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<p>Enunciado da atividade 1</p><p>“A entrega da atividade deve ser realizada através do item Entrega</p><p>da Avaliação – Fórum de Discussão [AVA 1], conforme o prazo</p><p>estipulado em calendário acadêmico.”</p><p>Zélia Gattai: conexões entre memória e</p><p>história</p><p>Apoiando-se na leitura dos recursos abaixo, observe-se como especialistas em</p><p>literatura discorrem sobre a centralidade da obra de Zélia Gattai no contexto da</p><p>produção literária brasileira da segunda metade do século XX:</p><p>“A leitura das memórias de Zélia Gattai, registradas em Anarquistas,</p><p>graças a Deus, traz até nós o cotidiano fantástico de um São Paulo que não</p><p>volta mais. Nas páginas deste livro – cuja primeira edição veio à público em</p><p>1979 – a ‘vida explode’ , como muito bem afirmou Jorge Amado, também</p><p>testemunho dos tempos em que ser anarquista ou comunista era</p><p>crime. Anarquistas, graças a Deus nos oferece a rara oportunidade de</p><p>desvendar, ao sabor das lembranças, a ação de um grupo de homens e</p><p>mulheres que, movidos por suas utopias, ajudaram a fazer história. Mulheres</p><p>de fibra, jovens atrevidos, filhos de imigrantes italianos — a maioria</p><p>anarquistas, antifascistas, anticlericalistas — sonhadores como tantos outros</p><p>anônimos que, malditos por suas ideias, foram considerados ‘perigosos à</p><p>ordem pública e à Segurança Nacional’. Ao escrever suas memórias, Zélia</p><p>deixou-nos um importante legado: o do registro histórico, produto de sua</p><p>curiosa vivência na velha São Paulo da garoa. São Paulo das serenatas, dos</p><p>corsos carnavalescos na Avenida Paulista, dos bailes de salão animados com</p><p>ritmo de ‘Charleston’. Tempos em que comprar na Loja do Ceylão e passear na</p><p>Rua Direita era programa de paulista. Os mais aristocratas faziam questão de</p><p>usar gravata preta a ‘la Vallière’, chapéu de aba muito larga, luvas, polainas</p><p>amarelas, monóculo e bengala. Tempos inesquecíveis para quem — além de</p><p>tocar discos no gramofone — testemunhou a chegada do rádio, o fim do</p><p>cinema mudo, as competições automobilísticas e os vibrantes encontros</p><p>políticos no salão do Café Guarani ou na sede das Classes Laboriosas.”</p><p>(CARNEIRO, 2002).</p><p>“ROCCO ANDRETTA NOS VISITA FORA DE HORA</p><p>Aquele não era dia de receber o aluguel e, no entanto, Rocco Andretta ali</p><p>estava, acompanhado do filho mais velho. O assunto que os levava à nossa</p><p>casa era delicado, por isso o velho estava cheio de dedos, quase a pedir</p><p>desculpas. Precisava vender a casa. Pai e filho teceram todos os elogios</p><p>possíveis e imagináveis ao inquilino de tantos e tantos anos. Lamentavam, mas</p><p>viam-se obrigados a tomar uma decisão imediata. Estavam precisando de</p><p>dinheiro, pois uma recente operação de vesícula, sofrida pelo velho, custara</p><p>muito caro, ainda havia dívidas a saldar, contraídas para pagar o hospital e o</p><p>médico. Tinham excelente proposta de compra da casa, mas... ‘se seu Ernesto</p><p>estivesse interessado, lhe dariam prioridade...’ Seu Ernesto não possuía</p><p>dinheiro para comprar a casa. E a compraria, caso o tivesse?</p><p>Não havia, pois, alternativa, o jeito era arrumar a trouxa e dar o fora.</p><p>Tivemos prazo razoável para abandonar a casa.</p><p>[...]</p><p>Quando porém me encontrei diante da realidade: nossa velha casa</p><p>demolida, as árvores arrancadas, o cavalinho de alvenaria, de quem tanto me</p><p>orgulhara, descido de seu pedestal na cumeeira, um edifício de apartamentos</p><p>surgindo daquelas ruínas, senti um aperto na garganta, comecei a chorar.</p><p>Naquele casarão nascera e crescera, nele vivera, sonhara meus sonhos de</p><p>criança e adolescente.</p><p>MENINA ATREVIDA</p><p>Fico agora pensando o que diria minha mãe, se fosse viva, ao ler estas</p><p>páginas — ela nos deixou há dez anos e papai há quarenta. Certamente,</p><p>balançando a cabeça, num suspiro, exclamaria: ‘Maria Vérgine! Que menina</p><p>atrevida! O que e que não vão dizer?’”</p><p>Bahia, Pedra do Sal, Maio de 1970.” (GATTAI, 1979).</p><p>1984: ANARQUISTAS, GRAÇAS A DEUS. Minissérie TV Globo, baseada na</p><p>obra homônima de Zélia Gattai. Disponível</p><p>em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=91&v=eDGkfEWCFfI&feat</p><p>ure=emb_titleLinks para um site externo..</p><p>ZÉLIA GATTAI FALA SOBRE COMO COMEÇOU A ESCREVER. Salvador,</p><p>Fundação Casa de Jorge Amado, [200?]. Disponível</p><p>em: https://www.youtube.com/watch?v=kX9hskUwodILinks para um site</p><p>externo..</p><p>ZÉLIA GATTAI FALA SOBRE SEUS LIVROS. Salvador, Fundação Casa de</p><p>Jorge Amado, [200?]. Disponível</p><p>em: https://www.youtube.com/watch?v=VbtApEpz7foLinks para um site</p><p>externo..</p><p>Orientações para a resposta:</p><p>• Escreva um texto dissertativo com, no mínimo, dez (10) linhas, discorrendo</p><p>sobre as possíveis relações entre memória e história com base na produção</p><p>autobiográfica da escritora Zélia Gattai.</p><p>• Em seu texto, problematize aspectos da trajetória da escritora como</p><p>militante política, fotógrafa e memorialista, com estreia tardia na Literatura</p><p>Brasileira.</p><p>• Sua contribuição deverá ser oferecida em perspectiva de diálogo</p><p>construtivo com outros membros do grupo. Portanto, a presença de marcas</p><p>https://www.youtube.com/watch?time_continue=91&v=eDGkfEWCFfI&feature=emb_title</p><p>https://www.youtube.com/watch?time_continue=91&v=eDGkfEWCFfI&feature=emb_title</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=kX9hskUwodI</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=kX9hskUwodI</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=VbtApEpz7fo</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=VbtApEpz7fo</p><p>da dialogicidade do discurso, nos termos definidos por Mikhail Bakhtin, deve</p><p>ser buscada para enfatizar a abertura para agregar o discurso de seus</p><p>colegas, se possível, com menções a situações de uso da Língua</p><p>Portuguesa que podem ser levados e explorados em sala de aula.</p><p>• Comente a postagem de outros participantes. Faça colocações coerentes,</p><p>respeitando sempre o ponto de vista de seus colegas, e, se necessário,</p><p>justifique seu posicionamento com a bibliografia específica da disciplina.</p><p>Referências</p><p>CARNEIRO, M. L. T. Memórias de uma jovem anarquista. In: SEMINÁRIO</p><p>ZÉLIA GATTAI: Gênero e Memória. Org. Myrian Fraga e Marlyse Meyer.</p><p>Apresentação Myriam Fraga. Salvador: FCJA; Museu Carlos Costa Pinto, 2002.</p><p>p. 39-54. Disponível</p><p>em: http://www.usp.br/proin/download/artigo/artigo_zelia_gattai.pdfLinks para</p><p>um site externo..</p><p>GATTAI, Z. Anarquistas, graças a Deus. Rio de Janeiro: Record, 1979.</p><p>SANTOS, A. S. Figurações do Estado de Exceção em Zélia Gattai: memórias</p><p>de uma testemunha anarquista-libertária. Grau Zero, Revista de Crítica</p><p>Cultural, v.3, n.1, 2015. Disponível</p><p>em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/grauzero/article/view/3282Links</p><p>para um site externo..</p><p>……………………………………………………………………</p><p>A escritora paulista, Zélia Gattai, começou sua carreira na Literatura Brasileira aos 63</p><p>anos de idade, quando convencida pela família a registrar suas lembranças. A partir de</p><p>então, suas produções literárias, que possuem alto teor autobiográfico, vão além da</p><p>subjetividade, pois retratam questões históricas, políticas e sociais do contexto o qual a</p><p>autora estava inserida: um Brasil que maltratava e negava os operários, e cassava os</p><p>comunistas. Podendo perceber, dessa forma, fortes relações entre memória e história em</p><p>suas obras. Seu primeiro livro, Anarquistas graças a Deus (1979) expõe o registro</p><p>histórico de São Paulo da virada do século XX vivido por pessoas comuns que lutavam</p><p>(assim como a própria Zélia, uma militante política) por justiça social e ao mesmo</p><p>tempo relata sobre a infância e família da autora por meio do memorialismo. Esse</p><p>“espaço biográfico” de gêneros discursivos na contemporaneidade contribui “para a</p><p>ampliação dos arquivos literários, históricos e culturais e, consequentemente, das</p><p>potenciais relações entre ética, estética e política”. (ARFUCH, 2010).</p><p>Visto isso, você concorda comigo, caro (a) colega de turma, que no contexto da sala de</p><p>aula, apresentar produções de cunho biográfico e de escritas de si com cunho</p><p>memorialista na contemporaneidade pode auxiliar os alunos na produção de sentidos</p><p>http://www.usp.br/proin/download/artigo/artigo_zelia_gattai.pdf</p><p>http://www.usp.br/proin/download/artigo/artigo_zelia_gattai.pdf</p><p>https://www.revistas.uneb.br/index.php/grauzero/article/view/3282</p><p>https://www.revistas.uneb.br/index.php/grauzero/article/view/3282</p><p>sobre suas realidades e contextos de mundo, mostrando, assim, que através da escrita</p><p>literária, produzimos estórias e ao mesmo tempo nos possibilita a contarmos história.</p><p>Referências</p><p>ARFUCH, L. O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. Trad.</p><p>Paloma Vidal. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2010</p><p>DIAS, Silvana Moreli Vicente. Literatura brasileira e contemporaneidade [livro</p><p>eletrônico]. Rio de Janeiro: UVA, 2020.</p><p>GATTAI, Z. Anarquistas, graças a Deus. Rio de Janeiro: Record, 1979.</p>

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