Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>NSTITUIÇÃO: UNESA.</p><p>Pós-Graduação em Língua Portuguesa.</p><p>ANO: 2020.</p><p>DISCIPLINA: PGN1306 –Análise do Discurso e Teorias da Enunciação.</p><p>PROFESSOR: Bianca Della Nina</p><p>APOSTILA – PARTE 2.</p><p>· Conhecer o surgimento da Análise de Discurso de Linha Francesa.</p><p>· Conceituar discurso.</p><p>· Conhecer os conceitos de formação discursiva e formação ideológica.</p><p>· Definir memória de acordo com a visão da AD.</p><p>· Analisar diversos tipos de discurso.</p><p>Para iniciar...</p><p>Assista ao clipe da música Admirável gado novo, Zé Ramalho.</p><p>Admirável Gado Novo Zé Ramalho</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=YwqoeKlaJQs</p><p>Somos editados por nossas culturas e sociedades. Por nossas épocas, moralidade e – eis um óbvio ululante sempre olvidado – por nossos idiomas, que inventam a nossa realidade.</p><p>Ter consciência do mundo, como ensina Shakespeare, é saber que se entra num drama que existia antes de nós, que nele atuamos e que um dia vamos deixa-los.</p><p>(Roberto da Matta – O Globo)</p><p>Discurso = fala + social + histórico + + sistema + realização</p><p>= processo e produto.</p><p>Passou-se a:</p><p>- Levar em conta o homem na sua história</p><p>- Considerar os processos de produção de linguagem</p><p>- Observar as condições de produção da linguagem</p><p>- Analisar a relação estabelecida pela língua com os sujeitos que a falam, e as situações em que se produz o dizer.</p><p>Antes da AD, buscava-se “o que o texto quer dizer”. Imagine que você tem em suas mãos um texto ou que está olhando uma propaganda em um outdoor. Antes da AD, olharíamos somente para o texto, olharíamos somente para o outdoor.</p><p>Depois dela, surge uma busca sobre “como este texto significa”? Em que contexto ele está inserido? Como está a sociedade que vai recebê-lo? O que pensam os homens que compõem essa sociedade? A questão não é “o que o texto significa”, mas “como o texto significa”.</p><p>ANÁLISE DE DISCURSO (AD).</p><p>A Análise de Discurso que se estabelece na França tem como marco a publicação de Análise Automática do Discurso em 1969 por Michel Pêcheux. Esse livro é o "primeiro momento de um itinerário" no qual questões fundamentais sobre os textos, a leitura e o sentido são abordadas por Pêcheux. SUA CARACTERÍSTICA NOTÁVEL FOI A PASSAGEM DA LINGUÍSTICA DA “FRASE” PARA A LINGUÍSTICA DO “TEXTO”. Essa mudança no objeto de análise provocou transformações na ideia classicamente aceita de que a ‘fala’ é individual, assistemática e, portanto, não passível de análise científica.</p><p>A ANÁLISE DO DISCURSO É UM CAMPO DA LINGUÍSTICA E DA COMUNICAÇÃO ESPECIALIZADO EM ANALISAR O USO DAS LÍNGUAS EM UM DETERMINADO CONTEXTO, PARTICULARMENTE A MANEIRA COMO OCORREM AS CONSTRUÇÕES IDEOLÓGICAS EM UM TEXTO.</p><p>A história, o contexto e a posição social concorrem para as produções discursivas. O enunciador do discurso, portanto, não é somente um sujeito da experiência e da existência individualizada no mundo, mas um sujeito discursivo, cuja história pessoal se insere na história social, ideologicamente marcada.</p><p>Portanto, a AD não se contenta com estudo dos textos: ela os relaciona ao funcionamento das instituições que os produzem e os gerem. Além disso, a AD não se interessa pelos indivíduos como tais, mas, sobretudo, pelo(s) estatuto(s) que eles ocupam em um domínio de atividade. [Ela] focaliza a imbricação de um lugar social e de um texto por meio de um dispositivo de enunciação.</p><p>Logo, a grande “sacada” da A.D - Análise do Discurso seria de não mais embasar os estudos linguísticos no nível da frase, ou sentença isolada; agora; os estudos linguísticos estão no nível do discurso ou do texto. O discurso representa “o uso da linguagem como forma de prática social”. Nesse entendimento, o discurso é a mediação entre o homem e a realidade social. Etimologicamente, discurso tem em si a ideia de curso, de percurso, de movimento. Discurso é, pois, um processo em curso.</p><p>Foi na década de 1970 do nosso século que a AD tomou força, mas não se pode dizer, ainda, que se constitua em um campo claro de estudos. O seu desenvolvimento significou a passagem da Lingüística da "frase" para a Lingüística do "texto". Essa mudança no objeto de análise provocou transformações na idéia classicamente aceita de que a "fala" é individual, assistemática e, portanto, não passível de análise científica.</p><p>Assim, a AD apresenta‐se como um entrecruzamento de diversos campos disciplinares, com destaque para a linguística, o materialismo histórico (por situar a linguagem na história) e a psicanálise (que introduz a noção de sujeito discursivo). Sua produção acontece na história, por meio da linguagem, uma das instâncias por onde a ideologia se materializa.</p><p>a) Linguística: Pelo conceito de Estrutura e ainda por ser uma ciência da linguagem, garantindo, assim, à Análise do Discurso certo rigor científico. As análises, agora, são transfrásicas, isto é, vão além da frase.</p><p>b) Marxismo: Segundo Marx e Engels, a ideologia deve ser identificada com a separação que se faz entre produção das ideais e as condições sociais e históricas em que são produzidas.</p><p>c) Psicanálise: A partir da descoberta do Inconsciente em Freud, o conceito de Sujeito sofre uma alteração drástica nas Ciências Humanas. Lacan Jacques-Marie Émile Lacan (Paris, 13 de abril de 1901 — Paris, 9 de setembro de 1981) diz que o Inconsciente se estrutura a partir de uma cadeia de significantes cuja principal característica seria a repetição e a interferência no discurso efetivo, como se houvesse sempre ali um já-dito, um discurso atravessado por outro discurso, isto é, o discurso Inconsciente. O inconsciente é o discurso do outro. As marcas deixadas por outros ficam na criança em seu inconsciente e permanecem ali como significantes qua aguardam momentos para retornar.</p><p>José de Alencar: Iracema. Quem de fato leu esse livro sabe que se trata de uma narrativa com diversos movimentos na fábula. Do ponto de vista estrutural, talvez pudesse ser descrito da seguinte forma: chega ao continente americano um explorador europeu, que se une a uma virgem com funções sagradas em sua tribo. Essa união quebra um tabu. A moça paga com a morte. Deixa, no entanto, um filho mestiço, que implanta a civilização europeia na região. Aplicado ao ensino da literatura, esse tipo de descrição demonstra uma possível aplicação da narratologia ao exame particular das obras, visto que a descrição do discurso literário propriamente dito não seguraria todos os alunos por muito tempo em nenhuma aula de literatura no Brasil. Uma das grandes limitações do método estrutural é que ele não consegue solucionar o problema do valor artístico, pois a caracterização do discurso literário ou a descrição estrutural de uma obra não explicam as razões de sua beleza.</p><p>Considera-se que esta teoria rompeu com a Linguística, pois instituiu uma forma totalmente nova de se analisar um texto. Considerando o ‘discurso’ como uma produção vinculada a um momento histórico, social e político, a AD vai buscar ‘como o texto significa’ e considerará itens como a formação discursiva e a formação ideológica no estabelecimento do sentido de um texto. Para a AD, as ideologias têm existência material e podem ser analisadas por meio da linguagem.</p><p>É interessante que se faça a distinção entre linguagem e discurso, tomando-se como base a publicação dos trabalhos de Ferdinand de Saussure no início do século XX, já que os estudos sobre a linguagem humana passam a ser realizados de forma autônoma e ganham estatuto de ciência. A visão do fenômeno linguístico apresentada por Saussure é considerada pela AD como redutora. Para ele, a linguagem humana é composta por langue (língua) e parole (fala), e à Linguística interessaria estudar a língua por representar aquilo que é sistemático e social entre os fatos da linguagem. Ainda que Saussure julgasse que língua e fala são interdependentes, ele acreditava que deveriam ser analisadas separadamente, isto é, haveria uma linguística da língua e uma linguística da fala.</p><p>Quando falamos; Quando lemos um livro, uma tira, uma charge; Quando assistimos a propagandas na televisão, etc. Quais aspectos estão em jogo? Que tipo de conhecimento utilizamos nessas interpretações?</p><p>Com o governo do presidente Lula, nós aumentamos bastante a formalização do trabalho. Tanto e assim, que batemos todos os recordes na geração de emprego com carteira assinada, e criamos quatorze milhões e meio de empregos até o momento". (Dilma Rousseff, no primeiro bloco do debate).</p><p>Nesse primeiro exemplo, pode-se notar que a candidata Dilma Rousseff, ao responder à pergunta de sua adversária Marina Silva, sobre o crescimento do trabalho informal no país, tenta estabelecer uma imagem, utilizando um recurso muito comum em uma cena política,como o debate televisionado, sobretudo, por candidatos da situação, ou seja, o candidato escolhido para suceder o atual governante de um pais.</p><p>Ela, a todo tempo, tenta atrelar sua imagem a figura do popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma demonstra, por meio de seu discurso e do emprego dos verbos na primeira pessoa do plural, como criamos e batemos, que e a candidata certa para dar continuidade a um governo com altos índices de aprovação, pelo fato de estar mais próxima do atual governo,aprovado pelo povo, até então.</p><p>A candidata tenta demonstrar um etos de "competência", voltado para a credibilidade do ator político perante os eleitores. Ela tenta instituir esta imagem, não só no corpus aqui analisado, como em toda a campanha eleitoral, pois chegou a este debate liderando as diversas pesquisas de Ibope. Isso demonstra que a forte ligação com a imagem do presidente Lula e um recurso benéfico que trouxe resultados expressivos para a sua campanha.</p><p>A candidata, por meio da demonstração desta imagem de competente, tenta persuadir os eleitores, por meio da sua união e confiança com o atual presidente e de argumentos, de que ela participou desses oito anos em que o presidente esteve no poder e de que junto com ele criou quatorze milhões de empregos com carteira assinada, demonstrando ter a mesma competência para governar o Brasil por mais quatro anos, como se vê no fragmento supracitado e reproduzido aqui: "batemos todos os recordes na geração de emprego com carteira assinada, e criamos quatorze milhões e meio de empregos até o momento".</p><p>Além desse recurso, a candidata apresenta, a todo momento, a figura da mulher, pois,até então, o Brasil nunca tivera uma presidente. Tanto a candidata Dilma, como a sua adversária Marina Silva, utilizaram este recurso, tentando conquistar os votos do eleitorado feminino, proclamando-se a possível primeira presidente do pais.</p><p>EXEMPLO 2:</p><p>“Olha, a minha política pra funcionalismo público e completamente diferente da do seu governo, completamente. Não tem terceirização, não tem arrocho de salários não tem privatização, tudo isto para enfraquecer a máquina do Estado. Ora, você era ministra, não vi você reclamar contra isso, não vi você dizer absolutamente nada contra isso e você vem agora perguntar pra mim, o que eu acho do funcionalismo. É obvio, a minha vida, primeiro eu sou funcionário público, a minha vida inteira fui funcionário público e segundo, eu acho que nós temos que valorizar o servidor público. E quando você terceiriza, quando você privatiza, você na verdade diminui o funcionário público, de modo que, eu queria saber se a gente vai ter mesmo, um servidor valorizado, caso você chegue, o que eu não creio, a presidência da república.</p><p>É isso que eu espero e você possa responder aqui hoje. Se você de fato se compromete a não terceirizar mais, a não privatizar mais nada, a retomar aquelas empresas públicas que foram privatizadas no seu governo e no governo anterior também, aqui sobrou pra todo mundo, porque de fato todos estão nessa faixa neoliberal, todos estão pelo capital.</p><p>Ninguém aqui tá nem pelo funcionário e nem pelo operário. Essa e a verdade dessa eleição. E isso que precisa ser dito aqui e que vai ser dito hoje, nesse debate democrático que nós estamos travando aqui na rede Globo”. (Plinio de Arruda Sampaio, no primeiro bloco do debate).</p><p>Nesse segundo exemplo, o candidato Plinio de Arruda Sampaio, do PSOL, instaura o"jogo de mascaras", em um jogo de significações, atacando a imagem da sua adversária Dilma Rousseff, do PT. O candidato, que, no seu passado, foi um dos fundadores do partido dos trabalhadores, faz duras críticas a sua adversária e ao atual governo federal.</p><p>No exemplo 2, ainda diz que: "Caso você chegue, o que eu não creio, a presidência da república", tentando demonstrar aos eleitores que, ao contrário do que sua adversária afirmou no início do debate, no primeiro exemplo, ela não é a candidata mais indicada e preparada,segundo ele, para se tornar presidente da república, pois, quando foi ministra, nunca discutiu sobre o funcionalismo público.</p><p>Ele apresenta a sua visão sobre o funcionalismo público e tenta se aproximar da classe, ao dizer que por toda a sua vida foi funcionário público. Plinio tenta apresentar a imagem de um candidato diferente dos demais, dos partidos que já passaram pelo governo e que já tiveram a oportunidade de governar o pais. "Às vezes, esses atos são especificados em entrevistas ou em debates: "Eu não sou como os outros. Não renego meus compromissos"</p><p>Essa imagem pode ser observada no momento em que o candidato diz em sua resposta: "Se você de fato se compromete a não terceirizar mais, a não privatizar mais nada, a retomar aquelas empresas públicas que foram privatizadas no seu governo e no governo anterior também, aqui sobrou pra todo mundo, porque de fato todos estão nessa faixa neoliberal, todos estão pelo capital. Ninguém aqui tá nem pelo funcionário e nem pelo operário. Essa e a verdade dessa eleição..." O candidato tenta instituir um ethos de virtude,demonstrando ter seguido a mesma linha de pensamento e ação durante toda a sua vida pública e política, tentando demonstrar ser um candidato de fora do sistema, do povo, dos cidadãos brasileiros.</p><p>EXEMPLO 3:</p><p>"Plinio, boa noite inicialmente a você, a Dilma, a Marina, ao Bonner, a todos e a todas e quero começar dizendo que a minha proposta de reforma tributária, ela alivia a carga de impostos sobre os pobres, isto e fundamental, e o contrário do que você afirmou.Em que sentido, eu já fiz inclusive no governo do Estado, fiz na própria constituição quando fui o autor do artigo que permitiu ter taxas de impostos diferentes segundo a essencialidade dos produtos, esta foi uma emenda de minha autoria. Eu quero tirar o imposto sobre alimentos básicos, sobre os medicamentos, coisa que eu ja fiz,parcialmente, quando fui ministro, pelo menos em relação aos impostos federais e fazer um sistema que combata a sonegação. Porque a sonegação faz com que, quem paga imposto hoje, paga o dobro do que pagaria, se todo mundo pagasse, e mais ou menos assim." (Jose Serra no primeiro bloco do debate)</p><p>Já nesse terceiro exemplo, também presente no primeiro bloco do debate, o candidato do PSDB, Jose Serra, ao responder a afirmação do seu adversário Plinio de Arruda Sampaio sobre reforma tributária, de que a sua reforma tributária aumenta a carga dos mais pobres e reduz a dos mais ricos, Serra se defende desta afirmação e tenta estabelecer as imagens (ethos) de "competência" e de "caráter", ao tentar destacar as suas "realizações" como governador e prefeito do estado de São Paulo. O candidato utiliza-se de um recurso comum do discurso político, que é o de destacar os projetos realizados em outros cargos públicos ao longo de sua carreira política, tentando demonstrar competência, caráter e experiência.</p><p>Para que o ator político consiga estabelecer o ethos de "competência" numa cena política, ele deve ter o profundo conhecimento do domínio particular que exerce a sua atividade como político e provar que tem a experiência e os meios necessários para alcançar os objetivos prometidos durante a campanha eleitoral.</p><p>http://www.usp.br/cje/jorwiki/exibir.php?id_texto=200</p><p>O DISCURSO PUBLICITÁRIO.</p><p>É um dos discursos que pretendem cativar mais atenção do auditório. As suas principais características são:</p><p>1º É dirigido a um auditório específico.</p><p>2º Tenta responder a necessidades, mas também as cria.</p><p>3º Propõe de forma condensada uma visão do mundo (sistema de valores).</p><p>4º É sedutor, pois dirige um apelo específico à sensibilidade/emoção.</p><p>5º Faz promessas veladas.</p><p>6º Opta por mensagens curtas(imagem/sonoridade), com pouca informação.</p><p>7º Atua a um nível implícito e inconsciente; sugere associações.</p><p>O poder sedutor da publicidade tem como consequência a deslocação dos atos decisórios da esfera crítica da razão para as áreas acríticas da afetividade. O resultado é comportar-se o consumidor de acordo com o previsto pelos peritos que arquitetaram a mensagem: a razão é posta de lado e age-se movido pelo desejo. Por meio de técnicas eficazes estabelece-se uma relação imaginária e mágica entre o consumidor e o produto anunciado. É que a aquisição de um produto se faz não apenas por ele satisfazer necessidades básicas, mas especialmente porque ele é apresentado como uma mais valia que vai de encontro aos desejos e aos valores das pessoas.</p><p>A atuação mágica da publicidade aposta na simbologia das coisas conotando os produtos que anuncia com valores sensuais. A relação entre o consumidor e o valor simbólico do produto é tão intensa que as pessoas chegam a ser levadas ao consumo apenas pelo valor mágico que lhe atribuem. Deste modo, um jovem não necessita de comprar uma determinada marca de calças porque é imprescindível, mas porque é sinal de prestígio, elegância, estatuto social.</p><p>Não é a coisa sem si que se pretende comprar, mas é a marca que se pretende adquirir, independentemente do produto, a marca é uma espécie de assinatura.</p><p>Por essa razão, é muito importante para o Marketing a Publicidade, centrando-se na criatividade, na promoção, no reforço, no slogan ... o que interessa é criar uma ligação entre o consumidor e a marca.</p><p>O discurso publicitário é concebido para ser endereçado ao Logos e ao Pathos, ou seja, apela à inteligência e à emoção, mas sempre dando maior ênfase à emoção.</p><p>Deve-se, preliminarmente, definir o conceito de publicidade para a adequada compreensão do termo, tendo em vista o tema a ser investigado neste ensaio, que é uma breve análise crítica da ordem do discurso publicitário.</p><p>A publicidade é uma mensagem paga veiculada nos meios de comunicação (mídia) com objetivo de se vender um produto ou serviço, sob a forma de uma marca comercial, para um público-alvo (consumidor) utilizando-se recursos linguísticos e estilísticos de ordenação, persuasão e sedução por meio de apelos racionais e emocionais.</p><p>Organizada de forma diferente das demais mensagens, a publicidade impõe, nas linhas e entrelinhas, valores, mitos, ideais e outras elaborações simbólicas, utilizando os recursos próprios da língua que lhe serve de veículo, sejam eles fonéticos, léxico-semânticos ou morfossintáticos.</p><p>Considerando seu método discursivo, a estrutura persuasiva do texto publicitário está baseada em princípios estabelecidos por Aristóteles há mais de 2 mil anos na retórica. São eles: o apelo à emoção, o oferecimento da prova e o apelo à credibilidade do comunicador.</p><p>Vamos a eles:</p><p>O apelo à emoção, na verdade, é um apelo por valores, aquilo que os consumidores valorizam e que estão procurando nos produtos.</p><p>O oferecimento de provas é uma afirmação das razões ou evidências de por que o produto fará os benefícios que promete; é uma afirmação das características do produto.</p><p>O apelo à credibilidade do comunicador é um apelo à honestidade e à integridade do anunciante. Por que alguém deveria acreditar no que o anunciante disse nos dois primeiros passos do processo de persuasão? Isto inclui referências à longevidade do anunciante e o uso de testemunhos e endossos de especialistas.</p><p>Portanto, o discurso publicitário se baseia em um princípio aristotélico que é fundado sob as retóricas emocional, racional e institucional. É concebido por meio de um simulacro social, no qual não apenas espelha o real, mas fabrica-o; sua narrativa constrói práticas sociais e culturais com formas linguísticas cotidianizadas e com um discurso do senso comum (naturalização). É, sem nenhuma dúvida, uma forma de dominação simbólica a serviço da ideologia do consumo.</p><p>A ideologia do seu discurso está pautada na ideia de que a lógica do consumo é socialmente bem vista. Os anúncios publicitários enfatizam, magicamente, o sentido de um poder que se legitima pela ordem de um espetáculo, no qual o receptor tem um papel e um script a seguir, que é o de ser consumidor (identidade) em um contexto de consumo como um enunciado de pertencimento, idolatria, controle e aceitação social.</p><p>O sujeito é socialmente aceito porque compra. E o social, por sua vez, produz essa subjetividade por intermédio do consumo. Nesse jogo de regulação, o social também é constituído pelo sujeito, com as suas pulsões individuais, e vice-versa, ou seja, a publicidade discursa para um sujeito que constitui e é constituído pelo social. Tomando-se a psicossociologia como argumento, observa-se que o discurso publicitário manipula o indivíduo e o coletivo por meio da narrativa da fábula e da fantasia como alegorias de uma retórica publicitarizada.</p><p>O discurso publicitário fetichiza as mercadorias (objetos), que são transformadas em marcas de sedução, por meio de um apelo psicossociológico, visto que a mensagem se dirige a um sujeito psíquico (dotado de pulsões, de afetos, defesas e projeções, identificações e desejos, constituinte do social que o constitui) e social (de uma cultura, de um contexto sócio-histórico, com valores de pertencimento e aceitação, um indivíduo que vive no coletivo e busca se representar).</p><p>A publicidade produz e agencia valores, saberes e naturaliza os desejos de consumo, tornando-os necessidades básicas, simbolizando-os por meio da ideologia de aceitação e pertencimento, compartilhada por todos como um ideal de existência. Para "ser" é preciso ter; consumir o que a publicidade afirma como o que é certo.</p><p>Cerveja Antarctica</p><p>(Disponível em ).</p><p>O discurso da propaganda relaciona-se a tantos outros discursos de venda de produtos associados às questões de política de vendas e filosofia de vida no que tange às questões de sociabilidade, em que o EU se relaciona com o TU, por meio do uso do vocativo Gata, chamamento popular dirigido a mulheres jovens, bem dotadas de corpo, logo com aparência dentro dos parâmetros atuais e por meio de um elogio ousado: Gata, se você fosse um país, seria o México. Por quê? Porque você Mexicomigo.</p><p>O trocadilho provoca o efeito de sentido em que o EU e o TU são expostos a um produto que pode lhes causar prazer em seus lugares sociais projetados como posições representadas no processo discursivo.</p><p>A presença da voz do EU e a previsão da resposta do EU pelo TU apontam para o poder de manipulação da decisão a favor do locutor ou não. Especialmente em textos de propaganda, encontra-se este tipo de manipulação em que o TU é levado pelo EU a partilhar e a concordar com suas opiniões. Podemos afirmar que, como produto sócio-histórico-ideológico, o sujeito é submetido aos valores e normas impostos socialmente, exerce papéis e faz uso de máscaras de acordo com a situação em que está inserido,estabelecendo-se sempre na relação como outro e incorporando papéis importantes no cumprimento das funções sociais, isto é, o sujeito representa papéis, neste caso o papel de homem sedutor em relação a uma mulher que pertence ao imaginário de todos os brasileiros: bonita e jovem.</p><p>Em todas as circunstâncias, temos nos discursos publicitários um local de manifestação de luta de poder entre os sujeitos leitores dos textos publicitários. Neste caso, podemos mencionar como exemplo os que aceitam a bebida e fazem uso dela e os abstêmios, que, por alguma razão, a abominam. No entanto, delimita-se esse poder de aceitação ou negação pelas relações ideológicas estabelecidas pelas próprias convenções e modos de articulação desses focos de luta, uma vez que a bebida alcoólica não é social e nem legalmente proibida para maiores de 18 anos. Tem-se, aqui, a prática política presente na prática social.</p><p>O DISCURSO JORNALÍSTICO.</p><p>O segredo da boa notícia depende da maneira</p><p>compreensível como chega ao receptor. A regra primordial é narrar o fato simples e rapidamente, para que o público fique bem informado. Condena-se, portanto, o excesso de adjetivação; o máximo de informação deve ocupar o mínimo de espaço. A informação deve apresentar, na medida do possível, imparcialidade e objetividade.</p><p>A mídia, de modo geral, transforma um acontecimento em notícia interpretada por um jornalista que organiza seu discurso de acordo com o público alvo do jornal para o qual trabalha. Esse discurso corresponde à possibilidade de se propagar uma crença, legitimando grupos dominantes.</p><p>Enfim, seja por seu caráter de não corresponder fielmente à realidade, mas de representá-la, seja pelo modo como o jornalista organiza seu discurso, pode-se observar que as notícias são construídas por alguém com algum propósito, consciente ou inconsciente, mediadas por valores e investidas de ideologia.</p><p>Ao observarmos a notícia veiculada por um periódico, no caso a Folha de S.Paulo, em 11/04/2008, podemos localizar um exemplo concreto de construção da notícia mediada por valores e com propósito bem definido. Eis o que foi noticiado sobre um dos suspeitos da morte da menina Isabella:</p><p>· Jatobá deixa delegacia sob gritos de "assassina" .</p><p>O periódico consegue impacto entre os leitores, pois sabe que a sociedade reconhecerá de quem se trata e que papel ocupa (Jatobá = madrasta =assassina). O julgamento (“assassina”) surge antes da sentença judicial. O jornal não a julga diretamente, senão pela “voz do povo”. A posição do periódico está, assim, protegida, ao mesmo tempo que marcada pelo recorte que faz do fato. Afinal, não diz apenas que Jatobá saiu da delegacia, mas que o fez sob gritos específicos.</p><p>O interesse pela leitura tende a continuar, e o jornal anuncia em dias posteriores (01/05/2008):</p><p>· Para polícia, casal Nardoni mentiu e matou Isabella por descontrole emocional.</p><p>Novamente, a Folha de S.Paulo reporta-se à posição de alguém, de representantes da sociedade (polícia), para proceder a avaliações (o casal mentiu e matou). O periódico exime-se, assim, de avaliar diretamente. Reporta-se, recortando a fala de outros.</p><p>Partindo do pressuposto de que o periódico é confiável, assim como a fonte citada (polícia),o leitor é levado a incorporar a posição do jornal. Nesse sentido, é digno de ser destacado o papel que pode desempenhar a seleção lexical, conforme indicamos em trabalho de 2003. A escolha do léxico pode ser entendida como algo que não ocorre fortuitamente no discurso, mas perfeitamente concatenada aos demais elementos que o organizam.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Nesta aula, você:</p><p>· Ao fim desta aula, você será capaz de:</p><p>· Conhecer o surgimento da Análise de Discurso de Linha Francesa.</p><p>· Conceituar discurso.</p><p>· Conhecer os conceitos de formação discursiva e formação ideológica.</p><p>· Definir memória de acordo com a visão da AD.</p><p>· Analisar diversos tipos de discurso.</p><p>Admirável gado novo (vida de gado) – Zé Ramalho.</p><p>Essa é a canção do povo marcado</p><p>Do povo feliz</p><p>É o admirável gado novo</p><p>É o nosso Brasil</p><p>Yeah</p><p>Vocês que fazem parte dessa massa</p><p>Que passa dos projetos do futuro</p><p>É duro tanto ter que caminhar</p><p>E dar muito mais do que receber</p><p>E ter que demonstrar sua coragem</p><p>À margem do que possa parecer</p><p>E ver que toda essa engrenagem</p><p>Já sente a ferrugem lhe comer</p><p>Êh, oô, vida de gado</p><p>Povo marcado eh</p><p>Povo feliz</p><p>Êh, oô, vida de gado</p><p>Povo marcado eh</p><p>Povo feliz</p><p>Lá fora faz um tempo confortável</p><p>A vigilância cuida do normal</p><p>Os automóveis ouvem a notícia</p><p>Os homens a publicam no jornal</p><p>E correm através da madrugada</p><p>A única velhice que chegou</p><p>Demoram-se na beira da estrada</p><p>E passam a contar o que sobrou!</p><p>Eh, oô, vida de gado</p><p>Povo marcado eh</p><p>Povo feliz</p><p>Eh, oô, vida de gado</p><p>Povo marcado eh</p><p>Povo feliz</p><p>Oh oh oh</p><p>O povo foge da ignorância</p><p>Apesar de viver tão perto dela</p><p>E sonham com melhores tempos idos</p><p>Contemplam esta vida numa cela</p><p>Esperam nova possibilidade</p><p>De verem esse mundo se acabar</p><p>A arca de Noé, o dirigível</p><p>Não voam, nem se pode flutuar</p><p>Não voam, nem se pode flutuar</p><p>Não voam, nem se pode flutuar</p><p>Eh, oô, vida de gado</p><p>Povo marcado eh</p><p>Povo feliz (eu quero ouvir vocês, vai)</p><p>Eh, oô, vida de gado</p><p>Povo marcado eh</p><p>Povo feliz</p><p>Feliz</p><p>Feliz</p><p>Feliz</p><p>Oôi</p><p>Oh uoh uoh uoh uoh eh eh eh boi</p><p>Eh boi, yeah yeah boi</p><p>O MUNDO PARA TODOS - Cristovam Buarque.</p><p>‘’Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.</p><p>De fato, como brasileiro, eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.</p><p>O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.</p><p>Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.</p><p>Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.</p><p>Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.</p><p>Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros,internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças, tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia.</p><p>Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Porém, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para</p><p>que a Amazônia seja nossa. Só nossa.</p><p>Polícia e Bandido - Leandro Sapucahy</p><p>É isso aí D2, o momento é de caos</p><p>A população tá bolada, muito bolada</p><p>Eu também tô bolado parceiro</p><p>Numa cidade muito longe</p><p>Muito longe daqui</p><p>Que tem problemas que parecem</p><p>Os problemas daqui</p><p>Que tem favelas que parecem</p><p>As favelas daqui</p><p>Existem homens maus</p><p>Sem alma e sem coração</p><p>Existem homens da lei</p><p>Com determinação</p><p>Mas o momento é de caos</p><p>Porque a população</p><p>Na brincadeira sinistra</p><p>De polícia e ladrão</p><p>Não sabe ao certo quem é</p><p>Quem é herói ou vilão</p><p>Não sabe ao certo quem vai</p><p>Quem vem na contramão</p><p>É, não sabe ao certo quem é</p><p>Quem é herói ou vilão</p><p>Não sabe ao certo quem vai</p><p>Quem vem na contramão</p><p>Porque tem homem mau</p><p>Que vira homem bom</p><p>Porque tem homem mau</p><p>Que vira homem bom</p><p>Quando ele banca o remédio</p><p>Quando ele compra o feijão</p><p>Quando ele tira pra dá</p><p>Quando ele dá proteção</p><p>Porque tem homem da lei</p><p>Que vira homem mal</p><p>Porque tem homem da lei</p><p>Que vira homem mal</p><p>Quando ele vem pra atirar</p><p>Quando ele caga no pau</p><p>Quando ele vem pra salvar</p><p>E sai matando geral</p><p>É parceiro</p><p>E aí é que a chapa esquenta</p><p>É nessa hora que a gente vê quem é fiel</p><p>Mas tanto lá como cá</p><p>Ladrão que rouba ladrão</p><p>Não tem acerto, é pedir terror</p><p>Não tem perdão</p><p>Quem fala muito é X-9</p><p>E desses a gente tem de montão</p><p>Mais o X do problema</p><p>Tá na corrupção</p><p>Um dia, o bicho pegou</p><p>O coro comeu</p><p>Polícia e bandido bateram de frente</p><p>E aí meu cumpadre</p><p>Aí tu sabe</p><p>Aí foi chapa quente, chapa quente</p><p>Bateu de frente</p><p>Um bandido e um</p><p>Sub-tenente lá do batalhão</p><p>Foi tiro de lá e de cá</p><p>Balas perdidas no ar</p><p>Até que o silêncio gritou</p><p>Dois corpos no chão, que azar</p><p>Feridos na mesma ambulância</p><p>Uma dor de matar</p><p>Mesmo mantendo a distância</p><p>Não deu pra calar</p><p>Polícia e bandido trocaram farpas</p><p>Farpas que pareciam balas</p><p>E o bandido falou</p><p>Você levou tanto dinheiro meu</p><p>Agora vem querendo me prender</p><p>E eu te avisei você não se escondeu</p><p>Deu no que deu</p><p>E a gente tá aqui</p><p>Pedindo a Deus pro corpo resistir</p><p>Será que ele tá afim de ouvir?</p><p>Você tem tanta bazuca</p><p>Pistola, fuzíl e granada</p><p>Me diz pra que tu</p><p>Tem tanta munição?</p><p>É que além de vocês</p><p>Nóis ainda enfrenta</p><p>Um outro comando, outra facção</p><p>Que só tem alemão sanguinário</p><p>Um bando de otário</p><p>Marrento, querendo mandar</p><p>Por isso que eu tô bolado assim</p><p>Eu também tô bolado sim</p><p>É que o judiciário tá todo comprado</p><p>E o legislativo tá financiado</p><p>E o pobre operário</p><p>Que joga seu voto no lixo</p><p>Não sei se por raiva</p><p>Ou só por capricho</p><p>Coloca a culpa de tudo</p><p>Nos homens do camburão</p><p>Eles colocam a culpa de tudo</p><p>Na população</p><p>(E o bandido)</p><p>E se eu morrer vem outro em meu lugar</p><p>(Polícia)</p><p>E se eu morrer vão me condecorar</p><p>E se eu morrer será que vão chorar?</p><p>E se eu morrer será que vão lembrar?</p><p>E se eu morrer (já era)</p><p>E se eu morrer</p><p>E se eu morrer (foi!)</p><p>E se eu morrer</p><p>Chega de ser subjulgado</p><p>Subtraído, um sub-bandido de um</p><p>Sub-lugar, subtenente de um</p><p>Sub-país, um sub-infeliz</p><p>Subinfeliz</p><p>LaiálaiálaiálaiálaiáLaiálaiá</p><p>Subjulgado, Subtraído</p><p>Um sub-bandido de um sub-lugar</p><p>Subtenente de um sub-país</p><p>Um subinfeliz</p><p>Mas essa história</p><p>Eu volto a repetir</p><p>Aconteceu numa cidade</p><p>Muito longe daqui</p><p>Numa cidade muito longe</p><p>Muito longe daqui</p><p>Que tem favelas que parecem</p><p>As favelas daqui</p><p>E tem problemas que parecem</p><p>Os problemas daqui</p><p>Daqui</p><p>Daqui</p><p>Daqui</p><p>É isso aí Sapucahy</p><p>Polícia ou bandido?</p><p>Vai saber né.</p><p>2</p><p>image2.emf</p><p>image3.emf</p><p>image4.emf</p><p>image5.png</p><p>image6.jpeg</p><p>image7.jpeg</p><p>image8.jpeg</p><p>image9.wmf</p><p>image1.emf</p><p>Para discutirmos melhor essa questão, vejamos as tiras a seguir.</p><p>Fonte: (Extraído de CEREJA, William R. e MAGALHÃES, Thereza C. Português: linguagens, 8ª série. São Paulo: Atual, 1998, pág. 213)</p><p>Fonte: (Extraído de CEREJA, William R. e MAGALHÃES, Thereza C. Português: linguagens, 8ª série. São Paulo: Atual, 1998, pág. 199</p><p>Como as duas tiras dialogam? Quem são as personagens envolvidas? O que as pessoas nas duas tiras estão fazendo? Que opinião sobre a televisão aparece refletida em ambas? Você consideraria que essas personagens avaliam a televisão de forma positiva? Por quê?</p><p>Ao lermos as tirinhas, não nos damos conta de quanto conhecimento é ativado para que as interpretemos. Para uma correta compreensão, devemos considerar o aspecto simbólico, o político, os sujeitos envolvidos, a ideologia etc.</p><p>Podemos analisar o papel da televisão por meio do materialismo histórico, como meio de comunicação que manipula ou não a informação, que fornece ou não informações relevantes. Desse modo, o discurso manifesto nas duas tiras seria a materialização dessa ideologia.</p><p>Devemos considerar que uma tira é um texto e, portanto, pode ser considerada unindo-se o plano da expressão ao plano do conteúdo. Segundo Discini, em A comunicação nos textos, no plano do conteúdo está o discurso e no plano da expressão está a “manifestação do sentido” estabelecida pela união da linguagem verbal e da linguagem não verbal. (2005:57)</p><p>Para compreendermos o surgimento da AD, devemos observar dois contextos importantes:</p><p>Ferdinand Saussure</p><p>Os estudos linguísticos tinham avançado desde as ideias apresentadas por Ferdinand de Saussure no Curso de Linguística Geral. Torna-se cada vez mais difícil considerar que língua e fala devem ser estudadas separadamente.</p><p>Michel Pêcheux</p><p>Um dos precursores da AD francesa foi Michel Pêcheux, que rompe com a visão estruturalista que via a língua apenas como um veículo para a comunicação limitada em si mesma e se aprofunda nos aspectos extralinguísticos do discurso. A visão de Pêcheux considera que o enunciado está inserido em um determinado contexto – social, histórico e ideológico – e, portanto, apresenta um significado que é produto desse ambiente.</p><p>Deixando a dicotomia língua/fala, Michel Pêcheux conjuga língua e discurso e, embora ele reconheça que a fala é casual, considera que o lado social da língua e o lado histórico da fala unem-se no discurso.</p><p>A comunicação não é resultado de um processo linear: “[...] não há essa separação entre emissor e receptor, nem tampouco eles atuam em sequência, em que primeiro um fala e depois o outro decodifica, etc. [...] não se trata de transmissão de informações apenas, pois no funcionamento da linguagem, que põe em relação sujeitos e sentidos afetados pela língua e pela história, temos um complexo processo de constituição desses sujeitos e produção de sentidos e não meramente transmissão de informações”.</p><p>A AD considera que, ao nos comunicarmos, fazemos mais que simplesmente transmitir informações.</p><p>SOBRE A QUESTÃO DE ALGUNS CONCEITOS NA ANÁLISE DO DISCURSO.</p><p>a) Assujeitamento Ideológico: consiste em fazer com que cada indivíduo, inconscientemente, seja levado a ocupar seu lugar na sociedade, identificando, assim, com grupos ou classes sociais.</p><p>O SUJEITO DESCENTRADO: O EU E O OUTRO.</p><p>O sujeito é essencialmente histórico. Sua fala é produzida a partir de um determinado lugar e de um determinado tempo. À concepção de um sujeito histórico articula-se a de um sujeito ideológico. Sua fala é um recorte das representações de um tempo histórico e de um espaço social. Assim, o sujeito situa o seu discurso em relação aos discursos dos outros. Outro que envolve não só seu destinatário para quem planeja, ajusta a sua fala (nível intradiscursivo), mas que também envolve outros discursos historicamente já constituídos e que emergem na sua fala (nível interdiscursivo). Desse modo, questiona-se a questão do sujeito como ser único, central, origem e fonte de sentido, porque na sua fala outras vozes também falam.</p><p>Assim, a noção de subjetividade não está mais centrada no EGO, mas relativizada no par EU-TU, incorporando o outro como constitutivo do sujeito. Disso decorre uma concepção de linguagem não mais centrada na homogeneidade. A linguagem não é mais produzida por um sujeito uno, homogêneo, todo-poderoso. É um sujeito que divide o espaço discursivo com o outro.</p><p>Uma pessoa: Ela pode ser moradora de um bairro popular e ali pode ser uma líder. Ela também pode estar num clube de mães e se constituir como sujeito e quando perguntada sobre o que ela é na vida, pode dizer que é mãe, também pode estar e mum movimento negro e ser uma líder ou militante desse movimento e quando perguntadas obre o que ela é ela diz ser negra. Pode ser uma feminista e responder ser feminista. Elapode ser líder sindical, porque trabalha e pode dizer que é uma trabalhadora. Ninguém podegarantir quais são as formas de sua subjetificação, antes de estudar a sua vida e observar assuas condições, não se pode dizer a priori com qual discurso ela se identificará; como ela seconstituirá como sujeito, que sentido ela dá a sua vida.</p><p>Essa questão do assujeitamento é fundamental na construção do discurso político, pois ao mesmo tempo em que constrói sujeitos, enfrenta-se com sujeitos já construídos. Em um país como o Brasil, devido às imensas desigualdades sociais, uma parcela significativa da população não se constitui como portadores de direitos. São sujeitos que encontram acolhida em discursos políticos clientelísticos, que aprofundam a condição de desigualdade. Frente a este cenário, um discurso político que constrói o sujeito da igualdade, portador de direitos,tem de enfrentar uma subjetificação na ordem clientelística.</p><p>O sujeito desprovido de poder e saber é uma constante nos discursos conservadores, muitas vezes não corresponde a nenhum indivíduo concreto mas que se torna fundamental. O melhor exemplo é o da “dona de casa”. A dona de casa é, antes de tudo, uma idiota. Completamente desinformada, não compreende nada e é desligada dos problemas nacionais.</p><p>Um presidente da república em um passado recente, ao explicar uma mudança em um pronunciamento oficial, disse com a maior tranquilidade, que era tão simples o que estava acontecendo no Brasil em termos de política econômica financeira, que até uma dona de casa poderia entender.</p><p>Todo político que quer falar para todas as pessoas, para as pessoas mais simples e mais ignorantes, diz: “aqui estamos nós, com pessoas como professores, trabalhadores, funcionários públicos e até dona –de casa”. Essa dona-de-casa é também uma pessoa com muito tempo na vida. Ela caminha, em uma cidade como São Paulo de supermercado em supermercado fazendo pesquisa de preço, cada vez que vai comprar um produto. Evidentemente que essa senhora gasta muito dinheiro em ônibus. Obviamente que essa mulher não existe. E ela não é ofensiva porque ninguém se identifica com ela. Ninguém que está em casa e que é mulher diz “ele está falando comigo” porém é um sujeito fundamental. É interessante isso, por que na política esta senhora, que é completamente ignorante e desprovida de ter o que fazer, por que ela passa o dia inteiro passando de supermercado em supermercado e é tão importante no discurso político brasileiro? O que está imbuído nessa senhora para que ela apareça em todos os discursos políticos? O que está imbuído aí: o desprestígio do trabalho da casa? O desprestígio da mulher? Qual é o sentido? No discurso político brasileiro, este sujeito é fundamental, mas não é para a mulher da virada do século: “a dona-de-casa’’, certamente, é uma mulher que trabalha de manhã, cuida dos filhos ao meio-dia e sai novamente para trabalhar e à noite corre ao primeiro supermercado da esquina e volta pra casa.</p><p>É importante observar que somos interpelados por múltiplos discursos. Quanto mais velhos somos, menor é a possibilidade de como indivíduo sermos interpelados por novos discursos. É muito mais fácil fazer com que o adolescente se torne drogado do que com um adulto como nós, porque o adolescente está muito</p><p>mais aberto a outros discursos e a ser constituído como sujeito diferente do que ele é. O discurso que lhe dá sentido, que lhe assujeita é mais provisório e menos exitoso em seu trabalho de fixação.</p><p>VER O TEXTO: O MUNDO PARA TODOS – CRISTÓVAM BUARQUE.</p><p>b) Condições de Produção: instância verbal da produção do discurso, determinadas pelo contexto sócio-histórico-ideológico, os interlocutores, o lugar de onde falam à imagem que fazem de si e do outro e do referente (assunto – ele).</p><p>c) Diálogo: Para Bakhtin (1895 -1975), é toda comunicação verbal qualquer, forma de interação. Compreende, assim, estritamente, um enunciado, um enunciador e um enunciatário. O  dialogismo é a condição do sentido do discurso, da linguagem. Todos os textos são dialógicos porque são resultantes do embate, do confronto de muitas vozes sociais. O dialogismo discursivo desdobra-se em dois aspectos:</p><p>- o da interação verbal entre enunciador e enunciatário do texto (nenhuma palavra é nossa, mas traz em si a perspectiva de outra(s) voz(es);</p><p>- o da intertextualidade, no interior do discurso.</p><p>d) Enunciação: emissão de um conjunto de enunciados que é produto da interação verbal de indivíduos socialmente organizados. A enunciação se dá no aqui e agora sem jamais se repetir, marca-se, exclusivamente, embora não somente, pela singularidade.</p><p>e) Formação Discursiva (Pecheux – “A Arqueologia do Saber” - 1969): é o que pode e deve ser dito a partir de um lugar sócio historicamente determinado e atravessado por uma formação ideológica. A formação discursiva envolve as condições a partir das quais se expressam os temas, objetos, hipóteses etc, em um dado espaço discursivo.</p><p>Assista ao clipe da música Policial e bandido, de Leandro Sapucahy no endereço http://letras.terra.com.br/leandro-sapucahy/555946/. Acompanhe o clipe com a letra da música e observe como a FI aparece refletida na FD exposta.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Q9tiByBm7_g</p><p>Vamos pensar: Qual a relação entre a AD e a ideologia? A AD tem uma noção discursiva de ideologia: a) As ideologias têm existência material e devem ser analisadas por meio da linguagem; b) As visões de mundo não se desvinculam da linguagem, porque a ideologia transparece na linguagem.</p><p>O conceito de Formação Discursiva (FD) foi utilizado a partir de Michel Foucault (1969) e “[...] determina o que pode ser dito com base em um determinado lugar social.”</p><p>Um exemplo simples: não existe um discurso científico fora das ciências. O discurso científico está sempre nas ciências. Não existe um discurso religioso fora das religiões. Quando se ouve um discurso religioso, mesmo que não seja de uma religião familiar, identificamos como um discurso religioso. Quando ouvimos um discurso científico, mesmo que não seja da ciência da qual somos mais próximos, da qual somos profissionais, especialistas, sabemos que aquilo é um discurso científico. O que dá ao discurso religioso a sua condição de discurso? A mesma pergunta pode ser feita em relação à ciência: o que dá ao discurso científico a possibilidade de o identificarmos? Por exemplo, o discurso da astronomia. A astronomia é uma ciência que em decorrência de seu objeto espetacular – o universo - está muito presente nos jornais. Quando se descobre uma nova estrela ou qualquer coisa desse nível e lemos essa notícia no jornal,sabemos que aquilo é um discurso científico.</p><p>Nós acreditamos, inclusive, que aquilo é verdade porque é um discurso científico. Se, entretanto, lermos em outra parte do jornal que “a Terra está em linha reta com plutão, passando pela lua e por isso você hoje não deve pegar um avião”, isso não é um discurso científico e o objeto é o mesmo. O que divide essas duas coisas? É a formação discursiva. Esses dois discursos, aquele que explica para nós que cientistas encontraram uma nova galáxia, ou uma nova estrela, e aquele que diz que nós não podemos andar de avião porque o planeta tal está em linha direta com o planeta X, falam do mesmo objeto, mas pertencem a formações discursivas distintas.</p><p>A formação discursiva FD “[...] se define como aquilo que numa formação ideológica dada – ou seja, a com base em uma posição dada em uma conjuntura sócio-histórica dada – determina o que pode e deve ser dito.”</p><p>Ideologia - “Quando nascemos, os discursos já estão em processo. Eles não se originam em nós. Isso não significa que não haja singularidade na maneira como a língua e a história nos afetam. Mas não somos o início delas. Elas realizam em nós sua materialidade.”</p><p>Reflita sobre piadas e “falas” que circulam na sociedade: Mulher no volante, perigo constante; Meninos vestem azul, e meninas vestem rosa; Políticos são corruptos etc. O que há por trás dessas ideias que circulam e, muitas vezes, assumem ares de verdade?</p><p>Temos dois sujeitos envolvidos na produção do discurso: A professora e o aluno. Aparentemente, a intenção da professora é a de realizar uma mera análise sintática, mas como a AD analisaria essa charge? Por que o produtor da charge escolheu a frase “O eleitor confia na honestidade dos políticos.” e não outra frase qualquer?</p><p>Para a AD, não há neutralidade no discurso e, por isso, a relação entre ‘eleitor’ e ‘político’ não foi casual. Temos aí a representação de uma formação ideológica (FI) através dessa formação discursiva (FD): temos a escolha de sujeitos e de uma condição de produção específica. Além disso, inclui-se nessa FD o fato de termos um aluno, um menino como sujeito do discurso “Só pode ser um Mané.”</p><p>f) Formação Social: é o lugar onde se estabelecem as relações entre as classes sociais historicamente definidas, mantendo entre si relações de aliança, antagonismo ou dominação.</p><p>g) Interdiscursividade: relação de um discurso com outros discursos.</p><p>h) Interlocução: processo de interação entre os indivíduos os quais podem usar tanto a linguagem verbal, quanto a não-verbal.</p><p>i) Intertexto: relação de um texto com outros textos.</p><p>j) Polifonia: conceito criado inicialmente por Bakhtin que o aplicou à literatura, retomado, posteriormente, por Ducrot, que lhe deu um tratamento linguístico, ou melhor, refere-se ao fato de que todo discurso está construído pelo discurso do outro, toda fala atravessada pela fala do outro. São as vozes das personagens no texto.</p><p>Bakhtin usa o conceito de polifonia para definir a forma de um tipo de romance que se contrapõe ao romance monofônico. Os textos que serviram de base às suas reflexões acerca desta temática são os de Fiódor Dostoiévski, seu conterrâneo e autor de clássicos como “Crime e Castigo”. Nesta modalidade polifônica todo personagem atua livremente, com ponto de vista, voz e postura pessoais, no contexto em que estão inseridos.</p><p>Romance polifônico é aquele em que cada personagem funciona como um ser autônomo com visão de mundo, voz e posição própria no mundo.</p><p>Alguns estudiosos defendem que a ironia é um recurso inerente ao gênero polifônico; por outro lado, a afirmação de uma opinião traz em si tão somente uma voz predominante, portanto aí não há nenhuma possibilidade de debate.</p><p>O dialogismo se apresenta no discurso polifônico justamente por meio das vozes controversas. Por outro lado, o diálogo comparece sozinho no texto monofônico, uma vez que ele sempre aparece sob um véu, do qual apenas se insinua uma voz, enquanto as outras são preservadas na sombra.</p><p>k) Pré-construído: todo discurso pressupõe outro discurso que lhe é anterior.</p><p>l) Tipos de esquecimento: segundo Michel Pêcheux, em sua obra intitulada por “Semântica e Discurso”, podemos distinguir duas formas de esquecimento:</p><p>· Esquecimento 1 – também chamado de esquecimento ideológico, é da instância do inconsciente, resultante do modo pelo qual a ideologia nos afeta.</p><p>· Esquecimento 2 – é da ordem da enunciação, já que ao falarmos dizemos de uma maneira e não de outra, estabelecemos, assim, verdadeiras relações parafrásicas as quais indicam que os dizeres sempre podem ser outros. Sabendo que o discurso é a matéria prima para o analista, faz-se, nesse momento, necessário conceituar esse termo, tarefa árdua por si só.</p><p>m) A heterogeneidade discursiva -Para estudar a presença</p><p>de citações no decorrer do processo de escrita, recorro ao estudo de Authier-Revuz a respeito da heterogeneidade discursiva mostrada. A autora esclarece que a heterogeneidade é constitutiva do discurso e, tomando como base o dialogismo bakhtiniano , segundo o qual as palavras são sempre "as palavras dos outros", entende que a linguagem, não sendo homogênea, é sempre atravessada pelos discursos nos quais está inserida.</p><p>Primeiramente temos a Heterogeneidade Constitutiva, no qual encontramos um discurso sendo atravessado por outros discursos referentes à mesma questão de análise. Assim, defende-se que é próprio dos discursos terem a interferência de outros discursos nos mesmos, estabelecendo, dessa forma, um discurso constituído por outras vozes. (Interdiscursividade)</p><p>A Heterogeneidade Mostrada é outro princípio de estudo dessa estudiosa. Segundo ela, essa heterogeneidade mostrada se divide em duas formas: Marcada e Não-Marcada. (Intertextualidade)</p><p>A heterogeneidade mostrada e marcada constitui-se por marcas explícitas do outro sujeito na fala do EU, ou seja, podemos perceber a presença de outras vozes discursivas no texto em análise. São exemplos dessa heterogeneidade: Discurso Direto, Citações, Itálico, Aspas.</p><p>Já a heterogeneidade mostrada não-marcada tem como princípio a não presença explícita de outros sujeitos, ou seja, a presença de outros sujeitos do discurso é um fato concreto e que nessa forma de análise temos a interferência de outros sujeitos de maneira implícita. São exemplos desse estudo: Ironia, estereótipo, alusão, clichê, imitação.</p><p>EXAGERO ANTITABAGISTA.</p><p>É pelo impulso de imitação, pelo desejo de serem aceitos no seu grupo ou talvez de aparentarem mais idade que muitos adolescentes adquirem o hábito de fumar.</p><p>Algumas iniciativas de combate ao tabagismo padecem de espírito semelhante.</p><p>Nos Estados Unidos, cresce a tendência de proibir o fumo em ruas, parques e em outras áreas livres. Em Nova York, dentro de pouco tempo os infratores serão multados em U$ 50. A ideia não tarda a ser reproduzida por aqui.</p><p>Projeto apresentado na Assembleia Legislativa, de autoria do deputado Vinicius Camarinha (PSB), pretende inibir o tabagismo nas praças e em outras áreas ao ar livre no Estado de São Paulo.</p><p>A adaptação do sistema nova-iorquino ao contexto local traz alguns problemas de técnica legislativa. A lei paulista prevê multas apenas para os estabelecimentos onde for tolerado o tabagismo. No caso de um parque, entretanto, quem seria multado? O fumante, como ocorre nos EUA, ou o poder público, que zela pelo lugar?</p><p>O projeto é nebuloso quanto a isso. Tampouco parecem claras as vantagens da nova regra para a saúde pública. O chamado "fumante passivo" teria de ser, sem trocadilho, passivo ao extremo se, num lugar desimpedido, não quiser deslocar-se para longe das fontes emissoras de fumaça.</p><p>A lógica imitativa é um subcapítulo de outro processo, o da radicalização. É como se, uma vez comprovado o acerto de uma ideia inicial (a proibição do fumo em locais fechados), fosse automaticamente um progresso intensificá-la ao máximo.</p><p>O empenho das boas intenções conduz, numa espécie de trajetória linear e infinita, a um clima persecutório e puritano; na defesa do que se considera o bem de todos, esconde-se -como em tantas outras situações- o puro impulso repressor e totalitário.</p><p>Lênin, num de seus panfletos, atacou alguns adversários pelo excesso de esquerdismo, "a doença infantil do comunismo"[footnoteRef:2], segundo o líder russo. O combate ao fumo também tem, nos atos de exagero e de emulação acrítica a sua doença infantil -ou, se quisermos, adolescente.(Folha de São Paulo, 18/02/2011, editorial). [2: Virou moda na política acusar de “esquerdistas” quem tem posições contrárias. Além da intolerância com o pensamento divergente, – “a liberdade é sempre a liberdade de quem pensa de modo diferente”, já dizia Rosa Luxemburgoem 1918 – demonstra desconhecimento, distorção ou banalização do conceito leninista de “esquerdismo”.</p><p>Em 2010 Esquerdismo, doença infantil do comunismo (1920), de Lênin, completou noventa anos sem grandes comemorações. Escrito entre abril e maio de 1920 e publicado pela primeira vez como panfleto em junho do mesmo ano, o texto se tornou um clássico do pensamento marxista e segue alimentando controvérsias até os dias de hoje.</p><p>Uma vez vitoriosos, os bolcheviques se viram diante de um país arruinado economicamente e socialmente dilacerado pela guerra. A tarefa, portanto, era grandiosa: enfrentar não apenas a reação dos exércitos imperialistas, que desataram um sangrento conflito militar contra a revolução, mas também a oposição de grupos libertários, anarquistas e mesmo comunistas, dentro e fora da Rússia.</p><p>É nesse contexto que Esquerdismo, doença infantil do comunismo é escrito. Diante dos ataques sofridos pela revolução, ele está convencido da importância da ditadura de classe dos operários e camponeses – liderada pelos primeiros – como único meio de preservar a revolução.</p><p>]</p><p>ANÁLISE DO TEXTO.</p><p>1. O alvo da crítica desse editorial – como se pode ver – é um projeto do deputado estadual paulista Vinícius Camarinha (PSB), que “pretende inibir o tabagismo nas praças e em outras áreas ao ar livre no Estado de São Paulo.” (COMPREENSÃO DO TEXTO).</p><p>2. O texto começa comparando o rumo que o combate ao tabagismo vem tomando com a própria opção dos adolescentes pelo tabagismo, motivada, como aquele, pelo “espírito de imitação”. (COMPREENSÃO DO TEXTO).</p><p>3. Enquanto os adolescentes imitam os adultos para passarem por tais, o projeto do deputado imita medidas semelhantes adotadas nos Estados Unidos. Uma leitura possível é a de que o deputado (e quem pensa como ele) vê os EUA como país “adulto”, maduro, e nós, como nação imatura. (INTERPRETAÇÃO DE TEXTO).</p><p>4. Depois de apontar a natureza nebulosa do projeto, que não deixa claro certos aspectos jurídicos, o articulista lembra que “a lógica imitativa” é um índice de radicalização, portanto, de imaturidade, - “ o que pode, segundo ele, levar a “um clima persecutório e puritano”; “na defesa do bem de todos” – acrescenta - ”esconde-se (...) o puro impulso repressor e totalitário.”, ou seja, o radicalismo seria não só um sinal de imaturidade, mas também uma porta aberta para o autoritarismo. (INTERPRETAÇÃO DE TEXTO).</p><p>5. Por fim, cita a frase de Lênin – “o esquerdismo é a doença infantil do comunismo” – acrescentando que “o combate ao fumo também tem, (...) nos atos de exagero e de emulação acrítica, a sua doença infantil – ou, se quisermos, adolescente”. A Folha tem uma história, uma tradição, uma imagem... Essa imagem inclui uma posição ideológica que, em comparação com outros jornais, sempre foi mais “à esquerda”, daí a intertextualidade com Lênin e a crítica à imitação do modelo norte-americano. É fato que não há ambiente político nem cultural, na atualidade, para manifestações muito óbvias e exacerbadas de tal posição. Estamos na época do “politicamente correto”. Isso pode explicar, por sua vez, o tom civilizado e discreto da crítica. (ANÁLISE DO DISCURSO).</p><p>6. A tomada de posição um tanto pro forma desse editorial é perfeita como solução para tal dilema. Na verdade, a atual atitude “politicamente correta” afastou os editoriais, nos grandes órgãos da imprensa, da atitude panfletária que tinham há algumas décadas. Por exemplo, os editoriais de 1947 eram mais explicitamente “engajados” que os atuais. (ANÁLISE DO DISCURSO).</p><p>7. Na atualidade, o espaço para uma argumentação mais agressiva é o dos jornais de menor alcance geográfico e, nos de grande circulação, o das cartas do leitor e, em menor grau, das matérias assinadas. (ANÁLISE DO DISCURSO).</p><p>OBS: Quando o leitor se limita a reproduzir o que leu, diz-se que ele se restringiu à mera compreensão do texto. Foi o que se fez, acima, nos parágrafos 1 e 2. Já no caso da interpretação, além de pura e simplesmente compreendermos o que lemos: (a) fazemos inferências, isto é, tiramos conclusões (marcas textuais); (b) procuramos perceber intenções por trás do que está dito. Na Análise do discurso correlacionamos o conteúdo do</p><p>texto com outros textos e fazemos a intertextualidade. Recorremos a conhecimento do mundo e procuramos o porquê de algumas opções do autor enunciador (sujeito ativo escritor) e do interlocutor (ou ouvinte – sujeito ativo leitor). Essa relação é feita de modo histórico e ideológico.</p><p>A AD não é uma teoria sobre a gramática da língua: Busca tratar do sentido, da leitura. Essa teoria não acredita que as palavras tenham sentido por si só, e sim que essas palavras significam somente quando consideramos quem foi seu autor, para quem ele escreveu, em que condições etc. Assim, não há sentido óbvio para um dado texto: Ao texto, agrega-se uma formação ideológica que atuará em seu significado.</p><p>TIPOLOGIA DISCURSIVA.</p><p>O professor Adilson Citelli, em seu excelente livro Linguagem e persuasão, apresenta cinco tipos de discurso:</p><p>· discurso dominante;</p><p>· discurso autorizado;</p><p>· discurso polêmico;</p><p>· discurso lúdico;</p><p>· discurso autoritário.</p><p>Refletindo sobre o assunto, pareceu-nos que o professor Citelli deixou de mencionar sete outros tipos de discurso, quais sejam:</p><p>· discurso filosófico-questionador;</p><p>· discurso sedutor;</p><p>· discurso amoroso;</p><p>· discurso científico;</p><p>· discurso emocional;</p><p>· discurso servil.</p><p>· Discurso persuasivo.</p><p>OS TIPOS DE DISCURSO DO PROFESSOR ADILSON CITELLI.</p><p>O discurso dominante, juntamente com o discurso autorizado, formam a expressão da fala do “establishment”[footnoteRef:3], da organização do poder vigente. O discurso dominante verbaliza a fala, os princípios, os anseios e os ditames da oligarquia que detém o poder num determinado contexto. Qualquer discurso de um presidente, monarca, ditador ou ministro de Estado constituiria um exemplo de discurso dominante. É interessante notar que o discurso dominante, embora represente o poder, não é necessariamente autoritário, violento ou mesmo negativo. [3: Ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui uma sociedade ou um Estado.]</p><p>O discurso autorizado, por sua vez, seria aquele proferido por alguém dotado de autoridade para ser o porta-voz de um determinado segmento social ou instituição. O discurso de um médico, de um reitor ou do gerente de uma empresa constituiriam bons exemplos do discurso autorizado. O discurso autorizado, muitas vezes, encontra-se a serviço do discurso dominante (por exemplo, os juízes da Alemanha nazista davam foros de legalidade à maioria das arbitrariedades cometidas pelos sequazes de Hitler), mas não deveria. Pode-se mesmo dizer que o grau de liberdade, progresso e desenvolvimento de uma nação poderia ser aquilatado pelo maior ou menor grau de independência existente entre o discurso autorizado e o discurso dominante.</p><p>O discurso polêmico é aquele em que duas ou mais pessoas ou facções emitem opiniões contrárias, podendo ir desde uma discussão banal, como “qual o melhor time de futebol?” até discussões de grande alcance filosófico-existencial, como “qual o melhor sistema político: presidencialismo ou parlamentarismo?”. É um tipo de discurso com duas facetas: por um lado, ele estimula o intelecto, na medida em que nos põe em contato com os vários ângulos de uma questão;por outro lado, o engajamento em discussões estéreis implica uma demanda de tempo precioso, que poderia ser melhor aproveitado em atividades mais construtivas.</p><p>O discurso lúdico é aquele feito por puro prazer, normalmente sem visar a persuasão, objetivando somente a comunicação interpessoal, o diálogo (em alguns casos, nem isso, apenas a comunicação consigo mesmo, o monólogo) . É importantíssimo para nossa saúde mental e nosso bem-estar, visto sermos seres gregários, que se ressentem da ausência de contato e comunicação. Como exemplo de discurso lúdico, podemos citar a fala de uma criança (inicialmente,mais uma brincadeira do que uma tentativa real de se comunicar), muitos poemas e canções (principalmente aquelas da “Bossa Nova”), a conversa entre amigos de longa data e grande intimidade, o ato de contar piadas.</p><p>O discurso autoritário, em que o falante impõe sua vontade sobre o ouvinte, geralmente sem lhe dar oportunidade de responder ou questionar. Representa a vontade de poder, de influenciar comportamentos, de obter vantagens. É importante notar que o discurso autoritário não tem nada a ver com o discurso dominante, já que mesmo pessoas sem poder nenhum podem ser extremamente autoritárias, como é o caso de um mendigo que subjugue sua companheira, de um porteiro que humilhe outro porteiro, etc.</p><p>OUTROS TIPOS DE DISCURSO.</p><p>O discurso filosófico-questionador é um tipo de discurso específico, muitas vezes até um solilóquio, em que o falante pergunta ao seu interlocutor ou a si mesmo as razões que explicariam algum fato da natureza ou da sociedade ou ainda tenta investigar a constituição, a essência de algo. É importante notar seu caráter duplo, evidenciado pela duplicidade presente no nome que lhe atribuímos: por um lado, esse tipo de discurso procura saber a verdade por trás dos fenômenos, das aparências: por outro lado, ele questiona as “verdades estabelecidas”, as crenças generalizadas. Textos filosóficos, artigos como os do Arnaldo Jabor ou do Olavo de Carvalho, constituiriam bons exemplos do discurso filosófico-questionador.</p><p>O discurso sedutor é a persuasão suave (ao contrário do discurso autoritário), em que se busca agradar, fascinar, envolver o ouvinte, para conseguirmos nossos intentos. Seu exemplo mais óbvio é a sedução, mas uma boa aula, uma palestra instigante, uma propaganda envolvente, também são bons exemplos do discurso sedutor. O discurso amoroso deve ser separado do discurso sedutor: aqui, trata-se do discurso entre pessoas que já consumaram a sedução ou entre pessoas que têm grande afeição, mas que não envolve um processo de sedução (como pais e filhos, parentes, almas gêmeas) . O discurso amoroso é caracterizado pela reafirmação constante da afeição, por meio de palavras carinhosas, murmúrios, códigos específicos (como “bizunguinho/a”, “Teté”) e por entoações próprias.</p><p>O discurso científico talvez deva ser separado do discurso autorizado, porque tanto a prática científica quanto a transmissão do saber científico podem ser feitos por pessoas que não têm autoridade para representar um segmento social ou uma instituição, apenas executam tarefas determinadas por aquelas que têm esta autoridade. Oque irá caracterizar o discurso científico são dois fatores: a necessidade de um glossário próprio (e apropriado) e a impessoalidade (sempre buscada, nem sempre alcançada) do discurso. Qualquer livro acadêmico pode confirmar essas duas características do discurso científico.</p><p>O discurso emocional exibe a característica de transmitir sua mensagem muito mais pelo viés da emoção do que do significado presente no texto. Isso não o impede de ser extremamente eficiente como persuasão. Muitos políticos foram eleitos com discursos totalmente vazios de significado, apelando unicamente para a emoção, como o deputado que dizia “Eu te amo” ou a senadora que dizia “Sou negra, mulher e favelada”. No primeiro caso, a frase qualificaria um potencial marido, nunca um deputado; no segundo, as qualidades exibidas são absolutamente independentes de qualquer esforço e totalmente desvinculadas das competências esperadas de uma senadora. Crianças e adultos que se comportam mal ou afetam doença para pedir atenção também são exemplos típicos do discurso emocional.</p><p>Por último, temos o discurso servil. Causa espécie o grande número de pessoas que discorre, com profusão de detalhes e profundidade, sobre o discurso autoritário e sequer menciona sua contrapartida, o discurso servil. É bastante comum, em artigos sobre a escravidão e sobre a necessidade de liberação das mulheres, afirmar-se que o ponto máximo de eficiência do discurso autoritário ocorre quando o dominado assume como seu e reproduz o discurso do dominador.No Brasil, país marcado por intenso autoritarismo (com e sem ditadura), praticamente não se passa um dia sem ouvir algum exemplo de discurso servil: a aceitação e até a satisfação com discursos como “o de cima sobe e o de baixo desce” ou “se dinheiro fosse</p><p>chão, pobre vivia voando”; a valorização de poderosos só porque são poderosos; a negação de qualquer coisa mais elevada ou digna para si mesmo; o escracho, a vulgaridade forçada, a autodesvalorização, o conformismo orgulhoso.</p><p>O discurso persuasivo está intimamente ligada à liberdade de opiniões, visto que se não há conflito de ideias, o discurso persuasivo torna-se desnecessário. Para existir persuasão é necessário que certas condições se façam presentes: a mais óbvia é a da livre circulação de ideias. Em uma ditadura, em um regime que censura,fica um pouco estranho falar em persuasão, visto que inexistem ideias em choque (mas não impossível) .Não há pluralidade de mensagens e, portanto, é possível que o discurso nem chegue à fase persuasiva permanecendo nos mais baixos extratos civilizatórios. É com Aristóteles que a estrutura do discurso será analisada expondo o funcionamento de suas unidades compositivas voltadas a produzir persuasão. O referido autor argumenta que, para Aristóteles, a retórica[footnoteRef:4] tem algo de ciência, oseja, um corpus com propósito definido e um método verificativo dos passos seguidos para se produzir persuasão. Ainda na visão do filósofo, à retórica não fica a incumbência de persuadir, mas de definir o mais eficiente meio de persuasão a intento de cada circunstância. Os estudos retóricos contribuem para a análise dos textos persuasivos. Embora no fim do século XIX, a retórica tenha sido relacionada à ideia de embelezamento do texto, não podemos ignorar sua total relevância para os estudos da persuasão. Contudo, vale ressaltar que a veracidade do discurso não está em questão quando falamos de persuasividade, o que se almeja é a aderência por parte dos ouvintes à opinião do emissor. Persuadir é, sobretudo, a busca de adesão a uma tese, perspectiva, entendimento,conceito, etc. evidenciado a partir de um ponto de vista que deseja persuadir alguém ou um auditório sobre a validade do que se enuncia. Quem persuade leva o outro a aceitar determinada ideia ... alguém “aconselha” outra pessoa acerca da procedência daquilo que está sendo afirmado. [4: A arte da eloquência, a arte de bem argumentar; arte da palavra.]</p><p>Ao longo dos séculos, os estudos sobre a retórica foram aperfeiçoando-se, tendo como um dos seus principais colaboradores Aristóteles, que, por meio do seu estudo sobre a retórica, organizou três aspectos importantes para a persuasão no discurso. Esses aspectos seriam as disposições que o enunciador cria nos seus interlocutores, o seu próprio discurso e os seus valores, demonstrando o seu caráter moral e adquirindo a confiança das demais pessoas presentes nesta interação. Para que o enunciador consiga persuadir seu auditório, ele devera utilizar as três características produzidas por meio do discurso como meios persuasivos: logos, ethos e pathos.</p><p>Ethos apela a ética, pathos ao sentimento ou emoções e logos para a lógica.</p><p>Um apelo ao ethos depende da credibilidade, competência e reputação da pessoa que faz o argumento. Uma pessoa considerada como uma autoridade no assunto que ela está falando sobre faria um argumento dessa natureza. O argumento se baseia principalmente em confiar na opinião ou análise de uma autoridade ou especialista, em vez de procurar evidência direta e prova de que qualquer um pode seguir no argumento. É o carater que o orador deve aparentar em seu discurso para se mostrar crível. Não o que ele é, mas o que ele aparenta ser: honesto, simpático, solidário. O conceito de ethos está ligado ao de credibilidade, já que não basta poder tomar a palavra, é necessário ser levado a sério.</p><p>O recurso para pathos é um argumento emocional. Argumentos dessa natureza podem ter como alvo sentimento comum, valores culturais compartilhados ou serem estruturados para manipular e provocar uma resposta emocional direta. A pessoa que faz o argumento procura fazer o ouvinte se identificar com ela. A análise do discurso procura falar em patemização, uma vez que esse termo evita que se caia em problemas terminológicos como: Emoção? Afeto? Sentimento? Sensação.</p><p>O recurso para logos é um argumento lógico. A credibilidade do argumento repousa sobre a sua coerência e estrutura interna, bem como a evidência apresentada no seu apoio. Argumentos lógicos se dividem em tipos indutivos ou dedutivos.</p><p>OBS: Um argumento pode ser de apenas um desses estilos, mas Aristóteles acreditava que um argumento eficaz mistura todas as três qualidades.</p><p>UM ESQUEMA.</p><p>Colocados os diversos tipos discursivos e o grau de persuasão neles contidos, vejamos um esquema que ajuda na melhor compreensão do interior das unidades textuais. A análise dos discursos deve ser considerada em função de quatro elementos: distância,modalização, tensão, transparência. Façamos agora a adequação desses elementos ao discurso autoritário e persuasivo.</p><p>1. Distância (atitude do sujeito falante face ao seu enunciado). O sujeito falante é exclusivo. O enunciado está marcado por uma espécie de “desaparecimento” dos referentes. A voz do enunciador é mais forte do que os próprios elementos enunciados.</p><p>2.Modalização (o modo como o sujeito constrói o enunciado). O texto autoritário, persuasivo, possui traços muito peculiares: o uso do imperativo, o caráter parafrásico etc.</p><p>3. Tensão (relação que se estabelece entre o emissor e o receptor). O emissor domina a fala do receptor; não abre espaço para a existência de respostas. É um eu impositivo, é a voz de quem comanda.</p><p>4. Transparência (maior ou menor grau de transparência, ou opacidade, do enunciado). Tende a uma maior transparência, visto tornar-se um enunciado mais facilmente compreensível pelo receptor. A mensagem é mais claramente afirmada. Com isso, o signo tem seu grau de polissemia diminuído. A metáfora não convive muito bem com a violência do convencimento autoritário.</p><p>O DISCURSO CIENTÍFICO.</p><p>O discurso científico tem características particulares. No discurso científico nenhum sujeito de traços antropomórficos está presente para suportá-lo. O discurso se constrói e se legitima por meio da negação do sujeito. A presença do sujeito no discurso científico o desmoraliza, o desqualifica, porque a narrativa científica define-se como a transformação do “não saber” em um “saber”. Se tomarmos um livro, veremos que ninguém dirá: “eu penso que fazendo tal equação matemática ou “que levando em consideração tal número, vai dar tal resultado”.</p><p>Em um livro de física, biologia, ou química nunca aparecerá alguém dizendo “eu acho isto, eu acho aquilo”. A linguagem científica não existe por acaso, ela é dotada de sentido específico: o sujeito é dotado de uma subjetividade e a ciência e o discurso cientifico reivindicam a si uma objetividade. Para que haja uma objetividade deve haver uma grande distância entre o sujeito e o objeto de estudo e esta grande distância pode ser analisada na medida em que é parte do poder do discurso. O discurso cientifico é um discurso que esconde o sujeito e, ao esconder, o sujeito se transforma em um “não-sujeito”. O poder do sujeito no discurso científico é o seu lugar de esconderijo. Porque, o cientista escondendo-se, dá ao seu discurso um tom de objetividade. Esta é uma característica do discurso científico, diferencial se comparada com o discurso político, o literário, o mediático e até o discurso religioso.</p><p>Porque as ciências sociais têm tanta dificuldade de serem reconhecidas como ciências?</p><p>Ao conversarmos com um físico ele dirá que nós fazemos cultura: “não é bem científico o que o cientista social faz”. Até porque diferentes cientistas sociais, analisando um mesmo fato chegarão a conclusões distintas. O discurso científico pretende-se objetivo, pode-se imaginar facilmente um cenário onde cinco cientistas estudam em diferentes lugares acerca de um fenômeno e chegam à mesma conclusão, tanto que há célebres disputas pela autoria de algumas descobertas científicas, por parte de laboratórios que chegaram, ao mesmo tempo, às mesmas conclusões. A distância possível entre os sujeitos e seus discursos nas diversas ciências pode explicar muitas das suas</p><p>características epistemológicas.</p><p>Paradoxalmente, nenhum discurso exige tanto um sujeito de autoridade como o discurso científico. Dizemos que um determinado texto é muito importante, porque foi produzido pelo indivíduo tal, com tais títulos acadêmicos, no departamento de uma importante universidade. O mesmo texto produzido por alguém de menor titulação em uma universidade desconhecida será menos considerado. Dizer que um trabalho foi produzido em uma universidade importante confere autoridade ao discurso, porque se constitui discursivamente também a importância dessas instituições. Elas são instituições importantes e elas têm um peso no discurso.</p><p>Um fator fundamental para a legitimidade de um discurso é, portanto, a posição do enunciador. Isto é central no discurso científico, mas não tem tanta importância em outros discursos, tais como os de caráter ético, religioso e mesmo político. O sujeito científico, no que pese seu esforço de apagamento, e talvez exatamente por isso, é o sujeito mais sofisticadamente construído, pois jamais pode falar sem antes apresentar um currículo, ter títulos, locais específicos, departamentos, universidades, editoras. Um livro traz sempre, na “orelha” a vida do autor, tudo o que ele fez, todos os seus cursos, todos os títulos de livros que escreveu. A descrição detalhada do sujeito é que dá suporte ao discurso.</p><p>Ao contrário do discurso político o discurso científico não pretende interpelar, ou seja, ele não constrói sujeitos e esconde o sujeito que o escreve. Quanto menos pessoas entenderem o discurso científico, mais importante ele poderá parecer para a comunidade científica. O discurso científico é feito para os pares. Só aos pares interessa o discurso. É tão forte esta característica que, quando um cientista começa a escrever divulgação científica, quando começa a se tornar popular tende a perder a respeitabilidade entre os seus pares.</p><p>O discurso científico não é para ser entendido por aquele que não é iniciado, que não é o portador dos títulos. Quanto mais o discurso científico for restrito maior será o seu poder. Essa característica do discurso cientifico é muito importante para o analista de política, porque o político se utiliza muito da autoridade do discurso cientifico, para justificar as suas posições.</p><p>O DISCURSO DO LIVRO DIDÁTICO.</p><p>Este tipo de obra costuma estar marcada por duas variáveis fundamentais: a estereotipia e a idealização. Vale dizer, a estandardização dos comportamentos, da ética, dos pressupostos culturais, da visão acerca da família, do papel do Estado, para ficarmos em alguns dos assuntos mais comuns aos livros didáticos, em especial aqueles dedicados ao primeiro grau.</p><p>Sendo livros idealizados, costumam esvaziar dos conceitos ensinados os traços da História, deixando-nos uma fórmula que parece ter vindo de nenhum lugar e se dirige para lugar algum. Por estarem marcadas pelo estereótipo, tais obras conseguem apresentar modelos que pouco ou nada têm a ver com a realidade da maioria das crianças.</p><p>Um dos temas mais caros ao livro didático é o da família. Vejamos como ela é tratada por Yolanda Marques:</p><p>MINHA FAMÍLIA.</p><p>Minha família é formada por meu pai, minha mãe, meus irmãos e eu. Todos nós moramos na mesma casa. Minha casa é muito importante para mim. Nela eu vivo contente e seguro. Meu pai trabalha para nos sustentar. Minha mãe cuida de nós e da casa. Meus irmãos são meus melhores amigos. Na nossa família todos se querem muito bem. Também fazem parte da minha família: meus avós, meus tios, meus primos etc.Nossa família forma uma comunidade. (MARQUES. Yolanda. A mágica do saber. 2ª série. São Paulo: Nacional, 1982)</p><p>1. A família em questão é modelar. Tudo funciona perfeitamente. O padrão de conduta de uma certa classe contamina os desvãos dessa que, sendo a família de um incógnito, quer servir como referência para a família de todo mundo. No entanto, é esse o modelo a ser lido, entendido e, quem sabe, desejado pelo jovem aluno.</p><p>2. O enunciador é uma criança que fala para outra criança. Tal movimento visa a tornar o discurso mais carregado de verdade. É um discurso “real”, falado interpares, capaz de dar validade ao ar de contentamento e segurança em que vive o pequeno “eu conformado”.</p><p>3. Uma primeira variável do preconceito. A criança está bem porque a família está unida. Esse é o pressuposto que alimenta a tese do texto, ou seja,inseguros e descontentes estarão os filhos dos casais separados. A solidão e o desapontamento deve assomar àquelas crianças cuja família já não mais se encontra unida. Podemos deduzir que tanta união familiar soa discricionária e preconceituosa, particularmente deslocada historicamente. A enorme massa de casais separados, uma certa naturalidade com que se trata hoje o tema da separação está, obviamente, a léguas do livro didático.</p><p>4. Uma segunda variável do preconceito. Pelo texto é possível ainda perceber como as relações homem/mulher estão colocadas. Particularmente no que diz respeito à questão do trabalho.O pai trabalha para sustentar a casa. A mãe não trabalha (!), ela apenas cuida da casa, dos filhos, eventualmente do cachorro e dos passarinhos. As atividades domésticas não são consideradas pelo nosso incógnito locutor como trabalho,mas tão-somente uma espécie de obrigação feminina. O texto, de novo,apresenta uma distorção histórica, pois a mulher, em função inclusive da crise econômica, cada vez se lança mais para o trabalho fora de casa.</p><p>5. Outra ideia cara ao texto é a da harmonia doméstica. Se não vejamos: “Meus irmãos são meus melhores amigos”, “moramos na mesma casa”, “Na nossa família todos se querem muito bem”. A família sem dissensões, centrada no mito da linearidade, da não-contradição. Uma família que não viva graus de tensão interna não existe. Sem qualquer grau de contradição, os membros da família estariam assemelhados às múmias; sem embates naturais inexistiriam as grandes sínteses capazes de provocar os avanços pessoais.</p><p>6. Por último, nosso texto não poderia deixar de causar um verdadeiro arrepio conceitual, ou seja, passar à criança a ideia de que viver em comunidade é viver em um mundo sem seres reais. Se a família é também um dos elementos a formarem uma comunidade, ela precisa existir como realidade histórica e socialmente determinada. Infelizmente, o modelo narrado pelo garoto não faz parte da comunidade, apenas está na cabeça de quem, ao conceber o texto, projetou seus próprios preconceitos ideológicos.</p><p>7. Raciocínio. A dedução última do texto é que ele segue um raciocínio silogístico, querendo fazer passar a tese da estreita relação entre harmonia/felicidade e união familiar. Vejamos como tais raciocínios podem ser articulados:</p><p>A</p><p>Premissa maior: A felicidade está ligada à união familiar.</p><p>Premissa menor: Eu vivo em uma família unida.</p><p>Conclusão: Eu sou feliz.</p><p>B</p><p>Premissa maior: Toda família forma uma comunidade.</p><p>Premissa menor: Eu vivo em família.</p><p>Conclusão: Eu vivo em comunidade.</p><p>C</p><p>Premissa maior: A família harmônica forma uma comunidade.</p><p>Premissa menor: Nossa família é harmônica.</p><p>Conclusão: Formamos uma comunidade.</p><p>Não é difícil perceber que a maioria desses raciocínios pode ser contestada, sendo inteiramente falsos alguns deles.</p><p>Vamos propor a leitura de um pequeno texto didático, voltado para outra faixa etária e que trata do mito da “eterna adolescência” (o sonho, a felicidade, o namoro etc.). Trata-se de um texto que, retirado de seu contexto original, torna-se tão estereotipado, que nos parece desnecessário qualquer comentário.</p><p>NA LITERATURA.</p><p>Os textos literários mais persuasivos estão presentes em diferentes momentos de nossa história literária. Apenas para citar alguns exemplos: entre os românticos— O seminarista, de Bernardo Guimarães; O gaúcho, de José de Alencar;durante o chamado naturalismo, o texto literário persuasivo foi dominante — A carne, de Júlio Ribeiro; O missionário, de Inglês de Sousa; Casa de pensão, de Aluísio Azevedo; o próprio modernismo se ressentiu desse tipo de discurso — O estrangeiro, de Plínio Salgado; boa parte da chamada “literatura engajada”pratica,</p><p>igualmente, um discurso diretivo, autoritário, ou como afirma Umberto Eco: “...três quartos da chamada literatura ‘engagée’ não passam de bem-comportados exercícios sentimentais de uma mentalidade pequeno-burguesa que, sob formas consolatórias e pacificantes, introduziu temas dramáticos no mercado miúdo dos bons sentimentos.</p><p>O DISCURSO RELIGIOSO.</p><p>Uma das formações discursivas mais explicitamente persuasivas é a religiosa: aqui o paroxismo autoritário chega a tal grau de requinte que o eu enunciador não pode ser questionado, visto ou analisado; é ao mesmo tempo o tudo e o nada. A voz de Deus plasmará todas as outras vozes, inclusive a daquele que fala em seu nome: o pastor. Estamos diante de um discurso de autoria sabida, porém não-determinada, visto que a fala do pastor se constrói como verdade não sua, mas do outro, aquele que, por ser consideradodeterminação de todas as coisas, engloba todas as falas do rebanho.</p><p>Nesse sentido, o discurso religioso realiza uma tarefa sui generis como mecanismo de comunicação, pois, se os demais discursos autoritário-persuasivos podem vir a revelar a voz do sujeito falante, nele resta apenas anoção de dogma. Não deixa de ser uma situação curiosa estar diante da mais visível forma de persuasão e do mais invisível eu persuasivo! Deus não fala,dado ser uma realidade imaterial quem fala em seu nome não é dono do discurso: o pastor/padre é apenas veículo, porta-voz, no máximo um “interpretador” da palavra do Senhor.</p><p>Dá-se a esse processo o nome de “ilusão da reversibilidade”, ou seja, enquanto no discurso dos homens se abre a possibilidade de ocorrer uma reversão no processo comunicativo (emissores e receptores podem interagir), no discurso religioso tal procedimento se torna impossível. Interagir com quem? Com Deus? Sabemos, no entanto, que isso é impossível, porém ficamos com a “ilusão” do reversível, dado que os representantes de Deus na Terra parecem falar ele. Podemos interagir na melhor das hipóteses, com entidades de segundo grau, os pastores, por exemplo, que,não sendo donos da fala (eles só reproduzem ou interpretam), dão a impressão de serem sujeitos do discurso.</p><p>A título de exemplificação, vejamos um dos mais conhecidos textos religiosos, o Credo:</p><p>1 Creio em Deus Pai todo-poderoso,</p><p>2 criador do Céu e da Terra;</p><p>3 e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor;</p><p>4 que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;</p><p>5 nasceu da Virgem Maria,</p><p>6 padeceu sob Pôncio Pilatos,</p><p>7 foi crucificado, morto e sepultado;</p><p>8 desceu à mansão dos mortos;</p><p>9 ressuscitou ao terceiro dia;</p><p>10 subiu aos Céus,</p><p>11 está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,</p><p>12 donde há de vir a julgar os vivos e os mortos;</p><p>13 creio no Espírito Santo,</p><p>14 na santa Igreja católica,</p><p>15 na comunhão dos santos,</p><p>16 na remissão dos pecados,</p><p>17 na ressurreição da carne,</p><p>18 na vida eterna.</p><p>19 Amém.</p><p>1. O Credo, ou Profissão de Fé, nos coloca frente à relação entre o homem, a fé e o dogma. O texto desprende-se de um plano meramente terreno, material(humano, portanto), para uma dimensão de mistério e espiritualidade (do Senhor Deus, da remissão, da salvação).</p><p>2. Tal passagem é matizada pela própria estrutura textual; o modo de organizar a sequência narrativa vai do eu oculto (creio) para vida eterna. Dos versos 1 a 4, encontra-se o exórdio; do 5 ao 12, a narração (com as provas); do13 ao 19, a peroração (conclusão).</p><p>Aristóteles indica em sua obra regras a serem aplicadas em discursos persuasivos. Dentre elas, discorreremos acerca da estrutura textual persuasiva combinada em quatro etapas sequenciais e integradas (o Exórdio, a Narração, as Provas e a Peroração) empregadas no discurso religioso.</p><p>HÁ UMA SÉRIE DE OUTROS MECANISMOS QUE ACENTUAM A PERSUASÃO NO DISCURSO RELIGIOSO:</p><p>· uso do modo imperativo, o que revela a ideia de coisa pronta, acabada; o vocativo subjacente (creio), que afirma o chamamento ao sujeito. O uso de imperativos e vocativos é característico de formações discursivas de pregação.</p><p>Meu amigo, minha amiga, se você ainda não encontrou a raiz do mal que lhe tem trazido prejuízos por muitos anos, participe da campanha “Corte a Raiz”, que lhe ajudará a descobrir e arrancá-la de uma vez por todas. Mas, que fique bem claro, ninguém é obrigado a nada na IURD, nem mesmo a fazer a Fogueira Santa. A Fogueira Santa é uma atitude exclusivamente pessoal. Não faça sacrifício porque estamos falando, mas faça pela sua fé! Se você não foi tocado, não ouviu a Voz da fé, do Espírito Santo, não participe! Porque se você manifesta qualquer dúvida, mesmo um fio de dúvida, não é para ti esse propósito de revolta. (FOLHA UNIVERSAL,</p><p>· Uso de performativos[footnoteRef:5]: [5: Um enunciado que não afirma e nem nega, mas realiza um ato quando é pronunciado</p><p>O "Sim" dos nubentes na hora do casamento.</p><p>"Declaro aberta a seção"</p><p>]</p><p>Você não precisa estar no altar para ganhar almas. Mas pode contribuir com uma oferta mensal para que, por meio da IURD TV, venhamos a fazê-lo por você. Certamente, de cada um de nós, será cobrado os talentos emprestados. Assim seja com cada contribuinte! (FOLHA UNIVERSAL, Edição 1010, 2011).</p><p>· a função emotiva (afinal eu devo acreditar, ter fé. O problema da salvação está comigo, o Senhor é o exemplo a ser seguido);</p><p>· o uso de metáforas: a mansão dos mortos e o ressuscitamento de todos só criam um jogo simbólico acerca do inusitado do dogma. Ex. de uso de metáforas explicitadas por paráfrases:</p><p>O Senhor Jesus é o semeador e as boas sementes são os filhos do Reino de Deus. Quando a pessoa nasce de Deus, e é selada com o Espírito Santo, ela é trigo. Fomos plantados, semeados pelo Senhor Jesus. Já o joio são os filhos do diabo. Neste mundo existe tanto o trigo quanto o joio. Na hora dos frutos, o trigo é trigo, o joio é joio. Então, você não sabe quem é quem, essa é a mais pura verdade. No dia certo, o joio será amarrado e lançado no lago de fogo, enquanto o trigo será colhido por Deus. O que me dá alegria é que o Senhor Jesus semeou em mim o trigo, e me deu a liberdade de pregar aquilo que a minha inteligência ressalta, o que faz a diferença entre os que são e os que não são. (FOLHA UNIVERSAL, Edição 1007, 2011).</p><p>· uso intenso de parábolas e da paráfrase; de um lado, a evocação alegórica, e, de outro, a presença do texto bíblico;</p><p>· uso de estereótipos e chavões que possuem a força daquilo que Umberto Eco chama de sintagmas cristalizados: “Oh! Senhor”, “todo-poderoso”, “criador”,“nosso Senhor” etc.</p><p>· uso de antíteses:“O perdão é fruto de Deus, enquanto a mágoa é fruto do inferno, porque entreva as pessoas”. (FOLHA UNIVERSAL, Edição 1003, 2011).</p><p>Sermão do Bom Ladrão: (Pe. Antônio Vieira).</p><p>“Suponho que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado, como diz Salomão: "O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao inferno."</p><p>Os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem São Basílio Magno. "Não são ladrões, diz o Santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título, são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manhã, já com força, roubam e despojam os povos."</p><p>Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam.</p><p>Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: "Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos." Ditosa Grécia, que tinha tal pregador! E mais ditosas as outras nações, se nelas não padecera a justiça as mesmas afrontas.</p><p>Quantas vezes se</p><p>viu em Roma ir enforcar um ladrão por ter furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul, ou ditador por ter roubado uma província! De um chamado Seronato disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar[footnoteRef:6]: "Seronato sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos, e em os fazer." Isto não era zelo de justiça, senão inveja. Queria tirar os ladrões do mundo, para roubar ele só” [6: Caio Sólio Apolinário Sidônio (em latim Gaius Sollius Sidonius Apollinaris;), poeta, alto funcionário doImpério Romano, bispo e santo da Igreja Católica, foi "o autor individual sobrevivente mais importante da Gália do quinto século" . A amplitude de seus conhecimentos o tornaram centro da vida pública de sua época.]</p><p>O DISCURSO POLÍTICO.</p><p>Fonte: https://omarketingpolitico.wordpress.com/2014/01/30/6-passos-para-um-discurso-politico-perfeito/</p><p>A característica fundamental do discurso político é que este necessita para sua sobrevivência impor a sua verdade a muitos e, ao mesmo tempo, é o que está mais ameaçado de não conseguir. É o discurso cuja verdade está sempre ameaçada em um jogo de significações. Ele sofre cotidianamente a desconstrução, ao mesmo tempo só se constrói pela desconstrução do outro. É portanto, dinâmico, frágil e, facilmente, expõe sua condição provisória.</p><p>O discurso político é o discurso do sujeito por excelência. A constituição do sujeito obedece às mesmas regras do discurso, ele não é anterior nem tampouco essencial, derivado de leis da história ou da própria natureza, Ao longo da nossa vida, temos várias posicionalidades como sujeito. Somos sujeitos de múltiplos discursos. Todas estas condições são potencialmente interpeláveis, mas antes do discurso e de sua sujeição a ele não é possível afirmar a que ordem de discurso ela pertence.</p><p>Os discursos políticos têm locais de enunciação específicos, ou seja, é absolutamente legítimo quando ele parte de partidos políticos, de assembleias legislativas, do governo. Todo o discurso é um discurso de poder, na medida em que todos os discursos pretendem impor verdades a respeito de um tema específico ou de uma área da ciência, da moral, da ética, do comportamento, etc.</p><p>Entretanto, o discurso político se destaca de todosneste particular, porque enquanto os outros tendem a deslocar seus desejos de poder,tornando-os opacos, o discurso político explicita sua luta pelo poder. Não poderia ser diferente, pois a explicitação de seu desejo de poder é o próprio discurso. Assim sendo, se distingue do discurso da mídia, na medida que esta última se opõe ao poder sob a denominação de objetividade da investigação. A mídia para enfrentar a política constrói um discurso do saber muito próximo das regras que regem o discurso científico.</p><p>É um discurso que tem como princípio básico a polêmica, ou seja, ele vive por meio da polêmica, vive por meio da desconstrução do outro. Essa é uma questão fundamental para entendê-lo, porque o que ele faz é desconstruir o outro, para se construir, porque, se ele não desconstruir o outro ele não tem condições de construir a si próprio. É por isso que o marketing e o discurso político estão tão próximos, porque os diversos discursos na arena política estão buscando o mesmo espaço.</p><p>O discurso político que afirma que “nós somos todos amigos... não vou falar mal de ninguém”, está referindo-se aos outros discursos que se colocam como inimigos. O discurso político precisa ser analisado nessas duas linhas: o êxito em desconstruir o outro e a forma como constrói a si próprio, como oposição ao outro.</p><p>APLICAÇÃO DO ETHOS E LOGOS NO DISCURSO POLÍTICO.</p><p>O logos (argumento) seria o próprio discurso, as propostas e os argumentos apresentados pelo candidato em cada tema discutido. Já o ethos(imagem), seria a autoimagem que o ator político institui perante os seus interlocutores; e o pathos (paixão), voltado para o sentimento, em que o candidato tenta conquistar os eleitores por meio da demonstração de proximidade e preocupação com os desejos dos mesmos. "Vê-se que a persuasão usada pelo discurso políticos e relaciona com a paixão, com a razão e com a imagem", constituindo, assim, o triangulo da dramaturgia política.</p><p>Em um debate político, temos não só o confronto entre adversários políticos, que apresentam propostas para a melhoria de um pais, como também o embate de imagens que são criadas ao longo do período eleitoral. No debate, essas imagens são expostas na tentativa de persuadir os eleitores e conseguir o maior número de votos, podendo ser atacadas pelos adversários e necessitando de uma auto preservação, para não afetá-las gravemente. Esse jogo de significações, de preservação e de desqualificação de imagens também será observado no corpus, analisando os recursos utilizados pelos candidatos nesse grande “jogo de mascaras” que é instituído por meio da construção do ethos.</p><p>Este jogo e um mecanismo discursivo no qual o ator político tenta persuadir seus eleitores, na busca incessante de ser eleito pelo povo. O candidato ao cargo público tenta em seu discurso impor a sua verdade aos eleitores, apresentando o recurso persuasivo do ethos, podendo obter êxito ou não. Ele não trabalha no âmbito da veracidade, mas no da verossimilhanca, ou seja, do parecer ser verdadeiro.</p><p>No discurso político, em que está vinculada uma figura de oposição ao enunciador e sua autoimagem, denomina-se essa imagem do adversário político como antiethos. O recurso de oposição de imagens é muito utilizado pelo ator político, pois ele constrói a sua imagem e tenta colocá-la em oposição à imagem do seu adversário. Além do antiethos, o autor também utiliza a noção de tom, que seria o modo como o enunciador assume o seu enunciado numa interação. Esse tom pode ser assumido, conforme a posição que o enunciador ocupa no momento em que ele enuncia seu discurso.</p><p>Essas imagens são extremamente frágeis e que,dependendo do momento histórico e da cultura do pais, podem ser adoradas ou rejeitadas,demonstrando algumas fortes características do discurso político como a dinamicidade, a fragilidade e a sua condição provisória.</p><p>Conclui-se que, no discurso político, além do próprio discurso (logos), com a argumentação dos candidatos, da apresentação de propostas para a melhoria da população e da persuasão pelo afeto, buscando uma aproximação com o eleitor (pathos), as imagens que o ator político institui de si mesmo numa cena discursiva são extremamente importantes, pois por meio dessas imagens (ethos) o candidato busca a identificação e a credibilidade para conseguir a adesão de novos eleitores, com o intuito de vencer as eleições e se constituir no cargo público que deseja.</p><p>Em todo discurso existem essas imagens, desde as trocas verbais mais comuns, como um diálogo entre amigos, até um debate televisionado, como foi o texto selecionado neste trabalho. Essas imagens dependem muito do caráter moral e dos valores éticos e comportamentais que o enunciador apresenta perante ao auditório para o qual ele está discursando. O enunciador deve ter um conhecimento prévio dos costumes e valores da sociedade, ou seja, dos seus interlocutores.</p><p>Os ethos se mostram ao longo desse jogo, sendo imagens extremamente frágeis, com o candidato podendo obter êxito ou não em determinado contexto, dependendo de diversos aspectos como o momento histórico, as circunstancias e os valores sociais que os eleitores esperam de seus governantes em determinada época.</p><p>Será realizada a análise dos discursos em uma situação de debate político com os quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais à presidência da república do Brasil em 2010. Os quatro candidatos que participaram de tal debate foram: Dilma Rousseff, do PT; José Serra, do PSDB; Marina Silva, do PV; e Plinio de Arruda Sampaio, do PSOL.</p><p>EXEMPLO 1:</p><p>"Boa noite, aos telespectadores, aos candidatos. Uma das grandes conquistas do governo do presidente Lula foi a melhoria da questão da formalização do trabalho no Brasil. Até dois mil e cinco, o que a gente via era esse processo do bico, do jeito para poder ter uma renda ou até sobreviver.</p>