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<p>© 2019 by Priscila Romero</p><p>Gerente Editorial: Alan Kardec Pereira Editor: Waldir Pedro</p><p>Revisão Gramatical: Lucíola Medeiros Brasil</p><p>Capa e Projeto Gráfico: 2ébom Design</p><p>Capa: Eduardo Cardoso Diagramação: Flávio Lecorny</p><p>Desenho da Capa: Lorena Sá</p><p>Este livro foi revisado por duplo parecer, mas a editora tem a política de</p><p>reservar a privacidade.</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>R672a</p><p>Romero, Priscila</p><p>O aluno com TDAH: a pedagogia e a realidade do transtorno/ Priscila</p><p>Romero. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2019.</p><p>100p. : 21cm</p><p>Inclui bibliografia</p><p>ISBN 978-85-7854-460-7</p><p>1. Educação inclusiva. 2. Distúrbio do deficit de atenção com hiperatividade. 3. Crianças</p><p>hiperativas. I. Título.</p><p>19-55063 CDD 371.94 CDU: 376-056.36</p><p>2019</p><p>Direitos desta edição reservados à Wak Editora</p><p>Proibida a reprodução total e parcial.</p><p>WAK EDITORA</p><p>Av. N. Sra. de Copacabana, 945 – sala 107 – Copacabana</p><p>Rio de Janeiro – CEP 22060-001 – RJ</p><p>Tels.: (21) 3208-6095 e 3208-6113 / Fax (21) 3208-3918</p><p>wakeditora@uol.com.br www.wakeditora.com.br</p><p>mailto:wakeditora@uol.com.br</p><p>https://wakeditora.com.br/https://www.wakeditora.com.br/</p><p>Mais uma vez, dedico minha pesquisa aos meus alunos ditos</p><p>especiais; às suas famílias amorosas, que os apoiam em todas</p><p>as circunstâncias; a todos os profissionais, que auxiliam no</p><p>desenvolvimento de crianças, adolescentes e adultos especiais; e</p><p>aos próprios “TDAHs”, que souberam conduzir sua vida com o</p><p>transtorno da melhor forma que puderam.</p><p>Os agradecimentos são muitos!</p><p>Agradeço, mais uma vez, aos colaboradores da Wak Editora.</p><p>A todos os professores, que, apesar dos baixos salários e condições</p><p>adversas de trabalho, procuram incluir nossas crianças especiais, de</p><p>forma verdadeira, em escolas regulares.</p><p>Aos professores da Educação Básica e Educação Superior, que</p><p>passaram por minha vida e deixaram suas marcas, como meu</p><p>professor de Redação, Dilson Palhares, que estimulou o dom da</p><p>escrita que existe em mim.</p><p>Aos professores da Educação Especial e aos mediadores, que</p><p>trabalham com tanto empenho e amor.</p><p>À orientadora educacional e pedagógica, Jardinete, que me auxiliou</p><p>em momento difícil de minha adolescência, com tanta sabedoria e</p><p>paciência.</p><p>Aos colegas de profissão, que sempre dedicaram o mesmo carinho e</p><p>a atenção aos nossos alunos.</p><p>Ao professor e doutor, Jorge Adelino R. da Silva, que se prontificou a</p><p>sanar minhas dúvidas.</p><p>À pedagoga e psicanalista, Jane Haddad, que tão gentilmente me</p><p>presenteou com seu prefácio.</p><p>À minha mãe, Vilma Romero da Silva, que sempre acreditou que</p><p>Educação é a maior herança do cidadão, dedicando a mim muito</p><p>amor e carinho e não permitindo que eu desistisse dos meus</p><p>sonhos.</p><p>Ao meu marido Luiz Alves Rodrigues da Silva, pois, sem sua</p><p>parceria, amor e compreensão, não poderia elaborar mais este</p><p>trabalho e obter tantas outras conquistas.</p><p>Ao meu filho tão sonhado Luiz Augusto, que hoje completa minha</p><p>existência.</p><p>Aos meus alunos ditos “inclusivos/especiais” e às suas nobres</p><p>famílias por permitirem uma convivência integral e feliz ao longo</p><p>de nossa jornada, além da bela amizade fortificada.</p><p>E a Deus, que olha por nós todos e nos rege!</p><p>PREFÁCIO</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>I – UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA COMO TDAH</p><p>II – VAMOS FALAR SOBRE TDAH?</p><p>2.1 – CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS</p><p>2.2 – LEGISLAÇÃO</p><p>III – COMORBIDADES</p><p>3.1 – TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR</p><p>3.1.1 – Sintomas emocionais</p><p>3.1.2 – Sintomas físicos</p><p>3.1.3 – Sintomas cognitivos</p><p>3.1.4 – Sintomas motivacionais</p><p>3.2 – TRANSTORNOS DE ANSIEDADE</p><p>3.2.1 – Síndrome do Pânico (TP)</p><p>3.2.2 – Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)</p><p>3.2.3 – Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS)</p><p>3.3 – TRANSTORNOS DISRUPTIVO, DO CONTROLE DE IMPULSOS E</p><p>DA CONDUTA</p><p>3.3.1 – Transtorno de Oposição-Desafiante (TOD)</p><p>3.3.2 – Transtorno de Conduta (TC)</p><p>3.3.3 – Transtorno Disruptivo de Desregulação do Humor</p><p>3.4 – TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC) E</p><p>TRANSTORNOS RELACIONADOS</p><p>3.4.1 – Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)</p><p>3.5 – TRANSTORNO DO NEURODESENVOLVIMENTO</p><p>3.5.1 – Transtorno de Tiques</p><p>3.5.2 – Transtorno do Espectro Autista (TEA)</p><p>3.6 – TRANSTORNO BIPOLAR E TRANSTORNOS RELACIONADOS</p><p>3.6.1 – Transtorno Bipolar Tipo I</p><p>IV – CONSEQUÊNCIAS QUANDO NÃO TRATADO</p><p>V – CONSELHOS AOS PAIS, PROFESSORES E “TDAHs”</p><p>VI – TRABALHANDO COM ALUNOS: “TDAHs” OU NÃO</p><p>CONCLUSÃO</p><p>ANEXO</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Este livro da querida Priscila Romero é um convite ao diálogo com</p><p>aqueles que acreditam que todas as crianças têm o direito de</p><p>pertencer ao sistema educacional. De forma muito sensível, ela conta</p><p>sobre sua própria história e nos emociona com seus sensíveis relatos.</p><p>Aos mais sensíveis, fica claro a importância da escola e dos seus</p><p>professores. Priscila nos convida a um reposicionamento do sujeito</p><p>que sofre. “Quando o sujeito está fragilizado, desenraizado,</p><p>dificilmente ele consegue lutar pelos seus sonhos” e, com isso, vão</p><p>sendo submetidos aos sonhos dos outros.</p><p>Eu, como Priscila, conheço muito bem o que o TDAH pode causar</p><p>e, por isso, não me contento com diagnósticos como ponto final e</p><p>sim como ponto de partida para repensarmos nossa educação.</p><p>Refletir sobre transtornos e doenças mentais solicita de todos nós,</p><p>profissionais “PSI”, um outro olhar, um olhar que ultrapasse o</p><p>“parece ser”, um olhar que entenda que uma “febre” é um sintoma</p><p>do que aquele sujeito pode estar carregando: pode ser uma</p><p>garganta inflamada; pode ser uma virose; pode ser uma infecção</p><p>urinária; pode ser uma carência afetiva... pode ser muitas coisas, a</p><p>febre é apenas um sintoma. E o TDAH pode ser um sintoma do</p><p>mundo contemporâneo? Um mundo que corre contra o tempo</p><p>cronológico, em que pessoas vão de lá para cá, sem imaginarem</p><p>aonde desejam chegar, um mundo em que o único sentido que</p><p>crianças e jovens enxergam em suas escolas e universidades é passar</p><p>de ano, para poderem no ano que vem estar no ano seguinte. Esses</p><p>são alguns dos tantos impasses que a autora nos provoca. O TDAH é</p><p>um ponto de partida para que pensemos sobre o sujeito que sofre</p><p>“aprisionado” em seu não saber. Parabéns Priscila, o diálogo está</p><p>p g</p><p>aberto e, com certeza, você é parte de outros olhares que começam</p><p>a ser redesenhados na educação brasileira.</p><p>Vamos à leitura e, certamente, esta obra será a primeira de muitas.</p><p>Que venham outras...</p><p>Com carinho e a “Cabeça nas Nuvens”, continuamos nossa missão.</p><p>Jane Patrícia Haddad</p><p>Falar sobre TDAH para mim não é tarefa difícil. Difícil, no meu</p><p>caso, é conviver com suas características mais marcantes, como</p><p>desatenção, hiperatividade e impulsividade.</p><p>Relembrando minha infância, acredito que tenha tido o quadro de</p><p>hiperatividade característico do transtorno, fazendo o subtipo</p><p>combinado, mas posso afirmar que fui muito feliz. Se não fosse pela</p><p>cabeça nas nuvens, como afirma Jane Haddad, durante algumas</p><p>situações e a língua solta em certas ocasiões, tudo seria perfeito. No</p><p>entanto, quem alcança a perfeição?</p><p>Pois é, mas, muitas vezes, sentimos a necessidade disso: fazer</p><p>perfeito, provar a todos que somos capazes e que podemos ser mais</p><p>do que muitos outros sem qualquer transtorno, sem qualquer</p><p>síndrome – os ditos normais ou neurotípicos.</p><p>Não sinto orgulho em ter TDAH, apesar de ter me sentido aliviada</p><p>ao saber de meu quadro, pois percebi que não era nem burra nem</p><p>preguiçosa – conforme achava durante um período de minha vida.</p><p>Também não tenho um pingo de vergonha em me expor aqui, dessa</p><p>forma! Todos são diferentes, seja em cor de pele, porte físico,</p><p>condições financeiras, sociais e econômicas. Todos têm problemas e</p><p>carregamos nossas cruzes. Quando estudamos sobre o Autismo,</p><p>ouvimos muitos depoimentos que afirmam não existir um autista,</p><p>sequer, parecido com outro e, assim, afirmo quanto ao TDAH. Apesar</p><p>de ambas as síndromes serem conhecidas pelas suas tríades</p><p>sintomatológicas, as características variam, as combinações são</p><p>diversas e a personalidade do sujeito não pode ser esquecida, jamais.</p><p>Todos nós temos sonhos, habilidades, dificuldades, gostos</p><p>diferentes. “É normal ser diferente”. É agradável haver e conviver</p><p>com a diferença. Afinal, o que seria do amarelo se não fosse o azul?</p><p>Confesso</p><p>de síndrome do Impulso Hipercinético e,</p><p>em 1960, síndrome da Criança Hiperativa (CALIMAN, 2010). Em 1968,</p><p>o DSM-II o relaciona como Distúrbio de Reação Hipercinética da</p><p>Criança, causando um marco na história dos distúrbios mentais,</p><p>dando ênfase à hiperatividade, por sinal. Em 1980, na terceira edição</p><p>do DSM, toma a nomenclatura de Distúrbio do Deficit de Atenção –</p><p>DDA, demonstrando ser a desatenção um aspecto mais grave</p><p>(GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>Caliman (2010) aponta para as denominações diversas anteriores:</p><p>deficiência mental leve ou branda, deficiência causada por encefalite</p><p>letárgica, deficiência no controle moral, “cérebro moderadamente</p><p>disfuncional”.</p><p>A psiquiatra Ana Beatriz B. Silva, por conhecer bem a mente</p><p>humana – e parecer ler a minha –, afirma que, para o TDAH, “tudo é</p><p>muito”. “Muita dor, muita alegria, muito prazer, muita fé, muito</p><p>desespero” (2009). Devo confessar aqui que, na minha adolescência,</p><p>eu tinha uma amiga muito querida, cujo apelido era Pulguinha, que</p><p>dizia: – A Pris, quando não gosta, odeia. E quando gosta, ama!</p><p>Podemos afirmar que, com os tratamentos adequados e a</p><p>maturidade do organismo, podemos alcançar um desempenho</p><p>positivo que gere boas conquistas.</p><p>2.2. LEGISLAÇÃO</p><p>Em 2010, foi criado o Projeto de Lei n.º 7.081, tendo apensados</p><p>outros Projetos de Lei n.º 3.040/08, n.º 4.933/09 e n.º 5.700/09, com</p><p>o intuito de dispor sobre o diagnóstico e tratamento do TDAH e da</p><p>Dislexia, na educação básica. Para isso, deverá haver uma equipe</p><p>interdisciplinar, formada por educadores, psicólogos,</p><p>psicopedagogos, médicos, entre outros profissionais.</p><p>Para isso, deverá haver uma equipe interdisciplinar, formada por</p><p>educadores, psicólogos, psicopedagogos, médicos, entre outros</p><p>profissionais.</p><p>As escolas de educação básica passam a ter algumas</p><p>responsabilidades com esse público, como dispor de material</p><p>didático adequado aos seus alunos e oferecer cursos aos seus</p><p>profissionais para que os mesmos realizem o reconhecimento de</p><p>ambos os transtornos e, consequentemente, as intervenções</p><p>apropriadas para tais alunos.</p><p>O Projeto de Lei apensado de n.º 5.700/09, já mencionado,</p><p>oferece uma adição ao artigo 24 da Lei de Diretrizes e Bases da</p><p>Educação Nacional (LDBEN), do ano de 1996, inciso V, referente à</p><p>verificação do rendimento dos discentes com Dislexia e TDAH:</p><p>“avaliação e acompanhamento dos transtornos de aprendizagem</p><p>dos alunos, especialmente, na leitura e na escrita, por equipe</p><p>multidisciplinar, com acomodação especial destes alunos nas classes</p><p>da educação básica” (SENADO FEDERAL, 2009).</p><p>O Poder Público deverá, então, criar programas tanto para</p><p>identificação precoce quanto para diagnóstico, tratamento e</p><p>atendimento educacional escolar especializado, na educação básica,</p><p>para o mesmo público, de forma a integrar uma equipe</p><p>multidisciplinar para tais fins. Aos professores, a garantia de</p><p>formação continuada para trabalhar adequadamente com os</p><p>mesmos, estimulando-os e desenvolvendo-os, como todos os alunos</p><p>necessitam.</p><p>Tais cuidados com alunos com TDAH e Dislexia devem ocorrer em</p><p>ambos os níveis de escolarização: privado e particular.</p><p>No Município do Rio de Janeiro, existe o Projeto de Lei n.º 710, do</p><p>ano de 2010, que dispõe sobre diretrizes adotadas pelo município</p><p>para orientação a pais, professores e demais profissionais da área da</p><p>educação pública (municipal) especificamente, sobre o TDA com ou</p><p>sem hiperatividade. Quando houver o diagnóstico, o ente municipal</p><p>deverá oferecer recursos educacionais diferenciados e adequados</p><p>aos seus alunos com o mesmo transtorno, além de remédios para</p><p>seu tratamento.</p><p>Como já mencionado, anteriormente, a Resolução n.º 2 da</p><p>CNE/CEB, de 2010 – que engloba como aluno de inclusão aquele</p><p>com dificuldades acentuadas de aprendizagem e limitações em seu</p><p>desenvolvimento que o prejudiquem pedagogicamente – garante,</p><p>em seu artigo 8º, inciso III, que as escolas de ensino regular devem</p><p>“prever e prover” em classes comuns:</p><p>flexibilizações e adaptações curriculares que considerem o significado prático e</p><p>instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos</p><p>diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos</p><p>que apresentam necessidades educacionais especiais, em consonância com o projeto</p><p>pedagógico da escola, respeitada a frequência obrigatória. (grifo nosso)</p><p>Infelizmente, mesmo com toda legislação favorável, percebemos</p><p>que, ainda, faltam muitos outros planos para favorecer a Educação</p><p>de todos os cidadãos com necessidades educacionais especiais em</p><p>nosso país.</p><p>1 Silva resolveu denominar a síndrome apenas como TDA, a fim de simplificar a escrita.</p><p>Comorbidades – associação de dois ou mais transtornos – são</p><p>comuns em indivíduos com qualquer alteração funcional. E nos</p><p>indivíduos com TDAH, o Transtorno de Oposição-Desafiante</p><p>prevalece em metade das crianças com o subtipo combinado,</p><p>enquanto nas com subtipo predominantemente desatenta, cerca de</p><p>um quarto (APA, 2014).</p><p>Transtorno de Ansiedade, Transtorno Depressivo Maior, da</p><p>Personalidade Antissocial, Obsessivo-Compulsivo, de Tique e de</p><p>Espectro Autístico também são comórbidos ao TDAH (APA, 2014).</p><p>Mattos et al. (2000) englobam a Bipolaridade, os Transtornos de</p><p>Humor e os Transtornos Disruptivos de Comportamento como</p><p>comorbidades e apontam para a chegada destas conforme o</p><p>amadurecimento do indivíduo TDAH. Ressalta que, com a presença</p><p>destas, o prognóstico do transtorno poderá ser alterado, assim como</p><p>p g p</p><p>as intervenções planejadas.</p><p>É interessante afirmar que até 65% dos casos de TDAH estão</p><p>associados a outros distúrbios, o que apontam GRAEF e VAZ (2008).</p><p>Além disso, sustenta Campbell ser raro encontrar um adulto com</p><p>TDAH puro, ou seja, sem comorbidades. Portanto, estudemos as</p><p>comorbidades mais comuns ligadas ao TDAH!</p><p>3.1 TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR</p><p>A Depressão, desde 2014, nomeada como Transtorno</p><p>Depressivo Maior (TDM), pela APA, no DSM-V, apresenta</p><p>características bem marcantes, pois pode trazer como consequências</p><p>prejuízos sociais e profissionais bem sérios. Além de apresentar uma</p><p>variedade de sintomas – estes que devem estar presentes quase</p><p>todos os dias e por mais de duas semanas para caracterizar o TDM</p><p>(APA, 2014).</p><p>Mattos et al. (2000) chamam a atenção para a Depressão, uma vez</p><p>que esta pode ser um pródromo de Bipolaridade.</p><p>Atkinson et al. (2014) dividem os sintomas da Depressão em</p><p>quatro grupos: emocionais, cognitivos, motivacionais e físicos.</p><p>Abordaremos, então, tais sintomas conforme classificação adotada:</p><p>3.1.1 Sintomas emocionais</p><p>O atributo mais comum é o humor deprimido. A pessoa não</p><p>sente prazer com as atividades corriqueiras de sua vida nem</p><p>interesse por novidades. Dura quase todo o dia. Parece estar sempre</p><p>triste e desesperançosa. Sente um “vazio” no peito. E por mais que a</p><p>mesma não reclame ou não fale sobre isso, é possível observar seu</p><p>problema tanto por suas expressões faciais quanto por suas atitudes</p><p>(APA, 2014).</p><p>Alguns pacientes percebem e comentam sobre a irritabilidade que</p><p>os acompanham. É interessante chamar a atenção para crianças e</p><p>adolescentes, pois os mesmos podem não apresentar a “tristeza</p><p>profunda”, mas, sim, o humor irritadiço e agressivo (APA, 2014).</p><p>Em algumas crianças, pode ocorrer o Transtorno de Separação</p><p>(APA, 2014).</p><p>3.1.2 Sintomas físicos</p><p>A libido – apetite sexual – também pode diminuir</p><p>significativamente (APA, 2014).</p><p>Alguns pacientes não relatam tamanha tristeza, preocupando-se</p><p>apenas com dores no corpo – caracterizando queixas somáticas.</p><p>Atkinson et al. (2014) afirmam ser comuns tais pensamentos sobre</p><p>doença e/ou mal-estar, uma vez que os pacientes com TDM</p><p>concentram seus pensamentos para si mesmos, sem se importarem</p><p>com eventos externos.</p><p>Em relação ao sono, existem variações: ausência de sono – insônia</p><p>– ou excesso de sono – hipersonia, sendo a insônia classificada em</p><p>três tipos: intermediária, terminal e inicial. A insônia inicial é aquela</p><p>em que o indivíduo deita, mas não consegue dormir durante um</p><p>bom tempo. A intermediária é aquela em que o indivíduo deita,</p><p>consegue dormir por algumas horas, mas acorda de madrugada</p><p>e</p><p>tem dificuldades em voltar a dormir. A terminal é aquela em que o</p><p>indivíduo acorda muito cedo e não dorme mais (APA, 2014).</p><p>Mudanças de apetite, consequentemente de peso, variam entre a</p><p>ausência de fome e o apetite voraz por determinados alimentos</p><p>(APA, 2014).</p><p>3.1.3 Sintomas cognitivos</p><p>Sentimentos de culpa, pensamentos, planos e tentativas</p><p>suicidas são bem comuns, principalmente, entre jovens. Avaliações</p><p>negativas de si mesmo são recorrentes (APA, 2014).</p><p>As perturbações psicomotoras englobam agitação motora,</p><p>retardo na fala, no pensamento e nos movimentos corpóreos,</p><p>podendo alcançar o mutismo. Também são ocorridos deficit de</p><p>atenção, de concentração, de memória e dificuldade para tomar</p><p>decisões. Portanto, prejuízos na escola e no trabalho passam a</p><p>prejudicar ainda mais o indivíduo com TDM (APA, 2014).</p><p>3.1.4 Sintomas Motivacionais</p><p>Fadiga, diminuição de energia e cansaço são comuns, mesmo o</p><p>indivíduo não realizando nenhum esforço físico e mental (APA, 2014).</p><p>Passividade, falta de iniciativa, falta de persistência também são</p><p>encontrados (ATKINSON et al., 2014).</p><p>DuPaul e Stoner (2007) afirmam que transtornos de ansiedade ou</p><p>depressivos podem ser um fator positivo ao indivíduo com TDAH,</p><p>uma vez que os mesmos controlam os comportamentos de</p><p>hiperatividade e impulsividade, minimizando a propensão aos</p><p>transtornos de conduta.</p><p>Transtornos de Ansiedade, Personalidade e, até mesmo,</p><p>Bipolaridade podem surgir com a cronicidade do Transtorno</p><p>Depressivo Maior (APA, 2014).</p><p>A prevalência no gênero feminino pode ser maior em até três</p><p>vezes. E há maior probabilidade em aparecer quando na puberdade</p><p>(APA, 2014).</p><p>3.2 TRANSTORNOS DE ANSIEDADE</p><p>Os Transtornos de Ansiedade (TA) são caracterizados por medo e</p><p>ansiedade de forma excessiva, além de perturbações</p><p>comportamentais (APA, 2014). Mas o que é medo e o que é</p><p>ansiedade?</p><p>O medo é uma resposta referente a uma ameaça real ou que se</p><p>acredita que aconteça. A ansiedade é a antecipação de uma provável</p><p>ameaça (APA, 2014).</p><p>Estão englobados como Transtornos de Ansiedade no DSM-V</p><p>(2014): Síndrome do Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizado e</p><p>Transtorno de Ansiedade de Separação.</p><p>3.2.1 Síndrome do Pânico (TP)</p><p>A síndrome do Pânico ou Transtorno do Pânico é um tipo de</p><p>Transtorno de Ansiedade. O indivíduo passa a ter os ataques de</p><p>pânico com certa frequência, sendo inesperados ou esperados.</p><p>Inesperados quando ocorrem ocasionalmente, sem um motivo</p><p>aparente. Esperados quando há um motivo para tal, como, por</p><p>exemplo, entrar em um túnel (APA, 2014).</p><p>O sujeito “carrega” consigo a apreensão de ter, a qualquer</p><p>momento, um novo ataque ou um comportamento indesejado (APA,</p><p>2014). São ataques violentos de medo intenso que ocorrem durante</p><p>alguns minutos, ocasionando sintomas físicos e cognitivos (APA,</p><p>2014).</p><p>3.2.2 Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)</p><p>Ansiedade e preocupação, de forma excessiva e desproporcional a</p><p>qualquer evento ou atividade, de modo que prejudiquem o</p><p>funcionamento da pessoa, caracterizam o Transtorno de Ansiedade</p><p>Generalizada. Estas mesmas particularidades “constroem” o</p><p>diagnóstico de TAG quando ocorrem na maioria dos dias, com um</p><p>período mínimo de seis meses, sendo que o indivíduo não consegue</p><p>controlar tal preocupação, relatando enorme angústia sem motivo</p><p>aparente (APA, 2014).</p><p>Quando criança, a mesma pode se preocupar de forma excessiva</p><p>com a qualidade de seu desempenho. Adultos se preocupam com</p><p>atividades diárias em seu trabalho, lar, compromissos de forma geral</p><p>(APA, 2014).</p><p>Pode estar correlacionado à inquietação ou sensação de nervos à</p><p>flor da pele, à dificuldade de concentração, a sensações de “branco”,</p><p>à irritabilidade, à tensão muscular e a perturbações do sono (APA,</p><p>2014).</p><p>É importante lembrar ao professor e a todos da área educacional</p><p>que estes sintomas simultâneos ao transtorno interferem de forma</p><p>significativa quanto ao aprendizado, prejudicando</p><p>consideravelmente o discente. E, mais uma vez, devemos ressaltar</p><p>cuidado às meninas, por estas apresentarem um comportamento</p><p>mais passivo, não são notadas por seus professores, mas podem</p><p>estar sofrendo com algum desses transtornos.</p><p>3.2.3 Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS)</p><p>Medo e ansiedade excessivos quanto a um possível afastamento</p><p>de pessoas importantes, de apego, com algumas características</p><p>associadas, tais como:</p><p>• sofrimento excessivo e recorrente em face de uma previsão de</p><p>afastamento de casa ou da figura de apego;</p><p>• persistente preocupação sobre perdas, perigos ou eventos</p><p>indesejados que envolvam a figura de apego, como desastres,</p><p>morte etc.;</p><p>• recusa a sair de casa, ir para a escola ou para o trabalho ou</p><p>qualquer lugar em que fique longe da figura de apego;</p><p>• temor persistente em ficar só; dormir em outro local sem a</p><p>figura de apego;</p><p>• insistência de pesadelos envolvendo a separação;</p><p>• queixas sintomáticas que se repetem, como cefaleias, enjoos em</p><p>crianças e até taquicardia em adultos.</p><p>3.3 TRANSTORNOS DISRUPTIVOS, DO CONTROLE DE</p><p>IMPULSOS E DA CONDUTA</p><p>Dentro desta categoria, do DSM-V (2014), englobam-se</p><p>Transtorno de Oposição-Desafiante (TOD), Transtorno de Conduta</p><p>(TC) e Transtorno Disruptivo de Desregulação de Humor (TPA),</p><p>dentre outros.</p><p>3.3.1 Transtorno de Oposição-Desafiante (TOD)</p><p>Para caracterizar o TOD, é necessário haver um padrão de humor</p><p>irritável/raivoso; comportamento questionador e desafiante; índole</p><p>vingativa; apresentando quatro sintomas de qualquer dessas</p><p>categorias de forma frequente. Eis que são:</p><p>a. Humor irritável/raivoso:</p><p>1. com perda da calma/tranquilidade;</p><p>2. sensibilidade ou incômodo exacerbados;</p><p>3. sentimento de raiva e ressentimento.</p><p>b. Comportamento questionador/desafiante:</p><p>4. questionando figuras de autoridade ou adultos, no caso de</p><p>crianças e adolescentes;</p><p>5. desafiando ou desobedecendo a regras, pedidos e figuras de</p><p>autoridade;</p><p>6. incomodando os outros ao seu redor;</p><p>7. colocando a culpa por seus erros em outras pessoas.</p><p>c. Índole vingativa:</p><p>8. apresentou comportamento de maldade ou vingança por no</p><p>mínimo duas vezes em um tempo de seis meses (APA, 2014).</p><p>Tais comportamentos devem acontecer há, pelo menos, seis</p><p>meses, causando sofrimento tanto para o indivíduo que o apresenta</p><p>quanto para quem convive com o mesmo. Como consequência</p><p>aparecem impactos negativos em todo seu funcionamento</p><p>emocional, social, educacional e profissional (APA, 2014).</p><p>Podem ocorrer em um só ambiente, como a casa; em dois</p><p>ambientes, casa e escola; em três ou mais ambientes. O que</p><p>especifica a gravidade do transtorno em níveis: leve, moderado e</p><p>grave, respectivamente (APA, 2014).</p><p>O TOD tem maior prevalência em meninos e costuma aparecer na</p><p>época da pré-escola (APA, 2014).</p><p>São fatores de risco para o seu desenvolvimento:</p><p>a. temperamentais: indivíduos que têm uma tendência a uma</p><p>desregulação emocional, como, por exemplo, pessoas com</p><p>baixa tolerância a frustrações;</p><p>b.genéticos e fisiológicos: dentre outros, destacamos</p><p>anormalidades no córtex pré-frontal e na amígdala cerebelosa;</p><p>c. ambientais: lares com pais agressivos, negligentes (APA, 2014).</p><p>Assumpção Jr e Kuczynski (in SCHWARTZMAN e ARAÚJO, 2011)</p><p>mencionam que tais indivíduos têm a percepção das pessoas ao seu</p><p>redor como agressivas e rejeitadoras, sendo o medo da perda</p><p>irracional.</p><p>3.3.2 Transtorno de Conduta (TC)</p><p>O Transtorno de Conduta é um dos mais preocupantes, visto que</p><p>envolve a repetição de um padrão de comportamento que fere</p><p>direitos de outras pessoas e regras sociais de grande importância.</p><p>Para ser caracterizado, deve apresentar no mínimo de 3 a 15</p><p>critérios diagnósticos, ocorrendo por um tempo mínimo de um ano.</p><p>Dentre os 15 itens elencados pelo DSM-V, abordamos alguns</p><p>exemplos:</p><p>a. Agressão a pessoas e animais:</p><p>1. com frequência, provoca as pessoas, ameaçando-</p><p>as/intimidando-as;</p><p>2. brigas físicas são constantes;</p><p>3. crueldade com pessoas e animais;</p><p>4. forçar relações sexuais.</p><p>b. Destruição de propriedade:</p><p>5. provocar incêndio, com intenção de lesar gravemente alguém;</p><p>6. destruir propriedade de outrem.</p><p>c. Falsidade ou furto:</p><p>7. invadir casa, prédio, carro de outra pessoa;</p><p>8. mentiras</p><p>com o intuito de obter bens materiais ou favores;</p><p>9. ocorrência de furtos.</p><p>d. Violações graves de regras:</p><p>1</p><p>0. passa noites fora de casa, mesmo com a proibição dos pais ou</p><p>responsáveis;</p><p>1</p><p>1. costuma fugir de casa ou de lar substituto, sem retornar por um</p><p>longo período.</p><p>Tais comportamentos causam grandes prejuízos em todos os</p><p>âmbitos da vida do indivíduo com este transtorno.</p><p>Existem três subtipos: tipo com início na infância, quando</p><p>apresentam pelo menos um sintoma antes dos dez anos de idade;</p><p>tipo com início na adolescência, quando não apresentam nenhum</p><p>tipo de sintoma antes dos dez anos; início não especificado, por não</p><p>haver indícios de quando começou a ocorrer.</p><p>De forma geral, o indivíduo não sente remorso ou culpa de suas</p><p>atitudes, bem como não se preocupa com as possíveis</p><p>consequências de seus atos. Não tem a capacidade de se colocar no</p><p>lugar do outro, a quem está prejudicando, sendo uma pessoa</p><p>extremamente fria.</p><p>Seu desempenho familiar, escolar e/ou profissional não o</p><p>interessa. Assim, não se esforça para melhorar, mesmo havendo</p><p>crença e ajuda de outra pessoa para tal. Não assume sua culpa, pois,</p><p>aos seus olhos, os outros são os responsáveis por seus erros.</p><p>O afeto pelo próximo parece não existir. Não demonstra interesse,</p><p>sentimentos, emoções ou, quando o faz, é de forma superficial.</p><p>A gravidade é estabelecida em três níveis: leve, moderada, grave.</p><p>Leve, quando os danos aos outros são relativamente pequenos,</p><p>como mentiras ou passar a noite fora de casa. Moderada, quando</p><p>entre os leves e os graves, como furtos e vandalismo. Grave, quando</p><p>causam danos significativos a outros, como forçar a ter relações</p><p>sexuais, uso de armas, arrombamento, crueldade física.</p><p>São fatores de risco para o seu desenvolvimento:</p><p>d.Temperamentais: temperamento de difícil controle e inteligência</p><p>abaixo da média da normalidade;</p><p>e. Genéticos e fisiológicos: risco maior havendo algum familiar</p><p>com o mesmo transtorno ou bipolaridade, transtorno</p><p>depressivo maior ou por uso de álcool;</p><p>f. Ambientais: pais negligentes ou que rejeitam seus filhos;</p><p>agressividade; abusos físicos e/ou sexuais; casos de</p><p>criminalidade na família; associação a grupos de delinquentes</p><p>(APA, 2014).</p><p>Mais uma vez, destacam-se anormalidades no córtex pré-frontal e</p><p>na amígdala, o que faz com que percebamos, com maior clareza, a</p><p>ligação entre estes e o TDAH (APA, 2014).</p><p>3.3.3 Transtorno Disruptivo de Desregulação do Humor</p><p>Este transtorno se caracteriza por explosões de raiva que se</p><p>repetem e acontecem com gravidade, sendo desproporcionais à</p><p>causa. Tais explosões ocorrem três ou mais vezes por semana,</p><p>podendo o indivíduo ser agressivo somente com palavras ou</p><p>também com gestos, partindo para agressão física (APA, 2014).</p><p>O humor irritado, zangado, prevalece na maior parte do tempo,</p><p>sendo observado por qualquer pessoa ao redor do indivíduo (APA,</p><p>2014).</p><p>Para o diagnóstico, tais sintomas devem ocorrer há mais de um</p><p>ano e presentes em pelo menos três ambientes (familiar, escolar,</p><p>trabalho, pares). Costumam aparecer antes dos dez anos de idade.</p><p>Não sendo adequado fazê-lo anteriormente aos seis anos, nem após</p><p>os 18 anos de idade (APA, 2014).</p><p>3.4 TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC) E</p><p>TRANSTORNOS RELACIONADOS</p><p>Dentro desta classificação, estão: Transtorno Obsessivo-</p><p>Compulsivo, Dismórfico Corporal, de Acumulação, Tricotilomania</p><p>(comer cabelos), dentre outros. Aqui, será abordado, apenas, o</p><p>Transtorno Obsessivo-Compulsivo.</p><p>3.4.1 Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)</p><p>É marcado por compulsões e/ou obsessões.</p><p>Obsessões são “pensamentos, impulsos ou imagens” que vêm à</p><p>mente de forma recorrente, persistente, sendo indesejados. Tais</p><p>pensamentos costumam causar sofrimento e danos. E quem os tem</p><p>procura ignorar com outros pensamentos, impulsos ou ações (APA,</p><p>2014).</p><p>Compulsões são comportamentos em que o indivíduo cisma em</p><p>repetir, como lavar as mãos insistentemente, por medo de alguma</p><p>doença, ou atos mentais que “pratica”, como orar, rezar, para dar</p><p>uma resposta à sua obsessão ou seguir regras rígidas (APA, 2014).</p><p>As compulsões são formas de aliviar tensões, ansiedade, e evitar</p><p>possíveis eventos tão temidos, mas estas não têm uma função</p><p>conectada com a realidade ou são “respostas” excessivas. Não são</p><p>executadas por prazer (APA, 2014)!</p><p>3.5 TRANSTORNO DO NEURODESENVOLVIMENTO</p><p>Tais transtornos acontecem no início do desenvolvimento, na</p><p>infância. Acarretam prejuízos sociais, acadêmicos, pessoais e</p><p>profissionais.</p><p>Seus principais sintomas são défices na aprendizagem ou nas</p><p>funções executivas, como deficiências globais tanto para habilidades</p><p>sociais quanto intelectuais.</p><p>Assim como o TDAH, transtornos do neurodesenvolvimento são</p><p>os transtornos de comunicação, do espectro autista, motores,</p><p>específico de aprendizagem, de tique e a deficiência intelectual (APA,</p><p>2014).</p><p>Abordaremos os de Tiques e do Espectro Autista.</p><p>3.5.1 Transtorno de Tiques</p><p>Tique é todo movimento motor ou vocal que acontece</p><p>repentinamente, sem ritmo, de forma rápida e repetitivo.</p><p>Costumam aparecer entre quatro e seis anos de idade. Sendo que,</p><p>por volta de 10 até 12 anos, pode ocorrer o ápice de gravidade,</p><p>declinando na adolescência.</p><p>São englobados nesta categoria: Tourrete, Tique Motor ou Vocal</p><p>Persistente e Transitório.</p><p>Para haver o diagnóstico, é preciso que o indivíduo apresente os</p><p>tiques motores ou vocais, antes dos 18 anos de idade, persistindo</p><p>por mais de um ano.</p><p>Os tiques são divididos em: simples ou complexos. Os simples têm</p><p>uma rápida duração, como piscar de olhos, o bater de ombros ou a</p><p>produção de um som para “limpar” a garganta. Os complexos duram</p><p>mais tempo e formam uma combinação de movimentos, como</p><p>viradas simultâneas da cabeça e o bater de ombros.</p><p>Os tiques vocais complexos podem ser repetições de sons</p><p>produzidos por si mesmos, de palavras ou frases ouvidas e a</p><p>utilização de palavras que socialmente não devem ser utilizadas, tais</p><p>quais obscenidades, calúnias religiosas e étnicas.</p><p>Quanto à gravidade, podem atenuar ou agravar em períodos</p><p>diferentes. Os músculos afetados, também, podem ser diversificados</p><p>(APA, 2014).</p><p>3.5.2 Transtorno do Espectro Autista (TEA)</p><p>Tem como características principais: prejuízo na comunicação</p><p>social, na interação social e nos comportamentos repetitivos e</p><p>restritos, ambos de forma persistente. Estão presentes desde o início</p><p>da infância, comprometendo o desenvolvimento integral do</p><p>indivíduo (APA, 2014).</p><p>Suas manifestações são diversas, conforme o grau da condição, do</p><p>nível de desenvolvimento e da idade cronológica. O termo Espectro</p><p>engloba: Autismo Precoce Infantil, Autismo de Alto Funcionamento,</p><p>Autismo Atípico, Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra</p><p>Especificação, Transtorno Desintegrativo da Infância e síndrome de</p><p>Asperger (APA, 2014).</p><p>O DSM-V faz a seguinte classificação dos níveis de gravidade:</p><p>“Nível 3 – exigindo apoio muito substancial</p><p>Défices graves nas habilidades de comunicação social verbal e não</p><p>verbal que causam prejuízos graves de funcionamento, grande</p><p>limitação em dar início a interações sociais e resposta mínima a</p><p>aberturas sociais que partem de outros. Inflexibilidade de</p><p>comportamento, extrema dificuldade em lidar com a mudança que</p><p>interferem em outros comportamentos restritos/repetitivos</p><p>interferem acentuadamente no funcionamento em todas as esferas.</p><p>Grande sofrimento/dificuldade para mudar o foco ou as ações.</p><p>Nível 2 – exigindo apoio substancial</p><p>Défices graves nas habilidades de comunicação social verbal e não</p><p>verbal; prejuízos sociais aparentes mesmo na presença de apoio;</p><p>limitação em dar início a interações sociais e resposta reduzida ou</p><p>anormal a aberturas sociais que partem de outros. Inflexibilidade de</p><p>comportamento, dificuldade em lidar com a mudança ou outros</p><p>comportamentos restritos/repetitivos que aparecem com frequência</p><p>suficiente para serem óbvios ao observador casual e interferem no</p><p>funcionamento em uma variedade de contextos. Sofrimento e/ou</p><p>dificuldade de mudar o foco ou as ações.</p><p>Nível 1 – exigindo apoio</p><p>Na ausência de apoio, défices na comunicação social causam</p><p>prejuízos notáveis. Dificuldade</p><p>para iniciar interações sociais e</p><p>exemplos claros de respostas atípicas ou sem sucesso a aberturas</p><p>sociais dos outros. Pode parecer apresentar interesse reduzido por</p><p>interações sociais. Inflexibilidade de comportamento causa</p><p>interferência significativa no funcionamento em um ou mais</p><p>contextos. Dificuldade em trocar de atividade. Problemas para</p><p>organização e planejamento são obstáculos à independência”.</p><p>3.6 TRANSTORNO BIPOLAR E TRANSTORNOS RELACIONADOS</p><p>Dentro desta classificação, existem Transtorno Bipolar Tipo I, Tipo</p><p>II, Ciclotímico e outros. Falaremos sobre o Tipo I.</p><p>3.6.1 Transtorno Bipolar Tipo I</p><p>Deve haver, pelo menos, um episódio maníaco para chegar ao</p><p>diagnóstico deste transtorno. E episódio maníaco caracteriza-se por</p><p>haver períodos distintos de humor de forma persistente, mudanças</p><p>entre euforia e irritação, por pelo menos uma semana. Além de haver</p><p>uma persistência dirigida a determinados objetivos, como uma</p><p>obsessão (APA, 2014).</p><p>Nesta época, existem comportamentos, como: autoestima</p><p>superelevada; pouco sono, sem sentir ao menos cansaço; atenção</p><p>desviada por estímulos sem importância, pois o cérebro não filtra as</p><p>informações; envolvimento em atividades danosas; não percepção</p><p>de seu comportamento acelerado, dentre outros (APA, 2014).</p><p>Crianças com superautoestima podem achar que são as melhores</p><p>em tudo que fazem. Apresentam uma fala rápida, alta e sem</p><p>interrupções. Acompanham com gestos, cantos, dramatizações (APA,</p><p>2014).</p><p>Estando irritável, há uma fala de reclamações, com hostilidade e</p><p>raiva. “Fúria, agressividade e impulsividade” são comportamentos</p><p>apresentados pela criança e/ou jovem nesta fase. Tais</p><p>comportamentos agravam ou trazem dificuldades de aprendizagem</p><p>e socialização, além de aumentar os sintomas de oposição.</p><p>Prevalência maior entre meninos (TEIXEIRA, 2013).</p><p>Ao estudarmos um pouco sobre Psicologia, deparamo-nos com a</p><p>seguinte questão: o que é normal e o que é patológico. Patológico é</p><p>o comportamento que acarreta inadaptações e, consequentemente,</p><p>sofrimentos, tanto para o indivíduo que o apresenta quanto para a</p><p>sociedade, havendo uma certa constância – o que não acontece com</p><p>aquele que tem um comportamento “normal”, que pode apresentar</p><p>um ou outro sofrimento esporadicamente (ATKINSON; ATKINSON;</p><p>SMITH; BEM; NOLEN-HOEKSEMA, 2002).</p><p>Dentro do quadro de normalidade, são elencados cinco fatores:</p><p>• percepção adequada da realidade;</p><p>• capacidade de exercer controle voluntário sobre o</p><p>comportamento;</p><p>• autoestima e aceitação;</p><p>• capacidade de formar relacionamentos afetivos;</p><p>• produtividade (ATKINSON; ATKINSON; SMITH; BEM; NOLEN-</p><p>HOEKSEMA, 2002).</p><p>Observando os cinco itens apontados e comparando-os com as</p><p>características do TDAH, percebemos que os mesmos se</p><p>desenvolvem contrariamente ao padrão de normalidade. Elencamos</p><p>tais exemplos, respectivamente:</p><p>1. muitas vezes, são pessoas que não acreditam serem capazes,</p><p>produtivas e amadas;</p><p>2. não controlam seus sentimentos, agindo de forma impulsiva,</p><p>sem pensar;</p><p>3. não se sentem bem na presença de pessoas desconhecidas e</p><p>não se veem aceitas por outros membros ou até mesmo por seus</p><p>familiares;</p><p>4. trocam de parceiros e empregos constantemente;</p><p>5. necessitam de uma força quase sobrenatural para enfrentar as</p><p>demandas do dia a dia.</p><p>Como consequências desta síndrome não tratada, surgem o baixo</p><p>desempenho acadêmico, a perda da autoestima e, até mesmo, a</p><p>tristeza. Algumas crianças passam a se considerar, erroneamente,</p><p>incapazes – um salto perigoso para a depressão. O desinteresse pelo</p><p>estudo e o número de faltas à escola aumentam. O relacionamento</p><p>entre amigos se extingue. É um caminho para o fracasso escolar e</p><p>pessoal.</p><p>DuPaul e Stoner (2007) apontam para repetência durante o Ensino</p><p>Fundamental e a evasão escolar, antes da chegada ao Ensino Médio.</p><p>Silva (2009) afirma que todo indivíduo com TDAH será um adulto</p><p>com problemas em sua autoestima.</p><p>Mentiras, confusões e brigas são características mais frequentes</p><p>em indivíduos com a hiperatividade predominante. Estas devem ser</p><p>bem percebidas e levadas “em conta”, uma vez que podem tratar de</p><p>sinais para consequências mais sérias (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>Além de pequenos furtos, o vício em substâncias perigosas, como</p><p>drogas, podem ser quadros marcantes em indivíduos com o</p><p>transtorno, em virtude de sua impulsividade – por querer obter algo</p><p>e não pensar nas consequências (GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>A probabilidade de desenvolvimento de transtorno de conduta,</p><p>quando adolescente, e transtorno da personalidade antissocial,</p><p>quando adulto, é maior do que em outros indivíduos sem TDAH.</p><p>Portanto, aumenta, também, a possibilidade de padecerem com</p><p>transtornos diversos por uso de medicamentos e/ou drogas ilícitas, o</p><p>que pode levar a consequências muito sérias (APA, 2014).</p><p>É preciso que os pais ou responsáveis pelo menor procurem ajuda</p><p>médica. O especialista deverá observar a criança e ouvir família e</p><p>escola. Trata-se de um exame clínico, cujo paciente deverá</p><p>apresentar o mínimo de seis características, em um subtipo, havendo</p><p>mais de seis meses de duração, sendo apresentado tal</p><p>comportamento, em pelo menos, dois ambientes diferentes (casa e</p><p>escola). Deverão ser averiguados alguns critérios como a frequência</p><p>e a intensidade dos sintomas (SAMPAIO e FREITAS, 2011). Muitas</p><p>vezes, haverá necessidade de medicação – o mais comumente</p><p>utilizado é o cloridrato de metilfenidato.</p><p>Quando adultos, indivíduos com TDAH não tratados podem ter</p><p>seus problemas agravados. Muitos costumam usar drogas lícitas e</p><p>ilícitas. Mudam de parceiros em seus relacionamentos amorosos,</p><p>constantemente. Trocam de trabalho por não aguentarem a rotina</p><p>ou não conseguirem desempenhar bem seu ofício. Entram em</p><p>depressão, vivem só...</p><p>Entre indivíduos habilitados à direção de veículo automotor, os</p><p>registros de lesões ocasionadas por acidentes de trânsito –</p><p>provocados pelos mesmos – assim como de violações são maiores.</p><p>Uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Psiquiatria</p><p>constatou que indivíduos com o Transtorno do Deficit de Atenção e</p><p>Hiperatividade, de forma geral, possuem uma escolaridade menor,</p><p>pouco sucesso em sua área profissional e alcançam “escores</p><p>intelectuais reduzidos na comparação com seus pares”. Quando</p><p>grave, ocorrem problemas de adaptação social, familiar, escolar e</p><p>profissional (APA, 2014).</p><p>Apesar de tudo, havendo um bom convívio ou suporte para o</p><p>indivíduo com TDAH, além de uma família estruturada que o respeite</p><p>e o encoraje, encontramos belas características nessas pessoas tais</p><p>quais as de aventureiros e empreendedores, o que nos dias de hoje</p><p>torna-se preciso.</p><p>(...) principalmente, no que concerne ao seu talento essencial e potencial criativo, algo</p><p>que TDAs² têm de sobra”. “(...) funcionamento mental acelerado, inquieto, que produz</p><p>incessantemente ideias que, por vezes, se apresentam de forma brilhante ou se</p><p>amontoam de maneira atrapalhada. (SILVA, 2009)</p><p>O psiquiatra Dale Archer (2013) acredita que todos os transtornos</p><p>podem trazer vantagens a quem os tem. Em relação ao TDAH, Dr.</p><p>Archer afirma que o indivíduo com o mesmo distúrbio tem um lado</p><p>aventureiro que, em momentos de crise, pode fazer a diferença, pois</p><p>se incomoda com a rotina, exigindo de si mesmo grandes mudanças.</p><p>Archer ilustra esse pensamento com a figura de Cristóvão Colombo –</p><p>desbravador de mares –, dentre outros.</p><p>A escala contínua do TDAH, descrita pelo psiquiatra americano,</p><p>engloba na parte inferior a pessoa calma e sossegada. A mediana</p><p>como a aventureira. Aumentando um pouco mais esse nível, a</p><p>aventureira, apaixonada e cheia de energia, que faz muitas coisas ao</p><p>mesmo tempo e está sempre explorando. Por fim, ao topo da escala</p><p>– o transtorno em excesso – um ser que pode ter prejuízos em todos</p><p>os níveis de sua vida: social, profissional e econômico.</p><p>2 ECA, art. 2º. : Considera-se criança, para os efeitos desta lei, a pessoa até doze anos</p><p>incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade incompletos.</p><p>Já diz o ditado popular que, se conselho fosse bom, não se dava,</p><p>se vendia. Mesmo assim, pretendo, aqui, relacionar alguns!</p><p>Procurem</p><p>ajuda de um especialista – neurologista ou psiquiatra.</p><p>Lembre-se de que a classe médica é quem pode fazer o diagnóstico.</p><p>Psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, terapeutas</p><p>ocupacionais, psicomotricistas e mediadores – profissionais ligados a</p><p>área educacional – podem auxiliar em muito a diminuição de</p><p>comportamentos inadequados e as dificuldades de aprendizagem. A</p><p>terapia cognitiva comportamental e a medicação têm demonstrado</p><p>atuar de forma bem sucedida com “TDAHs”</p><p>Haddad (2013) afirma ser a terapia uma boa maneira de a criança</p><p>rever seus comportamentos e saber lidar com adversidades, além de</p><p>descobrir o que ela tem como características positivas, valorizando-</p><p>se. A descoberta de uma melhor forma de estudar também pode ser</p><p>realizada com a ajuda da terapia!</p><p>Inscrevam a criança, o adolescente ou o adulto em um esporte,</p><p>para que gaste energia excessiva, lide com outros pares de sua idade</p><p>e aprenda a respeitar regras, turnos e limites. As crianças devem</p><p>fazer, também, um artesanato e participar de oficinas de jogos,</p><p>teatro, canto. Enfim, o que puder proporcionar prazer e regras de</p><p>convivência saudáveis.</p><p>Antes de matricularem seus pequenos, aconselhamos que os pais</p><p>conheçam a filosofia da escola. Saibam qual didática é adotada pela</p><p>instituição e que visão de ensino a mesma tem. Locais de ensino</p><p>onde as crianças possam aprender fazendo/construindo – o “pôr a</p><p>mão na massa” – são mais atrativos para esse público, pois os</p><p>mesmos podem sofrer com regras e métodos de ensino tradicionais</p><p>– o famoso “cuspe e giz”; todos sentados, sem mexer ou levantar;</p><p>apenas “copiando e colando”. Ainda mais por estarmos em uma</p><p>época de tanta tecnologia e recursos, cujas crianças com idade para</p><p>Educação Infantil já sabem mexer em máquinas como “tablets” e</p><p>“notebooks”, seja qual for a posição que estiverem: sentados,</p><p>deitados, de cabeça para baixo, pulando e andando... Vivemos em</p><p>uma era de “estimulantes” poderosos e torna-se absurdo negá-los.</p><p>Procurem perceber se a instituição tem professores especialistas</p><p>em Educação Especial/Inclusiva e se os profissionais têm noção do</p><p>que seja TDAH. Não omita o transtorno de sua criança. Pelo</p><p>contrário! Questione se a escola estabelece um relacionamento</p><p>direto com as famílias e os terapeutas dos alunos. Esse</p><p>entrelaçamento é muito significativo. Tal sinceridade, também, deve</p><p>partir da instituição, em uma primeira visita, por parte dos gestores.</p><p>Deem valor ao professor e ao mediador de seu filho. Mostrem</p><p>a eles, o quanto eles são importantes! Infelizmente, poucos pais e</p><p>responsáveis fazem o mesmo. Tragam o professor para o seu lado,</p><p>para que este entenda a realidade do seu aluno e da família do</p><p>mesmo. Sejam parceiros.</p><p>E você, professor, procure entender todo o contexto do seu</p><p>pupilo. Perceba que regras devem ser cumpridas, mas, algumas</p><p>vezes, devemos ser flexíveis.</p><p>Graef e Vaz (2008) falam sobre a importância do testemunho da</p><p>escola, com informações tanto do passado quanto do presente do</p><p>aluno, por meio de anotações (relatórios), resultados em testes,</p><p>observações de comportamento etc. Os mesmos apontam para o</p><p>envio de escalas objetivas aos professores e aos coordenadores, para</p><p>que tais profissionais avaliem seu aluno quanto aos sintomas:</p><p>desatenção, hiperatividade e impulsividade.</p><p>Os mesmos mestres em Psicologia (2008) apontam quais escalas</p><p>comportamentais³ são mais recomendadas ao uso pelos</p><p>profissionais da educação: Child Behavior Cheklist (CBCL); Escala</p><p>Conners (Brasil, validada por Barbosa, 1997); SNAP-IV; Escala de</p><p>TDAH (Benczik, 2000). A Child Behavior Cheklist tem sido mais</p><p>utilizada por proporcionar uma visão geral do funcionamento da</p><p>criança, apresentando um amplo espectro, que “investiga” grande</p><p>variedade de problemas, além de boa eficácia na percepção de</p><p>comorbidades. Parecida é a Escala Conners, sendo que esta</p><p>apresenta subescalas que detectam sintomas mais específicos, como</p><p>comportamentos opositores, défices cognitivos, ansiedade, timidez,</p><p>perfeccionismo, instabilidade emocional e problemas sociais. A</p><p>SNAP-IV tem um questionário mais simples a ser utilizado pelos</p><p>professores, dando ênfase à intensidade e frequência de vários</p><p>comportamentos a serem avaliados.</p><p>As mais indicadas para serem usadas com crianças na faixa etária</p><p>da Educação Infantil são: Escala Comportamental para Pré-Escola e</p><p>Jardim de Infância; Escala Conners de Avaliação para Pais; Inventário</p><p>para Crianças Pequenas-4; versão de Lista de Conferência de</p><p>Comportamentos para Crianças. A Escala de Avaliação do TDAH para</p><p>Pré-Escolares IV é uma escala não tão complexa, mas indicada tanto</p><p>para pais quanto para professores (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>Abrimos aqui parênteses para relacionarmos as avaliações</p><p>neuropsicológicas, estas que podem auxiliar tanto a um diagnóstico</p><p>mais próximo da realidade do indivíduo quanto às abordagens</p><p>terapêuticas a serem utilizadas. Esses mesmos testes devem ser</p><p>considerados paralelamente à entrevista clínica e outros</p><p>procedimentos, como relatórios escolares, conforme já mencionado</p><p>(GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>No Brasil, a Escala de Weschler de Inteligência para crianças –</p><p>WISC-III (validada por Figueiredo, 2001) – apresenta boa eficiência</p><p>p g p</p><p>quanto ao diagnóstico de TDAH, uma vez que pode identificar a</p><p>presença de deficiência intelectual – quadro que pode gerar a tríade</p><p>sintomatológica do TDAH: desatenção, hiperatividade e</p><p>impulsividade; a deficiência intelectual deve ser descartada para o</p><p>diagnóstico de TDAH. Esta escala é aprovada pelo Conselho Federal</p><p>de Psicologia (GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>De qualquer forma, um relatório bem elaborado pelo professor,</p><p>de acordo com a vivência com seu aluno e a percepção das</p><p>possibilidades e dificuldades do mesmo, em todos os âmbitos, é de</p><p>extrema importância para o profissional da saúde (GRAEF e VAZ,</p><p>2008). Sendo assim, estabelece-se mais um vínculo significativo entre</p><p>responsáveis e escola que não deve ser rejeitado.</p><p>Em casa, os pais ou responsáveis pelo “indivíduo com TDAH”</p><p>devem observar se o local de estudo do mesmo atende às suas</p><p>necessidades. Procure proporcionar um canto sem barulhos, sem</p><p>estímulos, como televisão e computador, ou maiores distrações. Faça</p><p>com que o estudante mantenha sua mesa ou bancada com poucos</p><p>objetos ao seu alcance, de forma que os mesmos não o distraiam.</p><p>Evitem deixar o celular próximo do estudante, pois qualquer</p><p>chamada pode ser muito mais interessante do que o ensino.</p><p>O tempo de concentração não é grande quando não há</p><p>foco/interesse. Portanto, começar estudando alguns minutos e ir</p><p>aumentando esse tempo, gradativamente, pode ser a melhor forma</p><p>de conseguir uma maior produtividade. Sair do ambiente por algum</p><p>tempo pode ajudar a aliviar a tensão que requer a função de estudar.</p><p>Ao retornar à concentração, procure fazer com que a criança leia</p><p>outra matéria ou faça outro exercício para não cair na mesma</p><p>atividade.</p><p>Dr. Schwartzman aconselha: não haver em uma mesma turma</p><p>mais de uma criança com hiperatividade; nem que esta seja aluna de</p><p>uma professora, também, hiperativa – ambos os casos podem</p><p>exacerbar o comportamento agitado do discente.</p><p>Quanto à questão dos conteúdos, seja flexível e procure trabalhar</p><p>de forma que os alunos entendam o porquê de estudar tais matérias,</p><p>suas funções e como utilizar os mesmos. Haddad (2013) comenta</p><p>que quanto mais insistirmos em conteúdos sem significados, mais</p><p>nossas crianças e adolescentes estarão desatentos, rebeldes,</p><p>desinteressadas.</p><p>O apoio da gestão ao professor quanto a essa etapa é de extrema</p><p>importância tanto para o professor quanto para o processo ensino-</p><p>aprendizagem como um todo!</p><p>Para que o professor não precise gastar suas energias reclamando</p><p>e chamando a atenção da criança ou do adolescente, o tempo todo,</p><p>é preciso acrescentar estratégias preventivas e de intervenção às</p><p>suas aulas. Vão algumas dicas:</p><p>1. elabore aulas práticas, onde o aluno poderá construir o</p><p>conhecimento;</p><p>2. permita que narrem suas vivências, demonstrem o que sabem;</p><p>3. incumba seu aluno com tarefas, tais como: apagar o quadro,</p><p>buscar uma folha em outra sala, para que gastem a energia</p><p>excessiva;</p><p>4. realize atividades diversificadas;</p><p>5. utilize material concreto, palpável;</p><p>6. incentive a “contação” de histórias e narrativas do próprio aluno,</p><p>mas fique atento, pois um TDAH pode “viajar”...</p><p>7. não prolongue a mesma atividade por muito tempo;</p><p>8. use recursos visuais coloridos;</p><p>9. utilize algumas dinâmicas para trabalhar seus conteúdos e</p><p>avaliar os alunos;</p><p>1</p><p>0. grife as palavras mais importantes dos enunciados e textos para</p><p>chamar a atenção dos alunos;</p><p>1</p><p>1. utilize jogos dinâmicos;</p><p>1</p><p>2. dê ordens ou explicações por etapas, de forma simplificada;</p><p>1</p><p>3. peça ao aluno que ajude um colega, como se fosse um monitor;</p><p>1</p><p>4. nomeie-o seu ajudante para trabalhar sua autoestima;</p><p>1</p><p>5. faça elogios sinceros, na ocasião do merecimento;</p><p>1</p><p>6. pare de fazer críticas, não o deixe mais desestimulado e para</p><p>baixo;</p><p>1</p><p>7. quando chamar sua atenção, não afirme que o aluno é de tal</p><p>jeito, diga a ele que está desse jeito indesejado – existe uma</p><p>grande diferença em ser e estar;</p><p>1</p><p>8. evite ficar por muito tempo em um só ambiente, recorra a</p><p>outras salas, laboratórios, pátio;</p><p>1</p><p>9. não tenha vergonha em pedir auxílio a um outro profissional</p><p>quando não estiver à vontade com determinado assunto ou</p><p>comportamento do aluno;</p><p>2</p><p>0. utilize recursos como celular e tablet de forma pedagógica;</p><p>2</p><p>1. informe as regras e os limites – quadros estabelecendo os</p><p>mesmos quando expostos em sala de aula são bons reforços;</p><p>2</p><p>2. não os encha de material, tarefas e deveres; vá por etapas;</p><p>2</p><p>3. nas provas e em outras atividades de mesa, utilize textos e</p><p>enunciados curtos. Caso precise usar textos maiores, “quebre”</p><p>os mesmos, intercalando aos parágrafos as perguntas referentes</p><p>ao que acabaram de ler;</p><p>2</p><p>4. cuidado com a formatação. Não comece uma questão em uma</p><p>página e termine em outra, pois o simples virar de páginas para</p><p>um TDAH pode provocar a sua desatenção;</p><p>2</p><p>5. permita que faça em maior tempo e, até mesmo, em outra sala,</p><p>com pouco barulho e sem estímulos diferentes ao trabalho que</p><p>deve estar concentrado;</p><p>2</p><p>6. se o aluno não entender o assunto, procure explicar de outra</p><p>forma, mudando sua estratégia;</p><p>2</p><p>7. quanto aos exercícios e provas, leve em consideração o</p><p>raciocínio desenvolvido pelo aluno; desconsidere o “erro” por</p><p>falta de atenção, ou dê uma segunda chance;</p><p>2</p><p>8. se a prova ou teste for constituída por mais de duas folhas,</p><p>entregue as mesmas aos poucos, para que o aluno não se sinta</p><p>“sufocado” com tanto exercício;</p><p>2</p><p>9. fale pausadamente, com a voz suave, mantendo um tom sereno;</p><p>3</p><p>0. ao contar uma história ou dar uma explicação, mude o tom de</p><p>voz.</p><p>A pedagoga e psicanalista Jane Haddad (2013) aconselha ao</p><p>professor que mude o tom de voz, para evitar a monotonia de sua</p><p>fala, além de não permanecer sentado o tempo todo. É comum</p><p>fazermos isso quando contamos uma história! Devo acrescentar que,</p><p>como professora, não consigo trabalhar de outra forma. Estou</p><p>sempre em pé, rodando pela sala, olhando nos olhos de todos e</p><p>questionando. Mudo frequentemente o tom de voz, o volume e faço</p><p>algumas dramatizações para chamar a atenção dos alunos. Confesso</p><p>que, em muitas aulas, levo recompensas, como chocolates, balas ou</p><p>pirulitos. Faço perguntas e digo: – Valendo um prêmio!</p><p>DuPaul e Stoner (2007), pós-doutores em Psicologia, apontam</p><p>relatos de professores, estes que utilizaram algumas estratégias em</p><p>sala de aula, obtendo bons rendimentos:</p><p>1. ao interagir individualmente com um mediador⁴, o aluno com</p><p>Deficit de Atenção e Hiperatividade consegue completar as</p><p>tarefas propostas em sala de aula;</p><p>2. a utilização de grupos para trabalhos diversos pode trazer</p><p>dificuldades acentuadas para o entendimento e a elaboração de</p><p>qualquer conteúdo ao aluno com o transtorno;</p><p>3. supervisão direta favorece o melhor desempenho dos alunos;</p><p>4. tarefas estimulantes e de domínio maior ao indivíduo com</p><p>TDAH são mais bem executadas pelos mesmos;</p><p>5. a escolha das tarefas facilita o entusiasmo e o comportamento</p><p>do aluno com TDAH, em vez da imposição das mesmas;</p><p>6. comandos diretos, ordens claras são melhor entendidas e,</p><p>portanto, obedecidas;</p><p>7. a retirada de estímulos excessivos que podem causar</p><p>distração e, logo após, o contato ocular do professor/mediador</p><p>com o aluno faz com que a compreensão e a realização</p><p>aconteçam da melhor forma possível;</p><p>8. após designar uma ordem ou uma instrução, o</p><p>professor/mediador deverá supervisionar a conduta do aluno,</p><p>por alguns minutos, havendo melhor desempenho do discente;</p><p>9. reforço positivo imediato e frequente é uma ótima opção para o</p><p>desenvolvimento do aluno;</p><p>1</p><p>0. as “broncas” ou reprimendas funcionam melhor quando são</p><p>diretas ao aluno, particularmente (sem a presença de outros</p><p>no exato momento do ocorrido), imediatamente após ao</p><p>acontecimento, sem grandes emoções do adulto.</p><p>Devo dizer que as mesmas dicas devem ser observadas para</p><p>vários alunos, sejam eles TDAHs, Autista, com Deficiência Intelectual</p><p>ou mesmo problemas emocionais passageiros que tiram a atenção e</p><p>o ânimo do estudante.</p><p>E você, professor, lembre-se de que</p><p>a tarefa do docente consiste em desenvolver não uma única capacidade de pensar,</p><p>mas muitas capacidades particulares de pensar em campos diferentes; não em</p><p>reforçar a nossa capacidade geral de prestar atenção, mas em desenvolver diferentes</p><p>faculdades de concentrar a atenção sobre diferentes matérias. (LURIA e VYGOTSKY,</p><p>2005)</p><p>O professor também deverá estudar sobre o transtorno. É preciso</p><p>conhecer para saber lidar! Além de ter consciência de que o aluno</p><p>“inquieto” não age dessa forma porque deseja ser assim. Ele precisa</p><p>muito da nossa ajuda!</p><p>Criar estratégias de estudo, de prioridades e, principalmente,</p><p>respeitar o próximo são bons exercícios para desenvolver habilidades</p><p>de paciência, bom convívio, melhorando a vida do “portador” do</p><p>TDAH e sua família.</p><p>E, acima de tudo, deixem suas crianças serem crianças. O brincar é</p><p>de extrema importância. Com o brincar, a criança desenvolve todas</p><p>as suas capacidades – sociais, imaginárias, adaptativas, emocionais,</p><p>afetivas, corporais, cognitivas.</p><p>É pelo brincar que a criança se expressa, fantasia, assimila regras,</p><p>compreende turnos. É brincando que a criança interpreta o mundo!</p><p>(...) Elas ainda elaboram sentimentos e emoções, ao mesmo tempo em que</p><p>desenvolvem importantes habilidades, trabalham alguns valores de suas</p><p>comunidades, examinam práticas do seu dia a dia, vivenciam outras formas de ser e</p><p>pensar, são capturadas por representações sociais sobre determinados eventos. (Rio</p><p>de Janeiro, 2010)</p><p>O Psiquiatra Dale Archer (2013) afirma os benefícios que o brincar</p><p>pode trazer para todas as crianças e, obviamente, para as crianças</p><p>com TDAH. Atesta que as brincadeiras não direcionadas, ou seja,</p><p>livres, podem estimular bastante os aspectos físico e mental das</p><p>mesmas. Além de despertar a criatividade, estimulam os sentidos, o</p><p>entendimento do meio em que vivem, o pensamento e a</p><p>autoconfiança.</p><p>3 Todas as escalas devem ser aprovadas pelo Conselho Federal de Psicologia.</p><p>4 Mediador é o profissional que desempenha auxílio ao aluno com necessidades</p><p>educacionais especiais, dentro da escola regular, para que o discente tenha um melhor</p><p>entendimento do conteúdo e/ou alcance um desenvolvimento social adequado. Essa ajuda</p><p>ocorre de forma particular à criança em questão. Poderá ser um pedagogo, um terapeuta ou</p><p>qualquer especialista adequado à maior dificuldade da criança/adolescente.</p><p>Ao estagiar e trabalhar como pedagoga e especialista em</p><p>Educação Especial/Inclusiva, em algumas escolas na Zona Norte do</p><p>Rio de Janeiro, deparei-me com poucas crianças que chamassem</p><p>nossa atenção pela hiperatividade tão característica de TDAH. Por</p><p>isso, apesar de descrever as mais agitadas que conheci, sem ter a</p><p>certeza do quadro de TDAH “sugerido”, peço a todos os profissionais</p><p>da área da Educação que prestem também atenção às crianças</p><p>desatentas e caladas. Muitas vezes, essas crianças possuem o</p><p>transtorno com predomínio da desatenção ou mesmo padecem com</p><p>problemas emocionais, estes que acarretam grandes prejuízos em</p><p>sua vida acadêmica. Outras vezes, sofrem achando-se burras e</p><p>preguiçosas</p><p>– como eu, em determinados momentos de minha</p><p>infância e adolescência. E a maioria dos professores não as nota;</p><p>portanto, não se preocupa com as mesmas, permitindo alguns danos</p><p>e sofrimento ao longo de anos.</p><p>Devo comentar que acredito ser o diagnóstico tarefa muito</p><p>complexa, mesmo para os profissionais da área da saúde com</p><p>alguma experiência, uma vez que características diversas podem</p><p>deixá-los confusos, lembrando que não existem exames de imagem</p><p>que constatem o transtorno, além do clínico – observação e relato.</p><p>Essa também é a grande razão de valorizarmos o estudo, a formação</p><p>continuada dos profissionais, principalmente, professores.</p><p>Eis alguns casos de crianças e adolescentes com e sem</p><p>diagnóstico de TDAH. Os mesmos nos chamam a atenção para a</p><p>complexidade em chegar ao entendimento do transtorno.</p><p>Todos os nomes são fictícios!</p><p>■ Abílio, seis anos de idade, está no 1º ano do Ensino</p><p>Fundamental. É um menino inteligente e filho de pais separados.</p><p>Vive com sua mãe e padrasto. Passa grande parte do tempo ao lado</p><p>de adultos. Na escola, apresenta grande hiperatividade, a ponto de</p><p>estar sempre com as bochechas vermelhas, camisa e cabelos</p><p>molhados de suor. Joga-se no chão com frequência afirmando ser</p><p>uma brincadeira. A presença de um novo colega de turma fez com</p><p>que sua inquietação agravasse muito mais. Algumas vezes, torna-se</p><p>difícil conversar com o menino, visto que o mesmo sente extrema</p><p>necessidade de sair correndo, voltar a brincar e a se movimentar de</p><p>qualquer forma.</p><p>Sua mãe afirma que, em casa, Abílio é muito tranquilo, muito</p><p>calmo.</p><p>Questionamo-nos quanto ao seu caso. Conversamos com a mãe.</p><p>A mãe não procurou nenhum terapeuta, não achou necessário,</p><p>contrariando os profissionais da escola.</p><p>Não sabemos se sua hiperatividade ocorre em virtude de o</p><p>ambiente escolar proporcionar ao menino o que os outros</p><p>ambientes em que vive não o fazem – o brincar – não caracterizando</p><p>o TDAH, como afirma a mãe. Temos dúvidas.</p><p>Inicio essa parte do livro, com esse caso, na intenção de</p><p>chamarmos a atenção para a importância de um diagnóstico,</p><p>realizado pelo profissional da área da saúde. O resultado da</p><p>observação clínica pelo médico, para nós, professores, é de extrema</p><p>importância. Precisamos entender/conhecer o aluno. Se, de fato, for</p><p>apenas uma carência do menino, nós, educadores, deveremos agir</p><p>de outra forma, amparando-o com outras estratégias, utilizando</p><p>novas abordagens. Devo acrescentar que o diagnóstico pode mudar</p><p>até mesmo a relação dos pais com seus filhos. Não é regra, mas um</p><p>rótulo pode levar alguns pais a olharem seu filho com mais carinho!</p><p>Aqui estão outros casos:</p><p>■ Eduardo, oito anos de idade, filho de pais separados, vive com</p><p>os avós. Foi matriculado por nós no 1º ano do Ensino Fundamental.</p><p>Eduardo, ainda, frequentava, em outra escola, a Educação Infantil.</p><p>Estava desestimulado e triste. Vivia sozinho. Foi-nos relatado que o</p><p>menino foi abandonado, inclusive, por sua professora anterior, em</p><p>virtude de seu “fracasso” escolar.</p><p>Há dois anos foi diagnosticado com TDAH (por volta de seis anos</p><p>de idade), o que explica sua desatenção e hiperatividade. Por esse</p><p>motivo, havia sido matriculado na instituição anterior, o que, de certa</p><p>forma, piorou sua autoestima e vida acadêmica, já que não</p><p>souberam trabalhar com o menino. Assim, nos procuraram!</p><p>No primeiro encontro com os avós, Eduardo mal conseguia</p><p>conversar. Agitado, balançava a cabeça para todos os lados e mexia</p><p>nos objetos que estavam em cima da mesa, jogando-os ao chão.</p><p>Balançava as pernas. Os avós intervinham diversas vezes, pedindo-</p><p>lhe que se comportasse. Eduardo dizia “não” constantemente e</p><p>jogou-se para debaixo da mesa, acomodando-se em um local</p><p>“seguro”. Pudemos perceber que os avós sentiram grande vergonha</p><p>com seu comportamento.</p><p>Devido à sua impaciência – o que para uns poderia ser visto até</p><p>mesmo como falta de educação – e por sermos obrigados a esperar</p><p>a mãe, que também viria no mesmo dia para a conversa, o mais</p><p>aconselhável foi apresentar a escola ao menino. Sair do mesmo</p><p>ambiente! Em um breve “passeio”, Eduardo encontrou os alunos que</p><p>já estavam matriculados no 1º ano do Ensino Fundamental, aqueles</p><p>que seriam seus colegas. Os mesmos foram apresentados a ele, o</p><p>que causou alegria ao menino e certo conforto em ser bem recebido.</p><p>Na primeira semana, fizemos um acompanhamento sistemático ao</p><p>aluno. Constatamos que seria mais adequado que o mesmo</p><p>recebesse auxílio de uma mediadora. A família, logo, se prontificou a</p><p>pagar uma mediadora particular. Também aconselhamos que o</p><p>menino fosse ao neurologista e que, junto com o profissional, a</p><p>família de Eduardo pensasse na possibilidade de esportes e</p><p>medicação. É importante dizer que Eduardo já fazia terapia e já era</p><p>medicado.</p><p>Ao longo do ano, evoluiu muito bem. Logo se enturmou, fez</p><p>amizade. Aos poucos, com auxílio da nova medicação, conseguiu</p><p>desenvolver sua atenção nas tarefas por mais alguns minutos. A</p><p>mediadora, uma pedagoga, também, foi de grande valia, pois a</p><p>mesma o ajudou tanto no aspecto comportamental quanto no</p><p>aspecto pedagógico. Lembro que logo que entrou para a escola, o</p><p>choro era frequente, por qualquer motivo. Reparamos que, às</p><p>segundas-feiras, isso se repetia com frequência. Era como se</p><p>voltasse, do fim de semana, um menino manhoso.</p><p>A escola também possibilitou a saída de sala de aula de Eduardo,</p><p>em alguns momentos, para outra sala, apenas com a presença da</p><p>mediadora, a fim de manter o foco do menino em determinadas</p><p>atividades de maior complexidade para o mesmo.</p><p>A união de escola, família, mediadora e terapeutas foi essencial</p><p>para a vitória de Edu.</p><p>■ Bruno, quatro anos de idade, foi matriculado na Educação</p><p>Infantil, em uma escola tradicional, onde estagiei. Vive com a avó.</p><p>Por poucas vezes, está na companhia da mãe, e o pai é ausente. É</p><p>muito inteligente e comunica-se com todos os colegas. Hiperativo.</p><p>Faz todas as atividades pedagógicas com facilidade, sendo o</p><p>primeiro a acabar, sempre. Brinca livremente no pátio. Dialoga</p><p>bastante! Até na hora do lanche, Bruno não consegue desacelerar, a</p><p>ponto de brincar com a própria comida. Uma vez, o menino virou o</p><p>pote de cereais (sucrilhos) em cima de sua cabeça, ficando sem</p><p>merenda.</p><p>Ao deitar para assistir a um filme, Bruno brinca com suas mãos,</p><p>acariciando seus cabelos e descobrindo seu corpo, ou seja, mantém</p><p>uma atividade corporal durante um momento de relaxamento.</p><p>■ Carlos, nove anos de idade, é filho de pais que vivem juntos. Foi</p><p>matriculado no 1º ano do Ensino Fundamental. Tem uma irmã mais</p><p>velha. É um menino muito esperto e doce. Necessita utilizar óculos.</p><p>Diagnosticado com TDAH, sua família procurou a instituição por</p><p>indicação de uma terapeuta.</p><p>Seus pais nos contaram que Carlos sofria bullying dos colegas, por</p><p>seu comportamento agitado e pelo fato de usar óculos.</p><p>Absurdamente, foi agredido, fisicamente, pela professora da escola</p><p>anterior.</p><p>O menino não possuía mais interesse em ir para tal escola, estava</p><p>triste e coagido, por isso os pais nos procuraram. Para ter uma ideia,</p><p>moravam em uma região (Zona Oeste) diferente a da escola (Zona</p><p>Norte). Uma hora de ida e uma hora de volta, de casa ao colégio e</p><p>vice-versa, quando não havia engarrafamento.</p><p>Indicamos uma mediadora para o aluno, a qual foi, também, de</p><p>extrema importância para seu desenvolvimento.</p><p>Ao frequentar as aulas, Carlos logo demonstrou ser um menino</p><p>muito inteligente e irrequieto. A desatenção não era o sintoma mais</p><p>preocupante, mas, sim, sua hiperatividade e, de certa forma, a sua</p><p>impulsividade. A todo momento, procurava fazer as lições o mais</p><p>rápido possível, pensando que seria liberado para o pátio, pois tinha</p><p>o desejo de brincar o tempo todo. Portanto, permanecia desatento a</p><p>detalhes, o que, de certa forma, o prejudicava na alfabetização.</p><p>Consequentemente, não aceitava algumas regras, principalmente,</p><p>relacionadas ao horário e ao uso do pátio. Por vezes, demonstrava</p><p>certa agressividade em suas atitudes e em sua fala. Assim, arrumava</p><p>discussões com colegas maiores.</p><p>Apesar de estar com nove anos de idade, foi matriculado, uma</p><p>segunda vez, no 1º. ano do</p><p>Ensino Fundamental, pois havia grande</p><p>dificuldade quanto à leitura e à escrita, o que logo foi superado. Seu</p><p>nível de abstração, cada dia, nos deixava mais felizes. Já não usava</p><p>muitos recursos concretos para soma, pois pensava o primeiro</p><p>número na cabeça e depois acrescentava à conta os dedos. Ele</p><p>mesmo teve esse insight – o que nos deixou muito alegres e</p><p>recompensados. Com certeza, um menino muito inteligente.</p><p>Sua mãe e seu pai nos contavam que Carlos gostava de vir para</p><p>“nossa” escola, o que lhes permitia maior tranquilidade em suas</p><p>vidas.</p><p>■ João, 16 anos de idade, é filho de um casal que o adotou, além</p><p>de mais duas crianças. É um rapaz doce e respeitoso. Diagnosticado</p><p>com TDAH, apesar de ser constatado um Défice Intelectual</p><p>significativo, foi matriculado no 5º ano do Ensino Fundamental, em</p><p>uma classe especial, devido à sua idade e às dificuldades cognitivas.</p><p>Sua hiperatividade, impulsividade e desatenção são significativas.</p><p>Enquanto profissionais de educação, acreditamos que tais</p><p>características sejam consequências de sua deficiência intelectual e</p><p>não de TDAH – como apontam os mestres em Psicologia, Graef e</p><p>Vaz, ao falarem sobre a escala WISC-III, mencionados em capítulo</p><p>anterior. Fato o qual deve ser mais uma vez referido, devido a</p><p>algumas dificuldades de realização do diagnóstico “certeiro”.</p><p>Participava das aulas de apoio, além das aulas regulares. A</p><p>intervenção do professor com João era mais frequente e repetitiva, a</p><p>fim de que o adolescente conseguisse compreender o assunto</p><p>tratado.</p><p>Sua agitação fazia com que se levantasse várias vezes da mesa,</p><p>pedisse para ir ao banheiro ou beber água, quando não gritava com</p><p>seus colegas, batendo na mesa, exigindo que ficassem calados, pois</p><p>queria aprender. Suas atitudes demonstravam agressividade, apesar</p><p>de sabermos se tratar de um menino doce.</p><p>Aos olhos do especialista, tal agitação se devia em parte pela sua</p><p>deficiência intelectual. E, por não compreender a matéria exposta, o</p><p>aluno apresentava agitação como um comportamento de fuga.</p><p>Observação: Dr. José S. Schwartzman menciona que o retardo</p><p>mental quando diagnosticado deverá mudar prognóstico e possíveis</p><p>intervenções no tratamento.</p><p>■ Leonardo, nove anos de idade, foi diagnosticado com TDAH E</p><p>TOD – Transtorno Opositivo-Desafiante. Com uma história triste de</p><p>vida, viveu com sua mãe biológica na rua, em seus primeiros meses</p><p>de vida. Mais tarde, foi levado para um abrigo. Foi adotado duas</p><p>vezes. Duas vezes, foi devolvido. Estava agora, pela terceira vez, com</p><p>pai e mãe adotivos que não podiam ter filhos. Eis que a mãe</p><p>consegue engravidar. Muita expectativa e dúvida para a cabeça de</p><p>um ser tão pequeno!</p><p>Constantemente, Leonardo arrumava brigas na escola, tanto com</p><p>colegas quanto com funcionários. Fugia de sala de aula. Rodava a</p><p>escola inteira até conseguir algum lugar para se esconder.</p><p>Nunca assumia seus erros. Havia sempre uma desculpa, colocando</p><p>a culpa de sua fúria em colegas mais próximos.</p><p>Opositivo-desafiante o tempo todo, cruzava os braços e nos</p><p>encarava, levantando seu queixo, como forma de dizer: “E aí, vai</p><p>fazer o quê?” Comportamento tão significativo a ponto de ficarmos</p><p>tristes com as consequências que ele mesmo gerava a si próprio.</p><p>Demonstrava agressividade tanto em sua fala quanto em seu</p><p>comportamento.</p><p>Sua desatenção ocasionava problemas de aprendizagem, o que</p><p>acarretava em uma vergonha de si mesmo enorme – mais um fator</p><p>para agir de forma agressiva.</p><p>De vez em quando, batia nos colegas. Desafiava os professores.</p><p>Chegou a quebrar alguns vidros de duas portas da escola, durante</p><p>suas crises de fúria e fuga, fosse batendo as portas ou socando as</p><p>mesmas.</p><p>Participava do apoio pedagógico, em virtude de necessitar de tal</p><p>ajuda e por passar o dia inteiro no colégio. E isso o incomodava</p><p>demais.</p><p>Devo comentar que, logo no início das aulas de apoio</p><p>pedagógico, Leo recusava qualquer tipo de toque ou afago.</p><p>Entendíamos como um modo de se proteger, uma vez que foi</p><p>rejeitado tantas vezes.</p><p>Ao longo do ano, em virtude de muita paciência dos profissionais</p><p>da escola, muita conversa com Leonardo e ajuda dos colegas mais</p><p>próximos, Leo foi melhorando seu comportamento agressivo e,</p><p>consequentemente, sua aprendizagem.</p><p>Ao final do ano, ele já se permitia tocar a professora do apoio</p><p>pedagógico, o que a deixou muito feliz!</p><p>Infelizmente, não continuou conosco na escola, o que lamentamos</p><p>muito, pois o trabalho desenvolvido por toda equipe estava gerando</p><p>bons resultados.</p><p>■ Miguel, oito anos de idade, matriculado no 3º ano do Ensino</p><p>Fundamental I, é filho único de pais que vivem juntos. Foi</p><p>diagnosticado com TDAH, TOD e Síndrome de Asperger.</p><p>Tem grandes dificuldades quanto à concentração e quanto ao</p><p>comportamento inadequado, além de crises sérias quando</p><p>contrariado. É possível vê-lo falando palavras feias, batendo em si</p><p>próprio e nos outros ao seu redor, assim como jogando objetos</p><p>alheios para todos os lados. São ataques de fúria, com choros e</p><p>gritos que impressionam.</p><p>Participava do apoio pedagógico, em virtude de necessitar de</p><p>grande ajuda em diversas disciplinas, por sua excessiva falta de</p><p>atenção. Suas maiores dificuldades são em relação à Matemática e à</p><p>Língua Portuguesa. Sua ortografia e caligrafia são comprometidas.</p><p>Alguns professores acreditam ter Dislexia. No entanto, ao ser</p><p>confrontado por sua coordenadora, foi capaz de escrever uma</p><p>sentença de forma correta, só apresentando dificuldade na última</p><p>palavra ditada: chocolate – palavra que recai ao “erro” de diversas</p><p>crianças, pela confusão do som do “ch” e do “x”.</p><p>Ao ser medicado com metilfenidato, de ação prolongada,</p><p>percebemos um grande avanço em suas conquistas. Permanecia</p><p>mais tempo sentado, sem conversar com os colegas e prestando</p><p>maior atenção ao conteúdo trabalhado. Era possível manter os olhos</p><p>ao quadro branco, por mais tempo e realizar cópia em seu caderno.</p><p>Tais sintomas são bem característicos do TDAH e TOD – como</p><p>diagnosticado. No entanto, não pudemos notar sintomas</p><p>significativos próximos ao quadro de síndrome de Asperger.</p><p>Trabalhar com crianças com necessidades educacionais especiais,</p><p>dentre elas os indivíduos com TDAH, não é tarefa fácil, mas também</p><p>não é um “bicho de sete cabeças” nem missão impossível.</p><p>Primeiramente, devemos nos livrar de todas as tradições e</p><p>preconceitos que foram embutidos e impregnados em nossas</p><p>mentes ao decorrer de tantos anos, fosse como alunos, fosse como</p><p>profissionais não engajados com tal política inclusiva educacional</p><p>vigente, ou meros expectadores de uma sociedade preconceituosa e</p><p>incapaz de absorver e compreender o “diferente”.</p><p>Estar com essas crianças, esses jovens e, até mesmo, adultos é um</p><p>prazer incomparável. Suas conquistas nos causam grandes alegrias e,</p><p>muitas vezes, enormes surpresas.</p><p>Pensemos que são indivíduos produtivos, entendedores de</p><p>diversos assuntos, empreendedores ao seu modo, vitoriosos de</p><p>qualquer forma. Abandonemos suas dificuldades, por algumas horas,</p><p>visando descobrir o que têm para nos oferecer como ponto de apoio</p><p>e “pontapé inicial” de uma bela jornada.</p><p>São seres que mais necessitam do acolhimento, do carinho e da</p><p>atenção dos profissionais de dentro de sala de aula e de dentro das</p><p>instituições escolares. Ao acompanharmos tal público, nós,</p><p>professores, nos sentimos verdadeiros mestres da Educação – com</p><p>“E” maiúsculo, sim, senhor!</p><p>Suas necessidades educacionais permitem com que nós,</p><p>educadores, saiamos da rotina, do “cuspe e giz”, do “algo já tão</p><p>manjado”. Dessa forma, podemos cumprir com nossas funções</p><p>superiores – o que nos faz diferentes dos seres irracionais –</p><p>observando, percebendo, experimentando, pensando,</p><p>transformando e adaptando tudo que é importante, de valor, para</p><p>nossos alunos. Transformamo-nos em verdadeiros mágicos! E</p><p>sonhamos cada vez mais!</p><p>Estudar é deveras importante. Conhecer os transtornos, as</p><p>síndromes, as necessidades especiais é urgente! Visto que ao</p><p>entender suas características, poderemos tocar seus “pontos</p><p>nevrálgicos”, estabelecendo vínculos, criando confiança e sabendo</p><p>de que ponto poderemos partir.</p><p>No entanto, somente ao incluir de</p><p>forma verdadeira e responsável,</p><p>é que ganhamos grandes aprendizados, como profissionais e como</p><p>indivíduos.</p><p>Espero que o relato de minha vida seja um bom despertar para</p><p>várias conquistas, como o entendimento do TDAH e suas</p><p>características; o reconhecimento do transtorno em alguns de seus</p><p>alunos ou membros familiares, de modo que possa ajudá-los a dar</p><p>passos largos e contínuos com as estratégias e intervenções</p><p>necessárias; e o saber apropriado ao melhor desenvolvimento</p><p>educacional e social dos “TDAHs”, entre outros.</p><p>A realidade do transtorno deve ser conhecida cada vez mais. E</p><p>desejo que você, leitor, seja um propagador de tal conhecimento.</p><p>Boa sorte! Bom trabalho!</p><p>1) PROJETO DE LEI N.° 7.081, de 2010</p><p>Dispõe sobre o diagnóstico e o tratamento da dislexia e do</p><p>Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade na Educação</p><p>Básica.</p><p>Autor: Gerson Camata</p><p>O Congresso Nacional decreta:</p><p>Art. 1º O Poder Público deve manter programa de diagnóstico e</p><p>tratamento de estudantes da educação básica com dislexia e</p><p>Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).</p><p>Art. 2º O diagnóstico e o tratamento de que trata o art. 1º devem</p><p>ocorrer por meio de equipe multidisciplinar, da qual participarão,</p><p>entre outros, educadores, psicólogos, psicopedagogos, médicos e</p><p>fonoaudiólogos.</p><p>Art. 3º As escolas de educação básica devem assegurar às</p><p>crianças e aos adolescentes com dislexia e TDAH o acesso aos</p><p>recursos didáticos adequados ao desenvolvimento de sua</p><p>aprendizagem.</p><p>Art. 4º Os sistemas de ensino devem garantir aos professores</p><p>da educação básica cursos sobre o diagnóstico e o tratamento da</p><p>dislexia e do TDAH, de forma a facilitar o trabalho da equipe</p><p>multidisciplinar de que trata o art. 2º.</p><p>Art 5º Esta Lei entra em vigor em 1º de janeiro do ano</p><p>subsequente ao de sua publicação.</p><p>Senado Federal, em 7 de abril de 2010.</p><p>Senador Marconi Perillo</p><p>Primeiro Vice-Presidente do Senado Federal,</p><p>no exercício da Presidência</p><p>PROJETO DE LEI N.º 710/2010</p><p>EMENTA: Dispõe sobre as diretrizes adotadas pelo município para</p><p>realizar a orientação a pais e professores da cidade do Rio de Janeiro</p><p>sobre as características do Transtorno do Deficit de Atenção – TDA</p><p>A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO D E C R E T A:</p><p>Art. 1º  Ficam estabelecidas nesta norma, as diretrizes doravante</p><p>adotadas pelo Poder Executivo para realizar o encaminhamento</p><p>para diagnóstico, tratamento e o acompanhamento dos alunos</p><p>da rede de ensino fundamental do Município do Rio de Janeiro</p><p>portadores de  Transtorno do Deficit de Atenção, doravante</p><p>denominado TDA.</p><p>Parágrafo único –  Para efeitos desta lei, serão considerados os</p><p>casos de  TDA  que apresentem ou não características de</p><p>Hiperatividade.</p><p>Art. 2º As diretrizes mencionadas no artigo 1º desta Lei são:</p><p>I – orientações a professores, coordenadores, diretores escolares e</p><p>todo e qualquer agente educacional público do Município,</p><p>fornecidas e ministradas por profissionais de saúde gabaritados,</p><p>contendo os aspectos globais do  TDA  e suas implicações, com o</p><p>objetivo precípuo de identificar possíveis portadores do transtorno</p><p>entre os alunos do ensino fundamental;</p><p>II – encaminhamento dos possíveis casos de TDA pela Diretoria do</p><p>equipamento de ensino público municipal do qual façam parte, para</p><p>diagnóstico e tratamento nos equipamentos do Sistema Único de</p><p>Saúde – SUS;</p><p>III – tratamento diferenciado e adequado nos equipamentos de</p><p>ensino fundamental municipais, em consonância com a</p><p>sintomatologia do distúrbio, para os alunos que sejam</p><p>diagnosticados como portadores de TDA;</p><p>IV – conscientização e amplo fornecimento de informações</p><p>àqueles envolvidos com o universo do portador, como pais,</p><p>responsáveis, irmãos e todo e qualquer indivíduo que faça parte do</p><p>círculo pessoal direto do mesmo;</p><p>V – acompanhamento do aluno portador de TDA durante todo o</p><p>período do curso fundamental, com recomendações clínicas e</p><p>escolares quando da transição para o ensino médio;</p><p>VI – disponibilização de remédios associados ao tratamento</p><p>do TDA nos equipamentos de saúde pública municipais.</p><p>Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.</p><p>Plenário Teotônio Villela, 16 de Agosto de 2010.</p><p>TIO CARLOS</p><p>Vereador</p><p>LEI Nº 8.192 DE 04/12/2018</p><p>Publicado no DOE – RJ em 5 dezembro de 2018.</p><p>Obriga as escolas públicas e privadas, no âmbito do Estado do Rio</p><p>de Janeiro, a disponibilizarem cadeiras em locais determinados aos</p><p>portadores de Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade –</p><p>TDAH.</p><p>O Governador do Estado do Rio de Janeiro, em exercício</p><p>Faço saber que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de</p><p>Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei:</p><p>Artigo 1º As unidades escolares públicas e privadas, no âmbito do</p><p>Estado do Rio de Janeiro, ficam obrigadas a disponibilizar, em suas</p><p>salas de aula, assentos na primeira fila aos alunos com Transtorno de</p><p>Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH assegurando seu</p><p>posicionamento afastado de janelas, cartazes e outros elementos,</p><p>possíveis potenciais de distração.</p><p>Parágrafo único. É direito do aluno diagnosticado a realizar as</p><p>atividades de avaliação e provas durante o ano letivo, em local</p><p>diferenciado, com o auxílio preferencialmente do Professor</p><p>Especializado e com maior tempo para a sua realização.</p><p>Artigo 2º Para o atendimento ao artigo 1º, será necessária a</p><p>apresentação, por parte dos pais ou responsáveis pelo aluno, de</p><p>laudo médico comprovante de TDAH, emitido por médico</p><p>especialista em neurologia ou psiquiatria.</p><p>Artigo 3º As escolas das redes pública e privada deverão prever e</p><p>prover, na organização de suas classes, flexibilizações e adaptações</p><p>curriculares que considerem o significado prático e instrumental dos</p><p>conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos</p><p>diferenciados e processos de avaliação adequados ao</p><p>desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades</p><p>educacionais especiais, em consonância com o projeto pedagógico</p><p>da escola, respeitada a frequência obrigatória.</p><p>Parágrafo único. Deverão também promover formação continuada</p><p>sobre os temas relacionados à escolarização de pessoas com</p><p>Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade, para que o</p><p>profissional docente e o corpo técnico-pedagógico tenham maior</p><p>compreensão acerca das questões pertinentes às adaptações e</p><p>flexibilização curriculares, metodologias, recursos didáticos e</p><p>processos avaliativos de que trata o caput.</p><p>Artigo 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.</p><p>Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2018.</p><p>FRANCISCO DORNELLES</p><p>Governador em exercício</p><p>ABDA, Associação Brasileira do Deficit de Atenção. O Que é o TDAH. 2016.</p><p>Disponível em: http://www.tdah.org.br/sobre-tdah/o-que-e-o-tdah.html. Acesso</p><p>em: 11/01/2016.</p><p>APA, Associação Psiquiátrica Americana. Manual Diagnóstico e Estatístico de</p><p>Transtornos Mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p><p>ARAÚJO, Alexandra P. de Q. Campos. Avaliação e Manejo da Criança</p><p>com Dificuldade Escolar e Distúrbio de Atenção. Jornal de Pediatria –</p><p>Vol. 78, Supl.1 , 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?</p><p>script=sci_arttext&pid=S0021-75572002000700013&lng=pt&nrm=iso. Acessado em:</p><p>09/03/16.</p><p>ARCHER, Dale. Quem Disse Que É Bom Ser Normal? As vantagens de ser tímido,</p><p>ansioso, hiperativo, compulsivo ou narcisista. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.</p><p>ATKINSON, Rita L.; ATKINSON, Richard. C.; SMITH, Edward E.; BEM,</p><p>NOLEN-HOEKSEMA, Susan. Introdução à Psicologia de Hilgard. Porto</p><p>Alegre: Ed. Artmed, 2002.</p><p>BRASIL, Senado Federal. Projeto de Lei n.º 7.081, dispõe sobre o</p><p>diagnóstico e tratamento da Dislexia e do TDAH, na educação básica.</p><p>2010.</p><p>_____, Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Projeto de Lei  n.º  710/2010,</p><p>dispõe sobre as diretrizes adotadas pelo município para realizar a</p><p>orientação a pais e professores da cidade do Rio de Janeiro sobre as</p><p>características do Transtorno do Deficit de Atenção – TDA.</p><p>_____, Ministério da Saúde. Setembro Amarelo. Ministério da Saúde lança</p><p>Agenda Estratégica de Prevenção do Suicídio.</p><p>http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/</p><p>Coletiva-suicidio-21-09.pdf</p><p>BUENO, Jocian M. Psicomotricidade,</p><p>Teoria e Prática: da escola à aquática.</p><p>São Paulo: Cortez, 2013.</p><p>CALIMAN, Luciana V. Notas Sobre a História Oficial do Transtorno do</p><p>Deficit de Atenção/hiperatividade Tdah. Revista Psicologia, Ciência e Profissão.</p><p>2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pcp/v30n1/v30n1a05.pdf.</p><p>Acessado em: 26/03/16.</p><p>CAMPBELL, Selma I. Múltiplas Faces da Inclusão. Rio de Janeiro: Wak</p><p>Editora, 2009.</p><p>CORNACHINI, Viviane. Tudo sobre Transtorno do Deficit de Atenção e</p><p>Hiperatividade. Disponível em: http://www.tdah.net.br/index.html. Acessado em:</p><p>11/01/16.</p><p>DU PAUL, George. STONER, Gary. TDAH nas escolas: estratégias de</p><p>avaliação e intervenção. São Paulo: M. Books do Brasil Editora, 2007.</p><p>GRAEF, Rodrigo L. e VAZ, Cícero E. Avaliação e Diagnóstico do Transtorno de</p><p>Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Psicologia/USP. São Paulo, 2008.</p><p>Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-</p><p>65642008000300005. Acessado em: 26/01/16.</p><p>HADDAD, Jane P. Cabeça nas Nuvens: orientando pais e professores a</p><p>lidar com o TDAH. 2. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2013.</p><p>LURIA; Leontiev, Alexis; VYGOSTSKY, Lev. Psicologia e Pedagogia: bases</p><p>psicológicas da aprendizagem e do desenvolvimento. São Paulo:</p><p>Centauro, 2005.</p><p>MATTOS, Paulo; SOUZA, Isabella; SERRA, Maria A.; FRANCO, Vanessa</p><p>A. Comorbidade em Crianças e Adolescentes com Transtorno do Deficit de Atenção:</p><p>resultados preliminares. 2001. Disponível em:</p><p>http://www.scielo.br/pdf/%0D/anp/v59n2B/a17v592b.pdf. Acessado em:</p><p>03/02/2016.</p><p>SME/RJ, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal</p><p>de Educação, Subsecretaria de Ensino, Coordenadoria de Educação.</p><p>Orientações Curriculares Para a Educação Infantil. Gerência de Educação</p><p>Infantil. 2010.</p><p>ROMERO, Priscila. O Aluno Autista: avaliação, inclusão e mediação. Rio</p><p>de Janeiro: Wak Editora, 2016.</p><p>SAMPAIO, Simaia e FREITAS, Ivana B. Transtornos e Dificuldades de</p><p>Aprendizagem: entendendo melhor os alunos com necessidades</p><p>educativas especiais. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.</p><p>SCHWARTZMAN, José S. A Criança com Distúrbios da Atenção.</p><p>Disponível em: http://www.schwartzman.com.br/php/index.php?</p><p>option=com_phocadownload&view=category&id=5:transtorno-de-dficit-de-ateno-com-</p><p>hiperatividade&Itemid=20. Acessado em: 28/02/16.</p><p>___________, José S. e ARAÚJO, Ceres A. Transtornos do Espectro do Autismo.</p><p>São Paulo: Memnon, 2011.</p><p>SILVA, Ana Beatriz B. Mentes Inquietas: TDAH – desatenção,</p><p>hiperatividade e impulsividade. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.</p><p>TEIXEIRA, Gustavo. Manual dos Transtornos Escolares. 3. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Best Seller, 2013.</p><p>Conheça também da Wak Editora</p><p>CABEÇA NAS NUVENS -</p><p>orientando pais e professores</p><p>a lidar com o TDAH</p><p>Jane Patricia Haddad</p><p>ISBN: 978-85-7854-224-5</p><p>DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM -</p><p>A Psicopedagogia na relação sujeito,</p><p>família e escola</p><p>Simaia Sampaio</p><p>ISBN: 978-85-7854-025-8</p><p>DISLEXIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL</p><p>Sirlândia Teixeira e</p><p>Solange Martins</p><p>ISBN: 978-85-7854-218-4</p><p>DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM</p><p>E COMPORTAMENTO</p><p>Lou de Olivier</p><p>ISBN: 978-85-88081-48-2</p><p>EM BUSCA DA TRANSFORMAÇÃO -</p><p>A Filosofia Pode Mudar Sua Vida</p><p>Waldir Pedro</p><p>ISBN: 978-85-88081-82-6</p><p>DINÂMICAS PARA AULAS DE FILOSOFIA</p><p>Waldir Pedro</p><p>ISBN: 978-85-7854-186-6</p><p>ATUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL</p><p>Brincar, criar e aprender em diferentes idades</p><p>Maria Celia Rabello Malta Campos (org.)</p><p>ISBN: 978-85-7854-195-8</p><p>MANUAL PRÁTICO DO DIAGNÓSTICO</p><p>PSICOPEDAGÓGICO CLÍNICO</p><p>Simaia Sampaio</p><p>ISBN: 978-85-7854-063-0</p><p>DISLEXIA:</p><p>Novos Temas, Novas Perspectivas</p><p>Luciana Mendonça Alves, Renata Mousinho</p><p>e Simone Aparecida Capellini</p><p>ISBN: 978-85-7854-142-2</p><p>PREFÁCIO</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>I - UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA COMO TDAH</p><p>II - VAMOS FALAR SOBRE TDAH?</p><p>2.1. Conceitos e características</p><p>2.2. Legislação</p><p>III - COMORBIDADES</p><p>3.1 TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR</p><p>3.1.1 Sintomas emocionais</p><p>3.1.2 Sintomas físicos</p><p>3.1.3 Sintomas cognitivos</p><p>3.1.4 Sintomas Motivacionais</p><p>3.2 TRANSTORNOS DE ANSIEDADE</p><p>3.2.1 Síndrome do Pânico (TP)</p><p>3.2.2 Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)</p><p>3.2.3 Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS)</p><p>3.3 TRANSTORNOS DISRUPTIVOS, DO CONTROLE DE IMPULSOS E DA CONDUTA</p><p>3.3.1 Transtorno de Oposição-Desafiante (TOD)</p><p>3.3.2 Transtorno de Conduta (TC)</p><p>3.3.3 Transtorno Disruptivo de Desregulação do Humor</p><p>3.4 TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC) E TRANSTORNOS RELACIONADOS</p><p>3.4.1 Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)</p><p>3.5 TRANSTORNO DO NEURODESENVOLVIMENTO</p><p>3.5.1 Transtorno de Tiques</p><p>3.5.2 Transtorno do Espectro Autista (TEA)</p><p>3.6 TRANSTORNO BIPOLAR E TRANSTORNOS RELACIONADOS</p><p>3.6.1 Transtorno Bipolar Tipo I</p><p>IV - CONSEQUÊNCIAS QUANDO NÃO TRATADO</p><p>V - CONSELHOS AOS PAIS, PROFESSORES E "TDAHs"</p><p>VI - TRABALHANDO COM ALUNOS: "TDAHs" OU NÃO</p><p>CONCLUSÃO</p><p>ANEXO</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>que algumas pessoas me aceitam do jeito que sou. Por</p><p>outras, fui taxada e incompreendida, principalmente, quando</p><p>desenvolvi a síndrome do Pânico, em consequência de uma forte</p><p>Depressão – hoje sei que se tratam de comorbidades ao TDAH.</p><p>Alguns me chamavam de fresca, maluca. Até mesmo minha família</p><p>não tinha entendimento do que vivia. Graças a Deus, tive uma mãe</p><p>maravilhosa que sempre compreendeu tais fenômenos psiquiátricos</p><p>ou neurológicos – como preferirem – e procurou me ajudar da</p><p>melhor forma possível. Mas, devo admitir que sofri com o</p><p>comportamento ignorante de algumas pessoas próximas.</p><p>Hoje, depois dos 40 anos, só lamento! E não lamento por mim.</p><p>Lamento pelos insipientes. Gosto de quem gosta de mim e me</p><p>preocupo com quem se preocupa comigo. Parece frio, mas foi a</p><p>melhor maneira que arrumei para viver bem. Sou uma pessoa com</p><p>um enorme coração, procuro ajudar a todos, ser sincera e honesta.</p><p>Se não me aceitam ou não me entendem com TDAH, Pânico e crises</p><p>de Depressão, vou insistir para quê? Para mim, não vale mais a pena!</p><p>“O Aluno TDAH” conta alguns episódios de minha infância e</p><p>adolescência munidos de sintomas do transtorno e suas</p><p>comorbidades. Foi uma infância feliz, mas uma adolescência</p><p>complicada. Quando jovem, aos 20 e poucos anos, as crises de</p><p>Depressão e Pânico pioraram, trazendo muita tristeza e inércia para</p><p>minha vida. Sobrevivi e fui além. Graduei-me, especializei-me, casei</p><p>com um homem fabuloso e consegui amigos maravilhosos, que</p><p>conto nas palmas das mãos. Após 12 anos desejando um filho,</p><p>recebi essa alegria que mal cabe em meu peito. Trabalhei com</p><p>crianças especiais e encontrei minha verdadeira vocação. Tais</p><p>crianças proporcionam a sensação de que tudo vale a pena, de que</p><p>ç p p ç q p q</p><p>sou importante para elas e que preciso continuar nessa caminhada.</p><p>Tornei-me professora do Estado do Rio de Janeiro, concursada, e</p><p>tenho o prazer de lecionar no curso normal do Colégio Júlia</p><p>Kubitschek. De vez em quando, tenho altos e baixos, mas melhor não</p><p>poderia estar. Além disso, recebi a amizade de mães – mulheres</p><p>guerreiras, verdadeiras – que conhecem o real sentido da vida.</p><p>Sabem que, para ser feliz, é preciso muito pouco.</p><p>Nos capítulos seguintes, apresentamos a história do TDAH e suas</p><p>características. Ao contrário do que pensam, o TDAH foi pesquisado</p><p>há mais de dois séculos. E, infelizmente, ainda tem quem diga que</p><p>não existe! Além disso, abordamos consequências para os indivíduos</p><p>com TDAH quando não tratados e alguns conselhos para pais,</p><p>professores e “TDAHs” em pessoa – como costumo dizer.</p><p>Finalizando, temos dicas de como o professor deve trabalhar e</p><p>alguns relatos de comportamentos apresentados por alunos</p><p>diagnosticados com o transtorno. No entanto, iniciamos o mesmo</p><p>capítulo com a descrição de um menino que apresenta uma extrema</p><p>hiperatividade, somente na escola, e um adolescente diagnosticado</p><p>com TDAH e deficit intelectual. Fizemos essa “pegadinha” com o</p><p>intuito de demonstrar como pode ser difícil o diagnóstico e como</p><p>alguns pais e mães prejudicam o próprio desenvolvimento de suas</p><p>crianças, seja por medo de um rótulo, seja por acomodação ou por</p><p>desinteresse.</p><p>Não estamos aqui para julgar ninguém, como não quero que me</p><p>julguem. Este trabalho tem o intuito de: divulgar o transtorno para</p><p>que muitos consigam se perceber nele ou em algum ente querido;</p><p>pedir ajuda enquanto há tempo; perceber algumas formas de</p><p>atuação quanto à vida acadêmica do “indivíduo TDAH” como forma</p><p>de auxílio ao professor regente.</p><p>Desejo uma boa leitura! E, por que não dizer um bom</p><p>encantamento com o mundo real do TDAH.</p><p>Quando pequena, eu era bem brincalhona. Gostava de pular</p><p>corda, pique-esconde, brincar de boneca e de fazer comidinha, andar</p><p>de patins, mas gostava, também, de brincar com os meninos, jogar</p><p>bola de gude, taco, futebol, andar de bicicleta pelas ruas do bairro.</p><p>Era uma menina feliz e bem ativa. Na verdade, uma moleca!</p><p>Passei grande parte da minha infância na casa da minha avó, em</p><p>um bairro familiar da Zona Norte do Rio de Janeiro, a Tijuca. Minha</p><p>mãe tinha dois empregos. De manhã, ela dava aula e, de tarde,</p><p>trabalhava como dentista, no antigo INAMPS, no bairro próximo ao</p><p>morro da Mangueira. Por isso, ficava tanto tempo durante o dia sem</p><p>vê-la, na companhia de minha avó em sua residência. Algumas</p><p>noites, dormia na casa da minha avó. Não era raro, no dia seguinte,</p><p>ouvir de D. Lucília que a chutei durante a noite e falei algo</p><p>incompreensível.</p><p>Foi uma infância maravilhosa! Nós, crianças, brincávamos na rua,</p><p>de manhã, de tarde e de noite. Não havia grandes preocupações</p><p>como hoje. Adorava ficar na casa da vó, apesar de ela não ser nada</p><p>parecida com essas velhinhas de comercial de bolo – tão carinhosas</p><p>e fofinhas. Dona Lucília era durona!</p><p>Na rua onde vovó morava, eu tinha meus primos e meus amigos</p><p>preferidos. Era difícil permanecer muito tempo parada, à toa,</p><p>dentro de casa. Eu estava sempre fazendo algo, fosse dentro ou fora</p><p>da residência. No jardim, a brincadeira favorita era de fábrica de</p><p>sorvete, mexendo com terra, imaginando uma cozinha de verdade</p><p>graças às panelas de brinquedo. Deixava toda a varanda suja! Talvez,</p><p>por isso, D. Lucília percebesse que já gostava de cozinhar e, por</p><p>vezes, me colocava para ajudá-la a fazer o almoço. Lembro que</p><p>buscava um banquinho no quarto, guardado debaixo da cama, e o</p><p>colocava à beira do fogão, para eu olhar dentro das panelas. Quando</p><p>sozinha, sem as amigas, reunia todas as bonecas que tinha e fingia</p><p>dar aula para elas. Algumas vezes, escrevia nas paredes do quarto,</p><p>pois o quadro-negro, que minha mãe havia me dado, era muito</p><p>pequeno para tantos ensinamentos. Outras vezes, escrevia no</p><p>armário. E ouvia horrores, com toda razão, evidentemente. Isso</p><p>quando minha avó não corria atrás de mim, em volta da mesa de</p><p>jantar, com o chinelo na mão. Era engraçado, pois o quarto ficava</p><p>todo colorido com os gizes rosas, verdes, azuis que eu usava. Mas,</p><p>não encorajo ninguém a fazer o mesmo, que fique registrado!</p><p>Triste quando eu me sentia frustrada com algum “não” de minha</p><p>mãe e levantava a mão para bater nela. Conto, aqui, essa atitude</p><p>minha com muita tristeza mesmo. E afirmo que minha mãe acabou</p><p>com esse mau modo me dando uma surra de cinto, às 6 horas da</p><p>manhã, acordando a vizinhança inteira. Depois que me bateu, D.</p><p>Vilma sentou em sua penteadeira e chorou. Eu tinha apenas cinco</p><p>anos e mantenho esse dia em minha memória para sempre. E quero</p><p>deixar bem claro que agradeço à minha mãe por ter-me freado, ter-</p><p>me mostrado com essa surra o que é certo e errado. Agradeço a ela,</p><p>todos os dias!</p><p>Voltando à alegria de criança, não era difícil me ver brincando.</p><p>Divertia-me até em cima do muro. O muro não era tão alto. Deveria</p><p>medir cerca de 1,60m de altura. Eu e meu vizinho A., um pouco mais</p><p>novo que eu, juntávamos nossos brinquedos velhos, que não</p><p>ligávamos mais, e os embrulhávamos para vender a desconhecidos,</p><p>transeuntes. Sentávamos no muro e abordávamos várias pessoas</p><p>que passavam por ali. Agora, pensando bem, parece-me algo surreal</p><p>para uma mocinha! Também se enquadram nessa hipótese as lutas</p><p>de boxe que travava com outro amigo da rua, A. Quando eu brincava</p><p>com sua irmã, C., e outra menina, I., ele nos pegava para suas</p><p>estripulias. Enrolava suas mãos com meiões de futebol, imitando</p><p>luvas de boxe, e corria atrás de nós. A coleguinha I. fugia chorando</p><p>para casa, ameaçando de contar à sua mãe. Eu o encarava. E</p><p>conforme ele batia em mim, eu batia nele. Nada convencional!</p><p>Diz uma amiga dessa época, I., que eu só parava quieta para</p><p>assistir aos filmes do Elvis Presley, que passavam na televisão, na</p><p>sessão da tarde! Ainda hoje, amo o Elvis. Era no momento em que</p><p>tomava meu lanche da tarde – café com leite e o sagrado pão com</p><p>manteiga. Continuo com esse costume. Adoro!</p><p>Eu era tão danada que gostava de dar ordens às amigas e não</p><p>queria ajuda de ninguém para nada. Lembro-me bem de quando</p><p>tinha uns cinco ou seis anos e estava na casa da minha doce</p><p>madrinha. Fui tomar banho, e ela queria lavar minhas costas com um</p><p>escovão. Imediatamente, disse que não precisava e que eu sabia me</p><p>lavar sozinha.</p><p>Ela achou graça e contou para minha mãe.</p><p>Conforme ia crescendo, e os ídolos musicais iam surgindo, o</p><p>tempo que tinha em casa era para cantar e ensaiar as suas</p><p>coreografias – na verdade, imitar os astros do Pop. Subia na cama,</p><p>na escrivaninha, sentindo-me a Madonna ou o Michael Jackson.</p><p>Pegava a escova de cabelos e a transformava no meu microfone sem</p><p>fio. E dava um show para os fãs imaginários. Debaixo do chuveiro, a</p><p>cantoria rolava solta! Era um sarau.</p><p>Por volta dos 11 anos de idade, minha adorada mãe tomou uma</p><p>atitude que, inicialmente, sofri muito, chorei bastante. Ela decidiu me</p><p>colocar no semi-internato. Ela dizia que eu estava dando muito</p><p>trabalho para minha avó, que já estava velhinha e não merecia</p><p>tanta responsabilidade e cansaço. Eu, realmente, devia ser bem</p><p>agitada ou bem levada, não sei ao certo que palavra utilizar. Coitada</p><p>da vó Lucília!</p><p>Antes de me matricular no semi-internato, a psicóloga da escola</p><p>convidou minha mãe para dar um “pulinho” no colégio para uma</p><p>conversa. Ela pediu à minha mãe que reavaliasse essa ideia, uma vez</p><p>que eu estava sofrendo. Ela me via chorar bastante ao contar esse</p><p>fato. No entanto, minha mãe afirmou que a decisão já estava</p><p>tomada, que ela precisava poupar sua mãe, Lucília! E, assim, surgiu o</p><p>semi-internato na minha vida. E foi o melhor ano escolar de todos os</p><p>tempos. Eu amava ficar na escola.</p><p>De manhã, por volta de 7h15 – chegada ao semi-internato –</p><p>tomávamos o café da manhã para, em seguida, fazer os deveres de</p><p>casa. Devo confessar que acordar cedo, sempre foi um drama na</p><p>minha vida. Como tenho dificuldade em acordar cedinho! Meu pai</p><p>molhava suas mãos na pia da cozinha e jogava água em meu rosto,</p><p>para que eu levantasse da cama, após o despertador tocar sem êxito.</p><p>Votando ao semi-internato... Depois, serviam um lanchinho para dar</p><p>forças e continuar com as atividades pedagógicas e/ou físicas.</p><p>Lembro que, todas as sextas-feiras, tínhamos tempo livre na piscina –</p><p>eu amava! No recreio, rodávamos toda área de lazer, afinal o Colégio</p><p>Batista Shepard – onde estudei – é imenso, tendo muitos cantos para</p><p>fazermos estripulias. Depois, vinha o almoço no bandejão. Ao final</p><p>do almoço, após a higiene, descíamos para o prédio principal e</p><p>íamos estudar na série em que estávamos matriculados. A volta para</p><p>casa ocorria em torno das 17h30.</p><p>Havia crianças e adolescentes no semi-internato. Era um barato.</p><p>Fazíamos teatro, dança, brincadeiras diversas. Perdi meu aparelho</p><p>dental móvel no escaninho e tomei uma bronca inesquecível. Até</p><p>hoje, eu juro que guardei no escaninho e alguém o pegou. E tive o</p><p>meu primeiro namoradinho, quase aos 12 anos. Sentia-me a</p><p>“sabichona”, a rainha da cocada preta. Tão inocente!</p><p>Agora, devo relatar que houve um tempo em que a rotina e a</p><p>obrigação eram coisas que me incomodavam demais. Eu me</p><p>questionava muito o porquê de ter de ir para a escola todos os dias.</p><p>Um dia diferente seria tão bom! No entanto, minha mãe Vilma era</p><p>durona e não me dava essa “colher de chá”. Já, dentro de casa, eu</p><p>possuía a liberdade de trocar de lugar os móveis da sala e do meu</p><p>quarto, para criar uma atmosfera diferente, mudar o ambiente, sair</p><p>um pouco da rotina. Fazia bem à mente e minha mãe percebia esse</p><p>bem-estar! Arrumava gavetas e armários com maior frequência,</p><p>sempre separando roupas e sapatos para doar, principalmente,</p><p>quando ganhava algo novo. Não é difícil enjoar de algum item</p><p>quando se tem TDAH, seja uma blusa, um vestido ou um sapato. E</p><p>isso acontece até hoje!</p><p>É interessante comentar que, na adolescência, comecei a perder o</p><p>sono. Sim, perder o sono. Deitava na minha cama, com meu</p><p>“naninho”, me acomodava bem, mas sempre havia determinados</p><p>pensamentos rondando minha cabeça. Nessa época, comecei a</p><p>escrever minhas primeiras poesias e letras de música, pois, enquanto</p><p>não dormia pela agitação mental, compunha. Daí senti a</p><p>necessidade de utilizar o computador para poder escrever durante a</p><p>noite, como uma profissional, sem fazer barulho e acordar todos.</p><p>Como assim barulho? Vou explicar. Eu gostava de escrever com a</p><p>máquina de datilografar, recurso da época. Minha mãe me</p><p>matriculou no curso de datilografia – o que era bem comum – então,</p><p>sabia datilografar (hoje, digitar) com todos os dedos, sem olhar para</p><p>o teclado. E me sentia mais especial. Como nasci em 1974, no século</p><p>XX, o uso de computadores era frequente apenas em empresas e</p><p>fábricas, não em casa.</p><p>Nos últimos tempos, minha insônia não ocorre, somente, de</p><p>forma inicial. É comum deitar e dormir, no entanto acordar de</p><p>madrugada, ficando horas “ligada”, necessitando tomar algo que</p><p>desligue o meu “botão on”.</p><p>Conforme foi chegando essa época – adolescência –, fui</p><p>percebendo alguns problemas que ocorriam dentro de casa. Meu pai</p><p>e minha mãe não estavam bem, e a tristeza reinou um certo tempo.</p><p>Eu fui ficando calada, reclusa e, com 15 anos de idade, engordei</p><p>quase 20 quilos. Foi uma época de muito desgosto. Achava-me feia.</p><p>Não conseguia comprar roupas bonitas, pois não havia tamanho</p><p>para mim. Não foi fácil! E eu parecia cada vez mais distraída, mais</p><p>longe. Caminhava para o fracasso pessoal e escolar. Repeti a</p><p>primeira série do Ensino Médio! Foi um desgosto tremendo para</p><p>minha mãe.</p><p>Junto a tais problemas, hoje sei que desenvolvi o Transtorno de</p><p>Ansiedade de Separação! É impressionante como questões</p><p>relacionadas à família nuclear do indivíduo podem causar tantos</p><p>danos. Lembro-me com pesar de que minha mãe pagou uma viagem</p><p>para mim ao parque Beto Carrero, em Santa Catarina. Eu iria com</p><p>meus melhores amigos, mas, no dia da viagem, passei muito mal e</p><p>não tive coragem de embarcar em outro voo, sozinha. E quando</p><p>terminei o Ensino Médio, minha turma optou por fazer uma viagem.</p><p>Nós fazíamos doces diversos e vendíamos no colégio para arrecadar</p><p>fundos para tal presente. Apesar de eu fazer parte da comissão de</p><p>formatura, vender os doces e ajudar o máximo possível, não tive</p><p>coragem, mais uma vez, de viajar.</p><p>A perda de uma tia, também, me prejudicou no processo escolar.</p><p>Lembro que precisei do auxílio da orientadora educacional, a querida</p><p>J., do colégio. Ela me ajudou a superar e a tirar da mente esse</p><p>pensamento fixo, que me deixava mais desatenta e desanimada.</p><p>Lembro-me, até hoje, de que J. me presenteou com um livro</p><p>chamado “O Presente Precioso”. Uma graça! Acho que foi por causa</p><p>dela e sua atuação que fiz minha primeira pós-graduação em</p><p>Educação – Orientação Educacional e Pedagógica.</p><p>Às vezes, achava-me burra. Outras vezes, preguiçosa. Era uma</p><p>aluna mediana, na maioria das matérias. Estudava para passar. É</p><p>engraçado lembrar que, nas aulas de Inglês, durante o segundo grau</p><p>– Ensino Médio – quando o professor trabalhava a gramática pura e</p><p>simplesmente – por exemplo – tudo para mim era sacal, um tédio,</p><p>incompreensível. Recordo também que os meus colegas de classe</p><p>mal davam atenção ao professor super-homem, Clark Kent – era o</p><p>apelido dele, pois ele tinha semelhanças físicas ao personagem e</p><p>ajeitava seus óculos com o dedo médio, como no filme – e eu ficava</p><p>olhando para ele, com pena e tentando aprender algo, mas sem</p><p>êxito, pois a mente não parava ali, naquele momento, naquele</p><p>assunto. Só meu corpo estava presente... No entanto, quando ele</p><p>trazia letras de músicas, eu era outra aluna! Tão interessada! Tão</p><p>dedicada! Afinal, amo cantar, amo música e, modéstia à parte, tenho</p><p>um dom tremendo.</p><p>Com as disciplinas que adorava, que devo confessar eram</p><p>poucas, eu era espetacular, um exemplo a ser seguido. Redação era</p><p>a mais valiosa de todas! E meu professor D. percebeu esse dom,</p><p>incentivando-me cada vez mais – como o professor tem poder em</p><p>suas mãos, em sua atuação! Todos os trabalhos que eram expostos</p><p>na escola tinham algo escrito por mim, fosse uma poesia, uma</p><p>pequena história ou uma versão de alguma letra de música.</p><p>As aulas de Literatura eram outro “ó”, com todo respeito que</p><p>tenho pelo querido mestre A., pois ele era engraçado e se esforçava</p><p>ao máximo para nos contagiar com sua matéria. Porém, a leitura</p><p>obrigatória de livros, como Memórias Póstumas de Brás Cubas e O</p><p>Cortiço, me deixava desesperada. Eu não suportava tais leituras</p><p>e,</p><p>ainda para piorar, era preciso ser avaliada com exercícios sobre as</p><p>mesmas – típica forma avaliativa de escola tradicional. A obrigação é</p><p>desestimulante! Lembro-me do dia em que resolvi matar sua aula,</p><p>ao convite da amiga L., e o professor ao saber de nossa proesa foi</p><p>atrás de mim e de minha colega de turma. Nossa! Pagamos o maior</p><p>mico, como diz a garotada, pois ele nos colocou de volta em sala de</p><p>aula. Eu tomei ódio de ler. E se não fosse, mais uma vez, a sábia</p><p>intervenção de minha amada mãe Vilma, não sei o que seria de mim.</p><p>Ela percebia mais essa dificuldade minha e se empenhava para</p><p>contornar tal problema, superando mais esse entrave. Sempre que</p><p>ela podia, comprava livros com histórias de Alfred Hitchcok, crônicas</p><p>rápidas, histórias em quadrinhos, suspenses e, até mesmo, a</p><p>biografia de Priscilla Presley, esposa do meu querido Elvis – leitura</p><p>estimulante, pois era do que eu gostava. Com a ajuda dela, não</p><p>deixei de ler, graças a Deus. Ela aproveitava o momento e o dom que</p><p>eu tinha para dizer que, se eu quisesse ser escritora, deveria ler</p><p>bastante para juntar ideias, adquirir vocabulário e aprender a</p><p>maneira correta de me articular. Uma sábia!</p><p>Falando em leitura, devo contar que, até hoje, tenho dificuldades</p><p>de concentração. Alguns textos, tenho de reler duas ou três vezes</p><p>para assimilar a ideia principal. É possível para mim, ler algo, até em</p><p>voz alta e pensar em um assunto completamente diferente.</p><p>De uma forma geral, acredito que, para minha mãe – formada em</p><p>Odontologia e Química, uma mulher inteligentíssima –, esses meus</p><p>anos na escola devam ter sido um período difícil e de um certo</p><p>descontentamento. Pois, afinal de contas, que pai ou mãe não quer</p><p>ver seu filho como um aluno “perfeito” durante sua vida acadêmica?</p><p>Sem falar que minha mãe era bem exigente. Não a ponto de pedir</p><p>10 no boletim, pois ela tinha consciência de que seria quase</p><p>impossível para mim. Também me lembro de ela reclamar de coisas,</p><p>que eu fazia sem querer, sem me dar conta, como abrir portas e</p><p>gavetas do armário e não fechar, esquecer as ordens pela</p><p>metade, não apagar luzes, não ficar muito tempo concentrada</p><p>em uma mesma atividade... Uma vez, minha mãe resolveu “tomar”</p><p>as lições de química comigo, pois eu estava indo mal nessa matéria.</p><p>E logo, logo, ela perdeu a paciência com minha inquietação, pegou</p><p>nos meus cabelos e gritou: – Presta atenção no estudo! Na hora,</p><p>fiquei superarrasada com tamanha voracidade, mas depois até ri,</p><p>visto que minha mãe era tão equilibrada que nunca a vi assim. Só eu</p><p>mesma estudando poderia deixá-la daquele jeito... Coitadinha!</p><p>Desde então, ela contratou uma jovem formada na disciplina para</p><p>me dar aulas particulares, e a coisa fluiu – não tão bem quanto ela</p><p>queria, é claro, mas foi.</p><p>Volto há alguns anos, durante a infância, pois me lembrei de uma</p><p>arte que fiz, devido à impaciência que carrego comigo. No quarto</p><p>de minha mãe, havia um armário grande. No meio desse armário,</p><p>uma porta “bordada” com essas palhinhas de acento de cadeiras</p><p>antigas. Ali, D. Vilma havia guardado algo que eu queria muito, mas</p><p>ela havia trancado à chave e tardaria a chegar a casa. Eu logo resolvi</p><p>o problema. Peguei uma tesoura e cortei toda palhinha para pegar</p><p>meu objeto de desejo que já nem lembro mais do que se tratava,</p><p>estragando toda a porta. Foi outra bronca e mais um castigo. Ainda</p><p>pela impaciência, ir ao banheiro era tarefa árdua, pois não conseguia</p><p>ficar parada tentando evacuar. Sofria muito com prisão de ventre por</p><p>causa disso. E estudando sobre o transtorno, encontrei alguns relatos</p><p>sobre mais essa consequência, bem comum nas crianças com TDAH.</p><p>Também devo relatar o pequeno furto que quase cometi com</p><p>minha avó. Era uma época de colecionar figurinhas, completar os</p><p>álbuns. Eu sonhava com o meu álbum todo preenchido e, para isso,</p><p>era preciso comprar mais e mais pacotes, visto que muitas figurinhas</p><p>vinham repetidas, o que dificultava o término da “empreitada”. Pedi</p><p>um dinheirinho à minha vó para tentar realizar meu desejo, mas D.</p><p>Lucília – que não parecia nada com as “vovozinhas” de contos de</p><p>fadas – me negou. No impulso de obter o meu desejo, fui até o</p><p>quarto, mexi em sua bolsa e peguei um trocadinho para comprar as</p><p>benditas figurinhas. No entanto, no meio do caminho, bateu-me um</p><p>sentimento de remorso, de culpa, de mal-estar que voltei para casa e</p><p>coloquei o dinheiro no exato lugar onde encontrei. Foi aí que pensei</p><p>o quanto errado seria minha atitude; se minha avó poderia precisar</p><p>do dinheiro para comprar algo para casa; e o castigo que receberia.</p><p>Fiquei caladinha, só contando o fato para minha mãe, dias depois.</p><p>Mais um motivo para termos muito cuidado com o TDAH, pois, em</p><p>certos indivíduos, há ocorrência de desenvolvimento de Transtornos</p><p>da Conduta, estes que podem ser bem perigosos.</p><p>Quando minha mãe me chamava para ir ao supermercado com</p><p>ela, primeiramente, eu dizia: – Não estou afim. As filas do mercado</p><p>me deixavam ansiosa. Porém, apesar de ser filha única, nunca tive</p><p>grandes paparicos, e minha mãe me obrigava a ir ao mercado com</p><p>ela, “sem a nem b”. Aliás, até hoje, tenho certo horror a filas, seja</p><p>onde for. Se eu não conseguir alguém para conversar, será um</p><p>tormento estar ali parada, aguardando. Balanço de um lado para o</p><p>outro o corpo, como uma forma de relaxar as pernas e a mente. Diz</p><p>meu marido que se eu vejo três pessoas na minha frente, eu já fico</p><p>nervosa, como se houvesse uma multidão. Exageros à parte, tem</p><p>razão. Também se alguém me dá uma brecha, eu começo a</p><p>conversar, como se já conhecesse a pessoa, até me intrometo na</p><p>conversa alheia, um modo de passar o tempo no meio daquela</p><p>situação desagradável de espera. Ai, que coisa feia! E quanto a</p><p>responder antes de alguém perguntar? Eu faço isso direto. Não</p><p>consigo esperar que a pessoa termine sua questão ou seu</p><p>raciocínio. Não faço por mal, apenas é mais forte do que eu.</p><p>Quando convivi mais tempo com um amigo gago, M., eu ficava tão</p><p>ansiosa que completava todas as palavras que ele iniciava e não</p><p>findava, devido à sua deficiência. Ainda bem que a idade vai</p><p>chegando, de mansinho, e alguns sintomas vão diminuindo.</p><p>Ir ao cinema, também, é algo que pode me causar uma tremenda</p><p>ansiedade. Ficar parada, dentro de uma sala escura, sem ter o que</p><p>fazer é totalmente desnecessário. Portanto, nos últimos anos, só vou</p><p>ao cinema quando é um filme que muito me interessa.</p><p>Apesar de levada, era muito tímida – o que agravou na</p><p>adolescência. Lembro que havia uma professora no Ensino</p><p>Fundamental II, de Geografia, que pedia a todos os alunos que</p><p>lessem o livro-texto referente à sua matéria, em voz alta, durante a</p><p>aula. Nossa! Aquilo era o terror para mim. Ela obrigava todos a fazer</p><p>esse sacrifício. Não questionava se alguém gostaria de realizar tal</p><p>proeza. Começava a leitura com o aluno sentado na primeira fileira</p><p>de carteiras e ia seguindo..., ficando eu cada vez mais ansiosa e</p><p>agoniada. Muitas vezes, ficava torcendo para o texto acabar, antes</p><p>que eu pudesse ser a próxima vítima da docente (doente). Porém,</p><p>quando isso não acontecia e os colegas, que estavam na mesma</p><p>fileira que eu, eram os próximos, eu suava frio e tinha o coração</p><p>disparado – o que, hoje, sei que se chama taquicardia. Era,</p><p>realmente, um terror. E, com isso, eu não aprendia nada – sou</p><p>péssima em Geografia até hoje. Este é um dos motivos que, como</p><p>professora, não exijo a leitura de ninguém em voz alta. Quando há</p><p>apresentação de trabalho em grupo, peço-lhes que caminhem até a</p><p>frente da sala e procurem fazer algum comentário sobre o assunto.</p><p>Solicito-lhes que, de alguma forma, participem da apresentação,</p><p>pois, afinal de contas, esse é o trabalho do professor – falar em</p><p>público – e eu atuo em formação de normalistas. Procuro incentivar</p><p>meus alunos a vencerem seus medos, mas não faço exigências desse</p><p>porte. Respeito seus limites, assim como já precisei que respeitassem</p><p>os meus algumas vezes e, provavelmente, ainda necessitarei. Afinal,</p><p>ainda hoje, falar a um público desconhecido não é uma tarefa</p><p>agradável para mim, principalmente, por causa de minha</p><p>impulsividade. Percebo que, por hora, atropelo meu discurso,</p><p>ou</p><p>não me faço ser entendida – o que aumenta ainda mais o</p><p>nervosismo. Ao contrário de escrever, quando paro, reflito e</p><p>organizo meus pensamentos, fora o recurso maravilhoso que é o</p><p>computador, onde podemos recortar, colar, acrescentar etc.</p><p>Ainda no Ensino Fundamental, muitas vezes, ficava olhando pela</p><p>janela, observando uma bela parte da Floresta da Tijuca, que</p><p>“adentrava” à área física de minha escola, e minha mente voava. E</p><p>voava e voava... Pensava em tudo, menos no que estava acontecendo</p><p>em sala de aula. Ouvia todo o blá blá blá. Podia até comentar por</p><p>alto sobre o que falavam, mas a mente estava focada em coisa muito</p><p>diferente. A desatenção era inevitável. Eu era a menina tímida,</p><p>sentada no canto da sala, encostada na parede, que ninguém notava.</p><p>É curioso lembrar-me de ser a mesma janela que um dia pulei com</p><p>alguns colegas de turma. Meu Deus! Não foi à toa que minha mãe</p><p>foi chamada pela Coordenação para comparecer à escola, devido a</p><p>duas traquinagens.</p><p>Aproveito este espaço de molecagem para dizer como esbarro em</p><p>portas, quinas, bancos. Estou sempre com manchas roxas no corpo e,</p><p>muitas vezes, não tenho noção de como eu as adquiri. A</p><p>coordenação motora não é das melhores. Sendo assim, até hoje,</p><p>cortar com tesoura em linha reta é um suplício! Como nunca</p><p>consegui fazer os passos de dança dos anos 80! Lamento!</p><p>Voltando ao Ensino Médio, por minha impulsividade, em sala de</p><p>aula, quase fui expulsa da mesma pelo professor de Biologia, J.E.</p><p>Estava defendendo um colega de turma e, de repente, soltei uma</p><p>pérola. O professor perguntou se eu era a defensora dos fracos e</p><p>oprimidos e me ameaçou retirar de sala, tomando uma advertência.</p><p>Hoje, quarentona, consigo controlar certos comentários; outros</p><p>escapam, mas na adolescência... A minha sorte é que era tímida e</p><p>falava pouco. Uma vez, fiz o seguinte comentário com uma vizinha e</p><p>amiga minha: – Nossa, vocês trocaram as janelas de madeira por</p><p>alumínio, que legal. Mas o vidro é tão feio! Quando ela me olhou de</p><p>soslaio, com a cara brava, foi que eu percebi que já havia saído o</p><p>comentário infeliz. E tentei corrigir: – Não, não é feio, é diferente. E é</p><p>bom, pois sendo canelado, evita que os outros vizinhos olhem para</p><p>dentro de sua casa. Mas já era tarde demais!</p><p>Volto a dizer que a criação que tive me conteve em alguns</p><p>aspectos. Só o olhar da minha mãe já me abalava. Fora quando ela</p><p>afirmava: – Em casa, nós conversamos! Também me lembro de uma</p><p>frase que uso com meu cachorro quando faz pirraça: Quer cheirar</p><p>chinelo? Acredito que, por isso, não tenha feito maiores bobagens.</p><p>Era comum fazer poses para as fotos e falar mais alto quando</p><p>recebia visitas. E um belo dia, fugi de casa com menos de dez anos</p><p>de idade. Fui para a casa da minha avó, descendo a rua Uruguai</p><p>inteira, sozinha e magoada com minha mãe por alguma bobagem</p><p>cometida por mim. Lembro-me de que vi um casal andando em</p><p>minha frente e fiquei atrás dele, como se fosse sua filha, com medo</p><p>de alguém me abordar. Tão espertinha! Só que não!</p><p>Veio a faculdade de Direito. E parecia estar acontecendo tudo de</p><p>novo: dificuldade para acordar cedo, desatenção em algumas</p><p>matérias, ansiedade, cansaço físico e mental... Em algumas</p><p>disciplinas, conseguia a média com grande esforço. Em outras, que</p><p>eu adorava, evidentemente, o 10!</p><p>Havia a matéria de Direito Tributário. Era o meu mais novo</p><p>sofrimento. Como era horrível aquela aula. Normalmente, quando o</p><p>professor começava a falar, eu “sem saco” olhava o relógio em meu</p><p>pulso. Depois de muito tempo, passado apenas na minha cabeça,</p><p>impaciente olhava o relógio de novo. E só haviam passado cinco</p><p>minutos. Meu Deus! Houve um dia, em que esse mesmo professor</p><p>apareceu com as meias trocadas. Uma era azul e a outra era verde.</p><p>Como aquilo me chamou a atenção. Que besteira, “viajei”! No meio</p><p>do meu tormento, uma certa diversão, pensei: o professor acordou</p><p>tarde, saiu correndo para dar sua aula sacal e, para não chegar</p><p>atrasado, pegou o primeiro par de meias que viu em sua frente –</p><p>pensava eu, em uma justificativa para tal acontecimento. Em</p><p>compensação, nas aulas de que gostava, que eram de Direito Penal e</p><p>Direito Civil, eu era um exemplo, um orgulho! Com o passar do</p><p>tempo e as consequências de uma tragédia na família, para mim, só</p><p>havia o interesse em “pegar” o diploma e procurar algo novo para</p><p>fazer.</p><p>A universidade era privada. Uma grana firme. Com o dom musical</p><p>que tinha, juntei o útil ao agradável. Matriculei-me no Corpo</p><p>Artístico da universidade para ganhar bolsa de estudo – consegui</p><p>40% e 70% de desconto em dois períodos. Parecia regime militar o</p><p>Corpo Artístico. Era composto por vários grupos: o coral – onde me</p><p>matriculei –, o teatro, a dança e a produção. Quando havia ensaio</p><p>geral, era terrível, algo como apresentação da Broadway, pois</p><p>ficávamos todos ensaiando passo a passo, de noite e madrugada</p><p>adentro, se preciso fosse. Na vez do teatro e da dança, ficávamos</p><p>esperando tudo dar certo ou se repetir por várias e várias vezes. Foi</p><p>quando saciei minha impaciência com um “game” chamado Apolo!</p><p>Dessa forma, conseguia ficar dentro do estádio, sentada no chão</p><p>duro da arquibancada, aguardando tudo, sem problemas durante</p><p>horas a fio. Virou uma febre entre os membros do Corpo Artístico tal</p><p>game. E passei a carregá-lo para cima e para baixo comigo.</p><p>Tranquei a faculdade por um ano, quando comecei a cantar</p><p>profissionalmente. Não dava para juntar as duas atividades: trabalhar</p><p>de noite e estudar de manhã. Trabalhei duro nessa época. Ganhava</p><p>um dinheiro bom e pagava minhas contas. No ano seguinte, graças à</p><p>firmeza de minha mãe, voltei à faculdade para terminar a graduação.</p><p>Cursei mais dois anos para findar meu curso, obter o diploma e partir</p><p>para concursos.</p><p>Após formada, fiquei cinco anos estudando para realizar provas de</p><p>concurso. Inscrevia-me em várias turmas. Saía de algumas. E minha</p><p>querida mãe dizia: – Você não termina o que começa! Agora</p><p>mesmo, iniciando essa história, estava me dedicando a dois projetos</p><p>ao mesmo tempo – lógico, que não os terminei, pois preciso dar</p><p>prioridade a um deles, no caso o terceiro, que é este e, além disso,</p><p>acabo ficando exausta mentalmente. Passava em todas as provas,</p><p>mas não fazia uma pontuação alta, além de não ter títulos, acabando</p><p>com a chance de ser chamada. Fiz concurso para diversas funções,</p><p>como Oficial de Justiça, Comissário da Infância e da Juventude e, até</p><p>mesmo, para o Desipe. Em todas as provas, logo que pegava o</p><p>gabarito, reparava que havia sempre errado uma ou mais questões</p><p>por pura desatenção. As provas de interpretação textual, então... Uh!</p><p>Eu sempre ia além do que estava escrito. Interpretava mais situações</p><p>do que o próprio autor do texto em questão. Participar desses</p><p>concursos para mim era um verdadeiro cansaço mental e físico.</p><p>Ficava louca de raiva comigo mesma. Sofria, pois era capaz de fazer</p><p>melhor, mas algo me prejudicava. Eu não tinha jeito! Era uma inútil.</p><p>Nunca mais faria nenhuma outra prova.</p><p>Veio a depressão e aliada a essa doença, a síndrome do Pânico.</p><p>Tomei muitos remédios, mas o que me fez melhor, na época, foi</p><p>Fluoxetina. Vivi um pseudonoivado que me trouxe muita tristeza e</p><p>doença. Sentia-me pior, cada vez mais. E não tinha forças para sair</p><p>daquele relacionamento. Tomava Rivotril para dormir e durante as</p><p>crises de ansiedade. E, cada vez, dormia mais tarde, de madrugada.</p><p>Consequentemente, acordava quase ao meio-dia. Não sabia o que</p><p>fazer da minha vida. Não tinha perspectivas. Perdi 10kg. As</p><p>pessoas que me conheciam de muito tempo achavam que eu estava</p><p>com uma doença grave pela perda de peso excessiva. Pedi a Deus</p><p>que me levasse embora, para seu lado e acabasse com aquele meu</p><p>sofrimento.</p><p>Quando minha mãe descobriu que tinha um tumor no intestino,</p><p>fiquei muito abalada. Parecia que o chão em que pisava tinha sido</p><p>suspenso. Ela era tudo para mim. A pessoa que mais amava no</p><p>mundo. Era minha mãe, pai, amiga, santa, banco, tudo... Minha mãe</p><p>era meu porto seguro, metade de minha felicidade. Eu era muito</p><p>grudada com ela. Precisei procurar uma psicóloga para desabafar</p><p>toda a agonia e medo que sentia. Dentre algumas das sessões,</p><p>comentei sobre minha dificuldade em concentração em meu</p><p>período acadêmico, minhas crises de ansiedade e relatei alguns</p><p>fatos que demonstravam minha impaciência e, até mesmo,</p><p>impulsividade. Na época, ela afirmou que, provavelmente, eu</p><p>deveria ter o que chamavam de DDA – Distúrbio do Deficit de</p><p>Atenção. Agora, tratado como TDAH por alguns autores, de forma a</p><p>englobar a hiperatividade. Lembro-me bem de que a profissional</p><p>relatou ser um transtorno que ocorre, geralmente, em pessoas muito</p><p>inteligentes, mas que poderia prejudicar bastante as mesmas.</p><p>Hoje, preenchendo os critérios diagnósticos do Manual</p><p>Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), percebo</p><p>que me encaixo no tipo combinado – desantento e</p><p>hiperativo/impulsivo. Senti-me tão aliviada! Saí dali, com uma</p><p>esperança. Pensei que, logo que minha mãe ficasse bem, procuraria</p><p>ajuda para controlar esse distúrbio.</p><p>Infelizmente, depois de um ano de luta, minha mãe faleceu. Por</p><p>sorte, tive ao meu lado, o homem que hoje é meu marido, que amo</p><p>muito e que se tornou meu novo porto seguro e pai do meu filho.</p><p>Passei, ainda, alguns anos com depressão e pânico. E, em virtude da</p><p>depressão e do pânico, deixei de viver. Não participava de eventos</p><p>de tipo algum. Muitas vezes, fazia tentativas, sem final feliz. Perdi</p><p>muito tempo de minha vida. Não desejo a ninguém. Até quando fui</p><p>à consulta com um neurologista que me passou uma fórmula</p><p>mágica: Escitalopram! E minha vida melhorou consideravelmente!</p><p>Já cursava a segunda graduação – Pedagogia. Levei quase dois</p><p>anos para me matricular. Estava com medo de tantas coisas... Voltar a</p><p>estudar? Com certeza, era o correto a ser feito, mas seria mais um</p><p>tempo de sofrimento, em virtude das dificuldades que relatei</p><p>anteriormente – era o que eu pensava. E, na Pedagogia, encontrei-</p><p>me. Após a graduação e a pós-graduação em Orientação</p><p>Educacional, procurei Psicopedagogia, mas só havia matrícula para o</p><p>curso de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Na</p><p>mesma hora, pensei, por que não? Existe a inclusão escolar e gosto</p><p>muito de crianças, independentemente de suas necessidades.</p><p>Lembrei-me da filha da minha vizinha e amiga, R., que, ao nascer,</p><p>sofreu uma Paralisia Cerebral e teve sequelas significativas, fazendo</p><p>com que não pudesse falar, andar, bem como se expressar. R.</p><p>gostava tanto de mim! Sabia disso, pois sua alegria ao me ver era</p><p>radiante. E eu me dava tão bem com ela!</p><p>Sem querer parar de estudar por aprender a estudar e a gostar</p><p>de estudar, “construí” técnicas para o mesmo. Para compensar o</p><p>ingresso atrasado nessa nova carreira, ao final de um curso, iniciei</p><p>outro e outro, sempre me aprimorando nas áreas de que gosto. Já</p><p>estava na terceira especialização – Educação Especial com Ênfase em</p><p>Autismo – e, cada vez mais, entendia o que era o TDAH. Nesse</p><p>momento, estou terminando a quinta e com o desejo de realizar o</p><p>mestrado...</p><p>Novamente, prestei concurso, duas vezes, na área da Pedagogia. E,</p><p>no segundo, passei em 15º lugar no Estado do Rio de Janeiro, sendo</p><p>chamada para atuar no Ensino Médio Normal – uma nova</p><p>oportunidade. Parecia um milagre! Foi fruto de uma boa graduação e</p><p>um ano estudando algumas horas diárias. Confesso que não eram</p><p>muitas. Não conseguia permanecer muito tempo sentada,</p><p>estudando, focada no mesmo assunto. Um pouco de manhã e o</p><p>outro pouco de tarde! Muita pausa para beber água e ir ao banheiro.</p><p>Um cafezinho e outro. Beliscar algo, assaltar a geladeira. Assistir ao</p><p>jornal de meio-dia e a reprise da novela. Fazer alguma tarefa de casa.</p><p>E estudar matéria diferente.</p><p>Pela minha dificuldade com a rotina – o que de certa forma me</p><p>causa um cansaço mental sério – escolhi o cargo de 16h, uma vez</p><p>que nunca consegui me imaginar, durante todos os dias da semana,</p><p>no mesmo local, em volta das mesmas pessoas, fazendo o mesmo</p><p>trabalho. A música me proporcionou mais essa felicidade. Cada dia</p><p>da semana, apresentávamo-nos em um bar diferente, público</p><p>diferente, pedidos diferentes. E festas ou viagens aconteciam</p><p>modificando/surpreendendo nossa vida (ou pelo menos a minha). O</p><p>espírito aventureiro – que mais tarde será comentado aqui – me</p><p>causava alegria, paixão e energia para “ir aonde o povo está”.</p><p>Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol. Tenho comigo as lembranças do que</p><p>eu era. Para cantar nada era longe, tudo tão bom... Té a estrada de terra na boleia de</p><p>caminhão, era sim. (Milton Nascimento)</p><p>De qualquer forma, minha mãe sentiria tanto orgulho de mim.</p><p>Aquela menina boba e tímida, com dificuldades de aprendizagem,</p><p>que dizia querer largar a escola, a faculdade, agora tem duas</p><p>graduações e cinco especializações, além de um livro publicado</p><p>sobre Autismo – assunto que amo – e artigos publicados na Revista</p><p>Educação Pública e no jornal Folha Dirigida, Caderno de Educação e</p><p>outras revistas. Devo a ela em parte, e outra parte ao meu marido</p><p>que tanto me apoia! Parando para pensar, posso dizer que minha</p><p>mãe desempenhou bem o papel da Ritalina em minha vida! Sem</p><p>brincadeiras, a seriedade da educação que recebi fez com que,</p><p>muitas vezes, eu tivesse a obrigação e a capacidade de me controlar</p><p>e deixar de cometer algumas bobagens, fosse por impulso,</p><p>impaciência ou por infantilidade. Foi-me cobrada uma postura</p><p>elegante e correta de agir, onde estivesse, com quem estivesse.</p><p>Ainda sofro com desatenção, impaciência, impulsividade... Não</p><p>curto ir ao cinema, como já falei anteriormente, pois ficar muito</p><p>tempo parada não me agrada, a não ser que seja para assistir a um</p><p>filme que eu esteja muito interessada. E televisão? Luiz, meu marido,</p><p>que o diga: – “Senta para assistir ao filme! Para de mexer no</p><p>whatsapp. Relaxa! Pensa nisso em outra hora”! Andar de avião,</p><p>também não é das melhores opções para mim. Tomo um calmante e</p><p>nem sequer assim consigo dormir durante o voo. E, vire e mexe,</p><p>solto uma pérola com meu marido, principalmente, quando nos</p><p>desentendemos. – “Você parece uma adolescente, fala sem pensar!”</p><p>– diz Luiz.</p><p>Algumas vezes, durante os cursos de graduação e pós-graduação,</p><p>apesar de ser diagnosticada com o DDA, era a primeira aluna a</p><p>responder corretamente a algumas perguntas dos professores.</p><p>Lógico, quando o assunto me interessava! Sendo assim, o foco de</p><p>atenção e concentração eram grandes, já que era estimulada pelo</p><p>sentimento de motivação – força intrínseca ao ser humano. Na</p><p>faculdade, duas ou três colegas chamavam-me de cabeçuda! Quem</p><p>diria?</p><p>A paixão por escrever, o amor pela Pedagogia e o querer ajudar o</p><p>próximo, além de criar, ajudaram-me a trabalhar em diversas</p><p>monografias para dar socorro a algumas colegas de turma. Sempre</p><p>redijo com gana e facilidade, orientando diversos trabalhos,</p><p>auxiliando em alguns capítulos, ou fazendo revisões gramaticais e</p><p>textuais – um “help” para alguém “desesperado”. O escrever me faz</p><p>bem. Tenho essa vocação.</p><p>Em relação à mente viajante, inquieta, que não descansa, devo</p><p>confessar que, muitas vezes, ao conversar com alguém desagradável</p><p>ou desinteressante, minha cabeça sai de prumo. A pessoa fala</p><p>comigo enquanto eu olho para ela e fico imaginando: o porquê de</p><p>ela estar me contando toda aquela história; como será sua vida</p><p>q</p><p>pessoal; será que tem alguma atividade profissional; será que não</p><p>percebe que não está agradando etc. etc. etc.</p><p>E como canta Adriana Calcanhoto, “cariocas não gostam de sinal</p><p>fechado”. Nem eu! No amarelo, acelero para não ficar presa no</p><p>vermelho. Sinto como se fosse uma grande perda de tempo estar</p><p>parada naquele lugar. E logo que abre, mas o carro da frente não sai</p><p>do lugar, disparo a mão na buzina. Esperar que o próximo vá adiante</p><p>pode ser algo muito irritante.</p><p>O balançar de pés e de cochas – síndrome das pernas inquietas –</p><p>confesso, que, ultimamente, é menos frequente. Assim, também</p><p>escrever em Libras nomes diferentes que surgem da televisão – coisa</p><p>de maluco! E o mexe e remexe na cama parece ter diminuído</p><p>também, uma vez que, até chutes e joelhadas, costumava dar na</p><p>parede de meu quarto, sonhando. Assim, também o falar durante o</p><p>sono. Não era raro acordar de madrugada falando, brigando ou</p><p>chorando. Como não falar em hiperatividade mental?</p><p>Nos últimos tempos, o esquecimento é mais um item na coleção</p><p>do meu TDAH. Tenho de anotar tudo o que é para fazer e resolver,</p><p>além disso, certas palavras custam a voltar à mente. Fica um branco!</p><p>Há pouco tempo, em um dia normal de trabalho, minha Diretora C.</p><p>me parou no corredor e pediu-me que eu descesse com a turma por</p><p>volta de 13h30, pois haveria uma palestra cujo assunto seria sobre as</p><p>novas bases curriculares. Eu cheguei à sala, avisei à turma que</p><p>desceríamos, mas não consegui lembrar, de jeito algum, sobre qual</p><p>tema seria a bendita palestra. Por isso, tenho sempre um caderninho</p><p>e uma caneta na bolsa.</p><p>Também a classificação de estabanada me cai bem. Já senti</p><p>vergonha em pegar algo de alguém e deixar cair. E olha que eu</p><p>tenho mais carinho com o material dos outros do que com o meu.</p><p>No início das aulas, quase morri de vergonha. Fui ajudar minha</p><p>diretora a pendurar os diplomas emoldurados do colégio onde</p><p>trabalho e deixei um deles cair no chão, quebrando o vidro do</p><p>mesmo. Minha sorte é que ela não esquentou a cabeça e me deixou</p><p>mais tranquila. No entanto, nunca mais, esquecerei o ocorrido. Além</p><p>disso, batidas em portas, ao pé da cama e outros pequenos</p><p>p p p q</p><p>acidentes com meu próprio corpo são frequentes em meu cotidiano.</p><p>Mais uma vez, afirmo que manchas roxas convivem comigo.</p><p>Por fim, bem ou mal, aprendi a conviver com tal problema. E, hoje,</p><p>quando conto para as pessoas que tenho o TDAH, síndrome do</p><p>Pânico e Depressão, elas não acreditam, pois me veem tão calma!</p><p>Comecei a contar trechos da minha história por achar relevante</p><p>para todos os leitores, uma vez que descrevo alguns aspectos</p><p>importantes, tais como: a presença dos sinais desde a infância; a</p><p>percepção de minha mãe para algumas características, contrariando</p><p>a ausência de conhecimento sobre o transtorno; e o fato de a criança</p><p>com TDAH ser um adulto com TDAH, com sintomas, algumas vezes,</p><p>amenizados, mas ainda presentes. Quero, também, chamar a atenção</p><p>para as características que o adulto tem como as que eu tive:</p><p>depressão, síndrome do Pânico, necessidade de uso de remédios,</p><p>dentre outras mais sérias que serão abordadas futuramente neste</p><p>livro e que, graças a Deus e à minha mãe, escapei.</p><p>Dessa forma, surgem outros capítulos descrevendo o</p><p>TRANSTORNO DO DEFICIT DE ATENÇÃO POR HIPERATIVIDADE –</p><p>parceiro meu!</p><p>Quem nunca ouviu frases, tais como: “Esse menino parece ter</p><p>bicho carpinteiro”, “Não para quieto”, “Sossega?”. Dentro de sala de</p><p>aula, ainda são comumente utilizadas.</p><p>No entanto, desatenção, hiperatividade e impulsividade</p><p>formam a tríade sintomatológica do Transtorno do Deficit de</p><p>Atenção/Hiperatividade – TDAH, que afeta cerca de 5% da</p><p>população em idade escolar e 2,5% em idade adulta (DSM-5, 2014).</p><p>É classificado pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos</p><p>Mentais – 5 (DSM-5) como um transtorno de neurodesenvolvimento</p><p>(APA, 2014).</p><p>2.1. CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS</p><p>Inicia-se precocemente, ocorrendo sintomas comportamentais</p><p>antes ou paralelamente ao começo da escolarização. No entanto,</p><p>torna-se mais perceptível quando a criança ingressa no primeiro ano</p><p>do Ensino Fundamental, cujas demandas são mais complexas. Além</p><p>disso, apresenta dificuldades quanto ao comportamento em sala de</p><p>aula. Em relação à leitura e à Matemática, tornam-se visíveis os</p><p>embaraços (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>Erroneamente, 20% a 30% dos casos de TDAH são diagnosticados</p><p>como Transtornos de Aprendizagem, devido às más consequências</p><p>causadas academicamente aos “indivíduos com TDAH”. Cerca de até</p><p>80% desses indivíduos sofrem com problemas de aprendizagem</p><p>durante sua vida escolar. Repetência de anos e evasão escolar,</p><p>infelizmente, são frequentes (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>Entre os principais distúrbios que prejudicam a aprendizagem</p><p>escolar, o TDAH está em segundo lugar, com uma margem de</p><p>prevalência de 5 a 15% de casos, perdendo para os transtornos</p><p>visuais, conforme aponta Araújo (2002).</p><p>Devemos afirmar que, em média, crianças com TDAH possuem</p><p>funcionamento intelectual normal (DUPAUL e STONER, 2007). O</p><p>psiquiatra Dale Archer (2013) afirma ter sido uma bênção a menção</p><p>do transtorno no DSM. Dessa forma, alguns pais puderam acreditar</p><p>que seus filhos não são “burros”, apenas, têm um “desequilíbrio</p><p>químico no cérebro”, o que torna mais difícil seguir padrões</p><p>impostos pela sociedade.</p><p>A professora Campbell (2009) afirma que alunos com TDAH</p><p>quando se interessam por matéria e conteúdo trabalhados podem</p><p>apresentar excelentes resultados.</p><p>Ainda não foi descrita uma causa única para o aparecimento do</p><p>TDAH. Seus sintomas podem ser consequências de vários</p><p>mecanismos internos, como fatores neurobiológicos e</p><p>hereditariedade (DUPAUL e STONER, 2007). O DSM-5 faz uma</p><p>pequena menção aos fatores externos, advertindo que estes não</p><p>causam TDAH. No entanto, é bom lembrar que as interações</p><p>familiares nos primeiros anos de vida podem contribuir para os</p><p>problemas de conduta, aproximando o comportamento da criança</p><p>ao quadro de tal transtorno. Mesmo assim, Haddad (2013) considera</p><p>um transtorno biopsicossocial, pois não se deve separar a genética</p><p>do meio em que o indivíduo vive, nem de seu psicológico.</p><p>Diversos estudos afirmam que indivíduos com TDAH sofrem com</p><p>alterações na região frontal do cérebro e em seus</p><p>neurotransmissores (dopamina e norepinefrina). Portanto, suas</p><p>conexões funcionam de forma diferenciada, havendo menor controle</p><p>sobre as funções superiores – pensamento, organização,</p><p>comparação, classificação, análise... (ABDA, 2013).</p><p>O TDAH causa um prejuízo no “mecanismo de inibição do</p><p>comportamento”, o que interfere de forma negativa no</p><p>gerenciamento das ações superiores, anteriormente mencionadas,</p><p>tornando o indivíduo incapaz de agir da forma esperada para sua</p><p>idade, o que, consequentemente, lhe causa danos significativos</p><p>(GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>A genética é apontada como maior probabilidade do transtorno</p><p>(CORNACHINI). “É muito comum crianças com TDAH serem filhas de</p><p>pais com TDAH” (SIMAIA e FREITAS, 2011). Pesquisas observam</p><p>maior ocorrência de TDAH entre parentes (biológicos) de primeiro</p><p>grau e entre gêmeos monozigóticos (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>O baixo peso à época do nascimento (menos de 1.500 gramas)</p><p>pode ser um pequeno risco para a criança desenvolvê-lo, assim</p><p>como deficiências nutricionais. Deficiências sensoriais (visão e</p><p>audição), epilepsia, transtorno do sono e anormalidades no</p><p>metabolismo podem ser considerados gatilhos para o TDAH.</p><p>Pesquisas recentes confirmam uma forte relação entre tabagismo</p><p>materno, durante a gravidez, e TDAH (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>Fatores ambientais, como abuso infantil, colocação em diversos</p><p>lares adotivos e negligência, também são vistos como riscos para a</p><p>gravidade do transtorno (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>Alguns sinais neurológicos leves, como atrasos motores brandos,</p><p>podem ocorrer ao indivíduo com o mesmo transtorno (APA, 2014).</p><p>DuPaul e Stoner (2007) apontam para défices na linguagem</p><p>expressiva, na coordenação motora ampla e fina, na solução de</p><p>problemas e habilidades quanto às organizações – o que não</p><p>constitui regra.</p><p>Aproximadamente 70% do total de casos prevalecem na idade</p><p>adulta (SILVA, 2009). Calliman (2010) informa que na década de 80,</p><p>os especialistas passaram a considerar a ocorrência do mesmo</p><p>transtorno em adultos, visto que, até então, só o observavam em</p><p>crianças.</p><p>Ainda não existem exames físicos que possam identificar o TDAH.</p><p>É preciso que haja uma consulta clínica com um profissional</p><p>experiente – neuropediatra ou psiquiatra infantil – e exista uma</p><p>interação entre estes profissionais aliados a psicólogos e</p><p>psicopedagogos. Escalas e testes psicológicos e neuropsicológicos</p><p>auxiliam a identificação (GRAEF e VAZ, 2008). Relatórios escolares</p><p>são de extrema importância para ambos os profissionais.</p><p>Eletroencefalogramas com aumento de ondas lentas, volume</p><p>encefálico total reduzido visível em ressonância magnética podem</p><p>ser percebidos em indivíduos com o transtorno, mas não são</p><p>considerados marcadores biológicos (DSM – V, 2014).</p><p>Dificuldades em se concentrar em um assunto específico, em</p><p>organizar seu material e seu tempo,</p><p>em seguir instruções</p><p>complexas, além da fácil distração e dos esquecimentos são</p><p>particularidades da desatenção (TEIXEIRA, 2013).</p><p>Não permanecer sentado ou parado quando preciso, dedicar-se a</p><p>mais de uma atividade e não terminá-las ou executá-las sem</p><p>qualidade, apresentar agitação motora, fala em demasia e em</p><p>volume alto constituem a hiperatividade (TEIXEIRA, 2013).</p><p>Responder a perguntas antes que as mesmas sejam</p><p>completadas e se intrometer em assuntos paralelos caracterizam</p><p>a impulsividade (TEIXEIRA, 2013).</p><p>São crianças, jovens ou adultos que sofrem ao serem frustrados,</p><p>“sonham” acordados, trocam diversas vezes de atividades e</p><p>possuem dificuldades significativas quanto à organização de</p><p>seus pertences e seu tempo (GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>Podem, também, ter problemas de socialização entre seus pares,</p><p>por não assimilarem regras e limites, em virtude da desatenção – o</p><p>que causa certo desconforto a todos os envolvidos.</p><p>É preciso deixar claro que o indivíduo que “possui” o transtorno</p><p>não necessariamente apresenta défice intelectual. Sua desatenção é</p><p>o que lhe prejudica academicamente (SIMAIA e FREITAS, 2011). Uma</p><p>vez sem prestar atenção no que está sendo ensinado, não será</p><p>possível imitar, compreender, aprender, assimilar. A prática escolar</p><p>que utiliza metodologias diferenciadas, portanto, é de extrema</p><p>importância para minimizar tal quadro, melhorando o desempenho</p><p>acadêmico.</p><p>A professora Campbell (2009) nos lembra que a desatenção pode</p><p>ocorrer em algumas pessoas pelo fato de as mesmas terem o</p><p>costume de pensar em diversas coisas diferentes, ao mesmo tempo.</p><p>Portanto, não registram a situação vivida naquele momento ou só</p><p>percebem alguns detalhes de então.</p><p>Défice ao atender aos detalhes. Compreendem melhor o todo,</p><p>processando as informações de forma mais lenta (HADDAD, 2013).</p><p>Cometem descuidos em estudos e trabalhos. Têm dificuldades para</p><p>prestar atenção, até mesmo em atividades lúdicas e tarefas diversas.</p><p>Não obedecer a comandos, distração fácil, problemas quanto à</p><p>organização de seus afazeres, esquecimentos são “complementos”</p><p>ao quadro de desatenção (GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>É importante ressaltar o que afirma Dra. Silva (2009): todo</p><p>indivíduo com TDAH jamais deixará de apresentar a desatenção. No</p><p>entanto, quando se trata de algo de seu extremo interesse ou uma</p><p>novidade estimulante, o indivíduo com TDAH tem capacidade de</p><p>foco e concentração altíssimo, gerando, logo, a compreensão do</p><p>assunto e de novas ideias – uma ironia ao nome deficit de atenção</p><p>(SILVA, 2009). O que pode confundir o especialista e gerar um</p><p>diagnóstico incorreto (GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>A hiperatividade física torna mais nítida a presença de algo</p><p>diferente no comportamento do indivíduo. Muitos pais e/ou</p><p>professores percebem a hiperatividade como principal sintoma de</p><p>que algo está errado. A mesma é caracterizada como uma</p><p>inquietação motora e agressiva (GRAEF e VAZ, 2008). Existe uma</p><p>forte correlação entre hiperatividade e agressividade. Desobedecer</p><p>ou desafiar autoridades, como pais e professores, não controlar seu</p><p>p p</p><p>temperamento e “praticar” discussões de forma hostil são</p><p>características dessa “bivalência” (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>Não permanecer sentado por muito tempo, trocar de ambientes</p><p>constantemente, não se fixar em uma atividade por tempo maior,</p><p>balançar pernas, falar constantemente e em volume alto, mexer em</p><p>diversos objetos e derrubá-los e escalar móveis são alguns sinais de</p><p>hiperatividade física. Costumam brincar de forma bem agitada e</p><p>correm bastante (SILVA, 2009). Quando crianças pequenas, são</p><p>mandonas e barulhentas (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>DuPaul e Stoner (2007) acrescentam à hiperatividade: batuques</p><p>com os dedos, batidas de pés ritmadas e brincadeiras com objetos</p><p>inapropriados, como, por exemplo, os lápis negros de escrever</p><p>utilizados como baquetas.</p><p>Alguns indivíduos podem “dissimular” sua hiperatividade quando</p><p>perante situações novas, fascinantes ou assustadoras ou a sós com</p><p>alguém diferente – por exemplo, na presença de um terapeuta</p><p>(GRAEF e VAZ, 2008). Sendo assim, ocorre um prejuízo na</p><p>observação dos mesmos, não chegando a uma conclusão próxima à</p><p>realidade. O doutor em Neurologia, José S. Schwartzman, relata que</p><p>muitas das crianças inquietas e hiperativas podem apresentar quadro</p><p>contrário quando expostas ao profissional da área da saúde,</p><p>dificultando um diagnóstico.</p><p>Enquanto a hiperatividade mental, a que pouco observamos,</p><p>consiste em uma agitação mental, com abstrações variadas,</p><p>pensamentos rápidos, inteligência de mediana a alta, concorrendo à</p><p>impulsividade, ocasionando em muitos indivíduos a terrível insônia!</p><p>Por essa perturbação mental, é comum vermos alguns adultos com</p><p>TDAH mudarem de assunto com grande facilidade, antes que o</p><p>mesmo seja encerrado (SILVA, 2009).</p><p>Essa agitação cerebral muitas vezes causa o cansaço mental, a</p><p>exaustão, uma grande fadiga, o que, para muitos, pode ser visto e</p><p>entendido como pura preguiça.</p><p>A impulsividade ocorre com o falar e o agir sem pensar. A criança</p><p>ou o adulto tem respostas e comportamentos para tudo e não</p><p>espera que o parceiro do diálogo termine. Tem dificuldade em</p><p>aceitar turnos – a sua vez e a vez do outro. Intromete-se na conversa</p><p>alheia. Responde a perguntas sem que as mesmas sejam finalizadas.</p><p>Filas de espera podem ser um tormento. Consequentemente, não</p><p>obedece a regras, visto que a impulsividade não permite que espere,</p><p>reflita e aja com o comportamento socialmente esperado (SIMAIA e</p><p>FREITAS, 2011).</p><p>Graef e Vaz (2008) chamam a atenção para os riscos quanto à</p><p>socialização e quanto à integridade física do indivíduo com o</p><p>transtorno e, até mesmo, daqueles que se encontram ao seu redor.</p><p>Uma vez impulsivos, não agindo com racionalidade, não medem as</p><p>consequências de brincadeiras, respostas, ironias e atitudes. Casos</p><p>de agressão de indivíduos com TDAH, quando frustrados, são mais</p><p>comuns do que pensamos, em virtude da impulsividade – o agir</p><p>sem pensar. Tornam-se, no exato momento, agressivos e, após o fato</p><p>decorrido, podem se sentir, extremamente, arrependidos e mal com</p><p>tal situação.</p><p>Dentro de sala de aula, podem ser inconvenientes, pois</p><p>interrompem o professor diversas vezes, não permitindo que o</p><p>mesmo desenvolva seu raciocínio e ajude os outros alunos. Também</p><p>atrapalham os colegas, distraindo-os, não propositadamente, mas de</p><p>forma negativa com seu comportamento agitado ou conversando</p><p>com os mesmos em horas inadequadas.</p><p>Durante as atividades propostas e as provas, cometem erros</p><p>bobos por responderem às perguntas sem antes lerem os</p><p>enunciados e textos inteiros, calmamente. Sendo assim, não</p><p>percebem o que é pedido em tais atividades (GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>Um dos motivos que aconselho aos professores utilizarem pequenos</p><p>textos e recorrerem, quando textos maiores, a “quebra” dos mesmos,</p><p>intercalando as questões – o que será colocado em capítulo adiante</p><p>– tanto para interpretação quanto para enunciados (ROMERO, 2016).</p><p>É interessante afirmar mais uma vez que alguns psiquiatras</p><p>consideram a hiperatividade não necessariamente sempre motora,</p><p>uma vez que a inquietação mental também constitui tal agitação</p><p>(TEIXEIRA, 2013; SILVA, 2009). A psiquiatra Ana Beatriz B. Silva (2009)</p><p>p q</p><p>afirma: “O TDAH se caracteriza por três sintomas básicos:</p><p>desatenção, impulsividade, hiperatividade física e mental”.</p><p>O filósofo e médico Henry Wallon, conhecido na área da Educação</p><p>como “Pai da Psicomotricidade”, afirma que o ato mental, ao longo</p><p>de anos, começa a inibir o motor, sem deixar de ser atividade</p><p>corpórea. O que nos faz entender que a agitação motora é maior na</p><p>infância (BUENO, 2013). Haddad (2013) complementa afirmando que,</p><p>ao diminuir a hiperatividade, a desatenção demonstra-se como o</p><p>“núcleo comum do transtorno”.</p><p>O acometimento do transtorno existe na proporção de dois</p><p>meninos para uma menina, na infância e 1,6 homem para uma</p><p>mulher, quando adultos. No sexo masculino, a intranquilidade</p><p>corporal (hiperatividade) é mais acentuada. No sexo feminino, a</p><p>desatenção prevalece (APA, 2014). No entanto, alguns profissionais</p><p>da saúde questionam tal comparação, uma vez que, no sexo</p><p>feminino,</p><p>não existem muitos relatos, o que chama a atenção para a</p><p>concisão do diagnóstico. As meninas são deixadas de lado por essa</p><p>ausência, mas a desatenção predomina, o que pode caracterizar o</p><p>transtorno, havendo um exame clínico bem elaborado para as</p><p>mesmas (SILVA, 2009). Isto é mais um fato importante para os</p><p>profissionais da Educação.</p><p>Esse “mascaramento” do transtorno em meninas deve ser muito</p><p>bem avaliado, pois as mesmas podem ter défices de aprendizagem e</p><p>prejuízos sociais tanto ou mais que os meninos; como as dificuldades</p><p>que eu tive na escola, referente aos estudos.</p><p>Os três principais sintomas não precisam estar ao mesmo tempo</p><p>presentes, mas devem ocorrer em mais de um ambiente (casa,</p><p>escola, trabalho), há mais de seis meses. É preciso afirmar que os</p><p>mesmos sintomas podem variar em contextos diferentes.</p><p>Recompensas, supervisão, situações novas e estímulos externos</p><p>podem amenizar ou eliminar certas características (APA, 2014).</p><p>É mais comum perceber tais sintomas na época em que a criança</p><p>está entrando no Ensino Fundamental – por volta dos seis anos de</p><p>idade –, pois as exigências são maiores, assim como os conteúdos</p><p>trabalhados. Algumas escolas introduzem o uso do lápis negro,</p><p>borracha e caderno e exigem uma boa caligrafia. Infelizmente, em</p><p>pleno século XXI, ainda existem escolas que insistem na letra cursiva,</p><p>obrigando os pequenos a desenvolvê-la sem medir o tamanho da</p><p>tortura! Nesse período, tendem a aparecer as dificuldades de</p><p>aprendizagem – causadas pela hiperatividade e desatenção.</p><p>As autoras Simaia e Freitas (2011) alertam que tais sintomas –</p><p>hiperatividade, desatenção e impulsividade – quando aparecem após</p><p>os 12 anos de idade, não configuram o TDAH, mas, sim, conflitos</p><p>emocionais e sociais. Também nos orientam para uma análise da</p><p>situação de vida daquele adolescente¹ quanto aos fatores ambientais</p><p>vividos: lares violentos, pais abusivos ou excessivamente permissivos,</p><p>escolas autoritárias, ausência de amigos no seu entorno, estes</p><p>podem contribuir para um desequilíbrio emocional. Um alerta para</p><p>prestarmos atenção ao que se passa ao redor do adolescente.</p><p>Devemos aproveitar o momento de alerta para mencionar o</p><p>crescimento de uma tragédia denominada suicídio. O Ministério da</p><p>Saúde chama a atenção para os números alarmantes: no mundo, são</p><p>800 mil pessoas que tiram a própria vida a cada ano e, dentre os</p><p>jovens de 15 a 29 anos, essa é a maior causa de mortes; no Brasil, a</p><p>média é de 11 mil pessoas por ano, sendo a quarta causa de morte</p><p>entre os jovens de 15 a 29 anos.</p><p>Tal transtorno é classificado em três subtipos pelo Manual de</p><p>Diagnóstico de Doenças Mentais, 5ª edição (DSM-5): combinado;</p><p>predominantemente desatento; predominantemente hiperativo-</p><p>impulsivo. Conforme o mesmo manual, determina-se o subtipo em:</p><p>• Combinado – se ambos os critérios A1/desatenção e</p><p>A2/hiperatividade-impulsividade são preenchidos nos últimos</p><p>seis meses.</p><p>• Predominantemente desatento – se o critério A1/desatenção é</p><p>preenchido nos últimos seis meses.</p><p>• Predominantemente hiperativo-impulsivo – se o critério A2/</p><p>hiperatividade-impulsividade é preenchido nos últimos seis</p><p>meses.</p><p>DuPaul e Stoner (2007) afirmam que indivíduos com o subtipo</p><p>predominantemente desatento sofrem mais com problemas</p><p>relacionados à “recuperação de memória e velocidade perceptual-</p><p>motora”; pessoas com o subtipo combinado são mais propensas ao</p><p>Transtorno de Conduta e Transtorno Opositivo-Desafiador.</p><p>Portanto, podemos afirmar que os subtipos apresentam diferenças</p><p>entre as suas associações ou comorbidades, o que, de certa forma,</p><p>causa diversidade também entre a resposta do tratamento e o prazo</p><p>para tal (DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>O mesmo documento afirma que TDAH “é um padrão persistente</p><p>de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no</p><p>funcionamento ou desenvolvimento” do indivíduo que o tem.</p><p>Qualifica a desatenção como dificuldade de manter a concentração,</p><p>além de problemas quanto à organização, ausência de persistência e</p><p>divagação em tarefas. Desatenção que pode estar relacionada a um</p><p>outro estímulo, uma novidade ou predileção por atividades mais</p><p>agradáveis.</p><p>A hiperatividade trata de atividade motora em excesso e fala em</p><p>demasia. E a impulsividade é caracterizada por intromissões sociais</p><p>e ações precipitadas, sem qualquer tipo de planejamento, como uma</p><p>ação instintiva (APA, 2014).</p><p>Ainda com apresentação do subtipo combinado, o Transtorno da</p><p>Conduta aparece em crianças como adolescentes. Transtornos de</p><p>ansiedade, Transtornos Depressivo Maior, da Personalidade</p><p>Antissocial, Obsessivo-Compulsivo, de Tique e de Espectro Autístico</p><p>também são comórbidos ao TDAH (APA, 2014).</p><p>Portanto, devemos chamar a atenção para o fato de perceber</p><p>mudanças de humor acontecendo em um mesmo dia em crianças</p><p>com TDAH (APA, 2014).</p><p>Com o subtipo combinado, é possível afirmar que crianças</p><p>pequenas sofrem mais acidentes e precisam de intervenções médicas</p><p>por mais vezes devido a ferimentos e envenenamentos acidentais</p><p>(DUPAUL e STONER, 2007).</p><p>Infelizmente, algumas pessoas ainda duvidam da existência do</p><p>TDAH, anteriormente, denominado de DDA, como mencionado em</p><p>relato. No entanto, o mesmo é comprovado e reconhecido por</p><p>diversos países e pela Organização Mundial de Saúde. Estados</p><p>Unidos é um país que protege o “portador” de tal distúrbio com leis</p><p>durante seu processo de escolarização (ABDA, 2016). Aqui no Brasil,</p><p>sabemos que os mesmos alunos devem receber todo cuidado e</p><p>atenção de seus professores, e estamos caminhando para uma maior</p><p>legislação voltada especificamente para o TDAH. Por isso,</p><p>recorremos à Resolução n.º 2, CNE/CEB, de 2001, artigo 5º, que</p><p>qualifica alunos com necessidades educacionais especiais, sendo</p><p>aqueles que, durante o processo educacional, apresentam: I –</p><p>dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no</p><p>processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento</p><p>das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos: b)</p><p>aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou</p><p>deficiências (grifo nosso).</p><p>Felizmente, ao final do ano de 2018, foi sancionada a Lei n.º 8.192</p><p>que obriga as escolas públicas e privadas, em todo estado do Rio de</p><p>Janeiro, a disponibilizarem assentos aos alunos com TDAH nas</p><p>primeiras fileiras em sala de aula. Também assegura o direito de</p><p>realizar diversas adaptações quanto as avaliações pedagógicas que</p><p>os alunos participam. Para ambas as conquistas, torna-se necessário</p><p>a apresentação de laudo médico que comprove o transtorno.</p><p>A primeira pesquisa divulgada sobre TDAH data de 1798, pelo</p><p>médico escocês Alexander Crichton, analisando características de</p><p>desatenção em algumas crianças (GRAEF e VAZ, 2008).</p><p>Anos mais tarde, enquanto se passava por um “defeito do</p><p>controle moral” – uma das primeiras descrições médicas sobre um</p><p>transtorno descrito bem próximo ao TDAH dos dias atuais – em</p><p>1902, o pediatra inglês, George Still foi um dos primeiros</p><p>especialistas a realizar conferências sobre o mesmo transtorno,</p><p>intituladas como Algumas Condições Psíquicas Anormais em</p><p>Crianças. Still comentava se tratar de uma condição resultante de:</p><p>um “defeito da função inibitória da vontade” – sendo somente a</p><p>punição ineficaz à repetição de tais comportamentos – havendo</p><p>agressividade e desafio comumente associados, desatenção,</p><p>hiperatividade, com o intelecto preservado. O mesmo variava de</p><p>criança para criança (CALIMAN, 2010).</p><p>Em suas primeiras pesquisas, Still percebeu que, nas famílias das</p><p>crianças afetadas pelo “desvio moral”, havia parentes que padeciam</p><p>de epilepsia e alcoolismo, alguns suicidas e outros designados como</p><p>mentalmente fracos. A fisiologia da cabeça também foi analisada,</p><p>constatando-se haver um perímetro maior do crânio (CALIMAN,</p><p>2010).</p><p>Caliman (2010) afirma que as descobertas de George Still não</p><p>fazem parte da “história oficial” do TDAH. Talvez, porque Still tenha</p><p>deixado de lado, tempos depois, os primeiros sintomas percebidos –</p><p>desatenção e hiperatividade – dando ênfase aos comportamentos</p><p>mais graves, que, hoje, conhecemos como Transtornos de Conduta –</p><p>comorbidade ao TDAH.</p><p>Em 1957, recebe o nome</p>

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