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<p>1</p><p>LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL APLICADA</p><p>UNIDADE 1</p><p>1. EMPRESÁRIO E ATIVIDADE EMPRESARIAL</p><p> EMPRESÁRIO</p><p>É quem exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a</p><p>produção ou a circulação de bens ou serviços, exceto quem exerce profissão</p><p>intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que com o</p><p>concurso de auxiliares ou colaboradores, pois, nesses casos o aspecto essencial</p><p>será o caráter pessoal da prestação de serviços, como por exemplo, dentista,</p><p>engenheiro, médico, advogado, autor, escritor, cantor, ator, etc. (profissionais</p><p>liberais).</p><p>Porém, se as atividades de natureza científica, literária ou artística constituírem</p><p>elemento de empresa, poderão estar incluídas no conceito de empresário.</p><p>O conceito de empresário é gênero e pode ser dividido nas seguintes espécies:</p><p>- Empresário Individual;</p><p>- Sociedade Limitada Unipessoal (SLU);</p><p>- Sociedade Empresária (Pluripessoal).</p><p>Profissional liberal atua sozinho, mas quando vários profissionais liberais se</p><p>reúnem formam uma sociedade uniprofissional, também conhecidas como</p><p>sociedades comuns.</p><p>Os 04 (quatro) elementos formadores do critério legal para uma atividade</p><p>empresária:</p><p>- profissionalismo –caracteriza-se pela habitualidade/continuidade da atividade;</p><p>- exercício de uma atividade econômica – é a finalidade lucrativa do negócio (não</p><p>se exige lucro real, mas apenas a intenção de lucrar);</p><p>2</p><p>- organização necessária para o desenvolvimento da atividade – é o que</p><p>diferencia a atividade econômica empresarial da atividade econômica</p><p>intelectual; corresponde à reunião de fatores de produção (mão-de-obra, capital,</p><p>matéria-prima e tecnologia);</p><p>- produção ou circulação de bens e serviços.</p><p>Assim, empresa é a atividade econômica organizada para a produção ou</p><p>circulação de bens e serviços, que é realizada pelo empresário individual, pela</p><p>sociedade limitada unipessoal ou pela sociedade empresária (pluripessoal).</p><p>Tanto a sociedade limitada unipessoal quanto a sociedade empresária</p><p>(pluripessoal) possuem patrimônio próprio e personalidade jurídica distintos</p><p>dos do(s) sócio(s). Já no caso do empresário individual, o patrimônio e a</p><p>personalidade se confundem com os da pessoa física.</p><p>Tipos Societários:</p><p>- Empresário Individual;</p><p>- Sociedade Limitada Unipessoal;</p><p>- Sociedade Empresária (Pluripessoal).</p><p> EMPRESÁRIO INDIVIDUAL</p><p>É a pessoa física que exerça profissionalmente atividade econômica organizada</p><p>para a produção ou a circulação de bens ou serviços, que esteja em pleno gozo</p><p>de sua capacidade civil e não tenha nenhum impedimento legal (como, por</p><p>exemplo, uma condenação criminal, ainda que temporária, ser médico com</p><p>exercício simultâneo de empresa farmacêutica, um estrangeiro com visto</p><p>provisório, uma condenação por crime falimentar ainda não reabilitado).</p><p>Não poderá ser empresário individual a pessoa incapaz.</p><p>Capacidade civil:</p><p>- Pessoa capaz: a partir de 18 (dezoito) anos completos (maioridade civil).</p><p>Pessoa relativamente incapaz (parágrafo único do artigo 5º do Código Civil):</p><p>3</p><p>- a partir de 16 (dezesseis) anos completos e menor que 18 (dezoito) anos</p><p>completos. Pode obter a maioridade civil por meio de:</p><p> concessão dos pais ou por sentença judicial;</p><p> casamento;</p><p> exercício de emprego público efetivo;</p><p> colação de grau em curso de ensino superior;</p><p> estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de</p><p>emprego, desde que, em função deles, o menor com 16 (dezesseis) anos</p><p>tenha economia própria.</p><p>- ébrios habituais e os viciados em tóxico;</p><p>- aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua</p><p>vontade;</p><p>- os pródigos.</p><p>- Pessoa absolutamente incapaz: menor de 16 (dezesseis) anos completos.</p><p>Entretanto, quando a incapacidade for superveniente (vem após ao registro, por</p><p>exemplo, acidente ou doença após o registro que a impede de praticar atos da</p><p>vida civil) ou quando se dá o recebimento da empresa por herança, e sendo o</p><p>herdeiro incapaz, a empresa será conduzida por seu representante legal. Nessas</p><p>situações, os bens particulares que o incapaz possui e que não tenham sido</p><p>adquiridos com o exercício da empresa, ficarão resguardados, blindados.</p><p>Também são impedidos de realizar atividades econômicas como empresário ou</p><p>sócios:</p><p>- militares;</p><p>- servidores públicos federais;</p><p>- magistrados (juízes);</p><p>- membros do Ministério Público.</p><p>O registro do Empresário Individual no Registro Público de Empresas Mercantis</p><p>antes do início da atividade é obrigatório, e é organizado por meio de 02 (dois)</p><p>órgãos:</p><p>- Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC), que integra o</p><p>Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; e</p><p>- Junta Comercial.</p><p>4</p><p>O pedido de registro deve conter:</p><p>- nome;</p><p>- nacionalidade;</p><p>- domicílio;</p><p>- estado civil;</p><p>- firma;</p><p>- capital;</p><p>- objeto; e</p><p>- sede do empresário.</p><p>Há confusão patrimonial, ou seja, o patrimônio da empresa e da pessoa física é</p><p>o mesmo, de modo que sua responsabilidade perante as obrigações que contrair</p><p>é ampla e irrestrita.</p><p>Não se deve confundir o Empresário Individual com o profissional autônomo,</p><p>pois aquele exerce uma atividade econômica organizada, enquanto este não cria</p><p>uma organização significativa em sua atividade.</p><p>É possível transformar o Empresário Individual em Sociedade Empresária, no</p><p>caso de admissão de sócios, ou, ainda, para uma Sociedade Limitada Unipessoal</p><p>(SLU), bastando solicitar a transformação do registro.</p><p> SOCIEDADE LIMITADA UNIPESSOAL (SLU)</p><p>É a pessoa jurídica que exerça profissionalmente atividade econômica</p><p>organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. É um modelo</p><p>empresarial que dispensa a necessidade de sócios para sua constituição, criado</p><p>em 2019, não exigindo um valor mínimo de capital social.</p><p>A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) foi extinta em</p><p>2021 e substituída pela Sociedade Limitada Unipessoal (SLU).</p><p>É importante destacar que Empresário Individual é diferente de sócio de uma</p><p>Sociedade Empresária, pois o sócio não é considerado empresário, mas parte de</p><p>uma Sociedade Empresária.</p><p>5</p><p>Também diferentemente do Empresário Individual, na Sociedade Limitada</p><p>Unipessoal (SLU) há preservação do patrimônio pessoal do empreendedor.</p><p>2. TEORIA GERAL DO DIREITO SOCIETÁRIO</p><p> SOCIEDADE EMPRESÁRIA (PLURIPESSOAL)</p><p>É a pessoa jurídica que exerça profissionalmente atividade econômica</p><p>organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. Diferente da</p><p>Sociedade Limitada Unipessoal, possui 02 (dois) ou mais sócios, podendo os</p><p>sócios serem pessoas físicas e/ou jurídicas.</p><p>É importante destacar que nem toda sociedade é, por natureza, empresária,</p><p>bem como nem toda atividade econômica constitui uma atividade empresarial.</p><p>Do mesmo modo que nem todos os indivíduos que praticam atividades</p><p>econômicas são considerados empresários individuais, nem todas as sociedades</p><p>são classificadas como sociedades empresárias.</p><p>Assim, as sociedades podem ser classificadas em 02 (duas) principais</p><p>categorias: as simples e as empresárias.</p><p>- Sociedade Simples</p><p>São aquelas que exercem atividades econômicas de forma não empresarial, ou</p><p>seja, sem a finalidade de lucro, como as sociedades uniprofissionais. Embora</p><p>pratique atividade econômica e beneficie os sócios, não envolve a circulação de</p><p>riqueza e lucro. Exemplo: uma cooperativa.</p><p>A Sociedade Simples será registrada no Cartório de Registro Civil de Pessoas</p><p>Jurídicas, ao contrário da Sociedade Empresária que será registrada na Junta</p><p>Comercial.</p><p>Retornando à Sociedade Empresária (Pluripessoal), há certas sociedades que</p><p>são sempre consideradas empresariais, independentemente do tipo de atividade</p><p>que realizam, como é o caso das sociedades por ações.</p><p>6</p><p>No caso das cooperativas, independentemente do tipo de atividade</p><p>que</p><p>desempenhem, sempre serão consideradas sociedades simples.</p><p>A distinção entre Sociedade Empresária e Sociedade Simples se baseia nos</p><p>objetivos e na forma como as atividades econômicas são conduziadas.</p><p>Outras distinções entre Sociedade Simples e Sociedade Empresária é que a</p><p>primeira não sofre falência, não podendo se beneficiar da recuperação judicial</p><p>de empresas, bem como a responsabilidade dos sócios é ilimitada, já a segunda</p><p>pode sofre falência e se beneficiar da recuperação judicial, além da</p><p>responsabilidade dos sócios ser limitada a depender do tipo societário.</p><p>- ELEMENTOS DE UMA SOCIEDADE EMPRESÁRIA</p><p> Elementos Gerais</p><p>Incluem a existência de consenso entre os sócios para estabelecer a sociedade,</p><p>definindo seus termos e suas condições, um objeto lícito e a conformidade com</p><p>a forma prescrita ou não proibida em lei.</p><p> Elementos Específicos</p><p>Caracterizam a Sociedade Empresária de forma mais detalhada:</p><p>- Contribuição para o capital social – cada sócio contribui com recursos</p><p>(dinheiro, bens ou serviços) para financiar as operações da sociedade.</p><p>- Participação nos lucros e nas perdas – os sócios compartilham os resultados</p><p>financeiros da sociedade, sejam lucros ou perdas, na forma definida no termo</p><p>do acordo da sociedade.</p><p>- Affectio societatis – refere-se à necessidade dos sócios demonstrarem de</p><p>forma concreta sua intenção de estabelecer a sociedade, e vai além de um</p><p>simples contrato, envolvendo o comprometimento real com os objetivos e as</p><p>metas da sociedade.</p><p>- Pluralidade de partes – é essencial a existência de pluralidade de sócios (mais</p><p>de um sócio), com exceção nas sociedades anônimas, que permitem a existência</p><p>de uma sociedade unipessoal em algumas jurisdições.</p><p>Princípios Constitucionais (previstos na Constituição Federal) que regem a</p><p>atividade empresária:</p><p>7</p><p>- livre iniciativa;</p><p>- liberdade de concorrência;</p><p>- função social da empresa;</p><p>- liberdade de associação.</p><p>Princípios Doutrinários:</p><p>- preservação da empresa;</p><p>- autonomia patrimonial da sociedade empresária;</p><p>- subsidiariedade da responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais;</p><p>- limitação da responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais;</p><p>- prevalência da vontade da maioria;</p><p>- proteção dos sócios minoritários.</p><p>A Sociedade Empresária é constituída por meio de contrato social ou do estatuto</p><p>social, a depender do tipo de sociedade e das leis que a regem.</p><p>Quando se trata de Sociedades Por Ações, Cooperativas e Entidades Sem Fins</p><p>Lucrativos, será o Estatuto Social, por subscrição pública (os fundadores</p><p>buscam investidores para financiar a sociedade) ou por subscrição particular</p><p>(os fundadores não buscam investidores externos). As regras dessas sociedades</p><p>estão previstas na Lei nº 6.404/1976.</p><p>O Estatuto Social deve conter:</p><p>- subscrição de todo o capital social por, no mínimo, 02 (duas) pessoas;</p><p>- realização de, pelo menos, 10% (dez por cento) do preço das ações subscritas</p><p>em dinheiro.</p><p>As entradas de dinheiro podem ser depositadas em instituições financeiras</p><p>autorizadas.</p><p>Já as demais sociedades não mencionadas na Lei nº 6.404/1976, como</p><p>sociedades limitadas, a base legal é o Código Civil, e serão constituídas mediante</p><p>Contrato Social que pode se dar por instrumento particular ou por instrumento</p><p>público.</p><p>O Contrato Social conterá:</p><p>8</p><p>- a qualificação dos sócios; o objeto social;</p><p>- o nome empresarial;</p><p>- a sede;</p><p>- o prazo de duração;</p><p>- o capital social;</p><p>- as cotas dos sócios;</p><p>- a nomeação do administrador.</p><p>Independentemente do tipo de sociedade, há procedimentos adicionais, como o</p><p>registro e a publicação dos atos constitutivos, necessários para a regularização</p><p>da sociedade perante a lei, sendo que somente após esses procedimentos é que</p><p>a sociedade poderá iniciar suas atividades de forma regular.</p><p>- Personalidade Jurídica da Sociedade Empresária</p><p>É a aptidão genérica para adquirir direitos e contrair obrigações, e é adquirida</p><p>com a inscrição do ato constitutivo (contrato social ou estatuto social) no órgão</p><p>público competente.</p><p>- Efeitos da personalidade jurídica:</p><p> Capacidade para o exercício de direitos e obrigações;</p><p> Participação no polo ativo ou no passivo de uma relação jurídica;</p><p> Nome próprio;</p><p> Domicílio próprio (sede social; onde exerce suas atividades e</p><p>negociações);</p><p> Patrimônio próprio (separado do dos sócios).</p><p>É possível que a personalidade jurídica seja desconsiderada em um processo</p><p>judicial, mas só ocorre quando efetivamente comprovado o desvio de finalidade</p><p>ou confusão patrimonial (Teoria Maior). A desconsideração da personalidade</p><p>jurídica está prevista no artigo 50 do Código Civil.</p><p>SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADAS</p><p>Aquelas que não podem ser consideradas personalidades jurídicas por não</p><p>estarem registradas no órgão competente.</p><p>Espécies:</p><p>9</p><p>- Sociedade Em Comum também chamada de irregular ou de fato.</p><p>É formada por 02 (duas) ou mais pessoas, com prática de atividade econômica</p><p>e repartição dos resultados, sem que tenha havido o registro. Não se trata de</p><p>uma sociedade ilícita, porém, não existe pessoa jurídica, então, os sócios</p><p>responderão solidariamente pelas obrigações contraídas.</p><p>- Sociedade Em Conta de Participação.</p><p>Há a presença de 02 (duas) figuras:</p><p>- sócio ostensivo, que pode ser pessoa física ou jurídica, e será essa pessoa</p><p>que irá exercer o objeto social da sociedade e tem responsabilidade exclusiva e</p><p>age em seu nome individual);</p><p>- sócio oculto ou participante, que pode ser pessoa física ou jurídica que</p><p>participa somente dos resultados.</p><p>Somente o sócio ostensivo responde perante terceiros de maneira ilimitada.</p><p>O patrimônio dessa sociedade é especial, o que também vale para a sociedade</p><p>em comum, isto é, só gera efeito em relação aos próprios sócios. O patrimônio</p><p>serve para o fim almejado pela sociedade e não para responder perante terceiros</p><p>(como o patrimônio de uma sociedade personificada responderia).</p><p>SOCIEDADE PERSONIFICADAS</p><p>São aquelas com personalidade jurídica adquirida quando do registro de seu</p><p>ato constitutivo (contrato social ou estatuto social).</p><p>No momento de sua constituição, os sócios/acionistas escolhem o tipo</p><p>societário específico que importará em relação à responsabilização dos</p><p>sócios/acionistas pelas obrigações sociais.</p><p>Tipos societários:</p><p>- Sociedade Em Nome Coletivo – é bastante difícil de encontrar, pois os sócios</p><p>respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, entretanto, é</p><p>possível que os sócios, no ato constitutivo ou, posteriormente, por unânime</p><p>convenção, limitar a responsabilidade de cada sócio. Já entre os sócios, poderá</p><p>haver uma repartição de responsabilidade que somente terá efeito entre eles.</p><p>- Sociedade Em Comandita Simples</p><p>10</p><p>Há 02 (dois) tipos de sócios:</p><p>- os Comanditados: pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente</p><p>pelas obrigações sociais, e são os responsáveis pela administração e têm</p><p>poderes de gestão da sociedade.</p><p>- os Comanditários: são obrigados somente pelo valor da sua quota, então, a</p><p>responsabilidade é limitada, e participam apenas como sócios de investimento,</p><p>sob a promessa de uma participação de lucros.</p><p>- Sociedade Em Comandita Por Ações – vale o mesmo da Sociedade Em</p><p>Comandita Simples, e é regida pela Lei da Sociedade Anônima, sendo que a</p><p>diferença entre elas é a forma do tratamento, sendo ela por ações na Sociedade</p><p>Em Comandita Por Ações e por quotas na Sociedade Em Comandita Simples.</p><p>- Sociedade Limitada (Ltda.) – é o tipo mais comum.</p><p>Cada sócio terá a obrigação de integralizar sua parte para a formação do capital</p><p>social que será apenas formado por patrimônio (dinheiro e bens), não cabendo</p><p>a integralização com trabalho/serviços.</p><p>A responsabilidade dos sócios é subsidiária, limitada e será solidária apenas</p><p>quanto à integralização do capital social, e o limite da responsabilidade é o</p><p>capital social (nos limites de suas quotas sociais).</p><p>- Sociedade Anônima – é regida pela Lei nº 6.404/1976, sendo uma sociedade</p><p>de capitais, e o seu capital é dividido por ações negociáveis no mercado.</p><p>É formada por acionistas cuja responsabilidade é limitada ao preço de emissão</p><p>das ações subscritas ou adquiridas.</p><p>Pode ser:</p><p>- Fechada - as ações (valores mobiliários) NÃO são negociadas no mercado de</p><p>capitais</p><p>- Aberta - as ações (valores mobiliários) são negociadas no mercado de capitais.</p><p>3. FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA EMPRESA</p><p>RECUPERAÇÃO JUDICIAL, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E FALÊNCIA</p><p>A Lei nº 11.105/2005 regulamenta a recuperação judicial, a recuperação</p><p>extrajudicial e falência do empresário e da sociedade empresária.</p><p>11</p><p>Em 2011 foi aprovada a Lei nº 14.112/2020, conhecida como a nova lei de</p><p>recuperação judicial e falência, e teve o objetivo de corrigir algumas deficiências</p><p>da Lei nº 11.105/2005, bem como trouxe vários instrumentos processuais e</p><p>materiais que aprimoram a recuperação judicial e processo de falência de</p><p>empresas.</p><p>Dentre as várias alterações introduzidas pela nova legislação, destaque-se os</p><p>estímulos à concessão de crédito às empresas em processo de recuperação</p><p>judicial conhecido como DIP Financing, uma abordagem para a consolidação</p><p>substancial; a flexibilização das regulamentações sobre a venda de ativos e o</p><p>aprimoramento da proteção nesse contexto; a implementação de diretrizes para</p><p>situações de insolvência de natureza transnacional; e a possibilidade de os</p><p>credores apresentarem uma alternativa ao plano de recuperação judicial.</p><p>RECUPERAÇÃO JUDICIAL</p><p>A recuperação judicial abrange aspectos econômico-financeiros, produtivos e</p><p>jurídicos, e busca reestruturar e otimizar a capacidade de uma empresa,</p><p>visando a obtenção de uma lucratividade sustentável, possibilitando a</p><p>superação da situação de crise econômico-financeira, promovendo a</p><p>manutenção da fonte de produção, a preservação dos postos de trabalho e a</p><p>consideração dos interesses dos credores, por meio de um plano de recuperação.</p><p>Não são todos os créditos que autorizam a recuperação judicial, mas somente</p><p>os créditos trabalhistas e decorrentes de acidente do trabalho, crédito com</p><p>garantia real (por exemplo, contratos com garantia, como uma hipoteca, um</p><p>penhor, quando se oferece um bem imóvel ou móvel como garantia de um</p><p>empréstimo), crédito com privilégio especial e geral, crédito quirografário</p><p>(contratos em geral, títulos de créditos em geral).</p><p>Já os créditos que não podem fazer parte do plano de recuperação judicial são:</p><p>o crédito do titular da posição de proprietário fiduciário, baseado em um</p><p>contrato que consta uma cláusula de alienação fiduciária, como contratos</p><p>bancários em que a empresa oferece em troca do crédito um bem móvel ou</p><p>imóvel em garantia, o crédito tributário, que não se sujeita a nenhum tipo de</p><p>concurso de credores, recuperação judicial ou falência, conforme previsão legal.</p><p>12</p><p>Somente estão sujeitos à recuperação judicial os créditos existentes na data do</p><p>pedido, ainda que não vencidos, de modo que na data de propositura da ação</p><p>de recuperação judicial, todos os créditos existentes deverão integrar o plano de</p><p>recuperação.</p><p>Para o pedido (ação) de recuperação judicial há requisitos que incluem a</p><p>descrição financeira do devedor e os fatores que o conduziram à crise, a</p><p>apresentação das demonstrações contábeis mais recentes, a lista de credores,</p><p>entre outros.</p><p>Resumo das fases do processo de recuperação judicial:</p><p> Pedido de Recuperação:</p><p>- é a própria empresa que pede e ela deve demonstrar enfrentar grave crise</p><p>econômico-financeira.</p><p>- os documentos comprobatórios, como atraso salarial, dívidas, etc., são</p><p>apresentados.</p><p> Análise e Aprovação do Pedido:</p><p>- o juiz analisa e aprova o pedido, nomeando um administrador judicial.</p><p>- as ações e as execuções são suspensas por 180 (cento e oitenta) dias.</p><p> Criação do Plano de Recuperação:</p><p>- a empresa apresenta um plano à Assembleia de Geral de credores.</p><p>- o plano inclui detalhes de recuperação, viabilidade econômica, laudos</p><p>financeiros e medidas para reorganização.</p><p> Aprovação do Plano:</p><p>- se aprovado, o juiz autoriza a execução do plano.</p><p>- a rejeição pode levar à concessão de prazo para apresentação de novo plano</p><p>ou à falência.</p><p> Execução do Plano:</p><p>- a empresa cumpre o plano, pagando dívidas e mantendo atividades</p><p>sustentáveis.</p><p>- o administrador judicial realiza fiscalização durante 02 (dois) anos.</p><p>13</p><p> Encerramento da Recuperação:</p><p>- cumpridas as obrigações, o juiz declara o encerramento por sentença.</p><p>- a empresa é liberada das restrições e pode retomar seu crescimento.</p><p>RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL</p><p>É uma opção para a reestruturação de passivos envolvendo credores ou grupos</p><p>de credores particulares, e é aplicada a empresas que estejam enfrentando</p><p>crises não consideradas graves, de modo a garantir a continuidade de suas</p><p>operações.</p><p>Tem natureza contratual, então as partes envolvidas têm liberdade para</p><p>negociar soluções, podem ajustar condições das obrigações a serem cumpridas,</p><p>a fim de viabilizar a superação da crise, entretanto, não se aplica a todos os</p><p>credores, porque os créditos de natureza tributária e aqueles decorrentes das</p><p>relações comerciais não podem ser objeto de recuperação extrajudicial.</p><p>Já a sujeição dos créditos de natureza trabalhista e por acidentes de trabalho</p><p>exige negociação coletiva com o sindicato da respectiva categoria profissional.</p><p>A homologação do plano de recuperação extrajudicial poderá ser:</p><p>- Voluntária: consiste na adesão de todos os credores do plano.</p><p>- Obrigatória: consiste na extensão dos efeitos do plano aos credores que</p><p>eventualmente não aderirem, mesmo que isso ocorra contra a vontade deles.</p><p>O devedor tem a opção de requerer a homologação de um plano de recuperação</p><p>extrajudicial que vincule todos os credores abrangidos, desde que seja assinado</p><p>por credores que representem uma porcentagem significativa dos créditos de</p><p>cada categoria incluída no plano, na verdade, metade dos créditos de cada</p><p>categoria abrangida pelo plano de recuperação extrajudicial.</p><p>Não pode o devedor solicitar a homologação de um plano de recuperação</p><p>extrajudicial se já houver pedido de recuperação judicial pendente ou se tiver</p><p>obtido a recuperação judicial ou a homologação de outro plano extrajudicial nos</p><p>últimos 02 (dois) anos.</p><p>14</p><p>O pedido de homologação do plano extrajudicial não impede direitos, ações ou</p><p>execuções, nem impede que os credores não sujeitos ao plano de recuperação</p><p>extrajudicial solicitem a falência do devedor, e ele somente constitui título</p><p>executivo judicial e gera efeitos após homologado pelo juiz.</p><p>Após a distribuição do pedido de homologação, os credores que aderirem ao</p><p>plano não podem desistir sem o consentimento explícito dos demais signatários.</p><p>A recuperação extrajudicial não impossibilita a realização de outras</p><p>modalidades de acordo privado entre o devedor e seus credores.</p><p>FALÊNCIA</p><p>É um processo de execução coletiva que visa arrecadar o patrimônio de um</p><p>empresário ou sociedade empresária falidos para pagamento dos credores.</p><p>A autoria da ação de falência pode ser feita pelo próprio devedor (autofalência)</p><p>e quanto ao próprio devedor confessa sua insolvência, ou por outros agentes,</p><p>como cônjuge, herdeiros, acionista ou qualquer credor. A Fazenda Pública não</p><p>pode propor ação de falência contra devedor com crédito tributário, pois contra</p><p>mecanismos próprios para cobrança.</p><p>Os réus de falência incluem empresários individuais, sociedades limitadas</p><p>unipessoais (SLU), sociedades empresárias (pluripessoal).</p><p>Estão excluídas total ou parcialmente do processo de falência algumas</p><p>entidades como empresas públicas, sociedades de economia mista e instituições</p><p>financeiras.</p><p>A situação que autoriza o ajuizamento de ação</p><p>de falência é a insolvência, que</p><p>pode ser de 02 (dois) tipos:</p><p>- Confessada: hipótese de autofalência.</p><p>- Presumida.</p><p>A Falência Presumida possui 03 (três) hipóteses:</p><p>15</p><p>- quando decretada se o devedor não pagar, na data de vencimento, dívida acima</p><p>de 40 (quarenta) salários-mínimos sem justificativa relevante;</p><p>- se não pagar nem apresentar bens suficientes dentro do prazo;</p><p>- se praticar atos no intuito de não deixar o seu patrimônio ser atingido.</p><p>Após ajuizada a ação, o devedor tem o prazo de 10 (dez) dias para apresentar</p><p>defesa, sendo que o juiz pode decretar a falência, mas o devedor pode evitar isso</p><p>por meio de depósito elisivo. Decretada a falência, o falido fica inabilitado para</p><p>a atividade empresarial até sentença de reabilitação. A segunda fase do processo</p><p>envolve a arrecadação e a venda de bens para pagamento dos credores, seguindo</p><p>uma ordem de preferência legal.</p><p>Na falência, a ordem de preferência dos créditos segue uma distinção entre</p><p>créditos extraconcursais, surgidos durante o processo de falência, e os créditos</p><p>concursais, anteriores à decretação da falência e habilitados para pagamento, e</p><p>deverá ser respeitada.</p><p>Os créditos extraconcursais têm prioridade no pagamento e abrangem quantias</p><p>referentes à leis específicas, valores entregues ao devedor em recuperação</p><p>judicial, créditos em dinheiro sujeitos a restituição, remunerações do</p><p>administrador judicial, entre outros.</p><p>A ordem de preferência dos créditos concursais são os derivados de ações</p><p>trabalhistas, os créditos com garantia real, os tributários, os quirografários, as</p><p>multas contratuais, entre outros.</p><p>4. PROPRIEDADE INDUSTRIAL</p><p>DIREITO DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL</p><p>Engloba a regulamentação das criações resultantes da inventividade humana</p><p>que impactam as atividades as atividades empresariais.</p><p>A propriedade industrial é uma forma específica da propriedade intelectual, que</p><p>compreende o direito à propriedade de algo imaterial, intangível e não palpável.</p><p>16</p><p>A propriedade industrial é uma categoria distinta da propriedade intelectual,</p><p>sendo as diferenças entre elas é a legislação regulatória delas.</p><p>Outra diferença está na natureza jurídica do registro, pois na propriedade</p><p>industrial é registro de natureza constitutiva, o que significa que a propriedade</p><p>sobre determinado bem da propriedade industrial é assegurada por meio de um</p><p>ato formal perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), já na</p><p>propriedade intelectual, a proteção aos direitos autorais não precisa de registro,</p><p>tendo natureza declaratória.</p><p>BENS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL</p><p>O artigo 5º, inciso XXIX, da Constituição Federal traz aos “autores de inventos</p><p>industriais privilégio temporário para a sua utilização, bem como proteção às</p><p>criações industriais, propriedade de marcas, nomes de empresas e outros signos</p><p>distintivos, considerando o interesse social e o desenvolvimento econômico do</p><p>pais”.</p><p>Os bens de propriedade industrial abrangem:</p><p> Invenção: Não há um conceito legal preciso para invenção, sendo</p><p>definidos apenas os requisitos necessários para a concessão da patente:</p><p>novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. Em termos comuns,</p><p>uma invenção é compreendida como um ato original resultante da</p><p>atividade criativa humana.</p><p> Modelo de Utilidade: é patenteável quando se trata de um objeto, ou de</p><p>parte dele, do uso prático e suscetível de aplicação industrial,</p><p>apresentando nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo que</p><p>resulte em melhoria funcional no uso ou na fabricação.</p><p> Desenho Industrial: é considerado a forma plástica ornamental de um</p><p>objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que pode ser aplicado</p><p>a um produto. Ele proporciona um resultado visual novo e original em</p><p>sua configuração externa e pode servir como tipo de fabricação industrial.</p><p>17</p><p> Marca: as marcas são suscetíveis de registro quando são sinais</p><p>distintivos visualmente perceptíveis e não estão sujeitas às proibições</p><p>legais. Em relação às formas gráficas de apresentação, as marcas podem</p><p>ser classificadas em quatro diferentes tipos:</p><p> A Marca Nominativa: consiste em uma ou mais palavras,</p><p>neologismos, combinações de letras e números, ou até mesmo</p><p>algarismos romanos e/ou arábicos. O registro é realizado em</p><p>formato de caractere padrão, desconsiderando fonte, estilo,</p><p>tamanho ou cor. A diferenciação entre marcas desse tipo e seus</p><p>concorrentes ocorre pela fonética, ou seja, pela forma de</p><p>pronunciá-las. Por não conter elementos figurativos, é crucial</p><p>que uma marca nominativa tenha um nome forte e único para</p><p>evitar confusão com outras marcas registradas.</p><p> A Marca Figurativa: é composta por desenhos, imagens,</p><p>figuras, símbolos, formas fantasiosas ou figurativas de letras ou</p><p>algarismos, além de palavras formadas por letras de alfabetos</p><p>(como hebraico, cirílico ou árabe) e ideogramas. Essa</p><p>modalidade protege exclusivamente a parte visual, não o nome</p><p>da marca. Apesar de menos solicitada, pode ser uma opção</p><p>interessante quando a empresa possui uma logo distintiva que</p><p>representa bem o produto ou serviço, como no caso da</p><p>Mercedes-Benz.</p><p> A Marca Mista: combina elementos nominativos e figurativos</p><p>ou apenas elementos nominativos com grafia fantasiosa ou</p><p>estilizada. Ao obter o registro, tanto o nome quanto a imagem</p><p>estão protegidos. É a modalidade mais requisitada pelos</p><p>empresários, pois proporciona maior distintividade,</p><p>especialmente em casos de confusão por parte dos</p><p>consumidores. Essa opção é ideal para marcas cujos nomes são</p><p>formados por adjetivos ou termos comuns.</p><p> A Marca Tridimensional: é uma representação física de um</p><p>produto ou embalagem que os distingue dos demais no</p><p>18</p><p>mercado. Assim como um logotipo, é viável registrar essa forma</p><p>no INPI para assegurar seu uso exclusivo. As garrafas da Coca-</p><p>Cola e Yakult são excelentes exemplos de tal tipo de marca.</p><p>Existem ainda diferentes tipos de marcas, conforme artigo 123 da Lei nº</p><p>9.279/1996:</p><p> Marca de Produto ou Serviço: tem a finalidade de diferenciar um</p><p>produto ou serviço dos demais que sejam idênticos, semelhantes ou</p><p>relacionados, mas provenientes de origens distintas, conforme</p><p>estabelecido no inciso I desse artigo.</p><p> Marca de Certificação: é utilizada para comprovar a conformidade de</p><p>um produto ou serviço com normas, padrões ou especificações técnicas.</p><p>Seu propósito principal é informar ao público que o produto ou serviço</p><p>atende a requisitos técnicos específicos. Segundo a lei de propriedade</p><p>industrial, a marca de certificação é concedida para uso por terceiros</p><p>autorizados pelo titular, exclusivamente para certificação de terceira</p><p>parte. A obtenção da marca de certificação não substitui selos de</p><p>inspeção ou o cumprimento de regulamentos estabelecidos pela</p><p>legislação. É importante destacar que a responsabilidade pela qualidade</p><p>do produto ou serviço, conforme definido no Código de Proteção e Defesa</p><p>do Consumidor, permanece com o fornecedor, mesmo com a posse da</p><p>marca de certificação.</p><p> Marca Coletiva: identifica e distingue produtos ou serviços de membros</p><p>de uma pessoa jurídica representativa de uma coletividade, o que inclui</p><p>associações, cooperativas, sindicatos, consórcios, federações,</p><p>confederações, entre outros. Ao contrário da marca de produto ou</p><p>serviço, a marca coletiva tem o propósito de indicar ao consumidor que o</p><p>produto ou serviço é proveniente de membros de uma entidade específica.</p><p>Os membros da entidade registrada podem usar a marca coletiva sem a</p><p>necessidade de licença, conforme regulamentado. O titular da marca</p><p>coletiva tem o direito de estabelecer condições e proibições de uso para</p><p>os associados por meio de um regulamento de utilização.</p><p>19</p><p>REGISTRO E PATENTE</p><p>Registro e patente são 02 (duas) formas fundamentais de proteger bens na</p><p>esfera da propriedade industrial, estabelecendo um regime</p><p>dual de</p><p>reconhecimento pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).</p><p>Patente não é um bem industrial, mas uma forma de proteção crucial, assim</p><p>como o registro, havendo distinções entre eles em pelo menos 03 (três) aspectos</p><p>significativos.</p><p>Registro da Marca ou Desenho Industrial: é um procedimento que concede ao</p><p>proprietário o direito de utilizar sua criação dentro do país, e pode ser solicitado</p><p>para proteger a aparência de um produto, desde que atenda aos requisitos de</p><p>novidade e originalidade. O processo de registro envolve consultar a existência</p><p>de registros similares, realizar a solicitação, efetuar o pagamento da GRU (guia</p><p>de recolhimento da União) e de acompanhar o pedido.</p><p>Marca: é o nome e/ou imagem identificadores de um produto ou serviço, requer</p><p>registro no INPI para assegurar exclusividade.</p><p>Patente: é um título de propriedade concedido a uma invenção ou modelo de</p><p>utilidade, que garante exclusividade e impede a exploração comercial por um</p><p>período determinado. De acordo com a Constituição Federal, a patente</p><p>representa um privilégio temporário concedido ao inventor para exploração a</p><p>invenção. O processo, conduzido pelo INPI, abrange 03 (três) modelos de</p><p>patentes:</p><p>- Certificado de Adição de Invenção;</p><p>- Patente de Invenção;</p><p>- Patente de Modelo de Utilidade.</p><p>- Licença: é a autorização concedida para terceiros explorarem uma patente.</p><p>Assim, tanto o titular, com base em seu direito, quanto terceiros, mediante</p><p>concessão de licença, podem explorar uma patente previamente concedida pelo</p><p>INPI.</p><p>Existem 02 (dois) tipos de licença:</p><p>20</p><p>- Licença Voluntária: surge de um acordo entre o titular e terceiros</p><p>interessados, situação em que o titular autoriza a exploração mediante</p><p>pagamento de royalties.</p><p>- Licença Compulsória: ocorre em situações relacionadas ao exercício abusivo</p><p>dos direitos da patente ou a interesses considerados mais relevantes pela lei.</p><p>O prazo de validade da proteção das patentes é de 20 (vinte) anos para invenções</p><p>e de 15 (quinze) anos para modelos de utilidade, contados a partir do depósito</p><p>de pedido no INPI, sem possibilidade de prorrogação.</p><p>Já os registros tem um prazo inicial de 10 (dez) anos tanto para desenhos</p><p>industriais quanto para marcas, sendo possível a prorrogação.</p><p>No Brasil, o registro de marca é válido por 10 (dez) anos a partir da data de</p><p>concessão do registro, e depois desse período, a renovação da marca deve ser</p><p>realizada para restaurar a proteção e os direitos exclusivos do titular. O pedido</p><p>de prorrogação deve ser feito mediante solicitação ao INPI, desde que esteja</p><p>dentro dos últimos 06 (seis) meses antes do vencimento do registro.</p><p>TRADE TRESS E CONCORRÊNCIA DESLEAL</p><p>O Trade Tress ou conjunto de imagens refere-se à aparência global de um</p><p>produto ou à forma única como um serviço é oferecido. Isso inclui não apenas</p><p>a “aparência” dos produtos, mas também os aspectos distintivos (tantos</p><p>internos quanto externos) de estabelecimentos ou serviços.</p><p>Mesmo não havendo previsão legal específica, o trade tress é protegido,</p><p>utilizando-se do fundamento à concorrência desleal, para que não seja injusto</p><p>que um concorrente se aproveitasse do conjunto-imagem de outro empresário,</p><p>considerando o investimento significativo feito para que um produto ou serviço</p><p>seja amplamente reconhecido visualmente pelos consumidores.</p><p>O sistema jurídico brasileiro combate a concorrência desleal, que seria qualquer</p><p>ato de concorrência contrário aos usos honestos em matéria industrial ou</p><p>comercial.</p><p>21</p><p>A concorrência desleal é caracterizada quando se cria confusão ou associação</p><p>indevida com o estabelecimento, os produtos ou a atividade de um concorrente,</p><p>bem como as indicações ou as alegações que possam induzir o público a erro</p><p>sobre as características das mercadorias.</p><p>Existem diversas condutas que caracterizam o crime de concorrência desleal,</p><p>dentre elas:</p><p>- Divulgação de Falsas Afirmações;</p><p>- Prestação de Informações Falsas;</p><p>- Desvio Fraudulento de Clientela;</p><p>- Utilização Indevida de Expressões ou Sinais de Propaganda Alheios;</p><p>- Uso Inadequado de Nome Comercial;</p><p>- Título de Estabelecimento ou Insígnia; entre outros.</p><p>O legislador proíbe também a atribuição indevida de recompensas ou distinções,</p><p>a prática de suborno a empregados de concorrentes, a divulgação não</p><p>autorizada de conhecimentos confidenciais da indústria, do comércio ou da</p><p>prestação de serviços, bem como a utilização indevida de resultados de testes</p><p>não divulgados.</p><p>São requisitos para configuração da concorrência desleal:</p><p>- dolo genérico, bastando a culpa do agente;</p><p>- existência de agentes que atuem no mesmo meio mercadológico (concorrentes);</p><p>- desnecessidade de comprovação do dano;</p><p>- clientela sendo induzida a erro;</p><p>- ato ilícito a ensejar a repreensão do direito da marcas (há que se diferenciar</p><p>condutas inerentes à prática negocial e artifícios para indução do consumidor</p><p>ao erro).</p><p>A lei que regulamenta a propriedade industrial resguarda ao prejudicado o</p><p>direito de buscar compensação/indenização pelas perdas e danos como forma</p><p>de ressarcimento pelos prejuízos decorrentes de atos de violação de direitos de</p><p>propriedade industrial e de concorrência desleal não contemplados</p><p>explicitamente em lei.</p><p>22</p><p>A lei de propriedade industrial também prevê a possibilidade do juiz, no decorrer</p><p>da ação, determinar liminarmente a suspensão da violação ou de atos que a</p><p>provoquem, antes mesmo da citação do réu, podendo exigir caução em dinheiro</p><p>ou garantia fidejussória para evitar danos irreparáveis. Em casos de reprodução</p><p>ou imitação de marca registrada, o juiz pode ordenar a apreensão de tudo:</p><p>mercadorias, produtos, objetos, embalagens, etiquetas e outros que contenham</p><p>a marca falsificada ou imitada.</p><p>Mapa mental dos tópicos conceituais estudados nesta unidade:</p><p>23</p><p>EXERCÍCIO</p><p>Amanda é uma jovem visionária e apaixonada por moda. Desde criança, sonha</p><p>em criar sua própria marca de roupas sustentáveis e exclusivas e sempre foi</p><p>fascinada pela ideia de empreender. Depois de anos ganhando experiência no</p><p>setor de moda, decide que é hora de transformar seu sonho em realidade.</p><p>Amanda decide, então, batizar sua marca de Amanda's Creations. Seu objetivo</p><p>é não apenas criar roupas elegantes e modernas, mas também incorporar</p><p>práticas sustentáveis em todo o ciclo de vida do produto. Ela planeja utilizar</p><p>materiais orgânicos e reciclados, bem como adotar processos de fabricação eco-</p><p>friendly. Ela acredita que é possível ser fashion sem comprometer o meio</p><p>ambiente.</p><p>Por isso, deseja não apenas criar roupas e empreender, dando vazão a sua</p><p>paixão pelo mundo dos negócios, mas também impactar positivamente a</p><p>indústria da moda, mostrando que é possível ter uma empresa lucrativa</p><p>enquanto mantém um compromisso ético e ambiental.</p><p>Ela está animada para enfrentar os desafios que vêm com o empreendedorismo,</p><p>desde a concepção da ideia até a construção de uma marca reconhecida</p><p>globalmente.</p><p>Como parte de sua jornada, Amanda está pesquisando os requisitos legais para</p><p>iniciar seu próprio negócio. Ao longo desse processo, surgiram dúvidas sobre os</p><p>procedimentos de registro e o modo como pode organizar e desenvolver a sua</p><p>atividade empresária.</p><p>Reflita</p><p>Em vista do exposto, Amanda busca uma consultoria jurídica para sanar suas</p><p>dúvidas: do que preciso para me tornar uma empresária? Como posso</p><p>desenvolver essa atividade? Qual o primeiro passo que devo dar? Como faço</p><p>para proteger minhas criações?</p><p>24</p><p>Resolução do estudo de caso</p><p>Conforme o art. 966 do Código Civil (CC), considera-se empresário quem exerce</p><p>profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou</p><p>circulação de bens ou serviços. Para isso, é necessário que a atividade seja</p><p>realizada de forma habitual e com intuito</p><p>lucrativo. De acordo com o mesmo</p><p>artigo, é essencial que a atividade seja organizada de maneira profissional, o</p><p>que envolve a definição de um plano de negócios, a escolha de fornecedores, o</p><p>estabelecimento de processos de produção e circulação e demais aspectos</p><p>relacionados à gestão do empreendimento.</p><p>Diante disso, para se tornar empresária, Amanda precisa estar em pleno gozo</p><p>da capacidade civil, ou seja, ter atingido a maioridade ou estar emancipada, e</p><p>não pode estar legalmente impedida, o que implica não possuir restrições legais</p><p>que a impeçam de exercer atividades empresariais. Esses critérios garantem que</p><p>a pessoa tenha a autonomia e a responsabilidade necessárias para conduzir um</p><p>negócio de maneira legal e eficiente.</p><p>O primeiro passo de Amanda é, então, fazer o registro no Registro Público de</p><p>Empresas Mercantis, pois, conforme o art. 967 do Código Civil, é obrigatória a</p><p>inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da sua</p><p>sede, antes do início da atividade. Esse registro envolve a apresentação de</p><p>informações como nome, nacionalidade, domicílio, estado civil, regime de bens,</p><p>firma, capital, objeto e sede da empresa.</p><p>Para proteger suas criações no âmbito da moda sustentável, é crucial que a</p><p>jovem considere o direito de propriedade industrial, conforme explicado na</p><p>unidade. Nessa circunstância, marcas e patentes desempenham papéis</p><p>fundamentais. No que diz respeito às roupas exclusivas, é possível buscar o</p><p>registro de desenho industrial para proteger a forma plástica ornamental dos</p><p>produtos. Quanto à marca Amanda's Creations, ela pode ser registrada como</p><p>uma marca de produto ou serviço, o que proporcionará exclusividade e distinção</p><p>no mercado.</p>

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