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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL CARLOS HENRIQUE MODEL JACOB IGOR PIONER MAZZOCATO LEANDRO HENRIQUE RAUSCHKOLB ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE HIDROGRAMAS DE PRÉ E PÓS-OCUPAÇÃO São Leopoldo 2023 2 CARLOS HENRIQUE MODEL JACOB IGOR PIONER MAZZOCATO LEANDRO HENRIQUE RAUSCHKOLB ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE HIDROGRAMAS DE PRÉ E PÓS-OCUPAÇÃO Trabalho apresentado para a Disciplina Projeto Orientado: Hidrologia e Drenagem, pelo Curso de Engenharia Civil da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), ministrada pelo Prof. Lucas da Silva Tassinari. São Leopoldo 2023 3 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Área da bacia já urbanizada ....................................................................... 7 Figura 2 - Valores de CN para bacias urbanas e suburbanas ..................................... 8 Figura 3 – Parâmetros da equação de FAA ................................................................ 9 Figura 4 – Parâmetro fixo adotado na fórmula do FAA ............................................. 10 Figura 5 - Hietograma pré-ocupação ......................................................................... 11 Figura 6 - Hidrograma Unitário (HUT) de pré-ocupação ........................................... 12 Figura 7 - Hidrograma de Pré-Ocupação .................................................................. 13 Figura 8 – Parâmetros da equação de McCuen ........................................................ 15 Figura 9 – Parâmetro fixo adotado na fórmula McCuen ............................................ 16 Figura 10 – Hietograma de pós-ocupação ................................................................ 17 Figura 11 - Hidrograma Unitário (HUT) de pós-ocupação ......................................... 18 Figura 12 - Hidrograma de Pós-Ocupação ................................................................ 19 Figura 13 - Comparação hidrogramas pré e pós-ocupação ...................................... 19 4 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Vazões do Hidrograma Unitário de pré-ocupação.................................... 11 Tabela 2 - Vazões do Hidrograma Unitário de pós-ocupação ................................... 17 5 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 6 2 ESTUDO DE PRÉ-OCUPAÇÃO .............................................................................. 7 2.1 Cálculo do CN ...................................................................................................... 7 2.2 Definição do tempo de concentração, duração da simulação e intervalo de tempo ......................................................................................................................... 8 2.3 Hietograma, HUT e Hidrograma de projeto ..................................................... 10 3 ESTUDO DE PÓS-OCUPAÇÃO ............................................................................ 14 3.1 Cálculo do CN para pós ocupação .................................................................. 14 3.2 Definição do tempo de concentração, duração da simulação e intervalo de tempo para pós ocupação ...................................................................................... 14 3.3 Hietograma, HUT e Hidrograma de projeto após urbanização ...................... 16 4 PARECER TÉCNICO ............................................................................................. 20 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 21 6 INTRODUÇÃO Em um estudo anterior, foi avaliada uma região rural de Novo Hamburgo/RS (29° 42’ 02’’S e 51° 09’ 10’’O), que passará por um processo denso de urbanização, trazendo consigo problemas estruturais, ambientais e sociais. Para tanto, foi desenvolvido, através de dados pluviométricos da estação de código: 2951028, curvas IDF que se adequem a alguns períodos de chuva. O objetivo agora é, através das curvas IDF já definidas, elaborar os hidrogramas de pré e pós-ocupação para estipular os impactos dessa urbanização através do método SCS. A área total da bacia de contribuição onde ocorrerá esse processo é de 4,57 km², e cerca de 30% dessa área já se encontra urbanizada. Além disso, segundo o regime urbanístico de Novo Hamburgo, a taxa de ocupação para o setor onde se encontra a bacia é de 75%. Dentro dos limites da bacia há o caminhamento de um arroio, de comprimento aproximando de 3,7 km. Para a definição do tipo de solo a qual se encontra a bacia, utilizou-se o estudo de classificação hidrológica de solos brasileiros para estimativa da chuva excedente com o método SCS, de Sartori et al (2005). Com base nas características do terreno e conhecimento prévio do local onde se encontra a bacia, o solo utilizado nesse estudo é do tipo C. Para a definição dos tempos de concentração, utilizou-se o estudo de Silveira (2005), que comparou diversas equações da bibliografia, a fim de fornecer indicadores que auxiliem a escolha da equação conforme o caso a ser analisado. Com isso, utilizou-se duas equações distintas para o tempo de concentração, uma na análise de pré e outra para pós-ocupação. Para a definição do tempo de retorno utilizado, buscou-se embasamento em outro estudo realizado por Fritsch (2013), que analisou a influência da ocupação do solo nas vazões de pico de uma hidrográfica de Pato Branco – PR, além deste, segundo Kurek (2012), arbitrariamente se utiliza um tempo de retorno de 10 anos, já que muitas vezes não há dados suficientes para se considerar um tempo maior, além disso, normalmente duas cheias ao ano não são consideradas, pois podem pertencer ao mesmo dado. Desse modo, o estudo a seguir considerou um TR de 10 anos para sua devida análise. 7 2 ESTUDO DE PRÉ-OCUPAÇÃO 2.1 Cálculo do CN Da área total da bacia de 4,57 km², aproximadamente 30% da área está urbanizada, como mostra a figura 1. Dessa maneira, considerou-se um CN para lotes acima de 4000 m², e outro para relva de 50% a 75% da área. Assim o CN médio para análise da pré-ocupação é de 79. Os valores de CN foram obtidos através da tabela ilustrada na figura 2. Figura 1 - Área da bacia já urbanizada Fonte: Google Earth (2023). 8 Figura 2 - Valores de CN para bacias urbanas e suburbanas Fonte: Thomaz (2011). 2.2 Definição do tempo de concentração, duração da simulação e intervalo de tempo De acordo com as características e dimensões da bacia, procurou-se uma fórmula de tempo de concentração que representasse bem os dados disponíveis. Ao analisar o estudo realizado por Silveira (2005), encontrou-se uma tabela que apresentava fórmulas, em que são exibidos parâmetros individuais para cada situação, seja urbana ou rural. Porém, à fim de um estudo com maior precisão e veracidade, foi analisado outra tabela com parâmetros mistos, que se aplicariam na bacia que conta com parte predominantemente rural e uma parcela de menor área 9 urbanística, e assim então, foi escolhido a equação FAA, que possuía critérios aceitáveis comparada às demais, para o estudo da bacia. Figura 3 – Parâmetros da equação de FAA Fonte: Silveira (2005). As variáreis utilizadas na equação foram: • H = 32m, é a diferença de nível da bacia; • L = 3,7 km, é o comprimento do arroio que conduz o escoamento; • S =0,009 m/m, é a declividade; • C = 0,307, é um parâmetro fixo adotado para a equação FAA (Figura 4), considerando área rural de 3,17 km² e a área urbanizada de 1,4 km². 10 Figura 4 – Parâmetro fixo adotado na fórmula do FAA Fonte: Silveira (2005). A equação escolhida determinou um tempo de concentraçãode 2,74 horas. Dessa maneira, considerou-se o tempo de duração da chuva igual a duas vezes o valor de Tc, sendo de 330 minutos (5,5 horas). O intervalo de tempo para duração da simulação é de 0,133 x Tc, sendo definido como 22 minutos. A equação IDF utilizada foi a da curva ajustada para um evento de 24 horas, realizada em estudo anterior. A seguir, encontram-se as equações FAA e IDF. Tc = 0,37(1,1-C)𝐿0,5𝑆−0,333 onde, C = adi.; L = km; S = m/m. onde, I = mm/h; TR = anos; t = minutos. 2.3 Hietograma, HUT e Hidrograma de projeto O gráfico da figura 5, nos mostra a chuva efetiva, lembrando que nesse método nem tudo que chove escoa. Em seguida, na Tabela 1, as vazões do hidrograma unitário e posteriormente seu gráfico ao longo do tempo (figura 6). I = 733,255 𝑇𝑅0,1524 (𝑡+7,1981)0,7298 11 Figura 5 - Hietograma pré-ocupação Fonte: Os autores (2023). Tabela 1 - Vazões do Hidrograma Unitário de pré-ocupação Índice Tempo (min) Tempo (horas) Vazão (m³/s) 0 0.00 0.00 0.00 1 22.00 0.37 0.10 2 44.00 0.73 0.21 3 66.00 1.10 0.31 4 88.00 1.47 0.42 5 110.00 1.83 0.52 6 132.00 2.20 0.46 0.00 5.00 10.00 15.00 20.00 25.00 30.00 35.00 0 22 44 66 88 110 132 154 176 198 220 242 264 286 308 330 P re ci p it aç ão ( m m ) Tempo (min) Pordenada Pef 12 7 154.00 2.57 0.39 8 176.00 2.93 0.33 9 198.00 3.30 0.27 10 220.00 3.67 0.21 11 242.00 4.03 0.14 12 264.00 4.40 0.08 13 286.00 4.77 0.02 14 308.00 5.13 0.00 15 330.00 5.50 0.00 Fonte: Os autores (2023). Figura 6 - Hidrograma Unitário (HUT) de pré-ocupação Fonte: Os autores (2023). Após o cálculo da convolução, obteve-se o hidrograma total de projeto (figura 7), constando uma vazão pico de 13,27 m³/s ou 34,4 hm³/mês. O volume total de reservatório foi de 2,43 hm³. 0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 0.60 0.00 1.00 2.00 3.00 4.00 5.00 6.00 V az ão ( m ³/ s) Tempo (horas) 13 Figura 7 - Hidrograma de Pré-Ocupação Fonte: Os autores (2023). 0 2 4 6 8 10 12 14 0 44 88 132 176 220 264 308 352 396 440 484 528 572 616 660 V az ão ( m ³/ s) Tempo (minutos) Q final (m³/s) 14 3 ESTUDO DE PÓS-OCUPAÇÃO 3.1 Cálculo do CN para pós ocupação Da área total da bacia de 4,57 km², aproximadamente, 75% pode ser ocupado. Dessa maneira, considerou-se um CN para lotes acima de 4000 m², e outro para parques de estacionamento, telhados e viadutos. Portanto, o CN médio para análise da pós-ocupação é de 83,75. Assim, como no cálculo de pré-ocupação, os valores de CN foram obtidos através da tabela da figura 2. 3.2 Definição do tempo de concentração, duração da simulação e intervalo de tempo para pós ocupação De acordo com as características e dimensões da bacia, a equação julgada como adequada para determinação do tempo de concentração foi a equação de McCuen, já que os parâmetros de projeto respeitam os da fórmula, sendo eles a declividade e o comprimento, como sugere a figura 8. 15 Figura 8 – Parâmetros da equação de McCuen Fonte: Silveira (2005). As variáreis utilizadas na equação foram: • H = 32m, é a diferença de nível da bacia; • L = 3,7 km, é o comprimento do arroio que conduz o escoamento; • S =0,009 m/m, é a declividade; • i = 35 mm/h, é um parâmetro fixo adotado para a equação de McCuen (Figura 9). 16 Figura 9 – Parâmetro fixo adotado na fórmula McCuen Fonte: Silveira (2005). A equação escolhida determinou um tempo de concentração de 0,97 horas. Dessa maneira, considerou-se o tempo de duração da chuva igual a duas vezes o valor de Tc, sendo de 116,87 minutos (1,95 horas). O intervalo de tempo para duração da simulação é de 0,133 x Tc, sendo definido como 7,77 minutos. A equação IDF utilizada foi a da curva ajustada para um evento de 24 horas, realizada em estudo anterior. A seguir, encontram-se as equações McCuen e IDF. Tc = 2,25𝑖−0,7164𝐿0,5552𝑆−0,2070 onde, i = 35 mm/h; L = km; S = m/m onde, I = mm/h; TR = anos; t = minutos. 3.3 Hietograma, HUT e Hidrograma de projeto após urbanização O gráfico da figura 10, nos mostra a chuva efetiva, lembrando que nesse método nem tudo que chove escoa. Em seguida, na Tabela 2, as vazões do hidrograma unitário e posteriormente seu gráfico ao longo do tempo (figura 11). I = 733,255 𝑇𝑅0,1524 (𝑡+7,1981)0,7298 17 Figura 10 – Hietograma de pós-ocupação Fonte: Os autores (2023). Tabela 2 - Vazões do Hidrograma Unitário de pós-ocupação Índice Tempo (min) Tempo (horas) Vazão (m³/s) 0 0.00 0.000 0.00 1 8.00 0.133 0.30 2 16.00 0.267 0.60 3 24.00 0.400 0.90 4 32.00 0.533 1.20 5 40.00 0.667 1.44 6 48.00 0.800 1.26 0.00 5.00 10.00 15.00 20.00 25.00 P re ci p it aç ão ( m m ) Tempo (min) Pordenada Pef 18 7 56.00 0.933 1.08 8 64.00 1.067 0.90 9 72.00 1.200 0.72 10 80.00 1.333 0.54 11 88.00 1.467 0.36 12 96.00 1.600 0.18 13 104.00 1.733 0.00 14 112.00 1.867 0.00 15 120.00 2.000 0.00 Fonte: Os autores (2023). Figura 11 - Hidrograma Unitário (HUT) de pós-ocupação Fonte: Os autores (2023). Após o cálculo da convolução, obteve-se o hidrograma total de projeto (figura 12), constando uma vazão pico de 27,04 m³/s ou 70,09 hm³/mês. O volume total de reservatório foi de 1,81 hm³. 0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 1.20 1.40 1.60 0.000 0.500 1.000 1.500 2.000 2.500 V az ão ( m ³/ s) Tempo (horas) 19 Figura 12 - Hidrograma de Pós-Ocupação Fonte: Os autores (2023). Por fim, como produto, esse estudo obteve a comparação dos hidrogramas de pré e pós ocupação, ilustrado abaixo. Figura 13 - Comparação hidrogramas pré e pós-ocupação Fonte: Os autores (2023). 0 5 10 15 20 25 30 V az ão ( m ³/ s) Tempo (minutos) Q final (m³/s) 0.00 5.00 10.00 15.00 20.00 25.00 30.00 0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00 12.00 V az ão ( m ³/ s) Tempo (horas) Pré Ocupação Pós Ocupação 20 4 PARECER TÉCNICO Com esse estudo realizado de pré e pós-ocupação, contatou-se que a urbanização impacta diretamente no escoamento superficial da água, aumentando a vazão de pico de 13,27 m³/s para 27,04 m³/s, além de diminuir o tempo de concentração drasticamente, de 2,74 horas para 0,97 horas. Portanto, estas características acabam alterando os volumes totais dos hidrogramas, de 2,43 hm³ para 1,81 hm³. Isso acontece devido a vazão de pico ser alcançada logo nas primeiras horas de chuva após a urbanização, com uma duração de tempo de escoamento muito inferior ao hidrograma de pré-ocupação. Sendo assim, a intensidade de chuva escoada em pouco tempo ressalta a importância de um bom dimensionamento do sistema de drenagem. 21 REFERÊNCIAS FRITSCH, Fabricius Eduardo Danieli. INFLUÊNCIA DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NAS VAZÕES DE PICO NA BACIA HIDROGRÁFICA DO ALTO RIO LIGEIRO, PATO BRANCO – PR. Paraná: Universidade Tecnológica Federal do Paraná, 2013. KUREK, Roberta Karinne Moeva. Avaliação do tempo de retorno dos níveis das inundações no Vale do Taquari/RS. Lajeado: Centro Universitário Univates, 2012. SARTORI, Aderson et al. Classificação Hidrológica de Solos Brasileiros para a Estimativa da Chuva Excedente com o Método do Serviço de Conservação do Solo dos Estados Unidos Parte 1: Classificação. Porto Alegre: Revista Brasileira de Recursos Hídrico, 2005. SILVEIRA, André Luiz Lopes da. Desempenho de Fórmulas de Tempo de Concentração em Bacias Urbanas e Rurais. Porto Alegre: Revista Brasileira de Recursos Hídricos, 2005. THOMAZ, Plínio. Capítulo 12 - Infiltração usando o Método do número da curva CN do SCS. São Paulo, 2011. Disponível em: https://engenhariacivilfsp.files.wordpress.com/2014/05/infiltrac3a7c3a3o-usando-o- mc3a9todo-do-nc3bamero-da-curva.pdf. Acesso em: 31 maio 2023.