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<p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM URGÊNCIA E</p><p>EMERGÊNCIA NAS POPULAÇÕES ESPECIAIS</p><p>Sumário</p><p>INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3</p><p>SERVIÇOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA ........................................................... 6</p><p>AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO DA AÇÃO EMERGENCIAL NO ATENDIMENTO</p><p>PRÉ HOSPITALAR ................................................................................................... 11</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA E URGÊNCIA CLÍNICA . 14</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA E URGÊNCIA</p><p>TRAUMÁTICA .......................................................................................................... 17</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E URGÊNCIAS</p><p>PEDIÁTRICAS .......................................................................................................... 20</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E URGÊNCIAS EM</p><p>IDOSOS .................................................................................................................... 22</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E URGÊNCIAS PARA</p><p>GESTANTES ............................................................................................................ 23</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E URGÊNCIAS PARA</p><p>PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS ............................................................................. 24</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E URGÊNCIAS PARA</p><p>PESSOAS COM DOENÇAS CRÔNICAS ................................................................. 26</p><p>REFERENCIAS ......................................................................................................... 28</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A Portaria do Ministério da Saúde nº 2.048, de 2002, representa um marco</p><p>importante na organização e normatização dos serviços de urgência e emergência</p><p>no Brasil. Este documento estabelece diretrizes e padrões para garantir que esses</p><p>serviços sejam prestados de maneira eficiente, equitativa e integrada em todo o</p><p>território nacional, abrangendo os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.</p><p>Aqui estão os principais pontos e objetivos da Portaria nº 2.048/2002:</p><p>1. Organização Estrutural e Operacional: A portaria propõe</p><p>mudanças significativas na estrutura e na operação dos serviços de urgência</p><p>e emergência, visando melhorar a eficiência e a qualidade do atendimento.</p><p>2. Melhor Organização da Assistência: Um dos principais</p><p>objetivos é garantir que a assistência seja organizada de forma a atender as</p><p>necessidades da população de maneira adequada e tempestiva.</p><p>3. Articulação dos Serviços: A portaria incentiva a articulação</p><p>entre os diferentes níveis de atenção à saúde, promovendo a integração dos</p><p>serviços de urgência e emergência com outros serviços de saúde.</p><p>4. Definição de Fluxos e Referências: Estabelecer fluxos de</p><p>atendimento e referências claras é fundamental para garantir que os</p><p>pacientes sejam direcionados para os locais mais adequados para o seu</p><p>tratamento, otimizando o uso dos recursos disponíveis.</p><p>5. Universalidade do Acesso: Visa garantir que todos os cidadãos</p><p>tenham acesso aos serviços de urgência e emergência, independentemente</p><p>de sua localização geográfica ou condição socioeconômica.</p><p>6. Equidade na Alocação de Recursos: A portaria busca</p><p>promover a distribuição equitativa dos recursos, de modo a atender de</p><p>maneira justa as diferentes regiões e populações, reduzindo disparidades no</p><p>acesso e na qualidade do atendimento.</p><p>7. Integralidade na Atenção Prestada: Promover a integralidade</p><p>significa garantir que os serviços de saúde ofereçam uma atenção completa,</p><p>considerando todas as necessidades de saúde dos pacientes e</p><p>proporcionando um cuidado contínuo e coordenado.</p><p>A implementação dessa portaria tem o potencial de transformar</p><p>significativamente a prestação de serviços de urgência e emergência no Brasil,</p><p>promovendo um sistema de saúde mais justo, acessível e eficiente para toda a</p><p>população.</p><p>A regionalização com referência pactuada e hierarquia resolutiva, proposta</p><p>pela Portaria do Ministério da Saúde nº 2.048/2002, é uma estratégia essencial para</p><p>a organização eficiente dos serviços de urgência e emergência no Brasil. Esta</p><p>abordagem visa melhorar a qualidade e a eficácia do atendimento ao implementar</p><p>um sistema integrado e hierarquizado que possibilita a distribuição equitativa de</p><p>recursos e a garantia de acesso universal aos serviços de saúde.</p><p>Regionalização com Referência Pactuada e Hierarquia Resolutiva</p><p>Regionalização: Refere-se à organização dos serviços de saúde de acordo</p><p>com as regiões geográficas, levando em conta as necessidades específicas e as</p><p>capacidades locais. Isso permite uma distribuição mais eficiente dos recursos e um</p><p>melhor planejamento dos serviços de saúde.</p><p>Referência Pactuada: Trata-se de acordos entre os diferentes níveis de</p><p>gestão (municipal, estadual e federal) para garantir que os pacientes sejam</p><p>atendidos nos locais mais apropriados de acordo com a complexidade do caso,</p><p>estabelecendo fluxos de atendimento claros e integrados.</p><p>Hierarquia Resolutiva: Consiste em uma estrutura que define diferentes</p><p>níveis de complexidade de atendimento, desde a atenção básica até os serviços de</p><p>alta complexidade, garantindo que cada nível de atendimento seja responsável por</p><p>resolver os problemas de saúde conforme sua capacidade e recursos disponíveis.</p><p>Processo de Acolhimento com Classificação de Risco</p><p>Acolhimento com Classificação de Risco: Este é um processo dinâmico</p><p>que avalia o risco e a vulnerabilidade dos usuários, considerando as dimensões</p><p>subjetivas, biológicas e sociais do adoecer. O objetivo é orientar, priorizar e decidir</p><p>sobre os encaminhamentos necessários para a resolução do problema do usuário.</p><p>• Dimensões Subjetivas: Refere-se aos aspectos emocionais e</p><p>psicológicos que influenciam o estado de saúde do paciente.</p><p>• Dimensões Biológicas: Considera os sinais e sintomas clínicos</p><p>que determinam a gravidade da condição do paciente.</p><p>• Dimensões Sociais: Leva em conta o contexto social e</p><p>econômico do paciente, que pode afetar sua saúde e acesso aos serviços de</p><p>saúde.</p><p>Desafios e Percepções Culturais</p><p>Percepção da População: Historicamente, as unidades de urgência e</p><p>emergência são vistas pela população como locais de atendimento rápido e</p><p>resolutivo para qualquer tipo de problema de saúde. Isso se deve, em parte, à falta</p><p>de retaguarda na atenção básica e à busca por agilidade no atendimento.</p><p>• Foco na Doença e Cura: A cultura geral tende a priorizar o</p><p>tratamento de doenças e a cura imediata, em vez de focar na prevenção e na</p><p>atenção básica contínua. Isso resulta em uma alta demanda por serviços de</p><p>urgência e emergência, mesmo para casos que poderiam ser resolvidos na</p><p>atenção primária.</p><p>Necessidade de Educação em Saúde: Para mudar essa percepção, é</p><p>essencial investir em educação em saúde e fortalecer a atenção básica,</p><p>promovendo a prevenção e a gestão contínua da saúde. Isso inclui informar a</p><p>população sobre a função específica dos serviços de urgência e emergência e a</p><p>importância de utilizar a atenção básica para problemas de saúde menos graves.</p><p>SERVIÇOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>Os serviços de urgência e emergência desempenham um papel crucial no</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, fornecendo atendimento a pacientes com</p><p>quadros agudos, que podem ser de natureza clínica, traumática ou psiquiátrica.</p><p>Estes serviços funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, atuando como</p><p>uma das principais portas de entrada do SUS e enfrentando desafios significativos</p><p>devido à crescente demanda e à complexidade das necessidades dos pacientes.</p><p>Características e Desafios dos Serviços de Urgência e Emergência</p><p>Função e Natureza do Atendimento:</p><p>• Quadros Agudos: Atendem pacientes com condições médicas que exigem</p><p>intervenção</p><p>imediata para prevenir danos graves ou morte. Isso inclui</p><p>emergências clínicas, traumas físicos e crises psiquiátricas.</p><p>• Ambiente de Alta Pressão: Operam ininterruptamente, oferecendo suporte</p><p>crítico e estabilização inicial antes de encaminhar os pacientes para</p><p>tratamentos definitivos ou cuidados contínuos.</p><p>Desafios Enfrentados:</p><p>• Superlotação: A crescente demanda por atendimento em serviços de</p><p>urgência e emergência leva a situações de superlotação, onde a capacidade</p><p>das unidades é frequentemente excedida, dificultando a prestação de</p><p>cuidados de qualidade.</p><p>• Diversidade das Demandas: Os serviços têm que lidar com uma ampla</p><p>gama de urgências, desde condições médicas graves até questões sociais e</p><p>individuais, complicando a gestão e priorização dos casos.</p><p>• Recursos Limitados: A pressão constante sobre os recursos humanos e</p><p>materiais dificulta a manutenção de um atendimento eficiente e ágil.</p><p>Comparação Internacional</p><p>Os hospitais nos Estados Unidos também enfrentaram preocupações</p><p>semelhantes com o aumento da demanda por serviços de urgência e emergência.</p><p>Vários fatores contribuem para essa tendência global, incluindo:</p><p>• Acesso Restrito à Atenção Primária: Pacientes que não conseguem obter</p><p>atendimento preventivo ou primário adequado tendem a recorrer aos serviços</p><p>de urgência para resolver problemas de saúde não emergenciais.</p><p>• Mudanças Demográficas: O envelhecimento da população e o aumento das</p><p>doenças crônicas resultam em uma maior necessidade de serviços de</p><p>emergência.</p><p>• Pressões Socioeconômicas: Desigualdades sociais e econômicas levam a</p><p>um maior uso dos serviços de emergência por populações vulneráveis que</p><p>não têm outras opções de atendimento.</p><p>Estratégias de Melhoria e Mitigação</p><p>Acolhimento com Classificação de Risco: Implementar a triagem com</p><p>classificação de risco pode ajudar a gerenciar melhor o fluxo de pacientes,</p><p>priorizando aqueles que realmente necessitam de atendimento urgente. Isso ajuda a</p><p>garantir que os recursos sejam utilizados de maneira mais eficiente e que os</p><p>pacientes mais graves recebam atendimento prioritário.</p><p>Fortalecimento da Atenção Primária: Melhorar a capacidade e o acesso à</p><p>atenção primária pode reduzir a demanda nos serviços de emergência. Investir em</p><p>programas de saúde preventiva e no fortalecimento das Unidades Básicas de Saúde</p><p>(UBS) pode ajudar a atender as necessidades de saúde antes que se tornem</p><p>emergências.</p><p>Educação da População: Informar a população sobre o uso adequado dos</p><p>serviços de saúde e a importância da atenção primária pode ajudar a redirecionar a</p><p>demanda para os níveis apropriados de atendimento. Campanhas educativas podem</p><p>desestimular o uso inadequado dos serviços de emergência.</p><p>Integração e Coordenação de Cuidados: Desenvolver sistemas integrados</p><p>que facilitem a coordenação entre os diferentes níveis de atenção à saúde pode</p><p>melhorar a continuidade do cuidado e reduzir a pressão sobre os serviços de</p><p>emergência.</p><p>A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) destaca a importância da</p><p>triagem em situações onde há um desequilíbrio entre a demanda de pacientes e os</p><p>recursos médicos disponíveis. A triagem, originada do termo francês "trier", significa</p><p>selecionar ou escolher, e é utilizada em contextos de emergência onde a capacidade</p><p>de resposta é superada.</p><p>Como o sistema de triagem é agressivo e excludente, não se adequaria a</p><p>essa realidade, visto que excluiria a maior parcela da demanda por atendimento e</p><p>faria com que o usuário se sentisse desfavorecido e insatisfeito com o atendimento.</p><p>Com o intuito de mudar os paradigmas não excluindo, mas estratificando e</p><p>regulando a demanda, iniciamos a implantação da metodologia do acolhimento com</p><p>classificação de risco.</p><p>O acolhimento é uma maneira diferenciada de operacionalizar os processos</p><p>de trabalho em saúde, na perspectiva de promover o atendimento de todos os</p><p>usuários que procuram os serviços de saúde, ouvindo-lhes a demanda, assumindo</p><p>uma postura resolutiva perante esta, que não se resume a um espaço ou um local,</p><p>mas a uma postura ética. Desse modo, difere de triagem, uma vez que se apresenta</p><p>como ação que deve ocorrer em todos os momentos no serviço de saúde.</p><p>Acolher com a intenção de resolver os problemas de saúde das pessoas que</p><p>procuram uma unidade de saúde pressupõe que todas as que procuram a unidade</p><p>por demanda espontânea deverão ser acolhidas por profissional da equipe técnica.</p><p>O profissional deverá escutar a queixa, os medos e as expectativas; identificar</p><p>riscos e vulnerabilidade, acolhendo também a avaliação do próprio usuário; e se</p><p>responsabilizar para dar uma resposta adequada ao problema, conjugando as</p><p>necessidades imediatas dos usuários com a oferta de serviço de urgência e</p><p>emergência disponível, produzindo um direcionamento responsável e resolutivo à</p><p>demanda de cada pessoa.</p><p>Uma das questões críticas nesse contexto é a avaliação feita pelo paciente e</p><p>pela família, visto que está repleta de dados subjetivos e, muitas vezes, fortemente</p><p>vinculados a temores, ansiedade, medo da morte e outros fatores.</p><p>O acolhimento com classificação de risco configura-se como uma das</p><p>intervenções potencialmente decisivas, partindo do pressuposto da eficácia no</p><p>atendimento. Com o auxílio de protocolos preestabelecidos, orienta o atendimento</p><p>de acordo com o nível de complexidade, e não por ordem de chegada, exercendo,</p><p>dessa maneira, "uma análise (Avaliação) e uma ordenação (Classificação) da</p><p>necessidade, distanciando-se do conceito tradicional de triagem e suas práticas de</p><p>exclusão, já que todos serão atendidos".</p><p>Os usuários buscam, constantemente, maneiras de atuar sobre suas</p><p>necessidades com a finalidade de controlar sofrimentos (doenças) e/ou produção de</p><p>saúde. O acolhimento com classificação de risco parte da diretriz de que,</p><p>independentemente do problema de saúde apresentado pelo usuário, o sistema</p><p>sempre deve oferecer uma resposta positiva a esse problema.</p><p>A missão do acolhimento com classificação de risco é "ser instrumento capaz</p><p>de acolher o cidadão e garantir um melhor acesso aos serviços de</p><p>urgência/emergência, garantindo atendimento resolutivo e humanizado àqueles que</p><p>se encontram em sofrimento de qualquer natureza".</p><p>Os objetivos do acolhimento com classificação de risco são "avaliar o paciente</p><p>logo na sua chegada ao pronto-socorro, humanizando o atendimento;</p><p>descongestionar o pronto-socorro; reduzir o tempo para o atendimento médico,</p><p>fazendo com que o paciente seja visto precocemente de acordo com a sua</p><p>gravidade; determinar a área de atendimento primário, devendo o paciente ser</p><p>encaminhado diretamente às especialidades, conforme protocolo".</p><p>Cabe, então, ao profissional do serviço de emergência, embasado em dados</p><p>clínicos, em informações objetivas, subjetivas e experiência, avaliar qual paciente</p><p>necessita de atendimento imediato e qual pode esperar.</p><p>O processo de acolhimento com classificação de risco deverá "ser realizado</p><p>por profissional de saúde, de nível superior, mediante treinamento específico e</p><p>utilização de protocolos pré-estabelecidos e tem por objetivo avaliar o grau das</p><p>queixas dos pacientes, colocando-os em ordem de prioridade para o atendimento".</p><p>As experiências descritas na literatura sobre o acolhimento e a classificação</p><p>de risco têm citado o profissional enfermeiro como o executor desse processo. A</p><p>atuação do enfermeiro no serviço de acolhimento e classificação de risco, além de</p><p>constituir uma nova área de atuação para esse profissional, possibilitará melhor</p><p>gerenciamento de serviços de emergência, pois contribui para garantir o acesso do</p><p>paciente, diminuir o tempo de espera, diminuir o risco e ocorrências iatrogênicas e</p><p>melhorar a qualidade do atendimento.</p><p>Na classificação de risco, procede-se a entrevista com o paciente, visando</p><p>saber o motivo que o levou ao serviço de saúde; isto é, sinais e sintomas que o</p><p>levaram a procurar consulta</p><p>médica e, a com base nesta, realizasse uma avaliação</p><p>da necessidade do paciente com vista ao estabelecimento dos cuidados</p><p>multiprofissionais demandados.</p><p>Segundo o Consenso de Enfermeiros de Cuidados Críticos da Espanha, o</p><p>enfermeiro concebe o paciente como um sujeito em um contexto que o auxilia na</p><p>resolução do problema daquele. Esse profissional, além de se certificar dos motivos</p><p>que levaram a pessoa a procurar o serviço, procura saber em que condições ele</p><p>deverá aguardar a consulta médica, o que produz no paciente uma sensação de</p><p>estar sendo acolhido. Acredita-se que esse profissional possua conhecimento</p><p>dotado de perícia, com proposições, hipóteses e princípios baseados em situações</p><p>práticas.</p><p>Nos ambientes de cuidados de saúde complexos, o enfermeiro deverá ser</p><p>capaz de resolver problemas de forma precisa, eficaz e rápida. Isso significa que ele</p><p>deve ser capaz de rever uma enorme quantidade de informações, pensar</p><p>criticamente, fazer julgamentos corretos e decidir que direção a avaliação deverá</p><p>tomar, realizando, assim, uma coleta de dados orientada para o problema,</p><p>enfocando a situação atual do cliente.</p><p>O trabalho do enfermeiro no acolhimento com classificação de risco se baseia</p><p>na tomada de decisão, em que a escuta qualificada e o julgamento clínico e crítico</p><p>das queixas induzem a um o raciocínio lógico, que determinará o risco. A tomada de</p><p>decisão pelo enfermeiro, na classificação, tem como objetivo compreender a</p><p>informação clínica, a sequência em que a informação se processa e as vias pelas</p><p>quais essa informação determina a categoria de classificação.</p><p>Para tal ação, o enfermeiro utilizará um protocolo previamente selecionado</p><p>como diretriz técnica que embasará teoricamente a decisão. É o enfermeiro quem</p><p>decide qual e quanta informação precisará ser obtida sobre o estado de saúde de</p><p>um cliente, avaliando tanto dados objetivos quanto subjetivos.</p><p>O protocolo deverá ser a diretriz orientadora, trazendo experiências concretas</p><p>e embasadas cientificamente, além de garantir a consistência do cuidado que será</p><p>oferecido.</p><p>O enfermeiro é o profissional preparado para exercer a função de sujeito no</p><p>processo de classificação de risco, tendo para tal, o respaldo da lei do exercício</p><p>profissional nº 7.498 de 25 de junho de 1986, que garante ao profissional enfermeiro,</p><p>privativamente, a consulta de enfermagem e a prescrição de medicamentos</p><p>estabelecidos em programas de saúde pública e em rotinas aprovadas pela</p><p>instituição de saúde.</p><p>AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO DA AÇÃO EMERGENCIAL</p><p>NO ATENDIMENTO PRÉ HOSPITALAR</p><p>A avaliação e o planejamento de ações emergenciais no atendimento pré-</p><p>hospitalar são cruciais para garantir uma resposta eficaz e eficiente às urgências e</p><p>emergências. Esses processos envolvem a preparação, coordenação e execução de</p><p>atividades que garantem a prestação de cuidados imediatos e adequados aos</p><p>pacientes no local da emergência e durante o transporte para uma unidade de</p><p>saúde.</p><p>Avaliação no Atendimento Pré-Hospitalar</p><p>1. Avaliação da Cena:</p><p>• Segurança: Verificar a segurança do local para a equipe e para o</p><p>paciente.</p><p>• Mecanismo de Lesão: Identificar o tipo de evento (acidente de carro,</p><p>queda, etc.) para prever possíveis lesões.</p><p>• Número de Vítimas: Determinar quantas pessoas estão envolvidas</p><p>para mobilizar os recursos adequados.</p><p>• Necessidade de Recursos Adicionais: Avaliar se é necessário</p><p>chamar reforço, como bombeiros, polícia ou equipes de resgate.</p><p>2. Avaliação Inicial do Paciente (Primary Survey):</p><p>• A (Airway): Verificar e assegurar a permeabilidade das vias aéreas.</p><p>• B (Breathing): Avaliar a respiração e administrar oxigênio, se</p><p>necessário.</p><p>• C (Circulation): Checar a circulação, incluindo pulso e sinais de</p><p>sangramento.</p><p>• D (Disability): Avaliar o estado neurológico, usando a escala de</p><p>Glasgow.</p><p>• E (Exposure): Expor o paciente para verificar lesões ocultas,</p><p>protegendo contra hipotermia.</p><p>3. Avaliação Secundária (Secondary Survey):</p><p>• História Clínica: Usar a sigla SAMPLE (Sinais e sintomas, Alergias,</p><p>Medicamentos, Passado médico, Última refeição, Eventos que</p><p>precederam o incidente).</p><p>• Exame Físico Detalhado: Avaliação da cabeça aos pés para</p><p>identificar lesões ou condições que não foram detectadas inicialmente.</p><p>Planejamento da Ação Emergencial</p><p>1. Preparação e Treinamento:</p><p>• Capacitação Continuada: Garantir que toda a equipe de atendimento</p><p>pré-hospitalar esteja treinada e atualizada em protocolos de</p><p>emergência.</p><p>• Simulações e Drills: Realizar exercícios simulados regularmente para</p><p>manter a prontidão e eficiência da equipe.</p><p>2. Protocolos e Diretrizes:</p><p>• Protocolos de Atendimento: Desenvolver e implementar protocolos</p><p>baseados em evidências para situações comuns de emergência.</p><p>• Diretrizes de Transporte: Estabelecer diretrizes claras para o</p><p>transporte seguro e eficiente dos pacientes para as unidades de saúde.</p><p>3. Gestão de Recursos:</p><p>• Equipamentos e Suprimentos: Garantir que todas as unidades</p><p>móveis estejam equipadas com os materiais necessários (kit de</p><p>primeiros socorros, desfibriladores, oxigênio, etc.).</p><p>• Comunicação: Estabelecer sistemas de comunicação eficientes para</p><p>coordenação entre a equipe de campo, a central de operações e os</p><p>hospitais.</p><p>4. Logística e Coordenação:</p><p>• Central de Regulação Médica: Implementar uma central de regulação</p><p>para coordenar as respostas de emergência e distribuir os recursos</p><p>conforme a necessidade.</p><p>• Rede de Hospitais de Referência: Identificar e manter uma lista de</p><p>hospitais com capacidades específicas (trauma, queimados,</p><p>cardiologia, etc.) para direcionamento adequado dos pacientes.</p><p>Implementação de Ações no Atendimento Pré-Hospitalar</p><p>1. Resgate e Atendimento Inicial:</p><p>• Intervenções Imediatas: Realizar intervenções que podem salvar</p><p>vidas, como desfibrilação, controle de hemorragias, e estabilização de</p><p>fraturas.</p><p>• Estabilização no Local: Assegurar que o paciente esteja estável</p><p>antes do transporte, dentro do possível.</p><p>2. Transporte e Transferência:</p><p>• Monitoramento Contínuo: Continuar a monitorar os sinais vitais e o</p><p>estado geral do paciente durante o transporte.</p><p>• Comunicação com o Hospital de Destino: Fornecer informações</p><p>detalhadas ao hospital de destino para preparar a recepção e</p><p>continuidade do cuidado ao paciente.</p><p>3. Avaliação Pós-Atendimento:</p><p>• Debriefing: Realizar uma reunião pós-atendimento para discutir o que</p><p>funcionou bem e o que pode ser melhorado.</p><p>• Relatórios e Registros: Manter registros detalhados de cada</p><p>atendimento para análise e melhoria contínua dos serviços.</p><p>A avaliação e o planejamento de ações emergenciais no atendimento pré-</p><p>hospitalar são essenciais para proporcionar uma resposta rápida, eficiente e eficaz</p><p>às emergências médicas. A implementação de protocolos claros, treinamento</p><p>contínuo da equipe, gestão eficiente dos recursos e uma forte coordenação entre</p><p>todos os níveis de atendimento são fundamentais para garantir que os pacientes</p><p>recebam os cuidados adequados desde o momento da emergência até a chegada</p><p>ao hospital.</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA E</p><p>URGÊNCIA CLÍNICA</p><p>O atendimento de enfermagem em situações de emergência e urgência</p><p>clínica é uma atividade crucial que requer habilidades específicas, conhecimento</p><p>técnico, e uma capacidade de resposta rápida. Os enfermeiros atuam na linha de</p><p>frente do atendimento, desempenhando funções essenciais para estabilizar o</p><p>paciente, proporcionar alívio imediato e preparar o paciente para intervenções</p><p>médicas adicionais.</p><p>Princípios do Atendimento de Enfermagem em Emergência e Urgência</p><p>Clínica</p><p>1. Avaliação Rápida e Precisa:</p><p>• Triagem: Utilização de sistemas de triagem para classificar a</p><p>gravidade dos pacientes e priorizar o atendimento.</p><p>• Avaliação Primária: Realização do ABCDE (Airway, Breathing,</p><p>Circulation, Disability, Exposure) para identificar e tratar condições</p><p>que</p><p>ameaçam a vida.</p><p>2. Intervenções Imediatas:</p><p>• Abertura de Vias Aéreas: Garantir que as vias aéreas estejam</p><p>desobstruídas, usando manobras de desobstrução ou dispositivos de</p><p>manejo de vias aéreas.</p><p>• Suporte Respiratório: Administração de oxigênio, ventilação com</p><p>máscara e bolsa, e monitoramento dos sinais respiratórios.</p><p>• Suporte Circulatório: Controle de hemorragias, acesso venoso para</p><p>administração de fluidos e medicamentos, e monitoramento dos sinais</p><p>vitais.</p><p>3. Monitoramento Contínuo:</p><p>• Monitoramento de Sinais Vitais: Medição e registro contínuo da</p><p>pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e</p><p>temperatura.</p><p>• Monitoramento Cardíaco: Uso de ECG para monitorar a atividade</p><p>elétrica do coração e detectar arritmias ou outras anomalias.</p><p>4. Administração de Medicamentos:</p><p>• Medicações de Emergência: Administração de medicamentos como</p><p>epinefrina, nitroglicerina, analgésicos e sedativos, conforme necessário</p><p>e sob prescrição médica.</p><p>• Segurança na Administração: Verificação da dose, via de</p><p>administração e reações adversas.</p><p>5. Comunicação Efetiva:</p><p>• Comunicação com a Equipe: Manter uma comunicação clara e</p><p>concisa com médicos, outros enfermeiros e profissionais de saúde.</p><p>• Informação ao Paciente e Família: Explicar procedimentos e fornecer</p><p>atualizações sobre o estado do paciente, respeitando a ética e a</p><p>confidencialidade.</p><p>Procedimentos Específicos de Enfermagem em Urgência Clínica</p><p>1. Tratamento de Parada Cardiorrespiratória (PCR):</p><p>• RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar): Realização de compressões</p><p>torácicas de alta qualidade e ventilações adequadas.</p><p>• Uso de DEA (Desfibrilador Externo Automático): Aplicação de</p><p>choque elétrico, se indicado.</p><p>2. Manejo de Choque:</p><p>• Choque Hipovolêmico: Administração de fluidos intravenosos</p><p>rapidamente.</p><p>• Choque Cardiogênico: Administração de medicamentos inotrópicos e</p><p>monitoramento hemodinâmico.</p><p>3. Tratamento de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM):</p><p>• Administração de Medicamentos: Nitroglicerina, aspirina,</p><p>anticoagulantes, conforme protocolo.</p><p>• Monitoramento Contínuo: ECG e observação de sinais de</p><p>deterioração.</p><p>4. Tratamento de Acidente Vascular Cerebral (AVC):</p><p>• Avaliação Rápida: Uso da escala de Cincinnati ou NIHSS (National</p><p>Institutes of Health Stroke Scale).</p><p>• Administração de Trombolíticos: Se indicado e dentro da janela de</p><p>tempo adequada.</p><p>5. Manejo de Crises Hipertensivas:</p><p>• Monitoramento: Verificação frequente da pressão arterial.</p><p>• Administração de Antihipertensivos: Conforme prescrição médica</p><p>para reduzir a pressão arterial de forma controlada.</p><p>Desafios e Considerações Especiais</p><p>1. Ambiente de Alta Pressão:</p><p>• Gestão do Estresse: Técnicas de gerenciamento de estresse e</p><p>autocuidado para manter a eficácia sob pressão.</p><p>• Tomada de Decisões Rápida: Capacidade de tomar decisões rápidas</p><p>e eficazes com base em protocolos e experiência.</p><p>2. Educação e Capacitação:</p><p>• Formação Contínua: Participação em treinamentos regulares e</p><p>simulações de emergência.</p><p>• Atualização de Protocolos: Manter-se atualizado com as últimas</p><p>diretrizes e práticas recomendadas.</p><p>3. Aspectos Éticos e Legais:</p><p>• Confidencialidade: Respeitar a privacidade do paciente e manter a</p><p>confidencialidade das informações.</p><p>• Consentimento: Obter consentimento informado sempre que possível,</p><p>e respeitar as diretivas antecipadas dos pacientes.</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA E</p><p>URGÊNCIA TRAUMÁTICA</p><p>O atendimento de enfermagem em emergências e urgências traumáticas é</p><p>uma área especializada que requer habilidades específicas, conhecimento técnico e</p><p>a capacidade de agir rapidamente para estabilizar e tratar pacientes com lesões</p><p>traumáticas graves. A atuação do enfermeiro é crucial para assegurar a</p><p>sobrevivência e minimizar as sequelas dos pacientes.</p><p>Princípios do Atendimento de Enfermagem em Emergências e Urgências</p><p>Traumáticas</p><p>1. Avaliação Inicial e Primária:</p><p>• Segurança da Cena: Garantir que o ambiente esteja seguro para a</p><p>equipe e para o paciente.</p><p>• ABCDE do Trauma:</p><p>• A (Airway): Assegurar a permeabilidade das vias aéreas e</p><p>proteção da coluna cervical.</p><p>• B (Breathing): Avaliar e tratar problemas respiratórios, como</p><p>pneumotórax ou hemotórax.</p><p>• C (Circulation): Controle de hemorragias externas, reposição</p><p>volêmica, e avaliação de pulso e perfusão.</p><p>• D (Disability): Avaliar o estado neurológico utilizando a Escala</p><p>de Coma de Glasgow.</p><p>• E (Exposure): Expor o paciente para avaliar completamente o</p><p>corpo, mantendo a prevenção de hipotermia.</p><p>2. Controle de Hemorragias:</p><p>• Pressão Direta: Aplicar pressão direta em feridas hemorrágicas.</p><p>• Uso de Torniquetes: Quando a pressão direta não é suficiente,</p><p>especialmente em membros.</p><p>• Curativos Compressivos: Utilização de curativos para controlar o</p><p>sangramento.</p><p>3. Imobilização e Estabilização:</p><p>• Colar Cervical: Aplicação de colar cervical para proteção da coluna</p><p>vertebral.</p><p>• Tábua Espinal: Uso de tábua espinal para transporte seguro de</p><p>pacientes com suspeita de lesão na coluna.</p><p>• Imobilização de Fraturas: Aplicação de talas ou imobilizadores para</p><p>estabilizar fraturas.</p><p>4. Administração de Fluidos e Medicamentos:</p><p>• Acesso Venoso: Estabelecer acesso intravenoso para administração</p><p>de fluidos e medicamentos.</p><p>• Reposição Volêmica: Administração de cristaloides ou coloides para</p><p>manter a pressão sanguínea e perfusão tecidual.</p><p>• Analgésicos e Sedativos: Uso de medicações para controle da dor e</p><p>agitação, conforme necessário.</p><p>Procedimentos Específicos de Enfermagem em Trauma</p><p>1. Tratamento de Trauma Cranioencefálico (TCE):</p><p>• Avaliação Neurológica: Monitorar nível de consciência e sinais de</p><p>deterioração neurológica.</p><p>• Prevenção de Hipóxia e Hipotensão: Assegurar ventilação adequada</p><p>e reposição volêmica.</p><p>• Imobilização da Coluna Cervical: Manter proteção até que a lesão</p><p>cervical seja descartada.</p><p>2. Manejo de Trauma Torácico:</p><p>• Descompressão de Pneumotórax: Assistir na realização de</p><p>toracocentese para descompressão.</p><p>• Drenagem de Hemotórax: Auxiliar na inserção de dreno torácico, se</p><p>necessário.</p><p>• Monitoramento Respiratório: Acompanhar a saturação de oxigênio e</p><p>sinais respiratórios.</p><p>3. Tratamento de Trauma Abdominal:</p><p>• Avaliação de Lesões Internas: Identificação de sinais de hemorragia</p><p>interna, como dor abdominal e distensão.</p><p>• Monitoramento de Sinais Vitais: Verificação frequente para detecção</p><p>precoce de choque.</p><p>• Preparo para Cirurgia: Preparar o paciente para possível intervenção</p><p>cirúrgica emergencial.</p><p>4. Manejo de Lesões Musculoesqueléticas:</p><p>• Avaliação de Fraturas: Identificação e imobilização de fraturas com</p><p>talas ou dispositivos apropriados.</p><p>• Tratamento de Luxações: Assistência na redução de luxações, se</p><p>indicado e dentro do escopo de prática.</p><p>• Controle da Dor: Administração de analgésicos para alívio da dor.</p><p>Desafios e Considerações Especiais</p><p>1. Ambiente de Alta Pressão:</p><p>• Tomada de Decisões Rápida: Capacidade de avaliar e intervir</p><p>rapidamente com base em protocolos.</p><p>• Gestão do Estresse: Técnicas de controle de estresse para manter a</p><p>eficácia sob pressão.</p><p>2. Treinamento e Capacitação:</p><p>• Formação Continuada: Participação em treinamentos regulares e</p><p>simulações de trauma.</p><p>• Atualização de Protocolos: Manter-se atualizado com as últimas</p><p>diretrizes e práticas recomendadas.</p><p>3. Coordenação com a Equipe Multidisciplinar:</p><p>• Comunicação Efetiva: Interação contínua e clara com médicos,</p><p>paramédicos e outros profissionais de saúde.</p><p>• Transferência de Cuidados: Preparação adequada para a</p><p>transferência do paciente para centros de trauma ou unidades</p><p>especializadas.</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E</p><p>URGÊNCIAS PEDIÁTRICAS</p><p>O atendimento de enfermagem em emergências e urgências pediátricas</p><p>requer uma abordagem especializada devido às características únicas das crianças</p><p>e à necessidade de cuidados</p><p>específicos. Utilização de escalas de triagem</p><p>pediátricas que levem em consideração os sinais vitais e os aspectos específicos</p><p>das crianças, como a Escala de Manchester Pediátrica (Manchester Triage System)</p><p>ou o Protocolo de Manchester para Crianças. Priorização da avaliação das vias</p><p>aéreas, respiração e circulação (ABC) para identificar e tratar prontamente</p><p>condições que representam risco imediato à vida.</p><p>Devem ser utilizadas técnicas de comunicação adaptadas à idade e ao</p><p>desenvolvimento da criança para estabelecer confiança e obter informações</p><p>precisas sobre sintomas e histórico médico. Os pais ou responsáveis no processo de</p><p>cuidado devem receber informações sobre o estado da criança e garantindo o</p><p>consentimento informado para procedimentos médicos.</p><p>Intervenções de Enfermagem Específicas</p><p>1. Manejo de Vias Aéreas:</p><p>• Uso de técnicas adequadas para abrir as vias aéreas, como a elevação</p><p>do queixo e a extensão da cabeça.</p><p>• Utilização de dispositivos como cânulas nasofaríngeas ou máscaras</p><p>faciais para manter a permeabilidade das vias aéreas.</p><p>2. Monitoramento Contínuo:</p><p>• Monitorização frequente dos sinais vitais, incluindo frequência</p><p>cardíaca, respiratória, saturação de oxigênio e temperatura.</p><p>• Observação atenta de sinais de desconforto, dor ou deterioração</p><p>clínica.</p><p>3. Administração de Medicamentos:</p><p>• Cálculo preciso das doses de medicamentos com base no peso e</p><p>idade da criança.</p><p>• Uso de técnicas de administração apropriadas, como via oral,</p><p>intravenosa ou intramuscular, conforme indicado.</p><p>4. Prevenção de Infecções e Complicações:</p><p>• Adoção de medidas de precaução padrão para prevenir infecções,</p><p>especialmente em crianças imunocomprometidas.</p><p>• Avaliação e tratamento de lesões ou feridas para prevenir</p><p>complicações, como infecção ou hemorragia.</p><p>5. Suporte Emocional e Psicológico:</p><p>• Fornecimento de suporte emocional para acalmar a criança e reduzir a</p><p>ansiedade durante o atendimento.</p><p>• Oferta de distrações adequadas, como brinquedos ou jogos, para</p><p>minimizar o desconforto e o estresse.</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E</p><p>URGÊNCIAS EM IDOSOS</p><p>O atendimento de enfermagem em emergências e urgências em idosos</p><p>requer uma abordagem específica devido às características físicas, fisiológicas e</p><p>psicossociais desses pacientes. Devido à maior prevalência de comorbidades e</p><p>complexidade clínica, é crucial realizar uma avaliação detalhada que inclua história</p><p>médica completa, medicamentos em uso, condições crônicas e sinais de fragilidade.</p><p>Utilização de escalas de triagem específicas para idosos, que considerem fatores</p><p>como comprometimento cognitivo, fragilidade e risco de queda.</p><p>Devido a possíveis alterações sensoriais, cognitivas ou de comunicação, é</p><p>importante adotar uma abordagem sensível e compassiva na interação com os</p><p>idosos, utilizando linguagem clara e compreensível. Considerando a importância do</p><p>apoio familiar para os idosos, é fundamental envolver os familiares no processo de</p><p>cuidado, fornecendo informações, obtendo consentimento informado e oferecendo</p><p>suporte emocional.</p><p>Devido à maior vulnerabilidade a complicações, é essencial realizar</p><p>monitoramento frequente dos sinais vitais, incluindo pressão arterial, frequência</p><p>cardíaca, frequência respiratória, saturação de oxigênio e temperatura.</p><p>Implementação de medidas para prevenir quedas, como a identificação e correção</p><p>de fatores de risco ambientais, uso de dispositivos de assistência e estímulo à</p><p>mobilidade segura.</p><p>Em razão da alta prevalência de dor crônica em idosos, é importante avaliar e</p><p>tratar a dor de forma adequada, utilizando analgésicos conforme necessário e</p><p>monitorando os efeitos colaterais. Deve ser incentivada à independência e</p><p>autonomia sempre que possível, adaptando as intervenções de enfermagem para</p><p>maximizar a funcionalidade e qualidade de vida do idoso.</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E</p><p>URGÊNCIAS PARA GESTANTES</p><p>O atendimento de enfermagem em emergências e urgências para gestantes</p><p>requer uma abordagem especializada devido às necessidades específicas tanto da</p><p>mãe quanto do feto. Uma avaliação inicial abrangente é essencial para identificar e</p><p>tratar quaisquer complicações obstétricas ou médicas. Isso inclui verificar sinais</p><p>vitais, como pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória,</p><p>temperatura, além de realizar avaliação do bem-estar fetal. É importante considerar</p><p>o estado gestacional da mulher ao realizar a triagem e priorizar as intervenções de</p><p>acordo com a urgência da situação.</p><p>Devido ao contexto emocional da gestação, é fundamental adotar uma</p><p>abordagem sensível e empática ao se comunicar com a gestante, fornecendo</p><p>informações claras e tranquilizadoras sobre sua condição e o plano de cuidados. É</p><p>importante envolver a gestante no processo de tomada de decisões, explicando</p><p>suas opções de tratamento e respeitando suas preferências sempre que possível.</p><p>Intervenções de Enfermagem Específicas</p><p>1. Monitoramento Fetal: Avaliação do bem-estar fetal por meio de técnicas</p><p>como ausculta dos batimentos cardíacos fetais, monitorização</p><p>cardiotocográfica (CTG) e ultrassonografia obstétrica, conforme indicado.</p><p>2. Prevenção e Tratamento de Complicações Obstétricas: Isso inclui o</p><p>manejo de condições como pré-eclâmpsia, trabalho de parto prematuro,</p><p>sangramento vaginal, entre outras, com base nas diretrizes clínicas</p><p>estabelecidas.</p><p>3. Alívio da Dor: Oferecer métodos seguros de alívio da dor, como técnicas de</p><p>relaxamento, posicionamento adequado e administração de analgesia,</p><p>conforme indicado e seguro para o feto.</p><p>4. Preparo para o Parto: Avaliar os sinais de trabalho de parto e estar</p><p>preparado para fornecer assistência imediata durante o parto, se necessário.</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E</p><p>URGÊNCIAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS</p><p>O atendimento de enfermagem em emergências e urgências para pessoas</p><p>com deficiências requer uma abordagem sensível e adaptada para atender às</p><p>necessidades específicas de cada indivíduo. Cada pessoa com deficiência pode ter</p><p>necessidades únicas de saúde, portanto, é essencial realizar uma avaliação</p><p>individualizada para entender suas condições de base, capacidades funcionais e</p><p>possíveis barreiras de comunicação.</p><p>Ao realizar a triagem, os profissionais de enfermagem devem ser sensíveis às</p><p>necessidades específicas da pessoa com deficiência, garantindo que ela receba o</p><p>atendimento adequado e que suas preocupações sejam abordadas.</p><p>É fundamental adaptar a comunicação para atender às necessidades</p><p>individuais da pessoa com deficiência. Isso pode incluir o uso de linguagem simples,</p><p>comunicação visual, gestos, comunicação alternativa ou assistiva (CAA), entre</p><p>outros.</p><p>É importante respeitar a autonomia e a capacidade de tomada de decisão da</p><p>pessoa com deficiência, garantindo que ela esteja envolvida no processo de cuidado</p><p>e que suas preferências e necessidades sejam consideradas.</p><p>Intervenções de Enfermagem Específicas</p><p>1. Adaptações de Equipamentos e Procedimentos: Os profissionais de</p><p>enfermagem devem estar preparados para fazer adaptações nos</p><p>equipamentos e procedimentos de acordo com as necessidades da pessoa</p><p>com deficiência, garantindo que ela receba o atendimento adequado.</p><p>2. Respeito à Dignidade e Privacidade: Ao realizar procedimentos de</p><p>enfermagem, é fundamental respeitar a dignidade e a privacidade da pessoa</p><p>com deficiência, garantindo que ela se sinta confortável e segura durante o</p><p>atendimento.</p><p>Treinamento e Capacitação</p><p>1. Sensibilização e Educação: Os profissionais de enfermagem devem receber</p><p>treinamento e educação sobre como fornecer cuidados sensíveis e adaptados</p><p>às pessoas com deficiência, incluindo a compreensão das necessidades</p><p>específicas de cada tipo de deficiência.</p><p>2. Experiência Prática: É importante que os profissionais de enfermagem</p><p>tenham oportunidades de</p><p>ganhar experiência prática no atendimento de</p><p>pessoas com deficiência, seja por meio de simulações clínicas ou</p><p>experiências clínicas reais.</p><p>ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIAS E</p><p>URGÊNCIAS PARA PESSOAS COM DOENÇAS CRÔNICAS</p><p>O atendimento de enfermagem em emergências e urgências para pessoas</p><p>com doenças crônicas exige uma abordagem cuidadosa e adaptada às</p><p>necessidades específicas desses pacientes. Os profissionais de enfermagem devem</p><p>estar bem informados sobre as condições crônicas do paciente, incluindo</p><p>diagnósticos, tratamentos em curso, medicações prescritas e histórico de</p><p>complicações. Além das queixas agudas, é fundamental avaliar possíveis</p><p>descompensações das doenças crônicas, como diabetes descontrolado,</p><p>insuficiência cardíaca exacerbada ou crise asmática.</p><p>Os profissionais de enfermagem devem comunicar-se de forma clara e</p><p>acessível, fornecendo informações sobre o estado de saúde atual, tratamentos em</p><p>curso e instruções para o autocuidado. É importante educar o paciente sobre a</p><p>gestão de sua condição crônica, incluindo o reconhecimento de sinais de alerta, a</p><p>administração adequada de medicações e a importância do seguimento médico</p><p>regular.</p><p>Intervenções de Enfermagem Específicas</p><p>1. Monitoramento Contínuo: Os profissionais de enfermagem devem monitorar</p><p>de perto os sinais vitais e os sintomas relacionados à doença crônica, como</p><p>glicemia capilar em pacientes com diabetes ou ausculta pulmonar em</p><p>pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).</p><p>2. Administração de Medicamentos: É crucial administrar medicamentos</p><p>prescritos conforme orientação médica, garantindo a dose correta e</p><p>monitorando os efeitos colaterais e interações medicamentosas.</p><p>3. Gestão de Complicações Agudas: Em caso de descompensação aguda da</p><p>doença crônica, os profissionais de enfermagem devem estar preparados</p><p>para intervir rapidamente, seguindo protocolos clínicos estabelecidos.</p><p>Apoio Psicossocial</p><p>1. Apoio Emocional: As doenças crônicas podem ter um impacto significativo</p><p>na qualidade de vida e no bem-estar emocional do paciente. Os profissionais</p><p>de enfermagem devem oferecer apoio emocional e incentivo durante o</p><p>atendimento de emergência.</p><p>2. Encaminhamento para Recursos de Apoio: Quando apropriado, os</p><p>profissionais de enfermagem devem encaminhar o paciente para recursos de</p><p>apoio, como grupos de apoio para pacientes com a mesma condição ou</p><p>serviços de aconselhamento psicológico.</p><p>REFERENCIAS</p><p>Belo Horizonte. Secretaria Municipal de Saúde. Proposta de regulação da porta de</p><p>entrada das unidades de urgência e emergência de Belo Horizonte. Belo Horizonte,</p><p>MG: SMSA; 2002.</p><p>Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de</p><p>Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Programa de Formação em Saúde do</p><p>Trabalhador. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2011[citado 2017 jul 29]. Disponível</p><p>em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/programa_formacao_saudetrabalhad</p><p>or.pdf.</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização</p><p>Humaniza SUS: acolhimento com avaliação e classificação de risco: um paradigma</p><p>ético-estético no fazer em saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2004.</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2048/GM, de 5 de novembro de 2002. Aprova</p><p>o regulamento técnico dos sistemas estaduais de urgência e emergência. Brasília,</p><p>DF: Ministério da Saúde; 2002.</p><p>Chaves DPL, Macêdo MVA. Estudo sobre a triagem no serviço de emergência:</p><p>revisão da literatura. Rev Gaúcha Enferm. 1987;8(2):181-96.</p><p>Soares AA; Eurípedes CO; Shélida HAO; Nilzemar RS. A Humanização do</p><p>atendimento e a percepção entre profissionais de enfermagem nos serviços de</p><p>urgência e emergência dos prontos socorros: revisão de literatura. Ciência et Praxis.</p><p>2012; 5 (9): 77-2284.</p><p>Estrada EG. Sistema de Triagem. In: Interamericana- Clínica de Enfermagem da</p><p>América do Norte. Rio de Janeiro; 1981.</p><p>Franco TB, Bueno WS, Merhy EE. O acolhimento e os processos de trabalho em</p><p>saúde: o caso de Betim, Minas Gerais, Brasil. Cad Saúde Pública. 1999;15(2):345-</p><p>53.</p><p>Morales AJM, Martinez DJD, Muñoz RFJ. Consenso como método para la</p><p>elaboración de estándares de recepción, clasificación e intervención sanitaria inicial</p><p>de pacientes en urgencias: objetivos, metodología y revisión bibliográfica (I). Rev</p><p>Intern Cuidado Paciente Crít. 2002;2(2):51-6.</p><p>Organización Panamericana de la Salud. Manejo de multitud de heridos. In:</p><p>Administración sanitaria de emergencia con posterioridad a los desastres naturales.</p><p>Washington; 1983. p. 21-2.</p><p>Pires PS. Tradução para o português e validação de instrumento para triagem de</p><p>pacientes em serviço de emergência: "Canadian Triage and Acuity Scale" (CTAS)</p><p>[dissertação]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo; 2003.</p><p>Rossi LA. Processo de enfermagem [Dissertação]. Ribeirão Preto: Escola de</p><p>Enfermagem, Universidade de São Paulo; 1998.</p><p>Soares E, Aguiar BGC. Diagnóstico das condições de realização da triagem em</p><p>pronto-socorro: Proposta de um modelo alternativo. O Mundo da Saúde.</p><p>1995;19(1):34-40.</p><p>Valadares GV, Viana LO. O trabalho da enfermeira na triagem clínica em</p><p>hemoterapia: por uma especialização. Rev Escola Anna Nery. 2003;7(3):334-41.</p>

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