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<p>TEXTO &</p><p>G R A M Á T I C A</p><p>SUMÁRIO</p><p>O NOVO PORTUGUÊS....................................................................................................................10</p><p>ORTOGRAFIA OFICIA.....................................................................................................................10</p><p>FONÉTICA.......................................................................................................................................14</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA................................................................................................................18</p><p>EMPREGO DO HÍFEN......................................................................................................................19</p><p>ORTOGRAFIA DO PORQUÊ...........................................................................................................20</p><p>SEMÂNTICA.....................................................................................................................................21</p><p>ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS......................................................................................23</p><p>MORFOLOGIA.................................................................................................................................29</p><p>SUBSTANTIVO.................................................................................................................................31</p><p>PRONOME.......................................................................................................................................33</p><p>ADJETIVO.......................................................................................................................................34</p><p>ADVÉRBIO......................................................................................................................................35</p><p>ADVÉRBIO......................................................................................................................................36</p><p>ARTIGO...........................................................................................................................................40</p><p>NUMERAL.......................................................................................................................................40</p><p>PREPOSIÇÃO.................................................................................................................................44</p><p>INTERJEIÇÃO.................................................................................................................................45</p><p>CONJUNÇÃO..................................................................................................................................45</p><p>MORFOSSINTAXE..........................................................................................................................46</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO SUJEITO......................................................................................................49</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO ..........................................................................................52</p><p>TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO..........................................................................................55</p><p>TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO............................................................................................60</p><p>Aposto.............................................................................................................................................62</p><p>Vocativo...........................................................................................................................................62</p><p>Orações subordinadas...................................................................................................................64</p><p>Período composto por coordenação.............................................................................................67</p><p>SINTAXE DE COLOCAÇÃO............................................................................................................68</p><p>ESTUDO DAS REGRAS DE CRASE................................................................................................70</p><p>REGÊNCIA VERBAL.......................................................................................................................73</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( I )......................................................................................................79</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( II ).....................................................................................................80</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( III ).....................................................................................................81</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( IV ).....................................................................................................83</p><p>CONCORDÂNCIA NOMINAL...........................................................................................................84</p><p>AS FRASES E A PONTUAÇÃO........................................................................................................85</p><p>Sinais que marcam sobretudo a pausa.........................................................................................86</p><p>Sinais que marcam sobretudo a melodia......................................................................................89</p><p>ESTRUTURA DA PALAVRA ........................................................................................................95</p><p>RESUMOS......................................................................................................................................95</p><p>ESTRUTURA DA PALAVRA ......................................................................................................95</p><p>FORMAÇÃO DE PALAVRAS...........................................................................................................96</p><p>PRONOMES TIPOS.........................................................................................................................96</p><p>PRONOMES CLASSIFICAÇÃO.......................................................................................................97</p><p>CONJUNÇÕES COORDENATIVAS.................................................................................................99</p><p>VERBOS..........................................................................................................................................99</p><p>CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS .........................................................................................100</p><p>ORAÇÕES COORDENADAS.........................................................................................................101</p><p>ORAÇÕES SUBORDINADAS.........................................................................................................101</p><p>MÓDULO I - GRAMÁTICA</p><p>SUMÁRIOSUMÁRIO</p><p>SUMÁRIO</p><p>REGÊNCIA VERBAL......................................................................................................................102</p><p>CRASE...........................................................................................................................................102</p><p>COLOCAÇÃO PRONOMINAL........................................................................................................103</p><p>TERMOS DA ORAÇÃO....................................................................................................................103</p><p>TAREFA 01.....................................................................................................................................105</p><p>TAREFA 02.....................................................................................................................................108</p><p>TAREFA 03.....................................................................................................................................112</p><p>TAREFA 04.....................................................................................................................................118</p><p>TAREFA 05.....................................................................................................................................123</p><p>Decassílabo</p><p>Démos- povo Democracia</p><p>Eléktron- (âmbar) Eletricidade</p><p>Eletroímã</p><p>Ethnos- raça Etnia</p><p>Géo- terra Geografia</p><p>Héteros- outro Heterogêneo</p><p>Hexa- seis Hexágono</p><p>Híppos- cavalo Hipopótamo</p><p>Ichthýs- peixe Ictiografia</p><p>Ísos- igual Isósceles</p><p>Makrós- grande, longo Macróbio</p><p>Mégas- grande Megalomaníaco</p><p>Mikrós- pequeno Micróbio</p><p>Mónos- um só Monocultura</p><p>Nekrós- morto Necrotério</p><p>Néos- novo Neolatino</p><p>Odóntos- dente Odontologia</p><p>Ophthalmós- olho Oftalmologia</p><p>Ónoma- nome Onomatopeia</p><p>Orthós- reto, justo Ortografia</p><p>Pan- todos, tudo Pan-americano</p><p>Páthos- doença Patologia</p><p>Penta- cinco Pentágono</p><p>27</p><p>28</p><p>Radicais que atuam como segundo elemento:</p><p>Radicais Latinos</p><p>Radicais que atuam como primeiro elemento:</p><p>Radicais que atuam como segundo elemento:</p><p>FORMAÇÃO DE PALAVRAS</p><p>São dois os grandes processos de formação das</p><p>palavras: derivação e composição.</p><p>1) DERIVAÇÃO: consiste na formação de um</p><p>novo termo pelo acréscimo de partículas a</p><p>Polýs- muito Poliglota</p><p>Pótamos- rio Potamologia</p><p>Pséudos- falso Pseudônimo</p><p>Psiché- mente Psicologia</p><p>Riza- raiz Rizotônico</p><p>Techné- arte Tecnografia</p><p>Thermós- quente Térmico</p><p>Tetra- quatro Tetraedro</p><p>Týpos- figura, marca Tipografia</p><p>Tópos- lugar Topografia</p><p>Zóon- Animal Zoologia</p><p>FORMA SENTIDO EXEMPLOS</p><p>-agogós Que conduz Pedagogo</p><p>álgos Dor Analgésico</p><p>-arché Comando, governo Monarquia</p><p>-dóxa Que opina Ortodoxo</p><p>-drómos Lugar para correr Hipódromo</p><p>-gámos Casamento Poligamia</p><p>-glótta; -</p><p>glóssa Língua Poliglota, glossário</p><p>-gonía Ângulo Pentágono</p><p>-grápho Escrita Ortografia</p><p>-grafo Que escreve Calígrafo</p><p>-grámma Escrito, peso Telegrama,</p><p>quilograma</p><p>-krátos Poder Democracia</p><p>-lógos Palavra, estudo Diálogo</p><p>-mancia Adivinhação Cartomancia</p><p>-métron Que mede Quilômetro</p><p>-nómos Que regula Autônomo</p><p>-pólis; Cidade Petrópolis</p><p>-pterón Asa Helicóptero</p><p>-skopéo Instrumento para</p><p>ver Microscópio</p><p>-sophós Sabedoria Filosofia</p><p>-théke Lugar onde se</p><p>guarda Biblioteca</p><p>FORMA SENTIDO EXEMPLO</p><p>Agri Campo Agricultura</p><p>Ambi Ambos Ambidestro</p><p>Arbori- Árvore Arborícola</p><p>Bis-, bi- Duas vezes Bípede, bisavô</p><p>Calori- Calor Calorífero</p><p>Cruci- cruz Crucifixo</p><p>Curvi- curvo Curvilíneo</p><p>Equi- igual Equilátero,</p><p>equidistante</p><p>Ferri-, ferro- ferro Ferrífero, ferrovia</p><p>Loco- lugar Locomotiva</p><p>Morti- morte Mortífero</p><p>Multi- muito Multiforme</p><p>Olei-, oleo- Azeite, óleo Oleígeno,</p><p>oleoduto</p><p>Oni- todo Onipotente</p><p>Pedi- pé Pedilúvio</p><p>Pisci- peixe Piscicultor</p><p>Pluri- Muitos, vários Pluriforme</p><p>Quadri-, quadru- quatro Quadrúpede</p><p>Reti- reto Retilíneo</p><p>Semi- metade Semimorto</p><p>Tri- Três Tricolor</p><p>FORMA SENTIDO EXEMPLO</p><p>-cida Que mata Suicida, homicida</p><p>-cola Que cultiva ou habita Arborícola, vinícola,</p><p>silvícola</p><p>-cultura Ato de cultivar Piscicultura, apicultura</p><p>-fero Que contém ou</p><p>produz Aurífero, carbonífero</p><p>-fico Que faz ou produz Benéfico, frigorífico</p><p>-forme Que tem forma de Uniforme, cuneiforme</p><p>-fugo Que foge ou faz fugir Centrífugo, febrífugo</p><p>-gero Que contém ou</p><p>produz Belígero, armígero</p><p>-paro Que produz Ovíparo, multíparo</p><p>-pede Pé Velocípede, palmípede</p><p>-sono Que soa Uníssono, horríssono</p><p>-vomo Que expele Ignívomo, fumívomo</p><p>-voro Que come Carnívoro, herbívoro</p><p>28</p><p>29</p><p>palavras já existentes. Divide-se em:</p><p>a) Prefixal: a partícula é um prefixo.</p><p>Ex.: subsolo, repor, infeliz.</p><p>b) Sufixal: a partícula é um sufixo.</p><p>Ex.: universal, felizardo, marujo.</p><p>c) Parassintética: o prefixo e o sufixo entram ao</p><p>mesmo tempo na formação da palavra.</p><p>Ex.: subterrâneo, descampado, empobrecer.</p><p>d) Regressiva ou Deverbal: substantivos deriva-</p><p>dos do Infinitivo Verbal.</p><p>Ex.: fala, pesca, choro, corte, enlace.</p><p>OBS.: O substantivo será derivado do verbo (e</p><p>não o verbo do substantivo), quando, apesar de</p><p>substantivo, denotar ação. Não é, pois, o caso de</p><p>azeite que é primitivo do verbo AZEITAR.</p><p>e)Imprópria: um novo significado para palavra já</p><p>existente.</p><p>Ex.: Leão, cabral, o jantar</p><p>2)COMPOSIÇÃO; É a união de duas ou mais</p><p>palavras já existentes no idioma, objetivando tam-</p><p>bém a formação de um novo termo. Divide-se em:</p><p>a) Justaposição: a união acontece sem que haja o</p><p>desaparecimento de letras.</p><p>Ex.: alto-falante, vaivém, girassol</p><p>b) Aglutinação: a união acontece através do</p><p>desaparecimento de letras.</p><p>Ex.: boquiaberto (boca + aberto) planalto (plano</p><p>+ alto) fidalgo (filho + de + algo)</p><p>“Palavras não são más</p><p>Palavras não são quentes</p><p>Palavras são iguais</p><p>Sendo diferentes</p><p>Palavras não são frias</p><p>Palavras não são boas</p><p>Os números para os dias</p><p>E os nomes para as pessoas</p><p>Palavras eu preciso</p><p>Preciso com urgência</p><p>Palavras que se usem</p><p>Em casos de emergência.”</p><p>(BRITO, SÉRGIO. Titãs. 1989)</p><p>As palavras da Língua Portuguesa (mais de</p><p>200.000!!) pertencem, por natureza, a dez dife-</p><p>rentes classes gramaticais.</p><p>Cada uma delas apresenta características pró-</p><p>prias. Para facilitar o reconhecimento, veja o</p><p>esquema abaixo.</p><p>Um termo isolado, muitas vezes, não oferece</p><p>condições de uma análise (morfológica segura).</p><p>Tudo depende do contexto em que ele se insere.</p><p>Veja, como exemplo, o texto a seguir. Nele a</p><p>expressão grifada ora modifica o verbo - Loc.</p><p>adverbial - ora modifica o substantivo - Loc.</p><p>adjetiva.</p><p>pagina 28</p><p>CLASSES DE</p><p>PALAVRAS</p><p>FUNÇÕES</p><p>EX.</p><p>Va</p><p>riá</p><p>ve</p><p>is</p><p>Substantivo</p><p>Nomeia seres, coisas e</p><p>ideias; o substantivo</p><p>concreto nomeia seres e</p><p>objetos; o substantivo</p><p>abstrato nomeia ações,</p><p>estados, qualidades,</p><p>sensações e sentimentos.</p><p>Fogo,</p><p>amor,beleza</p><p>Artigo</p><p>Precede o substantivo, ao</p><p>mesmo tempo determina-</p><p>o ou generaliza-o.</p><p>O amor //</p><p>Uma</p><p>saudade</p><p>Adjetivo</p><p>Modifica o substantivo;</p><p>atribuindo-lhe um estado</p><p>ou qualidade.</p><p>Homem</p><p>livre</p><p>Numeral Indica a quantidade dos</p><p>seres. Três noites</p><p>Pronome</p><p>Substitui ou acompanha o</p><p>substantivo, limitando sua</p><p>significação.</p><p>Aquela casa</p><p>Verbo Indica ação, estado ou</p><p>fenômeno da natureza.</p><p>Amanhece</p><p>nasceu</p><p>In</p><p>va</p><p>riá</p><p>ve</p><p>is</p><p>Advérbio</p><p>Modifica o verbo, o</p><p>adjetivo ou outro</p><p>advérbio, exprimindo uma</p><p>circunstância (que pode</p><p>ser de tempo, de lugar, de</p><p>modo, etc.)</p><p>Acordo</p><p>tarde</p><p>Preposição</p><p>Liga termos de uma</p><p>oração, estabelecendo</p><p>variadas relações entre</p><p>eles.</p><p>Cena de</p><p>novela</p><p>Conjunção Liga termos de mesma</p><p>função, ou orações.</p><p>Pare e</p><p>pense</p><p>Interjeição Exprime emoções ou</p><p>sentimentos. Nossa!</p><p>MORFOLOGIA</p><p>29</p><p>30</p><p>“Todo dia o sol levanta</p><p>E a gente canta</p><p>O sol de todo dia.</p><p>Fim da tarde a tenra cora</p><p>E a gente chora</p><p>porque finda a tarde.</p><p>Quando a noite a lua amansa</p><p>E a gente dança</p><p>Venerando a noite.”</p><p>(VELOSO. caetano. canto do Povo de um lugar)</p><p>I - A RELAÇÃO DETERMINANTE /</p><p>DETERMINADO</p><p>O contexto em que a palavra é empregada, já</p><p>vimos, é fundamental para a identificação da</p><p>classe gramatical a que ela pertence.</p><p>Portanto, perceber a relação que as palavras</p><p>mantêm entre si, dentro da frase, é o caminho</p><p>mais curto para a correta análise gramatical. É</p><p>sobre isso que falaremos a seguir.</p><p>Advérbio determina o verbo, o adjetivo ou outro</p><p>advérbio. É invariável.</p><p>OBS:</p><p>QUESTÃO COMENTADA</p><p>(ICES) Todas as expressões destacadas têm</p><p>valor adjetivo, EXCETO:</p><p>a) Os jornais de hoje comentam o suicídio da</p><p>moca.</p><p>Numeral Substantivo</p><p></p><p>Substitui o substantivo.</p><p></p><p>Dois é pouco.</p><p></p><p>Numeral Adjetivo</p><p></p><p>Acompanha o substantivo.</p><p></p><p>Dois filhos é pouco.</p><p>Pronome Substantivo</p><p></p><p>Substitui o substantivo.</p><p></p><p>Todos eram péssimos.</p><p></p><p>Pronome Adjetivo</p><p></p><p>Acompanha o substantivo.</p><p></p><p>Todos os livros eram péssimos</p><p>30</p><p>31</p><p>b) Os carros rodavam pelas ruas com lentidão.</p><p>c) Chegavam à cidade muitas pessoas do</p><p>interior.</p><p>d) Ele revelou-se um homem sem vergonha.</p><p>e) A infância de ontem era muito tranquila.</p><p>Resposta: letra “b”.</p><p>Em todas as opções, o termo destacado modifica</p><p>substantivo.</p><p>De gramática e de linguagem</p><p>E havia uma gramática que dizia assim:</p><p>‘Substantivo (concreto) é tudo quanto indica</p><p>Pessoa, animal ou cousa: João. sabiá, caneta.</p><p>Eu gosto é das cousas. As cousas, sim!...</p><p>As pessoas atrapalham. Estão em toda parta.</p><p>Multiplicam-se</p><p>em excesso</p><p>As cousas são quietas. Bastam-se. Não se</p><p>metem com ninguém.</p><p>Uma pedra. Um armário. Um ovo. (Ovo. nem</p><p>sempre, Ovo pode estar choco: é inquietante...)</p><p>As cousas vivem metidas com as suas cousas.</p><p>E não exigem nada.</p><p>Apenas que não as tirem do lugar onde estão.</p><p>E Joio pode neste mesmo instante vir bater à</p><p>nossa porta.</p><p>Para quê? não importa: João vem!</p><p>E há de estar triste ou alegre, reticente ou</p><p>falastrão,</p><p>Mago ou adverso... João só será definitivo</p><p>Quando esticar a canela. Morre, Joio...</p><p>Mas o bom, mesmo, são os adjetivos,</p><p>Os puras adjetivos isentos de qualquer objeto.</p><p>Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. Luminoso.</p><p>Sonoro. Lento. Eu sonho</p><p>Com uma linguagem composta unicamente de</p><p>adjetivos</p><p>Como decerto é a linguagem das plantas e dos</p><p>animais.</p><p>Ainda mais:</p><p>Eu sonho com um poema</p><p>Cujas palavras sumarentas escorram</p><p>Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,</p><p>Um poema que te mate de amor</p><p>Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:</p><p>Basta provares o seu gosto...</p><p>(QUITANA, MARIO, PROSA & VERSO. 2. ED.</p><p>PORTO AUORE, GLOBO. 1980)</p><p>1. SUBSTANTIVO: é a palavra com que nome-</p><p>amos os seres em geral e que pode sempre ser</p><p>precedida por um artigo.</p><p>Procure lembrar:</p><p>Toda palavra diante da qual podemos colocar</p><p>o artigo é um substantivo.</p><p>Ex.: Inteligência é a nossa marca registrada.</p><p>2. AS FLEXÕES DO SUBSTANTIVO</p><p>A - Flexão de Gênero</p><p>Comuns designam uma espécie. aluno - cidade -</p><p>rio...</p><p>Próprios individualizam os seres da</p><p>espécie.</p><p>André - Recife -</p><p>Amazonas...</p><p>Concretos</p><p>designam seres reais ou</p><p>fictícios, materiais ou</p><p>espirituais que tenham</p><p>existência independente.</p><p>livro - Deus -</p><p>criança - fada -o</p><p>doente...</p><p>Abstratos</p><p>designam qualidades,</p><p>ações, estados,</p><p>sensações e sentimentos.</p><p>beleza - viagem</p><p>- morte - frio –</p><p>amor...</p><p>Coletivos</p><p>exprimem coleção de</p><p>seres. Mesmo na forma</p><p>singular, traduzem ideia</p><p>de pluralidade.</p><p>bando - elenco -</p><p>dúzia - pé...</p><p>BIFORMES filho – filha / cantor - cantora</p><p>UNIFORMES</p><p>o colega - a colega /</p><p>jacaré macho - jacaré fêmea /</p><p>a testemunha</p><p>jornais de hoje</p><p>pessoas do interior</p><p>homem sem vergonha</p><p>infância de ontem</p><p>Apenas em "b" isso não ocorre. O t ermo em n egrito</p><p>modifica o verbo e tem, portanto, valor adverbial</p><p>rodavam com lentidão</p><p>SUBSTANTIVO</p><p>31</p><p>32</p><p>Composto formado por verbos repetidos</p><p>Duas situações facultativas</p><p>variam os dois elementos só varia o 2* elemento</p><p>piscas-piscas</p><p>pisca-piscas</p><p>Composto formado pela palavra “guarda”</p><p>Guarda substantivo - varia</p><p>verbo - não varia</p><p>guardas-noturnos</p><p>guarda-comidas</p><p>Exceção: guardas-marinhas, guardas-marinha</p><p>CASOS ESPECIAIS</p><p>Só varia o 1º e lemento</p><p>a) quando as palavras do composto forem ligadas por</p><p>preposição.</p><p>Pés de chinelo</p><p>Chefes de</p><p>seção</p><p>b) quando o segundo elemento determina o primeiro,</p><p>dando-lhe ideia de finalidade ou semelhança.</p><p>Cartas-bombas</p><p>Homens-rã</p><p>Obs.: A tendência moderna, porem, é de pluralizar os</p><p>dois elementos.</p><p>Cartas-bombas</p><p>Homens-rãs</p><p>B - Flexão de Grau</p><p>C - Flexão de Número</p><p>Plural dos Substantivos Compostos</p><p>Regra Geral: são variáveis o substantivo, o adje-</p><p>tivo e o numeral.</p><p>QUESTÃO COMENTADA</p><p>(FUMEC) Aponte a alternativa em que a flexão de</p><p>plural não se fez em consonância com a norma</p><p>culta:</p><p>a) As famílias estrangeiras têm por hábito o uso</p><p>de lavalouças.</p><p>b) Vários guardas-notumos rondaram o bairro e</p><p>localizaram o ladrão.</p><p>c) É comum, nas grandes cidades, existirem</p><p>guardamóveis para socorrer os proprietários sem</p><p>espaço em casa.</p><p>d) Não gostava que conversássemos com ele</p><p>usando meio-termos.</p><p>e) Ocorrerá ainda durante este mês, em Gra-</p><p>mado, o festival de curtas-metragens.</p><p>Resposta: letra “d”.</p><p>Em “d”, lemos um substantivo composto formado</p><p>de numeral e substantivo, que são palavras vari-</p><p>áveis. Portanto: meios-termos seria o correto.</p><p>FORMAÇÃO DO FEMININO</p><p>Os gêneros das palavras da Língua Portuguesa</p><p>são o masculino e o feminino, conforme admitam</p><p>o artigo “o” ou o artigo “a”.</p><p>Masculino:</p><p>Há palavras que só têm o masculino: o mar, o</p><p>DIMINUTIVO NORMAL AUMENTATIVO</p><p>Menininho Menino Meninão</p><p>SINGULAR PLURAL</p><p>jornal jornais</p><p>CASOS ESPECIAIS</p><p>Só varia o 2º elemento</p><p>Quando for uma onomatopéia.</p><p>Tico-ticos</p><p>Pingue-pongues</p><p>e</p><p>32</p><p>33</p><p>abade – abadessa ateu – ateia</p><p>avô – avó barão – baronesa</p><p>bispo – episcopisa imperador– imperatriz</p><p>jogral – jogralesa judeu – judia</p><p>ladrão – ladra maestro – maestrina</p><p>livro, o telefone, o papel.</p><p>Atenção para estes masculinos: o caudal, o clã, o</p><p>champanha, o dó, o eclipse, o formicida, o grama</p><p>(unidade de peso), o lança-perfume, o milhar, o</p><p>pijama, o proclama, o saca-rolhas, o telefonema.</p><p>Feminino</p><p>Há palavras que só têm o feminino: a mesa, a</p><p>flor, a luz, a parede.</p><p>Atenção para estes femininos: a aguardente, a</p><p>análise, a fama, a cal, a cataplasma, a coma, a</p><p>dinamite, a faringe, a omoplata, a dó, a tíbia, a</p><p>variante e os nomes terminados em “-gem” (a</p><p>ferrugem, a lavagem), exceto “personagem”, que</p><p>pode ser masculino ou feminino.</p><p>Comum-de-dois-gêneros</p><p>Há palavras que, sem mudar a forma, tanto ser-</p><p>vem para indicar o sexo masculino como o sexo</p><p>feminino, bastando mudar o artigo; por isso, cha-</p><p>mam-se COMUNS DE DOIS:</p><p>o artista - a artista, o dentista - a dentista, o jovem</p><p>- a jovem, o estudante - a estudante, o doente - a</p><p>doente, o camarada - a camarada, o mártir - a</p><p>mártir, o selvagem - a selvagem.</p><p>Sobrecomum</p><p>As palavras que só têm uma forma e um único</p><p>gênero, mas designam tanto o homem quanto a</p><p>mulher, são chamadas</p><p>SOBRECOMUNS:</p><p>o cônjuge, a pessoa, o algoz, a testemunha, a</p><p>vítima, a criança.</p><p>Epiceno</p><p>Há palavras que, como as sobrecomuns, só têm</p><p>uma forma ou um único gênero, mas servem para</p><p>designar animais dos dois sexos.</p><p>São os EPICENOS: o tigre, o jacaré, a cobra, a</p><p>pulga.</p><p>A distinção, na prática, se necessária, será feita</p><p>da seguinte forma: o tigre macho, o tigre fêmea;</p><p>a cobra macho, a cobra fêmea; ou o macho do</p><p>tigre, a fêmea do tigre.</p><p>Biformes</p><p>As palavras que têm uma forma para o masculino</p><p>e outra para o feminino são BIFORMES. Estas,</p><p>para a formação do feminino, obedecem a crité-</p><p>rios diversos:</p><p>1)Terminação “o” - Trocam o “-o” por “-a”:</p><p>menino - menina, moço - moça,</p><p>aluno - aluna, belo - bela.</p><p>2)Terminação “-ão” - Trocam “-ão” por:</p><p>“-ã”: cidadão-cidadã,alemão-alemã, anão - anã,</p><p>irmão - irmã;</p><p>“-oa”: leão-leoa, leitão-leitoa, patrão-patroa, hor-</p><p>telãohorteloa, tabelião-tabelioa;</p><p>“-ona”:chorão-chorona,pedinchão-pedincho-na,</p><p>valentão - valentona.</p><p>3) Terminação “-e” - Trocam “-e” por “-a”:</p><p>chefe – chefa, gigante - giganta, monge - monja,</p><p>parente – parenta.</p><p>Mas há muitas que são comuns de dois:</p><p>o amante - a amante, o cliente - a cliente, o</p><p>doente - a doente, o habitante - a habitante, o</p><p>ouvinte - a ouvinte, o servente - a servente.</p><p>4)Terminação “-or”, “-ês”, “-l”, “-z” - Acrescentam</p><p>“-a”: doutor - doutora, professor - professora, fre-</p><p>guês - freguesa, inglês - inglesa, zagal - zagala,</p><p>oficial - oficiala, juiz - juíza.</p><p>5) Não se enquadram nos</p><p>casos anteriores:</p><p>PRONOME</p><p>33</p><p>34</p><p>6) Casos em que o feminino é todo diferente do</p><p>masculino:</p><p>7) Mudam o sentido ao mudar o gênero:</p><p>“A vida não tem roteiro.</p><p>Tudo permanece fiel a um comando invisível.</p><p>Há um eixo, uma linha básica.</p><p>O talvegue que entre os vales espera o curso</p><p>do rio.</p><p>Mais largo, menos largo.</p><p>Mais fundo, menos fundo.</p><p>Garganta estreita, pedra, queda.</p><p>Remanso com sombra, tempestade, cheia.</p><p>Água suja, água limpa.</p><p>De águas sujas e águas revoltas se faz um rio.</p><p>(...) Lá vou eu entre montanhas, pelo caminho</p><p>anterior a mim.</p><p>Passo indiferente pela paisagem insensível à</p><p>minha passagem.</p><p>Não escolhi a fonte de que provenho, como não</p><p>escolhi as</p><p>escarpas por que desço.</p><p>Sei que lá vou indo, porque não sei como não ir.</p><p>Sei dos silêncios e dos sigilos que ligam as</p><p>pequenas</p><p>peripécias, peça por peça,</p><p>à compulsória aventura.</p><p>Escolhi eu? Não.</p><p>Vou recolhendo o que vejo e o que vivo,</p><p>para conferir no coração.”</p><p>(Otto LARA RESENDE)</p><p>1. ADJETIVOS: São palavras que expressam as</p><p>qualidades ou características dos seres.</p><p>Homens serenos caminhavam pela rua vazia.</p><p>2. AS FLEXÕES DO ADJETIVO: As flexões de</p><p>gênero e número do adjetivo simples são idênti-</p><p>cas às do substantivo.</p><p>Homem mau - Homens maus</p><p>Mulher má -Mulheres más</p><p>A flexão de grau do adjetivo pode ser assim</p><p>sintetizada:</p><p>O Plural dos Adjetivos Compostos</p><p>conde – condessa cônsul – consulesa</p><p>czar – czarina diácono – diaconisa</p><p>dom – dona duque – duquesa</p><p>embaixador – embaixatriz europeu – europeia</p><p>felá – felaína frade – freira</p><p>galo – galinha grou – grua</p><p>guri – guria herói – heroína</p><p>ilhéu – ilhoa papa – papisa</p><p>pitón – pitonisa poeta – poetisa</p><p>príncipe – princesa profeta – profetisa</p><p>rajá – rani rapaz – rapariga</p><p>rei – rainha réu – ré</p><p>sacerdote – sacerdotisa sandeu – sandia</p><p>sultão – sultana taberéu – tabaroa</p><p>varão – virago visconde - viscondessa</p><p>bode – cabra boi – vaca</p><p>cão – cadela carneiro – ovelha</p><p>homem – mulher javali – giranda</p><p>marido – mulher padrasto – madrasta</p><p>padre – madre pai – mãe</p><p>patriarca – matriarca veado – cerva</p><p>zangão - abelha</p><p>o cabeça (chefe) a cabeça (p. do corpo)</p><p>o capital (dinheiro) a capital (cidade)</p><p>o cisma (cisão da Igreja) a cisma (dúvida)</p><p>o cura (padre) a cura (ato de curar)</p><p>o grito (brado) a grita (gritaria)</p><p>o lotação (ônibus) a lotação (capacidade)</p><p>o moral (ânimo) a moral (decência)</p><p>o poço (cavidade funda) a poça (cova rasa)</p><p>COMPARATIVO SUPERLATIVO</p><p>Superioridade Clara é</p><p>mais alta que André.</p><p>Igualdade Clara é tão</p><p>alta quanto André.</p><p>Absoluto Clara é altíssima</p><p>(sintético)</p><p>Clara é muito alta ( analítico)</p><p>Relativo Clara é a mais</p><p>Inferioridade Clara é</p><p>menos alta que André.</p><p>alta de todas. (superioridade)</p><p>Clara é a menos alta de</p><p>todas. (inferioridade)</p><p>ADJETIVO</p><p>34</p><p>35</p><p>Regra Geral: nos adjetivos compostos, somente</p><p>o último elemento varia, concordando com o</p><p>substantivo.</p><p>• Emissoras todo-poderosas.</p><p>• Bolsas azul-escuras.</p><p>Há que se afinar o corpo até o último sempre.</p><p>Exercer-se</p><p>como instrumento capaz de receber a poesia do</p><p>mundo.</p><p>Poesia suspensa em rotação e translação.</p><p>Movimentos moderados alinhavando dias e</p><p>luares, estações e colheitas, minutos</p><p>e milênios, provisoriamente.</p><p>(...)</p><p>Há que se aprender do rio o ritmo.</p><p>Ao buscar o sol, seu curso não desfaz</p><p>paisagem, mas se refaz em paisagem.</p><p>Percorrendo o exato limite das</p><p>montanhas e planícies, o rio cumpre</p><p>a rota original esculpida pelo tempo,</p><p>pacientemente.</p><p>Há que se existir sem sede como a chuva.</p><p>Crina e cauda de nuvem em relâmpago e galope,</p><p>destilando macios espinhos de cristais.</p><p>Chicote acariciando pétalas, pontuando ,</p><p>flores na superfície dos mares.</p><p>silenciosamente.</p><p>(...)</p><p>Desprender-se pautando o nada.</p><p>(QUEIRÓS. BARTOLOMEU CAMPOS DE. MINERAÇÕES)</p><p>1. ADVÉRBIO</p><p>é palavra invariável que se liga a verbo, adjetivo</p><p>ou a outro advérbio.</p><p>2. CLASSIFICAÇÃO</p><p>Tanto os advérbios como as locuções adverbiais</p><p>são classificados de acordo com a circunstância</p><p>que expressam.</p><p>Hoje, ontem,</p><p>amanhã, agora,</p><p>depois, antes, já,</p><p>anteontem,</p><p>sempre, nunca,</p><p>tarde, jamais,</p><p>outrora, raramente,</p><p>sucessivamente,</p><p>presentemente etc.</p><p>Circunstância Advérbio Locução adverbial</p><p>1.Afirmação</p><p>sim, certamente,</p><p>deveras,</p><p>realmente,</p><p>incontestavelmente</p><p>...</p><p>com certeza, por certo,</p><p>sem dúvida, de fato,</p><p>etc.</p><p>2. Dúvida</p><p>talvez, acaso,</p><p>porventura,</p><p>provavelmente,</p><p>quiçá, decerto...</p><p>3.</p><p>Intensidade</p><p>bastante, bem,</p><p>demais, mais,</p><p>menos, muito,</p><p>pouco, assaz,</p><p>quase, tão,</p><p>demasiado, meio,</p><p>todo,</p><p>demasiadamente,</p><p>excessivamente,</p><p>apenas etc.</p><p>de muito, de pouco, de</p><p>todo, em demasia, em</p><p>excesso, por completo</p><p>etc.</p><p>4. Lugar</p><p>abaixo, acima,</p><p>adiante, aí, aqui,</p><p>além, ali, aquém,</p><p>cá, acolá, atrás,</p><p>através, dentro,</p><p>fora, perto, longe,</p><p>junto, onde,</p><p>defronte, detrás</p><p>etc.</p><p>à direita, à esquerda, à</p><p>distância, ao lado, de</p><p>longe, de perto, para</p><p>dentro, por aqui, em</p><p>cima. por fora, para</p><p>onde, por ali, por</p><p>dentro etc.</p><p>5. Modo</p><p>assim, bem, mal,</p><p>depressa, devagar,</p><p>pior, melhor, como,</p><p>alerta,</p><p>suavemente,</p><p>lentamente, e</p><p>quase todos os</p><p>advérbios</p><p>terminados em -</p><p>mente.</p><p>às cegas, às claras, à</p><p>toa. à vontade, às</p><p>pressas, a pé, ao léu,</p><p>às escondidas, em</p><p>geral, em vão, passo a</p><p>passo, de cor. frente a</p><p>frente, lado a lado etc.</p><p>6. Negação</p><p>não,</p><p>absolutamente,</p><p>tampouco</p><p>de forma alguma, de</p><p>jeito algum, de modo</p><p>algum, de jeito nenhum</p><p>etc.</p><p>7. Tempo</p><p>à noite, à tarde, às</p><p>vezes, de repente, de</p><p>manhã, de vez em</p><p>quando, de súbito, de</p><p>quando em quando,</p><p>em breve, de tempos</p><p>em tempos, vez por</p><p>outra, hoje em dia etc.</p><p>ADVÉRBIO</p><p>35</p><p>36</p><p>Quero saber onde vais.</p><p>Mandaram perguntar como vais.</p><p>Nota: Não se deve confundir advérbio interroga-</p><p>tivo com pronome interrogativo.</p><p>Observação 1:</p><p>Foi dito que o advérbio se refere ao verbo; acres-</p><p>cente-se, agora, que ele também pode referir-se</p><p>a um adjetivo ou a outro advérbio.</p><p>Ele trabalha muito. muito trabalha</p><p>Ele é muito trabalhador. muito trabalhador</p><p>Ele poderia trabalhar muito mais. muito mais</p><p>Observação 2:</p><p>Também existem as chamadas locuções adver-</p><p>biais que vêm quase sempre introduzidas por</p><p>uma preposição:</p><p>à farta (= fartamente),</p><p>às pressas (= apressadamente),</p><p>à toa,</p><p>às cegas,</p><p>às escuras,</p><p>às tontas,</p><p>às vezes, de quando em quando, etc.</p><p>QUESTÃO COMENTADA</p><p>(UFMG) Na frase: “O barulho chegava ao barra-</p><p>cão com</p><p>muita nitidez.” A expressão sublinhada veicula</p><p>ideia de:</p><p>A) Comparação</p><p>B) Consequência</p><p>C) Lugar</p><p>D) Origem</p><p>E) Modo</p><p>Resposta: letra “e”</p><p>A expressão em destaque modifica o verbo</p><p>acrescentando-lhe ideia de modo. É uma locução</p><p>adverbial.</p><p>1. PESSOAIS:</p><p>Os pronomes pessoais, que tomam o lugar da</p><p>pessoa que fala (1ª pessoa), da pessoa com que</p><p>falamos (2ª pessoa) ou da pessoa de que falamos</p><p>(3ª pessoa), podem ser:</p><p>A) RETOS E OBLÍQUOS</p><p>EMPREGO (CERTO X ERRADO)</p><p>a) Eu e tu x mim e ti - Se houver preposição</p><p>antes, devemos usar mim e/ou ti, e não eu e/</p><p>ou tu:</p><p>Entre mim e ti não há desavenças.</p><p>Sobre Joana e ti nada se pode dizer</p><p>Devo a ti esta conquista.</p><p>Constrói esta casa para mim.</p><p>Se, todavia, acrescentarmos um verbo no infini-</p><p>tivo, devemos usar eu e/ou tu:</p><p>Constrói esta casa para eu morar.</p><p>Ele disse que é para eu e tu partirmos.</p><p>b) Si e consigo - Estes pronomes somente podem</p><p>ser empregados, se se referirem ao sujeito da</p><p>oração:</p><p>Joana só pensa em si. (“Si” refere-se a “Joana”:</p><p>sujeito)</p><p>O poeta gosta de ficar consigo mesmo. (“Consigo”</p><p>refere-se a “poeta”: suj.)</p><p>mo l k l j b p = mb p p l ^ f p=</p><p>Pessoa</p><p>Gramatical Retos</p><p>Oblíquos</p><p>Átonos Tônicos</p><p>1ª singular eu me mim, (co) migo</p><p>1ª plural nós nos (co) nosco</p><p>2ª singular tu te ti, (con) tigo</p><p>2ª plural vós vos (con) vosco</p><p>3ª singular ele, ela se, o, a, lhe si, (con) sigo</p><p>3ª plural eles, elas se, os, as, lhes si, (con) sigo</p><p>ADVÉRBIO</p><p>36</p><p>37</p><p>Estão erradas, portanto, frases como estas:</p><p>Creio muito em si, meu amigo.</p><p>Quero falar consigo.</p><p>“Si” e “consigo” estão referindo-se à pessoa</p><p>com quem falamos, e não ao sujeito de “creio” e</p><p>“quero”, que é “eu”, subentendido. Para corrigi-</p><p>las, basta substituir “si” e “consigo” por “você”,</p><p>“senhor”, “V.Sa.” etc., conforme exigir a situação:</p><p>Creio muito em você, meu amigo.</p><p>Quero falar com o senhor.</p><p>c) Conosco e convosco - Se vierem seguidos de</p><p>uma expressão complementar, desdobram-se em</p><p>“com nós” e “com vós”:</p><p>Esta missão é com nós mesmos.</p><p>Com vós, jovens, sempre estou bem.</p><p>d) Ele(s), ela(s) x o(s), a(s) - Não raras vezes</p><p>ouvimos:</p><p>“Vi ela no teatro”, “Não queremos eles aqui”, fra-</p><p>ses em que o pronome reto, erradamente, está</p><p>exercendo a função de objeto direto. O certo é:</p><p>“Vi-a no teatro”, “Não os queremos aqui”.</p><p>B) DE TRATAMENTO</p><p>São pronomes de tratamento você, senhor,</p><p>senhora, senhorita, fulano, sicrano, beltrano e as</p><p>expressões que integram o quadro seguinte:</p><p>1) Presidente (sem abreviatura), ministro, embai-</p><p>xador, governador, secretário de Estado, prefeito,</p><p>senador, deputado federal e estadual, juiz, gene-</p><p>ral, almirante, brigadeiro e presidente de câmara</p><p>de vereadores;</p><p>2) Reitor</p><p>de universidade para o qual também se</p><p>pode usar V. Ex.ª;</p><p>3) Qualquer autoridade ou pessoa civil não citada</p><p>acima;</p><p>4) Papa;</p><p>5) Cardeal;</p><p>6) Arcebispo e bispo;</p><p>7) Autoridade religiosa inferior às acima citadas;</p><p>8) Religioso sem graduação;</p><p>9) Rei e imperador;</p><p>10) Príncipe, arquiduque e duque.</p><p>Observação:</p><p>Todas essas expressões se apresentam também</p><p>com SUA para cujas abreviaturas basta substituir</p><p>o “V” por “S”.</p><p>EMPREGO</p><p>a) Vossa Excelência etc. x Sua Excelência etc.</p><p>- Os pronomes de tratamento com “Vossa(s)”</p><p>empregam-se em relação à pessoa com quem</p><p>falamos:</p><p>Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça</p><p>a este encontro.</p><p>Com “Sua(s)” são empregados, quando falamos a</p><p>respeito da pessoa:</p><p>Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua</p><p>Excelência, o Senhor Presidente da República,</p><p>agiu com propriedade.</p><p>b) 3ª pessoa - Os pronomes de tratamento são</p><p>da 3ª pessoa; portanto, os verbos, os pronomes</p><p>possessivos e os pronomes oblíquos emprega-</p><p>dos em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa;</p><p>Basta que V. Ex.ascumpram a terça parte das</p><p>37</p><p>38</p><p>suas promessas, para que seus eleitores lhes</p><p>fiquem reconhecidos.</p><p>c) Uniformidade de Tratamento - Quando escre-</p><p>vemos ou nos dirigimos a alguém, não é per-</p><p>mitido mudar, ao longo do texto, a pessoa do</p><p>tratamento escolhida inicialmente. Assim, por</p><p>exemplo, se começamos a chamar alguém de</p><p>“você”, não poderemos usar “te” ou “teu”, o os</p><p>verbos, evidentemente, vão para a 3ª pessoa.</p><p>Eis um texto errado, do tipo, aliás, muito frequente</p><p>em nossa música popular:</p><p>Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-</p><p>-ei nos teus cabelos. Não mais permitirei que te</p><p>afastes de mim.</p><p>Ou corrigimo-lo assim:</p><p>Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei</p><p>nos seus cabelos. Não mais permitirei que se</p><p>afaste de mim.</p><p>Ou assim:</p><p>Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-</p><p>-ei nos teus cabelos. Não mais permitirei que te</p><p>afastes de mim.</p><p>PRONOMES POSSESSIVOS</p><p>Com eles indicamos a coisa possuída e a pessoa</p><p>gramatical possuidora. No quadro abaixo, vemo-</p><p>-los relacionados aos respectivos pronomes</p><p>pessoais:</p><p>EMPREGO</p><p>a) Ambiguidade - “Seu”, “sua”, “seus” e “suas” têm</p><p>dado origem a frases como estas:</p><p>O policial prendeu o ladrão em sua casa.</p><p>O jovem foi com a namorada para o seu colégio.</p><p>A casa é a do policial ou a do ladrão?</p><p>E o colégio é o do jovem ou o da namorada?</p><p>Corrigem-se, substituindo o pronome por outro ou</p><p>aproximando a coisa possuída do possuidor:</p><p>O policial prendeu o ladrão na casa deste.</p><p>O jovem foi para o seu colégio com a namorada.</p><p>b)”Machuquei a minha mão” - Não se usam os</p><p>possessivos em relação às partes do corpo ou às</p><p>faculdades do espírito. Devemos, pois, dizer:</p><p>Machuquei a mão. (E não “a minha mão”)</p><p>Ele bateu a cabeça. (E não “a sua cabeça”)</p><p>Perdeste a razão? (E não “a tua razão”)</p><p>PRONOMES RELATIVOS</p><p>São as palavras que, quem, qual, cujo, onde,</p><p>como, quando, quanto, desde que:</p><p>a) tenham como precedente um substantivo e</p><p>como consequente um verbo;</p><p>b) possam ser substituídos, sem quebra de sen-</p><p>tido, por uma expressão onde aparece qual ou</p><p>quais:</p><p>Os livros que li ajudaram-me.</p><p>(Os livros os quais li ajudaram-me.)</p><p>A casa onde moro tem goteiras.</p><p>(A casa na qual moro tem goteiras.)</p><p>PRONOMES DEMONSTRATIVOS:</p><p>São os que localizam ou identificam o substantivo.</p><p>Ainda são demonstrativos O, A. OS, AS, quando</p><p>antecedem o QUE e podem ser substituídos por</p><p>AQUELE(S), AQUELA(S), AQUILO:</p><p>Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que</p><p>PESSOAIS POSSESSIVOS</p><p>Eu meu, minha, meus, minhas</p><p>Tu teu, tua, teus, tuas</p><p>Ele, você, V. Ex.ª etc. seu, sua, seus, suas</p><p>Nós nosso, nossa, nossos, nossas</p><p>Vós vosso, vossa, vossos, vossas</p><p>Eles seu, sua, seus, suas</p><p>MASCULINO FEMININO NEUTRO</p><p>este(s) esta(s) isto</p><p>esse(s) essa(s) isso</p><p>aquele(s) aquela(s) aquilo</p><p>38</p><p>39</p><p>disseste.)</p><p>Esta rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é</p><p>aquela que te indiquei.)</p><p>EMPREGO</p><p>Este(s), esta(s), isto indicam que o ser está pró-</p><p>ximo da pessoa que fala:</p><p>Este livro que tenho aqui em minha mão escla-</p><p>rece o assunto.</p><p>Esse(s), essa(s), isso indicam o ser que está pró-</p><p>ximo da pessoa com quem falamos:</p><p>Essa caneta com que escreves pertence a mim.</p><p>Aquele(s), aquela(s), aquilo indicam o ser que</p><p>estiver longe de ambas as pessoas:</p><p>Aquele quadro que vemos na parede é antigo.</p><p>Agora, prestemos atenção a estes exemplos:</p><p>1) “A mim só interessa isto: realizar os meu</p><p>ideais.”</p><p>“Realizar os meus ideais: isso é o que me inte-</p><p>ressa.” Isto (ou este, ou esta) indica uma ideia</p><p>que ainda não foi expressa. Isso (ou esse, ou</p><p>essa) indica uma ideia que já foi expressa.</p><p>2) “As palavras afetuosas e os ditos irônicos são</p><p>como as flores e os espinhos: aquelas perfumam;</p><p>estes ferem.(ou estes ferem; aquelas perfumam.)”</p><p>Ao nos referirmos a duas ideias anteriormente</p><p>expostas, este(s), esta(s), isto (jamais esse ... )</p><p>indicam a ideia mais próxima, isto é, a última;</p><p>aquele(s), aquela(s), aquilo indicam a ideia mais</p><p>afastada, isto é, a primeira.</p><p>3) “Esta seção precisa de papel.”</p><p>“Esperamos que essa seção atenda ao nosso</p><p>pedido.” Este(s), esta(s), isto indicam o local</p><p>(cidade, rua, repartição, estado etc.) de onde</p><p>escrevemos. Esse(s), essa(s), isso indicam o local</p><p>em que se encontra o nosso correspondente.</p><p>4) “Neste século XX, vimos coisas de espantar.”</p><p>“Naquele (ou Nesse) tempo, dizia Jesus...”</p><p>Em relação a tempo, este(s), esta(s) indicam o</p><p>presente; o passado indica-se por esse ou</p><p>aquele.</p><p>Observação:</p><p>Os pronomes demonstrativos podem combinar-</p><p>-se com preposições: neste, desse, naquele etc.),</p><p>o que em nada modifica os empregos referidos.</p><p>PRONOMES INDEFINIDOS</p><p>São os que determinam o substantivo de modo</p><p>vago, de maneira imprecisa.</p><p>LISTA DOS INDEFINIDOS</p><p>PRONOMES INTERROGATIVOS</p><p>Chamam-se interrogativos os pronomes que,</p><p>quem, qual o quanto, empregados para formular</p><p>uma pergunta direta ou indireta:</p><p>Que trabalho estão fazendo?</p><p>Diga-me que trabalho estão fazendo.</p><p>Quem disse tal coisa?</p><p>Ignoramos quem disse tal coisa.</p><p>Qual dos livros preferes?</p><p>Não sei qual dos livros preferes.</p><p>Quantos passageiros desembarcaram?</p><p>Pergunte quantos passageiros desembarca-ram.</p><p>PRON. SUBSTANTIVOS x PRON. ADJETIVOS</p><p>nenhum nenhuns nenhuma nenhu-</p><p>mas ninguém</p><p>outro outros outra outras outrem</p><p>qualquer quais-</p><p>quer qualquer quais-</p><p>quer Cada</p><p>quanto quantos quanta quantas</p><p>tanto tantos tanta tantas</p><p>todo todos toda todas Tudo</p><p>vário vários vária várias</p><p>pouco poucos pouca poucas</p><p>VARIÁVEIS</p><p>MASCULINO FEMININO</p><p>SINGULAR PLURAL SINGULAR PLURAL</p><p>algum alguns alguma algumas alguém</p><p>certo certos certa certas Algo</p><p>muito muitos muita muitas Nada</p><p>INVARIÁVEIS</p><p>39</p><p>40</p><p>Pronomes adjetivos são aqueles que simples-</p><p>mente acompanham os substantivos:</p><p>Este moço é meu irmão.</p><p>Estes dois simpáticos e elegantes moços são</p><p>meus irmãos.</p><p>Pronomes substantivos são aqueles que substi-</p><p>tuem ou representam tão bem o substantivo, que</p><p>é como se ele estivesse presente:</p><p>Nem tudo está perdido.</p><p>(Nem todos os bens estão perdidos.)</p><p>Os pronomes “fanáticos” são os pessoais e os</p><p>relativos. Eles são sempre substantivos; por isso,</p><p>dispensam essa classificação. Basta chamá-los</p><p>simplesmente pronomes pessoais e pronomes</p><p>relativos.</p><p>Os outros ora são pronomes substantivos, ora</p><p>são pronomes adjetivos.</p><p>Sendo assim, nos exemplos seguintes, eles se</p><p>comportam como:</p><p>A caneta é minha.</p><p>minha – pron. subst. possessivo.</p><p>Minha sogra é um anjo.</p><p>minha – pron. adj. possessivo.</p><p>Aquilo que fizeste não se faz.</p><p>aquilo – pron. subst. demonstrativo.</p><p>Aquela criança veio ao mundo por acidente.</p><p>aquela – pron. adj. demonstrativo.</p><p>Ninguém entra em fria por querer.</p><p>ninguém – pron. subst. indefinido.</p><p>Nenhum homem conseguirá convencê-la.</p><p>nenhum – pron. adj. indefinido.</p><p>Que queres comigo?</p><p>que – pron. subst. interrogativo.</p><p>Quantas moedas vais oferecer?</p><p>quantas – pron. adj. interrogativo.</p><p>1. ARTIGO: é artigo a palavra que, vindo (direta-</p><p>mente ou não) antes de um substantivo, indica</p><p>se o mesmo está sendo empregado de maneira</p><p>definida ou indefinida. É por isso que os artigos</p><p>se subdividem em:</p><p>2. CLASSIFICAÇÃO:</p><p>a) Artigos definidos - o, a, os,</p><p>as - porque deixam</p><p>definido, determinado o substantivo a que se</p><p>referem.</p><p>Ao dizermos: “Mário, joga fora o cigarro!” estamos</p><p>nos referindo a um cigarro determinado: aquele</p><p>que Mário provavelmente estaria fumando.</p><p>b) Artigos indefinidos - um, uma, uns, umas -</p><p>porque deixam indefinido, indeterminado, vago</p><p>o substantivo a que se referem.</p><p>Quando dizemos: “Mário, dá-me um cigarro!”</p><p>estamonos referindo a um cigarro indeterminado.</p><p>Mário nos daria qualquer um dos que ele tivesse</p><p>no maço. Mas eu e Mário teríamos o mau hábito</p><p>(definido) de fumar.</p><p>1. NUMERAL: é a palavra que indica uma quan-</p><p>tidade exata ou um lugar numa série.</p><p>Os numerais podem ser:</p><p>a) Cardinais - quando indicam um número básico:</p><p>um, dois, trás, cem mil...</p><p>b) Ordinais - quando indicam um lugar numa</p><p>série: primeiro, segundo, terceiro, centésimo,</p><p>milésimo...</p><p>Segue uma lista dos ordinais que mais se erram:</p><p>40º - quadragésimo 300º - trecentésimo</p><p>50º - quinquagésimo 400º - quadringentésimo</p><p>60º - sexagésimo 500º - quingentésimo</p><p>70º - septuagésimo 600º - sexcentésimo</p><p>80º - octogésimo 700º - septingentésimo</p><p>90º - nonagésimo 800º - octingentésimo</p><p>100º - centésimo 900º - nongentésimo</p><p>200º - ducentésimo 1.000º - milésimo</p><p>c) Multiplicativos - quando indicam uma</p><p>ARTIGO</p><p>NUMERAL</p><p>40</p><p>41</p><p>Pret. mais-que-</p><p>perfeito</p><p>Futuro do</p><p>subjuntivo</p><p>Pret. imperf. do</p><p>subj.</p><p>FIZERAM fizera FIZERAM fizer FIZERAM fizeSSE</p><p>fizeras fizerES fizeSSEs</p><p>fizera fizer fizeSSE</p><p>fizéramos fizerMOS fizéSSEmos</p><p>fizéreis fizerDES fizéSSEis</p><p>fizeram fizerEM fizeSSEm</p><p>1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações</p><p>RADICAL +</p><p>AVA</p><p>cantAVA RADICAL +</p><p>IA</p><p>corrIA</p><p>cantAVAs corrIAs</p><p>cantAVA corrIA</p><p>cantÁVAmos corrÍAmos</p><p>cantÁVEis corrÍEis</p><p>cantAVAm corrIAm</p><p>quantidade multiplicativa: dobro, triplo,</p><p>quádruplo...</p><p>d) Fracionários - quando indicam parte de um</p><p>inteiro: meio, metade, dois terços...</p><p>1.CONJUGAÇÃO</p><p>1) Conjugações:</p><p>1ª conjugação: Ar</p><p>2ª conjugação: Er, Or (poEr)</p><p>3ª conjugação: Ir</p><p>2) Modos: há três modos:</p><p>INDICATIVO, SUBJUNTIVO, IMPERATIVO.</p><p>3) Formas Nominais: há três formas nominais:</p><p>INFINITIVO, GERÚNDIO, PARTICÍPIO.</p><p>4) Tempos: há, basicamente, três tempos: PRE-</p><p>SENTE, PRETÉRITO, FUTURO.</p><p>5) Conjugação:</p><p>a) Formação do Presente do Subjuntivo.</p><p>BASE: 1ª pessoa do singular do presente do</p><p>indicativo.</p><p>b) Formação do imperativo.</p><p>Exceção: Verbo SER na 2ª pessoa (singular e</p><p>plural) do imperativo afirmativo, que são, respec-</p><p>tivamente, SÊ (tu) e SEDE (vós).</p><p>c) Formação do Pretérito Imperfeito do Indicativo</p><p>d) Conjugação do Pretérito Perfeito do Indicativo.</p><p>e) Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo.</p><p>Três tempos derivam do pretérito perfeito do indi-</p><p>cativo: o pretérito mais-que-perfeito do indicativo,</p><p>o futuro do subjuntivo e o pretérito imperfeito do</p><p>subjuntivo. A base para a formação desses tem-</p><p>pos é a 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito.</p><p>1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação</p><p>pensEI comI partI</p><p>pensaSTE comeSTE partiSTE</p><p>pensOU comeU partiU</p><p>pensaMOS comeMOS partiMOS</p><p>pensaSTES comeSTES partiSTES</p><p>pensaRAM comeRAM partiRAM</p><p>VERBO</p><p>41</p><p>42</p><p>f) Derivados do Infinitivo Impessoal.</p><p>Derivam do infinitivo impessoal o futuro do pre-</p><p>sente, o futuro do pretérito e o infinitivo pessoal.</p><p>6) Classificação Quanto à Tonicidade:</p><p>a) Formas rizotônicas: quando a vogal tônica está</p><p>na raiz.</p><p>b) Formas arrizotônicas: quando a vogal tônica</p><p>está nas desinências (fora da raiz).</p><p>7) Classificação Quanto à Flexão:</p><p>a) Regulares: Quando o radical não sofre varia-</p><p>ções e as desinências seguem o paradigma.</p><p>b) Irregulares: Quando sofrem variações no radi-</p><p>cal ou quando não seguem as desinências do</p><p>paradigma (perder, ferir, dar etc.).</p><p>Observação:</p><p>Não são irregulares verbos que trocam letras</p><p>por exigências ortográficas, como “agir” e “ficar”.</p><p>c) Anômalos: São os verbos “ser” e “ir”, porque,</p><p>na conjugação, trocam de radical.</p><p>d) Defectivos: Quando não têm certas formas</p><p>(abolir, falir, latir).</p><p>e) Abundantes: Quando possuem duas ou mais</p><p>formas equivalentes (suspender, entregar, matar).</p><p>8) Verbo precaver-se:</p><p>É defectivo; possui apenas as formas arrizotôni-</p><p>cas, nas quais é regular (precavemos, precaveis).</p><p>9) Verbo requerer:</p><p>A 1ª pessoa do singular do presente do indicativo</p><p>é “requeiro” e, por consequência, o presente do</p><p>subjuntivo fica: requeira, requeiras etc. E assim,</p><p>os outros tempos derivados.</p><p>10) Verbo reaver:</p><p>Conjuga-se como HAVER, mas só nas formas</p><p>em que há “v” (reavemos, reaveis).</p><p>11) Verbos terminados em -EAR:</p><p>Recebem um “i” eufônico nas formas rizotônicas</p><p>(passeio, passeias, passeia, passeamos, passe-</p><p>ais, passeiam).</p><p>12) Verbos terminados em IAR (Regra do</p><p>“Mário”)</p><p>Os verbos terminados em “-iar” são regulares</p><p>(adio, adias, adia, adiamos, adiais, adiam).</p><p>Exceto:</p><p>MEDIAR, ANSIAR, REMEDIAR, INCENDIAR e</p><p>ODIAR (Mário), que se conjugam como os ver-</p><p>bos terminados em “-ear” nas formas rizotônicas</p><p>(odeio odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam).</p><p>13) As Vozes do Verbo:</p><p>a) ATIVA: Um verbo está na voz ativa, quando o</p><p>sujeito da oração pratica a ação expressa pelo</p><p>verbo.</p><p>O João comprou um abacaxi. // Nós plantaremos</p><p>a árvore.</p><p>b) PASSIVA: Um verbo está na voz passiva,</p><p>Futuro do</p><p>presente</p><p>Futuro do</p><p>pretérito Infinitivo Pessoal</p><p>darEI darIA dar</p><p>darÁS darIAs darES</p><p>darÁ darIA dar</p><p>darEMOS darÍAmos darMOS</p><p>darEIS darÍEis darDES</p><p>darÃO darIAm darEM</p><p>Observação:</p><p>*Com os auxiliares TER e HAVER, usa-se o</p><p>particípio regular. (O diretor tem suspendido</p><p>muitos alunos.)</p><p>*Com os auxiliares SER e ESTAR, usa-se</p><p>o particípio irregular. (Os alunos foram</p><p>suspensos.)</p><p>42</p><p>43</p><p>quando o sujeito da oração sofre a ação expressa</p><p>pelo verbo.</p><p>A árvore foi plantada por nós. // Um abacaxi foi</p><p>comprado .</p><p>A voz passiva pode ser:</p><p>ANALÍTICA: formada por um dos verbos “ser”,</p><p>“estar”, “ficar” seguido de particípio:</p><p>A casa foi alugada.</p><p>SINTÉTICA ou PRONOMINAL: formada com</p><p>verbo acompanhado do pronome oblíquo “se”,</p><p>que se chama, no caso, pronome apassivador:</p><p>Aluga-se a casa.</p><p>Vendem-se flores.</p><p>Não se vê um amigo nestas paragens.</p><p>C) REFLEXIVA: Temos a voz reflexiva, quando o</p><p>sujeito pratica e ao mesmo tempo sofre a ação</p><p>expressa pelo verbo da oração. Esta voz se forma</p><p>com o verbo e um dos pronomes: me, te, se,</p><p>nos, vos:</p><p>Eu me feri. Nós nos ferimos.</p><p>Tu te feriste. Vós vos feristes.</p><p>Ele se feriu. Eles se feriram.</p><p>Observação:</p><p>É preciso observar bem se o sujeito apenas</p><p>pratica, apenas sofre ou se pratica e ao mesmo</p><p>tempo sofre a ação. Comparem-se as seguintes</p><p>orações:</p><p>Paulo nos vendeu a casa.</p><p>Paulo foi ferido.</p><p>Paulo feriu-se.</p><p>No primeiro exemplo, Paulo praticou — e apenas</p><p>praticou — a ação de vender. No segundo, Paulo</p><p>sofreu — e apenas sofreu — a ação de ser ferido.</p><p>No terceiro,Paulo não apenas praticou a ação,</p><p>como também a sofreu.</p><p>14) Mudança de Voz:</p><p>a) Ativa para passiva analítica:</p><p>É possível passar a voz ativa de um verbo para a</p><p>passiva, desde que tenha objeto direto. Bastará,</p><p>então, transformar o objeto direto em sujeito da</p><p>oração:</p><p>Mude a voz, mas não mude o tempo: cuidado</p><p>importante que se deve dispensar verbo, no sen-</p><p>tido de manter o tempo e o modo.</p><p>b) Passiva analítica para ativa:</p><p>Evidentemente, trata-se apenas de inverter o</p><p>processo anterior.</p><p>c) Passiva analítica para passiva sintética ou</p><p>vice-versa:</p><p>Flores são vendidas. (passiva analítica)</p><p>Vendem-se flores. (passiva sintética)</p><p>Ouviam-se os sinos. (passiva sintética)</p><p>Os sinos eram ouvidos. (passiva analítica)</p><p>Observe-se que o sujeito não muda.</p><p>15) Emprego do Imperativo</p><p>O imperativo serve para ordenar, estimular, supli-</p><p>car, pedir favores, aconselhar:</p><p>Menino, traga-me aqueles livros.</p><p>Vai em frente, jovem, o vencerás.</p><p>Ajudai-me, por favor!</p><p>Empreste-me uma folha.</p><p>Não te esqueças dos livros.</p><p>***Nota: Quando empregamos o imperativo,</p><p>devemos atentar bem para a unidade de trata-</p><p>mento, isto é, o imperativo deverá corresponder</p><p>à pessoa do tratamento usado e presente nos</p><p>demais elementos (verbos ou pronomes) rela-</p><p>cionados</p><p>ao ser com quem falamos:</p><p>João, faz(e) o favor de baixar tua voz .</p><p>Não temais, quando procedeis com honestidade.</p><p>Fazei o que vos digo, se quiserdes acertar</p><p>Os cientistaconduzemo desenvolvimento.</p><p>(sujeito) (objeto direto)</p><p>O desenvolvimentoé conduzidopelos cientistas.</p><p>(sujeito) (agente da passiva)</p><p>O atleta foi aplaudido pelo público.</p><p>(sujeito) (agente da passiva)</p><p>O públicoaplaudiu o atleta.</p><p>(sujeito) (objeto direto)</p><p>43</p><p>44</p><p>sempre.</p><p>Tu és um crápula. Sai daqui.</p><p>Estuda, esforça-te, luta, sê vencedor.</p><p>16) Emprego do Futuro do Subjuntivo e</p><p>Infinitivo</p><p>Pessoal(diferença)</p><p>Muitas vezes ouvimos pessoas dizerem, por</p><p>exemplo, “Se tu a veres, foge dela”, colocando o</p><p>infinito pessoal onde deveriam colocar o futuro</p><p>do subjuntivo.</p><p>A correção, entretanto, é fácil de fazer.</p><p>O futuro do subjuntivo é usado em orações</p><p>desenvolvidas, normalmente iniciadas por con-</p><p>junção ou pronome. A conjunção será “se”,</p><p>“quando”, “conforme” ou um sinônimo (caso, logo</p><p>que, assim que, como etc.), e o pronome será</p><p>“que” ou “quem”.</p><p>Se tu a vires, foge dela.</p><p>Quando puderes, visita-me.</p><p>A pessoa que dispuser do tempo pode falar.</p><p>Farei conforme quiseres.</p><p>O infinito pessoal emprega-se em orações</p><p>reduzidas, isto é, sem aquelas conjunções ou</p><p>pronomes:</p><p>Ao veres a tentação, foge dela.</p><p>Para ser vencedor, você deve evitar as tentações.</p><p>1. PREPOSIÇÃO: é a palavra invariável que serve</p><p>de ligação entre dois termos de uma oração ou,</p><p>às vezes, entre duas orações:</p><p>Ele comprou um livro de poesia.</p><p>Ele tinha medo de ficar solitário.</p><p>Como se vê, a preposição “de”, no primeiro</p><p>exemplo, liga termos de uma mesma oração; no</p><p>segundo, liga orações.</p><p>2. PREPOSIÇÕES SIMPLES: a, ante, até, após,</p><p>com, contra, de, desde, durante, em, entre, para,</p><p>perante, por, sem, sob, sobre, trás.</p><p>3. LOCUÇÕES PREPOSITIVAS: além das pre-</p><p>posições simples, existem também as chamadas</p><p>locuções prepositivas, que terminam sempre por</p><p>uma preposição simples: abaixo de, acerca de,</p><p>acima de, a despeito de, adiante de, a fim de,</p><p>além de, antes de, ao lado de, a par de, apesar</p><p>de, a respeito de, atrás de, através de, de acordo</p><p>com, debaixo de, de cima de, defronte de, dentro</p><p>de, depois de, diante de, embaixo de, em cima</p><p>de, em frente de(a), em lugar de, em redor de, em</p><p>torno de, em vez de, graças a, junto a (de), para</p><p>baixo de, para cima de, para com, perto de, por</p><p>baixo de, por causa de, por cima de, por detrás</p><p>de, por diante de, por entre, por trás de.</p><p>4. PALAVRAS DENOTATIVAS: Algumas palavras</p><p>e locuções, que eram consideradas advérbios, na</p><p>verdade não se enquadram em nenhuma das dez</p><p>classes gramaticais. A NGB faz uma classifica-</p><p>ção à parte dessas palavras e locuções, chaman-</p><p>do-as de palavras denotativas. Tais palavras e</p><p>locuções denotam:</p><p>1. inclusão: até, inclusive, também etc.</p><p>• Ele também foi.</p><p>2. exclusão: salvo, menos, exceto etc.</p><p>• Todos, exceto eu, foram à festa.</p><p>3. explicação: isto é, por exemplo, a saber,</p><p>ou seja etc.</p><p>• Ele, por exemplo, não pôde comparecer.</p><p>4. ratificação: aliás, ou melhor, ou seja etc.</p><p>• Amanhã, aliás, depois de amanhã iremos</p><p>à festa.</p><p>5. realce: cá, lá, é que etc.</p><p>• Ele é que não pôde comparecer.</p><p>6. situação: afinal, agora, então etc.</p><p>• Afinal, quem está falando?</p><p>7. limitação: só, apenas, somente, unica-</p><p>mente, etc.</p><p>• Só um aluno obteve nota máxima.</p><p>PREPOSIÇÃO</p><p>44</p><p>45</p><p>1. INTERJEIÇÃO: são palavras sem valor sin-</p><p>tático que exprimem estados súbitos de alma.</p><p>Segundo o sentimento que exprimem, as inter-</p><p>jeições classificam-se em:</p><p>1. DE ANIMAÇÃO - eia! avante! upa! coragem!</p><p>2. DE SILÊNCIO - silêncio! psiu!</p><p>3. DE ALEGRIA - ah! oh! obal viva!</p><p>4. DE DESEJO - oxalá! pudera! tomara!</p><p>5. DE DOR - ai! ui!</p><p>6. DE APLAUSO - bravo! apoiado! muito bem!</p><p>7. DE ALÍVIO - ah! eh!</p><p>8. DE APELO - alô! ó! olá!</p><p>9. DE DÚVIDA - hum! heim! hein!</p><p>10. DE REPETIÇÃO - bis!</p><p>11. DE SATISFAÇÃO - upa! oba! opa!</p><p>12. DE ZOMBARIA - fiaul</p><p>13. DE ADVERTÊNCIA - cuidado! alerta! Alto lá!!</p><p>2. Locução interjetiva:é um grupo de palavras</p><p>com valorde interjeição.</p><p>Ex.: ai de mim! ora bolas! com todos os diabos!</p><p>raios te partam! valha me Deus! ainda bem!</p><p>bem feito!</p><p>1. CONJUNÇÕES: palavras ou locuções inva-</p><p>riáveis que ligam orações. Dividem-se em dois</p><p>grupos:</p><p>coordenativas e subordinativas.</p><p>2. CLASSIFICAÇÃO:</p><p>2.1.COORDENATIVAS</p><p>a) Aditivas</p><p>Tipo: e</p><p>Relação: e, nem (= e não), também, que, não só...</p><p>mas também, não só... como, tanto ... como,</p><p>assim... como etc.</p><p>Observação:</p><p>Em geral, cada categoria tem uma conjunção</p><p>típica. Assim é que, para classificar uma função</p><p>ou locação conjuntiva, é preciso que ela seja</p><p>substituível, sem mudar o sentido do período,</p><p>pelo tipo. Por exemplo, o “que” somente será</p><p>conjunção coordenativa aditiva, se for substituí-</p><p>vel pelo tipo “e”: “Dize-me com quem andas, que</p><p>eu te direi quem és”.</p><p>b) Alternativas</p><p>Relação: ou... ou, já ... já, seja... seja, quer... quer,</p><p>ora... ora, agora... agora.</p><p>Observação:</p><p>As alternativas caracterizam-se pela repetição,</p><p>exceto “ou” cujo primeiro elemento pode ficar</p><p>subentendido.</p><p>c) Adversativas</p><p>Tipo: mas</p><p>Relação: mas, porém, contudo, todavia, no</p><p>entanto, entretanto, senão, não obstante.</p><p>Observação:</p><p>As alternativas, exceto “mas”, podem aparecer</p><p>deslocadas. Nesse caso, a substituição pelo tipo</p><p>só é possível, se devolvidas ao início da oração:</p><p>Esforçou-se muito; não logrou, contudo, êxito.</p><p>Esforçou-se muito, contudo (=mas) não logrou</p><p>êxito.</p><p>d) Conclusivas</p><p>Tipo: portanto</p><p>Relação: portanto, logo, por conseguinte, assim,</p><p>pois, então, por isso, por fim, enfim, conseguin-</p><p>temente, consequentemente.</p><p>e) Explicativas</p><p>Tipo: porque</p><p>Relação: porque, pois, pois que, que, porquanto,</p><p>já que, uma vez que, visto que, sendo que, dado</p><p>que, como.</p><p>INTERJEIÇÃO</p><p>CONJUNÇÃO</p><p>45</p><p>46</p><p>2.2. CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS:</p><p>a) Causais</p><p>Idem às explicativas. A diferenciação, na prática,</p><p>faz-se examinando a oração anterior. Se esta</p><p>tiver o verbo no imperativo, a conjunção será</p><p>coordenativa explicativa:</p><p>Fecha a janela, porque faz frio.</p><p>b) Condicionais</p><p>Tipo: se</p><p>Relação: se, caso, contanto que, desde que, uma</p><p>vez que, dado que, a não ser que, a menos que,</p><p>suposto que, salvo se, exceto se.</p><p>c) Concessivas</p><p>Tipo: embora</p><p>Relação: embora, conquanto, ainda que, posto</p><p>que, mesmo que. em que, se bem que, por mais</p><p>que.</p><p>d) Conformativas</p><p>Tipo: conforme</p><p>Relação: conforme, consoante, segundo, como,</p><p>da mesma maneira que.</p><p>e) Consecutivas</p><p>Relação: que (precedido de “tão”, “tal”, “tama-</p><p>nho” ou “tanto”), de maneira que, de modo que,</p><p>de forma que, de sorte que, de molde que, de</p><p>jeito que.</p><p>f) Comparativas</p><p>Relação: que, do que (precedidos de “mais”,</p><p>“menos”, “maior”, “menor”, “melhor” ou “pior”),</p><p>como (precedido de “tão”, “tal” ou “tanto”),</p><p>qual (precedido de “tal”), quanto (precedido de</p><p>“tanto”), quão (precedido de “tão”).</p><p>g) Finais</p><p>Tipo: a fim de que</p><p>Relação: a fim de que, para que, porque, que.</p><p>h) Integrantes</p><p>Relação: que, se</p><p>Observação:</p><p>O “que” a o “se” serão conjunções subordinativas</p><p>integrantes, se a oração por eles iniciada res-</p><p>ponder à pergunta “Qual é a coisa que ... ?”,</p><p>formulada com o verbo da oração anterior.</p><p>Não sei se se morre de amor.</p><p>- Qual é a coisa que não sei?</p><p>- Se se morre de amor.</p><p>i) Proporcionais</p><p>Tipo: à proporção que</p><p>Relação: à proporção que, à medida que, ao</p><p>passo que.</p><p>j) Temporais</p><p>Tipo: quando</p><p>Relação: quando, logo que, assim que, depois</p><p>que, enquanto, ao tempo que, apenas, mal.</p><p>CONCEITOS PRELIMINARES DA ANÁLISE</p><p>SINTÁTICA</p><p>Caro aluno, você deve estudar análise sintática</p><p>tendo em vista que ela o ajuda a compreender</p><p>melhor como se estruturam praticamente todas</p><p>as frases na nossa língua e quais relações que</p><p>estabelecem na tessitura de um texto.</p><p>Esse conhecimento permite a você elaborar mais</p><p>adequadamente suas próprias frases, períodos e</p><p>orações e também compreender com mais cla-</p><p>reza o que ouve ou lê.Além disso, alguns assun-</p><p>tos como regência, pontuação e concordância,</p><p>estão amarrados ou inter-relacionados com os</p><p>pressupostos</p><p>da análisesintática.Por isso bom</p><p>estudo e sucesso.</p><p>CONCEITOS PRELIMINARES DA</p><p>ANÁLISE SINTÁTICA</p><p>A partir desta unidade, vamos estudar as palavras</p><p>sob o ponto de vista sintático.</p><p>Como você sabe, um falante, ao se comunicar,</p><p>escolhe as palavras e, combinando-as de acordo</p><p>com regras próprias do idioma, constrói os enun-</p><p>ciados por meio dos quais transmite as ideias.</p><p>Nesses enunciados, as palavras e, às vezes, con-</p><p>juntos de palavras, passam a exercer funções</p><p>específicas denominadas funções sintáticas.</p><p>São as seguintes as funções sintáticas:</p><p>MORFOSSINTAXE</p><p>46</p><p>47</p><p>Para se comunicar, Calvin e sua mãe utilizaram</p><p>frases, orações e períodos. Observe:</p><p>1. “Mamãe,posso arrancar as tábuas do chão</p><p>do meu quarto e fazer uma passagemsecreta?”</p><p>(frase com verbos)</p><p>2. “Claroque não!” (frase sem verbo)</p><p>3. “Não seja ridículo!” (frase com verbo)</p><p>Leia este trecho de entrevista de um psiquiatra, a</p><p>respeito do relacionamento homem-mulher:</p><p>Veja — A separação assusta os homens?</p><p>Luiz Cuschnir — Sim. Separação e desemprego,</p><p>nessa ordem, são os grandes cataclismos na vida</p><p>de um homem. O desemprego significa que ele</p><p>fracassou no papel de provedor. De forma similar,</p><p>a separação é entendida como a incapacidade</p><p>de manter uma família.</p><p>Nesse diálogo, o entrevistador transmite sua idéia</p><p>(uma pergunta) por meio de uma única frase; o</p><p>entrevistado, por sua vez, exprime suas ideias</p><p>utilizando quatro frases.</p><p>FRASE</p><p>Frase é todo enunciado linguístico de sentido</p><p>completo através do qual transmitimos nossas</p><p>ideias. A frase pode, ou não, apresentar verbo</p><p>em sua estrutura.</p><p>Exemplos:</p><p>Meu Deus! Que tragédia! (frase sem verbo)</p><p>Fogo! (frase sem verbo)</p><p>Os homens seguem seu caminho. (frase com</p><p>verbo)</p><p>ORAÇÃO</p><p>Oração é todo enunciado linguístico que possui</p><p>verbo.</p><p>Exemplos:</p><p>Um pedaço de mar mudou de lugar.” (Raul Bopp)</p><p>“Marcela amou-me durante quinze meses e onze</p><p>o Sujeito</p><p>o Predicado</p><p>o Objeto</p><p>o Adjunto adverbial</p><p>o Agente da passiva</p><p>o Predicativo</p><p>o Adjunto adnominal</p><p>o Complemento nominal</p><p>o Aposto</p><p>o Vocativo</p><p>Para que saber?</p><p>A compreensão sintática tem um papel de rele-</p><p>vante importância na construção de textos claros</p><p>e objetivos.Cada função apresenta uma signifi-</p><p>cação ímpar na correlação falante e ouvinte. Na</p><p>atualidade, a análise sintática não é a primor-</p><p>dialidade nas provas dos mais diversos vesti-</p><p>bulares, entretanto, as questões que a cobram</p><p>procuram averiguar se o candidato apresenta o</p><p>domínio das inúmeras regras que englobam seu</p><p>conhecimento.</p><p>O Estado de S. Paulo, 12/4/94.</p><p>FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO</p><p>47</p><p>48</p><p>contos de réis.” (Machado de Assis)</p><p>PERÍODO</p><p>É a frase organizada em uma ou mais orações.</p><p>Pode ser:</p><p>Simples - quando constituído de uma só oração:</p><p>O casarão todo dormia.</p><p>Composto - quando formado de duas ou mais</p><p>orações:</p><p>O senhor sabe, / são moças, / querem divertir-se.</p><p>O período termina sempre por uma pausa bem</p><p>definida, que se marca na escrita com ponto,</p><p>ponto de exclamação, ponto de interrogação,</p><p>reticências e, algumas vezes, com dois pontos.</p><p>TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO</p><p>Sujeito e predicado</p><p>Você já sabe que o período simples é aquele</p><p>formado por apenas uma oração, que recebe o</p><p>nome de absoluta. Também já sabe que a ora-</p><p>ção é a frase ou membro de frase estruturada</p><p>a partir de um verbo ou de uma locução verbal.</p><p>O período simples, então, sempre apresentará</p><p>um único verbo ou locução verbal, que será o</p><p>ponto de partida para nosso trabalho de análise.</p><p>A frase:</p><p>Os agricultores participaram do protesto contra a</p><p>política agrária do governo.</p><p>Constitui um período simples, formado por uma</p><p>oração que se organiza a partir da forma verbal</p><p>participaram.</p><p>Se você observar mais atentamente essa forma</p><p>verbal, vai perceber que ela está na terceira pes-</p><p>soa do plural, porque se relaciona com a expres-</p><p>são “os agricultores”: é fácil perceber que o termo</p><p>“os agricultores” equivale ao pronome de terceira</p><p>pessoa do plural eles — e você sabe que a forma</p><p>verbal exigida por esse pronome é justamente</p><p>uma que esteja na terceira pessoa do plural. Se</p><p>você modificar a flexão do substantivo (agricul-</p><p>tores), colocando-o no singular (agricultor), vai</p><p>perceber que o verbo também sofrerá flexão de</p><p>número, passando a participou:</p><p>O agricultor participou do protesto contra a polí-</p><p>tica agrária do governo.</p><p>Se você optar por modificar a pessoa gramatical</p><p>do verbo (de terceira para segunda ou primeira),</p><p>vai perceber que não se pode manter a expres-</p><p>são “os agricultores” nessa oração. No período</p><p>seguinte, a forma verbal participei se relaciona</p><p>com a primeira pessoa do singular (eu):</p><p>Participei do protesto contra a política agrária do</p><p>governo.</p><p>Dessa forma, constata-se que existe entre o</p><p>verbo e o termo “os agricultores” uma relação</p><p>que os obriga a concordar em número e pessoa.</p><p>Essa relação recebe o nome de concordância</p><p>verbal, e o termo da oração com o qual o verbo</p><p>concorda em número e pessoa é o sujeito.</p><p>Só faz sentido falar em sujeito quando se está</p><p>lidando com orações, ou seja, quando é possível</p><p>perceber uma relação de concordância entre um</p><p>determinado termo de uma oração e o verbo</p><p>dessa mesma oração. Sujeito é, portanto, o nome</p><p>de uma função sintática — o que significa dizer</p><p>que é o nome que se atribui a um dos papéis</p><p>que as palavras podem desempenhar quando</p><p>se relacionam umas com as outras.</p><p>Sob a ótica da morfossintaxe, pode-se afirmar</p><p>que sujeito é uma função substantiva, porque são</p><p>os substantivos e as palavras de valor substantivo</p><p>(pronomes e numerais substantivos ou outras</p><p>palavras substantivadas) que podem atuar como</p><p>núcleos dessa função nas orações da língua por-</p><p>tuguesa. Observe a classe gramatical a que per-</p><p>tencem os núcleos dos sujeitos seguintes:</p><p>Os alunos</p><p>(substantivo)</p><p>Todos</p><p>(pronome substantivo)</p><p>Ambos</p><p>(numeral substantivo)</p><p>Os pobres</p><p>(adjetivo substantivado)</p><p>protestaram</p><p>veementemente</p><p>48</p><p>49</p><p>protestaram</p><p>veementemente</p><p>Quando se identifica o sujeito de uma oração,</p><p>identifica-se também o predicado dessa oração.</p><p>PREDICADO é aquilo que se declara a respeito</p><p>do sujeito; em termos práticos, equivale a tudo</p><p>o que resta na oração, depois de eliminado o</p><p>sujeito (e o vocativo, quando ocorrer).Observe,</p><p>nas orações a seguintes, a divisão entre sujeito</p><p>e predicado:</p><p>Os alunos protestaram veementemente.</p><p>Sujeito predicado</p><p>Os jogadores manifestaram sua insatisfação.</p><p>Sujeito predicado</p><p>No verão, atemperatura aumenta.</p><p>Predicado Sujeito predicado</p><p>Portanto:</p><p>São termos essenciais da oração o SUJEITO</p><p>e o PREDICADO.</p><p>Sujeito - é o ser sobre o qual se faz</p><p>uma declaração.</p><p>Predicado - é tudo aquilo que se diz do SUJEITO.</p><p>Assim, na oração:</p><p>O galo velho olhou de novo o céu.</p><p>temos:</p><p>SUJEITO: O galo velho.</p><p>PREDICADO: olhou de novo o céu.</p><p>No segundo quadrinho, o personagem parece</p><p>estar falando a respeito de quem?</p><p>No último quadrinho, essa suposição se confirma</p><p>ou modifica-se? Por quê?</p><p>O humor dessa historinha explora a noção de</p><p>“sujeito”.</p><p>Sujeito simples</p><p>O sujeito determinado simples apresenta um</p><p>único núcleo, isto é, uma única palavra principal.</p><p>Exemplo:</p><p>“Uma escuridão compacta comprimia seus olhos</p><p>abertos.”</p><p>(Clarice Lispector)</p><p>Núcleo sujeito: escuridão</p><p>Note que, nesse exemplo, o sujeito apresenta,</p><p>além do núcleo escuridão, dois outros elementos:</p><p>uma e compacta.</p><p>Para confirmar que o núcleo é realmente escu-</p><p>ridão, basta eliminar as duas outras palavras</p><p>e constatar que o sentido básico da oração se</p><p>mantém:</p><p>Escuridão comprimia seus olhos abertos.</p><p>Sujeito composto</p><p>O sujeito determinado composto apresenta mais</p><p>de um núcleo.</p><p>Exemplo:</p><p>núcleos</p><p>“O prisioneiroe o soldado mergulharam numa</p><p>esquina.”</p><p>(Clarice Lispector)</p><p>Sujeito oculto (elíptico)</p><p>O sujeito determinado oculto, apesar de não estar</p><p>escrito na oração, pode ser reconhecido pela</p><p>terminação do verbo ou pelo contexto em que a</p><p>oração aparece.</p><p>Exemplos:</p><p>Amanhã cedo, continuaremos a viagem.</p><p>sujeito de continuaremos: oculto (nós)</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO SUJEITO</p><p>49</p><p>50</p><p>“Ricardo depois contou o que ouvira na vila.”</p><p>(Lima Barreto)</p><p>sujeito de ouvira: oculto (Ricardo)</p><p>Observação: A nomenclatura oficial não faz refe-</p><p>rência a esse tipo de sujeito.</p><p>Sujeito indeterminado</p><p>Uma oração tem sujeito indeterminado quando o</p><p>falante que a constrói não quer — ou não pode</p><p>— fixar com exatidão o sujeito.</p><p>Existem duas estruturas sintáticas por meio das</p><p>quais é possível indeterminar o sujeito.</p><p>Veja a seguir:</p><p>1) Oração com verbo na 3a pessoa do plural.</p><p>Exemplo:</p><p>Na fala do irritadiço personagem, o sujeito de</p><p>dizem (1ª e 3ª quadrinhos) é indeterminado.</p><p>Outro exemplo: Ontem, quebraram os vidros da</p><p>biblioteca. Nesse caso, o sujeito de quebra-</p><p>ram (verbo na 3a pessoa do plural) também:</p><p>indeterminado.</p><p>Outros exemplos:</p><p>Dizem muitas mentiras a seu respeito.</p><p>Dizem (verbo na 3a pessoa do plural) - suj.</p><p>indeterminado</p><p>Ontem mataram o nosso cão.</p><p>mataram (verbo na 3ª p. do plural) suj.</p><p>indeterminado.</p><p>Observação: Com verbo na 3a pessoa do plu-</p><p>ral, o sujeito só é indeterminado quando o verbo</p><p>não faz referência a nenhum elemento anterior.</p><p>Repare, então, que, na frase abaixo, o sujeito não</p><p>é indeterminado:</p><p>Ontem os meninos entraram aqui e mataram</p><p>nosso cão.</p><p>1ª oração 2ªoração</p><p>suj. = os meninos suj. oculto = os meninos</p><p>2) Oração com verbo na 3ª pessoa do singular</p><p>acompanhado do pronome se.</p><p>Exemplos:</p><p>Desconfiou-sedas propostas.</p><p>3ª pess. do sing.</p><p>Era-semais feliz naquele tempo.</p><p>3ªpess. do sing.</p><p>OBS: os verbos que se ligam ao pronome se</p><p>dando-lhe a classificação de índicie de indeter-</p><p>minação do sujeito são: VTD,VTI e VI sempre</p><p>colocados na terceira pessoa do singular</p><p>Nesse caso o se é denominado índice de</p><p>indeterminação do sujeito.</p><p>A PALAVRA “SE”</p><p>Existem duas estruturas semelhantes de frases</p><p>que utilizam a palavra se. Nelas, essa palavra</p><p>exerce duas funções diferentes:</p><p>Índice de indeterminação do sujeito</p><p>A palavra se funciona como índice de</p><p>indeterminação do sujeito quando está associada</p><p>auma forma verbal na 3ª pessoa do singular em</p><p>orações que não admitem a passagem para a</p><p>voz passiva analítica (voz passiva com locução</p><p>verbal).</p><p>Exemplo: Confiava-se nos amigos. (suj.</p><p>indeterminado)</p><p>3ª pess. do sing.</p><p>índice de indeterminação do sujeito</p><p>Observe como a transformação não é possível:</p><p>Nos amigos era confiado. (oração inaceitável)</p><p>50</p><p>51</p><p>Pronome apassivador</p><p>Essa função já foi citada no estudo de vozes</p><p>verbais.Ela ocorre na voz passiva pronominal</p><p>(sintética), quando a palavra se aparece junto a</p><p>uma forma verbal (no singular ou no plural) em</p><p>frases que admitem a passagem para a voz pas-</p><p>siva analítica.</p><p>Exemplos:</p><p>voz passiva analítica</p><p>A casa foi reformada.</p><p>Suj loc. Verbal</p><p>voz passiva pronominal</p><p>Reformou-se a casa.</p><p>Verbo suj.</p><p>voz passiva pronominal</p><p>SUJ</p><p>Não se*farão tais acordos.</p><p>*pronome apassivador</p><p>voz passiva analítica</p><p>Tais acordos não serão feitos</p><p>Suj Verbo loc verbal</p><p>Observe, pelos exemplos, que:</p><p>1º O sujeito é o mesmo, tanto na voz passiva</p><p>pronominal como na voz passiva analítica.</p><p>2º Nos dois tipos de voz passiva, a concordância</p><p>do verbo com o sujeito é normal: sujeito no singu-</p><p>lar -- verbo no singular; sujeito no plural - verbo</p><p>no plural.</p><p>Outro exemplo:</p><p>concordância concordância</p><p>Reformam-*se móveis.= Móveis são reformados.</p><p>Verbo suj. suj. verbos</p><p>*pronome apassivador</p><p>Resumindo as duas funções do se:</p><p>\</p><p>Oração sem Sujeito</p><p>Oração sem sujeito (ou sujeito inexistente) é</p><p>aquela que não possui nenhum ser ao qual o</p><p>predicado possa ser atribuído. O que importa, no</p><p>caso de orações sem sujeito, é o processo verbal</p><p>em si. São formadores de oração sem sujeito</p><p>principalmente os seguintes verbos, os quais, jus-</p><p>tamente por não terem sujeito, são denominados</p><p>verbos impessoais e ficam sempre na 3a pessoa</p><p>do singular.</p><p>1) Haver (no sentido de existir, realizar-se, acon-</p><p>tecer e na indicação de tempo passado).</p><p>Exemplos:</p><p>Não havia funcionários na escola. (haver = existir)</p><p>Você já sabe que o sujeito faz o verbo concordar</p><p>com ele. Observe, no exemplo, que havia não</p><p>concorda com funcionários, porque funcionários</p><p>não é o sujeito da oração. O sujeito é inexistente,</p><p>por isso é que o verbo haver fica na 3ª pessoa</p><p>do singular.</p><p>Sempre houve guerras no mundo. (haver =</p><p>acontecer)</p><p>Ele partiu há muitos anos. (haver = tempo</p><p>passado)</p><p>Nos exemplos acima, os termos funcionários,</p><p>Ï k a f ` b = a b=</p><p>f k a b q b o j f k ^ Ê ‚ l =</p><p>a l = p r g b f ql =</p><p>mo l k l j b=</p><p>^ m^ p p f s ^ a l o=</p><p>Sempre junto com</p><p>verbona3ª pessoa do</p><p>singular:VTI,VI, VL..</p><p>Com verbo na3ªpessoa</p><p>do singular ou plural:</p><p>VTD, VTDI.</p><p>O sujeito é indeterminado</p><p>(não está expresso na</p><p>oração).</p><p>O sujeito está na oração e</p><p>faz o verbo concordar com</p><p>ele.</p><p>A oração não admite a</p><p>passagem para a voz</p><p>passiva analítica</p><p>A oração está voz passiva</p><p>pronominal e admite a</p><p>passagem para a voz</p><p>passiva analítica.</p><p>ÍNDICE DE</p><p>NTERMINAÇÃO</p><p>DO SUJEITO</p><p>PRONOME</p><p>APASSIVADOR</p><p>51</p><p>52</p><p>guerras e muitos anos têm função sintática de</p><p>objeto direto, termo que será estudado na pró-</p><p>xima unidade.</p><p>Observações</p><p>1ª o verbo haver, usado no sentido de existir,</p><p>deve ficar no singular, porque não tem sujeito.</p><p>No entanto, se você usar o próprio verbo existir, a</p><p>oração terá sujeito e o verbo concordará com ele.</p><p>Exemplo:</p><p>Houve muitos problemas. (sujeito inexistente)</p><p>não concordam</p><p>Existiram muitos problemas.</p><p>Sujeito concordam</p><p>2ª Nas locuções verbais, o verbo haver, quando</p><p>usado impessoalmente (sem sujeito), transfere a</p><p>impessoalidade para o verbo auxiliar.</p><p>Exemplos:</p><p>Hoje devia haver mais funcionários na escola.</p><p>sing.sing.</p><p>Talvez possa haver outros jogos.</p><p>sing. sing.</p><p>3ª Usado com sentido diferente dos citados</p><p>(existir, realizar-se, acontecer e tempo passado),</p><p>o verbo haver tem sujeito, com o qual concorda.</p><p>Exemplo:</p><p>Ojogador houve-se bem no jogo. (haver =</p><p>portar-se)</p><p>suj. sing. v. sing.</p><p>Os jogadores houveram-se bem no jogo.</p><p>suj. pI. v. pI.</p><p>2) Fazer (quando usado para indicar tempo</p><p>decorrido).</p><p>Exemplo:</p><p>Já fazia dois anos / que ele morava lá.</p><p>oração sem suj.</p><p>Observe como o verbo fazer não vai para o plural.</p><p>Isso ocorre porque, nesse tipo de oração, ele</p><p>não tem sujeito.</p><p>Observação: Nas locuções verbais, o verbo fazer,</p><p>quando usado impessoalmente, transmite a</p><p>impessoalidade (ou seja, o singular) para o verbo</p><p>auxiliar.</p><p>Exemplo:</p><p>Amanhã vaifazer três meses que ele partiu.</p><p>sing. sing.</p><p>3) Ser (quando usado em expressões de tempo).</p><p>Exemplos:</p><p>Era verão e as praias estavam lotadas.</p><p>É madrugada; lá fora, na rua, jáse ouvem passos.</p><p>Observação: Na indicação de distâncias, horas</p><p>e datas, o verbo ser também é impessoal (sem</p><p>sujeito). Apesar disso, ele concorda com o</p><p>número que indica a distância, a hora ou a data.</p><p>Exemplos:</p><p>Daqui a Natal são mil quilômetros.</p><p>No momento do acidente, eram três horas da</p><p>manhã.</p><p>Hoje são 10 de maio. (Também é correto: Hoje</p><p>é 10 de maio.)</p><p>4) Verbos indicativos de fenômenos da natureza</p><p>(ventar, chover,anoitecer, fazer frio, fazer sol etc.).</p><p>Exemplos:</p><p>Choveu muito durante a madrugada.</p><p>Naquela região faz muito frio.</p><p>Observação:Em sentido figurado, esses verbos</p><p>podem</p><p>ter sujeito, com o qual concordam.</p><p>Exemplo:</p><p>Choveram telegramas apoiando o prefeito.</p><p>Sujeito</p><p>O predicado pode ser NOMINAL, VERBAL ou</p><p>VERBO-NOMINAL.</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO</p><p>52</p><p>53</p><p>Predicado nominal</p><p>O Predicado Nominal é formado por um VERBO</p><p>DE LIGAÇÃO + PREDICATIVO DO SUJEITO.</p><p>O verbo de ligação</p><p>Os VERBOS DE LIGAÇÃO servem para estabe-</p><p>lecer a união entre duas palavras ou expressões</p><p>de caráter nominal. Não trazem propriamente</p><p>ideia nova ao sujeito; funcionam apenas como</p><p>elo entre este e o seu predicativo.</p><p>Os verbos de ligação podem expressar:</p><p>a) estado permanente: O fato é vulgaríssimo.</p><p>b) estado transitório: Os caboclos estavam</p><p>desconfiados.</p><p>c) mudança de estado: Fiquei sensibilizadíssimo.</p><p>d) continuidade de estado: O rapaz continua</p><p>indeciso.</p><p>e) aparência de estado: Os olhos pareciam uma</p><p>posta de sangue.</p><p>Predicativo do sujeito</p><p>PREDICATIVO</p><p>DO SUJEITO é o núcleo do</p><p>PREDICADO NOMINAL, ou seja, aquilo que se</p><p>declara do sujeito.</p><p>Pode ser representado por:</p><p>a) substantivo ou expressão substantivada:</p><p>Eras marido e filho? Não, eu não era o 301.</p><p>b) adjetivo ou locução adjetiva:</p><p>Ele ficou pasmo, sem palavras.</p><p>c) pronome:</p><p>Nunca fora nada na vida...</p><p>d) numeral:</p><p>Duas são as representações elementares do</p><p>agradável</p><p>realizado. (R. POMPÉIA)</p><p>e) oração:</p><p>O pior é que parti os óculos.</p><p>Predicado verbal</p><p>O PREDICADO VERBAL tem como núcleo, isto</p><p>é, como elemento principal da declaração que</p><p>se faz do sujeito, um VERBO SIGNIFICATIVO.</p><p>VERBOS SIGNIFICATIVOS (ou nocionais) são</p><p>aqueles que trazem uma ideia nova ao sujeito.</p><p>Podem ser INTRANSITIVOS e TRANSITIVOS.</p><p>Observação: Como há verbos que se empregam</p><p>ora como de ligação, ora como significativos, con-</p><p>vém atentar sempre no valor que apresentam em</p><p>determinado texto para classificá-los com acerto.</p><p>Comparem-se, por exemplo, as frases:</p><p>Nas primeiras, os verbos estar, andar, ficar e</p><p>continuar são verbos de ligação; nas segundas,</p><p>verbos significativos ou nocionais.</p><p>Verbos intransitivos</p><p>Cedo, a noite caía.</p><p>Verificamos que a ação está integralmente</p><p>contida na forma verbal caía. Tal verbo é, pois,</p><p>INTRANSITIVO, ou seja, NÃO TRANSITIVO:</p><p>a ação não vai além do verbo.</p><p>Verbos transitivos</p><p>Nestas orações:</p><p>Não tenho dinheiro.</p><p>O Senhor te abençoe.</p><p>Vemos que as formas verbais tenho e abençoe</p><p>exigem uma palavra para completar-lhes o sig-</p><p>nificado. Como o processo verbal não está inte-</p><p>gralmente contido nelas, mas se transmite a outro</p><p>elemento (o substantivo dinheiro e o pronome te),</p><p>estes verbos se chamam TRANSITIVOS.</p><p>Os VERBOS TRANSITIVOS podem ser DIRE-</p><p>TOS, INDIRETOS, ou DIRETOS e INDIRETOS</p><p>ao mesmo tempo.</p><p>Verbos transitivos diretos (VTD)</p><p>Estavas pensativa.</p><p>Andei muito feliz.</p><p>Fiquei assustado.</p><p>Continuamos alegres.</p><p>Estavas no colégio.</p><p>Andei dez quilômetros.</p><p>Fiquei em casa.</p><p>Continuamos o passeio.</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO</p><p>53</p><p>54</p><p>Nestas orações:</p><p>Abrirei o portão.</p><p>Verei meu filho?</p><p>A ação expressa por abrirei e verei se transmite a</p><p>outros elementos (o portão e meu filho) direta-</p><p>mente, ou seja, sem o auxílio de preposição. São,</p><p>por isso, chamados TRANSITIVOS DIRETOS,</p><p>e o termo da oração que lhes integra o sentido</p><p>recebe o nome de OBJETO DIRETO.</p><p>Verbos transitivos indiretos (VTI)</p><p>Nestes exemplos:</p><p>A população da Vila assistia ao embarque.</p><p>Um poeta, na noite morta, não necessita de sono.</p><p>A ação expressa por assistia e necessita transita</p><p>para outros elementos da oração (o embarque e</p><p>sono) indiretamente, isto é, por meio das prepo-</p><p>sições a e de. Tais verbos são, por conseguinte,</p><p>TRANSITIVOS INDIRETOS. O termo da oração</p><p>que completa o sentido do verbo TRANSITIVO</p><p>INDIRETO denomina-se OBJETO INDIRETO.</p><p>Verbos transitivos diretos e indiretos (VTDI)</p><p>Nestes exemplos:</p><p>Capitu preferia tudo ao seminário.</p><p>Não lhe arranquei mais nada.</p><p>A ação expressa por preferia e arranquei transita</p><p>para outros elementos da oração, a um tempo,</p><p>direta e indiretamente. Por outras palavras: estes</p><p>verbos requerem simultaneamente OBJETO</p><p>DIRETO e OBJETO INDIRETO para completar-</p><p>-lhes o sentido.</p><p>Predicado Verbo – Nominal</p><p>O predicado verbo-nominal apresenta dois</p><p>núcleos: um verbo (que será sempre nocional) e</p><p>um predicativo (que pode referir-se ao sujeito ou</p><p>a um complemento verbal).</p><p>Na oração:</p><p>Os alunos saíram da prova confiantes.</p><p>O predicado é verbo-nominal porque seus</p><p>núcleos informativos são um verbo nocional</p><p>(saíram, verbo intransitivo), que indica uma ação</p><p>praticada pelo sujeito, e um predicativo do sujeito</p><p>(confiantes), que indica o estado do sujeito no</p><p>momento em que se desenvolve o processo ver-</p><p>bal. Observe que o predicado dessa oração</p><p>poderia ser desdobrado em dois outros, um ver-</p><p>bal e um nominal:</p><p>Os alunos saíram da prova.</p><p>Eles estavam confiantes.</p><p>A oração:</p><p>Considero inexequível o projeto exposto.</p><p>Também tem predicado verbo-nominal: seus</p><p>núcleos são o verbo nocional (considero) e o pre-</p><p>dicativo do objeto (inexeqüível). Nessa oração, “o</p><p>projeto exposto” é objeto direto da forma verbal</p><p>considero, pois é o termo que complementa o</p><p>verbo sem preposição intermediária.</p><p>Inexeqüível caracteriza esse objeto direto, atu-</p><p>ando como predicativo do objeto. Se você tem</p><p>dificuldade para perceber que o verbo considerar</p><p>participa da relação entre o objeto direto e seu</p><p>predicativo, passe a oração analisada para a voz</p><p>passiva:</p><p>0 projeto exposto é considerado inexequível por</p><p>mim</p><p>Nessa forma, fica evidente a intermediação verbal</p><p>entre “o projeto exposto” e inexequível. Note que</p><p>o objeto direto passou a sujeito, e o predicativo</p><p>do objeto passou a predicativo do sujeito.</p><p>Outra forma de perceber o papel de predicativo</p><p>do objeto do termo inexequível é substituir o</p><p>objeto direto por um pronome oblíquo:</p><p>Considero-o inexequível.</p><p>Você percebe que o pronome o substitui todo o</p><p>objeto direto (“o projeto exposto”), e o termo</p><p>inexequível se refere justamente a esse o.</p><p>Verbos transitivos diretos (VTD)</p><p>54</p><p>55</p><p>Os verbos pegar e querer ligam-se aos seus</p><p>complementos (esse emprego, músculos</p><p>e cérebros) sem preposição obrigatória.</p><p>Ambos são, portanto, verbos transitivos</p><p>diretos.</p><p>Variabilidade da predicação verbal</p><p>A análise da transitividade verbal é feita de acordo</p><p>com o texto e não isoladamente. O mesmo verbo</p><p>pode estar empregado ora intransitivamente, ora</p><p>transitivamente; ora com objeto direto, ora com</p><p>objeto indireto. Comparem-se estes exemplos:</p><p>Perdoai sempre [= INTRANSITIVO].</p><p>Perdoai as ofensas [=TRANSITIVO DIRETO].</p><p>Perdoai aos inimigos [= TRANSITIVO INDIRETO].</p><p>Perdoai as ofensas aos inimigos [= TRANSITIVO</p><p>DIRETO E INDIRETO].</p><p>Entre o verbo e os termos que com ele constituem</p><p>uma unidade de significado existe uma relação</p><p>que recebe o nome de transitividade. Essa rela-</p><p>ção se baseia na significação das palavras — o</p><p>processo expresso pelo verbo transita do sujeito</p><p>para o complemento do verbo.</p><p>Essa relação de transitividade não é propriedade</p><p>exclusiva dos verbos, pois também os nomes</p><p>podem ser transitivos. A importância dos com-</p><p>plementos é tão grande quanto a dos termos</p><p>complementados: na realidade, o que é essen-</p><p>cial para o funcionamento apropriado da língua é</p><p>a relação que se estabelece entre uns e outros.</p><p>Como você viu no capítulo anterior, os verbos</p><p>nocionais podem ou não ser acompanhados de</p><p>complementos. Os verbos nocionais que não são</p><p>acompanhados de complementos são chama-</p><p>dos de intransitivos. Os que apresentam com-</p><p>plemento são chamados de transitivos. Os tran-</p><p>sitivos, por sua vez, são subclassificados em</p><p>transitivos diretos, transitivos indiretos e transi-</p><p>tivos diretos e indiretos.</p><p>Há dois tipos de complementos verbais: o objeto</p><p>direto e o objeto indireto. Chama-se objeto</p><p>direto o complemento que se liga ao verbo sem</p><p>preposição.</p><p>Chama-se objeto indireto o complemento que</p><p>se liga ao verbo por meio de uma preposição</p><p>obrigatória. Para detectar esses complementos,</p><p>podemos transformar a oração num esquema</p><p>em que surgem os pronomes indefinidos algo e</p><p>alguém. Observe:</p><p>a) Verbo Ocorrer</p><p>Ocorreu um fato surpreendente ontem à noite.</p><p>O verbo ocorrer não requer complemento; seu</p><p>processo se esgota no sujeito: o fato simples-</p><p>mente ocorre. Esse verbo é, portanto, intransitivo.</p><p>b) Verbo Soltar</p><p>“Solto a voz nas estradas”</p><p>(Milton Nascimento e Fernando Brant)</p><p>Soltar algo: o verbo soltar faz-se acompanhar de</p><p>um complemento, que se liga a ele sem preposi-</p><p>ção obrigatória; é, portanto, um verbo transitivo</p><p>direto. “A voz” é objeto direto.</p><p>c) Verbo Necessitar</p><p>O país necessita de grandes investimentos em</p><p>saúde e educação.</p><p>Necessitar de algo: o verbo necessitar faz-se</p><p>acompanhar de um complemento introduzido por</p><p>preposição obrigatória; é, portanto, um verbo</p><p>transitivo indireto. “De grandes investimentos em</p><p>saúde e educação” é objeto indireto.</p><p>OS COMPLEMENTOS VERBAIS</p><p>TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO</p><p>55</p><p>56</p><p>d) Verbo Informar</p><p>Informei os preços dos produtos aos clientes</p><p>interessados.</p><p>Informar algo a alguém: o verbo informar faz-se</p><p>acompanhar de um</p><p>complemento que se liga a</p><p>ele sem preposição obrigatória e de outro intro-</p><p>duzido por preposição obrigatória; é, portanto,</p><p>um verbo transitivo direto e indireto. “Os preços</p><p>dos produtos” é objeto direto; “aos clientes inte-</p><p>ressados” é objeto indireto.</p><p>O verbo apresentar, transitivo direto e indireto,</p><p>tem como objeto direto o pronome oblíquo o</p><p>(segundo quadrinho) e, como objeto indireto,</p><p>a expressão ao seu primo da cidade (terceiro</p><p>quadrinho).</p><p>Sob a ótica da morfossintaxe, pode-se dizer que</p><p>os complementos verbais são, assim como o</p><p>sujeito, funções substantivas da oração: em todas</p><p>as orações anteriores, os núcleos dos objetos</p><p>diretos e indiretos são substantivos (voz, investi-</p><p>mentos, preços, clientes). Além dos substantivos,</p><p>podem desempenhar essas funções os prono-</p><p>mes e numerais substantivos e qualquer palavra</p><p>substantivada.</p><p>Observação: A transitividade de um verbo só</p><p>pode ser efetivamente determinada num dado</p><p>contexto. Observe nas orações seguintes como</p><p>um mesmo verbo pode apresentar transitividade</p><p>diferente de acordo com o contexto em que</p><p>ocorre:</p><p>O pior já passou, (intransitivo)</p><p>Nos últimos anos, a Fiat passou a GM na prefe-</p><p>rência dos consumidores brasileiros, (transitivo</p><p>direto) “</p><p>Você precisa passar a novidade aos colegas,</p><p>(transitivo direto e indireto).</p><p>Pronomes oblíquos como complementos verbais</p><p>No caso dos pronomes pessoais do caso oblíquo,</p><p>devemos relembrar que alguns deles desempe-</p><p>nham funções específicas:</p><p>a) Quando complementos verbais, os pronomes</p><p>o, os, a, as atuam exclusivamente como obje-</p><p>tos diretos, enquanto lhe e lhes atuam exclusi-</p><p>vamente como objetos indiretos. Observe, nos</p><p>pares de orações seguintes, como esses prono-</p><p>mes desempenham suas funções:</p><p>Informei os preços dos produtos aos clientes</p><p>interessados.</p><p>Informei-os aos clientes interessados, (objeto</p><p>direto).</p><p>Informei os preços dos produtos aos clientes</p><p>interessados. Informei-lhes os preços dos</p><p>produtos,</p><p>(objeto indireto)</p><p>b) Os pronomes me, te, se, nos e vos podem</p><p>atuar como objetos diretos ou indiretos, de acordo</p><p>com a transitividade verbal. Observe, nos pares</p><p>de orações seguintes, o uso do pronome me,</p><p>extensivo a te, se, nos e vos:</p><p>Escolheram-me para representar a turma.</p><p>Escolher alguém: o verbo é transitivo direto;</p><p>o pronome me é, portanto, objeto direto.</p><p>Não me pertencem os seus sonhos.</p><p>Pertencer a alguém: o verbo é transitivo indireto;</p><p>o sujeito é “os seus sonhos”; o pronome me é</p><p>objeto indireto.</p><p>Objeto direto preposicionado</p><p>Em alguns casos, o objeto direto pode ser intro-</p><p>duzido por preposição: é o chamado objeto direto</p><p>preposicionado. Nesses casos, o verbo é sempre</p><p>transitivo direto, e seu complemento é, obvia-</p><p>mente, um objeto direto. A preposição é</p><p>56</p><p>57</p><p>empregada por necessidades expressivas ou</p><p>por razões morfossintáticas, mas nunca porque</p><p>o verbo a exige (se isso ocorresse, o verbo seria</p><p>transitivo indireto).</p><p>Observe alguns casos de objeto direto preposi-</p><p>cionado, com os respectivos comentários:</p><p>a) Exemplo 1:</p><p>Cumpri com a minha palavra.</p><p>Cumprir algo: o verbo é transitivo direto. A pre-</p><p>posição com, estruturalmente dispensável, surge</p><p>como elemento enfático e não porque o verbo a</p><p>exija.</p><p>b) Exemplo 2:</p><p>O novo horário incomoda a todos.</p><p>O novo horário incomoda a mim.</p><p>Incomodar alguém: o verbo é transitivo direto. A</p><p>presença da preposição decorre do tipo de pro-</p><p>nome que atua como objeto direto: um pronome</p><p>indefinido relativo a pessoa (todos), que sempre</p><p>admite a preposição, e um pronome pessoal oblí-</p><p>quo tônico (mim), que exige a preposição.</p><p>exemplo 3:</p><p>Notadamente aos mais desfavorecidos atingem</p><p>essas medidas.</p><p>Atingir alguém: o verbo é, novamente, transitivo</p><p>direto. A preposição é fundamental, no caso, para</p><p>evitar ambiguidade: os mais desfavorecidos são</p><p>atingidos pelas medidas. Sem a preposição, a</p><p>expressão “os mais desfavorecidos” passaria a</p><p>sujeito, o que alteraria radicalmente o sentido da</p><p>frase. Note o tom enfático da frase, típica de pro-</p><p>nunciamentos mais exaltados.</p><p>Objetos pleonásticos</p><p>Por motivos expressivos, podem surgir os cha-</p><p>mados objetos pleonásticos: tanto o objeto direto</p><p>como o objeto indireto podem ser colocados em</p><p>destaque, no início da oração, sendo depois repe-</p><p>tidos por um pronome pessoal na posição onde</p><p>deveriam naturalmente estar. Observe:</p><p>A) Objeto direto pleonático</p><p>Suas músicas, ouço-as sempre com emoção.</p><p>“Suas músicas” é objeto direto; as é objeto direto</p><p>pleonástico.</p><p>B) Objeto indireto pleonático</p><p>Aos filhos, dá-lhes o melhor de si.</p><p>“Aos filhos” é objeto indireto; lhes é objeto indireto</p><p>pleonástico.</p><p>O complemento nominal</p><p>A transitividade não é privilégio dos verbos: há</p><p>também nomes (substantivos, adjetivos e advér-</p><p>bios) transitivos. Isso significa que determinados</p><p>substantivos, adjetivos e advérbios se fazem</p><p>acompanhar de complementos. Esses comple-</p><p>mentos são chamados complementos nominais</p><p>e são sempre introduzidos por uma</p><p>preposição. Observe:</p><p>A) O complemento nominal do substantivo</p><p>Espero que você tenha feito uma boa leitura do</p><p>texto.</p><p>Leitura é, nessa oração, núcleo do objeto direto</p><p>da locução verbal “tenha feito”. Note que, nessa</p><p>oração, fez-se a leitura de algo. Leitura é, por-</p><p>tanto, um substantivo transitivo, e “do texto” é</p><p>seu complemento nominal.</p><p>B) O complemento nominal do adjetivo</p><p>Você precisa ser fiel aos princípios do partido.</p><p>Fiel é, nessa oração, núcleo do predicativo do</p><p>sujeito você. No caso, é preciso ser fiel a algo.</p><p>“Aos princípios do partido” complementa o adje-</p><p>tivo fiel; é, portanto, um complemento nominal.</p><p>C) O complemento nominal do advébio</p><p>Ela mora perto de uma grande área industrial.</p><p>Perto é, nessa oração, o núcleo de um adjunto</p><p>adverbial de lugar. Perceba que o advérbio perto</p><p>precisa de um complemento: perto de algo ou</p><p>de alguém. “De uma grande área industrial” é</p><p>complemento nominal do advérbio perto.</p><p>57</p><p>58</p><p>Em cada quadrinho, um complemento nominal</p><p>diferente para o substantivo transitivo medo: de</p><p>avião, de filme de vampiro, de tubarão em piscina.</p><p>Sob a ótica da morfossintaxe, pode-se dizer</p><p>que o complemento nominal é mais uma função</p><p>substantiva da oração: nos casos citados ante-</p><p>riormente, o núcleo dos complementos é sempre</p><p>um substantivo (texto, princípios, área). Pronomes</p><p>e numerais substantivos, assim como qualquer</p><p>palavra substantivada, podem desempenhar essa</p><p>função. Observe o pronome lhe atuando como</p><p>complemento nominal na oração seguinte:</p><p>Não posso ser-lhe fiel: já empenhei minha palavra</p><p>com outra pessoa.</p><p>O pronome lhe tem o valor de “a alguém” (fiel a</p><p>alguém: no caso, a você ou a ele/ela); é, portanto,</p><p>o complemento nominal do adjetivo fiel, que atua</p><p>como núcleo do predicativo do sujeito.</p><p>Observe que o complemento nominal não se</p><p>relaciona diretamente com o verbo da oração, e</p><p>sim com um nome que pode desempenhar as</p><p>mais diversas funções. Isso significa que o com-</p><p>plemento nominal sempre fará parte de um outro</p><p>termo sintático, subordinando-se a um nome que</p><p>pertence a esse termo.Observe:</p><p>A realização do projeto é necessária à população</p><p>carente. C.N.</p><p>C.N.</p><p>O agente da passiva</p><p>Além da flexão de modo, tempo, pessoa e</p><p>número, o verbo possui flexão de voz. Essa fle-</p><p>xão indica a relação que ocorre entre o sujeito de</p><p>um verbo e o processo que esse mesmo verbo</p><p>expressa. Observe a oração seguinte:</p><p>O presidente aprovou as medidas econômicas.</p><p>O sujeito dessa oração é “o presidente”; “as medi-</p><p>das econômicas” é objeto direto da forma verbal</p><p>aprovou. “O presidente” é também o agente do</p><p>processo verbal, ou seja, é o termo que indica</p><p>quem executa o processo expresso pelo verbo;</p><p>“as medidas econômicas” é o paciente desse</p><p>mesmo processo verbal, pois é o termo que</p><p>indica aquilo ou aquele que sofre a ação expressa</p><p>pelo verbo.</p><p>Note que estamos lidando com conceitos bas-</p><p>tante diferentes: sujeito é o termo que concorda</p><p>em número e pessoa com o verbo; agente é</p><p>quem pratica a ação expressa pelo verbo. Objeto</p><p>direto é o termo que complementa o verbo sem</p><p>preposição obrigatória; paciente é quem</p><p>TAREFA 06......................................................................................................................................127</p><p>TAREFA 07.....................................................................................................................................131</p><p>TAREFA 08....................................................................................................................................136</p><p>TAREFA 09.....................................................................................................................................141</p><p>TAREFA 10....................................................................................................................................144</p><p>TAREFA 11......................................................................................................................................147</p><p>TAREFA 12.....................................................................................................................................150</p><p>TAREFA 13.....................................................................................................................................153</p><p>TAREFA 14.....................................................................................................................................158</p><p>TAREFA 15.....................................................................................................................................161</p><p>TAREFA 16.....................................................................................................................................165</p><p>MÓDULO II - TEXTOS</p><p>MÓDULO III - EXERCÍCIOS GRAMATICAIS</p><p>EXERCÍCIOS GRAMATICAIS.........................................................................................................171</p><p>FONÉTICA......................................................................................................................................172</p><p>VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS..........................................................................................................177</p><p>SEMÃNTICA..................................................................................................................................206</p><p>ORTOGRAFIA................................................................................................................................209</p><p>HÍFEN.............................................................................................................................................214</p><p>ESTRUTURA DA PALAVRA...........................................................................................................217</p><p>CLASSES DE PALAVRAS – VERBOS...........................................................................................234</p><p>CLASSES DE PALAVRAS- CONJUNÇÕES..................................................................................252</p><p>FLEXÃO NOMINAL.......................................................................................................................256</p><p>SINTAXE: TERMOS DA ORAÇÃO.................................................................................................262</p><p>SINTAXE: PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO...........................................................266</p><p>SINTAXE: PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO...........................................................274</p><p>SINTAXE: COLOCAÇÃO PRONOMINAL.......................................................................................277</p><p>SINTAXE: REGÊNCIA VERBAL....................................................................................................281</p><p>SINTAXE: REGÊNCIA NOMINAL.................................................................................................294</p><p>SINTAXE: CRASE........................................................................................................................297</p><p>SINTAXE:CONCORDÂNCIA VERBAL..........................................................................................310</p><p>SINTAXE: CONCORDÂNCIA NOMNAL.........................................................................................314</p><p>PONTUAÇÃO: USO DA VÍRGULA.................................................................................................318</p><p>PONTUAÇÃO: DEMAIS SINAIS....................................................................................................324</p><p>SUMÁRIOSUMÁRIO</p><p>4</p><p>2022</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02</p><p>03 04 05 06 07 08 09</p><p>10 11 12 13 14 15 16</p><p>17 18 19 20 21 22 23</p><p>24 25 26 27 28 29 30</p><p>31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03</p><p>04 05 06 07 08 09 10</p><p>11 12 13 14 15 16 17</p><p>18 19 20 21 22 23 24</p><p>25 26 27 28 29 30</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03</p><p>04 05 06 07 08 09 10</p><p>11 12 13 14 15 16 17</p><p>18 19 20 21 22 23 24</p><p>25 26 27 28 29 30 31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02</p><p>03 04 05 06 07 08 09</p><p>10 11 12 13 14 15 16</p><p>17 18 19 20 21 22 23</p><p>24 25 26 27 28 29 30</p><p>31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05 06</p><p>07 08 09 10 11 12 13</p><p>14 15 16 17 18 19 20</p><p>21 22 23 24 25 26 27</p><p>28</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05 06</p><p>07 08 09 10 11 12 13</p><p>14 15 16 17 18 19 20</p><p>21 22 23 24 25 26 27</p><p>28 29 30</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01</p><p>02 03 04 05 06 07 08</p><p>09 10 11 12 13 14 15</p><p>16 17 18 19 20 21 22</p><p>23 24 25 26 27 28 29</p><p>30 31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05 06 07</p><p>08 09 10 11 12 13 14</p><p>15 16 17 18 19 20 21</p><p>22 23 24 25 26 27 28</p><p>29 30 31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05 06</p><p>07 08 09 10 11 12 13</p><p>14 15 16 17 18 19 20</p><p>21 22 23 24 25 26 27</p><p>28 29 30 31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05</p><p>06 07 08 09 10 11 12</p><p>13 14 15 16 17 18 19</p><p>20 21 22 23 24 25 26</p><p>27 28 29 30</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04</p><p>05 06 07 08 09 10 11</p><p>12 13 14 15 16 17 18</p><p>19 20 21 22 23 24 25</p><p>26 27 28 29 30</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04</p><p>05 06 07 08 09 10 11</p><p>12 13 14 15 16 17 18</p><p>19 20 21 22 23 24 25</p><p>26 27 28 29 30 31</p><p>JaneiroJaneiro</p><p>AbrilAbril MaioMaio JunhoJunho</p><p>JulhoJulho SetembroSetembro</p><p>OutubroOutubro NovembroNovembro DezembroDezembro</p><p>MarçoMarçoFevereiroFevereiro</p><p>01 - Ano Novo Confraternização Universal 01 - Carnaval (Facultativo)</p><p>15 - Paixão de Cristo / 17 - Páscoa</p><p>21 - Tiradentes</p><p>01 - Dia do Trabalho 16 - Corpus Chirsti</p><p>AgostoAgosto</p><p>07 - Independência do Brasil</p><p>12 - Nossa Srª. Aparecida 02 - Finados</p><p>15 - Proclamação da República</p><p>25 - Natal</p><p>04</p><p>5</p><p>2023</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01</p><p>02 03 04 05 06 07 08</p><p>09 10 11 12 13 14 15</p><p>16 17 18 19 20 21 22</p><p>23 24 25 26 27 28 29</p><p>30 31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05</p><p>06 07 08 09 10 11 12</p><p>13 14 15 16 17 18 19</p><p>20 21 22 23 24 25 26</p><p>27 28</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05</p><p>06 07 08 09 10 11 12</p><p>13 14 15 16 17 18 19</p><p>20 21 22 23 24 25 26</p><p>27 28 29 30 31</p><p>JaneiroJaneiro FevereiroFevereiro MarçoMarço</p><p>22 - Carnaval (Facultativo)01 - Ano Novo Confraternização Universal</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02</p><p>03 04 05 06 07 08 09</p><p>10 11 12 13 14 15 16</p><p>17 18 19 20 21 22 23</p><p>24 25 26 27 28 29 30</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05 06 07</p><p>08 09 10 11 12 13 14</p><p>15 16 17 18 19 20 21</p><p>22 23 24 25 26 27 28</p><p>29 30 31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04</p><p>05 06 07 08 09 10 11</p><p>12 13 14 15 16 17 18</p><p>19 20 21 22 23 24 25</p><p>26 27 28 29 30</p><p>AbrilAbril MaioMaio JunhoJunho</p><p>01 - Dia do Trabalho07 - Paixão de Cristo / 09 - Páscoa</p><p>21 - Tiradentes</p><p>08 - Corpus Chirsti</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02</p><p>03 04 05 06 07 08 09</p><p>10 11 12 13 14 15 16</p><p>17 18 19 20 21 22 23</p><p>24 25 26 27 28 29 30</p><p>31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05 06</p><p>07 08 09 10 11 12 13</p><p>14 15 16 17 18 19 20</p><p>21 22 23 24 25 26 27</p><p>28 29 30 31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03</p><p>04 05 06 07 08 09 10</p><p>11 12 13 14 15 16 17</p><p>18 19 20 21 22 23 24</p><p>25 26 27 28 29 30</p><p>JulhoJulho AgostoAgosto SetembroSetembro</p><p>07 - Independência do Brasil</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01</p><p>02 03 04 05 06 07 08</p><p>09 10 11 12 13 14 15</p><p>16 17 18 19 20 21 22</p><p>23 24 25 26 27 28 29</p><p>30 31</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03 04 05</p><p>06 07 08 09 10 11 12</p><p>13 14 15 16 17 18 19</p><p>20 21 22 23 24 25 26</p><p>27 28 29 30</p><p>S T Q Q S S D</p><p>01 02 03</p><p>04 05 06 07 08 09 10</p><p>11 12 13 14 15 16 17</p><p>18 19 20 21 22 23 24</p><p>25 26 27 28 29 30 31</p><p>OutubroOutubro NovembroNovembro DezembroDezembro</p><p>12 - Nossa Srª. Aparecida 02 - Finados</p><p>15 - Proclamação da República</p><p>25 - Natal</p><p>05</p><p>O NOVO PORTUGUÊS</p><p>Todos os aspectos abaixo devem ser cuidadosamente observados</p><p>sofre a</p><p>ação expressa pelo verbo. Na oração que esta-</p><p>mos analisando, o sujeito é também o agente</p><p>do processo verbal: isso ocorre porque o verbo</p><p>está na voz ativa. Um verbo está na voz ativa</p><p>quando o sujeito é também o agente do processo</p><p>verbal que esse verbo expressa.</p><p>Se for alterada a voz do verbo da oração inicial,</p><p>surgirá a oração:</p><p>As medidas econômicas foram aprovadas pelo</p><p>presidente.</p><p>O sujeito dessa oração é “as medidas econômi-</p><p>cas”. Esse sujeito é o paciente do processo ver-</p><p>bal. Um verbo apresenta sujeito paciente quando</p><p>está na voz passiva. A locução “foram aprovadas”</p><p>é, portanto, uma forma passiva do verbo aprovar.</p><p>Você já viu nos capítulos dedicados aos verbos</p><p>que a voz passiva formada com o verbo auxiliar</p><p>ser é chamada voz passiva analítica.</p><p>“Pelo presidente” é o termo que exprime quem</p><p>pratica a ação nessa construção na voz passiva.</p><p>Esse termo é chamado, por isso, agente da pas-</p><p>siva. O agente da passiva indica quem pratica</p><p>a ação quando o verbo está na voz passiva (no</p><p>português atual, o agente da passiva ocorre fun-</p><p>damentalmente na voz passiva analítica). É um</p><p>termo sempre introduzido por preposição (nor-</p><p>malmente por e suas formas contraídas com arti-</p><p>gos — pelo, pelos, pela, pelas — e, com menor</p><p>freqüência, de).</p><p>58</p><p>59</p><p>Sob a ótica da morfossintaxe, pode-se dizer que</p><p>o agente da passiva é mais uma função subs-</p><p>tantiva da oração: na oração que analisamos,</p><p>seu núcleo é o substantivo presidente. Também</p><p>podem atuar como agentes da passiva pronomes</p><p>e numerais substantivos, além de outras palavras</p><p>substantivadas.</p><p>As vozes verbais</p><p>Há três vozes verbais: a ativa, a passiva e a</p><p>reflexiva. Na voz ativa, o sujeito é o agente do</p><p>processo verbal. Na voz passiva, o sujeito é</p><p>o paciente do processo verbal. Na reflexiva, o</p><p>sujeito age sobre si mesmo, sendo ao mesmo</p><p>tempo agente e paciente do processo verbal.</p><p>Observe:</p><p>Os alunos obtiveram a aprovação.</p><p>Essa oração está na voz ativa: o sujeito “os alu-</p><p>nos” é também o agente do processo verbal.</p><p>Passando-a para a voz passiva, surge a oração:</p><p>A aprovação foi obtida pelos alunos.</p><p>Em que “a aprovação” é o sujeito e o paciente do</p><p>processo verbal, enquanto “pelos alunos” é o</p><p>agente da passiva.</p><p>Numa oração como:</p><p>Um dos alunos cortou-se durante a brincadeira.</p><p>O verbo está na voz reflexiva, pois o sujeito</p><p>“um dos alunos” pratica a ação verbal sobre si</p><p>mesmo. O pronome se é, no caso, objeto direto</p><p>da forma verbal cortou. É como se se dissesse</p><p>que João cortou João, ou seja, João cortou-se,</p><p>por isso o se é objeto direto.</p><p>Na voz reflexiva, os pronomes pessoais do caso</p><p>oblíquo me, te, se, nos e vos podem atuar como</p><p>objetos diretos ou como objetos indiretos, de</p><p>acordo com a transitividade do verbo:</p><p>Não me julgo tão competente.</p><p>Me é objeto direto</p><p>(julgar algo ou alguém).</p><p>Dou-me o direito de silenciar.</p><p>Me é objeto indireto</p><p>(dar algo a alguém).</p><p>Transformação de voz passiva em voz ativa</p><p>A transformação de uma oração que esteja na</p><p>voz ativa em uma oração que esteja na voz pas-</p><p>siva obedece a um esquema fixo: o sujeito da voz</p><p>ativa passa a agente da passiva; o verbo da voz</p><p>ativa é convertido numa locução em que surge o</p><p>auxiliar ser (com menor frequência, estar e ficar):</p><p>Os alunos obtiveram a aprovação,</p><p>Sujeito / agente objeto direto / paciente</p><p>A aprovação foi obtida pelos alunos.</p><p>Sujeito / paciente agente da passiva</p><p>Na obtenção da forma passiva do verbo, o auxiliar</p><p>assume o tempo e o modo do verbo ativo (no</p><p>caso, pretérito perfeito do indicativo), enquanto</p><p>este assume a forma do particípio (obtiveram</p><p>passa a obtida).</p><p>Não pode haver voz passiva sem sujeito determi-</p><p>nado e expresso. Por isso, é fácil perceber que</p><p>somente os verbos que possuem objeto direto</p><p>na voz ativa formam a voz passiva: afinal, é o</p><p>objeto direto da voz ativa que dá origem ao sujeito</p><p>da voz passiva. Em outras palavras: somente os</p><p>verbos transitivos diretos e os transitivos diretos</p><p>e indiretos podem formar a voz passiva.</p><p>Você já sabe que, na voz ativa, pode haver ora-</p><p>ções de sujeito indeterminado com verbo na ter-</p><p>ceira pessoa do plural. Um exemplo é:</p><p>Desviaram seu destino.</p><p>Nessa oração, o sujeito está indeterminado, mas</p><p>é fácil perceber que esse sujeito é o agente do</p><p>• processo verbal — quem quer que tenha des-</p><p>viado seu destino praticou, e não sofreu, uma</p><p>ação. Na \ voz passiva, teremos uma oração cujo</p><p>agente da passiva estará indeterminado:</p><p>Seu destino foi desviado, (por quem?)</p><p>59</p><p>60</p><p>Além da voz passiva analítica (formada com um</p><p>verbo auxiliar), podemos formar uma outra, a voz</p><p>passiva sintética, da qual participa o pronome se:</p><p>Desviou-se seu destino.</p><p>Nessa oração, “seu destino” é o sujeito da forma</p><p>verbal desviou-se. No plural, essa oração seria:</p><p>Desviaram-se seus destinos.</p><p>A voz passiva sintética tem como ponto de partida</p><p>uma oração na voz ativa cujo sujeito está inde-</p><p>terminado.Para formá-la, utilizamos o pronome</p><p>se, que recebe o nome de pronome apassivador</p><p>ou partícula apassivadora. Essa forma de voz</p><p>passiva (assim como a forma analítica) só ocorre</p><p>com verbos transitivos diretos e transitivos diretos</p><p>e indiretos. Observe:</p><p>O verbo na voz passiva sintética concorda em</p><p>número e pessoa com o sujeito da oração:</p><p>Alugou-se o apartamento. / Alugaram-se os</p><p>apartamentos. Manipulou-se o resultado da</p><p>eleição. /</p><p>Manipularam-se os resultados da eleição.</p><p>Divulgou-se mais um boato. / Divulgaram-se mais</p><p>alguns boatos.</p><p>Entregou-se o prêmio ao atleta. / Entregaram-se</p><p>os prêmios ao atleta.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar os termos aces-</p><p>sórios da oração — o adjunto adverbial o adjunto</p><p>adnominal e o aposto. Vai estudar também o</p><p>vocativo.</p><p>Quando se fala em termos acessórios da oração,</p><p>pode-se ter a falsa impressão de que se está</p><p>tratando de elementos dispensáveis das orações</p><p>e períodos. Na prática, essa impressão não cor-</p><p>responde à verdade: esses termos são acessó-</p><p>rios porque não fazem parte da estrutura básica</p><p>da oração, organizada a partir de um verbo e</p><p>dos nomes ligados a ele pela concordância ou</p><p>pela transitividade. No entanto, as informações</p><p>que transmitem são fundamentais para que se</p><p>alcance uma comunicação satisfatória.</p><p>Chamam-se ACESSÓRIOS os TERMOS que se</p><p>juntam a um nome ou a um verbo para precisar-</p><p>-lhes o significado.</p><p>Embora tragam um dado novo à oração, os</p><p>TERMOS ACESSÓRIOS não são indispensá-</p><p>veis ao entendimento do enunciado. Daí a sua</p><p>denominação.</p><p>SÃO TERMOS ACESSÓRIOS:</p><p>a) o ADJUNTO ADNOMINAL;</p><p>b) o ADJUNTO ADVERBIAL;</p><p>c) o APOSTO.</p><p>Adjunto adnominal</p><p>É o termo de valor adjetivo que serve para espci-</p><p>ficar ou delimitar o significado de um substantivo,</p><p>qualquer que seja a função deste. O ADJUNTO</p><p>ADNOMINAL pode vir expresso por:</p><p>a) adjetivo: A festa inaugural esteve animada.</p><p>b) locução adjetiva:</p><p>Tinha uma memória de prodígio.</p><p>c) artigo (definido ou indefinido):</p><p>Cessaram as vozes.</p><p>Às vezes, um galo canta.</p><p>d) pronome adjetivo:</p><p>Sofia nunca lhe contou este meu palpite?</p><p>e) numeral:</p><p>Os dois homens estavam fascinados.</p><p>f) oração: O caso que vos citei é expressivo.</p><p>a.voz ativa Invadiram aquela casa.</p><p>b.voz passiva analítica Aquela casa foi invadida.</p><p>c.voz passiva sintética Invadiu-se aquela casa.</p><p>TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO</p><p>E VOCATIVO</p><p>60</p><p>61</p><p>Para perceber como o adjunto adnominal faz</p><p>parte efetiva do mesmo termo sintático que tem</p><p>o substantivo como núcleo, basta substituir esse</p><p>termo por um pronome substantivo: como estão</p><p>diretamente subordinados ao substantivo, sem</p><p>qualquer intermediação verbal, os adjuntos adno-</p><p>minais desaparecem quando da substituição.</p><p>Observe:</p><p>A nova política salarial prejudica os trabalhadores</p><p>de menor poder aquisitivo.</p><p>Ela prejudica-os.</p><p>“A nova política salarial” e “os trabalhadores de</p><p>menor poder aquisitivo” são, respectivamente,</p><p>sujeito e objeto direto da oração. Subordinados</p><p>aos núcleos dessas funções — os substantivos</p><p>política e trabalhadores —, os adjuntos adnomi-</p><p>nais desaparecem quando são substituídos pelos</p><p>pronomes substantivos ela e os.</p><p>Essa percepção de que o adjunto adnominal</p><p>é</p><p>sempre parte de um outro termo sintático que tem</p><p>como núcleo um substantivo é importante para</p><p>diferenciá-lo do predicativo do objeto. Observe:</p><p>Noel Rosa deixou uma obra riquíssima.</p><p>Nessa oração, riquíssima é adjunto adnominal de</p><p>obra, que é o núcleo do objeto direto. Se</p><p>substituíssemos esse objeto direto por um pro-</p><p>nome pessoal, obteríamos “Noel Rosa deixou-a”.</p><p>Agora consideremos esta outra frase:</p><p>Sua atitude deixou perplexos seus amigos.</p><p>Nessa oração, perplexos é predicativo do objeto</p><p>direto “seus amigos”. Se substituíssemos esse</p><p>objeto direto por um pronome pessoal, obtería-</p><p>mos: “Sua atitude deixou-os perplexos”.</p><p>Perceba,que perplexos não é parte do objeto</p><p>direto, e sim um termo sintático relacionado</p><p>também com o verbo da oração.</p><p>Como distinguir o adjunto adnominal do</p><p>complemento nominal</p><p>É comum confundir adjunto adnominal na forma</p><p>de locução adjetiva com complemento nominal.</p><p>Para evitar essa confusão, considere o seguinte:</p><p>a) Somente os substantivos podem ser acompa-</p><p>nhados de adjuntos adnominais; já os comple-</p><p>mentos nominais podem ligar-se a substantivos,</p><p>adjetivos e advérbios. É óbvio, portanto, que o</p><p>termo lido por preposição a um adjetivo ou a um</p><p>advérbio só pode ser complemento nominal;</p><p>b) Os complementos nominais são exigidos pela</p><p>transitividade do nome a que se ligam; indicam,</p><p>portanto, o paciente ou o alvo da noção expressa</p><p>pelo substantivo. Já os adjuntos adnominais indi-</p><p>cam o agente ou o possuidor da noção expressa</p><p>pelo substantivo.</p><p>Observe:</p><p>Os investimentos da iniciativa privada em edu-</p><p>cação e saúde deveriam ser proporcionais aos</p><p>lucro de cada empresa.</p><p>Nessa oração, o sujeito é “os investimentos da</p><p>iniciativa privada em saúde e educação”. O</p><p>núcleos desse sujeito é o substantivo investimen-</p><p>tos; presos a esse núcleo por meio de preposição</p><p>há termos “da iniciativa privada” e “em educação</p><p>e saúde”. Observe que o primeiro indica o age</p><p>te ou possuidor dos investimentos (é a iniciativa</p><p>privada que investe), enquanto o segundo indica</p><p>o paciente ou alvo desses investimentos (saúde</p><p>e educação recebem esses investimentos). “Da</p><p>iniciativa privada” é adjunto adnominal, enquanto</p><p>“em saúde e educação” é complemento nominal.</p><p>Adjunto adverbial</p><p>É o termo de valor adverbial que denota alguma</p><p>circunstância do fato expresso pelo verbo, ou</p><p>intensifica o sentido deste, de um adjetivo, ou</p><p>de um advérbio.</p><p>O ADJUNTO ADVERBIAL pode vir representado</p><p>por:</p><p>Como distinguir o adjunto adnominal</p><p>do predicativo do sujeito</p><p>61</p><p>62</p><p>a) advérbio: Eu jamais tinha ouvido coisa igual.</p><p>b) locução ou expressão adverbial: De repente</p><p>um carro começa a buzinar com força junto ao</p><p>meu portão.</p><p>c) oração: Como eu achasse muito breve,</p><p>explicou-se.</p><p>Classificação dos adjuntos adverbiais</p><p>É difícil enumerar todos os tipos de ADJUNTOS</p><p>ADVERBIAIS. Muitas vezes, só em face do texto</p><p>se pode propor uma classificação exata. Não</p><p>obstante, convém conhecer os seguintes:</p><p>a) DE CAUSA: O homem, por desejo de nutri-</p><p>ção e de amor, produziu a evolução histórica da</p><p>humanidade.</p><p>b) DE COMPANHIA: Vivi com Daniel perto de</p><p>dois anos.</p><p>c) DE CONCESSÃO: Apesar de cansado, não</p><p>sentia sono.</p><p>d) DE DÚVIDA: Talvez a gente combine alguma</p><p>coisa para amanhã.</p><p>e) DE FIM: Volto daqui a meia hora, para o</p><p>enterro.</p><p>f) DE INSTRUMENTO: A pobre morria com o</p><p>palmo e meio de aço enterrado no coração.</p><p>g) DE INTENSIDADE: Temos mudado muito.</p><p>h) DE LUGAR: A lama respinga por toda a parte.</p><p>i) DE MATÉRIA: Os quintais são massas escuras</p><p>de verdura.</p><p>j) DE MEIO: Voltamos de bote para a ponta do</p><p>Caju.</p><p>l) DE MODO: A orquestra atacava de rijo.</p><p>m) DE NEGAÇÃO: Não quero ouvir mais cantar.</p><p>n) DE TEMPO: Ontem Afonsina te escreveu.</p><p>É o termo de caráter nominal que se junta a um</p><p>substantivo, a um pronome, ou a um equivalente</p><p>destes, a título de explicação ou de apreciação.</p><p>1 - Entre o APOSTO e o termo a que ele se refere</p><p>há em geral pausa, marcada na escrita por vír-</p><p>gula, dois pontos, travessão.</p><p>Ela, Açucena, estava em seus olhos.</p><p>Tudo aquilo para mim era uma delícia o gado, o</p><p>leite de espuma morna, o frio das cinco horas da</p><p>manhã, a figura alta e solene de meu avô.</p><p>Mas pode também não haver pausa entre o</p><p>APOSTO e a palavra principal, quando esta é um</p><p>termo genérico, especificado ou individualizado</p><p>pelo APOSTO.</p><p>A cidade de Teresópolis.</p><p>O mês de junho.</p><p>O poeta Bilac.</p><p>Este APOSTO, chamado DE ESPECIFICÇÃO,</p><p>não deve ser confundido com certas construções</p><p>formalmente semelhantes, como:</p><p>O clima de Teresópolis. As festas de junho.</p><p>em que de Teresópolis e de junho equivalem a</p><p>adjetivos (= teresopolitano e juninas) e funcio-</p><p>nam, portanto, como ADJUNTOS ADNOMINAIS.</p><p>2 - O aposto pode também ser representado por</p><p>uma oração:</p><p>De pronto, fixou-se uma solução: traria o relógio.</p><p>Examinando estes versos:</p><p>Deus te abençoe, minha filha.</p><p>Ó lanchas, Deus vos leve pela mão!</p><p>Vemos que, neles, os termos minha filha e Ó</p><p>lanchas não estão subordinados a nenhum outro</p><p>termo da frase. Servem apenas para invocar, cha-</p><p>mar ou nomear, com ênfase, uma pessoa.</p><p>A estes termos, de entoação exclamativa e</p><p>isolados do resto da frase, dá-se o nome de</p><p>VOCATIVO.</p><p>Colocação dos termos na oração: ordem</p><p>direta e ordem indireta</p><p>1. Em português predomina a ORDEM DIRETA,</p><p>isto é, os termos da oração se dispõem preferen-</p><p>temente na sequência:</p><p>sujeito + verbo + objeto direto + objeto indireto</p><p>Aposto</p><p>Vocativo</p><p>62</p><p>63</p><p>ou sujeito + verbo + predicativo</p><p>Essa preferência pela ORDEM DIRETA é mais</p><p>sensível nas ORAÇÕES ENUNCIATIVAS ou</p><p>DECLARATIVAS (afirmativas ou negativas).</p><p>Assim:</p><p>Os vizinhos deram jantar aos órfãos nessa tarde.</p><p>Deodato ainda é menino.</p><p>2. Ao reconhecermos a predominância da ordem</p><p>direta em português, não devemos concluir que</p><p>as inversões repugnem ao nosso idioma. Pelo</p><p>contrário, com muito mais facilidade do que</p><p>outras línguas (do que o francês, por exemplo),</p><p>ele nos permite alterar a ordem normal dos ter-</p><p>mos da oração. Há mesmo certas inversões que</p><p>o uso consagrou, e se tornaram para nós uma</p><p>exigência gramatical.</p><p>Assim:</p><p>Aqui outrora reboaram hinos.</p><p>Uma tarde entrou-me quarto a dentro um cana-</p><p>rinho da terra.</p><p>O estudo do período composto e a</p><p>classifi cação das orações</p><p>Neste capítulo, você começará a escudar a sin-</p><p>taxe do período composto. Poderá observar os</p><p>processos sintáticos da subordinação e da coor-</p><p>denação, os tipos de orações subordinadas e,</p><p>mais detalhadamente, as orações subordinadas</p><p>substantivas.</p><p>O estudo do período composto consiste</p><p>fundamentalmente em investigar as relações que</p><p>se estabelecem entre orações que pertencem a</p><p>um mesmo período. Neste capítulo, você verá</p><p>que as orações que atuam sintaticamente como</p><p>um substantivo são chamadas de orações subor-</p><p>dinadas substantivas.</p><p>O PERÍODO será:</p><p>SIMPLES: Quando contiver uma só</p><p>oração que se chama absoluta.</p><p>COMPOSTO: Quando formado por duas ou mais</p><p>orações. O PERÍODO COMPOSTO será, de</p><p>acordo com o conectivo que reja as suas orações:</p><p>1 - COMPOSTO POR COORDENAÇÃO - se</p><p>todas suas orações forem simplesmente justa-</p><p>postas ou regidas por conectivos coordenativos.</p><p>2 - COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO -</p><p>quando, excluída a oração principal, todas as</p><p>suas orações forem regidas por conectivo subor-</p><p>dinativo (claro ou oculto).</p><p>Assim, as orações de um PERÍODO COMPOSTO</p><p>POR COORDENAÇÃO classificar-se-ão em:</p><p>a) ORAÇÕES ASSINDÉTICAS = se não tiverem</p><p>conectivo.</p><p>b) ORAÇÕES SINDÉTICAS = se forem regidas</p><p>pelas CONJUNÇÕES COORDENATIVAS:</p><p>1. ADITIVAS: e, nem (= e não), também, não só</p><p>... mas também, bem como, que (= e) etc.</p><p>Ex: Ele descia a ladeira e vinha só.</p><p>2. ADVERSATIVAS: mas, porém, todavia, con-</p><p>tudo, entretanto, no entanto, senão, aliás, não</p><p>obstante, ainda assim, etc.</p><p>Ex: Estudei muito, mas fui reprovado.</p><p>3. ALTERNATIVAS: ou (repetida ou não), ou ... ou,</p><p>quer ... quer, seja ... seja, nem ... nem, já ... já,</p><p>ora ... ora, etc.</p><p>Ex: Ou me retiro, ou tu te afastas.</p><p>4. CONCLUSIVAS: logo, pois (pospostas ao</p><p>verbo), portanto, por isso, por conseguinte,</p><p>conseguintemente, por conseqüência,</p><p>consequentemente, assim, então, por onde, daí,</p><p>etc.</p><p>Ex: Os alicerces cederam, portanto o prédio caiu.</p><p>5. EXPLICATIVAS: que, porque, pois, porquanto,</p><p>etc.</p><p>63</p><p>64</p><p>Ex: Não saiam, pois o professor já vem.</p><p>Por sua vez, as ORAÇÕES SUBORDINADAS</p><p>assim se dividem:</p><p>1.SUBSTANTIVAS: (têm valor de substantivos)</p><p>- que são introduzidas pelas conjunções integran-</p><p>tes: QUE, SE, COMO:</p><p>As ORAÇÕES SUBSTANTIVAS se subdividem</p><p>em:</p><p>1.1 - OBJETIVAS DIRETAS: quando completam</p><p>o</p><p>sentido de um verbo transitivo direto, ao qual se</p><p>ligam diretamente sem auxílio de preposição:</p><p>Ex: Quero que venhas.</p><p>1.2 - OBJETIVAS INDIRETAS: que completam o</p><p>sentido de um verbo transitivo indireto, ligando-se</p><p>a este com auxílio de uma preposição.</p><p>Ex: Tudo depende de que venhas.</p><p>1.3 - PREDICATIVAS: que completam o sentido</p><p>de um verbo de ligação.</p><p>Ex: O meu desejo é que venhas.</p><p>1.4 - COMPLETIVAS NOMINAIS: que com-</p><p>pletam o sentido de um nome de significação</p><p>incompleta</p><p>(substantivo, adjetivo ou advérbio), ao qual se</p><p>ligam por meio de uma preposição.</p><p>Ex: Tenho cer teza de que jamais os</p><p>esqueceremos.</p><p>1.5 - APOSITIVAS: que vêm após dois pontos (:),</p><p>explicando um termo anterior, funcionando exa-</p><p>tamente como um aposto.</p><p>Ex: Só lhe digo isto: que jamais o esquecerei.</p><p>OBS: Vez por outra, a oração subordinada subs-</p><p>tantiva apositiva poderá vir sem o conectivo</p><p>expresso: este estará subentendido e a oração</p><p>terá valor apositivo, assim:</p><p>Ex: Só te peço uma coisa: não deixes a porta</p><p>aberta. (que não deixes a porta aberta).</p><p>1.6 -SUBJETIVAS: que funcionam como</p><p>SUJEITO de um verbo, apresentando as seguin-</p><p>tes características:</p><p>- exerce a função de SUJEITO de um verbo de</p><p>outra oração, geralmente da anterior</p><p>- liga-se à outra oração através das conjunções</p><p>integrantes QUE, SE, COMO.</p><p>- a oração a que se liga tem o verbo na 3a pessoa</p><p>do singular e nunca em outra.</p><p>A oração a que se liga a SUBJETIVA tem uma</p><p>destas características:</p><p>a)- Verbo na passiva pronominal (VTD na 3a</p><p>pessoa do singular + pronome apassivador SE.</p><p>b)- Verbo na passiva analítica (Verbo SER,</p><p>ESTAR, FICAR na 3a pessoa do singular +par-</p><p>ticípio do VTD)</p><p>c)- verbo de ligação na 3a pessoa do singular +</p><p>predicativo.</p><p>d)- verbos intransitivos ou transitivos tomados</p><p>intransitivamente na 3a pessoa do singular como:</p><p>acontece, urge, consta, parece, importa, convém,</p><p>admira, cumpre, ocorre, etc., geralmente no prin-</p><p>cípio do período.</p><p>Exemplos:</p><p>2. ADJETIVAS: (têm valor de adjetivo) - que são</p><p>introduzidas por pronomes relativos e se subdi-</p><p>videm em:</p><p>Orações subordinadas</p><p>64</p><p>65</p><p>a) RESTRITIVAS: Restringem a significação do</p><p>substantivo ou do pronome antecedente. Indis-</p><p>pensável ao sentido da frase. Não se separa por</p><p>vírgula da oração principal.</p><p>Ex: O grande obstáculo que o grupo enfrenta é a</p><p>travessia do Liso do Sussuarão.</p><p>b) EXPLICATIVAS: Acrescentam uma qualidade</p><p>acessória ao antecedente. Vêm entre vírgulas</p><p>e, se retiradas do período, não fazem falta ao</p><p>sentido.</p><p>Ex: Grande sertão: veredas, que foi publicado em</p><p>1956, causou muito impacto.</p><p>OBS: As ORAÇÕES ADJETIVAS são introduzi-</p><p>das pelos PRONOMES RELATIVOS : QUE, quem</p><p>(=aquele que), o qual, a qual, os quais, as quais,</p><p>cujo (= do qual), cuja, cujos, cujas, ONDE (= no</p><p>qual + variações), quanto, quantos, quanta, quan-</p><p>tas, etc. Ex: “Minha terra tem palmeiras ONDE</p><p>canta o sabiá”. (G.Dias)</p><p>O menino cujo pai eu vi é meu aluno.</p><p>“QUEM for brasileiro siga-me!” = Aquele que for</p><p>brasileiro siga me!</p><p>Que você sinta a minha amizade em tudo quanto</p><p>lhe ofereci.</p><p>3. ADVERBIAIS: que funcionam como adjunto</p><p>adverbial de outra oração e vêm, normalmente,</p><p>introduzidas por conjunções subordinativas,</p><p>exceto as integrantes (que introduzem as ora-</p><p>ções substantivas).</p><p>CLASSIFICAÇÃO DA ORAÇÃO ADVERBIAL</p><p>De acordo com a conjunção subordinativa ou</p><p>locução conjuntiva que a inicie, a oração subor-</p><p>dinada adverbial assim se classifica: Tempo-</p><p>ral - Causal - Final - Comparativa - Consecu-</p><p>tiva - Concessiva - Conformativa - Condicional</p><p>- Proporcional, conforme seja introduzida res-</p><p>pectivamente por uma das CONJUNÇÕES</p><p>SUBORDINATIVAS.</p><p>1. TEMPORAIS = quando, enquanto, logo que,</p><p>desde que, apenas, até que, antes que, depois</p><p>que, senão quando, sempre que, assim que,</p><p>todas as vezes que, cada vez que, etc.</p><p>Ex: Quando leio alguns poemas de João Cabral,</p><p>formam-se várias figuras geométricas em minha</p><p>mente.</p><p>2. CAUSAIS = porque, pois, porquanto, como</p><p>(=porque), pois que, por isso que, já que, uma</p><p>vez que, visto que, visto como etc .</p><p>Ex: Como aqui a morte é tanta, vivo de a morte</p><p>ajudar.</p><p>3. FINAIS = para que, a fim de que, que, porque</p><p>(= para que) etc.</p><p>Ex: Tudo farei para que tu voltes.</p><p>4. COMPARATIVAS = que, do que ( depois de:</p><p>mais, menos, maior, menor, melhor, pior), qual</p><p>(depois de tal), quanto (depois de tanto), como,</p><p>assim como, bem como, etc.</p><p>Ex: Ela agia como um idiota.</p><p>5. CONSECUTIVAS = que (combinada com uma</p><p>das palavras: tal, tanto, tão, tamanho, presentes</p><p>ou latentes na oração anterior) de forma que,</p><p>de maneira que, de modo que, de sorte que (às</p><p>vezes separadamente) etc.</p><p>Ex: Leu tanto as poesias de João Cabral que</p><p>passou a escrever como ele.</p><p>6. CONCESSIVAS = embora, conquanto, ainda</p><p>que, mesmo que, posto que, bem que, se bem</p><p>que, por menos que, apesar de que, etc.</p><p>Ex:Ainda que ela se esforce, não vai ter sucesso.</p><p>7. CONFORMATIVAS = conforme, segundo, con-</p><p>soante, como (= conforme), da mesma maneira</p><p>que, de modo que, assim como, bem como, como</p><p>que, etc.</p><p>Ex: Conforme você já estudou, o lirismo decorre</p><p>da preocupação do poeta com o próprio “eu”.</p><p>8.CONDICIONAIS: = se, salvo se, exceto se,</p><p>caso, contanto que, sem que, a não ser que, dado</p><p>caso que, a menos que, etc.</p><p>Ex: “... se o compadre soubesse rezar...</p><p>trabalhávamos meias”.</p><p>65</p><p>66</p><p>9. PROPORCIONAIS = à medida que, à pro-</p><p>porção que, ao passo que, quanto mais ... mais,</p><p>quanto menos ... menos, quanto mais ... tanto</p><p>mais, quanto menos ... tanto mais,</p><p>Ex: À medida que crescia, ficava mais alienado</p><p>de tudo.</p><p>Outros Exemplos:</p><p>1. “Antes que a Terra fosse feita, eu já existia”.</p><p>2. “É o que te digo: vou e vou, porque devo, por-</p><p>que quero, porque é do meu direito. “ (L.Barreto)</p><p>3. “... era uma manobra para chamar a atenção</p><p>das tropas, a fim de que os jagunços saíssem...”</p><p>(A.Arinos)</p><p>4. “As ideias amortecem como a brasa do</p><p>cigarro.” (G. Ramos)</p><p>5. “O caminho é tão comprido que não tem fim.</p><p>“ (J. de lima)</p><p>6. “Por mais que se busque o segredo dessa</p><p>perfeição, ele ficará impenetrável”.</p><p>7. “Conforme declarei, Madalena possuía exce-</p><p>lente coração.” (G. Ramos)</p><p>8. “Que emprego preferes? - O que quiser, meu</p><p>tio, contanto que eu trabalhe.” (M. de Assis)</p><p>9. “Vão os hóspedes saindo do banquete, à</p><p>proporção que outros chegam e ocupam o seu</p><p>lugar”.(M. de A.)</p><p>Orações subordinadas reduzidas</p><p>Dá-se o nome de ORAÇÕES SUBORDINADAS</p><p>REDUZIDAS às que não se iniciam por pronomes</p><p>relativos nem por conjunção subordinativa e que</p><p>têm VERBO numa das FORMAS NOMINAIS:</p><p>INFINITIVO, PARTICÍPIO, GERÚNDIO.</p><p>Em geral, podem ser desenvolvidas em orações</p><p>subordinadas, raramente em coordenadas, com o</p><p>conectivo claro e o verbo no modo finito.</p><p>Classificam-se como as correspondentes</p><p>desenvolvidas, acrescentando-se: reduzida de</p><p>infinitivo, gerúndio ou particípio, conforme a forma</p><p>nominal em que se encontre o verbo, como neste</p><p>exemplo:</p><p>“Conhecendo o professor os alunos, não os teria</p><p>castigado.”</p><p>Oração principal: Não os teria castigado.</p><p>Oração subordinada Adverbial condicional redu-</p><p>zida de gerúndio:</p><p>Conhecendo o professor os alunos (Se o profes-</p><p>sor conhecesse os alunos).</p><p>São características das ORAÇÕES REDUZIDAS:</p><p>1. Não vêm introduzidas por conectivo.</p><p>2. Têm o verbo em uma das formas nominais:</p><p>INFINITIVO, GERÚNDIO, PARTICÍPIO.</p><p>É, pois, a forma nominal do verbo que indica ser</p><p>reduzida a oração. Havendo locução verbal, é o</p><p>auxiliar que nos indica se estamos ou não diante</p><p>de uma reduzida e qual o seu tipo. “Estamos</p><p>viajando”, “tem estudado”, “somos amados” “é</p><p>odiado” não constituem orações reduzidas, por-</p><p>que os auxiliares não se acham representados</p><p>por uma forma nominal.</p><p>1. Oração reduzida de infinitivo</p><p>“Era bom</p><p>ouvir o seu barulho”</p><p>(verbo no infinitivo)</p><p>Como classificar a oração reduzida? Basta</p><p>desenvolvê-la, utilizando a conjunção ou o pro-</p><p>nome relativo.</p><p>Assim: Era bom que ouvisse o seu barulho.</p><p>(Oração subordinada substantiva subjetiva)</p><p>Portanto, a oração “ouvir o seu barulho” é</p><p>subordinada substantiva subjetiva reduzida</p><p>de infinitivo.</p><p>2. Oração reduzida de gerúndio</p><p>Vi um menino gritando desesperadamente pelas</p><p>ruas. (verbo no gerúndio)</p><p>Desenvolvendo a oração reduzida, temos:</p><p>Vi um menino que gritava desesperadamente</p><p>pelas ruas.</p><p>(Oração subordinada adjetiva restritiva) Portanto,</p><p>a oração “gritando desesperadamente pelas</p><p>ruas” é subordinada adjetiva restritiva reduzida</p><p>de gerúndio.</p><p>66</p><p>67</p><p>Observação: A oração reduzida de gerúndio pode</p><p>aparecer também no período composto por</p><p>coordenação. Veja:</p><p>Respondeu a mãe, derretendo-se de gosto. (Res-</p><p>pondeu a mãe e derreteu-se de gosto.)</p><p>Levantou-se da cadeira, fechando o jornal com</p><p>decisão.</p><p>(Levantou-se da cadeira e fechou o jornal com</p><p>decisão.)</p><p>3. Oração reduzida de particípio</p><p>Terminada a leitura, foram passear.</p><p>(verbo no particípio)</p><p>Desenvolvendo a oração reduzida, temos:</p><p>Quando terminaram a leitura, foram passear.</p><p>(Oração subordinada adverbial temporal)</p><p>Portanto, a oração “terminada a leitura” é subor-</p><p>dinada adverbial temporal reduzida de particípio.</p><p>As orações coordenadas</p><p>-Oração Coordenada Assindética:</p><p>Oração que não apresenta conjunção que a ligue</p><p>à oração anterior.</p><p>Exemplo:” Pela manhã bebi o café enjoativo, comi</p><p>um pedaço de pão sem manteiga.”</p><p>-Oração Coordenada Sindética Aditiva:</p><p>Exprime noção de acréscimo, adição.</p><p>Introduzidas pelas conjunções coordenadas</p><p>sindéticas aditivas: e, nem, que, etc.</p><p>Exemplo : ”Não li suas cartas, nem mexi no seu</p><p>lixo.”</p><p>-Oração Coordenada Sindética Adversativa:</p><p>Exprime ideia de oposição.</p><p>Introduzidas pelas conjunções coordenadas</p><p>adversativas: mas, porém, contudo, entretanto,</p><p>todavia, etc.</p><p>Exemplo: Quero comprar uma jaqueta, mas não</p><p>tenho dinheiro . ¨</p><p>-Oração Coordenada Sindética Alternativa:</p><p>Expressa fatos que se alternam entre si.</p><p>Introduzidas pelas conjunções coordenadas alter-</p><p>nativas: ou, ora, etc.</p><p>Exemplo: ¨Ora como comida congelada, ora faço</p><p>sanduíche.”</p><p>-Oração Coordenada Sindética Conclusiva:</p><p>Exprime uma ideia de conclusão.</p><p>Introduzidas pelas conjunções coordenadas</p><p>conclusivas: logo, portanto, pois(posposto ao</p><p>verbo), por isso.</p><p>Exemplo: ¨ Bem dizia Descartes : Penso, logo</p><p>existo ¨ .</p><p>-Oração Coordenada Sindética Explicativa</p><p>Explica o motivo da declaração feita na oração</p><p>anterior. Introduzidas pelas conjunções coorde-</p><p>nadas sindéticas explicativas: que, porque, por-</p><p>quanto, pois(anteposto ao verbo).</p><p>Exemplo: ¨Não volte muito tarde, porque seu pai</p><p>precisa de você .̈</p><p>Observações:</p><p>As orações coordenadas sindéticas explicativas</p><p>não podem ser confundidas com as subordinadas</p><p>adverbiais causais: estas exprimem a causa de</p><p>um fato, aquelas dão o motivo, a explicação da</p><p>declaração anterior.</p><p>Exemplos:</p><p>João está triste porque perdeu o emprego.</p><p>(Oração adverbial causal).</p><p>A criança devia estar doente, porque chorava</p><p>muito.</p><p>(Oração coordenada sindética explicativa).</p><p>Note-se também que há pausa(vírgula)entre a</p><p>oração explicativa e a precedente e que esta é,</p><p>muitas vezes, imperativa, o que não acontece</p><p>com a oração adverbial.</p><p>As orações coordenadas são autônomas quanto</p><p>à estrutura sintática, mas inter-relacionadas,</p><p>Período composto por coordenação</p><p>67</p><p>68</p><p>interdependentes, quanto ao sentido.</p><p>Colocação Pronominal</p><p>Fernanda, quem te contou isso?</p><p>Fernanda, contaram-te isso?</p><p>Nos exemplos acima, observe que o pronome “te”</p><p>foi expresso em lugares distintos: antes e depois</p><p>do verbo. Isso ocorre porque os pronomes átonos</p><p>(me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, lhes, os, as) podem</p><p>assumir três posições diferentes numa oração:</p><p>antes do verbo, depois do verbo e no interior do</p><p>verbo. Essas três colocações chamam-se, res-</p><p>pectivamente: próclise, ênclise e mesóclise.</p><p>1) Próclise</p><p>Na próclise, o pronome surge antes do verbo.</p><p>Costuma ser empregada:</p><p>a) Nas orações que contenham uma palavra ou</p><p>expressão de valor negativo.</p><p>Exemplos:</p><p>Ninguém o apoia.</p><p>Nunca se esqueça de mim.</p><p>Não me fale sobre este assunto.</p><p>b) Nas orações em que haja advérbios e prono-</p><p>mes indefinidos, sem que exista pausa.</p><p>Exemplos:</p><p>Aqui se vive. (advérbio)</p><p>Tudo me incomoda nesse lugar. (pronome</p><p>indefinido)</p><p>Obs.: caso haja pausa depois do advérbio,</p><p>emprega-se ênclise.</p><p>Por Exemplo:</p><p>Aqui, vive-se.</p><p>c) Nas orações iniciadas por pronomes e advér-</p><p>bios interrogativos.</p><p>Exemplos:</p><p>Quem te convidou para sair? (pronome</p><p>interrogativo)</p><p>Por que a maltrataram? (advérbio interrogativo)</p><p>d) Nas orações iniciadas por palavras exclamati-</p><p>vas e nas optativas (que exprimem desejo).</p><p>Exemplos:</p><p>Como te admiro! (oração exclamativa)</p><p>Deus o ilumine! (oração optativa)</p><p>e) Nas conjunções subordinativas:</p><p>Exemplos:</p><p>Ela não quis a blusa, embora lhe servisse.</p><p>É necessário que o traga de volta.</p><p>Comprarei o relógio se me for útil.</p><p>f) Com gerúndio precedido de preposição “em”.</p><p>Exemplos:</p><p>Em se tratando de negócios, você precisa falar</p><p>com o gerente.</p><p>Em se pensando em descanso, pensa-se em</p><p>férias.</p><p>g) Com a palavra “só” (no sentido de “apenas”,</p><p>“somente”) e com as conjunções coordenativas</p><p>alternativas.</p><p>Exemplos:</p><p>Só se lembram de estudar na véspera das provas.</p><p>Ou se diverte, ou fica em casa.</p><p>h) Nas orações introduzidas por pronomes</p><p>relativos.</p><p>Exemplos:</p><p>Foi aquele colega quem me ensinou a matéria.</p><p>Há pessoas que nos tratam com carinho.</p><p>Aqui é o lugar onde te conheci.</p><p>2) Mesóclise</p><p>Emprega-se a mesóclise quando o verbo estiver</p><p>no futuro do presente ou no futuro do pretérito do</p><p>indicativo, desde que não se justifique a próclise.</p><p>O pronome fica intercalado ao verbo.</p><p>Exemplos:</p><p>SINTAXE DE COLOCAÇÃO</p><p>68</p><p>69</p><p>Falar-lhe-ei a teu respeito. (Falarei + lhe)</p><p>Procurar-me-iam caso precisassem de ajuda.</p><p>(Procurariam + me)</p><p>Observações:</p><p>a) Havendo um dos casos que justifique a pró-</p><p>clise, desfaz-se a mesóclise.</p><p>Por Exemplo: Tudo lhe emprestarei, pois confio</p><p>em seus cuidados. (O pronome “tudo” exige o</p><p>uso de próclise.)</p><p>b) Com esses tempos verbais (futuro do presente</p><p>e futuro do pretérito) jamais ocorre a ênclise.</p><p>c) A mesóclise é colocação exclusiva da língua</p><p>culta e da modalidade literária.</p><p>3) Ênclise</p><p>A ênclise pode ser considerada a colocação</p><p>básica do pronome, pois obedece à sequência</p><p>verbocomplemento.</p><p>Assim, o pronome surge depois do verbo.</p><p>Emprega-se geralmente:</p><p>a) Nos períodos iniciados por verbos (desde que</p><p>não estejam no tempo futuro), pois, na língua</p><p>culta, não se abre frase com pronome oblíquo.</p><p>Exemplos:</p><p>Diga-me apenas a verdade.</p><p>Importava-se com o sucesso do projeto.</p><p>b) Nas orações reduzidas de infinitivo.</p><p>Exemplos:</p><p>Convém confiar-lhe esta responsabilidade.</p><p>Espero contar-lhe isto hoje à noite.</p><p>c) Nas orações reduzidas de gerúndio (desde que</p><p>não venham precedidas de preposição “em”.)</p><p>Exemplos:</p><p>A mãe adotiva ajudou a criança, dando lhe</p><p>carinho e proteção.</p><p>O menino gritou, assustando-se com o ruído que</p><p>ouvira.</p><p>d) Nas orações imperativas afirmativas.</p><p>Exemplos:</p><p>Fale com seu irmão e avise-o do compromisso.</p><p>Professor, ajude-me neste exercício!</p><p>Observações:</p><p>1) A posição normal do pronome é a ênclise. Para</p><p>que ocorra a próclise ou a mesóclise é necessário</p><p>haver justificativas.</p><p>2) A tendência para a próclise na língua falada</p><p>atual é predominante, mas iniciar frases com</p><p>pronomes átonos não é lícito numa conversação</p><p>formal.</p><p>Por Exemplo: Linguagem Informal: Me alcança a</p><p>caneta.Linguagem Formal: Alcança-me a caneta.</p><p>3) Se o verbo não estiver no início da frase,</p><p>nem</p><p>conjugado nos tempos Futuro do Presente</p><p>ou Futuro do Pretérito, é possível usar tanto</p><p>a próclise como a ênclise.</p><p>Exemplos:</p><p>Eu me machuquei no jogo.</p><p>Eu machuquei-me no jogo.</p><p>As crianças se esforçam para acordar cedo.</p><p>As crianças esforçam-se para acordar cedo.</p><p>Colocação dos Pronomes Oblíquos Átonos</p><p>nas Locuções Verbais</p><p>As locuções verbais podem ter o verbo principal</p><p>no infinitivo, no gerúndio ou no particípio.</p><p>1) Verbo Principal no Infinitivo ou Gerúndio</p><p>a) Sem palavra que exija a próclise:</p><p>Geralmente, emprega-se o pronome após a</p><p>locução.</p><p>Por Exemplo:</p><p>Quero ajudar-lhe ao máximo.</p><p>b) Com palavra que exija próclise:</p><p>O pronome pode ser colocado antes ou depois da</p><p>locução.</p><p>Exemplos:</p><p>Nunca me viram cantar. (antes)</p><p>Não pretendo falar-lhe sobre negócios. (depois)</p><p>69</p><p>70</p><p>Observações:</p><p>1) Quando houver preposição entre o verbo auxi-</p><p>liar e o infinitivo, a colocação do pronome será</p><p>facultativa.</p><p>Por Exemplo:</p><p>Nosso filho há de encontrar-se na escolha</p><p>profissional.</p><p>Nosso filho há de se encontrar na escolha</p><p>profissional.</p><p>2) Com a preposição “a” e o pronome oblíquo</p><p>“o” (e variações) o pronome deverá ser colo-</p><p>cado depois do infinitivo.</p><p>Por Exemplo:</p><p>Voltei a cumprimentá-los pela vitória na partida.</p><p>3) Verbo Principal no Particípio</p><p>Estando o verbo principal no particípio, o</p><p>pronome</p><p>oblíquo átono não poderá vir depois dele.</p><p>Por Exemplo:</p><p>As crianças tinham-se perdido no passeio</p><p>escolar.</p><p>a) Se não houver fator que justifique a próclise, o</p><p>pronome ficará depois do verbo auxiliar.</p><p>Por Exemplo:</p><p>Seu rendimento escolar tem-me surpreendido.</p><p>b) Se houver fator que justifique a próclise, o pro-</p><p>nome ficará antes da locução.</p><p>Por Exemplo:</p><p>Não me haviam avisado da prova que teremos</p><p>amanhã.</p><p>Obs.: na língua falada, é comum o uso da</p><p>próclise</p><p>em relação ao particípio. Veja:</p><p>Por Exemplo:</p><p>Haviam me convencido com aquela história.</p><p>Não haviam me mostrado todos os cômodos da</p><p>casa</p><p>A crase indica a fusão da preposição a com artigo</p><p>a: João voltou à (a preposição + a artigo) cidade</p><p>natal. / Os documentos foram apresentados às</p><p>(a prep. + as art.) autoridades. Dessa forma, não</p><p>existe crase antes de palavra masculina: Vou a</p><p>pé. / Andou a cavalo. Existe uma única exceção,</p><p>explicada mais adiante.</p><p>Regras práticas</p><p>Primeira- Substitua a palavra antes da qual apa-</p><p>rece o a ou as por um termo masculino. Se o a</p><p>ou as se transformar em ao ou aos, existe crase;</p><p>do contrário, não. Nos exemplos já citados:</p><p>João voltou ao país natal.</p><p>Os documentos foram apresentados aos juízes.</p><p>Outros exemplos: Atentas às modificações, as</p><p>moças... (Atentos aos processos, os moços...) /</p><p>Junto à parede (junto ao muro).</p><p>No caso de nome geográfico ou de lugar, subs-</p><p>titua o a ou as por para. Se o certo for para a,</p><p>use a crase:</p><p>Foi à França (foi para a França).</p><p>Irão à Colômbia (irão para a Colômbia).</p><p>Voltou a Curitiba (voltou para Curitiba, sem crase).</p><p>Pode-se igualmente usar a forma voltar de: se o</p><p>de se transformar em da, há crase, inexistente se</p><p>o de não se alterar: Retornou à Argentina (voltou</p><p>da Argentina). / Foi a Roma (voltou de Roma).</p><p>Segunda - A combinação de outras preposições</p><p>com a (para a, na, da, pela e com a, principal-</p><p>mente) indica se o a ou as deve levar crase.</p><p>Não é necessário que a frase alternativa tenha</p><p>o mesmo sentido da original nem que a regência</p><p>seja correta.</p><p>Exemplos: Emprestou o livro à amiga (para a</p><p>amiga). / Chegou à Espanha (da Espanha). / As</p><p>visitas virão às 6 horas (pelas 6 horas). / Estava</p><p>às portas da morte (nas portas). / À saída (na</p><p>saída). / À falta de (na falta de, com a falta de).</p><p>ESTUDO DAS REGRAS DE CRASE</p><p>70</p><p>71</p><p>Usa-se a crase ainda:</p><p>1ª - Nas formas àquela, àquele, àquelas, àque-</p><p>les, àquilo, àqueloutro (e derivados):</p><p>Cheguei àquele (a + aquele) lugar. / Vou àquelas</p><p>cidades. / Referiu-se àqueles livros. / Não deu</p><p>importância àquilo.</p><p>2ª - Nas indicações de horas, desde que</p><p>determinadas:</p><p>Chegou às 8 horas, às 10 horas, à 1 hora.</p><p>OBS: Zero e meia incluem-se na regra:</p><p>O aumento entra em vigor à zero hora. / Veio à</p><p>meianoite em ponto. A indeterminação afasta a</p><p>crase: Irá a uma hora qualquer.</p><p>3ª - Nas locuções adverbiais, prepositivas e</p><p>conjuntivas:</p><p>Como às pressas, às vezes, à risca, à noite, à</p><p>direita, à esquerda, à frente, à maneira de, à</p><p>moda de, à procura de, à mercê de, à custa de,</p><p>à medida que, à proporção que, à força de, à</p><p>espera de: Saiu às pressas. / Vive à</p><p>custa do pai. / Estava à espera do irmão. / Sua</p><p>tristeza aumentava à medida que os amigos par-</p><p>tiam. / Serviu o filé à moda da casa.</p><p>4ª - Nas locuções que indicam meio ou ins-</p><p>trumento e em outras nas quais a tradição</p><p>linguística o exija, como:</p><p>à bala, à faca, à máquina, à chave, à vista, à</p><p>venda, à toa, à tinta, à mão, à navalha, à espada,</p><p>à baioneta calada, à queima-roupa, à fome (matar</p><p>à fome):</p><p>Morto à bala, à faca, à navalha. / Escrito à tinta,</p><p>à mão, à máquina. / Pagamento à vista. / Produto</p><p>à venda. / Andava à toa.</p><p>Observação: Neste caso não se pode usar a</p><p>regra prática de substituir a por ao.</p><p>5ª - Antes dos relativos que, qual e quais,</p><p>quando o a ou as puderem ser substituídos</p><p>por ao ou aos:</p><p>Eis a moça à qual você se referiu (equivalente:</p><p>eis o rapaz ao qual você se referiu). / Fez alusão</p><p>às pesquisas às quais nos dedicamos (fez alu-</p><p>são aos trabalhos aos quais...). / É uma situação</p><p>semelhante à que enfrentamos ontem (é um pro-</p><p>blema semelhante ao que...).</p><p>Não se usa a crase antes de:</p><p>1ª - Palavra masculina:</p><p>Andar a pé, pagamento a prazo, caminhadas a</p><p>esmo, cheirar a suor, viajar a cavalo, vestir-se</p><p>a caráter.</p><p>Exceção. Existe a crase quando se pode suben-</p><p>tender uma palavra feminina, especialmente</p><p>moda e maneira, ou qualquer outra que deter-</p><p>mine um nome de empresa ou coisa: Salto à Luís</p><p>XV (à moda de Luís XV). / Estilo à</p><p>Machado de Assis (à maneira de). / Referiu-se</p><p>à Apollo (à nave Apollo). / Dirigiu-se à (fragata)</p><p>Gustavo Barroso. / Vou à (editora) Melhoramen-</p><p>tos. / Fez alusão à (revista) Projeto.</p><p>2ª - Nome de cidade:</p><p>Chegou a Brasília. / Irão a Roma este ano.</p><p>Exceção. Há crase quando se atribui uma qua-</p><p>lidade à cidade: Iremos à Roma dos Césares. /</p><p>Referiu-se à bela Lisboa, à Brasília das mordo-</p><p>mias, à Londres do século 19.</p><p>3ª - Verbo:</p><p>Passou a ver. / Começou a fazer. / Pôs-se a</p><p>falar.</p><p>4ª -Substantivos repetidos:</p><p>cara a cara, frente a frente, gota a gota, de ponta</p><p>a ponta.</p><p>5ª -Ela, esta e essa:</p><p>Pediram a ela que saísse. / Cheguei a esta con-</p><p>clusão. / Dedicou o livro a essa moça.</p><p>6ª - Outros pronomes que não admitem artigo,</p><p>como ninguém, alguém, toda, cada,</p><p>tudo, você, alguma, qual, etc.</p><p>7ª -Formas de tratamento:</p><p>Escrevere i a Vossa Exce lência . /</p><p>71</p><p>72</p><p>Recomendamos a Vossa Senhoria... / Pedi-</p><p>ram a Vossa Majestade...</p><p>8ª -Um, uns, uma, Uma: Foi a uma festa.</p><p>Exceções. Na locução à uma (ao mesmo</p><p>tempo) e no caso em que uma designa hora</p><p>(Sairá à uma hora).</p><p>9ª -Palavra feminina tomada em sentido</p><p>genérico:</p><p>Não damos ouvidos a reclamações. / Em respeito</p><p>a morte em família, faltou ao serviço. Repare:</p><p>Em respeito a falecimento, e não ao falecimento.</p><p>/ Não me refiro a mulheres, mas a meninas.</p><p>Alguns casos são fáceis de identificar: se couber</p><p>o indefinido uma antes da palavra feminina, não</p><p>existirá crase. Assim: A pena pode ir de (uma)</p><p>advertência a (uma) multa. / Igreja reage a (uma)</p><p>ofensa de candidato em Guarulhos. / As repor-</p><p>tagens não estão necessariamente ligadas a</p><p>(uma) agenda. / Fraude leva a (uma) sonegação</p><p>recorde. / Empresa atribui goteira a (uma) falha</p><p>no sistema de refrigeração. / Partido se rende a</p><p>(uma) política de alianças.</p><p>Havendo determinação, porém, a crase é</p><p>indispensável:</p><p>Morte de bebês leva à punição (ao castigo) de</p><p>médico. / Superintendente admite ter cedido à</p><p>pressão (ao desejo) dos superiores.</p><p>10ª -Substantivos no plural que fazem parte</p><p>de locuções de modo:</p><p>Pegaram-se a dentadas. / Agrediram-se a bofe-</p><p>tadas. / Progrediram a duras penas.</p><p>11ª -Nomes de mulheres célebres:</p><p>Ele a comparou a Ana Néri. / Preferia Ingrid Berg-</p><p>man a Greta Garbo.</p><p>12ª - Dona e madame:</p><p>Deu o dinheiro a dona Maria . / Já se acostumou</p><p>a madame Angélica.</p><p>Exceção. Há crase se o dona ou o madame</p><p>estiverem particularizados: Referia-se à Dona</p><p>Flor dos dois maridos.</p><p>13ª-Numerais considerados de forma</p><p>indeterminada:</p><p>O número de mortos chegou a dez. / Nasceu a</p><p>8 de janeiro. / Fez uma visita a cinco empresas.</p><p>Locuções com e sem crase</p><p>O uso facultativo da crase</p><p>1ª - Antes do possessivo: Levou a encomenda</p><p>a sua (ou à sua) tia. / Não fez menção a nossa</p><p>empresa (ou à nossa empresa).</p><p>Na maior parte</p><p>dos casos, a crase dá clareza a este tipo de</p><p>oração.</p><p>2ª - Antes de nomes de mulheres: Declarou-se a</p><p>Joana (ou à Joana). Em geral, se a pessoa for</p><p>íntima de quem fala, usa-se a crase; caso con-</p><p>trário, não.</p><p>3ª - Com até: Foi até a porta (ou até à). / Até a</p><p>volta (ou até à). No Estado, porém, escreva até</p><p>a, sem crase.</p><p>Crases especiais</p><p>1ª -Distância, desde que não determinada: A polí-</p><p>cia ficou a distância. / O navio estava a distância.</p><p>Quando se define a distância, existe crase: O</p><p>navio estava à distância de 500 metros do cais.</p><p>/ A polícia ficou à distância de seis metros dos</p><p>manifestantes.</p><p>2ª -Terra, quando a palavra significa terra firme: O</p><p>navio estava chegando a terra. / O marinheiro foi</p><p>a terra. (Não há artigo com outras preposições:</p><p>Viajou por terra. / Esteve em terra.) Nos demais</p><p>significados da palavra, usa-se a crase: Voltou à</p><p>terra natal. / Os astronautas regressaram à Terra.</p><p>3ª -Casa, considerada como o lugar onde se</p><p>mora: Voltou a casa. / Chegou cedo a casa. (Veio</p><p>de casa, voltou para casa, sem artigo.) Se a pala-</p><p>vra estiver determinada, existe crase: Voltou à</p><p>72</p><p>73</p><p>casa dos pais. / Iremos à Casa da Moeda. / Fez</p><p>uma visita à Casa Branca.</p><p>É a relação que se estabelece entre os verbos</p><p>e os termos que os completam (objeto direto ou</p><p>indireto) ou modificam adjunto adverbial).</p><p>Para sabermos de fato regência verbal deve-</p><p>mos não nos esquecer do conhecimento de</p><p>algumas preposições que se faz necessário.</p><p>Vejamos as mais importantes.</p><p>ESSENCIAIS: a, ante, após, até, com, contra,</p><p>de, desde, em, entre, para, perante, por, sem,</p><p>sob, sobre.</p><p>ACIDENTAIS: afora, como, conforme, consoante,</p><p>durante, mediante, salvo. etc.</p><p>A regência e os verbos pronominais</p><p>Os verbos pronominais são termos que, em geral,</p><p>regem complementos preposicionados. São</p><p>considerados verbos pronominais aqueles que se</p><p>apresentam sempre com um pronome oblíquo</p><p>átono como parte integrante do verbo (ex.: quei-</p><p>xar-se, suicidarse).</p><p>Alguns verbos pronominais, porém, podem</p><p>requerer um complemento preposicionado. É o</p><p>caso, por exemplo, do verbo “queixar-se” (quei-</p><p>xar-se de) e não do verbo “suicidar-se”.</p><p>Quando os verbos pronominais exigirem</p><p>complemento, esse deve sempre vir acompa-</p><p>nhado de preposição.</p><p>Exemplos:</p><p>Naquele momento os fiéis arrependeram-se os</p><p>seus pecados. [Inadequado]</p><p>Naquele momento os fiéis arrependeram-se dos</p><p>seus pecados. [Adequado]</p><p>...[dos: de + os = dos / de = preposição]</p><p>...[dos seus pecados: objeto indireto]</p><p>Os biólogos do zoológico local dedicam-se as</p><p>experiências genéticas. [Inadequado]</p><p>Os biólogos do zoológico local dedicam-se às</p><p>experiências genéticas. [Adequado]</p><p>...[às: a (preposição) + as (artigo) = às]</p><p>...[às experiências genéticas: objeto indireto]</p><p>Note que, no exemplo (2), o verbo “dedicar-se”</p><p>não é essencialmente pronominal, mas sim aci-</p><p>dentalmente pronominal. Isto é, esse verbo pode</p><p>se apresentar sem o pronome oblíquo e, nesse</p><p>caso, deixa de ser pronominal (ex.: Ele dedicou</p><p>sua vida ao pobres).</p><p>Casos como esse, porém, demonstram que, em</p><p>princípio, qualquer verbo pode se tornar pro-</p><p>nominal e, portanto, possuir um complemento</p><p>preposicionado.</p><p>Verbo arrasar</p><p>Observe a letra da canção “Política voz”, gravada</p><p>pelo Barão Vermelho:</p><p>“Eu não sou um mudo balbuciando querendo</p><p>falar</p><p>Eu sou a voz, a voz do outro, que há dentro de</p><p>mim</p><p>Guardada, falante, querendo arrasar</p><p>com o teu castelo de areia</p><p>Que é só soprar, soprar</p><p>Soprar, soprar e ver tudo voar...”</p><p>Você notou alguma coisa diferente na letra? Nós</p><p>vemos, a certa altura:</p><p>“Arrasar com o teu castelo de areia”</p><p>Existe aí um fenômeno linguístico chamado</p><p>contaminação. Em tese, o verbo arrasar é tran-</p><p>sitivo direto: uma coisa arrasa outra.</p><p>“O furacão arrasou a cidade.”</p><p>Muitas vezes encontramos o verbo acabar sendo</p><p>usado com o mesmo sentido:</p><p>“O furacão acabou com a cidade.”</p><p>Assim, o que acontece é a transferência da</p><p>regência do verbo acabar - com esse sentido de</p><p>destruir, que requer a preposição “com” - para o</p><p>verbo arrasar. Os sinônimos de certas palavras</p><p>REGÊNCIA VERBAL</p><p>73</p><p>74</p><p>acabam recebendo a companhia da preposição</p><p>que na verdade não exigem.</p><p>O verbo arrasar é um deles. No padrão formal da</p><p>língua, deve ser usado sem a preposição “com”.</p><p>Os linguistas podem argumentar que essa</p><p>variante deve ser aceita, mas em nosso pro-</p><p>grama temos sempre a preocupação de ensinar</p><p>o padrão formal e mostrar o que acontece nas</p><p>variantes. No texto formal, quando você for escre-</p><p>ver uma dissertação, utilize o verbo arrasar sem</p><p>a preposição.</p><p>A regência e o verbo “aspirar”</p><p>O verbo “aspirar” varia de significação conforme</p><p>as relações que estabelece com as preposições.</p><p>Trata-se da regência verbal, responsável, nesse</p><p>caso, pela alteração de significado da expressão.</p><p>O verbo “aspirar”, dentre outras acepções, pode</p><p>se apresentar como:</p><p>1) Verbo transitivo indireto: aponta para o sen-</p><p>tido de almejar, desejar; rege a preposição “a” e</p><p>não admite a substituição do termo regido pelo</p><p>pronome oblíquo “lhe”, mas sim “o(s)” e “a(s)”;</p><p>2) Verbo transitivo direto: aponta para o sentido</p><p>de respirar, cheirar, inalar e não rege qualquer</p><p>preposição.</p><p>A regência verbal é determinante na construção</p><p>correta de cada uma das expressões acima.</p><p>Assim, quando o verbo “aspirar” for empregado</p><p>para indicar o sentido apontado em (1) é obriga-</p><p>tória a presença da preposição regida.</p><p>Exemplos:</p><p>1) Os quase mil candidatos aspiravam a única</p><p>vaga disponível. [Inadequado]</p><p>Os quase mil candidatos aspiravam à única vaga</p><p>disponível. [Adequado]</p><p>Os quase mil candidatos aspiravam a ela.</p><p>[Adequado]</p><p>...[termo regente: aspirar a = desejar]</p><p>2) E eu era obrigado a aspirar ao mau cheiro dos</p><p>canaviais... [Inadequado]</p><p>E eu era obrigado a aspirar o mau cheiro dos</p><p>canaviais... [Adequado]</p><p>E eu era obrigado a aspirá-lo. [Adequado]</p><p>...[termo regente: aspirar = inalar]</p><p>A regência e o verbo “assistir”</p><p>O verbo “assistir” varia de significação conforme</p><p>as relações que estabelece com as preposições.</p><p>Trata-se da regência verbal, responsável, nesse</p><p>caso, pela alteração de significado da expressão.</p><p>O verbo “assistir”, dentre outras acepções, pode</p><p>se apresentar como:</p><p>1) Verbo transitivo indireto: aponta para o sen-</p><p>tido de presenciar, ver, observar; rege a prepo-</p><p>sição “a” e não admite a substituição do termo</p><p>regido pelo pronome oblíquo “lhe”, mas sim “a</p><p>ele(s)” e “a ela(s)”;</p><p>2) Verbo transitivo indireto: aponta para o</p><p>sentido de caber (direito a alguém), pertencer;</p><p>rege a preposição “a” e admite a substituição</p><p>do termo regido pelo pronome oblíquo “lhe(s)”;</p><p>verbo transitivo direto: aponta para o sentido de</p><p>socorrer, prestar assistência e não rege qualquer</p><p>preposição.</p><p>3) Verbo intransitivo: no sentido de morar,</p><p>residir</p><p>“A” é determinante na construção correta de cada</p><p>uma das expressões acima. Assim, quando o</p><p>verbo “assistir” for empregado para indicar os</p><p>sentidos apontados em (1) e (2), é obrigatória a</p><p>presença da preposição regida.</p><p>Exemplos:</p><p>1) Os mais velhos insistiam em querer assistir o</p><p>jogo em pé. [Inadequado]</p><p>Os mais velhos insistiam em querer assistir ao</p><p>jogo em pé. [Adequado]</p><p>Os mais velhos insistiam em querer assisti a ele</p><p>em pé. [Adequado]</p><p>...[termo regente: assistir a = ver, observar]</p><p>2) Assiste o médico o direito de solicitar as infor-</p><p>mações sobre seu cliente. [Inadequado]</p><p>Assiste ao médico o direito de solicitar as infor-</p><p>mações sobre seu cliente. [Adequado]</p><p>Assiste-lhe o direito de solicitar as informações</p><p>74</p><p>75</p><p>sobre seu cliente. [Adequado]</p><p>...[termo regente: assistir a = caber, pertencer]</p><p>3) Tua equipe assistiu aos processos de forma</p><p>brilhante e participativa. [Inadequado]</p><p>Tua equipe assistiu os processos de forma bri-</p><p>lhante e participativa. [Adequado]</p><p>Tua equipe os assistiu de forma brilhante e par-</p><p>ticipativa. [Adequado]</p><p>...[termo regente: assistir = prestar assistência,</p><p>socorrer]</p><p>4) Ele assiste em Montes Claros</p><p>Verbo custar</p><p>1) No sentido de ser custoso, ser difícil, pede</p><p>objeto indireto com a preposição “a” seguido de</p><p>oração infinitiva.</p><p>Exemplo: Custou ao aluno aceitar o fato.</p><p>Assim, na linguagem culta são consideradas</p><p>erradas.</p><p>construções como:</p><p>O aluno custou para aceitar o fato.</p><p>Custo a crer que ela ainda volte.</p><p>2) É verbo Transitivo direto e indireto no sentido</p><p>de exigir.</p><p>Passar no concurso custou muitos dias de estudo</p><p>ao concursando.</p><p>3) É verbo intransitivo no sentido de valor, preço.</p><p>Esta roupa custou caro.</p><p>ESQUECER-SE E LEMBRAR-SE.</p><p>Não se esqueça de que, se esses verbos não</p><p>contiverem o pronome (se), serão transitivos dire-</p><p>tos, ou seja, serão usados sem a preposição.</p><p>Ex.1: Esqueci-me do nome de sua namorada. /</p><p>Esqueci o nome de sua namorada.</p><p>Ex.2:Lembrei-me de que você me ofendera. /</p><p>Lembrei que você me ofendera.</p><p>Devem-se formar assim as orações: Lembraram-</p><p>-me os dias da infância = Os dias da infância</p><p>vieram-me à lembrança. Esqueceram-me os pas-</p><p>sos daquela dança = Os passos daquela dança</p><p>caíram no esquecimento.</p><p>Obs.: Há um uso erudito desses verbos, que</p><p>exige a “coisa” como sujeito e a “pessoa” como</p><p>objeto indireto com a prep. “a”: lembrar, no sen-</p><p>tido de “vir à lembrança” e esquecer, no sentido</p><p>de “cair no esquecimento”.</p><p>M O R A R , R E S I D I R , S I T U A R - S E ,</p><p>ESTABELECER-SE</p><p>A regência e o verbo “preferir”</p><p>O verbo “preferir” éum verbo transitivo direto e</p><p>indireto, portanto rege a preposição “a”. A regên-</p><p>cia verbal é determinante na construção correta</p><p>de expressões formadas com o verbo “preferir”.</p><p>Embora na língua coloquial empregue-se o termo</p><p>“do que” em lugar da preposição “a”, quando há</p><p>relação de comparação, a regência adequada</p><p>da língua culta ainda exige a presença do “a”</p><p>preposicional.</p><p>Exemplos:</p><p>Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro.</p><p>[Inadequado]</p><p>Meus alunos preferem o brinquedo ao livro.</p><p>[Adequado]</p><p>...[objeto direto: o brinquedo]</p><p>...[objeto indireto: ao livro]</p><p>O pequeno infante preferiu marchar do que espe-</p><p>rar pelos ataques. [Inadequado]</p><p>75</p><p>76</p><p>O pequeno infante preferiu marchar a esperar</p><p>pelos ataques. [Adequado]</p><p>...[objeto direto: marchar]</p><p>...[objeto indireto: a esperar]</p><p>A razão do emprego inadequado do termo “do</p><p>que” nesse tipo de construção se deve ao pro-</p><p>cesso de assimilação de expressões compara-</p><p>tivas como:</p><p>Prefiro mais ler do que escrever!</p><p>A palavra “mais”, nesse caso, caiu em desuso,</p><p>porém o segundo termo da comparação (“do</p><p>que”) ainda permanece, gerando a confusão</p><p>quanto à regência: o verbo preferir rege tão só a</p><p>preposição “a” e não o termo “do que”.</p><p>A regência e o verbo “proceder”</p><p>O verbo “proceder” é um verbo transitivo indi-</p><p>reto, e rege a preposição “a”. Freqüentemente</p><p>se observa na linguagem coloquial o emprego</p><p>do verbo proceder sem a preposição. Essa é</p><p>uma licença da língua falada que, por assimilar</p><p>o sentido do verbo proceder ao sentido de outros</p><p>verbos sinônimos como realizar, efetuar, etc.,</p><p>transfere para proceder a transitividade direta,</p><p>ou seja, o não uso de preposição. No entanto,</p><p>isso não deve ser aplicado na linguagem culta,</p><p>que exige a presença da preposição “a” (ou a sua</p><p>contração) junto ao verbo.</p><p>Exemplos:</p><p>1) Os apuradores procederam a contagem dos</p><p>votos das escolas de samba. [Inadequado]</p><p>Os apuradores procederam à contagem dos</p><p>votos das escolas de samba. [Adequado]</p><p>...[objeto indireto: à contagem]</p><p>...[à: contração = a (artigo) + a (preposição)</p><p>=crase]</p><p>2) O interrogatório que se procedeu foi decisivo.</p><p>[Inadequado]</p><p>O interrogatório a que se procedeu foi decisivo.</p><p>[Adequado]</p><p>...[a que se procedeu: oração subordinada</p><p>adjetiva]</p><p>No exemplo (2) temos a preposição regida pelo</p><p>verbo proceder iniciando uma oração adjetiva, ou</p><p>seja, uma oração que se relaciona a um termo da</p><p>oração principal, indicando-lhe uma nova informa-</p><p>ção. Para ficar clara a regência do verbo, vamos</p><p>inverter a ordem das orações:</p><p>“Procedeu-se ao interrogatório que foi decisivo.”</p><p>...[ao interrogatório: objeto indireto]</p><p>...[ao: contração = a (preposição) + o (artigo)]</p><p>O verbo proceder também pode ser empregado</p><p>na sua concepção de verbo intransitivo. Nesse</p><p>caso ele tem sentido de comportar-se, agir, ter</p><p>fundamento, origem e descendência . Como um</p><p>verbo intransitivo, não há complemento ligado</p><p>ao verbo, portanto, não há também o uso de</p><p>preposição.</p><p>Exemplos:</p><p>De que maneira os turistas procederam?</p><p>Espantei-me com aquela mulher que procedeu</p><p>com firmeza diante da acusação.</p><p>...[procedeu: verbo intransitivo = não exige</p><p>complemento]</p><p>...[com firmeza: adjunto adverbial de modo]</p><p>...[diante da acusação: adjunto adverbial</p><p>de tempo]</p><p>Suas reclamações não procedem.</p><p>Eles procedem e velhas famílias gaúchas.</p><p>A regência e o verbo “visar”</p><p>O verbo “visar” varia de significação conforme as</p><p>relações que estabelece com as preposições.</p><p>Trata-se da regência verbal, responsável, nesse</p><p>caso, pela alteração de significado da expressão.</p><p>O verbo “visar”, dentre outras acepções, pode se</p><p>apresentar como:</p><p>1) verbo transitivo indireto: aponta para o sentido</p><p>de pretender, ter por objetivo, ter em vista; rege a</p><p>preposição “a” e não admite a substituição do</p><p>termo regido pelo pronome oblíquo “lhe”, mas</p><p>sim “a ele(s)” e “a ela(s)”;</p><p>2) verbo transitivo direto: aponta para o sentido de</p><p>mirar, apontar (arma de fogo)e não rege qualquer</p><p>preposição.</p><p>76</p><p>77</p><p>A regência verbal é determinante na construção</p><p>correta de cada uma das expressões acima.</p><p>Assim, quando o verbo “visar” for empregado</p><p>para indicar o sentido apontado em (1), é obriga-</p><p>tória a presença da preposição regida.</p><p>Exemplos:</p><p>1) Os estudantes visam uma melhor colocação</p><p>profissional. [Inadequado]</p><p>Os estudantes visam a uma melhor colocação</p><p>profissional. [Adequado]</p><p>Os estudantes visam a ela. [Adequado]</p><p>...[termo regente: visar a = ter por objetivo]</p><p>2) Os combatentes visavam aos territórios ocu-</p><p>pados recentemente. [Inadequado]</p><p>Os combatentes visavam os territórios ocupados</p><p>recentemente. [Adequado]</p><p>Os combatentes visavam-nos. [Adequado]</p><p>...[termo regente: visar = mirar]</p><p>OUTROS VERBOS</p><p>Chamar</p><p>No sentido de convocar, mandar, vir, exige com-</p><p>plemento sem preposição.</p><p>O técnico chamou os jogadores.</p><p>Chame os trabalhadores.</p><p>No sentido de clamar, pedir ajuda, socorro, admi-</p><p>te-se também a construção preposicionada.</p><p>O técnico chamou pelos jogadores</p><p>Chamou pelos seus protetores.</p><p>No sentido de cognominar, dar, nome, exige</p><p>indiferentemente complemento com ou sem a</p><p>preposição “a” e predicativo com ou sem a pre-</p><p>posição “de”. Daí admitir quatro construções dife-</p><p>rentes. (VTD ou VTI)</p><p>Chamei Pedro de tolo./ Chamei-o de tolo.</p><p>Chamei a Pedro de tolo./ Chamei-lhe de tolo.</p><p>Chamei Pedro tolo./ Chamei-o tolo.</p><p>Chamei a Pedro tolo./ Chamei-lhe tolo.</p><p>Chegar</p><p>Exige a preposição “a” e não a preposição “em”.</p><p>Chegamos finalmente a Birigui.</p><p>Chegamos ao colégio.</p><p>Informar</p><p>Pede dois complementos, um sem e outro com</p><p>preposição. Admite duas construções:</p><p>Informei a nota ao aluno</p><p>Informei o aluno da (ou sobre a) nota.</p><p>Ir</p><p>Segue a mesma regência de chegar.</p><p>Iremos a Araçatuba.</p><p>Vou ao banheiro.</p><p>implicar</p><p>No sentido de acarretar, exige complemento sem</p><p>preposição.</p><p>Sua atitude implicará demissão.</p><p>Tal procedimento implicará anulação da prova.</p><p>Namorar</p><p>Exige complemento sem preposição.</p><p>João namora Maria.</p><p>Ela namora uma aluna do segundo ano.</p><p>Obedecer</p><p>Exige complemento com a preposição “a”.</p><p>O filho obedece ao pai.</p><p>Ele obedecia a leis antigas.</p><p>Embora transitivo indireto, o verbo obedecer</p><p>admite voz passiva.</p><p>O pai é obedecido pelo filho.</p><p>As leis antigas eram obedecidas por ele.</p><p>Pagar – perdoar</p><p>Tem por complemento uma palavra que denote</p><p>coisa, não exigem preposição(VTD). Quanto têm</p><p>por complemento uma palavra que denote pes-</p><p>soa, exige a preposição “a”.(VTI)</p><p>Paguei o livro (coisa).</p><p>Paguei ao livreiro. (pessoa)</p><p>77</p><p>78</p><p>Paguei o livro ao livreiro.</p><p>Perdoei o pecado (coisa).</p><p>Perdoei ao pecador (pessoa).</p><p>Perdoei o pecado ao pecador.</p><p>Querer</p><p>No sentido de desejar, exige complemento sem</p><p>preposição(VTD).</p><p>Eu quero uma casa no campo.</p><p>Quero um refúgio que seja seguro.</p><p>No sentido de estimar, ter afeto, exige comple-</p><p>mento com</p><p>a preposição “a” (VTI)</p><p>Quero a meus pais.</p><p>Quero a meus colegas.</p><p>Ser</p><p>A construção verbo SER + PREPOSIÇÃO EM é</p><p>incorreta. Não se diz:</p><p>Somos em trinta</p><p>nesta classe.</p><p>Éramos em seis em casa.</p><p>Simpatizar, antipatizar e implicar</p><p>No sentido de antipatizar. Perceba que esses</p><p>verbos não são pronominais, ou seja, não existe</p><p>o verbo “simpatizarse” nem “antipatizar-se”. Não</p><p>se deve, portanto, dizer</p><p>“eu me simpatizei com ela”; o certo é “eu simpa-</p><p>tizei com ela”.</p><p>Ex.1: Todos nós simpatizamos com o professor.</p><p>Ex.2: O pai dele implica comigo demasiadamente.</p><p>Ex.:Sua cultura consiste na memorização de sen-</p><p>tenças latinas.</p><p>Sobressair.</p><p>Perceba que esse verbo não é pronominal, ou</p><p>seja, não existe o verbo “sobressair-se”. Não</p><p>se deve, portanto, dizer “ele se sobressaiu</p><p>no campeonato”; o certo é “ele sobressaiu no</p><p>campeonato”.</p><p>Ex.: Os jogadores que mais sobressaíram no time</p><p>conseguiram contratos no exterior.</p><p>Observação</p><p>Não se usa um mesmo complemento para verbos</p><p>que têm regências diferentes.</p><p>ERRADO:</p><p>Precisava e encontrei o material de acampamento.</p><p>Assisti, mas não gostei do filme.</p><p>CERTO:</p><p>Precisava do material de acampamento e</p><p>encontrei-o.</p><p>Assisti ao filme, mas não gostei dele.</p><p>REGÊNCIA NOMINAL</p><p>Regência Nominal é o nome da relação existente</p><p>entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio)</p><p>e os termos regidos por esse nome. Essa relação</p><p>é sempre intermediada por uma preposição. No</p><p>estudo da regência nominal, é preciso levar em</p><p>conta que vários nomes apresentam exatamente</p><p>o mesmo regime dos verbos de que derivam.</p><p>Conhecer o regime de um verbo significa, nesses</p><p>casos, conhecer o regime dos nomes cognatos.</p><p>Observe o exemplo:</p><p>Verbo obedecer e os nomes correspondentes:</p><p>todos regem complementos introduzidos pela</p><p>preposição “a”.Veja:</p><p>Obedecer a algo/ a alguém.</p><p>Obediente a algo/ a alguém.</p><p>Apresentamos a seguir vários nomes acompa-</p><p>nhados da preposição ou preposições que os</p><p>regem. Observeos atentamente e procure, sem-</p><p>pre que possível, associar esses nomes entre si</p><p>ou a algum verbo cuja regência você conhece.</p><p>Substantivos</p><p>78</p><p>79</p><p>Adjetivos</p><p>Advérbios</p><p>Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem</p><p>a seguir o regime dos adjetivos de que são</p><p>formados: paralela a; paralelamente a; relativa a;</p><p>relativamente a.</p><p>Concordância verbal é o mecanismo pelo qual o</p><p>verbo se altera para se adequar ao sujeito. Vamos</p><p>ver agora as principais regras de concordância</p><p>verbal.</p><p>A) Regra geral</p><p>Leia os exemplos abaixo e complete a regra.</p><p>O verbo concorda com o sujeito em</p><p>__________________________________e</p><p>___________________________________.</p><p>B) Sujeito composto anteposto ao verbo</p><p>Complete, agora, a regra:</p><p>Q u a n d o o s u j e i t o c o m p o s t o v i e r</p><p>________________ ao verbo, este irá para o</p><p>___________________________________.</p><p>C) Sujeito composto posposto ao verbo</p><p>Quando o sujeito for uma das expressões acima,</p><p>o verbo poderá ficar no</p><p>___________________________________</p><p>_________ ou no _____________________</p><p>___________________________________.</p><p>D) Sujeito composto de pessoas diferentes</p><p>Observe com atenção os exemplos abaixo:</p><p>Tu já escolheste a profissão?</p><p>2ª pess. Sing Verbo na 2ª pess. sing.</p><p>Nós já discutimos muito esse assunto</p><p>1ª pess. pl. Verbo na 1ª pess. pl.</p><p>Os alunos e as alunas conversam.</p><p>sujeito composto anteposto ao verbo verbo no plural</p><p>a) Já chegaram a São Paulo o presidente e sua comitiva.</p><p>verbo no plural sujeito composto posposto ao verbo</p><p>b) Já chegou a São Paulo o presidente e sua comitiva.</p><p>verbo no singular sujeito composto posposto ao verbo</p><p>Eu e tu v iajaremos amanhã.</p><p>1ª pes / 2ª pes 1ª pes. do plural</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( I )</p><p>79</p><p>80</p><p>a) A coragem e o destemor caracteriza seu comportamento.</p><p>Núcleos do sujeito sinônimos verbo no singular</p><p>b) A coragem e o destemor caracterizam seu comportamento.</p><p>Núcleos do sujeito sinônimos verbo no plural</p><p>Complete, agora, a regra:</p><p>Você pode notar que a 1ª pessoa prevalece sobre</p><p>a 2ª e a 3ª. A 2ª prevalece sobre a 3ª.</p><p>Complete, agora, a regra:</p><p>Quando o sujeito composto for formado por</p><p>_________________________________.</p><p>gramaticais, o verbo irá para o ___________</p><p>__________________________________,</p><p>na pessoa que tiver prevalência.</p><p>E) Sujeito composto anteposto ao verbo com</p><p>núcleos sinônimos</p><p>Complete, agora, a regra:</p><p>Quando o sujeito composto vier</p><p>_________________________ao verbo</p><p>e os núcleos forem ________________</p><p>______________,o verbo poderá ficar no</p><p>______________________________ou ir</p><p>para o ______________________________.</p><p>F) Sujeito composto resumido por tudo, nada e</p><p>ninguém</p><p>Complete a regra:</p><p>Quando o sujeito composto for resumido por</p><p>__________________________________</p><p>__________,________________________</p><p>___________________,_______________</p><p>_______________ etc, o verbo ficará no ____</p><p>___________________________________.</p><p>G) Sujeito composto anteposto ao verbo</p><p>Observe:</p><p>OBS.: se o interrogativo ou pronome indefinido</p><p>estiverem no singular o verbo só concordará no</p><p>singular.</p><p>Redija, agora, a regra:</p><p>Quando o sujeito for formado por um pronome</p><p>__________________________________</p><p>______ ou</p><p>_________________________ (no plural)</p><p>seguido de um pronome pessoal, o verbocon-</p><p>cordará com o _______________________</p><p>____________ ou com o _______________</p><p>____________________________pronome.</p><p>A) Nomes próprios que só têm plural</p><p>Redija, agora, a regra:</p><p>Eu e tu v iajaremos amanhã.</p><p>1ª pes / 2ª pes 1ª pes. do plural</p><p>Tu e ele viajareis amanhã</p><p>2ª pes / 3ª pes. 2ª pes. do plural</p><p>Tu e ele v iajarão amanhã</p><p>2ª pes./3ª pes. 3ª pes. do pl.</p><p>sujeito verbo</p><p>1ª e 2ª -> 1ª do plural</p><p>2ª e 3ª -> 2ª ou 3ª do plural</p><p>1ª e 3ª -> 1ª do plural</p><p>A sala, os colegas, o professor,</p><p>tudo lhe era desagradável</p><p>sujeito composto resumido por</p><p>tudo verbo no singular</p><p>Alguns de nós foram aprovados</p><p>Pronome indefinido fomos aprovados</p><p>Quais de vós saíram?</p><p>Pronome interrogativo Saístes?</p><p>a) Minas Gerais fica ao norte de São</p><p>Paulo</p><p>nome próprio que só tem</p><p>plural, não antecipado de</p><p>artigo</p><p>verbo no singular</p><p>b) As Minas Gerais Ficam ao norte de São</p><p>Paulo</p><p>nome próprio que só tem</p><p>plural, antecipado de artigo verbo no plural</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( II )</p><p>80</p><p>81</p><p>___________________________________</p><p>____________________________________</p><p>___________________________________</p><p>___________________________________</p><p>____________________________________</p><p>___________________________________</p><p>Observação: Quando o sujeito for título de</p><p>livro o nome ou nome de obra, admitem-se</p><p>duas construções:</p><p>a) Os sertões glorificaram nossa literatura</p><p>b) Os sertões glorificou nossa literatura</p><p>B) Mais de um</p><p>Observe com atenção os exemplos:</p><p>Redija você mesmo a regra:</p><p>Se a expressão mais de um não indicar</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>__________________________________</p><p>___________________________________</p><p>C) Um dos que / uma das que</p><p>Quando o sujeito de um verbo for o pronome</p><p>relativo que nas expressões</p><p>___________________________________</p><p>______ e___________________________,</p><p>o verbo vai para o______________________</p><p>____________(construção dominante) ou fica</p><p>no singular.</p><p>D) Um e outro / nem um nem outro</p><p>a) Um e outro tinham (ou tinha) parentes no Norte.</p><p>b) Nem um nem outro veio (ou vieram).</p><p>Complete agora:</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>___________________________________</p><p>E) Núcleos do sujeito ligados pelo “ou”</p><p>Observe:</p><p>Complete, agora,</p><p>a regra:</p><p>Quando os núcleos do sujeito vierem ligados por</p><p>ou, o verbo ficará no ____________________</p><p>___________________ se o ou for exclusivo e</p><p>irá para o _____________________________</p><p>se o ou__________________________ for</p><p>exclusivo.</p><p>A) Sujeito coletivo</p><p>Observe:</p><p>a) Mais de um aluno saiu.</p><p>(não há reciprocidade) verbo no singular</p><p>b) Mais de uma pessoa se deram as mãos</p><p>(há reciprocidade) verbo no plural</p><p>a) Ele é um dos que</p><p>mais conversam.</p><p>plural (construção</p><p>dominante)</p><p>b) Ele é um dos que</p><p>mais Conversa.</p><p>singular</p><p>João ou José será o representante da classe.</p><p>ou tem valor exclusivo verbo no singular</p><p>A tristeza ou a alegria são sentimentos</p><p>O ou não é exclusivo verbo no plural</p><p>A multidão gritava.</p><p>sujeito coletivo verbo no singular</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( II )</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( III )</p><p>81</p><p>82</p><p>Complete, agora, a regra:</p><p>Quando o sujeito for formado por um</p><p>_______________________, o verbo ficará no</p><p>__________________________________</p><p>___________________________________</p><p>Observação: Quando o coletivo vier seguido de</p><p>um adjunto no plural, o verbo poderá ficar no</p><p>singular ou ir para o plural.</p><p>Ex.: A multidão dos torcedores gritava (ou</p><p>gritavam).</p><p>B) Verbos dar, bater e soar</p><p>Os verbos dar, bater e soar concordam com o</p><p>__________________________________</p><p>__________________________________</p><p>___________________________________.</p><p>C) Sujeito pronome relativo que</p><p>Observe:</p><p>Fui eu que falei.</p><p>Foste tu que falaste.</p><p>Fomos nós que falamos.</p><p>Antecedente sujeito verbo concordando com</p><p>o antecedente</p><p>Complete, agora, a regra:</p><p>Quando o sujeito de um verbo for o pronome</p><p>relativo que, o verbo concordará com o</p><p>__________________________________</p><p>__________________________________</p><p>__________________________________</p><p>D) Sujeito pronome relativo quem</p><p>Redija você mesmo a regra:</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>__________________________________</p><p>___________________________________</p><p>E) Sujeito pronome de tratamento</p><p>Complete, então, a regra:</p><p>Quando o sujeito for formado por um</p><p>____________________________ o verbo</p><p>irá sempre para a _____________________</p><p>___________________________________.</p><p>F) SE como partícula apassivadora</p><p>Apenas com VTD ou com VTDI ao mesmo tempo</p><p>Complete a regra:</p><p>a) Deram oito horas.</p><p>Verbo no plural sujeito no plural</p><p>b) Bateu uma hora.</p><p>Verbo no plural sujeito no singular</p><p>c) O relógio bateu dez horas.</p><p>verbo no singular sujeito no singular</p><p>a) Fui eu quem prometeu.</p><p>verbo na 3ª pessoa do</p><p>singular</p><p>b) Fui eu quem prometi.</p><p>antecedente verbo concordando com o</p><p>antecedente</p><p>a) Vossa Excelência falou bem</p><p>verbo na 3ª pessoa</p><p>b) Vossas Reverendíssimas já nos apoiaram</p><p>verbo na 3ª pessoa</p><p>Elaboraram-se novos projetos</p><p>verbo no plural sujeito no plural</p><p>Alugava-se esta casa</p><p>verbo no singular sujeito no singular</p><p>82</p><p>83</p><p>Quando o se funcionar como</p><p>___________________________________,</p><p>o verbo concordará com o sujeito da frase.</p><p>F) SE como índice de indeterminação</p><p>do sujeito</p><p>Complete a regra:</p><p>Quando o se funcionar como</p><p>______________________________, o verbo</p><p>ficará no ____________________________</p><p>___________________________________.</p><p>Observe:</p><p>a) Faz dias muito quentes aqui.</p><p>b) Faz três anos que estou aqui.</p><p>c) Haverá problemas.</p><p>d) Moro aqui há dois anos.</p><p>Em Português, são impessoais os seguintes</p><p>verbos:</p><p>-fazer: indicando tempo decorrido e fenômeno</p><p>da Natureza.</p><p>-haver: significando existir e indicando tempo</p><p>decorrido.</p><p>Agora, complete a regra:</p><p>Todo verbo impessoal f ica sempre na</p><p>______________pessoa ________________</p><p>___________________________________.</p><p>Observações:</p><p>1ª) Também não se flexiona o verbo auxiliar que</p><p>se põe junto a um verbo impessoal, formando</p><p>locução verbal.</p><p>Exemplos:</p><p>Poderá fazer invernos rigorosos.</p><p>Costuma haver casos mais graves.</p><p>Deverá fazer uns cinco anos.</p><p>2ª) O verbo existir não é impessoal.</p><p>Exemplos:</p><p>Existem bons alunos nesta sala?</p><p>Existiam muitas carteiras vagas.</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL COM</p><p>PORCENTAGEM</p><p>As eleições municipais (para vereadores e prefei-</p><p>tos) de 2004 estão aí, muitas frases serão ditas e</p><p>escritas sobre o assunto. Na apuração dos votos,</p><p>alguns erros comumente são cometidos por jor-</p><p>nalistas, narradores, publicitários e políticos.</p><p>Por exemplo: “Já foi apurado 73,45% das urnas”.</p><p>O erro é de concordância verbal, pois o verbo</p><p>está conjugado na terceira pessoa do singular</p><p>enquanto o seu sujeito está na terceira pessoa</p><p>do plural: “73,45% das urnas”. Eis o sujeito, repre-</p><p>sentado por número percentual acompanhado de</p><p>substantivo preposicionado.</p><p>Quando isso ocorrer, o verbo tanto poderá con-</p><p>cordar com o número percentual (73,45) quanto</p><p>com o substantivo preposicionado (urnas). A frase</p><p>adequada aos padrões cultos da língua portu-</p><p>guesa poderia, então, ser estruturada de duas</p><p>maneiras:</p><p>“Já foram apurados 73,45% das urnas.”</p><p>“Já foram apuradas 73,45% das urnas.”</p><p>Outros exemplos:</p><p>43% da população votaram em Lula ou 43% da</p><p>população votou em Lula.</p><p>1% dos brasileiros optou pelo candidato José</p><p>Maria ou 1% dos brasileiros optaram pelo candi-</p><p>dato José Maria.</p><p>Se o número percentual estiver acompanhado de</p><p>elemento restritivo (artigo, pronome adjetivo) ou</p><p>de mais de, menos de, perto de, a concordância</p><p>se dará apenas com o número percentual. Veja</p><p>outros exemplos:</p><p>Assistiu-se a belos espetáculos</p><p>Verbo na 3ª pessoa</p><p>do singular com VTI, VI OU V.L</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL ( IV )</p><p>83</p><p>84</p><p>Esses 43% da população provavelmente votarão</p><p>novamente em Lula.</p><p>O 1% dos brasileiros simpatizantes de José Maria</p><p>provavelmente é contra FHC.</p><p>Mais de 40% da população brasileira votaram em</p><p>Lula.</p><p>Essas são as regras. Há gramáticos que, para</p><p>facilitar o uso do verbo nessas situações, pre-</p><p>gam que a tendência é concordar somente com</p><p>o substantivo, mesmo no caso dos restritivos.</p><p>Regra:</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>___________________________________</p><p>____________________________________</p><p>__________________________________</p><p>__________________________________</p><p>___________________________________</p><p>Regra:</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>___________________________________</p><p>___________________________________</p><p>___________________________________</p><p>3) As expressões quite / anexo / mesmo / próprio.</p><p>Concordam com o seu termo de referência.</p><p>* A Expressão em anexo é invariável.</p><p>Ex.: Seguem em anexo os documentos.</p><p>-Ele mesmo contou a verdade.</p><p>-Elas mesmas contaram a verdade.</p><p>* A expressão mesmo, só é invariável quando for</p><p>advérbio.</p><p>Ex.: Eles todos te deduraram mesmo.</p><p>4) As expressões só e bastante podem funcionar</p><p>como adjetivos ou como advérbios, sendo inva-</p><p>riáveis apenas neste último caso.</p><p>Valor adjetivo</p><p>1)Comprei livros e revistas antigas / antigos.</p><p>2)Comprei antigos livros e revistas.</p><p>Ex:</p><p>Eu estou quite com você.</p><p>Nós estamos quites com você.</p><p>Segue anexo o documento.</p><p>Seguem anexas as pastas.</p><p>Seguem anexos os documentos.</p><p>Nós próprios vimos o local do crime.</p><p>Ela própria te denunciou.</p><p>Ex.: Visitamos bastantes lojas -> (substantivo)</p><p>Eles correram bastante -> advérbio</p><p>As crianças encontram-se sós naquele</p><p>apartamento.</p><p>(sozinhas)</p><p>As crianças só encontraram um brinquedo.</p><p>(somente)</p><p>CONCORDÂNCIA NOMINAL</p><p>84</p><p>85</p><p>5) Pseudo é uma expressão invariável.</p><p>Ex.: Todos ali são pseudo-jornalistas.</p><p>Ele é um pseudo-cantor.</p><p>6) A expressão lesa é variável.</p><p>Ex.: Cometi uma infração de lesa-pátria.</p><p> Cometeu uma infração de leso-trânsito.</p><p>Obs.: Flexiona com o termo acoplado.</p><p>7) As expressões obrigado e muito obrigado,</p><p>concordam com o sujeito.</p><p>Regra:</p><p>___________________________________</p><p>____________________________________</p><p>___________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>____________________________________</p><p>___________________________________</p><p>___________________________________</p><p>___________________________________</p><p>8) A expressão meio é variável quando tem valor</p><p>adjetivo e invariável quanto tem valor adverbial.</p><p>(idéia de “um pouco”).</p><p>Uma frase é um conjunto de elementos linguís-</p><p>ticos estruturados para que se concretize a</p><p>comunicação. Na língua oral, esses conjuntos</p><p>se estruturam em sequências cuja ordenação em</p><p>boa parte é feita por recursos vocais, como a</p><p>entoação, as pausas, a melodia e até mesmo os</p><p>silêncios. Para perceber a importância da partici-</p><p>pação desses elementos sonoros na organização</p><p>da linguagem falada, basta observar alguém que</p><p>esteja se comunicando em voz alta: você vai</p><p>notar que essa pessoa controla os recursos</p><p>vocais mencionados para que suas frases se</p><p>articulem significativamente. Assim, as frases</p><p>faladas e os recursos vocais que as organizam</p><p>constroem os textos falados.</p><p>Na escrita, os elementos vocais da linguagem</p><p>são substituídos por um sistema de sinais visu-</p><p>ais que com eles mantêm alguma correspondên-</p><p>cia. Esses sinais são conhecidos como sinais</p><p>de pontuação e seu papel na língua escrita é</p><p>semelhante ao dos elementos vocais na língua</p><p>falada: participam da estruturação das frases na</p><p>construção dos textos escritos. O estudo do</p><p>emprego dos sinais de pontuação está ligado</p><p>à percepção de seu papel estruturador na lín-</p><p>gua escrita. Isso significa que não se aprende a</p><p>usá-los partindo-se do pressuposto de que eles</p><p>representam na escrita as pausas e melodias</p><p>da língua falada: não é esse o papel desses</p><p>sinais. O estudo de seu emprego baseia-se na</p><p>organização sintática e significativa das frases</p><p>escritas e não nas pausas e na melodia das fra-</p><p>ses faladas.</p><p>Levando em conta tudo isso, decidimos organi-</p><p>zar o estudo da pontuação tomando como ponto</p><p>de partida os estudos de sintaxe. Você perce-</p><p>berá, assim, que o conhecimento da organização</p><p>Ex.: Ele disse muito obrigado.</p><p>Ela disse muito obrigada.</p><p>A s Expressões: é proibido, é c aro, é barato</p><p>concordam com o determinante do nome a que</p><p>se referem.</p><p>Ex.: Este carro é caro.</p><p>Esta bolsa é cara.</p><p>* Esta bolsa custa caro -> adjunto adverbial</p><p>determina o verbo</p><p>* É proibida a entrada.</p><p>Ex.: Ele estava meio confuso.</p><p>Ela estava meio confusa.</p><p>Tomei meio copo de leite.</p><p>Tomei meia taça de licor.</p><p>AS FRASES E A PONTUAÇÃO</p><p>85</p><p>86</p><p>sintática da língua portuguesa é um poderoso</p><p>instrumento para que se alcance a pontuação</p><p>correta e eficiente.</p><p>Neste primeiro capítulo, vamos falar dos sinais</p><p>que delimitam graficamente as frases.</p><p>A importãncia da pontuação</p><p>(Hélio Consolaro* )</p><p>Recebi de um leitor (login: rondon.jr) um texto</p><p>bastante conhecido, antigo, como exemplo de</p><p>como a pontuação faz a diferença. A reprodução</p><p>abaixo não é falta de assunto, mas uma forma</p><p>de compartilhar com os leitores mais jovens as</p><p>coisas antigas e boas que estão na internet.</p><p>Um homem rico estava muito doente, pediu papel</p><p>e caneta, e assim escreveu:</p><p>“Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobri-</p><p>nho jamais será paga a conta do alfaiate nada</p><p>aos pobres”.</p><p>Morreu antes de fazer a pontuação. Para quem</p><p>ele deixava a fortuna?</p><p>Eram quatro concorrentes. O sobrinho fez a</p><p>seguinte pontuação:</p><p>“Deixo meus bens à minha irmã? Não, a meu</p><p>sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate.</p><p>Nada aos pobres”</p><p>A irmã chegou em seguida e pontuou assim, o</p><p>escrito:</p><p>“Deixo meus bens à minha irmã, não a meu</p><p>sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate.</p><p>Nada aos pobres.”</p><p>O alfaiate pediu cópia do original e puxou a brasa</p><p>pra sardinha dele:</p><p>“Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu</p><p>sobrinho jamais! Será paga a conta do alfaiate.</p><p>Nada aos pobres.”</p><p>Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um</p><p>deles, sabido, fez esta interpretação:</p><p>“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu</p><p>sobrinho jamais! Será paga a conta do alfaiate?</p><p>Nada! Aos pobres.”</p><p>MORAL DA HISTÓRIA</p><p>Pior de tudo é saber que ainda tem gente que</p><p>acha que uma vírgula não faz a menor diferença!</p><p>1. A vírgula ( , )</p><p>A VÍRGULA marca uma pausa de pequena dura-</p><p>ção. Emprega-se não só para separar elementos</p><p>de uma oração, mas também orações de um só</p><p>período.</p><p>1.1. Emprego da vírgula no interior da oração</p><p>No INTERIOR DA ORAÇÃO a vírgula serve</p><p>1º) Para separar elementos que exercem a</p><p>mesma função sintática (sujeito composto, com-</p><p>plementos, adjuntos), quando não vêm unidos</p><p>pelas conjunções e, ou e nem.</p><p>Exemplos:</p><p>As nuvens, as folhas, os ventos não são deste</p><p>mundo.</p><p>(A. MAYER)</p><p>Ela tem sua claridade, seus caminhos, suas esca-</p><p>das, seus andaimes.</p><p>(C. MEIRELES)</p><p>2º) Para separar elementos que exercem funções</p><p>sintáticas diversas, geralmente com a finalidade</p><p>de realçá-los. Em particular, a VÍRGULA é usada:</p><p>a) para isolar o aposto, ou qualquer elemento de</p><p>valor meramente explicativo:</p><p>Ele, o pai, é um mágico.</p><p>( ADONIAS FILHO)</p><p>b) para isolar o vocativo:</p><p>Sinais que marcam sobretudo a pausa</p><p>86</p><p>87</p><p>Moço, sertanejo não se doma no brejo.</p><p>(J. A. DE ALMEIDA)</p><p>c) para isolar o adjunto adverbial antecipado:</p><p>Depois de algumas horas de sono, voltei ao</p><p>colégio.</p><p>(R. POMPÉIA)</p><p>d) para isolar os elementos pleonástico ou</p><p>repetidos:</p><p>Ficou branquinha, branquinha.</p><p>Com os desgostos humanos.</p><p>(O. BILAC)</p><p>3º) Emprega-se ainda a vírgula no interior da</p><p>oração:</p><p>a) para separar, na datação de um escrito, o</p><p>nome do lugar:</p><p>Teófilo Otoni, 10 de maio de 1917.</p><p>b) para indicar a supressão de uma palavra</p><p>(geralmente o verbo) ou de um grupo de palavras:</p><p>Veio a velhice; com ela, a aposentadoria.</p><p>(H. SALES)</p><p>1.2. Emprego da vírgula entre orações</p><p>ENTRE ORAÇÕES, emprega-se a vírgula:</p><p>1º) Para separar as orações coordenadas</p><p>assindéticas:</p><p>Levantava-me, passeava, tamborilava nos vidros</p><p>das janelas, assobiava.</p><p>(M. DE ASSIS)</p><p>2º) Para separar as orações coordenadas sin-</p><p>déticas, salvo as introduzidas pela conjunção e:</p><p>Cessaram as buzinas, mas prosseguia o alarido</p><p>nas ruas.</p><p>(A. M. MACHADO)</p><p>Observação:</p><p>1ª) Separam-se por VÍRGULA as orações</p><p>coordenadas unidas pela conjunção e, quando</p><p>têm sujeito diferente.</p><p>Exemplo:</p><p>O silêncio comeu o eco, e a escuridão abraçou o</p><p>silêncio.</p><p>(G. FIGUEIREDO)</p><p>Costuma-se também separar por VÍRGULA as</p><p>orações introduzidas por essa conjunção quando</p><p>ela vem reiterada:</p><p>Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!</p><p>(O. BILAC)</p><p>2ª) Das CONJUNÇÕES ADVERSATIVAS, mas</p><p>emprega-se sempre no começo da oração;</p><p>porém, todavia, contudo, entretanto e no entanto,</p><p>podem vir ora no início da oração, ora após um</p><p>dos seus termos.</p><p>No primeiro caso, põe-se uma VÍRGULA antes da</p><p>conjunção; no segundo, vem ela isolada por</p><p>vírgulas.</p><p>Compare-se este período de Machado de Assis:</p><p>-- Vá aonde quiser, mas fique morando conosco.</p><p>aos seguintes:</p><p>-- Vá aonde quiser, porém fique morando</p><p>conosco..</p><p>-- Vá aonde quiser, fique, porém, morando</p><p>conosco.</p><p>Em virtude da acentuada pausa que existe entre</p><p>as orações acima, podem ser elas separadas,</p><p>na escrita, por PONTO-E-VÍRGULA. Ao último</p><p>período é mesmo a pontuação que melhor lhe</p><p>convém:</p><p>-- Vá aonde quiser; fique, porém, morando</p><p>conosco.</p><p>3ª ) Quando conjunção conclusiva, pois vem</p><p>sempreposposto a um termo da oração a que</p><p>pertence e, portanto, isolado por vírgulas:</p><p>Não pacteia com a ordem; é, pois, uma rebelde.</p><p>em seu horário.</p><p>( ) 1. Determine o número de horas que terá para estudar durante o dia e a semana também some o</p><p>número de horas que serão utilizadas. Basta observar o tempo livre, em cada dia, para assinalar aí seus</p><p>períodos de estudo.</p><p>( ) 2. Analise qual é o melhor horário de estudos, de dia e/ou à noite e determine o horário de início bem</p><p>como o fim. Cada pessoa tem um ritmo durante o dia/noite e rende mais em determinados horários/turnos.</p><p>( ) 3. Defina o tempo em minutos para cada matéria, levando em consideração os seguintes aspectos:</p><p>a) ( ) o curso para o qual prestará Enem/vestibular;</p><p>b) ( ) matérias de maior peso exigem maior dedicação (observe edital anterior);</p><p>c) ( ) depois de muito tempo no mesmo assunto ou atividade, a atenção diminui;</p><p>d) ( ) evite estudar a mesma matéria mais de 03 horas de uma só vez;</p><p>e) ( ) cada sessão de estudo tem duração mínima de 40 min. e máxima de 1h40min.</p><p>f) ( ) compromissos fixos (trabalho, aulas, tarefas familiares, pré-vestibular/pré-Enem, cursos específicos e outros);</p><p>g) ( ) reserve horário específico para leitura de revistas, jornais e periódicos;</p><p>h) ( ) reserve horário específico para a produção semanal de texto;</p><p>i) ( ) reserve horário para resolução de provas anteriores (Enem /vestibulares de seu interesse);</p><p>j) ( ) reserve horário para revisão diária do conteúdo visto em sala de aula (sugestão: 40 minutos diários).</p><p>( ) 4. Sempre que possível, alterne matérias de linguística (português, redação e outras) com matérias</p><p>de exatas (matemática, física, estatística e outras); assim, você utiliza áreas diferentes do cérebro e produz</p><p>mais com menos esforço.</p><p>( ) 5. Inclua diferentes atividades e metodologias, assim haverá menos cansaço. Alterne entre leituras</p><p>livres/ obrigatórias e criação de resumos como também de mapas mentais/escritos com resolução de quiz,</p><p>por exemplo.</p><p>( ) 6. Insira descansos com duração média de até 20 minutos. Segundo especialistas, esse intervalo é</p><p>importante para assimilar os conceitos estudados no período anterior.</p><p>( ) 7. Diminua o número de sessões de estudo (mesma disciplina) em um mesmo dia. Isso vale</p><p>para a hipótese de você frequentar Colégio e/ ou curso(s) específico(s) para não ficar tempo demais</p><p>afastado de determinadas disciplinas, especialmente, as de menor peso.</p><p>( ) 8. Insira um ou dois “curingas” em seu horário semanal. “Curingas” são horários reservados para o</p><p>estudo de qualquer matéria, conforme a necessidade; evitando, assim, a ansiedade promovida pela</p><p>percepção de que há conteúdos atrasados.</p><p>( ) 9.Inclua, em sua rotina, atividades físicas e tempo de descanso, considerando os seguintes aspectos:</p><p>a) (___) hora-limite para dormir e acordar. O sono é essencial para a retenção de informações. Enquanto</p><p>dormimos, o cérebro grava, na memória, o que foi estudado durante o dia e, para isso, precisa de 6 a 8 horas.</p><p>b) (___) hora-limite para início e fim da atividade física (2 a 3 x por semana/ mínimo de 30 min. por sessão). A</p><p>atividade física regular produz neurotransmissores (serotonina e endorfina) e reduz o estresse provocado pelo</p><p>excesso de adrenalina e cortisol, que afetam de maneira negativa o funcionamento do cérebro.</p><p>c) (___) hora-limite para a grande folga (sugestão: domingo/ tarde e/ou noite, cf. disponibilidade semanal de estudo).</p><p>( ) 10. O grande número de disciplinas pode dificultar a montagem do horário de estudos. Assim, pode</p><p>ser preciso reduzir o tempo de uma para que haja conjugação com outra. Mas, não se preocupe! Com a</p><p>prática, você resolverá essa equação e o resultado, certamente, compensará o trabalho. Afinal, estamos</p><p>falando da sua aprovação!</p><p>INSTRUÇÕES - HORÁRIO DE ESTUDOINSTRUÇÕES - HORÁRIO DE ESTUDO</p><p>D</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>G</p><p>O</p><p>SÁ</p><p>BA</p><p>D</p><p>O</p><p>SE</p><p>XT</p><p>A</p><p>Q</p><p>U</p><p>IN</p><p>TA</p><p>Q</p><p>UA</p><p>R</p><p>TA</p><p>TE</p><p>R</p><p>ÇA</p><p>SE</p><p>G</p><p>U</p><p>N</p><p>DA</p><p>D</p><p>IA</p><p>/ H</p><p>O</p><p>R</p><p>A</p><p>7/</p><p>8</p><p>h</p><p>8/</p><p>9</p><p>h</p><p>9/</p><p>1</p><p>0h</p><p>10</p><p>/ 1</p><p>1h</p><p>11</p><p>/ 1</p><p>2h</p><p>12</p><p>/ 1</p><p>3h</p><p>13</p><p>/ 1</p><p>4h</p><p>14</p><p>/ 1</p><p>5h</p><p>H</p><p>O</p><p>R</p><p>Á</p><p>R</p><p>IO</p><p>D</p><p>E</p><p>E</p><p>S</p><p>T</p><p>U</p><p>D</p><p>O</p><p>H</p><p>O</p><p>R</p><p>Á</p><p>R</p><p>IO</p><p>D</p><p>E</p><p>E</p><p>S</p><p>TU</p><p>D</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>G</p><p>O</p><p>SÁ</p><p>BA</p><p>D</p><p>O</p><p>SE</p><p>XT</p><p>A</p><p>Q</p><p>U</p><p>IN</p><p>TA</p><p>Q</p><p>UA</p><p>R</p><p>TA</p><p>TE</p><p>R</p><p>ÇA</p><p>SE</p><p>G</p><p>U</p><p>N</p><p>DA</p><p>D</p><p>IA</p><p>/ H</p><p>O</p><p>R</p><p>A</p><p>15</p><p>/ 1</p><p>6h</p><p>16</p><p>/ 1</p><p>7h</p><p>17</p><p>/ 1</p><p>8h</p><p>18</p><p>/ 1</p><p>9h</p><p>19</p><p>/ 2</p><p>0h</p><p>20</p><p>/ 2</p><p>1h</p><p>21</p><p>/ 2</p><p>2h</p><p>H</p><p>O</p><p>R</p><p>Á</p><p>R</p><p>IO</p><p>D</p><p>E</p><p>E</p><p>S</p><p>T</p><p>U</p><p>D</p><p>O</p><p>H</p><p>O</p><p>R</p><p>Á</p><p>R</p><p>IO</p><p>D</p><p>E</p><p>E</p><p>S</p><p>TU</p><p>D</p><p>O</p><p>9</p><p>MÓDULO I</p><p>GRAMÁTICA</p><p>09</p><p>10</p><p>O português está de cara nova. Não faltam</p><p>polêmicas e argumentos contra e a favor das</p><p>mudanças, mas o fato inegável é que o acordo</p><p>que unifica a ortografia do português em Angola,</p><p>Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São</p><p>Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal</p><p>já é uma realidade. As novas regras são obriga-</p><p>tórias no Brasil desde 1º de janeiro de 2009, com</p><p>um período de adaptação para escolas, editoras,</p><p>vestibulares e concursos até 31 de dezembro de</p><p>2012.</p><p>A língua portuguesa é o sétimo idioma mais</p><p>popular do planeta. São cerca de 230 milhões</p><p>de pessoas falando português no mundo todo</p><p>- a maioria no Brasil, que tem 185 milhões de</p><p>habitantes. Em cada 1.000 palavras, os brasi-</p><p>leiros alteram a forma de escrever de 5 e os</p><p>portugueses mudam a ortografia de 16. Mesmo</p><p>sendo a língua oficial em oito países, há ape-</p><p>nas duas variantes de ortografia: a brasileira e a</p><p>portuguesa, já que os demais países adotam o</p><p>modelo de Portugal.</p><p>Com as modificações, calcula-se que 0,5% das</p><p>palavras em português brasileiro terão a escrita</p><p>alterada.</p><p>Na ortografia de Portugal, a mudança será</p><p>mais</p><p>representativa, atingindo 1,6% do vocabulário.</p><p>Por esse motivo, o país terá um prazo maior, de</p><p>seis anos, para se adaptar. O principal motivo</p><p>da mudança está no fato de que o português é</p><p>o único idioma do mundo com duas ortografias</p><p>oficiais, ocorrência que atrapalha adivulgação do</p><p>idioma e a sua prática em eventos internacionais</p><p>e diplomáticos. A unificação tenciona favorecer</p><p>a definição de critérios para exames e certifica-</p><p>dos de português para estrangeiros, beneficiar o</p><p>intercâmbio entre os países lusófonos e facilitar</p><p>a emissão de documentos oficiais.</p><p>Vale lembrar que apenas a grafia das palavras</p><p>será unificada entre os membros da Comunidade</p><p>dos Países de Língua Portuguesa. A pronúncia,</p><p>as relações gramaticais e as diferenças nos sig-</p><p>nificados das palavras em cada país as mesmas.</p><p>Os dez idiomas mais falados no mundo são: 1º</p><p>Chinês, 2º Híndi, 3º Inglês, 4º Espanhol, 5º Ben-</p><p>gali (Língua oficial de Bangladesh e segunda lín-</p><p>gua mais falada na índia), 6º Árabe, 7º Português,</p><p>8º Russo, 9º Japonês, 10º Alemão.</p><p>O ACORDO</p><p>Ao definir as mudanças, o acordo ortográfico bus-</p><p>cou um consenso entre as versões brasileira e</p><p>portuguesa do idioma quando possível e manteve</p><p>as duas redações oficiais quando não foi pos-</p><p>sível. Algumas das novas regras visam apenas</p><p>à fixação de normas para usos ortográficos já</p><p>consagrados pelo uso. O documento é composto</p><p>por 21 bases.</p><p>O acordo ortográfico foi assinado em Lisboa, no</p><p>dia 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Bra-</p><p>sil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde,</p><p>Guiné-Bissau e Moçambique – Timor Leste</p><p>aderiu em 2004, depois de conquistar sua inde-</p><p>pendência da Indonésia. No Brasil, a reforma da</p><p>língua foi aprovada pelo Decreto Legislativo nº 54</p><p>de 18 de abril de 1995 e sancionada em cerimô-</p><p>nia na Academia Brasileira de Letras no dia 29 de</p><p>setembro de 2008, data que marcou o centenário</p><p>da morte do escritor Machado de Assis.</p><p>L</p><p>A técnica de empregar a linguagem na forma de</p><p>comunicação escrita é chamada de grafia. O</p><p>emprego da grafia correta é conhecido em nos-</p><p>salíngua como ortografia.</p><p>A ortografia empregada no Brasil, até dezem-</p><p>bro de 2008, era a evidenciada pelo Vocabulário</p><p>Ortográfico da Língua Portuguesa, 1943, que em</p><p>18 de dezembro de 1971, sofreu algumas altera-</p><p>ções. No entanto, o acordo ortográfico, assinado</p><p>pela comunidade lusófona, entrou em vigor em</p><p>janeiro de 2009, trazendo novas alterações no</p><p>que tange às regras de acentuação e ortografia</p><p>das palavras.</p><p>Na ortografia, estudam-se, entre outros pontos:</p><p>- alfabeto</p><p>- letras</p><p>O NOVO PORTUGUÊS</p><p>ORTOGRAFIA OFICIA</p><p>10</p><p>11</p><p>- vocábulos homógrafos e homófonos</p><p>- acentuação gráfica</p><p>- emprego de algumas letras</p><p>(J. RIBEIRO)</p><p>Sinais que marcam sobretudo a pausa</p><p>87</p><p>88</p><p>As demais conjunções conclusivas (logo, por-</p><p>tanto, por conseguinte, etc.) podem encabeçar</p><p>a oração ou pospor-se a um dos seus termos.</p><p>À semelhança das adversativas, escrevem-se,</p><p>conforme o caso, com uma vírgula anteposta,</p><p>ou entre vírgulas.</p><p>3º) Para isolar as orações intercaladas:</p><p>-- Se o alienista tem razão, disse eu comigo, não</p><p>haverá muito que lastimar o Quincas Borba.</p><p>(M. DE ASSIS)</p><p>4º) Para isolar as orações subordinadas adjetivas</p><p>explicativas:</p><p>Pastor, que sobes o monte,</p><p>Que queres galgando-o assim?</p><p>(O. MARIANO)</p><p>5º) Para separar as orações subordinadas</p><p>adverbiais, principalmente quando antepostas</p><p>à principal:</p><p>Quando tio Severino voltou da fazenda, trouxe</p><p>para Luciana um periquito.</p><p>(G. RAMOS)</p><p>6º) Para separar as orações reduzidas de gerún-</p><p>dio, de particípio e de infinitivo, quando equiva-</p><p>lentes a orações adverbiais:</p><p>Não obtendo resultado, indignou-se.</p><p>(G. RAMOS)</p><p>Acocorado a um canto, contemplava-nos</p><p>impassível.</p><p>(E. DA CUNHA)</p><p>Ao falar, já sabia da resposta.</p><p>(J.AMADO)</p><p>Observações:</p><p>1º) Toda oração ou todo termo de oração de valor</p><p>meramente explicativo pronunciam-se entre pau-</p><p>sas; por isso, são isolados por vírgula, na escrita;</p><p>2º) Os termos essenciais e integrantes da oração</p><p>ligamse uns com os outros sem pausa; não</p><p>podem, assim, ser separados por vírgula. Esta</p><p>a razão por que não é admissível o uso da vírgula</p><p>entre uma oração subordinada substantiva e a</p><p>sua principal;</p><p>3º) Há uns poucos casos em que o emprego da</p><p>vírgula não corresponde a uma pausa real na</p><p>fala; é o que se observa, por exemplo, em res-</p><p>postas rápidas do tipo:</p><p>Sim, senhor. Não, senhor.</p><p>2. O ponto ( . )</p><p>1. O PONTO assinala a pausa máxima da voz</p><p>depois de um grupo fônico de final descendente.</p><p>Emprega-se, pois, fundamentalmente, para indi-</p><p>car o término de uma oração declarativa, seja</p><p>ela absoluta, seja a derradeira de um período</p><p>composto:</p><p>Nada pode contra o poeta. Nada pode contra</p><p>esse incorrigível que tão bem vive e se arranja</p><p>em meio aos destroços do palácio imaginário que</p><p>lhe caiu em cima.</p><p>(A. M. MACHADO)</p><p>2. Quando os períodos (simples ou compostos) se</p><p>encadeiam pelos pensamentos que expressam,</p><p>sucedem-se uns aos outros na mesma linha.</p><p>Diz-se, neste caso, que estão separados por um</p><p>PONTO SIMPLES.</p><p>Observação</p><p>O PONTO tem sido utilizado pelos escritores</p><p>modernos onde os antigos poriam PONTO-E-</p><p>-VÍRGULA ou mesmo VÍRGULA.</p><p>A música toca uma valsa lenta. O desânimo</p><p>aumenta.</p><p>Os minutos passam. A orquestra se cala. O vento</p><p>está mais forte.</p><p>(E. VERÍSSIMO).</p><p>3. Quando se passa de um grupo a outro grupo</p><p>de ideias, costuma-se marcar a transposição com</p><p>um maior repouso da voz, o que, na escrita, se</p><p>88</p><p>89</p><p>representa pelo PONTO-PARÁGRAFO. Deixa-se,</p><p>então, em branco o resto da linha em que termina</p><p>um dado grupo ideológico, e inicia-se o seguinte</p><p>na linha abaixo, com o recuo de algumas letras.</p><p>Assim:</p><p>Lá embaixo era um mar que crescia.</p><p>Começara a chuviscar um pouco. E o carro subia</p><p>mais para o alto, com destino à casa de Amâncio,</p><p>que era a melhor da redondeza. (J. L. DO REGO)</p><p>4. Ao PONTO que encerra um enunciado escrito</p><p>dá-se o nome de PONTO-FINAL.</p><p>3. O ponto – e – vírgula ( ; )</p><p>1. Como o nome indica, este sinal serve de inter-</p><p>mediário entre o PONTO e a VÍRGULA, podendo</p><p>aproximar-se ora mais daquele, ora mais deste,</p><p>segundo os valores pausais e melódicos que</p><p>representa no texto. No primeiro caso, equivale</p><p>a uma espécie de PONTO reduzido; no segundo,</p><p>assemelha-se a uma VÍRGULA alongada.</p><p>2. Esta imprecisão do PONTO-E-VÍRGULA faz</p><p>que o seu emprego dependa substancialmente</p><p>de contexto.</p><p>Entretanto, podemos estabelecer que, em prin-</p><p>cípio, ele é usado:</p><p>1º) Para separar num período as orações da</p><p>mesma natureza que tenham certa extensão:</p><p>Todas as obras de Deus são maravilhosas; porém</p><p>a maior de todas as maravilhas é a existência do</p><p>mesmo Deus.</p><p>(M. DE MARICÁ)</p><p>2º) Para separar partes de um período, das</p><p>quais uma pelo menos esteja subdividida por</p><p>VÍRGULA:</p><p>Chamo-me Inácio; ele, Benedito.</p><p>(M. DE ASSIS)</p><p>3º) Para separar os diversos itens de enunciados</p><p>enumerativos (em leis, decretos, portarias,</p><p>regulamentos, etc.), como estes que iniciam o</p><p>Artigo 1º</p><p>da Lei de Diretrizes e Bases da Educação</p><p>Nacional:</p><p>Art. 1º A educação nacional, inspirada nos prin-</p><p>cípios de liberdade e nos ideais de solidariedade</p><p>humana, tem por fim:</p><p>a) a compreensão dos direitos e deveres da pes-</p><p>soa humana, do cidadão, do Estado, da família e</p><p>dos demais grupos que compõem a comunidade;</p><p>b) o respeito à dignidade e às liberdades funda-</p><p>mentais do homem;</p><p>c) o fortalecimento da unidade nacional e da</p><p>solidariedade internacional;</p><p>d) o desenvolvimento integral da personalidade</p><p>humana e a sua participação na obra do bem</p><p>comum (...)</p><p>4°) Valor melódico dos sinais pausais</p><p>Dissemos que a VÍRGULA, o PONTO e o PON-</p><p>TO-EVÍRGULA, marcam sobretudo -- e não exclu-</p><p>sivamente --a pausa. No correr do nosso estudo,</p><p>ressaltamos até algumas das suas características</p><p>melódicas. É o momento de sintetizá-las:</p><p>a) o PONTO corresponde sempre à final descen-</p><p>dente de um grupo fônico;</p><p>b) a VÍRGULA assinala que a voz fica em sus-</p><p>penso, à espera de que o período se complete;</p><p>c) o PONTO-E-VÍRGULA denota em geral uma</p><p>débil inflexão suspensiva, suficiente, no entanto,</p><p>para indicar que o período não está concluído.</p><p>1. Os dois – pontos ( : )</p><p>Os DOIS PONTOS servem para marcar, na</p><p>escrita, uma sensível suspensão da voz na melo-</p><p>dia de uma frase não concluída. Empregam-se,</p><p>pois, para anunciar:</p><p>1º) uma citação (geralmente depois de verbo ou</p><p>Sinais que marcam sobretudo a melodia</p><p>89</p><p>90</p><p>expressão que signifique dizer, responder, per-</p><p>guntar e sinônimos):</p><p>Eu lhe responderia: a vida é ilusão...</p><p>(A. PEIXOTO)</p><p>2º)uma enumeração explicativa:</p><p>Viajo entre todas as coisas do mundo:</p><p>homem, flores, animais, água...</p><p>(C. MEIRELES)</p><p>3º) um esclarecimento, uma síntese ou um</p><p>consequência do que foi enunciado:</p><p>Ternura teve uma inspiração: atirar a corda,</p><p>laçá-la.</p><p>(A. M. MACHADO)</p><p>Não sou alegre nem sou triste:</p><p>sou poeta.</p><p>(C. MEIRELES)</p><p>Observação:</p><p>Depois do vocativo que encabeça cartas, reque-</p><p>rimentos, ofícios, etc. costuma-se colocar DOIS-</p><p>-PONTOS, VÍRGULA, ou PONTO, havendo</p><p>escritores que, no caso, dispensam qualquer</p><p>pontuação.</p><p>Assim:</p><p>Prezado senhor: Prezado senhor.</p><p>Prezado senhor, Prezado senhor</p><p>Sendo o vocativo inicial emitido com entoação</p><p>suspensiva, deve ser acompanhado, preferen-</p><p>temente, de DOIS-PONTOS ou de VÍRGULA,</p><p>sinais denotadores daquele tipo de inflexão.</p><p>2. O ponto de interrogação (?)</p><p>1. É o sinal que se usa no fim de qualquer inter-</p><p>rogação direta, ainda que a pergunta não exija</p><p>resposta:</p><p>Sabe você de uma novidade?</p><p>(A. PEIXOTO)</p><p>2. Nos casos em que a pergunta envolve dúvida,</p><p>costuma-se fazer seguir de RETICÊNCIAS o</p><p>PONTODE-INTERROGAÇÃO:</p><p>_ Então?...que foi isso?...a comadre?...</p><p>(ARTUR AZEVEDO)</p><p>3. Nas perguntas que denotam surpresa, ou</p><p>naquelas que não têm endereço nem res-</p><p>posta, empregam-se por vezes combina-</p><p>dos o PONTO-DE-INTERROGAÇÃO E O</p><p>PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO:</p><p>Que negócio é esse: cabra falando?!</p><p>(C. D. DE ANDRADE)</p><p>Observação:</p><p>O PONTO-DE-INTERROGAÇÃO nunca se usa</p><p>no fim de uma interrogação indireta, uma vez</p><p>que esta termina com entoação descendente,</p><p>exigindo, por isso, um PONTO.</p><p>Comparem-se:</p><p>-- Quem chegou? [= INTERROGAÇÃO DIRETA]</p><p>-- Diga-me quem chegou. [= INTERROGAÇÃO</p><p>INDIRETA]</p><p>3. O ponto de exclamação ( ! )</p><p>É o sinal que se pospõe a qualquer enunciado de</p><p>entoação exclamativa. Emprega-se, pois,</p><p>normalmente:</p><p>a) depois de interjeições ou de termos equivalen-</p><p>tes, como os vocativos intensivos, as apóstrofes:</p><p>Oh! dias de minha infância!</p><p>(C. DE ABREU)</p><p>Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?</p><p>(C. ALVES)</p><p>depois de um imperativo:</p><p>Coração, pára! ou refreia, ou morre!</p><p>(A. DE OLIVEIRA)</p><p>Observação:</p><p>A interjeição oh! (escrita com h), que denota</p><p>geralmente surpresa, alegria ou desejo, vem</p><p>seguida de PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO. Já à</p><p>interjeição de apelo ó, quando acompanhada de</p><p>90</p><p>91</p><p>vocativo, não se pospõe PONTO-DE-EXCLAMA-</p><p>ÇÃO; este se coloca, no caso, depois do vocativo.</p><p>Comparem-se os exemplos do item a.</p><p>4. As reticências ( . . . )</p><p>1. As RETICÊNCIAS marcam uma interrupção</p><p>da frase e, consequentemente, a suspensão da</p><p>sua melodia.</p><p>Empregam-se em casos muito variados. Assim:</p><p>a) para indicar que o narrador ou o personagem</p><p>interrompe uma ideia que começou a exprimir, e</p><p>passa a considerações acessórias:</p><p>-- A tal rapariguinha... Não digam que foi a Pôncia</p><p>que contou. Menos essa, que não quero enredos</p><p>comigo!</p><p>(J. DE ALENCAR)</p><p>b) para marcar suspensões provocadas por hesi-</p><p>tação, surpresa, dúvida, timidez, ou para assi-</p><p>nalar certas inflexões de natureza emocional de</p><p>quem fala:</p><p>Fiador... para o senhor?! Ora!...</p><p>(G. AMADO)</p><p>Falaram todos. Quis falar... Não pude...</p><p>Baixei os olhos... e empalideci...</p><p>(A. TAVARES)</p><p>c) para indicar que a ideia que se pretende expri-</p><p>mir não se completa com o término gramatical da</p><p>frase, e que deve ser suprida com a imaginação</p><p>do leitor:</p><p>Agora é que entendo tudo: as atitudes do pai, o</p><p>recato da filha... Eu caí numa cilada...</p><p>(J. MONTELLO)</p><p>2. Empregam-se também as RETICÊNCIAS para</p><p>reproduzir, nos diálogos, não uma suspensão do</p><p>tom da voz, mas o corte da frase de um persona-</p><p>gem pela interferência da fala de outro. Se a fala</p><p>do personagem continua normalmente depois</p><p>dessa interferência, costuma-se preceder o</p><p>seguimento de reticências:</p><p>-- Mas não me disse que acha...</p><p>-- Acho.</p><p>--...Que posso aceitar uma presidência, se me</p><p>ofereceram?</p><p>-- Pode; uma presidência aceita-se.</p><p>(M. DE ASSIS)</p><p>3. Usam-se ainda as RETICÊNCIAS antes de</p><p>uma palavra ou de uma expressão que se quer</p><p>realçar:</p><p>E teve um fim que nunca se soube... Pobrezinho...</p><p>Andaria nos doze anos. Filho único.</p><p>(S. LOPES NETO)</p><p>5. As aspas ( “ ” )</p><p>1. Empregam-se principalmente:</p><p>a) no início e no fim de uma citação para distin-</p><p>gui-la do resto do contexto:</p><p>O poeta espera a hora da morte e só aspira a que</p><p>ela “não seja vil, manchada de medo,</p><p>submissão ou cálculo”.</p><p>(MANUEL BANDEIRA)</p><p>b) para fazer sobressair termos ou expressões,</p><p>geralmente não peculiares à linguagem normal</p><p>de quem escreve (estrangeirismos, arcaísmos,</p><p>neologismos, vulgarismos, etc.):</p><p>Era melhor que fosse “clown”.</p><p>(E. VERÍSSIMO)</p><p>c) para acentuar o valor significativo de uma pala-</p><p>vra ou expressão:</p><p>A palavra “nordeste” é hoje uma palavra desfi-</p><p>gurada pela expressão “obras do Nordeste” que</p><p>quer dizer:</p><p>“obras contra as secas”. E quase não sugere</p><p>senão as secas.</p><p>(G. FREYRE)</p><p>Observação:</p><p>No emprego das ASPAS, cumpre atender a estes</p><p>preceitos do Formulário Ortográfico:</p><p>91</p><p>92</p><p>“Quando a pausa coincide com o final da expres-</p><p>são ou sentença que se acha entre ASPAS, colo-</p><p>ca-se o competente sinal de pontuação depois</p><p>delas, se encerram apenas uma parte da propo-</p><p>sição; quando, porém, as ASPAS abrangem</p><p>todo o período, sentença, frase ou expressão, a</p><p>respectiva notação fica abrangida por elas:</p><p>“Aí temos a lei”, dizia o Florentino. “Mas quem as</p><p>há de segurar? Ninguém.”</p><p>(R. BARBOSA.)</p><p>“Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela</p><p>Claridade imortal, que toda a luz resume!”</p><p>(M. DE ASSIS)</p><p>6. Os parênteses ( )</p><p>1. Empregam-se os PARÊNTESES para interca-</p><p>lar num texto qualquer indicação acessória. Seja,</p><p>por exemplo:</p><p>a) uma explicação dada, uma reflexão, um</p><p>comentário à margem do que se afirma:</p><p>Os outros (éramos uma dúzia) andavam também</p><p>por essa idade, que é o doce-amargo subúrbio da</p><p>adolescência.</p><p>(P. MENDES CAMPOS)</p><p>Uma nota emocional, expressa geralmente em</p><p>forma exclamativa, ou interrogativa:</p><p>Havia a escola, que era azul e tinha</p><p>Um mestre mau, de assustador pigarro...</p><p>(Meu Deus! que é isto? que emoção a minha</p><p>Quando estas coisas tão singelas narro?)</p><p>(B. LOPES)</p><p>Observação:</p><p>Entre as explicações e as circunstâncias aces-</p><p>sórias que costumam ser escritas entre PARÊN-</p><p>TESES, incluem-se as referências a data, a indi-</p><p>cações bibliográficas, etc.:</p><p>“Boa noite, Maria! Eu vou-me embora.”</p><p>(CASTRO ALVES. Espumas Flutuantes, Bahia,</p><p>1870, p. 71)</p><p>2. Usam-se também os PARÊNTESES para isolar</p><p>orações intercaladas com verbos declarativos:</p><p>Uma vez (contavam) a polícia tinha conseguido</p><p>deitar a mão nele.</p><p>(A. DOURADO)</p><p>O que se faz mais frequentemente por meio de</p><p>vírgulas ou de travessões.</p><p>7. Os colchetes [ ]</p><p>Os COLCHETES são uma variedade de PARÊN-</p><p>TESES, mas de uso restrito. Empregam-se:</p><p>a) quando numa transcrição de texto alheio, o</p><p>autor intercala observações próprias, como nesta</p><p>nota de SOUSA DA SILVEIRA a um passo de</p><p>CASIMIRO DE ABREU:</p><p>Entenda-se, pois: “Obrigado! obrigado [pelo teu</p><p>canto em que] tu respondes [à minha pergunta</p><p>sobre o porvir (versos 11-12) e me acenas para</p><p>o futuro (versos 14 e 85), embora o que eu per-</p><p>cebo no horizonte me pareça apenas uma nuvem</p><p>(verso 15)].”</p><p>b) quando se deseja incluir, numa referência</p><p>bibliográfica, indicação que não conste da obra</p><p>citada, como neste exemplo:</p><p>ALENCAR, José de. O Guarani,</p><p>2 ed. Rio de Janeiro, B.</p><p>L. Garnier Editor [1864].</p><p>8. O travessão ( – )</p><p>Emprega-se principalmente em dois casos:</p><p>a) Para indicar, nos diálogos, a mudança de</p><p>interlocutor:</p><p>– Muito bom dia, meu compadre.</p><p>– Por que não apeia, compadre Vitorino?</p><p>– Estou com pressa. (J. LINS DO REGO)</p><p>a) Para isolar, num contexto, palavras ou frases.</p><p>Neste caso, usa-se geralmente o TRAVESSÃO</p><p>DUPLO:</p><p>92</p><p>93</p><p>Duas horas depois – a tempestade ainda domi-</p><p>nava a cidade e o mar – o “Canavieiras” ia encos-</p><p>tando no cais.</p><p>(J. AMADO)</p><p>Mas não é raro o emprego de um só TRAVES-</p><p>SÃO para destacar, enfaticamente, a parte final</p><p>de um enunciado:</p><p>Um povo é tanto mais elevado quanto mais se</p><p>interessa pelas coisas inúteis – a filosofia e a arte.</p><p>(J. AMADO)</p><p>Observação:</p><p>“Emprega-se o travessão, e não o hífen, para ligar</p><p>palavras ou grupo de palavras que formam, pelo</p><p>assim dizer, uma cadeia na frase: o trajeto Mauá-</p><p>-Cascadura; a estrada de ferro Rio-Petrópolis; a</p><p>linha aérea Brasil- Argentina; o percurso Barcas-</p><p>-Tijuca; etc.” (Formulário Ortográfico).</p><p>Atenção!</p><p>Luiz Antonio Sacconi</p><p>É preciso erradicar de vez a concepção errônea</p><p>de que existe em alguns espíritos de que não se</p><p>usa a vírgula antes de “e” em hipótese nenhuma.</p><p>A título de mera curiosidade, eis cinco casos de</p><p>emprego obrigatório da vírgula antes de “e”:</p><p>a) quando o ”e” equivale a “mas”, caso em que se</p><p>classifica como conjunção adversativa.</p><p>Exemplos:</p><p>“Quem cabritos vende, e cabras não têm, dalgu-</p><p>res lhe vêm.” (e = mas)</p><p>Juçara fuma, e não traga. (e=mas)</p><p>Todo político promete, e não cumpre. (e=mas)</p><p>b) quando o “e” dá início a outra oração no perí-</p><p>odo, sendo deferentes os sujeitos. Ex.:</p><p>Uma mão lava a outra, e a poluição suja as duas.</p><p>Os soldados ganham as batalhas, e os generais</p><p>recebem o crédito.</p><p>c) quando entre um sujeito e outro aparece um</p><p>termo imediatamente anterior separado por</p><p>vírgulas. Ex.:</p><p>A casa, muito antiga, e o edifício, moderníssimo,</p><p>formavam visível contraste.</p><p>d) nas frases deste tipo:</p><p>Dá-me um ponto de apoio, e suspenderei a terra</p><p>e o céu (Arquimedes)</p><p>Fala pouco e bem, e ter-te-ão por alguém!”</p><p>Essa vírgula é facultativa, dependendo da maior</p><p>ou menor necessidade de ênfase que se queira</p><p>transmitir à segunda oração.</p><p>e) quando se deseja pequena pausa para em</p><p>seguida dar ênfase ao termo imediatamente pos-</p><p>posto ao “e”.</p><p>Ex.:</p><p>Algumas coisas precisam ser esclarecidas,</p><p>e logo!</p><p>Os jovens querem ser fiéis, e não podem.</p><p>Os velhos querem ser infiéis, e não podem.</p><p>A referida pausa, nesses casos, é tão desejada e</p><p>significativa, que os autores modernos preferem</p><p>substituir a vírgula pelo ponto.</p><p>Ex.: Algumas coisas precisam ser esclarecidas.</p><p>E logo!</p><p>Em vez de vírgula e do ponto, pode aparecer</p><p>nesse caso o travessão, que sugere pausa maior</p><p>que a vírgula, porém.</p><p>Ex.: Um homem arrebata o primeiro beijo, suplica</p><p>pelo segundo, pede o terceiro, toma o quarto,</p><p>aceita o quinto – e aguenta todos os outros.</p><p>f) antes de vice-versa.</p><p>Ex.: As orações causais não aceitam normal-</p><p>mente os artifícios que se empregam para as</p><p>orações explicativas, e vice-versa.</p><p>g) antes do último membro de uma enumeração.</p><p>Ex.: O Brasil é o maior produtor mundial de</p><p>mamona;</p><p>o México produz muita prata, petróleo</p><p>e mercúrio, e o Chile é rico em cobre.</p><p>93</p><p>94</p><p>h) nos polissíndetos. Ex.: A criança chorava, e</p><p>berrava, e gritava, e esperneava, e fazia todo o</p><p>mundo louco!</p><p>i) antes das expressões E NEM, E NEM AO</p><p>MENOS, E NEM SEQUER. Ex.: Ela chegou, e</p><p>nem quis saber de nós.</p><p>CAIXA POSTAL</p><p>Num sobrescrito ou envelope e no cabeçalho das</p><p>correspondências, usa-se a vírgula após cada</p><p>elemento ou item. Ex.:</p><p>Nossa Editora,</p><p>Caixa Postal 1501 14 001, Ribeirão Preto, SP.</p><p>Depois de caixa postal não se usa a vírgula.</p><p>OBSERVAÇÕES</p><p>No endereço, com rua e número da casa, a</p><p>numeração não corresponde à ordem, porque</p><p>se pulam os números, portanto, há, de fato, um</p><p>aposto subentendido.</p><p>Exemplo:</p><p>Rua Marechal Deodoro, (casa de número) 155.</p><p>Casa de número: aposto subentendido.</p><p>Na numeração de apartamento, caixa postal,</p><p>sala, seção o número corresponde a uma ordem</p><p>sequencial, por isso não precisa da vírgula.</p><p>Ex.: apartamento 67, caixa postal 25, seção 4,</p><p>telefone 3622 9445, sala 7.</p><p>O poder da vírgula</p><p>Na Inglaterra, certa vez, um oficial foi conde-</p><p>nado à morte. Seu pedido de perdão recebeu a</p><p>seguinte sentença do rei:</p><p>Perdoar impossível, mandar para a forca!</p><p>Antes de a mensagem ser enviada ao verdugo,</p><p>passou pelas mãos da generosa rainha, que,</p><p>compadecida da sorte do oficial, tomou de uma</p><p>caneta e alterando a posição da vírgula, simples-</p><p>mente mudou o significado da mensagem:</p><p>Perdoar, impossível mandar para forca!</p><p>Na Antiguidade, um imperador estava indignado</p><p>com a população de uma cidade, sem dúvida, por</p><p>motivos políticos. O governador, então, passa-lhe</p><p>um telegrama:</p><p>Devo fazer fogo ou poupar a cidade?</p><p>A resposta do monarca foi:</p><p>Fogo, não poupe a cidade!</p><p>O telegrafista, por questões humanitárias ou por-</p><p>que qualquer outro motivo, trocou a posição da</p><p>vírgula. E a resposta ficou assim:</p><p>Fogo não, poupe a cidade!</p><p>OBSERVAÇÕES</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>94</p><p>95</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>RESUMOS</p><p>RESUMOS</p><p>ESTRUTURA DA PALAVRA</p><p>ESTRUTURA DA PALAVRA</p><p>95</p><p>96</p><p>FORMAÇÃO DE PALAVRAS</p><p>PRONOMES TIPOS</p><p>96</p><p>97</p><p>FORMAÇÃO DE PALAVRAS</p><p>PRONOMES TIPOS</p><p>PRONOMES CLASSIFICAÇÃO</p><p>97</p><p>98</p><p>98</p><p>99</p><p>VERBOS</p><p>CONJUNÇÕES COORDENATIVAS</p><p>99</p><p>100</p><p>CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS</p><p>100</p><p>101</p><p>ORAÇÕES COORDENADAS</p><p>ORAÇÕES SUBORDINADAS</p><p>CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS</p><p>101</p><p>102</p><p>REGÊNCIA VERBAL</p><p>CRASE</p><p>102</p><p>103</p><p>REGÊNCIA VERBAL</p><p>CRASE</p><p>COLOCAÇÃO PRONOMINAL</p><p>TERMOS DA ORAÇÃO</p><p>103</p><p>104</p><p>MÓDULO II</p><p>TEXTOS</p><p>104</p><p>105</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>GALILEU -CULTURA- MARILIA MARASCIULO</p><p>Quem foi Carolina Maria de Jesus, que completaria 105 anos em março</p><p>Ela foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil e é considerada uma das mais relevantes para a lite-</p><p>ratura nacional.</p><p>29 MAR 2019 - 15H06 |ATUALIZADO EM 29 MAR 2019 - 15H06</p><p>Negra, catadora de papel e favelada, 1Carolina Maria de Jesus foi uma autora improvável. Nasceu em</p><p>14 de março de 1914 em Sacramento, Minas Gerais, em uma comunidade rural, filha de pais analfabetos.</p><p>Foi maltratada durante a infância, 2mas aos sete anos frequentou a escola — em pouco tempo, aprendeu</p><p>a ler e escrever e desenvolveu o gosto pela leitura.</p><p>Em 1937, após a morte da mãe, ela mudou para São Paulo. Aos 33 anos, desempregada e grávida,</p><p>mudou-se para a favela do Canindé, na zona norte da capital paulista. Trabalhava como catadora de papel</p><p>e, nas horas vagas, registrava o cotidiano da favela em cadernos que encontrava no material que recolhia.</p><p>Um destes diários deu origem a seu primeiro livro, Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada, publi-</p><p>cado em 1960. A obra virou best-seller, foi vendida em 40 países e traduzida para 16 idiomas.</p><p>(...)</p><p>Texto adaptado, disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/03/quem-foi-carolina-maria-de-jesus-que-completaria-</p><p>-105-anos-em-marco.html, acesso em 22 de outubro de 2019.</p><p>1. (G1 - ifce 2020) A palavra grifada no trecho “... Carolina Maria de Jesus foi uma autora improvável”</p><p>(referência 1) equivale à</p><p>a) insólita.</p><p>b) promissora.</p><p>c) inesperada.</p><p>d) indubitável.</p><p>e) incrível.</p><p>2. (G1 - ifce 2020) É correto afirmar-se que o texto</p><p>a) expõe em detalhes as características da produção literária de Carolina Maria de Jesus.</p><p>b) concentra-se na apresentação da escritora brasileira, Carolina Maria de Jesus.</p><p>c) enumera as principais influências literárias sobre as primeiras escritoras negras do Brasil.</p><p>d) narra como se deu a descoberta e a publicação do primeiro livro de Carolina Maria de Jesus.</p><p>e) explica a importância de Carolina Maria de Jesus para a literatura nacional.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Considere o trecho a seguir para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>“Olhai, oh Senhor, os jovens nos postos de gasolina. Apiedai-vos dessas pobres criaturas, a desperdiçar as</p><p>mais belas noites de suas juventudes sentadas no chão, tomando Smirnoff Ice, entre bombas de combustível</p><p>e pães de queijo adormecidos. Ajudai-os, meu Pai: eles não sabem o que fazem. [...] As ruas são violentas,</p><p>é verdade, mas nem tudo está perdido.</p><p>[...]</p><p>TAREFA 01</p><p>105</p><p>106</p><p>Salvai-me do preconceito e da tentação, oh Pai, de dizer que no meu tempo tudo era lindo, maravilhoso.</p><p>[...] Talvez exista alguma poesia em passar noite após noite sentado na soleira de uma loja de conve-</p><p>niência, e desfilar com a chave do banheiro e sua tabuinha, em gastar a mesada em chicletes e palha</p><p>italiana. Explica-me o mistério, numa visão, ou arrancai-os dali. É só o que vos peço, humildemente, no</p><p>ano que acaba de nascer. Obrigado, Senhor.”</p><p>PRATA, Antônio. Conveniência. O Estado de S. Paulo, 11 jan. 2008.</p><p>3. (Ufms 2020) Assinale a alternativa correta quanto ao texto lido.</p><p>a) O texto apresenta sequências injuntivas que o aproximam de uma oração, ou seja, nota-se a presença</p><p>de um ser suplicante e de um ser a quem a prece é dirigida.</p><p>b) O ser suplicante discorda totalmente dos comportamentos dos jovens</p><p>a quem se refere no discurso,</p><p>de modo que ele reconhece em si mesmo um bom exemplo a ser seguido.</p><p>c) Embora haja a presença de ironia no texto, esse recurso só se manifesta no primeiro parágrafo; ao</p><p>longo dos demais, percebe-se a ocorrência de comparações e de metonímias.</p><p>d) O ser suplicante parece ter familiaridade com a rotina do ambiente e dos sujeitos que o frequentam, o</p><p>que nos autoriza a deduzir que não há intenção de construir discurso crítico ao comportamento descrito.</p><p>e) Ao mesclar os gêneros – oração e crônica –, o autor prejudica o entendimento das ideias contidas no</p><p>texto, tornando-o incoerente.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Daniel Munduruku: “Eu não sou índio, não existem índios no Brasil”</p><p>– 1Peço licença para entrar no território de vocês. 2Eu venho questionar esse olhar quadrado que o oci-</p><p>dente desenvolveu e que exclui olhares circulares.</p><p>Foi assim que Daniel Munduruku deu início à sua fala histórica na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre,</p><p>trazendo a oralidade e a ancestralidade de seu povo em uma hora de conversa. (...) Doutor em Educação</p><p>pela USP, Pós-Doutor em Literatura pela Universidade de São Carlos e autor de 52 livros, Daniel iniciou</p><p>sua fala desconstruindo o imaginário que a média da população brasileira tem em relação</p><p>à palavra “índio” e a sua carga simbólica.</p><p>– Quando leem minha biografia, dizem que</p><p>não sou mais índio, que já sou “civilizado”.</p><p>Eu não sou índio e não existem índios no</p><p>Brasil. Essa palavra não diz o que eu sou, diz</p><p>o que as pessoas acham que eu sou. Essa</p><p>palavra não revela minha identidade, revela</p><p>a imagem que as pessoas têm e que muitas</p><p>vezes é negativa.</p><p>Segundo o escritor, há dois conceitos no imaginário da sociedade brasileira intrínsecos a esta palavra: o</p><p>olhar romântico, do “índio” que vive no meio do mato, e o aspecto ideológico que considera que 3“índios</p><p>são preguiçosos e atrasam o progresso”. Esse imaginário, fruto do pensamento ocidental e colonizador,</p><p>criou um achatamento da riqueza cultural brasileira, explicou Daniel.</p><p>– Quando a gente chama alguém de índio, não ofende só uma pessoa, ofende culturas que existem há</p><p>milhares de anos. 4Esse olhar linear empobrece nossa experiência de humanidade. A gente defende um</p><p>sistema de vida que tem dado certo há 3 mil anos – afirmou.</p><p>106</p><p>107</p><p>Um dos 307 povos indígenas do país, o povo Munduruku vive no Pará, Amazonas e Mato Grosso. Segundo</p><p>Daniel, há cerca de 15 mil pessoas da etnia Munduruku no Brasil.</p><p>– No dia 19 de abril, a gente comemora um equívoco, 5porque se esconde a diversidade de povos que</p><p>existem no Brasil. Cada povo cria seu modo de estar no mundo a partir da cultura, que é alimentada</p><p>pela língua que ele fala. E cada povo tem suas tradições, sua crença, cultura, política e economia. Nós</p><p>aprendemos que só existe a língua portuguesa por aqui, né? Mas no Brasil existem 307 línguas muito</p><p>antigas e diferentes entre si. E a língua é uma leitura de mundo. Quando a gente generaliza e diz que “o</p><p>índio chama casa de oca”, imediatamente a gente está esquecendo que oca é apenas um jeito de falar.</p><p>E essas línguas são tão diferentes entre si quanto o português é diferente do chinês. Se um Kaingang</p><p>fala a língua dele, eu não sei para onde vai, porque é de um tronco linguístico diferente. Aí vocês podem</p><p>entender porque o povo tupi (que é o meu caso, o povo Munduruku é tupi) se organiza de um jeito e</p><p>porque o povo Kaingang, que é do tronco Macro-Je, se organiza de outro jeito.</p><p>O autor também criticou o uso da palavra “tribo” para se referir às aldeias e etnias, já que ela significa</p><p>apenas um pedaço de um povo. Já a palavra “índio” não tem relação alguma com o verdadeiro significado</p><p>dos povos originários do Brasil. Ao ser perguntado sobre a maneira mais adequada de tratamento, Daniel</p><p>defendeu o uso da palavra “indígena”, que significa “nativo”, e pediu também que sejam consideradas</p><p>as etnias.</p><p>http://www.nonada.com.br/2017/11/daniel-munduruku-eu-nao-sou-indio-nao-existem-indios-no-brasil/ Acessado em 03/08/2019.</p><p>4. (G1 - cotil 2020) Considerando-se a fala de Munduruku no fragmento “Eu venho questionar esse</p><p>olhar quadrado que o ocidente desenvolveu e que exclui olhares circulares” (ref. 2), pode-se dizer que o</p><p>entrevistado tem como objetivo:</p><p>a) expor as características dos povos indígenas no Brasil e, dessa forma, ser reconhecido como um</p><p>especialista no assunto.</p><p>b) criticar as comemorações do dia 19 de abril, defendendo que faltam razões concretas para a celebração.</p><p>c) esclarecer o conceito de “índio”, pelo uso da língua, para defender o caráter de povos como civilizações,</p><p>em contrapartida a visões preconcebidas.</p><p>d) defender que o termo “índio” seja substituído por “indígena” já que o que importa é a etnia, que é a</p><p>mesma para todos.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:</p><p>Como o comportamento de manada explica adesão impensada aos ativismos políticos</p><p>O ativismo se expressa, sobretudo, através de movimentos coletivos. Mas essa própria noção de</p><p>coletividade pode ser uma pressão para pessoas participarem de um movimento simplesmente para</p><p>sentirem que fazem parte de algo: a chamada “mob mentality” ou comportamento de manada é um ins-</p><p>trumento político e uma arma para promover a agenda de grupos específicos.</p><p>A teoria psicológica de “comportamento de manada” sugere que seres humanos têm maior proba-</p><p>bilidade de adotar determinados comportamentos porque seus amigos, colegas de trabalho e vizinhos</p><p>já o adotam. Basicamente, ninguém quer ser o primeiro ou o último a fazer algo, mas sim estar seguro</p><p>e inserido em um determinado grupo social.</p><p>“Se a questão é o que fazer com uma caixa de pipoca vazia em um cinema, com que rapidez dirigir</p><p>em um determinado trecho de rodovia ou como comer o frango em um jantar, as ações das pessoas</p><p>ao nosso redor serão importantes para definir nossa resposta”, diz o psicólogo Robert Cialdini, autor de</p><p>“Influência: A Psicologia da Persuasão”.</p><p>A mesma lógica se aplica a ideologias políticas: um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley</p><p>107</p><p>108</p><p>constatou que as pessoas tendem a alinhar suas opiniões políticas às do grupo em que estão inseridas.</p><p>O experimento reuniu 63 pessoas de duas cidades do Colorado: o primeiro de Boulder, um município com</p><p>maioria de esquerda, enquanto o outro reunia pessoas de Colorado Springs. Ambos os grupos discutiram</p><p>aquecimento global, ações afirmativas e união civil para casais do mesmo sexo.</p><p>Nas duas discussões, o principal efeito foi tornar os membros do grupo mais extremos em suas opini-</p><p>ões, comparado ao que eram antes de começarem a conversar. Ou seja: progressistas se tornaram mais</p><p>progressistas nas três questões, enquanto conservadores se tornaram mais conservadores.</p><p>“Todos queremos tomar decisões melhores. Estudos identificam os papéis benéficos das estruturas de</p><p>diversidade de pensamento, subgrupo e liderança plana na otimização de ideias e resolução de problemas”,</p><p>diz Zac Baynham-Herd, analista da prática de ciências comportamentais da Ogilvy Consulting. “À medida</p><p>que a atividade online cresce, o potencial de proliferação de ‘ovelhas negras’ e ‘comportamento de manada’</p><p>também aumenta”, acrescenta.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2019. Publicado em 22 set. 2019. [Fragmento adaptado].</p><p>5. (Acafe 2020) Com base no texto, conclui-se que:</p><p>a) aquecimento global, ações afirmativas e união civil para casais do mesmo sexo são temas sobre os quais</p><p>não é possível constatar o “comportamento de manada”.</p><p>b) entre os animais, as ovelhas negras têm típico “comportamento de manada”.</p><p>c) o comportamento de manada ocorre quando as pessoas se sentem inseguras e, por isso, assumem</p><p>posições políticas contrárias às da maioria do grupo social a que pertencem.</p><p>d) os moradores de Boulder são mais progressistas do que os moradores da cidade de Colorado</p><p>Springs.</p><p>6. (Acafe 2020) Assinale a pergunta que pode ser respondida corretamente com base no texto.</p><p>a) O que é preciso fazer para ser um líder de comportamento social?</p><p>b) Por que o comportamento de manada regride à medida que aumenta o acesso a redes sociais?</p><p>c) Em que regiões do mundo as pessoas são mais sujeitas ao “mob mentality”?</p><p>d) Qual foi a conclusão a que chegaram os estudiosos da Universidade de Berkeley sobre o comportamento</p><p>de manada?</p><p>7. (Acafe 2020) Assinale a alternativa que melhor resume o texto.</p><p>a) O comportamento de manada pode levar as pessoas a participarem de uma ação simplesmente porque</p><p>simplifica ideias complexas — o que deveriam ser as pautas dos movimentos sociais.</p><p>b) O comportamento de manada, que significa a adoção de posições convergentes com as posições da</p><p>maioria de um grupo de pessoas, tem sido usado para promover a agenda política de grupos específicos.</p><p>c) O perigo do comportamento de manada é que dá permissão para atitudes que os indivíduos, sozinhos,</p><p>provavelmente não assumiriam, como por exemplo participar de bullying ou agredir pessoas.</p><p>d) O comportamento das multidões políticas do momento presente é um exercício de simplificação radical,</p><p>que decompõe ativamente todos os elementos da individualidade e da civilização.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Leia o texto a seguir e responda.</p><p>8. (G1 - cotuca 2020) Essa imagem foi fotografada em um banheiro público e apresenta uma frase de autor</p><p>desconhecido. Qual das alternativas a seguir melhor analisa a informalidade da linguagem da frase, carac-</p><p>terística do contexto apresentado, em relação à norma padrão?</p><p>TAREFA 02</p><p>108</p><p>109</p><p>TAREFA 02</p><p>a) Uso da palavra “você”, cuja grafia não é a forma-</p><p>lizada pelos dicionários.</p><p>b) Uso da palavra “te”, que já caiu em desuso e não</p><p>é recomendada em textos formais.</p><p>c) Ausência de vírgulas na frase, com a construção</p><p>de uma frase muito longa.</p><p>d) Uso das palavras “te” e “você” num mesmo texto,</p><p>misturando as pessoas verbais.</p><p>e) Uso da palavra “vê”, por estar conjugada no modo</p><p>imperativo.</p><p>9. (G1 - cotuca 2020) A informalidade da linguagem</p><p>usada na frase pode ter como objetivo:</p><p>a) alterar as características próprias do espaço onde</p><p>ela foi registrada.</p><p>b) aproximar autor e leitor, para que o objetivo da</p><p>frase seja atingido.</p><p>c) construir um deboche do leitor, que se sentiria</p><p>feliz ao ler o texto.</p><p>d) satirizar frases de banheiro que trazem sentidos</p><p>pejorativos.</p><p>e) apresentar uma linguagem mais atual, para atingir</p><p>apenas os jovens.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:</p><p>Leia o texto a seguir e responda.</p><p>A palavra slam é uma onomatopeia da língua inglesa utilizada para indicar o som de uma “batida” de porta</p><p>ou janela, seja esse movimento leve ou abrupto. Algo próximo do nosso “pá!” em língua portuguesa. A ono-</p><p>matopeia foi emprestada por Marc Kelly Smith, um trabalhador da construção civil e poeta, para nomear</p><p>o Uptown Poetry Slam, evento poético que surgiu em Chicago, em 1984. O termo slam é utilizado para se</p><p>referir às finais de torneios de baseball, tênis, bridge, basquete, por exemplo. Smith nomeou também slam</p><p>os campeonatos de performances poéticas que organizava e no qual os slammers (poetas) eram avaliados</p><p>com notas pelo público presente, inicialmente em um bar de jazz em Chicago, depois nas periferias da</p><p>cidade. A iniciativa “viralizou”, como se diz hoje, contagiando outras cidades dos Estados Unidos e, mais</p><p>tarde, ganhou o mundo. Poesia é o mundo.</p><p>Adaptado de NEVES, C. A. B. Slams - letramentos literários de reexistência ao/no mundo contemporâneo. Linha D’Água (Online), São Paulo, v.</p><p>30, n. 2, p. 92-112, out. 2017 Linha D’Água (Online), São Paulo, v. 30, n. 2, p. 92-112, out. 2017. Acesso em 18/07/2019.</p><p>10. (G1 - cotuca 2020) “Smith nomeou também slam os campeonatos de performances poéticas que orga-</p><p>nizava e no qual os slammers (poetas) eram avaliados com notas pelo público presente, inicialmente em</p><p>um bar de jazz em Chicago, depois nas periferias da cidade”. Sobre o trecho reproduzido, é possível afirmar</p><p>que o sujeito do verbo “organizava” é:</p><p>a) “Smith”</p><p>b) “Slam”</p><p>c) “Slam” e “campeonatos de performances poéticas”</p><p>d) “campeonatos de performances poéticas”</p><p>e) “performances poéticas”</p><p>109</p><p>110</p><p>11. (G1 - cotuca 2020) De acordo com o texto, “slam” é uma palavra</p><p>a) que pode ser traduzida, em português, por “evento esportivo”.</p><p>b) usada em algumas modalidades esportivas.</p><p>c) criada em bares de jazz de Chicago.</p><p>d) que, em português, significa “porta que bate”.</p><p>e) característica de meios musicais, principalmente de jazz.</p><p>12. (G1 - cotuca 2020) Qual dessas afirmativas melhor interpreta o texto apresentado?</p><p>a) Ao denominar “slam” os eventos poéticos, Smith retomou a avaliação do público neles presente.</p><p>b) A ambientação em bares de jazz fez os slammers se tornarem campeonatos de poesia.</p><p>c) A mudança dos slams dos bares de jazz de Chicago para as periferias da cidade foi responsável pela</p><p>“viralização” do evento nos Estados Unidos.</p><p>d) A avaliação do público tornava os slams populares, o que os levou a “viralizarem” pelo mundo.</p><p>e) A referência à batida de uma janela fez do slam uma espécie de “janela para o mundo”.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:</p><p>Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor desconhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao</p><p>artista holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas,</p><p>aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador.</p><p>Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que estivessem.</p><p>Começaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo.</p><p>Seu plano era de uma simplicidade diabólica. Não faria como outros destruidores de telas que entram</p><p>num museu armados de facas e atiram-se às obras, tentando destruí-las; tais insanos não apenas não</p><p>conseguem seu intento, como acabam na cadeia. Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados</p><p>absolutamente insuspeitados: os cupins.</p><p>Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era necessário treinar os cupins para que atacassem</p><p>as telas de Van Gogh. Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções das telas do artista, em</p><p>tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a</p><p>diferenciar tais obras de outras.</p><p>Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh. Para ele</p><p>era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava.</p><p>Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do que aconteceria. Sua decepção, contudo,</p><p>foi enorme. Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio,</p><p>feitas de madeira absolutamente vulgar. E por isso foram detectados.</p><p>O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É verdade</p><p>que alguns insetos foram encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe serviu de consolo.</p><p>Suspeitava que os sádicos cupins estivessem querendo apenas debochar dele. Cupins e Van Gogh, era</p><p>tudo a mesma coisa.</p><p>(O imaginário cotidiano, 2002.)</p><p>13. (Unifesp 2020) “Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas,</p><p>aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador.” (1º parágrafo)</p><p>Ao se transpor o trecho para o discurso indireto, os termos sublinhados assumem a seguinte redação:</p><p>a) existirem, pode, meu.</p><p>b) existissem, poderia, seu.</p><p>c) existiam, puderem, meu.</p><p>110</p><p>111</p><p>d) existem, poderei,</p><p>dele.</p><p>e) tenham existido, terá podido, seu.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:</p><p>Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o trecho do livro O homem cordial, de Sérgio Buarque de</p><p>Holanda.</p><p>Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade</p><p>— daremos ao mundo o “homem cordial”. A 1lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão</p><p>gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro,</p><p>na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio</p><p>humano, informados no meio rural e patriarcal. Seria engano supor que essas virtudes possam significar</p><p>“boas maneiras”, civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente</p><p>rico e transbordante. Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo — ela pode exprimir-se em mandamentos</p><p>e em sentenças. Entre os japoneses, onde, como se sabe, a polidez envolve os aspectos mais ordinários</p><p>do convívio social, chega a ponto de confundir-se, por vezes, com a reverência religiosa. Já houve quem</p><p>notasse este fato significativo, de que as formas exteriores de veneração à divindade, no cerimonial xintoísta,</p><p>não diferem essencialmente das maneiras sociais de demonstrar respeito.</p><p>Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida do que o brasileiro. Nossa forma ordi-</p><p>nária de convívio social é, no fundo, justamente o contrário da polidez. Ela pode iludir na aparência — e</p><p>isso se explica pelo fato de a atitude polida consistir precisamente em uma espécie de mímica deliberada</p><p>de manifestações que são espontâneas no “homem cordial”: é a forma natural e viva que se converteu em</p><p>fórmula. Além disso a polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a sociedade. Detém-se na</p><p>parte exterior, epidérmica do indivíduo, podendo mesmo servir, quando necessário, de peça de resistência.</p><p>Equivale a um disfarce que permitirá a cada qual preservar intatas sua sensibilidade e suas emoções.</p><p>Por meio de semelhante padronização das formas exteriores da cordialidade, que não precisam ser</p><p>legítimas para se manifestarem, revela-se um decisivo triunfo do espírito sobre a vida. Armado dessa más-</p><p>cara, o indivíduo consegue manter sua supremacia ante o social. E, efetivamente, a polidez implica uma</p><p>presença contínua e soberana do indivíduo.</p><p>No “homem cordial”, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele</p><p>sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua</p><p>maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que</p><p>no brasileiro — como bom americano — tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros.</p><p>(O homem cordial, 2012.)</p><p>1lhaneza: afabilidade.</p><p>14. (Unifesp 2020) Aproxima-se do argumento exposto no último parágrafo do texto a seguinte citação do</p><p>filósofo Friedrich Nietzsche:</p><p>a) “O amor a um único ser é uma barbaridade: pois é praticado às expensas de todos os outros.”</p><p>b) “Não há no mundo amor e bondade bastantes para que ainda possamos dá-los a seres imaginários.”</p><p>c) “Vosso mau amor por vós mesmos vos faz do isolamento um cativeiro.”</p><p>d) “O amor perdoa ao ser amado até o desejo.”</p><p>e) “O medo promoveu mais a compreensão geral dos homens que o amor.”</p><p>15. (Unifesp 2020) Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:</p><p>a) “Detém-se na parte exterior, epidérmica do indivíduo, podendo mesmo servir, quando necessário, de</p><p>peça de resistência.” (2º parágrafo)</p><p>b) “Entre os japoneses, onde, como se sabe, a polidez envolve os aspectos mais ordinários do convívio</p><p>social” (1º parágrafo)</p><p>111</p><p>112</p><p>c) “São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante.” (1º</p><p>parágrafo)</p><p>d) “Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida do que o brasileiro.” (2º parágrafo)</p><p>e) “Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo — ela pode exprimir-se em mandamentos e em sentenças.”</p><p>(1º parágrafo)</p><p>16. (Unifesp 2020) De acordo com o autor,</p><p>a) a lhaneza no trato, a hospitalidade e a generosidade são traços constitutivos da civilidade do brasileiro.</p><p>b) a polidez constitui uma espécie de máscara com a qual os brasileiros continuamente se defendem da</p><p>sociedade.</p><p>c) a polidez observada no convívio social entre brasileiros chega quase a se confundir com a veneração</p><p>religiosa.</p><p>d) a lhaneza no trato, a hospitalidade e a generosidade constituem quase mandamentos impostos pela</p><p>sociedade brasileira.</p><p>e) a polidez constitui uma qualidade íntima dos brasileiros a se manifestar continuamente no convívio social.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:</p><p>COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO DOS HUMANOS NO FUTURO?</p><p>Adaptado de Maria Luciana Rincon</p><p>Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita gente prevê</p><p>que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem precedentes. Aliás, segundo os</p><p>mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do ano 2050 seremos testemunhas de uma</p><p>onda de fome que poderá afetar todo o planeta.</p><p>Algumas estimativas apontam que dentro de apenas uma ou duas gerações a população mundial terá</p><p>aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se concentrará em grandes</p><p>centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso encontrar formas de fazer com que</p><p>os alimentos cheguem até essas áreas e supram as necessidades de todos.</p><p>Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a iminente crise de</p><p>alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja uma mudança na dieta e,</p><p>para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um período de 25 anos, a alimentação</p><p>humana se baseará principalmente em produtos altamente processados e — diferente dos itens disponíveis</p><p>hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.</p><p>1Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por mais tempo,</p><p>além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os alimentos atuais,</p><p>alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em produtos processados, logo</p><p>imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções mais equilibradas existem, mas não</p><p>agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.</p><p>Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de desenvolver produtos</p><p>processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema para o futuro é o consumo de</p><p>carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como cara e ineficiente e, no futuro, com a já</p><p>prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses produtos se tornarão economicamente inviáveis.</p><p>Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas, dando lugar à</p><p>ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros ingredientes que garantirão o</p><p>sabor e o valor nutricional dos alimentos.</p><p>TAREFA 03</p><p>112</p><p>113</p><p>TAREFA 03</p><p>2Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir refeições e,</p><p>de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem suas criações culinárias</p><p>e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o desenvolvimento de tecnologias que</p><p>permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes</p><p>e compostos alimentares bioativos.</p><p>E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois, conforme explicou,</p><p>animais como frangos</p><p>e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos cultivados industrialmente.</p><p>Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, 3com uma população</p><p>mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda essa gente — e ao</p><p>mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada fácil.</p><p>Disponível:. Acesso em 04</p><p>de out. de 2019</p><p>17. (G1 - cmrj 2020) Uma preocupação semelhante entre o texto publicitário abaixo e o texto de Maria</p><p>Luciana Rincón é :</p><p>a)</p><p>o</p><p>incentivo ao consumo de orgânicos.</p><p>b) a inovação de tecnologias de produção.</p><p>c) a importância da produção de proteína animal.</p><p>d) a força da imagem na comercialização de alimentos.</p><p>e) o cuidado do consumidor com produtos processados.</p><p>113</p><p>114</p><p>18. (G1 - cmrj 2020) O bicho</p><p>Vi ontem um bicho</p><p>Na imundície do pátio</p><p>Catando comida entre os detritos.</p><p>Quando achava alguma coisa,</p><p>Não examinava nem cheirava:</p><p>Engolia com voracidade.</p><p>O bicho não era um cão,</p><p>Não era um gato,</p><p>Não era um rato.</p><p>O bicho, meu Deus, era um homem.</p><p>BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.</p><p>No verso “Engolia com voracidade”, do poema O bicho, a ideia expressa encontra correspondência com o</p><p>primeiro parágrafo do texto Como será a alimentação dos humanos no futuro?, uma vez que revela a</p><p>a) diminuição de áreas plantadas.</p><p>b) consumo de produtos processados.</p><p>c) concorrência por comida disponível.</p><p>d) alteração no ritmo de produção de alimentos.</p><p>e) crítica aos hábitos alimentares nos centros urbanos.</p><p>19. (G1 - cmrj 2020) Algumas palavras são usadas para referir-se a termos ou a expressões do texto, esta-</p><p>belecendo entre eles relações de sentido e evitando repetições. Observe essa relação no parágrafo abaixo:</p><p>“Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir refeições e, de</p><p>acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem suas criações culinárias</p><p>e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o desenvolvimento de tecnologias que</p><p>permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes</p><p>e compostos alimentares bioativos.” (referência 2)</p><p>A análise do elemento coesivo destacado no fragmento está correta em</p><p>a) “o cientista” retoma “ele”.</p><p>b) “esses dispositivos” substituiu “equipamentos 3D”.</p><p>c) “suas” substitui “criações culinárias e comidas”.</p><p>d) “ele” substitui “o emprego”.</p><p>e) “que” refere-se às “calorias”.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Acolhimento a refugiados é destaque em projeto da UFF</p><p>Na entrevista a seguir, a professora Ângela Magalhães Vasconcelos fala sobre o Laboratório de Políticas</p><p>Públicas, Migrações e Refúgio, do qual é coordenadora. Os refugiados, segundo a pesquisadora, deixam</p><p>seus países de origem de várias maneiras, que podem incluir, além do pagamento efetuado aos coiotes</p><p>(pessoas que cobram para atravessar emigrantes irregulares), também a submissão às práticas violentas</p><p>diversas impostas pelos traficantes humanos, já no novo país. A celebração do Dia Mundial do Refugiado,</p><p>114</p><p>115</p><p>em 20 de junho, serviu para sensibilizar sobre uma temática real, que envolve pessoas, perdas e traumas,</p><p>bem como chamar atenção sobre o crescimento dos fluxos migratórios de homens, mulheres e crianças, que</p><p>apontam para uma endêmica1 pobreza apátrida, muitas vezes consequência também dos efeitos climáticos.</p><p>Há programas assistenciais governamentais para refugiados?</p><p>Ângela Vasconcelos – Existem programas específicos na rede pública. Entre 2012 e 2013, elaborei um</p><p>projeto de pesquisa sobre os Programas de Transferência de Renda no Brasil, especificamente o Programa</p><p>Bolsa Família (PBF). Na ocasião, verifiquei que não havia registro específico no CADÚnico (cadastramento</p><p>de pessoas de baixa renda para serem beneficiadas por programas sociais) sobre os solicitantes de refúgio</p><p>ou refugiados. Era um momento em que o mundo e o Brasil observavam um aumento nos fluxos migratórios.</p><p>Essa realidade continua. Para se desenhar políticas são necessários números e apesar de termos dados</p><p>sobre pessoas refugiadas da Polícia Federal, IBGE, Conare e aqueles repassados por instituições não</p><p>governamentais, eles não estão refinados e são insuficientes, principalmente nos municípios e suas regiões.</p><p>O estado do Rio de Janeiro está preparado para atender aos refugiados?</p><p>Ângela Vasconcelos – Os refugiados vêm sendo atendidos nas redes públicas de saúde, educação, etc.</p><p>Entretanto, como todos nós, enfrentam também a precarização dos serviços públicos. Isso tudo agravado</p><p>pelos problemas na comunicação, pois muitos ainda não dominam a língua portuguesa. Há demandas pecu-</p><p>liares que apresentam em virtude dos motivos que os trouxeram para cá e pelo fato de muitos funcionários</p><p>públicos desconhecerem os direitos dessas pessoas. Existem raríssimas prefeituras investindo em proces-</p><p>sos de qualificação de gestores e servidores para atender aos refugiados. A questão da moradia também</p><p>é um sério problema pelo alto custo. 2Muitas pessoas acabam dividindo o aluguel de espaços pequenos,</p><p>forçando a migrarem cada vez mais para as periferias, onde os aluguéis são mais baratos. Além disso, eles</p><p>acabam participando de movimentos por moradia.</p><p>Como a população vem acompanhando a chegada dos refugiados em solo brasileiro?</p><p>Ângela Vasconcelos – De um lado se observa uma xenofobia aos muçulmanos, porque há uma ideia de</p><p>que eles disseminam terrorismo. (...) De outro, vejo e vivencio o acolhimento e o compromisso da integração</p><p>com autonomia e respeito aos aspectos multiculturais. Ainda ouço e vivencio situações de (re)vitimização</p><p>das pessoas em relação aos refugiados, mas eles têm direitos, compromissos e efetivamente são capazes,</p><p>com acolhimento, proteção e acompanhamento, de seguir em frente e de construir novas histórias.</p><p>(Adaptado de: PESSANO, Jorge. Acolhimento a refugiados é destaque em projeto da UFF. 29 jun. 2017. Disponível em: http://www.uff.br/?q=-</p><p>noticias/29-06-20171acolhimento-refugiados-e-destaque-em-projeto-da-uff. Acesso em: 8 set. 2019</p><p>Vocabulário</p><p>1 Endémico: constante, que não passa.</p><p>20. (G1 - cftrj 2020) No texto, releia a segunda resposta da professora Ângela Vasconcelos ao entrevista-</p><p>dor Jorge Pessano. Dentre os recursos coesivos empregados para dar fluidez ao texto e evitar repetição</p><p>desnecessária da palavra “refugiados”, destaca-se:</p><p>a) a ironia</p><p>b) a metáfora</p><p>c) a homonímia</p><p>d) a elipse</p><p>21. (G1 - cftrj 2020) Observe o trecho abaixo, retirado do texto:</p><p>“Muitas pessoas acabam dividindo o aluguel de espaços pequenos, forçando a migrarem cada vez mais</p><p>para as periferias, onde os aluguéis são mais baratos. Além disso, eles acabam participando de movimentos</p><p>por moradia.” (ref. 2)</p><p>115</p><p>116</p><p>As locuções verbais acima sublinhadas, formadas por uma estrutura cada vez mais usada coloquialmente,</p><p>expressam, na fala da entrevistada,</p><p>a) ação hipotética</p><p>b) resultado inevitável</p><p>c) passado recente</p><p>d) causa absurda</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O texto a seguir é um trecho de um slam transcrito a partir da performance de sua autora, Midria, em um</p><p>programa de televisão da TV Cultura. Leia-o e responda.</p><p>Eu tenho um problema: meu ascendente é em Áries.</p><p>E eu tenho outro problema: é que eu sou a menina que nasceu sem cor.</p><p>Pra alguns eu sou “preta”, para outras eu sou Preta, para muitos e muitos eu sou parda.</p><p>(...) Eu sou a menina que nasceu sem cor porque eu nasci num país sem memória, com amnésia,</p><p>que apaga da história todos os seus símbolos de resistência negra,</p><p>que embranquece a sua população e trajetória a cada brecha,</p><p>(...) E eu tenho outro problema...</p><p>pô, eu não sei dar cambalhota</p><p>e não importa que pra alguns eu seja a menina que nasceu sem cor,</p><p>que falte melanina pra minha pele ser retinta, que os meus traços não sejam tão marcados.</p><p>O colorismo é uma política de embranquecimento do Estado</p><p>que por muito tempo fez com que eu odiasse meus traços genéticos do meu pai herdados.</p><p>Me odiasse, me mutilasse, meu cabelo alisasse.</p><p>Meninas pretas não brincam com bonecas pretas,</p><p>mas faço questão de botar no meu texto</p><p>que pretas e pretos estão se armando, se amando,</p><p>porque me chamam por aí de parda, morena,</p><p>moreninha, mestiça, mulata,</p><p>café com leite, marrom bombom...</p><p>Por muito tempo eu fui a menina que nasceu sem cor,</p><p>até que um dia gritaram-me: NEGRA.</p><p>E eu respondi.</p><p>(MIDRIA, 2018)</p><p>22. (G1 - cotuca 2020) As alternativas abaixo são trechos extraídos de uma entrevista de Midria, autora do</p><p>slam “A menina que nasceu sem cor”, para o blog “Como eu escrevo”.</p><p>(fonte: https://comoeuescrevo.com/midria-da-silva-pereira/).</p><p>Qual das alternativas melhor retrata a temática presente no slam “A menina que nasceu sem cor”?</p><p>a) Meu ritual de preparação para a escrita talvez seja a vida em si. Me entregar aos momentos que surgem</p><p>e, se rolar, escreviver por eles, como diz a Conceição Evaristo.</p><p>b) Antes de escrever “A menina que nasceu sem cor”, eu não tinha nada a perder e, depois que escrevi,</p><p>continuei não tendo. A viralização que essa poesia teve é uma dádiva sem fim, que eu valorizo, mas que</p><p>não era a minha meta primeira.</p><p>c) Se eu escrevo, é, antes de qualquer coisa, pra fazer sentido pra mim mesma. Se não tô escrevendo,</p><p>provavelmente é porque não tô com muita coisa pra dizer ou ainda não passei pelos processos necessários</p><p>para sintetizar minhas vivências em poesia.</p><p>116</p><p>117</p><p>d) Minha poesia é bem personalista, quase sempre na primeira pessoa. Sou eu contando minha história,</p><p>sobre ser da periferia, sobre descobrir minha negritude, sobre descobrir meu prazer, minha autonomia sobre</p><p>minha estética, e o que mais fizer sentido partilhar.</p><p>e) Acho que, ao longo dos anos, assim como eu amadureci, minha escrita floresceu também. Meus textos</p><p>se tornaram mais profundos, com mais referências e uma mensagem mais madura.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Racismo contra imigrantes no Brasil é constante, diz pesquisador</p><p>Na tese Dois Séculos de Imigração no Brasil: A Construção da Identidade e do Papel dos Estrangeiros</p><p>pela Imprensa entre 1808 e 2015, [o pesquisador Gustavo] Barreto analisou a cobertura do tema em jornais</p><p>como O Globo, O Estado de S. Paulo, Folha da Manhã (hoje Folha de S. Paulo), Correio da Manhã, O País</p><p>e Gazeta do Rio de Janeiro ao longo de 207 anos.</p><p>Em entrevista à BBC Brasil, ele explica como os termos são usados de forma diferente na imprensa. “O</p><p>refugiado é sempre negativo, um problema grave a ser discutido. O imigrante é uma questão a ser avaliada,</p><p>pode ser algo positivo ou negativo, mas em geral a visão é de algo problemático. Já o estrangeiro é sempre</p><p>positivo, inclusive melhor do que o brasileiro. É alguém com quem podemos aprender”, diz.</p><p>Veja os principais trechos da entrevista:</p><p>Quanto ao racismo, é possível identificar avanços? Como tem sido a cobertura da chegada de imi-</p><p>grantes haitianos e bolivianos ao Brasil, mais recentemente?</p><p>Barreto – O racismo era algo natural e aceitável no século 19, incluindo o destaque às ideias de supremacia</p><p>de raças, entre 1870 até o governo Vargas. A partir da Segunda Guerra, os grupos começam a ser valori-</p><p>zados. Judeus, alemães e italianos no Brasil começam a recontar sua história, assim como os japoneses,</p><p>depois de um momento muito difícil. Após as cartas de direitos humanos, os valores eugenistas1 já não são</p><p>mais declarados, o que é um avanço.</p><p>Mais recentemente, o país passou a receber um número considerável de bolivianos e haitianos. Mas tam-</p><p>bém chegam portugueses e espanhóis. A imprensa, no entanto, costuma destacar muito os problemas</p><p>que os haitianos trazem, e rapidamente começa a ser construída uma visão de que eles são um problema.</p><p>Enquanto isso, os imigrantes europeus recentes são valorizados por sua cultura e contribuição ao Brasil.</p><p>Contribuições culturais ou produtivas dos haitianos e bolivianos, que têm uma riqueza cultural enorme, difi-</p><p>cilmente viram notícia. O racismo atual se dá pelo não dito, pelo que a imprensa omite. Quando aparecem</p><p>na mídia estão atrelados a problemas, crises, marginalizações, ou ligados à ideia de uma invasão. (...)</p><p>Suas observações não contrastam com a ideia tão difundida do Brasil como um país hospitaleiro,</p><p>e do brasileiro como um povo acolhedor, famoso no mundo todo pela simpatia e boa recepção aos</p><p>estrangeiros?</p><p>Barreto – Na verdade entre os pesquisadores do assunto há a noção do “mito da hospitalidade”. Há uma</p><p>diferença entre a maneira como nos vendemos para o mundo e a verdadeira hospitalidade a qualquer</p><p>estrangeiro ou a democracia racial.</p><p>O estudo de como a imigração é retratada no país entre 1808 e 2015 mostra que a hospitalidade é seletiva,</p><p>mas que essa noção sempre foi difundida, em benefício do Brasil. Esta é uma das minhas principais con-</p><p>clusões na tese, a de que a nossa famosa hospitalidade é um mito. (...)</p><p>Você citou um editorial do jornal Folha da Manhã, de 1926, intitulado “Fechem-se as fronteiras”.</p><p>Esta seria um pouco a noção de que o Brasil enxergou durante muito tempo a imigração de forma</p><p>unilateral e seletiva? Ainda vemos este discurso?</p><p>2Barreto – Sim, o tema do editorial de 1926 é justamente a noção de que o país já teria recebido todos</p><p>os imigrantes necessários. Já chegaram todos que nós queremos, após a vinda em massa de alemães e</p><p>117</p><p>118</p><p>italianos, foi cumprida a função da imigração no Brasil. Já ocupamos e populamos o país, e agora as fron-</p><p>teiras devem ser fechadas e quem entrar deverá ser muito bem selecionado.</p><p>Hoje em dia a posição continua, mas travestida por outro argumento. A imprensa trabalha com o mito de</p><p>que somos um país pobre, em desenvolvimento, e não temos condições de receber mais ninguém. Vamos</p><p>receber somente os melhores e mais úteis. São evidências no discurso da imprensa e na visão da socie-</p><p>dade brasileira que contrastam diretamente com a ideia do “Brasil hospitaleiro, onde todos são bem-vindos”.</p><p>No contexto atual, de crise económica e política, há que se observar atentamente a maneira como o imigrante</p><p>será retratado na imprensa, por ele ser um excelente bode expiatório para os problemas. Não tem grande</p><p>chance de defesa, não está integrado ao país, é o outro, o diferente, que traz dificuldades.</p><p>Desemprego, inflação e crise tendem a tornar a visão dos imigrantes ainda mais negativa.</p><p>(PUFF, Jefferson. Racismo contra imigrantes no Brasil é constante. 26 ago. 2015. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noti-</p><p>cias/2015/08/150819_racismo_imigrantes_jp_rm. Acesso em: 8 set. 2019)</p><p>Vocabulário</p><p>1 Eugenista: adepto da eugenia, teoria desenvolvida no século XIX que defendia a superioridade e o melho-</p><p>ramento das raças, estimulando o embranquecimento da população</p><p>23. (G1 - cftrj 2020) A pesquisa de Gustavo Barreto, apresentada no texto, conclui que os termos “refugiado”,</p><p>“imigrante” e “estrangeiro” nos jornais brasileiros ao longo dos anos:</p><p>a) são sinônimos, tendo em vista o secular complexo de inferioridade do brasileiro em relação ao padrão</p><p>europeu.</p><p>b) nomeiam o mesmo problema de diversas maneiras, evidenciando a falta de critérios rigorosos de seleção</p><p>vocabular por parte dos jornalistas.</p><p>c) são polissêmicos, expressando a cultura hospitaleira do povo brasileiro e uma riqueza linguística favorável</p><p>à reflexão do problema.</p><p>d) assumem significados distintos, compreendidos graças à análise crítica das raízes racistas e eugenistas</p><p>do histórico de imigração.</p><p>24. (G1 - cftrj 2020) Leia o fragmento abaixo, destacado do texto:</p><p>“Barreto – Sim, o tema do editorial de 1926 é justamente a noção de que o país já teria recebido todos os</p><p>imigrantes necessários. Já chegaram todos que nós queremos, após a vinda em massa de alemães e italia-</p><p>nos, foi cumprida a função da imigração no Brasil. Já ocupamos e populamos o país, e agora as fronteiras</p><p>devem ser fechadas e quem entrar deverá ser muito bem selecionado.” (ref. 2)</p><p>O efeito de sentido provocado pelo uso da primeira pessoa do plural é:</p><p>a) simular o ponto de vista dos governantes da década de 1920.</p><p>b) inserir o entrevistado no contexto brasileiro em questão.</p><p>c) induzir o leitor a concordar com o argumento do editorial.</p><p>d) convocar o leitor para que se posicione como o entrevistado.</p><p>Por que os imigrantes fogem da África?</p><p>Agricultura devastada e desemprego levam caravanas a deixar dezenas de países</p><p>AGADEZ, Níger – É segunda-feira e isso significa dia de mudança em Agadez, um cruzamento ao norte</p><p>do deserto do Níger e 1a principal plataforma de onde saem os imigrantes da África Ocidental. Fugindo</p><p>TAREFA 04</p><p>118</p><p>119</p><p>TAREFA 04</p><p>da agricultura devastada, superpopulação e falta de emprego, os imigrantes de uma dezena de países se</p><p>reúnem em caravanas todas as segundas-feiras à noite e iniciam uma corrida louca pelo deserto do Saara</p><p>em direção à Líbia, na esperança de eventualmente cruzar o Mediterrâneo até a Europa.</p><p>A montagem dessa caravana é uma cena a ser testemunhada. Embora seja noite, ainda faz 40 graus e</p><p>2há apenas uma lua crescente para iluminar a escuridão. Então, de repente, o deserto acorda.</p><p>Usando o aplicativo de mensagens WhatsApp de seus celulares, os traficantes locais, vinculados a</p><p>redes de contrabandistas que se estendem por toda a África Ocidental, começam a coordenar o carrega-</p><p>mento clandestino de migrantes que estão em abrigos e porões por toda a cidade. Eles vêm se reunindo</p><p>há semanas, vindos do Senegal, Serra Leoa, Nigéria, Costa do Marfim, Libéria, Chade, Guiné, Camarões,</p><p>Mali e outras cidades de Niger.</p><p>Com 15 a 20 homens – não há mulheres – amontoados na parte de trás de pick-ups Toyota, seus braços</p><p>e pernas pendurados para fora, os veículos surgem de becos e ruelas e seguem os carros que partiram</p><p>na frente para garantir que não haverá policiais, oficiais ou guardas de fronteiras desagradáveis à espreita</p><p>que ainda não foram pagos. É como assistira uma sinfonia, mas ninguém tem ideia de quem é o maestro.</p><p>Eventualmente, todos convergem para um ponto de encontro no norte da cidade, formando uma caravana</p><p>gigante de 100 ou 200 veículos – a grande quantidade é necessária para afastar os bandidos do deserto.</p><p>3Pobre Níger. Agadez, que tem casas com paredes de barro ornamentadas, é um notável Patrimônio</p><p>Mundial da Unesco, mas a cidade foi abandonada pelos turistas depois que locais próximos foram ataca-</p><p>dos pelo Boko Haram4 e outros jihadistas5. Por isso, como explica um traficante, os carros e os ônibus da</p><p>indústria do turismo estão sendo reaproveitados na indústria da migração. Há agora, por toda a África Oci-</p><p>dental, recrutadores, ligados aos traficantes, que trabalham por conta própria e pedem às mães dos meninos</p><p>US$400 ou US$500 para mandá-los procurar empregos na Líbia ou na Europa. Poucos conseguem, mas</p><p>outros continuam chegando.</p><p>A revolução na Síria foi provocada, em parte, pela pior seca de quatro anos da história moderna do país</p><p>– além da superpopulação, tensões climáticas e a internet – e o mesmo acontece com a onda de migração</p><p>dos africanos. (...)</p><p>– 6Hoje perdemos anualmente para a desertificação 100 mil hectares de terras aráveis. E perdemos entre</p><p>60 mil e 80 mil hectares de florestas todos os anos – afirma Adamou Chaifou [ministro do Meio Ambiente</p><p>de Níger].</p><p>(...) Recentemente, a União Europeia fez um acordo com a Turquia para aumentar muito a ajuda da</p><p>União Europeia para que Ancara lide com os refugiados e migrantes que chegarem ao país e restrinja seu</p><p>fluxo para a Europa.</p><p>– Se investíssemos uma fração dessa quantia para ajudar as nações africanas a combater o desma-</p><p>tamento, melhorar a saúde e a educação e sustentar a agricultura de pequena escala, que é o meio de</p><p>sustento de 80 por cento das populações na África, elas poderiam ficar na terra. Seria muito melhor para</p><p>elas e para o planeta – explicou Michele Barbut [chefe da Convenção das Nações Unidas para Combate à</p><p>Desertificação].</p><p>7Todo mundo quer construir muros nos dias de hoje, afirmou ela, mas o muro de que mais precisamos</p><p>é um “muro verde”, de reflorestamento, que seguraria o deserto e se estenderia de Mali no oeste à Etiópia</p><p>no leste.</p><p>– E uma ideia que os próprios africanos tiveram – contou ela. E faz muito sentido.</p><p>Porque, no final, nenhum muro vai segurar essa onda de migrantes. Tudo que você vê por aqui são gritos</p><p>de que, a não ser que haja uma maneira de estabilizar a pequena agricultura da África, de alguma maneira</p><p>ou de outra, eles vão tentar chegar à Europa. Os que não podem, com certeza vão gravitar para um grupo</p><p>extremista que os pague. Muitos hoje sabem pelos meios de comunicação que há uma vida melhor além-mar</p><p>e acreditam que seus governos são muito frágeis para poder ajudá-los a melhorar.</p><p>(FRIEDMAN, Thomas L. Por que os imigrantes fogem da África?. O Globo. Rio de Janeiro, 28 abr. 2016. Disponível em: https://oglobo.globo.</p><p>com/mundo/artigo-por-que-os-imigrantes-fogem-da-africa-19179333. Acesso em: 8 set. 2019)</p><p>119</p><p>120</p><p>Vocabulário</p><p>4 Boko Haram: organização fundamentalista islâmica surgida no norte da Nigéria.</p><p>5 Jihadista: membro do Jihad, guerra santa muçulmana.</p><p>25. (G1 - cftrj 2020) Leia o fragmento a seguir, extraído do texto:</p><p>“Todo mundo quer construir muros nos dias de hoje, afirmou ela, mas o muro de que mais precisamos é</p><p>um ‘muro verde’, de reflorestamento, que seguraria o deserto e se estenderia de Mali no oeste à Etiópia no</p><p>leste. “ (ref. 7)</p><p>A partir dos significados possíveis para o vocábulo “muro”, pode-se afirmar que a conjunção adversativa</p><p>“mas” opõe, respectivamente, as ideias de:</p><p>a) esperança x tristeza</p><p>b) segregação x proteção</p><p>c) vergonha x deslocamento</p><p>d) felicidade x natureza</p><p>26. (G1 - cftrj 2020) O texto, um artigo de opinião, apresenta orientação argumentativa em que há posi-</p><p>cionamento diante das situações relatadas. O ponto de vista do autor é evidenciado, por exemplo, pelas</p><p>adjetivações, conforme ocorre em:</p><p>a) “...a principal plataforma de onde saem os imigrantes da África Ocidental”. (ref. 1)</p><p>b) “...e há apenas uma lua crescente para iluminar a escuridão.” (ref. 2)</p><p>c) “Pobre Níger. Agadez, que tem casas com paredes de barro ornamentadas...”. (ref. 3)</p><p>d) “Hoje perdemos anualmente para a desertificação 100 mil hectares de terras aráveis”. (ref. 6)</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Diáspora</p><p>“Acalmou a tormenta; pereceram</p><p>Os que a estes mares ontem se arriscaram;</p><p>Vivem os que, por um amor, temeram</p><p>E dos céus os destinos esperaram.”1</p><p>Atravessamos o Mar Egeu</p><p>o barco cheio de fariseus</p><p>com os cubanos, sírios, ciganos</p><p>como romanos sem Coliseu</p><p>Atravessamos pro outro lado</p><p>no Rio Vermelho do mar sagrado</p><p>nos center shoppings</p><p>superlotados</p><p>de retirantes</p><p>refugiados</p><p>Where are you?2</p><p>where are you?</p><p>where are you?</p><p>where are you?</p><p>120</p><p>121</p><p>Onde está</p><p>meu irmão</p><p>sem irmã</p><p>o meu filho</p><p>sem pai</p><p>minha mãe</p><p>sem avó</p><p>dando a mão</p><p>pra ninguém</p><p>sem lugar</p><p>pra ficar</p><p>os meninos</p><p>sem paz</p><p>onde estás</p><p>meu senhor</p><p>onde estás?</p><p>Onde estás?</p><p>“Deus! Ó, Deus, onde estás que não respondes?</p><p>Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes</p><p>Embuçados3 nos céus?</p><p>Há dois mil anos te mandei meu grito</p><p>Que embalde4 desde então corre o infinito</p><p>Onde estás, senhor Deus?... “5</p><p>(ANTUNES, Arnaldo; BROWN, Carlinhos; MONTE, Marisa. Diáspora. In.: Tribalistas. Rio de Janeiro: Som Livre, 2017)</p><p>Vocabulário</p><p>1 Primeira estrofe do Canto 11, do livro O Guesa (1878), de Joaquim de Sousa Andrade</p><p>(Sousândrade).</p><p>2 Tradução da frase em inglês: “Onde está você?”.</p><p>3 Embuçado: encoberto, escondido.</p><p>4 Embalde: inutilmente.</p><p>5 Primeira estrofe do poema “Vozes d’África” (1868), de Castro Alves.</p><p>27. (G1 - cftrj 2020) A palavra “Diáspora” vem do grego e significa “dispersão”. Na Antiguidade, designava</p><p>a migração e colonização, por parte dos gregos, de diversos locais ao longo da Ásia Menor e do Medi-</p><p>terrâneo; mais tarde, passou a indicar o deslocamento, normalmente forçado ou incentivado, de grandes</p><p>massas populacionais.</p><p>No texto, uma música contemporânea, o termo “diáspora” está associado a uma visão:</p><p>a) desoladora, enfatizada pela repetição da preposição “sem”.</p><p>b) revolucionária, incitada pelas perguntas “onde está?”, “onde estás?”.</p><p>c) encorajadora, expressa na repetição da forma verbal “atravessamos”.</p><p>d) esperançosa, anunciada pelo verso “Acalmou a tormenta”.</p><p>28. (G1 - cftrj 2020) Em “Diáspora” (texto), canção gravada em 2017, há uma citação de “Vozes D’África”,</p><p>poema escrito por Castro Alves em 1868. Abaixo, seguem duas estrofes de “Vozes D’África”:</p><p>Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?</p><p>Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes</p><p>121</p><p>122</p><p>Embuçado nos céus?</p><p>Há dois mil anos te mandei meu grito,</p><p>Que embalde desde então corre o infinito...</p><p>Onde estás, Senhor Deus?...</p><p>(...)</p><p>Hoje em meu sangue a América se nutre</p><p>— Condor10 que transformara-se em abutre,</p><p>Ave da escravidão,</p><p>Ela juntou-se às mais... irmã traidora</p><p>Qual de José11 os vis12 irmãos outrora</p><p>Venderam seu irmão.</p><p>Vocabulário</p><p>10 Condor: ave da região dos Andes, cujo voo alcança alturas consideráveis.</p><p>11 José: personagem bíblico, filho de Jacó e de Raquel, enganado pelos onze irmãos, que o venderam como</p><p>escravo a mercadores egípcios.</p><p>12 Vil: desprezível.</p><p>A partir da relação intertextual com “Vozes D’África”, é possível afirmar que, na canção “Diáspora”,</p><p>a) o chamamento por Deus é prejudicial aos refugiados durante a travessia para a nova terra.</p><p>b) as referências religiosas retiram da interpretação do refúgio a perspectiva política.</p><p>c) o drama contemporâneo dos refugiados é associado à escravização de africanos nas Américas.</p><p>d) os versos de Castro Alves são irrelevantes, uma vez que os contextos históricos são divergentes.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Examine a tira de André Dahmer para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>29. (Unesp 2020) Constituem exemplos de linguagem formal e de linguagem coloquial, respectivamente,</p><p>as seguintes falas:</p><p>a) “Ah, estou morrendo de pena...” e “Ainda vou trabalhar a noite inteira no Iraque, meu rapaz.”</p><p>b) “Me adianta essa, vai...” e “É cedo para mim.”</p><p>c) “O importante é trabalhar com o que a gente gosta.” e “Posso lhe dar um emprego bem melhor...”</p><p>d) “É cedo para mim.” e “Posso lhe dar um emprego bem melhor...”</p><p>e) “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e “Me adianta essa, vai...”</p><p>122</p><p>123</p><p>Um escritor! Um escritor!</p><p>Antônio Prata*</p><p>Com o jornal numa mão e um guaraná diet na outra, eu caminhava pelas ruas de 1Kiev, desviando de</p><p>barricadas e coquetéis molotov, quando a voz no sistema de som me trouxe de volta à poltrona 11C do</p><p>Boeing 737: “Atenção, senhores passageiros, caso haja um médico a bordo, favor se apresentar a um de</p><p>nossos comissários”.</p><p>Foi aquele discreto alvoroço: todos cochichando, olhando em volta, procurando o doente e torcendo por</p><p>um doutor, até que, do fundo da aeronave, despontou o nosso herói. Vinha com passos firmes — grisalho,</p><p>como convém —, a vaidade disfarçada num leve enfado, como um Clark Kent que, naquele momento, esti-</p><p>vesse menos interessado em demonstrar os superpoderes do que em comer seus amendoins.</p><p>Um comissário o encontrou no meio do corredor e o levou, apressado, até uma senhora gorducha que</p><p>segurava a cabeça e hiperventilava na primeira fileira do avião. O médico se agachou, tomou o pulso, aus-</p><p>cultou peito e costas, conversou baixinho com ela, depois falou com a aeromoça. Trouxeram uma caixa de</p><p>metal, ele deu um comprimido à mulher e, nem dez minutos mais tarde, voltou pros seus amendoins, sob</p><p>os olhares admirados de todos.</p><p>Ou de quase todos, pois a minha admiração, devo admitir, foi rapidamente 2fagocitada pela inveja. Ora,</p><p>quando a medicina nasceu, com Hipócrates, a história de 3Gilgamesh já circulava pelo mundo havia mais</p><p>de dois milênios: desde tempos imemoriais, enquanto o corpo seguia ao deus-dará, a alma era tratada por</p><p>mitos, versos, fábulas — e, no entanto...</p><p>No entanto, caros leitores, quem aí já ouviu uma aeromoça pedir, ansiosa: “Atenção, senhores passa-</p><p>geiros, caso haja um escritor a bordo, favor se apresentar a um de nossos comissários”?</p><p>Eu não me abalaria. Fecharia o jornal, sem afobação, poria uma Bic e um guardanapo no bolso, iria até</p><p>a senhora gorducha e me agacharia ao seu lado. Conversaríamos baixinho. Ela me confessaria, quem sabe,</p><p>estar prestes a reencontrar o filho, depois de dez anos brigados: queria falar alguma coisa bonita pra ele,</p><p>mas não era boa com as palavras. Eu faria uma rápida 4anamnese: perguntaria os motivos da briga, 5se o</p><p>filho estava mais pra Proust ou pra UFC, levantaria recordações prazerosas da relação e, antes de tocar-</p><p>mos o solo, entregaria à mulher três parágrafos capazes de verter lágrimas até da estátua do Borba Gato.</p><p>De volta ao meu lugar, passageiros me cumprimentariam e compartilhariam histórias semelhantes. Uma</p><p>jovem mãe me contaria do primo poeta que, num restaurante, ao ouvir os apelos do garçom —”Um escritor,</p><p>pelo amor de Deus, um escritor!”—, tinha sido levado até um rapaz apaixonado e conseguido escrever seu</p><p>pedido de casamento no cartão de um buquê antes que a futura noiva voltasse do banheiro.</p><p>Um senhor comentaria o caso muito conhecido do romancista que, após as súplicas de mil turistas, fora</p><p>capaz de convencer 200 tripulantes de um cruzeiro a abandonar o gerúndio.</p><p>Eu sorriria, de leve. Diria “Pois é, se você escolheu essa profissão, tem que estar preparado pras emer-</p><p>gências”, então recusaria, educadamente, o segundo saquinho de amendoins que a aeromoça me ofereceria</p><p>e voltaria, como se nada tivesse acontecido, para as 6bombas da Crimeia, com meu copo de guaraná.</p><p>*Antonio Prata/Escritor e roteirista, autor de Nu, de Botas.</p><p>Jornal Folha de São Paulo, 25 mai. 2014 – Disponível em: . Acesso em 27 ago.2019.</p><p>Vocabulário de apoio:</p><p>1 Kiev: capital e maior cidade da Ucrânia. No trecho: “eu caminhava pelas ruas de Kiev, desviando de bar-</p><p>ricadas e coquetéis molotov”, o autor se refere ao tema do livro (Guerra da Crimeia) que ele lia, enquanto</p><p>estava no voo. Os termos ‘barricadas’(trincheiras feitas de improviso) e ‘coquetéis molotov’ (tipo de arma</p><p>química, geralmente usada em guerrilhas) estão relacionados ao tema da leitura feita pelo autor.</p><p>2 fagocitada: neologismo criado a partir de fagocitose: processo de ingestão e destruição de partículas</p><p>sólidas, como bactérias ou pedaços de tecido necrosado, por células ameboides chamadas de fagócitos</p><p>TAREFA 05</p><p>123</p><p>124</p><p>[tem como uma das funções a proteção do organismo contra infecções.]; no texto, ‘fagocitada’ pode ser</p><p>substituída por ‘devorada’.</p><p>3 No trecho: “a medicina nasceu, com Hipócrates, a história de Gilgamesh”, o autor se refere a Hipócra-</p><p>tes – pensador grego, considerado o “pai da Medicina” – e a Gilgamesh - rei da Suméria, mais conhecido</p><p>atualmente por ser o personagem principal da Epopeia de Gilgamesh, um épico mesopotâmico preservado</p><p>em tabuletas escritas com caracteres cuneiformes (o mais antigo tipo de escrita do mundo).</p><p>4 anamnese: lembrança, recordação pouco precisa. No campo da medicina, anamnese é um histórico que</p><p>vai desde os sintomas iniciais até o momento da observação clínica, realizado com base nas lembranças</p><p>do paciente.</p><p>- abreviaturas.</p><p>ALFABETO</p><p>O conjunto de letras empregadas na comunicação</p><p>escrita de uma língua é chamado de alfabeto.</p><p>O alfabeto da língua portuguesa era composto</p><p>de 23 letras - cinco vogais e dezoito consoantes.</p><p>Agora, as letras k, w e Y fazem parte do nosso</p><p>alfabeto oficial.</p><p>Letras que compõem o alfabeto e seus respec-</p><p>tivos nomes: a (á), b (bê), c (cê), d (dê), e (é), f</p><p>(efe), g (gê), h (agá), i (i), j (jota), k (ká), I (ele),</p><p>m (eme), n (ene), o (ó), p (pê), q (quê), r (erre),</p><p>s (esse), t (tê), u (u), v (vê), w (dabliu) x (xis), Y</p><p>(ipicilon), z (zê).</p><p>LETRAS</p><p>Enquanto os fonemas são unidades sonoras, as</p><p>letras são sinais gráficos que representam os</p><p>fonemas.</p><p>Quanto à forma, as letras podem ser: maiúsculas</p><p>e minúsculas.</p><p>Observe:</p><p>A, B, C, D, E</p><p>a, b, c, d, e</p><p>Quando à natureza, as letras podem ser: vogais e</p><p>consoantes.</p><p>Observe:</p><p>a, e, i, o, u - vogais</p><p>b, c, d, f, g - consoantes</p><p>EMPREGO DAS LETRAS G e J</p><p>1) Escrevem-se com G: argila, agenda, gesto, giz,</p><p>gengiva, girafa, gente, gesso, sargento, viagem...</p><p>etc</p><p>2) Usa-se a consoante J:</p><p>a) Nos derivados de palavras terminadas em -ja:</p><p>- laranjeira, laranjinha (de laranja)</p><p>- granjear (e suas flexões) (de granja)</p><p>- gorjeta, gorjeio, gorjear e suas flexões (de gorja)</p><p>- lojista, lojinha(de loja)</p><p>- lisonjeiro, lisonjear (de lisonja)</p><p>b) Em todas as formas de conjugação dos verbos</p><p>em -jar: arranjar, viajar, etc.</p><p>c) Em palavras de origem ameríndia, africana ou</p><p>popular: canjica, jeca, jequitibá, jerico, cafajeste,</p><p>jiboia, pajé, Moji, etc.</p><p>d) Nas seguintes palavras: jeito, ajeitar,</p><p>desajeitado, injeção, jerimum, majestade, pajem,</p><p>ajuíza, etc.</p><p>EMPREGO DO S</p><p>Muitas vezes o S é confundido com C, Ç ou X,</p><p>mas mencionaremos apenas os casos em que</p><p>mais frequentemente se erra no emprego:</p><p>1) Nos seguintes monossílabos: três, mês, rês,</p><p>gás (e seus derivados).</p><p>2) Nos oxítonos: aliás, anis, arnês, atrás, através,</p><p>convés, freguês, país, retrós, revés (e seus</p><p>derivados).</p><p>3) Nos seguintes nomes próprios: Inês, Isabel,</p><p>Luís, Resende, Teresa, Tomás, Luísa, etc.</p><p>4) Nos adjetivos pátrios em -ês: francês, inglês,</p><p>português, etc.</p><p>5) Nos verbos em isar, derivados de palavras cujo</p><p>radical termina em s: analisar, alisar, pesqui-</p><p>sar, paralisar, avisar, etc. Exceção: catequese</p><p>=catequizar.</p><p>6) Nas formas dos verbos pôr, querer, usar e seus</p><p>derivados: pus, pusesse, quis, quiser, repus,</p><p>repuser, compus, compusesse, usasse, etc.</p><p>7) Nas palavras: pretensão, salsicha, senso</p><p>(juízo), misto, cansaço, descanso, ansioso,</p><p>esplendor, turquesa, ânsia, etc.</p><p>11</p><p>12</p><p>EMPREGO DO Ç</p><p>Às vezes, o C e o Ç são confundidos com S</p><p>ou SS. Algumas palavras com C: acender (ilu-</p><p>minar), acento (tom de voz), alicerce, cacique,</p><p>cear, cebola, cê-cedilha, cédula, célula, censo</p><p>(recenseamento), penicilina, etc. Algumas pala-</p><p>vras com Ç: aço (ferro temperado), açúcar, alça-</p><p>pão, almoço, caiçara, coação, maçom, mordaça,</p><p>ouriço, ruço (grisalho), traça, etc.</p><p>EMPREGO DO SS e RR</p><p>1) Duplicam-se o S e o R em dois casos:</p><p>Quando intervocálicos, representam os sons</p><p>simples do R e S iniciais: carro, ferro, pêssego,</p><p>missão.</p><p>2) Quando a um elemento de composição ter-</p><p>minado em vogal, seguir, sem interposição do</p><p>hífen, palavra começada por uma daquelas: der-</p><p>rogar, prerrogativa, prorrogação, pressentimento,</p><p>madressilva, sacrossanto, dulcíssimo, etc.</p><p>EMPREGO DO SC</p><p>1) Elimina-se a letra S do dígrafo SC:</p><p>a) Quando inicial: cena, cetro, ciência;</p><p>b) Nos compostos formados em nossa língua:</p><p>encenação, alvorecer, anticientífico.</p><p>2) Mantém-se o S:</p><p>a) Em palavras compostas provindas do latim:</p><p>consciência, cônscio, acrescentar, prescindir,</p><p>proscênio.</p><p>b) No dígrafo medial SC de certas palavras de</p><p>origem latina: nascer, crescer, descer, florescer,</p><p>discípulos, ascensão, imprescindível, piscina,</p><p>seiscentos, susceptível, etc.</p><p>EMPREGO DO Z</p><p>Emprega-se:</p><p>1) Nos derivados em zal, zinho, zito: cafezal, cafe-</p><p>eiro, cafezinho, irmãozinho.</p><p>2) Nos derivados de palavras de radical em Z:</p><p>cruzeiro (de cruz), enraizar (de raiz).</p><p>3) Nos verbos formados com o sufixo -IZAR: fer-</p><p>tilizar, civilizar, e palavras corradicais: civilização.</p><p>4) Nos substantivos abstratos em -EZA, deriva-</p><p>dos de adjetivos e denotando qualidade física ou</p><p>moral: pobreza (de pobre), leveza (de leve).</p><p>5) Em várias outras palavras: azeite, azedo, cozi-</p><p>nha, mezinha (remédio), bazar, proeza, buzina,</p><p>etc.</p><p>EMPREGO DO CH</p><p>Algumas palavras com CH: bicho, bucha, broche,</p><p>bochecha, boliche, cacho, chuchu, charque, chi-</p><p>marrão, charuto, chope, chumaço, churrasco,</p><p>colchão, cachaça, cochicho, cochilo, deboche,</p><p>encharcar, ficha, flecha, fantoche, salsicha,</p><p>inchar, mochila, piche, prancha, penacho, guin-</p><p>cho, etc.</p><p>EMPREGO DO X</p><p>1) Esta letra representa os seguintes fonemas:</p><p>a) CH: xarope, vexame.</p><p>b) CS: reflexo, tóxico.</p><p>c) Z: exame, exílio.</p><p>d) SS: auxílio, próximo.</p><p>e) S: sexta, texto.</p><p>2) Não soa nos grupos internos: XCEe XCI: exce-</p><p>ção, exceder, excelente, excitante.</p><p>3) Escreve-se com X:</p><p>a) Em geral, depois de ditongo: caixa, rouxinol,</p><p>ameixa, frouxo.</p><p>b) Geralmente, depois da sílaba inicial EN:</p><p>enxame, enxada, enxugar.</p><p>EMPREGO DO Ç</p><p>12</p><p>13</p><p>c) Em vocábulos de origem indígena ou africana:</p><p>abacaxi, xavante, caxambu.</p><p>4) Note-se a presença desta consoante em:</p><p>puxar, enxofre, lixa, mexer, mexerico, rixa, praxe,</p><p>xadrez, xale, xingar, bexiga, xícara, Xá (soberano</p><p>da Pérsia).</p><p>EMPREGO DA LETRA H</p><p>Esta letra não tem valor fonético no começo das</p><p>palavras; conservou-se apenas como símbolo,</p><p>por força da etimologia e da tradição escrita.</p><p>Emprega-se o H:</p><p>1) Inicial, quando etimológico: homem, hélice.</p><p>2) Medial, como integrante dos dígrafos CH, LH,</p><p>NH: chave, telha, campainha.</p><p>3) Final, em certas interjeições: ah! ih!</p><p>4) Em compostos unidos por hífen no início do</p><p>segundo elemento: sobre-humano.</p><p>5) No substantivo próprio: Bahia (estado do</p><p>Brasil).</p><p>EMPREGO DAS LETRAS K, W e Y</p><p>Usam-se apenas:</p><p>1) Nomes próprios de pessoas (os chamados</p><p>antropônimos) em outras línguas e seus derivados</p><p>(como William, Kafka e kafkiano ou Taylor e</p><p>taylorista).</p><p>2) Nomes geográficos (os chamados topônimos),</p><p>como de regiões, países e cidades (como Kuwait,</p><p>kuwaitiano).</p><p>3) Siglas, símbolos e unidades de medida uni-</p><p>versais (como “K” para designar potássio em</p><p>química ou o uso de “kg” para quilograma).</p><p>4) Da mesma forma, em nomes próprios e pala-</p><p>vras estrangeiras são aceitas combinações que</p><p>não cabem em português: O “sh” em “Shakespe-</p><p>are” (o famoso escritor inglês) ou “mt” em “Comte”</p><p>(de Augusto Comte, filósofo francês).</p><p>5) Nomes próprios de tradição bíblica que termi-</p><p>nem em “-ch”, “-ph”, “-th” devem ser simplificados:</p><p>Se as consoantes são pronunciadas, como em</p><p>“Baruch” e “Loth”, a simplificação (no caso,</p><p>“Baruc” e “Lot”) é facultativa. Se as consoantes</p><p>não são pronunciadas, como em “Joseph”, “Bete”</p><p>e “Judite”. Para efeitos legais, deve-se manter</p><p>a ortografia dos nomes próprios registrados em</p><p>cartório.</p><p>6) Sempre que possível, nomes de países e cida-</p><p>des em outras línguas devem ser grafados em</p><p>sua forma correspondente em português:</p><p>Nova Iorque (e não New York), Zurique (e não</p><p>Zürich), Quebeque (e não Quebec). Os termos</p><p>que não possuem versão em português, como</p><p>Washington, Los Angeles e Buenos Aires, devem</p><p>manter a grafia original. (Enquanto os brasileiros</p><p>dizem Alô ao telefone, nossos patrícios portu-</p><p>gueses fazem o uso do “Está lá?” e ouvem como</p><p>resposta do outro lado da linha o “Estou cá”).·.</p><p>S ou Z</p><p>I - SUFIXOS - ES e -EZ:</p><p>a) O sufixo -ES forma adjetivos (às vezes</p><p>substantivos) derivados de substantivos: cortês</p><p>(de corte), chinês (de China), acidez (de ácido),</p><p>estupidez (de estúpido).</p><p>b) O sufixo -EZ forma substantivos abstratos</p><p>femininos, derivados de adjetivos: aridez (de</p><p>árido), acidez (de ácido), estupidez (de estúpido).</p><p>II - SUFIXOS - ESA e -EZA:</p><p>Escreve-se - ESA (com S):</p><p>1) Nos seguintes substantivos derivados de ver-</p><p>bos em - ender: defesa (defender), despesa</p><p>(depender).</p><p>2) Nos substantivos femininos designativos de</p><p>títulos nobiliárquicos: baronesa, duquesa, mar-</p><p>quesa, princesa, consulesa.</p><p>13</p><p>5 No trecho: “se o filho estava mais pra Proust ou pra UFC”, o autor se refere a um escritor francês (Proust,</p><p>importante escritor no cenário da literatura mundial) e a UFC, cuja sigla em inglês Ultimate Fighting Cham-</p><p>pionship, designa organização de MMA (Artes Marciais Mistas) que produz eventos ao redor de todo o mundo.</p><p>6 bombas da Crimeia – referência à Guerra da Crimeia (1853-1856), assunto do livro que o autor lia, durante</p><p>o voo.</p><p>30. (G1 - cftmg 2020) Releia o seguinte trecho do texto:</p><p>Um comissário o encontrou no meio do corredor e o levou, apressado, até uma senhora gorducha que</p><p>segurava a cabeça e hiperventilava na primeira fileira do avião. O médico se agachou, tomou o pulso, aus-</p><p>cultou peito e costas, conversou baixinho com ela, depois falou com a aeromoça. Trouxeram uma caixa de</p><p>metal, ele deu um comprimido à mulher e, nem dez minutos mais tarde, voltou pros seus amendoins, sob</p><p>os olhares admirados de todos.</p><p>Ou de quase todos, pois a minha admiração, devo admitir, foi rapidamente fagocitada pela inveja. Ora,</p><p>quando a medicina nasceu, com Hipócrates, a história de Gilgamesh já circulava pelo mundo havia mais</p><p>de dois milênios: desde tempos imemoriais, enquanto o corpo seguia ao deus-dará, a alma era tratada por</p><p>mitos, versos, fábulas — e, no entanto...</p><p>Nesse fragmento, o autor expressa, de forma irônica, um sentimento de inveja diante da situação narrada,</p><p>pelo fato de a</p><p>a) medicina hoje ser mais importante do que a literatura.</p><p>b) literatura hoje ser mais complexa do que a medicina.</p><p>c) literatura ser mais exaltada do que a medicina.</p><p>d) medicina ser mais antiga do que a literatura.</p><p>31. (G1 - cftmg 2020) O objetivo central do texto é</p><p>a) descrever fato ocorrido em voo internacional.</p><p>b) apresentar visão sobre papel social do escritor.</p><p>c) divulgar informações sobre a vida do escritor.</p><p>d) fazer comparação entre médicos e escritores.</p><p>32. (G1 - cftmg 2020) Leia o texto a seguir.</p><p>124</p><p>125</p><p>Texto 2</p><p>Quando escrevo ou leio, não penso em teoria, em ciência. Penso na arte. No prazer. Na estética. No perso-</p><p>nagem. No enredo. Nas figuras de linguagem e na linguagem em si. Na sabedoria do autor. Na sonoridade.</p><p>Na melhor palavra. Na imensa alegria de mergulhar em mundos que parecem, mas não são, ou são, mas</p><p>não parecem ser. Nada disso precisa de ciência, apenas de sensibilidade. Sensibilidade para capturar a</p><p>ficção da realidade. O mundo é a ficção de cada um. Escritores simplesmente falam da sua fantasia.</p><p>Fragmento do texto: “Literatura não é ciência”, de Luís Giffoni. Disponível em: , Acesso</p><p>em 18 ago.2019</p><p>A comparação entre o conteúdo dos textos 1 e 2 está correta em:</p><p>a) O tratamento dado à medicina, no texto 1, equivale à forma como o autor do texto 2 considera a ficção.</p><p>b) O chamado de urgência médica durante o voo, no texto 1, exemplifica um caso de ficção de cada um,</p><p>conforme o texto 2.</p><p>c) A situação narrada em torno da função de um escritor, no voo, ilustra um exemplo de fantasia de escritor,</p><p>conforme o texto 2.</p><p>d) A função da literatura de tratar a alma, conforme o texto 1, opõe-se à relação entre ficção e sensibilidade,</p><p>conforme o texto 2.</p><p>33. (G1 - cftmg 2020) No texto, o autor faz uso de um registro mais informal da língua portuguesa para</p><p>a) expressar sua insatisfação com os usos da língua em mensagens de bordo, como em: “Atenção, senhores</p><p>passageiros, caso haja um médico a bordo, favor apresentar-se [...]”;</p><p>b) aproximar-se dos usos cotidianos da língua, como ocorre na opção de ‘pra’, em vez de ‘para’, no trecho:</p><p>“queria falar alguma coisa bonita pra ele, mas não era boa com as palavras.”.</p><p>c) revelar conhecimento de vocabulário técnico da área médica, como no fragmento: “Eu faria uma rápida</p><p>anamnese: perguntaria os motivos da briga, se o filho estava mais pra Proust ou pra UFC”.</p><p>d) demonstrar domínio de termos estrangeiros, como em: “Com o jornal numa mão e um guaraná diet na</p><p>outra, eu caminhava pelas ruas de Kiev, desviando de barricadas e coquetéis molotov, quando a voz no</p><p>sistema de som me trouxe de volta à poltrona 11C do Boeing 737”.</p><p>34. (G1 - cftmg 2020) O reconhecimento dos diferentes gêneros textuais, seu contexto de uso, sua função</p><p>social específica, suas finalidades e sua composição formal compõem um conjunto de conhecimentos</p><p>socioculturais, construídos ao longo de nossa formação.</p><p>A análise dos elementos constitutivos do texto demonstra que ele é uma crônica, pois</p><p>a) destaca a existência de um fato de impacto nacional.</p><p>b) apresenta uma visão crítica, em linguagem impessoal.</p><p>c) desenvolve uma reflexão, a partir de um fato cotidiano.</p><p>d) confronta diferentes pontos de vista em sua composição.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:</p><p>Cadê o papel-carbono?</p><p>1Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive sau-</p><p>dade da velha máquina de escrever. E tive saudade de quando, no dizer de 2Rubem Braga, a geladeira era</p><p>branca e o telefone era preto.</p><p>Os mais jovens não sabem nem o que é papel carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade</p><p>deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia eletronicamente de outros para fazer as mínimas</p><p>125</p><p>126</p><p>tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água.</p><p>Hoje tomar um banho é uma peripécia tecnológica. 4Hoje até para tomar um elevador tenho que inserir um</p><p>cartão eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google, essa enciclopédia no computador que facilita</p><p>as pesquisas 5(para quem não precisa ir fundo nos assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada</p><p>aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem um controle remoto diferente e 6a gente não consegue</p><p>usá-los sem pedir socorro a alguém?</p><p>7Olha, tanta tecnologia!... Mas além de 8não terem descoberto como curar uma simples gripe, 9os ele-</p><p>vadores dos hotéis ainda não chegaram a uma conclusão de como assinalar no mostrador que letra deve</p><p>indicar a portaria. 10Será necessária uma medida provisória do presidente para uniformizar tal diversidade</p><p>analfabética.</p><p>11Outro dia, li que houve uma reunião em Baku, lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para</p><p>decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean Baudrillard 12andou dizendo, com aquela facilidade que</p><p>os franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas, que o que caracteriza essa época que está vindo</p><p>por aí é que o homem, leia-se corretamente homens e mulheres, ou seja, 13o ser humano, foi descartado</p><p>pela máquina. 14(Isso a gente já sabe quando tenta ligar para uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica</p><p>mandando a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não obtemos a informação necessária.)</p><p>15Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios. O primeiro era de um vate mesmo – 16Vinícius de</p><p>Moraes, que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e</p><p>os desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era necessário”. É isto, já não somos necessários.</p><p>E a outra frase metida nessa encrenca é aquela da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o homem</p><p>e não o homem para o sábado”. Isso foi antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido feita para</p><p>o homem, mas Baudrillard, as companhias aéreas e as telefônicas mais os servidores de informática nos</p><p>convenceram de que 17“o homem é que foi feito para a máquina”. 18Ao telefone só se fala com máquinas,</p><p>e algumas empresas – esses servidores de informática – nem seus telefones disponibilizam. 19Estou, por</p><p>exemplo, há quatro meses tentando falar com alguém no “hotmail” 20e lá não tem viv’alma, só fantasmas</p><p>eletrônicos sem rosto e sem voz.</p><p>21Permita-me, 22eventual e concreto leitor, lhe fazer uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente</p><p>você está gastando com e-mails? Quanto tempo para apagar</p><p>o lixo e responder bobagens? Faça a conta,</p><p>some.</p><p>23Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não</p><p>conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada desregradamente é a grande sorvedora de tempo</p><p>da pós-modernidade.</p><p>Por estas e por outras é que estou pensando seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao pergaminho.</p><p>E a primeira medida é reencontrar o papel carbono.</p><p>– 24Cadê meu papel carbono?</p><p>(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009</p><p>35. (G1 - epcar (Cpcar) 2020) Nas alternativas abaixo, a substituição da palavra original em destaque por</p><p>outra de sentido semelhante, apontada entre parênteses, está correta em</p><p>a) “Permita-me, eventual (assíduo) e concreto leitor, lhe fazer uma pergunta indiscreta.” (ref. 21)</p><p>b) “Outro dia, li que houve uma reunião em Baku, lá no Azerbaijão, congregando (consagrando) cérebros</p><p>notáveis...” (ref. 11)</p><p>c) “Hoje tomar um banho é uma peripécia (vantagem) tecnológica.” (ref. 3)</p><p>d) “Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios. O primeiro era de um vate (poeta) mesmo – Vinícius</p><p>de Moraes...” (ref. 15)</p><p>36. (G1 - epcar (Cpcar) 2020) Em relação à composição e estruturação linguística do texto, é correto afirmar</p><p>que</p><p>126</p><p>127</p><p>a) a repetição da expressão “E tive” no primeiro parágrafo constitui um recurso para denotar a sequenciação</p><p>dos fatos, reforçados pela presença de expressões com sentido conotativo.</p><p>b) a citação de escritores e poetas como Rubem Braga (ref. 2), Vinícius de Moraes (ref. 16) e Drummond</p><p>(ref. 23), além de servir como argumento de autoridade, indica que se trata de um texto de caráter literário.</p><p>c) os comentários entre parênteses (ref. 5) e (ref. 14) servem para estabelecer um diálogo direto com o</p><p>interlocutor, indicando opiniões do locutor em relação ao que ele disse anteriormente.</p><p>d) a linguagem do texto é informal e bastante coloquial, já que, em muitos momentos, há o descumprimento</p><p>da norma gramatical padrão, como se comprova na última linha do texto.</p><p>37. (G1 - epcar (Cpcar) 2020) Após a leitura atenta do texto, é correto afirmar que</p><p>a) a tecnologia da modernidade não é tão eficiente quanto parece, por isso a conclusão de que “o homem</p><p>é que foi feito para a máquina” (ref. 17), e não o contrário, como se acreditava.</p><p>b) o saudosismo do locutor se justifica em virtude da sua constatação de que “o ser humano, foi descartado</p><p>pela máquina” (ref. 13); dessa forma, ele terá de voltar aos equipamentos do passado.</p><p>c) a tecnologia, embora tenha avançado em muitos setores, como, por exemplo, nos utensílios dos hotéis,</p><p>na comunicação, ainda não foi capaz de conduzir a humanidade para a cura de doenças.</p><p>d) o ser humano na modernidade, independentemente de sua vontade, está atrelado às máquinas, já que</p><p>várias de suas atividades diárias estão intrinsecamente ligadas a elas.</p><p>38. (G1 - epcar (Cpcar) 2020) Dentre os trechos transcritos a seguir, assinale a alternativa em que o vocábulo</p><p>grifado NÃO foi empregado com a finalidade de enfatizar a posição crítica do autor no contexto.</p><p>a) “Hoje até para tomar um elevador tenho que inserir um cartão eletrônico para ele se mover.” (ref. 4)</p><p>b) “...não terem descoberto como curar uma simples gripe...” (ref. 8)</p><p>c) “Ao telefone só se fala com máquinas...” (ref. 18)</p><p>d) “Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer uma pergunta indiscreta.” (ref. 21)</p><p>39. (Unicamp 2020)</p><p>Texto I</p><p>TAREFA 06</p><p>127</p><p>128</p><p>Texto II</p><p>O que levou Marta, seis vezes a melhor do mundo, a enfrentar a Austrália de chuteiras pretas? Adianto,</p><p>não foi o futebol “raiz”. Marta não fechou patrocínio com nenhuma das gigantes do mercado esportivo. Não</p><p>recebeu nenhuma proposta à altura do seu futebol. Isso diz muito sobre o machismo no esporte. A partir</p><p>disso, a atleta decidiu calçar a luta pela diversidade.</p><p>(Fonte: https://www.hypeness.com.br/2019/06/chuteira-sem-logo-e-com-simbolo-de-igualdade-de-genero-foi-mais-um-golaco-de-marta/.</p><p>Acessado em 18/06/2019.)</p><p>Considerando o tweet e o texto acima, é correto afirmar que a atleta</p><p>a) enfrentou o time adversário com chuteiras pretas, mesmo que não tenha sido influenciada pelo futebol “raiz”.</p><p>b) usou chuteiras sem logotipo e luta pela igualdade de gênero no esporte, mesmo sendo considerada seis</p><p>vezes a melhor do mundo.</p><p>c) não recebeu patrocínio de nenhuma grande empresa, embora a chuteira preta sem logotipo simbolize o</p><p>futebol “raiz”.</p><p>d) optou por lutar contra o machismo no esporte, embora as propostas de patrocínio não tenham conside-</p><p>rado seu valor.</p><p>40. (Ufjf-pism 1 2020) Leia a letra da canção abaixo e responda:</p><p>Joia</p><p>Beira de mar</p><p>Beira de mar</p><p>Beira de maré na América do Sul</p><p>Um selvagem levanta o braço</p><p>Abre a mão e tira um caju</p><p>Um momento de grande amor</p><p>De grande amor</p><p>Copacabana</p><p>Copacabana</p><p>Louca total e completamente louca</p><p>A menina muito contente</p><p>Toca a coca-cola na boca</p><p>Um momento de puro amor</p><p>De puro amor.</p><p>VELOSO, Caetano. Letra Só. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.</p><p>A letra da canção Joia, de Caetano Veloso, tem o poder de representar algumas das aproximações que o</p><p>Tropicalismo procurou promover entre espaços, tempos e referenciais culturais distintos, com o intuito de</p><p>provocar uma reflexão acerca do caráter híbrido da formação cultural brasileira.</p><p>Marque a única alternativa em que a afirmação sobre as funções dos elementos da linguagem da canção</p><p>esteja INCORRETA:</p><p>a) Existe uma oposição entre os termos “caju” e “coca-cola”. O primeiro é um elemento natural, nacional e</p><p>autóctone. O segundo é artificial, produto da sociedade de consumo moderna.</p><p>b) Os termos “selvagem” e “menina contente” representam, respectivamente, o lado primitivo, histórico e</p><p>natural do país, e o lado moderno e civilizado, sujeito às influências estrangeiras.</p><p>c) A letra da canção pode ser dividida em duas partes, cada uma representativa de um espaço distinto,</p><p>128</p><p>129</p><p>identificadas pelas expressões “Beira mar” e “Copacabana”.</p><p>d) “Beira mar” e “Copacabana” podem representar um deslocamento temporal no mesmo espaço, já que a</p><p>“beira mar”, séculos depois, transformou-se em “Copacabana”.</p><p>e) Na letra da canção fica evidente que a caracterização da modernidade não leva em consideração e nem</p><p>dialoga com os elementos que representam o passado, uma vez que, ao aceitar a primeira, torna-se obri-</p><p>gatório negar o segundo.</p><p>41. (Unicamp 2020) “O que é então o verossímil? Para encurtar: tudo aquilo em que a confiança é presumida.</p><p>Por exemplo, os juízes nem sempre são independentes, os médicos nem sempre capazes, os oradores nem</p><p>sempre sinceros. Mas presume-se que o sejam; e, se alguém afirmar o contrário, cabe-lhe o ônus da prova.</p><p>Sem esse tipo de presunção, a vida seria impossível; e é a própria vida que rejeita o ceticismo.”</p><p>(Olivier Reboul, Introdução à retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 97-98.)</p><p>Considerando o segundo “Sermão da Quarta-feira de Cinza” (1673), de Antonio Vieira, é correto afirmar que</p><p>a presunção de confiança por parte do auditório cristão do século XVII decorre da</p><p>a) habilidade política do pregador.</p><p>b) atenção disciplinada dos ouvintes.</p><p>c) crença na salvação e na danação eternas.</p><p>d) defesa institucional da Igreja Católica feita pelo clero.</p><p>42. (Unesp 2020) Tal movimento distingue-se pela atenuação do sentimentalismo e da melancolia, a</p><p>ausência quase completa de interesse político no contexto da obra (embora não na conduta) e (como os</p><p>modelos franceses) pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico. O mito da pureza</p><p>da língua, do casticismo vernacular abonado pela autoridade dos autores clássicos, empolgou toda essa</p><p>fase da cultura brasileira e foi um critério de excelência.</p><p>É possível mesmo perguntar se a visão luxuosa</p><p>dos autores desse movimento não representava para as classes dominantes uma espécie de correlativo</p><p>da prosperidade material e, para o comum dos leitores, uma miragem compensadora que dava conforto.</p><p>(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)</p><p>O texto refere-se ao movimento denominado</p><p>a) Romantismo.</p><p>b) Barroco.</p><p>c) Parnasianismo.</p><p>d) Arcadismo.</p><p>e) Realismo.</p><p>43. (Famerp 2020) Quanto à matéria, o romance brasileiro nasceu regionalista e de costumes; ou melhor,</p><p>pendeu desde cedo para a descrição dos tipos humanos e formas de vida social nas cidades e nos cam-</p><p>pos. O romance histórico se enquadrou aqui nesta mesma orientação; o romance __________ constituiu</p><p>desenvolvimento à parte, do ponto de vista da evolução do gênero, e corresponde a certas necessidades,</p><p>poéticas e históricas, de estabelecer um passado heroico e lendário para a nossa civilização, a que os</p><p>__________ desejavam, numa utopia retrospectiva, dar tanto quanto possível traços autóctones.</p><p>A figura dominante do período, __________, passou por todas essas vertentes e em todas deixou boas</p><p>obras.</p><p>(Antonio Candido. Formação da literatura brasileira, 1975. Adaptado.)</p><p>As três lacunas do texto são preenchidas por:</p><p>a) urbano – românticos – Manuel Antônio de Almeida.</p><p>129</p><p>130</p><p>b) indianista – românticos – José de Alencar.</p><p>c) urbano – naturalistas – Aluísio Azevedo.</p><p>d) urbano – românticos – José de Alencar.</p><p>e) indianista – naturalistas – Aluísio Azevedo.</p><p>44. (Unicamp 2020) As palavras organizadas comunicam sempre alguma coisa, que nos toca porque obe-</p><p>dece a certa ordem. Quando recebemos o impacto de uma produção literária, oral ou escrita, ele é devido</p><p>à fusão inextricável da mensagem com a sua organização. Em palavras usuais: o conteúdo de uma obra</p><p>literária só atua por causa da forma.</p><p>(Adaptado de Antonio Candido, “O direito à literatura”, em Vários escritos. São Paulo: Ouro sobre azul e Duas Cidades, 2004, p.178.)</p><p>A obra Sobrevivendo no inferno do grupo Racionais Mc’s é composta pelas canções e pelo projeto editorial</p><p>da capa e contracapa do CD. Nesse projeto editorial, encontram-se elementos visuais e verbais que esta-</p><p>belecem um jogo de formas e sentidos. Com base na afirmação de Antonio Candido, é correto afirmar que</p><p>a organização desses elementos</p><p>a) produz uma simetria entre som e sentido, sendo que tal simetria indica que os símbolos religiosos são</p><p>uma resposta à violência.</p><p>b) configura um sistema de oposições, uma vez que imagens e palavras estabelecem tensões materiais e</p><p>espirituais, constitutivas do sentido das canções.</p><p>c) configura uma sintaxe poética de ordem espiritual. Essa sintaxe espelha o caos e as injustiças vividos na</p><p>periferia das grandes cidades.</p><p>d) produz uma lógica poética racional. Essa lógica se explicita na vitória do crime sobre a visão de mundo</p><p>presente nos versículos bíblicos transcritos.</p><p>45. (Fuvest 2020) O feminismo negro não é uma luta meramente identitária, até porque branquitude e</p><p>masculinidade também são identidades. Pensar feminismos negros é pensar projetos democráticos. Hoje</p><p>afirmo isso com muita tranquilidade, mas minha experiência de vida foi marcada pelo incômodo de uma</p><p>130</p><p>131</p><p>1incompreensão fundamental. 2Não que eu buscasse respostas para tudo. Na maior parte da minha infân-</p><p>cia e adolescência, 3não tinha consciência de mim. Não sabia por que 4sentia vergonha de levantar a mão</p><p>quando a professora fazia uma pergunta já supondo que eu não saberia a resposta. 5Por que eu ficava</p><p>isolada na hora do recreio. Por que os meninos diziam na minha cara que não queriam formar par com a</p><p>“neguinha” na festa junina. Eu me sentia estranha e inadequada, e, na maioria das vezes, fazia as coisas</p><p>no automático, 6me esforçando para não ser notada.</p><p>Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?.</p><p>O trecho que melhor define a “incompreensão fundamental” (ref. 1) referida pela autora é:</p><p>a) “nгo que eu buscasse respostas para tudo” (ref. 2).</p><p>b) “não tinha consciência de mim” (ref. 3).</p><p>c) “Por que eu ficava isolada na hora do recreio” (ref. 5).</p><p>d) “me esforçando para não ser notada” (ref. 6).</p><p>e) “sentia vergonha de levantar a mão” (ref. 4).</p><p>46. (G1 - cp2 2020)</p><p>A falta de empatia e de solidariedade na sociedade atual está presente na charge, tal tema é mais bem</p><p>representado pela</p><p>a) condição de estudante do menino em contraste com o sangue no chão.</p><p>b) quantidade de televisores na vitrine em contraste com o livro e a mochila do menino.</p><p>c) expressão corporal idêntica do jogador e da mulher em contraste com a posição dos espectadores.</p><p>d) expressão corporal da mulher diferente da do jogador em contraste com o menino morto no chão.</p><p>TAREFA 07</p><p>131</p><p>132</p><p>47. (G1 - cotil 2020)</p><p>Em relação à charge acima, pode-se inferir que:</p><p>I. O autor faz uma crítica explícita à forma como é tratada a questão de demarcação de terras indígenas</p><p>no país.</p><p>II. A charge retrata fielmente a visão de que os indígenas são acomodados pelo fato de estarem acostuma-</p><p>dos a receber ajuda da classe mais abastada da sociedade.</p><p>III. A charge ilustra o descaso da população para com a situação dos indígenas no país.</p><p>IV. A construção do sentido da charge se baseia em aspectos verbais e não-verbais.</p><p>Estão corretas apenas as proposições:</p><p>a) I, III e IV</p><p>b) I, II e III</p><p>c) II, III e IV</p><p>d) I e III</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:</p><p>Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor desconhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao</p><p>artista holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas,</p><p>aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador.</p><p>Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que estivessem.</p><p>Começaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo.</p><p>Seu plano era de uma simplicidade diabólica. Não faria como outros destruidores de telas que entram</p><p>num museu armados de facas e atiram-se às obras, tentando destruí-las; tais insanos não apenas não</p><p>conseguem seu intento, como acabam na cadeia. Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados</p><p>absolutamente insuspeitados: os cupins.</p><p>Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era necessário treinar os cupins para que atacassem</p><p>as telas de Van Gogh. Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções das telas do artista, em</p><p>tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a</p><p>diferenciar tais obras de outras.</p><p>Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh. Para ele</p><p>era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava.</p><p>Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do que aconteceria. Sua decepção, contudo,</p><p>foi enorme. Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio,</p><p>132</p><p>133</p><p>feitas de madeira absolutamente vulgar. E por isso foram detectados.</p><p>O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É verdade</p><p>que alguns insetos foram encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe serviu de consolo.</p><p>Suspeitava que os sádicos cupins estivessem querendo apenas debochar dele. Cupins e Van Gogh, era</p><p>tudo a mesma coisa.</p><p>(O imaginário cotidiano, 2002.)</p><p>48. (Unifesp 2020) Observa-se a elipse de um substantivo no trecho:</p><p>a) “Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava” (5º parágrafo)</p><p>b) “Começaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo” (2º parágrafo)</p><p>c) “Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh” (2º parágrafo)</p><p>d) “Seu plano era de uma simplicidade diabólica” (3º parágrafo)</p><p>e) “Reproduções das telas do artista, em tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada”</p><p>(4º parágrafo)</p><p>49. (Unifesp 2020) Tendo em vista a ordem inversa da frase, verifica-se o emprego de vírgula para separar</p><p>um termo que exerce a função de sujeito em:</p><p>a) “Deu-lhe muito trabalho, aquilo.” (4º parágrafo)</p><p>b) “Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio, feitas de</p><p>madeira absolutamente vulgar.” (6º parágrafo)</p><p>c) “Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava.” (5º parágrafo)</p><p>d) “Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente insuspeitados: os cupins.” (3º</p><p>parágrafo)</p><p>e) “Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana.” (4º parágrafo)</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Do Pará ao Brasil</p><p>Vamos tentar sintetizar algumas informações sobre a questão indígena no Brasil, procurando mostrar</p><p>como nossa pátria acolhe muitas culturas em suas fronteiras. Há no Brasil uma diversidade cultural bastante</p><p>acentuada, ou seja, aqui em nosso país convivem pessoas que têm modos de vida diferentes. Para</p><p>nos certificar de que isso é verdade, basta lembrar que 1a cidade de São Paulo, a maior do Brasil, acolhe</p><p>pessoas oriundas de vários lugares do mundo: orientais (coreanos, japoneses, chineses), europeus (por-</p><p>tugueses, italianos, entre outros) etc. Cada grupo de pessoas que mora nesta cidade e não deixa de lado</p><p>suas tradições religiosas, seu jeito de falar, suas comidas, seu jeito de vestir etc. forma o que chamamos de</p><p>colônias, e elas conquistam seu espaço na medida em que valorizam a própria cultura. Embora para o povo</p><p>de São Paulo não haja nada de anormal na vida dessas pessoas, ele, o povo, percebe que são diferentes</p><p>no que se refere a hábitos e costumes. Para todos os efeitos, os estrangeiros passam a fazer parte da vida</p><p>da cidade como verdadeiros “adotados”, pois contribuem para o seu desenvolvimento.</p><p>Isso vale para todos os estados do Brasil. Cada um tem seu jeito próprio de manifestar suas tradições</p><p>culturais.</p><p>Neste mesmo Brasil de 190 milhões de habitantes, moram aqueles que a história passou a chamar de</p><p>índios. E quantos são os índios no Brasil? Aproximadamente 800 mil, e são assim chamados por conta de</p><p>sua existência em nossa terra quando o Brasil foi “descoberto”, em 1500. Estima-se que nessa época havia</p><p>mais de 5 milhões de indígenas ocupando nossa terra de norte a sul, e eles pertenciam a quase mil povos</p><p>diferentes.</p><p>Ao longo da história do Brasil, muitos povos foram exterminados pela ganância dos estrangeiros, até</p><p>que restassem apenas duzentos povos com grande diversidade cultural. Isso significa que esses povos</p><p>133</p><p>134</p><p>são diferentes entre si, não existindo, por isso, o índio brasileiro, e sim pessoas que se relacionam diferen-</p><p>temente com a natureza em busca da sobrevivência e que, devido a um preconceito sem sentido (baseado</p><p>na tecnologia do não índio), foram rejeitadas como autênticos filhos da terra chamada Brasil.</p><p>Munduruku, Daniel. Histórias de Índio. Ilustrações Laurabeatriz. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1996.</p><p>50. (G1 - cotil 2020) De acordo com o texto, a argumentação do autor:</p><p>a) valoriza a diversidade cultural na composição da sociedade brasileira.</p><p>b) trata de forma pejorativa os estrangeiros no Brasil, chamando-os de “adotados”.</p><p>c) refuta a ideia de que cada um tem seu jeito próprio de manifestar suas tradições culturais.</p><p>d) explica que a população indígena foi drasticamente reduzida por se opor à cultura estrangeira.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Considere o excerto do texto “Novos letramentos pelos memes: muito além do ensino de línguas”, de Maciel</p><p>e Takaki, para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>“[...] No Facebook, em outra época, foi comentada a frase Can the twitter speak? (O twitter pode falar?),</p><p>fazendo analogia à famosa frase da indiana Gayatri Spivak: Can the subaltern speak? (O subalterno pode</p><p>falar?), defensora da tese de que as pessoas só podem ser ouvidas se forem filiadas a um grupo preferen-</p><p>cialmente hegemônico, ou seja, só serão ouvidas se estiverem do lado de dentro. Contudo, o ciberespaço</p><p>fornece essa possibilidade de expressão, embora apenas como propagação de ideias sem estar necessa-</p><p>riamente atrelado a um poder de decisão. Mesmo assim, devido a uma grande participação de internautas,</p><p>as ideias se revestem de grandes complexidades, sobretudo com a convergência em outras mídias.</p><p>Desse modo, destacamos que, no contexto da linguagem, os memes representam modelos culturais</p><p>de pensamentos, ideias, pressupostos, valores, esquemas interpretativos de fenômenos sociais simbólicos</p><p>e comportamentais que são produzidos por participantes, por exemplo, em “espaços de afinidade” (Gee,</p><p>2004, p. 77). Nesses contextos, as pessoas interagem, participam e aprendem num ambiente que sugere</p><p>muito mais que um mero pertencimento a determinada comunidade. Para o referido teórico, no “espaço de</p><p>afinidade”, diferente do espaço da comunidade convencional, os integrantes se encontram com maior flexi-</p><p>bilidade por questões de interesse comum e não por aquelas vinculadas à [...] classe social, gênero, etnia.</p><p>Esse “espaço de afinidade” atende aos interesses de usuários que se encontram socialmente saturados</p><p>por diversas tarefas e que, por isso mesmo, são interpelados a construir sentidos acessando e deixando o</p><p>ambiente digital quando sentirem necessidade, sem que precisem passar por seguranças e portarias, como</p><p>costuma ocorrer em clubes, parques e em outras esferas sociais”.</p><p>(MACIEL, Ruberval Franco; TAKAKI, Nara Il. Novos letramentos pelos memes: muito além noensino de línguas. In: JESUS, D.; MACIEL, R. (Orgs.).</p><p>Olhares sobre tecnologias digitais: linguagens, ensino, formação e prática docente. Campinas: Pontes, 2015).</p><p>51. (Ufms 2020) De acordo com o texto, é correto afirmar que:</p><p>a) os participantes que interagem no ciberespaço determinam as regras na elaboração dos memes, já que</p><p>pertencem a grupos cujas ideias, pensamentos e valores são rigidamente combinados.</p><p>b) várias mídias podem colaborar na construção dos memes, uma vez que contexto da linguagem permite</p><p>a mobilidade dos internautas, dependendo dos interesses que os motivam.</p><p>c) o ciberespaço possibilita a circulação de ideias, valores e modelos culturais e, em função da visibilidade</p><p>que apresenta, influencia na tomada de decisão de boa parte dos internautas.</p><p>d) a interação no espaço midiático, por abranger classe social, gênero e etnia, direciona os internautas ao</p><p>desejo de pertencer a determinado grupo.</p><p>e) as pessoas, de modo geral, só utilizam as mídias pela comodidade que elas oferecem, haja vista que</p><p>não há necessidade da presença de portarias e de seguranças, como se vê em clubes e em outros locais.</p><p>134</p><p>135</p><p>Como o comportamento de manada explica adesão impensada aos ativismos políticos</p><p>O ativismo se expressa, sobretudo, através de movimentos coletivos. Mas essa própria noção de coleti-</p><p>vidade pode ser uma pressão para pessoas participarem de um movimento simplesmente para sentirem que</p><p>fazem parte de algo: a chamada “mob mentality” ou comportamento de manada é um instrumento político</p><p>e uma arma para promover a agenda de grupos específicos.</p><p>A teoria psicológica de “comportamento de manada” sugere que seres humanos têm maior probabilidade</p><p>de adotar determinados comportamentos porque seus amigos, colegas de trabalho e vizinhos já o adotam.</p><p>Basicamente,</p><p>ninguém quer ser o primeiro ou o último a fazer algo, mas sim estar seguro e inserido em um</p><p>determinado grupo social.</p><p>“Se a questão é o que fazer com uma caixa de pipoca vazia em um cinema, com que rapidez dirigir em</p><p>um determinado trecho de rodovia ou como comer o frango em um jantar, as ações das pessoas ao nosso</p><p>redor serão importantes para definir nossa resposta”, diz o psicólogo Robert Cialdini, autor de “Influência:</p><p>A Psicologia da Persuasão”.</p><p>A mesma lógica se aplica a ideologias políticas: um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley</p><p>constatou que as pessoas tendem a alinhar suas opiniões políticas às do grupo em que estão inseridas.</p><p>O experimento reuniu 63 pessoas de duas cidades do Colorado: o primeiro de Boulder, um município com</p><p>maioria de esquerda, enquanto o outro reunia pessoas de Colorado Springs. Ambos os grupos discutiram</p><p>aquecimento global, ações afirmativas e união civil para casais do mesmo sexo.</p><p>Nas duas discussões, o principal efeito foi tornar os membros do grupo mais extremos em suas opini-</p><p>ões, comparado ao que eram antes de começarem a conversar. Ou seja: progressistas se tornaram mais</p><p>progressistas nas três questões, enquanto conservadores se tornaram mais conservadores.</p><p>“Todos queremos tomar decisões melhores. Estudos identificam os papéis benéficos das estruturas de</p><p>diversidade de pensamento, subgrupo e liderança plana na otimização de ideias e resolução de problemas”,</p><p>diz Zac Baynham-Herd, analista da prática de ciências comportamentais da Ogilvy Consulting. “À medida</p><p>que a atividade online cresce, o potencial de proliferação de ‘ovelhas negras’ e ‘comportamento de manada’</p><p>também aumenta”, acrescenta.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2019. Publicado em 22 set. 2019. [Fragmento adaptado].</p><p>52. (Acafe 2020) “O experimento reuniu 63 pessoas de duas cidades do Colorado: o primeiro de Boulder,</p><p>um município com maioria de esquerda, enquanto o outro reunia pessoas de Colorado Springs. Ambos os</p><p>grupos discutiram aquecimento global, ações afirmativas e união civil para casais do mesmo sexo.”</p><p>Sobre esse fragmento do texto, é correto afirmar que:</p><p>a) O fragmento diz explicitamente que as pessoas de Colorado Springs são mais conservadoras do que as</p><p>pessoas de Boulder.</p><p>b) o número de pessoas de Boulder, participantes do experimento realizado pela Universidade de Berkeley,</p><p>é igual ao número de pessoas participantes de Colorado Springs.</p><p>c) em “[...] o primeiro de Boulder, um município com maioria de esquerda, enquanto o outro reunia pessoas</p><p>de Colorado Springs”, o termo destacado seria mais coeso e coerente se fosse substituído por “o primeiro</p><p>[grupo reunia pessoas] de Boulder”.</p><p>d) Os habitantes de Colorado Springs têm renda per capita mais alta que os habitantes de Boulder.</p><p>53. (Acafe 2020) Considerando o texto, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A frase “Ou seja: progressistas se tornaram mais progressistas nas três questões, enquanto conservado-</p><p>res se tornaram mais conservadores” mantém o mesmo significado se for reescrita da seguinte forma: “isso</p><p>quer dizer que se os progressistas se tornaram mais progressistas então os conservadores se tornaram</p><p>mais conservadores”.</p><p>135</p><p>136</p><p>b) Em “[...] um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley constatou que as pessoas tendem a alinhar</p><p>suas opiniões políticas às do grupo em que estão inseridas”, o vocábulo “às” é constituído pela combinação</p><p>da preposição “a” mais o artigo definido “as”.</p><p>c) Em “A mesma lógica se aplica a ideologias políticas [...]”, faltou indicar a ocorrência de crase em “à ide-</p><p>ologias políticas”.</p><p>d) Em “[...] seres humanos têm maior probabilidade de adotar determinados comportamentos porque seus</p><p>amigos, colegas de trabalho e vizinhos já o adotam”, há um erro de concordância nominal.</p><p>Quer virar um gênio da web? Saiba como criar seu meme para WhatsApp</p><p>Por Márcio Padrão/27/10/2018</p><p>No princípio, era o verbo. Depois, o e-mail, o link e o website. Logo em sequência, o GIF do bebê dan-</p><p>çando, um dos primeiros memes da internet. Desde então, essa forma de comunicação dos novos tempos se</p><p>alastrou como um tsunami em todas as nossas conversas e redes sociais. Mas e você? Já fez algum meme?</p><p>Memes são conteúdos multimídia que se espalham (viralizam) rapidamente, recriando fatos ou algum</p><p>conteúdo original com um propósito humorístico ou de sátira. Tudo vira meme na mão do povão: uma cena</p><p>importante de “Game of Thrones”, um discurso político, uma derrota de um time de futebol ou uma foto</p><p>bizarra de um anônimo.</p><p>A graça dele é que justamente qualquer um com uma boa sacada pode criar um meme ou participar</p><p>de um que já está rolando na web. Se você quer fazer um, lembre-se de que um bom meme geralmente</p><p>possui essas características, segundo o site “Thrillist”:</p><p>Mensagem simples e eficiente</p><p>É preciso que a frase/imagem/áudio/legenda/GIF/vídeo traga uma mensagem curta e clara, e com refe-</p><p>rências e contexto fáceis de identificar. De preferência, sobre algo que ainda esteja fresco na memória das</p><p>pessoas. Por isso, o autor do meme também deve ser rápido se quiser “surfar” no assunto do momento.</p><p>Evolução</p><p>O meme não pode permanecer estático; seu sinal de sucesso é que ele deve ser adotado e constantemente</p><p>recriado pelo grande público, ou pelo menos por seu público-alvo.</p><p>Maleabilidade</p><p>Ele deve ter em si elementos que ajudem em sua própria evolução, com detalhes que podem ser alterados,</p><p>mas mantendo o núcleo da ideia original. Por exemplo: se o meme for o de uma placa de aviso com uma</p><p>frase, que seja possível trocar a frase por outra diferente sem que polua demais a imagem original.</p><p>Efeito</p><p>E o mais importante: tem que atingir um certo nível de popularidade e compreensão. Em poucas palavras,</p><p>tem que causar reação e interesse imediato nas pessoas, além de atiçar nelas o interesse de repassar o</p><p>meme ou de fazer outros parecidos.</p><p>Texto adaptado. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2018/10/27/como-criar-seu-memeparawhatsapp.htm .</p><p>Acesso em: 18 jul. 2019.</p><p>54. (Ufjf-pism 1 2020) Com base no texto, é possível dizer que um meme eficiente apresenta a seguinte</p><p>característica:</p><p>TAREFA 08</p><p>136</p><p>137</p><p>TAREFA 08</p><p>a) Enigmático, pois o que faz o sucesso de um meme é o interesse das pessoas em decifrá-lo.</p><p>b) Atemporal, pois o que faz o sucesso de um meme é a sua capacidade de expressar um conteúdo eficaz</p><p>em todas as épocas.</p><p>c) Inflexível, pois o que faz o sucesso de um meme é sua capacidade de ser replicado rapidamente sem</p><p>que seu conteúdo esteja sujeito a mudanças.</p><p>d) Polêmico, pois o que faz o sucesso de um meme é o interesse das pessoas em compartilhá-lo.</p><p>e) Acessível, pois o que faz o sucesso de um meme é a rapidez e facilidade com que se pode compreendê-lo.</p><p>55. (Ufjf-pism 1 2020) Um dos objetivos do texto é instruir o leitor a respeito de como fazer um bom meme.</p><p>Para isso, pode-se dizer que a seguinte estratégia textual é utilizada:</p><p>a) Abundância de verbos no imperativo, que têm a função de orientar o leitor quanto às etapas que devem</p><p>ser seguidas na criação de um meme.</p><p>b) Narração de acontecimentos relacionados ao tema, que tem a função de prender a atenção do leitor para</p><p>o conteúdo do texto.</p><p>c) Listagem das características principais do objeto do texto, que tem a função de didaticamente apresentar</p><p>as propriedades relevantes.</p><p>d) Organização das instruções em passos sequenciais, que têm a função de mostrar ao leitor as fases</p><p>importantes na criação de um meme.</p><p>e) Formalidade na linguagem, com o objetivo de convencer o leitor de que as instruções fornecidas pelo</p><p>texto são confiáveis.</p><p>56. (Ufjf-pism 1 2020) Releia o trecho abaixo retirado do texto:</p><p>Tudo vira meme na mão do povão: uma cena importante de “Game of Thrones”, um discurso político, uma</p><p>derrota de um time de futebol ou uma foto bizarra de um anônimo.</p><p>Com base no trecho acima, podemos afirmar que:</p><p>a) A partir da utilização do termo povão, que, informalmente, refere-se à classe mais baixa da população, é</p><p>possível inferir que as classes mais ricas não se utilizam do meme como forma de comunicação.</p><p>b) A partir da utilização do sinal gráfico de dois-pontos, é possível inferir que a sequência por ele introduzida</p><p>esgota as possibilidades de fonte de um meme.</p><p>c) O emprego do termo povão foi utilizado com o propósito de conferir informalidade ao texto, como estra-</p><p>tégia de aproximação do leitor.</p><p>d) O sinal gráfico de dois-pontos poderia ser substituído por um ponto, sem que tal modificação constituísse</p><p>desobediência ao padrão da escrita culta.</p><p>e) Todos os elementos elencados depois do sinal de dois-pontos são especificados pelo emprego de adje-</p><p>tivos que os caracterizam, respectivamente: importante, político, futebol e bizarra.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:</p><p>Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor desconhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao</p><p>artista holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas,</p><p>aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador.</p><p>Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que estivessem.</p><p>Começaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo.</p><p>Seu plano era de uma simplicidade diabólica. Não faria como outros destruidores de telas que entram num</p><p>museu armados de facas e atiram-se às obras, tentando destruí-las; tais insanos não apenas não conseguem</p><p>seu intento, como acabam na cadeia. Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente</p><p>137</p><p>138</p><p>insuspeitados: os cupins.</p><p>Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era necessário treinar os cupins para que atacassem</p><p>as telas de Van Gogh. Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções das telas do artista, em</p><p>tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a</p><p>diferenciar tais obras de outras.</p><p>Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh. Para ele</p><p>era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava.</p><p>Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do que aconteceria. Sua decepção, contudo,</p><p>foi enorme. Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio,</p><p>feitas de madeira absolutamente vulgar. E por isso foram detectados.</p><p>O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É verdade</p><p>que alguns insetos foram encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe serviu de consolo.</p><p>Suspeitava que os sádicos cupins estivessem querendo apenas debochar dele. Cupins e Van Gogh, era</p><p>tudo a mesma coisa.</p><p>(O imaginário cotidiano, 2002.)</p><p>57. (Unifesp 2020) Em “Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer</p><p>Van Gogh” (5º parágrafo), o cronista recorre à figura de linguagem denominada:</p><p>a) metonímia.</p><p>b) hipérbole.</p><p>c) eufemismo.</p><p>d) personificação.</p><p>e) pleonasmo.</p><p>58. (Unifesp 2020) Expressam ideia de negação e ideia de repetição, respectivamente, os prefixos das</p><p>palavras</p><p>a) “deformados” e “repulsivo”.</p><p>b) “insuspeitados” e “repulsivo”.</p><p>c) “deformados” e “recobertas”.</p><p>d) “repulsivo” e “recobertas”.</p><p>e) “insuspeitados” e “deformados”.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:</p><p>Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o trecho do livro O homem cordial, de Sérgio Buarque de</p><p>Holanda.</p><p>Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade</p><p>— daremos ao mundo o “homem cordial”. A 1lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão</p><p>gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro,</p><p>na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio</p><p>humano, informados no meio rural e patriarcal. Seria engano supor que essas virtudes possam significar</p><p>“boas maneiras”, civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente</p><p>rico e transbordante. Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo — ela pode exprimir-se em mandamentos</p><p>e em sentenças. Entre os japoneses, onde, como se sabe, a polidez envolve os aspectos mais ordinários</p><p>do convívio social, chega a ponto de confundir-se, por vezes, com a reverência religiosa. Já houve quem</p><p>notasse este fato significativo, de que as formas exteriores de veneração à divindade, no cerimonial xintoísta,</p><p>não diferem essencialmente das maneiras sociais de demonstrar respeito.</p><p>Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida do que o brasileiro. Nossa forma ordi-</p><p>nária de convívio social é, no fundo, justamente o contrário da polidez. Ela pode iludir na aparência — e</p><p>138</p><p>139</p><p>isso se explica pelo fato de a atitude polida consistir precisamente em uma espécie de mímica deliberada</p><p>de manifestações que são espontâneas no “homem cordial”: é a forma natural e viva que se converteu em</p><p>fórmula. Além disso a polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a sociedade. Detém-se na</p><p>parte exterior, epidérmica do indivíduo, podendo mesmo servir, quando necessário, de peça de resistência.</p><p>Equivale a um disfarce que permitirá a cada qual preservar intatas sua sensibilidade e suas emoções.</p><p>Por meio de semelhante padronização das formas exteriores da cordialidade, que não precisam ser legí-</p><p>timas para se manifestarem, revela-se um decisivo triunfo do espírito sobre a vida. Armado dessa máscara,</p><p>o indivíduo consegue manter sua supremacia ante o social. E, efetivamente, a polidez implica uma presença</p><p>contínua e soberana do indivíduo.</p><p>No “homem cordial”, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele</p><p>sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua</p><p>maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que</p><p>no brasileiro — como bom americano — tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros.</p><p>(O homem cordial, 2012.)</p><p>1lhaneza: afabilidade.</p><p>59. (Unifesp 2020) Dentre os seguintes termos empregados no primeiro parágrafo, considerados no con-</p><p>texto, o que tem sentido mais genérico é:</p><p>a) veneração.</p><p>b) lhaneza.</p><p>c) polidez.</p><p>d) civilidade.</p><p>e) caráter.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:</p><p>COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO DOS HUMANOS NO FUTURO?</p><p>Adaptado de Maria Luciana Rincon</p><p>Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita gente prevê</p><p>que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem precedentes. Aliás, segundo</p><p>os mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do ano 2050 seremos testemunhas de</p><p>uma onda de fome que poderá afetar todo o planeta.</p><p>Algumas estimativas apontam que dentro</p><p>de apenas uma ou duas gerações a população mundial terá</p><p>aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se concentrará em grandes</p><p>centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso encontrar formas de fazer com que</p><p>os alimentos cheguem até essas áreas e supram as necessidades de todos.</p><p>Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a iminente crise de</p><p>alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja uma mudança na dieta e,</p><p>para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um período de 25 anos, a alimentação</p><p>humana se baseará principalmente em produtos altamente processados e — diferente dos itens disponíveis</p><p>hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.</p><p>1Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por mais tempo,</p><p>além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os alimentos atuais,</p><p>alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em produtos processados, logo</p><p>imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções mais equilibradas existem, mas não</p><p>agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.</p><p>Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de desenvolver produtos</p><p>processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema para o futuro é o consumo de</p><p>carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como cara e ineficiente e, no futuro, com a já</p><p>139</p><p>140</p><p>prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses produtos se tornarão economicamente inviáveis.</p><p>Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas, dando lugar à</p><p>ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros ingredientes que garantirão o</p><p>sabor e o valor nutricional dos alimentos.</p><p>2Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir refeições e,</p><p>de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem suas criações culinárias</p><p>e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o desenvolvimento de tecnologias que</p><p>permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes</p><p>e compostos alimentares bioativos.</p><p>E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois, conforme explicou,</p><p>animais como frangos e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos cultivados industrialmente.</p><p>Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, 3com uma população</p><p>mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda essa gente — e ao</p><p>mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada fácil.</p><p>Disponível:. Acesso em 04</p><p>de out. de 2019</p><p>60. (G1 - cmrj 2020) No trecho “com uma população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodida-</p><p>des” (referência 3), o termo em negrito pode ser substituído, sem alteração de sentido do texto, pela palavra</p><p>a) ansiosa.</p><p>b) medrosa.</p><p>c) generosa.</p><p>d) resignada.</p><p>e) equilibrada.</p><p>61. (G1 - cmrj 2020) Na passagem “Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem</p><p>ser preservados por mais tempo” (referência 1), a expressão em destaque revela a</p><p>a) insinuação de uma afirmação questionável.</p><p>b) citação de uma ideia defendida pelo cientista.</p><p>c) exemplificação de um pensamento consensual.</p><p>d) interferência da autora sobre a autoridade de Archer.</p><p>e) correção das informações presentes no parágrafo anterior.</p><p>140</p><p>141</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:</p><p>Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em alfabetização. Um dos motivos do êxito é a par-</p><p>ceria com os municípios, os principais encarregados dos primeiros anos de escolarização.</p><p>Além de medidas que incluem formação de professores e material didático estruturado, o governo cea-</p><p>rense acionou um incentivo financeiro: as cidades com resultados melhores recebem fatia maior do ICMS,</p><p>com liberdade para destinação dos recursos.</p><p>O modelo já foi adotado em Pernambuco e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá,</p><p>Espírito Santo e São Paulo.</p><p>Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em Pernambuco, baseado em tempo integral,</p><p>que permite ao estudante escolher disciplinas optativas, projeto acolhido em São Paulo.</p><p>Auspiciosa, essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo de como a sociedade pode</p><p>se mobilizar em torno de propostas palpáveis.</p><p>(“Unidos pelo Ensino”. Folha de S.Paulo, 27.08.2019. Adaptado.)</p><p>62. (Famema 2020) O sentido original do texto está mantido com a reescrita do trecho:</p><p>a) As cidades com liberdade para destinação dos recursos recebem fatia maior do ICMS, obtendo assim</p><p>resultados melhores.</p><p>b) São Paulo desenvolve projeto de ensino médio que permite ao estudante escolher disciplinas optativas,</p><p>o qual se replica em Pernambuco.</p><p>c) Um dos motivos do êxito é a parceria com os principais encarregados dos primeiros anos de escolariza-</p><p>ção, isto é, os municípios.</p><p>d) Apesar de algumas medidas, como formação de professores e material didático estruturado, o governo</p><p>cearense acionou um incentivo financeiro.</p><p>e) Destaca-se em alfabetização o Ceará devido às restrições de renda da parceria com os municípios.</p><p>63. (Famema 2020) O objetivo do texto é</p><p>a) analisar o impacto no aumento do ICMS para as políticas públicas educacionais.</p><p>b) examinar práticas que visem à melhoria das condições de ensino do país.</p><p>c) criticar a falta de políticas públicas em educação para atender os estados brasileiros.</p><p>d) contestar os resultados de práticas educacionais chamadas de inovadoras no país.</p><p>64. (Famema 2020) A forma verbal sublinhada expressa ideia de ação em processo no trecho:</p><p>a) “e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá, Espírito Santo e São Paulo” (3º parágrafo).</p><p>b) “o governo cearense acionou um incentivo financeiro” (2º parágrafo).</p><p>c) “O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em alfabetização” (1º parágrafo).</p><p>d) “Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em Pernambuco” (4º parágrafo).</p><p>e) essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo de como a sociedade pode se mobilizar”</p><p>(5º parágrafo).</p><p>TAREFA 09</p><p>141</p><p>141</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:</p><p>Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em alfabetização. Um dos motivos do êxito é a par-</p><p>ceria com os municípios, os principais encarregados dos primeiros anos de escolarização.</p><p>Além de medidas que incluem formação de professores e material didático estruturado, o governo cea-</p><p>rense acionou um incentivo financeiro: as cidades com resultados melhores recebem fatia maior do ICMS,</p><p>com liberdade para destinação dos recursos.</p><p>O modelo já foi adotado em Pernambuco e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá,</p><p>Espírito Santo e São Paulo.</p><p>Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em Pernambuco, baseado em tempo integral,</p><p>que permite ao estudante escolher disciplinas optativas, projeto acolhido em São Paulo.</p><p>Auspiciosa, essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo de como a sociedade pode</p><p>se mobilizar em torno de propostas palpáveis.</p><p>(“Unidos pelo Ensino”. Folha de S.Paulo, 27.08.2019. Adaptado.)</p><p>62. (Famema 2020) O sentido original do texto está</p><p>mantido com a reescrita do trecho:</p><p>a) As cidades com liberdade para destinação dos recursos recebem fatia maior do ICMS, obtendo assim</p><p>resultados melhores.</p><p>b) São Paulo desenvolve projeto de ensino médio que permite ao estudante escolher disciplinas optativas,</p><p>o qual se replica em Pernambuco.</p><p>c) Um dos motivos do êxito é a parceria com os principais encarregados dos primeiros anos de escolariza-</p><p>ção, isto é, os municípios.</p><p>d) Apesar de algumas medidas, como formação de professores e material didático estruturado, o governo</p><p>cearense acionou um incentivo financeiro.</p><p>e) Destaca-se em alfabetização o Ceará devido às restrições de renda da parceria com os municípios.</p><p>63. (Famema 2020) O objetivo do texto é</p><p>a) analisar o impacto no aumento do ICMS para as políticas públicas educacionais.</p><p>b) examinar práticas que visem à melhoria das condições de ensino do país.</p><p>c) criticar a falta de políticas públicas em educação para atender os estados brasileiros.</p><p>d) contestar os resultados de práticas educacionais chamadas de inovadoras no país.</p><p>64. (Famema 2020) A forma verbal sublinhada expressa ideia de ação em processo no trecho:</p><p>a) “e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá, Espírito Santo e São Paulo” (3º parágrafo).</p><p>b) “o governo cearense acionou um incentivo financeiro” (2º parágrafo).</p><p>c) “O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em alfabetização” (1º parágrafo).</p><p>d) “Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em Pernambuco” (4º parágrafo).</p><p>e) essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo de como a sociedade pode se mobilizar”</p><p>(5º parágrafo).</p><p>TAREFA 09</p><p>142</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Leia a charge do cartunista Duke para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>65. (Famema 2020) Depreende-se com a leitura da charge que as redes sociais</p><p>a) melhoram a saúde do homem, quando usadas intensamente.</p><p>b) podem ocasionar prejuízos à saúde do ser humano.</p><p>c) promovem situações salutares de convivência humana.</p><p>d) permitem o aguçamento da percepção das pessoas.</p><p>e) influenciam pouco a saúde, assim como as atividades físicas.</p><p>66. (Famema 2020) Nas perguntas do médico “Tem praticado atividades físicas? Mudou hábitos alimenta-</p><p>res?”, o sujeito das orações remete a “você”. Se os sujeitos fossem “atividades físicas” e “hábitos alimentares”,</p><p>essas perguntas assumiriam, em conformidade com a norma-padrão, a seguinte redação:</p><p>a) Têm sido praticado atividades físicas? Mudaram-se hábitos alimentares?</p><p>b) Vêm-se praticando atividades físicas? Mudou-se hábitos alimentares?</p><p>c) Têm sido praticadas atividades físicas? Mudaram hábitos alimentares?</p><p>d) Atividades físicas tem sido praticadas? Mudou-se hábitos alimentares?</p><p>e) Atividades físicas vem sendo praticadas? Mudou hábitos alimentares?</p><p>142</p><p>143</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>A internet facilita a vida de quem odeia</p><p>1Se a globalização fez com que bobagens alcançassem escala global, a internet maximizou a expressão</p><p>de ódio, de intolerância, de 2exacerbação de preconceitos e da violência da linguagem. Mas a internet não</p><p>cria o sentimento de ódio, talvez apenas torne mais evidente aquilo que só se daria no campo do relacio-</p><p>namento pessoal.</p><p>3Há cem anos, se eu fosse um racista, precisaria expressar meu racismo num livro. Para publicar um</p><p>livro, eu teria de escrevê-lo durante meses. Depois teria de revisá-lo, achar um editor e vendê-lo. Dava</p><p>muito trabalho. Hoje eu faço um post, e com um enter, atinjo mais gente do que um livro clássico atingiria.</p><p>O ataque anônimo nas redes, sem o custo do ataque pessoal, deu ao ódio do covarde uma energia muito</p><p>grande. Deu-lhe a proteção da distância física e do anonimato. O pior do ódio social, que é universal, agora</p><p>pode ser dirigido sem custos. Numa comunidade, as relações são pessoais. Na rede, 4deletérias.</p><p>É errado, portanto, dizer que a internet transformou as pessoas em odiosas. Mas é fato que ela gera</p><p>mais tranquilidade no exercício desse ódio. O enter é tão destruidor quanto qualquer outra coisa. Antes da</p><p>internet, matar dava trabalho. 5Agora, incita-se o ódio com um clique.</p><p>Junte a proteção do anonimato e da distância, o senso de identidade do ódio e acrescente um terceiro</p><p>elemento importante: posso a todo instante dialogar com todos. Isso me empodera. Imagine se no passado</p><p>alguém teria acesso ao universo de pessoas em todo o mundo que temos hoje? Hoje, com um simples</p><p>post, posso enlamear. 6Não preciso ter mais compromisso, algo diferente da mentira. A mentira é usada</p><p>por alguém que tem noção da verdade. Não importa saber se é verdade. O que importa é a sua eficácia.</p><p>KARNAL, Leandro. Todos contra todos: o ódio nosso de cada dia. Rio de Janeiro: Leya, 2017 (adaptado).</p><p>2exacerbação: exageração; aumento.</p><p>4deletérias: prejudiciais.</p><p>67. (G1 - cp2 2020) Se a globalização fez com que bobagens alcançassem escala global... (ref. 1)</p><p>A palavra destacada no excerto acima pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelo seguinte vocábulo:</p><p>a) tolices</p><p>b) ilusões</p><p>c) ofensas</p><p>d) brincadeiras</p><p>68. (G1 - cp2 2020) De acordo com o texto, a internet</p><p>a) anula o ódio na sociedade.</p><p>b) diminui o ódio na sociedade.</p><p>c) introduz o ódio na sociedade.</p><p>d) potencializa o ódio na sociedade.</p><p>143</p><p>144</p><p>69. (G1 - cp2 2020) Os braços cruzados e a testa franzida do menino, personagem da charge, indicam que</p><p>ele está</p><p>a) decepcionado, pois esperava por outro tipo de presente.</p><p>b) preocupado, porque o presente chegou muito tarde.</p><p>c) alegre, por ser presenteado com algo inesperado.</p><p>d) entusiasmado, por ter ganhado algo muito útil.</p><p>70. (G1 - cp2 2020) Não era exatamente este tipo de carrinho que eu queria ganhar!</p><p>No texto, o pronome este foi destacado com a intenção de chamar a atenção do leitor para outro modelo de</p><p>carrinho, que provavelmente estaria nas expectativas da criança. Esse outro seria um carrinho de</p><p>a) feira.</p><p>b) carga.</p><p>c) mercado.</p><p>d) brinquedo.</p><p>TAREFA 10</p><p>144</p><p>145</p><p>TAREFA 10 TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:</p><p>QUAIS SÃO OS DEVERES E DIREITOS DAS CRIANÇAS?</p><p>Essa foi a pergunta feita pela pequena leitora Vitória, de 10 anos de idade, à Turminha do MPF (Ministério</p><p>Público Federal).</p><p>Resposta do Rod, personagem da Turminha do MPF:</p><p>Olá, Vitória! Nós temos muitos direitos e deveres e existem algumas leis que tratam só disso, como, por</p><p>exemplo, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Convenção sobre os Direitos da Criança, apro-</p><p>vada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mas, para resumir um pouco a resposta à sua pergunta,</p><p>posso dizer alguns dos nossos direitos:</p><p>1. ter uma educação de boa qualidade;</p><p>2. ter acesso à cultura e aos meios de comunicação e informação;</p><p>3. poder brincar com outras crianças da nossa idade;</p><p>4. não ser obrigado a trabalhar como adulto;</p><p>5. ter uma boa alimentação, que dê ao nosso organismo todos os nutrientes de que precisamos para crescer</p><p>com saúde e energia;</p><p>6. receber assistência médica gratuita nos hospitais públicos sempre que precisarmos de atendimento;</p><p>7. ser livre para ir e vir, conviver em sociedade e expressar nossas ideias e sentimentos;</p><p>8. ter a proteção de uma família que nos ame, seja ela natural ou adotiva, ou de um lar oferecido pelo Estado</p><p>se, por infelicidade, perdermos os nossos pais e parentes mais próximos;</p><p>9. não sofrer agressões físicas ou psicológicas por parte daqueles que são encarregados da nossa proteção</p><p>e educação ou de qualquer outro adulto;</p><p>Enfim, temos direito a uma vida digna, saudável e feliz.</p><p>Quanto aos nossos deveres, eles precisam começar pelo respeito ao direito das pessoas com quem</p><p>convivemos, pois só assim poderemos esperar que elas também nos respeitem. Outro dever nosso é estu-</p><p>dar e nos preparar para a vida adulta, quando a sociedade exigirá de nós uma série de responsabilidades</p><p>que não temos hoje, enquanto</p><p>somos crianças. 1Por exemplo, trabalhar para criar e educar nossos próprios</p><p>filhos ou para ser capaz de votar, com discernimento, nos melhores representantes para governar nossas</p><p>cidades e nosso país.</p><p>Temos também o dever de respeitar as pessoas que são ou pensam diferente de nós. Como cidadãos</p><p>de um país democrático, precisamos aprender, desde a infância, a lidar com as diferenças e aceitá-las.</p><p>Como fazemos isso? Não discriminando pessoas que tenham alguma deficiência física ou mental, as mais</p><p>pobres, que não receberam a mesma educação nem tiveram as mesmas oportunidades que nós, ou as que</p><p>são diferentes porque têm outra religião, nacionalidade, etnia, idade, sexo, cor da pele, orientação sexual</p><p>ou outro partido político.</p><p>É nosso dever respeitar os que são diferentes, porque eles também são cidadãos e possuem os mesmos</p><p>direitos e deveres que nós na sociedade brasileira.</p><p>Disponível em: http://www.turminha.mpf.mp.br. Acesso em: 1 ago. 2019 (adaptado).</p><p>71. (G1 - cp2 2020) Assinale a alternativa em que todas as opções são caracterizadas como direitos das</p><p>crianças.</p><p>a) Acesso a educação, saúde e lazer.</p><p>b) Acesso a moradia, trabalho e saúde.</p><p>c) Acesso a perigos constantes, moradia e lazer.</p><p>d) Acesso a alimentação precária, educação e saúde.</p><p>145</p><p>146</p><p>72. (G1 - cp2 2020) Quanto ao personagem Rod, do texto, é correto afirmar que ele</p><p>a) não é um jovem que fala sobre direitos e deveres das crianças e não participa da história.</p><p>b) é um adulto que pouco entende de direitos e deveres das crianças, mas participa da história.</p><p>c) não participa da história, não se preocupa e nada sabe sobre direitos e deveres das crianças.</p><p>d) participa da história, sendo uma criança que explica seus direitos e deveres para outra criança.</p><p>73. (G1 - cp2 2020) A respeito do assunto tratado no texto, a melhor opção para explicá-lo é a seguinte:</p><p>a) As crianças têm direitos que precisam ser respeitados, mas também têm deveres.</p><p>b) Os direitos e os deveres mencionados são direcionados somente a adultos e idosos.</p><p>c) Os direitos e os deveres são necessários para as crianças, mas não existem leis sobre isso.</p><p>d) As crianças somente necessitam de direitos, porém os deveres não precisam ser respeitados.</p><p>74. (G1 - cp2 2020) Por exemplo, trabalhar para criar e educar nossos próprios filhos ou para ser capaz de</p><p>votar, com discernimento, nos melhores representantes para governar nossas cidades e nosso país (ref. 1)</p><p>Mantendo o mesmo sentido, o substantivo discernimento pode ser substituído por</p><p>a) honestidade.</p><p>b) sabedoria.</p><p>c) gentileza.</p><p>d) bondade.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos. Sejam as notícias boas ou ruins, ele precisa</p><p>garantir uma experiência esteticamente agradável para o espectador. Em suma, ser um “infotenimento”,</p><p>para atrair prestígio, anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera pesada do início do ano baixou nos</p><p>telejornais: Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo, notícias diárias de femini-</p><p>cídios, de valentões armados matando em brigas de trânsito e supermercados. Conjunções adversativas e</p><p>adjuntos adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami de tragédias e violência, e de amenizar</p><p>as más notícias para garantir o “infotenimento”. No jornal, é apresentada matéria sobre uma mulher brutal-</p><p>mente espancada, internada com diversas fraturas no rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas</p><p>a boa notícia é que ela saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora na face...”. Agora, repórteres</p><p>repetem a expressão “a boa notícia é que...”, buscando alguma brecha de esperança no “outro lado” das</p><p>más notícias.</p><p>(Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa notícia é que...” para tentar se salvar do baixo astral nacional. Disponível em https://</p><p>cinegnose. Blogs pot.com/2019/02/globo-adota-boa- noticia-e-que-para.html. Acessado em 01/03 /2019.)</p><p>75. (Unicamp 2020) Para se referir a matérias jornalísticas televisivas que informam e, ao mesmo tempo,</p><p>entretêm os espectadores, o autor cria um neologismo por meio de</p><p>a) derivação prefixal.</p><p>b) composição por justaposição.</p><p>c) composição por aglutinação.</p><p>d) derivação imprópria.</p><p>76. (Unicamp 2020) Considerando a matéria apresentada no jornal, o uso da conjunção adversativa seguido</p><p>da expressão “a boa notícia é que” permite ao jornalista</p><p>146</p><p>147</p><p>a) apontar a gravidade da notícia e compensá-la.</p><p>b) expor a neutralidade da notícia e reforçá-la.</p><p>c) minimizar a relevância da notícia e acentuá-la.</p><p>d) revelar a importância da notícia e enfatizá-la.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Examine a tira de André Dahmer para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>77. (Unesp 2020) Na tira, a morte é caracterizada como</p><p>a) frívola.</p><p>b) compassiva.</p><p>c) solitária.</p><p>d) incorruptível.</p><p>e) materialista.</p><p>‘Ferrugem’: um ótimo nacional encara o cyberbullying</p><p>Um celular perdido, um vídeo viralizado, e Tati, de 16 anos, se vê no meio de um furacão que abalaria</p><p>qualquer um – e muito mais uma menina a quem ainda falta o equipamento emocional para lidar com uma</p><p>situação tão drástica de exposição da intimidade e de ostracismo social. Os amigos e amigas vão caindo</p><p>TAREFA 11</p><p>147</p><p>148</p><p>fora; com os pais, ela não consegue falar. Renet, o garoto com quem ela começava a engatar um flerte</p><p>quando tudo começou, dá as costas a ela. E Tati, interpretada pela ótima novata Tiffanny Dopke, de fisio-</p><p>nomia suave e jeitinho cativante, sucumbe à pressão.</p><p>‘Ferrugem’, do diretor Aly Muritiba, é um dos pontos altos de uma safra surpreendentemente boa do</p><p>cinema nacional nos últimos meses (completada ainda por ‘Aos Teus Olhos’, ‘As Boas Maneiras’, ‘O Ani-</p><p>mal Cordial’ e ‘Benzinho’). Da agitação e cacofonia dessa primeira parte do filme, Muritiba vai, na segunda</p><p>metade, para um estilo oposto: com atenção e reflexão, acompanha o sofrimento de Renet (o também muito</p><p>bom Giovanni de Lorenzi) com as consequências do episódio que afetou Tati. Aqui, duas visões morais</p><p>muito distintas se opõem: a do pai (Enrique Diaz), que quer poupar Renet, e a da mãe (a calorosa Clarissa</p><p>Kiste), que quer obrigá-lo a enfrentar os fatos.</p><p>Maduro, lúcido, muito bem escrito e filmado, ‘Ferrugem’ está na comissão de frente dos possíveis indi-</p><p>cados do Brasil ao Oscar do ano que vem.</p><p>(Disponível em: . Acesso em 31/08/2018.)</p><p>78. (Ufpr 2019) As expressões ‘equipamento emocional’ e ‘ostracismo social’, no segundo parágrafo, podem</p><p>ser interpretadas, segundo o contexto de ocorrência, respectivamente, como:</p><p>a) objeto que regula emoções – exílio.</p><p>b) capacidade de sentir emoções – exclusão.</p><p>c) experiência – falta de exposição.</p><p>d) maturidade – isolamento.</p><p>e) malícia – incapacidade de se expressar.</p><p>79. (Ufpr 2019) Com base no texto, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:</p><p>( ) O filme “Ferrugem”, segundo a reportagem apura, concorrerá ao Oscar de melhor filme estrangeiro</p><p>no ano que vem.</p><p>( ) O filme “Ferrugem” narra a história de uma menina, Tati, que tem sua intimidade exposta publicamente</p><p>depois de perder o celular.</p><p>( ) O filme apresenta duas linhas narrativas: uma agitada e dissonante, e outra, psicológica e reflexiva.</p><p>( ) O filme “Ferrugem” critica a exposição descuidada dos adolescentes em redes sociais.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.</p><p>a) F – F – V – V.</p><p>b) F – V – V – F.</p><p>c) V – F – F – V.</p><p>d) V – V – F – F.</p><p>e) V – F – V – V.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:</p><p>O texto a seguir é referência para a(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Era uma vez um lobo vegano</p><p>que não engolia a vovozinha, três porquinhos que se dedicavam _____</p><p>especulação imobiliária e uma estilista chamada Gretel que trabalhava de garçonete em Berlim. Não deveria</p><p>nos surpreender que os contos tradicionais se adaptem aos tempos. Eles foram submetidos _____ alte-</p><p>rações no processo de transmissão, oral ou escrita, ao longo dos séculos para adaptá-los aos gostos de</p><p>cada momento. Vejamos, por exemplo, Chapeuzinho Vermelho. Em 1697 – quando a história foi colocada</p><p>no papel –, Charles Perrault acrescentou _____ ela uma moral, com o objetivo de alertar as meninas quanto</p><p>_____ intenções perversas dos desconhecidos.</p><p>148</p><p>149</p><p>Pouco mais de um século depois, os irmãos Grimm abrandaram o enredo do conto e o coroaram com</p><p>um final feliz. Se a Chapeuzinho Vermelho do século XVII era devorada pelo lobo, não seria de surpreender</p><p>que a atual repreendesse a fera por sua atitude sexista quando a abordasse no bosque. A força do conto,</p><p>no entanto, está no fato de que ele fala por meio de uma linguagem simbólica e nos convida a explorar a</p><p>escuridão do mundo, a cartografia dos medos, tanto ancestrais como íntimos. Por isso ele desafia todos</p><p>nós, incluindo os adultos. [...]</p><p>A poetisa Wislawa Szymborska falou sobre um amigo escritor que propôs a algumas editoras uma peça</p><p>infantil protagonizada por uma bruxa. As editoras rejeitaram a ideia. Motivo? É proibido assustar as crian-</p><p>ças. A ganhadora do prêmio Nobel, admiradora de Andersen – cuja coragem se destacava por ter criado</p><p>finais tristes –, ressalta a importância de se assustar, porque as crianças sentem uma necessidade natural</p><p>de viver grandes emoções: “A figura que aparece [em seus contos] com mais frequência é a morte, um</p><p>personagem implacável que penetra no âmago da felicidade e arranca o melhor, o mais amado. Andersen</p><p>tratava as crianças com seriedade. Não lhes falava apenas da alegre aventura que é a vida, mas também</p><p>dos infortúnios, das tristezas e de suas nem sempre merecidas calamidades”. C. S. Lewis dizia que fazer as</p><p>crianças acreditar que vivem em um mundo sem violência, morte ou covardia só daria asas ao escapismo,</p><p>no sentido negativo da palavra.</p><p>Depois de passar dois anos mergulhado em relatos compilados durante dois séculos, Italo Calvino</p><p>selecionou e editou os 200 melhores contos da tradição popular italiana. Após essa investigação literária,</p><p>sentenciou: “Le fiabe sono vere [os contos de fadas são verdadeiros]”. O autor de O Barão nas Árvores tinha</p><p>confirmado sua intuição de que os contos, em sua “infinita variedade e infinita repetição”, não só encapsulam</p><p>os mitos duradouros de uma cultura, como também “contêm uma explicação geral do mundo, onde cabe</p><p>todo o mal e todo o bem, e onde sempre se encontra o caminho para romper os mais terríveis feitiços”. Com</p><p>sua extrema concisão, os contos de fadas nos falam do medo, da pobreza, da desigualdade, da inveja, da</p><p>crueldade, da avareza... Por isso são verdadeiros. Os animais falantes e as fadas madrinhas não procuram</p><p>confortar as crianças, e sim dotá-las de ferramentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões de con-</p><p>duta, e estimular seu raciocínio moral. Se eliminarmos as partes escuras e incômodas, os contos de fadas</p><p>deixarão de ser essas surpreendentes árvores sonoras que crescem na memória humana, como definiu o</p><p>poeta Robert Bly.</p><p>(Marta Rebón. Disponível em: .)</p><p>80. (Ufpr 2019) Com base no texto, considere as seguintes afirmativas:</p><p>1. Na frase “Os animais falantes e as fadas madrinhas não procuram confortar as crianças, e sim dotá-las</p><p>de ferramentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões de conduta, e estimular seu raciocínio moral”,</p><p>a vírgula depois de “conduta” pode ser suprimida sem alteração do sentido.</p><p>2. Na frase “A ganhadora do prêmio Nobel, admiradora de Andersen – cuja coragem se destacava por ter</p><p>criado finais tristes –, ressalta a importância de se assustar...”, a vírgula depois do segundo travessão pode</p><p>ser corretamente suprimida.</p><p>3. No trecho “...não só encapsulam os mitos duradouros de uma cultura, como também contêm uma expli-</p><p>cação geral do mundo...”, a vírgula depois de “cultura” pode ser corretamente suprimida.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.</p><p>b) Somente a afirmativa 2 é verdadeira.</p><p>c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.</p><p>d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.</p><p>e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.</p><p>81. (Ufpr 2019) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do primeiro parágrafo, na</p><p>149</p><p>150</p><p>ordem em que aparecem no texto:</p><p>a) a – a – à – às.</p><p>b) à – à – a – as.</p><p>c) à – a – a – às.</p><p>d) a – à – à – as.</p><p>e) à – à – à – as.</p><p>82. (Ufpr 2019) Com relação aos contos tradicionais, a autora:</p><p>a) defende a ideia de que eles precisam ser reelaborados, para se adequarem aos valores de cada época.</p><p>b) concorda que deve ser proibido assustar as crianças por meio dos contos, para que isso não as afaste</p><p>da leitura.</p><p>c) vê com bons olhos as versões dos irmãos Grimm, que abrandaram o enredo e passaram a apresentar</p><p>finais felizes.</p><p>d) considera a infinita repetição como um aspecto negativo dos contos, mas que é compensado pela infinita</p><p>variedade.</p><p>e) é favorável a que tenham finais tristes e abordem situações de desigualdade, crueldade e infortúnios.</p><p>83. (Ufpr 2019) De acordo com o texto, o autor de O Barão nas Árvores é:</p><p>a) Andersen.</p><p>b) Italo Calvino.</p><p>c) Wislawa Szymborska.</p><p>d) C. S. Lewis.</p><p>e) Robert Bly.</p><p>O texto a seguir é referência para a(s) questão(ões) a seguir.</p><p>A explosão das medusas em todo o mundo se deve a uma série de fatores inter-relacionados. Uma</p><p>das principais causas é o excesso de pesca de seus predadores naturais, como o atum, o que ao mesmo</p><p>tempo elimina a concorrência pelo alimento e o espaço de reprodução. Em paralelo, diversas atividades</p><p>humanas em regiões costeiras também ajudam a explicar o fenômeno: ali onde enormes quantidades de</p><p>nutrientes são jogadas no mar (em forma de resíduos agrícolas, por exemplo), produzindo grandes explo-</p><p>sões de populações de algas e plânctons, que consomem o oxigênio da água e geram as denominadas</p><p>zonas mortas. Não muitos peixes e mamíferos aquáticos conseguem sobreviver nelas, mas as medusas</p><p>sim, além de encontrarem no plâncton uma fonte de alimentação abundante e ideal. Quando as populações</p><p>de medusas conseguem se estabelecer, as larvas de outras espécies acabam sendo parte do cardápio</p><p>também, desequilibrando a cadeia trófica.</p><p>As medusas são, além disso, um dos poucos vencedores naturais da mudança climática, já que seu ciclo</p><p>reprodutivo é favorecido pelo aumento da temperatura nos ciclos oceânicos. Mas há mais fatores. Existem</p><p>evidências de que certas espécies de medusa se reproduzem com mais facilidade junto a estruturas cos-</p><p>teiras artificiais, como molhes e píeres. Por isso, é difícil saber se os esforços para deter, ou até reverter a</p><p>mudança climática, representam uma solução à crescente presença de medusas nos mares, pelo menos</p><p>enquanto continuem gerando problemas em ecossistemas costeiros e cadeias alimentares marinhas. [...]</p><p>No entanto – e não muito longe de Monte Hermoso – um cientista elucubra uma ideia mais interessante:</p><p>se queremos resolver o problema das medusas, temos de parar de vê-las como um mal, e começar a vê-las</p><p>como comida.</p><p>(Disponível em: .)</p><p>TAREFA 12</p><p>150</p><p>151</p><p>TAREFA 12</p><p>84. (Ufpr 2019) Entre principais e secundários, o texto menciona como causas de origem antrópica da</p><p>proliferação de medusas:</p><p>a) 2 fatores.</p><p>b) 3 fatores.</p><p>c) 4 fatores.</p><p>d) 6 fatores.</p><p>e) 7 fatores.</p><p>14</p><p>3) Nas formas femininas dos adjetivos em ês:</p><p>burguesa (de burguês), freguesa (de freguês).</p><p>4) Nas seguintes palavras femininas: framboesa,</p><p>indefesa, mesa.</p><p>III - VERBOS EM -ISAR e -IZAR:</p><p>Escreve-se - ISAR (com S) quando o radical dos</p><p>nomes correspondentes termina em S: avisar (de</p><p>aviso + ar).</p><p>Se o radical não terminar em S, grafa-se -IZAR</p><p>(com Z): anarquizar (anarquia + izar).</p><p>EMPREGO DAS LETRAS MAIÚSCULAS</p><p>- Em início de frase.</p><p>- Em substantivos próprios: José, Sílvia, Tupã,</p><p>Marte, Deus, Via-Láctea, Maceió. Suécia, Cam-</p><p>pinas, etc.</p><p>- Em épocas históricas, datas e fatos importantes:</p><p>Romantismo, Proclamação da República, Natal,</p><p>Páscoa, etc.</p><p>- Nomes de cargos políticos e de dignidades polí-</p><p>ticas e religiosas: Presidente, Deputado. Prefeita,</p><p>Papa, Bispo, etc.</p><p>- Nomes de conceitos religiosos, cívicos, políticos:</p><p>Nação, Pátria, etc.</p><p>- Expressões de tratamento: Vossa Excelência,</p><p>Sua Senhoria, etc.</p><p>- Nomes de ruas, praças, praias, etc.: Ipanema,</p><p>Largo do Machado, Praça da Sé. Academia Bra-</p><p>sileira de Letras, etc.</p><p>- Nomes de produções artísticas, culturais, reli-</p><p>giosas, políticas, etc.: O Guarani, Arquitetura.</p><p>Manchete, etc.</p><p>- Nomes comuns, quando usados para personi-</p><p>ficar: o Ódio, o Moral, a Morte, etc.</p><p>EMPREGO DAS LETRAS MINSCULAS</p><p>- Nomes dos meses, de festas pagãs, nomes pró-</p><p>prios tornados comuns: junho, bacanais, carnaval,</p><p>ingleses, etc.</p><p>- Palavras após dois pontos, quando não se tratar</p><p>de citação direta: Qual deles: o professor ou o</p><p>médico?</p><p>É a parte da gramática que estuda os sons da</p><p>fala humana, ou seja, os fonemas.</p><p>1. Fonemas: Fonemas são sons da fala humana</p><p>que, sós ou combinados, formam as sílabas que,</p><p>por sua vez, formam as palavras.</p><p>2. Fonemas e Sílabas: Diferença: Não há que</p><p>confundir fonema e sílaba, coisas bem diferentes.</p><p>Uma sílaba pode conter um (a-go-ra), dois (a-go-</p><p>-ra), três(es-tre-la), quatro (cris-tão) e até cinco</p><p>(felds-pa-to) fonemas.</p><p>3. Letras: Letras são as representações gráficas</p><p>(símbolos convencionados) dos fonemas.</p><p>4. Fonema e Letra: Diferença: Fonema pronun-</p><p>cia-se e ouve-se; letra escreve-se e vê-se. Uma</p><p>palavra pode ter igual número de fonemas e</p><p>letras: cabelo - 6 letras e 6 fonemas.</p><p>O número de letras pode ser maior do que o</p><p>número de fonemas:</p><p>hoje - 4 letras e 3 fonemas, pois o “h” não é</p><p>pronunciado;</p><p>guerra -6 letras e 4 fonemas, pois os dígrafos “gu”</p><p>e “rr” representam apenas um fonema cada um;</p><p>tanto- 5 letras e 4 fonemas, pois o “n” apenas faz</p><p>com que o “a” seja nasalizado.</p><p>Há, ainda, palavras que possuem mais fonemas</p><p>do que letras:</p><p>tóxico - 6 letras e 7 fonemas, pois o “x” equivale</p><p>a /ks/.</p><p>FONÉTICA</p><p>14</p><p>15</p><p>Por outro lado, um mesmo fonema pode ser</p><p>representado por letras diferentes, como podem,-</p><p>também, fonemas diferentes ser representados</p><p>por uma mesma letra:</p><p>mesa, beleza - as letras s e z representam o</p><p>mesmo fonema /z/; texto (x = /s/), exame (x =</p><p>/z/), sexo (x = /ks/), máximo (x = /ss/), lixo (x = /</p><p>ch/) - em cada uma o “x” representa fonemas</p><p>diferentes.</p><p>Por aí se vê que não há, rigorosamente, um sím-</p><p>bolo gráfico (letra) para cada fonema de nossa</p><p>língua. Essa discrepância entre fonemas e letras</p><p>é a responsável pela maior parte das dificuldades</p><p>ortográficas que enfrentamos.</p><p>5. Nome da letra: Não seconfunda o nome da</p><p>letra com o fonema respectivo. Assim, ele, eme,</p><p>erre, cêsão os nomes das letras l, m, r, c.</p><p>Os fonemas são os sons que a leitura dessas</p><p>letras produz na palavra.</p><p>6. Classificação dos Fonemas</p><p>a) VOGAIS: Não são simplesmente as letras a,</p><p>e, i, o, u. Em quilo, a letra u nem é fonema.</p><p>A vogal é fonema básico de toda sílaba. Não há</p><p>sílaba sem vogal e não pode haver mais de uma</p><p>vogal numa sílaba. Por outra, o número de vogais</p><p>de um vocábulo é igual ao número de sílabas;</p><p>inversamente, o número de sílabas é igual ao</p><p>número de vogais.</p><p>b) CONSOANTES: Como o próprio nome sugere</p><p>(com + soante = soar com), consoantes são os</p><p>fonemas que, para serem emitidos, necessitam</p><p>do amparo de outros fonemas, ou seja, das</p><p>vogais.</p><p>Cabe relembrar que, para haver consoante, é</p><p>necessário o fonema (ruído) e não a letra (escrita).</p><p>Assim, em “hipótese”, não há a consoante “h”,</p><p>mas apenas essa letra; em “ilha”, a consoante</p><p>única é o fonema representado pelas letras “lh”;</p><p>em “manga”, o “n” não é consoante, porque não</p><p>constitui fonema, mas apenas indica a nasaliza-</p><p>ção do “a”.</p><p>c) SEMIVOGAIS: Constituem os fonemas inter-</p><p>mediários entre as vogais e as consoantes: não</p><p>têm a fraqueza destas nem a autonomia daque-</p><p>las. São, na prática, o “i” e o “u”, quando, ao lado</p><p>de uma vogal autêntica, soam levemente, sem a</p><p>força de vogal.</p><p>O “e” e o “o”, sempre que, na mesma circunstân-</p><p>cia, forem pronunciados, respectivamente, como</p><p>“i” e “u”, também serão semivogais.</p><p>Comparem-se as diferenças de intensidades dos</p><p>fonemas grifados, nas palavras que seguem:</p><p>Observações:</p><p>1ª) O a é sempre vogal, aberto ou fechado, oral</p><p>ou nasal.</p><p>2ª) Qualquer uma das letras a, e, i, o, u, isolada</p><p>ou entre duas consoantes, será vogal.</p><p>3ª) O fonema que receber o acento tônico será</p><p>obviamente vogal.</p><p>4ª) Pode haver duas vogais juntas, mas jamais se</p><p>juntarão duas semivogais.</p><p>7. Grupos ou Encontros Vocálicos</p><p>Chamam-se assim os grupos ou encontros</p><p>constituídos de dois ou mais fonemas vocálicos</p><p>(vogais e semivogais).</p><p>a) DITONGO: É o grupo constituído de uma vogal</p><p>e uma semivogal ou vice-versa. O ditongo pode</p><p>ser:</p><p>crescente - quando a semivogal vem antes: série,</p><p>água, vítreo, nódoa, quando, frequente; decres-</p><p>cente - quando a semivogal vem depois: leite,</p><p>baixo, céu, herói, mão mãe, põe, muito.</p><p>Semivogais Vogais</p><p>pais País</p><p>mau Baú</p><p>mágoa Pessoa</p><p>vídeo Leo</p><p>Mário Maria</p><p>15</p><p>16</p><p>Qualquer ditongo ainda pode ser:</p><p>oral - quando emitido sem a participação das</p><p>fossas nasais: série, água, vítreo, nódoa, quase,</p><p>leite, baixo, céu; nasal - quando há participação</p><p>das fossas nasais: quando, frequente, põe, muito.</p><p>Na prática, os ditongo nasais são:</p><p>1 - os que levam o til: sabão, anões, mãe,</p><p>cãibra;</p><p>2 - os que vêm seguidos de “m” ou “n” na</p><p>mesma sílaba: quando, guampa;</p><p>3 - o “ui” de mui e muito;</p><p>4 - os grupos “em”, “en”, “ens” e “am” no final</p><p>de vocábulos: também, éden, edens, armam.</p><p>DITONGOS CRESCENTES</p><p>EA = área, áurea</p><p>EO = róseo, níveo</p><p>IA = várias, sábia</p><p>IE = série, espécie</p><p>IO = lírio, curioso</p><p>OA = nódoa, mágoa</p><p>UA = água, quadra</p><p>UÃ = quando</p><p>UE . = tênue, equestre</p><p>UÊ = aguento, frequente</p><p>Ul- sanguinário, tranquilo</p><p>UÍ = quinquagésimo, sagui</p><p>UO = ingênuo, aquoso</p><p>OBS.: O gramático Domingos Paschoal Cegalla</p><p>em sua Novíssima Gramática da Língua Portu-</p><p>guesa declara: “Os encontros - ia, ie, io, ua, ue, uo</p><p>finais, átonos, seguidos ou não de s, classificam-</p><p>-se quer como ditongos, quer como hiatos, uma</p><p>vez que ambas as emissões existem no domí-</p><p>nio da Língua Portuguesa: his-tó-ri-ae his-tó-ria;</p><p>sé-ri-e e sé-rie; pá-ti-o e pá-tio; ár-du-a e ár-dua;</p><p>tê-nu-e e tê-nue; vá-cu-o e vá-cuo” -N.G.B. Não</p><p>obstante, é preferível considerar tais encontros</p><p>ditongos crescentes e, consequentemente, paro-</p><p>xítonos os vocábulos onde ocorrem.</p><p>DITONGOS DECRESCENTES</p><p>ÃE = mãe, pães</p><p>Al= pai, vaidade</p><p>Ãl= cãibra, paina</p><p>ÃO = pão, mãos, falam (fálãu)i</p><p>AU = mau, degrau, ao</p><p>Él= fiéis, papéis</p><p>El= rei, leite</p><p>Êl= Hem! vivem, têm</p><p>EU = véu, céu</p><p>EU= meu, bebeu</p><p>IU= partiu, viu</p><p>ÔE = põe, limões</p><p>Ól= dói, herói</p><p>Ol= coitado, foi</p><p>OU = dou, louco</p><p>Ul= fui, gratuito</p><p>UI= muito (muito)</p><p>b) HIATO</p><p>É o encontro de duas vogais: pessoa, guria,</p><p>saúde, saída, coordenar.</p><p>Observação:</p><p>Todas as vogais repetidas constituem hiatos e,</p><p>por isso, devem ser pronunciadas separada-</p><p>mente: creem, caatinga, voo, niilismo.</p><p>c) TRITONGO</p><p>É o grupo formado por uma vogal entre duas</p><p>semivogais: quais, saguão.</p><p>Observação:</p><p>Uma vogal ladeada por semivogais é o único jeito</p><p>possível de haver tritongo. Acautele-se, pois, o</p><p>leitor contra a falsa impressão de tritongo que</p><p>podem dar palavras como “raio”, “tamoio”, “vera-</p><p>neio”, “boia”, “ideia”.</p><p>Observe-se que não há tritongo pelo simples fato</p><p>de que é uma semivogal que está entre duas</p><p>vogais. Tem sido norma gramatical</p><p>85. (Ufpr 2019) Entre o segmento “Quando as populações de medusas conseguem se estabelecer” e o seg-</p><p>mento “as larvas de outras espécies acabam sendo parte do cardápio também”, exprime-se uma relação de:</p><p>a) causalidade.</p><p>b) condicionalidade.</p><p>c) proporcionalidade.</p><p>d) temporalidade.</p><p>e) complementaridade.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Desenhar para ele é uma coisa; pintar é outra. No desenho se afirma, na pintura se esconde. Pela linha</p><p>fala com extraordinária precisão estilística, preciosismo, audácia, e vai, por vezes, até a elegância, mesmo</p><p>mundana; pela cor, ele se retrai e silencia. (...) Milton Dacosta foi o primeiro artista, hoje consagrado, que no</p><p>Brasil partiu do cubismo, ou melhor, das repercussões da revolução cubista até as nossas praias provincia-</p><p>nas. (...) Dessa fase, entre 1939 e 40, nos deu algumas telas que ainda hoje interessam pela essencialização</p><p>dos valores plásticos, o desprezo dos detalhes anedóticos para só guardar os que definem o ambiente e,</p><p>sobretudo, marcam a atmosfera, principal tema delas. A esquematização das formas, sobretudo o ovoide</p><p>das cabeças sem pormenores fisionômicos, lembra Modigliani. Realmente, o ar que se respira nessas telas</p><p>é o ar da “escola de Paris”.</p><p>(Mário Pedrosa, Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília, Perspectiva, 1981)</p><p>86. (Espm 2019) Segundo o texto, a obra de Milton Dacosta se destaca:</p><p>a) pelo desenho formal da pintura clássica.</p><p>b) pelo colorido apagado da escola de Paris.</p><p>c) pelo desenho e pormenor fisionômico que lembram Picasso.</p><p>d) pela cor e originalidade das formas expressionistas.</p><p>e) pela ousadia do desenho e pela temática de origem vanguardista.</p><p>87. (Espm 2019) Ainda segundo o texto, a aproximação possível entre Dacosta e Modigliani firma-se:</p><p>a) na profusão de detalhes do retrato.</p><p>b) no caráter fisionômico do ovoide corporal.</p><p>c) na essencialização dos valores anedóticos.</p><p>d) na simplificação das formas humanas.</p><p>e) na pintura cubista em praias provincianas.</p><p>Texto para a(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Há personagens cinematográficas feitas exclusivamente de palavras, à primeira vista pelo menos. O exemplo</p><p>que logo ocorre é evidentemente a versão cinematográfica [de Alfred Hitchcock] do romance Rebeca. Quando</p><p>a fita começa, Rebeca já morreu e, como não há nenhuma visualização de fatos ocorridos anteriormente,</p><p>só ficamos conhecendo-a graças aos diálogos das personagens que temos diante dos olhos. Mas seria</p><p>151</p><p>152</p><p>absurdo pretender que se deve ao exclusivo poder da palavra a extraor-</p><p>dinária presença da personagem. A dimensão adquirida pelas palavras</p><p>trocadas entre as personagens presentes acerca da ausente fica sempre</p><p>condicionada ao contexto visual onde se inserem. Ficamos conhecendo,</p><p>tal qual, o ambiente da casa onde Rebeca viveu, pelo menos um vestido</p><p>seu, e sobretudo contemplamos o tom particular que adquire não só a voz,</p><p>mas a fisionomia das pessoas, cada vez que a ela se referem.</p><p>No Cidadão Kane [de Orson Welles] há uma personagem, Bernstein, que</p><p>conheceu certa moça de quem nunca se esqueceu, e eu também não.</p><p>Entreviu-a num cruzamento de barcos no rio Hudson durante alguns segun-</p><p>dos; era então moço e viveu até uma idade bastante avançada. Pois bem,</p><p>durante toda a sua vida não houve semana, ou talvez dia, em que não se lembrasse dela. O espectador da</p><p>fita não vê a moça, as barcas, o rio Hudson, nem Bernstein na situação do encontro ou, em seguida, na da</p><p>recordação periódica. Tomamos conhecimento de tudo isso apenas por uma frase que ele diz a um repórter</p><p>que o entrevista. Ainda aqui, todavia, seria inexato pretender que a personagem fugidia e inesquecível dessa</p><p>jovem se constitui apenas de palavras, pois a sua estruturação definitiva permanece na dependência da</p><p>tonalidade da voz e, sobretudo, da expressão nostálgica da personagem de Bernstein.</p><p>(Paulo Emílio Sales Gomes, “A personagem cinematográfica” in: A Personagem de Ficção, Ed. Perspectiva)</p><p>88. (Espm 2019) No segundo parágrafo do texto, é correto afirmar:</p><p>a) Bernstein nunca se esqueceu de “certa moça” e do narrador.</p><p>b) O autor nunca se esqueceu de Bernstein e de “certa moça”.</p><p>c) O autor também conheceu “certa moça” de quem sempre se lembraria.</p><p>d) Bernstein e “certa moça” entreviram-se num barco do rio Hudson.</p><p>e) A personagem feminina, de que fala o autor, fora rapidamente divisada por Bernstein, quando este era</p><p>jovem.</p><p>89. (Espm 2019) Conforme o autor, pode-se afirmar que:</p><p>a) O cinema não visualiza os fatos acontecidos antes da morte das personagens, com exceção da versão</p><p>cinematográfica de “Rebeca”.</p><p>b) O romance “Rebeca” é um exemplo evidente de como o perfil das personagens pode ser descrito</p><p>verbalmente.</p><p>c) Na versão cinematográfica de “Rebeca”, o diálogo e o ambiente possibilitam o conhecimento de uma</p><p>personagem ausente.</p><p>d) Em “Rebeca”, as personagens ausentes estão condicionadas ao poder exclusivo do contexto visual.</p><p>e) O conhecimento de uma personagem cinematográfica fica prejudicado, quando feito por meio de infor-</p><p>mações verbais.</p><p>90. (Espm 2019) Pelo texto, podemos inferir que:</p><p>a) o romance permite ao leitor imaginar, pelo menos, o vestuário de Rebeca.</p><p>b) o ambiente da casa e o vestido da personagem são fundamentais, assim como a voz e a fisionomia, para</p><p>caracterização dessa mesma personagem.</p><p>c) uma versão cinematográfica não consegue adaptar na tela um romance literário.</p><p>d) tanto em “Rebeca” quanto em “Cidadão Kane”, há traços em comum no que se refere à substituição da</p><p>imagem pela palavra.</p><p>e) a versão cinematográfica de “Rebeca” é posterior ao romance homônimo, e a morte da personagem é</p><p>posterior ao começo da narrativa literária.</p><p>152</p><p>153</p><p>91. (Espm 2019) Ainda conforme o texto, pode-se dizer que:</p><p>a) além das palavras, o tom da fala pode contribuir para a configuração da personagem entrevista por</p><p>Bernstein.</p><p>b) os espectadores não conseguem imaginar as circunstâncias e o local em que Bernstein viu a jovem.</p><p>c) na situação de encontro, nem Bernstein e nem os espectadores conseguem visualizar a moça e as barcas.</p><p>d) apenas um repórter consegue entrever Bernstein, a moça, as barcas e o rio Hudson.</p><p>e) a estruturação definitiva de Bernstein depende, sobretudo, de sua expressão nostálgica.</p><p>A um passarinho</p><p>Para que vieste</p><p>Na minha janela</p><p>Meter o nariz?</p><p>Se foi por um verso</p><p>Não sou mais poeta</p><p>Ando tão feliz!</p><p>Se é para uma prosa</p><p>Não sou Anchieta</p><p>Nem venho de Assis.</p><p>Deixa-te de histórias</p><p>Some-te daqui!</p><p>(Vinicius de Moraes)</p><p>TAREFA 13</p><p>153</p><p>154</p><p>92. (Espm 2019) A partir da leitura do poema e da observação da imagem, assinale a afirmação correta.</p><p>a) Tanto no texto poético quanto na imagem fica evidente que a fonte de inspiração para a prática literária</p><p>são os elementos da natureza.</p><p>b) Enquanto a imagem mostra a alienação de vários leitores, o poema de Vinicius de Moraes sugere o</p><p>engajamento do escritor com personagens históricas.</p><p>c) O texto poético diz que a produção literária é consequência da tristeza; a imagem deixa claro que só se</p><p>faz poesia com a distração.</p><p>d) O poema de Vinicius e a imagem apresentam a ideia de que a poesia é algo fugidio, volúvel, consequ-</p><p>ência também de um estado de espírito.</p><p>e) A noção de que poesia e prosa são gêneros distintos fica evidente no texto poético; já a imagem não</p><p>discrimina qualquer tipo de leitura literária.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Quando se conversa, deve-se evitar as frases feitas que são verdadeiras chapas. Exemplos: em um enterro,</p><p>dizer “que não se morre senão uma vez”, que “basta estar vivo para morrer”, que “o morto é feliz porque</p><p>deixou de sofrer”, que “Deus sabe o que faz e escreve certo por linhas tortas” ou que “as grandes dores são</p><p>mudas”. Quando se visita um doente, não há necessidade</p><p>separar as</p><p>sílabas dessas palavras assim: rai-o, ta-moi-o,</p><p>ve-ra-nei-o, boi-a, i-dei-a, formando, portanto,</p><p>ditongos decrescentes.</p><p>Os tritongos podem ser:</p><p>orais - quando emitidos sem a participação das</p><p>fossas</p><p>16</p><p>17</p><p>nasais: Uruguai, desiguais;</p><p>nasais - quando emitidos com a participação</p><p>das fossas nasais: saguão, saguões, enxáguam,</p><p>águem.</p><p>ENCONTRO CONSONANTAL</p><p>São as sequências de duas ou mais consoantes:</p><p>vidro, digno, escrita.</p><p>Os encontros consonantais podem ser:</p><p>PERFEITOS: quando as consoantes pertencem</p><p>à mesma sílaba. Nesse caso, a segunda conso-</p><p>ante geralmente é L ou R.</p><p>Exemplos: blu - sa, pra - to, plan - ta, vi -dro</p><p>IMPERFEITOS: quando as consoantes perten-</p><p>cem a sílabas diferentes.</p><p>Exemplos: al - ta, ab - so - Iu - to, dig -no, ad</p><p>-vo-ga- do.</p><p>Observação: Os encontros consonantais disjun-</p><p>tos (separados silabicamente), como os de “advo-</p><p>gados”, “ritmo”, “opção”, “digno”, por serem de</p><p>difícil elocução, têm proporcionado verdadeiras</p><p>aberrações fonéticas e até ortográficas. É comum</p><p>ouvirmos e ,às vezes, até vermos tais palavras</p><p>escritas assim: “adevogados”, “rítimo”, “opição”,</p><p>“diguino”. Note-se que, assim, são acrescidas de</p><p>um fonema e uma sílaba.</p><p>DÍGRAFOS</p><p>São os grupos de duas letras representando um</p><p>fonema apenas. Não confundamos dígrafo (2</p><p>letras = 1 fonema) com encontro consonantal</p><p>(cada letra = 1 fonema).</p><p>Os dígrafos podem ser:</p><p>DÍGRAFOS CONSONANTAIS: quando o grupo</p><p>de letras representa um fonema consonantal: CH,</p><p>LH, SC, SC, XC, NH, RR, SS, QU, GU (estes</p><p>dois últimos, apenas quando seguidos de I ou E).</p><p>Exemplos: chuva, folha, rainha, crescer, crespa,</p><p>excelente, ferro, osso, quente, guerra.</p><p>DÍGRAFOS VOCÁLICOS: quando o grupo de</p><p>letras representa um fonema vocálico: AM, AN,</p><p>EM, EN, IM, IN, OM, ON, UM, UN (nestes casos</p><p>a consoante indica apenas a nasalidade da vogal</p><p>anterior). Exemplos: tampa, manto, tempo, lenda,</p><p>limpo, lindo, tombo, conto, rumba, imundo.</p><p>Estes são os dígrafos:</p><p>ch, lh, nh-cheio, filho, ninho;</p><p>gu, qu, (com o u mudo) - guindaste, querido,</p><p>requinte, segue;</p><p>rr, ss-terra, morro, isso, passa;</p><p>sc, xc (antes de ee de i) - piscina, exceto;</p><p>sç - nasça, desça;</p><p>am, an, em, en, in, im, om, on, um, un, desde</p><p>que não sejam ditongos nasais (ver ditongo</p><p>nasal) ou façam parte de tritongo nasal (ver tri-</p><p>tongo nasal) - também, canto, sempre, entre,</p><p>ímpio, pintura, combate, onda, álbum, funda.</p><p>Em outras palavras: as vogais seguidas de m ou</p><p>n na mesma sílaba, uma vez que estes, nesse</p><p>caso, são meros índices de nasalização.</p><p>SÍLABA</p><p>Sílaba é a unidade sonora da palavra.</p><p>Exemplo: escola = es - co - la.</p><p>A palavra escola é pronunciada em três unidades</p><p>sonoras, isto é, em três sílabas.</p><p>Quanto ao número de sílabas, os vocábulos</p><p>classificam-se em:</p><p>1º) Monossílabo: é o vocábulo que tem uma</p><p>sílaba: lar, pé, dó, só.</p><p>2º) Dissílabo: é o vocábulo que tem duas síla-</p><p>bas: galo, dedo, sobre, casa.</p><p>3º) Trissílabo: é o vocábulo que tem três</p><p>sílabas:</p><p>caminho, beleza, porteiro.</p><p>17</p><p>18</p><p>4º) Polissílabo: é o vocábulo que tem qua-</p><p>tro ou mais sílabas: orgulhoso, casamento,</p><p>paralelepípedo.</p><p>SILABA TÔNICA</p><p>Sílaba tônica é aquela que se pronuncia com</p><p>maior intensidade. Quanto à posição da sílaba</p><p>tônica, os vocábulos</p><p>classificam-se em:</p><p>1º) Oxítono: é o vocábulo que tem como tônica</p><p>a última sílaba: pomar, tatu, também, jabuti.</p><p>2º) Paroxítono: é o vocábulo que tem como</p><p>tônica a penúltima sílaba: fazenda, lembrança,</p><p>livro, inútil.</p><p>3º) Proparoxítono: é o vocábulo que tem</p><p>como tônica a antepenúltima sílaba: simpático,</p><p>sábado...</p><p>DIVISÃO SILÁBICA</p><p>A divisão silábica se faz foneticamente, isto é,</p><p>separando as sílabas conforme são pronunciadas.</p><p>a) As vogais dos hiatos devem ser separadas:</p><p>abençoe = a - ben - ço - e</p><p>saúde = sa - ú - de</p><p>b) As letras dos dígrafos: rr, ss, sc, sç, xc devem</p><p>ser separadas:</p><p>esbarrava = es - bar - ra - va</p><p>nasce = nas - ce</p><p>assustada = as - sus - ta- da</p><p>exceto = ex - ce - to</p><p>descida = des - ci - da</p><p>c) As letras dos dígrafos ch, Ih, nh, qu, gu não</p><p>devem ser separadas:</p><p>senhor = se -nhor</p><p>quero = que - ro</p><p>chapéu = cha - péu</p><p>guiar = gui - ar</p><p>olha = o - lha</p><p>d) As letras dos ditongos e dos tritongos não</p><p>devem ser separadas:</p><p>roupa = rou - pa</p><p>Paraguai = Pa- ra- guai</p><p>feito = fei - to</p><p>e) As consoantes, não seguidas de vogal, devem</p><p>ficar na sílaba anterior:</p><p>absoluto = ab - so - Iu -to</p><p>alfaiate = al - fai - a - te</p><p>adjetivo = ad - je - ti - vo</p><p>f) Se a consoante for inicial não deve ser</p><p>separada:</p><p>psicologia = psi - co - Io - gi - a</p><p>pneumático = pneu - má - ti - co</p><p>1º) Acentuam-se os monossílabos tônicos ter-</p><p>minados em: -A, -E, -O, seguidos ou não de -S:</p><p>pás, já, mês, pés, pó.</p><p>Novo:-éu(s), -éi(s), -ói(s): céu, méis, rói...</p><p>2º) Acentuam-se os vocábulos oxítonos termina-</p><p>dos em: -A, -E, -O, seguidos ou não de -S; e os</p><p>terminados em -ENS, -EM: Pará, inglês, você,</p><p>vovô, jacaré, parabéns, ninguém.</p><p>Novo:-éu(s), -éi(s), -ói(s): chapéu, anéis, caubói...</p><p>3º) Acentuam-se os vocábulos paroxítonos</p><p>terminados em:</p><p>ditongo: ambulância -ÃS:ímãs</p><p>ginásio órfãs</p><p>série - ÃO:órgão</p><p>-R:revólver -ÃOS:órfãos</p><p>-L:útil - I:táxi</p><p>-N:hífen -IS: lápis</p><p>-X:tórax -US: vírus</p><p>-PS: bíceps -UM: álbum</p><p>-Ã:imã -UNS:álbuns</p><p>4º) Novo: Não se acentuam os ditongos abertos,</p><p>em vocábulos paroxítonos, -Él, -ÓI, quando tôni-</p><p>cos: ideia, jiboia, paronoia...</p><p>5º) Acentuam-se todos os vocábulos proparoxí-</p><p>tonos, com acento agudo, se forem vogal tônica</p><p>aberta: sólido, médico e com acento circunflexo,</p><p>se o som for fechado: lâmpada, pêssego.</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>18</p><p>19</p><p>6º) Acentua-se o -l e o -U quando segundo ele-</p><p>mento tônico do hiato, seguidos ou não de -S:</p><p>egoísta, reúne, juíza, faísca.</p><p>7º) Não se acentuam as ditas vogais quando</p><p>seguidas de -L, -N, -R, -Z, -M finais de sílaba</p><p>ou do dígrafo NH: ruim, juiz, rainha, ainda, cair.</p><p>8º) Não se acentuam grupos vocálicos fecha-</p><p>dos ou ditongos fechados: pessoa, voa, reis, voo,</p><p>enjoo.</p><p>9º) Acentuam-se as formas verbais:</p><p>– monossílabos terminados com -EM na terceira</p><p>pessoa do plural: ele tem - eles têm; ele vem -</p><p>eles vêm.</p><p>– monossílabos ou oxítonos terminados com Ê no</p><p>singular são também acentuados no plural,</p><p>Novo: exceto quando formam hiatos com letras</p><p>repetidas:</p><p>ele vê - eles veem, ele lê - eles leem; ele descrê -</p><p>eles descreem.</p><p>OBS.: nos verbos derivados de TER e VIR, a</p><p>terceira pessoa do singular recebe acento agudo,</p><p>enquanto que a terceira pessoa do plural recebe</p><p>acento circunflexo: ele contém - eles contêm; ele</p><p>convém - eles convêm.</p><p>10º) O trema foi abolido com o acordo ortográfico</p><p>em vigor,no Brasil. Deve ser colocado apenas em</p><p>palavras estrangeiras: müller, mülleriano....</p><p>11º) Novo: não são mais acentuados para distin-</p><p>guir os homógrafos tônicos de átonos:</p><p>– para(verbo) - para (preposição);</p><p>– pela, pelas (verbo) - pela, pelas (conj.) (per + a);</p><p>– pelo (verbo), pelo (substantivo) – pelo (per + o);</p><p>– polo, polos (extremos, jogo) - polo,polos (falcão);</p><p>– coa, coas (verbo coar)</p><p>– coa, coas (contrações com + a, com + as)</p><p>Novo/Exceção:</p><p>– pôde(pretérito perfeito do verbo poder) –</p><p>pode (presente do indicativo).</p><p>– pôr (verbo) - por (preposição);</p><p>As novas regras alteraram o uso do hífen, em</p><p>algumas situações.</p><p>Confira algumas comparações de “antes” e</p><p>“depois”:</p><p>1) Não se usa mais hífen em vocábulos cujo</p><p>prefixo terminar em vogal e o segundo elemento</p><p>iniciar-se por consoante. Se essa consoantefor</p><p>“r” ou “s”, ela deverá ser dobrada.</p><p>2) O hífen deixa de ser usado em formações cuja</p><p>vogal final do prefixo é diferente da vogal inicial</p><p>do segundo elemento.</p><p>GUIA DE PREFIXOS</p><p>Regra geral – Sempre se usa hífen diante de</p><p>palavra iniciada por h: super-homem.</p><p>Exceção: subumano; formações com prefixos</p><p>des- e in.</p><p>ANTES DO ACORDO DEPOIS DO ACORDO</p><p>contra-regra contrarregra</p><p>extra-regular extrarregular</p><p>anti-semita antissemita</p><p>ultra-sonografia ultrassonografia</p><p>contra-senha contrassenha</p><p>infra-som infrassom</p><p>co-seno cosseno</p><p>contra-senso contrassenso</p><p>ultra-secreto ultrassecreto</p><p>supra-sumo suprassumo</p><p>neo-republicano neorrepublicano</p><p>ANTES DO ACORDO DEPOIS DO ACORDO</p><p>extra-escolar extraescolar</p><p>auto-aprendizado autoaprendizado</p><p>contra-indicado contraindicado</p><p>extra-oficial extraoficial</p><p>auto-estrada autoestrada</p><p>EMPREGO DO HÍFEN</p><p>19</p><p>20</p><p>- Sempre se emprega hífen se o primeiro ele-</p><p>mento da palavra composta for:</p><p>Hífen e prefixos terminados em vogal:</p><p>a) Usa-se hífen paraseparar as palavras em que o</p><p>prefixo termina com a mesma vogal com que se</p><p>inicia o segundo elemento: micro-ondas.</p><p>Exceção: o prefixo “co-“ em geral se aglutina com</p><p>o segundo elemento da palavra, mesmo quando</p><p>iniciado por “o”: coobrigação.</p><p>b) Não se usa hífen se o prefixo e o segundo</p><p>elemento da palavra terminarem em vogais dife-</p><p>rentes: autoescola.</p><p>c) Não se usa hífense o prefixo terminar em vogal</p><p>e o segundo elemento começar com consoante.</p><p>Se essa consoante for “r” ou “s”, ela deve ser</p><p>dobrada: semicírculo, antissocial.</p><p>Os prefixos mais comuns terminados em vogal:</p><p>Hífen e prefixos terminados em consoante</p><p>a) Usa-se hífen quando o prefixo terminar com a</p><p>mesma consoante queinicia o segundo elemento</p><p>da palavra composta: inter-racial</p><p>* O prefixo sub- também recebe hífen diante de</p><p>palavra iniciada por r: sub-região.</p><p>b) Usa-se hífen com os prefixos circum- e pan-</p><p>quando o segundo elemento começa por vogal,</p><p>“m” ou “n”: pan-africano.</p><p>c) O hífené usado nas formações com prefixos</p><p>pós-, pré- e pró- quando o segundo elemento tem</p><p>vida à parte: pós-graduação.</p><p>d) Nãose usa hífen quando o prefixo termina em</p><p>consoante e o segundo elemento é iniciado por</p><p>vogal: superamigo.</p><p>Os Prefixos mais comuns terminados em</p><p>consoante</p><p>Não se trata, como dizem por aí, da mesma</p><p>palavra com grafias diferentes; trata-se, na ver-</p><p>dade, de palavras de categorias diferentes, cujo</p><p>emprego depende da frase em que se inserem.</p><p>Vejamos cada caso:</p><p>PORQUE</p><p>Funciona como advérbio interrogativo, nas frases</p><p>interrogativas diretas ou indiretas:</p><p>Por que discordas de mim? (interrogativa direta)</p><p>Gostaria de saber por que discordas de mim.</p><p>(interrogativa indireta)</p><p>Por que há tanta celeuma? (interrogativa direta)</p><p>Dize-me por que há tanta celeuma. (interrogativa</p><p>indireta)</p><p>Pode ser, ainda, a preposição por e o pronome</p><p>relativo que. Ora, se pode ser pronome prece-</p><p>dido de preposição, à semelhança de a que,de</p><p>que,emque etc., está errado quem diz que se usa</p><p>por que somente nas perguntas:</p><p>A causa por que lutamos vencerá.</p><p>Os caminhos por que andamos são tortuosos.</p><p>Comprova-se, na prática, o uso de por que</p><p>(preposição e pronome separados), substituindo-</p><p>-os pela expressão PELO QUAL (PELOS QUAIS,</p><p>Além- Aquém- Recém-</p><p>Sem- Ex- Sota-</p><p>Soto-</p><p>Vice- Vizo-</p><p>Pré- Pós-</p><p>Aero- Ambi- Ana- Agro- Alfa- Ante- Aero-</p><p>Anti- Arqui- Auto- Beta- Bi- Bio- Contra-</p><p>Entre- Extra- Epi- Foto- Gama- Geo- Giga-</p><p>Hemi- Hidro- Homo- Infra- Intra- Justa- Macro</p><p>Mega- Meso- Meta- Micro- Mini- Mono- Multi-</p><p>Nefro- Neo- Neuro- Para- Pluri- Poli- Proto-</p><p>Pseudo- Psico- Retro- Semi- Sobre- Soto- Supra-</p><p>Tele- Ultra-</p><p>Ab- Ad- Além- Bem- Ciber- Circum- Hiper-</p><p>Inter- Mal- Ob- Pan- Per- Pós- Sob-</p><p>Sub- Super- Trans-</p><p>ORTOGRAFIA DO PORQUÊ</p><p>20</p><p>21</p><p>PELA QUAL, PELAS QUAIS):</p><p>A causa pela qual lutamos vencerá.</p><p>Os caminhos pelos quais andamos são tortuosos.</p><p>Embora não seja necessário, porque as frases</p><p>interrogativas são fáceis de reconhecer, artifício</p><p>semelhante pode ser aplicado ao advérbio</p><p>interrogativo:</p><p>Por qual razão há tanta celeuma?</p><p>Dize-me a razão pela qual há tanta celeuma.</p><p>Resumindo, usa-se por que, sempre que for pos-</p><p>sível substituí-lo por uma expressão onde apa-</p><p>reça QUAL ou QUAIS.</p><p>PORQUÊ</p><p>Só pode ser advérbio interrogativo:</p><p>Vieste tão tarde, por quê ?</p><p>Podes sair, mas quero saber por quê.</p><p>Por quê, afinal ?</p><p>O acento se justifica pelo fato de o quê haver</p><p>adquirido tonicidade, o que acontece quando for</p><p>insulado ou está em final de frase. Pelos exem-</p><p>plos, observa-se que é muito frequente nos diá-</p><p>logos das narrativas. Seu reconhecimento, na</p><p>prática, faz-se pelo mesmo artifício do anterior.</p><p>Receberá o acento, se bater num sinal de</p><p>pontuação.</p><p>PORQUE</p><p>É sempre conjunção. Em geral, é substituível</p><p>por POIS e nunca é substituível por uma expres-</p><p>são em que aparece QUAL ou QUAIS:</p><p>Trabalha, porque o trabalho enobrece.</p><p>Há pessoas que não se abatem, porque possuem</p><p>muita força de vontade.</p><p>Na prática, se não for substituível por POIS,</p><p>reconhecese pela exclusão de POR QUE e POR</p><p>QUÊ:</p><p>Neste capítulo, há muitos porquês, mas é porque</p><p>ele versa</p><p>sobre eles e não porque o autor seja maníaco.</p><p>PORQUÊ(S)</p><p>Trata-se de uma substantivação. Como ocorre</p><p>com os substantivos em geral, admite ser plura-</p><p>lizado, ao contrário dos casos anteriores em que</p><p>temos palavras invariáveis:</p><p>Não é fácil compreender o porquê desse</p><p>comportamento.</p><p>Eram tantos os porquês, que começamos a</p><p>duvidar.</p><p>Se o pomos ou podemos pô-lo no plural, usemos</p><p>PORQUÊS ou PORQUÊ.</p><p>QUE, QUÊ(S)</p><p>O “que” é a palavra que mais funções pode exer-</p><p>cer na frase. Isso, entretanto, não nos interessa</p><p>analisar aqui. Para os objetivos deste capítulo,</p><p>basta que saibamos os raros casos nos quais</p><p>deve ser acentuado por adquirir tonicidade.</p><p>Esses casos, podemos reduzi-los a dois:</p><p>1) quando encerra a frase ou for exclamativo,</p><p>circunstâncias em que virá necessariamente</p><p>seguindo de ponto:</p><p>Disseste o quê?</p><p>Quê! Não acredito.</p><p>2) quando for substantivado, caso em que admite</p><p>ser pluralizado:</p><p>Tinha um quê estranho no olhar.</p><p>(Tinha uns quês estranhos no olhar.)</p><p>A semântica trata do significado das palavras</p><p>através do tempo e do espaço. Nesse chão,</p><p>estudam-se:</p><p>1. Sinônimos</p><p>São palavras relacionadas por um sentido</p><p>comum, mas diferentes na forma. Os sinônimos</p><p>são perfeitos, quando o sentido é igual:</p><p>SEMÂNTICA</p><p>21</p><p>22</p><p>alfabeto = abecedário</p><p>brado = grito</p><p>extinguir = apagar</p><p>adversário = antagonista</p><p>contraveneno = antídoto</p><p>Os sinônimos são imperfeitos, quando a signifi-</p><p>cação é semelhante:</p><p>bela - formosa</p><p>livro - volume</p><p>caridade - bondade</p><p>2. Antônimos</p><p>São palavras de significação oposta:</p><p>ordem x anarquia</p><p>soberba x humildade</p><p>ouvar x censurar</p><p>A antonímia pode originar-se de um prefixo de</p><p>sentido contrário ou negativo:</p><p>bendizer x maldizer</p><p>simpático x antipático</p><p>progredir x regredir</p><p>concórdia x discórdia</p><p>explícito x implícito</p><p>ativo x inativo</p><p>esperar x desesperar</p><p>simétrico x assimétrico</p><p>3. Sentido Próprio</p><p>Diz-se da palavra que é empregada na sua</p><p>significação natural. É, em última análise, o sen-</p><p>tido que a palavra tem originalmente.</p><p>4. Sentido Figurado</p><p>Ocorre quando a palavra está empregada em</p><p>sentido translato, ou seja, quando, por um pro-</p><p>cesso de analogia, é empregada em sentido</p><p>diverso do próprio:</p><p>A dama trazia uma flor nos cabelos.(sentido</p><p>próprio)</p><p>A dama pertence à flor da sociedade. (sentido</p><p>figurado)</p><p>À noite, no campo, podemos admirar as estrelas.</p><p>(sentido próprio).</p><p>“A lua (... ) salpicava de estrelas o nosso chão”.</p><p>(sentido</p><p>figurado)</p><p>5. Denotação e Conotação</p><p>É conveniente guardar estas duas palavras:</p><p>DENOTAÇÃO (=sentido próprio) e CONOTAÇÃO</p><p>(=sentido figurado).</p><p>Nos textos dissertativos (artigos, monografias e</p><p>teses), narrativas de fatos (noticiários, reporta-</p><p>gens) e livros científicos, predomina a linguagem</p><p>denotativa, que é racional, lógica, objetiva.</p><p>Já nos textos literários em geral, principalmente</p><p>na poesia, o artista usa, com frequência, lin-</p><p>guagem figurada, subjetiva, sentimental, isto é,</p><p>conotativa.</p><p>6. Homônimos</p><p>Se duas palavras de significados diferentes são</p><p>iguais na grafia, ou na pronúncia, ou nas duas</p><p>coisas, tais palavras são HOMÔNIMAS:</p><p>o porto (substantivo) - eu porto (verbo)</p><p>cozer (cozinhar) - coser (costurar)</p><p>ser (verbo) - o ser (substantivo)</p><p>Relação de palavras homônimas:</p><p>acender (atear fogo) – ascender (elevar-se)</p><p>acento (sinal gráfico) – assento (banco)</p><p>acerto (precisão) – asserto (afirmação)</p><p>apreçar (marcar o preço de) – apressar (acelerar)</p><p>caçar (apanhar, perseguir animais) – cassar</p><p>(invalidar)</p><p>cegar (privar da visão) – segar (ceifar)</p><p>cela (cubículo) – sela (arreio)</p><p>censo (recenseamento) – senso (juízo)</p><p>cerrar (fechar) – serrar (cortar)</p><p>concertar (harmonizar)– consertar (arrumar)</p><p>incipiente (principiante) – insipiente (ignorante)</p><p>tacha (prego) – taxa (imposto)</p><p>7. Parônimas</p><p>São palavras apenas semelhantes, sem nenhuma</p><p>igualdade, mas a semelhança faz com que a</p><p>gente embarque na canoa de usar uma pela</p><p>outra:</p><p>retificar (corrigir) - ratificar (confirmar)</p><p>imergir (submergir) - emergir (vir à tona)</p><p>mal (contrário de “bem”) - mau (contrário de</p><p>“bom”)</p><p>22</p><p>23</p><p>Relação de palavras parônimas:</p><p>atuar (agir) - autuar (processar)</p><p>casual (ocasional) - causal (relativo à causa)</p><p>delatar (trair) - dilatar (aumentar)</p><p>descrição (descrever) - discrição (discreto)</p><p>descriminar (inocentar) - discriminar (diferenciar)</p><p>eminente (notável) - iminente (prestes a)</p><p>infligir (aplicar (pena) - infringir (violar)</p><p>pleito (eleição) - preito(respeito)</p><p>prever (antever) - prover (abastecer)</p><p>ratificar (confirmar) - retificar (corrigir)</p><p>sortir (prover) - surtir (produzir efeito)</p><p>tráfego (trânsito) - tráfico (comércio ilícito)</p><p>vestiário (recinto) - vestuário (traje)</p><p>vultoso (grande) - vultuoso (inchado)</p><p>Fazer ANÁLISE MÓRFICA é destacar e classi-</p><p>ficar os elementos que entram na estrutura das</p><p>palavras. Estes elementos são:</p><p>1) PREFIXO: elemento que se antepõe ao radical.</p><p>Ex.: re + ler = reler</p><p>NOTA: Pode haver mais de um.</p><p>Ex.: in + de + com + por = indecompor</p><p>2) SUFIXO: elemento que se pospõe ao radical.</p><p>Ex.: real + mente = realmente</p><p>NOTA: Pode haver mais de um.</p><p>Ex.: vagar + osa + mente = vagarosamente</p><p>3) CONSOANTE DE LIGAÇÃO: consoante sem</p><p>significação que, por razões eufônicas, liga outros</p><p>elementos.</p><p>Ex.: café + eira = cafeteira</p><p>4) VOGAL DE LIGAÇÃO: vogal sem significação</p><p>que, por razões eufônicas, liga outros elementos.</p><p>Ex.: gás + metro = gasômetro</p><p>novo + lúnio novilúnio</p><p>5) DESINÊNCIAS: elementos pospositivos que</p><p>servem para designar: gênero, número, pessoa,</p><p>tempo, modo e forma nominal.</p><p>Desinência de gênero: menino /menina</p><p>Desinência de número: mesas</p><p>Desinência número-pessoal:falamos</p><p>Desinência modo-temporal:falasse</p><p>Desinência de forma nominal:</p><p>Falar, falando, falado</p><p>6) VOGAL TEMÁTICA: vogal indicativa da con-</p><p>jugação a que pertencem os verbos.</p><p>EX.: amar/amávamos</p><p>NOTA 1: Pode haver vogal temática em palavras</p><p>derivadas de verbo.</p><p>Ex.: amável</p><p>NOTA 2: A vogal temática do verbo PÔR e seus</p><p>derivados.”E”, pois se considera a sua forma</p><p>arcaica:</p><p>“POER”.</p><p>7) RADICAL: o que resta da palavra, desconta-</p><p>dos, na medida em que existam, os elementos</p><p>mórficos anteriores.</p><p>Ex.: desmamávamos</p><p>des: prefixo</p><p>a: vogal temática</p><p>mam: radical</p><p>va: desinência modo-temporal</p><p>mos: desinência número-pessoal</p><p>8) TEMA: o radical mais a vogal temática.</p><p>Ex.: Amar - tema: ama</p><p>Prefixos</p><p>Os prefixos são morfemas que se colocam antes</p><p>dos radicais basicamente a fim de modificar-lhes</p><p>o sentido; raramente esses morfemas produzem</p><p>mudança de classe gramatical.</p><p>Os prefixos ocorrentes em palavras portuguesas</p><p>se originam do latim e do grego, línguas em que</p><p>funcionavam como preposições ou advérbios,</p><p>logo, como vocábulos autônomos. Alguns pre-</p><p>fixos foram pouco ou nada produtivos em por-</p><p>tuguês. Outros, por sua vez, tiveram grande uti-</p><p>lidade na formação de novas palavras. Veja os</p><p>exemplos:</p><p>a- , contra- , des- , em- (ou en-) , es- , entre- re- ,</p><p>sub- , super- , anti-</p><p>ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS</p><p>23</p><p>24</p><p>Prefixos de Origem Grega</p><p>Prefixos de Origem Latina</p><p>a-, an-: Afastamento, privação, negação, insuficiência,</p><p>carência. Exemplos anônimo, amoral, ateu, afôni-</p><p>co</p><p>ana-: Inversão, mudança, repetição. Exemplos:</p><p>analogia, análise, anagrama, anacrônico</p><p>anfi-: Em redor, em torno, de um e outro lado,</p><p>duplicidade. Exemplos:anfiteatro, anfíbio, anfibolo-</p><p>gia</p><p>anti-: Oposição, ação contrária. Exemplos:antídoto,</p><p>antipatia, antagonista, antítese</p><p>apo-: Afastamento, separação. Exemplos:apoteose,</p><p>apóstolo, apocalipse, apologia</p><p>arqui-, arce-: Superioridade hierárquica, primazia,</p><p>excesso. Exemplos:arquiduque,arquétipo, arcebis-</p><p>po, arquimilionário</p><p>cata-: Movimento de cima para baixo. Exemplos:</p><p>cataplasma, catálogo, catarata</p><p>di-: Duplicidade. Exemplos: dissílabo, ditongo,</p><p>dilema</p><p>dia-: Movimento através de, afastamento. Exemplos:</p><p>diálogo, diagonal, diafragma, diagrama</p><p>dis-: Dificuldade, privação. Exemplos:dispneia,</p><p>disenteria, dispepsia, disfasia</p><p>ec-,ex-, exo-, ecto-: Movimento para fora. Exemplos:</p><p>eclipse, êxodo, ectoderma, exorcismo</p><p>en-, em-, e-: Posição interior, movimento para</p><p>dentro. Exemplos:encéfalo, embrião, elipse, entusi-</p><p>asmo</p><p>endo-: Movimento para dentro. Exemplos:</p><p>endovenoso, endocarpo, endosmose</p><p>epi-: Posição superior, movimento para. Exemplos:</p><p>epiderme, epílogo, epidemia, epitáfio</p><p>eu-: Excelência, perfeição, bondade. Exemplos:</p><p>eufemismo, euforia, eucaristia, eufonia</p><p>hemi-: Metade, meio.Exemplos: hemisfério,</p><p>hemistíquio, hemiplégico</p><p>hiper-: Posição superior, excesso. Exemplos:</p><p>hipertensão, hipérbole, hipertrofia</p><p>hipo-: Posição inferior, escassez. Exemplos:</p><p>hipocrisia, hipótese, hipodérmico</p><p>meta- : Mudança, sucessão. Exemplos: metamor-</p><p>fose, metáfora, metacarpo</p><p>para-: Proximidade, semelhança, intensidade.</p><p>Exemplos: paralelo, parasita, paradoxo, paradigma</p><p>peri-: Movimento ou posição em torno de.</p><p>Exemplos:</p><p>periferia, peripécia, período, periscópio</p><p>pro-: Posição em frente, anterioridade. Exemplos:</p><p>prólogo, prognóstico, profeta, programa</p><p>pros-: Adjunção, em adição a. Exemplos: prosélito,</p><p>prosódia</p><p>proto-: Início, começo, anterioridade. Exemplos:</p><p>proto-história, protótipo, protomártir</p><p>poli-: Multiplicidade. Exemplos:polissílabo, polis-</p><p>síndeto, politeísmo</p><p>sin-, sim-: Simultaneidade, companhia. Exemplos:</p><p>síntese, sinfonia, simpatia, sinopse</p><p>tele-: Distância, afastamento. Exemplos:televisão,</p><p>telepatia, telégrafo</p><p>a-, ab-, abs- : Afastamento, separação.</p><p>Exemplos:aversão, abuso, abstinência, abstração</p><p>a-, ad-: Aproximação, movimento para junto.</p><p>Exemplos:adjunto,advogado, advir, aposto</p><p>ante-: Anterioridade, procedência. Exemplos:</p><p>antebraço, antessala, anteontem, antever</p><p>ambi-: Duplicidade. Exemplos: ambidestro, ambi-</p><p>ente, ambiguidade, ambivalente</p><p>ben(e)-, bem- : Bem, excelência de fato ou</p><p>ação. Exemplos:benefício, bendito</p><p>bis-, bi-: Repetição, duas vezes. Exemplos:bisneto,</p><p>bimestral, bisavô, biscoito</p><p>circu(m)-: Movimento em</p><p>torno.Exem</p><p>p</p><p>los:circunferência</p><p>,</p><p>circunscrito</p><p>,</p><p>circulação</p><p>cis- : Posição aquém.Exemplos:cisalpino, cisplatino,</p><p>cisandino</p><p>co-, con-, com- :</p><p>Companhia,concomitância. Exemplos:colégio,</p><p>cooperativa, condutor</p><p>contra- : Oposição.Exemplos:contrapeso, contrapor,</p><p>contradizer</p><p>de- : Movimento de cima para baixo, separação,</p><p>negação. Exemplos:decapitar, decair, depor</p><p>de(s)-, di(s)- : Negação, ação contrária,</p><p>separação. Exemplos:desventura, discórdia,</p><p>discussão</p><p>e-, es-, ex-: Movimento para</p><p>fora. Exemplos:excêntrico, evasão, exportação, expelir</p><p>en-, em-, in- : Movimento para dentro, passagem para</p><p>um estado ou forma,</p><p>revestimento.Exemplos:imergir,enterrar, embeber,</p><p>injetar, importar</p><p>extra- : Posição exterior,</p><p>excesso. Exemplos:extradição, extraordinário,</p><p>extraviar</p><p>i-, in-, im- : Sentido contrário,</p><p>privação,negação.Exemplos:ilegal, impossível,</p><p>improdutivo</p><p>24</p><p>25</p><p>bondade</p><p>hemi semi divisão em</p><p>duas partes</p><p>hemisfério,</p><p>semicírculo</p><p>hipo sub posição</p><p>inferior</p><p>hipodérmico,</p><p>submarino</p><p>para ad proximidade,</p><p>adjunção</p><p>paralelo,</p><p>adjacência</p><p>peri circum em torno de</p><p>periferia,</p><p>circunferên-</p><p>cia</p><p>cata de movimento</p><p>para baixo</p><p>catavento,</p><p>derrubar</p><p>si(n)</p><p>(m)</p><p>cum Simultaneida-</p><p>de, companhia</p><p>sinfonia,</p><p>silogeu,</p><p>cúm</p><p>p</p><p>lice</p><p>Quadro de Correspondência entre Prefixos</p><p>Gregos e Latinos</p><p>Sufixos</p><p>Sufixos são elementos (isoladamente insignifica-</p><p>tivos) que, acrescentados a um radical, formam</p><p>nova palavra. Sua principal característica é a</p><p>mudança de classe gramatical que geralmente</p><p>opera. Dessa forma, podemos utilizar o signifi-</p><p>cado de um verbo num contexto em que se deve</p><p>usar um substantivo, por exemplo.</p><p>Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele</p><p>são incorporadas as desinências que indicam as</p><p>flexões das palavras variáveis.</p><p>Existem dois grupos de sufixos formadores de</p><p>substantivos extremamente importantes para o</p><p>funcionamento da língua. São os que formam</p><p>nomes de ação e os que formam nomes de</p><p>agente.</p><p>inter-, entre-:</p><p>Posiçãointermediária.Exemplos:internacional,interpla</p><p>netário</p><p>intra- : Posição interior. Exemplos: intramuscular,</p><p>intravenoso, intraverbal</p><p>intro- : Movimento para dentro. Exemplos:introduzir,</p><p>introvertido, introspectivo</p><p>justa- : Posição ao lado.Exemplos: justapor,</p><p>justalinear</p><p>ob-, o- : Posição em</p><p>frente,oposição.Exemplos:obstruir, ofuscar, ocupar,</p><p>obstáculo</p><p>per- : Movimento através. Exemplos:percorrer,</p><p>perplexo, perfurar, perverter</p><p>pos- : Posterioridade. Exemplos: pospor, posterior,</p><p>pós-graduado</p><p>pre- : Anterioridade . Exemplos:prefácio, prever,</p><p>prefixo, preliminar</p><p>pro- : Movimento para frente. Exemplos:progresso,</p><p>promover, prosseguir, projeção</p><p>re- : Repetição, reciprocidade.Exemplos:rever,</p><p>reduzir, rebater, reatar</p><p>retro- :Movimentoparatrás.Exemplos:retros- pectiva,</p><p>retrocesso, retroagir, retrógrado</p><p>so-, sob-, sub-, su- : Movimento de baixo</p><p>p</p><p>ara cima,</p><p>inferioridade.Exemplos:soterrar,sobpor,subestimar</p><p>super-, supra-, sobre- : Posição</p><p>superior,excesso.Exemplos:supercílio, supérfluo</p><p>soto-, sota- : Posição inferior. Exemplos:soto-</p><p>mestre, sota-voga, soto-pôr</p><p>trans-, tras-, tres-, tra- : Movimento para além,</p><p>movimento</p><p>através.Exemplos:transatlântico,tresnoitar, tradição</p><p>ultra- : Posição além do</p><p>limite,excesso.Exemplos:ultrapassar,</p><p>ultrarromantismo, ultrassom,ultraleve,ultravioleta</p><p>vice-, vis- : Em lugar de. Exemplos:vice-presidente, visconde, vice-almirante</p><p>PREFIXOS</p><p>GREGOS</p><p>PREFIXOS</p><p>LATINOS SIGNIFICADO EXEMPLOS</p><p>a, an des, in privação,</p><p>negação</p><p>anarquia,</p><p>desigual,</p><p>inativo</p><p>anti contra oposição,</p><p>ação contrária</p><p>antibiótico,</p><p>contraditório</p><p>anfi ambi</p><p>duplicidade,</p><p>de um e outro</p><p>lado, em torno</p><p>anfiteatro,</p><p>ambivalente</p><p>apo ab afastamento,</p><p>se</p><p>p</p><p>ara</p><p>ç</p><p>ão</p><p>apogeu,</p><p>abstrair</p><p>di bi(s) duplicidade dissílabo,</p><p>bicampeão</p><p>dia, meta trans movimento</p><p>através</p><p>diálogo,</p><p>transmitir</p><p>e(n)(m) i(n)(m)(r) movimento</p><p>para dentro</p><p>encéfalo,</p><p>ingerir,</p><p>irromper</p><p>endo intra</p><p>movimento</p><p>para dentro,</p><p>posição</p><p>interior</p><p>endovenoso,</p><p>intramuscu-</p><p>lar</p><p>e(c)(x) e(s)(x)</p><p>movimento</p><p>para fora,</p><p>mudança de</p><p>estado</p><p>êxodo,</p><p>excêntrico,</p><p>estender</p><p>epi,</p><p>super,</p><p>hiper</p><p>supra</p><p>posição</p><p>superior,</p><p>excesso</p><p>epílogo,</p><p>supervisão,</p><p>hipérbole,</p><p>supradito</p><p>eu bene excelência,</p><p>perfei ção,</p><p>eufemismo,</p><p>benéfico</p><p>p</p><p>separaç</p><p>perfeiç</p><p>p</p><p>25</p><p>26</p><p>Sufixos que formam nomes de ação</p><p>Sufixos que formam nomes de agente</p><p>Além dos sufixos acima, tem-se:</p><p>Sufixos que formam nomes de lugar,</p><p>depositório</p><p>Sufixos que formam nomes indicadores de</p><p>abundância, aglomeração, coleção</p><p>Sufixos que formam nomes técnicos usados</p><p>na ciência</p><p>Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas</p><p>filosóficas, sistemas políticos</p><p>SUFIXOS FORMADORES DE ADJETIVOS</p><p>a) de substantivos</p><p>b) de verbos</p><p>SUFIXOS ADVERBIAIS</p><p>Na Língua Portuguesa, existe apenas um único</p><p>sufixo adverbial: É o sufixo “-mente”, derivado</p><p>do substantivo feminino latino mens, mentis que</p><p>pode significar “a mente, o espírito, o intento”.Este</p><p>sufixo juntou-se a adjetivos, na forma feminina,</p><p>para indicar circunstâncias, especialmente a de</p><p>modo.</p><p>Exemplos: altiva-mente, brava-mente, bondosa-</p><p>-mente, nervosa-mente, fraca-mente, pia-mente</p><p>Já os advérbios que se derivam de adjetivos termi-</p><p>nados em –ês (burgues-mente, portugues-mente,</p><p>-ada - caminhada -ez(a) - sensatez, beleza</p><p>-ança - mudança -ismo - civismo</p><p>-ância - abundância -mento - casamento</p><p>-ção - emoção -são - compreensão</p><p>-dão - solidão -tude - amplitude</p><p>-ença - presença -ura - formatura</p><p>-ário(a) - secretário -or - lutador</p><p>-eiro(a) - ferreiro -nte - feirante</p><p>-ista - manobrista</p><p>-aria - churrascaria -or - corredor</p><p>-ário - herbanário -tério - cemitério</p><p>-eiro - açucareiro -tório - dormitório</p><p>-il - covil</p><p>>-aço - ricaço -ario(a) - casario, infantaria</p><p>-ada - papelada -edo - arvoredo</p><p>-agem - folhagem -eria - correria</p><p>-al - capinzal -io - mulherio</p><p>-ame - gentame -ume - negrume</p><p>-ite bronquite,hepatite(inflamação)</p><p>-oma mioma,epitelioma,carcinoma(tumores)</p><p>-ato, eto, ito sulfato, cloreto, sulfito (sais)</p><p>-ina cafeína,codeína(alcaloides,álcalisartifici</p><p>ais)</p><p>-ol fenol, naftol(derivado de</p><p>hidrocarboneto)</p><p>-ite amotite (fósseis)</p><p>-ito granito (pedra)</p><p>-ema morfema, fonema,semema,semantema</p><p>(ciêncialinguística)</p><p>-io - sódio,</p><p>potássio,</p><p>selênio (corpo</p><p>s simples)</p><p>-ismo</p><p>budismo</p><p>kantismo</p><p>comunismo</p><p>-aco – maníaco -ento - cruento</p><p>-ado - barbado -eo - róseo</p><p>-áceo(a) - herbáceo,</p><p>liláceas -esco - pitoresco</p><p>-aico - prosaico -este - agreste</p><p>-al - anual -estre - terrestre</p><p>-ar - escolar -ício - alimentício</p><p>-ário - diário, ordinário -ico - geométrico</p><p>-ático - problemático -il - febril</p><p>-az - mordaz -ino - cristalino</p><p>-engo - mulherengo -ivo - lucrativo</p><p>-enho - ferrenho -onho - tristonho</p><p>-eno - terreno -oso - bondoso</p><p>-udo - barri</p><p>g</p><p>udo</p><p>SUFIXO SENTIDO EXEMPLIFICAÇÃO</p><p>-(a)(e)(i)nte</p><p>ação,</p><p>qualidade,</p><p>estado</p><p>semelhante,</p><p>doente, seguinte</p><p>-(á)(í)vel</p><p>possibilidade de</p><p>praticar</p><p>ousofrer uma</p><p>ação</p><p>louvável, perecível,</p><p>punível</p><p>-io, -(t)ivo</p><p>ação referência,</p><p>modo de ser</p><p>tardio, afirmativo,</p><p>pensativo</p><p>-(d)iço, -</p><p>(t)ício</p><p>possibilidade de</p><p>praticar ou</p><p>sofrer uma</p><p>ação, referência</p><p>movediço,</p><p>quebradiço, factício</p><p>-(d)ouro,-</p><p>(</p><p>t</p><p>)</p><p>ório</p><p>ação,</p><p>p</p><p>ertinência</p><p>casadouro,</p><p>p</p><p>re</p><p>p</p><p>aratório p p p</p><p>26</p><p>27</p><p>etc.) não seguem esta regra, pois esses adjetivos</p><p>eram outrora uniformes.</p><p>Exemplos:cabrito montês / cabrita montês.</p><p>SUFIXOS VERBAIS</p><p>Os sufixos verbais agregam-se, via de regra, ao</p><p>radical de substantivos e adjetivos para formar</p><p>novos verbos. Em geral, os verbos novos da lín-</p><p>gua formam-se pelo acréscimo da terminação-ar.</p><p>Exemplos:</p><p>esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar; nivel-ar; (a)fin-ar;</p><p>telefon-ar; (a)portugues-ar.</p><p>Os verbos exprimem, entre outras ideias, a prá-</p><p>tica de ação.</p><p>Veja:</p><p>Observe este quadro de sufixos verbais:</p><p>Observações:</p><p>Verbo Frequentativo: é aquele que traduz ação</p><p>repetida.</p><p>Verbo Factitivo: é aquele que envolve ideia de</p><p>fazer ou causar.</p><p>Verbo Diminutivo: é aquele que exprime ação</p><p>pouco intensa.</p><p>Radicais Gregos</p><p>O conhecimento dos radicais gregos é de indis-</p><p>cutível importância para a exata compreensão e</p><p>fácil memorização de inúmeras palavras. Apre-</p><p>sentamos a seguir duas relações de radicais gre-</p><p>gos. A primeira agrupa os elementos formadores</p><p>que normalmente são colocados no início dos</p><p>compostos, a segunda agrupa aqueles que cos-</p><p>tumam surgir na parte final.</p><p>Radicais que atuam como primeiro elemento</p><p>-ar: cruzar, analisar, limpar</p><p>-ear: guerrear, golear</p><p>-entar: afugentar, amamentar</p><p>-ficar: dignificar, liquidificar</p><p>-izar: finalizar, organizar</p><p>SUFIXOS SENTIDO EXEMPLOS</p><p>-ear frequentativo, durativo cabecear, folhear</p><p>-ejar frequentativo, durativo gotejar, velejar</p><p>-entar factitivo aformosentar,</p><p>amolentar</p><p>-(i)ficar factitivo clarificar, dignifica</p><p>r</p><p>-icar frequentativo-diminutivo bebericar,</p><p>depenicar</p><p>-ilhar frequentativo-diminutivo dedilhar, fervilhar</p><p>-inhar frequentativo-diminutivo-</p><p>pejorativo</p><p>escrevinhar,</p><p>cuspinhar</p><p>-iscar frequentativo-diminutivo chuviscar,</p><p>lambiscar</p><p>-itar frequentativo-diminutivo dormitar, saltitar</p><p>-izar factitivo civilizar, utilizar</p><p>FORMA SENTIDO EXEMPLOS</p><p>Aéros- ar Aeronave</p><p>Ánthropos- homem Antropófago</p><p>Autós- de si mesmo Autobiografia</p><p>Bíblion- livro Biblioteca</p><p>Bíos- vida Biologia</p><p>Chróma- cor Cromático</p><p>Chrónos- tempo Cronômetro</p><p>Dáktyilos- dedo Dactilografia</p><p>Déka- dez</p>