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<p>7</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO CHRISTUS – UNICHRISTUS</p><p>CURSO BACHARELADO EM BIOMEDICINA</p><p>LUDMILLA LIMA REIS MARQUES</p><p>ARTIGO DE ESTUDO DOS EFEITOS DA CETOSE COMO COADJUVANTE NO TRATAMENTO DA SÍNDROME DE OVÁRIOS POLICÍSTICOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</p><p>FORTALEZA</p><p>2024</p><p>LUDMILLA LIMA REIS MARQUES</p><p>ARTIGO DE ESTUDO DOS EFEITOS DA CETOSE COMO COADJUVANTE NO TRATAMENTO DA SÍNDROME DE OVÁRIOS POLICÍSTICOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</p><p>Artigo apresentado ao curso de Biomedicina do Centro Universitário Christus como requisito parcial para a conclusão da disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II.</p><p>Orientadora: Profa. Dra. Fernanda Yvelize Ramos Araújo</p><p>FORTALEZA</p><p>2024</p><p>LUDMILLA LIMA REIS MARQUES</p><p>ARTIGO DE ESTUDO DOS EFEITOS DA CETOSE COMO COADJUVANTE NO TRATAMENTO DA SÍNDROME DE OVÁRIOS POLICÍSTICOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</p><p>Artigo de Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Biomedicina do Centro Universitário Christus, como requisito parcial para conclusão da disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II.</p><p>Aprovado em: _________/_________/_________</p><p>BANCA EXAMINADORA</p><p>_____________________________________________________________________________________________________________________________________</p><p>Dra. Fernanda Yvelize Ramos Araújo (ORIENTADORA)</p><p>Centro Universitário Christus (UNICHRISTUS)</p><p>______________________________________________________________________________________________________________________________________</p><p>Dra. Carolina Melo de Souza (UNICHRISTUS)</p><p>______________________________________________________________________________________________________________________________________</p><p>Dra. Gersilene Valente de Oliveira (UNICHRISTUS)</p><p>ARTIGO DE ESTUDO DOS EFEITOS DA CETOSE COMO COADJUVANTE NO TRATAMENTO DA SÍNDROME DE OVÁRIOS POLICÍSTICOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</p><p>STUDY ARTICLE ON THE EFFECTS OF KETOSIS AS A COADJUVANT IN THE TREATMENT OF POLYCYSTIC OVARIA SYNDROME: AN INTEGRATIVE REVIEW</p><p>RESUMO</p><p>A síndrome do ovário policístico (SOP) é uma síndrome complexa e bastante comum em mulheres em idade fértil, afetando diversos fatores endrócrinos e bioquímos. Apresentando-se de diferentes formas nas mulheres, a SOP pode trazer diversos prejuízos para a saúde da mulher moderna, como ciclos menstruais irregulares, características masculinas, infertilidade, dificuldade na perda de peso e acarretar doenças crônicas como Diabetes tipo 2. Considerando as informações relatadas, o objetivo dessa pesquisa foi compreender e descrever os efeitos da cetogênese como coadjuvante no tratamento da SOP. Tratou-se de um estudo de revisão bibliográfica integrativa, que foi desenvolvido através de pesquisas na base de dados Scielo e Pubmed. Para seleção dos artigos foram utilizados os seguintes descritores “Dieta Cetogênica” e “Síndrome do ovário policístico”, nos idiomas inglês e português. A busca dos artigos foi realizada entre os meses de janeiro a abril de 2024. Foram selecionados artigos originais nas línguas portuguesa e inglesa, publicados nos últimos 11 anos e abrangendo apenas ensaios clínicos e estudos retrospectivos. Após a coleta de dados os resultados foram compostos de 6 artigos, que evidenciaram benefícios alcançados por meio da cetogênese na regulação de dislipidemias, na diminuição dos riscos de desenvolver resistência à insulina melhorando as chances de uma gestação para as pacientes que anteriormente encontravam dificuldades, devido aos desequilíbrios hormonais acarretados pela SOP.</p><p>Palavras-chave: Cetose. Síndrome do ovário policístico. Distúrbio metabólico.</p><p>ABSTRACT</p><p>Polycystic ovary syndrome (PCOS) is a complex and very common syndrome in women of childbearing age, affecting several endocrine and biochemical factors. Presenting itself in different ways in women, PCOS can bring several harms to the health of modern women, such as irregular menstrual cycles, masculine characteristics, infertility, difficulty in losing weight and leading to chronic diseases such as Type 2 Diabetes. Considering the information reported , the objective of this research was to understand and describe the effects of ketogenesis as an adjuvant in the treatment of PCOS. This was an integrative bibliographic review study, which was developed through research in the Scielo and Pubmed databases. To select the articles, the following descriptors “Ketogenic Diet” and “Polycystic Ovary Syndrome” were used, in English and Portuguese. The search for articles was carried out between January and April 2024. Original articles were selected in Portuguese and English, published in the last 11 years and covering only clinical trials and retrospective studies. After data collection, the results were composed of 6 articles, which showed benefits achieved through ketogenesis in regulating dyslipidemia, reducing the risk of developing insulin resistance, improving the chances of pregnancy for patients who previously encountered difficulties, due to to hormonal imbalances caused by PCOS.</p><p>Keywords: Ketosis. Polycystic ovary syndrome. Metabolic disorder.</p><p>Introdução</p><p>Segundo uma publicação da Organização Mundial de Saúde em 2023 a Síndrome dos Ovários Policísticos tem uma importância significativa na saúde pública mundial, pois afeta certa de 8 a 13% das mulheres em idade reprodutiva, outro dado importante trazido pela OMS, é que cerca de 70% das mulheres podem não serem diagnosticadas ao longo da vida. Essa síndrome até então de causa desconhecida e complexa a SOP não tem cura, contudo quando tratada corretamente consegue-se amenizar acentuadamente seus sintomas.</p><p>Desencadeada por diversas anomalias primeiramente ovarianas, podendo acarretar até mesmo anovulação e infertilidade. Em algumas mulheres pode também acompanhar hipersulinemia secundária junto a resistência à insulina, desempenhando um importante papel na fisiopatologia dessa síndrome. Mulheres com sobrepeso tem mais probabilidades de desenvolver intolerância a glicose e diabetes tipo 2, esses fatores têm sido considerados quanto a diferenciação de seus fenótipos e principalmente para o planejamento de estratégias terapêuticas¹.</p><p>Para entender melhor a complexidade da SOP, criou-se uma divisão baseada em fenótipos, existindo quatro variações dentro da síndrome. Tipo A caracterizada pela presença de hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e ovários com morfologia policística sendo bastante frequente; tipo B caracterizada pela presença de hiperandrogenismo e disfunção ovulatória (também recorrente); tipo C sendo caracterizada por hiperandrogenismo e ovários com morfologia policística, fazendo com que suas alterações sejam consideradas intermediárias; por último a tipo D caracterizada por disfunção ovulatória e ovários com morfologia policística, assim apresentando alterações de forma mais branda².</p><p>Os tratamentos da SOP atualmente incluem intervenções medicamentosas como o uso de anticoncepcionais, diuréticos e antiandrogênicos com o intuito de amenizar as disfunções metabólicas da SOP, contudo as mudanças no estilo de vida como a prática de exercícios físicos e hábitos alimentares mais saudáveis têm se mostrado mais eficazes. Mulheres que apresentam a síndrome geralmente tem mais gordura visceral e subcutânea em decorrência do aumento dos níveis de estrógenos, fazendo com que intervenções dietéticas venham a ser o tratamento mais promissor para a melhora da qualidade de vida de mulheres portadoras dessa condição³.</p><p>Estudos também tem mostrado que o uso de anticoncepcionais com baixas dose de estrogênios e progestágenos são mais seguros do que os usados antigamente que continham doses mais elevadas desses componentes, sendo esse a primeira escolha como tratamento da SOP devido a melhor aderência na rotina da mulher moderna, contudo seu uso contínuo eleva as chances de risco para tromboses venosa e arterial. Levando em consideração diversos</p><p>aspectos favoráveis e desfavoráveis do uso prolongado de medicamentos, mulheres devem ser sempre incentivadas a manter um estilo de vida saudável, levando em conta que essa é a via que não traz consigo nenhum tipo de implicação futura4.</p><p>Como a SOP é bastante associada ao risco de resistência à insulina, podemos explorar os benefícios gerados pela adoção de hábitos alimentares que priorizem a redução da ingestão de carboidratos, induzindo o organismo a utilizar vias alternativas de energia como a cetogênese. Gerando uma melhoria na adequação dos hormônios reprodutivos em mulheres com SOP e diminuindo as concentrações de insulina no organismo5.</p><p>Na cetogênese o corpo se utiliza de uma via alternativa de energia, onde o principal fornecimento de energia se dá através da produção de corpos cetônicos, isso pode ocorrer quando não há fontes de carboidratos suficientes no organismo. Nesse processo são produzidas três moléculas, após a quebra do ácido graxo: acetona, acetoacetato e beta-hidroxibutirato6, esse mecanismo foi ilustrado mais abaixo na Figura 1.</p><p>Normalmente o corpo produz um número pequeno de cetonas como fontes de energia, porém há um aumento na produção de corpos cetônicos quando não há estoques de carboidratos para serem usados prontamente. Esse aumento pode ocorrer em situações patológicas como a Diabetes tipo I, contudo também ocorre em períodos prolongados de fome e em situações de alcoolismo. Os órgãos do corpo podem usar de corpos cetônicos como fonte de energia sem nenhum problema, porém o cérebro requer uma quantidade mínima obrigatória de glicose como fonte de energia6.</p><p>Quando a principal fonte de energia não é obtida através dos carboidratos e sim de alimentos ricos em proteínas e gorduras, essas ao passarem pelas metabolizações para serem ofertadas como fonte de energia, seriam melhores para regular o funcionamento dos distúrbios metabólicos como o da SOP, pois facilitaria a regulação hormonal, visto que esses hormônios são formas de lipídios e também pelo fato de regularem a quantidade de insulina circulante no sangue, esta que por sua vez tem seu aumento relacionado aos distúrbios da formação de ovários policísticos7.</p><p>Figura 1 - Mecanismo da Gliconeogênese e Cetogênese no organismo.</p><p>Fonte: A própria autora.</p><p>Com a indução do corpo à cetose como fonte de energia, é possível equilibrar os níveis de insulina no organismo fazendo com que a produção de corpos cetônicos ajude a regular as taxas de hormônios desbalanceadas pela SOP com subsequente melhora de sintomas secundários como acne, hirsutismo, inflamação crônica entre outros inconvenientes.</p><p>Considerando os apontamentos este estudo teve como objetivo elencar os efeitos, descrevendo os benefícios da cetogênese fisiológica na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).</p><p>Metodologia</p><p>O trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica integrativa, realizada na necessidade de entender como os corpos cetônicos podem contribuir para a melhora do quadro clínico de mulheres portadoras de SOP, em como as alterações metabólicas decorrentes podem ser minimizadas sem o uso de fármacos e de modo mais acessível para essas mulheres. Nesse tipo de estudo é possível assegurar que os resultados foram pautados em evidências científicas8.</p><p>Foi elaborado uma revisão integrativa que buscou artigos publicados entre o período de 2013 até abril de 2024. Para busca de dados foram utilizadas as bases de dados Scientific Eletrônic Library Online – SCIELO e Pubmed, com período de busca entre os meses de janeiro a abril de 2024; para tais foram utilizados como descritores “cetose”, “dieta cetogênica” e “ovário policístico” nos idiomas português e inglês. Como critérios de inclusão selecionou-se artigos desenvolvidos através de estudos clínicos ou retrospectivos cujo conteúdo estava disponível na íntegra e de forma gratuita. Não foram utilizados materiais publicados em livros e/ou teses, tampouco estudos pré-clínicos.</p><p>A seleção dos artigos foi realizada através da leitura dos títulos, resumos e dos artigos completos. Todas as analises foram rigorosa e possuíam por base os critérios pré estabelecidos.</p><p>Para apresentação dos dados foi confeccionada uma tabela com as informações referentes aos autores e ano de publicação, metodolodia utilizada e os resultados obtidos.</p><p>Resultados</p><p>Como resultados da busca foram encontrados um total de 33 (trinta e três) artigos. Na plataforma SCIELO foi encontrado apenas um e após aplicação dos critérios de seleção foi descartado, pois não estava de acordo com os objetivos dessa pesquisa. Na plataforma Pubmed foram encontrados 32 (trinta e dois) trabalhos, com seleção de seis artigos para composição deste estudo. Na tabela 1 abaixo, estão as descrições dos resultados organizados por autores e ano de publicação título, metodologia e seus respectivos resultados atribuídos ao uso da cetogênese fisiológica como um coadjuvante no tratamento da SOP.</p><p>TABELA 1: Apresentação da síntese de artigos incluídos na revisão integrativa.</p><p>ANO DE PUBLICAÇÃO E AUTORIA</p><p>TÍTULO</p><p>METODOLOGIA</p><p>RESULTADOS</p><p>2023</p><p>Palafox et al. 14</p><p>Adicionar uma intervenção dietética cetogênica ao tratamento de fertilização in vitro em pacientes com SOP melhora a implantação e a gravidez</p><p>Estudo retrospectivo que selecionou arquivos de 12 pacientes que tinham feito uma dieta cetogênica documentada após um ciclo de fertilização in vitro falhar.</p><p>Medições de cetonúria eram realizadas duas vezes por semana, com auxílio de fita reagente em amostra de urina.</p><p>83,3% das pacientes alcançaram cetose após duas semanas do início da dieta.</p><p>Curiosamente, a espessura endometrial aumentou com 75% dos casos.</p><p>83,3% das transferências resultaram em implantação de embriões, com 66,7% conseguindo gravidez clínica</p><p>2023</p><p>Pandurevic et al. 13</p><p>Eficácia da dieta cetogênica de muito baixas calorias com o método Pronokal® em mul</p><p>heres obesas com SOP: um ensaio clínico randomizado e controlado de 16 semanas.</p><p>30 mulheres selecionadas.</p><p>Dividiram-nas em dois grupos, sendo um grupo experimental e outro controle (se muso de dieta).</p><p>No grupo experimental 15 mulheres foram submetidas a VLCKD (Dieta Cetogênica de Muito Baixo Valor Calórico) por 8 semanas seguidas e posteriormente 8 semanas de LCD (Dieta de Baixo Carboidrato)</p><p>Medições bioquímicas e hormonais (glicose, colesteróis, LH, FSH, Estradiol, SHBG, Testosterona, etc.) foram feitas antes e depois do início da dieta.</p><p>Parâmetros bioquímicas como glicose em jejum, insulina, Homa-IR, colesterol total e LDL diminuíram apenas durante o uso da VLCKD,</p><p>Aumento do SHBG (Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais) e diminuição da Testosterona.</p><p>Pôde-se observar uma</p><p>melhora do hirsutismo apenas por videodermoscopia,</p><p>ovulação melhor após o estudo com</p><p>diminuição do tamanho global dos ovários que apresentavam morfologia policística.</p><p>Foi concluído que a VLCKD se mostrou mais eficiente do que a LDC pois ocorreu diminuição dos parâmetros bioquímicos e hormonais (glicose, colesterois, Testosterona, etc.) com mais evidência apenas durante o protocolo de VLCKD.</p><p>2023</p><p>Cincione et al. 12</p><p>Efeitos de curto prazo da dieta cetogênica ou moderadamente hipocalórica e dieta mediterrânea em mulheres com sobrepeso e obesidade com SOP.</p><p>144 pacientes foram selecionadas para este estudo.</p><p>Um grupo de 73 mulheres realizaram um protocolo de dieta cetogênica e as demais foram submetidas a dieta do mediterrâneo por 45 dias.</p><p>Foram realizadas duas avaliações, uma no início e outra ao final do estudo compostas de histórico médica, ginecológico, nutricional, composição corporal (peso, altura, circunferência da cintura) e bioquímicas (LH, FSH, Insulina, Peptídeo C).</p><p>Diminuições em parâmetros antropométricos e bioquímicos em curto período, mostrando-se mais eficaz que dietoterapias convencionais.</p><p>2022</p><p>Magagnini et al. 11</p><p>A dieta cetogênica melhora a qualidade da função ovariana em mulheres obesas?</p><p>Estudo retrospectivo de pacientes que que foram submetidas a um protocolo de dieta cetogênica de muito baixas calorias (VLCKD) durante</p><p>um período de sete meses; foram selecionadas 25 mulheres, com SOP e obesas, mas que possuíam um ciclo menstrual regular. Foram realizadas medidas antropométricas (IMC, circunferência da cintura), bioquímicas (Homa Ir/ Progesterona).</p><p>Diminuições de IMC, índice Homa reduzido em até 96%, fazendo com que não houvesse mais risco de resistência à insulina.</p><p>Aumento nos níveis de SHBG e progesterona, estando essa superior a 15,9 representando um ótimo sinal de ovulação.</p><p>Melhora metabólica e ovulatória em um curto período. Mostrando-se eficaz o uso da VLCKD.</p><p>2021</p><p>Cincione et al. 10</p><p>Efeitos da dieta cetogênica mista em mulheres com sobrepeso e obesas com SOP.</p><p>17 mulheres.</p><p>IMC acima de 25, durante 45 dias submetidas a um protocolo de dieta cetogênica mista, essa onde diferente da dieta cetogênica clássica, protocola uma quantidade maior de proteínas, quantidades normais de gorduras e baixíssimas quantidades de carboidratos. Foram feitas coletas para dados antropométricos e bioquímicos no primeiro dia antes do início da dietoterapia e no final dos 45 dias. As pacientes utilizaram uma proteína em pó manipulada e suplementos multivitamínicos e multiminerais para prevenir deficiências nutricionais.</p><p>Diminuições dos parâmetros antropométricos (Kg) e alguns bioquímicos (triglicérides, insulina, glicemia, colesterol total e LDL, Peptídeo C).</p><p>Aumento dos níveis de HDL, cetonas no sangue e urina, albumina, FSH e SHBG.</p><p>Reversão do quadro de hiperandrogenismo, cinco pacientes voltaram a apresentar ciclos menstruais, doze pacientes que regularizaram seu ciclo. E por fim, cinco alcançaram uma gravidez natural.</p><p>2020</p><p>Paoli et al. 9</p><p>Efeitos de uma dieta cetogênica em mulheres com sobrepeso e SOP.</p><p>14 mulheres</p><p>12 semanas com uso auxiliar de fitoextratos a base de Tisanoreica ® de Gianluca Mech SpA, Orgiano VI Foram coletadas medidas antropométricas e bioquímicas no início e final do estudo.</p><p>Foram relatadas reduções significativas no peso (cerca de 9,43kg), parâmetros bioquímicos, hormonais e escore Ferriman Gallwey (método de avaliação do grau de hirsutismo).</p><p>Ao mesmo tempo que houve aumento nos níveis de HDL, FSH, estradiol, progesterona e SHBG.</p><p>Mostrando-se satisfatório, pois foi possível alcançar melhoras no quadro geral da SOP em um curto período.</p><p>Discussão</p><p>Esta pesquisa bibliográfica pode constatar a superioridade das dietas cetogênicas em comparação a outras dietas para auxiliar no tratamento da SOP. Foi observado que através da indução a cetose fisiológica, ocorreu uma melhora significativa do quadro clínico das portadoras de SOP.</p><p>Contudo quando o corpo que está habituado a obter energia por via glicogênica15, é esperado que durante os primeiros dias de indução a cetogênese ocorra episódios de sensibilidades gastrointestinais e efeitos de abstinência leve de carboidratos podendo até gerar no indivíduo maior irritabilidade. Isso pôde ser observado em algumas mulheres que participaram dos estudos e é relatado na maioria das publicações. No entanto os níveis de corpos cetônicos na corrente sanguínea geralmente começam a aumentar em torno de 3 a 5 dias após o início da dietoterapia cetogênica, amenizando esses efeitos e gerando até mesmo sensação de bem estar e menos fome como é relatado no estudo de Pandurevic et al. de 2023.</p><p>Nessa mesma linha de raciocínio Paoli et. al em 2020 e Cincione et. al em 2021 constataram os efeitos benéficos do uso da cetose fisiológica, evidenciando uma regressão das anomalias hormonais da SOP através das reduções dos parâmetros corporais, como por exemplo diminuição de 9,4Kg em média do peso corporal por conta da diminuição de ingestão dos carboidratos e de parâmetros bioquímicos como a glicemia, colesteróis, triglicerídeos e hormonais como relação LH/FSH, SHBG. Pois estudos tem mostrado o quanto o excesso na ingestão de carboidratos pode gerar um quadro crônico de inflamação de baixo grau e também como os mecanismos de hipersulinemia podem afetar o metabolismo de andrógenos16.</p><p>Na pesquisa desenvolvida por Paoli(2020) foi observado efeitos positivos em uma dietoterapia de 12 semanas, Cincione (2021) observou os mesmos efeitos em uma dietoterapia com metade desse tempo, mostrando-nos que os efeitos da cetose podem ser obtidos em um curto período de tempo e que são de certa forma bem adaptáveis para o corpo, nos sugerindo uma estagnação nos resultados da dieta e necessidade de novas intervenções para dar nos dar resultados ainda mais significantes 17.</p><p>Mulheres com SOP tem dislipidemias em grau variável sendo esse um fator importante, pois o aumento da quantidade de adipócitos abdominais funcionam como uma fonte extraglandular de andrógenos e lipoproteínas como o LDL que carregam em seu interior hidrofóbico moléculas de colesterol, vitaminas e hormônios dos mais biodisponíveis na circulação, tornando-se um transportador crucial nessa síndrome, essa lipoproteína está diretamente associada ao risco de eventos arteriosclerizantes tornando-se tão benéfico a redução dos níveis séricos de colesterol LDL18.</p><p>Ainda sobre os estudos de Paoli (2020) e Cincione (2021) que paralelamente a essa redução houve aumento do colesterol HDL, tendo como consequência a redução de risco de problemas cardíacos advindos das arterioscleroses, pois a lipoproteína HDL atua como um redutor na formação das placas de ateroma, consequentemente diminuindo as chances de problemas cardíacos. Nas dietas cetogênicas é orientado o consumo de oleaginosas que contribuem para o aumento dos níveis séricos de HDL.</p><p>Podemos também observar com os estudos de Cincione et al. e Pandurevic et al. ambos em 2023 que através de ensaios clínicos, foram testadas em diferentes grupos de mulheres, dieta cetogênica de baixa caloria e dieta do mediterrâneo. As participantes de um mesmo grupo fizeram por um período a cetogênica em seguida substituíram pela dieta mediterrânica. Tanto Cincione(2023) quanto Pandurevic(2023) comprovaram que os resultados de melhora do quadro da SOP eram bem mais evidentes quando elas estavam na dieta cetogênica do que na mediterrânea, como por exemplo, em grupo de mulheres que devido a SOP, não apresentavam ciclo menstrual devido a altos níveis te testosterona e pós cetose passaram a menstruar regularmente por conta da diminuição de testosterona e consequente aumento de SHBG por biodisponibilidade, por consequência houve aumento das ovulações, elevando as chances de uma gravidez clínica19.</p><p>Esses mesmos autores puderam constatar os benefícios dessa dietoterapia quando se tratava dos riscos de resistência a insulina, que é aumentado em mulheres com SOP e bastante reduzido após a dieta cetogênica, pois devido a diminuição severa na ingestão de carboidratos os níveis séricos de insulina e glicose na corrente sanguínea diminuem drasticamente, chegando até a ocorrência de valores normais para o Homa-ir (índice que avalia a resistência à insulina no paciente) 20.</p><p>Não bastasse, em pesquisas realizadas por Magagnini et al. em 2022 e Palafox et al. em 2023 observou-se melhoras da cetogênese também em condições que favoreciam a gravidez; que geralmente é a causa primária do interesse da mulher em procurar tratamento para a SOP, pois têm maior dificuldade em engravidar por métodos naturais. Através da dietoterapia cetogênica puderam apresentar aumento da espessura endometrial e regulação das taxas hormonais como SHBG, progesterona possibilitando uma boa ovulação21.</p><p>Conclusão</p><p>Foi concluído que o uso da cetogênese pode ser um importante aliado para a melhora dos distúrbios endócrinos recorrentes da SOP para as mulheres, pois se trata de uma terapia não farmacológica e eficaz por apresentar reduções e regulações de moléculas que se apresentavam alteradas em um período de tempo relativamente curto.</p><p>Referências</p><p>1.Bachelot A. Polycystic ovarian syndrome: clinical and biological diagnosis. Ann Biol Clin (Paris). 2016 Dec 1;74(6):661-667. English. doi: 10.1684/abc.2016.1184. PMID: 27848917.</p><p>2.Lizneva D, Suturina L, Walker W, Brakta S, Gavrilova-jordan L, Azziz</p><p>R. Criteria, prevalence, and phenotypes of polycystic ovary syndrome. Fertil Steril. 2016 Jul;106(1):6-15. doi: 10.1016/j.fertnstert.2016.05.003. Epub 2016 May 24. 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