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Pescadores artesanais da cidade de Cametá-PA Caracterização da pesca, saúde e segurança no trabalho (2)

TCC sobre pescadores artesanais de Cametá‑PA que descreve práticas de pesca, apetrechos (malhadeira, matapi, caniço, espinhel), espécies (pescada branca, mapará, tucunaré, camarão), tipos de embarcação, locais de pesca (Rio Tocantins 69%), comercialização, EPI (chapéu 99%) e saúde ocupacional (dor nas costas, gastrite).

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<p>MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO</p><p>UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA</p><p>INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL E DOS RECURSOS HÍDRICOS</p><p>CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PESCA</p><p>ADRIANA DA CRUZ MELO</p><p>PESCADORES ARTESANAIS DA CIDADE DE CAMETÁ-PA: CARACTERIZAÇÃO</p><p>DA PESCA, SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO</p><p>BELÉM</p><p>2023</p><p>ADRIANA DA CRUZ MELO</p><p>PESCADORES ARTESANAIS DA CIDADE DE CAMETÁ-PA:</p><p>CARACTERIZAÇÃO DA PESCA, SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)</p><p>apresentado à Comissão de Trabalho de</p><p>Conclusão de Curso de Engenharia de Pesca da</p><p>Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)</p><p>como requisito à obtenção do grau de Bacharel em</p><p>Engenharia de Pesca.</p><p>Área de conhecimento: Extensão Pesqueira.</p><p>Orientadora: Dr.ª Andréa Magalhães Bezerra</p><p>Coorientador: Me. Rafael Anaisce das Chagas.</p><p>BELÉM</p><p>2023</p><p>RESUMO</p><p>Na cidade de Cametá-PA, os ribeirinhos têm o peixe como principal fonte proteica em</p><p>sua dieta. Diante deste hábito, têm como fonte de renda ou subsistência o exercício</p><p>da pesca artesanal nos corpos hídricos próximos as suas residências. A atividade</p><p>pesqueira requer esforços físicos no qual propiciam o surgimento de doenças ou</p><p>acidentes ocupacionais. Diante disto o presente trabalho teve como objetivo descrever</p><p>a pesca e a segurança no trabalho na atividade pesqueira realizada pelos pescadores</p><p>artesanais município de Cametá, estado do Pará, Amazônia Oriental. O trabalho de</p><p>pesquisa foi realizado na colônia Z-16, localizada no município de Cametá-PA,</p><p>aplicando questionários semiestruturado aos pescadores artesanais associados e não</p><p>associados a colônia, totalizando 74 pescadores (67 homens e 7 mulheres). Foram</p><p>feitas perguntas quanto aos tipos de apetrechos utilizados na pesca, espécies</p><p>capturadas, tipos de embarcações, local de captura do pescado, comercialização e</p><p>acidentes ou doenças adquiras durante o exercício da função. Os apetrechos mais</p><p>utilizados foram malhadeira, seguido de matapi, caniço e espinhel. As espécies de</p><p>pescado mais capturadas foram a pescada branca, mapará e o tucunaré, além do</p><p>camarão de água doce outra categoria de pescado. As embarcações mais utilizadas</p><p>foram, casco a remo (42%), a rabeta (28%) e a rabudo (24%). Os locais de pesca</p><p>mais frequentes foram no Rio Tocantins (69%), seguido de Rio Tapajós (3%). O</p><p>principal ponto de venda do pescado é na feira do município de Cametá. O chapéu foi</p><p>o Equipamento de Proteção Individual (EPI’s) mais utilizado com representatividade</p><p>de 99%. A doença ocupacional mais frequente foi a dor nas costas, durante e após a</p><p>atividade pesqueira. Em relação às doenças diagnosticadas com os pescadores a que</p><p>obteve resultados mais significativo foi a gastrite/ úlcera / problemas estomacais. A</p><p>integração da mulher na atividade pesqueira em Cametá, possui uma certa</p><p>invisibilidade, pois os homens apresentam uma participação dominante nessa</p><p>atividade, porém as mulheres estão apoiando principalmente na pesca de</p><p>subsistência. Desse modo, a pesca artesanal requer métodos de exercício e instrução</p><p>mais eficazes para a promoção da saúde dos pescadores.</p><p>Palavras-chave: Pesca artesanal, saúde do pescador, Rio Tocantins, Embarcações</p><p>e Doenças ocupacionais.</p><p>ABSTRACT</p><p>In the city of Cametá-PA, riverside people have fish as the main protein source in their</p><p>diet. Faced with this habit, their source of income or subsistence is the exercise of</p><p>artisanal fishing in water bodies next to their homes. The fishing activity requires</p><p>physical efforts in which they favor the emergence of diseases or occupational</p><p>accidents. In view of this, the present work aimed to describe fishing and work safety</p><p>in the fishing activity carried out by artisanal fishermen in the municipality of Cametá,</p><p>Para State, Eastern Amazon. The research work was carried out in the Z-16, located</p><p>in the municipality of Cametá-PA, applying semi-structured questionnaires to artisanal</p><p>fishermen associated and not associated with the colony, totaling 74 fishermen (67</p><p>men and 7 women). Questions were asked about the types of equipment used in</p><p>fishing, species captured, types of fishing boats, place of capture of fish,</p><p>commercialization and accidents or diseases acquired during the exercise of the</p><p>function. The most used equipment was gill net, followed by matapi, reed and longline.</p><p>The most captured fish species were white hake, mapará and peacock bass, in</p><p>addition to the freshwater shrimp another category of fish. The most used boats were,</p><p>respectively: rowing canoe (42%), sterndrive boat (28%) and long-tail boat (24%). The</p><p>most frequent fishing spots were on the Tocantins River (69%), followed by the Tapajós</p><p>River (3%). The main selling point for fish is at the fair in the municipality of Cametá.</p><p>The hat was the most used Personal Protective Equipment (PPE) with a</p><p>representativeness of 99%. The most frequent occupational disease was back pain,</p><p>during and after fishing. Regarding the diseases diagnosed with the fishermen, the one</p><p>that obtained the most significant results was gastritis/ulcer/stomach problems. The</p><p>integration of women in fishing activity in Cametá has a certain invisibility, as men have</p><p>a dominant participation in this activity, but women are mainly supporting subsistence</p><p>fishing. Thus, artisanal fishing requires more effective exercise and instruction</p><p>methods to promote fishermen's health.</p><p>Keywords: Artisanal fishing, fisherman's health, Tocantins River, Vessels and,</p><p>Occupational diseases.</p><p>LISTA DE ILUSTRAÇÕES</p><p>Figura 1 - Apetrechos de pesca mais utilizados pelos pescadores no rio Tocantins:</p><p>Malhadeira (A), Matapi (B), Caniço (C), Espinhel (D). ............................................... 13</p><p>Figura 2 - Embarcações utilizados pelos pescadores do Pará: Canoa a remo (A),</p><p>Rabeta (B), Rabudo (C). ........................................................................................... 14</p><p>Figura 3 - Lesão com necrose e infecção causada por ferrada de arraia (A), Lesão</p><p>após uso de antibiótico (B) e Perfuração no olho com anzol (C). .............................. 15</p><p>Figura 4 - Pescadores no exercício da atividade que pode levar a doenças</p><p>ocupacionais, tais como: Dor na coluna vertebral (A), Dor na costa (B) e Insolação (C).</p><p>.................................................................................................................................. 16</p><p>Figura 5 - Mapa da área de estudo do município de Cametá-PA. ............................. 18</p><p>Figura 6 - Entrevista com os pescadores na feira (A) e na colônia Z-16 (B) do município</p><p>de Cametá-PA. .......................................................................................................... 19</p><p>Figura 7 - Percentual de apetrechos de pesca confeccionados pelos pescadores de</p><p>Cametá – PA. ............................................................................................................ 22</p><p>Figura 8 - Apetrechos de pesca utilizados pelos pescadores artesanais de Cametá –</p><p>PA. ............................................................................................................................ 23</p><p>Figura 9 - Apetrechos de pesca mais utilizados pelos pescadores artesanais de</p><p>Cametá-PA: Malhadeira (A); Matapi (B); Caniço (C); Espinhel (D). .......................... 23</p><p>Figura 10 - Embarcações utilizadas pelos pescadores artesanais de Cametá – PA. 24</p><p>Figura 11 - Formas de aquisição das embarcações dos pescadores artesanais de</p><p>Cametá – PA. ............................................................................................................ 24</p><p>Figura 12 - Embarcações de pesca utilizados pelos pescadores de Cametá-PA: Canoa</p><p>(A); Remo (B); Rabeta (C); Motor da rabeta (D); Rabudo (E); Motor do rabudo (F).. 25</p><p>Figura 13 - Locais de pontos de pesca</p><p>em Cametá - PA. ......................................... 26</p><p>Figura 14 - Vende de peixes na feira de Cametá - PA. ............................................. 27</p><p>Figura 15 - Pescados capturados pelos pescadores de Cametá - PA. ..................... 28</p><p>Figura 16 - Utensílios de segurança na embarcação. ............................................... 30</p><p>Figura 17 - Acidentes ocorridos com os pescadores durante a pesca no município de</p><p>Cametá-PA. ............................................................................................................... 31</p><p>Figura 18 - Acidentes envolvendo barcos de pesca. ................................................. 32</p><p>Figura 19 - Doenças diagnosticadas nos pescadores de Cametá-PA. ...................... 34</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 7</p><p>2 OBJETIVOS ............................................................................................................. 9</p><p>2.1 Objetivo geral ...................................................................................................... 9</p><p>2.2 Objetivos específicos.......................................................................................... 9</p><p>3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................. 10</p><p>3.1 A pesca e o pescador da Amazônia................................................................. 10</p><p>3.2 Apetrechos de pesca utilizados na região Amazônica .................................. 11</p><p>3.3 Acidentes de trabalhos na atividade pesqueira ............................................. 14</p><p>3.4 Doenças ocupacionais ocasionadas pela atividade pesqueira .................... 15</p><p>4 MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 18</p><p>4.1 Área de estudo .................................................................................................. 18</p><p>4.2 Delineamento amostral ..................................................................................... 18</p><p>4.2.1 Característica da população e procedimento amostral .................................... 18</p><p>4.2.2 Caracterização da pesca .................................................................................. 19</p><p>4.2.3 Levantamento dos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais ................. 20</p><p>4.3 Elaboração do Flyer .......................................................................................... 20</p><p>5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 20</p><p>5.1 Caracterização da atividade pesqueira ............................................................ 21</p><p>5.2 Acidentes no trabalho dos pescadores de Cametá ....................................... 29</p><p>5.3 Doenças ocupacionais dos pescadores ......................................................... 32</p><p>5.4 Mulheres na pesca em Cametá ........................................................................ 34</p><p>6 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 37</p><p>REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 38</p><p>APÊNDICE A – Questionário para coleta de dados sobre a pesc ....................... 43</p><p>APÊNDICE B – Questionário sobre os acidentes ocorridos com os</p><p>pescadores.. ............................................................................................................ 44</p><p>APÊNDICE C – Lista de doenças, local e período de ocorrência ........................ 45</p><p>file:///C:/Users/Ingrid%20Castro/Downloads/TCC_-_Adriana_Melo_revisado%5b1%5d.docx%23_Toc134011658</p><p>file:///C:/Users/Ingrid%20Castro/Downloads/TCC_-_Adriana_Melo_revisado%5b1%5d.docx%23_Toc134011658</p><p>7</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2022, teve como tema da</p><p>redação “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Ensino</p><p>Médio”. Esse é um tema muito importante e cada destaque nacional assim, merece</p><p>ser discutido a fundo. Assim, no Brasil as comunidades tradicionais são organizações</p><p>com características particulares que procuram defender o meio ambiente e a</p><p>religiosidade, esses grupos são: indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores,</p><p>caiçaras, geraizeiras, quebradeiras de coco, faxinalenses e povos de fundo de patos</p><p>(BRANDÃO, 2015).</p><p>Diegues (2019), comenta que os pescadores são os povos tradicionais do Brasil</p><p>que precisam estar envolvidos na conservação da flora e fauna. Sendo assim, os</p><p>pescadores artesanais são trabalhadores classificados como pescadores</p><p>profissionais ou pescadores de subsistência. Enquanto que para o pescador</p><p>profissional a produção oriunda da pesca é direcionada tanto para o sustento de sua</p><p>família, quanto para a comercialização, gerando remuneração; por outro lado o</p><p>pescador de subsistência exerce suas atribuições para o benefício de sua família, ou</p><p>seja, não comercializa o excedente tendo ausência de lucro financeiro a família</p><p>(CAMPOS; CHAVES, 2016).</p><p>Na região do Baixo Tocantins, Cametá-PA, são encontrados pescadores</p><p>artesanais, profissionais e de subsistência, sua principal forma de sustento das</p><p>famílias ribeirinhas é direcionada à pesca artesanal (CARVALHO,1998). Onde os</p><p>pescadores, capturam espécies que são mais frequentes como: pescada branca</p><p>(Plagioscion squamosissimus (HECKEL,1840)), mapará (Hypophthalmus marginatus</p><p>(VALENCIENNES,1840)), tucunaré (Cichla spp.), camarão (Macrobrachium</p><p>amazonicum (HELLER, 1862)), dentre outras.</p><p>Os apetrechos mais utilizados na região são as malhadeiras e matapi. E as</p><p>embarcações presentes são de madeira de pequeno porte como: canoa com remo e</p><p>rabeta. Essa cidade é considerada uma das regiões de colonização mais antigas do</p><p>estado do Pará, distribuídos entre ilhas e “terra firme” e se encontra na margem</p><p>esquerda do Rio Tocantins (ALMEIDA, 2010).</p><p>Portanto, a pesca desses ribeirinhos se caracteriza como de subsistência, onde</p><p>apenas o excedente será comercializado por alguns pescadores nas feiras ou vilas</p><p>8</p><p>próximas de suas residências. Nessa modalidade observa-se a participação dos</p><p>familiares ou amigos.</p><p>Neste contexto, como toda profissão, a pesca é uma atividade que gera riscos</p><p>à saúde do pescador. Deste modo, os pescadores também necessitam de</p><p>Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) ou métodos de trabalho que evitem</p><p>enfermidades, acidentes com materiais ou postura inadequada. Isso é necessário pois</p><p>os pescadores estão acometidos a diversos riscos: afogamento, acidente com</p><p>perfuração cortes na manipulação de mariscos e peixes, picada de inseto, acidentes</p><p>ofídicos com animais terrestres e marinhos, peçonhentos, urticantes, dentre outros</p><p>(PENA, 2014).</p><p>Em relação, a uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde sobre doenças</p><p>ocupacionais com os pescadores artesanais, apresentou a importância da prevenção</p><p>de doenças que podem ocorrer nessa atividade como é as Lesões por Esforços</p><p>Repetitivos (LER), que são conjuntos de doenças que danificam os músculos,</p><p>tendões, vasos, articulações e nervos, normalmente encontrados em trabalhadores</p><p>segundo o conceito ergonômico, relacionados aos esforços repetitivos principalmente</p><p>nos membros superiores e na região lombar e cervical mais prejudicada (BRASIL,</p><p>2018).</p><p>Na atividade ocupacional os pescadores são expostos a outros riscos causados</p><p>pela mudança no ecossistema como efluentes químicos, físicos e biológicos (SOUZA,</p><p>et al., 2019). Além disso, observa-se acidente com arraias que é comum em água</p><p>doce, causado pela presença de ferrões que possui toxinas na cauda, as ferradas</p><p>ficam dolorosas e em alguns casos demora meses para a cicatrização (HADDAD,</p><p>2012).</p><p>Nessas circunstâncias, segundo Vargas e Oliveira (2007), o meio ambiente</p><p>influência direta ou indiretamente à saúde humana, de forma</p><p>individual ou coletiva.</p><p>Sendo assim, umas das problemáticas hoje no setor pesqueiro é a falta de dados</p><p>estatísticos, envolvendo a pescaria artesanal, sendo um estrave para o conhecimento</p><p>sustentável da atividade (INONATA; FREITAS, 2015). Quanto às informações acerca</p><p>da saúde do pescador, as informações são mais escassas ainda.</p><p>Diante disto, o presente trabalho teve como objetivo descrever a pesca e a</p><p>segurança no trabalho na atividade pesqueira realizada pelos pescadores artesanais</p><p>município de Cametá, estado do Pará, Amazônia Oriental.</p><p>9</p><p>2 OBJETIVOS</p><p>2.1 Objetivo geral</p><p>Descrever a atividade pesqueira, saúde e a segurança do trabalho dos</p><p>pescadores artesanais do município de Cametá, estado do Pará, Amazônia Oriental.</p><p>2.2 Objetivos específicos</p><p>Listar os apetrechos utilizados pelos pescadores do município de Cametá Pará;</p><p>Identificar as embarcações utilizadas pelos pescadores do município de</p><p>Cametá Pará;</p><p>Identificar os pontos de pesca do município de Cametá;</p><p>Identificar as principais espécies capturadas pelos pescadores do município de</p><p>Cametá Pará;</p><p>Identificar os acidentes de trabalho sofridos pelos pescadores do município de</p><p>Cametá;</p><p>Especificar as doenças ocupacionais desenvolvidas pelos pescadores do</p><p>município de Cametá Para;</p><p>Criar um flyer informativo objetivando a conscientização acerca da segurança</p><p>do trabalho na atividade pesqueira.</p><p>10</p><p>3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</p><p>3.1 A pesca e o pescador da Amazônia</p><p>A pesca artesanal na região Amazônica é considerada uma atividade produtiva</p><p>em baixa escala. Nesta atividade estão envolvidas as relações sociais, econômicas,</p><p>culturais e ambientais dependendo de cada região envolvida (LOPES; FREITAS,</p><p>2019).</p><p>Na Amazônia existem seis modalidades de pesca: a de subsistência, voltada a</p><p>família e pequenas comunidades; a comercial multiespecífica que comercializam em</p><p>centros urbanos; a pescaria monoespecífica focada à exportação; pesca em</p><p>reservatórios, esses pescadores são conhecidos como barrageiros que pescam</p><p>próximos as barragens; pesca esportiva realizada em águas pretas; e pesca de peixe</p><p>ornamental destinada à exportação (FREITAS; RIVAS,2006).</p><p>Contudo, na região amazônica, a pesca artesanal possuí características</p><p>tradicionais, sendo deixada de pai para filho como seu legado de arte pesqueira</p><p>(SANTOS, G.; SANTOS, A., 2005), evidenciando a importância do conhecimento do</p><p>pescador das comunidades tradicionais enraizado sobre os recursos pesqueiros dos</p><p>quais dependem para se manter (SILVANO, 2004).</p><p>A experiência do pescador lhe permite, conseguir entender a funcionalidade da</p><p>sazonalidade ambiental junto com a dinâmica populacional das espécies encontradas</p><p>e o envolvimento destas com os pescadores. Assim, observa-se uma certa</p><p>complexidade na análise da atividade por toda a região e que permitiu que cada</p><p>comunidade se adaptasse as variações existentes em seus ecossistemas (MÉRONA,</p><p>1993; BERKES et al., 2000; BARTHEM; FABRÉ, 2004).</p><p>De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e a</p><p>Agricultura (do Inglês: Food and Agriculture Organization of the United Nations) a</p><p>pesca artesanal abastece até 85% do pescado, proporcionando o consumo em alguns</p><p>países da região e é a base da segurança alimentar de centenas de comunidades</p><p>ribeirinhas, além de comunidades indígenas, que vivem no decorrer das costas e</p><p>bacias (FAO, 2021).</p><p>A Lei Federal nº 11.959/2009, que ampara vários assuntos relacionados a</p><p>pesca, aponta que o termo ‘’pescador artesanal’’ é aquele que pratica várias etapas</p><p>da atividade como a confecção dos apetrechos, utiliza diferentes tipos de apetrechos</p><p>11</p><p>na captura do pescado, conhecimento da cadeia produtiva da pesca, e também o</p><p>beneficiamento do pescado (RODRIGUES et al., 2018).</p><p>Os pescadores artesanais são classificados como profissionais ou de</p><p>subsistência. Os pescadores profissionais levam seus produtos para serem</p><p>comercializados nas feiras locais ou próximo as suas comunidades e o restante ficam</p><p>para suas famílias. Já os pescadores de subsistência direcionam o produto de sua</p><p>pescaria apenas para beneficiar sua família, ou seja, não aproveitando para</p><p>comercializar se houver algum excedente na pescaria e geralmente a atividade é</p><p>exercida por duas pessoas numa canoa onde a família se faz muito presente como</p><p>marido e esposa, ou pai e filho (CAMPOS; CHAVES, 2016).</p><p>No estado do Pará o consumo médio de peixe realizada pela população é</p><p>estimado em 18 quilos por ano (SEPAQ, 2015), sendo preferencialmente: o filhote</p><p>(Brachyplatystoma filamentosum (Lichtenstein, 1819)), a gurijuba (Sciades parkeri</p><p>(Traill, 1832)), a pescada branca (Plagioscion squamosissimus (Heckel, 1840)) dentre</p><p>outras, espécies de água doce (BARBOSA, 2006). Também evidenciasse que as</p><p>famílias ribeirinhas são os maiores consumidores de pescado por conta dos recursos</p><p>pesqueiros ofertados (BATISTA et al., 2004).</p><p>3.2 Apetrechos de pesca utilizados na região Amazônica</p><p>Na arte de pesca são utilizados apetrechos, alguns bastantes primitivos e</p><p>tradicionais, confeccionados para capturar diversas espécies de pescado, pode ser</p><p>classificada como arte ativa e arte passiva, no qual, sua diferença se deve pela</p><p>movimentação ou pela armadilha utilizada no momento da captura. Existem vários</p><p>tipos de armadilhas, no caso das artes ativas (quando perseguem a presa) são: rede</p><p>de cerco, arrasto, puçá e tarrafas e as artes passivas (quando a presa se encontra</p><p>com a arte) são: emalhes, matapi, covos e currais (LINS, 2011).</p><p>Os apetrechos manuseados com mais frequência pelos pescadores artesanais</p><p>da Amazônia, são as mais robustas como a malhadeira ou rede de emalhe (CINTRA</p><p>et al., 2009; SILVA; BRAGA, 2016; MARINHO; FARIA JUNIOR, 2020; CARVALHO et</p><p>al., 2021). Além desses, encontram-se abordados na literatura apetrechos como</p><p>matapi, caniço, espinhel, puçá, tarrafa e linha de mão (ISAAC et al., 1996; CINTRA et</p><p>al., 2009; CORRÊA et al., 2018).</p><p>A forma de como os pescadores utilizam os apetrechos está relacionado ao</p><p>tipo do pescado a ser capturado e sua necessidade em relação à época que está</p><p>12</p><p>sendo exercida, o local de realização, as técnicas de pesca efetuadas na atividade e</p><p>as possibilidades dos locais para ser executadas (CINTRA et al., 2009; ZACARDI et</p><p>al., 2020).</p><p>Os conhecimentos dos pescadores artesanais os proporciona a confecção dos</p><p>apetrechos de pesca e está relacionado com o domínio dos recursos da floresta e a</p><p>cultura material e imaterial dessas populações, sendo assim, resultado direto de</p><p>saberes coletivos construídos a partir dos materiais disponíveis no ambiente, a</p><p>facilidade para confeccionar, e profundo conhecimento dos locais e pesca, hábito dos</p><p>animais a serem capturados e dinâmica dos rios, igarapés e furos (INGOLD, 2000;</p><p>SOUZA et al. 2021).</p><p>De acordo com Alves e Saboia (2022), quanto aos apetrechos de pesca, a</p><p>malhadeira é o principal apetrecho encontrado no rio Tocantins, esse material é fixo</p><p>nas margens dos rios geralmente presos em galhos de árvores com suas</p><p>extremidades presas em poitas com boias; o comprimento e altura geralmente variam</p><p>de acordo com a espécie capturada. O matapi é outro apetrecho utilizado na captura</p><p>de camarão, possui forma cilíndrica e seu tamanho geralmente é 55 cm de</p><p>comprimento e 20 de diâmetro e possui em cada extremidade um conjunto de talas</p><p>menores (5 cm) que funcionam como funil, feito normalmente com talas de inajá e</p><p>para prende-las são utilizadas o cipó de timbuí. O caniço, outro instrumento</p><p>manipulado para a pesca principalmente de pescada branca e tucunaré, é usado com</p><p>anzóis 6 a 10 e é fabricada com linha de nylon, podendo utilizar a vara ou não. O</p><p>espinhel, construído com linha grossa de nylon onde são colocados vários anzóis</p><p>amarrados com espaçamento de 1 cm, sendo comum espinhéis apresentando 35</p><p>anzóis de número 7, conforme a figura</p><p>1.</p><p>13</p><p>Figura 1 - Apetrechos de pesca mais utilizados pelos pescadores no rio Tocantins: Malhadeira (A),</p><p>Matapi (B), Caniço (C), Espinhel (D).</p><p>Fonte: Cintra (2009).</p><p>Nas pescarias, as embarcações mais empregadas são de preferência canoas</p><p>(pequenas embarcações de madeira com movimento a remo), rabetas (canoas que</p><p>utilizam motor) (ISAAC et al., 1996; SILVA; BRAGA, 2016) e rabudo (canoas</p><p>motorizadas) (CARVALHO et al., 2021).</p><p>Há um reflexo na captura, sobre a quantidade e reprodução das espécies do</p><p>pescado obtido no ecossistema dessa região, prejudicado pela construção da</p><p>barragem da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHE) em 1984, na jusante de Cametá-</p><p>PA, no rio Tocantins e seus afluentes, os impactos socioambientais são refletidos nas</p><p>famílias ribeirinhas e pescadores artesanais (BENTES et al., 2014), conforme a figura</p><p>2.</p><p>14</p><p>Figura 2 - Embarcações utilizados pelos pescadores do Pará: Canoa a remo (A), Rabeta (B), Rabudo</p><p>(C).</p><p>Fonte: Carlos Macapuna (A); DECOM (B); A autora (C).</p><p>3.3 Acidentes de trabalhos na atividade pesqueira</p><p>Os primeiros estudos acerca dos acidentes na pesca começaram na década</p><p>de 1990 e foram publicados a nível nacional, onde se observou que os barcos de</p><p>pesca motorizados ou não, possuíam mais probabilidade de acidentes se comparados</p><p>a outras embarcações (NEVES, 1990).</p><p>De acordo com a Organização Internacional de Trabalho (OIT), a atividade</p><p>pesqueira além de ser a mais antiga é considerada a mais perigosa, porque há indícios</p><p>que ocorram por ano 24.000 mortes em todo o mundo e a maioria desses acidentes é</p><p>proporcionado em barcos de pequeno porte (BRASIL, 2021).</p><p>No entanto, no trabalho os pescadores artesanais estão envolvidos em várias</p><p>situações onde colocam em risco sua saúde no ato de suas atividades diárias como:</p><p>mau tempo; esforço excessivo; acidentes com embarcações; afogamento; acidente</p><p>com o próprio pescado; radiação solar, desidratação; etc. Diante dos fatos, é evidente</p><p>a situação de risco que os pescadores estão comprometidos e é muito baixo o uso de</p><p>algum tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI’s) entre eles (ROSA;</p><p>MATTOS, 2010).</p><p>15</p><p>Nesse cenário, também ocorrem acidentes com arraias que é provocado pela</p><p>presença de um ferrão que possui toxinas na cauda, as ferradas ficam dolorosas e em</p><p>alguns casos demoram meses para a cicatrização (Figura 3 A e B) (HADDAD, 2012).</p><p>Além de acidentes com anzóis, conforme a figura 3 (C).</p><p>Figura 3 - Lesão com necrose e infecção causada por ferrada de arraia (A), Lesão após uso de</p><p>antibiótico (B) e Perfuração no olho com anzol (C).</p><p>Fonte: Daniela Maia (A) e (B); Pesca Amadora (C).</p><p>Além disso, na comunidade a maioria dos pescadores não possui o hábito de</p><p>utilizar os Equipamento de Proteção Individual (EPIs) e os que manuseiam são os</p><p>básicos, como: chapéu e camisas de manga longa, mesmo assim, se observa as</p><p>consequências da falta de cuidado como: problemas de pele, manchas e</p><p>ressecamento, dermatite nas unhas e pés, por não usarem luvas e botas, entre outros</p><p>males (MOREIRA, et al., 2022).</p><p>3.4 Doenças ocupacionais ocasionadas pela atividade pesqueira</p><p>As doenças ocupacionais no setor pesqueiro são classificadas em: ambiente</p><p>de trabalho como o calor, o frio, a umidade, os ventos, radiação solar;</p><p>comportamentais, que se refere ao excesso de ingestão de bebidas alcoólicas, fumo,</p><p>16</p><p>drogas; sociais, jornada de trabalho prolongada, baixo nível de escolaridade e</p><p>condições socioeconômicas.</p><p>Conforme Rosa e Matos (2010) os pescadores artesanais estão sujeitos aos</p><p>riscos ambientais relacionados a falta do uso de equipamentos de proteção contra</p><p>possíveis doenças relacionadas a pele como por exemplo câncer de pele que poderia</p><p>ser evitado se fosse utilizado o protetor solar.</p><p>O comportamental é mais complexo porque, requer força de vontade do</p><p>pescador como por exemplo de controlar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas</p><p>e fumo, que são utilizados por eles para compensar o intenso dia de trabalho. E os</p><p>fatores sociais, que envolvem as condições socioeconômicas daqueles pescadores</p><p>que se encontram em condições precárias que poderiam ser evitadas se tivesse um</p><p>nível de escolaridade mais favorável, e a precariedade da legislação trabalhista,</p><p>principalmente para os pescadores artesanais (RIOS, et al., 2011), conforme a figura</p><p>4.</p><p>Figura 4 - Pescadores no exercício da atividade que pode levar a doenças ocupacionais, tais como:</p><p>Dor na coluna vertebral (A), Dor na costa (B) e Insolação (C).</p><p>.</p><p>Fonte: Igor Mota/Agência Pará (A); Seguro desemprego (B); Tania Rego/Agência Brasil (C).</p><p>O Ministério da Saúde (MS) realizou uma pesquisa apontando a importância na</p><p>prevenção de doenças ocasionadas pelas atividades desenvolvidas pelos pescadores</p><p>artesanais, uma das doenças indicada é a chamada Lesão por Esforço Repetitivo</p><p>17</p><p>(LER), caracterizada por um conjunto de doenças que danificam os músculos,</p><p>tendões, vasos, articulações e nervos, geralmente encontradas em trabalhadores</p><p>submetido as situações prejudiciais segundo o conceito ergonômico, relacionados aos</p><p>esforços repetitivos principalmente nos membros superiores e na região lombar e</p><p>cervical normalmente mais prejudicada (BRASIL, 2018).</p><p>Outro empasse na atividade ocupacional do pescador são nos riscos que são</p><p>expostos pelo ecossistema como agentes químicos, físicos e biológicos, esses</p><p>agentes trazem prejuízo para a saúde na atividade (SOUZA, et al., 2019).</p><p>O afastamento das atividades laborais que ocorre entre os pescadores</p><p>artesanais pode estar relacionado às consequências do esforço físico e lesões</p><p>musculoesqueléticas que levam a patologias como: doenças do aparelho locomotor,</p><p>as artrites, artrose e bursites, onde o afastamento do trabalho é apontado pelo tempo</p><p>de serviço e não por acidentes (MOREIRA, et al., 2022).</p><p>18</p><p>4 MATERIAL E MÉTODOS</p><p>4.1 Área de estudo</p><p>O município de Cametá está localizado na mesorregião do Nordeste paraense,</p><p>com uma área de aproximadamente de 3.081,36 km², seu limite é ao norte pela cidade</p><p>de Limoeiro do Ajuru, ao sul por Mocajuba, a leste por Igarapé-Miri e a oeste por</p><p>Oeiras do Pará, conforme a Figura 5.</p><p>Figura 5 - Mapa da área de estudo do município de Cametá-PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>4.2 Delineamento amostral</p><p>4.2.1 Característica da população e procedimento amostral</p><p>O trabalho de pesquisa foi realizado na colônia Z-16 dos pescadores do</p><p>município de Cametá-PA e também com os pescadores artesanais não-associados</p><p>nos locais de saída da pesca. As entrevistas foram feitas na associação, feira</p><p>municipal e casas dos pescadores localizadas na Vila do Carapajó, entre fevereiro a</p><p>19</p><p>março de 2023, em duas viagens, com despesas próprias com um total de 8 dias para</p><p>aplicar os questionários, conforme a figura 6.</p><p>Figura 6 - Entrevista com os pescadores na feira (A) e na colônia Z-16 (B) do município de Cametá-PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>A coleta de dados foi obtida através de entrevistas diretas com os pescadores</p><p>artesanais aplicando questionários semiestruturados (APÊNDICE A) que abordam</p><p>dados gerais dos entrevistados, com variáveis socioeconômicas, pesca, saúde do</p><p>trabalho.</p><p>O método bola-de-neve, um tipo de amostragem não-probabilística, que utiliza</p><p>cadeias de referência (VINUTO, 2014). Esse tipo de amostragem não permite</p><p>determinar a probabilidade de seleção de cada entrevistado na pesquisa, mas é útil e</p><p>eficaz para estudar grupos difíceis de serem acessados (BERNARD, 2005; GLASER;</p><p>STRAUSS, 2006).</p><p>4.2.2 Caracterização da pesca</p><p>Para a caracterização da pesca, o questionário incluiu perguntas acerca dos</p><p>apetrechos utilizados, o local da pesca, a embarcação utilizada e a comercialização</p><p>do pescado (APÊNDICE A). O questionário baseou-se no estudo de Braga</p><p>e Chagas</p><p>(2022), realizado com os pescadores da Baía do Sol (Mosqueiro, Pará). Ressalta-se</p><p>que os apetrechos de pesca e as embarcações utilizadas foram fotografadas para</p><p>melhor ilustrar o presente trabalho.</p><p>20</p><p>4.2.3 Levantamento dos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais</p><p>Para caracterização dos acidentes de trabalho foram realizadas perguntas</p><p>associadas à segurança na embarcação e eventuais acidentes, como a utilização de</p><p>Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). As perguntas foram feitas com intuito</p><p>de analisar como vivem esses pescadores artesanais, através dos resultados obtidos.</p><p>Os tipos de acidentes já ocorridos, como demonstra no APÊNDICE B (BRAGA;</p><p>CHAGAS, 2022).</p><p>Para a verificação das doenças ocupacionais desenvolvidas pelos pescadores</p><p>foram utilizadas perguntas relacionadas ao tipo de doença obtida, o período em que</p><p>ocorreu e a frequência de ocorrência, conforme o APÊNDICE C (BRAGA; CHAGAS,</p><p>2022).</p><p>4.3 Elaboração do Flyer</p><p>Esse material foi produzido com o intuito de colaborar com a prevenção de</p><p>acidentes envolvendo a atividade pesqueira, nele está sendo abordado, como deve</p><p>se prevenir de acidentes de acordo com as informações de ocorrência nessa área de</p><p>atuação, através do levantamento feito do APÊNDICE B (BRAGA; CHAGAS,2022).</p><p>21</p><p>5 RESULTADOS E DISCUSSÃO</p><p>5.1 Caracterização da atividade pesqueira</p><p>Dos 74 pescadores entrevistados, 68 são associados à Colônia Z-16 em</p><p>Cametá-PA, e 6 ainda não são registrados. Sendo 91% do sexo masculino, com</p><p>idades de 21 a 72 anos e 9% do sexo feminino, com idade de 30 a 59 anos.</p><p>É comum a predominância dos homens na atividade nas comunidades na</p><p>região Norte do Brasil (ZACARDI et al., 2014). Por isso, observou-se somente os</p><p>dados dos homens nesse primeiro momento, em relação ao tempo de exercício, 94%</p><p>(N = 63) começaram a acompanhar os pais na atividade da pesca desde os seus 10</p><p>anos de idade demostrando como era comum essa realidade antigamente com seus</p><p>pais e somente 6% (N = 4) possuem entre 5 a 10 anos exercendo a atividade. Estes</p><p>tinham entre 21 e 30 anos de idade.</p><p>Observa-se sua habilidade, envolvimento e o domínio predominante desses</p><p>pescadores preservam sua cultura e tradição, além de preservar o conhecimento da</p><p>biodiversidade ao produzir os apetrechos, profundo conhecimento dos locais de</p><p>pesca, da dinâmica dos rios, furos e igarapés e o hábito dos animais a serem</p><p>capturados (SOUSA et al. 2021). E segundo Baia (2019), as famílias ribeirinhas</p><p>possuem a prática do saber-fazer artesanal herdada dos seus pais.</p><p>Os pescadores artesanais de Cametá demostraram, de acordo com os</p><p>dados da pesquisa, que ainda obtêm conhecimento adquiridos dos seus pais, na</p><p>confecção do seu material de trabalho, principalmente os mais antigos, onde 31% (N</p><p>= 36) confeccionam caniço, 30% (N = 34) confeccionam o matapi, 20% (N = 23)</p><p>confeccionam a malhadeira e 19% (N = 22) confecciona o espinhel, conforme a figura</p><p>7.</p><p>22</p><p>Figura 7 - Percentual de apetrechos de pesca confeccionados pelos pescadores de Cametá – PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>Outro fato relevante é que muitos pescadores, espontaneamente,</p><p>reclamaram da interferência dos botos na pescaria que rasgaram as redes</p><p>(malhadeira) à procura de peixe para se alimentar, se emalham e também se</p><p>machucam, assim causando prejuízo financeiro aos pescadores. Conforme Brum</p><p>(2011), o aparecimento dos botos coincide com o período das cheias na região. Em</p><p>contrapartida o benefício aos pescadores, é que o boto ajuda a localizar os cardumes</p><p>neste período, como ocorre na abertura da pesca do mapará, em Cametá, facilitando</p><p>a localização de cardumes (DESVAUX, 2013).</p><p>Foram observados para a execução da atividade de pesca vários tipos de</p><p>apetrechos, conforme os questionários, os mais utilizados são: malhadeira (rede de</p><p>espera e emalhe) onde observa-se 97% (N = 65) dos pescadores usando na atividade,</p><p>em seguida o matapi 82% (N = 55), o caniço 60% (N = 40) e o espinhel 36% (N = 24).</p><p>Importante ressaltar que quase todos os entrevistados, 97% utilizam a malhadeira e</p><p>82% o matapi, ou seja, usados com mais frequência a malhadeira e cada pescador</p><p>em média utiliza de 2 a 3 apetrechos, conforme a figura 8.</p><p>31%</p><p>30%</p><p>20%</p><p>19%</p><p>caniço</p><p>matapi</p><p>malhadeira</p><p>espinhel</p><p>23</p><p>Figura 8 - Apetrechos de pesca utilizados pelos pescadores artesanais de Cametá – PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>Os tipos de apetrechos mais utilizados em Cametá-PA, como a rede</p><p>(malhadeira) encontrados, são semelhantes aos registros de estudos realizado na</p><p>Baia do Sol (Ilha de Mosqueiro) por (BRAGA, 2022), conforme a figura 9.</p><p>Figura 9 - Apetrechos de pesca mais utilizados pelos pescadores artesanais de Cametá-PA: Malhadeira</p><p>(A); Matapi (B); Caniço (C); Espinhel (D).</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>0%</p><p>20%</p><p>40%</p><p>60%</p><p>80%</p><p>100%</p><p>120%</p><p>24</p><p>As embarcações utilizadas na captura do pescado são de madeira,</p><p>classificadas em: casco a remo (42%), a rabeta (28%) e a rabudo (24%) de acordo</p><p>com a figura 10. A maioria das embarcações empregadas são próprias (93%),</p><p>emprestada (6%) e alugada (1%), representado na figura 11.</p><p>Figura 10 - Embarcações utilizadas pelos pescadores artesanais de Cametá – PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>Figura 11 - Formas de aquisição das embarcações dos pescadores artesanais de Cametá – PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>0%</p><p>5%</p><p>10%</p><p>15%</p><p>20%</p><p>25%</p><p>30%</p><p>35%</p><p>40%</p><p>45%</p><p>Casco a remo Rabeta Rabudo Bicudinho Rodela Barca</p><p>93%</p><p>6%</p><p>1% Própria</p><p>Emprestada</p><p>Alugada</p><p>25</p><p>Em relação às embarcações motorizadas, verificaram-se que a maioria</p><p>respondeu utilizar a rabeta, seu motor à óleo de baixa potência (6,5), na qual o motor</p><p>se localiza no meio da embarcação e se pilota na frente e no rabudo o motor utilizado</p><p>é considerado de pequeno porte sendo conduzido se pilotando atrás e sua hélice se</p><p>encontra na ponta do eixo. De acordo com Pinheiro et al. (2020), relata que a</p><p>embarcação mais manuseada na região do salgado paraense é a canoa e as canoas</p><p>motorizadas.</p><p>No trabalho do dia a dia desses pescadores foi notório nas embarcações de</p><p>casco a remo ter como característica a presença da família como: marido e mulher ou</p><p>pai e filho, sendo também observado nas embarcações motorizadas, como mostra na</p><p>figura 12.</p><p>Figura 12 - Embarcações de pesca utilizados pelos pescadores de Cametá-PA: Canoa (A); Remo (B);</p><p>Rabeta (C); Motor da rabeta (D); Rabudo (E); Motor do rabudo (F).</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>26</p><p>Nesse contexto, os pescadores artesanais exercem suas atividades quase</p><p>diariamente, dependendo da dinâmica dos ecossistemas amazônicos relacionados</p><p>aos períodos de cheias e secas, ou seja, das influências das sazonalidades das</p><p>chuvas e do movimento das marés (ALMEIDA, 2013).</p><p>A cidade de Cametá, é cercada por ilhas, vilas e comunidades sendo Cametá</p><p>a sede, onde foram observados vários pontos de pesca, realizados principalmente no</p><p>Rio Tocantins (69%), Rio Tabatinga de Baixo (7%), Rio Guajará (4%) e o restante no</p><p>percentual da pesquisa, representado na figura 13.</p><p>Figura 13 - Locais de pontos de pesca em Cametá - PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>A venda do pescado é realizada principalmente na feira de Cametá seguido da</p><p>feira na Vila do Carapajó, próximo de Cametá (40 minutos de voadeira). A pesquisa</p><p>aponta que apenas 12% é para a pesca de subsistência. De acordo com os</p><p>pescadores entrevistados um hábito comum, em locais como feiras, é alojar o pescado</p><p>excedente da venda enrolados em folhas de bananeira, ou amarar vários peixes juntos</p><p>chamado de cambada conforme a figura 14 (A).</p><p>0%</p><p>10%</p><p>20%</p><p>30%</p><p>40%</p><p>50%</p><p>60%</p><p>70%</p><p>80%</p><p>R</p><p>io</p><p>T</p><p>o</p><p>ca</p><p>n</p><p>ti</p><p>n</p><p>s</p><p>R</p><p>io</p><p>T</p><p>ap</p><p>aj</p><p>ó</p><p>s</p><p>R</p><p>io</p><p>M</p><p>u</p><p>tu</p><p>ac</p><p>á</p><p>d</p><p>e</p><p>C</p><p>im</p><p>a</p><p>Ig</p><p>ar</p><p>ap</p><p>é</p><p>It</p><p>am</p><p>b</p><p>ai</p><p>-M</p><p>ir</p><p>i</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>M</p><p>ap</p><p>eu</p><p>á</p><p>Ta</p><p>b</p><p>at</p><p>in</p><p>ga</p><p>d</p><p>e</p><p>B</p><p>ai</p><p>xo</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>A</p><p>ja</p><p>ra</p><p>í</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>Ju</p><p>tu</p><p>b</p><p>a</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>P</p><p>ra</p><p>ia</p><p>B</p><p>ra</p><p>n</p><p>ca</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>A</p><p>m</p><p>o</p><p>ro</p><p>sa</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>d</p><p>e</p><p>C</p><p>ru</p><p>a</p><p>R</p><p>io</p><p>S</p><p>ão</p><p>S</p><p>eb</p><p>as</p><p>ti</p><p>ão</p><p>Je</p><p>ra</p><p>cu</p><p>e</p><p>ra</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>M</p><p>ar</p><p>aj</p><p>ó</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>G</p><p>ra</p><p>n</p><p>d</p><p>e</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>Sa</p><p>ra</p><p>cá</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>d</p><p>a</p><p>Lu</p><p>a</p><p>M</p><p>ar</p><p>re</p><p>ca</p><p>B</p><p>ai</p><p>xo</p><p>C</p><p>am</p><p>et</p><p>á</p><p>V</p><p>ila</p><p>d</p><p>o</p><p>C</p><p>u</p><p>ru</p><p>ça</p><p>m</p><p>b</p><p>á</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>Jo</p><p>ro</p><p>ca</p><p>zi</p><p>n</p><p>h</p><p>o</p><p>(</p><p>R</p><p>io</p><p>…</p><p>V</p><p>ila</p><p>d</p><p>o</p><p>C</p><p>ar</p><p>m</p><p>o</p><p>R</p><p>io</p><p>A</p><p>m</p><p>az</p><p>o</p><p>n</p><p>as</p><p>C</p><p>am</p><p>et</p><p>á</p><p>Ta</p><p>p</p><p>er</p><p>a</p><p>Ta</p><p>ja</p><p>ú</p><p>P</p><p>ra</p><p>ia</p><p>d</p><p>a</p><p>A</p><p>ld</p><p>e</p><p>ia</p><p>(</p><p>C</p><p>am</p><p>e</p><p>tá</p><p>-P</p><p>A</p><p>)</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>C</p><p>ac</p><p>o</p><p>al</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>It</p><p>an</p><p>d</p><p>u</p><p>b</p><p>a</p><p>A</p><p>ci</p><p>m</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>L</p><p>im</p><p>o</p><p>e</p><p>ir</p><p>o</p><p>d</p><p>o</p><p>A</p><p>ju</p><p>ru</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>P</p><p>in</p><p>d</p><p>o</p><p>b</p><p>al</p><p>Tu</p><p>re</p><p>m</p><p>a</p><p>(R</p><p>io</p><p>M</p><p>u</p><p>tu</p><p>ac</p><p>á)</p><p>R</p><p>io</p><p>G</p><p>u</p><p>aj</p><p>ar</p><p>á</p><p>R</p><p>io</p><p>J</p><p>u</p><p>b</p><p>a</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>J</p><p>u</p><p>ab</p><p>a</p><p>Ilh</p><p>a</p><p>C</p><p>an</p><p>çã</p><p>o</p><p>R</p><p>io</p><p>C</p><p>u</p><p>p</p><p>ijó</p><p>It</p><p>aú</p><p>n</p><p>a</p><p>d</p><p>e</p><p>B</p><p>ai</p><p>xo</p><p>27</p><p>Figura 14 - Vende de peixes na feira de Cametá - PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>Conforme observado, a venda dos peixes realizada na feira é de forma</p><p>preocupante, onde o peixe é colocado no paneiro e direto em contato com o chão</p><p>como na figura 14 (A) e (B), em cima de uma proteção, sendo necessário um apoio</p><p>melhor das autoridades para o exercício desse profissional. Faz parte da cultura local,</p><p>pois este procedimento é feito devido muitos não possuírem o hábito de colocar no</p><p>gelo, geralmente são vendidos para vizinhos em cambadas ou quando sobra levam</p><p>para seus familiares.</p><p>Em concordância com as respostas dos pescadores, através dos questionários</p><p>foram registradas 29 espécies de pescados, dentre elas, as quatros mais frequentes</p><p>foram respectivamente: a pescada branca (Plagioscion squamosissimus</p><p>(HECKEL,1840)), outra categoria de pescado como o camarão de água doce</p><p>(Macrobrachium amazonicum (HELLER, 1862)), mapará (Hypophthalmus marginatus</p><p>(VALENCIENNES,1840)) e o tucunaré (Cichla spp.) como demostra a figura 15.</p><p>28</p><p>Figura 15 - Pescados capturados pelos pescadores de Cametá - PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>Tabela 1: Lista de peixes capturados pelos pescadores de Cametá – PA.</p><p>Nome Vulgar Nome Científico Nome do Autor</p><p>Mapará Hypophthalmus marginatus (Valenciennes,1840)</p><p>Pescada branca Plagioscion squamosissimus (Heckel,1840)</p><p>Dourada Brachyplatystoma rousseauxii Castelnau, 1855)</p><p>Tucunaré Cichla spp. -</p><p>Caratinga Eugerres brasilianus (Cuvier, 1830)</p><p>Apapá Ilisha amazonica (Miranda Ribeiro, 1820)</p><p>Tainha Mugil spp. -</p><p>Jacundá Crenicichla lenticulata (Heckel,1840)</p><p>Mandubé Ageneiosus inermis (Liannaeus, 1766)</p><p>Carauá - -</p><p>Piranga Rhomboplites aurorubens (Cuvier, 1829)</p><p>Camarão Macrobrachium amazonicum (Heller, 1862)</p><p>Filhote Brachyplatystoma filamentosum (Lichtenstein, 1819)</p><p>Jatuarana Brycon cephalus (Günther, 1869)</p><p>Piratinga - -</p><p>Branquinha Steindachnerina bimaculata (Steindachner, 1876)</p><p>Arraia Potamotrygon spp. -</p><p>Bacu Lithodoras dorsalis (Valenciennes, 1840)</p><p>Acará-tinga - -</p><p>Aracu Schizodon fasciatus (Spix & Agassiz, 1829)</p><p>Cachorro de padre Trachelyopterus galeatus (Linnaeus, 1766)</p><p>Sarda Pellona castelnaeana (Valenciennes, 1847)</p><p>Cacunda piranga - -</p><p>Curimatã Prochilodus lineatus (Valenciennes, 1837)</p><p>Peixinho branco - -</p><p>Baré - -</p><p>Piau Leporinus maculatus (Müller & Troschel, 1844)</p><p>Traíra Hoplias malabaricus (Bloch, 1794)</p><p>Jeju Erythrinus erythrinus (Bloch & Schneider, 1801)</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>0%</p><p>10%</p><p>20%</p><p>30%</p><p>40%</p><p>50%</p><p>60%</p><p>70%</p><p>80%</p><p>90%</p><p>M</p><p>ap</p><p>ar</p><p>á</p><p>P</p><p>es</p><p>ca</p><p>d</p><p>a</p><p>b</p><p>ra</p><p>n</p><p>ca</p><p>D</p><p>o</p><p>u</p><p>ra</p><p>d</p><p>a</p><p>Tu</p><p>cu</p><p>n</p><p>ar</p><p>é</p><p>C</p><p>ar</p><p>at</p><p>in</p><p>ga</p><p>A</p><p>p</p><p>ap</p><p>á</p><p>Ta</p><p>ín</p><p>h</p><p>a</p><p>Ja</p><p>cu</p><p>n</p><p>d</p><p>á</p><p>M</p><p>an</p><p>d</p><p>u</p><p>b</p><p>é</p><p>C</p><p>ar</p><p>au</p><p>á</p><p>P</p><p>ir</p><p>an</p><p>ga</p><p>C</p><p>am</p><p>ar</p><p>ão</p><p>Fi</p><p>lh</p><p>o</p><p>te</p><p>Ja</p><p>tu</p><p>ar</p><p>an</p><p>a</p><p>o</p><p>u</p><p>m</p><p>at</p><p>ri</p><p>n</p><p>xã</p><p>P</p><p>ir</p><p>at</p><p>in</p><p>ga</p><p>B</p><p>ra</p><p>n</p><p>q</p><p>u</p><p>in</p><p>h</p><p>a</p><p>A</p><p>rr</p><p>ai</p><p>a</p><p>B</p><p>ac</p><p>u</p><p>A</p><p>ca</p><p>rá</p><p>-t</p><p>in</p><p>ga</p><p>A</p><p>ra</p><p>cu</p><p>C</p><p>ac</p><p>h</p><p>o</p><p>rr</p><p>o</p><p>d</p><p>e</p><p>p</p><p>ad</p><p>re</p><p>Sa</p><p>rd</p><p>a</p><p>C</p><p>ac</p><p>u</p><p>n</p><p>d</p><p>a</p><p>p</p><p>ir</p><p>an</p><p>ga</p><p>C</p><p>u</p><p>ri</p><p>m</p><p>at</p><p>ã</p><p>P</p><p>ei</p><p>xi</p><p>n</p><p>h</p><p>o</p><p>b</p><p>ra</p><p>n</p><p>co</p><p>B</p><p>ar</p><p>é</p><p>P</p><p>ia</p><p>u</p><p>Tr</p><p>aí</p><p>ra</p><p>Je</p><p>ju</p><p>29</p><p>De acordo com os questionários, a pescada branca, foi a espécie mais</p><p>frequente nas pescarias, isso se deve pelo fato de possuir uma desova parcelada,</p><p>Ruffino e Isaac (1995 apud Ruffino e Isaac 2000). Como os pescadores relataram que</p><p>capturam o tempo todo, isso em pequena ou grande quantidades, há indícios que</p><p>existem várias coortes nessa região, dessa forma explicaria as capturas de forma</p><p>recorrente.</p><p>Segundo relatos de alguns pescadores, foi perceptivo a diminuição de algumas</p><p>espécies de peixe depois da construção da barragem da Usina da Hidrelétrica de</p><p>Tucuruí, que comprometeu a pesca em municípios que ficam à jusante do Rio</p><p>Tocantins. De acordo com Bentes et al. (2014), afirma que a integração e acordos das</p><p>comunidades pesqueiras ajudam a minimizar as dificuldades que os pescadores</p><p>artesanais enfrentam a quatro décadas após a construção da barragem da Usina</p><p>Hidrelétrica de Tucuruí.</p><p>5.2 Acidentes no trabalho dos pescadores de Cametá</p><p>Em relação a utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI’s) entre os</p><p>pescadores artesanais associados ou não associados, tanto os homens como as</p><p>mulheres de Cametá, verificaram-se o uso de alguns itens, o mais empregado nos</p><p>dois gêneros é o chapéu e a camisa de manga comprida lisa. No caso das mulheres</p><p>100% (N = 7) usam chapéu, 57% (N = 4) usam camisa manga comprida lisa e 29% (N</p><p>= 2) protetor solar.</p><p>Em relação aos homens 99% (N = 66) utilização o chapéu, seguindo de outro</p><p>utensilio frequente 75% (N = 50) a camisa de manga comprida lisa. Conforme relatos</p><p>dos próprios pescadores, a camisa precisa ser lisa (sem botão) para não ocorrer o</p><p>risco de prender na malhadeira na hora do manuseio, além disso, constatou-se</p><p>também 12% (N = 8) o uso de protetor solar, conforme a figura 16.</p><p>30</p><p>Figura 16 - Utensílios de segurança na embarcação.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>O número muito abaixo, levando em consideração a radiação solar elevada da</p><p>região, consequentemente possível risco de obter câncer de pele e desidratação.</p><p>Segundo a cartilha Saúde da Pele do Pescador, publicada no Rio de Janeiro em 2014</p><p>a 2016, evidência a importância de orientar o pescador para os possíveis riscos de</p><p>exposição excessiva ao sol durante muito tempo e suas consequências pela falta de</p><p>uso do protetor solar e a forma correta de usar.</p><p>Importante ressaltar que 66% dos entrevistados, acreditam que não há</p><p>necessidade da utilização do Equipamento de Proteção Individual (EPI’s). Quando foi</p><p>perguntado por exemplo, se usavam colete, os pescadores responderam que não</p><p>havia necessidade, porque sabiam nadar, não levando em consideração possíveis</p><p>riscos de afogamento que pode ser causado por exemplo, por uma câimbra, pelo fato</p><p>de estarem horas na mesma posição. Somente 7% (N = 5) responderam que utilizam</p><p>colete na execução de sua atividade, e 28% (N =19) alegaram não utilizar</p><p>Equipamento de Proteção Individual (EPI’s) por outro motivo como por exemplo: a</p><p>falta de costume. No entanto, os pescadores, utilizam pelo menos 1 a 2 itens, que são</p><p>o chapéu e a camisa manga de lisa (sem botão).</p><p>Quando foram perguntados se havia ocorrido algum acidente durante a pesca,</p><p>61% (N = 41) responderam que sim, prevalecendo a ferrada de arraia com 37% (N =</p><p>25), seguido por perfurações 27% (N = 18) ocasionado por anzol e ferrão do peixe</p><p>bagre. Um dos entrevistados relatou que os bagres ficam presos nas redes de espera</p><p>0%</p><p>20%</p><p>40%</p><p>60%</p><p>80%</p><p>100%</p><p>120%</p><p>31</p><p>e quando a maré desce eles vão retirar os peixes e são feridos pelos ferrões e também</p><p>pelos galhos das árvores e os cortes com 12% (N = 8) ocasionados, segundo um</p><p>pescador, na confecção do matapi, de acordo a figura 17.</p><p>Figura 17 - Acidentes ocorridos com os pescadores durante a pesca no município de Cametá-PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>E mesmo sofrendo esses acidentes durante o trabalho a maior parte com 94%</p><p>(N = 63) afirmaram não possuírem nenhuma dificuldade de exercer a profissão após</p><p>o acidente. Alguns relataram que ficaram com dificuldades de executar a atividade</p><p>quando foram ferrados por arraia, ficando parados de dois a quatro meses, porque o</p><p>local perfurado ficava</p><p>dolorido e em alguns casos necrosado e durante esse tempo</p><p>tentaram entrar com benefício no INSS, mas não conseguiram e retornaram a</p><p>atividade logo após a recuperação. Os mesmos relataram não terem ficado com</p><p>dificuldades para o exercício da atividade após recuperação. Conforme Haddad Jr.</p><p>(2003), os acidentes ocorridos com os pescadores merecem atenção das autoridades,</p><p>pois estes ficam afastados por alguns meses sendo prejudicados em sua atividade.</p><p>Com acidentes envolvendo embarcações constatou que os pescadores com</p><p>58% (N = 39) não sofreram esse tipo de acidente, no entanto, 37% (N = 25)</p><p>responderam que sim, no qual, 28% (N = 19) disseram ser causado por mau tempo.</p><p>Segundo um pescador, em ocorrência de chuvas no final da tarde a visibilidade fica</p><p>comprometida. Falha mecânica 19% (N = 13) conforme um depoimento as peças</p><p>geralmente são caras e são substituídas por de segunda mão, porque muitos desses</p><p>0%</p><p>5%</p><p>10%</p><p>15%</p><p>20%</p><p>25%</p><p>30%</p><p>35%</p><p>40%</p><p>32</p><p>pescadores são de baixa renda e encalhe 6% (N = 4) com o menor percentual,</p><p>conforme a figura 18.</p><p>Figura 18 - Acidentes envolvendo barcos de pesca.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>5.3 Doenças ocupacionais dos pescadores</p><p>Ao analisar as respostas do levantamento das doenças ocupacionais a maioria</p><p>dos pescadores disseram sofrer com dores de origem neuromuscular e articulares.</p><p>De acordo com a pesquisa a maioria respondeu sentir dores nas costas 60% (N = 40)</p><p>durante a atividade de pesca e 66% (N = 44) sentem as dores após o desenvolvimento</p><p>da atividade. Em depoimento, um pescador disse que isso acontece devido estarem</p><p>remando no rio até chegarem ao local para realização da pesca e também jogando e</p><p>puxando as redes após capturar o pescado.</p><p>Outra doença ocupacional sentida pelos pescadores de uma forma frequente é</p><p>a dor na coluna vertebral 55% (N = 37) durante sua atividade e após a execução da</p><p>atividade 64% (N = 43). O cansaço 31% (N = 21) isso sentido durante a pesca e 64%</p><p>(N = 43) após a pesca devido o excessivo esforço desempenhado. Também relataram</p><p>sentir dificuldade de enxergar as vezes durante a pesca 45% (N = 30) e após a</p><p>atividade 13% (N = 9) sentem essa dificuldade.</p><p>0%</p><p>5%</p><p>10%</p><p>15%</p><p>20%</p><p>25%</p><p>30%</p><p>33</p><p>Tabela 2: Ocorrência e frequência de doenças presentes nos pescadores artesanais em Cametá – PA.</p><p>Doença</p><p>Quando sente Por quanto tempo sente</p><p>Durante a</p><p>pesca</p><p>Pós pesca Raramente As vezes Frequente</p><p>Dor na coluna 37 43 6 19 23</p><p>Dor na costa 40 44 4 28 22</p><p>Dor de cabeça 21 29 11 23 7</p><p>Dor no joelho 21 18 9 16 10</p><p>Cansaço 21 43 5 35 14</p><p>Sonolência 22 20 5 22 7</p><p>Enjoo 5 1 2 3 0</p><p>Desidratação 10 6 5 9 0</p><p>Dificuldade de</p><p>enxergar</p><p>30 9 5 14 13</p><p>Estresse 13 18 9 13 5</p><p>Alergia 8 2 1 5 2</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>Conforme pesquisas relacionadas sobre doenças ocupacionais, constatou que</p><p>as Lesões por Esforços Repetitivos (LER), de acordo com o conceito ergonômico são</p><p>movimentos repetitivos bastante frequentes entre os pescadores artesanais devido à</p><p>realização de tarefas como: remar nos rios até o local da pesca; jogar e puxar a rede</p><p>após captura do pescado; limpar os peixes, dentre outros. (BRASIL, 2018). De acordo</p><p>com Chagas et al. (2016), em estudos realizado em São João de Pirabas, no Pará, a</p><p>doença ocupacional que prejudica 70% dos pescadores são principalmente dores de</p><p>cabeça, acompanhado de 50% por dor na coluna e 45% por dores no braço.</p><p>Quando aos pescadores de Cametá, quando foram questionados sobre</p><p>possíveis doenças adquiridas durante seu tempo de trabalho, a mais indicada foi</p><p>gastrite/ulceras/problemas estomacais 44% (N = 26); colesterol 22% (N = 13);</p><p>hipertensão/coração 17% (N = 10) e problemas na perna/varizes 17% (N = 10),</p><p>conforme a figura 19.</p><p>34</p><p>Figura 19 - Doenças diagnosticadas nos pescadores de Cametá-PA.</p><p>Fonte: A autora (2023).</p><p>Em relação às doenças encontradas com os entrevistados, obteve resultados</p><p>mais significativo foi a gastrite/ úlcera / problemas estomacais. Onde os ribeirinhos da</p><p>amazônicos estão aos poucos substituindo sua alimentação por produtos</p><p>industrializados, principalmente fora da época da safra do pescado (PALHETA, et al.,</p><p>2016). Foi observado que os problemas estomacais dos pescadores, está relacionado</p><p>aos horários irregulares da alimentação, pelo fato de dependerem das marés para</p><p>desempenharem suas atividades.</p><p>5.4 Mulheres na pesca em Cametá</p><p>A integração da mulher na atividade pesqueira em Cametá, possui uma certa</p><p>invisibilidade, pois os homens apresentam uma participação dominante nessa</p><p>atividade, porém as mulheres estão apoiando principalmente na pesca de</p><p>subsistência. Durante as entrevistas semiestruturada realizada em Cametá e Vila do</p><p>Carapajó (Cametá-PA), houve a presença de 7 mulheres na entrevista.</p><p>Quanto aos apetrechos utilizados as pescadoras responderam 100% (N = 7) a</p><p>malhadeira (rede de espera), matapi 86% (N = 6), caniço 86% (N = 6) e espinhel 43%</p><p>(N = 3), ressaltando que muitas delas usavam de 2 a 3 apetrechos em média em sua</p><p>44%</p><p>22%</p><p>17%</p><p>17%</p><p>Gastrite / Úlcera / Problemas estomacais</p><p>Colesterol</p><p>Himpertensão/ coração</p><p>Problemas na perna/ varizes</p><p>35</p><p>atividade de pesca. O apetrecho utilizado com mais frequência foi a malhadeira em</p><p>100%.</p><p>Em relação ao pescado mais capturado as pescadoras disseram ser a pescada</p><p>branca 86% (N = 6) e uma outra classificação de pescado o camarão 86% (N = 6), e</p><p>em seguida tucunaré e caratinga com 57% (N = 4), respectivamente.</p><p>Observou-se mediante os questionários e diálogos abertos com as pescadoras</p><p>que a embarcação mais frequente é o casco a remo e 100% são próprias. Pode-se</p><p>fazer uma correlação com o intervalo de idade de 30 a 59 anos, mulheres mais</p><p>experientes. Estas carregam consigo a tradição, junto com seus maridos que</p><p>apresentam idades mais elevadas, ratificando o uso de embarcação não-motorizada</p><p>na pesca de subsistência dessa região. Em caso de embarcação motorizada, as</p><p>mesmas não definiam bem as informações técnicas referente ao motor.</p><p>Quando questionadas quais os locais eram realizados as pescas, foi</p><p>respondido no Rio Tocantins, próximo de suas casas onde ficavam de 3 a 4 horas</p><p>pescando de 2 a 3 vezes por semana, além disso, as vendas do pescado eram</p><p>realizadas na feira da Vila do Carapajó (Cametá-PA) e o restante em cambadas nas</p><p>ruas. Foi observado na Vila do Carapajó, relato de uma pescadora, que o pescado</p><p>excedente do consumo próprio é vendido, portanto o método de conservação do</p><p>pescado é pouco eficaz, com tempo de no máximo dois dias no sal armazenado na</p><p>geladeira. Soma-se também a informação que às vezes há um “escambo” do pescado</p><p>por outras proteínas como carne bovina ou frango, para variar a dieta rotineira do</p><p>peixe pescado. Quanto aos apetrechos de pesca, os pescadores mais jovens optam</p><p>por comprá-los ao invés de confeccioná-los, mudando um hábito tradicional da pesca</p><p>artesanal.</p><p>Outro assunto relevante no trabalho foi sobre acidentes na pesca, se elas</p><p>possuíam algum item de segurança na realização de sua atividade e 100% (N =7)</p><p>confirmaram que utilizam chapéu, seguido de camisa manga comprida lisa (sem</p><p>botão) 57% (N = 4), protetor solar 29% (N = 2). Os utensílios que estavam presentes</p><p>no questionário como: colete; boia; luva; capa, caixas de primeiros socorros, entre</p><p>outros, responderam não haver necessidade 71% (N = 5) e não utilizam por falta de</p><p>costume 29% (N = 2). Todas as entrevistadas não relataram acidente durante a pesca,</p><p>logo tal afirmação reforça o baixo exercício de função da mulher na pescaria.</p><p>36</p><p>Porém, quando perguntadas se haviam sofrido acidente envolvendo outra</p><p>embarcação de pesca junto com seus maridos, disseram que sim 43% (N = 3), falhas</p><p>mecânicas 14% (N =1) e o restante responderam que não.</p><p>Em relação às doenças ocupacionais envolvendo as pescadoras segundo o</p><p>questionário foi predominante a dor na coluna juntamente cor dor na costa 100% (N</p><p>=</p><p>7), durante e depois da atividade; acompanhado de dor cabeça 57% (N = 4) durante</p><p>a pesca e 71% (N = 5) após a pesca; cansaço 43% (N = 3) durante a pesca e 71% (N</p><p>= 5) após a pesca e o restante do percentual responderam sobre outras doenças</p><p>ocupacionais abordadas no questionário.</p><p>Referente a possíveis doenças diagnosticadas foram registradas gastrite /</p><p>úlcera / problemas estomacais 29% (N = 2), hérnia de disco 14% (N = 1), pneumonia</p><p>14% (N = 1), problemas na perna/varizes 14% (N = 1) e diabetes 14% (N = 1).</p><p>Conforme Maneschy e Álvares (2011), no passado as mulheres atuavam na pesca</p><p>em atividades pré e pós-captura como confecção e manutenção dos apetrechos e à</p><p>conservação do pescado. Com este referencial pode-se reforçar a ideia de uma</p><p>discreta atuação da atual mulher no exercício da pesca, pois a sucessão familiar da</p><p>atividade, geralmente, é designada pelo filho homem mais velho.</p><p>37</p><p>6 CONCLUSÃO</p><p>Em relação das espécies capturadas, a construção da barragem afetou os</p><p>estoques pesqueiros, levando os pescadores a capturarem espécies menores como</p><p>os maparás conhecidos como (fifites).</p><p>No que se refere aos EPI´s, os utensílios de proteção mais utilizado é o chapéu</p><p>e camisa de mangas compridas lisa, quantos aos demais são negligenciados. As</p><p>doenças ocupacionais, LER, mais frequentes são dores nas costas, coluna e cansaço</p><p>devido à postura incorreta durante a atividade de pesca (remar e puxar redes).</p><p>Ao analisar as atribuições quanto ao gênero, há uma diferença de atribuições</p><p>entre o pescador e pescadora (geralmente esposa ou filha), logo implicando em</p><p>acidentes ou doenças recorrentes dessa atividade. Observou-se que as mulheres,</p><p>durante a aplicação do questionário, não tinham tanto conhecimento de alguns</p><p>detalhes da embarcação. Contudo, ratifica-se uma contribuição diferente da mulher,</p><p>seja na confecção de apetrechos ou armazenamento e conservação do pescado após</p><p>a pesca, e geralmente os homens (maridos ou pais) que são proprietários da</p><p>embarcação da família. Somente algumas mulheres saem para pescar, sendo as</p><p>mesmas filiadas à Colônia Z-16.</p><p>Desse modo, o pescador artesanal requer de instruções e formas de trabalho</p><p>que promovam o cuidado com saúde física e mental, assim obtendo mais longevidade</p><p>e qualidade de vida, além de políticas públicas fomentando melhorias no setor, como</p><p>campanhas sobre cuidados na pesca, voltadas para minimizar os entraves da</p><p>atividade.</p><p>38</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, I.C. O papel da pesca na eficiência reprodutiva dos ribeirinhos do</p><p>baixo Tocantins: O caso do município de Mocajuba- PA. Dissertação (Mestrado</p><p>e Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de Altos Estudos</p><p>Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, 118p,2013.</p><p>ALMEIDA, R. Amazônia, Pará e o mundo das águas do Baixo Tocantins. Revista</p><p>Estudos Avançados, São Paulo, v. 24, n. 68, 2010.</p><p>ÁLVARES, Maria Luiza Miranda; MANESCH, Maria Cristina. 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