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<p>EPIDEMIOLOGIA</p><p>AULA 6</p><p>PROFA. HELOISA NASCIMENTO</p><p>ESTUDOS DE COORTE</p><p>➢ Uma coorte é definida como um grupo de indivíduos claramente</p><p>identificados e selecionados para serem estudados e seguidos no</p><p>tempo, com a finalidade de determinar se irão desenvolver ou não</p><p>uma determinada condição (desfecho).</p><p>➢ Estudos de coorte são estudos observacionais onde a situação dos</p><p>participantes quanto à exposição de interesse determina sua seleção</p><p>para o estudo. Esses indivíduos são observados ao longo do tempo</p><p>para avaliar a incidência de doença ou outro desfecho de interesse.</p><p>➢ Nos estudos de coorte, os objetivos são analisar as associações</p><p>entre os fatores de risco preditores dos desfechos, assim como</p><p>descrever a incidência destes desfechos ao longo do tempo.</p><p>➢ Os estudos de coorte podem ser classificados como prospectivos</p><p>(ou concorrentes) e retrospectivos (ou não concorrentes ou</p><p>históricos) em função da relação temporal entre a coleta dos dados</p><p>e a ocorrência do desfecho.</p><p>➢ Nos estudos prospectivos, a exposição pode ou não já ter</p><p>ocorrido antes do inicio do estudo, mas o desfecho ainda não</p><p>ocorreu. Por isso, o pesquisador deve acompanhar a população por</p><p>tempo suficiente para que os casos do desfecho de interesse</p><p>ocorram.</p><p>➢ Nos estudos retrospectivos tanto a exposição quanto o desfecho</p><p>já ocorreram antes do inicio do estudo.</p><p>Estudo de coorte Prospectivo</p><p>Estudo de coorte Retrospectivo</p><p>Doente Não doente Total</p><p>Exposto a b a+b</p><p>Não Exposto c d c+d</p><p>Total a+c b+d a+b+c+d</p><p>Exemplo: associação entre exercício físico e coronariopatia</p><p>Os funcionários de uma secretaria de saúde são convidados a preencher um</p><p>questionário sobre os seus hábitos de vida, entre os quais inclui-se o</p><p>detalhamento das atividades físicas no trabalho e nas horas de lazer. Dois grupos</p><p>são, então, formados: um, de 5 mil sedentários, e outro composto pelos 2 mil</p><p>funcionários que se exercitam regularmente. Decorridos dez anos, observou-se</p><p>que a atividade física estava inversamente relacionada ao risco de morrer por</p><p>doença coronariana</p><p>Exemplo:</p><p>Um pesquisador acompanhou 200 mulheres que realizavam</p><p>exercícios físicos regularmente e 300 mulheres que não praticavam</p><p>regularmente. Após 30 anos de seguimento, 20 mulheres do grupo</p><p>que praticava exercícios desenvolveram osteoporose, enquanto 30</p><p>mulheres do grupo que não praticava exercício desenvolveram a</p><p>doença.</p><p>a) Faça uma tabela de contingência 2x2 mostrando a doença na parte</p><p>de cima da tabela (coluna) e a exposição ao lado.</p><p>b) Calcule o risco relativo de desenvolvimento de osteoporose entre</p><p>os dois grupos.</p><p>Prática de</p><p>Exercício físico</p><p>Osteoporose Total</p><p>Sim Não</p><p>Sim 20 180 200</p><p>Não 30 270 300</p><p>Total 50 450 500</p><p>a / a + b = (I exposto) = 20/200 = 0,1</p><p>c / c + d = (I não exposto) = 30/300 = 0,1</p><p>RR = I exp / I não exp = 0,1 /0,1 = 1</p><p>Razão = 1 significa que as frequências de doenças entre expostos e não</p><p>expostos são iguais, portanto não existe associação (valor nulo).</p><p>Uma investigação realizada em banco de sangue de um hospital</p><p>chegou aos seguintes resultados: entre 2 mil pessoas que receberam</p><p>transfusão sanguínea, acompanhadas durante um ano, 200</p><p>contraíram hepatite. No outro grupo, de 5 mil pessoas que não</p><p>receberam transfusão, acompanhadas igualmente durante idêntico</p><p>tempo, apenas 5 contraíram a doença. Arme uma tabela 2x2 com os</p><p>resultados.</p><p>a) Qual o tipo de estudo? Justifique sua resposta.</p><p>b) Calcule a medida de associação adequada e interprete o</p><p>resultado.</p><p>Transfusão de</p><p>sangue</p><p>Hepatite Total</p><p>Sim Não</p><p>Sim 200 1800 2000</p><p>Não 5 4995 5000</p><p>Total 205 6795 7000</p><p>a / a + b = (I exposto) = 200 / 2000 = 0,1</p><p>c / c + d = (I não exposto) = 5 / 5000 = 0,001</p><p>RR = I exp / I não exp = 0,1 / 0,001 = 100</p><p>Razão > 1 significa que a frequência da doença é maior no grupo dos expostos</p><p>em relação aos não expostos (Fator de risco).</p><p>a) Calcule a medida de associação adequada, aplique o teste do qui-quadrado e</p><p>interprete o resultado.</p><p>INTERVALO</p><p>ESTUDO DE CASO-CONTROLE</p><p>➢ É um tipo de estudo observacional que se inicia com a seleção de</p><p>um grupo de pessoas portadoras de uma doença ou condição</p><p>especifica (casos) e um outro grupo de pessoas que não sofrem</p><p>dessa doença ou condição (controles).</p><p>Parte do efeito (desfecho) para avaliar a causa (fator de exposição)</p><p>➢ É um estudo retrospectivo, no qual o ponto de partida é a doença.</p><p>Definição e seleção de controles</p><p>➢ Controles devem preencher os mesmos critérios utilizados para a</p><p>definição de casos, exceção feita aos critérios relacionados à</p><p>definição da doença a ser estudada. PAREAMENTO</p><p>• É importante que tanto a identificação dos casos quanto a seleção</p><p>dos controles seja independente da exposição.</p><p>• A seleção dos controles deve ser entre aqueles que se tornariam</p><p>casos, se ficassem doentes.</p><p>➢ O grupo de controles deve ser composto por uma amostra</p><p>representativa da população que deu origem aos casos. Quando isso</p><p>não acontece, um viés de seleção é introduzido no estudo.</p><p>➢ O número de casos e controles não precisa ser igual. Deve-se</p><p>utilizar no máximo 4 controles para cada caso.</p><p>➢ Vantagens:</p><p>• Capaz de estudar doenças raras</p><p>• Mais barato e rápido que coorte</p><p>• Necessita menos indivíduos para detectar diferenças entre grupos</p><p>que outros desenhos.</p><p>Bom para avaliar doenças com longo período de latência.</p><p>• Permite explorar simultaneamente múltiplas exposições com</p><p>possível associação com a doença em estudo.</p><p>➢ Desvantagens:</p><p>• Maior probabilidade de erros e vieses metodológicos:</p><p>– lembrança</p><p>– seleção</p><p>– registro de informação sobre exposição</p><p>• Ineficiente para exposição rara</p><p>• Pode ser difícil estabelecer relação temporal</p><p>• Facilidade com que pode ser feito: muitos estudos conduzidos de</p><p>forma errada</p><p>➢ Não podemos calcular incidências em estudos de casos-controles</p><p>porque não temos população em risco no início do estudo.</p><p>➢ Assim, a fórmula aplicada para o cálculo do RR num estudo de</p><p>coorte não pode ser aplicada aos dados de um estudo de casos e</p><p>controles.</p><p>➢ Em um estudo de caso-controle compara-se a chance da exposição</p><p>ocorrer entre os doentes (casos) em relação aos não doentes</p><p>(controles) (odds ratio = razão de chances)</p><p>Importante: Chance =</p><p>Casos Controles Total</p><p>Exposto a b a+b</p><p>Não</p><p>Exposto</p><p>c d c+d</p><p>Total a+c b+d a+b+c+d</p><p>Odds da exposição dos casos:</p><p>probabilidade de ocorrer a exposição entre os doentes</p><p>probabilidade de não ocorrer a exposição entre os doentes</p><p>Odds da exposição dos controles:</p><p>probabilidade de ocorrer a exposição entre os controles</p><p>probabilidade de não ocorrer a exposição entre os controles</p><p>Casos Controles Total</p><p>Exposto a b a+b</p><p>Não</p><p>Exposto</p><p>c d c+d</p><p>Total a+c b+d a+b+c+d</p><p>Exemplo: associação entre toxoplasmose e debilidade mental</p><p>Todas as 300 crianças em uma comunidade em que é feito o diagnóstico de debilidade</p><p>mental, em um determinado período, são incluídas na investigação, à medida que o</p><p>diagnóstico é confirmado. Elas são submetidas a teste sorológico para toxoplasmose, no</p><p>intuito de inferir se tiveram ou não infecção prévia pelo Toxoplasma gondii. O mesmo</p><p>exame de toxoplasmose é realizado em igual número de crianças sem debilidade mental, de</p><p>mesmo sexo e idade, que funcionam como controle. Os resultados mostram que 15% dos</p><p>casos e 5% dos controles apresentam sorologia reativa para toxoplasmose (Quadro 12.4).</p><p>https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527736060/epub/OEBPS/Text/chapter12.html#qua12-4</p><p>Em um hospital universitário foi feito um estudo para verificar a</p><p>associação entre consumo de álcool e câncer de estômago. Foram</p><p>incluídos na investigação, 300 pacientes do sexo masculino com</p><p>diagnóstico comprovado de câncer de estômago; desses, 30 eram</p><p>casos de alcoolismo crônico. Entre 500 controles, 50 foram</p><p>considerados alcoólatras, pelos mesmos critérios diagnósticos</p><p>usados no grupo de casos. Arme uma tabela 2x2 com os resultados.</p><p>Qual a conclusão que se pode chegar com o resultado obtido?</p><p>Câncer de estômago</p><p>Alcoolismo Sim Não Total</p><p>Sim 30 50 80</p><p>Não 270 450 720</p><p>Total 300 500 800</p><p>Odds exposição casos = a / c = 30/270 = 0,1</p><p>Odds exposição controles</p><p>= b / d = 50/450 = 0,1</p><p>OR = 0,1 / 0,1 = 1</p><p>ou OR = a x d / b x c = 30 x 450 / 270 x 50 = 1</p><p>a) Calcule a medida de associação adequada, aplique o teste do qui-quadrado e</p><p>interprete o resultado.</p>