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<p>Biogeografia</p><p>Material Teórico</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Profa. Dra. Adriana Furlan</p><p>Revisão Textual:</p><p>Profa. Ms. Alessandra Fabiana Cavalcanti</p><p>Fundamentação Conceitual</p><p>• Introdução – Histórico da Biogeografia</p><p>• Natureza, paisagem e ecossistema</p><p>· Introduzir os conceitos básicos de Biogeografia, conhecendo também</p><p>seu histórico.</p><p>OBJETIVO DE APRENDIZADO</p><p>Nesta Unidade, vamos aprender sobre o histórico da Biogeografia e os</p><p>conceitos básicos relacionados a esta área do conhecimento.</p><p>Então, procure ler, com atenção, o conteúdo disponibilizado e o material</p><p>complementar. Não esqueça! A leitura é um momento oportuno para</p><p>registrar suas dúvidas; por isso, não deixe de registrá-las e transmiti-las ao</p><p>professor-tutor.</p><p>Além disso, para que a sua aprendizagem ocorra num ambiente mais</p><p>interativo possível, na pasta de atividades, você também encontrará as</p><p>atividades de Avaliação, uma Atividade Reflexiva e a videoaula. Cada material</p><p>disponibilizado é mais um elemento para seu aprendizado, por favor, estude</p><p>todos com atenção</p><p>ORIENTAÇÕES</p><p>Fundamentação Conceitual</p><p>UNIDADE Fundamentação Conceitual</p><p>Contextualização</p><p>Observe a figura a seguir.</p><p>Figura 1 – Rugendas: retrato da Serra da Mantiqueira (estados de SP e MG) há cerca de 200 anos</p><p>Fonte: Wikimedia Commmons</p><p>Na Figura 1 encontramos uma das pinturas de Johann Moritz Rugendas (1802-</p><p>1858), denominada Mantiqueira. Rugendas chegou ao Brasil na época colonial,</p><p>em 1821, e foi designado artista oficial da expedição do barão Von Langsdorff,</p><p>que percorreu diversos trechos dos estados de São Paulo e de Minas Gerais (entre</p><p>outros), sendo que na imagem apresentada está um retrato da serra da Mantiqueira.</p><p>Nesta expedição, ele elaborou diversos retratos da natureza e dos nascentes centros</p><p>urbanos brasileiros. Tais obras apresentam a visão do europeu sobre o Brasil, uma</p><p>narrativa que leva em conta os aspectos do habitat natural até os costumes de 200</p><p>anos atrás. (Marco Antonio Barbosa)</p><p>Em muitos dos lugares em que vivemos não encontramos mais a natureza na</p><p>condição retratada por Rugendas. Vários são os fatores que levaram a transformação</p><p>da natureza tanto no campo quanto das áreas urbanas do Brasil e do mundo.</p><p>O que restou da natureza retratada por Rugendas são áreas de preservação,</p><p>onde a condição natural está presente e protegida por uma legislação.</p><p>6</p><p>7</p><p>Em grande parte do nosso país (e do mundo) as matas nativas deram lugar</p><p>a enormes áreas de atividade agrícola e pecuária ou a aglomerados urbanos.</p><p>Nestas áreas, além da retirada da vegetação nativa, foram adicionados elementos</p><p>que contribuem para a degradação do que restou, como o desaparecimento de</p><p>nascentes por conta do desmatamento.</p><p>Como consequência da retirada da vegetação ocorre a exposição do solo à</p><p>erosão e a extinção de espécies animais.</p><p>Observe a Figura 2, a seguir.</p><p>Figura 2 – Fotos de satélite mostram a devastação ocorrida na região de Marabá (PA) de 1984 a 2006</p><p>Fonte: Landsat - Inpe/Divulgação</p><p>Na Figura 2, podemos perceber que em 22 anos (de 1984 a 2006) uma área</p><p>extensa foi desmatada na região de Marabá para desenvolvimento de ativida-</p><p>des agropecuárias.</p><p>Durante quase 500 anos, nossas florestas foram dizimadas por conta de diversos</p><p>interesses econômicos (desde a cana de açúcar plantada na época do Brasil colonial</p><p>até a expansão dos centros urbanos nos séculos XX e XXI).</p><p>Para entendermos todo esse processo precisamos, em princípio, compreender a</p><p>concepção de natureza, de paisagem e de ecossistema que permeou as sociedades</p><p>ao longo do período que se estende das ocupações indígenas às áreas urbanas em</p><p>que muitos de nós vivemos hoje.</p><p>7</p><p>UNIDADE Fundamentação Conceitual</p><p>Introdução – Histórico da Biogeografia</p><p>Muitos dos naturalistas que acompanhavam expedições (desde a época das</p><p>grandes navegações) de reconhecimento de novos territórios recém-descobertos</p><p>pelos europeus retratavam, em forma de gravuras e pinturas as paisagens por</p><p>onde passavam. A estes pioneiros pode ser atribuída a origem da Biogeografia,</p><p>não como área do conhecimento sistematizada, mas na qual a fauna e a flora</p><p>eram catalogadas e classificadas de acordo com o conhecimento que se tinha na</p><p>época. Enormes inventários dos elementos naturais (e também culturais dos povos</p><p>nativos) eram realizados e serviram de base para os estudos que se seguiram ao</p><p>longo dos séculos.</p><p>A Biogeografia, como uma área do conhecimento sistematizada tem suas</p><p>formulações originais desenvolvidas no final do século XIX por Friedrich Ratzel</p><p>(1844-1904).</p><p>Segundo Carvalho (2005), podemos enumerar alguns fatos que indicam a</p><p>importância das formulações de Ratzel na renovação dos fundamentos da biogeografia.</p><p>O primeiro fato é que o próprio Ratzel foi quem pela primeira vez criou a</p><p>denominação desta disciplina, em 1880.</p><p>O segundo fato é que a apropriação cognitiva da dimensão biológica pela</p><p>geografia pretendia não só ampliar, mas até certo ponto, romper com as abordagens</p><p>tradicionais que se limitavam às antigas denominações, como “geografia das</p><p>plantas”, “geografia da história natural”, entre outras.</p><p>O terceiro fato, que coincide com esforços atuais no mesmo sentido, é incluir</p><p>a ação humana entre os principais elementos a ser considerados nas análises das</p><p>paisagens naturais e dos ecossistemas.</p><p>O legado de Ratzel está no fato de ele considerar o potencial da biogeografia,</p><p>considerando-se os vínculos indissociáveis existentes entre as dimensões biofísicas e</p><p>as antropogeográficas (em seus desdobramentos econômicos, políticos e culturais),</p><p>para a configuração da realidade dos ambientes terrestres.</p><p>Conforme Carvalho (2005), devemos sempre considerar que para o mundo de</p><p>hoje, submetido aos imperativos de uma ordem econômica e social que se pretende</p><p>global e em que nem mesmo os últimos redutos de concentração da biodiversidade</p><p>(diversidade de vida animal e vegetal) terrestre podem ser observados e estudados</p><p>fora dessa condição.</p><p>Desta forma, para compreendermos porque determinadas áreas sofrem grande</p><p>processo de devastação, enquanto outras são foco de preservação e o destino de</p><p>tudo que ali existe (todas as formas de vida, incluindo a humana), é necessário que</p><p>8</p><p>9</p><p>consideremos quais as principais características econômicas, políticas e culturais (e</p><p>ideológicas) que permeiam a nossa sociedade urbana industrial.</p><p>A biogeografia de Ratzel deve se constituir em um campo do conhecimento</p><p>que não seja limitado à descrição e à classificação dos aspectos da flora</p><p>(fitogeografia) e da fauna (zoogeografia), mas que seja mais abrangente,</p><p>estabelecendo as conexões existentes entre tais aspectos e, destes, com a</p><p>geografia das populações humanas, ou seja, para Ratzel o processo de evolução</p><p>é o resultado das interações entre as dinâmicas da flora, da fauna e da vida</p><p>humana, observadas em determinada escala espacial.</p><p>Importante!</p><p>Quando nos deparamos com a biogeografi a no nosso cotidiano e nos livros didáticos,</p><p>geralmente, encontramos um inventário dos diferentes tipos de ecossistemas (que se</p><p>tornaram, erroneamente, sinônimo de bioma) com algumas características da fl ora e da</p><p>fauna de determinada porção do espaço terrestre e sua denominação em função desta</p><p>classifi cação, relacionando-as com determinados aspectos físicos (clima e relevo), como</p><p>por exemplo, Floresta Equatorial, Floresta Boreal, Savana, entre tantos outros.</p><p>Para os estudos de geografi a esta classifi cação é sufi ciente? Podemos perceber nesta</p><p>forma de abordagem da biogeografi a algum traço dos ensinamentos de Ratzel?</p><p>Como mudar essa forma de trabalhar com a biogeografi a?</p><p>Trocando ideias...</p><p>Embora Ratzel tenha nos deixado um importante legado, fruto de sua preocupação</p><p>com os estudos geográficos, não é da forma que ele nos ensinou que percebemos</p><p>que se desenvolvem os estudos de biogeografia na atualidade.</p><p>Temos ainda uma concepção de Biogeografia que se aproxima muito mais da</p><p>Biologia do que da Geografia e, como geógrafos, precisamos questionar a validade</p><p>deste tipo de abordagem para nosso conhecimento da realidade,</p><p>a partir do ponto</p><p>de vista da Geografia.</p><p>Vamos entender um pouco melhor como, embora tivéssemos um caminho a</p><p>seguir, escolhemos outro. Assim, a concepção de biogeografia que escolhermos</p><p>será aquela que direcionará nosso olhar e forma de estudar as paisagens naturais,</p><p>ecossistemas e a natureza em sua relação com a(s) sociedade(s) ou não.</p><p>Ratzel tinha sua proposta, mas nem todos que praticam ou estudam a Geografia,</p><p>e especificamente a Biogeografia, seguiram.</p><p>Zunino e Zuliini (2003) realizaram uma abordagem em relação à biogeografia,</p><p>considerando que o seu objeto de estudo é a distribuição espacial dos seres vivos,</p><p>tanto em sua dimensão atual, quanto em seu processo histórico.</p><p>9</p><p>UNIDADE Fundamentação Conceitual</p><p>Para estes autores, o elemento básico de toda investigação ou estudo bioge-</p><p>ográfico é a “área de distribuição” dos organismos, sendo estas áreas represen-</p><p>tadas em mapas, com suas fronteiras e sua estrutura, e podem ser estudadas de</p><p>acordo com enfoques diferentes.</p><p>Vejamos de que forma estes autores concebem a biogeografia por meio dos</p><p>enfoques propostos por eles.</p><p>1. Enfoque sistemático-descritivo: o qual se utiliza de dados sobre as áreas de</p><p>distribuição dos organismos vivos para atender a diversas finalidades. Neste</p><p>caso, é criada uma série de categorias (regiões, províncias, entre outras) que</p><p>são organizadas hierarquicamente, com o intuito de classificar a superfície</p><p>da Terra. A corologia se encarrega do reconhecimento de categorias (ou</p><p>de corótipos), baseadas na coincidência de áreas de distribuição dos táxons</p><p>(unidade taxonômica associada a um sistema de classificação).</p><p>Assim, a sistemática se dá em função de uma classificação advinda da Biologia e</p><p>cabe à geografia, somente, verificar a distribuição dos seres vivos em função desta</p><p>classificação (através de mapeamentos).</p><p>Após a classificação, passa-se a descrição destas áreas para fins de</p><p>comparação com outras áreas, como por exemplo, se determinado gênero se</p><p>repete em mais de uma área.</p><p>2. Enfoque causal: o qual tem por objetivo interpretar os fatores que influen-</p><p>ciam na distribuição geográfica dos seres vivos. Neste enfoque, há duas pers-</p><p>pectivas de análise: a ecológica e a histórica.</p><p>A perspectiva ecológica se baseia na comparação entre duas áreas de</p><p>distribuição e os parâmetros abióticos (configuração geográfica, climática etc.) e</p><p>bióticos (composição e estrutura das comunidades de seres vivos) que interferem</p><p>no território considerado para tal finalidade. A perspectiva histórica se propõe</p><p>a reconstruir os acontecimentos das distribuições dos seres vivos em termos de</p><p>causas remotas, por meio da comparação entre as áreas de distribuição atuais e</p><p>as relações filéticas (de Filos), de seus ocupantes e a história evolutiva, em sentido</p><p>geográfico, geológico e climático, dos territórios em questão.</p><p>Vamos nos deter um momento para analisarmos a proposta de biogeografia</p><p>destes autores.</p><p>O que podemos perceber é uma forte influência da Biologia nesta concepção.</p><p>Na continuidade de seus estudos estes autores se dedicam a compreender como</p><p>determinados seres vivos estão presentes em tal lugar (e não em outros) e de que</p><p>forma a evolução destes ocorreu, considerando para tanto os chamados fatores</p><p>físicos (ou ambientais), tais como clima, relevo e geologia, por exemplo.</p><p>10</p><p>11</p><p>Não identificamos a dimensão humana nesta concepção, diferente da</p><p>proposta de Ratzel.</p><p>Para os estudos de caráter geográfico, esta abordagem fundamentada em</p><p>princípios e bases teóricas e metodológicas da Biologia (ou das Ciências Biológicas)</p><p>é suficiente? Para nós, que buscamos compreender a organização espacial em</p><p>função da distribuição espacial dos fenômenos em sua interface humana e física,</p><p>um sistema de classificação hierárquica dos seres vivos e o mapeamento de sua</p><p>distribuição na superfície terrestre é o bastante?</p><p>Por muito tempo o que percebemos é que esta forma de tratar a biogeografia foi</p><p>prioritária (ou até mesmo a única) para os estudos geográficos.</p><p>Exemplo disso são os livros didáticos de Ensinos Fundamental e Médio (e até</p><p>mesmo indicações bibliográficas em nível Superior) que apresentam a biogeografia</p><p>como um inventário de florestas ou de formações vegetais delimitadas no espaço</p><p>com características estanques. No máximo, encontrávamos alguma referência a</p><p>respeito da transformação destas formações vegetais, colocando o homem como</p><p>o “destruidor da natureza”.</p><p>Os professores de Geografia, genericamente falando, tendem a realizar seus</p><p>planejamentos seguindo as orientações de seu material didático, entre eles o livro</p><p>de apoio (que se torna, em muitos casos, a principal ferramenta de trabalho do</p><p>professor). Desta forma, o ano letivo é planejado em função dos capítulos do livro</p><p>a ser utilizado (ou das apostilas) e estes, por muito tempo e até atualmente, dividem</p><p>os estudos de geografia em três grandes temas: a parte física (estudos sobre a</p><p>natureza, como clima, relevo, vegetação, hidrografia, geologia), a parte relativa à</p><p>população (uma série de índices, taxas, números e fórmulas) e a parte econômica</p><p>(mais índices, taxas e números).</p><p>Em um estudo realizado, sobre o livro didático no Ensino Médio, TEIXEIRA</p><p>et al. (s/d) observa-se, de acordo com Kaercher (2003), que os temas como</p><p>clima, relevo, hidrografia, vegetação, geologia são estudados isoladamente e sem</p><p>a presença do homem, como se este não produzisse alterações significativas no</p><p>espaço geográfico. No caso dos estudos sobre a população, o homem é estudado</p><p>como parte de um conjunto de dados numéricos (taxas, índices, números, tais como</p><p>densidade demográfica, índice de desenvolvimento humano, taxas de natalidade de</p><p>mortalidade entre outros); o que transforma as aulas de Geografia em aulas de</p><p>matemática, em virtude da quantidade de números e fórmulas. Nas abordagens</p><p>sobre as questões econômicas são tratadas as diversas taxas, índices e números</p><p>relativos à produção e ao consumo, por exemplo, tais como quantidade de um</p><p>determinado produto que determinada região ou país produz.</p><p>Observe a Figura 3, a seguir, que ilustra a discussão anterior.</p><p>11</p><p>UNIDADE Fundamentação Conceitual</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. O LUGAR ONDE VIVO</p><p>LOCALIZANDO ALAGOAS ....................................................................... 10</p><p>COMO ME ORIENTAR NO LUGAR ONDE VIVO? ........................................... 20</p><p>A IMPORTÂNCIA DOS MAPAS ................................................................. 38</p><p>2. AS PAISAGENS NATURAIS DE ALAGOAS</p><p>O CLIMA ............................................................................................. 43</p><p>O RELEVO ........................................................................................... 49</p><p>A VEGETAÇÃO ...................................................................................... 56</p><p>OS RIOS E AS LAGUNAS ......................................................................... 62</p><p>3. SOCIEDADE, CAMPO E CIDADE EM ALAGOAS</p><p>FORMAÇÃO DO POVO ALAGOANO ........................................................... 77</p><p>CAMPO E CIDADE ................................................................................. 83</p><p>MANIFESTAÇÕES FOLCLÓRICAS .............................................................. 91</p><p>4. AS ATIVIDADES ECONÔMICAS E O MEIO AMBIENTE</p><p>ALAGOAS E SUA ECONOMIA ................................................................... 97</p><p>O MEU AMBIENTE E SUA IMPORTÂNCIA ..................................................110</p><p>GLOSSÁRIO ....................................................................................................121</p><p>SÍMBOLOS DO ESTADO ....................................................................................123</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................126</p><p>As palavras pontilhadas ao longo das unidades estão reunidas no glssário no �nal do livro</p><p>Figura 3 – Sumário de livro didático de Geografia. Observe a compartimentação</p><p>em três partes: física, população e economia.</p><p>Fonte: editoragrafset.com.br</p><p>Percebe-se, conforme constatam os autores, uma enorme fragmentação na</p><p>abordagem dos conteúdos de Geografia, o que, tratado desta forma, não contempla</p><p>a relação homem e natureza.</p><p>Em relação, especificamente a biogeografia, que é contemplada na primeira</p><p>temática tratada pelos livros didáticos (a parte física), a abordagem é fragmentada</p><p>e descritiva-classificatória, o que perpetua a forma de compreensão da realidade</p><p>“em partes” sem que haja um momento onde a junção destas partes ocorra. Qual</p><p>a consequência disso? Dificilmente o estudante terá a percepção de uma realidade</p><p>com diversos elementos interligados, em uma dinâmica que apresenta constantes</p><p>transformações.</p><p>12</p><p>13</p><p>Como resolver esta questão tão importante para a Geografia? Devemos partir</p><p>de um ponto de vista que o homem não é somente o “destruidor da natureza”,</p><p>mas que tudo que observamos, atualmente, em termos da distribuição dos seres</p><p>vivos pela Terra, não ocorre de forma “natural” e que desde milhares de anos</p><p>atrás vem ocorrendo uma influência mútua entre as sociedades humanas e os</p><p>demais seres vivos que aqui já viveram ou vivem, sendo que uns influenciam os</p><p>outros constantemente.</p><p>Observamos que esta discussão avançou nos últimos anos e a Biogeografia</p><p>vem sendo tratada, de forma localizada ainda, de uma forma que se aproxima</p><p>da proposta de Ratzel, ou seja, a fragmentação está dando lugar a análises mais</p><p>aprofundadas que levam ao entendimento da relação entre a(s) sociedade(s),</p><p>a natureza e o desdobramento desta última que reflete na organização espacial</p><p>(considerando-se os fatores econômicos, políticos e culturais).</p><p>Importante!</p><p>As propostas de Zunino e Zullini diferem da proposta de Raztel (elaborada muito</p><p>tempo antes). Qual destas formas de abordagem da biogeografi a atende melhor os</p><p>objetivos da Geografi a?</p><p>Trocando ideias...</p><p>Natureza, paisagem e ecossistema</p><p>Vamos estudar agora estes três conceitos básicos para os estudos de Biogeografia.</p><p>A natureza</p><p>Assim como as diferentes abordagens e compreensões do que é Biogeografia e a</p><p>forma que devemos tratá-la dentro da Geografia, há também distintas concepções</p><p>do que seja natureza, paisagem e ecossistema (para nos determos em três conceitos</p><p>básicos presentes na Biogeografia).</p><p>Vamos partir de um princípio: as palavras e os conceitos foram criados pelos</p><p>seres humanos ao longo de sua trajetória neste planeta. Desde os tempos dos</p><p>povos primitivos (há milhares de anos) até hoje, a humanidade inventou palavras</p><p>e objetos e os nomeou, bem como deu a estes significados, os quais podem ser</p><p>chamados por definições, conceitos, palavras entre tantos outros.</p><p>Sendo assim, a partir deste princípio, todos os conceitos criados pelo homem</p><p>em tempos históricos diferentes são passíveis de sofrer transformação, porque as</p><p>sociedades mudam e desta forma mudam as ideias que as pessoas têm e fazem das</p><p>coisas. As verdades não são absolutas, mas sim relativas. Referem-se à determinada</p><p>época histórica e sociedade; e sempre passíveis de questionamentos e mudanças.</p><p>13</p><p>UNIDADE Fundamentação Conceitual</p><p>Se considerarmos este princípio como verdadeiro, entenderemos com mais</p><p>clareza as diferentes concepções de natureza, de ecossistema e de paisagem</p><p>encontrada ao longo do tempo. Até os conceitos e as palavras têm suas histórias,</p><p>sempre sendo estas as histórias contadas.</p><p>Vejamos como a concepção de natureza já foi retratada!</p><p>Conforme Carvalho (2003), a natureza para os primitivos e outros povos e</p><p>sociedades que habitaram este planeta, ao longo do tempo, não é a mesma. Para</p><p>os primitivos que davam explicações para os fenômenos “naturais” observados</p><p>(chuva, raio, trovão etc.) com base em deuses e seres sobrenaturais, aos quais</p><p>tinham adoração e realizavam rituais de acordo com suas necessidades. Está é a</p><p>natureza mítica, mágica.</p><p>Na Idade Média, sobre domínio do Cristianismo e os dogmas e ensinamentos</p><p>da igreja católica, a natureza é obra de Deus e todos os fenômenos “naturais”</p><p>observados têm sua origem e explicação na criação divina. Está é a natureza divina,</p><p>criação de Deus e perfeita.</p><p>Na Idade Moderna, com o surgimento da ciência, a partir de René Descartes</p><p>(1596-1650), a natureza passa a ser vista como uma máquina perfeita, já que a</p><p>partir do conhecimento de seu funcionamento é possível controlá-la e fazer uso</p><p>dela em benefício da humanidade. A partir deste momento as crenças míticas</p><p>e religiosas começam a ser colocadas em discussão, mas levará ainda bastante</p><p>tempo para que esse paradigma de sociedade e de natureza seja modificado. A</p><p>contribuição de Descartes foi a “matematização” da natureza, através da explicação</p><p>de equações matemáticas por meio de seus estudos sobre metafísica (verdades</p><p>absolutas e inquestionáveis – base da chamada ciência moderna). Assim, ocorre</p><p>a separação entre a fé e a razão; às ciências cabe usar a razão na explicação dos</p><p>fenômenos. Esta é a natureza máquina, que funciona perfeitamente e pode ser</p><p>apreendida e explicada pela razão.</p><p>Isso ocorrerá, em sua totalidade, somente no século XIX, com Charles Darwin</p><p>(entre outros que o sucederam), pois através do desenvolvimento de pesquisas e</p><p>da elaboração de novas teorias sobre os seres vivos e sua evolução, modificou-se a</p><p>forma como a natureza era vista, discutida e interpretada. A maior contribuição de</p><p>Charles Darwin foi sua explicação de que os seres vivos evoluem em função de um</p><p>processo de seleção natural, através do qual somente os mais aptos sobrevivem,</p><p>pois em função de conseguir se adaptar às modificações impostas pelo ambiente,</p><p>são selecionados para perpetuar a espécie.</p><p>Estas formulações de Darwin estão em seus principais livros: “A Origem</p><p>das Espécies” e “A Descendência do Homem”. Estas obras revolucionaram o</p><p>conhecimento científico a respeito da origem e da evolução dos seres vivos no planeta,</p><p>contrariando as explicações religiosas. Com o passar do tempo e das transformações</p><p>da sociedade, as ideia de Darwin foram sendo aceitas no mundo científico.</p><p>14</p><p>15</p><p>Segundo as explicações de Charles Darwin, o motivo de existir pequenas diferenças</p><p>na descendência, entre os animais e as plantas, faz com que determinadas espécies</p><p>possam viver mais tempo do que outras. As espécies que vivem mais podem gerar</p><p>um número maior de descendentes, fato que permite o aparecimento de novos</p><p>tipos de variações. Ao contrário, tanto as características não necessárias para a</p><p>sobrevivência da espécie, quanto os seres mais fracos, tendem a desaparecer. Essa</p><p>é a natureza evolutiva.</p><p>As ideias de Darwin foram adaptadas e aplicadas às sociedades humanas,</p><p>originando o chamado “Darwinismo Social”. Os conceitos de luta pela existência e</p><p>pela sobrevivência dos mais aptos foram adaptados para justificar a sobrevivência</p><p>daqueles que lutam para se manter no sistema capitalista, ficando para os que</p><p>não se adaptam ao fracasso e à “morte” social. Esse conceito acabou sendo</p><p>muito utilizado para explicar a competição entre os indivíduos (especialmente no</p><p>Capitalismo Laissez-faire - símbolo do liberalismo econômico, em que o mercado</p><p>deve funcionar livremente, sem interferência) o que motivou, de forma semelhante,</p><p>as ideias de eugenia, de imperialismo, de fascismo, de nazismo e da luta entre</p><p>grupos e etnias nacionais.</p><p>Eugenia - processo de criação de uma “nova” espécie humana, a partir da seleção das</p><p>melhores características a serem transmitidas para a futura geração. Ciência que desenvolve</p><p>um intenso processo de pesquisa e de aprimoramento genético da espécie humana.</p><p>Determinismo geográfi co - ideia de que o ambiente em que vivemos infl uencia</p><p>diretamente na diversidade cultural existente e nas atividades desenvolvidas, levando a</p><p>um desenvolvimento ou subdesenvolvimento econômico, político e cultural das diversas</p><p>sociedades. As ideias de Ratzel, as quais foram utilizadas no momento em que ocorria o</p><p>processo de reunifi cação alemã e também para justifi car o processo neocolonialista na</p><p>África, traziam em sua essência a questão de sermos o que somos em função do ambiente</p><p>em que vivemos.</p><p>Como exemplo, podemos citar o atraso do continente africano em relação</p><p>ao europeu, pois o clima quente faz com que as pessoas (africanas) sejam menos propensas</p><p>a trabalhar, o que explica o subdesenvolvimento deste continente em detrimento do</p><p>desenvolvimento do continente europeu onde, por conta do clima mais frio, as pessoas são</p><p>motivadas a trabalhar. Essa forma de explicação justifi cou, também, o domínio dos povos</p><p>americanos (Américas Central e do Sul), África e Ásia, pelos europeus.</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Muito das ideias de subdesenvolvimento e do determinismo geográfico estão</p><p>associadas a esta forma de explicar o desenvolvimento (ou não) das sociedades.</p><p>Na atualidade, após a afirmação do Capitalismo como sistema socioeconômico</p><p>hegemônico, tudo que existe na natureza se torna recurso a ser disponibilizado</p><p>para a perpetuação e desenvolvimento deste sistema. Assim, tudo passa a ser</p><p>recurso, inclusive o homem (recurso humano); e a utilização ou não de tais recursos</p><p>(naturais e humanos) vai depender da demanda da produção industrial. Essa é a</p><p>natureza, fonte de matéria prima.</p><p>15</p><p>UNIDADE Fundamentação Conceitual</p><p>A paisagem</p><p>Várias são as conceituações de paisagem, mas temos no imaginário (de nossa</p><p>sociedade moderna) uma ideia semelhante de paisagem. Faça a você e a outros a</p><p>seguinte pergunta e anote as respostas: O que vem em sua mente quando ouve a</p><p>palavra paisagem? Qual a imagem que se forma? Em que você pensa?</p><p>Já tendo feito estes questionamentos a diversas pessoas, a resposta obtida, na</p><p>maioria dos casos, está relacionada à ideia de “paisagem natural”, com elementos</p><p>como praia, campos, matas, riachos, pássaros e outros elementos da “natureza”.</p><p>Por que quando pensamos em paisagem pensamos em natureza?</p><p>Uma explicação possível é que as pinturas do passado procuravam retratar a</p><p>paisagem e como naquela época não havia grandes centros urbanos e o ambiente</p><p>mais propício para o artista buscar inspiração eram as áreas rurais ou de matas</p><p>acabou por gerar nas nossas mentes esta associação entre paisagem e natureza.</p><p>Segundo Ferreira (2010), as pinturas rupestres seriam as primeiras</p><p>representações espontâneas da paisagem e (citando Alves, 2001), afirma que o</p><p>termo paisagem teria sido utilizado pela primeira vez por Jean Molinet, em 1493:</p><p>“quadro representando uma região”, ou seja, quando pintando uma paisagem de</p><p>uma região francesa. Desde então, o conceito foi sendo modificado, especialmente,</p><p>por meio da inclusão de novos aspectos, ora objetivos, ora subjetivos, de ordem</p><p>estética ou afetiva.</p><p>Como categoria de análise geográfica a paisagem foi sendo conceituada levando-</p><p>se em conta os avanços e os objetivos pertinentes à Geografia.</p><p>Desta forma, temos algumas conceituações de paisagem definidas por geógrafos,</p><p>ao longo do tempo, e que são utilizadas na análise da realidade e do espaço geográfico.</p><p>Vamos verificar agora algumas destas conceituações, considerando que não</p><p>há a mais certa ou a mais errada, sendo todas, dentro de suas perspectivas,</p><p>aplicáveis em certa situação em função do olhar que se tem sobre a realidade a</p><p>ser desvendada e explicada.</p><p>Para Jean Tricart (1981), a paisagem em termos científicos se difere daquela</p><p>do senso comum. Tricart fez algumas adaptações na formulação original de J. P.</p><p>Deffontaines e conceituou paisagem como “uma porção perceptível a um observador</p><p>onde se inscreve uma combinação de fatos visíveis e invisíveis e interações as quais,</p><p>num dado momento, não percebemos senão o resultado global”. Por analogia,</p><p>para Tricart, a paisagem pode ser comparada a um iceberg, sendo que a parte</p><p>visível seria a parte emersa (a ponta do iceberg) e a parte invisível (e a maior) o que</p><p>está por baixo da água. Como exemplo, podemos observar uma paisagem urbana,</p><p>onde temos uma favela ao lado de um condomínio luxuoso.</p><p>16</p><p>17</p><p>Figura 4 – Bairro do Morumbi em São Paulo-SP. Favela de Paraisópolis ao lado de</p><p>condomínio de alto padrão. Observe as piscinas nas sacadas dos apartamentos</p><p>em contradição às construções precárias da comunidade de Paraisópolis.</p><p>Fonte: www.tucavieira.com.br</p><p>O que vemos é o contraste entre os tipos de construção (a parte visível) e as</p><p>condições de vida de cada morador. O que não vemos, mas que é responsável</p><p>pela existência de tal paisagem, é a parte invisível (oculta) da paisagem. Nesta</p><p>parte invisível estão todos os fatores que combinados e em interação produzem</p><p>tal paisagem. Dentre estes, podemos citar as contradições do sistema capitalista</p><p>que gera os dominantes e os dominados, os ricos e os pobres, os patrões e os</p><p>empregados, o que é a base da desigualdade social. Todos esses são fatores que não</p><p>vemos, mas que são os responsáveis pelo resultado (paisagem) que observamos.</p><p>Portanto, para compreendermos tal paisagem, precisamos buscar a essência de sua</p><p>existência e não ficarmos somente na aparência, ou seja, devemos ir além do visível</p><p>(as formas), buscando o invisível (o conteúdo), senão corremos o risco de oferecer</p><p>sempre explicações superficiais e de senso comum ao analisarmos as paisagens.</p><p>Outra forma de conceituar paisagem, podemos encontrar em Santos (2008).</p><p>Para Milton Santos, a paisagem é um conjunto de formas que, num dado momento,</p><p>exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre</p><p>homem e natureza. Ainda para este autor, as paisagens são somente as formas</p><p>que observamos, as quais podem ser atuais ou passadas, constituindo um sistema</p><p>material e imutável, sendo que estas formas são criadas em momentos históricos</p><p>diferentes, porém coexistindo no momento atual. Pensemos em um centro histórico</p><p>de uma cidade qualquer. Encontraremos diversos tipos de construção que nos</p><p>remetem a diferentes momentos históricos (como por exemplo, a igreja construída</p><p>há muitos anos, casarões antigos e casas com padrão moderno). Para Santos, esse</p><p>conjunto de formas construídas em momentos diferentes são somente formas e</p><p>estão todas juntas no momento atual. E a dinâmica da sociedade, a vida? Como</p><p>Santos entende isso?</p><p>17</p><p>UNIDADE Fundamentação Conceitual</p><p>Santos criou a concepção de espaço como o conjunto das formas mais a vida</p><p>que os anima. Diferente de Tricart que não separa as formas (construções) do</p><p>conteúdo (a vida), Santos faz esta distinção; e as formas (construções) são somente</p><p>formas (sem vida) e o que anima esta vida não faz parte de sua ideia de paisagem,</p><p>mas sim de espaço (um outro conceito). Portanto, até o momento, temos dois</p><p>conceitos diferentes de paisagem.</p><p>Vamos a um terceiro conceito, baseado em Aziz Ab´Saber (2003). Para este autor,</p><p>a ideia fundamental é a de que a paisagem é sempre uma herança. Esta herança diz</p><p>respeito aos processos fisiográficos e biológicos, sendo a paisagem um patrimônio</p><p>coletivo dos povos que historicamente as herdaram como território de atuação de</p><p>suas comunidades. Aziz propõe dois níveis de abordagem, quando tratamos de</p><p>determinada paisagem: 1) devemos considerar que a paisagem é uma herança de</p><p>processos de atuação antiga, remodelados e modificados por processos de atuação</p><p>recente. Toda a transformação do clima e do relevo, por exemplo, ocorridas há</p><p>milhões de anos estão sendo remodelados pelos agrupamentos humanos que nelas</p><p>se instalaram; 2) as nações herdaram fatias – maiores ou menores – daqueles mesmos</p><p>conjuntos paisagísticos de longa e complicada elaboração fisiográfica e ecológica.</p><p>Estes povos herdeiros (todos que já estiveram e os que estão vivendo na Terra) são</p><p>responsáveis (ou deveriam ser) pelo que herdaram, devendo assim, contribuir para</p><p>sua preservação. Desde os mais altos escalões do governo e da administração até o</p><p>mais simples cidadão, todos têm uma parcela de responsabilidade permanente, no</p><p>sentido da utilização não predatória dessa herança única que é a paisagem terrestre.</p><p>Como consequência de sua conceituação de paisagem, Aziz privilegia, sempre,</p><p>em suas análises de que forma se dá a relação entre a(s) sociedade(s) e a natureza,</p><p>pois desde os primórdios a forma como esta relação ocorre é que define a paisagem,</p><p>a qual,</p><p>um grupo humano, após o outro, herdou.</p><p>A abordagem biogeográfica com base na definição de paisagem de Aziz é a que</p><p>tem sido mais utilizada entre os geógrafos brasileiros, pois considera os aspectos</p><p>físicos em sua interpelação com os aspectos humanos e de que forma isso se</p><p>define na organização do espaço (contemplando, também, a dimensão econômica,</p><p>política e cultural).</p><p>Podemos, após o discutido sobre a paisagem, perceber que há distintas formas de</p><p>conceituá-la e dependendo da opção que fizermos, seguiremos por um determinado</p><p>caminho e obteremos resultados diferentes em nossas análises.</p><p>O ecossistema</p><p>Originário da Biologia e aplicados a estudos desta disciplina, o conceito de</p><p>Ecossistema, por muito tempo foi utilizado pelos geógrafos em suas análises</p><p>biogeográficas. Com o passar do tempo, em função dos avanços teórico-</p><p>metodológicos da Geografia, o conceito advindo da Biologia não correspondia</p><p>mais às necessidades dos geógrafos em suas análises espaciais.</p><p>18</p><p>19</p><p>Desta forma, buscou-se uma forma de abordagem dos ecossistemas que se</p><p>adaptasse às necessidades dos geógrafos, chagando-se assim à aplicação da Teoria</p><p>dos Geossistemas, na qual os seres vivos e sua distribuição são analisados na sua</p><p>interação com as sociedades humanas e de que forma as sociedades interferem e</p><p>influenciam na distribuição destes seres vivos no planeta.</p><p>Embora tenhamos encontrado um caminho que melhor se encaixa nas necessi-</p><p>dades de uma análise de caráter geográfico, ainda encontramos, com muita frequên-</p><p>cia, a aplicação do conceito de Ecossistema baseado nas concepções das Ciências</p><p>Biológicas. Aplicado desta forma, à Geografia, o conceito de Ecossistema nos leva</p><p>a uma abordagem que se aproxima dos objetivos da Biologia e não da Geografia.</p><p>Qual o conceito de Ecossistema que permeia, tradicionalmente, os estudos</p><p>de Biogeografia?</p><p>Tricart (1981) define Ecossistema como “um conjunto constituído por um grupo</p><p>de seres vivos de diversas espécies, e por seu meio natural, conjunto estruturado</p><p>pelas interações que esses seres vivos exercem uns sobre os outros e que existe</p><p>entre eles e o meio”.</p><p>Esta noção de ecossistema apresenta uma ausência de um caráter concreto,</p><p>essencial para uma análise geográfica: a espacialização e a influência e interferência</p><p>humana nos ecossistemas; interferência essa não somente negativa (“o homem</p><p>destruidor da natureza”), mas também positivo (diversas plantas existentes hoje</p><p>são resultantes de inúmeros cruzamentos e transformações realizadas pelos</p><p>agrupamentos humanos ao longo do tempo).</p><p>Assim, cabe aos geógrafos a tarefa de aplicar o conceito de Ecossistema em suas</p><p>análises espaciais, considerando a dimensão econômica, política e cultural que nele</p><p>tem atuado ao longo do tempo.</p><p>19</p><p>UNIDADE Fundamentação Conceitual</p><p>Material Complementar</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Vídeos</p><p>Conheça Quais são os 5 Principais Conceitos da Geografia</p><p>youtu.be/fRD5u_06_zY</p><p>O que é Economia Verde?</p><p>youtu.be/I-OjNAM7_7I</p><p>Leitura</p><p>Leia o artigo (Relatório síntese do PNUMA): Economia verde – valorização da natureza.</p><p>Este artigo nos leva a uma reflexão sobre o valor que a fauna e a flora, e demais recursos naturais,</p><p>adquirem em nossa sociedade.</p><p>http://goo.gl/sf6pvJ</p><p>20</p><p>21</p><p>Referências</p><p>AB´SABER, A. N. Os domínios de natureza no Brasil – potencialidades</p><p>paisagísticas. 2 ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.</p><p>CARVALHO, M. B. de. Novos fundamentos para a biogeografia: a revolução</p><p>biotecnológica e a cartografia dos mananciais de biossociodiversidade. In: Olhares</p><p>Geográficos – meio ambiente e saúde. RIBEIRO, H. (Org.). São Paulo: Editora</p><p>Senac, 2005. (15-30)</p><p>________. O que é natureza. 2 ed. São Paulo: Brasiliense, 2003.</p><p>FERREIRA, V. de O. A abordagem da paisagem no âmbito dos estudos</p><p>ambientais integrados. GeoTextos, vol. 6, n. 2, dez. 2010. (187-208).</p><p>KAERCHER, N. A. Desafios e Utopias no ensino da geografia. 3. ed. Santa</p><p>Cruz do Sul: EDUNISC, 2003.</p><p>SANTOS, M. A natureza do espaço. 4 ed. São Paulo: Edusp, 2008.</p><p>TEIXEIRA, F. G. et al. Reflexões sobre o ensino de biogeografia a partir</p><p>da avaliação de livros didáticos de ensino médio. Disponível em: http://</p><p>docplayer.com.br/13820420-Reflexoes-sobre-o-ensino-de-biogeografia-a-partir-</p><p>da-avaliacao-de-livros-didaticos-de-ensino-medio-1.html</p><p>TRICART, J. I. Paisagem e Ecologia. São Paulo: IGEO/USP, 1981.</p><p>ZUNINO, M.; ZULLINI, A. Biogeografía: la dimensión espacial de la evolución.</p><p>Ciudad de México: FCE, 2003. Disponível em https://www.researchgate.net/</p><p>publication/264435473_Biogeografia_La_dimension_espacial_de_la_evolucion</p><p>Sites consultados</p><p>21</p>