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<p>ESSA Módulo III</p><p>1/53</p><p>ESTÁGIO SETORIAL</p><p>DE AUXILIAR DE</p><p>ALMOXARIFADO</p><p>Módulo III – Controle Patrimonial</p><p>2024</p><p>9º Centro de Gestão, Contabilidade e Finanças do</p><p>Exército</p><p>ESSA Módulo III</p><p>2/53</p><p>Atualizações</p><p>Autor Data Item alterado</p><p>Breve descrição da</p><p>alteração</p><p>9º CGCFEx 30 NOV 23 - -</p><p>(Atenção: esta apostila não deve ser usada como amparo</p><p>legal, tratando-se apenas de um material didático de apoio</p><p>para estudo e eventuais consultas)</p><p>ESSA Módulo III</p><p>3/53</p><p>Sumário</p><p>1. APRESENTAÇÃO .............................................................................................................................. 4</p><p>1.1. Objetivos do Curso ....................................................................................................................4</p><p>1.2 Objetivos de Aprendizagem ......................................................................................................4</p><p>1.3. Principais Tópicos ......................................................................................................................5</p><p>2. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 5</p><p>3. CONCEITOS PATRIMONIAIS .......................................................................................................... 6</p><p>3.1. Evolução da Administração Pública .......................................................................................6</p><p>3.2. Gestão Pública ...........................................................................................................................8</p><p>3.3. Gestão Patrimonial Eficiente ................................................................................................. 11</p><p>3.4. Processos do Setor de Patrimônio ...................................................................................... 12</p><p>3.5. Conceitos Básicos Patrimoniais ........................................................................................... 14</p><p>3.5.1. Definição de Ativo............................................................................................................ 14</p><p>3.6. Distinção entre Material Permanente e Material de Consumo ........................................ 28</p><p>3.7. Depreciação, Amortização e Exaustão ............................................................................... 37</p><p>3.8. Relatórios de Almoxarifado ................................................................................................... 41</p><p>4. SISTEMAS DE ESCRITURAÇÃO .................................................................................................. 46</p><p>4.1. Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal - SIAFI ............. 47</p><p>4.2. Sistema de Material do Exército - SIMATEX ...................................................................... 49</p><p>ENCERRAMENTO ................................................................................................................................ 52</p><p>Referências ............................................................................................................................................ 53</p><p>ESSA Módulo III</p><p>4/53</p><p>1. APRESENTAÇÃO</p><p>Prezado instruendo,</p><p>Esta apostila foi estruturada para servir de guia para o agente da</p><p>administração encarregado de auxiliar do almoxarifado, que será coordenado pelo 9º</p><p>Centro de Gestão, Contabilidade e Finanças do Exército e ministrado na modalidade</p><p>de Ensino a Distância (EAD).</p><p>1.1. Objetivos do Curso</p><p>De maneira geral, contribuir com o Instituto de Economia e Finanças do</p><p>Exército (IEFEx) nas atividades de ensino de interesse da Secretaria de Economia e</p><p>Finanças, desenvolvidas na modalidade de Ensino a Distância (EaD) e,</p><p>principalmente disponibilizar, aos Agentes da Administração das Unidades Gestoras</p><p>do Exército, um material didático de fácil entendimento e mais direcionado as nossas</p><p>atividades.</p><p>Oferecer aos Agentes da Administração das Organizações Militares,</p><p>responsáveis pela elaboração destes documentos, a oportunidade de refletirem</p><p>sobre a importância dos processos que envolvem a gestão de almoxarifado.</p><p>1.2 Objetivos de Aprendizagem</p><p>Ao final deste módulo, o instruendo será capaz de:</p><p>• conhecer os conceitos de bens e classificação de Ativos;</p><p>• indicar a legislação relacionada à contabilização dos Ativos;</p><p>• identificar os principais processos que envolvem a contabilização patrimonial</p><p>no SIAFI e no SISCOFIS;</p><p>ESSA Módulo III</p><p>5/53</p><p>1.3. Principais Tópicos</p><p>• Uma breve explanação sobre os conceitos básicos dos componentes</p><p>patrimoniais, bem como o rol de atribuições típicas do setor de patrimônio e</p><p>de almoxarifado;</p><p>• A escrituração no SISCOFIS, com o objetivo de apresentar os registros</p><p>pertinentes à movimentação de almoxarifado e os relatórios necessários ao</p><p>gerenciamento eficaz das disponibilidades de bens no estoques; e</p><p>• A escrituração no SIAFI, com o objetivo de apresentar os principais</p><p>documentos hábeis e as situações do SIAFI relacionadas à produção de</p><p>registros acerca da movimentação patrimonial, tendo em vista garantir</p><p>subsídios para a contabilização oportuna das entradas e saídas patrimoniais.</p><p>2. INTRODUÇÃO</p><p>A Constituição Federal de 1988, no seu art. 70, parágrafo único, estabelece a</p><p>obrigatoriedade de Prestação de Contas de todo aquele que for responsável pela</p><p>guarda ou gerenciamento de bens públicos. A singeleza do comando constitucional</p><p>esconde a dimensão concreta desse procedimento, que implica na realização diária</p><p>de registros contábeis nos diversos sistemas corporativos da União e de seus</p><p>órgãos, a fim de garantir a evidenciação de que a gestão dos bens patrimoniais está</p><p>acontecendo na forma preconizada pela legislação.</p><p>Com o advento das Normas Brasileiras de Contabilidade, específicas do Setor</p><p>Público – NBC T SP, vigentes a partir de 2008, editadas pelo Conselho Federal de</p><p>Contabilidade, foi estabelecido novo enfoque para a administração patrimonial, que</p><p>ganhou o status de objeto central da contabilidade do Setor Público. Doravante, a</p><p>evidenciação dos ativos determinada por essa Norma, como ferramenta para a</p><p>gestão eficiente e eficaz dos bens patrimoniais, traz a necessidade de</p><p>profissionalização dos gestores e acompanhamento diário da movimentação</p><p>patrimonial por meio de registros nos sistemas de controle físico e financeiros.</p><p>Ao nos debruçarmos sobre o desafio de reconhecer, mensurar e evidenciar o</p><p>patrimônio público, verifica-se a necessidade da gestão de almoxarifado contar com</p><p>ESSA Módulo III</p><p>6/53</p><p>mecanismos eficientes de registros que permitam manter sempre atualizados os</p><p>saldos, em convergência com a disponibilidade física dos bens.</p><p>3. CONCEITOS PATRIMONIAIS</p><p>3.1. Evolução da Administração Pública</p><p>Para entender a importância do controle patrimonial na administração pública,</p><p>é necessário um retrospecto de sua evolução ao longo dos anos, quando passou por</p><p>diversos modelos: modelo patrimonialista, modelo burocrático e, por fim,</p><p>contemporaneamente, o modelo gerencial.</p><p>Modelo Patrimonialista</p><p>“[...] nos primeiros tempos da organização do Estado, não havia distinção</p><p>entre a administração dos bens públicos e particulares, tudo era tido como</p><p>domínio do monarca, que poderia dispor da forma que melhor lhe conviesse</p><p>sem qualquer prestação de contas à sociedade. A administração do Estado</p><p>pré-capitalista, portanto, era patrimonialista.” Sergio Jund (2007, p. 10)</p><p>Modelo Burocrático</p><p>O modelo denominado burocrático, que primava pela racionalidade —</p><p>moldado pelas ideias do filósofo alemão Max Weber — também conhecido como</p><p>modelo Weberiano, caracterizou-se pela ruptura com o sistema patrimonialista,</p><p>promovendo clara separação entre os bens públicos e os bens privados e entre o</p><p>natural, a quota</p><p>de exaustão será determinada mediante relação percentual entre os recursos</p><p>florestais extraídos no período e o volume dos recursos florestais existentes no início</p><p>do mesmo período.</p><p>Para esse fim, é necessário que haja uma análise técnica da capacidade de</p><p>extração/aproveitamento do ativo em questão, pois a exaustão se dará</p><p>proporcionalmente à quantidade produzida pelo ativo. O método de exaustão deve</p><p>ser compatível com a vida útil econômica do ativo e aplicado uniformemente durante</p><p>esse período.</p><p>Resumindo:</p><p>ESSA Módulo III</p><p>41/53</p><p>Figura 3 – Conceito de Depreciação, Amortização e Exaustão</p><p>3.8. Relatórios de Almoxarifado</p><p>Para o bom acompanhamento da situação dos estoques e também para</p><p>auxiliar na prestação de contas e no gerenciamento dos depósitos, é útil produzir</p><p>alguns relatórios de acompanhamento. Dentre os principais relatórios produzidos no</p><p>ambiente de almoxarifado, destacam-se os seguintes:</p><p>Inventário</p><p>O inventário físico de bens permanentes e do material de consumo é o</p><p>instrumento de controle pelo qual se torna possível a verificação da existência física</p><p>de cada bem, localizado na respectiva Unidade Administrativa. Para Nascimento</p><p>(2002), destacam-se entre as finalidades principais do inventário a apuração dos</p><p>resultados do exercício, o controle e prestação de contas dos responsáveis e o</p><p>atendimento de exigências de ordem legal ou natureza estritamente fiscal.</p><p>Sobre a exigência legal, a Lei Federal nº 4.320/1964 assim determina:</p><p>Depreende-se da Lei que o levantamento geral dos bens deve ser realizado</p><p>por unidade administrativa, ou seja, por setores ou centros de custo, conforme a</p><p>estrutura administrativa de cada entidade. O inventário deve ser realizado de forma</p><p>analítica, ou seja, com a individualização dos bens, e ainda registrados</p><p>sinteticamente na contabilidade.</p><p>Lei nº 4.320/1964</p><p>Art 96. O Inventário geral dos bens móveís e imóveis terá por base o inventário analítico</p><p>de cada unidade administrativa e os elementos da escrituração sintética na contabilidade.</p><p>(grifei)</p><p>ESSA Módulo III</p><p>42/53</p><p>Classificação dos Inventários</p><p>Embora a classificação dos inventários não seja matéria prevista em norma</p><p>geral, a doutrina consagra alguns tipos usuais para a Administração Pública:</p><p>a) analítico (ou periódico) - destinado a comprovar a existência física e o</p><p>valor dos bens patrimoniais pertencentes a cada Unidade Administrativa, a ser</p><p>realizado por comissão de servidores e de forma anual, e nos termos exigidos pelo</p><p>referido art. 96 da Lei nº 4.320/1964;</p><p>b) inicial - ocorre quando da criação de um setor ou órgão, como o</p><p>implemento de um novo setor ou centro de custo. A sua função é a identificação e o</p><p>registro dos bens sobre essa nova unidade;</p><p>c) de transferência - realizado quando da troca de dirigente ou responsável de</p><p>uma determinada Unidade Administrativa. Normalmente, esse inventário é realizado</p><p>em razão da troca de gestores ou de chefias;</p><p>d) especial - efetuado em casos especiais, como na prestação de contas em</p><p>razão da utilização de recursos de convênios. Como exemplo, é possível proceder</p><p>ao levantamento de bens adquiridos por uma Unidade Gestora com recursos</p><p>transferidos pela União para o Programa SISFRON, no objetivo de identificar o</p><p>legado.</p><p>Considerando a exigência do art. 96, da Lei nº 4.320/1964, verifica-se a</p><p>necessidade de que o inventário anual seja realizado a partir do levantamento físico</p><p>dos bens em todas as Unidades Administrativas. Para tanto, alguns procedimentos</p><p>precisam ser observados, como a necessidade de razoável estudo sobre as</p><p>peculiaridades do controle patrimonial no órgão a ser inventariado. O levantamento</p><p>físico de uma instituição que não possui nenhum controle sobre seus bens será</p><p>significativamente diferente de outra que mantém em dia a relação analítica do seu</p><p>ativo imobilizado e intangível.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>43/53</p><p>No âmbito da Administração Militar, o art. 31, do Dec. 98.820/1990, que</p><p>aprova o Regulamento de Administração do Exército, estabelece ao Fiscal</p><p>Administrativo o dever de: “prestar, por escrito, nas datas determinadas pelo Agente</p><p>Diretor, informações sobre a situação dos registros contábeis dos bens patrimoniais</p><p>e sobre o estado de conservação do material da UA”, isto é, realizar periodicamente</p><p>contagens e inventários sobre o material da OM.</p><p>De acordo com o art. 88, do Decreto-Lei nº. 200 de 25/02/1967, os estoques</p><p>serão, obrigatoriamente, contabilizados, fazendo-se a Tomada Anual das Contas</p><p>dos responsáveis, objetivando verificar se os procedimentos estão de acordo com as</p><p>disposições legais que a regulamentam.</p><p>Por fim, pode-se resumir que um levantamento bem realizado dos bens</p><p>patrimoniais reúne as informações corretas, localizações fidedignas, permitindo que</p><p>as tomadas de decisões administrativas ocorram de forma mais assertiva.</p><p>Relatório de Movimentação de Almoxarifado - RMA</p><p>O Relatório Mensal de Almoxarifado – RMA é o relatório que consolida as</p><p>informações em valores monetários de entrada e saída de materiais nos</p><p>Almoxarifados e demais Depósitos, agrupados por subelementos de despesa, de um</p><p>determinado período, devendo conter o saldo anterior, as entradas, as saídas e o</p><p>saldo final, de todos, em moeda corrente.</p><p>No âmbito da União, a elaboração do RMA está regulada pelo Manual do</p><p>SIAFI item 021101 - REL. MOV.ALMOXARIFADO E REL.MOV.BENS MÓVEIS E</p><p>INT, extraído para demonstrar a movimentação do material existente no</p><p>Almoxarifado (inclusive de material permanente não distribuído).</p><p>O RMA deve ser elaborado mensalmente e remetido para arquivo no Setor de</p><p>Conformidade dos Registros de Gestão, após haver sido conferido pelos</p><p>responsáveis pelas Unidades Gestoras. Nesse relatório, será informado o consumo</p><p>de material efetivamente ocorrido no mês, para fins de acompanhamento,</p><p>conferência e correção de eventual apropriação indevida pelo Conformador.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>44/53</p><p>Assim temos o RMA como documento de prestação de contas obrigatória,</p><p>que possibilita a conciliação entre os saldos dos grupos de elementos de despesas</p><p>encontrados em nosso sistema de almoxarifado com as contas da área contábil que</p><p>se encontram no SIAFI, Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo</p><p>Federal, que é o principal instrumento utilizado para registro, acompanhamento e</p><p>controle da execução orçamentária, financeira e patrimonial do Governo Federal.</p><p>Dessa forma, é de extrema importância que o RMA represente com exatidão a</p><p>realidade dos estoques de cada Unidade.</p><p>Abaixo, podemos visualizar o fluxo de conferência do RMA pelo Conformador:</p><p>Figura 4 – Registro do RMA ou RMB</p><p>Além do acompanhamento na Conformidade dos Registros de Gestão, é por</p><p>meio do RMA que as Unidades Setoriais de Contabilidade procedem mensalmente à</p><p>conciliação dos saldos apontados nos RMA e RMBI com os saldos existentes no</p><p>SIAFI. E, ainda, ao final do exercício financeiro, permite à UG conciliar as</p><p>informações dos RMA no Demonstrativo Sintético da Movimentação do Material,</p><p>peça componente da Tomada de Contas do Órgão.</p><p>Para garantir essa exatidão das informações prestadas no RMA, durante o</p><p>período de sua elaboração, cada Unidade deverá evitar ser registrada a</p><p>ESSA Módulo III</p><p>45/53</p><p>movimentação (entrada ou saída) de materiais no SISCOFIS, inclusive atendimentos</p><p>de requisições de materiais, devendo essas ser atendidas no mês subsequente, pois</p><p>caso tais movimentações ocorram após o prazo de encerramento dos lançamentos</p><p>no SIAFI, haverá divergência de saldo no fechamento do mês.</p><p>Um passo importante no tratamento das informações do RMA consiste na</p><p>conciliação dos saldos contábeis das contas do RMA com a posição financeira dos</p><p>saldos no SIAFI, em especial par as contas 115610100 (Almoxarifado), 123110801</p><p>(Estoque Interno), 123110803 (Bens móveis a reparar e 123110805 (Bens</p><p>Inservíveis), inclusive</p><p>com relação à existência física do material no Almoxarifado,</p><p>além de evitar os saldos alongados indevidos.</p><p>Acerca da responsabilidade do Conformador no trato do RMA – Relatório de</p><p>Movimentação de Almoxarifado, precisamos verificar a Instrução Normativa da</p><p>Secretaria do Tesouro Nacional nº 06, de 31/10/2017, que disciplina os</p><p>procedimentos relativos aos registros das Conformidades Contábil e de Registro de</p><p>Gestão, quando no artigo 14 estabelece:</p><p>Relatório de Movimentação de Bens Móveis - RMB</p><p>É um Relatório extraído do aplicativo SISCOFIS OM e destina-se a</p><p>demonstrar a movimentação do material permanente em uso. Esse relatório não</p><p>serve de base para a execução de registros contábeis, mas auxilia na tarefa de</p><p>compatibilização entre o saldo contábil de bens móveis, no SIAFI, com os dados da</p><p>Movimentação, constantes do Relatório de Movimentação de Bens Móveis.</p><p>Instrução Normativa STN nº 06, de 31 OUT 20107</p><p>Art. 14 Os demonstrativos mensais da movimentação de almoxarifado, de bens móveis,</p><p>imóveis e intangíveis de selos de controle de mercadorias apreendidas, da conciliação bancária e</p><p>demais demonstrativos de controle patrimonial, deverão ser arquivados pela Unidade Gestora</p><p>Executora.</p><p>Parágrafo único. Os demonstrativos referidos no caput deste artigo deverão ser arquivados</p><p>por ordem cronológica de competência e sua ausência ensejará restrição na Conformidade dos</p><p>Registros de Gestão do último dia útil do mês a que se refere.”</p><p>ESSA Módulo III</p><p>46/53</p><p>Eventuais divergências indicam a existência de erros na apropriação de tais</p><p>movimentos, impedindo a adequada gestão patrimonial.</p><p>Assim como no caso do RMA, conforme o disposto na Macrofunção 020314</p><p>(Conformidade de Registro de Gestão), itens 2.1, 2.2, 3.1.3 e 3.3, combinada com as</p><p>Macrofunções 021101 (Relatório Mov. Almoxarifado e Rel. Mov. Bens Móveis), item</p><p>2.2, e 042706 (Instrução Normativa STN nº 06, de 31/10/2007), art. 7º, inc. II,</p><p>parágrafo único, do Manual SIAFI Web, o RMA e RMB deverão ser encaminhados,</p><p>na Unidade, ao responsável pela Conformidade de Registro de Gestão, que deverá</p><p>verificar se os dados ali contidos estão de acordo com os registros no SIAFI.</p><p>Relatório Sintético de Depreciação</p><p>Diferentemente do RMB, o Relatório Sintético de Depreciação é extraído do</p><p>aplicativo SISCOFIS OM e destina-se a subsidiar e registrar a depreciação mensal</p><p>da Unidade. Para essa função, o Relatório possui uma coluna onde consta o valor</p><p>da depreciação mensal a ser apropriada no SIAFI para cada uma das contas</p><p>depreciáveis.</p><p>Além dessa função, os relatórios sintéticos demonstram o saldo mensal e</p><p>acumulado da depreciação executada e gerada, permitindo a conferência das</p><p>posições do SISCOFIS e do SIAFI, realizando as respectivas conciliações entre as</p><p>contas.</p><p>Sobre o tratamento das informações constantes do Relatório Sintético de</p><p>Depreciação, a Cartilha de Depreciação da Diretoria de Contabilidade (D Cont)</p><p>determina que a OM faça publicar, em Aditamento ao Boletim Interno, as</p><p>informações constantes do Relatório Sintético de Depreciação, fazendo referência</p><p>ao nº do Documento Hábil (DH) que apropriou a depreciação no SIAFI.</p><p>4. SISTEMAS DE ESCRITURAÇÃO</p><p>De acordo com o Decreto nº 98.820/1990, que aprovou o Regulamento de</p><p>Administração do Exército, o Almoxarifado é a área responsável pelo recebimento,</p><p>ESSA Módulo III</p><p>47/53</p><p>cadastramento, armazenamento, controle e movimentação dos bens de consumo</p><p>das Unidades do Exército, tendo, dentre suas atribuições, a tarefa de controlar e</p><p>manter os registros de entrada e saída dos materiais do estoque e do material</p><p>permanente, enquanto em depósito no Almoxarifado.</p><p>Para desincumbir-se dessa atividade, os Almoxarifados das OM do Exército</p><p>contam com o apoio de dois sistemas estruturantes: o SIAFI e o SISCOFIS.</p><p>4.1. Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal - SIAFI</p><p>O SIAFI é o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo</p><p>Federal, implantado em 1987, que consiste no principal instrumento utilizado para</p><p>registro, acompanhamento e controle da execução orçamentária, financeira e</p><p>patrimonial das Unidades da Administração Federal, cuja inovação trouxe para a</p><p>época a padronização de critérios e rotinas.</p><p>É um sistema informatizado que processa e controla, por meio de terminais</p><p>instalados em todo o território nacional, a execução orçamentária, financeira,</p><p>patrimonial e contábil dos órgãos da União, das autarquias, fundações e empresas</p><p>públicas federais e das sociedades de economia mista que estiverem contempladas</p><p>no Orçamento Fiscal e/ou no Orçamento da Seguridade Social da União.</p><p>Ele pode ser utilizado pelas Entidades Públicas Federais, Estaduais e</p><p>Municipais apenas para receberem, pela Conta Única do Governo Federal, suas</p><p>receitas (taxas de água, energia elétrica, telefone, etc) dos Órgãos que utilizam o</p><p>sistema. Entidades de caráter privado também podem utilizar o SIAFI, desde que</p><p>autorizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). No entanto, essa utilização</p><p>depende da celebração de convênio ou assinatura de termo de cooperação técnica</p><p>entre os interessados e a STN, que é o órgão gestor do SIAFI.</p><p>Uma das características fundamentais do SIAFI é a imutabilidade do registro,</p><p>assim ele não permite que, depois da prática de um ato ou fato, o responsável pela</p><p>execução informe que não sabia ou não foi ele quem executou. Isso porque em</p><p>toda execução a confirmação do documento se dá com a chancela do nome e CPF</p><p>do autor da execução do comando.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>48/53</p><p>O Sistema SIAFI possui acesso restrito a servidores, empregados e militares</p><p>com autorização prévia para utilização do sistema. Quando do preenchimento do</p><p>formulário solicitando acesso ao sistema, será informado o nível e o perfil de acesso</p><p>desejado. Depois desse cadastramento, faz-se necessária a criação de uma senha,</p><p>que é protegida por sigilo. Obrigatoriamente, a senha concedida possui o caráter</p><p>pessoal, intransferível, sujeita à responsabilização administrativa, cível e penal</p><p>daquele que fizer uso indevido.</p><p>Por conta disso, é fundamental que o usuário proteja sempre a sua senha.</p><p>Quando encerrar as operações, tenha o zelo de desconectar a estação de trabalho.</p><p>O SIAFI se estrutura por exercícios, sendo que cada ano representa um</p><p>sistema diferente e cada um deles é organizado por subsistemas, módulos e</p><p>transações. Assim, em 31 DEZ de cada ano, as operações são encerradas no ano e</p><p>qualquer alteração necessária será processada no próximo exercício.</p><p>Recentemente, o SIAFI evoluiu para o SIAFI Web, que constituiu uma</p><p>plataforma mais amigável com o usuário, que necessita apenas preencher</p><p>formulários padronizados os quais dão origem aos lançamentos contábeis, em</p><p>segundo plano, de forma automatizada. Atualmente, com exceção de emissão de</p><p>empenho e descentralização de créditos, toda a execução orçamentária, financeira e</p><p>patrimonial é realizada na nova plataforma – SIAFI Web.</p><p>Muitas vantagens passaram a existir na nova plataforma, pois os campos a</p><p>serem preenchidos - de forma didática – possuem dados pré-definidos e evitam</p><p>lapsos por parte do usuário. Outrora, os usuários eram obrigados a indicar eventos</p><p>para as operações, que, muitas vezes, eram desconhecidos. E a busca a esses</p><p>eventos necessitava de domínio da fundamentação lógica e aprofundada de suas</p><p>utilizações, de modo que essa situação representava riscos de execuções</p><p>equivocadas, com consequentes erros na contabilização.</p><p>Todavia, é importante ressaltar que a inovação não acabou com o evento,</p><p>que é um fundamento basilar do SIAFI, pois possibilita o registro de atos e fatos em</p><p>lançamentos contábeis automatizados. Na nova plataforma, o evento ficou por trás</p><p>das situações indicadas pelos usuários.</p><p>Em nível de controle patrimonial, o SIAFI apenas registra o saldo contábil das</p><p>diversas contas que compõem o patrimônio, não realizando, todavia, a escrituração</p><p>ESSA Módulo III</p><p>49/53</p><p>individualizada dos bens que compõe os saldos dessas contas. Além do</p><p>conhecimento do saldo contábil de cada conta integrante do patrimônio, o SIAFI</p><p>permite identificar os atos que causaram modificação na estrutura patrimonial, isto é,</p><p>todos os lançamentos de entrada, saída e transferência. Contudo, esses</p><p>lançamentos modificativos também são incorporados ao sistema pelo seu valor total,</p><p>sem discriminar a quantidade ou o número de tombamento dos bens movimentados.</p><p>Desse modo, para o total acompanhamento da composição patrimonial, o</p><p>SIAFI necessita de um sistema de apoio, que escriture os componentes patrimoniais</p><p>de maneira individualizada, como, no caso do Exército Brasileiro, por meio do</p><p>SIMATEx e SISCOFIS.</p><p>4.2. Sistema de Material do Exército - SIMATEX</p><p>O SIMATEX é um sistema corporativo de desenvolvimento contínuo e</p><p>evolutivo, integrante do Sistema de Informações Organizacionais do Exército</p><p>(SINFORGEx), que busca, por meio da utilização de recursos de tecnologia da</p><p>informação, integrar processos, procedimentos, métodos, rotinas e técnicas,</p><p>destinadas à produção de conhecimentos com qualidade e oportunidade</p><p>necessários ao controle automatizado e ao gerenciamento de todos os materiais, no</p><p>âmbito do Exército Brasileiro.</p><p>O Sistema de Controle Físico (SISCOFIS OM/OP) constitui um subsistema do</p><p>SIMATEx que tem por finalidade o controle físico e o gerenciamento de todo o</p><p>material existente no Exército.</p><p>O Sistema de Controle Físico web (SISCOFIS Web) é uma plataforma, onde</p><p>as UG inserem e enviam seus estoques semanais, diretamente para o CITEx. O</p><p>SISCOFIS Web também possibilita a situação do carregamento dos estoques (D</p><p>Cont / CGCFEx), bem como disponibiliza diversas consultas para a OM, no sentido</p><p>de informar a situações da disponibilidade dos materiais.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>50/53</p><p>PRINCIPAIS USUÁRIOS DO SISCOFIS</p><p>Figura 5 – Interações no SISCOFIS</p><p>Segundo o art. 4º, da Portaria nº 017-EME, de 8 de março de 2007, do</p><p>Estado-Maior do Exército o SIMATEx é um sistema corporativo, que integra o</p><p>Sistema de Informações Organizacionais do Exército (SINFORGEx), responsável</p><p>pela produção de conhecimentos com qualidade e oportunidade necessários ao</p><p>controle automatizado e ao gerenciamento de todos materiais no âmbito do Exército</p><p>Brasileiro, mediante a utilização de recursos de tecnologia da informação, integração</p><p>de processos, procedimentos, métodos, rotinas e técnicas.</p><p>Os dados inseridos no SISCOFIS ficam armazenados em um banco de dados</p><p>no CITEx, cuja carga é realizada em períodos intermitentes, cuja periodicidade varia</p><p>conforme as regras estabelecidas pelo COLOG, que é o gestor do sistema. Esses</p><p>dados permitem consultar informações em tempo real acerca da disponibilidade de</p><p>ESSA Módulo III</p><p>51/53</p><p>material, relatórios de consumo, entre outros, e são alimentados pelos seguintes</p><p>sistemas:</p><p>Figura 6 – Armazenamento dos dados do SIMATEx</p><p>A utilização total do Sistema ocorre quando são realizados pela OM os</p><p>seguintes procedimentos diretamente no SISCOFIS: inclusões de bens no</p><p>patrimônio, movimentações internas, reclassificação de material, pedido de material,</p><p>boletins administrativos, saída de bens de patrimônio, relatórios, inventários, dentre</p><p>outros que representam a totalidade das operações de mutação patrimonial e de</p><p>controle de material de uma Organização Militar.</p><p>A operação do sistema requer conhecimentos sobre a navegação entre os</p><p>menus e acerca do fluxo de entrada dos dados, que precisa iniciar, por exemplo,</p><p>com o cadastro do número do boletim por onde será veiculada a publicidade do ato</p><p>em registro. Todavia, esse conhecimento de navegação no sistema será</p><p>apresentado a você por meio de uma Apostila específica apensa a este material.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>52/53</p><p>ENCERRAMENTO</p><p>Encerramos a 1ª parte do módulo 3 e neste módulo estudamos a evolução da</p><p>Administração Pública, os processos do Setor de Patrimônio, os conceitos</p><p>patrimoniais e os sistemas de apoio à gestão. A seguir, a 2ª parte deste módulo irá</p><p>tratar sobre operações básicas no SISCOFIS. Caso você possua alguma dúvida,</p><p>retome os estudos ou entre em contato com o seu tutor.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>53/53</p><p>Referências</p><p>BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,</p><p>DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</p><p>BRASIL. Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964. Normas de Contabilidade da União.</p><p>Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm</p><p>BRASIL. Decreto nº 98.820, de 12 de janeiro de 1990. Regulamenta de Administração</p><p>do Exército. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1990. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D98820.htm</p><p>BRASIL. Decreto nº 6.976, de 7 de outubro de 2009. Cria o Sistema de Contabilidade</p><p>Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2009. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6976.htm</p><p>BRASIL. Manual SIAFI item 020330 – Depreciação, Amortização e Exaustão.</p><p>Disponível em:</p><p>. Acesso em 16 NOV 21.</p><p>JUND, Sérgio. Administração, Orçamento e Contabilidade Pública. 2º Ed. Rio de</p><p>Janeiro: Campus/Elsevier, 2007.</p><p>BRITO JUNIOR, I. Gestão estratégica de armazenagem. Curitiba: IESDE, 2010.</p><p>ENAP, Didáticos. Gestão de Materiais. Renato Ribeiro Fenili/revisores Vandeir Luiz da</p><p>Silva e Manuela Deolinda dos Santos da Silva Pires. – 1.ed – Brasília: ENAP, 2015.</p><p>FENILI, R. R. Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais: Abordagem</p><p>Completa. 3ª edição. São Paulo: Ed. Método, 2014</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D98820.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6976.htm</p><p>https://conteudo.tesouro.gov.br/manuais/index.php?option=com_content&view=article&id=1565:020330-depreciacao-amortizacao-e-exaustao-na-adm-dir-uniao-aut-e-fund&catid=749&Itemid=700</p><p>https://conteudo.tesouro.gov.br/manuais/index.php?option=com_content&view=article&id=1565:020330-depreciacao-amortizacao-e-exaustao-na-adm-dir-uniao-aut-e-fund&catid=749&Itemid=700</p><p>https://conteudo.tesouro.gov.br/manuais/index.php?option=com_content&view=article&id=1565:020330-depreciacao-amortizacao-e-exaustao-na-adm-dir-uniao-aut-e-fund&catid=749&Itemid=700</p><p>administrador público e o agente político.</p><p>Nesse modelo de gestão, o administrador público era impelido a cumprir</p><p>essencialmente o que lhe determinasse a lei. As leis, elaboradas pelo poder</p><p>legislativo, formado por representantes do povo, obrigava-o a cumprir as</p><p>determinações da sociedade e, dessa forma, afastava-o definitivamente da figura do</p><p>administrador patrimonialista.</p><p>Mas o modelo burocrático, introduzido no Brasil a partir de 1930, começou a</p><p>perder força nas décadas de 70 e 80 quando a Administração Pública mostrou-se</p><p>ineficiente e presa a processos burocráticos intermináveis, sendo incapaz de atender</p><p>ESSA Módulo III</p><p>7/53</p><p>às demandas sociais que se tornaram amplas e diversificadas, com o avanço do</p><p>desenvolvimento social.</p><p>Modelo Gerencial</p><p>Mostrando-se ineficiente para enfrentar esses novos desafios, o sistema</p><p>burocrático começou a dar lugar ao modelo gerencial que objetiva satisfazer às</p><p>novas demandas sociais, aproximar a Administração Pública da administração</p><p>privada no que concerne ao alcance dos resultados, tendo como objeto o cidadão-</p><p>cliente.</p><p>A Administração Gerencial caracteriza-se pela existência de formas modernas</p><p>de gestão pública, modificando os critérios de aplicação do controle dos serviços</p><p>públicos, as relações estabelecidas entre o Poder Público e seus servidores e</p><p>alterando, também, a própria atuação da administração, que passa a enfatizar a</p><p>eficiência, a qualidade e a efetiva concretização do regime democrático, mediante a</p><p>participação mais intensa dos cidadãos.</p><p>A Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998, à Constituição de</p><p>1988, que, entre outros assuntos, “modifica o regime e dispõe sobre princípios e</p><p>normas da Administração Pública, servidores e agentes políticos, controle de</p><p>despesas e finanças públicas”, deixou bastante claro o marco da transformação da</p><p>Administração Pública burocrática para a gerencial, no contexto mais amplo da</p><p>reforma do Estado brasileiro.</p><p>Os aspectos da Administração Gerencial assemelham-se às técnicas</p><p>utilizadas pelas empresas privadas, em especial, o caráter competitivo e a</p><p>contenção de gastos priorizando a eficiência e a qualidade dos serviços. Cabe</p><p>ressaltar que a Administração Gerencial teve um notório avanço dentro da</p><p>Administração Pública, contudo, não rompeu em todos os sentidos com a</p><p>Administração Burocrática, sendo impossível negar a existência de setores e órgãos</p><p>na Administração Pública do Brasil que ainda se apoiam na burocracia como forma</p><p>de instrumentalizar seus processos de gestão.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>8/53</p><p>3.2. Gestão Pública</p><p>Toda organização desenvolve, no seu cotidiano, inúmeras atividades</p><p>rotineiras, que levam à produção dos mais variados resultados na forma de produtos</p><p>e serviços. Tais atividades, devido à sua natureza e à dos resultados gerados,</p><p>podem ser enquadradas na forma de processos organizacionais que, de forma</p><p>integrada, trabalham no sentido de promover a consecução dos objetivos principais</p><p>da organização, diretamente relacionados à sua missão.</p><p>Assim, Gestão Pública é a capacidade de gerenciar recursos materiais e</p><p>pessoais a fim de alcançar resultados em favor da organização, de seus usuários e</p><p>da sociedade em geral. Nesse sentido, gerenciar significa atingir objetivos pré-</p><p>estabelecidos, utilizando-se das funções administrativas: Planejamento,</p><p>Organização, Direção/Liderança e Controle.</p><p>Para o atingimento dos resultados pretendidos, os processos organizacionais</p><p>podem ser classificados em duas categorias:</p><p>3.2.1 Processos Finalísticos</p><p>Ligados à essência do funcionamento da organização, são aqueles que</p><p>caracterizam a atuação da organização e recebem apoio de outros processos</p><p>internos, gerando o produto/serviço para o cliente interno ou usuário. Os processos</p><p>organizacionais, enquadrados nesta categoria, estão diretamente relacionados ao</p><p>objetivo maior das organizações. Em um Órgão Público, um típico processo</p><p>finalístico poderia ser o de Prestação de Serviços ao Cidadão (emissão de certidões</p><p>e/ou documentos, concessão de aposentadoria, benefícios e outros).</p><p>3.2.2 Processos de Apoio</p><p>Geralmente, produzem resultados imperceptíveis ao usuário, mas são</p><p>essenciais para a gestão efetiva da organização, garantindo o suporte adequado aos</p><p>processos finalísticos. Estão diretamente relacionados à gestão dos recursos</p><p>necessários ao desenvolvimento de todos os processos da instituição. Os seus</p><p>ESSA Módulo III</p><p>9/53</p><p>produtos e serviços se caracterizam por terem como clientes, principalmente,</p><p>elementos pertencentes ao sistema (ambiente) da organização (contratação de</p><p>pessoas, aquisição de bens e materiais, desenvolvimento de tecnologia da</p><p>informação e execução orçamentário-financeira).</p><p>Ainda, acerca das funções administrativas, ensina Fayol que administração de</p><p>um negócio, para ter sucesso, é preciso que todas suas ações sejam pautadas pela</p><p>previsão, pela organização, pela coordenação, pelo comando e pelo controle. Mais</p><p>tarde, estudiosos concluíram que a coordenação e o comando eram afetos à função</p><p>“direção”. Dessa forma, o ciclo administrativo foi descrito em quatro fases:</p><p>Planejamento, Organização, Direção e Controle.</p><p>3.2.3. Função Planejamento</p><p>O planejamento envolve:</p><p>✓ Seleção de objetivos/metas (o que vai ser feito);</p><p>✓ Seleção de estratégia (a melhor maneira);</p><p>✓ Seleção do melhor programa (tarefa x tempo);</p><p>✓ Seleção do melhor método (como será feito).</p><p>3.2.4. Função Organização</p><p>A organização envolve:</p><p>✓ Estrutura dos papéis a serem executados pelas pessoas envolvidas</p><p>(quem vai fazer);</p><p>✓ A definição de funções (o que deve fazer);</p><p>✓ A relação interpessoal (limite de competência);</p><p>✓ A delegação de autoridade; e</p><p>✓ A reunião dos recursos necessários à realização dos objetivos.</p><p>3.2.5. Função Direção/Liderança</p><p>A direção é o conjunto das ações de execução do que foi planejado e envolve:</p><p>✓ As relações interpessoais (líder e liderado);</p><p>✓ A dinâmica das ações;</p><p>✓ As operações em curso;</p><p>✓ A execução das tarefas necessárias ao atingimento dos objetivos</p><p>planejados;</p><p>✓ O equilíbrio de interesses entre a organização e as pessoas; e</p><p>✓ A harmonização das pessoas (tarefa x relacionamento).</p><p>ESSA Módulo III</p><p>10/53</p><p>3.2.6. Função Controle</p><p>O controle garante, a qualquer momento, a possibilidade de se verificar se o</p><p>que foi planejado, no curso em que se encontra, será concluído a contento e se</p><p>alcançará o resultado esperado. O controle possibilita ao gerente intervir no</p><p>processo, no momento exato, para corrigir rotas em direção às metas estabelecidas.</p><p>O controle envolve:</p><p>✓ A utilização de indicadores gerenciais (números que auxiliam na</p><p>condução do empreendimento/tarefas);</p><p>✓ As verificações tempestivas do curso do empreendimento;</p><p>✓ As tomadas de decisão quanto à mudança de rumo;</p><p>✓ A revisão de todo ou parte do sistema administrativo (PODC).</p><p>Para a consecução de cada tipo de processo da organização, é necessária a</p><p>articulação de diversas ações que podem se desdobrar na execução de</p><p>subprocessos, etapas e atividades. Diante disso, poder-se-ia dizer que existe uma</p><p>hierarquia entre processos, subprocessos, etapas e atividades, como mostrado no</p><p>desenho a seguir:</p><p>Figura 1 - Hierarquia entre processos</p><p>ESSA Módulo III</p><p>11/53</p><p>3.3. Gestão Patrimonial Eficiente</p><p>Gestão Patrimonial é o terno genérico atribuído ao controle, registro e</p><p>fiscalização da correta utilização dos bens públicos. Segundo o ensinamento de</p><p>Meirelles (2008, p. 87):</p><p>Na administração particular o administrador recebe do proprietário as ordem</p><p>e instruções de como administrar as coisas que lhe são confiadas; na</p><p>Administração Pública essas ordens e instruções estão concretizadas nas</p><p>leis, regulamentos e atos específicos, dentro da moral da instituição.</p><p>Nesse contexto, cabe ao gestor o estabelecimento de regramentos internos</p><p>que assegurem a correta gestão patrimonial.</p><p>Para isso, não é suficiente a criação de</p><p>órgão ou departamento administrativo denominado setor ou departamento de</p><p>patrimônio. Cabe, concomitantemente, a revisão dos processos administrativos, da</p><p>fiscalização e da responsabilização de todos aqueles que se envolvam, direta ou</p><p>indiretamente, com os bens públicos.</p><p>Sobre a prestação de contas, o art. 70, parágrafo único, da Constituição</p><p>Federal contém o fundamento necessário à apuração das responsabilidades, ao</p><p>dispor que "prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada,</p><p>que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre [...] bens [...] públicos". Nesse</p><p>aspecto, verifica-se a necessidade de que a apuração das responsabilidades, além</p><p>de atender ao objeto da investigação, minimize a passividade administrativa perante</p><p>irregularidades e os consequentes vícios enraizados na cultura administrativa.</p><p>O gestor, nessas condições, deve atentar para a premissa de que o</p><p>planejamento e o controle na utilização dos bens públicos devem visar à</p><p>preservação do Erário e ao atendimento dos dispositivos constitucionais, das normas</p><p>gerais e das leis locais. Todavia, vale observar que a obediência às normas não</p><p>deve resultar em "lentidão" e gastos desnecessários. A Constituição Federal, nesse</p><p>sentido, inclui no rol de princípios a eficiência e a economicidade, trazendo para o</p><p>Setor Público a premissa de presteza na alocação dos seus serviços e de otimização</p><p>de recursos.</p><p>O MCASP, ao tratar dos controles desnecessários, prevê a análise de relação</p><p>custo-benefício, nos seguintes termos:</p><p>ESSA Módulo III</p><p>12/53</p><p>Nesse aspecto, vale mencionar que o controle patrimonial, que inclui o</p><p>controle do número de tombamento e do termo de responsabilidade, não deve ser</p><p>aplicado aos bens de valores irrisórios, especialmente quando o benefício</p><p>econômico gerado pelo bem for inferior ao custo de controle.</p><p>3.4. Processos do Setor de Patrimônio</p><p>Setor de Patrimônio é a designação genérica do órgão competente pelo</p><p>registro analítico dos fatos relacionados ao ingresso, movimentação e baixa dos</p><p>bens no setor público, sendo uma peça-chave para o alcance da eficiente gestão</p><p>patrimonial. Independentemente de outras denominações, importa atentar à sua</p><p>essência, que prevê o correto e eficiente controle dos bens. O Setor de Patrimônio</p><p>representa o “ambiente de controle”, onde as atividades são desenvolvidas. Envolve</p><p>o ambiente físico, a tecnologia, a expertise, os recursos humanos e financeiros, a fim</p><p>de atingir uma missão.</p><p>A missão do Setor de Patrimônio pode ser definida como: “suprir as unidades</p><p>administrativas de bens materiais necessários e indispensáveis para que elas</p><p>realizem seus objetivos, controlando e protegendo os bens públicos e patrocinando</p><p>seu uso racional”.</p><p>Aos servidores com função de chefia, compete controlar a execução dos</p><p>programas afetos à sua área de responsabilidade e zelar pela observância das</p><p>normas legais e regulamentares que orientam as respectivas atividades. Para</p><p>imputar essa responsabilidade, é necessário que a estrutura, a distribuição de</p><p>MCASP – 8ª Edição</p><p>Item 4.6.1.1. (...) Nesse sentido, a Constituição Federal prevê o Princípio da Economicidade</p><p>(art. 70), que se traduz na relação custo-benefício. Assim, os controles devem ser suprimidos</p><p>quando se apresentarem como meramente formais ou cujo custo seja evidentemente superior ao</p><p>risco.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>13/53</p><p>competências e as atribuições de cada unidade estejam claramente definidas em lei</p><p>ou regulamento.</p><p>Assim, a autoridade competente do Órgão Público/Entidade para instituir a</p><p>gestão patrimonial, deve estruturar os processos, precisando para isso:</p><p>✓ Definir atribuições;</p><p>✓ Estabelecer responsabilidades;</p><p>✓ Estabelecer metodologia;</p><p>✓ Institucionalizar a gestão patrimonial; e</p><p>✓ Suprir dos recursos necessários.</p><p>São recursos necessários ao Setor de Patrimônio:</p><p>✓ Mão-de-obra: servidores à disposição do setor;</p><p>✓ Management: gestão;</p><p>✓ Máquinas/equipamentos: computadores; mesas e equipamentos;</p><p>✓ Meio-ambiente: local onde vai funcionar; local de armazenagem;</p><p>✓ Medidas: estabelecimento de quantidade, qualidade, padronização;</p><p>✓ Métodos: conjunto das atividades que comporão a gestão do</p><p>almoxarifado.</p><p>São diretrizes da Gestão Patrimonial:</p><p>✓ Qualquer servidor público será responsável pelo dano que causar, ou</p><p>para o qual concorrer, a qualquer bem público, que esteja ou não sob</p><p>sua guarda;</p><p>✓ É vedado o uso particular de qualquer bem público, salvo o uso</p><p>autorizado por lei;</p><p>✓ Todo documento que se referir a qualquer bem público, deve,</p><p>obrigatoriamente, mencionar o número do seu registro patrimonial;</p><p>✓ É vedado o reaproveitamento de um número de registro patrimonial</p><p>dado a um bem, ainda que o mesmo tenha sido baixado do acervo</p><p>patrimonial;</p><p>✓ É vedada a movimentação ou o deslocamento de qualquer bem</p><p>patrimonial desacompanhado da documentação legal;</p><p>✓ Em caso de reparo de bens, o número de registro patrimonial deve ser</p><p>mantido, para fins de pronta identificação do bem;</p><p>✓ Os bens patrimoniais que ingressarem nos órgãos ou entidades</p><p>públicas por empréstimo ou cessão, serão cadastrado, terão controle</p><p>especial, mas não receberão registro patrimonial de tombamento;</p><p>✓ Os bens adquiridos com recursos de convênios ou contratos que</p><p>contiverem período de carência serão cadastrados e terão controle</p><p>especial, mas só receberão o registro patrimonial quando encerrado o</p><p>prazo.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>14/53</p><p>Na estruturação do setor de patrimônio, os agentes administrativos</p><p>integrantes devem possuir amplo conhecimento do regime jurídico da entidade e da</p><p>legislação que envolve a matéria patrimonial, enfatizando, nesse aspecto, a</p><p>necessidade de boa comunicação com os Setores de Aquisição, Licitação e</p><p>Contratos (SALC) e Setor Financeiro.</p><p>As atribuições do Setor de Patrimônio visam assegurar a correta evidenciação</p><p>do ingresso e da movimentação dos bens da entidade. Entretanto, é importante</p><p>frisar que algumas atribuições são privativas ou exclusivas de determinadas</p><p>profissões.</p><p>A Resolução nº 560/1983, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC),</p><p>determina que a execução de atividades relativas à “organização e operação dos</p><p>sistemas de controle patrimonial, inclusive quanto à existência e localização física</p><p>dos bens” é atribuição privativa dos profissionais da contabilidade, ou seja, deve ser</p><p>superintendida por contabilistas, sendo permitido o auxílio, na sua execução, por</p><p>agentes públicos sem a mesma formação.</p><p>É importante destacar que não cabe atribuir ao Setor de Patrimônio a</p><p>responsabilidade pela administração do patrimônio e dos estoques, pois essa</p><p>atividade é inerente ao gestor da entidade. Equivocar-se nesse sentido é propiciar</p><p>um grande desgaste do setor de patrimônio com as demais áreas, uma vez que o</p><p>seu responsável, ao receber a atribuição de administrador de bens patrimoniais,</p><p>normalmente não é investido da competência necessária para a determinação de</p><p>procedimentos a serem observados pelos outros agentes.</p><p>Nessa senda, ainda, é imperioso que seja obedecido o princípio da</p><p>segregação de funções, o que implica na separação das responsabilidades pelas</p><p>diversas ações no processo de obtenção, recebimento e distribuição dos materiais.</p><p>3.5. Conceitos Básicos Patrimoniais</p><p>3.5.1. Definição de Ativo</p><p>Ativos de uma entidade são os bens e direitos que ela possui e que podem</p><p>ser convertidos em meios monetários, proporcionando ganhos. Por bens,</p><p>ESSA Módulo III</p><p>15/53</p><p>conhecemos: o dinheiro em caixa, móveis e imóveis, maquinários, estoque de</p><p>mercadorias. Já por direitos, conhecemos o direito de uso de uma marca ou brasão.</p><p>O Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Público (MCASP), 8ª Edição,</p><p>conceitua Ativo como “um recurso controlado no presente pela entidade como</p><p>resultado de evento passado”.</p><p>Nesse sentido, recurso é um item com potencial de serviços ou com a</p><p>capacidade de gerar</p><p>benefícios econômicos. A forma física não é uma condição</p><p>necessária para um recurso. O potencial de serviços ou a capacidade de gerar</p><p>benefícios econômicos podem surgir diretamente do próprio recurso ou dos direitos</p><p>de sua utilização.</p><p>Alguns recursos incluem os direitos da entidade a uma série de benefícios,</p><p>inclusive, por exemplo, o direito a:</p><p>a. utilizar os recursos para a prestação de serviços (inclusive bens);</p><p>b. utilizar os recursos de terceiros para prestar serviços como, por exemplo,</p><p>arrendamento mercantil;</p><p>c. converter o recurso em caixa por meio da sua alienação;</p><p>d. beneficiar-se da valorização do recurso; ou</p><p>e. receber fluxos de caixa.</p><p>Os benefícios econômicos correspondem a entradas de caixa ou a reduções</p><p>das saídas de caixa. As entradas de caixa (ou as reduções das saídas de caixa)</p><p>podem derivar, por exemplo, da utilização do ativo na produção e na venda de</p><p>serviços ou da troca direta do ativo por caixa ou por outros recursos.</p><p>O potencial de serviços é a capacidade de prestar serviços que contribuam</p><p>para alcançar os objetivos da entidade. O potencial de serviços possibilita a entidade</p><p>alcançar os seus objetivos sem, necessariamente, gerar entrada líquida de caixa,</p><p>como, por exemplo, ativos do patrimônio cultural, de defesa nacional, entre outros.</p><p>O controle do recurso envolve a capacidade da entidade em utilizar o recurso</p><p>(ou controlar o uso por terceiros) de modo que haja a geração do potencial de</p><p>ESSA Módulo III</p><p>16/53</p><p>serviços ou dos benefícios econômicos originados do recurso para o cumprimento</p><p>dos seus objetivos de prestação de serviços, entre outros.</p><p>Para avaliar se a entidade controla o recurso no presente, deve ser observada</p><p>a existência dos seguintes indicadores de controle:</p><p>a. propriedade legal;</p><p>b. acesso ao recurso ou a capacidade de negar ou restringir o acesso a</p><p>esses;</p><p>c. meios que assegurem que o recurso seja utilizado para alcançar os seus</p><p>objetivos; ou</p><p>d. a existência de direito legítimo ao potencial de serviços ou à capacidade</p><p>para gerar os benefícios econômicos advindos do recurso.</p><p>Embora esses indicadores não sejam conclusivos acerca da existência do</p><p>controle, sua identificação e análise podem subsidiar essa decisão. A propriedade</p><p>legal do recurso não é uma característica essencial de um ativo, mas é um indicador</p><p>de controle.</p><p>Os ativos fazem parte das Contas Patrimoniais, sendo encontrados no lado</p><p>positivo do Balanço Patrimonial. Eles são classificados em ordem decrescente do</p><p>grau de liquidez. E o que isso significa? Os ativos começam com aqueles que</p><p>podem ser convertidos mais rapidamente em dinheiro.</p><p>3.5.2. Reconhecimento e Desreconhecimento do Ativo</p><p>Um ativo deve ser reconhecido, ou seja, deve passar a integrar a carga da</p><p>OM, quando:</p><p>▪ Satisfizer a definição de ativo; e</p><p>▪ Puder ser mensurado de maneira que observe as características</p><p>qualitativas, levando em consideração as restrições sobre a informação</p><p>contábil.</p><p>Também são reconhecidos no ativo os depósitos caracterizados como</p><p>entradas compensatórias no ativo e no passivo financeiro. São exemplos desses</p><p>ESSA Módulo III</p><p>17/53</p><p>depósitos as cauções em dinheiro para garantia de contratos, consignações a pagar,</p><p>retenção de obrigações de terceiros a recolher e outros depósitos com finalidades</p><p>especiais, como os para garantia de recursos.</p><p>O desreconhecimento é o processo de avaliar se ocorreram mudanças, desde</p><p>a data do relatório anterior, que justifiquem a remoção de elemento que tenha sido</p><p>previamente reconhecido nas demonstrações contábeis, bem como remover esse</p><p>item se tais mudanças ocorrerem.</p><p>O reconhecimento do ativo envolve a avaliação da incerteza relacionada à</p><p>existência e à mensuração do elemento. As condições que dão origem à incerteza,</p><p>se existirem, podem mudar. Portanto, é importante que a incerteza seja avaliada em</p><p>cada data da demonstração contábil.</p><p>Desse modo, pode-se estabelecer como premissa básica, que qualquer</p><p>objeto, seja ele permanente, de consumo ou intangível, que for controlado pela</p><p>Unidade Gestora no presente e representar um potencial de prestação de serviços</p><p>(utilidade) ou possuir a capacidade de gerar benefícios econômicos futuros</p><p>(alienação, transferência) deve estar na carga da organização.</p><p>3.5.3. Classificação dos Ativos</p><p>Quanto à temporalidade, os ativos se classificam em Ativo Circulante e Ativo</p><p>Não Circulante. Os ativos devem ser classificados como circulantes, quando</p><p>satisfizerem a um dos seguintes critérios:</p><p>i. estiverem disponíveis para realização imediata; e</p><p>ii. possuírem a expectativa de realização em até doze meses.</p><p>Os demais ativos, que não satisfaçam essas condições, devem ser</p><p>classificados como não circulantes.</p><p>Os Ativos Circulantes, portanto, são aqueles que possuem maior liquidez,</p><p>isto é, podem ser convertidos em meios monetários mais rapidamente. No ramo</p><p>empresarial são também chamados de capital de giro.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>18/53</p><p>Os Ativos Circulantes se dividem em três categorias para melhor</p><p>compreensão da destinação desses recursos na entidade:</p><p>– Disponibilidades: dinheiro em conta que está disponível para uso a</p><p>qualquer momento. É o tipo de ativo com maior liquidez entre todos. Exemplo: valor</p><p>na conta limite de saque.</p><p>– Créditos: são ganhos da Unidade Gestora, mas que ainda não possuem</p><p>acesso imediato. Um exemplo deles são as dívidas por indenização a receber por</p><p>GRU.</p><p>– Estoques: tudo que a Unidade Gestora possui armazenado e ainda não foi</p><p>disponibilizado para uso no serviço, mas que possui potencial de poder vir a ser</p><p>utilizado. Isso significa que são itens que podem ser transformados em serviço ou</p><p>alienados e transferidos rapidamente, por isso fazem parte do ativo circulante.</p><p>Por sua vez, os Ativos Não Circulantes são aqueles de permanência</p><p>duradoura em uma Organização Militar, sendo responsáveis pelo seu funcionamento</p><p>normal. São os Ativos Não Circulantes que permitem que as atividades operacionais</p><p>sejam realizadas, à medida que representam as instalações do aquartelamento, o</p><p>maquinário, os equipamentos e os direitos intangíveis empregados nas atividades</p><p>finalísticas da Unidade de modo permanente.</p><p>Esse tipo de ativo permanece em uma entidade além do tempo de exercício</p><p>social, já que sua liquidez é menor. Assim, eles representam os recursos que</p><p>levarão mais tempo para serem utilizados ou depreciados.</p><p>Os Ativos Não Circulantes podem ser divididos em quatro grupos:</p><p>1- Realizável a longo prazo;</p><p>2- Investimentos;</p><p>3- Imobilizado;</p><p>4- Intangível.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>19/53</p><p>Para um melhor entendimento, serão explicitados mais detalhadamente a</p><p>seguir o grupo estoque do Ativo Circulante e todos os grupos do Ativo Não</p><p>Circulante.</p><p>3.5.4. Ativo Estoques</p><p>A normatização dos procedimentos contábeis relativos aos estoques foi</p><p>elaborada com base na Norma Brasileira de Contabilidade (NBC TSP) 04 –</p><p>Estoques, do Conselho Federal de Contabilidade, observando também a</p><p>International Public Sector Accounting Standards (IPSAS) 12 – Inventories, do</p><p>International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB) e a legislação</p><p>brasileira, quando aplicável.</p><p>Como visto, os Estoques são os valores referentes à existência de produtos</p><p>acabados, produtos em elaboração, matérias-primas, mercadorias, materiais de</p><p>consumo, serviços em andamento e outros valores relacionados às atividades-fim da</p><p>entidade ou ao uso no próprio curso ordinário das atividades da Organização Militar,</p><p>que se destinam ao consumo na vida vegetativa.</p><p>Segundo o MCASP, os estoques são ativos:</p><p>a. na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos no processo</p><p>de produção;</p><p>b. na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou</p><p>empregados na prestação de serviços;</p><p>c. mantidos para venda, incluindo, por exemplo, mercadorias compradas por</p><p>varejista para revenda ou terrenos e outros imóveis para revenda;</p><p>ou</p><p>d. mantidos para distribuição no curso normal das operações ou no processo</p><p>de produção, incluindo, por exemplo, livros didáticos para doação a</p><p>escolas.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>20/53</p><p>Alguns estoques do setor público podem incluir:</p><p>a. munição;</p><p>b. estoque de material de consumo;</p><p>c. material de manutenção e expediente;</p><p>d. peças de reposição para instalações industriais e equipamentos, exceto</p><p>aquelas tratadas pelas normas de ativos imobilizados;</p><p>e. estoques estratégicos (por exemplo, reservas de energia);</p><p>f. estoques de moeda não emitida;</p><p>g. materiais de serviço postal mantidos para venda (por exemplo, selos);</p><p>h. serviços em andamento, incluindo os gastos já aplicados;</p><p>i. materiais educacionais (didáticos) ou para treinamento;</p><p>j. serviços a clientes (por exemplo, serviços de consultoria e informática) que</p><p>são vendidos sob valores normais de mercado em transação sem</p><p>favorecimentos; e</p><p>k. terrenos e propriedades mantidos para venda.</p><p>Os estoques devem ser mensurados, ou seja, incluídos em carga, pelo seu</p><p>valor de custo histórico ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor, exceto:</p><p>a. os estoques adquiridos por meio de transação sem contraprestação, que</p><p>devem ser mensurados pelo seu valor justo, na data da aquisição;</p><p>b. os bens de almoxarifado, que devem ser mensurados pelo preço médio</p><p>ponderado das compras, em conformidade com o inciso III do art. 106 da Lei</p><p>4.320/1964;</p><p>c. distribuição gratuita ou por valor irrisório, que podem ser mensurados pelo</p><p>custo corrente de reposição.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>21/53</p><p>Para a mensuração dos estoques, seguem-se os seguintes conceitos:</p><p>Custo histórico: a quantia fornecida para se adquirir ou desenvolver um</p><p>ativo, o qual corresponde ao caixa ou equivalentes de caixa ou o valor de outra</p><p>quantia fornecida à época de sua aquisição ou desenvolvimento. O termo “custo</p><p>histórico” também pode ser apresentado como “modelo de custo” ou, genericamente,</p><p>como “mensuração baseada em custos”.</p><p>Custo corrente de reposição: é o custo que a entidade incorreria para</p><p>adquirir o mesmo ativo na data da demonstração contábil.</p><p>Valor realizável líquido: É o preço estimado de venda no curso normal das</p><p>operações, menos os custos estimados para a conclusão e os custos estimados de</p><p>venda, troca ou distribuição. O valor realizável líquido pode não ser equivalente ao</p><p>valor justo deduzido dos gastos necessários para vender. O valor justo reflete a</p><p>quantia pela qual o mesmo estoque pode ser trocado entre compradores e</p><p>vendedores bem informados e dispostos a isso, não sendo específico para a</p><p>entidade.</p><p>Na apuração do valor de custo dos estoques deve-se incluir todos os custos</p><p>de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os</p><p>estoques à sua condição e localização atuais, dentre os quais:</p><p>a. o preço de compra, incluindo os impostos e outros tributos não</p><p>recuperáveis;</p><p>c. frete (transporte) e seguros;</p><p>e. manuseio e transbordo; e</p><p>f. outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados,</p><p>materiais e suprimentos.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>22/53</p><p>3.5.5. Ativo Realizável a longo prazo</p><p>São da mesma natureza do Ativo Circulante, porém, como o próprio nome já</p><p>diz, os Ativos Realizáveis a longo prazo são referentes aos bens e direitos da</p><p>Unidade Gestora cujas realizações se darão no longo prazo, ou seja, após o término</p><p>do exercício financeiro.</p><p>Além desse fator, as contas de direitos sem prazo de vencimento também</p><p>fazem parte do grupo de Ativos Realizáveis a Longo Prazo. Afinal, na contabilidade,</p><p>quando não há determinação do tempo de vencimento significa que ele é de longa</p><p>duração.</p><p>São exemplos desse tipo de ativo de uma entidade militar: aplicações</p><p>financeiras de longo prazo junto ao Fundo do Exército; valores a receber de</p><p>convênios com longa duração; adiantamentos para compra de produtos com</p><p>previsão futura de fornecimento, como no caso do COLOG ao adquirir combustível</p><p>da Petrobrás, sem definição imediata para o prazo de entrega, entre outros.</p><p>3.5.6. Ativo Investimentos</p><p>Os Investimentos como subgrupo do Ativo Não Circulante se classificam em</p><p>participações e aplicações societárias permanentes. Eles têm como objetivo gerar</p><p>rendimento para a Unidade Gestora, desde que esses bens e direitos não se</p><p>destinem à manutenção das atividades de uma organização.</p><p>Os exemplos desse subgrupo podem ser definidos como: obras de arte,</p><p>investimento em ouro, propriedades para investimento, terrenos e imóveis para</p><p>futura utilização, investimentos e participações em empresas, entre outros.</p><p>3.5.7. Ativo Imobilizado</p><p>A normatização dos procedimentos contábeis relativos ao Ativo Imobilizado</p><p>no Setor Público foi elaborada em consonância com a Norma Brasileira de</p><p>Contabilidade (NBC TSP) – 07 – Ativo Imobilizado.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>23/53</p><p>O Ativo Imobilizado corresponde aos itens tangíveis que são mantidos para o</p><p>uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços, ou para fins administrativos,</p><p>inclusive os decorrentes de operações que transfiram para a entidade os benefícios,</p><p>riscos e controle desses bens, cuja utilização se dará por mais de um período</p><p>(exercício).</p><p>Existem quatro requisitos para se definir um Ativo Imobilizado:</p><p>– ser mantido por uma unidade gestora para uso na produção de mercadorias</p><p>ou serviços, relativas às atividades finalísticas da entidade ou utilizados nas áreas</p><p>administrativas;</p><p>– ser usado por mais de 12 (doze) meses;</p><p>– gerar benefícios econômicos para a organização;</p><p>– ser possível mensurar.</p><p>Os itens do Ativo Imobilizado são comumente classificados em dois</p><p>subgrupos:</p><p>a. Bens Móveis: compreende os bens que têm existência material e que</p><p>podem ser transportados por movimento próprio ou removidos por força alheia, sem</p><p>alteração da substância ou da destinação econômico-social. São exemplos de bens</p><p>móveis: as máquinas, aparelhos, equipamentos, ferramentas, bens de informática</p><p>(equipamentos de processamento de dados e de tecnologia da informação), móveis</p><p>e utensílios, materiais culturais, educacionais e de comunicação, veículos, bens</p><p>móveis em andamento, dentre outros.</p><p>b. Bens Imóveis: compreende os bens vinculados ao terreno (solo) que não</p><p>podem ser retirados, sem destruição ou dano. São exemplos desse tipo de bem: os</p><p>imóveis residenciais, comerciais, edifícios, terrenos, viadutos, obras em andamento,</p><p>hospitais, dentre outros.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>24/53</p><p>Os bens imóveis classificam-se em:</p><p>a. Bens de uso especial: compreendem os bens, tais como edifícios ou</p><p>terrenos, destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal,</p><p>estadual ou municipal, inclusive os de suas autarquias e fundações públicas, como</p><p>imóveis residenciais, terrenos, glebas, aquartelamentos, açudes, fazendas, museus,</p><p>hospitais, hotéis dentre outros.</p><p>b. Bens dominiais/dominicais: compreendem os bens que constituem o</p><p>patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal,</p><p>ou real, de cada uma dessas entidades. São bens não afetados pela prestação de</p><p>serviço público e podem ser postos à venda por decisão administrativa.</p><p>Compreende, ainda, não dispondo a lei em contrário, os bens pertencentes às</p><p>pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado,</p><p>como apartamentos, armazéns, casas, terrenos, lojas, dentre outros.</p><p>c. Bens de uso comum do povo: podem ser entendidos como os de domínio</p><p>público, construídos ou não por pessoas jurídicas de direito público, como praças,</p><p>ruas, etc.</p><p>d. Bens imóveis em andamento: compreendem os valores de bens imóveis</p><p>em andamento, ainda não concluídos. Exemplos: obras em andamento, estudos e</p><p>projetos (que englobem limpeza do terreno, serviços topográficos etc), benfeitoria</p><p>em propriedade de terceiros, dentre outros.</p><p>e. Demais bens imóveis: compreendem os bens imóveis</p><p>não classificados</p><p>anteriormente. Exemplo: bens imóveis locados para terceiros, imóveis em poder de</p><p>terceiros, dentre outros.</p><p>Os itens do Ativo Imobilizado estão sujeitos à depreciação ou à exaustão, cuja</p><p>apuração deve ser feita mensalmente, quando o item do ativo estiver em condições</p><p>de uso. Ao final de cada exercício financeiro, recomenda-se que a entidade realize a</p><p>ESSA Módulo III</p><p>25/53</p><p>revisão da vida útil e do valor residual do item do ativo. Ao fim da depreciação e da</p><p>exaustão, o Valor Líquido Contábil deve ser igual ao Valor Residual.</p><p>Nesse prisma, o Valor Líquido Contábil corresponde ao valor do bem</p><p>registrado na Contabilidade, em determinada data, deduzido da correspondente</p><p>depreciação, amortização ou exaustão acumulada, bem como das perdas</p><p>acumuladas por redução ao valor recuperável.</p><p>Por sua vez, o Valor Residual de um Ativo é o valor estimado que a entidade</p><p>obteria com a alienação do ativo, caso o ativo já tivesse a idade, a condição e o</p><p>tempo de uso esperados para o fim de sua vida útil. O cálculo do valor residual é</p><p>efetuado por estimativa, sendo seu valor determinado antes do início da</p><p>depreciação. Assim, o valor residual seria o valor de mercado depois de efetuada</p><p>toda a depreciação. O valor residual é determinado para que a depreciação não seja</p><p>incidente em 100% (cem por cento) do valor do bem, e dessa forma não sejam</p><p>registradas variações patrimoniais diminutivas, além das realmente ocorridas.</p><p>Nas transferências de ativos, o valor a atribuir deve ser o valor líquido contábil</p><p>constante dos registros da entidade de origem. Em caso de divergência deste critério</p><p>com o fixado no instrumento de autorização da transferência, o fato deve ser</p><p>evidenciado em notas explicativas.</p><p>A entidade deverá aplicar o princípio geral de reconhecimento para todos os</p><p>ativos imobilizados no momento em que os custos são incorridos, incluindo os</p><p>custos iniciais e os subsequentes. Antes de efetuar a avaliação ou mensuração de</p><p>ativos, faz-se necessário o reconhecimento do bem como ativo.</p><p>O Ativo Imobilizado, incluindo os gastos adicionais ou complementares, é</p><p>reconhecido inicialmente com base no valor de aquisição, produção ou construção.</p><p>Itens, como peças de reposição, equipamentos sobressalentes e equipamentos de</p><p>manutenção, devem ser reconhecidos como Ativo Imobilizado, quando atenderem à</p><p>definição. Caso não atendam à definição de Ativo Imobilizado, devem ser</p><p>classificados como estoques.</p><p>O custo de um item do imobilizado deve ser reconhecido como ativo sempre</p><p>que for provável que benefícios econômicos futuros ou potencial de serviços</p><p>associados ao item fluirão para a entidade; e se o custo ou valor justo do item puder</p><p>ESSA Módulo III</p><p>26/53</p><p>ser mensurado com segurança. Partindo dessa premissa, o item do imobilizado deve</p><p>ter uma base monetária confiável.</p><p>Assim, a entidade não reconhece no valor contábil de um item do Ativo</p><p>Imobilizado os custos da manutenção periódica do item (por exemplo: custos de</p><p>mão-de-obra, produtos consumíveis). Esses custos são reconhecidos no resultado</p><p>do exercício quando incorridos.</p><p>A entidade deve reconhecer no valor contábil de um item do ativo imobilizado</p><p>o custo da reposição de parte desse item, sempre que houver uma melhoria ou</p><p>adição complementar significativa no bem e se o custo puder ser mensurado com</p><p>segurança. Além disso, o valor contábil das peças que são substituídas deve ser</p><p>desreconhecido.</p><p>Assim, os gastos posteriores à aquisição ou ao registro de elemento do Ativo</p><p>Imobilizado devem ser incorporados ao valor desse ativo quando houver</p><p>possibilidade de aumento e geração de benefícios econômicos futuros ou potenciais</p><p>de serviços.</p><p>Via de regra, os equipamentos militares especializados geralmente se</p><p>enquadram na definição de ativo imobilizado, devendo ser reconhecidos como ativo.</p><p>Quando se tratar de Ativos Imobilizados obtidos a título gratuito, estes devem</p><p>ser registrados pelo valor justo na data de sua aquisição, sendo que deverá ser</p><p>considerado o valor resultante da avaliação obtida com base em procedimentos</p><p>técnicos ou o valor patrimonial definido nos termos da doação.</p><p>3.5.8. Ativo Intangível</p><p>A normatização dos procedimentos contábeis relativos ao Ativo Intangível foi</p><p>elaborada em consonância com a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC TSP) 08</p><p>– Ativo Intangível.</p><p>Ativo Intangível é um ativo não monetário, sem substância física, identificável,</p><p>controlado pela entidade e gerador de benefícios econômicos futuros ou potencial de</p><p>serviços.</p><p>Os Ativos Intangíveis, portanto, são os bens incorpóreos. Diferentemente do</p><p>Ativo Imobilizado, eles não são capazes de serem vistos ou tocados e não têm</p><p>ESSA Módulo III</p><p>27/53</p><p>existência física. Mas, apesar de não possuírem caráter físico, os ativos intangíveis</p><p>têm valor econômico e contábil. Um Ativo Intangível só é reconhecido contabilmente</p><p>se os benefícios que este gerar futuramente sejam em favor da organização, e se for</p><p>possível mensurar o custo do ativo.</p><p>São exemplos de ativos intangíveis: softwares, direitos de uso, marcas,</p><p>patentes, direitos de exploração de serviços públicos, licenças, direitos autorais,</p><p>entre outros.</p><p>No entanto, um ativo somente irá se enquadrar na condição de ativo</p><p>intangível quando puder ser identificável, controlado e gerador de benefícios</p><p>econômicos futuros ou potencial de serviços. Caso estas características não sejam</p><p>atendidas, o gasto incorrido na sua aquisição ou produção interna dever ser</p><p>reconhecido como variação patrimonial diminutiva (despesa).</p><p>A satisfação do critério identificação ocorre quando:</p><p>a. for separável, ou seja, puder ser separado da entidade e vendido,</p><p>transferido, licenciado, alugado ou trocado, individualmente ou junto com</p><p>um contrato, ativo ou passivo relacionado, independente da intenção de</p><p>uso pela entidade; ou</p><p>b. resultar de compromissos obrigatórios (incluindo direitos contratuais ou</p><p>outros direitos legais), independentemente de tais direitos serem</p><p>transferíveis ou separáveis da entidade ou de outros direitos e obrigações.</p><p>Os entes que reconhecerem e mensurarem os Ativos Intangíveis do</p><p>patrimônio cultural que possuem, além de seu valor cultural, potencial de serviços,</p><p>devem evidenciar esses bens.</p><p>Alguns Ativos Intangíveis podem estar contidos em elementos que possuem</p><p>substância física, como no caso de software ou no de licença ou patente. Para saber</p><p>se um ativo que contém elementos intangíveis e tangíveis deve ser tratado como</p><p>Ativo Imobilizado ou como Ativo Intangível, a entidade avalia qual elemento é mais</p><p>significativo. Por exemplo, um software de uma máquina-ferramenta controlada por</p><p>computador que não funciona sem esse software específico – sem similar no</p><p>ESSA Módulo III</p><p>28/53</p><p>mercado – é parte integrante do referido equipamento, devendo ser tratado como</p><p>Ativo Imobilizado. O mesmo se aplica ao sistema operacional de um computador.</p><p>Quando o software não é parte integrante do respectivo hardware, ele deve ser</p><p>tratado como Ativo Intangível.</p><p>O custo de ativo intangível gerado internamente que se qualifica para o</p><p>reconhecimento contábil se restringe à soma dos gastos incorridos a partir da data</p><p>em que atende aos critérios de reconhecimento, incluindo todos os gastos</p><p>necessários à criação, à produção e à preparação do ativo para ser capaz de</p><p>funcionar da forma pretendida pela administração.</p><p>3.6. Distinção entre Material Permanente e Material de Consumo</p><p>Um dos pontos nevrálgicos do controle patrimonial reside na correta</p><p>diferenciação entre as classificações 44.90.52 – Material Permanente e 44.90.30 –</p><p>Material de Consumo.</p><p>Como regra geral, é considerado Material Permanente (Elemento de Despesa</p><p>52) aquele que, em razão de seu uso corrente, não perde a sua identidade física,</p><p>e/ou tem uma durabilidade superior a 2 (dois) anos, conforme dispõe o art. 15, § 2º,</p><p>da Lei nº 4.320/1964. Já o Material de Consumo</p><p>(Elemento de Despesa 30), por</p><p>exclusão, consiste naquele que, em razão de seu uso corrente perde sua identidade</p><p>física e/ou tem sua utilização em até 2 (dois) anos.</p><p>Lei nº 4.320/1964</p><p>Art. 15. Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no mínimo por</p><p>elementos.</p><p>§ 1º Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal, material,</p><p>serviços, obras e outros meios de que se serve a administração publica para consecução dos</p><p>seus fins.</p><p>§ 2º Para efeito de classificação da despesa, considera-se material permanente o de</p><p>duração superior a dois anos. (grifei)</p><p>ESSA Módulo III</p><p>29/53</p><p>Para o Setor Privado, todavia, a Lei nº 6.404/76 define que:</p><p>Já o Dec nº 3000/99, que institui o Regulamento do Imposto de Renda, em</p><p>seu artigo 301, expressa o entendimento pelo lado do Fisco:</p><p>O Conselho Federal de Contabilidade, no corpo da NBC TG 27, que trata do</p><p>Ativo Imobilizado, explica que ativo imobilizado é o item tangível que:</p><p>Como visto acima, a Lei 4.320/64 usa o critério da duração superior a 24</p><p>(vinte e quatro) meses. Já na Lei nº 6.404/76, a análise é mais abrangente não</p><p>devendo-se levar em conta valor nem a duração, mas sim o fato do bem ser</p><p>destinado à manutenção das atividades da empresa. O Fisco, por sua vez, define o</p><p>valor de R$ 326,61 e a expectativa de vida útil superior a 1 (um) ano. Por fim, o CFC</p><p>incorpora o conceito de corporeidade e reforça a tese da Lei 6.404/76, no sentido de</p><p>que somente sejam considerados itens do permanente aqueles que se destinem à</p><p>produção de bens e serviços e que se espere utilizar por mais de um período.</p><p>Todavia, a Portaria STN nº 448/2002, assim como o MCASP, ao interpretar a</p><p>referida regra, considera que alguns bens, apesar de terem durabilidade superior a 2</p><p>(dois) anos, podem sofrer um desgaste significativo com o uso, ser perecíveis,</p><p>Lei nº 6.404/1976</p><p>Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:</p><p>IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à</p><p>manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade,</p><p>inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle</p><p>desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007)</p><p>Dec nº 3.000/1999</p><p>Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como</p><p>despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e</p><p>seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (Decreto-Lei</p><p>nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e</p><p>Lei nº 9.249, de 1995, art. 30).</p><p>ESSA Módulo III</p><p>30/53</p><p>frágeis ou mesmo destinados à incorporação ou transformação em outros bens,</p><p>fatores que os enquadraria como bens de consumo.</p><p>Dessa forma, na classificação da despesa com aquisição de material, devem</p><p>ser adotados cinco parâmetros excludentes que distinguem o material permanente</p><p>do material de consumo.</p><p>Assim, segundo o MCASP, um material é considerado de consumo caso</p><p>atenda um, e pelo menos um, dos critérios a seguir:</p><p>a. Critério da Durabilidade: se em uso normal perde ou tem reduzidas as</p><p>suas condições de funcionamento, no prazo máximo de 2 (dois) anos;</p><p>b. Critério da Fragilidade: se sua estrutura for quebradiça, deformável ou</p><p>danificável, caracterizando sua irrecuperabilidade e perda de sua identidade ou</p><p>funcionalidade;</p><p>c. Critério da Perecibilidade: se está sujeito a modificações (químicas ou</p><p>físicas) ou se deteriora ou perde suas características pelo uso normal;</p><p>d. Critério da Incorporabilidade: se está destinado à incorporação a outro</p><p>bem, e não pode ser retirado sem prejuízo das características físicas e funcionais do</p><p>principal. Pode ser utilizado para a constituição de novos bens, melhoria ou adições</p><p>complementares de bens em utilização (sendo classificado como 4.4.90.30), ou para</p><p>a reposição de peças para manutenção do seu uso normal que contenham a mesma</p><p>configuração (sendo classificado como 3.3.90.30);</p><p>e. Critério da Transformabilidade: se foi adquirido para fim de</p><p>transformação.</p><p>Ainda, além dos critérios acima, deve-se observar que o controle patrimonial</p><p>deverá ser feito baseado na relação custo-benefício desse controle, como dispõe a</p><p>Constituição Federal, no seu art. 70, que prevê o princípio da economicidade,</p><p>ESSA Módulo III</p><p>31/53</p><p>traduzido na relação custo-benefício. Assim, os controles devem ser simplificados</p><p>quando se apresentam como meramente formais ou cujos custos sejam</p><p>evidentemente superiores aos riscos.</p><p>Desse modo, nos termos do art. 7º da Portaria STN nº 448/2002, se um</p><p>material for adquirido como permanente e ficar comprovado que possui custo de</p><p>controle superior ao seu benefício, isto é, puder ser classificado como despesa de</p><p>pequeno vulto, deve ser controlado de forma simplificada, no bojo do material de</p><p>consumo, não havendo necessidade de controle por meio de número patrimonial.</p><p>Para esse quesito, a da Portaria STN nº 95/2002 dispõe que será considerada</p><p>despesas de pequeno vulto aquela cujo valor se circunscreva em até 0,25% do valor</p><p>constante na alínea "a" do inciso II do art. 23 da Lei no 8.666/93.</p><p>Assim sendo, ao se considerar que o valor definido na alínea “a”, do art. 23,</p><p>da Lei nº 8.666/93 é de R$ 176.000,00, as Unidades da Administração Direta</p><p>poderão deixar de classificar como item do permanente os bens cujo custo de</p><p>aquisição seja inferior a R$ 440,00. Interessante frisar, que em situação análoga, as</p><p>Empresas Públicas sujeitas ao Regulamento do IR, poderão adotar o procedimento</p><p>de não ativar os bens com custo inferior a R$ 326,61.</p><p>Conclusivamente, pode-se dizer que muitas instituições estão deixando de</p><p>incorporar itens com valores pequenos e também com pouca durabilidade,</p><p>justificando essa prática nos parâmetros excludentes (fragilidade, perecibilidade,</p><p>etc). Além disso, outros deixam de ativar os itens adquiridos declarando que os</p><p>custos de controle, registro e freqüente substituição dos mesmos não justificariam a</p><p>incorporação dos mesmos ao patrimônio. Outras instituições, ainda, consideram</p><p>esses itens como “materiais de consumo de uso duradouro”, fazendo apenas um</p><p>controle das saídas dos mesmos em nível de almoxarifado.</p><p>Portaria STN nº 95/2002</p><p>Art. 2º Fica estabelecido o percentual de 0,25% do valor constante na alínea "a" do inciso II</p><p>do art. 23 da Lei nº 8.666/93 como limite máximo de despesa de pequeno vulto, no caso de</p><p>compras e outros serviços, e de 0,25% do valor constante na alínea "a" do inciso I do art. 23 da Lei</p><p>supra mencionada, no caso de execução de obras e serviços de engenharia.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>32/53</p><p>No tocante à situação dos bens registrados anteriormente como permanentes</p><p>e que atualmente não mais o são, mas que permanecem registrados no patrimônio,</p><p>como por exemplo: “pen drive”, bandeiras, grampeadores comuns, mouses, etc., os</p><p>mesmos deverão ser baixados fazendo-se uma exposição de motivos, com base na</p><p>legislação vigente, nos parâmetros excludentes, em seus valores, e em outras</p><p>informações pertinentes.</p><p>Contudo, quando for necessário um controle mais rigoroso sobre alguns bens</p><p>da Instituição (peças de mobiliário, ferramentas, etc.), ainda que os mesmos tenham</p><p>sido adquiridos por um baixo valor, poderá muitas vezes ser adotado o critério de</p><p>incorporá-los ao patrimônio, tendo como base o bom senso.</p><p>Casos específicos de aplicação dos Parâmetros Excludentes</p><p>Por mais familiarizado que esteja o gestor com a lista de cinco parâmetros</p><p>excludentes, definida pela a Portaria STN nº 448/2002 e pelo MCASP, alguns bens</p><p>apresentam-se em situação de difícil catalogação. Assim, a seguir, seguem alguns</p><p>casos específicos apresentados no MCASP, quanto à correta classificação:</p><p>a) Classificação de peças não incorporáveis a imóveis (biombos,</p><p>cortinas,</p><p>divisórias removíveis, estrados, persianas, tapetes e afins): a despesa com aquisição</p><p>dessas peças deve ser classificada observando os parâmetros excludentes</p><p>(Durabilidade, Fragilidade, Perecibilidade, Incorporabilidade, Transformabilidade e</p><p>Finalidade). Geralmente os itens elencados acima são considerados material</p><p>permanente, mas não precisam ser tombados. No caso de despesas realizadas em</p><p>imóveis alugados, o ente deverá registrar como material permanente e proceder à</p><p>baixa quando entregar o imóvel, se os mesmos encontrarem-se deteriorados, sem</p><p>condições de uso.</p><p>b) Classificação de peças com maior capacidade que as existentes ou para</p><p>adições complementares (por exemplo: aquisição de uma leitora de CD para ser</p><p>instalada num Computador sem Unidade Leitora de CD): os gastos de manutenção e</p><p>reparos incorridos para manter ou recolocar os ativos em condições normais de uso,</p><p>ESSA Módulo III</p><p>33/53</p><p>sem com isso aumentar sua capacidade de produção ou período de vida útil, devem</p><p>ser classificados como material de consumo. Contudo, uma melhoria que traga como</p><p>consequência o aumento de vida útil do bem do Ativo, o incremento em sua</p><p>capacidade produtiva ou da diminuição do custo operacional, como regra, aumenta o</p><p>valor contábil do bem se o custo das novas peças for maior que o valor líquido</p><p>contábil das peças substituídas. Caso contrário, o valor contábil não será alterado.</p><p>As adições complementares, por sua vez, que aumentam o tamanho físico do ativo</p><p>por meio de expansão, extensão, etc. são sempre agregadas ao valor contábil do</p><p>bem.</p><p>c) Classificação de despesa com aquisição de Material Bibliográfico: os livros</p><p>e demais materiais bibliográficos apresentam características de material permanente</p><p>(durabilidade superior a 2 (dois) anos, não é quebradiço, não é perecível, não é</p><p>incorporável a outro bem, não se destina a transformação). Porém, o artigo 18, da</p><p>Lei 10.753/2003, considera os livros adquiridos para bibliotecas públicas como</p><p>material de consumo. Todavia, as demais bibliotecas devem classificar a despesa</p><p>com aquisição de material bibliográfico como material permanente.</p><p>d) Classificação de despesa com remodelação, restauração, manutenção e</p><p>outros, quando ocorrer aumento da vida útil: quando o serviço se destina a manter o</p><p>bem em condições normais de operação, não resultando em aumento relevante da</p><p>vida útil do bem, a despesa orçamentária é corrente. Caso as melhorias resultem em</p><p>aumento significativo da vida útil do bem, a despesa orçamentária é de capital,</p><p>devendo o valor do gasto ser incorporado ao ativo.</p><p>e) Classificação de despesa com aquisição de pen-drive, canetas ópticas,</p><p>token e similares: a aquisição será classificada como material de consumo, na</p><p>natureza da despesa 339030, tendo em vista que são abarcadas pelo critério da</p><p>fragilidade. Os bens serão controlados como materiais de uso duradouro, por</p><p>simples relação-carga, com verificação periódica das quantidades de itens</p><p>requisitados, devendo ser considerado o princípio da racionalização do processo</p><p>ESSA Módulo III</p><p>34/53</p><p>administrativo para a instituição pública, ou seja, o custo do controle não pode</p><p>exceder os seus benefícios.</p><p>f) Classificação de colchão: é enquadrado, via de regra, como material</p><p>permanente. Todavia, se for adquirido para utilização em leitos hospitalares ou para</p><p>emprego no alojamento da guarda do quartel, resultando em uma deteriorização</p><p>precoce ou perda das características normais de uso, sendo afetado por</p><p>modificaçções físicas ou químicas, o que o enquadra no fator excludente da</p><p>perecibilidade, poderá ser classificado como material de consumo.</p><p>g) Classificação de jarra de vidro: normalmente será adquirida como material</p><p>permanente, em vista de sua durabilidade projetada ser superior a 2 (dois) anos.</p><p>Todavia, pelo critério da fragilidade, ao se considerar que a mesma é quebradiça a</p><p>ponto de perder totalmente a sua identidade, na ocorrência de evento furtuito, pode</p><p>ser adquirida e classificada como material de consumo. O mesmo raciocínio vale</p><p>para pen-drives e periféricos de uso administrativo.</p><p>h) Classificação de placa de memória: a substituição da placa de memória de</p><p>um determinado computador não pode ser classificada como uma despesa de</p><p>natureza permanente, em vista do critério da incorporabilidade, que enquadra como</p><p>consumo todas as peças adquiridas para reposição. No entanto, existem duas</p><p>possibilidades de enquadramento na classificação da despesa orçamentária: i) na</p><p>hipótese da nova placa ser equivalente à anterior, deve-se utilizar a ND 33.90.30; ii)</p><p>caso a nova placa seja superior à antiga, caracterizará um investimento, devendo</p><p>ser classificada na ND 44.90.30.</p><p>i) Classificação da confecção de mobiliário: pela ótica do art. 15, § 2º, da Lei</p><p>nº 4.320/64, na construção de uma mesa para tênis de mesa teríamos uma despesa</p><p>de natureza permanente. No entanto, a compra de madeira e de peças para a sua</p><p>montagem na OM, em vista do critério da transformabilidade, possibilitará o</p><p>enquadramento desses materiais como consumo. Entretanto, após a construção da</p><p>mesa, se o seu valor ultrapassar o limite considerado como despesa de pequeno</p><p>ESSA Módulo III</p><p>35/53</p><p>vulto, a mesma será incorporada ao patrimônio. Dessa forma, trata-se de materiais</p><p>de consumo que, pelo critério da transformabilidade, contribuem para a formação de</p><p>um bem de capital.</p><p>Figura 2 – Mesa para tênis de mesa</p><p>j) Classificação dos semoventes: semoventes são animais utilizados na</p><p>organização para diversas finalidades, como montaria, guarda, carga, segurança,</p><p>ensino, preservação, etc. A classificação da despesa na aquisição desses “bens”</p><p>seguirá as mesmas regras para a distinção entre bens permanentes e de consumo,</p><p>ou seja, a avaliação é realizada por meio dos parâmeros excludentes da</p><p>durabilidade, fragilidade, perecibilidade, transformabilidade e incorporabilidade. Pela</p><p>natureza desses ativos, é razoável que a análise se restringa ao critério da</p><p>durabilidade, ou seja, se o animal for adquirido para abate será classificado como</p><p>material de consumo, ao passo que se for adquirido para trabalho, produção,</p><p>reprodução e equipamento de montaria será classificado como bem permanente.</p><p>l) Classificação do material por encomenda: nessas situações, a despesa</p><p>orçamentária só deverá ser classificada como serviços de terceiros se o próprio</p><p>órgão fornecer a matéria-prima. Caso contrário, deverá ser classificada no elemento</p><p>de despesa 52, em se tratando de confecção de material permanente, ou no</p><p>elemento de despesa 30, se material de consumo. Algumas vezes ocorrem dúvidas,</p><p>em virtude de divergências entre a adequada classificação da despesa orçamentária</p><p>ESSA Módulo III</p><p>36/53</p><p>e o tipo do documento fiscal emitido pela contratada (Ex: Nota Fiscal de Serviço,</p><p>Nota Fiscal de Venda ao Consumidor, etc.). Nesses casos, a contabilidade deve</p><p>procurar bem informar, seguindo, se for necessário para tanto, a essência ao invés</p><p>da forma e buscar a consecução de seus objetivos: demonstrar o patrimônio e</p><p>controlar o orçamento. Portanto, a despesa orçamentária deverá ser classificada</p><p>independentemente do tipo de documento fiscal emitido pela contratada, devendo</p><p>ser classificada como serviços de terceiros ou material mediante a verificação do</p><p>fornecimento ou não da matéria-prima. Um exemplo clássico dessa situação é a</p><p>contratação de confecção de placas de sinalização. Nesse caso, será emitida uma</p><p>nota fiscal de serviço e a despesa orçamentária será classificada no elemento de</p><p>despesa 30 – material de consumo, pois não houve fornecimento de matéria-prima.</p><p>m) Classificação de combustíveis para obras: em regra, os combustíveis são</p><p>considerados materiais de consumo, sendo classificados na ND 33.90.30.01, mesmo</p><p>nos casos em que a nota fiscal emitida seja de serviços, devido ao contrato de</p><p>intermediação da gestão da frota. No entanto,</p><p>caso os comburentes sejam</p><p>adquiridos para emprego em obras, que ensejarão a edificação de um bem imóvel,</p><p>os mesmos devem ser adquiridos na ND 44.90.30.01. Dessa forma, será atendido</p><p>ao Princípio Contábil da Essência sobre a Forma que diz: para que a informação</p><p>represente adequadamente as transações e outros eventos que ela se propõe a</p><p>representar, é necessário que sejam contabilizados e apresentados de acordo com a</p><p>sua substância e realidade econômica, e não meramente sua forma legal.</p><p>n) Classificação de Software: os softwares podem ser tratados como ativos</p><p>imobilizados ou intangíveis, a depender de qual elemento é mais significativo. Por</p><p>exemplo, um software de uma máquina-ferramenta controlada por computador que</p><p>não funciona sem esse software específico é parte integrante do referido</p><p>equipamento, deve ser tratado como ativo imobilizado. Quando o software não é</p><p>parte integrante do respectivo hardware, ele deve ser tratado como ativo intangível.</p><p>Dessa maneira, considerando que, com a aquisição de softwares ocorre a</p><p>incorporação de ativo imobilizado ou intangível, a natureza de despesa deve ser</p><p>4.4.90.40 ou 4.4.90.52. A única diferença será com relação à classificação no</p><p>ESSA Módulo III</p><p>37/53</p><p>patrimônio, sendo classificado como imobilizado, caso seja inerente e essencial para</p><p>o funcionamento do computador (como o sistema operacional), ou intangível, no</p><p>caso dos demais (antivírus, aplicativos diversos, etc.). Alerta se faz, para os casos</p><p>em que o computador é adquirido com softwares tipo OEM inclusos, nessas</p><p>situações o computador como um todo deve ser classificado como 4.4.90.52.</p><p>3.7. Depreciação, Amortização e Exaustão</p><p>Na Contabilidade, a depreciação, amortização ou exaustão representam a</p><p>perda de valor do ativo durante o tempo que ele vai ser utilizado pela entidade, antes</p><p>de precisar ser descartado e substituído por um novo.</p><p>Sobre a exigência legal, a Lei Federal nº 4.320/1964 assim determina:</p><p>A esse respeito, o Manual SIAFI item 020330 - DEPRECIAÇÃO,</p><p>AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO, explica sobre a necessidade de utilização desses</p><p>institutos:</p><p>Lei nº 4.320/1964</p><p>Art 108 - § 2º - As previsões para depreciação serão computadas para efeito de apuração</p><p>do saldo líquido das mencionadas entidades.</p><p>Manual SIAFI item 020330 - DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO</p><p>4.1 - A entidade pública necessita apropriar, ao resultado de um período, o desgaste ou a</p><p>perda da vida útil do seu ativo imobilizado ou intangível, por meio do registro da despesa de</p><p>depreciação, amortização ou exaustão, em obediência ao princípio da competência.</p><p>4.2 - Ao longo do tempo, com o desgaste pelo uso, a obsolescência e a ação da</p><p>natureza, os ativos vão perdendo valor, e essa perda de valor é reconhecida pela contabilidade,</p><p>periodicamente, até que esse ativo atinja o valor residual. A reparação e a manutenção de um</p><p>ativo não evitam a necessidade de depreciá-lo.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>38/53</p><p>Depreciação</p><p>Depreciação é a alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao</p><p>longo da sua vida útil, ou seja, o registro da redução do valor dos bens pelo</p><p>desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência.</p><p>A quota de depreciação a ser registrada na escrituração contábil da entidade,</p><p>como uma variação patrimonial diminutiva, será determinada mediante aplicação da</p><p>taxa de depreciação sobre o valor do bem em reais. No âmbito da União, a taxa de</p><p>depreciação é definida de forma padronizada para todos os órgãos federais no item</p><p>6.3 do Manual SIAFI item 020330 - DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E</p><p>EXAUSTÃO.</p><p>Em caráter excepcional, o Manual do SIAFI admite que possam ser utilizados</p><p>parâmetros de vida útil e valor residual diferenciados para bens singulares, que</p><p>possuem características peculiares e necessitem de critérios específicos para</p><p>estipulação dos seus valores, devendo tal fato ser divulgado em nota explicativa.</p><p>Para a estimativa de vida útil dos bens depreciáveis, deve ser considerado o</p><p>seguinte:</p><p>a) a capacidade de geração de benefícios futuros;</p><p>b) o desgaste físico decorrente de fatores operacionais ou não;</p><p>c) a obsolescência tecnológica; e</p><p>d) os limites legais ou contratuais sobre o uso ou a exploração do ativo.</p><p>Os procedimentos de reavaliação não provocam alteração da capacidade de</p><p>geração de benefícios futuros de um bem, por isso não causam modificação na</p><p>tabela de vida útil.</p><p>Observe-se que o limite de depreciação é o valor do próprio bem. Dessa</p><p>forma, deve-se manter um controle individualizado, por bem, do tipo “ficha do</p><p>imobilizado” ou “planilha de item do imobilizado” para que o valor contabilizado da</p><p>depreciação, somado às quotas já registradas anteriormente, não ultrapasse o valor</p><p>contábil do respectivo bem. Esse controle, no âmbito do Exército é realizado no</p><p>SISCOFIS.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>39/53</p><p>A depreciação do ativo se inicia quando este está disponível para uso, ou</p><p>seja, quando está no local e em condição de funcionamento na forma pretendida</p><p>pela administração.</p><p>A depreciação não cessa quando o ativo se torna ocioso ou é retirado do uso</p><p>normal, a não ser que o ativo esteja totalmente depreciado.</p><p>Não é admitido o registro de depreciação em relação aos seguintes bens:</p><p>• Terrenos, salvo em relação aos melhoramentos e construções;</p><p>• Prédios e construções não alugados nem utilizados por seu proprietário na</p><p>produção de seus rendimentos ou imóveis destinados à venda;</p><p>• Bens que normalmente aumentam de valor com o tempo, como obras de</p><p>arte ou antiguidades, ouro, documentos, bens com interesse histórico,</p><p>bens integrados em coleções, entre outros;</p><p>• Bens de uso comum que absorveram ou absorvem recursos públicos,</p><p>considerados tecnicamente de vida útil indeterminada; e</p><p>• Animais que se destinam à exposição e à preservação.</p><p>Amortização</p><p>A amortização consiste na redução sistemática do valor amortizável de um</p><p>ativo intangível com vida útil definida ao longo do tempo, ou seja, o reconhecimento</p><p>da perda do valor do ativo intangível pelo decurso do prazo contratual da licença ou</p><p>autorização de uso.</p><p>Como exemplos de ativos intangíveis com vida útil definida, temos os direitos</p><p>de exploração de serviços públicos mediante concessão, marcas e patentes,</p><p>softwares, direitos autorais, franquias e outros direitos contratuais de qualquer</p><p>natureza adquiridos.</p><p>A amortização de ativos intangíveis com vida útil definida deve ser iniciada a</p><p>partir do momento em que o ativo estiver disponível para uso. A amortização deve</p><p>cessar na data em que o ativo é classificado como mantido para alienação, quando</p><p>estiver totalmente amortizado ou na data em que ele é baixado, o que ocorrer</p><p>primeiro.</p><p>ESSA Módulo III</p><p>40/53</p><p>Tanto a vida útil como o valor residual do bem amortizável são definidos pelo</p><p>dirigente da Unidade Gestora, no caso da Administração Pública direta da União,</p><p>suas autarquias e fundações. Assim, mensalmente deve ser reconhecida uma</p><p>variação patrimonial diminutiva em contrapartida da formação da amortização</p><p>acumulada em conta redutora, conforme for o período contratual do ativo intangível.</p><p>No caso de ativos intangíveis que sejam utilizados na produção de bens e serviços,</p><p>o valor da amortização é considerado custo da produção, devendo ser adicionando</p><p>ao valor contábil dos estoques elaborados no período.</p><p>Exaustão</p><p>A exaustão é um fenômeno patrimonial que caracteriza a perda de valor que</p><p>sofrem as imobilizações suscetíveis de exploração e que se esgotam no correr do</p><p>tempo, como, por exemplo, as reservas minerais e vegetais (bosques, florestas,</p><p>jazidas, etc).</p><p>Corresponde à perda de valor decorrente da exploração de recursos minerais</p><p>ou florestais ou de bens aplicados nessa exploração. À medida que os recursos</p><p>minerais vão se exaurindo, registra-se na contabilidade, simetricamente à possança</p><p>conhecida da jazida, a quota de exaustão. Tratando-se de floresta</p>

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