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Conteudista: Prof.ª Esp. Merly Lyssett Krauss Studzinski Revisão Textual: Prof.ª Dra. Luciene Oliveira da Costa Granadeiro Objetivo da Unidade: Conhecer os aspectos históricos, conceituais e teórico-filosóficos da visão sistêmica aplicada à saúde. ˨ Material Teórico ˨ Material Complementar ˨ Referências Introdução à Abordagem Sistêmica Aplicada à Saúde Ampliada e Multidimensional Introdução à Abordagem Sistêmica Aplicada à Saúde Ampliada e Multidimensional O que é saúde sistêmica? É o campo das práticas em saúde que olha para o indivíduo na sua integralidade e complexidade, seus sistemas vivos e meios em evolução e a relação de causa e efeito de vida, saúde e doenças, a partir de conhecimentos, práticas, entendimentos e percepções mais amplos, ou seja, um olhar para as práticas em saúde de forma ampliada, multidimensional e integrativa, com o propósito de facilitar uma prática de ajuda mais humana, funcional, leve e mais eficiente. Teoria dos Sistemas e a Construção do Pensamento Sistêmico 1 / 3 ˨ Material Teórico - HELLINGER, 2018 Importante! Isto é, a saúde sistêmica é uma forma de olhar para aquilo que é e se apresenta no campo de informações do interagente e seus sistemas, assim como os movimentos que provocam as doenças e sintomas a fim de facilitar a ajuda em busca de alívio, solução ou forma de aprender a conviver melhor com aquilo que não pode ser, de imediato ou de alma forma, mudado. Vamos entender um pouco mais da abordagem sistêmica da saúde, compreendendo a teoria dos sistemas e o pensamento sistêmico! “Saúde quer dizer que estamos em harmonia com tudo o que pertence ao nosso corpo e com o que está à nossa volta.” As questões históricas e os antecedentes podem até parecer, às vezes, maçantes, porém, são necessários e fundamentais para se entender a construção do pensamento ao qual se quer chegar, pois, depois de tudo, “aquilo que veio antes influência, determina e resulta no que vem depois” (SHELDRAKE, 2013, p. 13). O ser humano – homem – é o principal objeto de estudo desta matéria, nos seus mais diversos vieses, e é por esse motivo que se torna necessária a mensura ao histórico da evolução dos estudos sobre o homem. Assim sendo, é importante destacar que os pensamentos e estudos sobre o homem passam por correntes, como o vitalismo, o misticismo, o determinismo e, posteriormente, o probabilismo (TEIXEIRA, 2000). E saber disso para quê? Simplesmente porque aquele que procura ajuda é um ser humano (o interagente), que carrega um conjunto de sistemas, suas histórias e percepções deles. Nessa construção de pensamentos sobre o homem, destacam-se os conhecimentos de que temos notícia, na cultura suméria, na cultura celta e na filosofia grega e egípcia. Na era cristã, o percurso vai desde o paradigma escolástico da Idade média, o renascentista, o mecanicista e determinista, o da teoria da relatividade e da mecânica quântica para, posteriormente, ir até o do surgimento da Teoria Geral dos Sistemas ou do paradigma holístico (UHLMANN, 2002). A Teoria Geral dos Sistemas e Teoria dos Sistemas têm origem e desenvolvimento de forma não homogênea, entre altos e baixos, nas diversas áreas do conhecimento. Dessa forma, da mão da complexidade, foram se disseminando algumas dessas áreas influenciadas e influenciadoras, a biológica, as exatas, a física, a cibernética a administração, e a comunicação, dentre outras. Os antecedentes a serem ressaltados, a partir Capra e Luisi (2014), são: Livro CAPRA, F.; LUISI, P. L. A visão sistêmica da vida: uma concepção unificada e suas implicações filosófica, políticas, sociais e econômicas. São Paulo: Cultrix, 2014. O vitalismo (visão fragmentadora, intestável e reducionista de ver o homem e a vida, com fundamento mais na fé do que na ciência); O mecanicismo ou a visão mecanicista do mundo (organismos vivos e fenômenos da vida são reduzidos e explicáveis como meras maquinas físico-químicas, podendo se explicar o todo a partir do estudo de suas partes); O mecanicismo ou a visão mecanicista do mundo (organismos vivos e fenômenos da vida são reduzidos e explicáveis como meras maquinas físico-químicas, podendo se explicar o todo a partir do estudo de suas partes); A visão mecanicista da vida, a medicina mecanicista, células, moléculas e os genes (modelo biomédico, onde a pessoa saudável funcionava perfeitamente como uma máquina bem-feita, ignorando influências não biológicas em processos biológicos); A Teoria dos Campos Mórficos – Rupert Sheldrake Rupert Sheldrake foi o biólogo, bioquímico e parapsicólogo inglês que contestou as ideias das leis imutáveis e eternas da natureza e o reducionismo de explicar os organismos vivos a partir de processos meramente físico-químicos. Figura 1 – Rupert Sheldrake Fonte: Reprodução Para Sheldrake (2013), novas leis podem surgir com a complexidade dos fenômenos. E a regularidade da natureza evolui no universo e não resulta da imposição de um reino transcendente. Os acontecimentos dependem do que aconteceu antes, e a natureza tem uma memória intrínseca que se transmite “por um processo chamado de ressonância mórfica, que atua em campos chamados de campos mórficos”. (SHELDRAKE, 2013, p. 6). O mecanicismo social, as ciências sociais, o keynesianismo, as ciências sociais cartesianas (ampliação e aplicação da mecânica newtoniana ao estudo da sociedade humana); Até, enfim, chegar ao surgimento do organicismo ou holismo e, a partir dele, chegar ao surgimento da ideia sistêmica (com previsões testáveis). Trocando Ideias... E, afinal, o que é campo morfogenético? E campo mórfico? Os campos morfogenéticos são estruturas ou campos não físicos, que transcendem tempo e espaço, sem perder intensidade e são responsáveis pela informação da forma, organização e o comportamento de todos os sistemas existentes no mundo material, “em todos os níveis de complexidade”, no âmbito da Biologia, na Química e Física. O campo mórfico tem uma relação de gênero espécie com o campo morfogenético, que “inclui todos os tipos de campos que têm uma memória inerente dada pela ressonância mórfica de sistemas similares anteriores” (SHELDRAKE, 2013, p. 28; p. 160). Dessa forma, são campos mórficos os campos morfogenéticos, os campos motores, os campos comportamentais e os campos sociais. Sheldrake (2013) explica, na morfogênese, a possibilidade de aprimoramento das teorias mecanicista, vitalista e organicista. Defende a ideia lamarckista de herança de características adquiridas, explica como a epigenética coloca em cheque as ideias darwinianas e neodarwinistas de que os genes são passados sem modificação dos progenitores para as proles, exceto em casos de raras mutações. Para Sheldrake, 2013, p. 28; p. 160) “a herança epigenética também se dá em seres humanos. Até mesmo efeitos de inanição e doenças podem ecoar através de gerações”. Segundo o mesmo autor, “os campos morfogenéticos influenciam a forma, os campos motores organizam o movimento, os campos comportamentais influenciam o comportamento e os campos sociais organizam sociedades, (etc.)” (SHELDRAKE, 2013, p. 151). Todos esses campos mórficos “têm uma memória inerente dada pela ressonância mórfica”. Assim, inclusive as nossas memórias dependem de ressonância mórfica (memória inerente à natureza) e, dessa forma, não são “vestígios materiais de memorias armazenadas em nosso cérebro” como sustentado pelas ideias mecanicistas (SHELDRAKE, 2013, p. 15). Outra diferença gritante nesse sentido do mecanicismo é que os campos morfogenéticos mudam à medida que os sistemas a eles relacionados mudam (SHELDRAKE, 2013, p. 34). Um exemplo nesse ponto, na doutrina das constelações familiares, que serão vistas a seguir, é que o sistema e os campos mudam por meio de agentes, exemplos desses agentes de mudanças são os chamados excluídos e os chamados buscadores. E para que estudar os campos mórficos e morfogenéticos? A resposta é bem singela, porque neles está contida toda a estrutura informacional dos agrupamentos a que chamamos de sistemas. Ou seja, estudando sobre essas informações destes “sistemas”, podemos entender características causais de forma, conteúdo e interações das partes contidas nesses agrupamentos. E estas informações são de suma importância para direcionar de forma mais assertiva tratamentos para reestabelecer o equilíbrio, diante de desequilíbrios que provocam crises, distúrbios, sintomas e doenças que afetam o bem-estar e a saúde dos interagentes que chegam ao consultório do naturólogo em busca de ajuda. A Constelação Familiar Sistêmica – Bert Hellinger Não é possível se falar em teoria e pensamento sistêmico sem abordar o movimento de maior abrangência da atualidade, no campo da ajuda: as constelações familiares sistêmicas. Figura 2 – Bert Hellinger Fonte: Reprodução O pensamento sistêmico e as constelações familiares se expandem aproximadamente na década de 1990, como movimento de conhecimentos, práticas, entendimentos e olhar para as relações humanas, seus sistemas e leis a serviço da evolução e perpetuação da vida. Nos seus moldes atuais, o movimento sistêmico tem como maior expoente Bert Hellinger, filósofo, teólogo, pedagogo, e psicoterapeuta alemão, antigo missionário religioso, que foi paulatinamente moldando seus conhecimentos e percepções a partir da fenomenologia de um conjunto e sucessão de modelos terapêuticos anteriores a ele. Ou seja, Bert Hellinger organiza conhecimentos preexistentes sobre as relações humanas e os seus sistemas para que, desse movimento e sua prática, surjam a expansão mundial das constelações familiares e o conhecimento sistêmico hoje existentes. Para Bert Hellinger, a constelação familiar “não foi um conhecimento que caiu do céu”, mas foi uma sucessão de conhecimentos e percepções facilitados nos primórdios “essencialmente pela teoria do script”. Para Bert, a constelação familiar “não se trata de um método terapêutico, mas sim de uma ajuda para a vida” (HELLINGER, 2020, p. 129). E qual o propósito de se estudar as constelações? Em linhas gerais esta resposta acompanha as anteriores. O ser humano vive por meio de relações e interações e são elas que influenciam e são influenciadas pelos sistemas nos quais, pelos quais e para os quais o ser humano se desenvolve e vive. De acordo e dependendo da abordagem, crença do interagente e método de estudo empregado pelo profissional da ajuda, são exemplos desses sistemas: No corpo (o sistema digestório, respiratório, musculo esquelético, circulatório, nervoso, linfático, excretor etc.); Na individualidade (necessidades, buscas e valores); Antropologia – Uma Breve Mensuração A Antropologia como ciência é um ramo das ciências humanas sociais, que constitui uma das bases da naturologia, da mão da medicina tradicional chinesa e o xamanismo, ela é uma ciência que faz essa conexão com as ciências sociais com o intuito de entender a construção e conformação e estrutura da humanidade, por vários vieses: físico, histórico e cultural. A fim de cumprir com o propósito dessa ciência, os cientistas antropólogos se apoiam na Arqueologia e estudos sobre as antigas culturas e sociedades. A intelectualidade, a linguagem, a cultura, a ciência, os costumes, hábitos, a racionalidade são objetos de estudos para atingir os fins dessa ciência, e é por esse motivo que essa mensuração é importante em este contexto, já que esta visão abrangente pode ser usada como uma ferramenta útil e promissora no exercício de uma prática profissional de assistência e ajuda, sistêmica e integrativa para o profissional da naturologia e das diversas correntes e ramos da saúde (LANZ, 2007, p. 15; TEIXEIRA, 2000, p. 311). Na família (de origem e a família posteriormente constituída); No trabalho ou profissão (a empresa); Nas interações sociais e culturais etc. (escola, clube, igreja, associações e grêmios); No país e continente; Na humanidade; Como ser cósmico. Figura 3 – Rudolf Steiner Fonte: Wikimedia Commons A Antroposofia é uma cosmociência teórico-prática fundada em fatos verificáveis, estruturada por Rudolf Steiner, que estuda de forma consciente o ser humano, para além das ciências comuns, naturais e sociais. A Antroposofia estuda o homem como ser pensante, que possui durabilidade nos seus sentimentos e considera para eles o causalismo, tem como faculdade mental a memória, tem capacidade de resistir aos seus instintos e desassociar-se do meio externo, e de agir segundo escolha livre seus comportamentos segundo os seus valores morais, éticos e culturais. Nos estudos antroposóficos, essas características são as apontadas como principais fatores que diferenciam ao ser humano dos animais não racionais. Mas não são somente essas considerações sobre o homem que tornam esta menção importante aos nossos estudos, mas também o fato de a Antroposofia considerar o homem em diversos aspectos: Esse espectro de considerações para o estudo do ser humano permite, também, um leque de opções muito úteis para o exercício de uma prática integrativa e sistêmica. Principais Aspectos Teórico-Filosóficos da Abordagem Sistêmica em Saúde São pressupostos da teoria geral dos sistemas e da abordagem sistêmica: Conceitos Importantes Corpo físico: base material da existência que permite a sua interação no mundo concreto; Corpo etérico: fornece condições para a vida, pensamento, memória e faculdades; Corpo astral: capta as impressões dos outros corpos, o que permite a inter-relação entre o pensamento e a realidade; O eu: a verdadeira “enteléquia”, centro do indivíduo como ser; A alma: difere da corporalidade do EU, é a ligação entre esse EU e o mundo. Possui três aspectos: a alma sensível, a alma do intelecto e a alma consciência. A busca pelas descobertas e estudos sobre os organismos vivos e não vivos, o mundo físico e não físico por meio da integração das ciências; O reconhecimento da existência de sistemas organizados hierarquicamente, cujas propriedades devem ser entendidas na totalidade, integralidade, inter-relação e interdependência e não por estudos isolados das partes; O estudo e avaliação das organizações na sua totalidade, nas suas partes interligadas e nas variáveis internas e externas que influenciam os sistemas. Sistema: são módulos ou estruturas, autorregulados e organizados de elementos, que se relacionam entre si, interatuam e se influenciam; Ambiente: é o conjunto de elementos e estruturas que não fazem parte do sistema, mas que, de alguma; Autorregulação: é a capacidade de um sistema encontrar e manter o equilíbrio, gerir-se internamente, conhecer-se, controlar-se e organizar-se internamente; Comunicação – feedback: é a capacidade de um sistema, por meio de mecanismos próprios, de obter informação interna e externamente; Homeostase: é o equilíbrio do sistema em virtude da sua adaptação interna e ao ambiente; Homeostase: é o equilíbrio do sistema em virtude da sua adaptação interna e ao ambiente; Entropia: é a deterioração do sistema; Trocando Ideias... Afinal, com base nesses conteúdos, é possível dizer quem sou eu como ser humano integrado e visto de forma sistêmica? Concorda que poderíamos dizer eu sou a consequência do conjugado das minhas dinâmicas relacionais e conteúdos internos e externos”? Ou seja, eu sou: o que somos materialmente (as minhas partes e suas relações) e o que resulta das nossas relações com isso e com o que está fora e suas influências e próprias relações e a nossa percepção de tudo isso. A ideia de “eu”, “como persona” tem muitas facetas e dimensões, visto que a ideia e conceito de “eu” para cada indivíduo depende da percepção, valoração, conteúdo e consciência dos elementos acima citados e nem Sintropia (ou Entropia Negativa): é a força contrária à entropia que permite a manutenção da existência do sistema; Excluídos: são os agentes afastados, marginalizados ou esquecidos de um sistema; Buscadores: são os agentes que ousam ou se atrevem a quebrar padrões na procura de novas informações para um sistema; Lealdades invisíveis: são os padrões de conexões possíveis entre os agentes de um sistema e o comportamento, escolhas ou circunstâncias que resultam da obediência a essas informações dentro de um sistema (destinos, comportamentos, relações e dinâmicas familiares. (HAUSNER. S. Constelações familiares e o caminho da cura: abordagem da doença sob a perspectiva de uma medicina integral, 2010. p. 11); Aqui, cabe destacar a palavras de Carl Jung sobre o vínculo entre os membros de um sistema familiar: “Quando trabalhei com as arvores genealógicas, compreendi a estranha comunhão de destinos que me ligava a meus antepassados”. (JUNG, C. G. In: HELLINGER, B. Meu trabalho. Minha vida., p. 131.); Emaranhados: são os desequilíbrios nos sistemas provocados por uma transgressão a uma lei sistêmica. As desordens nas leis são os emaranhamentos. A consciência de clã influencia todos os membros de um sistema familiar e, em muitos casos, provoca que um membro da família replique inconscientemente o destino de um ancestral (repetição de padrão). São exemplos de emaranhamentos: as doenças, dificuldades nos relacionamentos, problemas com as finanças, fracassos profissionais, sofrimentos etc. (GAZONI, 2019, p.24); Compensação arcaica: é o mecanismo automático e imediato de um sistema familiar, na busca de reestabelecer o equilíbrio diante de uma transgressão que provoca um desequilíbrio no sistema. sempre daquilo que verdadeiramente é de fato. Além disso, a vida, a história e conteúdo interno têm, também, dimensões: o eu pessoal, o eu familiar, o eu social, o eu humano e o eu transcendental. A vida se manifesta, mantêm-se e se perpetua nos movimentos, percebemos que algo tem vida quando vemos que se move. E o movimento na vida dos seres se materializa nas suas relações e inter-relações. Nós nos relacionamos com tudo – nós, seres humanos, como aglomerados intra e inter-relacionais de substâncias orgânicas e inorgânicas, o que está dentro e o que está fora, o meio, e de tudo isso com as suas funcionalidades, influências, interações, adaptações e resultados. E é por esses motivos que a função de conhecer e ajudar a um ser humano na manutenção e perpetuação da vida e ajudar a manter a sua qualidade é uma tarefa tão complexa, abrangente e importante e que exige compromisso, dedicação e responsabilidade. Em exemplos concretos, na prática de uma constelação familiar sistêmica, vários campos de força se manifestam e desdobram e, da mesma forma, manifesta-se, também, a ressonância de todos os campos morfogenéticos existentes. Assim, o primeiro movimento dos representantes que se apresenta no campo, nessas práticas, revela normalmente, uma “compensação arcaica” em que a pessoa está presa. Uma vez que esse movimento tenha mostrado os conflitos e desequilíbrios existentes, derivados das infrações às leis do sistema, o movimento de resolução pode entrar em ação. Isto é, o sistema tem uma autorregulação e fatores externos podem provocar modificações para que novas informações sejam trazidas para ajudar a reestabelecer a homeostase no sistema. Essa “cura” depende do grau de consciência da pessoa que estiver participando da prática, que permite ou não tomar a força de cura do movimento e concordar com tudo como é e se mostra no campo informacional. Assim, os primeiros movimentos representam o seguimento aos padrões, muitas vezes, trazidos à tona, já em resultado a algum desequilíbrio, esse movimento é inerente ao campo (ressonância mórfica), produz o sofrimento que conhecemos e que são consequência das transgressões das ordens do amor (leis de autogestão, intrínsecas e inerentes ao sistema). Isto é, é a dinâmica da “compensação arcaica” (entropia). Já o movimento de resolução (sintropia) é orientado para a cura, para a vida, é a conexão com uma energia em movimento, energia de amor que vem de fora (comunicação além do sistema) e faz uma força de cura fluir na constelação através de um movimento de reconciliação. Neste exemplo, a heterostase é o olhar do excluído, no movimento de culpa, para trazer novos conteúdos e cura para o sistema ao que pertence. Abordagem da Saúde Ampliada e Multidimensional do Processo Vida-Saúde- Doença Em Síntese Então, revisando, na prática: quem somos nós? Poderíamos dizer que somos um conjunto de sistemas dinâmicos, intra e interligados e integrados. Capra e Luisi (2014), na visão sistêmica, sugerem padrões fundamentais de auto-organização e emergência nas três dimensões, integradas numa visão unificadora (mente e consciência, ciência e espiritualidade e vida, mente e sociedade) do macro e do micro. A visão unificadora da vida tem sentido em virtude de que as nossas vidas têm a ver com sistemas vivos, por isso é tão indispensável a mudança da visão mecanicista para a visão sistêmica. Essa nova visão não tem tido ampla aceitação da medicina científica atual, isso a pesar dos avanços decorrentes em Farmacologia, Biomedicina, técnicas cirúrgicas etc. Por outro lado, a visão sistêmica e integrativa da saúde e da cura tem tido ampla aceitação no público e na mídia, como uma estrutura paralela. Assim, também, vivemos, atualmente, uma crise visível na assistência à saúde em virtude da generalizada insatisfação e na parte da Biomedicina ainda arraigada no pensamento cartesiano, pelo fato de se limitarem, muitas vezes, a entender os mecanismos de operação das doenças para interferir neles, e não olharem para as causas e condições que as promovem e levam a elas (CAPRA; LUISI, 2014, op. cit. p, 400). De encontro à visão mecanicista, para Capra e Luisi, a abordagem sistêmica “amplia o âmbito a partir dos níveis dos órgãos e células para a pessoa inteira”, essa ampliação se estende também, “para o corpo e para a mente do paciente, bem como (para) suas interações com um ambiente natural e social particular” (CAPRA; LUISI, 2014, p. 400). Essa abordagem ampliada e sistêmica permite aos profissionais de ajuda na saúde uma melhor compreensão e manejo do fenômeno da cura, muitas vezes, desconsiderado no âmbito científico. Essa “desconsideração” acontece mesmo reconhecendo, muitas vezes, que a cura é parte fundamental na prática do ajudador em saúde. E qual seria o motivo? É que esse é um fenômeno que não pode ser entendido a partir de uma abordagem antiquada e meramente mecanicista da saúde (CAPRA; LUISI, 2014, p. 400). Saúde e Doença (Para um estudo mais aprofundado sobre a saúde sistêmica, sugere-se a pesquisa indicada por Hausner (2010, p. 10). A partir de todos os pressupostos acima colocados, surgem questionamentos necessários para que o naturólogo possa olhar de forma sistêmica e integrativa para o seu interagente. Alguns exemplos desses questionamentos são citados a seguir, com o intuito de auxiliar no tão mencionado “olhar ampliado”. Dessa forma, o estudante de Naturologia poderá começar a se familiarizar com essas concepções de forma concreta e prática no olhar para o seu interagente: Reflita Questionamentos sobre a saúde e doença de acordo com a visão sistêmica: “De onde vem a cura? O que levou a ela? Ela está no corpo? Ela está na alma? Ela está no espírito? De onde veio o necessário para a cura? A doença e a cura vêm, no final, do espírito” (HELLINGER, 2014, p. 3). Quem é? Como são as suas relações? Como se relaciona com o seu corpo? E com o meio? Como respira? Come? Movimenta-se? Repousa? Como está física e quimicamente? O que pensa, sente e percebe sobre si e sobre tudo isso? Qual a sua queixa principal? Quais seus conflitos? Quais seus sintomas? Como se manifesta? Desde quando? Onde começou? Como e quando se manifestam? Quais são os seus valores? O que o alimenta em todos os sentidos? O que pensa? O que sente? O que intenciona? Como age? Como se vê e como se mostra? Como se percebe e como se relaciona com tudo isso? Qual é o seu sistema representacional predominante? Quanto conhece e sabe lidar com isso? E quanto sabe sobre tudo isso? Quem está no teu sistema? Onde você se encontra? Qual o teu lugar na tua família? Como se sente? Como se relaciona com eles e com cada um? Como se sente sobre isso? Quais são os seus valores? Como foi e como é a sua história? Qual a sua linguagem? Conceitos e preconceitos? Como se relaciona com a sociedade onde vive? Tem grupos sociais? Como se relaciona com eles? Como se sente e percebe a respeito? Quais as suas convicções? Como se relaciona com isso e sobre isso? Como se relaciona com a sua cultura? Sociedade? Quais as suas crenças? Como se relaciona com elas? Como se relaciona com os outros em virtude delas? Como se relaciona com elas? Tem religião? Pratica? Como é a sua espiritualidade? Como pratica? Como se sente com isso? Como isso te afeta? Como isso se reflete na tua vida? Como isso se reflete ou influencia a vida dos outros? E as consequências disso internamente? Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros A Visão Sistêmica da Vida: uma Concepção Unificada e suas Implicações Filosóficas, Políticas, Sociais e Econômicas CAPRA, F.; LUISI, P. L. A Visão Sistêmica da Vida: Uma Concepção Unificada e suas Implicações Filosóficas, Políticas, Sociais e Econômicas. São Paulo: Cultrix, 2014. Filmes Beleza Oculta Divertida Mente 2 / 3 ˨ Material Complementar Beleza Oculta - Trailer O�cial (leg) [HD] Divertida Mente Trailer 2 18 de Junho nos Cinemas https://www.youtube.com/watch?v=fSbMvWW_BBE https://www.youtube.com/watch?v=LSpeM7G4zfY Divertida Mente - Trailer 2 - 18 de Junho nos Cinemas https://www.youtube.com/watch?v=LSpeM7G4zfY CAPRA, F.; LUISI, P. L. A visão sistêmica da vida: uma concepção unificada e suas implicações filosófica, políticas, sociais e econômicas. São Paulo: Cultrix, 2014. DE RIBES, B. Constelar la enfermedad desde las comprensiones de Hellinger y Hamer. Madrid: Gaia Ediciones, 2011. FIRACE, T. Imensa vida: a valsa da família. Uma visão sistêmica de nossas vidas. 5. ed. Belo Horizonte: Abrindo as velas, 2015. GAZONI, L. M. Curso de formação em constelação familiar sistêmica. Joinville: Instituto Namaskar, 2019. GRAÇA, M. H. Constelações familiares com bonecos: e os elos de amor que vinculam aos ancestrais. 3. ed., Rev. e atual. Curitiba: Juruá, 2018. HAUSNER, S. Constelações familiares e o caminho da cura. Cultrix: São Paulo, 2010. HELLINGER, B.; HÖVEL, G. T. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor. Conversa sobre emaranhamentos e soluções. São Paulo: Cultrix, 2007. ________. A cura: tornar-se saudável, permanecer saudável. Atman: Belo Horizonte, 2014. ________. A fonte não precisa perguntar pelo caminho: Um livro de consulta. Belo Horizonte: Atman, 2018. ________. , B. Meu trabalho. Minha vida. A autobiografia do criador da Constelação Familiar. São Paulo: Cultrix, 2020. ________. , B. No centro sentimos leveza: conferências e histórias. 2. ed, 8. Reimp. São Paulo: Cultrix, 2006. ________. , B. Ordens da ajuda. Patos de Minas: Atman, 2005. ________. , B. Ordens do amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. São Paulo: Cultrix, 2007. LANZ, R. Noções básicas de antroposofia. 8. ed. São Paulo: Antroposófica, 2007. SHELDRAKE, R. 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