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FUNÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS 
 
 
1 
 
SUMÁRIO 
 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 
Introdução ................................................................................................ 3 
Atenção ................................................................................................ 5 
Memória ............................................................................................... 8 
Linguagem ......................................................................................... 13 
Percepção .......................................................................................... 16 
Funções executivas............................................................................ 21 
Avaliação neuropsicológica na criança - indicações e contribuições . 26 
Testes utilizados ............................................................................. 27 
Memória .......................................................................................... 31 
Linguagem ...................................................................................... 32 
Atenção .......................................................................................... 33 
Funções Executivas ........................................................................ 34 
Lobos frontais ................................................................................. 35 
REFERÊNCIAS ..................................................................................... 39 
 
 
 
 
 
2 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Introdução 
 
 
As funções neuropsicológicas são divididas em: memória, atenção, 
linguagem, percepção e funções executivas. O sistema cognitivo nada mais é do 
que a relação entre estas funções, desde os comportamentos mais simples até 
os de maior complexidade, que exigem muito mais do nosso cérebro. Deste 
modo vamos analisar cada uma das partes que agregam as funções cognitivas 
para entendermos posteriormente todo o seu contexto: 
Memória – Esta é uma das funções cognitivas que mais empregamos, 
porque ela está em funcionamento durante toda a vida de um humano. A 
memória nada mais é do que a capacidade que temos de registrar informações, 
lembrar-se delas e depois aproveitá-las no presente. O nível de atenção é que 
produz o bom funcionamento da memória. Para que o bom armazenamento 
ocorra as atividades cognitivas, como a capacidade de percepção e associação, 
são importantes para que os conhecimentos sejam armazenados corretamente. 
 
 
4 
Existem várias etapas na memória, sendo estabelecidas por: memória de curto 
prazo, que utilizam os nossos sentidos e a memória de longo prazo, que nada 
mais são do que os conhecimentos que demarcamos como os mais importantes 
e ficam presentes no nosso cérebro por mais tempo. Existem maneiras de 
aprimorar a memória, lembrando que ela começa a se debilitar-se a partir dos 50 
anos de idade, onde a maioria das pessoas se queixa de dificuldades em 
memorizar. Mas a memória é influenciada em outros fatores, tais como as 
emoções e a motivação. Quando estamos mais motivados para aprender algo, 
memorizamos com mais facilidade, ou seja, o armazenamento das informações 
se torna mais fácil e tende a ficar armazenado na nossa memória por mais 
tempo. 
Atenção – Esta é uma função muito complexa e o nível dela é determinado 
pelo comportamento. Para que a atenção seja bem advinda é importante que o 
foco seja mantido. A atenção é essencial para os processos existentes para a 
memorização. Sempre vamos apontar a nossa atenção para algo que avaliamos 
ser mais importante em determinados momentos dos nossos dias. Porém, 
diferentes estímulos fazem parte de todo este processo, sendo eles a atenção e 
a atenção. 
A aptidão que temos de manter a concentração é limitada, e depende de 
inúmeros fatores, desde a carência de ânimo ou anseio sobre determinado 
assunto, até os problemas mais específicos, como o Déficit de atenção entre 
outros, que precisam ser tratados. 
Percepção - é uma função cognitiva onde o indivíduo é capaz de formar e 
distinguir os estímulos vindos de um ambiente através dos órgãos sensoriais e 
poder dar um significado para eles. 
Linguagem – Esta é uma função que também utilizamos todos os dias e 
durante a maior parte do nosso tempo. Utilizamos a linguagem de maneira oral 
(conversando) ou escrita (lendo ou escrevendo um texto). 
A linguagem tem uma importância muito ampla, e é definida pelo uso de 
um meio aparelhado de combinar as palavras a fim de se comunicar, apesar de 
 
 
5 
que a comunicação não se constitui excepcionalmente em um processo verbal. 
As formas não verbais, como os desenhos ou gestos são igualmente capazes 
de imprimir sentimentos e ideias. 
Funções Executivas – incluem um contexto neuropsicológico que utiliza 
as atividades cognitivas pela execução e o planejamento de tarefas. Abrangem 
nestas atividades as tomadas de decisões, a lógica, o raciocínio, as estratégias 
e as soluções de problemas. Estes processos cognitivos também são produzidos 
diariamente. 
 
Atenção 
 
A atenção é uma função cognitiva bem complexa e diversos 
comportamentos resultam de um nível adequado de atenção para serem bem 
sucedidos, por exemplo: assistir um filme e compreendê-lo; manter o foco de 
conversação em um ambiente ruidoso. A atenção também é um pré-requisito 
fundamental para o processo de memorização. 
O conceito de atenção é definido pela seleção e manutenção de um foco, 
seja de um estímulo ou informação, entre as inúmeras que obtemos através de 
nossos sentidos, memórias armazenadas e outros processos cognitivos. Em 
outras palavras, dirigimos nossa atenção para o estímulo que julgamos ser 
importante num exato momento. Os outros estímulos que não os principais, 
passam a fazer parte do “fundo” não sendo mais os focos na atenção. 
Podemos estudar e avaliar os diferentes aspectos da atenção, por 
exemplo: 
• Atenção seletiva: quando o indivíduo escolhe um estímulo ao qual 
prestará atenção, por exemplo, ler um livro ao invés de assistir tv, mesmo que 
esta esteja ligada e faça ruídos ao fundo; 
• Atenção dividida: caracteriza-se pela capacidade do indivíduo em 
prestar atenção em mais de um estímulo ao mesmo tempo, por exemplo, 
 
 
6 
conversar enquanto dirige um veículo, trabalhar no computador enquanto atende 
ao telefone; 
Nossa capacidade de manter a concentração é restrita, e depende de 
inúmeros fatores, desde a falta de vontade ou ânimo por algum assunto, até a 
dificuldades específicas, como as presentes no TDAH (veja seção principais 
diagnósticos) que interferem na capacidade de atenção seletiva e dividida, ou 
seja, todos nós temos alguma dificuldade atencional, se isso representa um 
problema a sertratado, depende do grau de comprometimento e do número de 
sintomas. 
 
Problemas de concentração podem ser resultantes de um distúrbio 
atencional simples, ou a uma inabilidade de manter o foco de atenção 
intencional, ou até aos dois problemas ao mesmo tempo. No nível seguinte de 
complexidade, está o rastreamento mental que também é afetado por 
dificuldades atencionais. A preservação da atenção é um pré-requisito para 
atividades que requeriam, tanto concentração, como rastreamento mental. A 
habilidade de manter a própria atenção focada em um conteúdo mental fica 
diminuída, ou seja pode-se ter dificuldade de para se manter uma sequência de 
 
 
7 
pensamentos simples, o que invariavelmente compromete a habilidade de 
solução de problemas mais complexos. 
Elucidar a natureza dos problemas atencionais, depende não somente da 
complexa observação do comportamento geral do paciente, assim como o 
desempenho em testes específicos que envolvam concentração e trilhas 
mentais. Somente com a comparação entre as várias observações, pode ser 
possível a distinção entre os déficits globais e aqueles mais discretos e normais 
presentes na maioria das pessoas. 
Devido sua complexidade, a atenção é um produto do funcionamento 
integrado de inúmeras estruturas corticais e sub-corticais, além de sistemas de 
redes neurais, que constituem a neuroanatomia da atenção. O estado de alerta 
dá início à recepção de estímulos provenientes dos órgãos sensoriais. No tronco 
encefálico, mais especificamente na formação reticular, ocorre então a regulação 
da tenacidade (Brandão, 1995). Porém, são as projeções do sistema ativador 
reticular ascendente (SARA) que possibilitam a ativação cortical, a manutenção 
do alerta e vigília e a escolha das respostas comportamentais. A ativação inicial 
do córtex parietal na recepção de informações sensoriais, os núcleos da base e 
do colículo superior com as informações motoras, além das informações límbicas 
advindas do giro do cíngulo e da amígdala são reguladas através de aferências 
da formação reticular (Lima, 2005). 
As habilidades de seleção de estímulos relevantes e inibição de estímulos 
distratores são fatores essenciais para a cognição e processo de aprendizagem. 
Para Mesulam (1999), três estruturas estão relacionadas à atenção seletiva: o 
córtex parietal superior, relacionado com a representação espacial exterior; o 
córtex pré-motor lateral, responsável pela orientação e movimentos de 
exploração; e o giro do cíngulo anterior, associado com a monitoração da 
resposta. 
Além dessas áreas, autores como Muskat (2008) e Lima (2005) também 
relacionaram o córtex pré-frontal no controle voluntário da atenção, o córtex 
fronto-parietal e os núcleos da base no acoplamento de novos estímulos e o 
núcleo pulvinar no filtro de informações relevantes das irrelevantes, localização 
 
 
8 
do alvo visual, engajamento. De maneira inversa, a inibição de estímulos 
irrelevantes está ligada aos componentes do sistema límbico com o foco dado 
pelos processos emocionais e motivacionais, o córtex parietal pela inibição do 
foco do estímulo e as áreas frontais com a alocação dos processos inibitórios 
(Muskat; 2008). 
Nos processos atencionais, diversas regiões cerebrais são acionadas, 
trabalhando de maneira integrada, mas para que todos componentes funcionem 
em harmonia é necessário um gerenciador de atividades. O controle e 
organização executiva da atenção têm papel fundamental não só no na 
manutenção da disposição para agir e controle inibitório como também no 
planejamento e execução direcionados à metas e auto-regulação da ação. Essa 
função possui grande relação com as áreas anteriores do cérebro, sobretudo nas 
áreas pré- frontais e órbito-frontais (Estévez-González, García-Sánchez e 
Junque, 1997). 
Por fim, outras duas funções importantes na atenção é a atenção 
sustentada, que estaria envolvida com o tálamo e o córtex frontal anterior, e a 
atenção dividida, que seria ativada pelo córtex parietal anterior, córtex pré-frontal 
e pelo tálamo (Engelhardt et al 1996). 
 
Memória 
 
A memória é uma das funções cognitivas mais utilizadas pelo ser humano 
em seu cotidiano. Memória é a capacidade de armazenar informações, lembrar 
delas e utilizá-las no presente. O bom funcionamento da memória depende 
inicialmente de do nível de atenção. Para que o bom armazenamento aconteça 
outras atividades cognitivas como a capacidade de percepção e associação é 
importante para que as informações possam ser armazenadas com sucesso. 
A memória pode ser classificada de forma simples, de acordo com a 
duração e os tipos de informação envolvidos: 
 
 
9 
• memória de curto prazo: também conhecida como memória de 
trabalho, armazena (numa quantidade limitada) informações por alguns minutos. 
A memória de trabalho possibilita, por exemplo, uma pessoa discar um número 
de telefone que alguém acabou de lhe dizer ou repetir algumas frases de um 
texto lido naquele exato momento. 
 
• memória de longo prazo: ao contrário da anterior, a memória de 
longo prazo tem uma capacidade maior para o armazenamento de informações, 
que permanecem com o indivíduo durante longos períodos, podendo até ficar 
guardadas indefinidamente. Por exemplo, as lembranças de fatos ocorridos na 
infância, o aprendizado de conteúdos escolares, a fisionomia ou o nome de 
alguém que ao se vê há tempos, etc. Dentro da memória de longo prazo, 
encontram-se os seguintes tipos: 
 memória episódica: fazem parte desse conjunto os eventos 
vivenciados pela pessoa que os recorda, em um determinado tempo e 
lugar, por exemplo, uma viagem de férias, o primeiro dia num emprego, o 
nascimento de um filho, ou até eventos negativos como uma situação de 
violência. Assim, a memória episódica é constituída por lembranças 
autobiográficas que representam um significado importante para o 
indivíduo. 
 
 
10 
 memória semântica: corresponde ao conhecimento de fatos 
da vida em geral, como o idioma falado, o significado das palavras, o 
nome de objetos e que não têm qualquer ligação com as experiências 
dotadas de algum tipo de emoção, como descrito na memória episódica. 
 memória procedural: esse tipo de memória é ligado ao 
conhecimento de procedimentos corriqueiros e automáticos, por exemplo, 
lembrar como se toca um instrumento musical, andar de bicicleta, vestir-
se, etc. 
Com o avanço da idade, a partir do 50 anos, é comum as pessoas se 
queixarem de dificuldades de memória, o que traz um certo desconforto ou ate 
o receio de que possa ser o início de um quadro patológico, como o Mal de 
Alzheimer, porém é importante ressaltar que o declínio da memória como avanço 
da idade é completamente normal. 
Não é só a idade que provoca prejuízos na capacidade de memória; o 
estresse emocional, a depressão e problemas de ordem física são outros 
importantes fatores. 
Por outro lado, existem também fatores que favorecem a memória, como 
a motivação e as emoções. Quanto maior o interesse em aprender algo, melhor 
será o armazenamento das informações obtidas nesse processo, assim quanto 
maior o número de emoções (sejam elas positivas ou negativas) atribuídas a um 
evento mais chances dele permanecer na memória para uma futura 
recuperação. 
Consideráveis avanços têm ocorrido, nas ultimas décadas, em relação à 
compreensão sobre o funcionamento da memória. Resultados apontam cada 
vez mais que a memória não se localiza apenas em uma região, tendo suas 
funções compartilhadas por múltiplas estruturas de acordo com sua 
especificidade. 
Acredita-se que a região temporal medial, mais especificamente, o 
hipocampo seja uma das estruturas mais importantes na codificação e formação 
de novas memórias. Mais do que isso, Moscovitch (2003) acredita que sua 
 
 
11 
função seja de integração e consolidação de informações sensoriais separadas, 
além da transferência de informações recém-sintetizadas para estruturasde 
longo prazo. Enquanto o hipocampo parece ser responsável pela formação da 
memória declarativa, a amígdala estaria relacionada à memória emocional, 
dando uma tonalidade afetiva ao material aprendido. Da mesma forma, outras 
estruturas parecem ter relação com as memórias não-declarativas, demonstrado 
na figura 4. 
 
 
A partir de estudo realizado por Mishkin e Petri (1984), foi observado um 
envolvimento dos núcleos da base, em especial o núcleo caudado, na memória 
de procedimentos. O cerebelo apresenta papel relevante no aprendizado 
 
 
12 
condicionado de respostas motoras, enquanto a amígdala relaciona-se às 
respostas emocionais. Por outro lado, os aprendizados não-associativos, estão 
envolvidos com as vias reflexas sensoriais. Estudos com neuroimagem apontam 
ativação da área neocortical no que diz respeito ao efeito de pré-ativação ou 
priming (Squire e Knowlton, 1995; Tulving e Schacter, 1990). 
Assim como os diversos tipos de memória citadas anteriormente, as 
estruturas cerebrais envolvidas em cada componente da memória operacional 
abarcam amplas regiões do sistema nervoso que pode ser observado na tabela 
1. Contudo, o córtex pré-frontal desempenha um papel crucial no processamento 
desse tipo de memória (Izquierdo, 2002). 
 
A alça fonológica tem seus sub-componentes localizados no hemisfério 
esquerdo, onde o armazenador estaria associado ao córtex parietal posterior, 
enquanto o mecanismo de reverberação se sobrepõe à Área de Broca e ao 
córtex pré-motor (Smith e Jonides, 1998). Ao mesmo tempo, o esboço visuo-
espacial é composto pelo armazenador visual, localizado no córtex pré-frontal 
inferior e pelo mecanismo espacial, ocupando o córtex occipital anterior, córtex 
parietal posterior e o córtex pré-motor, ambos no hemisfério direito (O’Reilly, 
Braver e Cohen, 1999). Por fim, o executivo central tem representações bilaterais 
 
 
13 
no córtex cerebral, e está relacionado principalmente ao córtex frontal dorso-
lateral e ao córtex pré-frontal. 
 
 
 
 
 
 
Linguagem 
 
A linguagem é uma função que usamos todos os dias, durante a maior 
parte do tempo, seja através da linguagem oral (numa conversa) ou da escrita 
(ao ler ou escrever um texto). 
O conceito de linguagem é definido pelo uso de um meio organizado de 
combinar as palavras a fim de se comunicar, embora a comunicação não se 
constitua unicamente num processo verbal. As formas não-verbais, como gestos 
ou desenhos também são capazes de transmitir ideais e sentimentos. 
Tanto a fala quanto a escrita são processos em que o indivíduo seleciona 
as palavras que conhece e as organiza num determinado contexto, dentro das 
regras gramaticais de seu idioma. 
A linguagem é um processo que ocorre apenas se existir uma sequência 
coerente de símbolos (sons ou palavras). Assim, para uma comunicação ser 
satisfatória, o indivíduo precisa compreender uma determinada informação para 
entender a seguinte, e daí por diante até o fim de um texto ou uma conversa. 
Mesmo que a pessoa leia um texto com muita atenção e compreensão, 
dificilmente as frases serão armazenadas exatamente iguais como aparecem no 
texto. Apenas as informações mais relevantes, como palavras-chave e as ideias 
 
 
14 
centrais, serão necessárias para a compreensão e armazenamento na memória 
de longo prazo. 
A leitura adequada é aquela que o sujeito organiza as palavras em grupos 
coerentes, dos quais será extraído um significado geral e associados ao tema 
principal do texto. 
A linguagem também é caracterizada pela sua constate evolução, pois 
embora as pessoas respeitem os limites de sua estrutura (gramática, ortografia), 
elas podem produzir novas elocuções a qualquer momento. Basta observar as 
mudanças ocorridas na escrita de certas palavras há algumas décadas atrás, 
por exemplo “pharmácia”. 
Durante muitas décadas, grande ênfase foi dada aos estudos sobre 
linguagem. Contribuições como as de Paul Broca e Karl Wernicke continuam 
sendo lembradas até hoje. O avanço da tecnologia e a utilização de técnicas 
avançadas de neuroimagem permitiram uma importante evolução a respeito do 
conhecimento de circuitos neurais relacionados à linguagem. 
Através de técnicas menos invasivas é possível observar como os 
processos se dão em indivíduos normais e não apenas em lesionados, como 
antigamente. Entretanto, sabe-se muito mais sobre as áreas envolvidas na 
linguagem em adultos do que em crianças. O fato de estarem em constante 
desenvolvimento, torna-as mais susceptíveis à plasticidade e mudanças 
funcionais, podendo não ser as mesmas áreas nas crianças (Muszkat e Mello, 
2008). 
 
 
15 
 
O processamento da linguagem é bastante complexo, ocorrendo em 
estruturas específicas e localizações determinadas. Desde Marc Dax (1865), 
inúmeros estudos foram realizados envolvendo a questão da especialização 
hemisférica da linguagem. Atualmente, há uma grande aceitação que alguns 
aspectos da linguagem seriam mediados por um hemisfério dominante (Knecht 
et al., 2000). Em geral, é o hemisfério esquerdo que estaria relacionado à 
articulação e compreensão da linguagem, assim como no reconhecimento da 
palavra; e o direito, com aspectos prosódicos e afetivo-emocionais da linguagem 
(Springer e Deutsch, 1998). 
Quanto aos aspectos neurais relacionados à linguagem expressiva, temos 
o cerebelo, responsável pelo sequenciamento dos movimentos na fala e pela 
monitoração da fonação; o córtex motor (porção posterior do lobo frontal), que 
estaria associado aos atos motores de fonação; os nervos motores, que 
controlam a motricidade dos músculos faciais e órgãos fonoarticulatórios; e os 
núcleos da base, responsáveis pelo controle do automatismo motor (Rocha, 
1999). Além dessas estruturas, temos a área de Broca, situado no giro frontal 
ascendente esquerdo, com papel fundamental no planejamento motor da 
 
 
16 
linguagem, na articulação e produção da fala (Machado, 2002). Os aspectos não-
verbais como a prosódia e pragmática estão associados ao hemisfério direito. 
No entanto, o aspecto motivacional da linguagem esta relacionado ao giro do 
cíngulo e outras áreas mais límbicas do lobo frontal (Muszkat e Mello, 2008). 
As funções receptivas envolvem as áreas auditivas, localizada no lobo 
temporal, e as áreas visuais, predominantes no lobo occipital, além dos nervos 
sensitivos e as áreas motoras, assim como as relacionadas com os movimentos 
oculares e a rotação da cabeça, movimentos presentes durante a leitura 
(Machado, 2002). A área de Wernicke, localizada na porção medial e superior 
do lobo temporal esquerdo, é responsável pela compreensão da linguagem 
(Price, 2000). Outra estrutura importante é o giro angular situado no lobo parietal, 
participa do processo de decodificação da linguagem escrita, processo de leitura 
e integração de informações sensoriais (Bookheimer et al., 1995). 
 
 
 
 
 
 
Percepção 
 
A percepção é uma função cognitiva que se constitui de processos pelos 
quais o sujeito é capaz de reconhecer, organizar e dar significado a um estímulo 
vindo do ambiente através dos órgãos sensoriais. 
Por exemplo, se um indivíduo tem seus olhos vendados e lhe são 
oferecidos alguns objetos para tatear, ele é capaz de reconhecer - através de 
informações armazenadas - a textura (áspero ou macio, duro ou mole), a forma 
(quadrado, redondo, grande, etc.) e depois nomear o objeto. O mesmo processo 
 
 
17 
ocorre com os outros sentidos como o olfato (reconhecer que é “cheiro de 
fumaça"), a gustação (identificar se algo é doce ou salgado), a audição (saber 
que um som é do canto de pássaros), ou a visão (identificar um obstáculo ao 
dirigir um veículo e desviá-lo). 
As agnosias são os déficits na capacidade de percepção dos estímulos 
sensoriais, especialmente os relacionados à visão. Embora o sujeito não seja 
portador de qualquer tipo de deficiência sensorial, ele não é capaz de reconhecer 
e identificaro estímulo que lhe é oferecido, normalmente em consequência a 
lesões cerebrais adquiridas. 
A sensação e a percepção constituem a base para a formação de todo 
nosso conhecimento acerca do mundo externo e interno, através dos órgãos dos 
sentidos e as células. De acordo com Engelhardt, Laks e Rozenthal (1995), a 
sequência de eventos resultantes na percepção de estímulos se inicia em células 
especializadas. Desde os receptores periféricos e as vias aferentes, até o córtex, 
passando pela medula, tronco cerebral e tálamo, o processamento se por 
diferentes níveis. Cada sistema sensorial apresenta uma modulação própria para 
o reconhecimento consciente do estímulo aplicado. Posteriormente, os 
receptores sensoriais se encarregam de traduzir os estímulos, que são 
codificados e levados por vias complexas para os centros superiores, onde por 
fim, essas informações são processadas. 
 
 
 
18 
 
Os sistemas sensoriais apresentam uma organização mista, hierárquica 
e em paralelo de acordo com a etapa de processamento. Um bom exemplo 
dessa organização é o sistema visual. Os olhos e suas estruturas desempenham 
um papel fundamental nesse processo. Eles captam as imagens, transformando-
as em impulsos elétricos, que serão enviados através do nervo óptico, ao 
cérebro. Os processos visuais são centralizados no lobo occipital, em especial 
no córtex visual primário e no córtex visual de associação. Os inúmeros aspectos 
de um estímulo visual estão vinculados à atividade da área visual primária (Grill-
Spector e Malach, 2004). 
Grande parte das informações para as áreas especializadas provém da 
V1, que juntamente com a V2 que distribuem os diferentes sinais para as áreas 
apropriadas. Assim, o córtex temporal medial (MT ou V5) está relacionada com 
o movimento e a profundidade, a área V4 à percepção de cor e forma, que 
alcança o córtex temporal inferior (IT). Desta forma, a percepção de forma e cor 
utiliza uma via ventral (“o que”), relacionada com a identificação de um objeto. 
Enquanto a percepção de movimento e de profundidade depende de uma via 
dorsal (“onde”), envolvida na localização espacial dos objetos (Milner e Goodale, 
1995; Ungerleider e Mishkin, 1982). 
 
 
19 
 
O processamento auditivo é centralizado no lobo temporal, principalmente 
no córtex auditivo primário. As informações da cóclea apresentam conexões 
complexas ao nível do tronco cerebral (Phillips, 1995). Os estímulos auditivos 
são processados por vias paralelas ascendentes, diretas e cruzadas, a partir dos 
núcleos cocleares. Neles, as vias binaural e monaural formam o lemnisco lateral, 
que terminam no colículo superior, projetado para o corpo geniculado medial. 
As informações acústicas ascendem ao córtex auditivo através de vias 
paralelas e terminam em regiões específicas para o processamento do tempo, 
intensidade e frequência do som. Dessa forma, as diferentes regiões funcionais 
do córtex decompõem a informação auditiva em componentes menores para 
gerar a percepção da localização, altura e volume. Finalmente, são direcionadas 
para as áreas de associação onde os sons são apreciados de acordo com seu 
tipo (Celesia, 1976). 
A gustação tem seu processamento a partir da estimulação de células 
receptoras que estão agrupadas nas papilas gustativas. Kinnamon e Cummings 
(1992) ressaltam os diferentes métodos para converter a informação da estrutura 
química dos estímulos gustativos em sinais elétricos. Estímulos salgados e 
azedos, por exemplo, agem diretamente sobre os canais iônicos específicos 
 
 
20 
localizados nas membranas das células receptoras. No entanto, os estímulos 
doce, amargo e umami apresentam conversão mediada por receptores 
acoplados a G-Proteinas. 
Em todos os casos, os sinais elétricos produzidos são enviados ao 
sistema nervoso central através dos nervos cranianos. Os sinais elétricos são 
enviados até a medula, onde fibras aferentes as projetam diretamente para o 
núcleo ventral póstero-medial do tálamo. Além disso, foram observadas 
projeções adicionais para o córtex somatosensorial primário, possível região que 
integra os aspectos quimo e somatosensórios dos estímulos gustativos (Araújo, 
2003). 
Em comparação aos outros mamíferos, o olfato do ser humano é pouco 
desenvolvido. Combinado com a gustação, o olfato nos ajuda a identificar os 
alimentos e alertar sobre alguma substância nociva. Os receptores olfativos 
projetam seus axônios para o interior dos bulbos olfatórios, onde convergem para 
formar estruturas sinápticas chamadas glomérulos. Estas se conectam em 
grupos que convergem para as células mitrais. Posteriormente, os axônios de 
saída dos bulbos, estendem-se pelos tactos olfativos, projetando diretamente 
para regiões primitivas do córtex. Então, a informação vai para o tálamo e depois, 
para o néocórtex (Bear, Connors e Paradiso, 2002). As percepções conscientes 
do cheiro podem ser mediadas por uma via que vai do tubérculo olfatório ao 
núcleo medial dorsal do tálamo, e por fim, para o córtex orbitofrontal. 
 
 
21 
Funções executivas 
 
As funções executivas compreendem um conceito neuropsicológico que 
se aplica às atividades cognitivas responsáveis pelo planejamento e execução 
de tarefas. Elas incluem o raciocínio, a lógica, a estratégias, a tomada de 
decisões e a resolução de problemas. Todos esses processos cognitivos são 
produzidos diariamente, pois uma série de problemas - dos mais simples aos de 
maior complexidade - ocorrem na vida do ser humano. Assim, independente do 
grau de complexidade do problema, o sujeito precisa estar apto para analisar a 
situação (problema), lançar mão de estratégias, e antever as consequências de 
sua decisão. 
O cotidiano oferece diferentes desafios ou simplesmente situações 
imprevistas que exigem uma boa habilidade para um manejo adequado. Por 
exemplo, descobrir o melhor caminho para se chegar num determinado local, 
uma nova função no emprego, aumentar o orçamento doméstico, ou mesmo 
durante o desenvolvimento da criança, que a cada momento descobre uma nova 
possibilidade e vai em busca de uma nova habilidade. 
Existem três tipos de resolução de problemas: 
• Inferente: utilizada quando o indivíduo está frente a uma situação 
desconhecida e pela qual ainda não existem soluções disponíveis. Sendo assim, 
é necessário avaliar os elementos que compõem o problema e deduzir (inferir) 
qual a melhor estratégia para superar aquele problema, ou no pelo menos 
minimizar seus efeitos. Na medicina isso é bastante utilizado quando se tem um 
determinado quadro patológico desconhecido. 
• Analógica: é o uso de recursos anteriormente utilizados em 
situações semelhantes. 
• Automática: é o tipo que se caracteriza pela espontaneidade. 
Ocorre principalmente se a pessoa que o utiliza tem bastante prática no 
problema, por exemplo, um motorista experiente. 
 
 
22 
Por muito tempo, acreditou-se que as funções executivas estavam 
relacionadas apenas ao lobo frontal, especificamente ao córtex pré-frontal. 
Atualmente, através dos métodos de neuroimagem sabe-se que esse constructo 
está associado a diferentes regiões dos lobos frontais, bem como distribuídos 
em uma ampla rede cerebral, que inclui estruturas subcorticais e vias do tálamo. 
Presume-se que o córtex pré-frontal seja a região mais relacionada ao 
funcionamento executivo e possui papel central na coordenação e integração 
entre os diferentes processos cognitivos e emocionais. Além disso, Weinberger 
(1993) ressalta seu alto grau de conectividade, compreendendo mais de trinta 
por cento do peso cerebral e sua superfície. 
O córtex pré-frontal possui aspectos únicos que sugerem a mediação e o 
controle do funcionamento executivo, sendo a área que possui mais regiões 
cerebrais conectadas a elas, além de receber diretamente entrada de outras 
áreas heteromodais associativas. O córtex pré-frontal é o maior alvo neocortical 
das informações processada nos circuitoslímbicos e das projeções dos circuitos. 
Deste modo, é a única região cortical capaz de integrar informações 
motivacionais, mnêmicas, emocionais, somatosensoriais e sensações externas, 
de maneira unificada e com metas direcionadas. 
O córtex frontal pode estar organizado de acordo com a natureza do 
material a ser processado ou com o tipo de processamento requerido. Por 
exemplo, a manipulação de informação em tarefas complexas normalmente ativa 
o córtex pré-frontal inferior direito, enquanto o córtex frontal superior é mais 
ativado quando a informação precisa ser renovada e mantida na memória. Stuss 
et al (2002) notaram que a área frontal dorsolateral direita estaria envolvida no 
monitoramento do comportamento e a mesma área só que do lado esquerdo 
estaria relacionada ao processamento verbal. De acordo com Fuster (2002) a 
região pré-frontal medial e cingulado anterior estariam envolvidos na 
reorganização da atenção e na motivação, a região pré-frontal lateral na memória 
de trabalho e definir, e a região órbito-medial no controle inibitório de impulsos e 
interferência. 
 
 
23 
Como visto anteriormente, o córtex pré-frontal está envolvido com muitos 
aspectos cognitivos e comportamentais específicos. Contudo, Royall e 
colaboradores (2002) identificaram três importantes circuitos (síntese 
apresentada na figura 5) que estão mais relacionados ao desempenho das 
funções executivas, com origem no lobo frontal e enviando projeções para os 
núcleos da base e para o tálamo. 
 
 
 
 
24 
O primeiro é o circuito córtex pré-frontal dorsolateral que se projeta para 
parte dorsolateral do núcleo caudado e também recebe informações do córtex 
parietal e da área pré-motora. Esta região pré-frontal dorsolateral é uma área de 
convergência multimodal e parece ter relação com o planejamento, 
estabelecimento de metas, flexibilidade cognitiva, fluência, memória de trabalho 
verbal e visuo-espacial, auto-regulação e tomada de decisão. 
Em seguida, o circuito órbito-frontal lateral têm origem no córtex pré- 
frontal lateral inferior e ventral anterior, projeta-se para o núcleo caudado 
ventromedial e recebe informações de outras áreas corticais. Esta região 
também recebe entrada de informação das áreas de processamento visual e 
auditivo dos lobos occipital e temporal. No córtex orbitofrontal, há uma forte 
interconexão com as áreas de processamento cognitivo e emocional. Portanto, 
estaria envolvido em alguns aspectos de comportamento social como controle 
inibitório, empatia e cumprimento de regras sociais. 
Por fim, o circuito do cíngulo anterior/córtex pré-frontal medial se projeta 
para o estriado ventral, recebe sinais do córtex de associação paralímbico, 
continuando até o núcleo talâmico dorsomedial. Este circuito teria relação com o 
monitoramento do comportamento, motivação, controle executivo da atenção, 
seleção e controle de respostas, recebendo informação de regiões como o 
hipocampo e a amígdala. 
De fato, os aspectos multifacetados das funções executivas e os múltiplos 
componentes das tarefas, dificultam a investigação e o controle das variáveis. 
Assim, não permitem o isolamento de uma habilidade executiva específica, o 
que provoca certo questionamento sobre as localizações cerebrais relacionadas 
ao funcionamento executivo. Ao mesmo tempo, a grande quantidade de 
conexões com diversas regiões do cérebro demonstra sua importância no 
controle da função executiva e no funcionamento de outras funções cognitivas. 
Essa perspectiva mais abrangente e "holista" das funções executivas 
pode ser lida no trabalho de Faw (2003). Nele, o autor lança a ideia do lobo pré-
frontal servir como um "comitê executivo" composto de cinco membros ou cinco 
sistemas sub-corticais-e-posteriores: o apreendedor, o verbalizador, o 
 
 
25 
motivador, o atentivo e o coordenador. Cada membro desse comitê estaria 
relacionado a um sistema pré-frontal e à habilidades cognitivas específicas. 
Segue descrição abaixo. 
No caso do apreendedor, via pre-frontal ventro lateral, recebe informações 
bem básicas sobre objetos e o ambiente de cada um dos cinco sistemas 
exteroceptivos. Esse sistema utiliza essas informações para discriminar e 
identificar objetos e situações. O sistema verbalizador, via ventro lateral, também 
recebe informações sobre objetos e o ambiente, mas se utiliza das informações 
relacionadas à comunicação. Já o sistema motivador, via ventro medial orbital, 
recebe informações diretamente da parte perceptual, aprimorando as 
informações do sistema apreendedor e verbalizado. Ele também recebe 
informações interoceptivas, sensações do corpo, respostas emocionais. O 
sistema atentivo, via dorso medial, está intimamente ligado ao foco atencional, 
recebe e processa informações básicas dos objetos e do ambiente, assim como 
do sistema apreendedor, motivador e coordenador. Por fim, o coordenador, via 
dorso lateral, recebe informações espaciais e de todo os outros sistemas. 
Segundo Faw (2003), todos esses sistemas e vias pré-frontais 
relacionam-se com várias funções cognitivas tais como a percepção, atenção, 
memória, controle motor, pensamento, entre outras. De certa forma, esse comitê 
executivo proposto pelo autor tem um papel relevante não só para o estudo dos 
circuitos neurais, mas também, para a maneira de pensar o funcionamento e 
desenvolvimento das funções cognitivas como um todo. 
 
 
 
 
 
 
 
26 
Avaliação neuropsicológica na criança - indicações e 
contribuições 
 
A avaliação neuropsicológica é recomendada em qualquer caso onde 
exista suspeita de uma dificuldade cognitiva ou comportamental de origem 
neurológica. Ela pode auxiliar no diagnóstico e tratamento de diversas 
enfermidades neurológicas, problemas de desenvolvimento infantil, 
comprometimentos psiquiátricos, alterações de conduta, entre outros. A 
contribuição deste exame na criança é extensiva ao processo de ensino-
aprendizagem, pois nos permite estabelecer algumas relações entre as funções 
corticais superiores, como a linguagem, a atenção e a memória, e a 
aprendizagem simbólica (conceitos, escrita, leitura, etc.). 
O modelo neuropsicológico das dificuldades da aprendizagem busca 
reunir uma amostra de funções mentais superiores envolvidas na aprendizagem 
simbólica, as quais estão, obviamente, correlacionadas com a organização 
funcional do cérebro. Sem essa condição, a aprendizagem não se processa 
normalmente, e, neste caso, podemos nos deparar com uma disfunção ou lesão 
cerebral. Ao fornecer subsídios para investigar a compreensão do 
funcionamento intelectual da criança, a neuropsicologia pode instrumentar 
 
 
27 
diferentes profissionais, tais como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e 
psicopedagogos, promovendo uma intervenção terapêutica mais eficiente. 
O conjunto dos instrumentos utilizados nos possibilita uma avaliação 
global das capacidades da criança, bem como das dificuldades encontradas por 
ela em seu desempenho dia a dia. Não se trata de rotular ou enquadrar a criança 
como integrante de grupos problemáticos, e sim de evitar que tais dificuldades 
possam impedir o desenvolvimento saudável da criança. Ainda quanto à 
avaliação em crianças, torna-se importante salientar algumas questões, entre 
elas o fato de o desenvolvimento cerebral ter características próprias a cada faixa 
etária. 
Portanto, dentro desse padrão de funcionamento cerebral, é importante a 
elaboração de provas de acordo com o processo maturacional do cérebro. Por 
exemplo, quando se fala de imaturidade na infância, esta não deve ser entendida 
unicamente como deficiência, devido às peculiaridades do desenvolvimento 
cerebral na infância. Diferentemente do adulto, o cérebro da criança está ainda 
em desenvolvimento, tendo características próprias que garantem uma 
diferenciação e especificidade de funções. 
Segundo Antunha (1987), as baterias de testes neuropsicológicos 
adaptados para criançassão em número bastante reduzido. Devem contemplar: 
a organização e o desenvolvimento do sistema nervoso da criança; a 
variabilidade dos parâmetros de desenvolvimento entre crianças da mesma 
idade; a estreita ligação entre o desenvolvimento físico, neurológico e a 
emergência progressiva de funções corticais superiores. 
 
 
Testes utilizados 
 
Estão relacionados a seguir alguns testes utilizados na avaliação 
neuropsicológica, descrevendo-se, de maneira sucinta, as potencialidades de 
 
 
28 
cada teste ou bateria como instrumento de ajuda na investigação 
neuropsicológica. Inteligência 
Os testes de inteligência para crianças medem primariamente habilidades 
essenciais ao desempenho acadêmico. Entre eles, o de Stanford-Binet4 foi o 
primeiro nos Estados Unidos. Adaptado das escalas originais de BinetSimon, 
baseia-se maciçamente no desempenho verbal e cobre desde os 2 anos até a 
idade adulta (23 anos), fornecendo uma idade mental e um quociente de 
inteligência (QI). 
O padrão-ouro internacional para a quantificação das capacidades 
intelectuais são as escalas Wechsler de inteligência, subdivididas pela faixa de 
idade. Essas escalas consistem em uma série de perguntas e respostas 
padronizadas que medem o potencial do indivíduo em áreas intelectuais 
diferentes, como o nível de informação sobre assuntos gerais, a interação com 
o meio ambiente e a capacidade de solucionar problemas cotidianos. 
O teste WPPSI5 (do inglês Wechsler Preschool and Primary Scale of 
Intelligence - Escala de Inteligência Wechsler para Pré-Escolares e Primário) é 
uma versão para crianças menores das escalas Wechsler, permitindo avaliar a 
inteligência de crianças entre 4 e 6,5 anos. É constituída por seis subtestes 
verbais e cinco de natureza manipulativa. Normalmente, a aplicação de cinco 
subtestes de cada uma das subescalas (verbal e de execução) é suficiente para 
uma análise fidedigna. A escala também permite recolher algumas informações 
sobre a organização do comportamento da criança. 
O WISC-III6 (Wechsler Intelligence Scale for ChildrenIII - Escala de 
Inteligência Wechsler para Crianças-III) é a escala mais usada para avaliar a 
inteligência de crianças cobrindo as idades de 6 anos a 16 anos, 11 meses e 30 
dias. Fornece escores nas escalas verbal e de execução, bem como um QI de 
escala total. Inclui muitos tipos de tarefas, oportunizando a observação das 
dificuldades da criança e de suas habilidades. É importante salientar que 
crianças com dificuldades motoras em geral são penalizadas neste teste, que 
não deve ser usado quando tal deficiência estiver presente. 
 
 
29 
O subteste Cubos do WISC-III (Figura 1) visa averiguar a capacidade de 
análise, síntese e planejamento de coordenadas vísuo-espaciais e a praxia 
construtiva. Pede-se ao sujeito que reproduza, com cubos de faces coloridas, 
desenhos que lhe são mostrados. Para cada modelo é estipulado um prazo limite 
para execução. Embora o QI não seja uma medida para localizar disfunções 
cerebrais, o resultado de QI contribui para dar maiores informações sobre o nível 
geral de funcionamento do paciente e, assim, servir de referência para outras 
funções mais específicas, como memória, linguagem, etc. Tanto o Stanford-Binet 
como o WISC-III e o WIPPSI são administrados individualmente a cada sujeito. 
 
 
 
 
 
 
 
Quando o paciente não apresenta condições de expressar-se 
verbalmente, usam-se os testes Matrizes Progressivas de Raven e Escala de 
Maturidade Mental Colúmbia8, que avaliam a inteligência geral e estimam a 
capacidade de raciocínio geral de crianças de uma forma não-verbal. O objetivo 
do teste Matrizes Progressivas de Raven (Figura 2) é descobrir as relações que 
existem entre as figuras e imaginar qual das oito figuras apresentadas 
completaria o sistema. Tradicionalmente, a inteligência está relacionada com as 
habilidades acadêmicas, porém existem outros tipos de inteligência (como, por 
exemplo, a caracterizada pela capacidade de relacionar ideias complexas, 
formar conceitos abstratos, derivar implicações lógicas através de regras gerais) 
que, muitas vezes, não é possível mensurar através dos testes convencionais. 
A este respeito, Prime salienta que, nas abordagens da inteligência, duas são 
 
 
30 
tratadas como fundamentais: a inteligência cristalizada (que prioriza o 
conhecimento) e a inteligência fluida (que prioriza o raciocínio). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A primeira se refere à profundidade das informações adquiridas via 
escolarização e geralmente é usada na resolução de problemas semelhantes ao 
que se aprendeu no passado (como nos testes tradicionais de inteligência). A 
segunda se refere à capacidade de processamento cognitivo, ou seja, a 
capacidade geral de processar informações ou as operações mentais realizadas 
quando se resolvem problemas relativamente novos. Com o propósito de avaliar 
a inteligência de uma forma global, foi padronizada para a população brasileira 
a bateria de provas de raciocínio (BPR-5), a qual oferece estimativas do 
funcionamento cognitivo geral e das habilidades do indivíduo em cinco áreas 
específicas: raciocínio abstrato, verbal, espacial, numérico e mecânico. 
Este instrumento auxilia os examinadores a tomarem decisões 
sustentadas na avaliação das aptidões e raciocínio geral, tais como, por 
exemplo, na avaliação das dificuldades de aprendizagem. É organizado em duas 
formas: 
A) para estudantes da 6ª à 8ª série do ensino fundamental; 
B) para alunos da 1ª à 3ª série do ensino médio. 
 
 
31 
Memória 
 
Para esta função, são utilizados instrumentos que avaliam a capacidade 
de aprendizado de funções de memória, como, por exemplo, o Teste de 
Aprendizado Auditivo Verbal de Rey (Rey Auditory Verbal Learning Test - 
RAVLT) e o Teste de Aprendizado Visual de Desenhos de Rey (Rey Visual 
Design Learning Test - RVDLT)12. 
Os testes que envolvem aprendizado, isto é, a repetida exposição ao 
material a ser recordado, são mais sensíveis para detectar prejuízos de memória 
do que testes apresentados somente uma vez. No teste de Aprendizado Auditivo 
Verbal de Rey (Figura 3), lê-se a lista de palavras para o examinando, 
pausadamente, cinco vezes consecutivas. Após cada uma das vezes em que 
são apresentadas as 15 palavras, o sujeito deve fazer a evocação do material, 
sem precisar seguir a mesma ordem de apresentação. 
 
 
 
32 
O WRAML (do inglês Wide Range Assessment of Memory and Learning 
Short Form) é um instrumento psicométrico destinado a avaliar a capacidade de 
aprender e memorizar ativamente vários tipos de informação em pacientes na 
faixa etária de 5 a 17 anos (memória visual, aprendizado verbal, memória para 
histórias). 
 
Linguagem 
 
Um dos testes mais utilizados para a avaliação da linguagem é o Boston 
Naming Test, que utiliza figuras de objetos para avaliar a capacidade de 
reconhecimento e nomeação. É empregado em crianças com dificuldades de 
compreensão ou produção de palavras ou material verbal escrito. Pode ser 
usado a partir dos 6 anos de idade. 
Também são utilizados o Teste de Fluência verbal (FAS, do inglês Verbal 
Fluency), testes de compreensão, como o Teste de Token, compreensão de 
textos, escrita e leitura. A avaliação inclui, ainda, os seguintes tópicos: órgãos 
fonoarticulatórios, hábitos orais e desenvolvimento da linguagem. Algumas 
particularidades precisam ser respeitadas e levadas em conta quando se avalia 
uma criança com lesão cerebral. 
 
 
33 
Cabe ao profissional ter clareza dos propósitos, conhecimentos, 
habilidade e adequação das técnicas e instrumentos de investigação a serem 
utilizados, como também ter conhecimento das possíveis alterações e limitações 
decorrentes da lesão cerebral, para que não sejam cometidos equívocos ao 
concluir-se a avaliação neuropsicológica. Em muitas das crianças com lesão 
cerebral, encontram-se alterados os canais formais de expressão ecomunicação 
com o meio. Sendo assim, o profissional por vezes precisa criar estratégias a fim 
de que a criança possa se comunicar e, então, interagir e melhor entender o que 
se passa com ela. 
Devemos auxiliar a criança a nos mostrar seu potencial e a comunicar-se 
utilizando recursos que lhe possibilitem compreender o que está sendo 
solicitado, a representar o que compreende e/ou quer realizar (através de gestos, 
mímicas, fala, expressão gráfica ou ação). 
 
Atenção 
 
 
É uma função que possibilita a pessoa a manter o foco e as informações 
no cérebro durante a realização de tarefas, ignorando demais distratores menos 
relevantes que possam interferir na finalização do trabalho. A atenção seletiva 
refere- -se à capacidade de prestar atenção em alguns estímulos e 
 
 
34 
concomitantemente ignorar outros. Atenção dividida refere-se à distribuição de 
recursos disponíveis na atenção para coordenar a performance de mais de uma 
atividade simultaneamente (Sternberg, 2008). A atenção é considerada uma 
base para que diferentes processos cognitivos possam funcionar de forma 
adequada. 
Os principais instrumentos para avaliar a atenção são: Subteste Dígitos 
Ordem Direta, Códigos, Aritmética do WISC-IV (Wechsler, 2013) e D2-Teste de 
Atenção Concentrada. Também pode ser utilizada Bateria Psicológica para 
Avaliação da Atenção (BPA), que tem como objetivo avaliar a capacidade geral 
de atenção, além avaliar de forma individualizada tipos de atenção específicos: 
atenção concentrada (AC); atenção dividida (AD) e atenção alternada (AA). 
 
Funções Executivas 
 
 
 
É um conjunto de habilidades cognitivas e processos críticos do 
comportamento e pensamento complexo. Tais funções complexas avaliam 
organização, planejamento e utilização de estratégias de resolução de 
problemas, que inclui o automonitoramento, analisar e modular o 
 
 
35 
comportamento, de acordo com a demanda. As funções executivas abrangem 
adaptação a situações novas, que vão além do conhecimento adquirido, que 
desenvolvem novas formas e recursos de pensar, cumprindo uma função 
importante na capacidade de aprender novos conteúdos. 
Os instrumentos mais utilizados para avaliação das funções executivas 
em crianças são: Compreensão de provérbios para abstração-raciocínio; Torre 
de Londres, que avalia planejamento; Controled Word test, que avalia a fluência 
verbal; Five-Point Test, para fluência de desenhos; Trail Making Test, que avalia 
a flexibilidade mental; Wisconsin Card Sorting Test (WCST) para avaliar a 
flexibilidade mental, formação de conceitos, solução de problemas, abstração-
raciocínio; Tarefas Go-No go, que avaliam modulação-inibição de resposta; 
Stroop, que mede modulaçãoinibição de resposta; Teste de Raven, que avalia 
abstração-raciocínio; California Verbal Learning Test-Children’s Version (CVLT-
C), que mensura a aprendizagem verbal e memória. Além destes, na literatura 
são mencionadas as Escalas de Inteligência Wechsler, como Sequência de 
Números e Letras (SNL), Aritmética (AR), Semelhanças (SM) e Dígitos Ordem 
Inversa. 
 
Lobos frontais 
 
Nos últimos anos, cresceu muito o interesse pelas funções do lobo frontal. 
É nessa parte do cérebro que se encontram as maiores diferenças entre os seres 
humanos e seus antepassados na evolução. 
Os lobos frontais constituem uma das maiores regiões do encéfalo, com 
funções ainda pouco conhecidas, embora nos últimos anos tenham se 
acumulado importantes conhecimentos sobre suas atividades. Agora se sabe 
que é no lobo frontal que se situam as habilidades humanas mais complexas, 
como o planejamento de ações sequenciais, a padronização de comportamentos 
sociais e motores, parte do comportamento automático emocional e da memória. 
 
 
36 
Para a adequada avaliação das funções frontais (funções executivas), é 
necessário ter conhecimento das etapas evolutivas desta estrutura, isto é, do 
seu processo de maturação, o que é particularmente importante quando 
avaliamos uma criança. A avaliação do lobo frontal é, em geral, mais difícil de 
ser realizada, pois envolve funções mais complexas e pouco conhecidas. 
Entre as diversas funções dos lobos frontais estão a plasticidade do 
pensamento, a capacidade de julgamento, a habilidade de produzir ideias 
diferentes, a organização da informação, a capacidade de dar respostas 
adequadas aos estímulos, de estabelecer e trocar estratégias e de planejar uma 
ação. Essas habilidades podem ser avaliadas através do teste de fluência verbal, 
fluência para desenhos, Wisconsin Card Sort Test (WCST), Trail Making Test e 
Stroop Test, que avaliam a capacidade de manter a atenção concentrada e de 
não sofrer interferências de respostas não-exigidas no momento. 
 
 
No teste Trail, a tarefa do sujeito na parte A (Figura 4) é ligar, com o lápis, 
círculos consecutivamente numerados, distribuídos aleatoriamente em uma 
folha de papel; na parte B (Figura 5), existem, além dos números, também letras 
impressas na folha de resposta, e a seqüência a ser ligada deve intercalar as 
duas séries, números e letras (1-A, 2-B, 3-C). A tarefa deve ser realizada o mais 
rapidamente possível. 
O WCST avalia a função executiva do lobo frontal. Mede a modulação de 
respostas impulsivas, a direção do comportamento, as habilidades em 
desenvolver e manter uma estratégia na solução de um problema, apesar das 
 
 
37 
mudanças de contingência, a flexibilidade, o planejamento, a organização, a 
ineficiência de conceitualização inicial e a dificuldade em encontrar soluções 
para problemas cotidianos, bem como o nível de perseveração, que vem a ser o 
problema que muitas pessoas têm de ficar remoendo um mesmo assunto ou 
repetindo um mesmo comportamento motor. Pode ser aplicado a partir dos 6 
anos de idade. 
Diversos subtestes da Escala de Inteligência Wechsler (WISC III e 
WPPSI) também auxiliam na investigação de disfunções frontais, tais como 
analogias, compreensão, códigos, etc. Lobos parieto-occipitais As funções 
relacionadas às habilidades vísuo-espaciais, organização vísuo-espacial 
(percepção) e planejamento são avaliados pelo teste de cópia da Figura 
Complexa de Rey-Osterrieth19, enquanto que habilidades percepto-vísuo-
espaciais são avaliadas pelo teste de Hooper Visual Organization. 
 
As figuras de Rey (Figura 6) objetivam avaliar a atividade perceptiva e a 
memória, verificando o modo como o sujeito apreende os dados perceptivos que 
lhe são apresentados e o que foi conservado espontaneamente pela memória. 
A testagem é composta de duas etapas: a primeira é a cópia da figura, e a 
segunda é a recordação da mesma após 30 minutos. A avaliação também pode 
ser realizada através do subteste Cubos das escalas Wechsler. 
 
 
38 
O Bayley II é um teste destinado à avaliação do desenvolvimento de 
crianças nas idades de 1 a 42 meses. O teste é dividido em três escalas: motora, 
mental e de comportamento, com quociente de desempenho para cada área. As 
três escalas são consideradas complementares, tendo cada uma sua 
importância na avaliação da criança. A escala mental avalia aspectos 
relacionados com o desenvolvimento cognitivo e com a capacidade de 
comunicação (capacidade de discriminar formas, atenção, habilidade motora 
fina, compreensão de instruções, nomeação, resolução de problemas e 
habilidades sociais). A escala motora avalia o grau de coordenação corporal 
(aspectos como sentar, levantar, caminhar, subir e descer escadas) e 
motricidade fina das mãos e dedos. A escala comportamental permite avaliar 
aspectos qualitativos do comportamento da criança durante o teste, tais como 
atenção, compreensão de orientações, engajamento frente às tarefas, regulação 
emocional, entre outros. O material do teste é atraente e de fácil utilização. 
Também existe o Bayley Infant Neurodevelopment Screener BINS, que é uma 
versão simplificada, usada para triagem de desenvolvimento em crianças de 3 a 
24meses, assim como o Denver II. 
 
 
 
 
39 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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