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TERAPIA AYURVEDA
AULA 1
Prof.ª Fabiana Rodrigues Mandryk
CONVERSA INICIAL
O AYURVEDA É CONSIDERADO UM CONHECIMENTO ETERNO, QUE SOBREVIVEU E SOBREVIVERÁ A TODAS AS TRANSFORMAÇÕES QUE O MUNDO PASSAR
Nesta aula, faremos uma viagem no tempo, no espaço e no conhecimento. Sob a ótica dessa visão, entenderemos de onde surgiu o Ayurveda e como ele perdura por meio do tempo sem estar obsoleto. Abordaremos sua base histórica, filosófica e sua aplicabilidade na vida contemporânea.
TEMA 1 – HÁ SETE MIL ANOS
As origens do Ayurveda são antiquíssimas, desenvolveu-se no final da Idade da Pedra na região do Vale do Indo, atual Paquistão. Com a movimentação natural das tribos, a Bacia do Ganges ganhou espaço e passou a abrigar todos os interessados em seguir e estudar a Tradição Védica.
1.1 O MUNDO NAQUELE TEMPO
A lendária terra das especiarias, pedras preciosas, pavões e sedas sempre ofereceu uma perspectiva sedutora para mercadores e conquistadores.
A condescendência dos indianos anuiu-lhes absorver influências do mundo exterior, preservando suas próprias particularidades culturais.
Assim, apesar das invasões de Genghis Khan e dos mongóis no século XIII, e da conquista de grande parte da Índia pelos Mongóis no século XVI, o Ayurveda se manteve como o antídoto favorito para a maioria das pessoas e até desfrutou de chancela igual ao de Unani Medicina árabe durante o reinado do imperador Akbar.
O Ayurveda trouxe profundidade de raciocínio pela base filosófica para o entendimento dos processos naturais da vida e isso possibilitou que artimanhas arcaicas de superstição caíssem por terra e adquirissem clareza. Após o despertar do empirismo e da razão, surgiram os textos do Ayurveda, clássicos, chamados Samhitas.
Séculos após séculos, esses documentos receberam as adaptações necessárias à realidade da população que acessava esse compêndio. A tradução literal do termo significa: povo, galera, mantida por Deus. A civilização do Vale do Indo é considerada uma das primeiras civilizações do mundo, surgiu por volta de 3300 a.C.
1.2 QUE PAÍS É ESTE?
A Índia abriga muitos mistérios ainda nos dias de hoje. Esses povos desempenharam um papel proeminente no comércio de especiarias e outros bens durante muito tempo.
Mantinham um porto cobiçado chamado Kerala, o Jardim das Especiarias da Índia, desde pelo menos 3000 a.C. A trajetória histórica da Índia se mistura com a história da humanidade. Certamente, a herança hindu desperta imenso encantamento e curiosidade a respeito do misticismo e da cultura nos ocidentais.
Eras de tradição, de uma raça que nutre os que dela se aproximam com algo muito particular, muito singular: a "Cultura do Sagrado". Segundo Feuerstein (p. 99, 2006), "vem da Índia a maior contribuição à espiritualidade mundial, inspirando inclusive muitas nações ocidentais, tão carentes nesse sentido".
Na apreciação ocidental sobre filosofia – hoje – percebemos a cisão entre metafísico e fé, na Índia, essa cisão nunca existiu. O que, de certa maneira, justifica tamanha admiração do Ocidente pelo Oriente, considerando que o homem guarnece uma tendência natural, uma carência de pertencimento a um grupo, especialmente quando há base na sacralidade da direção ao se relacionar com a espiritualidade.
Originalmente, essa região incluía, além da própria Índia, o que hoje é o Paquistão e o Afeganistão. Devemos perceber a Índia como um agrupamento de inúmeras culturas. Em meados do século XVIII, com a dissolução da Companhia das Índias Orientais, a Grã-Bretanha assumiu o controle do país.
Só foram “sobrepujados” pelos britânicos, todavia, a resistência contra esse domínio foi liderada por pessoas como Mahatma Gandhi a partir do século 19 e tudo isso ocorreu por uma série de fatores, incluindo legislação repressiva, subdesenvolvimento econômico e fome. A Índia conquistou sua independência em 1947 e hoje possui uma das maiores economias do mundo.
1.3 COMO ERA A VIDA NAQUELA REGIÃO HÁ SETE MIL ANOS?
Existe muita variação nas respostas que tangem a essa questão. A primeira visão, colonialista – data do séc. XIX. O maior linguista, orientalista e mitólogo alemão, Max Müller – defende que a civilização do Vale do Indo teria entrado em conflito com um povo nômade e bárbaro, chamado arianos védicos.
Esse suposto conflito teria acontecido por volta do século II a.C. e identificaram nessa região, o hinduísmo primitivo, ou Brahmanismo, segundo Renou (1979) citado por Tinoco (2005).
Em 1921, chegou a nós a ciência das descobertas de vestígios arqueológicos nas regiões de Mohenjo-Daro e Harappa, às margens do rio Indo, onde atualmente se situa o Paquistão. Isso fortaleceu a teoria, defendida por hindólogos, eruditos, estudiosos do oriente, entre eles, Feuerstein: a de que nunca houvera qualquer invasão de povos bárbaros.
Essa descoberta também contribuiu para elucidar que os arianos seriam também naturais da região do Vale do Indo e não nômades. Eram um povo de hábitos pacíficos e, por conta dessa característica, estabeleceram de forma natural e gradual a sua cultura a outros povos que por ali passavam.
O brahmanismo não seria, portanto, uma religião "clandestina", à margem da tradição védica, e o sânscrito já era a língua nativa local. Esse novo cenário permitiu inferir que a cultura védica sempre pertenceu à cultura ancestral da Índia e que os Vedas representam o que há de mais legítimo acerca das tradições espirituais existentes nessa região.
Os vestígios encontrados nas escavações desconstroem a teoria da existência de batalhas, ou de um processo de "descontinuidade" defendido anteriormente. Se não houve conflitos e se os povos convivem na região pacatamente, o que ocorreu foi uma constância, uma progressão instintiva na permuta cultural, alcançando a predominância de uma dessas culturas sobre as demais.
Segundo Aghorananda (2006), os grupos étnicos que formaram a Índia eram os aborígenes, classificados como proto-australoides, por volta de 7000 a.C.; quatro milênios depois, em aproximadamente 3000 a.C., o Vale do Indo era ocupado e explorado por uma civilização conhecida como dravídica.
Essa civilização deu origem às cidades do eixo do vale Indo-Sarasvati (os dois principais rios da região); Em 1800 a.C. se registra a chegada dos Arianos, não de uma só vez, mas em grupos que foram estabelecendo uma supremacia cultural e linguística (falavam o sânscrito) sobre as demais culturas.
Há muitas divergências entre as teorias, muita vanglória na interpretação dos textos que as sustentam; afinal, o que é mais importante para a humanidade? Datas exatas que satisfariam muito mais egos do que a ciência, ou os benefícios que essa cultura trouxe para o mundo ocidental?
1.4 E HOJE, COMO VIVEM OS INDIANOS?
A Índia está localizada no sul da Ásia e é o segundo país mais populoso e democrático do mundo. É banhada por água em três lados, com a Baía de Bengala a sudeste, o Oceano Índico a sul e o Mar da Arábia a sudoeste. Os países vizinhos incluem China, Nepal e Butão a nordeste, Paquistão a oeste e Bangladesh e Mianmar a leste. Várias das fronteiras do norte da Índia estão em disputa, com China e Paquistão reivindicando algum território.
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A Índia é o segundo maior país do mundo em população, com aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas e deve se tornar o mais populoso do mundo. Ele também tem a maior população de jovens e o maior número de indianos que vivem no exterior (15,6 milhões).
Também se estima que a Índia tenha mais de 2.000 grupos étnicos. Para fins governamentais, os grupos de pessoas são separados com base nas famílias linguísticas, com o povo dravidiano falando no sul da Índia e o indo-ariano falando no norte da Índia.
1.5 MÚSICA, DANÇA E DRAMA
A Índia tem uma variedade de estilos musicais diferentes, incluindo clássica, folclórica e popular. Os dois tipos principais de música clássica são Hindustani e Carnatic, esta também é conhecida por Raga e está relacionado ao sul da Índia e remontam aos Vedas (algumas das escrituras mais antigas da Índia). O estiloHindustani teve influências da Pérsia e Carnatic focado em composições védicas (samaveda e rgveda).
A veena (instrumento de cordas que é dedilhada), cítara (uma variação da veena), tabla (instrumento de percussão) e taus (instrumento de corda) são alguns dos instrumentos usados nesse tipo de música.
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Como todas as manifestações artísticas na cultura indiana, a música clássica desse país é considerada sagrada e se originou dos Devas e Devis (deuses e deusas hindus). Antigos postulados também descrevem a conexão da origem dos swaras, ou notas musicais, com os sons de animais e pássaros e as tentativas do homem em simular esses sons por meio de um delicado senso de observação e acuidade auditiva.
A Índia também possui uma próspera indústria de música contemporânea e é o lar de muitos estilos de dança, como clássica (dança Nritya sangam), folclórica e tribal e contemporânea (Bollywood). A dança é tão variada que a Sangeet Natak Akademi ("Academia Nacional de Música, Dança e Drama") reconhece oito estilos diferentes de dança clássica (tradicional). Um desses estilos é o Kathak, em que o dançarino representa as histórias de deuses e deusas.
1.6 CULINÁRIA
A culinária indiana tem grande variedade de alimentos, ervas, especiarias, frutas e vegetais cultivados localmente. Na base está arroz, farinha e muitas lentilhas. Grande parte da população indiana é vegetariana. Um prato popular da região norte é o frango tandoori em que o frango é marinado em buttermilk e temperado com pimenta vermelha em pó, açafrão e pimenta caiena antes de ser cozido em um forno de barro (conhecido como tandoor).
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E na região sul, um prato típico é o Massala Dosa, que é feito de arroz, lentilha, batata, feno-grego e folhas de curry e servido com chutneys e sambar.
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1.7 IDIOMAS
O idioma mais falado na Índia é o hindi, embora o inglês seja um idioma importante para a comunicação nacional, política e comercial. Na Índia, há uma diversidade de línguas faladas, com um mínimo de 122 línguas principais e mais de 1500 outras línguas.
A Unesco reconhece os seguintes idiomas como oficiais:
· Híndi: नमस्कार
· Línguas oficiais da administração federal
· Inglês Hello
· Línguas oficiais reconhecidas pelo governo federal
· Assamês — língua oficial de Assam. অসমীয়া
· Bengalês — língua oficial de Bengala Ocidental. নমস্কার
· Bodo — língua oficial de Assam. मोजाां हर
· Canará — língua oficial de Karnataka. ನಮಸ್ಕರ್
· Caxemira — língua oficial de Jammu e Caxemira
· Concânio — língua oficial de Goa ಕೊಂಕಣಿ
· Dogri — língua oficial de Jammu e Caxemira. تکڑی
· Guzerate — língua oficial de Dadrá e Nagar-Aveli, Damão e Diu e Guzerate. સ્વ
· Híndi — língua oficial de Arunachal Pradesh, Ilhas Andamão e Nicobar, Bihar, Chandigarh, Chhattisgarh, Deli, Haryana, Himachal Pradesh, Jharkhand, Madhya Pradesh, Rajastão, Uttar Pradesh and Uttaranchal.
· Maithili — língua oficial de Bihar.
· Malaiala — língua oficial de Kerala e das Laquedivas. നമസ്കർ
· Manipuri ou Meithei — língua oficial de Manipur.
· Marata — língua oficial de Maharashtra.
· Nepali — língua oficial de Siquim.
· Oriá — língua oficial de Orissa.
· Panjabi — língua oficial do Panjabe, segunda língua oficial de Deli e Haryana. ਨਮਸਕਾਰ
· Sânscrito — língua do hinduísmo, obrigatória em muitas escolas.
· Tâmil — língua oficial de Tâmil Nadu e Pondicherry. நமஸ்காரம்
· Telugo — língua oficial de Andhra Pradesh. నమస్కార్
· Urdu — língua oficial de Jammu e Caxemira, alguns distritos em Andhra Pradesh, Deli e Uttar Pradesh. ننمسکار
TEMA 2 – SÂNSCRITO
Sanskritam é um adjetivo composto por duas palavras:
· Sam – juntos, bem, bom, perfeito
· Krta – feito, formado, funciona
Indicando uma obra que foi bem preparada, pura e perfeita, polida, sagrada. Segundo Hart (2006), “o sânscrito talvez seja o único fio que une as muitas culturas díspares da Índia”, logo isso seria motivo suficiente para qualquer estudante da Índia aprendê-lo, mas há outras razões que são igualmente válidas.
O sânscrito, ou samskitabhāsa (a língua refinada), evoluiu da língua em que os Vedas foram escritos em algum momento na última metade do segundo milênio a.C., uma língua conhecida como védico ou sânscrito védico. Elucubra-se que o sânscrito védico poderia nunca ter sido realmente uma língua falada pelas pessoas comuns, foi padronizado de uma vez por todas pelo grande gramático Păpini e seus predecessores por volta do século V a.C.
Daquela época, até a hegemonia dos muçulmanos permaneceu como a principal língua usada na Índia para a comunicação de uma região para outra. Além disso, o sânscrito foi a língua usada para grande parte da atividade cultural da região por quase 2000 anos.
É como chinês, árabe, grego e latim, uma das poucas línguas que foi portadora de uma cultura por um longo período de tempo. Assim, a importância e a quantidade desses escritos são impressionantes e podemos citar os Vedas, as Upanishads, literatura clássica, literatura erótica, filosofia, religião, medicina, matemática, leis, rituais, arquitetura, história etc.
Sobre a maioria desses assuntos, existe uma imensa literatura ainda existente. De fato, uma estimativa aproximada das obras que serão listadas num total de cerca de 160.000 que ainda são somente em sânscrito, muitas delas tão difíceis que seriam necessários anos de estudo para compreendê-las adequadamente. Como exemplo de obra literária, citamos o Mahabharata que pode ser considerado como a Ilíada e a Odisseia.
Todas as línguas indianas (exceto Tâmil e Urdu) utilizam o Sânscrito para a maior parte de seu vocabulário técnico, com o resultado de que eles têm dezenas de milhares de palavras inalteradas do Sânscrito. A Índia antiga e a medieval conhecem apenas sânscrito.
TEMA 3 – FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS
A Índia realizou muitas manifestações na esfera da ciência, astrologia, cultura, arte, arquitetura, matemática e astronomia. Contudo, a realização mais importante ocorreu no campo do pensamento; com um compêndio bem composto, acomodava incumbências práticas da existência com a filosofia.
A filosofia (do latim amor ao conhecimento) da Índia não seria apenas um exercício da razão. O objetivo do conhecimento não é o próprio conhecimento, mas, sim, o entendimento da importância do contato interno. Como obras formidáveis, podemos citar os Brahmanas, Aranyakas e Upanishads, que compõe o que conhecemos por Vedas.
3.1 DO INCENSO E ALÉM
Darśana, em sânscrito, é o termo utilizado para filosofia, com raiz dṛś, que significa ver ou observar, pode ser traduzido como ponto de vista. Os sábios hindus detinham discernimento para a percepção apurada, eles observavam com olhos de ver e ouviam com ouvidos de ouvir, ou seja, estavam de acordo com o que era autêntico, tanto no nível sutil quanto no físico.
O objetivo de estudar filosofia não se tratava meramente de exercitar o intelecto, e sim de encontrar uma visão da realidade. Um darśana era tradicionalmente transmitido de forma oral, do professor (guru) para o aluno (chela).
Após um darśana ser registrado por escrito ele passava a ser classificado como sruti (ouvido) e smriti (memorizado). Dentro da categoria do conhecimento que foi ouvido, os Brahmanas (compostos entre os séculos VIII e VI a.C.) são obras de cunho ritualístico, em que são descritos rituais solenes com oferendas e a construção de um altar em forma de águia.
Savitri Dhawan (1997) ressalta que os Aranyakas oferecem técnicas de meditação (upasanas) sobre determinados símbolos, bem como asceses específicas a fim de alcançar realizações também específicas. E, por fim, as Upanishads “(que estão relacionadas com o caminho do conhecimento jñanamarga) através da execução (karmamarga), do excessivo ritualismo dos atos e sacrifícios rituais, executados pelos sacerdotes com objetivo de realização espiritual” (p. 61).
3.2 VEDAS
Os Vedas são uma compilação de obras que celebram os elementos da vida. Muitas plantas, algumas agora desconhecidas e algumas aindausadas no Ayurveda, foram originalmente descritas nos Vedas.
As Upanishads carregam a essência filosófica dos Vedas, oferecem explicações a respeito de práticas espirituais, ensinamentos herméticos, elucubrações relacionadas à origem do Ser Humano (Purusa), do Absoluto (Brahma) e do Eu (atma).
As mais antigas Upanishads se chamam Vedanta (o último conhecimento). Na obra de George Feurstein, a explicação sobre o que é Upanishad e seus temas principais é a seguinte:
Upanishad significa “sentar-se próximo ao chão perto de” é composta por três palavras:
Upa – perto, próximo
Ni – embaixo
Shad – sentar
Ela não era de acesso geral, as pessoas que queriam esse conhecimento deveriam se aproximar dos sábios professores com respeito e humildade necessários. [...] A doutrina gira em torno de quatro eixos conceituais interconectados. Em primeiro lugar, a Realidade Suprema do universo é absolutamente igual à nossa essência íntima; Brahma é Atma e Atma é Brahma. Em segundo lugar, só a realização de Brahma/Atma libertarão o ser do sofrimento e da necessidade de nascer, viver e morrer. Em terceiro lugar, os pensamentos e ações do ser determinam o seu destino – a lei do karma: cada qual se transforma naquilo com o que se identifica. Em quarto lugar, a menos que o Ser se liberte e realize a Realidade sem-forma de Brahma/Atma em decorrência da sabedoria superior (jñana), terá necessariamente de renascer nos mundo celestes, no mundo humano ou nos mundos inferiores, dependendo dos seus karmas. (Feuerstein, 1998, p. 172)
Tradicionalmente, é dito que existem 108 Upanishads. Entre elas, podemos citar as que se associam ao Rgveda, Samaveda, Yajurveda e Atharvaveda. O Samaveda informa a base para a música clássica indiana, consiste em hinos do Rgveda, ajustados para melodias musicais que seriam cantadas usando de três a sete notas musicais durante os yajnas védicos.
O Yajurveda consiste principalmente em fórmulas sagradas, menciona a veena como um acompanhamento para recitações vocais. Referências à música clássica indiana são feitas em muitos textos antigos, incluindo épicos como o Ramayana e o Mahabharata.
वीणावादन तत्त्वज्ञः श्रुतीजातिविशारदः ताळज्ञश्चाप्रयासेन मोक्षमार्गं नियच्छति (vīṇāvādana tattvajñaḥ śrutijātiviśāradaḥ tālajñaścāprayāsena mokṣamārgaṃ
Niyacchati. "Aquele que é bem versado em veena, aquele que tem o conhecimento de srutis e aquele que é perito em Tala, alcança a liberação (moksha), sem dúvida").
TEMA 4 – OS SEIS DARSANAS
Os seis darsanas são:
1) Nyāya – por Gautama
2) Vaiśeṣika – por Kaṇāda
3) Sāṅkhya – por Kapila
4) Yoga – por Patañjali
5) Pūrva Mīmāṁsā – por Jaimini
6) Vedānta (Uttara Mīmāṁsā) – por śankara
4.1 NYĀYA
Nyāya é o método da completa investigação, adota uma abordagem lógica para compreensão do mundo por meio da razão. Percepção, inferência, comparação e testemunho são seus axiomas de obtenção de conhecimento. Gautama, seu idealizador, viveu entre o século VI e o século III a.C., foi autor do Dharma Shastra, que, em 12 volumes, discute a criação, a transmigração, a libertação e as obrigações dharmicas.
4.2 VAIŚEṢIKA
Vaiśeṣika é uma visão de mundo ontológica, estabelece proposições e usa a inferência indutiva para examinar a estrutura material do mundo. Isso inclui a análise do átomo.
4.3 PŪRVA MĪMĀṀSĀ
Pūrva Mīmāṁsā é também chamado somente de Mīmāṁsā. Purva significa inicial e Mīmāṁsā, exegese, explanação. Evita tudo que se refere ao idealismo. Com isso, nessa visão, Deus é inexistente, e a morte do corpo físico é a forma de libertação. Jaimini viveu em 200 a.C. e pouco se sabe sobre ele.
4.4 YOGA
Yoga, desenvolvido por Patanjali, descreve o Asthanga (astha – oito, anga – caminho) como guias para a vida ser significativa.
Esse caminho orienta o yogi no sentido da moral e da ética, além da autodisciplina como virtude.
· Yamas: base ética e moral que rege um yogi, com foco no comportamento diário e na condução da vida, são divididos em cinco: Ahimsa (não violência), Satya (verdade), Asteya (não roubar), Brahmacharya (uso correto da energia sexual) e Aparigraha (desapego).
· Niyamas: ni significa para dentro, então autodisciplina e auto-observação tangem essa orientação. Ela também é dividida em cinco orientações: Saucha (limpeza), Santosha (contentamento), Tapas (disciplina, ascese), Svadhyaya (estudo das escrituras sagradas), Isvara pranidhana (devoção).
· Pranayama: técnicas respiratórias para auxiliar no controle da mente e da emoções.
· Pratyahara: desapego do mundo pelo jejum para os cinco sentidos.
· Dharana: concentração da mente, exercício para controlar o fluxo de pensamentos.
· Dhyana: a meditação que traz o estado de concentração ininterrupta.
· Asana: que significa encontrar seu sítio, estar confortável e firme em seu corpo, sua mente e seu espírito.
· Samadhi: encontro verdadeiro da unicidade entre criador e criatura.
4.5 VEDĀNTA (UTTARA MĪMĀṀSĀ)
Gosto de referenciar o Vedanta como uma ferramenta de autoconhecimento por meio da mente e das emoções. Por meio dele, é possível encontrar a felicidade genuína em ser uma pessoa simples.
TEMA 5 – ENUMERAR
Ao pé da letra, Sāṅkhya significa conhecimento enumerado, se caracteriza por classificar e descrever os princípios fundamentais que compõe a realidade na matéria. Ele traz a visão Ayurvédica do mundo. Traz a base na preponderância da consciência (Purusha) que sustenta todo o poder de criação (Prakriti).
Purusa significa homem e, neste darsana (Sāṅkhya), significa a consciência, a testemunha, o observador. Prakrti significa produtor/fazedor e é interpretado como a natureza, como tudo o que constitui a realidade que visualizamos. Então, de maneira especulativa, podemos afirmar que Purusa é o sujeito do conhecimento e Prakrti é o objeto do conhecimento.
Então, as forças primordiais se agitam. Nessa natureza primordial, existem três forças, que, neste contexto, podem ser elucidadas como Tamas (trevas, ignorância, imobilidade, inércia), Rajas (força, movimento, violência, egoísmo) e Satwa (luz, equilíbrio, calma, sabedoria, beleza).
Em Ahamkhara (aquele que produz o eu) encontramos todos os princípios da individualidade dos seres da natureza, neste contexto, podemos associar ao ego, e ele vem acompanhado por Buddhi (intelecto). Cada indivíduo é dotado com Manas (mente) e dela se derivam os Jñanaindryias (órgãos do conhecimento), que são nossos cinco sentidos, eles estão associados a cinco Tanmatras (elemento sutil), som (sabda), toque (sparsa), aparência (rupa), sabor (rasa), odor (gandha) e deles virão os Panchamahabhutas (cinco grandes elementos): Akasha (espaço vazio), Vayu (vento), Agni (fogo), Jala (água) e Prithivi (terra), por fim, se estabelecem os Karmaindryias (órgãos de ação), também cinco: falar, segurar, andar, excretar e se reproduzir.
NA PRÁTICA
A filosofia em qualquer tradição é capaz de ser transformadora, pois ela traz a possibilidade de encontro de sentido da existência. Com embasamento do estudo da filosofia da tradição védica, é possível estabelecer ajustes de percepção da vida, por meio do corpo, da mente, das emoções e do espírito.
O fato de estarmos conectados e atendendo a pessoas que nos procuram como terapeuta se torna de suma importância termos capacidade de ouvir e, na medida do possível, orientar ao cliente, todavia, orientar sem expor nossa vida pessoal e ao conhecermos os conteúdos que tangem esse fundamento nos torna apto a orientar ao cliente de forma holística e coerente.
FINALIZANDO
Agora “quando se deparar com ‘agora’ no início de uma história indiana, você pode ter certeza de que ela se inicia com sabedoria viva”. Robert E. Svoboda (2015), em A Grandeza de Saturno (p. 19), diz: todos vocês recebem o título de neófitos no estudo de Ayurveda.
Após passarmos pelo contexto histórico e percorremos os meandros iniciais desse estilo de vida, habilitando a cada um na possibilidade de se conectar ao fruto da sabedoria divina e poder ser feliz e saudável em qualquer região do planeta.
REFERÊNCIAS
DHAWAN, S. Mother Goddesses. In: EARLY Indian Religion. Delhi: National Publishing House, 1997.
FEUERSTEIN,G. A tradição do Yoga. 2. ed. São Paulo: Pensamento, 2001.
HART, L. G. A Rapid Sanskrit Method. 5. ed. Nagar: Motilal Banarsidass Publishers, 2006.
SARASWATI, A. Mitologia hindu. São Paulo: Madras, 2006.
SOUTHWORTH, F. 2004. Linguistic Archaeology of South Asia, Routledge, p. 45.
SVOBODA, E. R. The Greatness of Saturn: a therapeutic myth. 1. ed. Twin Lakes: Lotus Press 2015.
TINOCO, C. A. As Up
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