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<p>Resenha da obra “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” do</p><p>Friedrich Engels;</p><p>“A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, escrito por Friedrich</p><p>Engels, é um tratado que investiga a transição das sociedades humanas por meio de</p><p>diferentes fases de desenvolvimento.</p><p>O autor emprega o materialismo histórico para examinar a evolução da instituição</p><p>familiar, o surgimento da propriedade privada e a formação do Estado.</p><p>Resumo da obra:</p><p>1. Estágios Pré-Históricos: Engels explora as fases da humanidade, representadas</p><p>pelo estado selvagem, barbárie e civilização, cada uma com sua própria forma de</p><p>estrutura social e familiar.</p><p>2. A Família: O livro analisa a metamorfose da família, partindo da família</p><p>consanguínea, passando pela punaluana e sindiásmica, até chegar à monogâmica,</p><p>refletindo as mudanças nas relações de propriedade.</p><p>3. Propriedade Privada: Engels defende que a propriedade privada teve origem com o</p><p>advento da agricultura e a necessidade resultante de herança, o que culminou na</p><p>família patriarcal e na decadência do matriarcado.</p><p>4. A visão do Estado é a de uma entidade estabelecida com o propósito de garantir a</p><p>segurança da propriedade privada, surgindo no contexto da dissolução da sociedade</p><p>gentílica e da formação de classes sociais distintas.</p><p>5. A opressão de gênero é também tema abordado na obra, sendo conectada à</p><p>consolidação da propriedade privada e à predominância da autoridade masculina na</p><p>sociedade contemporânea.</p><p>Após a leitura compreendemos que Engels fundamenta sua análise em estudos</p><p>antropológicos, especialmente os conduzidos por Lewis H. Morgan.</p><p>Embora algumas das concepções antropológicas tenham sido revistas ou contestadas</p><p>ao longo do tempo, o livro continua a ser uma fonte relevante para compreender as</p><p>origens e a trajetória das estruturas sociais e políticas. é uma exploração profunda das</p><p>raízes da sociedade é uma obra clássica, moderna sob a perspectiva marxista,</p><p>destacando a importância da propriedade privada, do poder estatal, do comércio e da</p><p>produção, Engels discute a transição da sociedade primitiva, baseada em normas</p><p>comunitárias e maternais, para a sociedade moderna, caracterizada pela propriedade</p><p>privada e pelo poder estatal.</p><p>O autor apresenta uma concepção materialista da produção da vida humana,</p><p>enfatizando o progresso social baseado nos meios de existência e na reprodução da</p><p>espécie.</p><p>Ele considera que o avanço da sociedade contemporânea ocorreu com o declínio da</p><p>sociedade primitiva, que vivia de forma comunista e seguia normas maternais.</p><p>O livro é organizado linearmente, publicado em 1884, primeiro explicando ao leitor</p><p>alguns conceitos utilizados ao longo da obra, como as idéias de estado bárbaro,</p><p>barbárie e civilização; também sobre as formas de casamento nas sociedades pré-</p><p>históricas; como o casamento evoluiu ao longo do tempo e os pontos mais importantes</p><p>no desenvolvimento de competências produtivas.</p><p>A obra está muito à frente de seu tempo, pois trata nos primeiros capítulos da história</p><p>da situação da mulher na sociedade humana, da transição do matriarcado para o</p><p>patriarcado, e como isso tem uma ligação profunda com o desenvolvimento da</p><p>propriedade privada em comparação com o coletivo típico, propriedade sobre a origem</p><p>da humanidade.</p><p>Esse cenário surge em decorrência da divisão inicial do trabalho, baseada no gênero,</p><p>e do constante avanço da capacidade produtiva humana em relação à natureza,</p><p>transcendendo a mera luta pela sobrevivência e passando a gerar excedentes</p><p>produtivos.</p><p>Ao lado das reflexões acerca dos diferentes tipos de casamento e da instituição</p><p>familiar, Engels descreve a origem das sociedades tribais e sua dispersão ao redor do</p><p>mundo.</p><p>Durante milênios, clãs, fratrias e tribos se organizaram com base no direito</p><p>consuetudinário (que se baseia em laços familiares e sanguíneos) e na posição da</p><p>mulher na sociedade; priorizando a proteção da propriedade privada em relação à</p><p>proteção da vida nas ações estatais e no papel do Estado na sociedade.</p><p>O autor, mais conhecido por suas parcerias com Marx, realiza uma análise meticulosa,</p><p>utilizando o método materialista histórico-dialético, sobre a evolução da civilização,</p><p>fundamentando-se nos principais antropólogos de sua época, embora não deixe de</p><p>criticá-los severamente.</p><p>Viajando por comunidades nativas americanas, povos germânicos, romanos e gregos,</p><p>o escritor ilustra como essa estrutura social, em sua variedade, era capaz de atender</p><p>às necessidades sociais de cada civilização.</p><p>No entanto, à medida que a produção de excedentes aumentou, também aumentou a</p><p>complexidade destas comunidades. Isto exigia alguma forma de lei que pudesse lidar</p><p>com as exigências do comércio e da guerra, que nessa altura já se tinham tornado</p><p>uma prática muito importante.</p><p>Ao longo dos séculos, as pessoas viram as leis das nações serem postas de lado para</p><p>dar origem a este novo tipo de ordem social, capaz de fazer com que as sociedades</p><p>não fossem mais organizadas por laços de sangue, mas sim que desenvolvessem</p><p>diferentes tipos de divisões de serviço social (aristocratas, religiosos serviços,</p><p>militares, artesãos e agricultores) e eram demasiado grandes para ser uma tribo de</p><p>clãs principescos - a tribo proporcionava coesão suficiente.</p><p>A divisão social do trabalho deu origem a um tipo de desigualdade social até então</p><p>desconhecida, ou seja, os membros de uma mesma família (seja no sentido estrito ou</p><p>amplo) já não se consideram iguais, durante um período de igualdade. acumulação de</p><p>membros da mesma família. Acumulando riquezas provenientes dos despojos da</p><p>guerra e do comércio, a nobreza criou uma nova ordem social que lhes trouxe</p><p>privilégios. E esta nova condição social é o Estado, que já não se preocupa com as</p><p>obrigações de fidelidade da família, mas segue a ordem e a lei locais para as</p><p>organizar.</p><p>O Estado surgiu do desenvolvimento de formas raciais de organização social, mas as</p><p>elites selecionadas que acumularam a maior riqueza criada e a possuíam, passaram a</p><p>ter grande influência e controle sobre a sociedade.</p><p>Finalmente, concluo que esta tarefa é inevitável para qualquer socialista, seja marxista</p><p>ou libertário, à medida que procura respostas às nossas questões sobre as origens da</p><p>civilização humana. O papel do Estado como instrumento de proteção do estatuto e da</p><p>propriedade é claro para o leitor atento e a opressão das mulheres é um dos pilares</p><p>disso.</p><p>O texto ressalta a importância do Estado em cumprir suas obrigações para garantir um</p><p>serviço público eficaz, com foco na responsabilidade social. Destaca a igualdade na</p><p>tomada de decisões como essencial para a justiça e democracia, e aborda a</p><p>propriedade como reconhecida pela Constituição, limitada pelo interesse público.</p><p>A intervenção estatal no setor privado é necessária para regular as atividades em prol</p><p>do bem público.</p><p>Engels nos convida a refletir sobre a origem e a natureza das instituições que muitas</p><p>vezes tomamos como dadas, e a considerar o potencial para uma sociedade mais</p><p>justa e equitativa e os comentários mordazes de Engels sobre escritores dos quais ele</p><p>discordava tornam as coisas ainda mais interessantes.</p><p>A conclusão de Engels é que as relações sociais e as instituições que conhecemos</p><p>são historicamente condicionadas e não naturais ou imutáveis.</p><p>Ele critica a burguesia e a acumulação de riqueza, apontando para as desigualdades</p><p>inerentes ao sistema capitalista.</p><p>No entanto, Engels termina com uma nota de otimismo, inspirado pela obra de Lewis</p><p>Henry Morgan, antecipando um futuro onde a liberdade, igualdade e fraternidade</p><p>prevalecerão em uma forma mais avançada do que a conhecida anteriormente.</p><p>Recomendação da obra:</p><p>Recomendo a leitura da obra "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do</p><p>Estado" de Engels pois conecta fenômenos históricos e sociais com processos</p><p>econômicos, oferecendo uma perspectiva materialista da história.</p><p>A obra desafia concepções tradicionais e incentiva a crítica das estruturas sociais</p><p>vigentes.</p><p>È essencial para entender as raízes da sociedade contemporânea e as possibilidades</p><p>de sua transformação.</p><p>A obra tem uma influência significativa nos dias atuais, principalmente no campo da</p><p>sociologia, ciência política e estudos feministas.</p><p>Uma das principais contribuições do livro é a análise da evolução histórica das</p><p>sociedades humanas, argumentando que a família monogâmica e a instituição da</p><p>propriedade privada surgiram e se desenvolveram juntas, levando eventualmente à</p><p>formação do Estado.</p><p>Engels discute como a propriedade privada e a família monogâmica estão</p><p>interconectadas e como impactam nas relações sociais e na estruturação dos poderes.</p><p>No campo da sociologia, a obra influenciou pensadores como Max Weber e Karl Marx,</p><p>além de servir de base para estudos sobre desigualdade social, estrutura familiar e</p><p>política. A teoria de Engels sobre a conexão entre a família, a propriedade e o Estado</p><p>ainda é debatida e reinterpretada pelos estudiosos contemporâneos.</p><p>No que diz respeito aos estudos feministas, "A Origem da Família, da Propriedade</p><p>Privada e do Estado" também teve um impacto significativo. Engels argumenta que a</p><p>opressão das mulheres é uma conseqüência direta da instituição da propriedade</p><p>privada e da família monogâmica, e que a emancipação das mulheres só seria</p><p>possível com a superação dessas instituições.</p><p>Essa análise ainda influencia o pensamento feminista moderno, promovendo</p><p>discussões sobre patriarcado, divisão de gênero e lutas por igualdade.</p><p>Portanto, embora tenha sido publicado há mais de um século, o livro inda exerce uma</p><p>influência relevante nos dias atuais, fornecendo ideias e conceitos fundamentais para</p><p>a compreensão das dinâmicas sociais, políticas e de gênero.</p><p>Apesar disso, é criticada por possível superestimação da influência da economia nas</p><p>instituições sociais e determinismo excessivo.</p><p>A leitura é fundamental para compreender teorias marxistas e refletir sobre as origens</p><p>das instituições sociais e políticas.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. (2019). Brasil: Lebooks Editora.Autor:Friedrich Engels</p><p>https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&gbpv=1&printsec=frontcover&q=inauthor:%22Friedrich+Engels%22&tbm=bks&sa=X&ved=2ahUKEwjm8MbWmPCFAxWtIbkGHe2ACbsQmxMoAHoECCcQAg</p>