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Alimentação e Atividade Física SUMÁRIO 1. Importância da alimentação adequada durante a infância ...................................3 2. Alimentação do lactente .....................................................................................3 2. Novas abordagens de introdução alimentar ........................................................8 Blw (baby-led weaning) ................................................................................................ 8 Bliss (baby-led introduction to solids)......................................................................... 8 Suplementação alimentar profilática .......................................................................... 9 3. Alimentação do pré-escolar ..............................................................................12 4. Alimentação do escolar ....................................................................................13 5. Alimentação do adolescente .............................................................................14 6. Atividade física .................................................................................................16 Lactentes .................................................................................................................... 16 Pré-escolares .............................................................................................................. 16 Escolares e adolescentes .......................................................................................... 16 Referências .......................................................................................................................19 Alimentação e Atividade Física 3 1. IMPORTÂNCIA DA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA DURANTE A INFÂNCIA Durante a infância, a alimentação adequada (equilibrada e com os nutrientes ne- cessários) é a garantia de crescimento e desenvolvimento adequados, bem como de estar atuando sobre a prevenção de doenças. Isso foi teorizado por Dorner, em 1974, com o conceito de Programming, de acor- do com o qual fatores ambientais, incluindo nutricionais, nas fases iniciais da vida, são capazes de determinar a programação do sistema metabólico, energético e or- gânico em longo prazo. Assim, uma alimentação inadequada no primeiro ano de vida leva a um maior risco de obesidade, dislipidemia, diabetes mellitus e eventos cardio- vasculares no futuro. Saiba mais! Programming = indução, deleção ou prejuízo do de- senvolvimento de uma estrutura somática ou ajuste de um sistema fisiológico por um estímulo ou agressão que ocorre num período suscetível (por exemplo: fases precoces da vida), resultando em consequências em longo prazo para as funções fisiológicas. Um exemplo de programming é a relação entre as más práticas alimentares no primeiro ano de vida e o desenvolvimento da obesidade na vida adulta: o aleitamento materno tem efeito protetor e dose-dependente na redução do risco de obesidade. 2. ALIMENTAÇÃO DO LACTENTE A alimentação adequada do lactente consiste em aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e complementado até os 2 anos. Assim, a alimentação com- plementar deve ser introduzida a partir dos 6 meses, não havendo qualquer indica- ção de retardar essa introdução alimentar. Conceito: Aleitamento materno exclusivo – aquele em que a ali- mentação do bebê é realizada exclusivamente com o leite materno, sem água, chás ou sucos. São permitidas apenas doses medicamentosas (em gotas ou suspensões) e a suplementação com sulfato ferroso e vitamina D. Alimentação e Atividade Física 4 Aleitamento materno predominante – aquele em que além do leite materno são da- dos água, chás e/ou sucos ao bebê. Aleitamento materno complementado – aquele em que o leite materno é comple- mentado por alimentos sólidos ou semissólidos. Idealmente deve ser iniciado aos 6 meses. Aleitamento materno parcial ou misto – quando além do leite materno, a criança recebe outros tipos de leite. Essa transição alimentar é realizada por meio de papas: • Papa principal (anteriormente denominada papa salgada) – consiste em cere- ais ou tubérculos, leguminosas, proteína (carne branca/vermelha ou ovo) e hor- taliças (legumes e verduras); • Papa de frutas (anteriormente denominada papa doce) – consiste em frutas variadas, podendo priorizar as laxantes (abacate, ameixa, mamão, laranja) ou as obstipantes (maçã, banana) de acordo com o ritmo intestinal da criança, ou até mesmo mesclá-las para obter o equilíbrio. Se liga! As denominações de papa doce e papa salgada entraram em desuso porque algumas mães adicionavam açúcar ou sal nas respectivas papas. Portanto, caso alguma mãe ainda aplique essa denominação, se faz ne- cessário explicar que não se deve adicionar sal, nem açúcar à papinha. O bebê não tem necessidade desses compostos nesta fase de vida e seu uso só lhe traz prejuízos. A introdução alimentar deve ser uma transição gradual de quantidade e consis- tência dos alimentos. Dessa forma, algumas fases devem ser obedecidas de acordo com a idade da criança. Por exemplo, ao completar 6 meses, além do leite materno sob livre demanda, a criança deve ser alimentada com duas papas de frutas e uma papa principal. Com 7 meses, uma nova papa principal é adicionada à rotina alimentar da criança. A quantidade de alimentos ingeridos por refeição também deve ser aumentada gradativamente, assim como a consistência, até chegar à consistência da alimenta- ção da família, a qual deve ser introduzida com 1 ano de idade. Observe as tabelas a seguir. Alimentação e Atividade Física 5 Quantidade (em Kcal) e consistência das refeições durante introdução alimentar, de acordo com a idade da criança Idade Kcal/refeição Consistência 6 a 8 meses 200 Amassada 9 a 11 meses 300 Branda 12 a 24 meses 550 Normal (consistência da refeição da família) Fonte: Manual de Alimentação, Sociedade Brasileira de Pediatria, 2018. Esquema alimentar para os dois primeiros anos de vida para crianças amamentadas Ao completar 6 meses Ao completar 7 meses Ao completar 12 meses Leite materno sob livre demanda Leite materno sob livre demanda Leite materno + fruta ou tubérculo ou cereal Papa de frutas Papa de frutas Fruta Papa principal Papa principal Refeição da família Papa de frutas Papa de frutas Fruta ou pão simples ou tubérculo ou cereal Leite materno Papa principal Refeição da família Fonte: Ministério da Saúde, 2015. Essas orientações e algumas outras foram sumarizadas no documento Dez pas- sos para uma alimentação saudável – Guia alimentar para crianças menores de dois anos, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Panamericana de Saúde. Entenda cada passo a seguir: • Fornecer aleitamento materno exclusivo até os 6 meses (sem oferta de água, nem chá e nem suco); • Introduzir outros alimentos gradualmente a partir dos 6 meses; • Alimentos complementares após 6 meses: • 3 vezes/dia, se em aleitamento materno (4 vezes/dia após 7 meses); • 5 vezes/dia, se criança não estiver sendo amamentada; • Oferecer todos os grupos alimentares: cereais, tubérculos, carnes, legumino- sas, frutas, legumes e, inclusive, ovo (desde que seja cozido). • Alimentação sem rigidez de horário: • Respeitando a vontade da criança; • De forma geral, orienta-se que haja uma refeição regular a cada 2 a 3 horas. Alimentação e Atividade Física 6 • Alimentação complementar espessa desde o início: • Os alimentos não devem ser liquidificados, apenas amassados, de forma que fiquem espessos, já que quanto maior a espessura maior é o aporte calórico-energético; • É importante evitar sucos! Se for ofertar, que seja no máximo 100 mL/dia. Isso porque a capacidade gástrica da criança é pequena e o suco, por ocupar grande volume, leva a criança a rejeitar outros alimentos, fazendo com que o aporte calórico fique abaixo do ideal; • A consistência deve ir aumentando gradativamente, até que, ao chegar aos12 meses, a criança consiga comer os alimentos da consistência da comida da família; • Os alimentos devem ser oferecidos em colher, para que a criança comece a treinar a manipulação dos utensílios e do alimento. • Oferecer alimentos diferentes todos os dias, de forma que a alimentação seja diversa e colorida; • Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes: • A criança pode precisar de cerca 8 a 10 exposições para aceitar o alimento, então é importante aconselhar as mães a persistirem. • Evitar: açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos: • Sal sempre com moderação e açúcar refinado, de preferência, só depois dos dois anos. O uso precoce de açúcar está associado à presença de cárie. • Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos, de modo a evitar in- fecções gastrointestinais: • Higienizar bem os utensílios utilizados para alimentar a criança, bem como as mãos antes do preparo; • Os alimentos devem estar bem cozidos. Saiba mais! Anteriormente, aconselhava-se que o ovo fosse intro- duzido na dieta mais tardiamente, devido ao seu potencial alergênico. Porém, tal prática não é mais orientada e o ovo pode ser oferecido à criança já aos 6 meses. Uma técnica que pode ser adotada é a de oferecer, inicialmente, a ge- ma, que é menos alergênica, e depois a clara. • Estimular a criança doente a se alimentar: • Dar alimentos de preferência da criança, oferecendo em poucas quantidades, mas várias vezes ao dia. Alimentação e Atividade Física 7 Algumas recomendações adicionais são: • Quando a criança já estiver desmamada, a oferta de leite em fórmulas deve ser limitada a 600 mL/dia, já que, para obter um aporte calórico adequado, ela precisa se alimentar das papinhas e isso pode ser inibido com a inges- tão de grandes quantidades de leite (pelo mesmo mecanismo dos sucos já supracitado); • É importante evitar mel em menores de 1 ano, pelo risco de botulismo; • O ambiente alimentar adequado é junto à família toda se alimentando, em si- lêncio e sem telas, para que a criança reconheça que aquele é o momento de comer. Se liga! Até quando deve-se dar o leite materno? Essa é uma ques- tão bastante discutida. Teoriza-se que ele seja ofertado ao bebê pelo menos até completar os 2 anos. Porém, muitos pediatras defendem que este não é obriga- toriamente o prazo final, devendo a amamentação ser continuada enquanto for confortável para a mãe e para o bebê, desde que seu aporte calórico seja ideal para seu crescimento e desenvolvimento adequados. Saiba mais! O botulismo infantil ocorre frequentemente entre me- nores de 12 meses e, na maioria das vezes, é idiopático, mas alguns casos são associados ao consumo de mel, que pode conter esporos do Clostridium botu- linum. Essa doença é caracterizada pela obstipação intestinal, evoluindo para paralisia neuromuscular, que pode acometer desde os pares de nervos cranianos, até os músculos periféricos e respiratórios, levando à insuficiência respiratória e morte. A manifestação clínica de obstipação intestinal associada a: paralisia da mus- culatura ocular extrínseca, choro e sucção fracos, face sem expressão e/ou tônus muscular diminuído, leva à suspeita diagnóstica de botulismo. A con- firmação é feita por meio do exame de fezes e o tratamento é realizado com imunoglobulina humana para botulismo, administrada durante internamento hospitalar. Alimentação e Atividade Física 8 Saiba mais! Quando o leite materno estiver sendo insuficiente pa- ra manter o crescimento e desenvolvimento adequados do bebê, há duas possi- bilidades: Se a criança tem menos de 4 meses, deve ser instituído o aleitamento por meio de fórmulas; Se a criança tem 4 meses ou mais, a introdução alimentar é antecipada e o alei- tamento por fórmulas fica restrito a 600 mL/dia. 2. NOVAS ABORDAGENS DE INTRODUÇÃO ALIMENTAR BLW (Baby-Led Weaning) Método de introdução alimentar baseado no desmame guiado pelo bebê, ou seja, essa abordagem encoraja os pais a confiarem na capacidade do bebê de se autor- regular, deixando-o livre para consumir os alimentos de sua preferência e na quanti- dade que quiser. Este método defende ainda que os alimentos sejam oferecidos in natura em pedaços, sem adaptar a consistência e sem uso de colher. Vários especialistas questionam tal abordagem, porque: • As crianças ficam mais suscetíveis a engasgos e asfixia, já que a consistência não é adaptada; • Como as crianças priorizam frutas e legumes (que são menos calóricos), há a possibilidade de déficit energético e de nutrientes como o ferro (presente prin- cipalmente na carne), levando ao comprometimento do seu crescimento. BLISS (Baby-Led Introduction to Solids) O método de Introdução de sólidos guiado pelo bebê foi desenvolvido tentando sanar os problemas relacionados ao BLW. Dessa forma, nessa abordagem, os ali- mentos são ofertados cortados em pedaços e devem ser experimentados ante- riormente pelo adulto, buscando verificar se estes são facilmente amassados pela língua (prevenindo risco de engasgo e asfixia). Alimentação e Atividade Física 9 Além disso, em cada refeição deve-se garantir uma oferta adequada de ferro e ca- lorias, estimulando que a criança coma a carne e os tubérculos, que geralmente são rejeitados. Essa abordagem ainda é fruto de muitas contradições entre especialistas. Enquanto alguns defendem que essa é uma forma de respeitar o ritmo de aceitação da criança, outros argumentam que o bebê não é capaz de comer sozinho a quanti- dade suficiente para manter seu crescimento adequado. Suplementação alimentar profilática Apesar dos inúmeros benefícios do aleitamento materno e da introdução alimen- tar aos 6 meses, estes, na maioria das vezes, não conseguem suprir a quantidade demandada de algumas vitaminas e minerais. Logo, faz-se necessária a suplemen- tação profilática de alguns compostos. Veja a seguir as orientações mais recentes do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Vitamina K A vitamina K é administrada ao nascer, como forma de prevenção à doença he- morrágica, na dose de 1 mg por via intramuscular. Vitamina D Preconiza-se que a vitamina D suplementar seja administrada para todos os re- cém-nascidos a termo, independentemente de estar em aleitamento materno exclu- sivo ou fórmula infantil, desde a primeira semana até os 3 anos de vida. Observe a tabela a seguir.. NA PRÁTICA! A dose diária deve ser de 400 UI durante o primeiro ano de vida e de 600 UI entre 1 e 3 anos, por via oral. Geralmente, a forma de apresentação da vitamina D é em gotas e possui concentração de 200 UI/gota, logo de 0 a 1 ano devem ser adminis- tradas 2 gotas/dia e de 1 a 3 anos devem ser administradas 3 gotas/dia. Suplementação diária recomendada de vitamina D Idade Dose r ecomendada Concentração de 200 UI/gota 0 a 12 meses 400 UI 2 gotas 1 ano a 3 anos 600 UI 3 gotas Fonte: Manual de Alimentação (SBP), 2018. Alimentação e Atividade Física 10 Para recém-nascidos pré-termo, orienta-se que a suplementação profilática oral de vitamina D (400 UI/dia) seja iniciada apenas quando o peso for superior a 1500 gramas e houver tolerância plena à nutrição oral. Vitamina A A suplementação de vitamina A é recomendada para crianças em áreas com alta prevalência de deficiência de vitamina A e que tenham o diagnóstico de hipovitami- nose. Entretanto, na prática, a suplementação é feita para todas as crianças. Essa suplementação é realizada em megadoses por via oral, geralmente admi- nistradas nos postos de vacinação, a cada 4-6 meses. Deve ser administrada dos 6 meses aos 6 anos, sendo na dose de 100.000 UI para crianças entre 6 e 12 meses e 200.000 UI para crianças entre 1 e 6 anos. Observe a tabela a seguir. Suplementação recomendada de vitamina A Idade Dose recomendada Intervalo entre doses 6 a 12 meses 100.000 UI 4-6 meses 1 ano a 6 anos 200.000 UI 4-6 meses Fonte: Manual de Alimentação (SBP), 2018. Ferro Preconiza-se que a suplementação profilática de ferroseja universal, tendo em vista a alta prevalência de anemia ferropriva entre crianças. Para crianças nascidas a termo e com peso adequado para a idade gestacional (estando em aleitamento materno exclusivo ou não), a recomendação é de suplementação oral com 1 mg de ferro elementar/Kg/dia dos 3 meses aos 2 anos. Porém há situações especiais em que a dose e a idade de início devem ser diferentes. Observe a tabela a seguir. Suplementação profilática de ferro recomendada a depender da situação Situação Recomendação Recém-nascidos a termo, de peso adequado para a idade gestacional, em aleitamento materno exclusivo ou não 1 mg de ferro elementar/kg peso/dia a partir do 3º mês ao 24º mês de vida Recém-nascidos a termo, de peso adequado para a idade gestacional em uso de menos de 500 mL de fórmula infantil por dia 1 mg de ferro elementar/kg peso/dia a partir do 3º mês ao 24º mês de vida Alimentação e Atividade Física 11 Situação Recomendação Recém-nascidos a termo com peso inferior a 2500 g 2 mg/kg de peso/dia, a partir de 30 dias durante um ano. Após este período, 1 mg/kg/dia por mais um ano Recém-nascidos pré-termo com peso entre 2500 e 1500 g 2 mg/kg de peso/dia, a partir de 30 dias durante um ano. Após este prazo, 1 mg/kg/dia por mais um ano Recém-nascidos pré-termo com peso entre 1500 e 1000 g 3 mg/kg de peso/dia, a partir de 30 dias durante um ano. Após este período, 1 mg/kg/dia por mais um ano Recém-nascidos pré-termo com peso inferior a 1000 g 4 mg/kg de peso/dia, a partir de 30 dias durante um ano. Após este período, 1 mg/kg/dia por mais um ano Fonte: Manual de Alimentação (SBP), 2018. Na prática! Analisemos a suplementação de ferro de Valentina: uma criança de 1 ano e 4 meses, que nasceu a termo e com peso adequado pa- ra a idade gestacional, em aleitamento materno complementado e que possui atualmente 10 kg. Estando no grupo que deve receber 1 mg/kg/dia e possuindo tal peso, a dose diária de ferro de Valentina deve ser 10 mg. Levando em conta que a suple- mentação de ferro é realizada com solução de sulfato ferroso, que possui 25 mg/mL de ferro elementar e que cada mL é compatível com 20 gotas, por meio de uma simples regra de três obtemos: 25 mg --- 20 gotas 10 mg --- X gotas ∴ X = 10 x 20 / 25 X = 8 gotas Logo, Valentina deve ingerir diariamente 8 gotas de sulfato ferroso para que sua suplementação de ferro seja adequada. Ademais, na próxima consulta es- sa quantidade deve ser recalculada de acordo com a atualização do seu peso. Alimentação e Atividade Física 12 Se liga! As doses mencionadas aqui são as recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria, no seu Manual de Alimentação mais recente (2018). Fique atento porque, em pediatria, há muitas referências e divergências, e alguns profissionais usam outros valores na sua prática ambulatorial. SUPLEMENTAÇÃO ALIMENTAR PROFILÁTICA Suplementação alimentar profilática Dos 6 meses aos 6 anos, com intervalos de 4-6 meses Da 1ª semana de vida aos 3 anos Situação ideal: 1 mg/Kg/dia Megadoses administradas em postos de vacinação: • 100.000 UI, de 6 a 12 meses; • 200.000 UI, de 1 a 6 anos Dose diária de: • 400 UI dos 0 aos 12 meses; • 600 UI de 1 a 3 anos Dos 3 meses aos 2 anos Iniciar administração para pré-termos quando estes adquirirem peso superior a 1.500 g e tiverem boa tolerância oral Consultar tabela 5 para verificar doses em situações especiais FerroVitamina A Vitamina D 3. ALIMENTAÇÃO DO PRÉ-ESCOLAR O pré-escolar sofre uma diminuição do ritmo de crescimento e, nesta fase, há também desenvolvimento dentário, sendo necessários alimentos para auxiliar neste processo. É uma idade em que há preferência por doces e alimentos mais calóricos, bem como comportamento alimentar imprevisível, comem bem em alguns dias, enquanto em outros, não aceitam nada. Há ainda as crianças denominadas Pick/Fussy eater, ou seja, são seletivas, só comem algumas coisas. Alimentação e Atividade Física 13 Outro comportamento que também é bastante comum é a neofobia, ou seja, a re- cusa de alimentos novos após os 2 anos de vida. É importante aconselhar os pais a estimularem o consumo utilizando a fantasia, mas nunca forçar, ameaçar ou premiar com comida. Outra recomendação é que as refeições devem ser oferecidas em horários fixos. Se a criança não aceitar, não deve haver substituição, deve-se esperar o próximo ho- rário para oferecer a refeição. É fundamental também que não se oferte alimentos fora de hora, principalmente doces e alimentos hipercalóricos. O tamanho das porções deve ser compatível com a idade e deve-se evitar lí- quidos durante as refeições (já que ocupa espaço no estômago e impede o aporte adequado de calorias), bem como o consumo de guloseimas e refrigerantes. Outra recomendação importante é eliminar a mamadeira noturna, uma vez que é muito ca- lórica e, por vezes, a criança passa o dia seguinte inteiro sem comer. Deve-se ainda, ter bastante cuidado com engasgo (principalmente com uva, pipoca e balas). 4. ALIMENTAÇÃO DO ESCOLAR Nessa faixa etária, o ritmo de crescimento é constante, havendo maior ganho ponderal do que ganho estatural, bem como necessidade de atividade física mais intensa. A despeito disso, na maioria das vezes, há excesso de alimentos calóricos e pouco nutritivos e falta de incentivo à atividade física, além de exposição exces- siva às telas. Isso culmina no maior risco de obesidade deste grupo. Portanto, é essencial que haja redução do tempo de tela, incentivo à atividade física e restrição de alimentos ricos em açúcar, sal e gorduras, entre eles: salgadinhos, fast foods, guloseimas e bolachas recheadas. Entretanto, deve-se ter cuidado na condução do controle de peso, já que a preocupação excessiva ou mal conduzida com peso nessa idade pode desencadear distúrbios alimentares, entre eles bulimia e anorexia. Conceito: Tanto a bulimia quanto a anorexia causam a perda ace- lerada de peso. Porém, na anorexia há uma percepção inadequada da imagem corporal, de forma que o indivíduo vai gradativamente deixando de comer, até que o organismo se adapte e não haja mais a sensação de fome. Já na bulimia, não há distorção da imagem corporal, nem controle da fome, o que leva ao há- bito de comer e vomitar em seguida, na busca pelo “corpo ideal”. Alimentação e Atividade Física 14 A alimentação dessa fase deve ser variada, consistindo em: • Peixe 2 vezes por semana; • Verduras, legumes e frutas; • Limitação do sal parag. Alimentação e Atividade Física 15 ALIMENTAÇÃO Alimentação 3 a 5 porções de derivados lácteos Não ameaçar, forçar ou premiar Introdução alimentar com aumento gradual de quantidade e consistência Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses Restrição de alimentos ricos em açúcar, sal e gorduras Reduzir consumo de alimentos ricos em gordura Evitar líquidos durante as refeições, bem como o consumo de doces e guloseimas Cuidado com engasgos 600 mL/dia de leite ou derivados Aleitamento materno complementado, pelo menos, até os 2 anos Evitar cafeína, ftalatos e oxalatos Refeições em horários fixos 1.300 mg de cálcio Estimular consumo de alimentos novos Eliminar mamadeira noturna Consumo de peixe 2x/semana Lactentes Adolescentes Pré-escolares Escolares Alimentação e Atividade Física 16 6. ATIVIDADE FÍSICA Em conjunto com a genética, a nutrição e o ambiente, a atividade física contribui para que a criança atinja seu potencial de crescimento, desenvolva plenamente a aptidão física e tenha como resultante um bom nível de saúde. Entre os benefícios da atividade física se encontram: • Aumento do volume de ejeção cardíaco; • Aumento dos parâmetros ventilatórios funcionais; • Redução da pressão arterial; • Aumento da sensibilidade à insulina; • Melhora do perfil lipídico; • Aumento da mineralização óssea; • Melhora da cognição e da auto-estima. A seguir, veja as orientações relacionadas à atividade física e a tempo de tela de cada grupo etário. Lactentes A atividade física de lactentes deve durar cerca de 180 minutos por dia, sendo divididos em curtos períodos, intercalados com períodos de sono e repetidos várias vezes durante o dia. Envolve desde atividades leves como levantar, dar alguns passos, até atividades mais energéticas como pular de um lado para o outro, escalar e correr. Nessa fase, o tempo de tela deve ser zero. Pré-escolares Nessa fase, a atividade física também deve durar cerca de 180 minutos por dia. Porém, deve ser constituída por brincadeiras ativas (bicicleta, pega-pega, esconde-es- conde) e atividade física estruturada (natação, futebol, basquete, vôlei ou outros). O tempo de tela deve ser limitado a 2 horas/dia. Escolares e adolescentes Especificamente durante a puberdade (final da fase escolar e início da adolescên- cia), a prática de atividade física é ainda mais importante. Isso porque, na puberdade, a liberação de GH (hormônio do crescimento) pela hipófise aumenta, pelo aumento da Alimentação e Atividade Física 17 sensibilidade desta glândula ao GHRH (hormônio liberador de hormônio do crescimento), produzido pelo hipotálamo.. O GH atua estimulando a proliferação de condrócitos e de células osteogênicas na placa epifisária, levando ao crescimento dos ossos longos. Inicialmente há o cresci- mento de cartilagem que, gradativamente, vai sendo mineralizada (transformada em osso novo), de forma que quando ocorre a fusão da epífise, a cartilagem é completa- mente obliterada e o crescimento é cessado (figura 1). Figura 1: Processo de crescimento dos ossos longos estimulado pelo GH. Fonte: Designua/shutterstock.com O GH é liberado em pulsos ao longo do dia, tendo dois picos mais acentuados, um durante o sono e outro durante o exercício físico de intensidade. Logo, o hábito de se exercitar durante esta fase da vida é fundamental para que o púbere atinja seu poten- cial máximo de crescimento. Alimentação e Atividade Física 18 Dessa forma, a recomendação é que escolares e adolescentes pratiquem 60 minutos por dia de atividade física moderada a vigorosa, sendo vigorosa 3 vezes/ semana e de flexibilidade 3 vezes/semana. Ademais, o tempo de tela deve ser limi- tado a 2 horas/dia (sem considerar o tempo aplicado para fazer pesquisas ou lições escolares). ATIVIDADE FÍSICA Atividade física 180 min/dia, períodos curtos intercalados por períodos de sono 180 min/dia60 min/dia de atividade moderada a vigorosa Atividade física mais estruturada: natação, futebol, entre outros Flexibilidade 3x/semana Desde levantar, dar passos, até correr, saltar, escalar Brincadeiras livres: pega-pega, esconde-esconde, bicicleta Vigorosa 3x/semana Tempo de tela: 2 horas/dia Tempo de tela: 2 horas/ dia, sem considerar tempo aplicado a atividades escolares Tempo de tela: zero Essencial para alcançar o potencial máximo de crescimento puberal Lactentes Escolares e Adolescentes Pré-escolares Alimentação e Atividade Física 19 REFERÊNCIAS Manual de Alimentação – Da infância à adolescência. Departamento de Nutrologia – So ciedade Brasileira de Pediatria (SBP), 4. ed. rev. e ampl. 2018. Sociedade Brasileira de Pediatria. A alimentação complementar e o método BLW (Baby-Led Weaning). Guia Prático de Atualização, n. 3, 2017. [acesso em 24 maio 2021]. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/19491c-GP_-_ AlimCompl_-_Metodo_BLW.pdf. Sociedade Brasileira de Pediatria. Promoção da atividade física na infância e adoles- cência. Manual de Orientação. Grupo de Trabalho em Atividade Física. n.1, jul. 2017. [acesso em 24 maio 2021]. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_ upload/19890e-MO-Promo_AtivFisica_na_Inf_e_Adoles-2.pdf. Kliegman RM, Nelson WE. Tratado de pediatria. 18 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria. 4. ed. Barueri: Manole, 2017. Ministério da Saúde (BR). Dez passos para uma alimentação saudável – Guia alimen- tar para crianças menores de dois anos. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. sanarflix.com.br Copyright © SanarFlix. Todos os direitos reservados. 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