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Conteúdo Interativo 4

Aula sobre vistas ortográficas no 1º diedro: define projeção cilíndrica ortogonal, técnicas de desenho e critérios para escolher a vista frontal e as vistas principais; apresenta o método europeu com seis planos, planificação do cubo e posições das vistas segundo a NBR 10067.

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<p>Disciplina: Expressão grá�ca</p><p>Aula 4: Vistas Ortográ�cas no 1º diedro</p><p>Apresentação</p><p>Quando você se posiciona em frente a um objeto e faz uma fotogra�a dele, obtém na foto uma representação plani�cada</p><p>do mundo real. De uma forma simplista, poderíamos dizer que a fotogra�a funciona de forma semelhante à projeção do</p><p>objeto em um plano.</p><p>A representação de um objeto através de suas projeções ortogonais – as chamadas vistas ortográ�cas – é uma</p><p>consequência direta da aplicação da Geometria Descritiva de Gaspar Monge na representação grá�ca de objetos</p><p>tridimensionais. Cabe ao leitor do desenho raciocinar espacialmente para compreender as características do objeto em</p><p>análise.</p><p>Nesta aula, utilizaremos o conceito de projeção cilíndrica ortogonal para representar objetos, utilizando suas vistas</p><p>ortográ�cas. Veremos a técnica necessária para o desenho das vistas, os critérios para escolha das vistas ortográ�cas</p><p>principais de um objeto e para a escolha de sua vista frontal (a mais importante das vistas ortográ�cas principais).</p><p>Usaremos o método europeu de projeção, que posiciona o objeto a ser representado no 1º diedro.</p><p>Objetivos</p><p>De�nir o sistema de projeção cilíndrica ortogonal em seis planos;</p><p>Reconhecer os critérios para escolha da vista ortográ�ca frontal e das vistas ortográ�cas principais, bem como as</p><p>técnicas necessárias para o desenho das vistas ortográ�cas principais;</p><p>Comparar as diferenças e semelhanças entre as vistas ortográ�cas no 1º e 3º diedros.</p><p>Projeções cilíndricas em seis planos de projeção no 1º diedro</p><p>As projeções têm por objetivo facilitar o processo de representação grá�ca e, mesmo não representando o objeto em</p><p>perspectiva, devem ser su�cientes para a compreensão de todas as suas características. Uma, duas ou três vistas, como as</p><p>oriundas da projeção cilíndrica ortogonal de objetos nos planos , e , podem não ser su�cientes para a devida</p><p>compreensão de detalhes presentes no objeto. Por isso, em vários casos, é necessário projetá-lo em mais planos de projeção.</p><p>A ilustração a seguir apresenta o diedro de uma forma diferente, tal como um cubo de faces feitas em material transparente.</p><p>Note que agora não existem somente as faces dos planos horizontal e verticais, e sim 6 (seis) faces do “cubo transparente”.</p><p>Um objeto foi posicionado dentro do “cubo”, com o objetivo de obter suas projeções ortogonais. Os vértices do cubo foram</p><p>identi�cados com letras maiúsculas para facilitar as análises que vem a seguir.</p><p>πA π'S π'</p><p> Objeto posicionado dentro do “cubo” no 1º diedro.</p><p>As projeções do objeto nas faces do “cubo” serão as vistas de um observador posicionado em frente a cada uma das faces, do</p><p>lado de fora do cubo, olhando para o objeto.</p><p>O observador é um ente virtual, que serve para auxiliar o desenhista a compreender e</p><p>representar os objetos gra�camente.</p><p>Uma forma interessante de compreender o que é o observador é colocar-se no lugar dele:</p><p>Imagine-se em frente a cada uma das faces do cubo. Com isso, você será o observador, responsável por ver, analisar e</p><p>compreender o objeto.</p><p>A vista frontal, em nosso exemplo, será projetada no plano BCGF, hachurado. A posição com a qual o objeto foi posicionado</p><p>dentro do cubo não é mera coincidência: a vista de maior comprimento e com mais detalhes deve ser a vista frontal do objeto,</p><p>sendo o plano BCGF o plano de projeção da vista frontal escolhida.</p><p>A �gura, a seguir, apresenta, inicialmente, a projeção de três vistas nas faces do cubo, representado em perspectiva. Com o</p><p>rebatimento dos planos ABFE, CDHG, DAEH, ADCB e FGHE, o cubo pode ser representado de forma plani�cada, onde são</p><p>representadas as seis projeções cilíndricas ortogonais. Elas representam as vistas do observador, posicionado do lado de fora</p><p>do “cubo”, olhando para o objeto em seis posições diferentes, ou seja, quando o observador está posicionado em frente de cada</p><p>uma das faces do cubo (que são os planos de projeção).</p><p> Projeção no cubo e representação das seis vistas no cubo planificado.</p><p>Aqui, estabeleceremos uma ordem a ser seguida para a projeção de objetos no 1º diedro:</p><p>1 Observador</p><p></p><p>2 Objeto</p><p></p><p>3 Plano de projeção</p><p>Assim, com palavras simples, podemos dizer o seguinte: o observador “vê”</p><p>o objeto e a imagem “vista” é projetada no plano paralelo à face observada,</p><p>posterior ao objeto.</p><p>Seguindo a NBR 10067 (1995), �xando-se a vista frontal (VF), as posições relativas das demais vistas são as seguintes:</p><p>Vista superior : VS, posicionada abaixo da VF. Vista lateral esquerda : VLE, posicionada à direita da</p><p>VF.</p><p>Vista lateral direita : VLD, posicionada à esquerda da</p><p>VF.</p><p>Vista inferior : VI, posicionada acima da vista VF.</p><p>Vista posterior : VP, posicionada à direita da VLE ou à</p><p>esquerda da VLD.</p><p>Atenção</p><p>No exemplo apresentado, a VP foi posicionada à direita da VLE.</p><p>As vistas com planos de projeção hachurados são as chamadas vistas ortográ�cas principais. Tais vistas são: a vista frontal,</p><p>vista superior e uma das vistas laterais, podendo ser a lateral direita ou esquerda (dependendo da posição em que o objeto foi</p><p>estudado no diedro). No exemplo apresentado, por exemplo, a vista lateral visível na perspectiva é a vista lateral esquerda.</p><p>Para �nalizar a representação do objeto em suas seis vistas, o contorno dos planos de projeção do objeto deve ser retirado,</p><p>restando somente as vistas desenhadas. Note que o nome das vistas também é suprimido. É desnecessário colocar os nomes,</p><p>pois, sabendo que as projeções estão sendo realizadas no 1º diedro, a vista frontal é localizada automaticamente. Basta</p><p>procurar a vista que possui uma vista acima e uma vista abaixo da mesma.</p><p> Representação das seis vistas ortográficas no 1º diedro.</p><p>Atividade</p><p>1. Utilizando folhas de papel quadriculado e adotando o 1º diedro, desenhe as seis vistas dos dois primeiros objetos</p><p>representados no livro Curso de desenho técnico e AutoCAD (RIBEIRO; PERES; IZIDORO, 2013), disponível na Biblioteca Virtual.</p><p> Fonte: Ribeiro, Peres e Izidoro, 2013, p. 26.</p><p>Projeções cilíndricas em três planos de projeção no 1º diedro (vistas</p><p>ortográ�cas principais)</p><p>As vistas ortográ�cas principais são essenciais para compreender a geometria e as dimensões de um objeto. O resultado �nal</p><p>da projeção do objeto em suas vistas ortográ�cas principais é representado a seguir:</p><p> Representação das vistas ortográficas principais no 1º diedro.</p><p>O símbolo colocado junto das vistas ortográ�cas, no</p><p>canto inferior direito, é a simbologia normatizada que</p><p>indica que as projeções foram realizadas no 1º diedro,</p><p>de acordo com a NBR 10067 (1995).</p><p>As linhas tracejadas indicam arestas do objeto que não</p><p>podem ser vistas pelo observador. Note a presença da</p><p>linha tracejada vertical na vista lateral esquerda. Essa</p><p>linha �ca atrás da região inclinada da peça e não pode</p><p>ser vista por um observador posicionado na posição</p><p>padrão exigida para projeção da vista lateral esquerda.</p><p>Atividade</p><p>2. Utilizando folhas de papel quadriculado e adotando o 1º diedro, desenhe as três vistas principais dos objetos representados</p><p>no livro Curso de desenho técnico e AutoCAD (RIBEIRO; PERES; IZIDORO, 2013).</p><p> Fonte: Ribeiro, Peres e Izidoro, 2013, p. 12.</p><p>Técnicas para o desenho de vistas ortográ�cas à mão livre</p><p>Antes da elaboração dos desenhos em sistemas computacionais, é natural o estudo e desenhos de objetos à mão livre</p><p>(esboços). É com essa forma de representação grá�ca que trabalharemos nas aulas para o estudo da projeção ortogonal de</p><p>objetos.</p><p>De acordo com Ribeiro, Peres e Izidoro (2013):</p><p></p><p>A elaboração dos esboços, além de favorecer a análise gráfica das projeções ortogonais,</p><p>ajuda a desenvolver o sentido de proporcionalidade. Apesar de ser tendência entre os</p><p>principiantes dedicar excessiva atenção à perfeição dos traços, [...], deve-se lembrar que</p><p>[...] o rigor das proporções e a correta aplicação das normas e convenções de</p><p>representação é que são imprescindíveis.</p><p>Ao longo do seu estudo, você pode utilizar folhas A4 lisas ou até mesmo folhas quadriculadas (com marcação ortogonal em 5</p><p>em 5 milímetros). A folha quadriculada é um “atalho” interessante,</p><p>pois dispensará a utilização de régua para adequação das</p><p>proporções do objeto ao seu desenho. Outro recurso para a elaboração de esboços, se disponível, é utilizar o celular ou tablet e</p><p>fazer o esboço em programas gratuitos de desenho, como o SketchBook, da AutoDesk.</p><p>Para o desenho das vistas ortográ�cas em esboço, recomenda-se as seguintes etapas:</p><p>1ª etapa</p><p>Analise o objeto a ser representado,</p><p>escolhendo sua vista frontal como aquela</p><p>que possui o maior comprimento, o maior</p><p>número de detalhes e o menor número de</p><p>arestas não visíveis. A escolha da vista</p><p>frontal pode até mudar de desenhista para</p><p>desenhista, dependendo da complexidade do</p><p>objeto. O importante é escolher aquela que</p><p>melhor avalie o objeto representado.</p><p>2ª etapa</p><p>Determine as medidas que contornam as</p><p>arestas mais externas de cada uma das</p><p>vistas, como um quadrado ou um retângulo</p><p>que contornará cada vista ortográ�ca.</p><p>Conhecendo o comprimento, a largura e a</p><p>altura da peça, deve-se atentar para o fato de</p><p>que o comprimento das vistas frontal e</p><p>superior, a largura da vista lateral e da vista</p><p>superior, assim como a altura da vista frontal</p><p>e da vista lateral são medidas iguais.</p><p>3ª etapa</p><p>Faça um esboço dos contornos de cada uma</p><p>das vistas principais, com traço contínuo e</p><p>�no, desenhando as vistas com distâncias</p><p>iguais entre si. Não esqueça de manter a</p><p>proporcionalidade das medidas com o que é</p><p>observado na perspectiva.</p><p>4ª etapa</p><p>Sugere-se iniciar o desenho pela vista frontal,</p><p>que possui mais detalhes, para depois</p><p>trabalhar nas vistas lateral e superior.</p><p>Desenhe sempre com traço �no, pois isso</p><p>permite apagar as linhas com mais facilidade,</p><p>em caso de erro.</p><p>5ª etapa</p><p>Após analisar e veri�car as três vistas</p><p>desenhadas e a compatibilidade entre as</p><p>vistas representadas, reforce o desenho com</p><p>traçado grosso contínuo para as arestas</p><p>visíveis. Arestas invisíveis devem ser</p><p>desenhadas com linha tracejada, que podem</p><p>ser representadas com traço �no ou grosso.</p><p>6ª etapa</p><p>Ao terminar o desenho das linhas de�nitivas,</p><p>ele ainda terá as linhas �nas utilizadas para</p><p>desenhar o contorno das vistas e para</p><p>compatibilizar detalhes e medidas entre as</p><p>vistas. Essas linhas �nas são chamadas</p><p>linhas de construção. Apague-as</p><p>cuidadosamente, tomando o cuidado de não</p><p>apagar as linhas do desenho de�nitivo.</p><p>A imagem a seguir apresenta as etapas abordadas anteriormente para o objeto que estamos analisando ao longo dessa aula.</p><p> Representação das vistas ortográficas principais no 1º diedro em esboço.</p><p>Vistas ortográ�cas para objetos de faces não paralelas aos planos</p><p>de projeção</p><p>No caso de objetos com faces inclinadas, ou seja, faces que</p><p>não sejam paralelas aos planos de projeção, pelo menos</p><p>uma de suas vistas principais não corresponderá à</p><p>verdadeira grandeza do objeto.</p><p>No objeto que utilizamos como estudo na presente aula,</p><p>uma superfície inclinada é obliqua ao plano de projeção</p><p>frontal e superior. Por isso, na vista frontal, vemos a</p><p>projeção dessa superfície, porém não em sua verdadeira</p><p>grandeza. Somente no plano de projeção lateral é que</p><p>podemos observar que a linha inclinada permanece com as</p><p>medidas do objeto original.</p><p> Vistas ortográficas principais de objeto com plano inclinado.</p><p>Vistas de objetos de faces com superfícies curvas</p><p>Observe as vistas ortográ�cas principais e a perspectiva representadas na �gura a seguir:</p><p> Vistas ortográficas principais e perspectiva de objeto com superfícies curvas e furo cilíndrico.</p><p>O objeto apresenta um furo cilíndrico e contorno arredondado por um semicírculo com ângulo de abertura de 180º na sua face</p><p>lateral esquerda. A projeção das vistas foi feita no 1º diedro, conforme especi�cado pela simbologia normativa.</p><p>As linhas traço e o ponto representados na vista frontal e na vista lateral esquerda é chamada de linha de eixo, pois representa</p><p>o eixo longitudinal do furo cilíndrico representado em vista. Observe, agora, a vista superior: as linhas traço e ponto</p><p>perpendiculares entre si têm como objetivo direto obter o lugar geométrico do centro das circunferências concêntricas (uma</p><p>delas é a seção transversal do cilindro, a outra é o contorno semicircular do objeto). Essas linhas são denominadas linhas de</p><p>centro.</p><p>Existem algumas regras importantes na representação de linhas de eixo e linhas de centro. São elas:</p><p></p><p>As linhas traço e ponto devem sempre ultrapassar os</p><p>contornos visíveis dos arcos, círculos e cilindros.</p><p></p><p>As linhas de centro devem ser indicadas em arcos sempre</p><p>que o ângulo do arco for maior ou igual a 180º.</p><p></p><p>O cruzamento das linhas de centro deve ocorrer no traço da</p><p>linha traço e ponto, para efetivar o cruzamento das linhas no</p><p>centro de arcos e/ou circunferências.</p><p>Atividade</p><p>3. Utilizando folhas de papel quadriculado e adotando o 1º diedro, desenhe as três vistas principais do objeto representado a</p><p>seguir:</p><p>NotasReferências</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10067: Princípios gerais de representação em desenho</p><p>técnico - Procedimento. Rio de Janeiro, 1995.</p><p>ESTEPHANIO, Carlos Alberto do Amaral. Desenho técnico – uma linguagem básica. 4. ed. edição. Rio de Janeiro: Carlos</p><p>Estephanio, 1996.</p><p>MUNIZ, César; MANZOLI, Anderson. Desenho técnico. 1. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2015.</p><p>RIBEIRO, Antônio Clelio; PERES, Mauro Pedro; IZIDORO, Nacir. Curso de desenho técnico e AutoCAD. 1. ed. São Paulo: Pearson</p><p>Education do Brasil, 2013.</p><p>Próxima aula</p><p>Sistema de projeção cilíndrica ortogonal em seis planos no 3º diedro;</p><p>Técnicas para o desenho de vistas ortográ�cas principais no 1º diedro para as vistas projetadas no 3º diedro;</p><p>Técnica de desenho para objetos com faces não paralelas aos planos de projeção e com superfícies curvas no 3º diedro.</p><p>Explore mais</p><p>Para saber mais sobre os assuntos estudados nesta aula, sugerimos a leitura dos seguintes livros:</p><p>MUNIZ, César; MANZOLI, Anderson. Desenho técnico. 1. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2015. cap. III, p. 57-67.</p><p>PACHECO, Beatriz de Almeida; SOUZA-CONCÍLIO, Ilana de Almeida; PESSÔA FILHO, Joaquim. Desenho técnico. 1. ed.</p><p>Curitiba: Intersaberes, 2017. cap. 6.</p><p>RIBEIRO, Antônio Clelio; PERES, Mauro Pedro; IZIDORO, Nacir. Curso de desenho técnico e AutoCAD. 1. ed. São Paulo:</p><p>Pearson Education do Brasil, 2013. p. 6-9.</p>

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