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<p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL</p><p>• 1. Deontologia, ética, moral e valores (definição, objetivo e</p><p>função) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3</p><p>• 2. Comportamento ético/profissional, o homem dentro da</p><p>sociedade, o homem profissional, predicados pessoais para o</p><p>nutricionista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10</p><p>• 3. Código de ética do nutricionista e habilidades e</p><p>competências; leis que regem a profissão; entidades de classe:</p><p>sindicato, conselho e associação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19</p><p>• 4. Atribuições do profissional nutricionista em Unidades de</p><p>Alimentação e Nutrição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30</p><p>• 5. Atribuições do profissional nutricionista em gestão de saúde</p><p>e saúde coletiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39</p><p>• 6. Atribuições do profissional nutricionista em nutrição clínica</p><p>e hospitalar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48</p><p>• 7. Áreas de atuação e suas atribuições, competência e</p><p>habilidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .56</p><p>• 8. O ser nutricionista na equipe multidisciplinar . . . . . . . . . . . . 66</p><p>• 9. Inovações e atualidades da profissão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73</p><p>• Encerramento do E-book . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .84</p><p>Sumário</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>DEONTOLOGIA, ÉTICA, MORAL E</p><p>VALORES (DEFINIÇÃO, OBJETIVO E</p><p>FUNÇÃO)</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 1</p><p>4</p><p>Breve contextualização</p><p>Nesta primeira unidade será apresentado a</p><p>fundamentação teórica dos conceitos básicos relativos</p><p>à deontologia, ética, bioética, moral e valores. Com o</p><p>entendimento desses conceitos buscar-se-á a contextualização</p><p>na prática do profissional nutricionista no desenvolvimento</p><p>de sua profissão e no enfrentamento aos desafios atuais.</p><p>Buscando a compreensão da ética e da moral e sua aplicação</p><p>nas decisões inerentes ao exercício profissional.</p><p>Apresentação do e-book</p><p>A disciplina foi construída para o entendimento dos</p><p>conceitos fundamentais da deontologia, ética, moral e da</p><p>bioética. Bem como a aplicação desses conceitos na prática</p><p>profissional do nutricionista e na busca de uma profunda</p><p>reflexão sobre os desafios que permeiam a atualidade. Através</p><p>das discussões propostas nesse e-book pretende-se examinar</p><p>a partir de duas perspectivas relacionadas (uma subjetiva</p><p>e outra institucional) o direito humano; discutir e analisar o</p><p>exercício profissional e as atribuições nas diferentes áreas de</p><p>atuação; conhecer a legislação de regulamentação do exercício</p><p>profissional do Nutricionista. Ainda, objetiva-se apresentar</p><p>o Código de Ética Profissional do Nutricionista em sua</p><p>totalidade e a compreensão da organização das entidades de</p><p>Nutricionistas. Discutir a atuação em equipe multidisciplinar</p><p>do nutricionista. Além de propor uma discussão sobre</p><p>inovações e atualidades da profissão. O conteúdo apresentado</p><p>visa pautar decisões futuras à luz da ética, fomentar o senso</p><p>de justiça, veracidade, comprometimento e responsabilidade</p><p>social.</p><p>Objetivos da Disciplina</p><p>Conhecer as áreas de atuação do nutricionista em</p><p>diversas áreas: Nutrição Clínica, saúde coletiva, alimentação</p><p>coletiva e as mais diversas atividades profissionais:</p><p>prescrever, avaliar, supervisionar, planejar ações e programas.</p><p>Conhecer habilidades e competências para o exercício</p><p>profissional pautado com o código de ética, adotando - o</p><p>como uma extensão da própria conduta moral. Ressaltar</p><p>a responsabilidade do nutricionista como agente social na</p><p>promoção da saúde individual e coletiva.</p><p>5</p><p>1. DEONTOLOGIA, ÉTICA,</p><p>MORAL E VALORES</p><p>(DEFINIÇÃO, OBJETIVO E</p><p>FUNÇÃO)</p><p>O profissional nutricionista em todas as áreas de atuação</p><p>profissional deve tomar decisões que sejam baseadas na ética</p><p>e na moral. As atividades desenvolvidas por esse profissional</p><p>têm caráter multidisciplinar que transcende as ciências em</p><p>que está inserido. Sua influência abrange desde a produção até</p><p>o consumo alimentar, sendo que diversos setores permeados</p><p>por interesses econômicos expressivos e sujeitos a desafios</p><p>éticos, com ampla visibilidade pública e relevância vital para</p><p>os cidadãos. As diversas áreas da nutrição são passíveis de</p><p>questões que envolvem decisões, que refletem diretamente</p><p>no bem-estar da sociedade. Nesse contexto, torna-se essencial</p><p>conduzir uma reflexão ética, moral, bioética e deontológica</p><p>constante em relação à prática dos profissionais de nutrição.</p><p>Diante disso, este capítulo inicial visa o aprendizado sobre os</p><p>conceitos primordiais acerca da deontologia, ética, moral e</p><p>da bioética, discutir a aplicação desses conceitos na prática</p><p>profissional e os desafios atuais na sociedade.</p><p>2. Conceitos</p><p>Fundamentais</p><p>A deontologia pode ser definida como o ramo da ética</p><p>que se concentra nos deveres e obrigações morais de um</p><p>indivíduo. Por sua vez, a ética é considerada uma reflexão sobre</p><p>as noções e princípios que fundamentam a vida moral. Essa</p><p>reflexão orienta-se nas mais diversas direções, dependendo da</p><p>concepção de ser humano tomada como ponto de partida.</p><p>A palavra ética tem origem grega - éthos - que significa</p><p>modo de ser, modo de agir. E propõe uma reflexão contínua</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>FIGURA 1. INDICA OS CONCEITOS QUE SERÃO DISCUTIDOS NESTA UNIDADE E QUE</p><p>SERÃO UTILIZADOS AO LONGO DO CURSO COMO FORMA DE REFLEXÃO PARA O</p><p>EXERCÍCIO DA PROFISSÃO.</p><p>6</p><p>por exemplo a eutanásia (em países em que a prática é</p><p>liberada) ou o aborto.</p><p>Por outro lado, a moral é o conjunto de regras que</p><p>determinam o comportamento dos indivíduos em um grupo</p><p>social. De modo simplificado, o sujeito moral é aquele que age</p><p>bem ou mal, na medida em que acata ou transgrida as regras</p><p>morais admitidas em determinada época, ou por um grupo de</p><p>pessoas diz respeito à ação moral concreta. A moral é mutável</p><p>ao longo do tempo.</p><p>Importante: Quando nos perguntamos: O QUE DEVO</p><p>FAZER? COMO DEVO AGIR NESSA SITUAÇÃO? O QUE É</p><p>nas decisões.</p><p>Importante: Com base na ética obtemos as respostas</p><p>para as seguintes questões: “O QUE É O BEM E O MAL?” e o “O</p><p>QUE É O CORRETO E O INCORRETO?”</p><p>Nesse sentido, está incluída a ética profissional, cuja</p><p>definição é o conjunto de normas de conduta que deverão ser</p><p>postas em prática no exercício de todas as profissões.</p><p>Por sua vez, outro importante conceito que é essencial</p><p>é a bioética. Definida como a “ética da vida” é um ramo</p><p>contemporâneo da filosofia que busca fundamentar, com</p><p>base na ética filosófica, questões relacionadas à vida humana</p><p>e animal. E tem por finalidade a defesa de todos os aspectos</p><p>relacionados à vida e que certa forma pode comprometer a</p><p>integridade, ameaçando ou comprometendo qualquer aspecto</p><p>moral, social ou de saúde.</p><p>A bioética é uma ciência que tem como objetivo indicar</p><p>os limites e as finalidades da intervenção do homem sobre</p><p>a vida, identificar os valores de referência racionalmente</p><p>viabilizados, denunciar os riscos das possíveis aplicações. Tem</p><p>como objetivo facilitar o enfrentamento de questões éticas/</p><p>bioéticas que surgirão na vida profissional.</p><p>Por exemplo: Os conceitos da bioética podem ser</p><p>utilizados para decidir impasses e condutas médicas, como</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>FIGURA 2. COM BASE NA ÉTICA PODEMOS RESPONDER OS QUESTIONAMENTOS DA</p><p>VIDA PROFISSIONAL E ESCOLHER CAMINHOS A SEGUIR.</p><p>7</p><p>CERTO? O QUE É CONDENÁVEL? Estamos nos referindo à</p><p>moral.</p><p>3. A importância da Ética</p><p>A ética apresenta condicionantes internos (o caráter) e</p><p>condicionantes externos (os costumes) que determinam a</p><p>conduta do indivíduo na sociedade, principalmente em relação</p><p>ao papel/profissão que desempenha. Esse importante conceito</p><p>tem relação direta com a prática do bem e da justiça e envolve</p><p>diretamente</p><p>de</p><p>Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.</p><p>Campos GWS, Bonfim JRA, Minayo MCS, Akerman M,</p><p>Drumond Júnior M, Carvalho YM. Tratado de Saúde Coletiva.</p><p>2. ed. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2012.</p><p>Considerações Finais</p><p>O nutricionista desempenha um papel imprescindível</p><p>na rede básica de atenção do SUS, contribuindo para a</p><p>promoção da saúde, prevenção de doenças e melhoria da</p><p>qualidade de vida da população atendida. Suas atribuições</p><p>abrangem desde a avaliação e diagnóstico nutricional até a</p><p>promoção da alimentação saudável e o acompanhamento</p><p>individualizado de pacientes com necessidades específicas.</p><p>Dessa forma, o trabalho do nutricionista na Atenção Básica é</p><p>essencial para garantir um cuidado integral e humanizado,</p><p>alinhado aos princípios e diretrizes do SUS.</p><p>48</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL</p><p>NUTRICIONISTA EM NUTRIÇÃO CLÍNICA E</p><p>HOSPITALAR</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 6</p><p>49</p><p>Para Início de Conversa</p><p>Para iniciar, vamos entender a importância do</p><p>profissional nutricionista no ambiente hospitalar, ambulatorial</p><p>e em clínicas. Serão ressaltadas as principais atividades e</p><p>responsabilidades desempenhadas nessa área, destacando</p><p>a importância do cuidado desse profissional para auxiliar a</p><p>recuperação de enfermos e diminuir os riscos de complicações.</p><p>E na sequência, você irá compreender as diversas atribuições</p><p>desse profissional na área clínico-nutricional.</p><p>Objetivo de Aprendizagem</p><p>do Capítulo</p><p>• Conhecer as atividades desenvolvidas pelo</p><p>nutricionista em nutrição clínica e hospitalar;</p><p>• Compreender os desafios na área relativos à</p><p>recuperação do estado nutricional;</p><p>• Aprofundar os conhecimentos sobre a função do</p><p>nutricionista dentro de equipes multidisciplinares, no</p><p>suporte nutricional para auxiliar no restabelecimento</p><p>da saúde e na diminuição dos riscos de</p><p>desenvolvimento de diversas doenças;</p><p>• Compreender o papel do nutricionista como promotor</p><p>de saúde no ambiente clínico-hospitalar.</p><p>50</p><p>1. Atribuições do</p><p>nutricionista em nutrição</p><p>clínica e hospitalar</p><p>A importância do nutricionista na sociedade é grande,</p><p>especialmente considerando o crescente reconhecimento</p><p>dos impactos da alimentação na saúde e no bem-estar. Em</p><p>nutrição clínica e hospitalar, desempenha papel ímpar para</p><p>restabelecimento da saúde por meio de dietas e do cuidado</p><p>nutricional. O nutricionista é responsável por uma série de</p><p>atividades complexas e interligadas, proporcionando um</p><p>cuidado nutricional adequado e personalizado aos pacientes</p><p>hospitalizados. As atividades são ajustadas pela prática</p><p>nutricional e entendimento das necessidades de cada</p><p>paciente. Algumas considerações sobre as suas principais</p><p>atividades são descritas na sequência.</p><p>1.1 AVALIAÇÃO E ORIENTAÇÃO</p><p>ALIMENTAR</p><p>O nutricionista é um especialista em nutrição e</p><p>alimentação. Sua principal função é avaliar e orientar as</p><p>escolhas alimentares individuais. Para isso, são considerados</p><p>aspectos como necessidades nutricionais, objetivos pessoais</p><p>e condições médicas, entre outros fatores. Além de que</p><p>é habilitado a prescrever dietas e educar seus pacientes,</p><p>fornecendo informações sobre os benefícios de uma</p><p>alimentação saudável e os riscos associados a escolhas</p><p>inadequadas. O nutricionista é responsável por avaliar as</p><p>necessidades nutricionais dos pacientes, considerando suas</p><p>condições médicas e histórico de saúde. Com base nessa</p><p>avaliação, elaboram dietas personalizadas, adaptadas às</p><p>restrições e objetivos de cada indivíduo, visando sempre ao</p><p>bem-estar, qualidade de vida e recuperação do paciente.</p><p>Importante: Na primeira consulta, devem ser realizadas</p><p>a avaliação nutricional e a anamnese detalhada do paciente,</p><p>além de buscar estabelecer um vínculo nutricionista-paciente.</p><p>Durante a consulta, é importante que se crie um vínculo</p><p>entre nutricionista e paciente, com um olhar humanizado</p><p>aos relatos do cliente e tratando com ética e sigilo todas as</p><p>FONTE: REIS (2004)</p><p>FIGURA 1 – CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA E A DESCRIÇÃO DO CONTEÚDO</p><p>51</p><p>relacionados à avaliação do estado nutricional, tais como:</p><p>colesterol total, HDL, LDL, glicose e triglicerídeos. Isso é uma</p><p>importante ferramenta para a avaliação e acompanhamento</p><p>nutricional na área clínico-nutricional.</p><p>Curiosidade: A lei que regulamenta a solicitação de</p><p>exames bioquímicos pelo profissional nutricionista é:</p><p>No atendimento nutricional, deve ser realizada a avaliação</p><p>da ingestão alimentar, a qual tem relação direta com o estado</p><p>nutricional do paciente. Nesse momento, devem ser coletadas</p><p>informações como: diário de frequência alimentar, diário</p><p>alimentar e recordatório de 24 horas, entre outras informações</p><p>relacionadas aos hábitos alimentares. Os dados coletados no</p><p>atendimento devem ser mantidos em completo sigilo.</p><p>Além do tratamento direto, os nutricionistas clínicos</p><p>informações que ali são repassadas. Na primeira consulta,</p><p>inicia-se com a aplicação de uma anamnese que nada mais é</p><p>que um roteiro padronizado, para realizar a entrevista, conversa</p><p>com seu cliente. Para esse passo, é essencial saber ouvir. As</p><p>perguntas devem ser direcionadas para questionar sobre os</p><p>aspectos socioeconômicos do paciente (como escolaridade,</p><p>renda, condições de vida, habitação), rotina e horários de</p><p>exercícios, horários de trabalho, hábitos de consumo alimentar,</p><p>condições de saúde e de doenças pré-existentes, medicação</p><p>em uso, entre outros). Uma anamnese bem-feita irá favorecer</p><p>a prescrição e acompanhamento do plano alimentar.</p><p>Lembrando que o nutricionista não pode, durante a entrevista,</p><p>induzir ou julgar as respostas do paciente (CUPPARI, 2014;</p><p>MAHAN, ESCOTT-STUMP; RAYMOND, 2013; REIS, 2004; REIS,</p><p>CALIXTO-LIMA, 2015).</p><p>O nutricionista pode solicitar exames bioquímicos</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>ASPECTOS IMPORTANTES DA PRIMEIRA CONSULTA PARA O ESTABELECIMENTO DO</p><p>VÍNCULO ENTRE NUTRICIONISTA E PACIENTE E PARA OBTER SUCESSO NA TERAPIA</p><p>NUTRICIONAL</p><p>IMPORTANTE QUESTIONAMENTOS DA PRIMEIRA CONSULTA PARA A AVALIAÇÃO DA</p><p>INGESTÃO ALIMENTAR</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>52</p><p>desempenham um papel educativo, fornecendo informações</p><p>sobre escolhas alimentares saudáveis, orientando a leitura dos</p><p>rótulos nutricionais e capacitando os pacientes a tomar suas</p><p>próprias decisões, visando sempre aos bons hábitos.</p><p>Na segunda consulta, que pode ser de 7 a 10 dias</p><p>após a primeira, o paciente receberá seu plano alimentar</p><p>individualizado, com todas as orientações referentes a escolhas</p><p>alimentares saudáveis. Nesse momento, é importante ficar</p><p>claro ao paciente como ele irá atingir seus objetivos, é um</p><p>momento para tirar dúvidas em relação ao que está descrito</p><p>no plano alimentar. Porções, medidas caseiras e grupos</p><p>alimentares devem ser trabalhados com o paciente em</p><p>consultório. O repasse de receitas saudáveis também deve</p><p>ser feito nesse momento, sempre adequando a prescrição à</p><p>realidade financeira de seu cliente (MAHAN; ESCOTT-STUMP;</p><p>RAYMOND, 2013).</p><p>1.2 ACOMPANHAMENTO E</p><p>MONITORAMENTO</p><p>O acompanhamento contínuo é essencial para avaliar</p><p>a eficácia das intervenções nutricionais e realizar ajustes</p><p>sempre que necessário. O profissional monitora o progresso</p><p>do paciente, realiza exames laboratoriais e reavalia a dieta para</p><p>garantir que as metas nutricionais sejam alcançadas.</p><p>As próximas consultas são de acompanhamento para</p><p>avaliar se os objetivos estão sendo atingidos, além disso,</p><p>corrigir possíveis erros nas escolhas dos alimentos, fazer trocas</p><p>no plano alimentar e esclarecer dúvidas. Aqui é importante a</p><p>aplicação de um recordatório de 24h, averiguar a adesão ao</p><p>plano e realizar novamente todas as medidas antropométricas</p><p>para acompanhar as diferenças e evolução.</p><p>ASPECTOS IMPORTANTES PARA A CONSULTA DE ORIENTAÇÃO NUTRICIONAL</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>ASPECTOS IMPORTANTES PARA A CONSULTA DE ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>53</p><p>1.3 ATUAÇÃO PARA AUXILIAR</p><p>NA DIMINUIÇÃO DOS RISCOS DE</p><p>DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS E</p><p>NA RECUPERAÇÃO</p><p>DA SAÚDE</p><p>Os nutricionistas desempenham um papel crucial na</p><p>prevenção e controle de doenças como diabetes, doenças</p><p>cardiovasculares e obesidade. Identificam fatores de risco e</p><p>desenvolvem planos alimentares adaptados para ajudar as</p><p>pessoas a adotarem hábitos que diminuam as chances de</p><p>desenvolver determinadas condições de saúde (REIS, 2024).</p><p>Importante: O Nutricionista tem Papel Vital da Nutrição</p><p>na Recuperação do Paciente. E compõem a EMTN junto com</p><p>médico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional,</p><p>farmacêutico, enfermeiros, entre outros.</p><p>1.4 PERSONALIZAÇÃO DE PLANOS</p><p>ALIMENTARES E DE TERAPIA</p><p>NUTRICIONAL</p><p>Cada pessoa é única, com necessidades nutricionais e</p><p>objetivos distintos. Os nutricionistas auxiliam na interpretação</p><p>de rótulos alimentares, promovem a conscientização sobre</p><p>a importância dos nutrientes e orientam sobre a inclusão</p><p>de alimentos variados e nutritivos. Em clínicas, hospitais e</p><p>O atendimento pode ser vinculado à EMTN (Equipe</p><p>Multidisciplinar de Terapia Nutricional), o qual tem por objetivo</p><p>a discussão de casos e decisões acerca de questões clínicas e</p><p>nutricionais. Além disso, a Política Nacional de Humanização</p><p>(PNH) é um importante projeto que destaca a necessidade de</p><p>construir e implementar ações específicas para os diferentes</p><p>setores de saúde, a fim de responder às necessidades da</p><p>população de forma integrada à rede de serviços de saúde</p><p>local e regional.</p><p>O atendimento clínico ambulatorial é um vasto campo</p><p>para o nutricionista. É importante que você saiba que a</p><p>prescrição dietética é uma atividade privativa do nutricionista,</p><p>consiste em diagnosticar e acompanhar o estado nutricional;</p><p>planejar, prescrever, analisar, supervisionar e avaliar dietas e</p><p>suplementos dietéticos para indivíduos sadios e enfermos</p><p>com base na Lei n.º 8.234, de 17 de setembro de 1991 (MAHAN;</p><p>ESCOTT-STUMP; RAYMOND, 2013; REIS; CALIXTO-LIMA, 2015).</p><p>Importante:</p><p>54</p><p>prescrevem e monitoram dietas enterais (sondas) e parenterais</p><p>(intravenosas), garantindo a ingestão adequada de nutrientes</p><p>(CUPPARI, 2014; MAHAN; ESCOTT-STUMP; RAYMOND, 2013).</p><p>ambulatórios, desempenham um papel vital na construção</p><p>de hábitos alimentares mais saudáveis, contribuindo para</p><p>a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Em equipe</p><p>multidisciplinar, é responsável pela prescrição de dietas e</p><p>terapia nutricional visando ao restabelecimento da saúde,</p><p>diminuição do tempo de internação e auxiliar na melhora</p><p>clínica.</p><p>Ainda dentro do campo da Nutrição Clínica e Hospitalar,</p><p>o profissional tem a possibilidade de atuar em diferentes</p><p>“subáreas”, cada uma com sua especialidade e enfoque</p><p>específico. O nutricionista é um aliado essencial para promover</p><p>escolhas saudáveis, prevenir doenças e melhorar a qualidade</p><p>de vida por meio de intervenções nutricionais personalizadas,</p><p>visando à promoção da saúde integral.</p><p>• Nutrição em doenças crônicas:</p><p>O foco está no manejo nutricional de condições como</p><p>diabetes, hipertensão e obesidade. Os nutricionistas auxiliam</p><p>os pacientes a controlarem suas condições por meio de planos</p><p>alimentares específicos e orientações com relação a mudanças</p><p>no estilo de vida.</p><p>• Nutrição enteral e parenteral:</p><p>Concentra-se na alimentação de pacientes que não</p><p>podem se alimentar por via oral. Os nutricionistas clínicos</p><p>55</p><p>Referências</p><p>CUPPARI, L. Nutrição: Clínica no Adulto. 3 ed. São Paulo:</p><p>Manole, 2014.</p><p>MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S.; RAYMOND, J. L. Krause</p><p>Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13. ed. São Paulo: Elsevier,</p><p>2013.</p><p>REIS, N.T. Nutrição Clínica: Interações. Rio de Janeiro:</p><p>Rubio, 2004.</p><p>REIS, N.T.; CALIXTO-LIMA, L. Nutrição Clínica. Bases Para</p><p>Prescrição. 1 ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2015.</p><p>Considerações Finais</p><p>A importância do nutricionista é inegável, tanto para a</p><p>saúde individual quanto para a sociedade como um todo. Na</p><p>área clínica e hospitalar esses profissionais desempenham</p><p>um papel crucial na promoção de hábitos alimentares</p><p>saudáveis e na diminuição dos riscos de desenvolvimento de</p><p>doenças relacionadas à alimentação e auxiliam a melhora de</p><p>diversas enfermidades. Além de conhecimentos técnicos, são</p><p>fundamentais nessa profissão: habilidades de comunicação,</p><p>empatia, trabalho em equipe, lidar com pacientes em</p><p>situações delicadas exige sensibilidade e capacidade de</p><p>adaptação.</p><p>56</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>ÁREAS DE ATUAÇÃO E SUAS</p><p>ATRIBUIÇÕES, COMPETÊNCIA E</p><p>HABILIDADES</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 7</p><p>57</p><p>Para Início de Conversa</p><p>Para iniciar compreender todas as áreas e segmentos</p><p>em que o nutricionista tem habilitação para exercer a sua</p><p>profissão. De acordo com o CFN 2018, são apontadas seis</p><p>principais áreas, subdivididas em segmentos e subsegmentos</p><p>específicos, todas essas que serão citadas são descritas pelo</p><p>documento oficial.</p><p>Objetivo de Aprendizagem</p><p>do Capítulo</p><p>Conhecer as atividades e atribuições do nutricionista</p><p>em suas diversas áreas de atuação profissional. Compreender</p><p>as indicações do CFN para as áreas específicas da profissão</p><p>e identificar os diversos segmentos em que o nutricionista é</p><p>considerado habilitado para exercer sua função.</p><p>58</p><p>1. Áreas de atuação e suas</p><p>atribuições, competência e</p><p>habilidades</p><p>Documento oficial promulgado e disposto sobre a</p><p>definição das áreas de atuação do nutricionista e suas</p><p>atribuições, indica parâmetros numéricos mínimos de</p><p>referência, por área de atuação, para a efetividade dos serviços</p><p>prestados à sociedade e dá outras providências.</p><p>Importante: O CFN é uma autarquia federal sem fins</p><p>lucrativos, de interesse público, com poder delegado pela</p><p>União para normatizar, orientar, disciplinar e fiscalizar o</p><p>exercício e as atividades da profissão de nutricionista em todo</p><p>o território nacional, em defesa da sociedade.</p><p>O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), no exercício</p><p>das competências previstas na Lei Federal n° 6.583, de 20 de</p><p>outubro de 1978, no Decreto n° 84.444, de 30 de janeiro de</p><p>1980, e no Regimento Interno, ouvidos os Conselhos Regionais</p><p>de Nutricionistas (CRN), e, tendo em vista o que foi deliberado</p><p>na 322ª Reunião Plenária Ordinária, realizada nos dias 23, 24 e</p><p>25 de fevereiro de 2018:</p><p>• Considerando a finalidade dos Conselhos Federal e</p><p>Regionais de Nutricionistas de orientar, disciplinar</p><p>e fiscalizar o exercício da profissão de nutricionista,</p><p>conforme o Artigo 1º da Lei Federal n° 6.583, de 20 de</p><p>outubro de 1978, e o Artigo 2º do Decreto n° 84.444, de</p><p>30 de janeiro de 1980;</p><p>• Considerando que compete ao nutricionista, enquanto</p><p>profissional de saúde, conforme o Artigo 1º da Lei</p><p>Federal nº 8.234, de 17 de setembro de 1991, zelar pela</p><p>preservação, promoção e recuperação da saúde;</p><p>• Considerando que, para o efetivo desempenho</p><p>das atividades definidas nos Artigos 3° e 4° da Lei</p><p>Federal n° 8.234, de 17 de setembro de 1991, bem</p><p>como o compromisso do Sistema CFN/CRN em</p><p>zelar pela exação do exercício profissional em prol</p><p>da saúde da população, impõe-se a especificação</p><p>das atribuições por área de atuação, bem como as</p><p>59</p><p>• Considerando as recomendações do Guia Alimentar</p><p>para a População Brasileira vigente, enquanto</p><p>instrumento de práticas alimentares saudáveis para a</p><p>promoção da saúde;</p><p>• Considerando a edição vigente da Política Nacional de</p><p>Alimentação e Nutrição;</p><p>• Considerando o Plano Nacional de Segurança</p><p>Alimentar e Nutricional vigente aprovado pelo pleno</p><p>executivo da Câmara Interministerial de Segurança</p><p>Alimentar e Nutricional (CAISAN);</p><p>• Considerando a responsabilidade do nutricionista em</p><p>prevenir a ocorrência de infrações à legislação sanitária</p><p>e ao direito do consumidor e, ainda, as irregularidades</p><p>impeditivas ao exercício profissional do nutricionista</p><p>ou prejudiciais aos indivíduos e coletividades;</p><p>• Considerando as normas de conduta para o exercício</p><p>da profissão de nutricionista constantes no Código de</p><p>Ética Profissional;</p><p>• Considerando o compromisso profissional e legal do</p><p>nutricionista,</p><p>no exercício das suas atividades.</p><p>Importante: RESOLUÇÃO CFN Nº 600, DE 25 DE</p><p>FEVEREIRO DE 2018: Dispõe sobre a definição das áreas de</p><p>atuação do nutricionista e suas atribuições</p><p>indicações referentes à quantificação mínima de</p><p>nutricionistas para a execução dessas atribuições.</p><p>Considerando o Artigo 6º vigente da Constituição da</p><p>República Federativa do Brasil de 1988, que estabelece</p><p>a alimentação como direito social;</p><p>• Considerando os Artigos 2º e 3º da Lei Federal nº 11.346,</p><p>de 15 de setembro de 2006, que tratam sobre o direito</p><p>humano à alimentação adequada e da segurança</p><p>alimentar e nutricional;</p><p>• Considerando o Decreto nº 8.553, de 3 de novembro de</p><p>2015, que institui o Pacto Nacional para Alimentação</p><p>Saudável;</p><p>• Considerando as disposições do Ministério da Saúde</p><p>na Matriz das Ações de Alimentação e Nutrição na</p><p>Atenção Básica em Saúde;</p><p>• Considerando que o Marco de Referência de</p><p>Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas</p><p>Públicas, editado em parceria pelo Ministério</p><p>do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,</p><p>Ministério da Saúde e Ministério da Educação, trata da</p><p>execução da prática de ações de Educação Alimentar</p><p>e Nutricional e contempla a responsabilidade do</p><p>nutricionista na aplicação destas ações enquanto</p><p>recurso terapêutico em indivíduos ou grupos sadios ou</p><p>com algum agravo ou doença;</p><p>60</p><p>Na sequência será apresentado as diferentes áreas, bem</p><p>como os segmentos específicos de atuação profissional:</p><p>• Área de Nutrição em Alimentação Coletiva – gestão de</p><p>Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN):</p><p>A. Subárea – Gestão em Unidades de Alimentação e</p><p>Nutrição (UAN):</p><p>A.1. Segmento – Unidade de Alimentação e Nutrição</p><p>(UAN) institucional (pública e privada):</p><p>A.1.1. Subsegmento – Serviços de alimentação coletiva</p><p>(autogestão e concessão) em: empresas e instituições,</p><p>hotéis, hotelaria marítima, comissárias, unidades prisionais,</p><p>hospitais, clínicas em geral, hospital-dia, Unidades de Pronto</p><p>Atendimento (UPA), spa clínicos, serviços de terapia renal</p><p>substitutiva, Instituições de Longa Permanência para Idosos</p><p>(ILPI) e similares.</p><p>A.2.1. Subsegmento – Programa Nacional de Alimentação</p><p>Escolar (PNAE).</p><p>A.2.2. Subsegmento – Alimentação e Nutrição no</p><p>Ambiente Escolar – Rede Privada de Ensino.</p><p>A.3. Segmento – Programa de Alimentação do</p><p>Trabalhador (PAT).</p><p>A.3.1. Subsegmento – Empresas Fornecedoras de</p><p>Alimentação Coletiva: Produção de Refeições (autogestão e</p><p>concessão).</p><p>A.3.2. Subsegmento – Empresas Prestadoras de Serviços</p><p>de Alimentação Coletiva: Refeição-Convênio.</p><p>A.3.3. Subsegmento – Empresas Fornecedoras de</p><p>Alimentação Coletiva: Cestas de Alimentos.</p><p>A.4. Segmento – Serviço Comercial de Alimentação.</p><p>A.4.1. Subsegmento – Restaurantes Comerciais e similares.</p><p>A.4.2. Subsegmento – Bufê de Eventos.</p><p>A.4.3. Subsegmento – Serviço Ambulante de Alimentação.</p><p>• II. Área de Nutrição Clínica – Assistência Nutricional</p><p>e Dietoterápica Hospitalar, Ambulatorial, em nível de</p><p>Consultórios e em Domicílio:</p><p>A. Subárea – Assistência Nutricional e Dietoterápica em</p><p>Hospitais, Clínicas em geral, Hospital-dia, Unidades de Pronto</p><p>Atendimento (UPA) e Spa clínicos.</p><p>B. Subárea – Assistência Nutricional e Dietoterápica em</p><p>Serviços e Terapia Renal Substitutiva.</p><p>C. Subárea – Assistência Nutricional e Dietoterápica em</p><p>Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI).</p><p>D. Subárea – Assistência Nutricional e Dietoterápica em</p><p>Ambulatórios e Consultórios.</p><p>E. Subárea – Assistência Nutricional e Dietoterápica em</p><p>Bancos de Leite Humano (BLH) e Postos de Coleta.</p><p>F. Subárea – Assistência Nutricional e Dietoterápica em</p><p>Lactários.</p><p>G. Subárea – Assistência Nutricional e Dietoterápica em</p><p>61</p><p>• IV. Área de Nutrição em Saúde Coletiva – Assistência e</p><p>Educação Nutricional Individual e Coletiva:</p><p>A. Subárea – Políticas e Programas Institucionais:</p><p>A.1. Segmento – Gestão das Políticas e Programas.</p><p>A.2. Segmento – Política Nacional de Segurança Alimentar</p><p>e Nutricional (PNSAN):</p><p>A.2.1. Subsegmento – Sistema Nacional de Segurança</p><p>Alimentar e Nutricional (SISAN): Programa de Aquisição de</p><p>Alimentos (PAA), Bolsa Família, entre outros.</p><p>A.2.2. Subsegmento – Sistema Nacional de Segurança</p><p>Alimentar e Nutricional (SISAN): Banco de Alimentos (públicos,</p><p>privados e fundacionais).</p><p>A.2.3. Subsegmento – Sistema Nacional de Segurança</p><p>Alimentar e Nutricional (SISAN): Restaurantes Populares,</p><p>Centrais de Terapia Nutricional.</p><p>H. Subárea – Atenção Nutricional Domiciliar (pública e</p><p>privada).</p><p>I. Subárea – Assistência Nutricional e Dietoterápica</p><p>Personalizada (Personal Diet).</p><p>• III. Área de Nutrição em Esportes e Exercício Físico –</p><p>Assistência Nutricional e Dietoterápica para Atletas e</p><p>Desportistas.</p><p>EXEMPLOS DE LOCAIS PARA A ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL NUTRICIONISTA</p><p>RELACIONADOS A UNIDADES DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO</p><p>FONTE: NUTRI DA TEORIA À PRÁTICA (2023)</p><p>AVALIAÇÃO NUTRICIONAL, ORIENTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO NA ÁREA ESPORTIVA</p><p>É UMA IMPORTANTE ÁREA DE ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA</p><p>FONTE: CFN (2018)</p><p>62</p><p>A. Subárea – Cadeia de Produção de Alimentos:</p><p>A.1. Segmento – Extensão Rural e Produção de Alimentos.</p><p>B. Subárea – Indústria de Alimentos:</p><p>B.1. Segmento – Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos.</p><p>B.2. Segmento – Cozinha Experimental.</p><p>B.3. Segmento – Produção.</p><p>B.4. Segmento – Controle da Qualidade.</p><p>B.5. Segmento – Promoção de Produtos.</p><p>B.6. Segmento – Serviços de Atendimento ao Consumidor.</p><p>B.7. Segmento – Assuntos Regulatórios.</p><p>C. Subárea – Comércio de Alimentos (atacadista e</p><p>varejista) – atividades relacionadas à comercialização e</p><p>distribuição de alimentos destinados ao consumo humano:</p><p>C.1. Segmento – Controle da Qualidade.</p><p>C.2. Segmento – Representação.</p><p>C.3. Segmento – Serviços de Atendimento ao Consumidor.</p><p>• VI. Área de Nutrição no Ensino, na Pesquisa e na</p><p>Extensão – atividades de coordenação, ensino, pesquisa</p><p>e extensão nos cursos de graduação e pós-graduação</p><p>em nutrição, cursos de aperfeiçoamento profissional,</p><p>cursos técnicos e outros da área de saúde ou afins:</p><p>Atividades de coordenação, ensino, pesquisa e extensão</p><p>nos cursos de graduação e pós-graduação em nutrição, cursos</p><p>de aperfeiçoamento profissional, cursos técnicos e outros da</p><p>Cozinhas Comunitárias e outros equipamentos de segurança</p><p>alimentar.</p><p>A.2.4. Subsegmento – Sistema Nacional de Segurança</p><p>Alimentar e Nutricional (SISAN): Política Nacional de</p><p>Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades</p><p>Tradicionais, entre outras.</p><p>A.2.5. Subsegmento – Sistema Nacional de Segurança</p><p>Alimentar e Nutricional (SISAN): Política Nacional de Atenção</p><p>Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema</p><p>Prisional (PNAISP) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>B. Subárea – Atenção Básica em Saúde:</p><p>B.1. Segmento – Gestão das Ações de Alimentação e</p><p>Nutrição.</p><p>B.2. Segmento – Cuidado Nutricional.</p><p>C. Subárea – Vigilância em Saúde:</p><p>C.1. Segmento – Gestão da Vigilância em Saúde.</p><p>C.2. Segmento – Vigilância Sanitária.</p><p>C.3. Segmento – Vigilância Epidemiológica.</p><p>C.4. Segmento – Fiscalização do Exercício Profissional.</p><p>• V. Área de Nutrição na Cadeia de Produção, na</p><p>Indústria e no Comércio de Alimentos – atividades de</p><p>desenvolvimento e produção e comércio de produtos</p><p>relacionados à alimentação e à nutrição:</p><p>63</p><p>• TÉCNICO EM NUTRIÇÃO E DIETÉTICA (TND):</p><p>I. Nutrição em Alimentação Coletiva.</p><p>II. Nutrição Clínica.</p><p>III. Nutrição em Saúde Coletiva.</p><p>IV. Nutrição na Cadeia de Produção, na Indústria e no</p><p>Comércio de Alimentos.</p><p>Importante: Resolução CFN nº 605/2019: Regulamenta as</p><p>atribuições do técnico em nutrição e dietética.</p><p>Um nutricionista deve desenvolver uma série de</p><p>habilidades pessoais para se destacar como um excelente</p><p>profissional, responsável e ético. Entre elas, destacam-se:</p><p>• Comunicação Efetiva: Um nutricionista precisa se</p><p>comunicar claramente com os pacientes, colegas</p><p>e equipes de saúde. Isso inclui ouvir atentamente,</p><p>explicar conceitos de forma acessível e demonstrar</p><p>empatia.</p><p>• Ética e Integridade:</p><p>A ética é fundamental na</p><p>prática nutricional. O profissional deve agir com</p><p>honestidade, respeito e transparência, mantendo a</p><p>confidencialidade das informações dos pacientes.</p><p>• Conhecimento Científico: Além de entender os</p><p>princípios da nutrição, um nutricionista deve estar</p><p>atualizado com as últimas pesquisas e evidências</p><p>área de saúde ou afins. Compete ao nutricionista, no exercício</p><p>de suas atribuições na área da Nutrição em Ensino, Pesquisa</p><p>e Extensão: dirigir, coordenar e supervisionar cursos de</p><p>graduação em nutrição; planejar, coordenar, supervisionar e</p><p>avaliar estudos dietéticos; ensinar matérias profissionais dos</p><p>cursos de graduação em nutrição e das disciplinas de nutrição</p><p>e alimentação nos cursos de graduação da área de saúde e</p><p>outras afins; realizar estudos e trabalhos experimentais em</p><p>alimentação e nutrição.</p><p>A. Subárea – Coordenação/Direção.</p><p>B. Subárea – Docência (Graduação).</p><p>C. Subárea – Pesquisa.</p><p>FONTE: ENVATO ELEMENTS</p><p>64</p><p>O respeito ao Código de Ética dos Nutricionistas deve ser</p><p>seguido em todas as suas áreas de atuação profissional.</p><p>científicas para fornecer orientações precisas.</p><p>• Empatia e Sensibilidade: Compreender as</p><p>necessidades individuais dos pacientes, considerando</p><p>fatores emocionais, culturais e sociais, é crucial para</p><p>oferecer um atendimento personalizado.</p><p>• Habilidades de Planejamento e Organização:</p><p>Nutricionistas frequentemente trabalham com</p><p>múltiplos pacientes e tarefas. Ser organizado e capaz</p><p>de planejar estratégias eficazes é essencial.</p><p>• Trabalho em Equipe: Colaborar com outros</p><p>profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros</p><p>e psicólogos, é fundamental para o sucesso do</p><p>tratamento nutricional.</p><p>• Empreendedorismo: Seja em consultório próprio ou</p><p>em uma equipe, habilidades empreendedoras ajudam</p><p>a promover serviços, atrair pacientes e gerenciar a</p><p>carreira.</p><p>Importante: Link para acesso ao código de ética do</p><p>nutricionista:</p><p>https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2018/04/</p><p>codigo-de-etica.pdf</p><p>PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DESEJÁVEIS PARA A ATUAÇÃO DO</p><p>NUTRICIONISTA</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA</p><p>FONTE: CFN (2018)</p><p>65</p><p>Referências</p><p>BRASIL. Lei nº 8.234, de 17 de setembro de 1991.</p><p>Regulamenta a profissão de nutricionista e determina</p><p>outras providências. Diário Oficial da União, 18 set. 1991.</p><p>Online. Disponível em:</p><p>https://www.cfn.org.br/index.php/legislacao/leis/%20%20</p><p>49450</p><p>CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS. Resolução</p><p>nº 600, de 25 de fevereiro de 2018. Brasília: CFN, 2018. Online.</p><p>Disponível em:</p><p>http://sisnormas.cfn.org.br:8081/viewPage.html?id=600</p><p>Considerações Finais</p><p>As diversas áreas em que o nutricionista está habilitado a</p><p>trabalhar são amplas e envolve o conhecimento aprofundado</p><p>em cada um dos segmentos e subsegmentos em que</p><p>está enquadrado. Além de conhecer a área, conhecer as</p><p>atribuições específicas é necessário para desempenhar com</p><p>êxito a função. As competências e habilidades devem ser</p><p>constantemente almejadas para que o nutricionista possa</p><p>executar suas funções com ética, justiça, responsabilidade e</p><p>para a busca do bem-estar coletivo.</p><p>66</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>O SER NUTRICIONISTA NA EQUIPE</p><p>MULTIDISCIPLINAR</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 8</p><p>67</p><p>Para Início de Conversa</p><p>Para iniciar vamos compreender as funções da</p><p>nutricionista inserida em uma equipe multidisciplinar de</p><p>terapia nutricional, a sua contribuição para a recuperação</p><p>da saúde e promoção de hábitos saudáveis para o</p><p>estabelecimento da saúde e qualidade de vida do indivíduo e</p><p>da coletividade. Vamos conhecer a formação das equipes e as</p><p>suas principais atribuições.</p><p>Objetivo de Aprendizagem</p><p>do Capítulo</p><p>Conhecer as atividades e atribuições do nutricionista</p><p>inserido em equipe multidisciplinar de terapia nutricional.</p><p>Discutir a efetiva ação na diminuição dos riscos de</p><p>desenvolvimento de doenças crônicas e na promoção da</p><p>saúde.</p><p>68</p><p>1. Terapia Nutricional</p><p>A terapia nutricional é um componente essencial da</p><p>recuperação da saúde, pois visa fornecer aos pacientes</p><p>os nutrientes necessários para promover a cicatrização,</p><p>fortalecer o sistema imunológico e otimizar a função</p><p>orgânica. Ao personalizar planos de alimentação de acordo</p><p>com as necessidades individuais de cada paciente, a terapia</p><p>nutricional pode ajudar a reverter deficiências nutricionais,</p><p>controlar doenças crônicas, reduzir o risco de complicações e</p><p>acelerar o processo de recuperação. Além disso, ao trabalhar</p><p>em conjunto com outras formas de tratamento médico,</p><p>a terapia nutricional pode melhorar significativamente os</p><p>resultados clínicos e a qualidade de vida dos pacientes (Mahan</p><p>& Escott-Stump, 2012).</p><p>Avanços da terapia nutricional nas últimas décadas são</p><p>importantes porque a desnutrição continua sendo comum em</p><p>pacientes hospitalizados, com prevalência entre 30% e 65% e</p><p>pode estar presente no momento da admissão hospitalar ou</p><p>desenvolver-se no decorrer da internação. A terapia visa reduzir</p><p>os riscos de complicações, tempo de internação. A equipe</p><p>multidisciplinar de terapia nutricional desempenha um papel</p><p>crucial no cuidado abrangente dos pacientes, especialmente</p><p>aqueles com condições de saúde complexas. Composta por</p><p>profissionais de diversas áreas, como nutricionistas, médicos,</p><p>enfermeiros e psicólogos, essa equipe colabora de forma</p><p>integrada para desenvolver e implementar planos de nutrição</p><p>personalizados que atendam às necessidades individuais dos</p><p>pacientes. Ao unir conhecimentos e experiências de diferentes</p><p>especialidades, a equipe multidisciplinar pode oferecer uma</p><p>abordagem holística e eficaz, garantindo não apenas a</p><p>nutrição adequada, mas também promovendo a saúde e o</p><p>bem-estar geral dos pacientes. Com atenção especial para os</p><p>pacientes com risco nutricional (Shils et al., 2016).</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>FIGURA 1. PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES RELACIONADAS AO RISCO NUTRICIONAL EM</p><p>PACIENTES HOSPITALIZADOS.</p><p>FIGURA 2. ATENDIMENTO INTEGRAL DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR DE TERAPIA</p><p>NUTRICIONAL.PACIENTES HOSPITALIZADOS.</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>69</p><p>2. Equipe Multidisciplinar</p><p>em Terapia Nutricional</p><p>Além de fornecer cuidados nutricionais, a equipe</p><p>multidisciplinar de terapia nutricional desempenha um</p><p>papel fundamental na educação e no suporte emocional dos</p><p>pacientes. Através de uma comunicação aberta e colaborativa,</p><p>esses profissionais ajudam os pacientes a entender a</p><p>importância da alimentação adequada para sua condição de</p><p>saúde e fornecem orientações práticas para a implementação</p><p>de mudanças dietéticas. A terapia nutricional não assistida</p><p>e a pouca atenção dos profissionais de saúde ao cuidado</p><p>nutricional, a falta de avaliação nutricional e a monitorização</p><p>pouco frequente podem acarretar desnutrição (Mahan &</p><p>Escott-Stump, 2012; Waitzberg, 2017; Shils et al., 2016).</p><p>O início da equipe multidisciplinar de terapia nutricional</p><p>é que seu desenvolvimento está intimamente ligado ao avanço</p><p>da medicina e da compreensão da importância da nutrição</p><p>para a saúde. Anteriormente, a nutrição era frequentemente</p><p>vista como uma preocupação secundária no tratamento</p><p>de pacientes hospitalizados, com pouca atenção dada à</p><p>avaliação nutricional e à intervenção dietética específica. No</p><p>entanto, com o passar do tempo e o surgimento de evidências</p><p>científicas sobre os benefícios da terapia nutricional, os</p><p>profissionais de saúde começaram a reconhecer a necessidade</p><p>de uma abordagem mais integrada e colaborativa para</p><p>lidar com questões relacionadas à alimentação e nutrição</p><p>dos pacientes. Isso levou ao estabelecimento de equipes</p><p>multidisciplinares que reúnem especialistas de diferentes</p><p>áreas, como nutricionistas, médicos, enfermeiros e outros</p><p>profissionais de saúde, trabalhando em conjunto para fornecer</p><p>cuidados nutricionais abrangentes e personalizados (Mahan &</p><p>Escott-Stump, 2012; Shils et al., 2016).</p><p>Importante: A abordagem da EMTN demonstrou</p><p>melhorar significativamente os resultados clínicos e a</p><p>qualidade</p><p>de vida dos pacientes, destacando a importância</p><p>contínua do trabalho em equipe na terapia nutricional.</p><p>FONTE: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016.</p><p>FIGURA 3. MANUAL DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR DE TERAPIA NUTRICIONAL.</p><p>70</p><p>Link para acesso: https://bvsms.saude.gov.br/</p><p>bvs/publicacoes/manual_terapia_nutricional_atencao_</p><p>especializada.pdf</p><p>O trabalho conjunto de especialistas com formações</p><p>distintas permite integrar, harmonizar e complementar os</p><p>conhecimentos e habilidades para cumprir o objetivo proposto.</p><p>Importante : IDENTIFICAR, INTERVIR E ACOMPANHAR</p><p>O TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS NUTRICIONAIS são os</p><p>principais objetivos da equipe multidisciplinar.</p><p>A equipe multidisciplinar é regulamentada pela Agência</p><p>Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), obrigatória nos</p><p>hospitais brasileiros e com portarias específicas. Atribuições da</p><p>EMTN incluem: definir metas técnico-administrativas, realizar</p><p>triagem e vigilância nutricional, avaliar o estado nutricional,</p><p>indicar terapia nutricional e metabólica, assegurar condições</p><p>ótimas de indicação, prescrição, preparação, armazenamento,</p><p>transporte, administração e controle dessa terapia, criar</p><p>protocolos, analisar o custo e o benefício e traçar metas</p><p>operacionais da EMTN.</p><p>Nos Estados Unidos a EMTN estava presente em 29 % dos</p><p>hospitais (1680 hospitais), na Alemanha em 6% dos hospitais</p><p>(833 hospitais), Reino Unido em 37 % dos hospitais, Estados do</p><p>Rio de Janeiro e São Paulo a EMTN em 20 % dos hospitais (232</p><p>hospitais dos estados de SP e RJ). Além disso, na ausência da</p><p>EMTN a avaliação nutricional é feita em 3% a 7% dos pacientes</p><p>hospitalizados e na presença a avaliação ocorre em 37% a</p><p>68% dos doentes. Pacientes acompanhados pela equipe</p><p>envolvem: redução na morbidade, otimização no recebimento</p><p>de nutrientes, diminuição significativa de complicações</p><p>gastrointestinais e alterações metabólicas, menor incidência</p><p>de infecção de cateter e menor número de cateter removidos</p><p>por suspeita de sepse (Waitzberg, 2017; Shils et al., 2016).</p><p>Importante: A terapia nutricional personalizada é</p><p>fundamental para o tratamento eficaz de diversas condições</p><p>de saúde</p><p>FIGURA 4. FATORES ENVOLVIDOS NO DESENVOLVIMENTO DA DESNUTRIÇÃO NO</p><p>AMBIENTE HOSPITALAR.</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>71</p><p>O número de EMTN nos hospitais está abaixo do requisito</p><p>estabelecido por lei: a atuação dessa equipe é um fato inovador</p><p>e requer tempo para adaptação do corpo clínico envolvido no</p><p>cuidado dos pacientes. Inicialmente podem ocorrer problemas</p><p>de aceitação da EMTN. Para a atuação ser efetiva, é necessária</p><p>a convivência harmoniosa entre essa equipe e o corpo clínico</p><p>e assistencial. A pouca informação durante a graduação pode</p><p>acarretar desinteresse por essa área; essa observação pode</p><p>ser estendida ao nutricionista, que habitualmente não tem</p><p>experiência com NP; quadro deficiente de nutricionistas</p><p>atuando na área clínica, pouca ênfase ao trabalho em equipe</p><p>durante a graduação e pós-graduação. O trabalho em conjunto</p><p>deveria ser mais explorado ao formar os profissionais que irão</p><p>para o ensino e para a assistência (Mahan & Escott-Stump, 2012;</p><p>Waitzberg, 2017; Shils et al., 2016).</p><p>Importante: A colaboração multidisciplinar na terapia</p><p>nutricional é essencial para promover a saúde e o bem-estar</p><p>dos pacientes.</p><p>Vantagens de formação da Comissão de Nutrição</p><p>Parenteral, com a respectiva padronização das soluções</p><p>nutritivas parenterais: diminuição do desperdício, por erros de</p><p>cálculo, das necessidades diárias de cada paciente, diminuição</p><p>da quantidade de manipulações de soluções parenterais pelo</p><p>Serviço de Farmácia, cuidado interdisciplinar na administração</p><p>da nutrição enteral, suplementos e segurança na manipulação</p><p>e administração, maior do controle de qualidade dos</p><p>nutrientes administrados, controle mais eficaz do consumo e</p><p>dos gastos com a NP, abolição dos efeitos colaterais por uso</p><p>inadvertido de nutrientes (excesso de potássio).</p><p>FIGURA 5. NUTRIÇÃO ENTERAL E PARENTERAL, ATRIBUIÇÕES DA EMTN.</p><p>FONTE: WAITZBERG, 2017.</p><p>72</p><p>Referências</p><p>WAITZBERG, D. L. (Ed.). (2017). Nutrição Oral, Enteral e</p><p>Parenteral na Prática Clínica (6ª ed.). Atheneu.</p><p>MAHAN, L.R. & ESCOTT-STUMP. Alimentos, Nutrição &</p><p>Dietoterapia. 13ª ed. Rio de Janeiro; Elsevier, 2012, 1227p.</p><p>SHILS, M.; SHIKE, M.; ROSS, C.; CABALLEIRO, B; COUSINS,</p><p>R.J. Nutrição Moderna na Saúde e na Doença. 11ed., São Paulo,</p><p>Manole, 2222p. 2016.</p><p>Considerações Finais</p><p>A atuação da equipe multidisciplinar em terapia</p><p>nutricional desempenha um papel fundamental na</p><p>promoção da saúde e no tratamento de diversas condições</p><p>médicas. O nutricionista, como membro essencial dessa</p><p>equipe, desempenha múltiplas funções que vão desde a</p><p>avaliação nutricional até a elaboração e implementação de</p><p>planos de alimentação personalizados. Sua expertise em</p><p>nutrição permite uma abordagem holística e individualizada,</p><p>considerando não apenas as necessidades dietéticas dos</p><p>pacientes, mas também aspectos emocionais, culturais</p><p>e socioeconômicos que podem influenciar seus hábitos</p><p>alimentares e estilo de vida. Além disso, o nutricionista</p><p>desempenha um papel crucial na educação e no</p><p>empoderamento dos pacientes, capacitando-os a fazer</p><p>escolhas alimentares saudáveis e sustentáveis a longo</p><p>prazo. Em conjunto com os demais profissionais da equipe</p><p>multidisciplinar, o nutricionista contribui para resultados</p><p>mais eficazes e abrangentes, promovendo não apenas a</p><p>recuperação da saúde, mas também a prevenção de doenças e</p><p>a promoção do bem-estar geral dos pacientes.</p><p>73</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>INOVAÇÕES E ATUALIDADES DA</p><p>PROFISSÃO</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 9</p><p>74</p><p>Para Início de Conversa</p><p>Para iniciar, vamos discutir as principais inovações na área</p><p>de alimentos e nutrição e a atribuição do nutricionista nessas</p><p>diferentes áreas. Os temas mais recentes serão discutidos e</p><p>apresentados como perspectivas futuras.</p><p>Objetivo de Aprendizagem</p><p>do Capítulo</p><p>Este capítulo apresenta as novas áreas de atuação do</p><p>nutricionista e conhecimentos atualizados sobre alimentos</p><p>e nutrição, com foco em aspectos relevantes para a prática</p><p>clínica e a promoção da saúde. Pretende-se abordar as últimas</p><p>evidências científicas relacionadas à alimentação e nutrição,</p><p>incluindo avanços na compreensão dos nutrientes, interações</p><p>entre dieta e saúde e estratégias para avaliação e intervenção</p><p>nutricional. Além disso, este capítulo visa explorar temas</p><p>emergentes e controversos no campo da nutrição, fornecendo</p><p>ao nutricionista as ferramentas necessárias para aprimorar sua</p><p>prática e garantir uma abordagem baseada em evidências.</p><p>75</p><p>1. Desenvolvimento de</p><p>alimentos e investigações</p><p>para proteínas de origem</p><p>vegetal</p><p>O desenvolvimento de alimentos e as investigações</p><p>sobre proteínas de origem vegetal têm ganhado destaque</p><p>devido ao crescente interesse em alternativas sustentáveis e</p><p>saudáveis para a alimentação. A busca por fontes de proteína</p><p>vegetal de alta qualidade tem levado a avanços na tecnologia</p><p>de processamento de alimentos, permitindo a criação</p><p>de produtos inovadores que atendam às demandas dos</p><p>consumidores preocupados com a saúde e o meio ambiente.</p><p>Essas investigações incluem a análise de diferentes fontes de</p><p>proteína vegetal, como leguminosas, cereais e oleaginosas,</p><p>bem como a otimização de técnicas de extração e formulação</p><p>para melhorar a qualidade nutricional e sensorial dos</p><p>alimentos à base de plantas. Além disso, estudos estão sendo</p><p>realizados para avaliar os benefícios para a saúde associados</p><p>ao consumo de proteínas vegetais, incluindo seus efeitos</p><p>na saúde cardiovascular, controle do peso e prevenção de</p><p>doenças crônicas (ALVES et al., 2020).</p><p>Importante: Proteína vegetal à base de leguminosas,</p><p>cereais e oleaginosas, e as novas técnicas de extração e</p><p>formulação são desenvolvidas para melhorar a qualidade</p><p>nutricional e sensorial dos alimentos vegetais para a indústria.</p><p>FONTE: PLANT-BASED BR (2024)</p><p>ALIMENTOS À BASE DE VEGETAIS, FONTES DE</p><p>PROTEÍNA</p><p>76</p><p>2. Nutrição personalizada:</p><p>análise genética</p><p>A nutrição personalizada com análise genética é uma</p><p>abordagem inovadora que busca adaptar as recomendações</p><p>nutricionais com base no perfil genético individual de</p><p>cada pessoa. Essa técnica utiliza informações genéticas</p><p>para identificar variações específicas no DNA que podem</p><p>influenciar a resposta do organismo a determinados nutrientes</p><p>e alimentos. Ao compreender essas variações genéticas,</p><p>os profissionais de saúde podem personalizar planos de</p><p>alimentação e suplementação de acordo com as necessidades</p><p>e predisposições genéticas de cada indivíduo, visando</p><p>otimizar a saúde e prevenir doenças. Embora ainda em fase de</p><p>desenvolvimento, nutrição personalizada com análise genética</p><p>mostra promessas na individualização do cuidado nutricional,</p><p>permitindo uma abordagem mais precisa e eficaz para a</p><p>promoção da saúde (BARROS et al., 2022).</p><p>Importante: Nutrigenética: consiste na análise e</p><p>identificação no DNA de possíveis relações ou tendências</p><p>a desenvolver ou não diversas doenças relacionadas à</p><p>alimentação</p><p>FONTE: PASTEUR (2024)</p><p>EXAME GENÉTICO ESPECÍFICO (PERFIL GENÉTICO) PARA IDENTIFICAR POSSÍVEIS</p><p>RESPOSTAS A DETERMINADOS ALIMENTOS</p><p>77</p><p>3. Metabolômica</p><p>A metabolômica nutricional concentra-se nos</p><p>metabólitos ativos, nutrientes (ou não nutrientes) entre</p><p>os milhares de componentes do metaboloma que estão</p><p>associados aos efeitos que diferentes dietas têm sobre nós. A</p><p>metabolômica nutricional é uma disciplina emergente que</p><p>se concentra na análise dos metabólitos ativos, sejam eles</p><p>nutrientes ou não, entre os milhares de componentes do</p><p>metaboloma, que estão diretamente associados aos efeitos</p><p>que diferentes dietas têm sobre nós. Essa abordagem busca</p><p>compreender as complexas interações entre os nutrientes</p><p>presentes nos alimentos e os processos metabólicos do</p><p>organismo, visando identificar biomarcadores específicos que</p><p>possam indicar a resposta individual a determinadas dietas</p><p>ou nutrientes. Ao analisar o perfil metabólico de um indivíduo</p><p>em resposta à dieta, a metabolômica nutricional oferece</p><p>insights valiosos sobre a eficácia das intervenções dietéticas,</p><p>permitindo uma abordagem mais personalizada e precisa para</p><p>a promoção da saúde e prevenção de doenças relacionadas à</p><p>alimentação. Essa abordagem promissora está revolucionando</p><p>a maneira como entendemos o impacto dos alimentos</p><p>em nosso metabolismo e abre novas possibilidades para o</p><p>desenvolvimento de estratégias nutricionais personalizadas</p><p>(CANUTO et al., 2022).</p><p>Importante: O metaboloma pode ser definido como</p><p>um conjunto completo de metabólitos em um organismo ou</p><p>amostra biológica. Metabólitos são compostos de baixo peso</p><p>molecular.</p><p>78</p><p>5. Nanoencapsulação e</p><p>microencapsulação de</p><p>nutrientes/compostos</p><p>bioativos</p><p>A nanoencapsulação e microencapsulação de nutrientes</p><p>e compostos bioativos são tecnologias avançadas que têm</p><p>revolucionado a indústria de alimentos e a nutrição funcional.</p><p>Esses processos envolvem o encapsulamento de nutrientes e</p><p>compostos bioativos em partículas micro ou nanoestruturadas,</p><p>proporcionando benefícios como proteção contra degradação,</p><p>melhor solubilidade, estabilidade e liberação controlada</p><p>dos ingredientes ativos. Isso permite a incorporação de</p><p>nutrientes e compostos bioativos em uma variedade de</p><p>alimentos e bebidas, sem comprometer suas propriedades</p><p>funcionais ou sensoriais. Além disso, a nanoencapsulação e</p><p>microencapsulação oferecem a possibilidade de aumentar</p><p>a biodisponibilidade e eficácia dos nutrientes, promovendo</p><p>assim uma maior absorção e aproveitamento pelo organismo.</p><p>Essas tecnologias têm sido amplamente exploradas</p><p>na formulação de produtos alimentares enriquecidos,</p><p>suplementos nutricionais, alimentos funcionais e produtos</p><p>farmacêuticos, abrindo novas oportunidades para a promoção</p><p>da saúde (CODEVILLA et al., 2015).</p><p>4. Desenvolvimento de</p><p>produtos saudáveis na</p><p>indústria de alimentos</p><p>O desenvolvimento de produtos saudáveis na indústria</p><p>de alimentos tem sido uma prioridade crescente em resposta</p><p>à demanda dos consumidores por opções alimentares mais</p><p>nutritivas e benéficas para a saúde. Essa tendência reflete a</p><p>crescente conscientização sobre os impactos da dieta na saúde</p><p>e no bem-estar, levando as empresas alimentícias a inovarem</p><p>e reformularem seus produtos para oferecer alternativas</p><p>mais saudáveis. O processo de desenvolvimento de produtos</p><p>saudáveis envolve a seleção cuidadosa de ingredientes</p><p>nutritivos, a redução de aditivos e ingredientes prejudiciais</p><p>à saúde, além do uso de técnicas de processamento que</p><p>preservam os nutrientes naturais dos alimentos. Essa</p><p>abordagem visa atender às necessidades nutricionais dos</p><p>consumidores, mas também promover escolhas alimentares</p><p>mais saudáveis e contribuir para a redução de doenças</p><p>relacionadas à dieta, como obesidade, diabetes e doenças</p><p>cardiovasculares. Ao investir no desenvolvimento de produtos</p><p>saudáveis, a indústria de alimentos desempenha um papel</p><p>importante na promoção da saúde pública (CESTONARO et al.,</p><p>2020).</p><p>79</p><p>6. Marketing nutricional e</p><p>redes sociais</p><p>O marketing nutricional nas redes sociais emergiu como</p><p>uma poderosa ferramenta para promover produtos e serviços</p><p>relacionados à alimentação e nutrição. Com o aumento</p><p>da presença digital e do uso das redes sociais, empresas</p><p>alimentícias, profissionais de saúde e influenciadores têm</p><p>aproveitado essas plataformas para compartilhar informações</p><p>sobre alimentos saudáveis, receitas, dicas de nutrição e estilo</p><p>de vida. No entanto, é importante reconhecer os desafios éticos</p><p>e a necessidade de fornecer informações precisas e baseadas</p><p>em evidências, evitando práticas enganosas ou promovendo</p><p>dietas extremas. Por meio do marketing nutricional nas redes</p><p>sociais, é possível educar e inspirar o público a fazer escolhas</p><p>alimentares mais conscientes e saudáveis, promovendo</p><p>assim uma cultura de bem-estar e alimentação equilibrada</p><p>(WINGERT; CASTRO, 2018).</p><p>Importante: Nanoencapsulação refere-se à elaboração de</p><p>estruturas com tamanho <1000 nm. Visa manter a estabilidade</p><p>de compostos instáveis, aumentar a solubilidade e viabilizar a</p><p>inclusão em alimentos e suplementos</p><p>PESQUISA SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE NANOCÁPSULAS PARA ESTABILIZAR</p><p>ANTOCIANINAS</p><p>FONTE: FORC (2023)</p><p>80</p><p>significativo no campo da saúde, oferecendo uma abordagem</p><p>individualizada e eficaz para uma alimentação saudável e</p><p>sustentável (COELHO, 2018).</p><p>7. Nutrição personalizada:</p><p>cardápios com IA</p><p>A nutrição personalizada, impulsionada pela inteligência</p><p>artificial (IA), está revolucionando a forma como encaramos</p><p>a alimentação e a saúde. Ao integrar tecnologia avançada</p><p>com conhecimentos nutricionais, é possível criar cardápios</p><p>sob medida, adaptados às necessidades individuais de cada</p><p>pessoa.</p><p>Com a nutrição personalizada, não se trata apenas</p><p>de oferecer recomendações genéricas, mas sim de levar</p><p>em consideração fatores únicos, como o perfil genético,</p><p>preferências alimentares, restrições dietéticas e até mesmo</p><p>dados biométricos. A IA analisa essas informações em tempo</p><p>real, fornecendo orientações precisas e personalizadas para</p><p>alcançar objetivos específicos, como perda de peso, ganho</p><p>de massa muscular ou controle de condições de saúde.</p><p>Além disso, a IA pode monitorar continuamente os hábitos</p><p>alimentares e os resultados obtidos, ajustando os cardápios</p><p>conforme necessário. Isso proporciona uma abordagem</p><p>dinâmica e adaptável à nutrição, garantindo que os pacientes</p><p>recebam o suporte ideal para atingir seus objetivos de</p><p>saúde e bem-estar. Em resumo, a nutrição personalizada</p><p>com cardápios baseados em IA representa um avanço</p><p>FERRAMENTA BASEADA EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA A ELABORAÇÃO DE</p><p>PLANOS ALIMENTARES PERSONALIZADOS</p><p>FONTE: FAPESP (2023)</p><p>81</p><p>de forma eficaz, fornecendo os nutrientes essenciais que</p><p>podem estar em falta na alimentação diária. Ao mesmo tempo,</p><p>há um crescente interesse no</p><p>aproveitamento de subprodutos</p><p>da indústria alimentícia, como cascas, sementes e outras</p><p>partes de alimentos que geralmente são descartadas. Esses</p><p>subprodutos podem ser fontes ricas de nutrientes e fibras, e</p><p>sua utilização pode contribuir para a redução do desperdício</p><p>de alimentos e para a criação de uma cadeia alimentar</p><p>mais sustentável. As pesquisas voltadas para a descoberta</p><p>de alimentos, desenvolvimento de suplementos e uso de</p><p>subprodutos da indústria alimentícia não apenas oferecem</p><p>novas oportunidades para melhorar a saúde humana, mas</p><p>também promovem práticas mais sustentáveis na produção e</p><p>consumo de alimentos. Essa abordagem integrada é essencial</p><p>para enfrentar os desafios relacionados à saúde e ao meio</p><p>ambiente no século XXI (BARBOSA, 2020).</p><p>Importante Alimentos ricos em compostos bioativos,</p><p>vitaminas, minerais e antioxidantes que têm o potencial</p><p>de prevenir uma série de doenças crônicas, como diabetes,</p><p>doenças cardiovasculares e câncer.</p><p>8. Pesquisas voltadas</p><p>à descoberta de</p><p>alimentos para serem</p><p>ingeridos para diminuir</p><p>os riscos de doenças</p><p>não transmissíveis/</p><p>suplementos/uso de</p><p>subprodutos da indústria</p><p>(saudáveis e sustentáveis)</p><p>As pesquisas dedicadas à descoberta de alimentos que</p><p>possam reduzir os riscos de doenças não transmissíveis, bem</p><p>como o desenvolvimento de suplementos nutricionais e o uso</p><p>de subprodutos da indústria de forma saudável e sustentável,</p><p>representam uma abordagem inovadora e promissora para</p><p>promover a saúde humana e o meio ambiente.</p><p>Esses esforços visam identificar alimentos ricos em</p><p>compostos bioativos, vitaminas, minerais e antioxidantes</p><p>que tenham o potencial de prevenir uma série de doenças</p><p>crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.</p><p>Além disso, a pesquisa se concentra no desenvolvimento de</p><p>suplementos nutricionais que possam complementar a dieta</p><p>82</p><p>também devemos manter um compromisso firme com a</p><p>ética profissional. Isso envolve garantir que as recomendações</p><p>nutricionais se baseiem em evidências científicas sólidas,</p><p>respeitando a autonomia e os valores individuais dos clientes,</p><p>e promovendo práticas alimentares sustentáveis e socialmente</p><p>responsáveis. Para os nutricionistas, este é um momento</p><p>emocionante, repleto de oportunidades para fazer a diferença</p><p>na vida das pessoas e na sociedade como um todo. Ao abraçar</p><p>as tendências, investir em inovação, agir com ética e aproveitar</p><p>as oportunidades que surgem, os nutricionistas estão</p><p>posicionados para desempenhar um papel cada vez mais</p><p>relevante e influente na promoção da saúde e no avanço da</p><p>nutrição em todo o mundo.</p><p>Considerações Finais</p><p>A nutrição está em constante evolução, impulsionada</p><p>por tendências emergentes, inovações tecnológicas,</p><p>considerações éticas e um vasto leque de oportunidades</p><p>para os nutricionistas. À medida que nos adaptamos a um</p><p>mundo em rápida transformação, é essencial reconhecer o</p><p>papel fundamental dos profissionais de nutrição na promoção</p><p>da saúde e do bem-estar. As tendências atuais da nutrição</p><p>refletem uma mudança em direção a uma abordagem</p><p>mais holística e personalizada, na qual a individualidade de</p><p>cada pessoa é levada em consideração. Desde a nutrição</p><p>personalizada, que utiliza a inteligência artificial para criar</p><p>planos alimentares adaptados às necessidades únicas de cada</p><p>indivíduo, até a crescente demanda por alimentos funcionais</p><p>e orgânicos, as oportunidades para os nutricionistas se</p><p>expandem em diversas direções.</p><p>A inovação tecnológica desempenha um papel crucial,</p><p>permitindo que os nutricionistas acessem dados mais</p><p>precisos, monitorem o progresso dos clientes em tempo real</p><p>e ofereçam intervenções mais eficazes. Ferramentas como</p><p>aplicativos móveis de rastreamento de alimentos, dispositivos</p><p>vestíveis e softwares de análise nutricional estão redefinindo</p><p>a metodologia de trabalho na área da saúde. Contudo,</p><p>à medida que exploramos novas fronteiras na nutrição,</p><p>DESAFIOS E TENDÊNCIAS PARA O NUTRICIONISTA</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>83</p><p>possibilidades.</p><p>No entanto, também reconhecemos os desafios que</p><p>enfrentamos. Desde o combate à desinformação nutricional</p><p>até a luta contra a obesidade e outras doenças crônicas</p><p>relacionadas à dieta, há muito trabalho a ser feito. No entanto,</p><p>devemos estar preparados para enfrentar esses desafios com</p><p>determinação e dedicação, sabendo que cada obstáculo</p><p>nos oferece uma oportunidade para crescer e aprender.</p><p>Levamos conosco não apenas conhecimentos teóricos, mas</p><p>também uma profunda compreensão do papel vital que</p><p>desempenhamos na promoção da saúde e da qualidade de</p><p>vida. Estamos preparados para abraçar as oportunidades</p><p>que o futuro nos reserva, comprometidos com a excelência</p><p>profissional, a inovação contínua e o respeito pelos mais altos</p><p>padrões éticos.</p><p>Encerramento do e-book</p><p>Ao longo da disciplina, exploramos profundamente o</p><p>tema da ética no contexto da nutrição e prática profissional,</p><p>bem como as diversas áreas de atuação do nutricionista,</p><p>as inovações que estão transformando nossa área e as</p><p>tendências que moldarão nosso futuro. A ética é o alicerce</p><p>sobre o qual construímos nossa prática profissional. Por</p><p>meio dela, nos comprometemos a agir com integridade,</p><p>respeito, justiça e beneficência em todas as interações com</p><p>nossos pacientes, colegas e comunidade. Reconhecemos a</p><p>importância de manter os mais altos padrões éticos em todas</p><p>as nossas decisões e ações, garantindo sempre o bem-estar e</p><p>a segurança daqueles que servimos. Além disso, exploramos</p><p>também as diversas áreas de atuação do nutricionista,</p><p>desde a clínica até a saúde pública, passando pela nutrição</p><p>esportiva, alimentação coletiva, indústria de alimentos e</p><p>muito mais. Cada uma dessas áreas oferece oportunidades</p><p>únicas para aplicar nossos conhecimentos e habilidades</p><p>em prol da promoção da saúde e do bem-estar. Ao mesmo</p><p>tempo, discutimos as inovações que estão moldando o</p><p>futuro da nutrição. Desde o uso da inteligência artificial para</p><p>personalizar planos alimentares até a produção de alimentos</p><p>funcionais e sustentáveis, estamos testemunhando avanços</p><p>que estão revolucionando nossa prática e expandindo nossas</p><p>84</p><p>personalizados, considerando preferências e necessidades</p><p>nutricionais. Tese apresentado ao programa Interunidades em</p><p>Nutrição Humana Aplicada. Universidade de São Paulo, 2018.</p><p>WINGERT, K.H.; CASTRO, L.R. Marketing para nutrição:</p><p>conceitos eferramentas aliados à prática da nutrição.</p><p>Disciplinarum Scientia. Série: Ciências da Saúde, Santa Maria,</p><p>v. 19, n. 3, p. 353-371, 2018.</p><p>Referências</p><p>ALVES et al. Proteínas vegetais como alimentos</p><p>funcionais. Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 2, p. 5869-5879,</p><p>2020.</p><p>BARBOSA, JTVRM. Valorização dos subprodutos da</p><p>indústria pesqueira: sua aplicação nas indústrias alimentar,</p><p>farmacêutica e cosmética (Order No. 29102132). Available from</p><p>ProQuest Dissertations & Theses Global. (2675220266), 2020.</p><p>BARROS et al. A importância da nutrição personalizada</p><p>para a saúde / The importance of personalized nutrition for</p><p>health. Brazilian Journal of Development, 8(7), 50556–50566,</p><p>2022.</p><p>CANUTO et al. Metabolômica: definições, estado-da-arte e</p><p>aplicações representativas. Revisão • Quím. Nova 41 (1), 2018.</p><p>CESTONARO et al. Análise de mercado para</p><p>desenvolvimento de produtos alimentícios saudáveis e para</p><p>fins especiais. Brazilian Journal of Food Research, Campo</p><p>Mourão, v. 11 n. 1, p. 58-69, 2020.</p><p>CODEVILLA et al. Ciência e Natura, Santa Maria v. 37 Ed.</p><p>Especial-Nano e Microencapsulação de compostos bioativos e</p><p>probióticos em alimentos, 142 – 151, 2015.</p><p>COELHO, KS. Concepção de uma ferramenta</p><p>computacional para a geração de planos alimentares</p><p>o respeito às leis e ao próximo.</p><p>A ética diz respeito à intenção individual de cada</p><p>sujeito-autonomia, modulando o comportamento do homem</p><p>frente ao grupo social que pertence. Direciona o indivíduo às</p><p>suas obrigações sociais; impõe direitos e deveres. Considerado</p><p>um exercício pleno da cidadania. Por definição etiológica a</p><p>palavra pode ser relacionada a Primum non nocere. Um termo</p><p>latino da bioética que significa “primeiro, não prejudicar “. Esse</p><p>é um princípio da não-maleficência, ou seja, antes de tudo não</p><p>fazer mal a qualquer criatura.</p><p>Curiosidade: Primum non nocere - É uma regra</p><p>importante atribuída a Hipócrates, se refere a não-maleficência</p><p>ou a obrigação de não causar danos. A beneficência ou a</p><p>obrigação de prevenir danos, retirar danos e promover o bem.</p><p>A ética está incluída em diversos âmbitos e ainda</p><p>pode ser definida como a ciência da moral que pesquisa,</p><p>investiga, reflete, questiona e analisa o comportamento</p><p>moral das pessoas em uma determinada sociedade. Ainda,</p><p>é apontada como a ciência que define os princípios gerais</p><p>e comuns, orientadores da vida das pessoas em sociedade</p><p>e profissionalmente. A ética é responsável pela consciência</p><p>moral das pessoas e utilizada como o referencial orientador</p><p>do profissional, do cidadão e da pessoa na construção de uma</p><p>sociedade solidária, justa e digna para todos. Tem relação</p><p>direta com a justiça social.</p><p>A ética se fundamenta em três pré-requisitos:</p><p>consciência, autonomia e coerência. A sua estruturação ocorre</p><p>juntamente com o desenvolvimento humano.</p><p>4. A importância da Moral</p><p>A moral relaciona-se às normas que definem os bons</p><p>e maus comportamentos, boas ou más atitudes, boas ou</p><p>más intenções dos indivíduos, grupos sociais, organizações e</p><p>instituições. Considerada um importante conjunto de valores</p><p>e normas que definem o que é certo e errado nas relações</p><p>entre os indivíduos em cada novo momento histórico. Além de</p><p>que, estabelece o que é uma boa ou má conduta, tendo como</p><p>8</p><p>6. A importância dos</p><p>valores</p><p>Deontologia é baseada em princípios éticos e as condutas</p><p>que pautam o profissional de saúde correspondem a valores</p><p>e virtudes primordiais. A ética é construída com base nos</p><p>princípios: honestidade, veracidade, justiça, não-maleficência,</p><p>beneficência, autonomia e confidencialidade. Os quais</p><p>direcionam as condutas profissionais e são indiscutivelmente</p><p>necessárias. Importante destacar que a ética e a moral são</p><p>complementares e com fundamentos definidos. Não é correto</p><p>falar que existe uma pessoa tem ética, mas, que em alguns</p><p>momentos suas atitudes não correspondem aos valores</p><p>apresentados. Dessa forma, evidencia-se que os valores</p><p>humanos fundamentam a ética profissional.</p><p>referência sempre os princípios éticos.</p><p>5. Diferença entre ética e</p><p>moral</p><p>Primeiramente é importante ressaltar que a moral</p><p>precisa ser imposta, é externa ao indivíduo. Já a ética pode ser</p><p>apreendida ao longo da vida e é expressa a partir do interior</p><p>do indivíduo. A moral prevê certo e errado; a ética prevê</p><p>bem e mal. A moral é uma conduta específica e normativa;</p><p>valores éticos são princípios, frutos de reflexão sobre ações e</p><p>normas de conduta. Norma é considerada cultural e temporal;</p><p>valor é universal e atemporal. A norma é a conduta de um</p><p>determinado valor; o valor justifica a existência de uma</p><p>norma. Toda moral supõe determinados princípios, normas</p><p>ou regras de comportamento, não é a ética que os estabelece</p><p>numa determinada comunidade. Conhecer e diferenciar</p><p>esses dois conceitos é primordial para a compreensão da sua</p><p>aplicabilidade na prática profissional.</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>FIGURA 3. MORAL E ÉTICA SÃO CONCEITOS DISTINTOS. SEGUNDO JUNGES, 1995 A</p><p>MORAL PRECISA SER IMPOSTA E É EXTERNA, ENQUANTO A ÉTICA É APREENDIDA E</p><p>MANIFESTA-SE DO INTERIOR DO INDIVÍDUO.</p><p>9</p><p>da ética no campo de atuação profissional e a sua contribuição</p><p>para a sociedade.</p><p>Referências</p><p>PASSOS, E. S. Ética nas organizações. Bahia. Editora</p><p>Estevam Moreira Neto, 2000.</p><p>JUNGES, J. R. Bioética: Perspectivas e desafios. Editora</p><p>Unisinos,1995.</p><p>VALLS, A. L. M. O que é Ética? 14 ed. São Paulo:</p><p>Brasiliense, 2001. (Coleção Primeiros Passos: 177).</p><p>VAZQUES, A. S. Ética. 8 ed. São Paulo: Editora Civilização</p><p>Brasileira, 1986.</p><p>Considerações Finais</p><p>A ética médica tradicional deu origem a Deontologia</p><p>profissional, desta forma a ética profissional passou a ser</p><p>objeto de estudos fundamentados em deveres e normas.</p><p>Estudar a ética e a moral constituem a base para o exercício</p><p>da profissão do nutricionista, indica a complexidade do tema</p><p>e a necessidade de reflexão constante e atual. Pois, esse</p><p>profissional está constantemente imerso em decisões em</p><p>que deve prevalecer o bem-estar do ser humano e do planeta.</p><p>Assim, torna-se essencial conhecer as definições e aplicações</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>FIGURA 4. PARA SER ÉTICO O INDIVÍDUO PRECISA QUE OS VALORES SEJAM</p><p>PREPONDERANTES AOS INTERESSES PRÓPRIOS, O BEM COMUM É A MAIOR</p><p>PREMISSA.</p><p>10</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>COMPORTAMENTO ÉTICO/PROFISSIONAL,</p><p>O HOMEM DENTRO DA SOCIEDADE, O</p><p>HOMEM PROFISSIONAL, PREDICADOS</p><p>PESSOAIS PARA O NUTRICIONISTA</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 2</p><p>11</p><p>Breve contextualização</p><p>Esta unidade apresenta uma discussão sobre o</p><p>comportamento ético e profissional do nutricionista. Também</p><p>são explorados os conceitos da ética, a compreensão da ética</p><p>e moral na atuação profissional, a fim de entender os valores e</p><p>sua aplicação na profissão.</p><p>Para Início de Conversa</p><p>A ética profissional é um elemento intrínseco à</p><p>experiência humana. Ela constitui um conjunto de diretrizes</p><p>comportamentais que devem ser observadas no exercício</p><p>de todas as profissões, incluindo a nutrição. No contexto</p><p>profissional, a ética se refere à maneira como o profissional</p><p>interage com seus clientes, visando à preservação da</p><p>dignidade humana e à promoção do bem-estar na</p><p>comunidade em que atua. Além disso, ela tem o papel de</p><p>universalizar as práticas profissionais e estabelecer padrões de</p><p>decisões e condutas que beneficiem o coletivo.</p><p>A ética profissional possui um caráter normativo e, em</p><p>alguns casos, jurídico, sendo regulada por estatutos e códigos</p><p>específicos. No ambiente profissional, ela reflete tanto as</p><p>responsabilidades individuais quanto as responsabilidades</p><p>sociais do profissional. A ética na prática profissional destaca a</p><p>importância do respeito ao ser humano e coloca o benefício do</p><p>próximo como uma prioridade fundamental.</p><p>Objetivos de</p><p>Aprendizagem do</p><p>Capítulo</p><p>Discutir sobre o comportamento ético e profissional do</p><p>nutricionista; aprofundar os conceitos da ética; a compreensão</p><p>da ética e moral na atuação profissional; entender os valores e</p><p>sua aplicação na profissão.</p><p>1. COMPORTAMENTO</p><p>ÉTICO E PROFISSIONAL</p><p>DO NUTRICIONISTA</p><p>Toda a profissão necessita de uma reflexão crítica sobre</p><p>o comportamento humano. Reflexão que interpreta, discute</p><p>e problematiza, investiga valores... à procura do bem-estar</p><p>da vida em sociedade (Fortes, 1998). O estudo sistemático da</p><p>argumentação sobre como nós devemos agir (Singer, 1994).</p><p>12</p><p>Funções da ética no âmbito profissional: 1) esclarecer</p><p>o que é a moral, quais são seus traços específicos; 2)</p><p>fundamentar a moralidade, ou seja, procurar averiguar quais</p><p>são as razões que conferem sentido ao esforço dos seres</p><p>humanos de viver moralmente; 3) aplicar aos diferentes</p><p>âmbitos da vida social os resultados obtidos nas duas primeiras</p><p>funções, de maneira que se adote uma moral crítica em vez da</p><p>subserviência a um código (Cortina; Martinez, 2005).</p><p>Importante: A tarefa da ética é a procura e o</p><p>estabelecimento das razões que justificam “o que deve ser</p><p>feito”.</p><p>Código de Ética Profissional é o conjunto de normas</p><p>que regulamentam o comportamento</p><p>de um grupo particular de pessoas (Barton; Barton, 1984).</p><p>2. Ética profissional</p><p>A ética profissional é inerente à vida humana. Consiste</p><p>em um conjunto de normas de conduta que deverão ser</p><p>postas em prática no exercício</p><p>de todas as profissões, como</p><p>a nutrição. A ética no âmbito profissional diz respeito ao</p><p>relacionamento do profissional com sua clientela, visando à</p><p>dignidade humana e a construção do bem-estar no contexto</p><p>em que exerce sua profissão. Além de que universaliza as</p><p>profissões e padroniza decisões necessárias para o bem</p><p>coletivo.</p><p>A ética profissional tem caráter normativo e até</p><p>jurídico que regulamenta determinada profissão fazendo-</p><p>se valer através de estatutos e códigos específicos. Na vida</p><p>profissional, demonstra as responsabilidades individuais e as</p><p>responsabilidades sociais. A ética exercida na vida profissional</p><p>trata da importância do ser humano e como principal</p><p>característica traz o benefício ao próximo como prioridade.</p><p>Importante: Indispensável ao profissional, porque na</p><p>ação humana “o fazer” e “o agir” estão interligados. Fazer:</p><p>diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional</p><p>deve possuir para exercer bem a sua profissão; Agir: refere-se</p><p>à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve</p><p>assumir no desempenho de sua profissão.</p><p>FIGURA 1 – PROFISSIONAL NUTRICIONISTA COMO PROTAGONISTA DA JUSTIÇA</p><p>SOCIAL E COM ATUAÇÃO EM DIVERSAS ÁREAS NA BUSCA DO BEM-ESTAR COLETIVO.</p><p>13</p><p>relatividade, tolerância ou interpretações</p><p>circunstanciais.</p><p>• Sigilo: o respeito aos segredos e particularidades das</p><p>pessoas. Uma informação adquirida e confiada ao</p><p>profissional deve ser preservada em silêncio (dever).</p><p>• Competência: conhecimento da ciência, da tecnologia,</p><p>das técnicas e práticas profissionais são fundamentais</p><p>para o desempenho de serviços de boa qualidade.</p><p>• Prudência: contribui para que o serviço seja realizado</p><p>com segurança. Tanto para o profissional quanto</p><p>para o paciente. Tomadas de decisões realizadas</p><p>com cautelas; não expõe a vida humana em riscos</p><p>desnecessários.</p><p>• Coragem: auxilia na reação às críticas, quando injustas,</p><p>e na defesa digna quando estamos cônscios de nosso</p><p>dever. Implica na defesa da verdade e da justiça.</p><p>• Perseverança: reação frente a incompreensões,</p><p>insucessos e fracassos. Permite ao profissional</p><p>atuar integralmente no trabalho e desconsiderar os</p><p>percalços.</p><p>• Compreensão: entre os profissionais e entre</p><p>profissional e paciente. Facilita a aproximação e</p><p>o diálogo, indispensáveis nos relacionamentos</p><p>profissionais.</p><p>• Humildade: ponderar a verdade e desenvolver o bom</p><p>senso. Cabe ao profissional a reflexão crítica de suas</p><p>O valor ético do esforço humano é variável em função</p><p>de seu alcance em face da comunidade. Se caso o trabalho</p><p>realizado é somente em prol de adquirir renda, tem o seu valor</p><p>restrito. Assim, nos serviços prestados com amor e dedicação,</p><p>visando ao benefício da comunidade, com consciência do bem</p><p>comum, percebe-se a existência da expressão social dele. Em</p><p>resumo, podemos constatar que a preocupação única com os</p><p>lucros fornece a tendência de menor consciência de grupo, e</p><p>como consequência indica uma preocupação insuficiente com</p><p>a sua comunidade e muito menos com a sociedade.</p><p>Por exemplo: o esforço, somado à boa vontade e ao</p><p>conhecimento técnico, resulta em mérito profissional.</p><p>Quando o profissional opta por decisões de caráter social,</p><p>precisa deixar o egoísmo e falta de empatia para escolher</p><p>agir com virtudes.</p><p>Virtudes profissionais: incorporadas à personalidade</p><p>e aliadas aos deveres profissionais, contribuem para o</p><p>desempenho profissional bem-sucedido. Algumas dessas</p><p>virtudes estão descritas a seguir:</p><p>• Honestidade: é a primeira virtude no campo</p><p>profissional. É um princípio que não admite</p><p>14</p><p>ações.</p><p>• Imparcialidade: características do dever profissional.</p><p>Contrapor aos preconceitos e mitos; defesa dos valores</p><p>sociais e éticos; assumir posição justa.</p><p>• Otimismo: acreditar na capacidade de realização</p><p>da pessoa humana; acreditar no potencial de</p><p>desenvolvimento humano.</p><p>3. A ética e moral na</p><p>atuação profissional</p><p>A ética é indiretamente normativa. A moral é um saber</p><p>que oferece orientações para ações em casos concretos,</p><p>enquanto a ética é normativa em sentido indireto, pois não</p><p>tem uma incidência direta na vida cotidiana, quer apenas</p><p>esclarecer reflexivamente o campo da moral. A ética não se</p><p>identifica com nenhum código moral, mas isso não significa</p><p>que ela seja neutra diante dos diferentes códigos, pois é crítica</p><p>dos costumes morais.</p><p>A moralidade pode ser entendida como aquisição das</p><p>virtudes que conduzem à prática profissional de excelência. Ser</p><p>moral é sinônimo de aplicar o intelecto para descobrir os meios</p><p>oportunos para alcançar a vida plena, feliz e globalmente</p><p>satisfatória. O que inclui a excelência na prática profissional.</p><p>Por isso é necessária uma correta deliberação, ou seja, um uso</p><p>da racionalidade prudencial que discorre sobre as estratégias</p><p>que conduzem ao fim para o bem-estar coletivo, considerando</p><p>a racionalidade moral prudencial versus a racionalidade</p><p>técnica calculista.</p><p>A ética não pode ser neutra. Embora não se identifique</p><p>com códigos morais específicos, isso não implica que seja</p><p>neutra em relação aos diversos códigos gerais, pois ela critica</p><p>os costumes morais. Na filosofia antiga e medieval, que se</p><p>concentrava no ser, a moralidade era concebida como uma</p><p>dimensão própria do ser humano. Na filosofia moderna,</p><p>o foco foi alterado, não mais centrado no ser, mas sim na</p><p>consciência, e a moralidade é vista como uma forma particular</p><p>de consciência.</p><p>Na Grécia, a moralidade era concebida como a busca da</p><p>felicidade ou uma vida com bem-estar. Ser moral era sinônimo</p><p>de utilizar o intelecto para descobrir os meios adequados para</p><p>alcançar uma vida plena, feliz e globalmente satisfatória. Por</p><p>isso, era necessário um correto processo de deliberação. O uso</p><p>da racionalidade prudencial para discorrer sobre os meios e</p><p>estratégias que conduzissem ao fim almejado por todos: a</p><p>máxima felicidade. Aristóteles faz uma clara distinção entre</p><p>a racionalidade moral prudencial (aplicada para determinar</p><p>os meios adequados para alcançar o último fim de todos)</p><p>e a racionalidade técnica calculista (aplicada para utilizar</p><p>meios em função de fins específicos). Entre os gregos,</p><p>houve divergências sobre a compreensão da felicidade: os</p><p>15</p><p>para a solução pacífica dos conflitos, prática solidária das</p><p>virtudes comunitárias, cumprimento de princípios universais e</p><p>aquisição das virtudes que conduzem à felicidade.</p><p>A moralidade do dever enfatiza o cumprimento de</p><p>obrigações para com aquilo que é um fim em si mesmo.</p><p>Esses sistemas morais colocam o dever em posição central no</p><p>discurso ético. Kant relaciona essa temática ao transcender a</p><p>perspectiva naturalista, argumentando que a moralidade está</p><p>justamente além das tendências naturais. Nesse contexto, a</p><p>moralidade significa não seguir a lei do preço, que envolve</p><p>trocar algo por um valor correspondente. Os seres humanos</p><p>possuem dignidade, pois podem se subtrair à ordem natural,</p><p>legislar para si mesmos e agir de forma autônoma. Isso implica</p><p>que a grandeza do ser humano reside em agir de acordo com a</p><p>lei que ele mesmo se impõe, destacando a autonomia como a</p><p>essência da dignidade, ou seja, ser um fim em si mesmo.</p><p>A moralidade também pode ser vista como a capacidade</p><p>de resolver conflitos de forma pacífica, tanto no campo</p><p>pessoal quanto profissional. Em países democráticos, surge</p><p>a perspectiva de pensar a moralidade no contexto social,</p><p>tornando-a um problema mais pertinente para a filosofia</p><p>política. Todas essas propostas estão ligadas à virada</p><p>linguística, que influencia a concepção de moralidade a partir</p><p>da linguagem, um sinal da intersubjetividade, situando-a na</p><p>resolução de conflitos por meio do diálogo.</p><p>Além disso, há a abordagem comunitária da moralidade</p><p>hedonistas defendiam o prazer como a felicidade, enquanto</p><p>os eudaimonistas a viam como realização plena. Para os</p><p>hedonistas, a razão moral era calculista, pois envolvia o cálculo</p><p>dos prazeres.</p><p>Curiosidade: Eudemonia ou</p><p>eudemonismo é um termo</p><p>grego que literalmente significa “o estado de ser habitado por</p><p>um bom gênio”, e, em geral, é traduzido como felicidade ou</p><p>bem-estar. Contudo, outras traduções têm sido propostas para</p><p>melhor expressar o que seria um estado de plenitude do ser</p><p>A moralidade do caráter individual: uma capacidade</p><p>para enfrentar a vida sem “desmoralização”. A felicidade como</p><p>autorrealização foi destacada na obra de Ortega y Gasset e</p><p>Aranguren por meio de sua ética, que enfatiza a formação do</p><p>caráter individual, de modo que o desenvolvimento pessoal</p><p>capacite cada um a enfrentar os desafios da vida com um</p><p>estado de espírito forte e poderoso. Trata-se de manter a moral</p><p>elevada, o oposto de sentir-se desmoralizado. Isso implica</p><p>ter um projeto de vida voltado para a realização pessoal e</p><p>profissional, e confere a autoestima. A moralidade do dever</p><p>pode ser compreendida como a moral como cumprimento</p><p>de deveres para com o que é fim em si mesmo, aptidão</p><p>16</p><p>relacionada ao sagrado. 2) Moralidade também pode ser</p><p>distinguida da ética, como será explicado posteriormente.</p><p>4. Comportamento ético/</p><p>profissional</p><p>Importante: “Em uma determinada sociedade podemos</p><p>encontrar uma pluralidade de visões e correntes éticas e</p><p>morais caminhando ao lado da unicidade das normas jurídicas”</p><p>(Fortes, 2004).</p><p>Contraste entre âmbito moral e outros âmbitos se refere</p><p>como prática solidária das virtudes comunitárias, que se opõe</p><p>às visões individualistas. Essa abordagem enfatiza que um</p><p>ser humano só amadurece verdadeiramente ao se identificar</p><p>com uma comunidade concreta, desenvolvendo-se através</p><p>das virtudes exigidas por essa comunidade, que moldam a</p><p>visão das excelências humanas. Embora ressalte a importância</p><p>do pertencimento a uma comunidade e das tradições, essa</p><p>visão pode ser particularista, carecendo de uma solidariedade</p><p>universalista. Por fim, a moralidade pode ser entendida como</p><p>o cumprimento de princípios universais. Pode ser observada</p><p>por meio do amadurecimento moral envolvendo a progressão</p><p>de um nível convencional, onde a moralidade é identificada</p><p>com as normas concretas da comunidade, no qual a pessoa</p><p>(profissional) é capaz de distinguir entre normas comunitárias</p><p>convencionalmente estabelecidas e princípios universais</p><p>de justiça. Embora a moralidade seja associada a algum</p><p>código moral específico (por exemplo, quando se questiona</p><p>a moralidade de suas ações ou se descreve alguém como</p><p>um defensor da moralidade e dos bons costumes), o termo</p><p>abrange outros significados.</p><p>Por exemplo: 1) Moralidade é usada para diferenciar-</p><p>se da legalidade e da religiosidade, referindo-se à dimensão</p><p>moral da vida humana, àquela forma comum das ações</p><p>humanas para além das diversas morais específicas, ou seja,</p><p>independentemente dos conteúdos morais. Daí a distinção</p><p>em relação à legalidade, relacionada à lei, e à religiosidade,</p><p>17</p><p>individuais, enquanto as morais apontam para a consecução</p><p>do maior bem prático possível para o ser humano. Prescrições</p><p>técnicas são imperativos hipotéticos, condicionados ao</p><p>desejo do indivíduo, enquanto as normas morais são</p><p>imperativos categóricos, exigindo ação em consonância com a</p><p>racionalidade humana.</p><p>Nesse sentido, existem diferentes maneiras de</p><p>compreender a moral e contextualizar com a prática</p><p>profissional. Por exemplo: o sentimento moral: Hume; a ética</p><p>formal; e a ética material dos valores.</p><p>Por meio da ética profissional, percebemos importantes</p><p>fatos, tais como:</p><p>• As ações e os efeitos sobre a sociedade;</p><p>• Cada homem deve ser livre e responsável por suas</p><p>atitudes;</p><p>• A justiça é uma virtude;</p><p>• Os valores têm uma origem histórica;</p><p>• A moral é reflexo do tempo vivido;</p><p>• Existem direitos e da mesma forma deveres, e estes</p><p>devem ser adequados às necessidades sociais.</p><p>à dimensão normativa da ética, e prescritiva das morais</p><p>concretas leva a certa confusão entre normas morais e normas</p><p>de outros âmbitos da ação humana. Para isso, precisamos</p><p>considerar: moral e direito; moral e religião, moral e normas de</p><p>convivência social e a moral e normas de tipo técnico.</p><p>Mais especificamente, esses itens indicam que o direito</p><p>é um conjunto de normas que guiam as ações dos cidadãos,</p><p>emanando das autoridades políticas e respaldadas pela força</p><p>do Estado. Tais normas definem a legalidade. Embora as</p><p>normas legais e morais compartilhem aspectos prescritivos e</p><p>se refiram a atos voluntários, existem diferenças significativas:</p><p>as normas morais implicam uma obrigação interna, enquanto</p><p>as legais impõem obrigações externas; as normas morais são</p><p>a última instância de obrigação para a consciência pessoal,</p><p>enquanto os comandos legais são promulgados pelos</p><p>órgãos legislativos do Estado; e as prescrições morais têm</p><p>uma pretensão de universalidade, ao passo que os preceitos</p><p>jurídicos são específicos de um território estatal. A moral</p><p>comum, exigida de todos, deve ser simplesmente laica, ou seja,</p><p>independente das crenças religiosas, mas não hostil a elas.</p><p>Trata-se da moral cívica, compartilhada em uma sociedade</p><p>pluralista, que permite a convivência de diferentes concepções</p><p>morais.</p><p>As normas técnicas visam à produção de bens úteis e</p><p>belos, enquanto as morais visam à ação boa por si mesma.</p><p>Normas técnicas orientam a eficiência na realização de fins</p><p>18</p><p>VALLS, A. L. M. O que é ética? 14. ed. São Paulo:</p><p>Brasiliense, 2001.</p><p>VAZQUES, A. S. Ética. 8 ed. São Paulo: Editora Civilização</p><p>Brasileira, 1986.</p><p>Considerações Finais</p><p>A ética profissional baseada em valores e intrinsecamente</p><p>pautada em normas de conduta nos leva a reflexões profundas</p><p>e nos indica caminhos e condutas específicas. Para isso,</p><p>algumas questões são constantemente discutidas, por</p><p>exemplo: a ética pode ser neutra no campo profissional? Quais</p><p>as principais virtudes para desenvolver essa profissão em todas</p><p>as suas áreas de atuação? Ao exercer a profissão, estamos</p><p>contribuindo com a sociedade? De qual forma?</p><p>Referências</p><p>BARTON, W. G. BARTON, G. M. Ethics and law in mental</p><p>health administration. New York: International Universities,</p><p>1984.</p><p>CORTINA, A., MARTÍNEZ, E. Ética. Madrid, Espanha: Akal,</p><p>2005.</p><p>FORTES P. A. C. Ética e Saúde. São Paulo, Ed. Pedagógica</p><p>Universitária, 1998.</p><p>JUNGES, J. R. Bioética: Perspectivas e desafios. Editora</p><p>Unisinos, 1995.</p><p>Singer, P. Ética prática. São Paulo: Martins Fontes, 1994.</p><p>19</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA</p><p>E HABILIDADES E COMPETÊNCIAS LEIS</p><p>QUE REGEM A PROFISSÃO; ENTIDADES</p><p>DE CLASSE: SINDICATO, CONSELHO E</p><p>ASSOCIAÇÃO</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 3</p><p>20</p><p>Para Início de Conversa</p><p>Considerando os princípios éticos e morais já estudados,</p><p>percebe-se que a atuação do profissional deve ser pautada em</p><p>valores humanos. Além disso, o código de ética do nutricionista</p><p>é um importante documento para nortear as decisões, ações</p><p>e atividades desse profissional. Conhecer as resoluções,</p><p>leis, direitos, deveres e atribuições são essenciais para o</p><p>desempenho ético profissional.</p><p>A história do estabelecimento do profissional do país</p><p>e características da formação são aspectos para direcionar</p><p>o futuro da profissão, bem como conhecer os órgãos que</p><p>regulamentam em nível federal e estadual, além das demais</p><p>instituições que visam à categoria profissional e ao benefício</p><p>social. Esse entendimento amplo da regulamentação e da</p><p>ética inerentes à prática do nutricionista são fundamentais</p><p>para o exercício profissional em todas as suas áreas de atuação.</p><p>Objetivo de Aprendizagem</p><p>do Capítulo</p><p>• Conhecer o histórico da implementação do curso no</p><p>país;</p><p>• Compreender todos os órgãos que regulamentação</p><p>(federais e estaduais);</p><p>• Aprofundar os conhecimentos nos conselhos de</p><p>nutricionistas do país;</p><p>• Aprender sobre as diferentes áreas de atuação do</p><p>profissional nutricionista.</p><p>21</p><p>1. Código de ética do</p><p>nutricionista</p><p>O atual Código de Ética e Conduta do Nutricionista</p><p>representa um importante guia para a prática</p><p>profissional.</p><p>Seus princípios, responsabilidades, direitos e deveres devem</p><p>ser considerados como fundamentais, aplicáveis a todas as</p><p>áreas de atuação da Nutrição.</p><p>Apresenta conteúdo sobre inovações que refletem os</p><p>avanços e as nuances da prática profissional. Sua elaboração</p><p>foi realizada pela colaboração de milhares de profissionais,</p><p>num processo participativo e democrático que resultou na</p><p>definição das condutas técnicas, políticas e éticas para o</p><p>exercício da profissão. O Código atual reflete a abrangência e</p><p>a relevância da Nutrição, orientando-nos sobre nossos direitos</p><p>e deveres, e ao mesmo tempo preocupando-se em se adaptar</p><p>à realidade e à nossa responsabilidade técnica, social, ética e</p><p>política em relação à saúde, qualidade de vida e bem-estar</p><p>das pessoas. O propósito é garantir o respeito e a valorização</p><p>dos princípios da Nutrição, bem como assegurar a soberania</p><p>e a segurança alimentar e nutricional como fundamentos da</p><p>atuação dos nutricionistas (MONTEIRO, 2013).</p><p>Notadamente, o Código de Ética e Conduta do</p><p>Nutricionista deve ser utilizado como um guia primordial,</p><p>orientando práticas e delimitando os direitos, deveres e limites</p><p>de nossa atuação profissional. Dessa forma, nossa conduta será</p><p>reconhecida e embasada pela ética e pela defesa do direito à</p><p>alimentação adequada e saudável (FERNANDES, 2016).</p><p>Curiosidade: Juramento do Nutricionista</p><p>Prometo que, ao exercer a profissão de nutricionista, o</p><p>farei com dignidade e eficiência, valendo-me da ciência da</p><p>nutrição, em benefício da saúde da pessoa, sem discriminação</p><p>de qualquer natureza. Prometo, ainda, que serei fiel aos</p><p>princípios da moral e da ética. Ao cumprir este juramento com</p><p>dedicação, desejo ser merece- dor dos louros que a profissão</p><p>proporciona.</p><p>(Este juramento foi instituído pela Resolução CFN n.º 382,</p><p>de 27 de abril de 2006).</p><p>FONTE: CFN (2018)</p><p>FIGURA 1 – CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA E A DESCRIÇÃO DO CONTEÚDO</p><p>22</p><p>Social (SAPS), passando a englobar diversos setores, como</p><p>escolas, restaurantes para trabalhadores, docência, indústria,</p><p>marketing, nutrição esportiva, saúde suplementar e núcleos de</p><p>assistência à saúde da família. Essa diversificação de áreas de</p><p>atuação continua presente até os dias atuais (MOREIRA, 2020).</p><p>Entre 1996 e 2000, a média de inscrições de nutricionistas</p><p>no Sistema CFN/CRN foi de 1.740 profissionais por ano. Esse</p><p>número registrou um aumento significativo de mais de 400%</p><p>de 2000 a 2007. Atualmente, as taxas médias de inscrição</p><p>estão em uma trajetória exponencial, com um aumento</p><p>anual de 11,7% entre 2000 e 2007. No período compreendido</p><p>entre 1985 e 1996, a média de inscrições dos Técnicos em</p><p>Nutrição e Dietética (TND) permaneceu estável. No entanto,</p><p>após a promulgação da Resolução CFN n.º227, em 1999, que</p><p>regulamentou as inscrições dos TND no Sistema CFN/CRN,</p><p>foi observado um incremento de 160% nas inscrições desses</p><p>profissionais (MONTEIRA, 2013).</p><p>2. A história do</p><p>nutricionista no Brasil</p><p>Em 24 de outubro de 1939, o Brasil testemunhou o</p><p>surgimento do primeiro curso de Nutrição no país, inaugurado</p><p>na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São</p><p>Paulo. Inicialmente com a duração de um ano e ministrado</p><p>em tempo integral, o curso era dividido em quatro períodos.</p><p>Posteriormente, em 1966, o tempo necessário para a conclusão</p><p>foi reduzido para três anos. Em 1972, o Ministério da Educação</p><p>estabeleceu que a duração dos cursos passaria a ser de quatro</p><p>anos, distribuídos em oito semestres. A regulamentação da</p><p>profissão de nutricionista veio com a promulgação da Lei n.º</p><p>5.276, datada de 24 de abril de 1967. Dez anos mais tarde, em</p><p>20 de outubro de 1978, a Lei n.º 6.583 foi sancionada, criando</p><p>os Conselhos Federais e Regionais de Nutricionistas com</p><p>o propósito de orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício</p><p>profissional. A instalação dos Conselhos Regionais ocorreu a</p><p>partir de 1980 (MONTEIRO, 2013).</p><p>A instituição do primeiro Programa Nacional de</p><p>Alimentação e Nutrição, em 1972, teve um impacto significativo</p><p>na promoção dos cursos de Nutrição e na expansão do</p><p>mercado de trabalho para os profissionais nutricionistas. Como</p><p>resultado direto, a atuação profissional deixou de se limitar</p><p>aos hospitais e aos Serviços de Alimentação da Previdência</p><p>23</p><p>2.1 INSTITUIÇÕES DA CLASSE:</p><p>HISTÓRICO DA PROFISSÃO</p><p>• 1939 - Criação do primeiro curso de Nutrição, na</p><p>Universidade de São Paulo.</p><p>• 1949 - Criação da Associação Brasileira de Nutricionistas</p><p>(ABN). Essa entidade deu origem à Federação Brasileira de</p><p>Nutrição (FEBRAN).</p><p>• 1950/1975 - Ampliação do número de cursos, de</p><p>nutricionistas e de áreas de atuação; regulamentação da</p><p>profissão.</p><p>• 1976/1984 - Instituição do 2º Programa Nacional de</p><p>Alimentação e Nutrição (INAN).</p><p>• 1980 - Criação do Conselho Federal de Nutricionistas</p><p>(CFN) e dos Conselhos Regionais de Nutricionistas (CRN).</p><p>• 1985/2000 - Intensificação da mobilização e politização</p><p>da categoria. Substituição da Federação Brasileira de Nutrição</p><p>(FEBRAN) por Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN).</p><p>• 1991 - Estabelecidas as áreas de atuação do nutricionista,</p><p>pela Lei n.º 8.234.</p><p>• 2005 - Resolução CFN n.º 380, estabelece as áreas de</p><p>atuação do nutricionista.</p><p>3. Conselho Federal de</p><p>Nutricionistas (CFN)</p><p>Inicialmente, houve a criação da Lei n.º 6.583, de 20</p><p>de outubro de 1978. Após a regulamentação do decreto n.º</p><p>84.444, de 30 de outubro de 1980. As características são:</p><p>“Autarquia federal, sem fins lucrativos, de interesse público,</p><p>com poder delegado pela União para normatizar, orientar,</p><p>disciplinar e fiscalizar o exercício e as atividades da profissão</p><p>de nutricionista em todo o território nacional”. Anteriormente,</p><p>a fiscalização era feita por órgãos regionais de fiscalização da</p><p>Medicina. Mobilização deu início à Associação Brasileira de</p><p>Nutricionistas (ABN). As principais atribuições do CFN dizem</p><p>respeito à criação de resoluções e outros atos que disciplinem</p><p>a atuação dos CRN e dos profissionais, estabelecendo uma</p><p>unidade de procedimentos que caracterizam a profissão.</p><p>A estrutura foi formalizada por meio do Decreto n.º</p><p>84.444/80. Sendo que foi caracterizado como um órgão</p><p>Deliberativo, formado pelo Plenário com 9 conselheiros</p><p>federais efetivos e 9 suplentes (mandato de 3 anos). Além de</p><p>ser um órgão Executivo constituído por diretoria – presidente,</p><p>vice-presidente, secretário e tesoureiro (mandato anual). São</p><p>órgãos permanentes responsáveis por comissões, as quais</p><p>têm a atribuição de tomada de contas, questões éticas e de</p><p>24</p><p>Entre as principais atribuições estão: anuidades, taxas,</p><p>multas e emolumentos – recolhidos por pessoas físicas</p><p>e jurídicas. Do total arrecadado nos Regionais, 20% são</p><p>destinados ao CFN.</p><p>3.2 CONSELHOS REGIONAIS</p><p>Atribuição: cumprir e fazer cumprir as normas que regem</p><p>a profissão e realizar as atividades de fiscalização e orientação</p><p>ético-profissional em suas respectivas jurisdições.</p><p>Importante: Consultar o site para obter mais informações</p><p>e conhecer todos os CRN -8 no Brasil: https://crn8.org.br/.</p><p>fiscalização. Composto por assessorias permanentes, como a</p><p>Jurídica, Contábil e Financeira; além de assessorias especiais,</p><p>comissões transitórias e grupos de Trabalho. Compostos por</p><p>serviços de apoio administrativo: coordenação administrativa,</p><p>unidades jurídica, contábil, técnica e de comunicação.</p><p>3. 1 SISTEMA CFN/CRN</p><p>Órgão Central (CFN), e existem 10 Conselhos Regionais</p><p>(CRNs), que representam os diversos estados brasileiros e suas</p><p>regiões.</p><p>Importante: Consultar o site para obter mais informações</p><p>e conhecer todos os CRNs no Brasil: https://www.cfn.org.br/.</p><p>PÁGINA DO CFN DISPONÍVEL NA INTERNET PARA CONSULTA E ACESSO PÚBLICO</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>CONSELHOS REGIONAIS DE NUTRICIONISTAS DISTRIBUÍDOS NOS ESTADOS</p><p>BRASILEIROS</p><p>FONTE: CFN (2018)</p><p>25</p><p>4. Principais entidades</p><p>representativas da classe</p><p>4.1 SINESP - SINDICATO DE</p><p>NUTRICIONISTAS</p><p>A fundação ocorreu em 12/04/1988 e tem como</p><p>objetivo:</p><p>prestação de serviços voltada ao profissional nutricionista,</p><p>por meio da representação, informação e orientação. Oferece</p><p>assessoria jurídica trabalhista e orientações diversas aos</p><p>profissionais nutricionistas. Existe uma contribuição associativa,</p><p>que é o custeio da manutenção do sindicato e principalmente</p><p>dos serviços oferecidos; além da contribuição sindical, que</p><p>tem caráter obrigatório. A contribuição confederativa tem</p><p>por objetivo o custeio do sistema confederativo da respectiva</p><p>representação profissional. Por fim, a contribuição assistencial</p><p>que almeja custear as atividades sindicais, principalmente as</p><p>despesas decorrentes das negociações coletivas.</p><p>Importante: Após a graduação e obtenção do certificado</p><p>de conclusão dos cursos o nutricionista pode pedir junto</p><p>ao CRN específico da sua região o registro provisório e na</p><p>sequência o definitivo para poder atuar. Em hipótese alguma</p><p>pode atuar sem o registro no órgão, o que pode caracterizar</p><p>exercício ilegal da profissão.</p><p>PÁGINA DO CRN -8 DISPONÍVEL NA INTERNET PARA CONSULTA E ACESSO PÚBLICO</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>26</p><p>4.4 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE</p><p>NUTRIÇÃO (ASBRAN)</p><p>A ASBRAN objetiva representar as associações perante</p><p>as entidades oficiais e privados nacionais e internacionais;</p><p>colaborar junto aos órgãos competentes na criação,</p><p>elaboração e atualização do ensino de Nutrição; Apoiar e</p><p>realizar pesquisas, projetos, programas e divulgações na área;</p><p>promover e participar de congressos, participar e lutar junto à</p><p>sociedade civil organizada e aos órgãos governamentais para</p><p>garantir o acesso à alimentação adequada.</p><p>4.5 SOCIEDADE BRASILEIRA DE</p><p>ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO (SBAN)</p><p>A sociedade foi fundada em 31 de julho de 1985, na FCF-</p><p>USP, e tem como objetivo: “estimular, desenvolver, aperfeiçoar</p><p>e divulgar conhecimentos no campo da alimentação e</p><p>nutrição”. Atuações, organização e as tomadas de decisões</p><p>ocorrem em reuniões científicas a cada 2 anos. Responsável</p><p>pelas publicações na Revista Nutrire.</p><p>A Resolução CFN n.º 378/2005 dispõe sobre o registro</p><p>e cadastro de Pessoas Jurídicas nos Conselhos Regionais de</p><p>Nutricionistas e dá outras providências. Além disso, determina</p><p>a obrigatoriedade do Registro no Conselho e procedimentos</p><p>para registro e o cancelamento. Definição de Termos: “Quadro</p><p>4.2 ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE</p><p>NUTRIÇÃO (APAN)</p><p>A associação foi fundada em 04/02/1954 e tem</p><p>como características principais uma associação oficial dos</p><p>nutricionistas, sem fins lucrativos, que congrega também,</p><p>alunos e profissionais afins da área de nutrição. Objetivo:</p><p>“Estimular o desenvolvimento e a união dos profissionais</p><p>e acadêmicos, visando a atender suas expectativas e</p><p>necessidades, de forma ética e sustentável, contribuindo para o</p><p>crescimento da ciência da Nutrição e Alimentação”.</p><p>4.3 FEDERAÇÃO NACIONAL DOS</p><p>NUTRICIONISTAS (FNN)</p><p>A principal característica do FNN é ser considerada</p><p>uma entidade sindical de 2º grau, constituída de acordo</p><p>com a CLT e a Constituição Federal. A federação tem como</p><p>principais objetivos: promover os interesses econômicos,</p><p>sociais, profissionais e culturais dos integrantes da categoria,</p><p>assegurando por todos os meios ao seu alcance, o efetivo</p><p>cumprimento dos direitos dos profissionais”; e “Substituir,</p><p>representar e defender perante as autoridades administrativas</p><p>e judiciárias, judicial e extrajudicialmente os direitos e</p><p>interesses individuais ou coletivos dos nutricionistas e dos</p><p>sindicatos filiados (Constituição Federal e CLT)”.</p><p>27</p><p>5. Áreas de Atuação</p><p>As principais áreas de atuação do nutricionista estão</p><p>apresentadas na Figura 5. Sendo que para todas elas, o código</p><p>de ética pode ser aplicado e as leis, direitos e deveres são</p><p>aplicadas igualmente.</p><p>Técnico, Responsável Técnico, Baixa Temporária, Representante</p><p>Legal”. Regulamenta as Pessoas Jurídicas e pode aplicar</p><p>penalidades.</p><p>Curiosidade : Em todo o Brasil existem 41.228</p><p>nutricionistas e com 309 cursos de Nutrição. Em relação ao</p><p>perfil, sabe-se que 96,5% dos profissionais são do sexo feminino</p><p>e a faixa etária da maioria dos profissionais é de 26 a 40 anos.</p><p>A área de atuação com maior concentração de profissionais</p><p>é a de Nutrição Clínica (41,7%), seguida da área de Nutrição</p><p>Coletiva, em que atuam 32,2% dos nutricionistas. A maioria dos</p><p>profissionais está atuando nas capitais brasileiras.</p><p>Fonte: Pesquisa Inserção Profissional dos Nutricionistas</p><p>no Brasil - 2005 -CFN</p><p>AS DIFERENTES ÁREAS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO NUTRICIONISTA E AS</p><p>RESPECTIVAS RESOLUÇÕES QUE REGULAMENTAM</p><p>FONTE: CFN (2018)</p><p>28</p><p>Referências</p><p>Fernandes A.C., Taconeli C.A., Silva L.C. et al. (2016).</p><p>Reflexões sobre o Código de Ética do Nutricionista frente ao</p><p>mercado de trabalho. Ciência & Saúde Coletiva, 21(10), 3267-</p><p>3276.</p><p>Monteiro R., Araújo W., Costa N. (2013). Código de Ética do</p><p>Nutricionista: uma análise crítica. Revista de Nutrição, 26(2),</p><p>199-209.</p><p>Moreira T.M.M., Lima G.C., Ribeiro A.Q., et al. (2020). Código</p><p>de ética do nutricionista: percepções de profissionais atuantes</p><p>em políticas públicas de alimentação e nutrição. Revista de</p><p>Nutrição, 33, e200101.</p><p>Links:</p><p>CFN - Conselho Federal de Nutricionistas</p><p>www.cfn.org.br</p><p>CRN3 – Conselho Regional</p><p>www.crn3.org.br</p><p>Federação Nacional de Nutricionistas (FNN )</p><p>www.fnn.org.br</p><p>Associação Brasileira de Nutrição - ASBRAN</p><p>Considerações Finais</p><p>O código de ética do nutricionista estabelece os</p><p>parâmetros para a conduta profissional em nutrição,</p><p>delineando princípios, valores, direitos, deveres, prerrogativas</p><p>e responsabilidades que devem ser observados como</p><p>fundamentais em todas as esferas e práticas da área, desde</p><p>a clínica, saúde coletiva, alimentação e nutrição, marketing,</p><p>indústria, esportes, entre outros.</p><p>É crucial familiarizar-se com o conteúdo do código de</p><p>ética da nutrição, pois muitos dos princípios nele contidos</p><p>podem influenciar significativamente a rotina profissional,</p><p>além da necessidade de atualização contínua por parte do</p><p>nutricionista. O entendimento das entidades regulatórias e</p><p>fiscalizadoras igualmente deve ser almejado, bem como a</p><p>busca constante por seguir padrões éticos no atendimento</p><p>e tomada de decisões. Seguir rigorosamente a conduta ética</p><p>delineada pelo código profissional pode trazer benefícios</p><p>palpáveis, contribuindo tanto para o crescimento pessoal do</p><p>profissional quanto para o avanço coletivo da profissão e bem-</p><p>estar coletivo da população.</p><p>29</p><p>www.asbran.org.br</p><p>ANVISA</p><p>www.anvisa.gov.br</p><p>Apan - Associação Paulista de Nutrição</p><p>www.apanutri.com.br</p><p>Sinesp - Sindicato dos Nutricionistas de São Paulo</p><p>www.sindicatonutricionistas.com.br</p><p>Agencia Nacional de Saúde Suplementar</p><p>www.ans.gov.br</p><p>SBAN – Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição</p><p>www.sban.com.br</p><p>Ministério da Saúde</p><p>www.saude.gov.br</p><p>Conselho Nacional de Segurança Alimentar</p><p>https://www.planalto.gov.br/Consea</p><p>30</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL</p><p>NUTRICIONISTA EM UNIDADES DE</p><p>ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 4</p><p>31</p><p>Para Início de Conversa</p><p>Sabe-se que é responsabilidade do nutricionista, no</p><p>âmbito de suas funções em Nutrição em Alimentação</p><p>Coletiva, planejar, organizar, dirigir, supervisionar e avaliar os</p><p>serviços de alimentação e nutrição. Além disso, na subárea de</p><p>Gestão em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), suas</p><p>atribuições incluem, ainda, elaborar cardápios balanceados,</p><p>levando em consideração as necessidades nutricionais</p><p>específicas dos diferentes grupos populacionais atendidos;</p><p>gerenciar o estoque de alimentos, garantindo a qualidade e a</p><p>segurança dos produtos utilizados na preparação das refeições;</p><p>supervisionar a manipulação dos alimentos, assegurando</p><p>práticas higiênicas adequadas para prevenir contaminações;</p><p>capacitar e treinar a equipe de trabalho, fornecendo</p><p>orientações sobre boas práticas de manipulação de alimentos</p><p>e nutrição; implementar programas de educação alimentar e</p><p>nutricional para promover</p><p>hábitos saudáveis de alimentação</p><p>entre os clientes das unidades; realizar avaliações periódicas</p><p>dos serviços prestados, identificando áreas de melhoria e</p><p>propondo ajustes necessários e colaborar com outras áreas</p><p>profissionais, como médicos, enfermeiros e assistentes sociais,</p><p>para garantir uma abordagem integrada e multidisciplinar na</p><p>promoção da saúde e bem-estar dos indivíduos atendidos.</p><p>Portanto, conhecer todas as atribuições do profissional</p><p>nutricionista em unidades de alimentação é essencial para o</p><p>cumprimento das funções com êxito e respeito às atividades</p><p>restritas ao profissional e ao código de ética.</p><p>Objetivo de Aprendizagem</p><p>do Capítulo</p><p>• Conhecer as atividades desenvolvidas pelo</p><p>nutricionista em unidades de alimentação e nutrição;</p><p>• Compreender os desafios na área;</p><p>• Aprofundar os conhecimentos sobre a função do</p><p>nutricionista na promoção da saúde;</p><p>• Aprender sobre as responsabilidades técnicas do</p><p>profissional para o fornecimento de alimentos seguros</p><p>e adequados para determinado grupo.</p><p>32</p><p>1. Atribuições do</p><p>Nutricionista em UAN</p><p>UAN pode ser definida como um conjunto de áreas com</p><p>o objetivo de operacionalizar o provimento nutricional de</p><p>coletividades. A unidade gerencial onde são desenvolvidas</p><p>todas as atividades técnico-administrativas necessárias para a</p><p>produção de refeições, até a sua distribuição para coletividades</p><p>sadias e enfermas, tendo como objetivos contribuir para</p><p>manter, melhorar ou recuperar a saúde da clientela atendida</p><p>(RESOLUÇÃO CFN N.°600, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2018).</p><p>Dados nacionais indicam que no Brasil há uma</p><p>demanda elevada de refeições fora do lar, em unidades</p><p>de alimentação comerciais, em sua maioria unidades de</p><p>pequeno e médio porte. Por exemplo, restaurantes comerciais,</p><p>restaurantes de hotéis, serviço de motéis, coffee, shopping,</p><p>buffets, lanchonetes, cozinhas industriais, fast food, catering,</p><p>panificadoras, cozinhas hospitalares (MEZOMO, 2015).</p><p>Curiosidade: No Brasil, a cada 5 refeições, 1 é feita fora</p><p>do domicílio, ou seja, em UANs. Atualmente, a alimentação por</p><p>delivery é bastante frequente.</p><p>Muitos são os desafios a serem enfrentados para</p><p>desempenhar a função em UAN, entre eles, a adequação</p><p>à legislação vigente e a manutenção. Nesse sentido, a</p><p>atualização e treinamento constante da equipe (atribuições do</p><p>nutricionista) são fundamentais.</p><p>Os objetivos da UAN incluem manter a saúde da</p><p>clientela/comensais, por meio de uma alimentação adequada,</p><p>equilibrada e variada, respeitando as leis da nutrição em sua</p><p>integralidade. Além de considerar os hábitos e necessidade</p><p>nutricional da clientela, buscando a presença de alimentos</p><p>equilibrados em nutrientes, segura do ponto de vista higiênico-</p><p>sanitário e ajustada à disponibilidade financeira da instituição.</p><p>O nutricionista nesse cenário é responsável pela gestão</p><p>da unidade e tem função técnica; administrativa; comercial;</p><p>33</p><p>promover programas de educação alimentar e nutricional</p><p>dos clientes/usuários; prestar atendimento, por meio de</p><p>cardápio específico, aos clientes com doenças e deficiências</p><p>associadas à nutrição; promover a redução das sobras, restos</p><p>e desperdícios e monitorar as atividades de seleção de</p><p>fornecedores e procedência dos alimentos.</p><p>As atividades complementares do Nutricionista na</p><p>UAN são: participar das atividades de gestão de custos de</p><p>produção; supervisão da implantação ou adequação de</p><p>instalações físicas, equipamentos e utensílios; realizar visitas</p><p>periódicas aos fornecedores, participar da definição do perfil,</p><p>dimensionamento, recrutamento, seleção e avaliação de</p><p>desempenho dos colaboradores e supervisão de estágios</p><p>(MEZOMO, 2015; PROENÇA, 1997; JAPUR; VIEIRA, 2012).</p><p>financeira; segurança; educação nutricional e demais aspectos</p><p>relacionados à alimentação e nutrição (JAPUR; VIEIRA, 2012).</p><p>Nesse sentido, a gestão pode ser definida como um</p><p>conjunto de tarefas que procuram garantir o destino eficaz</p><p>de todos os recursos disponibilizados pela organização, a fim</p><p>de serem atingidos os objetivos pré-determinados. E o gestor</p><p>é alguém que pertence à organização e a quem compete</p><p>a execução das tarefas confiadas à gestão. Sendo que os</p><p>desafios do nutricionista gestor são manter os objetivos da</p><p>concessionária de alimentação, administrar pessoal dentro da</p><p>UAN e alinhar as necessidades dos clientes.</p><p>Em suma, o nutricionista dentro da UAN precisa</p><p>planejar, organizar, dirigir, supervisionar, avaliar os serviços</p><p>de alimentação e nutrição e realizar assistência e educação</p><p>nutricional à coletividade ou indivíduos sadios ou enfermos em</p><p>instituições públicas e privadas.</p><p>As atividades obrigatórias do Nutricionista na UAN são:</p><p>elaborar cardápios de acordo com as necessidades nutricionais;</p><p>elaborar informação nutricional do cardápio e/ou preparações;</p><p>coordenar as atividades de recebimento e armazenamento;</p><p>elaborar e implantar fichas técnicas das preparações;</p><p>implantar e supervisionar as atividades de pré-preparo,</p><p>preparo, distribuição e transporte de refeições; elaborar e</p><p>implantar os procedimentos operacionais padronizados (POP);</p><p>promover o aperfeiçoamento e atualização dos funcionários;</p><p>34</p><p>2. EVOLUÇÃO</p><p>DOS SERVIÇOS DE</p><p>ALIMENTAÇÃO E</p><p>NUTRIÇÃO</p><p>Antigamente, a produção de alimentos era proveniente</p><p>de cozinhas amadoras, lista de dietas da Madre, chefia</p><p>era a cozinheira, aquisição de gêneros de forma empírica.</p><p>Contudo, o desenvolvimento tecnológico, a ciência da</p><p>nutrição e a necessidade de uma produção em maior escala</p><p>impulsionaram a produção de alimentos em unidades de</p><p>alimentação adequada a normas e com objetivos específicos,</p><p>como a Dietoterapia, visando à prevenção e conservação</p><p>da saúde de indivíduos enfermos e saudáveis. Bem como a</p><p>produção de alimentos com base na boa alimentação para</p><p>manter a eficiência do trabalho dos funcionários. Com isso,</p><p>as atribuições do nutricionista passaram a ser aplicadas e</p><p>direcionadas de acordo com os objetivos da unidade.</p><p>A evolução dos serviços de alimentação e nutrição</p><p>teve influência do programa de alimentação do trabalhador</p><p>(PAT) e expandiu o campo de trabalho do nutricionista na</p><p>área de refeições coletivas. Antes da regulamentação da</p><p>profissão (17/09/1991 – Lei 8.234), existia resistência por parte</p><p>das empresas em contratar um nutricionista como gestor</p><p>(PROENÇA, 1997; JAPUR; VIEIRA, 2012).</p><p>35</p><p>Objetivos de UAN em hospitais e centros de saúde</p><p>Objetivos de UAN em demais órgãos</p><p>Importante: Nutricionista em UAN é acima de tudo um</p><p>promotor de saúde e bem-estar para coletividades</p><p>3.1 AUTOGESTÃO/SERVIÇO</p><p>PRÓPRIO</p><p>Nessa categoria, a própria empresa constitui e gerencia a</p><p>UAN, produzindo as refeições que serve para seus funcionários.</p><p>Nesse sistema há vantagens e desvantagens, tal como</p><p>melhor qualidade no serviço oferecido; maior flexibilidade</p><p>3. Segmentos</p><p>Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) institucional</p><p>(pública e privada). Gestão de serviços de alimentação coletiva</p><p>(autogestão e concessão) em diversos contextos, tais como:</p><p>• Empresas e instituições</p><p>• Hotéis e hotelaria marítima</p><p>• Comissarias</p><p>• Unidades prisionais</p><p>• Hospitais e clínicas em geral, incluindo hospital-dia e</p><p>Unidades de Pronto Atendimento (UPA)</p><p>• Spa clínico</p><p>• Serviços de terapia renal substitutiva</p><p>• Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) e</p><p>similares</p><p>• Fornecimento de Alimentação Escolar em redes</p><p>privadas de ensino</p><p>• Serviço Comercial de Alimentação</p><p>• Gerenciamento de estabelecimentos comerciais de</p><p>alimentação, tais como restaurantes comerciais e</p><p>similares, bufês de eventos</p><p>Em hospitais e centros de saúde, as atribuições/objetivos</p><p>do nutricionista em gerenciar uma unidade de alimentação e</p><p>nutrição estão descritas a seguir.</p><p>36</p><p>Curiosidade: O número de Nutricionista em uma UAN</p><p>é determinado pelo número de clientes/comensais que são</p><p>atendidos por ela.</p><p>Exemplo de cardápio elaborado por nutricionista para</p><p>UAN</p><p>orçamentária/piso salarial mais alto; custos</p><p>elevados para</p><p>manter os recursos humanos; mão de obra nem sempre</p><p>especializada e poder de negociação na compra de insumos é</p><p>menor.</p><p>3.2 CONCESSÃO/TERCEIRIZAÇÃO</p><p>Nesse sistema, a empresa cede seu espaço de produção</p><p>e distribuição para uma empresa especializada em produzir</p><p>e administrar o restaurante. Há vantagens e desvantagens,</p><p>como: piso salarial é mais baixo; maior poder de negociação</p><p>de insumos; instabilidade de qualidade de matéria-prima</p><p>e instabilidade de execução de cardápios. Além de que os</p><p>alimentos podem ser distribuídos por: refeições transportadas,</p><p>por convênio ou comodato (MEZOMO, 2015).</p><p>Importante:</p><p>37</p><p>alimentares saudáveis e sustentáveis. Portanto, a nutricionista</p><p>em UAN desempenha um papel multifacetado, que vai desde</p><p>o cuidado técnico com a alimentação até a promoção de uma</p><p>cultura alimentar ética e responsável, contribuindo, assim, para</p><p>o bem-estar e a qualidade de vida dos usuários do serviço.</p><p>Considerações Finais</p><p>A atuação da nutricionista em UAN é de suma</p><p>importância para garantir a excelência na qualidade dos</p><p>serviços prestados, bem como a segurança e a promoção da</p><p>saúde dos indivíduos atendidos. Como profissional habilitado,</p><p>a nutricionista assume a responsabilidade técnica sobre todos</p><p>os processos relacionados à alimentação e nutrição dentro da</p><p>UAN.</p><p>A responsabilidade técnica do nutricionista engloba</p><p>diversas áreas de atuação, desde o planejamento e supervisão</p><p>das refeições até o controle de qualidade dos alimentos,</p><p>passando pela elaboração de cardápios balanceados</p><p>e adequados às necessidades dos diferentes grupos</p><p>populacionais. Além disso, a nutricionista é responsável por</p><p>garantir a segurança alimentar, assegurando que todas as</p><p>etapas da manipulação dos alimentos estejam de acordo</p><p>com as normas sanitárias vigentes. Além das questões</p><p>técnicas, as condutas éticas também desempenham um</p><p>papel fundamental na atuação da nutricionista em UAN. É</p><p>essencial que a profissional mantenha uma postura ética e</p><p>responsável, respeitando os princípios da ética e promovendo</p><p>a autonomia e a dignidade dos indivíduos assistidos. Isso inclui</p><p>a confidencialidade das informações dos clientes, o respeito</p><p>à diversidade cultural e alimentar, e a promoção de práticas</p><p>38</p><p>Referências</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE</p><p>REFEIÇÕES COLETIVAS ‐ ABERC. Manual ABERC de práticas</p><p>de elaboração e serviço de refeições para coletividades. São</p><p>Paulo: ABERC, 2015.</p><p>MEZOMO, IFB. A administração de serviços de</p><p>alimentação. São Paulo, 6a ed, 2015.</p><p>PROENÇA, RPC. Inovação tecnológica na produção de</p><p>alimentação coletiva. Florianópolis: Insular, 1997.</p><p>JAPUR, CC; VIEIRA, MNCM. Gestão de qualidade na</p><p>produção de refeições. 1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan Ltda, 2012</p><p>Portaria CVS Nº 5 DE 09/04/2013</p><p>39</p><p>UNIDADE DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL</p><p>NUTRICIONISTA EM GESTÃO DE SAÚDE E</p><p>SAÚDE COLETIVA</p><p>NUTRIÇÃO E PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL 5</p><p>40</p><p>Para Início de Conversa</p><p>Para iniciar vamos entender os aspectos históricos e de</p><p>formação do SUS, as atividades do profissional nutricionista</p><p>inserido em equipes multidisciplinares e a sua contribuição na</p><p>promoção da saúde coletiva no país.</p><p>Objetivo de Aprendizagem</p><p>do Capítulo</p><p>• Conhecer as atividades desenvolvidas pelo</p><p>nutricionista em gestão de saúde e saúde coletiva;</p><p>• Compreender os desafios na área, como a transição</p><p>nutricional;</p><p>• Aprofundar os conhecimentos sobre a função do</p><p>nutricionista dentro de equipes multidisciplinares;</p><p>• Discutir as ações que são atribuídas a esse profissional</p><p>e o impacto na promoção da saúde.</p><p>41</p><p>1. Atribuições do</p><p>nutricionista em gestão de</p><p>saúde e saúde coletiva</p><p>1.1 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE</p><p>O SUS representa um marco histórico na trajetória da</p><p>saúde pública no Brasil, configurando-se como uma das mais</p><p>significativas políticas sociais do país. Desde sua instituição</p><p>pela Constituição Federal de 1988, o SUS tem sido o principal</p><p>instrumento para garantir o acesso universal, integral e</p><p>equitativo aos serviços de saúde, promovendo a melhoria da</p><p>qualidade de vida e a redução das desigualdades em saúde.</p><p>A relevância do SUS transcende o âmbito assistencial,</p><p>alcançando dimensões políticas, econômicas, sociais e éticas.</p><p>Em um país marcado pela desigualdade socioeconômica e</p><p>pela heterogeneidade regional, o SUS se apresenta como um</p><p>pilar fundamental para a construção de uma sociedade mais</p><p>justa e democrática. Sua concepção baseada nos princípios da</p><p>universalidade, integralidade e equidade tem como objetivo</p><p>primordial garantir que todos os cidadãos brasileiros tenham</p><p>acesso aos serviços de saúde, independentemente de sua</p><p>condição socioeconômica, geográfica ou cultural. Além disso,</p><p>o SUS desempenha um papel central na promoção da saúde</p><p>e na prevenção de doenças, contribuindo para a redução da</p><p>morbimortalidade e para o aumento da expectativa de vida</p><p>da população. Através de ações de vigilância epidemiológica,</p><p>imunização, educação em saúde e promoção de estilos de</p><p>vida saudáveis, o SUS busca intervir nos determinantes sociais,</p><p>ambientais e comportamentais que influenciam o estado de</p><p>saúde das pessoas.</p><p>Os impactos do SUS na saúde pública brasileira são</p><p>vastos. Primeiramente, o sistema possibilitou a expansão da</p><p>cobertura assistencial, ampliando o acesso da população</p><p>aos serviços de saúde básicos, como consultas médicas,</p><p>exames laboratoriais, vacinação e medicamentos essenciais.</p><p>Isso contribuiu para a redução das iniquidades em saúde</p><p>e para a promoção da equidade, permitindo que grupos</p><p>historicamente excluídos, como os mais pobres, as populações</p><p>indígenas e quilombolas, tivessem acesso a cuidados de</p><p>saúde de qualidade. Além de que o SUS desempenha um</p><p>papel fundamental na organização e gestão do sistema</p><p>de saúde brasileiro, coordenando a atuação de diferentes</p><p>esferas governamentais (federal, estadual e municipal) e</p><p>estabelecendo diretrizes para o planejamento, regulação e</p><p>financiamento das ações e serviços de saúde. Isso favorece a</p><p>integração e a articulação entre os diversos níveis de atenção</p><p>(primária, secundária e terciária) e entre os diferentes pontos</p><p>de atenção (atenção básica, especializada e hospitalar),</p><p>42</p><p>Curiosidade: O SUS é considerado o maior sistema</p><p>público de saúde do mundo em termos de cobertura</p><p>populacional. Com uma base de usuários que ultrapassa os</p><p>200 milhões de brasileiros, o SUS atende desde consultas</p><p>básicas até procedimentos de alta complexidade, tornando-se</p><p>uma referência global em termos de acesso universal e integral</p><p>aos serviços de saúde. Essa magnitude e abrangência colocam</p><p>o SUS em uma posição única no contexto internacional, sendo</p><p>objeto de estudo e inspiração para outros países que buscam</p><p>desenvolver sistemas de saúde mais inclusivos e equitativos.</p><p>garantindo uma oferta de serviços mais eficiente e resolutiva.</p><p>O SUS também exerce um importante papel na</p><p>formação e qualificação dos profissionais de saúde, através</p><p>da implementação de políticas de educação permanente,</p><p>residência médica e multiprofissional, e do fortalecimento</p><p>das escolas e instituições de ensino vinculadas ao sistema</p><p>público de saúde. Isso contribui para a melhoria da qualidade</p><p>da atenção e para o desenvolvimento de práticas baseadas</p><p>em evidências científicas, favorecendo a inovação e a</p><p>excelência no cuidado. O SUS representa um compromisso</p><p>do Estado brasileiro com a promoção do direito à saúde como</p><p>um direito fundamental e inalienável de todos os cidadãos.</p><p>Sua consolidação e fortalecimento são essenciais para a</p><p>construção de um sistema de saúde mais justo, eficiente e</p><p>humanizado, capaz de enfrentar os desafios e as demandas</p><p>de uma sociedade em constante transformação. Nesse</p><p>sentido, é fundamental que o SUS seja valorizado, protegido e</p><p>aprimorado, garantindo sua sustentabilidade e sua capacidade</p><p>de responder às necessidades e aos anseios da população</p><p>brasileira (Monteiro, 2001; Campos, 2012).</p><p>FONTE: MINISTÉRIO DA SAÚDE, BRASIL.</p><p>SÍMBOLO UTILIZADO PARA O SUS</p><p>43</p><p>1.2 TRANSIÇÃO NUTRICIONAL NO</p><p>BRASIL</p><p>A transição nutricional representa um fenômeno</p><p>complexo e multifacetado que tem moldado os padrões</p><p>alimentares e de saúde da população brasileira ao longo das</p><p>últimas décadas. Este processo está intimamente relacionado</p><p>às mudanças socioeconômicas, demográficas e culturais</p><p>observadas no país, e tem gerado impactos significativos</p><p>para a saúde pública, especialmente no que diz respeito</p><p>ao surgimento e à prevalência de doenças crônicas não</p><p>transmissíveis (DCNT).</p><p>A transição nutricional no Brasil caracteriza-se pela</p><p>substituição progressiva de uma dieta tradicionalmente</p><p>baseada em alimentos naturais e minimamente processados</p><p>por uma alimentação mais industrializada, rica em</p><p>gorduras saturadas, açúcares refinados, sódio e alimentos</p><p>ultraprocessados. Este padrão alimentar, associado a</p><p>mudanças nos hábitos de vida, como a redução da atividade</p><p>física e o aumento do sedentarismo, tem contribuído para</p><p>o surgimento e agravamento de diversas DCNT, tais como</p><p>obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial e doenças</p><p>cardiovasculares. Estima-se que cerca de 80% das mortes</p><p>prematuras no Brasil são atribuíveis às DCNT, constituindo um</p><p>grave problema de saúde pública e um desafio para o sistema</p><p>de saúde. Além do impacto direto na qualidade de vida e na</p><p>sobrevida da população, estas doenças representam uma</p><p>enorme carga econômica, devido aos custos associados ao</p><p>tratamento e às sequelas crônicas (Monteiro, 2001).</p><p>Diante deste cenário, o Brasil tem implementado diversas</p><p>políticas e programas de saúde voltados à alimentação e</p><p>nutrição com o objetivo de prevenir e controlar as DCNT</p><p>e promover hábitos alimentares saudáveis. Destacam-</p><p>se iniciativas como o Programa Nacional de Alimentação</p><p>Escolar (PNAE), que visa garantir o acesso dos estudantes a</p><p>uma alimentação adequada e saudável nas escolas, e o Guia</p><p>Alimentar para a População Brasileira, que orienta a população</p><p>A FIGURA 2 A SEGUIR, APRESENTA O PROCESSO DO DESENVOLVIMENTO DO</p><p>CÂNCER</p><p>FONTE: MINISTÉRIO DA SAÚDE, BRASIL</p><p>44</p><p>da má nutrição e das DCNT e promover o direito humano à</p><p>alimentação adequada e saudável para todos os brasileiros.</p><p>1.3 REDE BÁSICA DE ATENÇÃO E O</p><p>NUTRICIONISTA</p><p>A Atenção Básica à Saúde pode promover o acesso</p><p>universal, integral e equitativo aos serviços de saúde para toda</p><p>a população. Neste contexto, o nutricionista desempenha um</p><p>papel fundamental na equipe multiprofissional da Atenção</p><p>Básica, contribuindo para a promoção da saúde, prevenção de</p><p>doenças e reabilitação dos usuários. Este texto buscará explorar</p><p>sobre escolhas alimentares saudáveis e sustentáveis, entre</p><p>outros programas de suplementação e orientação nutricional</p><p>disponíveis. Ainda, o SUS oferece uma série de serviços e ações</p><p>de promoção da saúde e prevenção de doenças, incluindo</p><p>consultas com nutricionistas, grupos de educação alimentar</p><p>e acompanhamento de pacientes com doenças crônicas. A</p><p>Estratégia de Saúde da Família, por exemplo, desempenha um</p><p>papel fundamental na promoção da alimentação saudável e</p><p>na prevenção da obesidade e outras DCNT, através de ações</p><p>de educação em saúde e acompanhamento nutricional nas</p><p>comunidades (Campos, 2012).</p><p>Curiosidade: Uma pesquisa realizada em Brasília, com</p><p>dados do Ministério da Saúde, revelou que o valor gasto no</p><p>SUS em 2011 em ações de média e alta complexidade voltadas</p><p>ao tratamento da obesidade e no cuidado a 26 doenças</p><p>relacionadas foi de R$ 487,98 milhões.</p><p>A transição nutricional no Brasil e os consequentes</p><p>impactos para a saúde pública representam um desafio</p><p>complexo que demanda a implementação de políticas e</p><p>programas efetivos de promoção da alimentação saudável</p><p>e prevenção de doenças. É fundamental que tais iniciativas</p><p>sejam pautadas em evidências científicas, abrangentes e</p><p>intersetoriais, visando enfrentar as múltiplas determinantes</p><p>FONTE: SESSP/CCD, 2019</p><p>EXEMPLO DA PREVALÊNCIA DAS PRINCIPAIS DOENÇAS PRESENTES NA POPULAÇÃO</p><p>(ESTADO DE SÃO PAULO), DESTACANDO AQUELAS QUE SÃO RELACIONADAS À MÁ</p><p>ALIMENTAÇÃO</p><p>45</p><p>1. Avaliação e diagnóstico nutricional: realização</p><p>de avaliação do estado nutricional dos usuários,</p><p>identificando possíveis deficiências, excessos ou</p><p>desequilíbrios nutricionais que possam comprometer</p><p>sua saúde e bem-estar.</p><p>2. Educação nutricional: desenvolvimento e</p><p>implementação de programas de educação alimentar</p><p>e nutricional, visando orientar a população sobre</p><p>hábitos alimentares saudáveis, escolha de alimentos</p><p>adequados e práticas de preparo nutritivas.</p><p>3. Atendimento individualizado: prestação de assistência</p><p>nutricional individualizada aos usuários com</p><p>necessidades específicas, como obesidade, diabetes,</p><p>hipertensão, dislipidemias, intolerâncias alimentares,</p><p>entre outras condições de saúde.</p><p>4. Promoção da alimentação saudável: estímulo à adoção</p><p>de uma alimentação equilibrada e diversificada, por</p><p>meio da elaboração de cardápios saudáveis, incentivo</p><p>ao consumo de alimentos in natura ou minimamente</p><p>processados, e restrição ao consumo de alimentos</p><p>ultraprocessados e ricos em gorduras saturadas,</p><p>açúcares e sódio, entre outros.</p><p>5. Acompanhamento de grupos específicos, como a</p><p>realização de acompanhamento nutricional de grupos</p><p>populacionais específicos, como gestantes, lactantes,</p><p>as atribuições do nutricionista na rede básica de atenção do</p><p>SUS, evidenciando sua importância para o cuidado integral</p><p>e a qualidade de vida dos indivíduos atendidos. A Atenção</p><p>Básica à Saúde é caracterizada pela oferta de serviços de</p><p>saúde de forma integrada, acessível e continuada, com foco</p><p>na promoção da saúde, prevenção de doenças, diagnóstico</p><p>precoce, tratamento e reabilitação. Através da ESF e do</p><p>NASF, a atenção básica busca garantir o acompanhamento</p><p>longitudinal e a atenção integral às necessidades de saúde dos</p><p>indivíduos, famílias e comunidades.</p><p>Curiosidade: A inclusão do nutricionista no sistema de</p><p>saúde público brasileiro ocorreu logo após a promulgação</p><p>da Constituição Federal de 1988, que estabeleceu as bases</p><p>para a criação do Sistema Único de Saúde. Foi a partir desse</p><p>marco histórico que a profissão de nutricionista passou</p><p>a ser reconhecida como parte integrante das equipes</p><p>multiprofissionais de saúde, com o objetivo de promover a</p><p>saúde e prevenir doenças através da alimentação adequada e</p><p>da nutrição</p><p>O nutricionista desempenha diversas atribuições na</p><p>Atenção Básica à Saúde, contribuindo para a promoção da</p><p>alimentação saudável, prevenção de doenças relacionadas à</p><p>nutrição e melhoria da qualidade de vida da população. Entre</p><p>suas principais atividades, destacam-se:</p><p>46</p><p>crianças, idosos, portadores de doenças crônicas, entre</p><p>outros, visando garantir uma alimentação adequada</p><p>e o atendimento às suas necessidades nutricionais</p><p>(Monteiro, 2001; Campos, 2012).</p><p>Importante: Redes de Atenção à Saúde</p><p>O sistema deve ser acolhedor e responsabilizar-se</p><p>pelo cuidado.</p><p>Necessidades do usuário devem nortear a</p><p>coordenação desse cuidado na RAS.</p><p>Atenção Básica: ordenadora das redes e coordenadora</p><p>do cuidado.</p><p>ALGUMAS DAS ATIVIDADES DO NUTRICIONISTA NA ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE</p><p>ORGANIZAÇÃO DA ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE</p><p>FONTE: A AUTORA</p><p>FONTE: MINISTÉRIO DA SAÚDE, BRASIL</p><p>47</p><p>Referências</p><p>Monteiro CA, Conde WL, Popkin BM. Independent</p><p>effects of income and education on the risk of obesity</p><p>in the Brazilian adult population. Journal of Nutrition.</p><p>2001;131(3):881S-886S.</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à</p><p>Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para</p><p>a população brasileira. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.</p><p>Brasil. Ministério da Educação. Fundo Nacional de</p><p>Desenvolvimento da Educação. Programa Nacional de</p><p>Alimentação Escolar. Brasília: FNDE, 2021.</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à</p><p>Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional</p>