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<p>As residências unifamiliares do</p><p>arquiteto paulista Marcos Acayaba</p><p>Eduardo Gasparelo Lima</p><p>São Paulo</p><p>2022</p><p>Dissertação apresentada à Faculdade de Arquitetura e</p><p>Urbanismo da Universidade de São Paulo como requisito</p><p>parcial para obtenção do títuto de Mestre em Arquitetura e</p><p>Urbanismo.</p><p>Instituição Sede:</p><p>Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP</p><p>Área de Concentração:</p><p>Tecnologia da Arquitetura</p><p>Linha de Pesquisa:</p><p>Conforto Ambiental, Eficiência Energética e Ergonomia</p><p>Orientação:</p><p>Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski</p><p>Co-orientação:</p><p>Joana Carla Soares Gonçalves</p><p>São Paulo</p><p>2022</p><p>Eduardo Gasparelo Lima</p><p>Versão Original</p><p>A qualidade ambiental da</p><p>arquitetura do legado modernista</p><p>As residências unifamiliares do arquiteto paulista</p><p>Marcos Acayaba</p><p>Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio</p><p>convencional ou eletrônio, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte.</p><p>O presente trabalho foi realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de</p><p>São Paulo (FAPESP), Processo n° 2018/19902-8.</p><p>As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de</p><p>responsabilidade do(s) autor(es) e não necessariamente refletem a visão da FAPESP.</p><p>E-mail do autor: eduardo.gasparelo.lima@usp.br</p><p>LIMA, E. G. A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista: as residências</p><p>unifamiliares do arquiteto paulista Marcos Acayaba. 2022. 583 p. Dissertação (Mestrado em</p><p>Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo,</p><p>São Paulo, 2022.</p><p>Aprovado em:</p><p>BANCA EXAMINADORA</p><p>Profª. Drª.</p><p>Instituição:</p><p>Julgamento:</p><p>Profª. Drª.</p><p>Instituição:</p><p>Julgamento:</p><p>Prof. Dr.</p><p>Instituição:</p><p>Julgamento:</p><p>Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski</p><p>Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo</p><p>Elaborada eletronicamente através do formulário disponível em:</p><p>Catalogação na Publicação</p><p>Serviço Técnico da Biblioteca</p><p>Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo</p><p>Lima, Eduardo Gasparelo</p><p>A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista: as</p><p>residências unifamiliares do arquiteto paulista Marcos Acayaba / Eduardo</p><p>Gasparelo Lima; orientadora Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski.</p><p>coorientadora Joana Carla Soares Gonçalves - São Paulo, 2022.</p><p>583 p.</p><p>Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da</p><p>Universidade de São Paulo. Área de concentração: Tecnologia da Arquitetura.</p><p>1. Marcos Acayaba. 2. Arquitetura Bioclimática. 3. Conforto Ambiental.</p><p>4. Casas. I. Michalski, Ranny Loureiro Xavier Nascimento, orient. II. Gonçalves,</p><p>Joana Carla Soares, coorient. III. Título.</p><p>às casas que nos acolhem.</p><p>que nos prestam refúgio.</p><p>que vão,</p><p>mas que não nos deixam.</p><p>aos meus pais pelo apoio,</p><p>encorajamento e paciência,</p><p>à minha avó pela preocupação e</p><p>carinho diários,</p><p>à Prof.ª. Ranny pela parceria, pelo</p><p>incentivo e pelos conhecimentos</p><p>compartilhados,</p><p>à Prof.ª. Joana Carla por não desistir</p><p>mesmo longe,</p><p>à Monica Dolce pelos conselhos, pelas</p><p>discussões e pelas fofocas diárias.</p><p>Pra quem é...</p><p>à Prof.ª Alessandra pelos</p><p>ensinamentos, pela confiança,</p><p>pelos cafés e pelos momentos de</p><p>descontração,</p><p>ao técnico do laboratório,</p><p>Ranieri Higa, pelo apoio e pela</p><p>disponibilidade no desenvolvimento</p><p>da pesquisa,</p><p>ao Prof. Nuno e ao Eng, Hélio Olga</p><p>por terem aberto as portas de</p><p>seus lares para a realização deste</p><p>trabalho,</p><p>ao Arq. Miguel Falci Câmara por</p><p>ceder os materiais levantados em sua</p><p>Iniciação Científica,</p><p>ao Fernando pela ajuda na reta final</p><p>da pesquisa,</p><p>ao Samir pela leitura atenta dos</p><p>capítulos,</p><p>à Nathalia e à Natália pelos anos de</p><p>amizade e por me acompanharem</p><p>sempre,</p><p>à Lara pela amizade tão valiosa,</p><p>à Cris, à Lais e à Claudinha por</p><p>tornarem a vida acadêmica mais</p><p>leve,</p><p>aos familiares e amigos que</p><p>aqui não foram citados, mas que</p><p>contribuíram para o trabalho direta</p><p>ou indiretamente,</p><p>à banca que gentilmente aceitou o</p><p>convite,</p><p>um agradecimento mais que</p><p>especial ao Arq. Marcos Acayaba pelo</p><p>interesse e ajuda na pesquisa, e</p><p>a meu vô, que me ensinou a ver</p><p>além das barreiras e que hoje segue</p><p>olhando por mim de outro lugar.</p><p>Obrigado!</p><p>Sigamos.</p><p>Wang Shu</p><p>Arquiteto ganhador do</p><p>Prêmio Pritzker 2012</p><p>Para mim, qualquer</p><p>tipo de arquitetura,</p><p>independentemente</p><p>de sua função, é</p><p>uma casa. Eu projeto</p><p>apenas casas, não</p><p>arquitetura. Casas são</p><p>simples. Elas sempre</p><p>mantêm uma relação</p><p>interessante com a</p><p>verdadeira existência,</p><p>com a vida.</p><p>LIMA, E. G. A qualidade ambiental da arquitetura do legado</p><p>modernista: as residências unifamiliares do arquiteto</p><p>paulista Marcos Acayaba. 2022. 583 p. Dissertação (Mestrado</p><p>em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e</p><p>Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022.</p><p>A Arquitetura Modernista Brasileira produzida entre 1930 e 1964</p><p>apresenta uma atenção especial em questões relacionadas ao</p><p>conforto e desempenho ambiental. Os edifícios desse período</p><p>vêm sendo avaliados há alguns anos por vários pesquisadores,</p><p>com destaque para Oscar Corbella e Simos Yannas, no Rio de</p><p>Janeiro, e pela Profª. Drª. Joana Gonçalves, em São Paulo. Nessa</p><p>linha, a presente pesquisa busca avaliar o desempenho das</p><p>soluções e estratégias projetuais utilizadas no período posterior</p><p>ao Modernismo Brasileiro Bioclimático e que trouxe com ele o</p><p>legado do conforto ambiental. A importância que Marcos Acayaba</p><p>deposita nos aspectos relacionados ao conforto do usuário</p><p>em seus projetos, comumente relatados em depoimentos e</p><p>entrevistas, serviu como mote para a escolha do arquiteto. Assim,</p><p>o trabalho tem o intuito de investigar a qualidade ambiental de</p><p>sua produção, nunca antes avaliada quantitativamente. Discorre</p><p>também sobre como tais estratégias, amplamente disseminadas</p><p>no período arquitetônico mencionado, foram apreendidas pelo</p><p>arquiteto, reinterpretadas e transpostas em seus projetos. O</p><p>método é tanto indutivo experimental, com levantamento de</p><p>campo de variáveis físicas e ambientais microclimáticas, como</p><p>dedutivo simulacional. Os resultados foram analisados de</p><p>forma comparativa entre os dados aferidos e calculados, além</p><p>de confrontados com critérios de desempenho estabelecidos</p><p>por normas brasileiras e internacionais. De maneira geral,</p><p>as residências apresentaram bons resultados para grande</p><p>parte dos cenários avaliados, graças às estratégias passivas</p><p>de condicionamento natural, implantadas ainda em fase de</p><p>projeto.</p><p>Palavras-chave: Marcos Acayaba. Arquitetura Bioclimática.</p><p>Conforto Ambiental. Casas.</p><p>LIMA, E. G. Environmental quality of the Modernism</p><p>legacy's architecture: Marcos Acayaba's single-family</p><p>houses in São Paulo.. 2022. 583 p. Dissertação (Mestrado</p><p>em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e</p><p>Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022.</p><p>The Brazilian Modernist Architecture produced between 1930</p><p>and 1964 has a special focus on issues related to comfort and</p><p>environmental performance. The buildings from this period</p><p>have been evaluated for some years by several researchers,</p><p>especially Oscar Corbella and Simos Yannas, in Rio de Janeiro,</p><p>and by Prof. Dr. Joana Gonçalves, in São Paulo. In this line, the</p><p>present research seeks to evaluate the performance of the</p><p>solutions and design strategies used in the period after the</p><p>Brazilian Bioclimatic Modernism, which brought with it the</p><p>legacy of environmental comfort. The importance that Marcos</p><p>Acayaba gives to aspects related to user comfort in his projects,</p><p>commonly reported in testimonies and interviews, served</p><p>as a motto for the architect's choice. The work also aims to</p><p>investigate the environmental quality of his production, never</p><p>before quantitatively evaluated. It also attempts to discuss how</p><p>such strategies, widely disseminated in the aforementioned</p><p>architectural period, were apprehended by the architect,</p><p>reinterpreted and transposed into his projects. The method</p><p>is both experimental inductive, with</p><p>de barro, os telhados</p><p>divididos em águas, a estrutura em alvenaria etc, a forma tinha</p><p>algo de moderno em seus traços. A exemplo disso, pode-se citar a</p><p>Casa Rio Branco Paranhos (Figuras 01.35 e 01.36), no Pacaembu,</p><p>em que há um volume em balanço, demonstrando um esforço</p><p>estrutural depositado em projetos residenciais incomum à época,</p><p>além das grandes aberturas terminando alinhadas ao teto.</p><p>Os indícios de uma afiliação à arquitetura moderna ficam claros.</p><p>Arquitetura moderna essa que é muito próxima da produção do</p><p>arquiteto americano Frank Lloyd Wright, autor de obras como a</p><p>Casa da Cascata, o Museu Guggenheim em Nova Iorque e a Robie</p><p>House de Chicago. Os grandes balanços traçados por Artigas,</p><p>assim como as janelas a meia altura, denotam a clara influência</p><p>de Wright em seus primeiros projetos.</p><p>Essa casa de Artigas é organizada a partir de volumes distribuídos</p><p>no terreno, criando, com isso, uma planta de perímetro</p><p>recortado. Isso vai ao encontro da produção de Wright no</p><p>sentido de que o programa de necessidades era “pulverizado”</p><p>no lote e o volume único e puro, tão comum à produção de Le</p><p>Corbusier, não era o pretendido.</p><p>Em 1942, Artigas projeta e constrói pra si a “Casinha”, que viria</p><p>a ser sua casa de fim de semana, localizada em Santo Amaro,</p><p>Zona Sul de São Paulo (Figura 01.37). Sendo um projeto em que</p><p>além de arquiteto, também era cliente, teve total liberdade para</p><p>conceber a obra e romper com as formas que se faziam presentes.</p><p>É uma casa térrea, singela, em que se pode encontrar algumas</p><p>características tradicionais que ora são rompidas por um</p><p>anseio moderno. Esse conservadorismo no uso de elementos</p><p>tradicionais cessa nos materiais. A forma de implantação e</p><p>o programa de necessidades rompiam bruscamente com a</p><p>planta da casa tradicional paulista, que ainda carregava valores</p><p>vinculados a uma estrutura colonial-escravocrata.</p><p>As casas produzidas até então valorizavam social e</p><p>arquitetonicamente certos espaços e, em contrapartida,</p><p>depreciavam outros, tanto mais apequenados quanto mais</p><p>humildes eram os empregados. Assim, possuíam frentes e</p><p>jardins de acesso exuberantes, enquanto as áreas de serviço</p><p>eram mantidas em diminutos fundos de lote. A Casinha extinguiu</p><p>qualquer hierarquia entre fachada principal, frente e fundo ao ser</p><p>implantada a 45° no terreno, desapegando da relação colonial</p><p>entre lote urbano e edificação.</p><p>O fim das hierarquias não se restringiu à implantação. O morar</p><p>à francesa ainda era comum às plantas residenciais daquele</p><p>período. Ou seja, a total independência entre as três áreas</p><p>constituintes de uma casa – social, serviço e de repouso – ainda</p><p>imperava e, além disso, para ir de uma área à outra, não era</p><p>conveniente cruzar a terceira delas. Artigas, nesse projeto, altera</p><p>essa setorização integrando a cozinha com a área social sem a</p><p>(Ao lado)</p><p>Vista da Residência</p><p>Rio Branco Paranhos</p><p>(1943), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>(Abaixo)</p><p>Planta da Residência</p><p>Rio Branco Paranhos</p><p>(1943), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Prancha com o projeto</p><p>da Casinha de Artigas</p><p>(1942), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Fonte: CONDEPHAAT.</p><p>Fonte: CRUZ, 2010.</p><p>Fonte: Acervo Família</p><p>Artigas.</p><p>Figura 01.35</p><p>Figura 01.36</p><p>Figura 01.37</p><p>54 55A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>uso de paredes ou divisórias, dispondo racionalmente a área</p><p>de serviço de modo a facilitar seu uso e fazendo a separação</p><p>da área privativa (quartos e studio) por meio do uso de meios-</p><p>níveis, solução que se tornará recorrente em suas obras. Esse</p><p>nivelamento social e arquitetônico é reflexo da índole política do</p><p>arquiteto, que tanto será notada nos anos posteriores (Figuras</p><p>01.38 a 0.40).</p><p>A Casinha se aproxima da produção de Wright no que tange ao uso</p><p>de beirais que prolongam a área interna, as janelas a meia altura</p><p>que chegavam até a laje, as texturas dos materiais na composição</p><p>da fachada, a planta quadrada e, sobretudo, a estruturação</p><p>do programa a partir de um volume central, que nesse caso, é</p><p>ocupado pelo banheiro e lareira – elemento esse de papel singular</p><p>na produção do arquiteto americano. Pode-se dizer, portanto, que</p><p>a primeira fase de Artigas foi marcada pela influência wrightiana</p><p>em seus projetos, que durou menos de uma década.</p><p>Com o decorrer dos anos, as formas intencionadas pelo</p><p>arquiteto para seus projetos passaram a ser mais puras,</p><p>com uma geometria mais limpa e única, se aproximando da</p><p>produção corbusiana e, mais que isso, é um período em que</p><p>é influenciado pela Escola Carioca. Em 1943, a construção do</p><p>MES é concluída. Na mesma década, os projetos da Pampulha</p><p>também ficam prontos e o modernismo corbusiano e a imagem</p><p>de Niemeyer ficam em evidências a nível nacional.</p><p>Um dos projetos que mais se enquadra nesse âmbito é o</p><p>Edifício Louveira (Figura 01.41), no bairro de Higienópolis em</p><p>São Paulo, cuja configuração formal tem relações diretas com</p><p>o Edifício Gustavo Capanema. O projeto é resolvido por meio</p><p>de dois edifícios lâminas sob pilotis implantados de maneira</p><p>perpendicular à fachada principal, liberando o miolo do lote para</p><p>o desenvolvimento de um jardim privativo, porém de acesso</p><p>público. Aqui, a cobertura acessível defendida por Le Corbusier</p><p>é revisada e transposta na criação desse miolo permeável. Talvez</p><p>uma tentativa de, novamente, “democratizar” um projeto privado.</p><p>A disposição dos volumes, mantendo as fachadas principais</p><p>voltadas ao centro do lote ou à rua secundária, é incomum à</p><p>época. O acesso a um dos dois monoblocos de apartamentos</p><p>é feito por intermédio de uma escada marcada por um piloti</p><p>no seu centro, evidenciando o raciocínio lógico da estrutura</p><p>e valorizando-a. A área sob os pilotis, com pé-direito duplo à</p><p>semelhança do MES, tem conexão com o jardim central e com</p><p>o outro bloco a partir de rampas sinuosas, referência clara à</p><p>produção de Niemeyer.</p><p>Os materiais tradicionais à arquitetura eclética paulista dão</p><p>lugar ao concreto armado, permitindo o lançamento de pilares</p><p>(Acima, à esquerda)</p><p>Vista externa da</p><p>Casinha (1942), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>(Abaixo, à esquerda)</p><p>Vista interna da</p><p>Casinha (1942), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>(À direira)</p><p>Vista interna da</p><p>Casinha, evidenciando</p><p>os meios-níveis.</p><p>Plantas do Ed.</p><p>Louveira (1946), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>Foto: Emiliano Hagge.</p><p>Foto: Emiliano Hagge.</p><p>Foto: Emiliano Hagge.</p><p>Fonte: Acervo da Família</p><p>Artigas.</p><p>Figura 01.38</p><p>Figura 01.39</p><p>Figura 01.40</p><p>Figura 01.41</p><p>56 57A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>recuados da fachada. Com isso, a fachada livre e a janela em fita</p><p>puderam ser aplicadas sem muita dificuldade. As janelas do tipo</p><p>guilhotina, os panos de vidro e as cores intensas com que os vedos</p><p>e as caixilharias foram pintados, laranja avermelhado e amarelo</p><p>vivo, respectivamente, garantem o dinamismo à fachada, mutável</p><p>a cada momento em que é vista (Figura 01.42). A planta, ainda</p><p>que bastante segmentada, já aponta para o desejo de integrar os</p><p>espaços em uma planta livre.</p><p>Outro ponto influenciado pela Escola Carioca é a inclusão</p><p>de obras de arte ao projeto arquitetônico. No hall de entrada</p><p>principal do Edifício Louveira é possível encontrar um trabalho</p><p>do pintor e gravurista hispano-brasileiro Francisco Rebollo.</p><p>A concatenação entre o Modernismo Corbusiano e a Escola</p><p>Carioca é evidente durante essa segunda fase. A relação é</p><p>tão forte e arraigada que se perde um pouco a noção da</p><p>temporalidade de algumas características projetuais. As</p><p>varandas do Complexo Residencial do Parque Guinle, projeto</p><p>de 1948 de Lúcio Costa, são delimitadas pelo uso de cobogós,</p><p>qualificando um espaço de transição que antecede o espaço</p><p>privado destinado ao morar. Esse espaço trava um diálogo</p><p>direto com os terraços projetados por Artigas nas unidades do</p><p>Ed. Louveira, dois anos antes.</p><p>Outro projeto que mostra esse interesse com a produção carioca,</p><p>em especial de Niemeyer,</p><p>é a Rodoviária de Londrina (Figuras</p><p>01.43 e 01.44), de 1948. A volumetria do projeto remonta ao</p><p>volume do Iate Tenis Clube da Pampulha, de 1942, de Niemeyer,</p><p>em associação aos famosos arcos vistos em projetos como a</p><p>Igreja da Pampulha. A justaposição dos arcos é feita para criar a</p><p>cobertura que irá abrigar tanto os passageiros no momento do</p><p>embarque e desembarque, como também as sete baias para os</p><p>ônibus, posicionadas de forma oblíqua à plataforma. A solução a</p><p>partir da justaposição de sete abóbodas em concreto armado só</p><p>foi possível graças à liberdade formal almejada anos antes pelo</p><p>arquiteto carioca. E não somente: os brises na fachada Norte da</p><p>Rodoviária muito se assemelham à solução aplicada à fachada</p><p>do MES, assim como os pilotis vencendo um pé-direito duplo.</p><p>O Modernismo Corbusiano também se faz presente nessa obra.</p><p>A planta livre, o uso dos pilotis, as fachadas livres, o volume</p><p>monolítico: todos são indícios da aproximação nesta segunda</p><p>fase de Artigas com Le Corbusier. Somado a isso, é possível</p><p>identificar ainda no projeto para Londrina a criação tímida da</p><p>promenade arquitetônica defendida pelo arquiteto francês, que</p><p>controla o percurso ao edifício e ao seu interior, proporcionando</p><p>conforto e boas sensações para os visitantes. Grande parte do</p><p>interior do edifício é ocupada por rampas e áreas de circulação,</p><p>valorizando o percurso do passageiro e a vista para a cidade</p><p>através dos panos de vidro.</p><p>Voltando à cidade de São Paulo, é possível identificar várias</p><p>residências que se enquadram nessa fase do arquiteto, como por</p><p>exemplo a Residência Czapski (Figura 01.45). Tal casa também</p><p>é exemplo da organização recorrente do programa habitacional</p><p>em meios-níveis. O corpo principal da residência encontra-se</p><p>elevado sob pilotis, cujo acesso se dá por uma rampa que chega</p><p>a um meio-nível em que são dispostos os ambientes sociais do</p><p>programa de necessidades. Ao subir um lance de escadas, chega-</p><p>se ao patamar destinado à cozinha e à área de serviço. No último</p><p>nível estão os quartos, toda a área privativa da casa.</p><p>Ed. Louveira (1948),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Rodoviária de Londrina</p><p>(1948), Arq. Vilanova</p><p>Artigas. Vista aérea.</p><p>Rodoviária de Londrina</p><p>(1948), Arq. Vilanova</p><p>Artigas. Vista frontal.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Francisco de Almeida</p><p>Lopes.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 01.42 Figura 01.43</p><p>Figura 01.44</p><p>58 59A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>Em 1949, mesmo ano de construção da Residência Czapski,</p><p>Artigas projetou sua nova habitação, a Residência Vilanova</p><p>Artigas (Figura 01.46), hoje transformada em centro cultural.</p><p>A casa é fruto da necessidade de uma moradia maior, com</p><p>vista no nascimento de seus dois filhos. Surge quase como um</p><p>processo evolutivo da Casinha de 42. O grande ponto focal do</p><p>projeto é o telhado na diagonal que marca não só o perímetro,</p><p>como também a forma da casa como um todo. Mais uma vez</p><p>não existe a hierarquia entre frente e fundo e as dependências de</p><p>empregados são abolidas do programa.</p><p>Apesar de volume monolítico aparente, quando se adentra à</p><p>residência é possível perceber uma clara divisão entre os usos</p><p>típicos de uma habitação, que em corte irão ocupar um volume</p><p>totalmente simétrico, e o seu estúdio pessoal de trabalho, que</p><p>ocupa o mezanino do prolongamento de uma das águas da</p><p>cobertura. Tal disposição cria ainda um terraço coberto em parte</p><p>pela cobertura e parte pelo estúdio.</p><p>Alguns resquícios wrightianos ainda são notados no projeto,</p><p>como o abrigo de carros, um volume à parte que compõe um</p><p>recorte na planta do edifício, e o núcleo composto pelas áreas</p><p>molhadas (cozinha e banheiro) e pela lareira, que mais uma vez</p><p>tem um papel centralizador na área social.</p><p>A partir desse momento, as cores ocupam espaço notório dentro</p><p>de seu processo projetual, valorizando elementos arquitetônicos</p><p>ou estruturais por meio de acabamentos e/ou pinturas. Duas</p><p>casas em que essa estratégia projetual foi utilizada são a Casa</p><p>Olga Baeta (1956) e a Casa Rubens de Mendonça, também</p><p>conhecida por Casa dos Triângulos (1958).</p><p>A Casa Baeta (Figuras 01.48 e 01.49) é o primeiro projeto em que</p><p>Artigas deixa as faces de concreto sem acabamento, mantendo</p><p>os decalques produzidos pelas formas de concretagem. É a</p><p>expressão clara da arquitetura dita bruta, do esforço do operário</p><p>para construir aquele plano, aquele edifício. A partir de então</p><p>o processo construtivo não será mais sublimado. O esforço e o</p><p>trabalho operário serão reverenciados pelo projeto.</p><p>Casa Czapski (1949),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Residência Vilanova</p><p>Artigas (1949), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>Plantas e corte da</p><p>Residência Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Fonte: Acervo da Família</p><p>Artigas.</p><p>Figura 01.45</p><p>Figura 01.46</p><p>Figura 01.47</p><p>(À esquerda)</p><p>Vista externa da Casa</p><p>Baeta (1956), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>(À direita)</p><p>Vista externa da Casa</p><p>Baeta (1956).</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 01.48</p><p>Figura 01.49</p><p>60 61A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>A composição da Casa dos Triângulos (Figuras 01.50 e 01.51) se</p><p>torna recorrente na dita Escola Paulista. O programa era resolvido</p><p>em um volume monolítico único, onde, no térreo, eram alocadas</p><p>as áreas social e de serviço e, no primeiro andar, os quartos eram</p><p>dispostos perifericamente, de maneira a formar um espaço com</p><p>pé-direito duplo na área central. O volume em que os quartos</p><p>eram inseridos ultrapassava os limites da planta térrea, gerando</p><p>um sombreamento nos cômodos inferiores. A composição dos</p><p>pilares também merece ser pontuada a partir dessa obra: Artigas</p><p>passa a estudar e ir em busca de formas próprias para os pontos</p><p>de apoio de seus projetos que, com o decorrer do tempo, vão se</p><p>tornando mais rebuscados.</p><p>Durante o fim dos anos 50 e início dos anos 60, o Brasil passava</p><p>por um período conhecido como desenvolvimentista. Durante</p><p>esses anos, muitos foram os projetos públicos produzidos</p><p>em âmbito nacional e diversos foram os arquitetos que se</p><p>beneficiaram com isso. Em São Paulo, Artigas foi um deles.</p><p>Algumas de suas obras públicas desse período são o Ginásio</p><p>de Itanhaém, 1959 (Figura 01.52); o Ginásio de Guarulhos,</p><p>1960 (Figura 01.53); e o Colégio Doze de Outubro, 1962. Nesses</p><p>projetos, o arquiteto pôde utilizar algumas estratégias projetuais</p><p>que eram ensaiadas nos projetos residenciais antecessores,</p><p>como os pilares em formas geométricas e as rampas, a exemplo</p><p>de sua aplicação na Residência Taques Bittencourt II.</p><p>Assim como as residências serviram de laboratório para os</p><p>projetos públicos do período desenvolvimentista, pode-se</p><p>apontar tal relação para o Colégio Doze de Outubro, que pode</p><p>ser encarado como um estudo para o arquiteto projetar a obra</p><p>que mais lhe garantiu renome: o edifício sede da Faculdade de</p><p>Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.</p><p>O Edifício Vilanova Artigas já é parte integrante da terceira fase</p><p>do arquiteto, conhecida por “brutalista”, mas um Brutalismo</p><p>diferente do Brutalismo francês de Le Corbusier ou dosurgido</p><p>na Inglaterra. O brutalismo aplicado a Artigas está intimamente</p><p>ligado com a condição social brasileira.</p><p>Voltando ao projeto da FAUUSP (Figuras 01.54 e 01.55), é</p><p>constituída por um grande monobloco retangular de concreto,</p><p>com 110 metros de comprimento e 66 metros de largura, elevado</p><p>por uma estrutura também em concreto e tem seus espaços</p><p>internos organizados ao longo de seis meios-níveis (além de</p><p>subsolos), intercalados longitudinalmente e articulados por meio</p><p>de imponentes e amplas rampas que garantem a continuidade</p><p>visual e espacial à obra.</p><p>(À esquerda)</p><p>Vista externa da Casa</p><p>dos Triângulos (1958),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Vista externa do</p><p>Ginásio de Itanhaém</p><p>(1959), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Vista externa do</p><p>Ginásio de Guarulhos</p><p>(1960), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Vista interna</p><p>das</p><p>rampas da FAUUSP</p><p>(1969), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Vista interna do</p><p>nível do auditório da</p><p>FAUUSP (1969), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>(À direita)</p><p>Vista interna da Casa</p><p>dos Triângulos (1958).</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Autor desconhecido.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Fonte: Revista Acrópole.</p><p>Figura 01.50</p><p>Figura 01.51</p><p>Figura 01.52</p><p>Figura 01.53</p><p>Figura 01.54</p><p>Figura 01.55</p><p>62 63A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>As rampas, além de cumprir seu papel primeiro de conectar</p><p>pavimentos, tornam-se ponto de encontro para quem por ali</p><p>passa. Isso se dá graças ao dinamismo desse espaço de circulação</p><p>e à escala com que foi projetado. O arquiteto, mais uma vez,</p><p>valoriza o promenade arquitetônico presente em alguns de seus</p><p>outros trabalhos e o eleva à enésima potência.</p><p>No vazio central conformado pelo desenho e pela distribuição</p><p>dos níveis, o pé-direito do edifício alcança o valor de 15 metros de</p><p>altura. O Salão Caramelo, como é conhecido, torna-se, portanto,</p><p>uma verdadeira praça cívica no centro da faculdade. Espaço</p><p>esse onde acontecem exposições temporárias, intervenções de</p><p>alunos, debates, aulas, eventos, entre outros. Sob a projeção</p><p>da caixa de concreto, o piso térreo é parcialmente aberto para o</p><p>exterior de forma permanente. Isso associado ao dinamismo do</p><p>Salão Caramelo garante fulgor ao edifício.</p><p>Uma grande e única cobertura de claraboias quadradas</p><p>uniformemente distribuídas na cobertura, totalizando</p><p>aproximadamente 40% de área translúcida, traz iluminação</p><p>natural zenital para todo o espaço interno, ao mesmo tempo</p><p>em que promove uma ventilação natural contínua por efeito</p><p>chaminé. A cobertura tem papel integrador dos diversos volumes</p><p>criados internamente, garantindo unidade ao projeto. Essa</p><p>cobertura única e unificadora ganha recorrência nos projetos</p><p>modernistas da época.</p><p>Contudo, o cerne do edifício são os estúdios. Espaço destinado</p><p>ao ensino das disciplinas de projeto, os estúdios são áreas</p><p>divididas por paredes baixas que não atingem a cobertura e</p><p>sem nenhum contato com o ambiente externo a não ser pela</p><p>iluminação natural proveniente das claraboias. Tornam-se,</p><p>portanto, espaços de total imersão no processo educacional,</p><p>além de serem ambientes de aprendizagem social, onde</p><p>deve existir certo “acordo informal” entre os usuários para</p><p>que o ambiente não atinja altos níveis de ruído. O edifício, de</p><p>fato, torna-se o caso mais representativo dos ideais sociais</p><p>defendidos pelo arquiteto. A verdadeira materialização do</p><p>debate social da universidade pública: um edifício aberto, sem</p><p>portas ou bloqueios, que não impedisse o acesso de pessoas e</p><p>ideias. Um projeto, que por si só, daria aulas de humanismo e</p><p>cidadania.</p><p>A Residência Elza Berquó (Figuras 01.56 a 01.58) também é</p><p>inclusa nos projetos da terceira fase do arquiteto. Foi o primeiro</p><p>projeto que desenvolveu depois de voltar de seu exílio político</p><p>durante os primeiros anos da ditadura brasileira. O ponto de</p><p>conversão da casa é, sem dúvidas, o pátio interno, núcleo ao redor</p><p>do qual os espaços da casa são dispostos. Diz-se espaço porque</p><p>são poucas as portas e divisórias impostas para se encerrar um</p><p>cômodo. A planta é organizada a partir de cantos e reentrâncias</p><p>que recebem quartos, salas e áreas sociais, fugindo da rigidez</p><p>geométrica imposta pelo Modernismo. Ponto de destaque</p><p>no projeto são os troncos de árvore precisamente calculados</p><p>para sustentar a cobertura em concreto, corroborando para a</p><p>inclusão do espaço externo no interno.</p><p>Durante a década de 70, Artigas continua trabalhando com a forma</p><p>de seus apoios e sua integração à plasticidade arquitetônica. Em</p><p>1973, projeta a Rodoviária de Jaú (Figura 01.59), onde continua</p><p>aplicando o conceito da cobertura única e acesso à luz zenital.</p><p>Contudo, essa luz aqui é obtida pela combinação entre a</p><p>estrutura da cobertura e os pilares que a sustentam.</p><p>Os pilares possuem base quadrada e, à medida que toma altura,</p><p>cada face se bifurca, assemelhando-se a uma flor ao desabrochar.</p><p>As quatro pétalas formadas cada qual por uma metade de duas</p><p>faces adjacentes se conectam à cobertura que, nos núcleos dos</p><p>pilares, é perfurada por grandes círculos por onde a luz penetra,</p><p>evidenciando o trabalho escultórico aplicado à estrutura vertical.</p><p>(Ao lado)</p><p>Plantas da Residência</p><p>Elza Berquó (1967),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>(À esquerda)</p><p>Vista externa da</p><p>Residência Elza Berquó</p><p>(1967), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>(À direita)</p><p>Vista interna da</p><p>Residência Elza Berquó</p><p>(1967), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Fonte: ArquivoArq.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 01.58</p><p>Figura 01.56</p><p>Figura 01.57</p><p>64 65A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>Um ano antes, em 1972, Artigas se junta com Paulo Mendes da</p><p>Rocha e Fábio Penteado para projetarem o Conjunto Habitacional</p><p>Zezinho Magalhães, em Guarulhos (Figura 01.60). Marco da</p><p>habitação social, o projeto é constituído por 62 blocos formados</p><p>por dois prédios de três andares cada, totalizando 3.720 unidades,</p><p>além de possuir toda a infraestrutura necessária, suprindo as</p><p>demandas por educação, saúde, lazer e comércio. A proposta</p><p>urbanística e a técnica construtiva por meio da montagem de</p><p>elementos pré-moldados de concreto almejavam a economia</p><p>em larga escala e se enquadravam muito bem na racionalização</p><p>e funcionalismo defendidos pelo Modernismo.</p><p>Os diversos projetos apresentados possuem um denominador</p><p>comum: o corte. Artigas foi o arquiteto que projetava pelo corte.</p><p>Em grande parte, as plantas de seus trabalhos não refletiam a</p><p>genialidade de suas ideias. Os cortes sim. Os cortes evidenciavam</p><p>as relações entre cheios e vazios, entre a setorização dos espaços,</p><p>entre os meios-níveis, entre o pé-direito simples e o duplo, entre</p><p>as formas dos apoios etc. Para se entender a produção de Artigas</p><p>é preciso se debruçar em seus cortes, para, assim, admirar toda a</p><p>beleza e o caráter social de suas obras.</p><p>As obras de Marcos Acayaba devem muito à produção desses</p><p>dois arquitetos modernos, apresentando grande influência de</p><p>alguns dos conceitos apresentados acima. A relação com a</p><p>natureza encontrada na Casa das Canoas pode ser revisitada</p><p>em obras como a Residência Marlene Milan, onde edifício e</p><p>paisagismo são integrados de forma primorosa. Ou mesmo na</p><p>Residência Hélio Olga, onde o terreno permaneceu em grande</p><p>parte intocado. A organização setorial da casa em níveis,</p><p>aludindo à obra de Artigas, também é recorrente, como na</p><p>Residência Milan, ou, ainda, o modelo de habitação da Casa dos</p><p>Triângulos que é claramente aplicado na Casa Hugo Kovadloff.</p><p>Em sua obra, a madeira se assimila ao concreto armado da</p><p>época. A construção em madeira e as possibilidades de sua</p><p>aplicação enquanto técnica construtiva são elevadas a outro</p><p>patamar em casas como a Residência Marcos Acayaba ou a</p><p>própria Residência Hélio Olga. A produção seriada voltada ao</p><p>mercado imobiliário, com o uso de pré-moldados, tem reflexos</p><p>no Conjunto Residencial Alto da Boa Vista e na Complexo</p><p>Residencial Vila Butantã.</p><p>Além da relação direta com sua formação na FAUUSP, isso</p><p>também se dá ao vasto campo de atuação do arquiteto,</p><p>abordado de forma mais aprofundada no capítulo seguinte, mas</p><p>do qual contam casas, projetos públicos, edifícios de habitação</p><p>social, agências bancárias, escolas, projetos urbanísticos etc.</p><p>Os diálogos apresentados acima são alguns dos possíveis, mas</p><p>não os únicos. A produção modernista teve papel considerável</p><p>em seus projetos e, sendo assim, será evidenciada no transcorrer</p><p>desta pesquisa.</p><p>Conjunto Habitacional</p><p>Zezinho Magalhães</p><p>(1972), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 01.60</p><p>Rodoviária de Jaú</p><p>(1973), Arq. Vilanova</p><p>Artigas. Vista interna.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 01.59</p><p>UM ARQUITETO</p><p>QUATRO CASAS</p><p>Este capítulo é composto pelos seguintes tópicos:</p><p>(I) A</p><p>formação de um arquiteto, em que se relata</p><p>sobre a formação do arquiteto Marcos Acayaba na</p><p>FAUUSP durante os anos de 1964 a 1969, período</p><p>em que entrou em vigência a Reforma de 1962, e</p><p>sobre as influências modernistas que teve;</p><p>(II) Percurso profissional de Marcos Acayaba, onde</p><p>é descrita, em progressão histórica, a produção do</p><p>arquiteto, evidenciando as tipologias e as técnicas</p><p>construtivas por ele trabalhadas, assim como seus</p><p>anos de atuação como docente; e</p><p>(III) Concreto, tijolo, madeira e bloco: 4 residências,</p><p>tópico encarregado de apresentar as quatro</p><p>residências escolhidas como estudo de caso para</p><p>este projeto de pesquisa: Residência Marlene Milan;</p><p>Residência Hugo Kovadloff; Residência Hélio Olga; e</p><p>Conjunto Residencial Vila Butantã.</p><p>68 69A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>A FORMAÇÃO DE UM ARQUITETO</p><p>Acayaba é formado pela FAUUSP, iniciando seus estudos em 1964,</p><p>o primeiro ano a entrar em vigência a reestruturação educacional</p><p>de 1962, que enfatizava o ensino nos ateliês. Um dos principais</p><p>alicerces para a Reforma de 62 é o relatório produzido por Carlos</p><p>Millan, intitulado O Ateliê na Formação do Arquiteto. Nele, Millan</p><p>defende o ensino prático e integrado, em que a contribuição do</p><p>ateliê</p><p>“na formação do arquiteto será no sentido de:</p><p>1) Realizar o aprendizado e domínio dos meios de</p><p>representação e expressão gráficos.</p><p>2) Iniciar o aluno, egresso dos cursos médios de</p><p>caráter geral, no mundo dos valores plásticos e</p><p>estéticos, desenvolvendo nele, pela experiência, a</p><p>sensibilidade e a capacidade criadora aliada a uma</p><p>necessária mentalidade de construtor.</p><p>3) Ser o lugar de estudo, de pesquisa e trabalho</p><p>do planejamento do meio físico nas suas relações</p><p>diretas com o homem, onde o aluno entrará em</p><p>contato com os problemas vivos da arquitetura e do</p><p>urbanismo, na forma mais próxima daquela em que</p><p>os terá como profissional” (MILLAN, 1962).</p><p>A reforma teve papel notório nos rumos da FAUUSP, garantindo</p><p>nova identidade ao curso por meio do distanciamento da antiga</p><p>carreira do engenheiro-arquiteto, formado pela Escola Politécnica</p><p>até fins da década de 40 (SANTOS, 2018). Além disso, também se</p><p>tornou referência de ensino de arquitetura e urbanismo para as</p><p>maiores escolas no Brasil (NARUTO, 2007).</p><p>Segundo Júlio Katinsky (2021), os mestres que contribuíram</p><p>para a formação de Acayaba foram os professores de sua</p><p>geração, responsáveis por disseminar conceitos longamente</p><p>sedimentados pela faculdade. Entre eles estão: Paula Souza,</p><p>de quem herdou a necessidade em contribuir para o avanço</p><p>tecnológico; Anhaia Mello, de quem veio a preocupação com o</p><p>vínculo entre arquiteto e cidade; e Artigas, com quem aprendeu</p><p>a lição criadora da “arquitetura moderna brasileira”. Logo, sua</p><p>geração se inseriu no mercado de trabalho com uma formação</p><p>de vivência politécnica e vanguardista, apresentando uma</p><p>versatilidade própria de momentos de transição (WISNIK, 2021).</p><p>Os ensinamentos de Artigas, cujo primeiro contato se deu em ateliê</p><p>graças a uma maquete de uma biblioteca infantil que projetara no</p><p>segundo ano, foram determinantes para sua geração. Na fala de</p><p>Acayaba[1]: “Artigas era determinante na escola”. Mas não somente.</p><p>[1] Entrevista concedida à Revista Caramelo, em outubro de 1991.</p><p>Em sua tese de doutorado, Acayaba ainda cita outros nomes que</p><p>marcaram sua formação, como os professores de História da Arte,</p><p>Flávio Motta, Júlio Katinsky e Sérgio Ferro, os professores de Projeto,</p><p>Hélio Duarte, Roberto Tibau e Jon Maitrejean, os professores de</p><p>Comunicação Visual, Renina Katz e Flávio Império, os professores</p><p>de História da Arquitetura, Nestor Goulart Reis Filho e Rodrigo</p><p>Lefèvre, e os professores de Física Aplicada, Luís Cintra do Prado</p><p>e Leo Nishikawa. Com relação a esta disciplina, Acayaba[2] conta:</p><p>“A FAU era uma escola muito séria, muito ligada</p><p>ainda na Escola Politécnica da USP. Tinha uma</p><p>presença muito forte, muito importante, da</p><p>engenharia dentro da FAU... da coisa da estrutura,</p><p>da coisa da pré-fabricação, da coisa de conforto...</p><p>que hoje se chama conforto ambiental, mas que</p><p>na época era Física Aplicada. Praticamente tudo</p><p>isso de conforto ambiental da FAU vem desse</p><p>curso de Física Aplicada de um professor da FAU,</p><p>que era professor da POLI também: Luís Cintra do</p><p>Prado. A gente, no primeiro semestre do primeiro</p><p>ano da FAU, aprendia tudo de iluminação natural,</p><p>calcular dentro de um ambiente qual era o grau</p><p>de aclaramento da iluminação natural através das</p><p>aberturas, etc etc... a projetar brise-soleil. A gente,</p><p>no fim do primeiro semestre, já projetava com</p><p>certo rigor... com bastante rigor, um quebra-sol para</p><p>qualquer orientação. E no fim do segundo semestre,</p><p>para vocês terem ideia, a gente já fazia... no curso de</p><p>acústica... chegava a fazer um cálculo de auditório.</p><p>Tinha conforto térmico, ventilação, acústica e</p><p>iluminação... natural e iluminação artificial. Esse</p><p>curso foi muito importante” (LIMA & BORGES, 2020).</p><p>Além das contribuições da FAU, as atividades extracurriculares</p><p>também possuem relevância em sua formação, como, por</p><p>exemplo, os “Encontros”, eventos organizados pelo Grêmio da</p><p>FAUUSP aos sábados nos quais os alunos visitavam obras pela</p><p>cidade. Vale mencionar também o estágio, durante os anos</p><p>de 1967 e 1968, no escritório dos professores Ernest Mange e</p><p>Ariaki Kato, responsável por projetos de peso como o da Cidade</p><p>da Ilha Solteira e suas edificações, a Sede da Construtora</p><p>Camargo-Correia e a Sede do Banco da América do Sul. O</p><p>arquiteto considera a experiência como uma “segunda escola”</p><p>(ACAYABA, 2004). Também estagiou no Centro de Pesquisas e</p><p>Estudos Urbanísticos (CEPEU) da FAUUSP, no qual contribuiu</p><p>para o desenvolvimento do Plano Diretor de Bauru que, apesar</p><p>de não ter sido implantando, influenciou a política urbana da</p><p>cidade, principalmente no que diz respeito ao traçado viário</p><p>(CONSTANTINO, 2006).</p><p>[2] Entrevista concedida para estudantes da disciplina de graduação</p><p>AUH0125 – Arquitetos: projetos e crítica (2020).</p><p>70 71A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Com Carlos Sayão, Michail Liedres, Orpheu Zamboni, Roberto</p><p>Mange, Nelson Marcondes do Amaral Filho, José Ricardo de</p><p>Carvalho e Paulo Lepage, alugam um escritório, que começou a</p><p>ser chamado de A Várzea pelos colegas da faculdade, e passam</p><p>a trabalhar juntos, desenvolvendo projetos, participando</p><p>de concursos e oferecendo serviços para outros arquitetos,</p><p>especialmente para os professores da FAU:</p><p>“Nos chamavam para fazer concursos, para projetos</p><p>executivos muito trabalhosos, para ajudar a cumprir</p><p>prazos, quase sempre em situações de emergência.</p><p>O Michail falava que A Várzea era um ‘pronto-socorro</p><p>de arquitetura’” (ACAYABA, 2004).</p><p>O arquiteto viveu o período de transformações mais intenso da</p><p>FAU, desde a inserção da nova proposta curricular de 62 até o</p><p>desmonte desse projeto iniciado pela cassação dos professores</p><p>Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha e Jon Maitrejean, em</p><p>1969 – ano em que se formou. Os anos de sua graduação também</p><p>compreendem um período de grande efervescência político-</p><p>cultural, em que a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, ainda</p><p>localizada na Rua Maranhão, era referência cultural na cidade.</p><p>O gosto pela arquitetura, contudo, vem de pequeno e foi herdado</p><p>de sua mãe, que tinha o desejo de ser arquiteta. Ela costumava</p><p>deixar nas mesas de centro da sala de estar de sua casa as</p><p>revistas Habitat, Casa e Jardim, Acrópole e Módulo, esta cuja</p><p>editoração ficava a cargo de Oscar Niemeyer, arquiteto por quem</p><p>nutre especial admiração desde a infância, quando visitou as</p><p>instalações do Parque Ibirapuera, projeto concebido pelo carioca</p><p>em comemoração ao IV Centenário da cidade de São Paulo.</p><p>Ao se discutir sua obra, não se pode deixar de mencionar nomes</p><p>que contribuíram para sua formação, como Oscar Niemeyer,</p><p>Vilanova Artigas, Lúcio Costa, Paulo Mendes da Rocha, Joaquim</p><p>Guedes, Carlos Millan, Frank Lloyd Wright,</p><p>Le Corbusier, Mies van</p><p>der Rohe, Marcel Breuer e Craig Ellwood. Sua produção, segundo</p><p>Wisnik (2021), “revela não apenas uma grande paixão pela</p><p>arquitetura e um conhecimento profundo da produção desses</p><p>e de outros arquitetos, mas também uma didática incomum na</p><p>maneira de incorporar e processar esse acervo”.</p><p>“Dentro dessa filosofia de trabalho, tenho</p><p>desenvolvido projetos onde a preocupação com</p><p>a construção, seus processos de produção e sua</p><p>manutenção são determinantes, como também</p><p>a geografia específica do local da obra. Assim,</p><p>O PERCURSO PROFISSIONAL DE MARCOS ACAYABA</p><p>livres de questões de estilo, as formas das minhas</p><p>construções, quase sempre novas, resultam de</p><p>processos de análise rigorosos de condições</p><p>específicas. E, porque tanto o respeito à natureza</p><p>do lugar, quanto o emprego correto dos materiais</p><p>e da energia necessária para a produção, uso</p><p>e manutenção são determinantes, os projetos</p><p>resultam ecológicos. Com o mínimo de meios,</p><p>procuro sempre atingir a maior eficiência, conforto</p><p>e, como consequência, a beleza. Onde nada sobra,</p><p>onde nada falta” (ACAYABA, 20-?).</p><p>Apesar de concluir seus estudos na FAUUSP em 1969, Acayaba já</p><p>havia desenvolvido projetos e participado de concursos durante</p><p>a graduação, prática esta comum entre os estudantes da época</p><p>e que permanece até hoje. Desse modo, o arquiteto organiza sua</p><p>cronologia de trabalhos a partir de uma casa de praia localizada</p><p>em Peruíbe, projetada em 1965 a pedido de seu tio, o engenheiro</p><p>e professor Archimedes Azevedo. Nela, ele pode aplicar os</p><p>conceitos de conforto ambiental aprendidos durante o primeiro</p><p>ano do curso, especialmente aqueles relacionados à iluminação</p><p>natural, priorizando a correta orientação da residência e o</p><p>desenho de dispositivos de sombreamento:</p><p>“Fiz um projeto muito simples, usando o que já sabia,</p><p>o que tinha visto e gostado. Me esmerei na proteção</p><p>solar através de brises compostos por grandes</p><p>beirais conjugados a paredes transversais, aplicando</p><p>o que tinha aprendido em física na FAU. Decidi usar</p><p>materiais novos, que acabara de conhecer, visitando</p><p>obras e arquitetura: blocos de concreto e canaletes</p><p>Eternit na cobertura. Evidentemente, o desenho</p><p>da casa tem a arquitetura de Richard Neutra como</p><p>referência” (ACAYABA, 2021).</p><p>Isso posto, é possível notar nesse trabalho inaugural a abordagem</p><p>integrada entre técnicas construtivas e estratégias passivas</p><p>de projeto, bem como o peso que têm na plasticidade final</p><p>pretendida, questões que permeiam toda sua produção.</p><p>Como arquiteto recém-formado, desenvolveu projetos</p><p>colaborativos com outros colegas como Alfred Talaat, Ana Maria</p><p>de Biese e Cristina de Toledo Piza. A parceria com Piza teve</p><p>início ainda na graduação, quando trabalharam no desenho</p><p>das edificações da Fazenda Codespar (1968), em Santana do</p><p>Araguaia, no Pará, e se tornou recorrente nesses primeiros anos.</p><p>Inicia sua carreira docente em 1972, quando é contratado como</p><p>professor assistente no Grupo de Projeto de Edificações da</p><p>FAUUSP. Na escola, compôs o corpo docente do Departamento</p><p>de Projeto por quatro anos, quando solicitou a rescisão de seu</p><p>contrato em maio de 1976. Durante o ano de 1975 foi contratado</p><p>também pela Universidade Católica de Santos (UNISANTOS).</p><p>72 73A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Durante esse período, manteve-se em atividade, desenvolvendo</p><p>projetos majoritariamente residenciais, alguns deles em parceria</p><p>com Carlos Ferro e Michail Lieders, com quem dividiu escritório</p><p>em 1976. Nesse ano, a Secretaria de Estado do Planejamento</p><p>e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) promoveram</p><p>cinco concursos públicos para seus Escritórios Regionais de</p><p>Planejamento (Erplans) que</p><p>“[...] seriam verdadeiros edifícios-sede das regiões</p><p>administrativas do Estado de São Paulo, todos</p><p>com o mesmo programa de necessidades, mas em</p><p>terrenos muito diferentes entre si, tanto na geometria</p><p>e topografia, como na posição na estrutura urbana</p><p>das cidades” (ACAYABA, 2021).</p><p>Acayaba monta uma equipe com Ferro, Lieders, Marlene Milan</p><p>Acayaba e nove estagiários e decide por se inscrever em todos</p><p>os concursos, dos quais conquistou primeiro lugar em três:</p><p>Araçatuba (Figura 02.01), Bauru (Figura 02.02) e Marília (Figura</p><p>02.03).</p><p>Em 1977 e 1978 colaborou com Joaquim Guedes que</p><p>acabara de ganhar o concurso fechado para Caraíba, cidade</p><p>de apoio às atividades mineradoras de cobre no município</p><p>de Jaguarari, interior da Bahia (Figura 02.04). Com Guedes,</p><p>auxiliou no desenvolvimento do projeto do Hospital Central e</p><p>do Plano Urbano da cidade, além de prestar consultoria para</p><p>os edifícios da área central e das casas das zonas residenciais.</p><p>No escritório Joaquim Guedes e Associados ainda assessorou</p><p>o projeto do Hospital Maternidade Campinas (1978).</p><p>Nos anos seguintes concebeu projetos com as mais diversas</p><p>técnicas e materiais construtivos. Em depoimento ao programa</p><p>Construir bem: engenharia e arquitetura na TV, Acayaba explica:</p><p>“A estratégia é uma coisa que eu me preocupo de</p><p>cara, desde o início. A estratégia de como realizar a</p><p>obra. Isso mais ou menos norteia toda a concepção</p><p>do projeto. Porque eu não estou fazendo um desenho</p><p>em abstrato, mas eu estou fazendo um desenho que</p><p>é um instrumento para realizar uma obra. Então,</p><p>esse desenho tem que considerar exatamente esse</p><p>processo de produção da obra. Isso é fundamental”</p><p>(CONSTRUIR BEM, 2007).</p><p>Em suas palestras, Acayaba comumente organiza sua produção</p><p>em quatro vertentes, segundo o sistema estrutural elegido:</p><p>• Alvenaria armada e/ou elementos pré-moldados de</p><p>concreto, como a Sede da Fazenda Pindorama (1974) –</p><p>Figura 02.05 – e a Escola Estadual Jd. Bela Vista I (2004);</p><p>• Concreto moldado in loco, como o Pavilhão Pindorama</p><p>(1984) – Figura 02.06 – e a Agência Banespa Capivari</p><p>(1986);</p><p>• Estruturas metálicas, como a Residência Jander Köu</p><p>(1981) e a proposta para a nova sede da Fundação de</p><p>Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (1998) –</p><p>Figura 02.07 –; e</p><p>• Componentes pré-fabricados de madeira, como a Casa</p><p>Baeta (1991) e a Residência Marcos Acayaba (1996) –</p><p>Figura 02.08.</p><p>(À esquerda)</p><p>Estudos para a Erplan</p><p>de Araçatuba (1976).</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Croqui para a Erplan</p><p>de Bauru (1976).</p><p>(Abaixo, à direita)</p><p>Maquete do</p><p>projeto da Erplan</p><p>de Marília (1976).</p><p>Cidade de Caraíba, BA.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Fonte: Acervo de Joaquim</p><p>Guedes.</p><p>Figura 02.01</p><p>Figura 02.02</p><p>Figura 02.03</p><p>Figura 02.04</p><p>74 75A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Contudo, o próprio arquiteto chega a dividir sua carreira em</p><p>duas grandes fases: uma primeira, de 1972 a 1986, marcada</p><p>pela experimentação e pelos ensaios de hipóteses construtivas</p><p>e projetuais, e uma segunda, a partir de 1987, quando projeta</p><p>a casa do engenheiro Hélio Olga, divisor de águas que marcou</p><p>o início de uma série de projetos em estruturas industrializadas</p><p>de madeira. Apesar do mantenimento da pesquisa formal e</p><p>construtiva, o arquiteto entra em uma fase mais madura, em que</p><p>se aprofunda no estudo das formas geométricas, que culminará</p><p>na definição dos triângulos como geometria determinante de</p><p>algumas de suas estruturas, como é o caso de sua casa de praia.</p><p>A parceria selada entre ele e Olga durante a década de 80 se</p><p>repetiu em diversas obras e merece destaque não somente</p><p>entre sua produção como também para a arquitetura paulista da</p><p>época, como relata Hélio Olga (2015):</p><p>“Poucos engenheiros eram especializados em</p><p>madeira. Um engenheiro fazia concreto, aço...</p><p>Mesmo os projetistas. O grosso dos projetistas</p><p>fazia projetos em concreto, aço e madeira quando</p><p>precisava. Quer dizer: não tinha uma especialização</p><p>em madeira. E eu acho que, a partir desse trabalho</p><p>com o Marcos, da repercussão que o trabalho</p><p>nosso com o Marcos em algumas casas começou a</p><p>ter... uma divulgação muito grande... [...] os outros</p><p>arquitetos, provavelmente os jovens</p><p>arquitetos que</p><p>estavam saindo das escolas, começaram a ver que</p><p>era possível fazer uma arquitetura contemporânea</p><p>em madeira. O que era uma coisa que... Na época,</p><p>a madeira era vista como um material do passado,</p><p>um material para construções rústicas, para o</p><p>campo. E, de repente, uma casa como essa, em</p><p>um contexto totalmente urbano, uma arquitetura</p><p>contemporânea... é completamente diferente</p><p>da imagem que as pessoas têm de um material</p><p>tradicional, um material do passado. E, realmente,</p><p>a madeira é uma técnica de construção do futuro.</p><p>Não do passado” (ARQUITETOS BRASILEIROS, 2015).</p><p>Em 1991, o governo Collor decidiu de última hora que o Brasil</p><p>teria um pavilhão na Expo 92 em Sevilha e, por meio do Ministério</p><p>das Relações Exteriores, promoveu um concurso nacional de</p><p>anteprojetos organizado pelo IAB, do qual Acayaba participa,</p><p>conquistando uma menção honrosa (Figura 02.09). Segundo</p><p>Romero (2021), essa foi a primeira vez que o condicionamento</p><p>natural dos espaços abertos foi empregado em larga escala:</p><p>“Para a exposição, estabeleceu que, para os</p><p>pavilhões dos países participantes, a única</p><p>condição que deveriam atender seria a de não</p><p>introduzir calor no ambiente. Assim, todos os</p><p>projetistas tiveram que desenvolver sistemas</p><p>passivos de acondicionamento (sem ar</p><p>condicionado artificial)” (ROMERO, 2021).</p><p>Em 1992, retoma a carreira docente na UNISANTOS, onde</p><p>ministrou aulas até o ano seguinte. Durante o ano de 1993 também</p><p>lecionou na disciplina de Projeto da Universidade de Taubaté –</p><p>UNITAU. O início de abril de 1994 marca seu retorno à FAUUSP</p><p>como auxiliar de ensino no Grupo de Projeto de Edificações.</p><p>O segundo contrato com a escola durou exatos 20 anos, até</p><p>completar 70 anos, quando foi aposentado compulsoriamente</p><p>pelas regras vigentes da instituição. Uma lamentável perda para</p><p>a escola.</p><p>(Acima, à esquerda)</p><p>Sede da Fazenda</p><p>Pindorama (1974).</p><p>Maquete para o</p><p>Pavilhão do Brasil em</p><p>Sevilha (1992).</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Pavilhão na Fazenda</p><p>Pindorama (1984).</p><p>(Abaixo, à esquerda)</p><p>Maquete do projeto</p><p>desenvolvido para o</p><p>concurso da nova sede</p><p>da FAPESP (1998).</p><p>(Abaixo, à direita)</p><p>Residência Marcos</p><p>Acayaba, na Praia</p><p>de Tijocupava,</p><p>Guarujá (1996).</p><p>Foto: Marcos Acayaba.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Foto: Eduardo Castanho.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 02.05</p><p>Figura 02.09</p><p>Figura 02.06</p><p>Figura 02.07</p><p>Figura 02.08</p><p>76 77A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Em mais de 50 anos de atuação como arquiteto e urbanista,</p><p>Marcos Acayaba contabiliza, entre projetos de edificações,</p><p>projetos urbanísticos, protótipos e concursos, mais de 150</p><p>trabalhos espalhados por oito estados brasileiros (Pará, Espírito</p><p>Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Rio Grande</p><p>do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais).</p><p>Em levantamento realizado a partir de sua tese de doutorado</p><p>(ACAYABA, 2004), seu currículo lattes e do endereço eletrônico de</p><p>seu escritório, foram catalogados 164 trabalhos, entre os quais</p><p>19 são frutos de concursos. Com relação à tipologia dos projetos,</p><p>são computados:</p><p>• 70 projetos de residências unifamiliares (42,68%);</p><p>• 7 projetos de conjuntos residenciais unifamiliares (4,26%);</p><p>• 15 projetos de edifícios residenciais (9,14%);</p><p>• 8 projetos de haras e fazendas (4,87%);</p><p>• 22 projetos de edifícios comerciais, de serviços e de</p><p>escritórios (13,41%);</p><p>• 9 projetos para eventos, edifícios culturais e museus (5,48%);</p><p>• 5 projetos de edifícios educacionais e bibliotecas (3,04%);</p><p>• 2 projetos de edifícios de saúde (1,21%);</p><p>• 2 projetos de caráter religioso (1,21%);</p><p>• 8 projetos urbanísticos (4,87%); e</p><p>• 16 projetos de fins diversos (9,75%).</p><p>148 projetos estão localizados em 37 cidades do estado de São</p><p>Paulo, a saber: Araçatuba, Arujá, Atibaia, Barueri, Bauru, Bertioga,</p><p>Boituva, Bragança Paulista, Cabreúva, Campinas, Campos do</p><p>Jordão, Capivari, Cotia, Embu, Guarujá, Ibaté, Ibiúna, Ilhabela,</p><p>Itu, Itupeva, Mairinque, Mairiporã, Marília, Mogi das Cruzes,</p><p>Peruíbe, Pindamonhangaba, Piracicaba, Porto Feliz, Rio Grande</p><p>da Serra, Santana do Parnaíba, Santo André, Santos, São Paulo,</p><p>São Sebastião, Tatuí, Taubaté e Ubatuba.</p><p>Com relação apenas às residências unifamiliares, 67 delas estão</p><p>no estado de São Paulo, as outras três restantes se encontram em</p><p>Blumenau – SC, Camanducaia – MG e Parati – RJ. Das residências</p><p>paulistas: 26 delas estão na cidade de São Paulo, 6 nas demais</p><p>cidades que compõem a Região Metropolitana de São Paulo, 29</p><p>em cidades litorâneas (Guarujá, São Sebastião, Ubatuba, Peruíbe,</p><p>Ilhabela e Bertioga) e as demais no interior paulista.</p><p>Segundo Wisnik (2021):</p><p>“A obra de Marcos Acayaba destaca-se como uma</p><p>das mais consistentes no cenário da arquitetura</p><p>brasileira contemporânea. O seu aparecimento</p><p>continuado em inúmeras publicações estrangeiras</p><p>– normalmente associado ao contexto atual</p><p>de “arquiteturas sustentáveis” e atentas às</p><p>particularidades do entorno – assim como as</p><p>premiações que tem recebido atestam essa</p><p>qualidade e dão a medida da sua importância”</p><p>(WISNIK, 2021).</p><p>CONCRETO, TIJOLO, MADEIRA E BLOCO: 4 RESIDÊNCIAS</p><p>“O projeto da casa tem sido sempre a ocasião</p><p>para que o arquiteto ensaie novas hipóteses, seja</p><p>na implantação, na estrutura, na construção, seja</p><p>no espaço e a consequente expressão plástica.</p><p>A familiaridade com o programa da casa libera o</p><p>arquiteto de preocupações funcionais e abre espaço</p><p>para a experiência. O resultado representa, por</p><p>vezes, uma contribuição à cultura, é tomado como</p><p>modelo e como tal aplicado, até mesmo em edifícios</p><p>de maior escala e caráter público” (ACAYABA, 1990).</p><p>Como visto, Acayaba trabalhou e segue trabalhando com os mais</p><p>diversos programas, desenvolvendo projetos arquitetônicos e</p><p>urbanísticos. Contudo, as residências unifamiliares possuem</p><p>papel de destaque em sua produção. A escolha dessa tipologia</p><p>como objeto de estudo da presente pesquisa está relacionada</p><p>com seu caráter experimental, como posto pelo próprio arquiteto</p><p>em 1990. A casa como incubadora de ideias passa a ser, com isso,</p><p>meio promissor para experimentações e amadurecimentos de</p><p>abstrações projetuais.</p><p>Outras pesquisas já se debruçaram no estudo de casas</p><p>unifamiliares, como a pesquisa João Batista Vilanova Artigas</p><p>– residências unifamiliares: a produção arquitetônica de 1937</p><p>a 1981[3], de Maurício Miguel Petrosino, que relata sobre a</p><p>importância do estudo dessa tipologia residencial:</p><p>“[Os projetos residenciais são] assumidos como</p><p>primeiros ‘laboratórios’ onde os arquitetos podem</p><p>testar suas habilidades artístico-funcionais, numa</p><p>escala proporcional aos riscos inerentes às inovações</p><p>conceituais, de projeto, de concepção arquitetônica,</p><p>estruturais. Enfim, onde podem, desde que exista</p><p>uma empatia cultural, no mínimo, entre cliente</p><p>(contratante) e o profissional (contratado), que</p><p>permita tal liberdade de aplicação de inovações, pelo</p><p>profissional contratado, no atendimento ao programa</p><p>[3] Dissertação de mestrado (2009) realizada na Área de Concentração de</p><p>História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo do Programa de</p><p>Pós-Graduação da FAUUSP, sob orientação da Profª. Drª. Mônica</p><p>Junqueira de Camargo.</p><p>78 79A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>de necessidades requerido. Consideramos ser este</p><p>campo fértil para aplicações de teorias ou hipóteses</p><p>de como poderia ser o abrigo primeiro do ser</p><p>humano e de sua família, que deverá protegê-lo das</p><p>intempéries e de eventuais hostilidades do mundo ao</p><p>redor, com conforto para ali desempenharem desde</p><p>as atividades domésticas cotidianas como outras</p><p>de convívio social” (PETROSINO, 2009, adição e itálico</p><p>do autor).</p><p>O Conjunto Residencial Alto da Boa Vista de 1973 (Figura 02.10),</p><p>projeto formado por quatro sobrados geminados e desenvolvido</p><p>em parceria com as arquitetas Marlene Milan e Marta Dora Grostein,</p><p>é exemplo de um empreendimento de caráter experimental que</p><p>Acayaba vinha estudando há algum tempo. O</p><p>arquiteto notara</p><p>que em terrenos de esquina com pelo menos 12 m de largura,</p><p>seguindo a legislação vigente na época e descontando os recuos</p><p>exigidos, era possível se projetar casas assobradas transversais</p><p>ao lote com 5 m de profundidade e sem prejuízo de acesso</p><p>solar nas fachadas principais (ACAYABA, 2021). A racionalização</p><p>da construção e os materiais empregados garantem à obra a</p><p>qualidade de fácil reprodutibilidade no mercado imobiliário, sem</p><p>negligenciar questões relacionadas ao conforto ambiental.</p><p>A forma escalonada da implantação, seguindo a inclinação do</p><p>terreno e valorizando o acesso solar, e a racionalização da construção</p><p>pelo uso de blocos de concreto e de elementos pré-moldados</p><p>podem ser facilmente notadas no projeto do Conjunto Residencial</p><p>Vila Butantã de 1998. Relações diretas também podem ser traçadas</p><p>entre a disposição da área privativa das residências desse conjunto</p><p>e a organização do andar de dormitórios da Residência Hélio Olga</p><p>de 1987. Ambos projetos serão relatados adiante.</p><p>Além disso, os projetos residenciais, de modo geral, apresentam</p><p>duas particularidades que se sobressaem quando analisados</p><p>frente a outros programas arquitetônicos. Em primeiro lugar,</p><p>o habitante não possui um período certo para ocupá-lo, como</p><p>é o caso dos escritórios e edifícios comerciais. Quem ali vive</p><p>está sujeito, e diretamente relacionado, com a qualidade</p><p>ambiental de sua casa por períodos de até 24 horas diárias. Esse</p><p>fato demanda estratégias pensadas para todos os períodos,</p><p>aumentando o leque de possibilidades de soluções projetuais.</p><p>Além disso, projetos habitacionais garantem maior flexibilidade</p><p>ao usuário de poder intervir nas condições ambientais para que,</p><p>dessa forma, atinja o estado de conforto que julgar melhor, indo</p><p>ao encontro das premissas do modelo de conforto adaptativo[4].</p><p>Sendo assim, para compor os estudos de caso desta pesquisa,</p><p>foram selecionados quatro projetos de residências unifamiliares</p><p>(três casas isoladas e uma em conjunto residencial), que buscam</p><p>refletir a trajetória de Acayaba como arquiteto-projetista: (I)</p><p>Residência Marlene Milan (1972); (II) Residência Hugo Kovadloff</p><p>(1985); (III) Residência Hélio Olga (1987); e (IV) Conjunto</p><p>Residencial Vila Butantã (1998).</p><p>Outro fator que teve peso na seleção dessas residências foi a</p><p>diversidade de técnicas construtivas aplicadas e, por conseguinte,</p><p>seus desdobramentos nas soluções projetuais e na plasticidade</p><p>da obra.</p><p>Isso posto, a seguir serão apresentados os estudos de caso</p><p>em ordem cronológica. Para tanto, foram produzidas fichas</p><p>de apresentação para cada obra a partir das informações</p><p>já disponibilizadas no endereço eletrônico do escritório</p><p>de Marcos Acayaba. Nelas constam os seguintes dados: (I)</p><p>localização; (II) anos de projeto e de construção; (III) equipe e</p><p>colaboradores envolvidos; (IV) programa de necessidades; (V)</p><p>áreas; e (VI) principais materiais e acabamentos, os quais foram</p><p>complementados com os dados de condutibilidade térmica</p><p>e densidade. Além disso, também as compõem imagens do</p><p>projeto, uma implantação e uma vista de seu entorno imediato.</p><p>Em seguida, são relatadas algumas das referências projetuais</p><p>modernistas que inspiraram Acayaba e que balizaram as</p><p>decisões projetuais de cada residência e seus desdobramentos</p><p>na sua qualidade ambiental. Por fim, são disponibilizadas fichas</p><p>de análise projetual, cujo método foi desenvolvido a partir</p><p>dos Diagramas Morfológicos propostos por Amorim (2007), as</p><p>avaliações qualitativas desenvolvidas por Romero (2000; 2007;</p><p>2011) e Teixeira (2018) e as análises gráficas de Flório (2002). Tal</p><p>metodização é explicada em detalhes no Apêndice A.</p><p>[4] O Modelo Adaptativo tem por pressuposto fundamental a total</p><p>liberdade, dentro dos parâmetros possíveis, do usuário de se ajustar e</p><p>se adaptar às condições ambientais por meio do arranjo que mais</p><p>achar pertinente, seja de vestuário, localização ou comportamento</p><p>(ASHRAE, 2020). É o modelo escolhido para a avaliação dos estudos</p><p>analíticos e empíricos desenvolvidos nessa dissertação e será</p><p>aprofundado adiante.</p><p>Grupo Residencial Alto</p><p>da Boa Vista (1973).</p><p>Foto: Jorge Hirata.</p><p>Figura 02.10</p><p>80 81A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>RESIDÊNCIA MARLENE MILAN</p><p>LOCALIZAÇÃO Av. das Magnólias, 70 - Cidade Jardim - São Paulo, SP</p><p>PROJETO 1972 CONSTRUÇÃO 1972 - 1975</p><p>Implantação</p><p>Vista da piscina. Foto: Jomar Bragança.</p><p>Vista noturna. Foto: Nelson Kon. Entorno imediato</p><p>0 5025 100</p><p>Av.</p><p>das</p><p>M</p><p>ag</p><p>nólia</p><p>s</p><p>Av.</p><p>das</p><p>M</p><p>ag</p><p>nólia</p><p>s</p><p>R. d</p><p>as Malvas</p><p>R. d</p><p>as Malvas</p><p>R. E</p><p>ngenheiro</p><p>Oscar</p><p>R. E</p><p>ngenheiro</p><p>Oscar</p><p>Americ</p><p>ano</p><p>Americ</p><p>ano</p><p>R. das Acácias</p><p>R. das Acácias</p><p>R. Ellias Cutait</p><p>R. Ellias Cutait</p><p>EQUIPE Arq. Marcos Acayaba</p><p>Arq.ª Marlene Milan Acayaba</p><p>COLABORAÇÃO Fundações: Engesolos</p><p>Cálculo estrutural: Eng. Ugo Tedeschi e Eng. Yukio Ogata</p><p>Instalações: Eng. Antônio Marques e Olavo Campos</p><p>Paisagismo: Marlene Milan Acayaba</p><p>Construção: Cenpla</p><p>PROGRAMA Sala de estar Lavabo Cozinha</p><p>Sala de jantar Dormitórios (4) Lavanderia</p><p>Estúdio Sanitários (2) Garagem</p><p>Dependência de empregados (3 dormitórios + 1 sanitário)</p><p>ÁREAS Área do Terreno: 2.150 m²</p><p>Área Ocupada: 467 m² (21,72%)</p><p>Área Construída: 791,49 m²</p><p>Área Útil: 391,69 m²</p><p>MATERIAIS α (W/m°C) d (kg/m³)</p><p>Estrutura: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Cobertura: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Isolamento térmico (poliuretano) 0,03 35</p><p>Laje nervurada: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Caixão perdido: Isopor 0,05 15</p><p>Alvenaria: Concreto celular 0,27 1.000</p><p>Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Arrimo: Pedra (basalto) 3,5 2.900</p><p>Escada: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Divisórias: Madeira (cedro) 0,12 400</p><p>Caixilhos: Aço galvanizado pintado 52 7.780</p><p>Piso externo: Ladrilho hidráulico gretado vermelho 0,95 2.000</p><p>Piso interno: Ladrilho hidráulico liso vermelho 0,95 2.000</p><p>Carpete 0,05 160</p><p>Epóxi vermelho Desconsiderado</p><p>FOTOS DA OBRA</p><p>Foto: Richard Powers.Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon. Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Jomar Bragança.</p><p>Foto: Jomar Bragança.Foto: Jomar Bragança.</p><p>Foto: Richard Powers.</p><p>82 83A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>descontente com a solução apresentada, continuou buscando</p><p>possibilidades e outras hipóteses projetuais.</p><p>Uma vez com carta branca para criar e com grande possibilidade</p><p>de incitar sua imaginação, o arquiteto decide por fazer aquilo</p><p>que mais gostava na época: a arquitetura de Oscar Niemeyer.</p><p>A solução? Uma casca em arco de concreto moldado in loco</p><p>responsável por abrigar o programa de necessidades organizado</p><p>em meios-níveis. Segundo Lívia Pedreira (1986), o arquiteto</p><p>estaria realizando “uma síntese de influências de Niemeyer e</p><p>Artigas”.</p><p>A forma curva idealizada por ele é influência direta da expressão</p><p>plástica oscariana e é especificamente inspirada pelo projeto</p><p>para a Sede Social do Diamantina Tênis Clube (1950), situada à</p><p>Praça de Esportes, em Diamantina (Figuras 02.11 e 02.12). Neste</p><p>projeto, o arquiteto carioca propõe uma cobertura em arco de</p><p>concreto associada a uma laje horizontal longitudinal, com</p><p>ambas extremidades em balanço. No caso da Residência Milan,</p><p>Acayaba também propõe uma cobertura em arco de concreto,</p><p>apoiada pelas quatro extremidades, e uma laje alongada que,</p><p>no entanto, é projetada de maneira transversal à estrutura.</p><p>Como composição final, criou-se uma massa edificada em que o</p><p>volume da laje horizontal parece atravessar o volume delimitado</p><p>pela cobertura.</p><p>A tecnologia construtiva adotada foi a do concreto armado,</p><p>que naquele momento estava sendo utilizado em larga escala</p><p>e representava o símbolo da arquitetura contemporânea, com</p><p>uma postura formalista e que permitia uma forte expressividade.</p><p>Além desse, outro projeto que influenciou o desenho da casca foi</p><p>a Casa Geller II (1967/69), cujo contato foi tido por meio do livro</p><p>“Marcel Breuer – Nuevas Construcciones y Proyectos”, adquirido</p><p>pelo arquiteto alguns anos antes (Figura 02.13). A maneira</p><p>como foi desenhada</p><p>a cobertura muito se assemelha à solução</p><p>encontrada por Breuer, como atesta o próprio arquiteto (2004):</p><p>O projeto da Residência Milan, de 1972, foi um dos primeiros</p><p>trabalhos assinados por Acayaba como arquiteto formado,</p><p>na época com apenas 28 anos. A casa fica localizada no bairro</p><p>Cidade Jardim, em São Paulo, e, como o próprio nome sugere,</p><p>o bairro tem seu projeto urbanístico inspirado no conceito das</p><p>cidades-jardim inglesas (HOWARD, 1996), modelo concebido por</p><p>Ebenezer Howard no fim do século XIX, que almejava a simbiose</p><p>das qualidades existentes no campo com as existentes na cidade,</p><p>“reaproximando o homem da natureza por meio de reformas</p><p>(social e da terra)” (TREVISAN, 2014).</p><p>Apesar de se referir ao Jardim América[5], Trevisan (2014)</p><p>apresenta uma explanação que facilmente poderia ser</p><p>direcionada ao bairro em que a casa se encontra:</p><p>“[...] a racionalidade do traçado externo (permitido</p><p>pela topografia plana) cedeu lugar a formas mais</p><p>orgânicas. A relação harmoniosa entre espaços</p><p>públicos e privados foi dada pela ambientação</p><p>pitoresca permitida pelas vias sinuosas e pela</p><p>composição arbórea (implantada tanto nas vias</p><p>como nos recuos do lote). Os lotes, extremamente</p><p>amplos para a época, seriam providos de habitações</p><p>[...] do tipo bangalô, isoladas em meio a um amplo</p><p>jardim e separadas da via e dos lotes vizinhos por</p><p>cercas vivas de altura reduzida” (ANDRADE, 1998</p><p>apud TREVISAN, 2014).</p><p>A configuração da forma urbana é, por si só, um fator prévio a</p><p>ser considerado no processo de projeto, podendo facilitar ou</p><p>dificultar o desempenho de determinadas estratégias projetuais</p><p>passivas. Os amplos lotes, a grande quantidade de vegetação,</p><p>a forma de ocupação esparsa que garante o acesso ao Sol e a</p><p>permeabilidade aos ventos etc. são situações desejáveis que, via</p><p>de regra, beneficiam a arquitetura ambiental.</p><p>A casa está inserida em uma área altamente arborizada,</p><p>relativamente plana e em um terreno amplo, com mais de 2.000</p><p>m². Seu projeto foi, de início, desenvolvido para sua cunhada,</p><p>Betty Milan, e o marido, que deram total liberdade propositiva ao</p><p>arquiteto. Durante a construção, no entanto, o casal se separou</p><p>e, quando finalizada, a casa foi ocupada pelo arquiteto e sua</p><p>esposa, a arquiteta e historiadora Marlene Milan Acayaba.</p><p>Acayaba relata que desenvolveu, em seus primeiros estudos,</p><p>uma casa de volume puro, longilíneo e paralelo à rua, que</p><p>fora, inclusive, aprovada pelos então proprietários. Contudo,</p><p>[5] Primeira conformação urbana brasileira sob os moldes da cidade-</p><p>jardim. O projeto foi encomendado pela City of São Paulo Improvements</p><p>and Freeholds Company Limited (Companhia City) aos arquitetos</p><p>ingleses Unwin e Parker, projetistas responsáveis pelo loteamento da</p><p>Cidade-Jardim de Letchworth e do Subúrbio-Jardim de Hampstead, em</p><p>Londres, respectivamente.</p><p>Maquete para o clube</p><p>em Diamantina (1950).</p><p>Sede Social na Praça</p><p>de Esportes Minas</p><p>Gerais – Diamantina</p><p>(1950), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Fonte: Fundação Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Foto: Assis Horta.</p><p>Fonte: Museu do Diamante.</p><p>Figura 02.11</p><p>Figura 02.12</p><p>84 85A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>“A casca tem 25 m x 17 m, em planta. Muito abatida</p><p>(arranques de 30°), penetra no terreno até encontrar</p><p>as sapatas que, abaixo do nível inferior, ancoram os</p><p>tirantes, indispensáveis. O vão-livre final entre as</p><p>sapatas é de 33 m. Na direção transversal ao arco, os</p><p>recortes da casca configuram 2 pórticos inclinados</p><p>com vão livre de 15 m, também atirantados. [...] O</p><p>desenho final da casca com pórticos inclinados é</p><p>semelhante ao da Casa Geller [...]” (ACAYABA, 2004).</p><p>Nakanishi (2007) aponta ainda que</p><p>“A curva adotada não é uma catenária, portanto</p><p>não trabalha somente à compressão. Logo após</p><p>a retirada do cimbramento[6] foram detectadas</p><p>fissuras nos quatro apoios da casca.</p><p>A solução foi fazer reforços prismáticos em concreto</p><p>nos quatro apoios e atirantar as sapatas entre si,</p><p>formando um quadrilátero de tirantes protendido.</p><p>[...]</p><p>Na parte central da casca, a curvatura comporta-se</p><p>de maneira muito próxima a uma catenária. Nessa</p><p>região não houve fissuras” (NAKANISHI, 2007. Nota</p><p>de rodapé incluída pelo autor).</p><p>Referência igualmente importante para sua geração e, por</p><p>conseguinte, para a casa, foram as abóbodas com espaço interno</p><p>único muito utilizadas desde o final da década de 60 pelo grupo</p><p>Arquitetura Nova, em projetos como a Residência Bernardo Issler</p><p>(1961), concebida por Sérgio Ferro (Figura 02.14), e a Residência</p><p>Juarez Brandão Lopes (1968), projeto de Flávio Império e</p><p>Rodrigo Lefèvre (Figura 02.15)– todos os três, professores de</p><p>Acayaba. O arquiteto salienta, todavia, a diferença entre a escala</p><p>e os componentes construtivos da estrutura das abóbadas</p><p>desenvolvidas pelo grupo de professores, confeccionadas</p><p>com materiais manufaturados, baratos e tradicionais (blocos</p><p>cerâmicos furados e concreto), para a sua casca de concreto</p><p>armado fundido in loco e com espessura variável[7].</p><p>Para a concretagem da cobertura proposta, produziram-se</p><p>artesanalmente formas de madeira com fechamentos inferior,</p><p>laterais e, inclusive, nas faces superiores da casca, uma carpintaria</p><p>[6] “O cimbramento é a estrutura provisória [...] que sustenta as formas que</p><p>vão receber e dar forma ao concreto ainda mole (pastoso). Quando o</p><p>concreto inicia a pega, ele adquire uma determinada resistência que</p><p>permite a retirada do cimbramento e das formas” (BOTELHO, 1983 apud</p><p>NAKANISHI, 2007).</p><p>[7] No projeto desenvolvido para a sede da Fazenda Pindorama (1974),</p><p>Acayaba organiza o programa de necessidades em torno de dois pátios</p><p>internos e sob uma “cobertura única em abóbadas com 3 m de largura,</p><p>construídas diretamente sobre as paredes de alvenaria armada, ou</p><p>sobre perfis “I” de aço” (ACAYABA, 2004), segundo uma técnica construtiva</p><p>que se assemelha mais à das casas do grupo Arquitetura Nova.</p><p>complexa erguida em canteiro que demandava um denso</p><p>cimbramento para suportá-la. O jateamento do concreto foi feito</p><p>então por meio de uma técnica relativamente nova para a época:</p><p>o bombeamento e lançamento de concreto a altura[8] e, após a</p><p>cura total da estrutura, tanto as formas quanto os escoramentos</p><p>foram, em grande parte, descartados (Figuras 02.16 a 02.18).</p><p>[8] Acayaba, em entrevista concedida para estudantes da disciplina de</p><p>graduação AUH0125 – Arquitetos: projetos e crítica (LIMA & BORGES, 2020),</p><p>conta que a concretagem estava prevista para ocorrer em um único dia,</p><p>mas, devido a um entupimento no caminhão-bomba, responsável pelo</p><p>lançamento do concreto, o processo sofreu um atraso de cerca de duas</p><p>horas e meia. O imprevisto prolongou a concretagem até as primeiras</p><p>horas da noite, quando foi interrompida por conta do pedido de um</p><p>vizinho. A conclusão da estrutura ocorreu apenas um mês depois.</p><p>Casa Geller II (1973),</p><p>Arq. Marcel Breuer.</p><p>Residência Bernardo</p><p>Issler (1961), Arq. Sérgio</p><p>Ferro.</p><p>Residência Juarez</p><p>Brandão Lopes (1968),</p><p>Arq. Flávio Império e</p><p>Arq. Rodrigo Lefèvre.</p><p>Foto: Tamas Breuer</p><p>Fonte: Acervo Syracuse</p><p>University</p><p>Fonte: Acervo Rodrigo</p><p>Lefèvre, Biblioteca FAUUSP.</p><p>Fonte: Acervo Rodrigo</p><p>Lefèvre, Biblioteca FAUUSP.</p><p>Figura 02.13</p><p>Figura 02.14</p><p>Figura 02.15</p><p>86 87A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Frente ao desperdício de material e à alta mão-de-obra</p><p>exigida, Acayaba chegou a se questionar acerca do grau de</p><p>sofisticação da solução proposta para uma residência. Todos</p><p>esses acontecimentos marcaram muito o jovem arquiteto e</p><p>despertaram nele a vontade de se aprofundar nas questões</p><p>técnicas e o anseio pela racionalização da construção, calcada,</p><p>por diversas vezes, na utilização de elementos pré-fabricados.</p><p>A configuração de um espaço delimitado pela projeção de uma</p><p>cobertura única também é uma outra característica que permeou</p><p>parte da produção de Villanova Artigas a partir da década de 50</p><p>(CUNHA, 2009), como na Casa Mario Taques Bitencourt II (1959)</p><p>–</p><p>Figura 02.19. Inclusive, o programa de necessidades organizado</p><p>em meios-níveis também é uma solução recorrente na obra de</p><p>Artigas, inicialmente adotada na Residência Olga Baeta (1957) –</p><p>Figura 02.20. Contudo, é interessante notar como Acayaba insere</p><p>essa solução na Casa Milan, levando-a um pouco mais adiante.</p><p>O arquiteto trabalhou o terreno em três patamares, para que,</p><p>dessa forma, houvesse uma melhor distribuição dos ambientes</p><p>e, inclusive, maior integração visual entre os espaços. As cotas</p><p>dos taludes previstos em projeto correspondem às cotas dos</p><p>meios níveis em que foram alocadas as áreas de serviço, social</p><p>e de dormir.</p><p>O talude de menor cota abriga uma garagem de veículos,</p><p>toda a área de serviços – cozinha, lavanderia e aposentos de</p><p>empregada – e sala de jantar. Além disso, o arquiteto também</p><p>previu o acesso principal da residência para este nível. No</p><p>entanto, como relatado por Acayaba durante uma visita à obra,</p><p>o acesso comumente utilizado por qualquer um que a visite se</p><p>dá pelo nível intermediário. O espaço acabou adquirindo hoje</p><p>um caráter multifuncional, ora sendo utilizado como escritório</p><p>pelo arquiteto, ora como espaço de leitura, ou até mesmo um</p><p>espaço para expor alguns de seus desenhos e de outros colegas</p><p>arquitetos e artistas. No mesmo nível, encontra-se semienterrado</p><p>um estúdio de fotografia de entrada independente pelo lado</p><p>oposto ao do acesso da piscina. Esse cômodo foi exigência de</p><p>sua cunhada e hoje abriga uma biblioteca e o escritório de sua</p><p>esposa.</p><p>O plano intermediário se encontra nivelado com o piso acabado</p><p>da área interna, sem que haja nenhum tipo de desnível ou</p><p>obstáculos. Nele foi alocada a área social, totalmente integrada</p><p>com o exterior (terraço coberto + piscina) graças ao pano de vidro</p><p>que o delimita e balizada pelo volume à meia altura da lareira,</p><p>solução que se assemelha à encontrada na Residência Roberto</p><p>Millan (1960), projetada por Carlos Milan (Figura 02.21).</p><p>Fotos da construção</p><p>da Residência Marlene</p><p>Milan, 1972.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Figuras 02.16 a 02.18</p><p>(Acima, à esquerda)</p><p>Casa Mario Taques</p><p>Bitencourt II (1959),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>(Abaixo)</p><p>Residência Roberto</p><p>Millan (1960), Arq.</p><p>Carlos Millan.</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Residência Olga Baeta</p><p>(1957), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Fernando Stankuns.</p><p>Fonte: Acervo Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Figura 02.19</p><p>Figura 02.21</p><p>Figura 02.20</p><p>88 89A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>No talude mais elevado há um campo de futebol, pedido do ex-</p><p>marido de sua cunhada e que Acayaba decidiu manter já que fora</p><p>jogador de várzea quando adolescente. Internamente, a grande</p><p>laje transversal à casca foi projetada de tal forma que a cota de</p><p>seu piso acabado coincida com o nível mais elevado dos taludes.</p><p>A laje plana nervurada de concreto armado é do tipo “caixão</p><p>perdido” e é sustentada por doze pilares cilíndricos. Nela estão</p><p>todos os dormitórios e áreas privativas.</p><p>Colabora também para a integração do projeto, a vasta gama</p><p>de percursos contínuos garantidos pela circulação (horizontal</p><p>e vertical) e acessos, sem a conformação de becos sem saída.</p><p>Segundo o próprio arquiteto (2004),: “Nunca se tem de voltar</p><p>pelo mesmo caminho”.</p><p>A partir da cota da garagem, é possível ter acesso à área de serviço</p><p>e à entrada principal da casa, que nos leva até a sala de jantar; a</p><p>sala de jantar também pode ser acessada pela área de serviço ou</p><p>pelos fundos da casa; ainda na garagem, é possível subir um lance</p><p>de escadas externas e chegar à cota da piscina e de um terraço</p><p>coberto pelo qual se acessa a área social; além disso, é possível</p><p>chegar a esta mesma área a partir da sala de jantar, por meio de</p><p>um lance de escadas internas; a área social, por sua vez, pode se</p><p>expandir para um terraço descoberto e, ao subir outro lance de</p><p>escadas, tem-se acesso aos dormitórios na cota mais elevada do</p><p>projeto; o terraço coberto também apresenta conexão com um</p><p>campo de futebol nos fundos do terreno; internamente, no nível</p><p>dos dormitórios, há saídas para dois terraços descobertos, um</p><p>mais reservado e outro com vista à via; a cota da piscina ainda</p><p>faz conexão com o espaço semienterrado e também para um dos</p><p>terraços descobertos que tem acesso aos quartos.</p><p>Segundo Nakanishi (2007),</p><p>“A ideia era valorizar a paisagem e ao mesmo tempo</p><p>estabelecer um maior contato entre o interior da</p><p>casa e todo o terreno, seguindo os conceitos de</p><p>espaço mínimo e integração dos espaços internos,</p><p>com os quais trabalhavam os arquitetos modernos</p><p>nesse período” (NAKANISHI, 2007).</p><p>A integração é tamanha que, por diversas vezes, as áreas sociais</p><p>da casa abrigaram áreas de trabalho, lazer e convívio que</p><p>extrapolavam as relações familiares, adquirindo um valor social</p><p>muito mais amplo.</p><p>Segundo o próprio arquiteto, são apenas quatro os elementos</p><p>fixos responsáveis por direcionar o desenho da residência e, por</p><p>conseguinte, sintetizá-la:</p><p>• O primeiro deles, que dita a expressividade e a poética da</p><p>casa, é, sem dúvida, a casca de concreto, desempenhando</p><p>um papel quase embrionário, a partir do qual foram</p><p>definidas as soluções projetuais;</p><p>• O segundo elemento seria o “lajão”, como chama o</p><p>arquiteto, responsável por abrigar os dormitórios e por</p><p>acentuar a solução em meios-níveis aplicada à residência;</p><p>• As colunas hidráulicas, únicas áreas obrigatoriamente</p><p>privadas que não apresentam possibilidade de abertura</p><p>para a área social, seriam o terceiro ponto; e</p><p>• O último elemento, mas não menos importante, ficaria</p><p>a cargo do grande muro de arrimo que sustenta o talude</p><p>mais alto. Muro este que, internamente, tem a função</p><p>de mobiliário (o sofá da área social e a estante de livros,</p><p>ambos com estrutura em concreto), além de receber a</p><p>lareira de meia altura.</p><p>A esses quatro elementos que sustentam o conceito pretendido</p><p>pelo arquiteto, é necessário acrescentar a gana por um ambiente</p><p>conectado com o exterior e totalmente aberto, característica</p><p>nítida a qualquer um que visite a obra.</p><p>Além de alcançada pela relação edifício/terreno/acessos, a</p><p>integração também é garantida graças aos materiais e dinamismo</p><p>dos vedos. Os fechamentos externos são feitos por panos de</p><p>vidro por toda a extensão da casca – formados por caixilhos de</p><p>chapas de aço galvanizado dobrados e vidro – e os internos são</p><p>compostos por grandes painéis móveis de madeira.</p><p>Esses materiais garantem uma inércia térmica muito baixa à</p><p>casa (massa térmica leve) que, quando associada ao alto valor</p><p>do coeficiente global de transmissão térmica (U) do concreto,</p><p>acarreta no sobreaquecimento do ambiente interno. O fato</p><p>foi comprovado por Acayaba durante o primeiro verão da casa</p><p>ocupada e solucionado por meio do acréscimo de isolamento</p><p>térmico na cobertura:</p><p>“[...] na face externa da casca foram colocadas placas</p><p>de poliuretano expandido de 2,0 cm de espessura</p><p>e por sobre elas uma camada de manta de lã de</p><p>vidro. Por cima da manta aplicou-se poliuretano</p><p>líquido que, ao se fundir com as placas, formou uma</p><p>camada única e sólida” (NAKANISHI, 2007).</p><p>A manutenção da solução, contudo, era frequente. A cada biênio</p><p>era necessária a repintura da cobertura uma vez que sua camada</p><p>mais superficial descascava. Durante os primeiros anos, a pintura</p><p>foi realizada com o próprio poliuretano, mas foi substituída por</p><p>tinta acrílica devido ao alto custo de mantenimento. Foi apenas</p><p>no início dos anos 2000 que Acayaba decidiu revestir a face</p><p>externa da estrutura de concreto com uma manta termoplástica</p><p>de impermeabilização na cor branca, o que, além de proteger</p><p>o elemento e dispensar suas constantes repinturas, também</p><p>contribuiu para a reflexão da radiação solar que a atinge.</p><p>90 91A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Apesar desse ocorrido, há diversas soluções pensadas para o</p><p>conforto do usuário a partir de sombreamentos e de ventilação</p><p>natural facilitada por meio de aberturas estratégicas, como, por</p><p>exemplo, a ventilação cruzada convectiva pensada quando da</p><p>integração dos dormitórios à área social pela abertura dos painéis</p><p>móveis de madeira[9]: o ar fresco entra no ambiente por meio de</p><p>aberturas baixas, controladas por basculantes de cair e protegidas</p><p>por tela mosqueteiro, sobe por diferença de temperatura e evade</p><p>os quartos através dos painéis pivotantes, continuam a subir por</p><p>convecção até encontrar aberturas acima das caixas hidráulicas,</p><p>por onde o ar é exsuflado.</p><p>As estratégias projetuais, a estética e a forma organizacional do</p><p>programa encontram relação direta com o legado modernista e a</p><p>produção de outros arquitetos que fazem parte de sua formação.</p><p>Para Wisnik, (2021), a Residência Milan</p><p>“tem as características de um projeto de juventude,</p><p>em que a radicalidade intransigente das soluções</p><p>percorre todos os elementos da obra: a plasticidade</p><p>da cobertura, a generosidade espacial, a</p><p>independência dos planos construídos, a rudeza</p><p>dos acabamentos etc” (WISNIK, 2021).</p><p>[9] Os painéis móveis também são elementos presentes na Residência</p><p>Juarez Brandão Lopes (1968), de Flávio Império e Rodrigo Lefèvre.</p><p>(Página seguinte)</p><p>Residência Marlene</p><p>Milan (1972), Arq.</p><p>Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Richard Powers.</p><p>Figura 02.22</p><p>92 93A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>SISTEMA DE RUAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>RUAS</p><p>CALÇADAS</p><p>COMPOSIÇÃO ESPACIAL</p><p>CÂNION URBANO</p><p>ESTACIONAMENTO</p><p>TRANSPORTE PÚBLICO</p><p>CICLOFAIXAS E CICLOVIAS</p><p>FLUXO E NÚMERO DE FAIXAS</p><p>CLASSIFICAÇÃO ACESSIBILIDADE</p><p>CAMINHABILIDADE</p><p>NÃO HÁ</p><p>AUSENTE</p><p>COMPROMETIDA</p><p>MÉDIA</p><p>ACESSÍVEL</p><p>ALTA</p><p>CL</p><p>AS</p><p>SI</p><p>FI</p><p>CA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>V</p><p>IÁ</p><p>RI</p><p>A</p><p>LOCAL RODOVIAS</p><p>COLETORA VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO - VTR</p><p>ARTERIAL VIAS DE PEDESTRES</p><p>M</p><p>AP</p><p>A</p><p>H</p><p>IP</p><p>SO</p><p>M</p><p>ÉT</p><p>RI</p><p>CO</p><p>VE</p><p>RÃ</p><p>O</p><p>IN</p><p>VE</p><p>RN</p><p>O</p><p>DE</p><p>CL</p><p>IV</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>TOPOGRAFIA</p><p>ELEMENTOS AMBIENTAIS</p><p>ZONEAMENTO BIOCLIMÁTICO</p><p>CORPOS D'ÁGUA</p><p>ESPAÇOS LIVRES</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>SOMBREAMENTO</p><p>M</p><p>AS</p><p>SA</p><p>A</p><p>RB</p><p>Ó</p><p>RE</p><p>A</p><p>0 ≥ 13119753 121086421</p><p>700 75%730 760710 740 770 790720 750 780 800</p><p>CONTEXTO NATURAL</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>725</p><p>725</p><p>730</p><p>735</p><p>740</p><p>745</p><p>750</p><p>725</p><p>725</p><p>730</p><p>735</p><p>740</p><p>745</p><p>750</p><p>Apesar de estar implantado em uma área</p><p>plana e distante de barreiras consideráveis, os</p><p>movimentos de terra criados em projeto e a</p><p>densa massa vegetal dificulta a incidência de</p><p>ventos na fachada SE (predominância para SP).</p><p>Assim, dormitórios, cozinhas e sala de jantar,</p><p>sofrem uma defasagem no acesso aos ventos.</p><p>VEGETAÇÃO HERBÁCEO-ARBUSTIVA</p><p>BAIXA COBERTURA ARBÓREA, ARBÓREA-ARBUSTIVA</p><p>E/OU ARBORESCENTE</p><p>MÉDIA A ALTA COBERTURA ARBÓREA, ARBÓREA-</p><p>ARBUSTIVA E/OU ARBORESCENTE</p><p>94 95A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>SISTEMA DE EDIFÍCIOS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>ZONA CLIMÁTICA LOCAL (ZCL)</p><p>DISPERSÃO</p><p>POROSIDADE ALBEDO</p><p>USO E OCUPAÇÃO</p><p>ESPECULARIDADEÂNGULO DE INCIDÊNCIA SOLAR</p><p>RUGOSIDADE</p><p>BAIXA BAIXO</p><p>RESIDENCIALRESIDENCIALRESIDENCIAL</p><p>COMERCIALCOMERCIALCOMERCIAL</p><p>EQUIPAMENTOSEQUIPAMENTOSEQUIPAMENTOS</p><p>LAZERLAZERLAZER</p><p>BAIXA0°</p><p>MÉDIA MÉDIO</p><p>MÉDIA60°30°</p><p>ALTA ALTO</p><p>ALTA90°</p><p>ÁREA CONSTRUÍDA/OCUPADA</p><p>ÁREA SEM OCUPAÇÃO</p><p>SISTEMA DE PARCELAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>QUADRAS</p><p>LOTES</p><p>DESENHO DAS QUADRAS</p><p>ORGANIZAÇÃO DOS LOTES</p><p>ORIENTAÇÃO</p><p>ORIENTAÇÃO</p><p>ÁREA PERMEÁVEL</p><p>DIMENSÃO</p><p>DIMENSÃO</p><p>TAXA DE OCUPAÇÃO</p><p>MÍNIMO</p><p>PEQUENA</p><p>BAIXA</p><p>BAIXA</p><p>MÉDIO</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIA</p><p>GRANDE</p><p>MÁXIMA</p><p>ALTA</p><p>ALTA</p><p>96 97A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>PERÍMETRO</p><p>ESBELTEZGABARITO</p><p>POROSIDADECOMPACIDADE</p><p>BAIXA</p><p>BAIXABAIXA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIAMÉDIA</p><p>ALTA</p><p>ALTAALTA</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>GEOMETRIA</p><p>98 99A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>ACESSOS CIRCULAÇÃO</p><p>SETORIZAÇÃO</p><p>DISPOSIÇÃO NO LOTE ASSENTAMENTO DO EDIFÍCIO</p><p>HORIZONTALEM PLANTA</p><p>VERTICAL</p><p>ÁREA DE SERVIÇOÁREA PRIVATIVAÁREA SOCIAL</p><p>EM CORTE</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>MASSA</p><p>100 101A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>RELAÇÃO PLANTA-CORTE</p><p>SIMETRIA EQUILÍBRIO</p><p>EIXO DE</p><p>EQUILÍBRIO</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>GRAU DE COMPARTIMENTAÇÃO</p><p>HIERARQUIA</p><p>POUCO COMPARTIMENTADO</p><p>TERCEIRO LUGAR</p><p>MUITO COMPARTIMENTADO</p><p>PRIMEIRO LUGAR</p><p>COMPARTIMENTADO</p><p>SEGUNDO LUGAR</p><p>102 103A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>ENVOLTÓRIA E MATERIAIS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>VARIABILIDADE</p><p>PROTEÇÃO</p><p>PROTEÇÃO</p><p>ROBUSTEZ</p><p>ISOLAMENTO/ROBUSTEZ</p><p>ISOLAMENTO</p><p>TRANSPARÊNCIA</p><p>TRANSPAR./PERFURAÇÃO</p><p>PERFURAÇÃO</p><p>PERFURAÇÃO</p><p>TEXTURA</p><p>COR</p><p>TRATAMENTO DAS FACHADAS</p><p>PROTEÇÃO SOLAR</p><p>SOMBREAMENTO ACÚSTICO</p><p>INÉRCIA TÉRMICA</p><p>ISOLAMENTO ACÚSTICO</p><p>ISOLAMENTO TÉRMICO</p><p>ÁREAS ILUMINANTES</p><p>ABERTURAS ZENITAIS</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO</p><p>ABERTURAS PARA VENTILAÇÃO</p><p>RUGOSIDADE</p><p>ABSORTÂCIAS</p><p>BAIXA</p><p>BAIXABAIXA</p><p>BAIXO BAIXA</p><p>BAIXO BAIXA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIAMÉDIA</p><p>MÉDIO MÉDIA</p><p>MÉDIO MÉDIA</p><p>ALTA</p><p>ALTAALTA</p><p>ALTO ALTA</p><p>ALTO ALTA</p><p>PROJETO</p><p>ESTRATÉGIAS PASSIVAS</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>CAMPOS VISUAIS</p><p>104 105A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>67,9 m²</p><p>339,9 m³Variável ( 3,55 a 5,84 m)</p><p>ELEM. MODERNISTAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>VALORES MODERNISTAS PLANTA-LIVRE</p><p>TETO-JARDIM</p><p>FACHADA LIVRE</p><p>RITMO NA FACHADA</p><p>JANELA EM FITA</p><p>INTEG. COM PAISAGEM</p><p>FORMA GEOMÉTRICA</p><p>ELEM. DECORATVOS</p><p>PILOTIS (ELEMENTOS) PILOTIS (PERCEPÇÃO)</p><p>106 107A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2 FACH. 3</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>0,17</p><p>0,96 0,96 1,00</p><p>1,33</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>FACHADA 1</p><p>FACHADA 3</p><p>FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>3</p><p>NE</p><p>SE</p><p>SO</p><p>35,04 m²</p><p>22,53 m²</p><p>35,04 m²</p><p>0,52</p><p>0,33</p><p>0,52</p><p>33,81 m²</p><p>22,53 m²</p><p>33,81 m²</p><p>5,88 m²</p><p>Ø</p><p>5,88 m²</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>108 109A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>0,02</p><p>0,82 0,05</p><p>0,46</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>15,33 m²</p><p>56,48 m³Variável ( 2,25 a 4,25 m)</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>FACHADA 1 FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS : 2</p><p>SE NE</p><p>7,61 m² 16,96 m²</p><p>0,50 1,11</p><p>6,26 m² 0,77 m²</p><p>0,29 m² Ø</p><p>Ø 14,40 kJ/m²K</p><p>Ø 1,35 W/m²K</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>field survey of physical</p><p>and environmental microclimatic variables, and simulational</p><p>deductive. The results were analyzed in a comparative way</p><p>between the measured and calculated data, in addition to being</p><p>confronted with performance criteria established by Brazilian</p><p>and international standards. In general, the residences showed</p><p>good results for most of the evaluated scenarios, thanks to</p><p>passive strategies of natural conditioning, implemented still in</p><p>the design phase.</p><p>Key-words: Marcos Acayaba. Bioclimatic Architecture.</p><p>Environmental Comfort. Houses.</p><p>Figura 01.01</p><p>Figura 01.02</p><p>Figura 01.03</p><p>Figuras 01.04 e</p><p>01.05</p><p>Figura 01.06</p><p>Figura 01.07</p><p>Figura 01.08</p><p>Figura 01.09</p><p>Figura 01.10</p><p>Figura 01.11</p><p>Figura 01.12</p><p>Figura 01.13</p><p>Figura 01.14</p><p>Figura 01.15</p><p>Figura 01.16</p><p>Figura 01.17</p><p>Figura 01.18</p><p>Figura 01.19</p><p>Figura 01.20</p><p>Ed. Gustavo Capanema, 1943, fachada NE.</p><p>Ed. Gustavo Capanema, 1943, fachada SO.</p><p>Proposta para o MES desenvolvida por</p><p>Archimedes Memória.</p><p>Croquis e estudos do Ed. Gustavo Capanema</p><p>desenvolvidos por Le Corbusier.</p><p>Térreo do Ed. Gustavo Capanema, com os famosos</p><p>azulejos de Portinari.</p><p>Auditório do Ed. Gustavo Capanema com painéis</p><p>de Portinari.</p><p>Plantas do Pavilhão do Brasil para a Feira</p><p>Universal de Nova Iorque, 1939.</p><p>Vista da fachada principal do Pavilhão do Brasil.</p><p>Pavilhão do Brasil (1939).</p><p>Vista para o pátio interno do Pavilhão do Brasil.</p><p>Vista interna do mezanino do Pavilhão do Brasil.</p><p>Capela de São Francisco de Assis (1943), Arq.</p><p>Oscar Niemeyer.</p><p>Plantas do antigo Cassino da Pampulha (1942),</p><p>Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Vista do Cassino da Pampulha.</p><p>Entrada para o Corpo de Baile do Cassino da</p><p>Pampulha.</p><p>Edifício Montreal (1954), Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Edifício Triângulo (1955), Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Edifício Eiffel (1956), Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Vista do Parque do Ibirapuera (1954), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>042</p><p>042</p><p>042</p><p>042</p><p>043</p><p>043</p><p>044</p><p>045</p><p>045</p><p>045</p><p>045</p><p>045</p><p>046</p><p>046</p><p>046</p><p>047</p><p>047</p><p>047</p><p>048</p><p>Figura 01.21</p><p>Figura 01.22</p><p>Figura 01.23</p><p>Figura 01.24</p><p>Figura 01.25</p><p>Figura 01.26</p><p>Figura 01.27</p><p>Figura 01.28</p><p>Figura 01.29</p><p>Figura 01.30</p><p>Figura 01.31</p><p>Figura 01.32</p><p>Figura 01.33</p><p>Figura 01.34</p><p>Figura 01.35</p><p>Figura 01.36</p><p>Figura 01.37</p><p>Figura 01.38</p><p>Figura 01.39</p><p>Figura 01.40</p><p>Vista aérea do Parque do Ibirapuera.</p><p>Vista da Oca.</p><p>Vista interna da Oca.</p><p>Vista da Casa das Canoas (1954), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Área externa da Casa das Canoas.</p><p>Vista interna da Casa das Canoas.</p><p>Croqui da Casa das Canoas.</p><p>Plantas da Casa das Canoas.</p><p>Catedral Metropolitana de Nossa Senhora</p><p>Aparecida (1970), Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Congresso Nacional (1960), Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Palácio do Planalto (1960), Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Sede do Partido Comunista Francês (1980), Arq.</p><p>Oscar Niemeyer.</p><p>Centro Cultural Le Havre (1982), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Cidade Administrativa de Tancredo Neves (2010),</p><p>Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Vista da Residência Rio Branco Paranhos (1943),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Planta da Residência Rio Branco Paranhos (1943),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Prancha com o projeto da Casinha de Artigas</p><p>(1942), Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Vista externa da Casinha (1942), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Vista interna da Casinha (1942), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Vista interna da Casinha, evidenciando os meios-</p><p>níveis.</p><p>048</p><p>048</p><p>048</p><p>049</p><p>049</p><p>049</p><p>049</p><p>049</p><p>050</p><p>050</p><p>050</p><p>051</p><p>051</p><p>051</p><p>052</p><p>052</p><p>053</p><p>054</p><p>054</p><p>054</p><p>CAPÍTULO 1: Arquitetura Moderna no Brasil: A Escola Paulista e</p><p>a Escola Carioca</p><p>Plantas do Ed. Louveira (1946), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Ed. Louveira (1948), Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Rodoviária de Londrina (1948), Arq. Vilanova</p><p>Artigas. Vista aérea.</p><p>Rodoviária de Londrina (1948), Arq. Vilanova</p><p>Artigas. Vista frontal.</p><p>Casa Czapski (1949), Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Residência Vilanova Artigas (1949), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Plantas e corte da Residência Vilanova Artigas.</p><p>Vista externa da Casa Baeta (1956), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Vista externa da Casa Baeta (1956).</p><p>Vista externa da Casa dos Triângulos (1958), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>Vista interna da Casa dos Triângulos (1958).</p><p>Vista externa do Ginásio de Itanhaém (1959), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>Vista externa do Ginásio de Guarulhos (1960), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>Vista interna das rampas da FAUUSP (1969), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>Vista interna do nível do auditório da FAUUSP</p><p>(1969), Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Vista externa da Residência Elza Berquó (1967),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Vista interna da Residência Elza Berquó (1967),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Plantas da Residência Elza Berquó (1967), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>Rodoviária de Jaú (1973), Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Vista interna.</p><p>Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães (1972),</p><p>Arq. Vilanova Artigas.</p><p>Estudos para a Erplan de Araçatuba (1976).</p><p>Croqui para a Erplan de Bauru (1976).</p><p>Maquete do projeto da Erplan de Marília (1976).</p><p>Cidade de Caraíba, BA.</p><p>Sede da Fazenda Pindorama (1974).</p><p>Pavilhão na Fazenda Pindorama (1984).</p><p>Maquete do projeto desenvolvido para o concurso</p><p>da nova sede da FAPESP (1998).</p><p>Residência Marcos Acayaba, na Praia de</p><p>Tijocupava, Guarujá (1996).</p><p>Maquete para o Pavilhão do Brasil em Sevilha</p><p>(1992).</p><p>Figura 01.41</p><p>Figura 01.42</p><p>Figura 01.43</p><p>Figura 01.44</p><p>Figura 01.45</p><p>Figura 01.46</p><p>Figura 01.47</p><p>Figura 01.48</p><p>Figura 01.49</p><p>Figura 01.50</p><p>Figura 01.51</p><p>Figura 01.52</p><p>Figura 01.53</p><p>Figura 01.54</p><p>Figura 01.55</p><p>Figura 01.56</p><p>Figura 01.57</p><p>Figura 01.58</p><p>Figura 01.59</p><p>Figura 01.60</p><p>Figura 02.01</p><p>Figura 02.02</p><p>Figura 02.03</p><p>Figura 02.04</p><p>Figura 02.05</p><p>Figura 02.06</p><p>Figura 02.07</p><p>Figura 02.08</p><p>Figura 02.09</p><p>055</p><p>056</p><p>057</p><p>057</p><p>058</p><p>058</p><p>059</p><p>059</p><p>059</p><p>060</p><p>060</p><p>060</p><p>060</p><p>061</p><p>061</p><p>063</p><p>063</p><p>063</p><p>064</p><p>065</p><p>072</p><p>072</p><p>072</p><p>073</p><p>074</p><p>074</p><p>074</p><p>074</p><p>075</p><p>CAPÍTULO 2: Um arquiteto. Quatro casas</p><p>Grupo Residencial Alto da Boa Vista (1973).</p><p>Maquete para o clube em Diamantina (1950).</p><p>Sede Social na Praça de Esportes Minas Gerais –</p><p>Diamantina (1950), Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Casa Geller II (1973), Arq. Marcel Breuer.</p><p>Residência Bernardo Issler (1961), Arq. Sérgio</p><p>Ferro.</p><p>Residência Juarez Brandão Lopes (1968), Arq.</p><p>Flávio Império e Arq. Rodrigo Lefèvre.</p><p>Fotos da construção da Residência Marlene Milan,</p><p>1972.</p><p>Casa Mario Taques Bitencourt II (1959), Arq.</p><p>Vilanova Artigas.</p><p>Residência Olga Baeta (1957), Arq. Vilanova</p><p>Artigas.</p><p>Residência Roberto Millan (1960), Arq. Carlos</p><p>Millan.</p><p>Residência Marlene Milan (1972), Arq. Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Maison La Roche (1923), Arq. Le Corbusier.</p><p>Maison Jaoul (1951), Arq. Le Corbusier.</p><p>Residência Roberto Millan (1960), Arq. Carlos</p><p>Millan.</p><p>Imagem da construção da Casa Hugo Kovadloff.</p><p>Residência Paulo Hess (1952), Arq. Rino Levi.</p><p>Croquis e estudos realizados por Marcos Acayaba</p><p>para a Residência Hugo Kovadloff. Detalhes</p><p>dos elementos vazados de concreto pré-</p><p>moldado.</p><p>Residência Toufic H. Kalil (1955), Arq. Frank Lloyd</p><p>Wright.</p><p>Croquis e estudos realizados por Marcos</p><p>Acayaba para a Residência Hugo Kovadloff.</p><p>Implantação e organização do programa de</p><p>necessidades.</p><p>Croquis e estudos realizados por Marcos Acayaba</p><p>para a Residência Hugo Kovadloff. Detalhe</p><p>das janelas dos dormitórios.</p><p>Residência Hugo Kovadloff (1985), Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Residência Oscar Teiman (1986), Arq. Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Vista lateral da Smith House (1955/58), Arq. Craig</p><p>Ellwood.</p><p>Vista interna, evidenciando a volumetria em T da</p><p>Smith House (1955/58), Arq. Craig Ellwood.</p><p>Fachada principal da Smith House (1955/58), Arq.</p><p>Craig Ellwood.</p><p>Croqui da Weekend House (1964), Arq. Craig</p><p>Ellwood.</p><p>Croqui de Ludwig Mies van der Rohe para a Glass</p><p>House on a Hill Side (1934).</p><p>078</p><p>083</p><p>083</p><p>085</p><p>085</p><p>085</p><p>086</p><p>087</p><p>087</p><p>087</p><p>091</p><p>119</p><p>119</p><p>120</p><p>120</p><p>121</p><p>121</p><p>122</p><p>123</p><p>124</p><p>125</p><p>153</p><p>154</p><p>154</p><p>154</p><p>155</p><p>155</p><p>Figura 02.10</p><p>Figura 02.11</p><p>Figura 02.12</p><p>Figura 02.13</p><p>Figura 02.14</p><p>Figura 02.15</p><p>Figuras 02.16 a</p><p>02.18</p><p>Figura 02.19</p><p>Figura 02.20</p><p>Figura 02.21</p><p>Figura 02.22</p><p>Figura 02.23</p><p>Figura 02.24</p><p>Figura 02.25</p><p>Figura 02.26</p><p>Figura 02.27</p><p>Figura 02.28</p><p>Figura 02.29</p><p>Figura 02.30</p><p>Figura 02.31</p><p>Figura 02.32</p><p>Figuras 02.33 e</p><p>02.34</p><p>Figura 02.35</p><p>Figura 02.36</p><p>Figura 02.37</p><p>Figura 02.38</p><p>Figura 02.39</p><p>Processo de montagem da Residência Hélio Olga.</p><p>Detalhe</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>110 111A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>0,02</p><p>0,82</p><p>0,41</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>16,14 m²</p><p>59,52 m³Variável ( 2,25 a 4,25 m)</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS : 1</p><p>FACHADA 1</p><p>SE</p><p>8,11 m²</p><p>0,50</p><p>6,68 m²</p><p>0,3 m²</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>112 113A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>0,02</p><p>0,82</p><p>0,41</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>16,14 m²</p><p>59,52 m³Variável ( 2,25 a 4,25 m)</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS : 1</p><p>FACHADA 1</p><p>SE</p><p>8,11 m²</p><p>0,50</p><p>6,68 m²</p><p>0,3 m²</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>114 115A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>116 117A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>RESIDÊNCIA HUGO KOVADLOFF</p><p>LOCALIZAÇÃO Rua Senador Otávio Mangabeira, 332 - Morumbi - São Paulo, SP</p><p>PROJETO 1985 CONSTRUÇÃO 1986 - 1987</p><p>Vista nordeste. Foto: Acervo Marcos Acayaba.</p><p>Vista noroeste. Foto: Acervo Marcos Acayaba. Entorno imediato</p><p>Implantação 0 5025 100</p><p>R.</p><p>S</p><p>en</p><p>.</p><p>O</p><p>tá</p><p>vi</p><p>o</p><p>M</p><p>an</p><p>ga</p><p>be</p><p>ira</p><p>R.</p><p>S</p><p>en</p><p>.</p><p>O</p><p>tá</p><p>vi</p><p>o</p><p>M</p><p>an</p><p>ga</p><p>be</p><p>ira</p><p>R.</p><p>D</p><p>r.</p><p>M</p><p>an</p><p>ue</p><p>l C</p><p>ar</p><p>lo</p><p>s d</p><p>e</p><p>Fi</p><p>gu</p><p>ei</p><p>re</p><p>do</p><p>F</p><p>er</p><p>ra</p><p>z</p><p>R.</p><p>D</p><p>r.</p><p>M</p><p>an</p><p>ue</p><p>l C</p><p>ar</p><p>lo</p><p>s d</p><p>e</p><p>Fi</p><p>gu</p><p>ei</p><p>re</p><p>do</p><p>F</p><p>er</p><p>ra</p><p>z</p><p>R.</p><p>D</p><p>r.</p><p>Je</p><p>su</p><p>ín</p><p>o</p><p>de</p><p>A</p><p>br</p><p>eu</p><p>R.</p><p>D</p><p>r.</p><p>Je</p><p>su</p><p>ín</p><p>o</p><p>de</p><p>A</p><p>br</p><p>eu</p><p>R. Dr. Flávio Américo Maurano</p><p>R. Dr. Flávio Américo Maurano</p><p>R.</p><p>S</p><p>ilv</p><p>ei</p><p>ra</p><p>S</p><p>am</p><p>pa</p><p>io</p><p>R.</p><p>S</p><p>ilv</p><p>ei</p><p>ra</p><p>S</p><p>am</p><p>pa</p><p>io</p><p>EQUIPE Arq. Marcos Acayaba</p><p>Prof. Yoshinori Tagushi (residência)</p><p>Arq.ª Suely Mizobe (estúdio)</p><p>Arq. Anselmo Turazzi (estúdio)</p><p>COLABORAÇÃO Cálculo estrutural: Eng. Aiello Neto e Eng. Antônio Martins</p><p>Instalações: Etip</p><p>Construção: Cenpla</p><p>PROGRAMA Sala de estar Lavabo Cozinha</p><p>Sala de jantar Dormitórios (4) Lavanderia</p><p>Estúdio Sanitários (3) Garagem + Depósito</p><p>Dependência de empregados (1 dormitório + 1 sanitário)</p><p>ÁREAS Área do Terreno: 526 m²</p><p>Área Ocupada: 128,65 m² (24,45%)</p><p>Área Construída: 207,37 m²</p><p>Área Útil: 167,67 m²</p><p>MATERIAIS α (W/m°C) d (kg/m³)</p><p>Estrutura: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Cobertura: Canalete cimento amianto 0,95 2.000</p><p>Laje nervurada: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Caixão perdido: Cerâmica Selecta 0,46 2.000</p><p>Alvenaria: Tijolo maciço de barro 0,7 1.600</p><p>Escada: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Caixilhos: Madeira (cedro) 0,12 400</p><p>Piso externo: Cimento queimado 0,65 1.600</p><p>Piso interno: Taco de madeira 0,23 700</p><p>FOTOS DA OBRA</p><p>Foto: Eduardo Castanho.Foto: Eduardo Castanho.</p><p>Foto: Eduardo Castanho. Foto: Eduardo Castanho.</p><p>Foto: Acervo Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Acervo Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Eduardo Castanho.Foto: Acervo Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Acervo Marcos Acayaba.</p><p>118 119A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>O projeto da Residência Hugo Kovadloff foi desenvolvido para</p><p>um ex-colega do Colégio Dante Alighieri de Marcos Acayaba.</p><p>A casa está situada em um terreno de 526 m², com leve aclive,</p><p>no bairro do Morumbi, em São Paulo. Apesar de apresentar</p><p>loteamentos menores, é possível traçar paralelos diretos entre</p><p>sua conformação urbana e a do bairro Cidade Jardim, como, por</p><p>exemplo, a presença marcante de áreas ajardinadas, a alta taxa</p><p>de arborização e a dispersão das construções, produzindo vias</p><p>majoritariamente de composição espacial aberta.</p><p>Apesar de estar em uma região predominantemente residencial</p><p>e de porte baixo, a casa faz parte de um período de alta produção</p><p>de empreendimentos imobiliários verticalizados na região como</p><p>pontua Caldeira:</p><p>“O Morumbi e a Vila Andrade tiveram um significativo</p><p>crescimento populacional nos anos 80. Apesar do</p><p>Morumbi ser um bairro de classe alta há pelo menos</p><p>30 anos, ele mudou radicalmente depois do início</p><p>da década de 80. O que era um bairro de enormes</p><p>mansões, terrenos vazios e áreas verdes, foi</p><p>transformado, depois de uma década de construção</p><p>frenética, num distrito de edifícios. No final dos</p><p>anos 70, ele foi ‘descoberto’ por incorporadores</p><p>imobiliários que decidiram aproveitar o baixo custo</p><p>dos terrenos e o código de zoneamento favorável e</p><p>o transformaram no bairro com o mais alto número</p><p>de novos empreendimentos imobiliários da cidade</p><p>durante os anos 80 e 90. [...] a novidade no Morumbi</p><p>e na Vila Andrade não é só o volume de construção,</p><p>mas também o tipo de construção: os conjuntos</p><p>habitacionais murados” (CALDEIRA, 2000).</p><p>Para resolver o programa de necessidades, o arquiteto</p><p>desenvolveu um primeiro estudo, apresentando aos</p><p>proprietários uma casa simples, de alvenaria de tijolos e</p><p>telhado em única água, aos moldes de uma casa dos anos 50.</p><p>Após perceber certo olhar de decepção em seu colega, Acayaba</p><p>entendeu que deveria voltar à prancheta e apresentar uma</p><p>solução mais radical à casa. Como balizadores de sua nova</p><p>proposta, o arquiteto absorveu os princípios racionalistas e o</p><p>desenho conciso das casas de Le Corbusier da década de 20.</p><p>A nova proposta, de fato, apresenta elementos que remontam</p><p>à obra do arquiteto francês. É o caso da espacialidade com que</p><p>resolve o programa de necessidades, desenvolvido ao redor de</p><p>um ambiente central de pé-direito duplo, que alude à Maison La</p><p>Roche (1923), em Paris (Figura 02.23). Mas as relações não se dão</p><p>somente por tal vazio, mas também pelo corredor de circulação</p><p>no segundo nível junto à fachada exposta, cujo fechamento é</p><p>realizado majoritariamente por superfícies envidraçadas que</p><p>contribuem para a iluminação natural do projeto.</p><p>Enquanto a espacialidade é associada à casa de Le Corbusier</p><p>no início dos anos 20, a construção rigorosa e a plasticidade da</p><p>obra – com todos os materiais e instalações expostos – apresenta</p><p>diálogo direto com o período brutalista de Le Corbusier dos anos</p><p>50, como na Maison Jaoul (Figuras 02.24).</p><p>A associação é feita graças aos princípios de estrutura e de</p><p>construção rigorosos difundidos pela escola e materializado no</p><p>projeto da residência pelo uso do concreto moldado in situ no</p><p>esqueleto portante e pelos vedos em tijolos aparentes, tendo</p><p>como intenção a verdade construtiva.</p><p>O próprio arquiteto[10] enquadra essa residência na ramificação</p><p>brutalista da Escola Paulista de Arquitetura Moderna e ainda</p><p>afirma que, entre toda sua produção, “a casa mais brutalista é</p><p>essa daqui” (MARCOS ACAYABA, 2014).</p><p>Segundo Segawa (1988), as características da casa “revelam a</p><p>intenção do autor em realizar uma síntese do brutalismo paulista</p><p>dos anos 60 e início dos 70, uma quase homenagem a nomes</p><p>como Sérgio Ferro e Rodrigo Lefèvre e, por extensão a Joaquim</p><p>Guedes e Vilanova Artigas”. Além dos nomes citados por Segawa,</p><p>outros dois arquitetos paulistas que precisam ser citados entre</p><p>suas referências para esse projeto são Carlos Millan e Rino Levi.</p><p>[10] Palestra ministrada na Escola da Cidade, São Paulo, no dia 06 de agosto</p><p>de 2014.</p><p>Maison La Roche</p><p>(1923), Arq. Le</p><p>Corbusier.</p><p>Maison Jaoul (1951),</p><p>Arq. Le Corbusier.</p><p>Foto: Brunier Hiepler.</p><p>Fotos: Ares A.</p><p>Figura 02.23</p><p>Figura 02.24</p><p>120 121A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>A solução estrutural concebida para a Casa Kovadloff foi</p><p>anteriormente utilizada por Millan nas casas Roberto Millan</p><p>(Figura 02.25) e Nadyr de Oliveira, ambas de 1960[11]. A estrutura</p><p>da residência é resolvida por um sistema regular de vigas e pilares</p><p>de concreto armado, sobre o qual são apoiadas lajes nervuradas</p><p>fundidas in loco a elementos cerâmicos industrializados</p><p>(assemelhando-se a um “caixão perdido”) que, após a desforma,</p><p>ficam aparentes e contribuem com a estética brutalista do projeto</p><p>(Figura 02.26).</p><p>Ao todo são oito pilares de 20 x 20 cm, divididos em dois eixos</p><p>paralelos, distanciados a 6,0 m, e coincidindo com as estacas</p><p>utilizadas na fundação. Esses elementos, então, foram dispostos</p><p>a uma distância padrão de 4,5 m, cada qual recebendo uma viga</p><p>longitudinal de 16,5 m (três vãos de 4,5 m + dois balanços de 1,5</p><p>m). Acayaba buscou responder às demandas de projeto com</p><p>base em vãos sensatos de, no máximo, 6,0 m.</p><p>Como mencionado, a vedação externa dessa estrutura é feita</p><p>por intermédio de tijolos cerâmicos maciços, mas o arquiteto</p><p>[11] Na Casa Nadyr de Oliveira, a superfície inferior da laje não foi mantida</p><p>exposta como na Residência Roberto Millan.</p><p>também se vale de panos de vidro resultantes da composição</p><p>feita com elementos pré-moldados vazados de concreto, pelos</p><p>quais se dão a iluminação e a ventilação naturais dos ambientes</p><p>(esta, resolvida por meio da inserção de basculantes no vão</p><p>dos componentes). A utilização desses elementos compositivos</p><p>era recorrente desde os anos 40, exemplo disso é a Casa Paulo</p><p>Hess (1952), do arquiteto Rino Levi (Figura 02.27). Segundo</p><p>Acayaba (2021), eram “o elemento plástico necessário à correta</p><p>constituição do espaço interno desejado”.</p><p>É interessante salientar que a volumetria desses elementos</p><p>desempenha praticamente o papel de um brise-soleil misto,</p><p>capaz de barrar os raios solares durante o solstício de verão</p><p>e manter o acesso solar no inverno, período em que a altura</p><p>solar é mais baixa (Figura 02.28). Assim, além de uma solução</p><p>bastante econômica para a criação de cortinas envidraçadas,</p><p>também se torna uma estratégia eficiente e definidora das</p><p>condições ambientais internas, sempre que houver uma correta</p><p>implantação do projeto.</p><p>Residência Roberto</p><p>Millan (1960), Arq.</p><p>Carlos Millan.</p><p>Imagem da construção</p><p>da Casa Hugo</p><p>Kovadloff.</p><p>Residência Paulo Hess</p><p>(1952), Arq. Rino Levi.</p><p>Croquis e estudos</p><p>realizados por Marcos</p><p>Acayaba para a</p><p>Residência Hugo</p><p>Kovadloff - Detalhes</p><p>dos elementos</p><p>vazados de concreto</p><p>pré-moldado.</p><p>Fonte: ANELLI; GUERRA;</p><p>KON, 2001 apud RAHAL, 2006.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Figura 02.25</p><p>Figura 02.26</p><p>Figura 02.27</p><p>Figura 02.28</p><p>Foto: Fernando Stankuns.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>122 123A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Segundo Santoro (1998),</p><p>“A aproximação simples e direta para a organização</p><p>dos espaços internos, recorda a experiência fecunda</p><p>das Casas Usonianas de Wright, na sua simplicidade</p><p>construtiva e sinceridade estrutural” (SANTORO,</p><p>1998 apud ACAYABA, 2021).</p><p>Das Casas Usonianas do arquiteto Frank Lloyd Wright, Acayaba</p><p>reconhece a referência da cozinha compacta e sua articulação</p><p>com a sala e com um pátio externo, mas identifica também</p><p>os elementos vazados da fachada Nordeste e o volume que</p><p>extravasa a residência, associando-os às Casas Automáticas</p><p>Usonianas de Wright, como a Residência Toufic H. Kalil (1955),</p><p>em Manchester (Figura 02.29), no estado norte americano de</p><p>Nova Hampshire.</p><p>Ao finalizar o segundo estudo para o projeto, Acayaba decide por</p><p>preparar uma carta/memorial descritivo aos proprietários para</p><p>apresentar sua nova proposta. Para ilustrar as explanações, ele</p><p>produz croquis à semelhança do que foi feito por Le Corbusier</p><p>no livro Une petit maison, em que o arquiteto franco-suíço</p><p>apresenta a casa de sua mãe à beira do Lac Léman. O documento</p><p>é organizado em quatro tópicos: (I) uma estrutura econômica; (II)</p><p>uma implantação adequada ao terreno; (III) uma organização</p><p>lógica do programa; e (IV) uma casa simples e econômica.</p><p>Com relação à implantação da casa, o arquiteto relata:</p><p>“[...] o retângulo resultante da estrutura (16,5 m x 6 m),</p><p>se implantado no lado Sul do terreno (respeitando o</p><p>recuo lateral obrigatório de 2 metros), deixa para o</p><p>Norte espaço mais que suficiente para a insolação</p><p>e conveniente para a vida ao ar livre em extensão</p><p>da casa, bem como para Leste uma área para um</p><p>generoso jardim arborizado. Para o Oeste, o lado da</p><p>rua, dá a distância necessária para a rampa que vai</p><p>levar os carros junto à cota do piso térreo, elevado a</p><p>2 metros acima da calçada [...]. Como vocês desde o</p><p>início queriam, a área ocupada vai ser pequena (106</p><p>metros quadrados) e correspondente a apenas um</p><p>quinto do terreno (526 metros)” (ACAYABA, 2021).</p><p>Como dito anteriormente, o programa de necessidades é</p><p>distribuído segundo a relação com o vazio central de pé-direito</p><p>duplo, ocupado por parte da área social (salas de estar e jantar).</p><p>Além desse ambiente, foram alocados no nível inferior o lavabo,</p><p>um bar, a cozinha e a lavanderia. Quem chega à residência tem a</p><p>opção de acesso direto ao espaço social ou à cozinha, que, por sua</p><p>vez, tem conexões com a lavanderia e com a área de uso comum,</p><p>além de manter vista para a rua. A área social ainda se abre para</p><p>um pátio externo, devidamente equipado com churrasqueira,</p><p>pia e mesa de refeições. Como na Casa Milan, a circulação e os</p><p>percursos contínuos também são estabelecidos aqui, sejam eles</p><p>a partir da relação superior/inferior, interior/exterior ou social/</p><p>serviço.</p><p>No andar superior, foram alocados os dormitórios (contíguos)</p><p>– com caixilharia voltada ao Noroeste –, um estúdio/quarto de</p><p>visitas e aposentos de empregada com acesso independente</p><p>pelos fundos do lote. A razão pela qual a área de empregada foi</p><p>prevista ali era a futura possibilidade de ampliação e adaptação</p><p>do estúdio para um dormitório mais amplo, que poderia ser</p><p>ocupado por um de seus filhos (Figura 02.30).</p><p>Residência Toufic H.</p><p>Kalil (1955), Arq. Frank</p><p>Lloyd Wright.</p><p>Figura 02.29</p><p>Foto: Paula Martin Group/</p><p>Keller-Willams.</p><p>Croquis e estudos</p><p>realizados por</p><p>Marcos Acayaba</p><p>para a Residência</p><p>Hugo Kovadloff</p><p>- Implantação</p><p>e organização</p><p>do programa de</p><p>necessidades.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Figura 02.30</p><p>124 125A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Em realidade, já durante a execução da obra, o estúdio foi</p><p>expandido e ocupou também a área de empregada, que foi</p><p>dissociada da residência e construída como uma edícula na parte</p><p>posterior do terreno. Com o passar dos anos e com o crescimento</p><p>dos filhos, os espaços demandaram alterações e o estúdio foi</p><p>realocado em uma ampliação junto à edícula, em 1999.</p><p>Vale destacar que o arquiteto privilegiou a orientação dos espaços</p><p>comuns à Nordeste, uma das fachadas mais recomendadas para</p><p>o clima de São Paulo, uma vez que recebe acesso solar durante as</p><p>manhãs de verão e até as primeiras horas do período vespertino</p><p>durante o inverno. Com relação à orientação dos dormitórios,</p><p>Acayaba relata:</p><p>“Já os dormitórios [...], se voltados para o Noroeste,</p><p>pegarão o sol da tarde e guardarão o calor noite</p><p>afora. Serão aí, entretanto, necessárias precauções</p><p>contra o sol poente de verão na proteção das janelas.</p><p>[...]</p><p>As</p><p>janelas dos dormitórios devem ser do tipo</p><p>de venezianas de enrolar, daquelas que podem</p><p>também, quando empurradas, ficar inclinadas para</p><p>fora, arejar e, ao mesmo tempo, sombrear, o que será</p><p>necessário no verão como alertamos anteriormente</p><p>[Figura 02.31]” (ACAYABA, 2021, complemento do</p><p>autor).</p><p>Se na concepção da Casa Milan, Acayaba sintetizou a arquitetura</p><p>de Oscar Niemeyer (Escola Carioca) e de Vilanova Artigas (Escola</p><p>Paulista), aqui ele se entrega totalmente aos princípios da Escola</p><p>Paulista, projetando uma residência que é, em seus próprios</p><p>termos, “simples, verdadeira, luminosa, alegre e acolhedora”</p><p>(ACAYABA, 2021).</p><p>Croquis e estudos</p><p>realizados por Marcos</p><p>Acayaba para a</p><p>Residência Hugo</p><p>Kovadloff - Detalhe</p><p>das janelas dos</p><p>dormitórios.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Figura 02.31</p><p>(Página seguinte)</p><p>Residência Hugo</p><p>Kovadloff (1985),</p><p>Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Eduardo Castanho.</p><p>Figura 02.32</p><p>126 127A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>SISTEMA DE RUAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>RUAS</p><p>CALÇADAS</p><p>COMPOSIÇÃO ESPACIAL</p><p>CÂNION URBANO</p><p>ESTACIONAMENTO</p><p>TRANSPORTE PÚBLICO</p><p>CICLOFAIXAS E CICLOVIAS</p><p>FLUXO E NÚMERO DE FAIXAS</p><p>CLASSIFICAÇÃO ACESSIBILIDADE</p><p>CAMINHABILIDADE</p><p>NÃO HÁ</p><p>AUSENTE</p><p>COMPROMETIDA</p><p>MÉDIA</p><p>ACESSÍVEL</p><p>ALTA</p><p>CL</p><p>AS</p><p>SI</p><p>FI</p><p>CA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>V</p><p>IÁ</p><p>RI</p><p>A</p><p>LOCAL RODOVIAS</p><p>COLETORA VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO - VTR</p><p>ARTERIAL VIAS DE PEDESTRES</p><p>M</p><p>AP</p><p>A</p><p>H</p><p>IP</p><p>SO</p><p>M</p><p>ÉT</p><p>RI</p><p>CO</p><p>VE</p><p>RÃ</p><p>O</p><p>IN</p><p>VE</p><p>RN</p><p>O</p><p>DE</p><p>CL</p><p>IV</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>TOPOGRAFIA</p><p>ELEMENTOS AMBIENTAIS</p><p>ZONEAMENTO BIOCLIMÁTICO</p><p>CORPOS D'ÁGUA</p><p>ESPAÇOS LIVRES</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>SOMBREAMENTO</p><p>M</p><p>AS</p><p>SA</p><p>A</p><p>RB</p><p>Ó</p><p>RE</p><p>A</p><p>0 ≥ 13119753 121086421</p><p>700 75%730 760710 740 770 790720 750 780 800</p><p>CONTEXTO NATURAL</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>VEGETAÇÃO HERBÁCEO-ARBUSTIVA</p><p>BAIXA COBERTURA ARBÓREA, ARBÓREA-ARBUSTIVA</p><p>E/OU ARBORESCENTE</p><p>MÉDIA A ALTA COBERTURA ARBÓREA, ARBÓREA-</p><p>ARBUSTIVA E/OU ARBORESCENTE</p><p>755</p><p>755</p><p>760</p><p>765</p><p>755</p><p>755</p><p>760</p><p>760</p><p>765</p><p>770</p><p>775</p><p>780</p><p>78</p><p>5 790</p><p>755</p><p>755</p><p>760</p><p>765</p><p>755</p><p>755</p><p>760</p><p>760</p><p>765</p><p>770</p><p>775</p><p>780</p><p>78</p><p>5 790</p><p>A residência encontra-se em uma área plana e</p><p>pouco ocupada, o que garante a influência da</p><p>ventilação natural durante todo o ano. Contudo</p><p>a maior parte das aberturas da casa não estão</p><p>orientadas de maneira a favorecer a entrada de</p><p>massas de ar, não se beneficiando, portanto, de</p><p>todo o potencial da ventilação local.</p><p>128 129A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>SISTEMA DE EDIFÍCIOS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>ZONA CLIMÁTICA LOCAL (ZCL)</p><p>DISPERSÃO</p><p>POROSIDADE ALBEDO</p><p>USO E OCUPAÇÃO</p><p>ESPECULARIDADEÂNGULO DE INCIDÊNCIA SOLAR</p><p>RUGOSIDADE</p><p>BAIXA BAIXO</p><p>RESIDENCIALRESIDENCIALRESIDENCIAL</p><p>COMERCIALCOMERCIALCOMERCIAL</p><p>EQUIPAMENTOSEQUIPAMENTOSEQUIPAMENTOS</p><p>LAZERLAZERLAZER</p><p>BAIXA0°</p><p>MÉDIA MÉDIO</p><p>MÉDIA60°30°</p><p>ALTA ALTO</p><p>ALTA90°</p><p>ÁREA CONSTRUÍDA/OCUPADA</p><p>ÁREA SEM OCUPAÇÃO</p><p>SISTEMA DE PARCELAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>QUADRAS</p><p>LOTES</p><p>DESENHO DAS QUADRAS</p><p>ORGANIZAÇÃO DOS LOTES</p><p>ORIENTAÇÃO</p><p>ORIENTAÇÃO</p><p>ÁREA PERMEÁVEL</p><p>DIMENSÃO</p><p>DIMENSÃO</p><p>TAXA DE OCUPAÇÃO</p><p>MÍNIMO</p><p>PEQUENA</p><p>BAIXA</p><p>BAIXA</p><p>MÉDIO</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIA</p><p>GRANDE</p><p>MÁXIMA</p><p>ALTA</p><p>ALTA</p><p>130 131A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>PERÍMETRO</p><p>ESBELTEZGABARITO</p><p>POROSIDADECOMPACIDADE</p><p>BAIXA</p><p>BAIXABAIXA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIAMÉDIA</p><p>ALTA</p><p>ALTAALTA</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>GEOMETRIA</p><p>132 133A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>ACESSOS CIRCULAÇÃO</p><p>SETORIZAÇÃO</p><p>DISPOSIÇÃO NO LOTE ASSENTAMENTO DO EDIFÍCIO</p><p>HORIZONTALEM PLANTA</p><p>VERTICAL</p><p>ÁREA DE SERVIÇOÁREA PRIVATIVAÁREA SOCIAL</p><p>EM CORTE</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>MASSA</p><p>134 135A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>RELAÇÃO PLANTA-CORTE</p><p>SIMETRIA EQUILÍBRIO</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>GRAU DE COMPARTIMENTAÇÃO</p><p>HIERARQUIA</p><p>POUCO COMPARTIMENTADO</p><p>TERCEIRO LUGAR</p><p>MUITO COMPARTIMENTADO</p><p>PRIMEIRO LUGAR</p><p>COMPARTIMENTADO</p><p>SEGUNDO LUGAR</p><p>EIXO DE</p><p>EQUILÍBRIO</p><p>EIXO DE</p><p>EQUILÍBRIO</p><p>EIXO DE</p><p>EQUILÍBRIO</p><p>136 137A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>ENVOLTÓRIA E MATERIAIS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>VARIABILIDADE</p><p>PROTEÇÃO</p><p>PROTEÇÃO</p><p>ROBUSTEZ</p><p>ISOLAMENTO/ROBUSTEZ</p><p>ISOLAMENTO</p><p>TRANSPARÊNCIA</p><p>TRANSPAR./PERFURAÇÃO</p><p>PERFURAÇÃO</p><p>PERFURAÇÃO</p><p>TEXTURA</p><p>COR</p><p>TRATAMENTO DAS FACHADAS</p><p>PROTEÇÃO SOLAR</p><p>SOMBREAMENTO ACÚSTICO</p><p>INÉRCIA TÉRMICA</p><p>ISOLAMENTO ACÚSTICO</p><p>ISOLAMENTO TÉRMICO</p><p>ÁREAS ILUMINANTES</p><p>ABERTURAS ZENITAIS</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO</p><p>ABERTURAS PARA VENTILAÇÃO</p><p>RUGOSIDADE</p><p>ABSORTÂCIAS</p><p>BAIXA</p><p>BAIXABAIXA</p><p>BAIXO BAIXA</p><p>BAIXO BAIXA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIAMÉDIA</p><p>MÉDIO MÉDIA</p><p>MÉDIO MÉDIA</p><p>ALTA</p><p>ALTAALTA</p><p>ALTO ALTA</p><p>ALTO ALTA</p><p>PROJETO</p><p>ESTRATÉGIAS PASSIVAS</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>CAMPOS VISUAIS</p><p>138 139A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>ELEM. MODERNISTAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>VALORES MODERNISTAS PLANTA-LIVRE</p><p>TETO-JARDIM</p><p>FACHADA LIVRE</p><p>RITMO NA FACHADA</p><p>JANELA EM FITA</p><p>INTEG. COM PAISAGEM</p><p>FORMA GEOMÉTRICA</p><p>ELEM. DECORATVOS</p><p>PILOTIS (ELEMENTOS) PILOTIS (PERCEPÇÃO)</p><p>Variável ( 2,20 ou 5,05 m)</p><p>51,2 m²</p><p>222,71 m³</p><p>140 141A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2 FACH. 3 FACH. 4</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>FACHADA 1</p><p>FACHADA 3 FACHADA 4</p><p>FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>4</p><p>NE</p><p>SE SO</p><p>NO</p><p>38,71 m²</p><p>5,15 m² 36,84 m²</p><p>3,4 m²</p><p>0,75</p><p>0,33 0,71</p><p>0,06</p><p>15,41 m²</p><p>2,67 m² 0,525 m²</p><p>0,375 m²</p><p>5,98 m²</p><p>0,24 m² Ø</p><p>0,078 m²</p><p>300,8 kJ/m²K441,2 kJ/m²K</p><p>300,8 kJ/m²K 314,1 kJ/m²K</p><p>2,4 W/m²K3,25 W/m²K</p><p>2,4 W/m²K 2,5 W/m²K</p><p>0,12</p><p>0,40 0,11 0,52 0,01</p><p>0,37</p><p>142 143A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>FACHADA 1 FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>2</p><p>NO SO</p><p>7,25 m² 8,30 m²</p><p>0,61 0,70</p><p>3,15 m² Ø</p><p>1,70 m² Ø</p><p>305,9 kJ/m²K300,8 kJ/m²K</p><p>2,44 W/m²K2,4 W/m²K</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE</p><p>DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>11,78 m²</p><p>29,47 m³</p><p>0,43 Ø</p><p>0,14</p><p>0,26</p><p>2,50 m</p><p>144 145A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>FACHADA 1 FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>2</p><p>NO NE</p><p>7,25 m² 10,30 m²</p><p>0,58 0,82</p><p>3,15 m² Ø</p><p>1,70 m² Ø</p><p>305,9 kJ/m²K300,8 kJ/m²K</p><p>2,44 W/m²K2,40 W/m²K</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>12,52 m²</p><p>0,13</p><p>0,25</p><p>31,31 m³2,50 m</p><p>Ø0,43</p><p>146 147A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>FACHADA 1 FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>2</p><p>NE SE</p><p>7,20 m² 11,54 m²</p><p>0,52 0,84</p><p>2,20 m² 0,73 m²</p><p>0,44 m² Ø</p><p>300,8 kJ/m²K305,9 kJ/m²K</p><p>2,40 W/m²K2,44 W/m²K</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>13,68 m²</p><p>0,03</p><p>33,60 m²Variável (2,38 ou 2,50 m)</p><p>0,060,30</p><p>0,21</p><p>148 149A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>150 151A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>RESIDÊNCIA HÉLIO OLGA</p><p>LOCALIZAÇÃO Rua Pio IX, 435 - Jardim Vitória Régia - São Paulo, SP</p><p>PROJETO 1987 CONSTRUÇÃO 1987 - 1990</p><p>Entorno imediato</p><p>Vista nordeste. Foto: Nelson Kon.</p><p>Vista sudoeste. Foto: Jorge Hirata.</p><p>Implantação 0 5025 100</p><p>R.</p><p>P</p><p>ro</p><p>f.</p><p>Be</p><p>ne</p><p>di</p><p>to</p><p>M</p><p>on</p><p>te</p><p>ne</p><p>gr</p><p>o</p><p>R.</p><p>P</p><p>ro</p><p>f.</p><p>Be</p><p>ne</p><p>di</p><p>to</p><p>M</p><p>on</p><p>te</p><p>ne</p><p>gr</p><p>o</p><p>R. Pio V</p><p>R. Pio VR.</p><p>O</p><p>ag</p><p>y</p><p>Ka</p><p>lil</p><p>e</p><p>R.</p><p>O</p><p>ag</p><p>y</p><p>Ka</p><p>lil</p><p>e</p><p>R. Pio IV</p><p>R. Pio IV</p><p>R. Pio II</p><p>R. Pio II</p><p>R.</p><p>P</p><p>io</p><p>IX</p><p>R.</p><p>P</p><p>io</p><p>IX</p><p>EQUIPE Arq. Marcos Acayaba</p><p>Arq. Mauro Halluli</p><p>Estagiários: Edilson Hiroyama e Tânia Shirakawa</p><p>COLABORAÇÃO Fundações: Zaclis Salvoni Engenheiros</p><p>Cálculo estrutural: Zaclis Salvoni Engenheiros e Eng. Hélio Olga</p><p>Instalações: Eng. Hélio Olga</p><p>Construção: Eng. Hélio Olga</p><p>PROGRAMA Sala de estar Dormitórios (3) Lavanderia</p><p>Sala de jantar Sanitários (3) Garagem</p><p>Lavabo Cozinha Oficina</p><p>Dependência de hóspedes Salão de jogos</p><p>ÁREAS Área do Terreno: 900 m²</p><p>Área Ocupada: 171,94 m² (19,10%)</p><p>Área Construída: 220,25 m²</p><p>Área Útil: 200,50 m²</p><p>MATERIAIS α (W/m°C) d (kg/m³)</p><p>Estrutura: Madeira Angelim 0,23 710</p><p>Cobertura: Telhas trapezoidais de alumínio 230 2.700</p><p>Laje: Concreto (piso da garagem) 1,91 2.400</p><p>Divisórias Painel Wall 2,54 800</p><p>Escada: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Caixilhos: Madeira 0,23 710</p><p>Acabamentos: Pintura acrílica Desconsiderado</p><p>Piso interno: Assoalho de madeira 0,23 710</p><p>FOTOS DA OBRA</p><p>Foto: Sebastian Crespo.Foto: Sebastian Crespo.</p><p>Foto: Nelson Kon.Foto: Acervo Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Alan Weintraub.</p><p>Foto: Acervo Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Acervo Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Alan Weintraub.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Alan Weintraub.</p><p>Foto: Cristiano Mascaro.</p><p>Foto: Sebastian Crespo.</p><p>152 153A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>“Uma casa de vanguarda é uma casa que não</p><p>termina em si mesma, ela está sempre propondo</p><p>uma evolução... uma transformação daquilo que</p><p>se fazia antes para uma nova coisa. Então, existe</p><p>invenção também nestas casas. Em 1975, eu vim</p><p>morar nessa casa [Casa Milan] e ao mesmo tempo,</p><p>como arquiteta... eu já estava na área de História</p><p>da Arquitetura... eu comecei uma pesquisa e, como</p><p>historiadora, eu achei que estava descobrindo qual</p><p>era o jeito paulistano de viver dentro de uma casa</p><p>de vanguarda. Essa arquitetura de São Paulo era</p><p>uma arquitetura feita em um único volume, era,</p><p>na maior parte, todas de concreto... um concreto</p><p>artesanal, muito bem feito, que tinha o anseio de</p><p>ser industrializado. Mas a indústria paulista não</p><p>tinha as condições para isso. Ao mesmo tempo,</p><p>no nosso escritório – o Marcos e eu tínhamos um</p><p>escritório, onde ele sempre foi o autor, eu trabalhei</p><p>sempre na área de história –, eu vejo aparecer, pela</p><p>primeira vez, uma casa... que ele estava fazendo a</p><p>maquete... que é de madeira industrializada. E essa</p><p>casa não colocava as mesmas questões do que eu</p><p>estudei. Não. Pelo contrário. É uma casa implantada</p><p>em uma declividade de 100%. É a primeira vez que</p><p>alguém se lança a trabalhar uma encosta. Então, já é</p><p>uma ideia que mostra uma invenção que, até então,</p><p>não aparecia na arquitetura ‘normal’” (ARQUITETOS</p><p>BRASILEIROS, 2015).</p><p>Depoimento de Marlene Milan</p><p>Acayaba para o primeiro episódio</p><p>– “Marcos Acayaba” – da série</p><p>Arquitetos Brasileiros, de 2015,</p><p>produzida por Clarissa Arantes.</p><p>Durante a segunda metade da década de 80, Acayaba teve a</p><p>oportunidade de desenvolver o projeto da Residência Oscar</p><p>Teiman, no Sítio São Pedro (Figuras 02.33 e 02.34). Essa foi a</p><p>primeira de uma série de casas de praia que viria a conceber e,</p><p>com ela, surgiram desafios relacionados a questões ecológicas,</p><p>à preservação da natureza e à dificuldade de mão de obra. Para</p><p>solucionar seu desenho, o arquiteto opta pela utilização de</p><p>elementos de madeira industrializados e, para auxiliá-lo nessa</p><p>empreitada, contacta o engenheiro Hélio Olga, que havia fundado</p><p>em 1980, junto de seu pai, a Ita Construtora, empresa especializada</p><p>em projetos e em fabricação de estruturas de madeira, único</p><p>material construtivo renovável. Segundo o arquiteto[12] (MARCOS</p><p>ACAYABA, 2016b), dessa parceria promissora resultaram diversos</p><p>projetos, entre eles a casa aqui apresentada.</p><p>[12] Palestra ministrada por Marcos Acayaba na Escola da Cidade, São</p><p>Paulo, em 31 de maio de 2016.</p><p>A residência está situada no Jardim Vitória Régia, entre a Ponte do</p><p>Morumbi e o Parque Burle Marx, e é fruto do desafio de se projetar</p><p>em um terreno de 900 m² com 100% de declividade, que traria</p><p>sérios riscos de erosão quando da instalação de um canteiro de</p><p>obras tradicional. Além disso, era preciso considerar que o lado</p><p>de maior dimensão do lote está voltado a Sudeste, orientação</p><p>desfavorável para o clima de São Paulo já que, durante o verão,</p><p>recebe alta incidência solar até o período vespertino e pouca</p><p>incidência nos meses mais frios.</p><p>Após tentativas frustrantes de construir no local, o antigo</p><p>proprietário do terreno o vendeu para Olga por apenas 10 mil</p><p>dólares[13], o que era uma verdadeira pechincha dadas suas</p><p>dimensões e localização. O engenheiro, sabendo que detinha os</p><p>conhecimentos necessários acerca da tecnologia mais indicada</p><p>para aquela situação, decide por desenvolver ele mesmo o</p><p>projeto para o que viria a ser sua nova casa.</p><p>Durante a obra da Residência Teiman, Hélio, que na época já</p><p>morava em</p><p>uma casa no Morumbi de estrutura de madeira pré-</p><p>elaborada, projeto do arquiteto Zanine Caldas[14], mostrou à</p><p>Acayaba o desenho que estava concebendo e pediu sua opinião</p><p>quanto a alguns pontos frágeis por ele levantados durante</p><p>o processo conceptivo, na tentativa de saná-los. Durante os</p><p>apontamentos do arquiteto – que notara problemas sérios com a</p><p>proposta de implantação que seguia as curvas de nível, paralela</p><p>à via –, Olga o questionou sobre a possibilidade de ele fazer um</p><p>anteprojeto para a casa, caso o engenheiro assumisse a aprovação</p><p>na prefeitura e, posteriormente, recebesse as devidas orientações</p><p>para o desenvolvimento do projeto executivo. Acayaba aceita o</p><p>convite e o projeto é, então, desenvolvido a quatro mãos.</p><p>[13] O valor era suficiente para quitar os gastos do antigo dono com a</p><p>construção de um muro de arrimo na sua porção mais baixa.</p><p>[14] Apesar da obra de Zanine Caldas não ser uma referência direta apontada</p><p>por Acayaba para o projeto da Casa Hélio Olga, vale a leitura da</p><p>dissertação de mestrado (2018) de Amanda Beatriz Palma de Carvalho,</p><p>intitulada “Projetar e construir com madeira: o legado de José Zanine</p><p>Caldas”, realizada na Área de Concentração de Design e Arquitetura do</p><p>Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAUUSP,</p><p>sob orientação da Profª. Drª. Maria Cecília Loschiavo dos Santos.</p><p>Residência Oscar</p><p>Teiman (1986), Arq.</p><p>Marcos Acayaba.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Figuras 02.33 e 02.34</p><p>154 155A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>A nova implantação proposta pelo arquiteto é radicalmente</p><p>oposta à sugerida por Olga: perpendicular à via e valorizando,</p><p>com isso, a orientação Nordeste nos espaços sociais e de dormir.</p><p>Além disso, a maneira como é implantada tem diálogo com a</p><p>Smith House (1955/58), projetada por Craig Ellwood, arquiteto</p><p>miesiano pelo qual Acayaba tinha apreço desde seus anos como</p><p>aluno na FAU (Figura 02.35).</p><p>Na residência localizada em Los Angeles, Ellwood organiza</p><p>o programa de necessidades em dois grandes volumes</p><p>perpendiculares, que resultam em um formato de T (Figura 02.36).</p><p>As funcionalidades da casa são, dessa forma, resolvidas em um</p><p>único andar, ligeiramente abaixo da cota de acesso e suportado</p><p>por uma estrutura metálica delgada, apoiada em sapatas nos</p><p>pontos em que tocam o terreno. Essa maneira de implantar o</p><p>projeto no lote, além de dispensar grandes movimentos de terra,</p><p>configura uma volumetria inesperada para quem vê a casa a partir</p><p>da via, já que se perde a dimensão da declividade do terreno uma</p><p>vez que o referencial da visão se dá pelo andar “mais alto” (Figura</p><p>02.37). Essa mesma relação é tida na Casa Hélio Olga: quem está</p><p>na calçada, exterior aos limites da residência, acredita em se tratar</p><p>de um projeto térreo e nem imagina que a casa é organizada em</p><p>quatro pavimentos.</p><p>Outro projeto de Ellwood (não construído) que influenciou o</p><p>desenho da Casa Hélio Olga é a Weekend House (1964), cuja</p><p>espacialidade é alcançada segundo o volume definido por duas</p><p>treliças que também são a estrutura da habitação (Figura 02.38).</p><p>Como relatado por Acayaba (2004), Craig Ellwood</p><p>“levou às últimas consequências uma hipótese</p><p>projetual formulada por Mies van der Rohe, em</p><p>1934: a “Glass House on a Hill Side”, um croqui</p><p>famoso, frequentemente publicado. Lembro-me</p><p>do professor Abrahão Sanovicz mais de uma vez</p><p>dizer [...] que o Mies abriu um campo enorme para</p><p>arquitetura, quando pensou uma casa assim, solta</p><p>do terreno e caracterizada pela estrutura que o</p><p>permitia” (ACAYABA, 2004).</p><p>Assim, inspirado pela simplicidade, proporção, leveza,</p><p>transparência e continuidade espacial da arquitetura japonesa,</p><p>pela qual tinha grande interesse, e seguindo a hipótese projetual</p><p>de Mies para a Glass House (Figura 02.39), Acayaba previu uma</p><p>estrutura independente em madeira, que se apoia no terreno em</p><p>apenas seis pontos, tal qual a solução da Smith House de Ellwood.</p><p>“Inconscientemente eu tinha o 14-Bis na cabeça enquanto eu</p><p>estava trabalhando... quando eu cheguei nesse desenho eu falei</p><p>assim: ‘Puxa vida, mas isto aqui poderia ser uma homenagem ao</p><p>Santos Dumont!’”, relata Acayaba no episódio inaugural da série</p><p>Arquitetos Brasileiros, que aborda sua obra (2015).</p><p>Morettin (2020) relaciona ainda as obras em madeiras às</p><p>arquiteturas vernaculares das palafitas, estruturas dissociadas</p><p>do solo com o auxílio de pilares, colunas ou estacas, comumente</p><p>encontradas em áreas próximas a corpos d’água que sofrem com</p><p>frequentes alagamentos:</p><p>(Acima, à esquerda)</p><p>Vista lateral da Smith</p><p>House (1955/58), Arq.</p><p>Craig Ellwood.</p><p>(Abaixo)</p><p>Fachada principal da</p><p>Smith House (1955/58),</p><p>Arq. Craig Ellwood.</p><p>Croqui da Weekend</p><p>House (1964), Arq.</p><p>Craig Ellwood.</p><p>Croqui de Ludwig Mies</p><p>van der Rohe para a</p><p>Glass House on a Hill</p><p>Side (1934).</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Vista interna,</p><p>evidenciando a</p><p>volumetria em T da</p><p>Smith House (1955/58),</p><p>Arq. Craig Ellwood.</p><p>Foto: Marvin Rand.</p><p>Foto: David Archer.</p><p>Croqui: Gerald Horn.</p><p>Fonte: Artists Rights Society</p><p>(ARS), New York / VG Bild-</p><p>Kunst, Bonn.</p><p>Foto: David Archer.</p><p>Figura 02.35</p><p>Figura 02.37</p><p>Figura 02.38</p><p>Figura 02.39</p><p>Figura 02.36</p><p>156 157A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>“O paralelo com as obras em estrutura de madeira</p><p>de Acayaba é claro, principalmente por sua</p><p>preocupação de preservar os ecossistemas mais</p><p>frágeis do litoral paulista. Como vimos, assim</p><p>como as palafitas, essas obras são implantadas no</p><p>terreno praticamente sem alterá-lo, preservando ao</p><p>máximo seu perfil natural e demais características</p><p>ambientais. Na sua tese de doutorado, há uma</p><p>imagem emblemática de uma palafita, na abertura</p><p>do memorial da Residência Baeta. Não há maiores</p><p>explicações ou desenvolvimentos em relação ao</p><p>tema, mas a imagem é suficiente para revelar que</p><p>Acayaba estava ciente e atento a essas estruturas”</p><p>(MORETTIN, 2020).</p><p>Enquanto desenvolvia o projeto, Olga solicitou a Acayaba</p><p>que fossem estipulados módulos compatíveis aos painéis de</p><p>fechamento de 1,10 m[15] que, na época, eram ensaiados em</p><p>sua fábrica e, com isso, o arquiteto definiu um sistema modular</p><p>cúbico de 3,30 m. O arquiteto relata[16] que o módulo assumido</p><p>é responsável por definir um espaço entre colunas com cerca de</p><p>10 m², uma metragem condizente com as funcionalidades de</p><p>um quarto, espaço que mais se repete na tipologia residencial.</p><p>Além disso, descontando a altura das estruturas e um espaço</p><p>destinado às instalações, ainda é possível atingir um pé-direito</p><p>confortável com a altura de 3,30 m.</p><p>Desse modo, partindo da definição desse cubo, o arquiteto testou</p><p>diversos arranjos que contemplassem as demandas de projeto e</p><p>que se ajustassem à declividade do terreno. A disposição final que</p><p>melhor se adequou ao programa estipulado foi a da volumetria</p><p>inversamente escalonada, simétrica e em equilíbrio, composta</p><p>por dez módulos, organizados aos pares em quatro pavimentos:</p><p>• Quarto pavimento (pavimento de entrada): dez módulos;</p><p>• Terceiro pavimento: seis módulos;</p><p>• Segundo pavimento: dois módulos; e</p><p>• Primeiro pavimento (cota mais baixa): dois módulos.</p><p>O acesso principal à residência é feito pela cota mais elevada,</p><p>junto à via, por intermédio de pequeno hall. Logo na entrada está</p><p>localizado um lavabo com pia externa e um espaço reservado</p><p>com uma ducha que dá apoio à área externa da piscina. O hall de</p><p>entrada é delimitado pela existência de um elemento fixo vazado</p><p>de madeira capaz de filtrar a luz natural que banha o andar. A sala</p><p>de estar é integrada com a sala de jantar e tem acesso direto à</p><p>[15] “Seguindo a medida base de 1,10 m, pode-se trabalhar na composição</p><p>de módulos maiores, como no caso do escritório, que Hélio construiu</p><p>posteriormente ao lado de sua casa, seguindo [a] modulação de 5,50 m</p><p>x 5,50 m x 3,30 m” (NAKANISHI, 2007).</p><p>[16] Palestra ministrada por Marcos Acayaba na Escola da Cidade, São</p><p>Paulo, em 31 de maio de 2016.</p><p>cozinha, que também faz conexão com o</p><p>ambiente por intermédio</p><p>de um passa-prato de fechamento móvel, ora associando os</p><p>ambientes, ora separando-os. É interessante destacar a presença</p><p>central de uma lareira na área de convívio, em torno da qual se</p><p>organizam as funções do ambiente. Consta também nesse andar</p><p>de uma lavanderia com acesso independente e conexão com a</p><p>cozinha.</p><p>Ao descer um lance de escadas, chega-se ao andar de dormitórios</p><p>da família, o qual é composto por uma suíte, dois dormitórios e um</p><p>banheiro. É interessante notar que, à similaridade da Residência</p><p>Marlene Milan, os lavatórios dos banheiros ficam abertos,</p><p>enquanto o vaso sanitário e o chuveiro, reservados. Vale pontuar</p><p>também que todos os espaços são aproveitados, proporcionando</p><p>uma grande quantidade de áreas de armazenamento.</p><p>No pavimento imediatamente a baixo, está localizado um</p><p>dormitório de visitas com banheiro e no andar mais inferior há</p><p>um espaço multifuncional que, por muito tempo, foi utilizado</p><p>pelos filhos do engenheiro como um salão de jogos. Esse foi</p><p>o único espaço proposto pelo arquiteto que não constava</p><p>no programa de necessidades definido por Olga. Além disso,</p><p>também consta em projeto uma pequena oficina localizada junto</p><p>à casa de máquinas da piscina cujo acesso se dá por uma escada</p><p>independente junto à garagem.</p><p>Segundo Morettin (2020),</p><p>“A espacialidade da casa é dada, primordialmente,</p><p>por sua tectônica, ou seja, pela expressão material</p><p>e construtiva do sistema modular em estruturas</p><p>de madeira e dos componentes pré-fabricados</p><p>adotados na obra” (MORETTIN, 2020).</p><p>Definidas a organização espacial da residência, a técnica</p><p>construtiva e a modularidade da estrutura,</p><p>“[...] para que fosse possível pensar melhor o</p><p>trabalho da estrutura, foi necessário um modelo</p><p>da mesma. O próprio Hélio o fez. Passamos</p><p>vários meses discutindo, em cima do modelo e</p><p>de desenhos, hipóteses de solução para os nós,</p><p>para a composição dos tramos das treliças, para o</p><p>contraventamento etc.” (ACAYABA, 2004).</p><p>Com o projeto completamente definido, os desenhos executivos</p><p>e a sua fabricação ficaram por conta de Olga. Como relatado por</p><p>Nakanishi (2007),</p><p>“De acordo com Hélio Olga (SOUZA JR., 2007a), os</p><p>encaixes e dimensionamentos finais da estrutura</p><p>ficaram a cargo dele, mas todo o arranjo estrutural e o</p><p>pré-dimensionamento foram definidos por Acayaba</p><p>já nos primeiros desenhos” (NAKANISHI, 2007).</p><p>158 159A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Para acelerar o processo de montagem e, com isso, minimizar</p><p>o canteiro de obras, os componentes deviam ser leves e de</p><p>tamanho condizente ao seu transporte/erguimento manual,</p><p>dispensando a necessidade de maquinários pesados na obra.</p><p>As peças, então, eram cortadas e preparadas na serralheria antes</p><p>de ir ao destino final. As ferragens de conexão, inclusive, já eram</p><p>fixadas às peças a fim de tornar o processo de montagem o mais</p><p>eficiente possível. No caso da Residência Olga, a montagem final</p><p>em canteiro foi realizada por uma equipe reduzida em 45 dias. As</p><p>etapas de montagem da residência (Figura 02.40), grosso modo,</p><p>foram as seguintes:</p><p>[Etapa 01] Concretagem da laje da garagem e da área</p><p>de piscina, onde a estrutura se ancora sem</p><p>descarregar esforços verticais, e dos elementos</p><p>de fundação, seis tubulões de 70 cm de</p><p>diâmetro, que receberam todas as cargas da</p><p>estrutura de madeira;</p><p>[Etapa 02] Montagem e travamento em X dos quatro</p><p>módulos cúbicos inferiores e do segundo</p><p>pavimento;</p><p>[Etapa 03] Montagem e travamento em X dos módulos</p><p>cúbicos centrais do terceiro pavimento e</p><p>posicionamento e atirantamento diagonal das</p><p>vigas inferiores dos quatro módulos cúbicos em</p><p>balanço do terceiro piso (dois de cada lado);</p><p>[Etapa 04] Posicionamento dos pilares e posteriores</p><p>fechamento dos módulos em balanço do</p><p>terceiro piso;</p><p>[Etapa 05] Montagem e travamento em X dos módulos</p><p>cúbicos centrais do quarto pavimento (de</p><p>acesso) e posicionamento e atirantamento</p><p>diagonal das vigas inferiores dos quatro</p><p>módulos cúbicos em balanço do quarto piso</p><p>(dois de cada lado);</p><p>[Etapa 06] Posicionamento dos pilares e posteriores</p><p>fechamento dos módulos em balanço do</p><p>quarto piso;</p><p>[Etapa 07] Instalação da cobertura em chapas trapezoidais</p><p>de alumínio;</p><p>[Etapa 08] Instalação dos pisos em assoalho de madeira</p><p>sucupira;</p><p>[Etapa 09] Instalação das vedações opacas; e</p><p>[Etapa 10] Instalação das caixilharias.</p><p>O Angelim Vermelho, também conhecido por Angelim-Ferro,</p><p>foi a madeira utilizada na estrutura. Apesar de ser considerada</p><p>de difícil trabalhabilidade, é uma madeira muito pesada e de</p><p>altas resistências mecânica e ao ataque de organismo xilófagos</p><p>(fungos e insetos), garantindo, portanto, alta durabilidade ao</p><p>material (SAMISE FLORESTAL, 2020). Em entrevista ao programa</p><p>Construir bem: engenharia e arquitetura na TV, Hélio Olga relata</p><p>quanto à construção em madeira:</p><p>“O mais importante... que é a questão que todo</p><p>mundo se preocupa... é a questão da durabilidade.</p><p>Então, todos os nossos projetos procuram manter</p><p>a madeira afastada da água. Como é que você faz</p><p>ETAPA 01 ETAPA 03</p><p>ETAPA 05</p><p>ETAPA 07</p><p>ETAPA 09</p><p>ETAPA 02</p><p>ETAPA 04 ETAPA 06</p><p>ETAPA 08</p><p>ETAPA 10ESTRUTURA FINALIZADA</p><p>Processo de</p><p>montagem da</p><p>Residência Hélio Olga.</p><p>Fotos: Marcos Acayaba,</p><p>Hélio Olga e Jorge Hirata.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Figura 02.40</p><p>160 161A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>isso? Beirais grandes e a conexão da fundação com</p><p>a estrutura é sempre uma transição metálica ou em</p><p>concreto ou em aço [...]. A durabilidade é garantida</p><p>pelo projeto. E sempre é isso: elevar a construção do</p><p>chão, isolar da umidade o pé e ter um beiral grande”</p><p>(CONSTRUIR BEM, 2007).</p><p>Os contraventamentos (Figura 02.41) são feitos por intermédio</p><p>de vergalhões fixados por tarugos[17] rosqueados à estrutura</p><p>de madeira (Figura 02.42). Esses travamentos são feitos</p><p>longitudinalmente e transversalmente à estrutura, de maneira</p><p>a garantir maior estabilidade e rigidez, impedindo deformações</p><p>ocasionadas pela ação dos ventos[18]. Além disso, o piso</p><p>“[...] funciona também como travamento horizontal</p><p>da estrutura, transferindo as cargas dos pisos</p><p>superiores para as vigas secundárias, evitando</p><p>deformações de torção no conjunto, associado a</p><p>vergalhões de aço tracionados” (NAKANISHI, 2007).</p><p>Para minimizar o peso total da estrutura, utilizaram-se vedações</p><p>e coberturas de sistemas leves. Durante o desenvolvimento do</p><p>projeto, Olga desiste da ideia de usar os painéis de madeira que</p><p>estava ensaiando e estes dão lugar ao Painel Wall, elemento</p><p>construtivo</p><p>[17] Tanto os vergalhões, quanto os tarugos são de aço galvanizado.</p><p>[18] Na realidade, o arquiteto (MARCOS ACAYABA, 2016b) salienta que esta é</p><p>uma estrutura mista, em que a madeira resiste bem à flexo-compressão</p><p>e os tarugos metálicos trabalham a tração e a torção. Caso a estrutura</p><p>fosse inteiramente de madeira, os nós precisariam ser mais espessos e</p><p>os componentes assumiriam um formato semelhante ao de ossos, como</p><p>é o caso do Edifício Comercial Tamedia, em Zurique, projeto desenvolvido</p><p>por Shigeru Ban, ganhador do Prêmio Pritzker de 2014. Para a escala da</p><p>Residência Hélio Olga, isso iria comprometer a leveza almejada pelo</p><p>projeto.</p><p>“composto por miolo de madeira laminada ou</p><p>sarrafeada e contraplacado em ambas as faces por</p><p>lâminas de madeira e externamente por chapas</p><p>cimentícias em CRFS (Cimento Reforçado com Fio</p><p>Sintético) prensadas” (ETERNIT, 2022).</p><p>Na época, o painel apresentava dimensões de 1,20 x 2,50 m e,</p><p>para compatibilizá-lo com o projeto, era preciso fazer apenas um</p><p>corte, resultando em placas de 1,10 m de largura. O pé-direito</p><p>então foi ajustado para a altura do painel, restando cerca de 70 cm</p><p>livres entre forro e piso, destinados às instalações da residência.</p><p>O fechamento desses espaços é feito por meio de venezianas que</p><p>o mantêm naturalmente ventilado.</p><p>Acayaba[19] (MARCOS ACAYABA, 2016b) conta que foi orientado por</p><p>Paulo Mendes da Rocha a prever</p><p>aberturas no chão dos módulos</p><p>de maneira a se beneficiar da ventilação local, estratégia próxima</p><p>a aplicada por Mendes da Rocha no projeto da Residência Mário</p><p>Masetti de 1968 (Figura 02.43). Acayaba então dispôs de forma</p><p>estratégica aletas móveis nos pisos, propiciando o movimento</p><p>convectivo de ar no ambiente (Figura 02.44). De fato, a ventilação</p><p>tem papel de destaque no condicionamento natural dos</p><p>ambientes da casa, que, em sua maioria, apresentam caixilharias</p><p>que permitem tanto o efeito chaminé, quanto a ventilação</p><p>cruzada.</p><p>O sombreamento do andar social se dá pela presença de um beiral</p><p>junto à cobertura com profundidade aproximada de 1,50 m. Além</p><p>desse elemento arquitetônico, os moradores instalaram persianas</p><p>internas do tipo rolô, responsáveis por barrar parcialmente o</p><p>acesso direto da iluminação natural, sem impedir, contudo, os</p><p>ganhos térmicos advindos da radiação solar. O sombreamento</p><p>[19] Palestra ministrada por Marcos Acayaba na Escola da Cidade, São</p><p>Paulo, em 31 de maio de 2016.</p><p>Detalhe dos</p><p>contraventamentos da</p><p>Residência Hélio Olga.</p><p>Detalhe do encontro</p><p>entre estrutura</p><p>e fundação da</p><p>Residência Hélio Olga.</p><p>Residência Mário</p><p>Masetti (1968), Arq.</p><p>Paulo Mendes da</p><p>Rocha.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Leonardo Finotti.</p><p>Figura 02.41</p><p>Figura 02.42</p><p>Figura 02.43</p><p>162 163A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>dos demais andares é feito por persianas móveis de madeira,</p><p>acopladas à caixilharia, e também pela presença abundante de</p><p>árvores no terreno, cujas copas atingem altura aproximada a dos</p><p>andares de dormitórios.</p><p>A residência é a obra de maior destaque de Acayaba, com o maior</p><p>número de publicações, além de ter conquistado prêmios como</p><p>na Premiação Nacional de Arquitetura realizada em comemoração</p><p>aos 70 anos do IAB, na Categoria I - Espaço da Moradia, em 1991.</p><p>Segundo a ata da premiação, o júri considerou:</p><p>“Trabalho polêmico, parte do júri o considera dentro</p><p>dos limites da construção préfabricada, adaptando-</p><p>se às condições do terreno de grande declividade,</p><p>e explorando com interesse às potencialidades do</p><p>sistema adotado. Parte o vê como obra de qualidades</p><p>radicais, de construção rigorosa, na medida</p><p>exigida pelo progresso, realizado com criatividade,</p><p>habilidade e segurança” (OS VENCEDORES, 1991</p><p>apud ACAYABA, 2004).</p><p>Detalhe das aletas</p><p>móveis no piso da</p><p>Residência Hélio Olga.</p><p>Foto: O autor.</p><p>Figura 02.44</p><p>(Página seguinte)</p><p>Residência Hélio Olga</p><p>(1987), Arq. Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 02.45</p><p>164 165A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>SISTEMA DE RUAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>RUAS</p><p>CALÇADAS</p><p>COMPOSIÇÃO ESPACIAL</p><p>CÂNION URBANO</p><p>ESTACIONAMENTO</p><p>TRANSPORTE PÚBLICO</p><p>CICLOFAIXAS E CICLOVIAS</p><p>FLUXO E NÚMERO DE FAIXAS</p><p>CLASSIFICAÇÃO ACESSIBILIDADE</p><p>CAMINHABILIDADE</p><p>NÃO HÁ</p><p>AUSENTE</p><p>COMPROMETIDA</p><p>MÉDIA</p><p>ACESSÍVEL</p><p>ALTA</p><p>CL</p><p>AS</p><p>SI</p><p>FI</p><p>CA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>V</p><p>IÁ</p><p>RI</p><p>A</p><p>LOCAL RODOVIAS</p><p>COLETORA VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO - VTR</p><p>ARTERIAL VIAS DE PEDESTRES</p><p>M</p><p>AP</p><p>A</p><p>H</p><p>IP</p><p>SO</p><p>M</p><p>ÉT</p><p>RI</p><p>CO</p><p>VE</p><p>RÃ</p><p>O</p><p>IN</p><p>VE</p><p>RN</p><p>O</p><p>DE</p><p>CL</p><p>IV</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>TOPOGRAFIA</p><p>ELEMENTOS AMBIENTAIS</p><p>ZONEAMENTO BIOCLIMÁTICO</p><p>CORPOS D'ÁGUA</p><p>ESPAÇOS LIVRES</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>SOMBREAMENTO</p><p>M</p><p>AS</p><p>SA</p><p>A</p><p>RB</p><p>Ó</p><p>RE</p><p>A</p><p>0 ≥ 13119753 121086421</p><p>700 75%730 760710 740 770 790720 750 780 800</p><p>CONTEXTO NATURAL</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>VEGETAÇÃO HERBÁCEO-ARBUSTIVA</p><p>BAIXA COBERTURA ARBÓREA, ARBÓREA-ARBUSTIVA</p><p>E/OU ARBORESCENTE</p><p>MÉDIA A ALTA COBERTURA ARBÓREA, ARBÓREA-</p><p>ARBUSTIVA E/OU ARBORESCENTE</p><p>750</p><p>745</p><p>740</p><p>740</p><p>735</p><p>735</p><p>730</p><p>730</p><p>730</p><p>730</p><p>755</p><p>760</p><p>770</p><p>750</p><p>745</p><p>755</p><p>760</p><p>765</p><p>770</p><p>775</p><p>775</p><p>780</p><p>780</p><p>785</p><p>785</p><p>750</p><p>745</p><p>740</p><p>740</p><p>735</p><p>735</p><p>730</p><p>730</p><p>730</p><p>730</p><p>755</p><p>760</p><p>770</p><p>750</p><p>745</p><p>755</p><p>760</p><p>765</p><p>770</p><p>775</p><p>775</p><p>780</p><p>780</p><p>785</p><p>785</p><p>Devido à declividae, não há barreiras que</p><p>bloqueiem os ventos de atingirem a casa.</p><p>Além disso, sua implantação é favorável à</p><p>predominância dos fluxos de ar de SP (SE).</p><p>A casa apresenta amplos vãos de aberturas</p><p>e dispositivos estratégicos para a ventilação</p><p>natural, aproveitando ao máximo tal estratégia.</p><p>166 167A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>SISTEMA DE EDIFÍCIOS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>ZONA CLIMÁTICA LOCAL (ZCL)</p><p>DISPERSÃO</p><p>POROSIDADE ALBEDO</p><p>USO E OCUPAÇÃO</p><p>ESPECULARIDADEÂNGULO DE INCIDÊNCIA SOLAR</p><p>RUGOSIDADE</p><p>BAIXA BAIXO</p><p>RESIDENCIALRESIDENCIALRESIDENCIAL</p><p>COMERCIALCOMERCIALCOMERCIAL</p><p>EQUIPAMENTOSEQUIPAMENTOSEQUIPAMENTOS</p><p>LAZERLAZERLAZER</p><p>BAIXA0°</p><p>MÉDIA MÉDIO</p><p>MÉDIA60°30°</p><p>ALTA ALTO</p><p>ALTA90°</p><p>ÁREA CONSTRUÍDA/OCUPADA</p><p>ÁREA SEM OCUPAÇÃO</p><p>SISTEMA DE PARCELAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>QUADRAS</p><p>LOTES</p><p>DESENHO DAS QUADRAS</p><p>ORGANIZAÇÃO DOS LOTES</p><p>ORIENTAÇÃO</p><p>ORIENTAÇÃO</p><p>ÁREA PERMEÁVEL</p><p>DIMENSÃO</p><p>DIMENSÃO</p><p>TAXA DE OCUPAÇÃO</p><p>MÍNIMO</p><p>PEQUENA</p><p>BAIXA</p><p>BAIXA</p><p>MÉDIO</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIA</p><p>GRANDE</p><p>MÁXIMA</p><p>ALTA</p><p>ALTA</p><p>168 169A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>PERÍMETRO</p><p>ESBELTEZGABARITO</p><p>POROSIDADECOMPACIDADE</p><p>BAIXA</p><p>BAIXABAIXA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIAMÉDIA</p><p>ALTA</p><p>ALTAALTA</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>GEOMETRIA</p><p>170 171A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>ACESSOS CIRCULAÇÃO</p><p>SETORIZAÇÃO</p><p>DISPOSIÇÃO NO LOTE ASSENTAMENTO DO EDIFÍCIO</p><p>HORIZONTALEM PLANTA</p><p>VERTICAL</p><p>ÁREA DE SERVIÇOÁREA PRIVATIVAÁREA SOCIAL</p><p>EM CORTE</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>MASSA</p><p>172 173A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>RELAÇÃO PLANTA-CORTE</p><p>SIMETRIA EQUILÍBRIO</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>GRAU DE COMPARTIMENTAÇÃO</p><p>HIERARQUIA</p><p>POUCO COMPARTIMENTADO</p><p>TERCEIRO LUGAR</p><p>MUITO COMPARTIMENTADO</p><p>PRIMEIRO LUGAR</p><p>COMPARTIMENTADO</p><p>SEGUNDO LUGAR</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>EIXO DE</p><p>SIMETRIA</p><p>EIXO DE</p><p>EQUILÍBRIO</p><p>174 175A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>ENVOLTÓRIA E MATERIAIS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>VARIABILIDADE</p><p>PROTEÇÃO</p><p>PROTEÇÃO</p><p>ROBUSTEZ</p><p>ISOLAMENTO/ROBUSTEZ</p><p>ISOLAMENTO</p><p>TRANSPARÊNCIA</p><p>TRANSPAR./PERFURAÇÃO</p><p>PERFURAÇÃO</p><p>PERFURAÇÃO</p><p>TEXTURA</p><p>COR</p><p>TRATAMENTO DAS FACHADAS</p><p>PROTEÇÃO SOLAR</p><p>SOMBREAMENTO ACÚSTICO</p><p>INÉRCIA TÉRMICA</p><p>ISOLAMENTO ACÚSTICO</p><p>ISOLAMENTO TÉRMICO</p><p>ÁREAS ILUMINANTES</p><p>ABERTURAS ZENITAIS</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO</p><p>ABERTURAS PARA VENTILAÇÃO</p><p>RUGOSIDADE</p><p>ABSORTÂCIAS</p><p>BAIXA</p><p>BAIXABAIXA</p><p>BAIXO BAIXA</p><p>BAIXO BAIXA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIAMÉDIA</p><p>MÉDIO MÉDIA</p><p>MÉDIO MÉDIA</p><p>ALTA</p><p>ALTAALTA</p><p>ALTO ALTA</p><p>ALTO ALTA</p><p>PROJETO</p><p>ESTRATÉGIAS PASSIVAS</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>CAMPOS VISUAIS</p><p>176 177A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>ELEM. MODERNISTAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>VALORES MODERNISTAS PLANTA-LIVRE</p><p>TETO-JARDIM</p><p>FACHADA LIVRE</p><p>RITMO NA FACHADA</p><p>JANELA EM FITA</p><p>INTEG. COM PAISAGEM</p><p>FORMA GEOMÉTRICA</p><p>ELEM. DECORATVOS</p><p>PILOTIS (ELEMENTOS) PILOTIS (PERCEPÇÃO)</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>83,4 m²</p><p>215,18 m³2,58 m</p><p>178 179A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2 FACH. 3 FACH. 4</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>FACHADA 1</p><p>FACHADA 3 FACHADA 4</p><p>FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>4</p><p>NE</p><p>SE SO</p><p>NO</p><p>42,46 m²</p><p>16,92 m² 16,92 m²</p><p>8,41 m²</p><p>0,51</p><p>0,20 0,20</p><p>0,10</p><p>22,35 m²</p><p>8,94 m² 8,94 m²</p><p>6,53 m²</p><p>12,79 m²</p><p>5,11 m² 5,11 m²</p><p>3,90 m²</p><p>2,6 W/m²K 2,6 W/m²K</p><p>Ø40,46 kJ/m²K</p><p>40,46 kJ/m²K 40,46 kJ/m²K</p><p>Ø2,6 W/m²K</p><p>0,32</p><p>0,56</p><p>0,53 0,78 0,53 0,53</p><p>180 181A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>FACHADA 1</p><p>FACHADA 3</p><p>FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO:</p><p>ORIENTAÇÃO:</p><p>ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA:</p><p>ÁREA DE FACHADA:</p><p>ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U:</p><p>FATOR U:</p><p>FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES:</p><p>E. TRANSPARENTES:</p><p>E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>3</p><p>NE</p><p>SO</p><p>SE</p><p>8,41 m²</p><p>2,73 m²</p><p>8,41 m²</p><p>0,51</p><p>0,17</p><p>0,51</p><p>2,23 m²</p><p>0,97 m²</p><p>2,23 m²</p><p>2,56 m²</p><p>1,13 m²</p><p>2,56 m²</p><p>40,46 kJ/m²K40,46 kJ/m²K</p><p>40,46 kJ/m²K</p><p>2,6 W/m²K2,60 W/m²K</p><p>2,6 W/m²K</p><p>16.48 m²</p><p>42,53 m³2,58 m</p><p>182 183A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2 FACH. 3</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>0,38</p><p>0,33</p><p>0,27 0,27 0,36</p><p>184 185A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>FACHADA 1</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>1</p><p>NE</p><p>8,41 m²</p><p>0,84</p><p>2,23 m²</p><p>2,56 m²</p><p>40,46 kJ/m²K</p><p>2,60 W/m²K</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>0,25</p><p>0,25</p><p>0,27</p><p>10,06 m²</p><p>25,96 m³2,58 m</p><p>186 187A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>FACHADA 1 FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>2</p><p>NE NO</p><p>8,41 m² 8,41 m²</p><p>0,79 0,79</p><p>2,23 m² 2,23 m²</p><p>2,56 m² 2,56 m²</p><p>40,46 kJ/m²K40,46 kJ/m²K</p><p>2,60 W/m²K2,60 W/m²K</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>0,48</p><p>0,27</p><p>0,27 0,27</p><p>10,69 m²</p><p>27,58 m³2,58 m</p><p>188 189A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>190 191A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>CONJUNTO RESIDENCIAL VILA BUTANTÃ</p><p>LOCALIZAÇÃO Rua Afonso Vaz, 261 - Vila Pirajussara - São Paulo, SP</p><p>PROJETO 1998 CONSTRUÇÃO 2004</p><p>Entorno imediato</p><p>Vista do conjunto. Foto: Gal Oppido.</p><p>Acesso das residências. Foto: Gal Oppido.</p><p>Implantação 0 5025 100</p><p>R.</p><p>A</p><p>fo</p><p>ns</p><p>o</p><p>Va</p><p>z</p><p>R.</p><p>A</p><p>fo</p><p>ns</p><p>o</p><p>Va</p><p>z</p><p>Av. Caxingui</p><p>Av. Caxingui</p><p>R. Acangueruçu</p><p>R. Acangueruçu</p><p>R. Gaica</p><p>R. Gaica</p><p>R. Bijari</p><p>R. Bijari</p><p>EQUIPE Arq. Marcos Acayaba</p><p>Arq.ª Suely Mizobe</p><p>COLABORAÇÃO Fundações: Eng. Luis F. Meirelles Carvalho</p><p>Estrutura (laje): Eng. Hélio Olga, Prof. Dr. Pedro Almeida,</p><p>Prof. Dr. Péricles Fusco</p><p>Estrutura (Alv. armada): Eng. Luis F. Meirelles Carvalho</p><p>Instalações: Sandretec</p><p>Paisagismo: Arq. Benedito Abbud</p><p>Luminotécnica: Arq. Claudio Furtado</p><p>Construção: Ita Construtora</p><p>PROGRAMA 16 unidades habitacionais geminadas duas a duas + portaria</p><p>Sala de estar Lavabo Cozinha</p><p>Sala de jantar Dormitórios (4) Lavanderia</p><p>Depósito Sanitários (2) Garagem</p><p>Dependência de empregados (1 dormitório + 1 sanitário)</p><p>Programa de lazer (quadra gramada, piscina, salão de festas)</p><p>ÁREAS Área do Terreno: 4.439 m²</p><p>Área Ocupada: 1140 m² (25,7%)</p><p>Área Útil Casa Tipo: 173,69 m²</p><p>Área Privativa: 2.244 m²</p><p>MATERIAIS α (W/m°C) d (kg/m³)</p><p>Laje: Concreto armado 1,75 2.400</p><p>Nervura: Madeira 0,23 700</p><p>Alvenaria: Bloco de concreto 0,91 1.700</p><p>Escada: Madeira 0,23 700</p><p>Caixilhos: Madeira 0,23 700</p><p>Piso externo: Ardósia 2,10 2.700</p><p>Piso interno: Madeira 0,23 700</p><p>FOTOS DA OBRA</p><p>Foto: Gal Oppido.Foto: Gal Oppido.</p><p>Foto: Nelson Kon. Foto: Gal Oppido.</p><p>Foto: Gal Oppido.</p><p>Foto: Gal Oppido.</p><p>Foto: Gal Oppido.Foto: Gal Oppido.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>192 193A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Localizado junto à encosta do Morro do Querosene, à margem</p><p>esquerda do Rio Pirajussara na cidade de São Paulo, o</p><p>Complexo Residencial Vila Butantã ocupa um terreno de 4.439</p><p>m² e é constituído por um conjunto de dezesseis residências</p><p>unifamiliares. Duas a duas, configuram dois renques que</p><p>acompanham as curvas de nível do terreno: uma próxima ao</p><p>nível da rua, de quatro casas, e uma mais a baixo, de 12 casas.</p><p>Esse projeto é mais um exemplar da parceria entre Marcos</p><p>Acayaba e o engenheiro Hélio Olga. Nakanishi (2007) relata que</p><p>“Acayaba revelou que ele e Hélio trabalharam juntos desde a</p><p>escolha do terreno, passando por todo desenvolvimento espacial</p><p>e construtivo e execução da obra [...]”. Ainda segundo a autora,</p><p>“[...] a parceria entre o arquiteto e o engenheiro</p><p>desde a idealização do empreendimento conferiu</p><p>ao projeto um caráter exploratório das melhores</p><p>soluções construtivas e espaciais em função das</p><p>condições de relevo, solo e insolação, numa proposta</p><p>diferenciada em relação aos empreendimentos</p><p>imobiliários do setor” (NAKANISHI, 2007).</p><p>Corroborando com o que foi posto por Nakanishi, é possível</p><p>citar um trecho do artigo publicado na Revista Projeto Design, de</p><p>março de 2006, acerca da produção dessa tipologia residencial à</p><p>época:</p><p>“[...] desde que a legislação permitiu a volta de</p><p>conjuntos residenciais horizontais em São Paulo (a</p><p>chamada Lei das Vilas, de 1994), o que se observa,</p><p>do ponto de vista arquitetônico, é uma maioria</p><p>esmagadora de péssimos projetos: casas em estilo</p><p>neoclássico, toscano ou ‘americanizados’, com</p><p>ênfase nos espaços privativos, em detrimento das</p><p>áreas comuns” (PARTIDO ARQUITETÔNICO, 2006).</p><p>Rompendo</p><p>com os padrões imobiliários, Acayaba propõe a</p><p>disposição das casas de modo a favorecer o lazer coletivo,</p><p>concentrando-o na porção mais plana do terreno, ao fundo do</p><p>lote. Para tanto, um campo de futebol gramado, uma piscina e</p><p>um salão de festas foram previstos em projeto para compor a</p><p>área comunal do empreendimento.</p><p>Além disso, outras quatro condicionantes projetuais são</p><p>elencadas pelo memorial descritivo da obra, disponibilizado</p><p>no endereço eletrônico do arquiteto: (I) a topografia acidentada</p><p>do terreno; (II) a orientação e a vista para a paisagem; (III) a</p><p>racionalização da obra, para reduzir seu custo; e (IV) a produção</p><p>de uma casa-tipo flexível, e adequada ao mercado. A partir desses</p><p>pontos, é possível notar que a solução final do projeto é calcada</p><p>em dois aspectos principais: sua implantação (relacionada</p><p>aos itens I e II e também à priorização da área de lazer) e a</p><p>modularização da edificação (relacionada aos itens III e IV).</p><p>De fato, a implantação dos módulos habitacionais é peça-chave</p><p>para o partido arquitetônico adotado. A maneira como o projeto</p><p>foi implantado remete às obras de Arne Jacobsen e Jørn Utzon</p><p>(Figuras 02.46 e 02.47), como pontuado pela Revista Projeto</p><p>Design:</p><p>“A repetição de um elemento padronizado faz</p><p>parte do repertório de Acayaba. É uma espécie</p><p>de racionalismo naturalista que remete a alguns</p><p>autores dinamarqueses, como Arne Jacobsen e</p><p>Jørn Utzon, sobretudo em projetos de conjuntos</p><p>residenciais dos anos 1950, como o Soholm</p><p>(1950/55), em Klampenborg, do primeiro, e o</p><p>Kingohusene (1858-60), em Helsingor, do segundo”</p><p>(PARTIDO ARQUITETÔNICO, 2006).</p><p>Acayaba tirou proveito da disposição lado-a-lado das habitações</p><p>para sustentar o terreno e, com isso, minimizar grandes</p><p>movimentos de terra. Em outras palavras, as paredes de</p><p>alvenaria armada dos andares inferiores têm papel de muro de</p><p>arrimo, configurando uma estrutura denteada rígida, utilizada</p><p>na contenção dos taludes. Isso fez com que, nesses pontos,</p><p>não houvesse a necessidade de outros tipos de escoramento,</p><p>barateando, portanto, a execução da obra.</p><p>Søholm Row Houses</p><p>(1950), Arq. Arne</p><p>Jacobsen.</p><p>Kingo Houses (1958),</p><p>Arq. Jørn Utzon.</p><p>Foto: Mathieu Boret.</p><p>Fonte: Jørn Utzon, Logbog</p><p>vol. I. Gårdhusene.</p><p>Figura 02.46</p><p>Figura 02.47</p><p>194 195A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Nos locais onde as contenções ocasionadas pelo corte do</p><p>terreno eram inevitáveis, o arquiteto utilizou arrimos de solo-</p><p>cimento ao invés dos convencionais. A mesma solução foi</p><p>aplicada junto aos limites do lote para evitar infiltrações nos</p><p>muros de divisa. Além de apresentar aspecto paisagístico por</p><p>permitir recobrimento vegetal, Ferreira Filho (2014) ainda expõe</p><p>que o solo-cimento é</p><p>“[...] um material obtido através da mistura</p><p>homogênea de solo, cimento e água, em proporções</p><p>adequadas e que, após compactação e cura</p><p>úmida, resulta num produto com características de</p><p>durabilidade e resistências mecânicas” (FERREIRA</p><p>FILHO, 2014).</p><p>Além disso, a implantação favoreceu as fachadas Leste-Nordeste</p><p>das habitações, orientação muito pertinente ao clima de São</p><p>Paulo. Somado a isso, a variação do terreno, cuja declividade</p><p>média na encosta é de 45%, permitiu que os ambientes orientados</p><p>a L-NE tivessem vista panorâmica para o bairro do Butantã e para</p><p>a Cidade Universitária, aumentando, com isso, o ângulo máximo</p><p>de incidência solar nessa fachada. Desse modo, é possível</p><p>concluir que a angulosa topografia, naturalmente apontada</p><p>como um empecilho para a solução projetual, foi a responsável</p><p>por anular uma possível monotonia ocasionada pela repetição</p><p>padronizada do módulo habitacional. Vale destacar também que</p><p>a plasticidade criada pelo arranjo das habitações, seus materiais</p><p>e seus próprios sombreamentos, produz uma padronização de</p><p>alto apelo estético.</p><p>O programa de necessidades está disposto em três andares e o</p><p>acesso à habitação se dá pelo pavimento intermediário, podendo</p><p>ser feito diretamente pela área social ou por uma entrada de</p><p>serviço. As residências podem apresentar diferenças entre si uma</p><p>vez que Acayaba desenvolveu ao menos duas alternativas para</p><p>organizar os espaços (Figura 02.48).</p><p>Para o pavimento de acesso, considerado como o andar térreo,</p><p>foram desenvolvidas duas opções de plantas. A primeira delas</p><p>conta com a presença de um lavabo junto à entrada principal,</p><p>uma cozinha, uma sala de jantar e a área de serviço, composta</p><p>por banheiro de empregada e lavanderia, pela qual se tem</p><p>acesso ao pátio externo privativo. Na segunda opção de planta,</p><p>o lavabo é suprimido, dando lugar a uma suíte de empregada</p><p>com pequenas alterações das paredes divisórias. Além disso, é</p><p>possível que, em ambas as plantas, a cozinha e a sala de jantar</p><p>sejam integradas em um único espaço.</p><p>O andar inferior recebe a área social e, já que é utilizado como</p><p>contenção de terra, possui dimensões menores quando</p><p>comparado aos demais. Como opções de planta, o arquiteto</p><p>prevê um espaço único e integrado ou dois espaços distintos,</p><p>que poderiam alocar uma sala e espaço de homeoffice, com</p><p>possibilidade de integração pela abertura de uma caixilharia</p><p>móvel. Além disso, para as plantas térreas que tiveram o lavabo</p><p>suprimido, há a possibilidade de realocá-lo neste andar.</p><p>No andar superior estão alocados os dormitórios e os banheiros</p><p>privativos. As possibilidades de plantas aqui são proporcionais à</p><p>criatividade do arquiteto: (I) uma suíte e um espaço de homeoffice;</p><p>(II) duas suítes; (III) uma suíte, dois dormitórios e um banheiro; e</p><p>(IV) uma suíte, três dormitórios e um banheiro.</p><p>ALTERNATIVAS PARA O PAVIMENTO SUPERIOR</p><p>ALTERNATIVAS PARA O PAVIMENTO TÉRREO</p><p>ALTERNATIVAS PARA O PAVIMENTO INFERIOR</p><p>Plantas alternativas</p><p>para os pavimentos da</p><p>unidade habitacional</p><p>do Conjunto</p><p>Residencial Vila</p><p>Butantã.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Figura 02.48</p><p>196 197A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Todos os ambientes internos são dotados de brise-soleil</p><p>horizontal (α = 21,15°) acoplados por toda a extensão da fachada e</p><p>a ventilação natural dos cômodos é resolvida, majoritariamente,</p><p>pelo efeito chaminé graças a grandes vãos liberados pela</p><p>caixilharia.</p><p>Além desses espaços, a cobertura da residência recebe um terraço</p><p>aberto, uma espécie de mirante, que foi integrado ao projeto</p><p>após concluída a concretagem das lajes do primeiro renque de</p><p>quatro casas. Ao se encantar com a vista que tinha do topo da</p><p>residência, Acayaba promove alguns ajustes no projeto, o qual</p><p>recebe uma escada Santos Dumont para acessar a cobertura.</p><p>Espacialmente, a solução remete ao terraço do Espaço Pacaembu</p><p>(Figura 02.49), projeto realizado por ele em parceria com Adriana</p><p>Aun, mas, tecnicamente, assemelha-se ao tratamento aplicado</p><p>na cobertura da Residência Acayaba, no Guarujá (Figura 02.50):</p><p>“Impermeabilizou a laje, lançou flocos de argila</p><p>expandida por sobre ela e, em cima, apoiou placas</p><p>de concreto que serviram como piso.</p><p>Com essa solução, as casas ganharam um espaço</p><p>de lazer e contemplação e também tiveram seu</p><p>desempenho térmico melhorado em relação à laje</p><p>simples impermeabilizada” (NAKANISHI, 2007).</p><p>Construtivamente, a técnica utilizada é a alvenaria armada com</p><p>blocos de concreto pigmentados e lajes nervuradas mistas de</p><p>concreto e madeira, desenvolvidas pelo arquiteto e por Olga[20]</p><p>e ensaiadas no Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP –</p><p>IPT[21]. Os ambientes internos da residência são organizados</p><p>entre duas empenas estruturais com 6 m de distância entre eixos,</p><p>responsáveis por receber as cargas das lajes nervuradas. Estas são</p><p>constituídas por vigas de madeira de jatobá, com seção de 6 cm x</p><p>20 cm, e laje de concreto armado de 4 cm. Após a construção das</p><p>alvenarias, as vigas são dispostas seguindo um distanciamento</p><p>de 50 cm (Figura 02.51).</p><p>Essa modularização é realizada com o auxílio de formas metálicas</p><p>parafusadas às vigas, sobre as quais é feita a concretagem</p><p>da laje, que é armada</p><p>com uma tela de malha de 10 X 10 cm e</p><p>diâmetro de 4,2 mm. Como as formas são fixadas diretamente</p><p>nas vigas, o cimbramento pode ser descartado, tornando a obra</p><p>mais econômica e limpa (Figura 02.52). Outro ponto positivo é</p><p>fato de as formas serem reutilizáveis, evitando o desperdício de</p><p>materiais.</p><p>[20] O componente estrutural não chega a ser uma novidade, dado que já</p><p>era aplicado na Europa, mas era algo novo para os padrões construtivos</p><p>brasileiros da época (PARTIDO ARQUITETÔNICO, 2006).</p><p>[21] Posteriormente a composição da laje foi patenteada pelo Departamento</p><p>de Estruturas da POLI-USP.</p><p>Cobertura do Espaço</p><p>Morumbi (1996), Arq.</p><p>Marcos Acayaba.</p><p>Detalhe das vigas de</p><p>madeira com formas</p><p>metálicas fixadas,</p><p>prontas para a</p><p>concretagem da laje.</p><p>Detalhe da laje mista</p><p>desenvolvida por</p><p>Acayaba e Olga.</p><p>Tratamento da</p><p>cobertura da</p><p>Residência Marcos</p><p>Acayaba (1996), Arq.</p><p>Marcos Acayaba</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Foto: Gal Oppido.</p><p>Fonte: Acervo de Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 02.49</p><p>Figura 02.52</p><p>Figura 02.51</p><p>Figura 02.50</p><p>198 199A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>Como visto, a laje de concreto é fundida junto à viga, resultando</p><p>em uma laje colaborante, sugerida pelo Professor Pedro Almeida</p><p>da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Como</p><p>dito, essas lajes se fundem às vigas de maneira a trabalharem</p><p>em conjunto as forças de compressão. Para unir os dois</p><p>componentes é comum o uso de conectores presos às vigas,</p><p>que “na cura do concreto, solidarizam mecanicamente as duas</p><p>partes” (NAKANISHI, 2007).</p><p>No caso da laje da residência em questão, pregos fixados às vigas</p><p>fazem o papel desses conectores. Esses elementos de madeira são</p><p>cortados e preparados na fábrica, onde recebem os pregos, para</p><p>posteriormente serem enviados à obra. No projeto, os conectores</p><p>(pregos) foram dimensionados segundo a cortante e, por isso, são</p><p>mais afastados no centro e mais próximos nas extremidades da</p><p>viga. Contudo, para aumentar a rigidez do conjunto e simplificar</p><p>a confecção das peças, o espaçamento foi uniformizado segundo</p><p>a menor distância (8,5 cm).</p><p>Se o perímetro externo da residência é definido pelas alvenarias</p><p>portantes que sustentam a laje, os limites dos ambientes internos</p><p>são definidos pela modulação das vigas, que também definem os</p><p>projetos de iluminação, de hidráulica e de elétrica. As instalações</p><p>hidráulicas da casa, por exemplo, foram posicionadas de modo</p><p>a ocupar os espaços delimitados pelas vigas, configurando uma</p><p>espécie de shaft horizontal visitável, graças ao fechamento móvel</p><p>que recebe. O projeto luminotécnico também segue a mesma</p><p>lógica: o arquiteto aproveita o espaçamento entre barrotes</p><p>para encaixar as luminárias do ambiente. Isso evidência a</p><p>interdisciplinaridade e a coordenação entre arquitetura, estrutura</p><p>e instalações, o que reflete na estética plástica final dos projetos.</p><p>Segundo Nakanishi (2007),</p><p>“toda a investigação formal manteve-se</p><p>constantemente atrelada ao desenvolvimento</p><p>do partido estrutural, as soluções técnicas</p><p>correspondem às intenções formais, numa</p><p>arquitetura da ‘[...] estética da lógica, onde as soluções</p><p>devem escolher os materiais mais convenientes, as</p><p>técnicas mais justas, evidenciando a racionalidade</p><p>e o ajuste programático também como expressão</p><p>plástica, intenção plástica’ (SEGAWA, 1996, p. 36)”</p><p>(NAKANISHI, 2007).</p><p>A qualidade dos espaços e da arquitetura é inegável ou ao menos</p><p>é aceita entre os colegas de profissão, já que, ao fim da obra,</p><p>nove das 16 casas do complexo residencial foram ocupadas por</p><p>arquitetos: “Já está sendo chamada de Vila dos Arquitetos”, como</p><p>relatado por Acayaba à Revista Projeto Design (SERAPIÃO, 2006).</p><p>(Página seguinte)</p><p>Conjunto Residencial</p><p>Vila Butantã (1998),</p><p>Arq. Marcos Acayaba.</p><p>Foto: Gal Oppido.</p><p>Figura 02.53</p><p>200 201A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>SISTEMA DE RUAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>RUAS</p><p>CALÇADAS</p><p>LOCAL RODOVIAS</p><p>COLETORA VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO - VTR</p><p>ARTERIAL VIAS DE PEDESTRES</p><p>COMPOSIÇÃO ESPACIAL</p><p>CÂNION URBANO</p><p>ESTACIONAMENTO</p><p>TRANSPORTE PÚBLICO</p><p>CICLOFAIXAS E CICLOVIAS</p><p>FLUXO E NÚMERO DE FAIXAS</p><p>CLASSIFICAÇÃO ACESSIBILIDADE</p><p>CAMINHABILIDADE</p><p>NÃO HÁ</p><p>AUSENTE</p><p>COMPROMETIDA</p><p>MÉDIA</p><p>ACESSÍVEL</p><p>ALTA</p><p>CL</p><p>AS</p><p>SI</p><p>FI</p><p>CA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>V</p><p>IÁ</p><p>RI</p><p>A</p><p>M</p><p>AP</p><p>A</p><p>H</p><p>IP</p><p>SO</p><p>M</p><p>ÉT</p><p>RI</p><p>CO</p><p>VE</p><p>RÃ</p><p>O</p><p>IN</p><p>VE</p><p>RN</p><p>O</p><p>DE</p><p>CL</p><p>IV</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>TOPOGRAFIA</p><p>ELEMENTOS AMBIENTAIS</p><p>ZONEAMENTO BIOCLIMÁTICO</p><p>CORPOS D'ÁGUA</p><p>ESPAÇOS LIVRES</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>SOMBREAMENTO</p><p>M</p><p>AS</p><p>SA</p><p>A</p><p>RB</p><p>Ó</p><p>RE</p><p>A</p><p>0</p><p>VEGETAÇÃO HERBÁCEO-ARBUSTIVA</p><p>BAIXA COBERTURA ARBÓREA, ARBÓREA-ARBUSTIVA</p><p>E/OU ARBORESCENTE</p><p>MÉDIA A ALTA COBERTURA ARBÓREA, ARBÓREA-</p><p>ARBUSTIVA E/OU ARBORESCENTE</p><p>≥ 13119753 121086421</p><p>700 75%730 760710 740 770 790720 750 780 800</p><p>CONTEXTO NATURAL</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>725</p><p>725</p><p>730</p><p>735</p><p>740</p><p>730</p><p>735</p><p>740</p><p>745</p><p>750</p><p>755</p><p>725</p><p>725</p><p>730</p><p>735</p><p>740</p><p>730</p><p>735</p><p>740</p><p>745</p><p>750</p><p>755</p><p>A implantação junto ao Morro do Querosene</p><p>e o entorno imediato de porte baixo, garante</p><p>fluxos de ar constantes no local, que são</p><p>facilmente percebidos na cobertura acessível. A</p><p>integração dos espaços, associada à orientação</p><p>e à dimensão das janelas, corrobora para o bom</p><p>aproveitamento do potencial da ventilação.</p><p>202 203A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>SISTEMA DE EDIFÍCIOS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>ZONA CLIMÁTICA LOCAL (ZCL)</p><p>DISPERSÃO</p><p>POROSIDADE ALBEDO</p><p>USO E OCUPAÇÃO</p><p>ESPECULARIDADEÂNGULO DE INCIDÊNCIA SOLAR</p><p>RUGOSIDADE</p><p>BAIXA BAIXO</p><p>RESIDENCIALRESIDENCIALRESIDENCIAL</p><p>COMERCIALCOMERCIALCOMERCIAL</p><p>EQUIPAMENTOSEQUIPAMENTOSEQUIPAMENTOS</p><p>LAZERLAZERLAZER</p><p>BAIXA0°</p><p>MÉDIA MÉDIO</p><p>MÉDIA60°30°</p><p>ALTA ALTO</p><p>ALTA90°</p><p>ÁREA CONSTRUÍDA/OCUPADA</p><p>ÁREA SEM OCUPAÇÃO</p><p>SISTEMA DE PARCELAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DA FORMA URBANA</p><p>QUADRAS</p><p>LOTES</p><p>DESENHO DAS QUADRAS</p><p>ORGANIZAÇÃO DOS LOTES</p><p>ORIENTAÇÃO</p><p>ORIENTAÇÃO</p><p>ÁREA PERMEÁVEL</p><p>DIMENSÃO</p><p>DIMENSÃO</p><p>TAXA DE OCUPAÇÃO</p><p>MÍNIMO</p><p>PEQUENA</p><p>BAIXA</p><p>BAIXA</p><p>MÉDIO</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIA</p><p>GRANDE</p><p>MÁXIMA</p><p>ALTA</p><p>ALTA</p><p>204 205A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>PERÍMETRO</p><p>ESBELTEZGABARITO</p><p>POROSIDADECOMPACIDADE</p><p>BAIXA</p><p>BAIXABAIXA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIAMÉDIA</p><p>ALTA</p><p>ALTAALTA</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>GEOMETRIA</p><p>206 207A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>ACESSOS CIRCULAÇÃO</p><p>SETORIZAÇÃO</p><p>DISPOSIÇÃO NO LOTE ASSENTAMENTO DO EDIFÍCIO</p><p>HORIZONTALEM PLANTA</p><p>VERTICAL</p><p>ÁREA DE SERVIÇOÁREA PRIVATIVAÁREA SOCIAL</p><p>EM CORTE</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>MASSA</p><p>208 209A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>RELAÇÃO PLANTA-CORTE</p><p>SIMETRIA EQUILÍBRIO</p><p>PROJETO</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>GRAU DE COMPARTIMENTAÇÃO</p><p>HIERARQUIA</p><p>POUCO COMPARTIMENTADO</p><p>TERCEIRO LUGAR</p><p>MUITO COMPARTIMENTADO</p><p>PRIMEIRO LUGAR</p><p>COMPARTIMENTADO</p><p>SEGUNDO LUGAR</p><p>EIXOS DE</p><p>EQUILÍBRIO</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>EQ</p><p>U</p><p>IL</p><p>ÍB</p><p>RI</p><p>O</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>EQ</p><p>U</p><p>IL</p><p>ÍB</p><p>RI</p><p>O</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>EQ</p><p>U</p><p>IL</p><p>ÍB</p><p>RI</p><p>O</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>SI</p><p>M</p><p>ET</p><p>RI</p><p>A</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>SI</p><p>M</p><p>ET</p><p>RI</p><p>A</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>SI</p><p>M</p><p>ET</p><p>RI</p><p>A</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>SI</p><p>M</p><p>ET</p><p>RI</p><p>A</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>SI</p><p>M</p><p>ET</p><p>RI</p><p>A</p><p>EI</p><p>XO</p><p>D</p><p>E</p><p>SI</p><p>M</p><p>ET</p><p>RI</p><p>A</p><p>210 211A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>ENVOLTÓRIA E MATERIAIS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>VARIABILIDADE</p><p>PROTEÇÃO</p><p>PROTEÇÃO</p><p>ROBUSTEZ</p><p>ISOLAMENTO/ROBUSTEZ</p><p>ISOLAMENTO</p><p>TRANSPARÊNCIA</p><p>TRANSPAR./PERFURAÇÃO</p><p>PERFURAÇÃO</p><p>PERFURAÇÃO</p><p>TEXTURA</p><p>COR</p><p>TRATAMENTO DAS FACHADAS</p><p>PROTEÇÃO SOLAR</p><p>SOMBREAMENTO ACÚSTICO</p><p>INÉRCIA TÉRMICA</p><p>ISOLAMENTO ACÚSTICO</p><p>ISOLAMENTO TÉRMICO</p><p>ÁREAS ILUMINANTES</p><p>ABERTURAS ZENITAIS</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO</p><p>ABERTURAS PARA VENTILAÇÃO</p><p>dos contraventamentos da Residência</p><p>Hélio Olga.</p><p>Detalhe do encontro entre estrutura e fundação</p><p>da Residência Hélio Olga.</p><p>Residência Mário Masetti (1968), Arq. Paulo</p><p>Mendes da Rocha.</p><p>Detalhe das aletas móveis no piso da Residência</p><p>Hélio Olga.</p><p>Residência Hélio Olga (1987), Arq. Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Søholm Row Houses (1950), Arq. Arne Jacobsen.</p><p>Kingo Houses (1958), Arq. Jørn Utzon.</p><p>Plantas alternativas para os pavimentos</p><p>da unidade habitacional do Conjunto</p><p>Residencial Vila Butantã.</p><p>Cobertura do Espaço Morumbi (1996), Arq. Marcos</p><p>Acayaba.</p><p>Tratamento da cobertura da Residência Marcos</p><p>Acayaba (1996), Arq. Marcos Acayaba.</p><p>Detalhe da laje mista desenvolvida por Acayaba</p><p>e Olga.</p><p>Detalhe das vigas de madeira com formas</p><p>metálicas fixadas, prontas para a</p><p>concretagem da laje.</p><p>Conjunto Residencial Vila Butantã (1998), Arq.</p><p>Marcos Acayaba.</p><p>Figura 02.40</p><p>Figura 02.41</p><p>Figura 02.42</p><p>Figura 02.43</p><p>Figura 02.44</p><p>Figura 02.45</p><p>Figura 02.46</p><p>Figura 02.47</p><p>Figura 02.48</p><p>Figura 02.49</p><p>Figura 02.50</p><p>Figura 02.51</p><p>Figura 02.52</p><p>Figura 02.53</p><p>158</p><p>160</p><p>160</p><p>161</p><p>162</p><p>163</p><p>193</p><p>193</p><p>195</p><p>196</p><p>196</p><p>197</p><p>197</p><p>199</p><p>275</p><p>276</p><p>278</p><p>279</p><p>280</p><p>281</p><p>283</p><p>283</p><p>283</p><p>284</p><p>284</p><p>286</p><p>286</p><p>287</p><p>288</p><p>289</p><p>295</p><p>Zoneamento bioclimático brasileiro com</p><p>destaque para o Estado de São Paulo e seus</p><p>municípios.</p><p>Carta bioclimática para a cidade de São Paulo,</p><p>com dados de um ano completo.</p><p>Carta psicrométrica para a cidade de São Paulo</p><p>segundo o modelo adaptativo de conforto</p><p>térmico da ASHRAE 55 (2020).</p><p>Temperaturas médias mensais e absolutas</p><p>horárias da cidade de São Paulo.</p><p>Dados médios de temperaturas de bulbo seco e</p><p>de umidades relativas para cada hora, por</p><p>mês, para a cidade de São Paulo.</p><p>Dados médios horários de radiação solar e de</p><p>temperaturas, por mês, para a cidade de São</p><p>Paulo e zona de conforto adaptativo para</p><p>80% de aceitabilidade (ASHRAE, 2020).</p><p>Dados de radiação solar (horizontal global e</p><p>difusa e normal direta) por orientação para a</p><p>cidade de São Paulo.</p><p>Umidades relativas médias mensais e absolutas</p><p>horárias e dados de nebulosidade médios</p><p>mensais da cidade de São Paulo.</p><p>Níveis de iluminância global horária para a</p><p>cidade de São Paulo.</p><p>Carta solar para a cidade de São Paulo com</p><p>temperaturas.</p><p>Rosa dos ventos anual para a cidade de São</p><p>Paulo.</p><p>Semana típica de verão para a cidade de São</p><p>Paulo.</p><p>Semana típica de inverno para a cidade de São</p><p>Paulo.</p><p>Dias típicos de verão e de inverno (céu claro e céu</p><p>encoberto) para a cidade de São Paulo.</p><p>Caracterização horária do céu para dias típicos de</p><p>verão para a cidade de São Paulo.</p><p>Caracterização horária do céu para dias típicos de</p><p>inverno para a cidade de São Paulo.</p><p>Mapa de Ruído Urbano Projeto Piloto SP, períodos</p><p>diurno e noturno.</p><p>Figura 04.03</p><p>Figura 04.04</p><p>Figura 04.05</p><p>Figura 04.06</p><p>Figura 04.07</p><p>Figura 04.08</p><p>Figura 04.09</p><p>Figura 04.10</p><p>Figura 04.11</p><p>Figura 04.12</p><p>Figura 04.13</p><p>Figura 04.14</p><p>Figura 04.15</p><p>Figura 04.16</p><p>Figura 04.17</p><p>Figura 04.18</p><p>Figura 04.19</p><p>Localização dos data loggers na Res. Marlene</p><p>Milan.</p><p>Localização dos data loggers na Res. Hélio Olga.</p><p>Localização dos data loggers no Complexo</p><p>Residencial Vila Butantã.</p><p>Rede de softwares, aplicativos e estudos</p><p>relacionados ao Ladybug Tools.</p><p>Ilustração com os principais parâmetros para</p><p>a definição da influência do formato das</p><p>fachadas no isolamento sonoro.</p><p>Figura 03.01</p><p>Figura 03.02</p><p>Figura 03.03</p><p>Figura 03.04</p><p>Figura 03.05</p><p>240</p><p>240</p><p>240</p><p>241</p><p>261</p><p>CAPÍTULO 3:</p><p>CAPÍTULO 5: CAPÍTULO 4:</p><p>Metodologia adotada.</p><p>Resultados obtidos Diagnóstico climático e caracterização acústica</p><p>da cidade de São Paulo</p><p>Figura 04.01</p><p>Figura 04.02</p><p>Classificação climática mundial de Köppen-</p><p>Geiger.</p><p>Classificação climática brasileira segundo Nimer,</p><p>disponibilizada pelo IBGE.</p><p>270</p><p>272</p><p>Figura 05.01</p><p>Figura 05.02</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Período quente.</p><p>298</p><p>298</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Período quente.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>a sala da Residência Marlene Milan. Período</p><p>quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Período quente.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>o dormitório da Residência Marlene Milan.</p><p>Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Período frio.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para a</p><p>sala da Residência Marlene Milan. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Período frio.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>o dormitório da Residência Marlene Milan.</p><p>Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan. Temperaturas amenas.</p><p>Figura 05.03</p><p>Figura 05.04</p><p>Figura 05.05</p><p>Figura 05.06</p><p>Figura 05.07</p><p>Figura 05.08</p><p>Figura 05.09</p><p>Figura 05.10</p><p>Figura 05.11</p><p>Figura 05.12</p><p>Figura 05.13</p><p>Figura 05.14</p><p>Figura 05.15</p><p>Figura 05.16</p><p>Figura 05.17</p><p>Figura 05.18</p><p>Figura 05.19</p><p>299</p><p>299</p><p>300</p><p>300</p><p>301</p><p>301</p><p>302</p><p>302</p><p>303</p><p>303</p><p>304</p><p>304</p><p>305</p><p>305</p><p>306</p><p>306</p><p>307</p><p>307</p><p>308</p><p>308</p><p>309</p><p>309</p><p>310</p><p>310</p><p>310</p><p>316</p><p>316</p><p>317</p><p>317</p><p>324</p><p>331</p><p>336</p><p>336</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa</p><p>para a sala da Residência Marlene Milan.</p><p>Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>o dormitório da Residência Marlene Milan.</p><p>Temperaturas amenas.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa</p><p>por período de medição para a sala da</p><p>Residência Marlene Milan.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de oitava para a sala da</p><p>Residência Marlene Milan.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de terço de oitava para</p><p>a sala da Residência Marlene Milan.</p><p>Porcentagens de conforto e desconforto anual e</p><p>sazonais para a sala da Residência Marlene</p><p>Milan.</p><p>Temperaturas operativas obtidas nos cenários</p><p>de simulação da sala da Residência Marlene</p><p>Milan para semanas típicas de verão e</p><p>inverno.</p><p>Porcentagens de conforto e desconforto anual</p><p>e sazonais para o dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan.</p><p>Temperaturas operativas obtidas nos cenários</p><p>de simulação do dormitório da Residência</p><p>Marlene Milan para semanas típicas de verão</p><p>RUGOSIDADE</p><p>ABSORTÂCIAS</p><p>BAIXA</p><p>BAIXABAIXA</p><p>BAIXO BAIXA</p><p>BAIXO BAIXA</p><p>MÉDIA</p><p>MÉDIAMÉDIA</p><p>MÉDIO MÉDIA</p><p>MÉDIO MÉDIA</p><p>ALTA</p><p>ALTAALTA</p><p>ALTO ALTA</p><p>ALTO ALTA</p><p>PROJETO</p><p>ESTRATÉGIAS PASSIVAS</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>CAMPOS VISUAIS</p><p>212 213A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>ELEM. MODERNISTAS</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO EDIFÍCIO-FOCO</p><p>VALORES MODERNISTAS PLANTA-LIVRE</p><p>TETO-JARDIM</p><p>FACHADA LIVRE</p><p>RITMO NA FACHADA</p><p>JANELA EM FITA</p><p>INTEG. COM PAISAGEM</p><p>FORMA GEOMÉTRICA</p><p>ELEM. DECORATVOS</p><p>PILOTIS (ELEMENTOS) PILOTIS (PERCEPÇÃO) 31,8 m²</p><p>83,2 m³2,70 m</p><p>214 215A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2 FACH. 3</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: SALA</p><p>FACHADA 1</p><p>FACHADA 3</p><p>FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>2 ou 3, a depender da U.H.</p><p>NE</p><p>SE ou NO</p><p>SE ou NO</p><p>15,66 m²</p><p>7,70 m²</p><p>13,23 m²</p><p>0,48</p><p>0,24</p><p>0,42</p><p>9,32 m²</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>5,5 m²</p><p>Ø</p><p>Ø</p><p>199,6 kJ/m²K</p><p>199,6 kJ/m²K</p><p>152,7 kJ/m²K</p><p>3,07 W/m²K</p><p>3,07 W/m²K</p><p>2,86 W/m²K</p><p>U.H. 1</p><p>U.H. 1</p><p>U.H. 2</p><p>U.H. 2</p><p>0,17</p><p>0,29</p><p>0,35 Ø 0,25</p><p>216 217A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>FACHADA 1 FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>2</p><p>NE SE ou NO</p><p>7,70 m² 14,30 m²</p><p>0,51 0,95</p><p>1,73 m² Ø</p><p>2,05 m² Ø</p><p>205,6 kJ/m²K152,7 kJ/m²K</p><p>3,0 W/m²K2,86 W/m²K</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 1</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>U.H. 1</p><p>U.H. 1</p><p>U.H. 2</p><p>U.H. 2</p><p>15,10 m²</p><p>40,78 m³2,70 m</p><p>0,48</p><p>0,11</p><p>0,27 Ø</p><p>218 219A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>FACHADA 1 FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>NE SE ou SO</p><p>7,70 m² 7,70 m²</p><p>0,70 0,70</p><p>1,73 m² Ø</p><p>2,05 m² Ø</p><p>205,6 kJ/m²K152,7 kJ/m²K</p><p>3,0 W/m²K2,86 W/m²K</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 2</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>U.H. 1</p><p>U.H. 1</p><p>U.H. 2</p><p>U.H. 2</p><p>10,97 m²</p><p>29,62 m³2,70 m</p><p>0,19</p><p>0,16</p><p>0,27 Ø</p><p>1 ou 2, a depender da U.H.</p><p>220 221A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>FORMA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>PLANTA BAIXA</p><p>PÉ-DIREITO VOLUME</p><p>PERÍMETRO PROPORÇÃO</p><p>ACESSOS ÁREA DE PISO DO APP</p><p>FACHADA</p><p>SUBNÍVEL:ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>FACHADA 1 FACHADA 2</p><p>NÚMERO DE FACHADAS EXPOSTAS :</p><p>ORIENTAÇÃO: ORIENTAÇÃO:</p><p>ÁREA DE FACHADA: ÁREA DE FACHADA:</p><p>FATOR U: FATOR U:</p><p>REL. DE EXPOSIÇÃO: REL. DE EXPOSIÇÃO:</p><p>CAPACIDADE TÉRM.: CAPACIDADE TÉRM.:</p><p>E. TRANSPARENTES: E. TRANSPARENTES:</p><p>VÃOS P/ VENTILAÇÃO: VÃOS P/ VENTILAÇÃO:</p><p>SO SE ou SO</p><p>7,70 m² 7,70 m²</p><p>0,93 0,93</p><p>1,73 m² Ø</p><p>2,05 m² Ø</p><p>205,6 kJ/m²K152,7 kJ/m²K</p><p>3,0 W/m²K2,86 W/m²K</p><p>VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>IL. NATURAL E ARTIFICIAL</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>SUBNÍVEL:</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>ANÁLISE DO AMBIENTE: DORM. 3</p><p>TIPO DE VENTILAÇÃO NATURAL</p><p>TIPO DE ÁREA ILUMINANTE ACESSO SOLAR</p><p>LOCALIZAÇÃO</p><p>POSIÇÃO</p><p>WINDOW-TO-WALL RATIO</p><p>PERCENTUAL DE EL. TRANSPAR.</p><p>CONTROLE DA ENTRADA DE LUZ</p><p>TIPO DE ABERTURA</p><p>LUZ ARTIFICIAL</p><p>PERCENTUAL PARA VENTILAÇÃO</p><p>FACH. 1 FACH. 2</p><p>SE</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>CO</p><p>M</p><p>Á</p><p>RV</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>U.H. 1</p><p>U.H. 1</p><p>U.H. 2</p><p>U.H. 2</p><p>8,26 m²</p><p>22,31 m³2,70 m</p><p>0,25</p><p>0,21</p><p>0,27 Ø</p><p>1 ou 2, a depender da U.H.</p><p>222 223A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 2: Um arquiteto. Quatro casas.</p><p>O capítulo em questão descreve com detalhes os</p><p>pormenores da metodologia aplicada na análise</p><p>ambiental das residências para os três eixos</p><p>temáticos propostos: (I) térmica; (II) iluminação</p><p>natural; e (III) acústica.</p><p>METODOLOGIA</p><p>ADOTADA</p><p>226 227A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>Após a caracterização das Escolas Paulista e Carioca de</p><p>Arquitetura Moderna, a fundamentação levantada acerca do</p><p>arquiteto e a apresentação e análise projetual dos estudos</p><p>de caso selecionados, a presente pesquisa se debruçou nas</p><p>residências de maneira a avaliar tecnicamente sua qualidade</p><p>ambiental.</p><p>Como abordagem generalizada, a metodologia é constituída</p><p>por dois eixos de naturezas distintas, mas complementares:</p><p>um do tipo indutivo empírico, com base em levantamento</p><p>de variáveis físicas e ambientais microclimáticas em campo,</p><p>e outro do tipo dedutivo simulacional, que em um primeiro</p><p>momento é caracterizado pelo uso de procedimentos de</p><p>cálculo e avaliações computacionais simplificadas, sucedido</p><p>por simulações mais avançadas, já em uma etapa mais tardia</p><p>do trabalho.</p><p>Alguns estudos analíticos simplificados antecederam o</p><p>levantamento de campo. Isso porque possuem como objetivo a</p><p>formulação de um entendimento prévio acerca do desempenho</p><p>das residências e, com isso, a formulação de hipóteses sobre</p><p>o conforto dos moradores e, por sua vez, das qualidades e</p><p>problemas a serem investigados na pesquisa de campo.</p><p>No levantamento in loco propriamente dito, foram realizadas</p><p>medições – instantâneas e de registro contínuo – de variáveis</p><p>ambientais em espaços internos e externos, cujos dados</p><p>primários coletados foram tratados e tabulados para análise</p><p>e avaliação dos espaços. Esta avaliação foi realizada por</p><p>comparação dos indicadores obtidos por meio das aferições</p><p>em campo com critérios e limites estabelecidos em legislação e</p><p>normas a serem especificadas adiante.</p><p>O processo de medição é válido como meio de avaliação</p><p>ambiental de espaços fechados por normativas nacionais e</p><p>estrangeiras. Contudo, diferentemente das simulações em</p><p>que há um total controle do programador sobre o processo</p><p>de aferição de dados, as medições contam com o fator do</p><p>acaso, tornando comum incongruências e certos problemas</p><p>de aferição acometidos pelo mau funcionamento</p><p>do aparelho,</p><p>pela interferência de terceiros ou ainda por imprevistos dos</p><p>mais variados, como por exemplo a falta de energia que pode</p><p>cessar temporariamente a coleta de informações.</p><p>Segundo Madruga (2016), “realizar as medições in loco de forma</p><p>confiável, é uma tarefa difícil pela dificuldade de controlar as</p><p>condições do local”. O local a que Madruga se refere é o lugar</p><p>de implantação de um projeto e seus desdobramentos no</p><p>ambiente interno. Contudo, a leitura fora de contexto pode se</p><p>tornar ambígua já que esse local pode ser entendido como o</p><p>espaço interno e, sendo assim, o controle de suas condições</p><p>recai sobre o uso pelos seus ocupantes.</p><p>A questão é que as duas compreensões supracitadas são</p><p>significativas e podem contribuir positiva ou negativamente</p><p>com os valores levantados. Logo, é de suma importância para</p><p>a avaliação proposta o entendimento da área onde o projeto</p><p>está implantado, especialmente do clima local, e da rotina de</p><p>uso e ocupação da tipologia arquitetônica, seja ela residencial,</p><p>comercial, de saúde, educacional ou outra qualquer.</p><p>Para tanto, fez-se necessário o desenvolvimento de um</p><p>diagnóstico climático e ambiental aprofundado que</p><p>embasasse e orientasse as análises dos estudos de caso, de</p><p>modo a se tornar parte imprescindível da metodologia aqui</p><p>desenvolvida[1]. Somado a isso, observações e entrevistas com</p><p>os moradores acerca de sua rotina e de sua satisfação quanto</p><p>às questões ambientais de suas casas serviram de balizadores</p><p>para os estudos empíricos, dado que são importantes registros</p><p>e indicativos de possíveis estratégias de adaptação utilizadas</p><p>para o aprimoramento das condições de conforto do usuário.</p><p>A seleção dos espaços de medição, bem como da disposição</p><p>dos equipamentos[2], foi alinhada, sempre que possível, com</p><p>prescrições normativas, mas também de acordo com a análise</p><p>das especificidades e limitações de cada projeto arquitetônico</p><p>e de visitas técnicas, mantendo sempre interesse em espaços</p><p>sociais e de dormir.</p><p>É preciso reforçar que os dados obtidos nas medições</p><p>realizadas dentro de edifícios se referem à resultante de</p><p>diversos fenômenos físicos aplicados à construção, na tentativa</p><p>de se avaliar técnica e objetivamente a síntese de tais fatores.</p><p>Ainda assim, as medições são um jeito relativamente simples</p><p>e efetivo para obtenção de dados ambientais internos sempre,</p><p>é claro, que o projeto esteja construído. Para um parecer mais</p><p>detalhado acerca de alguma estratégia de projeto pontual</p><p>ou de cenários específicos, justifica-se o segundo pilar da</p><p>metodologia ora descrita: as simulações computacionais</p><p>avançadas. Estas também tiveram o papel de compreender</p><p>a qualidade ambiental das casas ao longo do um ano todo,</p><p>incluindo situações climáticas não cobertas durante a pesquisa</p><p>in situ.</p><p>Conforme afirmado por Neto (2015), as ferramentas de</p><p>simulação objetivam a transcrição do comportamento de um</p><p>fenômeno da física aplicada ao projeto por meio de equações</p><p>[1] O diagnóstico climático da cidade de São Paulo desenvolvido, bem</p><p>como a caracterização de seu ambiente sonoro, são apresentados no</p><p>capítulo seguinte.</p><p>[2] Para a realização das medições, foram utilizados sensores e demais</p><p>equipamentos do Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência</p><p>Energética, o LABAUT, do Departamento de Tecnologia da Arquitetura,</p><p>da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São</p><p>Paulo.</p><p>228 229A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>e hipóteses que geram o chamado modelo de simulação. Em</p><p>se tratando de uma representação de um fenômeno, toda e</p><p>qualquer verificação virtual apresenta um grau de incerteza que</p><p>variará, para mais ou para menos, de acordo com precisão e</p><p>confiabilidade dos dados de entrada.</p><p>É comum, no contexto de desenvolvimento de softwares e</p><p>processamento de dados, a expressão Garbage in, garbage</p><p>out (em tradução livre: Entra lixo, sai lixo), ou seja, a máquina</p><p>não questionará a veracidade dos dados fornecidos pelo</p><p>programador e, caso ocorra um equívoco na programação, o</p><p>resultado final também estará errado. O mesmo ocorre para os</p><p>estudos analíticos embasados por ferramentas computacionais.</p><p>Além disso, é importante lembrar que toda simulação é uma</p><p>estimativa feita a partir, muitas das vezes, de um modelo</p><p>matemático e, portanto, nunca representará a realidade com</p><p>incontestável exatidão. Associado a isso, pontua-se que tal</p><p>processo demanda aproximações tanto de modelagens, quanto</p><p>de cálculos para sua viabilidade. Por fim, é preciso esclarecer</p><p>também que grande parte dos cenários idealizados para as</p><p>simulações, quando verossímeis, nem sempre se equiparam</p><p>com a realidade por esta ser condicionada diretamente a um</p><p>fator que pode alterá-la a qualquer instante: o ser humano.</p><p>É importante ressaltar que a pesquisa não teve a intenção</p><p>de propor soluções diferentes das já aplicadas nos projetos.</p><p>Os estudos eletrônicos avançados serviram apenas como</p><p>instrumento à avaliação de uma estratégia pontual ou de uma</p><p>componente da resultante ambiental do projeto.</p><p>Os levantamentos e informações acima descritos foram</p><p>realizados para três temáticas diferentes: (I) térmica; (II)</p><p>iluminação natural; e (III) acústica. A seguir será relatado, a partir</p><p>da abordagem explanada, o desenvolvimento de cada tema de</p><p>trabalho da avaliação ambiental.</p><p>AVALIAÇÃO INDUTIVA EXPERIMENTAL</p><p>Foram coletados dados nas Residências Marlene Milan e</p><p>Hélio Olga e no Conjunto Residencial Vila Butantã. O acesso à</p><p>Residência Hugo Kovadloff para a realização dos levantamentos</p><p>in situ não foi permitido e, por conta disso, não houve o</p><p>desenvolvimento dessa etapa no projeto em questão.</p><p>Como a tipologia explorada nesta pesquisa é a residencial,</p><p>as avaliações focaram, como dito anteriormente, em espaços</p><p>sociais e privativos, ou seja, salas e dormitórios. Assim, a coleta</p><p>de dados ambientais, contínua e instantânea, foi realizada em</p><p>ambos os espaços, sem exceção. Para efeito de comparação,</p><p>dados externos também foram levantados e confrontados. Os</p><p>procedimentos específicos de cada temática estudada serão</p><p>apresentados nos itens seguintes.</p><p>TEMÁTICA I - TÉRMICA</p><p>A coleta de dados internos se deu por meio de data loggers Hobo</p><p>Onset modelo U12-013, capazes de aferir valores de temperatura</p><p>do ar e de umidade relativa, além de contar com dois canais</p><p>externos para conexão de anemômetro de fio quente e de sensor</p><p>para medição de temperatura de globo (preto). Os dados externos</p><p>foram levantados por meio de uma estação meteorológica do</p><p>tipo Campbell Scientific com data logger, sensor de temperatura</p><p>e umidade relativa do ar, sensores externos para temperatura</p><p>do solo e de globo (cinza), anemômetro sônico bidimensional e</p><p>piranômetro.</p><p>O item A.1. Avaliação do desempenho térmico de edificações</p><p>por meio de medição do Anexo A da ABNT NBR 15575-1:2013</p><p>- Edificações habitacionais - Desempenho. Parte 1: Requisitos</p><p>gerais, de caráter informativo, orientava sobre a avaliação do</p><p>desempenho térmico de edificações por meio de medições in</p><p>loco em projetos em escala real (1:1), isto é, construídos. Contudo,</p><p>após a revisão pela qual a normativa passou em março de 2021,</p><p>o anexo foi substituído e tais informações foram suprimidas.</p><p>Quanto à localização dos data loggers, o antigo Tópico A.1.2.</p><p>recomendava:</p><p>“Medir a temperatura de bulbo seco do ar no</p><p>centro dos recintos dormitórios e salas, a 1,20 m do</p><p>piso. Para as medições de temperatura, seguir as</p><p>especificações de equipamentos e montagem dos</p><p>sensores, apresentadas na ISO 7726” (ABNT NBR</p><p>15575-1, 2013).</p><p>Como o ambiente térmico de um espaço fechado não é uniforme</p><p>e sua temperatura apresenta um grau de estratificação devido</p><p>ao formato do cômodo, materiais e aberturas, a ISO 7726 (1998)</p><p>apresenta as alturas recomendadas para medições segundo três</p><p>pontos de referência ao considerar uma pessoa sentada ou em</p><p>pé, a saber: alturas da cabeça, do abdome ou do tornozelo, como</p><p>sintetizado pela Tabela 03.01.</p><p>A ASHRAE-55: Thermal Environmental</p><p>Conditions for Human</p><p>Occupancy (2020) é constituída por um tópico exclusivo para a</p><p>avaliação de conforto em edifícios existentes (Topic 7. Evaluation</p><p>of Comfort in Existing Buildings) cujos valores das alturas</p><p>recomendadas de medição estão em consonância com a norma</p><p>230 231A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>ISO 7726 (1998). Contudo, para o cálculo e aferição da Temperatura</p><p>Operativa (t0)[3], a norma estadunidense é mais restritiva e estipula</p><p>as alturas de 0,6 m para uma pessoa sentada e 1,1 m, em pé,</p><p>tomando como referência, portanto, o nível do abdome.</p><p>Para o levantamento empírico feito, os equipamentos foram</p><p>acoplados a tripés, a aproximadamente um metro de altura</p><p>do piso acabado. Apesar de não ser exatamente a altura</p><p>recomendada, o uso dos tripés é uma solução simples para sua</p><p>padronização e que está bastante próxima à distância de 1,1 m</p><p>indicada pelas normas.</p><p>É preciso ressaltar que a ASHRAE 55 traz recomendações de</p><p>aferições mínimas de duas horas do período a que se deseja</p><p>avaliar (anual, sazonal ou diário). Somado a isso, as medições</p><p>devem constituir uma amostra representativa dos períodos de</p><p>ocupação. Com relação à periodicidade na coleta de dados, para</p><p>temperaturas do ar e umidades relativas, a norma recomenda</p><p>um intervalo de cinco minutos ou menos e, para velocidade do</p><p>ar, de três minutos ou menos. Ao aproximar tais recomendações</p><p>para a pesquisa, algumas questões precisam ser salientadas.</p><p>Por se tratar de projetos habitacionais, a ocupação pode ocorrer</p><p>por até 24h diárias e, além disso, pode não seguir uma rotina</p><p>convencional. Por isso, a medição mínima de duas horas pode</p><p>não cobrir todos os cenários de uso e ocupação ou nem mesmo</p><p>ser representativa. Sendo assim, optou-se pelas medições</p><p>contínuas, por pelo menos 15 dias. Foi considerado um período</p><p>mais longo na expectativa de descarte de dados por problemas</p><p>de aferição ou por não serem representativos e, com isso,</p><p>foi possível obter uma semana completa de levantamento,</p><p>[3] Temperatura Operativa é definida pela ASHRAE 55 (2020) como “the</p><p>uniform temperature of an imaginary black enclosure, and the air within</p><p>it, in which an occupant would exchange the same amount of heat by</p><p>radiation plus convection as in the actual nonuniform environment”. Em</p><p>tradução livre do autor: é a temperatura uniforme de um envoltório</p><p>imaginário preto, e de seu ar interior, em que a quantidade de calor</p><p>trocada por um ocupante, por radiação e convecção, é tal qual em um</p><p>ambiente real não-uniforme. Essa temperatura é o principal indicador</p><p>utilizado para a avaliação do ambiente térmico segundo o Modelo</p><p>Adaptativo empregado nesta pesquisa.</p><p>englobando dias úteis e finais de semana, quando o padrão de</p><p>uso e ocupação geralmente é alterado.</p><p>No que tange à periodicidade de medição, dois fatores tiveram</p><p>peso na sua determinação: (I) a decisão pela coleta de fluxo</p><p>contínuo de valores e (II) o tempo de vida das baterias dos data</p><p>loggers. Por recomendação do técnico do laboratório, decidiu-se</p><p>por medições a cada 15 minutos dado que as pilhas poderiam</p><p>não durar caso as recomendações da norma estadunidense</p><p>fossem seguidas.</p><p>Quanto à localização dos equipamentos, a ASHRAE 55 recomenda</p><p>o seu posicionamento em espaços representativos, onde é</p><p>sabido que o ocupante passe a maior parte do tempo. Caso não</p><p>seja possível levantar tal informação, a norma recomenda que</p><p>as medições abarquem as seguintes condições: (I) medições</p><p>no centro do ambiente; (II) medições a um metro do centro de</p><p>cada parede do ambiente; (III) quando a parede for externa e</p><p>dotada de área iluminante, a medição deve ser feita a um metro</p><p>do centro da janela; e (IV) posições onde os valores extremos de</p><p>temperatura são observados ou estimados.</p><p>Como havia o desejo de que as medições em todas as residências</p><p>ocorressem de forma concomitante, foram destinados apenas</p><p>dois sensores capazes de coletar dados térmicos para cada</p><p>estudo de caso, um para a sala e um para um quarto. Por</p><p>conseguinte, foi levada em consideração a já mencionada</p><p>recomendação da ABNT NBR 15575-1:2013 e foi dada prioridade</p><p>para aferições nos centros dos ambientes, sempre que possível.</p><p>Entretanto, em alguns casos e em virtude de o anemômetro</p><p>de fio quente funcionar por meio do fornecimento de energia,</p><p>o posicionamento do tripé nem sempre foi o ponto central</p><p>do cômodo. Outro fator limitante para a localização dos</p><p>equipamentos é o próprio layout do ambiente. Vale mencionar</p><p>também que as casas se encontram ocupadas, logo as questões</p><p>técnicas e o posicionamento dos aparelhos precisam ser</p><p>conciliados com o dia-a-dia dos moradores para, assim, não</p><p>causar interferências na rotina dos ocupantes que possam</p><p>comprometer a avaliação de períodos representativos.</p><p>Com relação ao equipamento externo, o período de coleta de</p><p>dados e sua periodicidade foram definidos seguindo a mesma</p><p>programação dos equipamentos internos de modo a possibilitar</p><p>a posterior comparação e análise de dados.</p><p>Durante o período quente, a estação meteorológica responsável</p><p>pela coleta de dados externos foi instalada no terraço aberto</p><p>da Residência Milan. Por outro lado, durante o período frio,</p><p>o equipamento foi instalado na cobertura da Faculdade de</p><p>Arquitetura e Urbanismo da USP devido à sensibilidade no</p><p>transporte do equipamento durante as primeiras aferições. Com</p><p>TABELA 03.01 – ALTURAS RECOMENDADAS PELA ISO 7726 PARA COLETA</p><p>DE DADOS TÉRMICOS (APENAS ORIENTATIVO)</p><p>NÍVEL DE REFERÊNCIA</p><p>POSIÇÃO</p><p>Pessoa sentada Pessoa em pé</p><p>Cabeça 1,1 m 1,7 m</p><p>Abdome 0,6 m 1,1 m</p><p>Tornozelo 0,1 m 0,1 m</p><p>Fonte: Tabela 5 da ISO 7726 (1998) - Excerto.</p><p>232 233A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>ciência da possibilidade de pequenas variações ocasionadas</p><p>pelos diferentes microclimas urbanos, foi feita uma aproximação</p><p>e os dados aferidos foram utilizados para todas as residências,</p><p>já que todos os estudos de caso, incluindo a Faculdade de</p><p>Arquitetura e Urbanismo da USP, podem ser circunscritos em</p><p>uma área de diâmetro pouco maior que 10 metros.</p><p>Feitas essas considerações, discorramos sobre a seleção das</p><p>semanas representativas. A etapa indutiva empírica levantou</p><p>dados de temperatura do ar interna e externa, temperatura</p><p>de globo interna, umidades relativas do ar interna e externa,</p><p>velocidade de ar interna e radiação solar externa durante dois</p><p>períodos de medição no ano de 2019: (I) período quente, aferido</p><p>entre os dias 28 de março a 11 de abril e (II) período frio, entre 25</p><p>de agosto a 8 de setembro.</p><p>Ainda segundo o item A.1. Avaliação do desempenho térmico de</p><p>edificações por meio de medição da ABNT NBR 15575-1:2013,</p><p>“o dia tomado para análise deve corresponder a</p><p>um dia típico de projeto, de verão ou de inverno,</p><p>precedido por pelo menos um dia com características</p><p>semelhantes. Recomenda-se, como regra geral,</p><p>trabalhar com uma sequência de três dias e analisar</p><p>os dados do terceiro dia. Para efeito da avaliação por</p><p>medição, o dia típico é caracterizado unicamente</p><p>pelos valores da temperatura do ar exterior medidos</p><p>no local” (ABNT NBR 15575-3, 2013).</p><p>Os dados dos dias típicos de projeto são disponibilizados no</p><p>segundo tópico desse mesmo anexo (A.2. Dados climáticos</p><p>brasileiros) e, para o verão, a temperatura máxima diária é</p><p>de 31,9 °C e, para o inverno, a temperatura mínima diária é</p><p>equivalente a 6,2 °C. Assim, para o período quente representativo</p><p>foi eleita a semana entre os dias 31 de março e 6 de abril, na qual</p><p>constam três dias em que as temperaturas atingiram valores</p><p>próximos aos 31,9 °C (32,68 °C no dia 04 de abril, 31,29 °C no dia</p><p>05 e 31,82 °C no dia 6). Apesar do mês de fevereiro apresentar a</p><p>média de temperaturas mais elevada (23,31 °C), o mês de março</p><p>é o que apresenta as maiores médias horárias de temperatura</p><p>máxima durante as tardes, com valores que excedem os 32 °C.</p><p>Ademais, a semana selecionada apresenta uma temperatura</p><p>média igual a 25,27 °C, o que já excede a média</p><p>do mês mais</p><p>quente[4]. Por essas razões, a escolha desta semana como</p><p>representativa do período quente é justificada.</p><p>O solstício de inverno do ano de 2019 foi atípico em São</p><p>Paulo, apresentando temperaturas elevadas e alguns poucos</p><p>períodos com temperaturas mais baixas. Felizmente, a semana</p><p>selecionada para medição do período frio, do dia 1 ao 7 de</p><p>[4] Dados extraídos do diagnóstico climático apresentado no capítulo</p><p>seguinte.</p><p>setembro, compreendeu um desses períodos de frio rigoroso</p><p>durante seis dias consecutivos. Como dito anteriormente, sabe-</p><p>se que a temperatura mínima para o dia típico de inverno é</p><p>de 6,2 °C. Contudo, a menor temperatura aferida na cidade de</p><p>São Paulo durante todo o ano das medições foi de 7,4 °C na</p><p>madrugada do dia 06 de julho (STOCHERO, 2019), valor 1,2 °C</p><p>acima do estabelecido pela normativa brasileira vigente à época.</p><p>A temperatura mínima aferida durante a semana selecionada,</p><p>no entanto, foi de 12,84 °C. Como apontado pelo diagnóstico</p><p>climático de São Paulo, o mês de julho é o que apresenta a média</p><p>de temperatura mais baixa, com 17,42 °C. A média semanal do</p><p>período selecionado atinge os 17,22 °C, valor mais baixo que</p><p>a média mensal de julho, sendo, portanto, selecionada como</p><p>semana representativa para o período frio.</p><p>Não obstante, o fato de o inverno ter apresentado temperaturas</p><p>mais amenas por um maior período possibilitou a seleção dos sete</p><p>dias antecessores da semana representativa do período frio como</p><p>uma semana típica de temperaturas amenas, em que a média de</p><p>temperatura semanal foi de 19,33 °C, se aproximando à média</p><p>mensal de outubro, mês em que ocorre o equinócio de primavera.</p><p>Como produtos desta temática do método indutivo, foram</p><p>produzidos, para as três semanas representativas descritas,</p><p>gráficos de:</p><p>• Temperatura do ar interna e externa, em °C, x Radiação</p><p>solar, em W/m²;</p><p>• Temperatura do ar interna e externa, em °C, x Umidade</p><p>relativa interna e externa, em %; e</p><p>• Temperatura do ar interna e externa, em °C, x Velocidade</p><p>do ar interno (m/s).</p><p>Somado a esses dados e a fim de contribuir para a clareza na</p><p>leitura, os diagramas contam com informações acerca dos dias</p><p>do mês e da semana e ícones que caracterizam a condição diária</p><p>predominante do céu, como também apresentam os períodos</p><p>noturnos com uma leve hachura.</p><p>Além dos resultados obtidos internamente serem confrontados</p><p>com as condições externas, os valores de temperatura do ar</p><p>também são avaliados segundo o Modelo Adaptativo proposto</p><p>pela ASHRAE 55[5]. Tal modelo de aceitabilidade térmica é</p><p>aplicado em espaços naturalmente ventilados e parte do</p><p>pressuposto de que o ocupante tem total liberdade, dentro dos</p><p>parâmetros possíveis, de se ajustar e de se adaptar às condições</p><p>ambientais, por meio do arranjo que julgar mais pertinente,</p><p>seja de vestuário, localização ou comportamento (ASHRAE,</p><p>[5] É muito importante lembrar que a ABNT NBR 15575 é uma normativa</p><p>que visa à avaliação de desempenho ambiental de edifícios residenciais,</p><p>ao passo que a ASHRAE 55 objetiva avaliar a situação de conforto do</p><p>ocupante.</p><p>234 235A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>2020). Portanto, o usuário é agente ativo na ambiência térmica</p><p>do espaço e, uma vez que não está condicionado aos típicos</p><p>21 °C de sistemas de refrigeração, apresenta maior tolerância a</p><p>temperaturas mais elevadas.</p><p>Dessa maneira, os gráficos produzidos também são compostos</p><p>pela faixa de conforto para 80% de aceitabilidade dos usuários</p><p>em ambientes naturalmente ventilados, cujos limites superior</p><p>e inferior foram determinados diariamente, a partir das</p><p>temperaturas externas médias predominantes de toda a semana</p><p>antecessora ao dia em análise, estimados a partir das seguintes</p><p>equações (ASHRAE 55, 2020):</p><p>Onde:</p><p>tE.M.P. é a temperatura externa média predominante, em °C.</p><p>Vale ressaltar que, para a aplicação do modelo, é permitido o uso</p><p>de ventilação mecânica desde que o ar não seja condicionado</p><p>artificialmente e que a operação de janelas e de determinados</p><p>dispositivos ainda seja o principal meio para a regulação térmica</p><p>do espaço. Sistemas de aquecimento podem ser instalados,</p><p>porém o método só é passível de aplicação quando tal sistema</p><p>não esteja em funcionamento. Ademais, também são critérios</p><p>para a aplicação do método: (I) os ocupantes devem apresentar</p><p>taxa metabólica entre 1,0 e 1,3 met; (II) os ocupantes devem ser</p><p>livres para adaptarem suas vestimentas dentro da faixa de 0,5 a</p><p>1,0 clo; e (III) a temperatura externa média predominante deve</p><p>ser maior que 10 °C e menor que 33,5 °C.</p><p>Para temperaturas operativas acima de 25 °C, é permitido um</p><p>acréscimo no limite superior de aceitabilidade em função da</p><p>velocidade média do ar interno, seguindo as recomendações da</p><p>tabela abaixo.</p><p>TABELA 03.02 – INCREMENTO NOS LIMITES SUPERIORES DE</p><p>TEMPERATURA OPERATIVA EM ESPAÇOS NATURALMENTE</p><p>CONDICIONADOS PELO CONTROLE DO OCUPANTE RESULTANTE DE</p><p>VELOCIDADES DO AR ACIMA DE 0,3 m/s</p><p>Velocidade média do ar (m/s) Incremento no Limite Superior da</p><p>faixa de conforto (°C)</p><p>0,6 1,2</p><p>0,9 1,8</p><p>1,2 2,2</p><p>Fonte: Tabela 5.4.2.4. da ASHRAE 55 (2020).</p><p>Os resultados aferidos tabulados e suas respectivas análises</p><p>encontram-se no Capítulo 5 desta dissertação.</p><p>TEMÁTICA II - ILUMINAÇÃO NATURAL</p><p>A aferição de dados lumínicos foi realizada com o auxílio de</p><p>data loggers Hobo modelo H08-004-02 e U12-012, que, além da</p><p>temperatura do ar e da umidade relativa, também medem dados</p><p>de iluminância em virtude da presença de fotocélula inclusa no</p><p>equipamento.</p><p>A ABNT NBR 15215-4:2005 – Iluminação natural. Parte 4: Verificação</p><p>experimental das condições de iluminação interna de edificações -</p><p>Método de medição[6] é a normativa nacional que tem por objetivo</p><p>prescrever os métodos de verificação experimental da ambiência</p><p>lumínica natural em espaços internos.</p><p>A norma indica que a avaliação in loco deve ocorrer em condições</p><p>reais de uso e ocupação para o caso de medições em ambientes</p><p>reais. Para tanto, devem ser consideradas as principais tarefas</p><p>desenvolvidas no espaço e seus respectivos planos de trabalho,</p><p>sejam eles horizontais, verticais ou inclinados.</p><p>O sensor deve ser mantido paralelo à superfície sobre a qual se</p><p>deseja aferir os níveis de iluminância. Quando essas áreas não</p><p>são conhecidas, a aferição deve ocorrer em um plano horizontal</p><p>a 75 cm do piso acabado, aproximando-se da altura de uma</p><p>estação de trabalho. Além disso, atenção deve ser tida para</p><p>não criar sombras no entorno próximo da fotocélula de forma a</p><p>alterar as características lumínicas do ambiente, exceto quando</p><p>tais interferências forem intencionais.</p><p>É recomendado o cômputo de dados em diferentes horas do</p><p>dia e do ano a fim de se obter valores mais precisos com vistas</p><p>às mudanças repentinas das condições do céu. Quando não é</p><p>possível o acompanhamento durante todo o ano, recomendam-</p><p>se dois dias de aferição, um próximo do solstício de verão e um,</p><p>do solstício de inverno, com periodicidade de coleta de dados a</p><p>cada duas horas a partir do início do expediente (para o caso de</p><p>edifícios comerciais). A norma cita ainda a necessidade de uma</p><p>fonte externa, devidamente protegida da incidência dos raios</p><p>solares diretos, para fins de comparação de dados.</p><p>A quantidade de pontos a serem examinados está diretamente</p><p>relacionada à geometria do espaço, bem como às dimensões e à</p><p>posição da área iluminante. Assim, o valor deve ser estipulado a</p><p>partir do cálculo do índice K, dado pela equação a seguir, e com</p><p>auxílio da Tabela 03.03 (CIBSE, 1994):</p><p>[6] A ABNT NBR 15215 encontra-se em processo de revisão pela ABNT.</p><p>236 237A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>Onde:</p><p>K é o índice do local;</p><p>C é o comprimento do ambiente, em m;</p><p>L é a largura do ambiente, em m; e</p><p>Hm é a distância vertical entre a altura da superfície de</p><p>trabalho e o topo da janela, em m.</p><p>Definida essa informação, os pontos devem estar distribuídos no</p><p>ambiente de modo a formar uma malha com formato</p><p>próximo ou</p><p>igual a de quadrados e afastada, no mínimo, 50 cm das paredes.</p><p>Novamente, alguns tópicos precisam ser elucidados quanto à</p><p>metodologia adotada na temática.</p><p>Optou-se pela simplificação das medições de iluminação natural</p><p>motivados, primeiramente, pela limitação de sensores dos</p><p>quais o laboratório dispõe. Para manter as medições ocorrendo</p><p>concomitantemente nas quatro residências por um período</p><p>contínuo, em espaços sociais e de dormir, seriam necessários,</p><p>pelo menos, 72 data loggers. Além disso, como a qualidade</p><p>das variáveis lumínicas levantadas in loco está diretamente</p><p>relacionada às condições de céu e condicionadas à rotina de uso</p><p>dos moradores, um alto grau de incerteza poderia ser suscitado.</p><p>Assim, as avaliações empíricas tiveram papel de balizadores para</p><p>o desenvolvimento das simulações computacionais avançadas.</p><p>Além disso, foram aferidos dados de iluminâncias internas a uma</p><p>altura de 75 cm do chão, com a priorização do posicionamento dos</p><p>sensores em mesas de trabalho em áreas centrais desobstruídas.</p><p>A aferição de dados ocorreu durante os mesmos períodos</p><p>explanados na temática anterior e com a mesma periodicidade</p><p>de coleta, mas não necessariamente na mesma posição.</p><p>Para se obter os níveis de iluminação externa aproximados, foi</p><p>utilizada uma equação desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas</p><p>Tecnológicas (IPT), elaborada segundo pesquisas apresentadas</p><p>no Relatório 13.257 (1978), que correlaciona radiação solar</p><p>TABELA 03.03 – QUANTIDADE MÍNIMA DE PONTOS ONDE DEVERÁ</p><p>OCORRER COLETA DE DADOS LUMÍNICOS</p><p>Índice K N° de pontos</p><p>K</p><p>é a quantidade de pontos de medição, aqui considerada</p><p>cada LAeq,10s.</p><p>Com isso, foi possível produzir gráficos comparativos entre dados</p><p>interno e externo de:</p><p>• Nível de Pressão Sonora, em dB, x Período de medição,</p><p>em s;</p><p>• Níveis de Pressão Sonora, em dB, x Frequência em bandas</p><p>de oitava, em Hz; e</p><p>• Níveis de Pressão Sonora, em dB, x Frequência em bandas</p><p>de terço de oitava, em Hz.</p><p>Os níveis sonoros foram, então, comparados com as</p><p>recomendações legislativas e normativas, a saber: Lei n° 16.402</p><p>– Plano Diretor Estratégico de São Paulo e normas ABNT NBR</p><p>10151 (2019) e 10152 (2017). As peças gráficas com os resultados</p><p>são apresentadas no Capítulo 5.</p><p>240 241A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>Abaixo são apresentadas, para cada residência, as disposições</p><p>dos equipamentos de medição (Figuras 03.01 a 03.03). ESTUDOS ANALÍTICOS E DE SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL</p><p>Assim como o eixo de avaliação indutiva experimental, os estudos</p><p>analíticos e de simulação computacional avançada foram</p><p>feitos para todas as temáticas de abordagem desta pesquisa.</p><p>Os modelos tridimensionais das quatro residências foram</p><p>desenvolvidos no programa Rhinoceros 3D 6.0 e foram simulados</p><p>por meio de plugins e programas de avaliação ambiental.</p><p>Grande parte dos estudos foi realizada com o auxílio do Ladybug</p><p>Tools 0.0.69, um conjunto de aplicativos ambientais gratuitos</p><p>que dão suporte ao projeto e à avaliação ambiental e que atuam</p><p>em conjunto com o Grasshopper, aplicativo de programação</p><p>nativo do Rhinoceros 3D. O Ladybug Tools foi desenvolvido por</p><p>Mostapha Sadeghipour Roudsari em 2013 e contava com 28</p><p>componentes para visualização de dados climáticos, estudos de</p><p>radiação solar e análises de exposição solar. Logo em seguida,</p><p>Chris Mackey foi o responsável por alavancar as possibilidades</p><p>do aplicativo, adicionando modelos de conforto térmico a ele e</p><p>tornando-se um dos principais desenvolvedores da ferramenta.</p><p>Hoje, o aplicativo é composto por quatro plugins: Ladybug,</p><p>Honeybee, Butterfly e Dragonfly. Vale lembrar que os quatro</p><p>aplicativos atuam de forma integrada, configurando uma malha</p><p>densa de conexões, como ilustrado pela Figura 03.04.</p><p>O Ladybug permite a visualização e análise de arquivos climáticos</p><p>no Grasshopper, o que inclui uma gama de diagramas 2D e 3D,</p><p>como rosa dos ventos, cartas psicrométricas e cartas solares,</p><p>que norteiam as decisões do processo projetual durante suas</p><p>primeiras etapas. Além disso, também apresenta recursos para a</p><p>P. Quente</p><p>P. Frio</p><p>Localização dos</p><p>data loggers na Res.</p><p>Marlene Milan.</p><p>Localização dos data</p><p>loggers na Res. Hélio</p><p>Olga.</p><p>Rede de softwares,</p><p>aplicativos e estudos</p><p>relacionados ao</p><p>Ladybug Tools.</p><p>Localização dos data</p><p>loggers no Complexo</p><p>Residencial Vila</p><p>Butantã.</p><p>Fonte: Elaboração própria.</p><p>Fonte: Elaboração própria.</p><p>Fonte: LADYBUG TOOLS,</p><p>2021.</p><p>Fonte: Elaboração própria.</p><p>Figura 03.01</p><p>Figura 03.02</p><p>Figura 03.04</p><p>Figura 03.03</p><p>Dados térmicos Dados lumínicos Ambos Área de coleta de</p><p>dados acústicos</p><p>242 243A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>elaboração de estudos de radiação solar, de exposição solar, de</p><p>mascaramentos, de sombras, entre outros.</p><p>O Honeybee oferece suporte a estudos avançados de iluminação</p><p>natural e modelagens termodinâmicas, sendo instrumento</p><p>valioso na análise ambiental de projetos. Especificamente,</p><p>é responsável por criar, executar e visualizar os resultados</p><p>de simulações de luz natural realizados pela ferramenta de</p><p>simulação de iluminação Radiance, de modelos energéticos do</p><p>EnergyPlus e OpenStudio e de fluxo de calor através de detalhes</p><p>construtivos segundo o Berkeley Lab Therm e o Window. Isso</p><p>porque foi desenvolvido como uma Interface de Programação de</p><p>Aplicação (do inglês, Application Programming Interface – API),</p><p>ou seja, ele apresenta uma série de funções acessíveis apenas</p><p>por programação que permitem a utilização de características de</p><p>outro software menos evidente ao programador. Grosso modo,</p><p>ele é uma interface preliminar mais amigável, encarregada de</p><p>toda a configuração das simulações que, no entanto, serão</p><p>realizadas em outros programas computacionais.</p><p>À semelhança do Honeybee, o Butterfly também foi desenvolvido</p><p>como plugin do Grasshopper e é responsável pela configuração</p><p>e simulação computacional de dinâmica dos fluidos por meio</p><p>do software OpenFOAM. É, portanto, uma ferramenta útil para</p><p>simulações de ventilação em escala urbana e do edifício.</p><p>O Dragonfly permite a modelagem e previsão de fenômenos</p><p>climáticos em grande escala, como ilhas de calor, e o estudo</p><p>da influência de fatores locais no clima, como a topografia. As</p><p>simulações são realizadas por meio dos software Urban Weather</p><p>Generator e o CitySim.</p><p>Além desses plugins, também foi utilizado o Pachyderm Acoustic</p><p>Simulation como instrumento para análise da ambiência acústica</p><p>das residências. É um plugin destinado à previsão, visualização e</p><p>propagação do som, desenvolvido por Arthur van der Harten e</p><p>integrado ao Grasshopper e ao Rhinoceros 3D.</p><p>De forma a embasar as avaliações termo-lumínicas, foram</p><p>produzidos mascaramentos das principais áreas iluminantes</p><p>de cada recinto, em situações com e sem vegetação, a partir de</p><p>pontos nos peitoris de janelas de modo a avaliar a incidência solar</p><p>nas fachadas. Tais estudos são parte constituinte das Análises dos</p><p>Ambientes apresentadas no Capítulo 2. Somado a isso, também</p><p>foram feitos estudos de penetração solar nos ambientes para os</p><p>períodos anual, de verão e de inverno, evidenciando, com isso, as</p><p>áreas que recebem maior período de horas anuais de insolação.</p><p>Esses estudos constam no Apêndice B.</p><p>Informações mais detalhadas acerca dos procedimentos e</p><p>metodologias utilizados para os três temas de avaliação serão</p><p>descritas a seguir.</p><p>Como relatado, a ambiência térmica das residências foi simulada</p><p>por meio dos software EnergyPlus 9.3.0 e OpenStudio 3.0.1 e</p><p>programadas com o auxílio dos plugins Ladybug e Honeybee.</p><p>Para a simulação, foram desenvolvidos modelos computacionais</p><p>simplificados de todos os recintos de cada residência,</p><p>conservando as características geométricas e de implantação</p><p>(orientações), propriedades térmicas e composições dos</p><p>elementos transparentes, paredes e cobertura dos projetos.</p><p>Cada ambiente das casas foi modelado de forma a configurar</p><p>uma zona térmica. Ambientes integrados, quando se julgou</p><p>pertinente, foram modelados como múltiplas zonas térmicas,</p><p>separadas por paredes de ar (air walls) – como no caso da</p><p>Residência Marlene Milan, em que a sala, localizada no piso</p><p>intermediário, encontra-se integrada com hall de acesso e sala</p><p>de jantar, no piso inferior, e corredor de acesso aos quartos,</p><p>no piso superior –, com vistas a uma aferição mais apurada de</p><p>dados. Quando da presença de coberturas ventiladas, essas</p><p>também foram modeladas como uma zona térmica individual.</p><p>Dispositivos de sombreamento também foram considerados</p><p>e, portanto, fazem parte do modelo de simulação, assim como</p><p>o entorno imediato e, quando existentes, desníveis naturais</p><p>do terreno e movimentos de terra no lote. Árvores e massas</p><p>vegetais, quase sempre presentes em abundância nos projetos,</p><p>tiveram sua modelagem simplificada e foram representadas por</p><p>um conjunto de superfícies dispostas em seis planos radiais e de</p><p>maneira a filtrar a radiação solar que incidiria nas fachadas.</p><p>Foi avaliada, para um cenário-base, a qualidade térmica de todas</p><p>as residências para o período de um ano[9], segundo um padrão de</p><p>uso e ocupação desenvolvido pelo autor e descrito a seguir. Apesar</p><p>do Censo Demográfico do IBGE (2010) indicar que a cidade de São</p><p>Paulo apresenta um maior número de famílias constituídas por duas</p><p>ou três pessoas, todos os projetos eram dotados de, pelo menos, três</p><p>dormitórios. Sendo assim, foi considerada uma família composta por</p><p>quatro pessoas: um casal e dois filhos. A partir dessa decisão, foram</p><p>produzidos dois modelos de uso e ocupação, um para</p><p>dias úteis</p><p>e outro para fins de semana, que pudessem representar a rotina</p><p>semanal dos moradores. As taxas metabólicas consideradas foram</p><p>definidas pelas atividades desenvolvidas no ambiente e segundo</p><p>indicações do Manual de Conforto Térmico de Frota e Schiffer</p><p>(2013). Os padrões desenvolvidos, bem como as taxas metabólicas</p><p>assumidas, foram sintetizados pela tabela a seguir.</p><p>[9] Foi utilizado um arquivo climático TMY desenvolvido a partir de aferições</p><p>entre 2004 e 2018. O arquivo encontra-se disponível em: , acesso em setembro de 2021.</p><p>TEMÁTICA I - TÉRMICA</p><p>244 245A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>A ocupação é umas das parcelas do que é conhecido por cargas</p><p>térmicas internas, que contribuirão para o aquecimento do</p><p>ambiente. Além dela, também colabora com a elevação das</p><p>temperaturas internas a carga produzida por equipamentos</p><p>e pelo sistema de iluminação artificial. Portanto, fez-se</p><p>necessária a definição de mais dois cronogramas associados aos</p><p>equipamentos e ao acionamento da luz artificial, derivados do</p><p>padrão semanal de uso e ocupação apresentado. Na linguagem</p><p>do EnergyPlus, esses cronogramas são conhecidos por schedules</p><p>e são alguns dos parâmetros da programação simulacional.</p><p>Para definição dos aparelhos a serem considerados, tomaram-</p><p>se como base as tabelas-síntese apresentadas pela Pesquisa</p><p>de Posse e Hábitos de Uso de Equipamentos Elétricos na Classe</p><p>Residencial (2019), coordenada pela Eletrobras, por intermédio</p><p>do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica -</p><p>Procel. Segundo o Relatório Técnico:</p><p>“Essas pesquisas constituem importante</p><p>instrumento de gestão, pois seus resultados</p><p>contribuem na orientação e planejamento das</p><p>ações do próprio Procel, além de também constar</p><p>na formulação de diversos planos do setor elétrico,</p><p>como por exemplo, o Plano Nacional de Eficiência</p><p>Energética, o Plano Nacional de Energia, o Plano</p><p>Decenal de Expansão de Energia, entre outros”</p><p>(ELETROBRAS, 2019).</p><p>A pesquisa tem abrangência nacional e busca entender o perfil</p><p>da posse e hábitos de uso de equipamentos elétricos na classe</p><p>residencial, permitindo uma leitura dos resultados pelo total</p><p>da amostra (Brasil), por região geográfica ou, ainda, por cada</p><p>estado – além do Distrito Federal. Para tanto, é desenvolvido um</p><p>levantamento direto por amostragem, onde pesquisas foram</p><p>feitas mediante aplicação de questionário nas capitais e nas</p><p>cidades com 100.000 domicílios ou mais[10] e, em uma segunda</p><p>etapa, os dados foram divididos entre as classes de renda</p><p>do Critério de Classificação Econômica Brasil, apresentado</p><p>originalmente por Kamakura e Mazzon (2013) e absorvido pela</p><p>Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) em 2015.</p><p>A saber: A1, B1, B2, C1, C2 e D-E.</p><p>O critério de seleção dos equipamentos a serem contabilizados</p><p>para o desenvolvimento do schedule foi a porcentagem de</p><p>posse acima de 70%, correspondendo aos seguintes aparelhos:</p><p>televisor, refrigerador, liquidificador e micro-ondas. Como o</p><p>padrão de uso e ocupação previa possíveis estudos e atividades</p><p>de homeoffice, também foram considerados um notebook e um</p><p>modem, este tido como ligado ininterruptamente. Ainda que</p><p>[10] Quando da inexistência de uma cidade em uma mesorregião com tal</p><p>número de domicílios, incorporaram à amostragem as cidades com o</p><p>maior número de unidades domiciliares.</p><p>TA</p><p>BE</p><p>LA</p><p>0</p><p>3.</p><p>04</p><p>–</p><p>C</p><p>RO</p><p>N</p><p>O</p><p>GR</p><p>AM</p><p>A</p><p>DE</p><p>O</p><p>CU</p><p>PA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>D</p><p>AS</p><p>R</p><p>ES</p><p>ID</p><p>ÊN</p><p>CI</p><p>AS</p><p>P</p><p>AR</p><p>A</p><p>DI</p><p>AS</p><p>Ú</p><p>TE</p><p>IS</p><p>E</p><p>F</p><p>IN</p><p>S</p><p>DE</p><p>S</p><p>EM</p><p>AN</p><p>A</p><p>N</p><p>°</p><p>IN</p><p>ÍC</p><p>IO</p><p>FI</p><p>M</p><p>DO</p><p>M</p><p>IN</p><p>GO</p><p>SE</p><p>M</p><p>AN</p><p>AL</p><p>SÁ</p><p>BA</p><p>DO</p><p>D,</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D,</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>D,</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D,</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>D,</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D,</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>80</p><p>W</p><p>10</p><p>0</p><p>W</p><p>11</p><p>5</p><p>W</p><p>13</p><p>0</p><p>W</p><p>13</p><p>0</p><p>W</p><p>80</p><p>W</p><p>10</p><p>0</p><p>W</p><p>11</p><p>5</p><p>W</p><p>13</p><p>0</p><p>W</p><p>13</p><p>0</p><p>W</p><p>80</p><p>W</p><p>10</p><p>0</p><p>W</p><p>11</p><p>5</p><p>W</p><p>13</p><p>0</p><p>W</p><p>13</p><p>0</p><p>W</p><p>0</p><p>00</p><p>:0</p><p>1</p><p>01</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>01</p><p>:0</p><p>1</p><p>02</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>2</p><p>02</p><p>:0</p><p>1</p><p>03</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>3</p><p>03</p><p>:0</p><p>1</p><p>04</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>4</p><p>04</p><p>:0</p><p>1</p><p>05</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>5</p><p>05</p><p>:0</p><p>1</p><p>06</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>6</p><p>06</p><p>:0</p><p>1</p><p>07</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>7</p><p>07</p><p>:0</p><p>1</p><p>08</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>62</p><p>5</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>8</p><p>08</p><p>:0</p><p>1</p><p>09</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>12</p><p>5</p><p>0</p><p>0,</p><p>25</p><p>1</p><p>0</p><p>0,</p><p>37</p><p>5</p><p>0</p><p>9</p><p>09</p><p>:0</p><p>1</p><p>10</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0,</p><p>12</p><p>5</p><p>0,</p><p>37</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>10</p><p>10</p><p>:0</p><p>1</p><p>11</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>12</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>11</p><p>11</p><p>:0</p><p>1</p><p>12</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>75</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>12</p><p>12</p><p>:0</p><p>1</p><p>13</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>25</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>13</p><p>13</p><p>:0</p><p>1</p><p>14</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>75</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>14</p><p>14</p><p>:0</p><p>1</p><p>15</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0,</p><p>25</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>37</p><p>5</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>15</p><p>15</p><p>:0</p><p>1</p><p>16</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>1</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0</p><p>16</p><p>16</p><p>:0</p><p>1</p><p>17</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0</p><p>17</p><p>17</p><p>:0</p><p>1</p><p>18</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>25</p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247A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>fogões elétricos não sejam comuns, a existência de fogões a gás</p><p>é quase imperial, sendo computado juntamente a um exaustor.</p><p>As potências nominais foram baseadas nas indicações do Manual</p><p>de Conforto Térmico (2013) e na Tabela 9A – Potência média e</p><p>consumo típicos de aparelhos residenciais e comerciais da Norma</p><p>de Distribuição 5.1 (2017) da Companhia Energética de Minas</p><p>Gerais (CEMIG).</p><p>Com relação ao schedule de iluminação artificial, a revisão</p><p>da ABNT NBR 15575-1:2021 apresenta, como orientação para</p><p>as simulações de desempenho ambiental, uma densidade</p><p>de potência instalada de 5 W/m² para salas, dormitórios e</p><p>ambientes de uso misto. Tal grandeza também foi estimada</p><p>para os ambientes avaliados de cada residência a partir da</p><p>contagem de lâmpadas em fotografias feitas durante visita às</p><p>obras e, quando existente, em projeto elétrico/luminotécnico.</p><p>Assim sendo, densidades inferiores às recomendadas em</p><p>norma foram descartadas e tomou-se o valor de 5 W/m² como</p><p>limite mínimo para as simulações. Com relação ao cronograma</p><p>de acionamento, de forma geral, a iluminação é ligada em salas</p><p>e dormitórios apenas no período das 17h às 8h, sempre que</p><p>haja ocupação e exceto nos horários de “sono”. Com relação às</p><p>cozinhas e salas de jantar, as lâmpadas são acesas sempre que</p><p>haja ocupação.</p><p>Nas páginas seguintes são apresentados os schedules</p><p>desenvolvidos para o uso de equipamentos (Tabela 03.05) e para</p><p>o acionamento da iluminação natural (Tabela 03.06).</p><p>Outro ponto de grande importância para a simulação diz</p><p>respeito à ventilação e à infiltração, principais mecanismos de</p><p>perda calorífica. A simulação foi realizada considerando todas as</p><p>portas internas fechadas. Assim, a contribuição para a retirada</p><p>de calor interna se deu majoritariamente pelas aberturas</p><p>presentes nas paredes externas de cada zona térmica. Para zonas</p><p>integradas por air walls, em que exista mescla de ar, assumiu-</p><p>se uma taxa de mistura de 0,2 m³/s por m² de superfície[11]. A</p><p>taxa de infiltração externa elegida para as zonas foi de 0,0006</p><p>m³/s por área de fachada. O EnergyPlus geralmente assume,</p><p>para um edifício comum, a taxa de 0,0003 m³/s por dimensão</p><p>da superfície exposta (ASHRAE, 2019), contudo, tendo em mente</p><p>que o software</p><p>foi desenvolvido nos EUA, onde os projetos são</p><p>construídos com sistemas de aberturas mais herméticos para</p><p>suportar o frio intenso, optou-se pela taxa mais alta, comumente</p><p>aplicada aos conhecidos leaky buildings.</p><p>[11] O programa recomenda uma taxa de 0,0963 m³/s por área de superfície</p><p>para condições de baixa velocidade do ar interno. Como assumiu-se</p><p>que, nesses casos, possa ocorrer ventilação cruzada, a taxa de mistura</p><p>foi dobrada e seu valor arredondado. Essa decisão foi metodológica e</p><p>há ciência de que tal valor pode alterar de projeto a projeto, bem como</p><p>segundo as configurações das aberturas dos ambientes.</p><p>TA</p><p>BE</p><p>LA</p><p>0</p><p>3.</p><p>05</p><p>–</p><p>C</p><p>RO</p><p>N</p><p>O</p><p>GR</p><p>AM</p><p>A</p><p>DE</p><p>U</p><p>SO</p><p>D</p><p>E</p><p>EQ</p><p>U</p><p>IP</p><p>AM</p><p>EN</p><p>TO</p><p>S</p><p>DA</p><p>S</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DÊ</p><p>N</p><p>CI</p><p>AS</p><p>P</p><p>AR</p><p>A</p><p>DI</p><p>AS</p><p>Ú</p><p>TE</p><p>IS</p><p>E</p><p>F</p><p>IN</p><p>S</p><p>DE</p><p>S</p><p>EM</p><p>AN</p><p>A</p><p>N</p><p>°</p><p>IN</p><p>ÍC</p><p>IO</p><p>FI</p><p>M</p><p>DO</p><p>M</p><p>IN</p><p>GO</p><p>SE</p><p>M</p><p>AN</p><p>AL</p><p>SÁ</p><p>BA</p><p>DO</p><p>D.</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D.</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>D.</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D.</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>D.</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D.</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>-</p><p>65</p><p>W</p><p>30</p><p>0</p><p>W</p><p>12</p><p>00</p><p>0</p><p>W</p><p>-</p><p>-</p><p>65</p><p>W</p><p>30</p><p>0</p><p>W</p><p>12</p><p>00</p><p>0</p><p>W</p><p>-</p><p>-</p><p>65</p><p>W</p><p>30</p><p>0</p><p>W</p><p>12</p><p>00</p><p>0</p><p>W</p><p>-</p><p>0</p><p>00</p><p>:0</p><p>1</p><p>01</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>1</p><p>01</p><p>:0</p><p>1</p><p>02</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>2</p><p>02</p><p>:0</p><p>1</p><p>03</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>3</p><p>03</p><p>:0</p><p>1</p><p>04</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>4</p><p>04</p><p>:0</p><p>1</p><p>05</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>5</p><p>05</p><p>:0</p><p>1</p><p>06</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>6</p><p>06</p><p>:0</p><p>1</p><p>07</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>7</p><p>07</p><p>:0</p><p>1</p><p>08</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>17</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>8</p><p>08</p><p>:0</p><p>1</p><p>09</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>11</p><p>9</p><p>0</p><p>9</p><p>09</p><p>:0</p><p>1</p><p>10</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>35</p><p>2</p><p>0,</p><p>11</p><p>9</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>68</p><p>4</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>10</p><p>10</p><p>:0</p><p>1</p><p>11</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>68</p><p>4</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>90</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>11</p><p>11</p><p>:0</p><p>1</p><p>12</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>36</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>90</p><p>0,</p><p>11</p><p>4</p><p>0</p><p>12</p><p>12</p><p>:0</p><p>1</p><p>13</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>35</p><p>2</p><p>0,</p><p>61</p><p>6</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>58</p><p>0</p><p>13</p><p>13</p><p>:0</p><p>1</p><p>14</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02</p><p>0,</p><p>02</p><p>3</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>02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249A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>Com relação ao schedule de abertura de janelas para a ventilação</p><p>natural, duas premissas foram tidas como norteadoras. A</p><p>primeira delas está relacionada com os setpoints[12] para o</p><p>condicionamento da ventilação natural e a segunda a um</p><p>cronograma prévio de abertura de janelas.</p><p>A revisão da ABNT NBR 15575-1:2021 apresenta as seguintes</p><p>condições para a ocorrência de ventilação natural, ou seja, a</p><p>abertura de janelas:</p><p>“— quando a temperatura de bulbo seco interna do</p><p>APP [área de permanência prolongada] for igual ou</p><p>superior a 19 °C; e</p><p>— quando a temperatura de bulbo seco interna</p><p>for superior à temperatura de bulbo seco externa”</p><p>(ABNT NBR 15575-1, 2021, complemento do autor).</p><p>Apesar de não apresentar orientações quanto ao fechamento das</p><p>aberturas, algumas pesquisas relacionadas a conforto térmico</p><p>na cidade de São Paulo (MORIKAWA, 2012; GONÇALVES e BODE,</p><p>2015; UZUM, 2018) apontam para a necessidade de supressão</p><p>da ventilação natural sempre que as temperaturas externas</p><p>ultrapassem os 30 °C. Isso porque, associado à massa térmica,</p><p>torna-se uma estratégia de conservação da temperatura em</p><p>recintos fechados, já que as temperaturas internas se elevariam</p><p>quando da penetração do ar quente externo.</p><p>Uma hipótese metodológica levantada pelos pesquisadores</p><p>seria a utilização dos limites mínimo e máximo da zona de</p><p>conforto para o Modelo Adaptativo da ASHRAE 55 (2020),</p><p>calculados para uma aceitabilidade de 80% e segundo a</p><p>temperatura externa média predominante da semana típica de</p><p>verão, como valores de setpoint para a ventilação natural. No</p><p>caso do banco climático utilizado, os limites mínimo e máximo</p><p>para essas condições são, respectivamente, 21,35 °C e 28,35 °C.</p><p>Testes foram realizados com as possibilidades supracitadas e</p><p>também com combinações entre elas. Entre as duas opções de</p><p>setpoint para o início da ventilação, o valor de 21,35 °C resultou</p><p>em porcentagens maiores de conforto, visto que, para grande</p><p>parte das madrugadas dos períodos amenos e para o período</p><p>de inverno, a temperatura de 19 °C elevou a porcentagem de</p><p>desconforto por frio. Com relação aos valores referentes ao</p><p>fechamento das janelas, a marca de 30 °C, outrora testada</p><p>em pesquisas diversas, mostrou-se um bom indicador para</p><p>ambientes que não estivessem imediatamente sob a cobertura.</p><p>Já o limite máximo da zona de conforto apresentou melhores</p><p>resultados de aceitabilidade para ambientes com cobertura</p><p>exposta e porcentagens semelhantes ou ligeiramente piores</p><p>[12] Setpoints são valores-alvos que precisam ser atingidos para que haja</p><p>ou não alguma condição.</p><p>TA</p><p>BE</p><p>LA</p><p>0</p><p>3.</p><p>06</p><p>–</p><p>C</p><p>RO</p><p>N</p><p>O</p><p>GR</p><p>AM</p><p>A</p><p>DE</p><p>A</p><p>CI</p><p>O</p><p>N</p><p>AM</p><p>EN</p><p>TO</p><p>D</p><p>A</p><p>IL</p><p>U</p><p>M</p><p>IN</p><p>AÇ</p><p>ÃO</p><p>A</p><p>RT</p><p>IF</p><p>IC</p><p>IA</p><p>L</p><p>DA</p><p>S</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DÊ</p><p>N</p><p>CI</p><p>AS</p><p>P</p><p>AR</p><p>A</p><p>DI</p><p>AS</p><p>Ú</p><p>TE</p><p>IS</p><p>E</p><p>F</p><p>IN</p><p>S</p><p>DE</p><p>S</p><p>EM</p><p>AN</p><p>A</p><p>N</p><p>°</p><p>IN</p><p>ÍC</p><p>IO</p><p>FI</p><p>M</p><p>DO</p><p>M</p><p>IN</p><p>GO</p><p>SE</p><p>M</p><p>AN</p><p>AL</p><p>SÁ</p><p>BA</p><p>DO</p><p>D.</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D.</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>D.</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D.</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>D.</p><p>ca</p><p>sa</p><p>l</p><p>D.</p><p>fi</p><p>lh</p><p>os</p><p>Sa</p><p>la</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Ja</p><p>nt</p><p>ar</p><p>0</p><p>00</p><p>:0</p><p>1</p><p>01</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>01</p><p>:0</p><p>1</p><p>02</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>2</p><p>02</p><p>:0</p><p>1</p><p>03</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>3</p><p>03</p><p>:0</p><p>1</p><p>04</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>4</p><p>04</p><p>:0</p><p>1</p><p>05</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>5</p><p>05</p><p>:0</p><p>1</p><p>06</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>6</p><p>06</p><p>:0</p><p>1</p><p>07</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>7</p><p>07</p><p>:0</p><p>1</p><p>08</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0,</p><p>25</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>8</p><p>08</p><p>:0</p><p>1</p><p>09</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>9</p><p>09</p><p>:0</p><p>1</p><p>10</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>10</p><p>10</p><p>:0</p><p>1</p><p>11</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>11</p><p>11</p><p>:0</p><p>1</p><p>12</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>12</p><p>12</p><p>:0</p><p>1</p><p>13</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>13</p><p>13</p><p>:0</p><p>1</p><p>14</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>14</p><p>14</p><p>:0</p><p>1</p><p>15</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>15</p><p>15</p><p>:0</p><p>1</p><p>16</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>16</p><p>16</p><p>:0</p><p>1</p><p>17</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>17</p><p>17</p><p>:0</p><p>1</p><p>18</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0</p><p>18</p><p>18</p><p>:0</p><p>1</p><p>19</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>19</p><p>19</p><p>:0</p><p>1</p><p>20</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>20</p><p>20</p><p>:0</p><p>1</p><p>21</p><p>:0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p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251A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>para as demais zonas. Uma vez que a tipologia analisada pela</p><p>pesquisa são residências, julgou-se mais pertinente a aplicação</p><p>do valor de 28,35 °C.</p><p>Assim como para as cargas internas, também foi desenvolvido</p><p>um schedule para a operação de janelas. Além do padrão de</p><p>uso e ocupação desenvolvido, também foram levadas em</p><p>conta as estações do ano, produzindo, com isso, cronogramas</p><p>sazonais. Devido às configurações dos projetos, considerou-se</p><p>também que os dormitórios poderiam ser ventilados por 24h.</p><p>Vale ressaltar que, para que ocorra ventilação natural, as duas</p><p>condições precisam ser contempladas (schedule e setpoint).</p><p>Por fim, um último parâmetro importante para a simulação é</p><p>o cronograma de acionamento de dispositivos de bloqueio</p><p>solar móveis (persianas e cortinas), externos ou internos,</p><p>que têm a função de barrar a radiação direta. Para tanto,</p><p>foram desenvolvidos schedules de sombreamento sazonais</p><p>condizentes com períodos específicos do ano em que há a</p><p>necessidade de redução do ganho de calor solar. Ressalta-se</p><p>também que, quando em uso, o software entende os dispositivos</p><p>de sombreamento como barreiras à entrada de vento, reduzindo,</p><p>dessa maneira, a circulação de ar no ambiente. Os cronogramas</p><p>desenvolvidos tanto para ventilação, quanto para sombreamento</p><p>são apresentados na Tabela 03.07.</p><p>Com citado anteriormente, o modelo térmico aplicado para</p><p>avaliação de conforto foi o Modelo Adaptativo, segundo a</p><p>ASHRAE 55 (2020). Diferentemente das medições, o aplicativo</p><p>Ladybug Tools traça os limites da zona de conforto segundo a</p><p>temperatura média externa predominante de cada mês.</p><p>Além do Cenário-Base, simulado para todas as residências, foram</p><p>definidos cenários personalizados para cada estudo de caso, de</p><p>modo a avaliar a estratégia arquitetônica que, a partir de análise</p><p>projetual e dos levantamentos in loco, julgou-se serem a de</p><p>maior relevância à qualidade térmica avaliada. As estratégias</p><p>avaliadas para cada residência e seus respectivos cenários são</p><p>apresentados pela Tabela 03.08.</p><p>Como resultados da simulação, foram extraídas as porcentagens</p><p>de horas em conforto e desconforto (por frio e calor) para períodos</p><p>anual e sazonais das salas e dormitórios segundo as condições</p><p>relatadas neste item. Além disso, foram produzidos gráficos-</p><p>síntese com semanas típicas de verão e de inverno, que contêm</p><p>as temperaturas operativas de todos os cenários, sobrepostas à</p><p>temperatura do ar externa e à radiação global, ambas grandezas</p><p>provenientes do arquivo climático, bem como à zona de conforto,</p><p>calculada como relatado anteriormente.</p><p>Os resultados obtidos nas avaliações simulacionais avançadas</p><p>de térmica são apresentados no Capítulo 5 desta dissertação.</p><p>TA</p><p>BE</p><p>LA</p><p>0</p><p>3.</p><p>07</p><p>–</p><p>C</p><p>RO</p><p>N</p><p>O</p><p>GR</p><p>AM</p><p>AS</p><p>S</p><p>AZ</p><p>O</p><p>N</p><p>AI</p><p>S</p><p>PA</p><p>RA</p><p>O</p><p>CO</p><p>RR</p><p>ÊN</p><p>CI</p><p>A</p><p>DE</p><p>V</p><p>EN</p><p>TI</p><p>LA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>N</p><p>AT</p><p>U</p><p>RA</p><p>L</p><p>E</p><p>AC</p><p>IO</p><p>N</p><p>AM</p><p>EN</p><p>TO</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>DI</p><p>SP</p><p>O</p><p>SI</p><p>TI</p><p>VO</p><p>S</p><p>DE</p><p>S</p><p>O</p><p>M</p><p>BR</p><p>EA</p><p>M</p><p>EN</p><p>TO</p><p>N</p><p>°</p><p>IN</p><p>ÍC</p><p>IO</p><p>FI</p><p>M</p><p>SO</p><p>LS</p><p>TÍ</p><p>CI</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>VE</p><p>RÃ</p><p>O</p><p>EQ</p><p>U</p><p>IN</p><p>Ó</p><p>CI</p><p>O</p><p>S</p><p>SO</p><p>LS</p><p>TÍ</p><p>CI</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>IN</p><p>VE</p><p>RN</p><p>O</p><p>VE</p><p>NT</p><p>IL</p><p>AÇ</p><p>ÃO</p><p>N</p><p>AT</p><p>UR</p><p>AL</p><p>SO</p><p>M</p><p>BR</p><p>EA</p><p>M</p><p>.</p><p>VE</p><p>NT</p><p>IL</p><p>AÇ</p><p>ÃO</p><p>N</p><p>AT</p><p>UR</p><p>AL</p><p>SO</p><p>M</p><p>BR</p><p>EA</p><p>M</p><p>.</p><p>VE</p><p>NT</p><p>IL</p><p>AÇ</p><p>ÃO</p><p>N</p><p>AT</p><p>UR</p><p>AL</p><p>SO</p><p>M</p><p>BR</p><p>EA</p><p>M</p><p>.</p><p>Do</p><p>rm</p><p>itó</p><p>rio</p><p>s</p><p>O</p><p>ut</p><p>ro</p><p>s</p><p>TO</p><p>DO</p><p>S</p><p>Do</p><p>rm</p><p>itó</p><p>rio</p><p>s</p><p>O</p><p>ut</p><p>ro</p><p>s</p><p>TO</p><p>DO</p><p>S</p><p>Do</p><p>rm</p><p>itó</p><p>rio</p><p>s</p><p>O</p><p>ut</p><p>ro</p><p>s</p><p>TO</p><p>DO</p><p>S</p><p>0</p><p>00</p><p>:0</p><p>1</p><p>01</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>01</p><p>:0</p><p>1</p><p>02</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>2</p><p>02</p><p>:0</p><p>1</p><p>03</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>3</p><p>03</p><p>:0</p><p>1</p><p>04</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>4</p><p>04</p><p>:0</p><p>1</p><p>05</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>5</p><p>05</p><p>:0</p><p>1</p><p>06</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>6</p><p>06</p><p>:0</p><p>1</p><p>07</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>7</p><p>07</p><p>:0</p><p>1</p><p>08</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>8</p><p>08</p><p>:0</p><p>1</p><p>09</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>0</p><p>9</p><p>09</p><p>:0</p><p>1</p><p>10</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>10</p><p>10</p><p>:0</p><p>1</p><p>11</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>11</p><p>11</p><p>:0</p><p>1</p><p>12</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>12</p><p>12</p><p>:0</p><p>1</p><p>13</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>13</p><p>13</p><p>:0</p><p>1</p><p>14</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>14</p><p>14</p><p>:0</p><p>1</p><p>15</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>15</p><p>15</p><p>:0</p><p>1</p><p>16</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>0</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>16</p><p>16</p><p>:0</p><p>1</p><p>17</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>1</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>17</p><p>17</p><p>:0</p><p>1</p><p>18</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0,</p><p>5</p><p>0,</p><p>5</p><p>1</p><p>0,</p><p>05</p><p>0,</p><p>05</p><p>0</p><p>18</p><p>18</p><p>:0</p><p>1</p><p>19</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>19</p><p>19</p><p>:0</p><p>1</p><p>20</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>20</p><p>20</p><p>:0</p><p>1</p><p>21</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>21</p><p>21</p><p>:0</p><p>1</p><p>22</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>22</p><p>22</p><p>:0</p><p>1</p><p>23</p><p>:0</p><p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>0</p><p>1</p><p>23</p><p>23<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253A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>As simulações de iluminação natural foram desenvolvidas por</p><p>meio do software Radiance 5.2 e com o auxílio do Ladybug Tools</p><p>na programação do arquivo. Diferentemente da modelagem</p><p>térmica, é desejável que o modelo de simulação seja o mais</p><p>realista possível, levando em conta as corretas dimensões e</p><p>posicionamentos de elementos e sistemas arquitetônicos.</p><p>Para tanto, foram construídos digitalmente modelos compostos</p><p>por elementos internos (piso, teto, caixilhos, aberturas, proteções</p><p>solares fixas e móveis, estruturas fixas e mobiliários sob medida</p><p>propostos durante a fase de projeto), mas também pelo entorno</p><p>imediato, desnível de terreno ou movimentação de terra no lote e</p><p>possíveis volumetrias presentes no projeto que não a residência</p><p>em si (anexos, depósitos, áreas técnicas). O entorno foi modelado</p><p>TEMÁTICA II - ILUMINAÇÃO NATURAL</p><p>TABELA 03.08 – ESTRATÉGIAS E CENÁRIOS DEFINIDOS PARA A AVALIAÇÃO DA AMBIÊNCIA TÉRMICA</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DÊ</p><p>NC</p><p>IA</p><p>M</p><p>AR</p><p>LE</p><p>NE</p><p>M</p><p>IL</p><p>AN</p><p>Estratégia avaliada: Sombreamento + isolamento da cobertura</p><p>Cenário 1 Cenário-base desconsiderando o sombreamento acometido pela</p><p>vegetação</p><p>Cenário 2 Cenário 1 desconsiderando o isolamento térmico acrescido à</p><p>cobertura</p><p>Cenário 3 Cenário 1 desconsiderando o sombreamento proveniente da</p><p>extensão da casca de concreto</p><p>Cenário 4 Cenário 2 desconsiderando o sombreamento proveniente da</p><p>extensão da casca de concreto</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DÊ</p><p>NC</p><p>IA</p><p>H</p><p>UG</p><p>O</p><p>KO</p><p>VA</p><p>DL</p><p>O</p><p>FF</p><p>Estratégia avaliada: Possibilidade de ventilação</p><p>Cenário 1 Basculantes dos cobogós do corredor do 1° pavimento fechadas</p><p>Cenário 2 Cobogós do corredor do 1° pav. substituídos por aberturas previstas</p><p>pelo arquiteto em croqui de projeto</p><p>Estratégia avaliada: Avaliação do pé-direito</p><p>Cenário 3 Substituição do pé-direito duplo por dois ambientes com os pés-</p><p>direitos dos ambientes conjugados</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DÊ</p><p>NC</p><p>IA</p><p>H</p><p>ÉL</p><p>IO</p><p>O</p><p>LG</p><p>A</p><p>Estratégia avaliada: Potencial da ventilação</p><p>Cenário 1 Avaliação da ventilação com as janelas 100% abertas</p><p>Cenário 2 Avaliação da ventilação com as janelas 75% abertas</p><p>Cenário 3 Avaliação da ventilação com as janelas 50% abertas</p><p>Cenário 4 Avaliação da ventilação com as janelas 25% abertas</p><p>Cenário 5 Avaliação da ventilação com as janelas 5% abertas</p><p>CO</p><p>NJ</p><p>UN</p><p>TO</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DE</p><p>NC</p><p>IA</p><p>L</p><p>VI</p><p>LA</p><p>B</p><p>UT</p><p>AN</p><p>TÃ Estratégia avaliada: Implantação</p><p>Cenário 1 Casa isolada no lote</p><p>Cenário 2 Casa geminada, porém, com suas fachadas alinhadas</p><p>Obs.: Os cenários-base não estão inclusos nessa tabela.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>como superfícies planas, desconsiderando detalhamentos e</p><p>pormenores das fachadas e a sua refletância média foi assumida</p><p>em 35%, seguindo recomendações da BS EN 17037 (2018).</p><p>A vegetação e massas arbóreas, à semelhança do desenvolvido</p><p>em térmica, também foram consideradas no modelo lumínico.</p><p>Como são elementos que filtram a luz natural, as copas das</p><p>árvores foram simplificadas para um agrupamento de seis</p><p>superfícies radiais perfuradas, com uma taxa de furos aproximada</p><p>de 30%. A refletância média aplicada foi de 10%.</p><p>Ressalta-se que os planos internos foram modelados segundo</p><p>seus</p><p>acabamentos e características óticas. Assim, elementos</p><p>compostos por materiais diversos, como armários sob medida</p><p>com estrutura em concreto aparente e fechamentos em chapa</p><p>compensada revestida, foram segmentados a fim de configurar</p><p>diferentes refletâncias de acordo com suas características.</p><p>Elementos translúcidos e superfícies envidraçadas foram</p><p>modeladas como panos únicos.</p><p>Para as simulações do cenário-base, portas e janelas foram</p><p>consideradas abertas, exceto as portas que dão acesso às</p><p>residências (de qualquer tipo, social ou de serviço). Elementos</p><p>de sombreamento móveis foram considerados recolhidos</p><p>quando da existência de tal possibilidade – como, por exemplo,</p><p>as janelas copacabanas presentes na Res. Hugo Kovadloff ou</p><p>as cortinas rolô da Res. Hélio Olga. Caso não fosse possível, tais</p><p>dispositivos foram representados de forma a liberar a maior</p><p>área iluminante possível para o ambiente interno. Quando</p><p>da possibilidade de diferentes aberturas dos dispositivos, foi</p><p>considerada a configuração mais favorável à ambiência lumínica.</p><p>Os estudos computacionais foram desenvolvidos para todas as</p><p>áreas das residências. O plano simulacional, para as áreas sociais</p><p>(sala, dormitórios e espaços comuns), foi posicionado a 75 cm do</p><p>piso acabado, enquanto que, para as áreas de serviço (cozinha,</p><p>lavanderias e banheiros), a 90 cm. Dessa forma, foi possível</p><p>aproximar as análises às alturas típicas dos planos de trabalho</p><p>desses ambientes.</p><p>Os planos foram mapeados por uma malha de pontos contínua</p><p>que, a grosso modo, seguiu uma distância padrão de 20 cm.</p><p>Os estudos foram realizados com um afastamento mínimo das</p><p>paredes, variando entre 5 e 10 cm de acordo com as proporções</p><p>do ambiente em questão.</p><p>A Tabela 03.09 apresenta alguns parâmetros de simulação</p><p>configurados no Radiance para a realização das simulações de</p><p>luz natural. Devido ao número de estudos de caso e de análises</p><p>executadas, foi necessária a ponderação de tais parâmetros de</p><p>modo a não resultar em simulações muito longas e, ao mesmo</p><p>tempo, não depreciar os resultados. Para tanto, foi selecionada</p><p>254 255A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>TABELA 03.09 – PRINCIPAIS PARÂMETROS DE SIMULAÇÃO DEFINIDOS NO RADIANCE PARA A</p><p>SIMULAÇÃO DE ILUMINAÇÃO NATURAL</p><p>Ambient</p><p>accurancy</p><p>Ambient</p><p>bounces</p><p>Ambient</p><p>divisions</p><p>Ambient</p><p>resolution</p><p>Ambient</p><p>super-samples</p><p>Direct</p><p>thresholding</p><p>-aa 0,15 -ab 4 -ad 512 -ar 228 -as 256 -dt 0,25</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>a qualidade média de simulação, intrínseca ao Ladybug Tools, e</p><p>alguns ajustes ainda foram realizados de forma a atingir melhores</p><p>avaliações.</p><p>Como primeiro levantamento desenvolvido, foram produzidos</p><p>estudos de Fator de Luz Diurna – FLD[13]. Esse tipo de estudo é</p><p>considerado como estático, conhecido em inglês por one-point</p><p>in time (MARCONDES CAVALERI et al., 2018). É definido pela razão</p><p>entre o nível de iluminância de um ponto interno ao edifício e</p><p>o nível de iluminância horizontal externa, sem obstruções, sob</p><p>condições de céu encoberto padronizado pela Commission</p><p>Internationale de l’Éclairage – CIE, apresentado segundo Moon e</p><p>Spencer, em 1942 (REINHART et al., 2006).</p><p>O FLD é um parâmetro relativamente simples e que, durante</p><p>os primeiros estágios do processo projetual, pode ser um</p><p>interessante instrumento para avaliar a qualidade da luz natural</p><p>em ambientes internos. Segundo o Daylighting and window</p><p>design: Lighting Guide 10, desenvolvido pela Chartered Institution</p><p>of Building Services Engineers (CBISE) em 1999:</p><p>“[…] um fator de luz diurna médio de 5% ou</p><p>mais garantirá que o ambiente interno pareça</p><p>substancialmente iluminado, exceto no início da</p><p>manhã, no final da tarde ou em dias excepcionalmente</p><p>encobertos. Um fator de luz diurna inferior a 2%</p><p>geralmente faz com que o ambiente pareça escuro;</p><p>é provável que a luz artificial seja acionada com</p><p>frequência” (CIBSE, 1999, tradução livre do autor)[14].</p><p>O mesmo documento ainda relata que, para ambientes</p><p>domésticos, 2% de fator de luz diurna ainda gera a sensação</p><p>de ambiente iluminado, embora atividades de maior acuidade</p><p>visual exijam o complemento da iluminação natural pelo uso</p><p>da artificial. A nível de conhecimento, o Code of practice for</p><p>daylighting (1992, apud CIBSE, 1999) recomenda um valor de 1%</p><p>de fator de luz diurna para dormitórios; 1,5% para salas de estar;</p><p>e 2% para cozinhas.</p><p>[13] Do inglês, Daylight Factor – DF.</p><p>[14] "[...] an average daylight factor of 5% or more will ensure that an interior</p><p>looks substantially daylit, except early in the morning, late in the</p><p>afternoon or on exceptionally dull days. An average daylight factor</p><p>below 2% generally makes a room look dull; electric lighting is likely to</p><p>be in frequent use" (CBISE, 1999).</p><p>Atualmente, o código foi substituído pela BS EN 17037: Daylighting</p><p>of Buildings (2018), em que os valores recomendados não mais</p><p>são informados por meio de FLD, mas sim expressos em lux, a</p><p>saber: 100 lux para dormitórios, 150 lux para salas e 200 lux para</p><p>cozinhas. Complementarmente, a normativa inglesa traz tabelas</p><p>que correlacionam valores de fator de luz diurna com níveis</p><p>mínimos de iluminância atingidos, segundo condições típicas</p><p>de céu para dez localidades inglesas e respectivos valores de</p><p>iluminância mediana externa global e difusa. Nota-se, portanto,</p><p>que a avaliação por meio do parâmetro de FLD está condicionada</p><p>ao tipo de céu predominante do local de projeto.</p><p>Em seguida, para uma análise mais abrangente, que abarcasse o</p><p>período anual, foram realizados estudos de níveis de iluminâncias</p><p>úteis (UDI)[15], método de avaliação dinâmica proposto por Nabil</p><p>e Mardaljevic (2005) e classificado como climate-based daylight</p><p>modelling[16]. O estudo pode ser definido como a porcentagem de</p><p>ocorrência anual de níveis de iluminância no plano de trabalho</p><p>que estão entre uma determina faixa de valores, considerada útil.</p><p>“A definição dessa faixa de iluminâncias foi baseada</p><p>em resultados de estudos de campo que registraram</p><p>as preferências e o comportamento de usuários de</p><p>edifícios naturalmente iluminados e qualificados</p><p>por dispositivos operáveis de sombreamento”</p><p>(CAVALERI et al., 2018).</p><p>Segundo Mardaljevic et al. (2011), a faixa de iluminâncias</p><p>considerada como úteis – ou seja, aquelas que são desejáveis ou,</p><p>ao menos, toleráveis – vai de 100 lux a 3000 lux. Valores abaixo de</p><p>100 lux são tidos como insuficientes e, apesar de alguns estudos</p><p>apontarem para efeitos benéficos à saúde, em longo prazo,</p><p>motivados pela exposição ocasional de altos níveis lumínicos</p><p>(WEBB, 2006 apud MARDALVEJIC et al., 2011), ocorrências que</p><p>excedam os 3000 lux devem ser cuidadosamente avaliadas para</p><p>não proporcionarem desconforto visual ou térmico.</p><p>A faixa de iluminâncias úteis pode, ainda, ser dividida em</p><p>suplementar, quando da necessidade de complementação</p><p>por luz artificial para o cumprimento de tarefas específicas, e</p><p>autônoma, quando a disponibilidade de luz natural é suficiente.</p><p>Resumidamente, as faixas podem ser divididas da seguinte forma:</p><p>I. UDI felt-short (UDI-f): Iluminâncias abaixo de 100 lux,</p><p>quando a disponibilidade de luz natural é considerada</p><p>insuficiente;</p><p>[15] Do inglês, Useful Daylight Illuminances.</p><p>[16] O termo foi utilizado pela primeira vez no título de um artigo apresentado</p><p>por Mardaljevic na CIBSE National Conference de 2006 (MARDALJEVIC,</p><p>2006). Na prática, diz respeito às simulações embasadas por parâmetros</p><p>de céu e Sol encontrados, ou derivados, de um arquivo climático padrão</p><p>que contenha dados horários para o período de um ano completo.</p><p>256 257A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>II. UDI supplementary (UDI-s): Iluminâncias entre 100 e 500</p><p>lux, quando a disponibilidade de luz natural está atrelada</p><p>ao tipo de atividade que se deseja realizar, podendo, ou</p><p>não, demandar complementação de luz artificial;</p><p>III. UDI autonomous (UDI-a): Iluminâncias entre 300 e 3000</p><p>lux, quando apenas a disponibilidade de luz natural</p><p>e inverno.</p><p>Quadro-resumo com os resultados obtidos nas</p><p>simulações de Fator de Luz Diurna (FLD) e</p><p>Níveis de Iluminâncias Úteis (Usefull Daylight</p><p>Illuminances - UDI) dos cenários propostos</p><p>para a Residência Marlene Milan.</p><p>Gráfico com dados simulados de tempo de</p><p>reverberação para a sala e dormitório</p><p>principal da Residência Marlene Milan.</p><p>Porcentagens de conforto e desconforto anual</p><p>e sazonais para a sala da Residência Hugo</p><p>Kovadloff.</p><p>Temperaturas operativas obtidas nos cenários</p><p>de simulação da sala da Residência Hugo</p><p>Kovadloff para semanas típicas de verão e</p><p>inverno.</p><p>Figura 05.20</p><p>Figura 05.21</p><p>Figura 05.22</p><p>Figura 05.23</p><p>Figura 05.24</p><p>Figura 05.25</p><p>Figura 05.26</p><p>Figura 05.27</p><p>Figura 05.28</p><p>Figura 05.29</p><p>Figura 05.30</p><p>Figura 05.31</p><p>Figura 05.32</p><p>Figura 05.33</p><p>Figura 05.34</p><p>Figura 05.35</p><p>Porcentagens de conforto e desconforto anual</p><p>e sazonais para o dormitório da Residência</p><p>Hugo Kovadloff.</p><p>Temperaturas operativas obtidas nos cenários de</p><p>simulação do dormitório da Residência Hugo</p><p>Kovadloff para semanas típicas de verão e</p><p>inverno.</p><p>Quadro-resumo com os resultados obtidos nas</p><p>simulações de Fator de Luz Diurna (FLD) e</p><p>Níveis de Iluminâncias Úteis (Usefull Daylight</p><p>Illuminances - UDI) dos cenários propostos</p><p>para a Residência Marlene Milan.</p><p>Gráfico com dados simulados de tempo de</p><p>reverberação para a sala e dormitório</p><p>principal da Residência Hugo Kovadloff.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Período quente.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>a sala da Residência Hélio Olga. Período</p><p>quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Período quente.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para o</p><p>dormitório da Residência Hélio Olga. Período</p><p>quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Período frio.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>a sala da Residência Hélio Olga. Período frio.</p><p>Figura 05.36</p><p>Figura 05.37</p><p>Figura 05.38</p><p>Figura 05.39</p><p>Figura 05.40</p><p>Figura 05.41</p><p>Figura 05.42</p><p>Figura 05.43</p><p>Figura 05.44</p><p>Figura 05.45</p><p>Figura 05.46</p><p>Figura 05.47</p><p>Figura 05.48</p><p>Figura 05.49</p><p>Figura 05.50</p><p>Figura 05.51</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Período frio.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para o</p><p>dormitório da Residência Hélio Olga. Período</p><p>frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para a</p><p>sala da Residência Hélio Olga. Temperaturas</p><p>amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Temperaturas amenas</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa</p><p>para o dormitório da Residência Hélio Olga.</p><p>Temperaturas amenas.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa</p><p>por período de medição para a sala da</p><p>Residência Hélio Olga.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de oitava para a sala da</p><p>Residência Hélio Olga.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de terço de oitava para</p><p>a sala da Residência Hélio Olga.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>período de medição para o dormitório da</p><p>Residência Hélio Olga.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de oitava para o</p><p>dormitório da Residência Hélio Olga.</p><p>Figura 05.52</p><p>Figura 05.53</p><p>Figura 05.54</p><p>Figura 05.55</p><p>Figura 05.56</p><p>Figura 05.57</p><p>Figura 05.58</p><p>Figura 05.59</p><p>Figura 05.60</p><p>Figura 05.61</p><p>Figura 05.62</p><p>Figura 05.63</p><p>Figura 05.64</p><p>Figura 05.65</p><p>Figura 05.66</p><p>Figura 05.67</p><p>Figura 05.68</p><p>337</p><p>337</p><p>344</p><p>354</p><p>356</p><p>356</p><p>357</p><p>357</p><p>358</p><p>358</p><p>359</p><p>359</p><p>360</p><p>360</p><p>361</p><p>361</p><p>362</p><p>362</p><p>363</p><p>363</p><p>364</p><p>364</p><p>365</p><p>365</p><p>366</p><p>366</p><p>367</p><p>367</p><p>368</p><p>368</p><p>368</p><p>369</p><p>369</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de terço de oitava para</p><p>o dormitório da Residência Hélio Olga.</p><p>Porcentagens de conforto e desconforto anual</p><p>e sazonais para a sala da Residência Hélio</p><p>Olga.</p><p>Temperaturas operativas obtidas nos cenários de</p><p>simulação da sala da Residência Hélio Olga</p><p>para semanas típicas de verão e inverno.</p><p>Porcentagens de conforto e desconforto anual</p><p>e sazonais para o dormitório da Residência</p><p>Hélio Olga.</p><p>Temperaturas operativas obtidas nos cenários de</p><p>simulação do dormitório da Residência Hélio</p><p>Olga para semanas típicas de verão e inverno.</p><p>Quadro-resumo com os resultados obtidos nas</p><p>simulações de Fator de Luz Diurna (FLD) e</p><p>Níveis de Iluminâncias Úteis (Usefull Daylight</p><p>Illuminances - UDI) dos cenários propostos</p><p>para a Residência Hélio Olga.</p><p>Gráfico com dados simulados de tempo de</p><p>reverberação para a sala e dormitório</p><p>principal da Residência Hélio Olga.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Período quente.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>a sala do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para o dormitório do Conj. Residencial</p><p>Vila Butantã. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório do Conj.</p><p>Residencial Vila Butantã. Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório do Conj. Residencial</p><p>Vila Butantã. Período quente.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para o</p><p>dormitório do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Período quente.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Período frio.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>a sala do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função</p><p>já é</p><p>considerada suficiente; e</p><p>IV. UDI exceeded (UDI-e): Iluminâncias acima de 3000 lux,</p><p>indicando que uma atenção especial é demandada para</p><p>que não haja desconfortos lumínicos e/ou térmicos. Sua</p><p>ocorrência, no entanto, não precisa ser evitada.</p><p>Finalizando os estudos de iluminação natural, houve o</p><p>interesse em avaliar o comportamento do ambiente durante</p><p>dias típicos de verão e de inverno, para condições de céu</p><p>claro e encoberto (totalizando quatro dias). Assim, foram</p><p>realizados estudos de níveis de iluminância horários para os</p><p>dias relatados, selecionados no arquivo climático a partir de</p><p>dados de nebulosidade e radiação solar (global, direta e difusa).</p><p>De certa forma, essas avaliações seriam um meio-termo entre</p><p>as simulações one-point in time e a climate-based daylight</p><p>modelling, uma vez que avaliam estaticamente dados lumínicos</p><p>a partir de um banco climático desenvolvido especificamente</p><p>para o local de implantação do projeto.</p><p>Analogamente às simulações térmicas, foram estipulados</p><p>cenários personalizados para cada residência, de modo a avaliar</p><p>o potencial de dispositivos de sombreamento e sua influência</p><p>na ambiência lumínica de cada projeto. Na página seguinte, a</p><p>Tabela 03.10 apresenta a síntese dos cenários selecionados, cujos</p><p>resultados são apresentados no Capítulo 5 desta dissertação.</p><p>TEMÁTICA III - ACÚSTICA</p><p>Para a avaliação acústica das residências, foram calculados</p><p>numericamente os valores de isolamento sonoro das fachadas</p><p>de salas e dormitórios de todos os estudos de caso segundo</p><p>a ISO 12354-3: Building acoustics – Estimation of acoustic</p><p>performance of buildings from the performance of elements.</p><p>Part 3: Airborne sound insulation against outdoor sound (2017)</p><p>e, complementando tais informações, foi simulado o tempo de</p><p>reverberação por banda de oitava para os mesmos ambientes</p><p>com o auxílio do Pachyderm Acoustic Simulation.</p><p>No que diz respeito ao cálculo dos isolamentos sonoros dos</p><p>vedos exteriores, a ISO 12354-3 elenca alguns parâmetros</p><p>comumente utilizados para caracterizar o desempenho de um</p><p>edifício, entre eles a diferença de nível padronizada ponderada</p><p>a 2 metros da fachada (D2m,nT,w) e o índice de redução sonora</p><p>aparente ponderado (R’w), ambos valores calculados na pesquisa</p><p>aqui apresentada.</p><p>O índice de redução sonora aparente de uma fachada (R’), para</p><p>um som difuso incidente, é calculado por meio da soma das</p><p>potências sonoras transmitidas por cada um dos elementos que</p><p>compõem a fachada, computadas de forma isolada, e acrescidas</p><p>das potências sonoras transmitidas por flanqueamento, ou seja,</p><p>ocasionadas por transmissão sonora indireta. Para tanto, utiliza-</p><p>se a seguinte fórmula de cálculo:</p><p>TABELA 03.10 – CENÁRIOS DEFINIDOS PARA A AVALIAÇÃO DA AMBIÊNCIA LUMÍNICA</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DÊ</p><p>NC</p><p>IA</p><p>M</p><p>AR</p><p>LE</p><p>NE</p><p>M</p><p>IL</p><p>AN</p><p>Cenário 1 Painel móvel dos dormitórios aberto em um ângulo de 45°.</p><p>Cenário 2 Painel móvel dos dormitórios aberto em um ângulo de 90°.</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DÊ</p><p>NC</p><p>IA</p><p>H</p><p>UG</p><p>O</p><p>KO</p><p>VA</p><p>DL</p><p>O</p><p>FF</p><p>Cenário 1</p><p>Ambas as persianas dos caixilhos dos dormitórios 50% abaixadas, sem</p><p>angulação, liberando a metade inferior da abertura para iluminação</p><p>natural.</p><p>Cenário 2</p><p>Apenas uma das persianas dos caixilhos dos dormitórios abaixada</p><p>totalmente, enquanto a outra encontra-se recolhida, liberando 50% de</p><p>um dos lados da janela para iluminação natural.</p><p>Cenário 3 As duas persianas da janela copacabana dos dormitórios 75%</p><p>abaixadas e inclinadas sob um ângulo de 30° em relação à fachada.</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DÊ</p><p>NC</p><p>IA</p><p>H</p><p>ÉL</p><p>IO</p><p>O</p><p>LG</p><p>A</p><p>Cenário 1 Todas as cortinas rolô da sala abaixadas.</p><p>Cenário 2 Cortinas rolô abaixadas de maneira intercalada, coincidindo com os</p><p>panos de vidro das janelas.</p><p>Cenário 3 Uma das folhas de veneziana de todos os caixilhos dos dormitórios</p><p>aberta 50%, liberando um vão aproximado de 25% de toda a janela.</p><p>Cenário 4</p><p>Em dormitórios com duas fachadas expostas, abertura total de</p><p>apenas uma das janelas: veneziana de orientação N-NE fechada e</p><p>veneziana L-SE ou N-NO (a depender do dormitório) totalmente aberta,</p><p>configurando uma área iluminante de 50% de uma única janela.</p><p>Cenário 5 Situação inversa à apresentada no Cenário 2.</p><p>CO</p><p>NJ</p><p>UN</p><p>TO</p><p>RE</p><p>SI</p><p>DE</p><p>NC</p><p>IA</p><p>L</p><p>VI</p><p>LA</p><p>B</p><p>UT</p><p>AN</p><p>TÃ</p><p>Cenário 1</p><p>As duas persianas móveis dos dormitórios posicionadas no centro da</p><p>caixilharia, coincidindo o centro da persiana com o centro da janela</p><p>e liberando 25% de vão de janela de cada lado dos dispositivos de</p><p>sombreamento.</p><p>Cenário 2 Persianas dos dormitórios posicionadas de tal forma que a área</p><p>iluminante equivale a aproximadamente 25% de todo o vão da janela.</p><p>Obs.: Os cenários-base não estão inclusos nessa tabela.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>258 259A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>Onde:</p><p>R’ é o índice de redução sonora aparente, em dB;</p><p>τe,i é a razão entre potência sonora irradiada por um</p><p>elemento i da fachada, devido às transmissões sonoras</p><p>diretas neste elemento, e a potência sonora total incidente</p><p>na fachada;</p><p>τf é a razão entre potência sonora irradiada por uma</p><p>fachada ou por um elemento de flanco f no ambiente</p><p>receptor, devido às transmissões sonoras marginais, e a</p><p>potência sonora total incidente na fachada;</p><p>n é o número de elementos que compõem a fachada</p><p>considerados na transmissão direta; e</p><p>m é o número de elementos de flanco da fachada.</p><p>Com relação aos elementos a serem considerados para</p><p>transmissão sonora direta, a normativa os divide em dois grupos:</p><p>(I) Pequenos elementos técnicos e (II) demais elementos. Cada</p><p>um dos tipos apresenta um cálculo de potência sonora, a saber:</p><p>Onde:</p><p>τe,i é a razão entre potência sonora irradiada por um</p><p>elemento i da fachada, devido às transmissões sonoras</p><p>diretas neste elemento, e a potência sonora total incidente</p><p>na fachada;</p><p>A0 é a área de absorção sonora equivalente de referência,</p><p>igual a 10 m²;</p><p>S é a área total da fachada como vista pelo lado interior,</p><p>isto é, a soma de todos os elementos, em m²; e</p><p>Dn,e,i é a diferença de nível sonoro normalizada de um</p><p>pequeno elemento i, em dB.</p><p>Onde:</p><p>τe,i é a razão entre potência sonora irradiada por um</p><p>elemento i da fachada, devido às transmissões sonoras</p><p>diretas neste elemento, e a potência sonora total incidente</p><p>na fachada;</p><p>Si é a área do elemento i, em m²;</p><p>S é a área total da fachada como vista pelo lado interior,</p><p>isto é, a soma de todos os elementos, em m²; e</p><p>Ri é o índice de redução sonora do elemento i, em dB.</p><p>Com relação à transmissão sonora por flancos, a ISO 12354-3</p><p>relata que, na maioria das vezes, não é necessário calcular sua</p><p>transmissão. Para casos com elementos rígidos, as transmissões</p><p>marginais podem ser incorporadas de forma global por meio da</p><p>subtração de 2 dB no índice de redução sonora encontrado, um</p><p>valor comumente aceitável e que vai a favor de uma estimativa de</p><p>segurança do cálculo. Tal aproximação foi aqui incorporada já que</p><p>todos os estudos de caso são constituídos por elementos rígidos.</p><p>Em se tratando de ruído de tráfego, o índice de redução sonora</p><p>aparente estimado para a fachada não precisa passar por</p><p>correções. Por outro lado, caso a fonte de ruído seja um alto-</p><p>falante (fonte pontual), é preciso acrescer 1 dB ao valor de R’</p><p>calculado.</p><p>Determinado o R’, pode-se ainda calcular a diferença de nível</p><p>padronizada a 2 metros da fachada (D2m,nT)[17], segundo a fórmula:</p><p>Onde:</p><p>D2m,nT é a diferença de nível padronizada a 2 metros da</p><p>fachada, em dB;</p><p>R’ é o índice de redução sonora aparente, em dB;</p><p>∆Lfs é a diferença de nível ocasionada pela influência do</p><p>formato da fachada, em dB;</p><p>Csab é a constante de Sabine, equivalente a 0,16 s/m;</p><p>V é o volume do ambiente receptor, em m³;</p><p>T0 é o tempo de reverberação de referência, igual a 0,5 s; e</p><p>S é a área total da fachada, em m².</p><p>O formato da fachada pode ter influências positivas ou negativas</p><p>na transmissão sonora dos vedos. As positivas se relacionam</p><p>com o fato de determinados elementos externos protegerem a</p><p>superfície da incidência sonora. Em contrapartida, os efeitos</p><p>negativos estão associados ao aumento</p><p>de reflexões sonoras,</p><p>propiciando situações mais reverberantes no plano da fachada.</p><p>O valor de ∆Lfs pode ser encontrado por meio da fórmula ou com</p><p>o auxílio de uma tabela fornecida pela norma, explicada adiante:</p><p>Onde:</p><p>∆Lfs é a diferença de nível ocasionada pela influência do</p><p>formato da fachada, em dB;</p><p>L1,2m é o nível de pressão sonora a uma distância frontal de</p><p>2 metros da fachada, em dB; e</p><p>L1,s é o nível de pressão sonora na superfície exterior do</p><p>plano da fachada, incluindo o efeito reflexivo do plano,</p><p>em dB.</p><p>[17] Diferenças de nível padronizadas a 2 metros da fachada ocasionadas</p><p>por ruídos de tráfego ou por ruídos de alto-falantes tendem a ser</p><p>equivalentes, sem demandar correções sistêmicas (Dtr,2m,nT ≈ Dls,2m,nT).</p><p>260 261A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>O Anexo C da normativa internacional, contudo, apresenta uma</p><p>tabela orientativa quanto aos dados a serem assumidos para ∆Lfs</p><p>(Tabela 03.11). A partir da combinação entre formato de fachada,</p><p>coeficiente de absorção sonora ponderado[18] do material</p><p>aplicado às superfícies inferiores de sacadas e a altura da linha</p><p>de visão da fonte sonora (Figura 03.05), é possível selecionar o</p><p>valor de ∆Lfs a ser computado no cálculo de D2m,nT.</p><p>Para as residências avaliadas, foi considerado, para todos os</p><p>casos, que a fonte sonora estava posicionada imediatamente</p><p>em frente à fachada (pior cenário), configurando uma altura de</p><p>linha de visão da fonte menor que 1,5 m. Além disso, não foi</p><p>constatado nenhum tipo de material absorvedor aplicado e, por</p><p>fim, nos casos em que a fachada não era totalmente plana, o</p><p>formato recaía na opção 2 gallery. A combinação entre essas três</p><p>condições resulta em um ∆Lfs equivalente a – 1 dB.</p><p>A partir do dado de diferença de nível padronizada a 2 metros</p><p>da fachada (D2m,nT) é possível estimar o nível de pressão sonora</p><p>interno sempre que se conheça o nível de pressão sonora que</p><p>chega na fachada a uma distância de 2 metros. Para o cálculo, é</p><p>aplicada a seguinte fórmula:</p><p>Onde:</p><p>L2 é o nível de pressão sonora médio no ambiente receptor,</p><p>em dB;</p><p>L1,2m é o nível de pressão sonora a uma distância frontal de</p><p>2 metros da fachada, em concordância com a ISO 16283-3</p><p>(2016), em dB; e</p><p>D2m,nT é a diferença de nível padronizada a 2 metros da</p><p>fachada, em concordância com o cálculo apresentado</p><p>pela ISO 12354-3 (2017), em dB;</p><p>T é o tempo de reverberação do ambiente receptor, em s; e</p><p>T0 é o tempo de reverberação de referência, igual a 0,5 s.</p><p>Os cálculos realizados foram desenvolvidos para os índices de</p><p>redução sonora ponderados dos elementos, conforme ABNT</p><p>NBR ISO 717-1: Acústica — Classificação de isolamento acústico</p><p>em edificações e elementos de edificações. Parte 1: Isolamento a</p><p>ruído aéreo (2021), ainda que tenha sido coletada grande parte</p><p>dos índices dos elementos por frequência.</p><p>Quando da existência de mobiliários sob medida junto às</p><p>fachadas, levou-se em consideração apenas o elemento mais</p><p>[18] O coeficiente de absorção sonora ponderado é calculado a partir de</p><p>uma derivação prática dos coeficientes de absorção sonora por</p><p>frequência de bandas de terço de oitava, em consonância ao exposto</p><p>pela ISO 11654:1997.</p><p>TABELA 03.11 – CONTRIBUIÇÃO DO FORMATO DA FACHADA PARA</p><p>O CÁLCULO DE ISOLAMENTO SONORO</p><p>ISO 12354-3:2017(E)</p><p>Table C.1 — Façade shape level difference for different façade shapes and sound source</p><p>orientations</p><p>ΔLfs</p><p>dB</p><p>1 plane 2 gallery 3 gallery 4 gallery 5 gallery</p><p>absorption</p><p>roof (αw) ⇒</p><p>does not apply ≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9 ≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9 ≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9 ≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9</p><p>line-of-sight</p><p>on façade:</p><p>2,5 m 0 1 1 2 2 2 3 3 4 6</p><p>6 balcony 7 balcony 8 balcony 9 terrace</p><p>open fence closed fence</p><p>absorption</p><p>roof (αw) ⇒</p><p>≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9 ≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9 ≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9 ≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9 ≤ 0,3 0,6 ≥ 0,9</p><p>line-of-sight</p><p>on façade:</p><p>2,5 m 1 2 3 2 3 4 1 1 2 4 4 5 6 6 7</p><p>NOTE The different façade shapes are indicated by a vertical cross-section with the outside to the left and</p><p>the sound source orientations are indicated by the height of the line of sight on the façade; see Figure C.1.</p><p>© ISO 2017 – All rights reserved 17</p><p>BS EN ISO 12354‑3:2017</p><p>Fonte: Tabela C1, Anexo C, ISO 12354-3 (2017).</p><p>Ilustração com os</p><p>principais parâmetros</p><p>para a definição da</p><p>influência do formato</p><p>das fachadas no</p><p>isolamento sonoro.</p><p>Fonte: ISO 12354-3 (2017),</p><p>adapatada pelo autor.</p><p>Figura 03.05</p><p>1: Absorção</p><p>2: Altura de linha de visão</p><p>3: Plano da fachada</p><p>4: Fonte sonora</p><p>262 263A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>externo. Para o cálculo das janelas, foi feita uma aproximação</p><p>levando em conta apenas os elementos envidraçados e</p><p>os elementos que compõem seu caixilho. Dispositivos de</p><p>sombreamento (persianas, cobogós, cortinas, etc) foram</p><p>desconsiderados visto que o pano de vidro acaba sendo o</p><p>elemento mais isolante da composição. Sabe-se, contudo, que</p><p>os elementos desconsiderados contribuiriam para o isolamento</p><p>da fachada, obtendo resultados mais favoráveis.</p><p>À semelhança da pesquisa de mestrado de Caproni (2012), foi</p><p>considerada, no cálculo do R’ das fachadas, a presença de frestas</p><p>em todo o perímetro de portas de correr e janelas, dotadas de</p><p>um valor de Rw = 0, de modo a representar pontos de fragilidade</p><p>no isolamento das fachadas. As espessuras das frestas foram</p><p>estipuladas tomando por base os levantamentos feitos pelo</p><p>autor citado acima (Tabela 03.12).</p><p>As simulações computacionais de acústica de ambientes fechados</p><p>foram realizadas com o Pachyderm Acoustics, um plugin de código</p><p>aberto composto por um conjunto de algoritmos simulacionais</p><p>e baseado em técnicas de acústica geométrica. Com base no</p><p>método híbrido, o software calcula a resposta impulsiva de uma</p><p>sala e, a partir disso, alguns parâmetros acústicos como Tempo</p><p>de Reverberação (TR), Early Decay Time (EDT), Clareza (C50,</p><p>C80) e Definição (D50). Por se tratar de ambientes comuns, são</p><p>apresentados apenas os resultados de tempo de reverberação,</p><p>em segundos[19].</p><p>Diferentemente dos demais modelos de simulação, os</p><p>ambientes foram construídos digitalmente de forma isolada, ou</p><p>seja, um ambiente por arquivo. A modelagem deve ser feita a</p><p>partir de superfícies isoladas, com suas normais voltadas para</p><p>o interior do ambiente. Os planos internos que configuram</p><p>o cômodo real devem ser tomados como referência para a</p><p>construção do modelo virtual, o qual não pode apresentar</p><p>aberturas ou frestas pelas quais a energia sonora seria dissipada.</p><p>Simplificações geométricas que não suscitem prejuízo às</p><p>análises são convenientes e recomendadas. Além disso, as</p><p>características acústicas dos materiais devem ser selecionadas</p><p>cuidadosamente a fim de produzir um levantamento acurado</p><p>que reflita bem a realidade. Para tanto, medições in loco são um</p><p>bom recurso para a calibração do modelo.</p><p>Na acústica geométrica são utilizados dois parâmetros, os</p><p>coeficientes de absorção e de espalhamento sonoro, variando</p><p>de 0 a 1 de acordo com as frequências de oitava. O primeiro</p><p>deles estabelece o quanto de energia acústica é absorvida pelas</p><p>superfícies, enquanto que o segundo define a capacidade de uma</p><p>[19] Tempo para a média espacial da densidade de energia sonora em um</p><p>recinto decair 60 dB após a interrupção da emissão sonora (ABNT NBR</p><p>ISO 3382-2).</p><p>superfície em espalhar de forma não especular (difusa) a parcela</p><p>de energia acústica que foi refletida. Além desses, coeficientes</p><p>de transparência (relacionados com os índices de transmissão</p><p>sonora) também são passíveis de configuração no plugin. Esses</p><p>dados são necessários para definir como as ondas sonoras se</p><p>comportarão no ambiente.</p><p>O coeficiente de absorção sonora é um parâmetro há muito</p><p>estudado e, por isso, seus dados são facilmente encontrados</p><p>em diversos referenciais (PATRÍCIO, 2018; BISTAFA, 2011;</p><p>VORLÄNDER,</p><p>2008). Contudo, o conceito de espalhamento</p><p>é relativamente novo, ganhando relevância no fim dos anos</p><p>90, o que dificulta asserções precisas e confiáveis. A literatura</p><p>acerca do tema ainda é muito limitada, apresentando valores</p><p>aproximados com base nas características das superfícies.</p><p>Keränem et al. (2003) relata que os coeficientes típicos de</p><p>espalhamento em estudos computacionais podem variar de 0,1</p><p>a 0,7, apresentando uma série de coeficientes utilizados pelo</p><p>software de simulação acústica de salas ODEON em modelos</p><p>acústicos (Tabela 03.13). Para as simulações, foi utilizado um</p><p>coeficiente de espalhamento padrão de 0,2, como recomendado</p><p>por Foged (2017).</p><p>TABELA 03.13 – COLEÇÃO DE COEFICIENTES DE ESPALHAMENTO</p><p>USADOS EM MODELOS ACÚSTICOS (SOFTWARE ODEON)</p><p>COEFICIENTE DE</p><p>ESPALHAMENTO DESCRIÇÃO DA SUPERFÍCIE</p><p>0,10 – 0,19 Largas superfícies planas</p><p>0,20 – 0,39 Largas superfícies parcialmente recortadas</p><p>0,40 – 0,59 Pequenas ou recortadas superfícies</p><p>0,60 – 0,89 Largas superfícies densamente recortadas</p><p>0,90 – 1,00 Pequenas superfícies densamente recortadas</p><p>Fonte: KERÄNEM et al., 2003.</p><p>TABELA 03.12 – DADOS CONSIDERADOS PARA ESPESSURAS DAS</p><p>FRESTAS DOS CAIXILHOS</p><p>CAIXILHOS TIPO</p><p>ESPESSURA DAS FRESTAS</p><p>Superior Inferior Laterais</p><p>Portas Correr 4 mm 6 mm 2 mm</p><p>Janelas</p><p>De correr 4 mm 4 mm 4 mm</p><p>Basculantes 4 mm 4 mm 2 mm</p><p>Para portas de giro, foi estabelecido um Rw condizente com a composição:</p><p>Porta com faces coladas e interior vazado, montada normalmente em</p><p>batente (Rw = 17 dB).</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor baseado em Caproni (2012).</p><p>264 265A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 3: Metodologia adotada</p><p>A simulação conta ainda com o posicionamento de uma fonte</p><p>sonora e de um receptor, minimamente. Para a simulação,</p><p>foram consideradas, ao menos, duas fontes sonoras do tipo</p><p>omnidirecional com potência sonora de 120 W para todas</p><p>as bandas de oitava. Os dodecaedros foram posicionados a</p><p>1,5 m do piso acabado e nos cantos dos ambientes, seguindo</p><p>as recomendações da ABNT NBR ISO 3382-2 (2017), relativa</p><p>a medições de tempo de reverberação em salas comuns. Na</p><p>ausência de informações acerca do distanciamento entre fonte</p><p>e paredes, optou-se por seguir as recomendações referentes</p><p>ao posicionamento dos microfones, distanciando as fontes em</p><p>1,0 m das superfícies que delimitam o cômodo.</p><p>A posição dos receptores também seguiu as premissas</p><p>estabelecidas pela ABNT NBR ISO 3382-2 (2017). A quantidade</p><p>de microfones variou de ambiente a ambiente, sendo dispostos</p><p>em uma malha homogênea de pontos e com alturas de 1,2 m,</p><p>1,5 m e 1,7 m em relação ao piso acabado.</p><p>A quantidade de raios lançados pela fonte deve ser suficiente</p><p>para que todas as superfícies da sala sejam alcançadas (BLEY,</p><p>2021). Foged (2017) sugere um cálculo simplificado para a</p><p>estimativa de raios a serem emitidos pela fonte, baseando-se no</p><p>volume da sala e em um fator que pode variar entre 25 e 50, a</p><p>depender da precisão desejada:</p><p>Onde:</p><p>N é o número de raios emitidos pela fonte;</p><p>V é o volume do ambiente analisado, em m³; e</p><p>f é o fator entre 25 e 50 que varia de acordo com a precisão</p><p>desejada para simulação.</p><p>As simulações foram realizadas para uma temperatura de 20 °C e</p><p>uma umidade relativa de 75%.</p><p>Os parâmetros acústicos calculados para as fachadas e os</p><p>tempos de reverberação simulados são apresentados no</p><p>Capítulo 5 desta dissertação.</p><p>Neste capítulo, é fornecido um levantamento</p><p>climático atualizado da cidade de São Paulo, onde</p><p>constam dados de temperatura, umidade relativa,</p><p>graus de iluminância, precipitação, direção dos</p><p>ventos etc. Os dados foram extraídos do arquivo</p><p>climático TMY. Além disso, também é apresentada</p><p>uma caracterização acústica da cidade, desenvolvida</p><p>segundo normativas e legislação correntes.</p><p>DIAGNÓSTICO CLIMÁTICO</p><p>E CARACTERIZAÇÃO</p><p>ACÚSTICA DA CIDADE DE</p><p>SÃO PAULO</p><p>268 269A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>O tempo e o clima[1] instigam a curiosidade do homem há mais</p><p>de dois mil anos, remontando à época dos grandes filósofos,</p><p>matemáticos e astrônomos gregos. Aristóteles ao defender e</p><p>provar sua teoria da esfericidade da Terra, identificou cinco</p><p>sistemas sazonais de temperatura conforme a incidência de</p><p>radiação solar na superfície terrestre, ocasionados pela inclinação</p><p>do planeta e por seu movimento de translação ao redor do Sol</p><p>(NASCIMENTO et al., 2016). Tal curiosidade suscitada pelo tema</p><p>não é à toa.</p><p>As condições climáticas do meio influenciam a humanidade de</p><p>forma direta e constante, desde ações banais e imperceptíveis,</p><p>como o ato de colocar um agasalho, até as mais complexas,</p><p>relacionadas à organização e à produção do espaço. O homem</p><p>depende do clima[2] e este tem papel ímpar na qualidade de</p><p>certos itens de necessidade básica à vida, como, por exemplo, o</p><p>ar que respiramos.</p><p>O ar provém da atmosfera terrestre e, portanto, é afetado pelo</p><p>clima local, capaz de alterar sua composição e seus níveis de</p><p>[1] Segundo Lamberts et al. (2014), “tempo é a variação diária das condições</p><p>atmosféricas, enquanto que o clima é a condição média do tempo em</p><p>uma dada região baseada em medições em longos períodos de tempo</p><p>(30 anos ou mais)”.</p><p>[2] Por muito tempo, a ênfase nos estudos climatológicos recaía</p><p>predominantemente no controle que o clima exercia sobre o homem,</p><p>negligenciando a relação inversa, ou seja, as ações do homem sobre o</p><p>clima. Se o homem depende do clima, o clima, por sua vez, é reflexo das</p><p>ações do homem. O aquecimento global testemunhado nas últimas</p><p>décadas e os eventos climáticos extremos cada vez mais intensos e</p><p>frequentes são sinais claros de uma mudança climática exacerbada e</p><p>há muito não vista. O sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre</p><p>Mudanças Climáticas (IPCC, 2021) aponta um aquecimento de 1,09 °C</p><p>(0,95 – 1,20 °C) na temperatura da superfície global na última década</p><p>(2011-2020) quando comparado a do período de 1850 a 1900 (período</p><p>mais recente em que há dados satisfatórios para a estimativa da</p><p>temperatura de superfície da Terra e comumente usado para</p><p>caracterizar o período pré-industrial). Esse aquecimento, contudo, é</p><p>notado de forma mais expressiva na superfície terrestre do que sobre os</p><p>oceanos – cerca de 1,59 °C (1,34 – 1,83 °C) sobre a terra e 0,88 °C (0,68</p><p>– 1,01 °C) sobre os oceanos. Ao comparar o período de 2010-2019 com o</p><p>pré-industrial, estima-se que o aquecimento da superfície global</p><p>ocasionado por ações antrópicas esteja entre a faixa de 0,8 e 1,3 °C, com</p><p>uma melhor estimativa de 1,07 °C. Ainda segundo o mesmo relatório, é</p><p>possível que, em médio prazo (2041-2060), a temperatura de superfície</p><p>global esteja entre 1,9 e 3,0 °C mais quente (melhor estimativa de 2,4 °C)</p><p>caso sigamos um cenário mais frouxo, com alta emissão de CO2. Nesse</p><p>mesmo cenário, em longo prazo (2081-2100), a taxa de aquecimento</p><p>pode variar entre 3,3 e 5,7 °C (melhor estimativa de 4,4 °C). Por outro</p><p>lado, ao optar por uma conduta mais rígida, em que as emissões de</p><p>gases de efeito estufa (GEE) sejam mantidas em declínio nesta década e</p><p>produzindo emissões líquidas zero até a metade do século, os valores</p><p>podem cair para as faixas de temperatura de 1,2 a 2,0 °C (melhor</p><p>estimativa de 1,6 °C) e de 1,0 a 1,8 °C (melhor estimativa de 1,4 °C) em</p><p>médio e longo prazo, respectivamente.</p><p>poluentes. Derisio (2012) lista os principais fatores climáticos que</p><p>podem interferir nos níveis de poluição atmosférica: velocidade</p><p>e direção do vento, temperatura e precipitação. Somado a isso,</p><p>a umidade relativa do ar, além de ser um indicador usado na</p><p>meteorologia para previsões do tempo, pode ter efeitos na saúde</p><p>e no conforto físico humanos. De acordo com a Organização</p><p>Mundial da Saúde (OMS), o intervalo de umidade do ar ideal para</p><p>a saúde humana está entre 30 e 50% (WHO, 2009 apud MORAES</p><p>et al., 2019). Em algumas épocas do ano esse valor tende a cair,</p><p>podendo atingir níveis considerados de alerta e emergência</p><p>(abaixo de 20%), especialmente no inverno. As regiões Centro-</p><p>Oeste e Sudeste do Brasil são, geralmente, as mais prejudicadas</p><p>com tal cenário de baixos índices de umidade.</p><p>O clima também está diretamente relacionado aos processos</p><p>geomorfológicos e de formação dos solos, bem como ao</p><p>crescimento e ao desenvolvimento de plantas, o que pode</p><p>interferir na disponibilidade de alimentos de um local ou até</p><p>mesmo na impossibilidade de cultivo de algumas espécies.</p><p>Nesse sentido, as atividades econômicas humanas, como a</p><p>agricultura, o comércio e a indústria, também são pontos que</p><p>sofrem influência do clima em diversos graus (AYOADE, 2003).</p><p>Outro ponto a ser elucidado (e o que mais se relaciona com</p><p>a pesquisa desenvolvida) é o clima como condicionante da</p><p>arquitetura. A casa tem como função primeira a de abrigo, de</p><p>proteção do homem contra as intempéries do meio e contra</p><p>animais. Espera-se que um abrigo ofereça condições mais</p><p>favoráveis que o ambiente externo. Por exemplo, a expectativa</p><p>para períodos frios é de que as temperaturas internas sejam</p><p>maiores que as externas e, nos períodos quentes, mais amenas.</p><p>Para que isso seja alcançado, as condições climáticas são</p><p>fatores que pesam nas decisões projetuais, desde a escolha do</p><p>terreno, passando pela definição do sistema construtivo mais</p><p>pertinente e chegando à seleção dos materiais e das estratégias</p><p>a serem empregadas. Como já mencionado, Olgyay (1963)</p><p>estabeleceu, originalmente, a relação entre clima e arquitetura,</p><p>introduzindo a terminologia arquitetura bioclimática, com o</p><p>intuito de prover espaços confortáveis para o usuário, lançando</p><p>mão exclusivamente de recursos arquitetônicos. Sendo assim,</p><p>os projetos que seguem tal filosofia acabam apresentando boas</p><p>respostas às condições climáticas e, para desenvolvê-los, é</p><p>indispensável o entendimento do clima local.</p><p>Segundo Nascimento et al. (2016),</p><p>“As classificações climáticas se baseiam na</p><p>delimitação e descrição de diferentes parâmetros</p><p>climáticos, tendo como intuito final sistematizar,</p><p>sintetizar, simplificar, condensar e comunicar a</p><p>grande quantidade de informações referentes</p><p>270 271A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>às características do clima de dada localidade,</p><p>denominada de região ou de domínio climático.</p><p>Contudo, ressalta-se que não é possível delimitar</p><p>espacialmente com exatidão os limites climáticos,</p><p>pois o que se verifica é uma transição gradual de um</p><p>tipo climático para outro” (NASCIMENTO et al., 2016).</p><p>Complementando a afirmação dos autores, as classificações</p><p>climáticas são, antes de mais nada, um artifício didático e, sendo</p><p>assim, é sempre um sistema arbitrário, como posto por Afrânio</p><p>Peixoto (PEIXOTO, 1908 apud SANT’ANNA NETO, 2001), precursor</p><p>da Geografia Médica no Brasil e responsável por desenvolver</p><p>uma das sistematizações climáticas brasileiras.</p><p>O modelo classificatório de Köppen-Geiger (Figura 04.01),</p><p>proposto em 1900, é o sistema mais difundido mundialmente e</p><p>mais empregado em trabalhos científicos e em livros didáticos</p><p>até hoje (PEEL et al., 2007). Ele considera que a vegetação está</p><p>relacionada com o clima e baseia-se na temperatura média do</p><p>mês mais frio para definir cinco regiões climáticas principais: (A)</p><p>Clima Tropical; (B) Clima Árido; (C) Clima Temperado; (D) Clima</p><p>Frio; e (E) Clima Polar. Os climas então são divididos em tipos</p><p>segundo a distribuição sazonal de precipitação e esses, por sua</p><p>vez, podem ser divididos em subtipos segundo características</p><p>adicionais de temperatura. A classificação e os critérios para</p><p>determinação dos grupos climáticos, tipos e subtipos encontram-</p><p>se na Tabela 04.01, adaptada de Terassi e Tommaselli (2016) e</p><p>Köppen (1948).</p><p>TABELA 04.01 – CRITÉRIOS PARA A CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA DE KÖPPEN (1948)</p><p>CÓDIGO REGIÕES</p><p>CLIMÁTICAS DESCRIÇÃO</p><p>A Clima Tropical</p><p>Climas megatérmicos; temperatura média do mês mais frio superior</p><p>a 18 °C; estação invernosa ausente; pluviosidade anual superior a</p><p>evapotranspiração potencial anual.</p><p>B Clima Árido</p><p>Climas secos; pluviosidade média anual inferior a 500 mm;</p><p>evapotranspiração potencial anual superior à pluviosidade anual;</p><p>inexistência de cursos d’água permanente.</p><p>C Clima Temperado</p><p>Climas mesotérmicos; temperatura média do ar do mês mais frio</p><p>entre -3 e 18 °C; temperatura média do mês mais quente superior a</p><p>10 °C; verão e inverno bem definidos.</p><p>D Clima Frio</p><p>Climas microtérmicos; temperatura média do mês mais frio inferior a</p><p>-3 °C; temperatura média do mês mais quente superior a 10 °C; verão</p><p>e inverno bem definidos.</p><p>E Clima Polar Climas polares e de alta montanha; temperatura média do mês mais</p><p>quente inferior a 10 °C; verão pouco definido ou inexistente.</p><p>CÓDIGO REGIÃO A QUE</p><p>SE VINCULA DESCRIÇÃO</p><p>S B Clima das estepes; pluviosidade média anual entre 360 e 760 mm.</p><p>W B Clima desértico; pluviosidade média anual inferior a 250 mm.</p><p>f A – C – D</p><p>Clima úmido; ocorrência de pluviosidade em todos os meses do ano;</p><p>inexistência de estação seca definida; pluviosidade média do mês</p><p>mais seco superior a 60 mm.</p><p>w A – C – D Chuvas de verão.</p><p>s A – C – D Chuvas de inverno.</p><p>w' A – C – D Chuvas de verão-outono.</p><p>s’ A – C – D Chuvas de outono-inverno.</p><p>m A Clima de monção; pluviosidade média anual superior a 1500 mm e</p><p>pluviosidade média mensal do mês mais seco inferior a 60 mm.</p><p>T E Temperatura média do mês mais quente entre 0 e 10 °C.</p><p>F E Temperatura média do mês mais quente inferior a 0 °C.</p><p>CÓDIGO REGIÃO A QUE</p><p>SE VINCULA DESCRIÇÃO</p><p>a C – D Verão quente; temperatura média do mês mais quente superior a 22 °C.</p><p>b C – D Verão temperado; temperatura do mês mais quente inferior a 22 °C;</p><p>temperatura média dos quatro meses mais quentes superior a 10 °C.</p><p>c C – D</p><p>Verão curto e fresco; temperatura média do mês mais quente inferior</p><p>a 22 °C; temperatura média inferior a 10 °C durante menos de quatro</p><p>meses; temperatura média no mês mais frio superior a -38 °C.</p><p>d D Inverno muito frio; temperatura média do mês mais frio inferior a -38 °C.</p><p>h B Seco e quente; temperatura média do ar superior a 18 °C; deserto ou</p><p>semideserto quente.</p><p>k B Seco e frio; temperatura média do ar inferior a 18 °C; deserto ou</p><p>semideserto frio.</p><p>Fonte: Adaptado de TERASSI e TOMMASELLI, 2016, e KÖPPEN, 1948.</p><p>ET</p><p>EF</p><p>Af</p><p>Am</p><p>Aw/As</p><p>BWh</p><p>BSk</p><p>BWk</p><p>BSh</p><p>Csa Cwa Cfa</p><p>Csb Cwb Cfb</p><p>Csc Cwc Cfc Dwc</p><p>Dsa</p><p>Dfb</p><p>Dsd Dwd</p><p>Dsb</p><p>Dfc</p><p>Dwa Dfa</p><p>Dsc</p><p>Dfd</p><p>Dwb</p><p>Classificação climática</p><p>mundial de Köppen-</p><p>Geiger.</p><p>Fonte: PEEL et al., 2007.</p><p>Figura 04.01</p><p>CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA DE KÖPPEN-GEIGER</p><p>272 273A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por outro</p><p>lado, utiliza oficialmente a classificação climática desenvolvida</p><p>por Nimer em 1979 (Figura 04.02). O geógrafo tomou como base</p><p>os preceitos e os critérios aplicados por Köppen-Geiger e, à</p><p>semelhança do modelo internacional supracitado, sua proposta</p><p>também é calcada em três eixos de análise:</p><p>“o primeiro é relativo à gênese climática baseada nos</p><p>padrões de circulação atmosférica, configurando</p><p>três climas zonais (equatorial, tropical e temperado);</p><p>o segundo emprega as frequências médias de</p><p>valores extremos de temperatura, definindo regiões</p><p>térmicas (quente, subquente, mesotérmico brando</p><p>e mesotérmico mediano); e o terceiro, que relaciona</p><p>o número de meses secos com o tipo de vegetação</p><p>natural predominante, define regiões com padrões</p><p>homogêneos de umidade e seca (que variam de</p><p>superúmido a semiárido)” (NASCIMENTO et al.,</p><p>2016).</p><p>Situada na região Sudeste brasileira, a cidade de São Paulo fica na</p><p>latitude 23°30’S, longitude 46°37’O e possui altitude aproximada</p><p>de 792 metros em relação ao nível do mar. É classificada como</p><p>um clima temperado úmido com influências oceânicas (Cfa)</p><p>pelo modelo de Köppen-Geiger e, segundo o IBGE, ela encontra-</p><p>se na Zona Tropical Brasil Central, caracterizada</p><p>por um clima</p><p>mesotérmico brando superúmido, com temperaturas médias</p><p>entre 10 e 15°C, sem secas. Grosso modo, a cidade apresenta as</p><p>quatro estações relativamente definidas, com verões quentes,</p><p>úmidos e com altos índices de pluviosidade e invernos suaves a</p><p>frios e com baixa precipitação.</p><p>A Tabela 04.02 traz os dados das Normais Climatológicas da</p><p>cidade de São Paulo, indicando uma temperatura média anual</p><p>de 17,5 °C, temperatura máxima média de 25,7 °C e temperatura</p><p>mínima média de 16,2 °C. A cidade possui uma umidade relativa</p><p>média de 74,3% e um total de 1893,5 horas de insolação durante</p><p>o ano. Apesar da confiabilidade dos dados, acredita-se que</p><p>as temperaturas e suas respectivas médias possam estar mais</p><p>elevadas, tendo em vista os anos em que as informações foram</p><p>coletadas (1981-2010) e o conhecido processo de aquecimento</p><p>pelo qual o planeta passa, em especial cidades com altas taxas</p><p>de urbanização.</p><p>Superúmido sem seca/subseca</p><p>Superúmido sem seca/subseca</p><p>Superúmido sem seca/subseca</p><p>Úmido com 1 a 3 meses secos</p><p>Semi-úmido com 4 a 5 meses secos</p><p>Semi-úmido com 4 a 5 meses secos</p><p>Semi-úmido com 4 a 5 meses secos</p><p>Semi-árido com 9 a 11 meses secos</p><p>Quente (média > 18 °C em todos os meses do</p><p>ano)</p><p>Subquente (média entre 15 °C e 18 °C em pelo</p><p>menos 1 mês do ano)</p><p>Mesotérmico Brando (média entre 10 °C e 15 °C)</p><p>Mesotérmico mediano (média , acesso em setembro de 2021.</p><p>Classificação climática</p><p>brasileira segundo</p><p>Nimer, disponibilizada</p><p>pelo IBGE.</p><p>Fonte: IBGE, 2002.</p><p>Figura 04.02</p><p>BRASIL: CLIMA (IBGE) - CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA DE NIMER</p><p>274 275A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>Além das duas classificações acima, a ABNT NBR 15220-3:</p><p>Desempenho Térmico de Edificações. Parte 3 – Zoneamento</p><p>bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações</p><p>unifamiliares de interesse social (2005)[3] ainda apresenta uma</p><p>proposta de Zoneamento Bioclimático Brasileiro que divide o</p><p>território em oito zonas. Segundo informações da plataforma</p><p>Projeteee – Projetando Edificações Energeticamente Eficientes[4],</p><p>essa proposta é fruto da análise de dados climáticos obtidos</p><p>entre 1931 e 1990 de diversas cidades, classificadas segundo</p><p>parâmetros e condições de conforto para tamanho e proteção de</p><p>aberturas ( janelas), vedações externas (paredes e coberturas) e</p><p>estratégias de condicionamento térmico passivo. Para auxiliar tal</p><p>análise, os dados climáticos das cidades foram plotados na Carta</p><p>Bioclimática de Givoni adaptada ao Brasil.</p><p>A carta bioclimática para o edifício (Building Bioclimatic Chart)</p><p>foi idealizada por Givoni em 1969 na tentativa de corrigir certas</p><p>limitações que o diagrama bioclimático de Olgyay (1963) trazia.</p><p>Ambas as cartas propõem estratégias de adaptação da edificação</p><p>ao clima a partir de dados medidos.</p><p>Enquanto a carta de 1963 trazia um gráfico de dois eixos e</p><p>análises calcadas em dados externos, a Carta de Givoni foi</p><p>desenvolvida sobre uma carta psicrométrica convencional</p><p>e se baseia em temperaturas internas ao edifício obtidas</p><p>por meio de cálculos ou aferições. Os limites da carta foram</p><p>calculados também por meio de pesquisas levando em</p><p>consideração a temperatura interna esperada para um edifício</p><p>de projeto bioclimático condizente com o local inserido</p><p>e sem climatização artificial, ou seja, “o edifício é inerte</p><p>termicamente, protegido eficientemente contra a radiação</p><p>solar e com ventilação adequada” (LAMBERTS et al., 1994).</p><p>Segundo esse zoneamento, a cidade de São Paulo se enquadra</p><p>na Zona Bioclimática 3, como indicado na Figura 04.03, e suas</p><p>diretrizes técnico-construtivas são sintetizadas pela Tabela 04.03,</p><p>adaptada da ABNT NBR 15220-3 (2005).</p><p>As diretrizes e estratégias de condicionamento térmico sugeridas</p><p>pela norma ficam mais claras quando plotamos os dados</p><p>climáticos da cidade de São Paulo na Carta Bioclimática de</p><p>Givoni (Figura 04.04).</p><p>[3] Atualmente, a norma está em processo de revisão.</p><p>[4] Projeto executado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio</p><p>da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental (SMCQ),</p><p>em cooperação com o Programa das Nações Unidas para o</p><p>Desenvolvimento (PNUD), e financiado pelo Fundo Global para o Meio</p><p>Ambiente (GEF), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e</p><p>pelo Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal (MLF). Informações</p><p>disponíveis em: , acesso em</p><p>setembro de 2021.</p><p>É possível perceber que há grande concentração de pontos</p><p>na região de aquecimento, principalmente dentro da zona</p><p>de massa térmica. A análise aponta que 26% das horas do</p><p>ano são confortáveis, enquanto que o restante se encontra</p><p>fora da faixa de conforto, seja por frio (59,40% das horas) ou</p><p>por calor (14,50%). As estratégias mais indicadas para sanar o</p><p>problema do desconforto por calor seriam: a ventilação (em</p><p>14,30%), a alta inércia para resfriamento (2,63%), resfriamento</p><p>evaporativo (2,63%) e o ar condicionado (0,14%). Já para o frio,</p><p>deveriam ser adotadas como estratégias: alta inércia térmica/</p><p>São Paulo</p><p>ZB3</p><p>ZB4</p><p>ZB5</p><p>ZB6</p><p>ZB1</p><p>ZB2</p><p>TABELA 04.03 – RECOMENDAÇÕES TÉCNICO-CONSTRUTIVAS PARA A ZONA BIOCLIMÁTICA</p><p>3</p><p>ESTRATÉGIAS DE CONDICIONAMENTO TÉRMICO PASSIVO</p><p>Verão Inverno</p><p>(I) Ventilação cruzada (I) Aquecimento solar da edificação</p><p>(II) Vedações internas pesadas (inércia térmica)</p><p>ABERTURAS</p><p>Para ventilação A (em% da área de piso) Sombreamento</p><p>Média 15% ,</p><p>acesso em setembro de 2021. Os gráficos apresentados a seguir</p><p>foram desenvolvidos a partir de arquivo *.epw e com o auxílio</p><p>do plug-in Ladybug Tools 0.0.69 para o programa Rhinoceros 6 e</p><p>[5] Os arquivos climáticos são compostos por dados ambientais de forma a</p><p>representar um ano típico de determinada cidade.</p><p>[6] O arquivo TRY (Test Reference Year) é um dos primeiros tipos de</p><p>compilação de dados climáticos utilizado em simulações</p><p>computacionais para previsão do desempenho de edifícios. Tal arquivo</p><p>também foi desenvolvido pelo National Climate Data Center (1976) e</p><p>nele constam dados climáticos de um ano histórico real, selecionado a</p><p>partir de uma amostra de dados aferidos durante um período de</p><p>medição (cerca de 1948 a 1975) e da exclusão progressiva dos anos em</p><p>que foram registradas médias mensais de temperatura extremamente</p><p>altas ou baixas, até restar apenas o ano em questão. A fruto de</p><p>exemplificação, na página online de downloads de arquivos climáticos</p><p>do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (labEEE), consta</p><p>o arquivo climático da cidade de São Paulo, cujo ano de referência para</p><p>seu desenvolvimento é 1954. Disponível em: . Acesso em</p><p>outubro de 2021.</p><p>[7] Os arquivos TMY são um compilado de outros arquivos, cuja principal</p><p>extensão é o arquivo *.epw (EnergyPlus Weather Format). Além deste,</p><p>também estão disponíveis: CLM (arquivo climático compatível ao</p><p>software ESP-r); WEA (arquivo climático compatível ao software Daysim);</p><p>DDY (condições de projeto da ASHRAE ou um arquivo de condições de</p><p>projeto em formato compatível ao software EnergyPlus); RAIN</p><p>(precipitação horária em m/h, quando disponível); e STAT (arquivo</p><p>climático estatístico do software EnergyPlus).</p><p>Zona de conforto</p><p>Aquecimento artificial</p><p>Aquecimento solar passivo</p><p>Massa térmico para aquecimento</p><p>Umidificação</p><p>Ventilação</p><p>Ventilação + Massa térmica para resfriamento</p><p>Massa térmica para resfriamento</p><p>Resfriamento evaporativo</p><p>Ar condicionado</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>7</p><p>8</p><p>9</p><p>10</p><p>TABELA 04.04 – RELATÓRIO DAS HORAS DE CONFORTO E DESCONFORTO PARA</p><p>VERÃO E INVERNO NA CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>PERÍODO: SOLS. DE VERÃO SOLS. DE INVERNO</p><p>HORAS EM CONFORTO: 23,10% 31,70%</p><p>H</p><p>O</p><p>RA</p><p>S</p><p>EM</p><p>D</p><p>ES</p><p>CO</p><p>N</p><p>FO</p><p>RT</p><p>O</p><p>VE</p><p>RÃ</p><p>O</p><p>Ventilação 45,20%</p><p>46</p><p>,0</p><p>0%</p><p>76</p><p>,9</p><p>0%</p><p>1,04%</p><p>1,</p><p>09</p><p>%</p><p>68</p><p>,3</p><p>0%</p><p>Alta inércia p/ resfriamento 7,75% 1,04%</p><p>Resfriamento evaporativo 7,75% 1,04%</p><p>Ar condicionado 0,55% 0%</p><p>IN</p><p>VE</p><p>RN</p><p>O</p><p>Alta inércia térmica / Aquecimento solar 30,60%</p><p>30</p><p>,9</p><p>0%</p><p>40,90%</p><p>67</p><p>,2</p><p>0%Aquecimento solar passivo 0,36% 23,9%</p><p>Aquecimento artificial 0% 2,36%</p><p>Umidificação 0% 0%</p><p>Fonte: Software Analysis Bio a partir do arquivo CSV da cidade de São Paulo.</p><p>10%</p><p>30%</p><p>50</p><p>%</p><p>70</p><p>%90</p><p>%</p><p>U.R. [%]</p><p>2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50</p><p>TBS [°C]</p><p>5</p><p>10</p><p>15</p><p>20</p><p>25</p><p>30</p><p>T.B.U. [°C]</p><p>2</p><p>4</p><p>6</p><p>8</p><p>10</p><p>12</p><p>14</p><p>16</p><p>18</p><p>20</p><p>22</p><p>24</p><p>26</p><p>28</p><p>30</p><p>ω</p><p>[g</p><p>/k</p><p>g]</p><p>2 3 4 5 9 10</p><p>871</p><p>6</p><p>Carta bioclimática</p><p>para a cidade de São</p><p>Paulo, com dados de</p><p>um ano completo.</p><p>Fonte: Software Analysis Bio,</p><p>edição do autor.</p><p>Figura 04.04 CARTA BIOCLIMÁTICA DA CIDADE DE SÃO PAULO PARA</p><p>O PERÍODO DE UM ANO</p><p>278 279A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>os softwares Climate Consultant 6.0[8] e Analysis SOL-AR[9].</p><p>Quando plotados os dados climáticos[10] de tal arquivo em</p><p>uma carta psicrométrica referente ao Modelo Adaptativo de</p><p>conforto térmico da ASHRAE 55 (2020), é possível constatar que,</p><p>valendo-se única e exclusivamente da estratégia de ventilação</p><p>natural, 34,1% das horas anuais estão em conforto (Figura</p><p>04.05). O maior período de desconforto está relacionado</p><p>majoritariamente a condições de frio, enquanto o desconforto</p><p>[8] Climate Consultant é um programa computacional desenvolvido por</p><p>Robin Liggetti e Murray Milne do Energy Design Tools Group da University</p><p>of California, Los Angeles (UCLA). O software usa os 8760 dados horários</p><p>de arquivos climáticos *.epw para produzir uma série de gráficos simples</p><p>que auxiliam arquitetos, engenheiros, construtores, proprietários e</p><p>estudantes a entenderem o clima local.</p><p>[9] O Analysis SOL-AR é um programa gráfico desenvolvido pelo Laboratório</p><p>de Eficiência Energética em Edificações (labEEE) que permite a obtenção</p><p>da carta solar de determinadas latitudes, bem como o auxílio no projeto</p><p>de proteções solares por meio da representação gráfica dos ângulos de</p><p>projeção desejados sobre transferidor auxiliar para qualquer orientação.</p><p>Além disso, o programa também permite, para as cidades com</p><p>informações horárias disponíveis na base de dados, a visualização de</p><p>intervalos de temperatura anuais correspondentes às trajetórias solares</p><p>ao longo do ano e do dia.</p><p>[10] Todos os dados coletados e projetados em gráficos foram computados</p><p>em estações meteorológicas localizadas em aeroportos. Ou seja, as</p><p>condições microclimáticas ali aferidas, apesar de próximas, certamente</p><p>diferem das condições existentes em meio urbano, influenciadas por</p><p>fatores como a alta densidade urbanística, a verticalização dos edifícios,</p><p>a baixa massa vegetal, a rugosidade do terreno etc.</p><p>por calor ocorre por um período significativamente menor. No</p><p>gráfico, a hachura verde indica o trecho da carta psicrométrica</p><p>em que há</p><p>possibilidade de conforto térmico segundo o Modelo</p><p>Adaptativo, em algum momento do ano. Para tanto, tal faixa</p><p>de temperatura é delimitada pelo limite mínimo da zona de</p><p>conforto do mês mais frio e pelo limite máximo da zona de</p><p>conforto para o mês mais quente (neste caso, julho e fevereiro,</p><p>respectivamente). Isso posto, é possível explicar a existência de</p><p>pontos vermelhos, ou seja, de desconforto térmico, dentro do</p><p>trecho hachurado, uma vez que seus limites não correspondem</p><p>ao mesmo mês de análise.</p><p>Como dito anteriormente, trata-se de um clima com estações</p><p>relativamente bem definidas. Os verões são quentes e úmidos, sendo</p><p>os meses de dezembro a março os mais quentes, com temperaturas</p><p>mensais médias acima dos 22 °C. Fevereiro, o mês mais quente,</p><p>apresenta temperatura média mensal de 23,31 °C e temperaturas</p><p>máximas absolutas que ultrapassam os 30 °C durante as tardes.</p><p>Períodos vespertinos como o descrito para fevereiro também são</p><p>constatados nos demais meses quentes e também nos meses de</p><p>agosto, setembro, outubro e novembro. Isso indica que as meias-</p><p>estações também requerem particular atenção, especialmente</p><p>ao constatar que as temperaturas mais altas do arquivo climático</p><p>– as que excedem os 32 °C –, ocorrem no mês de outubro. Em</p><p>contrapartida, os invernos não são tão rígidos, com alguns períodos</p><p>frios mais intensos, e com pouca precipitação. Maio, junho, julho e</p><p>agosto são os meses mais frios, com médias mensais próximas aos</p><p>18 °C e temperaturas mínimas absolutas abaixo dos 10 °C, como</p><p>observado em algumas madrugadas de julho, mês mais frio (Figura</p><p>04.06). Durante o ano, as máximas temperaturas ocorrem entre 15h</p><p>e 16h, enquanto as mínimas se dão por volta das 7h.</p><p>0</p><p>5</p><p>10</p><p>15</p><p>20</p><p>25</p><p>30</p><p>90%</p><p>80%</p><p>70%</p><p>60%</p><p>50%</p><p>40%</p><p>30%</p><p>20%</p><p>10%</p><p>5 10 15 20 25 30 35</p><p>4</p><p>8</p><p>12</p><p>16</p><p>20</p><p>24</p><p>28</p><p>TEMPERATURA DE BULBO SECO (°C)</p><p>U</p><p>M</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>ES</p><p>PE</p><p>CÍ</p><p>FI</p><p>CA</p><p>(g</p><p>/k</p><p>g)</p><p>UMIDADE</p><p>RELATIVA (%)</p><p>TEMPERATURA DE</p><p>BULBO ÚMIDO (°C)</p><p>00h</p><p>18h</p><p>12h</p><p>06h</p><p>00h</p><p>Pôr do</p><p>Sol</p><p>Nascer</p><p>do Sol</p><p>0</p><p>8</p><p>16</p><p>24</p><p>32</p><p>40</p><p>Tmédia</p><p>22,49 23,31 22,76 20,61 18,30 17,91 17,42 18,18 18,71 19,78 20,59 22,01</p><p>JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ</p><p>Tanual</p><p>0 4 8 12 16 20 24 28 32 36 40</p><p>(°C)</p><p>TE</p><p>M</p><p>PE</p><p>RA</p><p>TU</p><p>RA</p><p>H</p><p>O</p><p>RÁ</p><p>RI</p><p>O</p><p>Carta psicrométrica</p><p>para a cidade de</p><p>São Paulo segundo o</p><p>modelo adaptativo de</p><p>conforto térmico da</p><p>ASHRAE 55 (2020).</p><p>Fonte: Software Climate</p><p>Consultant 6.0, a partir de</p><p>arquivo climático *.epw.</p><p>Edição do autor.</p><p>Figura 04.05</p><p>Temperaturas médias</p><p>mensais e absolutas</p><p>horárias da cidade de</p><p>São Paulo.</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>a partir de arquivo climático</p><p>*.epw e plug-in Ladybug</p><p>Tools.</p><p>Figura 04.06</p><p>CARTA PSICROMÉTRICA PARA A CIDADE DE SÃO PAULO SEGUNDO O MODELO</p><p>ADAPTATIVO DE CONFORTO TÉRMICO DA ASHRAE 55-2017</p><p>TEMPERATURAS MÉDIAS MENSAIS E ABSOLUTAS HORÁRIAS</p><p>DA CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>280 281A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>As amplitudes térmicas são altas ao longo de todo o ano, sendo</p><p>mais contidas nos meses mais quentes, quando podem atingir</p><p>valores de cerca de 4 °C. Nas meias-estações e nos meses mais frios,</p><p>é comum a ocorrência de condições temporais antagônicas no</p><p>mesmo dia, com madrugadas e manhãs frias que, à medida que há</p><p>disponibilidade de radiação solar, dão lugar a sensações térmicas</p><p>mais agradáveis. Nesses casos, a amplitude térmica pode atingir</p><p>Temperatura de bulbo seco média (°C) Umidade relativa média (%)</p><p>Temperatura de bulbo seco mínima média (°C) Umidade relativa mínima média (%)</p><p>Temperatura de bulbo seco máxima média (°C) Umidade relativa máxima média (%)</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>JANEIRO</p><p>(°C) (%)00h 06h 12h 18h 00h</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>FEVEREIRO</p><p>(°C) (%)00h 06h 12h 18h 00h</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>MARÇO</p><p>(°C) (%)00h 06h 12h 18h 00h</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>ABRIL</p><p>(°C) (%)00h 06h 12h 18h 00h</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>MAIO</p><p>(°C) (%)</p><p>(%)</p><p>00h 06h 12h 18h 00h</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>JUNHO</p><p>(°C) (%)00h 06h 12h 18h 00h</p><p>(°C) (%)</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>JULHO</p><p>00h 06h 12h 18h 00h (°C) (%)</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>AGOSTO</p><p>00h 06h 12h 18h 00h (°C) (%)</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>SETEMBRO</p><p>00h 06h 12h 18h 00h</p><p>(°C) (%)</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>00h 06h 12h 18h 00h</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>OUTUBRO</p><p>(°C) (%)</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>00h 06h 12h 18h 00h</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>NOVEMBRO</p><p>(°C) (%)</p><p>8</p><p>-32 20</p><p>-40 0</p><p>00h 06h 12h 18h 00h</p><p>24</p><p>-16 60</p><p>16</p><p>-24 40</p><p>40</p><p>0 100</p><p>32</p><p>-8 80</p><p>DEZEMBRO</p><p>valores entre 15 e 20 °C (Figura 04.07). É corriqueiro, nesses dias,</p><p>dizer que é possível vivenciar “as quatro estações em um único dia”</p><p>na cidade. Inicialmente, essa diferença entre as médias horárias das</p><p>temperaturas máxima e mínima justifica a adoção de massa térmica</p><p>para inverno como estratégia passiva para a mediação das condições</p><p>térmicas nos ambientes internos. O perfil anual de temperaturas</p><p>médias horárias a cada mês (Figura 04.08), quando sobreposto às</p><p>faixas mensais de conforto, aponta para três cenários distintos: (I)</p><p>nos meses mais quentes (janeiro, fevereiro, março e dezembro), as</p><p>temperaturas médias encontram-se majoritariamente dentro da</p><p>zona de conforto entre 08h e meia-noite, apresentando madrugadas</p><p>com temperaturas abaixo dos limites mínimos da zona; (II) nos</p><p>meses mais frios (maio, junho, julho e agosto), as temperaturas</p><p>médias atingem a faixa de conforto apenas nos períodos</p><p>vespertinos, apresentando desconforto por frio desde as primeiras</p><p>horas do período noturno até cerca de meio-dia; e (III) nas meias-</p><p>estações (abril, setembro, outubro e novembro), períodos entre,</p><p>aproximadamente, 10h e 18h/19h apresentam médias horárias de</p><p>temperatura dentro da zona de conforto.</p><p>Os valores médios de radiação horizontal global mensais</p><p>variam de 318,0 Wh/m², em junho, a 415,9 Wh/m², em fevereiro</p><p>(Figura 05.08). Vale destacar que os dois primeiros meses</p><p>do ano são os únicos em que a média mensal de radiação</p><p>horizontal difusa chega a ultrapassar consideravelmente a</p><p>0 -30</p><p>0</p><p>200 -20</p><p>200</p><p>100</p><p>400 -10</p><p>400</p><p>300</p><p>600 0</p><p>500</p><p>800 10</p><p>1000 20</p><p>1200 30</p><p>1400 40</p><p>JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ</p><p>RA</p><p>DI</p><p>AÇ</p><p>ÃO</p><p>S</p><p>O</p><p>LA</p><p>R</p><p>RA</p><p>DI</p><p>AÇ</p><p>ÃO</p><p>S</p><p>O</p><p>LA</p><p>R</p><p>M</p><p>ÉD</p><p>IA</p><p>TE</p><p>M</p><p>PE</p><p>RA</p><p>TU</p><p>RA</p><p>Temperatura de bulbo úmido</p><p>média horária (°C)</p><p>Radiação normal direta</p><p>média horária (Wh/m²)</p><p>Faixa de conforto para o Modelo</p><p>Adaptativo (ASHRAE 55 - 80% de</p><p>aceitabilidade)</p><p>Radiação horizontal global</p><p>média horária (Wh/m²)</p><p>Temperatura de bulbo seco</p><p>média horária (°C)</p><p>Radiação horizontal difusa</p><p>média horária (Wh/m²)</p><p>Radiação horizontal difusa</p><p>média mensal (Wh/m²)</p><p>Radiação horizontal direta</p><p>média mensal (Wh/m²)</p><p>Radiação horizontal global</p><p>média mensal (Wh/m²)</p><p>23</p><p>1,</p><p>2</p><p>39</p><p>2,</p><p>7</p><p>20</p><p>4,</p><p>7</p><p>23</p><p>8,</p><p>0</p><p>41</p><p>5,</p><p>9</p><p>21</p><p>2,</p><p>9</p><p>21</p><p>5,</p><p>4</p><p>39</p><p>3,</p><p>2</p><p>21</p><p>3,</p><p>0</p><p>17</p><p>4,</p><p>3</p><p>35</p><p>4,</p><p>8</p><p>22</p><p>7,</p><p>3</p><p>17</p><p>0,</p><p>3</p><p>33</p><p>0,</p><p>5</p><p>19</p><p>4,</p><p>0 12</p><p>5,</p><p>8</p><p>31</p><p>8,</p><p>0</p><p>23</p><p>3,</p><p>4</p><p>12</p><p>8,</p><p>4</p><p>31</p><p>8,</p><p>8</p><p>24</p><p>8,</p><p>1</p><p>14</p><p>3,</p><p>6</p><p>36</p><p>8,</p><p>8</p><p>28</p><p>2,</p><p>7</p><p>18</p><p>7,</p><p>8</p><p>40</p><p>6,</p><p>4</p><p>26</p><p>0,</p><p>5</p><p>21</p><p>8,</p><p>5</p><p>41</p><p>2,</p><p>7</p><p>23</p><p>1,</p><p>6</p><p>22</p><p>5,</p><p>4</p><p>40</p><p>6,</p><p>5</p><p>22</p><p>9,</p><p>2</p><p>22</p><p>8,</p><p>0</p><p>40</p><p>4,</p><p>1</p><p>23</p><p>7,</p><p>3</p><p>(Página anterior)</p><p>Dados médios de</p><p>temperaturas de bulbo</p><p>seco e de umidades</p><p>relativas para cada</p><p>hora, por mês, para a</p><p>cidade de São Paulo.</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>a partir de arquivo climático</p><p>*.epw e plug-in Ladybug</p><p>Tools.</p><p>Figura 04.07</p><p>Dados médios horários</p><p>de radiação solar</p><p>e de temperaturas,</p><p>por mês, para a</p><p>cidade de São Paulo</p><p>e zona de conforto</p><p>adaptativo para 80%</p><p>de aceitabilidade</p><p>(ASHRAE, 2020).</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>a partir de arquivo climático</p><p>*.epw e plug-in Ladybug</p><p>Tools.</p><p>Figura 04.08</p><p>DADOS MÉDIOS DE TEMPERATURAS DE BULBO</p><p>SECO E DE UMIDADES RELATIVAS</p><p>PARA CADA HORA, POR MÊS, PARA A CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>DADOS MÉDIOS HORÁRIOS DE RADIAÇÃO SOLAR E DE TEMPERATURAS, POR MÊS,</p><p>PARA A CIDADE DE SÃO PAULO E ZONA DE CONFORTO ADAPTATIVO (ASHRAE, 2020)</p><p>282 283A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>direta. Março, outubro, novembro e dezembro são os meses em</p><p>que duas as componentes da radiação global possuem valores</p><p>muito próximos. Nos meses restantes, majoritariamente de</p><p>frio, a radiação horizontal direta possui parcela significativa na</p><p>composição da radiação global.</p><p>Ao avaliar os dados médios horários, os quais representam a</p><p>variação média das horas de um dia para cada mês, é possível</p><p>depreender que, nos meses mais frios, é comum a ocorrência de</p><p>dias claros já que a radiação global horizontal e a direta normal se</p><p>aproximam. O pico de radiação global durante um mês quente,</p><p>como fevereiro, pode chegar a valores entre 750 e 800 Wh/m²,</p><p>enquanto que, para um mês frio, como julho, esse valor cai para</p><p>a faixa de 500 a 550 Wh/m².</p><p>Complementando os dados de radiação média, são apresentadas</p><p>rosas de radiação (global, direta e difusa) produzidas a partir de</p><p>arquivo climático e capazes de identificar os níveis de radiação</p><p>anual para cada tipo de orientação de fachada (Figura 04.09).</p><p>A umidade relativa apresenta grandes amplitudes diárias, com</p><p>maiores porcentagens durante as horas mais frias do dia e menores</p><p>porcentagens durante as temperaturas quentes. Apesar dessa alta</p><p>amplitude, as médias mensais ficam próximas da faixa dos 70%</p><p>nos meses mais frios e 75%, nos mais quentes. Com relação à</p><p>precipitação, ela é, de forma geral, alta no verão e baixa no inverno,</p><p>sendo agosto, segundo as médias históricas, o mês mais seco com</p><p>uma média de 36 mm de pluviosidade (INVERNO..., 2021). Os níveis</p><p>médios mensais de nebulosidade apontam para períodos frios</p><p>com céu claro, com valores entre 0,5 e 0,6 – criando condições para</p><p>o acesso ao Sol com vistas ao aquecimento solar passivo e com a</p><p>possibilidade de conservação desse calor para o período noturno –</p><p>e períodos quentes de céu parcialmente encoberto ou encoberto,</p><p>atingindo valores médios em torno de 0,75 (Figura 04.10).</p><p>Os dados de disponibilidade de luz natural ao longo do ano</p><p>(Figura 04.11) mostram valores absolutos que chegam a exceder</p><p>os 120 klux durante os meses mais quentes e médias mensais</p><p>que oscilam entre 37,5 e 48,5 klux, oferecendo boas condições</p><p>para o aproveitamento da luz natural.</p><p>As máscaras geradas pelo Analysis SOL-AR (Figura 04.12) também</p><p>trazem consigo informações acerca da temperatura do ar: a</p><p>máscara à esquerda traz os valores entre dezembro e junho e, à</p><p>direita, os de junho a dezembro, com valores segundo a legenda.</p><p>As manchas azuis indicam que seria aconselhável que os raios</p><p>solares, naquele período, penetrassem nas edificações, enquanto</p><p>que nas áreas amarelas e vermelhas, o Sol deve ser evitado,</p><p>necessitando, portanto, de dispositivos de sombreamento</p><p>pertinentes. As máscaras corroboram com a recomendação da</p><p>ABNT NBR 15220, que indica que os sombreamentos devem</p><p>permitir o acesso solar durante o inverno.</p><p>radiação horizontal global radiação normal diretaradiação horizontal difusa</p><p>N</p><p>S</p><p>LO</p><p>N</p><p>S</p><p>LO</p><p>N</p><p>S</p><p>LO</p><p>(Wh/m²)</p><p>0 400 800100 500 900200 600 >1000300 700</p><p>0</p><p>20</p><p>40</p><p>60</p><p>80</p><p>100</p><p>JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ</p><p>U.R.média</p><p>74,71 75,28 75,95 71,99 78,19 71,94 72,69 68,56 73,80 75,06 75,00 75,21</p><p>U.R.anual</p><p>0,0</p><p>0,2</p><p>0,4</p><p>0,6</p><p>0,8</p><p>1,0</p><p>U</p><p>M</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>RE</p><p>LA</p><p>TI</p><p>VA</p><p>(%</p><p>)</p><p>N</p><p>EB</p><p>U</p><p>LO</p><p>SI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>(d</p><p>ec</p><p>im</p><p>al</p><p>)</p><p>Média</p><p>Média das máximas</p><p>Média das mínimas</p><p>00h</p><p>18h</p><p>12h</p><p>06h</p><p>00h</p><p>0NOITE 10 20 30 40 50 60 70 80 90 > 100 (x 10³)</p><p>(lux)</p><p>JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ</p><p>(Página ao lado)</p><p>Dados de radiação</p><p>solar (horizontal global</p><p>e difusa e normal</p><p>direta) por orientação</p><p>para a cidade de São</p><p>Paulo.</p><p>(Página ao lado)</p><p>Umidades relativas</p><p>médias mensais</p><p>e absolutas</p><p>horárias e dados de</p><p>nebulosidade médios</p><p>mensais da cidade de</p><p>São Paulo.</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>a partir de arquivo climático</p><p>*.epw e plug-in Ladybug</p><p>Tools.</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>a partir de arquivo climático</p><p>*.epw e plug-in Ladybug</p><p>Tools.</p><p>Figura 04.09</p><p>Figura 04.10</p><p>(Página ao lado)</p><p>Níveis de iluminância</p><p>global horária para a</p><p>cidade de São Paulo.</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>a partir de arquivo climático</p><p>*.epw e plug-in Ladybug</p><p>Tools.</p><p>Figura 04.11</p><p>DADOS DE RADIAÇÃO SOLAR POR ORIENTAÇÃO</p><p>PARA A CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>UMIDADES RELATIVAS MÉDIAS MENSAIS E ABSOLUTAS HORÁRIAS E DADOS DE</p><p>NEBULOSIDADE MÉDIOS MENSAIS DA CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>NÍVEIS DE ILUMINÂNCIA GLOBAL HORÁRIA PARA A CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>284 285A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>Contudo, a fim de manter as condições de conforto nos períodos</p><p>quentes, o sombreamento de todas as aberturas é essencial</p><p>(incluindo aquelas de pouca exposição à radiação direta, por conta</p><p>do impacto da difusa), acompanhado da ventilação natural durante</p><p>os períodos de ocupação para a remoção dos ganhos de calor</p><p>interno e da ventilação noturna que, associada à massa térmica,</p><p>contribuirá para a manutenção de temperaturas internas amenas</p><p>nas primeiras horas do dia – nesse sentido, o efeito da massa térmica</p><p>é potencializado com o fechamento das janelas nos períodos de</p><p>extremo calor, quando o ar superaquecido que adentra ao ambiente</p><p>elevaria em demasiado as temperaturas internas. A ventilação pode</p><p>ser incrementada com a orientação de aberturas voltadas para a</p><p>captação dos ventos predominantes, para tanto é apresentada a</p><p>rosa dos ventos anual para a cidade de São Paulo (Figura 04.13).</p><p>A rosa dos ventos exibe, para cada direção, a velocidade do vento</p><p>e sua frequência de ocorrência, juntamente com a temperatura</p><p>média de bulbo seco e a umidade relativa simultâneas. O anel</p><p>mais externo mostra a porcentagem de horas de ocorrência de</p><p>ventos para cada direção. No anel seguinte, a altura e a cor das</p><p>barras mostram a temperatura média do vento vindo daquela</p><p>direção. O anel seguinte mostra a umidade relativa média. Por fim,</p><p>o círculo mais interno mostra as velocidades do vento por direção.</p><p>É possível notar que, anualmente, os ventos predominantes</p><p>advêm do quadrante Leste – Sul, com velocidades médias entre</p><p>2 e 4 m/s. Contudo, vale salientar que tais informações podem</p><p>ser alteradas pelo desenho e morfologia urbanos, ainda mais</p><p>cidades adensadas e verticalizadas, como São Paulo.</p><p>Apesar da recomendação das janelas estarem orientadas para</p><p>a predominância dos ventos, para lidar com o desconforto por</p><p>frio, é fundamental que as esquadrias tenham uma baixa taxa de</p><p>infiltração a fim de evitar a entrada indesejável de ar frio quando</p><p>janelas e portas estão fechadas. Somado a isso, privilegiar a</p><p>orientação de janelas a Norte, Nordeste e Noroeste tem a função</p><p>de maximizar a captação da radiação solar nos meses mais frios</p><p>do ano. É importante lembrar também que as estruturas de</p><p>sombreamento externo devem ser bem projetadas e/ou flexíveis</p><p>para possibilitar o acesso solar em períodos específicos do ano.</p><p>No que tange ao peso da construção, a massa térmica de elementos</p><p>construtivos de peso médio e alto vai contribuir para a conservação</p><p>do calor no espaço interno. Somado a isso, as baixas temperaturas</p><p>no período noturno dos meses mais frios também apontam</p><p>para a necessidade de isolamento térmico nos componentes da</p><p>envoltória das edificações, em especial nas coberturas.</p><p>Junto com o arquivo climático em extensão *.epw, também</p><p>é disponibilizado um arquivo *.stat, extensão comumente</p><p>associada a arquivos estatísticos. Além de dias de projeto de</p><p>verão e de inverno e temperaturas de projeto utilizados para</p><p>o dimensionamento de sistemas de HVAC, também constam</p><p>dados de semanas típicas. No caso do arquivo da cidade de</p><p>São Paulo, estão definidas semanas</p><p>típicas de primavera, verão,</p><p>outono e inverno e semanas de extremo frio e calor. A seguir são</p><p>apresentados os gráficos para as semanas típicas de verão (22 a 28</p><p>de janeiro – Figura 04.14) e de inverno (19 a 25 de agosto – Figura</p><p>04.15), com dados de temperatura de bulbo seco, radiação solar</p><p>(global e difusa horizontais e direta normal), umidade relativa,</p><p>nebulosidade e velocidade, frequência e direção dos ventos.</p><p>A semana típica de verão compreende dias mais rotineiros de céu</p><p>encoberto ou parcialmente encoberto com picos de temperatura</p><p>entre 27 e 28 °C e dias mais quentes, em que os valores dos</p><p>termômetros atingem os 32 °C. A semana típica fria, por outro lado,</p><p>apresenta alguns dias de frio mais intenso com céu encoberto e</p><p>MÁX</p><p>0%</p><p>MÍN</p><p>MÉD</p><p>MÉD</p><p>100%</p><p>MÁX</p><p>MÉD</p><p>MÍN</p><p>HORAS</p><p>TEMP</p><p>U.R.</p><p>VELOCIDADE DOS</p><p>VENTOS (m/s)</p><p>TEMPERATURA (°C)</p><p>38</p><p>UMIDADE</p><p>RELATIVA (%)</p><p>70</p><p>N</p><p>S</p><p>O L</p><p>10%</p><p>(Acima) Carta solar</p><p>para a cidade de</p><p>São Paulo com</p><p>temperaturas.</p><p>Fonte: Software Analysis</p><p>SOL-AR. Edição do autor.</p><p>Figura 04.12</p><p>(Abaixo) Rosa dos</p><p>ventos da cidade de</p><p>São Paulo para o</p><p>período anual.</p><p>Fonte: Software Climate</p><p>Consultant 6.0, a partir de</p><p>arquivo climático *.epw.</p><p>Edição do autor.</p><p>Figura 04.13</p><p>de dezembro a junho de junho a dezembro</p><p>TBS ≤ 10°C TBS > 25°C10</p><p>de obras da construção</p><p>civil, os de indústrias, os relacionados a serviços e comércios, os</p><p>produzidos pela vizinhança e, quiçá o de papel mais notório, os</p><p>de tráfego rodoviário, ferroviário e/ou aeroviário como alguns dos</p><p>agentes definidores do ambiente sonoro que serve como pano</p><p>de fundo de qualquer município urbano, denso e cosmopolita</p><p>em qualquer parte do mundo.</p><p>São Paulo, cidade que ocupa a quinta posição no ranking de</p><p>Maiores Áreas Urbanas Construídas do Mundo segundo o relatório</p><p>Demographia World Urban Areas, de 2021, realizado anualmente</p><p>pelo centro de estudos estadunidense Demographia[11], não</p><p>seria diferente. Segundo apontado por Shoegima (2011 apud</p><p>CRUZ, 2018), o nível usual de ruído na Avenida Paulista em</p><p>2011 era equivalente a 79 dB, valor também aferido na Avenida</p><p>Champs-Élysées, em Paris. A marca ultrapassava aferições em</p><p>centros urbanos mundiais, como na Praça da Paz Celestial, em</p><p>Pequim (70 dB), e na Praça do Mercado de Hong Kong (78 dB),</p><p>ficando atrás apenas da Times Square, em Nova Iorque (80 dB).</p><p>O documento Guidelines for Community Noise, produzido pela</p><p>OMS em 1999, define limites de níveis de pressão sonora,</p><p>correlacionando-os com os efeitos na saúde humana. Durante</p><p>períodos matutinos e vespertinos, em se tratando de áreas</p><p>externas, o nível de 50 dB caracteriza um desconforto moderado</p><p>e valores entre 50 e 55 dB caracterizam sério incômodo.</p><p>Com relação ao período noturno, o limite do nível sonoro</p><p>recomendado cai para 45 dB e, dentro de dormitórios, para 30</p><p>dB, assegurando, com isso, a inexistência de distúrbios do sono.</p><p>Ainda segundo o documento, que considera a poluição sonora</p><p>como problema de saúde pública, a exposição frequente a</p><p>níveis sonoros que excedam tais limites pode acarretar danos</p><p>[11] Relatório disponível em: , acesso em novembro de 2021.</p><p>à saúde física e mental, causando estresse, exaustão e outros</p><p>distúrbios, como insônia e perda auditiva. Isso se dá pelo fato</p><p>de que o corpo humano precisa operar em um certo ponto de</p><p>equilíbrio, como relata Saliba (2014 apud CRUZ, 2018):</p><p>“Como qualquer outra função do corpo humano,</p><p>há um ponto de equilíbrio para o funcionamento</p><p>adequado do aparelho auditivo. Como qualquer</p><p>outra função do nosso corpo, tanto o aparelho</p><p>auditivo precisa ser exercitado e estimulado para</p><p>o seu desenvolvimento e aprimoramento, como</p><p>sofrerá exaustão se for por demais exigido e exposto</p><p>a agentes que possam lesá-lo” (SALIBA, 2018).</p><p>A poluição sonora, como é comumente caracterizada a ocorrência</p><p>incômoda de altos níveis sonoros[12], tem o ruído como principal</p><p>agente poluidor do ambiente. Mesmo que a poluição sonora,</p><p>diferentemente de outros tipos, não produza resíduos materiais –</p><p>o que dificulta seu controle e mensuração, bem como a autuação</p><p>dos produtores de ruído –, existem formas legais de controlar e</p><p>gerenciar a emissão desse poluente, atuando diretamente na</p><p>fonte e compatibilizando com as premissas do Plano Diretor</p><p>Estratégico Urbano[13] no que tange, especialmente, às questões</p><p>de adensamento, mobilidade, uso e ocupação do solo. No caso</p><p>da cidade de São Paulo, o cidadão tem amparo legislativo quando</p><p>se trata de níveis de pressão sonora aceitáveis em determinadas</p><p>localidades e cabe aos órgãos públicos o seu atendimento e sua</p><p>fiscalização.</p><p>Conforme apontado por Baring (2008), a primeira “Lei do</p><p>Silêncio” promulgada em São Paulo data de 1974 e é fruto dos</p><p>problemas de poluição sonora presenciados nas imediações</p><p>do então Elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, hoje</p><p>renomeado Elevado Presidente João Goulart (Minhocão),</p><p>[12] O conceito de poluição sonora vai ao encontro da definição de Poluição</p><p>apresentada pela Lei n°6.938/81, da Política Nacional do Meio Ambiente,</p><p>art. 3°, inc. III: “III - poluição, a degradação da qualidade ambiental</p><p>resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a</p><p>saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições</p><p>adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem</p><p>desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou</p><p>sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em</p><p>desacordo com os padrões ambientais estabelecidos; [...]”. Assim, toda</p><p>e qualquer energia lançada no meio ambiente, incluindo aquela sob a</p><p>forma de som, que desalinhe os padrões ambientais e que prejudique a</p><p>saúde e bem-estar da população, polui o meio ambiente.</p><p>[13] Instrumento urbanístico básico para qualquer Política de</p><p>Desenvolvimento Urbano, responsável por direcionar as ações dos</p><p>produtores do espaço urbano, públicos ou privados, de forma a ordenar</p><p>o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e o uso</p><p>socialmente justo e ecologicamente equilibrado e diversificado de seu</p><p>território, de forma a assegurar o bem-estar e a qualidade de vida de</p><p>seus habitantes (SÃO PAULO, 2014).</p><p>(Página anterior)</p><p>Caracterização horária</p><p>do céu para dias</p><p>típicos de inverno para</p><p>a cidade de São Paulo.</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>a partir de arquivo climático</p><p>*.epw e plug-in Ladybug</p><p>Tools.</p><p>Figura 04.18</p><p>(Página 288)</p><p>Caracterização horária</p><p>do céu para dias</p><p>típicos de verão para a</p><p>cidade de São Paulo.</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>a partir de arquivo climático</p><p>*.epw e plug-in Ladybug</p><p>Tools.</p><p>Figura 04.17</p><p>292 293A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>implantado três anos antes. O autor salienta ainda que, apesar</p><p>de não ser a primeira lei do gênero na cidade, essa foi pioneira</p><p>por ser elaborada por uma equipe interdisciplinar que contava</p><p>com a presença, além de gestores urbanos, de representantes</p><p>do setor produtivo e da academia. O ruído excessivo, contudo,</p><p>só passa a ser classificado como “agente nocivo” no ambiente</p><p>de trabalho em 1978, a partir da publicação de uma Portaria</p><p>pelo Ministério do Trabalho. E sua potencialidade de causar</p><p>doenças só é reconhecida em 1991, com a promulgação da Lei</p><p>Federal n°8.231/91 (CRUZ, 2018).</p><p>Atualmente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA)</p><p>é o órgão responsável, em âmbito federal, por discutir e</p><p>regulamentar as questões relacionadas ao meio ambiente,</p><p>o que inclui o controle da emissão de ruídos. As resoluções</p><p>CONAMA n° 001 e n° 002, ambas de 08 de março de 1990, são</p><p>os primeiros documentos legais a referenciarem critérios sobre</p><p>poluição sonora, estabelecendo os níveis recomendados pela</p><p>ABNT NBR 10.151 como os limites máximos aceitáveis para</p><p>áreas habitadas, em função do tipo e período (Tabela 04.05)</p><p>e citam também a ABNT NBR 10.152, relativa a níveis sonoros</p><p>em ambientes internos de acordo com a sua finalidade de</p><p>uso (Tabela 04.06). Em se tratando da legislação municipal,</p><p>limites máximos também são estabelecidos para os períodos</p><p>diurno e noturno pela Lei de Uso e Ocupação do Solo (SÃO</p><p>PAULO, 2016), de acordo com o zoneamento do local. Para</p><p>ZER-1 (Zonas Exclusivamente Residenciais com predominância</p><p>de lotes médios), os Níveis-Critérios de Avaliação (NCA) para a</p><p>emissão de ruído em ambientes externos, em dB(A), são: (I) para</p><p>emissões de ruído entre 07h às 19h, NCA = 50 dB(A); (II) para</p><p>emissões de ruído entre 19h às 22h, NCA = 45 dB(A); e (III) para</p><p>emissões de ruído entre 22h às 07h, NCA = 40 dB(A).</p><p>Como visto, as normas também são atos administrativos</p><p>de âmbito federal utilizadas para regulamentar, padronizar,</p><p>organizar e qualificar procedimentos técnicos de diversas</p><p>finalidades. Normas técnicas são de uso voluntário, ou seja,</p><p>não são obrigatórias por lei. Entretanto, em diversos países há</p><p>obrigatoriedade de segui-las, pelo menos em algumas áreas.</p><p>Para o caso brasileiro, o Código de Defesa do Consumidor</p><p>determina que é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços:</p><p>“Colocar no mercado de consumo, qualquer</p><p>produto ou serviço em desacordo com as normas</p><p>expedidas pelos órgãos oficiais competentes</p><p>ou, se normas específicas não existirem, pela</p><p>Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra</p><p>entidade</p><p>da radiação</p><p>solar para o dormitório do Conj. Residencial</p><p>Vila Butantã. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório do Conj.</p><p>Residencial Vila Butantã. Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório do Conj. Residencial</p><p>Vila Butantã. Período frio.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para o</p><p>dormitório do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Período frio.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para</p><p>a sala do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da radiação</p><p>solar para o dormitório do Conj. Residencial</p><p>Vila Butantã. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da umidade</p><p>relativa para o dormitório do Conj.</p><p>Residencial Vila Butantã. Temperaturas</p><p>amenas.</p><p>Gráfico de temperaturas em função da velocidade</p><p>do ar para o dormitório do Conj. Residencial</p><p>Vila Butantã. Temperaturas amenas.</p><p>Gráfico de iluminância interna em função da</p><p>disponibilidade de iluminância externa para o</p><p>dormitório do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Temperaturas amenas.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>período de medição para a sala do Conj.</p><p>Residencial Vila Butantã.</p><p>Figura 05.69</p><p>Figura 05.70</p><p>Figura 05.71</p><p>Figura 05.72</p><p>Figura 05.73</p><p>Figura 05.74</p><p>Figura 05.75</p><p>Figura 05.76</p><p>Figura 05.77</p><p>Figura 05.78</p><p>Figura 05.79</p><p>Figura 05.80</p><p>Figura 05.81</p><p>Figura 05.82</p><p>Figura 05.83</p><p>Figura 05.84</p><p>Figura 05.85</p><p>Figura 05.86</p><p>Figura 05.87</p><p>Figura 05.88</p><p>Figura 05.89</p><p>Figura 05.90</p><p>Figura 05.91</p><p>Figura 05.92</p><p>Figura 05.93</p><p>Figura 05.94</p><p>Figura 05.95</p><p>Figura 05.96</p><p>Figura 05.97</p><p>Figura 05.98</p><p>Figura 05.99</p><p>Figura 05.100</p><p>369</p><p>374</p><p>374</p><p>375</p><p>375</p><p>380</p><p>394</p><p>396</p><p>396</p><p>397</p><p>397</p><p>398</p><p>398</p><p>399</p><p>399</p><p>400</p><p>400</p><p>401</p><p>401</p><p>402</p><p>402</p><p>403</p><p>403</p><p>404</p><p>404</p><p>405</p><p>405</p><p>406</p><p>406</p><p>407</p><p>407</p><p>408</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de oitava para a sala do</p><p>Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de terço de oitava para</p><p>a sala do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>período de medição para o dormitório do</p><p>Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de oitava para o</p><p>dormitório do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Nível de pressão sonora interna e externa por</p><p>frequência de banda de terço de oitava</p><p>para o dormitório do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã.</p><p>Porcentagens de conforto e desconforto anual e</p><p>sazonais para a sala do Conj. Residencial Vila</p><p>Butantã.</p><p>Temperaturas operativas obtidas nos cenários</p><p>de simulação da sala do Conj. Residencial</p><p>Vila Butantã para semanas típicas de verão e</p><p>inverno.</p><p>Porcentagens de conforto e desconforto anual</p><p>e sazonais para o dormitório do Conj.</p><p>Residencial Vila Butantã.</p><p>Temperaturas operativas obtidas nos cenários de</p><p>simulação do dormitório do Conj. Residencial</p><p>Vila Butantã para semanas típicas de verão e</p><p>inverno.</p><p>Quadro-resumo com os resultados obtidos nas</p><p>simulações de Fator de Luz Diurna (FLD) e</p><p>Níveis de Iluminâncias Úteis (Usefull Daylight</p><p>Illuminances - UDI) dos cenários propostos</p><p>para o Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>Gráfico com dados simulados de tempo de</p><p>reverberação para a sala e dormitório</p><p>principal do Conj. Residencial Vila Butantã</p><p>Figura 05.101</p><p>Figura 05.102</p><p>Figura 05.103</p><p>Figura 05.104</p><p>Figura 05.105</p><p>Figura 05.106</p><p>Figura 05.107</p><p>Figura 05.108</p><p>Figura 05.109</p><p>Figura 05.110</p><p>Figura 05.111</p><p>408</p><p>408</p><p>409</p><p>409</p><p>409</p><p>412</p><p>412</p><p>413</p><p>413</p><p>418</p><p>426</p><p>Alturas recomendadas pela ISO 7726 para coleta</p><p>de dados térmicos (apenas orientativo).</p><p>Incremento nos limites superiores de temperatura</p><p>operativa em espaços naturalmente</p><p>condicionados pelo controle do ocupante</p><p>resultante de velocidades do ar acima de 0,3</p><p>m/s.</p><p>Quantidade mínima de pontos onde deverá</p><p>ocorrer coleta de dados lumínicos.</p><p>Cronograma de ocupação das residências para</p><p>dias úteis e fins de semana.</p><p>Cronograma de uso de equipamentos das</p><p>residências para dias úteis e fins de semana.</p><p>Cronograma de acionamento da iluminação</p><p>artificial das residências para dias úteis e fins</p><p>de semana.</p><p>Cronogramas sazonais para ocorrência de</p><p>ventilação natural e acionamento dos</p><p>dispositivos de sombreamento.</p><p>Estratégias e cenários definidos para a avaliação</p><p>da ambiência térmica.</p><p>Principais parâmetros de simulação definidos no</p><p>Radiance para a simulação de iluminação</p><p>natural.</p><p>Cenários definidos para a avaliação da ambiência</p><p>lumínica.</p><p>Contribuição do formato da fachada para o</p><p>cálculo de isolamento sonoro.</p><p>Dados considerados para espessuras das frestas</p><p>dos caixilhos.</p><p>Tabela 03.01</p><p>Tabela 03.02</p><p>Tabela 03.03</p><p>Tabela 03.04</p><p>Tabela 03.05</p><p>Tabela 03.06</p><p>Tabela 03.07</p><p>Tabela 03.08</p><p>Tabela 03.09</p><p>Tabela 03.10</p><p>Tabela 03.11</p><p>Tabela 03.12</p><p>230</p><p>234</p><p>236</p><p>244</p><p>247</p><p>248</p><p>250</p><p>252</p><p>254</p><p>257</p><p>261</p><p>263</p><p>CAPÍTULO 3: Metodologia adotada.</p><p>CAPÍTULO 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica</p><p>da cidade de São Paulo</p><p>Tabela 03.13 Coleção de coeficientes de espalhamento usados</p><p>em modelos acústicos (Software Odeon). 263</p><p>Tabela 04.01</p><p>Tabela 04.02</p><p>Tabela 04.03</p><p>Tabela 04.04</p><p>Tabela 04.05</p><p>Tabela 04.06</p><p>Critérios para a Classificação Climática de Köppen</p><p>(1948).</p><p>Normais climatológicas da cidade de São Saulo .</p><p>Recomendações técnico-construtivas para a Zona</p><p>Bioclimática 3 .</p><p>Relatório das horas de conforto e desconforto</p><p>para verão e inverno da cidade de São Paulo.</p><p>Limites de níveis de pressão sonora em função dos</p><p>tipos de áreas habitadas e do período.</p><p>Valores de referência para ambientes internos</p><p>de uma edificação de acordo com suas</p><p>finalidades de uso – Excerto.</p><p>271</p><p>273</p><p>275</p><p>276</p><p>293</p><p>293</p><p>CAPÍTULO 5: Resultados obtidos</p><p>Procedimento de cálculo de isolamento das</p><p>fachadas da Residência Marlene Milan.</p><p>Procedimento de cálculo de isolamento das</p><p>fachadas da Residência Hugo Kovadloff.</p><p>Procedimento de cálculo de isolamento das</p><p>fachadas da Residência Hélio Olga.</p><p>Procedimento de cálculo de isolamento das</p><p>fachadas do Conj. Residencial Vila Butantã.</p><p>330</p><p>352</p><p>392</p><p>426</p><p>Tabela 05.01</p><p>Tabela 05.02</p><p>Tabela 05.03</p><p>Tabela 05.04</p><p>428</p><p>86</p><p>86</p><p>CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>APÊNDICES</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>ARQUITETURA MODERNA NO BRASIL:</p><p>A ESCOLA CARIOCA E A ESCOLA PAULISTA 38</p><p>UM ARQUITETO. QUATRO CASAS</p><p>66</p><p>DIAGNÓSTICO CLIMÁTICO E CARACTERIZAÇÃO</p><p>ACÚSTICA DA CIDADE DE SÃO PAULO 266</p><p>METODOLOGIA ADOTADA</p><p>224</p><p>RESULTADOS OBTIDOS</p><p>296</p><p>32</p><p>O desenvolvimento de uma arquitetura integrada ao</p><p>clima local, em que o conforto ambiental e o bom</p><p>desempenho edilício apresentam papel protagonista,</p><p>ficou caracterizado por Arquitetura Bioclimática.</p><p>Estabeleceu-se como vertente arquitetônica durante</p><p>meados da década de 60 e acompanhou o movimento</p><p>ecológico dos anos 70. O termo bioclimatism foi</p><p>criado pelos irmãos Olgyay, precursores nessa</p><p>discussão e responsáveis pelas primeiras referências</p><p>bibliográficas como “Design with Climate: Bioclimatic</p><p>Approach to Architectural Regionalism”, de 1963.</p><p>No Brasil, parte da produção modernista trazia em</p><p>seus partidos projetuais questões que tangenciaram</p><p>a temática da Arquitetura Bioclimática. Segundo</p><p>Corbella e Yannas (2009),</p><p>“Durante um curto período nos anos</p><p>30, que durou pouco mais de 20 anos, a</p><p>34 35A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Introdução</p><p>geração [de arquitetos brasileiros] passada abraçou</p><p>os princípios do Modernismo juntamente com sua</p><p>preocupação com o projeto com consciência do meio</p><p>ambiente” (CORBELLA; YANNAS, 2009).</p><p>Realmente, ao analisar</p><p>credenciada pelo Conselho Nacional de</p><p>Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial</p><p>(Conmetro)”(BRASIL, 1990).</p><p>As normas supracitadas tem por objetivo, respectivamente,</p><p>estabelecer os procedimentos técnicos a serem adotados na</p><p>execução de medições de níveis de pressão sonora em ambientes</p><p>internos e externos às edificações, bem como procedimentos e</p><p>limites para avaliação dos resultados em função da finalidade de</p><p>uso e ocupação do solo, além de definir valores de referência para</p><p>projeto e para avaliação de níveis sonoros internos a edificações</p><p>em função de sua finalidade de uso, como no caso da ABNT NBR</p><p>10.152 (2017).</p><p>No que diz respeito aos órgãos estaduais, a Companhia Ambiental</p><p>do Estado de São Paulo (CETESB), ligada à Secretaria do Meio</p><p>Ambiente do Estado, coordena ações relacionadas à poluição</p><p>sonora, em caráter de prevenção.</p><p>Uma das principais ferramentas utilizadas atualmente para o</p><p>diagnóstico da distribuição e da quantificação do ruído em</p><p>determinadas áreas são os mapas de ruído. Tais representações</p><p>são peças gráficas resultantes de simulações computacionais</p><p>TABELA 04.05 – LIMITES DE NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA EM FUNÇÃO DOS</p><p>TIPOS DE ÁREAS HABITADAS E DO PERÍODO</p><p>TIPOS DE ÁREAS HABITADAS</p><p>RLAeq – LIMITES DE NÍVEIS DE</p><p>PRESSÃO SONORA (dB)</p><p>PERÍODO</p><p>DIURNO</p><p>PERÍODO</p><p>NOTURNO</p><p>Área de residências rurais 40 35</p><p>Área estritamente residencial urbana ou de hospitais ou de escolas 50 45</p><p>Área mista predominantemente residencial 55 50</p><p>Área mista com predominância de atividades comerciais e/ou</p><p>administrativas 60 55</p><p>Área mista com predominância de atividades culturais, lazer e</p><p>turismo 65 55</p><p>Área predominantemente industrial 70 60</p><p>Fonte: ABNT NBR 10.151:2019 – Tabela 3.</p><p>TABELA 04.06 – VALORES DE REFERÊNCIA PARA AMBIENTES INTERNOS DE UMA</p><p>EDIFICAÇÃO DE ACORDO COM SUAS FINALIDADES DE USO – EXCERTO</p><p>FINALIDADE DE USO</p><p>VALORES DE REFERÊNCIA</p><p>RLAeq (dB) RLASmax (dB) RLNC (dB)</p><p>RESIDÊNCIAS</p><p>Dormitórios 35 40 30</p><p>Salas de estar 40 45 35</p><p>Salas de cinema em casa (home theater) 40 45 35</p><p>Fonte: ABNT NBR 10.152:2017 – Excerto – Tabela 3.</p><p>294 295A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 4: Diagnóstico climático e caracterização acústica da cidade de São Paulo</p><p>de predição ou de medição de ruído urbano. O mapa de ruído</p><p>assemelha-se a uma fotografia do comportamento sonoro</p><p>de uma determinada área geográfica, em um determinado</p><p>momento e segundo uma escala cromática de valores</p><p>representativa das diferentes classes de ruídos. Quando</p><p>utilizados por gestores e governantes, podem ser um valioso</p><p>instrumento para o desenvolvimento de projetos, formulação</p><p>de leis e definição de estratégias que possam ir ao encontro</p><p>das expectativas dos Planos Diretores.</p><p>Em outras palavras, o comportamento acústico de qualquer área</p><p>pode ser avaliado por meio de estudos analíticos computacionais,</p><p>mas para tanto, é preciso ter um bom conhecimento prévio</p><p>da região. Além disso, medições e levantamentos empíricos in</p><p>situ são de suma importância para a calibração do modelo nos</p><p>software específicos, que, a partir dos dados fornecidos e de</p><p>modelos computacionais, podem estimar cenários acústicos e</p><p>gerar o mapa propriamente dito. Após análise e validação dos</p><p>resultados, é possível verificar se os níveis de ruído estão de</p><p>acordo com os valores estabelecidos por normas e legislação,</p><p>bem como propor novos cenários.</p><p>A cidade de São Paulo ainda não possui o seu mapa de ruído,</p><p>mas a Lei n° 16.499 (SÃO PAULO, 2016), publicada em 2016,</p><p>estabeleceu o prazo de até sete anos para que a Prefeitura de São</p><p>Paulo desenvolva e implante o seu mapa de Ruído Urbano para</p><p>as áreas pré-estabelecidas. O Projeto Piloto SP, desenvolvido pela</p><p>ProAcústica[14], foi responsável pela elaboração do Mapa Piloto</p><p>de uma região da cidade de São Paulo, para os períodos diurno</p><p>e noturno (Figura 04.19). A área selecionada é delimitada pelo</p><p>quadrilátero formado pelas avenidas Paulista, Brasil, 9 de Julho e</p><p>23 de Maio e justificada pela notória importância desta região da</p><p>cidade, que conta ainda com mapas de ruídos de outras áreas,</p><p>como os elaborados pelo IPT e pela FAUUSP.</p><p>Apesar do processo contido e tardio no desenvolvimento de</p><p>instrumentos que regulem e avaliem a acústica urbana, a Lei n°</p><p>16.499 é um marco histórico claro que aponta para uma mudança</p><p>no enfrentamento de um ambiente sonoro nocivo à saúde de</p><p>qualquer habitante de grandes centralidades.</p><p>Além de leis, normas técnicas e mapas de ruído, os efeitos de</p><p>vários parâmetros urbanos (como a configuração espacial, a</p><p>forma de adensamento, os perfis e ângulos das vias) na acústica</p><p>da cidade também precisam ser considerados e planejados,</p><p>bem como devem ser previstas possíveis expansões futuras e</p><p>seus efeitos no ruído urbano, de forma a não gerar ou agravar</p><p>possíveis problemas acústicos. É importante destacar que é</p><p>necessário tentar compatibilizar as questões acústicas com</p><p>[14] A ProAcústica (Associação Brasileira para a Qualidade Acústica) é uma</p><p>entidade sem fins lucrativos de profissionais da área de Acústica.</p><p>outras questões ambientais, principalmente no cenário atual de</p><p>mudanças climáticas.</p><p>Por fim, a paisagem sonora (do inglês, soundscape) é um</p><p>conceito relativamente novo que "denota o ambiente acústico</p><p>como percebido ou experimentado e/ou entendido, por</p><p>pessoas, em um contexto” (ISO 12913, 2014) e que pode fornecer</p><p>instrumentos de intervenção e projeto no meio urbano, visando</p><p>tanto à gestão do ambiente sonoro, quanto à melhoria da</p><p>percepção da qualidade de vida dos cidadãos.</p><p>NÍVEL DE PRESSÃO</p><p>SONORA (dBA)</p><p>> 35</p><p>> 60</p><p>> 40</p><p>> 65</p><p>> 45</p><p>> 70</p><p>> 50</p><p>> 75</p><p>> 85</p><p>> 55</p><p>> 80</p><p>Sem dados</p><p>período diurno período noturno</p><p>Mapa de Ruído</p><p>Urbano Projeto Piloto</p><p>SP, períodos diurno e</p><p>noturno.</p><p>Fonte: PróAcustica,</p><p>disponível em: ,</p><p>acesso em novembro de</p><p>2021.</p><p>Figura 04.19</p><p>MAPA PILOTO DE RUÍDO URBANO PARA A CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>Neste capítulo serão apresentados os resultados</p><p>obtidos para o eixo de Avaliação indutiva</p><p>experimental e para os Estudos analíticos e de</p><p>simulação computacional, conforme a metodologia</p><p>explanada na seção anterior.</p><p>As análises térmicas das simulações computacionais</p><p>foram relatadas para a sala e para o dormitório</p><p>principal de cada estudo de caso. Ressalta-se que</p><p>as aferições não ocorreram no mesmo ambiente,</p><p>contudo os resultados computados nas simulações</p><p>termoenergéticas dos demais dormitórios foram</p><p>compilados no Apêndice C.</p><p>As avaliações lumínicas apresentadas aqui foram</p><p>baseadas nos resultados de Fator de Luz Diurna</p><p>e de Níveis de Iluminâncias Úteis e se relacionam</p><p>aos mesmos ambientes analisados na Temática</p><p>de Térmica. Os resultados das simulações horárias</p><p>estão sintetizados no Apêndice D.</p><p>Os estudos analíticos de acústica foram realizados</p><p>para os mesmos ambientes analisados nas demais</p><p>temáticas. Os resultados dos demais dormitórios,</p><p>contudo, podem ser encontrados no Apêndice E.</p><p>Como já dito, é disponibilizado também um</p><p>apêndice contendo fichas-síntese com os estudos</p><p>de acesso e de penetração solar nos ambientes de</p><p>permanência prolongada dos quatro estudos de</p><p>caso - Apêndice B.</p><p>A estrutura do capítulo está organizada segundo os</p><p>projetos, da seguinte maneira:</p><p>(I) Residência Marlene Milan (1972)</p><p>I.I. Avaliação indutiva experimental; e</p><p>I.II. Estudos analíticos e de simulação</p><p>computacional.</p><p>(II) Residência Hugo Kovadloff (1985)</p><p>II.I. Avaliação indutiva experimental; e</p><p>II.II. Estudos analíticos e de simulação</p><p>computacional.</p><p>(III) Residência Hélio Olga (1987)</p><p>III.I. Avaliação indutiva experimental; e</p><p>III.II. Estudos analíticos e de simulação</p><p>computacional.</p><p>(IV) Conjunto Residencial Vila Butantã (1998)</p><p>IV.I. Avaliação indutiva experimental; e</p><p>IV.II. Estudos analíticos e de simulação</p><p>computacional.</p><p>RESULTADOS</p><p>OBTIDOS</p><p>298 299A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 5: Resultados obtidos</p><p>RESIDÊNCIA MARLENE MILAN AVALIAÇÃO INDUTIVA EXPERIMENTAL</p><p>PERÍODO QUENTESALA</p><p>0 0</p><p>0</p><p>a produção arquitetônica modernista entre</p><p>1930 e 1964, é possível notar a atenção especial dos arquitetos</p><p>para questões como a orientação solar e, por consequência, o</p><p>projeto de dispositivos bloqueadores de insolação, a inércia e</p><p>massa térmicas das edificações e as aberturas estratégicas para</p><p>a ventilação natural. Os brises-soleils, horizontais e verticais, e</p><p>os blocos cerâmicos vazados (cobogós) eram recorrentes nos</p><p>tratamentos de fachadas visando ao sombreamento, associados</p><p>às aberturas para ventilação natural. Além disso, a grande</p><p>disseminação do concreto como técnica construtiva garantia</p><p>inércia térmica aos espaços internos, configurando ambientes</p><p>mais estáveis quando comparados às grandes oscilações externas.</p><p>A qualidade ambiental sob o viés técnico da produção do</p><p>período vem sendo avaliada nas últimas duas décadas. Oscar</p><p>Corbella e Simos Yannas (2003) foram os pioneiros nesse estudo,</p><p>voltando sua atenção à produção modernista do Rio de Janeiro.</p><p>Os resultados e análises obtidos foram publicados no livro Em</p><p>busca de uma Arquitetura Sustentável para os trópicos – Conforto</p><p>Ambiental pela Editora Revan. A produção modernista paulista</p><p>foi estudada pela Profa. Dra. Joana Carla Soares Gonçalves por</p><p>meio da pesquisa FAPESP “O Desempenho Térmico e Luminoso</p><p>de Edifícios Ícones da Arquitetura Modernista Brasileira, em São</p><p>Paulo, produzida entre 1930 e 1964” (N° Processo: 2014/15961-9)</p><p>e pela Profa. Dra. Ranny L. X. N. Michalski por meio da pesquisa</p><p>FAPESP "Conforto Acústico em Edifícios Ícones da Arquitetura</p><p>Modernista Brasileira em São Paulo" (N° Processo: 2018/25711-0).</p><p>Nessa mesma linha, a presente pesquisa, também fomentada</p><p>pela FAPESP (N° Processo: 2018/19902-8), almejou avaliar o</p><p>desempenho das soluções e estratégias projetuais utilizadas no</p><p>período seguinte ao Modernismo Brasileiro Bioclimático, no qual</p><p>buscaram inspirações para o seu desenvolvimento.</p><p>Ao invés de compor uma amostragem com diversos edifícios</p><p>e arquitetos, optou-se por escolher um único arquiteto, cujas</p><p>decisões de partido e estratégias projetuais, além de terem forte</p><p>influência do período modernista, apresentassem um peso</p><p>ambiental reconhecível. Um dos profissionais que se destaca no</p><p>cumprimento desses requisitos é, sem dúvida, Marcos Acayaba.</p><p>Isso porque, durante relatos, entrevistas e publicações, é possível</p><p>notar a importância dada por ele para questões relacionadas ao</p><p>conforto ambiental do usuário. Acayaba (ACAYABA, 20-?), relata</p><p>sobre sua filosofia de trabalho:</p><p>“Nos meus projetos, ao mesmo tempo em que</p><p>interpreto o programa do cliente, procuro analisar</p><p>as características do local onde vai ser realizada</p><p>a obra, a topografia, o solo, a paisagem, o clima, a</p><p>acessibilidade para o fornecimento de materiais, e a</p><p>qualidade da mão de obra disponível. A partir dessa</p><p>análise, procuro identificar a melhor estratégia para</p><p>a realização da obra. Assumo então a estratégia de</p><p>obra, onde o processo de produção é fundamental,</p><p>como uma referência, uma bússola, que vai orientar</p><p>a concepção e o desenvolvimento do projeto.</p><p>Na elaboração do projeto procuro considerar</p><p>cuidadosamente todas as atividades dos operários</p><p>ao longo da obra, e avaliar criteriosamente todo o</p><p>material a ser usado. Procuro não fazer uso de materiais</p><p>que não sejam absolutamente indispensáveis para a</p><p>realização da obra. Todo o material deve trabalhar,</p><p>na plenitude de suas características. Além disso</p><p>procuro também considerar o uso da edificação, e</p><p>a ação do tempo sobre a mesma, sua manutenção.</p><p>Desde a concepção inicial do projeto, procuro</p><p>prevenir e minimizar problemas de manutenção.”</p><p>(ACAYABA, 20-?).</p><p>Acayaba é graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo</p><p>da Universidade de São Paulo, onde começou seus estudos em</p><p>1964, ano da implantação da Reforma de Ensino de 1962. Sua</p><p>formação foi influenciada pela necessidade de contribuir com o</p><p>desenvolvimento tecnológico, associado à ideia de integração</p><p>entre edifício, local e clima, tendo como referencial a Arquitetura</p><p>Moderna Brasileira.</p><p>Vilanova Artigas, um de seus grandes mestres, e Oscar Niemeyer,</p><p>por quem nutria grato apreço desde pequeno, são referências</p><p>recorrentes em suas obras, mas não as únicas. Nomes como</p><p>Paulo Mendes da Rocha, Joaquim Guedes, Sérgio Ferro, Eduardo</p><p>Lefèvre, Flávio Império, Ernest Mange - para quem trabalhou</p><p>como estagiário -, Carlos Millan, Frank Lloyd Wright, Le Corbusier,</p><p>Mies van der Rohe, Marcel Breuer e Craig Ellwood são alguns dos</p><p>outros arquitetos que permeiam sua produção.</p><p>A importância que o arquiteto dá aos aspectos relacionados ao</p><p>conforto do usuário em seus projetos serviu como mote para o</p><p>desenvolvimento da pesquisa aqui apresentada. Isso associado à</p><p>relevância de sua obra para a arquitetura paulista e à vasta gama de</p><p>técnicas construtivas aplicadas em suas obras, o que lhe garante</p><p>uma versatilidade poucas vezes testemunhadas, justificam a</p><p>relevância deste estudo.</p><p>Até hoje, poucos são os trabalhos acerca do arquiteto, podendo</p><p>citar o mestrado de Tatiana Midori Nakanishi, Arquitetura e</p><p>domínio técnico. A prática de Marcos Acayaba (2007), no qual</p><p>a prática construtiva foi a coluna vertebral estruturadora do</p><p>trabalho e, mais recentemente, o mestrado de Marcelo Morettin,</p><p>36 37A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Introdução</p><p>Arquitetura como montagem: aproximações a partir da obra</p><p>de Glenn Murcutt e Marcos Acayaba (2020). Como apontado,</p><p>a importância depositada pelo arquiteto no conforto e na</p><p>qualidade ambiental é inquestionável. Contudo, não existem</p><p>trabalhos que avaliem quantitativamente esses quesitos em</p><p>sua produção.</p><p>Por conseguinte, a pesquisa teve o objetivo principal de avaliar</p><p>a qualidade ambiental (térmica, luminosa e acústica) de quatro</p><p>residências unifamiliares, projetadas por Acayaba, a saber: (I)</p><p>Residência Marlene Milan (1972); (II) Residência Hugo Kovadloff</p><p>(1986); (III) Residência Hélio Olga (1987); e (IV) Conjunto</p><p>Residencial Vila Butantã (1998). Essa amostragem reflete bem</p><p>sua produção arquitetônica durante os últimos 50 anos de</p><p>atuação profissional.</p><p>Para tanto, os estudos buscaram investigar e verificar o impacto de</p><p>certas estratégias projetuais na ambiência de sua obra, incluindo:</p><p>forma, orientação, sombreamento, capacidade térmica e acústica</p><p>dos componentes construtivos, dimensionamento e distribuição</p><p>dos espaços internos, projeto das aberturas, área envidraçada etc.</p><p>Somado a isso, também houve o desejo de entender como</p><p>tais questões projetuais que visam ao maior conforto do</p><p>usuário, amplamente disseminadas no período arquitetônico</p><p>brasileiro modernista caracterizado como bioclimático, foram</p><p>apreendidas pelo arquiteto, reinterpretadas e transpostas em</p><p>seus projetos. Dessa maneira, a pesquisa também se prestou a</p><p>entender, sob o ponto de vista ambiental, a influência que essa</p><p>corrente arquitetônica teve sobre a obra do arquiteto escolhido.</p><p>O desenvolvimento da dissertação foi estruturado em cinco</p><p>capítulos. No primeiro deles, Arquitetura Moderna no Brasil:</p><p>a Escola Carioca e a Escola Paulista, é apresentada uma breve</p><p>caracterização da Arquitetura Moderna Brasileira, por intermédio</p><p>da produção arquitetônica de Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas,</p><p>responsáveis por encabeçar as Escolas Carioca e Paulista,</p><p>respectivamente.</p><p>O segundo capítulo, Um arquiteto. Quatro casas, é subdividido</p><p>nos seguintes tópicos:</p><p>(I) A formação de um arquiteto, em que se relata sobre</p><p>a formação do arquiteto Marcos Acayaba na FAUUSP</p><p>durante os anos de 1964 a 1969 e sobre as influências</p><p>modernistas que teve;</p><p>(II) Percurso profissional de Marcos Acayaba, onde</p><p>é descrita, em progressão histórica, a produção do</p><p>arquiteto, evidenciando as tipologias e as técnicas</p><p>construtivas por ele trabalhadas, assim como seus anos</p><p>de atuação como docente; e</p><p>(III) Concreto, tijolo, madeira e bloco: 4 residências,</p><p>tópico encarregado de apresentar e analisas as quatro</p><p>residências escolhidas como amostragem deste projeto</p><p>de pesquisa.</p><p>O Capítulo 3, Metodologia</p><p>adotada, descreve com detalhes os</p><p>pormenores metodológicos aplicados na análise ambiental das</p><p>residências para os três eixos temáticos propostos: (I) térmica;</p><p>(II) iluminação natural; e (III) acústica.</p><p>No capítulo seguinte, Diagnóstico climático e caracterização</p><p>acústica da cidade de São Paulo, é fornecido um levantamento</p><p>climático atualizado da cidade de São Paulo, onde constam</p><p>dados de temperatura, umidade relativa, graus de iluminância,</p><p>precipitação, direção dos ventos etc., extraídos do arquivo</p><p>climático TMY. Além disso, também é apresentada uma</p><p>caracterização acústica da cidade, desenvolvida segundo</p><p>normativas e legislação correntes.</p><p>Por fim, no último capítulo, Resultados obtidos, é feito</p><p>um compilado por residência dos resultados alcançados</p><p>durante os anos de desenvolvimento da pesquisa, tanto para</p><p>o eixo de Avaliação indutiva experimental, quanto para os</p><p>Estudos analíticos e de simulação computacional, e conforme</p><p>metodologia esmiuçada na seção anterior.</p><p>O ambiente em que vivemos mudou completamente</p><p>em todo o mundo a partir do Século XX. As cidades</p><p>e os edifícios transformaram-se radicalmente em</p><p>relação a qualquer construção que tenha sido</p><p>feita antes. Esta metamorfose provém, em grande</p><p>medida, do gênio e da visão de certos arquitetos</p><p>a serem reverenciados por terem concebido os</p><p>princípios essenciais hoje presentes nas atuais</p><p>residências, nas áreas de trabalho e de lazer e nos</p><p>espaços urbanos.</p><p>A seguir é feito um relato acerca da produção</p><p>modernista brasileira, a partir das produções de Oscar</p><p>Niemeyer e de Vilanova Artigas, principais expoentes</p><p>das Escolas Carioca e Paulista, respectivamente.</p><p>ARQUITETURA</p><p>MODERNA NO BRASIL:</p><p>A ESCOLA CARIOCA E A</p><p>ESCOLA PAULISTA</p><p>40 41A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>O Movimento Moderno deu seus primeiros passos na Europa,</p><p>reflexo das mudanças socioeconômicas que tiveram origem na</p><p>Revolução Industrial. O movimento é associado às artes de forma</p><p>geral, onde a arquitetura também se enquadra.</p><p>Os projetos eram marcados pelo racionalismo e funcionalismo</p><p>e, para tanto, o uso de formas geométricas puras e definidas,</p><p>a falta de ornamentação, a desassociação entre estrutura e</p><p>vedação, o uso de pilotis a fim de liberar espaço sob o edifício,</p><p>as fachadas livres com alta porcentagem de área envidraçada</p><p>favorecendo a transparência eram os recursos aplicados. Como</p><p>principais nomes, tem-se Mies van der Rohe, Frank Lloyd Wright,</p><p>Walter Gropius e Le Corbusier, esse último apresentando grande</p><p>influência na produção brasileira.</p><p>No Brasil, os principais ideais modernistas surgem ligados às</p><p>áreas artísticas e culturais, especialmente por intermédio de</p><p>manifestos como a Semana da Arte Moderna de São Paulo, de</p><p>1922. Aqui, o movimento chega alguns anos antes do processo de</p><p>industrialização nacional, período de grande ufanismo e busca</p><p>por uma cultura própria que se afastasse da produção europeia.</p><p>Nos anos 20, o modernismo travou batalhas com o ecletismo,</p><p>corrente arquitetônica hegemônica à época. Foi durante o</p><p>fim da década de 30 e início dos anos 40, com o processo</p><p>de industrialização dando seus primeiros sinais e com o</p><p>apoio do Estado Novo, que via no movimento um símbolo</p><p>da modernidade e progresso, que o Modernismo ganha solo</p><p>firme pra estabelecer raízes e passa a ser mais bem quisto</p><p>pela sociedade. As mudanças no modo de vida trazidas</p><p>pelos avanços tecnológicos daquele tempo tiveram reflexos</p><p>diretos nos partidos arquitetônicos de projeto. Novas formas</p><p>e espacialidades eram almejadas. Apenas era preciso de um</p><p>projeto de peso nacional para que o Brasil fosse tomado pelo</p><p>espírito moderno. Esse projeto foi materializado pelo atual</p><p>Edifício Gustavo Capanema, antiga sede do Ministério da</p><p>Educação e Saúde, melhor relatado à frente. Dentre a produção</p><p>do Movimento Moderno no Brasil, duas frentes ficaram muito</p><p>conhecidas: a Escola Carioca, sob a imagem de Lúcio Costa e</p><p>Oscar Niemeyer, e a Escola Paulista, de Vilanova Artigas.</p><p>Escola Carioca é o nome dado pela historiografia a uma parcela</p><p>da produção moderna da arquitetura brasileira, projetada</p><p>por um grupo radicado no Rio de Janeiro, que cria um estilo</p><p>nacional de arquitetura moderna: uma espécie de Brazilian</p><p>Style, contrapondo-se ao International Style dos anos 30. O nome</p><p>Escola Carioca é mencionado pela primeira vez na publicação</p><p>do catálogo da exposição Brazil Builds, no Museum of Modern Art</p><p>(MoMA), de Nova Iorque, em 1943. Na ocasião, Mário de Andrade</p><p>relata “a primeira escola, o que se pode chamar legitimamente</p><p>de ‘escola’ de arquitetura moderna no Brasil, foi a do Rio, com</p><p>Lúcio Costa à frente, e ainda inigualada até hoje”. É marcada por</p><p>um espírito de exuberância nacional, pela busca e combinação</p><p>de novos volumes, pela valorização da transparência em todos</p><p>os sentidos, de materiais, de vedações, de vãos, dos espaços</p><p>produzidos pelo próprio desenho, e pela curva, tão bem</p><p>trabalhada por Niemeyer.</p><p>Assim como a Escola Carioca, a Paulista é o termo pelo qual</p><p>parte importante da produção moderna da arquitetura brasileira</p><p>ficou conhecida em São Paulo, com a liderança de Vilanova</p><p>Artigas. Apresenta ênfase na técnica construtiva, pela adoção</p><p>do concreto armado e valorização da estrutura, identificando-se</p><p>pela continuidade espacial garantida pela adoção de rampas,</p><p>pela iluminação zenital e pelo emprego de grandes vãos. Além</p><p>disso, cabia aos arquitetos a contribuição para um projeto de</p><p>desenvolvimento nacional, por meio da modernização técnica</p><p>da construção civil e da racionalização do desenho, apostando na</p><p>pré-fabricação e na racionalização do canteiro de obras. Mais do</p><p>que uma busca puramente estética ou técnica, a Escola Paulista</p><p>tinha um grande apelo sócio-político. A seguir, as Escolas Carioca</p><p>e Paulista serão melhor representadas por meio da análise da</p><p>produção dos arquitetos que as encabeçaram.</p><p>O reconhecimento da obra de Oscar Niemeyer teve, em grande</p><p>parte, relação direta com uma das certidões de nascimento da</p><p>Arquitetura Moderna Brasileira: o Palácio Capanema ou Edifício</p><p>Gustavo Capanema (Figuras 01.01 e 01.02).</p><p>O Ed. Gustavo Capanema é resultado de um concurso público</p><p>nacional, em 1935, que tinha por objetivo escolher a nova sede</p><p>do recém-criado Ministério da Educação e Saúde e, portanto,</p><p>deveria expressar toda a modernidade à época e o âmbito do</p><p>novo ministério. O ganhador do concurso, no entanto, não foi</p><p>nenhum dos autores do edifício que hoje se encontra construído</p><p>na Rua da Imprensa, no Rio de Janeiro.</p><p>O projeto vencedor foi de autoria do arquiteto Archimedes</p><p>Memória, professor na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de</p><p>Janeiro. O edifício projetado por Memória foi concebido segundo</p><p>o estilo, autoproclamado, Neomarajoara que, na realidade, não</p><p>existe, sendo apenas uma variação do Estilo Eclético (Figura 01.03).</p><p>O Estilo Eclético ia ao encontro do gosto do júri que elegeu o</p><p>projeto vencedor. Contudo, Gustavo Capanema, o então ministro</p><p>em exercício, não via o projeto como reflexo da imagem que</p><p>queria passar do novo ministério, decidindo por cancelar o</p><p>concurso e, logo após, convida Lúcio Costa para desenvolver</p><p>uma nova proposta. Com vista no cancelamento, optou-se pela</p><p>formação de uma equipe de arquitetos para a concepção de um</p><p>projeto a várias mãos. A equipe, então, foi composta por: Lúcio</p><p>Costa, Jorge Machado Moreira, Affonso Eduardo Reidy, Carlos</p><p>Leão, Ernâni Vasconcelos e Oscar Niemeyer.</p><p>42 43A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>Os primeiros estudos para o edifício já contavam com os</p><p>princípios defendidos por Le Corbusier, mas ainda não era o</p><p>projeto almejado por eles e, para tanto, tiveram a necessidade</p><p>de convidar o próprio arquiteto franco-suíço para compor a</p><p>equipe outrora formada. Le Corbusier fica cerca de um mês no</p><p>Brasil para desenvolver um projeto moderno para o</p><p>ministério</p><p>(Figuras 01.04 e 01.05).</p><p>Além das modificações na edificação, o arquiteto também altera o</p><p>local da construção para um outro terreno da prefeitura. Contudo,</p><p>prestes a voltar para França, é informado da impossibilidade</p><p>de troca dos terrenos, restando-lhe pouco mais de um dia para</p><p>adaptar o projeto proposto para o antigo sítio previsto. Incapaz de</p><p>finalizar o projeto em tempo hábil, resta à equipe de brasileiros a</p><p>tarefa de concluir e edificar o projeto do MES. Claramente, houve</p><p>alterações no projeto concebido por Le Corbusier, o que fez com</p><p>que seu papel no processo de projeto da obra fosse apenas de</p><p>consultoria e não autoria.</p><p>É interessante ressaltar que a arquitetura nesse momento se torna</p><p>o carro-chefe das artes, uma verdadeira conjunção das artes. Os</p><p>azulejos no térreo, por exemplo, são de autoria de Portinari, bem</p><p>como os afrescos nas laterais do auditório (Figuras 01.06 e 01.07).</p><p>A incorporação de obras escultóricas assinadas tem papel ímpar</p><p>no projeto final de prédios da época, valorizando, além do papel</p><p>dos arquitetos e engenheiros, os paisagistas e artistas plásticos.</p><p>Nesse sentido, o MES adquire não somente um caráter de edifício</p><p>moderno, mas também um projeto de caráter educativo por meio</p><p>da implantação de uma nova arquitetura mais integradora.</p><p>Croquis e estudos</p><p>do Ed. Gustavo</p><p>Capanema</p><p>desenvolvidos por Le</p><p>Corbusier.</p><p>Fonte: Fondation Le</p><p>Corbusier.</p><p>Figuras 01.04 e 01.05</p><p>Térreo do Ed. Gustavo</p><p>Capanema, com os</p><p>famosos azulejos de</p><p>Portinari.</p><p>Auditório do Ed.</p><p>Gustavo Capanema</p><p>com painéis de</p><p>Portinari.</p><p>Foto: Leonardo Finotti.</p><p>Foto: Daniel Marenco.</p><p>Figura 01.06</p><p>Figura 01.07</p><p>(Abaixo, à direita)</p><p>Proposta para o MES</p><p>desenvolvida por</p><p>Archimedes Memória.</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Ed. Gustavo</p><p>Capanema, 1943,</p><p>fachada SO.</p><p>(À esquerda)</p><p>Ed. Gustavo</p><p>Capanema, 1943,</p><p>fachada NE.</p><p>Fonte: Cortesia de Roberto</p><p>Segre.</p><p>Foto: Leonardo Finotti.</p><p>Foto: Leonardo Finotti.</p><p>Figura 01.03</p><p>Figura 01.02</p><p>Figura 01.01</p><p>44 45A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>A parceria entre Lúcio Costa e Niemeyer foi repetida durante</p><p>o projeto para o Pavilhão do Brasil na Feira Universal de Nova</p><p>Iorque de 1939 (Figuras 01.08 a 01.11). O projeto e exibição dos</p><p>pavilhões nessas Feiras Universais atuam como vitrine para o</p><p>mundo, uma oportunidade de mostrar as linhas e diretrizes de</p><p>uma nação nos mais diversos sentidos, seja comercial, cultural ou</p><p>outro. Nesse projeto, os pontos de Le Corbusier voltam a chamar</p><p>atenção. As fachadas livres que se voltam ao pátio interno são</p><p>essenciais para o conceito da obra. Quando do uso de janelas, a</p><p>em fita é a solução escolhida. Das fachadas livres, apenas a sul é</p><p>protegida por um novo tipo de brise, que muito se assemelha aos</p><p>elementos vazados. Os pilotis de concreto armado dão lugar aos</p><p>pilotis metálicos, garantindo maior leveza e fruição visual à obra.</p><p>Isso, por consequência, corrobora com a ideia da planta livre. A</p><p>cobertura acessível é alcançada pelo terraço à frente do auditório.</p><p>Começa a surgir sutilmente nesse projeto uma característica</p><p>que se tornará uma marca registrada dos projetos de Niemeyer:</p><p>a curva. Os limites do mezanino do pavilhão apresentam uma</p><p>sinuosidade que por ora abrange os pilotis e por outra os cerca</p><p>(Figura 01.12). É na Pampulha, no entanto, que o gênio de Niemeyer começa</p><p>a ser notado, apresentando uma grande distinção de sua matriz</p><p>corbusiana. Afinal, na Capela de São Francisco de Assis (Figura</p><p>01.13), a cobertura ganha uma forma plástica mais do que</p><p>singular: um plano único encurvado que liga chão a chão, ou seja,</p><p>sem a divisão do plano parede/teto, resolve o espaço interno da</p><p>nave da igreja. Um conjunto de arcos, por sua vez, resolve as áreas</p><p>de sacristia. Em outras palavras, a solução formal adotada para</p><p>o projeto difere totalmente do receituário aplicado à produção</p><p>moderna, inspirado pela obra de Le Corbusier da década de 40.</p><p>É preciso encarar essa obra pelo seu desafio técnico à época.</p><p>Como uma forma se resolve por si só? Como ela fica em pé</p><p>tecnicamente? O concreto armado já vinha sendo utilizado pela</p><p>arquitetura moderna durante as décadas anteriores, mas a partir</p><p>desse momento o uso da tecnologia do concreto armado ganha</p><p>uma liberdade plástica e formal de outra natureza, explorando</p><p>e trabalhando o material até seus limites, garantindo, dessa</p><p>maneira, uma maior variedade nas soluções arquitetônicas.</p><p>Plantas do Pavilhão</p><p>do Brasil para a Feira</p><p>Universal de Nova</p><p>Iorque, 1939.</p><p>(Acima, à esquerda)</p><p>Vista da fachada</p><p>principal do Pavilhão</p><p>do Brasil.</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Pavilhão do Brasil</p><p>(1939).</p><p>(Ao lado)</p><p>Capela de São</p><p>Francisco de Assis</p><p>(1943), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>(Abaixo, à direita)</p><p>Vista interna do</p><p>mezanino do Pavilhão</p><p>do Brasil.</p><p>(Abaixo, à esquerda)</p><p>Vista para o pátio</p><p>interno do Pavilhão do</p><p>Brasil.</p><p>Fonte: Archdaily.</p><p>Foto: Carlos Eduardo Coma.</p><p>Foto: Carlos Eduardo Coma.</p><p>Foto: Mineiros na Estrada.</p><p>Foto: Carlos Eduardo Coma.</p><p>Foto: Carlos Eduardo Coma.</p><p>Figura 01.08</p><p>Figura 01.09</p><p>Figura 01.10</p><p>Figura 01.13</p><p>Figura 01.12</p><p>Figura 01.11</p><p>46 47A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>Outra obra que marca a inovação nas obras de Niemeyer é o</p><p>Cassino da Pampulha, atualmente o Museu de Arte da Pampulha</p><p>(Figuras 01.14 e 01.15). Os princípios modernistas de Le Corbusier</p><p>convivem em simbiose com as formas orgânicas do arquiteto</p><p>carioca. A racionalidade dos pilotis, as fachadas e plantas livres,</p><p>as janelas em fita estão lado a lado à forma pitoresca e orgânica</p><p>com que foi projetado o corpo da Casa de Baile voltada à Lagoa da</p><p>Pampulha (Figura 01.16), ganhando uma composição diferente</p><p>da produção modernista de até então e que será recorrente</p><p>em diversos trabalhos do arquiteto. Além disso, é importante</p><p>ressaltar o uso dos revestimentos na obra que, aos poucos, cairá</p><p>em desuso em seus projetos, garantindo a pureza dos materiais.</p><p>Espelhos revestem paredes, garantindo a amplitude do local e</p><p>folhas metálicas recobrem os pilotis.</p><p>A produção de Niemeyer não se restringe ao Rio. Algumas de</p><p>suas obras mais interessantes, especialmente as de caráter</p><p>residencial para o mercado imobiliário, são encontradas em</p><p>São Paulo. Por um longo tempo, essas obras foram renegadas</p><p>até mesmo pelo próprio arquiteto. Dentre elas podemos citar</p><p>os Edifícios Califórnia, Montreal, Triângulo, Eiffel e Copan</p><p>(Figuras 01.17 a 01.19). Todos eles mantiveram a plasticidade da</p><p>produção do arquiteto e princípios de projeto, como a parceria</p><p>entre arquitetura e arte – como por exemplo os mosaicos de Di</p><p>Cavalcanti do Ed. Triângulo no centro de São Paulo.</p><p>Com relação à produção de Niemeyer em São Paulo, não se</p><p>pode deixar de mencionar o projeto para o Parque Ibirapuera</p><p>(Figuras 01.20 e 01.21). O parque foi concebido como parte</p><p>das comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo,</p><p>quando Niemeyer foi convidado, em 1951, pelo Governador</p><p>Lucas Nogueira Garcez a projetar os edifícios que receberiam a</p><p>exposição do evento.</p><p>Com mais de 1,5 milhão de metros quadrados, o elemento que</p><p>marca o projeto é, sem dúvida, a marquise de forma orgânica</p><p>com 27 mil metros quadrados de área. É responsável, ainda, por</p><p>integrar visual e espacialmente os volumes da Oca, do Auditório</p><p>Oscar Niemeyer, do Museu AfroBrasil, do Museu de Arte Moderna</p><p>e do Pavilhão das Culturas Brasileiras. À similaridade ao vão livre</p><p>do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP),</p><p>o espaço conformado pela marquise foi projetado segundo</p><p>a lógica do acaso. É dizer, ele foi concebido sem um uso pré-</p><p>definido, sem uma função a ser desempenhada, onde as mais</p><p>diversas atividades convivem em plena harmonia. Uma tranquila</p><p>leitura acontece a poucos metros de distância de um alvoroço</p><p>ocasionado por manobras de skatistas. Cada pessoa ou grupo de</p><p>indivíduos tem parcela na humanização</p><p>do espaço e cada um se</p><p>apropria dele do jeito que lhe convém. É um dos poucos lugares</p><p>na cidade em que a democracia do espaço público é atingida na</p><p>sua forma mais pujante e positiva.</p><p>Plantas do antigo</p><p>Cassino da Pampulha</p><p>(1942), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Vista do Cassino da</p><p>Pampulha.</p><p>Entrada para o Corpo</p><p>de Baile do Cassino da</p><p>Pampulha.</p><p>(À esquerda)</p><p>Edifício Montreal</p><p>(1954), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>(Ao centro)</p><p>Edifício Triângulo</p><p>(1955), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>(À direita)</p><p>Edifício Eiffel (1956),</p><p>Arq. Oscar Niemeyer.</p><p>Fonte: Archdaily.</p><p>Foto: Cristiano Maia.</p><p>Foto: Pedro Kok.</p><p>Foto: Dornicke.</p><p>Foto: The Photographer.</p><p>Foto: Nelson Kon.</p><p>Figura 01.14</p><p>Figura 01.15</p><p>Figura 01.16</p><p>Figura 01.17</p><p>Figura 01.18</p><p>Figura 01.19</p><p>48 49A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>Os volumes de geometria pura dos espaços também devem</p><p>receber especial atenção, especialmente pela composição.</p><p>A Oca (Figura 01.22), primeiro edifício-cúpula de Niemeyer,</p><p>pode ser encarada como a “nova Igreja da Pampulha”, onde o</p><p>potencial construtivo do concreto armado é mais uma vez levado</p><p>a seu extremo. A relação parede-teto é extinta novamente e uma</p><p>única cobertura, com simetria radial, é concebida para abrigar o</p><p>programa de necessidades de uma área de exposição.</p><p>Nesse caso, a própria construção se converte em parte integrante</p><p>de toda e qualquer exposição que ali ocorra. Isso porque adquire</p><p>um caráter escultórico, ainda mais quando se adentra ao edifício</p><p>e se depara com a exuberante rampa que conecta o térreo aos</p><p>mezaninos, integrando os vazios que receberão as exposições</p><p>(Figura 01.23).</p><p>Pouco antes de assumir os projetos para Brasília, Niemeyer</p><p>projeta para si sua residência, a Casa das Canoas, onde viveu</p><p>no Rio de Janeiro, em plana Floresta da Tijuca (Figuras 01.24</p><p>a 01. 28). Ali, ele implantou sua casa em comunhão com a</p><p>natureza e topografia local de forma sublime. A rocha pré-</p><p>existente no terreno foi mantida, desempenhando o papel de elo</p><p>integrador do projeto: parte da rocha foi mantida externa à casa,</p><p>compondo a área de piscina, e parte dela interna, orientando o</p><p>posicionamento das escadas que dão acesso ao nível inferior.</p><p>A essa altura, Niemeyer, ainda seguindo os preceitos</p><p>modernistas, buscava as formas mais inventivas e singulares,</p><p>solucionando seus projetos de forma orgânica e a partir de uma</p><p>relação direta com a natureza. É interessante notar também</p><p>a integração da casa a partir das áreas envidraçadas onde a</p><p>continuidade visual se torna total e, mesmo assim, o arquiteto é</p><p>capaz de criar espaços de aconchego, íntimos e privativos.</p><p>Em 1956, Oscar Niemeyer é convidado por Juscelino Kubitschek</p><p>para projetar Brasília. O arquiteto também ocupou o cargo de</p><p>diretor do Departamento de Urbanismo e Arquitetura da Novacap,</p><p>empresa responsável pela construção da futura capital, e</p><p>organizador do concurso que escolheu o plano piloto da cidade.</p><p>Em entrevista concedida à Isabel Murray, BBC Brasil (NIEMEYER,</p><p>2001), Niemeyer afirma que a criação de Brasília começou na</p><p>Pampulha, acenando para os projetos das obras supracitadas.</p><p>Segundo ele, na década de 30 havia começado “essa arquitetura</p><p>que mais me agrada, mais livre, mais ligada à curva, mais</p><p>emocional, procurando a invenção arquitetônica”.</p><p>Os conceitos plásticos e formais aplicado nas obras da Pampulha</p><p>foram, dessa forma, reaplicados na concepção dos projetos</p><p>de Brasília, entre eles a Catedral de Brasília (Figura 01.29), o</p><p>Congresso Nacional (Figura 01.30), o Palácio do Planalto (Figura</p><p>01.31), o Palácio da Alvorada etc. É interessante apontar como</p><p>esse apelo formal alcançado por meio do concreto armado se</p><p>(Acima, à esquerda)</p><p>Vista do Parque do</p><p>Ibirapuera (1954), Arq.</p><p>Oscar Niemeyer.</p><p>(Acima, à esquerda)</p><p>Vista da Casa das</p><p>Canoas (1954), Arq.</p><p>Oscar Niemeyer.</p><p>(Abaixo, à esquerda)</p><p>Vista da Oca.</p><p>(Ao centro, à esquerda)</p><p>Vista interna da Casa</p><p>das Canoas.</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Vista aérea do Parque</p><p>do Ibirapuera.</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Área externa da Casa</p><p>das Canoas.</p><p>(Abaixo, à direita)</p><p>Vista interna da Oca.</p><p>(Ao centro, à direita)</p><p>Croqui da Casa das</p><p>Canoas.</p><p>(Abaixo)</p><p>Plantas da Casa das</p><p>Canoas.</p><p>Foto: Manuel Sá.</p><p>Foto: Frank Van Leersum.</p><p>Foto: Manuel Sá.</p><p>Foto: Frank Van Leersum.</p><p>Foto: Autor desconhecido.</p><p>Foto: Frank Van Leersum.</p><p>Foto: Paulo Freitas.</p><p>Fonte: Archdaily.</p><p>Fonte: Archdaily.</p><p>Figura 01.20</p><p>Figura 01.24</p><p>Figura 01.22</p><p>Figura 01.26</p><p>Figura 01.21</p><p>Figura 01.25</p><p>Figura 01.23</p><p>Figura 01.27</p><p>Figura 01.28</p><p>50 51A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>torna evidente nos desenhos dos pilares que, no decorrer do</p><p>anos, ficavam mais ousados e desafiadores, como, por exemplo,</p><p>os 16 pilares em forma de bumerangue que sustentam e garantem</p><p>a forma da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida,</p><p>em Brasília.</p><p>Durante sua produção mais tardia – da qual fazem parte o Partido</p><p>Comunista Francês (Figura 01.32), o Centro Cultural Le Havre</p><p>(Figura 01.33), Memorial da América Latina etc – fica clara uma</p><p>espécie de estratégia a que o arquiteto se vale para projetar:</p><p>dentro dos limites do terreno, ele dispunha os diferentes volumes</p><p>que lhe eram comuns para resolver o programa de necessidades</p><p>do edifício. Atingida sua maturidade profissional, o carioca já havia</p><p>incorporado um repertório de formas geométricas pelas quais era</p><p>conhecido e, fazendo uma alusão ao ato de se organizar uma mesa</p><p>para um evento, ele dispunha dessas geometrias sobre o terreno</p><p>até chegar a um arranjo que fosse de seu agrado. A cúpula da Oca</p><p>do Ibirapuera, por exemplo, é reutilizada no Partido Comunista</p><p>Francês, assim como o edifício em lâmina de formato sinuoso.</p><p>Tornam-se recorrentes também os rasgos no terreno para se</p><p>adentrar ao espaço do subsolo para, então, atingir as diferentes</p><p>funções do edifício e o uso indiscriminado do vidro fumê. O</p><p>vidro fumê vai totalmente contra os princípios de transparência</p><p>disseminados pelo Modernismo, não existindo a integração entre</p><p>dentro e fora, além de exterminar com a ideia dos planos e da</p><p>tridimensionalidade. Exemplo disso, é a Cidade Administrativa de</p><p>Tancredo Neves em Belo Horizonte (Figura 01.34), a qual ainda</p><p>aparenta ter sido construída em escala totalmente equivocada,</p><p>desconsiderando o entorno próximo.</p><p>Pode-se dizer que a liberdade formal propiciada pelo concreto</p><p>armado foi tanto o seu propulsor, enquanto um dos maiores</p><p>nomes da arquitetura modernista brasileira, quanto o fator que</p><p>levou à quase reprodução sistemática das soluções projetuais</p><p>nos anos de maturidade profissional.</p><p>(Acima, à esquerda)</p><p>Catedral Metropolitana</p><p>de Nossa Senhora</p><p>Aparecida (1970), Arq.</p><p>Oscar Niemeyer.</p><p>(Abaixo)</p><p>Palácio do Planalto</p><p>(1960), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Sede do Partido</p><p>Comunista Francês</p><p>(1980), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Centro Cultural Le</p><p>Havre (1982), Arq.</p><p>Oscar Niemeyer.</p><p>Cidade Administrativa</p><p>de Tancredo Neves</p><p>(2010), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>(Acima, à direita)</p><p>Congresso Nacional</p><p>(1960), Arq. Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Foto: Christoph Diewald.</p><p>Foto: Frank Van Leersum.</p><p>Foto: Denis Esakov.</p><p>Fonte: Fundação Oscar</p><p>Niemeyer.</p><p>Foto: Bruno Magalhães.</p><p>Foto: Filipe Frazão.</p><p>Figura 01.29</p><p>Figura 01.31</p><p>Figura 01.32</p><p>Figura 01.33</p><p>Figura 01.34</p><p>Figura 01.30</p><p>52 53A qualidade ambiental da arquitetura do legado modernista Capítulo 1: Arquitetura Moderna no Brasil: a Escola Carioca e a Escola Paulista</p><p>Artigas, diferentemente de Niemeyer que teve formação na</p><p>Escola de Belas Artes do Rio, formou-se engenheiro-arquiteto</p><p>pela Escola Politécnica da USP, desenvolvendo todo seu</p><p>percurso profissional e didático na cidade de São Paulo. Desde</p><p>o período mais pueril de sua produção, já era possível notar</p><p>traços de uma tímida modernidade. Apesar do uso de materiais</p><p>e sistemas construtivos tradicionais à arquitetura que estava</p><p>sendo produzida, como o uso das telhas</p>