, na sociedade</p><p>em geral, o que favorece o desenvolvimento de alguns</p><p>talentos e características</p><p>e bloqueia e enfraquece outros. Isso ocorre enquanto acumulamos experiência de</p><p>vida, como no caso de Luísa, sua protagonista empreendedora. Para o autor, o</p><p>empreendedor é um ser social, fruto da relação constante entre talentos e</p><p>características individuais e o meio. Cada meio cria, mais ou menos,</p><p>6</p><p>empreendedores, conforme a sua dinâmica e a motivação dispensada às</p><p>iniciativas empreendedoras: quanto maior a motivação oferecida pelo meio para</p><p>iniciativas empreendedoras, maior o número de empreendedores.</p><p>TEMA 3 – TIPOS DE EMPREENDEDORES</p><p>Segundo Dornelas (2014), com mais de 5 milhões de pequenas empresas</p><p>no Brasil, não poderiam faltar vários tipos de empreendedores. Como cada um</p><p>tem seus motivos para empreender, as variações são grandes.</p><p>É possível separar esses empreendedores em dois grandes grupos:</p><p>aqueles que o são por necessidade, que só empreendem para sobreviver; e</p><p>aqueles que o são por oportunidade, que identificam um nicho com potencial de</p><p>crescimento (Dornelas, 2014).</p><p>A seguir, apresentamos os principais tipos de perfil de empreendedores,</p><p>propostos por José Dornelas, em seu livro Empreendedorismo para visionários</p><p>(2014).</p><p>3.1 O informal</p><p>Esse tipo ganha dinheiro porque precisa sobreviver. “O informal está muito</p><p>ligado a necessidades. A pessoa não tem visão de longo prazo, quer atender</p><p>necessidade de agora”.</p><p>O empreendedor com esse perfil trabalha para garantir o suficiente para</p><p>viver, tem um risco relativamente baixo e não tem muitos planos para o futuro.</p><p>Esse tipo tem diminuído bastante com iniciativas como a do Microempreendedor</p><p>Individual (MEI) (Dornelas, 2014).</p><p>3.2 O cooperado</p><p>Esse tipo costuma empreender ligado a cooperativas, como as de artesãos.</p><p>Por isso, trabalho em equipe é primordial. Sua meta é crescer até poder ser</p><p>independente. Esse tipo empreende “de maneira muito intuitiva”, explica Dornelas</p><p>(2014). Geralmente, dispõem de poucos recursos e tem um baixo custo (Dornelas,</p><p>2014).</p><p>7</p><p>3.3 O individual</p><p>Esse é o empreendedor informal que se formalizou por meio da MEI e</p><p>começou a estruturar de fato uma empresa. “Por mais que esteja formalizado, ele</p><p>não está pensando em crescer muito”, diz Dornelas (2014). Esse perfil ainda está</p><p>muito ligado à necessidade de sobrevivência e geralmente trabalha sozinho ou</p><p>com mais um funcionário apenas (Dornelas, 2014).</p><p>3.4 O franqueado e o franqueador</p><p>Muitos desconsideram o franqueado como empreendedor, mas a iniciativa</p><p>de comandar o negócio, mesmo que uma franquia, deve ser levada em conta.</p><p>Geralmente, procuram uma renda mensal média e o retorno do investimento. Do</p><p>outro lado, está o franqueador, responsável por construir uma rede por meio de</p><p>sua marca. “Costumam ser exemplos de empreendedorismo” (Dornelas, 2014).</p><p>3.5 O social</p><p>A vontade de fazer algo bom pelo mundo aliada àquela de ganhar dinheiro</p><p>move esse empreendedor. Esse tipo tem crescido muito, principalmente entre os</p><p>jovens que, ainda na faculdade, abrem o próprio negócio para resolver problemas</p><p>que a área pública não consegue. Nessa categoria, o trabalho em equipe é</p><p>primordial e o objetivo é mudar o mundo e inspirar outras pessoas a fazer o</p><p>mesmo (Dornelas, 2014).</p><p>3.6 O corporativo</p><p>É o intraempreendedor, ou seja, o funcionário que empreende novos</p><p>projetos na empresa em que trabalha. O dilema das empresas hoje é aumentar a</p><p>quantidade de pessoas com esse perfil. Seu principal objetivo é crescer na</p><p>carreira, com promoções e bônus (Dornelas, 2014).</p><p>3.7 O público</p><p>O empreendedor público é uma variação do corporativo para o setor</p><p>governamental. Ainda existem muitos funcionários públicos preocupados em</p><p>utilizar recursos de forma mais eficiente e inovar nos serviços básicos. Sua</p><p>8</p><p>motivação está ligada ao fato de conseguir provar que seu trabalho é nobre e tem</p><p>valor para a sociedade (Dornelas, 2014).</p><p>3.8 O do conhecimento</p><p>Esse empreendedor usa um profundo conhecimento em determinada área</p><p>para conseguir faturar. É como um atleta que se prepara e ganha medalhas</p><p>importantes. Ele sabe capitalizar para empreender e fazer acontecer. Busca</p><p>realização profissional e reconhecimento com isso (Dornelas, 2014).</p><p>3.9 O do negócio público</p><p>Esse é o mais comum, e costuma abrir um negócio próprio por estilo de</p><p>vida ou porque pensa grande. É aquele que mais se aproxima do visionário</p><p>(Dornelas, 2014).</p><p>Dentro desse perfil, encontramos subtipos: o empreendedor nato, o serial</p><p>e o normal, entre outros, sobre os quais comentaremos no próximo tema.</p><p>TEMA 4 – AS CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR</p><p>Conforme levantamento feito pela Endeavor em 2014, com base em um</p><p>estudo com 4 mil pessoas sobre a cultura empreendedora, descobriu-se que</p><p>existem seis perfis de empreender.</p><p>Segundo Dornelas (2014), esses perfis estão ligados ao tipo de</p><p>empreendedorismo do negócio próprio que, relembrando, é o mais comum e está</p><p>geralmente vinculado ao próprio negócio.</p><p>A seguir, apresentamos os seis tipos com suas descrições. Em qual deles</p><p>você se enquadra? Essa é uma avaliação muito importante para saber o rumo do</p><p>seu empreendimento.</p><p>4.1 Situacionista</p><p>Não é todo dia que uma oportunidade bate à porta. Para o empreendedor</p><p>situacionista, a oportunidade bateu e ele resolveu deixar ela entrar. Esse</p><p>empreendedor pode estar insatisfeito com o mercado de trabalho atual. Talvez</p><p>esteja desempregado, ou empregado, mas querendo algo mais. É aí que surge a</p><p>grande chance e ele – ou, melhor dizendo, ela (esse é o perfil que abriga mais</p><p>mulheres) – resolve agarrá-la! O empreendedor situacionista aprende com os</p><p>9</p><p>acertos e os erros, e raramente tem todas as características apontadas no Tema</p><p>2 (autoconfiança, otimismo, coragem para aceitar riscos, vontade de ser</p><p>reconhecido, resiliência e perseverança). Muitos têm um ou mais de um fracasso</p><p>e desistem de empreender, mas aqueles que obtêm sucesso permanecem por</p><p>muitos anos no mundo do empreendedorismo. Esse é o tipo mais comum de</p><p>empreendedor, mas também o menos otimista e aquele com mais medo de</p><p>arriscar. Inovação definitivamente não é com o situacionista (Dornelas, 2014).</p><p>4.2 Nato</p><p>Esse é o empreendedor místico que é personagem de filme. É o menino</p><p>dos longas-metragens norte-americanos que desde cedo quer conquistar seu</p><p>dinheiro vendendo limonada. É aquele ídolo do Vale do Silício, que começou em</p><p>uma garagem e em menos de dez anos construiu um império. O empreendedor</p><p>nato é aquele que vê oportunidades de negócios por todos os lados desde cedo.</p><p>É aquele que não se desespera com um problema, mas sempre quebra a cabeça</p><p>até encontrar uma solução – uma que seja, de preferência, lucrativa.</p><p>Esse perfil é também chamado de intraempreendedor, pois sempre teve</p><p>o gene do empreendedorismo no DNA, ainda que ele tenha ficado adormecido</p><p>durante uma parte da vida. Quando o empreendedor nato não tem seu próprio</p><p>negócio, tende a se dedicar de corpo e alma à profissão que escolheu, chegando</p><p>a cargos de gerência. Os empreendedores natos são os que assumem mais riscos</p><p>e têm mais autoconfiança. Eles também tendem a ser muito curiosos e</p><p>perfeccionistas (Dornelas, 2014).</p><p>4.3 Meu jeito</p><p>“Se você quer bem feito, faça você mesmo”. Se cada perfil tivesse que</p><p>escolher um lema, esse seria o eleito pelo empreendedor meu jeito. Ele gosta de</p><p>seguir seu ritmo, ditar suas próprias regras e tem valores muito fortes, contra os</p><p>quais não pode lutar. Isso significa que muitos desses empreendedores abriram</p><p>seu próprio negócio após se desligarem de alguma empresa, porque lá dentro</p><p>viram que teriam de trabalhar seguindo algo em que não acreditavam. Crenças e</p><p>valores significam muito para eles, assim como a autoconfiança e a sensação de</p><p>que podem fazer tudo de maneira melhor do que a que já está sendo feita. Por</p><p>sua aparente rebeldia e incapacidade de cumprir regras, é comum que o</p><p>10</p><p>empreendedor meu jeito escolha profissões liberais ou aquelas</p><p>nas quais possa</p><p>trabalhar como autônomo. Muitas mulheres também se encaixam nesse perfil</p><p>(Dornelas, 2014).</p><p>4.4 Em busca do milhão</p><p>Ambição é o que move esse empreendedor. E aqui o termo ambição não</p><p>se refere a fama ou reconhecimento, apenas a dinheiro mesmo. Esse tipo de</p><p>empreendedor é aquele que estabelece metas financeiras precisas e se esforça</p><p>ao máximo para alcançá-las. São jovens que pretendem ganhar o primeiro milhão</p><p>antes dos 30 anos, e a partir de então só multiplicar a fortuna. A maioria dos</p><p>empreendedores nessa categoria tem entre 25 e 34 anos (Dornelas, 2014).</p><p>4.5 Idealista</p><p>Eles querem mudar o mundo e estão prontos para arregaçar as mangas.</p><p>Sim, o lucro é importante para eles, mas mais importante é transformar a vida das</p><p>pessoas. Esse perfil de empreendedor tem grandes sonhos e considera muito</p><p>importante seguir suas crenças e, se possível, espalhá-las pelo mundo. Por isso,</p><p>são as pessoas certas para inovar, criar negócios alternativos e alimentar nichos</p><p>até então ignorados por outros setores da economia (Dornelas, 2014).</p><p>4.6 Herdeiro</p><p>Ele não necessariamente herdou um negócio lucrativo dos pais, embora</p><p>isso aconteça em alguns casos dentro desse perfil. A maioria dos</p><p>empreendedores herdeiros, na verdade, herdou exemplos e ambições do pai, da</p><p>mãe ou dos avós. Nesse perfil, entram as pessoas que viram os pais ou avós</p><p>terem um sonho empreendedor sem nunca poder realizá-lo, e também as pessoas</p><p>que aprenderam com as gerações passadas tudo sobre o que eles não queriam</p><p>para o futuro. Por isso, o empreendedor herdeiro costuma investir bastante em</p><p>capacitação, afinal, quem herda uma empresa precisa estar preparado para</p><p>administrá-la, e quem quer ser dono de uma precisa descobrir tudo sobre seu</p><p>segmento e sobre como fazer a empresa prosperar. A maioria desses</p><p>empreendedores é do sexo masculino, e tem entre 50 e 64 anos (Dornelas, 2014).</p><p>11</p><p>Independentemente do tipo de empreendedorismo e características de um</p><p>empreendedor, temos que ter em mente que, para se tornar um empreendedor de</p><p>sucesso, é preciso reunir alguns atributos, alguns dos quais podemos ver na</p><p>Figura 3.</p><p>Figura 3 – Características do empreendedor de sucesso</p><p>Fonte: Sebrae, 2019.</p><p>TEMA 5 – ENTRANDO NO MUNDO DO EMPREENDEDORISMO</p><p>A missão de vida das pessoas é encontrar a felicidade. Então, o ser</p><p>humano empreende pela felicidade, talvez não pensando nela como um alvo, mas</p><p>sim como uma empreitada, durante a qual vai colhendo momentos de felicidade</p><p>enquanto busca a realização de seus sonhos. A Figura 4 mostra que,</p><p>independentemente do modo como o indivíduo empreende, o que importa é a</p><p>12</p><p>busca pela felicidade em todas as ações. Os círculos concêntricos mostram que</p><p>o empreendedor pode realizar uma ou todas as formas de empreender. Na</p><p>verdade, ele pode deter todas elas, mas desenvolver aquelas que lhe parecerem</p><p>mais interessantes (Schneider, 2012).</p><p>Figura 4 – Empreender é ser feliz</p><p>Fonte: Schneider, 2012.</p><p>Segundo Schneider (2012), o empreendedor sabe que passará por</p><p>diferentes momentos durante a caminhada, nos quais poderá:</p><p>• Decidir se realmente deseja empreender e o que precisa fazer para estar</p><p>apto a tal ação;</p><p>• Buscar ideias, oportunidades ou sonhos que possam ser o alvo adequado</p><p>da empreitada;</p><p>• Avaliar as ideias e as oportunidades, de modo que possa determinar quais</p><p>são as melhores, as mais adequadas e o potencial para dar rumo à</p><p>caminhada empreendedora;</p><p>• Montar um plano de negócios e buscar meios financeiros para torná-lo</p><p>viável;</p><p>• Executar o plano, ou seja, empresariar a ideia, tornando-a real, eficaz e</p><p>interessante, tanto para si quanto para seus colaboradores e para o</p><p>mercado.</p><p>Como se pode notar, trata-se de um percurso longo e desgastante, que</p><p>exige passar por diferentes momentos, competências e desafios, e que</p><p>frequentemente promove surpresas, decepções, imprevistos e descobertas que</p><p>podem afetar de modo profundo o caminhar empreendedor (Schneider, 2012).</p><p>13</p><p>Antes de se delinear a caminhada empreendedora, é importante distinguir</p><p>os dois tipos de visão que levam o empreendedor a trilhar esse caminho, uma vez</p><p>que as causas da ação empreendedora podem ser frutos de uma necessidade ou</p><p>de uma oportunidade. Movida pela necessidade, a caminhada pode ser motivada</p><p>pela falta de alternativa satisfatória de ocupação e renda, ou seja, as pessoas</p><p>precisam empreender, pois não poderão sobreviver e dar sustento a seus</p><p>familiares se assim não o fizerem (Schneider, 2012).</p><p>Portanto, é um tipo de ação mais sofrida e competitiva que leva, em alguns</p><p>casos, a ações precipitadas, pouco potencializadas e com maiores chances de</p><p>fracasso. Entretanto, há diversos casos de empreendedores que, movidos por</p><p>necessidade, obtiveram sucesso pleno na caminhada. De modo geral, o</p><p>empreendedorismo por necessidade leva a empreendimentos menos inovadores</p><p>e mais concorridos. A pessoa que, de repente, se vê na obrigação de empreender</p><p>não tem tempo para se planejar e se preparar mais profundamente. Ela precisa</p><p>agir rapidamente e, por vezes, acaba entrando em mercados que exigem menos</p><p>preparo técnico e que, portanto, são mais concorridos. É um tipo de</p><p>empreendedorismo com maior probabilidade de insucesso e que se mostra mais</p><p>presente em sociedades com maior desequilíbrio econômico e social (Schneider,</p><p>2012).</p><p>Outro tipo de empreendedor é aquele que empreende por oportunidade, o</p><p>que muitos chamam de empreendedor por desejo. É um tipo de caminhada mais</p><p>planejada, mais pensada, calcada na razão e menos influenciada pela emoção</p><p>advinda da pressão de necessitar empreender. Nesse tipo de empreendedorismo</p><p>são feitos estudos prévios mais detalhados, pesquisas de mercado, avaliações de</p><p>cenários, tendências e detecção de nichos e oportunidades. Também permite que</p><p>se estabeleçam estratégias menos arriscadas que a de entrar no mercado por</p><p>necessidade (Schneider, 2012).</p><p>No Brasil, percebe-se a mudança de um contexto mais intenso de</p><p>empreendedores por necessidade para um equilíbrio entre os dois tipos. Surgem</p><p>negócios inovadores, com maior grau de complexidade técnica e que exigem</p><p>maior volume de capital (Schneider, 2012).</p><p>5.1 Grandes empreendedores: casos de sucesso</p><p>Algumas das palavras que ouvimos quando tratamos de</p><p>empreendedorismo são as seguintes: oportunidades, competências, mudanças,</p><p>14</p><p>impacto positivo. Você se identifica com elas? Em breve veremos a ideia sair do</p><p>papel. Mas, antes, veremos três casos de sucesso para que você possa se inspirar</p><p>e se tornar um novo empreendedor de um negócio bem-sucedido.</p><p>5.1.1 Thomas Edison, o empreendedor do século XIX</p><p>O norte-americano Thomas Alva Edison é um daqueles raros exemplos de</p><p>personagem que conseguiu se destacar igualmente em dois campos diferentes.</p><p>Um dos maiores inventores de todos os tempos, soube transformar cada uma de</p><p>suas descobertas em negócios lucrativos, o que faz dele, até hoje, um modelo de</p><p>cientista empreendedor – uma espécie de Steve Jobs do século XIX. Criador da</p><p>lâmpada, da filmadora e do fonógrafo – primeiro aparelho capaz de gravar e</p><p>reproduzir sons –, Edison fundou uma série de empresas para fazer dinheiro com</p><p>suas invenções, atuando em vários ramos, como os de fonógrafos, cinema,</p><p>telégrafos, telefones, mineração, cimento, baterias automotivas e energia elétrica.</p><p>Uma de suas companhias, aliás, existe até hoje. Trata-se da General Electric, que</p><p>lucrou mais de US$ 24 bilhões em 2013 (Sosnowski, 2017).</p><p>5.1.2 Antônio Luiz Seabra, empreendedor brasileiro fundador da Natura</p><p>Para quem deseja empreender, uma boa referência de empreendedor de</p><p>sucesso é o empresário Antônio Luiz Seabra, um dos fundadores da empresa</p><p>Natura, uma das marcas de cosméticos mais utilizadas no Brasil. Seabra se</p><p>destaca por ter feito o negócio crescer e se revelar um excelente administrador,</p><p>com capacidade para gerir a empresa, levando-a ao ponto mais alto de seu setor</p><p>de</p><p>atuação.</p><p>O empreendedor começou o seu negócio com uma pequena fábrica, sete</p><p>funcionários e um fusca, em São Paulo, na Rua Oscar Freire. Com a perspectiva</p><p>de crescimento do negócio, Seabra agregou mais dois sócios ao seu</p><p>empreendimento, Pedro Passos e Guilherme Leal. A partir deste momento a</p><p>Natura passou a crescer em grandes proporções, sendo conhecida em</p><p>praticamente todos os estados do país. Um dos principais fatores para a marca</p><p>ter sido adotada pelos brasileiros foi a forma que ela encontrou para falar com os</p><p>clientes, o que era novidade na época: surgiu o jeito Natura de ser, oferecendo</p><p>simplicidade e produtos de qualidade (Gonçalves, S.d.).</p><p>15</p><p>5.1.3 Robinson Shiba, fundador do China In Box</p><p>Robinson Shiba se formou em uma profissão que nada tem a ver com o</p><p>seu negócio atual. Graduado em odontologia, logo após a conclusão da faculdade</p><p>decidiu não ser dentista. Deixando aflorar as suas características</p><p>empreendedoras, ele criou o primeiro delivery do Brasil de comida chinesa na</p><p>caixa, em Maringá, no Paraná, tornando-se um dos maiores empreendedores de</p><p>sucesso no Brasil.</p><p>O negócio se destacou por ser inovador. A ideia nasceu de uma viagem</p><p>aos Estados Unidos. No início, a família não apoiou Robinson; somente seu pai,</p><p>que está presente até hoje no conselho de administração da empresa, acreditou</p><p>em seu sonho e investiu. Porém, mesmo sem ser incentivado, ele persistiu e abriu</p><p>um negócio que atualmente é um sucesso (Gonçalves, S.d.).</p><p>No final desta nossa aula, deixamos aqui duas frases sobre as quais você</p><p>deve refletir:</p><p>“Sonhos grandes mudam o mundo, se você tiver disposição e garra para</p><p>realizá-los!” (Santos Dumont)</p><p>“Empreender é se jogar de um precipício e construir um avião durante a</p><p>queda.” (Reid Hoffman)</p><p>16</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BESSANT, J. Inovação e empreendedorismo. São Paulo: Bookman, 2009.</p><p>DOLABELA, F. O segredo de Luísa. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2008.</p><p>DORNELAS, J. Empreendedorismo para visionários: desenvolvendo negócios</p><p>inovadores para um mundo em transformação. 1. ed. São Paulo: LTC, 2014.</p><p>_____. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 6. ed. São</p><p>Paulo: Atlas, 2016.</p><p>EMPREENDEDORISMO. In: Dicionário Aurélio Online. Disponível em:</p><p><https://dicionariodoaurelio.com/empreendedorismo>. Acesso em: 5 jun. 2019.</p><p>ENTENDA alguns perfis empreendedor. Oriente Desenvolvimento Humano, 25</p><p>ju. 2018. Disponível em: <https://rhoriente.com.br/entenda-alguns-perfis-</p><p>empreendedor/>. Acesso em: 5 jun. 2019.</p><p>GONÇALVES, V. Os 8 maiores empreendedores de sucesso. Novo Negócio,</p><p>S.d. Disponível em: <https://novonegocio.com.br/casos/8-empreendedores-</p><p>sucesso/>. Acesso em: 5 jun. 2019.</p><p>MOSSO, M. M. Pequena empresa e empreendedorismo: eternamente fênix. Rio</p><p>de Janeiro: Qualitymark, 2010.</p><p>NOVATO, D. O que é empreendedorismo? Oficina da Net, 21 mar. 2014.</p><p>Disponível em: <https://www.oficinadanet.com.br/post/12535-</p><p>empreendedorismo>. Acesso em: 5 jun. 2019.</p><p>O QUE é empreendedorismo. Portal MEI, S.d. Disponível em:</p><p><https://www.portalmei.org/o-que-e-empreendedorismo/>. Acesso em: 6 jun.</p><p>2019.</p><p>SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. O que é</p><p>ser empreendedor, 23 jan. 2019. Disponível em:</p><p><http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/o-que-e-ser-</p><p>empreendedor,ad17080a3e107410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso</p><p>em: 6 jun. 2019.</p><p>QUANDO surgiu o empreendedorismo? Instituto Politécnico de Ensino a</p><p>Distância (IPED). Disponível em: <https://www.iped.com.br/materias/gestao-e-</p><p>lideranca/empreendedorismo.html>. Acesso em: 5 jun. 2019.</p><p>17</p><p>SCHNEIDER, E. I. A caminhada empreendedora: a jornada de transformação</p><p>de sonhos em realidade. 1. ed. Curitiba: InterSaberes, 2012.</p><p>SOSNOWSKI, A. S. Empreendedorismo para leigos. 1 ed. Rio de Janeiro: Alta</p><p>Books, 2017.</p>

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