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Modelo-4 -Requerimento-de-Revogacao-de-Medida-Protetiva-DEFESA-1(1)

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AO JUÍZO DA 6ā VARA CRIMINAL DE ARACAJU /SE
Autos de medida protetiva de urgência nº XXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXX, já devidamente qualificado nos autos em epígrafe, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por intermédio de sua advogada, com fundamento no art. 5º, inc. XXXV, da Constituição Federal e art. 282, § 5° c/c art. 316, e artigo 20 parágrafo único da Lei 11.343/06, formular o presente PEDIDO DE REVOGAÇÃO DE MEDIDA PROTETIVA, pelos motivos de fato e de direto a seguir exarados.
 1 – SÍNTESE DOS FATOS 
 Colhe-se dos autos que foram deferidas em desfavor do averiguado medidas protetivas de urgência, em benefício de (nome da vítima), as quais seguem destacadas abaixo: 
( a ) restrição da posse de armas;
( b ) afastamento do lar;
( c ) restrição de aproximar-se daquela, e de seus familiares, no espaço mínimo de 300m;
( d ) não manter contato com a ofendida, bem assim dos familiares. 
 De todo modo, a decisão, sob enfoque, fora proferida em 25/05/2018. É dizer, passaram-se mais de 3 (três) anos daquela ocasião processual. Não se mostra razoável, por isso, que as medidas perdurem ao longo desse interregno de tempo, perdurando até hoje. 
Haja vista que averiguado e vítima não tem mais nenhum contato, decorrente da separação judicial firmada entre eles (documento anexo). Outro ponto que merece destaque é que até a presente data, não houve nenhuma denúncia em desfavor do réu, sob os fatos alegados no boletim de ocorrência lavrado em 24/05/2018. 
Em que pese, a parte requerente, entender que o presente feito deverá ser julgado sob o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero de 2021 do Conselho Nacional de Justiça[footnoteRef:1] . Fato é que as medidas protetivas de urgência, atualmente em vigor, cerceiam a liberdade individual do requerente. [1: Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero 2021.pdf] 
2 – REVOGAÇÃO DA MEDIDA PROTETIVA 
 Os autos mostram que inexiste fato novo, que demonstre o risco à incolumidade física da ofendida. Lado outro, é sabido que as medidas protetivas de urgência, máxime aquelas em favor da mulher, encontram-se associadas à existência de violência doméstica, atual e iminente.
 Nesses moldes, cabe atenção aos seguintes dispositivos da Lei Maria da Penha:
Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará, de imediato, as providências legais cabíveis. Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida protetiva de urgência deferida.
Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. §1º As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato, independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público, devendo este ser prontamente comunicado. §2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados. §3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida, conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público.
 Conforme já mencionado acima, as medidas protetivas foram requeridas, e acolhidas, no dia 25 de maio de 2018. Dessarte, o próprio distanciamento daquela circunstância, que permitiu a proteção do Judiciário, revela, sem dúvida, a ausência do pressuposto do periculum in mora.
 Devemos nos atentar, de mais a mais, o princípio da duração razoável do processo. Verifica-se que o inquérito policial ainda não foi finalizado e portanto não há processo criminal em desfavor do requerente. 
Nesse diapasão, não se mostra qualquer justificativa à manutenção indefinida daquelas restrições. Esse é o entendimento recente, firmado pelos Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em casos semelhantes ao presente, conforme segue: 
EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - LEI MARIA DA PENHA - AMEAÇA - MEDIDAS PROTETIVAS - REVOGAÇÃO - POSSIBILIDADE. A finalidade das medidas de proteção é a de evitar eventual irreparabilidade de dano ou lesão a direito da ofendida, com vistas a garantir-lhe a integridade até a definição do direito supostamente violado, no julgamento final do processo principal. Passado longo período de tempo entre o deferimento das medidas protetivas e a presente decisão, sem que haja notícia acerca da instauração de ação penal, as medidas impostas devem ser revogadas. (TJMG - Apelação Criminal 1.0024.19.061950-2/001, Relator: Desa. Maria Luíza de Marilac, 3ª CÂMARA CRIMINAL, julgamento em 29/04/2020, publicação da súmula em 15/05/2020). 
EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - LEI MARIA DA PENHA - MEDIDAS PROTETIVAS - REVOGAÇÃO DAS MEDIDAS - NECESSIDADE - NATUREZA JURÍDICA CAUTELAR - GARANTIA DA EFICÁCIA DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL - IMPRESCINDIBILIDADE DE PERSECUÇÃO CRIMINAL. RECURSO PROVIDO. 01. As medidas protetivas possuem caráter cautelar, sendo instrumento importante para a proteção das vítimas de violência doméstica e para o trâmite processual, garantindo a eficácia da prestação jurisdicional. 02. Possuindo natureza acessória, as medidas protetivas não podem perdurar se não subsistir a ação principal. (TJMG - Apelação Criminal 1.0024.18.130757-0/001, Relator: Des. Rubens Gabriel Soares, 6ª CÂMARA CRIMINAL, julgamento em 28/04/2020, publicação da súmula em 22/06/2020)
Processo: 1.0024.19.043194-0/001 Relator: Des.(a) Marcos Flávio Lucas Padula Relator do Acordão: Des.(a) Marcos Flávio Lucas Padula Data do Julgamento: 09/03/2021 Data da Publicação: 14/04/2021 EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL RECEBIDA COMO AGRAVO DE INSTRUMENTO - LEI MARIA DA PENHA - REVOGAÇÃO DA MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA MEDIDAS PROTETIVAS DECRETADAS - EXTENSO LAPSO TEMPORAL - NATUREZA CAUTELAR - AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE INVESTIGAÇÃO OU AÇÃO PENAL CORRESPONDENTE - REVOGAÇÃO DAS MEDIDAS - NECESSIDADE - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. - As decisões que deferem as medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha não podem ser tidas como definitivas ou com força de definitivas, mas sim como interlocutórias, atacáveis, portanto, por meio do recurso de agravo de instrumento. - As medidas protetivas previstas no art. 22 da Lei 11.340/06 têm natureza cautelar, somente se justificando se houver urgência, preventividade, provisoriedade e instrumentalidade, não podendo ser atribuído a tais medidas caráter definitivo e desvinculado de ação principal. APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.0024.19.043194-0/001 - COMARCA DE BELO HORIZONTE.
Em razão deste contexto e da ausência de fumus bonis iuris e periculum in mora, bem como do elevado tempo que as medidas protetivas de urgência estão em vigor, e nunca foram desrespeitas. Porém, por cercearem a liberdade individual do requerente, e não haver razão para subsistirem no tempo, a Defesa requer com base no art. 20 parágrafo único da Lei 11.343/06, a revogação das medidas protetivas de urgência deferidas em desfavor do requerente.
Termos em que,
Pede deferimento.
São Paulo, xx/xx/xxxx.
Izadora Barbosa Zanin Barbieri
12
	
OAB/SP 371.25
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