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CENTRO UNIVERSITÁRIO CAMPO REAL CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA AMANDA DE JESUS SCHERER REITZ DAIANE GAURON GIOVANNA LIMA JÉSSICA FURTAK KULIS RENATA MEHRET DE ANTONI STHEFANY GATTO AULA PRÁTICA DISSECAÇÃOMEMBRO TORÁCICO FELINO IRATI – PR 2024 AMANDA DE JESUS SCHERER REITZ DAIANE GAURON GIOVANNA LIMA JÉSSICA FURTAK KULIS RENATA MEHRET DE ANTONI STHEFANY GATTO AULA PRÁTICA DISSECAÇÃOMEMBRO TORÁCICO FELINO Relatório de aula prática entregue a disciplina de anatomia I como requisito para obtenção de nota parcial no 2º bimestre, do 2º período do curso de Medicina veterinária da Faculdade Campo Real. Professor(a): Vinícius Augusto Estevão David. IRATI - PR 2024 1 INTRODUÇÃO O ensino de anatomia animal é essencial para o entendimento da morfologia e estrutura macroscópica dos animais, sendo indispensável para a formação de profissionais em Medicina Veterinária (MASSARI et al., 2018). As práticas de preservação de cadáveres remontam há mais de 5 mil anos, desde o Egito Antigo, e mantêm o princípio básico de conservar a morfologia das estruturas anatômicas da forma mais fiel possível, preservando coloração, consistência e flexibilidade, tal como no animal em vida (CURY et al., 2013). O conhecimento detalhado da morfologia das estruturas corporais é crucial para a compreensão das condições anatômico-fisiológicas e para a diferenciação de anomalias (PIZZIMENTI et al., 2016). Apesar do crescente uso de recursos digitais para a visualização de estruturas musculares e outras mais complexas, a dissecação de cadáveres continua sendo o método principal para o aprendizado da anatomia macroscópica e não deve ser substituída. No entanto, ela pode ser complementada por métodos inovadores de aprendizagem (PIZZIMENTI et al., 2016; GHOSH, 2017; MASSARI et al., 2018). Há várias técnicas disponíveis para a preservação de tecidos animais. A escolha da técnica mais adequada deve considerar fatores como o descarte de resíduos, armazenamento das peças, visualização das estruturas anatômicas, além de coloração, textura, odor, custo-benefício, consistência e durabilidade (CURY et al., 2013). A dissecação de felinos, realizada principalmente em contextos acadêmicos ou de pesquisa, permite o estudo detalhado da anatomia desses animais. Esse procedimento possibilita a observação de músculos, órgãos, ossos e sistemas, fornecendo uma compreensão aprofundada do funcionamento do corpo do felino. No entanto, a dissecção deve seguir estritos protocolos éticos e legais, assegurando o respeito ao bem-estar animal e a relevância científica do estudo (CURY et al., 2013). Além da dissecação de cadáveres ser um método fundamental para o estudo da anatomia macroscópica, o conhecimento específico sobre o membro torácico dos animais desempenha um papel importante na formação em Medicina Veterinária. O membro torácico, ou membro anterior, é uma das principais estruturas responsáveis pela locomoção e sustentação do corpo nos animais quadrúpedes. Sua complexidade anatômica envolve ossos, músculos, articulações e ligamentos, que trabalham em conjunto para realizar movimentos essenciais como a flexão, extensão e rotação (PIZZIMENTI et al., 2016). A estrutura óssea do membro torácico inclui a escápula, úmero, rádio, ulna, carpo, metacarpos e falanges. Esses ossos estão interligados por articulações que, ao lado dos músculos como o bíceps braquial e tríceps braquial, permitem uma vasta gama de movimentos necessários para a mobilidade. A escápula, por exemplo, conecta o membro ao tronco por meio de músculos, conferindo ao membro torácico grande flexibilidade e amplitude de movimento (PIZZIMENTI et al., 2016). Estudar em detalhes o membro torácico é essencial para a compreensão de diversas condições clínicas, desde fraturas ósseas até problemas musculares e articulares. Além disso, o conhecimento anatômico detalhado dessa região permite que o veterinário possa realizar intervenções cirúrgicas adequadas, tratamentos ortopédicos e reabilitação de animais com lesões ou doenças que afetam diretamente sua capacidade de locomoção. Portanto, o estudo detalhado do membro torácico complementa a análise da anatomia geral, fornecendo uma base sólida para diagnósticos e tratamentos relacionados ao sistema locomotor, reforçando a importância da dissecação como método de ensino e aprendizado na formação veterinária (PIZZIMENTI et al., 2016). A importância de realizar essa aula prática reside no fato de que, além de proporcionar uma compreensão tridimensional dos tecidos e órgãos, a dissecação ajuda os estudantes a desenvolverem habilidades práticas fundamentais para a atuação clínica veterinária. A visualização e manipulação direta das estruturas anatômicas são insubstituíveis para consolidar o conhecimento teórico. Segundo Bacha e Bacha (2000), a prática da dissecação permite aos alunos "internalizar a organização anatômica dos sistemas corporais de maneira mais eficiente, integrando conhecimento teórico e prático de forma simultânea". Além disso, é por meio dessas atividades que se aprende a identificar patologias, anomalias anatômicas e outras condições clínicas que podem afetar a locomoção e o desempenho dos animais. 2 OBJETIVO Compreender a anatomia das estruturas musculares do membro torácico de um felino, através da dissecação prática, seguindo o roteiro e as orientações fornecidas pelo professor. Identificar as principais articulações, ossos e músculos do membro torácico de um felino, observando suas funções e relações anatômicas durante o processo de dissecação prática. 3 MATERIAL E MÉTODOS Materiais utilizados: ● Material impresso; ● Felino (membro toracico) ● Lâmina de bisturi ● Cabo de bisturi ● Pinça anatômica ● Tesoura cirúrgica ● Jaleco branco ● Luva ● Mesa de trabalho A prática foi realizada no laboratório de anatomia, no dia 14 de setembro de 2024. Os alunos foram organizados em grupos de seis e dirigiram-se às bancadas de dissecação, onde estava disponível a estrutura física, sendo o membro torácico de um felino o objeto de estudo. Sob orientação do professor e utilizando o material impresso como guia, os alunos seguiram os seguintes passos: Preparação e Introdução: Os participantes vestiram jaleco e luvas para garantir condições de higiene e segurança. O professor forneceu instruções detalhadas sobre o procedimento e fez uma breve explicação das estruturas do membro torácico que seriam analisadas. Dissecação do Membro Torácico: Utilizando bisturi, pinça e tesoura cirúrgica, os alunos iniciaram a dissecação, expondo as estruturas musculares superficiais do membro torácico. Identificação das Estruturas: - Músculos Superficiais: Os principais músculos superficiais foram identificados e examinados, com a orientação do professor. - Nervos: Posteriormente, os alunos localizaram e identificaram os principais nervos presentes na região dissecada. - Vasos Sanguíneos: Os alunos prosseguiram com a identificação da veia e artéria principais do membro torácico. - Músculos Profundos: Após a análise das estruturas superficiais, foi realizada uma dissecação mais profunda, revelando os músculos das camadas internas do membro torácico, completando o estudo anatômico detalhado. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Para realizar os procedimentos experimentais, utilizou-se alguns instrumentos importantes para se atingir objetivo da prática, conforme figura 1. Figura 1: instrumentos utilizados para dissecação. Fonte: Autor, 2024. A dissecação do membro torácico de um felino permitiu uma análise detalhada das estruturas musculares, ósseas e vasculares, consolidando o conhecimento teórico e prático dos alunos. As observações realizadas durante a prática são consistentes com a literatura anatômica disponível, especialmente no que se refere à complexidade funcional dessa região. Na figura 2, observa-se o membro torácico com sua total visibilidade. Figura 2: Membro torácico felino. Fonte: Autor, 2024. Durante a dissecação, foi possível identificar comclareza os principais músculos superficiais do membro torácico, como o trapézio, deltóide e bíceps braquial, que desempenham funções fundamentais na movimentação e estabilização do membro anterior do felino (Evans & De Lahunta, 2013). Estes músculos estão envolvidos na flexão e extensão das articulações, e sua disposição anatômica permite uma amplitude de movimentos necessária para a locomoção eficiente. Após a remoção dos músculos superficiais, conforme figura 3, foram examinados os músculos profundos, como o tríceps braquial, que é essencial para a extensão da articulação do cotovelo. A dissecação mais profunda revelou a complexa interação entre os músculos, conforme figura 4 e 5, tendões e ligamentos, que garantem tanto a mobilidade quanto a estabilidade articular (König & Liebich, 2011). Figura 3: Músculos superficiais. Fonte: Autor, 2024. Figura 4: Músculos profundos. Fonte: Autor, 2024. Figura 5: Músculos profundos. Fonte: Autor, 2024. A inervação do membro torácico, fornecida principalmente pelo nervo radial, nervo ulnar e nervo mediano, foi identificada durante a dissecação. Estes nervos são responsáveis pela condução de estímulos motores e sensoriais, permitindo a coordenação dos movimentos e a percepção sensorial do membro. A localização e disposição desses nervos correspondem às descrições de Evans e De Lahunta (2013), reforçando a precisão do procedimento realizado, conforme figura 6. Figura 6: inervação membro torácico. Fonte: Autor, 2024. A vascularização, incluindo a identificação das principais artérias e veias, como a artéria axilar e a veia cefálica, foi observada, mostrando a importância dessas estruturas para o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao membro, conforme figura 7. A dissecação permitiu a visualização clara dessas vias vasculares, demonstrando a interdependência entre a estrutura muscular e o sistema circulatório, essencial para a manutenção da funcionalidade do membro (Dyce, Sack & Wensing, 2010). Figura 7: vascularização membro torácico. Fonte: Autor, 2024. Os resultados obtidos na prática corroboram a importância da dissecação no ensino da anatomia animal, especialmente no estudo detalhado do membro torácico. A identificação e manipulação direta das estruturas anatômicas proporcionam uma compreensão mais profunda do funcionamento biomecânico do felino. Além disso, a prática reforça a necessidade de conhecimento anatômico para diagnósticos clínicos, intervenções cirúrgicas e tratamentos ortopédicos que envolvem o sistema locomotor (Massari et al., 2018). O estudo do membro torácico é particularmente relevante para a Medicina Veterinária, uma vez que lesões nessa região podem comprometer significativamente a mobilidade e qualidade de vida dos animais. Portanto, o conhecimento adquirido com essa prática é fundamental para o manejo de condições clínicas relacionadas à locomoção, como fraturas, rupturas de ligamentos e disfunções neurológicas, destacando a importância de um ensino anatômico rigoroso e detalhado (Ghosh, 2017). Outras estruturas observadas durante a dissecação, foram as espículas, ou papilas filiformes, são estruturas queratinizadas presentes na língua dos felinos, sendo especialmente desenvolvidas em gatos, conforme figura 8. Elas conferem uma textura áspera à língua e desempenham um papel importante na alimentação e higiene. Essas papilas ajudam na captura e retenção de alimentos, além de serem usadas durante o processo de limpeza do pelo. Sua aparência áspera e rígida facilita a remoção de carne dos ossos, o que é crucial para os hábitos alimentares carnívoros dos felinos (Massari et al., 2018). Figura 8: Espicula língua. Fonte: Autor, 2024. Outra estrutura observada foi a epiglote é uma estrutura cartilaginosa localizada na parte superior da laringe, funcionando como uma válvula que impede a entrada de alimentos e líquidos nas vias aéreas durante a deglutição, conforme figura 9. Quando o felino ingere alimentos, a epiglote se abaixa para cobrir a abertura da traqueia, direcionando o material ingerido para o esôfago. Sua função é vital para evitar aspiração de alimentos e proteger os pulmões de substâncias estranhas (Massari et al., 2018). Figura 9: Epiglote. Fonte: Autor, 2024. Outra estrutura observada foi a traqueia é um tubo cilíndrico composto por anéis cartilaginosos que se estende da laringe até os brônquios, conforme figura 10. Sua principal função é permitir a passagem de ar para os pulmões. Os anéis de cartilagem mantêm a traqueia aberta e evitam seu colapso durante a respiração, garantindo um fluxo de ar contínuo e eficiente. Nos felinos, a traqueia é revestida por uma mucosa com cílios que auxiliam na remoção de partículas indesejadas, como poeira e microorganismos, que possam entrar durante a respiração (Massari et al., 2018). Figura 10: Traqueia. Fonte: Autor, 2024. Observou-se também o osso hióide é uma estrutura em formato de ferradura localizada na base da língua e suspensa pela musculatura circundante. Ele não se articula diretamente com outros ossos, mas serve como um ponto de ancoragem para vários músculos associados à deglutição, movimentação da língua e fala (no caso dos humanos). Nos felinos, o hióide é parte crucial do sistema de suporte da língua e contribui para a flexibilidade da região da garganta, sendo importante para o comportamento de vocalização e deglutição. (Massari et al., 2018). Figura 11: Hióide. Fonte: Autor, 2024. Observou-se também o osso temporal é uma parte do crânio que contém estruturas fundamentais, como o meato acústico externo (parte do canal auditivo) e o osso que protege o ouvido médio e interno, conforme figura 12. Nos felinos, o osso temporal é vital para a audição e o equilíbrio. Ele também se articula com a mandíbula, formando a articulação temporomandibular (ATM), que permite os movimentos de mastigação. Além disso, esse osso abriga partes do aparelho auditivo, responsáveis pela audição sensível dos felinos, que são capazes de captar sons de alta frequência (Massari et al., 2018). Figura 12: Osso temporal. Fonte: Autor, 2024. 5 CONCLUSÃO A realização da aula prática de dissecação do membro torácico de um felino proporcionou uma experiência essencial para o aprofundamento do conhecimento anatômico, particularmente no que diz respeito às estruturas ósseas, musculares e nervosas dessa região. A prática permitiu aos estudantes visualizar e manipular diretamente as estruturas anatômicas, o que facilitou a compreensão das relações entre os músculos, articulações, nervos e vasos sanguíneos, bem como suas funções no contexto do movimento e suporte do corpo. Através do uso de ferramentas como o bisturi, pinça e tesoura cirúrgica, foi possível realizar uma dissecação cuidadosa, permitindo a identificação detalhada tanto de músculos superficiais quanto de músculos profundos. Além disso, a prática destacou a importância de seguir protocolos rigorosos de dissecação, garantindo o máximo de preservação das estruturas anatômicas e promovendo um aprendizado eficiente. A conclusão desta prática reforça a importância da dissecação como uma ferramenta insubstituível no ensino de anatomia veterinária, complementando os conhecimentos teóricos e desenvolvendo habilidades clínicas cruciais para o exercício da profissão. A partir dessa experiência, os alunos adquiriram um entendimento mais profundo da anatomia do membro torácico, o que será fundamental na futura identificação de patologias e na execução de tratamentos clínicos e cirúrgicos relacionados ao sistema locomotor de pequenos animais. 6 REFERÊNCIAS CURY, F. S.; CENSONI, J. B.; AMBRÓSIO, C. E. Técnicas anatômicas no ensino da prática de anatomia animal. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 33, n. 5, p. 688-696, 2013. DYCE, K.M., SACK, W.O., & WENSING, C.J.G. Textbook of Veterinary Anatomy. 4ª ed. Philadelphia: Saunders, 2010. EVANS, H. E., & DE LAHUNTA, A. Miller's Anatomy of the Dog. 4ª ed. Elsevier, 2013. GHOSH, S. K. Cadaveric dissectionas an educational tool for anatomical sciences in the 21st century. Anatomical Sciences Education, v. 10, n. 3, p. 286-299, 2017. FERGUSON, K. J. Dissection and dissection-associated required experiences improve student performance in gross anatomy: differences among quartiles. Anatomical Sciences Education, v. 9, n. 3, p. 238-246, 2016. KÖNIG, H. E., & LIEBICH, H. G. Anatomia dos animais domésticos: texto e atlas colorido. 5ª ed. Artmed, 2011. MASSARI, C. H. A. L.; SCHOENAU, L. S. F.; CERETA, A. D.; MIGLINO, M. A. Tendências do ensino de anatomia animal na graduação de Medicina Veterinária. Revista de Graduação USP, v. 3, n. 2, p. 25-32, 2018. PIZZIMENTI, M. A.; PANTAZIS, N.; SANDRA, A.; HOFFMANN, D. S.; LENOCH, S.;