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<p>4.2.3 Tanque séptico o tanque séptico é uma unidade, pré-moldada ou moldada in loco, que desem- penha as funções múltiplas de sedimentação e de remoção de materiais flutuantes, além de comportar-se como digestor de baixa carga, sem mistura e sem aquecimen- to. Os tanques sépticos foram concebidos por volta do ano de 1860, a partir dos tra- balhos pioneiros de Mouras, na França. São ainda amplamente utilizados em todo mundo, constituindo-se em uma das principais alternativas para o tratamento primá- rio de esgotos de residências e pequenas áreas não servidas por redes coletoras. o funcionamento dos tanques sépticos pode ser descrito como a seguir: os sólidos sedimentáveis presentes no esgoto afluente vão ao fundo do tanque, passando a constituir uma camada de lodo; os óleos, graxas e outros materiais mais leves presentes no esgoto afluente flutu- am até a do tanque, vindo a formar uma camada de escuma; o esgoto, livre dos materiais sedimentáveis e flutuantes, flui entre as camadas de lodo e de escuma, deixando 0 tanque séptico em sua extremidade oposta, de onde é encaminhado à uma unidade de pós-tratamento ou de disposição final; o material orgânico retido no fundo do tanque sofre uma decomposição facultati- va e anaeróbia, sendo convertido em compostos mais estáveis como CO2, CH4 e H2S. Embora o seja produzido nos tanques sépticos, problemas de odor não são usualmente observados, uma vez que este combina com metais acumulados no lodo, vindo a formar sulfetos metálicos insolúveis; a decomposição anaeróbia proporciona uma redução contínua do volume de lodo depositado no fundo do tanque, mas há sempre uma acumulação ao longo dos me- ses de operação do tanque séptico. Como consequência, a acumulação de lodo e de escuma leva a uma redução do volume útil do tanque, demandando a remoção periódica desses materiais. A fim de otimizar a retenção de sólidos sedimentáveis e flutuantes no interior do tanque, estes são usualmente dotados de defletores internos junto à entrada e à saída. Compartimentos múltiplos também são utilizados, com a finalidade de diminuir a quantidade de sólidos no efluente, embora sejam mais usados os tanques de câmara única, conforme ilustrado na Figura 4.5. Maiores detalhes sobre o projeto e opera- ção de tanques sépticos são apresentados no capítulo 5.</p><p>inspeção entrada escuma sentido de fluxo lodo digerido Fig. 4.5 Representação esquemática de um tanque séptico de câmara única Nova geração de tanques sépticos Nos últimos anos, esforços têm sido feitos no sentido de desenvolver novos sistemas para o tratamento descentralizado de esgotos. Estes novos sistemas usual- mente incorporam os princípios dos reatores anaeróbios de alta taxa, notadamente dos reatores UASB e dos reatores híbridos (Tilche & Vieira, 1991). Um exemplo destes novos sistemas é o desenvolvido por Sousa (2005), denomi- nado sistema compacto de tratamento de esgotos (SISCOTE). o sistema é compos- to de uma primeira câmara, similar a um tanque séptico, dotada de uma entrada no nível inferior, que induz o fluxo ascendente, e de placas paralelas em sua parte su- perior, que possibilitam otimizar a etapa de sedimentação (e retenção) de sólidos no sistema, sendo esta câmara destinada à retenção da maior parte da matéria orgânica particulada, presente no esgoto bruto. Complementarmente, SISCOTE tem outras duas câmaras, em série, de tratamento biológico anaeróbio híbrido (reator UASB + Filtro Anaeróbio), conforme ilustrado na Figura 4.6. 135 Sistemas de tratamento</p><p>1 Tanque Séptico Modificado 2 Decantador Lamelar 4 3 Reator Hibrido (UASB + filtro anaeróbio) 3 4 5 Reator (UASB + filtro anaeróbio) 5 Coleta do Efluente Final Brute 1 Fig. Representação esquemática do SISCOTE (2005)</p><p>CAPÍTULO 5 Projeto de reatores anaeróbios 5.1 INTRODUÇÃO No presente Capítulo são abordados os diversos aspectos que norteiam pro- jeto dos seguintes tipos de reatores anaeróbios, aplicados ao tratamento de esgotos domésticos: tanques sépticos; filtros anaeróbios; reatores de fluxo ascendente e manta de lodo (UASB). Todavia, tendo em vista a existência de Normas Brasileiras relativas ao projeto de tanques sépticos e de filtros anaeróbios (NBR 7.229/1993 e NBR 13.969/1997, respectivamente), são tratados em maior profundidade os aspectos de projeto dos reatores UASB. Nesse sentido, buscou-se consolidar os principais parâmetros e cri- térios que norteiam o projeto destes reatores, como forma de auxiliar os profissio- nais de engenharia envolvidos com o tratamento de esgotos. 5.2 TANQUES SÉPTICOS 5.2.1 Preliminares Conforme descrito no Capítulo 4, o tanque séptico constitui-se em uma das al- ternativas mais antigas de tratamento de esgotos, sendo ainda hoje extensivamente empregado em praticamente todos os países do mundo. De acordo com Andrade Neto (1994), o sucesso do tanque séptico deve-se principalmente à sua simplicidade construtiva e operacional. Os tanques sépticos são unidades de forma cilíndrica ou prismática retangular, de fluxo horizontal, sendo destinadas, principalmente, ao tratamento primário de esgotos de residências unifamiliares e de pequenas áreas não servidas por redes coletoras. No tratamento, cumprem basicamente as seguintes funções: Projeto de reatores anaeróbios 153</p><p>separação gravitacional da escuma e dos sólidos, em relação ao líquido vindo os sólidos a se constituir lodo; digestão anacróbia e liquefação parcial do lodo; armazenamento do lodo. Uma descrição mais detalhada dos principais aspectos de funcionamento dos tanques sépticos é apresentada no Capítulo 4. Devido à baixa eficiência do siste- ma, principalmente termos de remoção de DQO, nutrientes e patógenos, faz- se necessária uma adequação dos efluentes líquidos produzidos, seja em termos de pós-tratamento ou de destinação final. Também em relação ao lodo e à escuma armazenados, estes devem ser periodicamente removidos e submetidos a um trata- mento complementar, ou conduzidos a um destino final adequado. As alternativas preconizadas pela NBR 13.969 (ABNT, 1997), para o tratamento complementar e destinação final dos efluentes líquidos e resíduos sólidos oriundos do sistema de tanques sépticos, são ilustradas na Figura 5.1, ressaltando-se a possibilidade de combinação de alternativas. Alternativas para tratamento Alternativas para disposição complementar final Esgoto afluente Filtro anaeróbio Vala de infiltração Filtro aeróbio submerso Canteiro de Lodo ativado por batelada Galeria de águas pluviais TS Vala de filtração Corpos de água do TS Filtro de areia Sumidouro Desinfecção Reúso Digestão anaeróbia Lodo e Desidratação { Campo Incineração escuma Compostagem Aterro sanitário Estabilização química Fig. 5.1 Alternativas de tratamento complementar e de disposição final de efluentes líquidos e lodos oriundos de tanques sépticos Fonte: adaptado de NBR 13.969(ABNT, 1997). 154 Reatores anaeróbios</p><p>5.2.2 fatores intervenientes no processo 5.2.2.1 Configuração do reator Conforme mencionado anteriormente, os tanques sépticos podem ser cilíndricos ou prismático-retangulares configurando-se basicamente em três tipos: com câmara única; com câmaras em série; com câmaras sobrepostas. As configurações com câmaras em série e com câmaras sobrepostas visam prin- cipalmente aumentar a eficiência do sistema na retenção de sólidos. Nos tanques com câmaras em série, a primeira câmara retém a maior parte dos sólidos nicos sedimentáveis e flutuantes, assemelhando-se a um digestor de baixa carga (ver Capítulo 4). Na segunda câmara, onde a geração de gases é mínima, ocorre uma remoção complementar e mais efetiva dos sólidos suspensos que escaparam da primeira câmara. Na configuração com câmaras sobrepostas, verifica-se a inserção de um compartimento de decantação na parte superior do tanque, o que favorece a sedimentação dos sólidos, sem a interferência dos gases gerados no compartimento de digestão, situado logo abaixo. As Figuras 5.2 a 5.4 ilustram as três principais configurações de tanques sépticos, enquanto que, na Figura 5.5, são apresentados alguns modelos de tanques sépticos pré-moldados disponíveis no mercado. NA Afluente 5.2 Tanque séptico de câmara única Projeto de reatores anaeróbios 155</p><p>NA NA Tanque séptico com câmaras em série NA NA Fig. 5.4 Tanque séptico com câmaras sobrepostas 156 Reatores</p><p>(a) Fig. 5.5 Diferentes configurações de tanques sépticos sistema confeccio- nado em anéis de concreto; b) sistema fossa-filtro confeccionado em fibra de vidro: c) tanque séptico confeccionado em polietileno Dispositivo de entrada o dispositivo de entrada é de fundamental importância para o funciona- mento dos tanques sépticos, sendo que, usualmente, são adotadas as seguintes so- luções: conexão em "te", acoplada à tubulação de A segunda extremidade é mer- gulhada verticalmente no líquido e a terceira é voltada para cima, permitindo a manutenção; anteparo sifonante, constituído de uma placa localizada junto à entrada do tanque. Da mesma forma que o o anteparo deverá ter uma de suas extremidades submersa e a outra emersa (ver Figura 5.6). Podem ser destacadas as seguintes finalidades principais do dispositivo de entra- da nos tanques sépticos (Heller, 1989; ABNT, 1993): evitar perturbações hidráulicas no interior do tanque, devido à queda de materiais sólidos na massa líquida ou à intermitência da vazão afluente; direcionar o fluxo dos esgotos para o fundo do tanque, possibilitando uma melhor sedimentação dos sólidos e diminuindo a ocorrência de zonas mortas e curto- circuitos; evitar que os novos dejetos afluentes ao tanque se misturem diretamente com o líquido já depurado; evitar o retorno de escuma à entrada do tanque. Projeto de reatores anaeróbios 157</p><p>Algumas recomendações relativas ao projeto de dispositivos de entrada em tan- ques sépticos incluem (Heller, 1989): a geratriz inferior da tubulação de entrada deve estar, no mínimo, 5 cm acima da superficie do líquido no interior do tanque; a tubulação afluente ao tanque não deve apresentar declividade excessiva, sendo recomendada uma inclinação máxima de 2%, pelo menos nos últimos 12 metros da mesma; a norma inglesa CP 302 recomenda a utilização de duas entradas no tanque, sem- pre que as larguras forem superiores a 1,20 m. Dispositivo de saída Da mesma forma que o dispositivo de entrada, 0 dispositivo de saída desempe- nha importantes funções, no sentido de garantir a qualidade do efluente do tanque séptico, podendo-se destacar as seguintes: reter o lodo e os sólidos flutuantes (camada de escuma) no interior do tanque, garantindo um efluente com menores teores de sólidos suspensos; melhorar as condições de escoamento no interior do tanque, diminuindo a ocor- rência de zonas mortas e curto-circuitos. o posicionamento do dispositivo de saída deve considerar a adequada submer- gência e a desejável altura sobre nível d'água, de forma a coletar exatamente o líquido sob a camada de escuma e sobre a zona de lodo, bem como garantir a devida folga para a escuma na extremidade superior do dispositivo (ver Figuras 5.5 e 5.6). Algumas recomendações relativas ao projeto de dispositivos de saída de tanques sépticos incluem (ABNT, 1993): imersão mínima equivalente a 1/3 da altura útil do tanque; imersão maior que a do dispositivo de entrada, em pelo menos 5 cm; imersão mínima de 40 cm. o dispositivo de saída poderá ainda ser munido de defletores de gases e sólidos flutuantes, possibilitando uma maior eficiência na retenção de sólidos no tanque séptico. Alguns exemplos de defletores de gases são apresentados em Heller (1989) e Metcalf & Eddy (1991). 158 Reatores anaeróbios</p><p>Dispositivo Dispositivo de entrada de saída a NA Afluente Efluente h a: distância entre a geratriz inferior do tubo de entrada e a superfície do líquido 5 cm) b: imersão do dispositivo de entrada 10 cm) C: imersão do dispositivo de saída (1/3.h, mín 40 cm) h: profundidade útil do tanque (mín. 120 cm Fig. 5.6 Tanque séptico: detalhe dos dispositivos de entrada e saída 5.2.2.2 Tempo de detenção hidráulica Apesar dos tanques sépticos serem projetados com elevados tempos de detenção hidráulica, usualmente da ordem de 12 a 24 horas (ABNT, 1993), a aplicação de elevadas cargas hidráulicas pode repercutir negativamente em seu funcionamento, particularmente no caso de tanques de câmara única. Grandes picos de vazão po- dem levar a uma perda excessiva de sólidos e, consequentemente, à deterioração da qualidade do efluente final. Se por um lado tempos de detenção hidráulica da ordem de 2 horas são sufi- cientes para promover uma boa sedimentação de sólidos em decantadores conven- cionais, o mesmo não se aplica aos tanques sépticos, onde os gases resultantes do processo de digestão anaeróbia do lodo afetam diretamente a sedimentação das par- tículas sólidas. Dessa forma, tempos de detenção mais elevados são preconizados, a fim de contemplar dois aspectos principais: a sedimentação mais efetiva dos sólidos; a depuração biológica da fase líquida. Os tempos de detenção hidráulica preconizados pela Norma Brasileira são vari- áveis, em função da contribuição diária de esgotos, de acordo com o Quadro 5.1. Projeto de reatores anaeróbios 159</p><p>Quadro 5.1 Tempo de detenção hidráulica dos esgotos Contribuição diária (Q) Tempo de detenção hidráulica (t) (L/d) (d) (h) Até 1500 1,00 24 De 1501 a 3000 0,92 22 De 3001 a 4500 0,83 20 De 4501 a 6000 0,75 18 De 6001 a 7500 0,67 16 De 7501 a 9000 0,58 14 Acima de 9000 0,50 12 Fonte: NBR 7.229 (ABNT, 1993) Existem questionamentos quanto à utilização de tempos de detenção tão eleva- dos, o que, sem dúvida, pode onerar de forma significativa a construção dos tan- ques sépticos. Andrade Neto (1994) relata experiências de sucesso, em que tanques sépticos de câmaras em série, de grande porte, têm sido projetados e operados com tempos de detenção de 6 a 8 horas. 5.2.2.3 Temperatura Conforme abordado no Capítulo 2 (item 2.5.3), a temperatura é um dos fatores ambientais que mais interferem no processo de digestão anaeróbia. A atividade bio- lógica é extremamente dependente da temperatura, sendo o processo de degradação comprometido, quando as temperaturas são inferiores a aproximadamente 20°C. Dessa forma, a estabilização e a consequente redução de volume do lodo estão intimamente relacionadas à temperatura da massa líquida no interior do tanque. A influência da temperatura no processo de digestão pode ser observada através dos valores de taxa acumulação de lodo apresentados no Quadro 5.3. 5.2.2.4 Remoção do lodo A retirada do lodo em períodos pré-determinados, de acordo com o intervalo de limpeza previsto em projeto, é de fundamental importância para o bom funciona- mento dos tanques sépticos. A não retirada do lodo leva à sua acumulação excessiva e à redução do volume reacional do tanque, sendo reduzido, em consequência, o tem- po de detenção hidráulica, prejudicando sensivelmente as condições operacionais do reator. A remoção do lodo excedente pode ser feita basicamente de duas maneiras: através de pressão hidrostática, instalando-se no tanque um dispositivo com carga hidrostática mínima de 1,20 m. Nesse caso, deve-se prever uma tubulação em sifão, com diâmetro mínimo de 100 mm, dotada de registro (vide Fig. 5.7); 160 Reatores anaeróbios</p><p>através de bombeamento, sendo mangote de inserido no interior do tan- Para tanto, projeto deverá prever um ou mais tubos de diâmetro igual a 150 mm, fim de possibilitar o correto posicionamento dos mangotes de sueção (vide Fig. 5.8). NA Tanque séptico Leito de secagem 5.7 Retirada de lodo por pressão hidrostática Mangote Tubo gula Tanque séptico 5.8 Retirada de lodo através de bombeamento Projeto de reatores anaeróblos 161</p><p>5.2.2.5 Condições operacionals importante quanto o projeto e a execução adequados do tanque séptico é a sua Apesar de muito simples, consistindo basicamente da retirada e destinação final do lodo, em intervalos de limpeza pré-determinados, a operação dos tanques sépticos tem sido, via de regra, negligenciada no Os intervalos de limpeza não são observados e a remoção do lodo usualmente é feita quando a unidade já apresenta problemas de Além disso, dificilmente existe controle do lodo removido dos tanques, sendo frequentemente lançado em terrenos baldios, lixões, cursos d'água etc. Os principais aspectos relativos à operação de tanques sépticos são abordados no Capítulo 6. 5.2.3 Principais disposições da NBR 7.229/93 5.2.3.1 Condições gerais Aplicação o sistema de tanques sépticos aplica-se primordialmente ao tratamento de es- gotos domésticos. o emprego de tanques sépticos para o tratamento de despejos oriundos de hospitais, clínicas, postos de saúde etc. deve ser previamente submetido à apreciação das autoridades sanitárias e ambientais competentes, para a fixação de eventuais exigências específicas relativas à pré e pós-tratamento. Presença de substâncias tóxicas No caso de ser admitida a utilização de tanques sépticos para o tratamento de esgotos contendo substâncias tóxicas, cuidados especiais devem ser tomados na disposição do lodo. Indicação de utilização De acordo com a Norma Brasileira, a utilização de tanques sépticos é indicada nos seguintes casos: em áreas desprovidas de rede pública coletora de esgotos; como alternativa de tratamento de esgotos em áreas providas de rede coletora local; quando da utilização de redes coletoras com diâmetro e/ou declividade reduzidos. Nesse caso, os tanques sépticos promovem a retenção prévia de sólidos sedimen- táveis, facultando às redes coletoras o transporte de efluentes livres de sólidos. Restrições de utilização vedado o encaminhamento ao tanque séptico de despejos capazes de causar interferência negativa em qualquer fase do processo de tratamento ou elevação ex- cessiva da vazão do esgoto afluente, tais como: águas pluviais; despejos provenientes de piscinas e de lavagem de reservatórios de água. 162 Reatores anaeróbios</p><p>5.2.3.2 Condições específicas sistema de tanque séptico, uma vez em funcionamento, deve preservar a qua- lidade das águas superficiais e subterrâneas, mediante estrita observância das restri- ções estabelecidas pela Norma, relativas a estanqueidade e distâncias. Distâncias mínimas Os tanques sépticos devem ser projetados observando-se as seguintes distâncias horizontais mínimas: m de construções, limites de terreno, sumidouros, valas de infiltração e ramais prediais de água; 3,0 de árvores e de qualquer ponto de rede pública de abastecimento de água; 15,0 m de poços freáticos e de corpos de água de qualquer natureza. Contribuição de despejos No cálculo da contribuição de despejos a serem encaminhados aos tanques sép- ticos, deve-se considerar: número de pessoas a serem atendidas pelo sistema; contribuição de despejos equivalente a 80% do consumo de água. Em casos ple- namente justificados, podem ser utilizados percentuais diferentes de Na fal- ta de dados locais de consumo de água, devem ser adotadas as contribuições de esgotos e de lodo fresco constantes do Quadro 5.2. Quadro 5.2 Contribuições unitárias de esgotos por tipo de prédio e de ocupantes Contribuição Contribuição de lodo Prédio Unidade de esgotos (C) fresco (Lf) (L/un.dia) (L/un.dia) Ocupantes permanentes (*) residência padrão alto pessoa 160 1 residência padrão médio pessoa 130 1 residência padrão baixo pessoa 100 1 hotel (exceto lavanderia e cozinha) pessoa 100 1 alojamento provisório pessoa 80 1 - Ocupantes temporários (*) em geral pessoa 70 0,30 escritório pessoa 50 0,20 edifícios públicos ou comerciais pessoa 50 0,20 escolas (externatos/locais de longa permanência) pessoa 50 0,20 bares pessoa 6 0,10 restaurantes e similares pessoa 25 0,10 cinemas, teatros e locais de curta permanência lugar 2 0,02 . sanitários públicos (**) bacia sanitária 480 4,00 (*) nos prédios com ocupantes permanentes e temporários simultâneos, a vazão total de contribuição resulta da soma das vazões correspondentes a cada tipo de ocupação. (**) apenas de acesso aberto ao público (estação rodoviária, estação ferroviária, logradouro público, estádio esportivo etc.) Fonte: NBR 7.229 (ABNT, 1993) Projeto de reatores anaeróbios 163</p><p>5cm 5cm 5cm Afluente 5cm NA Efluente 1/3 5cm H h h: profundidade útil do tanque (mín. 120 cm) H: profundidade interna total do tanque Fig. 5.9 Tanque séptico de câmara única preconizado pela NBR 7.229 (ABNT, 1993) Contribuição de lodo fresco A contribuição de lodo fresco refere-se à parcela de sólidos presentes no esgoto afluente, com características domésticas, que, após a sedimentação, vem a se acu- mular no fundo do tanque. Essa contribuição pode ser estimada de acordo com os valores constantes do Quadro 5.2, ressaltando-se a necessidade de realizar observa- ções de campo ou de laboratório para caso de esgotos não domésticos. Taxa de acumulação de lodo A taxa de acumulação de lodo é equivalente ao tempo de acumulação de lodo fresco no tanque séptico, estando relacionada à temperatura ambiente e ao intervalo de limpeza do tanque. Conforme apresentado no Quadro 5.3, verifica-se que, para um dado intervalo de limpeza, a taxa de acumulação decresce com o aumento da temperatura. Isso se deve a uma maior atividade bacteriana em temperaturas mais elevadas e, consequentemente, ao maior grau de estabilização e redução de volume do material orgânico presente no lodo. 164</p><p>Quadro 5.3 Taxa de acumulação total de lodo (K) Intervalo de limpeza do tanque Valores de K, em dias, por faiza de temperatura ambiente (anos) T 1 94 65 57 2 134 97 3 174 145 137 4 214 177 5 254 225 217 Fonte: NBR 7.229 (ABNT, 1993) 5.2.3.3 Dimensionamento de tanques sépticos dimensionamento de um tanque séptico é bastante simples, sendo feito a par- tir da seguinte equação: V = 1000 + N (5.1) na qual: V: volume útil (L); N: número de pessoas ou unidades de contribuição (hab ou unid.); C: contribuição de esgotos, conforme Quadro 5.2 (L/hab.d ou L/unid.d); t: tempo de detenção hidráulica dos despejos, conforme Quadro 5.1 (d); contribuição de lodo fresco, conforme Quadro 5.2 (L/hab.d ou L/unid.d); K: taxa de acumulação de lodo, conforme Quadro 5.3 (d). 5.2.3.4 Geometria dos tanques Conforme mencionado anteriormente, os tanques podem ser cilíndricos ou pris- máticos retangulares. Os cilíndricos são empregados em situações onde se pretende minimizar a área útil, em função de uma maior profundidade. No caso de tanques prismáticos retangulares, geralmente utiliza-se uma menor profundidade e uma maior área. No estabelecimento da geometria do tanque, devem ser observadas as seguintes recomendações principais: no caso de tanques cilíndricos, considerar um diâmetro interno mínimo de 1,10 m; largura interna mínima: 0,80 m; relação comprimento/largura: mínimo 2:1 e máximo 4:1; profundidades úteis: variam de um mínimo de 1,20 m a um máximo de 2,80 m, dependendo do volume útil do tanque, conforme apresentado no Quadro 5.4. Projeto de reatores anaeróbios 165</p><p>Quadro 5.4 Profundidades úteis de tanques sépticos Volume útil Profundidade útil (m) mínima máxima Até 6,0 1,20 2,20 De a 10,0 1,50 2,50 Superior a 10,0 1,80 2,80 Fonte: NBR 7.229 (ABNT, 1993) Tanques sépticos de câmaras em série: o emprego de múltiplas câmaras em série é recomendado especialmente para os tanques sépticos de volumes pequeno a médio, servindo até 30 pessoas. São as seguintes as principais recomendações para a utilização de tanques sépticos de câmaras em série: tanques adotar três câmaras em série, sendo o volume da primeira câmara igual a 1/2V e os volumes das duas câmaras seguintes iguais a 1/4V; tanques prismáticos retangulares: adotar 2 câmaras em série, sendo o volume da primeira câmara igual a 2/3V e da segunda igual a 1/3V; intermunicação entre as câmaras: adotar aberturas com área equivalente a 5% da seção vertical útil do tanque, no plano de separação entre as câmaras; distância vertical mínima entre a extremidade superior da abertura e a lâmina d'água: 30 cm; distância vertical mínima entre a extremidade inferior da abertura e o fundo do tanque: metade da altura útil do tanque, para períodos de limpeza de até 3 anos; dois terços da altura útil do tanque, para períodos de limpeza superiores a 3 menor dimensão de cada abertura: 3 cm. 5.2.3.5 Aberturas de inspeção As aberturas de inspeção dos tanques sépticos devem ser posicionadas de forma a permitir a remoção do lodo e da escuma acumulados, bem como a de- sobstrução dos dispositivos internos. São as seguintes as recomendações nesse sentido: todo tanque deve ter pelo menos uma abertura com a menor dimensão igual ou superior a 60 cm. Essa abertura deve permitir acesso direto ao dispositivo de entrada do esgoto no tanque; o raio de abrangência máximo, para efeito de limpeza do tanque, é de 1,50 m; a menor dimensão das demais aberturas deve ser igual ou superior a 20 cm; 166 Reatores anaeróbios</p><p>para os tanques executados com lajes removíveis, não há necessidade de aber- turas de inspeção, desde que as peças removíveis tenham área igual ou inferior a 0,50 os tanques retangulares prismáticos de câmaras múltiplas devem ter pelo menos uma abertura por câmara; os tanques cilíndricos podem ter uma única abertura, independentemente do número de câmaras, desde que observado que o raio de abrangência má- ximo, para efeito de limpeza, seja igual a 1,50 m e que a distância entre a lâmina d'água e a face inferior do tampão de fechamento seja igual ou superior a 50 cm. Entrada Saída Efluente Afluente cm 1/4V 1/2V h H Aberturas A A Aberturas 0,5.h a 2/3.h 1/4V Planta Corte AA Notas: As aberturas entre as câmaras deverão ter uma seção mínima de 3 cm X 3 cm. o número de aberturas em cada parede, vezes a seção de cada abertura, deve ser igual a 0,025 X h X D (onde: h = profundidade útil e D = diâmetro do tanque. o diâmetro mínimo do tanque deve ser 1,10 m. Fig. 5.10 Tanque séptico com câmaras em série, preconizado pela NBR 7229/93 167</p><p>5.2.4 Eficiências dos tanques sépticos Os dados sobre eficiências dos tanques sépticos são bastante variáveis e sujeitos às condições locais de operação da unidade. A bibliografia especializada indica as seguintes eficiências médias de remoção: DBO: 30 a Sólidos suspensos: 20 a Oleos e graxas: 70 a 90%</p>

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