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RESUMO_ CONSTITUCIONAL _caderno

Resumo sobre Constituição: definição; contexto histórico e influências (Hobbes, Locke, Montesquieu, Rousseau); aspectos material, formal e processual; constitucionalismo e norma fundamental (Kelsen); controle de constitucionalidade; classificações por forma, rigidez e extensão.

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Definição de Constituição
Definição
A Constituição é o conjunto de normas fundamentais que organizam o Estado, limitam o poder estatal, e garantem direitos e liberdades. É essencial para assegurar a separação de poderes e proteger os direitos dos cidadãos.
Contexto Histórico
Após a queda do Império Romano do Ocidente, surgiram os feudos, que evoluíram em cidades chamadas burgos, habitadas por uma nova classe: a burguesia. Essa classe buscava protagonismo político, desafiando a teoria de Hobbes, que concentrava o poder no soberano. A formação dos Estados Nacionais exigiu novas teorias políticas.
Filosofia Política
Hobbes defendia o poder absoluto do soberano, mas Locke introduziu a ideia de limitar esse poder através de uma Constituição. Montesquieu propôs a separação dos poderes em Legislativo, Executivo e Judiciário, para evitar abusos de poder.
Origem Liberal
O conceito de Constituição moderna surgiu no século XVI, com a necessidade de limitar o poder absolutista dos monarcas. Influenciados pelas Revoluções Francesa e Americana, pensadores como Rousseau transferiram a soberania para o povo. A Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 reforçou a importância da garantia de direitos e da separação de poderes.
Aspectos da Constituição
· Material: Define valores e direitos fundamentais, como dignidade humana, justiça, e liberdades individuais.
· Formal: Estrutura orgânica que divide funções entre órgãos distintos, assegurando checks and balances.
· Processual: Estabelece procedimentos legais justos e respeita direitos individuais.
Constitucionalismo
O constitucionalismo implica a limitação do poder estatal e a supremacia da lei. Não basta ter uma ordem jurídica qualquer; ela deve garantir direitos fundamentais, limitar o governo e assegurar a separação dos poderes.
Norma Fundamental
Segundo Kelsen, a norma fundamental é a base que valida todas as outras normas dentro de uma ordem jurídica. Ela estabelece a autoridade da Constituição e a necessidade de obedecer a suas disposições.
Conclusão
A Constituição é o instrumento central que limita o poder estatal, assegura direitos e liberdades, e organiza a estrutura do Estado. É fundamentada em teorias filosóficas e políticas que evoluíram para proteger os indivíduos e garantir um governo limitado e equilibrado.
Controle de constitucionalidade
Sujeito: Quem manifesta à vontade.
Objeto: O assunto pelo qual a vontade será manifestada.
Forma: A forma é o veículo pelo qual essa vontade será manifestada.
Se possui esses três elementos a norma existe. 
Competente: A lei precisa conferir ao sujeito competência. Está ligada à limitação dos poderes do Estado.
Permitido pela Constituição: A norma jurídica não pode contrariar o texto constitucional.
Processo legislativo: Toda norma jurídica possui uma regra para ser criada, e esta norma jurídica não pode contrariar as regras para sua construção.
Se possui esses três elementos a norma tem validade.
Eficácia: Aptidão para produzir efeitos jurídicos.
Classificação das constituições
Características das constituições.
· Forma
· Escrita (Dogmáticas): São codificadas e sistematizadas em um único documento, trazendo estabilidade, segurança jurídica e publicidade. São vistas como o mais alto estatuto jurídico de uma comunidade.
· Não Escrita (Dogmáticas): Baseiam-se em leis esparsas, costumes, jurisprudência e convenções. Exemplos incluem a Constituição inglesa, que evoluiu ao longo da história e tradições de um povo.
· Estabilidade ou Consistência
· Flexíveis: Podem ser alteradas pelo processo legislativo ordinário. Normalmente não escritas.
· Rígidas: Alterações exigem um processo legislativo mais solene e dificultoso. Exemplo: Constituição Federal de 1988 do Brasil.
· Semirrígidas: Algumas regras podem ser alteradas pelo processo legislativo ordinário, outras por um processo mais dificultoso.
· Super-rígidas: Algumas partes são imutáveis, exigindo processos especiais para alterações. Exemplo: cláusulas pétreas da CF/88.
· Imutáveis ou Utópicas: Proíbem qualquer alteração, sendo consideradas relíquias históricas. Algumas têm limitações temporais.
· Extensão
· Sintéticas ou Concisas: Contêm princípios e normas gerais, duradouras, com interpretações da Suprema Corte. Exemplo: Constituição dos EUA.
· Analíticas: Regulamentam todos os assuntos relevantes, incluindo detalhes que poderiam estar em leis infraconstitucionais. Exemplo: Constituição brasileira de 1988.
· Análise Ontológica
· Normativa: Disciplinam efetivamente o processo de poder, com cumprimento leal pelas partes interessadas.
· Nominalistas: Contêm disposições de limitação de poder que não são efetivamente implementadas, mas podem vir a ser normativas no futuro.
· Semânticas: Servem apenas como reflexo da realidade política, sem limitar efetivamente o poder.
· Origem
· Populares, Democráticas ou Promulgadas: Elaboradas por uma Assembleia Constituinte eleita pelo povo. Exemplo: Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988.
· Outorgadas: Imposições unilaterais por um agente revolucionário ou governante, sem legitimidade popular. Exemplo: Constituições brasileiras de 1824, 1937, 1967.
· Cesaristas: Formadas por plebiscito popular sobre um projeto elaborado por um ditador, visando ratificar a vontade do poder dominante. Exemplo: plebiscitos napoleônicos.
· Agente Produtor
· Heterônomas: Decretadas por outros Estados ou organizações internacionais, geralmente raras e causadoras de perplexidade. Exemplo: Constituição do Japão de 1946, Constituição da Namíbia de 1990.
· Autônomas: Originadas de dentro do próprio Estado, surgindo de uma nova manifestação de soberania ou de uma transformação radical da estrutura estatal.
Constitucionalismo Moderno
Modelo Inglês
Considerações Iniciais
O modelo britânico de constituição é caracterizado por sua natureza não escrita, flexível e consuetudinária, evoluindo ao longo dos séculos por meio de leis, convenções e práticas estabelecidas.
Três Fases do Modelo Britânico
1. Fase dos Primórdios: Magna Charta (1215)
· Em 1215, os barões forçaram o rei João Sem Terra a aceitar a Magna Charta, estabelecendo limitações ao poder real e marcando o início do constitucionalismo britânico. A partir do século XVI, a Inglaterra se consolidou como uma monarquia estável e potência naval.
2. Fase de Transição
· Petição de Direito (1628): O Parlamento limitou o poder do rei Charles I com a Petition of Rights. Conflitos entre o rei e o Parlamento levaram à guerra civil (1642-1648), à execução de Charles I e à breve República de Cromwell (1649-1658).
· Revolução Gloriosa (1688) e Bill of Rights (1689): A deposição de James II em 1688 e a ascensão de Guilherme de Orange resultaram na Bill of Rights, estabelecendo a supremacia do Parlamento e limitando o poder real.
3. Fase Contemporânea
· O poder no Reino Unido se estrutura em torno do Parlamento, da Coroa e do Governo. A supremacia parlamentar é o princípio constitucional central, sem controle de constitucionalidade, permitindo ao Parlamento criar e revogar leis sem contestação judicial.
Modelo Britânico
· Constituição Consuetudinária e Flexível: A Constituição britânica é flexível, podendo ser modificada por atos do Parlamento. A doutrina da supremacia parlamentar, desenvolvida por A. V. Dicey, afirma que o Parlamento pode criar e revogar qualquer lei sem contestação de outros órgãos.
· Governo Parlamentar: O Parlamento tem o poder de indicar e destituir o Primeiro-Ministro, que pode dissolver o Parlamento e convocar eleições. O Poder Judiciário é independente, mas historicamente fazia parte da Câmara dos Lordes.
Mudanças Recentes
· Human Rights Act (1998): Incorporou os direitos da Convenção Europeia de Direitos Humanos ao direito inglês, permitindo declarações de incompatibilidade entre leis e direitos fundamentais, pressionando politicamente o Parlamento a revisar suas legislações.
· Constitutional Reform Act (2005): Reorganizou o Poder Judiciário, criando uma Corte Constitucional independente e removendo as funções judiciais da Câmara dos Lordes e do Lorde Chanceler.Essa corte foi estabelecida em 2008, com os Law Lords como seus primeiros membros.
Modelo dos EUA
 Colonização e Autonomia Inicial: No século XVII, colonos ingleses estabeleceram-se na costa leste da América do Norte. Até meados do século XVIII, as colônias mantinham lealdade à Coroa britânica, beneficiando-se de certa autonomia e da tradição inglesa de poder institucionalizado. Governadores eram designados por Londres, mas as colônias tinham corpos legislativos eleitos localmente e um Judiciário independente.
 Conflitos e Tensões: A harmonia entre as colônias e a metrópole foi rompida por imposições tributárias e restrições econômicas. Tensões cresceram na década de 1760, exacerbadas por eventos como o Stamp Act de 1765, o Massacre de Boston em 1770 e o Boston Tea Party em 1773.
 Reação Organizada: Em resposta às sanções inglesas e medidas conhecidas como atos intoleráveis, o Primeiro Congresso Continental foi convocado em 1774. Este marcou o início da reação organizada das colônias contra a Coroa britânica.
 Guerra e Decisões Cruciais: Já em estado de guerra, o Segundo Congresso Continental se reuniu de 1775 a 1788, tomando as 
principais decisões que definiriam o futuro da revolução americana.
Declaração da Virgínia (1776)
· Influências Contratualistas: Nos séculos XVII e XVIII, as teorias contratualistas destacaram a primazia do indivíduo sobre o Estado, defendendo que certos direitos são inerentes à natureza humana e precedem o próprio Estado. Essa visão legitima o Estado como uma instituição destinada a garantir os direitos básicos dos cidadãos.
· Impacto na Declaração de Direitos da Virgínia: Essas ideias influenciaram decisivamente a Declaração de Direitos da Virgínia, de 1776. Este documento marcou um ponto crucial no desenvolvimento dos direitos fundamentais, ao positivá-los como inerentes ao homem, transformando reivindicações filosóficas e políticas em normas jurídicas obrigatórias e exigíveis judicialmente.
Declaração da Filadélfia (1787)
· Articles of Confederation e Suas Limitações: Após a guerra revolucionária, ratificaram-se os Articles of Confederation em 1781, formando uma confederação frágil entre as treze colônias, sem um Executivo central, Judiciário federal, e com um Congresso sem poderes para instituir tributos ou regular o comércio entre os Estados.
· Convocação da Convenção Constitucional: A insatisfação com essa fórmula levou à convocação de uma convenção, que se reuniu na Filadélfia a partir de 14 de maio de 1787. Os delegados de doze Estados (exceto Rhode Island) abandonaram a revisão dos Artigos da Confederação, transformando-se na Convenção Constitucional.
· Lideranças e Resultados: Destacadas lideranças, como George Washington, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton e James Madison (futuro quarto Presidente dos EUA), desempenharam papéis cruciais na elaboração da nova Constituição, consolidando a estrutura de governo dos Estados Unidos.
Constitucionalismo Liberal
Quanto aos direitos enfatizados, percebe-se a inspiração na tradição jusnaturalista relida a partir de certos autores contratualistas e das declarações de direitos, que acabam principalmente na ênfase nos chamados direito de primeira geração, que são, vida, liberdade, propriedade e igualdade em sentido formal.
Quanto ao perfil do Estado, é possível descrevê-lo do ponto de vista político e econômico. Politicamente, a proposta dominante era de um Estado de Direito a limitar por direitos e pela separação dos poderes os agentes políticos. Alguns falam em um Estado Liberal de Direito. Do ponto de vista econômico, esse Estado deveria se abster de intervir da propriedade e da vida privada, como uma forma de implementar separação bem definida entre o Estado e a sociedade, entre Estado e Igreja.
Quanto aos autores da época em uma classificação crítica, podem ser sistematizados em variadas matrizes do liberalismo político: (i) liberal conservadora – Edmund Burke; (ii) liberal republicana – Rousseau; (iii) liberal moderada – Locke e Siéyês; (iv) liberal igualitária – Tocqueville.
 Quanto às críticas propriamente ditas, é possível apontar que a defesa da autonomia privada e da igualdade formal prejudicavam os mais frágeis socialmente, porque o individualismo dificulta a visão das relações sociais. Mais do que isso, esconde que o a vontade popular é um discurso para legitimar a vontade de um grupo ou classe: o cidadão proprietário e a burguesia. Trabalhadores e grupos vulneráveis são excluídos do processo.
Constitucionalismo Social
uanto aos acontecimentos e documentos históricos, podemos citar: a Primavera dos povos e a Constituição francesa de 1848, a Revolução Mexicana e a Constituição de 1917 e a Constituição de Weimar de 1919. Além disso, é possível mencionar a Declaração do Povo Trabalhador e explorado da Rússia de 1918.
Quanto aos direitos enfatizados, são direitos sociais, econômico e culturais que chamam atenção para necessidade de uma igualdade material ou substantiva e não apenas formal. Os documentos abordam diversos direitos trabalhistas, previdência e função social da propriedade, entre outros. A proclamação dos direitos sociais como fundamentais fez com que irrompesse o Estado de bem-estar social (welfare state), onde os direitos fundamentais não eram mais vistos apenas como uma salvaguarda dos indivíduos perante as arbitrariedades do Estado. Passou-se a exigir do Estado direitos prestacionais, isto é, garantias para que os indivíduos possam exercer suas liberdades de forma efetiva, não as submetendo a outros indivíduos por estado de necessidade. Irradia-se, a partir de então, o ideal de igualdade material a ser concretizada a partir de políticas públicas destinadas à redistribuição de renda.
Quanto ao perfil do Estado, pode ser tanto um Estado Social, como o México ou a República de Weimar em seus primeiros anos antes do desmantelamento pelo nazismo, quanto o Estado socialista, como o Russo. Em qualquer matriz, apontava-se que o liberalismo se mostrou ineficaz na resolução dos problemas de ordem econômica das vastas camadas proletárias da sociedade e, assim, entrou em profunda crise. O Estado, antes passivo e afastado pelo liberalismo, tornou-se, agora, figura de postura mais interveniente na promoção da igualdade material.
Quanto aos autores da época em uma classificação crítica: Kenys:"O keynesianismo é uma das principais teorias econômicas da atualidade e tem como principal característica a defesa da intervenção do Estado na economia do país por diferentes mecanismos, como a geração de emprego, o controle dos juros, das taxas alfandegárias, entre outros. Foi desenvolvido na década de 1930, durante a grave crise econômica que atingia o mundo, e surgiu como uma resposta ao liberalismo clássico, em vigor nos Estados Unidos até a crise.
Durante a Guerra Fria, o keynesianismo alcançou seu auge por meio do estado de bem-estar social. Durante o período, o Estado era responsável por garantir a qualidade de vida da população para evitar que esta caísse nas tentações do comunismo soviético. Com o fim da União Soviética, o keynesianismo perdeu forças e gradativamente foi substituído pelo neoliberalismo. Esse processo continua na atualidade."[footnoteRef:1] [1: Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/doutrina-keynesiana.htm#:~:text=O%20keynesianismo%2C%20tamb%C3%A9m%20chamado%20de%20escola%20keynesiana%2C%20%C3%A9%20uma%20teoria,como%20garantir%20o%20crescimento%20econ%C3%B4mico. ] 
Socialismo (Marx): O marxismo (ou socialismo científico) é uma concepção de história e sociedade elaborada a partir das condições materiais de existência econômico-sociais e da dinâmica da luta de classes. Os fundadores do marxismo forjaram e empregaram o método do materialismo histórico e dialético para investigar as formações econômico-sociais pré-capitalistas, desvelar o conteúdo de classe e o processo de exploração do proletariado no capitalismo e defender a organização política da classe operária, a estratégia da revolução proletária e os métodos da luta de classes. Portanto, o marxismo necessariamenteestá vinculado à luta de classe do proletariado e demais explorados pela superação do capitalismo e constituição do socialismo, como via para a sociedade sem classes, o comunismo.[footnoteRef:2] [2: Fonte: https://lemarx.faced.ufba.br/arquivo/marx-engels-luta-socialismo-organizacao.pdf. 
] 
Concepção Sociológica
La salle: a Constituição de um País é, em essência, “a soma dos fatores reais do poder que regem uma nação”. Segundo Lassalle, “ninguém desconhece o processo que se segue para transformar esses escritos em fatores reais do poder, transformando-os desta maneira em fatores jurídicos”. Tal fenômeno ocorre de forma “diplomática”, não havendo uma declaração expressa de que “os senhores capitalistas, o industrial, a nobreza e o povo são um fragmento da Constituição, ou que o banqueiro X é outro pedaço da mesma”.
Slide do Adriano: 
· Constituição real ou efetiva;
· A soma dos fatores reais de poder
· Constituição escrita ou jurídica: Para La Salle: Nos Estados Modernos, com o fenômeno do monopólio do Direito pelo Estado, é que surgem, de modo generalizado, as Constituições escritas, cuja missão é a de estabelecer documentalmente, numa folha de papel, todas as instituições e princípios do governo vigente “.
· Mera Folha de papel desprovida de efetividade. 
Efetivo ≠ Legitimo. 
Para La Salle: A vontade nacional, e de todas as classes que a compõem, por mais unânime que seja, fica minada pela prerrogativa atribuída a um grupo de cidadãos que detêm a propriedade do solo. 
Apenas o rei (e o Exército) pode superar o poder atribuído às três classes de eleitores. Como chefe supremo das Forças Armadas, uma vez que estas não são obrigadas a prestar juramento à Constituição, mas ao rei, possui este um poder muito superior ao que goza a Nação inteira, mesmo tendo esta um poder efetivo muito maior que do Exército. Isso porque o Exército se constitui numa força organizada que pode reunir-se a qualquer hora do dia ou da noite e que funciona com disciplina, enquanto o povo, mesmo sendo em número superior, não se encontra organizado, além de não possuir canhões.[footnoteRef:3] [3: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/388/r139-05.pdf?sequence=4&isAllowed=y. ] 
 La salle: a Constituição de um País é, em essência, “a soma dos fatores reais do poder que regem uma nação”. Segundo Lassalle, “ninguém desconhece o processo que se segue para transformar esses escritos em fatores reais do poder, transformando-os desta maneira em fatores jurídicos”. Tal fenômeno ocorre de forma “diplomática”, não havendo uma declaração expressa de que “os senhores capitalistas, o industrial, a nobreza e o povo são um fragmento da Constituição, ou que o banqueiro X é outro pedaço da mesma”.
Concepções Jurídicas
· O fundamento da constituição se encontra no plano jurídico, assim como as demais leis.
Kelsen: a constituição deveria apenas conter normas de procedimento
Constituição em sentido jurídico-positivo: a Constituição é entendida como uma norma positiva, ou seja, uma norma que foi efetivamente escrita e promulgada. Nesse sentido, a Constituição é a norma máxima do sistema, servindo como o critério último de validade para todas as outras normas jurídicas. Todas as leis e atos normativos devem estar em conformidade com a Constituição para serem válidos. Aqui, Kelsen antecipa a moderna doutrina do controle de constitucionalidade.
A partir dessa concepção, surge a famosa "Pirâmide de Kelsen", onde a Constituição está no vértice e as normas infraconstitucionais estão organizadas em hierarquia abaixo dela. Esta imagem ilustra a ideia de que a Constituição confere validade a todo o sistema jurídico e que as normas devem ser compatíveis com ela para terem eficácia.[footnoteRef:4] [4: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-dupla-natureza-da-constituicao-na-teoria-kelseniana-uma-analise-do-sentido-logico-juridico-e-juridico-positivo/2033651994. ] 
Constituição em sentido lógico-jurídico: Norma Hipotética Fundamental. Na teoria pura do direito de Kelsen, a norma hipotética fundamental serve como alicerce para o ordenamento jurídico. Não é uma norma escrita ou formalmente estabelecida, mas uma premissa lógica que valida todas as outras normas jurídicas. A norma hipotética fundamental é uma construção lógica necessária para que o sistema jurídico não busque seu fundamento em uma ordem metafísica ou moral externa, mantendo assim a autonomia e a pureza do Direito.
Kelsen refuta a ideia de que a legitimidade do sistema jurídico possa ser derivada de uma realidade fora do próprio Direito, como a justiça natural, a vontade divina, ou a moral. Ao invés disso, ele argumenta que a validade de uma norma jurídica é dada pela sua conformidade com normas de nível superior, até que se chegue
Concepção Política
Carl Smitth (Nazismo):
· Suas obras são produzidas, sobretudo, na primeira metade do século XX.
· Filiado ao Partido Nazista: Ele que fomenta e desenvolve o pensamento jurídico-político do regime nazifacista.
· Teoria alternativa no cenário da elaboração da Constituição de Weimar:
· Oposição a ordem liberal-democrática até então vigente.
· Seus argumentos estão baseados na tradição, que buscam identificar no passado elementos para esse novo Estado (Nazista).
· O Estado para ele é composto basicamente pela: burocracia + Exercito. Assim, o movimento do partido nacional-socialista constitui um elemento dinâmico da estrutura e, consequentemente, o Estado per o monopólio político e passa a ser reconhecido como uma parte política. 
· E o povo? O povo é apolítico da visa pública, mantida “sob a proteção e na sombra das decisões políticas. Assim, esse grupo despolitizado são chamados a participar dos processos decisórios apenas de uma forma aclamatória, por meio da convocação de plebiscitos e convocações.
· Dessa maneira, para o autor a política está relacionada diretamente com a liderança de seu líder (ditador) de modo que, compete ao partido político a garantia da identidade entre líder e seguidores. Como é essa identidade? Possui caráter étnico e racial e é considerada uma condição da existência e da fundação da unidade política do estado alemão.
· A constituição, como ápice do ordenamento jurídico, não se apoia em outras normas, mas apenas em uma decisão política: Assim, compete ao Estado garantir o equilíbrio entre as ordens concretas podendo intervir a qualquer momento. E o Direito? O Führer protege o Direito, retomado mais à frente, a necessidade extrema constitui o princípio último da ordem jurídica e autoriza o Führer a criar o direito “sem mediações”, no exercício da liderança política em momentos de crise ou de exceção (SCHMITT, 1934a: 179).
 Isso ocorre não só porque o Estado mantém um papel superior, mas também porque, no domínio nazista, as ordens concretas deveriam ser lidas a partir da visão de mundo nacional-socialista. Pode-se imaginar, nesse sentido, que as instituições dignas de proteção seriam, por exemplo, a empresa ariana e a família ariana. Por sua vez, a possibilidade de tais construções remete à adoção de métodos de interpretação jurídica que, afastando perspectivas positivistas e formalistas, permitiriam uma politização ou ideologização do direito, colocado a serviço dos objetivos de dominação nazista
· Constituição ≠ lei constitucional
Caráter Material: As normas materialmente constitucionais são aquelas que tratam de temas essencialmente constitucionais
Caráter Formal: são aquelas que, embora tenham este status formal, porque produzidas pelo Poder Constituinte, não tratam de temas tipicamente constitucionais, ou não decorrem de decisão política fundamental
· H. Lange definiu como “ovos de cuco” no sistema jurídico liberal, intepretando-as como sinais da superação do pensamento jurídico positivista surgido no séc. XIX. No momento em que conceitos como “boa- fé”, “bons constumes” etc não são referidos à sociedade contratualista burguesa, caracterizada pelo individualismo, mas aos interesses da totalidade do povo [Volksganze], todo o direito se transforma efetivamente, sem que se faça necessário alterar umaúnica lei “positiva”. Por isso sou da opinião que nessas cláusulas gerais um novo modo de pensamento jurídico se pode afirmar. Mas elas não devem então ser usadas como mero corretivo do positivismo até agora existente, mas como meios específicos de um novo tipo de pensamento na ciência do direito (SCHMITT, 1934: 170-171) (grifos acrescidos).
Por exemplo: No direito penal, por exemplo, tipos penais indeterminados “tais como infidelidade, traição contra o povo e contra a economia nacional” introduziam apreciações valorativas e políticas na interpretação das normas.
Teorias Concretistas e estruturante
Hesse:
· A constituição Jurídica: não é mero pedaço de papel como apontava La Salle.
· A Constituição não está desvinculada da realidade histórica concreta, simplesmente, por essa realidade. Em virtude disso, existem pressupostos realizáveis que, mesmo em caso de confronto, possibilita assegurar a força normativa da Constituição.
· Há necessidade da vontade de Constituição: necessidade de cumpri-la e de conformar a realidade com as normas nela prescritas, pois a lém do ser ela prescreve um dever ser.
· Contrapõe Le Salle: à Conclusão de que La salle chega ao afirmar que a Constituição de um determinado país somente tem por base os valores reais e efetivos do poder que naquele país objetivam se contrapor a Hesse.
· Constituição tem capacidade de contrapor os fatores sociais e materiais, de acordo com as próprias leis, que atuam de maneira independente das formas jurídicas. vontade convergente à sua realização: A Constituição não se resume a uma expressão e um ser, mas também de um dever ser, o que significa mais do que o simples reflexo das condições fáticas de sua vigência, particularmente as forças socias e políticas.
Fredrich Muller
· Friedrich Müller: concepção “estruturante” do Direito: Na teoria pós-positivista de Friedrich Müller, toda atividade jurídica se apresenta como atividade política, sempre sendo guiada por textos normativos.
· A norma não se confunde com o texto normativo (programa normativo): Critica-se, também, a ausência de critérios para controle da decisão volitiva (impossibilidade de racionalização dos teores materiais normativos), já que Kelsen deixa de indicar quais métodos seriam capazes de delimitar a “moldura normativa”. 
Não se admite, ainda, a utilização da denominação da teoria pura como “normativismo”, já que, sob a perspectiva da TED, a normatividade decorreria diretamente do processo de concretização da norma, o qual, por sua vez, dialoga diretamente com a realidade, que é ordenada pela norma, mas também constitutiva desta.
Na TED, “a norma sofre influência da realidade (normatividade materialmente determinada), ao mesmo tempo em que, posteriormente, exerce influência sobre esta realidade (normatividade concreta)”
 Sendo assim, a TED se diferencia da teoria pura, na medida em que: 
(i) sua concepção de norma se dá de forma estruturada, levando em consideração não apenas o texto de norma, mas também a realidade circundante; e 
(ii) no plano da realização prática do Direito, a TED se fundamenta na ideia de concretização, superando a noção 
(iii) positivista de mera interpretação e aplicação do Direito.
Neoconstitucionalismo
Origem do termo: A expressão Neoconstitucionalismo deveria ser usada no plural (neoconstitucionalismos), porque reúne diversos autores e correntes, definitivamente, não uniformes, mas que guardam pontos em comum.
Marco Histórico: O Neoconstitucionalismo tem como grande marco histórico a 2ª Guerra Mundial. Após as barbáries perpetradas pelo regime nazifascista na Europa, mas também na experiência oriental, como se deu no Japão, percebeu-se a necessidade de um novo constitucionalismo, com novas características e novos institutos, para que as barbáries não fossem esquecidas e, sobretudo, repetidas. 
Marco Filosófico
· O neoconstitucionalismo tem como marco jusfilosófico o pós-positivismo. 
· O pós-positivismo tem, dentre os principais expoentes, Ronald Dworkin nos EUA e Robert Alexy na Alemanha, é possível identificar alguns elementos centrais e comuns:
1. a reaproximação entre Direito e moral;
2. o reconhecimento da força normativa dos princípios, antes tidos como meras fontes subsidiárias do direito; e
3. a importância da argumentação jurídica
Marco Normativo
É o Estado que coloca como epicêntro hermenêutico e axiológico, portanto, como norte de todas as suas atividades, a dignidade da pessoa humana.
Por isso, uma das características mais importantes do neoconstitucionalismo é a centralidade dos direitos fundamentais. Ademais, em decorrência do desenvolvimento de uma sociedade em massa e globalizada, com novas potenciais violações de direitos individuais e coletivos, com o neoconstitucionalismo, novos direitos passam a ser protegidos. 
Fala-se, portanto, em direitos de 3ª geração, como os direitos coletivos em sentido amplo (ex: meio ambiente ecologicamente equilibrado) que integram todo o gênero humano. Fala-se também em direitos de 4ª, 5ª e até 6ª geração (aqui, já não há mais uniformidade na doutrina).
Marco histórico[footnoteRef:5] [5: Fonte: MATOS, 2006, p.135-137.] 
• Constitucionalismo do pós-guerra (especialmente Alemanha e Itália): 
· Considerada um marco do constitucionalismo social, essa Carta jamais logrou verdadeira efetivação. Vigência sob condições precárias imposto pelo Tratado de Versailles.
· . Em março de 1933, foi publicada a “lei de autorização” permitia a edição de leis diretamente pelo governo imperial quando divergissem do texto constitucional.
· Tratado de Nuremberg: Lei Fundamental da República Federal da Alemanha (1949), marcada pela reafirmação dos valores democráticos + Com foco nos tradicionais direitos de liberdade + com a inviolabilidade corporal + a liberdade de locomoção+ de expressão e de consciência+ dentre outros.
• Lei Fundamental de Bonn (Constituição alemã), de 1949[footnoteRef:6]: A Lei Fundamental de 1949, não foi feita para ser uma Constituição definitiva, possuindo, desde sua entrada em vigor, um caráter transitório. [6: FONTE: BARROSO, 2018, p.64.] 
· Enumera os direitos fundamentais dos cidadãos logo no início do seu corpo de texto, o que denota, para muitos, a preocupação em se evitar (e mesmo prevenir) os erros cometidos no passado (Nazismo) e, ao fazê-lo, a Constituição alemã, por meio do Estado se compromete a respeitar e proteger os cidadãos, tendo como suporte essencial o princípio da dignidade humana.
Marco Filosófico
· Pós-positivismo: sublimação do jusnaturalismo e do positivismo em um conjunto e abrangente de ideias. O direito constitucional: O direito Constitucional positivo é composto por m conjunto de normas jurídicas em vigor que possuem o status de normas constitucionais, isto é, que são dotadas de máxima hierarquia dentro do sistema.
· Teoria dos direitos fundamentais edificada sobre o fundamento da dignidade humana[footnoteRef:7]: [7: BARROSO, 2010, P.3-4.] 
· A dignidade da pessoa humana tornou-se, nas últimas décadas, um dos grandes consensos éticos do mundo ocidental. Ela é mencionada em incontáveis documentos internacionais, em Constituições, leis e decisões judiciais.
· O direito constitucional moderno, investindo de força normativa, ordena e conforma a realidade social e política, impondo deveres e assegurando direitos.
 
Críticas
• Método irracional, a decisão jurídica é ditada pelo aplicador do Direito, de acordo com a vontade do intérprete
• Substituição da vontade do Legislador, eleito democraticamente, pela
vontade do juiz, cuja nomeação, regra geral, não se dá por eleição Substituição do governo das leis pelo "Governo dos juízes”
 Críticas: A juridicização do direito constitucional e a atuação profícua dos tribunais constitucionais ou das cortes a eles equiparáveis deram especial destaque à jurisprudência constitucional, característica marcante do novo direito constitucional.
Transconstitucionalismo
· Chegamos ao conceito de transconstitucionalismo, desenvolvido por Marcelo Neves. 
· A ideia de transconstitucionalismo decorre do reconhecimento de sociedadescada vez mais complexas e da globalização. Ora, por consequência, o ordenamento jurídico também é cada vez mais complexo.
· Variedade das fontes normativas: fontes locais, regionais, nacionais, supranacionais (como nos grandes blocos comunitários, tais quais o europeu), internacionais ou mesmo privadas, como regulamentos de grandes multinacionais que impactam a vida de milhares de pessoas.
O ordenamento jurídico cada vez mais complexo e em rede. Isto significa que ele fica cada vez menos hierarquizado
Poder Constituinte Originário
Poder Constituinte Originário
· Qual seu objetivo? É o poder de criar uma nova Constituição ou de substituir uma antiga. 
· Quem Exerce esse poder? É exercido pelo povo ou por uma entidade que, em nome do povo.
· Qual a finalidade? Dar legitimidade e estabelecer a estrutura fundamental do um Estado. 
· Como esse poder é caracterizado?
· ilimitado, 
· soberano e
· autônomo
Poder Constituído
Poder Constituído: Uma vez estabelecida a constituição, cria-se o poder constituído, que inclui:
· todas as autoridades + instituições criadas pela constituição: (Executivo, o Legislativo e o Judiciário). 
Como é esse poder?
Este poder é derivado e limitado pelas normas constitucionais e deve operar dentro dos limites estabelecidos pela constituição.
Contexto Histórico: 
· A teoria do poder constituinte surgiu no contexto das revoluções do final do século XVIII, especialmente a Revolução Francesa. 
Autor referência
Emmanuel Sieyès:
· O que é o Terceiro Estado?
· Articulou a ideia que o poder constituinte reside no povo e que
ele tem a capacidade de criar e definir a ordem constitucional.
Sieyès defende que o Terceiro Estado deve ser entendido como uma nação completa, um conjunto de cidadãos pertencentes a ordem comum. Tudo que é privilegiado, ainda que por lei, foge da ordem comum, constitui uma exceção à lei comum. 
Para não privilegiar determinado público, a lei não pode ser específica para um determinado público. 
Sieyès, além da mera necessidade de respeitar a "vontade geral", elabora todo um "processo reflexivo significando um instrumento de limitação da estrutura representativa".
Sieyès formula três petições para que a participação política do Terceiro Estado fosse eficaz e verdadeira 
1. É necessário que os representantes do Terceiro Estado sejam escolhidos apenas entre os cidadãos que efetivamente pertençam a essa classe. 
2. O número de deputados do terceiro Estado deve ser igual aos do clero e da nobreza. 
3. A organização dos Estados Gerais deve funcionar na lógica de uma Assembleia Nacional onde os votos sejam contatos por cabeça e não por ordem. 
Conceito: A teoria do poder constituinte:
· Essencial para entender a legitimidade das constituições
· Dinâmica da mudança Constitucional.
· Importância: Justificar a criação de uma nova ordem constitucional em momentos de ruptura política ou social.
· Estabelecer a soberania do povo como a fonte última de legitimidade constitucional.
· Diferenciar: Criação de normas fundamentais (poder constituinte) e a aplicação e interpretação dessas normas (poder constituído).
Características:
1. Inicial: O que significa que o poder pretende inaugurar a ordem jurídica.
2. Ilimitado: O poder constituinte originário é ilimitado, não se subordina aos limites anteriores, como os privilégios da nobreza.
· O único limite que se admite, segundo o próprio Sieyès é o direito Natural.
3. Incondicionado: O poder constituinte originário é incondicionado.
· Não há uma maneira específica para que esse poder constituinte se manifeste. Ou seja, não há barreiras para que esse poder se manifeste, não há uma forma preestabelecida.
· Não existe um prazo predeterminado para manifestação do poder constituinte.
· Quatro críticas importantes a cada uma das características tradicionais: 
Inicialidade: Os Estados contemporâneos já tem suas constituições, logo não pode ser considerado como um ato necessariamente inicial. 
Incondicionalidade:. Segundo Jon Elster, o processo deve engajar a população (referendo, plebiscito), ser público e com interação popular. 
Ilimitabilidade: Limites por meio dos direitos humanos e pelas normas imperativas de direitos internacional (Jus cogens). 
Imprescritibilidade: É questionada a necessidade de o poder constituinte sair de cena e permanecer em estado de latência. 
De acordo com Antonio Negri, se pensa de forma imanente o poder constituinte, afirma que o povo não precisa sair na cena política. O poder constituinte originário da Constituição de 1988: 
➔ Modelo de Congresso Constituinte. 
➔ Emenda Constitucional n. 26/1985 Art. 1º 
➔ Os Membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal reunir-se-ão, unicameralmente, em Assembleia Nacional Constituinte, livre e soberana, no dia 1º de fevereiro de 1987, na sede do Congresso Nacional. 
Poder Constituinte Derivado
· Poder “criado” pelo originário, sendo, portanto, limitado por este.
Poder Constitucional no Brasil
· Classificação com esteio no art. 60 da Constituição. 
· Limite circunstancias são os que impedem a reforma da Constituição em momentos de anormalidade institucional: 
· Decorrente de situações atípicas ou crises (art. 60§1º): Estado de Sítio, de defesa e intervenção federal como o Estado de sítio, de defesa e a intervenção federal. 
Limites formais ou procedimentais: 
· Rito que deve ser seguido para alteração do texto constitucional.
· Iniciativa privativa de um terço da Câmara dos Deputados, um terço do Senado Federal, do Presidente da República e de mais da metade das Assembleias Legislativas por maioria relativa em cada uma, tendo quórum de três quintos, ou seja, um quórum qualificado e dois turnos em cada casa. 
Limites materiais: Visa conservar a essência, identidade original, os pré-compromissos assumidos de uma constituição, cláusulas de intangibilidade ou cláusulas pétreas (art. 60, § 4º). 
Limites temporais: Sessão legislativa (art. 60, § 5º), princípio da anualidade eleitoral (art. 16). 
Limites implícitos: São limites não expressos ou implícitos ao Poder de Reforma. Os limites ao poder de reforma seriam intransponíveis ou, ao contrário, se eles próprios. 
Duas exceções quanto ao procedimento: Modificar o procedimento de reforma para dificultar a inserir requisitos como referendo e plebiscito. 
Poder constituinte derivado decorrente: Se refere ao poder de criação das constituições dos entes subnacionais, bem como para refletir sobre a reforma dessas Constituições estaduais. 
Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observando os princípios da Constituição Federal (art. 25). Esses princípios são limites à manifestação do poder constituinte derivado decorrente: 
Princípios sensíveis: Expressos no art. 34, VII. 
Forma republicana, sistema representativo e regime democrático, contemplando os Direitos da pessoa humana e tem autonomia municipal, visando prestação de contas da administração pública, direta e indireta, dos gastos realizados. 
Princípios estabelecidos: Limitam, vedam ou proíbem diretamente a ação do poder constituinte decorrente do Estado-membro. 
Princípios extensíveis: Limitam diretamente o poder de reforma e, indiretamente, o poder constituinte decorrente ou do Estado-membro
Princípio da simetria: Criado pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. O limite ao poder constituinte de reforma ou um desenho institucional destinado à organização do Estado e dos poderes federais que serve de modelo ao Estado-membro, para evitar assimetrias. 
Interpretação e aplicação das normas constitucionais
Interpretação e aplicação das normas constitucionais são processos que transformam o texto constitucional em normas jurídicas concretas e operacionais, garantindo a efetivação dos direitos e a estabilidade do ordenamento jurídico. 
➔ Norma jurídica não se confunde com o seu texto (Texto + Interpretação = Norma jurídica).
 ➔ Texto é algo que se interpreta, a norma é o produto da interpretação. Especificidades das normas constitucionais: Tanto o Preâmbulo quanto o ADCT desempenham papéis específicos e importantes dentroda estrutura constitucional.
 O Preâmbulo estabelece os princípios e valores fundamentais que orientam a interpretação do texto constitucional, enquanto o ADCT (Disposição Constitucionais Transitória) regula a transição e a implementação das novas normas constitucionais, garantindo a continuidade e a estabilidade do ordenamento jurídico. 
Eficácia das normas constitucionais
Eficácia das normas constitucionais: A eficácia das normas constitucionais refere-se ao grau de concretização e aplicabilidade dessas normas na prática jurídica e social. 
No Brasil, as normas constitucionais são classificadas quanto à sua eficácia em três categorias principais. 
Normas de Eficácia Plena: São aquelas que possuem aplicabilidade imediata, independente de regulamentação infraconstitucional. Entram em vigor assim que a Constituição é promulgada e não necessitam de atos adicionais para produzirem efeitos. 
Exemplo: O artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que garante os direitos e garantias fundamentais. 
Normas de Eficácia Contida: Têm aplicabilidade imediata, mas sua eficácia pode ser restringida por lei infraconstitucional. 
Elas produzem efeitos desde a promulgação da Constituição, mas o legislador pode estabelecer limites ou condições para sua aplicação. 
Exemplo: A liberdade de reunião, que pode ser restringida para garantir a ordem pública.
 Normas de Eficácia Limitada: São normas que dependem de regulamentação posterior para serem plenamente aplicadas. Elas estabelecem princípios ou diretrizes que requerem legislação complementar para se tornarem efetivas. 
Até que essa regulamentação seja feita, elas não produzem todos os seus efeitos. 
Exemplo: Os direitos sociais como saúde, educação e moradia, que necessitam de políticas públicas específicas para sua realização plena. 
Normas de Eficácia: artº 5 (direitos e garantias)
Normas de Eficácia Contida: Art. 5º, XVI, Liberdade de reunião
Normas de Eficácia Limitada: Estabelecem princípios e diretrizes que requerem legislação contemplar para se tornarem efetivos.
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