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CRIMINOLOGIA
AULA 1
Criador do termo criminologia: Paul Topinard (1830-1911).
Divulgador do termo criminologia: Raffaele Garófalo (1851-1934).
Pai da criminologia: Cesare Lombroso (1835-1909). Efetivamente pesquisou a criminologia.
Diferença entre direito penal e criminologia
Crimi = crime
Logos = estudo.
A criminologia é a ciência do ser. O direito penal é a ciência do dever ser. Elas se distinguem quanto ao objeto, método e função.
POLÍTICA CRIMINAL: é um programa de objetivos preventivos e repressivos ao direito criminal. Enxerga o crime como valor. A criminologia enxerga como fato e o direito penal enxerga como norma.
	-
	CRIMINOLOGIA (SER)
	DIREITO PENAL (DEVER-SER)
	POLÍTICA CRIMINAL
	OBJETO
	Crime
Criminoso
Vítima
Controle social
	Crime
	Dados sobre a criminalidade em determinado contexto
	MÉTODO
	Empírico-dedutivo e interdisciplinar
	Lógico-dedutivo
	Propositivo
	FUNÇÃO
	Controle + prevenção da criminalidade
	Aplicar o ordenamento jurídico
	Propor estratégias para conter a criminalidade incidindo na legislação penal
	COMO ENXERGA O CRIME
	FATO
	NORMA
	VALOR
	Cabe dizer, ainda, que a criminologia é uma ciência autônoma, empírica e interdisciplinar. Portanto, não se trata de uma ciência auxiliar do direito penal. 
Autônoma: porque tem objeto, método e função próprios.
Empírica: parte da observação dos fatos para o campo teórico. Quem fez isso pela primeira vez foi Lombroso, ao realizar a frenologia (estudo do crânio). Decorrência desse trabalho foi a criação da teoria do criminoso nato.
Interdisciplinar (ou multidisciplinar): porque utiliza outras ciências para poder estudar o seu objeto. Vale-se da psicologia, sociologia, direito, medicina, etc.
AULA 2/AULA 3
DO OBJETO
ESTUDO DO CRIME
A configuração do crime, dentro da criminologia, exige 4 (quatro) requisitos cumulativos:
i) incidência aflitiva: o crime é algo que perturba; causa dor, sofrimento, desconforto, etc;
ii) incidência massiva: deve ser corriqueiro, regular, frequente;
iii) persistência espaço-temporal: deve acontecer em diversos locais e períodos (momentos);
iv) inequívoco consenso quanto à necessidade de tutela pelo direito penal.
CRIMINOSO
São 4 (quatro) vertentes (e não requisitos cumulativos); 4 (quatro) linhas de raciocínio, cada um dando uma visão diferente.
i) Biológica (Lombroso): os fatores biológicos contribuem para o crime;
ii) Sociológica (Sutherland): os fatores sociais contribuem para a formação do criminoso (“me digas com quem andas que eu te direi que és”);
iii) Jurídica: criminoso é aquele que a lei penal entende como tal;
iv) Política: criminoso é aquele que a classe dominante entende como tal.
Sérgio Salomão Shecaira diz que “o criminoso é um ser histórico, real, complexo e enigmático [...]. Por isso, as diferentes perspectivas não se excluem; antes, completam-se e permitem um grande mosaico sobre o qual se assenta o direito penal atual.”
VÍTIMA (muitas questões de prova dentro desse ponto)
Vítima é a pessoa que sofre o crime. Temos 3 (três) momentos históricos de revelo para o estudo da vítima: 
i) Idade de ouro (protagonismo): a vítima era quem comandava tudo, como seria o castigo (físico, patrimonial), etc. Época da vingança privada. 
ii) Neutralização do poder da vítima (neutralização): é tudo do Estado; a vítima não podia nada. O direito romano proibiu a autotutela. O Estado tomou para si o poder de aplicar a pena, substituindo as partes. A vítima deixou de ter poder sobre o fato delituoso.
iii) Revalorização da importância da vítima (redescobrimento): a vítima recuperou algumas prerrogativas, mas não como antes. Esse terceiro momento surgiu após o holocausto dos judeus durante a 2ª guerra mundial. 
Após a guerra, um judeu sobrevivente, chamado Benjamin Mendelshon (pai da vitimologia) proferi uma palestra na Conferência de Bucareste (1947) com o título: “Um horizonte novo na ciência biopsicossocial: A vitimologia”. Essa foi a primeira vez que o termo vitimologia foi empregado. Essa palestra teve como objeto a importância da vítima. 
Embora o emprego do termo vitimologia tenha ocorrido pela primeira vez em 1947, na Conferência de Bucareste, sua consagração ocorreu somente em 1973, com a realização do 1º Simpósio Internacional de Vitimologia, com grande contribuição de Hans Von Heting.
AULA 4
 VITILOMOLOGIA
Muito importante para a vitimologia é o estudo e compreensão do par penal, que é a relação existente entre a vítima e o criminoso, para melhor entender o fato criminal com todas as suas circunstâncias. 
Assim, deve ser verificado o dolo ou culpa do criminoso, bem como a responsabilidade da vítima. Ou seja, além de se olhar para o criminoso, a vitimologia procura também direcionar o olhar para o comportamento da vítima. Nisso consiste o par penal.
Processo de vitimização (muito cobrado em concursos).
O processo de vitimização se dá em 3 (três) graus:
1º) vitimização primária: decorre do crime.
2º) vitimização secundária ou sobrevitimização: decorre do sistema de justiça criminal. Decorre da interação cm as instâncias formais de controle.
3º) vitimização terciária: decorre omissão do estado e da sociedade. Decorre da falta de amparo dos órgãos estatais com a vítima, bem como do preconceito da sociedade.
Os graus não tem a ver com o número de vezes que a vítima sofreu o crime, mas sim com as consequências de um único ato criminoso. Ou seja, o processo de vitimização é tudo o que decorre do próprio crime.
Classificação das vítimas segundo Benjamin Mendelsohn
a) vítima inocente ou vítima ideal: é aquela que não possui nenhuma participação no evento criminoso.
b) vítima provocadora
b.1) vítimas menos culpadas que os criminosos: colabora de alguma forma com o evento criminoso, v.g., frequentando locais perigosos; expondo seus pertences, etc.
b.2) vítimas tão culpadas quanto os criminosos: v.g. estelionato por torpeza bilateral.
b.3) vítimas mais culpadas que os criminosos: sua própria conduta deu causa ao crime. Exemplo: lesão corporal ou homicídio após injusta provocação.
c) vítima unicamente culpada
c.1) vítima infratora: é aquele que comete um delito e, logo em seguida, se torna vítima. Exemplo: vagabundo morto em situação de legítima defesa.
c.2) vítima simuladora: a pessoa comete uma premeditação irresponsável e finge ser vítima, fazendo com que um inocente acabe sendo condenado por conta de erro judiciário. Exemplo: mulher que alega ter sido vítima de violência doméstica que nunca aconteceu.
c.3) vítima imaginária: a pessoa tem um grave transtorno de pensamento e alega ter sido vítima de um crime que não ocorreu, induzindo o judiciário em erro, por conta de um problema mental. Exemplo: esquizofrênico que procura a autoridade dizendo ter sido vítima de crime que jamais ocorreu.
AULA 5
CONTROLE SOCIAL
É um conjunto de mecanismos, de sanções sociais. Pode ser formal ou informal. 
Formal (é menos eficiente): Decorre de fontes estatais de controle. Exemplo: Polícia, MP, DEPEN, políticas públicas, etc.
Informal (é mais eficiente): Decorre de fontes não estatais. Exemplo: a família, a igreja, a escola, a opinião pública.
Clarence Ray Jeffrey: “Mais leis, mais penas, mais policiais, mais juízes, mais prisões significam mais presos, porém não necessariamente menos delitos. A eficaz prevenção do crime não depende tanto da maior efetividade do controle social formal, senão da melhor integração ou sincronização do controle social formal e informal.”
DO MÉTODO
A criminologia trabalha com o método empírico-dedutivo, o que significa que os seus estudos buscam apoio exclusivamente na experiência/observação dos fatos, ao invés de partir de teorias previamente determinadas. 
Temos o exemplo de Lombroso (antropologia criminal) que desenvolveu a tese do “criminoso nato” a partir de uma observação de aproximadamente 4 mil presos, que tiveram seus crânios medidos (frenologia).
Sérgio Salomão Shecaira diz que “a criminologia pretende conhecer a realizada para explica-la e compreender o problema criminal,bem como transformá-la”.
DA FUNÇÃO
A criminologia possui a função inicial de traçar um diagnóstico científico e qualificado sobre os seus quatro objetos de estudo (crime, criminoso, vítima e controle social), com a finalidade específica de controlar e prevenir o fenômeno criminal. 
AULA 6
CRIMINOLOGIA GERAL E CRIMINOLOGIA CLÍNICA
Criminologia Geral é a visão macro e Criminologia Clínica (ou microcriminologia) é a visão micro. Em outras palavras, a Criminologia Geral é o nome dado à sistematização, organização, dos resultados obtidos no estudo dos objetos da criminologia (crime, criminoso, vítima e controle social), ao passo que a Criminologia Clínica (ou microcriminologia) é a aplicação desses conhecimentos teóricos daquela para o tratamento dos criminosos no caso concreto.
CRIFRA OCULTA/CIFRA NEGRA/DARK NUMBER
A criminalidade real são todos aqueles crimes praticados numa determinada localidade. 
A criminalidade revelada é aquilo que vai para as estatísticas.
A diferença entre a criminalidade real e a criminalidade revelada é a cifra negra. Ou seja, aqueles crimes que não chegam ao conhecimento estatal.
Cifra dourada são aqueles crimes praticados pela alta classe, mas que não são investigados ou punidos. São os crimes do colarinho branco (White colar crime). No entanto, esses crimes exigem 4 (quatro) requisitos cumulativos para caracterizarem-se: 
1) ser um crime tipificado; 
2) ser cometido por pessoas de elevado status social; 
3) cometido no exercício da profissão; 
4) cometido com violação a normas de confiança (em regra).
NASCIMENTO DA CRIMINOLOGIA (um dos mais cobrados em concursos)
Temos 2 (duas) correntes. 
A primeira (fase pré-científica), da escola clássica. Teve como maior expoente Cesare de Bonesana (Marques de Beccaria). Escreveu “Dos delitos e das penas”. 
A segunda (fase científica), da escola positivista. Teve como principal expoente Cesare Lombroso, e o principal livro foi “Do homem delinquente”.
AULA 7
(continuação)
	Escola clássica: é uma escola do iluminismo (Sex. XVIII). Além de Cesare de Bonessana, temos os autores Francesco Carrara e Giovanni Carmignani. No contexto do surgimento da escola clássica, os juízes tinham poderes ilimitados. Assim, a escola clássica buscou desenvolver um conceito de direitos humanos na aplicação das penas, com a finalidade de impor um limite aos poderes dos juízes. 
O pressuposto da escola clássica é o livre arbítrio do ser humano. Ele que define se irá ou cometer o crime. 
O questionamento que a escola clássica faz é a proporcionalidade das penas que serão aplicadas. 
	A função básica da pena é o castigo
	O método é o lógico-dedutivo, por isso é pre-científica. 
	Objeto de estudo: os delitos e as penas.
Principal livro: “Dos delitos e das penas”, de Cesare de Bonesana (marques de Beccaria). Nesse livro trouxe três conceitos importantes sobre os delitos e as penas: 1) Leis simples e conhecidas pelo povo; 2) somente as leis podem fixar as penas; 3) as penas não podem atingir a família do condenado (princípio da intranscendência da pena).
Escola positivista: também é uma escola oriunda do iluminismo do séc. XVIII. Os principais autores são: Cesare Lombroso, Enrico Ferri (discípulo de Lombroso) e Rafaelle Garofalo.
O momento histórico é a industrialização e o desenvolvimento econômico que elevou o número de crimes. Nesse contexto a sociedade percebeu que não bastava castigar, era necessário ir além. Buscou-se estudar o criminoso para se entender o que estava acontecendo e, com isso, implementar políticas para minimizar o problema. 
O pressuposto da escola positivista é que as características físicas da pessoa influenciavam na prática do crime (Lombroso).
O questionamento era o motivo pelo qual o sujeito se tornava um criminoso.
A função básica da pena era isolar o criminoso (defesa social), e não apenas puni-lo. 
O método é o empirismo, por isso fase científica. 
O objeto de estudo é o próprio criminoso. 
A principal publicação foi “Do homem delinquente”, de Cesare Lombroso. Mas houve outras duas também muito importantes, de acordo com a fase na qual a escola positivista se encontrava, que foram três: 
Fase antropológica: “O Homem Delinquente” – Cesare Lombroso;
Lombroso desenvolve a teoria do criminoso nato. A delinquência é resultado de uma característica biológica do indivíduo. Seria possível saber se a pessoa iria delinquir a partir do seu nascimento. 
Fase sociológica: “Sociologia criminal” – Enrico Ferri;
Delito é um somatório de diversos fatores (individuais = biológicos, antropológicos; físicos = clima, temperatura, etc. e; e sociológicos ou culturais = densidade populacional, religião, família, etc.)
Fase Juridica: “Criminologia” – Rafaele Garófalo.
Os criminosos tem um déficit (não é uma doença) na esfera moral da personalidade, na base orgânica do indivíduo, que inclusive pode ser transmitida hereditariamente (é como se a tendência para o crime fosse genética). “O crime está no homem, e se revela como uma degeneração deste”.
	NASCIMENTO/PRIMÓRDIOS DA CRIMINOLOGIA
	
	ESCOLA CLÁSSICA
	ESCOLA POSITIVISTA
	Contexto histórico
	Iluminismo do sec. XVIII
	Iluminismo do sec. XVIII
	Autores
	Cesare de Bonesana;
Francesco Carrara;
Giovanni Carmignani
	Cesare Lombroso;
Enrico Ferri;
Rafaele Garófalo
	Pressuposto
	Livre-arbítrio
	Características físicas da pessoa
	Questionamento
	Proporcionalidade das penas
	Motivos pelos quais uma pessoa se tornava um criminoso
	Função da pena
	Castigar
	Defesa social (isolar o criminoso da sociedade)
	Objeto de estudo
	Os delitos e as penas
	O criminoso
	Método
	Lógico-dedutivo
	Empirismo
	Principal publicação
	“Dos delitos e das penas”
	Fase antropológica = O homem delinquente – Lombroso;
Fase sociológica = Sociologia Criminal – Enrico Ferri;
Fase jurídica = Criminologia – Rafaele Garófalo
AULA 8
ESCOLAS SOCIOLÓGICAS (OU MACROSSOCIOLÓGICAS) DO CONSENSO E DO CONFLITO
São 2 (dois) grandes eixos no estudo da criminologia. 
A escola sociológica do consenso (escola funcionalista) entende que a harmonia da sociedade, o equilíbrio, depende do funcionamento perfeito das instituições, com o compartilhamento de metas sociais. Para a escola do consenso, o crime existe na própria natureza, ou seja, decorre da própria natureza humana. Teorias vinculadas à escolas do consenso:
Teoria Ecológica ou Escola de Chicago;
Teoria da Associação Diferencial;
Teoria da Anomia;
Teoria da Subcultura Delinquente;
Já a escola sociológica do conflito entende que a harmonia da sociedade está relacionada ao conflito entre dominantes e dominados, luta de classes, imposição pela força. O crime não existe na natureza, mas trata-se de uma escolha legislativa, para a dominação de determinada classe social. Teorias vinculadas à escola do conflito:
Teoria do Etiquetamento ou Labeling Approach;
Teoria Crítica.
2) TEORIAS/ESCOLAS SOCIOLÓGICAS DO CONSENSO
1) Escola de Chicago ou Teoria Ecológica ou Arquitetura Criminal
	Principais Autores: Willian Tomas; Robert Park; Ernest Burgs.
	Momento histórico: Na 1ª metade do séc. XX a cidade de Chicago sofreu um salto populacional muitíssimo grande. Em 60 anos ela pulou de 4460 para 1 milhão de habitantes. Depois, de 1900 para 1910 ela pulou de 1 milhão para 2 milhões de habitantes. Isso desorganizou o espaço urbano. A cidade ficou dividida em zonas, onde cada grupo social morava. 
	Percebeu-se que as áreas mais distantes do centro eram mais organizadas, mais ricas e com poucos crimes. Na medida em que se aproxima do cento, essa proporção começa e se inverter. No entanto, não se trata de uma relação de causa e efeito, de determinismo, mas sim de uma tendência gradiente (gradient tendence). 
	ESCOLA DE CHICAGO ou TEORIA ECOLÓGICA ou ARQUITETURA CRIMINAL
	PONTOS POSITIVOS
	PONTOS NEGATIVOS
	Apontou o impacto criminal do desenvolvimento urbano;
	Não explica o cometimento de delitos em áreas desenvolvidas da cidade;
	Apontou a importância de uma política criminalvoltada para a política arquitetônica;
	Não explica o não cometimento de crimes em áreas pobres;
	
	Tem uma visão preconceituosa dos guetos da cidade.
AULA 9
	2) Teoria da Associação diferencial
	Principal autor: Edwin Sutherland
	Momento histórico: Surgiu em 1940. Sunderland começou a criticar a escola de Chicago, pois, caso se levasse o entendimento da teoria ecológica para explicar o crime em todas as situações, chegar-se-ia sempre a conclusão de que há uma relação indireta entre a pobreza e a criminalidade. Sunderland disse que essa conclusão é preconceituosa e errada, porque as pessoas ricas também cometem crimes em seus bairros nobres. 
	Sutherland chegou a essa conclusão ao analisar as 70 grandes empresas do EUA, constatando que apenas 1 (uma) não incorria em nenhuma infração penal. Concluiu, portanto, que o comportamento criminoso não decorre de uma relação com a pobreza, com o local onde se reside, com a zona da cidade, com o desenvolvimento daquela zona, mas sim com algo que se aprende com os seus pares. Ou seja, o comportamento criminoso é aprendido com as pessoas que estão ao seu redor, seja em relação a como cometer o delito, o motivo, etc, que ocorre principalmente com os mais jovens. Esse aprendizado ocorre com a ação comunicativa, com as interações sociais. O delinquente nasce quando os motivos favoráveis à violação superam os motivos desfavoráveis à não violação.
	Foi Sunderland que trouxe a visão dos Crimes do Colarinho Branco (White Collar Crimes), definindo que são crimes praticados por pessoas de alta classe social, sempre no exercício da função e, em regra, com violação a uma norma de confiança.
	ESCOLA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL
	PONTOS POSITIVOS
	PONTOS NEGATIVOS
	EM 1940, ela desconstruiu a ideia de que o crime só existe entre os mais pobres e marginalizados;
	Desconsidera a autonomia ética, a subjetividade do indivíduo, ao entender que o comportamento criminoso se aprende com outro indivíduo;
	Chamou a atenção da sociedade para os crimes praticados por pessoas de alta classe (crimes do colarinho branco)
	
Teoria da Anomia
Principal autor: Émile Durkheim, pai da teoria da anomia.
	Autor também importante: Robert King Merton.
Anomia significa ausência de normas, de leis. Isso acontece em 3 (três) situações: 1ª) elevadas taxas de prática de crimes; 2ª) ausência de clareza das normas; 3ª) crise de valores.
1ª) taxas muito elevadas da prática de crimes: pois coloca-se em cheque a própria coesão social. É como não se existissem normas;
2ª) ausência de clareza das normas: dificulta a compreensão do padrão social que deve ser seguido pelos indivíduos;
3ª) crise de valores: ocorre quando a sociedade passa por momento históricos onde se passa a questionar os valores sociais, geralmente ocorre em guerras e revoluções.
Durkheim tem como chave do conceito de anomia a consciência coletiva. Para ele as sociedades possuem um consciente (ou inconsciente) coletivo, que representa a noção geral daquilo que é certo e errado. Como todos tem essa consciência, todos sabem como deve agir. Durkheim entende que a prática regular de crimes dentro de uma sociedade é boa, pois reforça a consciência coletiva dentro da sociedade. Ou seja, reforça o que é errado, os próprios valores, dentro da sociedade. 
Frase importante ligada a teoria da anomia: “Não reprovamos porque é crime. É crime porque reprovamos.” Ou seja, primeiro a sociedade reprova um comportamento para depois torna-lo crime. 
Robert King Merton pegou a visão de Durkheim e aplicou à criminologia, originando o livro “Teoria Social e Estrutura Social”. Merton via além de Durkheim, dizendo que o crime ocorre quando há uma dissociação entre os valores e caminhos. Valores são os valores culturalmente prescritos. Caminhos são os caminhos estruturalmente estruturados para alcança-los. A sociedade acena para a ideia da necessidade em se alcançar metas, no entanto, não disponibiliza os meios para atingi-las de forma legítima. Em razão disso o indivíduo delinque, acarretando o aumento da delinquência e, por conseguinte, uma anomia. 
Mas Merton enxerga que as pessoas podem ser adaptar às dissociações entre valores em caminhos, gerando diferentes tipos de adaptações.
AULA 10
(Teoria da anomia – continuação)
	Tipos de adaptações individuais em relação às dissociações entre valores e caminhos. São 5 (cinco): 
Retraimento: são as pessoas que não vão aderir aos valores, às metas sociais. Também não aderem aos meios para atingi-los. Preferem uma solução passiva. Exemplos: drogados, mendigos, bêbados.
Rebelião: as pessoas não aderem aos valores/metas sociais e também aos meios para atingi-los. No entanto, buscam uma solução ativa. São os revolucionários;
Ritualismo: as pessoas que não adere aos valores, mas adere aos meios para atingi-los. Ele não quer o mesmo que os outros pois se acha incapaz de atingir tais objetivos. Porém, segue as regras impostas.
Inovação: e o oposto ao ritualismo. Ele adere aos valores, mas não adere aos caminhos, pois sabe que não vai atingir pelos meios convencionais, DAÍ VIRA CRIMINOSO;
Conformidade: indivíduo que adere aos valores/metas sociais, adere aos caminhos/meios de atingi-los. Ele quer o mesmo que os outros e acredita que um dia irá conseguir atingir os seus objetivos. Daí, corre atrás e batalha diariamente pelo sucesso.
	
5) Teoria da subcultura delinquente
	Principais autores: Albert Cohem (1955 – “Delinquent Boys – The Culture of the Gang) e Wiliam Whyte (1943 – “Street Corner Society”). Ambos trazem uma visão da subcultura delinquente após a 2ª guerra. 
	Contexto histórico: os EUA enriqueceram, suas instituições se fortaleceram, após a 2ª guerra, mas os valores propagandeados pelo “Americam Dream” não estavam acessíveis a todos os indivíduos, e os jovens, principalmente os negros, perceberam isso. Além disso, as classes menos favorecidas eram cobradas da mesma forma que as mais favorecidas para acenderem socialmente. Essas pessoas se agruparam com os seus semelhantes, grupos de minorias, criando subculturas.
	A teoria da subcultura delinquente está simplesmente associada à frustração desses jovens que acabaram se sentindo excluídos da sociedade e decidiram delinquir em grupo, apenas para demonstrar suas frustrações. ATENÇÃO: os crimes são sempre praticada em grupo e não estão relacionados à renda do criminoso (não utilitarismo da conduta).
	A subcultura delinquente tem 3 (três) características clássicas (bastante cobradas em provas): 
1ª) não utilitarismo da conduta: a delinquência não possui qualquer utilidade e é praticada apenas a título contestatório para mostrar uma revolta;
2ª) Malícia da conduta: a delinquência traduz um certo sadismo e reflete o prazer de ver o outro mal;
3ª) Negativismo: a delinquência nega os valores dominantes e está baseada no valores da subcultura.
O exemplo clássico são os pichadores.
ATENÇÃO: não confundir subcultura com contracultura. Na subcultura se aceita alguns aspectos da cultura dominante, mas tem suas próprias crenças. Já na contracultura, não se aceita nenhum aspecto da cultura dominante e desafia o seu jeito de pensar (exemplo: movimento hippie; beatnik).
3) TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONFLITO
1) Teoria da reação social ou Rotulação Social ou Labeling Approach
	Principal autor: Howard Becker (1963). Livro: Outsiders: Studies in the sociology of deviance.
	Momento histórico: EUA, 1960. Nesse época, havia discursos de pacifismo e feminismo; força dos movimentos hippie e beatnik. Discurso de Martin Luther King (“i have a dream”). 
Tudo isso gerou uma mudança de paradigma. A teoria do labelling approach mudou o foco, uma vez que não se preocupa com o motivo que leva os indivíduos a cometerem crimes, e sim com o motivo de serem tratados como criminosos, as consequências bem como a legitimidade desse tratamento.
Em outras palavras, ao contrário das teorias da escola do consenso, que tinham o foco nos motivos do crime, a teoria da reação social, assim com as demais teorias do conflito, voltaram a discussão paraos motivos do indivíduo ser tratado como criminoso, as consequências e legitimidade desse tratamento, e nisso consiste a mudança e paradigma. 
Essa teoria entende que o direito penal é seletivo e que recai sobre determinadas camadas da sociedade, geralmente os mais pobres. O direito penal rotula aqueles que a sociedade quer distantes como criminosos, para afasta-los. Chama-se de etiquetamento ou estigmatização.
Para essa teoria, a criminalidade não é uma qualidade da conduta humana, mas sim uma consequência de um processo em que se atribui tal qualidade. Willian Spen diz que temos tanto etiquetas positivas como negativas, e elas são tão marcantes que a sociedade passa a olhar somente para as etiquetas e não para os demais atributos do indivíduo. A força das etiquetas é tão grande que o indivíduo, de tanto ser etiquetado, assume a etiqueta que lhe foi imposta e passa a se comportar como tal, perdendo a sua real identidade.
Por fim, a Labeling Approach fala em desvio primário e desvio secundário. Desvio primário é o primeiro delito praticado pelo indivíduo. O desvio secundário é a inserção do indivíduo na carreira criminal.
AULA 11
Teoria crítica ou Radical ou Nova Criminologia
Principais autores: Ian Taylor; Paul Walton; Jock Young.
Fundamento: temos uma universalidade em relação ao cometimento de crimes. Todas as classes sociais praticam crimes. Partiu-se do entendimento de Sutherland.
Visão de mundo: embora tenha-se uma universalidade em relação ao cometimento de delitos, somente as classes mais baixas sofrem as sanções. As classes médias e altas geralmente escapam. Fundada na teoria marxista, que vê o direito penal como forma de explorar as classes menos favorecidas.
Entende-se que o crime não é algo natural (como na escola do conflito como um todo), mas sim como algo criado pelas classes dominantes para controlar as classes dominadas.
Característica dessa teoria: o problema criminal é insolúvel dentro da sociedade capitalista, pois essa sociedade busca o lucro acima de tudo. 
Problema dessa teoria: não explica a criminalidade que não visa o lucro.
Ela tem 3 (três) tendências principais, todas bem radicais:
Neo-realismo de esquerda:
- o crime produz divisão nas classes menos favorecidas, fazendo esquecer que o inimigo real é o capitalismo.
- Aponta para a universalidade da criminalidade e para a seletividade da justiça criminal e sugere como saída a descriminalização das condutas típicas das classes baixas e a elevação das penas das condutas típicas das classes altas;
- Traz a ideia do neopunitivismo, que consiste na redução do controle penal e expansão para outras esferas do direito;
- E a ressocialização, defendendo a reinserção dos delinquentes na sociedade.
Minimalismo penal:
- é a ideia da intervenção mínima, pretendendo reduzir o direito penal no curto prazo;
- revisão da hierarquia dos bens jurídicos tutelados, com a contração do sistema penal em algumas áreas e expandindo em outras;
- busca da igualdade e da democracia, na medida em que a verdadeira política criminal é a transformação social.
Abolicionismo penal: 
- é a mais radical das três. Entende que há uma falência do sistema penal, pois: reproduz as desigualdades e as injustiças sociais. O direito penal é uma instância seletiva e elitista.
- o Direito é uma realidade construída, pois os fatos que constituem crime decorrem de escolhas modificáveis;
- a cifra oculta é altíssima, o que indica que já vivemos numa sociedade sem o direito penal;
- as normas penais não inibem o cometimento de delitos, pois não protegem a vida, a propriedade, dentre outros bens jurídicos;
- o sistema é burocrata, porque as instituições não atuam de forma integrada.
3) PROCESSOS DE CRIMINALIZAÇÃO E CRIMINALIDADE
1) Criminalização primária: trata da criação dos tipos penais e parte de suas premissas:
a) crime como invenção legislativa = o crime não decorre da natureza, pois foi criado pela lei;
	b) ataque aos mais pobres = segue os critérios de preferência que atacam os pobres;
2) Criminalização secundária: atuação dos órgãos de controle social (Polícia + MP + Judiciário);
3) Criminalização terciária: Ingresso dos indivíduos no sistema prisional.
4) PREVENÇÃO DO DELITO
1) Prevenção primária: voltada para todos os indivíduos. Finalidade de neutralizar a causa do problema antes da manifestação. Exemplo: qualidade de vida; educação; habitação; trabalho, etc.
2) Prevenção secundária: Voltada para setores específicos da sociedade (vulneráveis). Finalidade de compor o problema depois de sua manifestação. Exemplo: política legislativa penal; ação policial, etc.;
3) Prevenção terciária: voltada para o condenado. Finalidade de evitar reincidência.

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