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0 CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS GEOFÍSICOS AÉREOS APLICADOS À EXPLORAÇÃO MINERAL VOLUME 2 - MAGNETOMETRIA Vanessa Biondo Ribeiro 2017 Apoio Realização 1 PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS GEOFÍSICOS – MAGNETOMETRIA ÍNDICE 1. Introdução............................................................................................................................ 3 2. Preparação da base de dados................................................................................................ 4 2.1. Importar os dados.................................................................................................... 6 2.2.Unificação das bases de dados................................................................................. 9 2.3.Divisão das linhas de aquisição no database do Itinerante...................................... 10 2.4.Divisão das linhas de dados no database da Base.................................................... 13 3. Filtragem da variação diurna dos dados magnéticos............................................................ 14 3.1.Alteração dos nomes das colunas de dados ............................................................ 15 3.2.Analise dos dados no database da Base................................................................... 15 3.3.Filtragem da variação magnética diurna dos dados adquiridos............................... 16 4. Processamento dos dados magnéticos.................................................................................. 19 4.1. Correção do erro de Paralaxe (ou Lag) dos dados aéreos...................................... 19 4.2.Remoção do Campo Geomagnético Internacional de Referência (IGRF)............... 20 4.3.Correções de erros não sistemáticos........................................................................ 22 4.3.1. Nivelamento e micronivelamento das linhas de aquisição................................ 22 4.3.2. Microlevelling Using FFT Decorrugation (Micronivelamento)....................... 23 4.4.Janelamento (Recorte de Mapas)............................................................................. 26 5. Filtragem dos dados magnéticos.......................................................................................... 29 5.1.Filtragem Interativa (Interactive Filtering).............................................................. 29 5.1.1. Separação Regional-Residual Interativa............................................................ 34 5.2.Filtragem com Preparação de Grid Automática....................................................... 35 5.2.1. Separação Regional-Residual Automatizada..................................................... 37 5.2.1.1.Trend.................................................................................................................. 37 5.2.2. Menu MAGMAP: Continuação para cima (“Upward Continuation”).............. 39 5.2.3. Menu MAGMAP: Derivadas direcionais.......................................................... 39 5.2.4. Menu MAGMAP: Redução ao Polo Magnético (“Reduce to Magnetic Pole”). 40 2 5.2.5. Menu MAGMAP: Sinal Analítico (“Analytic Signal...”).................................. 40 5.2.6. Menu MAGMAP: Derivada Tilt (“Tilt Derivative...”)...................................... 41 5.3.Estimativa de Profundidades: Deconvolução de Euler............................................ 42 6. Referencias............................................................................................................................ 49 3 PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS GEOFÍSICOS – MAGNETOMETRIA APOSTILA PRÁTICA DE MAGNETOMETRIA 1. INTRODUÇÃO Devido à presença do campo magnético terrestre, uma rocha que contenha minerais ferromagnéticos causa uma distorção no campo magnético proporcional ao contraste de susceptibilidade entre essa rocha e a sua encaixante. Essa distorção (anomalia magnética) ocorre devido à magnetização induzida do campo (Mi) nos minerais das rochas. Entretanto, materiais ferromagnéticos podem reter uma componente de magnetização do campo na época de seu resfriamento, denominada de magnetização remanescente (Mr). Consequentemente, a magnetização total (Mt) de uma rocha vai ser definida pela soma vetorial das componentes induzida e remanescente. Essas distorções do campo magnético podem fornecer informações importantes sobre a distribuição de susceptibilidade em subsuperfície. Uma vez que o contraste de susceptibilidade seja significativo, a magnetometria é uma ferramenta rápida e eficaz para identificação e caracterização de diversos tipos de alvos exploratórios entre os quais podemos citar kimberlitos, BIFs (banded iron formation), complexos alcalinos, etc. 4 Abaixo é apresentada uma breve descrição dos principais procedimentos para corrigir os dados magnéticos amostrados em levantamentos terrestres e aéreos (Figura 1), assim como das principais técnicas de filtragem dos dados. Figura 1: (A) Mapa da anomalia magnética de Pratinha I (Louro, 2012), (B) Figura esquemática de um levantamento de campo magnetométrico e exemplo de perfis gerados pelos magnetômetros (C) itinerante e (D) base. 2. PREPARAÇAO DA BASE DE DADOS Em um levantamento magnético, para cada dia de aquisição são gerados dois arquivos diferentes: um referente ao magnetômetro Base e outro referente aos dados de campo do magnetômetro Itinerante (ex. Figura 1). É importante que esses arquivos contenham o valor do campo magnético registrado pelo aparelho, a data em que foram realizados os levantamentos, a A B C D 5 hora exata de cada medida, e no caso do Itinerante, a topografia, o nome(s) da(s) linha(s) percorrida(s) e as coordenadas de cada ponto em que foi feita a aquisição do dado. As Figuras 2 e 3 são exemplos de arquivos “.txt” referentes a um dia de aquisição de magnetometria terreste. Figura 2: Exemplo de um arquivo “.txt” referente a Base. Figura 3: Exemplo das informações contidas em um arquivo referente aos dados adquiridos em campo pelo magnetômetro Itinerante. X e Y são as coordenadas UTM de cada medida, elevation refere-se ao canal de topografia, nT é a coluna com o valor do campo magnético observado, sq a qualidade do sinal (em %), cor-nT a correção do valor medido (em nT), sat a quantidade de satélites de referência, time a hora em que a medição foi feita. 6 2.1 – Importar os dados A primeira etapa a ser feita é copiar os dados para um Database do Oasis Montaj. O software permite a importação de dados com diversos tipos de extensão (txt, xls, XYZ, etc.) a partir do menu “Database” (Figuras 4). Figura 4: Comandos do menu “Database” para importar dados no Oasis. Selecionado o arquivo de entrada, clique em “Wizard” (Figuras 4). Esse comando vai permitir definir os parâmetros de entrada do arquivo de dados em três etapas (Figura 5). Na primeira, deve-se informar como estão separados os dados de cada coluna. Em “File Type” indique se os campos estão separados por algum caractere ou se eles estão alinhados no arquivo todo, formato fixo. Também é possível definir se há uma linha de cabeçalho ou uma contendo Importa arquivos “.txt” “.xls” Define os parâmetros para importar os dados 7 unidades de cada coluna. No seguinte passo, os campos já devem estar separados por linhas verticais. Caso a separação não esteja correta, modifique o separador utilizado ou a posição das linhas (no caso de separador fixo – “Fixed Field”). No passo final deve-se informar o nome de cada canal, caso não tenha sido feito automaticamente através das informações do cabeçalho. Para alterar o nome, basta clicar na coluna desejada (a qual ficará azul) e alterar as especificações a partir doscampos indicados na Figura 5-C. Ao clicar em “Finish”, abrirá uma janela para criar um novo “database” (chamado daqui para frente de “gdb” em referência a Geosoft DataBase) o qual armazenará os dados importados. A janela de comando é apresentada na Figura 6. Tanto os dados de base quanto itinerante geralmente são separados por dia de aquisição. Por essa razão é necessário importar esses arquivos individualmente para o Oasis. Para cada arquivo de base gerado é importante criar uma nova coluna de dados especificando o dia em que foi feita a aquisição. Essa coluna será fundamental para a etapa de filtragem da componente diurna do campo magnético. A criação de um novo canal (coluna no gdb) é realizada ao clicar em um espaço em branco de célula referente ao título do canal. Escreva o nome do canal e digite ENTER. Em seguida abrirá uma janela em que poderá definir as características da coluna. Para a criação de uma função entre dois canais, clique 3 vezes sobre o título do canal (para identificar que deseja que o procedimento seja aplicado em todas as células pertencentes ao canal no gbd. Em seguida digite “=” para ativar o procedimento “Fórmula=” na base de dados (Item 2.7.1 da apostila prática de GAMA), e digite a data da aquisição da linha cujos dados foram importados. Ao dar “enter”, todo o canal terá o valor da data associado. 8 Figura 5: Principais comandos das três etapas para importação dos dados. Define uma linha específica para iniciar a importação dos dados Define se a uma linha com as unidades e/ou nome das colunas Cabeçalho do arquivo de entrada Separador utilizado para separar as colunas de dados Parâmetros das colunas (ex: nome e formato de exibição) Exemplo de coluna selecionada A B C 9 Figura 6: Janela de comandos para criar uma nova base de dados. 2.2 – Unificação das bases de dados Para facilitar a interpretação dos dados magnéticos, esses devem estar contidos todos na mesma base de dados. Então nesse estágio do trabalho criaremos um único database para os dados de Base e outro para o Itinerante. Os passos para essa união estão descritos abaixo. 1º passo) Antes de unir os databases, é importante ter certeza de que todos possuem as mesmas colunas de dados. 2º passo) Selecione no menu “Database Tools” a opção “Database Utilities” e então “Merge Databases...”, abrindo a janela de comandos abaixo. Figura 7: Janela de comandos para unificar diferentes databases. Nome da base de dados Tipo de compressão do arquivo Database final Database a ser adicionado Selecione “Append” para adicionar os dados aos pré- existentes 10 2.3 – Divisão das linhas de aquisição no database do Itinerante A nova base de dados criada pode apresentar apenas uma única linha de dados. Você pode verificar isso clicando com o botão direito do mouse na lista de linhas (“Lines”). Se isso ocorre, significa que a base de dados considera que todos os dados do levantamento foram obtidos sobre um mesmo perfil. Caso isso não se aplique ao levantamento em questão, então é necessário dividir os dados em suas respectivas linhas. A Figura 8 a distribuição das linhas de aquisição (“line path”) par um mesmo levantamento, tanto com as linhas unificadas pela base de dados quanto com as linhas já individualizadas. Antes de efetuar qualquer alteração nas linhas de aquisição, é necessário gerar antes o mapa onde estas estão situadas, ou ao menos interpolar os dados da região. O procedimento para criação do mapa e/ou do grid pode ser observado nas seções 2.3, 2.4 e 2.5 da apostila de GAMA. Para poder fazer a divisão correta das linhas de aquisição, é necessário primeiro visualizar como elas estão distribuídas. Para tal seleciona-se no menu “Map Tools” a opção “Line path”. A Figura 9 apresenta a janela de opções para plotar as linhas de aquisição. Figura 8: Mapa do campo magnético não corrigido da área de exemplo com as linhas de aquisição (A) antes e (B) depois de divididas. A B 11 Após clicar no mapa com as linhas de aquisição plotadas (Figura 8-A), selecione o ícone “Shadow Cursor Tool” ( ) na barra de ferramentas do Oasis. Depois clique no canal de Fiducial da base de dados (logo abaixo da célula Lines – Figura 10). Ao pressionar as setas do teclado, você notará que o cursor se moverá sobre as linhas de dados no mapa, indicando a localização de cada medida (ex. na Figura 10). Figura 9: Janela de especificações para plotar as linhas de aquisição. Figura 10: Exemplo de como localizar a posição geográfica de uma medida a partir do Fiducial. Cor da linha Espessura da linha Tamanho da fonte Cor da fonte Fiducial Cursor 12 A sequência de comandos para quebra das linhas é apresentada na Figura 11. Após dividir a linha, você deve clicar na célula Lines (Figura 10) e selecionar a nova linha que você criou. Este procedimento deve ser repetido até que todas as linhas de aquisição estejam divididas. Para visualizar o progresso do trabalho, você pode plotar novamente o line path sobre o mapa entre as divisões de linha, atualizando assim a distribuição dessas sobre o grid. É extremamente importante que a quebra de linhas a partir do fiducial seja feita em relação à 1ª medida da linha seguinte. Caso contrário à divisão não será efetuada corretamente, podendo excluir ou incluir um ponto na linha “quebrada”. Figura 11: Linhas de comando para divisão das linhas de aquisição. Linha a ser cortada Nova linha com os dados Fiducial de referencia para a divisão 13 2.4 – Divisão das linhas de dados no database da Base Ao contrário do database Itinerante, os dados da Base são divididos por dias de aquisição. Sendo assim, após a importação de todos os dados adquiridos pelo magnetômetro base, estes devem ser divididos de acordo com a data de levantamento. Essa divisão é feita a partir dos seguintes passos: 1º passo – consiste em ordenar todas as colunas em função do canal da data, garantindo assim que os dados referentes ao mesmo dia seja divididos corretamente. Para tal, no menu “Database Tools” seleciona-se a opção “Channel Tools” e “Sort All by 1 Channel...”. Pode-se então definir o canal de referência (no caso, o canal com as datas dos levantamentos). 2º passo – Clique com o botão direito do mouse sobre o nome do canal de data e depois selecione a opção “Show Profile”. Na parte inferior do database aparecerá a distribuição dos dados em um perfil. 3º passo – Assim como na divisão das linhas de aquisição (tópico 2.3), a “quebra” deve ser feita em relação ao primeiro ponto da próxima linha, ou seja, na primeira mudança da data. Para tal, você pode usar o gráfico gerado como referência para localizar os pontos de quebra. A Figura 12 mostra um exemplo do database Base antes da divisão das linhas. 4º passo – Selecione no menu “Database Tools” a opção “Line Tools” e “Split on Fiducial…” (ex. Figura 11). Repita o 3º e 4º passo até que todas as linhas da Base estejam dividas de acordo com suas respectivas datas. 14 Figura 12: Database Base antes da divisão das linhas Uma vez preparadas as bases de dados a serem utilizadas, o processamento e interpretação dos dados seguirá o seguinte fluxograma: 3. FILTRAGEM DA VARIAÇAO DIURNA DOS DADOS MAGNÉTICOS A filtragem da variação magnética diurna é extremamente importante tanto para aquisições terrestres quanto aéreas. Neste tópico são apresentados os passos para correção dessa variação. Linha a ser cortada Fiducial 15 3.1 – Alteração dos nomes das colunas de dados Antes de prosseguir com o processamento, é importante mudar o nome das colunas com os dados magnéticos adquiridos tanto pelo Itinerante quanto pela Base. Note que em ambos os exemplos de arquivos de entrada (Figuras 2 e 3) a coluna com esses dados é denominada de “nT”,o que pode gerar confusão ao correlacionar os databases gerados. Portanto, recomenda-se que a coluna de dados magnéticos da base de dados Itinerante seja renomeada para “MAG_RAW” e a da Base de “BASE”. O nome da coluna pode ser modificado clicando com o botão direito do mouse sobre este, e selecionando a opção “Edit...”. 3.2 – Analise dos dados no database da Base Antes de efetuar a correção da variação diurna é necessário verificar o formato do canal com a hora de cada aquisição tanto na base de dados da base quanto itinerante. Nesses campos você pode mudar o formato em que os dados são apresentados, por exemplo, a coluna de “time” no arquivo de entrada (Figura 3) é apresentada como 132354.0 (hhmmss.s) o que se referiria a 13:23:54 (hh:mm:ss). A analise dos dados adquiridos pelo magnetômetro Base é feita a partir dos seguintes passos: 1º passo – ordenar todas as colunas em função do canal hora: no menu “Database Tools” seleciona-se a opção “Channel Tools” e “Sort All by 1 Channel...”, sendo o canal de referência o “Time”. 2º passo –. Caso o gráfico da variação magnética diurna se apresentasse muito ruidoso, é recomendável fazer um filtro passa baixa desses dados. Para tal, crie um canal chamado 16 “Base_Filt” (passos 1 e 2 do tópico 5.7.1 do Capitulo 1 da apostila), assim os dados originais continuaram inalterados pela filtragem. No menu “Database Tools”, selecione a opção “Filters” e então “Low Pass Filter...”. O valor do “Cutoff wavelength (fiduciais)” deve ser definido de acordo com cada caso. A Figura 13 apresenta um exemplo de um perfil de variação magnética diurna registrada pelo magnetômetro base assim como do canal filtrado (“Base_Filt”). Figura 12: Exemplo da variação magnética diurna antes (vermelho) e depois (azul) da filtragem passa- baixa. No exemplo o valor do cutoff utilizado foi de 10. 3.3 – Filtragem da variação magnética diurna dos dados adquiridos A correção da variação magnética diurna é feita a partir da correlação entre os databases Base e Itinerante em função do canal “Time”, ou seja, em relação à hora em que cada medida foi realizada. 17 1º passo – Criar o arquivo “table” (extensão “.tbl”): no menu “Database”, selecione a opção “Export” e então “Geosoft XYZ...”. Antes de salvar o arquivo “Base_Filt.xyz”, clique em “Template” e selecione a seguinte ordem de arquivos para exportar: “Date”, “Time” e “Base Filt”. Abra este arquivo através do “TextPad” e inclua o seguinte cabeçalho: /geosoft table /=date:real /=time:real /=Base_Filt:real /date time Base_Filt Salve o arquivo como “Base_Mag.tbl”. 2º passo – Com o database dos dados Itinerantes aberto, entre no menu “Database Tools” e selecione as opções “Database Utilities” e “2 Channel Look Up...”. A janela de comandos esta disposta abaixo. 18 Figura 13: Janela de comandos do menu “2 Channel Look Up...”. 3º passo – Crie o canal “MAGCOR” no database Itinerante. Este canal receberá os dados magnéticos corrigidos da variação diurna. Para tal faça a subtração dos canais a partir da equação: 𝑀𝐴𝐺𝐶𝑂𝑅 = 𝑀𝐴𝐺_𝑅𝐴𝑊 − 𝐵𝑎𝑠𝑒_𝐹𝑖𝑙𝑡 (1) 4º passo – Crie o canal “MAGEDIT”. Clique três vezes com o botão esquerdo do mouse sobre o nome do canal “Base_Filt” e depois com o botão direito. Selecione a opção “Statistics...”. A janela aberta exibirá as principais características do canal. O valor médio do canal será utilizado como “Datum” na Equação 2. 𝑀𝐴𝐺𝐸𝐷𝐼𝑇 = 𝑀𝐴𝐺_𝐶𝑂𝑅 + 𝐷𝑎𝑡𝑢𝑚 (2) Arquivo tbl criado 1º canal de referencia 2º canal de referencia Canal no database Itinerante que vai receber o valor da Base Método de interpolação Método de busca 19 4. PROCESSAMENTO DOS DADOS MAGNÉTICOS Abaixo são apresentadas as etapas necessárias para corrigir os dados magnéticos do erro de paralaxe (associado aos aerolevantamentos), a remoção da componente de IGRF do campo e micronivelamento dos perfis (aplicado aso dados de aéreos). 4.1 – Correção do erro de Paralaxe (ou Lag) dos dados aéreos O erro de paralaxe corresponde à defasagem observada entre os tempos de medição do magnetômetro e altímetros em relação ao sistema de posicionamento GPS. Para determinar o erro de paralaxe, a aeronave sobrevoa em sentidos opostos uma mesma linha definida sobre uma anomalia magnética conhecida. A Correção de Paralaxe está associada ao valor deslocado do tempo de amostragem, de modo que as feições observadas nas duas direções de vôo se tornem coincidentes. A fórmula da Correção de Paralaxe é dada por: IMC PFM −= (3), Onde MC representa o valor do campo magnético corrigido do efeito de paralaxe, FM é o tempo fiducial da medida e PI é o valor do efeito de paralaxe em segundos calculado para o instrumento (no caso, magnetômetro). Um valor positivo de paralaxe indica que a leitura do instrumento esta a frente da posição do fiducial. 20 É importante ressaltar que não é alterado o valor do campo magnético medido, este apenas é deslocado em relação ao tempo em que os dados foram amostrados. 4.2 – Remoção do Campo Geomagnético Internacional de Referência (IGRF) A remoção do IGRF é feita através do menu “IGRF” disponível pelo Oasis Montaj. As etapas para essa correção estão descritas abaixo. 1º passo – Clique no ícone “Load Menu...” ( ) na barra de ferramentas do programa e abra o arquivo “igrf.omn”. É possível fazer a correção do IGRF de duas maneiras: para um ponto de referência localizado sobre a área investigada (“IGRF at a point...”) ou ponto a ponto (“IGRF Channel...”). Nesta apostila explicaremos como é feita a correção ponto a ponto. 2º passo – Antes de calcular o IGRF par ao canal com os dados magnéticos é preciso converter as coordenadas (que estão em UTM no exemplo) para o sistema de coordenadas geográficas. Para tal, entre no menu “Coordinates” e selecione a opção “New Projected Coordinates...”. Na primeira janela de comandos, indique quais são os canais no database Itinerante que contem as coordenadas no eixo “x” e “y”. Na segunda janela, especifique as características do sistema de coordenadas: no caso das coordenadas em UTM, selecione a opção “Projected (x,y)” e defina o datum utilizado no levantamento (ex. WGS84) e o sistema de projeção (ex. UTM zone 22S, para medidas efetuadas no oeste de São Paulo, Goiás, etc.). Na janela seguinte defina o nome dos canais que serão gerados no database contendo as coordenadas geográficas (ex. “Longitude” e “Latitude”). Por ultimo, defina as características do 21 novo sistema de coordenadas: no caso, selecione a opção “Geografic (long,lat)” e o datum desejado. 3º passo – Selecione a opção “IGRF Channel...” no menu IGRF. A Figura 14 apresenta as principais componentes da janela de comandos para efetuar essa correção. 4º passo – os canais dos dados de IGRF, inclinação e declinação estão ocultos no database. Para tornar esses canais visíveis, clique com o botão direito na parte superior de um canal em branco e selecione a opção “Display All”. 5º passo – crie um canal no database denominado “MAGIGRF”. A correção do IGRF é feita pela subtração dos canais com os dados magnéticos (“MAGEDIT”) pelo valor do IGRF (“IGRF”) dada pela equação abaixo. IGRFMAGEDITMAGIGRF −= (4), aaaaa Figura 14: Janela de comandos do IGRF. O canal 1 indica o ano de referência utilizado para o calculo do IGRF, 2 indica os canais do database com os dados de entrada e 3 indica os nomes dos canais que serão criados na base de dados contendo os valores do IGRF, da inclinação e da declinação calculados para cada ponto do database. 1 2 3 22 4.3 – Correções de erros não sistemáticos 4.3.1 - Nivelamento e micronivelamento das linhas de aquisição Em um levantamento geofísico, diversos fatores podem afetar a amostragemdos dados contribuindo assim para o surgimento de erros. Um dos efeitos mais óbvios é o aparente deslocamento das linhas (Figura 15) entre as linhas paralelas do aerolevantamento, comumente chamado de erro de nivelamento (“Levelling error”). O desnivelamento entre as linhas pode ser corrigido em duas etapas: nivelamento das linhas (feito a partir da diferença entre os valores das Linhas de Controle – “Tie Lines”, e as linhas de aquisição) e micronivelamento (geralmene utilizado para refinar a correçao do desnivelamento). Na literatura são encontradas diversas técnicas possíveis para realizar essas correções. No Oasis Montaj as correções de nivelamento da linhas são realizadas a partir do menu “Levelling_System.omn”. O micronivelamento, por sua vez, pode ser realizado por diversas combinaçoes de filtros (filtros passa-banda, filtro butterworth, cossseno direcional, etc.). Abaixo é apresentada a sequência de comandos para efetuar o micronivelamento utilizando FFT (“Microlevelling Using FFT Decorrugation”). 23 Figura 15: Mapa do campo magnético total (CMT) da anomalia de Pratinha I antes do micronivelamento dos dados. Louro e Mantovani (2012). 4.3.2 – Microlevelling Using FFT Decorrugation (Micronivelamento) Antes de efetuar o micronivelamento, é interessante plotar o mapa a ser filtrado com sombreamento (“colour shaded”). Essa visualização pode ser efetuada a partir do menu “Grid and Image”, opções “Display” e “Colour-Shaded Grid...” (mais detalhes da visualização podem ser obtidos no tópico 5.4 do capitulo 1 da apostila). A Figura 15 apresenta como exemplo o mapa do campo magnético total para a região de Pratinha I (Minas Gerais – Louro e Mantovani, 2012) antes do micronivelamento. As linhas do aerolevantamento possuem direção N-S com espaçamento de 400 m. O efeito de cancelamento (“corrugation”) entre as linhas de voo é bem evidente neste mapa. A correção desse efeito é feita a partir das seguintes etapas: 24 1º passo – Caso o menu “MAGMAP” não esteja visível na tela, é necessário acessá-lo. Para tal, clique no icone “Load menu” ( ) na barra de ferramentas do programa e selecione menu “MAGMAP.omn” (este menu será explicado com mais detalhes mais adiante). 2º passo – No menu “MAGMAP”, selecione a opção “MAGMAP 1-Step Filtering...”. Defina o arquivo de entrada (por exemplo: mapa do campo magnético total de Pratinha I), arquivo de saída (mapa filtrado, por exemplo: Erro.grd) e clique em “SetConFile” (Figura 19). 3º passo – Na janela de filtros (Figura 20), o primeiro filtro a ser aplicado será “Butterworth Filter” e o segundo, “Directional Cosine Filter”. Os parâmetros a serem utilizados nas janelas de comando dos filtros são apresentados na Figura 16. O mapa de erro gerado por essa sequência de filtros é apresentado na Figura 17-A. 4º passo – Para obter o mapa micronivelado é necessário subtrair o mapa de erro (Figura 17-A) do mapa de campo magnético total (Figura 15). Para realizar a subtração, acesse o menu Grid and Image e, em seguida, Grid Math. O mapa micronivelado esta disposto na figura 17-B 25 Figura 16: Janela de comandos dos filtros (A) Butterworth e (B) cosseno direcional. Figura 17: Mapa de (A) erro gerado pela filtragem e (B) do campo magnético total de Pratinha I micronivelado. 4.4 – Janelamento (Recorte de Mapas) Frequentemente o alvo de interesse de um levantamento geofísico está contido em uma região muito menor do que a levantada em campo. Com isso é necessário recortar o grid para 4 vezes o espaçamento das linhas de voo (exemplo 4 x 400m) Valor padrão definido pelo Oasis Para gerar o filtro de erro Ângulo do erro a ser retirado (ex. ruído com sentido N-S o valor é 0) Valores sugeridos pelo Oasis são de 0.5 ou 1 Para gerar o filtro de erro A B 26 focar no alvo a ser analisado, a esse processo dá-se o nome de Janelamento. Antes do Janelamento precisamente, é interessante criar um arquivo de polígono (preferencialmente retangular) que identifique a área do alvo a ser janelada com o uso da ferramenta “Create Rectangular PLY file...” do menu Map Tools, CAD Tools (Figura 18). Com o mapa que desejar janelar aberto, selecione esta ferramenta. Figura 18: Ferramenta “Create Rectangular PLY File...”. Ao clicar no “Create Rectangular PLY file...”, será aberta a janela Define a rectangular plot mask (Figura 19). Nesta janela deverão ser definidos o arquivo .ply a ser criado depois do janelamento (Output mask file), se a área a ser mantida após o janelamento será interna ou externa ao retângulo definido (Inclusive or Exclusive) e as coordenadas limites do retângulo (Minimum X, Maximum X, Minimum Y e Maximum Y). Se o arquivo .ply já existir, será possível somente acrescentar a área recortada à região já discriminada no arquivo com a opção Append. 27 Figura 19: Janela de configuração do arquivo .ply. Para definir graficamente a região de janelamento, clique no botão Interactive. Ao fazê-lo, selecione clicando e segurando com o botão esquerdo do mouse e arrastando o cursor até perfazer a área desejada (Figura 20). Figura 20: Definição da área a ser janelada. Após definir a área desejada, será possível notar que os campos com os limites laterais serão preenchidos automaticamente. Neste ponto é possível criar um novo arquivo (New file) ou acrescentar esta área a um arquivo existente (Append). 28 Uma vez definido o arquivo de polígono .ply pode-se janelar o grid desejado acessando a opção Grid and Image, Utilities, Window a Grid using Polygon File... (Figura 21). Figura 21: Ferramenta “Window a Grid using Polygon File...”. Ao selecionar esta ferramenta, será aberta a janela Mask Part of a Grid (Figura 22), em que será possível definir os arquivos de entrada (grid e polígono) e de saída, a opção de máscara (optando por recortar o que está dentro ou fora do polígono) e a minimização ou não do grid resultante (se a área do que for recortado deve ser mantida em branco – como DUMMY – ou excluída, permanecendo somente a região de interesse). 29 Figura 22: Janela Mask Part of a Grid 5. FILTRAGEM DOS DADOS MAGNÉTICOS O Oasis Montaj disponibiliza diversos tipos de filtros para tratamento dos dados magnéticos e interpretação. Entre estes podemos citar: Passa-Banda; Redução do Pólo Magnético; Redução ao Equador Magnético; Continuação para Cima e para Baixo (Upward e Downward Continuation, respectivamente); Amplitude do Sinal Analítico; Derivadas na Direção X, Y e Z; entre outros. A aplicação destas filtragens pode ser feita passo-a-passo, com o controle sobre cada etapa de preparação do grid e filtragem, ou automaticamente, definindo somente os parâmetros do filtro. 5.1 – Filtragem Interativa (Interactive Filtering) Antes de utilizar esses filtros, é necessário acessar o menu “MAGMAP.omn” a partir do icone “Load menu” ( ) na barra de ferramentas do programa. O menu MAGMAP permite que tanto que os filtros sejam aplicados de forma automática, quanto interativamente, com o usuário participando de todas as etapas: Preparação do Grid, Grid de Entrada Grid de Saída Arquivo .ply Opção de Máscara Minimização do Grid 30 Transformada Rápida de Fourier (FFT), Cálculo do Espectro de Potência Radial, Aplicação da Filtragem e Transformada Rápida de Fourier Inversa (IFFT)(Figura 23). Figura 23: Menu MAGMAP – Filtragem Interativa Primeiramente deve-se preparar o grid para a FFT. Neste processo o grid deverá ser ajustado de modo que não apresente problemas durante o processo. Clicando na opção “Prepare Grid...” será aberta a janela FFT2 grid pre-processing (Figura 24). Nesta janela será possível remover tendências do grid, definir a expansão deste, o modo de preenchimento (interpolação) de possíveis DUMMYs, decaimento e limitação da amplitudedo sinal. Figura 24: Janela FFT2 grid pre-processing Grid de Entrada Grid de Saída Tendência a ser removida Expansão do Grid Método de Interpolação Limitadores de Amplitude Decaimento da Amplitude 31 Neste ponto, o controle sobre os parâmetros da FFT são inseridos diretamente pelo usuário. Os parâmetros a serem definidos serão: a) Definição dos grids de entrada (Campo Magnético Total) e saída; b) Tendência a ser removida do sinal (opcional); c) Pontos a serem avaliados para a remoção de tendência (opcional); d) Expansão do grid (Padrão: 10% da extensão do grid / Ideal: 50% do tamanho do alvo de interesse); e) Modo de expansão (Quadrada – “Square” – ou Retangular – “Rectangular”), dependente da distribuição da amostragem. O modo retangular consome mais tempo de processamento; f) Método de Interpolação: Multistep Expansion (Mínima Curvatura), Maximum Entropy (Entropia Máxima) e Inverse Distance (Inverso da Distância); g) Limitação da amplitude máxima do grid e das amplitudes nas bordas. Amplitudes muito altas podem saturar o sinal e falsear o resultado. Uma vez definidos os parâmetros, pode ser realizada a FFT pela opção “Forward FFT...” do menu MAGMAP (Figura 25). Nesta etapa deve ser inserido o arquivo de saída definido na etapa anterior. Figura 25: FFT do grid pré-processado. 32 Em seguida deve ser calculado a espectro médio radial do grid através da ferramenta “Radial Average Spectrum...”. Neste item deverão ser inseridos o grid do domínio da frequência (resultante da FFT) e o arquivo de saída pós-cálculo do espectro (Figura 26). Figura 26: Ferramenta “Radial Average Spectrum...” para cálculo do espectro médio radial do grid. Só depois de calculado o espectro radial, pode-se realizar a filtragem em si pela ferramenta “Interactive Spectrum Filters...” (Figura 27). Ao ser selecionada, abrirá a janela para seleção do arquivo de entrada (Name of Output Spectrum File da Figura 26) definido na etapa anterior e criação do arquivo de controle do filtro. Este arquivo de controle armazenará as informações utilizadas na filtragem. Figura 27: Janela de seleção de arquivo de entrada e determinação de arquivo de controle da ferramenta “Interactive Spectrum Filters...”. Em seguida será aberta a janela de filtragem interativa (Figura 28). Nesta serão aplicados os filtros desejados sobre o grid, sendo dividida na representação gráfica do espectro de potência e do filtro aplicado, na definição e parametrização do filtro e na visualização do grid de entrada e do resultante após a aplicação do filtro. 33 Figura 28: Janela de definição e parametrização do filtro, e visualização dos resultados. Depois de definido o filtro, resta aplica-lo sobre o grid com a ferramenta Apply Filter... (Figura 23). Ao acessar esta opção será aberta a janela FFT2FLT (Figura 29) em que deverão ser definidos os arquivos de Transformada de Fourier (Name of Input Transform (*_trn.grd) File) criado na etapa de Forward FFT, de saída/grid filtrado (Name of Output Grif File), de filtro criado na etapa anterior (Name of Filter Control File), e do grid original que se deseja filtrar (Name of Reference (Original) Grid File). Esta ferramenta permite realizar a filtragem e IFFT (mantendo os arquivos de controle utilizados pelo programa para esse processamento) clicando em OK, a filtragem e IFFT sem manter os arquivos de controle clicando em Flt-Inv Only, ou ainda a filtragem sem a IFFT com a opção Filter Only. Espectro de Potência do Grid Inserido e Perfil do Filtro sendo Aplicado Visualização Filtro(s) Aplicado(s) 34 Figura 29: Janela filtragem e IFFT FFT2FLT. 5.1.1 – Separação Regional-Residual Interativa A Separação Regional-Residual é necessária para a remoção dos efeitos de estruturas regionais de grandes comprimentos de onda sobre o alvo em análise. O Geosoft permite a remoção desta componente do campo de diversas maneiras: pela ferramenta Trend, por Continuação para Cima (apresentadas no tópico 5.2 sobre ferramentas automatizadas) e por Espectro de Potência no menu MAGMAP, entre outros. A remoção da componente regional por espectro de potência utilizará os passos apresentados para a filtragem interativa. Uma vez na janela de filtragem, selecione o filtro Passa- Banda (Bandpass Filter). Com este filtro selecionado será possível definir o tamanho da banda a ser removida do espectro. O campo regional (fontes magnéticas maiores e/ou mais profundas) no espectro de potência será representado pela região de maior inclinação no gráfico. As fontes magnéticas rasas se localizarão na região intermediária, enquanto fontes pequenas, rasas e ruídos se apresentarão na região de menor inclinação no espectro (Figura 30). 35 Figura 30: Separação Regional-Residual por Espectro de Potência. O resultado dessa filtragem pode ser controlado visualmente através da pré-visualização (Preview) e pelos valores de corte dos longos comprimentos de onda (Long wavelength cutoff) e dos curtos (Short wavelength cutoff), assim como a determinação de qual banda deve passar ou ser excluída (Pass/Reject). 5.2 – Filtragem com Preparação de Grid Automática A forma mais comum de filtragem é deixar que o próprio Geosoft calcule os parâmetros ideais para preparação do grid para filtragem. No caso da separação regional-residual é possível Regional Fontes Rasas Fontes pequenas e muito rasas, e ruído 36 utilizar a ferramenta Trend ou ainda utilizar a técnica de continuação para cima, ambos com o programa fazendo as etapas de preparação. Outros filtros como o Tilt e o Sinal Analítico podem ser aplicados diretamente a partir do menu MAGMAP. Entretanto, outros filtros como a Reduçao ao Pólo são aplicados a partir do comando “MAGMAP 1-Step Filtering...” (Figura 31). Ao clicar nessa opção, é aberta a janela de comando disposta na Figura 32. Depois de definir o grid entrada e de saida (gerado pela filtragem), clique em “SetConFile” (polígono tracejado na Figura 32). O Oasis permite a utilizaçao de mais um filtro em sequência, por exemplo, a utilização de um filtro de continuaçao para cima seguido pelo de reduçao ao pólo (Figura 33). Cada um dos filtros disponiveis apresentam uma sequência de janelas de comandos as quais permitem ao usuário definir os parametros a serem utilizados. Abaixo são descritas as variaveis dos principais filtros utilizados na magnetometria. Figura 31: Menu MAGMAP. Comando para aplicar os filtros diretamente aos grids Calcula o Tilt do grid de entrada Calcula a Amplitude do Sinal Analítico 37 Figura 32: Janela de comando do “MAGMAP 1-Step Filtering...”. Figura 33: Janela de filtros do MAGMAP. 5.2.1 – Separação Regional-Residual Automatizada 5.2.1.1 – Trend A ferramenta Trend permite a remoção de efeitos regionais pela subtração de superfícies polinomiais de 1ª, 2ª ou 3ª ordens. Para fazê-lo deve-se acessar o menu Grid and Image, Filters, Trend (Figura 34). 1º Filtro a ser aplicado 38 Figura 34: Ferramenta Trend. A janela do Trend apresentará campos de entrada (Input Grid File) e saída de arquivos (Output Grid File with Trend Removed), opção para utilização de pontos do grid para o cálculo da superfície polinomial (Todos os pontos – All – ou somente os das bordas do grid – Edge), ordem da superfície a ser removida (1ª, 2ª ou 3ª), coeficientes da superfície polinomial (Coeffiecients of Removed Polynomial) e a opção de substituir um possível trend removido anteriormente (Figura 35) Figura 35: Janela da ferramenta Trend. 39 5.2.2 – Menu MAGMAP: Continuação para cima (“Upward Continuation”) Este filtro é muito utilizado para atenuar ou remover a influência do sinal magnético de fontes mais superficiais e fontes de ruídos, constituindo uma ferramenta muito útil para a filtragem regional-residual do campomagnético. Ele filtro recalcula o sinal magnético, simulando que as medidas efetuadas estivessem situadas a uma maior distância da superfície terrestre. A janela de comando desse filtro esta disposta na Figura 36, sendo o parâmetro de entrada a altura a qual será considerada para o calculo do filtro. Figura 36: Janela de comando do filtro “upward continuation”. Uma vez aplicado o filtro de Continuação para Cima, basta subtrair o grid original do filtrado para realizar a separação regional-residual. Deve-se atentar, no entanto, para não retirar mais componentes de longo comprimento de onda do que o necessário, evitando falseamentos. 5.2.3 – Menu MAGMAP: Derivadas direcionais As derivadas direcionais de ordem N podem ser calculadas em relação ao eixo x, y ou z a partir da opção “Derivative in X-direction”, “Derivative in Y-direction” ou “Derivative in Z- direction”, respectivamente. As derivadas direcionais dos mapas magnéticos são úteis para delimitar os limites de corpos e estruturas causadoras das principais anomalias. As anomalias de curto comprimento e maior gradiente (geralmente associadas a fontes mais rasas) são realçadas. Também é comum a 40 utilização dessas derivadas após a redução ao pólo magnético, visando ressaltar o centro das fontes magnéticas. 5.2.4 – Menu MAGMAP: Redução ao Polo Magnético (“Reduce to Magnetic Pole”) A técnica da redução ao polo é utilizada para remover o efeito de distorção gerado pela variação da inclinação e do azimute da polarização magnética. Essa remoção utiliza um operador de filtro que ajusta os dados a uma condição de polarização vertical, observada apenas nos polos magnéticos. Para atenuar o falseamento gerado pela redução ao pólo de anomalias localizadas em baixas latitudes, o Oasis Montaj faz uma correção a partir do valor complementar do ângulo de inclinação da magnetização induzida observada para a região estudada (parâmetro “Amplitude correction inclination” – Figura 37). Figura 37: Janela de comando do filtro de redução ao polo magnético. 5.2.5 – Menu MAGMAP: Sinal Analítico (“Analytic Signal...”) O sinal analítico permite estimar as bordas laterais de uma fonte anômala. O módulo da amplitude do sinal analítico para um ponto (x,y) pode ser obtido a partir dos gradientes ortogonais do campo magnético B. Essa técnica apresenta pouca dependência da direção da 41 magnetização total, podendo ser aplicada para caracterizar anomalias com magnetização remanescente intensa. Este filtro pode ser aplicado diretamente a partir do menu “MAGMAP” e sua janela de comandos esta disposta na Figura 38. Figura 38: Janela de comando do filtro sinal analítico. 5.2.6 – Menu MAGMAP: Derivada Tilt (“Tilt Derivative...”) A opção “Tilt Derivative” calcula a derivada da inclinação de um mapa e, opcionalmente, a derivada horizontal total da derivada da inclinação. Esses dois mapas são usados para mapear estruturas encobertas rasas e alvos para exploração mineral. O ângulo de inclinação do Tilt para um campo magnético residual amplia as fracas anomalias magnéticas, que geralmente são “ofuscadas” por estruturas com assinaturas mais fortes. Os ângulos de inclinação calculados estão no intervalo -90º a +90º em relação à horizontal, independentemente do comprimento de onda ou da amplitude do campo magnético. Para obter uma boa estimativa tanto da localização quanto da profundidade das fontes magnéticas, é recomendado aplicar o cálculo do ângulo do Tilt sobre o mapa reduzido ao polo magnético. 42 A abordagem assume que a fonte magnética consiste de um modelo de contato vertical em localizado em subsuperfície. Os contornos de zero indicam a localização dos limites laterais das fontes e a meia distância entre os contornos -45º e +45º fornecem uma estimativa da profundidade do topo do corpo enterrado. Geralmente o método aplicado para o calculo da derivada vertical (“Z-derivative method”) no Tilt é a Transformada de Fourier (FFT), entretanto, para grandes quantidades de dados, a utilização da técnica de convolução (“convolution”) pode diminuir consideravelmente o tempo de processamento. 5.3 – Estimativa de Profundidades: Deconvolução de Euler Diversas técnicas permitem a estimativa de profundidades com através do método magnético. Neste curso será apresentada uma das mais populares: a Deconvolução de Euler. Esta técnica se trata de uma análise estatística do grid (preferencialmente reduzido ao polo) que aponta os pontos mais superficiais onde existe contraste de susceptibilidade magnética. Para utilizar a Deconvolução de Euler no Oasis Montaj, deve-se acessar o menu “euler3d.omn” a partir do ícone “Load menu” ( ) na barra de ferramentas do programa. Uma vez aberto (Figura 39), a primeira etapa tratará da gridagem do canal com os dados magnéticos a serem analisados. Caso já tenha sido criado o grid (de campo magnéticos residual, por exemplo), esta etapa pode ser suprimida. 43 Figura 39: Menu Euler3D. Com o grid pronto, a próxima etapa é calcular as derivadas direcionais do mesmo. Para tal, clique na opção Process Grids... (Figura 39). Será aberta a janela Compute Derivative Grids (Figura 40) na qual deverá ser inserido no campo Input Grid o grid a ser analisado, definidos os os nomes e localização dos grids de derivadas em X, Y e Z (X-derivative output grid, Y- derivative output grid e Z-derivative output grid); em casos de mapas ruidosos, é possível executar uma continuação para cima inserindo o valor de altitude no campo Distance to upward continue e salvando o grid continuado no campo Upward-continued output grid. É possível ainda definir o modo de expansão do grid na FFT, se quadrado ou retangular (Grid expansion in FFT (square/rectangle)). Figura 40: Janela Compute derivative grids. 44 Ao clicar em OK, serão calculadas as derivadas direcionais utilizadas na execução da Deconvolução efetivamente. O próximo passo é então realizar a Deconvolução de Euler clássica (Standard Euler Decon...)(Figura 38). A janela Euler Deconvolution (Figura 41) será aberta, onde deverá ser inserido o grid de dados magnéticos (ou gravimétricos; Magnetic/Gravity grid), os grids das derivadas direcionais (X, Y e Z derivative grid), criado um database para as soluções da deconvolução (Solution database), dado um nome para a lista dentro do database onde ficarão alocadas as soluções (Solution list, por padrão já chamada Solutions), o índice estrutural (Structural Index - SI, Tabela 01), a tolerância de desvio da média da profundidade em porcentagem (Max. % depth tolerance), tamanho da janela em múltiplos do tamanho da célula do grid de entrada (Window size (>= 3)), distância máxima do centro da janela a ser considerado no cálculo da deconvolução (Max dist. to accept), altitude de voo em casos de levantamentos aerotransportados (Flying height) ou elevação do levantamento em casos de levantamentos terrestres ((or) Survey elevation). Figura 41: Janela Euler Deconvolution. 45 Tabela 01: Índices Estruturais da Deconvolução de Euler Modelo Geológico Nº de Dimensões Infinitas SI Magnético SI Gravimétrico Esfera 0 --- 3 2 Pipe 1 (Z) 2 1 Cilindro Horizontal 1 (X ou Y) 2 1 Dique 2 (Z e X ou Y) 1 0 Sill 2 (X e Y) 1 0 Contato 3 (X, Y e Z) 0 --- O database criado com as soluções da Deconvolução de Euler apresentará o canal Depth que, por sua vez, terá tanto estimativas de profundidades factíveis, quanto improváveis. São exemplos situações em que a profundidade do corpo é negativa. Para evitar este tipo de resultado deve-se refinar a lista de soluções no item Euler3D, Window Solutions, Window Solution List... (Figura 42). Figura 42: Ferramenta Window Solution List. A Figura 43 apresenta a janela Refine Solution List na qual devem ser inseridos: a lista de soluções (Solutions list), o canal com resultados (Channel with results)seja de profundidades (canal Depth), de distância da solução ao centro da janela (canal X_Offset e Y_Offset) ou de incerteza da localização da solução (canal dXY), o canal-máscara (Mask channel) em que serão 46 definidas as células válidas (com valor 1) ou inválidas (Dummies identificados por “*”), e os valores de limites mínimos (Mask results less than) e máximos (and greater than) aceitáveis para o canal a ser refinal. O modo de mascaramento (Masking mode) pode ocorrer de duas formas: no Append mode todas as células com valores fora dos limites definidos terão suas respectivas máscaras (no canal Mask) substituídas por dummies; no Preset mode primeiramente todas as células do canal Mask serão atribuídas do valor 1, em seguida as células deste canal referentes à células do canal Depth cujos valores extrapolem os limites definidos serão substituídas por dummies. Figura 43: Janela Refine solution list. Após refinar as soluções, é possível criar um novo canal contendo somente as soluções dentro dos parâmetros da máscara do item anterior. Através da ferramenta Build Solution Channel... (Figura 42) será aberta a janela Copy a channel against mask (Figura 44) em que deve-se o canal a ser copiado (Copy From, selecionando um canais Depth, X_Offset, Y_Offset ou dXY), o canal destino (To) e a máscara (Mask Chan). 47 Figura 44: Janela Copy a channel against mask. Com a criação do canal refinado, pode-se plotar as soluções no mapa através da ferramenta Euler3D, Plot Solution Symbols, Color Range Symbols... (Figura 45). Na Figura 46 é apresentada a janela Classified symbol plot onde deverão ser inseridos os parâmetros para a plotagem das soluções. Figura 45: Ferramenta Colour Range Symbols. 48 Figura 46: Janela Classified Symbol plot. Uma vez plotado é possível inserir a legenda da plotagem com a ferramenta Colour Range Symbol Legend... (Figura 45). Abrirá então a janela Classified Symbol Legend (Figura 47), onde será possível configurar o título e o subtítulo da legenda, a localização no mapa (clicando na opção Locate e em seguida no local do mapa onde desejar, o tamanho da fonte e dos símbolos. Assim é possível interpretar as profundidades de acordo com as características geológicas locais (Figura 48). Figura 47: Janela Classified Symbol Legend. Canal a ser plotado Nº de divisões de profundidades Canal-máscara Símbolo a ser usado Tamanho do Símbolo Ângulo do Símbolo Cor do Símbolo Distribuição de tipos, cores e tamanhos dos símbolos 49 Figura 48: Exemplo de plotagem das soluções da Deconvolução de Euler. 6. REFERÊNCIAS LOURO, V.H.A.; MANTOVANI, M.S.M. 3D inversion and modeling of magnetic and gravimetric data characterizing the geophysical anomaly source in Pratinha I in the southeast of Brazil. Journal of Applied Geophysics, vol. 80, p. 110-120, 2012. PRocessamento e Interpretação de Dados Geofísicos aéreos Aplicados À EXPLORAÇÃO MINERAL Volume 2 - Magnetometria Processamento e Interpretação de Dados GEOFÍSICOS – MAGNETOMETRIA ÍNDICE Processamento e Interpretação de Dados GEOFÍSICOS – MAGNETOMETRIA Apostila prática de magnetometria 1. Introdução 2. Preparaçao da Base de dados 2.1 – Importar os dados 2.2 – Unificação das bases de dados 2.3 – Divisão das linhas de aquisição no database do Itinerante 2.4 – Divisão das linhas de dados no database da Base 3. filtragem da variaçao diurna dos dados magnéticos 3.1 – Alteração dos nomes das colunas de dados 3.2 – Analise dos dados no database da Base 3.3 – Filtragem da variação magnética diurna dos dados adquiridos 4. processamento dos dados magnéticos 4.1 – Correção do erro de Paralaxe (ou Lag) dos dados aéreos 4.2 – Remoção do Campo Geomagnético Internacional de Referência (IGRF) 4.3 – Correções de erros não sistemáticos 4.3.1 - Nivelamento e micronivelamento das linhas de aquisição 4.3.2 – Microlevelling Using FFT Decorrugation (Micronivelamento) 4.4 – Janelamento (Recorte de Mapas) 5. filtragem dos dados Magnéticos 5.1 – Filtragem Interativa (Interactive Filtering) 5.1.1 – Separação Regional-Residual Interativa 5.2 – Filtragem com Preparação de Grid Automática 5.2.1 – Separação Regional-Residual Automatizada 5.2.1.1 – Trend 5.2.2 – Menu MAGMAP: Continuação para cima (“Upward Continuation”) 5.2.3 – Menu MAGMAP: Derivadas direcionais 5.2.4 – Menu MAGMAP: Redução ao Polo Magnético (“Reduce to Magnetic Pole”) 5.2.5 – Menu MAGMAP: Sinal Analítico (“Analytic Signal...”) 5.2.6 – Menu MAGMAP: Derivada Tilt (“Tilt Derivative...”) 5.3 – Estimativa de Profundidades: Deconvolução de Euler 6. Referências