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<p>CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA</p><p>Período: 2</p><p>ALUNO: Bruno Ferreira Alves</p><p>MÓDULO: TICS</p><p>PAISAGEM SONORA</p><p>A localização de uma fonte sonora no espaço é uma função essencial do sistema</p><p>auditivo, e seu processamento neurofisiológico envolve a utilização de várias pistas</p><p>auditivas que são integradas pelo sistema nervoso central. Dois principais mecanismos</p><p>são empregados para determinar a direção de origem de um som: diferenças</p><p>interaurais de tempo (ITD) e diferenças interaurais de nível (ILD). O</p><p>processamento dessas informações ocorre no tronco encefálico, especificamente em</p><p>núcleos da oliva superior.</p><p>Diferença Interaural de Tempo (ITD)</p><p>A ITD representa a diferença no tempo que o som leva para alcançar cada um dos</p><p>ouvidos. Quando uma fonte sonora está localizada em uma posição lateral, o som chega</p><p>primeiro ao ouvido mais próximo da fonte, e, com um pequeno atraso, atinge o ouvido</p><p>oposto. Esse descompasso temporal é mínimo, na ordem de microssegundos, mas</p><p>suficiente para que o cérebro faça a inferência espacial sobre a origem do som. Esse</p><p>processamento ocorre no núcleo olivar superior medial e é particularmente eficaz para</p><p>sons de baixa frequência (abaixo de 1500 Hz), já que, em frequências mais baixas, o</p><p>comprimento de onda do som é maior, facilitando o uso dessa pista temporal.</p><p>Diferença Interaural de Nível (ILD)</p><p>A ILD, por sua vez, refere-se à diferença de intensidade sonora percebida entre os dois</p><p>ouvidos. Quando o som vem de uma direção lateral, ele é mais intenso no ouvido mais</p><p>próximo da fonte, enquanto a cabeça atua como uma barreira, criando uma sombra</p><p>acústica que reduz a intensidade do som no ouvido oposto. Esse mecanismo é mais</p><p>eficaz para sons de alta frequência (acima de 1500 Hz), onde as ondas sonoras são mais</p><p>curtas e mais facilmente bloqueadas pela cabeça. O núcleo olivar superior lateral é o</p><p>principal responsável pelo processamento dessa diferença de intensidade.</p><p>Pistas Monorais e a Contribuição do Pavilhão Auricular</p><p>Além das pistas binaurais (ITD e ILD), o sistema auditivo também utiliza informações</p><p>monaurais para determinar a localização vertical de uma fonte sonora. Essas pistas</p><p>monaurais são mediadas pelas propriedades acústicas do pavilhão auricular, que</p><p>altera as frequências do som conforme ele interage com as estruturas da orelha externa.</p><p>Dependendo do ângulo de incidência, o pavilhão modifica a intensidade e o padrão de</p><p>frequências do som, fornecendo pistas sobre a elevação da fonte sonora. Esse</p><p>processamento é mais importante para sons vindos de cima ou de baixo, onde as</p><p>diferenças interaurais são menos evidentes.</p><p>Integração no Córtex Auditivo</p><p>Após o processamento inicial no tronco encefálico, as informações auditivas são</p><p>transmitidas para o corpo geniculado medial no tálamo e, em seguida, para o córtex</p><p>auditivo primário, localizado no lobo temporal. No córtex auditivo, ocorre uma</p><p>integração mais detalhada das pistas auditivas, permitindo uma percepção espacial mais</p><p>precisa do som, além da identificação do tipo e da natureza do estímulo auditivo. Esse</p><p>processamento cortical é fundamental para a percepção consciente da localização do</p><p>som e sua integração com outras modalidades sensoriais, como a visão.</p><p>REFERÊNCIAS:</p><p>MACHADO, A B.M. Neuroanatomia Funcional. 3 ed. São Paulo: Atheneu, 2014.</p><p>LIMA-GREGIO, Aveliny Mantovan; CALAIS, Lucila Leal; FENIMAN, Mariza</p><p>Ribeiro.</p><p>Otite média recorrente e habilidade de localização sonora em pré-escolares.</p><p>Revista</p><p>CEFAC, v. 12, p. 1033-1040, 2010.</p><p>MARIEB, E. N.; HOEHN, K. Anatomia E Fisiologia. 3ª Ed. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2009.</p>

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