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<p>9</p><p>FACULDADE VENDA NOVA DO IMIGRANTE - FAVENI</p><p>ALESSANDRA MACHADO SILVA</p><p>DESAFIOS DA INCLUSÃO DO ALUNO COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA ESCOLA REGULAR</p><p>UBERLÂNDIA-MG</p><p>2018</p><p>ALESSANDRA MACHADO SILVA</p><p>FACULDADE VENDA NOVA DO IMIGRANTE – FAVENI</p><p>DESAFIOS DA INCLUSÃO DO ALUNO COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA ESCOLA REGULAR</p><p>Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial à obtenção do título de especialista em Educação Inclusiva e Especial.</p><p>Orientador: Professor MSc. Ana Paula Rodrigues</p><p>UBERLÂNDIA-MG</p><p>2018</p><p>DESAFIOS DA INCLUSÃO DO ALUNO COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA ESCOLA REGULAR</p><p>Alessandra Machado Silva ¹</p><p>A</p><p>Declaro que sou autor¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também, que o mesmo foi por elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daquelas cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.</p><p>Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo toda responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação dos direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviço).</p><p>RESUMO</p><p>Na atualidade é de grande relevância ampliar os estudos sobre a inclusão educacional, visto que, a inclusão escolar de crianças com necessidades educacionais especiais é um direito garantido por leis, desde a Constituição Federal de 1988. No que se refere inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista, é considerado pelos profissionais da educação como um grande desafio. Diante disso, este artigo tem como objetivo discutir aa relação entre autismo e o processo de inclusão escolar, assim como, identificar como se deu esse processo ao longo da história e, de como são percebidos pela escola e os profissionais da educação. Para tanto, utiliza-se a pesquisa bibliográfica em autores que abordam as temáticas relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista e inclusão escolar.</p><p>Palavras-chave: Autismo. Inclusão Escolar, Escola regular.</p><p>1- INTRODUÇÃO</p><p>A inserção de alunos com Transtorno de Espectro Autista (TEA) na escola, é uma realidade cada vez mais presente nas escolas de ensino regular, fato que causa inquietação aos profissionais da educação, principalmente aos professores, pois, são os professores que lidam diretamente com o aluno. No caso do aluno com TEA, a inquietação decorre da complexidade que esse transtorno representa, ainda para a maioria dos professores, tanto, por se sentirem despreparados, quanto, pelas condições que o sistema de ensino e a escola oferece para que possam realmente incluir esse aluno.</p><p>Ao se pensar no atendimento escolar de alunos com TEA, é preciso discutir sobre os diferentes tipos que se apresenta, sobre como escola vem construindo o processo de inclusão, de modo, a compreender a complexidade que esse transtorno apresenta. Para assim, compreender que o enfrentamento desse desafio e que, beneficia todos os alunos, pois, ao refletir e buscar estratégias, metodologias de ensino para atender os alunos em processo de inclusão, o professor amplia os conhecimentos e formas de ensinar, conforme afirma Chandler- Olkott; Kluth, 2009):</p><p>Dar conta das necessidades educacionais de pessoas com autismo tem pressionado os professores a serem mais reflexivos sobre suas práticas de ensino, bem como serem mais explícitos em suas instruções de ensino. Além disso, tem proporcionado a todos um olhar sobre como as crianças aprendem de modos diferentes (CHANDLER-OLKOTT; KLUNTH, 2009, p.548, apud SCHIMIDT, 2012).</p><p>Para tanto, é preciso pensar numa escola que se transforme, se renove em todos os aspectos, como afirma Mantoan (2006), inclusão escolar “[...] implica uma mudança de perspectiva educacional, por que não atinge apenas os alunos com deficiência e os que apresentam dificuldade de aprender, mas todos os demais, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral (MANTOAN, 2006, p.19)”. Sendo assim, a inclusão se preocupa em oferecer uma educação que respeite as diferenças e ofereça igualdade de condições e oportunidades para todos os estudantes, com deficiência ou não, de forma que todos possam aprender e desenvolver suas potencialidades.</p><p>A inclusão escolar, em particular a dos alunos com TEA, no Brasil, caminha ainda lentamente, por diversos e diferentes fatores, entre eles as marcas deixadas pelo processo de exclusão educacional a que estes foram expostos ao longo da história. Portanto, é preciso refletir sobre autismo, inclusão, professores, escola, bem como, o papel e a concepção de pais, familiares, enfim toda comunidade escolar em relação a inclusão desses alunos na escola regular, para que a escola se transforme, ou seja, se torne realmente inclusiva.</p><p>As discussões que envolvem a inclusão escolar de alunos com TGD, em específico o aluno com TEA, abordadas no curso de Educação Inclusiva e Especial da faculdade Venda Nova do Imigrante -FAVENI, instigou a minha curiosidade sobre tais questões. Diante disso, este artigo se justifica inicialmente pela necessidade de conhecer e refletir sobre inclusão escolar, Transtorno do Espectro Autista, escola regular, buscando compreender o processo de inclusão escolar do aluno com TEA e as relações que se estabelecem entre os profissionais da educação e os alunos, pais e familiares destes alunos, ou seja, da comunidade escolar.</p><p>Sendo assim, este artigo tem como objetivo discutir aa relação entre autismo e o processo de inclusão escolar, assim como, identificar como os professores percebem esse aluno com o intuito de compreender o processo de inclusão na escola regular e o papel destes profissionais nesse processo, considerando que o professor lida diretamente com o aluno. Para tanto, foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica a partir da leitura das referências básica em torno das principais temáticas abordadas no trabalho.</p><p>2- METODOLOGIA</p><p>Este artigo traz uma reflexão sobre a inclusão escolar do aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Concebendo que a metodologia é componente essencial na pesquisa, visto que, auxilia na condução ao apontar o caminho a ser percorrido. Este artigo possibilita conhecer um pouco sobre TEA, bem como, os aspectos que envolve o processo de inclusão escolar, para isso, neste trabalho utiliza-se como metodologia, a pesquisa bibliográfica com a leitura de referências nas áreas de Ensino, Aprendizagem, Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Inclusão Escolar.</p><p>Assim também, à pesquisa documental, a análise dos textos legais e normativos da esfera federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96 e as Resoluções da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE/CEB); a Lei nº 12.764/12, que Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e Lei nº 1.146/15, Lei Brasileira da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência, entre outras, que revelam a atual política quanto à de alunos com deficiência e a inclusão na escola regular em específico, alunos com TEA.</p><p>No que se refere a inclusão escolar de alunos que apresentam o TEA, elegemos como suporte teórico, estudiosos como, Pacheco (2007), Mantoan (2006), Stelzer (2010), entre outros teóricos que abordam questões como deficiência, inclusão, escola, TEA e, demais aspectos relacionados à inclusão escolar e o autismo.</p><p>Para esta pesquisa recorremos ao estudo das obras dos autores Demo (1990), Gasparello e Carvalho (2006), Gerhardt e Silveira (2009), que abordam os conceitos e práticas da pesquisa científica. Considerando a pesquisa como Gasparello e Carvalho (2006), “Pesquisar num sentido mais amplo, é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber[...] (GASPARELLO e CARVALHO, 2006, p. 99)</p><p>Quanto a metodologia</p><p>de pesquisa, neste trabalho é compreendida como os procedimentos estabelecidos para realizar uma pesquisa (GERHARDT, SILVEIRA (2009), desse modo, entende-se que a metodologia de pesquisa é “um dos horizontes estratégicos da pesquisa como tal, que não se restringe a ‘decorar’ estatísticas com seus dados áridos, mas alcança a capacidade de discutir criativamente caminhos alternativos para a ciência e mesmo criá-los (DEMO, 1990, v.14, p.25)”.</p><p>3- ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E INCLUSÃO ESCOLAR</p><p>O início da vida escolar é um desafio para as crianças, pois, deixam a exclusividade do ambiente familiar para socializar com outras pessoas, adultos e crianças e mais, novas regras, novas rotinas. Ou seja, é um período de grandes mudanças, que provocam insegurança e incertezas, pois, de modo geral as crianças passam por grandes dificuldades em adaptar-se ao novo. Em se tratando do aluno autista, essas mudanças e dificuldades podem ser mais intensas, considerando que estes alunos tem muita dificuldade em aceitar mudanças em sua rotina e também, na socialização com pessoas estranhas ao seu convívio.</p><p>O autismo é considerado como um distúrbio do desenvolvimento, que em geral se apresenta aos três anos de idade. O termo autismo, é ainda o mais usado para denominar as pessoas que apresentam características do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A Lei nº 12.764/2012, que Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, nos parágrafos I e II, define o autista a pessoa que apresenta determinadas características, tais:</p><p>I- Deficiência persistentee clinicamente significativa da comunicação e das interações sociais, manifestadas por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada pra interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento.</p><p>II- padrões restritivos e repetitivos comportamentos, interesses e atividades, manifestadas por comportamentos motores ou verbais esteriotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos (BRASIL, Lei nº 12.764 de 2012, p.1).</p><p>A referida lei, conhecida também como “Lei Berenice Piana”, em homenagem Berenice Piana, mãe de autista, que lutou e buscou garantir os direitos da pessoa com TEA, lei essa que considera o autismo como uma deficiência e, portanto, as pessoas com autismo possuem todos os direitos previstos para aquelas que apresentam alguma deficiência. Direitos como, ações e serviços de saúde, incluindo o diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional, terapia e medicação se necessário, assim também, o acesso à educação.</p><p>A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados a Saúde (CID-11) e o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM), reúne em um só diagnóstico os Transtornos do Espectro Autista, tais quais: Autismo Infantil, Síndrome de Asperger, Transtornos Globais do desenvolvimento, Transtornos Globais não Especificados do Desenvolvimento, entre outros.</p><p>Síndromes que tem em comum, perturbações do desenvolvimento neurológico que se manifestam em conjunto ou isoladamente, como dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem, no uso da imaginação ao lidar com jogos simbólicos, na interação social ( mal-estar em meio aos outros), pouco contato visual, comportamentos considerados inadequados pelos padrões sociais, interesses restritos, maneirismos também chamados de estereotipias (movimentos repetitivos, repetição de assuntos restritos, abanar das mãos, movimentação excessiva), ecolalia, apresentar interesse intenso por algo específico, dentre outros.</p><p>Podem apresentar também, problemas e, ou sensibilidade nos órgão dos sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato), déficit intelectual ou altas habilidades. Todas essas características, sinais e sintomas variam de leves que podem até passar despercebidos, mas também, podem ser moderados a graves, que interferem muito no comportamento e na comunicação da criança, como afirma Schmidt (2012):</p><p>Por fim, o autismo ainda pode ser expresso em diversos graus de severidade. Têm-se usado o termo continuum ou espectro para definir a variabilidade de características que podem estar mais ou menos acentuadas nesses sujeito, o que explica porque algumas vezes uma pessoa com autismo é tão diferente de outra que possui o mesmo diagnóstico (SCHMIDT, 2012, p.12).</p><p>Diante do exposto, pode-se inferir que o TEA, é uma síndrome complexa, que afeta as interações sociais, a comunicação, o comportamento e que apresenta diferentes graus de severidade. Que de acordo com o quadro clínico que apresenta pode ser classificado em Autismo clássico, em que o grau de comprometimento pode variar bastante, o Autismo de Alto Desempenho ou Síndrome de Asperger, possuem as mesmas características dos outros tipos, mas, numa medida bem reduzida o que possibilita levar uma vida bem próxima da normal e o Distúrbio Global do Desenvolvimento sem outra especificação, em que os sintomas que apresentam não são suficientes para incluí-los em uma categoria específica.</p><p>O modo de tratar, a denominação e a conceituação do TEA, foi sendo construída ao longo da história à medida em que pesquisadores, estudiosos e familiares de pessoas com TEA buscaram conhecer mais sobre o mesmo, com objetivo de compreender tal transtorno para assim, auxiliar as pessoas com TEA e suas famílias.</p><p>Com base em Gauderer (1997), Souza (2004), afirma que o termo autismo foi introduzido na psiquiatria em 1906, por Plouller, psiquiatra que trabalhava com pacientes diagnosticados com demência precoce, hoje denominada de esquizofrenia. Termo, também utilizado por Eugen Bleuler em 1911, para classificar as pessoas que apresentavam características como isolamento, déficit na linguagem e alterações no comportamento. Termo que Leo Kanner em 1943 utilizou para descrever os casos de crianças que apresentavam os mesmos sinais clínicos de isolamento. Hans Asperger, em 1944, descreve o autismo observando que algumas crianças que atendia demonstravam diferenças importantes de uma para outra, que variavam entre déficit intelectual à altas habilidades, em uma ou diferentes áreas de conhecimento.</p><p>Stelzer (2010) resume bem o início do histórico do autismo:</p><p>O autismo recebeu diferentes nomes nos primeiros anos que seguiram à descrição de Kanner. Entre estes, temos o autismo esquizofrênico, de Bender, 1959; autismos infantus, de Van Krevelen (1971), tríade de deterioração social, por Rutter; síndromes autistas, por Wing, desordens autistas, por Coleman e Gilllberg (STELZER, 2010, p.13 Apud RODRÌGUEZ-BARRIONUEVO et. al., 2002).</p><p>A partir de 1960, o autismo passa a ser diagnosticado separado do diagnóstico de esquizofrenia infantil, como afirma Stelzer (2010), “Foi somente na década de 60 que os profissionais da área da saúde passaram a considerar mais seriamente outras formas de compreender o autismo, muitas vezes motivados pelos pais, que desafiavam o conhecimento tradicional (STELZER, 2010, p.19)”.</p><p>Michael Rutter, em 1978 classifica o autismo com base em características como desvio social, problemas de comunicação, movimentos repetitivos que aparecem antes dos três anos de idade. Somente em 1980, com o DSM-III, o autismo foi colocado em uma nova classe de transtornos: os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TIDs). Estudos e pesquisas em torno do autismo avançam com o intuito de conhecer e compreender este transtorno.</p><p>Objetivando conscientizar a população, a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007 proclama o dia 02 de abril, como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, com o propósito de difundir os conhecimentos, estimular pesquisas, produzir mais conhecimentos como uma forma de desmitificar as crenças e preconceitos sobre o autismo e sobre as pessoas com o transtorno.</p><p>O DSM-V, publicado em 2013 é resultado de mais de uma década de estudos, revisões e pesquisas de profissionais</p><p>de diversas áreas de conhecimento médico. Com as pesquisas objetivam garantir uma fonte segura e científica para a aplicação em pesquisa e na prática clínica, de modo a garantir um diagnóstico mais próximo da realidade. Com o DSM-V, as subcategorias do transtorno passam a fazer parte de um único diagnóstico, o Transtorno do Espectro Autista (TEA).</p><p>Em se tratando da escolarização de crianças com TEA, o diagnóstico contribui para que se busque meios para melhor atender essas crianças, de modo, a auxiliá-las no desenvolvimento e aprendizagens no contexto escolar. Para tanto, é preciso pensar na escola na perspectiva da inclusão, concebendo a inclusão como a adaptação da escola às dificuldades ou facilidades dos indivíduos em todos os aspectos no contexto da escola.</p><p>A inclusão escolar é um desafio e, para enfrentar esse desafio, é necessário o envolvimento de todos da escola, equipe pedagógica, professores, alunos, pais, ou seja, toda comunidade escolar nas ações da escola. Para que realmente aconteça a inclusão escolar, é necessário mudanças, nos recursos físicos e materiais, mas, principalmente na formação de professores e no modo dos profissionais da escola perceberem a deficiência. De acordo com Mantoan (1997):</p><p>[...] se concilia com uma educação para todos e com um ensino especializado no aluno, mas não se consegue implantar uma opção de inserção tão revolucionária sem enfrentar um desafio ainda maior: o que recai sobre o fator humano. Os recursos físicos e os meios materiais para a efetivação de um processo escolar de qualidade cedem sua prioridade ao desenvolvimento de novas atitudes e formas de interação na escola exigindo mudanças no relacionamento pessoal e social e na maneira de se efetivar os processos de ensino e aprendizagem. (MANTOAN, 1997, p. 8-9).</p><p>Sendo assim, é preciso pensar em propostas que façam a articulação entre os aspectos relacionados a organização escolar e o processo de ensino/aprendizagem, considerando o direito à educação de todas as pessoas, como proclamado pela Declaração de Salamanca de 1994. Importante também, discutir sobre as principais leis que garantem que as pessoas com necessidades educacionais especiais seja acolhidas tanto pela sociedade, quanto pela escola.</p><p>As discussões mundiais em torno da inclusão da pessoa com deficiência culminaram na Declaração de Salamanca (1994), um dos documentos mais importantes em prol da inclusão educacional, onde, mais de oitenta países participaram e assinaram a mesma. Este documento proclama que as escolas regulares inclusivas como o meio mais eficaz de combate à discriminação e, mais, determina que as escolas devam acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais ou linguísticas. Sendo assim, pode-se inferir que a legislação brasileira foi fortemente influenciada pela Declaração de Salamanca, visto que após a sua elaboração é que a educação inclusiva e se tornou uma proposta a ser alcançada, pois, entre os princípios expressos no referido documento proclama como o primeiro princípio do referido documento:</p><p>Nos, delegados à Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, representando noventa e dois países e vinte e cinco organizações internacionais, reunidos aqui em Salamanca, Espanha, de 7 a 10 de Junho de 1994, reafirmamos, por este meio, o nosso compromisso em prol da Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e a urgência de garantir a educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educativas especiais no quadro do sistema regular de educação, e sancionamos, também por este meio, o Enquadramento da Ação na área das Necessidades Educativas Especiais, de modo a que os governos e as organizações sejam guiados pelo espírito das suas propostas e recomendações ( UNESCO, 1994).</p><p>Considerando que a legislação brasileira foi fortemente influênciada pela Declaração de Salamanca, no que se refere ao atendimento de alunos com deficiência, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(LDB) 9394/96, define o direito ao acesso da pessoa com deficiência na escola regular, como pode ser observado no seu artigo 58 ao tratar da Educação Especial “ Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, e modalidade de educação oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação (BRASIL, 1996, p.40)”.</p><p>Com base na LDB/1996, a Política Nacional da Educação na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), Lei nº1.146/2015, que no Art. 27 estabelece, “A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo da vida, [...] (BRASIL, 2015). Dando continuidade às políticas inclusivas, a lei de amparo à pessoa com autismo, Lei nº 12.764/12 (Lei Berenice Piana), representa um avanço na luta pelos direitos da pessoa com autismo, essa lei pode ser considerada a mais importante no que se refere a inclusão da pessoa com TEA, pois, a Política Nacional de Proteção dos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista garante que as pessoas com TEA, sejam consideradas pessoas com deficiência e possam usufruir dos mesmos direitos garantidos a outras deficiências, dentre esses direitos o da inclusão escolar.</p><p>Diante do exposto, pode-se afirmar que a legislação busca garantir a inclusão de todos na escola, mas, segundo Mantoan (1997), a verdadeira inclusão ainda se coloca como um ideário longínquo. A educação escolar inclusiva não é uma questão particular de uma sala de aula, mas parte de um projeto político pedagógico, portanto, a importância de se desenvolver a cultura da colaboração no interior e exterior da escola (PACHECO et al., 2007), ou seja, o trabalho cooperativo no contexto da escola tem seu lugar e importância indiscutíveis.</p><p>4-CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Com este trabalho foi possível tecer algumas considerações a respeito do TEA e inclusão escolar. Quanto ao comportamento da pessoa TEA, dentre esses, o autismo e concebendo o comportamento como uma construção social com padrões e normas, as pessoas com TEA podem apresentar comportamentos considerados inadequados. Neste caso, é preciso que as famílias, a escola, a sociedade como um todo, se empenhem em conhecer mais sobre essas pessoas, para assim, desvestirem-se dos preconceitos, de modo, a acolhê-las, incluí-las em seu meio, respeitando suas diferenças e especificidades.</p><p>Os estudos mostraram que a inclusão é ainda um desafio para a escola, mais ainda, quando se trata do aluno com TEA, em específico com autismo, mas, apontou também que com o envolvimento de todos, escola, profissionais da escola, família e dos alunos é possível avançar nesse processo de inclusão e colaborar para que os professores possam desenvolver um trabalho educativo que alcance a todos. Pois, a Educação Especial Inclusiva, além de preocupar-se integração social da pessoa, da assimilação dos conteúdos, do desenvolvimento de suas potencialidades, precisa se preocupar em como promover situações para que as ações desenvolvidas na escola façam sentido para ao alunos com TEA.</p><p>As diretrizes internacionais decorrentes da luta pela inclusão promovidos nos debates, simpósios sobre inclusão e direito a educação para todos, como a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994) influenciaram a legislação brasileira, pois, a partir dessas discussões que a sociedade começou a pensar na inclusão escolar como ampliação de acesso à educação dos grupos que historicamente foram excluídos, tanto a acesso social, quanto o acesso à escola em função de características próprias, como a deficiência, entre outras.</p><p>A partir do abordado, é possível afirmar que, com a promulgação Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB- nº 9.394/96 houve mudanças na educação, visto uma maior preocupação dos profissionais da educação com uma escola nova, mais humana, voltada mais para ações integradas,</p><p>tanto dentro das escolas como nos relacionamentos com as demais instituições sociais. Bem como, a percepção de que a educação especial tem passado por diversas alterações buscando uma educação de qualidade para todos.</p><p>Portanto, para que a escola atinja seus objetivos educacionais e se torne espaço de inclusão e enfrente mais esse desafio é necessário que a equipe pedagógica da escola, propicie aos professores da classe comum, um suporte técnico, auxiliando-os para que encontrem formas criativas de atuação, para que este possa compreender às particularidades dos alunos e se adaptem para atender as necessidades educacionais de todos. Pois, os professores precisam ter como base, as orientações e apoio promovidos pela educação especial e os profissionais que nela atuam, para juntos buscarem por alternativas metodológicas e pedagógicas, de modo a, alcançar a todos, deficientes ou não.</p><p>Por fim, com este estudo, é possível entender que a cooperação é o caminho para uma educação escolar inclusiva. E, precisa alcançar todos os níveis, setores e dimensões, pois, a inclusão refere-se aos alunos dentro e fora da sala de aula, à equipe de docentes, à equipe escolar, os familiares e comunidade em geral. Pois, diante da criança com autismo e, independentemente de suas necessidades e especificidades, acreditamos nas possibilidades de desenvolvimento e aprendizagens que devem ser criadas e recriadas no dia a dia das ações desenvolvidas na e para a escola.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação nacional: Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. – 11. ed. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2015. – (Série legislação; n. 159).</p><p>______________.LDB: Lei de diretrizes e bases da educação nacional. – Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2017. 58 p.</p><p>______________ Lei nº 13.146/2015. Estatuto da Pessoa com Deficiência. Presidência da República/ Casa Civil/ Subchefia para assuntos jurídicos. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm.</p><p>Acesso em: 05/10/2018.</p><p>______________. Lei Federal nº 12.764/2012, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3o do art. 98 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF: 28 dez. 2012.</p><p>________________BRASIL. MEC. O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular / Ministério Público Federal: Fundação Procurador Pedro Jorge de Melo e Silva (organizadores) / 2ª ed. rev. e atualizada. Brasília: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, 2004.</p><p>___________. Lei nº 13.146/2015. Estatuto da Pessoa com Deficiência. Presidência da República/ Casa Civil/ Subchefia para assuntos jurídicos. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm. Acesso em: 25/11/2018.</p><p>DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo/Pedro Demo. - São Paulo: Cortez: Autores associados, 1990. — (Biblioteca de Educação. Série 1. Escola; v.14).</p><p>DSM-V. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais [recurso eletrônico] : DSM-5 / [American Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.] ; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli ... [et al.]. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2014.</p><p>GASPARELLO A. M., CARVALHO C.M. C. Metodologia do trabalho científico. Rio de Janeiro: UFF/CEP, 2006.</p><p>GERHARDT, T. E. e SILVEIRA, D. T. Métodos de pesquisa / Tatiana Engel Gerhardt e Denise Tolfo Silveira (orgs), coordenado pela Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFRGS e pelo Curso de Graduação Tecnológica – Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural da SEAD/UFRGS. – Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009. 120 p.: il.; 17,5x25cm (Série Educação a Distância).</p><p>MANTOAN, M. T. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer?. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2006.</p><p>______________. 1997. A integração de pessoas com deficiência. São Paulo: Memnon. SENAC.</p><p>KHOURY, L. P. et al. Manejo comportamental de crianças com Transtornos do Espectro do Autismo em condição de inclusão escolar:guia de orientação a professores [livro eletrônico]. – São Paulo: Memnon, 2014. PDF</p><p>PACHECO, J. Caminhos para a inclusão: um guia para o aprimoramento da equipe escolar. Porto Alegre: Artmed, 2007.</p><p>SÃO PAULO- Relatório Mundial sobre a deficiência/World Health Organization, The World Bank; tradução Lexicus Serviços Linguísticos - São Paulo- SEDPcD, 2012. 334 p. Disponível em: www.pessoacomdeficiencis.sp.gov.br. Acesso em: 22/10/2018.</p><p>SCHMIDT, C. Transtornos do Espectro do Autismo na Escola: Protagonismos no Processo Inclusivo. In: 35a. reunião anual da ANPED, 2012, Porto de Galinhas/PE. Educação, cultura, pesquisa e projetos de desenvolvimento: o Brasil do século XXI. Rio de Janeiro: ANPED, 2012. p. 185-185.</p><p>STELZER, F. Uma pequena história do autismo. São Leopoldo: Pandorga, 2010. Disponível em: http://www.pandorgaautismo.org/includes/downloads/publicacoes/Pandorga-Caderno1.pdf. Acesso em 18/11/2018.</p><p>SOUZA, J. C., et al. Atuação do Psicólogo Frente aos Transtornos Globais do Desenvolvimento Infantil. Psicologia: Ciência e Profissão, 24 (2), 24-31, 2004.</p><p>Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pcp/v24n2/v24n2a04.pdf. Acesso em: 22/11/2018.</p><p>UNESCO. Declaração de Salamanca (1994). Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade. Salamanca, UNESCO e Ministério da Educação e Ciência de Espanha. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf acesso em: 26/10/2018.</p>