Prévia do material em texto
<p>AULA 1</p><p>TRANSTORNO DO ESPECTRO</p><p>AUTISTA</p><p>Profª Rossana Ghilardi</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>2</p><p>TEMA 1 – PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES</p><p>Assim como os demais transtornos, o do Espectro Autista tem múltiplos</p><p>olhares, abordagens e interesses, incluindo controversas intrigantes, sendo que</p><p>algumas delas serão abordadas nas aulas. O Transtorno do Espectro Autista</p><p>(TEA) tem caminhos de análise na área da saúde, de políticas públicas, da família,</p><p>da neurociência e outras tantas.</p><p>No entanto, para a disciplina Transtorno do Espectro Autista que iniciamos</p><p>agora, a intenção é estudar elementos que possam atender à demanda da escola</p><p>de Educação Básica, envolvendo os alunos com TEA e seus familiares, assim</p><p>como seus pares nas classes, os colegas, os docentes e a equipe pedagógica.</p><p>Naturalmente, para dar conta deste objetivo, beberemos em diversas fontes,</p><p>trazendo alguns dos olhares já listados e informações, que nos parecem mais</p><p>impactam no cotidiano escolar de convivência com pessoas com TEA.</p><p>Assim, temos a proposta de apresentar aspectos gerais deste transtorno</p><p>do neurodesenvolvimento, desde o histórico de estudos e definições, passando</p><p>pelas políticas públicas, principalmente aquelas com impactos na área</p><p>educacional, trazendo elementos diagnósticos e de intervenção nos quais</p><p>educadores e familiares tenham maior envolvimento.</p><p>Como a intenção da disciplina é desenvolver panorama do TEA, não há</p><p>como fugir dos aspectos históricos, até porque eles esclarecem muitos dos mitos</p><p>que circulam no senso comum. Descartamos a revisão histórica exaustiva, nossa</p><p>estratégia é desvendar alguns mitos para apresentar a evolução do entendimento</p><p>do autismo ao longo do tempo.</p><p>Você sabe, por exemplo, como surgiu a ideia da “mãe geladeira”? Ou o</p><p>mito de que as vacinas infantis são provocadoras do autismo? As respostas são</p><p>encontradas mergulhando no histórico, associada à evolução dos conceitos e</p><p>tratamentos.</p><p>1.1 Primeiras Pesquisas sobre Autismo</p><p>Em muitos momentos das aulas, utilizaremos indistintamente o termo</p><p>autista nos referindo ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas,</p><p>especificamente nesta aula, verificaremos a aplicação do verbete e mudanças do</p><p>seu significado com o tempo.</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>3</p><p>Na etimologia, autismo vem do grego – autós –, que significa algo como</p><p>por si só. Segundo Stelzer (2010), tem como correspondente no latim o verbete</p><p>“idiotia”, que significa viver no seu próprio mundo. Foi empregada pela primeira</p><p>vez se referindo a crianças (3 a 4 anos) com quadro clínico estranho pelo</p><p>educador austríaco Theodore Heller, isso em 1908. Inclusive, anos mais tarde,</p><p>Piaget (1896-1980) chegou a utilizar a palavra autismo para designar a primeira</p><p>etapa do desenvolvimento do pensamento infantil típico, anterior à fase</p><p>egocêntrica.</p><p>Na psiquiatria, os primeiros registros de patologias infantil com sintomas</p><p>que hoje são relacionadas ao autismo estão em capítulo de livro publicado em</p><p>1867, escrito pelo psiquiatra Henry Maudsley (1835-1918) (Stelzer, 2010) sobre</p><p>um tipo de insanidade na tenra idade. Compreensível essa demora em dar</p><p>atenção a comportamentos diferenciados de crianças, uma vez que a infância e a</p><p>adolescência também foram sendo constituídas ao longo da história da</p><p>humanidade de maneira diferente nas culturas. Mesmo no período da Revolução</p><p>Industrial (1760-1840), as crianças eram entendidas como mini-adultos,</p><p>trabalhando nas indústrias europeias com o mesmo regime de tempo e condições</p><p>dos adultos.</p><p>Costumo citar a Sociologia da Infância como exemplo da demora da</p><p>sociedade ocidental entender a criança, que se consolida apenas na década de</p><p>1990. Mesmo os estudos de Piaget sobre o desenvolvimento cognitivo infantil,</p><p>malmente completam um século.</p><p>Vários pesquisadores descreveram comportamentos hoje atribuídos ao</p><p>TEA, ou utilizaram o termo autismo em seus relatos. Como o italiano DeSanctis,</p><p>no início do Século XX, estudando a demência precoce. Em 1911, a médica Eugen</p><p>Bleuder (1857-1939) desenvolve relatos sobre "pessoas que tinham grande</p><p>dificuldade para interagir com as demais e com muita tendência ao isolamento"</p><p>(Stelzer, 2010), utiliza o termo autismo para determinado sinal, dentre outros,</p><p>atribuído à esquizofrenia infantil.</p><p>TEMA 2 – MÃE GELADEIRA!?</p><p>Para perceber como o entendimento sobre o TEA evoluiu, mostraremos</p><p>como alguns mitos e ideias distorcidas foram construídos. Começamos com o mito</p><p>da mãe geladeira.</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>4</p><p>2.1 O começo de tudo – Leo Kanner</p><p>Marcos para o autismo, como conhecemos hoje, foram principalmente dois</p><p>trabalhos. O primeiro é o do psiquiatra infantil Leo Kanner (1894-1981), que</p><p>acompanhou onze casos de crianças que demonstravam "uma incapacidade</p><p>importante de se relacionar com as demais pessoas, iniciando-se nos primeiros</p><p>anos de vida" (Stelzer, 2010).</p><p>Em 1943, Kanner identifica sinais clínicos distintos da esquizofrenia infantil,</p><p>que se manifesta desde o nascimento e com caráter inato, são eles: "o extremo</p><p>isolamento, a necessidade de imobilidade, as estereotipias gestuais e os</p><p>distúrbios da linguagem (ou a criança não fala ou emite um jargão desprovido de</p><p>significação)" (Ribeiro; Martinho; Miranda, 2012, p. 79). No ano seguinte,</p><p>denominou de síndrome do autismo infantil precoce.</p><p>Em seus estudos, Kanner analisa também os pais das crianças. Percebe-</p><p>se os pais como intelectuais, dentre outros aspectos, mas também descreve-os</p><p>como frios e distantes. Assim, desenvolveu a ideia de que o autismo poderia ter</p><p>uma causa relacional, associada a pais que não conseguem estabelecer vínculos</p><p>emocionalmente adequados com seus filhos. De certa maneira, suas</p><p>interpretações são embrião à ideia da mãe geladeira.</p><p>De acordo com Ribeiro, Martinho e Miranda (2012), no período de quase</p><p>30 anos de produção, Kanner oscilou entre abordagem psicanalítica (de Margaret</p><p>Mahler), atribuindo sintomas do autismo à relação mãe-filho; explicações</p><p>comportamentalistas; e, finalmente, fixando-se em causas orgânicas. De certa</p><p>maneira, o vai e vem do autor ajuda a estabelecer a discussão que está presente</p><p>até a atualidade sobre as causas do autismo, se tem bases inatas ou adquiridas.</p><p>2.2 Hans Asperger</p><p>Outro trabalho contemporâneo ao de Kanner contribuiu muito para</p><p>estabelecer o TEA, do médico austríaco Hans Asperger (1906-1980), que, em</p><p>1944, publicou o artigo Psicopatologia Autística da Infância (Stelzer, 2010). No</p><p>entanto, muitos anos se passaram até a divulgação mais ampla de seu trabalho,</p><p>fato atribuído à demora em traduzir esse artigo, originalmente escrito em alemão.</p><p>Apesar de também ser austríaco, Kanner era radicado nos EUA, onde trabalhou</p><p>e publicou seus trabalhos que repercutiram muito no país.</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>5</p><p>Asperger estudou meninos com nível cognitivo variado, “com inteligência</p><p>preservada e com desenvolvimento de linguagem normal, mas que apresentavam</p><p>comportamento autista e comprometimento importante de habilidades sociais e</p><p>de comunicação" (Stelzer, 2010).</p><p>Outros sintomas descritos pelo pesquisador foram os interesses restritos e</p><p>repetitivos, rotinas rígidas, fixação em determinados objetos, aparente</p><p>inteligência, mas dificuldade na aprendizagem em geral, mesmo com capacidade</p><p>viso-especial e memória desenvolvida.</p><p>Percebeu-se a similaridade dos sintomas descritos pelos dois autores, mas</p><p>havia algumas distinções, dentre elas a idade em que os sintomas se manifestam,</p><p>enquanto Kanner percebe os sinais desde o nascimento, Asperger relata que</p><p>aparecem entre os 4 e 5 anos.</p><p>Mas Síndrome de Asperger, denominação bem conhecida por aqueles que</p><p>lidam com autismo, foi utilizada primeiramente em 1963 por Van Krevele, segundo</p><p>Stelzer (2010), e consolidada por Lorna Wing, em 1981 (Ribeiro; Martinho;</p><p>Miranda, 2012).</p><p>Outros estudos aconteceram na sequência, como de Hilde Mosse (1958),</p><p>buscando diferenciar autismo de psicose e esquizofrenia. Também Andreas Rett,</p><p>neuropediatra estudou 22 meninas com “atrofia cerebral progressiva, com</p><p>movimentos estereotipados das mãos, demência, alalia, apraxia de marcha e</p><p>tendência a apresentar crises epilépticas” (Stelzer, 2010, p. 14). O termo atípico</p><p>surgiu nos anos de 1950, para abranger casos diversos de crianças com ego</p><p>fragmentado associado à psicopatia materna.</p><p>Com os estudos de Kanner, supondo-se que os problemas apresentados</p><p>pelas crianças eram resultantes da falta de afetividade dos pais, deduz-se</p><p>imprescindível tratá-los. As terapias psicanalíticas foram o caminho para atender</p><p>estes pais em longos processos terapêuticos. Isso nos leva a outro nome</p><p>relevante na história do autismo – Bruno Bettelheim.</p><p>2.3 Bruno Bettelheim</p><p>Em meados do século passado, também os filhos, as crianças autistas, são</p><p>tratadas com base nos conceitos psicanalíticos. O maior exemplo da aplicação da</p><p>psicanálise para crianças autistas está em Bruno Bettelheim (1903-1990), que cria</p><p>um programa para a Escola Ortogênica de Chicago, entendendo o autismo "como</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>6</p><p>reação de defesa a uma situação extrema, que implicava para a criança uma</p><p>ameaça de destruição" (Ribeiro; Martinho; Miranda, 2012, p. 81).</p><p>Como o livro best seler A fortaleza vazia (1967), no qual atribui o</p><p>desenvolvimento dos sintomas do autismo ao afastamento emocional da mãe, que</p><p>não consegue entender e atender às demandas do seu bebê. O autor consolida a</p><p>crença da mãe geladeira. Assim, afastar a criança da família seria uma solução e</p><p>a Escola Ontogênica seria a instituição a atendê-las.</p><p>A atividade de Bettelheim levou ao desenvolvimento e implementação de</p><p>algumas técnicas que se sedimentaram, como a aplicação da ludoterapia para</p><p>crianças autistas, proposta de Axline e Zelan. Além de outros trabalhos com base</p><p>na psicanálise, como Frances Tustin (1913-1994), que após retornar dos Estados</p><p>Unidos implementou em Londres técnicas de tratamento para autistas, tendo</p><p>como referência a psicanálise infantil de Melanie Klein (1882-1960). No livro A</p><p>concha protetora, descreve a proteção criada pelos autistas para diminuir sua</p><p>vulnerabilidade e identifica nas mães diminuição de atenção aos filhos em</p><p>consequência de depressão, e não da ausência prévia de afetividade. Portanto, o</p><p>atendimento psicoterápico pode ser essencial para pais de pessoas com TEA</p><p>(Ribeiro; Martinho; Miranda, 2012).</p><p>Com o tempo, os métodos de Beltelheim foram contestados, mas o autor</p><p>já havia se tornado um ícone na área e suas publicações saíram do campo da</p><p>ciência, alcançando a população em geral, assim, seus conceitos ajudaram a</p><p>formar a visão popular do autismo, de suas causas e seus tratamentos.</p><p>Por algumas décadas, a psicanálise se estabelece como a principal opção</p><p>de tratamento do autismo nos EUA, mas para alguns pesquisadores esse tipo de</p><p>intervenção não apresentou resultados consistentes. Uma parte da</p><p>responsabilidade pela adoção de novos caminhos está nas famílias e mães que</p><p>por anos foram responsabilizadas pela sintomatologia dos filhos. Os familiares</p><p>destacam a inconsistência de algumas colocações que não correspondem à</p><p>vivência cotidiana deles com seus filhos autistas.</p><p>Os rumos também mudaram porque, nos anos de 1960, estudando gêmeos</p><p>idênticos, comparando a gêmeos fraternos, percebe-se existirem fatores</p><p>genéticos envolvidos no autismo. Desde então, muitas pesquisas foram e estão</p><p>sendo realizadas para identificar características e fatores causais. Mais adiante</p><p>em nossas aulas, detalharemos um pouco o resultado dessas investigações.</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>7</p><p>Um exemplo de pais em busca de novos rumos para entender o autismo</p><p>está em Bernard Rimland (1928-2006), psicólogo americano e pai de autista,</p><p>passou a investigar a condição e propõe como origem alteração na função da</p><p>formação reticular ativadora (Stelzer, 2010). O sistema ativador reticular é</p><p>responsável pela ativação do córtex cerebral, que garante estado de vigília.</p><p>Rimland é um dos fundadores do Autism Society of America – Sociedade</p><p>Americana de Autismo (ASA, em inglês).</p><p>TEMA 3 – EPIDEMIA DE AUTISMO?! CULPA DAS VACINAS INFANTIS?!</p><p>Assim como Rimland, outros pesquisadores, pais ou não de autistas,</p><p>agregaram muito conhecimento acerca do tema, no entanto, pela complexidade e</p><p>diversidade de sintomatologia, sabemos que a caminhada ainda está no início. Os</p><p>rumos vão mudando, assim como autismo se destacou da psicose e esquizofrenia</p><p>infantil, síndromes como a de Asperger, que foi descrita em separado do autismo,</p><p>atualmente compõe o quadro do TEA. Discute-se ainda as causas ambientais e/</p><p>ou genéticas, e novidades surgirão a cada momento com desenvolvimento da</p><p>genética, da neurociência e outras áreas afins.</p><p>Já havia passado quase 40 anos de estudos científicos sistemáticos sobre</p><p>o autismo quando finalmente foi incluído no DSM, em sua terceira versão (1980).</p><p>DSM é Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – sigla da</p><p>denominação em inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders),</p><p>desenvolvido pela Associação Americana de Psiquiatria. Quando incluído no</p><p>DSM, a descrição do autismo tinha a intenção primeira de diferenciá-lo da psicose</p><p>e esquizofrenia infantil, considerado um passo importante para consolidar as</p><p>pesquisas na área, embora ainda descrito de forma embrionária.</p><p>No DSM-III, o autismo aparecia como quadro precoce de transtorno</p><p>invasivo do desenvolvimento, como uma forma grave de psicopatia, associada a</p><p>comprometimento da linguagem e da comunicação, assim com comprometimento</p><p>nas habilidades sociais e cognitivas (Stelzer, 2010). O quadro diagnóstico</p><p>apresentado foi criticado pelos pesquisadores por apresentar sintomas muito</p><p>restritivos, provocando revisão da descrição do autismo em versão complementar,</p><p>denominada DSM-III-R, que novamente não atendeu às expectativas dos</p><p>interessados no tema, desta vez pela abrangência exagerada (Stelzer, 2010).</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>8</p><p>Outra referência diagnóstica é a Classificação Estatística Internacional de</p><p>Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), que também incluiu o</p><p>autismo em sua nona versão, de 1984.</p><p>Somente na quarta versão do DSM (1994) e décima do CID aconteceu a</p><p>aproximação da descrição dos sintomas e classificação do autismo, o que facilitou</p><p>sobremaneira o diagnóstico (Stelzer, 2010). Neste caso, o autismo é apresentado</p><p>como relacionado a três fatores básicos: o comprometimento qualitativo da</p><p>interação social; o comprometimento da comunicação; e padrão restrito, repetitivo</p><p>e estereotipado de comportamento, interesse e de atividades (Stelzer, 2010, p.</p><p>27).</p><p>Descrição mais precisa das alterações e sintomatologia do autismo resulta</p><p>em mais precisão no diagnóstico. Nas últimas décadas, com a massificação do</p><p>uso DSM, também promove a avaliação diagnóstica mais generalizada.</p><p>Lembramos que o DSM tem sua quinta versão em 2014, que estudaremos</p><p>um pouco mais adiante, na qual se estabelece o Transtorno do Espectro Autista.</p><p>O CID apresenta a décima primeira versão no primeiro semestre de 2022.</p><p>Fato é que, nos anos de 1990, acontece significativo aumento no</p><p>diagnóstico de autismo nos Estados Unidos da América. De uma prevalência em</p><p>torno de 4 a 10 casos para 10.000 crianças relatados na década anterior, passou</p><p>para 30 a 50 por 10.000.</p><p>Tente calcular: quanto isso representaria na população</p><p>Brasileira? Se minhas contas estão corretas, teríamos entre 600 mil e um milhão</p><p>de pessoas com TEA, considerando a população do Brasil dos nossos dias.</p><p>Mas, o que justificaria esse aumento constatado dos casos no final do</p><p>século passado e que continua até os nossos dias? Já se encontra consolidada a</p><p>relação do autismo infantil como disfunção neurológica, não psicogênica e com</p><p>provocador genético significativo, portanto, alterações no comportamento social</p><p>não interfeririam significativamente na quantidade de casos.</p><p>São várias as possibilidades levantadas. Uma delas está relacionada</p><p>justamente a maior precisão diagnóstica, uma vez que manuais de referência da</p><p>área da saúde apresentam clareza e sinergia na descrição dos sintomas. Também</p><p>pode-se atribuir a facilidade na divulgação da informação nas últimas décadas,</p><p>além do aumento de pesquisas na área, tornando o autismo mais visível e</p><p>compreensível. Outro motivo pode ser a inclusão pelo DSM-V da Síndrome de</p><p>Asperger e do transtorno global do desenvolvimento não especificados no campo</p><p>de autismo (Stelzer, 2010).</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>9</p><p>No entanto, nos anos de 1990, alguns pais organizados em associações</p><p>pela causa do autismo levantaram outra hipótese, relacionavam o aumento de</p><p>casos à ampliação da vacinação infantil. Não se referiam a vacinas específicas,</p><p>mas a componentes conservantes destas que tinham mercúrio na composição,</p><p>metal pesado, altamente tóxico ao meio ambiente e ao organismo, que se</p><p>acreditava também se tratar de um agente neurotóxico (Stelzer, 2010).</p><p>Em consequência a esse movimento, o componente com mercúrio foi</p><p>retirado das vacinas. No entanto, o que se observou passados mais de 30 anos</p><p>foi ainda o aumento da prevalência do autismo. Sabe-se hoje que os sintomas</p><p>relacionados à intoxicação por mercúrio não têm nenhuma relação com aqueles</p><p>observados no autismo.</p><p>Recentemente, discussões sobre vacinas voltaram à tona pelo aumento de</p><p>casos de doenças consideradas erradicadas e controladas, assim como em</p><p>consequência da Pandemia do Coronavírus. Percebe-se que uma parte da</p><p>população ainda desconfia das vacinas.</p><p>Os cálculos atuais mostram ainda mais casos. Até o momento, o país que</p><p>mais estudou a prevalência do autismo é os EUA e recentemente calcula existir</p><p>um caso a cada 59 nascimentos. Veja, na imagem a seguir, elaborada pela</p><p>Revista Autismo, a evolução dos registros desde 2004:</p><p>Gráfico 1 – Aumento de 15% entre os dados de 2016 e 2018.</p><p>A ONU (Organização das Nações Unidas) considera que os autistas</p><p>representam 1% da população mundial e a Organização Mundial da Saúde (OMS)</p><p>apresenta uma a cada 160 crianças no mundo como autistas. Considerando</p><p>alguns destes dados, a população de autistas no Brasil pode estar entre 2 e 3</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>10</p><p>milhões de pessoas. Estas são apenas estimativas, uma vez que a maioria dos</p><p>países não tem dados relevantes, levantamentos específicos e confiáveis. Mais</p><p>adiante, veremos que há possibilidade de o Brasil ter investigação no censo sobre</p><p>incidência de autismo (Paiva Jr., 2018).</p><p>TEMA 4 – SUPLEMENTO ALIMENTAR E MEDICAMENTOS NO TRATAMENTO</p><p>DO AUTISMO?!</p><p>Caminhando na cronologia dos tratamentos do autismo, observam-se</p><p>divergências e curiosidades.</p><p>Nos primeiros anos de definição do quadro, já vimos que terapias</p><p>psicanalíticas eram recomendadas para as crianças e seus pais. Outros sintomas</p><p>levaram ao emprego de métodos considerados atualmente como inaceitáveis.</p><p>Exemplo disso é o eletrochoque e lobotomia, técnicas empregadas para diversos</p><p>distúrbios psíquicos até os anos de 1970 (Fleischer, 2012), para diminuir</p><p>convulsões frequentes, sintoma de alguns casos graves de autismo.</p><p>Soluções medicamentosas também surgiram. Stelzer (2010) cita o uso nos</p><p>anos de 1960 do ácido D-lisérgico, conhecido popularmente por LSD. O autor</p><p>comenta que as crianças apresentavam algumas melhoras na percepção do</p><p>ambiente e no sono. Mas, os efeitos colaterais eram devastadores, além de mais</p><p>adiante acontecer a proibição da comercialização do LSD. É preciso entender que</p><p>essa droga foi desenvolvida para tratamento psiquiátrico, justificando a utilização</p><p>na época, no entanto, provocava reações indesejáveis, como depressão e</p><p>quadros psicóticos, além do uso recreativo indiscriminado, que provocaram a</p><p>proibição.</p><p>Atualmente, alguns fármacos são utilizados para o TEA, geralmente para</p><p>controle da agitação e agressividade, comportamentos colaterais considerados</p><p>inadequados socialmente.</p><p>Outro sintoma muito presente no autismo e que impacta na vida social das</p><p>crianças e familiares são as disfunções gastrointestinais. Os familiares buscam</p><p>desesperadamente alternativas para essa irritabilidade intestinal, e a alteração da</p><p>dieta alimentar parece trazer conforto, diminuindo os sintomas.</p><p>Assim, ao longo do tempo, dietas e suplementos aparecem como</p><p>alternativa de custo baixo para promover qualidade de vida. São principalmente</p><p>"dieta sem glúten e/ou sem caseína, suplementação vitamínica, suplementação</p><p>de magnésio e utilização de ácidos graxos" (Chaves Dias et al., 2018).</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>11</p><p>Chaves Dias et al. (2018) realizaram investigação sistemática de pesquisas</p><p>publicadas sobre a utilização de dietas sem glúten e caseína no TEA. Há variação</p><p>nos resultados nas diferentes investigações, embora a maioria dos artigos mostre</p><p>correlação entre a dieta livre de glúten/ caseína em população de autistas e</p><p>diminuição de sintomas, os autores consideram os resultados inconclusos.</p><p>Justificam a conclusão, pois nas pesquisas estudadas as populações são muito</p><p>heterogêneas; os métodos de análise dos dados são variados, dificultando</p><p>comparação entre eles. Além disso, os trabalhos mais delineados (especificados)</p><p>demonstraram a não associação das dietas com sintomatologia.</p><p>Identificam também que</p><p>A percepção dos pais sobre o efeito da dieta nos filhos com TEA pode</p><p>induzir viés de observação, uma vez que os pais por saberem que os</p><p>filhos estão sob algum tratamento já criam expectativa de melhora, ou</p><p>observam mais intensamente a variabilidade cognitiva do filho e isso</p><p>pode acarretar maior percepção de melhora quando, na verdade pode</p><p>não ter havido alteração. (Chaves Dias et al., 2018)</p><p>Os autores não encontram evidências científicas que justifiquem empregar</p><p>a dieta livre de glúten e /ou caseína para TEA, ainda, são necessários mais</p><p>estudos e mais bem delineados para confirmar a relação, embora nada impeça os</p><p>pais de adotarem essas dietas.</p><p>Mas, temos pesquisas bem significativas na atualidade sobre</p><p>medicamentos para combater sintomas do autismo. Um exemplo é o IGF-1</p><p>(hormônio do crescimento), testado para uso na Síndrome de Rett (que já tem</p><p>mapeamento genético) e possivelmente para outras manifestações do autismo</p><p>idiopático (sem conhecimento de causa), já na última fase de experimentação</p><p>(Pini et al., 2012).</p><p>Também há pesquisas bem desenvolvidas com uso de derivados da</p><p>Canabis (canabidiol ou outra similar), que detalharemos em outra aula. Outro</p><p>fármaco muito comemorado atua na produção do hormônio vasopressina,</p><p>promovendo o aumento de habilidades sociais e diminuição de comportamentos</p><p>repetitivos, sintomas nucleares do TEA, é o Balovaptan, da farmacêutica Roche</p><p>(Martins; Melo, 2020).</p><p>TEMA 5 – AUTISMO OU TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA?!</p><p>Como percebemos, a definição e entendimento do autismo mudou ao longo</p><p>do tempo, mas mantendo o cerne descrito por Kanner de comprometimento</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>12</p><p>precoce no relacionamento pessoal, também de comunicação</p><p>e comportamentos</p><p>repetitivos e estereotipados.</p><p>Alteração significativa que transformou inclusive a denominação do</p><p>autismo está no DSM-V. Vamos tentar entender o que mudou entre a quarta e</p><p>quinta versões do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.</p><p>O DSM – IV incluía nos Transtornos Globais do Desenvolvimento o</p><p>Autismo, Transtorno de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno de</p><p>Asperger e outros.</p><p>A denominação Transtorno de Espectro Autista (TEA) foi oficializada no</p><p>DSM-V (2014). Está incluído como um dos Transtornos do neurodesenvolvimento,</p><p>juntamente com: deficiências intelectuais; transtornos de comunicação; transtorno</p><p>de deficit de atenção/ hiperatividade; transtorno específico de aprendizagem;</p><p>transtornos motores; outros transtornos do neurodesenvolvimento.</p><p>Na versão V do manual são integrados ao transtorno autista o transtorno</p><p>de Asperger e o transtorno global de desenvolvimento, justificado pela percepção</p><p>de se tratar de um mesmo quadro caracterizado por um contínuo de sintomas, de</p><p>mais leves a mais graves, com a mesma perspectiva, isto é, relacionados à</p><p>comunicação social e comportamentos restritivos e repetitivos, que provocam</p><p>prejuízos variados na rotina do sujeito. A aglutinação dos transtornos tem intenção</p><p>de “melhorar a sensibilidade e a especificidade dos critérios para o diagnóstico de</p><p>transtorno do espectro autista e para identificar alvos mais focados de tratamento</p><p>para os prejuízos específicos observados” (DSM-V, 2014, p. XlII, Prefácio).</p><p>Assim, surge o Transtorno do Espectro Autista (TEA), como denominamos</p><p>atualmente. Um transtorno do neurodesenvolvimento com alterações</p><p>principalmente na comunicação e interação social e desenvolvimento de padrões</p><p>restritos e repetitivos de comportamento.</p><p>Importante dizer que se trata de um acometimento sem cura. Aqui, temos</p><p>mais um mito a vencer: dizer que não tem cura não é condenação, pois o TEA</p><p>tem tratamento, que, se bem aplicado e quando iniciado precocemente, diminui</p><p>os sintomas e prejuízos, em alguns casos substancialmente.</p><p>Também é importante destacar que as causas do TEA são múltiplas e a</p><p>maioria ainda não identificada plenamente. Outra consideração importante quanto</p><p>ao TEA são os impactos econômicos e emocionais que provoca na família, o que</p><p>será detalhado mais adiante nas aulas.</p><p>Mas, o que é um transtorno?</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>13</p><p>Exatamente o que se entende do verbete fora do autismo, transtorno é uma</p><p>desorganização, uma bagunça, uma perturbação. Outra palavra compondo a</p><p>denominação é espectro, que remete a multiplicidade e variedade de sintomas,</p><p>provocados por diversas causas distintas.</p><p>A complexidade e variedade que caracterizam o TEA têm algumas</p><p>implicações necessárias, mas difíceis de ser conduzidas, pelo custo e pelo</p><p>envolvimento de múltiplos profissionais. No caso do TEA, participam diretamente</p><p>dos tratamentos psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais,</p><p>fonoaudiólogos, nutricionistas, psicopedagogos e outros profissionais da saúde.</p><p>Naturalmente, também envolve os familiares e a escola, uma vez que os</p><p>tratamentos mais efetivos estão associados à reprogramação comportamental.</p><p>Assunto este para um pouco mais adiante nas aulas.</p><p>Como trouxemos aqui mitos sobre o autismo, muitas vezes provocados por</p><p>distorções, julgamos fundamental apresentar a transcrição literal do DSM-V,</p><p>descrevendo as Características Diagnósticas do TEA. A leitura atenta e a</p><p>compreensão das características é importante para diminuir equívocos de</p><p>interpretação.</p><p>Características diagnósticas</p><p>As características essenciais do transtorno do espectro autista são prejuízo</p><p>persistente na comunicação social recíproca e na interação social (Critério A) e</p><p>padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades</p><p>(Critério B). Esses sintomas estão presentes desde o início da infância e limitam</p><p>ou prejudicam o funcionamento diário (Critérios C e D). O estágio em que o</p><p>prejuízo funcional fica evidente irá variar de acordo com características do</p><p>indivíduo e seu ambiente. Características diagnósticas nucleares estão evidentes</p><p>no período do desenvolvimento, mas intervenções, compensações e apoio atual</p><p>podem mascarar as dificuldades, pelo menos em alguns contextos. Manifestações</p><p>do transtorno também variam muito dependendo da gravidade da condição</p><p>autista, do nível de desenvolvimento e da idade cronológica; daí o uso do termo</p><p>espectro. O transtorno do espectro autista engloba transtornos antes chamados</p><p>de autismo infantil precoce, autismo infantil, autismo de Kanner, autismo de alto</p><p>funcionamento, autismo atípico, transtorno global do desenvolvimento sem outra</p><p>especificação, transtorno desintegrativo da infância e transtorno de Asperger.</p><p>(Fonte: DSM-V, 2014)</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>14</p><p>Naturalmente, o diagnóstico do TEA está a cargo de profissionais da área</p><p>da saúde. No entanto, conhecer as características do Transtorno de Espectro</p><p>Autista é importante para aqueles que acompanham pessoas com TEA.</p><p>Reforçando, temos como características:</p><p>A) Comunicação social comprometida, interferindo na interação com os</p><p>outros;</p><p>B) Comportamentos, interesses e atividades seguem padrões restritos e</p><p>repetitivos;</p><p>C) Sintomas presentes desde o início da infância;</p><p>D) Sintomas trazem prejuízos no dia a dia do sujeito.</p><p>Estes são os sintomas nucleares, mas existem outros tantos e que variam</p><p>de pessoa a pessoa, alguns deles com maior prejuízo social, como a agitação, as</p><p>agressões a si próprio e aos outros. Outros são bem significativos nas atividades</p><p>escolares, como aqueles que envolvem a linguagem e a cognição.</p><p>O diagnóstico costuma ser clínico, isto é, baseado em observações,</p><p>entrevistas, e informações de maior número de fontes. Muitas vezes, existem</p><p>deficit verbais e não verbais de comunicação como expressões faciais rígidas, por</p><p>exemplo. Podem desenvolver gestos funcionais, mas seu repertório costuma ser</p><p>menor do que a população típica. Há também pouca espontaneidade no gestual,</p><p>sem conseguir provocar efeito desejado.</p><p>Observa-se comprometimento na linguagem; bem comum é a ecolalia, ou</p><p>fala em eco e outros comprometimentos. Mas, os casos leves têm a linguagem</p><p>oral preservada. Alguns sujeitos têm preferência por atividades individuais, outros</p><p>têm extrema dificuldade em iniciar qualquer tipo de interação.</p><p>Não há necessidade de citarmos todos os sintomas secundários,</p><p>importante é entendermos que cada caso é um e tanto para o tratamento quanto</p><p>para o acompanhamento serão implementadas ações distintas.</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>15</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-IV. Manual Diagnóstico e</p><p>Estatístico de Transtornos Mentais. 4. ed. Porto Alegre: ARTMED, 2002.</p><p>_____. DSM-V. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais.</p><p>Porto Alegre: ARTMED, 2014. Disponível em: <http://www.niip.com.br/wp-</p><p>content/uploads/2018/06/Manual-Diagnosico-e-Estatistico-de-Transtornos-</p><p>Mentais-DSM-5-1-pdf.pdf>. Acesso em: 01 abr. 2021.</p><p>CHAVES DIAS, E., SOUSA ROCHA, J.; BEMFICA FERREIRA, G.; das GRAÇAS</p><p>PENA G. Dieta isenta de glúten e caseína no transtorno do espectro autista: uma</p><p>revisão sistemática. Rev Cuid [Internet]. 1 jan. 2018. Disponível em:</p><p><https://revistacuidarte.udes.edu.co/index.php/cuidarte/article/view/485>. Acesso</p><p>em: 01 abr. 2021.</p><p>FLEISCHER, Soraya. Autismo: um mundo obscuro e conturbado. Mana, Rio de</p><p>Janeiro, v. 18, n. 1, abr. 2012, p. 231-235. Disponível em:</p><p><http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-</p><p>93132012000100011&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 01 abr. 2021.</p><p>MARTINS, A.; MELO, E. O autismo e o potencial uso de inibidores do receptor</p><p>tipo 1A de</p><p>Vasopressina para seu tratamento. Brazilian Journal of Health</p><p>Review, mar. 2020. Disponível em:</p><p><https://www.researchgate.net/publication/340031871_O_autismo_e_o_potencia</p><p>l_uso_de_inibidores_do_receptor_tipo_1A_de_Vasopressina_para_seu_tratame</p><p>nto_Autism_and_the_potential_use_of_Vasopressin_type_1A_receptor_inhibitor</p><p>s_for_your_treatment>. Acesso em: 01 abr. 2021.</p><p>PAIVA JR., F. Quantos autistas há no Brasil? Revista autismo, 01 mar. 2019.</p><p>Disponível em: <https://www.revistaautismo.com.br/geral/quantos-autistas-ha-no-</p><p>brasil/>. Acesso em: 01 abr. 2021.</p><p>PINI, G. et al. IGF1 as a Potential Treatment for Rett Syndrome: Safety</p><p>Assessment in Six Rett Patients. Autism Research and treatment, 13 jun. 2012.</p><p>Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3420537/>.</p><p>Acesso em: 01 abr. 2021.</p><p>RIBEIRO, M. A. C.; MARTINHO, M. H.; MIRANDA, E. da R. O sujeito autista e</p><p>seus objetos. Revista A peste, São Paulo, v. 4, n. 2, jul./dez. 2012, p. 77-89.</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p><p>16</p><p>Disponível em: <https://revistas.pucsp.br/apeste/article/download/22116/16225>.</p><p>Acesso em: 01 abr. 2021.</p><p>STELZER, F. G. Uma pequena história do autismo. São Leopoldo/RS:</p><p>Pandorga, 2010. Disponível em: <https://docplayer.com.br/6834601-Uma-</p><p>pequena-historia-do-autismo.html>. Acesso em: 01 abr. 2021.</p><p>A</p><p>luno: M</p><p>A</p><p>R</p><p>C</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>ILV</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>LO</p><p>E</p><p>m</p><p>ail: professorlibrasap@</p><p>gm</p><p>ail.com</p>