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FILIPE RAMOS OLIVEIRA
COISA JULGADA SOBRE 
QUESTÕES PREJUDICIAIS
LIMITES OBJETIVOS E SUBJETIVOS
 
 
Londrina/PR
2021
Diagramação e Capa: Editora Thoth
Revisão: Maria Rita Zacché
Editor chefe: Bruno Fuga
Coordenador de Produção Editorial: Thiago 
Caversan Antunes
Diretor de Operações de Conteúdo: Arthur 
Bezerra de Souza Junior 
Dados Internacionais de Catalogação na 
Publicação (CIP)
Índices para catálogo sistemático
1. Direito Processual Civil : 341.46 
Proibida a reprodução parcial ou total desta obra 
sem autorização. A violação dos Direitos Autorais é 
crime estabelecido na Lei n. 9.610/98. 
Todos os direitos desta edição são reservados 
pela Editora Thoth. A Editora Thoth não se 
responsabiliza pelas opiniões emitidas nesta obra por 
seus autores. 
© Direitos de Publicação Editora Thoth. 
Londrina/PR.
www.editorathoth.com.br
contato@editorathoth.com.br
Oliveira, Filipe Ramos. 
Coisa julgada sobre questões 
prejudiciais: limites objetivos e 
subjetivos / Filipe Ramos Oliveira. – 
Londrina, PR: Thoth, 2021.
488 p.
Bibliografias: 465-488
ISBN 978-65-5959-186-2
1. Direito Processual Civil. 2. Coisa Julgada. 
I. Título.
CDD 341.46 
SOBRE O AUTOR
FILIPE RAMOS OLIVEIRA
Doutorando em Direito Processual Civil pela Universidade de São 
Paulo (USP), Mestre em Direito Processual e Graduado em Direito pela 
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). E-mail para contato: 
filipero@gmail.com
NOTA DO AUTOR E 
AGRADECIMENTOS
Este livro é a versão comercial da dissertação que apresentei como 
conclusão do mestrado em Direito Processual na Universidade Federal do 
Espírito Santo. O trabalho foi produzido sob a orientação do Prof. Dr. 
Marcelo Abelha e aprovado, em sessão pública, pela banca formada pelos 
Professores Dr. Thiago Siqueira, Dr. Heitor Sica e Drª. Clarisse Leite.
A partir das indagações feitas pelos arguidores, pontos daquele 
trabalho receberam maior desenvolvimento, acrescentando-se algumas 
passagens em resposta às questões formuladas. Foram integralmente 
mantidas, porém, as premissas, a linha argumentativa e as conclusões da 
dissertação.
Outras tantas alterações são fruto do próprio amadurecimento do 
trabalho e, em certo sentido, da quarentena a que todos fomos submetidos 
em boa parte de 2020: não fosse publicado, o texto continuaria a mudar, 
como mudamos todos nós.
Afirmar que trabalhos como este são obras coletivas é um lugar-
comum do qual é impossível fugir, pois é uma verdade bastante significativa. 
Os agradecimentos, portanto, são muitos e cobririam páginas e páginas para 
que fossem minimamente justos. Em prol da concisão, deixo de lado essa 
pretensão, correndo o risco da injustiça.
Cinco pessoas, porém, devem vir em primeiro lugar, porque foram 
essenciais para que a dissertação ganhasse uma versão comercial: meu 
orientador, Prof. Dr. Marcelo Abelha Rodrigues, que acompanhou cada 
passo da pesquisa com atenção, paciência e o carinho que é sua marca; a 
Prof. Dra. Clarisse Leite, que, com generosidade imerecida de minha parte, 
continuou a debater o trabalho, incentivando, também, meu ingresso no 
doutorado; o Prof. Dr. Thiago Siqueira, que, sendo uma autoridade no 
assunto, cedeu-me “seu tema”, incendivando-me a todo momento; o Prof. 
Carlos Frederico Pereira, amigo que nunca deixou de insistir para que eu 
buscasse a publicação da dissertação; e, finalmente, Daniela Bermudes Lino, 
que conhece este trabalho tanto quanto eu e foi minha primeira arguidora.
Além desses cinco, agradeço, especialmente ao Prof. Dr. Heitor Sica, 
que avaliou o trabalho com rigor e honestidade intelectual, provocando 
reflexões posteriormente adicionadas ao texto final. Suas provocações 
ainda me inquietam e servem de estímulo à continuidade de meus estudos.
Também sou imensamente grato ao Prof. Dr. Flávio Cheim Jorge, 
pelas contribuições que deu ainda durante o mestrado, o constante apoio e 
o gentil convite para que eu o assistisse em disciplinas da graduação, pós-
graduação e em projetos de extensão, particularmente, na preparação dos 
alunos que tanto orgulharam a UFES nas edições da Competição Brasileira 
de Processo.
Escrever uma monografia é algo que não se faz sem amigos, 
especialmente aqueles que passam pela mesma provação. Por isso, seja pelas 
discussões, pelos desabafos ou pelo consolo nos dias difíceis, agradeço aos 
amigos Hector Cavalcante Chamberlain, Vinícius Sant’Anna, Brígida Roldi 
Passamani, Paulo Sato, Sara Miranda e Guilherme Thompson.
Dedico este trabalho a minha família. Leila, Marcelo, Clara e Cléber, 
vocês são tudo o que importa para mim.
Agradeço, por fim, ao meu querido Leopoldo, que, agora, como estava 
no dia em que comecei a escrever, dorme ruidosamente sob a escrivaninha, 
fazendo muito por mim, mesmo sem saber de nada.
Vitória, julho de 2021.
APRESENTAÇÃO
Com enorme honra e alegria, apresento ao público a obra de Filipe 
Ramos Oliveira intitulada Coisa julgada sobre questões prejudiciais: limites objetivos 
e subjetivos. Um belo edifício da ciência processual.
Tive a fortuna de ser convidada pelos Professores Thiago Siqueira e 
Marcelo Abelha, seu orientador, para a banca de exame da dissertação de 
mestrado de Filipe, defendida perante a Universidade Federal do Espírito 
Santo. 
Vitória é minha cidade natal e, embora tenha estudado e me 
estabelecido em São Paulo, sempre tive grande afeição e admiração pela 
Escola Capixaba de Direito Processual. Integrar aquela banca, de que 
também participou o querido e admirado amigo Professor Heitor Sica, era 
já para mim motivo de enorme satisfação.
Satisfação ainda maior porque, depois de ter estudado o tema da 
prejudicialidade em minha própria dissertação de mestrado, tinha a 
oportunidade retomar o estudo em profundidade da matéria, após a 
alteração legislativa, por meio da pesquisa e das ideias de Filipe.
Na construção que nos apresenta, Filipe vale-se de matéria-prima 
de primeira qualidade, apoiando-se em rica bibliografia. A partir dela, 
começa passando em revista o sempre desafiador tema da coisa julgada. A 
segurança da edificação requer fundações sólidas. 
Filipe mostra-nos como as teorias material e processual da coisa 
julgada trabalharam, ambas, com a conjugação de fenômenos diversos – 
eficácia e estabilidade –, cuja identidade própria veio a ser iluminada por 
Liebman. Explica o desenvolvimento que o instituto teve entre nós e deixa 
clara a sua posição acerca do conceito de coisa julgada em nosso sistema: 
“situação jurídica produzida em razão do trânsito em julgado de uma decisão judicial, 
caracterizada pela proibição de modificação do conteúdo decisório”.
Como quem finca pilares sólidos, Filipe lança as bases para a 
compreensão do regime da coisa julgada sobre a solução das questões 
prejudiciais, examinando as diversas formas com que os Códigos de 1939 
e de 1973 lidaram com os limites objetivos da coisa julgada e com a regra 
da congruência, a conectar a demanda, o objeto do processo, o decisum e os 
limites objetivos da coisa julgada. 
Passa então a expor as ideias sobre o regime especial da coisa julgada, 
que se forma sobre a solução de questões prejudiciais, em contraposição 
ao regime comum, em que a estabilidade se limita ao objeto da decisão. Ao 
fazê-lo, amarra afirmações como se amarram vergalhões. Este é daqueles 
trabalhos em que, logo após anotar uma crítica, encontramos, no parágrafo 
seguinte ou no rodapé, a resposta para aquilo que pensávamos ser uma 
ponta solta. Filipe amarra-as todas.
Sobre essa estrutura segura, vem a alvenaria. Filipe deixa claro que 
os requisitos dos §§ 1º e 2º do art. 503 do Código de Processo Civil dizem 
respeito à formação da coisa julgada, e não à validade da decisão. E defende 
a adoção de critérios objetivos na interpretação dos complexos requisitos, 
limitando propositalmente o alcance da novidade em prol da segurança 
jurídica.
Adota então a posição de que o “regime especial da coisa julgada, não se 
explicando como ampliação do objeto do processo ou do objeto de julgamento, devede Mesquita. Notas a respeito do regime jurídico das obrigações 
solidárias e seus reflexos sobre os limites subjetivos da coisa julgada. In: Revista de 
Processo, vol. 239, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015
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2012
LEITE, Clarisse Frechiani Lara. Evicção e processo. São Paulo: Saraiva, 2013
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LEONEL, Ricardo Barros. Causa de pedir e pedido: o direito superveniente. São Paulo: 
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dos Tribunais, 2010
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LIEBMAN, Enrico Tullio. Ancora sulla sentenza e sulla cosa giudicata. In: Rivista 
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In: Rivista di diritto processuale, vol. XXII, s. II. Padova: CEDAM, 1967, p. 539-542
LIEBMAN, Enrico Tullio. Embargos do executado: oposições de mérito no processo de 
execução. 2ª ed., São Paulo: Saraiva, 1968
LIEBMAN, Enrico Tullio. Eficácia e autoridade da sentença e outros escritos sobre a coisa 
julgada. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1981
LIEBMAN, Enrico Tullio. Ainda sobre a sentença e a coisa julgada. In: Eficácia 
e autoridade da sentença e outros escritos sobre a coisa julgada. 2. ed., Rio de Janeiro: 
Forense, 1981, p. 170-192
LIEBMAN, Enrico Tullio. Efeitos da sentença e coisa julgada. In: Eficácia 
e autoridade da sentença e outros escritos sobre a coisa julgada. 2. ed., Rio de Janeiro: 
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COISA JULGADA SOBRE QUESTÕES PREJUDICIAIS
limites objetivos e subjetivos
476
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COISA JULGADA SOBRE QUESTÕES PREJUDICIAIS
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13-23ser 
compreendido como uma expansão dos limites da coisa julgada para além daqueles, 
a abarcar, portanto, elementos da fundamentação (questões incidentais, em suma), aos 
quais o legislador decidiu conferir relevância externa ao processo”.
Liebmaniano, reconhece a distinção entre eficácia e estabilidade, mas 
acompanha a proposta doutrinária que vê no art. 503 a ampliação tanto da 
área coberta pela coisa julgada como do conteúdo preceptivo das decisões 
de mérito. Aqui temos uma boa discordância, que ensejou reflexão, debates e 
crescimento recíproco. Demonstrando maturidade incomum, Filipe recebe 
com serenidade a crítica e com ela dialoga. É o que faz de sua construção 
não apenas sólida, mas extremamente rica e agradável.
Ao final do percurso, Filipe converte-se em arquiteto. Cria, com 
sobriedade e elegância, o regime da coisa julgada sobre a solução de 
questão prejudicial para muito além do que até então se ocupara a 
doutrina, demonstrando como a matéria deverá ser enfrentada no processo 
subsequente. Nessa tarefa, vale-se de profundo conhecimento sobre os 
limites objetivos da coisa julgada no regime comum, aplicando-os ao regime 
especial, com o cuidado e as adaptações necessárias. E constata, de forma 
perspicaz, que a estabilização das questões prejudiciais pode servir a prestar 
tutela jurisdicional mais ampla ao réu, funcionando como “eficaz contrapeso 
à opção política traduzida na adoção da substanciação e da tríplice identidade como 
referências para a identificação de demandas”.
Como disse em sua banca, esta é, sem dúvida, uma das melhores 
dissertações de mestrado que já li. E, como são as boas construções 
doutrinárias, também a de Filipe serviu-me de base para seguir, eu mesma, 
construindo. Sou extremamente grata pelo aprendizado adquirido a partir 
da pesquisa e das ideias de Filipe, e, mais ainda, pelo diálogo acadêmico que 
entre nós se estabeleceu. 
Parabéns, Filipe Ramos Oliveira. Parabéns à Escola Capixaba de 
Direito Processual, que recebe, entre seus notáveis e queridos membros, 
o também notável e querido Filipe. Em especial, parabéns aos Professores 
Marcelo Abelha e Thiago Siqueira, pela orientação e apoio na pesquisa. 
E parabéns à Editora Toth, por enriquecer seu acervo com essa bela e 
importante obra da ciência processual.
Clarisse Frechiani Lara Leite
Doutora em Direito Processual Civil pela Universidade de São 
Paulo.
PREFÁCIO
Foi com muita honra que recebemos o convite de Filipe Ramos 
Oliveira para prefaciar o presente livro, versão comercial da dissertação 
com a qual o autor conquistou o título de mestre junto ao Programa de 
Pós-Graduação em Direito Processual da UFES.
Embora já conhecêssemos Filipe há anos – o primeiro prefaciador, 
por ter sido seu professor no curso de Graduação da em Direito da UFES, 
e o segundo por ter sido seu contemporâneo na faculdade -, não podemos 
esconder a grata surpresa que foi a participação do autor no Mestrado.
Desde as primeiras aulas, Filipe demonstrou inúmeras qualidades, 
todas elas refletidas no livro ora prefaciado.
Antes de tudo, o autor possui uma capacidade analítica singular, o 
que permite a discussão dos mais diversos temas com profundidade e com 
foco nos problemas que efetivamente precisam ser enfrentados.
Era nítida, ainda, a preocupação do autor em estudar de forma 
profunda cada um dos temas propostos nas disciplinas, com especial atenção 
à leitura dos processualistas clássicos que ajudaram a formar o arcabouço 
teórico necessário ao entendimento de cada instituto. Com isso, Filipe pôde 
agregar uma sólida base em direito processual à igualmente sólida base em 
teoria do direito que já demonstrava possuir. 
Todos esses atributos permitiam ao autor transitar com segurança 
entre os vários assuntos colocados em discussão durante as aulas e questionar, 
com maturidade, as lições tradicionalmente repetidas pela doutrina.
Não foi à toa que, em uma geração de ótimos alunos de nosso 
Mestrado, que produziu excelentes dissertações, Filipe tenha sido destaque 
absoluto, tornando-se uma clara referência positiva para seus colegas. Não 
temos receio de arriscar afirmar que o autor foi, sem dúvidas, um dos 
alunos mais marcantes com os quais já tivemos a felicidade de conviver no 
PPGDIR.
A todos esses notáveis predicados do autor enquanto estudioso do 
direito processual, somam-se, ainda, grandes qualidades como tirocínio, 
dedicação e raciocínio lógico invulgares. Não bastasse, Filipe sempre 
agiu de forma cordial e respeitosa com seus colegas e professores, sendo 
companhia agradável e querida no seio acadêmico, ainda que seus pontos 
de vista pudessem ser diferentes dos que estavam sendo discutidos. Ínsito 
em si o respeito à democracia e à divergência de opiniões. Tem inteligência 
para extrair das diferenças os pontos que aprimoram seu pensamento.
Com todas essas qualidades, fizemos questão de convidar o autor 
para atuar como nosso assistente nas disciplinas que temos ministrado no 
Mestrado desde que ele concluiu o curso. Hoje, mais do que um ex-aluno, 
Filipe é, mesmo que informalmente, nosso Colega na Universidade, além 
de um caríssimo amigo dentro e fora dela.
Todas essas virtudes, como dissemos, estão refletidas na obra ora 
prefaciada.
Como é de conhecimento de todos os que se aventuram no estudo 
do processo civil, o tema escolhido – limites objetivos da coisa julgada - 
não poderia ser mais desafiador. Trata-se de assunto clássico, mas sempre 
atual, que passou por relevantíssima mudança com o advento do Código de 
Processo Civil de 2015.
Como costuma ocorrer com temas clássicos, a bibliografia disponível 
a respeito da coisa julgada é verdadeiramente inesgotável. São inúmeros os 
livros, artigos e verbetes de consulta obrigatória para quem deseja estudar 
o tema de forma séria, o que torna grande o desafio de escrever uma 
monografia a seu respeito.
O desafio, porém, foi cumprido com maestria por Filipe: a leitura 
do trabalho demonstra o desenvolvimento de pesquisa ampla e profunda 
a respeito da coisa julgada, com análise exauriente da doutrina nacional e 
estrangeira, clássica e contemporânea, a respeito do tema.
Chama a atenção, ainda, a desenvoltura com a qual o trabalho trata 
de outros institutos além de seu objeto central, sempre que necessário 
para desenvolver algum aspecto relevante referente aos limites objetivos 
da coisa julgada: temas como objeto do processo, princípio da demanda, 
litisconsórcio e prejudicialidade são abordados de forma precisa e profunda, 
com base em excelente pesquisa.
O trabalho foi estruturado em cinco capítulos.
No primeiro deles, o autor estabelece premissas a respeito da 
coisa julgada, necessárias para que, adiante, possa tratar de seus limites 
objetivos. São analisadas, assim, as mais relevantes teorias já desenvolvidas 
para explicar a coisa julgada, justificando, o autor, sua adesão às ideias de 
Barbosa Moreira. Ainda no primeiro capítulo, Filipe expõe algumas noções 
fundamentais a respeito da distinção entre coisa julgada formal e material, 
sobre seus efeitos positivos e negativos e, ainda, sobre seus limites subjetivos.
Já no segundo capítulo, o livro trabalha a relação – essencial para o 
entendimento do tema – entre demanda, objeto do processo, objeto da 
decisão e coisa julgada. Assim, após revisitar a forma pela qual os limites 
objetivos da coisa julgada eram tratados nos Código de Processo Civil de 
1939 e 1973, o autor demonstra que, no sistema atualmente vigente, há um 
duplo regime em relação aos requisitos necessários à formação da coisa 
julgada, que varia conforme se trate de elementos analisados na decisão 
de mérito em caráter principal (“regime comum”) ou em caráter incidental 
(“regime especial”).
Cada um desses regimes, então, é analisado nos dois capítulos 
seguintes: no terceiro capítulo, é estudada a coisa julgada em seu regime 
comum, ou seja, a coisa julgada que se forma sobre o julgamento das 
demandas deduzidas pelas partes. Já no quarto capítulo, são estudados 
os requisitos necessáriosà formação da coisa julgada sobre as questões 
prejudiciais incidentais, que constituem seu regime especial.
Finalmente, o quinto e último capítulo é dedicado a estudar aquilo 
que Filipe denomina de “operatividade” da coisa jugada sobre a questão 
prejudicial incidental. Primeiramente, examina a competência para a decisão 
a respeito da formação de coisa julgada no regime especial, bem como a 
forma por meio da qual deve ocorrer a referida decisão.
Em seguida, o autor desenvolve as projeções da coisa julgada 
formada sobre as questões prejudiciais incidentais sobre os demais aspectos 
da coisa julgada, buscando explicar como atuam, neste caso, suas funções 
negativa e positiva, sua eficácia preclusiva e seus limites subjetivos. Em que 
pese a qualidade de todo o livro, não poderíamos deixar de destacar que, 
a nosso ver, é nestes últimos tópicos que reside a maior das contribuições 
do trabalho, que desenvolve de forma verdadeiramente inédita, e com 
admirável criatividade, as referidas projeções.
Com todos estes predicados, não foi surpresa que a dissertação ora 
vertida em livro tenha sido aprovada com distinção em banca formada por 
estes dois prefaciadores, e pelos professores Heitor Vitor Sica e Clarisse 
Frechiani Lara Leite, autores de importantes trabalhos a respeito dos temas 
aqui abordados. A bem da verdade, como manifestaram alguns dos membros 
da banca naquela ocasião, o trabalho é uma das melhores dissertações que já 
tivemos a oportunidade de examinar.
Por todas essas razões, parabenizamos Filipe e a Editora Toth pela 
publicação, que certamente deverá se tornar referência obrigatória no 
estudo da coisa julgada entre nós. Trata-se, como verá o leitor, de obra 
fundamental para a compreensão de um tema fundamental.
A melhor notícia, porém, é que este é apenas o primeiro livro 
publicado por Filipe, que recentemente ingressou no Programa de Pós-
Graduação em Direito Processual da Universidade de São Paulo para cursar 
o Doutorado. Considerando todas as qualidades do presente trabalho, e as 
características pessoais do prefaciado, podemos afirmar que são grandes as 
expectativas com o que está por vir.
Marcelo Abelha Rodrigues
Thiago Ferreira Siqueira
Professores de Direito Processual Civil nos cursos de Graduação e Mestrado da 
Universidade Federal do Espírito Santo.
 
 SUMÁRIO 
SOBRE O AUTOR .......................................................................................................7
NOTA DO AUTOR E AGRADECIMENTOS .....................................................9
APRESENTAÇÃO .....................................................................................................11
PREFÁCIO ..................................................................................................................15
INTRODUÇÃO ..........................................................................................................25
CAPÍTULO I
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES ACERCA DA COISA JULGADA ..31
1.1 Introdução, limites e objetivos do capítulo ........................................................31
1.2 Coisa julgada: em busca de elementos para uma definição .............................32
1.2.1 Teorias materiais .................................................................................................33
1.2.2 O deslocamento do estudo da coisa julgada do direito material para o 
processual ......................................................................................................................38
1.2.3 Teorias processuais .............................................................................................39
1.2.4 Coisa julgada como eficácia da declaração .....................................................41
1.2.5 A teoria de Enrico Tullio Liebman: a separação entre a coisa julgada e a 
eficácia da sentença ......................................................................................................44
1.2.6 Críticas de Enrico Allorio..................................................................................48
1.2.7 Crítica de Barbosa Moreira e sua proposta para aperfeiçoamento da 
definição: a coisa julgada como imutabilidade do conteúdo da sentença ...........50
1.2.8 A crítica de Ovídio Baptista e o diálogo com Barbosa Moreira..................52
1.2.9 Balanço das concepções de Ovídio Baptista e Barbosa Moreira ................53
1.3 Adesão à teoria de Barbosa Moreira, definição de coisa julgada, coisa julgada 
material e suas funções ................................................................................................55
1.3.1 A coisa julgada é um fenômeno de direito processual..................................55
1.3.2 A coisa julgada é uma situação jurídica ...........................................................57
1.3.3 Coisa julgada material e coisa julgada formal .................................................61
1.3.4 Funções negativa e positiva da coisa julgada ..................................................67
1.4 Limites subjetivos da coisa julgada .....................................................................71
CAPÍTULO II
O DUPLO REGIME DE FORMAÇÃO DA COISA JULGADA NO CPC/2015 
E SUA RELAÇÃO COM O ENCADEAMENTO LÓGICO ENTRE A 
DEMANDA E OS LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA...............81
2.1 Introdução, limites e objetivos do capítulo ........................................................81
2.2 Primeira aproximação: demanda, objeto do processo, objeto da decisão ou do 
julgamento, conteúdo da decisão e limites objetivos ..............................................82
2.3 Limites objetivos da coisa julgada: do CPC/1939 ao CPC/2015 ..................85
2.3.1 A confusa disciplina dos limites objetivos no CPC/1939 ............................85
2.3.2 A precisão do CPC/1973 e o fim da controvérsia ........................................88
2.3.2.1 A ação declaratória incidental no CPC/1973..............................................89
2.3.3 O duplo regime de formação da coisa julgada no CPC/2015 ....................92
2.4 Demanda, dispositivo decisório e coisa julgada ................................................94
2.4.1 Regra da congruência: correlação entre a demanda e a decisão de mérito 96
2.4.2 Objeto da decisão de mérito e limites objetivos da coisa julgada no regime 
comum: a coisa julgada recai sobre o dispositivo independentemente de sua 
incongruência ............................................................................................................ 103
2.4.2.1 Excurso: ainda assim, a importância da demanda e da vontade das partes 
para os limites objetivos da coisa julgada................................................................109
2.4.3 Objeto da decisão de mérito e coisa julgada: a quebra da relação entre 
dispositivo decisório e os limites objetivos da coisa julgada .............................. 111
CAPÍTULO III
CONTEÚDO DA DEMANDA E LIMITES OBJETIVOS DA COISA 
JULGADA NO REGIME COMUM ................................................................... 121
3.1 Introdução limites e objetivos do capítulo ..................................................... 121
3.2 Identificação da demanda e do objeto do processo: critérios para delimitação 
do objeto de julgamento .................................................................................................. 122
3.2.1 Tríplice identidade, elementos objetivos da demanda e objeto do 
processo.......................................................................................................................126
3.2.2 Objeto do processo e objeto da cognição do juiz ...................................... 127
3.2.3 Objeto do processo e pretensão processual: pedido identificado pela causa 
de pedir ....................................................................................................................... 133
3.2.4 Pedido ................................................................................................................ 141
3.2.5 Causa de pedir ..................................................................................................149
3.2.5.1 Causa de pedir: entre a substanciação e a individualização .................... 151
3.2.5.2 Causa de pedir, substanciação e a indisponibilidade do direito objetivo..158
3.2.5.3 Causa de pedir, iura novit curia e a relatividade dos fatos essenciais .......160
3.2.5.4 Causa de pedir e limites objetivos da coisa julgada em seu regime comum 
de formação.................................................................................................................166
3.2.6 Da (ir)relevância da defesa na delimitação do objeto do processo .......... 167
3.2.7 Objeto do processo e sua estrutura mínima................................................ 184
3.3 Limites objetivos e eficácia preclusiva da coisa julgada ................................ 189
3.4 Conclusão parcial: limites objetivos da coisa julgada no regime comum ... 202
CAPÍTULO IV
REGIME ESPECIAL: LIMITES OBJETIVOS E PRESSUPOSTOS DE 
FORMAÇÃO DA COISA JULGADA SOBRE A RESOLUÇÃO DE 
QUESTÕES PREJUDICIAIS INCIDENTAIS ................................................. 205
4.1 Introdução, objetivos e limites do capítulo ..................................................... 205
4.2 Regime especial: críticas à rigidez do sistema do CPC/1973 e a experiência 
estrangeira ................................................................................................................. 206
4.2.1 A crítica ao pensamento de Chiovenda e à coisa julgada limitada ao 
dispositivo decisório ................................................................................................. 207
4.2.2 A experiência estadunidense da issue preclusion ........................................ 212
4.2.3 Síntese conclusiva ............................................................................................ 225
4.3 Regime especial: considerações preliminares ................................................. 227
4.3.1 Requisitos da formação da coisa julgada ou de validade da decisão? ...... 227
4.3.2 Eficácia da solução de questões incidentais e coisa julgada ...................... 230
4.3.2.1 Questões incidentais e eficácia constitutiva................................................233
4.3.2.2 Questões incidentais e eficácia condenatória............................................244
4.3.2.3 Da exequibilidade da declaração incidental................................................245
4.3.2.4 Síntese: questões incidentais e eficácia da decisão....................................246
4.4 Panorama geral dos requisitos .......................................................................... 248
4.4.1 A segurança jurídica como cânone interpretativo: cognoscibilidade, 
confiabilidade e calculabilidade do regime especial de formação da coisa 
julgada..........................................................................................................................249
4.5 Requisitos intrínsecos ......................................................................................... 256
4.5.1 Prejudicialidade jurídica: a questão prejudicial ............................................ 257
4.5.2 Questão incidental: ausência de pedido (mesmo implícito)......................... 275
4.5.3 Decisão expressa: negação do julgado implícito ......................................... 279
4.5.4 Questão de cuja resolução dependa o mérito (art. 503, §1º, I) ................. 289
4.5.5 Questão prejudicial autônoma: a aptidão para ser objeto de um processo.297
4.5.5.1 Coisa julgada sobre questão preponderantemente de fato ou de direito..300
4.6 Requisitos extrínsecos ........................................................................................ 311
4.6.1 Questão sobre a qual tenha havido contraditório prévio e efetivo em 
processo em que não tenha havido revelia (art. 503, §1º, II) ............................. 312
4.6.1.1 Questão afirmada por uma das partes sobre a qual tenha havido 
contraditório prévio e efetivo...................................................................................312
4.6.1.2 Matérias cognoscíveis de ofício e o cumprimento do requisito do art. 503, 
§1º, II, do CPC/2015.................................................................................................326
4.6.1.3 Ausência de revelia (art. 503, §1º, II)..........................................................331
4.6.1.4 Síntese conclusiva e proposta para exame do requisito: resistência na 
primeira oportunidade................................................................................................335
4.6.2 Competência para solução da questão incidental como se “principal” fosse 
(art. 503, §1º, III) ....................................................................................................... 336
4.6.3 Impossibilidade de formação de coisa julgada sobre questões prejudiciais 
incidentais cuja análise tenha sido impedida, em sua plenitude, por restrições 
probatórias ou limitações à cognição ..................................................................... 339
4.7 Excurso: reflexos do regime especial sobre o sistema processual ............... 350
4.7.1 A ação declaratória incidental persiste no CPC/2015? .............................. 350
4.7.2 Regime especial e relações entre demandas: um olhar sobre o conflito 
prático entre decisões estáveis ................................................................................. 352
4.7.3 Regime especial e interesse recursal .............................................................. 359
4.7.4 Regime especial e litisconsórcio necessário ................................................. 366
4.8 Conclusões parciais ............................................................................................ 382
CAPÍTULO V
OPERATIVIDADE DA COISA JULGADA SOBRE QUESTÃO 
PREJUDICIAL INCIDENTAL: EXAME DE SUA FORMAÇÃO E 
OBJEÇÃO DE COISA JULGADA ..................................................................... 385
5.1 Introdução, limites e objetivos do capítulo ..................................................... 385
5.2 Regime especial e uma necessária releitura da atuação da coisa julgada .... 386
5.2.1 Funções negativa, positiva e eficácia preclusiva da coisa julgada ............. 386
5.3 A objeção de coisa julgada: a coisa julgada como fato jurídico ................... 388
5.4 Competência e forma do exame da formação de coisa julgada no regime 
especial ........................................................................................................................ 395
5.4.1 Dinâmica da objeção de coisa julgada ou de sua suscitação de ofício.......407
5.5 O exame da existência de coisa julgada no regime especial: conteúdo ...... 421
5.5.1 Limites objetivos da coisa julgada sobre questão incidental ..................... 424
5.5.1.1 Limites objetivos no regime especial e função negativa da coisa julgada..430
5.5.1.2 Limites objetivos no regime especial: eficácia preclusiva da coisa julgada, 
função negativa e positiva.........................................................................................432
5.5.2 Coisa julgada sobre questão prejudicial incidental e limites subjetivos da 
coisa julgada ............................................................................................................... 445
5.6 Coisa julgada sobre questões prejudiciais incidentais e ação rescisória ...... 450
CONCLUSÕES ........................................................................................................ 459
BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................... 465
INTRODUÇÃO 
 
O objetivo deste trabalho é analisar o regime especial de formação da 
coisa julgada no Código de Processo Civil de 2015. 
Para tanto, explicita-se, desde já, o corte metodológico que 
restringe esta pesquisa ao estudo das decisões de mérito proferidas no 
módulo cognitivo do processo civil individual e contencioso. Põem-
se de fora, portanto, considerações acerca de decisões de inadmissão da 
demanda; as proferidas na execuçãoou no cumprimento de sentença; no 
processo penal; em processos de natureza coletiva; em controle abstrato 
de constitucionalidade; e em sede de jurisdição voluntária. A análise da 
intersecção do regime especial com cada um desses temas demandaria a 
prévia incursão em peculiaridades que mereceriam estudos monográficos, 
sob pena de muito se perder em profundidade e objetividade.
O estudo do tema deste trabalho deve partir, necessariamente, do 
confronto entre a ambiguidade do Código de Processo Civil de 1939 e 
a precisão do Código de Processo Civil de 1973. Uma das pretensões de 
Buzaid era um código com rigor científico capaz de superar as polêmicas 
havidas sob o CPC/1939, dentre as quais se destacava, justamente, a que 
recaiu sobre os limites objetivos da coisa julgada. Para alcançar esse objetivo, 
o CPC/1973 restringiu, de forma clara, a coisa julgada ao dispositivo das 
decisões de mérito, consagrando, na lei, o pensamento de Chiovenda1. 
Essa opção legislativa, porém, permitia que todos os fundamentos 
decisórios fossem novamente examinados em processos futuros, mesmo 
quando, por sua estrutura e relação com o dispositivo, constituíssem-se em 
questões prejudiciais daquelas que, por vontade das partes, poderiam ser 
objeto de uma demanda declaratória incidental2.
1. CHIOVENDA, Giuseppe. Sobre la cosa juzgada. In: Ensayos de derecho procesal civil – T. III. 
Buenos Aires: EJEA, 1932, p. 203-204. Para a referência à pretensão de Alfredo Buzaid, 
são conhecidas as palavras da Exposição de Motivos do projeto apresentado em 1972: “Um 
Código de Processo é uma instituição eminentemente técnica.”. 
2. BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Limites objetivos da coisa julgada no sistema do novo 
código civil. Temas de direito processual. São Paulo: Saraiva, 1977, passim; FABRÍCIO, 
Adroaldo Furtado. A ação declaratória incidental. Rio de Janeiro: Forense, 1976, p. 92-93.
COISA JULGADA SOBRE QUESTÕES PREJUDICIAIS
limites objetivos e subjetivos
24
O passar dos anos fez acumularem-se críticas à restrição da coisa 
julgada ao dispositivo, construindo-se, especialmente a partir do sistema 
processual dos Estados Unidos da América, propostas ampliativas3 que, ao 
fim, inspiraram a disciplina dos limites objetivos no CPC/2015.
A partir da comparação com o CPC/1973, pode-se chamar de 
especial o regime de formação da coisa julgada previsto no art. 503, §§1º e 
2º, do CPC/2015: recai sobre um objeto distinto – as questões prejudiciais 
solucionadas na motivação da decisão – e apenas quando presentes requisitos 
específicos.
A coisa julgada, segundo a disciplina do CPC/2015, forma-se, 
portanto, segundo dois regimes diferentes: o comum – cujos contornos são 
os mesmos desde o CPC/1973 – e o especial.
Dentre diferentes caminhos teóricos pelos quais se poderia explicar 
o regime especial, optou-se por seu estudo à luz da teoria do objeto do 
processo, o que se justifica ante a percepção de que, ao contrário do 
que defendem muitos processualistas4 e do que possa indicar um exame 
superficial, a formação da coisa julgada sobre a solução de questões 
prejudiciais, por não corresponder a um pedido (uma demanda), não 
amplia o objeto do processo ou o objeto da decisão5.
A inovação, portanto, constitui-se em uma quebra do encadeamento 
lógico que ligava a demanda à decisão e aos limites objetivos da coisa 
julgada, o que, se não é uma novidade absoluta, era muito raro antes do 
CPC/2015.
A adoção dessa premissa decorre de duas teses de doutorado, 
principais influências deste trabalho. A primeira, de Bruno Vasconcelos 
3. É célebre o ensaio de Taruffo em que se põe a criticar o pensamento de Chiovenda e louvar 
o sistema dos EUA (TARUFFO, Michelle. “Collateral estoppel” e giudicato sulle questioni - 
p. I. In: Rivista di diritto processuale, vol. XXVI. Padova: CEDAM, 1971; TARUFFO, Michelle. 
“Collateral estoppel” e giudicato sulle questioni - parte II. In: Rivista di diritto processuale, 
vol. XXVII, s. II, Padova: CEDAM, 1972). Embora não cuide especificamente do sistema 
brasileiro, esse ensaio muito influenciou o modo como as críticas se construíram no Brasil e, 
mais recentemente, na própria interpretação da inovação legislativa. No Brasil, veja-se, com 
proveito: CABRAL, Antonio do Passo. Coisa julgada e preclusões dinâmicas: entre continuidade, 
mudança e transição de posições processuais estáveis. 3. ed. Salvador: JusPodivm, 2018, p. 184 e ss.
4. É o que defendem, a partir de diferentes premissas, duas relevantes monografias, versões 
comerciais de teses de doutoramento, que tomaram o regime especial de formação da coisa 
julgada como objeto: SILVA, Ricardo Alexandre da. A nova dimensão da coisa julgada. São 
Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019, p. 227-230; CAVALCANTI, Marcos de Araújo. Coisa 
julgada & questões prejudiciais: limites objetivos e subjetivos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2019, 
p. 379-380.
5. Isso foi bem percebido por Dinamarco (DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de 
direito processual civil - vol. III. 8ª ed., São Paulo: Malheiros, 2019, n. 1.142, p. 293), que tanto 
contribuiu para a compreensão do objeto do processo em seu artigo, que é referência 
no tema: DINAMARCO, Cândido Rangel. O conceito de mérito em processo civil. In: 
Fundamentos do processo civil moderno - Vol. I. 5ª ed., São Paulo: Malheiros, 2002, p. 232-273.
25
• FILIPE RAMOS OLIVEIRA
Carrilho Lopes6, antecipou boa parte das discussões que surgiram com o 
regime especial no CPC/2015 e representa um primeiro olhar à possibilidade 
de formação de coisa julgada sobre a solução de questões na motivação. A 
segunda, de Thiago Ferreira Siqueira7, é posterior ao novo código e firmou 
as bases para a compreensão da interação entre o objeto do processo, a 
prejudicialidade entre questões e o regime especial.
Não se trata de uma opção arbitrária, senão da percepção de que 
é a melhor forma de compatibilizar o princípio dispositivo – o conjunto de 
garantias da liberdade dos sujeitos antes, durante e depois do processo8 – e 
a eficiência que se quer imprimir ao sistema com a ampliação da área coberta 
pela coisa julgada.
Isso porque, voltando-se o regime especial à imutabilização de 
questões que não correspondem, senão indiretamente, aos pedidos 
formulados, essa inovação legislativa acaba por reduzir o controle que as 
partes exercem sobre os destinos do processo e, particularmente, sobre os 
limites objetivos da coisa julgada.
Some-se a isso a criação de uma série de requisitos cumulativos 
como pressupostos da formação de coisa julgada no regime especial e, com 
clareza, percebe-se que o CPC/2015 impõe séria insegurança aos limites da 
coisa julgada9, não se podendo antecipar quais serão, no momento em que 
se ajuíza uma demanda.
Essa incerteza no ato de ajuizamento prolonga-se, de forma inevitável, 
durante todo o processo e projeta-se para além dele, reproduzindo-se nos 
processos futuros, em que existência de coisa julgada sobre um determinado 
elemento constitua questão essencial para o julgamento do mérito, seja 
porque o impede, seja porque influencia seu conteúdo.
Segundo se pretende demonstrar, toda essa incerteza pode ser 
contrabalanceada pela percepção de que a formação de coisa julgada sobre 
questões prejudiciais incidentais é um subproduto do processo judicial, que 
continua preordenado à produção de uma resposta aos pedidos das partes, 
isto é, à apreciação do mérito10. 
6. LOPES, Bruno Vasconcelos Carrilho. Limites objetivos e eficácia preclusiva da coisa julgada. São 
Paulo: Saraiva, 2012.
7. SIQUEIRA, Thiago Ferreira. Limites objetivos da coisa julgada: objeto do processo e questões prejudiciais. 
Salvador: Juspodivm, 2020.
8. A influência, nesse ponto, é de Rodrigo Ramina de Lucca, que tratou do princípio dispositivo 
em sua tese de doutoramento: LUCCA, Rodrigo Ramina de. Disponibilidade processual: a 
liberdade das partes no processo. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019.
9. Preocupação que se vê muito claramente em: LUCCA, Rodrigo Ramina de. Os limites 
objetivosda coisa julgada no novo código de processo civil. In: Revista de processo, vol. 252, 
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016, p. 79-110.
10. LOPES, Bruno Vasconcelos Carrilho. O conteúdo da sentença e os limites objetivos e 
subjetivos da sua eficácia e da coisa julgada. In: Estudos de direito processual civil em homenagem 
COISA JULGADA SOBRE QUESTÕES PREJUDICIAIS
limites objetivos e subjetivos
26
Três são, por isso, os objetivos deste trabalho: (a) confirmar a premissa 
de que o regime especial não se explica como uma ampliação do objeto do 
processo e da decisão; (b) conferir uma interpretação segura aos requisitos 
de formação da coisa julgada no regime especial, recuperando o valor do 
princípio dispositivo como garantia de segurança; (c) estudar a forma como 
o exame da formação de coisa julgada sob o regime especial se insere em 
processos futuros.
Para atingir esses objetivos, o trabalho é dividido em cinco capítulos.
No Capítulo I, reconstruiu-se a definição de coisa julgada, suas funções 
e limites subjetivos, tomando por guias a monografia de Liebman11, seus 
desdobramentos, as críticas e os aprimoramentos que sofreu, especialmente, 
a partir dos estudos de Barbosa Moreira12. Este capítulo, ao fim, é uma justa 
homenagem a esses gigantes, ombreados por Dinamarco, Celso Neves, 
Ovídio Baptista, Ada Pellegrini Grinover e Botelho de Mesquita.
No Capítulo II, após relembrar a disciplina dos limites objetivos da 
coisa julgada nos Códigos de Processo Civil de 1939 e 1973, estudou-se a 
relação entre o duplo regime criado pelo CPC/2015 e a regra da congruência, 
buscando-se firmar e confirmar a premissa de que o regime especial não se 
explica como uma ampliação do objeto do processo ou da decisão.
No Capítulo III, foi traçada a definição do objeto do processo, algo 
essencial a partir das premissas fixadas neste trabalho, afinal, a adoção de 
teorias mais amplas ou mais restritas quanto àquele resultam, inversamente, 
em uma redução ou aumento da massa de questões cuja solução pode se 
sujeitar ao regime especial. É, também, a partir das ideias firmadas a respeito 
da identificação das demandas segundo o pedido e a causa de pedir que, ao 
fim, buscou-se um critério seguro para que o mesmo se faça com a solução 
de uma questão prejudicial.
No Capítulo IV, foram analisados em detalhes os requisitos da 
formação de coisa julgada no regime especial, sempre à luz do princípio 
da segurança jurídica e do princípio dispositivo, fazendo-se, também, uma 
breve comparação com o sistema estadunidense do issue preclusion e, ao 
fim, um apanhado de alguns reflexos do regime especial sobre o sistema 
processual.
ao Professor José Rogério Cruz e Tucci. Coord: YARSHELL, Flávio Luiz [et al.]. Salvador: Jus 
Podivm, 2018, p. 93; SIQUEIRA, Thiago Ferreira. Limites objetivos da coisa julgada..., p. 385-
386; DINAMARCO, Cândido Rangel. Capítulos de sentença. 7ª ed., São Paulo: Malheiros, 2021, 
p. 39. 
11. Consultada para este trabalho, em sua segunda edição, na tradução de Alfredo Buzaid e 
Benvindo Aires, com comentários de Ada Pellegrini Grinover: LIEBMAN, Enrico Tullio. 
Eficácia e autoridade da sentença e outros escritos sobre a coisa julgada. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 
1981.
12. Particularmente: BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Ainda e sempre a coisa julgada. In: 
Direito processual civil (ensaios e pareceres). Rio de Janeiro: Borsoi, 1971, p. 133-146.
27
• FILIPE RAMOS OLIVEIRA
No Capítulo V, estudou-se a forma como a coisa julgada opera sobre 
processos do futuro, abordagem feita à luz da objeção de coisa julgada e seu 
objeto, com a atenção voltada ao regime especial e suas peculiaridades. 
Enfrentaram-se não apenas as dúvidas em relação a quem incumbe o exame 
do cumprimento dos requisitos do regime especial, mas, notadamente, 
os limites objetivos que confinam a solução de uma questão prejudicial, 
sua articulação com a eficácia preclusiva da coisa julgada, com os limites 
subjetivos de sua eficácia e da própria coisa julgada.
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limites objetivos e subjetivos
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