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<p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>AJUDÂNCIA-GERAL</p><p>SEPARATA</p><p>DO</p><p>BGPM</p><p>Nº 94</p><p>BELO HORIZONTE, 15 DE DEZEMBRO DE 2011</p><p>Para conhecimento da Polícia Militar de Minas</p><p>Gerais e devida execução, publica-se o</p><p>seguinte:</p><p>MANUAL DE</p><p>ARMAMENTO</p><p>CONVENCIONAL</p><p>MANUAL DE</p><p>ARMAMENTO</p><p>CONVENCIONAL</p><p>Belo Horizonte – MG</p><p>Academia de Polícia Militar</p><p>2011</p><p>Direitos exclusivos da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG)</p><p>Reprodução proibida – circulação restrita.</p><p>Comandante-Geral da PMMG: Cel.PM Renato Vieira de Souza</p><p>Chefe do Estado-Maior: Cel. PM Márcio Martins Sant´ana</p><p>Chefe do Gabinete Militar do Governador: Cel. PM Luis Carlos Dias Martins</p><p>Comandante da Academia de Polícia Militar: Cel. PM Eduardo de Oliveira</p><p>Chiari Campolina</p><p>Chefe do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação: Ten.-Cel. PM Adeli Sílvio Luiz</p><p>Tiragem: 750</p><p>___________________________________________________________</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de armamento convencional.</p><p>Belo Horizonte: Academia de Policia Militar, 2011.</p><p>506 p.: il.</p><p>1. Material bélico. 2. Arma de fogo – armazenamento. 3. Armas</p><p>e munições - instrução. 4. Armamento - manejo e uso operacional.</p><p>I. Título.</p><p>CDU 623.4</p><p>CDD 623.4</p><p>___________________________________________________________</p><p>Ficha catalográfica: Rita Lúcia de Almeida Costa – CRB – 6ª Reg. n.1730</p><p>ADMINISTRAÇÃO:</p><p>Centro de Pesquisa e Pós-graduação</p><p>Rua Diábase 320 – Prado</p><p>Belo Horizonte – MG</p><p>CEP 30410-440</p><p>Tel.: (0xx31)2123-9513</p><p>Fax: (0xx31) 2123-9512</p><p>E-mail: cpp@pmmg.mg.gov.br</p><p>RESOLUÇÃO N° 4148, DE 09 DE JUNHO DE 2011.</p><p>Aprova o Manual de</p><p>Armamento Convencional.</p><p>O COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA MILITAR DE</p><p>MINAS GERAIS, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo inciso</p><p>I, alínea I do artigo 6°, item V, do Regulamento aprovado pelo Decreto n°</p><p>18.445, de 15Abr77 – (R-100), e à vista do estabelecido na Lei Estadual</p><p>6.260, de 13Dez73, e no Decreto n° 43.718, de 15Jan04, RESOLVE:</p><p>Art. 1° Aprovar o Manual de Armamento Convencional.</p><p>Art. 2° Esta Resolução entra em vigor na data de sua</p><p>publicação.</p><p>Art. 3° Revogam-se as disposições em contrário.</p><p>QCG em Belo Horizonte, 09 de junho de 2011.</p><p>(a) RENATO VIEIRA DE SOUZA, CORONEL PM</p><p>COMANDANTE-GERAL</p><p>Equipe de Colaboradores:</p><p>Coronel PM Fábio Manhães Xavier</p><p>Coronel PM Antônio Leandro Bettoni da Silva</p><p>Tenente-Coronel PM Carlos Putini Neto</p><p>Major PM Francisco José Pereira</p><p>Major PM Alberto Nunes Borges</p><p>Major PM Wágner Eustáquio da Silva Almeida</p><p>Major PM Eduardo Domingues Barbosa</p><p>Capitão PM Allison Verício de Oliveira</p><p>Capitão PM Arnaldo Affonso</p><p>Capitão PM Eduardo Felisberto Alves</p><p>Capitão PM Édson Gonçalves</p><p>Capitão PM Marco Aurélio Zancanela do Carmo</p><p>Capitão QOR Vilma Geralda Sette Orlandi</p><p>1º Tenente PM Rodrigo Saldanha</p><p>1º Tenente Juari Alexandre Santos</p><p>1º Tenente PM Ricardo Luiz Amorim Gontijo Foureaux</p><p>1º Sargento PM Antônio Geraldo Alves Siqueira</p><p>3º Sargento PM Nadja Alves de Sousa</p><p>3º Sargento PM Edna Márcia Costa Mendonça</p><p>Cabo PM Elias Sabino Soares</p><p>Soldado PM Leonardo Giori de Oliveira</p><p>Soldado PM Aline Vanessa Alves</p><p>Assessora Jurídica Maria Amélia Pereira</p><p>Pedagoga Isabel Cristina de Paiva Moreira Nazareth</p><p>Professor Hugo de Moura</p><p>Professora Maria Sílvia Santos Fiúza</p><p>MISSÃO</p><p>Assegurar a dignidade da pessoa humana, as liberdades e os direitos</p><p>fundamentais, contribuindo para a paz social e para tornar Minas o</p><p>melhor Estado para se viver.</p><p>VISÃO</p><p>Sermos excelentes na promoção das liberdades e dos direitos</p><p>fundamentais, motivo de orgulho do povo mineiro.</p><p>VALORES</p><p> respeito aos direitos fundamentais e valorização das pessoas;</p><p> ética e transparência;</p><p> excelência e representatividade Institucional;</p><p> disciplina e inovação;</p><p> liderança e participação;</p><p> coragem e justiça.</p><p>LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS</p><p>a.C. Antes de Cristo</p><p>ACP Automatic Colt Pistol</p><p>ADC Armador e Desarmador de Cão</p><p>APM Academia de Polícia Militar</p><p>Ca Carabina</p><p>Cal Calibre</p><p>CBC Companhia Brasileira de Cartuchos</p><p>CCAF Curso de Capacitação em Armas de Fogo</p><p>CCTAF Curso de Capacitação em Treinamento com Armas de Fogo</p><p>CEAT Curso de Especialização em Armamento e Tiro</p><p>CMB Centro de Material Bélico</p><p>d.C. Depois de Cristo</p><p>EB Exército Brasileiro</p><p>Esp Espingarda</p><p>EUA Estados Unidos da América</p><p>FAL Fuzil Automático Leve</p><p>FAP Fuzil Automático Pesado</p><p>Fz Fuzil</p><p>GATE Grupo de Ações Táticas Especiais</p><p>IPSC International Pratical Shooting Confederation</p><p>Ita Itália</p><p>LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS</p><p>m/s Metros por segundo</p><p>Mtr Metralhadora</p><p>NATO North Atlantic Treaty Organization</p><p>NIJ National Institute of Justice (Instituto Nacional de Justiça dos</p><p>EUA)</p><p>OME Organização Militar Estadual</p><p>PMMG Polícia Militar de Minas Gerais</p><p>PRO Professional</p><p>Pst Pistola</p><p>Rv Revólver</p><p>SAT Seção de Armamento e Tiro</p><p>DS Decocking System – Sistema Desarmador do Cão</p><p>Smtr Submetralhadora</p><p>SPL Special</p><p>FIGURA1 Combate naval entre bizantinos e muçulmanos com</p><p>utilização do “fogo grego”. ......................................................... 31</p><p>FIGURA 2 Arma de mecha ............................................................................. 37</p><p>FIGURA 3 Fecho de roda ................................................................................. 39</p><p>FIGURA 4 Fecho de pederneira .................................................................... 40</p><p>FIGURA 5 Primeiro sistema de percussão ................................................ 42</p><p>FIGURA 6 Winchester modelo 1897 calibre 12 “Trench Gun” ............ 47</p><p>FIGURA 7 Espingarda de 3ª geração (Remington SA 1300 – EUA) ........47</p><p>FIGURA 8 Espingarda de 4ª geração (Bennelli M3 Super 90T – ITA) .... 48</p><p>FIGURA 9 Fuzil de assalto alemão STG44 – primeiro fuzil de assalto ..... 51</p><p>FIGURA 10 Sistemas de percussão Lefaucheux (pino lateral) e Flobert</p><p>(radial ou circular) ......................................................................... 58</p><p>FIGURA 11 Lançador AM600 ........................................................................... 74</p><p>FIGURA 12 Espingarda Beretta UGB25 Xcel Gold Trap calibre 12 ...... 75</p><p>FIGURA 13 Classificação geral do armamento leve ................................ 77</p><p>FIGURA 14 Fecho de pederneira .................................................................... 82</p><p>FIGURA 15 Pistola Flaubert Cyclist .22 ......................................................... 82</p><p>FIGURA 16 Revólver Galan modelo 1868 .................................................... 83</p><p>FIGURA 17 Pistola Derringer calibre .41 ...................................................... 83</p><p>FIGURA 18 Vistas do mecanismo da Carabina Remington Rolling</p><p>Block .................................................................................................. 84</p><p>FIGURA 19 Espingarda de de cano basculante ......................................... 85</p><p>FIGURA 20 Rv Nagant calibre 7,62 mm (esquerda) e Rv MH (Merwin</p><p>Hulbert) calibre .38 curto (direita)........................................... 85</p><p>FIGURA 21 Rv. Webley & Scott MKVI calibre 11,5 mm .......................... .86</p><p>FIGURA 22 Rv. Taurus calibre .38 M952........................................................ 86</p><p>LISTA DE ILUSTRAÇÕES E QUADROS</p><p>FIGURA 23 Arma curta mocha................................................................................................87</p><p>FIGURA 24 Carabina com sistema de ferrolho (bolt action) ................ 88</p><p>FIGURA 25 Rifle Winchester com sistema de alavanca ......................... 88</p><p>FIGURA 26 Espingarda com sistema de bomba ....................................... 89</p><p>FIGURA 27 Sistema de ação indireta dos gases com tomada em um</p><p>ponto do cano do fuziI Imbel 7,62 M964 FAL ..................... 90</p><p>FIGURA 28 Operação de longo recuo do cano do lançador de</p><p>granadas automático Santa Bárbara LAG 40 SB-M1</p><p>40 mm ..............................................................................................</p><p>história e durante considerável</p><p>período, as polícias adotaram, como arma padrão, um tipo de espingarda</p><p>de funcionamento singular (de primeira geração), com um ou dois</p><p>canos de dimensões bem menores do que os comumente usados</p><p>(canos serrados ou produzidos comercialmente com tais dimensões),</p><p>apelidada de “escopeta”15.</p><p>No Brasil, para o uso policial, as escopetas eram produzidas no calibre</p><p>12, por ser, à época, o maior calibre de espingarda existente, oferecendo</p><p>boas possibilidades de incapacitação imediata do oponente, e razoável</p><p>capacidade de intimidação, entretanto, com ínfima capacidade de tiro.</p><p>Em termos de espingardas de combate, o que se tem hoje, em uso</p><p>policial, são as armas de segunda, terceira e quarta gerações.</p><p>A terceira geração de espingardas de combate enquadra todas as</p><p>espingardas de funcionamento somente semi-automático, das mais</p><p>diversas procedências. A Figura 7 ilustra um dos tipos de espingarda</p><p>dessa geração: a Remington AS 1300-EUA.</p><p>FIGURA 7 – Espingarda de 3ª geração (Remington SA 1300 – EUA)</p><p>15 Arma muito difundida no tempo da conquista do oeste americano.</p><p>48</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Já as espingardas de combate da quarta geração, fazem uso dos dois</p><p>sistemas encontrados nas armas de segunda, terceira e quarta gerações,</p><p>disparando tanto em ação de bomba (por repetição) quanto de forma</p><p>semi-automática, a critério do usuário (Figura 8).</p><p>FIGURA 8 – Espingarda de 4ª geração (Bennelli M3 Super 90T).</p><p>Em termos de espingardas de combate, o que se tem hoje, em uso,</p><p>policial são as armas de segunda, terceira e quarta gerações.</p><p>2.5 A evolução das armas automáticas</p><p>As armas automáticas, pelas peculiaridades de seu funcionamento, têm</p><p>destaque na sua capacidade de efetuar maior quantidade de disparos</p><p>em menor espaço de tempo. A essa característica denomina-se “poder</p><p>de fogo”. Nesse sentido, ao comparar-se as armas automáticas com</p><p>as armas de repetição, por exemplo, poder-se-ia dizer que a 1ª possui</p><p>destacada vantagem, embora sejam necessárias maiores habilidades</p><p>para operá-las.</p><p>2.5.1 As primeiras metralhadoras</p><p>O desejo de todos os exércitos, de possuírem armas capazes de disparar</p><p>continuamente, com rapidez, é tão antigo quanto à própria pólvora.</p><p>A primeira metralhadora a atuar em uma guerra foi a Metralhadora</p><p>Gatling, durante a Guerra de Secessão Americana, em 1862. Tratava-se</p><p>de uma arma rudimentar, na qual vários canos giravam em torno de um</p><p>eixo movido, manualmente, por uma manivela. Sua velocidade e “poder</p><p>de fogo” dependiam da velocidade com que a manivela era girada.</p><p>Em 1889, Sir Hiram Stevens Maxim desenvolveu e aperfeiçoou</p><p>uma metralhadora capaz de realizar, por si só, todas as operações</p><p>de carregamento, extração, engatilhamento e disparo, mediante o</p><p>49</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>aproveitamento do recuo da arma. Possuía uma fita de cartucho, um só</p><p>cano e uma “camisa” d’água exterior, para evitar o superaquecimento.</p><p>Era usada sobre reparos, devido ao seu grande volume e peso.</p><p>A metralhadora fez a sua grande estréia na 1ª Guerra Mundial, quando</p><p>todos os países europeus já a possuíam. Depois de Maxim, outros</p><p>inventores passaram a fabricar armas, aperfeiçoando o modelo desse</p><p>inventor. Alguns tornaram seus nomes sinônimos de armas de fogo:</p><p>Benjamim Hotckiss, Issac Lewis, John Browning e Hugo Borchardt, que</p><p>se estabeleceu na Alemanha, onde desenhou a pistola Luger.</p><p>No decorrer do ataque britânico a High Wood, em 22 de agosto de 1916,</p><p>dez armas dispararam 999.750 tiros em 12 horas, sem interrupções</p><p>maiores que as necessárias para limpeza, lubrificação e remuniciamento,</p><p>troca de canos gastos e para completar o nível de água das “camisas” de</p><p>refrigeração. A tarefa das metralhadoras consistia em neutralizar uma</p><p>área atrás da linha de frente inimiga, com alcance de 1.800 metros.</p><p>Nos primeiros anos do século XX, surgiu também um novo tipo de arma</p><p>automática: a metralhadora leve (ou média), uma versão menos pesada</p><p>e mais portátil que os modelos anteriores (que utilizavam pesados</p><p>reparos). Essas novas metralhadoras pesavam entre 9 e 13,6 kg, e eram</p><p>alimentadas por carregador ou fita, e refrigeradas a ar. Para dispará-</p><p>las, bastava apoiá-las nos ombros, auxiliadas por bipés leves. Uma das</p><p>primeiras metralhadoras leves foi a dinamarquesa Madsem, muito</p><p>empregada entre 1914 e 1915, quando a guerra de trincheiras exigia</p><p>grande volume de fogo a curtas distâncias.</p><p>Após a Primeira Guerra Mundial, poucas inovações foram registradas no</p><p>aperfeiçoamento das metralhadoras que fazem parte do armamento</p><p>convencional de qualquer exército da atualidade.</p><p>2.5.2 A submetralhadora</p><p>Também conhecida como subfuzil, metralhadora de mão ou pistola-</p><p>metralhadora, a submetralhadora é uma arma automática que utiliza</p><p>cartuchos de pistola, suficientemente leves para serem disparados do</p><p>ombro ou da cintura, com as duas mãos, sem necessidade de outro</p><p>apoio.</p><p>As submetralhadoras começaram a ser utilizadas na Primeira Guerra</p><p>Mundial, quando se tornou evidente a necessidade de volume de</p><p>50</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>fogo nos combates a curta distância. O primeiro país a adotar a</p><p>submetralhadora foi à Itália, que introduziu a Villa-Perosa, em 1915.</p><p>Em seguida, os alemães equiparam seus exércitos com pistolas Luger</p><p>e Mauser, com uma longa coronha. Essas armas representavam um</p><p>razoável poder de fogo, apesar de não serem automáticas (eram</p><p>semi-automáticas), uma vez que, para cada disparo, tinha que acionar</p><p>novamente o gatilho.</p><p>Em 1918, surgiu a pistola-metralhadora da fábrica Bergmam, com a</p><p>designação oficial de MP1816, com calibre 9 mm, carregador tipo caracol</p><p>e velocidade teórica de tiro de 400 disparos por minuto. Por volta de</p><p>1922, surgiu a submetralhadora Thompson, popularizada mundialmente</p><p>pelos gangsters e pela polícia norte-americana.</p><p>Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos produziram</p><p>diversas outras submetralhadoras, destacando-se a M3, mais conhecida</p><p>como engraxadeira (grease-gun). Outra submetralhadora de grande</p><p>sucesso foi a inglesa Sten, que foi largamente produzida para os países</p><p>aliados.</p><p>No período pós-guerra, o desenvolvimento das submetralhadoras</p><p>tornou-se difícil, principalmente pela importância crescente de uma nova</p><p>arma, o fuzil de assalto. Trata-se, na verdade, de uma submetralhadora,</p><p>que dispara um cartucho semelhante ao do fuzil. Entretanto, alguns</p><p>países desenvolveram suas metralhadoras: a Grã-Bretanha abandonou</p><p>a submetralhadora Sten para adotar a Sterling, mais conhecida como</p><p>L2A3. Em Israel, foi adotada a submetralhadora Uzi, muito utilizada</p><p>atualmente, principalmente por algumas forças especiais. A França</p><p>desenvolveu sua MAT 49, a Espanha, o Z 75 da Star, e os Estados Unidos</p><p>criaram a Ingram, produzida pela Military Arms Co.( MAC).</p><p>Na atualidade, as indústrias militares israelenses estão produzindo uma</p><p>Uzi de reduzidas dimensões, com altíssima cadência de tiro, que chega</p><p>a 1.200 disparos por minuto. O Exército Brasileiro, bem como a maioria</p><p>das polícias militares, atualmente adotam submetralhadoras Taurus.</p><p>A PMMG adotou as submetralhadoras INA calibre .45 ACP, Beretta M972</p><p>e Taurus MT12 e MT12A. À exceção da INA, ainda possui exemplares</p><p>das últimas em calibre 9 mm. Todavia, em razão da interrupção de sua</p><p>produção no Brasil, vêm sendo substituídas por outros modelos em</p><p>calibre .40 S&W, mais adequados para a atividade policial.</p><p>16 MP é abreviatura de submetralhadora no idioma alemão – “maschinenpistole”.</p><p>51</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>2.5.3 O fuzil de assalto</p><p>A Segunda Guerra Mundial assistiu ao crescimento da importância da</p><p>submetralhadora. Ficou definitivamente claro que, com uma quantidade</p><p>adequada de armas de apoio, já não era necessário dispor de fuzis de</p><p>longo alcance. Assim, procurou-se desenvolver uma arma intermediária,</p><p>com cartuchos mais semelhantes aos de um fuzil do que aos de pistola,</p><p>utilizados pelas submetralhadoras. A primeira arma desse tipo foi o</p><p>STG4417, alemão. A nova arma ocupou os espaços da submetralhadora,</p><p>pois tinha a mesma utilidade que essa, ainda com algumas vantagens.</p><p>FIGURA 9 – Fuzil alemão STG 44 – primeiro fuzil de assalto da história.</p><p>Posteriormente, os americanos desenvolveram o Armalite AR 15, que</p><p>passou a ser denominado M16 para adoção pelas forças armadas dos</p><p>Estados Unidos, e logo seu exemplo foi seguido por outros países que</p><p>sentiram a importância crescente do fuzil de assalto.</p><p>Dentre os fuzis de assalto atualmente utilizados, destacam-se o Galil</p><p>5,56 mm, adotado pelas forças de defesa de Israel, em 1972, o AK 47 da</p><p>antiga União Soviética, o G36 alemão da Heckler und Koch, o M-16/M-4</p><p>17 STG é abreviatura para fuzil de assalto no idioma alemão “sturmgewehr”.</p><p>52</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>dos Estados Unidos e o FN (FAL) de origem Belga, adotado pelo Exército</p><p>Brasileiro.</p><p>A maior parte dos fuzis modernos ainda apresenta regulagens para o</p><p>disparo de até aproximadamente 730 m, mas, raramente, são utilizados</p><p>acima de 270 m, o que pode ser considerado o alcance efetivo máximo</p><p>pelos padrões modernos. O mesmo pode ser dito quanto ao alcance</p><p>efetivo das metralhadoras leves.</p><p>2.5.4 A pistola semi-automática</p><p>Apesar de alguns projetos anteriores, foi o americano Hugo Borchardt</p><p>que, trabalhando para a fábrica alemã de armas e munições (Deutsch</p><p>Waffen Und Munitionsfabriken – DWM), obteve sucesso ao produzir e</p><p>comercializar, em 1843, a primeira pistola semi-automática do mundo,</p><p>arma que levou seu nome. Posteriormente, ela foi aperfeiçoada por</p><p>George Luger, através da criação da internacionalmente famosa pistola</p><p>Luger, lançada oficialmente em 1900.</p><p>Paralelamente, a FN Belga lançou a primeira pistola semi-automática de</p><p>bolso, desenvolvida por John Browning, em sistema blowback e calibre</p><p>7,65 mm. Outros fabricantes destacaram-se na fabricação de pistolas</p><p>semi-automáticas: Mauser, Colt, Walter, Smith & Wesson e Beretta.</p><p>As pistolas se diferem em modelos e acabamentos, mas conservam as</p><p>mesmas características: são semi-automáticas, leves, possuem reduzido</p><p>número de peças, sua desmontagem de campo é simples e são mais</p><p>rápidas, em operação, do que um revólver. Funcionam em duas fases: na</p><p>primeira, as forças decorrentes da deflagração do propelente fazem com</p><p>que o ferrolho recue contra a ação de uma mola; na segunda, quando a</p><p>pressão produzida cai a zero, o ferrolho é impulsionado à frente até que</p><p>chegue à sua posição inicial.</p><p>A principal característica da pistola semi-automática é o aproveitamento</p><p>da força expansiva dos gases produzidos pela queima do propelente,</p><p>normalmente pólvora, para um autocarregamento (inserção de novo</p><p>cartucho na câmara deixando-a em condições de novo disparo),</p><p>bastando pressionar o gatilho para isso.</p><p>Devido à evolução tecnológica, as pistolas modernas permitem</p><p>maior capacidade de municiamento e alimentação, confiabilidade e</p><p>estabilidade, em razão da evolução dos calibres e de seus mecanismos</p><p>de funcionamento.</p><p>53</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>O termo “pistola” indica, comumente, armas de fogo curtas de tiro</p><p>unitário (simples que possuem um cano e uma câmara). Quando estas</p><p>armas possuem dois canos, são vulgarmente chamadas de garruchas.</p><p>As primeiras pistolas foram fabricadas em ação simples e, somente em</p><p>1929, através da fábrica alemã Walter, com o modelo PP, é que surgiu o</p><p>sistema de ação dupla.</p><p>O calibre 9 mm surgiu em 1902, lançado pelo alemão George Lugger,</p><p>partindo de uma arma inventada por Hugo Borchardt, realizou</p><p>aprimoramentos e criou a pistola semi-automática Lugger. Em 1908, o</p><p>exército alemão adotou a pistola de Lugger como arma de coldre para</p><p>seus soldados.</p><p>No Brasil, a pistola cal 9 mm foi introduzida em 1975, quando o Exército</p><p>Brasileiro resolveu adotar um novo calibre para suas armas de porte que</p><p>fosse compatível para uso em suas metralhadoras de mão, utilizando as</p><p>pistolas Imbel M973, modelo Colt, e a Beretta, de origem italiana.</p><p>A Taurus iniciou a fabricação no Brasil, na década de 80, de pistolas no</p><p>calibre 9 mm, batizadas de PT 92, semelhantes à italiana Beretta 92 F.</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>A EVOLUÇÃO DO</p><p>CARTUCHO</p><p>57</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>3 A EVOLUÇÃO DO CARTUCHO</p><p>A idéia de carregar as armas pela culatra não é nova. Nasceu nos</p><p>primeiros momentos das armas de fogo, com o objetivo de aumentar</p><p>a quantidade de disparos em um menor período de tempo (poder de</p><p>fogo). Com esse objetivo, já no século XVI, surgiu a idéia de se colocar</p><p>a pólvora necessária para um disparo em pequenos tubos de madeira,</p><p>permanecendo, os projéteis separados em uma “bolsa”.</p><p>3.1 O cartucho de papel</p><p>A palavra “cartucho” provém do italiano cartuccia, que, por sua vez,</p><p>deriva do latim “carta”, que significa “papel”. Os primeiros cartuchos</p><p>foram feitos de papel, no final do século XVI. Inicialmente, os cartuchos</p><p>apenas continham as cargas de pólvora, guardando os projéteis,</p><p>separadamente. Posteriormente, o projétil foi unido ao cartucho de</p><p>papel, mas o cartucho era utilizado apenas para se colocar parte da</p><p>pólvora na caçoleta. O restante era introduzido pela “boca” do cano.</p><p>Colocando o projétil por cima, o papel servia apenas como bucha. Esse</p><p>sistema foi utilizado por quase duzentos anos.</p><p>Em princípios do século XIX apareceu o cartucho combustível,</p><p>semelhante ao de papel, feito de pele, papel ou linho nitrados, e</p><p>facilmente combustível, com o qual o cartucho inteiro podia ser</p><p>carregado, queimando com a combustão da pólvora. As primeiras</p><p>armas de retrocarga, assim como os revólveres de municiamento pela</p><p>“boca”, podiam utilizar esse tipo de cartucho combustível. O famoso</p><p>fuzil de agulha Dreyse disparava um cartucho fulminante, incorporado</p><p>na base do projétil. Esse cartucho foi o último e o mais aperfeiçoado dos</p><p>cartuchos de papel.</p><p>3.2 Origens do cartucho atual</p><p>Em 1812, em Paris, um armeiro suíço, chamado Pauly, desenvolveu um</p><p>cartucho consistente, com uma base cilíndrica de latão, que se acoplava</p><p>a um cilindro de papel, e servia como recipiente para a pólvora e o</p><p>projétil. A base de latão era perfurada em seu centro e contínua. Na parte</p><p>externa da perfuração, uma cavidade trazia a pequena carga detonante,</p><p>protegida por papel envernizado. Essa invenção, que apresentava</p><p>todos os componentes do cartucho moderno, não teve aceitação,</p><p>58</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>provavelmente por ser bastante avançada para a sua época. Apesar</p><p>disso, Pauly é lembrado como o autor do cartucho de fogo central.</p><p>3.3 O cartucho Lefaucheux (de pino lateral)</p><p>Lefaucheux (armeiro francês) patenteou, em 1836, um cartucho que</p><p>detinha os gases no momento do disparo, dando um grande passo rumo</p><p>ao cartucho definitivo. O citado cartucho era parecido com os atuais</p><p>cartuchos de caça e era constituído por um cilindro de papelão, com</p><p>base metálica. Esse continha, em seu interior, uma cápsula fulminante,</p><p>percutida por um pino inserido na lateral da base e que sobressaia por</p><p>uma extremidade (Figura 9). A obturação das bases era conseguida pelo</p><p>dilatamento das paredes da base de metal, no momento do disparo.</p><p>Tal dilatação, embora razoável, não era a desejável. Houiller (também</p><p>Francês), em 1847, patenteou uma melhoria nesse sistema de cartucho,</p><p>que consistia em prolongar as paredes da base metálica, fazendo</p><p>desaparecer o “cartão”, até o comprimento necessário para conter a</p><p>pólvora e o projétil.</p><p>3.4 O cartucho de percussão circular (radial ou anular)</p><p>Em 1835, Nicolas Flobert, armeiro francês, criou um cartucho metálico</p><p>no qual a percussão efetuava-se em qualquer ponto da borda do culote.</p><p>Esse cartucho continha apenas o fulminante (detonante) e o projétil</p><p>(esférico), o que o obrigava a ser pequeno e de pouca potência (Figura</p><p>9). Esse sistema de percussão era denominado “fogo circular”, radial ou</p><p>anular. Difere-se dos atuais cartuchos de fogo central, uma vez que esses</p><p>utilizam a pólvora como propelente, além do detonante.</p><p>FIGURA 10 – Sistemas de percussão tipo Lefaucheux (pino lateral)</p><p>e Flobert (radial ou circular).</p><p>59</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>As armas que</p><p>utilizavam os cartuchos Flobert estiveram em moda no</p><p>final do século XIX e no princípio do XX, para a prática do tiro de salão.</p><p>Mas foi a América a grande responsável pelo desenvolvimento dos</p><p>cartuchos de “fogo circular”, cuja constituição é semelhante ao Flobert.</p><p>A única diferença consiste em que possui carga propelente, além do</p><p>detonante, permitindo, assim, uma maior variedade de tamanhos e,</p><p>consequentemente, de potências. Esses cartuchos são percutidos pela</p><p>borda do culote (virola). A virola, além de servir para a percussão (uma</p><p>vez que contém o detonante), posiciona o cartucho corretamente na</p><p>câmara e facilita a sua extração. Esses cartuchos são mais fracos na virola,</p><p>e, logicamente, não admitem a sua recarga.</p><p>3.5 O cartucho de percussão central (fogo central)</p><p>O cartucho metálico sofreu constantes evoluções entre os anos de 1858</p><p>e 1868 e a sua evolução pode ser divida em três etapas: na primeira,</p><p>o estojo (corpo do cartucho) possuía duas partes – o culote, contendo</p><p>o detonante, e uma lâmina fina de latão, que era enrolada e fixada no</p><p>culote, contendo o propelente e o projétil; na segunda etapa, o estojo</p><p>era uma única peça metálica contendo uma cápsula detonante na base</p><p>do culote, o propelente e o projétil; na terceira, que é a atual, o estojo</p><p>metálico contém a espoleta (detonante), embutida no exterior da base</p><p>do estojo. Após essa terceira etapa, não houve nenhuma evolução</p><p>substancial no cartucho metálico.</p><p>CAPÍTULO 4</p><p>ARMAS LEVES</p><p>63</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>4 ARMAS LEVES</p><p>4.1 Conceito</p><p>O limite definidor entre o que seja uma arma leve e uma pesada, tem sido</p><p>objeto de vários conceitos, muitas vezes contraditórios, encontrados</p><p>nas doutrinas difundidas dentro dos organismos policiais.</p><p>Entretanto, o conceito adotado neste manual, fiel ao original18, parte do</p><p>princípio que:</p><p>a) de um modo geral, armas leves são aquelas do equipamento</p><p>individual do soldado e que têm peso e volume relativamente reduzidos.</p><p>Não se resumindo, aí, o que limitaria as armas leves somente ao emprego</p><p>individual, o conceito inclui mais duas características, que permitem a</p><p>inclusão de armas de emprego coletivo:</p><p>b) pode ser transportada, geralmente, por um só homem, ou</p><p>em fardos, por mais de um;</p><p>c) possui calibre até .50” (0,50 polegada), inclusive.</p><p>Se o conceito fosse limitado ao calibre .50”, qualquer arma com diâmetro</p><p>acima dessa bitola passaria a integrar a categoria das “armas pesadas”19,</p><p>grupo no qual se incluem canhões, morteiros e lançadores de mísseis</p><p>e foguetes. Assim sendo, um complemento é necessário para permitir</p><p>exceções à regra, numa lógica concreta:</p><p>d) Excetuam-se as armas com calibres acima do .50” que não se</p><p>enquadram na definição de “armas pesadas”.</p><p>18 Definição elaborada com base na doutrina de armamento adotada pelo Exército Brasileiro, força</p><p>armada responsável pela definição de termos e conceitos acerca de armas de fogo em território</p><p>nacional.</p><p>19 Arma pesada: empregada em operações militares em proveito da ação de um grupo de homens,</p><p>devido ao seu poderoso efeito destrutivo sobre o alvo e geralmente ao uso de poderosos meios de</p><p>lançamento ou de cargas de projeção (artigo 3º, inciso XIX do R105);</p><p>64</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Dessa forma, também são enquadradas, como armas leves, as</p><p>espingardas calibre 12 (0,73”), os lançadores de granadas calibres 37</p><p>(1,46”), 38.1 (1,5”) e 40 mm (1,57”), ou superiores.</p><p>4.2 Classificação geral das armas leves</p><p>As armas de fogo são classificadas sob alguns aspectos, com base em</p><p>suas características, conforme descrito a seguir. É importante frisar que</p><p>tal classificação, em algumas fontes de consulta, sofre, indevidamente,</p><p>ao longo do tempo, variações de denominação, o que não deveria</p><p>ocorrer, pois tais conceitos e seus nomes possuem origens e aplicações</p><p>em comum.</p><p>4.2.1 Quanto ao tipo20</p><p>a) Arma de porte: também conhecida como arma de mão,</p><p>possui dimensões e peso reduzidos e pode ser portada por um indivíduo,</p><p>em coldre, e disparada, comodamente, com somente uma das mãos pelo</p><p>usuário; enquadram-se, nessa classificação, pistolas, revólveres e garruchas.</p><p>b) Arma portátil: seu peso e suas dimensões permitem que</p><p>seja transportada por um único homem, mas não conduzida em coldre</p><p>e exige, em situações normais de utilização, ambas as mãos para a</p><p>realização eficiente do disparo. Sua condução é feita nas mãos ou em</p><p>bandoleira (ex.: carabina Taurus FAMAE .40 e fuzil Imbel 5,5,6 MD2A1).</p><p>c) Arma não-portátil: devido às suas dimensões ou ao seu</p><p>peso, não pode ser transportada por um único homem; apenas em</p><p>viaturas, ou dividido em fardos para transporte por mais de um homem</p><p>(ex.: metralhadoras para emprego coletivo, M60 7,62 norte-americana e</p><p>FN MAG 7,62 de origem belga).</p><p>4.2.2 Quanto ao emprego</p><p>a) Individual: quando se destina à proteção daquele que o conduz (ex.:</p><p>submetralhadora Taurus MT 12 e MT 12-A, MT. 40 FAMAE, CBC21 Pump Action).</p><p>b) Coletivo: quando seu emprego tático se destina à cobertura</p><p>ou proteção de um grupo de homens ou fração de tropa (exemplo:</p><p>minimetralhadora FN MINIMI 5,56, lançador AM600 CONDOR 38.1).</p><p>20 Decreto nº 3.665, de 20 de novembro de 2000. Regulamento para a Fiscalização de Produtos</p><p>Controlados (R-105).</p><p>21 CBC – Sigla de Companhia Brasileira de Cartuchos S.A. – fabricante nacional de armas, munições</p><p>e coletes para proteção balística.</p><p>65</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>4.2.3 Quanto à alma do cano</p><p>a) De alma lisa: quando a superfície interna do cano, como</p><p>o próprio nome diz, é completamente polida e isenta de ressaltos ou</p><p>rebaixos (ex.: espingarda CBC calibre 12, modelo 586).</p><p>b) De alma raiada: quando sua superfície interna, em extensão,</p><p>é dotada de sulcos helicoidais paralelos (raias), os quais têm por objetivo</p><p>imprimir ao projétil movimento de rotação por forçamento, dando-lhe</p><p>estabilidade para que percorra sua trajetória fora da arma até o objetivo. O</p><p>raiamento de um cano apresenta sulcos (raias) e cristas (cheios) helicoidais</p><p>em um sentido determinado – da esquerda para a direita ou da direita</p><p>para a esquerda. Para identificar esse sentido, deve-se observar o cano a</p><p>partir da câmara. (ex.: revólveres, fuzis, submetralhadoras, pistolas).</p><p>4.2.4 Quanto ao sistema de carregamento</p><p>Antes de classificar as armas leves quanto ao sistema de carregamento,</p><p>faz-se necessário entender os conceitos de carregar, alimentar e municiar</p><p>uma arma.</p><p>Carregar é deixar a arma em condições de disparo, fechada</p><p>e/ou trancada, com uma carga ou cartucho inserido na câmara de</p><p>combustão e, em alguns casos, um projétil independente da carga em</p><p>sua posição de lançamento.</p><p>Alimentar é colocar a munição na arma, por intermédio de seu</p><p>carregador, do seu tubo carregador ou, mesmo, manualmente.</p><p>Municiar a arma consiste em colocar a munição no carregador</p><p>da arma.</p><p>Essas operações podem ser perfeitamente distinguidas em algumas</p><p>armas, mas, em outras, elas se confundem devido às suas características:</p><p>a) nas armas como, por exemplo, fuzil FN Fal 7,62/ 5, 56,</p><p>carabina FAMAE CT. 40, metralhadora MT 40 FAMAE e PST Taurus/</p><p>Imbel, ocorre o seguinte:</p><p>– municia-se ao colocar os cartuchos no carregador tipo “cofre”;</p><p>– alimenta-se ao inserir o carregador municiado em seu</p><p>alojamento;</p><p>66</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– carrega-se ao fechar a arma se esta estiver aberta, ou, se</p><p>fechada, trazendo o ferrolho à retaguarda e soltando-o para que haja</p><p>o fechamento e/ou trancamento, por intermédio da força da mola</p><p>recuperadora. Nessas armas, que operam com a culatra fechada, o</p><p>cartucho é introduzido na câmara com o avanço do ferrolho, verificando-</p><p>se o carregamento como ação independente do disparo, que só ocorrerá</p><p>após o acionamento do gatilho. Esse sistema também é utilizado em</p><p>pistolas semi-automáticas.</p><p>b) nas “garruchas” e “escopetas”, ocorre o seguinte:</p><p>– não existe o municiamento, uma vez que não dispõem de</p><p>carregador;</p><p>– a alimentação se dá ao introduzir o cartucho na câmara, após</p><p>bascular o cano;</p><p>– o carregamento ocorre quando, depois de fechada</p><p>e</p><p>trancada a arma, ela seja engatilhada, trazendo o cão à retaguarda, ou</p><p>seja, quando ela se encontra em condições de disparo.</p><p>c) no revólver, o carregamento é feito da seguinte forma:</p><p>– o municiamento e a alimentação são feitos, simultaneamente,</p><p>quando os cartuchos são introduzidos nas câmaras do tambor. O</p><p>fechamento se dará ao rebater o tambor para dentro da armação,</p><p>ocasião em que a arma estará trancada;</p><p>– o revólver somente estará carregado quando a munição que</p><p>estiver na câmara for alinhada com o cano em condições e disparo, ou</p><p>seja, quando, após iniciada a pressão sobre o gatilho (ou engatilhada a</p><p>arma) for realizada 1/6 de volta do tambor, para que haja o alinhamento</p><p>com o cano da 1ª câmara da direita, que contém a munição que será</p><p>disparada. Assim, não basta colocar a munição na câmara, deve-se</p><p>alinhar com, o cano, a munição que vai ser disparada.</p><p>d) nas armas que possuem o tubo carregador acoplado em</p><p>seu corpo:</p><p>Municia-se ao introduzir os cartuchos no carregador e alimentar,</p><p>após introduzir o último cartucho. O carregamento se verificará quando</p><p>o cartucho for levado para a câmara.</p><p>67</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>e) nas armas semi-automáticas e automáticas que operam</p><p>com a culatra aberta (como é o caso da submetralhadora Taurus MT</p><p>12-A), o processo de carregamento é o seguinte:</p><p>– o municiamento ocorre com a introdução dos cartuchos no</p><p>carregador;</p><p>– a alimentação se dá quando o carregador é introduzido em</p><p>seu alojamento na arma;</p><p>– o carregamento ocorre simultaneamente com o disparo,</p><p>uma vez que, acionado o gatilho, o ferrolho leva consigo o cartucho para</p><p>a câmara onde sua espoleta é acionada (percutida).</p><p>f ) nas armas que lançam projéteis que não possuem carga</p><p>propelente acoplada (fuzis lança-retinida; fuzis adaptados para</p><p>lançamento de granadas de bocal; lançadores de granada para</p><p>revólveres):</p><p>– o municiamento se dá com a introdução de cartuchos de</p><p>lançamento no carregador;</p><p>– a alimentação se dá quando o carregador é introduzido em</p><p>seu alojamento na arma;</p><p>– o carregamento se dá no momento do manejo do ferrolho,</p><p>quando o cartucho de lançamento é introduzido na câmara, e com a</p><p>colocação do projétil em sua posição de lançamento no bocal localizado</p><p>na parte anterior do cano.</p><p>Esclarecidos os conceitos, segue a classificação do armamento</p><p>leve, quanto ao seu carregamento:</p><p>a) De antecarga: quando o carregamento é feito pela boca</p><p>do cano. Exemplo: morteiro de infantaria, e alguns tipos de garruchas</p><p>e espingardas.</p><p>b) De retrocarga: quando o carregamento é feito pela parte</p><p>posterior da arma, ou seja, pela culatra. Exemplos: pistolas modernas,</p><p>revólver, carabinas, rifles, espingarda calibre 12 (pump action), entre outros.</p><p>c) De carregamento misto: quando o carregamento é feito em</p><p>duas etapas – a carga propelente é colocada pela parte posterior da arma</p><p>68</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>e o projétil é colocado pela boca. Utiliza-se cartucho especial chamado</p><p>de cartucho de lançamento, contendo somente a carga propelente.</p><p>Exemplos: fuzis lança-retinida, fuzis com bocal para lançamento de</p><p>granadas, lançadores de granada para revólveres.</p><p>4.2.5 Quanto ao sistema de inflamação (ignição)</p><p>As armas leves podem também ser classificadas quanto ao seu sistema</p><p>de ignição:</p><p>a) Por mecha: a chama é transmitida à câmara de combustão</p><p>através de uma mecha acesa. Esse sistema já está ultrapassado;</p><p>b) Por atrito: quando ocorre a produção de faíscas, geralmente</p><p>por atrito entre uma variedade de sílex e pirita. Esse sistema foi muito</p><p>utilizado nas armas de roda e de Miquelete (pederneiras), também já</p><p>obsoletas;</p><p>c) Por percussão:</p><p>– extrínseca: quando a cápsula que contém a carga detonante</p><p>(também chamada de carga de ignição ou fulminante) é uma peça isolada</p><p>dos demais componentes do cartucho, ou seja, está separada da pólvora e</p><p>é posicionada externamente em uma elevação com um pequeno orifício,</p><p>denominado ouvido ou chaminé (pequeno tubo saliente ligado à câmara</p><p>de combustão), que comunica o meio externo com o interior do cano. A</p><p>deflagração se dá no momento em que o percussor se choca contra essa</p><p>cápsula, detonando-a, forçando os gases incandescentes para a câmara de</p><p>combustão. Ex.: alguns tipos de garruchas e espingardas polveiras.</p><p>– intrínseca: quando a cápsula detonante ou a espoleta são</p><p>partes integrantes do cartucho que contém o propelente e o projétil.</p><p>Subdivide-se em:</p><p>è por pino lateral (obsoleta – cartuchos do tipo</p><p>Lefaucheaux);</p><p>è central: quando a espoleta é fixada no centro do culote</p><p>do cartucho;</p><p>è circular, anular ou radial: quando a mistura iniciadora</p><p>é colocada na parte interna da virola do estojo (ex.:</p><p>munição .22LR).</p><p>69</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>A percussão intrínseca, seja central ou circular, pode ser</p><p>ainda subdividida em três tipos:</p><p>è direta: quando o percussor é solidário ao cão (unido</p><p>fisicamente), martelo ou ferrolho, ou quando a arma</p><p>não possui cão ou martelo, agindo por meio do sistema</p><p>de “percussor lançado”22, ou algum tipo de ação</p><p>intermediária de disparo;</p><p>è indireta: quando o percussor não é solidário ao cão,</p><p>martelo ou ferrolho, sendo flutuante, montado na parte</p><p>posterior da arma ou no interior do ferrolho, retraído (ou</p><p>não) pela ação de uma mola. O cão ou martelo possui</p><p>uma superfície plana. E a percussão ocorre no momento</p><p>em que essa superfície se choca contra a cauda do</p><p>percussor ou peça intermediária, em contato com este.</p><p>4.2.6 Quanto à refrigeração ou meio de arrefecimento</p><p>a) A ar: quando o próprio ar atmosférico o resfria. Exemplo:</p><p>fuzil 7,62 M964, revólver, pistolas e a maioria das armas modernas;</p><p>b) A água: quando possui um tubo chamado camisa</p><p>d’água, que envolve o cano com a finalidade de refrigerá-lo. Exemplo:</p><p>metralhadora Colt 7 mm;</p><p>c) A ar e água: quando o cano é resfriado pelo ar em condições</p><p>normais de disparo, mas necessita, quando sob solicitação intensa,</p><p>receber água, com frequência, para auxiliar no seu resfriamento.</p><p>4.2.7 Quanto à alimentação</p><p>a) Manual: quando os cartuchos são introduzidos,</p><p>manualmente, na câmara (ex.: escopeta calibre 12, revólver. 38);</p><p>b) Com carregador: quando a arma possui dispositivo</p><p>depósito para municiamento, seja ele destacável ou não, podendo ser</p><p>por depósito fixo, fita de elos, tipo lâmina, cofre, tubular ou especial (ex.:</p><p>22 Percussor lançado: um dispositivo mecânico engatilha e desengatilha o próprio percussor, na</p><p>ação simples e na ação dupla. A arma não possui cão ou martelo. Exemplos: pistolas Taurus 24/7 e</p><p>640 e pistolas Glock.</p><p>70</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>pistolas semi-automáticas, fuzis, rifles, entre outras).</p><p>4.2.8 Quanto ao sentido de alimentação</p><p>Sentido de alimentação é o sentido em que o carregador destacável é</p><p>inserido na arma ou a munição é inserida em carregadores fixos (tubos,</p><p>tambores ou depósitos) e pode ser:</p><p>a) Da direita para a esquerda (ex.: metralhadora Maxim);</p><p>b) Da esquerda para a direita (ex.: submetralhadora Sterling</p><p>L2A3);</p><p>c) De cima para baixo (ex.: metralhadora Madsen; fuzil 7,62</p><p>M968 Mosquefal);</p><p>d) De baixo para cima (ex.: submetralhadora Taurus MT. 40,</p><p>pistolas semi-automáticas);</p><p>e) De trás para frente (ex.: revólver, espingarda CBC calibre 12</p><p>586).</p><p>4.2.9 Quanto ao funcionamento</p><p>Para classificar o armamento com relação ao seu funcionamento, é</p><p>necessário conhecer o conceito técnico de “operação de funcionamento”</p><p>e de cada uma dessas operações em uma ordem lógica.</p><p>Operação de funcionamento é cada uma das fases, mecânicas ou</p><p>manuais, que levam uma arma de fogo a funcionar da forma para a qual</p><p>foi projetada para disparar, uma ou mais vezes.</p><p>Para analisar as operações de funcionamento, arbitra-se uma condição</p><p>inicial com a arma em condições de disparo:</p><p>è Carregada;</p><p>è Fechada e/ou trancada (somente engatilhada se a arma</p><p>operar com culatra aberta);</p><p>è Engatilhada;</p><p>è Destravada;</p><p>71</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>è Alimentada com carregador totalmente municiado.</p><p>A partir dessa condição, o funcionamento da arma inicia-se com o</p><p>acionamento</p><p>do gatilho. A quantidade e o tipo de operações possíveis</p><p>podem variar, de uma arma para outra, dependendo do seu princípio</p><p>de funcionamento (vide 4.2.10). Mas, de maneira geral, são as seguintes:</p><p>– Desengatilhamento (todas as armas): ocorre a partir do</p><p>acionamento do gatilho e caracteriza-se pelo avanço vigoroso da peça</p><p>responsável pelo choque que levará à percussão da espoleta, mesmo</p><p>que indiretamente (martelo, cão ou percussor), até que essa chegue à</p><p>sua posição mais avançada em virtude da descompressão de sua mola.</p><p>– Percussão e disparo (todas as armas): a percussão é</p><p>caracterizada com a detonação da carga de iniciação no momento em</p><p>que se dá o choque da ponta do percussor sobre a espoleta. O disparo</p><p>inicia-se com a queima do propelente e caracteriza-se pelo movimento</p><p>do projétil em decorrência da pressão dos gases gerados no interior do</p><p>cartucho de munição.</p><p>– Destrancamento (em armas dotadas de sistema</p><p>de trancamento, manual ou mecânico): é evidenciado pelo</p><p>desengrazamento do ferrolho, em desconexão da estrutura que o mantém</p><p>retido à frente (ressaltos e entalhes localizados em canos, caixas da culatra</p><p>e no próprio ferrolho e peças específicas). Algumas armas utilizam a</p><p>pressão dos gases para manter o ferrolho trancado, sem encaixe de peças;</p><p>nesse caso, o destrancamento é caracterizado pelo início do movimento</p><p>de recuo do ferrolho após a redução da pressão sobre ele.</p><p>– Abertura (todas as armas): ocorre quando a parte anterior</p><p>da estrutura da arma, onde se aloja o percussor, perde contato com a</p><p>câmara.</p><p>– Extração (todas as armas): caracteriza-se com a retirada do</p><p>cartucho ou do estojo da câmara. Pode ser mecânica ou manual. Em</p><p>armas de repetição e nas que operam por pressão gasosa, com extrator</p><p>no ferrolho, possui dois momentos distintos: 1ª. fase: quando a garra</p><p>do extrator, em seu avanço, empolga a virola localizada no culote do</p><p>cartucho. 2ª. fase: quando o extrator, ao recuar em razão do movimento</p><p>retrógrado do ferrolho, através de sua garra, extrai o cartucho ou estojo</p><p>da câmara. Em armas automáticas ou semi-automáticas, que não</p><p>operam por ação indireta (êmbolo ou tubo de gás), o primeiro momento</p><p>72</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>da extração é feito pelo próprio estojo que impulsiona diretamente o</p><p>ferrolho para a retaguarda. O extrator irá potencializar e direcionar</p><p>o lançamento do estojo para fora da arma, pela janela de ejeção, em</p><p>oposição de esforços com o ejetor.</p><p>– Engatilhamento (todas as armas): ocorre quando a peça</p><p>responsável pelo choque que levará à percussão da espoleta (martelo,</p><p>cão ou percussor), mesmo que indiretamente, recua por ação manual</p><p>ou mecânica e se engraza no dente da peça que a mantém presa em sua</p><p>posição, mais à retaguarda contra a ação de uma mola. O engatilhamento</p><p>pode se dar diretamente no gatilho ou em uma peça intermediária entre</p><p>esse e o cão.</p><p>– Ejeção (somente em armas dotadas de ejetor): há dois tipos</p><p>de ejetor conhecidos – fixo (preso na caixa da culatra ou na armação),</p><p>e móvel (montado na face anterior do ferrolho ou ao lado da câmara,</p><p>atuando como extrator/ejetor). Normalmente, se localizam em uma</p><p>posição tal, de modo a permitir que atuem na face posterior esquerda do</p><p>estojo, promovendo seu lançamento para fora da arma pelo lado direito.</p><p>Algumas armas mais modernas permitem cambiar o ejetor e a janela de</p><p>ejeção de lados, direcionando o lançamento para a esquerda ou para a</p><p>direita, de acordo com a necessidade do operador, caso este seja destro</p><p>ou canhoto. Mas, de uma maneira geral, os princípios da ejeção são os</p><p>mesmos: movimento retrógrado do cartucho, desvio por impulso ou</p><p>choque laterais e oposição de forças com o extrator. Quando o ejetor é</p><p>fixo, a ejeção caracteriza-se pelo momento em que a parte posterior do</p><p>cartucho, que vem sendo trazido à retaguarda pelo ferrolho, choca-se</p><p>contra o ejetor, que o obriga a girar em razão da oposição de esforços com</p><p>o extrator, direcionando seu movimento à janela projetada para sua saída</p><p>da arma (maioria das armas automáticas e semi-automáticas). Quando o</p><p>ejetor é móvel, a ejeção se dá quando o cartucho é retirado totalmente</p><p>da câmara, ficando livre para girar na direção da janela de ejeção, em</p><p>razão da descompressão brusca da mola do ejetor que atua por trás e em</p><p>um dos lados do culote (sistema de ferrolho rotativo do fuzil M16 e da</p><p>carabina Imbel MD97). Algumas espingardas de caça e de competição</p><p>possuem extratores com função de ejetor e expelem os cartuchos para</p><p>trás no momento da abertura da arma (armas de cano basculante).</p><p>– Apresentação (somente armas dotadas de dispositivo</p><p>carregador): ao recuar, o ferrolho abre espaço para que um cartucho</p><p>se apresente. Esta operação é diferente para cada tipo de carregador,</p><p>73</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>mas sempre se define com a interposição de um cartucho no caminho</p><p>do ferrolho para que seja conduzido à câmara quando este avançar.</p><p>Carregadores tipo cofre e depósito fixo promovem a apresentação,</p><p>empurrando os cartuchos para baixo, para cima ou para os lados,</p><p>dependendo do tipo de arma, mas sempre sob a ação de uma mola</p><p>e de um transportador23 localizados no seu interior. A apresentação</p><p>em carregadores tubulares caracteriza-se com a saída da munição do</p><p>tubo e sua elevação por transportador independente. No caso de fitas</p><p>metálicas, estas são deslocadas por impulsores a cada disparo.</p><p>– Limite de recuo (armas de repetição ou por ação de gases,</p><p>dotadas de ferrolho móvel): depois da apresentação, o movimento do</p><p>ferrolho ou conjunto similar prossegue até que seja barrado pela parte</p><p>posterior da armação ou pelo bloqueio do acionamento manual, o que</p><p>define seu limite de movimento à retaguarda.</p><p>– Ação da mola recuperadora (armas automáticas ou semi-</p><p>automáticas): após cessado o recuo das peças móveis, é caracterizada</p><p>pelo impulso desse conjunto na direção do cano.</p><p>– Introdução (todas as armas): é o deslocamento, à frente, do</p><p>cartucho apresentado na direção do interior da câmara, passando ou</p><p>não por rampas de acesso, de forma manual ou mecânica.</p><p>– Carregamento (todas as armas): nas armas de retrocarga, é</p><p>a introdução completa do cartucho na câmara. Nas armas de antecarga,</p><p>é a introdução do propelente, da bucha e do projétil no interior do cano</p><p>da arma, e a colocação da espoleta ou outro dispositivo de iniciação</p><p>em seu alojamento. Nas armas de carregamento misto, é a colocação</p><p>da munição na boca do cano ou dispositivo similar bocal próprio e do</p><p>cartucho de lançamento na câmara.</p><p>– Fechamento (armas de retrocarga para fogo circular ou</p><p>fogo central): é caracterizado de três formas – nas armas dotadas de</p><p>ferrolho, pelo momento em que a face do ferrolho, por onde aflora</p><p>o percussor, entra em contato com a câmara; nas armas de cano</p><p>basculante, no momento em que a arma é fechada; nas armas dotadas</p><p>de tambor, no momento em que a face de obturação, por onde aflora o</p><p>percussor, entra em contato com a parte posterior de uma das câmaras.</p><p>23 Transportador: estrutura do carregador que apoia, conduz e orienta os cartuchos em seu interior.</p><p>74</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– Trancamento (armas dotadas de ferrolho e sistema de</p><p>trancamento): o trancamento se completa no momento em que o</p><p>ferrolho, através de estruturas próprias e/ou peças complementares</p><p>se engraza no cano, na antecâmara ou na caixa da culatra da arma. O</p><p>trancamento, nas armas que operam pela ação de gases, possui a função</p><p>de reduzir a força de seu recuo. Nas armas de repetição, o trancamento</p><p>serve para manter o sistema à frente no momento do disparo.</p><p>Com base nas operações de funcionamento, as armas de fogo são</p><p>classificadas da seguinte forma:</p><p>a) Arma singular ou de tiro unitário</p><p>As armas desse tipo executam, mecanicamente, somente o</p><p>desengatilhamento e, em alguns casos, o engatilhamento. O carregamento,</p><p>o descarregamento e, na maioria dos casos, o engatilhamento, são feitos</p><p>manualmente.</p><p>As armas classificadas como singular podem ser:</p><p>– simples ou de tiro simples: possui somente um cano e</p><p>comporta apenas uma carga por vez, colocada e retirada da câmara com</p><p>o auxílio das mãos. Para um novo disparo, deve ser aberta e recarregada.</p><p>Exemplo: lançadores Tru Flite e Condor AM600 em calibres 37.1, 38.1 e</p><p>40 mm, para munições não letais (Figura 11) e lançadores M203 e M79,</p><p>no calibre 40 mm, para granadas explosivas;</p><p>FIGURA 11 – Lançador AM600.</p><p>– múltipla ou de tiro múltiplo: possui dois ou três canos</p><p>paralelos e/ou sobrepostos e comporta até três cargas, colocadas e</p><p>retiradas das câmaras com o auxílio das mãos. O mecanismo de disparo</p><p>pode ser independente (um cão e um gatilho para cada cano) ou semi-</p><p>75</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>independente para cada câmara (somente um gatilho, um cão e dois</p><p>percussores). Ex: escopeta cal 12, espingardas de caça e tiro esportivo</p><p>– Browning Cinergy Classic Field Grade III.</p><p>b) De repetição: executa todas as operações de funcionamento</p><p>de forma mecânica, através da ação muscular do operador. Comporta</p><p>vários cartuchos, os quais são carregados, extraídos e ejetados com a</p><p>repetição de uma ação manual para cada disparo. Ex.: revólver, carabina</p><p>Puma .38.</p><p>c) Semi-automática: aproveitando da ação dos gases</p><p>produzidos após o disparo, realiza automaticamente todas as operações</p><p>de funcionamento da arma, com exceção do disparo, para o qual se deve</p><p>acionar o gatilho para cada um. Ex.: pistolas, fuzis, carabinas e espingardas.</p><p>Curiosidade à parte, a espingarda Beretta UGB25 Xcel Gol Trap (Figura 12)</p><p>é uma novidade em arma semi-automática: possui um cano basculante,</p><p>carregamento manual do primeiro cartucho e um depósito localizado à</p><p>direita do cano. O recuo da arma promove o reengatilhamento e o segundo</p><p>carregamento que é semi-automático. Ex.: Beretta UGB25 Xcel Gold Trap.</p><p>FIGURA 12 – Espingarda Beretta UGB25 Xcel Gold Trap calibre 12.</p><p>(em detalhe o segundo cartucho em seu depósito).</p><p>d) Automática: aproveitando a ação dos gases decorrentes</p><p>de cada disparo, realiza automaticamente todas as operações de</p><p>funcionamento da arma, inclusive o disparo, até que o gatilho seja</p><p>liberado. Ex.: fuzis automáticos e submetralhadoras.</p><p>4.2.10 Quanto ao princípio de funcionamento</p><p>a) Ação muscular do atirador: todas as operações de</p><p>76</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>funcionamento da arma dependem da força do atirador operador para</p><p>cada disparo. Ex.: revólver, carabina Puma, espingarda CBC, modelo 586.</p><p>b) Ação de gases: as operações de funcionamento da arma</p><p>decorrem do aproveitamento dos gases provenientes da queima do</p><p>propelente contido no cartucho, que são responsáveis por movimentar</p><p>todo o mecanismo. Dentro dessa classificação, as armas subdividem-se</p><p>em automáticas e semi-automáticas, e podem funcionar da seguinte</p><p>forma:</p><p>– ação direta dos gases sobre ferrolho;</p><p>– ação indireta dos gases, com tomada em um ponto do</p><p>cano e transferência por êmbolo ou por tubo condutor;</p><p>– recuo do cano (curto ou longo): um dispositivo de</p><p>trancamento conecta o cano ao ferrolho ou culatra. A desconexão, ou</p><p>destrancamento, só irá ocorrer após a pressão dos gases ter descido</p><p>a níveis seguros e suportáveis pelo atirador. Possui duas variações de</p><p>construção: longo recuo do cano e curto recuo do cano. É utilizado em</p><p>armas de maior potência, ou seja, que utilizam munições com cargas</p><p>de projeção mais poderosas, sendo uma das formas que os inventores</p><p>encontraram para amenizar os efeitos da pressão dos gases de munições</p><p>poderosas sobre o mecanismo da arma e, consequentemente, contra o</p><p>atirador. Ex.: metralhadora Madsen M 1902 – Dinamarca (longo recuo).</p><p>Metralhadora MG 3A – Alemanha (curto recuo). Pistolas Imbel MD5 e</p><p>Taurus PT 92 E PT 100 (curto recuo).</p><p>A Figura 13, na página seguinte, resume a classificação geral do</p><p>armamento leve.</p><p>77</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 13 – Classificação geral das armas de fogo.</p><p>CAPÍTULO 5</p><p>SISTEMAS DE</p><p>FUNCIONAMENTO DAS</p><p>ARMAS DE FOGO</p><p>81</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>5 SISTEMAS DE FUNCIONAMENTO DAS ARMAS DE FOGO</p><p>O sistema de funcionamento de uma arma é a característica mais</p><p>notável, diferenciadora e que lhe confere uma identidade. Esses</p><p>sistemas pressupõem um conjunto de peças, dispostas de tal forma que</p><p>permitem carregar a arma, disparar, extrair e ejetar o estojo de forma</p><p>manual, por repetição ou automaticamente.</p><p>Muitas vezes, o sistema de funcionamento de uma arma é conhecido</p><p>pelo nome do seu inventor, como por exemplo: sistema Mauser,</p><p>Flobert, entre outros, ou pelo nome da peça mais importante para o</p><p>seu funcionamento, tal como, ferrolho ou tambor, ou pela sua forma de</p><p>funcionamento, que pode ser por bomba, alavanca, ou outra. O sistema</p><p>de uma arma está diretamente relacionado com o princípio de seu</p><p>funcionamento.</p><p>A seguir, os sistemas mais usados até hoje, são divididos com base em</p><p>seu princípio de funcionamento:</p><p>5.1 Pelo princípio da ação muscular do operador ou atirador (armas</p><p>de tiro singular e de repetição)</p><p>5.1.1 Sistema de fecho: é o mais antigo já conhecido. Foi aperfeiçoado</p><p>entre a segunda metade do século XVI e a segunda metade do século</p><p>XIX. Esse sistema era inerente às armas que possuíam dois elementos</p><p>principais: o cano, que continha o projétil e a carga de projeção, e o</p><p>fecho, mecanismo destinado a transmitir o fogo à carga de projeção.</p><p>Podem ser citados, como exemplos, o sistema de mecha, o fecho de</p><p>pederneira (Figura 14), o fecho de miquelete e o fecho de roda, todos</p><p>obsoletos.</p><p>82</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 14 – Fecho de pederneira.</p><p>5.1.2 Sistema de culatra reversível: consiste em uma chapa recortada,</p><p>que gira perpendicularmente ao eixo do cano, encaixando em uma</p><p>fenda existente na armação. Essa chapa, que é a culatra, é responsável</p><p>pela obturação da câmara no momento do disparo. Logicamente, esse</p><p>sistema somente é adequado para as armas que utilizam cartuchos de</p><p>pequena potência. Como exemplo, cita-se a pistola Flaubert calibre. 22</p><p>Cycliste, que é uma arma curta, de tiro simples (Figura 15).</p><p>FIGURA 15 – Pistola Flaubert Cyclist .22.</p><p>83</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>5.1.3 Sistema de corrediça: uma alavanca articulada à extremidade</p><p>posterior da armação, quando acionada em movimento para baixo e</p><p>para frente, desloca o cano, ou no caso de garruchas de dois canos, o</p><p>bloco dos canos. Nesse momento, dá-se a abertura da arma e a extração</p><p>dos estojos deflagrados. Essa alavanca serve também de guarda-mato,</p><p>ou seja, o fechamento e o trancamento acontecem quando a alavanca é</p><p>levada à retaguarda. Ex.: alguns tipos de pistolas e garruchas – armas de</p><p>tiro unitário – e o revólver Galand modelo 1868, Figura 16.</p><p>FIGURA 16 – Revólver Galand modelo 1868.</p><p>5.1.4 Sistema de cano reversível: consiste na abertura da arma através</p><p>do cano, que gira horizontalmente, em torno de um eixo existente em</p><p>seu suporte, após sua liberação por meio de um retém. Quando o cano</p><p>gira, um extrator é automaticamente acionado. Ex.: pistola Derringer</p><p>calibre. 41 – armas de tiro unitário simples de fogo central (Figura 17).</p><p>FIGURA 17 – Pistola Derringer calibre. 41.</p><p>84</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>5.1.5 Sistema de culatra basculante (ação de bloco rolante): a culatra</p><p>move-se para trás, girando 90 graus em torno de um eixo perpendicular</p><p>ao plano de simetria da arma. Quando a culatra é rebatida para trás,</p><p>arrasta consigo um extrator, acionando-o. O trancamento da arma</p><p>ocorre por meio de ressaltos existentes nos “cães”, os quais devem ser</p><p>engatilhados ou colocados na posição de segurança para permitir a</p><p>abertura da culatra. Ex.: pistolas e carabinas Remington Rolling Block</p><p>(Figura 18).</p><p>FIGURA 18 – Vista da culatra e do cão da Carabina Remington Rolling Block 1874</p><p>5.1.6 Sistema de cano basculante: consiste em um cano ou bloco de</p><p>dois canos geminados, que basculam, ou seja, giram em torno de um</p><p>eixo fixado na parte anterior da armação, em um movimento angular, no</p><p>plano vertical. Quando o cano gira, aciona automaticamente o extrator.</p><p>Ex.: escopeta calibre 12, conforme Figura 19.</p><p>85</p><p>Manual de Armamento</p><p>Convencional</p><p>FIGURA 19 – Espingarda de cano basculante.</p><p>5.1.7 Sistema de armação rígida: específico para revólveres, caracteriza-</p><p>se, principalmente, pelo fato de permitir a extração dos cartuchos, um</p><p>a um, pelo extrator do tipo vareta, que penetra na câmara por sua</p><p>abertura e expele o estojo pela extremidade oposta. Existem dois tipos</p><p>de armação: inteiriça e desmontável. Ex.: Rv Nagant calibre 7,62 mm e Rv</p><p>MH (Merwin Hulbert) calibre .38 curtos, Figura 20.</p><p>FIGURA 20 – Rv. Nagant calibre 7,62 mm (esquerda)</p><p>e Rv MH (Merwin Hulbert) calibre .38 curto (direita).</p><p>5.1.8 Sistema de armação basculante: também específico para</p><p>revólveres, o sistema de armação basculante consiste, basicamente, em</p><p>uma armação que gira no plano vertical em torno de um eixo, o que</p><p>permite a extração de todos os cartuchos de uma só vez, por um único</p><p>extrator que é acionado quando a armação é basculada. Nesse sistema,</p><p>a armação pode girar para cima ou para baixo, dependendo do modelo.</p><p>Ex.: Rev. Webley & Scott MKVI calibre 11,5 mm, Figura 21.</p><p>86</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 21 – Rv. Webley & Scott MKVI calibre 11,5 mm.</p><p>5.1.9 Sistema de tambor reversível: específico para revólveres, a</p><p>armação é rígida, porém, o tambor pode ser rebatido lateralmente e os</p><p>cartuchos extraídos, ao se pressionar a vareta do extrator que atua sobre</p><p>todos os cartuchos simultaneamente. Esse é o sistema mais utilizado</p><p>atualmente na fabricação de revólveres. Ex.: Rv Taurus calibre .38 M952.</p><p>FIGURA 22 – Taurus calibre .38 M952.</p><p>87</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>5.1.10 Sistema de cão oculto: também conhecido como “arma mocha”,</p><p>consiste em dispor o mecanismo de percussão, dotado de cão, oculto no</p><p>interior da arma. Nesse sistema, a percussão pode ser direta ou indireta</p><p>e a arma é engatilhada automaticamente ao abrir a culatra. Pode estar</p><p>presente em armas de porte e portáteis e, geralmente, é empregado em</p><p>espingardas de tiro unitário. Ex.: revólveres (Figura 23), espingarda Royal</p><p>Bonanza mod 75 calibre .12 – Riot Gun.</p><p>FIGURA 23 – Arma curta “mocha”.</p><p>5.1.11 Sistema de ferrolho: as armas que utilizam esse sistema possuem</p><p>um ferrolho cilíndrico que se desloca, longitudinalmente, na caixa da</p><p>culatra e gira em torno de seu próprio eixo, pelo acionamento manual</p><p>de uma alavanca de manejo, que se projeta lateralmente no corpo</p><p>do ferrolho. Esse ferrolho possui, ainda, ressaltos que se encaixam em</p><p>alojamentos existentes próximos à câmara, permitindo o trancamento</p><p>da arma. O mecanismo de percussão é enroscado no interior do cilindro</p><p>do ferrolho, e a arma é engatilhada no avanço do ferrolho, ao rebater</p><p>a alavanca de manejo. Possui ainda um extrator que retira o estojo da</p><p>câmara durante o recuo do ferrolho. É o mais conhecido nos meios civil</p><p>e militar, empregado em armas de repetição e nos fuzis militares, como</p><p>é o caso do fuzil Mauser calibre 7 mm mod 1908 ou dos rifles de caça ou</p><p>sniper, bolt action (Figura 24).</p><p>88</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 24 – Carabina com sistema de ferrolho (“bolt action”).</p><p>5.1.12 Sistema de alavanca: tem como característica principal um</p><p>guarda-mato que atua como alavanca. Ao levar a alavanca à frente,</p><p>essa gira em torno de um eixo, descrevendo um arco de circunferência,</p><p>fazendo a abertura da culatra. Com a abertura da arma, a culatra móvel</p><p>desliza para trás, extrai e ejeta o estojo. Sua culatra engatilha o cão no</p><p>movimento à retaguarda e, ao mesmo tempo, o transportador sobe</p><p>com um cartucho procedente do carregador tubular existente abaixo</p><p>do cano, até alinhá-lo com a câmara. Ao trazer a alavanca à retaguarda,</p><p>a culatra empurra o cartucho, introduzindo-o na câmara. A arma estará,</p><p>então, pronta para o disparo e para iniciar um novo ciclo. Esse sistema,</p><p>também conhecido como “lever action” em inglês, tornou famosas as</p><p>carabinas Winchester (Figura 25), mundialmente conhecidas. A PMMG</p><p>adotou a carabina PUMA calibre .38, que utiliza esse sistema.</p><p>FIGURA 25 – Rifle Winchester com sistema de alavanca.</p><p>5.1.13 Sistema de bomba: também conhecido como “ação de bomba”,</p><p>“trombone”, “corrediça” ou “deslizante”, foi inventado pelos norte-</p><p>americanos, que a chamam de “pump-action” ou “slide action”. Consiste</p><p>em um ferrolho corrediço interno, colocado na parte posterior do cano.</p><p>Sob o cano, e alinhado com a bomba, existe um carregador tubular</p><p>com capacidade para vários cartuchos. O funcionamento consiste em</p><p>aproveitar o movimento longitudinal do ferrolho corrediço para efetuar</p><p>as operações que antecedem e sucedem o disparo. Esse sistema foi</p><p>inventado para dar maior velocidade ao disparo e supera, neste quesito,</p><p>outros sistemas de repetição, como o de ferrolho e o de alavanca. É muito</p><p>empregado na fabricação de espingardas e carabinas. Atualmente,</p><p>forças policiais do mundo inteiro utilizam espingardas com esse sistema.</p><p>A PMMG possui a espingarda CBC calibre 12 (Figura 26).</p><p>89</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 26 – Espingarda com sistema de bomba.</p><p>5.2 Pelo princípio da ação dos gases</p><p>Esses sistemas caracterizam-se pelo aproveitamento dos gases</p><p>decorrentes da combustão da pólvora nas operações de funcionamento.</p><p>5.2.1 Ação direta dos gases sobre o ferrolho (blowback)</p><p>Usado em armas automáticas e semi-automáticas, nesse sistema os</p><p>gases atuam diretamente sobre o estojo da munição para movimentar</p><p>o ferrolho, mas a arma não é dotada de sistema de trancamento. O</p><p>ferrolho é livre de engrazamentos24, mas, durante o disparo, deve ser</p><p>mantido à frente até que o projétil tenha saído pela boca do cano. Para</p><p>isso, um conjunto de fatores e estruturas deve ser dimensionado a fim</p><p>de conter o recuo do ferrolho, até que a pressão de gases esteja em</p><p>níveis seguros para que saia da inércia: a força da mola recuperadora, a</p><p>dilatação do estojo, a massa do ferrolho, a mola principal do cão, martelo</p><p>ou percussor, ou algum tipo de retém instalado com esse fim específico.</p><p>O sistema é adequado, a princípio, para armas que utilizam cartuchos</p><p>menos potentes. Mesmo assim, sua adoção depende, ainda, de algumas</p><p>variáveis. Algumas pistolas .380 ACP, por exemplo, normalmente</p><p>fabricadas em sistema blowback, quando dotadas de cano muito curto,</p><p>são construídas para operarem com algum sistema de trancamento, na</p><p>maioria das vezes, “curto recuo do cano”.</p><p>Após o disparo, a força dos gases faz com que o estojo do cartucho seja</p><p>impulsionado para trás, empurrando o ferrolho no qual se acha montado</p><p>um extrator. Durante esse recuo, o estojo é extraído e ejetado, e a arma,</p><p>reengatilhada. Ao final dessa fase (recuo das peças móveis), a mola</p><p>recuperadora é comprimida ao máximo e marca o início da fase seguinte</p><p>(avanço das peças móveis). A mola recuperadora, então, se distende e</p><p>obriga o ferrolho a retornar à sua posição de contato com a câmara, levando</p><p>consigo um novo cartucho, deixando-o em condições de iniciar novo ciclo.</p><p>24 Engrazamentos: estruturas ou peças que impelem o ferrolho se encaixar no cano ou na culatra</p><p>de uma arma, promovendo a ação de trancamento.</p><p>90</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Cabe ressaltar que algumas armas que utilizam este sistema operam</p><p>com a culatra aberta e o carregamento se dá de forma simultânea</p><p>com o disparo, após acionamento do gatilho, como no caso das</p><p>submetralhadoras Taurus MT 12 e MT12-A. Mas, na maioria das armas</p><p>modernas, o carregamento se dá após o avanço total do ferrolho, e o</p><p>disparo ocorre de forma independente, como nas carabinas .40 FAMAE,</p><p>ou na maioria das pistolas em calibre inferior ao 9 mm, a exemplo da</p><p>pistola Imbel .380 ACP MD1.</p><p>5.2.2 Ação indireta dos gases com tomada em um ponto do cano</p><p>a) com transferência por êmbolo: nesse sistema, o cano da</p><p>arma possui, em determinado ponto, um evento (canal de comunicação)</p><p>que se comunica com um cilindro de gases, em cujo interior trabalha um</p><p>êmbolo. Os gases são desviados por esse canal e movimentam o êmbolo</p><p>que impulsiona uma peça intermediária que fará destrancar e deslocar o</p><p>ferrolho para a retaguarda. Durante seu movimento de recuo, ocorrem a</p><p>extração,</p><p>a ejeção e o reengatilhamento. Após atingir seu limite de recuo,</p><p>a ação de uma mola recuperadora o impulsiona de volta, recarregando,</p><p>fechando e trancando a arma, deixando-a em condições de novo disparo.</p><p>Ex.: fuzis Imbel 7,62 e 5,56 derivados do FAL Belga, pistola Desert Eagle .50.</p><p>.</p><p>FIGURA 27 – Sistema de ação indireta dos gases com tomada</p><p>em um ponto do cano do fuziI Imbel 7,62 M964 FAL.</p><p>b) com transferência por tubo de gás: nesse sistema, as</p><p>operações de funcionamento ocorrem de forma semelhante ao anterior,</p><p>entretanto, não possui êmbolo e os gases, desviados por um tubo de gás</p><p>localizado acima do cano, agem diretamente na peça que movimenta o</p><p>ferrolho na caixa da culatra. Ex.: fuzis M16 ou M4.</p><p>91</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>5.2.3 Recuo do cano</p><p>Divide-se em dois tipos: longo recuo do cano e curto recuo do cano. É</p><p>utilizado em armas curtas ou longas, semi-automáticas e automáticas</p><p>de culatra aferrolhada, ou seja, o cano se desloca com a culatra após o</p><p>disparo. Um dispositivo de trancamento é acionado, sendo desativado</p><p>após a pressão dos gases ter descido a níveis seguros.</p><p>5.2.3.1 Longo recuo do cano: ocorre quando a dimensão do recuo</p><p>do cano é superior ao comprimento do cartucho utilizado na arma. O</p><p>destrancamento e a abertura do sistema só se efetuam após o total</p><p>recuo do cano e da culatra. Devido à grande massa conjunta de cano</p><p>e culatra, é usual utilizar um reforçador de recuo para que se possa</p><p>aproveitar a força viva dos gases provenientes da queima do propelente.</p><p>O reforçador de recuo consiste, basicamente, numa peça que faz uma</p><p>recompressão dos gases expandidos à boca do cano, depois de já terem</p><p>deixado a alma do cano, de modo que possa tirar proveito de uma força</p><p>extra dos gases. Um modelo desse sistema de funcionamento é o da</p><p>metralhadora Santa Bárbara LAG-40 SB-M1 de 40 mm (Figura 28).</p><p>FIGURA 28 – Operação de longo recuo do cano do lançador de</p><p>granadas automático Santa Bárbara LAG 40 SB-M1 40 mm.</p><p>5.2.3.2 Curto recuo do cano</p><p>Quando a dimensão do recuo do cano é inferior ao comprimento</p><p>do cartucho utilizado na arma. Em pistolas semi-automáticas, o</p><p>destrancamento e a abertura do sistema ocorre após cerca de 6 mm de</p><p>deslocamento do cano e do ferrolho.</p><p>92</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Nas polícias, atualmente, encontra-se o sistema de curto recuo em todas</p><p>as pistolas de calibre acima de 9 mm Luger, inclusive esse, a saber: as</p><p>pistolas Taurus PT92, PT100, PT24/7 e PT640, pistolas Imbel .45 ACP e</p><p>.40S&W (Figura 29).</p><p>FIGURA 29 – Arma de curto recuo do cano. (pistola Taurus PT 92 AF – 9 mm).</p><p>Sequência de funcionamento do curto recuo do cano:</p><p>a) após o projétil ter saído pela boca do cano a pressão dos</p><p>gases empurra o estojo para a retaguarda, levando consigo o ferrolho</p><p>que comprime a mola recuperadora. Nesse estágio, o cano é solidário ao</p><p>ferrolho e também recua por um curto espaço;</p><p>b) após a pressão ter caído a níveis seguros, o cano é retido em</p><p>seu limite de movimento e o ferrolho continua recuando;</p><p>c) durante o recuo, o ferrolho continua comprimido a mola</p><p>recuperadora, extrai e ejeta o estojo;</p><p>d) novo cartucho se apresenta, a mola recuperadora então</p><p>impulsiona o ferrolho à frente, iniciando um novo ciclo.</p><p>CAPÍTULO 6</p><p>BALÍSTICA</p><p>95</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>6 BALÍSTICA</p><p>Balística é o estudo do movimento e do comportamento dos projéteis</p><p>dentro e fora das armas de fogo, em razão das forças e dos fatores que</p><p>atuam sobre ele, bem como de seus efeitos. É dividida em três fases</p><p>distintas: balística interior, balística exterior e balística dos ferimentos</p><p>ou dos efeitos.</p><p>6.1 Conceito de balística</p><p>É o estudo do movimento e do comportamento dos projéteis, dentro e</p><p>fora das armas de fogo, em razão das forças e dos fatores que sobre eles</p><p>atuam, bem como de seus efeitos.</p><p>6.2 O processo do disparo</p><p>O cartucho metálico completo é uma evolução não-superada nas armas</p><p>de fogo. No presente capítulo será estudado o comportamento da</p><p>munição, desde a percussão e o deslocamento do projétil no interior</p><p>da arma até o momento em que o projétil encerra seu movimento. É</p><p>estudo de suma importância para que se conheça melhor as armas de</p><p>fogo, principalmente no tocante às munições utilizadas e seus efeitos.</p><p>6.2.1 Conceitos no processo de disparo</p><p>Para o entendimento do processo de disparo, é necessário o</p><p>estabelecimento de conceitos e o conhecimento das informações</p><p>básicas descritas a seguir.</p><p>6.2.1.1 Tipos de transformação</p><p>A partir de um experimento com a comparação de vários tipos de</p><p>explosivo dispostos em extensão, em forma de fio com as mesmas</p><p>dimensões, sem nenhuma compressão e excitados ao ar livre, obteve-</p><p>se que a velocidade de transformação deles era variável, ou seja, uns se</p><p>transformam mais rapidamente do que outros. Dessa forma, diferentes</p><p>tipos de transformação foram definidos, o que levou às definições</p><p>encontradas no quadro 1.</p><p>96</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>QUADRO 1</p><p>TRANSFORMAÇÃO DOS EXPLOSIVOS, POR VELOCIDADES DE QUEIMA</p><p>TIPO DE TRANSFORMAÇÃO RELAÇÃO ESPAÇO TEMPO METROS/</p><p>SEGUNDO</p><p>Queima (inflamação) De 1 a 90 m/seg.</p><p>Deflagração De 1.000 a 2.000 m/seg.</p><p>Explosão De 2.000 a 4.000 m/seg.</p><p>Detonação Acima de 4.000 metros/seg.</p><p>Com base nesses dados, os explosivos são classificados, quanto à</p><p>velocidade de transformação, em:</p><p>a) baixos explosivos (pólvoras): são empregados para cargas</p><p>de projeção, artifícios pirotécnicos e, eventualmente, ruptura. Esses</p><p>explosivos queimam ou deflagram;</p><p>b) altos explosivos (explosivos brisantes ou de ruptura): são</p><p>empregados em ruptura, arrebentamento, fragmentação, destruições, e</p><p>como iniciadores de explosões. Esses explosivos explodem ou detonam.</p><p>6.2.1.2 Encadeamento explosivo</p><p>Qualquer munição é composta por elementos essenciais para que</p><p>formem o encadeamento explosivo:</p><p>a) um iniciador: que produz o jato inicial de chama que irá</p><p>inflamar a carga propelente; é geralmente chamado de estopilha ou</p><p>espoleta (detonante ou fulminante);</p><p>b) um propelente: é a carga inflamável que impulsiona</p><p>o projétil devido à pressão dos gases gerados pela sua combustão</p><p>(pólvora);</p><p>6.3 Balística interior</p><p>Estuda o que ocorre desde o momento do disparo até o instante em</p><p>que o projétil abandona o cano da arma. Esse estudo se baseia, então,</p><p>na quantidade de carga propelente que vai gerar uma determinada</p><p>temperatura, volume e pressão dos gases no interior da arma, durante</p><p>97</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>sua queima. Baseia-se, ainda, no formato da arma, no tamanho de seu</p><p>cano, na quantidade, no sentido e dimensões as raias, bem como no</p><p>peso e formato dos projéteis. Dependendo da quantidade e do tipo de</p><p>pólvora utilizada, deve se levar em conta, no desenvolvimento de uma</p><p>arma, o tipo de material utilizado em sua construção, a fim de evitar</p><p>danos indesejáveis.</p><p>Etapas do processo de disparo</p><p>A sequência do processo de disparo é descrita a seguir em sete etapas,</p><p>também representadas na Figura 30.</p><p>a) Percussão: com o cartucho perfeitamente ajustado na</p><p>câmara (que deverá estar completamente obstruída), pressiona-se o</p><p>gatilho que irá liberar o mecanismo de percussão, de tal forma que o</p><p>percussor incida sobre a espoleta ou cápsula, iniciando a detonação;</p><p>b) Detonação: quando o percussor golpeia a espoleta, a</p><p>matéria detonante é violentamente comprimida, produzindo uma</p><p>potente chama, que é transmitida ao propelente (carga de pólvora)</p><p>através de um ou mais orifícios existentes no cartucho. Esses furos, que</p><p>fazem a ligação do alojamento da espoleta ao receptáculo da pólvora</p><p>(câmara do estojo), são denominados eventos;</p><p>c) Início da queima do propelente: quando a espoleta</p><p>é detonada, lança para o interior do estojo uma chama que deve ser</p><p>potente o suficiente para envolver toda a pólvora contida em seu</p><p>interior, sob pena de queima ineficiente e retardo no disparo. A pólvora</p><p>contida em um cartucho de munição não explode, queima;</p><p>d) Início do movimento do projétil: na medida em que a</p><p>pólvora vai sendo queimada, é transformada em um grande volume</p><p>de</p><p>gases que passa a exercer pressão contra a base do projétil e contra as</p><p>paredes e a base do estojo, num sistema de forças que atua em todas</p><p>as direções. Como no bloqueio desse sistema, a parte mais fraca é a</p><p>região de engaste do projétil no gargalo, a crescente pressão dos gases</p><p>provocará seu deslocamento à frente, após dilatação do estojo. Tal</p><p>dilatação, decorrente de sua elasticidade material, do calor e da pressão</p><p>gerados, além de facilitar o movimento do projétil, possui a função</p><p>de selar a câmara para evitar a perda de gases pela culatra e ajudar a</p><p>impedir o recuo do estojo antes do momento adequado, principalmente</p><p>em armas que funcionam por sistema “blowback”. Parte dos gases</p><p>98</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>acompanha o projétil, empurrando-o no sentido contrário – da culatra</p><p>para a boca do cano;</p><p>e) Voo livre e tomada do raiamento pelo projétil: a pressão</p><p>dos gases vence a inércia do projétil, impulsionando-o à frente. Antes</p><p>de atingir as raias, o projétil percorre um pequeno trajeto localizado na</p><p>parte final e anterior da câmara. Essa porção é denominada espaço de</p><p>voo livre, é lisa e possui diâmetro maior do que o do projétil. Após tê-la</p><p>ultrapassado com facilidade, encontra-se com o início do raiamento, o</p><p>que causa uma ligeira frenagem em seu movimento. Na sequência, a</p><p>pressão dos gases continua aumentando gradativamente, forçando-o</p><p>contra as estrias e imprimindo-lhe uma rotação em torno de seu eixo</p><p>longitudinal, no sentido de evolução das raias;</p><p>f ) O projétil adquire velocidade no cano: após a tomada do</p><p>raiamento, a pressão continua em uma crescente vertiginosa até chegar</p><p>ao seu pico (ponto máximo), exatamente no momento em que o projétil</p><p>já percorreu a parte inicial do cano (cerca de um quinto) e adquiriu</p><p>aceleração. A partir daí, na medida em que o espaço deixado por ele</p><p>aumenta, a pressão vai caindo gradativamente. Embora ocorra essa</p><p>queda na pressão dos gases, seus efeitos não cessam, uma vez que parte</p><p>da pólvora ainda continua queimando, acompanhando o projétil em</p><p>sua trajetória pelo cano, imprimindo-lhe mais velocidade. No processo</p><p>de disparo, a queima da pólvora ocorre em fases, diferentes e sucessivas.</p><p>99</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 30 – Representação das etapas do processo de disparo.</p><p>g) O projétil abandona o cano: próximo do final de sua</p><p>trajetória no interior do cano, o projétil recebe um pequeno e último</p><p>incremento de aceleração. Alcança sua velocidade máxima ao atingir a</p><p>boca do cano, por onde sai acompanhado de um estampido e de uma</p><p>labareda de fogo provocada por partículas ainda em combustão. Com</p><p>a saída do projétil, a pressão cai bruscamente, permitindo que o estojo</p><p>recupere, em parte, suas dimensões originais, o que irá permitir sua</p><p>extração. Após o disparo, ocorre o recuo da arma no sentido contrário</p><p>ao deslocamento do projétil.</p><p>100</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Com o projétil já fora do cano, a pressão exercida para trás sobre a</p><p>parte anterior da culatra deverá dar origem ao retrocesso dos mecanismos</p><p>da arma, dependendo do seu sistema de funcionamento, a saber:</p><p>– se possui um ferrolho que trabalha trancado, com acionamento</p><p>através de êmbolo ou tubo, e impulsor, não se moverá, até que os gases</p><p>atinjam o ponto de captação próximo à boca do cano e movimentem o</p><p>impulsor (ação indireta dos gases com tomada em um ponto do cano);</p><p>– se possui acionamento direto do ferrolho, sem êmbolo, o próprio</p><p>estojo inicia a abertura da culatra (ex.: blowback e curto recuo do cano);</p><p>– se possui culatra trancada manualmente ou tambor (armas</p><p>de repetição e de tiro singular), não haverá sistema recuante, sendo</p><p>todo o movimento transferido para a arma e absorvido pelo atirador.</p><p>Em todos os casos, portanto, durante o deslocamento do projétil no</p><p>interior do cano, o sistema de forças deverá estar em equilíbrio, de modo</p><p>que a arma não se movimente, ou se movimente o mínimo possível para</p><p>não afetar a precisão. Como regra geral, o recuo das armas de fogo e</p><p>de suas peças móveis só pode se iniciar após a saída do projétil pela</p><p>boca do cano, e devem, por construção, serem dimensionadas para tal.</p><p>Entretanto, há armas projetadas e construídas sem a observação desses</p><p>critérios. Em um processo de seleção e aquisição, devem ser rejeitadas.</p><p>6.4 Balística exterior</p><p>Estuda o comportamento do projétil durante a sua trajetória, desde o</p><p>momento em que abandona o cano até alcançar o alvo. Neste estudo,</p><p>entra a aerodinâmica, que se ocupa em avaliar qual é a relação entre</p><p>o movimento do projétil e sua velocidade, o formato, bem como a</p><p>resitência do ar que o envolve. Além disso, o calibre, o formato, a</p><p>massa, a velocidade inicial e a rotação, são fatores determinantes para</p><p>a construção e para o desempenho balístico de um projétil. Da simples</p><p>análise física do assunto, utilizando energia, pode-se deduzir que a massa</p><p>e a velocidade são muito importantes no desempenho de uma arma e</p><p>de um projétil, já que a energia cinética de um corpo corresponde à uma</p><p>relação entre essas duas variáveis: “EC = ½ m .v²”25. Como a energia a</p><p>ser transmitida ao alvo é fruto da transformação da energia cinética, a</p><p>maximização desta permitirá um melhor efeito.</p><p>25 “EC” é igual a Energia Cinética, “m” é a massa e “v” a velocidade.</p><p>101</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>6.4.1 Forças que atuam sobre o projétil</p><p>Quando o projétil sai do cano da arma após o disparo, sofre a ação de</p><p>uma série de forças, dentre elas, a impulsão gerada pela pressão dos</p><p>gases, que Ihe imprimiu velocidade e rotação. Em oposição a essas</p><p>forças, atuam outras existentes na natureza: gravidade, resistência do</p><p>ar (atrito) e ventos (Figura 31). O formato do projétil e seu movimento</p><p>de rotação induzido pelas raias servem, justamente, para vencer essas</p><p>forças contrárias.</p><p>FIGURA 31 – Forças que atuam sobre o projétil.</p><p>Quanto à força da gravidade, pode-se afirmar que todo corpo que possui</p><p>massa e é solto ou lançado no ar, cairá no solo em algum momento. O</p><p>resultado das forças que atuam sobre o projétil em sua trajetória fora</p><p>do cano da arma, e antes de atingir seu objetivo, fará com que o projétil</p><p>descreva uma trajetória quase parabólica, que será mais, ou menos</p><p>tensa, de acordo com uma série de fatores: inclinação do cano da arma</p><p>no momento do disparo, velocidade, forma e massa do projétil.</p><p>A resistência do ar e a força dos ventos agem, respectivamente, na</p><p>desaceleração e no desvio dos projéteis. Tais ações dependem da</p><p>intensidade e/ou da direção desses elementos, que ainda são afetadas</p><p>pelo formato e pelas velocidades de deslocamento e rotação do projétil.</p><p>O tamanho do cano e a disposição do raiamento podem melhorar o</p><p>desempenho da munição, pois influenciam diretamente nas velocidades</p><p>imprimidas ao projétil. Entretanto, variações dessa natureza podem</p><p>exigir a utilização de pólvoras com tempos de queima diferentes. A</p><p>única certeza é de que, quanto mais aerodinâmico for seu formato e</p><p>maior velocidade de rotação for induzida no projétil, mais facilmente</p><p>ele reduzirá a ação dessas forças. O desempenho de cada tipo de arma e</p><p>munição é afetado de maneira diferenciada pelas forças citadas.</p><p>102</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>6.4.2 Desenvolvimento de projéteis</p><p>Um dos motivos de controvérsia do passado estava relacionado</p><p>com a trajetória dos projéteis. Antes de Galileu, acreditava-se que a</p><p>trajetória descrita por um projétil era retilínea, porém Galileu e Newton</p><p>demonstraram que a trajetória de qualquer corpo sob a ação da</p><p>gravidade era parabólica. Assim, como qualquer corpo que tem massa,</p><p>os projéteis sofrem a ação da gravidade, o que leva a concluir pelo</p><p>seguinte: quanto maior a distância do alvo, maior será a curva produzida</p><p>pelo projétil em sua trajetória.</p><p>Nos últimos anos, os estudos da balística têm obtido grandes êxitos, já</p><p>que o desenvolvimento de fotografias de alta velocidade, e o surgimento</p><p>e desenvolvimento do estroboscópio26 (Figura 32), têm permitido o</p><p>estudo aprofundado da movimentação de projéteis. Tais estudos</p><p>são</p><p>feitos através da inclusão dos dados em supercomputadores, o que</p><p>permite a otimização de armas e projéteis.</p><p>FIGURA 32 – Estroboscópio.</p><p>Outro equipamento muito utilizado para se medir a velocidade do</p><p>projétil é o cronógrafo (Figura 33) . Nele existem dois sensores que</p><p>captam o momento de passagem entre dois pontos distintos, em</p><p>tempos variados, o que permite o cálculo eletrônico final.</p><p>26 Consiste num dispositivo ótico que permite estudar e registar o movimento contínuo ou</p><p>periódico de elevada velocidade de um corpo, com o objetivo de fazê-lo parecer estacionário.</p><p>103</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 33 – Cronógrafo.</p><p>Hoje, sabe-se, que a curva produzida por um projétil de arma de fogo na</p><p>atmosfera terrestre não chega a constituir uma parábola, em razão da</p><p>força de resistência do ar, que reduz, gradativamente, a amplitude dos</p><p>movimentos, horizontal e vertical, os quais compõem o deslocamento</p><p>do projétil, atuando de forma contrária. Essa força é função das seguintes</p><p>variáveis:</p><p>a) Densidade do ar: a densidade do ar depende da temperatura</p><p>e da pressão ambiente. Em locais de menor altitude, o ar é mais denso</p><p>e, portanto, oferece mais resistência ao movimento. Ao nível do mar, à</p><p>temperatura de 0ºc, a densidade (massa específica) do ar é de 1,3 kg/mᶟ;</p><p>b) Coeficiente aerodinâmico do corpo: obtido somente em</p><p>testes de laboratório, é uma grandeza adimensional (sem unidade) que</p><p>depende da forma do corpo. Quanto maior o coeficiente aerodinâmico,</p><p>maior será força de resistência do ar;</p><p>c) Área do objeto voltada para o movimento: a força com</p><p>que o ar atua contra o movimento é diretamente proporcional à área do</p><p>104</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>objeto voltada para direção e o sentido esse movimento. Quanto maior</p><p>for essa área, maior a força de resistência do ar;</p><p>d) Velocidade relativa do corpo em relação ao ar: a força de</p><p>resistência do ar é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade</p><p>relativa do corpo em relação ao ar. Desta forma, quanto maior a</p><p>velocidade do corpo, maior será a força de resistência.</p><p>Esse conhecimento é importante para o desenvolvimento de projéteis</p><p>que tenham melhor desempenho balístico exterior, com trajetórias mais</p><p>homogêneas e mais favoravelmente tensas, aumentando sua precisão.</p><p>6.4.3 Elementos da trajetória</p><p>Essa série de elementos teóricos serve para o estudo mais aprofundado</p><p>da balística exterior. Para melhor entendimento, deve ser consultada a</p><p>Figura 34.</p><p>FIGURA 34 – Elementos da trajetória.</p><p>Fonte: Adaptado de Flores, Gomes e Oliveira, 2001.</p><p>a) linha de tiro (LT): é a reta determinada pelo prolongamento</p><p>indefinido do eixo do cano da arma;</p><p>b) ângulo de tiro (AT): é o ângulo que a linha de tiro faz com</p><p>a horizontal;</p><p>105</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>c) linha de mira (LM): é a linha reta imaginária que parte da</p><p>alça de mira até a massa de mira da arma;</p><p>d) linha de visada (LV): é a linha de mira prolongada até o</p><p>alvo;</p><p>e)ângulo de mira (B): é o ângulo compreendido entre a linha</p><p>de visada e a linha de tiro;</p><p>f ) flecha (F): é a ordenada máxima (altura) da trajetória;</p><p>g) ponto de queda (PQ): é o ponto em que a trajetória</p><p>parabólica (curva) corta a linha de visada em seu ramo descendente;</p><p>h) ângulo de queda (C): é o ângulo que a trajetória faz, com a</p><p>linha de visada no ponto de queda. É determinado pela linha de visada</p><p>e pela tangente à trajetória, nesse ponto;</p><p>i) ponto de chegada (PC): é o ponto em que o projétil encontra</p><p>o solo. Pode situar-se antes ou depois do ponto em que a trajetória</p><p>intercepta o plano horizontal;</p><p>j) ângulo de chegada (D): é o ângulo determinado pelo</p><p>declive do solo e pela tangente à trajetória, no ponto de chegada. Ponto</p><p>de queda;</p><p>k) alcance efetivo (AE): é a distância compreendida entre a</p><p>boca da arma e o ponto onde a munição ainda é capaz de produzir os</p><p>efeitos traumáticos desejados para o tiro de defesa.</p><p>l) alcance real (AR): é a distância compreendida entre a boca</p><p>da arma e o ponto de chegada.</p><p>6.4.4 Alcances dos projéteis</p><p>Realizado o disparo, o projétil se desloca pelo ar até o momento em que</p><p>encontra um alvo ou até que, pela ação da resistência do ar e da força</p><p>da gravidade, perca sua força propulsora e caia no solo. A essa distância</p><p>percorrida, dá-se o nome de “alcance” do disparo.</p><p>O alcance de cada disparo, mesmo que de calibres iguais, nunca será</p><p>idêntico, uma vez que sempre estará permeado por uma série de</p><p>variáveis: condições da arma (tamanho de cano, número de raias, sentido</p><p>106</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>do raiamento), condições da munição, clima e condições atmosféricas</p><p>(temperatura, umidade relativa do ar, velocidade e direção do vento e</p><p>precipitação pluviométrica); variáveis estas que interferem no alcance</p><p>do projétil.</p><p>Munições idênticas, disparadas de armas com canos de diferentes</p><p>dimensões, atingirão alcances diferentes. Normalmente, canos com</p><p>maiores comprimentos permitem gerar maiores pressões no processo</p><p>de queima do propelente, o que se ocorrer, imprimirá maiore velocidade</p><p>de deslocamento e frequência de giro ao projétil, permitindo-lhe</p><p>melhores condições de vencer a resistência do ar.</p><p>Ressalva-se que esse padrão não se trata de uma regra, e depende do</p><p>tipo de munição e propelente empregados. O desempenho de pólvoras</p><p>de queima rápida, utilizadas em munição para revólveres, é prejudicado</p><p>quando o comprimento do cano é maior, o que exige uma pólvora de</p><p>queima menos rápida, ou de queima com média velocidade.</p><p>Com base nessas informações, e considerando as possibilidades de</p><p>emprego de uma arma de fogo, foram estabelecidos os conceitos de</p><p>alcance a seguir, que balizam o estudo e a utilização de cada tipo de</p><p>munição de acordo com a arma.</p><p>a) Alcance máximo</p><p>Compreende a maior distância que um projétil pode alcançar</p><p>em uma trajetória livre de obstáculos, sobre uma superfície horizontal</p><p>e totalmente plana. É medido da boca do cano da arma até o ponto</p><p>onde toca o solo, quando encerra seu movimento. Para tanto, deve ser</p><p>lançado em ângulo oblíquo específico, o qual varia de acordo com a</p><p>arma e a munição utilizadas, e com as condições atmosféricas.</p><p>A título de exemplo, nas condições normais de temperatura</p><p>e pressão, com a presença do coeficiente de resistência do ar, para</p><p>que atinjam seu alcance máximo, alguns projéteis de alta energia são</p><p>disparados em ângulos de, aproximadamente, 30º. Diferentemente dos</p><p>ensaios em vácuo, onde o ângulo de 45º sempre leva a um lançamento</p><p>mais distante.</p><p>b) Alcance útil ou alcance efetivo</p><p>É a distância máxima atingida por um projétil onde, ainda,</p><p>107</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>possa causar traumas incapacitantes e deixar fora de ação uma pessoa</p><p>adulta.</p><p>Também pode ser conceituado, fisicamente, como a distância</p><p>atingida pelo projétil onde possua energia equivalente a 13,6 kgm,</p><p>mínimo suficiente para provocar traumas incapacitantes em uma pessoa</p><p>adulta.</p><p>c) Alcance de utilização ou alcance com precisão</p><p>É o alcance máximo onde um atirador experiente é capaz de</p><p>atingir, com aceitável grau de acerto, um objeto ou alvo quadrado com</p><p>30 cm de lado. Tais medidas correspondem à área onde se situam os</p><p>principais órgãos vitais num tórax humano.</p><p>A determinação dos alcances conceituados acima pressupõe a realização</p><p>do tiro em condições ideais de temperatura, clima, preparo técnico</p><p>e psicológico, tempo, conforto, dentre outras. Quando necessário</p><p>empregar uma arma de fogo em defesa pessoal, o operador encontrar-</p><p>se á em condições críticas que afetarão a execução do tiro. Desta forma,</p><p>surge o conceito do alcance prático.</p><p>d) Alcance prático</p><p>Distância máxima em que um atirador, com experiência</p><p>mediana, consegue atingir um objeto ou alvo quadrado com 30 cm de</p><p>lado em situações de combate ou defesa, efetuando um tiro preciso,</p><p>obtendo os efeitos desejados.</p><p>Também pode ser conceituado como a distância máxima em</p><p>que o atirador, com experiência mediana, pode empregar uma arma</p><p>de fogo, com possibilidade de efetuar um tiro preciso e com os efeitos</p><p>desejados em</p><p>91</p><p>FIGURA 29 Arma de curto recuo do cano (pistola Taurus PT 92</p><p>AF – 9 mm) ...................................................................................... 92</p><p>FIGURA 30 Representação das etapas do processo de disparo ......... 99</p><p>FIGURA 31 Forças que atuam sobre o projétil ..................................... ...101</p><p>FIGURA 32 Estroboscópio ..............................................................................102</p><p>FIGURA 33 Cronógrafo ....................................................................................103</p><p>FIGURA 34 Elementos da trajetória .............................................................104</p><p>FIGURA 35 Ilustração de primitivos projéteis desenvolvidos em</p><p>Dum-Dum ......................................................................................110</p><p>FIGURA 36 Raiamento e calibre real no interior do cano ....................122</p><p>FIGURA 37 Componentes de um cartucho carregado a bala ...........127</p><p>FIGURA 38 Cartuchos de munição ..............................................................128</p><p>FIGURA 39 Estruturas de um estojo de fogo central tipo garrafa ....129</p><p>FIGURA 40 Formatos dos corpos dos estojos .........................................130</p><p>FIGURA 41 Formatos dos culotes dos estojos .........................................131</p><p>FIGURA 42 Tipos de espoletas ......................................................................132</p><p>FIGURA 43 Espoleta cartucho fogo circular (depositada na parte</p><p>interna da virola) .........................................................................132</p><p>FIGURA 44 Desenho da forma de um projétil ogival ............................135</p><p>FIGURA 45 Esquema de identificação do headspace em diferentes</p><p>estojos .............................................................................................140</p><p>FIGURA 46 Esquemas demonstrando roll-crimp e cinta de</p><p>crimpagem ....................................................................................140</p><p>FIGURA 47 Esquema demonstrando a forma de um taper-crimp .......141</p><p>FIGURA 48 Esquema demonstrando as formas de um stab-crimp ........142</p><p>FIGURA 49 Projétil com uma cinta de crimpagem e uma cinta de</p><p>turgência ........................................................................................142</p><p>FIGURA 50 Componentes de um cartucho para arma de alma lisa .........145</p><p>FIGURA 51 Padrão de dispersão da chumbada (oval) ..........................147</p><p>FIGURA 52 Classificação geral das munições ..........................................148</p><p>FIGURA 53 Revólver Taurus calibre .38 Mod. 82 .....................................159</p><p>FIGURA 54 Vista explodida do revólver Taurus calibre .38 Mod. 82..........165</p><p>FIGURA 55 Dedo polegar pressionando o dedal serrilhado à frente ...........175</p><p>FIGURA 56 Rebatimento do tambor pelo dedo indicador .................175</p><p>FIGURA 57 Posicionamento da mão esquerda e municiamento do</p><p>tambor e alimentação da arma ..............................................176</p><p>FIGURA 58 Fechamento do tambor ............................................................177</p><p>FIGURA 59 Pistola Taurus, calibre 9 mm, modelo PT 92AF .................189</p><p>FIGURA 60 Extrator saliente indicando a presença de cartucho na</p><p>câmara ............................................................................................201</p><p>FIGURA 61 Municiando o carregador ........................................................205</p><p>FIGURA 62 Alimentar a arma (introdução do carregador) ................206</p><p>FIGURA 63 Carregamento da arma .............................................................207</p><p>FIGURA 64 Retirada do carregador ............................................................208</p><p>FIGURA 65 Empunhando a arma para desmontagem ........................213</p><p>FIGURA 66 Posição das mãos para pressionar e girar a alavanca de</p><p>desmontagem ..............................................................................213</p><p>FIGURA 67 Retirada do ferrolho ...................................................................214</p><p>FIGURA 68 Retirada do conjunto haste guia e da mola</p><p>recuperadora ................................................................................214</p><p>FIGURA 69 Separação do conjunto cano-bloco ........................................215</p><p>FIGURA 70 Retirada do conjunto cano-bloco de trancamento ........215</p><p>FIGURA 71 Sequência para retirada do bloco de trancamento ........216</p><p>FIGURA 72 Sequência para retirada do bloco de trancamento ........217</p><p>FIGURA 73 Pistola IMBEL MD1GC 9 mm....................................................223</p><p>FIGURA 74 Trava do percussor......................................................................230</p><p>FIGURA 75 Registro da segurança ...............................................................231</p><p>FIGURA 76 Dente de bloqueio do cão .......................................................232</p><p>FIGURA 77 Processo de municiamento .....................................................236</p><p>FIGURA 78 Carregador municiado ..............................................................236</p><p>FIGURA 79 Introdução do carregador na arma (alimentação) ..........237</p><p>FIGURA 80 Carregamento ..............................................................................238</p><p>FIGURA 81 Retirando o carregador .............................................................238</p><p>FIGURA 82 Posicionamento do ferrolho após o último disparo .......239</p><p>FIGURA 83 Pressão sobre o dedal guia da mola recuperadora e giro da</p><p>manga guia do cano ..................................................................243</p><p>FIGURA 84 Retirada da luva da mola recuperadora ..............................244</p><p>FIGURA 85 Retirada da luva de prisão do cano ......................................244</p><p>FIGURA 86 Alinhamento do entalhe médio com o ressalto posterior da</p><p>chaveta de fixação do cano .....................................................245</p><p>FIGURA 87 Retirada da chaveta de fixação do cano .............................245</p><p>FIGURA 88 Separação ferrolho da armação .............................................246</p><p>FIGURA 89 Retirada do cano .........................................................................246</p><p>FIGURA 90 Vista explodida da pistola Imbel 9 MM GC MD 1 ............247</p><p>FIGURA 91 Pistola IMBEL .40 GC MD5 .40 .................................................255</p><p>FIGURA 92 Registro de segurança ...............................................................258</p><p>FIGURA 93 Posição da arma para início da desmontagem ................261</p><p>FIGURA 94 Inserção do clip de desmontagem .......................................261</p><p>FIGURA 95 Alinhamento do entalhe médio do ferrolho com a saliência</p><p>existente no dente da chaveta de fixação do cano ..........262</p><p>FIGURA 96 Retirada da chaveta de fixação do cano .............................262</p><p>FIGURA 97 Retirada do ferrolho por deslizamento ...............................263</p><p>FIGURA 98 Retirada do conjunto recuperador .......................................264</p><p>FIGURA 99 Rebatimento do elo de prisão do cano para posterior</p><p>retirada do cano ..........................................................................264</p><p>FIGURA 100 Pistola Taurus modelo 24/7 PRO ...........................................270</p><p>FIGURA 101 PT 24/7 desmontada em primeiro escalão .......................278</p><p>FIGURA 102 Pistola Taurus PT 640 (DAO) ....................................................286</p><p>FIGURA 103 PT 640 aberta e sem o carregador........................................286</p><p>FIGURA 104 Pistola Taurus 640 aberta com ferrolho retido pelo</p><p>retém ........................................................................... 290</p><p>FIGURA 105 Submetralhadora Beretta 9 M972 (Taurus MT12) ...........298</p><p>FIGURA 106 Submetralhadora Taurus MT12-A .........................................298</p><p>FIGURA 107 Percussor fixo (solidário) ao centro e extrator (acima e à</p><p>esquerda do percussor) ............................................................301</p><p>FIGURA 108 Municiamento do carregador ................................................306</p><p>situações de combate ou defesa.</p><p>108</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>QUADRO 2</p><p>ALCANCE PRÁTICO DE ALGUMAS ARMAS DE FOGO</p><p>ARMA CALIBRE DISTÂNCIA (m)</p><p>Revólver .38 20 m</p><p>SMtr MT 12 e MT12A 9 mm 15 m (raj.) e 35 m (interm.)</p><p>SMtr MT. 40 .40 05 m (raj.) e 35 m (interm.)</p><p>Carabina Puma .38 50 m</p><p>Carabina CT. 40 .40 50 m</p><p>Escopeta 12 10 m</p><p>Espingarda Cal 12 12 30 m (SG/BI*)</p><p>Pistola PT 92 9 mm 25 m</p><p>Pistola GC MD5 .40 .40 20 m</p><p>FUZIL 7,62 mm 50 m</p><p>FUZIL 5,56 mm 50 m</p><p>* Super Grosso e Bala Ideal</p><p>6.5 Balística dos ferimentos</p><p>Também conhecida como “balística dos efeitos”, estuda o comportamento</p><p>do projétil, a partir do instante em que atinge um corpo até quando se</p><p>detém, buscando analisar os efeitos produzidos.</p><p>No momento em que se choca contra um corpo, o projétil transfere</p><p>energia mecânica na forma de calor e deformação. Essa transferência</p><p>de energia varia de acordo com cada tipo de munição, a distância até</p><p>o alvo, e o tamanho, peso, velocidade e formato do projétil, além do</p><p>tipo de deformação e desvio que ele sofre com o impacto. Esse choque</p><p>provoca a perfuração dos tecidos corporais, concomitantemente com</p><p>a propagação de ondas expansivas que induzem um fenômeno de</p><p>cavitação (formação de uma cavidade), que recua, tão logo os tecidos</p><p>atinjam seu limite elástico. Assemelha-se a um peso sendo jogado contra</p><p>a superfície da água: ondas se formam a partir dos pontos de ruptura e</p><p>em toda sua extensão e se deslocam para as extremidades, conduzindo</p><p>substância de dentro para fora, formando uma bolha. Quando atinge seu</p><p>limite de tensão, a substância retorna na direção do ponto de ruptura,</p><p>fechando a bolha ou cavidade.</p><p>109</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>Os efeitos de maior importância produzidos são caracterizados pelos</p><p>tipos de cavidades provocadas pelos projéteis:</p><p>– Cavidade permanente é a perfuração causada pela trajetória</p><p>do projétil no corpo, no segmento onde houve a ruptura de tecidos, ou</p><p>seja, é o ferimento de passagem.</p><p>– Cavidade temporária é causada pelo deslocamento do</p><p>tecido corporal, de dentro para fora, formando uma bolha no caminho</p><p>de ruptura do projétil pelo interior do corpo. Ocorre em função das</p><p>ondas geradas pelo impacto do projétil e, rapidamente, após cessar a</p><p>energia do choque, se fecha.</p><p>Esses efeitos são proporcionais às características da munição e são a base</p><p>dos estudos sobre as possibilidades de incapacitação de um projétil de</p><p>arma de fogo, orientando a longa busca pela efetividade balística.</p><p>6.5.1 Efetividade balística</p><p>6.5.1.1 Origem histórica</p><p>A questão da necessidade de se buscar munições que induzissem uma</p><p>efetiva incapacitação no oponente tem origem em dois fatos históricos,</p><p>que remontam ao século XIX e início do século XX: as batalhas pela</p><p>independência das Filipinas contra o exército norte-americano e as</p><p>revoltas indianas contra a colonização britânica.</p><p>Tanto os norte-americanos como os britânicos enfrentaram problemas com os</p><p>calibres regulamentares utilizados por seus combatentes, que se mostraram</p><p>ineficientes para tirar de ação oponentes extremamente vigorosos, rústicos e</p><p>de grande compleição física. Mesmo atingidos por vários disparos, até mesmo</p><p>em órgãos vitais, esses guerreiros continuavam em ação.</p><p>Experimentos, buscando munições e projéteis com melhores</p><p>possibilidades de parar um agressor, deram origem ao calibre .45</p><p>ACP, desenvolvido pelos norte-americanos, e aos projéteis criados no</p><p>arsenal britânico de Dum-Dum27 (Figura 35), cidade próxima à Calcutá,</p><p>na Índia. Esses estudos deram origem à fabricação de munições, em</p><p>tese, com maior capacidade de parar um agressor. A munição .45 ACP</p><p>27 O termo “bala dum-dum” é, nos dias de hoje, usado por leigos para se referirem a um tipo de</p><p>munição produzida comercialmente, até mesmo explosiva, o que não é uma verdade. Trata-se</p><p>apenas de um conceito, de origem histórica, usado para se referir às munições que se deformam,</p><p>achatam ou expandem, tratadas, tecnicamente, como expansivas.</p><p>110</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>buscava efetividade em projéteis de grande massa, disparados com</p><p>baixas velocidades. Com relação à munição de Dum-Dum, os resultados</p><p>iniciais, segundo consta, não foram satisfatórios, mas sua evolução</p><p>levou ao conceito de projéteis que se deformam, aumentando a área de</p><p>sua seção anterior, dos quais se esperava elevar, consideravelmente, a</p><p>amplitude do trauma, hoje conhecidos por expansivos.</p><p>Figura 35: Ilustração de primitivos projéteis desenvolvidos no arsenal de Dum-Dum.</p><p>Fonte: http://www.geocities.ws/poderdeparada/008.html</p><p>Essa busca por munições com melhor efetividade balística redundou em</p><p>estudos sobre os mecanismos da incapacitação imediata e no conceito</p><p>de “poder de parada”.</p><p>6.5.1.2 Poder de parada</p><p>O conceito de “poder de parada” (em inglês, stopping power), criado no</p><p>início do século XX para indicar a capacidade intrínseca das munições</p><p>de incapacitar um oponente, relaciona-se com o emprego de armas</p><p>leves e surgiu da necessidade de se obter delas um desempenho tal que</p><p>permitisse cessar a ação agressora de uma pessoa adulta, com o mínimo</p><p>de disparos, se possível, apenas um.</p><p>Por poder de parada, entende-se como o potencial, presente em um</p><p>projétil disparado por arma de fogo, de parar um agressor, neutralizando</p><p>totalmente sua ação através de sua incapacitação imediata, mesmo que</p><p>momentânea, sem que a morte seja requisito para essa incapacitação.</p><p>Tal capacidade não pode ser tratada de forma absoluta e, tampouco, é</p><p>mensurável, pois depende de uma série de fatores, além da munição em</p><p>si.</p><p>111</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>Várias tentativas têm sido feitas no sentido de quantificar, matemática e/</p><p>ou fisicamente, o poder de parada das munições. Apesar de consideradas,</p><p>por especialistas, como incompletas, inconclusivas e não provadas,</p><p>algumas ainda são aceitas por autoridades ou organismos policiais. A</p><p>seguir, um interessante retrospecto sobre essas tentativas.</p><p>Em 1903, ensaios realizados pelo Major médico Louis LaGarde e pelo</p><p>Capitão John Thompson (Comissão “Thompson-LaGarde” – Exército dos</p><p>Estados Unidos), utilizando-se, em um primeiro momento, de cadáveres</p><p>e, depois, animais vivos de grande porte, influenciaram a escolha do</p><p>calibre .45 ACP pelo Exército norte-americano. No final dos anos 20,</p><p>o General Julian S. Hatcher, com base nos experimentos “Thompson-</p><p>LaGarde”, criou uma fórmula para calcular o que chamou de Relative</p><p>Stopping Power28 (RSP), que usava variáveis de energia, área da seção</p><p>transversal e formato do projétil. Tal fórmula confirmava conclusões</p><p>anteriores de que projéteis mais pesados e lentos, como o .45, eram</p><p>mais efetivos do que os mais velozes e mais leves.</p><p>De 1972 a 1975, através de pesquisas balísticas patrocinadas pelo</p><p>L.E.A.A.29, foi desenvolvida a fórmula para um suposto “RII” (Relative</p><p>Incapacitation Index30), baseado na amplitude de expansão das</p><p>cavidades temporárias, medidas em disparos efetuados em gelatina</p><p>balística. Segundo conclusões dessa pesquisa, uma cavidade temporária</p><p>maior indicava, ao contrário do que pensavam Thompson, LaGarde e</p><p>Hatcher, que munições expansivas, leves e com boa velocidade seriam</p><p>mais efetivas na incapacitação, superestimando, assim, a influência da</p><p>cavidade temporária, em detrimento da profundidade de penetração</p><p>dos projéteis. O “RII” se estabeleceu como referência até 1987, quando,</p><p>por ocasião do Seminário sobre Ferimentos Balísticos, promovido pelo</p><p>FBI, deixou em voga o coronel médico Martin Fackler, diretor do L.A.I.R.31.</p><p>Com base em suas pesquisas, Fackler vem colocar por terra tanto o “RSP”</p><p>de Thompson e LaGarde, quanto o “RII” de Hatcher. Seu relatório de</p><p>pesquisa, “What’s Wrong With the Wound Ballistics Literature, and Why.”32,</p><p>28 Poder de Parada Relativo</p><p>29 L.E.A.A. - Law Enforcement Assistance Administration do Departamento de Justiça dos Estados</p><p>Unidos (Gerência de Assessoria para as Atividades de Aplicação da Lei).</p><p>30 Tradução: Índice Relativo de Incapacitação.</p><p>31 L.A.I.R. - Letterman Army Institute of Research (Instituto</p><p>Letterman de Pesquisas do Exército dos</p><p>Estados Unidos).</p><p>32 Tradução: “O que há de errado na literatura sobre a balística dos ferimentos, e por que”.</p><p>112</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>provou, cientificamente, não existirem indicadores de que a cavidade</p><p>temporária tivesse alguma relação com a incapacitação humana. E, indo</p><p>além, mostrou que os projéteis, para que detenham melhor possibilidade</p><p>de incapacitação, devem ser pesados e penetrar profundamente no</p><p>corpo. Atualmente, ainda é a teoria com melhor aceitação nos meios</p><p>especializados.</p><p>Na sequência desses acontecimentos e contradições, e na tentativa</p><p>de obter dados mais concretos e concludentes sobre poder de parada</p><p>das munições, alguns departamentos de polícia dos Estados Unidos da</p><p>América passaram a exigir, em seus relatórios de ocorrência envolvendo</p><p>confrontos com armas de fogo, para fins estatísticos, informações</p><p>completas sobre as características desses embates: áreas atingidas no</p><p>corpo, número de disparos, compleição física do suspeito atingido,</p><p>estado mental e psicológico, estado toxicológico, reação depois de</p><p>atingido, arma, tipo, marca, calibre e configuração da munição, dentre</p><p>outras.</p><p>Utilizando a tabulação de dados extraídos desses relatórios e outras</p><p>fontes de pesquisa, Evan Marshall e Edwin Sanow, policiais norte-</p><p>americanos, criaram tabelas com indicativos percentuais para quantificar</p><p>as possibilidades balísticas de vários tipos de munição. Para chegar ao</p><p>resultado, contabilizaram a quantidade de casos em que a munição foi</p><p>efetiva com um dois disparos, e compararam-na com o total de casos,</p><p>estabelecendo um percentual de eficiência. Para tanto, preocuparam-se</p><p>em estratificar a amostra, não só por calibres, mas por marca e tipo de</p><p>munição, bem como o comprimento do cano da arma com que foram</p><p>disparadas. Esses resultados foram apresentados no livro “Handgun</p><p>Stopping Power – The Definite Study”33, publicado em 1992.</p><p>Mas este que seria, no entender de especialistas e autoridades no</p><p>assunto, o quantificador mais preciso do poder de parada, passou a ser</p><p>questionado em razão da inconsistência estatística dos dados34 e da</p><p>omissão das diversas variáveis que influenciaram no citado stopping</p><p>33 Tradução: Poder de Parada das Armas de Porte – O Estudo Definitivo.</p><p>34 Para maiores detalhes, consulte:</p><p>a) “The Marshall & Sanow ‘Data’ – Statistical Analyis Tells the Ugly Story”, por Duncam MacPherson</p><p>(Wound Ballistics Review; 4(2), 1999: 16-21) in http://firearmstactical.com/marshall -sanow-</p><p>statistical-analysis.htm.</p><p>b) “Discrepancies in the Marshall & Sanow ‘Data Base’: An Evaluation Over Time”, por Maarten van</p><p>Maanem (Wound Ballistics Review; 4(2), 1999: 9-13) in http://firearmstactical.com/ marshall-sanow</p><p>discrepancies.htm.</p><p>113</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>power. A ideia central de se obter e analisar dados obtidos em casos</p><p>reais é fértil, mas, sem o tratamento científico adequado, passa a ser</p><p>inconclusiva e questionável.</p><p>Apesar de todas essas tentativas, até o momento não se chegou a</p><p>qualquer cálculo científico definitivo para a determinação exata da</p><p>quantidade de poder de parada presente em cada tipo de munição.</p><p>Fatores intrínsecos ou extrínsecos, particulares de cada ser humano,</p><p>dependentes de cada momento de um confronto, influenciam,</p><p>sobremaneira, nos efeitos decorrentes do impacto e do percurso do</p><p>projétil no corpo: porte físico, rusticidade, resistência à dor, estado</p><p>mental, fatores emocionais provocados pela fuga, pelo medo, ou pelo</p><p>combate em si, região atingida e a presença de substâncias anestésicas</p><p>e narcóticas no sangue. Essas variáveis não podem ser descartadas.</p><p>A energia mecânica contida num projétil em movimento, função de</p><p>sua massa, velocidade, formato e capacidade de deformação, é um dos</p><p>principais fatores que levam ao efeito obtido em um disparo de arma de</p><p>fogo contra uma pessoa. A princípio, projéteis mais potentes resumem,</p><p>em si, uma maior probabilidade de levar a uma incapacitação imediata.</p><p>Mas o que provocará a queda, o mais imediato possível, do oponente,</p><p>não é somente a amplitude e/ou a extensão do trauma, fruto do trabalho</p><p>mecânico desenvolvido durante o choque do projétil contra o corpo.</p><p>Se o tiro não atingir diretamente o tronco cerebral, a incapacitação</p><p>dependerá, ainda, da região atingida, da quantidade de disparos e das</p><p>condições do agressor.</p><p>A única certeza que se tem sobre poder de parada é a experiência</p><p>humana na utilização da variedade de munições existentes no mundo.</p><p>Sabe-se que determinados calibres possuem melhores possibilidades</p><p>incapacitantes do que outros, em razão das suas características. Mas</p><p>isso só será confirmado no momento em que a munição for disparada e</p><p>atingir o agressor. Munição intacta não possui poder de parada, somente</p><p>probabilidades. Assim sendo, nunca se deve afirmar que um calibre é</p><p>definitivamente superior a outro.</p><p>Para entender as possibilidades de uma munição por ocasião de um</p><p>confronto, é importantíssimo que o policial conheça os mecanismos</p><p>que envolvem a incapacitação de uma pessoa, quando atingida por</p><p>disparos de arma de fogo.</p><p>114</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>6.5.1.3 Incapacitação imediata</p><p>Um violento confronto, ocorrido em Miami no ano de 1986, definiu os</p><p>rumos da busca e do desenvolvimento de munições para as armas de</p><p>porte das polícias de todo o mundo, no sentido de serem mais efetivas</p><p>contra agressores armados. Esse confronto colocou em destaque os</p><p>mecanismos fisiológicos da incapacitação imediata, peça chave do</p><p>conhecimento para a criação de calibres que possuam um maior poder</p><p>de parada. Exemplos dessa evolução foram os calibres .40 S&W e .357</p><p>SIG, desenvolvidos com base nessa necessidade.</p><p>De forma resumida, durante esse tiroteio conhecido como “Miami</p><p>Shootout”, sete agentes do FBI se confrontaram com dois agressores</p><p>armados, sendo que a ação de um deles foi anulada logo no princípio</p><p>do embate. Saldo do confronto: os dois agressores foram mortos, mas</p><p>deixaram, do lado da lei, dois mortos e cinco feridos. Um dos suspeitos,</p><p>que combateu sozinho, recebeu vários disparos de revólver .38 e dois</p><p>de pistola 9 mm, inclusive em órgãos vitais e, mesmo assim, continuou</p><p>atirando com uma carabina Ruger 5,56, atingindo os agentes. Mesmo</p><p>nessa condição, precisou ser atingido por mais alguns disparos para que</p><p>tombasse de vez.</p><p>Culpando a munição pelo desastre, o FBI promoveu, em 1987, o</p><p>Seminário de Ferimentos Balísticos (Wound Ballistic Workshop), com a</p><p>participação de vários peritos no assunto. Nesse evento, de toda uma</p><p>série de controvérsias a respeito, inclusive que colocaram por terra</p><p>a teoria da culpa da munição, em favor da ineficiência das técnicas</p><p>empregadas e da falta de treinamento dos agentes do FBI, várias</p><p>conclusões foram importantes, principalmente sobre os princípios que</p><p>envolvem a incapacitação de uma pessoa, induzida por projéteis de</p><p>armas de fogo.</p><p>As conclusões extraídas das discussões tratadas nesse seminário são,</p><p>até hoje, pelo menos por enquanto, a última instância em termos de</p><p>informações sobre incapacitação e poder de parada no mundo. São</p><p>descritas a seguir:</p><p>a) A incapacitação total e imediata de um indivíduo só é</p><p>garantida se o projétil atingir a estrutura do tronco encefálico (choque</p><p>neurogênico).</p><p>b) Os órgãos de um ser humano só serão comprometidos</p><p>115</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>se atingidos pelo projétil, ou fragmentos dele; a cavidade temporária</p><p>não tem nenhum efeito na destruição de órgãos que não tenham sido</p><p>atingidos.</p><p>c) Não há certeza de que a cavidade temporária desempenhe</p><p>algum papel importante na incapacitação. Em decorrência dessa</p><p>incerteza, ainda é recomendado o emprego de projéteis expansivos.</p><p>d) A possibilidade de incapacitação de um indivíduo atingido</p><p>depende de seu estado físico, emocional, psicológico e mental, e da</p><p>presença influente, em maior ou menor grau, de narcóticos, álcool ou</p><p>adrenalina no sangue, o que diminui a possibilidade de cessar sua ação</p><p>agressora.</p><p>e) A perda sanguínea, o que</p><p>poderá levar ao choque</p><p>hipovolêmico, é um dos principais motivos e a causa primária da</p><p>incapacitação de uma pessoa, entretanto, nem sempre imediata.</p><p>f ) Mesmo quando o coração é atingido, o indivíduo possui</p><p>oxigênio no cérebro, o suficiente para que aja voluntariamente por cerca</p><p>de até 15 segundos.</p><p>g) O fator penetração é o principal componente do projétil</p><p>nas possibilidades de incapacitação de uma pessoa e não pode ser</p><p>descartado na escolha da munição.</p><p>h) Um projétil maior e com boa velocidade causará mais</p><p>ruptura nos tecidos, quando comparado com outro de tamanho inferior.</p><p>i) A incapacitação depende da região atingida e é proporcional</p><p>ao número de disparos.</p><p>j) Se o agente confia na arma e na munição, ele tende a atirar</p><p>melhor.</p><p>As principais consequências do trauma e que podem provocar a</p><p>“parada” ou a queda do indivíduo são: a interrupção da transmissão</p><p>nervosa essencial (choque neurogênico); a perda sanguínea (choque</p><p>hipovolêmico); e as reações cerebrais à dor intensa na região do torso</p><p>(síncope vasovagal).</p><p>Com base nessas conclusões, o policial deve confiar em sua arma, mas</p><p>ter sempre em mente que, na maioria dos casos, apenas um disparo não</p><p>116</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>será capaz de derrubar seu oponente. Quando estritamente necessário,</p><p>deve atirar até que este não apresente risco à sua vida ou à de terceiros,</p><p>ou manter-se devidamente abrigado. Deverá visar à região com</p><p>melhores possibilidades conjuntas de acerto e incapacitação: o torso. O</p><p>aumento na capacidade de carregadores é baseado neste princípio e no</p><p>fato de que, durante o estresse do confronto, a possibilidade de errar os</p><p>disparos está sempre presente.</p><p>É essencial que um projétil penetre o bastante para que alcance órgãos</p><p>vitais, sendo este o fator isolado mais importante na efetividade de</p><p>qualquer calibre. A preocupação com a penetração ou a transfixação de</p><p>projéteis não deve ser exagerada. Projéteis expansivos não foram criados</p><p>para evitar transfixação, mas para ampliar o trauma. O risco gerado pela</p><p>transfixação deve ser compensado pela aplicação de técnicas e táticas</p><p>policiais que levem o policial a evitar o disparo quando inocentes</p><p>estiverem por trás, ou até mesmo, na frente de infratores armados.</p><p>6.5.1.4 Conclusões</p><p>Além do poder de parada, outros fatores devem ser considerados na</p><p>arma que deverá salvar a vida do policial: confiabilidade, qualidade,</p><p>alcance prático, capacidade de municiamento, recuo controlável,</p><p>possibilidades de disparos múltiplos precisos, rapidez na recarga,</p><p>portabilidade e durabilidade.</p><p>É certo que nada poderá conduzir à certeza de parar, imediatamente, um</p><p>agressor, a não ser um tiro na estrutura do tronco cerebral. O problema</p><p>de acertar nesse local é a dificuldade, ou até mesmo impossibilidade, de</p><p>ser feito em situação de combate. Por isso, o treinamento do tiro policial</p><p>de defesa deve ser orientado para o torso, em razão de suas dimensões,</p><p>que oferecem maiores possibilidades de acerto, com boas possibilidades</p><p>de incapacitação (choque hipovolêmico e síncope vasovagal).</p><p>O torso deve ser atingido com disparos múltiplos e rápidos, uma vez</p><p>que os estímulos gerados por traumas múltiplos deverão se somar,</p><p>resultando em um efeito maior.</p><p>Como visto, a causa primária da incapacitação por um disparo que atinja</p><p>o torso é a perda sanguínea. Contudo, uma segunda possibilidade de</p><p>parar o oponente com um tiro nessa região relaciona-se com o nervo</p><p>vago, que inerva todas as vísceras torácicas e abdominais. Boa parte da</p><p>sensibilidade dessas vísceras é conduzida por esse nervo, cujas fibras,</p><p>117</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>em sua maioria, são sensitivas. A dor intensa, o medo, ou a ansiedade</p><p>intensa podem induzir a síncope vasovagal, caracterizada por grande</p><p>desaceleração cardíaca e abrupta queda da pressão arterial, o que</p><p>diminuirá, temporariamente, o aporte de sangue e oxigênio para o</p><p>cérebro, provocando um breve desmaio.</p><p>Um disparo que atinja essa região pode provocar uma queda, mesmo</p><p>que o oponente não seja mortalmente ferido. Trata-se de uma segunda</p><p>possibilidade, mas é importante que o policial saiba que essa transmissão</p><p>de informações, sendo neuroquímica, pode ser bloqueada ou enganada</p><p>com a presença de narcóticos, álcool ou excesso de adrenalina no</p><p>sangue, o que poderá reduzir, ou até mesmo anular, a resposta do nervo</p><p>vago, permitindo que o agressor continue em seu ataque.</p><p>A região atingida e os múltiplos disparos aumentam a chance de se</p><p>obter o tão esperado poder de parada, ou, se desejar, a imediata</p><p>incapacitação do oponente armado. O fator mais importante para</p><p>aumentar as chances de parar um agressor é a colocação correta do</p><p>tiro em seu corpo. O local atingido, na maior parte das vezes, é mais</p><p>importante do que o calibre utilizado. Daí, a importância da precisão no</p><p>tiro.</p><p>A exemplo do ocorrido com o FBI, em Miami, a melhor munição do</p><p>mundo de nada servirá se o usuário errar o tiro ou não conseguir repeti-</p><p>lo com precisão, dadas as condições de combate, isso decorrente da</p><p>falta de treinamentos realistas, ou ao uso de armas inadequadas, com</p><p>excessivo recuo que não permita o controle por parte do policial.</p><p>CAPÍTULO 7</p><p>MUNIÇÕES</p><p>121</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>7 MUNIÇÕES</p><p>A evolução das armas de fogo está diretamente relacionada com a</p><p>evolução das munições que utilizam. Alguns tipos de cartuchos são</p><p>mais conhecidos, como por exemplo, os calibres .380 ACP, 9 mm Luger,</p><p>.40 S&W e .45 ACP, para pistolas semi-automáticas e os calibres .22 LR,</p><p>.38 SPL, .357 Magnum e .44 Remington Magnum, para revólveres. Na</p><p>atualidade, os cartuchos mais usuais são os de corpo metálico e reúnem,</p><p>em si, todos os elementos necessários ao tiro.</p><p>7.1 Padrões para identificação de munições carregadas a bala35 –</p><p>calibre nominal</p><p>Na denominação desses tipos de munição, duas unidades de medida</p><p>têm sido adotadas: o padrão inglês, baseado na “unidade imperial”</p><p>polegada, denominado “escola inglesa”; e o padrão baseado no sistema</p><p>métrico decimal, denominado “escola européia”. Ambos são adotados por</p><p>todos os países no mundo. Originariamente, o padrão inglês denomina</p><p>o calibre em milésimos de polegada, precedido por um ponto (.380,</p><p>.700). Os Estados Unidos da América, em alguns calibres, utilizaram-se</p><p>do padrão inglês em centésimos de polegada, também precedido por</p><p>ponto (.38, .40). A notação correta do padrão inglês indica os centésimos</p><p>ou milésimos de polegada através desse ponto antecedente, que indica</p><p>a posição da vírgula, num número fracionário. Mas é importante saber</p><p>que esses números tratam de pura denominação (calibre nominal) e</p><p>representam, na maioria dos casos, uma aproximação com o calibre real</p><p>da arma ou com o diâmetro do projétil. Esse calibre, aproximado ou não,</p><p>que define a denominação da munição, é chamado de “calibre nominal”.</p><p>O “calibre real” de uma arma de fogo raiada é a medida do diâmetro da</p><p>circunferência que define os cheios no interior de seu cano (Figura 36).</p><p>35 Munições utilizadas em armas com cano dotado de raiamento.</p><p>122</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 36 – Raiamento e calibre real no interior do cano.</p><p>A título de exemplo, o diâmetro do projétil da munição calibre .38 SPL é</p><p>de 0,357 ou 0,358 de uma polegada. Seu calibre real é menor ainda, pois</p><p>o diâmetro dos cheios de uma arma construída para esse calibre deve</p><p>ser menor, para que o projétil se engaste adequadamente.</p><p>A escola européia define os calibres através do sistema métrico decimal,</p><p>em números inteiros ou fracionários com aproximação centesimal, com</p><p>vírgula na separação da parte fracionária. Ex.: calibre 7,65 mm ou calibre</p><p>9 mm.</p><p>Para definição mais concreta, uma vez que as medidas podem coincidir</p><p>em alguns calibres, outros termos complementares são colocados após</p><p>a parte numérica:</p><p>a) uma segunda parte numérica indicando as dimensões do</p><p>estojo: 7,62 x 51 mm (comprimento do estojo), 32-40 (calibre do projétil</p><p>e diâmetro da parte mais volumosa de seu estojo, tipo garrafa);</p><p>b) o órgão responsável pela</p><p>padronização: 7,62 x 51 mm NATO</p><p>(OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte em inglês);</p><p>c) dados sobre a pólvora: .700 Nitro Express, .445 Cordite;</p><p>d) informações sobre a potência da munição: .357 Magnum,</p><p>.38 Super-Auto, .300 Remington Ultra Magnum;</p><p>123</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>e) nome do criador da arma e do calibre: .454 Casull</p><p>f ) empresa que desenvolveu a munição e/ou a arma no calibre</p><p>correspondente: .40 S&W, 357 SIG, .44 Win;</p><p>g) a combinação da origem de um ou mais termos: .300</p><p>Remington Ultra Mag (fabricante e potência).</p><p>À exceção da parte numérica, não há um padrão rígido a ser seguido na</p><p>denominação das munições quanto à sua parte complementar. Tanto</p><p>que existem munições extremamente idênticas em suas medidas, mas</p><p>com aplicações diferentes. Um exemplo clássico da criatividade dos</p><p>fabricantes é o calibre .577 TRex, numa clara alusão ao tamanho e à</p><p>capacidade letal do cartucho, contra animais de grande porte, como o</p><p>deveria ser um tiranossauro rex.</p><p>7.2 Padrão para denominação de calibres para armas de alma lisa</p><p>O estabelecimento do calibre de espingardas é um pouco mais complexo</p><p>do que o adotado para as demais que usam, diretamente, os sistemas de</p><p>medida disponíveis, em milímetros ou polegadas.</p><p>Os calibres para armas de cano liso são representados por um número</p><p>simples, sem unidade de medida, acompanhado do termo gauge em</p><p>inglês (no Brasil, antecedido pelo termo “calibre”): 12 gauge, 10 gauge;</p><p>calibre 12, calibre 10.</p><p>Esse número, numa análise superficial, nada tem a ver com o diâmetro</p><p>da arma, mas é convertido para tal através de cálculo. Para calcular o</p><p>diâmetro do cano de armas desse tipo, arbitrou-se a divisão da massa</p><p>de uma libra de chumbo (453,593 g) com densidade 11,352g/cm³,</p><p>pela quantidade de partes correspondente à denominação do calibre</p><p>desejado: calibre 12, doze partes; calibre 10, dez partes, e assim por</p><p>diante. O diâmetro do cano da arma será igual ao diâmetro das esferas</p><p>produzidas com cada parte dessa divisão.</p><p>Melhor explicando, uma espingarda calibre 12 tem seu calibre assim</p><p>determinado, em função de um libra de chumbo dividida em 12 partes</p><p>iguais. Uma dessas partes foi “transformada” em 1 esfera de chumbo. O</p><p>diâmetro do cano dessa espingarda é igual ao diâmetro dessa esfera. A</p><p>idéia prossegue até o calibre 32. O último e menor calibre para espingardas</p><p>produzido, o 36, conhecido com essa denominação no Brasil, não mais</p><p>124</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>acompanha esse padrão, tendo sido definido com base na unidade de</p><p>medida inglesa, em polegadas, na origem, como calibre .410, que não</p><p>possui relação com o padrão estabelecido para armas de alma lisa.</p><p>O padrão para a denominação desses calibres foi arbitrado e não possui</p><p>base nas unidades de medida existentes, mas, exclusivamente para</p><p>esse fim, pode ser considerado como unidade de medida, uma vez que</p><p>possui relação proporcional com as medidas encontradas.</p><p>Por esse padrão, as dimensões de cada calibre são as seguintes:</p><p>QUADRO 3</p><p>CALIBRES DE ARMAS DE ALMA LISA, POR DIÂMETRO</p><p>EM POLEGADAS E EM MILÍMETROS</p><p>CALIBRE</p><p>Diâmetro da Alma do Cano Massa da Esfera de Chumbo</p><p>Dividida para cada Calibre</p><p>polegadas Mm libra grain Grama</p><p>1½ (*) 1.459 37.05 10.667 4667 302.39</p><p>2 (*) 1.325 33.67 8.000 3500 226.80</p><p>3 (*) 1.158 29.41 5.333 4667 151.20</p><p>4 1.052 26.72 4.000 1750 113.40</p><p>8 .835 21.21 2.000 875 56.70</p><p>10 .775 19.69 1.600 700 45.36</p><p>12 .729 18.53 1.333 583 37.80</p><p>13 .710 18.04 1.231 538 34.89</p><p>14 .693 17.60 1.143 500 32.40</p><p>16 .663 16.83 1.000 438 28.35</p><p>20 .615 15.63 0.800 350 22.68</p><p>24 .579 14.70 0.667 292 18.90</p><p>28 .550 13.97 0.571 250 16.20</p><p>32 .526 13.36 0.500 219 14.17</p><p>36 .410 10,41 0,237 104 6,71</p><p>Notas:</p><p>a) há calibres desconhecidos pela maioria das pessoas, iniciando-se com o calibre 1½;</p><p>b) o calibre 34 foi denominado .410 utilizando-se o padrão inglês; caso fosse adotado o</p><p>padrão tradicional, seria o calibre 67 ½;</p><p>c) os calibres marcados com (*) eram encontrados somente em punt guns e outras armas raras.</p><p>125</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>As dimensões, em milímetros, do diâmetro desses calibres são calculadas</p><p>através de uma fórmula matemática, e não através da divisão real de um</p><p>bloco de chumbo e sua transformação em esferas. Tal fórmula é deduzida</p><p>com base numa equação entre as fórmulas do volume de uma esfera e</p><p>da densidade de uma substância, conforme se segue.</p><p>“r” é o raio da esfera;</p><p>“Massa”= 453,593 g; (uma libra de chumbo puro)</p><p>“Densidade” = 11,352 g/cm (densidade do chumbo puro) e</p><p>“n” o calibre escolhido.</p><p>Como são conhecidas massa e densidade do material, por substituição,</p><p>chega-se à seguinte fórmula:</p><p>Basta substituir a variável “n” no divisor da fórmula, pelo número que</p><p>denomina o calibre desejado. O resultado, “Φnmm” corresponderá, em</p><p>milímetros, ao diâmetro interno do cano a ser obtido.</p><p>126</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Da mesma forma que o calibre nominal das armas raiadas, a denominação</p><p>dos calibres de alma lisa possuem um complemento:</p><p>a) uma segunda parte numérica indicando o comprimento</p><p>do estojo vazio: calibre 12 x 70 mm; calibre 12 x 76;</p><p>b) potência da munição: calibre 12 Magnum;</p><p>c) tipo e tamanho dos projéteis: 12 gauge 00 Buckshot,</p><p>calibre 12 00 Buckshot;</p><p>d) característica da munição: calibre 12, ou 12 gauge Express</p><p>Long Range (munição para longa distância); 12 gauge Nitro Pheasant</p><p>(projéteis mais duros).</p><p>Existem espingardas nesses calibres com cano raiado (“rifled bore</p><p>shotgun”) e que disparam projéteis sólidos, expansivos e perfurantes,</p><p>semelhantes aos usados em rifles e armas curtas de cano raiado,</p><p>embora mais pesados e mais eficientes. Estas potentes armas têm seu</p><p>uso consolidado na caça de animais de grande porte em países onde é</p><p>permitida, principalmente, nos Estados Unidos.</p><p>7.3 Tipos de munição</p><p>Cada munição é produzida ou carregada para uma finalidade específica.</p><p>Com base nisto, são classificadas da forma como se segue:</p><p>a) real: para emprego contra pessoal e alvos não blindados;</p><p>b) festim: é um cartucho com carga de pólvora e sem projétil,</p><p>utilizado para simulação de tiro em treinamento e salvas militares;</p><p>c) de manejo: usado para treinamento de manejo das armas.</p><p>Não contêm propelente e espoleta; pode ser produzido sob a forma de</p><p>simulacro, usinado em barra de metal leve;</p><p>d) de sobrepressão: são cartuchos carregados de modo a</p><p>gerar pressões 25% maiores do que o padrão. Destinam-se a testes com</p><p>armas;</p><p>e) de carga reduzida: para competições de tiro e treinamento;</p><p>f ) de lançamento: para lançamento de granadas de bocal,</p><p>127</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>munições químicas e dispositivos com cabos de salvamento;</p><p>g) recarregada: munição produzida com o reaproveitamento</p><p>do estojo. Reduz custos com formação e treinamento. A PMMG recarrega</p><p>cartuchos .38 SPL, 9 mm Luger, .40 S&W e calibre 12 no Centro de</p><p>Material Bélico (CMB).</p><p>7.4 Elementos componentes de um cartucho carregado a bala</p><p>Os dois tipos mais comuns de munição para armas de fogo são os</p><p>utilizados em armas de alma lisa, denominado cartucho; e a munição</p><p>empregada em armas de alma raiada, também conhecida por cartucho,</p><p>mas melhor definida como cartucho carregado a bala, cartucho de bala</p><p>ou, simplesmente, bala. Termos empregados no Brasil, com algumas</p><p>restrições em relação ao termo “bala”36, principalmente nos meios</p><p>policial e militar.</p><p>Um cartucho carregado a bala é constituído por projétil, estojo, carga</p><p>propelente e iniciador (espoleta ou estopilha), (Figura 37).</p><p>FIGURA 37 – Componentes de um cartucho de bala.</p><p>36 A origem do termo “bala” para designar o cartucho de munição ou um projétil de arma de fogo</p><p>vem da palavra inglesa “bullet” – projétil. O termo passou a ser estigmatizado, equivocadamente, nos</p><p>meios militares e policiais. Mas, ao contrário do que se possa pensar, sua utilização é tecnicamente</p><p>correta, uma vez que, se tratando de um aportuguesamento, seu significado é exatamente o</p><p>mesmo do termo originário em inglês.</p><p>128</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>7.4.1 Estojo</p><p>Responsável pelo acondicionamento</p><p>de todas as demais partes do</p><p>cartucho, tem três finalidades distintas: reunir os demais elementos do</p><p>cartucho, proteger o propelente da umidade e dilatar-se por ocasião</p><p>do disparo, evitando o escapamento dos gases pela culatra e seu</p><p>deslocamento de recuo, antes do momento correto.</p><p>Em sua maioria, são fabricados de latão (liga de cobre e zinco), mas podem</p><p>o ser, também, em alumínio, aço, polímero ou cerâmica. Estojos de aço,</p><p>com acabamento zincado ou latonado (protege contra a corrosão) são</p><p>muito utilizados, atualmente, em cartuchos de espingardas.</p><p>Munições diferentes possuem estojos com formatos diferentes, mesmo</p><p>que de forma sutil. As diferenças básicas são encontradas no corpo e na</p><p>forma da base, cujo culote pode ser construído com “aro”, com “semi-</p><p>aro”, “sem aro”, “cinturado” ou “rebatido”.</p><p>Os estojos podem ser de fogo central ou de fogo circular, conforme se</p><p>pode observar na Figura 38.</p><p>FIGURA 38 – Cartuchos de munição – fogo central (os sete da esquerda para a direita) e</p><p>fogo circular (último da direita).</p><p>129</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>7.4.1.1 Estruturas do estojo</p><p>FIGURA 39 – Estruturas encontradas em um estojo de fogo central tipo garrafa.</p><p>Da Figura 39:</p><p>1) Estojo propriamente dito: elemento por completo;</p><p>2) Culote ou cabeça: é a base reforçada do cartucho, possui as inscrições</p><p>de identificação, (fábrica, lote, tipo de munição,...);</p><p>3) Corpo: estrutura que define o formato do estojo (cilíndrico, tronco</p><p>cônico ou tronco cônico com gargalo cilíndrico), o que possui estreita</p><p>relação com o sistema de funcionamento da arma;</p><p>4) Ombro: seção que liga o gargalo ao corpo e faz a redução corpo/</p><p>gargalo. Só presente nos estojos tipo garrafa e corresponde ao ponto</p><p>onde a munição para no interior da câmara, estabelecendo o headspace;</p><p>5) Gargalo: parte onde se engasta o projétil;</p><p>6) Boca: orifício anterior por onde passam o propelente e o projétil;</p><p>7) Bolso da espoleta: rebaixo na parte posterior central do culote onde</p><p>se encaixa a espoleta;</p><p>8) Gola: ranhura circular existente na parte lateral do culote, onde se</p><p>assenta a garra do extrator;</p><p>9) Evento(s): orifício(s) existente(s) no fundo do bolso da espoleta que</p><p>permite(m) a passagem da chama gerada pela detonação do misto</p><p>iniciador, para o interior da câmara do estojo, atingindo a carga de</p><p>projeção;</p><p>10) Câmara: espaço destinado a receber e conter a carga de projeção;</p><p>130</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>11) Parede: estrutura física que limita a câmara, o ombro, e o gargalo do</p><p>estojo;</p><p>12) Bigorna: pino existente no centro do bolso da espoleta, que se</p><p>destina a comprimir, em oposição de esforços com o percussor, o</p><p>explosivo iniciador contido na cápsula da espoleta, por ocasião da</p><p>percussão; presente apenas nos estojos tipo berdan. Nos estojos boxer</p><p>e tipo bateria, é encontrada na própria espoleta;</p><p>13) Virola: ressalto circular existente na parte posterior do culote, por</p><p>trás da gola, que é puxado pela garra do extrator;</p><p>14) Web: curvatura localizada na parte posterior da câmara do estojo,</p><p>onde as paredes são mais reforçadas para suportar pressão fora da</p><p>câmara e evitar o rompimento do culote.</p><p>7.4.1.2 Formatos do corpo do estojo</p><p>– Cilíndrico: o diâmetro é igual em toda a sua extensão;</p><p>– Cônico: há uma leve e gradual redução do diâmetro na</p><p>extensão do estojo;</p><p>– Garrafa: o estojo possui um forte estrangulamento, com a</p><p>formação de um ombro em seu corpo, que reduz, substancialmente, o</p><p>diâmetro do gargalo com relação ao corpo.</p><p>FIGURA 40 – Formatos dos corpos dos estojos.</p><p>131</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>7.4.1.3 Formatos do culote do estojo</p><p>– Cinturado: possui um ressalto na parte superior do culote,</p><p>confundindo-o com o corpo do estojo;</p><p>– Com semi-aro: possui ressalto de pequenas proporções e</p><p>uma ranhura (virola);</p><p>– Sem aro: tem apenas a virola;</p><p>– Com aro: com ressalto na base (aro ou gola); e</p><p>– Rebatido: a base tem diâmetro menor que o corpo do estojo.</p><p>A base do estojo é importante para o processo de carregamento e</p><p>extração. Sua forma determina o ponto de apoio do cartucho na câmara</p><p>ou no tambor (headspace), além de possibilitar a ação do extrator.</p><p>FIGURA 41 – Formatos dos culotes dos estojos.</p><p>7.4.2 Espoletas</p><p>Consiste em um invólucro de metal mole, contendo o detonante.</p><p>Ao ser percutida, a espoleta é comprimida, o material detonante é</p><p>comprimido contra uma bigorna, provoca uma chama que é transmitida</p><p>ao propelente através dos eventos, sendo montada no culote do estojo.</p><p>Há três tipos de espoletas para armas leves (Figura 42): boxer, que possui</p><p>bigorna montada na própria espoleta e apenas um evento no centro do</p><p>bolso no estojo; berdan, que tem a bigorna como parte integrante do</p><p>estojo e dois eventos no bolso da espoleta; o terceiro é a tipo bateria,</p><p>em que a cápsula contém o bolso e a bigorna, usada em cartuchos para</p><p>armas de alma lisa.</p><p>132</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 42 – Tipos de espoletas.</p><p>Diversas substâncias foram utilizadas nas misturas iniciadoras contidas</p><p>nas espoletas: cloreto de potássio, sulfureto de antimônio, azida de</p><p>chumbo, fulminato e estifinato de mercúrio, este último, menos corrosivo,</p><p>o que permitiu a produção das espoletas em latão, como nos estojos.</p><p>Os estifinatos, estearatos e ácidos empregados, muito venenosos, foram</p><p>o motivo que levaram ao desenvolvimento de espoletas em outros</p><p>materiais, a exemplo da nitrocelulósica (mais usada atualmente) e,</p><p>mais recentemente, espoletas sem concentrações de bário, chumbo ou</p><p>mercúrio, conhecidas como “espoletas limpas” ou “clear range”.</p><p>As espoletas para cartuchos de fogo circular (Figura 43) são parte</p><p>integrante do estojo e o detonante localiza-se na parte interna da virola.</p><p>FIGURA 43 – Espoleta em cartucho de fogo circular</p><p>(detalhe do corte: misto iniciador localizado no interior da virola do estojo)</p><p>133</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>7.4.3 Propelente (carga de projeção)</p><p>É o componente do cartucho responsável pelo impulso dado ao projétil</p><p>para que ele adquira aceleração e alta velocidade. Durante o disparo,</p><p>ao ser queimado, produz grande volume de gases, o que aumenta a</p><p>pressão interna e impulsiona o projétil à frente até que saia pela boca do</p><p>cano. O propelente mais usado em armas de fogo é a pólvora.</p><p>O mais conhecido é a pólvora negra, mas pouco usado em armas de</p><p>fogo por ser de baixo desempenho. O mais usado atualmente é a</p><p>pólvora química (também chamada de algodão pólvora, pólvora</p><p>coloidal ou pólvora sem fumaça). Sua base é a nitrocelulose. Trata-se</p><p>de um explosivo não sensível ao choque. Também é a base dos mistos</p><p>iniciadores contidos nas espoletas. Algumas pólvoras usadas em</p><p>propelentes para munição de armas pesadas utilizam a nitroglicerina</p><p>e/ou a nitroguanina como potencializador. Estas são denominadas</p><p>pólvoras de base dupla (nitrocelulose e nitroglicerina) ou de base tripla</p><p>(nitrocelulose, nitroglicerina e nitroguanina). Apresentam-se sob as mais</p><p>diversas formas: tubulares, cilíndricas, flocadas, granuladas e esféricas.</p><p>Com o advento da pólvora química, foi possível controlar a velocidade de queima</p><p>desse propelente, o que permitiu a evolução dos sistemas de funcionamento</p><p>das armas de fogo. A velocidade com que o propelente se queima influi</p><p>diretamente no comportamento balístico do projétil, bem como nos efeitos</p><p>sobre a arma. Com base nesse princípio, as pólvoras foram sendo desenvolvidas</p><p>para emprego específico, de acordo com o tipo de arma projetada.</p><p>7.4.4 Projétil</p><p>É o componente do cartucho que será lançado em direção ao alvo. A base</p><p>para a fabricação de projéteis é uma liga feita com chumbo, estanho e</p><p>antimônio, em que pese haver projéteis que utilizam, além do chumbo,</p><p>latão, aço e determinados plásticos. Possui uma infinidade de formas,</p><p>cada qual projetada para uma aplicação ou um desempenho específico.</p><p>7.4.4.1 Classificação dos projéteis para cartuchos de bala</p><p>Quanto ao uso, os projéteis podem ser classificados como:</p><p>a) De uso essencialmente militar: utilizados pelas forças</p><p>armadas contra veículos, blindados</p><p>ou não, aeronaves, casamatas,</p><p>fortes, bunkers, e alvos inflamáveis. Podem ser:</p><p>134</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– perfurantes: contém um núcleo de aço endurecido,</p><p>perfuram blindagens leves;</p><p>– incendiários: o núcleo é uma mistura incendiária, provocam</p><p>incêndios;</p><p>– explosivos: destinados à destruição de alvos de pequeno</p><p>porte. Possuem pequena carga explosiva;</p><p>– traçantes: possuem uma pequena pintura de magnésio em</p><p>sua ponta, que ao cortar o ar queima, indicando a trajetória de tiro pela</p><p>luminosidade da chama produzida;</p><p>– perfurantes-incendiários;</p><p>– perfurantes-incendiários-traçantes.</p><p>b) De uso não essencialmente militar: utilizados, tanto pelas</p><p>forças armadas, quanto por forças públicas de segurança e pelo público</p><p>civil, em atividades de treinamento, competições desportivas, caça</p><p>e proteção pessoal, e atividades de busca e salvamento. Integram os</p><p>seguintes tipos:</p><p>– sólidos: uso geral;</p><p>– jaquetados: uso geral;</p><p>– expansivos: defesa pessoal e caça; aumentam a amplitude</p><p>e/ou a extensão do trauma e, por consequência, a possibilidade de</p><p>incapacitação imediata de um agressor ou de um animal de grande</p><p>porte;</p><p>– competição (match): produzidos sob rigoroso controle de</p><p>qualidade para auferir melhor precisão em competições desportivas;</p><p>– sinalização: usados em operações de busca e salvamento;</p><p>– frangível: uso policial; desintegra-se ao atingir uma</p><p>superfície rígida; é usado em atividades de treinamento ou confronto</p><p>em ambientes fechados, quando se quer evitar ricochetes ou estilhaços;</p><p>– múltiplos: uso geral; provocam múltiplos ferimentos e</p><p>aumentam a possibilidade de acertar o alvo; são comumente usados em</p><p>cartuchos com projétil único, que se rompe ao atingir o alvo;</p><p>135</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– bagos de chumbo: uso geral.</p><p>Quanto ao material de que é feito:</p><p>a) projéteis que utilizam um só tipo de material: liga de</p><p>chumbo, borracha, madeira, plástico, aço, cera e outros.</p><p>FIGURA 44 – Desenho da forma de um projétil.</p><p>b) Projéteis que utilizam mais de um tipo de material:</p><p>totalmente jaquetados ou encamisados (cobertura feita de liga de latão);</p><p>empregados em munições para armas automáticas e semi-automáticas</p><p>ou em calibres de alta energia. A jaqueta elimina o chumbamento e</p><p>aumenta a pressão dos gases, em razão da maior resistência encontrada</p><p>em seu deslocamento no interior do cano. Possuem maior resistência à</p><p>deformação e maior poder de penetração. Nessa linha, há projéteis que</p><p>possuem, em seu núcleo, além do chumbo, aço, com função perfurante,</p><p>bem como ponteiras de plástico para facilitar o carregamento e melhorar</p><p>o desempenho balístico exterior, como é o caso de munições expansivas</p><p>de ponta oca, para caça de animais de grande porte.</p><p>Quanto à forma:</p><p>a) da ponta: vide quadro 4.</p><p>136</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>QUADRO 4</p><p>FORMAS DAS PONTAS DOS PROJÉTEIS</p><p>– Jaquetado ogival (Full Metal Jacket – FMJ): de uso</p><p>geral, ideal para armas semi-automáticas; usado para</p><p>fins militares, policiais e de defesa; proporciona bom</p><p>funcionamento das armas e boa precisão. Não possui</p><p>características expansivas.</p><p>– Jaquetado cônico (Full Metal Spitz – FMS): usado em</p><p>munições .38 SPL e .357 Magnum. Projétil de alta penetração,</p><p>sem características expansivas e de pouco uso.</p><p>– Jaquetado de ponta plana (Flat Point Jacket – FPJ): de</p><p>uso geral, o projétil pode ser ogival truncado ou cone</p><p>truncado. Utilizado em munições de revólver e pistola.</p><p>Projetada para aumentar o poder de parada, mas muito</p><p>utilizada em práticas desportivas.</p><p>– Jaquetado de ponta oca (Jacketed Hollow Point – JHP):</p><p>o projétil é totalmente revestido com jaqueta, à exceção</p><p>de sua parte frontal, que possui um furo. Proporciona boa</p><p>penetração com expansão controlada. Ao atingir um corpo</p><p>mole, forma um “cogumelo” que aumenta a área de sua</p><p>secção anterior e a cavidade temporária. É o modelo mais</p><p>usado em armas de defesa, tanto revólveres quanto pistolas.</p><p>– Semi jaquetado de ponta oca (Semi Jacketed Hollow</p><p>Point – SJHP): o projétil é revestido com jaqueta até cerca</p><p>de três quartos de seu corpo, expondo chumbo na parte</p><p>anterior, que possui um furo. Mesma aplicação do anterior.</p><p>São usados em munições de revólver.</p><p>– Semi jaquetado de ponta ogival (Semi Jacketed Round</p><p>Nose – SJRN): bala expansiva, possui o corpo revestido com</p><p>jaqueta até cerca de três quartos de seu corpo, expondo</p><p>o núcleo de chumbo na parte anterior, sem perfuração.</p><p>Utilizado em revólveres e pistolas.</p><p>– Semi jaquetado de ponta plana (Semi Jacketed Flat Point</p><p>– SJFP): bala expansiva com jaqueta e ponta de chumbo</p><p>exposto, apropriada para caça de curto alcance com</p><p>revólveres. Penetração mais profunda do que as obtidas</p><p>com balas de ponta oca e menor expansão. Utilizadas</p><p>também em munições de defesa.</p><p>137</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– Jaquetado integral (Total Metal Jacket – ATM): são balas</p><p>totalmente jaquetadas, incluindo a base, que é selada</p><p>com uma pastilha de latão. Impede o contato do núcleo</p><p>de chumbo com o calor emanado pelo propelente em</p><p>combustão, eliminando a vaporização desse metal tóxico.</p><p>Utilizada em munições chamadas “limpas” ou “clear”,</p><p>são indicadas para o treinamento, principal-mente em</p><p>estandes fechados.</p><p>– Chumbo ogival (Lead Round Nose – LRN): uso geral,</p><p>atualmente é mais encontrada em práticas esportivas,</p><p>por serem precisas e de baixo custo. No passado, teve</p><p>seu uso bastante difundido no meio policial Não possui</p><p>características expansivas e sua capacidade de transfixação</p><p>é elevada.</p><p>– Chumbo canto vivo (Lead Wad Cutter – LWC): projéteis de</p><p>baixo custo, projetados para treinamento e tiro esportivo,</p><p>com a finalidade de perfurar o papel do alvo com um</p><p>corte preciso e limpo para facilitar a apuração dos pontos.</p><p>Possui excelente precisão em curtas distâncias em razão</p><p>de sua base oca.</p><p>– Chumbo semi canto vivo (Lead Semi Wad Cutter –</p><p>LSWC): também projetado para o treinamento e para o tiro</p><p>esportivo, permite maior precisão do que as obtidas com</p><p>os projéteis canto vivo, a maiores distâncias.</p><p>– Chumbo semi canto vivo de ponta oca (Lead Semi Wad</p><p>Cutter Hollow Point – LSWC HP): muito semelhantes às</p><p>balas SWC, mas com um furo em sua ponta, possuem a</p><p>mesma aplicação e uma perfuração mais perfeita no papel</p><p>do que aquelas. São utilizados também em munições de</p><p>defesa por suas características expansivas.</p><p>– Pontiagudo: uso em munições de alta energia para rifles</p><p>e fuzis de emprego militar e policial. Possui uma série</p><p>de configurações: perfurante com núcleo de chumbo e</p><p>aço; expansiva com ponta oca ou com chumbo exposto</p><p>de ponta macia; totalmente jaquetada com núcleo de</p><p>chumbo.</p><p>138</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>b) da base:</p><p>QUADRO 5</p><p>FORMAS DAS BASES DOS PROJÉTEIS</p><p>– plana: uso mais comum. Encontrada na maioria das</p><p>munições comerciais.</p><p>– convexa: quase não utilizada. Facilita a recarga de munições;</p><p>– rebaixada: de pouco uso. Melhora, suavemente, o</p><p>desempenho balístico.</p><p>– côncava: uso muito comum. Melhora, suavemente, o</p><p>desempenho balística.</p><p>– oca (“hollow base”): uso bastante difundido no tiro ao</p><p>alvo, principalmente nos projéteis tipo canto-vivo. Os gases</p><p>penetram na base oca, forçando uma melhor adaptação do</p><p>projétil no raiamento, melhorando o comportamento do</p><p>projétil e permitindo maior precisão ao tiro.</p><p>– bisotada: de uma maneira geral, é bastante utilizada em</p><p>projéteis destinados à recarga de munições por facilitar</p><p>sua inserção no estojo. Entretanto, seu uso mais difundido</p><p>reporta-se aos projéteis de munições de alta energia para</p><p>rifles e fuzis, os quais, quando construídos com esse tipo de</p><p>base, recebem a denominação de “boat-tail”37. É aplicado na</p><p>construção de projéteis para munições “match” (competição</p><p>e alta performance) para aumento de sua estabilidade,</p><p>performance balística e precisão.</p><p>– rebatida: para uso em projéteis com “gas check”38.</p><p>37 Em uma tradução literal, “cauda de barco” – alusão feita à popa de barcos e botes – cujo formato</p><p>proporciona boas qualidades hidro e aerodinâmicas. (CONRAD, 2003).</p><p>38 Gas check: lâmina</p><p>metálica colocada na base de projéteis de munições mais potentes, para</p><p>minimizar a fusão do chumbo.</p><p>139</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>c) do corpo:</p><p>A montagem de um cartucho de munição carregada a bala passa por</p><p>sete processos: espoletamento, abertura da boca, dosagem da pólvora,</p><p>assentamento do projétil, fechamento da boca e crimpagem. Para que o</p><p>projétil seja colocado e assentado, uma ABERTURA na boca do estojo,</p><p>em forma de borda de sino, é feita para facilitar essa operação.</p><p>O segundo passo é a colocação do projétil em sua altura correta,</p><p>chamada de ASSENTAMENTO, o que já promove um engastamento</p><p>firme, uma vez que o diâmetro interno do estojo (boca, gargalo ou</p><p>corpo) é levemente menor do que o diâmetro do projétil. Em princípio,</p><p>o projétil se engasta no estojo da munição em virtude dessa diferença</p><p>de diâmetros entre os dois componentes.</p><p>A operação subsequente é o FECHAMENTO, que consiste em retornar</p><p>a boca do estojo ao seu diâmetro padrão, contudo, sem o aperto final</p><p>denominado crimp.</p><p>Após o fechamento, além do engaste natural ocorrido durante o</p><p>assentamento, é necessário que o estojo comprima o projétil em</p><p>determinada região. A esse forçamento extra é dado o nome de crimp</p><p>ou CRIMPAGEM, sendo esta a última operação na montagem desse tipo</p><p>de munição.</p><p>Para entender a forma de crimpar um cartucho, deve-se conhecer o</p><p>conceito de headspace39 (sem tradução em português), que é a distância</p><p>entre a face de obturação40 no ferrolho e a região na estrutura do estojo</p><p>que limita a entrada da munição na câmara. Esse ponto de apoio do estojo</p><p>na câmara também define as distâncias, máxima e mínima, permitidas</p><p>entre a face de obturação e o culote, e o correto fechamento da arma.</p><p>O tipo de crimp é definido de acordo com a forma como a munição para</p><p>no interior da câmara (como o headspace é feito).</p><p>39 Em inglês, o culote do cartucho é denominado head (cabeça). Em tradução literal, headspace</p><p>seria “espaço da cabeça”, que significa a distância entre o culote e a face de obturação. Na realidade,</p><p>as medidas do headspace são tomadas a partir do ponto de apoio do estojo com a câmara, e não</p><p>a partir do culote.</p><p>40 Face de obturação: face anterior do ferrolho, onde se localiza o orifício de passagem do percussor.</p><p>140</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 45 – Identificação do headspace: estojo cilíndrico com aro,</p><p>estojo cilíndrico sem aro e tipo garrafa sem aro.</p><p>Com base no tipo de headspace, são definidos três tipos de crimp:</p><p>– Roll-crimp ou rolled-crimp (crimp curvado): o crimp</p><p>é feito cravando-se o estojo no corpo do projétil. A boca do estojo é</p><p>pressionada de maneira a dobrar-se em curva, cravando no corpo do</p><p>projétil, deformando-se e fixando-se nele. Este tipo de crimpagem</p><p>somente pode ser utilizado em cartuchos que fazem seu headspace</p><p>sobre o aro ou sobre a cintura do estojo. Exige uma cinta no corpo do</p><p>projétil para fixação do estojo, chamada de cinta de crimpagem.</p><p>FIGURA 46 – Esquemas demonstrando a forma do roll-crimp e</p><p>projétil com uma cinta de crimpagem.</p><p>– Taper-crimp (crimp cônico): – é usado em cartuchos que</p><p>fazem seu headspace sobre a quina viva, formada entre a boca do estojo</p><p>e o projétil. Tais cartuchos, na operação de carregamento, devem ter</p><p>141</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>seu movimento à frente limitado pelo ressalto localizado no início do</p><p>raiamento, ao final da câmara. Pode ser usado, tanto para fixar balas de</p><p>chumbo, como para fixar balas jaquetadas. Nesse crimp, a boca do estojo</p><p>é pressionada de forma cônica, quase paralela, sem que seja cravada</p><p>contra o projétil. O aperto deve ser suficientemente firme para prender</p><p>o projétil, mas deve deixar uma quina viva entre este e o estojo, para</p><p>que possa ser freado pela quina no interior da câmara. É encontrado</p><p>em munições com estojos sem aro para armas semi-automáticas, e os</p><p>projéteis não são dotados de cinta de crimpagem.</p><p>FIGURA 47 – Esquema demonstrando a forma do taper-crimp.</p><p>Se o taper-crimp for muito apertado e a quina estiver reduzida abaixo</p><p>da dimensão padrão, isto permitirá um avanço irregular do projétil</p><p>para além do fim da câmara, o que provocará incidentes de falha de</p><p>percussão. Se em outro extremo, o crimp for insuficiente ou a boca do</p><p>cartucho estiver aberta, incidentes nas operações de fechamento e/ou</p><p>trancamento irão ocorrer.</p><p>– Stab-crimp (crimp anular ou paralelo): consiste em uma</p><p>série de sulcos, ou um sulco em forma de coleira, gravados na boca ou</p><p>na parte anterior do gargalo do estojo. É feito sobre cinta de crimpagem,</p><p>ou contra o corpo de projéteis sem cinta, e possui a finalidade de mantê-</p><p>los presos. É utilizado em munições de uso militar, as quais, estocadas</p><p>e movimentadas em grande quantidade, tendem a ter seus projéteis</p><p>desprendidos em razão das condições críticas encontradas em combate.</p><p>Não é indicado para munições das quais se exige alta precisão.</p><p>142</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 48 – Esquemas demonstrando duas formas de stab-crimp.</p><p>Os projéteis de chumbo, quando em contato com o raiamento, incrustam-no</p><p>com partículas. Ao acúmulo dessas partículas, dá-se o nome de chumbamento,</p><p>o qual, quando excessivo, prejudica o comportamento balístico do projétil e a</p><p>precisão do tiro e, em casos extremos, pode danificar a arma.</p><p>O chumbamento ocorre porque os metais apresentam rugosidades em</p><p>suas superfícies, o que gera atrito durante o movimento de um corpo em</p><p>contato com o outro. Durante o disparo, o metal mais macio do projétil</p><p>sofre abrasão e deixa partículas no metal mais duro do cano.</p><p>Para evitar ou minimizar esse problema, projéteis de chumbo são</p><p>construídos com uma canaleta em seu corpo, para a colocação de algum</p><p>tipo de lubrificante, pastoso ou sólido (graxa ou cera.). Esse canal para</p><p>lubrificação é chamado de cinta de turgência e está localizado sempre em</p><p>posição posterior à cinta de crimpagem. A cinta de turgência (Figura 49)</p><p>não serve para fixar o projétil no estojo, apenas presta-se à lubrificação.</p><p>FIGURA 49 – Projétil com uma cinta de crimpagem e uma cinta de turgência.</p><p>cinta de crimpagem</p><p>cinta de turgência</p><p>143</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>Com base nas estruturas encontradas nos diversos tipos de projétil,</p><p>estes são classificados em:</p><p>– lisos: sem cintas de turgência ou de crimpagem;</p><p>– com cinta de turgência: dotado, somente, de cintas para</p><p>lubrificação;</p><p>– com cinta de crimpagem: dotado, somente, da cinta de</p><p>crimpagem;</p><p>– com cintagem dupla: dotado de cintas de turgência e</p><p>crimpagem.</p><p>7.5 Munições para armas com cano de alma lisa (espingardas)</p><p>As espingardas utilizam cartuchos de calibre nominal, conforme já</p><p>esclarecido anteriormente. Quanto maior o número que denomina o</p><p>calibre, menor o diâmetro do cano.</p><p>7.5.1 Emprego</p><p>a) 1½, 2 e 3 – eram utilizados em um tipo de espingarda</p><p>denominada “punt gun”41, usada fixa, em reparos giratórios, para a caça</p><p>de aves em grande quantidade;</p><p>b) 4 – usado em ambiente adverso, mata cerrada, distância</p><p>elevada para tiro com espingarda, tal calibre foi abandonado antes da</p><p>Primeira Grande Guerra;</p><p>c) 8 – característica semelhante ao calibre 4, porém, com</p><p>menor energia;</p><p>d) 10 – possuía a metade da energia do calibre oito, sendo</p><p>utilizado para o tiro a distância com menor recuo. Foi utilizado até a</p><p>Segunda Guerra Mundial, retornando recentemente. Na atualidade, é</p><p>muito difundido como calibre de defesa pessoal, policial e para a caça</p><p>de animais de grande porte;</p><p>41 Tipo de espingarda de fabricação individual e personalizada, com extremadas dimensões, e mui-</p><p>to utilizada, entre meados do século dezenove e início do século vinte, na caça de aves aquáticas</p><p>em grande quantidade. Por volta de 1860, foi proibida na maioria dos estados norte-americanos.</p><p>144</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>e) 12 – é o calibre mais utilizado atualmente, inclusive com</p><p>munições de bala sólida, como balotes, “slugs” e “sabots”. Sua fama</p><p>cresceu com o desenvolvimento de espingardas de combate para uso</p><p>policial. Juntamente com o calibre 10, já existem muitas opções</p><p>com</p><p>canos de alma raiada (“rifled bore”) para a caça;</p><p>f ) 14 – teve fama efêmera nos EUA até a Primeira Guerra</p><p>Mundial, mas a sua preferência foi absorvida pelo calibre 16;</p><p>g) 16 – foi o calibre mais usado durante a primeira fase das</p><p>munições modernas, possui rendimento próximo ao calibre 12 e está</p><p>em franca decadência;</p><p>h) 20 – ao contrário do calibre dezesseis, encontra-se em</p><p>franca ascensão. O desenvolvimento de câmaras de 76 mm para esse</p><p>calibre foi o motivo de seu grande sucesso. As espingardas são mais</p><p>leves, manejáveis e com desempenho semelhante aos calibres maiores,</p><p>sendo boas para tiros à curta distância e para a prática de tiro ao prato;</p><p>i) 24 – bom para caça de pequenas aves, como codornas,</p><p>pombas, perdizes etc. Apresenta recuo suave;</p><p>j) 28 – bom para a caça de pequenas aves, tiro ao vôo e prática</p><p>de tiro ao prato. Muito usado atualmente nas Américas e na Europa;</p><p>k) 32 – conhecido na Europa e no Brasil como 14 mm, foi mais</p><p>difundido naquele continente, embora no Brasil, por algum tempo,</p><p>tenha tido boa aceitação;</p><p>l) 36 – mais conhecido como 12 mm, sendo o único cartucho</p><p>pequeno que teve um invólucro de 76 mm (Magnum) desenvolvido para</p><p>ele. Esse “novo” cartucho foi denominado .410 para as cargas Magnum.</p><p>Pode disparar munição especial de bala sólida, motivo a mais para o seu</p><p>sucesso em relação aos outros calibres mais antigos.</p><p>7.5.2 Componentes do cartucho para armas de alma lisa</p><p>Um cartucho para armas com cano de alma lisa é constituído por estojo,</p><p>projétil (singular ou tipo bagos de chumbo), bucha plástica, carga de</p><p>projeção (propelente) e iniciador tipo bateria (espoleta).</p><p>145</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 50 – Componentes de um cartucho para arma de alma lisa.</p><p>a) Estojo e culote (1): quando o estojo não é feito totalmente</p><p>de metal, ele é engastado no culote que, obrigatoriamente, tem que</p><p>ser resistente para obturar a câmara no momento do disparo. O papel,</p><p>o plástico, o latão, além de diferentes tipos de aço, são utilizados para</p><p>a fabricação de estojos. Os cartuchos de aço e plástico têm a grande</p><p>vantagem de não se deformarem quando molhados. A retenção das</p><p>esferas de chumbo, na parte superior do estojo, pode ser efetuada</p><p>através do fechamento tipo estrela ou tipo orlado;</p><p>b) Projéteis ou bagos de chumbo (2): os chumbos usados</p><p>para cartuchos variam geralmente de 1,25 mm a 8,50 mm de diâmetro.</p><p>Há ainda o projétil denominado balote ou slug, que consiste em uma</p><p>peça única, com o diâmetro equivalente ao calibre da arma. Os tipos de</p><p>chumbo são identificados por números convencionados, o que indica</p><p>o tamanho. São também, por vezes, indicados por letras ou números</p><p>conjugados; a variação é imensa;</p><p>c) Bucha (3): tem por finalidade separar o propelente dos</p><p>bagos de chumbo, comprimir a pólvora e evitar o escape de gases e a</p><p>dispersão prematura dos projéteis. Pode ser feita de diversos materiais.</p><p>O mais usado e mais eficiente é o plástico. Buchas de feltro, elásticas e</p><p>leves, de feltro, abandonam o chumbo logo ao sair do cano e não altera</p><p>a sua dispersão; buchas duras, espessas e pesadas, acompanham o</p><p>chumbo para além do cano, em distância e velocidade suficientes para</p><p>perturbar a dispersão normal; buchas quebradiças são esmagadas no</p><p>cano, esfacelam-se ao sair dele e se misturam aos bagos de chumbo, o</p><p>que diminui o alcance, a penetração e a distribuição dos projéteis;</p><p>146</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>d) Pólvora (4): existem diversos tipos de propelente para</p><p>cartuchos, todos de queima rápida, inclusive para fabricação de</p><p>munições magnum, mais potentes que as convencionais. É importante</p><p>saber que a proporção da pólvora em relação à quantidade de bagos de</p><p>chumbo influencia o tiro;</p><p>e) Espoleta (5): responsável pela transmissão da chama</p><p>iniciadora para o propelente. Para esses tipos de cartuchos são utilizadas</p><p>berdan, para estojos metálicos, e bateria, para estojos com corpo plástico</p><p>ou de papelão.</p><p>7.5.3 Câmaras</p><p>As câmaras das armas de alma lisa são padronizadas em 70 mm (2”¾) e 76</p><p>mm (3”). As mais longas permitem o carregamento de munições magnum e</p><p>visam a maiores alcance e potência. Essas dimensões referem-se à medida</p><p>do estojo expandido após o disparo, portanto, não se deve usar cartuchos</p><p>de comprimento superior ao dimensionado para a câmara da arma.</p><p>7.5.4 Estrangulamento (choke)</p><p>É sabido que, de uso mais comum, as espingardas utilizam cartuchos</p><p>que contêm projéteis múltiplos (balins ou bagos), pequenas esferas de</p><p>chumbo ou de aço. As primeiras espingardas tinham o cano cilíndrico,</p><p>com o diâmetro interno do cano nas mesmas dimensões, desde a parte</p><p>anterior da câmara até a boca do cano.</p><p>O aprimoramento tecnológico introduziu um estreitamento cônico no</p><p>diâmetro interno, próximo à boca do cano, denominado choke, palavra</p><p>inglesa cuja tradução que melhor se adéqua à língua portuguesa</p><p>é estrangulamento. A função do choke é agrupar a chumbada no</p><p>momento da saída na boca do cano, diminuir sua dispersão e aumentar</p><p>o alcance dos disparos.</p><p>Os estrangulamentos recebem a classificação de: pleno, ¾ (três</p><p>quartos), semi-pleno (ou ½), ¼ (um quarto) e sem choke ou de</p><p>choke cilíndrico. Há ainda um padrão para competição chamado de</p><p>estrangulamento skeet. São escolhidos em função da distância que se</p><p>deseja fazer o tiro.</p><p>Para padronização ou verificação do desempenho esperado com a</p><p>utilização de cada choke, ensaios de tiro são realizados à distância de 35</p><p>147</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>metros em um alvo circular de 75 cm de diâmetro, sempre levando em</p><p>conta o tamanho do cartucho, a carga de pólvora utilizada, o número de</p><p>bagos de chumbo, dentre outras.</p><p>Com base nesse padrão de teste, os desempenhos esperados, em</p><p>termos de precisão e dispersão das chumbadas no alvo, são descritos</p><p>a seguir (os percentuais referem-se à quantidade de bagos de chumbo</p><p>que devem atingir o alvo):</p><p>– cano com choke cilíndrico: de 35 a 40%;</p><p>– cano com choke ¼: entre 40 e 45%;</p><p>– cano com choke ½ (semi-pleno): de 50 a 60%;</p><p>– cano com choke ¾: entre 60 e 65%;</p><p>– cano com choke pleno: entre 70 e 75%;</p><p>Os bagos de chumbo deslocam-se no ar de forma ovalada, e se</p><p>dispersam cada vez mais, à medida que se afastam da boca do cano da</p><p>arma, conforme se pode observar na Figura 51.</p><p>FIGURA 51 – Padrão de dispersão da chumbada (oval).</p><p>A Figura 52, na página seguinte, resume a classificação geral das</p><p>munições.</p><p>148</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 52 – Classificação geral das munições.</p><p>149</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>7.6 Munições de defesa</p><p>O conhecimento sobre diferentes tipos de munições destinadas à defesa</p><p>pessoal é importante, tanto a nível individual, como institucional, para</p><p>que sempre se busque o armamento mais adequado para a atuação</p><p>policial.</p><p>De uma forma geral, a escolha do calibre de uma arma para uso policial</p><p>deve envolver quatro requisitos:</p><p>– boa portabilidade;</p><p>– grande capacidade de municiamento;</p><p>– boa probabilidade de incapacitação imediata (energia,</p><p>penetração, massa e/ou capacidade de deformação do projétil);</p><p>– recuo controlável (possibilidade de disparos múltiplos</p><p>precisos).</p><p>A seguir, uma lista com alguns calibres conhecidos e empregados em</p><p>armas de defesa, mesmo que de inadequados, e suas características. A</p><p>lista foi dividida por nível de efetividade em: baixa, média, boa e alta;</p><p>na medida em que cumprem, ou não, os requisitos para escolha, citados</p><p>acima.</p><p>7.6.1 Calibres de baixa efetividade</p><p>São cartuchos leves, com baixíssima potência, usados em armas</p><p>pequenas. Oferecem pequeno recuo, mas pouca, ou quase nenhuma,</p><p>possibilidade de incapacitação imediata nas ações contra oponentes</p><p>armados.</p><p>6,35 mm Browning (ou .25 Auto ou ACP): criado por John Moses</p><p>Browning junto à Fabrique Nationale d´Armes de Guerre (FN Herstal),</p><p>Bélgica, em 1906, para uso em uma supercompacta pistola de defesa.</p><p>Pela reduzida possibilidade de induzir a uma incapacitação imediata</p><p>(relative stopping power), sua aplicação para defesa, até mesmo de civis,</p><p>é totalmente desaconselhável. É o</p><p>calibre mais fraco em termos de</p><p>energia.</p><p>7,65mm Browning (ou .32 Auto ou ACP): criado por Browning em</p><p>1895, teve sua primeira utilização em uma pistola semi-automática</p><p>150</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>fabricada pela FN Herstal. Utiliza projéteis com massas que variam entre</p><p>60 e 80 grains, considerados muito leves para defesa pessoal, com baixa</p><p>perspectiva de incapacitação imediata, em virtude da fraca relação massa/</p><p>velocidade.. Não se trata de opção adequada à defesa pessoal ou do policial.</p><p>.32 S&W (Smith & Wesson): também conhecido como .320, foi criado por</p><p>volta de 1860 nos EUA, na configuração rimfire (fogo circular). Dez anos após</p><p>sua invenção, os ingleses o evoluíram, rebatizando-o de .320, este de fogo</p><p>central, especificamente para revólveres produzidos pelas firmas Webley &</p><p>Tranter. Com o advento de sua nova configuração (fogo central), o calibre</p><p>disseminou-se pela Europa, passando a ser fabricado em diversos países. Os</p><p>cartuchos em fogo central, no caso o .32 S&W (curto) e o .32 S&W Long, são</p><p>fabricados até hoje e ainda mantêm um bom índice de vendas. Ao atingidr</p><p>um ponto vital do corpo humano, é tão letal quanto qualquer outro calibre.</p><p>É inadequado para fins de defesa policial em razão de sua pouca energia.</p><p>Calibre .380 ACP: desenvolvido pela FN Herstal em 1902, foi utilizado</p><p>como munição militar na Alemanha e Itália, em armas de porte de</p><p>oficiais. Pouco superior ao calibre .32, opera com pressões semelhantes</p><p>às do .38 Special, porém, é menos potente em função relação massa/</p><p>velocidade do projétil. Não é aceitável para emprego policial devido à</p><p>pouca eficiência balística.</p><p>7.6.2 Calibres de média efetividade: .38 SPL, .38 SPL +P e SPL +P+</p><p>.38 SPL: em 1902, a Smith & Wesson (EUA) lançou o calibre .38 Special, que</p><p>se tornou um dos calibres mais populares do mundo, projetado para ser</p><p>utilizado em seu revólver Military & Police. Hoje, o .38 SPL, mais conhecido</p><p>como 38, ainda é utilizado por boa parte das polícias no Brasil nas versões</p><p>+P e +P+, inclusive pela PMMG. Foi popularizado pelo baixo custo e por</p><p>ser considerado, à época de sua adoção, um calibre razoável para defesa.</p><p>Aos poucos, vem sendo substituído no Brasil pelo calibre .40 S&W.</p><p>.38 SPL +P: o .38 SPL + P (special plus power) é uma evolução do calibre</p><p>.38 SPL. Opera com pressões maiores do que este, mas dentro da</p><p>margem de segurança definida para os fabricantes de armas em calibre</p><p>38 SPL, entre 18.900 a 22.400 c.u.p.37 (SAAMI38 ), possuindo melhores</p><p>probabilidades de eficiência do que o SPL.</p><p>42 C.U.P: copper unit of pressure – unidade de pressão em cobre.</p><p>43SAAMI: Sporting Arms and Ammunition Manufacturer’s Institute (Instituto dos Fabricantes de</p><p>Armas e Munições Esportivas) – órgão padronizador norte-americano para a fabricação de armas</p><p>e munições.</p><p>42 43</p><p>151</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>.38 SPL +P+: opera com pressão de cerca de 25.000 c.u.p., acima da faixa</p><p>estabelecida para o calibre .38 SPL, mas dentro do limite de sobrepressão</p><p>de 25% exigido na fabricação de armas neste calibre. A escolha e o</p><p>manejo das pólvoras e dos projéteis utilizados na variação +P+ lhe</p><p>conferem melhores possibilidades balísticas de defesa. Entretanto, sua</p><p>utilização deve ser restrita às armas .38 SPL que suportem essa faixa</p><p>de pressão, o que deverá ser indicado pelo fabricante da arma. Se, de</p><p>alguma forma, não houver essa indicação, não se recomenda seu uso</p><p>em armas .38 SPL.</p><p>9 mm Luger (Parabellum): desenvolvido na Alemanha em 1902 para</p><p>uso em pistolas militares, foi utilizado pela marinha e exército alemães.</p><p>Trata-se da munição de maior aceitação por forças militares e policiais</p><p>ao redor do mundo. Possui boa velocidade que, aliada ao pequeno</p><p>tamanho do cartucho, permite seu emprego em armas compactas</p><p>com grande capacidade de municiamento. Em sua configuração</p><p>ogival, totalmente jaquetado, deforma pouco, ou quase nada, e</p><p>penetra bastante, chegando, em muitos casos, a transfixar o corpo de</p><p>uma pessoa adulta, o que reduz suas possibilidades de incapacitação</p><p>imediata de um oponente. Aconselha-se, para uso policial, o uso de</p><p>projéteis expansivos, o que lhe confere melhor probabilidade de</p><p>eficiência balística em tiros de defesa, superior à obtida com o calibre .38</p><p>em todas as suas configurações. Mesmo assim, cautela se deve ter em</p><p>sua utilização em ambientes urbanos, pois, um considerável percentual</p><p>de projéteis expansivos, por possuírem orifício muito pequeno na ogiva,</p><p>não se expandem, tornando-se transfixantes e ineficientes na contenção</p><p>de um oponente. Ainda em uso na PMMG, vem sendo substituído, aos</p><p>poucos pelo calibre .40 S&W.</p><p>7.6.3 Calibres de boa efetividade</p><p>.45 ACP (Automatic Colt Pistol): criado em 1911 para a pistola Colt</p><p>M1911, desenvolvida por Browning, utiliza projéteis largos e pesados</p><p>em uma combinação, em que pese a baixa velocidade, que lhe confere</p><p>boas possibilidades de incapacitação imediata. Ainda utilizado em</p><p>várias organizações policiais, pode ser encontrado nas configurações</p><p>expansiva e +P+, e é considerado um dos melhores calibres para o</p><p>uso policial e de defesa. No Brasil, foi utilizado pelas forças armadas e</p><p>policiais até os idos de 1972 e 1973, sendo substituído pelo 9 mm Luger.</p><p>.40 S&W (Smith & Wesson): acompanhando a tendência mundial de</p><p>152</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>armar suas polícias com pistolas semi-automáticas e munições mais</p><p>efetivas, o Brasil optou, de uma forma geral, pelo calibre .40 S&W, com</p><p>pequenas exceções para o calibre 9 mm. Foi desenvolvido como um</p><p>calibre híbrido, que combina as vantagens encontradas no 9 mm Luger</p><p>(grande capacidade de munição nos carregadores) e no calibre .45 ACP</p><p>(potência e energia consideráveis). Sua origem reporta aos anos de</p><p>1986 a 1989, tendo sido concebido pelas norte-americanas Winchester</p><p>– munição e Smith & Wesson – arma, a partir de especificações definidas</p><p>pelo FBI. Seu desempenho deve permitir penetração mínima de 12</p><p>polegadas em gelatina balística, após ter transfixado um obstáculo</p><p>fino de vidro, madeira ou chapa metálica. Trata-se de um calibre</p><p>essencialmente policial, pois foi criado em função deste emprego, com</p><p>excelentes possibilidades balísticas de defesa.</p><p>.357 Magnum39: criado em 1935 pela Smith & Wesson e pela Winchester</p><p>para uso em revólveres, atualmente é encontrado em pistolas semi-</p><p>automáticas e carabinas. Em seu desenvolvimento, buscou-se e obteve-</p><p>se desempenho balístico bastante superior ao proporcionado pelo</p><p>.38 SPL. Possui uma variedade de munições de boa potência e grande</p><p>alcance, permitindo excelente aplicação policial, bastante reduzida, por</p><p>sinal, em razão de seu considerável recuo e reduzida capacidade de</p><p>munição</p><p>.357 SIG: criado em 1994, em uma parceria entre a fabricante de armas</p><p>suiço-germânica Sigarms Inc., e a norte-americana de munições Federal</p><p>Cartridges. Seu desenvolvimento utilizou, como base, as dimensões</p><p>do estojo .40 S&W, cujo gargalo foi reduzido para assentar projéteis 9</p><p>mm (0,355” ou 9,017 mm). Possui estojo tipo garrafa, com comprimento</p><p>maior do que o do .40, diferença esta que pode variar entre +0,23 e</p><p>+0,51 mm. Sua energia se compara à do .357 Magnum, chegando a</p><p>ser superior em algumas configurações. Trata-se de uma exclelente</p><p>opção para armas de defesa, pois é utilizado em pistolas com boa</p><p>capacidade de municiamento e possui grandes possibilidades balísticas</p><p>de incapacitação.4041424344</p><p>10 mm Auto: criado no final da década de 70, foi inspirado na velocidade</p><p>e na trajetória quase tensa do 9 mm Luger, e na potência do .45 ACP. Trata-</p><p>se de um calibre com bastante energia para armas de porte e com boas</p><p>possibilidades balísticas de incapacitação, mas que não foi bem aceito</p><p>nos meios policial e militar. Demonstrou-se demasiadamente potente,</p><p>44 Magnum: do latim magnu – máximo, grande, importante, poderoso.</p><p>44</p><p>153</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>dono de insuportável estampido e forte recuo, o que prejudica, por</p><p>demais, a precisão em disparos múltiplos. Apesar de possuir diâmetro</p><p>semelhante,</p><p>não guarda relações técnicas com o calibre .40S&W.</p><p>.44 Remington Magnum: desenvolvido de forma semelhante ao calibre</p><p>.357, o .44 Rem Mag utiliza estojo aumentado em 1/8 de polegada, se</p><p>comparado ao .44 Special. Isto, para impedir sua utilização em armas não</p><p>projetadas para o calibre, extremamente mais potente, o que poderia</p><p>danificar a arma e até ferir um usuário desavisado. Conhecido como</p><p>“The Big Forty Four”, trabalha com pressões girando em torn de 43.200</p><p>c.u.p., sendo considerado o mais poderoso calibre para caça e defesa</p><p>com armas curtas no mundo. Possui excelentes qualidades balísticas</p><p>de incapacitação imediata, mas não é aceito nos meios policial e militar</p><p>em razão de seu forte recuo e baixa capacidade de munição, mesmo</p><p>quando utilizado em pistolas.</p><p>7.6.4 Calibres de alta efetividade</p><p>5.7 x 28 mm FN: desenvolvida em 1990 pela FN Herstal, trata-se de</p><p>uma munição que opera com projéteis pequenos e leves, cujas massas</p><p>variam entre 23 e 40 grains, e altíssima velocidade, alcançando, na saída</p><p>do cano, algo em torno de 2300 a 2800 pés por segundo. Utiliza estojo</p><p>tipo garrafa empregado, inicialmente, em armas fabricadas pela própria</p><p>FN: a pistola Five-Seven e a submetralhadora P90. Mais recentemente</p><p>novas armas, inclusive de outros fabricantes, têm sido desenvolvidas</p><p>para emprego do calibre, a exemplo das carabinas PS90 e AR-57, e da</p><p>submetralhadora STKinects CPW. Trata-se de um calibre que oferece</p><p>baixo recuo, grande capacidade de munição, boa portabilidade e grande</p><p>possibilidade de incapacitação imediata.</p><p>5,56 x 45 mm NATO (OTAN)45: embora de aparência e dimensões</p><p>similares, o cartucho militar 5,56 x 45mm NATO não se trata da mesma</p><p>munição que o .223 Remington. A padronização e a especificação de</p><p>armas e munições militares 5,56 são feitas pela OTAN, enquanto que a</p><p>SAAMI controla as especificações da munição para uso civil e esportivo,</p><p>o que inclui o calibre .223 Remington. As diferenças são encontradas</p><p>45 Nota: com certa frequência no meio policial, ouve-se dizer que o calibre 5,56 foi criado com a</p><p>intenção de, em combate, somente ferir o inimigo para que, em seu socorro, sejam despendidos</p><p>esforços em efetivo para salvá-lo e carregá-lo. É importante destacar que não há qualquer registro</p><p>técnico a respeito da origem dessa informação. Sua capacidade de levar ao resultado morte é</p><p>reconhecidamente elevada e maior do que qualquer calibre disparado por armas de porte. Na</p><p>verdade, foi desenvolvido para permitir maior capacidade de municiamento e transporte de</p><p>munição, com a adoção de armas mais leves e energia suficiente para tombar um soldado inimigo.</p><p>154</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>na pressão de trabalho, no “headspace” e nas tolerâncias de câmaras,</p><p>diferentes em decorrência do emprego civil ou militar. Outras diferenças</p><p>são encontradas no tipo e na composição dos estojos, projéteis, espoletas</p><p>e pólvoras, bem como na fixação de projéteis e espoletas ao estojo. Não</p><p>é recomendável a utilização de munições 5,56 NATO em armas .223 Rem</p><p>e vice-versa.</p><p>É encontrada em duas configurações:</p><p>Munição M193: o calibre 5,56 x 45 mm foi testado, pela primeira vez, em</p><p>1957. De tipo experimental com finalidade militar, foi utilizado em arma</p><p>protótipo, o Armalite AR-1546. Em 1964, o 5,56 NATO foi oficialmente</p><p>adotado como munição oficial das tropas militares norte-americanas</p><p>com a denominação militar de 5,56 Ball Cartridge M193, com núcleo</p><p>de chumbo, sem ação perfurante. Desenvolvido a partir do projeto do</p><p>AR-15, foi utilizado, no início, somente nos rifles de assalto M-16. Uma</p><p>das características principais dessa munição é a manutenção de sua</p><p>velocidade supersônica em distâncias de 500 metros. A munição M193</p><p>é uma excelente opção nos confrontos a pequenas e médias distâncias</p><p>e hoje é adotado por forças policiais como opção de defesa com armas</p><p>longas.</p><p>Munição SS109: o projétil SS109 é apresentado com massa de 62 grains</p><p>(4,02 g) e constituído de uma jaqueta de “tomback” (liga de latão usada</p><p>nas jaquetas de projéteis), um núcleo de aço temperado ocupando o</p><p>volume interno anterior da jaqueta, e chumbo preenchendo o restante</p><p>posterior desse volume. Trata-se de munição perfurante de blindagem</p><p>(AP – armor piercing) e seu uso policial é bem restrito, em que pese</p><p>aplicável e, às vezes, necessário.</p><p>7,62 x 51 mm NATO: os primeiros cartuchos no calibre 7,62 x 51 mm</p><p>NATO foram adotados em 1950, como munição padrão militar dos</p><p>países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Foi</p><p>introduzido em serviço nos Estados Unidos da América através dos rifles</p><p>M14 e das metralhadoras M60. Trata-se de munição com alta potência</p><p>e alta energia, em virtude das altas velocidades em que são lançados</p><p>os seus projéteis, em torno de 2500 pés por segundo. É muito útil,</p><p>principalmente em situações onde haja determinado tipo de obstáculo.</p><p>Sua capacidade letal é bastante elevada e possui grande possibilidade</p><p>de perfurar, facilmente, a alvenaria e atingir o que não se deseja. Seu</p><p>46 AR é abreviatura de ARMALITE, fabricante norte-americano de armas.</p><p>155</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>alcance útil (onde ainda pode provocar danos incapacitantes em um ser</p><p>humano adulto) chega a quase 2000 metros, o que deve ser analisado</p><p>quando da necessidade de se evitar balas perdidas. A adoção, pelas</p><p>polícias, de fuzis no calibre 7,62 é uma necessidade, recente, de nivelar</p><p>seu poder de fogo ao de determinados infratores. Entretanto, o usuário</p><p>deve ser capacitado e ter consciência de atirar somente nas condições</p><p>necessárias, não errar o alvo e ter a certeza de que aquele tiro não irá</p><p>atingir alvos indesejados. Embora de aparência e dimensões similares,</p><p>o cartucho militar 7.62 x 51 mm NATO não se trata da mesma munição</p><p>que o .308 Winchester (vide explicação em 5,56 x 45 mm NATO e .223</p><p>Remington).</p><p>.308 Winchester: semelhante ao 7,62 x 51, é recomendado para</p><p>utilização em tiros de elite (sniper), pois, em razão de serem as dimensões</p><p>das câmaras mais reduzidas, com menor faixa de tolerância, e do tipo de</p><p>engastamento do projétil, aliado ao formato deste, permite um tiro bem</p><p>mais preciso.</p><p>Não é recomendável a utilização de munições 7,62 NATO em armas .308</p><p>Win e vice-versa.</p><p>CAPÍTULO 8</p><p>REVÓLVER TAURUS</p><p>CALIBRE .38 MODELO 82</p><p>159</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>8 REVÓLVER TAURUS CALIBRE .38 MODELO 82</p><p>A evolução do revólver foi marcada pelo aperfeiçoamento dos sistemas</p><p>de carregamento e extração. Foram criados diversos sistemas: armação</p><p>rígida, armação basculante e tambor reversível. Este último é o prinicipal</p><p>sistema adotado na atualidade.</p><p>O revólver é uma arma bem aceita pelas forças de segurança do mundo</p><p>inteiro, devido a sua variedade de calibres, simplicidade, robustez e fácil</p><p>manutenção. A Figura 53 ilustra um revólver Taurus calibre .38. modelo</p><p>82.</p><p>FIGURA 53 – Revólver Taurus calibre .38. – modelo 82.</p><p>AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO, APLIQUE</p><p>SEMPRE ESTAS DUAS REGRAS DE SEGURANÇA</p><p>a) DEDO FORA DO GATILHO: mantenha o dedo</p><p>SEMPRE fora do gatilho, até que o disparo seja</p><p>necessário.</p><p>b) CONTROLE DO CANO: mantenha o cano de sua</p><p>arma SEMPRE voltado para uma direção segura.</p><p>160</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>8.1 Características</p><p>A PMMG adota dois modelos de revólveres em calibre .38, com</p><p>capacidade para 5 ou 6 cartuchos, fabricados pelas Forjas Taurus S.A. do</p><p>Brasil. De um modo geral, esses revólveres são muito semelhantes em</p><p>diversos aspectos, diferindo apenas nas dimensões, na capacidade do</p><p>tambor, no comprimento e na espessura do cano e algumas peças do</p><p>mecanismo interno. O quadro 6 apresenta a descrição do revólver, de</p><p>forma genérica, com o objetivo de abranger os modelos disponíveis na</p><p>Corporação.</p><p>QUADRO 6</p><p>DESCRIÇÃO DO REVÓLVER (continua)</p><p>ITEM DESCRIÇÃO</p><p>1. Designação</p><p>1.1 Nomenclatura: revólver (marca) calibre 38 (modelo).</p><p>1.2 Indicativo Militar: Rv (marca) .38 (modelo).</p><p>2. Classificação</p><p>2.1 Quanto ao tipo: de porte.</p><p>2.2 Quanto ao emprego: individual.</p><p>2.3 Quanto à alma do cano: raiada,</p><p>FIGURA 109 Engatilhamento (abertura da arma) ....................................307</p><p>FIGURA 110 Botões seletores de segurança e regime de tiro da MT 12 ........307</p><p>FIGURA 111 Alimentação da arma ................................................................308</p><p>FIGURA 112 Detalhes do conjunto cano e ferrolho em processo de</p><p>desmontagem ..............................................................................311</p><p>FIGURA 113 Submetralhadora MT12A desmontada em 1º escalão ..........312</p><p>FIGURA 114 Vista explodida da submetralhadora MT12 ......................313</p><p>FIGURA 115 MT12A à esquerda e Beretta M972 à direita .........................316</p><p>FIGURA 116 Metralhadora de mão Taurus Famae MT .40 .....................324</p><p>FIGURA 117 Carregadores MT40 e CT40 .....................................................330</p><p>FIGURA 118 Retirada do pino de união .......................................................335</p><p>FIGURA 119 Separação da caixa do mecanismo e da caixa da culatra ....335</p><p>FIGURA 120 Retirada do guarda mão ...........................................................336</p><p>FIGURA 121 Retirada da haste guia da mola .............................................337</p><p>FIGURA 122 Retirada do pino do retentor da guia ..............................................337</p><p>FIGURA 123 Retirada do preparador do ferrolho .....................................338</p><p>FIGURA 124 Retirada do conjunto do ferrolho .........................................338</p><p>FIGURA 125 Smtr FAMAE após desmontagem de primeiro escalão .........339</p><p>FIGURA 126 Vista lateral das principais peças da Smtr FAMAE ...........339</p><p>FIGURA 127 Carabina Taurus-Famae CT 40 ................................................347</p><p>FIGURA 128 Carabina Taurus-Famae desmontada em 1º escalão .....355</p><p>FIGURA 129 Carabina Winchester de alavanca .........................................362</p><p>FIGURA 130 Introdução da munição no tubo carregador pela janela lateral</p><p>(ação de municiar e alimentar a carabina PUMA) ..........................366</p><p>FIGURA 131 Acionamento da alavanca de comando para a realização</p><p>do engatilhamento e carregamento da arma ..................367</p><p>FIGURA 132 Ejeção de munição intacta ......................................................368</p><p>FIGURA 133 Toque para liberação da munição ........................................369</p><p>FIGURA 134 Amparando a ejeção de 1 cartucho .....................................370</p><p>FIGURA 135 Peças da carabina Puma calibre .38......................................374</p><p>FIGURA 136 Espingarda Pump Action ..........................................................381</p><p>FIGURA 137 Vista lateral esquerda da espingarda CBC calibre 12 com</p><p>localização dos mecanismos de segurança .......................385</p><p>FIGURA 138 Mecanismo de funcionamento da espingarda CBC</p><p>calibre 12 ....................................................................................386</p><p>FIGURA 139 Introdução das munições no tubo carregador ................388</p><p>FIGURA 140 Movimentação da bomba à retaguarda .............................389</p><p>FIGURA 141 Fechamento da bomba e introdução de um cartucho na</p><p>câmara ............................................................................................389</p><p>FIGURA 142 Espingarda CBC calibre 12 desmontada em 1º escalão .........395</p><p>FIGURA 143 Espingarda – Benelli M3 Super 90.........................................404</p><p>FIGURA 144 Espingarda – Benelli M3 T ........................................................404</p><p>FIGURA 145 Borboleta seletora de regime de tiro ...................................405</p><p>FIGURA 146 Fuzil Imbel 7,62 A1 MD3 ...........................................................409</p><p>FIGURA 147 Registro seletor de tiro nas posições “R”. ............................417</p><p>FIGURA 148 Registro seletor de tiro nas posições “S”. .............................417</p><p>FIGURA 149 Municiamento do carregador do fuzil .................................418</p><p>FIGURA 150 Encaixe do carregador ..............................................................418</p><p>FIGURA 151 Introdução do carregador na arma ......................................419</p><p>FIGURA 152 Posicionamento correto do carregador ..............................419</p><p>FIGURA 153 Carregamento da arma .............................................................420</p><p>FIGURA 154 Abrir a arma...................................................................................422</p><p>FIGURA 155 Retirada do carregador .............................................................423</p><p>FIGURA 156 Acionamento da chaveta do trinco da armação .............423</p><p>FIGURA 157 Final da sequência para bascular a caixa da culatra .......424</p><p>FIGURA 158 Retirada do conjunto ferrolho e da tampa da caixa da</p><p>culatra .............................................................................................424</p><p>FIGURA 159 Separação da tampa da caixa da culatra e do impulsor do</p><p>ferrolho ...........................................................................................425</p><p>FIGURA 160 Separação do ferrolho ...............................................................425</p><p>FIGURA 161 Retirada do pino do percussor ...............................................426</p><p>FIGURA 162 Retirada do percussor ...............................................................426</p><p>FIGURA 163 Retirada do obturador de do cilindro de gases ...............427</p><p>FIGURA 164 Retirada do êmbolo ...................................................................427</p><p>FIGURA 165 Fuzil desmontado em 1º escalão ...........................................428</p><p>FIGURA 166 Transporte pela alça ...................................................................431</p><p>FIGURA 167 Fuzil MD 97 L e carabina MD 97 LC .......................................446</p><p>FIGURA 168 Carabina MD 97 LC .....................................................................447</p><p>FIGURA 169 Lateral direita da carabina MD 97 LC ...................................452</p><p>FIGURA 170 Retirada do pino da armação .................................................455</p><p>FIGURA 171 Retirada da tampa da caixa da culatra ................................455</p><p>FIGURA 172 Retirada do pino de fixação do percussor .........................456</p><p>FIGURA 173 Retirada do percussor ...............................................................456</p><p>FIGURA 174 Retirada do pino do ferrolho ..................................................457</p><p>FIGURA 175 Separação do ferrolho e do impulsor do ferrolho ...........457</p><p>FIGURA 176 Retirada das placas do guarda-mão .....................................458</p><p>FIGURA 177 Retirada do êmbolo ...................................................................458</p><p>FIGURA 178 Retirada do cilindro de gases .................................................459</p><p>FIGURA 179 Retirada do obturador do cilindro de gases......................459</p><p>FIGURA 180 Ca MD97 LC: desmontagem de 1º escalão ........................460</p><p>FIGURA 181 Placa balística em polietileno – Spectra® ...........................468</p><p>FIGURA 182 Placa balística em aramida ......................................................471</p><p>FIGURA 183 Colete balístico masculino .......................................................473</p><p>FIGURA 184 Placa frontal do colete feminino ...........................................474</p><p>FIGURA 185 Colete balístico feminino com capa compartimentada ........474</p><p>FIGURA 186 Forma correta de armazenamento dos coletes balísticos ........478</p><p>FIGURA 187 Escudo balístico – parte frontal .............................................479</p><p>FIGURA 188 Escudo balístico – parte posterior ........................................480</p><p>FIGURA 189 Capacete balístico .......................................................................482</p><p>QUADRO 1 Transformação dos explosivos por velocidades de</p><p>queima .............................................................................................. 96</p><p>QUADRO 2 Alcance prático de algumas armas de fogo ......................108</p><p>QUADRO 3 Calibres para armas de alma lisa, em polegadas e em</p><p>variando entre número</p><p>(5 ou 6) e sentido (à direita ou à esquerda) de acordo com</p><p>o modelo.</p><p>2.4 Quanto ao sistema de carregamento: retrocarga.</p><p>2.5 Quanto ao sistema de inflamação: percussão intrínseca</p><p>central, podendo ser direta ou indireta, dependendo do</p><p>modelo.</p><p>2.6 Quanto à refrigeração: a ar.</p><p>2.7 Quanto à alimentação: manual, com capacidade para</p><p>5 ou 6 cartuchos (conforme modelo), o que pode ser feita</p><p>com a utilização de um municiador rápido, tipo speed</p><p>loader ou jet loader, em razão das denominações dadas por</p><p>alguns fabricantes (acessórios que permitem introduzir</p><p>todos os cartuchos no tambor de uma só vez).</p><p>2.8 Quanto ao sentido de alimentação: de trás para frente.</p><p>2.9 Quanto ao funcionamento: de repetição.</p><p>2.10 Quanto ao princípio de funcionamento: ação muscular</p><p>do operador.</p><p>161</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>3. Aparelho de</p><p>pontaria</p><p>3.1 Alça de mira: tipo entalhe retangular, podendo ser</p><p>regulável ou fixa, dependendo do modelo.</p><p>3.2 Massa de mira: tipo secção retangular, fixa.</p><p>4. Dados</p><p>numéricos:</p><p>4.1 Calibre: .38</p><p>4.2 Peso: em média 800 g, dependendo do modelo da</p><p>arma.</p><p>4.3 Comprimento do cano: o comprimento padrão é de</p><p>101,6 mm (4”), existindo outros modelos variando entre</p><p>50,8 mm (2”), 76,2 mm (3”), 127 mm (5”), e 152,4 mm (6”) e</p><p>203,2 mm (8”) para o tiro ao alvo.</p><p>4.4 Velocidade teórica de tiro: 20 tiros por minuto.</p><p>4.5 Velocidade prática do tiro: de acordo com a habilidade</p><p>do operador.</p><p>4.6 Alcance máximo: aproximadamente 1.400 metros.</p><p>4.7 Alcance útil: aproximadamente 450 metros</p><p>4.8 Alcance com precisão (de utilização): aproximadamente</p><p>75 metros.</p><p>4.9 Alcance prático: 20 metros.</p><p>4.10 Vida da arma: 20.000 tiros.</p><p>Há que se ressaltar que os alcances podem variar de acordo com o</p><p>modelo do revólver, tamanho do cano e tipo de munição utilizada.</p><p>8.2 Munições utilizadas na PMMG</p><p>a) munição de manejo: montada com componentes inertes</p><p>ou usinada em latão.</p><p>b) munição para treinamento e práticas esportivas:</p><p>recarregada pelo Centro de Material Bélico (CMB) da PMMG, com</p><p>projéteis semi-jaquetados ou totalmente jaquetados, com ponta oca ou</p><p>com ponta plana.</p><p>c) munição real: projéteis expansivos, jaquetado com ponta</p><p>oca, semi-jaquetado com ponta oca ou semi-jaquetado com ponta</p><p>plana, tipo SPL, SPL +P ou SPL +P+, para emprego operacional.</p><p>QUADRO 6</p><p>DESCRIÇÃO DO REVÓLVER (conclusão)</p><p>162</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>8.3 Desmontagem do revólver Taurus Modelo 82</p><p>O revólver não deve ser desmontado pelo usuário, e sua manutenção</p><p>de primeiro escalão restringe-se à limpeza das partes externas, interior</p><p>do cano e câmara. A desmontagem somente será realizada por pessoal</p><p>técnico capacitado, no caso, armeiros do CMB, das Seções de Armamento</p><p>e Tiro (SAT) e professores de Armamento.</p><p>Para a desmontagem do revólver, procede-se da seguinte forma (as</p><p>alíneas “a”, “b”, “c” e “d”, configuram a desmontagem de 1º escalão):</p><p>a) Medidas preliminares de segurança:</p><p>– retirar qualquer tipo de munição das proximidades;</p><p>– manter o dedo fora do gatilho e controlar a direção do cano;</p><p>– abrir a arma;</p><p>– fazer inspeção visual e tátil das câmaras.</p><p>b) retirada do conjunto do tambor:</p><p>– desatarrar o parafuso-retém do suporte do tambor;</p><p>– comprimir o dedal serrilhado para frente e rebater o tambor</p><p>para a esquerda;</p><p>– deslocar o tambor para frente, até que o eixo saia de seu</p><p>alojamento, tomando o cuidado de não deixar cair o pino e a mola do</p><p>retém do tambor, que se inserem dentro do eixo.</p><p>c) desmontagem do conjunto do tambor:</p><p>– desatarraxar a vareta do extrator, girando-a no sentido</p><p>levógiro e retirá-la;</p><p>– retirar a haste central e sua mola;</p><p>– retirar, por trás do tambor, o extrator;</p><p>– retirar o tambor, forçando-o para trás e desprendendo-o da</p><p>bucha elástica;</p><p>163</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– retirar a mola do extrator com seu anel;</p><p>– na parte posterior do tambor existe uma bucha elástica; não</p><p>deve ser retirada, pois esta se deforma e quebra com facilidade;</p><p>– alguns revólveres, neste nível de desmontagem, ainda</p><p>possuem duas peças extras: a mola auxiliadora do extrator e o anel</p><p>espaçador.</p><p>d)retirada do cabo (talas ou placas do punho):</p><p>–desatarraxar o parafuso das placas;</p><p>– retirar as placas.</p><p>e) retirada da placa do mecanismo:</p><p>– desatarraxar os parafusos da placa do mecanismo;</p><p>– desprendê-la batendo, uma série de vezes, o cabo plástico</p><p>de uma chave de fenda contra a armação até que a placa se levante e se</p><p>desprenda;</p><p>f ) retirada dos conjuntos da mola real e da mola do gatilho:</p><p>– puxar o dedal serrilhado para trás e engatilhar a arma;</p><p>– inserir a extremidade de um arame flexível no orifício localizado</p><p>na parte inferior da haste da mola real, e a outra extremidade em orifício</p><p>semelhante, localizado na parte posterior da hase da mola do gatilho;</p><p>– desengatilhar a arma e colocar o gatilho em sua posição mais</p><p>avançada; nesse momento, deverão estar soltas da arma, mas seguras</p><p>pelo arame, as seguintes peças: haste central, mola real, chapa da mola</p><p>real, haste da mola do gatilho, mola do gatilho e encosto da mola</p><p>do gatilho; não as separe, pois isto dificultará sua montagem. Caso o</p><p>encosto da mola do gatilho não se solte, empurrá-lo, pelo lado esquerdo</p><p>da armação, com um toca-pino.</p><p>g) retirada do impulsor do tambor:</p><p>– puxar para trás e deslocá-lo para a direita da arma, retirando-o</p><p>com o cuidado de não deixar cair sua mola e seu mergulhador, que</p><p>estarão inseridos em seu alojamento no gatilho.</p><p>164</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>h) retirada do cão:</p><p>– girar levemente o cão para trás e deslocá-lo para a direita e</p><p>para fora de seu eixo na armação; nele estará solidária a alavanca de</p><p>armar com mola e eixo, que não deverá ser retirada.</p><p>i) retirada do gatilho, do retém do tambor e da barra de</p><p>percussão:</p><p>– levantar o impusor do tambor, ainda preso na armação;</p><p>– deslocar o gatilho para a esquerda e para fora de seu eixo na</p><p>armação; com ele sairão o pino e a mola do impulsor do tambor, que</p><p>poderão ser retirados;</p><p>– retirar a barra de percussão que já estará solta;</p><p>– movimentar o retém do tambor para trás e para baixo, e</p><p>deslocá-lo para a direita e para fora de seu eixo na armação.</p><p>j) retirada do ferrolho:</p><p>– desatarraxar o parafuso do dedal serrilhado e retirá-lo com o</p><p>respectivo dedal;</p><p>– recuar o ferrolho e, ao mesmo tempo, deslocar para a</p><p>direita e para fora da armação, sua parte anterior, com cuidado para que</p><p>sua mola, que se acha comprimida, não salte.</p><p>k) retirada do percutor:</p><p>– com um alicate de bico, retirar o pino do percutor;</p><p>– deitar a arma com o cano apontado para cima e bater sua</p><p>parte posterior na palma da mão, o que fará cair, de seu alomento, o</p><p>percutor e sua mola.</p><p>A Figura 54, na página seguinte, apresenta a vista explodida do revólver</p><p>Taurus Modelo 82 e o quadro 7, a relação de suas peças.</p><p>165</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 54 – Vista Explodida do revólver calibre .38. Taurus – modelo 82</p><p>166</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>QUADRO 7</p><p>RELAÇÃO DAS PEÇAS DO REVÓLVER CALIBRE .38 – MODELO 82</p><p>IT DENOMINAÇÃO DA PEÇA IT DENOMINAÇÃO DA PEÇA</p><p>1 Extrator 25 Parafuso trava</p><p>2 Bucha elástica fixa 26 Mola do parafuso trava</p><p>3 Haste central 27 Esfera do parafuso trava</p><p>4 Mola da haste central 28 Pino limitador da trava</p><p>5 Mola externa do extrator 29 Alavanca de armar</p><p>6 Anel da mola do extrator 30 Mola da alavanca de armar</p><p>7 Mola auxiliadora do extrator 32 Barra de percussão</p><p>8 Tambor (inclui peças 1 e 2) 33 Mola do impulsor do tambor</p><p>9 Suporte do tambor 34 Pino do impulsor do tambor</p><p>10 Trava do suporte do tambor 35 Conjunto do gatilho (inclui</p><p>peças 33 e 34)</p><p>11 Mola da trava do suporte do</p><p>tambor 36 Conjunto da mola do gatilho</p><p>(inclui peças 37 à 39)</p><p>12 Pino e mola do retém do tambor 37 Haste da mola do gatilho</p><p>13 Pino da trava do suporte do tambor 38 Mola do gatilho</p><p>14 Vareta do extrator de 2 1/2” 39 Encosto da mola do gatilho</p><p>14 Vareta do extrator de 3” e 4” 40 Conjunto da mola real (inclui</p><p>peças 41 à 43)</p><p>15 Cano de 2 1/2” 41 Haste da mola real</p><p>15 Cano de 3” 42</p><p>Mola real</p><p>15 Cano de 4” 43 Chapa da mola real</p><p>15 Cano de 4” 44 Retém do tambor</p><p>15 Cano de 4” (super) 45 Impulsor do tambor</p><p>16 Armação 46 Placa do mecanismo</p><p>17 Dedal serrilhado 47 Parafuso do suporte do tambor</p><p>18 Parafuso do dedal serrilhado 48 Mola do pino de fixação do suporte</p><p>19 Percutor 49 Pino de fixação do suporte</p><p>20 Mola do percutor 50 Parafuso da placa do mecanismo</p><p>21 Pino do percutor 51 Cabo de borracha (inclui peça 52)</p><p>22 Ferrolho 52 Parafuso do cabo de borracha</p><p>23 Mola do ferrolho 58 Pino do cabo</p><p>24 Conjunto do cão sem trava (inclui</p><p>peças 25, 29 à 30) 69 Anel espaçador</p><p>24 Conjunto do cão com trava</p><p>(inclui peças 25 à 30)</p><p>Fonte: Forjas Taurus.</p><p>167</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>8.4 Montagem</p><p>A sequência de montagem, tanto do revólver, como das demais armas,</p><p>segue caminho inverso ao da retirada de peças. Sempre partendo da</p><p>última, até chegar à primeira peça retirada.</p><p>Para a correta montagem do revólver, é importante observar os mesmos</p><p>cuidados tidos durante a desmontagem. Utilize ferramentas apropriadas</p><p>e que guardem relação com as dimensões exatas dos parafusos e pinos,</p><p>sem forçar, exageradamente, o encaixe das peças para não danificá-las.</p><p>a) colocação do percutor:</p><p>– inserir a mola do percutor e o percutor, este com seu entalhe</p><p>voltado para baixo;</p><p>– empurrá-los para frente e inserir o pino do percutor.</p><p>b) colocação do ferrolho:</p><p>– colocar a mola do ferrolho em sua posição na armação;</p><p>– encaixar o pino do ferrolho, localizado em sua parte posterior,</p><p>dentro da primeira espira da mola;</p><p>– forçar a parte posterior do ferrolho para trás, mantendo</p><p>contato com seu alojamento na armação, e o ressalto existente em sua</p><p>parte anterior para a direita, encaixando-o no alojamento de passagem</p><p>localizado na armação;</p><p>– recolocar o dedal serrilhado e prendê-lo com seu parafuso.</p><p>c) colocação do gatilho, retém do tambor e barra de</p><p>percussão:</p><p>– colocar o retém do tambor em seu eixo na armação;</p><p>– colocar a barra de percussão com seu pino de encaixe no</p><p>gatilho voltado para a direita e sua parte superior um pouco abaixo da</p><p>cauda do percussor;</p><p>– colocar a mola e o pino do impulsor do tambor em seu</p><p>alojamento no gatilho;</p><p>168</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– colocar o gatilho em seu eixo, encaixando, concomitantemente,</p><p>o orifício localizado abaixo de seu dente posterior inferior, no pino da</p><p>barra de percussão.</p><p>d) colocação do cão:</p><p>– colocar o cão em seu eixo, encaixando sua noz entre os</p><p>dentes, posterior e superior, do gatilho.</p><p>e) colocação do impulsor do tambor:</p><p>– com o auxílio de uma chave de fenda pequena, forçar, para</p><p>dentro de seu alojamento na parte posterior do gatilho, o pino e a mola</p><p>do impulsor do tambor;</p><p>– concomitantemente, encaixar a garra do impulsor (parte</p><p>superior) em seu entalhe de saída na armação (parte superior), e seu</p><p>pino menor (central esquerdo) no orifício de encaixe localizado na parte</p><p>posterior do gatilho, prendendo o pino e a mola contidos pela chave de</p><p>fenda;</p><p>– tão logo os encaixes estejam corretos, retirar a chave de</p><p>fenda.</p><p>f ) colocação dos conjuntos da mola real e da mola do</p><p>gatilho:</p><p>– encaixar a parte anterior da haste da mola do gatilho em seu</p><p>alojamento na parte posterior do gatilho, e o encosto da mola do gatilho</p><p>em seu orifício localizado na armação;</p><p>– empurrar e manter o dedal serrilhado em sua posição mais</p><p>avançada, liberando o movimento do cão;</p><p>– trazendo cão para a retaguarda, agindo em sua crista</p><p>serrilhada, prender a parte superior da haste da mola real em seu</p><p>alojamento no cão, e a chapa da mola real em seu encaixe localizado no</p><p>centro do cabo;</p><p>– após encaixadas essas peças, trazer um pouco mais o cão à</p><p>retaguarda; esse movimento irá forçar as molas e liberar espaço para a</p><p>retirada do arame inserido nos orifícios da haste da mola do gatilho e da</p><p>haste da mola real;</p><p>169</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– tão logo sejam retirados, desengatilhar a arma; o que fará</p><p>com que os apoios das molas fiquem encaixados em suas posições.</p><p>g) colocação da placa do mecanismo:</p><p>– colocar a placa do mecanismo, encaixando a garra existente,</p><p>em sua parte superior, por baixo da armação e em contato com o cão;</p><p>– alinhar suas extemidades médias e inferiores;</p><p>– utilizando um martelo de plástico, polímero ou baquelite,</p><p>bater, com decisão, na parte inferior central da placa, para que esta se</p><p>encaixe em toda a sua extensão;</p><p>– colocar e atarraxar seus dois parafusos, sem apertá-los</p><p>exageradamente.</p><p>h) recolocação das placas do punho:</p><p>– encaixar as placas esquerda e direita;</p><p>– recolocar e atarraxar seu parafuso.</p><p>i) montagem do conjunto do tambor:</p><p>– colocar, no orifício central do tambor, a mola do extrator com</p><p>seu anel voltado para frente;</p><p>– encaixar o tambor em seu suporte, forçando-o para trás para</p><p>que se encaixe na bucha elástica fixa, localizada na parte posterior, que</p><p>deverá estar sendo forçada, concomitantemente, para frente;</p><p>– colocar, por trás, o extrator;</p><p>– colocar, pela frente, a haste central e sua mola;</p><p>– colocar, pela frente, e atarraxar, a vareta do extrator, girando-a</p><p>no sentido destrógiro até que se prenda e mantenha preso todo o</p><p>conjunto.</p><p>j) colocação do conjunto do tambor:</p><p>– colocar o pino e a mola do retém do tambor no interior do</p><p>eixo do suporte tambor, em sua parte posterior;</p><p>170</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– inserir o eixo do suporte do tambor em seu alojamento na</p><p>armação, deslocando-o para trás até seu limite de encaixe;</p><p>– rebater o tambor para sua posição de alinhamento na</p><p>armação;</p><p>– colocar e atarraxar o parafuso retém do suporte do tambor.</p><p>k) verificação de montagem correta:</p><p>– rebater o tambor para esquerda e para direita; verificar se ele</p><p>fixa na armação quando fechado, e se solta facilmente quando aberto;</p><p>– verificar se o tambor gira livremente;</p><p>– verificar o afloramento do retém do tambor, e seu recuo</p><p>contra a ação de sua mola;</p><p>– acionando o gatilho em ação dupla, verificar a revolução do</p><p>tambor;</p><p>– acionando o gatilho em ação simples, verificar o</p><p>engatilhamento e o desengatilhamento;</p><p>– verificar a exposição do percussor através de seu orifício de</p><p>passagem (afloramento).</p><p>8.5 Funcionamento</p><p>O estudo do funcionamento do revólver é analisado,</p><p>separadamente, com base nas ações de engatilhamento da arma,</p><p>descritas através dos subitens que se seguem:</p><p>a) ação simples:</p><p>– o operador que estiver empunhando a arma, agirá sobre a</p><p>crista serrilhada do cão, com o polegar da mão contrária à que empunha</p><p>a arma, e fará com que ele gire para trás;</p><p>– quando o cão recua, a mola real é comprimida, uma vez que</p><p>a haste da mola real se acha solidária com o cão;</p><p>– simultaneamente, a “noz” do cão levanta o dente posterior</p><p>superior do gatilho e, consequentemente, o dente anterior do gatilho</p><p>171</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>se abaixará, agindo sobre o retém do tambor, que também se abaixará,</p><p>liberando o tambor;</p><p>– o impulsor do tambor, que faz sistema com o gatilho, eleva-</p><p>se, agindo sobre a cremalheira, impulsionando o tambor, imprimindo-</p><p>lhe um movimento de rotação;</p><p>– após o tambor ter girado o suficiente para alinhar a câmara</p><p>(que contém o cartucho a ser disparado) com o cano, o dente anterior</p><p>do gatilho libera o retém do tambor;</p><p>– o retém do tambor volta a se introduzir em seu alojamento,</p><p>acionado por seu pino e pela mola, de forma a reter novamente o</p><p>tambor;</p><p>– o dente posterior superior do gatilho engraza-se na “noz” do</p><p>cão, através do entalhe de engatilhamento ali existente, mantendo o</p><p>cão à retaguarda;</p><p>– quando o operador aciona o gatilho, o seu dente posterior</p><p>superior faz com que o cão vá um pouco mais à retaguarda, até que o</p><p>engrazamento entre o entalhe de engatilhamento e o dente posterior</p><p>do gatilho se desfaça, liberando o cão;</p><p>– o cão vai à frente por ação da mola real, levando consigo o</p><p>percussor (no caso de percussão direta);</p><p>– no caso de percussão indireta, o cão aciona o percussor ou a</p><p>barra de percussão;</p><p>– o percussor, aflorando em seu orifício de passagem, irá ferir a</p><p>espoleta provocando o disparo;</p><p>b) ação dupla:</p><p>– ao acionar o gatilho, o dente posterior superior do gatilho</p><p>agirá sobre a alavanca de armar, obrigando o cão a recuar;</p><p>– o dente anterior do gatilho agirá sobre o retém do tambor,</p><p>da mesma forma que no sistema de ação simples, agindo também, da</p><p>mesma forma do caso anterior, o impulsor do tambor;</p><p>– a ação contínua do operador sobre o gatilho fará com que</p><p>172</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>o dente posterior superior do gatilho deixe de agir sobre a alavanca</p><p>de armar, transferindo a função de continuar o recuo do cão para o</p><p>dente posterior inferior do gatilho, que se engrazará no entalhe de</p><p>engatilhamento;</p><p>– continuando o acionamento do gatilho, haverá um momento</p><p>em que o dente posterior inferior do gatilho deixará de agir sobre o</p><p>entalhe do engatilhamento, liberando o cão;</p><p>– o cão irá à frente por ação da mola real e a percussão se</p><p>processará como no caso anterior;</p><p>– após o disparo, o operador solta o gatilho e o impulsor do</p><p>gatilho, por ação da mola do seu impulsor (que se achava comprimida),</p><p>volta à sua posição de repouso, bem como o gatilho e o cão.</p><p>8.6 Mecanismos de segurança do Modelo 82</p><p>Devido ao fato de que o revólver está sempre em condições de disparo,</p><p>bastando apenas que a arma esteja com o tambor fechado e que o</p><p>operador acione o gatilho, diversos mecanismos de segurança foram</p><p>inventados pelos fabricantes, para evitar os indesejáveis disparos</p><p>acidentais.</p><p>O Modelo 82 é dotado de um sistema de segurança chamado Barra de</p><p>Percussão. Neste sistema, o cão, quando em sua posição mais avançada,</p><p>não consegue atingir o percussor, pois possui um ressalto fixo em sua</p><p>porção ântero-superior que, ao atingir a armação, tem seu movimento</p><p>A maior segurança de um revólver reside em não</p><p>acionar o gatilho inadvertidamente.</p><p>Quando esse tipo de arma encontra-se em repouso,</p><p>seus mecanismos de segurança estão sempre</p><p>atuando para evitar o disparo acidental, mesmo</p><p>diante de uma queda.</p><p>Entretanto, somente funcionam se as peças estiverem</p><p>em perfeito estado de conservação, e enquanto o</p><p>operador não acionar o gatilho.</p><p>173</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>limitado, deixando-o afastado do percussor.</p><p>Para que a percussão seja possível, um complemento deve se interpor</p><p>entre o cão e percussor. Esse complemento é uma barra (Barra de</p><p>Percussão) que só se eleva no momento em que o gatilho é acionado,</p><p>pois está conectada a este.</p><p>Quando o gatilho é liberado, a barra de percussão desce, tornando</p><p>novamente nula a ação do cão.</p><p>8.7 Inspeção preliminar</p><p>Tal procedimento propiciará a visualização imediata das câmaras, sendo</p><p>então o primeiro fator de segurança no recebimento da arma.</p><p>Para proceder à inspeção preliminar, a arma deve ser analisada em três</p><p>aspectos: gerais, de funcionamento e de segurança:</p><p>a) aspectos gerais:</p><p>– limpeza das partes externas, bem como a presença de</p><p>resíduos ou objetos que estejam obstruindo o cano e as câmaras;</p><p>– inexistência ou mal atarraxamento de parafusos, com atenção</p><p>especial para o dedal serrilhado, parafuso-retém do suporte do tambor,</p><p>parafuso do retém do tambor e vareta do extrator;</p><p>– perfeita fixação das placas da coronha.</p><p>b) aspectos de funcionamento:</p><p>– funcionamento do engatilhamento na ação simples e na</p><p>ação dupla;</p><p>– retenção do tambor, quando a arma estiver em repouso ou</p><p>engatilhada. Nestas situações, se o tambor girar livremente, indica que</p><p>o retém do tambor está com algum defeito;</p><p>Ao receber ou passar o revólver para alguém, fazê-</p><p>lo com a arma aberta e com o punho ou coronha</p><p>voltados para quem o está recebendo.</p><p>174</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– funcionamento do dedal serrilhado;</p><p>– fechamento e abertura do tambor: o tambor deve fechar</p><p>e abrir normalmente. Caso apresente dificuldades para tal, deve ser</p><p>verificado o atarraxamento da vareta do extrator ou até mesmo se ela</p><p>está empenada;</p><p>– acionamento do gatilho em ação dupla. Neste momento, o</p><p>tambor deve girar e o cão deve engatilhar pelo funcionamento normal</p><p>do mecanismo da arma;</p><p>– verificar a integridade e o perfeito funcionamento do</p><p>percussor.</p><p>c) aspectos de segurança:</p><p>– com o revólver vazio e o tambor fechado, engatilhar o cão;</p><p>– mantendo o cão à retaguarda (por uma pinça formada pelos</p><p>dedos indicadores e polegar da mão fraca) acionar o gatilho somente o</p><p>suficiente para provocar o desengatilhamento;</p><p>– verificado o desengatilhamento, retirar o dedo do gatilho e</p><p>levar o cão, suavemente, até a metade de seu percurso;</p><p>– em seguida, soltar o cão, deixando-o avançar, momento em</p><p>que o percussor NÃO deve aflorar. Caso o percussor aflore em seu orifício</p><p>de passagem, o cão, o impulsor do gatilho ou o calço de segurança estão</p><p>defeituosos;</p><p>– engatilhar e desengatilhar a arma, conduzindo o cão à frente</p><p>(por uma pinça formada pelos dedos indicadores e polegar da mão</p><p>fraca), mantendo o gatilho pressionada. Observar se o percussor aflora o</p><p>seu orifício de passagem, se isto não ocorrer, significa que o sistema de</p><p>percussão está com defeito em alguma peça. Ao liberar o gatilho e o cão,</p><p>o percussor deverá retrair-se imediatamente.</p><p>8.8 Manejo básico</p><p>É o conjunto de ações que o policial deve conhecer para fazer funcionar,</p><p>ou deixar em segurança, a arma que emprega.</p><p>a) municiar e alimentar: empunhando o revólver com a mão</p><p>175</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>direita, levar o dedal serrilhado à frente, usando o polegar da mesma</p><p>mão (Figura 55). A operação fará com que a extremidade anterior do</p><p>ferrolho atue sobre a haste central que, por sua vez, empurra a presilha</p><p>– retém localizada no cano. Assim, o dedo indicador poderá rebater o</p><p>tambor (Figura 56).</p><p>FIGURA 55 – Dedo polegar sobre o dedal serrilhado para deslocá-lo à frente.</p><p>FIGURA 56 – Tambor rebatido – impulsionado pelo dedo indicador.</p><p>Com os dedos anular e médio da mão esquerda, terminar de empurrar</p><p>176</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>o tambor à esquerda, rebatendo-o. Estes dedos deverão segurar o</p><p>tambor durante a alimentação, e a arma deverá estar apontada para</p><p>baixo, ou voltada para a caixa de areia. Os dedos mínimos e indicador</p><p>da mão esquerda deverão segurar a arma próximo ao cão e ao cano,</p><p>respectivamente. Em seguida, introduzir os cartuchos nas câmaras com</p><p>a mão direita, girando o tambor com os dedos anular, médio e polegar</p><p>da mão esquerda (Figura 57).</p><p>O municiamento do revólver é uma exceção à regra, uma vez que o</p><p>revólver não dispõe de carregador, e sim, de câmaras giratórias (tambor),</p><p>que servem como tal. Portanto, o municiamento do revólver ocorre</p><p>quando se colocam os cartuchos desejados no tambor, fechando-o;</p><p>FIGURA 57 – Posicionamento da mão esquerda e municiamento do tambor e</p><p>alimentação da arma (caso específico do revólver).</p><p>b) fechamento do tambor: terminada a alimentação,</p><p>desloque o tambor para dentro da armação com a mão esquerda,</p><p>empunhando o revólver com a mão direita. Neste momento, a haste</p><p>central, por ação de sua mola, agirá sobre a extremidade anterior do</p><p>ferrolho, fazendo-o recuar, liberando a passagem da parte posterior do</p><p>cão. Simultaneamente, a presilha-retém se alojará na vareta do extrator,</p><p>completando-se o fechamento do tambor na armação (Figura 58);</p><p>177</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 58 – Fechamento do tambor.</p><p>c) carregamento: é comum escutar que, no momento em</p><p>que se fecha o tambor do revólver a arma estará carregada. Contudo,</p><p>o carregamento do revólver se dará somente no momento em que a</p><p>munição a ser disparada (ou seja, a munição posicionada na 1ª câmara à</p><p>direita do cano), estiver alinhada com o cano, no momento que antecede</p><p>ao disparo, seja em ação simples ou dupla.</p><p>Para esclarecimento da polêmica, basta lembrar do conceito de</p><p>carregamento: munição na câmara, em condições de disparo. No caso</p><p>do revólver, a munição que estará na câmara, em condições de disparo,</p><p>é aquela posicionada na 1ª câmara à direita do cano. Assim, quando o</p><p>revólver é engatilhado na ação simples, ele estará carregado. Já na ação</p><p>dupla o carregamento somente ocorrerá instantes antes do disparo,</p><p>quando</p><p>acionado o gatilho e o tambor completar 1/6 de volta (revólver</p><p>com 6 câmaras), alinhando a câmara e o cano.</p><p>A munição que está, inicialmente, na câmara alinhada com o cano, não</p><p>é aquela que será disparada, pois, no momento do engatilhamento ou</p><p>do acionamento do gatilho, essa câmara girará para a esquerda. Caso</p><p>os mecanismos de segurança estejam em perfeitas condições, NÃO há,</p><p>também, a possibilidade de haver um disparo acidental com a arma</p><p>178</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>em posição de repouso. Aliás, caso esse ocorra, não acontecerá em</p><p>condições normais de funcionamento do mecanismo, ou seja, a arma</p><p>não foi produzida para causar esse efeito, sendo uma ação acidental;</p><p>d) engatilhamento: o engatilhamento pode ser efetuado por</p><p>dois processos:</p><p>– ação dupla: acionar o gatilho com o dedo indicador;</p><p>– ação simples: sem colocar o dedo indicador no gatilho, levar</p><p>o polegar da outra mão (mão fraca – para destros, a mão esquerda,</p><p>e para canhotos, a mão direita) à crista serrilhada do cão e trazê-lo à</p><p>retaguarda, até que fique preso pelo entalhe de engatilhamento. Este</p><p>procedimento NUNCA deve ser feito com o dedo polegar da mão</p><p>forte, pois tal ação contribuirá, substancialmente, para a perda da</p><p>empunhadura, e influenciará negativamente em um eventual disparo;</p><p>e) disparo: no tiro de ação dupla, o disparo consiste na ação</p><p>continuada e de força constante do dedo indicador sobre o gatilho</p><p>durante todo seu percurso de arrasto. Já na ação simples, basta acionar a</p><p>tecla suavemente, uma vez que já estará na posição de engatilhamento;</p><p>f ) extração e ejeção: para a extração e ejeção procede-se,</p><p>inicialmente, como se fosse alimentar a arma, ou seja, é necessário</p><p>rebater o tambor. Tendo rebatido o tambor e segurado a arma da</p><p>maneira indicada para municiamento e alimentação, pressionar a vareta</p><p>do extrator com o polegar esquerdo, colocando-se a mão direita abaixo</p><p>do tambor, para aparar os cartuchos extraídos e ejetados;</p><p>g) desengatilhamento em ação simples: uma vez</p><p>engatilhado, o revólver já se encontra em condições de disparo, porque</p><p>a câmara que contém o cartucho a ser disparado está rigorosamente</p><p>alinhada com o cano. Portanto, o desengatilhamento é uma operação</p><p>delicada, devendo ser cercada das cautelas a seguir que, se seguidas à</p><p>risca, evitarão a possibilidade de acidentes:</p><p>– apontar a arma para um local seguro e desenvolver o</p><p>desengatilhamento em quatro tempos47;</p><p>47 Forma mais segura de se proceder ao desengatilhamento da arma. Nesse procedimento, o dedo</p><p>indicador somente fica em contato com a arma o suficiente para pressionar o gatilho e liberar o cão,</p><p>evitando-se acidentes.</p><p>179</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– posicionar o dedo polegar da mão contrária à que está</p><p>empunhando a arma, entre o cão e o percutor da arma (para impedir o</p><p>avanço do cão), devendo o restante da mão fraca (esquerda para destros</p><p>e direita para canhotos) abraçar a arma;</p><p>– acionar o gatilho, com o dedo indicador, apenas o suficiente</p><p>para liberar o cão. O cão será liberado e baterá em seu dedo polegar;</p><p>– quando sentir o cão pressionando seu dedo polegar, retire o</p><p>dedo indicador do gatilho, bem como retire a mão forte da arma;</p><p>– com o dedo polegar e o indicador da mão forte, faça uma</p><p>“pinça” e segure o cão. Retire o dedo que impede o avanço do cão e</p><p>o conduza à frente, através da “pinça”. A barra de percussão irá baixar,</p><p>na medida em que o gatilho se deslocar à frente, e o cão irá parar pela</p><p>contato de seu ressalto na armação, não atingindo mais o percussor.</p><p>8.9 Manejo operacional do revólver calibre .38</p><p>O manejo operacional nada mais é do que a adequação das ações</p><p>básicas de manejo para seu emprego no cotidiano policial. Este</p><p>cotidiano passa, normalmente, por quatro situações que vão exigir, do</p><p>policial, a realização de uma sequência de ações de manejo com sua</p><p>arma, específicas para cada momento: a) policial recebendo sua arma</p><p>e a preparando-se para o trabalho; b) policial no local de serviço, ao</p><p>utilizar sua arma; c) retorno da arma ao coldre, após efetuar disparo</p><p>ou não; d) devolução da arma à reserva de armamento, ao término do</p><p>serviço. Assim, o manejo operacional deve obedecer a uma sequência</p><p>técnica e padronizada de ações que visam, principalmente, a segurança</p><p>do policial e de terceiros. Utilizando o revólver, os procedimentos são os</p><p>seguintes:</p><p>a) Recebimento e preparação da arma para o serviço</p><p>– a arma deverá ser entregue aberta e com o punho voltado</p><p>para quem a recebe, o que possibilita visualizar, imediatamente, a</p><p>câmara, como medida de segurança para os envolvidos no processo;</p><p>– desmontar a arma em 1º escalão, limpar, lubrificar e realizar</p><p>a inspeção preliminar;</p><p>– dirigir-se até a caixa de areia, e apontar a arma para seu</p><p>180</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>interior, mantendo o dedo fora do gatilho (procedimento obrigatório);</p><p>– municiar e alimentar a arma;</p><p>– fechar a arma;</p><p>– levá-la ao coldre e abotoar a presilha.</p><p>b) Utilização da arma no local de serviço</p><p>– Em abordagens:</p><p> manter-se na área de segurança;</p><p> sacar e empunhar corretamente;</p><p> adotar postura de retenção ou pronta resposta,</p><p>dependendo do risco da situação;</p><p>– Se o disparo for necessário:</p><p> apontar e acionar o gatilho rapidamente, até que a ameaça</p><p>tenha cessado48.</p><p>c) Retorno da arma à condição de patrulhamento</p><p>SEMPRE COM O DEDO FORA DO GATILHO E O CANO VOLTADO</p><p>PARA UMA DIREÇÃO SEGURA</p><p>No caso de a arma ter sido engatilhada, mas não disparada:</p><p>– direcionar o cano da arma para um local e uma superfície</p><p>seguros (gramado, terra, areia, água);</p><p>– posicionar o dedo polegar da mão fraca entre o cão e a</p><p>armação;</p><p>– voltar o cano da arma para um local e uma superfície seguros</p><p>(gramado, terra, areia, água);</p><p>48 Observar o previsto nos princípios 5 (alíneas a e b), 9 e 10 dos Princípios Básicos para o Uso da</p><p>Força e das Armas de Fogo por Policiais.</p><p>181</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– realizar o desengatilhamento em 4 tempos.</p><p>No caso de não ter efetuado disparos, e o cão estar à frente:</p><p>– coldrear a arma.</p><p>No caso de ter efetuado disparos, e o cão estar</p><p>desengatilhado:</p><p>– voltar o cano da arma para um local e uma superfície seguros</p><p>(gramado, terra, areia, água);</p><p>– abrir a arma;</p><p>– extrair e ejetar os cartuchos deflagrados;</p><p>– remuniciar e alimentar;</p><p>– fechar a arma;</p><p>d) Devolução da arma ao término do serviço</p><p>SEMPRE COM O DEDO FORA DO GATILHO E COM O CANO</p><p>VOLTADO PARA UMA DIREÇÃO SEGURA:</p><p>– dirigir-se até a caixa de areia e, com o dedo fora do gatilho,</p><p>apontar a arma para o seu interior;</p><p>– abrir a arma;</p><p>– extrair e ejetar os cartuchos;</p><p>– devolver a arma aberta, com o punho voltado para o</p><p>funcionário da reserva de armamento.</p><p>8.10 Recomendações para o emprego operacional do revólver</p><p>calibre .38</p><p>O revólver mais comumente utilizado pela PMMG possui 6 câmaras que</p><p>A utilização de municiadores rápidos não</p><p>caracteriza alimentação por carregador.</p><p>182</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>se alinham com um único cano. Funciona na ação simples e dupla, e</p><p>possui um gatilho com força de acionamento de 6 kg. É perfeitamente</p><p>adaptado para o uso de municiadores rápidos tipo jet ou speed loader,</p><p>que são acessórios e não fezem parte do conjunto da arma.</p><p>As munições recomendadas são as expansivas hollow point (ponta</p><p>oca) ou flat point (ponta plana), jaquetadas ou semi-jaquetadas, nas</p><p>configurações +P e +P+.</p><p>O revólver calibre .38 deve ser empunhado com as duas mãos e seu</p><p>gatilho acionado com a falange distal, sofrendo uma pressão constante</p><p>até o momento do disparo. O controle do gatilho deve ser feito sempre</p><p>que a arma for utilizada na ação dupla.</p><p>Em qualquer circunstância, o policial militar sempre deverá tratar o</p><p>revólver como se estivesse carregado e pronto para o disparo. Por isso,</p><p>principalmente antes de realizar a limpeza, deve-se sempre verificar se</p><p>a arma está descarregada. Nunca puxar a arma na própria direção pelo</p><p>cano ou direcionar o cano para a mão ou qualquer parte do corpo.</p><p>Pode ser utilizado em qualquer ação ou operação policial</p><p>em que seja</p><p>necessário o uso de armas de porte, desde o policiamento ostensivo</p><p>geral até as atividades especializadas, exceto aquelas onde se faça</p><p>necessário o uso de arma de maior poder de fogo.</p><p>8.11 Condução da arma</p><p>Para a condução segura e adequada à preservação do equipamento, os</p><p>seguintes cuidados deverão ser tomados:</p><p>a) o revólver deve ser conduzido no coldre abotoado;</p><p>b) a presilha do coldre deverá fixar firmemente a arma;</p><p>c) o revólver no coldre não deverá servir de apoio para a mão</p><p>do policial;</p><p>d) a presilha não deve ser manuseada sem motivo, visto que</p><p>perderá sua pressão, ficando relaxada e aumentando o risco de queda</p><p>ou saque da arma por terceiros;</p><p>e) quando estiver de serviço em trajes civis, o policial conduzirá</p><p>o revólver em coldres que permitam uma eficiente ocultação, sem</p><p>183</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>prejudicar demasiadamente seus movimentos. Recomenda-se, nestes</p><p>casos, utilizar armas de pequenas dimensões, em coldres adequados,</p><p>especificamente o revólver equipado com tambor de 5 câmaras e cano</p><p>de 2 polegadas;</p><p>f ) para o transporte de maior quantidade de armas em viaturas,</p><p>estas deverão estar devidamente acondicionadas em caixas de madeira</p><p>que impeçam o contato entre elas, procurando evitar choques que</p><p>possam danificar suas peças e seu acabamento;</p><p>g) quando o policial precisar conduzir o revólver em uma das</p><p>mãos, no interior dos quartéis ou nos estandes, deverá estar sempre</p><p>vazio, com o tambor rebatido à esquerda e segurando-o firmemente</p><p>pela ponte de armação (com os dedos médio e anelar para dentro da</p><p>ponte) e os dedos indicador e mínimo apoiando o cano e a armação.</p><p>8.12 Incidentes de tiro e defeitos</p><p>Um incidente de tiro é caracterizado pela suspensão temporária do</p><p>funcionamento da arma, sem que o operador tenha lhe dado causa.</p><p>Esses incidentes podem ocorrer devido ao desgaste da arma ou da</p><p>munição, bem como por problemas mecânicos (defeitos), falhas na</p><p>manutenção e na limpeza da arma, carregadores e munições.</p><p>É importante que se tenha condições de diagnosticar tais problemas,</p><p>para que possam ser sanados. Dessa forma, o quadro 8 apresenta uma</p><p>relação de incidentes e defeitos possíveis em um revólver .38, suas</p><p>causas e medidas corretivas.</p><p>184</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>QUADRO 8</p><p>INCIDENTES E DEFEITOS COM O REVÓLVER TAURUS .38 MODELO 82</p><p>CAUSAS E MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>INCIDENTES CAUSAS MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>Nega</p><p>1) Munição defeituosa;</p><p>2) Percussor quebrado ou com a ponta</p><p>gasta;</p><p>3) Rebarba na ponta do percussor</p><p>4) Orifício de passagem do percussor</p><p>obstruído;</p><p>5) Orifício de passagem do percussor</p><p>excessivamente aberto.</p><p>1) Substituir a munição;</p><p>2) Substituir o</p><p>percussor;</p><p>3) Corrigir a rebarba;</p><p>4) Desobstruir o orifício</p><p>da passagem do</p><p>percussor;</p><p>5) Substituir a bucha do</p><p>orifício de passagem do</p><p>percussor.</p><p>Cão não</p><p>recua</p><p>1) Extremidade posterior da haste central</p><p>gasta ou quebrada;</p><p>2) Ferrolho com ponta gasta ou quebrada.</p><p>1) Substituir a haste</p><p>central;</p><p>2) Substituir o ferrolho;</p><p>Falha na</p><p>revolução49</p><p>do tambor</p><p>1) Dente anterior do gatilho gasto ou</p><p>quebrado (não há liberação do retém do</p><p>tambor);</p><p>2) Dente do impulsor do tambor quebrado</p><p>ou gasto (o tambor não gira ou gira de</p><p>forma irregular ou incompleta);</p><p>3) Dente da cremalheira gasto (o tambor</p><p>não gira ou gira de forma irregular ou</p><p>incompleta);</p><p>4) Vareta do extrator desatarraxada</p><p>(tambor não gira);</p><p>5) Extremidade posterior da haste central</p><p>gasta ou quebrada (o movimento do</p><p>impulsor do tambor é bloqueado);</p><p>6) Ferrolho com ponta gasta ou quebrada</p><p>(o movimento impulsor do tambor é</p><p>bloqueado);</p><p>7) Retém do tambor gasto ou quebrado</p><p>(apresentação irregular do cartucho);</p><p>8) Orifícios de retenção no tambor ou</p><p>orifício de passagem do retém do tambor</p><p>obstruídos (apresentação irregular do</p><p>cartucho);</p><p>9) Eixo do gatilho empenado ou quebrado;</p><p>10) Ajuste inadequado dos dentes do</p><p>gatilho, da noz do cão, do retém do</p><p>tambor e/ou do impulsor do tambor.</p><p>1) Substituir o gatilho.</p><p>2) Substituir o impulsor</p><p>do tambor;</p><p>3) Substituir o conjunto</p><p>do tambor;</p><p>4) Atarraxar a vareta do</p><p>extrator;</p><p>5) Substituir a haste</p><p>central;</p><p>6) Substituir o ferrolho;</p><p>7) Substituir o retém do</p><p>tambor;</p><p>8) Desobstruir os</p><p>orifícios;</p><p>9) Desempenar ou</p><p>recuperar o eixo do</p><p>gatilho;</p><p>10) Identificar e ajustar</p><p>a peça, ou peças</p><p>necessárias.</p><p>49 Ato ou efeito de revolver, dar voltas, girar.</p><p>(continua)</p><p>185</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>Arma não</p><p>engatilha</p><p>para ação</p><p>simples</p><p>1) Noz do cão gasta;</p><p>2) Dente posterior superior do gatilho</p><p>gasto ou quebrado.</p><p>1) Substituir o cão;</p><p>2) Substituir o gatilho.</p><p>Arma não</p><p>engatilha</p><p>para ação</p><p>dupla</p><p>1) Alavanca de armar quebrada ou não</p><p>presente;</p><p>2) Dente posterior inferior do gatilho gasto</p><p>(engatilhamento incompleto).</p><p>1) Substituir a alavanca</p><p>de armar;</p><p>2) Substituir o gatilho.</p><p>Arma não</p><p>desengatilha 1) Mola do cão quebrada ou fora do lugar.</p><p>1) Substituir a mola do</p><p>cão ou recolocá-la no</p><p>lugar correto.</p><p>Falha na</p><p>extração</p><p>1) Corpo estranho ou sujeira na câmara;</p><p>2) Cartucho defeituoso;</p><p>3) Vareta do extrator quebrada ou</p><p>empenada;</p><p>4) Extrator quebrado ou empenado.</p><p>1) Limpar a câmara;</p><p>2) Substituir o cartucho;</p><p>3) Substituir a vareta do</p><p>extrator;</p><p>4) Substituir o conjunto</p><p>do tambor.50</p><p>QUADRO 8</p><p>INCIDENTES E DEFEITOS COM O REVÓLVER TAURUS .38 MODELO 82</p><p>CAUSAS E MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>50 Quando houver necessidade de substituição do extrator, todo o conjunto do tambor deverá ser</p><p>trocado, uma vez que a peça não permite intermutabilidade e não é fornecida separadamente.</p><p>(conclusão)</p><p>CAPÍTULO 9</p><p>PISTOLAS</p><p>SEMI-AUTOMÁTICAS</p><p>TAURUS - PT: 92AF,</p><p>917C E 100AF</p><p>189</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>9 PISTOLAS SEMI-AUTOMÁTICAS TAURUS – PT: 92AF, 917C e 100AF</p><p>A Polícia Militar possui, em sua dotação, as pistolas Taurus modelos PT</p><p>92AF (Figura 52) e 917C, ambas no calibre 9 mm Luger, e a PT 100 AF,</p><p>no calibre .40 S&W. Apesar de modelos e calibres diferentes, as pistolas</p><p>citadas possuem mecanismos de funcionamento idênticos, o que lhes</p><p>conferem os mesmos padrões de estudo, motivo pelo qual foram reunidas</p><p>em um único capítulo. O que as diferencia são as dimensões, o peso e</p><p>o calibre. Algumas, em que pese manterem a mesma nomenclatura,</p><p>ainda podem ser dotadas de compensador de recuo híbrido e trilhos</p><p>tipo Picatinny, para a colocação de lanternas e miras.</p><p>FIGURA 59 – Pistola Taurus, calibre 9 mm, modelo PT 92AF.</p><p>AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO, APLIQUE</p><p>SEMPRE ESTAS DUAS REGRAS DE SEGURANÇA</p><p>a) DEDO FORA DO GATILHO: mantenha o dedo</p><p>SEMPRE fora do gatilho, até que o disparo seja</p><p>necessário.</p><p>b) CONTROLE DO CANO: mantenha o cano de sua</p><p>arma SEMPRE voltado para uma direção segura.</p><p>190</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>9.1 Características das pistolas PT 92 e 917C, calibre 9 mm Luger</p><p>Para melhor caracterização, os dados das pistolas Taurus calibre 9 mm,</p><p>modelos PT 92 AF e 917 C, são apresentados no quadro 9.</p><p>QUADRO 9</p><p>CARACTERÍSTICAS DAS PISTOLAS TAURUS CALIBRE 9MM – MODELOS</p><p>PT 92AF E 917C</p><p>ITEM DESCRIÇÃO</p><p>1. Designação</p><p>1.1 Nomenclatura: pistola Taurus, calibre 9 mm, modelo PT</p><p>92AF/917C.</p><p>1.2 Indicativo militar: pistola Taurus calibre 9 mm PT92AF ou 917C</p><p>2. Classificação</p><p>2.1 Quanto ao tipo: de porte.</p><p>2.2 Quanto ao emprego: individual.</p><p>2.32.3 Quanto à alma do cano: raiada, 06 raias, à direita com</p><p>passo de 250 mm.</p><p>2.4 Quanto ao sistema de carregamento: retrocarga.</p><p>2.5 Quanto ao sistema de inflamação: percussão intrínseca</p><p>central indireta.</p><p>2.6 Quanto à refrigeração: a ar.</p><p>2.7 Quanto à alimentação: carregador metálico tipo cofre, bifilar,</p><p>com capacidade para 15 (92AF) ou 17 cartuchos (917C).</p><p>2.8 Quanto ao sentido de alimentação: de baixo para cima.</p><p>2.9 Quanto ao funcionamento: semi-automático.</p><p>2.10 Quanto ao princípio de funcionamento: ação dos gases</p><p>sobre o ferrolho (com curto recuo do cano).</p><p>3. Aparelho</p><p>de pontaria</p><p>3.1 AIça de mira: tipo entalhe incrustada no ferrolho, com inserts brancos.</p><p>3.2 Massa de mira: tipo lâmina, integrada no ferrolho, com insert branco.</p><p>4. Dados</p><p>numéricos</p><p>4.1 Calibre: 9 mm Parabellum ou Luger</p><p>(9 x 19 mm NATO).</p><p>4.2 Peso: 0,950 kg (aproximadamente) com carregador vazio.</p><p>4.3 Comprimento da arma: 217 mm.</p><p>4.4 Comprimento do cano: 92 AF – 125 mm (5”); 917C – 103 mm.</p><p>4.5 Velocidade teórica de tiro: 150 tiros por minuto.</p><p>4.6 Velocidade prática do tiro: 60 tiros por minuto.</p><p>4.7 Alcance máximo:aproximadamente 1.500 metros.</p><p>4.8 Alcance útil: 450 metros.</p><p>4.9 Alcance com precisão: 100 metros.</p><p>4.10 Alcance prático: 25 metros.</p><p>4.11 Velocidade inicial do projétil: 390 m/s (munição real – 9 mm</p><p>Luger parabelum.</p><p>191</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>9.2 Características da pistola PT 100 AF – calibre .40</p><p>O modelo 100 AF é idêntico 92 AF, no que se refere ao seu mecanismo de</p><p>funcionamento. Algumas poucas diferenças são observadas. O quadro</p><p>10 detalha as características desta arma.</p><p>QUADRO 10</p><p>CARACTERÍSTICAS DA PISTOLA TAURUS CALIBRE .40 – MODELO</p><p>PT100AF</p><p>ITEM DESCRIÇÃO</p><p>1. Designação</p><p>1.1 Nomenclatura: pistola Taurus calibre .40 mm modelo PT 100.</p><p>1.2 Indicativo militar: pistola Taurus calibre .40 PT 100.</p><p>2.</p><p>Classificação</p><p>2.1 Quanto ao tipo: de porte.</p><p>2.2 Quanto ao emprego: individual.</p><p>2.3 Quanto à alma do cano: raiada, 06 raias, à direita com passo</p><p>de 280 mm.</p><p>2.4 Quanto ao sistema de carregamento: retrocarga.</p><p>2.5 Quanto ao sistema de inflamação: percussão intrínseca</p><p>central indireta.</p><p>2.6 Quanto à refrigeração: a ar.</p><p>2.7 Quanto à alimentação: carregador metálico tipo cofre,</p><p>bifilar, com capacidade para 11 + 1 cartuchos, ou com bumper</p><p>alongador, 13 + 1.</p><p>2.8 Quanto ao sentido de alimentação: de baixo para cima.</p><p>2.9 Quanto ao funcionamento: semi-automático.</p><p>2.10 Quanto ao princípio de funcionamento: ação dos gases</p><p>sobre o ferrolho (com curto recuo do cano).</p><p>3. Aparelho</p><p>de pontaria</p><p>3.1 AIça de mira: tipo entalhe incrustada no ferrolho, com inserts brancos.</p><p>3.2 Massa de mira: tipo lâmina, integrada no ferrolho, com insert branco.</p><p>4. Dados</p><p>numéricos:</p><p>4.1 Calibre:. 40 S&W (Smith & Wesson).</p><p>4.2 Peso: 1,050 kg (aproximadamente) com carregador vazio.</p><p>4.3 Comprimento da arma: 217 mm.</p><p>4.4 Comprimento do cano: 125 mm (5”).</p><p>4.5 Velocidade teórica de tiro: 150 tiros por minuto.</p><p>4.6 Velocidade prática do tiro: 60 tiros por minuto.</p><p>4.7 Alcance máximo: aproximadamente 1.500 metros.</p><p>4.8 Alcance útil: 300 metros.</p><p>4.9 Alcance com precisão: 50 metros.</p><p>4.10 Alcance prático: 25 metros.</p><p>4.11 Velocidade inicial do projétil: 380 m/s (munição real).</p><p>192</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>9.3 Munições utilizadas pela PMMG</p><p>a) munição de manejo: montada com componentes inertes</p><p>ou usinada em latão.</p><p>b) munição para treinamento e práticas esportivas:</p><p>– calibre 9 mm: recarregada pelo CMB, com projétil ogival,</p><p>totalmente jaquetado, com massa de 124 grains e carga normal de</p><p>propelente;</p><p>– calibre 9 mm: munição Treina®, produzida pela Companhia</p><p>Brasileira de Cartuchos, com projétil totalmente jaquetado de ponta</p><p>plana, com massa de 124 grains e carga normal de propelente;</p><p>– calibre .40: recarregada pelo CMB, com projétil de ponta plana,</p><p>totalmente jaquetado, com massa de 160 a 180 grains, exclusivamente</p><p>para treinamento;</p><p>– calibre .40: munição Treina, produzida pela CBC, com projétil</p><p>totalmente jaquetado de ponta plana, com massa de 160 grains e carga</p><p>normal de propelente, exclusivamente para treinamento.</p><p>c) munição real:</p><p>– calibre 9 mm: projétil expansivo, totalmente jaquetado de</p><p>ponta oca, com massa de 115 grains, para emprego operacional</p><p>– calibre 9 mm: projétil totalmente jaquetado ogival, com</p><p>massa de 124 grains, para emprego operacional;</p><p>– calibre .40: projétil expansivo, jaquetado de ponta oca, com</p><p>massas de 130 ou 155 grains, para emprego operacional;</p><p>– calibre .40: totalmente jaquetado de ponta plana, com massa</p><p>de 180 grains, para emprego operacional.</p><p>9.4 Funcionamento</p><p>O estudo do funcionamento desse modelo de arma parte da seguinte</p><p>condição inicial:</p><p>è Carregada;</p><p>193</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>è Fechada e trancada;</p><p>è Desengatilhada ou engatilhada (dependendo da ação do</p><p>gatilho);</p><p>è Destravada;</p><p>è Alimentada com carregador totalmente municiado.</p><p>A partir dessa condição, o funcionamento da arma inicia-se com o</p><p>desengatilhamento. Tratando-se de uma pistola de ação seletiva49, a</p><p>operação de desengatilhamento é analisada em suas duas formas,</p><p>separadamente.</p><p>9.4.1 Engatilhamento e desengatilhamento em ação dupla</p><p>Estando o cão em sua posição mais avançada (arma desengatilhada), o</p><p>processo ocorre da seguinte forma:</p><p>a) quando o gatilho é comprimido, seu tirante movimenta-se</p><p>para frente, e o espigão do tirante50, que se encontra recuado e em sua</p><p>posição mais baixa, entra em contato com a parte posterior do dente</p><p>de ação dupla do cão, forçando-o para frente. Como o eixo do cão</p><p>localiza-se acima desse dente, a parte superior do cão é girada para trás,</p><p>contra a ação de sua mola;5152</p><p>b) concomitantemente, o impulsor da trava do percussor é</p><p>pressionado para cima, deslocando a trava do percussor, deixando-o</p><p>livre para que possa ser lançado à frente e atingir a espoleta;</p><p>c) no limite máximo do seu giro, o dente de ação dupla do</p><p>cão desprende-se do espigão do tirante do gatilho e, por ação da sua</p><p>mola, a parte superior do cão avança, num movimento rápido, para</p><p>chocar-se na cauda do percussor, o qual é lançado à frente para percutir</p><p>a espoleta; imediatamente, o percussor se retrai, por descompressão de</p><p>sua mola, voltando à sua posição de repouso.</p><p>51 Armas de ação seletiva são as que permitem, por opção do usuário, efetuar o disparo em ação</p><p>simples ou em ação dupla, a qualquer momento.</p><p>52 Espigão do tirante do gatilho: estrutura ortogonal, localizada na porção póstero-inferior</p><p>esquerda do tirante do gatilho, que mantém contato com o dente de ação dupla do cão (em forma</p><p>de gancho) e com o ressalto de desengatilhamento da armadillha. É responsável pelas ações de</p><p>engatilhamento e desengatilhamento, quando em ação dupla, e desengatilhamento, quando em</p><p>ação simples.</p><p>51</p><p>52</p><p>194</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>9.4.2 Desengatilhamento em ação simples</p><p>Estando o cão em sua posição mais recuada (arma engatilhada), o</p><p>processo ocorre da seguinte forma:</p><p>a) quando a arma está engatilhada, o dente de engatilhamento</p><p>do cão apóia-se, com pressão, no ressalto de engatilhamento</p><p>localizado na armadilha, e o espigão do tirante do gatilho estabelece-</p><p>se à retaguarda da armadilha, em sua posição mais elevada, na altura</p><p>do ressalto de desengatilhamento da armadilha;</p><p>b) quando o gatilho é comprimido, seu tirante, através da ação</p><p>do espigão sobre o ressalto de desengatilhamento da armadilha,</p><p>faz com que a armadilha se desloque para frente e perca contato com</p><p>o dente de engatilhamento do cão, liberando-o para que sua parte</p><p>superior gire, em razão da ação de sua mola, na direção da cauda do</p><p>percussor;</p><p>c) concomitantemente, o impulsor da trava do percussor é</p><p>pressionado para cima, empurrando a trava do percussor, liberando-o</p><p>para que possa ser lançado à frente e atingir a espoleta;</p><p>d) estando livre, a parte superior do cão avança num</p><p>movimento rápido e atinge a cauda do percussor, o qual é lançado na</p><p>direção da espoleta, dando-se a percussão; imediatamente, o percussor</p><p>se retrai por descompressão de sua mola, voltando à sua posição de</p><p>repouso.</p><p>A partir da percussão, seja em ação simples, seja em ação dupla, as</p><p>operações de funcionamento ocorrem em duas fases:</p><p>9.4.3 Recuo das peças móveis</p><p>a) Destrancamento</p><p>– após a saída do projétil pela boca do cano, ocorre uma</p><p>redução da pressão de gases que permite ao estojo, inicialmente dilatado,</p><p>retornar, parcialmente, às suas dimensões originais, desprendendo-o</p><p>das paredes da câmara;</p><p>– estando o estojo livre, este é impulsionado para trás, pelos</p><p>gases, empurrando, no mesmo sentido, o ferrolho;</p><p>195</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– no início desse deslocamento, o cano está engrazado com o</p><p>ferrolho por intermédio do bloco de trancamento e o conjunto cano/</p><p>bloco/ferrolho se desloca junto</p><p>– após um curto espaço de recuo (curto recuo do cano), a parte</p><p>posterior do mergulhador do bloco de trancamento</p><p>choca-se contra</p><p>seu batente na armação, sendo lançado à frente, forçando, com sua</p><p>ponteira, a rampa superior do bloco de trancamento, deslocando-o</p><p>para baixo;</p><p>– em consequência desse deslocamento, os ressaltos</p><p>de trancamento do bloco perdem contato com os entalhes de</p><p>trancamento no ferrolho, desconectando o cano, do ferrolho, o que</p><p>caracteriza a operação de destrancamento nesse modelo de arma.</p><p>Observação: a função desse sistema de trancamento é</p><p>minimizar a força de recuo, através do aumento da massa recuante e</p><p>da redução da pressão de gases, antes que o ferrolho se destranque e</p><p>desloque livre do cano.</p><p>b) Abertura</p><p>Após o destrancamento, o cano cessa seu movimento e</p><p>o ferrolho continua recuando, agora livre, contra a ação da mola</p><p>recuperadora; tão logo a face anterior do ferrolho perde seu contado</p><p>com a parte posterior do cano, dá-se a abertura.</p><p>c) Extração 2ª fase</p><p>Após a abertura, na sequência do movimento de recuo do</p><p>ferrolho, o extrator53, cuja garra se encontra empolgando a virola do</p><p>estojo, retira-o da câmara.</p><p>d) Engatilhamento</p><p>– quando o ferrolho recua, sua parte posterior empurra</p><p>a parte superior do cão, que gira para a retaguarda e comprime a sua</p><p>mola, por meio da guia da mola do cão;</p><p>53 Peça localizada na parte central, superior, direita, do ferrolho. Possui, em sua extremidade</p><p>anterior, uma garra que se prende à virola do cartucho durante a operação de introdução. Presta-se</p><p>a extrair os cartuchos ou as cápsulas deflagradas da câmara e ainda, direcionar e potencializar a</p><p>ejeção dos estojos.</p><p>196</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– durante o movimento de recuo do ferrolho, o ressalto</p><p>desconector do tirante do gatilho (situado na porção póstero-superior</p><p>do tirante), que estava em sua posição mais alta, encaixando-se na</p><p>canaleta de conexão no ferrolho (localizada na face póstero-inferior</p><p>da parede direita do ferrolho) é forçado para baixo, pelo ferrolho;</p><p>– em consequência desse forçamento, o espigão do</p><p>tirante do gatilho, que estava mantendo a armadilha à frente, por</p><p>pressão sobre seu ressalto de desengatilhamento, é forçado para</p><p>baixo, desconectando-se e liberando a armadilha para que recue</p><p>e se estabeleça em sua posição de repouso, o que permitirá novo</p><p>engatilhamento;</p><p>– em seu movimento de giro à retaguarda, o dente de</p><p>engatilhamento do cão encaixa-se no ressalto de engatilhamento</p><p>da armadilha, o que, aliado à ação da mola do cão, promove o</p><p>engatilhamento;</p><p>– quando o ferrolho avançar, ao ser retirada a pressão do dedo</p><p>sobre o gatilho, a parte posterior do tirante do gatilho sobe, forçada</p><p>por sua mola, e seu espigão se estabelece atrás e na mesma altura do</p><p>ressalto de desengatilhamento da armadilha. Isso irá permitir novo</p><p>desengatilhamento.</p><p>Observações:</p><p>– o movimento de desconexão (tirante do gatilho/armadilha),</p><p>possui as funções de permitir o reengatilhamento da arma, mesmo</p><p>que o gatilho esteja sendo pressionado, e impedir que a arma seja</p><p>desengatilhada, com o ferrolho ainda em movimento.</p><p>– durante o recuo do ferrolho, se o ressalto desconetor</p><p>estiver quebrado ou gasto, de modo que não promova a desconexão</p><p>do espigão, e o gatilho estiver sendo pressionado, o engatilhamento</p><p>para ação simples não irá ocorrer. Durante o avanço do ferrolho, a parte</p><p>superior do cão acompanhará esse movimento, até que se estabeleça</p><p>em sua posição mais avançada, em contato com a cauda do percussor.</p><p>Esse problema, ao contrário do que se possa imaginar, não fará com que</p><p>arma dispare em rajada, uma vez que esta, para ocorrer, necessita de um</p><p>ponto de parada do cão.</p><p>197</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>e) Ejeção</p><p>O ferrolho, em seu movimento de recuo, traz consigo o</p><p>estojo, preso pela garra do extrator. Após o estojo ter sido totalmente</p><p>extraído da câmara, a face posterior inferior esquerda de seu culote</p><p>choca-se contra a cabeça do ejetor, que se encontra fixo na armação.</p><p>Esse choque confere ao estojo um impulso à frente e um movimento</p><p>de giro para a direita e para cima, movimentos estes, potencializados</p><p>pelo extrator, que força o lado superior direito do culote no sentido</p><p>contrário, em oposição de esforços com o ejetor, criando um impulso</p><p>elástico que irá lançar o estojo para a direita e para fora da arma.</p><p>f ) Apresentação</p><p>Quase ao final de seu curso de recuo, o ferrolho deixa de</p><p>pressionar o primeiro cartucho que se encontra no carregador. Isto</p><p>abre espaço para que esse cartucho se eleve, assumindo uma altura tal</p><p>que lhe deixa no caminho da porção inferior da face de obturação do</p><p>ferrolho, tão logo este venha a avançar.</p><p>g) Limite de recuo</p><p>Depois da apresentação, o movimento do ferrolho prossegue</p><p>até que seja barrado pela armação.</p><p>h) Retenção do ferrolho</p><p>No caso de ter sido efetuado o último disparo, o carregador</p><p>estará vazio e seu transportador, elevado por sua mola, empurra para</p><p>cima o ressalto interior do retém do ferrolho, fazendo com que esta</p><p>peça se estabeleça no caminho do ferrolho, impedindo-o de avançar,</p><p>obrigando a arma a parar aberta.</p><p>Observação: a função desta operação é “avisar” ao usuário que a</p><p>munição no carregador se esgotou.</p><p>No caso de ainda haver munição no carregador, inicia-se a fase seguinte.</p><p>9.4.4 Avanço das peças móveis</p><p>a) Ação da mola recuperadora</p><p>A mola recuperadora, que foi comprimida pelo ferrolho,</p><p>198</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>distende-se impulsionando o conjunto das peças móveis na direção do</p><p>cano.</p><p>b) Introdução</p><p>Em seu movimento de avanço, a parte inferior da face de</p><p>obturação do ferrolho empurra, para frente, o cartucho que se</p><p>apresentou e que se encontra preso pelos lábios do carregador, até</p><p>que este seja introduzido na câmara.</p><p>c) Extração 1ª. fase</p><p>Durante a fase de introdução, o cartucho também sobe, e</p><p>sua virola, deslizando-se nesse sentido sobre a face de obturação do</p><p>ferrolho, encaixa-se por trás da garra do extrator, caracterizando a</p><p>primeira fase da extração.</p><p>d) Carregamento</p><p>Ao final da introdução, a boca do estojo da munição atinge</p><p>seu limite ao final da câmara, sendo totalmente introduzido, o que</p><p>caracteriza a operação de carregamento.</p><p>g) Fechamento</p><p>Concomintante com o carregamento, o fechamento ocorre</p><p>quando a parte anterior do ferrolho mantém contato com a parte</p><p>posterior do cano.</p><p>h) Trancamento</p><p>Logo após o fechamento, o ferrolho ainda precisa se deslocar</p><p>por um pequeno curso, antes de atingir sua posição mais avançada.</p><p>Durante esse resto de avanço, ele leva consigo o cano e o bloco de</p><p>trancamento. No caminho do bloco de trancamento, na parte central</p><p>da armação, encontra-se o eixo da alavanca de desmontagem, que</p><p>obrigará o bloco de trancamento a se elevar, agindo na rampa de</p><p>trancamento do bloco em sua parte inferior. Essa elevação faz com que</p><p>os ressaltos de trancamento do bloco se encaixem nos entalhes de</p><p>trancamento do ferrolho. Tão logo o ferrolho atinja ao seu limite de</p><p>movimento à frente, tais estruturas estarão perfeitamente engrazadas,</p><p>caracterizando o trancamento.</p><p>199</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>O resumo a seguir facilitará o entendimento do funcionamento, na sua</p><p>íntegra.</p><p>9.5 Mecanismos de segurança</p><p>Esses modelos de pistolas semi-automáticas são equipados com</p><p>mecanismos para impedir disparos acidentais, tratados nos subitens a</p><p>seguir.</p><p>9.5.1 Trava do percussor</p><p>Dispositivo interno, localizado na parte interna do ferrolho (em sua</p><p>porção posterior direita), que bloqueia permanentemente o percussor,</p><p>RESUMO DO FUNCIONAMENTO:</p><p>– Pressionado o gatilho, o cão atinge o percussor</p><p>– O percussor aciona a espoleta, que detona a carga propelente</p><p>– A queima da carga propelente gera gases que farão expelir o</p><p>projétil</p><p>– O projétil percorre seu caminho pelo cano e, tão logo saia pela</p><p>boca, os gases restantes, que ainda atuam no interior do cano,</p><p>agem sobre o estojo, empurrando-o, e ao ferrolho, para trás</p><p>– A partir de um determinado momento, o movimento do estojo</p><p>reduz, em razão de ter transferido boa parte de sua energia</p><p>cinética ao ferrolho, e este passa a levá-lo consigo, para que seja</p><p>extraído e ejetado</p><p>da arma</p><p>– Após passar sobre o carregador, o ferrolho libera espaço para</p><p>que o próximo cartucho, ali alojado, suba e se apresente</p><p>– O ferrolho continua recuando até o seu limite na armação</p><p>– Após atingir esse limite, o ferrolho, impulsionado pela mola</p><p>recuperadora, avança</p><p>– O cão, durante o movimento de recuo do ferrolho, é engatilhado</p><p>– Ao passar pelo cartucho apresentado, o ferrolho o empurra</p><p>pelo culote, introduzindo-o na câmara</p><p>200</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>impedindo o avanço desta peça e, consequentemente, disparos</p><p>acidentais, em caso de queda ou pressão indevida sobre ele.</p><p>O dispositivo é desativado ao final do acionamento do gatilho, instante</p><p>em que o impulsor da trava do percussor é levado para cima e pressiona</p><p>a trava. Nesse momento, o percussor fica livre para receber a energia do</p><p>impacto do cão e ferir a espoleta.</p><p>9.5.2 Registro de segurança</p><p>Projetado para uso ambidestro, trata-se de duas teclas localizadas entre</p><p>a parte superior das placas do punho, e o serrilhado na parte posterior</p><p>do ferrolho. Possuem dupla função:</p><p>a) trava de segurança: quando as teclas são acionadas para</p><p>cima, o dispositivo bloqueia o avanço da armadilha e o movimento</p><p>do ferrolho; a trava pode ser ativada com a arma engatilhada ou</p><p>desengatilhada.</p><p>b) desarmador do cão: quando a arma está engatilhada, e as</p><p>teclas são acionadas para baixo, uma estrutura na tecla esquerda desloca</p><p>a armadilha para frente, desconetando-a do cão que gira rapidamente na</p><p>direção do percussor, por ação de sua mola. Antes, porém, que haja essa</p><p>desconexão, uma segunda estrutura, localizada na tecla direita, age sobre</p><p>uma peça de segurança denominada retém do cão, que se interpõe entre</p><p>este e o percussor através do dente de bloqueio no cão, e impede que</p><p>haja contato entre as duas peças. Isso fará com que o cão seja desarmado</p><p>com segurança e fique afastado do percussor, preso pelo retém do cão54.</p><p>9.5.3 Indicador de cartucho na câmara ou indicador de arma</p><p>carregada</p><p>O extrator desse modelo de arma também funciona como dispositivo de</p><p>segurança, indicando quando está carregada. Ao se fechar, estando com</p><p>um cartucho na câmara, a extremidade próxima à sua garra fica saliente,</p><p>deixando sobressair um insert vermelho, permitindo identificação visual</p><p>e tátil. A saliência pode ser percebida facilmente em ambiente com</p><p>pouca ou nenhuma luminosidade (Figura 60).</p><p>54 Retém do cão: peça localizada no interior da armação, à frente do cão, logo abaixo da parte</p><p>posterior do ferrolho. Para visualizá-lo, basta engatilhar a arma, pressionar o registro de segurança</p><p>para baixo, duas ou três vezes, sem desarmar o cão. Durante esse movimento, observar pela entrada</p><p>da armação, por baixo da cauda do percussor. A peça em forma de lingueta que se movimenta</p><p>nesse momento é o retém do cão.</p><p>201</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>Cuidado especial deve-se ter, quando o extrator não se apresenta</p><p>saliente, pois isso não indica que a arma esteja descarregada. Uma</p><p>quebra ou desgaste da garra do extrator, ou um desgaste ou defeito no</p><p>estojo, podem deixar o extrator recuado, mesmo com a arma carregada.</p><p>FIGURA 60 – Extrator saliente indicando a presença de cartucho na câmara.</p><p>9.6 Inspeção preliminar</p><p>No início do turno, ao se armar com as pistolas PT 100, 92 e 917, o policial</p><p>deve realizar a inspeção preliminar, verificando os aspectos e os itens</p><p>abaixo relacionados:</p><p>a) aspectos gerais da arma:</p><p>– retirar o carregador, abrir a arma e inspecionar a câmara,</p><p>como medidas de segurança;</p><p>– desmontar a arma em primeiro escalão, limpar e lubrificar;</p><p>dependendo do modelo de carregador, desmontá-lo e limpá-lo também;</p><p>– com a arma desmontada, conferir a integridade das peças e</p><p>o funcionamento dos sistemas na seguinte ordem:</p><p>Ao receber ou passar uma pistola semi-automática para</p><p>alguém, fazê-lo com a arma aberta e com o punho voltado</p><p>para quem a está recebendo.</p><p>202</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p> teclas do registro de segurança: I) verificar sua</p><p>integridade, se estão bem afixadas e movimentando-</p><p>se ao mesmo tempo; II) com a arma engatilhada e</p><p>desengatilhada, levantá-las e verificar a função trava,</p><p>acionando o gatilho – o cão não poderá ir à frente; III)</p><p>engatilhar a arma, abaixar as teclas e verificar se o cão</p><p>desarma e para no retém do cão;</p><p> impulsor da trava do percussor: I) pressionar o gatilho</p><p>até o final de seu curso e verificar se o impulsor se eleva; II)</p><p>com o gatilho ainda pressionado nessa posição, forçar para</p><p>baixo o impulsor – a peça não deverá se mover;</p><p> ejetor: verificar se não está solto ou quebrado;</p><p> mola do gatilho: acionar o gatilho até o final de seu curso e</p><p>soltá-lo – ele deverá retornar até sua posição mais avançada,</p><p>sem auxílio;</p><p> tirante do gatilho: I) verificar se o desconector do tirante do gatilho</p><p>está gasto ou quebrado; II) verificar se, durante seu movimento, o</p><p>tirante do gatilho se afasta, indevidamente, da armação;</p><p> placas do punho: verificar se estão íntegras e não estão</p><p>prejudicando o movimento do tirante do gatilho e das teclas</p><p>do registro de segurança; verificar se os quatro parafusos</p><p>estão presentes e prendendo as placas;</p><p> percussor: I) pressionar, para cima, a trava do percussor; II)</p><p>pressionar a cauda do percussor – o percussor deverá aflorar; III)</p><p>verificar se a ponta do percussor está devidamente arredondada;</p><p> trava do percussor: I) pressionar a trava do percussor para</p><p>verificar se sua mola está no lugar; II) sem exercer pressão</p><p>sobre a trava, forçar a cauda do percussor – este não poderá</p><p>aflorar em seu orifício na face anterior do ferrolho;</p><p> extrator: I) verificar a garra do extrator, se não está</p><p>quebrada; II) forçando a garra do extrator para fora, verificar</p><p>se ela retorna ao seu ponto de repouso;</p><p> aparelho de pontaria: I) verificar o estado da alça de mira;</p><p>203</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>II) verificar a integridade, a fixação e a centralização da</p><p>massa de mira;</p><p> cano: I) verificar se o interior do cano está desobstruído, e este</p><p>não apresenta rachaduras em sua extensão, principalmente</p><p>próximo ao encaixe do bloco de trancamento; II) verificar</p><p>se o mergulhador do bloco de trancamento se movimenta</p><p>corretamente, e se está preso ao cano através de seu pino;</p><p> bloco de trancamento: verificar se não apresenta</p><p>rachaduras, principalmente na base dos ressaltos de</p><p>trancamento.</p><p> alavanca de desmontagem: ao montar, verificar se ela se</p><p>encaixa adequadamente e prende corretamente o ferrolho.</p><p>b) Funcionamento</p><p>Com a arma montada e sem o carregador, conferir as seguintes</p><p>funções. Acompanhe a devendo acompanhar a ordem</p><p>descrita:</p><p> curso do ferrolho e engatilhamento: I) manobrar o</p><p>ferrolho três vezes, procurando sentir se seu deslizamento</p><p>é normal, sem resistência ou arrasto; II) ao final o cão deverá</p><p>parar engatilhado;</p><p> função trava em ação simples: I) engatilhar a arma; II)</p><p>travar a arma e pressionar o gatilho – a arma não deverá</p><p>desengatilhar;</p><p> funções desengatilhamento e trava em ação dupla:</p><p>I) destravar a arma e acionar o gatilho – a arma deverá</p><p>desengatilhar; II) travar a arma e acionar o gatilho – o cão se</p><p>movimentará levemente e encontrará um resistência, mas</p><p>não poderá recuar totalmente para disparo em ação dupla;</p><p> função desarme do cão: engatilhar a arma e desarmar o</p><p>cão, agindo sobre uma das teclas de segurança – o retém</p><p>do cão deverá se abaixar e bloquear o movimento do cão à</p><p>frente, deixando-o afastado do percussor;</p><p>204</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p> funções reengatilhamento e desengatilhamento semi-</p><p>automáticos: I) com a arma fechada, acionar totalmente o</p><p>gatilho e mantê-lo pressionado; II) sem retirar esta pressão,</p><p>puxar o ferrolho para trás, mantendo-o recuado; III) com o</p><p>ferrolho nessa posição, liberar o gatilho e pressioná-lo duas</p><p>vezes, mantendo-o, por último, pressionado; IV) liberar o</p><p>ferrolho para que avance – a arma deverá ficar engatilhada;</p><p>V) soltar o gatilho levemente até ouvir um clique; VI) sem</p><p>liberar totalmente o gatilho, e após ouvir o clique, pressionar</p><p>novamente</p><p>o gatilho – a arma deverá desengatilhar e o cão</p><p>deverá atingir o percussor.</p><p>c) Munição</p><p> cartucho: sujeira, oxidação;</p><p> projétil: solto, ensacado55, deslocado para fora do estojo,</p><p>desgastado ou deformado;</p><p> estojo: deformações, rebarbas, dilatações, integridade do</p><p>culote;</p><p> espoleta: integridade e fixação;</p><p>d) Carregadores</p><p> geral: verificar se o carregador é o previsto para utilização</p><p>na arma; verificar se o carregador está limpo;</p><p> corpo: verificar quanto a presença de irregularidades nos</p><p>lábios do carregador (rachaduras e amassamento); verificar</p><p>sujeira, oxidação, deformações e defeitos no corpo do</p><p>carregador;</p><p> fundo: verificar integridade do fundo do carregador e da</p><p>chapa retém, (bumper56 de extensão e pino do bumber,</p><p>quando dotado desse sistema);</p><p> mola do carregador: tensão da mola – ao municiar por</p><p>completo, bater o fundo do carregador na palma da mão</p><p>55 Projétil ensacado: quando este se desloca para o interior do estojo.</p><p>56 Peça plástica instalada no fundo do carregador com a função de aumentar sua capacidade de municiamento.</p><p>205</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>e balançá-lo – se os cartuchos em seu interior estiverem</p><p>oscilando excessivamente, trocar o carregador; forçar, para</p><p>baixo, o projétil do primeiro cartucho – se ele se abaixar e</p><p>ficar preso apontando para baixo, trocar o carregador;</p><p> transportador: o carregador deverá ser inserido na arma, e</p><p>o ferrolho, quando manobrado rapidamente simulando um</p><p>recuo, deverá ficar ficar preso em seu retém;</p><p>9.7 Manejo básico</p><p>É o conjunto de ações que o policial deve conhecer para fazer funcionar,</p><p>ou deixar em segurança, a arma que emprega.</p><p>a) Municiar o carregador</p><p>– segurar o carregador com a mão forte, por trás, deixando o</p><p>polegar livre por cima dos lábios do carregador;</p><p>– inserir os cartuchos, um a um, com a outra mão, pressionando-</p><p>os, para trás, com esta mão, e para baixo, com a mão que empunha o</p><p>carregador (Figura 61).</p><p>FIGURA 61 – Municiamento do carregador.</p><p>206</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>b) Alimentar a arma</p><p>– introduzir o carregador municiado na arma (Figura 62) até</p><p>ouvir o clique característico do retém do carregador prendendo-o na</p><p>armação;</p><p>– após, confirmar se o carregador realmente ficou preso,</p><p>puxando-o para baixo.</p><p>FIGURA 62 – Alimentar a arma (introdução do carregador).</p><p>c) Carregar</p><p>– após alimentar a arma, agindo na parte serrilhada posterior</p><p>do ferrolho, puxá-lo para trás até o batente e soltá-lo;</p><p>– o ferrolho irá à frente, impulsionado pela mola recuperadora</p><p>e introduzirá um cartucho na câmara, permanecendo carregada,</p><p>engatilhada e destravada (Figura 63);</p><p>207</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 63 – Carregamento da arma.</p><p>d) Disparar</p><p>– após os procedimentos adequados, pressionar o gatilho até</p><p>que a arma dispare;</p><p>e) Retirar o carregador</p><p>– empunhar a arma e pressionar o retém do carregador para</p><p>que este se desprenda e caia livremente (Figura 64).</p><p>208</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 64 – Retirada do carregador.</p><p>f ) Posição do ferrolho após o último disparo</p><p>– quando o último cartucho é disparado, o ferrolho fica</p><p>recuado pela ação do retém e a arma permanece aberta, indicando a</p><p>necessidade de alimentá-la e recarregá-la.</p><p>g) Solução de panes</p><p> Nega (falha ou falta de munição): bater no carregador por</p><p>baixo, e manobrar o ferrolho;</p><p> Chaminé (falha de ejeção): virar a janela de ejeção, para</p><p>dentro e para baixo, e manobrar o ferrolho;</p><p> Duplo carregamento (falha de extração): abrir a arma e</p><p>reter o ferrolho; retirar o carregador; fechar a arma; recolocar</p><p>o carregador e manobrar o ferrrolho;</p><p> Falha de carregamento (a arma não fechou totalmente):</p><p>209</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>bater com força por baixo do carregador, mantendo a arma</p><p>na vertical;</p><p> Ferrolho não cicla (munição ou estojo engastado na</p><p>câmara): segurar o ferrolho por cima e próximo à boca</p><p>do cano, com quatro dedos e a palma da mão, sem tocar</p><p>ou prender a armação; bater na região do beaver tail57,</p><p>com decisão, como se fosse empunhar a arma, mas sem</p><p>fechar os dedos, de três a quatro vezes, até que o estojo se</p><p>desprenda.</p><p>9.8 Manejo operacional</p><p>O manejo operacional nada mais é do que a adequação das ações básicas</p><p>de manejo para seu emprego no cotidiano policial. Este cotidiano passa,</p><p>normalmente, por quatro situações que vão exigir, do policial, a realização</p><p>de uma sequência de ações de manejo com sua arma, específicas para</p><p>cada momento: a) policial recebendo sua arma e a preparando-se para o</p><p>trabalho; b) policial no local de serviço, ao utilizar sua arma; c) retorno da</p><p>arma ao coldre, após efetuar disparo ou não; d) devolução da arma à reserva</p><p>de armamento, ao término do serviço. Assim, o manejo operacional deve</p><p>obedecer a uma sequência técnica e padronizada de ações que visam,</p><p>principalmente, a segurança do policial e de terceiros. Utilizando esses</p><p>modelos de pistolas Taurus, os procedimentos são os seguintes:</p><p>a) Recebimento e preparação da arma para o serviço:</p><p>– a arma deverá ser entregue aberta e com o punho voltado</p><p>para quem a recebe, o que possibilita visualizar, imediatamente, a</p><p>câmara, como medida de segurança para os envolvidos no processo;</p><p>– desmontar a arma em 1º escalão, limpar, lubrificar e realizar</p><p>a inspeção preliminar;</p><p>– municiar os carregadores sobressalentes, com um cartucho</p><p>a menos58 do que sua capacidade máxima, e colocá-los nos porta-</p><p>carregadores;</p><p>57 Beaver tail: em uma tradução literal, “cauda de castor”, região mais alta no punho de uma</p><p>pistola semi-automática, também conhecida como “delgado”, onde se encaixa a empunhadura do</p><p>operador.</p><p>58 A finalidade de colocar um cartucho a menos nos carregadores sobressalentes é facilitar sua</p><p>inserção na arma, no caso em que a troca de carregadores é feita com o ferrolho à frente.</p><p>210</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– municiar o carregador principal com sua capacidade máxima;</p><p>– dirigir-se até a caixa de areia, e apontar a arma para o seu</p><p>interior, mantendo o dedo fora do gatilho (procedimento obrigatório);</p><p>– alimentar e carregar a arma;</p><p>– levar o cão à frente, acionando o desarmador do cão;</p><p>– retirar o carregador da arma e completá-lo com um cartucho;</p><p>– recolocar o carregador na arma, introduzi-la no coldre e</p><p>abotoar a presilha.</p><p>b) Utilização da arma no local de serviço:</p><p>– Em abordagens:</p><p> manter-se na área de segurança;</p><p> sacar e empunhar corretamente;</p><p> adotar postura de retenção ou pronta resposta, dependendo</p><p>do risco da situação, mantendo o dedo fora do gatilho.</p><p>– Se o disparo for necessário:</p><p> apontar e acionar o gatilho rapidamente, até que a ameaça</p><p>tenha cessado.</p><p>c) Retorno da arma à condição de patrulhamento</p><p>SEMPRE COM O DEDO FORA DO GATILHO E O CANO VOLTADO</p><p>PARA UMA DIREÇÃO SEGURA</p><p>No caso de a arma não haver sido disparada, e o cão estar</p><p>desarmado:</p><p>Recolocar a arma no coldre e abotoar a presilha.</p><p>No caso de a arma não haver sido disparada, e o cão estar</p><p>engatilhado:</p><p>– desarmar o cão pressionando uma das teclas do registro de</p><p>211</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>segurança para baixo;</p><p>– recolocar a arma no coldre e abotoar a presilha.</p><p>No caso de haver disparado, e os riscos terem cessado:</p><p>– direcionar o cano da arma para um local e uma superfície</p><p>seguros (gramado, terra, areia, água);</p><p>– desarmar o cão, acionando uma das teclas do registro de</p><p>segurança para baixo;</p><p>– retirar o carregador da arma e completar;</p><p>– recolocar o carregador na arma, inseri-la no coldre e abotoar</p><p>a presilha;</p><p>– se houver necessidade, completar os carregadores reservas</p><p>com um cartucho a menos.</p><p>d) Ao término do turno, devolver a arma na reserva de</p><p>armamento</p><p>SEMPRE COM O DEDO FORA DO GATILHO E COM O CANO</p><p>VOLTADO PARA UMA DIREÇÃO SEGURA:</p><p>– dirigir-se até a caixa de areia, e apontar a arma para seu</p><p>interior, mantendo o dedo fora do gatilho (procedimento obrigatório);</p><p>– retirar o carregador e colocá-lo no bolso;</p><p>– descarregar a arma, manobrando o ferrolho;</p><p>– abrir a arma, prendendo o ferrolho em seu retém, e colocá-la,</p><p>aberta, no coldre;</p><p>– desmuniciar os carregadores;</p><p>– entregar a arma aberta, com o punho voltado para o</p><p>funcionário da reserva de armamento, mostrando-lhe a câmara vazia;</p><p>os carregadores vazios deverão estar com os transportadores voltados</p><p>para quem os estiver recebendo.</p><p>212</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>9.9 Desmontagem</p><p>A manutenção de 1º escalão é de responsabilidade do usuário. Deve ser</p><p>feita ao receber a arma e ao final do serviço. Para realizá-la, é necessário</p><p>proceder à desmontagem de 1º escalão, para limpeza, lubrificação e</p><p>inspeção preliminar. Tal atividade DEVE ser realizada, com cuidado maior</p><p>ainda, quando a arma tiver sido molhada, utilizada em treinamento</p><p>de tiro, sido disparada em serviço, ou por ocasião das manutenções</p><p>periódicas preventivas. Os procedimentos de desmontagem e</p><p>montagem são idênticos para as pistolas Taurus, modelos 92AF, 917C</p><p>100AF.</p><p>Tratando-se de arma semi-automática, sua manutenção deve ser</p><p>efetuada, regularmente, para melhor funcionamento, o que prevenirá</p><p>falhas mecânicas decorrentes de sujeira e irregularidades em seu</p><p>mecanismo. Desmontagem e montagem, a partir do 2º escalão, só deve</p><p>ser feita por armeiros ou militares tecnicamente habilitados.</p><p>a) Medidas preliminares de segurança</p><p>– retirar qualquer tipo de munição das proximidades;</p><p>– manter o dedo fora do gatilho e controlar a direção do cano;</p><p>– retirar e inspecionar se o carregador retirado da arma está</p><p>vazio, bem como os demais carregadores da arma;</p><p>– verificar se o extrator indica a presença de cartucho na</p><p>câmara;</p><p>– abrir a arma e reter o ferrolho;</p><p>– fazer inspeção, visual e tátil, da câmara, e confirmar se está</p><p>vazia.</p><p>b) Desmontagem de 1º escalão</p><p>– Retirar o conjunto do ferrolho e separar haste guia e mola</p><p>recuperadora:</p><p> com a mão direita empunhar a arma (Figura 65);</p><p>213</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 65 – Empunhadura da arma para desmontagem.</p><p> com a mão esquerda, segurar a parte superior do ferrolho</p><p>e comprimir o retém da alavanca de desmontagem (à</p><p>esquerda da arma), simultaneamente, girar a alavanca de</p><p>desmontagem 90º para baixo (Figura 66);</p><p>FIGURA 66 – Posição das mãos para pressionar e girar a alavanca de desmontagem.</p><p> deslizar o ferrolho para frente, até separá-lo da armação,</p><p>conforme Figura 67, tomando-se o cuidado de segurar</p><p>a mola recuperadora e sua haste-guia, para que não se</p><p>soltem e sejam lançadas para fora do conjunto;</p><p>214</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p> comprimir a haste-guia e a mola recuperadora para</p><p>frente e levantá-las, deixando que a mola se distenda</p><p>vagarosamente (Figura 68);</p><p> separar a haste-guia da mola recuperadora.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>FIGURA 67 – Retirada do ferrolho.</p><p>FIGURA 68 – Retirada do conjunto haste guia e mola recuperadora.</p><p>215</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– Retirar o conjunto cano/bloco de trancamento:</p><p> comprimir o mergulhador do bloco de trancamento para</p><p>frente, até que os ressaltos de trancamento sejam retirados</p><p>dos alojamentos existentes no ferrolho (Figura 69);</p><p> afastando, do ferrolho, a parte posterior do cano, puxá-lo para</p><p>trás, junto com bloco de trancamento, e retirá-lo (Figura 70).</p><p>FIGURA 69 – Separação do conjunto cano-bloco.</p><p>FIGURA 70 – Retirada do conjunto cano-bloco de trancamento.</p><p>216</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– Retirar o bloco de trancamento (Figuras 71 e 72):</p><p> afastar, do cano, a parte posterior do bloco de trancamento;</p><p> deslocar, levemente, o bloco de trancamento, paralelamente</p><p>ao eixo longitudinal do cano, para a direita ou para a</p><p>esquerda;</p><p> quando possível, girar a parte anterior do bloco de</p><p>trancamento, no sentido desse deslocamento de retirada, e</p><p>deslizá-lo para fora de seu alojamento no cano, retirando-o</p><p>lateralmente;</p><p>FIGURA 71 – Sequência para retirada do bloco de trancamento.</p><p>217</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 72 – Sequência para retirada do bloco de trancamento.</p><p>– Desmontar os carregadores:</p><p> com o auxílio de um toca-pino, comprimir, no centro do</p><p>fundo do carregador, a placa retém e, em seguida, deslocar,</p><p>para frente, o fundo do carregador;</p><p> com o polegar, aparar a placa retém do fundo do carregador,</p><p>para evitar uma descompressão violenta da mola;</p><p> sairão, do interior do carregador, a placa retém do fundo</p><p>do carregador, a mola do carregador e o transportador,</p><p>bastando separá-los.</p><p>Observação: no caso de transportadores dotados de bumper</p><p>para 13 tiros, a desmontagem exige um toca pino longo, de um milímetro</p><p>de espessura, e martelo, para retirar o pino lateral que fixa as duas partes</p><p>plásticas do bumper.</p><p>9.10 Montagem</p><p>A arma é facilmente montada através da execução inversa do processo</p><p>na seguinte ordem:</p><p>– montagem dos carregadores;</p><p>– colocação do bloco de trancamento no cano;</p><p>218</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– colocação do conjunto cano/bloco de trancamento no</p><p>ferrolho;</p><p>– montagem do conjunto haste-guia/mola recuperadora;</p><p>– colocação do conjunto haste-guia/mola recuperadora;</p><p>– encaixe do conjunto do ferrolho na armação.</p><p>9.11 Emprego operacional</p><p>Durante o policiamento, cuidados especiais devem ser observados pelo</p><p>policial, quais sejam:</p><p>– nunca apontar a arma para algo que não queira ou não</p><p>precise atingir, ou não possa ser atingido, principalmente pessoas;</p><p>– durante os deslocamentos e nas operações, o operador</p><p>deverá manter o dedo fora do gatilho e o cano sempre voltado para uma</p><p>direção segura;</p><p>– em quaisquer circunstâncias, o policial sempre deverá tratar</p><p>a pistola como se estivesse carregada e pronta para o disparo.</p><p>Antes de uma limpeza, verifique se a arma está descarregada,</p><p>e nunca puxe uma arma para si, pelo cano.</p><p>Especial atenção deverá ser dada à posição correta dos carregadores</p><p>suplementares da arma no porta-carregador, para possibilitar alimentá-</p><p>la rapidamente quando houver necessidade, bem como protegê-los de</p><p>danos que inviabilizem o perfeito funcionamento da arma.</p><p>9.12 Condução da arma</p><p>O policial deverá conduzir sua arma em coldre apropriado para pistolas,</p><p>devendo a presilha estar abotoada para prender firmemente a arma ao</p><p>coldre.</p><p>Em coldre, a arma deverá estar alimentada com carregador municiado</p><p>com sua capacidade máxima, carregada, e com o cão desarmado. A</p><p>condição de o primeiro disparo estar selecionado em ação dupla já é</p><p>condição de segurança, não carecendo que a arma seja travada.</p><p>Quando tiver que conduzir a pistola em uma das mãos, no interior dos</p><p>219</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>aquartelamentos, nos estandes de tiro, e durante os treinamentos, sempre</p><p>exibi-la aberta, descarregada, sem o carregador, segurada, pelo guarda-mato.</p><p>9.13 Incidentes de tiro e defeitos</p><p>O quadro 11 apresenta uma relação de incidentes e defeitos possíveis com</p><p>as pistolas Taurus 92AF, 917C e 100AF, suas causas e medidas corretivas.</p><p>A maioria depende de recolhimento da arma para manutenção.</p><p>QUADRO 11</p><p>INCIDENTES E DEFEITOS COM PISTOLAS TAURUS PT 92AF, 917C E 100AF</p><p>CAUSAS E MEDIDAS CORRETIVAS (continua)</p><p>INCIDENTE CAUSAS MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>Falha na</p><p>alimentação</p><p>1) Carregador sujo;</p><p>2) Corpo do carregador com mossas</p><p>ou deformado;</p><p>3) Retém do carregador gasto ou</p><p>quebrado (o carregador não se</p><p>prende ao seu alojamento no punho);</p><p>4) Mola do retém do carregador fraca</p><p>ou defeituosa.</p><p>1) Limpar o carregador;</p><p>2) Recuperar ou trocar o</p><p>corpo do carregador;</p><p>3) Substituir o retém do</p><p>carregador;</p><p>4) Substituir a mola do</p><p>retém do carregador.</p><p>Falha na</p><p>apresentação</p><p>1) Mola do carregador fraca ou</p><p>defeituosa;</p><p>2) Transportador defeituoso,</p><p>desgastado, amassado ou quebrado;</p><p>3) Abas do carregador baixas ou</p><p>deformadas.</p><p>1) Substituir a mola do</p><p>carregador.</p><p>2) Substituir o</p><p>transportador.</p><p>3) Recuperar ou</p><p>substituição o corpo do</p><p>carregador</p><p>Falha no</p><p>carregamento</p><p>(arma não</p><p>fecha ou</p><p>tranca em sua</p><p>totalidade)</p><p>1) Mossas, sujidades ou corpo</p><p>estranho na câmara;</p><p>2) Munição suja ou defeituosa;</p><p>3) Mola recuperadora fraca,</p><p>defeituosa ou inadequada;</p><p>4) Abas do carregador defeituosas;</p><p>5) Armação e ferrolho sujos ou sem</p><p>lubrificação.</p><p>1) Eliminar as mossas;</p><p>limpar,</p><p>milímetros ......................................................................................124</p><p>QUADRO 4 Formas das pontas dos projéteis ...........................................136</p><p>QUADRO 5 Formas das bases dos projéteis .............................................138</p><p>QUADRO 6 Descrição do revólver..................................................................160</p><p>QUADRO 7 Relação das peças do revólver calibre .38. .........................166</p><p>QUADRO 8 Incidentes de tiro mais comuns com revólver calibre .38,</p><p>causas e correções ......................................................................184</p><p>QUADRO 9 Características das pistolas Taurus calibre 9 mm PT 92</p><p>AF e 917C ......................................................................................190</p><p>QUADRO 10 Características da pistola Taurus calibre .40 PT 100 AF... ......191</p><p>QUADRO 11 incidentes e defeitos com pistolas taurus PT 92AF, 917C E</p><p>100AF causas e medidas corretivas ......................................219</p><p>QUADRO 12 Características da pistola IMBEL 9mm GC MD1 ..............224</p><p>QUADRO 13 Relação de peças da pistola IMBEL 9mm GC MD1 .........248</p><p>QUADRO 14 incidentes e defeitos com pistolas imbel GC MD1, MD2,</p><p>MD3, MD5 E MD7: CAUSAS e medidas corretivas ...........251</p><p>QUADRO 15 Características da pistola IMBEL .40 GC MD5 E MD7 ......256</p><p>QUADRO 16 Características da pistola Taurus PT 24/7 ...........................271</p><p>QUADRO 17 Incidentes e defeitos com as pistolas taurus 24/7 E 640,</p><p>DAO, PRO E PRO DS causas e medidas corretivas ..........281</p><p>QUADRO 18 Características da PT 640 ..........................................................287</p><p>QUADRO 19 Características da submetralhadora 9MM Taurus MT12A ...........299</p><p>QUADRO 20 Relação de peças da submetralhadora 9 mm ..................313</p><p>QUADRO 21 Incidentes e defeitos com as submetralhadoras 9mm</p><p>Beretta M972 e Taurus Mt12 E Mt12A: causas e medidas</p><p>corretivas ........................................................................................318</p><p>QUADRO 22 Características da metralhadora de mão Taurus FAMAE</p><p>MT .40 ..............................................................................................325</p><p>QUADRO 23 Relação de peças da SMTR FAMAE .40 ................................340</p><p>QUADRO 24 Incidentes e defeitos com a submetralhadora .40 TAURUS</p><p>FAMAE causas e medidas corretivas ....................................343</p><p>QUADRO 25 Características da carabina TAURUS FAMAE CT .40 ........348</p><p>QUADRO 26 Incidentes e defeitos com a carabina .40 TAURUS FAMAE</p><p>causas e medidas corretivas....................................................357</p><p>QUADRO 27 Características da carabina PUMA calibre .38 ...................362</p><p>QUADRO 28 Relação das peças da carabina PUMA ................................374</p><p>QUADRO 29 Incidentes e defeitos com a carabina .38 ROSSI PUMA</p><p>causas e medidas corretivas....................................................376</p><p>QUADRO 30 Características da espingarda CBC calibre 12 ..................382</p><p>QUADRO 31 Incidentes de tiro e defeitos com a espingarda CBC calibre</p><p>12 causas e medidas corretivas..............................................398</p><p>QUADRO 32 Características do fuzil calibre 7,62 MM IMBEL A1 MD3 ........410</p><p>QUADRO 33 Relação de defeitos e incidentes de tiro com Fuzis calibre</p><p>7,62 MM causas e medidas corretivas .................................433</p><p>QUADRO 34 Características do fuzil Imbel 5,56 MD2 A1 .......................438</p><p>QUADRO 35 Características da CA MD97LC ...............................................448</p><p>QUADRO 36 valores para correção do aparelho de pontaria (valor de</p><p>cada clique em alça e massa de mira) ...............................453</p><p>QUADRO 37 Níveis de proteção balística e resumo de testes (norma</p><p>NIJ-0101.04) ..................................................................................470</p><p>QUADRO 38 número de painéis balísticos dos coletes de aramida</p><p>fabricados pela CBC ...................................................................472</p><p>1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 27</p><p>2 HISTÓRICO DE ARMAS E MUNIÇÕES ........................................................ 31</p><p>2.1 Combustíveis para as armas ......................................................................... 31</p><p>2.1.1 O “fogo grego” ................................................................................................ 31</p><p>2.1.2 A pólvora .......................................................................................................... 32</p><p>2.2 A evolução das armas de fogo..................................................................... 34</p><p>2.2.1 Conceito ........................................................................................................... 35</p><p>2.2.2 Armas de fogo antes do século XV ......................................................... 35</p><p>2.2.3 As primeiras armas de fogo leves ........................................................... 35</p><p>2.2.4 Armas portáteis antes do século XVI ..................................................... 36</p><p>2.2.4.1 A primitiva mecha......................................................................................36</p><p>2.2.4.2 O mosquete – fecho de serpentina..................................................... 37</p><p>2.2.4.3 As armas de ignição por atrito...............................................................38</p><p>2.2.4.4 As armas de roda........................................................................................38</p><p>2.2.4.5 As armas de pederneira...........................................................................39</p><p>2.2.4.6 As armas de percussão..............................................................................41</p><p>2.3 A evolução do revólver....................................................................................43</p><p>2.3.1 Conceito de revólver.....................................................................................43</p><p>2.3.2 O revólver Colt ............................................................................................... 44</p><p>2.3.3 O revólver Adams.......................................................................................... 44</p><p>2.3.4 O revólver moderno ..................................................................................... 45</p><p>2.4 As espingardas .................................................................................................. 46</p><p>2.5 A evolução das armas automáticas ........................................................... 48</p><p>2.5.1 As primeiras metralhadoras ...................................................................... 48</p><p>SUMÁRIO</p><p>2.5.2 A submetralhadora ...................................................................................... 49</p><p>2.5.3 O fuzil de assalto ........................................................................................... 51</p><p>2.5.4 A pistola semi-automática ......................................................................... 52</p><p>3 A EVOLUÇÃO DO CARTUCHO ...................................................................... 57</p><p>3.1 O cartucho de papel ........................................................................................ 57</p><p>3.2 Origens do cartucho atual ............................................................................ 57</p><p>3.3 O cartucho Lefaucheux (de pino lateral) ................................................. 58</p><p>3.4 O cartucho de percussão circular (radial ou anular) ............................ 58</p><p>3.5 O cartucho de percussão central (fogo central) .................................... 59</p><p>4 ARMAS LEVES ...................................................................................................... 63</p><p>4.1 Conceito ............................................................................................................... 63</p><p>4.2 Classificação geral das armas leves ............................................................</p><p>lubrificar e secar a</p><p>câmara; remover corpos</p><p>estranhos;</p><p>2) Limpar ou substituir a</p><p>munição;</p><p>3) Substituir a mola</p><p>recuperadora;</p><p>4) Substituir o corpo do</p><p>carregador;</p><p>5) Limpar e lubrificar a arma.</p><p>Falha na</p><p>ejeção</p><p>1) Ejetor gasto ou quebrado;</p><p>2) Arma com problema de extração.</p><p>1) Substituir o ejetor;</p><p>2) Vide correções abaixo.</p><p>220</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Falha na</p><p>extração</p><p>1) Extrator gasto ou quebrado;</p><p>2) Ausência da mola do extrator ou,</p><p>se presente, é fraca ou defeituosa.</p><p>3) Munição em uma ou mais das</p><p>seguintes condições:</p><p>a) velha ou suja; b) com culote</p><p>defeituoso; c) com propelente ou</p><p>iniciador contaminados;</p><p>4) Câmara suja ou com mossas;</p><p>5) Carregadores sujos.</p><p>1) Substituir o extrator;</p><p>2) Colocar ou substituir a</p><p>mola do extrator;</p><p>3) Substituir a munição;</p><p>4) Limpar a câmara e/ou</p><p>remover as mossas;</p><p>5) Limpar os</p><p>carregadores.</p><p>Nega e falha</p><p>de percussão</p><p>1) Munição não está na câmara (pane</p><p>seca);</p><p>2) Percussor quebrado ou com</p><p>a ponta gasta (não há marca de</p><p>percussão na espoleta ou esta é</p><p>muito fraca);</p><p>3) Munição defeituosa (há marca de</p><p>percussão eficiente na espoleta).</p><p>1) Inserir totalmente o</p><p>carregador e manobrar o</p><p>ferrolho;</p><p>2) Substituir o percussor;</p><p>3) Substituir a munição.</p><p>Arma não</p><p>engatilha para</p><p>ação simples</p><p>1) Dente de engatilhamento para</p><p>ação simples no cão com desgaste;</p><p>2) Mola do cão fraca ou quebrada;</p><p>3) Mola da armadilha montada</p><p>incorretamente;</p><p>4) Mola da armadilha quebrada;</p><p>5) Apoio para a mola da armadilha</p><p>quebrado;</p><p>6) Dente da armadilha gasto ou</p><p>quebrado;</p><p>7) Ressalto desconector no tirante do</p><p>gatilho quebrado.</p><p>1) Substituir o cão;</p><p>2) Substituir a mola do</p><p>cão;</p><p>3) Corrigir a colocação da</p><p>mola da armadilha;</p><p>4) Substituir a mola da</p><p>armadilha;</p><p>5 e 6) Substituir a</p><p>armadilha;</p><p>7) Substituir o tirante do</p><p>gatilho.</p><p>Arma não</p><p>engatilha</p><p>durante ação</p><p>dupla</p><p>1) Dente de engatilhamento para</p><p>ação simples no cão, quebrado ou</p><p>desgastado;</p><p>2) Espigão do tirante do gatilho</p><p>quebrado ou desgastado.</p><p>1) Substituir o cão;</p><p>2) Substituir o tirante do</p><p>gatilho.</p><p>Falha no</p><p>desengatilha-</p><p>mento</p><p>1) Espigão do tirante do gatilho</p><p>gasto ou quebrado;</p><p>2) Ressalto apoio do espigão do</p><p>tirante do gatilho na armadilha,</p><p>gasto ou quebrado;</p><p>3) Apoio para o ressalto do tirante do</p><p>gatilho (cão), gasto (na ação dupla);</p><p>4) Impulsor da trava do percussor</p><p>quebrado.</p><p>1) Substituir o tirante do</p><p>gatilho;</p><p>2) Substituir a armadilha;</p><p>3) Substituir o cão.</p><p>4) Substituir o impulsor</p><p>da trava do percussor.</p><p>QUADRO 11</p><p>INCIDENTES E DEFEITOS COM PISTOLAS TAURUS PT 92AF, 917C E 100AF</p><p>CAUSAS E MEDIDAS CORRETIVAS (conclusão)</p><p>CAPÍTULO 10</p><p>PISTOLA SEMI-AUTOMÁTICA</p><p>IMBEL 9 MM GC MD1</p><p>223</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>10 PISTOLA SEMI-AUTOMÁTICA IMBEL 9 MM GC MD1</p><p>As pistolas IMBEL de dotação na PMMG utilizam o mesmo sistema</p><p>de funcionamento da pistola Colt m911, à exceção de seu registro de</p><p>segurança, modificado pela empresa.</p><p>FIGURA 73 – Pistola Imbel 9 mm GC MD1.</p><p>10.1 Características</p><p>No quadro 12 estão descritas as características da pistola Imbel 9 mm GC</p><p>MD1, tais como designação, classificação da arma, aparelho de pontaria</p><p>e dados numéricos, para maior conhecimento.</p><p>AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO, APLIQUE SEMPRE</p><p>ESTAS DUAS REGRAS DE SEGURANÇA</p><p>a) DEDO FORA DO GATILHO: mantenha o dedo SEMPRE</p><p>fora do gatilho, até que o disparo seja necessário.</p><p>b) CONTROLE DO CANO: mantenha o cano de sua arma</p><p>SEMPRE voltado para uma direção segura.</p><p>224</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>QUADRO 12</p><p>CARACTERÍSTICAS DA PISTOLA IMBEL 9MM GC MD1</p><p>ITEM DESCRIÇÃO</p><p>1. Designação</p><p>1.1 Nomenclatura: pistola Imbel 9mm GC MD1 (grande</p><p>capacidade).</p><p>1.2 Indicativo militar: pistola Imbel 9mm GC MD1.</p><p>2. Classificação</p><p>2.1 Quanto ao tipo: de porte.</p><p>2.2 Quanto ao emprego: Individual.</p><p>2.3 Quanto à alma do cano: raiada, 06 raias, à direita.</p><p>2.4 Quanto ao sistema de carregamento: retrocarga.</p><p>2.5 Quanto ao sistema de inflamação: percussão intrínseca</p><p>central indireta.</p><p>2.6 Quanto à refrigeração: a ar.</p><p>2.7 Quanto à alimentação: com carregador metálico tipo cofre,</p><p>bifilar, com capacidade para 17 +1 cartuchos.</p><p>2.8 Quanto ao sentido de alimentação: de baixo para cima.</p><p>2.9 Quanto ao funcionamento: semi-automático, somente na</p><p>ação simples.</p><p>2.10 Quanto ao princípio de funcionamento: ação dos gases</p><p>sobre o ferrolho, com curto recuo do cano.</p><p>3. Aparelho de</p><p>pontaria</p><p>3.1 AIça de mira: tipo entalhe incrustada no ferrolho, com</p><p>inserts brancos;</p><p>3.2 massa de mira: tipo lâmina, integrada no ferrolho, com</p><p>insert branco.</p><p>4. Dados</p><p>numéricos:</p><p>4.1 Calibre: 9 mm Parabellum /Luger.</p><p>4.2 Peso : 1 kg (aproximadamente) com carregador vazio.</p><p>4.3 Comprimento da arma: 220 mm.</p><p>4.4 Comprimento do cano: 128 mm (0,5”).</p><p>4.5 Velocidade teórica de tiro: 160 tiros por minuto.</p><p>4.6 Velocidade prática de tiro: 80 tiros por minuto.</p><p>4.7 Alcance máximo: 1.500 metros.</p><p>4.8 Alcance útil: 450 metros.</p><p>4.9 Alcance com precisão: 50 metros.</p><p>4.10 Alcance prático: 25 metros.</p><p>225</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>10.2 Munições utilizadas pela PMMG</p><p>As mesmas previstas em “9.3”, para o calibre 9 mm.</p><p>10.3 Funcionamento</p><p>O estudo do funcionamento desse modelo de arma parte da seguinte</p><p>condição inicial:</p><p>è Carregada;</p><p>è Fechada e trancada;</p><p>è Engatilhada;</p><p>è Destravada;</p><p>è Alimentada com carregador totalmente municiado.</p><p>A partir dessa condição, o funcionamento da arma inicia-se com o</p><p>desengatilhamento.</p><p>10.3.1 Desengatilhamento</p><p>a) quando a arma está engatilhada e com o ferrolho totalmente</p><p>à frente, o dente de engatilhamento do cão apóia-se, com pressão, na</p><p>parte superior da noz de armar, e a alavanca de disparo estabelece-se</p><p>em sua posição mais alta, permitindo a conexão entre o gatilho e a parte</p><p>inferior da noz de armar;</p><p>b) quando o gatilho é comprimido, sua parte posterior pressiona</p><p>a parte inferior da alavanca de disparo, que se desloca para trás. Nesse</p><p>deslocamento, a alavanca de disparo empurra a parte inferior da noz</p><p>de armar. Como o eixo da noz está localizado acima desse ponto de</p><p>contato, sua parte superior, que engatilha o cão, desloca-se para frente</p><p>e perde contato com o cão, liberando-o para que sua parte superior gire,</p><p>em razão da ação de sua mola, na direção da cauda do percussor;</p><p>c) concomitantemente, a alavanca da trava do percussor</p><p>é pressionada para cima, por ação de sua alavanca intermediária</p><p>impulsionada pelo gatilho, empurrando a trava do percussor,</p><p>liberando-o para que possa ser lançado à frente e atingir a espoleta;</p><p>226</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>d) estando livre, a parte superior do cão avança num</p><p>movimento rápido e atinge a cauda do percussor, o qual é lançado na</p><p>direção da espoleta, dando-se a percussão; imediatamente, o percussor</p><p>se retrai por descompressão de sua mola, voltando à sua posição de</p><p>repouso.</p><p>A partir da percussão, as operações de funcionamento ocorrem em</p><p>duas fases:</p><p>10.3.2 Recuo das peças móveis</p><p>a) Destrancamento</p><p>– após a saída do projétil pela boca do cano, ocorre uma</p><p>redução da pressão de gases que permite ao estojo, inicialmente dilatado,</p><p>retornar, parcialmente, às suas dimensões originais, desprendendo-o</p><p>das paredes da câmara;</p><p>– estando o estojo livre, este é impulsionado para trás, pelos</p><p>gases, empurrando, no mesmo sentido, o ferrolho;</p><p>– no início desse movimento, o cano está elevado por seu elo</p><p>de prisão e, em razão dessa elevação, se desloca junto, engrazado com</p><p>o ferrolho por intermédio dos ressaltos e entalhes de trancamento,</p><p>situados, respectivamente, na parte superior externa do cano, e na</p><p>parte superior interna do ferrolho;</p><p>– após um curto espaço de recuo (curto recuo do cano), o</p><p>elo de prisão do cano que, além de estar preso ao cano, também se</p><p>prende à armação através do eixo da chaveta de fixação do cano,</p><p>tem seu movimento limitado e, agindo como uma biela, abaixa a parte</p><p>posterior do cano, desengrazando-o do ferrolho, permitindo que este</p><p>se movimente livremente contra a ação da mola recuperadora, o que</p><p>caracteriza a operação de destrancamento;</p><p>b) Abertura:</p><p>Após o destrancamento, o cano cessa seu movimento</p><p>e</p><p>o ferrolho continua recuando, agora livre, contra a ação da mola</p><p>recuperadora; tão logo a face anterior do ferrolho perde seu contado</p><p>com a parte posterior do cano, dá-se a abertura.</p><p>227</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>c) Extração 2ª fase</p><p>Após a abertura, na sequência do movimento de recuo do</p><p>ferrolho, o extrator, cuja garra se encontra empolgando a virola do</p><p>estojo, retira-o da câmara.</p><p>d) Engatilhamento</p><p>– quando o ferrolho recua, sua parte posterior empurra a parte</p><p>superior do cão, que gira para a retaguarda e comprime a sua mola, por</p><p>meio da alavanca de armar o cão;</p><p>– durante o movimento de recuo do ferrolho, a alavanca de</p><p>disparo, que estava em sua posição mais alta, com sua parte superior</p><p>encaixando-se no entalhe de conexão no ferrolho (localizado na parte</p><p>inferior central do ferrolho próximo à trava do percussor), é forçada para</p><p>baixo, pelo ferrolho;</p><p>– em consequência desse forçamento, a parte inferior da</p><p>alavanca de disparo, que estava se interpondo entre o gatilho e a</p><p>parte inferior da noz de armar, mantendo sua parte superior avançada,</p><p>desconecta-se dessas duas peças e libera a armadilha para que recue</p><p>e se estabeleça em sua posição de repouso, o que permitirá novo</p><p>engatilhamento;</p><p>– em seu movimento de giro à retaguarda, o dente de</p><p>engatilhamento do cão encaixa-se na parte superior da noz de armar,</p><p>o que, aliado à ação da mola do cão, promove o engatilhamento;</p><p>– quando o ferrolho avançar, ao ser retirada a pressão do dedo</p><p>sobre o gatilho, a alavanca de disparo sobe, forçada por sua mola, e sua</p><p>parte inferior novamente se estabelece em conexão entre o gatilho e a</p><p>parte inferior da noz de armar. Isso irá permitir novo desengatilhamento.</p><p>Observações:</p><p>– O movimento de desconexão (gatilho/alavanca de disparo/</p><p>noz de armar), possui as funções de permitir o reengatilhamento da</p><p>arma, mesmo que o gatilho esteja sendo pressionado, e impedir que a</p><p>arma seja desengatilhada, com o ferrolho ainda em movimento.</p><p>– Durante o recuo do ferrolho, se a cabeça da alavanca</p><p>de disparo estiver quebrada ou gasta, de modo que não promova</p><p>228</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>a desconexão do espigão, e o gatilho estiver sendo pressionado, o</p><p>engatilhamento não irá ocorrer. Durante o avanço do ferrolho, a parte</p><p>superior do cão acompanhará esse movimento, até que se estabeleça</p><p>em sua posição mais avançada, em contato com a cauda do percussor.</p><p>Esse problema, ao contrário do que se possa imaginar, não fará com que</p><p>arma dispare em rajada, uma vez que esta, para ocorrer, necessita de um</p><p>ponto de parada do cão.</p><p>e) Ejeção</p><p>O ferrolho, em seu movimento de recuo, traz consigo o</p><p>estojo, preso pela garra do extrator. Após o estojo ter sido totalmente</p><p>extraído da câmara, a face posterior inferior esquerda de seu culote</p><p>choca-se contra a cabeça do ejetor, que se encontra fixo na armação.</p><p>Esse choque confere ao estojo um impulso à frente e um movimento</p><p>de giro para a direita e para cima, movimentos estes, potencializados</p><p>pelo extrator, que força o lado superior direito do culote no sentido</p><p>contrário, em oposição de esforços com o ejetor, criando um impulso</p><p>elástico que irá lançar o estojo para a direita e para fora da arma.</p><p>f ) Apresentação</p><p>– Quase ao final de seu curso de recuo, o ferrolho deixa de</p><p>pressionar o primeiro cartucho que se encontra no carregador. Isto</p><p>abre espaço para que esse cartucho se eleve, assumindo uma altura tal</p><p>que lhe deixa no caminho da porção inferior da face de obturação do</p><p>ferrolho, tão logo este venha a avançar.</p><p>g) Limite de recuo</p><p>Depois da apresentação, o movimento do ferrolho prossegue</p><p>até que seja barrado pela armação.</p><p>h) Retenção do ferrolho</p><p>No caso de ter sido efetuado o último disparo, o carregador</p><p>estará vazio e seu transportador, elevado por sua mola, empurra para</p><p>cima o ressalto interior do retém do ferrolho, fazendo com que esta</p><p>peça se estabeleça no caminho do ferrolho, impedindo-o de avançar,</p><p>obrigando a arma a parar aberta.</p><p>Observação: a função desta operação é “avisar” ao usuário que</p><p>a munição no carregador se esgotou.</p><p>229</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>No caso de ainda haver munição no carregador, inicia-se a</p><p>fase seguinte.</p><p>10.3.3 Avanço das peças móveis</p><p>a) Ação da mola recuperadora</p><p>A mola recuperadora, que foi comprimida pelo ferrolho,</p><p>distende-se impulsionando o conjunto das peças móveis na direção do</p><p>cano.</p><p>b) Introdução</p><p>Em seu movimento de avanço, a parte inferior da face de</p><p>obturação do ferrolho empurra, para frente, o cartucho que se</p><p>apresentou e que se encontra preso pelos lábios do carregador, até</p><p>que este seja introduzido na câmara.</p><p>c) Extração 1ª. fase</p><p>Durante a fase de introdução, o cartucho também sobe, e</p><p>sua virola, deslizando-se nesse sentido sobre a face de obturação do</p><p>ferrolho, encaixa-se por trás da garra do extrator, caracterizando a</p><p>primeira fase da extração.</p><p>d) Carregamento</p><p>Ao final da introdução, a boca do estojo da munição atinge</p><p>seu limite ao final da câmara, sendo totalmente introduzido, o que</p><p>caracteriza a operação de carregamento.</p><p>e) Fechamento</p><p>Concomintante com o carregamento, o fechamento ocorre</p><p>quando a parte anterior do ferrolho mantém contato com a parte</p><p>posterior do cano.</p><p>f ) Trancamento</p><p>Logo após o fechamento, o ferrolho ainda precisa se deslocar</p><p>por um pequeno curso, antes de atingir sua posição mais avançada.</p><p>Durante esse resto de avanço, ele leva consigo o cano que é elevado</p><p>230</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>pelo elo de prisão do cano. Essa elevação faz com que os ressaltos</p><p>de trancamento do cano se encaixem nos entalhes de trancamento</p><p>do ferrolho. Tão logo o ferrolho atinja ao seu limite de movimento à</p><p>frente, tais estruturas estarão perfeitamente engrazadas, caracterizando</p><p>o trancamento.</p><p>10.4 Mecanismos de segurança</p><p>10.4.1 Trava do percussor</p><p>Dispositivo interno que fica, permanentemente, bloqueando o percussor,</p><p>com o fim de impedir o seu avanço e evitar disparos acidentais em caso</p><p>de quedas ou de qualquer pressão sobre o mesmo.</p><p>A Figura 74 mostra o posicionamento da trava do percussor no</p><p>mecanismo da arma, em sua posição de travamento.</p><p>FIGURA 74 – Trava do percussor.</p><p>10.4.2 Registro de segurança</p><p>É o dispositivo projetado para uso ambidestro, localizado entre a parte</p><p>superior das talas do punho e a parte serrilhada posterior do ferrolho,</p><p>onde se pega para fazer o manejo, conforme demonstrado na Figura</p><p>75. Ao ser acionado para cima, este dispositivo trava o ferrolho e a</p><p>armadilha, travando também o mecanismo de funcionamento da arma.</p><p>Nas pistolas IMBEL o registro de segurança somente pode ser acionado</p><p>quando a arma estiver engatilhada (modelos sem o kit ADC). Tal situação</p><p>se deve ao fato dessas pistolas funcionarem somente na ação simples, o</p><p>que impossibilita o disparo quando a arma estiver desengatilhada.</p><p>231</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 75 – Registro de segurança.</p><p>10.4.3 Indicador de cartucho na câmara</p><p>Nas pistolas Imbel, trata-se de um pequeno entalhe na parte superior</p><p>posterior da câmara que permite a visualização de parte do culote</p><p>do cartucho em seu interior, a qual é fácil ser feita em locais com boa</p><p>iluminação, mas totalmente prejudicada em ambientes de baixa ou de</p><p>nenhuma luminosidade.</p><p>Não é considerado um mecanismo de segurança, mas sim um dispositivo</p><p>auxiliar para alertar quanto à presença ou não de cartuchos na câmara.</p><p>10.4.4 Tecla de segurança do punho</p><p>Trata-se de dispositivo de segurança de tecla que trabalha em conjunto</p><p>com o gatilho. Presente na coronha da arma, quando não está</p><p>pressionada, impede o arrasto do gatilho, não permitindo o acionamento</p><p>do mecanismo de disparo. Ao ser pressionada, quando se empunha a</p><p>arma corretamente, libera o dispositivo de segurança possibilitando o</p><p>arrasto total do gatilho e o consequente acionamento do mecanismo de</p><p>disparo, desde que a arma esteja engatilhada e destravada.</p><p>10.4.5 Dente de bloqueio do cão (engatilhamento de meia monta</p><p>ou semi-engatilhamento – half-cock)</p><p>Dispositivo de segurança demonstrado na Figura</p><p>76, que, no momento</p><p>de um desengatilhamento acidental, bloqueia o caminho do cão,</p><p>impedindo que ele atinja o percussor, caso o gatilho não esteja sendo</p><p>232</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>acionado. O dente de bloqueio impede a ida do cão à frente, fazendo</p><p>com que ele fique afastado do percussor.</p><p>FIGURA 76 – Dente de bloqueio do cão</p><p>(dente de segurança ou dente de meia-monta).</p><p>10.5 Inspeção preliminar</p><p>No início do turno, ao se armar com as pistolas PT 100, 92 e 917, o policial</p><p>deve realizar a inspeção preliminar, verificando os aspectos e os itens</p><p>abaixo relacionados:</p><p>– retirar o carregador, abrir a arma e inspecionar a câmara,</p><p>como medidas de segurança;</p><p>– desmontar a arma em primeiro escalão, limpar e lubrificar;</p><p>dependendo do modelo de carregador, desmontá-lo e limpá-lo também;</p><p>– com a arma desmontada, conferir a integridade das peças e</p><p>o funcionamento dos sistemas na seguinte ordem:</p><p>a) aspectos gerais da arma:</p><p>Ao receber ou passar uma pistola semi-automática</p><p>para alguém, fazê-lo com a arma aberta e com o punho</p><p>voltado para quem a está recebendo.</p><p>233</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p> teclas do registro de segurança: I) verificar sua integridade,</p><p>se estão bem afixadas e movimentando-se ao mesmo</p><p>tempo; II) com a arma engatilhada, levar o cão à frente e</p><p>verificar a função trava – o registro de segurança deverá</p><p>se elevar e travar a arma; ao acionar o gatilho a arma não</p><p>poderá desengatilhar; III) apertando a tecla para baixo, a</p><p>arma deverá engatilhar;</p><p> alavanca da trava do percussor: I) pressionar o gatilho</p><p>até o final de seu curso e verificar se a alavanca da trava do</p><p>percussor se eleva; II) com o gatilho ainda pressionado nessa</p><p>posição, forçar para baixo a alavanca – a peça não deverá se</p><p>mover (semelhante ao impulsor da trava do percussor);</p><p> ejetor: verificar se não está solto ou quebrado;</p><p> mola do gatilho: acionar o gatilho até o final de seu curso e</p><p>soltá-lo – ele deverá retornar até sua posição mais avançada,</p><p>sem auxílio;</p><p> alavanca de disparo: I) verificar se a alavanca de disparo</p><p>está gasta ou quebrada, ou não aflora por seu orifício na</p><p>parte superior da armação, ao lado do ejetor;</p><p> placas do punho: I) pressionar, para cima, a trava do</p><p>percussor; II) pressionar a cauda do percussor – o percussor</p><p>deverá aflorar; III) verificar se a ponta do percussor está</p><p>devidamente arredondada;</p><p> percussor: I) pressionar, para cima, a trava do percussor; II)</p><p>pressionar a cauda do percussor – o percussor deverá aflorar;</p><p>III) verificar se a ponta do percussor está devidamente</p><p>arredondada; IV) cuidado para não forçar, para baixo, a</p><p>placa retém do percussor e do extrator, o que deixará o</p><p>percussor aflorado – após verificar o percussor, levantar a</p><p>placa retém, caso esta tenha se deslocado;</p><p> trava do percussor: I) pressionar a trava do percussor para</p><p>verificar se sua mola está no lugar; II) sem exercer pressão</p><p>sobre a trava, forçar a cauda do percussor – este não poderá</p><p>aflorar em seu orifício na face anterior do ferrolho;</p><p>234</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p> extrator: I) verificar a garra do extrator, se não está</p><p>quebrada; II) forçando a garra do extrator para fora, verificar</p><p>se ela retorna ao seu ponto de repouso;</p><p> aparelho de pontaria: I) verificar o estado da alça de mira;</p><p>II) verificar a integridade, a fixação e a centralização da</p><p>massa de mira;</p><p> cano: I) verificar se o interior do cano está desobstruído,</p><p>e este não apresenta rachaduras em sua extensão,</p><p>principalmente próximo à parte inferior da câmara; II)</p><p>verificar se o elo de prisão do cano está intacto e preso em</p><p>seu alojamento; III) verificar se o pino do elo de prisão do</p><p>cano não está solto;</p><p>b) Funcionamento</p><p>Com a arma montada e sem o carregador, conferir as seguintes</p><p>funções. Acompanhe a devendo acompanhar a ordem descrita:</p><p> curso do ferrolho e engatilhamento: I) manobrar o</p><p>ferrolho três vezes, procurando sentir se seu deslizamento</p><p>é normal, sem resistência ou arrasto; II) ao final o cão deverá</p><p>parar engatilhado;</p><p> função trava: I) engatilhar a arma; II) empurrar o cão à frente</p><p>e pressionar o gatilho – a arma não deverá desengatilhar;</p><p> função desengatilhamento: I) destravar a arma, abaixando</p><p>a tecla de segurança, e acionar o gatilho – a arma deverá</p><p>engatilhar e depois desengatilhar;</p><p> funções reengatilhamento e desengatilhamento semi-</p><p>automáticos: I) com a arma fechada, acionar totalmente o</p><p>gatilho e mantê-lo pressionado; II) sem retirar esta pressão,</p><p>puxar o ferrolho para trás, mantendo-o recuado; III) com o</p><p>ferrolho nessa posição, liberar o gatilho e pressioná-lo duas</p><p>vezes, mantendo-o, por último, pressionado; IV) liberar o</p><p>ferrolho para que avance – a arma deverá ficar engatilhada;</p><p>V) soltar o gatilho levemente até ouvir um clique; VI) sem</p><p>liberar totalmente o gatilho, e após ouvir o clique, pressionar</p><p>novamente o gatilho – a arma deverá desengatilhar e o cão</p><p>deverá atingir o percussor.</p><p>235</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>c) Munição</p><p> cartucho: sujeira, oxidação;</p><p> projétil: solto, ensacado59, deslocado para fora do estojo,</p><p>desgastado ou deformado;</p><p> estojo: deformações, rebarbas, dilatações, integridade do</p><p>culote;</p><p> espoleta: integridade e fixação;</p><p>d) Carregadores</p><p> geral: verificar se o carregador é o previsto para utilização</p><p>na arma; verificar se o carregador está limpo;</p><p> corpo: verificar quanto a presença de irregularidades nos</p><p>lábios do carregador (rachaduras e amassamento); verificar</p><p>sujeira, oxidação, deformações e defeitos no corpo do</p><p>carregador;</p><p> fundo: verificar integridade do fundo do carregador e da</p><p>chapa retém;</p><p> mola do carregador: tensão da mola – ao municiar por</p><p>completo, bater o fundo do carregador na palma da mão</p><p>e balançá-lo – se os cartuchos em seu interior estiverem</p><p>oscilando excessivamente, trocar o carregador; forçar, para</p><p>baixo, o projétil do primeiro cartucho – se ele se abaixar e</p><p>ficar preso apontando para baixo, trocar o carregador;</p><p> transportador: o carregador deverá ser inserido na arma,</p><p>e o ferrolho, quando manobrado rapidamente, simulando</p><p>um recuo, deverá ficar recuado, preso em seu retém;</p><p>10.6 Manejo básico</p><p>É o conjunto de ações que o policial deve conhecer para fazer funcionar,</p><p>ou deixar em segurança, a arma que emprega.</p><p>59 Projétil ensacado: quando este se desloca para o interior do estojo.</p><p>236</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>a) Municiar o carregador</p><p>– segurar o carregador com a mão forte, por trás, deixando o</p><p>polegar livre, por cima dos lábios do carregador;</p><p>– inserir os cartuchos, um a um, com a outra mão, pressionando-</p><p>os, para trás, com esta mão, e para baixo, com a mão que empunha o</p><p>carregador (Figura 77);</p><p>FIGURA 77 – Processo de municiamento.</p><p>FIGURA 78 – Carregador municiado.</p><p>237</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>b) Alimentar a arma</p><p>– introduzir o carregador municiado na arma (Figura 78) até</p><p>ouvir o clique característico do retém do carregador prendendo-o na</p><p>armação;</p><p>– após, confirmar se o carregador realmente ficou preso,</p><p>puxando-o para baixo.</p><p>FIGURA 79 – Introdução do carregador na arma (alimentação).</p><p>c) Carregar</p><p>– após alimentar a arma, agindo na parte serrilhada posterior</p><p>do ferrolho, puxá-lo para trás até o batente e soltá-lo;</p><p>– o ferrolho irá à frente, impulsionado pela mola recuperadora</p><p>e introduzirá um cartucho na câmara, permanecendo carregada,</p><p>engatilhada e destravada (Figura 80).</p><p>238</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 80 – Carregamento.</p><p>d) Disparar</p><p>Após os procedimentos adequados, pressionar o gatilho até</p><p>que a arma dispare;</p><p>e) Retirar o carregador</p><p>Empunhar a arma e pressionar o retém do carregador para que</p><p>este se desprenda e caia livremente (Figura 81).</p><p>FIGURA 81 – Retirando o carregador.</p><p>239</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>f ) Posição do ferrolho após o último disparo</p><p>– quando o último cartucho é disparado, o ferrolho fica</p><p>recuado pela ação do retém e a arma permanece aberta, indicando a</p><p>necessidade de alimentá-la e recarregá-la (Figura 82).</p><p>Em caso de nega, basta manobrar novamente</p><p>o ferrolho.</p><p>A nega será extraída e ejetada, e novo cartucho será introduzido na</p><p>câmara.</p><p>FIGURA 82 – Posicionamento do ferrolho após o último disparo.</p><p>g) Desarmar o cão (em armas não dotadas de ADC):</p><p>– apontar a arma para um local seguro e desenvolver o</p><p>desengatilhamento em quatro tempos60:</p><p> empunhar a arma;</p><p> colocar o dedo polegar da mão fraca entre o cão e o</p><p>percussor, segurando a arma (para impedir o avanço do</p><p>cão); o restante da mão fraca deverá abraçar a arma;</p><p> acionar o dispositivo de segurança do punho, juntamente</p><p>com o gatilho. O cão será liberado e escorará no dedo que</p><p>o bloqueia;</p><p>60 Forma mais segura desengatilhar uma pistola. Nesse procedimento o dedo indicador somente</p><p>fica em contato com a arma, o suficiente para pressionar o gatilho e liberar o cão, evitando-se</p><p>acidentes.</p><p>240</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p> retirar o dedo do gatilho;</p><p> com os dedos polegar e indicador da mão forte, faça uma</p><p>“pinça” e segure o cão. Retire o dedo que bloqueia o avanço</p><p>do cão e o conduza à frente, com a pinça da mão forte – o</p><p>cão irá parar em meia-monta.</p><p>h) Solução de panes</p><p>As mesmas constantes em “9.7”, “h”.</p><p>10.7 Manejo operacional</p><p>a) Recebimento e preparação da ama para o serviço</p><p>– a arma deverá ser entregue aberta e com o punho voltado</p><p>para quem a recebe, o que possibilita visualizar, imediatamente, a</p><p>câmara, como medida de segurança para os envolvidos no processo;</p><p>– desmontar a arma em 1º escalão, limpar, lubrificar e realizar</p><p>a inspeção preliminar;</p><p>– municiar os carregadores sobressalentes, com um cartucho</p><p>a menos61 do que sua capacidade máxima, e colocá-los nos porta-</p><p>carregadores;</p><p>– municiar o carregador principal com sua capacidade máxima;</p><p>– dirigir-se até a caixa de areia, e apontar a arma para o seu</p><p>interior, mantendo o dedo fora do gatilho (procedimento obrigatório);</p><p>– alimentar, carregar e travar a arma;</p><p>– retirar o carregador da arma e completá-lo com um cartucho;</p><p>– recolocar o carregador na arma, introduzi-la no coldre e</p><p>abotoar a presilha.</p><p>– Em abordagens:</p><p> manter-se na área de segurança;</p><p>61 A finalidade de colocar um cartucho a menos nos carregadores sobressalentes é facilitar sua</p><p>inserção na arma, no caso em que a troca de carregadores é feita com o ferrolho à frente.</p><p>241</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p> sacar, destravar, e empunhar corretamente;</p><p> adotar postura de retenção ou pronta resposta, dependendo</p><p>do risco da situação, mantendo o dedo fora do gatilho.</p><p>–Se o disparo for necessário:</p><p> apontar e acionar o gatilho rapidamente, até que a ameaça</p><p>tenha cessado.</p><p>b) Retorno da arma à condição de patrulhamento</p><p>SEMPRE COM O DEDO FORA DO GATILHO E O CANO</p><p>VOLTADO PARA UMA DIREÇÃO SEGURA</p><p>No caso de a arma não haver sido disparada, o cão deverá</p><p>estar engatilhado:</p><p>Travar a arma, colocá-la no coldre e abotoar a presilha.</p><p>No caso de haver disparado, e os riscos terem cessado:</p><p>– direcionar o cano da arma para um local e uma superfície</p><p>seguros (gramado, terra, areia, água);</p><p>– travar a arma;</p><p>– retirar o carregador da arma, colocá-la no coldre e completar</p><p>o carregador;</p><p>– recolocar o carregador na arma, inseri-la no coldre e abotoar</p><p>a presilha;</p><p>– se houver necessidade, completar os carregadores reservas,</p><p>sempre com um cartucho a menos.</p><p>c) Ao término do turno, devolver a arma na reserva de</p><p>armamento</p><p>SEMPRE COM O DEDO FORA DO GATILHO E COM O CANO</p><p>VOLTADO PARA UMA DIREÇÃO SEGURA:</p><p>– dirigir-se até a caixa de areia, e apontar a arma para seu</p><p>interior, mantendo o dedo fora do gatilho (procedimento obrigatório);</p><p>242</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– retirar o carregador e colocá-lo no bolso;</p><p>–descarregar a arma, manobrando o ferrolho;</p><p>– abrir a arma, prendendo o ferrolho em seu retém, e colocá-la,</p><p>aberta, no coldre;</p><p>– desmuniciar os carregadores;</p><p>– entregar a arma aberta, com o punho voltado para o</p><p>funcionário da reserva de armamento, mostrando-lhe a câmara vazia;</p><p>os carregadores vazios deverão estar com os transportadores voltados</p><p>para quem os estiver recebendo.</p><p>10.8 Desmontagem</p><p>A manutenção de 1º escalão é de responsabilidade do usuário. Deve ser</p><p>feita ao receber a arma e ao final do serviço. Para realizá-la, é necessário</p><p>proceder à desmontagem de 1º escalão, para limpeza, lubrificação e</p><p>inspeção preliminar. Tal atividade DEVE ser realizada, com cuidado maior</p><p>ainda, quando a arma tiver sido molhada, utilizada em treinamento</p><p>de tiro, sido disparada em serviço, ou por ocasião das manutenções</p><p>periódicas preventivas.</p><p>Tratando-se de arma semi-automática, sua manutenção deve ser</p><p>efetuada, regularmente, para melhor funcionamento, o que prevenirá</p><p>falhas mecânicas decorrentes de sujeira e irregularidades em seu</p><p>mecanismo. Desmontagem e montagem, a partir do 2º escalão, só deve</p><p>ser feita por armeiros ou militares tecnicamente habilitados.</p><p>a) Medidas preliminares de segurança</p><p>– retirar qualquer tipo de munição das proximidades;</p><p>– manter o dedo fora do gatilho e controlar a direção do cano;</p><p>– retirar e inspecionar se o carregador retirado da arma está</p><p>vazio, bem como os demais carregadores da arma;</p><p>– verificar, pelo entalhe de segurança, se há munição na</p><p>câmara;</p><p>– abrir a arma e reter o ferrolho;</p><p>243</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– fazer inspeção, visual e tátil, da câmara, e confirmar se está</p><p>vazia.</p><p>b) Desmontagem de 1º escalão</p><p>– Separação do conjunto do ferrolho, da armação:</p><p> fechar a arma, engatilhar e travar;</p><p> apoiar a arma com o cano voltado para cima;</p><p> pressionar o dedal guia da mola recuperadora, e girar a</p><p>manga guia do cano para a esquerda, no sentido horário,</p><p>conforme Figura 83;</p><p>FIGURA 83 – Pressão sobre o dedal guia da mola recuperadora e giro da manga guia do cano.</p><p> após liberados da manga guia do cano, retirar o dedal</p><p>guia e a mola recuperadora, conforme Figura 84. Conter a</p><p>descompressão da mola, para que ela não seja arremessada;</p><p>244</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 84 – Retirada do dedal guia e da mola recuperadora.</p><p> girar a manga guia do cano para a direita, até que seu</p><p>ressalto de travamento esteja alinhado com o entalhe</p><p>de passagem, na parte anterior do ferrolho, e retirá-la do</p><p>ferrolho, conforme Figura 85;</p><p>FIGURA 85 – Retirada da luva de prisão do cano.</p><p>245</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p> destravar a arma e, com a mão esquerda, deslizar o ferrolho</p><p>à frente, até que seu entalhe médio, em forma de meia lua,</p><p>se alinhe com o ressalto posterior superior da chaveta de</p><p>fixação do cano, conforme Figura 86;</p><p>FIGURA 86 – Alinhamento do entalhe médio com o ressalto</p><p>posterior da chaveta de fixação do cano.</p><p> empurrar, pela direita, o eixo da chaveta de fixação do cano,</p><p>e retirá-la pelo lado esquerdo, conforme Figura 87;</p><p>FIGURA 87 – Retirada da chaveta de fixação do cano.</p><p>246</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p> segurar a armação com uma das mãos e, com a outra,</p><p>deslizar o ferrolho totalmente à frente, conforme Figura 88,</p><p>até que se desprenda da armação, tomando-se o cuidado</p><p>de não deixar cair tubo guia da mola recuperadora, que já</p><p>encontra solto.</p><p>FIGURA 88 – Separação ferrolho - armação.</p><p>c) Retirada do cano:</p><p>– rebater, à frente, o elo de prisão do cano, e deslizar o cano até</p><p>que saía pela parte anterior do ferrolho, conforme Figura 89;</p><p>FIGURA 89 – Retirada do cano.</p><p>Encerra-se, com esta última operação, a desmontagem em 1º escalão.</p><p>Na medida em que a arma for sendo desmontada, alinhar as peças na</p><p>247</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>sequência em que foram retiradas, para facilitar a montagem. A Figura</p><p>90 apresenta a vista explodida da pistola Imbel 9 mm GCMD1, e o quadro</p><p>13, a relação de peças, numeradas de acordo com a apresentação no</p><p>desenho.</p><p>FIGURA 90 – Vista explodida da pistola Imbel 9 mm GCMD1.</p><p>Fonte: Indústria de Material Bélico do Brasil - IMBEL</p><p>248</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>QUADRO 13</p><p>RELAÇÃO DAS PEÇAS DA PISTOLA IMBEL 9 MM GCMD1</p><p>IT DENOMINAÇÃO DA PEÇA IT DENOMINAÇÃO DA PEÇA</p><p>Sc6/2 Haste 29 Pino retém da mola do cão</p><p>Sc6/1A Escova de limpeza 28 Mola do cão</p><p>Sc1/1DA</p><p>Cano 27 Pino retém da cabeça de</p><p>apoio da alavanca de armar</p><p>C7B-AL Gatilho 26 Cabeça de apoio da alavanca</p><p>de armar</p><p>C4R Carregador 25E Bloco alojamento da mola</p><p>do cão</p><p>78-1</p><p>Rebite do bloco alojamento da</p><p>mola dos apoios – em armações</p><p>forjadas</p><p>24D Dispositivo de segurança da</p><p>tecla</p><p>77 Alavanca do percussor 23 Mola tríplice</p><p>76 Alavanca da trava do percussor 22 Eixo da noz de armar</p><p>75 Mola da trava do percussor 21 Noz de armar</p><p>74 Trava do percussor 20 Alavanca de disparo</p><p>48A Parafuso de fixação da placa 19 Eixo de articulação da</p><p>alavanca de armar o cão</p><p>47B Placa esquerda do punho 18 Alavanca de armar o cão</p><p>46B Placa direita do punho 17 Eixo do cão</p><p>45 Fixador do retém do carregador 16E Cão</p><p>44 Mola retém do carregador 15C Placa retém do percussor e</p><p>do extrator</p><p>43B Retém do carregador 14 Mola do percussor</p><p>42A Porca dos parafusos das placas 13D Percussor</p><p>41 Cabeça apoio do dispositivo de</p><p>segurança 12G Extrator</p><p>40 Mola dos apoios 11 Tubo guia da mola</p><p>recuperadora</p><p>39 Cabeça apoio da chaveta de</p><p>fixação do cano 10 Mola recuperadora</p><p>38A-1 Alojamento da mola para os</p><p>apoios 9 Dedal guia da mola</p><p>recuperadora</p><p>37 Pino retém do ejetor 8 Manga guia do cano</p><p>36E Ejetor 7A Bloco do entalhe de mira</p><p>35DC-1 Armação 6D Massa de mira</p><p>34B Registro de segurança 5BQ Ferrolho</p><p>32 Pino retém da alça para o fiador 4D Chaveta de fixação do cano</p><p>31 Alça para o fiador 3 Eixo do elo de prisão do cano</p><p>30 Pino retém do bloco alojamento</p><p>da mola do cão 2 Elo de prisão do cano</p><p>Fonte: Indústria de Material Bélico do Brasil - IMBEL</p><p>249</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>10.9 Montagem</p><p>A montagem da arma consiste em realizar o processo de desmontagem</p><p>na ordem inversa da montagem</p><p>10.10 Emprego operacional</p><p>A pistola é uma arma de porte que proporciona maior capacidade de</p><p>tiro e confere melhor poder de resposta frente às ameaças letais.</p><p>Em situação normal de serviço, o policial deverá manter a arma</p><p>alimentada com o carregador municiado, na sua capacidade total</p><p>(capacidade do carregador), carregada, desengatilhada com o cão em</p><p>meia-monta, e travada.</p><p>Durante o policiamento, cuidados especiais devem ser observados pelo</p><p>operador, quais sejam:</p><p>– manter o dedo fora do gatilho e o controle da direção do cano;</p><p>– após o engatilhamento da arma, só liberar a trava do</p><p>mecanismo de segurança do cão no momento do disparo;</p><p>– nunca apontar a arma para um alvo que não queira atingir.</p><p>Em quaisquer circunstâncias, o policial sempre deverá tratar a pistola</p><p>como se estivesse carregada e pronta para o disparo. Assim, antes de</p><p>uma limpeza, verifique se a arma está descarregada, e nunca puxe uma</p><p>arma em sua direção pelo cano.</p><p>Especial atenção deverá ser dada à correta posição dos carregadores</p><p>suplementares da arma no porta-carregador, de forma a possibilitar</p><p>alimentá-la rapidamente quando houver necessidade, bem como</p><p>protegê-los de danos que inviabilizem o perfeito funcionamento da arma.</p><p>Por ser uma arma de pronto emprego, deverá permanecer no</p><p>coldre, carregada e com o cão rebatido em meia-monta.</p><p>250</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>10.11 Condução da arma</p><p>O policial deverá conduzir a arma em coldre apropriado para pistolas ou</p><p>coldre universal (para pistolas e revólveres) no padrão PM, abotoada e</p><p>presa pelo cordão regulamentar. Atenção especial deverá ser dispensada</p><p>à presilha do coldre, que deverá prender firmemente a arma.</p><p>Nos modelos que possuem o sistema ADC, basta ao policial levar o cão</p><p>à frente (empurrando com um dos dedos), momento em que a trava de</p><p>segurança ambidestra, por ação do mecanismo, sobe para a posição de</p><p>travamento da arma. Assim, a pistola ficará com o cão aparentemente</p><p>desarmado (contudo o mecanismo permanece engatilhado) e travado,</p><p>podendo então ser levada ao coldre. No momento do saque, bastará</p><p>ao policial acionar a trava ambidestra para baixo que, por ação do</p><p>mecanismo, o cão será novamente armado, ficando a arma engatilhada,</p><p>destravada e pronta para o disparo.</p><p>Apesar de serem fabricadas para poder trabalhar engatilhadas e</p><p>travadas, este não é um procedimento policial correto (arma engatilhada</p><p>e travada no coldre). O desgaste natural da trava ambidestra pode</p><p>fazer com que o mecanismo se desarme ao ser colocado no coldre e,</p><p>consequentemente, o policial terá uma arma engatilhada e destravada.</p><p>Outros fatores que inviabilizam esse procedimento são:</p><p>– a movimentação do coldre, ou até mesmo um esbarrão em</p><p>um objeto rígido, pode desarmar a trava ambidestra;</p><p>– desgaste do dente de engatilhamento do cão fazendo com</p><p>que o cão vá à frente;</p><p>– aumento do risco de disparo acidental, visto que a atividade</p><p>policial requer vários saques e empunhaduras durante o turno.</p><p>Quando o policial precisar conduzir a pistola em uma das mãos, no</p><p>interior dos quartéis ou em estandes, deve sempre deixá-la aberta,</p><p>descarregada e sem o carregador, segurando-a firmemente pelo guarda-</p><p>mato com os dedos indicador, médio e polegar da mão esquerda.</p><p>10.12 Incidentes de tiro e defeitos</p><p>O quadro 14 apresenta uma relação de incidentes e defeitos possíveis</p><p>com as pistolas Imbel GC MD1, MD2, MD3, MD5 e MD7, suas causas e</p><p>251</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>medidas corretivas. A maioria depende de recolhimento da arma.</p><p>QUADRO 14</p><p>INCIDENTES E DEFEITOS COM PISTOLAS IMBEL GC MD1, MD2, MD3,</p><p>MD5 E MD7: CAUSAS E MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>INCIDENTE CAUSAS MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>Falha na</p><p>alimentação</p><p>1) Carregador sujo;</p><p>2) Carregador com mossas ou deformado;</p><p>3) Retém do carregador gasto ou</p><p>quebrado (o carregador não se</p><p>prende ao seu alojamento no punho);</p><p>4) Mola do retém do carregador fraca</p><p>ou defeituosa.</p><p>1) Limpar o carregador;</p><p>2) Recuperar ou trocar o</p><p>corpo do carregador;</p><p>3) Substituir o retém do</p><p>carregador;</p><p>4) Substituir a mola do</p><p>retém do carregador.</p><p>Falha na</p><p>apresentação</p><p>1) Mola do carregador fraca ou</p><p>defeituosa;</p><p>2) Transportador defeituoso,</p><p>desgastado, amassado ou quebrado;</p><p>3) Abas do carregador baixas ou</p><p>deformadas.</p><p>1) Substituir a mola do</p><p>carregador;</p><p>2) Substituir o</p><p>transportador;</p><p>3) Recuperar ou substituir</p><p>o corpo do carregador.</p><p>Falha no</p><p>carregamento</p><p>1) Mossas, sujidades ou corpo</p><p>estranho na câmara;</p><p>2) Munição suja ou defeituosa;</p><p>3) Mola recuperadora fraca,</p><p>defeituosa ou inadequada;</p><p>4) Abas do carregador defeituosas;</p><p>5) Armação e ferrolho sujos ou sem</p><p>lubrificação.</p><p>1) Eliminar as mossas; limpar,</p><p>lubrificar e secar a câmara;</p><p>remover o corpo estranho;</p><p>2) Limpar ou substituir a</p><p>munição;</p><p>3) Substituir a mola</p><p>recuperadora.</p><p>4) Substituir o corpo do</p><p>carregador;</p><p>5) Limpar e lubrificar a arma.</p><p>Falha na ejeção</p><p>1) Ejetor gasto ou quebrado;</p><p>2) Arma com problema de extração.</p><p>1) Substituir o ejetor;</p><p>2) Vide correções em “Falha</p><p>na extração” abaixo.</p><p>Falha na</p><p>extração</p><p>1) Extrator desajustado;</p><p>2) Ausência da mola do extrator ou,</p><p>estando presente, é fraca ou defeituosa;</p><p>3) Extrator gasto ou quebrado;</p><p>4) Munição em uma ou mais das</p><p>seguintes condições:</p><p>a) velha ou suja; b) com culote</p><p>defeituoso; c) com propelente ou</p><p>iniciador contaminados;</p><p>5) Câmara suja ou com mossas;</p><p>6) Carregadores sujos.</p><p>1) Ajustar o extrator;</p><p>2) Colocar ou substituir a</p><p>mola do extrator;</p><p>3) Substituir o extrator;</p><p>4) Limpar ou substituir a</p><p>munição;</p><p>5) Limpar a câmara e/ou</p><p>remover as mossas;</p><p>6) Limpar os carregadores.</p><p>(continua)</p><p>252</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Nega e falha de</p><p>percussão</p><p>1) Munição não está na câmara (pane</p><p>seca);</p><p>2) Percussor quebrado ou com</p><p>a ponta gasta (não há marca de</p><p>percussão na espoleta ou esta é</p><p>muito fraca);</p><p>3) Munição defeituosa (há marca de</p><p>percussão eficiente na espoleta).</p><p>1) Inserir totalmente o</p><p>carregador e manobrar o</p><p>ferrolho;</p><p>2) Substituir o percussor;</p><p>3) Substituir a munição.</p><p>Falha no</p><p>engatilhamento</p><p>1) Dente de engatilhamento do cão</p><p>desgastado;</p><p>2) Mola do cão fraca ou quebrada;</p><p>3) Mola tríplice desajustada e/ou</p><p>montada incorretamente;</p><p>4) Mola da noz de armar e/ou mola</p><p>da alavanca de disparo quebradas</p><p>(estruturas da mola tríplice);</p><p>5) Noz de armar gasta ou quebrada;</p><p>6) Alavanca de disparo desgastada</p><p>ou quebrada;</p><p>7) Mecanismo de disparo montado</p><p>de forma errada.</p><p>1) Substituir o cão.</p><p>2) Substituir a mola do cão;</p><p>3) Ajustar a mola e/ou</p><p>montá-la corretamente;</p><p>4) Substituir e ajustar a</p><p>mola tríplice;</p><p>5) Substituir a noz de</p><p>armar;</p><p>6) Substituir a alavanca de</p><p>disparo;</p><p>7) Desmontar a arma e</p><p>recolocar as peças de</p><p>forma correta.</p><p>Falha no</p><p>desengatilha-</p><p>mento</p><p>1) Arma não trancou ou fechou</p><p>totalmente;</p><p>2) Alavanca de disparo quebrada;</p><p>3) Falta da alavanca da trava do</p><p>percussor ou, se presente, deformada</p><p>ou quebrada;</p><p>4) Falta da alavanca intermediária da</p><p>trava do percussor ou, se presente,</p><p>deformada ou quebrada;</p><p>5) Obstrução no alojamento da trava</p><p>do percussor;</p><p>6) Trava do percussor quebrada</p><p>1) Corrigir com base</p><p>no descrito para o</p><p>incidente”Falha no</p><p>carrregamento”, acima;</p><p>2) Substituir a alavanca de</p><p>disparo;</p><p>3) Recolocar ou substituir</p><p>a alavanca da trava do</p><p>percussor;</p><p>4) Recolocar ou substituir a</p><p>alavanca intermediária da</p><p>trava do percussor;</p><p>5) Limpar o alojamento;</p><p>6) Substituir a trava do</p><p>percussor.</p><p>QUADRO 14</p><p>INCIDENTES E DEFEITOS COM PISTOLAS IMBEL GC MD1, MD2, MD3,</p><p>MD5 E MD7: CAUSAS E MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>(conclusão)</p><p>CAPÍTULO 11</p><p>PISTOLAS SEMI-AUTOMÁTICA</p><p>IMBEL .40 GC (MD5 E MD7)</p><p>255</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>11 PISTOLAS SEMI-AUTOMÁTICAS IMBEL .40 GC (MD5 E MD7)</p><p>FIGURA 91 – Pistola IMBEL .40 GC MD5.</p><p>11.1 Características</p><p>O quadro 15 relaciona as características das pistolas . 40 GC MD5 e MD7.</p><p>40, ou seja, a designação, a classificação da arma, o aparelho de pontaria</p><p>e os dados numéricos, para maior conhecimento.</p><p>AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO, APLIQUE SEMPRE</p><p>ESTAS DUAS REGRAS DE SEGURANÇA</p><p>a) DEDO FORA DO GATILHO: mantenha o dedo SEMPRE</p><p>fora do gatilho, até que o disparo seja necessário.</p><p>b) CONTROLE DO CANO: mantenha o cano de sua arma</p><p>SEMPRE voltado para uma direção segura.</p><p>256</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>QUADRO 15</p><p>CARACTERÍSTICAS DAS PISTOLAS IMBEL .40 GC MD5 E MD7.</p><p>ITEM DESCRIÇÃO</p><p>1. Designação</p><p>1.1 Nomenclatura: pistola Imbel MD5 ou MD7 (modelo 5</p><p>ou 7) GC (grande capacidade). 40.</p><p>1.1 Indicativo militar: pistola Imbel GC MD5 .40 ou MD7 .40</p><p>2. Classificação</p><p>2.1 Quanto ao tipo: de porte.</p><p>2.2 Quanto ao emprego: Individual.</p><p>2.3 Quanto à alma do cano: raiada, 6 raias, à esquerda com</p><p>passo de 406,4 mm.</p><p>2.4 Quanto ao sistema de carregamento: retrocarga.</p><p>2.5 Quanto ao sistema de inflamação: percussão intrínseca</p><p>central indireta.</p><p>2.6 Quanto à refrigeração: a ar.</p><p>2.7 Quanto à alimentação: carregador metálico tipo cofre,</p><p>bifilar62, com capacidade para 16 cartuchos.</p><p>2.8 Quanto ao sentido de alimentação: de baixo para cima.</p><p>2.9 Quanto ao funcionamento: semi-automático e ação simples.</p><p>2.10 Quanto ao princípio de funcionamento: ação dos</p><p>gases sobre o ferrolho, com curto recuo do cano.</p><p>3. Aparelho de</p><p>pontaria</p><p>3.1 AIça de mira: tipo entalhe incrustada no ferrolho, com</p><p>inserts brancos.</p><p>3.2 Massa de mira: tipo lâmina, integrada no ferrolho, com</p><p>insert branco.</p><p>4. Dados numéricos</p><p>4.1 Calibre: .40 (10 mm) S&W.</p><p>4.2 Peso: 1,140 kg (aproximadamente) com carregador vazio.</p><p>4.3 Comprimento da arma: 220 mm.</p><p>4.4 Comprimento do cano: 128 mm (0,5”).</p><p>4.5 Velocidade teórica de tiro: 160 tiros por minuto.</p><p>4.6 Velocidade prática de tiro: 80 tiros por minuto.</p><p>4.7 Alcance máximo: 1.400 metros.</p><p>4.8 Alcance útil: 200 metros.</p><p>4.9 Alcance com precisão: 50 metros.</p><p>4.10 Alcance prático: 25 metros.</p><p>62 As munições ficam acondicionadas no carregador em duas filas, estando em diagonal umas das</p><p>outras.</p><p>257</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>11.2 Munições utilizadas pela PMMG</p><p>a) munição de manejo: montada com componentes inertes</p><p>ou usinada em latão.</p><p>b) munição para treinamento e práticas esportivas:</p><p>– calibre .40: recarregada pelo CMB, com projétil de ponta</p><p>plana, totalmente jaquetado, com massa de 160 a 180 grains;</p><p>– calibre .40: munição Treina, produzida pela CBC, com projétil</p><p>totalmente jaquetado de ponta plana, com massa de 160 grains e carga</p><p>normal de propelente.</p><p>c) munição real (para emprego operacional):</p><p>– calibre .40: projétil expansivo, jaquetado de ponta oca, com</p><p>massas de 130 ou 155 grains;</p><p>– calibre .40: totalmente jaquetado de ponta plana, com massa</p><p>de 180 grains.</p><p>11.3 Funcionamento</p><p>O funcionamento básico da pistola IMBEL GC MD5. 40 é idêntico ao da</p><p>pistola IMBEL 9 mm MD1, anteriormente estudada.</p><p>Alguns modelos de pistolas MD5 são dotados de duas colunas paralelas</p><p>de orifícios na parte superior anterior do cano, os eventos de exaustão,</p><p>bem como suas respectivas saídas no ferrolho da arma. Esses eventos</p><p>têm a função de reduzir o ângulo de recuo da arma. Parte do princípio</p><p>da Lei da Ação e da Reação62, ou seja, no momento em que parte dos</p><p>gases são expelidos para cima, através dos eventos, uma força de</p><p>mesma intensidade age para baixo no cano da arma, dando assim,</p><p>maior estabilidade para o tiro e menor recuo e movimentação da arma</p><p>após o disparo. Atualmente, a PMMG não tem mais adquirido armas</p><p>com esse dispositivo, em razão de estilhaços que são lançados pelos</p><p>orifícios, e que podem vir a ferir quem estiver na direção dos eventos,</p><p>em determinadas situações táticas 63</p><p>63 Terceira Lei de Newton: Quando um corpo A exerce uma força sobre um corpo B,</p><p>simultaneamente, o corpo B exerce uma força sobre o corpo A, de intensidade e direção iguais, mas</p><p>em sentido oposto. Fonte: ALVARES, 2006.</p><p>63</p><p>258</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>11.4 Mecanismos de segurança</p><p>A pistola IMBEL MD5 possui os mesmos mecanismos de segurança</p><p>presentes na pistola IMBEL MD1 já estudada. Deve ser relembrado</p><p>o registro de segurança visualizado na Figura 92.</p><p>FIGURA 92 – Registro de segurança.</p><p>Nesse sentido, dar-se-á destaque somente para o sistema ADC</p><p>– Armador e Desarmador do Cão, instalado, inicialmente, nas</p><p>pistolas GC MD5, mas que também vêm sendo instalados nas</p><p>pistolas MD1 9 mm. Atualmente, alguns modelos já saem de</p><p>fábrica com o sistema ADC, tais como a pistola IMBEL GC MD5 LX</p><p>.40, MD 6 e MD7.</p><p>Para “desarmar” o cão das armas equipadas com o sistema ADC,</p><p>basta empurrá-lo à frente, com um dos dedos. Depois de efetuada</p><p>a ação, o cão, que é dividido em duas partes, abre espaço para</p><p>que o ressalto de travamento da tecla esquerda do registro de</p><p>segurança suba, e bloqueie o movimento da parte posterior</p><p>inferior da noz de armar, travando a arma.</p><p>Basicamente, o cão não é desarmado, nem desengatilhado. A</p><p>arma fica engatilhada, porém travada. O efeito do cão à frente é</p><p>somente visual.</p><p>Para destravar, basta pressionar o registro de segurança para</p><p>baixo. Nesse momento, além de a arma ser destravada, a parte do</p><p>259</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>cão que estava avançada, recua por ação de sua mola, deixando-o</p><p>em condições de disparo.</p><p>Nas armas equipadas com o sistema ADC, não há como travar</p><p>a arma (levar o registro de segurança para cima), estando ela,</p><p>engatilhada. Para realizar o travamento, é necessário empurrar</p><p>o cão à frente, ou seja, desarmá-lo, momento em que a arma</p><p>será travada mecanicamente. Seu funcionamento permanece</p><p>inalterado na ação simples.</p><p>No sistema ADC, não há a necessidade de acionar o gatilho para</p><p>desarmar o cão e o ferrolho não recua enquanto a arma não for</p><p>destravada.</p><p>11.5 Inspeção preliminar</p><p>Serão analisados os mesmos itens previstos para a pistola IMBEL 9 mm</p><p>GC MD1, conforme estudado no item anterior.</p><p>Como adicional deve ser observado, quando da verificação dos aspectos</p><p>de segurança, o funcionamento do Kit ADC. Para tal, com a arma</p><p>engatilhada, pressionar o cão à frente. Nesse momento, o movimento</p><p>de sua parte superior é bloqueado pela tecla esquerda do registro de</p><p>segurança, que concomitantemente, trava o mecanismo de disparo e</p><p>mantém, visualmente, o cão à frente.</p><p>Ato contínuo, pressionar o registro de segurança para baixo, momento</p><p>em que o mecanismo de disparo é destravado e o cão recua.</p><p>11.6 Manejo básico</p><p>Deverão ser observadas as mesmas ações previstas para a pistola 9 mm</p><p>GC MD1, com o adicional do ADC, citado acima em “inspeção preliminar.</p><p>11.7 Manejo operacional</p><p>São observadas as mesmas prescrições</p><p>previstas para a pistola 9 mm</p><p>GC MD1, variando apenas no acionamento do ADC, quando a arma for</p><p>dotada desses sistema.</p><p>260</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>11.8 Desmontagem</p><p>a) Medidas preliminares de segurança:</p><p>– retirar qualquer tipo de munição das proximidades;</p><p>– manter o dedo fora do gatilho e controlar a direção do cano;</p><p>– retirar e inspecionar se o carregador retirado da arma está</p><p>vazio, bem como os demais carregadores da arma;</p><p>– verificar, pelo entalhe de segurança, se há munição na</p><p>câmara;</p><p>– abrir a arma e reter o ferrolho;</p><p>– fazer inspeção, visual e tátil, da câmara, e confirmar se está</p><p>vazia.</p><p>b) Desmontagem de 1º escalão</p><p>– Separação do conjunto do ferrolho, da armação:</p><p> recuar o ferrolho;</p><p> inserir o clipe “L”, no orifício da guia da mola</p><p>recuperadora, de forma que a parte maior do “L”</p><p>fique na mesma posição da guia e que a parte</p><p>menor não exceda, em tamanho, a espessura da</p><p>guia, conforme Figura 93 e 94;</p><p>261</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>FIGURA 93 – Posição da arma para início da desmontagem.</p><p>FIGURA 94 – Inserção do clipe de desmontagem.</p><p> com o polegar da mão direita, libere o ferrolho, de</p><p>forma que este interrompa seu curso ao entrar em</p><p>contato com o clipe “L”;</p><p> com a mão esquerda, segurar a parte superior</p><p>262</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>do ferrolho e movê-lo até seu entalhe médio, em</p><p>forma de meia lua, de maneira que este coincida</p><p>com o ressalto superior posterior da chaveta de</p><p>fixação do cano, conforme Figura 95;</p><p>FIGURA 95 – Alinhamento do entalhe médio do ferrolho com a saliência existente no</p><p>dente da chaveta de fixação do cano (parte posterior do retém do ferrolho).</p><p> empurrar a extremidade direita do eixo da chaveta</p><p>de fixação (retém do ferrolho), e retirá-la pelo lado</p><p>esquerdo da arma, de acordo com a Figura 96;</p><p>FIGURA 96 – Retirada da chaveta de fixação do cano.</p><p>263</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p> segurar o ferrolho com uma das mãos e a armação</p><p>com a outra e, em seguida, puxar a armação</p><p>para trás, separando-a do ferrolho, conforme</p><p>demonstrado na Figura 97;</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>FIGURA 97 – Retirada do ferrolho por deslizamento.</p><p> retirar o conjunto recuperador pela parte posterior</p><p>do ferrolho (Figura 98);</p><p> para desmontar o conjunto recuperador, pressionar</p><p>o tubo guia contra o dedal guia e retirar o clipe “L”;</p><p> cuidado com os olhos e com o rosto: o dedal</p><p>deve ser direcionado para baixo, durante a</p><p>descompressão;</p><p> separar o dedal guia mola recuperadora, tubo guia</p><p>e clipe “L”;</p><p>264</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 98 – Retirada do conjunto recuperador.</p><p> rebater o elo de prisão do cano e retirar o cano,</p><p>deslizando-o para frente, conforme Figura 99;</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>FIGURA 99 – Rebatimento do elo de prisão do cano</p><p>para posterior retirada do cano.</p><p>265</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p> desmontar o carregador.</p><p>11.9 Montagem</p><p>A montagem da arma é feita na ordem inversa da desmontagem.</p><p>11.10 Emprego operacional</p><p>Deverão ser observadas as mesmas prescrições previstas para pistola</p><p>Imbel 9 mm GC MD1.</p><p>11.11 Condução da arma</p><p>Deverão ser observadas as mesmas prescrições previstas para pistola</p><p>Imbel 9 mm GC MD1.</p><p>11.12 Incidentes de tiro e defeitos</p><p>Os mesmos descritos para a pistola 9mm GC MD1.</p><p>A arma deve ser conduzida no coldre nas seguintes</p><p>condições:</p><p>SEM SISTEMA ADC: carregada, com cão em meia-monta</p><p>(desengatilhamento em quatro tempos)</p><p>COM SISTEMA ADC: carregada e travada (cão à frente)</p><p>CAPÍTULO 12</p><p>PISTOLAS EM POLÍMERO</p><p>- TAURUS PT 24/7</p><p>269</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>12 PISTOLAS EM POLÍMERO – TAURUS PT 24/7</p><p>Polímero é um termo de origem grega que significa: poli (muitos) e</p><p>meros (partes). São macromoléculas formadas por pequenas partículas</p><p>(monômeros) que se ligam por meio de uma reação denominadas</p><p>polimerização.</p><p>Os polímeros podem ser naturais ou sintéticos. Dentre os vários polímeros</p><p>naturais podemos citar a celulose (plantas), a caseína (proteína do leite),</p><p>o látex natural e a seda. São exemplos de polímeros sintéticos o PVC, o</p><p>Nylon e o acrílico.</p><p>Os polímeros sintéticos são classificados em termoplásticos: podem</p><p>ser fundidos por aquecimento e solidificados por resfriamento; e</p><p>termorrígidos: infusíveis e insolúveis, não permitem reprocessamento.</p><p>As armas em polímero são um avanço tecnológico muito grande, que</p><p>aliam a leveza do polímero com a durabilidade do aço. Neste sentido,</p><p>apresentam uma melhor portabilidade, leveza e conforto.</p><p>Na PMMG são utilizadas a PT Taurus 24/7, calibre. 40 e, a PT Taurus 640,</p><p>também no calibre .40.</p><p>A pistola Taurus 24/7 POLICE possui três modelos: a 24/7 DAO (double</p><p>action only – somente ação dupla); a 24/7 PRO (somente ação simples) e</p><p>a 24/7 PRO DS (ação seletiva, com desarmador de percussor).</p><p>Na versão 24/7 PRO (Figura 100), a arma funciona, a princípio, em ação</p><p>simples, mas possui um mecanismo suplementar que permite, somente</p><p>AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO, APLIQUE SEMPRE</p><p>ESTAS DUAS REGRAS DE SEGURANÇA</p><p>a) DEDO FORA DO GATILHO: mantenha o dedo SEMPRE</p><p>fora do gatilho, até que o disparo seja necessário.</p><p>b) CONTROLE DO CANO: mantenha o cano de sua</p><p>arma SEMPRE voltado para uma direção segura.</p><p>270</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>em caso de nega, outra tentativa para o disparo, sem necessidade de</p><p>manejar a arma. Não se trata de uma arma de ação seletiva, na qual se</p><p>pode desarmar o percussor e optar pelo primeiro disparo na ação dupla</p><p>e de</p><p>Assim, estando a arma engatilhada, após o acionamento do gatilho</p><p>e o impacto do percussor na espoleta, caso esta não deflagre, a arma</p><p>pode ser operada na na ação dupla. Dessa forma, não será necessário o</p><p>manejo do ferrolho para a retirada do cartucho que não deflagrou, com</p><p>a possibilidade de tentar dispará-lo novamente.</p><p>Já o modelo PT 24/7 DAO, utilizado na PMMG, opera somente em ação</p><p>dupla.</p><p>FIGURA 100 – Pistola Taurus 24/7 PRO.</p><p>12.1 Características</p><p>No quadro 16 estão descritas as características da pistola 24/7, ou seja,</p><p>a designação, a classificação da arma, o aparelho de pontaria e os dados</p><p>numéricos, para maior conhecimento.</p><p>271</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>QUADRO 16</p><p>CARACTERÍSTICAS DA PISTOLA TAURUS PT 24/7</p><p>ITEM DESCRIÇÃO</p><p>1. Designação</p><p>1.1 Nomenclatura: PT– Taurus calibre .40 S&W modelo PT 24/7.</p><p>1.2 Indicativo militar: pistola Taurus calibre .40 modelo24/7 ou</p><p>24/7 PRO.</p><p>2. Classificação</p><p>2.1 Quanto ao tipo: porte.</p><p>2.2 Quanto ao emprego: individual.</p><p>2.3 Quanto à alma do cano: raiada, 06 raias, à direita.</p><p>2.4 Quanto ao sistema de carregamento: retrocarga.</p><p>2.5 Quanto ao sistema de inflamação: percussão intrínseca,</p><p>central indireta.</p><p>2.6 Quanto à alimentação: carregador metálico, tipo cofre, com</p><p>capacidade para 15 +1 cartuchos.</p><p>2.7 Quanto ao sentido de alimentação: de baixo para cima.</p><p>2.8 Quanto ao funcionamento: semi-automático.</p><p>2.9 Quanto ao princípio de funcionamento: ação direta dos</p><p>gases sobre o ferrolho.</p><p>2.10 Quanto ao tipo: porte.</p><p>3. Aparelho de</p><p>pontaria 3.1 Massa e alça metálicas e fixas, com sistema de 3 pontos.</p><p>4. Dados</p><p>numéricos</p><p>4.1 Calibre: 40 S&W.</p><p>4.2 Peso: 800g (24/7 DAO) e 825g (24/7 PRO).</p><p>4.3 Comprimento da arma: 182 mm.</p><p>4.4 Comprimento do cano: 108,6 mm.</p><p>4.5 Velocidade teórica de tiro: 300 tiros por minuto.</p><p>4.6 Velocidade prática de tiro: habilidade do operador.</p><p>4.7 Alcance máximo: 1000 metros.</p><p>4.8 Alcance útil: 300 metros.</p><p>4.9 Alcance com precisão (utilização): 25 metros.</p><p>4.10 Alcance prático: 20 metros</p><p>12.2 Munições utilizadas pela PMMG</p><p>As mesmas utilizadas pelas pistolas Imbel .40 GC.</p><p>272</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>12.3 Funcionamento</p><p>Será abordado o funcionamento do mecanismo da arma a partir do</p><p>momento do disparo, passando pela extração, pela ejeção e pelo novo</p><p>carregamento.</p><p>a) o processo de disparo:</p><p>– o percussor é pré-armado pela ação da armadilha e sua mola</p><p>comprimida, neste instante o gatilho está totalmente à frente;</p><p>– quando o gatilho é acionado, o tirante movimenta-se para</p><p>trás e aciona a armadilha, o que faz liberar o percussor;</p><p>– o percussor é lançado à frente, pela ação de sua mola, fere a</p><p>espoleta e deflagra a munição.</p><p>b) a extração, a ejeção e o carregamento:</p><p>– ocorrido o disparo, o ferrolho recuará pela ação dos gases,</p><p>extraindo e ejetando o estojo vazio;</p><p>– no limite máximo de seu recuo, mediante a ação da mola</p><p>recuperadora, o ferrolho irá à frente introduzindo outro cartucho</p><p>na câmara, assim a arma estará novamente carregada e pronta para</p><p>disparar na ação simples;</p><p>– para sucessivos disparos, basta liberar o gatilho à frente até</p><p>ouvir um “click” e então acioná-lo novamente;</p><p>– em caso de nega (falha da munição) a arma, que é provida</p><p>de um mecanismo que automaticamente passa da ação simples para</p><p>ação dupla, permitirá que uma nova tentativa de disparo seja feita, sem</p><p>a necessidade de ciclar (manejar) o ferrolho;</p><p>– é importante perceber que se essa pane ocorrer numa</p><p>atividade operacional, o procedimento correto é se abrigar, solucionar</p><p>a pane e inserir um novo cartucho na câmara através do manejo do</p><p>ferrolho, retirando aquele cartucho que apresentou problemas;</p><p>– após o último disparo, o ferrolho permanecerá posicionado</p><p>à retaguarda, deixando a arma aberta mantida pelo retém do ferrolho.</p><p>Para fechar a arma, basta pressionar o retém do ferrolho para baixo;</p><p>273</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>c) funcionamento completo após o acionamento do gatilho:</p><p>– o percussor será liberado e, pelo efeito da mola, irá à frente e</p><p>acionará a espoleta que, por sua vez, detonará a carga propelente que</p><p>expelirá o projétil;</p><p>– o projétil iniciará seu caminho pelo cano da arma e, tão logo</p><p>o deixe, os gases resultantes da queima da pólvora retornarão, fazendo</p><p>com que o ferrolho seja empurrado para trás e traga consigo a cápsula</p><p>deflagrada que será extraída da câmara e depois ejetada ao passar pela</p><p>janela de ejeção e for tocada pelo ejetor;</p><p>– após passar sobre o carregador, o ferrolho liberará o espaço</p><p>para que o próximo cartucho ali alojado se apresente;</p><p>– o ferrolho continuará seu deslocamento até o ponto máximo</p><p>e, ato contínuo, será empurrado pela mola recuperadora, quando</p><p>retornará à frente;</p><p>– ao passar pelo cartucho que se apresentou no carregador,</p><p>o ferrolho o empurrará pelo culote e o levará até a câmara, instante em</p><p>que ocorre o carregamento e o trancamento da arma;</p><p>– o percussor que, durante o movimento do ferrolho para trás,</p><p>foi semi-engatilhado, permanece à retaguarda e deixa a arma pronta</p><p>para um novo disparo na ação simples.</p><p>12.4 Mecanismos de segurança</p><p>As pistolas Taurus 24/7 possuem, como dispositivos de segurança, a trava</p><p>do percussor, o registro de segurança, a trava do gatilho e o indicador de</p><p>cartucho na câmara:</p><p>a) trava do percussor: mecanismo que bloqueia</p><p>permanentemente o deslocamento do percussor para frente e impede</p><p>disparos não desejados, caso ocorra à queda da arma. Somente é</p><p>liberada no estágio final do acionamento do gatilho, quando libera o</p><p>deslocamento do percussor;</p><p>b) trava manual externa ambidestra64 (registro de</p><p>segurança): ao ser acionado para cima, o registro de segurança trava</p><p>64 Presente somente no modelo 24/7 PRO. Para o modelo 24/7 DAO o mecanismo é oferecido</p><p>como opcional e não como obrigatório de fábrica.</p><p>274</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>os componentes responsáveis pelo mecanismo de disparo, bem como</p><p>toda a arma. A arma poderá assim permanecer, se não estiver em uso;</p><p>c) trava do gatilho: trava que bloqueia o tirante do gatilho e</p><p>impede o movimento deste à retaguarda, o que poderia causar acidentes</p><p>em uma queda. A liberação somente ocorre quando o gatilho é puxado</p><p>intencionalmente;</p><p>d) indicador de cartucho na câmara: localizado na lateral</p><p>direita do ferrolho, logo atrás da janela de ejeção. Apesar de não ser um</p><p>dispositivo de segurança contribui sobremaneira para ela. Quando um</p><p>cartucho está alojado na câmara, a extremidade do alerta de segurança</p><p>fica saliente, visualizando uma marca vermelha;</p><p>e) parafuso trava (opcional): algumas pistolas da Taurus estão</p><p>equipadas com um sistema de segurança opcional, que consiste num</p><p>parafuso-trava montado na parte lateral direita do ferrolho. Quando na</p><p>posição travado, impede o funcionamento de todo o mecanismo de</p><p>disparo da pistola.</p><p>Para travar ou destravar, necessita do auxílio de uma chave que</p><p>acompanha esta arma e se encaixa perfeitamente no orifício existente</p><p>no topo do parafuso trava;</p><p>Para travar a pistola utilizando o parafuso trava, deve encaixar a</p><p>chave e girar o parafuso-trava no sentido horário, até ouvir um “click” no</p><p>fim do giro. Nesta posição, o parafuso trava aflora na lateral do ferrolho,</p><p>ao mesmo tempo travando o mecanismo de disparo.</p><p>12.5 Inspeção preliminar</p><p>Devem ser observados os mesmos aspectos previstos para a PT92AF e</p><p>para a PT100.</p><p>12.6 Manejo básico</p><p>a) municiar: segure o carregador com uma das mãos e com a</p><p>outra insira os cartuchos um de cada vez, pressionando-os para baixo,</p><p>fazendo com que a mesa transportadora abaixe comprimindo a mola do</p><p>carregador, e empurre a munição para trás.</p><p>b) alimentar: insira o carregador na arma até que fique preso</p><p>pelo retém do carregador e confira se este ficou realmente preso</p><p>275</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>puxando-o para baixo pela chapa da mola do carregador que fica no</p><p>fundo deste;</p><p>c) carregar: empunhe a pistola com a mão forte, mantendo o</p><p>dedo fora do gatilho; com a outra mão, segure o ferrolho pelas ranhuras</p><p>existentes em ambos os lados e puxe o ferrolho até o seu limite,</p><p>soltando-o logo em seguida para que ocorra o carregamento; assim, o</p><p>ferrolho irá à frente, sob pressão da mola recuperadora, e empurrará o 1º</p><p>cartucho do carregador que será inserido na câmara;</p><p>A pistola agora estará carregada, pré-armada e pronta para o disparo na</p><p>ação simples.</p><p>12.7 Manejo operacional</p><p>O manejo operacional nada mais é que a adequação das ações básicas</p><p>de manejo para seu emprego no cotidiano policial. Este cotidiano é,</p><p>normalmente, refletido em quatro situações ou momentos que vão</p><p>exigir do policial a realização de uma sequência de ações de manejo,</p><p>em sua arma de fogo, específica para cada momento. Esses momentos</p><p>são: 1) policial recebendo sua arma e preparando-a para o trabalho;</p><p>2) policial em seu turno de serviço que precisa utilizar sua arma; 3)</p><p>efetuando disparo ou não, o policial precisa retornar a arma para o coldre</p><p>ou para a viatura, e; 4) ao término do turno deverá devolver sua arma na</p><p>reserva de armamento. Assim, o manejo operacional estabelecerá uma</p><p>sequência técnica e padronizada de ações que visam, principalmente, a</p><p>segurança do policial e a de terceiros. As etapas e as respectivas ações</p><p>são as seguintes:</p><p>a) ao receber a arma na reserva de armamento:</p><p>– a arma deverá ser recebida aberta e com o punho voltado</p><p>para o receptor (esse procedimento possibilita que o recebedor, de</p><p>pronto, visualize a(s) câmara(s) da arma, tornando-se mais um fator de</p><p>segurança para os envolvidos);</p><p>– dirigir-se à caixa de areia (local seguro);</p><p>– realizar a inspeção preliminar e observar os aspectos gerais</p><p>de funcionamento e de segurança;</p><p>– municiar o carregador e introduzi-lo na arma (alimentar);</p><p>276</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>– fechar a arma pelo acionamento do retém do ferrolho ou</p><p>puxando o ferrolho à retaguarda e soltando logo em seguida (carregar);</p><p>– travar a arma;</p><p>– colocar a arma no coldre;</p><p>b) durante o serviço é necessário deixar a arma em</p><p>condições de uso imediato, assim proceda como se segue:</p><p>– retirar a arma do coldre, executar a correta empunhadura e o</p><p>posicionamento da arma, de acordo com as circunstâncias;</p><p>– caso haja a necessidade de disparo:</p><p> destravar e apontar a arma;</p><p> acionar o gatilho.</p><p>c) retorno da arma à condição de patrulhamento:</p><p>– travar a arma;</p><p>– retornar a arma ao coldre.</p><p>d) ao término do turno, entrega da arma na reserva de</p><p>armamento:</p><p>– dirigir-se à caixa de areia;</p><p>– retirar o carregador;</p><p>– destravar a arma;</p><p>– efetuar o manejo do ferrolho trazendo-o à retaguarda,</p><p>abrindo a arma (o cartucho que se encontrava na câmara será dali</p><p>extraído</p><p>e ejetado da arma);</p><p>– acionar o retém do ferrolho e deixar a arma aberta;</p><p>– desmuniciar o carregador;</p><p>277</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>– entregar a arma aberta e com o punho voltado para o</p><p>funcionário da reserva de armamento.</p><p>12.8 Desmontagem</p><p>a) retirar o carregador, pressionando o botão do retém;</p><p>b) fazer o manejo do ferrolho até o final do curso para certificar</p><p>que não há munição na câmara e empurrar a tecla de retém do ferrolho</p><p>para cima;</p><p>c) com o polegar esquerdo, girar a alavanca de desmontagem</p><p>do ferrolho no sentido horário, até que pare;</p><p>d) com a mão esquerda, puxar a alavanca de desmontagem</p><p>para fora da armação;</p><p>e) cuidadosamente, pressionar para baixo o retém do ferrolho</p><p>e deslizar o ferrolho para frente, controlando-o;</p><p>f ) puxar o gatilho, mantendo-o acionado e empurrar o ferrolho</p><p>um pouco para frente até ouvir um “click”;</p><p>g) soltar o gatilho e empurrar o ferrolho totalmente para frente</p><p>até sair da armação;</p><p>h) retirar o conjunto mola recuperadora de sua posição na</p><p>parte inferior do cano;</p><p>i) remover o cano do ferrolho puxando-o para frente e para</p><p>cima.</p><p>ATENÇÃO: não se recomenda a desmontagem além dos níveis</p><p>acima, a menos que seja feita por um armeiro habilitado ou experiente.</p><p>Se o ferrolho emperrar na armação, certificar-se de que a câmara esteja</p><p>vazia e puxar firmemente o gatilho completamente para trás, deslizando</p><p>o ferrolho para frente, para fora da armação;</p><p>Se o ferrolho não se mover, em virtude de o cano permanecer atrás e</p><p>deslocado para cima, certificar-se de que a câmara está vazia e empurrar</p><p>a boca do cano contra a palma de uma mão, enquanto empurra o</p><p>ferrolho para frente com a outra.</p><p>278</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>A Figura 101 ilustra a pistola 24/7 desmontada em 1º escalão, sem a</p><p>presença do carregador.</p><p>FIGURA 101 – PT 24/7 desmontada em 1º escalão (sem o carregador).</p><p>12.9 Montagem</p><p>A montagem da pistola Taurus 24/7 é feita em processo inverso ao do</p><p>procedimento para a desmontagem, observar os seguintes detalhes:</p><p>a) encaixar o cano no ferrolho, empurrando-o para trás;</p><p>b) inserir a extremidade do conjunto mola recuperadora no</p><p>alojamento do ferrolho e comprimir a mola levemente, para colocá-la</p><p>na posição;</p><p>c) o ferrolho será montado na armação sendo totalmente</p><p>empurrado para trás;</p><p>279</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>d) o retém do ferrolho será movimentado para cima a fim de</p><p>se manter a arma aberta;</p><p>e) para instalar a alavanca de desmontagem, inseri-la na</p><p>armação com a tecla apontada para trás (paralela ao ferrolho);</p><p>f ) o orifício de inserção da alavanca de desmontagem deverá</p><p>estar alinhado no cano e no ferrolho, para que seja feita a inserção;</p><p>g) quando da inserção da alavanca de desmontagem no</p><p>orifício de encaixe, no momento em que a operação estiver completada,</p><p>será ouvido um “click” característico;</p><p>h) o retém do ferrolho será pressionado para baixo, o que</p><p>permitirá ao ferrolho deslizar para frente;</p><p>i) realizar manejos com o ferrolho diversas vezes, sem que o</p><p>carregador esteja inserido e sem nenhum cartucho na câmara, de forma</p><p>a garantir que a relação cano/ferrolho/armação esteja correta.</p><p>12.10 Emprego operacional</p><p>Arma de porte de uso policial está apta a ser utilizada em todas as</p><p>atividades de polícia ostensiva, onde seja necessário seu emprego.</p><p>Em situação normal de serviço operacional, antes de sair para o turno</p><p>de trabalho, o policial que estiver portando a PT 24/7 deverá municiar,</p><p>alimentar, carregar e travar a arma, mantendo-a no coldre.</p><p>Durante os deslocamentos e nas operações, a arma deverá estar travada</p><p>e o cano apontado para baixo.</p><p>Por questões de segurança, considerar a arma sempre em condições de</p><p>disparo, ou seja, nunca tratá-la, com displicência ou imprudência.</p><p>As ações de saque da arma e a troca de carregadores serão</p><p>exaustivamente treinadas pelo policial, para que sejam executadas de</p><p>maneira automática e correta.</p><p>12.11 Condução da arma</p><p>O policial deverá conduzir a arma no coldre próprio para pistolas,</p><p>obedecidos os padrões PM, presa pelo cordão regulamentar. Atenção</p><p>280</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>especial deverá ser dispensada à presilha do coldre, que deverá fixar</p><p>firmemente a arma.</p><p>Quando o policial tiver que conduzir a arma em uma das mãos, no interior</p><p>dos quartéis ou nos estandes, deverá deixá-la aberta, descarregada e</p><p>sem o carregador, segurando-a firmemente pelo guarda-mato com os</p><p>dedos indicador, médio e polegar da mão esquerda.</p><p>12.12 Incidentes de tiro e defeitos</p><p>O quadro 17 apresenta a relação de incidentes e defeitos possíveis com</p><p>as pistolas Taurus (PT): 24/7 (DAO, PRO e PRO DS) e 640 (DAO e PRO),</p><p>suas causas e medidas corretivas. A maioria depende de recolhimento</p><p>da arma.</p><p>No coldre, a arma deverá ser conduzida:</p><p>- 24/7 DAO: alimentada e carregada</p><p>- 24/7 PRO: alimentada, carregada e travada</p><p>- 24/7 PRO DS: alimentada, carregada, percussor</p><p>desarmado</p><p>281</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>QUADRO 17</p><p>INCIDENTES E DEFEITOS COM AS PISTOLAS TAURUS 24/7 E 640, DAO,</p><p>PRO E PRO DS CAUSAS E MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>INCIDENTE CAUSAS MEDIDAS CORRETIVAS</p><p>Falha na</p><p>alimentação</p><p>1) Carregador sujo;</p><p>2) Corpo do carregador com</p><p>mossas ou deformado;</p><p>3) Retém do carregador gasto</p><p>ou quebrado (o carregador não</p><p>se prende ao seu alojamento no</p><p>punho);</p><p>4) Mola do retém do carregador</p><p>fraca ou defeituosa.</p><p>1) Limpar o carregador;</p><p>2) Recuperar ou trocar o</p><p>corpo do carregador;</p><p>3) Substituir o retém do</p><p>carregador;</p><p>4) Substituir a mola do</p><p>retém do carregador.</p><p>Falha na</p><p>apresentação</p><p>do cartucho</p><p>1) Mola do carregador fraca ou</p><p>defeituosa;</p><p>2) Transportador defeituoso,</p><p>desgastado, amassado ou quebrado;</p><p>3) Abas do carregador baixas ou</p><p>deformadas.</p><p>1) Substituir a mola do</p><p>carregador;</p><p>2) Substituir o</p><p>transportador;</p><p>3) Recuperar ou substituir</p><p>o corpo do carregador.</p><p>Falha no</p><p>carregamento</p><p>(arma não</p><p>fecha ou</p><p>tranca em sua</p><p>totalidade)</p><p>1) Mossas, sujidades ou corpo</p><p>estranho na câmara;</p><p>2) Munição suja ou defeituosa;</p><p>3) Mola recuperadora fraca,</p><p>defeituosa ou inadequada;</p><p>4) Abas do carregador defeituosas;</p><p>5) Armação e ferrolho sujos ou sem</p><p>lubrificação.</p><p>1) Eliminar as mossas;</p><p>limpar, lubrificar e secar a</p><p>câmara; remover corpos</p><p>estranhos;</p><p>2) Limpar ou substituir a</p><p>munição;</p><p>3) Substituir a mola</p><p>recuperadora;</p><p>4) Substituir o corpo do</p><p>carregador;</p><p>5) Limpar e lubrificar a arma.</p><p>Falha na ejeção</p><p>1) Ejetor gasto ou quebrado;</p><p>2) Arma com problema de</p><p>extração.</p><p>1) Substituir o ejetor;</p><p>2) Vide correções abaixo.</p><p>Falha na</p><p>extração</p><p>1) Extrator gasto ou quebrado;</p><p>2) Ausência da mola do extrator ou,</p><p>estando presente, é fraca ou defeituosa;</p><p>3) Munição em uma ou mais das</p><p>seguintes condições:</p><p>a) velha ou suja; b) com culote</p><p>defeituoso; c) com propelente ou</p><p>iniciador contaminados;</p><p>4) Câmara suja ou com mossas;</p><p>5) Carregadores sujos.</p><p>1) Substituir o extrator;</p><p>2) Colocar ou substituir a</p><p>mola do extrator;</p><p>3) Substituir a munição;</p><p>4) Limpar a câmara e/ou</p><p>remover as mossas;</p><p>5) Limpar os</p><p>carregadores.</p><p>(continua)</p><p>282</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Nega e falha de</p><p>percussão</p><p>1) Munição não está na câmara</p><p>(pane seca);</p><p>2) Percussor quebrado ou com</p><p>a ponta gasta (não há marca de</p><p>percussão na espoleta ou esta é</p><p>muito fraca);</p><p>3) Munição defeituosa (há marca de</p><p>percussão eficiente na espoleta);</p><p>4) Dente de engatilhamento do</p><p>percussor gasto ou quebrado;</p><p>5) Ressalto de engatilhamento do</p><p>tirante do gatilho gasto, quebrado</p><p>ou amassado.</p><p>1) Inserir totalmente o</p><p>carregador e manobrar o</p><p>ferrolho;</p><p>2) Substituir o percussor;</p><p>3) Substituir a munição;</p><p>4) Substituir o percussor;</p><p>5) Ajustar o ressalto</p><p>de engatilhamento ou</p><p>substituir o tirante do</p><p>gatilho.</p><p>Arma não</p><p>engatilha para</p><p>ação dupla</p><p>1) Ressalto posterior do tirante do</p><p>gatilho, amassado, desgastado ou</p><p>quebrado;</p><p>2) Ressalto de engatilhamento</p><p>do percussor desgastado ou</p><p>quebrado.</p><p>3) Conjunto do gatilho quebrado.</p><p>1) Desamassar o ressalto</p><p>posterior ou substituir o</p><p>conjunto do tirante do</p><p>gatilho;</p><p>2) Substituir o percussor;</p><p>3) Substituir o conjunto</p><p>do gatilho.</p><p>Arma não</p><p>desengatilha</p><p>durante</p><p>ação</p><p>dupla</p><p>1) Ressalto posterior do tirante do</p><p>gatilho amassado ou quebrado.</p><p>2) Mola do percussor fraca,</p><p>defeituosa ou inadequada.</p><p>1) Ajustar o ressalto do</p><p>tirante do gatilho ou</p><p>substituir a peça;</p><p>2) Substituir a mola do</p><p>percussor.</p><p>Arma não</p><p>engatilha para</p><p>ação simples</p><p>1) Armadilha quebrada;</p><p>2) Mola da armadilha ausente ou</p><p>danificada;</p><p>3) Ressalto de engatilhamento</p><p>do percussor desgastado ou</p><p>quebrado;</p><p>4) Sistema de desconexão da</p><p>armadilha defeituoso ou com</p><p>peças quebradas.</p><p>1) Substituir a armadilha;</p><p>2) Colocar ou substituir a</p><p>mola da armadilha;</p><p>3) Substituir o percussor;</p><p>4) Identificar o problema</p><p>e substituir as peças</p><p>defeituosas.</p><p>QUADRO 17</p><p>INCIDENTES E DEFEITOS COM AS PISTOLAS TAURUS 24/7 E 640, DAO,</p><p>PRO E PRO DS CAUSAS E MEDIDAS CORRETIVAS (conclusão)</p><p>CAPÍTULO 13</p><p>PISTOLAS EM POLÍMERO</p><p>- PISTOLA TAURUS PT 640</p><p>285</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>13 PISTOLAS EM POLÍMERO – PISTOLA TAURUS PT 640</p><p>A PT 640 tem armação e punho produzidos em polímero. Projetada com</p><p>menores dimensões do que as encontradas na 24/7 (tamanho, peso</p><p>e capacidade de alimentação), trata-se de uma opção para policiais</p><p>militares que trabalham à paisana e precisam ter sua arma dissimulada.</p><p>Na versão 640 Double Action Only (DAO) funciona apenas na ação dupla.</p><p>Já na versão 640 Professional (PRO) funciona em ação simples, mas</p><p>possui uma opção em ação dupla, diante da ocorrência de uma nega ou</p><p>falha na percussão. Mas somente nesses casos. Para que o disparo possa</p><p>ocorrer em ação dupla, uma nega é requerida. A 640 PRO não possui</p><p>desarmador para que o primeiro disparo seja feito na ação dupla, ação</p><p>esta que é somente suplementar para tentar solucionar negas ou falhas</p><p>de percussão sem remanejar a arma (Figura 102 e 103).</p><p>AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO, APLIQUE SEMPRE</p><p>ESTAS DUAS REGRAS DE SEGURANÇA</p><p>a) DEDO FORA DO GATILHO: mantenha o dedo SEMPRE</p><p>fora do gatilho, até que o disparo seja necessário.</p><p>b) CONTROLE DO CANO: mantenha o cano de sua arma</p><p>SEMPRE voltado para uma direção segura.</p><p>286</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 102 – Pistola Taurus PT 640 (DAO)</p><p>FIGURA 103 – PT 640 DAO, aberta e sem o carregador.</p><p>287</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>13.1 Características</p><p>A PT 640 é idêntica à PT 24/7 no que se refere ao seu mecanismo de</p><p>funcionamento. Algumas poucas diferenças serão observadas. O quadro</p><p>18 detalha as características desta pistola.</p><p>QUADRO 18</p><p>CARACTERÍSTICAS DA PT 640</p><p>ITEM DESCRIÇÃO</p><p>1 Designação</p><p>1.1 Nomenclatura: PT– Taurus calibre .40 S&W Modelo PT 640.</p><p>1.2 Indicativo militar: PT Taurus calibre .40 Mod 640.</p><p>2. Classificação</p><p>1.3 Quanto ao tipo: porte.</p><p>1.4 Quanto ao emprego: individual.</p><p>1.5 Quanto à alma do cano: raiada, 6 raias, à direita.</p><p>1.6 Quanto ao sistema de carregamento: retrocarga.</p><p>1.7 Quanto ao sistema de inflamação: percussão intrínseca,</p><p>central indireta.</p><p>1.8 Quanto à alimentação: carregador metálico, tipo cofre, com</p><p>capacidade para 11 cartuchos.</p><p>1.9 Quanto ao sentido de alimentação: de baixo para cima.</p><p>1.10 Quanto ao funcionamento: semi-automático.</p><p>1.11 Quanto ao princípio de funcionamento: ação direta dos</p><p>gases sobre o ferrolho.</p><p>1.12 Quanto ao tipo: porte.</p><p>3 Aparelho de</p><p>pontaria Massa e alça metálicas e fixas, com sistema de 3 pontos.</p><p>4 Dados</p><p>numéricos</p><p>4.1 Calibre: 40 S&W.</p><p>4.2 Peso: 680 g.</p><p>4.3 Comprimento da arma:156 mm.</p><p>4.4 Comprimento do cano: 83 mm.</p><p>4.5 Velocidade teórica de tiro: 300 tiros por minuto.</p><p>4.6 Velocidade prática de tiro: habilidade do atirador.</p><p>4.7 Alcance máximo: 1000 metros.</p><p>4.8 Alcance útil: 250 metros.</p><p>4.9 Alcance com precisão (utilização): 20 metros.</p><p>4.10 Alcance prático: 20 metros.</p><p>4.11 Velocidade inicial do projétil: 260 metros/s.</p><p>4.12 Acabamento exterior: Teniferizado.</p><p>288</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>13.2 Munições utilizadas pela PMMG</p><p>O modelo PT 640, utiliza o calibre .40 S&W. Os tipos de munições a serem</p><p>utilizadas são os mesmos previstos para as PT 100 e 24/7, descritas</p><p>anteriormente neste Manual.</p><p>13.3 Funcionamento</p><p>O mecanismo da PT 640 funciona de forma semelhante ao da PT 24/7.</p><p>Estando a arma engatilhada, acionado o gatilho, após o impacto do</p><p>percussor na espoleta, caso esta não deflagre, todo o mecanismo da arma</p><p>passa a operar na ação dupla com um arrasto (percurso de deslocamento)</p><p>maior do gatilho. Assim não será necessário efetuar golpe de segurança</p><p>para retirar o cartucho que não deflagrou, nem tampouco engatilhar a</p><p>arma, bastando acionar o gatilho novamente, assim como se faz no revólver.</p><p>Se ocorrer problemas durante a ação policial real, é ideal que o policial</p><p>se abrigue e efetue o manejo do ferrolho para extrair e ejetar o cartucho</p><p>não deflagrado, bem como introduzir uma nova munição no gatilho.</p><p>Tal ação é recomendável, pelo fato de não se saber ou conhecer o</p><p>problema da munição ou do próprio mecanismo, sendo que o novo</p><p>carregamento é a opção mais segura.</p><p>Quanto ao funcionamento do mecanismo da arma nos momentos do</p><p>disparo, da extração, da ejeção e do carregamento, para as PT 640, são</p><p>as mesmas das PT 24/7.</p><p>13.4 Dispositivos de segurança</p><p>A arma possui 3 mecanismos de segurança e um mecanismo auxiliar de</p><p>segurança, quais sejam:</p><p>a) trava do percussor: mecanismo que bloqueia,</p><p>permanentemente, o deslocamento do percussor à frente e impede</p><p>disparos não desejados, caso ocorra a queda da arma. Essa trava</p><p>somente é liberada no estágio final do ACIONAMENTO DO GATILHO,</p><p>quando libera o deslocamento do percussor;</p><p>b) trava do gatilho: trava que bloqueia o tirante do gatilho e</p><p>impede o movimento à retaguarda, o que poderia causar acidentes em</p><p>uma queda. A liberação somente ocorre quando o gatilho é acionado</p><p>intencionalmente;</p><p>289</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>c) trava manual externa (registro de segurança): assim como</p><p>nas PT 24/7, o mecanismo só está presente no modelo PT 640 PRO. Na</p><p>versão 640 DAO, mais simples, o mecanismo é opcional;</p><p>– ao ser acionado para cima, o registro de segurança trava</p><p>os componentes responsáveis pelo funcionamento do mecanismo de</p><p>disparo. A arma poderá permanecer assim, se não estiver em uso;</p><p>d) indicador de cartucho na câmara: dispositivo que fica</p><p>localizado na lateral direita do ferrolho, atrás da janela de ejeção.</p><p>Quando um cartucho está alojado na câmara, a extremidade fica saliente</p><p>e permite visualizar uma marca vermelha. Em ambientes de baixa</p><p>luminosidade é possível identificá-lo por meio de toque. O indicador</p><p>de cartucho na câmara não deve ser considerado, isoladamente, um</p><p>mecanismo de segurança, por não interferir diretamente no processo de</p><p>disparo. Por indicar a presença de munição na câmara será considerado</p><p>apenas um mecanismo auxiliar de segurança.</p><p>13.5 Inspeção preliminar</p><p>a) aspectos gerais: observar os mesmos quesitos elencados</p><p>para a PT 92AF e PT100;</p><p>b) aspectos de funcionamento:</p><p>– efetuar manejos no ferrolho para verificar o seu perfeito</p><p>deslizamento;</p><p>– verificar o funcionamento do retém do ferrolho com a arma</p><p>sem carregador e com o carregador vazio;</p><p>– verificar a integridade do percussor da arma;</p><p>c) aspectos de segurança: verificar o funcionamento do</p><p>registro de segurança (trava manual externa).</p><p>13.6 Manejo</p><p>As ações básicas e operacionais de manejo para as PT 640, são as mesmas</p><p>das PT 24/7.</p><p>290</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>13.7 Desmontagem</p><p>A desmontagem da arma pelo usuário deve se restringir aos itens abaixo:</p><p>a) retirar o carregador, pressionando o botão do retém;</p><p>b) puxar o ferrolho até o final do curso para certificar de que</p><p>não há munição na câmara e empurrar a tecla de retém do ferrolho para</p><p>cima, conforme demonstrado na Figura 104;</p><p>c) com o polegar esquerdo, girar a alavanca de desmontagem</p><p>do ferrolho no sentido horário até que pare;</p><p>d) com a mão esquerda, puxar a alavanca de desmontagem</p><p>para fora da armação. Uma forma alternativa é liberar o ferrolho,</p><p>acionando o retém, e puxar aquele para trás, o movimento liberará a</p><p>alavanca de desmontagem;</p><p>FIGURA 104 – Pistola Taurus PT 640 aberta com ferrolho retido pelo retém, vista pelo</p><p>lado esquerdo. Note a</p><p>64</p><p>4.2.1 Quanto ao tipo ............................................................................................... 64</p><p>4.2.2 Quanto ao emprego .................................................................................... 64</p><p>4.2.3 Quanto à alma do cano .............................................................................. 65</p><p>4.2.4 Quanto ao sistema de carregamento .................................................... 65</p><p>4.2.5 Quanto ao sistema de inflamação (ignição) ........................................ 68</p><p>4.2.6 Quanto à refrigeração ou meio de arrefecimento ............................ 69</p><p>4.2.7 Quanto à alimentação ................................................................................. 69</p><p>4.2.8 Quanto ao sentido de alimentação ........................................................ 70</p><p>4.2.9 Quanto ao funcionamento ........................................................................ 70</p><p>4.2.10 Quanto ao princípio de funcionamento ............................................ 75</p><p>5 SISTEMAS DE FUNCIONAMENTO DAS ARMAS DE FOGO ............... 81</p><p>5.1 Pelo princípio da ação muscular do operador ou atirador (armas de</p><p>tiro singular e de repetição) ................................................................................ 81</p><p>5.2 Pelo princípio da ação dos gases ............................................................... 89</p><p>5.2.1 Ação direta dos gases sobre o ferrolho (blowback) ......................... 89</p><p>5.2.2 Ação indireta dos gases com tomada em um ponto do cano ...... 90</p><p>5.2.3 Recuo do cano ............................................................................................... 91</p><p>6 BALÍSTICA ............................................................................................................. 95</p><p>6.1 Conceito de balística ....................................................................................... 95</p><p>6.2 O processo do disparo .................................................................................... 95</p><p>6.2.1 Conceitos no processo de disparo .......................................................... 95</p><p>6.3 Balística interior ................................................................................................ 96</p><p>6.4 Balística exterior..............................................................................................100</p><p>6.4.1 Forças que atuam sobre o projétil ........................................................101</p><p>6.4.2 Desenvolvimento de projéteis ...............................................................102</p><p>6.4.3 Elementos da trajetória ............................................................................104</p><p>6.4.4 Alcances dos projéteis ..............................................................................105</p><p>6.5 Balística dos ferimentos ...............................................................................108</p><p>6.5.1 Efetividade balística ...................................................................................109</p><p>7 MUNIÇÕES ..........................................................................................................121</p><p>7.1 Padrões para identificação de munições carregadas a bala – calibre</p><p>nominal .....................................................................................................................121</p><p>7.2 Padrão para denominação de calibres para armas de alma lisa ...123</p><p>7.3 Tipos de munição ...........................................................................................126</p><p>7.4 Elementos componentes de um cartucho carregado a bala .........127</p><p>7.4.1 Estojo ...............................................................................................................128</p><p>7.4.2 Espoletas ........................................................................................................131</p><p>7.4.3 Propelente (carga de projeção) .............................................................133</p><p>7.4.4 Projétil .............................................................................................................133</p><p>7.5 Munições para armas com cano de alma lisa (espingardas) ..........143</p><p>7.5.1 Emprego .........................................................................................................143</p><p>7.5.2 Componentes do cartucho para armas de alma lisa .....................144</p><p>7.5.3 Câmaras ..........................................................................................................146</p><p>7.5.4 Estrangulamento (choke).........................................................................146</p><p>7.6 Munições de defesa .......................................................................................149</p><p>7.6.1 Calibres de baixa efetividade..................................................................149</p><p>7.6.2 Calibres de média efetividade: .38 SPL, .38 SPL +P e SPL +P+ ....150</p><p>7.6.3 Calibres de boa efetividade .....................................................................151</p><p>7.6.4 Calibres de alta efetividade .....................................................................153</p><p>8 REVÓLVER TAURUS CALIBRE .38 ............................................................159</p><p>9 PISTOLAS SEMI-AUTOMÁTICAS TAURUS – PT: 92 AF e PT 100 ...189</p><p>10 PISTOLA SEMI-AUTOMÁTICA IMBEL 9 MM GC MD1 .....................223</p><p>11 PISTOLAS SEMI-AUTOMÁTICAS IMBEL .40 GC MD5 .....................255</p><p>12 PISTOLAS EM POLÍMERO – TAURUS PT 24/7 ....................................269</p><p>13 PISTOLAS EM POLÍMERO – TAURUS PT 640 .....................................285</p><p>14 SUBMETRALHADORAS 9mm BERETTA MT 12 e TAURUS MT12A ......297</p><p>15 METRALHADORA DE MÃO TAURUS FAMAE MT.40 .......................323</p><p>16 CARABINA TAURUS /FAMAE CT .40 .....................................................347</p><p>17 CARABINA PUMA CALIBRE .38 ...............................................................361</p><p>18 ESPINGARDA CBC CALIBRE 12 586.P e 586.2 .................................381</p><p>19 OUTRAS ARMAS CALIBRE 12 ...................................................................401</p><p>20 FUZIL CALIBRE 7.62 IMBEL A1 MD3 ....................................................409</p><p>21 FUZIL 5,56 IMBEL MD2 A1 .......................................................................437</p><p>22 CARABINA 5,56 IMBEL MD 97 LC ..........................................................445</p><p>23 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO BALÍSTICA DA POLÍCIA MILITAR</p><p>DE MINAS GERAIS ...............................................................................................465</p><p>24 GLOSSÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS .....................................................485</p><p>25 REFERÊNCIAS ..................................................................................................503</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>27</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Os policiais têm seu ofício, em parte, assemelhado ao de um artesão, no</p><p>qual um percentual menor do seu trabalho concentra-se na ferramenta</p><p>e outro percentual maior na habilidade do artífice. Sem a ferramenta, de</p><p>nada adiantaria o operador para determinado trabalho, e sem este e sua</p><p>habilidade, a ferramenta se torna obsoleta.</p><p>As armas e as munições estão, para os policiais, assim como os</p><p>instrumentos cirúrgicos estão para o cirurgião, ou como a geometria</p><p>para um arquiteto. O profissional deve saber empregar corretamente</p><p>sua ferramenta de trabalho, conhecer sua constituição, seu potencial e o</p><p>quanto pode dela exigir para usufruir de sua habilidade com efetividade.</p><p>Com vistas a propiciar o devido preparo profissional, o objetivo deste</p><p>Manual é apresentar um referencial teórico-metodológico sobre os</p><p>diversos tipos de armamentos e munições existentes para subsidiar</p><p>a pesquisa, bem como a prática docente e operacional dos policiais</p><p>militares. Para tanto, discorre sobre a história das munições e das armas,</p><p>aborda as características gerais e os aspectos técnicos sobre o manejo,</p><p>a montagem, a desmontagem, o funcionamento, as regulagens,</p><p>alavanca de desmontagem, o retém do ferrolho e a tecla de</p><p>segurança.</p><p>e) cuidadosamente, pressionar para baixo o retém do ferrolho</p><p>e deslizar o ferrolho para frente, sob controle;</p><p>291</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>f ) puxar o gatilho, mantendo-o acionado;</p><p>g) empurrar o ferrolho um pouco para frente até ouvir um</p><p>“click”. Nesse momento, solte o gatilho e empurre o ferrolho totalmente</p><p>para frente até sair da armação;</p><p>h) retirar o conjunto mola recuperadora de sua posição na</p><p>parte inferior do cano;</p><p>i) remover o cano do ferrolho puxando-o para frente e para</p><p>cima.</p><p>13.8 Montagem</p><p>A montagem da PT 640 consiste no processo inverso ao do procedimento</p><p>de desmontagem, observando os seguintes detalhes:</p><p>a) encaixe o cano no ferrolho, empurrando-o para trás;</p><p>b) insira a extremidade do conjunto mola recuperadora no</p><p>alojamento do ferrolho, comprimindo a mola levemente, para colocá-la</p><p>na posição;</p><p>ATENÇÃO</p><p>– Não se recomenda a desmontagem além dos níveis</p><p>acima, a menos que seja feita por um armeiro habilitado</p><p>ou experiente</p><p>– Se o ferrolho emperrar na armação, certificar-se de</p><p>que a câmara esteja vazia e puxe firmemente o gatilho</p><p>completamente para trás, deslizando o ferrolho para</p><p>frente, para fora da armação</p><p>– Se o ferrolho não se mover, em virtude do cano</p><p>permanecer atrás e deslocado para cima, certifique-se</p><p>de que a câmara está vazia e empurre a boca do cano</p><p>contra a palma de uma mão, enquanto empurra o</p><p>ferrolho para frente com a outra</p><p>292</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>c) o ferrolho deve ser montado na armação, sendo totalmente</p><p>empurrado para trás;</p><p>d) o retém do ferrolho deve ser movimentado para cima, o que</p><p>manterá o ferrolho na parte de trás (arma aberta);</p><p>e) para instalar a alavanca de desmontagem, esta deverá ser</p><p>inserida na armação com a tecla apontada para trás (posição horizontal);</p><p>dessa forma, insira a alavanca no momento em que o ferrolho estiver</p><p>em posição, para alinhar o cano com o orifício de encaixe da alavanca,</p><p>devendo ser empurrada suavemente para dentro. Um “click” indicará</p><p>que a alavanca de desmontagem está devidamente montada;</p><p>f ) pressione o retém do ferrolho para baixo, para que o ferrolho</p><p>seja liberado e deslize para frente;</p><p>g) maneje o ferrolho diversas vezes, sem o carregador na arma</p><p>e nenhum cartucho na câmara, de forma a garantir que a relação cano/</p><p>ferrolho/armação esteja correta.</p><p>13.9 Emprego operacional</p><p>Pelo seu reduzido tamanho e peso, que lhe proporcionam fácil</p><p>portabilidade e dissimulação, bem como uma boa capacidade de</p><p>armazenamento de munição (11 cartuchos no carregador + 1 na câmara),</p><p>a PT 640 é uma arma bem adaptada para o emprego nas atividades de</p><p>inteligência e segurança de dignitários.</p><p>Os cuidados para a utilização são os mesmos descritos para as PT 24/7,</p><p>92AF, 100, MD1 e GC MD5.</p><p>13.10 Condução da arma</p><p>O policial deverá conduzir a arma em coldre próprio para o modelo.</p><p>Atenção especial deverá ser dispensada à presilha do coldre, que deverá</p><p>fixar firmemente a arma.</p><p>293</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>Quando o policial tiver que conduzir a pistola em uma das mãos, no</p><p>interior dos quartéis ou nos estandes, deve sempre deixá-la aberta,</p><p>descarregada e sem o carregador, segurando-a firmemente pelo guarda-</p><p>mato com os dedos indicador, médio e polegar da mão esquerda .</p><p>13.11 Incidentes de tiro defeitos</p><p>A relação de defeitos e incidentes é a mesma utilizada para a pistola</p><p>Taurus 24/7.</p><p>No coldre, a arma deverá ser conduzida:</p><p>- 640 DAO: alimentada e carregada</p><p>- 640 PRO: alimentada, carregada e travada</p><p>CAPÍTULO 14</p><p>SUBMETRALHADORAS</p><p>9 MM BERETTA M972 E</p><p>TAURUS MT12/MT12A</p><p>297</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>14 SUBMETRALHADORAS 9 MM BERETTA M972 E TAURUS</p><p>MT12/MT12A</p><p>Após a Segunda Guerra Mundial, a divisão do mundo em dois blocos</p><p>(o Capitalista e o Socialista), criou a oportunidade para que uma série</p><p>de ações insidiosas de pequena intensidade viessem a fazer parte da</p><p>realidade do mundo moderno. Estas ações, conhecidas pelo nome de</p><p>guerrilhas, exigiram o surgimento de uma arma intermediária entre a</p><p>pistola semi-automática e o fuzil de assalto, e que possuísse um seletor</p><p>de tiro. Estas armas foram chamadas de submetralhadoras.</p><p>A primeira arma que, notadamente, foi reconhecida como</p><p>submetralhadora com ferrolho telescópico foi a tcheca VZ-25,</p><p>desenvolvida por Vaclav Holek, em 1949, que não muito depois, em</p><p>1951, foi superada pela israelita UZI das indústrias IMI.</p><p>No Brasil, oficialmente, as submetralhadoras foram adotadas seguindo</p><p>uma característica norte americana do uso do calibre .45, com a</p><p>metralhadora INA adotada pelo Exército em 1961, que logo após foram</p><p>difundidas para as corporações policiais. Em 1975, chegou ao país o</p><p>modelo PM 12, de fabricação italiana, pela Beretta. Adquirido pelo</p><p>Exército Brasileiro, que passou a denominá-las Mtr 9 M972, passou a</p><p>ser difundidoentre as forças policiais. Posteriormente, a Taurus adquiriu</p><p>a patente para a fabricação do modelo com a denominação de MT12,</p><p>acrescentando-Ihe pequenas modificações.</p><p>Na PMMG, ainda estão em uso os modelos M972, MT12 e seu</p><p>aperfeiçoamento, a MT12A, cujas diferenças podem ser vistas nas figuras</p><p>105 e 106.</p><p>AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO, APLIQUE SEMPRE</p><p>ESTAS DUAS REGRAS DE SEGURANÇA</p><p>a) DEDO FORA DO GATILHO: mantenha o dedo</p><p>SEMPRE fora do gatilho, até que o disparo seja</p><p>necessário.</p><p>b) CONTROLE DO CANO: mantenha o cano de sua</p><p>arma SEMPRE voltado para uma direção segura.</p><p>298</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>FIGURA 105 – Submetralhadora Beretta 9 M972 (Taurus MT12)</p><p>FIGURA 106 – Submetralhadora 9 mm Taurus MT12A.</p><p>14.1 Características</p><p>As características da SMtr 9 mm Taurus MT12A constam do quadro 19.</p><p>299</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>QUADRO 19</p><p>CARACTERÍSTICAS DA SUBMETRALHADORA 9 MM TAURUS MT12A</p><p>ITEM DESCRIÇÃO</p><p>1. Designação</p><p>1.1 Nomenclatura: submetralhadora Taurus calibre 9 mm</p><p>modelo MT12A.</p><p>1.2 Indicativo militar: SMtr Taurus calibre 9 mm modelo MT12A.</p><p>2. Classificação</p><p>2.1 Quanto ao tipo: portátil.</p><p>2.2 Quanto ao emprego: individual.</p><p>2.3 Quanto à alma do cano: raiada, 6 raias, à direita.</p><p>2.4 Quanto ao sistema de carregamento: retrocarga.</p><p>2.5 Quanto ao sistema de inflamação: percussão intrínseca,</p><p>central e direita (percussor acoplado ao ferrolho).</p><p>2.6 Quanto à alimentação: carregador metálico, tipo cofre, com</p><p>capacidade para 30 ou 40 cartuchos.</p><p>2.7 Quanto ao sentido de alimentação: de baixo para cima.</p><p>2.8 Quanto ao funcionamento: automático.</p><p>2.9 Quanto ao princípio de funcionamento: ação direta dos</p><p>gases.</p><p>2.10 Quanto ao tipo: portátil.</p><p>3. Aparelho de</p><p>pontaria</p><p>3.1 Alça de mira: tipo visor basculante, graduado para 100 e 200</p><p>metros, com proteção lateral, regulável em direção.</p><p>3.2 Massa de mira: tipo ponto, com proteção total, regulável em</p><p>altura.</p><p>4. Dados</p><p>numéricos</p><p>4.1 Calibre: 9 mm “Parabellum” ou “Luger” (9 mm x 19 mm</p><p>NATO).</p><p>4.2 Peso: 4.000 kg.</p><p>4.3 Comprimento da arma:</p><p>a) Coronha aberta: 66,0 cm.</p><p>b) Coronha rebatida: 41,8 cm.</p><p>4.4 Velocidade teórica de tiro: 550 tiros por minuto.</p><p>4.5 Velocidade prática de tiro: 160 tiros por minuto.</p><p>4.6 Alcance máximo: 1.500 metros.</p><p>4.7 Alcance útil: 450 metros.</p><p>4.8 Alcance com precisão (utilização): 100 metros.</p><p>4.9 Alcance prático: 10 m (rajada) e 30 m (intermitente).</p><p>4.10 Velocidade inicial do projétil: 410 metros/s.</p><p>300</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>14.2 Munições utilizadas pela PMMG</p><p>A submetralhadora utiliza a munição 9 mm x 19 mm “Parabellum” (para</p><p>guerra), também conhecida por NATO (Organização do Tratado Atlântico</p><p>Norte) ou Luger 65. É um cartucho de grande poder de penetração, sendo</p><p>seu projétil encamisado, com velocidade inicial considerada média, de</p><p>formato ogival com base plana. O estojo é cônico, com aro e espoleta</p><p>central. Seu peso é de 8,03 g, o que Ihe dá, a 4,6 metros do cano, uma</p><p>energia de 59 kg.</p><p>a) munição de manejo: montada com componentes inertes</p><p>ou usinada em latão.</p><p>b) munição para treinamento e práticas esportivas:</p><p>– calibre 9 mm: recarregada pelo CMB, com projétil ogival,</p><p>totalmente jaquetado,</p><p>a</p><p>manutenção, a solução de incidentes, o uso e o emprego das armas.</p><p>Espera-se que o interesse de cada policial militar não se esgote nestas</p><p>páginas, mas que cada um se dedique ao máximo pela busca e pelo</p><p>aperfeiçoamento do saber, em prol de uma prática segura para si e para</p><p>os demais envolvidos nas situações policiais cotidianas, a quem deve</p><p>SERVIR e PROTEG0ER.</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>HISTÓRICO DAS ARMAS</p><p>E MUNIÇÕES</p><p>31</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>2 HISTÓRICO DAS ARMAS E MUNIÇÕES</p><p>São apresentadas, neste capítulo, informações históricas sobre a origem</p><p>e a evolução das armas de fogo e respectivas munições, como forma de</p><p>contextualizar e enriquecer o conteúdo sobre armamento convencional,</p><p>desde a utilização do fogo grego, passando pela descoberta da pólvora,</p><p>até a invenção das primeiras armas de fogo, objeto central deste manual.</p><p>2.1 Combustíveis para as armas</p><p>Armas incendiárias de diversos tipos já vinham sendo utilizadas nas guerras</p><p>muito antes do tempo de Heródoto (485 a.C. e 430 a.C.), mas não eram</p><p>muito eficazes. Todavia, uma dessas armas mereceu destaque em razão de</p><p>sua capacidade de provocar destruição e promover o terror: o “fogo grego”.</p><p>2.1.1 O “fogo grego”</p><p>O fogo grego não era um engenho que possuía a finalidade de</p><p>arremessar projéteis. Era uma espécie de lança-chamas (do qual pode</p><p>ser considerado um de seus precursores), utilizado na guerra naval.</p><p>Instalada em navios de guerra bizantinos, era constituído por um sifão</p><p>que tinha a função de lançar um composto flamejante contra navios de</p><p>madeira, alvos de fácil combustão (Figura 1).</p><p>FIGURA 1 – Combate naval entre bizantinos e muçulmanos com utilização do “fogo grego”.1</p><p>1 Disponível em http://www.greece.org/Romiosini/greek_fire.html. Acessado em 09 Mar. 2010.</p><p>32</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>A capacidade de manter-se queimando por longos períodos, inclusive</p><p>na água, era a principal característica do “fogo grego” e colocou o</p><p>império bizantino em vantagem no combate naval da época (Figura 1).</p><p>Sem certeza histórica, sugere-se ter sido inventada por Callinicus</p><p>ou Kallenillos, um certo refugiado da cidade libanesa de Baalbeck, e</p><p>apresentada por ele aos bizantinos, aproximadamente entre 668 e 673</p><p>d.C. Essa última data coincide com o início dos ataques árabes contra</p><p>Constantinopla2.</p><p>A repercussão de sua introdução no combate é das maiores da história.</p><p>Tanto árabes quanto romanos afirmavam que ela superava todas as</p><p>armas incendiárias da época, em poder e capacidade de provocar terror.</p><p>O segredo por trás do “fogo grego” foi transmitido de um imperador</p><p>para outro durante séculos, mas se perdeu com o passar dos anos.</p><p>Algumas possibilidades sobre a sua composição incluem produtos</p><p>químicos, como petróleo líquido, nafta, breu, resina de enxofre, betume,</p><p>cal e outros ingredientes desconhecidos, mas, a composição exata, no</p><p>entanto, permanece desconhecida.</p><p>2.1.2 A pólvora</p><p>Muitas informações sobre a origem da pólvora têm sido divulgadas, em</p><p>sua maioria, por meio de relatos lendários ou de procedência duvidosa.</p><p>Historicamente, os monges franciscanos Berthold Schwartz e Roger</p><p>Bacon3, que viveram em locais e épocas distintas, entre os séculos XIII e</p><p>XIV, são tidos como os descobridores da pólvora.</p><p>Os chineses também são considerados, por alguns autores, como seus</p><p>inventores (JOURNAL OF INDUSTRIAL & ENGINEERING CHEMISTRY, 1934).</p><p>Segundo alguns relatos, talvez os árabes já conhecessem a fórmula da</p><p>pólvora antes dos ocidentais, pois se acredita que essa teria surgido na</p><p>Europa Oriental entre os séculos XIII e XIV d.C., período relativamente</p><p>próximo à tomada de Constantinopla pelos turcos.</p><p>Quando creditada a alquimistas chineses, a descoberta da pólvora</p><p>remonta ao século IX d.C, aparentemente de forma acidental, quando da</p><p>busca de um intangível “elixir da longa vida”. Textos chineses antigos</p><p>2 Fonte: http://www.supletivo.com.br/materias/historia/historia_nova/aula bizantina. Acessado</p><p>em 09 Mar. 2010</p><p>3 Roger Bacon (1214-1294) era inglês e Berthold Schwartz, alemão.</p><p>33</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>revelam as primeiras referências ao composto. Antes do período em que</p><p>a pólvora é tida como oficialmente descoberta, há citações históricas de</p><p>que os chineses já a usavam em fogos de artifício e canhões militares.</p><p>Mesmo com todas essas dúvidas, o certo é que a substância</p><p>descoberta deu nova dimensão às guerras, por haver permitido notável</p><p>desenvolvimento das armas de fogo, tanto leves, quanto pesadas4.</p><p>As primeiras pólvoras se constituíam de uma mistura mecânica</p><p>(composto físico) de salitre, carvão de madeira e enxofre. No século XV,</p><p>a fórmula comum da pólvora era de 22 partes de salitre, 4 de carvão de</p><p>madeira e 5 de enxofre. No século XVlII a pólvora negra surgiu como</p><p>uma pólvora mais eficiente (embora consistisse também da mesma</p><p>fórmula anterior) e mantinha os inconvenientes de queimar, produzindo</p><p>excessiva quantidade de fumaça branca, e de deixar resíduos de enxofre</p><p>no cano. Esse enxofre se transformava em ácido sulfúrico, substância</p><p>altamente corrosiva, oxidando o cano da arma.</p><p>Em 1846, o químico alemão Christian Schönbein (1799-1868) limpou certa</p><p>quantidade derramada de uma mistura de ácido nítrico e ácido sulfúrico</p><p>com um avental de algodão. Após secar e incendiar-se acidentalmente,</p><p>o avental se queimou quase sem deixar vestígios. Estudando</p><p>profundamente a questão, Schönbein descobriu a nitrocelulose5, que é</p><p>um produto obtido através da reação entre a celulose e o ácido nítrico</p><p>(nitração). A nitrocelulose é altamente inflamável, explosiva e bastante</p><p>instável na sua forma original, e constitui o principal componente da</p><p>pólvora sem fumaça, descoberta anos mais tarde.</p><p>Muitos anos depois, o francês Paul-marie-eugéne Vieille (1854-1934)</p><p>resolveu o problema de instabilidade da nitrocelulose visando a seu</p><p>aproveitamento como carga propelente para armas de fogo, em</p><p>substituição à pólvora negra. Paul Vieille, em 1884, utilizou-se de alguns</p><p>solventes coloidais (éter e álcool), conseguiu gelatinizar a nitrocelulose,</p><p>reduzir sua velocidade de queima e moldar uma massa nitrocelulósica</p><p>mais estável, com a qual era possível formar folhas finas e cortar-lhes em</p><p>grãos ou flocos. Criava-se, então, a pólvora sem fumaça, utilizável em</p><p>armas de fogo, batizada de “Poudre B”.</p><p>4 Texto adaptado de: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br.</p><p>5 A nitrocelulose é obtida da trinitração da celulose contida no algodão, envolvendo o ácido</p><p>nítrico e o ácido sulfúrico como catalisadores. Também é conhecida por trinitrocelulose, nitrato de</p><p>celulose, piroxilina, algodão colódio ou algodão pólvora.</p><p>34</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Em 1887, Alfred Nobel desenvolveu uma pólvora “sem fumaça” de</p><p>melhor qualidade. Ela se tornou conhecida como “cordita” ou “cordite”,</p><p>mais fácil de carregar e mais poderosa do que a “Poudre B”. Essa</p><p>pólvora possibilitou o desenvolvimento das armas modernas, semi-</p><p>automáticas e automáticas, pois seus resíduos (isentos de propriedades</p><p>excessivamente higroscópicas, ácidas e corrosivas) não traziam mais os</p><p>inconvenientes provocados pela pólvora negra.</p><p>Essa edição melhorada de “Poudre 13” possuía estabilidade química</p><p>e capacidade balística superiores às das pólvoras até então utilizadas,</p><p>o que lhe permitiu aumentar a velocidade dos projéteis. A França foi</p><p>o primeiro país a usá-la em armas militares. Pouco antes do início do</p><p>século XX, todos os países já a adotavam.</p><p>A pólvora é um propelente e não um explosivo. Possui a finalidade de</p><p>impulsionar projéteis por dentro de um cano, de maneira controlada,</p><p>para que não o exploda. Nas armas de fogo, ela queima, em maior ou</p><p>menor velocidade, de acordo com sua densidade gravimétrica, com o</p><p>tamanho, e com a forma de seus grãos. O ruído proveniente do disparo</p><p>pode induzir ao entendimento errado de que se trata de uma explosão</p><p>quando, na realidade, o som é gerado pelo deslocamento supersônico</p><p>dos gases acumulados no interior da arma, tão logo o projétil saia pela</p><p>boca do cano.</p><p>A partir</p><p>de sua descoberta e, principalmente, durante o século passado, a</p><p>composição da pólvora química tem sido constantemente aperfeiçoada</p><p>para o desenvolvimento de produtos menos corrosivos, menos tóxicos e</p><p>com potências específicas para cada tipo de arma e calibre.</p><p>Surgiram, então, pólvoras com diversas velocidades de queima, desde</p><p>a “extra-lenta”, passando pela pólvora de “queima média”, culminando</p><p>com as pólvoras de “queima rápida”.</p><p>2.2 A evolução das armas de fogo</p><p>A evolução das armas de fogo segue, no mesmo curso histórico, a</p><p>evolução dos padrões de avanço humano, no que se refere à sua</p><p>capacidade de projetar, elaborar, desenvolver e construir engenhos e</p><p>aperfeiçoar seus funcionamentos.</p><p>Embora, historicamente, não se tenha uma data exata de início do uso</p><p>das armas de fogo, sabe-se que o emprego desses engenhos, ao longo</p><p>35</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>dos anos, manteve a sua aplicabilidade em razão do desenvolvimento</p><p>tecnológico, sempre com o argumento do propósito da defesa própria</p><p>ou de terceiros.</p><p>2.2.1 Conceito</p><p>“Arma de fogo é todo engenho mecânico destinado a arremessar projéteis</p><p>empregando-se a força expansiva dos gases gerados pela combustão</p><p>de um propelente, confinado em uma câmara que, normalmente, está</p><p>solidária a um cano que tem a função de propiciar continuidade à</p><p>combustão do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil”.6</p><p>2.2.2 Armas de fogo antes do século XV</p><p>Uma das primeiras aplicações práticas das armas de fogo foi em Sevilha,</p><p>Espanha, em 1247. A história registra, como acontecimento importante,</p><p>o emprego do canhão pela primeira vez em Crecy, pelo Rei Eduardo</p><p>III, da Inglaterra, contra os franceses, e por Mohammed II, da Turquia,</p><p>em sua famosa conquista de Constantinopla (1453), no fim da Idade</p><p>Média. As primeiras armas de fogo eram ineficientes, largas e pesadas,</p><p>impossibilitando o seu transporte por um só combatente.</p><p>2.2.3 As primeiras armas de fogo leves</p><p>As primeiras armas leves de fogo eram de antecarga, ou seja, seu</p><p>carregamento se fazia pela boca do cano e consistiam de um tubo</p><p>metálico, fechado em uma das extremidades, denominada “CULATRA”.</p><p>Nessa existia, em sua parte superior, um orifício, conhecido como “fogão”</p><p>ou “ouvido”, unido por tiras de couro e metal a um cabo (coronha). Para</p><p>carregar a arma pela extremidade aberta (“boca” do cano), introduzia-</p><p>se a pólvora, um ou mais projéteis e um chumaço de estopa ou papel</p><p>(bucha), que eram comprimidos a golpes de varetas. Para disparar,</p><p>enchia-se com pólvora o “fogão” e, depois de apontar da maneira mais</p><p>precisa possível, aproximava-se ao pequeno orifício uma mecha acesa</p><p>ou um carvão em brasa para inflamar um pavio, que conduzia o fogo ao</p><p>interior da arma, produzindo-se o disparo.</p><p>Essas armas de fogo primitivas (entre as quais se encontravam os</p><p>modelos de tamanho pequeno) podem ser consideradas como as</p><p>antecessoras das pistolas, ainda que fossem peças de artilharia em</p><p>6 Definição nacional de arma de fogo dada pelo artigo 3º, item XIII do Decreto nº 3.665, de 20 de</p><p>novembro de 2000. Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados (R-105).</p><p>36</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>miniatura. Os modelos dessas armas são muito escassos e não se pode</p><p>determinar com total precisão, onde e quem começou a sua fabricação</p><p>e uso.</p><p>2.2.4 Armas portáteis antes do século XVI</p><p>Os canhões -de-mão, primeiras armas portáteis construídas pelo homem,</p><p>eram tubos fundidos, cujo carregamento era feito pela “boca” do cano.</p><p>Para disparar, aproximava-se um objeto incandescente ao “ouvido” para</p><p>inflamar a pólvora.</p><p>Acredita-se que essas armas surgiram nos fins do século XIV. Apesar</p><p>de imprecisas e inseguras, essas armas superaram as antigas armas de</p><p>arremesso e, em fins do século XVI, o arco já era obsoleto.</p><p>2.2.4.1 A primitiva mecha</p><p>A evolução das primeiras armas de fogo está intimamente ligada ao</p><p>desenvolvimento dos sistemas de ignição (iniciador ou chama inicial</p><p>para queima da pólvora). Quando apareceram as primeiras armas de</p><p>fogos portáteis (os conhecidos “canhões de mão”), o sistema empregado</p><p>para produzir o seu disparo era, normalmente, uma barra de ferro</p><p>incandescente, uma tocha ou uma mecha acesa. Esse método primitivo</p><p>necessitava que o seu operador tivesse uma mão livre para provocar</p><p>a ignição, que impossibilitava empunhar a arma com as duas mãos.</p><p>Além desse fato, o disparo não era produzido no momento desejado,</p><p>tornando-a ineficaz.</p><p>Mas logo foi desenvolvido um sistema para que esse pavio fosse aplicado</p><p>por meio de um procedimento mecânico. Após o carregamento da</p><p>arma (ainda de antecarga), o operador colocava a mecha em uma peça</p><p>metálica em forma de “S” invertido. Essa peça ligava-se ao gatilho por</p><p>meio de uma alavanca, que era acionada por uma mola. Ao se pressionar</p><p>o gatilho, a peça em forma de “S” inclinava-se à frente, levando a mecha</p><p>acesa ao “fogão”, provocando o disparo. Esse sistema permitia que</p><p>se empunhasse a arma com as duas mãos, melhorando a pontaria,</p><p>enquanto se “esperava” o disparo. Além disso, evitavam-se indesejáveis</p><p>queimaduras nas mãos. Outros processos foram desenvolvidos para</p><p>produzir a inclinação da mecha sobre o pavio. Consta que o invento</p><p>dessas armas ocorreu nos primórdios do século XV.</p><p>37</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>2.2.4.2 O mosquete – fecho de serpentina</p><p>O sistema de ignição de uma arma portátil representava uma grande</p><p>limitação para o soldado, pois, o objeto incandescente (ou uma mecha)</p><p>tinha que estar constantemente aceso, e tal procedimento impedia-o</p><p>de segurar a arma com as duas mãos, ocasionando tiros imprecisos e</p><p>muitos acidentes.</p><p>Para melhorar a pontaria, construíram-se canos mais longos para</p><p>aumentar a precisão. Um cordão, embebido em salitre e posto para</p><p>secar, forneceu uma mecha que se queimava mais lentamente. O</p><p>“ouvido” ou “fogão” não mais era colocado sobre o cano, mas ao lado</p><p>desses, através de um pequeno depósito (caçoleta) onde se colocava</p><p>a escorva7 (Figura 2).</p><p>FIGURA 2 – Arma de mecha.8</p><p>A mecha acesa passou a ser acionada mecanicamente, por uma peça</p><p>acoplada ao fecho da arma. O mosqueteiro conduzia uma vara com</p><p>uma das extremidades em forma de “U”, para apoiar a arma durante o</p><p>disparo, além de mechas de reserva, sacolas de projéteis e polvorinhos</p><p>(ou pequenos tubos de madeira) com a quantidade exata de pólvora</p><p>para cada disparo (Figura 2).</p><p>7 Mistura ou substância iniciadora do disparo nas armas de fogo. No caso das armas antigas, era a</p><p>própria pólvora colocada na caçoleta.</p><p>8 Figura disponível em http://www.atarmamento.com.ar/fotos/historia_de_las_armas_de_fuego_</p><p>image001.gif. Acessado em 22 Mar.2010.</p><p>38</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>Essas armas tornaram a Infantaria uma das forças mais importantes dos</p><p>exércitos, e seu uso perdurou até fins do século XVII, quando outros</p><p>sistemas mais modernos já existiam.</p><p>2.2.4.3 As armas de ignição por atrito</p><p>As armas de ignição por atrito possuíam um sistema mais avançado,</p><p>mais aperfeiçoado e diferente dos de mecha.</p><p>Baseava-se em um sistema no qual se acendia o fogo golpeando uma</p><p>pedra dura contra uma peça de ferro, aproveitando-se as faíscas que</p><p>se produziam para acender uma “isca” inflamável e comunicar o fogo</p><p>à carga de pólvora. Esse processo foi utilizado, inicialmente, com o</p><p>emprego da pirita (mineral amarelo metálico) nas armas, com fecho de</p><p>roda, sendo substituída, posteriormente, pela pederneira ou sílex (pedra</p><p>de isqueiro), nas armas de pederneira.</p><p>2.2.4.4 As armas de roda</p><p>As armas de roda surgiram na Europa nos primeiros anos de 1500 e</p><p>foram produzidas até o final do século XVII (Figura 3) e consistiam de</p><p>um anel, que era uma roda de aço, acoplado ao corpo da arma próximo</p><p>à câmara. Através de uma chave, dava-se “corda” ao sistema que ficava</p><p>travado. A pirita, presa em uma espécie de cão, era então firmemente</p><p>apoiada na roda por outra mola. Acionando-se o gatilho, a roda girava</p><p>violentamente, e o atrito com a pirita produzia faíscas que provocavam</p><p>o disparo.</p><p>O sistema de mecha apresentava</p><p>uma série de inconvenientes, tais</p><p>como: dependência do vento, condições climáticas, imprevisibilidade</p><p>do momento do disparo, além de denunciar a posição do operador, pela</p><p>mecha constantemente acesa. As armas de roda surgiram como uma</p><p>solução sensível a esses problemas, uma vez que o disparo dava-se no</p><p>momento crítico.</p><p>O fecho da roda foi empregado em armas longas que dotavam a</p><p>Cavalaria de uma arma eficiente. Esse sistema mudou as táticas de</p><p>guerra, tornando a Cavalaria, durante um longo período, dona dos</p><p>campos de batalha, à medida que foram possíveis as emboscadas e os</p><p>assaltos noturnos, diminuindo o poder da Infantaria.</p><p>O sistema permitiu, também, a construção das primeiras pistolas que</p><p>39</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>foram empregadas apenas por alguns corpos de Cavalaria de elite, pois,</p><p>devido ao seu alto custo, não se generalizaram a toda a tropa.</p><p>A complexidade do engenho, o alto custo de fabricação e a difícil</p><p>manutenção, inviabilizavam o uso generalizado das armas de roda</p><p>pelos exércitos. Esses foram os motivos que levaram as armas de roda</p><p>a um longo convívio com as armas de mecha, que continuaram sendo</p><p>fabricadas, devido ao seu baixo custo e mecanismo simples.</p><p>FIGURA 3 – Fecho de roda.9</p><p>2.2.4.5 As armas de pederneira</p><p>As armas de roda foram substituídas por um sistema mais simples, seguro</p><p>e eficiente. No século XVI, os armeiros desenvolveram e fabricaram um</p><p>fecho mais simples e eficiente que o de roda: o fecho de pederneira (sílex).</p><p>O primeiro fecho de pederneira surgiu entre 1540 e 1550, na Holanda, e</p><p>era conhecido como “Snaphaunce”. Esse sistema consistia de um cão que,</p><p>impulsionado violentamente à frente por uma mola, levava a pederneira</p><p>de encontro a uma chapa de aço em forma de “L” fixada no corpo da arma</p><p>(próximo à câmara), produzindo as faíscas necessárias à ignição do sistema.</p><p>O sistema de pederneira foi amplamente difundido entre a segunda</p><p>metade do século XVI até começo do século XIX, quando surgiu o</p><p>sistema de percussão, tornando-o obsoleto.</p><p>A França foi o país que se notabilizou com a fabricação de um fecho mais</p><p>simples e eficiente, inventado pelo armeiro Marin le Bourgeoys, entre</p><p>9 Figura disponível em http://www.atarmamento.com.ar/fotos/historiadelasarmas_de_fuego.</p><p>Acessado em 22 Mar. 2010.</p><p>40</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>1610 e 1615, e que se tornou padrão nos duzentos anos seguintes. O</p><p>fecho francês se generalizou como a arma de pederneira por excelência,</p><p>permanecendo inalterado até a pederneira tornar-se obsoleta no</p><p>começo do século XIX.</p><p>O fecho de pederneira viabilizou a construção de espingardas e pistolas,</p><p>que passaram a substituir o mosquete no século XVII. No século XVlIl,</p><p>quase todos os exércitos tinham abandonado o mosquete. Tal assertiva</p><p>é confirmada pelo fato de que, durante as Guerras Napoleônicas, todos</p><p>os combatentes usavam armas de pederneira.</p><p>A primeira grande contribuição americana à manufatura de armas de</p><p>fogo foi o rifle Kentucky fabricado principalmente na Pensilvânia. Era</p><p>uma arma de grande precisão, pois seu cano era raiado. Foi empregado</p><p>na Guerra da Independência e na Guerra de 1812.</p><p>Um dos primeiros avanços na manufatura de armas de retrocarga foi o</p><p>fuzil Fergusson de pederneira (Figura 4), inventado pelo capitão escocês</p><p>Patrick Ferguson, e demonstrado, pela primeira vez, em 1776. Possuía</p><p>um “guarda-mato” que era rapidamente desparafusado, abrindo a</p><p>culatra para receber o projétil e a carga de pólvora. Uma vez carregado,</p><p>fechava-se a culatra, escorvava-se10 e estava pronto para o disparo.</p><p>FIGURA 4: Fecho de pederneira.11</p><p>10 Colocava-se a escorva.</p><p>11 Fonte: disponível em http:</p><p>41</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>2.2.4.6 As armas de percussão</p><p>Apesar das grandes vantagens do fecho de pederneira, este apresentava</p><p>alguns inconvenientes: as armas negavam fogo, a ignição era lenta e o</p><p>vento e a chuva afetavam seu funcionamento.</p><p>No início do século XIX, um reverendo protestante escocês, chamado</p><p>Alexander John Forsyth, adepto das caçadas e da química, revolucionou</p><p>o mundo das armas de fogo.</p><p>Esse sacerdote (que viveu de 1768 a 1843), baseado nas experiências</p><p>químicas do francês Bayen e do inglês Howard, patenteou, em 11 de abril</p><p>de 1807, o mecanismo de percussão para armas de fogo. Inicialmente</p><p>era um sistema perigoso, complexo e caro.</p><p>As armas se simplificaram notavelmente, ao serem eliminados</p><p>elementos como as caçoletas, os rastilhos, as pederneiras, entre outros.</p><p>Esses dispositivos foram substituídos por um “ouvido” em relevo que,</p><p>normalmente, se enroscava na recâmara interior do cano oco (chamado</p><p>de “chaminé”). Na recâmara eram colocados o pistão e um martilho</p><p>que, em lugar de pedra, possuía uma superfície plana. Essa superfície</p><p>golpeava a chaminé e lançava uma chama em direção à carga de pólvora</p><p>contida no interior da recâmara. Esse sistema foi mundialmente aceito e</p><p>produzido, tanto para uso militar como civil.</p><p>Nos Estados Unidos as armas de percussão obtiveram grande êxito,</p><p>cabendo a Heinrich Derringer12 (um alemão radicado na Filadélfia, já</p><p>dedicado à fabricação de armas para o governo e pistolas de duelo para</p><p>particulares) a produção das primeiras pistolas de percussão, por volta</p><p>de 1825. O modelo, que obteve mais fama e proporcionou um fabuloso</p><p>negócio ao seu criador, foi uma pistola que recebeu o sobrenome do seu</p><p>fabricante.</p><p>O próximo passo foi a concepção de um melhor sistema de ignição,</p><p>quando foram criados inúmeros mecanismos que utilizam os</p><p>fulminantes13. Alexander Forsyth, no início do século XVII, depositou</p><p>uma substância detonante no “ouvido” de uma arma, comprimindo-a</p><p>por impacto: surgiu o famoso “frasco de perfume”, patenteado em</p><p>1807. Vários outros sistemas foram utilizados, mas, o mais satisfatório</p><p>12 Um alemão radicado na Filadélfia, já dedicado à fabricação de armas para o governo e pistolas</p><p>de duelo para particulares.</p><p>13 Fulminantes: sais obtidos por meio da dissolução de metais em ácidos.</p><p>42</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>era a cápsula de cobre desenvolvida por Joshua Snaw, e patenteada em</p><p>1822. A criação de uma cápsula de cobre (que continha uma pequena</p><p>quantidade de fulminato de mercúrio, utilizado como provocador ou</p><p>iniciador da combustão) foi um passo importante. Essa cápsula foi usada</p><p>até quando foram criados os cartuchos de auto-ignição para as armas de</p><p>retrocarga.</p><p>As cápsulas de percussão apresentavam um sistema de ignição muito</p><p>mais rápido e confiável que a pederneira e, em 1838, o exército britânico</p><p>o adotou oficialmente. O sistema de percussão viabilizou a construção de</p><p>armas de retrocarga, destacando-se o fuzil de agulha Dreyse, inventado</p><p>pelo prussiano Johan Nikolaus von Dreyse, em 1848.</p><p>FIGURA 5 – Primeiro sistema de percussão.14</p><p>14 Fonte: disponível em www3.dsi.uminho.pt/.../i_moderna/iddmod.htm.</p><p>43</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>O fuzil de agulha Dreyse foi a primeira arma militar de retrocarga</p><p>suficientemente prática (Figura 5). Essa arma usava um cartucho</p><p>combustível cuja principal característica era a colocação do fulminante</p><p>entre a base do projétil e o propelente. A arma possuía um ferrolho</p><p>com um longo e fino percussor em seu centro, acoplado em uma</p><p>mola. Ao acionar o gatilho, o percussor era liberado, penetrava no</p><p>invólucro do cartucho, atravessava a pólvora, e comprimia o fulminante,</p><p>ocasionando a ignição e a consequente deflagração do cartucho. Essa</p><p>arma apresentava dois inconvenientes: excessiva liberação de gases</p><p>pela culatra, e a fragilidade da agulha (percussor), que se quebrava</p><p>facilmente.</p><p>Com o advento do cartucho metálico, o desenvolvimento das armas de</p><p>fogo teve um grande avanço. Paul Mauser e seu irmão Guilherme Mauser</p><p>projetaram um fuzil de ferrolho para empregar cartuchos metálicos</p><p>que, através de um sistema de trancamento, obturava perfeitamente a</p><p>câmara, evitando escapamento excessivo de gases. Esse fuzil substituiu</p><p>a agulha por um percussor, e foi desenvolvido entre 1863 e 1898. Foram</p><p>fabricados diversos modelos durante esse</p><p>período. Essas armas dotaram</p><p>os exércitos durante as duas grandes guerras mundiais.</p><p>Paralelamente ao desenvolvimento dos fuzis de ferrolho, outros sistemas</p><p>foram criados e aperfeiçoados para aumentar o poder de fogo das</p><p>armas: o sistema de alavanca, notabilizado pela fábrica norte americana</p><p>Winchester e o sistema de bomba, aperfeiçoado por Browning, em fins</p><p>da década de 1880, também foi fabricado pela Winchester.</p><p>2.3 A evolução do revólver</p><p>Após a introdução do sistema de percussão, no início do século XIX, o</p><p>desenvolvimento de pistolas de vários tiros foi relativamente simples.</p><p>As armas mais antigas, com dois pares de canos (que eram girados</p><p>manualmente), deram lugar a armas com conjuntos de 4 a 6 canos,</p><p>que giravam, mecanicamente, com a pressão do gatilho, colocando o</p><p>“ouvido” correspondente a cada cano, sob o cão. Essas pistolas, chamadas</p><p>“pimenteiros”, apareceram por volta de 1830.</p><p>2.3.1 Conceito de revólver</p><p>O termo “revólver” significa revolução. Indica um movimento de rotação</p><p>em torno de um eixo. Assim, pode-se conceituar revólver como sendo</p><p>uma arma de fogo curta, dotada de várias câmaras que giram em torno</p><p>44</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>de um eixo, para alinhar a câmara que contém o cartucho a ser disparado</p><p>através de um cano.</p><p>Para se chegar a esse conceito, houve um processo evolutivo que se iniciou</p><p>com a descoberta da pólvora, passou por fases de aperfeiçoamento dos</p><p>sistemas de carregamento e extração, que se estende até os dias atuais,</p><p>com a busca do aperfeiçoamento constante, em todos os aspectos.</p><p>2.3.2 O revólver Colt</p><p>O aperfeiçoamento significativo que se seguiu foi criado pelo norte-</p><p>americano Samuel Colt (1814 – 1862), que projetou uma pistola rotativa</p><p>na qual o conjunto de canos de “pimenteiro” transformou-se em conjunto</p><p>de câmaras que se alinhavam, sucessivamente, com um único cano. O</p><p>sistema inventado por Colt pressupunha duas importantes inovações: a</p><p>câmara a ser disparada tinha de estar rigidamente alinhada com o cano</p><p>no momento do disparo, e a colocação de divisórias entre os “ouvidos”,</p><p>para que a denotação de uma carga não provocasse a detonação das</p><p>outras.</p><p>Após o surgimento dos cartuchos metálicos, Samuel Colt, em 1876,</p><p>criou o revólver Colt calibre .45, o famoso Peacemaker (Pacificador). Seu</p><p>tambor não era rebatível, sendo seu municiamento feito através de uma</p><p>janela aberta na armação, uma cápsula por vez. A arma operava por</p><p>ação simples, sendo necessário que o atirador a engatilhasse antes do</p><p>disparo, e que, a cada disparo, houvesse um novo engatilhamento.</p><p>Inicialmente, os revólveres eram de movimento simples, ou seja,</p><p>funcionavam somente em ação simples ou ação dupla, uma ou outra.</p><p>Posteriormente, passaram a ser fabricados com funcionamento duplo,</p><p>ou seja, eles funcionavam tanto em ação dupla, quanto em ação simples.</p><p>Os revólveres modernos são geralmente fabricados em movimento</p><p>duplo.</p><p>2.3.3 O revólver Adams</p><p>Os mecanismos das armas fabricadas por Colt eram de ação simples, o</p><p>que as tornavam mais lentas, mas fazia com que o gatilho ficasse mais</p><p>leve e, portanto, mais preciso. As armas de Adams (inglês) eram de ação</p><p>dupla: elas disparavam ao se pressionar o gatilho, o que demandava</p><p>muita força. Os revólveres de Adams tinham apenas 5 câmaras e os</p><p>de Colt, 6. Apesar dessas diferenças, as armas de Adams tiveram mais</p><p>45</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>aceitação, uma vez que a ação dupla propiciava maior rapidez de fogo</p><p>em combate à curta distância, muito comuns àquela época.</p><p>2.3.4 O revólver moderno</p><p>O aperfeiçoamento do sistema de percussão possibilitou a introdução</p><p>do cartucho completo – um cartucho contendo a espoleta, a pólvora e</p><p>o projétil.</p><p>A Smith & Wesson, em 1854, criou revólveres no calibre .44. Eram armas</p><p>articuladas que necessitavam ser basculadas, para serem municiadas,</p><p>ou seja, tinham que ter seu cano e tambor basculados para baixo,</p><p>expelindo, assim, todos os cartuchos de uma só vez, vazios ou não.</p><p>Em 1857, a S&W adquiriu a patente para a produção de um revólver que</p><p>disparava através de cartuchos metálicos carregados por trás.</p><p>Em 1870, a S&W lançou um novo tipo de revólver, cuja armação dobrava-</p><p>se para baixo quando se abria a arma, ativando, nesse momento,</p><p>um extrator em forma de estrela, que ejetava todos os cartuchos,</p><p>simultaneamente.</p><p>Em 1887, o sistema de extração dos revólveres foi aperfeiçoado, de forma</p><p>que o tambor se rebatesse para o lado, permitindo que um extrator em</p><p>forma de estrela, acionado por uma vareta, expelisse todos os cartuchos</p><p>de uma só vez, tornando mais fácil e rápido um novo carregamento.</p><p>Em 1899, a S&W lançou o primeiro revólver de ação dupla e tambor</p><p>basculante, modelo que foi copiado por quase todas as fábricas e que</p><p>deu origem ao revólver, tal como conhecemos hoje. Era o modelo</p><p>que ficou mundialmente famoso como “militar-policial”. O tambor</p><p>basculante propiciava um remuniciamento rápido de um, dois ou todos</p><p>os cartuchos deflagrados, já que saia para o lado de sua armação.</p><p>Com o advento do cartucho metálico, mecanismos de extração foram</p><p>desenvolvidos para os revólveres. A maioria das empresas utilizou,</p><p>inicialmente, carcaças inteiriças (armação) em uma tampa de recarga ao</p><p>lado da culatra e uma vareta deslizante sob o cano, a qual era acionada</p><p>para expelir o cartucho deflagrado.</p><p>O desenvolvimento do revólver estava praticamente completo no final</p><p>do século XIX. A partir de então, os aperfeiçoamentos estiveram mais</p><p>ligados ao uso de metais leves e de cartuchos mais poderosos, como</p><p>46</p><p>POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS</p><p>no caso do Magnum. Uma tentativa de aperfeiçoamento mal sucedida</p><p>do revólver, devido à complexidade de seu mecanismo, foi o “revólver</p><p>automático Webley-Fosbery”, inventado pelo Cel Britânico George</p><p>Vincent Fosbery. Essa arma se auto engatilhava após cada disparo,</p><p>aproveitando a ação dos gases para fazer girar o tambor e engatilhar o</p><p>cão, através do recuo do cano e da parte superior da armação.</p><p>O futuro do revólver parece estar ligado ao seu uso pelas forças de</p><p>segurança. Sua maior vantagem é a simplicidade. Pode ser transportado</p><p>com segurança, em qualquer situação. Possui outras vantagens, tais</p><p>como: estar sempre pronto para o disparo, bastando puxar o gatilho;</p><p>não ser suscetível aos efeitos da poeira e da sujeira, como acontece com</p><p>uma pistola; e, possuir um cartucho para disparo, ao se puxar o gatilho,</p><p>no caso de um cartucho falhar. Sua principal desvantagem é a pequena</p><p>capacidade de carga.</p><p>2.4 As espingardas</p><p>As espingardas (em inglês, shotgun) são armas de fogo portáteis, muito</p><p>empregadas para a caça e o tiro desportivo (tiro ao voo e tiro ao prato).</p><p>Possuem cano longo de “alma”, originariamente lisa (sem raiamento).</p><p>As primeiras espingardas eram de tiro singular, compostas por um ou</p><p>dois canos e cão externo, sendo essa a primeira geração das atuais</p><p>espingardas de combate.</p><p>As espingardas com canos de “alma” lisa foram utilizadas por forças</p><p>militares e policiais do mundo inteiro. Seu primeiro emprego militar</p><p>remonta ao período da Primeira Grande Guerra, quando foram adotadas</p><p>as primeiras espingardas de repetição, com ação de bomba (pump-</p><p>action shotgun), tal como são conhecidas na atualidade, com a variação</p><p>de possuir o cão exposto.</p><p>Naquela época, foram apelidadas de trench-gun (armas de trincheira),</p><p>sugerindo o conceito de “espingardas de combate”, que eram as</p><p>espingardas de segunda geração.</p><p>Naquele período (1914-1918), o uso das espingardas de combate</p><p>alcançou seu ápice: os combatentes lutavam no interior das trincheiras</p><p>disputando cada metro de terreno e, nesses ataques contra soldados</p><p>entrincheirados, a espingarda apresentava melhores condições de</p><p>emprego do que o fuzil convencional de ferrolho ou as armas curtas.</p><p>47</p><p>Manual de Armamento Convencional</p><p>Nessa época, a Winchester, modelo 1897 calibre 12 (“pump action”),</p><p>adotada pelos norte-amaericanos, tornou-se famosa (Figura 6).</p><p>FIGURA 6 – Winchester Modelo 1897 calibre 12 “Trench Gun”.</p><p>Mais recentemente, na contramão da</p>